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10858746 #
Numero do processo: 11080.729600/2017-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2017 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CANCELAMENTO. Com amparo na alínea ‘b’, do inciso II, § 1º do art. 62 do RICARF, aplica-se a tese fixada pelo STF no bojo do RE nº 796.939-RG.
Numero da decisão: 3101-003.958
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-003.955, de 16 de dezembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.729894/2017-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CANCELAMENTO. Com amparo na alínea ‘b’, do inciso II, § 1º do art. 62 do RICARF, aplica-se a tese fixada pelo STF no bojo do RE nº 796.939-RG. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-003.955, de 16 de dezembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.729894/2017-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Fl. 147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.958 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729600/2017-83 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Notificação de Lançamento de multa isolada decorrente de compensações declaradas e não homologadas, com fundamento no art. 74, §17, da Lei nº 9.430, de 1996, e alterações posteriores. Apresentada impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou-a improcedente, mantendo a multa exigida. Intimada, a Recorrente interpôs recurso voluntário requerendo o seu provimento alegando, em apertada síntese, a inconstitucionalidade da multa do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no bojo do RE nº. 796.939/RS. É o breve relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conheço do Recurso Voluntário, eis que preenchidos os requisitos legais necessários. A lide gira em torno da multa do § 17, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 incidente nos casos de compensação não homologada, oriunda do PAF nº 13603- 903387/2016-86. Sem delongas, o tema foi objeto do RE nº 796.939, julgado na sistemática recursal do disposto no art. 543-B, § 3°, do CPC, cujo trânsito em julgado do decisum na Suprema Corte se deu em 20/06/2023, ocasião em que ficando definida a tese: "É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária" Uma vez vinculante e obrigatória a sua aplicação, por força da alínea ‘b’, do inciso II, parágrafo único do art. 98 e 99 do RICARF, decido pelo provimento ao Recurso Voluntário aplicando o entendimento firmado pelo STF no bojo do RE nº 796.939- RG e, de conseguinte, cancelo a multa imposta. Fl. 148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.958 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729600/2017-83 3 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 149DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10857185 #
Numero do processo: 11075.001295/98-52
Data da sessão: Sun Oct 10 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 203-00.563
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA

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DRJ em Santa Maria - RS RESOLUÇÃO N° 203-00.563 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DE ALEGRETE LTDA. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2004 ~.~~eJ-. Leonardo de Andrade C Presidente Fr u ReI Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Maria Teresa Martinez López, Luciana Pato Peçanha Martins, Cesar Piantavigna, Emanuel Carlos Dantas de Assis e Valdemar Ludvig. Eaal/mdc ) Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 2'CC-MF FI. Processo n. Recurso n. 11075.001295/98_52120.549 •• Recorrente COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DE ALEGRETE LTDA. RELATÓRIO Às fls_ 342/351, Acórdão DRJ/STM nO173 julgando procedente em parte o lançamento, em razão da falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, no periodo compreendido entre janeiro de 1997 e março de1998. O Colegiado de Primeiro Grau decidiu pela procedência em parte do lançamento, consoante ressaltado, fundamentando, em síntese, que, uma vez tendo a Recorrente optado pela esfera judicial para ver reconhecido o seu direito de compensação, o mesmo assunto não pode mais ser discutido na esfera administrativa, cabendo a esta somente acatar a decisão final emanada pelo Poder Judiciário. Pelo mesmo motivo, em relação aos aspectos relacionados com a compensação, considera ser desnecessária a realização da pericia requestada, assim como no tocante aos aspectos relativos à base de cálculo da COFINS, vez que se constata nos autos todos os documentos necessários para o deslinde da controvérsia. Com relação às vendas para terceiros não associados, considerando_se as receitas oriundas de vendas de mercadorias e as devoluções de vendas, a fiscalização apurou valores maiores que os constantes nos balancetes apresentados pela Recorrente (fls. 103 a 287), o que ocasionou para esta, exigência a maior da Cofins. Quanto ao enquadramento das suas filiais, atuantes no ramo de supermercado, às disposições do art. 69 da Lei n° 9.532/97, a DRJ entendeu não poder a ela ser aplicado tal dispositivo, pelo fato de a cooperativa em questão ser de atividade mista e não propriamente uma cooperativa de consumo. Restando tal entendimento incontroverso, mediante Ato Declaratório Normativo n° 4 de 1999, editado pela Coordenação Geral doSistema de Tributação da SRF. No tocante à inconstitucionalidade da Taxa SELIC e da multa de oficio de 75%, afirmou não poder o julgador da esfera administrativa aduzir juízo acerca da legalidade e constitucionalidade dos enquadramentos legais apontados no auto de infração, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário a apreciação de tais questões. Ao julgador administrativo incumbe tãO-somente conhecer e decidir sobre a conformidade do ato à lei. Desta feita, a DRJ/STM votou pelo indeferime o do pedido de perícia e julgou procedente em parte o lançamento_ Manteve a exigência a Cofins, assim como a multa de oficio e os juros de mora, correspondente aos valore não recolhidos sobre as receitas decorrentes das operações com terceiros não associados cancelou a exigência da Cofins e da multa de 75%, não só da parcela referente às receitas o li das das operações com associados das filiais que atuam no ramo de supermercado, nos pe od 3-d uração relativos 2 ) Processo nº Recurso nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 11075.001295/98-52 120.549 I 'ttM' IFI. • aos meses de janeiro, fevereiro e março de 1998, como também das parcelas computadas a maior nas bases de cálculo dos meses de março, abril, setembro e outubro de 1997 . Inconformada com a decisão retro mencionada, a contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, de fls. 356 a 377, alegando, em suma, que, preliminarmente, a postura do colegiado julgador em silenciar sobre o enfrentamento da questão relativa ao pedido de compensação em razão de a contribuinte ter postulado o reconhecimento desse direito por meio de ação judicial, implica, a um só tempo, em infringência ao art. 31 do Decreto n° 70.235/71, e em vulneração à garantia do Devido Processo Legal, albergada pelo inciso LV do art. 5° da C.F., requerendo, destarte, a nulidade da r. decisão recorrida, para que se determine à Turma Julgadora o enfrentamento de todas as questões de defesa, e em especial aquela relativa à matéria concernente à utilização da Taxa SELIC. Ademais, afirma que não há impedimento legal ao acatamento do procedimento adotado pela Recorrente para a compensação dos créditos oponíveis de indébitos de FINSOCIAL com montantes devidos de COFINS. A Recorrente traz ainda à colação, para ratificar o que assevera, o art. 2° da Instrução Normativa SRF nO 32, de 09/04/97, que convalida o procedimento de compensação por ela adotado, além de jurisprudência do Egrégio do S perior Tribunal de Justiça. Por fim, p gna pela improcedência do percentual de 75% aplicado pelo agente autuante a título de, !ta regulamentar, bem como pela impossibilidade da utilização da Taxa SELIC como fator' e 'uros moratórios. 3 • .. Processo nº Recurso nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 11075.001295/98-52 120.549 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA I "GM' I. FI. •• O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento . . Verifico às fls. 03 e 04 que a Recorrente impetrou mandados de segurança pleiteando no primeiro a compensação de créditos do FINSOCIAL e de PIS no segundo, ambos com a COFINS, não logrando êxito em nenhum dos dois, conforme consta das fls. 65177. Não obstante, registra a Autoridade Autuante (fl. 04) que a Recorrente procedeu indevidamente a compensação. Assim fica entendido ter o Agente Fiscal constado que ambas as compensações foram efetivadas . Porém a visualização das DCTFs de fls. 79/93, remetida pelo Termo defl. 04, não indica quais as origens dos créditos utilizados, se de FINSOCIAL ou de PIS. Assim, diante da impossibilidade de constatar a parte do crédito relativa ao FINSOCIAL, que, podendo ser compensada com a COFINS nos termos da IN n° 32/97, que teria extinto parte dos débitos, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência para que seja esclarecido: a) o montante dos réditos de FINSOCIAL e dos débitos da COFINS envolvidos na co ensação; e b) o montante dos c .ditos de PIS compensação. FRANCISCO 4 00000001 00000002 00000003 00000004

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10858298 #
Numero do processo: 12448.721529/2019-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012, 2013 NULIDADE.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72, contra o qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias no sentido de procurar provar o seu direito. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2012, 2013 ALUGUEL DE DUTOS/TERMINAIS E EMBARCAÇÕES. CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO. POSSIBILIDADE. Diante da inexistência de definição clara e fechada na legislação sobre o conceito de máquinas, equipamentos e prédios, a verificação das hipóteses creditáveis com base no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/03, deve ser analisada caso a caso, tendo em vista a função dos bens indicados no processo produtivo e seu modo de funcionamento. No caso dos autos, restou demonstrada a possibilidade de creditamento frente ao tipo de utilização dos dutos, terminais e embarcações alugados enquanto ferramentas essenciais para execução das atividades do objeto social da recorrente. JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO, NA FORMA DO ART. 100, INCISOS I E III, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. CABIMENTO EFD. EFD. A tomada de créditos em relação a embarcações, com apoio no valor de sua aquisição, não é abonada e nem desabonada pela Escrituração Fiscal Digital - EFD. EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Em relação às contribuições sociais, terceiros não consulentes não são protegidos pelos efeitos da solução de consulta, que representam, ademais, pareceres, não práticas reiteradas da administração. JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO.APLICAÇÃO DO ART. 76, INCISO II, “A”, DA LEI N. 4502, DE 30.11.1964 Aplica-se a Súmula CARF nº 167 O art. 76, inciso II, alínea a da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado em conformidade com o art. 100, inciso II do CTN, e, inexistindo lei que atribua eficácia normativa a decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a observância destas pelo sujeito passivo não exclui a aplicação de penalidades. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, na medida em que não integra o Auto de Infração, não é questão afeta ao julgamento. Aplica-se a SÚMULA CARF Nº 108. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012, 2013 CRÉDITOS DETERMINADOS COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO DE BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO DA PESSOA JURÍDICA. EMBARCAÇÕES. Embarcações, inclusive rebocadores e aquelas em que a navegação é acessória da função principal, não ensejam a tomada de créditos com base no valor de aquisição, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas de 1,65% para o PIS/Pasep e de 7,6% para a Cofins, a razão de 1/48 (um quarenta e oito avos) ao mês. JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO, NA FORMA DO ART. 100, INCISOS I E III, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. CABIMENTO EFD. EFD. A tomada de créditos em relação a embarcações, com apoio no valor de sua aquisição, não é abonada e nem desabonada pela Escrituração Fiscal Digital - EFD. EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Em relação às contribuições sociais, terceiros não consulentes não são protegidos pelos efeitos da solução de consulta, que representam, ademais, pareceres, não práticas reiteradas da administração. JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO.APLICAÇÃO DO ART. 76, INCISO II, “A”, DA LEI N. 4502, DE 30.11.1964 Aplica-se a Súmula CARF nº 167 O art. 76, inciso II, alínea a da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado em conformidade com o art. 100, inciso II do CTN, e, inexistindo lei que atribua eficácia normativa a decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a observância destas pelo sujeito passivo não exclui a aplicação de penalidades. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, na medida em que não integra o Auto de Infração, não é questão afeta ao julgamento. Aplica-se a SÚMULA CARF Nº 108.
Numero da decisão: 3301-014.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da preliminar arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa da depreciação acelerada das embarcações CBO Campos, Chiara e Vitória, vencidos os Conselheiros Márcio José Pinto Ribeiro (relator) e Paulo Guilherme Deroulede que lhe negavam provimento. Em primeira votação, os Conselheiros Bruno Minoru Takii e Rachel Freixo Chaves davam provimento integral, aderindo ao voto vencedor em segunda votação. Designado o Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto para redigir o voto vencedor. Assinado Digitalmente Márcio José Pinto Ribeiro – Relator Assinado Digitalmente Oswaldo Gonçalves de Castro Neto – Redator Designado Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores conselheiros Aniello Miranda Aufiero Junior, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Rachel Freixo Chaves, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)
Nome do relator: MARCIO JOSE PINTO RIBEIRO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da preliminar arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa da depreciação acelerada das embarcações CBO Campos, Chiara e Vitória, vencidos os Conselheiros Márcio José Pinto Ribeiro (relator) e Paulo Guilherme Deroulede que lhe negavam provimento. Em primeira votação, os Conselheiros Bruno Minoru Takii e Rachel Freixo Chaves davam provimento integral, aderindo ao voto vencedor em segunda votação. Designado o Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto para redigir o voto vencedor. Assinado Digitalmente Márcio José Pinto Ribeiro – Relator Assinado Digitalmente Oswaldo Gonçalves de Castro Neto – Redator Designado Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores conselheiros Aniello Miranda Aufiero Junior, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Rachel Freixo Chaves, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012, 2013 NULIDADE.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72, contra o qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias no sentido de procurar provar o seu direito. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2012, 2013 ALUGUEL DE DUTOS/TERMINAIS E EMBARCAÇÕES. CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO. POSSIBILIDADE. Diante da inexistência de definição clara e fechada na legislação sobre o conceito de máquinas, equipamentos e prédios, a verificação das hipóteses creditáveis com base no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/03, deve ser analisada caso a caso, tendo em vista a função dos bens indicados no processo produtivo e seu modo de funcionamento. No caso dos autos, restou demonstrada a possibilidade de creditamento frente ao tipo de utilização dos dutos, terminais e embarcações alugados enquanto ferramentas essenciais para execução das atividades do objeto social da recorrente. JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO, NA FORMA DO ART. 100, INCISOS I E III, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. CABIMENTO EFD. EFD. A tomada de créditos em relação a embarcações, com apoio no valor de sua aquisição, não é abonada e nem desabonada pela Escrituração Fiscal Digital - EFD. EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Em relação às contribuições sociais, terceiros não consulentes não são protegidos pelos efeitos da solução de consulta, que representam, ademais, pareceres, não práticas reiteradas da administração. JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO.APLICAÇÃO DO ART. 76, INCISO II, “A”, DA LEI N. 4502, DE 30.11.1964 Aplica-se a Súmula CARF nº 167 O art. 76, inciso II, alínea a da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado em conformidade com o art. 100, inciso II do CTN, e, inexistindo lei que atribua eficácia normativa a decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a observância destas pelo sujeito passivo não exclui a aplicação de penalidades. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, na medida em que não integra o Auto de Infração, não é questão afeta ao julgamento. Aplica-se a SÚMULA CARF Nº 108. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012, 2013 CRÉDITOS DETERMINADOS COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO DE BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO DA PESSOA JURÍDICA. EMBARCAÇÕES. Embarcações, inclusive rebocadores e aquelas em que a navegação é acessória da função principal, não ensejam a tomada de créditos com base no valor de aquisição, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas de 1,65% para o PIS/Pasep e de 7,6% para a Cofins, a razão de 1/48 (um quarenta e oito avos) ao mês. JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO, NA FORMA DO ART. 100, INCISOS I E III, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. CABIMENTO EFD. EFD. A tomada de créditos em relação a embarcações, com apoio no valor de sua aquisição, não é abonada e nem desabonada pela Escrituração Fiscal Digital - EFD. EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Em relação às contribuições sociais, terceiros não consulentes não são protegidos pelos efeitos da solução de consulta, que representam, ademais, pareceres, não práticas reiteradas da administração. JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO.APLICAÇÃO DO ART. 76, INCISO II, “A”, DA LEI N. 4502, DE 30.11.1964 Aplica-se a Súmula CARF nº 167 O art. 76, inciso II, alínea a da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado em conformidade com o art. 100, inciso II do CTN, e, inexistindo lei que atribua eficácia normativa a decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a observância destas pelo sujeito passivo não exclui a aplicação de penalidades. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, na medida em que não integra o Auto de Infração, não é questão afeta ao julgamento. Aplica-se a SÚMULA CARF Nº 108.

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É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72, contra o qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias no sentido de procurar provar o seu direito. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2012, 2013 ALUGUEL DE DUTOS/TERMINAIS E EMBARCAÇÕES. CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO. POSSIBILIDADE. Diante da inexistência de definição clara e fechada na legislação sobre o conceito de máquinas, equipamentos e prédios, a verificação das hipóteses creditáveis com base no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/03, deve ser analisada caso a caso, tendo em vista a função dos bens indicados no processo produtivo e seu modo de funcionamento. No caso dos autos, restou demonstrada a possibilidade de creditamento frente ao tipo de utilização dos dutos, terminais e embarcações alugados enquanto ferramentas essenciais para execução das atividades do objeto social da recorrente. JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO, NA FORMA DO ART. 100, INCISOS I E III, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. CABIMENTO EFD. EFD. Fl. 1748DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 2 A tomada de créditos em relação a embarcações, com apoio no valor de sua aquisição, não é abonada e nem desabonada pela Escrituração Fiscal Digital - EFD. EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Em relação às contribuições sociais, terceiros não consulentes não são protegidos pelos efeitos da solução de consulta, que representam, ademais, pareceres, não práticas reiteradas da administração. JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO.APLICAÇÃO DO ART. 76, INCISO II, “A”, DA LEI N. 4502, DE 30.11.1964 Aplica-se a Súmula CARF nº 167 O art. 76, inciso II, alínea "a" da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado em conformidade com o art. 100, inciso II do CTN, e, inexistindo lei que atribua eficácia normativa a decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a observância destas pelo sujeito passivo não exclui a aplicação de penalidades. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, na medida em que não integra o Auto de Infração, não é questão afeta ao julgamento. Aplica-se a SÚMULA CARF Nº 108. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012, 2013 CRÉDITOS DETERMINADOS COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO DE BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO DA PESSOA JURÍDICA. EMBARCAÇÕES. Embarcações, inclusive rebocadores e aquelas em que a navegação é acessória da função principal, não ensejam a tomada de créditos com base no valor de aquisição, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas de 1,65% para o PIS/Pasep e de 7,6% para a Cofins, a razão de 1/48 (um quarenta e oito avos) ao mês. JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO, NA FORMA DO ART. 100, INCISOS I E III, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. CABIMENTO EFD. EFD. Fl. 1749DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 3 A tomada de créditos em relação a embarcações, com apoio no valor de sua aquisição, não é abonada e nem desabonada pela Escrituração Fiscal Digital - EFD. EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Em relação às contribuições sociais, terceiros não consulentes não são protegidos pelos efeitos da solução de consulta, que representam, ademais, pareceres, não práticas reiteradas da administração. JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO.APLICAÇÃO DO ART. 76, INCISO II, “A”, DA LEI N. 4502, DE 30.11.1964 Aplica-se a Súmula CARF nº 167 O art. 76, inciso II, alínea "a" da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado em conformidade com o art. 100, inciso II do CTN, e, inexistindo lei que atribua eficácia normativa a decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a observância destas pelo sujeito passivo não exclui a aplicação de penalidades. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, na medida em que não integra o Auto de Infração, não é questão afeta ao julgamento. Aplica-se a SÚMULA CARF Nº 108. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da preliminar arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa da depreciação acelerada das embarcações CBO Campos, Chiara e Vitória, vencidos os Conselheiros Márcio José Pinto Ribeiro (relator) e Paulo Guilherme Deroulede que lhe negavam provimento. Em primeira votação, os Conselheiros Bruno Minoru Takii e Rachel Freixo Chaves davam provimento integral, aderindo ao voto vencedor em segunda votação. Designado o Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto para redigir o voto vencedor. Assinado Digitalmente Márcio José Pinto Ribeiro – Relator Fl. 1750DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 4 Assinado Digitalmente Oswaldo Gonçalves de Castro Neto – Redator Designado Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores conselheiros Aniello Miranda Aufiero Junior, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Rachel Freixo Chaves, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente) RELATÓRIO Por bem descrever os fatos adoto e transcrevo excertos do relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito em relação à Contribuinte em epígrafe da qual resultou Lançamento, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 126/135, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no que tange a períodos de apuração de 2012 e 2013. O crédito tributário apurado relativo ao PIS, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora (calculados até 01/2017), perfaz o total equivalente a R$ 10.843.813,97. A ação fiscal também redundou em Lançamento, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 136/145, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins no que tange a períodos de apuração de 2012 e 2013. O crédito tributário apurado relativo à Cofins, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora (calculados até 01/2017), perfaz o total equivalente a R$ 50.034.501,87. Pelo TERMO DE CONSTATAÇÃO de fls. 100/105 registra a autoridade tributária da União, em síntese, no seguinte sentido: No exercício das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil iniciei, em 17/03/2016, procedimento de Fiscalização na pessoa jurídica acima identificada, sob a égide do RPF n° 07.1.08.00-2016-00100-7, com o intuito de verificar a correta apuração da base de cálculo e o consequente lançamento do PIS e da COFINS dos anos calendário 2012 e 2013. Tendo sido encontrados indícios de irregularidades quanto ao correto cumprimento das obrigações tributárias por parte do contribuinte, lavrei o presente Termo de Constatação, onde são descritas Fl. 1751DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 5 as infrações apuradas, concedendo-se ao contribuinte o prazo de 20 (vinte) dias para contestar as alegações efetuadas, acompanhadas da documentação comprobatória. ESPECIFICAÇÃO (1) Em Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte foi cientificado de que, da análise das DACON do período de 2012 e 2013, verificou-se que grande parte dos valores utilizados como créditos de PIS e COFINS decorriam das linhas 9 e 10 das respectivas fichas, linhas estas referentes à depreciação. (...) (4) Da análise das planilhas, verificou-se que grande parte dos bens depreciados eram rebocadores ou suas modernizações, cujo valor contábil superava em muito o dos demais bens depreciados neste ano calendário. Verificou-se ainda que a pessoa jurídica optou por utilizar a depreciação acelerada, já que a planilha apresentada pelo contribuinte, denominada "Creditos 1_48 x vida util Fiscalização mensal", utilizava o critério de depreciação previsto no parágrafo 2° do artigo 1° da IN RFB 457/2004, qual seja, a depreciação mensal de 1/48 do valor do bem. (...) (7) Em seu §2°, o artigo 1° da IN RFB 457/2004 prevê que podem ser depreciados à razão de 1/48 ao mês apenas as máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, não estando incluídos os "outros bens" que constavam do caput do artigo. Como descrito, rebocadores se enquadram no capítulo 89 - EMBARCAÇÕES E ESTRUTURAS FLUTUANTES, posição 8904 - REBOCADORES E BARCOS CONCEBIDOS PARA EMPURRAR OUTRAS EMBARCAÇÕES da NCM.Fica claro que, estando o rebocador incluído no capitulo 89,que se refere a embarcações e estruturas flutuantes, o contribuinte não poderia, em relação a estes bens, utilizar-se do critério de depreciação previsto neste §2°. (8) Neste sentido, a Solução de Consulta COSIT N° 7, de 27/01/2015, publicada no DOU de 02/02/2015 corroborada pela Solução de Divergência COSIT N° 2, de 12/02/2015, publicada no DOU de 20/02/2015, afirma que "o modelo elegido pelo legislador para a não cumulatividade da COFINS permite a apuração de créditos unicamente pelas hipóteses expressamente previstas no artigo transcrito. Se a hipótese fática se subsumir às disposições do artigo, há crédito. Caso contrário, não. Ou seja, por mais indispensável, necessária ou essencial que seja a despesa efetuada, o direito a crédito só existe caso se amolde às previsões dos incisos transcritos". Prossegue dizendo que "o deslinde da questão passa exatamente por definir se os veículos estão incluídos nesta expressão "máquinas e equipamentos'. (9) Da análise da legislação tributária, constata-se que toda vez que o legislador quer se referir a determinado bem, ele é específico, descrevendo o bem objeto do texto legal. Como exemplo não exaustivo, a própria Lei 10.833, em seu artigo 2°, Fl. 1752DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 6 §1°, inciso III, dispõe que as alí quotas previstas devem ser aplicadas no caso de venda de máquinas e veículos, não fazendo referência a quaisquer outros bens que possam enquadrar-se. Outro exemplo advém da Lei 10.865, de 30/04/2004, que, em seu art. 15, inciso IV, diz que: (...) (10) Com efeito, nota-se que o legislador claramente faz referência ao bem que pode ser objeto de crédito. No inciso IV, o legislador faz referência a embarcações e aeronaves. No inciso V deste mesmo artigo, o legislador faz referência exatamente a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, demonstrando que estes não se confundem com embarcações e aeronaves. Ou seja, o direito a crédito somente pode ser entendido no estrito senso do ditame legal, não se aplicando em momento algum, a analogia para determinação dos bens que gerarão créditos de PIS e COFINS. Desta forma, na aplicação da norma, embarcações não se confundem com máquinas e equipamentos. Verifica-se claramente que a aplicação do coeficiente de 1/48 previsto no §2° do art. 1° da IN RFB 457/2004 restringe-se unicamente a máquinas e equipamentos estrito senso, não podendo ser aplicada a analogia a este direito creditório. (...) (12) Em relação aos rebocadores cuja comprovação de propriedade foi solicitada, pelos motivos expostos neste Termo, a depreciação a ser utilizada é aquela prevista na IN 457/2004, reproduzindo a Lei 10.833, com as redações dadas pelas Leis 10.865, 10.925 e 11.196, a qual permite a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, nos moldes previstos na IN RFB 162/98, que fixa os critérios de depreciação de cada bem em função da classificação fiscal (NCM). Em se tratando de rebocadores, o prazo seria de 20 anos, posição 8904 da NCM. (13) Desta forma, não sendo considerada válida por esta Fiscalização a depreciação acelerada utilizada pelo contribuinte, faz-se necessário que seja calculada a depreciação pelo critério da IN 457/2004, para que possa servir de base de cálculo dos créditos de PIS e da COFINS, e concedidos tais créditos à pessoa jurídica. (...) (16) A linha "SALDO PIS /COFINS A LANÇAR" da Planilha 3 registra os novos valores de PIS e COFINS devidos, sendo feitas as alterações constantes do presente Termo de Constatação, notadamente a reclassificação da depreciação dos rebocadores para 20 anos ou 240 meses. (17) Fica o contribuinte intimado a contestar as alegações efetuadas no presente Termo de Constatação, acompanhado de documentação comprobatória. Inexistindo esclarecimentos, os valores constantes da Planilha 3 descritos como Fl. 1753DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 7 SALDO PIS/COFINS A LANÇAR, serão lançados por esta Fiscalização através da lavratura de Auto de Infração. Diante disso, alegou a Fiscalizada perante a Autoridade Fiscal em fls.113/116: Na visão da auditoria fiscal, o parágrafo 14 do art. 3° da Lei n.10833 não abrange as embarcações da peticionária, que não se enquadrariam no conceito de "maquinas e equipamentos". Daí porque, quisesse o legislador contemplar os veículos, embarcações ou aeronaves no parágrafo 14, teria feito menção expressa a tais bens. Por este motivo, na sua visão, o crédito da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as embarcações da peticionária deveria ter sido apurado de acordo com os respectivos encargos de depreciação, e não à taxa de 1/48, como o foi. Ocorre que, na interpretação da peticionária, não é esta a melhor aplicação da norma. A peticionária entende que suas embarcações estão dentro do conceito de léxico de máquinas e equipamentos, eis que se tratam de verdadeiros engenhos de alta complexidade e funcionalidade, compostos pelas mais variadas partes e peças, as quais, juntas, formam um conjunto indissociável e necessário para prover e fornecer as atividades a que se destinam. Realmente, as embarcações de titularidade da peticionária não são simples veículos de transporte, como parece ter entendido a fiscalização. Muito pelo contrário, são compostas por uma infinidade de partes e peças que as acompanham e que lhes são integradas com a finalidade de promover o serviço de apoio marítimo realizado pela peticionária Aliás, diga-se que a navegação de apoio marítimo é atividade extremamente regulada no âmbito da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), de modo que, por uma questão regulatória, essas embarcações não poderiam ser utilizadas para outro fim, que não o apoio marítimo. O art. 30, inciso 1 da resolução ANTAQ n. 2919, de 4.6.2013, define navegação de apoio marítimo como a realizada para o apoio logístico às embarcações e instalações, em águas territoriais nacionais e na Zona Econômica, que atuem nas atividades de pesquisa e lavra de minerais e hidrocarbonetos. As embarcações, neste contexto, são construídas e adaptadas conforme as solicitações de seus clientes, não constituindo meros veículos de transporte aquático, mas, sim, máquinas e equipamentos flutuantes, destinados a prestar apoio, por exemplo, a plataformas de exploração e produção de petróleo. Todos os bens que compõem as embarcações formam um conjunto que se presta a prover o serviço navegação de apoio marítimo e permitem que a peticionária: - manuseie âncoras, mediante o uso de molinete hidráulico; - auxilie no manuseio e montagem de equipamentos submarinos; - manuseie materiais ou bens pesados mediante o uso de guindastes e guinchos; Fl. 1754DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 8 - remova resíduos sem ocasionar contaminação, o que se dá mediante o uso de "tanques" integrados às embarcações, como mencionado acima, além da prática de outras atividades. Em síntese, as embarcações da peticionária contêm, além de maquinário que lhe confere força mecânica necessária para a navegação marítima, diversas máquinas e equipamentos (tanques, hélices, molinetes, guinchos, guindastes, etc.), que se agregam e se integram a estas embarcações, formando uma unidade, isto é, um conjunto indissociável. Logo, não há dúvidas de que tais embarcações são máquinas e equipamentos flutuantes utilizadas unicamente com a finalidade de navegação de apoio marítimo. Assim, sendo certo que as embarcações estão enquadradas no gênero "máquinas" e "equipamentos", e não tendo o legislador excluído aqueles bens da norma legal que autoriza o crédito à taxa de 1/48, não poderia o intérprete e aplicador fazê-lo, sob pena de criar distinção onde a lei não distinguiu (...) Ademais, diga-se que, ainda que se entendesse que as embarcações operadas pela peticionária não correspondem a "máquinas e equipamentos", o que se admite "ad argumentandum tantum", o direito ao crédito à taxa de 1/48 subsistiria, porque uma leitura atenta do dispositivo revela que o parágrafo 14 do art. 3° da Lei n. 10833 abrange qualquer bem do ativo imobilizado utilizado na atividade operacional da pessoa jurídica, e não somente "máquinas e equipamentos". De fato, o parágrafo 14 é uma opção ao cálculo do crédito de que cuida o inciso III, parágrafo 1°, do artigo 3°, o qual, por sua vez, faz remissão ao inciso VI deste mesmo dispositivo, que trata de "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado", cuja teleologia cuida de permitir o crédito dos ativos imobilizados ligados à atividade operacional da sociedade. Com efeito, considerando que o parágrafo 14, do art. 3° da Lei n. 10833, faz referência ao inciso III, parágrafo 1°, do artigo 3º, o qual, por sua vez, faz remissão ao inciso VI deste mesmo artigo, e considerando também que o parágrafo 14 não tem por objetivo ampliar ou restringir o direito à tomada do crédito, mas, tão- somente, estabelecer um critério temporal alternativo, outra não pode ser a conclusão a não ser a de que tal dispositivo alcança todos os bens do ativo imobilizado utilizados pela pessoa jurídica em sua atividade principal. Ora, sabendo-se que o parágrafo 14 do art. 3° não confere o direito ao crédito, mas apenas estabelece um critério temporal alternativo, diferente da regra geral dos encargos de depreciação, que sentido faria excluir do seu alcance outros bens do ativo imobilizado utilizados na atividade da pessoa jurídica? Fl. 1755DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 9 Assim, para que a interpretação da norma em debate não resulte em incoerência e falta de lógica, deve-se aplicar conjuntamente o disposto no inciso VI, no parágrafo 1°, inciso IV, e no parágrafo 14, todos do art. do art. 3° da Lei n. 10833, atendendo-se à remissão legal, de tal sorte a concluir que o legislador abrangeu máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado, quando criou um critério temporal alternativo para o cálculo do crédito, e nada mais. Tudo isso confirma e solidifica a conclusão de que as embarcações estão abrangidas pela regra do parágrafo 14, art. 3° da Lei n. 10833 Contra os Autos de Infração foi interposta impugnação, fls. 226/262, em síntese, no seguinte sentido: (...) 1. Os fatos e a acusação fiscal. Como exposto, a fiscalização pretende exigir a contribuição ao PIS e a COFINS, oriundas da glosa de créditos destas contribuições calculados sobre embarcações, sob o argumento de que a ora impugnante teria se utilizado, indevidamente, da tomada de créditos à taxa de 1/48 ao mês. Segundo a fiscalização, o creditamento não estaria de acordo com a legislação de regência da matéria, mais precisamente com os dispositivos que disciplinam o critério temporal de apropriação dos créditos da contribuição ao PIS e da COFINS calculados sobre "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" (art. 3º, inciso VI, das Leis n. 10637 e 10833). Sobre o mérito da discussão, conquanto não haja nenhuma dúvida de que as embarcações da impugnante geram crédito das contribuições em foco, constituindo isso, pois, fato incontroverso, a fiscalização questionou a possibilidade de a impugnante se valer do critério temporal alternativo de apropriação de crédito, contido no art. 3º, parágrafo 14°, da Lei n. 10833, o qual ostenta a seguinte redação: (...) Não obstante isso, o Sr. Auditor Fiscal lavrou os presentes autos de infração admitido o crédito das referidas contribuições de acordo com os encargos de depreciação, apropriados no prazo de 20 anos, glosando a diferença apurada à taxa de 1/48, utilizada pela impugnante. Foram também imputados juros e multa de ofício de 75%. Ocorre que as acusações não reúnem condições de prosperar, pois, além de conterem flagrante vício, que maculam os autos de infração, estão em desacordo com a escorreita interpretação da legislação em vigor, conforme será demonstrado a seguir. 2. Preliminarmente. Equívocos na quantificação da matéria tributável. Fl. 1756DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 10 Ao efetuar o cálculo das contribuições sociais, a fiscalização não se atentou à existência de uma série de retenções sofridas pela impugnante, que, em razão de não terem sido deduzidas nos respectivos meses de apuração, são atualmente objeto de pedidos de restituição em análise nos processos administrativos abaixo referenciados (docs. 03 a 05): (...) Ao efetuar a glosa dos créditos, a fiscalização tem a obrigação de recompor a apuração das contribuições, o que deve fazer atenta à correta quantificação dos tributos, sob pena de incorrer em vício material no lançamento, em desrespeito ao art. 142 do CTN, que impõe, no dever vinculado do lançamento fiscal, a adequada quantificação da matéria tributável, bem como ao princípio da estrita legalidade, que norteia as obrigações tributárias (art. 150, inciso I, da Constituição Federal, e art. 97 do CTN). (...) 3. Mérito. (...) 3.1. A possibilidade de tomada de créditos sobre as embarcações à taxa de 1/48 ao mês. O alcance das palavras "máquinas" e "equipamentos". (...) Ainda de acordo com a fiscalização, quisesse o legislador contemplar os veículos, embarcações ou aeronaves no parágrafo 14, teria feito menção expressa a tais bens. Por este motivo, o crédito da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as embarcações da impugnante deveria ser apurado de acordo com os respectivos encargos de depreciação, e não à taxa de 1/48, como o foi. Todavia, esse entendimento não deve prosperar, eis que desatento às melhores técnicas de intepretação do Direito. Conforme lição de Karl Larenz, a interpretação deve resultar no máximo sentido possível da letra da lei, nem mais, nem menos. Em vista disso, o intérprete e o aplicador da lei não podem ignorar o significado das palavras ou atribuir-lhes significados diferentes dos que normalmente lhes são inerentes, ou ainda ignorar os vocábulos utilizados pela lei, negando a sua existência no texto legal ou substituindo-os por outros com sentidos diversos . (...) É neste sentido, aliás, que determina a Lei Complementar n. 95 de 26.2.1998, cujo art. 11, inciso I, letra "a", preconiza que na interpretação dos textos legais as palavras devem ser entendidas no seu sentido comum, quando elas forem de uso corriqueiro, e no seu sentido técnico pelo qual são entendidas no campo de atividade especializada a que se referem, quando for o caso. Confira-se: (...) Fl. 1757DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 11 À evidência, tanto máquinas quanto veículos são palavras de uso comum e corriqueiro, que devem ser interpretadas em sua acepção ordinária. (...) Como se vê, salvo nos casos de termos técnicos, o intérprete deve privilegiar a linguagem comum, a fim de que o destinatário do texto legal tenha a possibilidade de compreender os seus conteúdos normativos possíveis (determinabilidade ou cognoscibilidade), na atividade de concreção normativa. Portanto, para que se compreenda o real alcance do referido inciso IV do art. 3º das Leis n. 10637 e 10833, deve-se buscar o conceito léxico das palavras "máquina" e "equipamento" (...) Diga-se de passagem, que a própria Receita Federal do Brasil já conceituou embarcações no sentido léxico de "máquina". É o que se vê na Instrução Normativa n. 136 de 8.10.1987 que, não obstante estar revogada, bem qualificou as embarcações para fins do regime aduaneiro de admissão temporária. (...) Como dito anteriormente, a interpretação da lei deve buscar o sentido máximo do texto. Qualquer interpretação restritiva ou dissonante do que consta do texto legal estaria mutilando o dispositivo, em clara ofensa ao princípio da legalidade e aos postulados de hermenêutica. Se a lei não distinguiu ou restringiu o alcance das palavras "máquinas" e "equipamentos", e se as embarcações, inegavelmente, estão compreendidas no sentido comum, léxico e etimológico daquelas palavras, não é possível que o intérprete ou aplicador da lei queira distinguir ou acrescentar um elemento novo, restritivo e excepcional na descrição da hipótese fática contida na lei. (...) Ressalte-se que, especificamente quando se trata de norma tributária, esse preceito está umbilicalmente ligado ao princípio mais fundamental do sistema tributário nacional, e correspondente ao principal limite do poder de tributar, que é o princípio da legalidade e o seu consectário da tipicidade, insculpido no inciso I do art. 150 da Constituição Federal e explicitado no art. 97 do CTN. Por tudo isso é que a impossibilidade de distinção onde a lei não distingue é preceito inquestionável e fundamental, pois que distinguir seria acrescentar algo à hipótese legal ao arrepio dos preceitos de hermenêutica e dos princípios da legalidade e da tipicidade. Assim, é inegável que as embarcações constituem espécies do gênero "máquinas e equipamentos", motivos não havendo para não se lhes aplicar a norma do parágrafo 14 do art. 3º da Lei n.10833. (...) Fl. 1758DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 12 Realmente, quando o legislador quis dar tratamento específico para certo grupo de ativos, sem alcançar toda sorte de máquinas e equipamentos, ele o fez, por exemplo, por referência aos códigos da TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados), como é o caso do inciso III do art. 2° e do inciso II do art. 3º da Lei n. 10833. (...) Ao adotar, lado a lado, as palavras "máquinas" e "veículos", não quis o legislador, nos dispositivos acima transcritos, dizer que o último não é espécie do gênero do primeiro. Tivesse agido dessa forma, o legislador teria não só desprezado o sentido comum do termo "veículo", como incorrido em atecnia, falta de clareza e imprecisão, contrariando o disposto no art. 11, inciso I, "a", e inciso II, "a", da Lei Complementar n. 95, quando determina que as palavras devem ser empregadas em seu sentido comum e a linguagem deve ser articulada de modo a permitir a compreensão do conteúdo e da finalidade, almejados pelo legislador, como seja: (...) A adoção, lado a lado, das palavras "máquinas" e "veículos", buscou, justamente, evitar equívocos de interpretação, dando clareza e precisão ao texto legal, mediante a explicitação de que as referidas normas têm campo de aplicação limitado, é dizer, só alcançam determinada categoria de bens, referenciada na TIPI, e nada mais. (...) Diferentemente, quando a lei não faz restrição de qualquer ordem, mencionando apenas "máquinas e equipamentos", sem aludir às suas espécies (veículos, embarcações etc.), o silêncio do legislador é eloquente e revela a sua intenção de conferir máxima abrangência ao termo, de modo que descabe qualquer interpretação da norma que acarrete a diminuição ou restrição do seu alcance, como pretendeu o agente fiscal no caso em apreço (...) As embarcações de titularidade da impugnante são compostas por uma infinidade de partes e peças que as acompanham e que lhes são integradas, não com o objetivo de transportar passageiros, mas, sim, com a finalidade de promover o apoio marítimo realizado pela impugnante. Para bem situar essa questão, cabe esclarecer que a impugnante atua na operação de embarcações de apoio, além de embarcações de inspeção e construção submarina, sendo quatro os principais tipos de embarcação por ela utilizados, a saber: • AHTS (Anchor Handling Tug Supply): Embarcação que pode medir entre 60 e 80 metros de comprimento e potência (HP) de 6.000 a 20.000, que atua como rebocador e com o manuseio de âncoras. (...) Fl. 1759DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 13 Como é fácil perceber, as embarcações da impugnante representam verdadeiras máquinas e equipamentos flutuantes. (...) O art. 3º, inciso I da resolução ANTAQ n. 2919, de 4.6.2013, define navegação de apoio marítimo como a realizada para o apoio logístico às embarcações e instalações, em águas territoriais nacionais e na Zona Econômica, que atuem nas atividades de pesquisa e lavra de minerais e hidrocarbonetos. Por tudo o que se viu, outra não pode ser a conclusão a não ser a de que as embarcações da impugnante constituem máquinas e equipamentos, ficando, assim, autorizado o crédito das contribuições em foco à taxa de 1/48, na forma do art. 3º, parágrafo 14, da Lei n. 10833. Essa conclusão, como dito, não representa ampliação da norma legal, constituindo, isto sim, a interpretação do texto da lei, em seu sentido comum(...) Ressalte-se que procedimento semelhante ao adotado pela ora impugnante já foi encampado em soluções de consulta do fisco, contemporâneas ao período autuado, as quais a impugnante seguiu por acreditar ser essa a escorreita interpretação da legislação de regência da matéria. Confira-se, a título ilustrativo, a Solução de Consulta n. 10, de 9.2.2011, da SRRF 8a Região Fiscal, que possui igual teor para a contribuição ao PIS, e na qual o fisco concluiu pela possibilidade de a pessoa jurídica apropriar crédito à taxa de 1/48 sobre veículos: (...) O CARF também já se pronunciou no sentido de que o parágrafo 14 da Lei n. 10833 tem aplicação a veículos, como caminhões, incorporados ao ativo imobilizado da pessoa jurídica. Foi o que decidiu o acórdão n. 3102-002167, de 27.2.2014. (...) Também a respeito do art. 3º, inc. IV das Leis n. 10833 e 10637, o CARF tornou a se pronunciar que a expressão "máquinas e equipamentos", empregada pelas Leis n. 10637 e 10833, em seu sentido comum, léxico, alcança os veículos, como se vê a partir do seguinte excerto do acórdão n. 3802-000473, de 1°.6.2011: )...) Corroborando tudo o que foi fundamentado acima, o judiciário vem refutando o entendimento restritivo da Solução de Consulta COSIT n. 7 de 27.1.2015, a qual, analisando a aplicação do parágrafo 14 do art. 3º da Lei n. 10833, negou o direito do crédito à fração de 1/48 para veículos, por entender que estariam fora da "acepção legal" de máquina. (...) Ainda que se entendesse que as embarcações operadas pela impugnante não correspondem a "máquinas e equipamentos", o que se admite "ad Fl. 1760DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 14 argumentandum tantum", o direito ao crédito à taxa de 1/48 subsistiria, porque o parágrafo 14 do art. 3º da Lei n. 10833 abrange qualquer bem do ativo imobilizado utilizado na atividade operacional da pessoa jurídica. (...) Assim, a análise do assunto passa, necessariamente, pelos art. 3º, inciso VI, das Leis n. 10637 e n. 10833, os quais, para fins da contribuição ao PIS e da COFINS, consignam o direito ao creditamento sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados pela pessoa jurídica na locação a terceiros, na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços. Confira-se a redação dos dispositivos, idêntica em ambos: (...)A teleologia de tal dispositivo denota o intento do legislador de conferir à pessoa jurídica o direito ao desconto do crédito da contribuição ao PIS e da COFINS sobre bens utilizados na exploração de seu objeto social, isto é, na consecução de sua atividade principal. Neste ponto, ressalte-se que a fiscalização nada falou sobre a vinculação das embarcações à atividade operacional da impugnante, qual seja, o afretamento de embarcações de apoio marítimo, constituindo, tal vinculação, fato incontroverso (...) Com efeito, considerando que o parágrafo 14, do art. 3º da Lei n. 10833, faz referência ao inciso III, parágrafo 1º, do artigo 3º, o qual, por sua vez, faz remissão ao inciso VI deste mesmo artigo, e considerando também que o parágrafo 14 não tem por objetivo ampliar ou restringir o direito à tomada do crédito, mas, tão- somente, estabelecer um critério temporal alternativo, outra não pode ser a conclusão a não ser a de que tal dispositivo alcança todos os bens do ativo imobilizado utilizados pela pessoa jurídica em sua atividade principal. (...) Ora, sabendo-se que o parágrafo 14 do art. 3° não confere o direito ao crédito, mas apenas estabelece um critério temporal alternativo, diferente da regra geral dos encargos de depreciação, que sentido faria excluir do seu alcance outros bens do ativo imobilizado utilizados na atividade da pessoa jurídica? A interpretação da lei deve ser feita de modo a lhe conferir a utilidade pretendida pelo legislador, não se admitindo conclusões que se afastem da lógica, ou que levem a incoerências, como a decorrente dos autos de infração ora combatidos. (...) Registre-se que o procedimento adotado pela ora impugnante já foi encampado em soluções de consulta proferidas pelo fisco, as quais a impugnante seguiu por acreditar, e seguir acreditando, ser essa a melhor interpretação da legislação de regência da matéria. Confira-se, neste sentido, o teor da Solução de Consulta n. 116 de 23.5.2005, da SRRF da 8ª Região Fiscal: Fl. 1761DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 15 (...) A mesma orientação pode ser encontrada no Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal da contribuição ao PIS, da COFINS e da CPRB (Guia Prático EFD Contribuições), elaborado segundo determina a Instrução Normativa RFB n. 1252, de 1.3.2012, e o Ato Declaratório Executivo n. 20, de 14.3.2012, orientando os contribuintes em relação às informações que devem ser prestadas ao Fisco. (...) 4. O descabimento dos juros de mora e da multa de ofício, na forma do art. 100, inciso III, parágrafo único, do CTN, c/c o art. 76, inciso II, "a", da Lei n. 4502, de 30.11.1964. (...) Cumpre ressaltar que o STJ já se pronunciou no sentido de que, quando o contribuinte de boa-fé age em conformidade com a posição manifestada de forma constante, prolongada e reiterada pela Administração Pública, não lhe podem ser exigidos juros e multa sobre o crédito tributário. (...) O fato de a RFB ter proferido a Solução de Consulta COSIT n.7, de 27.1.2015 e a Solução de Divergência COSIT n. 2, de 12.2.2015, alterando seu posicionamento sobre o enquadramento de veículos e/ou embarcações como máquinas ou equipamentos não altera as afirmações feitas até aqui. Isto porque a impugnante não pode ser apenada, com juros e multa, se seguiu orientação em vigor à época dos fatos. A nova orientação do fisco só pode ter efeitos prospectivos, por imperativo da segurança jurídica e pelo que preceitua o já citado art. 146 do CTN. (...) 5. A inaplicabilidade juros sobre a multa de ofício. Na remota hipótese de ser mantida a exigência fiscal, inclusive a multa de ofício lançada nos autos de infração, os juros de mora incidentes sobre a penalidade devem ser cancelados, pois a lei somente prescreve a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas. (...) (...) 6. Pedido Diante disto, a impugnante requer que seja esta defesa conhecida e integralmente provida, para o fim de determinar o cancelamento da exigência fiscal, seja pela nulidade apontada, ou ainda pelos fundamentos de mérito expostos. Fl. 1762DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 16 Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para fins de argumentação, requer-se também seja determinada a retificação do lançamento, para que se corrija a apuração das contribuições, considerando-se a as retenções sofridas pela impugnante no período. Além disso, deve ser afastada a incidência de juros e multa de ofício, tendo em vista que a impugnante seguiu a orientação de soluções de consulta proferidas à época dos fatos, em favor do entendimento esposado nesta defesa, além de ter seguido orientação contida em guia prático da EFD. Ademais, na remota hipótese de ser mantida a multa de ofício, os juros de mora sobre ela incidentes devem ser cancelados, pois a lei somente prescreve a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas. Por fim, para provar os fatos expostos, protesta a impugnante por todas as provas em direito admitidas, tais como a juntada de documentos e a realização de diligências. Em atendimento ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a impugnante informa que a matéria objeto desta impugnação não foi submetida à apreciação judicial. É o relatório. A 9ª Turma da DRJ/SPO mediante 16-78.163, 23 de junho de 2017 julgou improcedente a Impugnação conforme a seguir transcrito ACORDAM os membros da 9ª Turma da DRJ/SP, por unanimidade de votos, não conhecer da pretensão genérica pelo suprimento de provas, considerar não formulado a pretensão em favor de diligências e negar provimento à impugnação, nos termos deste relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificada da decisão em 19/07/2017, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 17/08/2017, caracterizada a tempestividade onde alega em síntese que: 2. Preliminarmente. Equívocos na quantificação da matéria tributável. A recorrente demonstrou, em sua impugnação, que a fiscalização, ao efetuar o cálculo das contribuições sociais, não se atentou à existência de uma série de retenções sofridas pela recorrente, que, em razão de não terem sido deduzidas nos respectivos meses de apuração, são atualmente objeto de pedido de restituição em análise nos processos administrativos abaixo referenciados (docs. 03 a 05 da impugnação): (...) Fl. 1763DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 17 Assim, deve ser reformado o acórdão ora recorrido para que sejam declarados nulos os autos de infração, por erro na formação do aspecto material do lançamento. Todavia, caso assim não se entenda, que seja admitida o abatimento da totalidade das retenções sofridas pela recorrente no período, referenciadas acima. (...) 3. Mérito. Não obstante esteja certa de que os autos de infração devem ser anulados ante a preliminar apresentada, a recorrente demonstrará, a seguir, que, no mérito, não lhes assiste melhor sorte. Vejamos: 3.1. A possibilidade de tomada de créditos sobre as embarcações à taxa de 1/48 ao mês. O alcance das palavras “máquinas” e “equipamentos”. (...) Em vista disso, o intérprete e o aplicador da lei não podem ignorar o significado das palavras ou atribuir-lhes significados diferentes dos que normalmente lhes são inerentes, ou ainda ignorar os vocábulos utilizados pela lei, negando a sua existência no texto legal ou substituindo-os por outros com sentidos diversos2 . (...) Apesar disso, há algo mais a dizer em abono da afirmação de que as embarcações representam verdadeiras máquinas e equipamentos. Esse acréscimo, como se verá adiante, está relacionado específica e diretamente às embarcações da recorrente. Vejamos. As embarcações de titularidade da recorrente são compostas por uma infinidade de partes e peças que as acompanham e que lhes são integradas, não com o objetivo de transportar passageiros, mas, sim, com a finalidade de promover o apoio marítimo realizado pela recorrente. (...) 3.2. A aplicação conjunta do inciso VI, do parágrafo 1º, inciso III, e do parágrafo 14, todos do art. 3º da Lei n. 10833 Ainda que se entendesse que as embarcações operadas pela recorrente não correspondem a “máquinas e equipamentos”, o que se admite “ad argumentandum tantum”, o direito ao crédito à taxa de 1/48 subsistiria, porque o parágrafo 14 do art. 3º da Lei n.10833 abrange qualquer bem do ativo imobilizado utilizado na atividade operacional da pessoa jurídica. (...) O parágrafo 14 é uma opção ao cálculo do crédito de que cuida o inciso III, parágrafo 1º, do artigo 3º, o qual, por sua vez, faz remissão ao inciso VI deste mesmo dispositivo, que trata de “máquinas, equipamentos e outros bens Fl. 1764DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 18 incorporados ao ativo imobilizado”, cuja teleologia, como vimos, cuida de permitir o crédito dos ativos imobilizados ligados à atividade operacional da sociedade. (...) 4. O descabimento dos juros de mora e da multa de ofício, na forma do art. 100, incisos I e III, parágrafo único, do CTN, c/c o art. 76, inciso II, “a”, da Lei n. 4502, de 30.11.1964. (...) Dessa forma, ambos, guia e soluções de consulta, servem para uniformizar a interpretação da lei tributária e orientar a atuação dos agentes do fisco, com o objetivo de evitar interpretações divergentes. Por isso, as autoridades administrativas estão obrigadas a seguir as suas disposições, em virtude do princípio da vinculação da Administração Pública a seus próprios atos. (...) A ideia subjacente ao art. 100 do CTN é a de não apenar, seja com juros, seja com multa, o contribuinte que agiu de boa-fé, seguindo as orientações baixadas ou adotadas pelas próprias autoridades fiscais, como na situação vertente. (...) O art. 76, inciso II, “a”, da Lei n. 4502 também é aplicável em situações como a presente, tanto porque esta lei estabelece regras gerais em matéria de penalidade, como porque a Lei n. 9430, de 27.12.1996, expressamente adota estas regras gerais, ao dispor sobre as multas, como se vê, por exemplo, de seu art. 44, parágrafo 1º22 . (...) Nesta linha, como o art. 76, inciso II, “a”, assegura a não imposição de penalidade a quem tenha agido “de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado”, a ora recorrente não pode ser penalizada porque agiu de acordo com soluções de consulta e manuais de preenchimento que existiam quando da prática do ato. (...) O fato de a RFB ter proferido a Solução de Consulta COSIT n. 7, de 27.1.2015 e a Solução de Divergência COSIT n. 2, de 12.2.2015, alterando seu posicionamento sobre o enquadramento de veículos e/ou embarcações como máquinas ou equipamentos não altera as afirmações feitas até aqui. Isso porque a recorrente não pode ser apenada, com juros e multa, se seguiu orientação em vigor à época dos fatos. A nova orientação do fisco só pode ter efeitos prospectivos, por imperativo da segurança jurídica e pelo que preceitua o já citado art. 146 do CTN. (...) 5. A inaplicabilidade de juros sobre a multa de ofício. Fl. 1765DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 19 Na hipótese de serem mantidos os juros e a multa, deve ser cancelado o lançamento referente à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, pois a lei somente prescreve a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas. De fato, o artigo 61, parágrafo 3º, da Lei n. 9430, ao tratar da atualização dos débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB, estabelece que: Ao final pugna pelo conhecimento e integral provimento do recurso para o fim de reformar a decisão recorrida seja pela nulidade ou mérito exposto. Caso as exigências fiscais não sejam canceladas que seja afastada a incidência de juros e multa de ofício pois seguiu orientações de solução de consulta em favor do entendimento esposado na defesa. Observe-se que a recorrente juntou ao processo requerimento de desistência no seguinte ponto: (iv) a retificação do lançamento, se mantido, para que se corrija a apuração das contribuições, considerando-se as retenções sofridas pela requerente no período autuado; e (...) A requerente informa a desistência da impugnação e do recurso voluntário, especificamente, quanto ao pedido desenvolvido no item (iv) acima, relativo ao pedido subsidiário de retificação do lançamento por meio da compensação, nos autos do processo em epígrafe, do saldo creditório de retenção de PIS e COFINS que já havia sido objeto de pedido de restituição. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Márcio José Pinto Ribeiro, Relator 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento Fl. 1766DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 20 2 PRELIMINAR 2.1 NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO, POR ERRO NA FORMAÇÃO DO ASPECTO MATERIAL DO LANÇAMENTO. A recorrente alega preliminarmente equívocos na quantificação da matéria tributável: 2. Preliminarmente. Equívocos na quantificação da matéria tributável. A recorrente demonstrou, em sua impugnação, que a fiscalização, ao efetuar o cálculo das contribuições sociais, não se atentou à existência de uma série de retenções sofridas pela recorrente, que, em razão de não terem sido deduzidas nos respectivos meses de apuração, são atualmente objeto de pedido de restituição em análise nos processos administrativos abaixo referenciados (docs. 03 a 05 da impugnação): (...) Assim, deve ser reformado o acórdão ora recorrido para que sejam declarados nulos os autos de infração, por erro na formação do aspecto material do lançamento. Todavia, caso assim não se entenda, que seja admitida o abatimento da totalidade das retenções sofridas pela recorrente no período, referenciadas acima. Entretanto juntou ao processo informação de desistência da impugnação e do recurso voluntário nesse específico tópico: Em sua impugnação, a requerente sustentou, em síntese: (i) a nulidade dos autos de infração, tendo em vista a atuação contraditória da autoridade fiscal, a falta de aprofundamento da investigação dos fatos, bem como equívocos na quantificação da matéria tributável; (ii) a decadência de fatos geradores supostamente ocorridos no período de janeiro a outubro; (iii) a regularidade na aplicação do regime de tomada de crédito à taxa de 1/48 para os rebocadores; (iv) a retificação do lançamento, se mantido, para que se corrija a apuração das contribuições, considerando-se as retenções sofridas pela requerente no período autuado; e (v) o descabimento de juros de mora e da multa de ofício, bem como a inaplicabilidade de juros sobre a multa de ofício, caso mantidos os lançamentos. Em relação à comprovação da propriedade dos rebocadores, foram apresentados documentos fiscais comprobatórios. (...) A requerente informa a desistência da impugnação e do recurso voluntário, especificamente, quanto ao pedido desenvolvido no item (iv) acima, relativo ao pedido subsidiário de retificação do lançamento por meio da compensação, nos Fl. 1767DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 21 autos do processo em epígrafe, do saldo creditório de retenção de PIS e COFINS que já havia sido objeto de pedido de restituição. Aprecio, Em vista da desistência formulada pela recorrente não conheço da preliminar de nulidade por erro na formação do aspecto material do lançamento. 3 MÉRITO 3.1 A POSSIBILIDADE DE TOMADA DE CRÉDITOS SOBRE AS EMBARCAÇÕES À TAXA DE 1/48 AO MÊS. Alega a recorrente que embarcações do tipo que se presta ao serviço de apoio marítimo que possuem acopladas a si diversos equipamentos como guindastes etc poderiam ser considerados como espécie do gênero máquinas e equipamentos. A interpretação dada pela recorrente parágrafo 14 do art. 3º da Lei n. 10833 é no sentido de que ao contrário do que entende a fiscalização e a decisão recorrida, ao direcionar o comando do parágrafo 14, do art. 3º, da aludida lei, às “máquinas” e “equipamentos”, se o legislador quisesse excluir alguma espécie do gênero, deveria tê-lo feito expressamente. Ao não o fazer, o dispositivo inevitavelmente passa a abranger tudo quanto cabe no gênero “máquinas” e “equipamentos”, inclusive as embarcações/os rebocadores. Alega ainda que as embarcações e rebocadores são composta de múltiplas partes e peças que lhe emprestariam um caráter finalístico de soluções de apoio marítimo e não meramente o transporte de cargas ou passageiros. Alega que embarcações /rebocadores seriam espécie do gênero “máquina” e para tanto utiliza interpretação que se apoia no uso comum das palavras.como consta de dicionários da língua portuguesa Que sendo embarcações e rebocadores espécie do gênero máquina seria aplicável a norma do parágrafo 14 do art.3° da Lei 10.833/2003 Que o silêncio do legislador ao mencionar apenas máquinas e equipamentos sem referir suas espécies revelaria a intenção de conferir máxima abrangência ao termo. Outro argumento é que sendo as embarcações e rebocadores equipados para fins específicos não teriam finalidades fora do fim ao qual foram concebidos. Ademais que sendo o serviço de apoio marítimo atividade extremamente regulada pela Agência Nacional de Serviços Aquaviários (ANTAQ) tais embarcações não teriam outra finalidade que não os serviços de apoio marítimo. A decisão recorrida assim manifestou no seu voto do qual transcrevo excertos: Fl. 1768DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 22 No tocante aos créditos determinados com base no valor de aquisição de bens incorporados ao Ativo Imobilizado da pessoa jurídica, objeto da presente controvérsia, cumpre começar transcrevendo a Instrução Normativa SRF nº 457, de 17 de outubro de 2004: Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nº 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei nº 4.506, de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; e II - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. § 1º Os encargos de depreciação de que trata o caput e seus incisos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) em função do prazo de vida útil do bem, nos termos das Instruções Normativas SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998, e nº 130, de 10 de novembro de 1999. § 2º Opcionalmente ao disposto no § 1º, para fins de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o contribuinte pode calcular créditos sobre o valor de aquisição de bens referidos no caput deste artigo no prazo de: I - 4 (quatro) anos, no caso de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado; ou II - 2 (dois) anos, no caso de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados nos Decretos nº 4.955, de 15 de janeiro de 2004, e nº 5.173, de 6 de agosto de 2004, conforme disposição constante do Decreto nº 5.222, de 30 de setembro de 2004, adquiridos a partir de 1º de outubro de 2004, destinados ao ativo imobilizado e empregados em processo industrial do adquirente. § 3º Fica vedada a utilização de créditos: I - sobre encargos de depreciação acelerada incentivada, apurados na forma do art. 313 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR de 1999); e II - na hipótese de aquisição de bens usados. Art. 2º Os créditos de que trata o art. 1º devem ser calculados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas de 1,65 % (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) para a Contribuição para o PIS/Pasep e de 7,6 % (sete inteiros e seis décimos por cento) para a Cofins sobre o valor: I - dos encargos de depreciação incorridos no mês, apurados na forma do § 1º do art. 1º; Fl. 1769DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 23 II - de 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição dos bens, na forma do inciso I do § 2º do art. 1º; ou III - de 1/24 (um vinte e quatro avos) do valor de aquisição dos bens, na forma do inciso II do § 2º do art. 1º. § 1º No cálculo dos créditos de que trata este artigo não podem ser computados os valores decorrentes da reavaliação de máquinas, equipamentos e edificações. § 2º Na data da opção de que tratam os incisos I e II do § 2º do art. 1º, em relação aos bens neles referidos, parcialmente depreciados, as alíquotas de que trata o caput devem ser aplicadas, conforme o caso, sobre a parcela correspondente a 1/48 ou 1/24 do seu valor residual. (...) Conforme se constata, o contribuinte pode calcular créditos com base no valor de aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, na forma das normas de regência, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas de 1,65% para o PIS/Pasep e de 7,6 % para a Cofins, a razão de 1/48 (um quarenta e oito avos) ao mês. Pois bem, conquanto trate de locação de veículos, é esclarecedora, numa primeira aproximação, a Solução de Consulta nº 1, de 2 de janeiro de 2014, expedida pela Coordenação-Geral de Tributação - COSIT da Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, acerca da não caracterização dos bens da espécie como máquinas ou equipamentos: (...) 2 O que se divisa na petição da consulente é sua pretensão de alocar os gastos com locação de veículos em quaisquer dos dispositivos, ou seja, subsumindo-se a qualquer das seguintes características: (i) bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (ii) aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (iii) frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 3 Em relação ao item (i), descabe considerar o conceito de insumo para uma empresa cujo objeto é a revenda de produtos, uma vez que a legislação restringe o escopo desta definição na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 1770DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 24 Assim, a uma empresa comercial, para fins a que se referem as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, não é lícito cogitar da apuração de créditos sobre “insumos”, a despeito de qualquer argumentação que remeta à indispensabilidade de tal despesa para a consecução da atividade da empresa. 4 No que toca ao item (ii), a legislação é clara no sentido da possibilidade de crédito sobre aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, desde que as despesas sejam pagas a pessoa jurídica e os equipamentos locados sejam utilizados nas atividades da empresa. 15.1 No entanto, o direito ao crédito não se aplica nos casos de aluguel de veículos, visto que a legislação se limita a dispor sobre despesas de aluguéis de “prédios, máquinas e equipamentos”, que, nesta situação, não podem ser interpretados extensivamente. 15.2 Ocorre que, para efeitos tributários, o tratamento de veículos na legislação tributária é comumente enunciado destacadamente, separados da nomenclatura de máquinas ou equipamentos. 15.3 Assim, ainda que pelo senso comum possa se argumentar em contrário — que o veículo é máquina e equipamento, na concepção da consulente —, para fins de aplicação dos arts. 3º, IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e cujos efeitos tributários são discutidos nesta consulta, não se pode considerar o veículo como abarcado por tais dispositivos. 15.4 Vejam-se alguns exemplos do emprego, pelo legislador ordinário, dos termos máquina, equipamento e veículo, este último de forma destacada, incluindo algumas de suas espécies, em alguns atos legais que dispõem sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins: Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002: “Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à Fl. 1771DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 25 incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). I - 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (grifou-se) Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1 o , a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1º Excetua-se do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) III - no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (grifou-se) Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: “Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º , a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) III – no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005)” (grifou-se) Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004: Fl. 1772DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 26 “Art. 7º A base de cálculo será: (...) § 3º A base de cálculo fica reduzida: I - em 30,2% (trinta inteiros e dois décimos por cento), no caso de importação, para revenda, de caminhões chassi com carga útil igual ou superior a 1.800 kg (mil e oitocentos quilogramas) e caminhão monobloco com carga útil igual ou superior a 1.500 kg (mil e quinhentos quilogramas), classificados na posição 87.04 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, observadas as especificações estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal; e II - em 48,1% (quarenta e oito inteiros e um décimo por cento), no caso de importação, para revenda, de máquinas e veículos classificados nos seguintes códigos e posições da TIPI: 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 8702.10.00 Ex 02, 8702.90.90 Ex 02, 8704.10.00, 87.05 e 8706.00.10 Ex 01 (somente os destinados aos produtos classificados nos Ex 02 dos códigos 8702.10.00 e 8702.90.90). (...) Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: (...) § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, as alíquotas são de: (...) § 9º Na importação de autopeças, relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, exceto quando efetuada pela pessoa jurídica fabricante de máquinas e veículos relacionados no art. 1º da referida Lei, as alíquotas são de: (...) Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) IV - aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; Fl. 1773DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 27 V - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1 o a 3º , 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58-A da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) § 7º O disposto no inciso III deste artigo não se aplica no caso de importação efetuada por montadora de máquinas ou veículos relacionados no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Art. 38. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa no caso de venda a pessoa jurídica sediada no exterior, com contrato de entrega no território nacional, de insumos destinados à industrialização, por conta e ordem da encomendante sediada no exterior, de máquinas e veículos classificados nas posições 87.01 a 87.05 da TIPI.” (grifou-se) Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004: “Art. 14. As vendas de máquinas, equipamentos, peças de reposição e outros bens, no mercado interno ou a sua importação, quando adquiridos ou importados diretamente pelos beneficiários do Reporto e destinados ao seu ativo imobilizado para utilização exclusiva em portos na execução de serviços de carga, descarga e movimentação de mercadorias, na execução dos serviços de dragagem, e nos Centros de Treinamento Profissional, na execução do treinamento e formação de trabalhadores, serão efetuadas com suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e, quando for o caso, do Imposto de Importação. (Redação dada pela Lei nº 11.726, de 2008) (...) § 7º O Poder Executivo relacionará as máquinas, equipamentos e bens objetos da suspensão referida no caput deste artigo. § 8º O disposto no caput deste artigo aplica-se também aos bens utilizados na execução de serviços de transporte de mercadorias em ferrovias, classificados nas posições 86.01, 86.02 e 86.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul, e aos trilhos e demais elementos de vias férreas, classificados na posição 73.02 da Nomenclatura Comum do Mercosul, relacionados pelo Poder Executivo. (Incluído pela Lei nº 11.774, de 2008) Fl. 1774DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 28 (...) § 10. Os veículos adquiridos com o benefício do Reporto deverão receber identificação visual externa a ser definida pela Secretaria Especial de Portos. (Incluído pela Lei nº 11.726, de 2008)” (grifou-se) Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004: “Art. 10. Na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pela pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, aplicam-se, conforme o caso, as alíquotas previstas: (...) II – no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI;” (grifou-se) 15.5 Também em atos de regulamentação tributária não se vê, na prática legislativa, o emprego de um pelo outro dos termos. A título de exemplo, reproduzem-se dispositivos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, do Decreto nº 7.217, de 15 de junho de 2010, Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/2010, e do Decreto nº 6.582, de 26 de setembro de 2008, que dispõe sobre o REPORTO: Decreto nº 3.000, de 1999: “Art. 62. Os investimentos serão considerados despesas no mês do pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, §§ 1º e 2º). (...) § 2º Considera-se investimento na atividade rural a aplicação de recursos financeiros, durante o ano-calendário, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade e seja realizada com (Lei nº 8.023, de 1990, art. 6º): (...) III - aquisição de utensílios e bens, tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de carga ou utilitários de emprego exclusivo na exploração da atividade rural;” (grifou-se) Decreto nº 7.217, de 2010: “Art. 48. Serão desembaraçados com suspensão do imposto: (...) II - as máquinas, os equipamentos, os veículos, os aparelhos e os instrumentos, sem similar nacional, bem como suas partes, peças, acessórios e outros Fl. 1775DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 29 componentes, de procedência estrangeira, importados por empresas nacionais de engenharia, e destinados à execução de obras no exterior, quando autorizada a suspensão pelo Secretário da Receita Federal do Brasil (Decreto-lei nº 1.418, de 3 de setembro de 1975, art. 3º); (...) Art. 54. São isentos do imposto: (...) XXIII - os veículos automotores de qualquer natureza, máquinas, equipamentos, bem como suas partes e peças separadas, quando destinadas à utilização nas atividades dos Corpos de Bombeiros, em todo o território nacional, nas saídas de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei nº 8.058, de 2 de julho de 1990, art. 1º); (...) Art. 135. Poderá ser concedido às empresas referidas no § 1º , até 31 de dezembro de 2010, o incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, nº 8, de 3 de dezembro de 1970, e nº 70, de 30 de dezembro de 1991, no montante correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o valor do faturamento decorrente da venda de produtos de fabricação própria (Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997, art. 11, caput e inciso IV). § 1 o O disposto neste artigo aplica-se exclusivamente às empresas que sejam montadoras e fabricantes de (Lei nº 9.440, de 1997, art. 1º, § 1º): I - veículos automotores terrestres de passageiros e de uso misto de duas rodas ou mais e jipes; II - caminhonetas, furgões, picapes e veículos automotores, de quatro rodas ou mais, para transporte de mercadorias de capacidade máxima de carga não superior a quatro toneladas; III - veículos automotores terrestres de transporte de mercadorias de capacidade de carga igual ou superior a quatro toneladas, veículos terrestres para transporte de dez pessoas ou mais e caminhões-tratores; IV - tratores agrícolas e colheitadeiras; V - tratores, máquinas rodoviárias e de escavação e empilhadeiras; VI - carroçarias para veículos automotores em geral; (...)”(grifou-se) Decreto nº 6.582, de 2008: “Art. 1º Fica estabelecida, na forma do Anexo I, a relação de máquinas, equipamentos e bens de que trata o § 7º do art. 14 da Lei nº 11.033, de 21 de Fl. 1776DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 30 dezembro de 2004, aos quais é aplicável o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e Ampliação da Estrutura Portuária -REPORTO. ” (grifou-se)15.6 Por fim, transcreve-se ainda a forma de empregos dos termos em questão em atos disciplinadores exarados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: Instrução Normativa SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004: “Art. 1º Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep. (...) § 2º Para fins do disposto neste artigo, entende-se como serviços: (...) II - de manutenção todo e qualquer serviço de manutenção ou conservação de edificações, instalações, máquinas, veículos automotores, embarcações, aeronaves, aparelhos, equipamentos, motores, elevadores ou de qualquer bem, quando destinadas a mantê-los em condições eficientes de operação, exceto se a manutenção for feita em caráter isolado, como um mero conserto de um bem defeituoso;” (grifou-se) Instrução Normativa SRF nº 635, de 24 de março de 2006: “Art. 23 As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo sujeitas à incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, os créditos calculados em relação a: I -bens para revenda, adquiridos de não associados, exceto os decorrentes de: (...) e) máquinas e veículos relacionados no art. 1º da Lei nº 10.485, de 2002; (...) III - despesas e custos incorridos no mês, relativos a: (...) b) aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da sociedade cooperativa; (...) Fl. 1777DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 31 Art. 24 Na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não-cumulatividade, a sociedade cooperativa de produção agropecuária ou de consumo que efetuar importações pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, créditos calculados mediante a aplicação, respectivamente, dos percentuais de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) sobre a base de cálculo de que trata o art. 22, acrescido o IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. §1º Na hipótese de importação de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP), derivado de petróleo e de gás natural, querosene de aviação, biodiesel, álcool para fins carburante, produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal de que trata o art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, e alterações posteriores, máquinas, veículos, pneus novos de borracha câmaras-de-ar de borracha de que tratam os arts. 1º e 5º da Lei nº 10.485, de 2002, e alterações posteriores, e de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da citada Lei nº 10.485, de 2002, as sociedades cooperativas devem apurar os créditos a descontar mediante a utilização dos percentuais previstos na legislação específica aplicável à matéria.” (grifou-se) Ato Declaratório SRF nº 48, de 15 de maio de 1998: “2. Poderão ser admitidos no DEA, sem cobertura cambial, com suspensão de tributos, exclusivamente, exclusivamente, partes, peças e materiais de reposição ou manutenção, para veículos, máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, assim como, de seus componentes estrangeiros, nacionalizados ou não e empregados na prestação de serviços de: a) pesquisa, prospecção e exploração de recursos minerais; b) transporte, na manutenção de locomotivas, vagões e equipamentos ferroviários.” (grifou-se) 5 Como se verifica nos excertos transcritos, que não esgotam uma lista exemplificativa, quando um dispositivo da legislação tributária quer alcançar os bens classificados como veículos, cita-os expressamente. Ademais, como muitas vezes acima se vê, quando outros bens, além de veículos, devem ser alcançados pelo mesmo dispositivo, o termo veículos aparece junto com eles, como é o caso de máquinas ou de equipamentos, elucidando que, para fins de interpretação e aplicação da legislação tributária, são coisas diversas. (...) Por aí já se vai vendo que, legalmente, veículos não podem ser confundidos com máquinas e equipamentos para efeito de aplicação da legislação das contribuições sociais. Fl. 1778DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 32 Depois, especificamente em relação à tomada de créditos sobre o valor de aquisição, registrou a Coordenação-Geral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil pela Solução de Divergência nº 2, de 12 de fevereiro de 2015 (a qual adotou os fundamentos da Solução de Consulta nº 7, da mesma coordenação-geral, de 27 de janeiro de 2015): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS CRÉDITOS. LOCADORA DE VEÍCULOS. TAXA MENSAL DE 1/48 SOBRE O VALOR DE AQUISIÇÃO DO BEM. A opção de apurar créditos da Cofins à taxa de 1/48 (um quarenta e oito avos) sobre o valor de aquisição, nos termos do § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, refere-se tão somente às máquinas e aos equipamentos incorporados ao ativo imobilizado e utilizados para locação a terceiros, para produção de bens destinados à venda ou para prestação de serviços, não alcançando os veículos automotores, por falta de previsão legal. Em relação aos veículos automotores incorporados ao ativo imobilizado da pessoa jurídica e utilizados para locação a terceiros, admite-se a apuração de créditos da Cofins tão somente com base no encargo mensal de depreciação, nos termos art. 3º, VI, c/c § 1º, III, da Lei nº 10.833, de 2003. Dispositivos Legais: Lei nº 10.485, de 2002, arts. 1º e 3º, I, “a”; Lei nº 10.833, de 2003, art. 2º, § 1º, III, art. 3º, VI e §§ 1º, III, e 14; Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, § 3º, II, art. 8º, §§ 3º e 9º, art. 15, IV e V, art. 17, § 7º, e art. 38; Lei nº 11.033, de 2004, art. 14, §§ 7º e 10; Lei nº 11.051, de 2004, art. 10, II; Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), art. 62, § 2º, III; Decreto nº 6.582, de 2008, arts. 1º, 2º e 2º-A; Decreto nº 7.212, de 2010, art. 48, II, art. 54, XIII, art. 135; IN SRF nº 459, de 2004, art. 1º, § 2º, II; IN SRF nº 635, de 2006, art. 23, I, “e”, e III, “b”, e art. 24, § 1º; IN RFB nº 1.396, de 2013, art. 21, §§ 3º, e 4º. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CRÉDITOS. LOCADORA DE VEÍCULOS. TAXA MENSAL DE 1/48 SOBRE O VALOR DE AQUISIÇÃO DO BEM. A opção de apurar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep à taxa de 1/48 (um quarenta e oito avos) sobre o valor de aquisição, nos termos do § 14 do art. 3º c/c art. 15, II, da Lei nº 10.833, de 2003, refere-se tão somente às máquinas e aos equipamentos incorporados ao ativo imobilizado e utilizados para locação a terceiros, para produção de bens destinados à venda ou para prestação de serviços, não alcançando os veículos automotores, por falta de previsão legal. Em relação aos veículos automotores incorporados ao ativo imobilizado da pessoa jurídica e utilizados para locação a terceiros, admite-se a apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep tão somente com base no encargo mensal de depreciação, nos termos art. 3º, VI, c/c § 1º, III, da Lei nº 10.637, de 2002. Dispositivos Legais: Lei nº 10.485, de 2002, arts. 1º e 3º, I, “a”; Lei nº 10.637, de 2002, art. 2º, § 1º, III, art. 3º, VI e § 1º, III; Lei nº 10.833, de 2003, art. 2º, § 1º, III, art. 3º, VI e § e 14, c/c art. 15, II; Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, § 3º, II, art. 8º, §§ Fl. 1779DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 33 3º e 9º, art. 15, IV e V, art. 17, § 7º, e art. 38; Lei nº 11.033, de 2004, art. 14, §§ 7º e 10; Lei nº 11.051, de 2004, art. 10, II; Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), art. 62, § 2º, III; Decreto nº 6.582, de 2008, arts. 1º, 2º e 2º-A; Decreto nº 7.212, de 2010, art. 48, II, art. 54, XIII, art. 135; IN SRF nº 459, de 2004, art. 1º, § 2º, II; IN SRF nº 635, de 2006, art. 23, I, “e”, e III, “b”, e art. 24, § 1º; IN RFB nº 1.396, de 2013, art. 21, §§ 3º, e 4º (...) 8. (...) o assunto da divergência aqui tratada fica restrito à análise da possibilidade de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins referentes à depreciação dos veículos novos adquiridos no mercado interno, incorporados ao ativo imobilizado e destinados à locação a terceiros, no prazo de 4 (quatro) anos, considerando a taxa mensal de 1/48 sobre o valor de aquisição. Tal tema foi objeto de recente apreciação da Coordenação-Geral de Tributação (Cosit), por intermédio da Solução de Consulta nº 7, de 27 de janeiro de 2015, publicada no Diário Oficial da União (DOU), em 02/02/2015 e disponível, na íntegra, no sítio eletrônico da RFB. 9.A Solução de Consulta nº 7, da Cosit, de 27 de janeiro de 2015, está assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS CRÉDITOS. LOCADORA DE VEÍCULOS. TAXA MENSAL DE 1/48 SOBRE O VALOR DE AQUISIÇÃO DO BEM. A opção de apurar créditos da Cofins à taxa de 1/48 (um quarenta e oito avos) sobre o valor de aquisição, nos termos do § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, refere-se tão somente às máquinas e aos equipamentos incorporados ao ativo imobilizado e utilizados para locação a terceiros, para produção de bens destinados à venda ou para prestação de serviços, não alcançando os veículos automotores, por falta de previsão legal. Em relação aos veículos automotores incorporados ao ativo imobilizado da pessoa jurídica e utilizados para locação a terceiros, admite-se a apuração de créditos da Cofins tão somente com base no encargo mensal de depreciação, nos termos art. 3º, VI, c/c § 1º, III, da Lei nº 10.833, de 2003. Dispositivos Legais: Lei nº 10.485, de 2002, arts. 1º e 3º, I, “a”; Lei nº 10.833, de 2003, art. 2º, § 1º, III, art. 3º, VI e §§ 1º, III, e 14; Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, § 3º, II, art. 8º, §§ 3º e 9º, art. 15, IV e V, art. 17, § 7º, e art. 38; Lei nº 11.033, de 2004, art. 14, §§ 7º e 10; Lei nº 11.051, de 2004, art. 10, II; Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), art. 62, § 2º, III; Decreto nº 6.582, de 2008, arts. 1º, 2º e 2º-A; Decreto nº 7.212, de 2010, art. 48, II, art. 54, XIII, art. 135; IN SRF nº 459, de 2004, art. 1º, § 2º, II; IN SRF nº 635, de 2006, art. 23, I, “e”, e III, “b”, e art. 24, § 1º; IN RFB nº 1.396, de 2013, art. 21, §§ 3º, e 4º. Fl. 1780DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 34 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CRÉDITOS. LOCADORA DE VEÍCULOS. TAXA MENSAL DE 1/48 SOBRE O VALOR DE AQUISIÇÃO DO BEM. A opção de apurar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep à taxa de 1/48 (um quarenta e oito avos) sobre o valor de aquisição, nos termos do § 14 do art. 3º c/c art. 15, II, da Lei nº 10.833, de 2003, refere-se tão somente às máquinas e aos equipamentos incorporados ao ativo imobilizado e utilizados para locação a terceiros, para produção de bens destinados à venda ou para prestação de serviços, não alcançando os veículos automotores, por falta de previsão legal. Em relação aos veículos automotores incorporados ao ativo imobilizado da pessoa jurídica e utilizados para locação a terceiros, admite-se a apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep tão somente com base no encargo mensal de depreciação, nos termos art. 3º, VI, c/c § 1º, III, da Lei nº 10.637, de 2002. Dispositivos Legais: Lei nº 10.485, de 2002, arts. 1º e 3º, I, “a”; Lei nº 10.637, de 2002, art. 2º, § 1º, III, art. 3º, VI e § 1º, III; Lei nº 10.833, de 2003, art. 2º, § 1º, III, art. 3º, VI e § e 14, c/c art. 15, II; Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, § 3º, II, art. 8º, §§ 3º e 9º, art. 15, IV e V, art. 17, § 7º, e art. 38; Lei nº 11.033, de 2004, art. 14, §§ 7º e 10; Lei nº 11.051, de 2004, art. 10, II; Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), art. 62, § 2º, III; Decreto nº 6.582, de 2008, arts. 1º, 2º e 2º-A; Decreto nº 7.212, de 2010, art. 48, II, art. 54, XIII, art. 135; IN SRF nº 459, de 2004, art. 1º, § 2º, II; IN SRF nº 635, de 2006, art. 23, I, “e”, e III, “b”, e art. 24, § 1º; IN RFB nº 1.396, de 2013, art. 21, §§ 3º, e 4º. 10. Adotam-se aqui os fundamentos da Solução de Consulta da Cosit acima ementada, a seguir citados: “4. A sistemática de não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins diverge em inúmeros aspectos daquelas relativas a outras exações tributárias, como por exemplo, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Uma das principais diferenças está no fato de no regime não cumulativo das contribuições sociais não ser uma não cumulatividade plena, como nos impostos citados. 4.1 Os créditos admissíveis para desconto dos valores devidos a título dessas contribuições não guardam, necessariamente, total relação com a incidência ocorrida na operação anterior, embora necessário que tenha havido a incidência; Assim é que, por exemplo, o crédito da Cofins pode ser apurado à alíquota de 7,6% ainda que na operação anterior a incidência tenha se dado por alíquota menor (3% se o contribuinte fosse sujeito à incidência cumulativa da Cofins, ou menor ainda se optante pelo Simples – Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte). 4.2 O modelo de não cumulatividade criado para as referidas contribuições sociais implica a apuração de créditos por hipóteses exaustivamente descritas na legislação de regência e, sendo uma forma de redução do valor devido — ou, em Fl. 1781DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 35 outras palavras, renúncia de receita —, deve ter interpretação restritiva dos dispositivos legais que as definem. 4.3 Basicamente, os créditos admissíveis encontram-se descritos no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, citados pela consulente. Mas, para admitir créditos não basta que a despesa efetuada pela empresa seja essencial ou imprescindível às suas atividades:há que se amoldar às hipóteses referidas, posto que exaustivamente previstas pelas Leis de regência. 4.3.1 Além disso, dada a sistemática adotada pelo legislador para a não cumulatividade dessas contribuições, de listar de forma exaustiva os bens e serviços capazes de gerar crédito e de os atrelar a determinada atividade ou ao modo de produção, a aquisição de um bem ou serviço, mesmo que listado, poderá ou não gerar crédito a ser descontado da contribuição a depender da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na atividade econômica. 5. O aludido art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, estabelece: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196/05) [...] §1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I - de mão-de-obra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Fl. 1782DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 36 § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865/04) [...] Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (Sem os destaques no original). 5.1 As hipóteses transcritas aplicam-se também à Contribuição para o PIS/Pasep, seja por expressa previsão contida em dispositivos análogos da Lei nº 10.637, de 2002, seja por comando do art. 15, II, da Lei nº 10.833, de 2003, também transcrito. 5.2 Como anteriormente mencionado, o modelo elegido pelo legislador para a não cumulatividade da Cofins permite a apuração de créditos unicamente pelas hipóteses expressamente previstas no artigo transcrito. Se a hipótese fática se subsumir às disposições do artigo, há crédito. Caso contrário, não. Ou seja, por mais indispensável, necessária ou essencial que seja a despesa efetuada, o direito a crédito só existe caso se amolde às previsões dos incisos transcritos. 6. No caso específico trazido à análise, pretende a Consulente apurar créditos em relação aos veículos incorporados ao seu ativo imobilizado, utilizados para locação a terceiros, utilizando-se da faculdade insculpida no § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, antes transcrito. Ou seja, pretende apropriar os créditos referentes a tais veículos no prazo opcional de quatro anos, aplicando as alíquotas das contribuições sociais sobre o valor correspondente a 1/48 do valor de aquisição a cada mês. 7. Quando efetuada a apuração dos créditos com base no art. 3º, VI, c/c § 1º, III, a Lei nº 10.833, de 2003, admite os créditos para “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros”, dentre outras possibilidades de destinação. Assim, os respectivos encargos de depreciação de tais bens admitirão os créditos, calculados pelas mesmas alíquotas usadas para determinar-se os valores devidos aos respectivos títulos. Fl. 1783DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 37 7.1 Quando efetuada com base no art. 3º, VI, c/c § 14, no entanto, a opção oferecida não trata mais de “máquinas, equipamentos e outros bens”, mas, apenas de “máquinas e equipamentos”. Assim, o deslinde da questão passa exatamente por definir se os veículos estão incluídos nessa expressão “máquinas e equipamentos”. 8. Não há que se negar que um veículo possa ser entendido como uma máquina, ou mesmo, lato sensu, um equipamento. Entretanto, a matéria que deve ser analisada não é esta, mas, sim, esclarecer se o legislador, ao permitir os créditos da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins sobre a “aquisição de máquinas e equipamentos”, pretendeu também alcançar os veículos entre eles. 9. Analisando a legislação tributária, constata-se que a todo o momento que o legislador quis se referir a veículos ele foi específico, escreveu “veículos”. A própria Lei nº 10.833, de 2003, permite ver tais acepções: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] III - no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196/05) [...] (Sem os destaques no original). 9.1 Como se vê, o legislador é específico em mencionar máquinas, equipamentos, veículos, outros bens, não fazendo emprego dos termos aleatoriamente. A legislação tributária não demonstra, seja em atos legais, seja em atos normativos, entender que um termo se confunda com outro. À guisa de ilustração, Fl. 1784DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 38 apresentam-se alguns exemplos mais, em relação a atos legais que dispõem sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins: 9.1.1 Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002 (sem os destaques no original): Art. 1ºAs pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto nº4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 3º [...] I - 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] 9.1.2 Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004 (sem os destaques no original): Art. 7ºA base de cálculo será: [...] § 3ºA base de cálculo fica reduzida: [...] II - em 48,1% (quarenta e oito inteiros e um décimo por cento), no caso de importação, para revenda, de máquinas e veículos classificados nos seguintes códigos e posições da TIPI: 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 8702.10.00 Ex 02, 8702.90.90 Ex 02, 8704.10.00, 87.05 e 8706.00.10 Ex 01 (somente os destinados aos produtos classificados nos Ex 02 dos códigos 8702.10.00 e 8702.90.90). [...] Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7ºdesta Lei, das alíquotas de: [...] § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, Fl. 1785DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 39 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, as alíquotas são de: [...] § 9º Na importação de autopeças, relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, exceto quando efetuada pela pessoa jurídica fabricante de máquinas e veículos relacionados no art. 1ºda referida Lei, as alíquotas são de: [...] Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3ºdas Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1ºdesta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) [...] IV - aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; [...] V - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1ºa 3º, 5ºa 10, 17 e 19 do art. 8ºdesta Lei e no art. 58-A da Lei nº10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) [...] § 7ºO disposto no inciso III deste artigo não se aplica no caso de importação efetuada por montadora de máquinas ou veículos relacionados no art. 1ºda Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Art. 38. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa no caso de venda a pessoa jurídica sediada no exterior, com contrato de entrega no território nacional, de insumos destinados à industrialização, por conta e ordem da encomendante sediada no exterior, de máquinas e veículos classificados nas posições 87.01 a 87.05 da TIPI. Fl. 1786DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 40 (...) 10. Dos exemplos transcritos, os quais não esgotam uma lista exemplificativa, verifica-se que sempre que a legislação tributária pretende alcançar os bens classificados como veículos, cita-os expressamente e, como muitas vezes acima se vê, quando outros bens, além de veículos, devem ser alcançados pelo mesmo dispositivo, o termo veículos aparece junto com eles, como é o caso de máquinas ou de equipamentos, demonstrando que, para fins de interpretação e aplicação da legislação tributária, são coisas diversas. 11. Dessa sorte, tem-se que o art. 3º, VI, da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 3º, VI, da Lei nº 10.833, de 2003, quando do emprego da expressão “máquinas e equipamentos”, não alcançam os veículos, sendo inadmissível a apuração de créditos sobre estes últimos, com base no § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. 12. Quanto à SC nº 10-SRRF06/Disit, de 2011, cuja ementa foi transcrita pela Consulente, expendeu de fato entendimento contrário ao aqui exarado, especialmente por não ter analisado se a expressão “máquinas e equipamentos” poderia ou não incluir os veículos. A análise ali realizada ateve-se somente a outros aspectos da legislação. ... 14. Por fim, importante sublinhar que em relação aos veículos incorporados ao ativo imobilizado da pessoa jurídica, utilizados na atividade de locação a terceiros, estes não ensejam a possibilidade de constituição de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins com fundamento nas hipóteses de apuração previstas sobre o valor de aquisição, tanto na forma do § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (48 meses) como do art. 1º da Lei nº 11.774, de 2008 (imediatamente). 15. Todavia, é admissível a apuração de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, referente a veículos incorporados ao ativo imobilizado da pessoa jurídica e utilizados para locação a terceiros, com base nos correspondentes encargos mensais de depreciação, nos termos do art. 3º, VI, c/c § 1º, III, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, respectivamente, uma vez que esta hipótese de crédito alcança além das máquinas e equipamentos, outros bens incorporados ao ativo imobilizado. 16. Ressalte-se que na hipótese de alienação de bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam gerando créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não será admitida a apuração de créditos a partir do mês seguinte ao da alienação. Isto porque o bem não mais será utilizado pela pessoa jurídica alienante na locação a terceiros, na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.” Conclusão Fl. 1787DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 41 11. Com base no exposto, conclui-se que: a) A opção de apurar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins à taxa de 1/48 (um quarenta e oito avos) sobre o valor de aquisição, nos termos do § 14 do art. 3º da Lei nº 10.865, de 2004, refere-se tão somente às máquinas e aos equipamentos incorporados ao ativo imobilizado e utilizados nas atividades da empresa, não alcançando os veículos automotores, por falta de previsão legal. b) Todavia, admite-se a apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação a estes bens, com base nos encargos de depreciação incorridos mensalmente, por se amoldar à hipótese prevista no art. 3º, VI, c/c § 1º, III, da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º, VI, c/c § 1º, III, da Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente, alcançando além das máquinas e equipamentos, os veículos automotores. (...) Reforme-se a Solução de Consulta nº 10, de 9 de fevereiro de 2011, da Disit/SRRF06, nos termos desta Solução de Divergência. Sendo assim e seguindo a posição externada na Solução de Divergência acima, não merece acolhida a irresignação da Impugnante. Vale anotar, outrossim, que as embarcações, inclusive rebocadores e aquelas em que a navegação é acessória da função principal, são meios de transporte, ou seja, veículos. A propósito, conforme o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (base, também, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, por disposição do Decreto nº 8.950, de 29 de dezembro de 2016; notar, ainda, o anexo à Instrução Normativa SRF nº 99, de 19 de dezembro de 2001), embarcações, inclusive rebocadores e aquelas em que a navegação é acessória da função principal, são classificados na SEÇÃO XVII - MATERIAL DE TRANSPORTE. Repare-se: (...) Nesse mesmo sentido manifestou-se a PFN em outro processo da recorrente de nº 12448.721529/2019-17 acerca de semelhante tema.do qual transcrevo excertos: Logo, imperioso reconhecer que a modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade das contribuições, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, tais como depreciação de máquinas e equipamentos, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. Significa dizer, portanto, que a necessidade ou a imprescindibilidade não são os únicos critérios para se considerar que uma determinada despesa possa ter seu valor tomado como base de cálculo dos créditos da não-cumulatividade descontáveis do PIS e da Cofins devidos. Necessário ainda que a hipótese de Fl. 1788DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 42 creditamento esteja expressamente prevista no rol estabelecido pelas respectivas leis e que o gasto ou despesa a ser tomado como base de cálculo dos créditos atenda ainda a cada um dos requisitos nelas determinados. (...) Neste tópico, verificou-se no trabalho fiscal que a fiscalizada apropriou-se, irregularmente, de créditos de depreciação acelerada (1/48) em razão de embarcações ("REBOCADORES"). Inicialmente, impende considerarmos as formas de desconto do crédito da Contribuição do PIS/Pasep e da Cofins previstas na legislação quando da aquisição de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, destinados a produção de bens e serviços e na prestação de serviços. Vejamos o que dispõem as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, legislação de regência da PIS/COFINS: dispõem as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, legislação de regência da PIS/COFINS: Lei nº 10.637/2002 (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) (Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) (...) § 13. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)” (original não grifado) Fl. 1789DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 43 (...) Lei nº 10.833/2003: “Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) (Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) (...) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2º deste artigo. (Incluído dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1790DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 44 (...) II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)” (original não grifado). Posteriormente, o artigo 1º da Lei nº 11.774, de 17/09/2008, em sua redação original, instituiu a possibilidade de apuração de créditos decorrentes da depreciação de máquinas e equipamentos em 12 meses. A redação atual estabeleceu um escalonamento que ao final permite o imediato creditamento (inciso XII) em relação a determinados bens adquiridos a partir de julho de 2012: Art. 1°. As pessoas jurídicas, nas hipóteses de aquisição no mercado interno ou de importação de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e prestação de serviços, poderão optar pelo desconto dos créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social/Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de que tratam o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4°do art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, da seguinte forma: (...) XII - imediatamente, no caso de aquisições ocorridas a partir de julho de 2012. E nos termos da Instrução Normativa SRF n. 457, de 17 de outubro de 2004 , que disciplina a apropriação dos créditos das contribuições decorrentes dos encargos de depreciação e amortização, consta o seguinte: IN 457/2004 MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nº 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei nº 4.506, de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; e II - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. § 1º Os encargos de depreciação de que trata o caput e seus incisos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) em função do prazo de vida útil do bem, nos termos das Instruções Normativas SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998, e nº 130, de 10 de novembro de 1999. Fl. 1791DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 45 § 2º Opcionalmente ao disposto no § 1º, para fins de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o contribuinte pode calcular créditos sobre o valor de aquisição de bens referidos no caput deste artigo no prazo de: I - 4 (quatro) anos, no caso de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado; ou II - 2 (dois) anos, no caso de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados nos Decretos nº 4.955, de 15 de janeiro de 2004, e nº 5.173, de 6 de agosto de 2004, conforme disposição constante do Decreto nº 5.222, de 30 de setembro de 2004, adquiridos a partir de 1º de outubro de 2004, destinados ao ativo imobilizado e empregados em processo industrial do adquirente. § 3º Fica vedada a utilização de créditos: I - sobre encargos de depreciação acelerada incentivada, apurados na forma do art. 313 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR de 1999); e II - na hipótese de aquisição de bens usados. Art. 2º Os créditos de que trata o art. 1º devem ser calculados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas de 1,65 % (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) para a Contribuição para o PIS/Pasep e de 7,6 % (sete inteiros e seis décimos por cento) para a Cofins sobre o valor: I - dos encargos de depreciação incorridos no mês, apurados na forma do § 1º do art. 1º; II - de 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição dos bens, na forma do inciso I do § 2º do art. 1º; ou III - de 1/24 (um vinte e quatro avos) do valor de aquisição dos bens, na forma do inciso II do § 2º do art. 1º. § 1º No cálculo dos créditos de que trata este artigo não podem ser computados os valores decorrentes da reavaliação de máquinas, equipamentos e edificações. § 2º Na data da opção de que tratam os incisos I e II do § 2º do art. 1º, em relação aos bens neles referidos, parcialmente depreciados, as alíquotas de que trata o caput devem ser aplicadas, conforme o caso, sobre a parcela correspondente a 1/48 ou 1/24 do seu valor residual. E a partir de uma leitura simples dos dispositivos supracitados podemos inferir que o creditamento pretendido somente é possível quando da aquisição de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e prestação de serviços, o que afastaria qualquer tentativa de se enquadrar “embarcações” no alcance da norma. Consoante descrito no trabalho fiscal, rebocadores se enquadram no capitulo 89 – EMBARCAÇOES E ESTRUTURAS FLUTUANTES, posição 8904 – REBOCADORES E BARCOS CONCEBIDOS PARA EMPURRAR OUTRAS EMBARCAÇOES. Logo, a previsão legal não teria o alcance pretendido pela parte fiscalizada. Fl. 1792DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 46 Neste sentido, a Solução de Consulta COSIT n° 7, de 27/01/2015, (DOU de 02/02/2015), que esclarece se veículos automotores se enquadram na definição de máquinas e equipamentos para efeito de apropriação de créditos da Cofins à taxa de 1/48 (um quarenta e oito avos) sobre o valor da aquisição, afirma que "o modelo elegido pelo legislador para a não cumulatividade da Cofins permite a apuração de créditos unicamente pelas hipóteses expressamente previstas no artigo transcrito. Se a hipótese fática se subsumir às disposições do artigo, há crédito. Caso contrário, não. Ou seja, por mais indispensável, necessária ou essencial que seja a despesa efetuada, o direito a crédito só existe caso se amolde às previsões dos incisos transcritos". Prossegue dizendo que "o deslinde da questão passa exatamente por definir se os veículos estão incluídos nesta expressão "máquinas e equipamentos”. E reafirmando esse entendimento, a Solução de Divergência COSIT n° 2, de 12/02/2015 (DOU de 20/02/2015), esclarece que em se tratando o desconto de créditos de uma forma de redução do valor devido — ou, em outras palavras, renúncia de receita —, a interpretação dos dispositivos legais que o definem deve ser restritiva. O direito a crédito, portanto, somente pode ser entendido no estrito senso do ditame legal, não se aplicando a analogia ou interpretação extensiva para determinação dos bens enquadrados. Imperioso considerar ainda que tanto a Solução de Divergência Cosit nº 2, de 12 de fevereiro de 2015, quanto a Solução de Consulta COSIT nº 7, de 27 de janeiro de 2015, têm efeitos vinculantes no âmbito da RFB, a partir da data de sua publicação, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 2013, firmando ambas a impossibilidade de creditamento de PIS e da COFINS sobre o valor de aquisição de veículos automotores (embarcações), nos termos do § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Vale ressaltar que a fiscalização desconsiderou o desconto imediato dos créditos das contribuições (depreciação acelerada), com base na legislação supracitada, todavia, permitiu os créditos da depreciação usual prevista no art. 1º, § 1º, da IN SRF 457/2004, observando o disposto na IN SRF nº 162/1998 quanto ao prazo de vida útil (20 anos) e à taxa anual de depreciação (5%) para rebocadores. Todavia, ao contrário do que quer fazer crer a recorrente, o dispositivo expressamente admite apenas o creditamento imediato dos créditos oriundos de aquisições de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, isto é, no dizer da norma “destinados à produção de bens e prestação de serviços”. Com efeito, tem-se que é condição sine qua non para o gozo do referido crédito fiscal digam respeito exatamente àquela hipótese prevista em lei, não havendo como dispensar essa interpretação, por se tratar de norma que possui natureza de benefício fiscal, nos termos do art. 111, inciso III, do CTN: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I— suspensão ou exclusão do crédito tributário; Fl. 1793DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 47 II — outorga de isenção; III — dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Não importa por que ângulo se analise a questão, não há como pretender que o caso concreto (“embarcações”) se subsuma à norma que dispõe expressa e exclusivamente em máquinas e equipamentos. Como já se encontra pacificado em nossos Tribunais, ao julgador não é dado atuar como legislador positivo, de modo a estender benefícios fiscais a situações não contempladas pela norma, criando direito estranho à previsão legal. Segundo Ricardo Alexandre2 , é princípio de hermenêutica que as exceções devem ser interpretadas estritamente, sem a possibilidade de utilização de restrições e, principalmente, de ampliações ou analogias. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça já assentou que a regra de isenção, por tratar da dispensa legal de recolhimento do tributo e, portanto, de causa de exclusão do crédito tributário, “deve, nos termos do artigo 111, inciso II, do CTN, ser interpretada de forma literal, não admitindo a realização de analogias e extensão a situações não contempladas pela lei” (RESP 1137031/RJ, Relator Ministro Benedito Gonçalves, DJE de 01/10/2010). Neste contexto, o art. 111, do CTN, embora fale em interpretação literal, está se referindo a interpretação restritiva, de modo a inviabilizar, nas situações ali descritas, interpretação que estenda a suspensão/exclusão do crédito tributário, a isenção e a dispensa do descumprimento de obrigações acessórias a outras situações que não aquelas expressas em lei. Nesta diretriz, confira-se ementa do STJ no RESP n° 1.410.259/PR, DJ de 09/10/2015: “TRIBUTÁRIO. BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. ART. 1º, XIV, DA LEI N. 10.925/2004. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. 1. As disposições tributárias que concedem benefícios fiscais demandam interpretação literal, a teor do disposto no art. 111 do CTN. 2. O art. 1º, XIV, da Lei n. 10.925/2004 reduz à alíquota zero de PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de farinha de trigo classificada no código 1101.00.10 da TIPI, o que restringe o benefício apenas ao produto especificamente enquadrado no indigitado código classificatório. 3. A farinha de rosca não pode ser enquadrada no apontado código, pois as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), no Capítulo 11, ao explicitar as Considerações Gerais, apenas estabelecem que a farinha de rosca devem submeter-se à posição 1101 (Farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio) para fins classificatórios, mas em nada a equiparam à farinha de trigo prevista no código 1101.00.10. 4. Ou seja, a farinha de rosca enquadra-se na posição 11.01, mas não se pode deduzir deste fato que sua classificação seja no específico código 1101.00.10, o que afasta a pretensão recursal da parte de Fl. 1794DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 48 beneficiar-se da alíquota zero, porquanto inviável a interpretação extensiva almejada. Recurso especial improvido” (g.n.) Desse modo, não se pode aplicar a analogia ou mesmo interpretação extensiva pretendida pelo sujeito passivo, a fim de classificar "embarcações" como sendo espécie do gênero "máquinas e equipamentos". E novamente nos deparamos com a pretensão do sujeito passivo em estender os efeitos da decisão proferida pelo STJ, no âmbito do REsp nº 1.221.170-PR, a outros tipos de créditos que não o vinculado à aquisição de insumos, conforme já alertamos no primeiro tópico da fundamentação. Por fim, depreende-se com clareza que "máquinas e equipamentos" e "rebocadores" possuem classificações tarifárias distintas3 , razão pela qual se evidencia com clareza que se tratam de espécies diferentes e, de forma alguma, podemos admitir uma como subespécie da outra. Assim, não podemos olvidar a existência de outras classificações específicas na NCM destinadas a máquinas, aparelhos, instrumentos ou equipamentos e, assim, indevida a equiparação pretendida pela fiscalizada. Com efeito, a legislação tributária é construída de forma a indicar de forma especifica os bens ou pessoas alcançados, especialmente, quando se trata de concessão de crédito. Assim, vê-se que, ao invés da aplicação do coeficiente de 1/48 previsto no §2º do art. 1º da IN 457/2004, a depreciação cabível é aquela prevista na IN SRF nº 457/2004 que permite a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, nos moldes previstos na IN RFB nº 162, de 31/12/1998, que estabelece critérios de depreciação de cada bem em função da classificação fiscal (NCM), fixando para rebocadores na posição 8904 da NCM o prazo seria de 20 anos. Desse modo, o recorrente deve se valer dos encargos de depreciação usual para descontar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ao invés de buscar descontar imediatamente (depreciação acelerada) créditos das Contribuições com base no entendimento equivocado de igualar rebocadores no conceito de máquinas e equipamentos. E assim, repita-se, uma vez mais, que a fiscalização desconsiderou o desconto imediato dos créditos das contribuições, com base na legislação supracitada, todavia, permitiu os créditos da depreciação usual prevista no art. 1º, § 1º, da IN SRF 457/2004, observando o disposto na IN SRF nº 162/1998 quanto ao prazo de vida útil (20 anos) e à taxa anual de depreciação (5%) para rebocadores (posição 8904). Fl. 1795DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 49 Portanto, por todo o conjunto normativo aqui exposto, o desconto imediato (depreciação acelerada) de créditos das contribuições sobre rebocadores não encontra nenhum amparo legal. A decisão recorrida cita inúmeras Leis, Instruções Normativas etc de onde se pode depreender que a legislação quando utiliza o termo máquinas e equipamentos o faz em sentido A recorrente para configurar embarcações e rebocadores que possuem finalidade específicas dentro da acepção legal de máquinas e equipamentos utiliza de interpretação que se apoia no uso comum das palavras.como consta de dicionários da língua portuguesa que propriamente não são dicionários técnicos . A decisão recorrida cita inúmeras Leis, Instruções Normativas de onde se pode depreender que a legislação quando utiliza o termo máquinas e equipamentos o faz em sentido legal próprio e de acordo com a classificação Fiscal do Sistema Harmonizado conforme está espelhado na TIPI. Ao intérprete leigo que se utilize apenas do senso comum soa muito bem entender que veículos embarcações e rebocadores não deixariam de ser uma espécie de engenho /máquina ou mesmo um equipamento quando munido de apetrechos que permitam sua utilização não apenas para o deslocamento mas a combinação deste com a realização de outras funções como o auto carregamento no caso de caminhões guinchos etc . Porém no ambiente empresarial seja industrial e de prestação de serviços de engenharia os termos máquinas , equipamentos e veículos possuem acepção legal própria que são refletidas na classificação fiscal desses bens Como exemplo podemos citar que caminhão guindaste que embora não deixe de ser uma máquina em sentido do senso comum e com finalidade específica tem classificação própria na TIPI como veículos e não no capítulo de máquinas e equipamentos. 87.05 Veículos automóveis para usos especiais (por exemplo, autossocorros, caminhões guindastes, veículos de combate a incêndio, caminhões-betoneiras, veículos para varrer, veículos para espalhar, veículos-oficinas, veículos radiológicos), exceto os concebidos principalmente para transporte de pessoas ou de mercadorias De forma diferente máquina niveladora embora possua deslocamento próprio está classificado no capítulo de máquinas e equipamentos capítulo 84 da TIPI: De forma diferente máquina niveladora embora possua deslocamento próprio está classificado no capítulo de máquinas e equipamentos capítulo 84 da TIPI: 84.26 Cábreas; guindastes, incluindo os de cabo; pontes rolantes, pórticos de descarga ou de movimentação, pontes-guindastes, carros-pórticos e carros- guindastes. O mesmo se dá no caso de empilhadeiras: Fl. 1796DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 50 84.27 Empilhadeiras; outros veículos para movimentação de carga e semelhantes, equipados com dispositivos de elevação Quando a Lei permite a depreciação acelerada ela é taxativa ao mencionar máquinas e equipamentos ela não está abrangendo os demais bens imobilizado. como por exemplo veículos e embarcações utilizados na atividade produtiva e constantes do imobilizado. Não há controvérsia acerca do crédito específico pleiteado referente a depreciação de bens constantes do imobilizado mas o que se discute é a opção de aceleração na tomada de créditos que no caso específico do crédito somente foi concedido pelo legislador para máquinas e equipamentos. Quando a Lei permite a depreciação acelerada ela é taxativa ao mencionar máquinas e equipamentos e não está abrangendo os demais bens imobilizado que incluem veículos ou embarcações e rebocadores utilizados na atividade produtiva imobilizados. Quanto a súmula CARF nº 190 entendo que não se aplica ao presente caso que discute a depreciação acelerada de máquinas e equipamentos cujo crédito é previsto no inciso VI dos art.3º das Leis 10.833/2003 e 10637/2003 enquanto o teor da súmula CARF 190 refere-se ao crédito disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003. Embora a súmula CARF nº 190 também limite o creditamento às máquinas e aos equipamentos, não albergando na acepção legal os veículos de transporte de cargas e passageiros, entendo não aplicável a este caso por se tratar de créditos específicos e que não se confundem com o discutido nesse processo. Transcrevo a Súmula CARF 190: Súmula CARF nº 190 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.415; 9303-014.369; 9303-013.956 Dessa forma entendo acertada a decisão recorrida de forma que adoto os fundamentos da decisão recorrida e das contrarrazões da PFN como motivo de decidir. Aprecio, Não assiste razão à recorrente 3.2 A APLICAÇÃO CONJUNTA DO INCISO VI, DO PARÁGRAFO 1º, INCISO III, E DO PARÁGRAFO 14, TODOS DO ART. 3º DA LEI N. 10833 Alega ainda a recorrente que : Fl. 1797DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 51 o direito ao crédito à taxa de 1/48 subsistiria, porque o parágrafo 14 do art. 3º da Lei n.10833 abrange qualquer bem do ativo imobilizado utilizado na atividade operacional da pessoa jurídica. (...) O parágrafo 14 é uma opção ao cálculo do crédito de que cuida o inciso III, parágrafo 1º, do artigo 3º, o qual, por sua vez, faz remissão ao inciso VI deste mesmo dispositivo, que trata de “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado”, cuja teleologia, como vimos, cuida de permitir o crédito dos ativos imobilizados ligados à atividade operacional da sociedade. É incontroversa a previsão de creditamento conforme disposto no Inciso IV do art. 3º da Lei 10.833/2003: VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) O cálculo do crédito de depreciação conforme o parágrafo 1º do art.3º da Lei 10.833/2003 assim dispõe: § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeito) I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. Embora o parágrafo 1º do art.3º da Lei 10.833/2003 remeta ao inciso VI do caput. Conforme alega a recorrente é cristalino que o § 14 do art.3º da Lei 10.833/2003 refere uma forma opcional de cálculo do crédito apenas sobre máquinas e equipamentos Caso fosse a intenção do legislador aplicar a opção a todos os bens do imobilizados utilizados na produção apenas faria menção ao inciso VI como foi feito na redação do inciso III do parágrafo 1º do art.3º da Lei 10.833/2003 acima transcrito ou acrescentaria a redação outros bens conforme consta no Inciso VI do art. 3º da Lei 10.833/2003. Aprecio, Por todos o exposto acima não assiste razão à recorrente. Fl. 1798DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 52 3.3 O DESCABIMENTO DOS JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO, NA FORMA DO ART. 100, INCISOS I E III, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN, C/C O ART. 76, INCISO II, “A”, DA LEI N. 4502, DE 30.11.1964. Alega a recorrente que deve o acórdão ser reformado para que seja afastada a incidência de juros e multa de ofício, tendo em vista que a recorrente seguiu a orientação de soluções de consulta proferidas à época dos fatos, em favor do entendimento esposado nesta defesa, além de ter seguido orientação contida em guia prático da EFD. Explica-se. Foi visto linhas acima que os créditos apropriados pela ora recorrente estavam em sintonia com o entendimento, até então pacífico, da Receita Federal do Brasil, manifestado por meio das soluções de consulta supracitadas, seja no sentido de que veículos, inclusive empilhadeiras, constituem máquinas e equipamentos, para efeito de creditamento da contribuição ao PIS e da COFINS, seja no sentido de que a norma do parágrafo 14 do art. 3º da Lei n. 10833 abrange máquinas, equipamentos e outros bens do imobilizado utilizados na atividade principal da pessoa jurídica. Outrossim, viu-se também que Guia Prático EFD, ao tratar dos ativos imobilizados sujeitos ao crédito pelo custo de aquisição, inclusive à taxa de 1/48, tal como autorizado pelo parágrafo 14 do art. 3º da lei n. 10833, permite a inclusão dos mais diversos bens, contrariando a visão restritiva da fiscalização nos presentes autos de infração. (...) A conduta, segundo essas práticas, que são verdadeiras normas complementares das leis tributárias, afasta a imposição de penalidades e a cobrança de juros, nos termos do art. 100, incisos I e III, e parágrafo único, do CTN, “in verbis”: (...) O art. 76, inciso II, “a”, da Lei n. 4502 também é aplicável em situações como a presente, tanto porque esta lei estabelece regras gerais em matéria de penalidade, como porque a Lei n. 9430, de 27.12.1996, expressamente adota estas regras gerais, ao dispor sobre as multas, como se vê, por exemplo, de seu art. 44, parágrafo 1º (...) Nesta linha, como o art. 76, inciso II, “a”, assegura a não imposição de penalidade a quem tenha agido “de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado”, a ora recorrente não pode ser penalizada porque agiu de acordo com soluções de consulta e manuais de preenchimento que existiam quando da prática do ato. Fl. 1799DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 53 Neste aspecto a decisão recorrida entendeu que não se aplica ao caso o guia prático da EFD. Do guia prático da EFD Quanto ao texto/quadro do guia prático da Escrituração Fiscal Digital -EFD trazido a colação pela Impugnante, cumpre registrar que o mesmo em nenhum momento autoriza a tomada de créditos realizada pela Impugnante. Por certo, no registro F130 da EFD, que trata das operações geradoras de créditos com base no valor de aquisição, ficou aberta a possibilidade do contribuinte eventualmente relacionar ou conectar "Veículos" aos créditos dessa espécie. Por aí já se vê que o referido manual é um orientador quanto ao leiaute das informações, não um orientador tributário em si. Depois, um leiaute deve abarcar diversas situações e pode conceber outras tantas. (...) Se não bastassem tais considerações, existem veículos que, excepcionalmente, não são classificados como material de transporte, como é o caso das empilhadeiras, e que podem ser havidos como máquinas ou equipamentos. (...) Em suma, a tomada de créditos em relação a embarcações, com apoio no valor de sua aquisição, não é abonada e nem desabonada pela Escrituração Fiscal Digital - EFD. (...) Em suma, a tomada de créditos em relação a embarcações, com apoio no valor de sua aquisição, não é abonada e nem desabonada pela Escrituração Fiscal Digital - EFD. (...) Do art. 76, II, a, da Lei nº 4.502 Alega a recorrente que: O Código Tributário Nacional acabou, efetivamente, por restringir o alcance, para a generalidade das exações, da aplicação do disposto no art. 76, II, a, da Lei nº 4.502, de 1964, que vigia anteriormente à sua edição. Depois, a Solução de Consulta 10, de 2011, citada pela Impugnante em seu favor, foi reformada pela Solução de Divergência 2, de 2015, bem se vendo que a primeira não era irrecorrível, no sentido de que comportava reforma. Fl. 1800DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 54 Ademais, as soluções de consulta não representam práticas reiteradas do Fisco porque tais atos não são maneiras habituais de proceder, mas de pareceres acerca de uma determinada matéria. Inaplicável, então, também por aí e por tudo o que aqui se expõe neste voto, o art. 100, III, do CTN, pelo qual são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas. Quanto a suposta ampliação do permissivo legal à tomada de créditos entendo que restou plenamente demonstrada pela decisão recorrida que a EFD não é abonada e nem desabonada pela Escrituração Fiscal Digital -EFD. Quanto a alegação da recorrente pela aplicação ao caso do art. 76, II, a, da Lei nº 4.502 entendo que a jurisprudência consolidada neste E.CARF quanto a este tema espelhada na SÚMULA CARF N° 167 Súmula CARF nº 167 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O art. 76, inciso II, alínea "a" da Lei nº 4.502, de 1964, deve ser interpretado em conformidade com o art. 100, inciso II do CTN, e, inexistindo lei que atribua eficácia normativa a decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a observância destas pelo sujeito passivo não exclui a aplicação de penalidades. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: 9101-002.262, 9101-002.225, 9303-007.440, 1401- 001.900, 1401-002.077, 3302-006.110, 3302-006.579, 3402-004.280 e 9303- 009.259. Aprecio, Não assiste razão à recorrente. As instruções de preenchimento da EFD não abonam nem desabonam a tomada de créditos e aplica-se ao caso a Súmula CARF nº 167 3.4 A INAPLICABILIDADE DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Alega a recorrente que: Na hipótese de serem mantidos os juros e a multa, deve ser cancelado o lançamento referente à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, pois a lei somente prescreve a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas. De fato, o artigo 61, parágrafo 3º, da Lei n. 9430, ao tratar da atualização dos débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB, estabelece que: Aplica-se a esta questão a SÚMULA CARF Nº 108. Súmula CARF nº 108 Fl. 1801DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 55 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2018 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Aprecio, Não assiste razão à recorrente. 4 CONCLUSÃO Por todo o exposto voto por conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Márcio José Pinto Ribeiro VOTO VENCEDOR Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, redator designado 1. Sem prejuízo do vasto saber jurídico demonstrado pelo Conselheiro Márcio ouso acompanha-lo pelas conclusões em parte do voto e em outra parte dele divergir. 2. O artigo 3° inciso VI das Leis 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento de “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado” por meio de encargos de depreciação incorridos no mês. A seu turno o § 14 do mesmo artigo 3° permite a DEPRECIAÇÃO ACELERADA a máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, silenciando sobre outros bens. Portanto, outros bens que não se qualifiquem como máquinas e equipamentos não fazem jus à depreciação acelerada. 2.1. A fiscalização, fundamentada nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado e também na Legislação do PIS e da COFINS, entende que as Embarcações adquiridas e operadas pela Recorrente não são máquinas e equipamentos, porém veículos, logo estes bens estão sujeitos ao creditamento pela depreciação regular. 2.2. A Recorrente defende que máquinas e equipamentos devem ser conceituados de acordo com o uso comum do vernáculo, com o disposto nos dicionários; e os bens de apoio marítimo que opera são verdadeiros equipamentos com diversas funções que não o mero transporte de bens e pessoas. Fl. 1802DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 56 2.3. Com a devida vênia ao voto do Conselheiro relator (e antes dele da DRJ), porém a NESH não é um bom parâmetro de uso neste caso, não apenas pois o § 14 do artigo 3° Leis 10.637/02 e 10.833/03 não citam qualquer NCM, mas também porque a NESH é reticente ao conceituar máquinas. Claro dispõe que combinação de máquinas e unidade funcional são conjuntos de máquinas com função unitária e que máquinas com múltiplas funções são máquinas (bem) com mais de uma função, porém, não há na NESH qualquer conceito fechado de máquinas mais do que indicações de execução de uma função (mais do que dizer que são bens que executam uma função bem definida). 2.3.1. Se a NESH é reticente ao tratar de máquinas, ao tratar de equipamentos ela ora aparenta referendar a posição da Recorrente - visto que trata destes (equipamentos) como uma parte de algo maior, quer seja uma máquina, quer não – ora aparenta tratar do equipamento como um item próprio: Notas do Capítulo 30 l) Os equipamentos identificáveis para ostomia, isto é, os sacos cortados no formato para colostomia, ileostomia e urostomia, bem como os seus protetores cutâneos adesivos ou placas frontais. Notas da Posição 95.08 Para serem incluídos aqui, os equipamentos para parques de diversões, os equipamentos para parques aquáticos, as atrações de parques e feiras, os circos ambulantes, as coleções de animais ambulantes e os teatros ambulantes devem, em princípio, incluir tudo o que for essencial à sua atuação normal. Notas da posição 42.03 Esta posição compreende todo o vestuário e seus acessórios, com exceção dos mencionados abaixo, de couro natural ou reconstituído, tais como mantôs (casacos compridos*), paletós, luvas, mitenes e semelhantes (incluindo as de esporte ou de proteção), aventais, pulseiras, mangas e outros equipamentos especiais de proteção individual, suspensórios, cintos, cinturões, bandoleiras ou talabartes e gravatas. 2.3.2. Nem o enquadramento sistemático das mercadorias em um ou outro capítulo da NESH é capaz de indicar a natureza destas. Afinal de contas “os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo” (RGI1), isto é, tanto quanto foi possível os bens encontram-se agrupados na NESH “porém, foi materialmente impossível, em virtude da diversidade e da quantidade de mercadorias, englobá-las ou enumerá-las completamente nos títulos daqueles agrupamentos” – é o que dispõe textualmente, ipsis literis, a Nota Explicativa 1 da RGI1. 2.3.3. As Notas da Seção XVI além de determinarem a classificação das máquinas nestes capítulos salvo posição mais específica indicam outras máquinas e equipamentos que não se enquadram em nenhum dos capítulos: Fl. 1803DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 57 Notas da Seção XVI CONSIDERAÇÕES GERAIS I.- ALCANCE GERAL DA SEÇÃO A) Ressalvadas as exclusões previstas nas Notas Legais da presente Seção e dos Capítulos 84 e 85 e das relativas a certos artigos incluídos mais especificamente noutros Capítulos, a presente Seção compreende, nos seus dois Capítulos, o conjunto das máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e diversos materiais mecânicos ou elétricos; Notas do Capítulo 84 CONSIDERAÇÕES GERAIS A.- ALCANCE GERAL DO CAPÍTULO As máquinas, aparelhos ou instrumentos (bombas, por exemplo), de cerâmica e as partes de cerâmica das máquinas, aparelhos ou instrumentos, de quaisquer matérias (Capítulo 69), os artigos de vidro para laboratório (posição 70.17) e as obras de vidro para uso técnico (posições 70.19 e 70.20) excluem-se do presente Capítulo; daí decorre que uma máquina, aparelho ou instrumento mesmo que abrangido, devido à sua denominação ou natureza, pelos dizeres de uma posição deste Capítulo, não deve nele ser classificado se tiver as características de artigo de cerâmica ou de vidro. 2.3.4. Outro exemplo do equívoco do uso da NESH no presente caso: sim, as embarcações operadas pela Recorrente estão no capítulo 89 abaixo da Seção VII destinada ao material de transporte. No entanto, a posição 89.05 da NESH (onde com elevada probabilidade enquadram-se boa parte dos bens operados pela Recorrente) é destinada a “barcos-faróis, barcos- bombas, dragas, guindastes flutuantes e outras embarcações em que a navegação é acessória da função principal” – bem classificado na seção de transporte e que a função principal não é transporte. 2.3.5. Esta casa, inclusive, ao debruçar-se sobre o tema de afretamento nega a qualidade de veículo de transporte aos mesmos bens que são objeto do presente processo: Os serviços são prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação (unidade) fornecida pelo próprio grupo econômico que presta os ditos serviços. A empresa estrangeira – afretadora da unidade - e a empresa nacional – prestadora do serviço - pertencem ao mesmo grupo econômico e desempenham, de forma conjunta e solidária, atividades formalmente contratadas de forma segregada, tendo ambas um único objetivo - a prestação de serviços para a contratante PETROBRÁS. A maior parte do preço pago pela PETROBRÁS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte e sem o recolhimento da CIDE, enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços, paga no Brasil, e tributada na fonte. (...) Fl. 1804DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 58 Refuta expressamente o que considera equívocos cometidos pela decisão recorrida: a) a recorrente jamais afirmou, especificamente quanto às plataformas e navios-sonda, que o afretamento se limitaria a prestar apoio à execução destas atividades, afirmação restrita apenas a duas unidades de apoio a operações de estimulação de poços (WSSV BLUE SHARK E BLUE ANGEL) b) a decisão recorrida distorceu as conclusões do parecer referido na impugnação, diferenças entre o afretamento marítimo e o de plataformas descritas como WSSV (Well Stimulation Support Wessel) (...) Os contratos de afretamento não são, pois não têm como objeto embarcação. Embarcações são destinadas ao transporte de pessoas e/ou carga sobre ou sob a água; as plataformas são instalações ou estruturas marítimas para as atividades relacionadas com a pesquisa, exploração e exploração de recursos petrolíferos. Eventualmente, até se locomovem na água, mas jamais se destinarão ao transporte de pessoas ou coisas. (Acórdão 3403-002.702 – Relator Conselheiro Alexandre Kern) 2.4. Do acima já se nota que a legislação interna, no mínimo, titubeia ao tratar da qualificação de embarcações, ora qualificando-as como veículos, ora como máquinas. Neste sentido, o Decreto 6.909/09 ao tratar da depreciação acelerada de CSLL expressamente qualifica as embarcações (Capítulo 89 da NESH) como máquinas e equipamentos: Art. 3º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão utilizar crédito relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, à razão de vinte e cinco por cento sobre a depreciação contábil de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, adquiridos entre 1º de outubro de 2004 e 31 de dezembro de 2010, destinados ao ativo imobilizado e empregados em processo industrial do adquirente. Parágrafo único. As máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, de que trata o caput, estão relacionados no Anexo a este Decreto, classificados conforme os códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006. 2.5. Se a NESH é inútil para tratar da questão e a legislação titubeia, resta ao intérprete socorre-se do uso técnico para qualificar máquinas. O conceito de máquinas é amplo, um sistema físico que usa energia para aplicar forças e controlar o movimento para executar uma Fl. 1805DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 59 ação ou tudo o que tem força suficiente para elevar ou parar o movimento de um corpo, nele se incluindo tanto veículos quanto máquinas fundamentais como a cunha, a alavanca, a roda, a rampa e o parafuso. 2.5.1. Quer parecer que o avanço tecnológico permite dizer que as máquinas fundamentais não são máquinas no sentido legal que, em verdade, mais se aproxima do conceito de sistema mecânico ou máquina moderna que são sistemas que consistem em (i) uma fonte de energia e atuadores que geram forças e movimento, (ii) um sistema de mecanismos que moldam a entrada do atuador para atingir uma aplicação específica de forças de saída e movimento, (iii) um controlador com sensores que comparam a saída a uma meta de desempenho e então direcionam a entrada do atuador, e (iv) uma interface para um operador que consiste em alavancas, interruptores e visores. 2.5.2. No conceito acima, ainda amplo, enquadram-se sem sombra de dúvida os veículos. Contudo, e nisto o raciocínio do Conselheiro Márcio (e antes dele da DRF e da DRJ) é irreprochável, o inciso III do § 1° do artigo 2° das Leis 10.833/03 e 10.637/02 coloca lado-a-lado máquinas e veículos. Portanto, em interpretação sistêmica máquinas e veículos são conceitos distintos. No entanto, a diferença entre um e outro não é a capacidade de locomoção, basta lembrar que um guindaste autopropulsado é uma máquina, e sim a finalidade principal do bem: se o bem é utilizado para deslocamento, seja qual for, é um veículo, caso contrário, é uma máquina – como já se pronunciou esta Casa ao julgar tema semelhante envolvendo embarcações: ALUGUEL DE DUTOS/TERMINAIS E EMBARCAÇÕES. CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO. POSSIBILIDADE. Diante da inexistência de definição clara e fechada na legislação sobre o conceito de máquinas, equipamentos e prédios, a verificação das hipóteses creditáveis com base no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/03, deve ser analisada caso a caso, tendo em vista a função dos bens indicados no processo produtivo e seu modo de funcionamento. No caso dos autos, restou demonstrada a possibilidade de creditamento frente ao tipo de utilização dos dutos, terminais e embarcações alugados enquanto ferramentas essenciais para execução das atividades do objeto social da recorrente. (Acórdão 3401-011.577 – Relatora: Fernanda Kotzias) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE EMBARCAÇÕES. POSSIBILIDADE. A aquisição de embarcações utilizadas no processo produtivo ou na prestação de serviços gera direito ao desconto de crédito, sendo que, tratando-se de regime especial de creditamento, tal crédito pode ser apropriado na forma prevista na lei instituidora do benefício, em prazo reduzido, observados os demais requisitos da lei. (Acórdão 3201-009.950 - Relator Hélcio Lafetá Reis) AQUISIÇÃO DE EMBARCAÇÕES. CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. POSSIBILIDADE. A interpretação do disposto no art. 1º da Lei nº 11.774/2008, que permite a apropriação imediata de crédito sobre o valor de aquisição do ativo, comporta a Fl. 1806DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.401 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.721529/2019-17 60 inclusão de quaisquer máquinas e equipamentos, o que inclui as embarcações, desde que utilizadas para a prestação de serviços ou produção de bens. Inadequação da classificação fiscal da TIPI sobre máquinas e equipamentos para a restrição interpretativa, devendo-se buscar um sentido próprio na legislação do PIS e da COFINS. (Acórdão 3301-010.380 – Relatora Liziane Angelotti Meira) 2.6. Conforme documentação coligida pela Recorrente com a Impugnação, as embarcações CBO Alessandra, CBO Anita, CBO Atlântico, CBO Bianca, CBO Guanabara, CBO Manoela, CBO Pacífico e CBO Rio, são PSVs – Plataform Vessel Supply, uma plataforma que tem como finalidade transportar suprimentos, como ferramentas, equipamentos, materiais e mão de obra, para as plataformas offshore de óleo e gás, logo, são veículos. Do mesmo modo, a CBO Valentina é uma PSV – Fluid Carrier, ou seja, uma embarcação que tem como finalidade o transporte de fluídos. 2.6.1. A CBO Campos é uma RSV - Remote Operated Vehicle Support Vessel, embarcações atuam no fundo do mar por meio de braços mecânicos, luzes e lentes no manuseio e montagem de equipamentos submarinos offshore. A CBO Chiara é uma AHTS - Anchor handling tug supply vessel, uma embarcação que maneja a âncora das plataformas de petróleo, transportando-as ao local de lançamento da âncora e mantendo-a no local. A CBO Vitória é uma OSRV - Oil Spill Recovery Vessel, embarcação que tem como função recuperar o óleo porventura atirado ao mar pelas plataformas e pelos navios tanques. Todas as embarcações descritas neste tópico não se destinam precipuamente a transporte de bens ou pessoas, logo, são máquinas. 2.7. Destarte, sendo as embarcações CBO Campos, Chiara e Vitória máquinas, correto o proceder da Recorrente ao depreciá-los de forma acelerada. Já as CBOs Alessandra, Anita, Atlântico, Bianca, Guanabara, Manoela, Pacífico, Rio e Vitória são veículos, logo, com razão a fiscalização. 3. Pelo exposto, admito, uma vez que tempestivo, e conheço em parte do Recurso Voluntário (salvo temas objeto das Súmulas 108 e 167), para, na parte conhecida dar parcial provimento para afastar a glosa da depreciação acelerada das embarcações CBO Campos, Chiara e Vitória, reduzindo o lançamento de ofício (tributos e multas) proporcionalmente. Assinado Digitalmente Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 1807DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido 1 ADMISSIBILIDADE 2 PRELIMINAR 2.1 nulidade dos autos de infração, por erro na formação do aspecto material do lançamento. 3 MÉRITO 3.1 A possibilidade de tomada de créditos sobre as embarcações à taxa de 1/48 ao mês. 3.2 A aplicação conjunta do inciso VI, do parágrafo 1º, inciso III, e do parágrafo 14, todos do art. 3º da Lei n. 10833 3.3 O descabimento dos juros de mora e da multa de ofício, na forma do art. 100, incisos I e III, parágrafo único, do CTN, c/c o art. 76, inciso II, “a”, da Lei n. 4502, de 30.11.1964. 3.4 A inaplicabilidade de juros sobre a multa de ofício. 4 Conclusão Voto Vencedor

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Numero do processo: 13770.000208/91-05
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 1994
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 1994
Ementa: ITR - 1) CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE - O controle da constitucionalidade e da legalidade da legislação compete ao Poder Judiciário. 2) PROVA - A produção da prova da matéria alegada é ônus de quem alega. 3) REDUÇÃO DO IMPOSTO - Não sendo provado o pagamento do imposto referente a exercício anterior, não se concede a redução referente aos fatores FRU e FRE. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-01.595
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro SEBASTIÃO BORGES TAQUARY. Ausentes os Conselheiros MAURO WASILEWSKI e TIDERANY FERRAZ DOS SANTOS.
Nome do relator: CELSO ÂNGELO LISBOA GALLUCCI

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PU BLICAM) NO D. Q.11... . MINISTÉRIO DA FAZENDA c • De-£ZL. 0G.../ wis .. . ___-__. ----- ___Ág •• o •• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES c _ .:. ..... . Ruh,- . • • -:' r : 'ui '' • Processo no 13770.000209/91-05 Sessão de 2 10 de junho de 1994 ACORDNO Np 203-01.595 Recurso no n 91.043 Recorrenten ESPOLIO DE RUBENS PIMENTEL Recorrida : DRF EM VITORIA - ES ITR - 1) CONSTITUCIONALIDAD• E LEGALIDADE - O controle da constitucionalidade e da legalidade da legislação compete ao Poder judiciário. 2) PROVA - . . A produção da prova da matéria alegada é ünus de Iquem alega. 3) REDUÇMO DO IMPOSTO Não sendo 1provado o pagamento do imposto referente a exercício anterior, não se concede a redução referente aos fatores FRU e FRE. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interpostü por ESPOLIO DE RUBENS PIMENTEL. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro SEBASTINO BORGES •TAGUARY. Ausentes os Conselheiros MAURO WASILEWSKI e TIDERANY FERRAZ DOS SANTOS. . Sala das Sessffes, em 14 de junho de 1994. ;..4-7,..„ )6EBASTIMO 47ètS T%7- Vice-Presidente, no exercício da Presi- ! • 11 A+050--TISDOA GALLUCCI - Relato,- 414_ )1)4;4-Lr A4~1,,,,, I I Ajl 'f:-'4 Irt-IDA DINIL untchwu~ - Procuradora-Repre- i.sentante da Faze...... da Nacional I VISTA EM SESSMO DE 1 1 NOV1994 • Participaram, ainda, do presente julgapento, os Conselheiros RICARDO LEITE RODRIGUES, ELSO VENANCIO DE SIQUEIRA (Suplente), MARIA THEREZA VASCONCELLOS DE ALMEIDA, SERGIO AFANASIEFF Cr. VALDEMAR LUDVIG (suplente). •fclb/ 1 • . . 5 15 5 - -.,.. .s.-a.- MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - • te.:.”Ok''r/ Proe so no 13770.000208/91-05 Recurso No: 91.043 AcórdWo Np: 203-01.595 Recorrente: ESPOLIO DE RUBENS PIMENTEL , RELATORIO . • O Contribuinte impugnou o lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, referente ao exercício de 1991, argüindo a seu favor queu a) a Portaria Interministerial ng 309, de 07.05.91 9 a titulo de atualizar o Valor: da Terra Nua - VTN, em verdade promoveu a majoraç go do tributo, ferindo assim o princípio da legalidade, eis que se trata de ato iíifralegaig b) o aumento da base de cálculo do ITR, no mesmo exercício financeiro da publicaçao da supracitada portaria, transgride o princípio da anterioridadeg - 1 e) a majoraçgo do VTN sem a obser~cia do , levantamento de preços preconizado no parágrafo 3g do art. 7p do Decreto no 84.685/80, torna ilegal qualquer aumento acima do índice oficial da inflaçabg d) a eorreçgo baseou-se somente no VTN do exercício de 1990, embora o parágrafo 4p do art. 7g do Decreto no 84.685/80 prescreva que a correçgo deva considerar a variaçgo percentual do preço da terra verificada entre dois exercícios anteriores ao do lançamento:Á , e) nab , obteve as reduOes referentes aos fatores . FRU e FRE, embora n go apresente débitos de exercícios anterioresg f) litiga com a Uni go„ através de aç go judicial em tramitaçgo na ia Vara da Justiça Federal no Estado do Espirito Santo e efetuou o depósito judicial referente ao valor da netificaçgo do ITR/90, ficando, assim, suspensa a exigibilidade do crédito tributáriog g) recebeu da Confederaç go Nacional da Agricultura e da Federaçao da Agricultura do Estado do Espírito Santo a cobrança da Contribuiçao Confederativa Rural, que se fundamenta no inciso IV do art. Sg da Constituiç go Federal de 1988, ocorrendo, assim, dupla cobrança sobre uma só obrigaçao, pelo que ficou nulo o lançamento da contribuiçao para a CNA. (v-Finaliza a petiçao solicitandou 2 . 5 5‘ál , .. . MINISTÉRIO DA FAZENDA 114" SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . - 4...„ • _. tr Processo no 13770.000206/91-05 AcórdWo no 203-01.595 a) cancelamento do lançamento do ITR/91 por ser inconstitucional, ilegal, irregular e eivado de nulidade insanáveig . Li) que seja oficiada a lA Vara da justiça Federal no Estado do Espirito Santo para que informe sobre a existOncia de açAo judicial em tramitaçAo e o depósito judicial da crédito exigido pela notificaçAo de 1990g c) que seja oficiada A Conf•deraçAo Nacional da Agricultura e à FederaçAo da Agricultura do Estado do Espírito Santo para que informem sobre a razAo da cobrança da ContribuiçAo Confederativa Rural, bem como suas participaçó .es na arrecadaçAo da (ontribuiçAo Sindical Rural - CNAg d) que seja oficiado ao INCRA - ES, para que informe o motivo do lançamento do IR sem os benefícios das isenOes do FRU e FREI; e) que sejam realizadas as diligéncias indicadas nos itens anteriores e perícia nas Ultimas DeclaraOes de Proprietários e . • f) que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, devendo ser expedidas as certideSes negativas. A Autoridade de Primeira Instncia indeferiu o pedido de diligOncia e de r=lcia„ julgando procedente o lançamento com os fundamentos que enuncio resumidamenteu a) que o lançamento foi realizado com base nas informaçffes prestadas pelo Contribuinte e arquivado no Cadastro de Imóveis Rurais do INCRA (NE - CST - 001, de 08.11.91)g b) que nAo compete ao Delegado da Receita Federal julgar a constitucional idade da exigéncia do ITR relativa ao exercício de 1991g c) que a reduçAo do imposto em funçAo dos fatores FRE e FRU nAo foi concedida em razNo da existencia de débitos de exercícios anterior(?sg d) que a guia de depósito judicial (fls. 11) nAo pode ser considerada documento hábil para efeito de comprovaçAo, de vez que nAo identifica o débitog 1 e) que cabe ao sujeito passivo a apresentaçAo da impugnaçAo instruída com os documentos em que se fundamentarg (.1 I./ 1 3 • . . 5 5L' [I. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES *4 Processo no 13770.000200/91-05 Acóra no 203-01.595 , f) que as Contribuiçffes Sindicais dos Empregadores - CNA e dos Trabalhadores - CONTAS est go sendo cobradas com fundamento no Decreto-Lei n2 1.966/71 e parágrafo 22 do artigo 10 , do Ato das DisposiOes Transitórias da Constituiçáo vigente, devendo a impugnante dirigir-se ao Sindicato Rural ou à Federaçáo da Agricultura, a fim de ser esclarecido sobre a cobrança da Contribuiçáo Confederativa, que foi de inteira responsabilidade das citadas entidades (Boletim Central - DPRF no 161 9 de 14.11,91); . g) que a solicitaçáo de realizaçáo de diligOncia junto a 4-1 Vara da justiça Federal do Estado do Espírito Santo ngo procede, vez que o ónus da prova cabe a qual a quem alega-g h) que n go procedem as diligOncias solicitadas, tendo sido o assunto objeto de exame nos itens acima e que o pedido de perícia n go está fundamentado de acordo com o disposto no art. 17, parágrafo único, do Decreto n2 70.235/72, Ainda II] conformado ir) terpõs o tempestivo Recurso de fls. 20/22 reiterando no que coebefr os termos da Impugnaçáo e argúi, ainda, que; a) a decisao merece e deve ser reformada., pois sequer apreciou as razffes da Impugnaçáo, fazendo-se cega diante da legislaçgo pertinente, o que a torna nula de pleno direito; b) náo pretendia que o Delegado da Receita Federal declarasse a inconstitucional idade do lançamento, mas que ngo aplicasse a norma eivada de inconstitucionalidade; . c) o Delegado náo analisou o mérito da questgog d) n go é justo desconsiderar o depósito judicial como documento hábil e apto a suspender a exigibilidade do débito do exercício anterior a que se refere, pelo que fica preiudicado seu direito As isençffes parciais; E? ) a decisgo é silente quanto ao meio de pagamento isolado, se devido fosse, do ITR/91, isto é, sem as parcelas de Contribuiçáo Sindical - CNA - CONTAS; e f) considera inoportuna e ilegal a negativa de oficiamento à justiça Federal, aos órg gos sindicais patronais e ao INCRA-ES sob o argumento de que cabia ao Impugnante a produçáo das provas. o Recurso entrou na pauta para julgamento na Sessgo de 10 de dezembro de 1993, quando ent'áog por unanimidade 4 / // . 55ço.. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES4,#÷ Processo no 13770.000208/91-05 AcórdWo no 203-01.595 de votos, foi decidido converte-lo em diligencia nos termos do voto do relator, para que o Orflo recorrido convidasse o Recorrente a apresentar cópia da petiçab inicial da aça° a que se refere o depósito acima referido. • Foi, entWo, o Recorrente convidado (fls. 33/34) a apresentar a cópia da petiçao inicial que deu origem a aWao judicial— Decorrido o prazo concedido, o Recorrente nab se manifestou, conforme está informada a fls. 35. . E o relatório. . 1 5 55; g,. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . .44-10* Processo no 13770.000208/91-05 Ace5r~ no 203-01.595 VOTO DO COMSELHEIRO-RELATOR CELSO ANGELO LISBOA OALLUCCI O Recurso é tempestivo e dele tomo conhec.iment.o. . , ligo assiste raz go ao Recorrente quando afirma que 1 1 a decisgH nao apreciou as razffes da Impugnaçgo. Apreciou-as 1 conforme 1 ..stá resumido no Relatório acima. 1 i Quanto à argüiçao da inconstitucionalidade e de ilegalidade da legislaçao aplicada, n go é esta matéria da , icompetencia de órgaos administrativos vinculados ao Poder 1 Executivo. O controle da legalidade e oL ince~jA=~ilidade da 1 legislaçao compete, por força da Constituiçgo Federal, exclusivamente ao Poder judiciário. 'Ngo procede, também, a alegaç go de que é ilegal a negativa de oficiamento à justiça Federal, aos sindicais il patronais e ao INCRA pela Autoridade de Primeira Inst&icia„ que argumentou que cabia ao Impugnante a produçao das provas. Ora, é princípio assente na processualistica„ plenamente aplicável no processo administrativo-fiscal, que cabe a quem alega provar o alegado. A ~ida levantada quanto ao meio do pagamento . isolado do ITR/91, isto é, sem as parcelas de Contribuiçao Sindical - CNA - CONTAG, se constitui substantivamente numa consulta, n go o sendo, pois, matéria litigiosa, e pode ser solucionada diretamente com o erga° arrecadador. ' O julgamento do Recurso foi convertido em diligOncia por esta Câmara com a finalidade de se obter, junto ao Re~rente, cópia da petiçao inicial da açao judicial a que diz referir-se o documento de depósito de fls. 11. No voto entao proferido, disse que nao estava provado nos autos que o depósito se referia ao ITR/90. O cotejo da cópia da petiçao com o documento do depósito ensejaria a 1 apreciaçgo da matéria alegada. Na° havendo sido apresentada a cópia da m~o„ conforme informaçao de fls. ..,.. i n fica prejudi.cado o cotejo intencionmio. Nao aproveitou o Recorrente da oportunidade ensejada para a produç go da prova da sua alegaçgo. Pelos motivos acima expostos, nego provimento. , , , , 1 Sala das Sesseles, em 14 de junho de 1994. CEdioée---4002, .„----- LS. , ,,IOELO .1 c.HÇOA GALLUCCI 6

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Numero do processo: 16682.720224/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12º, INC. I DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. EXCLUSÕES INDEVIDAS. GLOSA. SALDO NEGATIVO OBJETO DE PER/DCOMP. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. Eventual saldo negativo não pode ser compensado com o crédito tributário apurado pela fiscalização em decorrência da glosa de exclusões indevidas quando já tenha sido objeto de PER/DComp apresentado pelo sujeito passivo. PREJUÍZO FISCAL. SALDO INSUFICIENTE. GLOSA. Serão glosados os valores relativos ao prejuízo fiscal que excederem os saldos disponíveis referentes aos períodos anteriores. AUTO DE INFRAÇÃO ANTERIOR PENDENTE DE JULGAMENTO. RECOMPOSIÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL. GLOSA. Havendo autuação anterior, com recomposição do prejuízo fiscal, deverão ser glosados os valores indevidamente aproveitados pelo sujeito passivo, ainda que os autos de infração dos quais resultou a recomposição estejam pendentes de julgamento ou venham a ser posteriormente julgados, cabendo eventual recomposição ser realizada pela unidade de origem.
Numero da decisão: 1401-007.349
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1401-007.348, de 12 de dezembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 16682.720222/2012-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lisias e Gustavo de Oliveira Machado (suplente convocado).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

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I DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. EXCLUSÕES INDEVIDAS. GLOSA. SALDO NEGATIVO OBJETO DE PER/DCOMP. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. Eventual saldo negativo não pode ser compensado com o crédito tributário apurado pela fiscalização em decorrência da glosa de exclusões indevidas quando já tenha sido objeto de PER/DComp apresentado pelo sujeito passivo. PREJUÍZO FISCAL. SALDO INSUFICIENTE. GLOSA. Serão glosados os valores relativos ao prejuízo fiscal que excederem os saldos disponíveis referentes aos períodos anteriores. AUTO DE INFRAÇÃO ANTERIOR PENDENTE DE JULGAMENTO. RECOMPOSIÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL. GLOSA. Havendo autuação anterior, com recomposição do prejuízo fiscal, deverão ser glosados os valores indevidamente aproveitados pelo sujeito passivo, ainda que os autos de infração dos quais resultou a recomposição estejam pendentes de julgamento ou venham a ser posteriormente julgados, cabendo eventual recomposição ser realizada pela unidade de origem. Fl. 2365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.349 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720224/2012-91 2 ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1401-007.348, de 12 de dezembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 16682.720222/2012-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lisias e Gustavo de Oliveira Machado (suplente convocado). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela 9ª Turma da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte, contra os Autos de Infração lavrados com o objetivo de constituir créditos de IRPJ e CSLL, do ano-calendário 2008. Tendo tomado ciência acerca do lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação pugnando pela desconstituição do lançamento, sob a alegação de que: a) Não localizou as provas da dedutibilidade dos valores referentes aos dispêndios com pesquisa e desenvolvimento tecnológico, concordando com a glosa efetuada pela fiscalização; Fl. 2366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.349 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720224/2012-91 3 b) Que a despeito disso, o IRPJ e a CSLL incidentes sobre tais valores foram pagos espontaneamente, isto é, antes do vencimento indicado nas autuações. A respeito, informa que houve a retificação da DIPJ ano- calendário 2008 em 30/12/2010, e que as diferenças resultantes da glosa teriam sido pagas pelo saldo negativo apurado, não utilizado; c) Que entende que a única providência cabível, seria a retificação dos saldos negativos em virtude da glosa, conforme planilha demonstrativa anexada à impugnação; d) Por fim, com relação ao prejuízo fiscal (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) considerados insuficientes pela fiscalização em função da recomposição dos respectivos saldos em decorrência de procedimentos fiscais anteriores, alega que, em relação aos processos 19740.000561/2008- 39 e 16682.720278/2010-95, os respectivos débitos não foram impugnados. Contudo, em relação ao processo 16682.720589/2011-35, foi apresentada impugnação, ainda não julgada e assim, deve o presente processo aguardar o julgamento daquele. Posteriormente, a DRJ proferiu o Acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2008 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDO INSUFICIENTE. GLOSA. Serão glosados os valores relativos à base de cálculo negativa que excederem os saldos disponíveis referentes aos períodos anteriores. AUTO DE INFRAÇÃO ANTERIOR PENDENTE DE JULGAMENTO. RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. GLOSA. Havendo autuação anterior, com recomposição da base de cálculo negativa, deverão ser glosados os valores indevidamente aproveitados pelo sujeito passivo, ainda que os autos de infração dos quais resultou a recomposição estejam pendentes de julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inicialmente, a DRJ consignou que existem divergências entre os números apresentados na impugnação a título de valores de IRRF e os valores pagos por estimativa, e aqueles informados na DIPJ, bem como que tais diferenças decorrem da apresentação de DIPJ retificadoras. Fl. 2367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.349 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720224/2012-91 4 Que feitas tais considerações, o que se verifica é que (independentemente de quais números sejam tomados), o alegado saldo negativo que absorveria as diferenças apuradas em decorrência da glosa, não existem, tendo a autuada omitido em suas razões informação importante a respeito, pois não mencionou que este saldo negativo já foi objeto de Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação – PER/DComp. Considerou ainda outras incorreções na planilha apresentada pelo sujeito passivo. Com relação à CSLL, repete-se a situação de ter a autuada apresentado PER/DComp com o valor do suposto saldo negativo. Por fim, no que se refere ao pedido de sobrestamento até o julgamento do PAF n.º 16682.720589/2011-35, verificou que o processo ainda se encontra sob discussão na esfera administrativa e, nesse sentido, o fato de ainda não existirem decisões definitivas no âmbito do referido processo não impede a constituição do crédito tributário devido, procedimento necessário para prevenir a decadência. Ciente do Acórdão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que reitera os argumentos tecidos na defesa, valendo destacar, no entanto, a alegação de que: a) Efetivamente apresentou o PER/DCOMP, porém não utilizou o valor total do saldo negativo apurado na DIPJ; b) Que examinando os mencionados documentos, é possível constatar que a Recorrente utilizou de parte do saldo negativo de IRPJ e de CSLL, sendo certo que, mesmo diante disso e considerando os efeitos das glosas das deduções concernentes aos dispêndios com inovação tecnológica e amortização acelerada, ainda restam saldos negativos disponíveis. Na sequência, o sujeito passivo juntou petição informando que no Mandado de Segurança de n.º 0014405-91.2008.4.02.5101 foram realizados depósitos de IRPJ e CSLL do período autuado, que apesar de não poderem compor o saldo negativo à época, foram convertidos em renda no dia 11/08/2020, de modo que tais valores devem compor a apuração dos tributos em questão. É o relatório do essencial. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. Fl. 2368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.349 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720224/2012-91 5 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. No mais, da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado, constitui-se basicamente em reprodução da impugnação cujos argumentos foram detalhadamente apreciados pelo julgador a quo. Em verdade a Recorrente quase que a integralidade de seu recurso simplesmente reproduzindo a decisão Recorrida. Cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo inc. I, § 12º do Art. 114 do novo Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria n. 1.634 de 21 de dezembro de 2023): Art. 114. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes, ausentes e impedidos ou sob suspeição, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos, a matéria em que o relator restou vencido e o voto vencedor. § 1º O relator deverá formalizar o acórdão no prazo de quinze dias, contado da movimentação dos autos para essa atividade. (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; e II - referência a súmula do CARF, devendo identificar seu número e os fundamentos determinantes e demonstrar que o caso sob julgamento a eles se ajusta. Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerando-se como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida, na parte que se aplica: Voto Conforme relatado, a autuação decorre da glosa de valores indevidamente excluídos da base de cálculo, referentes a dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica (despesas operacionais), além da utilização de saldo de prejuízos fiscais (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) insuficientes. Exclusões indevidas – glosas. Saldo negativo: Na impugnação apresentada, a autuada não questiona a glosa realizada pela fiscalização. Alega, contudo, que, mesmo após a reapuração Fl. 2369DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.349 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720224/2012-91 6 decorrente da glosa, não existem valores a serem recolhidos, pois o ano- calendário 2008 se encerrou com saldo negativo suficiente para absorver tais valores. Assevera que a única medida cabível em decorrência da glosa seria a retificação do referido saldo negativo. Porém, analisando os autos e a as informações relativas à autuada constantes nos bancos de dados da RFB, verifica-se que não lhe assiste razão. A autuada apresentou à fl. 2.376 uma planilha demonstrando a suposta situação de que, mesmo com a glosa realizada pela fiscalização, haveria ainda saldo negativo no ano-calendário 2008. Apresentou também, especificamente em relação ao IRPJ, os números na impugnação, no item “d”, fl. 2.282, que supostamente corresponderiam às informações apresentadas em sua DIPJ. Segundo entende, haveriam valores retidos na fonte (IRRF) e valores pagos por estimativa que dariam origem ao suposto saldo negativo, valores estes, que não foram considerados pela fiscalização durante o procedimento fiscal. Analisando os números apresentados na impugnação, verifica-se que existem divergências entre estes e as informações da DIPJ. Nesse sentido, por exemplo, o valor do IRRF por Órgãos, Autarquias e Fundações Federais não seria de R$ 2.910.913,07 (valor apresentado na impugnação), mas de R$ 2.805.217,14 (DIPJ – fl. 2.321). Tais diferenças decorrem da apresentação de DIPJ retificadoras, que alteraram tais valores. Assim, os valores da impugnação correspondem à declaração retificadora entregue em 12/08/2011 (após o início da ação fiscal, que se deu em 17/06/2011), enquanto a DIPJ presente nos autos corresponde à declaração retificadora entreguem em 30/12/2010, antes do início da ação fiscal. Feitas tais considerações para esclarecer as divergências dos números, o que se verifica é que (independentemente de quais números sejam tomados), o alegado saldo negativo que absorveria as diferenças apuradas em decorrência da glosa, não existem, tendo a autuada omitido em suas razões informação importante a respeito, pois não mencionou que este saldo negativo já foi objeto de Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação – PER/DComp, sob número 38371.59178.170209.1.3.02-7181, datado de 17/02/2009, retificado sob o número 19988.51170.110811.1.7.02-0470, em 11/08/2011, no valor de R$ 4.101.030,28. Fl. 2370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.349 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720224/2012-91 7 Ademais, outra incorreção constatada na planilha apresentada pela autuada às fls. 2.376, refere-se ao suposto prejuízo fiscal utilizado, que seria de R$ 6.289.365,88 (antes da glosa) ou R$ 7.152.035,68 (após a glosa), já que o valor do prejuízo fiscal acumulado era de apenas R$ 2.588.878,51, conforme será exposto no item seguinte do presente Voto. Com relação à CSLL, repete-se a situação de ter a autuada apresentado PER/DComp com o valor do suposto saldo negativo apresentado na planilha de fls. 2.376, no caso, o PER/DComp de número 36546.68630.281010.1.3.03-0700, datado de 28/10/2010, no valor de R$ 331.416,16, retificado sob o número 41004.17427.110811.1.7.03-9879, em 11/08/2011. Saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) insuficientes: Adentrando na questão referente ao prejuízo fiscal (IRPJ) e à base de cálculo negativa (CSLL) acumulados, a fiscalização considerou sua recomposição em decorrência de ações fiscais anteriores. Fl. 2371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.349 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720224/2012-91 8 Nesse sentido, a própria autuada admite que não foram impugnados dois dos processos resultantes dessas fiscalizações anteriores (19740.000561/2008-39 e 16682.720278/2010-95), ressalvando, contudo, que outro processo nessas condições (16682.720589/2011-35) encontra-se em discussão administrativa, devendo o presente ser àquele apensado, considerando-se aqui as razões de defesa lá apresentadas. Razão não lhe assiste. Consultando o andamento do processo em questão (16682.720589/2011- 35), verifica-se que: - Em 25/01/2012, em primeira instância, a impugnação foi julgada improcedente, mantendo-se o crédito tributário lançado (Acórdão 12-43.483 da 3a Turma DRJ/RJ1). - Em 06/08/2013, foi dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado pela autuada (Acórdão 1302-001.145 – 3a. Câmara – 2a Turma Ordinária – Primeira Seção de Julgamento do CARF). - Em 17/08/2016, foi dado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para: “conhecer e dar provimento ao recurso da PGFN, e determinar o retorno dos autos para a turma a quo, para apreciar as matérias (qualificação da multa de ofício), (2) concomitância de multa de ofício com multa isolada por insuficiência de estimativa mensal, (3) base de cálculo da multa isolada e (4) inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício.” - Em 07/03/2017, não foram admitidos os Embargos de Declaração apresentados pela autuada. - Em 18/10/2017, foi dado provimento ao Recurso Voluntário interposto pela autuada, para cancelar a qualificação da multa de ofício, e afastar a multa isolada sobre as estimativas referente ao ano-calendário 2006. - Apresentados Recursos Especiais pela autuada e pela Fazenda Nacional, estes encontram-se pendentes de apreciação. Portanto, infere-se que o processo ainda se encontra sob discussão na esfera administrativa e, nesse sentido, o fato de ainda não existirem decisões definitivas no âmbito do referido processo não impede a constituição do crédito tributário devido. Tal procedimento é necessário, inclusive, para prevenir a decadência. Nesse contexto, a autuada não terá prejuízo caso as infrações discutidas no âmbito daquele processo sejam consideradas indevidas, pois o saldo de prejuízo será recomposto com o resultado da decisão, caso lhe seja favorável. E, se não fosse possível realizar o lançamento da compensação indevida de prejuízo fiscal (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL), haveria a Fl. 2372DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.349 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720224/2012-91 9 possibilidade da ocorrência da decadência, inviabilizando o posterior lançamento quando do encerramento dos processos anteriores. Dessa forma, quando a legalidade dos atos administrativos que formalizaram as infrações ainda esteja sendo discutida, não há impedimento para que seja realizado o lançamento da glosa dos saldos insuficientes de prejuízo fiscal (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL). Assim, apesar da intrínseca relação com o objeto dos presentes autos, não há que se falar no apensamento ou na análise das questões que estão sendo debatidas naquele feito, não encontrando tais procedimentos previsão na legislação que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal – PAF, notadamente o Decreto 70.235/72. Ainda, o processo administrativo-fiscal é regido por princípios, dentre os quais, o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final (art. 2º, inciso XII, da Lei 9.748/99), estando em conformidade com tal princípio não só o lançamento de ofício, como também a presente análise e julgamento. Aliás, a função precípua da Administração é o controle da legalidade do ato administrativo, controle esse que somente se consuma quando o processo houver logrado transpor todos os escalões da esfera administrativa. Assim, também sob esse enfoque, é desejável que o processo tenha o seu curso normal na DRJ até a respectiva decisão final no CARF. Esse posicionamento é referendado pela jurisprudência administrativa, a exemplo das decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atualmente, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), cujas ementas transcreve-se, a seguir: SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO - Tendo em vista o princípio da oficialidade que preside o processo administrativo, não pode a autoridade sobrestar o julgamento. (Acórdão nº 101-93863, Sessão de 19/06/2002, da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração impulsionar o processo até sua decisão final. Não pode a autoridade administrativa sobrestar o julgamento de parte do processo. (Ac. nº 101-92940, Sessão de 09/12/1999, da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) Assim, deve ser julgado como correto o procedimento fiscal que resultou no lançamento do crédito tributário a partir da premissa de que os créditos utilizados pela autuada a título de prejuízo fiscal (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) eram insuficientes. Conclusão: Fl. 2373DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.349 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720224/2012-91 10 Pelo exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário lançado. A decisão Recorrida enfrentou adequadamente todas as frágeis argumentações defensivas. Veja que, como inicialmente relatado, a Recorrente gasta quase que todo o seu recurso reproduzindo a decisão recorrida e sem dialogar com a mesma adequadamente. Em relação as exclusões indevidas e o alegado saldo negativo existente, em que pese a decisão Recorrida ter enfrentado de forma detalhada o argumento, o Recorrente nele insiste buscando uma espécie de auto compensação de ofício de saldo negativo. Ora, a Recorrente não enfrenta o essencial, o alegado saldo negativo existente que, supostamente faria face às exclusões reconhecidamente indevidas, foram objeto de PER/DCOMP e serão discutidos em processos próprios. A eventual existência de saldo disponível garantiria direito ao Recorrente de compensar eventual débito que venha a ser mantido no presente lançamento, mas não fundamentaria uma auto compensação como pleiteia a Recorrente. Assim, as alegações de que parte do saldo negativo ainda estaria disponível em nada aproveitam a Recorrente, que permanece discutindo a infração objeto do presente lançamento. Caberia a ela, se fosse o caso, reconhecer a procedência do lançamento e promover a devida compensação com eventual saldo disponível, direito que permanece a lhe assistir após a conclusão do presente processo. Nego provimento ao recurso nesse ponto. Quanto à segunda infração decorrente de glosa de prejuízo de IRPJ e base negativa de CSLL, também entendo que a decisão recorrida enfrentou bem a questão. Veja que estamos tratando exclusivamente de glosa de prejuízos, não há lançamento de imposto decorrente da insuficiência do prejuízo. Digo isto porque, em outras oportunidades esta TO, sempre que possível, tem tido o cuidado de verificar a situação na qual se encontram processos que eventualmente impactem no prejuízo glosado, isto para minimizar o risco de se ter o lançamento de crédito tributário acrescido de multa de ofício e, posteriormente, o prejuízo venha a ser restabelecido, situação em que o contribuinte acaba se prejudicado com a imposição de multa de ofício. Não é o presente caso. Em que pese o processo em litígio 16682.720589/2011-35 já tenha sido definitivamente julgado, com provimento parcial ao contribuinte em relação ao afastamento da multa qualificada e a multa isolada, essa recomposição de prejuízo será realizada pela unidade de origem. Não há nenhum vício que justifique o provimento do recurso e o lançamento foi devidamente realizado com base na situação fática e probatória da época. Com o Fl. 2374DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.349 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720224/2012-91 11 retorno dos autos a unidade de origem deverá verificar (se já não o fez) o impacto que a decisão proferida no PAF 16682.720589/2011-35 teve para o saldo de prejuízos fiscais e, se for o caso promover a sua devida retificação no SAPLI. Trata- se de matéria, portanto, estranha ao presente julgamento. No que se refere à alegação de eventual litígio judicial com depósitos de montantes que vieram a ser convertidos em renda e que também influenciaria o referido saldo negativo, segue a mesma lógica dos demais fundamentos expostos no presente voto, não tendo interferência direta com o lançamento objeto do presente processo. Desta feita, nos termos da faculdade garantida pelo inc. I, § 12º do Art. 114 do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria n. 1.634 de 21 de dezembro de 2023), adoto a decisão da DRJ como razão de decidir, acrescidas das razões aqui expostas, e voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Redator Fl. 2375DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10857187 #
Numero do processo: 13525.000003/2002-46
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 203-00.219
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: OTACILIO DANTAS CARTAXO

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LTDA. DRJ em Salvador - BA RESOLUÇÃO Nº 203-00.219 ~Ld • • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: IRMÃOS VILAS BOAS CIA. LTDA. RESOLVEM os Membros da Terceira C.âmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 16 de abril de 2003 Otacílio D s C'~rtaxo Presidente e elator Eaal/cf • A Ministério da Fazenda • Segundo Conselho de Contribuintes Processo nº 13525.000003/2002-46 Recurso nº 122.015 ~Ld Recorrente IRMÃOS VILAS BOAS CIA. LTDA. RELATÓRIO • • • A empresa IRMÃOS VILAS BOAS CIA. LTDA. foi autuada, às fls. 09110, pela falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, nos períodos de janeiro a março/97. Exigiu-se no auto de infração lavrado a contribuição, juros de mora e multa, perfazendo o crédito tributário o total de R$88.673,50 . Impugnando o feito, às fls. OI a 06, a autuada alegou, em suma, que: - o crédito tributário lançado era inconsistente e estaria com a exigibilidade suspensa e, portanto, não deveria prosperar; - após a publicação da Resolução nO49, de 9 de outubro de 1995, do Senado Federal, que suspendeu a execução dos Decretos-Leis nOs2.445 e 2.449, de 1988, declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a impugnante passou a ter direito de ser ressarcida dos pagamentos indevidamente feitos a maior (art. 165 do CTN); - para fazer valer esse direito ajuizou ação ordinária (n° 96.0005888-1 da 30' Vara Federal da Seção do Rio de Janeiro), na qual foi proferia sentença de mérito que autorizou a compensação dos valores recolhidos a maior a título de PIS com tributos administrados pela SRF e que impediu a aplicação de sanções quanto às parcelas compensadas; - todo o período integrante do fato gerador deste auto de infração estava devidamente compensado com créditos do PIS e, apesar de tomar conhecimento de que os créditos apurados foram devidamente compensados, a Receita Federal deu prosseguimento ao feito aqui contestado, praticando, portanto, flagrante abuso de poder; - demonstrado estar o suposto débito da COFINS devidamente quitado por meio de compensação com quantias pagas indevidamente ao PIS, e, estando a matéria sub iudice, a autuação fiscal era totalmente ineficaz, devendo ser considerada nula de pleno direito; e - os acréscimos moratórios e a exigência da multa de oficio não poderiam vingar, já que o crédito tributário estava com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, II e IV, do CTN, conforme reconheceu a própria autoridade fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância manteve na íntegra o lançamento, em decisão assim ementada (doc. fl. 69): "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins ..' • Processo n" Recurso n" Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13525.000003/2002-46 122.015 ~Ld • • • Data do fato gerador: 31/01/1997, 28/02/1997, 31/03/1997 Ementa: COMPENSAÇÃO INDEVlDA. ANTECIPAÇÃO JUDICIAL DOS EFEITOS DE TUTELA. NÃO-EXTINÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. É cabível o lançamento quando se constata que os débitos infonnados em DCTF como vinculados a processo judicial não estão ao abrigo dos efeitos da tutela concedida antecipadamente. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS NÃO EXTINTOS. EXIGIBILlDADE NÃO SUSPENSA. Mantém-se a multa de oficio sobre créditos tributários compensados devido à antecipação judicial dos efeitos da tutela que não os contempla . JUROS DE MORA. O crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Lançamento Procedente". Inconformada com a decisão singular, a autuada, às fls. 81/88, interpôs recurso voluntário tempestivo a este Conselho de Contribuintes, onde reiterou os argumentos expendidos na impugnação. Insurgiu-se contra a exigência da Cofins e dos acréscimos lançados, multa de oficio e juros de mora, argüindo ter pedido a homologação da compensação efetuada nos autos do Processo Administrativo nO13525.000082/99-83 . À fl. 90 processou-se o respectivo arrolamento de bens para garantia da instância administrativa. É o relatório . 3 ..) • Processo nº Recurso nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13525.000003/2002-46 122.015 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR OTACÍLlO DANTAS CARTAXO I "ITM' IFI. • • • O recurso cumpre as formalidades legais necessárias para o seu conhecimento. No apelo apresentado a este Conselho, a recorrente alega que compensou os valores exigidos no auto em análise com créditos decorrentes de recolhimento feito a maior no penodo de vigência dos Decretos-Leis nOs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais, conforme decisão judicial exarada no Processo n° 96.0005888-1 da 30" Vara Federal do Rio de Janeiro . Insurge-se contra a exigência da Cofins e dos acréscimos lançados, multa dc oficio e juros de mora, argüindo estar pedindo a homologação da compensação efetuada nos autos do Processo Administrativo n° 13525.000082/99-83. A matéria tratada no Processo n° 13525.000082/99-83 poderá constituir questão prejudicial ao julgamento da presente lide. Pelo exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que o órgão local: - verifique se o Processo de compensação nO13525.000082/99-83 guarda relação com este processo, considerando o tributo e os periodos de apuração do auto de infração de fls. 09/10; e - caso constate a relação entre os dois processos, proceda à juntada da decisão administrativa final relativa ao Processo n° 13525.000082/99-83 para posterior retorno dos presentes autos a este Colegiado. É assim como voto. Sala das Sessões, em 16 de abril de 2003 ~ .-~ \ ~ OTACÍLlODA ',. S CARTAXO 4 00000001 00000002 00000003 00000004

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10858601 #
Numero do processo: 11128.009567/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 25/02/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRIGENTES Havendo omissão, contradição, obscuridade ou lapso manifesto, os embargos de declaração devem ser providos com efeitos infringentes. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. COMPROVAÇÃO. Em respeito ao princípio da eficácia vinculante dos precedentes, previsto no Novo Código de Processo Civil, impõe-se, no processo administrativo, a observância de jurisprudência pacificada em casos de similitude fática. Demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os requisitos de origem estabelecidos no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ALADI – ACE 27), reconhece-se o cabimento do benefício do direito creditório decorrente de imposto de importação recolhido a maior.
Numero da decisão: 3301-014.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, atribuindo-lhes efeitos infringentes e dar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2025. Assinado Digitalmente Rachel Freixo Chaves – Relator Assinado Digitalmente PAULO GUILHERME DEROULEDE – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores os Conselheiros (a) Marcio Jose Pinto Ribeiro, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Aniello Miranda Aufiero Junior, Bruno Minoru Takii, Rachel Freixo Chaves, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)
Nome do relator: RACHEL FREIXO CHAVES

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EFEITOS INFRIGENTES Havendo omissão, contradição, obscuridade ou lapso manifesto, os embargos de declaração devem ser providos com efeitos infringentes. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. COMPROVAÇÃO. Em respeito ao princípio da eficácia vinculante dos precedentes, previsto no Novo Código de Processo Civil, impõe-se, no processo administrativo, a observância de jurisprudência pacificada em casos de similitude fática. Demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os requisitos de origem estabelecidos no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ALADI – ACE 27), reconhece-se o cabimento do benefício do direito creditório decorrente de imposto de importação recolhido a maior. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, atribuindo-lhes efeitos infringentes e dar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2025. Assinado Digitalmente Rachel Freixo Chaves – Relator Fl. 314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 2 Assinado Digitalmente PAULO GUILHERME DEROULEDE – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores os Conselheiros (a) Marcio Jose Pinto Ribeiro, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Aniello Miranda Aufiero Junior, Bruno Minoru Takii, Rachel Freixo Chaves, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente) RELATÓRIO 1. Trata-se de Embargos de Declaração opostos pela Embargante contra o Acórdão n 3301-009.426, de 15/12/2020. Transcrevem-se, integralmente, a ementa e o dispositivo da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II) Data do fato gerador: 25/02/2003 ALADI. BENEFÍCIO FISCAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. VÍCIOS FORMAIS. DESQUALIFICAÇÃO. É pressuposto para usufruir o benefício fiscal da redução tarifária, referente à alíquota do imposto de importação, que o certificado de origem, apresentado à autoridade responsável pelo despacho aduaneiro da mercadoria importada, atenda a todas as prescrições impostas pelas normas que tratam do regime geral de origem da Aladi. 2. A Embargante sustenta a existência de omissão no acórdão embargado, requerendo sua correção. 3. Como síntese processual, tem-se que: 3.1. O processo administrativo originou-se de pedido de restituição de valores pagos a maior a título de Imposto de Importação, apresentado pela contribuinte Panasonic do Brasil Ltda. A contribuinte alegou que foi compelida ao recolhimento integral do imposto devido à não aplicação da redução tarifária prevista para mercadorias originárias de países membros da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI). 3.2. O pedido de restituição foi fundamentado nos seguintes pontos principais:  A incorporação da Panasonic do Brasil Ltda. pela sucessora Panasonic do Brasil Limitada (atual denominação de Panasonic da Amazônia S.A.); Fl. 315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 3  A importação de mercadorias fabricadas no México, país membro da ALADI, que transitaram pelos Estados Unidos antes de serem desembaraçadas no Brasil, especificamente na Alfândega de Santos;  O direito à redução de 20% sobre a alíquota do Imposto de Importação, conforme a Resolução nº 252 da ALADI, regulamentada no Brasil pelo Decreto nº 3.325/1999;  A impossibilidade de aplicação da redução tarifária no momento do registro da Declaração de Importação (DI) no sistema SISCOMEX, que considerou apenas o país do exportador (Estados Unidos) e desconsiderou o país de fabricação (México), apesar de o Certificado de Origem comprovar a origem das mercadorias. 3.3. O pedido foi indeferido em Despacho Decisório pela Alfândega do Porto de Santos sob os seguintes fundamentos:  O trânsito das mercadorias pelos Estados Unidos não foi justificado por razões geográficas ou logísticas válidas;  As mercadorias foram comercializadas por uma empresa localizada nos Estados Unidos (AMAC CORPORATION), o que desqualificaria a operação para fins de redução tarifária prevista na ALADI. 3.4. Inconformada, a Embargante apresentou manifestação de inconformidade, reiterando que:  O trânsito das mercadorias pelos Estados Unidos ocorreu por razões logísticas, considerando as condições superiores do Porto de Houston;  O procedimento adotado estava em conformidade com as normas da ALADI;  A documentação apresentada demonstrava que o destino final das mercadorias era o Brasil, sem qualquer utilização comercial nos Estados Unidos. 3.5. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), que confirmou a decisão anterior sob o fundamento de que a contribuinte não comprovou o cumprimento dos requisitos do art. 4º, alínea “b”, da Resolução nº 252 da ALADI, especialmente os incisos “i” e “ii”. 3.6. Contra a decisão da DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reforçando os argumentos de que o trânsito pelos Estados Unidos era justificado por conveniência logística, dadas as condições superiores do Porto de Houston e a eficiência das rotas comerciais. Alegou que o não reconhecimento do benefício configurava violação às normas da ALADI e enriquecimento sem causa por parte da União. Fl. 316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 4 3.7. O Colegiado negou provimento ao recurso voluntário, alegando, de forma breve, que o contribuinte não atendeu aos requisitos previstos na Resolução nº 252 da ALADI, sem examinar os fundamentos apresentados no recurso. 3.8. Nos embargos de declaração, a Embargante aponta omissão no acórdão, em razão da ausência de análise dos argumentos apresentados em sede de recurso voluntário, especialmente quanto à justificativa logística para o trânsito das mercadorias pelos Estados Unidos. 3.9. O despacho de admissibilidade dos embargos concluiu por admiti-los, reconhecendo a omissão apontada pela Embargante, ao observar que o Colegiado não abordou os argumentos centrais do recurso voluntário, limitando-se a reproduzir fundamentos genéricos das decisões anteriores. 4. É o relatório VOTO Conselheira Rachel Freixo Chaves, Relatora. I. DO CONHECIMENTO 5. Os Embargos de Declaração são tempestivos e devem ser conhecidos nos exatos termos do Despacho de Admissibilidade. II. DO MÉRITO 6. Conforme amplamente consolidado no ordenamento jurídico brasileiro, os embargos de declaração têm como finalidade precípua sanar obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual o julgador ou colegiado deveria se pronunciar, ou ainda corrigir erro material. 7. No tocante aos efeitos infringentes dos embargos de declaração, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) reconhece a possibilidade de acolhimento em caráter excepcional, quando configurado flagrante cerceamento de defesa. Tal situação ocorre em hipóteses de ausência de fundamentação ou de inobservância ao princípio da dialética processual, vícios que comprometem a integridade da decisão e violam os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Nessas circunstâncias, os embargos constituem instrumento hábil para a correção de falhas que possam obstar a análise do mérito, assegurando que a decisão proferida esteja devidamente fundamentada. 8. No caso concreto, assiste razão à embargante ao apontar omissão relevante na análise dos fatos e fundamentos apresentados no recurso voluntário. A ausência de exame Fl. 317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 5 detido compromete a compreensão integral da controvérsia e a correta aplicação do direito, configurando prejuízo processual direto e violação aos princípios da ampla defesa e da segurança jurídica. 9. Cumpre destacar que a matéria em discussão já foi objeto de reiteradas deliberações neste E. Conselho, inclusive em casos envolvendo a mesma sociedade empresária. Portanto, a ausência de uma análise uniforme e consistente em casos repetitivos fere o princípio da segurança jurídica e compromete a coerência jurisprudencial deste colegiado. 10. A controvérsia gira em torno da aplicação da preferência tarifária no âmbito do Acordo da ALADI, especificamente na hipótese de interveniência de um terceiro país não signatário do tratado. Trata-se de tema já debatido em precedentes anteriores, sendo essencial que a análise atual observe os fundamentos e orientações firmados em decisões pretéritas, de forma a evitar a violação da uniformidade e integridade jurisprudenciais. 11. A relevância da questão é reforçada pela repetição dessa matéria em outros processos administrativos. A ausência de um posicionamento coerente e fundamentado põe em risco não apenas o julgamento individual, mas também a previsibilidade e a segurança jurídica no âmbito deste Conselho. 12. O art. 926 do Código de Processo Civil dispõe que a jurisprudência seja estável, íntegra e coerente, promovendo isonomia e confiança nas decisões judiciais e administrativas. Em consonância, o CARF já analisou temas correlatos, conforme evidencia o seguinte precedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004 CONFLITO DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. (Fonte: CARF. Processo nº 10882.002585/2008-33. Recurso Especial do Contribuinte. Acórdão nº 9303-012.885 – CSRF / 3ª Turma. Sessão de 17 de fevereiro de 2022. Destaque da relatora) 13. Considerando a similitude fática e jurídica com precedentes já analisados, e por esta relatoria fundamentar-se pelas mesmas conclusões anteriormente consolidados, adoto como razões de decidir os fundamentos constantes do Acórdão nº 9303007.381 – 3ª Turma – da Fl. 318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 6 Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 18 de setembro de 2018, nos termos do art. 50, §1º, da Lei 9.784/991. 14. Tal medida reforça a coerência e uniformidade das decisões deste E. Conselho, garantindo a aplicação consistente do direito e promovendo a segurança jurídica. A íntegra do referido acórdão segue transcrita abaixo: Acórdão nº: 9303007.381 – 3ª Turma Sessão de: 18 de setembro de 2018 Matéria: RECONHECIMENTO DE CRÉDITO RESTITUIÇÃO Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: PANASONIC DO BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 21/10/2002 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. COMPROVAÇÃO. Quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, previsto no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACE 27), há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Do Mérito A matéria já vem sendo discutida neste Conselho, há muito tempo. A discussão se resume se a preferência tarifária deve ou não ser aplicada quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional. A questão inaugural pelo ponto de vista de elemento material de prova restringe-se à verificação da origem da mercadoria, do local de embarque e do seu destino final. O Certificado de Origem informa como: PAIS EXPORTADOR ESTADOS UNIDOS MEXICANOS PAIS IMPORTADOR BRASIL, além da norma que dá amparo à operação de importação com direito a fruição de redução da alíquota (fl.9) No mesmo sentido o documento, denominado: “TRANSPORTATION ENTRY AND MANIFESTO OF GOODS SUBJECT TO CUSTOMS INSPECTION AND PERMIT UNITED STATES CUSTOMS SERVICE”, informa que a mercadoria ali registrada foi importada do México, em, por meio de caminhão, via direta, tendo por porto estrangeiro de embarque BAJA CALIFORNIA e como destino final SÃO SEBASTIÃO, PANASONIC DO BRASIL LTDA, Rodovia 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (..) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 7 Presidente Dutra, KM 155, Brasil. Igualmente a fatura, o BILL OF LADIN, informa que o local de recebimento da mercadoria como sendo TIJUANA, México, o porto de embarque como sendo HOUSTON e de desembarque como sendo o Porto de Santos. Inicialmente cumpre ressaltar que há várias decisões adotadas pelas turmas julgadoras que caminham no sentido de considerar que a operação realizada pela Contribuinte é legítima, quando se tem apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem e associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil. Esses procedimentos comprovam o cumprimento do regime de origem da ALADI e impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, senão vejamos: Processo nº 18336.001558/200507 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.436 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria II Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do Fato Gerador: 20/02/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DE ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Processo nº 10209.000087/2003¬93 Recurso nº 344.651 Voluntário Acórdão nº 3102¬001.548 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2012 Matéria Preferência Tarifária Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ¬ PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL Fl. 320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ¬ II Data do fato gerador: 19/12/1997 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI. Triangulação. Cumprimento das Exigências Documentais. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido Luis Marcelo Guerra de Castro ¬ Presidente e Relator. Acórdão nº 320100.444: Julg. 30/04/2010. IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/12/1999 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. A rastreabilidade das operações é fundamental para que seja considerada a triangulação ocorrida - PDVSA, PIECO, PETROBRÁS - e superada a questão de não haver o preenchimento das formalidades previstas para a aplicação de preferência tarifaria em caso de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, não signatário do acordo internacional. Após a diligência determinada, constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Acórdão 310200.691 Julg. 01/07/2010. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/05/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil, impõem a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, Recurso Voluntário Provido. Processo n" 10209.000544/200540 Recurso n° 138291 Voluntário Fl. 321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 9 Acórdão n° 3102-00.250 — l a Câmara! 24 Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2009 . Matéria II/IPI - FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRAS Recorrida DRLFORTÁLEZA/CE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - /I Data do fato gerador: 28/06/2000 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - PREFERÊNCIA TARIFÁRIA - TRIANGULAÇÃO COMERCIAL - POSSIBILIDADE. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do pais interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da ALADI (Res.78). Recurso Voluntário Provido. Relator Luciano Lopes Processo nº 18336.000160/2002-01 Recurso nº 302-1.279.44 Especial do Contribuinte Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - AUTO DE INFRAÇÃO Acórdão nº 03-006.239 Sessão de 08 de dezembro de 2008 Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRÁS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO - II CERTIFICADO DE ORIGEM. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. RESOLUÇÃO ALADI nº 232. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhada das respectivas faturas, bem assim das faturas do país interveniente, supre as informações que deveriam constar no Certificado de Origem, como previsto no art. 9° do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). Recurso Especial do Contribuinte Provido Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente Substituto e Redator ad hoc Transcrevo, agora, o voto do e. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Acórdão nº 310201.338, que ao enfrentar a matéria, expôs de forma brilhante o entendimento ao qual concordo e que peço vênia para incluir no meu voto e dele também fazer minhas razões de decidir: Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada no suposto descompasso entre a operação alvo de litígio e a resolução 252 da Fl. 322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 10 Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), promulgada por meio do Decreto nº 3.325, de 30 de dezembro de 1999. Segundo aduz a autoridade fiscal: há um descompasso entre o certificado de origem e a fatura comercial apresentados por ocasião do despacho de importação; a Resolução 252 exigiria a expedição direta da mercadoria; a Petrobrás Finance Corp (Pifco), pessoa jurídica estabelecida um país não signatário da ALADI, atuara na operação na qualidade de exportador, hipótese não admitida pelo acordo, que só admitiria essa intervenção na qualidade de “operador”; ainda que a Pifco atuasse como operador, restariam descumpridas as exigências fixadas pela Resolução ALADI, eis que o certificado de origem apresentado não consignaria a informação de que a mercadoria seria faturada por meio de um terceiro país, nem identificara o nome, denominação ou razão social e domicílio daquele operador. Aduz, ainda, com relação a esta última exigência, que não fora apresentada declaração juramentada capaz de suprir a referida falha documental. Apesar do zelo demonstrado pela autoridade Fiscal, penso, com o máximo respeito, que tais fundamentos não dão suporte à manutenção da exigência. Explico. Em primeiro lugar, considero que a falha documental na instrução do despacho de importação foi devidamente saneada DF CARF MF Fl. 219 8 pela apresentação da fatura comercial nº 116348-0, o que permitiu o cotejamento entre a mercadoria submetida ao crivo do Fisco e a constante do certificado de origem objeto do presente litígio. Em segundo, diferentemente do que se verificou em outras operações análogas envolvendo a recorrente, no caso do presente recurso, a mercadoria que tem sua origem questionada pelo Fisco embarcou no porto de Punta Cardon, Venezuela, a bordo do Navio THEANO, com destino ao Brasil, tendo sido descarregada no Porto de Belém, conforme se constata nableitura da averbação constante do extrato da Declaração de Importação e do conhecimento de transporte. Cabe aqui destacar o que diz o artigo Quarto da Resolução 252 (os destaques não constam do original): QUARTO.- Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considera-se como expedição direta: As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. Sendo certo que a mercadoria não transitou pelas Ilhas Cayman, encontra¬se satisfeita a exigência de expedição direta da mercadoria. Também discordo que a intervenção da pessoa jurídica Pifco tenha ocorrido em desacordo com o que preceitua o regime de origem da ALADI. Fl. 323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 11 Cabe relembrar, nessa esteira, a distinção entre país de origem, procedência e aquisição gizada nas alíneas “h”, “i” e “j” do art. 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985: h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; j) país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; Cotejando os elementos carreados ao processo com os conceitos regulamentares, em especial o consignado na alínea “i”, vê-se que as Ilhas Cayman, em verdade, representam o país de aquisição e não, como restou consignado, como país de origem ou procedência. Nessa linha, não há como afirmar validamente que o acordo proíba que a mercadoria seja faturada por um operador situado em um país não membro da ALADI. O artigo nono da Resolução ALADI nº 252 nesse ponto é explícito: NONO.- Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. (os destaques não constam do original) A mercadoria, diversamente do afirmado no auto de infração, é unicamente faturada a partir das Ilhas Cayman, na medida em que, conforme já mencionado anteriormente, é embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil. Não se discute, ademais, sua extração em país diverso. Restaria, finalmente, avaliar se há vício formal no certificado de origem nº 56921 capaz de invalida-lo. Chamo atenção para algumas informações consignadas no certificado que se entende imprestável para comprovar a origem da mercadoria: no campo 1 do certificado consigna-se expressamente a intervenção da Venezuela como país exportador e, no campo 2, o Brasil, como país importador, já no campo 9, identifica-se a pessoa jurídica PDVSA Petroleo Y GAS S.A. como produtor. Finalmente, no campo 10 (observações), indica-se a participação da pessoa jurídica Petrobras Internacional Finance Company, o navio que transportará a mercadoria e a data de emissão do conhecimento de transporte. Ora, se foi indicado o país de destino da mercadoria, a intervenção do operador estabelecido em terceiro país e, a partir da apresentação da fatura comercial atrelada ao referido certificado, identificam-se claramente todos os elos da cadeia comercial, não há como afirmar que o certificado esteja em desacordo com as regras do acordo, máxime em razão de que as informações relativas ao domicílio da Pifco estão perfeitamente identificadas na fatura acreditada por tal certificado. Fl. 324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 12 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário." Ou seja, não obstante as normas que regem o regime de origem, a Resolução 252 que engloba as Resoluções nºs 227, 232 e os Acordos nºs 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes da ALADI, em seu artigo 9º veio permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI. Assim sendo, entendo cabível a redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução nº 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela (Países Membros da Comunidade Andina). Vale ressaltar que no presente caso o Contribuinte, realizou um consulta à SRF sob o protocolo nº 3633/2006, em 27/07/06, sobre o preenchimento de declaração de importação para fruição de benefício de preferência tarifária. Tais assertivas constam do Of. nº 2006/00263, de 06/10/06, expedido pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira, cujos itens 5 a 12 explicitam que houve o cumprimento da expedição direta para as mercadorias em comento, como também o contido no item 13 esclarece sobre o preenchimento da DI para fim de fruição do benefício de preferência tarifária, ex vi do Anexo I da IN SRF nº 206/02, art. 10. Seguindo a orientação contida no ofício mencionado o Contribuinte protocolou na unidade preparadora o Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito no valor de R$ 43.997,53 (fls.). A título de precedente há o pedido de reconhecimento de direito creditório formulado pela Recorrente nos autos do processo n.º 10855.003858/200894, o qual foi deferido por meio do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n.º 538, de 19/08/10 (fls. 174/175), que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 23.622,41, relativo ao imposto de importação. Ainda em Relação ao tema a Contribuinte trouxe à baila a Decisão n.º 203, DOU de 15/09/99, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, como também jurisprudência administrativa, na qual é parte interessada, com vistas à consubstanciar os seus argumentos. Ora, há o reconhecimento expresso pelos órgãos oficiais, seja no âmbito regional ou nacional, de que na importação de mercadorias, nas condições supramencionadas, devem as mesmas se beneficiar de alíquotas preferenciais por atender os requisitos previstos na Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI. Vale ainda, ressaltar que a fruição dos tratamentos preferenciais acha-se normatizada no art. 4o, da Resolução ALADI/CR n" 78 - Regime Geral de Origem (RGO)-, aprovada pelo Decreto n" 98.836, de 1990, 4o, in verbis: CUARTO.- Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente dei país exportador al país importador. Diante disto, de acordo com o normativo acima a exportação direta do EUA para o Brasil, é suficiente para garantir a redução tarifária, sendo legitimo o benefício fiscal. Fl. 325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 13 Vale ainda ressalta que a NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, traz importante constatação, sendo pertinente a respectiva transcrição: Na triangulação comercial que reiteramos, é prática frequente no comércio moderno, essa acreditação não corre riscos, pois se trata de uma operação na qual o vendedor declara o cumprimento do requisito de origem correspondente ao Acordo em que foi negociado o produto, habilitando o comprador, ou seja, o importador a beneficiar-se do tratamento preferencial no país de destino da mercadoria. O fato de que um terceiro país fature essa mercadoria é irrelevante no que concerne à origem. O número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é uma condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALADI e MERCOSUL), não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais. No caso MERCOSUL, se obriga apenas que na falta da fatura emitida pelo interveniente, se indique, na fatura apresentada para despacho (aquela emitida pelo exportador e/ou fabricante), a modo de declaração jurada, que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data de emissão, e devidamente firmado pelo operador". Após, foi publicada a Resolução n° 232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada ao ordenamento jurídico pátrio pelo Decreto n.º 2.865, de 7 de dezembro de 1988, que alterou o Acordo 91 e deu nova redação ao art. 9º da Resolução n.º 78, prevendo: Quando a mercadoria objeto de intercâmbio, for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Vale ainda ressaltar o Superior Tribunal de Justiça tem pronunciamento judicial favorável a esses casos de importação: RECURSO ESPECIAL Nº 1.499.856 - PE (2014/0310600-1) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO: PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL - PR000000O RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRAS ADVOGADO: TACIANA MATIAS BRAZ DE ALMEIDA E OUTRO(S) - PE021487 DECISÃO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALÍQUOTA REDUZIDA. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. DECISÃO DO TRIBUNAL A QUO NO SENTIDO DE QUE OS REQUISITOS NECESSÁRIOS AO BENEFÍCIO FISCAL FORAM ATENDIDOS. MODIFICAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. REAPRECIAÇÃO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA EM FACE DA FAZENDA PÚBLICA. APLICAÇÃO DO ART. 20, §§ 3o. E 4o. DO CPC/1973. REVISÃO DO VALOR DOS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. REEXAME DE PROVAS. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. Fl. 326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 14 Trata-se de Recurso Especial, interposto pela FAZENDA NACIONAL, contra acórdão proferido pelo egrégio Tribunal Regional Federal da 5a. Região, assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. PETROBRÁS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. VENEZUELA. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL ASSEGURADO. Hipótese em que se discute a possibilidade da Petrobrás fazer jus às preferências tarifárias do Acordo de Complementação Econômica ACE-27, firmado entre Brasil e Venezuela, objeto do Decreto 1.381/95, para fins de redução do montante pago a'titulo de Imposto de Importação de produtos derivados de petróleo. 2. Não merece prosperar o argumento da Fazenda Nacional de, que não houve, prova, do recolhimento do tributo e a Juntada de documentos essenciais para fins de fruição do beneficio, tendo em vista que a Petrobrás, entre outros documentos, anexou certificados de origem, que fazem constar a República da Venezuela como pais originário do produto ali consignado, juntando, também, declarações de importação apresentadas, onde constam os valores de I.I. recolhidos. Ademais, os conhecimentos de embarque (Bili of Lading) demonstram que as mercadorias ali consignadas foram expedidas da Venezuela diretamente para o Brasil, nos termos preconizados no art. 4o., a, da Resolução 78/87. O país de origem das mercadorias foi a Venezuela e não as llhas Cayman. 0 que houve foi uma triangulação comercial, na qual, inicialmente, a Petrobrás adquiriu Propano/butano da Venezuela. Em seguida, uma das suas subsidiárias, situada nas llhas Cayman, a Braspetro Qil Service Co Brasoil, pagou o preço do produto que, posteriormente, foi recomprado pela demandante. Tal procedimento tem por finalidade obter prazos maiores para pagamento. 0 fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRÁS nas llhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da, ALADI. (AC 200481000211851, Desembargadora Federal Margarida Canitareíli, TRF5 1 Quarta Turma, DJ - Data: 09/07/2009 - Página169 - 129.) (...) Inicialmente, não merece prosperar o argumento da Fazenda Nacional de que não houve prova do recolhimento do tributo e a juntada de documentos essenciais para fins de fruição do benefício, tendo em vista que a Petrobrás, entre outros documentos, anexou certificados de origem (fls. 145 e 252), que fazem constar a República da Venezuela como país originário do produto ali consignado, juntando, também, declarações de importação apresentadas às fls. 71/74, 126/129, 164/170 e 217/220, onde constam os valores de I.I. recolhidos demonstram que as mercadorias ali consignadas foram expedidas da Venezuela diretamente para o Brasil, nos termos preconizados no art. 4º, a, da Resolução 78/87, como bem ressaltou a juíza de 1º grau. Fl. 327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 15 Alega a Fazenda, ainda, que o produto importado tem origem nas Ilhas Cayman, país não signatário do acordo em questão, razão pela qual é indevida a redução do tributo Ocorre que, como já visto, o país de origem das mercadorias foi a Venezuela e não as Ilhas Cayman. O que houve foi uma triangulação comercial, na qual, inicialmente, a Petrobrás adquiriu Propano/butano da Venezuela. Em seguida, uma das suas subsidiárias, situada nas Ilhas Cayman, a Braspetro Oil Service Co Brasoil, pagou o preço do produto que, posteriormente, foi recomprado pela demandante. Tal procedimento tem por finalidade obter prazos maiores para pagamento. Essa triangulação comercial, com participação de empresa situada em país não membro do ACE 27, não acarreta a perda da preferência tarifária preconizada no aludido acordo, pois a operação comercial realizada pela Petrobrás é prática frequente no comércio internacional, sendo admitido que o produto seja faturado em outro país, desde que a origem da mercadoria seja preservada, sem descaracterização do acordo cujas preferências se desejar obter (juíza de 1º grau). 12. Como visto, o Tribunal a quo afastou todos os argumentos que seriam óbice ao benefício fiscal requerido. Ou seja, entendeu-se ali que os requisitos estavam preenchidos. Assim, os elementos fáticos usados pelo Tribunal local não podem ser alterados nesta seara recursal, ante o óbice da Súmula 7/STJ. Ilustrativamente: 15. Diante do exposto, nega-se seguimento ao Recurso Especial. 16. Publique-se. Intimações necessárias. Brasília (DF), 21 de agosto de 2017. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR (Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, 28/08/2017) RECURSO ESPECIAL Nº 1.331.366 ¬ CE (2012/0133457-9) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR: PROCURADORIA¬GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO: PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO : CANDIDO FERREIRA DA CUNHA LOBO E OUTRO(S) DECISÃO Trata¬-se de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO. I-A PETROBRAS - PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ajuizou a presente ação de rito ordinário contra a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando a repetição de valores supostamente recolhidos a maior a título de Imposto de Importação, relativamente a operações de importação de produtos derivados do petróleo de origem venezuelana. Segundo afirma, a antiga SRC - Secretaria da Receita Federal desconsiderou a existência do Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n 027 (Decreto n. 1381, de 30/01/1995), celebrado entre o Brasil e a Venezuela, ao amparo do disposto no Tratado de Montevidéu 1980 e da Resolução 2 do Conselho de Ministros da Associação Latino Americana de Integração (ALADI), e o Acordo de Preferências Tarifárias Regional n' 04 (PTR-04), Fl. 328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 16 assinado pelos países membros da ALADI, que reduziram a alíquota do Imposto de Importação para 12% (doze por cento). - O Acordo n 91 do Comitê de Representantes, em sua redação originária, assim como a Resolução n. 78, esta em relação à Venezuela, não vedava a compra de produto de país signatário com interveniência de terceiros, com a finalidade de se fazer a alavancarem financeira da operação de importação, e sem o trânsito efetivo da mercadoria por esse terceiro país. No caso dos autos, os produtos foram comprados pela PETROBRAS na Venezuela, revendidos a empresas subsidiárias (Petrobrás Intemational Finance Company ¬ PIFCO e Braspetro Oil Services Co. - BRASOIL), localizadas em terceiro pais não integrante da ALADI, no caso Ilhas Cayman, sem que, entretanto, tenha sido efetivamente transitado por este país. - O fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRAS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI. - Apelação provida. Repetição do indébito garantida, com atualização pela SELIC. Honorários advocatíciosfixados em R$ 2.000, 00 (dois mil reais). Os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, rejeitando-se a alegação de prescrição. A recorrente sustenta, em Recurso Especial, violação do art. 535 do CPC, com base na não apreciação da matéria ventilada nos Embargos de Declaração. Aduz ofensa aos arts. 23, II e §§ 2º, II, e 4º, I, do Decreto 70.235/72 e 195 do Decreto-Lei 5.884/43. Memorial apresentado pelo recorrido. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.10.2014. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem, ao decidir a questão, consignou (fls. 636/STJ): No que tange à alegação de prescrição do direito de pleitear a nulidade do lançamento, assim como de requerer a repetição do indébito tributário, verifica-se que, de fato, o acórdão foi omisso, por se tratar de matéria sobre a qual deveria ter havido manifestação de oficio. A FAZENDA NACIONAL defende que, a PETROBRAS teria sido notificada do lançamento em 12/07/1999, razão pela qual somente poderia ter, ajuizado a ação pleiteando a nulidade do lançamento até 12/07/2004. Sem embargo, a cópia do AR - Aviso de Recebimento (fi. 243), ao meu sentir, não é suficiente para comprovar a data da comunicação do lançamento do tributo, porquanto se encontra firmado por recebedor não identificado. Rejeito, pois, a alegação de prescrição da pretensão de anular o ato de lançamento. (Grifei). Extrai-se do excerto acima transcrito e dos termos do Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal é obstado pelo disposto na Súmula 7/STJ, porquanto implica reexame dos elementos probatórios de regularidade da notificação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Publique¬se. Intimem-se. Brasília (DF), 1º de abril de 2014. MINISTRO HERMAN BENJAMIN Relator” Frise-se, ainda, a jurisprudência exarada pelo TRF: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. VENEZUELA. IMPORTAÇÃO. Fl. 329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 17 PETROBRAS. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. PETROBRÁS FINANCE COMPANY SEDE ILHAS CAYMAN. ORIGEM E DESTINO DA MERCADORIA. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL EXISTENTE. APELAÇÃO PROVIDA. REMESSA OFICIAL E APELAÇÃO DA UNIÃO IMPROVIDAS. Trata-se de remessa oficial e apelações interpostas em face de sentença que, em ação anulatória de débito fiscal, proposta pela PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S/A para anular ato de lançamento de imposto de importação de derivados de petróleo adquiridos da Venezuela, julgou parcialmente procedente o pedido apenas para determinar a exclusão da multa isolada, aplicada. Concluiu a sentença pela existência do crédito tributário, por considerar inaplicável a redução de alíquota do Imposto de Importação, em 80%, praticada pela apelante nos termos em que prevista no acordo firmado entre países integrantes da ALADI, pelo fato de a operação de importação ter a participação de país não signatário do referido tratado. A operação de importação teve a participação da Petrobras Internacional Finance Company – PFICO, sediada nas Ilhas Cayman. 2. A razão determinante para a autuação fiscal, que descaracterizou o benefício de redução do Imposto de Importação, foi a participação na operação comercial realizada para com a Venezuela, de empresa sediada em país não integrante da ALADI. Contudo, a terceira empresa a participar faz parte do próprio grupo econômico da PETROBRAS, assim considerada não como intermediária, mas como operadora internacional dos seus interesses. Sob outro aspecto, certamente de maior relevância, não se verificam nas razões que motivaram o auto de infração, circunstância fática que descaracterizasse a origem e o destino da mercadoria importada. Não há, assim, informação de que, além da triangulação comercial realizada, houvesse descaracterização da operação comercial originariamente realizada entre a PETROBRAS e a PDVSA. Precedentes: (AGA, Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, TRF1 ¬ Sétima Turma, e-DJF1. Data: 19/10/2012, p. 1344; AC 200481000211851, Desembargadora Federal Margarida Cantarelli, TRF5 ¬ Quarta Turma, DJ ¬ Data: 09/07/2009 – p. 169 - nº 129). 3. Apelação da PETROBRAS provida. Remessa oficial e apelação da União, improvidas. Honorários de sucumbência, R$ 5.000,00. TRF 1ª Região, Apelação/Reexame Necessário 2004.39.00.002359¬3/PA, julg. 07/10/2013. PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL – LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – REDUÇÃO DA TARIFA EM RAZÃO DE ACORDO ENTRE PAÍSES MEMBROS DA ALADI – BENS COM ORIGEM E DESTINADOS A PAÍSES INTEGRANTES DA ALADI – TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO – BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO – PRECEDENTES. 1. In casu, é perfeitamente aplicável o disposto no art. 557, § 1º-A, do CPC, em face da manifesta sintonia da decisão agravada com a jurisprudência dominante neste eg. Tribunal e no colendo Superior Tribunal de Justiça. 2. Nessa perspectiva, "O art. 557, § 1º-A, do CPC, conferindo ao relator competência para dar provimento monocraticamente ao agravo, sem que isso signifique afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa, e/ou violação de normas legais, porque atende à agilidade da prestação jurisdicional, não se limita aos casos de prévia jurisprudência dominante ou súmulas das Cortes Superiores". (AGTAG 006897242.2009.4.01.0000/DF; Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, Decisão de 23/02/2010, Publicado no e-DJF1 de Fl. 330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 18 12/03/2010, p. 465). 3. No caso vertente, o Juiz oficiante, ao justificar sua decisão, esclareceu que: "(...) encontram-se nos autos cópias dos Conhecimentos de Transporte (Bills of Lading), que comprovam que os produtos foram embarcados da Venezuela e transportados diretamente para o Brasil." Com efeito, "Havendo"Certificado de Origen","Bill of Landing"e"Invoice"provando que o combustível importado é de origem venezuelana (país integrante da ALADI), despachado desse país diretamente para o Brasil (também integrante da ALADI), autoriza-se, em princípio, a redução da tarifa do Imposto sobre Importação , nos termos do Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ratificado pelo Decreto 3.138, de 16 AGO 1999)". (AG 006762940.2011.4.01.0000 / PA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, SÉTIMA TURMA, e-DJF1 p.1087 de 21/09/2012).” “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTACAO. APRESENTAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. DOCUMENTO TIDO COMO INDISPENSÁVEL PELA NORMA FISCAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. RECONHECIMENTO DO TRATAMENTO DIFERENCIADO PELO DESPACHO ADUANEIRO. REVISÃO DO LANÇAMENTO POSTERIOR CALCADA EM FORMALIDADE EXARCEBADA SEM PREVISÃO EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. 1. Embargos à execução visando afastar a cobrança de débito fiscal constituído por auto de infração lavrado com base no indeferimento da redução da alíquota do Imposto de Importação em 28% (vinte e oito por cento), incidente sobre produto originário da Colômbia em razão de benefício previsto nas regras inerentes à Associação Latino- Americana de Integração - ALADI. A Alfândega, num primeiro momento, examinou a documentação apresentada na Declaração de Importação, considerando-a hábil ao desembaraço aduaneiro com a redução da alíquota pretendida, o que resultou na liberação da mercadoria sem nenhuma questionamento. Depois, a Autoridade Fiscal procedeu à revisão do lançamento, com fundamento no art. 149, IV, do Código Tributário Nacional, considerando que o despacho de importação não se encontrava instruído com documento necessário, na espécie o original do Certificado de Origem. 2. O Certificado de Origem é documento essencial à obtenção de tratamento fiscal diferenciado na importação, nos termos pretendido pelo ora apelante. 3. O art. 434 do vigia a época da importação, estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". O Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossímil e nem indica qualquer vício que possa afastar a idoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. 4. Não é razoável a exigência feita pela Autoridade Fiscal para conceder o tratamento tributário diferenciado, uma vez que não há nenhuma cogitação de que o bem importado não adveio de país membro da ALADI, nem que o documento é inidôneo ou ainda que não se adequa ao modelo aprovado pela própria Associação. 5. A Alfândega já havia examinado a documentação apresentada na Declaração de Importação, concluindo, na ocasião, que havia preenchido os requisitos para concessão da redução da alíquota do imposto de importação por ter a mercadoria origem de país membro da ALADI. 6. Se é verdade que o ato a revisão do lançamento goza de presunção relativa de legitimidade e veracidade, também é verdade que o primeiro ato da administração, que, ao proceder ao desembaraço aduaneiro, considerou correta a Fl. 331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 19 documentação apresentada, também o goza da mesma presunção. Desse modo, como não é questionado nos autos o fato de a mercadoria ter sido mesmo proveniente de país integrante da ALADI (Colômbia), o contribuinte não pode ser prejudicado no caso em questão. 7. A Fazenda Nacional poderia ter trazido aos autos elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 333, II, do CPC), mas não o fez. 8. Inversão do ônus da sucumbência. Honorários de sucumbência arbitrados em R$ 2.000,00, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC. 9. Apelação provida. Ora, as decisões acima caminham junto com o meu entendimento – qual seja, de que o Regulamento Aduaneiro estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". Cabe, assim, concluir que os documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria. Pressuposto essencial para a aplicação da preferência tarifária. Assim, entendo que não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. ************************ 15. Portanto, como amplamente consignado no acordão paradigma, o Decreto nº 3.325/1999, que internalizou a Resolução nº 252 da ALADI no ordenamento jurídico brasileiro, dispõe que mercadorias originárias de países membros podem transitar por países não membros sem perder o status de origem, desde que cumpridos os requisitos previstos no art. 4º, alínea "b". 16. Para configuração de expedição direta, o trânsito deve ser justificado por razões geográficas ou logísticas, as mercadorias não podem estar destinadas a uso, comércio ou emprego no país de trânsito, e não devem sofrer manipulações além das necessárias para sua conservação. No caso em análise, o Certificado de Origem emitido no México por entidade devidamente credenciada, - e disponível nos autos, comprova que as mercadorias atendem a tais exigências. 17. O trânsito das mercadorias pelos Estados Unidos está plenamente justificado por razões logísticas e geográficas, considerando a infraestrutura superior do Porto de Houston e a proximidade estratégica entre México, EUA e Brasil, em conformidade com as práticas usuais do comércio internacional. E, não há nos autos quaisquer evidências de desvio de finalidade no trânsito que descaracterizem o benefício tarifário. Fl. 332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3301-014.361 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.009567/2007-14 20 18. Ademais, o Certificado de Origem apresentado é válido e foi emitido em conformidade com as normas da ALADI por entidade autorizada no México, assegurando a legitimidade da operação e o atendimento integral aos requisitos legais para a concessão do benefício tarifário pleiteado. III. CONCLUSÃO 19. DIANTE DO EXPOSTO, acolho os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, atribuindo-lhes efeitos infringentes, com o reconhecimento do direito à fruição do benefício tributário previsto pela ALADI e, consequentemente, do direito creditório referente ao imposto de importação recolhido a maior. 20. É como voto. Assinado Digitalmente Rachel Freixo Chaves Fl. 333DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10980.909594/2021-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Mar 24 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2020 a 31/12/2020 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada.
Numero da decisão: 3201-012.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por se referir a pleito já deferido na primeira instância, e, quanto à parte conhecida, em lhe negar provimento. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale – Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto[a] integral), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Luiz Carlos de Barros Pereira.
Nome do relator: FLAVIA SALES CAMPOS VALE

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2020 a 31/12/2020 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por se referir a pleito já deferido na primeira instância, e, quanto à parte conhecida, em lhe negar provimento. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale – Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Fl. 737DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto[a] integral), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Luiz Carlos de Barros Pereira. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela 09ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e reconheceu em parte o direito creditório. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade apresentada em razão do Despacho Decisório de 04/11/2021, com ciência em 04/11/2021, lavrado em razão do Pedido de Ressarcimento nº 07175.26370.310121.1.1.18-9072, relativo ao crédito de PIS/Pasep não cumulativo, vinculado às receitas tributadas e não tributadas do mercado interno do 4º trimestre 2020(01/10/2020 a 31/12/2020), no valor de R$ 320.764,02. Segundo o Despacho Decisório e seus anexos, fls.2 a 29, a auditoria dos créditos foi realizada com base nas informações constantes nos arquivos da Escrituração Fiscal Digital das Contribuições para o PIS e para a COFINS transmitidas pela interessada nos períodos de apuração do 4º trimestre de 2020. A interessada tem como atividade, segundo apurou a fiscalização, a Edição Integrada à Impressão de Livros. Tendo sido intimada e reintimada, a interessada não apresentou elementos para comprovar os créditos declarados na EFD-Contribuições, que deram origem ao pedido de ressarcimento. A fiscalização afirma que considerando a legislação de regência apresentada na Informação Fiscal nº 126/2021/EQRAT1/EQAUD3/DRFBLU/SRRF09, fls. 7 a 29, o Pedido de Ressarcimento de créditos vinculados às receitas tributadas no mercado interno (Código 101) foi indeferido, uma vez que a legislação não prevê ressarcimento de créditos para essa hipótese conforme artigo 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005. Ressalta que os créditos porventura reconhecidos no Fl. 738DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 3 referido Código poderiam ser mantidos na escrituração fiscal e utilizados somente para dedução das próprias contribuições ao Pis e a COFINS e que apenas o crédito do PIS e/ou da COFINS acumulado ao final de um trimestre calendário e vinculado a vendas não tributadas nº mercado interno, ou seja, vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição, é que pode ser compensado com outros tributos ou ser objeto de pedido de ressarcimento. Informa, ainda, que devido à necessidade de comprovação/demonstração dos valores escriturados na EFD-Contribuições, bem como esclarecimentos adicionais necessários à apuração e confirmação deste, intimou a interessada a apresentá- los, no entanto, não houve atendimento das intimações. E a auditoria fiscal procedeu à análise dos créditos, considerando os dados que constavam nos bancos de dados da Receita Federal do Brasil. A fiscalização segue esclarecendo que na análise dos pedidos de ressarcimento, restituição, reembolso e compensação, cabe ao contribuinte comprovar inequivocamente o seu direito creditório, uma vez que, se este tem consigo documentação comprobatória, cabe ao contribuinte identificar e especificar concretamente a natureza, origem e o montante dos créditos pleiteados. Por fim, a autoridade fiscal indeferiu integralmente o Pedido de Ressarcimento conforme abaixo ilustro. Com isso, não foram homologadas as Declarações de Compensação n£' 04060.38273.120221.1.3-5019, n£' 14957.49496.120221.1.3- 3510 e n£' 27532.21749.120221.1.3.18-9549, vinculadas ao Pedido de Ressarcimento. Irresignada a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 06/12/2021, fls. 33 a 47. Segundo informa a interessada, a auditoria fiscal concluiu que a contribuinte, embora intimada, não apresentou justificativa legal para realizar Pedido de Ressarcimento vinculado a créditos decorrentes de receitas tributadas no mercado interno (Código 101), as quais somente possibilitam a dedução das próprias contribuições ao PIS e a COFINS, de modo que todos os créditos em relação a essas receitas foram glosados. Além disso, em linhas gerais, a interessada informa que as glosas dos créditos ocorreram por divergências entre as informações prestadas nas EFD-Contribuições e os arquivos de notas fiscais disponibilizadas no SPED, e por não ter o contribuinte atendido aos Termos de Intimação Fiscal. Resume as outras conclusões da fiscalização quanto aos bens para revenda, aquisição de bens utilizados como insumos, aquisição de serviços utilizados como insumo, devoluções de vendas sujeitas à incidência não-cumulativa, outras operações com direito a crédito, conhecimentos de transporte rodoviários eletrônico, cujos CFOPs não permitem creditamento, serviços tomados como insumos, despesas de energia elétrica e Ajuste Oriundo de Outras Situações. Fl. 739DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 4 Realça que em decorrência das glosas realizadas pela fiscalização, foram apuradas diferenças entre PIS e COFINS a pagar, decorrentes de insuficiência dos créditos que foram objeto dos autos de infração que constam no Processo n£' 17830.729739/2021-60. Inicialmente, a interessada requer que seja apensado o presente processo de ressarcimento ao processo n£' 17830.729739/2021-60, conforme determinou a Informação Fiscal n£' 126/2021/EQRAT1/EQAUD3/DRFBLU/SRRF09. Além disso, informa que as provas que são hábeis a comprovar os créditos foram informados nos autos do processo n£' 17830.729739/2021-60, uma vez que houve exiguidade de prazos para o levantamento de todos os documentos comprobatórios. A interessada requer que lhe seja assegurada a juntada posterior de documentos e esclarecimentos que comprovem a apuração correta dos créditos de PIS do 4£' trimestre de 2020, em valor suficiente para reformar o Despacho Decisório e autorizar o Pedido de Ressarcimento e homologar as compensações vinculadas. A contribuinte afirma que os créditos existem e foram calculados corretamente, com amparo na legislação aplicável, sobre insumos (bens e serviços), energia e fretes e proporcionalmente às receitas de operações não tributadas no mercado interno. Observa que o Pedido de Ressarcimento diz respeito a receitas tributadas no mercado interno, porém trata-se de um equívoco nº preenchimento do pedido. Informa que possuía receitas não tributadas no mercado interno, classificadas no código 201, conforme as telas da EFD-Contribuições que anexa à Manifestação de Inconformidade, pelas informações que constam no Balanço Contábil e Fiscal na ECD e ECF e que o objetivo do pedido de ressarcimento, em verdade, seria ressarcir créditos decorrentes das Receitas Não Tributadas. Alega que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF tem o entendimento de que eventuais equívocos formais cometidos pelo contribuinte não impedem o reconhecimento do seu direito material de crédito, quando este seja demonstrado por outros documentos e pela sua escrituração contábil. Desta forma, considera demonstrado que acumulou créditos de PIS no 4£' trimestre de 2018 em decorrência de vendas não tributadas no mercado interno (Código 201) em valor compatível com o Pedido de Ressarcimento e, sendo assim, requer a retificação da natureza dos créditos informados no PER/Dcomp, com o objetivo de vincular o PER às receitas de operações do Código 201 e permitir que o saldo das operações do código 101, seja utilizado na dedução das próprias contribuições. Quanto aos créditos de aquisição de bens para revenda, bens utilizados como insumos e serviços utilizados como insumos, alega que a glosa se deu por divergências de valores declarados na EFD-Contribuições e no valor das Notas Fiscais que constam no SPED e por falta de atendimento de intimação fiscal. No entanto, alega ter havido um erro no preenchimento da EFD-Contribuições, de modo que os créditos declarados como “Aquisição de Bens para Revenda” deveriam ter sido classificados como “Aquisição de Bens utilizados como Insumo”, porque a POSIGRAF é uma indústria gráfica que não efetua operações de compra Fl. 740DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 5 de bens e mercadorias para revenda. Para comprovar sua natureza industrial, anexou, junto à Manifestação de Inconformidade, dossiê, onde, segundo informa, atesta-se a essencialidade de diversos bens adquiridos como insumos e serviços adquiridos como insumos, entre os quais a energia elétrica. Quanto ao crédito sobre fretes, informa que na análise fiscal não foi considerada a atividade industrial exercida pela interessada. Que, por isso, houve glosas indevidas, ao considerar apenas os CFOPs das operações. Que fretes em operações de devolução de compra para industrialização ou produção rural, industrialização efetuada para outra empresa e retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda deveriam conceder direito a crédito, considerando a atividade da fiscalizada. Alega, ainda, que os serviços de transporte contratados pela interessada foram tributados e, por isso, tem direito a crédito, independentemente da natureza da operação subjacente. A interessada, requer ainda a produção de perícia contábil, com a finalidade de comprovar a existência e a suficiência dos créditos que foram objeto do Pedido de Ressarcimento indeferido. Transcreve os quesitos que pretende formular e indica o perito que deve se encarregar de tal perícia. Por fim, requer que seja deferida a Manifestação de Inconformidade, para reformar o Despacho Decisório, deferir o Pedido de Ressarcimento n£' 07175.26370.310121.1.1.18-9072 e homologar as compensações declaradas nas DCOMPs n£' 04060.38273.120221.1.3-5019, n£' 14957.49496.120221.1.3-3510 e n£' 27532.21749.120221.1.3.18-9549, vinculadas ao Pedido de Ressarcimento. Que seja feito o apensamento para julgamento conjunto da manifestação de inconformidade e a impugnação protocolado junto ao Processo n£' 17830.729739/2021-60 para que sejam aproveitadas as provas documentais lá produzidas. Que seja concedido o direito de efetuar juntada posterior de documentos que não puderam ser anexados com a manifestação de inconformidade e que seja deferido pedido de perícia contábil. Do Pedido de Diligência: Embora a interessada não tenha apresentado documentos no curso do procedimento fiscal, na Impugnação de 13/12/2021, junto ao processo n£' 17830.729739/2021-60 (autos de infração de PIS e COFINS decorrentes das análises dos Pedidos de Ressarcimento) , a interessada juntou os documentos de fls. 146 a 26740 naquele processo, que, segundo alega, são hábeis para comprovar existência dos créditos de PIS e COFINS decorrentes da não- cumulatividade, no âmbito dos processos de ressarcimento e dos Autos de Infração de PIS e COFINS que deles decorreram. Tendo em vista que no curso do procedimento fiscal não foi possível verificar a documentação porque a interessada não apresentou os documentos, a autoridade fiscal acertadamente glosou os créditos solicitados por meio do Ressarcimento e efetuou os lançamentos nos autos do processo n£' 17830.729739/2021-60. No entanto, considerando a nova situação apresentada com a impugnação e Fl. 741DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 6 manifestações de inconformidade referente ao mesmo procedimento fiscal, por meio do Despacho de Diligência da 9ª Turma da DRJ09, de 16/12/2022, solicitei, com vistas a dar fiel cumprimento a aplicação do princípio da verdade material, o retorno do processo à unidade de origem para que a autoridade a quo pudesse providenciar os seguintes elementos: a) efetue a análise da documentação apresentada e, se for necessário, solicite outros esclarecimentos e documentos à recorrente; b) se for o caso, quantifique os valores de crédito, relativamente ao mercado internº não tributado, em cada trimestre, bem como os efeitos (possível redução) nos autos de infração; c) se for o caso, quantifique os valores de crédito e apure os efeitos (possível redução)nos autos de infração, bem como nos pedidos de ressarcimento que tratam de créditos vinculados a Receitas Tributadas e Não Tributadas no Mercado Interno (Tabela 2 Do Despacho De Diligência); d) elabore relatório fiscal de conclusão dos trabalhos, considerando essa nova documentação e eventuais esclarecimentos adicionais prestados; e) proceda a ciência à contribuinte da nova análise fiscal efetuada, com abertura de prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação de aditamento às manifestações de inconformidade já entregues, bem como a impugnação apresentada no corpo deste processo. Segundo o Despacho de Diligência, a Tabela 2 (abaixo), acima mencionada, não se refere a todos os processos que foram objeto dessa ação fiscal. Os processos cujo objeto é o Pedido de Ressarcimento de Créditos Vinculados apenas a Receitas Tributadas no Mercado Interno não foram impactados com o resultado da Diligência realizada, uma vez que não há previsão legal para solicitar ressarcimento de créditos vinculados a Receitas Tributadas no Mercado Interno. Conforme se verifica no Relatório de Diligência Fiscal, após a análise dos documentos apresentados pela interessada, outra situação se configura quanto ao resultado dos créditos glosados conforme a seguir ilustro. No presente processo, portanto, os valores de ressarcimento decorrentes de créditos vinculados às Receitas Não Tributadas (código 201) foram parcialmente aceitos após os procedimentos de auditoria realizados no curso da Diligência Fiscal. Fl. 742DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 7 A autoridade fiscal elaborou a Informação Fiscal nº 1285/2023/EQRAT1/EQAUD3/DEVAT/SRRF09/RFB, de 22 de maio de 2023, onde relata pormenorizadamente os motivos das glosas que foram mantidas após a análise dos documentos. Na Informação Fiscal, verifica-se que após os esclarecimentos prestados pela interessada, a autoridade fiscal constatou que os dados da EFD-Contribuições não refletem a correta origem e natureza dos créditos apurados para o período em análise. Em relação aos Bens e Serviços utilizados como Insumos – Aquisição Interna, foram observadas divergências entre os valores informados nos demonstrativos de apuração de créditos trazidos aos autos e o total constante na planilha apresentada em atendimento às intimações (R$ 293.065.828,94), onde constam os documentos fiscais e detalhes acerca de cada item adquirido (R$ 284.587.843,85). Essa diferença foi glosada por falta de comprovação dos créditos conforme os valores abaixo. O montante relativo à diferença entre o valor que consta no demonstrativo de cálculo dos créditos e aqueles cujos documentos fiscais de aquisição dos insumos foram detalhados em planilha referente à respectiva natureza de base de cálculo foram glosados não são considerados na base de cálculo dos créditos. Fl. 743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 8 Em relação às Receitas – Saídas (CST 6) Alíquota Zero – Reclassificadas para Receitas Tributadas: Segundo a fiscalização, foram incluídas nas receitas classificadas pela contribuinte com o código de situação tributária (Alíquota Zero), operações relativas à “industrialização por encomenda” de livros, como se verificou nas notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa no período em análise. A fiscalização considerou que, do exame do artigo 28 da Lei nº 10.865/2004 (base legal da alíquota zero para livros), extrai-se que a alíquota zero do PIS e da COFINS é aplicável quando há venda nº mercado interno de livros, não quando as receitas decorrentes de serviços de impressão de livros, já que neste caso se trata de prestação de serviços. Sendo assim, uma vez que as operações não se referem à venda de livros e sim de serviços de impressão de livros por encomenda, as receitas foram reclassificadas para o CST 1 (alíquota básica), corrigindo-se tanto o valor das contribuições mensais apuradas, quanto o cálculo do rateio proporcional para vinculação dos créditos às receitas tributadas e não tributadas no mercado interno. Quanto aos créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno (Código 101): segundo a fiscalização, os créditos vinculados a receita tributadas no mercado interno devem ser utilizados apenas para desconto do valor apurado da contribuição e não são passíveis de ressarcimento. Entende que cabe à interessada realizar o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação de forma correta, de modo que não cabe à fiscalização verificar e reconhecer valores estranhos ao seu pedido. Cita base legal e conclui que os Pedidos de Ressarcimento de créditos vinculados às receitas tributadas no mercado interno (Código 101) devem ser indeferidos, conforme a seguir, sendo que esses créditos poderão ser mantidos na escrita fiscal e devem ser utilizados somente para dedução das próprias contribuições ao PIS e a COFINS: Fl. 744DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 9 Quanto à aquisição de insumos – MI, além das glosas decorrentes dos valores que foram utilizados pela contribuinte em seus demonstrativos, mas que não constam integralmente na planilha de detalhamento dos documentos fiscais apresentada (falta de comprovação), foram observadas que as aquisições de alguns itens não dão direito a crédito, por não estar comprovada a sua essencialidade e relevância no processo produtivo. Detalhei abaixo os itens referidos: Quanto aos Bens e Serviços utilizados como insumos (Fretes), afirma a fiscalização que considerou que o valor do frete pode ser utilizado na base de cálculo do crédito nas operações de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor, bem como na compra de insumos e de mercadorias a serem revendidas. Que juntou informações detalhadas acerca dos documentos fiscais relativos às aquisições/operações objeto de glosa na planilha “Glosas”, juntada ao processo. Em relação às NF de serviços, todas se encontram sem destinatário e, por se tratar de “remessa para industrialização” não podem ser consideradas na base de cálculo do crédito, por não se tratar de vendas. Em relação aos documentos fiscais da empresa Ouro Verde Locação e Serviços S.A., a fiscalização constatou que se trata de locação de veículo e, portanto, não dão direito a crédito. Foram glosadas, ainda, várias operações que apresentavam CFOP que não dão direito a crédito, por não se tratar de compra para industrialização ou revenda, nem operações de venda, conforme abaixo relacionei: Fl. 745DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 10 Quanto aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, segundo a fiscalização não foi possível confirmar todos os créditos nesta rubrica por falta de comprovação da natureza dos mesmos e/ou de seu pagamento. Alega que, em alguns casos, não havia informação do nome e CNPJ do locador. Em relação aos documentos da empresa Ouro Verde Locação e Serviço S.A as despesas foram glosadas por se tratar de locação de veículos, as quais não dão direito a crédito, pois os veículos não se enquadram no conceito de máquinas e equipamentos. Cita a Solução de Consulta COSIT n£1 355/2017. Não há valores referentes ao período do 4£1 trimestre de 2020. Quanto aos créditos extemporâneos, a fiscalização constatou que a interessada incluiu em dezembro de 2016 valores que seriam relativos a créditos de Aluguéis, Máquinas e Equipamentos e Depreciação referentes aos períodos de 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016. Quanto à apuração da base de cálculo do crédito após as glosas, a autoridade fiscal informa que partir da base de cálculo do crédito informada nos demonstrativos apresentados pela interessada em resposta ao(s) Termo(s) de Intimação Fiscal lavrado(s) no curso da Diligência, deduziram-se as glosas acima relatadas e chegou-se ao valor do crédito apurado para cada trimestre. As planilhas demonstrativas do crédito apurado pela auditoria foram juntadas ao e-processo sob o título "Apuração do Crédito". Após aplicadas as glosas acima, a autoridade fiscal relatou que quanto ao período do 4£1 trimestre de 2020 os valores de contribuições devidas puderam ser extintos pelas deduções. Das glosas efetuadas na auditoria de créditos resultaram, em alguns períodos, valores a pagar de PIS e COFINS não acobertados pelos créditos apurados pela auditoria e não declarados em DCTF. Trata-se de valores referentes ao 4£1 trimestre de 2016 que não fazem parte do objeto deste processo. Após a realização da Diligência Fiscal, a autoridade fiscal concluiu que deveriam ser concedidos os seguintes créditos: Fl. 746DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 11 No que diz respeito a esse processo, temos os seguintes cálculos: Intimada a apresentar resposta ao Relatório de Diligência Fiscal, no prazo de 30 dias, a interessada apresentou em 21/06/2023 aditamento à manifestação de inconformidade. Faz um breve relato sobre o procedimento de fiscalização. Alega Fl. 747DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 12 que, após o resultado da Diligência Fiscal, os resultados das glosas foram modificados, assim como os motivos que lhe deram motivação. Informa que, no processo nº 10980.909583/2021-36 (ressarcimento), foi apresentada a Informação Fiscal nº 1.285/2023/EQRAT1/EQAUD3/DEVAT/SRRF09/RFB (fl. 648/667), que contempla os demais processos de ressarcimento e contém a análise detalhada dos créditos de PIS e COFINS do contribuinte. Em relação às diferenças entre os demonstrativos de apuração de crédito trazido aos autos pela interessada e o total constante de planilha apresentada, referente às aquisições relativas à citada natureza (insumos – MI), a interessada alega que a partir da análise do relatório fiscal e das planilhas apresentadas após a diligência, o contribuinte identificou que, no demonstrativo que apresentou no processo em 2021, o valor dos créditos de PIS e COFINS foi calculado em conformidade com os valores das notas fiscais de entrada, às alíquotas de 1,65% e 7,6% respectivamente, embora as respectivas bases divergissem do valor das notas. No curso da diligência, para atender ao formato exigido no termo de intimação fiscal, apresentou à fiscalização novas planilhas, nas quais informou apenas a base dos créditos e não o valor dos créditos em si. As bases informadas repetiram as incorreções identificadas anteriormente em relação ao valor das notas de entrada. A interessada traz um exemplo, que abaixo ilustrei, demonstrando serem diferentes os valores dos arquivos xml (valores das notas fiscais e entrada) e as base de apuração do contribuinte(valores menores aos das notas fiscais de entrada), com o qual pretende demonstrar que as bases informadas nas planilhas resultaram divergentes e inferiores às bases de crédito extraídas dos próprios documentos fiscais de entrada, relativos à aquisição de bens e serviços com direito ao desconto de créditos. Pede que, em relação a tal circunstância, seja realizada diligência, a fim de que os valores dos créditos sejam calculados com base nos documentos fiscais. Fl. 748DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 13 Em relação aos itens que não dariam direito a créditos de PIS e de COFINS, a interessada chama atenção para o item referente à aquisição de embalagens para transporte. Tratase, segundo esclarece, de itens essenciais para o transporte dos livros, materiais didáticos e materiais gráficos fabricados pelo contribuinte, pois garantem a integridade das mercadorias produzidas e vendidas no transporte e entrega aos respectivos destinatários, evitando que sejam danificadas, amassadas ou molhadas. Cita decisão do CARF como recurso para sua argumentação. Ressalta que outros itens que foram objeto de glosa também devem ter seus créditos reconhecidos por serem essenciais para a atividade da contribuinte que, como indústria gráfica de grande porte, precisa garantir o funcionamento e a manutenção de seus equipamentos e máquinas e a segurança de seus colaboradores. Entende que, sendo assim, devem ser revertidas as outras glosas referentes às ferramentas, carrinho de ferramentas, combustíveis, uniformes e itens de segurança. Em relação aos créditos de fretes não vinculados a compras para revenda ou industrialização ou a operações de vendas, entende que a fiscalização, ao não indicar o número do CFOP (apenas a descrição) dos fretes glosados, comprometeu seu direito de defesa, por não terem sido esclarecidos os motivos da glosa. Reitera os termos da impugnação já apresentada, esclarecendo que as operações de transporte intermunicipais e demais fretes são indispensáveis à atividade industrial que exerce, sendo que os créditos foram glosados como se a gráfica fosse revendedora de produtos. Entende que é incontroverso que a Gráfica presta serviços de industrialização para terceiros, os créditos de fretes relacionados aos CFOPs de remessa e retorno de industrialização, quaisquer que sejam as suas modalidades (por encomenda, por conta e ordem, devolução etc.) devem ser reconhecidos e restabelecidos, por atenderem aos critérios de essencialidade e relevância. Em relação às glosas de créditos sobre fretes relacionados às operações dos CFOPs 5949, 6949, 5923 e 6923, relativos a outras saídas de mercadorias ou prestação de serviços e a remessas por conta e ordem de terceiros alega que também são indevidas. Ressalta que essas operações são praticadas com habitualidade pela empresa, quando contratada pelo Poder Público (por exemplo, pelo FNDE), mediante licitação ou pregão, ou até por empresas privadas, para imprimir livros e materiais didáticos em grandes lotes e fazer a sua distribuição e entrega diretamente nas escolas contempladas nos contratos, caracterizando-se as remessas por conta e ordem e outras modalidades de entrega dos produtos. Explica, ainda, que os fretes intramunicipais devem gerar direito ao crédito de PIS e COFINS, por se referirem a remessas para industrialização, atividade que integra o rol de serviços prestados pelo contribuinte, cujo faturamento é tributado. Em relação aos créditos de locação de prédios, máquinas e equipamentos cujos contratos e comprovantes de pagamento não foram apresentados, créditos de locação de veículos da empresa “OURO VERDE LOCAÇÃO E SERVIÇO S/A”, que não Fl. 749DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 14 se enquadrariam no conceito de máquinas e equipamentos, a interessada apresentou decisão do CARF que alega ser favorável ao seu entendimento de que aluguel de veículos dá direito a crédito de PIS e de COFINS. Em relação aos créditos extemporâneos (créditos de aluguéis, máquinas, equipamentos e depreciação referentes aos períodos de apuração de 2012 a 2016, registrados em dezembro de 2016), entende que a glosa está baseada exclusivamente na ausência de retificação das EFDContribuições de cada período de apuração, o que não é considerado requisito indispensável para o reconhecimento do direito aos créditos. Ressalta que a exigência de retificação das EFD-Contribuições de cada período, para registro dos créditos, cria um obstáculo intransponível ao seu direito, diante da impossibilidade de retificar as declarações a partir do início da fiscalização, em 2021, em razão da perda da espontaneidade e até pelo decurso do prazo de 5 anos. E, ainda, que não havendo questionamento da auditoria quanto à existência e quanto ao não aproveitamento anterior dos créditos registrados em dezembro de 2016, devem eles ser reconhecidos, revogando-se a glosa motivada exclusivamente pela ausência de retificação das EFD-Contribuições de cada período de apuração. Quanto aos créditos de Operações Não Tributadas, independentemente da reclassificação, ratificou os termos impugnação protocolada em dezembro de 2021 e das manifestações de inconformidade para reiterar que, embora muitos dos créditos informados nos Pedidos de Ressarcimento tenham sido erroneamente vinculados a receitas classificadas no código 101, a GRÁFICA E EDITORA POSIGRAF possuía, nos mesmos meses, receitas não tributadas no mercado interno, classificadas no código 201. A fim de comprovar a existência dessas receitas, passíveis de acúmulo de créditos de PIS e COFINS para desconto das próprias contribuições e pedidos de ressarcimento, e sua proporção em relação às receitas tributadas, a interessada alega que apresentou, em dezembro de 2021, um dossiê de saídas contendo planilhas Excel com as informações sobre todas as vendas por mês e as chaves das notas de saídas, assim como os arquivos XML das notas de vendas e serviços, sendo boa parte dessas saídas sujeitas à alíquota zero. Alega, ainda, que a existência de outros créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno é reconhecida expressamente na Informação Fiscal nº 1.285/2023, no processo nº 10980.909583/2021-36, mas a auditoria alega a impossibilidade de autorizar o seu ressarcimento em razão do preenchimento incorreto dos PER/DCOMPS. Alega que o eventual erro no preenchimento da EFD-Contribuições e do PERDCOMP não impede o reconhecimento do direito do contribuinte aos créditos de PIS e COFINS vinculados às operações não tributadas no mercado interno, códigos 201, 202 e 208, nem ao seu ressarcimento(objeto dos PER indeferidos ou Fl. 750DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 15 parcialmente deferidos), já que tais informações estão disponíveis na ECD, em planilhas e nos documentos fiscais apresentados à auditoria. Pelos motivos expostos no aditamento, afirma que ratifica e complementa os argumentos e pedidos formulados na manifestação de inconformidade original (com a ressalva dos itens prejudicados pelas conclusões da auditoria), requer a reforma do Despacho Decisório, para deferir o Pedido de Ressarcimento PER n° 07175.26370.310121.1.1.18-9072 e homologar as compensações declaradas nas DCOMPs n° 04060.38273.120221.1.3-5019, nº 14957.49496.120221.1.3-3510 e nº 27532.21749.120221.1.3.18-9549, consequentemente extinguindo o débito principal e seus acréscimos.” A decisão recorrida reconheceu o direito creditório em parte e conforme ementa do Acórdão nº 109-021.468 apresenta o seguinte resultado: PROCESSO 10980.909594/2021-16 ACÓRDÃO 109-021.468 – 9ª TURMA/DRJ09 SESSÃO DE 25 de abril de 2024 INTERESSADO GRÁFICA E EDITORA POSIGRAF LTDA. CNPJ/CPF 75.104.422/0001-06 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2020 a 31/12/2020 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada. DILIGÊNCIA. DOCUMENTOS CONTÁBEIS. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Deve-se adotar as conclusões de diligência realizada durante o contencioso, mormente quando elas são obtidas com base em documentos contábeis e o contribuinte se ausenta na apresentação de argumentos contrários. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 751DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 16 Foi interposto de forma tempestiva Recurso Voluntário reproduzindo em síntese os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Requer ainda, a conversão do julgamento em diligência. É o relatório. VOTO Conselheira Flávia Sales Campos Vale, Relatora. Presentes os pressupostos de admissibilidade conheço de parte do Recurso Voluntário. Conforme já relatado, trata-se de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício interpostos contra decisão proferida pela 09ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e não reconheceu o direito creditório. Inicialmente esclareço que se encontra sob julgamento os Autos de Infração de Pis e COFINS nos autos do Processo nº 17830.729739/2021-60, também sob responsabilidade desta julgadora. Sendo assim, o apensamento dos processos foi realizado e o julgamento em conjunto de todos os processos está sendo realizado nesta sessão, de modo que não há prejuízo a Recorrente quanto a possíveis decisões contraditórias. Do Pedido de conversão do julgamento em diligência Requer a Recorrente a conversão do julgamento em diligência, para permitir uma nova apuração dos créditos a partir dos parâmetros definidos pelo CARF, em consonância com a jurisprudência citada no presente Recurso Voluntário. Importa destacar que apesar de ser facultado ao Recorrente tal pleito, em conformidade com o art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72 (PAF), compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, devendo indeferir sempre que considerar as pretendidas provas como prescindíveis ou impraticáveis, na forma do art. 18 do referido diploma normativo. A realização de perícia ou diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, bem como dirimir dúvidas que o exame dos autos não seja suficiente para esclarecer. No presente caso, em razão da diligência já ocorrida conforme consta dos autos, o processo contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. A Fl. 752DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 17 argumentação da Recorrente encontra-se desprovida de qualquer elemento concreto de sua necessidade. Diante disso, indefiro o pedido de diligência. Do crédito vinculado a receita não tributada no mercado interno Em relação ao pedido de ressarcimento vinculado a Receita Não Tributada no Mercado Interno, como a DRJ reconheceu o direito creditório requerido pela Recorrente no valor de R$ 105.782,02, não há matéria controversa a ser analisada por este colegiado. Portanto não conheço desta parte do Recurso Voluntário. Do Mérito Por entender que a decisão proferida pela instância a quo seguiu o rumo correto, utilizo sua ratio decidendi como se minha fosse, nos termos do §12° do art. 114 do RICARF, in verbis: No presente processo, portanto, uma vez que analisei o resultado da Diligência Fiscal e concordei com os termos em que foi realizada, considerei que resta a controvérsia apenas em relação aos créditos decorrentes às Receitas Tributadas no Mercado Interno e, sendo assim, encaminho meu voto no sentido de afastar as glosas decorrentes das Receitas Não Tributadas, inicialmente apontadas pela fiscalização. Trata-se do valor de R$ 105.782,02. Passo a analisar o Pedido quanto às Receitas Tributadas no Mercado Interno (...) No presente processo, verifica-se que o tipo de crédito declarado no Pedido de Ressarcimento foi o motivo principal em que se apoiou a autoridade fiscal para glosar os créditos de PIS da interessada no período do 4º trimestre de 2020, tendo a glosa recaído sobre a totalidade do pedido. Conforme se verifica por meio do Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação nº 07175.26370.310121.1.1.18-9072, o crédito solicitado teve como origem os Créditos vinculados à receita tributada no mercado interno – Alíquota Básica (Código 101). Para ilustrar a situação, extrai parte do Pedido conforme a seguir: Fl. 753DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 18 A autoridade fiscal concluiu que a legislação não prevê ressarcimento de créditos para essa hipótese conforme artigo 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005. Ressalta que os créditos porventura reconhecidos no referido código 101 poderiam ser mantidos na escrituração fiscal e utilizados somente para dedução das próprias contribuições ao PIS e a COFINS. Transcrevo o artigo 16 a seguir: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano- calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre-calendário anterior ao de publicação Fl. 754DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 19 desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Vale observar que o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, mencionado acima, disciplina que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Assim sendo, no que se refere à receita auferida com operações no mercado interno, em consonância com a legislação citada, apenas o crédito do PIS e da COFINS acumulado no final de um trimestre calendário e vinculado a vendas não tributadas no mercado interno, ou seja, vendas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS, é que podem ser compensadas com outros tributos ou serem objeto de pedido de ressarcimento. A interessada solicita que seja retificado o Pedido de Ressarcimento em nome do Princípio da Verdade Material. Alega que há decisões do CARF que reforçam a necessidade de se observar tal princípio. Que, em verdade, houve um erro de Preenchimento do Pedido de Ressarcimento e que há créditos, nos montantes compatíveis com o pedido, cuja origem está relacionada às vendas não tributadas no mercado interno conforme descrevemos acima no Relatório. Portanto, o seu pedido é no sentido de que seja possível a retificação do Pedido de Ressarcimento de ofício, a fim de trocar o Código 101 (créditos vinculados a vendas tributadas nº mercado interno) pelo Código 201 (créditos vinculados a vendas não tributadas no mercado interno). Alega que apresentou as provas da existência dos créditos junto aos autos do Processo nº 17830.729739/2021-60 que constituiu o crédito tributário após a glosa dos créditos. Os atos normativos que tratam a matéria estão disciplinados no artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Esses dispositivos deixam claro a necessidade da existência de o direito creditório ser líquido e certo no momento da apresentação do Per/Dcomp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A regra é de que o Per/Dcomp somente pode ser retificado pela interessada caso se encontre pendente de decisão administrativa na data do envio do documento retificador em conformidade com o artigo 88 da Instrução Normativa nº 1300, 20 de dezembro de 2012, editada com fundamento no §14 do artigo 74 da Lei nº 9430/1996 e vigente à época da apresentação do Pedido (as Instruções Normativas anteriores e posteriores repetem o mesmo entendimento). Fl. 755DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 20 O Per/Dcomp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela interessada quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributário. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a interessada altere o pedido mediante a modificação do direito creditório declarado no Per/Dcomp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. Apenas nas hipóteses comprovadas de inexatidões materiais devido a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/Dcomp esses podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da interessada. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática, tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a interessada retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. A informação de que o direito creditório se trata de crédito vinculado a vendas não tributadas no mercado interno e não vendas tributadas no mercado interno após a ciência do Despacho Decisório reveste-se de pedido de retratação de situação nova não passível de convalidação nº presente momento, já que apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação de débito declarado. A pretensão de retificação do Per/Dcomp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de manifestação de inconformidade, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo. Ainda, a Manifestação de Inconformidade não é o meio adequado para retificação do Per/Dcomp pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após a decisão administrativa exarada pela autoridade preparadora. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após a ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Portanto, não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/Dcomp após a ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada. Além disso, não se pode admitir, por meio de manifestação de inconformidade, a alteração do pedido de reconhecimento de direito creditório inicialmente formulado, o que poderia caracterizar usurpação de competência de autoridade administrativa, já que cabe à DRF de origem a análise e o pronunciamento inicial a respeito do deferimento, ou não, de pedidos de restituição/compensação (artigos 69 a 76 da Instrução Normativa RFB 1300/2012). Fl. 756DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 21 O julgamento realizado pela DRJ constitui uma instância revisional, assim, a matéria a ser apreciada é tão somente aquela resolvida pela decisão a quo e que foi atingida pelo recurso. A esta autoridade julgadora compete exclusivamente a análise do litígio, que, in casu, restringe-se a possibilidade de ressarcimento de créditos vinculados a vendas tributadas no mercado interno, sendo defeso a esta instância de julgamento estender a análise a eventuais créditos não relacionados ao pleito. Dessa forma, não sendo a manifestação de inconformidade o veículo legal para a formalização de pedido de restituição/compensação não formulado anteriormente, impõe-se a manutenção do Despacho Decisório atacado, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. Nesse sentido este Conselho já se manifestou, a saber: Numero do processo: 10882.720841/2011-73 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Terceira Seção De Julgamento Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2020 Data da publicação: Tue Feb 09 00:00:00 UTC 2021 Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. INOVAÇÃO PROCESSUAL IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual. A interposição de Manifestação de Inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp. RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP. MERCADO INTERNO. VENDAS COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA. No caso de receitas decorrentes de venda no mercado interno, somente podem ser ressarcidos e/ou compensados crédito de PIS/PASEP se vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Numero da decisão: 3201-007.492 Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o Fl. 757DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 22 decidido no Acórdão nº 3201-007.488, de 18 de novembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10882.720830/2011-93, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Márcio Robson Costa, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Numero do processo: 13971.907748/2011-61 Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção Câmara: Terceira Câmara Seção: Terceira Seção De Julgamento Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020 Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2020 Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 RESSARCIMENTO POSTERIOR À DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O pedido de ressarcimento somente poderá ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data de envio do documento retificador. Numero da decisão: 3302-008.232 Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Vinicius Guimarães. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13971.907744/2011-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Corintho Oliveira Machado. Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Numero do processo: 10882.720830/2011-93 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção Câmara: Segunda Câmara Fl. 758DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 23 Seção: Terceira Seção De Julgamento Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2020 Data da publicação: Tue Feb 09 00:00:00 UTC 2021 Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. INOVAÇÃO PROCESSUAL IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual. A interposição de Manifestação de Inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp. RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP. MERCADO INTERNO. VENDAS COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA. No caso de receitas decorrentes de venda no mercado interno, somente podem ser ressarcidos e/ou compensados crédito de PIS/PASEP se vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Numero da decisão: 3201-007.488 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Márcio Robson Costa, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE Portanto não reconheço o direito creditório. Conclusão Diante do exposto, não conheço de parte do Recurso Voluntário, por se referir a pleito já deferido na primeira instância, e, quanto à parte conhecida, nego lhe provimento. Assinado Digitalmente Fl. 759DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.324 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.909594/2021-16 24 Flávia Sales Campos Vale Fl. 760DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10859282 #
Numero do processo: 10840.900947/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. INTIMAÇÃO ESPECÍFICA RELATIVA A TRIBUTOS E PERÍODOS. PAGAMENTOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Estando o sujeito passivo sob procedimento de verificações obrigatórias que abrangem os tributos e períodos relacionados aos pagamentos efetuados, e, ademais, existindo intimação específica relacionada aos referidos tributos e períodos, não se considera ocorrida a denúncia espontânea, quanto a tais pagamentos.
Numero da decisão: 1302-007.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Miriam Costa Faccin (relatora), Marcelo Izaguirre da Silva e Natália Uchôa Brandão, que votaram pelo provimento do recurso. Designado para redigir o voto vencedor, o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Assinado Digitalmente Miriam Costa Faccin – Relatora Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nímer Chamas, Alberto Pinto Souza Junior, Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM COSTA FACCIN

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. INTIMAÇÃO ESPECÍFICA RELATIVA A TRIBUTOS E PERÍODOS. PAGAMENTOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Estando o sujeito passivo sob procedimento de verificações obrigatórias que abrangem os tributos e períodos relacionados aos pagamentos efetuados, e, ademais, existindo intimação específica relacionada aos referidos tributos e períodos, não se considera ocorrida a denúncia espontânea, quanto a tais pagamentos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Miriam Costa Faccin (relatora), Marcelo Izaguirre da Silva e Natália Uchôa Brandão, que votaram pelo provimento do recurso. Designado para redigir o voto vencedor, o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Assinado Digitalmente Miriam Costa Faccin – Relatora Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e Redator designado Fl. 887DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.343 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.900947/2013-15 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nímer Chamas, Alberto Pinto Souza Junior, Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). RELATÓRIO 1. Trata-se, na origem, de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (“PER/DCOMP”), em que a Contribuinte pretende compensar débitos tributários próprios com suposto crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, apurado no Exercício 2008 (01.01.2007 a 31.12.2007), no valor de R$ 2.113.340,39 (dois milhões, cento e treze mil, trezentos e quarenta reais e trinta e nove centavos). 2. Conforme se verifica dos autos, o Despacho Decisório não reconheceu o direito creditório pretendido, de forma que não restaram homologadas as compensações. 3. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual, sustentou, em síntese, as seguintes alegações: (i) o crédito utilizado na declaração de compensação consiste em saldo negativo de IRPJ apurado no exercício de 2008, decorrente de pagamentos a maior do IRPJ-estimativa nos meses de 01.01.2007 a 31.12.2007; (ii) em relação aos períodos de apuração de 31.01.2007, 28.02.2007, 31.03.2007, 31.08.2007 e 30.11.2007, a Requerente efetuou a quitação dos débitos mediante pagamentos que, embora realizados fora do vencimento, foram suficientes para quitar integralmente o débito e seus acréscimos; (iii) os comprovantes de pagamento instruídos à defesa demonstram que os valores glosados pela Autoridade foram devidamente quitados e devem ser utilizados para a formação do saldo negativo de IRPJ usado como crédito na compensação; (iv) os pagamentos não foram reconhecidos pela Autoridade, porque os DARF’s estão refletidos em DCTF’s retificadoras; (v) a atividade fiscal deve observar o princípio da verdade material, que é de indeclinável observância pela Autoridade. 4. Os autos foram encaminhados à Autoridade Julgadora de 1ª instância para que a Manifestação de Inconformidade apresentada fosse apreciada. E, em 26 de novembro de 2020, a 29ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 08 (“DRJ/08”), em Acórdão de nº 108-006.129, entendeu por bem julgá-la parcialmente procedente, ao fundamento de que: Fl. 888DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.343 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.900947/2013-15 3 (i) em consulta ao Sistema Informatizado da Receita Federal do Brasil, verifico que realmente foram recolhidos os valores informados em DCOMP, mas em atraso e sem multa de mora (apenas com juros de mora); (ii) não ocorreu a denúncia espontânea; (iii) os pagamentos em atraso e a apresentação das DCTF’s retificadoras com os respectivos débitos ocorreram, respectivamente, em 30.01.2009 e 02.02.2009, quando a Contribuinte encontrava-se sob ação fiscal, iniciada em 05.07.2007 e encerrada em 26.08.2009; (iv) em que pese a não ocorrência de denuncia espontânea pela Contribuinte, os valores recolhidos, deduzidos os acréscimos legais devidos, devem ser reconhecidos como parcelas formadoras do direito creditório pleiteado, pois, ou se encontram alocados aos respectivos PAs (03, 08 e 11/2007), ou estão disponíveis (01 e 02/2007); (v) o total a ser reconhecido quanto aos pagamentos não confirmados pelo Despacho Decisório é o montante de R$ 2.194.565,37; (vi) quanto à estimativa compensada pela DCOMP 01764.99883.310807.1.3.09- 7164, não confirmada pelo Despacho Decisório, em consulta ao sistema de informações da RFB consta como homologada parcialmente; (vii) o valor do débito compensado não confirmado pelo Despacho Decisório (R$ 457.058,13) deve ser integralmente reconhecido. 5. Confira-se, a propósito, a ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2008 VEDAÇÃO DE EMENTA. Ementa vedada, nos termos da Portaria RFB nº 2724, de 2017. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte 6. A Contribuinte tomou conhecimento do resultado do julgamento do Acórdão n° 108-006.129, através de sua Caixa Postal – Domicílio Tributário Eletrônico (“DTE”), conforme se verifica do “Termo de Ciência por Abertura de Mensagem” e, na sequência, entendeu por apresentar Recurso Voluntário, por meio do qual ratificou as alegações levantadas em sede de Manifestação de Inconformidade e suscitou, ainda, as seguintes alegações: (i) o Acórdão recorrido afastou a espontaneidade da denúncia formalizada pela Recorrente e, consequentemente, considerou devida a multa moratória sobre os valores das estimativas que foram pagas em atraso; Fl. 889DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.343 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.900947/2013-15 4 (ii) entendeu o Acórdão que os pagamentos em atraso e a apresentação das DCTF’s retificadoras com os respectivos débitos ocorreram em 30.01.2009 e 02.02.2009, respectivamente, momento em que a Recorrente se encontrava sob ação fiscal, iniciada em 05.07.2007 e encerrada em 26.08.2009; (iii) a ação fiscal levada a efeito em referidos processos administrativos diz respeito à crédito presumido de IPI e contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, de modo que não tem qualquer relação com a infração denunciada pela Recorrente que guarda relação com o IRPJ e CSLL; (iv) apenas se a denúncia for formulada após o início de procedimento administrativo ou fiscalização relacionados com a infração, estará afastado o caráter da espontaneidade, nos termos do parágrafo único do artigo 138, do CTN; (v) a denúncia espontânea é perfeitamente aplicável ao caso dos autos. Isso porque os pagamentos da IRPJ-estimativa feitos pela Recorrente, embora realizados fora do vencimento, abrangeram o valor integral do principal da obrigação e acrescido dos juros de mora. Ademais, os pagamentos foram feitos antes de qualquer ato do Fisco tendente à cobrança dos valores. 7. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Miriam Costa Faccin, Relatora. Admissibilidade e Tempestividade 8. Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do artigo 43 da Portaria MF nº 1.634/20231 - Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“RICARF”). Dele, portanto, tomo conhecimento. 1 Art. 43. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I - Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III - Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), exceto nas hipóteses previstas no inciso II do art. 44; IV - CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova, sem prejuízo do disposto no § 2º do art. 45; V - exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e Fl. 890DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.343 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.900947/2013-15 5 9. Como se denota dos autos, a Recorrente tomou ciência do Acórdão recorrido em 17.05.2021 (e-fl. 345), apresentando o Recurso Voluntário, ora analisado, no dia 16.06.2021 (e-fl. 347), ou seja, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/19722. 10 Portanto, é tempestivo o recurso apresentado e, por isso, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Mérito 11. O propósito recursal consiste no reconhecimento do direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ, apurado no Exercício 2008 (01.01.2007 a 31.12.2007), no valor de R$ 2.113.340,39 (dois milhões, cento e treze mil, trezentos e quarenta reais e trinta e nove centavos), resultante de antecipações a título de retenções na fonte, pagamentos e estimativas compensadas. 12. Conforme exposto no relatório, o Despacho Decisório (e-fls. 81/88) não reconheceu o direito creditório pretendido, ao fundamento de que, a soma das parcelas de composição do crédito informado não seria suficiente, já que o valor informado em PER/DCOMP seria de R$ 6.408.869,69 (seis milhões, quatrocentos e oito mil, oitocentos e sessenta e nove reais e sessenta e nove centavos) enquanto o valor confirmado seria de R$ 3.387.308,17 (três milhões, trezentos e oitenta e sete mil, trezentos e oito reais e dezessete centavos). Confira-se: contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples- Nacional), bem como exigência de crédito tributário decorrente da exclusão desses regimes, independentemente da natureza do tributo exigido; VI - penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII - tributos, penalidades, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. 2 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 891DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.343 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.900947/2013-15 6 13. O Acórdão recorrido, por sua vez, reconheceu direito creditório complementar no valor de R$ 2.651.623,50 (dois milhões, seiscentos e cinquenta e um mil, seiscentos e vinte e três reais e cinquenta centavos), sendo R$ 2.194.565,37 a título de pagamentos e R$ 457.058,13 de estimativas compensadas. 14. Para melhor ilustração do caso, transcrevo o seguinte trecho da decisão recorrida: “No caso sob análise, com base nas normas acima transcritas, concluo que não ocorreu a denúncia espontânea. Isso porque os pagamentos em atraso e a apresentação das DCTFs retificadoras com os respectivos débitos ocorreram, respectivamente, em 30/01/2009 e 02/02/2009, quando o Contribuinte encontrava-se sob ação fiscal, iniciada em 05/07/2007 e encerrada em 26/08/2009. Tais informações constam nos processos 15956.000249/2009-40 (Auto de infração de IRPJ e CSLL) e 13854.000059/2009-45 (Representação para a suspensão dos efeitos das DCTFs apresentadas sob ação fiscal). Em razão da representação, essas DCTFs retificadoras foram consideradas INDEVIDAS, e as DCTFs apresentadas anteriormente continuam ativas (registros mais abaixo). Seguem cópias dos Termos de Início e Encerramento da ação fiscal, obtidas no processo 15956.000249/2009-40 (fls. 25 e 191 - numeração original): [...] Em que pese a não ocorrência de denuncia espontânea pelo Contribuinte, os valores recolhidos, deduzidos os acréscimos legais devidos, devem ser reconhecidos como parcelas formadoras do direito creditório pleiteado, pois, ou se encontram alocados aos respectivos PAs (03, 08 e 11/2007), ou estão Fl. 892DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.343 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.900947/2013-15 7 disponíveis (01 e 02/2007), conforme telas já reproduzidas acima. Assim, fazendo a imputação proporcional dos acréscimos legais, conforme arts. 163 e 167 do CTN, temos: Consequentemente, o total a ser reconhecido quanto aos pagamentos não confirmados pelo DD é a soma da coluna “principal”, no montante de R$ 2.194.565,37. Quanto à estimativa compensada pela DCOMP 01764.99883.310807.1.3.09- 7164, não confirmada pelo Despacho Decisório, verifico em consulta ao sistema de informações da RFB que ela consta como homologada parcialmente (tela reproduzida abaixo). Entretanto, o valor do débito compensado não confirmado pelo DD (R$ 457.058,13) deve ser integralmente reconhecido. Isso porque, de acordo com o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 03 de dezembro de 2018, mesmo que a compensação da estimativa mensal não tenha sido homologada, deve ser considerada na apuração do saldo negativo se o Despacho Decisório foi prolatado após 31 de dezembro do ano-calendário, pois será objeto de cobrança o débito da estimativa constituído pela confissão. Veja-se a transcrição do parágrafo 13, itens e) e f) do referido PN: [...] Portanto, considerando o valor das parcelas já reconhecidas pelo DD - R$ 3.387.308,17 - e o valor das ora confirmadas - R$ 2.651.623,50 (2.194.565,37 + 457.058,13), chegamos ao montante de R$ 6.038.931,67, do qual, deduzido o IRPJ devido (R$ 4.295.529,30), resulta no direito creditório de R$ 1.743.402,37. Ante o exposto, voto pela procedência em parte da manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do saldo negativo no valor de R$ 1.743.402,37, a ser utilizado nas compensações declaradas”. (e-fls. 334/336 e 338, destaques no original) 15. Como se vê, a Autoridade Julgadora de primeira instância concluiu pelo reconhecimento dos pagamentos como parcela formadora do direito creditório pleiteado, porém em valor menor (R$ 2.194.565,37), já que em seu entender seria devida a multa de mora em razão do não reconhecimento da denúncia espontânea. 16. Em suas razões recursais, a Recorrente alega que a ação fiscal mencionada pela decisão recorrida diz respeito a outros tributos (IPI, PIS e COFINS), não tendo, portanto, qualquer relação com IRPJ e CSLL e, por essa razão, seria cabível a denúncia espontânea. 17. A propósito, merecem destaque os seguintes trechos: Fl. 893DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.343 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.900947/2013-15 8 “18. No caso dos autos, como se pode notar no acórdão Recorrido, concluiu-se pela ausência de espontaneidade da denúncia, tendo em vista que na data de sua realização a Recorrente encontrava-se sob suposta ação fiscal, objeto dos processos administrativos fiscais 15956.000249/2009-40 (auto de infração de IRPJ e CSLL) e 13854.000059/20099-45. 19. Entretanto, verifica-se que a ação fiscal levada a efeito em referidos processos administrativos diz respeito à crédito presumido de IPI e contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, de modo que não tem qualquer relação com a infração denunciada pela Recorrente que guarda relação com o IRPJ e CSLL. 20. Às fls. 334/335 do acórdão recorrido foram colacionadas cópias dos termos de início e encerramento da ação fiscal obtidas no processo fiscal 15956.000249/2009-40. Entretanto, em que pese referido procedimento tenha gerado auto de infração de IRPJ e CSLL, é certo que a ação fiscalizadora somente foi instaurada para apuração de infrações relacionadas a tributos diversos, quais sejam IPI, PIS e COFINS, conforme se verifica no mandando de procedimento fiscal extraído das fls. 24 de referido procedimento administrativo (doc. anexo). 21. Já nos autos do processo administrativo nº 13854.000059-2009-45, houve apenas a instauração de representação para fins de que fossem tomadas as providências necessárias no sentido de que os valores informados na DCTF não alimentassem os sistemas de cobrança da SRF, uma vez que os valores nela constante seria exigidos em procedimento de ofício (doc. anexo). 22. De tal forma, apesar de estar a Recorrente sob ação fiscal, tal fato não retira a espontaneidade da denúncia em discussão neste feito, tendo em vista que se trata de matérias e infrações distintas, sem nenhuma relação entre si”. (e-fls. 352/353, destaques no original) 18. As argumentações da Recorrente são procedentes. Fl. 894DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.343 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.900947/2013-15 9 19. Com a devida vênia ao entendimento contrário, parece-me não ser possível, na hipótese dos autos, vedar o benefício da denúncia espontânea se a ação fiscal em curso estava relacionada a tributos e períodos distintos da infração denunciada pela Recorrente. 20. Como sabido, a denúncia espontânea é um instituto previsto no Código Tributário Nacional (“CTN”)3 por meio do qual o devedor, antes que o Fisco instaure contra ele qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, confessa para a Fazenda que praticou uma infração tributária e paga os tributos em atraso e os juros de mora. Como "recompensa", ficará dispensado de pagar a multa. 21. Em termos práticos, a denúncia espontânea exclui as penalidades aplicáveis (geralmente multas) em relação ao contribuinte que se antecipa ao Fisco e confessa determinada infração. 22. Sob o viés moral ou ético, o benefício visa premiar o contribuinte que deseja agir conforme a lei tributária, ainda que anteriormente a tenha descumprido. Do ponto de vista econômico, a exclusão da multa expressaria a redução dos custos que a Administração Tributária experimentou com a confissão do contribuinte, que a exonerou do trabalho de apuração. Essa dupla finalidade é sempre destacada pelo Superior Tribunal de Justiça (“STJ”) ao tratar da matéria: "O instituto da denúncia espontânea, mais que um benefício direcionado ao contribuinte, que dele se favorece ao ter excluída a responsabilidade pela multa, está direcionado à Administração Tributária, que deve ser preservada de incorrer nos custos administrativos relativos à fiscalização, constituição, administração e cobrança do crédito. Para sua ocorrência, deve haver uma relação de troca entre o custo de conformidade (custo suportado pelo contribuinte para se adequar ao comportamento exigido pelo Fisco) e o custo administrativo (custo no qual incorre a máquina estatal para as atividades acima elencadas) balanceado pela regra prevista no art. 138 do CTN." (Min. Mauro Campbell Marques, EREsp 1.131.090/RJ) 23. É como se fosse o seguinte: a multa cobrada pelo Fisco serve para punir o infrator e também para cobrir os custos decorrentes do fato de a Administração Tributária ter tido que instaurar um procedimento para apurar o ocorrido. Se esse procedimento não foi necessário porque o contribuinte confessou e pagou antes da sua instauração, a multa não será devida porque não houve esse custo por parte do Fisco. 24. Por conta disso, o Superior Tribunal de Justiça (“STJ”), apoiado nas lições de Christiano Mendes Wolney Valennte (Denúncia espontânea: uma análise econômica da jurisprudência do STJ. Revista Fórum de Direito Tributário: RFDT, Belo Horizonte, v. 13, n. 74, p.81- 3 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 895DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.343 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.900947/2013-15 10 100, mar. 2015) entende que somente deve ser admitida a denúncia espontânea quando o Fisco é preservado dos custos administrativos de lançamento. 25. Assim, o “arrependimento fiscal”4 somente é admissível antes da instauração de qualquer procedimento administrativo tendente a investigar a infração confessada – ou não se poderia falar em espontaneidade -, como bem salientado pelo parágrafo único do artigo 138 do Código Tributário Nacional (“CTN”). De outra forma, o intuito de reduzir a mobilização do aparato fiscal não seria atingido. 26. Vale ressaltar que, iniciado qualquer procedimento de apuração/investigação, a denúncia espontânea somente é vedada em relação aos tributos e períodos abrangidos por esse procedimento. Assim, se o contribuinte, após ser autuado em relação a determinadas competências de dado imposto, fica temeroso e confessa débitos relativos a outras competências, deverá ser beneficiado5. 27. Leandro Paulsen esclarece que a denúncia espontânea se restringe a créditos que sequer estejam sendo objeto de fiscalização. Anote-se: “A denúncia espontânea é um instituto jurídico tributário que tem por objetivo estimular o contribuinte infrator a tomar a iniciativa de se colocar em situação de regularidade, pagando os tributos que omitira, com juros, mas sem multa. Incentiva, portanto, o “arrependimento fiscal”: “o agente desiste do proveito pecuniário que a infração poderia trazer” e cumpre sua obrigação. Restringe-se a créditos cuja existência seja desconhecida pelo Fisco e que nem sequer estejam sendo objeto de fiscalização, de modo que, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais viessem a ser satisfeitos. Na medida em que a responsabilidade por infrações resta afastada apenas com o cumprimento da obrigação e que o contribuinte infrator, não o fazendo, resta sempre ameaçado de ser autuado com pesadas multas, preserva-se a higidez do sistema, não se podendo ver na denúncia espontânea nenhum estimulo à inadimplência, pelo contrário”6. (g.n.) 28. In casu, verifica-se do “Mandado de Procedimento Fiscal” e do “Termo de Início de Fiscalização” colacionado pela própria decisão recorrida que, de fato, a ação fiscal iniciou-se em 05.07.2007, porém relacionada a tributos e períodos distintos da infração denunciada pela Recorrente. Confira-se: 4 No julgamento do AgRg no REsp n° 851.381/RS, utilizou-se a interessante expressão “arrependimento fiscal”, que traduz bem a essência do instituto em apreço. 5 SEEFELDER, Claudio. CAMPOS, Rogério, coordenadores-gerais. Constituição e Código Tributário comentados: sob a ótica da Fazenda Nacional. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2020, p. 907. 6 PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário Completo. 14ª ed., São Paulo: SaraivaJur, 2023, p. 284/285. Fl. 896DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.343 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.900947/2013-15 11 (e-fl. 407, g.n.) (e-fl. 334 e 408, g.n.) 29. Como se vê, a ação fiscal diz respeito à crédito presumido de IPI e contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, para os períodos de apuração de 10/2001 a 12/2004, enquanto a Fl. 897DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.343 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.900947/2013-15 12 infração denunciada pela Recorrente refere-se ao IRPJ e CSLL, com períodos de apuração também distintos, quais sejam, 01/2007 a 11/2007, conforme se verifica do detalhamento das parcelas não confirmadas no Despacho Decisório: (e-fls. 81/88) 30. É fato que, com o término da ação fiscal – em 26.08.2009 – a Recorrente teve contra si lavrados dois Autos de Infração: referentes ao IRPJ e a CSLL. E conforme consta da própria decisão recorrida, quando da lavratura dos mencionados Autos de Infração, a Recorrente já havia apresentado as DCTF´s retificadoras e efetuado os pagamentos, os quais ocorreram respectivamente em 30.01.2009 e 02.02.2009. Confira-se: (e-fl. 334, g.n.) 31. Pelas razões explicitadas, conclui-se que a ação fiscal iniciada em 05.07.2007 - por estar relacionada a tributos e períodos distintos da infração denunciada pela Recorrente – não pode afastar o benefício da denúncia espontânea. 32. Assim, pelo fato de os pagamentos estarem acobertados pela denúncia espontânea, entendo que a multa moratória não poderá ser exigida, de forma que, devem compor a parcela de saldo negativo no montante de R$ 2.564.503,39 e não apenas de R$ 2.194.565,37, conforme reconhecido pela decisão recorrida. Dispositivo 33. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para nessa extensão, dar-lhe provimento, para reconhecer que a parcela restante do crédito, a título de pagamentos, seja computada no saldo negativo de IRPJ, apurado no Exercício 2008, homologando-se as compensações até o limite do crédito compensado. 34. É como voto. Fl. 898DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.343 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.900947/2013-15 13 Assinado Digitalmente Miriam Costa Faccin VOTO VENCEDOR Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, redator designado Em que pese o fundamentado voto proferido pela Relatora, prevaleceu no julgamento, por voto de qualidade, a posição pela inexistência, no caso sob análise, de denúncia espontânea, e por se negar provimento ao Recurso Voluntário, pelas razões que passo a expor. A Relatora fundamenta a sua decisão nos fato de que, no momento da realização dos pagamentos relativos ao IRPJ/CSSL relativos ao ano-calendário de 2007, a Recorrente estava sob procedimento fiscal referente a outros tributos e períodos (“crédito presumido de IPI e contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, para os períodos de apuração de 10/2001 a 12/2004”). Com a devida vênia, equivoca-se a Recorrente. No Mandado de Procedimento Fiscal de fl. 407, emitido em 20 de junho de 2007, de fato, havia, apenas, a menção à fiscalização do IPI, Cofins e Contribuição ao PIS, em relação aos períodos de outubro de 2001 a dezembro de 2004. Contudo, no mesmo documento, há a previsão da realização de “VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS”, consistente na verificação da “correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos último cinco anos e no período de execução deste Procedimento Fiscal”. (Destacou-se) Assim, no Termo de Início de Fiscalização de fls. 408/409, cientificado à Recorrente, em 05 de julho de 2007, há item específico no qual se demanda: Desde aquele momento, portanto, estava ausente a espontaneidade em relação a todos os “tributos e contribuições administrados pela SRF”, para o período de julho de 2002 a maio de 2007. Observe-se, que, dentre os documentos exigidos, está o Livro Registro de Apuração do Lucro Real (LALUR), o que, indiscutivelmente, apontava para a inclusão do IRPJ no procedimento fiscal. Fl. 899DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.343 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.900947/2013-15 14 Como se não bastasse, conforme fl. 538, o Mandado de Procedimento acima referido foi encerrado e substituído pelo MPF nº 08.1 .09.00-2008-00689-7. Assim, em 30 de setembro de 2008 (fl. 541), por meio do termo de Intimação de fl. 540, a Recorrente foi intima a apresentar, em relação aos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2007, dentre outros elementos, o LALUR e “planilha/demonstrativo da Base de Cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS”, para fins de verificações obrigatórias. O referido procedimento fiscal somente foi encerrado em 26 de agosto de 2009, com a apuração de crédito tributário relativo ao IRPJ e à CSLL (fl. 698). Neste sentido, tendo os pagamentos invocados pela Recorrente ocorrido em 30 de janeiro e 02 de fevereiro de 2009, com razão os julgadores de primeira instância quando concluíram pela inexistência de denúncia espontânea. Por esta razão, inexiste qualquer direito creditório a ser reconhecido, devendo se negado provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 900DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 10835.726977/2019-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2015, 2016, 2017, 2018 NULIDADE DA DECISÃO DE DRJ. AGENTE INCOMPETENTE. INOCORRÊNCIA. A Portaria ME 340, de 08 de outubro de 2020, autoriza a distribuição de processos de acordo com as prioridades estabelecidas na legislação, a semelhança e conexão de matérias, a capacidade de julgamento e a competência material de cada DRJ. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA POR OMISSÃO DE FUNDAMENTAÇÃO QUANTO A ARGUMENTO APRESENTADO PELA PARTE. INOCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO DO ÓRGÃO JULGADOR SE PRONUNCIAR ACERCA DE TODOS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELA RECORRENTE QUANDO MOTIVAR SUAS RAZÕES DE DECIDIR COM FUNDAMENTOS QUE INFIRMEM A TESE CONTRÁRIA APRESENTADA PELO INTERESSADO. O órgão julgador não está obrigado a se pronunciar acerca de todos argumentos suscitados pela parte se os pontos analisados são suficientes para motivar e fundamentar sua decisão. O inconformismo com o resultado do acórdão, contrário aos interesses da recorrente, não significa haver falta de motivação ou cerceamento do direito à ampla defesa (EDcl no Mandado de Segurança nº 21.315 - DF, Diva Malerbi, STJ - Primeira Seção, DJE 15.06.2018). O §1° do art. 489 do Código de Processo Civil (Lei n° 13.105/2015) não obriga o julgador a esgotar ou contraditar, analítica e pormenorizadamente, todos os argumentos suscitados pela parte, quando a decisão fundamentar suficientemente suas razões de decidir e indicar elementos de motivação infirmem em tese posicionamento contrário. NULIDADE DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO INOCORRÊNCIA. A distribuição do procedimento fiscal será precedida da atividade de seleção e preparo da ação fiscal, que será impessoal, objetiva e baseada em parâmetros técnicos definidos pela Sufis ou pela Suari e executada por Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil. Eventual desvio de finalidade deve ser devidamente comprovado pelo Contribuinte NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF nº 162 Nos termos da Súmula CARF nº 162, o direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. ALÍQUOTAS. 15%. 20%. Corretas as alíquotas aplicadas, se obedeceram a legislação aplicável, constante da base legal da autuação. BASE DE CÁLCULO. No arbitramento não há majoração na base de cálculo da CSLL, aplicando-se as normas de apuração das pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, no caso, prestadoras de serviços. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2015, 30/06/2015, 30/09/2015, 30/12/2015, 31/03/2016, 30/06/2016, 30/09/2016, 31/12/2016, 31/03/2017, 30/06/2017, 30/09/2017, 31/12/2017, 31/03/2018, 30/06/2018, 30/09/2018, 31/12/2018 ALÍQUOTAS. 15%. 20%. Corretas as alíquotas aplicadas, se obedeceram a legislação aplicável, constante da base legal da autuação. BASE DE CÁLCULO. No arbitramento não há majoração na base de cálculo da CSLL, aplicando-se as normas de apuração das pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, no caso, prestadoras de serviços. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2015, 30/06/2015, 30/09/2015, 30/12/2015, 31/03/2016, 30/06/2016, 30/09/2016, 31/12/2016, 31/03/2017, 30/06/2017, 30/09/2017, 31/12/2017, 31/03/2018, 30/06/2018, 30/09/2018, 31/12/2018 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Descabe a reclamação de cerceamento de defesa se os documentos que embasaram a acusação fiscal se encontram nos autos, e dos quais os litigantes tiveram ciência. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SONEGAÇÃO E DOLO Correta a responsabilização solidária com base no art. 135, III do CTN, dada a constatação de que o dirigente de fato do grupo empresarial interpôs outra pessoa como sócio, que a Autuada desenvolveu atividade de factoring ou fomento comercial, não constante do seu objeto social e, adicionalmente, atividade cataracterizada como de instituição financeira, sem autorização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 135, II DO CTN. Correta a responsabilização do responsável pelo preenchimento das DCTF e demais declarações, contador e sócio de empresa do grupo, à vista da constatação fiscal de que as empresas declararam receitas muito inferiores às que foram detectadas no procedimento fiscal, o qual, assim incorreu na Súmula 8 do CFC. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza-se grupo empresarial, mesmo não formalizado, se as empresas estão sob o mesmo comando e se há confusão patrimonial entre as mesmas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Caracteriza-se a responsabilidade baseada no interesse comum do art. 124, I do CTN, das empresas do grupo embora não formalizado, que são submetidas a uma mesma direção e por elas circularam recursos financeiros de forma irregular e que participaram no processo decisório que ensejou a infração. MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude ou sonegação, devidamente caracterizado em procedimento fiscal. Comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo, mormente pelo uso de interposta pessoa e confusão patrimonial com empresas do mesmo grupo que, inclusive, receberam recursos da autuada à margem da escrituração e provenientes da conduta sancionada pelo fisco, há de se manter a multa qualificada, reduzindo-se de ofício seu percentual para 100% em virtude da legislação hoje vigente. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. CAUSAS PARA O AGRAVAMENTO. EMBARAÇO E PREJUÍZO À FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa qualificada e agravada aplicável é aquele determinado expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação que embasou a autuação, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1202-001.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: i) rejeitar as preliminares de nulidade; ii) cancelar o agravamento da multa e reduzi-la de ofício ao percentual de 100% (cem por cento); e: iii) dar provimento ao recurso voluntário do coobrigado Antonio Carlos Shiro Hachisuca para afastá-lo do polo passivo da relação jurídico-tributária. Vencidos por dar provimento em maior extensão: i)quanto ao mérito, os Conselheiros André Luís Ulrich Pinto e Fellipe Honório Rodrigues da Costa que votaram para reduzir o percentual do arbitramento a 38,4% para o IRPJ e 3% para a Cofins; e: ii) quanto à multa de ofício, o Conselheiro relator que votou para cancelar a imputação da multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Novaes Ferreira em relação à qualificação da multa. Assinado Digitalmente André Luis Ulrich Pinto – Redator ad hoc Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Assinado Digitalmente Maurício Novaes Ferreira – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mauricio Novaes Ferreira, Marcelo José Luz de Macedo (Relator original cujo voto já havia sido registrado anteriormente), Andre Luis Ulrich Pinto, Roney Sandro Freire Correa, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). A Conselheira Liana Carine Fernandes de Queiróz não participou do julgamento em função das matérias sob exame já terem sido anteriormente votadas pelo então Conselheiro relator por ela agora substituído
Nome do relator: MARCELO JOSE LUZ DE MACEDO

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O inconformismo com o resultado do acórdão, contrário aos interesses da recorrente, não significa haver falta de motivação ou cerceamento do direito à ampla defesa (EDcl no Mandado de Segurança nº 21.315 - DF, Diva Malerbi, STJ - Primeira Seção, DJE 15.06.2018). O §1° do art. 489 do Código de Processo Civil (Lei n° 13.105/2015) não obriga o julgador a esgotar ou contraditar, analítica e pormenorizadamente, todos os argumentos suscitados pela parte, quando a decisão fundamentar suficientemente suas razões de decidir e indicar elementos de motivação infirmem em tese posicionamento contrário. NULIDADE DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO INOCORRÊNCIA. A distribuição do procedimento fiscal será precedida da atividade de seleção e preparo da ação fiscal, que será impessoal, objetiva e baseada em parâmetros técnicos definidos pela Sufis ou pela Suari e executada por Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil. Eventual desvio de finalidade deve ser devidamente comprovado pelo Contribuinte NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF nº 162 Nos termos da Súmula CARF nº 162, o direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. ALÍQUOTAS. 15%. 20%. Corretas as alíquotas aplicadas, se obedeceram a legislação aplicável, constante da base legal da autuação. BASE DE CÁLCULO. No arbitramento não há majoração na base de cálculo da CSLL, aplicando-se as normas de apuração das pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, no caso, prestadoras de serviços. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2015, 30/06/2015, 30/09/2015, 30/12/2015, 31/03/2016, 30/06/2016, 30/09/2016, 31/12/2016, 31/03/2017, 30/06/2017, 30/09/2017, 31/12/2017, 31/03/2018, 30/06/2018, 30/09/2018, 31/12/2018 ALÍQUOTAS. 15%. 20%. Corretas as alíquotas aplicadas, se obedeceram a legislação aplicável, constante da base legal da autuação. BASE DE CÁLCULO. No arbitramento não há majoração na base de cálculo da CSLL, aplicando-se as normas de apuração das pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, no caso, prestadoras de serviços. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2015, 30/06/2015, 30/09/2015, 30/12/2015, 31/03/2016, 30/06/2016, 30/09/2016, 31/12/2016, 31/03/2017, 30/06/2017, 30/09/2017, 31/12/2017, 31/03/2018, 30/06/2018, 30/09/2018, 31/12/2018 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Descabe a reclamação de cerceamento de defesa se os documentos que embasaram a acusação fiscal se encontram nos autos, e dos quais os litigantes tiveram ciência. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SONEGAÇÃO E DOLO Correta a responsabilização solidária com base no art. 135, III do CTN, dada a constatação de que o dirigente de fato do grupo empresarial interpôs outra pessoa como sócio, que a Autuada desenvolveu atividade de factoring ou fomento comercial, não constante do seu objeto social e, adicionalmente, atividade cataracterizada como de instituição financeira, sem autorização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 135, II DO CTN. Correta a responsabilização do responsável pelo preenchimento das DCTF e demais declarações, contador e sócio de empresa do grupo, à vista da constatação fiscal de que as empresas declararam receitas muito inferiores às que foram detectadas no procedimento fiscal, o qual, assim incorreu na Súmula 8 do CFC. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza-se grupo empresarial, mesmo não formalizado, se as empresas estão sob o mesmo comando e se há confusão patrimonial entre as mesmas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Caracteriza-se a responsabilidade baseada no interesse comum do art. 124, I do CTN, das empresas do grupo embora não formalizado, que são submetidas a uma mesma direção e por elas circularam recursos financeiros de forma irregular e que participaram no processo decisório que ensejou a infração. MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude ou sonegação, devidamente caracterizado em procedimento fiscal. Comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo, mormente pelo uso de interposta pessoa e confusão patrimonial com empresas do mesmo grupo que, inclusive, receberam recursos da autuada à margem da escrituração e provenientes da conduta sancionada pelo fisco, há de se manter a multa qualificada, reduzindo-se de ofício seu percentual para 100% em virtude da legislação hoje vigente. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. CAUSAS PARA O AGRAVAMENTO. EMBARAÇO E PREJUÍZO À FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa qualificada e agravada aplicável é aquele determinado expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação que embasou a autuação, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.

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SERVICOS E COBRANCAS LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2015, 2016, 2017, 2018 NULIDADE DA DECISÃO DE DRJ. AGENTE INCOMPETENTE. INOCORRÊNCIA. A Portaria ME 340, de 08 de outubro de 2020, autoriza a distribuição de processos de acordo com as prioridades estabelecidas na legislação, a semelhança e conexão de matérias, a capacidade de julgamento e a competência material de cada DRJ. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA POR OMISSÃO DE FUNDAMENTAÇÃO QUANTO A ARGUMENTO APRESENTADO PELA PARTE. INOCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO DO ÓRGÃO JULGADOR SE PRONUNCIAR ACERCA DE TODOS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELA RECORRENTE QUANDO MOTIVAR SUAS RAZÕES DE DECIDIR COM FUNDAMENTOS QUE INFIRMEM A TESE CONTRÁRIA APRESENTADA PELO INTERESSADO. O órgão julgador não está obrigado a se pronunciar acerca de todos argumentos suscitados pela parte se os pontos analisados são suficientes para motivar e fundamentar sua decisão. O inconformismo com o resultado do acórdão, contrário aos interesses da recorrente, não significa haver falta de motivação ou cerceamento do direito à ampla defesa (EDcl no Mandado de Segurança nº 21.315 - DF, Diva Malerbi, STJ - Primeira Seção, DJE 15.06.2018). O §1° do art. 489 do Código de Processo Civil (Lei n° 13.105/2015) não obriga o julgador a esgotar ou contraditar, analítica e pormenorizadamente, todos os argumentos suscitados pela parte, quando a decisão fundamentar suficientemente suas razões de decidir e indicar elementos de motivação infirmem em tese posicionamento contrário. NULIDADE DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO INOCORRÊNCIA. A distribuição do procedimento fiscal será precedida da atividade de seleção e preparo da ação fiscal, que será impessoal, objetiva e baseada Fl. 14072DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 2 em parâmetros técnicos definidos pela Sufis ou pela Suari e executada por Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil. Eventual desvio de finalidade deve ser devidamente comprovado pelo Contribuinte NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF nº 162 Nos termos da Súmula CARF nº 162, o direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. ALÍQUOTAS. 15%. 20%. Corretas as alíquotas aplicadas, se obedeceram a legislação aplicável, constante da base legal da autuação. BASE DE CÁLCULO. No arbitramento não há majoração na base de cálculo da CSLL, aplicando- se as normas de apuração das pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, no caso, prestadoras de serviços. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2015, 30/06/2015, 30/09/2015, 30/12/2015, 31/03/2016, 30/06/2016, 30/09/2016, 31/12/2016, 31/03/2017, 30/06/2017, 30/09/2017, 31/12/2017, 31/03/2018, 30/06/2018, 30/09/2018, 31/12/2018 ALÍQUOTAS. 15%. 20%. Corretas as alíquotas aplicadas, se obedeceram a legislação aplicável, constante da base legal da autuação. BASE DE CÁLCULO. No arbitramento não há majoração na base de cálculo da CSLL, aplicando- se as normas de apuração das pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, no caso, prestadoras de serviços. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2015, 30/06/2015, 30/09/2015, 30/12/2015, 31/03/2016, 30/06/2016, 30/09/2016, 31/12/2016, 31/03/2017, 30/06/2017, 30/09/2017, 31/12/2017, 31/03/2018, 30/06/2018, 30/09/2018, 31/12/2018 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Fl. 14073DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 3 Descabe a reclamação de cerceamento de defesa se os documentos que embasaram a acusação fiscal se encontram nos autos, e dos quais os litigantes tiveram ciência. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SONEGAÇÃO E DOLO Correta a responsabilização solidária com base no art. 135, III do CTN, dada a constatação de que o dirigente de fato do grupo empresarial interpôs outra pessoa como sócio, que a Autuada desenvolveu atividade de factoring ou fomento comercial, não constante do seu objeto social e, adicionalmente, atividade cataracterizada como de instituição financeira, sem autorização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 135, II DO CTN. Correta a responsabilização do responsável pelo preenchimento das DCTF e demais declarações, contador e sócio de empresa do grupo, à vista da constatação fiscal de que as empresas declararam receitas muito inferiores às que foram detectadas no procedimento fiscal, o qual, assim incorreu na Súmula 8 do CFC. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza-se grupo empresarial, mesmo não formalizado, se as empresas estão sob o mesmo comando e se há confusão patrimonial entre as mesmas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Caracteriza-se a responsabilidade baseada no interesse comum do art. 124, I do CTN, das empresas do grupo embora não formalizado, que são submetidas a uma mesma direção e por elas circularam recursos financeiros de forma irregular e que participaram no processo decisório que ensejou a infração. MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude ou sonegação, devidamente caracterizado em procedimento fiscal. Comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo, mormente pelo uso de interposta pessoa e confusão patrimonial com empresas do mesmo grupo que, inclusive, receberam recursos da autuada à margem da escrituração e provenientes da conduta sancionada pelo fisco, há de se manter a multa qualificada, reduzindo-se de ofício seu percentual para 100% em virtude da legislação hoje vigente. Fl. 14074DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 4 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. CAUSAS PARA O AGRAVAMENTO. EMBARAÇO E PREJUÍZO À FISCALIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado o faça de forma intencional e que acarrete prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração, o que não ocorreu no presente caso. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa qualificada e agravada aplicável é aquele determinado expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação que embasou a autuação, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: i) rejeitar as preliminares de nulidade; ii) cancelar o agravamento da multa e reduzi-la de ofício ao percentual de 100% (cem por cento); e: iii) dar provimento ao recurso voluntário do coobrigado Antonio Carlos Shiro Hachisuca para afastá-lo do polo passivo da relação jurídico-tributária. Vencidos por dar provimento em maior extensão: i)quanto ao mérito, os Conselheiros André Luís Ulrich Pinto e Fellipe Honório Rodrigues da Costa que votaram para reduzir o percentual do arbitramento a 38,4% para o IRPJ e 3% para a Cofins; e: ii) quanto à multa de ofício, o Conselheiro relator que votou para cancelar a imputação da multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Novaes Ferreira em relação à qualificação da multa. Assinado Digitalmente André Luis Ulrich Pinto – Redator ad hoc Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Fl. 14075DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 5 Assinado Digitalmente Maurício Novaes Ferreira – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mauricio Novaes Ferreira, Marcelo José Luz de Macedo (Relator original cujo voto já havia sido registrado anteriormente), Andre Luis Ulrich Pinto, Roney Sandro Freire Correa, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). A Conselheira Liana Carine Fernandes de Queiróz não participou do julgamento em função das matérias sob exame já terem sido anteriormente votadas pelo então Conselheiro relator por ela agora substituído RELATÓRIO Como Redator ad hoc, sirvo-me da minuta de voto inserida pelo relator original, Conselheiro Marcelo José Luz de Macedo, no diretório corporativo do CARF, a seguir reproduzida, cujo posicionamento adotado não necessariamente coincide com o meu. Trata-se a presente discussão de auto de infração lavrado para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, calculados na sistemática do lucro arbitrado, com base no artigo 530, I, III e IV, do Decreto nº 3.000/1999, vigente à época dos fatos, tendo em vista que o contribuinte supostamente: (i) não possuiria escrituração na forma das leis comerciais e fiscais (inciso I); (ii) não teria apresentado os livros e documentos da sua escrituração (inciso III); e (iii) teria optado indevidamente pela tributação com base no lucro presumido (inciso IV). No curso do procedimento fiscal nº 0810500-2019.00139, foram identificadas duas supostas infrações cometidas pelo contribuinte: I - INFRAÇÕES APURADAS a) Omissão de receitas de operações de desconto de títulos de crédito (fls. 11580/11597 do e- processo): O contribuinte fiscalizado R.T.S. Serviços e Cobranças Eireli, indevidamente optante pelo lucro presumido, não ofereceu à tributação as receitas decorrentes da aquisição de direitos creditórios. a.1) Circularização a clientes Fl. 14076DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 6 Segundo os contratos coletados mediante procedimento de circularização a clientes, a fiscalizada desempenhava a atividade de aquisição de direitos creditórios dos clientes com deságio, que corresponde atividade típica de empresas de fomento mercantil (factoring) ou instituição financeira, sendo que o cliente/contratante/fomentada respondia pela solvência do SACADO/DEVEDOR PRINCIPAL, e pela inadimplência dos direitos creditórios negociados. a.2) Base de cálculo e alíquota aplicável ao IRPJ e CSLL O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 51, de 28 de setembro 1994, estabelece que a receita obtida pelas empresas de factoring, representada pela diferença entre a quantia expressa no título de crédito adquirido e o valor pago, deverá ser reconhecida, para efeito de apuração do lucro líquido do período base, na data da operação. [...] É importante ressaltar que no período compreendido do 1º trimestre de 2015 ao 4º trimestre de 2017, considerando-se tão somente o demonstrativo de operações de desconto de direitos creditórios da R.T.S., o montante de receita auferida seria de R$ 13.598.641,83. Por outro lado, a R.T.S. somente declarou no período o montante R$ 561.048,03 de receitas no SPED ECF, omitindo à tributação a maior parte das receitas auferidas. [...] a.4) Tributação do PIS e Cofins As receitas decorrentes da aquisição direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, a serem computadas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, correspondem à diferença verificada entre o valor de face do título ou direito creditório adquirido e o valor de aquisição. [...] As empresas de fomento mercantil (factoring) estão obrigadas ao lucro real e, portanto, estariam sujeitas à não cumulatividade, devendo apurar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins com a aplicação das alíquotas deste regime. Contudo, devido ao arbitramento dos lucros (vide tópico “III - ARBITRAMENTO DOS LUCROS”), cabe a apuração pelo regime cumulativo. No caso da Cofins, por realizar atividades típicas de instituições financeiras bancárias, o contribuinte sujeita-se à alíquota diferenciada de 4% (quatro por cento) de acordo com o art. 18 da Lei nº 10.684/03. b) Omissão de receitas de depósitos de origem e causa não comprovados (fls. 11597/11599 do e- processo): O contribuinte omitiu as receitas decorrentes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 14077DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 7 aos quais, regularmente intimado e reintimado, não comprovou, individualizadamente, mediante documentação hábil e idônea, a origem, causa e oferecimento à tributação dos recursos utilizados nessas operações. A Lei 9.430/1996, no seu art. 42, in verbis, estabeleceu presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos prevendo o lançamento do tributo correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados conta de depósito ou investimento. [...] Do exame das respostas dadas pelo contribuinte, constata-se que somente uma parte dos depósitos bancários recebidos tiveram demonstradas a origem e a causa. Logo, constitui presunção de omissão de receitas e rendimentos os valores creditados em conta depósito ou de investimento, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou individualizadamente, mediante documentação hábil e idônea, a origem, causa e oferecimento à tributação. À vista do exposto, considerando o levantamento de depósitos bancários de origem e causa não comprovados individualizadamente, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, é cabível o lançamento de ofício para exigência dos créditos tributários de IRPJ, e CSLL, PIS e COFINS, reflexos, incidentes sobre as operações indicadas no Anexo I, por constituírem receitas por presunção legal, com base nos critérios do lucro arbitrado, conforme razões expostas no tópico “III - ARBITRAMENTO DOS LUCROS”, e com aplicação da multa qualificada e agravada pelos motivos expostos no tópico “VII – DA MULTA QUALIFICADA, DA MULTA AGRAVADA E DA SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA”. II – ARBITRAMENTO DO LUCRO A apuração de todos os tributos devidos foi feita com base na sistemática do lucro presumido, tendo em vista que segundo a fiscalização “O contribuinte optou indevidamente pelo regime do lucro presumido. Segundo o art. 14, da Lei 9178/1998, estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas cujas atividades sejam de bancos, agências defomento, sociedades de créditos, financiamento e investimento, factoring etc. [...] De acordo com os contratos obtidos mediante procedimento de circularização (vide contratos obtidos no procedimento de circularização em nome da R.T.S.), o contribuinte desenvolvia a atividade de compra de direitos creditórios e, por determinação legal, estaria obrigada à apuração do lucro real.” (fls. 11600 do e- processo). Fl. 14078DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 8 Além disso, “O cadastro na prefeitura de Presidente Prudente também informa que o contribuinte desempenha a atividade principal de cobrança e recebimento de contas de terceiros, que a obriga à apuração do lucro real.” (fls. 11601 do e-processo). Também consta do relatório de fiscalização que “O contribuinte, embora intimado por meio TIPF e TIF nº 04, deixou de apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e de demonstrar a transmissão do Livro de apuração do Lucro Real à base do SPED.” (fls. 11601 do e- processo). Para além disso, “O contribuinte R.T.S. apesar de reiteradamente intimado deixou de entregar a ECD ou os arquivos contábeis do item 4.1 do ADE/Cofis/RFB n° 25/2010). Segundo art. 5º da IN RFB nº 1774/2017, a ECD deve ser transmitida ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, até o último dia útil do mês de maio do ano seguinte ao ano-calendário a que se refere a escrituração.” (fls. 11603 do e- processo). O relatório de fiscalização também informa que “O contribuinte apesar de sucessivamente intimado a apresentar os contratos, deixou de apresentá-los, num evidente intuito de embaraçar a fiscalização, limitando-se a fornecer somente uma parcela insignificante dos contratos existentes (vide fls. 95 a 145). Após o procedimento de circularização a clientes, constatou-se que os contratos omitidos representam operações de compra de direitos creditórios, cujas receitas foram sonegadas. Isto é, os lançamentos da contabilidade não estão comprovados com documentos hábeis e idôneos. Adicionalmente, o contribuinte deixou de comprovar a origem e causa de vultosos depósitos bancários.” (fls. 11606 do e-processo). E quanto aos comprovantes de despesas, “O contribuinte embora intimado: a) a fornecer as notas fiscais de entrada e de serviços tomados, bem como a apresentar todos os comprovantes de custos e despesas; e b) demonstrar o beneficiário e causa dos pagamentos/remessas; deixou de fornecer as notas fiscais de entrada e serviços tomados, e comprovantes de custos e despesas, bem como deixar de demonstrar o beneficiário e causa de vultosos pagamentos, num evidente intuito de embaraçar a fiscalização e esconder os reais beneficiários. Verifica-se que parte substancial dos lançamentos contábeis de pagamentos não estão amparados por documentação (cerca de R$ 121.758.124,73 milhões pagamentos a Fl. 14079DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 9 beneficiário não identificado ou sem causa conforme Anexo I do Relatório de Fiscalização).” (fls. 11606 do e-processo). III – DO SUPOSTO GRUPO ECONÔMICO Na visão da autoridade fiscal, o contribuinte RTS funcionaria como uma empresa de fachada, juntamente com a pessoa jurídica ENS, sendo a empresa operacional do grupo a Plantae lf Fomento Comercial Ltda. Nos termos do relatório de fiscalização, “A prática era registrar as operações objeto de sonegação e fraude fiscal na E.N.S. e R.T.S., como será demonstrado a seguir. Além disso, diversas operações da E.N.S. e R.T.S., que são equiparadas às de instituição financeira por exigirem garantias nas operações de desconto de títulos, eram exercidas irregularmente sem autorização do Banco Central.” (fls. 11608 do e-processo). Além disso, “O grupo abrange também as empresas patrimoniais Grupo WAF e Grupo W, e a operacional Foregon.com, todas beneficiárias ocultas de vultosos recursos desviados da E.N.S. e da R.T.S.” (fls. 11608 do e-processo). Veja alguns aspectos relevantes à caracterização do suposto grupo econômicos, tal como apurados pela fiscalização (fls. 11608/11720 do e-processo): Resumidamente, as empresas Plantae If, E.N.S. e R.T.S. tinham as seguintes características. 1. Plantae If Fomento Comercial Ltda: empresa operacional; transmitiu a ECD à base do SPED; a priori ofereceu à tributação o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS incidente sobre as receitas de operações de compra de direitos creditórios; tributou o IOF incidente sobre as operações de compra de direitos creditórios; real controladora da E.N.S. e R.T.S.; usou as empresas E.N.S. e R.T.S. para realização de operações de desconto de direitos creditórios com sonegação e fraude fiscal; e administrada e detida por Wolney de Medeiros Arruda Filho. 2. E.N.S. Sociedade Simples Ltda: empresa de fachada; em nome de interpostas pessoas; sem empregados; controlada de fato pela Plantae If; utilizada pela Plantae If para realização das operações com sonegação e fraude fiscal; detida de fato pelo Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho; não transmitiu a ECD à base do SPED; omitiu no SPED ECF as receitas das operações e os tributos devidos; não ofereceu à tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS as receitas das operações de compra de direitos creditórios; omitiu a origem e causa de vultosos depósitos bancários; não tributou o IOF sobre as operações de compra de direitos creditórios. Fl. 14080DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 10 3. R.T.S. Serviços e Cobranças Eireli: empresa de fachada; sucessora da E.N.S.; em nome de interposta pessoa; sem empregados; controlada de fato pela Plantae If; utilizada pela Plantae If para realização das operações com sonegação e fraude fiscal; detida de fato pelo Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho; não transmitiu a ECD à base do SPED; omitiu no SPED ECF as receitas das operações e os tributos devidos; omitiu no SPED Contribuições as receitas das operações e tributos devidos; não ofereceu à tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS as receitas das operações de compra de direitos creditórios; não tributou o IOF sobre as operações de compra de direitos creditórios. O grafo abaixo demonstra a composição do grupo econômico da R.T.S./E.N.S., em outubro de 2019, que é de fato administrado e detido pelo Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, e tem como como contador em comum o Sr. Antônio Carlos Shiro Hachisuca (sócio da Plantae If). [...] Momento 1: Segundo alteração do contrato social em 10/04/2012 da E.N.S., o sócio administrador Wolney de Medeiros Arruda Filho simulou a retirada da sociedade E.N.S. e o ingresso do sócio administrador laranja (interposta pessoa) Everaldo do Nascimento Silva. De acordo com o Livro Registro de Empregados da empresa circularizada Master Guinchos (vide fls. 8208 a 8221), o Sr. Everaldo do Nascimento Silva trabalhou como motorista da Master Guinchos no período de 2012 a 2019 e tinha baixa capacidade econômica. Saliente-se que o laranja Everaldo do Nascimento Silva não assinava os contratos de desconto de direitos creditórios, nunca declarou na DIRPF ter participação societária na E.N.S. nem auferir rendimentos, lucros ou dividendos da E.N.S.. Além disso, o Sr. Everaldo declarava ser motorista. [...] Momento 2: A E.N.S. ao longo do ano de 2016 cessou as atividades e deu continuidade por meio da empresa R.T.S., conforme evidenciado pelo relatório de movimentação financeira abaixo e demonstrado ao longo deste tópico, coincidindo com o período da diligência fiscal realizada pela RFB para coleta de dados (vide fls. 11286 e 3865 a 3923). [...] a) Circularização cliente Sérgio Donizetti Pavani (vide fls. 8084 a 8207) O cliente Sérgio Donizetti Pavani foi intimado por meio do TDF nº 01 a apresentar documentos que amparam as operações com as empresas E.N.S., Plantae If e R.T.S., e a informar quais empregados agiram em nome da E.N.S. e R.T.S. [...] Fl. 14081DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 11 O Sr. Sérgio Donizetti Pavani em resposta afirmou que as empresas R.T.S. e Plantae IF eram representadas por Vagner Luiz Pantarotto e Haroldo Reversi Masi, ambos empregados da Plantae If, conforme demonstra a GFIP (vide relatório de trabalhadores na GFIP do período de 2010 a 2018 às fls. 10843). [...] Adicionalmente o Sr. Sérgio Donizetti Pavani em depoimento prestado à Receita Federal esclareceu que: o contato da R.T.S. era através de Vagner Luiz Pantarotto e Haroldo Reversi, que são empregados da Plantae If; Vagner Luiz Pantarotto não tinha poder de deliberação e que as negociações dependia da decisão do Sr. Nungesses Zanetti Filho2 ou do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho; o Sr. Wolney era apresentado como dono da Plantae If e que a R.T.S. faz parte da Plantae If; o Sr. Nungesses era tido como Diretor da Plantae If ou tendo cargo logo abaixo do Sr. Wolney. [...] Ao examinar a documentação apresentada pelo cliente Sérgio Donizetti Pavani, constata-se que os negócios eram realizados de fato com a Plantae If, mas as operações eram registradas nas empresas de fachada E.N.S. ou R.T.S. b) Circularização Grupo Moreno (vide fls. 7916 a 8055 e 8695 a 9005) A Central Energética Moreno de Monte Aprazível Açúcar e Álcool Ltda, empresa integrante do grupo Moreno, foi intimada a apresentar os elementos discriminados abaixo. [...] O Grupo Moreno afirmou que as Notas Promissórias Rural eram descontadas pelos produtores rurais na empresa Plantae If e que recebia comunicado da Plantae If para realizar os respectivos pagamentos diretamente às empresas E.N.S. ou R.T.S., ambas responsáveis pelo recebimento dos créditos em nome da Plantae If. [...] Os funcionários do grupo Moreno (Central Energética e Coplasa) declararam à fiscalização que o Sr. Vagner Luiz Pantarotto, empregado da Plantae If, que comparecia à sede da empresa do grupo para entrega de notificações de desconto de NPR de fornecedores de cana, sendo que em algumas notificações constava a instrução para efetuar os respectivos pagamentos diretamente às empresas E.N.S. e R.T.S., ambas responsáveis pelo recebimento de créditos em nome da Plantae If. [...] Desse modo, resta demonstrado que a R.T.S. era usada pela Plantae If para realização das operações de direitos creditórios para sonegação e fraude fiscal. [...] Fl. 14082DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 12 As empresas E.N.S. e a sucessora R.T.S. eram utilizadas para realização das operações com sonegação e fraude fiscal, assim como para desvio de vultosos recursos e elevados pagamentos de despesas pessoais a favor de pessoas ocultas do grupo, que somente foram reveladas após investigação e procedimento de circularização, conforme será demonstrado a seguir. a) Desvio de recursos da R.T.S. em favor da patrimonial Grupo WAF Ao cotejar o extrato bancário da R.T.S. (vide extratos às fls. 11501 no formato Excel ou extratos às fls. 11292 a 11500) com a contabilidade do Grupo WAF (vide Livro Diário às fls. 9051), com base na coincidência de datas e valores, constata-se que a R.T.S. desviou vultosos recursos para o Grupo WAF. A R.T.S. embora intimada a demonstrar o beneficiário e causa dos pagamentos (vide Anexos I do Relatório de Fiscalização com cerca de R$ 121.758.124,73 milhões de reais de remessas/pagamentos não comprovados), deixou de fazê-lo, num evidente intuito de esconder o real beneficiário dos valores desviados fruto da sonegação e fraude fiscal. [...] O Grupo WAF adquiriu o imóvel matrícula nº 50071 em 24/11/2016 da Sawil Businness Ltda pelo valor total de R$ 2.000.000,00 pagos em 5 parcelas. A segunda parcela no valor de R$ 250.000,00 foi paga pela R.T.S. em 25/11/2016 a favor do beneficiário Sawil Business Ltda. [...] Segundo o Razão da conta contábil “2.02.01.01.00009 – IMÓVEL 3 A PAGAR” do Grupo WAF, o pagamento da 2ª parcela no valor de R$ 250.000,00 teria sido feito em 25/11/2016 com recursos da conta bancária. No entanto, o Grupo WAF na mesma data estornou o referido pagamento de R$ 250.000,00 em contrapartida da conta contábil “2.01.05.02.00001 – PARTES RELACIONADAS”. Na realidade o pagamento fora realizado pela R.T.S. [...] O Grupo WAF adquiriu o imóvel de matrícula nº 74153 em 13/03/2017 da Encalso Construções Ltda pelo valor total de R$ 2.058.500,00 pagos em 2 parcelas. [...] Conforme o Razão da conta contábil “2.02.01.01.00010 – IMOVEL TERRENO (AO LADO TJ) A PAGAR”, o pagamento da 1ª parcela no valor de R$ 1.000.000,00 teria sido feito em 23/02/2017 com recursos da conta bancária. No entanto, o Grupo WAF na mesma data estornou o referido pagamento de R$ 1.000.000,00 em contrapartida da conta contábil “2.01.05.02.00001 – PARTES RELACIONADAS”. Na verdade o pagamento foi feito pela R.T.S. [...] c) Desvio de recursos da R.T.S. a favor da operacional Foregon.com Fl. 14083DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 13 Do cotejo do extrato bancário da R.T.S. com a contabilidade da Foregon.com, contata-se o montante de R$ 2.893.336,33 desviados da R.T.S. para a Foregon.com, haja vista a coincidência de datas e valores das remessas. A R.T.S. embora intimada a demonstrar o beneficiário e causa dos pagamentos, deixou de fazê-lo, num evidente intuito de esconder o real beneficiário dos valores desviados provenientes de infração tributária. d) Desvio de recursos da R.T.S. em favor de Maria Eunice de Avila A R.T.S. desviou recursos não contabilizados para a Sra. Maria Eunice de Avila, sogra do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, conforme demonstra o trecho do extrato bancário da R.T.S. [...] e) Conta corrente oculto entre as empresas R.T.S. e Plantae If A Plantae If foi intimada por meio do TDF nº 01 (vide fls. 9278 a 9784) a demonstrar individualizadamente, mediante preenchimento do Anexo IV do TDF nº 01, a origem e causa de depósitos bancários recebidos e o beneficiário e causa de pagamentos/remessas realizados. Em resposta (vide fls. 10535), a Plantae If informou que diversos depósitos recebidos foram remetidos pela própria Plantae If e que o beneficiário de diversos pagamentos realizados era a própria Plantae If, contudo tal informação não condiz com a realidade, mas na verdade inúmeros depósitos recebidos/pagamentos realizados tiveram origem/destino a R.T.S.. Ao se cotejar os extratos bancários da R.T.S. (vide fls. 11501) com a escrituração da Plantae If (vide Livro Diário às fls. 10564), constata-se, por haver coincidência de datas e valores, que vultosos recursos movimentados pela Plantae If tiveram origem ou foram destinados à empresa R.T.S., revelando o evidente intuito de ocultar a causa da operação e esconder a R.T.S., que é controlada de fato pela Plantae If. Saliente-se que a R.T.S. omitiu a contabilidade à RFB, bem como deixou de identificar a Plantae If como beneficiária de pagamentos ou como remetente de recursos, revelando a ação integrada para esconder o relacionamento entre as empresas do grupo. [...] Além disso, a fiscalização identificou outras vultosas operações entre a Plantae If e a R.T.S., por haver coincidência de datas e valores, que reforça a intenção do grupo de esconder o relacionamento entre as empresas. Ressaltese que a R.T.S., inclusive, pagava o IPTU das salas 21 e 22, ocupadas pela Plantae If, e sala 32, ocupada pelo Grupo W. [...] g) Pagamentos pela E.N.S. e R.T.S. de despesas pessoais do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho e de pessoas a ele ligadas. [...] Fl. 14084DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 14 Ainda que o contribuinte E.N.S. tenha omitido o beneficiário e a causa de vultosos pagamentos (cerca de R$ 73 milhões de pagamentos à beneficiário não identificado ou sem causa conforme apuração do Anexo III do Relatório Fiscal do processo nº 10835-725.129/2019-83 de Auto de Infração do IRPJ), a fiscalização investigou e apurou que a E.N.S., bem como a R.T.S. (vide vultosos lançamentos de pagamentos à beneficiário e causa não identificados do Anexo I do Relatório de Fiscalização), pagavam as despesas pessoais do Sr. Wolney Medeiros de Arruda Filho e de pessoas a ele ligadas. [...] Exemplo 2: Pagamento pela R.T.S. de tributos pessoais do Sr. Wolney e de pessoas a ele ligadas. Ao se confrontar os extratos bancários da R.T.S. com os DARF de recolhimento de tributos, constata-se, por haver coincidência de datas e valores, que a R.T.S. pagava tributos devidos por Wolney de Medeiros Arruda Filho, Foregon.com e BGWD Agropecuária. [...] A R.T.S., por exemplo, pagou os diversos débitos do Imposto de Renda Pessoa Física devidos pelo Sr. Wolney, conforme apurado acima. i) Pagamento pela R.T.S. de despesas do pai do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho A R.T.S. pagou pela aquisição do veículo Honda Fit Ex CVT (vide notas fiscais às fls. 10912 a 10950) do Sr. Wolney de Medeiros Arruda, pai do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, no valor total de R$ 66.828,96. j) Pagamento pela R.T.S. de despesas do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho A R.T.S. pagou parcela no valor de R$ 110.000,00 do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho pela aquisição do veículo da marca Volvo (vide notas fiscais às fls. 10912 a 10950). [...] k) Pagamento pela R.T.S. de despesas pessoais do Sr.Wolney de Medeiros Arruda Filho A R.T.S. pagou taxas de licenciamento do veículo placa FUN5788 de propriedade do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho. [...] m) Desvio de recursos pela R.T.S. para pessoa ligada a família (vide fls. 8222 a 8253) A R.T.S. desviou recursos não contabilizados para pagamento de mensalidades da faculdade e despesas do veículo da Sra. Carla Zamora Medeiros de Arruda Gregolin, filha de Carla Zamora Medeiros de Arruda Gregolin. Fl. 14085DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 15 O sobrenome “Medeiros de Arruda” evidencia tratar-se de pessoa ligada ao Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho. Inicialmente a fiscalização intimou por meio do TDF nº 01 a universidade Unoeste a demonstrar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea comprobatória (cópias de contratos, demonstrativo detalhado dos estudantes (Nome, CPF, Curso, Data da Mensalidade) e outros documentos que amparam a transação), a causa dos pagamentos recebidos da R.T.S. SERVICOS E COBRANCAS EIRELI relacionados abaixo. A universidade em resposta informou que “não localizou em seus arquivos nenhum documento ou contrato celebrado entre a APEC e a empresa R.T.S. Serviços e Cobranças EIRELI. Tampouco foram localizados quaisquer pagamentos realizados pela RTS à UNOESTE”. [...] Posteriormente, a fiscalização reintimou por meio do TDF nº 02 a universidade UNOESTE a demonstrar a origem e causa dos depósitos bancários recebidos especificados abaixo, com apresentação demonstrativo detalhado dos estudantes beneficiários (Nome do estudante, CPF, nome do curso etc.). A UNOESTE informou tratar-se de mensalidade do curso de medicina da aluna Maria Ângela Zamora Arruda Gregolin. Nas datas de 27/06/2016 e 19/12/2016 os pagamentos nos valores de 7.022,03 e 7.724,00 pela R.T.S. beneficiaram inequivocadamente a Sra. Maria Ângela Zamora Arruda Gregolin, tendo em vista que é o único aluno da instituição com mensalidade coincidente em data e valor. [...] Além disso, também são desviados recursos da R.T.S. para pagamento das despesas do veículo Mercedez Bens A200 em nome da Carla Zamora Medeiros de Arruda Gregolin. [...] n) Responsáveis pelas obrigações acessórias Quase a totalidade das declarações do SPED ECF e do SPED Contribuições das empresas do grupo foram elaboradas pelo sócio da Plantae If, o contador Antônio Carlos Shiro Hachisuca (vide fls. 10844 a 10849). Inclusive, foi informado para vários períodos que o escritório de contabilidade responsável pelas declarações da E.N.S., R.T.S., Grupo WAF e Foregon.com era a Plantae If (vide relatório do SPED Contribuições às fls. 10845 a 10849). Apesar das declarações da ECF e EFD Contribuições da E.N.S. e R.T.S. terem sido transmitidas com omissão das receitas, com valores mínimos ou zerados declarados, as declarações da ECF e EFD Contribuições da Plantae If continham valores substanciais declarados. [...] Destaque-se que o Sr. Antônio Carlos Shiro Hachisuca é o responsável pelo preenchimento de todas as DCTF do grupo do período de 2012 a 2018 (vide relatório da DCTF completo às fls. 10951 a 10955). A partir de um mesmo Fl. 14086DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 16 computador (idênticos MAC Address) eram transmitidas as declarações da E.N.S. e R.T.S. e das empresas solidárias Grupo W, Grupo WAF, Plantae If e Foregon.com. [...] Essa prática deixa clara a intenção do grupo Plantae If em sonegar e fraudar o fisco por meio das empresas E.N.S. e R.T.S. Origem das declarações transmitidas (vide fls. 10863) Ao se examinar os logs de transmissão das obrigações acessórias do grupo econômico, constata-se que as declarações da E.N.S. e da R.T.S. partiram de um mesmo endereço físico de rede (MAC Address4), ou seja, do mesmo computador/notebook dos quais foram transmitidas as declarações ou arquivos SPED das outras empresas do grupo. [...] o) Endereço e contato no formulário de cadastro no Banco Bradesco De acordo com o formulário de cadastro da R.T.S. no banco Bradesco às fls. 579 a 581, o endereço da R.T.S. é Avenida Coronel José Soares Marcondes, 900, 3º andar, sala 31, que corresponde ao endereço da sala comercial de propriedade do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho e mantida pela patrimonial Grupo WAF, conforme demonstram os lançamentos contábeis ilustrativos abaixo. A pessoa de contato é o Sr. Nungesses, empregado da Plantae If, no telefone da Plantae If (18) 21043700. [...] p) O endereço de email e número de telefone de contato da E.N.S. e R.T.S. são os mesmos da Plantae If Segundo todas as notas fiscais de serviços emitidas pela E.N.S. e pela R.T.S., os emails de contato são antonio.shiro@plantaeif.com.br ou acsh@terra.com.br, que é o email do Sr. Antonio Carlos Shiro Hachisuca, sócio e contador da Plantae If. O telefone de contato informado nas notas fiscais emitidas pela E.N.S. e R.T.S. no período de 01/2015 a 03/2017 é o número (18) 21049700, que é o número de telefone da Plantae If. Todos esses fatos levaram a autoridade fiscal a concluir pela responsabilização solidária das pessoas jurídicas Plantae lf Fomento Comercial Ltda, Foregon.com S.A., Grupo WAF Participações e Empreendimentos Ltda e Grupo W Participações Ltda, com base no artigo 124, I, do CTN. IV – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR Fl. 14087DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 17 Ademais disso, foi imputada a responsabilidade solidária do artigo 135, III, do CTN aos senhores Wolney de Medeiros Arruda e Antônio Carlos Shiro Hachisuca, nos seguintes termos (fls. 11727/11728 do e-processo): Wolney de Medeiros Arruda Filho: real proprietário da R.T.S. e da E.N.S.; sócio administrador da Plantae If; ex-sócio administrador da empresa patrimonial Grupo WAF, beneficiária oculta dos recursos desviados pela E.N.S. e R.T.S., e que fora transferida para o nome do filho menor durante o curso da fiscalização; ex- sócio administrador da empresa patrimonial Grupo W que fora transferida para o nome do filho menor durante o curso da fiscalização; sócio pela R.T.S. (sucessora da E.N.S.); e beneficiário oculto de pagamentos realizados pelas empresas E.N.S. e R.T.S. Assim sendo, pelo fato do real proprietário da R.T.S., Wolney de Medeiros Arruda Filho, ter exercido a administração ou gerência com prática de atos com infração à lei, pondo em execução a sonegação, fraude e conluio, este deve responder solidariamente pelas dívidas tributárias, nos termos do art. 135, III, do CTN. [...] Antônio Carlos Shiro Hachisuca: sócio da Plantae If; contador responsável pela empresa operacional, Plantae If, e pelas empresas E.N.S. e R.T.S.; omitiu os débitos devidos na DCTF das empresas E.N.S. e R.T.S.; e omitiu as receitas auferidas pela E.N.S. e R.T.S. no SPED Contribuições e SPED ECF. Assim sendo, pelo fato de Antônio Carlos Shiro Hashisuca ter realizado atos com excesso de poderes ou infração de lei, pondo em execução a sonegação, fraude e conluio, este deve responder solidariamente pelas dívidas tributárias, nos termos do art. 135, II, do CTN. V – MULTA REGULAMENTAR POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Ainda segundo consta do relatório de fiscalização, “A R.T.S. apesar de intimada e reintimada deixou de transmitir a escrituração contábil à base do SPED ou de apresentá-la à fiscalização, ficando sujeita a multa pela falta de entrega da escrituração contábil digital” (fls. 11720 do e-processo), aplicada 0,02% (dois centésimos por cento) por dia de atraso e calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período a que se refere a escrituração, limitada a 1% (um por cento) desta, por não cumprir o prazo estabelecido para apresentação dos registros e respectivos arquivos, nos termos do art. 12, III, da Lei nº 8.218/1991. No caso, o percentual da multa atingiu o limite máximo de 1% (um por cento), tendo em vista o tempo de atraso da entrega da ECD, veja-se (fls. 11723 do e-processo): Fl. 14088DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 18 VI – QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO Os fatos que justificaram a qualificação da multa de ofício foram os seguintes (fls. 11724/11725 do e-processo): a) Não oferecer à tributação as vultosas receitas das operações de desconto de direitos creditórios. b) Omitir à tributação as vultosas receitas de depósitos bancários de origem e causa não comprovados. c) Não declarar em DCTF os tributos devidos. d) Não declarar no SPED ECF (Escrituração contábil fiscal) e SPED Contribuições as receitas auferidas e os débitos devidos. e) Deixar de transmitir à base do SPED a ECD (Escrituração contábil digital) e também deixar de fornecer à fiscalização os arquivos digitais da escrituração contábil devidamente validados, num evidente intuito de embaraçar a fiscalização e a identificação dos reais proprietários. f) Deixar de apresentar os contratos que amparam as operações de desconto de direitos creditórios. A R.T.S. apresentou somente os contratos às fls. 97 a 145 relativos a 6 clientes, sendo que realizou operações com mais de 70 clientes (vide Anexo II do Relatório de Fiscalização). g) Deixar a empresa no nome de Ricardo de Souza, interposta pessoa e testa de ferro. h) Não informar no quadro societário o Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, real sócio administrador e beneficiário final dos recursos desviados. i) Ocultar a causa e a identificação do remetente/destinatário da vultosa movimentação de recursos entre empresa operacional Plantae If e a R.T.S.. j) Ocultar o desvio de vultosos recursos da R.T.S. para a empresa patrimonial Grupo WAF (empresa em nome do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho), em prejuízo do recolhimento de tributos. k) Ocultar o desvio de recursos para a empresa operacional Foregon.com, em nome do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, em detrimento do recolhimento de tributos. l) Ocultar o pagamento das despesas pessoais do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, em detrimento do recolhimento de tributos. m) Ocultar o pagamento de despesas de pessoas da família do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho. Fl. 14089DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 19 n) Deixar de comprovar individualmente o beneficiário e causa de vultosos pagamentos5, num evidente intuito de esconder os reais beneficiários de recursos provenientes da sonegação e fraude fiscal. o) A Plantae If usar a R.T.S. para omitir receitas e os tributos devidos sobre de desconto de direitos creditórios e depósitos bancários de origem e causa não comprovados. p) Não apresentar os comprovantes de custos e despesas, num evidente intuito de esconder os reais beneficiários de recursos provenientes de sonegação e fraude fiscal. Também houve o agravamento da multa de ofício, aplicada, portanto, no percentual de 225%, nos termos do artigo 44, II, §2º da Lei n° 9.430/1996, pelo não atendimento de intimações para apresentação dos arquivos digitais da escrituração contábil, o que na visão da autoridade fiscal teria causado “prejuízo e embaraço ao curso da ação fiscal.” (fls. 11729 do e- processo). VII – DAS DEFESAS APRESENTADAS EM IMPUGNAÇÃO Devidamente cientificados, todos os sujeitos passivos apresentaram as suas respectivas impugnação, as quais foram muito bem resumidas pelo relatório produzido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 09 (“DRJ09”), razão pela qual pedimos licença para fazer a sua transcrição (fls. 13330/13344 do e-processo): Impugnação. R.T.S. Serviços e Cobranças Eireli 8. Apresentada tempestivamente (conforme esclarecido no voto) em 01/07/2020, págs. 13.124/13.187, por meio de seu representante legal: [...] 9. Argui a nulidade dos autos de infração, apontando inicialmente, “1. Histórico da ação fiscal (falta de motivo, do desvio de finalidade e da ofensa à impessoalidade em sua instauração”, acusando a inexistência de critérios objetivos e impessoais para a instauração do procedimento fiscal, conforme está esclarecido no processo nº 10835.725129/2019-83, de outra empresa, a E.N.S. Sociedade Simples Ltda, e em relação à cuja autuação a Impugnante foi inserida como responsável tributária; e aduz que foi surpreendida com a exigência de (i) demonstrativo de apuração e controle de empréstimos e mútuos, (ii) operações de factoring realizadas, (iii) apuração e controle de duplicatas descontadas, (iv) autorização do Banco Central para funcionar e, especialmente, (iv) o organograma do grupo empresarial, e questiona de onde foram extraídas tais informações se a própria autuada, apesar de ter iniciado a realização de operações de faturização, não havia modificado o seu contrato social para isso e afirma que numa fiscalização, o detalhamento e o aprofundamento da investigação se dá a partir das próprias informações coletadas ao longo da ação fiscal do contribuinte ou de diligências executadas em terceiros, sem as quais se torna racionalmente injustificável o novo elemento probatório exigido. [...] Fl. 14090DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 20 11. E adverte que modus operandi nestes autos se revelou idêntico ao expediente apurado pelo Ministro Alexandre de Moraes nos autos do Inquérito n° 4.781-DF, em curso perante o Supremo Tribunal Federal - STF, em que se comprovou a instauração de fiscalização com a finalidade exclusiva de se constranger determinadas autoridades públicas. 12. No tópico, “2. Da apresentação, pela fiscalização, neste caderno processual, dos termos de diligência fiscal emitidos durante a fiscalização, totalmente sonegados nas primeiras autuações”, também pleiteia nulidade dos autos de infração acusando a fiscalização de sonegar documentos e informações que servissem à defesa, mas que, haja vista as defesas que outros apresentaram, a fiscalização trouxe, nestes autos, os termos emitidos em relação a terceiros (que havia sonegado aos demais), os quais relaciona, pág. 13.131, portanto, infringiu o princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa e art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. 13. Em “3. Da impossibilidade de se modificar o critério jurídico do lançamento”, invoca o art. 146 do CTN, e acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, de que a requalificação jurídica das operações acarreta o cancelamento total do lançamento tributário. 14. Apresenta Acórdão da CSRF pág. 13.133, referente a afastamento de multa por atraso ou falta de apresentação de arquivos magnéticos, quando consta dos autos petição do contribuinte colocando à disposição da fiscalização arquivos em formato distinto. 15. Em “4. Da natureza jurídica das operações realizadas pela contribuinte, confirmadas por parecer do renomado jurista Fabio Ulhoa Coelho” (anexado págs. 13.188/13.207), diz que a fiscalização caracterizou que a Autuada realizou desconto financeiro (ou bancário), porque os contratos que firmou estipularam a responsabilidade do cedente (Cliente) pelos créditos negociados (fls. 9316), caracterizando operações privativas de instituição financeira, e autuou como tal, e ainda que a Resolução n° 2144 do Conselho Monetário Nacional-CMN que estabelece que "qualquer operação praticada por empresa de fomento mercantil ("factoring") que não se ajuste ao disposto no art. 28, parágrafo 1º, alínea “c. 4", da Lei n° 8.981, de 20.01.95, e que caracterize operação privativa de instituição financeira, nos termos do art. 17, da Lei n° 4.595, de 31.12.64, constitui ilícito administrativo (Lei n° 4.595, de 31.12.64) e criminal (Lei n° 7.492, de 16.06.86)"; mas que se trata de equívoco, porque a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça-STJ sedimentou que "as Resoluções do Banco Central têm natureza de ato administrativo, não de lei federal" (AgRg no Ag n° 686935-DF), portanto com finalidade meramente interpretativa, que exige a presença cumulativa da desobediência ao art. 28 da Lei n° 8.981, de 1995 e dos elementos do art. 17 da Lei n° 4.595, de 1964, e a revogação expressa do art. 28 em comento pela Lei n° 9.249, de 1995, retirando, em principio, o próprio fundamento normativo em que se alicerça a referida Resolução e que, ainda que se substitua o dispositivo revogado pelo revogador (art. 15, § 1º, III, ‘d' da Lei n° 9.249/956), ele apenas estabelece a base de cálculo do imposto de renda para as empresas que prestam cumulativa e continuamente serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). 16. E o art. 17 da Lei n° 4.595, de 1964, considera instituição financeira as empresas – públicas ou privadas - que tenham como atividade a coleta, intermediação ou aplicação de Fl. 14091DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 21 recursos financeiros próprios ou de terceiros e a custódia de valor de propriedade de terceiros, sem o que, ainda que a fiscalização tributária se negue a aceitar, não há como se qualificar a empresa como uma instituição financeira; aduz que, segundo a citada Resolução do CMN, a configuração do ilícito administrativo e criminal exigiria que a empresa, sob o fundamento de prestar atividade de fomento mercantil (artigo 15, § Io, inciso III, alínea 'd' da Lei n° 9.249, de 1995), promovesse a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros e a custódia de valor de propriedade de terceiros (art. 17 da Lei n° 4.595, de 1964) e que é sem base a aplicação Resolução n° 2144 do CMN, pois não há apuração destas últimas atividades por parte da Autuada, muito menos qualquer informação, contrato ou providência que comprove a coleta, intermediação ou custódia de valor de terceiros, senão a aquisição, com capital próprio, de direitos de crédito de titularidade dos próprios clientes; mas que a fiscalização não mediu esforços para desqualificar às operações analisadas, utilizando, ainda o Parecer Normativo Cosit n° 05, de 10 de abril de 2014, para preconizar a vedação à responsabilização do cedente pelo risco do crédito. [...] 18. Descreve as dificuldades enfrentadas pelo produtor rural para obter recursos no mercado financeiro tradicional, que opera com produtos tradicionais, exigindo do cliente a propriedade rural, o rebanho ou a produção agrícola (safra) como garantia do pagamento dos recursos tomados, sem falar no extenso prazo de análise das solicitações; tais dificuldades, levaram as factorings a se aproximarem do agronegócio; descreve que especialmente no caso do setor sucroalcooleiro, a maioria dos produtores, sem condições financeiras de custear e manter a safra, acaba cedendo a terra para a exploração da usina, sendo remunerado por uma parte da produção, caso obtida (parceria agrícola); ou arrendam a terra para se afastar do risco da improdutividade da safra; e outros produzem por conta própria e vendem sua produção à indústria, tendo que arcar com os custos e despesas; mas que em todos os casos, as partes (usina e produtores rurais) deixam prefixada a remuneração, conferindo-lhes previsibilidade mínima quanto à receita futura, e aduz [...] [...] 19. O citado artigo, com a redação dada pela Lei nº 13.986, de 2020, define a nota promissória rural emitida pelas cooperativas de produção agropecuária em favor de seus cooperados, ao receberem produtos entregues por eles, constitui promessa de pagamento representativa de adiantamento por conta do preço dos produtos recebidos para venda [...] 20. Cita que o princípio da autonomia significa que as obrigações representadas por um mesmo título de crédito são independentes entre si – se uma delas for nula ou anulável, tal fato não comprometerá a validade e eficácia das demais obrigações constantes do mesmo título de crédito; [...] 21. Rebate a acusação fiscal de inexistência do reconhecimento da receita pelo produtor rural em relação aos recursos antecipados, dizendo que ele está autorizado, pela própria RFB, a emitir a nota fiscal dos produtos vendidos à cooperativa ou indústria até o momento em que a condição (venda) se implementar, ou seja, no mês em que a venda se Fl. 14092DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 22 concluir com a entrega efetiva dos produtos, conforme Perguntas e Respostas do IRPF no ano de 2009, “Adiantamentos recebidos relativos a produtor rural”, pergunta 507. 22. Apesar da existência de critérios e regras legais, a fiscalização ousou qualificar a operação realizada pela Autuada como desconto bancário, privativo de instituição financeira, pelo simples fato dos clientes assumirem a responsabilidade pela solvência dos títulos cedidos, demonstrando desconhecimento do negócio jurídico analisado, conforme o parecer do ilustre professor e doutrinador Fábio Ulhoa Coelho; Transcreve conclusões do autor do Parecer que anexou, relativas aos contratos e informações destes autos, págs. 13.150/13.153, para concluir que a natureza dos contratos que realizou se trata de “típicos, lícitos e regulares fomentos mercantis”, devendo os auto serem cancelados, devido à impossibilidade de alteração do critério jurídico do lançamento. 23. Aduz que o CC, art. 296, embora estabeleça a regra geral de irresponsabilidade do cedente pela solvência do devedor, admite expressamente que as partes possam estipular em sentido contrário, e art. 195, que “Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé." 24. Afirma que a faturização não se encerra com a assinatura do contrato de fomento mercantil entre as partes, senão com a emissão, a cada operação, de borderô próprio, com os títulos adquiridos e os detalhes pertinentes (sacado, valor, data de vencimento, praça etc.), havendo farta prova documental nos autos e circularizações realizadas, atestando as operações. 25. Aponta dois detalhes a se considerar: o primeiro, que o art. 296 não faz distinção entre desconto financeiro e mercantil, nem veda a utilização do primeiro instrumento às factorings, o que, aliás, seria de competência exclusiva da lei fazê-lo; o segundo, relativo à tentativa permanente de compor um grupo econômico no caso dos autos levou a fiscalização à utilização, leviana e oportunista, de determinada sentença judicial sem buscar o resultado da demanda em si, porque não se deu ao trabalho de analisar integralmente o caso por ele mencionado ou, se o fez, deixou de trazer aos autos o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP, Apelação nº 0013932- 08.2010.8.26.0066, 15ª Câmara de Direito Privado, DJ 18/08/2017) a respeito da controvérsia, revertendo à decisão trazida aos autos. 26. Acusa “5. Da ausência de norma para a utilização da base de cálculo do lucro arbitrado relativo às instituições financeiras e os seus reflexos em relação ao IRPJ”, que, ao classificar como privativas de instituição financeira as operações da Impugnante, a fiscalização aplicou o parágrafo único do art. 16 da Lei n° 9.249, de 1995, de 45% de arbitramento do lucro, para as instituições a que se refere o art. 36, III da Lei nº 8.981, de 1995; mas que referido art. 36 foi revogado pelo art. 18, III da Lei n° 9.718, de 1998, que, infelizmente, não estabeleceu novo rol de atividades sujeitas ao arbitramento de 45% , por isso a regra acima não pode ser considerada, ante a falta de norma expressa a superar o vácuo legislativo criado, que impede, inclusive, a sua simples "substituição" a critério da autoridade administrativa. E que o percentual aplicável no arbitramento, para a presente autuação deveria ter sido de 32% do art. 15, § 1º, III, “d” da Lei nº 9.249, de 1995, acrescido dos 20% definidos pelo art. 16 da mesma lei, totalizando 38,4%. 27. No item “6. Do vício de lançamento em relação às alíquotas da CSLL e da Cofins”, haja vista que o lançamento da CSLL foi pela alíquota de 15% para os fatos geradores o Fl. 14093DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 23 2ºtrim/2015 e 1º/09/2015, e 20% dali em diante; e aplicou 4% na apuração da Cofins; mas que esta utilização de alíquotas aplicáveis às instituições financeiras constitui vício material de lançamento, a exigir a sua anulação, dado que se trata de verdadeiro fomento mercantil. 28. Aponta no item “7. Da manifesta contradição e incoerência entre a qualificação da Autuada como "instituição financeira" e, por conseguinte, a fixação da base de cálculo da CSLL segundo o critério das empresas de fomento mercantil” que a legislação impede que a autoridade administrativa requalifique juridicamente o fato dentro do mesmo lançamento, submetendo-o a consequências fiscais completamente distintas, como no caso em exame, e que o Autuante desqualificou às operações realizadas pela Autuada como simples fomento mercantil e submeteu-as à tributação das instituições financeiras, contradizendo-se, porém, na fixação da base de cálculo da Contribuição Social Lucro Líquido - CSLL, quando adotou a grandeza econômica relativa às factorings; contudo, na autuação da Omissão de Receita por Presunção Legal Infração: Depósitos Bancários de Origem não Comprovada, bem como no infração Omissão de Receitas de Operações de Desconto de Crédito, utilizou o coeficiente de 32% para a base de cálculo, valendo-se das “discriminações de fls. 11817/11832 para comprovar a utilização de critério contraditório àquele contido nos demais itE.N.S. do auto de infração (instituição financeira x factoring)” 29. Cita a afirmação fiscal (fls. 11593): "No caso caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. Segundo os contratos coletados por meio de circularização, tratam-se de operações de desconto de direitos creditórios, sem que a contratada (fiscalizada) assumisse os riscos da transação, logo as receitas omitidas são consideradas como próprias da atividade de instituição financeira.", para advogar que, para as empresas sem escrituração contábil, como a Autuada, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fixou, em seu artigo 29, que "a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores de que trata o art. 20 da Lei n° 9.249, de 1995, o qual, em sua redação original, previa a base de cálculo da referida contribuição social em 12% (doze) por cento da receita bruta, sofrendo alteração a partir da Lei n° 10.684/2003, que passou a prever bases de cálculo distintas, conforme a atividade; e sofreu nova alteração com o advento da Lei n° 12.973, de 2014, vindo a se consolidar com a Lei Complementar n° 167, de 2019, que discriminou as bases de cálculo de acordo com a atividade; e que considerando que os fatos geradores apurados nos autos dizem respeito aos períodos de 01/2015 a 12/ 2018, a legislação aplicável é a Lei n° 12.973, de 2014, que fixou a base de cálculo, como regra, em 12% (doze por cento), exceto para as pessoas jurídicas constantes do inciso III do §1º do art. 15, entre as quais as empresas de faturização que estão obrigadas a apurar a base de cálculo da CSLL através da multiplicação da receita bruta auferida por 32% (trinta e dois por cento). 30. Entretanto, a se respeitar e manter o entendimento fazendário a respeito das operações praticadas pela Autuada, supostamente privativas de instituição financeira, torna-se inadmissível a fixação da base de cálculo da CSLL de acordo a alínea 'd' do inciso III do § 1º do artigo 15 c.c. art. 20 da Lei n° 9.249, de 1995, referente às empresas de faturização, diante da manifesta contraditoriedade e incoerências entre os aludidos critérios. Fl. 14094DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 24 31. Em “8. Dos depósitos bancários e a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei n° 9.430/96”, assevera que esclareceu à Fiscalização a origem da maioria dos recursos autuados nessa capitulação legal, e que foi desconsiderada e destaca que basta a comprovação da origem, sem necessidade de esclarecer a causa e cita Acórdãos do CARF; para isso, invoca a repercussão geral atribuída pelo STF em relação ao art. 42 da lei n° 9.430,de 1996, no RE n° 855.649/RS, que reconheceu sua constitucionalidade para destacar que; “créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fazendário.” e destaca que o mesmo entendimento se aplica à CSLL. 32. No item “9. Da exclusão da base de cálculo dos tributos apurados em relação às operações adiante discriminadas”, argumenta que, no lançamento fiscal de “Omissão de receitas de operações de desconto de título de crédito”, os fatos que descreve não correspondem a operações de factoring, nem representam receitas da Autuada e devem ser excluídos; e os descreve às págs. 13.165/13.179: (i) Operações de “trustee”; (ii) depósitos bancários oriundos de simples transferência entre empresas (E.N.S.xR.T.S); (iii) liquidações de cobrança efetuadas pela própria Autuada; iv) estornos de lançamentos bancários e devoluções de cheques; (v) outros depósitos. 33. Em “10. Da multa qualificada”, aponta que representa 65% do total exigido, e que a qualificação é injustificada, pois não se evidenciaram sonegação (todas operações realizadas em nome próprio), fraude (nenhuma atitude para impedir, retardar e, excluir ou modificar os fatos) ou conluio (dada a ausência dos dois precedentes) e invoca as Súmulas CARF nº 14 e 25; diz que muito menos há justificativa para o agravamento, pois a autuação se deu exclusivamente a partir das informações prestadas pela Autuada (contratos, borderôs, planilhas de operações e de demonstração de origem, causa e favorecidos de depósitos, e outros documentos), e que a solicitação de prazo para apresentação de parte dos extratos bancários faltantes, não pode ter sido causa; que a implicânia fazendária se refere à não apresentação dos arquivos digitais da escrituração contábil, entendendo como atitude deliberada de prejudicar a ação fiscal; que a entrega dos mesmos elementos em outros meios não pode caracterizar hipótese para agravamento, e invoca a Súmula CARF nº 96. [...] 35. E assevera que a acusação de existência de grupo econômico devido transferência de recursos entre a Autuada e outra empresa (item ‘k') deixou de levar em conta que o Sr. Ricardo de Souza, sócio da Autuada, também possui participação. [...] Impugnação. Plantae IF Fomento Comercial Ltda 38. Apresentada tempestivamente em 14/04/2020, págs. 12.764/12.823, por meio de seu representante legal de págs. 12.829/12.830. [...] 39. Argui a nulidade dos autos e consequentemente do termo de solidariedade, dada a ausência de termo de início de fiscalização (TIF), relativo à ora Impugnante e o conseqüente uso indevido, de suas informações protegidas por sigilo fiscal, em violação dos seus direitos, art. 5º, X e XII da CF de 1988, sem preencher os requisitos estabelecidos pela Lei Complementar nº 105, de 2001, art. 6º, pois foi intimada diligência e apresentou Fl. 14095DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 25 os documentos requeridos mas em nenhum momento teve instaurado contra si procedimento de fiscalização; que, se tivesse sido intimada, poderia ter prestado as informações necessárias, porém o Autuante quebrou seu sigilo fiscal, sem instaurar procedimento de fiscalização, conforme o Decreto nº 3.724, de 2001, art. 2º (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal -TDPF) e Portaria nº 6.478, de 2017. 40. Diz que o acesso imotivado, por servidores da RFB, de informações protegidas por sigilo fiscal, constitui infração aos seus deveres funcionais, nos termos do art. 11, II, e 12, do Decreto n.° 3.724, de 2001; e as provas obtidas pelo Autuante foram, portanto, obtidas de forma ilícita, inadmissíveis conforme o art. 5º, LVI da CF de 1988. 41. Argui nulidade tanto dos autos como do termo de responsabilização, devido à ausência de motivação do ato administrativo, porque a autoridade fiscal não assinalou o motivo concreto, da realização da fiscalização na E.N.S. Sociedade Simples Ltda, ou da sua suposta sucessora, ora autuada a R.T.S. SERVIÇOS E COBRANÇA EIRELI (também não o fez no caso anterior, envolvendo a empresa E.N.S., supostamente sucedida pela ora Autuada). 42. Também advoga nulidade dos autos por terem sido utilizadas informações relativas a período não incluído no termo de início de fiscalização que é de 01/2015 a 12/2018; no entanto, o Autuante efetuou diligência relativa ao ano 2013, conforme pág. 11.594; acessou e procedeu à juntada, às págs. 11.555/11.729, de dossiê e às págs. 3.865/3.923 de informações prestadas pela E.N.S., nos autos de n.º 0810500-2016-4, que versara sobre o ano de 2013 e que se encontra, já encerrada, ao que consta sem a constituição de qualquer crédito tributário, o que viola o devido processo legal, pois excede os limites do TDPF, alargando, indevidamente a fiscalização e o Fiscal afrontou a legalidade objetiva e a segurança jurídica; cita acórdãos do Superior Tribunal de Justiça – STJ. 43. E ainda a nulidade, devido à violação do contraditório e da ampla defesa, pois o litigante não pode acompanhar, inquirir ou contraditar os depoimentos tomados secretamente pelo Fiscal. 44. E nulidade, devido à aplicação de multa que acusa de confiscatória, violando o art. 150, IV da CF de 1988, haja vista que em momento algum restou demonstrada a tipificação da conduta da Autuada, relativamente aos tipos penais veiculados pela Lei n.º 4.502, de 1964; e invoca o art. 5º, XLV da CF, de 1988, e a Súmula CARF nº 14 e julgados do STF. 45. Sobre a responsabilização solidária diz que não se aplica, pois não existe “interesse comum” (que é o interesse jurídico comum ocorrido exclusivamente em caso de realização conjunta de fato gerador pelos contribuintes), nas situações que constituem os fatos geradores da autuação, dado que não participou nesses fatos geradores, tratando-se de empresas de composição societária distinta, e que a fundamentação da solidariedade na conclusão fiscal de que "O sujeito passivo solidário Plantae lf Fomento Comercial Ltda, empresa em nome do sócio administrador Wolney de Medeiros Arruda Filho, é a real controladora da E.N.S. e da R.T.S.; usou as empresas E.N.S. e R.T.S. para realização das operações com sonegação e fraude fiscal; e detinha conta corrente de remessas e recebimento de recursos ocultos para/das empresas E.N.S. e R.T.S. (...)" (fls. 11.727) se baseou em meios probatórios inaptos como a afirmação à pág. 11.719, de que a Impugnante era a verdadeira “empresa responsável pelas operações da E.N.S.”, supostamente sucedida pela ora Autuada R.T.S, devido a cadastros da rede Linkedin (rede social cujos dados são apócrifos) e aduz que tratar da E.N.S nestes autos, não se justifica, porque foi objeto de auto de infração específico; e cita parecer de especialista (doc. 02); Fl. 14096DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 26 também cita ser fictícia a informação à pág. 11.718, de que a E.N.S. está estabelecida no endereço da Plantae IF, Av. Coronel José Soares Marcos, 983, sala 22, conforme notas fiscais de serviços prestados pela NIC.BR à E.N.S., dado que este é o endereço da WMAF SC Ltda, cuja razão social foi alterada em 15/05/2012 para E.N.S., quando da retirada de Wolney de Medeiros Arruda Filho; o endereço da Impugnante desde 15/05/2012 é Avenida Washington Luiz, n.º 422, 5º Andar, sala 54; que os cadastros da NIC.BR que o Fiscal utilizou estavam desatualizados; que a indicação do e-mail do Sr. Antonio Carlos Shiro Hachisuca, sócio da Impugnante, nas notas fiscais emitidas pela Autuada, não permite concluir pela existência de grupo econômico pois ele atuara como contador das referidas empresas, tratando-se, de informação constante de cadastros desatualizados, do Município de Presidente Prudente; nega que houve trânsito de recursos entre a Impugnante as referidas empresas. 46. Enfatiza que não é a “real controldora” da E.N.S e R.T.S, inexistindo a alegada constituição de “empresa de fachada”; por isso, inexiste solidariedade nos termos do art. 124, I do CTN. 47. Relata que a Plantae If Fomento Comercial Ltda., ora Impugnante, foi constituída, sob a denominação social de Flash Line Fomento Comercial, em 04/05/1998, tendo como sócios Geraldo Rodrigues Arruda Neto e Daniel Lebrão Arruda; após, em 27/01/2001, retirou-se Geraldo Rodrigues Arruda Neto e ingressou Wolney de Medeiros Arruda Filho; em 13/09/2004, saiu Daniel Lebrão Arruda, e ingressou Ricardo de Souza. 48. Esclarece que as alterações não visaram fraudes fiscais, mas decorreram, do estreito relacionamento profissional e pessoal de Wolney de Medeiros Arruda Filho e Ricardo de Souza, que cresceram e estudaram juntos, tornando-se amigos e sócios e depois preferiram separar seus negócios: Ricardo de Souza continuou na área de cobrança, como desde o início, constituía o objeto social da empresa E.N.S., e constituiu a R.T.S em 2012, da qual é sócio até a presente data; e Wolney de Medeiros Arruda Filho concentrou-se na área de factoring, desenvolvida, com terceiros, através da Impugnante. 49. Ressalta que a atividade de factoring da Impugnante é de natureza essencialmente comercial e não bancária, sendo definida como a aquisição de créditos de outras empresas com a isenção de responsabilidade dos cedentes pela solvência das empresas as quais foram vendidas as mercadorias. 50. Ressalta a ausência de interesse comum entre as empresas, tratando-se de pessoas jurídicas distintas, a Impugnante, a E.N.S. e a Autuada; e não há base para a acusação de que a Impugnante e Wolney de Medeiros Arruda Filho controlam a E.N.S. e a R.T.S, nem na alegação de que a Impugnante utilizou a E.N.S. e a R.T.S, para a realização das operações com sonegação e fraude fiscal, detendo conta corrente de remessas e recebimento de recursos ocultos de/para a Autuada. 51. Diz que meras operações financeiras entre empresas, de ramos de atividades afins, envolvendo os respectivos clientes, não justificam a afirmação caluniosa de que há controle societário comum entre elas; por isso não se aplica o conceito de grupo econômico de fato, assim caracterizado apenas pela jurisprudência trabalhista e não pela legislação tributária, pela simples coincidência de sócios, elemento insuficiente para a sua caracterização; que para tanto, deve-se comprovar a influência recíproca entre as empresas, ao demonstrar que todas visam o mesmo objetivo e tal atuação conjunta precisa ser evidenciada, o que não está demonstrado. Fl. 14097DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 27 [...] Impugnação. Foregon Com S/A 53. Apresentada tempestivamente em 17/04/2020, págs. 13.006/13.058 (e 11.973/12.024), por meio de seu representante legal de págs. 130.93/13.094. 54. Argui a nulidade dos autos e do termo de solidariedade aos mesmos argumentos já descritos na impugnação da Plantae IF Fomento Comercial Ltda. 55. Sobre a responsabilização solidária diz que não se aplica, pois não existe “interesse comum”, nas situações que constituem os fatos geradores da autuação, das quais não participou, pois não há relação societária entre a Impugnante e a Autuada (composições societárias distintas, e que não recebeu recursos ocultos da E.N.S., nem da Autuada, que seu objeto social não interage com o da Autuada [...] [...] 56. Descreve que foi constituída em 18/10/2000, com os sócios Ricardo de Souza e Ana Luiza Ávila de Robertis Arruda, que se retirou em 14/12/2004, tendo ingressado Wolney de Medeiros Arruda Filho; em 2019, após a conversão da empresa em sociedade anônima, retirou-se Ricardo de Souza; que grupo econômico de fato não se caracteriza pela simples coincidência de sócios, e para tanto, deve-se comprovar a influência recíproca entre as empresas, ao demonstrar que todas visam o mesmo objetivo e tal atuação conjunta precisa ser evidenciada, o que não está demonstrado; tem 8 milhões de usuários cadastrados, 1,8 milhões de visitas/mês e o prêmio “Great Place to Work” (doc. 02); aduz que mesmo empresas do mesmo grupo econômico, o que não é o caso, se desvinculadas em suas ações, objetivos, atos ou fatos geradores de tributos, não estão sujeitas à solidariedade. 57. Reclama do exíguo tempo para a defesa, em contraste com a duração das diligências e fiscalização e, por isso, promoverá a juntada aos autos de novas provas e requer que as intimações sejam endereçadas e veiculadas, a par da própria Impugnante, também em nome dos seus representantes legais os quais qualifica. Impugnação. Antonio Carlos Shiro Hachisuca 58. Apresentada tempestivamente em 17/04/2020, págs. 12.459/12.496 (e 11.918/11.954), por meio de seu representante legal de págs. 12.498/12499. 59. Argui a nulidade dos autos e do termo de solidariedade aos mesmos argumentos já descritos na impugnação da Plantae IF Fomento Comercial Ltda. 60. Advoga a ausência de responsabilidade do Impugnante, e não lhe é aplicável o art. 135, III(sic) do CTN, vez que não cometeu qualquer ato, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; que não tem qualquer relação com a administração da Autuada, tendo sido, através da Contmax de Contabilidade Eireli (doc. 02), mero prestador de serviço autônomo dela, como de muitas outras empresas, como contador; diferentemente do quanto sustentou o Fiscal, as obrigações acessórias remetidas a partir de um mesmo computador ocorreram no contexto da atividade lícita de escritório de contabilidade Contmax, do qual foi parte; que Plantae lf detém objetivos sociais totalmente diversos da prática contábil, não tendo como finalidade prestar tal tipo de serviço para terceiros, como equivocadamente afirma o Fiscal. Trata-se de uma empresa de "factoring", não de prestação de serviços contábeis. Fl. 14098DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 28 61. Requer diligência, para que sejam acostados, aos autos deste processo, os registros de entrega de todas as declarações fiscais, recepcionadas pela Receita Federal do Brasil, oriundas do referido computador, o que comprovará a ausência de intenção de fraude e o regular exercício da atividade de escritório de contabilidade, do qual se afastou desde 22/03/2017, quando alienou sua participação societária, e por desatualização de cadastros, constou seu nome como responsável pelo envio das DCTF, não podendo ser por elas responsabilizado. 62. Que como contador, cuida da contabilidade de diversas outras empresas (doc. 03) e não pode ser responsabilizado pela mera transmissão à RFB das informações que os contribuintes lhe forneceram, sem que haja prova de conduta fraudulenta ou dolosa; cita jurisprudência. 63. Requer que as intimações sejam endereçadas e veiculadas, a par da própria Impugnante, também em nome dos seus representantes legais os quais qualifica. Impugnação. Grupo W Participações Ltda 64. Apresentada tempestivamente em 17/04/2020, págs. 12.937/12.988 (e 12.067/12.117), por meio de seu representante legal de págs. 12.999/13.000. 65. Argui a nulidade dos autos e do termo de solidariedade aos mesmos argumentos já descritos na impugnação da Plantae IF Fomento Comercial Ltda. 66. Diz que a responsabilização solidária não se aplica, pois não existe “interesse comum”, nas situações que constituem os fatos geradores da autuação, dado que inexistiu participação da Impugnante nesses fatos geradores [...] 67. E tampouco se encontrou qualquer ilicitude ou ilegalidade que tivessem sido praticadas pela Impugnante, que tem composição societária distinta da R.T.S, inexistiu trânsito de recursos entre as mesmas e nega que a transferência de quotas ao filho menor tivesse o objetivo de frustrar a satisfação do crédito tributário, haja vista que o sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho permaneceu com o usufruto das quotas transferidas e continua como administrador- a transferência visou ser em vida evitando-se burocrático trâmite da transferência sucessória; o objeto social da Impugnante não interage com o objeto social da Autuada, nem com o da E.N.S., apesar de ter como objeto “a participação em outras sociedades”, que se refere à área imobiliária; que grupo econômico de fato não se caracteriza pela coincidência de sócios, deve-se comprovar a influência recíproca entre as empresas, ao demonstrar que todas visam o mesmo objetivo e tal atuação conjunta precisa ser evidenciada, o que não está demonstrado. 68. E aduz que mesmo empresas do mesmo grupo econômico, o que não é o caso, nem de direito, nem de fato, se desvinculadas em suas ações, objetivos, atos ou fatos geradores de tributos, não estão sujeitas à solidariedade. 69. Reclama do exíguo tempo para a defesa, em contraste com a duração das diligências e fiscalização e, por isso, promoverá a juntada aos autos de novas provas, e requer que as intimações sejam endereçadas e veiculadas, a par da própria Impugnante, também em nome dos seus representantes legais os quais qualifica. Impugnação. Grupo WAF Imóveis, Participações e Empreendimentos Ltda 70. Apresentada tempestivamente em 17/04/2020, págs. 12.864/12.918 (e 12.136./12.189), por meio de seu representante legal de págs. 12.201/12.202. Fl. 14099DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 29 71. Argui a nulidade dos autos e do termo de solidariedade aos mesmos argumentos já descritos na impugnação da Plantae IF Fomento Comercial Ltda. Sobre a responsabilização solidária diz que não se aplica, pois não existe “interesse comum”, nas situações que constituem os fatos geradores da autuação, pois não particpou, tratando-se de empresas que presentemte contam com composição societária distinta [...] 73. E tampouco se encontrou qualquer ilicitude ou ilegalidade que tivessem sido praticadas pela Impugnanteque tem composição societária distinta da R.T.S, inexistou trânsito de recursos entre as mesmas e nega que a transferência de quotas ao filho menor tivesse o objetivo de frustrar a satisfação do crédito tributário, haja vista que o sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho permaneceu com o usufruto das quotas transferidas e continua como administrador - a transferência visou ser em vida evitndo-se burocrático trâmite da transferência sucessória; o objeto social da Impugnante não interage com o objeto social da Autuada, nem com o da E.N.S., e se refere à área imobiliária; que grupo econômico de fato, não se caracteriza pela coincidência de sócios, deve-se comprovar a influência recíproca entre as empresas, ao demonstrar que todas visam o mesmo objetivo e tal atuação conjunta não está demonstrada; e que as aludidas empresa mantém endereços distintos, ocupando, o ora Impugnante, sala no prédio situado na Avenida Washington Luiz, 422, mas em andar distinto da ocupada pela empresa autuada, qual seja o sétimo andar. 74. E aduz que mesmo empresas do mesmo grupo econômico, o que não é o caso, nem de direito, nem de fato, se desvinculadas em suas ações, objetivos, atos ou fatos geradores de tributos, não estão sujeitas à solidariedade. 75. Reclama do exíguo tempo para a defesa, em contraste com a duração das diligências e fiscalização e, por isso, promoverá a juntada aos autos de novas provas e requer que as intimações sejam endereçadas e veiculadas, a par da própria Impugnante, também em nome dos seus representantes legais os quais qualifica. Impugnação. Wolney de Medeiros Arruda Filho 76. Apresentada tempestivamente em 17/04/2020, págs. 12.514/12.547 (e 12.206/12.240), por meio de seu representante legal de págs. 12.548/12.550. 77. Argui a nulidade dos autos e do termo de solidariedade aos mesmos argumentos já descritos na impugnação da Plantae IF Fomento Comercial Ltda. Diz que não lhe é aplicável o art. 135, III do CTN, responsabilizando-o solidariamente, vez que não praticou qualquer ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, já que não é o “real proprietário” da R.T.S. e jamais foi sócio ou administrador da Autuada; e descreve que a Autuada exclusivamente por Ricardo de Souza, em 05/06/2012. [...] 78. Que inexiste qualquer indício de ato fraudulento que lhe possa ser imputado na qualidade de administrador e/ou representante legal, das empresas Plantae lf Fomento Comercial Ltda., Foregon.com S.A., Grupo WAF Imóveis Participações e Empreendimentos Ltda. e do Grupo W Participações Ltda. Fl. 14100DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 30 Em sessão de 21/09/2020, a DRJ09 julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte tão somente para reduzir “as exigências para R$15.574.537,37 de IRPJ, R$8.793.782,47 de CSLL, R$907.085,96 de PIS e R$5.582.073,36 de Cofins” e “a multa regulamentar para R$1.395.522,74”, nos termos da ementa abaixo transcrita (fls. 13323/13325 do e-processo): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/03/2015, 30/06/2015, 30/09/2015, 30/12/2015, 31/03/2016, 30/06/2016, 30/09/2016, 31/12/2016, 31/03/2017, 30/06/2017, 30/09/2017, 31/12/2017, 31/03/2018, 30/06/2018, 30/09/2018, 31/12/2018, 31/05/2019 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente enseja a nulidade o termo lavrado por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. FALTA DE TIF. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas, ou seja, desnecessária a emissão de Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIF) ou Termos de Distribuição de Procedimento Fiscal - TDPF específicos para os demais envolvidos. MULTA. DESCUMPRIMENTO PRAZO ENTREGA ECD. Correta a aplicação da multa se o contribuinte reiteradamente intimado a apresentar a Escrituração Contábil Digital - ECD a que estava obrigado, ou a apresentar os correspondentes arquivos magnéticos, não os entregou e reconheceu não ter efetuado a contabilidade. DILIGÊNCIAS DESNECESSÁRIA. Indefere-se requerimento de realização de diligência que se considera desnecessária. IMPUGNAÇÃO. PRAZO. O pazo de 30 (trinta) dias após a ciência dos autos de infração, para a apresentação da impugnação pelo contribuinte, é determinado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, art. 15. INTIMAÇÕES. PROCURADORES. Súmula CARF nº 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Fl. 14101DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 31 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2015, 30/06/2015, 30/09/2015, 30/12/2015, 31/03/2016, 30/06/2016, 30/09/2016, 31/12/2016, 31/03/2017, 30/06/2017, 30/09/2017, 31/12/2017, 31/03/2018, 30/06/2018, 30/09/2018, 31/12/2018 LUCRO ARBITRADO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. PERCENTUAL Determina o art. 533 do RIR de 1999, que nas atividades caracterizadas como de instituições financeiras, o percentual para determinação do lucro arbitrado será de quarenta e cinco por cento. PRESUNÇÃO LEGAL. RECEITA OMITIDA. LUCRO ARBITRADO. PERCENTUAL No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que sua origem fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada como transferências entre contas da mesma titularidade, empréstimos tomados, estornos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. JUSTIFICATIVAS DEPOIS DA AUTUAÇÃO. O contribuinte foi autuado por omissão de receitas de operações financeiras, nas operações a cujos documentos a fiscalização teve acesso ou obteve mediante circularizações; também foi autuado pela presunção legal de omissão de receitas/depósitos bancários de origem não comprovada, depois de ter sido intimado e reintimado para apresentar justificativas e documentos durante o procedimento fiscal; assim, a apresentação, depois da ciência dos autos de infração, de justificativas e de documentos internos para demonstrar outras operações de desconto, que não haviam sido informadas durante o procedimento fiscal, não pode ser aceita para cancelar a autuação de omissão de receitas por presunção legal. TROCA DE POSIÇÕES FINANCEIRAS ENTRE EMPRESAS DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO. O princípio contábil da ENTIDADE significa que cada empresa possui patrimônio independente, mesmo se ambas tem o mesmo sócio, e quaisquer transações entre a E.N.S. e R.T.S devem seguir os procedimentos entre empresas independentes, não sendo Fl. 14102DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 32 admissível “realizaram, entre si, trocas de posições financeiras”, o que indica confusão patrimonial e irregularidade. LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido no principal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2015, 30/06/2015, 30/09/2015, 30/12/2015, 31/03/2016, 30/06/2016, 30/09/2016, 31/12/2016, 31/03/2017, 30/06/2017, 30/09/2017, 31/12/2017, 31/03/2018, 30/06/2018, 30/09/2018, 31/12/2018 ALÍQUOTAS. 15%. 20%. Corretas as alíquotas aplicadas, se obedeceram a legislação aplicável, constante da base legal da autuação. BASE DE CÁLCULO. No arbitramento não há majoração na base de cálculo da CSLL, aplicando-se as normas de apuração das pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, no caso, prestadoras de serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/03/2015, 30/06/2015, 30/09/2015, 30/12/2015, 31/03/2016, 30/06/2016, 30/09/2016, 31/12/2016, 31/03/2017, 30/06/2017, 30/09/2017, 31/12/2017, 31/03/2018, 30/06/2018, 30/09/2018, 31/12/2018 ALÍQUOTA. 4%. Correta a alíquota aplicadas, se obedeceu a legislação aplicável, constante da base legal da autuação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2015, 30/06/2015, 30/09/2015, 30/12/2015, 31/03/2016, 30/06/2016, 30/09/2016, 31/12/2016, 31/03/2017, 30/06/2017, 30/09/2017, 31/12/2017, 31/03/2018, 30/06/2018, 30/09/2018, 31/12/2018 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Descabe a reclamação de cerceamento de defesa se os documentos que embasaram a acusação fiscal se encontram nos autos, e dos quais os litigantes tiveram ciência. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SONEGAÇÃO E DOLO Fl. 14103DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 33 Correta a responsabilização solidária com base no art. fomento comercial, não constante do seu objeto social e, adicionalmente, atividade cataracterizada como de instituição financeira, sem autorização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 135, II DO CTN. Correta a responsabilização do responsável pelo preenchimento das DCTF e demais declarações, contador e sócio de empresa do grupo, à vista da constatação fiscal de que as empresas declararam receitas muito inferiores às que foram detectadas no procedimento fiscal, o qual, assim incorreu na Súmula 8 do CFC. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza-se grupo empresarial, mesmo não formalizado, se as empresas estão sob o mesmo comando e se há confusão patrimonial entre as mesmas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Caracteriza-se a responsabilidade baseada no interesse comum do art. 124, I do CTN, das empresas do grupo embora não formalizado, que são submetidas a uma mesma direção e por elas circularam recursos financeiros de forma irregular e que participaram no processo decisório que ensejou a infração. MULTA QUALIFICADA. Enseja a aplicação de multa de ofício qualificada a realização de operações de factoring e também operações caracterizadas como de instituição financeira, apesar de objeto social ser atividade de cobrança, tendo optado, indevidamente e a esse título, pelo lucro presumido em vez do lucro real a que estava obrigada, e o desvio de recursos subtraídos à tributação, para o administrador do grupo econômico de fato. MULTA AGRAVADA Cabe o agravamento da multa de ofício deixar de transmitir à base do SPED a Escrituração Contábil Digital - ECD e deixar de fornecer à fiscalização os arquivos digitais da escrituração contábil, validados; deixar de apresentar os contratos relativos à quase totalidade das operações de desconto e não atender às intimações para identificar os beneficiários de pagamentos, apesar de intimada e reintimada. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa qualificada e agravada aplicável é aquele determinado expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Fl. 14104DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 34 Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação que embasou a autuação, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. VIII – FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO DRJ09 A DRJ09 se valeu dos seguintes fundamentos jurídicos para refutar os argumentos lançados em defesa pelo contribuinte e responsáveis solidários (fls. 13345/13421 do e-processo): 2 Nulidade. [...] 86. O Decreto nº 70.237, de 1972, no art. 59, I e II, determina que há nulidade no caso de I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 87. Do exposto supra, evidencia-se que seria passível de ser declarado nulo o presente Acórdão, que é uma decisão, se constatado o cerceamento no direito de defesa da Autuada e dos responsáveis solidários, mas não o auto de infração (ato) lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e devidamente cientificado ao contribuinte e responsáveis, que assim puderam apresentar suas impugnações. 88. Em se tratando de autos de infração, que são atos ou termos, quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa e se não influem na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. 89. Pelo exposto, não devem ser acolhidas a preliminares de nulidade. [...] 2.2 CERCEAMENTO DE DEFESA. 91. À pág. 13.131, a Impugnante relacionou os nomes dos terceiros diligenciados e cujos documentos correspondentes, que constam dos presentes autos, acusa que teriam sido sonegados aos demais autuados; os terceiros que lista são: ANA CAROLINA PIRES ANDREOTTI, NAIA CARVALHO CUNHA, DIBEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARTEFATOS DE PLÁSTICO, LUIS FRANCISCO CASTILHO, DESTILARIA GENERALCO S/A - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL, ALCOAZUL S/A - INDUSTRIA E COMERCIO, BALDIN BIOENERGIA S.A. e COPLASA - AÇÚCAR E ÁLCOOL. 92. Os demais autuados a que se refere a Impugnante se conclui serem a E.N.S. SOCIEDADE SIMPLES LTDA, CNPJ 04.398.008/0001-09, autuada na mesma operação de fiscalização, no processo nº 10835.725129/2019-83, e os respectivos responsáveis solidários: Wolney de Medeiros Arruda Filho, CPF 249.786.418-70; Antonio Carlos Shiro Hachisuca, CPF nº 121.181.238-33; Grupo W Participações Fl. 14105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 35 Ltda, CNPJ 18.129.392/0001-59; Grupo WAF Imóveis, Participações e Empreendimentos Ltda, CNPJ 21.778.309/0001-87; Foregon Com S/A, CNPJ 04.100.845/0001-00; Plantae IF Fomento Comercial Ltda, CNPJ 02.526.976/0001- 28, e a presente Impugnante R.T.S Serviços e Cobranças Eireli, CNPJ 15.726.911/0001-78, ou seja, os mesmos do processo que ora se julga. 93. Esta DRJ09 (então DRJCTA) emitiu o Acórdão nº 06-69.050, de 12 de março de 2020, em relação às impugnações que foram apresentadas no processo da E.N.S.; no relatório e julgamento, constatou-se que os terceiros diligenciados em relação à autuação na E.N.S., excetuadas as duas pessoas físicas citadas, todas as pessoas jurídicas que listou são as mesmas que do presente processo. 94. E conforme se constatou, no processo da E.N.S., voto no Acórdão nº 05- 69.050, análoga reclamação não procede: No caso das diligências realizadas junto a terceiros, basta a leitura do Relatório Fiscal, onde não só estão descritas, como há reproduções dos documentos citados; assim, tanto a Autuada, como os responsáveis solidários, que foram cientificados e receberem cópias dos autos de infração e do Relatório Fiscal, não podem reclamar de não terem tido acesso aos documentos e teor das diligências e de não poder se defender do que lá consta; lembrando ainda que cada um, se quiser, poder solicitar cópia integral dos processo a qualquer momento. (Grifou-se.) 95. Em síntese, os mencionados terceiros tiveram, sim, acesso aos testemunhos das pessoas físicas e jurídicas diligenciadas, nada havendo de secreto. 2.2.1 Responsáveis solidários. Violação ao direito de defesa. 96. Acusam violação do direito de defesa pois não puderam acompanhar, inquirir ou contraditar os depoimentos tomados secretamente pelo Fiscal, porém, como reconheceu a Autuada R.T.S na sua impugnação, os documentos relativos às diligência junto a terceiros estão descritos, com cópias no Relatório de Fiscalização (págs. 11.580/11.587 e 11.611/11.694), cientificado juntamente com os autos de infração, e constam deste processo às págs. 6.217/11.239, e além disso, nada impedia os interessados de solicitar cópias ou vistas do processo; assim, não houve qualquer obstáculo para tomar conhecimento de tais depoimentos e documentos, para se defender nas impugnações que apresentaram. Não houve cerceamento da defesa. 2.3 MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. 97. Diz o Impugnante que houve erro ao qualificar as operações como de instituição financeiras e autuar de acordo, e que a correção deste equívoco fazendário implica na modificação do de critério jurídico do lançamento, vedado pelo art. 146 do CTN. 98. A Impugnante se refere à eventualidade de o presente julgamento pela DRJ09 concluir que não se caracteriza a atividade da Autuada como de instituição Fl. 14106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 36 financeira, e que então seriam aplicados percentuais de arbitramento relativos à prestação de serviços, o que seria modificação do critério jurídico; aponta que tal conclusão acarretará a nulidade da autuação – cabe esclarecer que, a aplicabilidade da qualificação da atividade desenvolvida como sendo de instituição financeira será analisada no mérito e só então se poderá concluir se procede, e, neste caso, analisar se a conclusão acarreta nulidade. 2.4 RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. FALTA DE TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO – TIF. PROVAS ILÍCITAS. 99. Acusam de ilícitas as provas, por ausência de TIF relativos aos mesmos e o consequente uso indevido de suas informações protegidas por sigilo fiscal. [...] 2.5 RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. DADOS DO ANO 2013, NÃO ABRANGIDO PELO TDPF. 102. Reclamam porque teriam sido utilizados dados da empresa relativos ao ano 2013, não abrangido pelo TDPF desta fiscalização, que especificou a fiscalização aos anos de 2015 a 2018. 103. Como relatado, os responsáveis solidários pela presente autuação, também já haviam sido responsabilizados no processo nº 10835.7251298/2019-83, da E.N.S.,cuja autuação já foi objeto do Acórdão nº 06-69.050, de 12 de março de 2020, por esta DRJ, e do qual foram cientificados. 104. Assim, aplica-se o que foi relatado e decidido no processo da E.N.S., julgado; cite-se aquele voto, em relação à idêntica reclamação: d2. Os autos de infração cobrem o período de 10/2014 até 12/2016, não tendo sido objeto de autuação qualquer fato do ano 2013, e se o Autuante anexou informações relativas a este ano, que foi objeto de análise no procedimento fiscal n° 0810500-2016-00004-6, que é justamente o nº do TDPF que o autorizou e do qual obviamente o contribuinte foi cientificado e cujo teor a Litigante reclamou, e cujos documentos se encontram às págs. 5.427/7.778 dos autos, isto se deu para fins de demonstrar a evolução das atividades da Autuada e demais envolvidos, auxiliando na compreensão do modus operandi da Autuada; da mesma forma, diligências junto a terceiros e entidades fazem parte do escopo do trabalho de fiscalização, na medida em que permitem avaliar no que consistem as atividades praticadas pelo contribuinte investigado. 2. Anexou-se à pág. 10.265, cópia do referido Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Diligência TDPF nº 0810500-2016-00004-6. (Anexado no presente processo à pág. (13.214, anexado neste processo) e objetivou “coleta de informações para subsidiar procedimento fiscal”) 3. Em síntese, a diligência relativa ao ano 2013 foi efetuada mediante autorização por TDPF e a presente autuação foi determinada pelo TDPF – Fl. 14107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 37 Fiscalização nº 08.1.05.00-2019-00067-5, pág. 10.264, que delimitou os anos- calendário de 2014 a 2016, cobriu exatamente estes períodos. 105. Analogamente, na autuação da R.T.S que ora se julga, os autos de infração cobrem o período de 01/01/2015 a 31/12/2018, não tendo sido autuado qualquer fato do ano 2013. 106. Em síntese, a diligência relativa ao ano 2013 foi efetuada mediante autorização por TDPF específico; e a presente autuação foi determinada pelo TDPF – Fiscalização nº 08.1.05.00-2019-00139, pág. 13.215, que delimitou os anos-calendário de 2015 a 2018, e cobriu exatamente estes períodos. [...] 3 Mérito. 108. Iniciou-se ação fiscal pelo TDPF 081500, 2018, 00243-7 na forma de diligência junto à E.N.S., em 03/01/2019, posteriormente convertida em procedimento de fiscalização determinado por meio do TDPF 081500-2019-0006-7, e referente ao período de 01/10/2014 a 31/12/2016; resultou na lavratura de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos a 10/2014 a 12/2016, e na lavratura de AI que exige Imposto sobre Operações Financeiras - IOF em relação às operações de crédito efetuadas com fatos geradores desde 10/01/2015 até 19/01/2016, auto este objeto do processo de nº 10835.725702/2019-59. 109. Em relação à R.T.S, primeiramente, houve a diligência (TDPF nº 0810500- 2019-00082-9) em 07/03/2019, convertida em procedimento de fiscalização (TDPF nº 0810500-2019-00139), em 09/04/2019, relativo a 01/01/2015 a 31/12/2018. 110. A R.T.S foi constituída em 24/05/2012 como Empresa Individual de Responsabilidade Limitada – Eireli, por Ricardo de Souza, CPF 109.207.588-78; capital social R$65.000,00 (aumentado para R$88.000,00 em 25/07/2016), objeto social, págs. 1.182/1.193, onde cumpre destacar que não consta a atividade de factoring, alegada: Cobranças e recebimentos extrajudiciais por conta de terceiros, inclusive direitos autorais, protestos de títulos, sustação de protestos, devolução de títulos não pagos, manutenção de títulos vencidos, fornecimento de posição de cobranças ou recebimentos e outros serviços correlatos de cobrança ou recebimento". 111. O Relatório Fiscal, pág. 11.728, informa que Ricardo de Souza se trata de pessoa “testa de ferro”, que mesmo constando como sócio administrador no cadastro da R.T.S., nunca informou a titularidade da R.T.S. nas DIRPF (fls. 11.113/11.159); nunca informou ter auferido rendimentos, lucros ou dividendos da R.T.S.; não informa rendimentos da E.N.S., sucedida pela R.T.S.; não possui bens declarados na DIRPF compatíveis com as vultosas receitas da R.T.S. e E.N.S.; bos recursos da atividade da R.T.S. e E.N.S. são desviados direta ou indiretamente Fl. 14108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 38 (empresas do Sr. Wolney) a favor do Wolney de Medeiros Arruda Filho, verdadeiro titular da R.T.S.. 112. À pág. 11.593, informa o autuante que a R.T.S. somente declarou R$561.048,03 de receitas no SPED ECF, nos anos 2016 e 2017 omitindo à tributação a maior parte das receitas auferidas, conforme se constatou na fiscalização: 113. À pág. 11.601, relata que a R.T.S. não apresentou o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, seja em meio digital, seja via transmissão à base SPED, ou seja, na Escrituração Contábil Fiscal – ECF, relativamente a todo o período fiscalizado, apesar de reiteradamente intimada para tanto. 114. Às págs. 11.603/11.605, que a R.T.S, apesar de reiteradamente intimada, não entregou a Escrituração Contábil Digital – ECD, que compreende os livros Diário, Razão, Balancetes e Balanços, enfim a contabilidade, a que estava obrigada e tampouco apresentou em meio magnético. 115. O Autuante concluiu, pág. 11.608: 3. RT.S. Serviços e Cobranças Eireli: empresa de fachada; sucessora da E.N.S.; em nome de interposta pessoa; sem empregados; controlada de fato pela Plantae lf; utilizada pela Plantae lf para realização das operações com sonegação e fraude fiscal; detida de fato pelo Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho; não transmitiu a ECD à base do SPED; omitiu no SPED ECF as receitas das operações e os tributos devidos; omitiu no SPED Contribuições as receitas das operações e tributos devidos; não ofereceu à tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS as receitas das operações de compra de direitos creditórios; não tributou o IOF sobre as operações de compra de direitos creditórios. 3.1 DA NATUREZA JURÍDICA DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA CONTRIBUINTE 116. A base legal do lançamento de IRPJ foi o art. 533 do RIR de 1999, que estabelece o percentual de arbitramento para instituições financeiras: Instituições Financeiras Art.533. Nas atividades desenvolvidas por bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de Fl. 14109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 39 previdência privada aberta, o percentual para determinação do lucro arbitrado será de quarenta e cinco por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, parágrafo único, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). (Grifou-se.) 117. E o RIR de 2018 (Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018), manteve a mesma determinação, no art. 606, sendo a mesma legislação base. 118. O Autuante, págs. 11.587/11.590, citou o Ato Declaratório Cosit nº 51 de 28 de setembro de 1994, que declarou que ao lucro líquido das empresas de factoring é a diferença entre o valor do título de crédito adquirido e o valor que pagou pelo mesmo; e o Parecer Normativo (PN) Cosit nº 05 de 10 de abril de 2014, que se apoiou em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ, especificou: 12. O desconto financeiro, efetuado em uma instituição financeira, caracteriza- se pela cessão onerosa de títulos de crédito mediante a transferência apenas do crédito, permanecendo o cedente com a responsabilidade pela insolvência do titulo, seja por meio de aval ou qualquer outra cláusula de responsabilidade pessoal, necessariamente estipulado no contrato no qual se ampara a cessão. Isso porque o contrato tipico dessa modalidade de transação configura-se como um mútuo de valor e vencimento coincidentes com o titulo, o que traduz uma operação exclusiva das instituições financeiras, sendo remunerada pelos juros incorridos entre o momento da cessão e o da liquidação do titulo. Os fatores de risco da operação concentram-se muito mais no mútuo do que no titulo. 13. Jà no desconto mercantil, denominado por faturização ou factoring quando operado por empresas dedicadas a essa atividade, todos os elementos do titulo são transferidos ao cessionário, e não admite qualquer cláusula que leve à responsabilidade do cedente pelo risco de crédito. 14. A jurisprudência tem enfatizado a neutralidade do cedente em relação ao risco de crédito de titulo faturizado, nos seguintes termos: (...) 15. As decisões distinguem a faturização do desconto financeiro dissociando o crédito do respectivo risco, ao afirmar que é o risco que a faturizadora adquire efetivamente. Na lógica adotada pela jurisprudência, a situação do crédito e a do risco definem a natureza das operações com titulos de crédito, concluindo que o desconto financeiro pretende o crédito, mas não o risco. Jà na faturização a cessão visa o risco, e não o crédito. Nessa perspectiva, o crédito e o risco, como elementos distintos, podem ter valores econômicos diferentes na cessão de titulos, sendo o crédito definido pelo valor a ser pago pelo devedor, e o risco, com preço avaliado e negociado entre cedente e cessionário. (Grifouse.) Fl. 14110DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 40 119. Adicionalmente, citou a Resolução nº 2.144 do CMN, em 22/02/1995, que se refere ao conceito de factoring: “segundo o art. 28. "parágrafo 1, alínea “c.4”” , da Lei n° 8.981, de 20.01.95, que conceitua como "factoring" a atividade de prestação cumulativa e continua" de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços.”, e esclarece que qualquer operação praticada "por empresa de fomento mercantil ("factoring") que não se ajuste à legislação supra, e que caracterize operação privativa de instituição financeira, nos termos do art. 17, da Lei nº 4.595, de 31.12.64, constitui ilícito administrativo (Lei nº 4.595, de 31.12.64) e criminal (Lei nº 7.492, de 16.06.86). 120. Na caractarização de instituição financeira, o Autuante se baseou na Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, que dispõe sobre o Sistema Financeiro Nacional e criou o Conselho Monetário Nacional, e que define: Art. 17. Consideram-se instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparam-se às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual. (Grifou-se.) 121. A partir da análise dos contratos que a Autuada firmou com seus clientes e da documentação das operações de crédito que efetuou, concluiu que a R.T.S operou como instituição financeira, porque impunha aos clientes que assumissem Fl. 14111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 41 o risco de inadimplência do título de crédito que comprava com deságio, e efetuou operações de crédito aos clientes, garantidas por notas promissórias: Conforme os trechos dos contratos exemplificativos transcritos no item 'a.1) Circularização a clientes" acima, a R.T.S. não assumia o risco do inadimplemento do pagamento. O cliente (contratante/fomentado) assumia a responsabilidade civil e criminal pela existência, legitimidade, legalidade e veracidade dos direitos creditórios negociados, bem como pelos vícios redibitórios, pela evicção, pela solvência do sacado/devedor principal, e pela inadimplência dos direitos creditórios negociados. A R.T.S. poderia pedir ao cliente a recompra dos direitos creditórios negociados para buscar sua recuperação diretamente perante o sacado/devedor principal ou demandar solidariamente em face de ambos, cliente (contratante/fomentado) e sacado/devedor. Registre-se que várias compras de direitos creditórios não eram resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring), mas sim eram direitos creditórios (notas promissórias) de produtores de cana-de-açúcar decorrentes de promessa de pagamento das usinas de açúcar e álcool pelo futuro fornecimento de cana de açúcar. Isto é, levantou-se notas promissórias sem amparo numa venda realizada ou serviço já prestado (vide notas promissórias rural da circularização do cliente Sérgio Donizetti Pavani às fls. 8084 a 8207). As receitas de vendas nem sequer tinham sido reconhecidas pelo produtor rural. Também por este fundamento que deve ser aplicado as alíquotas relativas às instituições financeiras. (Grifou-se.) 122. A Litigante questionou os fundamentos nos quais se apoiou a Fiscalização: 3.1.1 Análise. 3.1.1.1 Contratos. Cláusula de garantia em favor da empresa de factoring. Nulidade. [...] 129. A Litigante ainda invoca processo judicial, relativo a litígio entre uma cliente com a Plantae If, em que a apelante foi a Plantae If; trata da divergência entre as partes quanto ao montante devido na quitação antecipada do saldo devedor, em que a primeira instância considerou a operação mero empréstimo de dinheiro mas que o TJSP, na Apelação nº 0013932-08.2010.8.26.0066, 15ª Câmara de Direito Privado, DJ 18/08/2017, decidiu que a operação foi de fomento mercantil, e que os cálculos da apelante, conseqüentemente, estavam certos. 130. Ou seja, à vista da jurisprudência do STJ (superior ao TJSP), que se transcreveu na análise do Parecer Cosit nº 5, de 2014, a sentença do TJSP naquele processo, do qual foi parte a Plantae IF (e não a Autuada), citado pelo Autuante no caso da ENS, mas não nos presentes autos, contrariou o entendimento pacificado no STJ. Fl. 14112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 42 131. Invocou a Litigante os arts. 286, 295/296 do CC; no entanto, não há regulamentação específica nesta lei para contratos de fomento mercantil, também denominado comercial ou factoring. 132. A análise supra evidencia que a jurisprudência do STJ é em consonância com os arts. 295 e 296 do CC invocados pela Litigante, ou seja, que na cessão de crédito por título oneroso, o cedente é responsável ao cessionário, pela existência do crédito que cedeu (isto é, de que não se trata de crédito fictício ou fraudulento, mas real e efetivo); no que tange à interpretação que a Litigante lhes atribui, ou seja, de que os citados artigos do CC admitiriam que numa operação de factorig estaria facultado às partes estipular no contrato que o cliente assuma o risco da inadimplência do título, a interpretação colide não só com a jurisprudêcia do STJ, mas vai contra a própria ANFAC-Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil [...] [...] 133. Em síntese, se a Autuada, além da atividade de factoring (que não constava do seu objeto social), também efetuou empréstimos garantidos por Notas Promissórias emitidas pelos produtores rurais (que teriam uma programação de valores a receber das usinas sucroalcooleiras, para entregas futuras) e, nos casos de descontos e cheques e/ou outros títulos de crédito, exigiu que o cliente assumisse a responsabilidade no caso de inadimplência do emissor deste título, fica evidente ter praticado operações exclusivas de instituições financeiras para as quais deve haver autorização do Banco Central do Brasil – Bacen. 3.1.1.2 Operação praticada "por empresa de fomento mercantil ou comercial ("factoring") que não se ajuste à legislação. Operação privativa de instituição financeira. Efeitos. 134. A Fiscalização se baseou na Resolução nº 2.144 do CMN, de 1995, para concluir que , se as operações exercidas pela R.T.S foram descaracterizadas como tal, então, a Autuada incorreu em ilícitos administrativo e criminal [...] [...] 135. A R.T.S. assevera que exerceu a atividade de factoring, a par das atividades listadas no seu objeto social; mas como já se viu, não consta que a R.T.S, nem a E.N.S., tivessem se associado à ANFAC, o que seria um argumento no sentido de que atuaram em factoring; e tampouco consta esta atividade no objeto social da Autuada. 136. Se o contribuinte Autuado, sob a aparência de factoring, adquiriu títulos dos clientes e exigiu que estes assumissem o risco da solvência dos mesmos, tais operações não são de factoring, conforme se analisou no título precedente deste voto. [...] Fl. 14113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 43 3.1.1.3 Operações realizadas pela Autuada. Factoring x operações privativas de instituição financeira? 143. O Autuante qualifica a R.T.S como sucessora da E.N.S., cuja autuação relativa às mesmas infrações, no processo nº 10835.725129/2019-83, cobriu o período desde o 4º trim/2014 até 31/12/2016, dado que a atuação de ambas empresas se sobrepôs por um período, como se verá adiante. 144. Afirma o Autuante que, na análise dos contratos e da documentação das operações, identificou que a R.T.S impunha aos clientes que assumissem o risco de inadimplência dos títulos de crédito que comprou (o que, conforme a jurisprudência do STJ, descaracteriza a operação como sendo de factoring) e também realizou operações de crédito garantidas por notas promissórias (operações exclusivas de instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central). 145. Consta do Relatório Fiscal que o contribuinte apesar de sucessivamente intimado a apresentar os contratos, limitando-se a fornecer somente uma parcela insignificante (vide fls. 95 a 145); mas que, em circularização a clientes, constatou contratos omitidos de operações de compra de direitos creditórios, cujas receitas foram sonegadas. 146. E relata ainda a Fiscalização: A faturização opera com a compra de direitos creditórios originados em vendas a prazo de bens e serviços. No entanto, conforme documentos levantados com clientes circularizados, demonstram que várias operações referem-se a antecipação de créditos decorrentes de vendas futuras de cana-de-açúcar. Conforme os trechos dos contratos exemplificativos transcritos no item “a.1) Circularização a clientes" acima, a R.T.S. não assumia o risco do inadimplemento do pagamento. O cliente (contratante/fomentado) assumia a responsabilidade civil e criminal pela existência, legitimidade, legalidade e veracidade dos direitos creditórios negociados, bem como pelos vícios redibitórios, pela evicção, pela solvência do sacado/devedor principal, e pela inadimplência dos direitos creditórios negociados. A R.T.S. poderia pedir ao cliente a recompra dos direitos creditórios negociados para buscar sua recuperação diretamente perante o sacado/devedor principal ou demandar solidariamente em face de ambos, cliente (contratante/fomentado) e sacado/devedor. Registre-se que várias compras de direitos creditórios não eram resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring), mas sim eram direitos creditórios (notas promissórias) de produtores de cana-de-açúcar decorrentes de promessa de pagamento das usinas de açúcar e álcool pelo futuro fornecimento de cana de açúcar. Isto é, levantou-se notas promissórias sem amparo numa venda realizada ou serviço já prestado (vide notas promissórias rural da circularização do cliente Sérgio Donizetti Pavani às fls. 8084 a 8207). As receitas de vendas nem sequer tinham sido reconhecidas pelo produtor rural. Também por este fundamento que deve ser aplicado as alíquotas relativas às instituições financeiras. Fl. 14114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 44 147. E a Fiscalização relata as atividades que a E.N.S. informou desenvolver (às quais a sucessora R.T.S deu continuidade), pois identificou a formação de grupo econômico (o que é objeto de análise e conclusão em tópico específico, adiante, neste voto), com base nos elementos descritos às págs. 11.608/11.610, sob o comando de Wolney de Medeiros Arruda Filho e que, tendo a E.N.S. cessado suas atividades ao longo do ano 2016, deu-se a continuidade às atividades pela ora Autuada, R.T.S. 148. A Fiscalização também descreve as informações obtidas nas circularizações a clientes, que foram intimados a apresentar documentos de operações com a E.N.S. e com a R.T.S, págs. 11.580/11.587, 11.659 e 11.663/11.695: Segundo os contratos coletados mediante procedimento de circularização a clientes, a fiscalizada desempenhava a atividade de aquisição de direitos creditórios dos clientes com deságio, que corresponde atividade típica de empresas de fomento mercantil (factoring) ou instituição financeira, sendo que o cliente/contratante/fomentada respondia pela solvência do SACADO/DEVEDOR PRINCIPAL, e pela inadimplência dos direitos creditórios negociados. A seguir, são transcritos a título meramente exemplificativos trechos de alguns contratos obtidos após procedimento de circularização a clientes. Exemplo 1 (vide fls. 7255 a 7321) CONTRATO DE FOMENTO MERCANTIL QUADRO I- CONTRATANTE/FOMENTADA Nome: EDUARDO VANDER MILANI QUADRO III - CONTRATADA/FOMENTADORA Nome:R.T.S. Serviços e Cobranças Eireli CLÁUSULA Ia - OBJETO: O Contrato tem por objeto a aquisição à vista, total ou parcial, dos direitos creditórios gerados pela CONTRATANTE em sua atividade empresarial. CLÁUSULA 3a - DA AQUISIÇÃO DOS DIREITOS CREDITÓRIOS ENDOSSO: Os títulos de crédito serão adquiridos por endosso pleno e em preto, assumindo a CONTRATANTE (endossante) responsabilidade solidária, na forma da legislação cambiária específica estipulada na Cláusula 1a deste Contrato. CESSÃO DE CRÉDITO: Os direitos creditórios não representados por títulos de crédito serão adquiridos por cessão ordinária de crédito, regulada pelos artigos 286 a 2981 DO Código Civil, mas, responde a CONTRATANTE (cedente), bem como seus FIADORES, pela solvência do SACADO / DEVEDOR PRINCIPAL, pela existência, legitimidade, legalidade, veracidade e pela inadimplência do direito creditório negociado. CLÁUSULA 5a - DA RESPONSABILIDADE DA CONTRATANTE: A CONTRATANTE assume a responsabilidade civil e criminal pela existência, legitimidade, legalidade e veracidade dos direitos creditórios negociados, bem como pelos Fl. 14115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 45 vícios redibitórios, peia evicção, pela solvência do SACADO/ DEVEDOR PRINCIPAL, e pela inadimplência dos direitos creditórios negociados. PARÁGRAFO 1º - Nas hipóteses descritas nesta cláusula, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis, a CONTRATADA poderá exigir da CONTRATANTE a recompra dos direitos creditórios negociados, em até 48 (quarenta e oito) horas, para buscar sua recuperação diretamente perante o SACADO / DEVEDOR PRINCIPAL, ou demandar solidariamente em face de ambos, CONTRATANTE e SACADO/DEVEDOR PRINCIPAL [...] 149. Às págs. 11.613/11.654 e 11.633/11.694, copia da documentação relativa a este contrato, e outros, em que, nas diversas operações mostradas, se evidencia que era exigida garantia de solvência do título dito faturizado, pelo cliente, o que caracteriza desconto financeiro e não “factoring” [...] [...] 150. Relata ainda a Fiscalização, págs. 11.659/11.633, processos de execução extrajudicial (confissão de dívida) movidos pela E.N.S., contra clientes, evidenciando que se o título não foi pago, o cliente assumia a responsabilidade, e que a E.N.S. era representada por empregado da Plantae If, evidenciando a atuação como grupo de fato, dessas empresas, e ligação de Wolney de Medeiros Arruda Filho, com a R.T.S. 151. Em síntese, os fatos relatados evidenciam que as citadas empresas atuavam como um grupo empresarial, efetuando empréstimos aos clientes garantidos com notas promissórias, e efetuando descontos de títulos diversos, exigindo garantia dos clientes; e que por meio da Plantae If, Wolney de Arruda Medeiros Filho, exerceu o comando deste grupo, sendo a R.T.S, parte atuante nas atividades que o grupo desenvolveu, ou seja, sim, efetuou operações caracterizadas como específicas de instituições financeiras que exigem autorização pelo Banco Central, às quais não estava autorizada. 3.2 ARBITRAMENTO DO LUCRO. PERCENTUAL APLICÁVEL. 152. A Litigante assevera que operava como factoring, porém utilizou o regime de declaração do pelo lucro presumido, que é vedado para a atividade; o art. 14, VI da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, estipula que estão obrigadas à apuração pelo lucro real, as pessoas jurídicas que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). 153. Só por este motivo, a R.T.S já se qualificava a ser autuada pelo lucro arbitrado, conforme determinava então o art. 530, IV do RIR de 1999, que consta do Relatório Fiscal; e agora o art. 603, V, do RIR de 2018. Fl. 14116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 46 154. A RTS não contesta o fato de que não tinha escrituração contábil, o que confirma à pág. 13.158, na sua impugnação, mas acusa ausência de norma para a base de cálculo do lucro arbitrado de instituições financeiras pois a fiscalização aplicou o parágrafo único do art. 16 da Lei n° 9.249/95, de 45% de arbitramento do lucro, para as instituições a que se refere o art. 36, III da Lei nº 8.981, de 1995; mas que referido art. 36 foi revogado pelo art. 18, III da Lei n° 9.718, de 1998, que, infelizmente, não estabeleceu novo rol de atividades sujeitas ao arbitramento dos de 45%; assim, a falta de norma expressa a superar o vácuo legislativo criado, que impede, inclusive, a sua simples "substituição" a critério da autoridade administrativa. E aduz que o percentual aplicável no arbitramento, para a presente autuação deveria ter sido de 32% do art. 15, § 1º, III, “d” da Lei nº 9.249, de 1995, acrescido dos 20% definidos pelo art. 16 da mesma lei, totalizando 38,4%. [...] o dispositivo que determina o percentual de 45% de arbitramento para as atividades de instituições financeiras, não foi revogado; e o inciso III do art. 36, foi substituído na Lei nº 9.718, de 1998, que o revogou, pelo inciso II do art. 14 o qual, assim como no dispositivo revogado e substituído por este, determina que as instituições financeiras devem apurar o imposto de renda pelo lucro real. 160. E para espancar qualquer dúvida, o RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, vigente quando da autuação), no seu já citado art. 533, era bem claro que para as Instituições o percentual para determinação do lucro arbitrado será de 45% (quarenta e cinco por cento); e RIR de 2018, manteve a mesma determinação. 161. Conclui-se que não procede a reclamação. 3.3 ALÍQUOTAS DE CSLL E COFINS. 162. Aponta vício no lançamento da CSLL pela utilização da alíquota de 15% para os fatos geradores 2ºtrim/2015 e 1º/09/2015, e 20% dali em diante; e 4% na apuração da Cofins. 163. As alíquotas aplicadas pelo autuante seguiram a legislação que consta da capitulação legal, Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, antes e depois da redação dada pela Lei nº 11.717, de 2008, e pelo art. 1º da Lei nº 13.169, de 2015 [...] [...] 164. As alíquotas de PIS e Cofins aplicadas foram respectivamente 0,65% e 4%, aplicáveis às instituições financeiras, de acordo com a conclusão fiscal, e base legal das autuações. 3.4 CSLL. BASE DE CÁLCULO. 165. A Litigante acusa contradição e incoerência entre a qualificação da Autuada como "instituição financeira" e a fixação da base de cálculo da CSLL segundo o Fl. 14117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 47 critério das empresas de fomento mercantil; que a legislação impede que a autoridade administrativa requalifique juridicamente o fato dentro do mesmo lançamento, submetendo-o a consequências fiscais distintas, como no caso. 166. Eis que a autuação foi pelo regime do lucro arbitrado, sobre duas infrações: a) Omissão de receitas de operações de desconto de título de crédito e b) Omissão de Receita por Presunção Legal, Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. 167. O coeficiente aplicado na apuração da base de cálculo foi de 32% em todos os períodos e sobre a totalidade da receita omitida, consoante a base legal informada, haja vista que, no arbitramento não há majoração na base de cálculo da CSLL, aplicando-se as normas de apuração das pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, no caso, prestadoras de serviços. 3.5 OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL, DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. 168. Assevera que esclareceu a origem dos depósitos/créditos recebidos, e que é o suficiente, sem necessidade de esclarecimento da causa dos recebimentos; assim, a teor do RE nº 855.649/RS, afirma que só podem ser autuados os depósitos cuja origem não tenha sido comprovada a origem, pelo contribuinte no âmbito do procedimento fiscal. 169. A presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza presumir que se trata de receita omitida, crédito/depósito recebido pelo contribuinte em contas que mantém em instituições financeiras se, devidamente intimado, não apresentar documentação hábil e idônea comprovando que se trata de recursos não tributáveis, ou já tributados, ou tributados exclusivamente na fonte, ou ainda estornos, devoluções, financiamentos tomados, transferências intercontas. 170. E se o contribuinte intimado, apresentar comprovantes que permitam identificar que se trata de receitas da atividade, como foi o caso dos recebimentos que identificou informando os Borderôs da operações e os clientes, durante o procedimento fiscal, então, tal receita não declarada, ou seja, que foi omitida, será autuada como tal – o que foi o presente caso. Todos as operações que o contribuinte comprovou à Fiscalização que se tratava de operações de empréstimo ou de descontos, tiveram suas receitas apuradas e foi lavrada a devida autuação, infração “a) Omissão de receitas de operações de desconto de título de crédito”, estando as operações listadas no Anexo II. 171. Quanto aos demais créditos/depósitos recebidos, no entanto, conforme o Relatório Fiscal: Em 10/07/2019, o sujeito passivo é intimado, por meio do TIF n° 05, a cumprir no prazo de 20 dias, as seguintes exigências. Fl. 14118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 48 1 - Demonstrar individualizadamente, mediante preenchimento e apresentação do arquivo Excel do Anexo I, a origem, a causa e o oferecimento à tributação dos depósitos recebidos. Prazo: 20 dias. (...) Em 29/07/2019, o sujeito passivo em atendimento ao TIF n° 5: fornece extrato da Prefeitura Municipal de Presidente Prudente de notas fiscais emitidas; apresenta planilha do Anexo I parcialmente preenchida para demonstrar a origem e causa dos depósitos recebidos, assim como o beneficiário e causa dos pagamentos realizados; e solicita prorrogação de prazo para complementar o preenchimento do Anexo I. 172. Nesta resposta, pág. 727, o contribuinte identificou créditos relacionados aos Borderôs e, por amostragem, se constatou que todos os Borderôs informados foram objeto de autuação na infração “a) Omissão de receitas de operações de desconto de título de crédito”, Anexo II [...] [...] 176. Concluiu o Autuante, após análise das respostas: Do exame das respostas dadas pelo contribuinte, constata-se que somente uma parte dos depósitos bancários recebidos tiveram demonstradas a origem e a causa. Logo, constitui presunção de omissão de receitas e rendimentos os valores creditados em conta depósito ou de investimento, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou individualizadamente, mediante documentação hábil e idônea, a origem, causa e oferecimento à tributação. (...) O contribuinte omitiu as receitas decorrentes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais, regularmente intimado e reintimado, não comprovou, individualizadamente, mediante documentação hábil e idônea, a origem, causa e oferecimento à tributação dos recursos utilizados nessas operações. 177. Os valores autuados como Omissão de Receita por Presunção Legal, Depósitos Bancários de Origem não Comprovada estão discriminados no Anexo I, pág. 11.730. 3.5.1 Omissão de receitas de operações de desconto de título de crédito. Valores a Excluir. 178. Diz a Impugnante, pág. 13.165: O lançamento tributário foi realizado em cima de dois grandes pontos: (i) os depósitos bancários de origem supostamente não comprovada e (ii) omissão de receitas de operações de desconto de títulos de crédito. Fl. 14119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 49 Em relação ao primeiro item, o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 prevê a omissão de receita ou de rendimento - em relação aos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, através de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Desta maneira, a contrario sensu, havendo a comprovação da sua origem, os valores deverão ser excluídos do lançamento. Em relação ao segundo item, estão sendo tributados fatos que, infelizmente, não correspondem a operações de factoring, nem representam receita da Autuada, escapando ao fato gerador dos tributos contidos na autuação. (Grifou-se.) 179. Apresenta às págs. 13.165/13.179: (i) Operações de “trustee”; (ii) depósitos bancários oriundos de simples transferência entre empresas (E.N.S.xR.T.S); (iii) liquidações de cobrança efetuadas pela própria Autuada; iv) estornos de lançamentos bancários e devoluções de cheques; (v) outros depósitos, que, argumenta, devem ser excluídos desta infração, pois nem são operações de factoring, nem receitas da Autuada. a. (i) Operações de “trustee”: descreve o que significa e cita a Solução de Consulta nº 41 Cosit de 31/03/2020, que diz que “14. O trustee é a pessoa ou instituição que irá administrar os bens, ressaltando-se que os bens não se confundem com o patrimônio pessoal do trustee, mas formam um patrimônio à parte.”, para argumentar que neste caso, “os valores recebidos pela faturizada não constituírem “receita” da própria atividade, conquanto tais valores são de titularidade dos seus próprios clientes, a quem caberá submetê-los à tributação”. No Anexo Consolidação, consta o valor total de R$4.199.443,59; [...] b. (ii) depósitos bancários oriundos de simples transferências entre empresas (E.N.S. x R.T.S), pois (No Anexo Consolidação, pág. 13.208, consta o valor total de R$4.050.000,00); c. (iii) liquidações de cobrança efetuadas pela própria Autuada, pois o índice de adimplência das obrigações contratadas inlui no rating da carteira de liquidação (cobrança) que demonstra a estabilidade e segurança das operações realizadas, em especial a previsibilidade ao recebimento dos recursos para a aquisição de novas operações, e funciona como meio de antecipação de recursos junto às instituições financeiras, dando fôlego às faturizadoras em momento de baixa liquidez e por isso, quando os sacados (“devedores originais”) informavam a dificuldade para a satisfação das obrigações adquiridas pela Autuada ou mesmo quando solicitavam a postergação do adimplemento, a Recorrente promovia o pagamento – total ou parcial, conforme o caso – dos títulos, evitando o rebaixamento do rating da carteira. No Anexo Consolidação, consta o valor de R$7.413.039,52. Fl. 14120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 50 d. (iv) estornos de lançamentos bancários e devoluções de cheques. No Anexo Consolidação, consta o valor total de R$1.571.067,09. e. (v) outros depósitos, cita autores e Acórdãos do CARF, no sentido de que a verdade material deve prevalecer, apresenta planilha “Depósitos Bancários Outros”, na qual (No Anexo Consolidação, consta o valor total de R$15.518.946,90): 180. Apesar da introdução apresentada, evidencia-se do teor das alegações que, na verdade, a Litigante questiona valores que foram autuados a título de “Omissão de Receitas. Depósitos bancários de origem não esclarecida”, os quais se analisam a seguir. 181. (i) Operações de “trustee”: relaciona 9 (nove) operações na planilha de pág. 13.209, na qual discrimina data, dado na Planilha da Fiscalização, conta, e informa que os comprovantes são extratos bancários e Borderôs que reproduz, e detalha cada operação. 182. Esclarece a sequência da Ordem 1: Momento 1: discriminação da data do recebimento dos recursos, a conta bancária em que foram creditados, o cliente a que se referem e os valores pertinentes. Prova: extrato bancário inserido logo abaixo, com seta indicando a data e os valores antes mencionados. Momento 2: recebimento - via retenção - dos valores cedidos à empresa, no borderô mencionado. Prova: apresentação do borderô, indicando a operação total realizada, com a discriminação de cada recebível cedido, com o respectivo valor, data de vencimento, prazo, deságio, o valor líquido recebido pelo cliente à época da contratação e o sacado. Momento 3: idem ao anterior, embora em relação a outro borderô. Momento 4: a Autuada remete ao cliente o valor líquido, após as retenções acima discriminadas. Encontro de contas: à Autuada foram transferidos R$ 860.576,35, tendo sido retido o valor exclusivo dos valores antecipados pelo cliente (RS 479.470,00) e, em seguida, transferidos integralmente a quantia restante (R$ 381.106,35), os quais, obviamente, totalizam a quantia inicial recebida. a. Ordem 1: Momento 1 - créditos no valor total R$860.576,35, que constam como depósitos de origem não comprovada no Anexo I da Fiscalização, recebidos no dia 05/08/2016, com o histórico “TED -... remet Cofco Brasil S/A", na conta 406-5, agência 3386; 2. Momento 2 - na Planilha do contribuinte, o Borderô 12432 (que é controle interno do contribuinte), indica que o cliente “Carlos Alberto Dadona e”, em 16/11/2015, descontou seis títulos PARC da COFCO, de R$327.500,00 cada, com vencimentos mensais em 10/06/2016, 10/07/2016, 10/08/2016, 10/09/2016, 10/10/2016 e 10/11/2016, totalizando R$1.965.000,00, e o Valor Pago foi Fl. 14121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 51 R$1.500.222,93; na Planilha do contribuinte, em 05/08/2016, débitos de R$327.500,00 (amortização parcela 3/6) e R$81.875,00 (amortização parcial parcela 1/6), todos do Borderô 12432; no Anexo I da Fiscalização não constam estes débitos; 3. Momento 3 - na Planilha do contribuinte, em 05/08/2016, débito de R$70.095,00 (amortização parcela 2/4) referente a outro Borderô de nº 12718; no Anexo I da Fiscalização não consta este débito; 1. na Planilha do contribuinte, o Borderô 12718, indica que o cliente “Carlos Alberto Dadona e”, em 22/04/2014, descontou quatro títulos PARC da COFCO, de R$70.095,00 cada, com vencimentos mensais em 10/07/2016, 10/08/2016, 10/09/2016 e 10/10/2016 totalizando R$280.380,00, e o Valor Pago foi R$250.940,10; 4. Momento 4 - na Planilha do contribuinte, em 05/08/2016, débito de R$381.106,35 (transf para “Carlos Alberto Dadona e” referente a devolução da diferença após amortizações); no Anexo I da Fiscalização, consta o débito deste valor classificado como “Pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa", na mesma data, conta, com o histórico "Transf CC para CC PJ Carlos Alberto Dadona"; 1. Nenhum destes Borderôs 12432 e 12718 consta do Anexo II da Fiscalização, referente às operações financeiras, cujas receitas foram autuadas neste processo; 2. também não há prova de que o contribuinte ofereceu as receitas à tributação; 3. Em síntese, em concreto, tem-se que a R.T.S recebeu R$860.576,35 de créditos da COFCO em 05/08/2016 e, em 08/08/2016, pagou R$381.106,35 a Carlos Alberto Dadona e; alega que teria pago ao mesmo R$1.500.222,93 em 16/11/2015 (Valor Pago no Borderô 12432) e R$250.940,10 em 22/04/2014 (Borderô 12718), não havendo comprovação de tais pagamentos; não apresenta contrato dessas operações; alega que “Carlos Alberto Dadona e” é trustee, ou seja, um intermediário entre a R.T.S e clientes, que sequer são informados; b. Ordem 2: Momento 1 - créditos no valor total R$614.242,01, que constam como depósitos de origem não comprovada no Anexo I da Fiscalização, recebidos no dia 08/09/2016, com o histórico “TED -... remet Cofco Brasil S/A", na conta 406-5, agência 3386; 2. Momento 2 - na Planilha do contribuinte, o mesmo Borderô 12432, com os mesmos dados; e ainda na Planilha do contribuinte, em 08/09/2016, débitos de R$327.500,00 (amortização parcela 4/6) e R$81.875,00 (amortização parcial parcela 1/6), todos do Borderô 12432; no Anexo I da Fiscalização não constam estes débitos; Fl. 14122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 52 3. Momento 3 - na Planilha do contribuinte, em 08/09/2016, débito de R$70.095,00 (amortização parcela 3/4) referente a outro Borderô de nº 12718 já descrito; no Anexo I da Fiscalização não consta este débito; 4. Momento 4 - na Planilha do contribuinte, em 09/09/2016, débito de R$134.772,01 (transf CC para CC PJ Carlos Alberto Daladona); no Anexo I da Fiscalização, consta o débito deste valor classificado como “Pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa", na mesma data, conta, sendo o histórico "Transf CC para CC PJ Carlos Alberto Dadona"; 1. Reitera-se que nenhum destes Borderôs 12432 e 12718 consta do Anexo II da Fiscalização, referente às operações financeiras, cujas receitas foram autuadas neste processo; 2. também não há prova de que o contribuinte ofereceu as receitas à tributação; 3. Em síntese, em concreto, tem-se que a R.T.S recebeu R$614.242,01 de créditos da COFCO em 08/09/2016 e, em 09/09/2016, pagou R$134.772,01 a Carlos Alberto Dadona; alega que teria pago ao mesmo R$1.500.222,93 em 16/11/2015 (Valor Pago Borderô 12432) e R$250.940,10 em 22/04/2014 (Borderô 12718), não havendo comprovação de tais pagamentos; não apresenta contrato dessas operações; alega que “Carlos Alberto Dadona e” é trustee, ou seja, um intermediário entre a R.T.S e clientes, que sequer são informados; c. Ordem 3: Momento 1 - créditos no valor total R$683.097,40, que constam como depósitos de origem não comprovada no Anexo I da Fiscalização, recebidos no dia 07/10/2016, com o histórico e “DOC... e TED -... remet Cofco Brasil S/A", na conta 406-5, agência 3386; 2. Momento 2 - na Planilha do contribuinte, o mesmo Borderô 12432, com os mesmos dados; e ainda na Planilha do contribuinte, em 07/10/2016, débitos de R$327.500,00 (amortização parcela 5/6) e R$81.875,00 (amortização parcial parcela 1/6), todos do Borderô 12432; no Anexo I da Fiscalização não constam estes débitos; 3. Momento 3 - na Planilha do contribuinte, em 07/10/2016, débito de R$70.095,00 (amortização parcela 4/4) referente a outro Borderô de nº 12718 já descrito; no Anexo I da Fiscalização não consta este débito; 4. Momento 4 - na Planilha do contribuinte, em 10/10/2016, débito de R$203.627,40 (transf CC para CC PJ Carlos Alberto Daladona); no Anexo I da Fiscalização, consta o débito deste valor classificado como “Pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa", na mesma data, conta, sendo o histórico "Transf CC para CC PJ Carlos Alberto Dadona"; 1. Reitera-se que nenhum destes Borderôs 12432 e 12718 consta do Anexo II da Fiscalização, referente às operações financeiras, cujas receitas foram autuadas neste processo; Fl. 14123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 53 2. também não há prova de que o contribuinte ofereceu as receitas à tributação; 3. Em síntese, em concreto, tem-se que a R.T.S recebeu R$683.097,40 de créditos da COFCO em 07/10/2016 e, em 10/10/2016, pagou R$203.627,40 a Carlos Alberto Dadona; alega que teria pago ao mesmo R$1.500.222,93 em 16/11/2015 (Valor Pago Borderô 12432) e R$250.940,10 em 22/04/2014 (Borderô 12718), não havendo comprovação de tais pagamentos; não apresenta contrato dessas operações; alega que “Carlos Alberto Dadona e” é trustee, ou seja, um intermediário entre a R.T.S e clientes, que sequer são informados; d. Ordem 4: Momento 1 - créditos no valor total R$660.477,36, que constam como depósitos de origem não comprovada no Anexo I da Fiscalização, recebidos no dia 08/11/2016, com o histórico e “DOC... e TED -... remet Cofco Brasil S/A", na conta 406-5, agência 3386; 2. Momento 2 - na Planilha do contribuinte, o mesmo Borderô 12432, com os mesmos dados; e ainda na Planilha do contribuinte, em 08/11/2016, débitos de R$327.500,00 (amortização parcela 6/6) e R$81.875,00 (amortização parcial parcela 1/6), todos do Borderô 12432; no Anexo I da Fiscalização não constam estes débitos; 3. Momento 3 - na Planilha do contribuinte, em 09/11/2016, débito de R$251.102,36 (transf CC para CC PJ Carlos Alberto Daladona); no Anexo I da Fiscalização, consta o débito deste valor classificado como “Pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa", na mesma data, conta, sendo o histórico "Transf CC para CC PJ Carlos Alberto Dadona" 1. Reitera-se que o Borderôs 12432 não consta do Anexo II da Fiscalização, referente às operações financeiras, cujas receitas foram autuadas neste processo; 2. também não há prova de que o contribuinte ofereceu as receitas à tributação; 3. Em síntese, em concreto, tem-se que a R.T.S recebeu R$660.477,36 de créditos da COFCO em 08/11/2016 e, em 09/11/2016, pagou R$251.102,36 a Carlos Alberto Dadona; alega que teria pago ao mesmo R$1.500.222,93 em 16/11/2015 (Valor Pago Borderô 12432) e R$250.940,10 em 22/04/2014 (Borderô 12718), não havendo comprovação de tais pagamentos; não apresenta contrato dessas operações; alega que “Carlos Alberto Dadona e” é trustee, ou seja, um intermediário entre a R.T.S e clientes, que sequer são informados; e. Ordem 5: Momento 1 - créditos no valor total R$708.805,96, que constam como depósitos de origem não comprovada no Anexo I da Fiscalização, recebidos no dia 07/12/2016, com o histórico e “DOC... e TED -... remet Cofco Brasil S/A", na conta 406-5, agência 3386; 2. Momento 2 - na Planilha do contribuinte, em 09/12/2016, débito de R$708.805,96 (transf CC para CC PJ Carlos Alberto Daladona); no Anexo I da Fiscalização, consta o débito deste valor classificado como “Pagamento a Fl. 14124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 54 beneficiário não identificado ou sem causa", na mesma data, conta, sendo o histórico "Transf CC para CC PJ Carlos Alberto Dadona" 1. Não se informa Borderô. f. Ordem 6: Momento 1 - créditos no valor total R$175.280,33, que constam como depósitos de origem não comprovada no Anexo I da Fiscalização, recebidos no dia 06/01/2017, com o histórico e “DOC... e TED -... remet Cofco Brasil S/A", na conta 406-5, agência 3386; 2. Momento 2 - na Planilha do contribuinte, em 09/01/2017, débito de R$175.280,33 (transf CC para CC PJ Carlos Alberto Daladona); no Anexo I da Fiscalização, consta o débito deste valor classificado como “Pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa", na mesma data, conta, sendo o histórico "Transf CC para CC PJ Carlos Alberto Dadona"; 1. Não se informa Borderô. g. Ordem 7: Momento 1 - créditos no valor total R$201.550,18, que constam como depósitos de origem não comprovada no Anexo I da Fiscalização, recebidos no dia 17/04/2017, com o histórico e “TED -... remet Cofco Brasil S/A", na conta 406-5, agência 3386; 2. Momento 2 - na Planilha do contribuinte, em 18/04/2017, débito de R$201.550,18 (transf CC para CC PJ Carlos Alberto Daladona); no Anexo I da Fiscalização, consta o débito deste valor classificado como “Pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa", na mesma data, conta, sendo o histórico "Transf CC para CC PJ Carlos Alberto Dadona"; 1. Não se informa Borderô. h. Ordem 8: Momento 1 - crédito de R$41.472,90, que constam como depósitos de origem não comprovada no Anexo I da Fiscalização, recebidos no dia 08/05/2017, com o histórico e “TED -... remet Cofco Brasil S/A", na conta 406-5, agência 3386; 2. Momento 2 - na Planilha do contribuinte, em 09/05/2017, débito de R$41.472,90 (transf CC para CC PJ Carlos Alberto Daladona); no Anexo I da Fiscalização, consta o débito deste valor classificado como “Pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa", na mesma data, conta, sendo o histórico "Transf CC para CC PJ Carlos Alberto Dadona"; 1. Não se informa Borderô. i. Ordem 9: Momento 1 - créditos no total de R$253.941,10, que constam como depósitos de origem não comprovada no Anexo I da Fiscalização, recebidos no dia 07/06/2017, com o histórico e “TED -... remet Cofco Brasil S/A", na conta 406-5, agência 3386; 1. na Planilha do contribuinte, consta débito de R$26.841,00, em 07/06/2017, de Juros sobre prorrogações; Fl. 14125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 55 3. Momento 2 - na Planilha do contribuinte, em 08/06/2017, débito de R$227.100,10 (transf CC para CC PJ Carlos Alberto Daladona); no Anexo I da Fiscalização, consta o débito deste valor classificado como “Pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa", na mesma data, conta, sendo o histórico "Transf CC para CC PJ Carlos Alberto Dadona" 1. Não se informa Borderô. j. Análise: Elaborou-se uma planilha com os dados das operações informadas: 2. No quadro supra tem-se que a RTS, recebeu em suas contas bancárias um total de R$4.199.443,59 da COFCO, confirmados pelos extratos; 3. teria pago para “Carlos Alberto Daladona e” R$(250.940,10+1.500.222,93=) 1.751.463,03, por conta do desconto dos títulos PARC, segundo os Borderôs apresentados, que são controles internos da Autuada; não há documento que confirme e não constam esses débitos nos extratos transcritos no Anexo I da Fiscalização; 4. e pagou para “Carlos Alberto Daladona e” R$2.324.817,59 nas mesmas datas em que a COFCO efetuou os depósitos, sendo tais pagamentos confirmados pelos extratos bancários, e este valor representa 55% dos pagamentos recebidos da COFCO; se somado este valor aos adiantamentos informados nos Borderôs, totalizaria R$4.075.980,62; 5. No Anexo II da Fiscalização, relativo à “Omissão de receitas de operações de desconto de título de crédito”, não consta cliente “Carlos Alberto Dadona e”, e se é um trustee, não consta qual cliente representa; 6. Não há prova de que estas operações tenham sido oferecidas à tributação pela R.T.S. k. O conjunto de Borderôs e registros nos extratos sugere que se trata de operações de desconto; conclui-se, dada a apresentação das justificativas apenas depois da ciência dos autos de infração, que: Fl. 14126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 56 2. Uma das autuações contra o contribuinte foi por omissão de receitas de operações financeiras, relativas às operações assim identificadas porque a Fiscalização teve acesso aos documentos, seja apresentados pelo contribuinte, seja mediante circularização; 3. a outra foi de omissão de receitas/depósitos bancários de origem não comprovada, depois de ter sido o contribuinte intimado e reintimado para apresentar justificativas e documentos por mais 9 (nove) meses; 4. assim, a apresentação, depois da ciência dos autos de infração, de justificativas e de documentos internos que evidenciam outras operações de desconto, que não haviam sido informadas à fiscalização, e cujos contratos não apresenta, não podem ser aceitos para cancelar a autuação de omissão de receitas por presunção legal; 5. na verdade, evidencia-se a má-fé do contribuinte que, ao longo de todo o procedimento de fiscalização não apresentou os documentos, apesar de sucessivas prorrogações de prazo, mas os produz 30 dias após cientificado dos autos de infração, na impugnação. 183. (ii) depósitos bancários oriundos de simples transferências entre empresas (E.N.S. x R.T.S); diz que: Conforme esclarecido pela fiscalização, o Sr. Ricardo de Souza, sócio exclusivo da Autuada (R.T.S. SERVIÇOS E COBRANÇAS EIRELI) era também um dos dois sócios da empresa E.N.S. SOCIEDADE SIMPLES (CNPJ 04.398.008/0001-09), as quais realizaram, entre si, trocas de posições financeiras durante os anos de 2015 e 2016, conforme discriminado em relatório próprio, denominado "transferências". a. A argumentação supra vem confirmar que estas empresas atuavam como grupo econômico de fato, não formalizado; b. A Resolução CFC 750/93, em seu Art 4º, diz: a. “O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por consequência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição”. c. significa que cada empresa possui patrimônio independente, mesmo se ambas tem o mesmo sócio, e quaisquer transações entre a E.N.S. e R.T.S devem seguir os procedimentos entre empresas independentes, não sendo admissível “realizaram, entre si, trocas de posições financeiras”, o que indica confusão patrimonial e irregularidade; d. A R.T.S e a E.N.S., poderiam ter, eventualmente, firmado contrato de mútuo, porém isto sequer foi alegado, e não foi apresentado contrato de mútuo, o qual Fl. 14127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 57 envolve custos por parte da mutuária e pagamento de IOF pela mutuante, além de registros contábeis correspondentes - nada disso foi apresentado; se não havia contrato de mútuo, qual o motivo por que a E.N.S. teria transferido recursos para a R.T.S e vice versa? Há comprovação de que este recurso que teria sido recebido da E.N.S. foi declarado? e. A argumentação da litigante é inaceitável. 184. (iii) liquidações de cobrança efetuadas pela própria Autuada: alega que eventualmente pagava ela mesma os títulos que tinha a receber e que estavam inadimplentes, a fim de melhorar os índices de adimplemento da sua carteira de cobrança, e requer a exclusão desses créditos da autuação como “depósito bancário de origem e causa não comprovada”. Anexou a planilha -3 – Cobrança, na qual se analisa: a. Ordem 1: Na planilha do contribuinte: Momento 1 - Crédito em 15/06/2015, de R$210.000,00, referente Borderô 12170; Momento 2 - em 13/08/2015, débito de R$140.000,00 c/c 414-6; Momento 3 – em 15/09/2015, crédito na conta 406-5, referente a liquidação de R$70.000,00 pela própria R.T.S, e dia 16/09/2015, débito no mesmo valor na conta 414-6; Momento 4 – em 08/10/2015, débito de R$70.000,00, na conta 414-6 referente Liquidação Saldo Borderô 12170; 2. Na planilha do contribuinte, o Borderô 12170 de 15/06/2015, se refere a NP de R$210.000,00, vencimento em 07/06/2015 da TEPCO, cliente Rodolfo Mahle, que recebeu líquido R$201.096,00; 3. No Anexo I da Fiscalização: Ref Momento 1 - em 15/06/2015, não consta o crédito informado, mas apenas dois “Depósitos bancário de origem e causa não comprovados", na conta 406-5, em total bem inferior R$(18.781,00+54.996,01) e nenhum valor na conta 414-6 (conclui-se que se trata de controle de crédito a receber e não de recebimento em conta bancária); tampouco consta a débito o Valor Pago de R$201.096,00 informado no Borderô (embora em várias da Ordens conste o Valor Pago como débito em conta, na data do Borderô, evidenciando tratarem-se de operações de descontos de títulos); Momento 2 – “Depósitos bancário de origem e causa não comprovados" em 13/08/2015, na conta 414-6, crédito de R$140.000,00, histórico "Liquidação de Cobrança Valor Disponível"; Momento 3 – em 15/09/2015, “Transferência entre contas” débito na conta 406-5, no valor de R$70.000,00 com o histórico “Pagto Elétron Cobrança R.T.S”, e “Depósitos bancário de origem e causa não comprovados" , na conta 414-6, no valor de R$70.000,00 em 16/09/2015, histórico "Liquidação de Cobrança Valor Disponível"; Momento 4 - “Depósitos bancário de origem e causa não comprovados" na conta 414-6, em 08/10/2015, no valor de R$70.000,00, histórico "Liquidação de Cobrança Valor Disponível". 4. em síntese, a fiscalização apontou: Fl. 14128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 58 1. “Depósitos bancário de origem e causa não comprovados" na conta 414-6: de R$140.000,00, em 13/08/2015 e R$70.000,00 em 16/09/2015, ambos com histórico de recebimentos de cobrança, totalizando R$210.000,00; 2. “Depósitos bancário de origem e causa não comprovados" na conta 414-6 de R$70.000,00, em 08/10/2015, também com o histórico de recebimento de cobrança; 3. “Transferência entre contas” em 15/09/2015, a débito na conta 406-5, no valor de R$70.000,00 com o histórico “Pagto Elétron Cobrança R.T.S"; 4. A transferência entre contas passível de ser aceita é R$70.000,00 debitados na conta 406-5 em 15/09/2015, para quitar o mesmo valor, em 16/09/2015, na conta 414-6. b. Ordem 2: Na planilha do contribuinte: Momento 1 – crédito em 31/08/2015, de R$114.148,90, referente Borderô 12307; Momento 2 – débito na conta 414- 6, no mesmo valor, em 17/09/2015; 1. Borderô 12307 de 31/08/2015, referente NP da CENTR de R$114.148,90, com vencimento em 28/09/2015, cliente “Marcos Aurélio Pinatti e”; Valor Pago 0,00; 3. No Anexo I da Fiscalização: Ref Momento 1 – não consta crédito (nem débito)deste valor na conta 406-5, nem na conta 414-6 em 31/08/2015; Momento 2 – consta “Depósitos bancário de origem e causa não comprovados" na conta 414-6, em 17/09/2015 no valor de R$196.887,70, histórico “Liquidação de Cobrança, Valor disponível” e não consta qualquer débito; 4. Não há elemento que confirme que a RTS tenha pago ela mesmo o crédito que recebeu na conta 414-6; c. Ordem 3: Na planilha do contribuinte: Momento 1 – crédito em 31/08/2015, de R$82.738,80, referente Borderô 12309; Momento 2 – débito na conta 414-6, no mesmo valor, em 17/09/2015; 1. Borderô 12309 de 31/08/2015, referente NP da CENTR de R$82.738,80, com vencimento em 25/08/2015 (?), “Orlando Pinatti e outro”; Valor Pago 0,00; 3. No Anexo I da Fiscalização: Ref Momento 1 – não consta crédito (nem débito) deste valor na conta 406-5, nem na conta 414-6, em 31/08/2015; Momento 2 – consta “Depósitos bancário de origem e causa não comprovados" na conta 414- 6, em 17/09/2015 no valor de R$196.887,70 (que é resultado da soma de 114.148,90+82.738,80), histórico “Liquidação de Cobrança, Valor disponível” e não consta qualquer débito; 4. Não há elemento que confirme que a RTS tenha pago ela mesmo o crédito que recebeu na conta 414-6; d. Ordem 4: Na planilha do contribuinte: Momento 1 - Crédito em 20/02/2015, de R$250.000,00, referente Borderô 11951; Momento 2 - em 30/07/2015, débito de R$39.022,99 c/c 406-5 ref Liquidação Parcial; Momento 3 – em Fl. 14129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 59 24/09/2015, débito de R$42.704,87 na conta 414,6, ref Liquidação Parcial; Momento 4 – em 23/10/2015, débito de R$12.675,86, ref Juros sobre prorrogação Borderô 11951, e na mesma data débito de R$180.948,00, na conta 414-6, ref Liquidação Saldo Devedor; 1. Borderô 11951 de 15/07/2015, referente duas NP da CENTR: R$170.000,00 e R$80.000,00, ambas vencíveis em 15/07/2015, cliente José Ricardo Leal Pimenta; Valor Pago R$222.206,33; 3. No Anexo I da Fiscalização: Ref Momento 1 – não consta crédito (nem débito) deste valor na conta 406-5, nem na conta 414-6, em 20/02/2015; e também não consta Valor Pago R$222.206,33, do Borderô; Momento 2 – não consta; Momento 3 – consta crédito de R$42.704, 87 “Depósitos bancários de origem e causa não comprovada” na conta 414-6 em 24/09/15; Momento 4 – em 23/10/2015, crédito “Depósitos bancários de origem e causa não comprovada” na conta 414-6, R$180.948,00; 4. Não há elemento que confirme que a RTS tenha pago ela mesmo os créditos que recebeu na conta 414-6; e. Ordem 5: Na planilha do contribuinte: Momento 1 - Crédito em 15/06/2015, de R$200.000,00, referente Borderô 12168; Momento 2 - em 31/07/2015, crédito de R$10.298,02 de juros sobre prorrogação deste Borderô, e débito deste valor na c/c 406-5 ref Liquidação de Juros sobre prorrogação; Momento 3 – em 07/10/2015, débito de R$100.000,00 na conta 414-6, ref Liquidação Parcial deste Borderô; Momento 4 – em 06/10/2015, crédito de R$2.640,00 de juros sobre prorrogação deste Borderô, e débito deste valor na c/c 406-5 ref Liquidação de Juros sobre prorrogação; Momento 5 – em 06/11/2015, crédito de R$4.800,00 de juros sobre prorrogação deste Borderô, e débito deste valor na c/c 406-5 ref Liquidação de Juros sobre prorrogação; 1. Borderô 11951 de 15/06/2015, referente NP da TEREO: R$200.000,00 vencível em 07/08/2015, cliente Guilherme Arroyo Antunes; Valor Pago R$191.520,00; 3. No Anexo I da Fiscalização: Ref Momento 1 – Não consta o valor a débito ou crédito em nenhuma das contas, e tampouco o Valor Pago de R$191.520, do Borderô; Momento 2 - em 31/07/2015 – nada consta; Momento 3 – em 07/10/2015, crédito de R$100.000,00 “Depósitos bancários de origem e causa não comprovada” “liquidação de cobrança valor indisponível”na conta 414-6; Momento 4 – em 06/10/2015, crédito “Depósito bancário de origem não identificada” “Depósito c/c BDN, na conta 406-5, não consta débito neste valor; Momento 5 - em 06/11/2015, crédito “Depósitos bancários de origem e causa não comprovada” , “Depos entre ags dinheiro o próprio favorecido” , na conta 406-5, não consta débito neste valor, nem nesta nem na conta 414-6; 4. Não há elemento que confirme que a RTS tenha pago ela mesmo os créditos que recebeu na conta 414-6; Fl. 14130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 60 f. Ordem 6: Na planilha do contribuinte: Momento 1 – crédito em 30/07/2015, de R$121.773,97, referente Borderô 12251; Momento 2 – débito na conta 414- 6, no mesmo valor, em 24/11/2015; 1. Borderô 12251 de 30/07/2015, referente NP da CENTR de R$121.773,97, com vencimento em 24/11/2015, cliente “Orlando Pinatti e outro”; Valor Pago 0,00; 3. No Anexo I da Fiscalização: Ref Momento 1 – Não consta o valor a débito ou crédito em nenhuma das contas; Momento 2 – em 24/11/2015, na conta 414-6, crédito de R$121.773,97, “Depósitos bancários de origem e causa não comprovada” “liquidação de cobrança valor indisponível; 4. Não há elemento que confirme que a RTS tenha pago ela mesmo o crédito que recebeu na conta 414-6; g. Ordem 7: Na planilha do contribuinte: Momento 1 – crédito em 30/07/2015, de R$90.004,50, referente Borderô 12252; Momento 2 – débito na conta 414-6, no mesmo valor, em 22/12/2015; 1. Borderô 12251, de 30/07/2015, referente NP da CENTR de R$90.004,50, com vencimento em 22/12/2015, cliente “Orlando Pinatti e outro”; Valor Pago 0,00; 3. No Anexo I da Fiscalização: Ref Momento 1 – Não consta o valor a débito ou crédito em nenhuma das contas; Momento 2 – em 22/12/2015, na conta 414-6, crédito de R$90.004,50, “Depósitos bancários de origem e causa não comprovada” “liquidação de cobrança valor indisponível; 4. Não há elemento que confirme que a RTS tenha pago ela mesmo o crédito que recebeu na conta 414-6; h. Ordem 8: Na planilha do contribuinte: Momento 1 - Crédito em 07/01/2015, de R$1.561.358,30, ref. Borderô 11867, e crédito em 05/06/2015 de R$772.002,00, ref. Borderô 12151; Momento 2 - em 13/11/2015, “Como não houve a Liquidação dos Bordero 11867 e 12151 é realizado um parcelamento gerando o Bordero 12414”, que corresponde ao lançamento a crédito de R$2.465.636,45 e aos lançamentos a débito de R$1.561358,30 (regresso Borderô 11867, em razão do parcelamento), e de R$772.002,00, analogamente ref. Borderô 12151; Momento 3 – lançamentos a débito na conta 414-6, ref. a "Liquidação Parcial Borderô 12414 – docs 18 a 23, 26 a 28 e 31 a 32/2015, datados respectivamente de 15/04/2016 a 14/06/2017, totalizando R$1.349.746,24: [...] 1. Borderô 11867, de 07/01/2015, ref. cinco NP da ENERG de R$312.271,66 cada, totalizando R$1.561.358,30, vencimentos mE.N.S.ais de 25/08/2015 a 26/12/2015, cliente José Carlos Delfim Miranda; Valor Pago R$1.227.019,44; 2. Borderô 12151, de 05/06/2015, ref. três CH da ENERG, vencíveis em datas ilegíveis, totalizando R$772.002,00, cliente José Carlos Delfim Miranda; Fl. 14131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 61 Valor Pago R$700.000,00; 3. Borderô 12414, de 13/11/2015, Total R$2.465.636,45, cliente José Carlos Delfim Miranda; Valor Pago R$0,00; 3. No Anexo I da Fiscalização: não consta nenhum dos valores da tabela de liquidação supra (nem destes valores se somados aos da tabela da Ordem 9, nas mesmas datas); i. Ordem 9: Na planilha do contribuinte: Momento 1 - Em 25/07/2014, 11/08/2014 e 03/11/2014, respectivamente, Operações Borderôs 11579, 11580 e 11737, e em 13/11/2015, “Como não houveram Liquidações totais dos Bordero 11579, 11580 e 11737 é realizado um parcelamento com o saldo devedor de todos os borderôs, gerando o Borderô 12416; Momento 2 – lançamentos a débito na conta 414-6, ref. a "Liquidação Parcial Borderô 12416 – docs 38 a 43/2015, 45 a 48/2015, 51/2017 e 52/2015, datados respectivamente de 15/04/2016 a 14/06/2017, totalizando R$711.312,63 [...] 1. Borderô 11579, de 25/07/2014, ref. três NP da ENERG de R$115.918,03 cada, totalizando R$347.754,09, vencimentos mE.N.S.ais de 30/03/2015 a 25/05/2015, cliente Antonio Garrido Rebelato; Valor Pago R$280.000,00; 2. Borderô 11580, de 11/08/2014, ref. três NP da ENERG de R$198.339,34 cada, vencíveis de 30/03/2015 a 25/05/2015, cliente Antonio Garrido Rebelato; Valor Pago 486.169,38; 3. Borderô 11737, de 03/11/2014, ref. NP da ENERG, de R$460.988,82, vencível em 11/06/2015, cliente Antonio Garrido Rebelato; Valor Pago 400.000,00; 4. Borderô 12416, de 13/11/2015, Total R$1.299.383,76, cliente Antonio Garrido Rebelato; Valor Pago R$0,00; 3. No Anexo I da Fiscalização: não consta nenhum dos valores da tabela de liquidação supra (nem destes valores se somados aos da tabela da Ordem 8, nas mesmas datas); j. Ordem 10: Na planilha do contribuinte: Momento 1 - Créditos em 20/05/2016, 10/06/2016, 13/06/2016 e 14/06/2016, ref. Respectivamente aos Borderôs 12766, 12795, 12796 e 12797, totalizando R$3.190.275,00; Momento 2 – débitos na conta 414-6: em 06/03/2017, R$323.000,00 (Liqui Parc 11/2016 Bord 12766), R$828.900,00 (Liqui Parc 15/2016 Bord 12795); R$787.500,00 (Liqui Parc 14/2016 Bord 12796); R$513.875,00 (Liqui Parc 13/2016 Bord 12797), totalizando R$2.544.275,00; 1. Borderô 12766, de 20/05/2016, ref. três NP da USINA, de R$323.000,00 cada, totalizando R$969.000,00, vencimentos mE.N.S.ais em 20/12/2016, 06/01/2017 e 06/03/2017, cliente Lucila Lucas da Silva; Valor Pago R$787.237,13; Fl. 14132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 62 2. Borderô 12795, de 10/06/2016, ref. NP da USINA de R$828.90,00, vencível em 05/03/2017, cliente Roberto de Assis Sordi; Valor Pago 657.953,19; 3. Borderô 12796, de 13/06/2016, ref. NP da USINA, de R$878.500,00, vencível em 06/03/2017, cliente Manoel Vítor Contim; Valor Pago 699.344,57; 4. Borderô 12797, de 11/06/2016, ref. NP da USINA, de R$513.875,00, vencível em 05/03/2017, cliente Carlos Roberto de Aquino; Valor Pago 409.472,73; 3. No Anexo I da Fiscalização: Ref Momento 1 – Não constam os valores seja a débito seja a crédito, em nenhuma das contas; Momento 2 – em 06/03/2017, na conta 414-6, crédito de R$2.544.275,00, “Depósitos bancários de origem e causa não comprovada”,” “liquidação de cobrança valor disponível; 4. Não há elemento que confirme que a RTS tenha pago ela mesmo o crédito que recebeu na conta 414-6; k. Ordem 11: Na planilha do contribuinte: Momento 1 - Crédito em 12/01/2018 ref. Borderô 13798, R$511.419,57; Momento 2 – débito na conta 406-5 em 26/02/2018, R$12.421,36 (Liqui Juros deste Borderô); Momento 3 – débitos na conta 406-5 em 29/03/2018, no total de R$99.836,21 (Liqui Juros + principal deste Borderô); Momento 4 – débitos na conta 406-5 em 12/04/2018, no total de R$85.236,59 (Liqui parcial deste Borderô); Momento 5 – débito na conta 414-6 em 14/05/2018, R$85.236,59 (Liqui parcial deste Borderô); Momento 6 – débitos na conta 406-5 em 30/7/2018, no total de R$255.709,79 (Liqui deste Borderô); 1. Borderô 13798, de 12/01/2018, ref. duas NP da COPLA, de R$255.709,79 cada, totalizando R$511.419,57, vencimentos mensais em 26/02 e 26/03/2018, cliente “Sérgio Donizetti Pavani e”; Valor Pago R$487.280,56; 3. Haja vista menção a este cliente cabe destacar que o Borderô 13798, do cliente “Sérgio Donizetti Pavani e” não foi objeto de autuação como receitas financeiras omitidas, não constando do Anexo II – Receitas operações Borderôs RTS"; 4. No Anexo I da Fiscalização: Ref Momento 1 – Não consta o valor nem a débito, nem a crédito; consta a débito o valor de R$487.280,56 de Valor Pago do Borderô 13798 em 12/01/2018; Momento 2 – em 26/02/2018, constam a crédito R$12.421,36 “Depósitos bancários de origem e causa não comprovada”, “TED – Transf El Disp Remet Coplasa Ac e Alc Ltd” – portanto, não foi pago pela RTS; Momento 3 – 29/03/2018. nada consta; Momento 4 – nada consta; Momento 5 – em 14/05/2018, R$85.236,59, crédito na conta 414-6 “Depósito bancário de origem não identificada” “liquidação de cobrança valor indisponível; 5. Não há elemento que confirme que a RTS tenha pago ela mesmo o crédito que recebeu na conta 414-6; l. Ordem 12: Na planilha do contribuinte: Momento 1 – crédito em 10/05/2016, de R$208.000,00, referente Borderô 12745; Momento 2 – crédito em Fl. 14133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 63 12/12/2016, de R$600.000,00, referente Borderô 13129; Momento 3 – débitos na conta 406-5, em 05/05/2017, de R$208.000,00 (ref liquidação Borderô 12745) e R$100.000,00 (ref. Liqu. Parcial Borderô 13129); 1. Borderô 12745 de 10/05/2016, referente NP da SAU de R$208.000,00, com vencimento em 05/05/2017, cliente Paulo Roberto Bizagio; Valor Pago R$150.592,00; 2. Borderô 13129 de 12/12/2016, referente seis PARC da USINA de R$100.00,00 cada, com vencimentos mensais de 05/05/2017 até 06/10/2017, cliente Lucila Lucas da Silva; Valor Pago R$497.726,66; 3. No Anexo I da Fiscalização: Ref Momento 1 e Momento 2 – Não constam os valores dos créditos informados, nem a débito, nem a crédito em nenhuma das contas; mas constam, a débito na conta 406-5: em 10/05/2016, o Valor Pago de 150.592,00, "TED DIF TIT H BANK DEST PAULO ROB BIZAGI", e em 12/12/2016, débito de Valor Pago R$497.726,66 "TED DIF TIT H BANK DEST LUCILA LUCAS DA SILV"; Momento 3 - os valores de liquidação que a Litigante informa constam a crédito no montante único de R$308.000,00, na conta 414-6, em 05/05/17, “Depósitos bancários de origem e causa não comprovada”,”Liquidação de cobrança, Valor indisponível” 4. Não há elemento que confirme que a RTS tenha pago ela mesmo o crédito que recebeu na conta 414-6; m. Ordem 13: Na planilha do contribuinte: Momento 1 – crédito em 15/06/2016, de R$4.100.00,00, referente Borderô 11762; Momento 2 – crédito em 26/04/2016, de R$820.000,00, (liquid pela própria R.T.S – docto 05/2014, na conta 414-6); Momento 3 – débito na conta 414-6, em 27/04/2016, de R$820.000,00 (Entrada pela liquidação própria R.T.S, Docto 05/2014); 1. Borderô 11762 de 11/11/2014, referente cinco NP da USINA de R$820.000,00 cada, com vencimentos mensais de 10/06/2015 a 13/10/2015, total de R$4.100.000,00, cliente Alta Paulista Ind e Com; Valor Pago R$1.839.918,36. 3. No Anexo I da Fiscalização: Ref Momento 1 – Não consta o valor nem a débito, nem a crédito em nenhuma das contas (quanto ao Valor Pago em 11/11/2014, a planilha fiscal não abrange o ano 2014); Momento 2 – em 26/04/2016, consta o crédito de R$820.000 como “Transf Mesma Titularidade", na conta 406-5, e na mesma data e conta, o débito no mesmo valor “Pagto Eletron Cobrança RTS"; e na conta 414-6, na mesma data consta o débito dos R$820.000,00 como “Transf Mesma Titularidade", e data (26 ou 27/04/2016), o crédito “Depósitos bancários de origem e causa não comprovada”,”Liquidação de cobrança, Valor disponível” deste valor; 4. Os registros supra evidenciam que o pagamento efetuado a partir da conta 406-5 se deu com recursos que a RTS transferiu a partir da conta 414-6; no entanto, o pagamento do mesmo valor feito na conta 414-6, não, e a autuação se deu em relação a esta conta, cabendo manter a autuação. Fl. 14134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 64 185. (iv) estornos de lançamentos bancários e devoluções de cheques. São 30 (trinta) casos que explicita na planilha que anexou; relata-se a seguir, a conclusão a respeito de cada Ordem (conforme denomina a Litigante): Fl. 14135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 65 186. (v) Outros depósitos: invoca a verdade material e apresenta planilha “Depósitos Bancários Outros”, que se analisa a seguir (Sumarizaram-se os dados na planilha v. Outros Depósitos, pág. 13.219): a. Constam 33 (trinta e três) operações ou Ordens; b. Ordem 1: Momento 1 – em 15/06/2015, registra crédito de R$2.124.112,30 ref Borderô 13771; Momento 2 – em 20/03/2018, registra débito de R$1.220.171,14, na conta 406-5, restando o saldo credor de R$903.941,16; a. Borderô 13771 de 27/12/2017, referente a: PARC de R$903.941,16 vencível em 20/03/2018 da COFCO, e CH de R$1.220.171,14 vencível em 20/03/2018 de IONE, totalizando R$2.124.112,30; cliente Ione Maria Gabriel Taques; Valor Pago R$2.011.733,33; Fl. 14136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 66 2. No Anexo I da Fiscalização, não consta crédito ou débitio de R$2.124.112,30, em 15/06/2015; em 20/03/2018, consta o crédito de R$1.220.171,14 de “TED – Transf Elet Dispon Remet Ione Maria Gabriel T”; não consta qualquer débito de Valor Pago de R$2.011.73,33 na data do pagamento à cliente em 27/12/201, conforme o Borderô; pesquisando-se pelo valor, também não se localizou tal débito em nenhuma das contas, em outra data, ou seja, o Valor Pago não consta dos extratos bancários; 3. Conclui-se que a Litigante afirma que, com base no Borderô 13771, contabilizou (sic) ou pelo menos registrou em controles internos, em 27/12/2017 (estranhamento a data do crédito que apontou é 15/06/2015), o crédito a que teria direito de R$2.124.112,30, referente a uma parcela da empresa COFCO e um cheque emitido, ambos da cliente IONE, e que, em 27/12/2017, pagou a esta cliente R$2.011.733,32, pelo desconto destes dois títulos – no entanto este Valor Pago não consta das contas bancárias, ou seja, não há comprovação; já o crédito de R$1.220.171,14, em 20/03/2018, consta da conta 406-5, ou seja, a cliente IONE teria saldado o valor do CH (de sua própria emissão, que era uma parte do empréstimo que tomou da R.T.S), na data do respectivo vencimento; 4. Pesquisou-se no “Anexo II – Receitas operações borderôs da R.T.S”, da Fiscalização, onde estão detalhadas as operações financeiras cujos resultados foram autuados como receita omitida, e não consta cliente Ione Maria Gabriel Taques, ou seja, o resultado desta operação não foi autuado; 5. Em síntese, o valor do crédito de R$1.220.171,14, em 20/03/2018, recebido de Ione Maria Gabriel Taques, seria o pagamento parcial da operação de desconto – no entanto, esta cliente não consta entre as operações financeiras autuadas pela R.T.S e não há informação se o ganho com esta operação foi oferecido à tributação; e acima de tudo, a R.T.S, que desde 10/07/2019 (TIF nº 05); e em 27/08/2019 (TIF nº 06); em 28/10/2019 (TIF nº 07); em 06/12/2019 (TIF nº 08), e em 06/02/2020 (TIF nº 09 e 10), veio sendo intimada a justificar os créditos e a apresentar extratos faltantes e, apesar de todos estes prazos, frutos de pedidos de porrrogação, não apresentou as justificativas que ora expõe na impugnação em 01/07/2020, um ano depois da primeira intimação e mais de um ano desde o início da fiscalização em 04/2019 na R.T.S e muito mais tempo desde a fiscalização na sucedida a E.N.S.; 6. Como relatado, o contribuinte, apesar de sucessivamente intimado para tanto, apenas apresentou quantidade ínfima (seis) contratos; outros contratos foram obtidos pela fiscalização mediante circularização de uma amostra dos clientes (haja vista que o procedimento fiscal trata-se de uma auditoria, não sendo possível examinar o universo todo) – as receitas identificadas nestas operações foram autuadas como tal, relacionadas no Anexo II ao auto de infração; e o contribuinte, na impugnação 30 (trinta) dias após autuado, apresenta documento interno que é o Borderô, e não apresenta contrato onde Fl. 14137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 67 constaria a formalização da alegada operação cuja receita não consta que tenha sido oferecida à tributação e tampouco tal operação foi informada à fiscalização e não consta entre as receitas omitidas autuadas como “Receitas operações borderôs da R.T.S” (Anexo II ao auto de infração), depois de este crédito ter sido autuado como “Depósito Bancário de origem e causa não comprovado”; assim, não se justifica o cancelamento da autuação. Por isso, cabe manter a autuação como “Depósito Bancário de origem e causa não comprovados”. c. Ordens 2 a 33: Planilharam-se os dados das operações na planilha v. Outros Depósitos, anexada à pág. 13.219, onde se observou que: 2. a Ordem 3, parte da Ordem 15 e as Ordens 25 e 26, se referem a operações, cujos resultados foram autuados constando do Anexo II - “Receitas operações borderôs da R.T.S”, assim, devem ser excluídos da autuação “Omissão de receitas de depósitos de origem e causa não comprovados” (Anexo I do auto de infração), os depósitos/créditos: 1. Ordem 3, Borderô 13588, 07/2018 – R$1.227.171,44; 2. Parte Ordem 15, Borderô 13228, 02/2017 – R$458.555,37; 3. Ordem 25, Borderô 13074, 03/2017 – R$59.123,70 + R$59.334,30; 4. Ordem 26, Borderô 13327, 08/2017 – R$72.552,00. 3. Dos 33 Borderôs, identificaram-se nos extratos da Autuada, os débitos relativos ao Valor Pago ao cliente, no momento da emissão do Boderô de apenas 4 (quatro): a Ordem 14, a parte autuada como operação financeira da Ordem 15, a Ordem 22, e a Ordem 25 autuada como operação financeira; 4. Dos 81 depósitos, em 30, o depositante foi a própria R.T.S (Dep entre Agências Cheque R.T.S, ou Dep entre Agências Dinheiro R.T.S); somente 35 estão identificados como nome dos clientes, entre os quais as operações que foram autuadas como receitas de operações financeiras, os demais se trata de DEP C/C; 5. Excetuadas as Ordens cujos resultados foram autuados como receita omitida de operações financeiras, não há prova de que as demais tenham sido oferecidas à tributação pela R.T.S. 6. O conjunto de Borderôs e registros nos extratos sugere que pelo menos 35 se trata de operações de desconto, conclui-se, dada a apresentação das justificativas apenas depois da ciência dos autos de infração, que: 1. Uma das autuações contra o contribuinte foi por omissão de receitas de operações financeiras, relativas às operações assim identificadas porque a Fiscalização teve acesso aos documentos, seja apresentados pelo contribuinte, seja mediante circularização; Fl. 14138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 68 2. a outra foi de omissão de receitas/depósitos bancários de origem não comprovada, depois de ter sido o contribuinte intimado e reintimado para apresentar justificativas e documentos por pelo menos 9 (nove) meses; 3. assim, a apresentação, depois da ciência dos autos de infração, de justificativas e de documentos internos que evidenciam outras operações de desconto, que não haviam sido informadas à fiscalização, e cujos contratos não apresenta, não podem ser aceitos para cancelar a autuação de omissão de receitas por presunção legal; 4. na verdade, evidencia-se a má-fé do contribuinte que, ao longo de todo o procedimento de fiscalização não apresentou os documentos, apesar de sucessivas prorrogações de prazo, mas os produz 30 dias após cientificado dos autos de infração, na impugnação. 3.6 MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. 187. Dados os fatos descritos, que evidenciaram o dolo, sonegação, fraude e conluio, devido à omissão de vultosas receitas de operações de desconto, e de depósitos de origem não esclarecida; deixar a empresa no nome de Ricardo de Souza, interposta pessoa e testa de ferro, omitir o nome de Wolney de Medeiros Arruda Filho, como real sócio e administrador das empresas; desvios de recursos para o mesmo; transferência das empresas patrimoniais Grupo WAF e Grupo W (cujos patrimônios se originaram desses recursos), para titularidade de filho menor; a Autuada desenvolveu operações caracterizadas como de instituição financeira, porém, seu objeto social era a atividade de cobrança e a esse título, optou pelo lucro presumido e não enviou o SPED – ECD, a que estava obrigada. 188. Deixou de transmitir à base do SPED a Escrituração Contábil Digital – ECD e deixou de fornecer à fiscalização os arquivos digitais da escrituração contábil, validados. 189. Deixou de apresentar os contratos relativos à quase totalidade das operações de desconto (apresentou 6, enquanto realizou operações com mais de 70 clientes) cite-se, pág. 1.606, Relatório Fiscal: O contribuinte apesar de sucessivamente intimado a apresentar os contratos, deixou de apresentá-los, num evidente intuito de embaraçar a fiscalização, limitando-se a fornecer somente uma parcela insignificante dos contratos existentes (vide fls. 95 a 145). Após o procedimento de circularização a clientes, constatou-se que os contratos omitidos representam operações de compra de direitos creditórios, cujas receitas foram sonegadas. Isto é, os lançamentos da contabilidade não estão comprovados com documentos hábeis e idôneos. Adicionalmente, o contribuinte deixou de comprovar a origem e causa de vultosos depósitos bancários. Fl. 14139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 69 190. Não atendeu às intimações para comprovar os beneficiários dos R$121.758.124,73 de pagamentos a beneficiários não identificados, listados no Anexo I; apesar de intimada e reintimada, não comprovou a origem da quase totalidade dos valores que recebeu em suas contas bancárias, que foram objetos de autuação por presunção legal, como receitas omitidas. 191. E tais atos foram realizados em conluio pelas pessoas e empresas descritas, no grupo empresarial e responsáveis solidárias, e justificam a qualificação (150%) e agravamento (aumento em 50%) da multa de ofício aplicada (art. 44, §§ 1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). 192. Os Litigantes apontam o percentual de multa aplicado de confiscatório, portanto, contrário à Constituição Federal de 1988 – CF de 1988. Contudo, a multa aplicada está em consonância com a legislação vigente. Por outro lado, cabe esclarecer quanto a acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade de legislação que, não compete à Delegacias da Receita Federal de Julgamento apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declarar-lhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratar-se de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 3.7 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE ENTREGA DA ECD 193. Quanto à multa regulamentar de R$1.416.323,05 devido ao descumprimento do prazo estabelecido para a apresentação da Escrituração Contábil Digital – ECD, fato gerador em 31/05/2019, apresentou Acórdão da CSRF pág. 13.133, referente a afastamento de multa por atraso ou falta de apresentação de arquivos magnéticos, quando consta dos autos petição do contribuinte colocando à disposição da fiscalização arquivos em formato distinto. 194. O teor do citado Acórdão não se aplica ao presente caso, em que a própria R.T.S, não contesta o fato de que não tinha escrituração contábil, o que confirma à pág. 13.158, na sua impugnação, e nem colocou arquivos de formato distinto à disposição. 195. Pelo contrário, conforme o Relatório de Fiscalização: De fato, a empresa foi constituída para cobranças de títulos de crédito de terceiros, razão pela qual o regime tributário optado pelo contribuinte à época foi o do lucro presumido. O próprio sócio realizava às atividades necessárias, sem o auxilio de funcionários, tendo deixado de comunicar ao contador as operações realizadas, o que está sendo providenciado. Por tal razão, não se entregou às declarações fiscais exigidas no período (ECD/SPED). (...) Em 05/04/2019, o contribuinte é cientificado do início do fiscal por meio do TIPF e intimado a apresentar o que se discrimina Fl. 14140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 70 (...) 7 - Transmitir a Escrituração Contábil Digital ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), sem prejuízo da aplicação das multas previstas no art. 11 da IN RFB 1774/2017. Período: 01/01/2014 a 31/12/2017. Prazo: 20 dias. (...) (...) 8 - Na hipótese de recusa da transmissão da Escrituração Contábil Digital à base do SPED, apresentar os arquivos de registros contábeis, em meio digital, conforme item 4.1 do Ato Declaratório Executivo da Coordenação-Geral de Fiscalização da SRF n" 15, de 23/10/2001 (redação do ADE/Cofis/RFB n" 25/2010). No caso de falta de apresentação dos arquivos de registros contábeis, cumprimento fora do prazo, omissão ou prestação incorretas das informações solicitadas, serão aplicadas as penalidades previstas no art. 12 da Lei n° 8.218/1991. Período: 01/01/2014 a 31/12/2017. Prazo: 20 dias. Em 29/05/2019, o contribuinte é intimado por meio do TIF n° 04 a cumprir o que se discrimina abaixo e reintimado a cumprir exigências do TIPF, do TDF n° 01 e TIF n° 03, no prazo de 20 dias. 1. Recibo de transmissão da Escrituração Contábil Digitai (ECD), instituida pela Instrução Normativa RFB n° 787, de 19 de novembro de 2007, por meio do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituido pelo Decreto n° 6.022, de 22 de janeiro de 2007 - De 01/01/2014 até 31/12/2018 2. Demonstrar a transmissão ao sistema do SPED da retifícadora da Escrituração Contábil Fiscal (ECF) com base no regime de apuração pelo lucro real, tendo em vista o contribuinte estar obrigado à essa sistemática. - De 01/01/2014 até 31/12/2018 3. Arquivo, em meio digital, representativo do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) - De 01/01/2014 até 31/12/2018 Em 18/06/2019, o contribuinte atendendo ao TIF n° 04 fornece os seguintes elementos e esclarecimentos. Termo de Diligência Fiscal n° 01 1 - Demonstrar a transmissão da ECD ao Sistema Público de Escrituração Digital ISPED). no caso de efetivamente exercer as atividades de obrigatoriedade: conforme jà esclarecido, os próprios sócios realizavam às atividades necessárias, sem o auxílio de funcionários, o que prejudicou a própria transmissão das informações ao contador e, consequentemente, a entrega das declarações fiscais necessárias (ECD/SPED). De qualquer maneira, considerando que a abertura da empresa permitia a apuração do resultado fiscal pelo lucro presumido e não tendo havido distribuição de lucros no período, manteve-se o mesmo critério para os períodos posteriores, sendo impossível, neste momento, promover-se a entrega do ECD à base do SPED, conforme o relatório de inconsistência ora anexado. Tão logo seja possível, apresentaremos à fiscalização. Fl. 14141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 71 196. Porém, quando do encerramento da fiscalização, não havia apresentado, e tampouco na impugnação. 197. E conclui o Relatório de Fiscalização: A R.T.S. apesar de intimada e reintimada deixou de transmitir a escrituração contábil à base do SPED ou de apresentá-la à fiscalização, ficando sujeita a multa pela falta de entrega da escrituração contábil digital. 198. O contribuinte, apesar de constar do contrato social: “Cobranças e recebimentos extrajudiciais por conta de terceiros, inclusive direitos autorais, protestos de títulos, sustação de protestos, devolução de títulos não pago, manutenção de títulos vencidos, fornecimento de posição de cobranças ou recebimento e outros serviços correlatos de cobrança ou recebimento”. 199. Afirma que desenvolvia a atividade de factoring e não de instituição financeira; eis que, mesmo a atividade de factoring obriga o contribuinte à apuração pelo lucro real (e não pelo lucro presumido, pelo qual optou, indevidamente, a Autuada); e sendo obrigada ao lucro real, também é à escrituração contábil, que não entanto, não realizou; não transmitiu ECD nem ECF completa (LALUR) e tampouco colocou à disposição da fiscalização escrituração em outro meio. 200. Portanto, procede a aplicação da multa regulamentar. [...] 3.9 GRUPO ECONÔMICO 206. Às págs. 11.608/11.659, o Autuante relata porque concluiu tratar-se de grupo econômico de fato formado pela empresa operacional Plantae lf, que declarava e recolhia tributos, e as empresas de fachada E.N.S. e R.T.S., que sonegavam, e que a prática era registrar as operações na E.N.S. e R.T.S; e que a amostragem efetuada evidenciou operações equiparadas às de instituição financeira por exigirem garantias nas operações de desconto de títulos, e eram exercidas irregularmente sem autorização do Banco Central; que o grupo abrange também as empresas patrimoniais Grupo WAF e Grupo W, e a operacional Foregon.com, todas beneficiárias ocultas de vultosos recursos desviados da E.N.S. e da R.T.S. [...] 3.9.7 Grupo Econômico. Conclusões neste voto. 245. Wolney de Medeiros Arruda Filho e Ricardo de Souza foram sócios da E.N.S. (empresa dedicada a serviços de cobrança, porém sem funcionários) desde 2001, até 15/05/2012, quando Wolney de Medeiros Arruda Filho se retirou e ingressou nomeado como único administrador Everaldo do Nascimento Silva identificado como interposta pessoa. Fl. 14142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 72 246. Coincidindo com a saída de Wolney de Medeiros Arruda Filho da E.N.S., foi constituída por Ricardo de Souza, a firma individual R.T.S, também dedicada a efetuar cobrança, também sem funcionários próprios. 247. A conclusão fiscal foi de que a E.N.S. e, em seguida a R.T.S, empresas sem empregados, eram usadas pela Plantae IF nas operações de descontos e de empréstimos em que atuavam junto aos clientes, funcionários da Plantae IF e Wolney de Medeiros Arruda Filho. 248. Wolney de Medeiros Arruda Filho(sócio majoritário) e Ricardo de Souza são sócios da Foregon (empresa intermediadora de cartões de crédito e da área de informática) desde 11/10/2004, até o momento; a Foregon foi convertida em S/A fechada desde 18/03/2019, na qual Wolney de Medeiros Arruda Filho é sócio controlador. 249. Wolney de Medeiros Arruda Filho e Ricardo de Souza também foram sócios na Plantae IF, empresa factoring, junto ainda com Antonio Carlos Shiro Hachisuca, desde antes de 18/10/2005; Ricardo de Souza se retirou em 08/03/2013, continuando como sócios Wolney de Medeiros Arruda Filho (administrador) e Antonio Carlos Shiro Hachisuca. 250. Wolney de Medeiros Arruda Filho e esposa constituíram em 07/05/2013 a Grupo W e em 29/01/2015, a Grupo WAF, empresas de participação em outras sociedades e administração de imóveis próprios e/ de terceiros, cuja titulariedade repassaram ao filho menor em 03/2019, porém mantendo usufruto popder de decisão e sendo Wolney o administrador. 251. A fiscalização identificou que tanto a E.N.S. como a R.T.S tiveram movimentação financeira incompatível com as receitas declaradas, intimou-as a justificar a origem dos valores recebidos e, uma vez não justificados, a autuação contra a E.N.S. e em seguida contra a R.T.S que ora se analisa; a fiscalização também identificou que ambas transferiram recursos para a GrupoW, GrupoWAF e Foregon, além de efetuarem pagamentos de despesas de Wolney de Medeiros Arruda Filho e seus familiares; identificou que funcionários registrados na Plantae IF negociavam com os clientes, operações que eram registradas como próprias pela E.N.S. e R.T.S e que as correspondentes receitas não eram declaradas 252. Verificou que além de atuarem na atividade de factoring (à qual não estavam autorizadas) foram além, atuando em empréstimos a terceiros garantidos por Notas Promissórias emitidas por estes terceiros (seus clientes), ou seja, em atividade de instituição financeira, ou seja, atuação de forma não autorizada no mercado financeiro e identificou confusão patrimonial, entre estas pessoas jurídicas e físicas, bem como identificou Wolney de Medeiros Arruda Filho como detentor das decisões deste grupo econômico não formalizado de empresas. [...] Fl. 14143DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 73 254. Do exposto, evidencia-se que se tratava de grupo econômico não formalizado, que atuava sob o mesmo comando, com confusão patrimonial entre as empresas e liderado por Wolney de Medeiros Arruda Filho. 3.10 RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. 3.10.1 Wolney de Medeiros Arruda Filho. pág. 1.609 256. Foi responsabilizado com base no art. 135, III do CTN. 257. Às págs. 11.609/11.610, o Autuante descreveu e elaborou um gráfico onde representa as relações de Wolney de Medeiros Arruda Filho, com as empresas do grupo, nas quais é administrador e representante legal, exceto a E.N.S. (onde foi substituído pela interposta pessoa Everaldo Nascimento Silva) e R.T.S, que deu contibuidade às operações da E.N.S., a partir de 2016. 258. Decreve o Relatório Fiscal ainda, além dos fatos que evidenciaramm que comandava o grupo econômico de fato, que: a. Usou Ricardo de Souza como interposta pessoa, como sedno sócio e administrador, no contrato social da R.T.S, no qual ele mesmo Wolney de Medeiros Arruda Filho não figura; b. cedeu e transferiu, em março de 2019, durante o curso da ação fiscal, a título de doação, a favor do filho dele, Theo Avila de Robertis Arruda, nascido em 08/03/2005, a propriedade de todas as quotas nas empresas patrimoniais Grupo WAF Participações (vide contrato às fls. 9190 a 9242) e Grupo W Participações (vide contrato às fls. 9683 a 9727), num evidente intuito de frustar a cobrança do crédito tributário da E.N.S. e R.T.S.; c. pagamentos que recebeu da E.N.S. e R.T.S: págs. 11.704/11.711, despesas pessoais e de aquisições de bE.N.S. de Wolney de Medeiros Arruda Filho, de Wolney de Medeiros Arruda (pai), Maria Eunice de Ávila (sogra); Carla Zamora Medeiros de Arruda Gregolin, da Foregon.com, da empresa BGWD Agropecuária, de aquisição de veículo Volvo e taxas de licenciamento de veículo de Wolney de Medeiros Arruda Filho. 259. Estes fatos e demais relatados nos autos apontam ser Wolney de Medeiros Arruda Filho o dirigente de fato do grupo empresarial e, haja vista a interposição de pessoa na E.N.S., bem com o desenvolvimento pela E.N.S. e R.T.S de atividade de factoring não constante dos seus objetos sociais e, adicionalmente, empréstimos lastreados por NP dos clientes dadas em garantia, ou seja, operações financeiras às quais as empresas não estavam autorizadas pelo Banco central, são elementos suficientes para a caracterização da responsabilidade solidária com base no art. 135, III do CTN. 3.10.2 Plantae IF Fomento Comercial Ltda, Grupo W Participações Ltda, Grupo WAF Imóveis, Participações e Empreendimentos Ltda, Foregon Com S/A Fl. 14144DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 74 260. As empresas que constituem o grupo empresarial comandado por Wolney de Medeiros Arruda Filho foram responsabilizadas solidariamente, com base no art. 124, I do CTN. [...] [...] [...] caracteriza-se a responsabilidade baseada no interesse comum, do art. 124, I do CTN, se ficar caracterizado que este interesse tem a característica de interesse jurídico, isto é, a empresa do grupo teve participação no processo decisório que ensejou a infração, bem como houve confusão patrimonial, entre as empresas do grupo, que são as características do presente caso. [...] 3.10.3 Antonio Carlos Shiro Hachisuca 267. Responsabilizado com base legal no art. 135, II do CTN. 268. Consta do Relatório Fiscal, pág. 11.711 que a quase a totalidade das declarações do SPED ECF e do SPED Contribuições das empresas do grupo foram elaboradas pelo sócio da Plantae If, o contador Antônio Carlos Shiro Hachisuca (vide fls. 10844 a 10849). Inclusive, foi informado para vários períodos que o escritório de contabilidade responsável pelas declarações da E.N.S., R.T.S., Grupo WAF e Foregon.com era a Plantae If (vide relatório do SPED Contribuições às fls. 10845 a 10849). Apesar das declarações da ECF e EFD Contribuições da E.N.S. e R.T.S. terem sido transmitidas com omissão das receitas, com valores mínimos ou zerados declarados, as declarações da ECF e EFD Contribuições da Plantae If continham valores substanciais declarados. 269. E resume o Relatório Fiscal, pág. 11.728, após descrever a participação dele no grupo econômico, que: Antônio Carlos Shiro Hachisuca: sócio da Plantae lf; contador responsável pela empresa operacional, Plantae lf, e pelas empresas E.N.S. e R.T.S.; omitiu os débitos devidos na DCTF das empresas E.N.S. e R.T.S.; e omitiu as receitas auferidas pela E.N.S. e R.T.S. no SPED Contribuições e SPED ECF. 270. Antonio Carlos Shiro Hachisuca consta como testemunha de todas as alterações contratuais das empresas do grupo, é sócio da Plantae IF desde 18/10/2005. 271. Argumenta que apenas desempenha o cargo de contador de diversas empresas e não pode ser responsabilizado pela mera transmissão à RFB das informações que os contribuintes lhe forneceram, sem que haja prova de conduta fraudulenta ou dolosa; cita jurisprudência. 272. O Decreto-lei nº 9.295,de 27 de maio de 1946, que criou o Conselho Federal de Contabilidade, definiu as atribuições do Contador e do Guarda-livros, e dá outras providências [...] [...] Fl. 14145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 75 274. À vista da constatação fiscal de que tanto a E.N.S. como a R.T.S declararam receitas muito inferiores às que foram detectadas via presunção legal com base nos depósitos bancários recebidos, e sendo Antonio Carlos Shiro Hachisuca o responsável pelo preenchimento das DCTF e demais declarações, não há como negar que incorreu na Súmula 8 do CFC, sendo-lhe aplicável a responsabilização solidária com base no art. 135, II do CTN. IX – MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE E DOS RESPONSÁVEIS Irresignado com o que fora decidido pela DRJ09, o contribuinte e todos os responsáveis solidários apresentaram recurso voluntário, por meio dos quais os argumentos de defesa foram basicamente reiterados. Em 07/12/2021, o contribuinte anexou aos autos uma petição (fls. 13933/13940 do e-processo) informando a juntada de um parecer elaborado pelo professor Luiz Regis Prado. É o relatório do necessário. VOTO VENCIDO Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator ad hoc. Como Redator ad hoc, sirvo-me da minuta de voto inserida pelo relator original, Conselheiro Marcelo José Luz de Macedo, no diretório corporativo do CARF, a seguir reproduzida, cujo posicionamento adotado não necessariamente coincide com o meu. Recurso de ofício Como visto pelo breve relato do caso, a conclusão da DRJ09 foi no sentido de “julgar procedente em parte a impugnação, reduzindo as exigências para R$15.574.537,37 de IRPJ, R$8.793.782,47 de CSLL, R$907.085,96 de PIS e R$5.582.073,36 de Cofins, com as respectivas multas de ofício de 225% e os juros de mora; reduzir a multa regulamentar para R$1.395.522,74”. Não custa repisar, o auto de infração constituiu débito de IRPJ no montante de R$ 15.808.540,77, CSLL de R$ 8.926.743,01, PIS no valor de R$ 920.605,93 e COFINS de R$ 5.665.274,38, além da exigência de multa regulamentar no valor de R$ 1.416.323,50. Perceba que foram exonerados os seguintes montantes: Fl. 14146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 76 Tendo em vista o limite de alçada de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões) estabelecido pela Portaria MF nº 2/2023, não se trata o caso de interposição de recurso de ofício. Tempestividade dos recursos voluntários O contribuinte foi intimado do acórdão da DRJ09 em 09/12/20 (fls. 13447 do e- processo) e apresentou recurso voluntário tempestivo em 06/01/2021 (fls. 13842 do e-processo). O responsável solidário Plantae lf Fomento Comercial Ltda foi intimado do acórdão da DRJ09 em 09/12/20 (fls. 13446 do e-processo) e apresentou recurso voluntário tempestivo em 18/12/2020 (fls. 13684 do e-processo). O responsável solidário Foregon Com S/A foi intimado do acórdão da DRJ09 em 10/12/20 (fls. 13448 do e-processo) e apresentou recurso voluntário tempestivo em 18/12/2020 (fls. 13454 do e-processo). O responsável solidário Antonio Carlos Shiro Hachisuca foi intimado do acórdão da DRJ09 em 07/12/20 (fls. 13449 do e-processo) e apresentou recurso voluntário tempestivo em 18/12/2020 (fls. 13753 do e-processo). O responsável solidário Wolney de Medeiros Arruda Filho foi intimado do acórdão da DRJ09 em 07/12/20 (fls. 13450 do e-processo) e apresentou recurso voluntário tempestivo em 18/12/2020 (fls. 13799 do e-processo). O responsável solidário Grupo W Participações Ltda foi intimado do acórdão da DRJ09 em 09/12/20 (fls. 13451 do e-processo) e apresentou recurso voluntário tempestivo em 18/12/2020 (fls. 13545 do e-processo). O responsável solidário Grupo WAF Imóveis, Participações e Empreendimentos Ltda foi intimado do acórdão da DRJ09 em 09/12/20 (fls. 13452 do e-processo) e apresentou recurso voluntário tempestivo em 18/12/2020 (fls. 13613 do e-processo). Fl. 14147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 77 Todos os recursos voluntários são tempestivos, de modo que devem ser conhecidos e analisados. Preliminares de mérito A contribuinte sustenta preliminarmente a nulidade absoluta do julgamento realizado por ofensa ao devido processo legal e às regras de competência emanadas da própria Receita Federal do Brasil. Isto porque, em sua visão, teria havido injustificável alteração da Delegacia de Julgamento. Segundo relata, o presente procedimento administrativo foi encaminhado em 20 de abril de 2020 para a 8ª Região Fiscal (SP), tendo sido direcionado, em seguida, para a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (24/04/2020), onde se certificou, inclusive, a prioridade prevista no artigo 27 do Decreto nº 70.235/1972 e regulamentada pela Portaria RFB nº 999, de 19 de julho de 2013, pelo fato de se tratar de exigência de crédito tributário de valor superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Acresce que no dia 15 de maio de 2020, registrou-se a saída destes autos da aludida repartição e o encaminhamento para a Delegacia de Julgamento 03, localizada em Fortaleza, no Estado do Ceará. Em tal repartição, foi distribuída à egrégia 4ª Turma de Julgamento (18/05/2020). E alega que por razões não constantes destes autos, em 13 de agosto de 2020 o procedimento foi redistribuído para a Delegacia de Julgamento 09, localizada na cidade de Curitiba/PR, onde foi direcionada para a 1ª Turma de Julgamento local e, então, submetido à relatoria da ilustre Auditora Fiscal Eva Maria Los (Matrícula SIPE nº 2814), curiosamente a mesma responsável pelo julgamento do auto de infração objeto do processo nº 10835-725129/2019-83, lavrado em desfavor da empresa E.N.S. Sociedade Simples Ltda. (CNPJ 04.398.008/0001-09) e decorrente da mesma fiscalização (Acórdão nº 06-69.050, de 12 de março de 2020). Em que pese o inconformismo da Recorrente, a distribuição de processos no âmbito das DRJs é matéria de gestão administrativa, regulamentada à época pela PORTARIA ME Nº 340, DE 08 DE OUTUBRO DE 2020: Art. 18. A identificação dos processos a serem distribuídos às DRJs será realizada pela Coordenação-Geral de Contencioso Administrativo e Judicial da Subsecretaria de Tributação e Contencioso da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil do Ministério da Economia - Cocaj, observadas as prioridades estabelecidas na Fl. 14148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 78 legislação, a semelhança e conexão de matérias, a capacidade de julgamento e a competência material de cada DRJ. § 1º Os critérios para distribuição de processos às Turmas serão definidos pelo Delegado de Julgamento da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil do Ministério da Economia, observadas as prioridades e preferências estabelecidas na legislação, a semelhança e conexão de matérias e as diretrizes estabelecidas pela Cocaj. § 2º A distribuição dos processos aos julgadores será feita pelo Presidente da Turma, observado o disposto no caput e no § 1º, devendo considerar as horas necessárias ao julgamento, estimadas com base no grau de complexidade dos processos. § 3º Na hipótese de o julgador ter sido designado para novo mandato em outra Turma, no âmbito da DRJ, com competência sobre a mesma matéria, os processos já distribuídos, exceto aqueles que já foram objeto de deliberação do colegiado, permanecerão sob a sua atribuição e serão remanejados para a nova Turma. § 4º Os processos a que se refere o § 3º serão devolvidos ao Presidente da Turma Ordinária que os distribuiu, para sua redistribuição prioritária, nas seguintes hipóteses: I - não recondução ou perda ou renúncia de mandato; ou II - extinção de Turma Especial. Art. 19. O relator deverá solicitar, com exceção dos casos autorizados pelo Presidente da Turma, a inclusão do processo em pauta no prazo de até noventa dias, contado da data da distribuição, e poderá propor diligência ou perícia. § 1º A proposta de diligência ou perícia a que se refere o caput será apreciada pelo Presidente da Turma no prazo de até oito dias, contado da data da proposição e, em caso de rejeição, deverá ser submetida à deliberação da Turma. § 2º O processo, realizada a diligência ou perícia, será devolvido ao relator, que deverá solicitar sua inclusão em pauta no prazo de até noventa dias, contado da data da devolução. Não há, portanto, qualquer ilegalidade na conduta da administração tributária em determinar que os processos de um mesmo contribuinte, sobre uma mesma matéria sejam julgados pela mesma relatora, em linha com o prescrito na Portaria de regência. Assim, afasto a preliminar suscitada. Ainda em caráter preliminar, a Recorrente suscita a nulidade do acórdão proferido por ausência e deficiência de fundamentação em relação a questões apresentadas pela Recorrente em sua impugnação: Fl. 14149DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 79 Isso porque, a douta julgadora administrativa não analisou à argumentação apresentada pela Recorrente em relação ao gravíssimo erro cometido pelo agente fazendário de não indicar a base racional e probatória que justificaria à sua exigência para que lhe fossem apresentados, antes de qualquer outra documentação que subsidiasse a tal determinação, (i) o demonstrativo de apuração e controle de empréstimos e mútuos, (ii) operações de factoring realizadas, (iii) apuração e controle de duplicatas descontadas, (iv) autorização do Banco Central para funcionar e, especialmente, (iv) o organograma do grupo empresarial. (...) Do mesmo modo, em relação ao tópico defensivo de contradição e incoerência da fixação de base de cálculo da CSLL segundo as instituições de fomento mercantil, muito embora se tenha qualificado às operações como de instituição financeira, a r. decisão recorrida deixou de analisá-la adequadamente, incorrendo no vício previsto no § 1º do artigo 489 do CPC. Novamente, não vislumbro a nulidade suscitada. Isto porque, o §1° do art. 489 do Código de Processo Civil (Lei n° 13.105/2015) não obriga o julgador a pormenorizar e esgotar, analítica e pormenorizadamente, todos os argumentos suscitados pela parte, porquanto se considera fundamentada a decisão se seus elementos de motivação forem capazes de infirmar, em tese, a conclusão adotada pelo julgador. Caminha nesse sentido a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. NA ORIGEM. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. INÉPCIA DA INICIAL. TESE NÃO APRECIADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. COMPETÊNCIA PARA PROCESSAMENTO DA EXECUÇÃO DO JULGADO. OPÇÃO DO EXEQUENTE. POSSIBILIDADE. ART. 516, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. DESPROVIMENTO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PREJUDICADOS. NESTA CORTE NÃO SE CONHECEU DO RECURSO. AGRAVO INTERNO. ANÁLISE DAS ALEGAÇÕES. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA QUE NÃO CONHECEU DO RECURSO AINDA QUE POR OUTROS FUNDAMENTOS. I - Na origem, CELG Distribuição S.A. - CELG D interpôs agravo de instrumento contra decisão interlocutória que reconheceu, com fundamento no art. 516, parágrafo único, do CPC, a competência do Juízo da 2ª Vara Cível da Comarca de Luziânia para processar e julgar o pedido de cumprimento da sentença judicial proferida no Juízo da 6ª Vara Cível da Comarca de Goiânia, nos autos de cumprimento movido por Debrai de Jesus Roriz. Fl. 14150DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 80 II - No STJ, cuida-se de agravo interno interposto contra decisão que negou provimento ao recurso especial. Na petição de agravo interno, a parte agravante repisa as alegações que foram objeto de análise na decisão recorrida. III - Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". [EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016.] IV - Quanto à violação do art. 43 do CPC, o entendimento firmado do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a competência é fixada no momento em que a ação é proposta, e são irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta. Nesse sentido: AREsp n. 2.165.002, Ministro Herman Benjamin, DJe de 4/11/2022. V - Em se tratando de cumprimento de sentença, como no caso, nos termos do art. 516, parágrafo único, do CPC, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça é que o exequente passou a ter a opção de ver o cumprimento de sentença ser processado perante o juízo do atual domicílio do executado, do local onde se encontrem os bens sujeitos à execução ou do local onde deva ser executada a obrigação de fazer ou não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem. VI - Na hipótese de o exequente fazer prova de que o domicílio do executado é em foro diverso de onde decidida a causa originária, o pleito de remessa dos autos deve ser deferido. A finalidade é viabilizar a efetividade da pretensão executiva, não havendo justificativas para se admitir entravas ao pedido de processamento de cumprimento de sentença no foro de opção do exequente, ainda que já tenha se iniciado. VII - Não assiste razão à recorrente, pois a jurisprudência desta Corte se firmou no sentido da possibilidade de escolha do juízo para o processamento do cumprimento da sentença, podendo ser diverso daquele que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição. Nesse mesmo propósito: CC n. 194.163, Ministro Afrânio Vilela, DJe de 14/2/2024; CC n. 159.326/RS, relatora Ministra Assusete Magalhães, Primeira Seção, julgado em 13/5/2020, DJe de 21/5/2020; e CC n. 161.782, Ministro Francisco Falcão, DJe de 13/8/2020. VIII - Agravo interno improvido. Fl. 14151DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 81 (AgInt no AREsp n. 2.546.013/GO, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 15/5/2024.) Nessa linha, o descontentamento da Recorrente com a decisão configura matéria de mérito e assim deve ser enfrentada, de sorte que afasto a nulidade suscitada. A contribuinte sustenta a inexistência de critérios objetivos e impessoais para a fiscalização que culminou na lavratura do auto de infração. Acresce ainda que a evolução do procedimento de apuração não permite que se identifique de onde foram extraídas as exigências fiscais para a apresentação de (i) demonstrativo de apuração e controle de empréstimos e mútuos, (ii) operações de factoring realizadas, (iii) apuração e controle de duplicatas descontadas, (iv) autorização do Banco Central para funcionar e, especialmente, (iv) o organograma do grupo empresarial. Afinal, se a Recorrente não tinha, em seu contrato social, a atividade de fomento mercantil, de onde o agente fazendário retirou tal informação? Qual a fonte de provas pertinente? Tal questionamento nos leva à conclusão da existência de arcabouço paralelo de informações e documentos obviamente não apresentado nestes autos, impedindo que a parte pudesse verificar a legalidade de tal atuação e utilizar de tais elementos para a sua defesa, assim como revela o direcionamento da ação fiscal e evidencia a falta de motivo para a sua instauração, em nítido desvio de finalidade e impessoalidade. Em que pese o inconformismo da Recorrente, as alegações acima não encontram resguardo nos documentos juntados aos autos. Com efeito, o Termo de Diligência Fiscal n. 1 (e-fls 2 e seguintes) indica que a fiscalização parte das informações da Recorrente no Cadastro da Prefeitura de Presidente Prudente e em seu ato constitutivo: Fl. 14152DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 82 A partir de tais informações, o fiscal pede documentos e informações genéricas, exatamente por se tratar de início de diligência, não se podendo inferir aí qualquer má-fé ou indício de ilicitude, como quer levar a crer a Recorrente. Até porque, enquanto a boa-fé se presume, a má-fé se prova. Sobre os poderes da Fiscalização, Luis Eduardo Schoueri apregoa: A fiscalização é tratada pelo art. 194 a 200 do Código Tributário Nacional, que assim inicia sua disciplina: Fiscalização Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica--se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. (...) Fl. 14153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 83 Chama a atenção o fato de que a fiscalização é matéria que o Código Tributário Nacional reserva à “legislação tributária”, não à lei. Claro que se dá “em virtude de lei”, mas não se exige que o próprio legislador cuide de descrever as atividades. Ou seja: a lei indica a quem cabe a fiscalização (órgão administrativo encarregado da administração do tributo); não precisa o legislador, entretanto, preocupar--se com a designação da autoridade administrativa para cada região ou contribuinte, nem tampouco suas atribuições; essa matéria é típica de mero regulamento. Conforme já se alertava acima, o parágrafo único trata de esclarecer que o poder de fiscalizar, posto que decorrente do poder de tributar, com este não se confunde. Exige--se harmonia, mas a fiscalização pode atingir até mesmo situações de imunidade, exatamente como forma de assegurar tal direito. A extensão a “contribuintes ou não” é coerente com a ideia de que o sujeito passivo pode ser o responsável, que não se reveste da condição de contribuinte, mas está, naturalmente, sujeito à fiscalização. Nos termos da PORTARIA RFB Nº 1687, DE 17 DE SETEMBRO DE 2014, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos ao controle aduaneiro do comércio exterior e aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a distribuição do procedimento fiscal será precedida da atividade de seleção e preparo da ação fiscal, que será impessoal, objetiva e baseada em parâmetros técnicos definidos pela Sufis ou pela Suari e executada por Auditores- Fiscais da Receita Federal do Brasil. Além disso, o Auditor Fiscal responsável pela emissão do TDPF não é o mesmo que realiza a fiscalização, conforme se extrai do §2º do art. 4 da referida Portaria: O procedimento fiscal será distribuído ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil pelo responsável pela sua expedição a partir do planejamento e da estratégia de execução dos procedimentos fiscais. Não havendo qualquer demonstrativo da narrativa apresentada em defesa, sua análise não merece maiores aprofundamentos, razão pela qual afasto a suscitada nulidade. A Recorrente alega que a Autoridade Fiscal teria cometido uma omissão deliberada da fiscalização em sonegar documentos e informações que servem à defesa dos seus interessados. E acresce, a apresentação de todos os elementos de prova coletados pela fiscalização, ainda que desinteressantes às suas próprias conclusões, é consequência dos princípios do devido processo Fl. 14154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 84 legal, do contraditório e da ampla defesa, albergados constitucionalmente e decorre do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” (g.n.) Chama-se atenção ao fato de referido dispositivo requerer que sejam juntados os documentos indispensáveis a comprovação do ilícito, não se extraindo aí a necessidade de juntada de todo o acervo probatório produzido durante a fiscalização. Ademais, nos termos da Súmula CARF n. 162, o direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento, de sorte que não há qualquer nulidade a ser sanada. Alega ainda que a correção do equívoco fazendário relativo à qualificação das operações realizadas pela Recorrente traz consigo a necessidade de modificação do critério jurídico do lançamento, o que é vedado pelo artigo 146 do Código Tributário Nacional. Trata-se, contudo de alegação genérica, e sem aplicabilidade ao caso concreto. A qualificação dos rendimentos adotada é justamente o critério jurídico estabelecido no lançamento. Caso esta turma entenda que referida qualificação está incorreta, por óbvio que o lançamento será cancelado, pois suas premissas não subsistirão. Porém, não se trata de aplicação do art. 146 do CTN, na mesma linha identificada no acórdão recorrido: 2.3 MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. 97. Diz o Impugnante que houve erro ao qualificar as operações como de instituição financeiras e autuar de acordo, e que a correção deste equívoco fazendário implica na modificação do de critério jurídico do lançamento, vedado pelo art. 146 do CTN. 98. A Impugnante se refere à eventualidade de o presente julgamento pela DRJ09 concluir que não se caracteriza a atividade da Autuada como de instituição financeira, e que então seriam aplicados percentuais de arbitramento relativos à prestação de serviços, o que seria modificação do critério jurídico; aponta que tal conclusão acarretará a nulidade da autuação – cabe esclarecer que, a aplicabilidade da qualificação da atividade desenvolvida como sendo de Fl. 14155DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 85 instituição financeira será analisada no mérito e só então se poderá concluir se procede, e, neste caso, analisar se a conclusão acarreta nulidade. Assim, deve ser afastada a referida alegação. Os solidários sustentam ainda a nulidade da autuação fiscal em razão da ausência de termo de início de fiscalização (TIF), relativamente à ora Recorrente e o uso consequentemente indevido, pela autoridade fiscal, de informações protegidas por sigilo fiscal. Contudo, referida alegação não tem embasamento lógico jurídico, haja vista que o Termo de Início de Fiscalização é elemento essencial em relação ao contribuinte, objeto do escrutínio fiscal, sendo a imputação de responsabilidade elemento incidental. Inclusive ao regular a matéria, a IN RFB 1862/2018 indica em seu art. 2 que: Art. 2º O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil que identificar hipótese de pluralidade de sujeitos passivos na execução de procedimento fiscal relativo a tributos administrados pela RFB deverá formalizar a imputação de responsabilidade tributária no lançamento de ofício. Parágrafo único. Não será exigido Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) para a imputação de responsabilidade tributária. Ainda que se ultrapassasse esta questão, a alegação encontraria óbice na Súmula CARF n. 171: Súmula CARF nº 171 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: 9101-004.676, 9202-008.028, 9303-009.609, 1201- 003.397,1301-004.043, 1302-004.407, 1401-003.974, 1402-003.702, 2201- 006.455, 2202-005.050, 2401-007.673, 2402-008.269, 3201-006.663, 3301- 005.617, 3302-006.583, 3401-006.575 e 3402-007.198. Portanto, deve ser afastada referida alegação. Da mesma forma deve ser afastada a alegação de que a fiscalização teria quebrado o sigilo dos responsáveis, haja vista que não há qualquer indicativo nos autos nesse sentido. Do TVF, verifica-se que se cotejou as informações bancárias da contribuinte com as informações Fl. 14156DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2021/arquivos-e-imagens/portaria-me-no-12975-sumulas-carf-atribui-efeito-vinculante.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 86 fiscais das responsáveis, as quais a autoridade fiscal já possui acesso e foram acessados no contexto de fiscalização tributária. Assim, afasto a referida alegação. Alegam ainda os responsáveis a nulidade da autuação fiscal em razão da utilização de informações relacionadas à período não incluído no termo de início fiscalização. Contudo da leitura do TVF se verifica que “as informações de período anterior” dizem respeito à fiscalização anterior envolvendo o mesmo contexto fático-jurídico. Como bem indica o acórdão recorrido: 102. Reclamam porque teriam sido utilizados dados da empresa relativos ao ano 2013, não abrangido pelo TDPF desta fiscalização, que especificou a fiscalização aos anos de 2015 a 2018. 103. Como relatado, os responsáveis solidários pela presente autuação, também já haviam sido responsabilizados no processo nº 10835.7251298/2019-83, da E.N.S.,cuja autuação já foi objeto do Acórdão nº 06-69.050, de 12 de março de 2020, por esta DRJ, e do qual foram cientificados. 104. Assim, aplica-se o que foi relatado e decidido no processo da E.N.S., julgado; cite-se aquele voto, em relação à idêntica reclamação: d2. Os autos de infração cobrem o período de 10/2014 até 12/2016, não tendo sido objeto de autuação qualquer fato do ano 2013, e se o Autuante anexou informações relativas a este ano, que foi objeto de análise no procedimento fiscal n° 0810500-2016-00004-6, que é justamente o nº do TDPF que o autorizou e do qual obviamente o contribuinte foi cientificado e cujo teor a Litigante reclamou, e cujos documentos se encontram às págs. 5.427/7.778 dos autos, isto se deu para fins de demonstrar a evolução das atividades da Autuada e demais envolvidos, auxiliando na compreensão do modus operandi da Autuada; da mesma forma, diligências junto a terceiros e entidades fazem parte do escopo do trabalho de fiscalização, na medida em que permitem avaliar no que consistem as atividades praticadas pelo contribuinte investigado. 2. Anexou-se à pág. 10.265, cópia do referido Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Diligência TDPF nº 0810500-2016-00004-6. (Anexado no presente processo à pág. (13.214, anexado neste processo) e objetivou “coleta de informações para subsidiar procedimento fiscal”) 3. Em síntese, a diligência relativa ao ano 2013 foi efetuada mediante autorização por TDPF e a presente autuação foi determinada pelo TDPF – Fiscalização nº 08.1.05.00-2019-00067-5, pág. 10.264, que delimitou os anos-calendário de 2014 a 2016, cobriu exatamente estes períodos. 105. Analogamente, na autuação da R.T.S que ora se julga, os autos de infração cobrem o período de 01/01/2015 a 31/12/2018, não tendo sido autuado qualquer fato do ano 2013. Fl. 14157DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 87 106. Em síntese, a diligência relativa ao ano 2013 foi efetuada mediante autorização por TDPF específico; e a presente autuação foi determinada pelo TDPF – Fiscalização nº 08.1.05.00-2019-00139, pág. 13.215, que delimitou os anos-calendário de 2015 a 2018, e cobriu exatamente estes períodos. Assim também deve ser afastada referida nulidade. Os responsáveis também suscitam nulidade decorrente de violação à ampla defesa e ao contraditório, pois em nenhum momento puderam acompanhar, inquirir ou contraditar, os diversos e extensos depoimentos tomados, unilateralmente, pelo Auditor Fiscal. Contudo, conforme Súmula CARF n. 162, já citada, o direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento, de sorte que não há qualquer nulidade a ser sanada. A alegada nulidade do auto de infração, em razão da aplicação de multa de caráter confiscatório deve ser afastada, pois as penalidades foram aplicadas de acordo com lei vigente e eficaz, não se podendo suscitar questionamentos referentes à sua constitucionalidade, conforme dispõe a Súmula CARF n. 2. Mérito No mérito, a Recorrente sustenta que pratica operações de fomento mercantil, a despeito da eventual ilegalidade de cláusula de recompra implementada em suas operações: De acordo com os contratos obtidos mediante procedimento de circularização (vi e contratos obtidos no procedimento de circularização em nome da R.T.S.), o contribuinte desenvolvia a atividade de compra de direitos creditórios e, por determinação legal, estaria obrigada à apuração do lucro real. (...) Conforme o ato constitutivo de 24/05/2012 (vide fls. 1182 a 1193), a R.T.S., tem como objeto social “Cobranças e recebimentos extrajudiciais por conta de terceiros, inclusive direitos autorais, protestos de títulos, sustação de protestos, devolução de títulos não pago, manutenção de títulos vencidos, fornecimento de posição de cobranças ou recebimento e outros serviços correlatos de cobrança ou recebimento”. Fl. 14158DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 88 Desse modo, tendo o contribuinte optado indevidamente pela tributação com base no lucro presumido, o imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, nos termos do art. 530, IV, do RIR/1999. Nesse aspecto, defende que a norma emanada do CMN tem mero caráter interpretativo, máxime por explicitar os critérios necessários para a configuração daquilo que denomina ilícito administrativo e criminal. Acresce que o art. 28, parágrafo 1º, alínea “c.4”, da Lei nº 8.981, de 20.01.95, foi revogado pela Lei nº 9.249/95, esvaziando completamente o seu sentido e ainda que se substitua o dispositivo revogado pelo revogador (art. 15, § 1º, inciso III, alínea ‘d’ da Lei nº 9.249/95). A configuração do ilícito administrativo e criminal exigiria que a empresa, sob o fundamento de prestar atividade de fomento mercantil (artigo 15, § 1º, inciso III, alínea ‘d’ da Lei nº 9.249/95), promovesse a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros e a custódia de valor de propriedade de terceiros (art. 17 da Lei nº 4.595/64), o que não é o caso dos autos e afasta a sua aplicação. Acresce que o Parecer Normativo nº 05/2014 não possui autorização alguma para vedar, diferenciar ou categorizar as operações de fomento mercantil entre si, justamente por tais atividades não terem sido feitas pela própria legislação pertinente. Contrariando à interpretação fazendária, o Código Civil, em seu artigo 296, embora estabeleça a regra geral de irresponsabilidade do cedente pela solvência do devedor, admite expressamente que as partes possam estipular em sentido contrário. Vale dizer, a regra prevista no artigo 295 apenas revela a ênfase do legislador em, desde logo, estabelecer que, caso não tenham tratado do assunto ou ainda que tenham afastado a responsabilidade do cedente pela solvência do título, ele ficaria responsável, no mínimo, pela existência do crédito ao tempo da cessão, se for onerosa, ou se tiver procedido de má-fé, na cessão gratuita. Nenhum dos precedentes jurisprudenciais articulados na decisão proferida autoriza a desqualificação completa da operação de fomento mercantil contratada, senão unicamente da cláusula de regresso ou do título que a aperfeiçoe. Em outras palavras, se há irregularidade na cláusula em si e ela desborda das condições legais, a ilegalidade apenas a invalida, sem qualquer efeito em relação às demais estipulações. Fl. 14159DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 89 A mera existência da cláusula de regresso claramente não possui o condão de acarretar efeito fiscal específico, conforme pretendido pela autuação/decisão. Vale dizer, a existência do crédito cedido pelo cliente e o regresso não tem o menor condão de alterar a natureza jurídica da operação realizada entre as partes, máxime quando presentes todos os demais requisitos pertinentes. Sobre este ponto, antes de minhas considerações, peço vênia para transcrever excerto do acórdão recorrido que tratou deste ponto (fls. 1353/13368): 126. Primeiramente, tendo em vista o Parecer Normativo (PN) Cosit nº 05 de 2014, cabe citar jurisprudência do mesmo STJ, cujos Acórdão o embasaram (são Acórdãos STJ de 2009 e 2007, vide Relatório Fiscal, pág. 9.317); os Acórdãos STJ a seguir são de 2020, portanto, atuais: AgInt no REsp 1864506 / AL AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2020/0050747-3 Data do Julgamento 10/08/2020; Data da Publicação/Fonte DJe 17/08/2020 Ementa: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE FACTORING. IRREGULARIDADE. CONFISSÃO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. RESPONSABILIDADE DO CEDENTE. CLÁUSULA DE RECOMPRA. IMPOSSIBILIDADE. CULPA DO FATURIZADO PELO INADIMPLEMENTO. SÚMULAS 7 E 83/STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. O Tribunal de origem, ao analisar a questão referente à valoração da confissão da recorrida acerca da fraude efetivada através da emissão de cheques sem fundos, entendeu inexistir nos autos o meio de prova alegado pela recorrente, de modo que a revisão da referida conclusão, a fim de reconhecer que a manifestação da parte recorrida configurou confissão da ilicitude apontada pela recorrente, demandaria o necessário revolvimento de fatos e provas, procedimento vedado pela Súmula 7/STJ. 2. Segundo a jurisprudência do STJ, nos contratos de factoring, considera-se nula a cláusula contratual de recompra do título cedido, pois se mostra inviável a transferência para o cedente da responsabilidade pelo crédito negociado, exceto quando constatada a existência de culpa pelo inadimplemento. Súmula 83/STJ. (Grifou-se.) AgInt nos EDcl no AREsp 1024224 / SP AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 16/0311339-0 Fl. 14160DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 90 ata do Julgamento 18/05/2020; Data da Publicação/Fonte DJe 26/05/2020 Ementa: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. 1. PEDIDO DE REMESSA DOS AUTOS PARA QUE O TRIBUNAL DE ORIGEM ANALISE A ATIVIDADE EXERCIDA PELO RECORRENTE. QUESTÃO NÃO SUSCITADA NAS RAZÕES DO RECURSO ESPECIAL. INDEVIDA INOVAÇÃO RECURSAL. 2. CONTRATO DE FACTORING. CESSÃO DE CRÉDITO. AÇÃO DE REGRESSO CONTRA O CEDENTE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 83/STJ. 3. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. AgInt no REsp 1809346 / AL AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2019/0105869-7 Data do Julgamento 23/03/2020; Data da Publicação/Fonte DJe 30/03/2020 Ementa: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE FACTORING. IRREGULARIDADE. CONFISSÃO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. RESPONSABILIDADE DO CEDENTE. CLÁUSULA DE RECOMPRA. IMPOSSIBILIDADE. CULPA DO FATURIZADO PELO INADIMPLEMENTO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Nos termos da orientação jurisprudencial deste Tribunal Superior, considera-se nula a cláusula contratual que prevê a transferência para o cedente da responsabilidade pela higidez do crédito negociado em contratos de factoring, exceto quando configurada sua culpa pelo inadimplemento da obrigação. 2. Concluindo o Tribunal de origem pela inexistência de confissão do cedente sobre a prática de simulação e fraude no contrato de negociação dos títulos, bem como sobre a ausência de responsabilidade pela insolvência do devedor, descabe ao Superior Tribunal de Justiça infirmar o posicionamento adotado, pois seria preciso o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, o que não é possível diante da incidência da Súmula 7/STJ. (Grifou-se.) AgInt nos EDcl no REsp 1761098 / CE AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2018/0212384-5 Data do Julgamento 03/03/2020; Data da Publicação/Fonte DJe 10/03/2020 Ementa: AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO. NOTA PROMISSÓRIA. AVAL. CONTRATO DE FACTORING. CLÁUSULA DE REGRESSO. NULIDADE. 1. São nulas as disposições contratuais no sentido de estabelecer garantia em favor da empresa de factoring acerca do adimplemento dos título cedidos pela faturizada. Precedentes. Súmula 83/STJ. 2. "A emissão de notas promissórias como instrumento de garantia pro solvendo em contrato de factoring torna esses títulos inexigíveis em face do devedor principal e do avalista, pois objetiva desvituar a natureza do contrato Fl. 14161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 91 de faturização, no qual o faturizador deve assumir os riscos pela inadimplência dos títulos contratados" (AgInt no AREsp 862.232/SP, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 02/09/2019, DJe 06/09/2019). 3. Agravo interno não provido. AgInt no AREsp 1261414 / SP AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2018/0055572-3 Data do Julgamento 20/02/2020; Data da Publicação/Fonte DJe 03/03/2020 Ementa: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE FACTORING. TÍTULO DE CRÉDITO EM GARANTIA DA OPERAÇÃO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. VINCULAÇÃO DA NOTA PROMISSÓRIA A CONTRATO. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA. SÚMULA 258/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. PREJUDICADO. NÃO PROVIMENTO. 1. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória e a interpretação de cláusulas contratuais (Súmulas 5 e 7/STJ). 2. O Superior Tribunal de Justiça firmou seu posicionamento no sentido de que não se admite a estipulação de garantia em favor da empresa de factoring no que se refere, especificamente, ao inadimplemento dos títulos cedidos, salvo na hipótese em que a inadimplência é provocada pela própria empresa faturizada, o que não é o caso dos autos. 3. "A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou" (Súmula 258/STJ). 127. Os Acórdãos citados, validam o PN Cosit nº 05 de 2014, e foram emitidos tendo em vista a orientação firmada pelo Tribunal na matéria pois citam a Súmula 83 do STJ: Súmula 83: NÃO SE CONHECE DO RECURSO ESPECIAL PELA DIVERGENCIA, QUANDO A ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SE FIRMOU NO MESMO SENTIDO DA DECISÃO RECORRIDA. (Grifou-se.) [...] 133. Em síntese, se a Autuada, além da atividade de factoring (que não constava do seu objeto social), também efetuou empréstimos garantidos por Notas Promissórias emitidas pelos produtores rurais (que teriam uma programação de valores a receber das usinas sucroalcooleiras, para entregas futuras) e, nos casos de descontos e cheques e/ou outros títulos de crédito, exigiu que o cliente assumisse a responsabilidade no caso de inadimplência do emissor deste título, fica evidente ter praticado operações exclusivas de instituições financeiras para as quais deve haver autorização do Banco Central do Brasil – Bacen. (...) 132. A análise supra evidencia que a jurisprudência do STJ é em consonância com os arts. 295 e 296 do CC invocados pela Litigante, ou seja, que na cessão de Fl. 14162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 92 crédito por título oneroso, o cedente é responsável ao cessionário, pela existência do crédito que cedeu (isto é, de que não não se trata de crédito fictício ou fraudulento, mas real e efetivo); no que tange à interpretação que a Litigante lhes atribui, ou seja, de que os citados artigos do CC admitiriam que numa operação de factorig estaria facultado às partes estipular no contrato que o cliente assuma o risco da inadimplência do título, a interpretação colide não só com a jurisprudêcia do STJ, mas vai contra a própria ANFAC-Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil [...] 134. A Fiscalização se baseou na Resolução nº 2.144 do CMN, de 1995, para concluir que , se as operações exercidas pela R.T.S foram descaracterizadas como tal, então, a Autuada incorreu em ilícitos administrativo e criminal: [...] 135. A R.T.S. assevera que exerceu a atividade de factoring, a par das atividades listadas no seu objeto social; mas como já se viu, não consta que a R.T.S, nem a E.N.S., tivessem se associado à ANFAC, o que seria um argumento no sentido de que atuaram em factoring; e tampouco consta esta atividade no objeto social da Autuada. 136. Se o contribuinte Autuado, sob a aparência de factoring, adquiriu títulos dos clientes e exigiu que estes assumissem o risco da solvência dos mesmos, tais operações não são de factoring, conforme se analisou no título precedente deste voto. 137. Então, antes de verificar que tipo de operações foram praticadas pela R.T.S e se se aplica a determinação contida na Resolução nº 2.144 do CMN, de 1995, cabe analisar o alcance legal desta. (...) 140. Alegou a Autuada que Resolução do CMN não pode alterar lei, é meramente interpretativa e que apenas estabelece a base de cálculo do imposto de renda para as empresas (factoring). 141. Esquece a Litigante que a Lei nº 4.595, de 1964, que dispõe sobre o Sistema Financeiro Nacional, determinou as competências do CMN e a emissão da Resolução em discussão é especificamente atribuição sua, não tendo ocorrido qualquer alteração de lei, pelo contrário, foi emitida em obediência à Lei nº 4.595, de 1964. 142. Portanto, se constatado que a Autuada no exercício das atividades que afiança serem de "factoring” desenvolveu operações privativas de instituição financeira, então praticou ilícito administrativo e criminal. (...) Fl. 14163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 93 144. Afirma o Autuante que, na análise dos contratos e da documentação das operações, identificou que a R.T.S impunha aos clientes que assumissem o risco de inadimplência dos títulos de crédito que comprou (o que, conforme a jurisprudência do STJ, descaracteriza a operação como sendo de factoring) e também realizou operações de crédito garantidas por notas promissórias (operações exclusivas de instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central). 145. Consta do Relatório Fiscal que o contribuinte apesar de sucessivamente intimado a apresentar os contratos, limitando-se a fornecer somente uma parcela insignificante (vide fls. 95 a 145); mas que, em circularização a clientes, constatou contratos omitidos de operações de compra de direitos creditórios, cujas receitas foram sonegadas. [...] 150. Relata ainda a Fiscalização, págs. 11.659/11.633, processos de execução extrajudicial (confissão de dívida) movidos pela E.N.S., contra clientes, evidenciando que se o título não foi pago, o cliente assumia a responsabilidade, e que a E.N.S. era representada por empregado da Plantae If, evidenciando a atuação como grupo de fato, dessas empresas, e ligação de Wolney de Medeiros Arruda Filho, com a R.T.S. 151. Em síntese, os fatos relatados evidenciam que as citadas empresas atuavam como um grupo empresarial, efetuando empréstimos aos clientes garantidos com notas promissórias, e efetuando descontos de títulos diversos, exigindo garantia dos clientes; e que por meio da Plantae If, Wolney de Arruda Medeiros Filho, exerceu o comando deste grupo, sendo a R.T.S, parte atuante nas atividades que o grupo desenvolveu, ou seja, sim, efetuou operações caracterizadas como específicas de instituições financeiras que exigem autorização pelo Banco Central, às quais não estava autorizada. Neste ponto, em que pese o inconformismo da Recorrente, entendo que ela não foi capaz de afastar as conclusões alcançadas pela fiscalização e mantidas pela DRJ. Note-se que mesmo os pareceres juntados são de pouca valia para a análise do caso concreto. No parecer de Rodrigo Natacci, por exemplo, afirma-se: Li diversas jurisprudências que repetem a mesma frase: “A essência da operação de factoring é a assunção dos riscos da inadimplência e da insolvência do sacado” e que “direito de regresso transforma a operação de factoring em operação privativa de banco”. No entanto, com todo o respeito as decisões dos Tribunais e não sou jurista, mas não identifiquei qualquer base legal ou fática que estabeleça esse tipo de definição. Eu entendo que a Factoring compra crédito com dinheiro próprio e não compra risco de inadimplência. Fl. 14164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 94 Em outros termos, o próprio parecerista, apesar de não concordar, indica prevalecer o entendimento no poder judiciário de que há necessidade de a empresa assumir o risco, o que acaba afastando também o posicionamento defendido pelo Professor Fábio Ulhoa Coelho. Ademais, quando dos questionamentos, verifica-se: (iii) Qual o risco e a análise que deve ser feita por uma empresa de factoring na aquisição de uma Nota Promissória Rural (NPR)? Deve a empresa (de fomento) se preocupar com a entrega da mercadoria ou, nos termos do § 1º do artigo 42 do Decreto-lei nº 167/67, pode ter como segura a informação de entrega dos produtos? Do mesmo modo, ao emitir uma NPR, a agroindústria (sacada) pode recusar-se ao pagamento com a alegação de não entrega do produto pelo seu parceiro, fornecedor, etc? Resposta: Vamos analisar o texto do § 1º do artigo 42 do Decreto-lei nº 167/67, especialmente os trechos que eu grifei: Art 42. Nas vendas a prazo de bens de natureza agrícola, extrativa ou pastoril, quando efetuadas diretamente por produtores rurais ou por suas cooperativas; nos recebimentos, pelas cooperativas, de produtos da mesma natureza entregues pelos seus cooperados, e nas entregas de bens de produção ou de consumo, feitas pelas cooperativas aos seus associados poderá ser utilizada, como título de crédito, a nota promissória rural, nos termos deste Decreto-lei. § 1º A nota promissória rural emitida pelas cooperativas de produção agropecuária em favor de seus cooperados, ao receberem produtos entregues por eles, constitui promessa de pagamento representativa de adiantamento por conta do preço dos produtos recebidos para venda. Não sou jurista, mas se o Decreto fala em produto entregue e se a NPR for emitida sem produto entregue abrirá margem para discussão da validade do título NPR, poderá ser considerado um vício na formação do título (origem). Se a Factoring tiver ciência que a mercadoria não foi entregue, o mais prudente será recusar o título. O próprio parecer apresentado indica que há a necessidade de entrega do produto. Da mesma forma, o parecer do Professor Luis Regis Prado analisa as operações e contratos de factoring para fins penais, restringindo-se o escopo da análise aos conceitos e definições estabelecidos na Lei n. 7.492/1986, mais restrito: É preciso salientar que o conceito de instituição financeira previsto pelo artigo 1° da Lei n. 7.492/1986 - a ser utilizado para caracterização dos tipos penais nela Fl. 14165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 95 previstos - não incorpora a "intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros", mas tão-somente de terceiros. Enquanto elemento normativo jurídico de alguns tipos penais constantes da Lei n. 7.492/1986 não há que se expandir o seu conceito para contemplar a possibilidade de caracterização de instituição financeira pela atividade de aplicação de recursos próprios, pois tal situação está excluída do artigo 1º., sendo a eventual interpretação ampliativa ou analógica, absolutamente vedada pelo princípio da legalidade ou reserva legal (art.1º, CP). (...) Considerando as informações obtidas por meio da representação fiscal da Receita Federal não é possível vislumbrar a existência de dolo por parte do investigado quanto à operação ilegal de instituição financeira, porque as atividades realizadas não consistiram na captação e intermediação de recursos financeiros alheios, conforme explanado na resposta ao quesito anterior. A partir das informações constantes da própria representação fiscal, verifica-se que o agente (responsável pela empresa E.N.S) não realizou atividade de intermediação de recursos financeiros de terceiros, senão adquiriu os créditos dos proprietários de áreas rurais com recursos próprios, inexistindo qualquer intenção de operar irregularmente e praticar atividade exclusiva de instituição financeira. Portanto, não se pode afirmar o dolo do agente. Eventual atuação culposa é irrelevante. Nesse aspecto, o escopo diverso do referido parecer pouco contribui aos deslinde do caso. Em minha visão, as atividades desenvolvidas pela Recorrente acabam permitindo sua equiparação à Instituição Financeira, de sorte que entendo perfectibilizada a materialidade. No que tangencia a base de cálculo, a Recorrente sustenta que o 36 da Lei nº 8.981/1995 a que se refere o art. 16 da Lei 9.249/1995 foi revogado pelo artigo 18, inciso III da Lei nº 9.718/9814, o qual não estabeleceu novo rol de atividades sujeitas ao arbitramento dos lucros no percentual de 45% (quarenta e cinco por cento), suficiente para afastar a aplicação da regra acima, ante o vácuo legislativo criado, que impede, naturalmente, a sua “substituição” pelo agente público. Vejamos os dispositivos citados: Lei n. 9249/95 Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. Fl. 14166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 96 Parágrafo único. No caso das instituições a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o percentual para determinação do lucro arbitrado será de quarenta e cinco por cento. Lei n. 8.981/95 Art. 36. Estão obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real as pessoas jurídicas: (...) III - cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) Neste ponto, embora seja verdadeiro que o art. 36 tenha sido revogado, como bem observado no acórdão recorrido, o dispositivo que determina o percentual de 45% de arbitramento para as atividades de instituições financeiras, não foi revogado; e o inciso III do art. 36, foi substituído na Lei nº 9.718, de 1998, que o revogou, pelo inciso II do art. 14 o qual, assim como no dispositivo revogado e substituído por este, determina que as instituições financeiras devem apurar o imposto de renda pelo lucro real. Assim, em que pese o esforço argumentativo da Recorrente, entendo correto o percentual aplicado. A Recorrente sustenta ainda que existe vício de lançamento em relação às alíquotas da CSLL e da COFINS, pois a fiscalização efetuou o lançamento da CSLL aplicando a alíquota de 15% (quinze por cento) para os fatos geradores realizados entre o 2º (segundo) trimestre de 2015 e 1º setembro de 2015, e 20% (vinte por cento) para aqueles compreendidos entre o dia 01 de setembro de 2015 em diante, realizado o mesmo no caso da COFINS, ao se aplicar a alíquota de 4% (quatro por cento) sobre a base de cálculo apurada, todas mantidas pela decisão recorrida. Contudo, conforme já indicado anteriormente, o presente voto parte da premissa de que corretas as premissas do auto de infração, de sorte que não há vícios a serem sanados em relação às alíquotas da CSLL e da Cofins. Sustenta ainda a Recorrente que apresentada à fiscalização a origem dos depósitos indicados, descabe a tributação em discussão, na medida em que, em tais casos, a hipótese passa Fl. 14167DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8981.htm#art36iii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8981.htm#art36iii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9718.htm#art18iii D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 97 a ser regida pelo § 2º do artigo 42, que diz: “§ 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” E sustenta ainda que não é lógico, muito menos legal, tributar-se depósitos bancários cuja origem tenha sido devida e oportunamente apresentado à fiscalização, conforme prevê o § 2º supra. A questão do que restou comprovado ou deixou de ser comprovado foi amplamente analisado no acórdão recorrido às fls. 13369/13394, sem que houvesse inovação argumentativa qualquer, razão pela qual entendo deva ser mantida a referida decisão. Por fim, a contribuinte sustenta que não há nos autos qualquer justificativa para manter a qualificação da penalidade, muito menos ao seu agravamento. Extrai-se do TVF que a qualificação da multa se deu nos seguintes termos: Foi aplicada a multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre os tributos exigidos de ofício em razão do sujeito passivo ter praticado os atos previstos no art. 44, §1, da Lei 9.430/1996, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Os arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964 dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 14168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 98 II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O sujeito passivo R.T.S. Serviços e Cobrança Eireli, por meio do real sócio administrador Wolney de Medeiros de Arruda Filho, agiu dolosamente na sonegação, fraude e conluio previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964, mediante as condutas de: a) não oferecer à tributação as vultosas receitas das operações de desconto de direitos creditórios. b) Omitir à tributação as vultosas receitas de depósitos bancários de origem e causa não comprovados. c) Não declarar em DCTF os tributos devidos. d) Não declarar no SPED ECF (Escrituração contábil fiscal) e SPED Contribuições as receitas auferidas e os débitos devidos. e) Deixar de transmitir à base do SPED a ECD (Escrituração contábil digital) e também deixar de fornecer à fiscalização os arquivos digitais da escrituração contábil devidamente validados, num evidente intuito de embaraçar a fiscalização e a identificação dos reais proprietários. f) Deixar de apresentar os contratos que amparam as operações de desconto de direitos creditórios. A R.T.S. apresentou somente os contratos às fls. 97 a 145 relativos a 6 clientes, sendo que realizou operações com mais de 70 clientes (vide Anexo II do Relatório de Fiscalização). g) Deixar a empresa no nome de Ricardo de Souza, interposta pessoa e testa de ferro. h) Não informar no quadro societário o Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, real sócio administrador e beneficiário final dos recursos desviados. i) Ocultar a causa e a identificação do remetente/destinatário da vultosa movimentação de recursos entre empresa operacional Plantae If e a R.T.S.. j) Ocultar o desvio de vultosos recursos da R.T.S. para a empresa patrimonial Grupo WAF (empresa em nome do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho), em prejuízo do recolhimento de tributos. k) Ocultar o desvio de recursos para a empresa operacional Foregon.com, em nome do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, em detrimento do recolhimento de tributos. Fl. 14169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 99 l) Ocultar o pagamento das despesas pessoais do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, em detrimento do recolhimento de tributos. m) Ocultar o pagamento de despesas de pessoas da família do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho. n) Deixar de comprovar individualmente o beneficiário e causa de vultosos pagamentos5, num evidente intuito de esconder os reais beneficiários de recursos provenientes da sonegação e fraude fiscal. o) A Plantae If usar a R.T.S. para omitir receitas e os tributos devidos sobre de desconto de direitos creditórios e depósitos bancários de origem e causa não comprovados. p) Não apresentar os comprovantes de custos e despesas, num evidente intuito de esconder os reais beneficiários de recursos provenientes de sonegação e fraude fiscal. Assevera que a implicância fazendária diz respeito à não apresentação dos arquivos digitais da escrituração contábil, que, em seu equivocado entendimento, consiste em atitude deliberada para causar prejuízo e embaraçar o curso da ação fiscal. Embora se reconheça que os arquivos digitais facilitem o acesso das autoridades tributárias às informações nele constantes, é fato que a entrega dos mesmos elementos através de outros meios não pode caracterizar a hipótese de agravamento da penalidade em discussão, conforme reconhecido pelo próprio CARF em situações idênticas. Tal discussão, inclusive, estava superada a partir da edição da Súmula CARF nº 96, que trata do agravamento da penalidade, nos seguintes termos: “A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros”. Clama ainda a aplicação das súmulas 14 e 25. Sobre a qualificação da multa, nota-se que o traço característico e comum nas três modalidades é a conduta dolosa. O dolo é imprescindível para a aplicação da penalidade qualificada, pois, como visto, as previsões dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 referem-se exclusivamente às situações em que o dolo está presente, podendo-se observar, pois, que, enquanto os artigos 71 e 72 se referem à “ação ou omissão dolosa”, o artigo 73 se relaciona com “ajuste doloso”. O dolo, o qual, aliás, consubstancia-se em elementos relativos à vontade e à consciência, é, portanto, o requisito inafastável para que a multa seja aplicada na modalidade Fl. 14170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 100 qualificada (PRZEPIORKA, Michell; Nóbrega, Sávio Salomão de Almeida. O Dever Jurídico da Prova dos Elementos Ensejadores da Qualificação da Multa de Ofício à luz da Jurisprudência do CARF. In. Controvérsias no Direito Tributário Contemporâneo / Thabitta de S. Rocha, Bruno Rodrigues Teixeira de Lima (orgs.). - 1. ed. - Belo Horizonte, São Paulo : D’Plácido, 2023). Registre-se que não é qualquer dolo que autoriza a qualificação da multa, mas o dolo no caso específico ao qual se trata o lançamento, conforme o estudo acima citado, a jurisprudência da 1ª Turma da Câmara Superior do CARF tem caminhado no sentido de consolidar entendimento de que cabe à fiscalização demonstrar o dolo, a fraude ou o conluio no caso concreto, indicando expressamente a pertinência lógica entre o referido ato e a infração identificada (PRZEPIORKA, Michell; Nóbrega, Sávio Salomão de Almeida. O Dever Jurídico da Prova dos Elementos Ensejadores da Qualificação da Multa de Ofício à luz da Jurisprudência do CARF. In. Controvérsias no Direito Tributário Contemporâneo / Thabitta de S. Rocha, Bruno Rodrigues Teixeira de Lima (orgs.). - 1. ed. - Belo Horizonte, São Paulo : D’Plácido, 2023), conforme se verifica do entendimento que restou perfilhado no acórdão nº 9101-005.514, de relatoria do Conselheiro Alexandre Evaristo Costa. In verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 MULTA DE OFÍCIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE DE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, sobretudo quando a autoridade lançadora baseou-se em presunções para realizar o lançamento.” Portanto, os elementos indicados pela Fiscalização não são suficientes para a qualificação da multa em minha visão por não representarem dolo específico em relação ao fato gerador. Dos itens acima elencados, verifica-se que a omissão dos beneficiários pode ter como consequência o lançamento de IRRF por pagamento sem causa, mas não a qualificação da multa, haja vista que tais informações não são capazes de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 14171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 101 Da mesma forma, o não oferecimento à tributação de vultuosas somas ou mesmo a ausência de tais informações em documentos contábeis e fiscais é justamente o núcleo da omissão de receita, conforme expõem Jeferson Teodorovicz e Michell Przepiorka: Assim, operações realizadas à margem da contabilidade, como a falta do registro contábil de despesas, pagamentos, custos, ou qualquer outra operação do qual decorra a entrada de receitas no patrimônio do contribuinte, autoriza a presunção da omissão, já que a omissão do registro contábil já indica que houve pagamentos realizados à “margem da contabilidade”. Nessas hipóteses, deve o contribuinte, pela inversão do ônus da prova, afastar, mediante documentação idônea e pormenorizada, a presunção legal de omissão de receitas. O lançamento de ofício que leva à imputação de multa qualificada de 150% tem como pressuposto que o contribuinte teria agido com dolo (nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei 4502/64), que, por sua vez estabelecem as condutas de fraude, sonegação ou conluio. Uma vez verificadas, tais condutas autorizam a qualificação da multa de 75% para 150%, conforme prevê o art. 44, I, par. 1ª da Lei 9430/96. Por outro lado, não se pode assumir que tais condutas, que compreendem o núcleo da materialidade da omissão de receitas, sejam praticadas cumulativamente ou não, autorizem, per se, a qualificadora da multa de ofício, pois, como visto, a continuidade da conduta praticada só teria contundência para fins de averiguação da qualificadora caso a empresa já tivesse sofrido autuação ou condenação pelas mesmas condutas e mesmo assim continuasse praticando-as deliberadamente após sofrer a respectiva penalidade, ao passo que não há previsão legal expressa para determinar com segurança e objetividade qual percentual mínimo de receita omitida que autorizaria a aplicação da qualificadora. Isso porque, tomando como referência esses elementos (ainda que cumulativos), a omissão de receitas em percentuais expressivos (proporcionalmente falando), seria caracterizada mesmo que os percentuais fossem reduzidos a 10%. Os mesmos argumentos podem ser atribuídos às operações realizadas “à margem da contabilidade”, pois, é justamente o fato de que as receitas não estão devidamente contabilizadas/registradas/declaradas que autorizaria a presunção legal. Logo, para que se autorize legalmente a aplicação da qualificadora da multa de ofício, exige-se a demonstração cabal, por parte da autoridade autuante, da existência de dolo por parte do contribuinte na prática de tais condutas, que devem ser adicionais ao núcleo material de condutas que compõem a simples omissão de receitas. Portanto, não há, nessa circunstância, presunção legal que afaste o esforço da autoridade autuante para a demonstração do dolo, nos termos do art. 44 da Lei Fl. 14172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 102 9430/96, que deve ser evidenciado na conduta ou nas condutas praticadas pelo contribuinte ao omitir receitas tributáveis, sem o qual não se pode autorizar a incidência da norma qualificadora da multa de ofício. Mais uma vez, não discordamos que não seja um ilícito a entrega de declarações zeradas, todavia, somente será um ilícito passível de ser penalizado com uma multa qualificada na hipótese de a conduta dolosa praticada restar sobejamente demonstrada, o que não nos parece que seja o caso. Nesse sentido, atente-se para as Súmulas CARF nº 14 e 25, cujo os seus fundamentos de existência podem ser aproveitados no presente caso: Súmula CARF nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A nosso ver, se o fato “omissão de receitas” ou “omissão de rendimentos” não justifica por si só a qualificação da multa, a entrega de declarações zeradas também não. Ainda mais quando a contabilidade existe e foi levada em consideração para lavratura do próprio auto de infração. Trata-se de posicionamento já conhecido neste CARF, como se observa pelo precedente abaixo reproduzido: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. DCTF ZERADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada. O não pagamento de tributo, a não apresentação de declaração ou a apresentação de declaração inexata, por si só, não revelam condutas dolosas. Tratam-se, na verdade, de situações típicas que ensejam a aplicação da multa de ofício de 75% (e não 150%), nos termos do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/1996. (Acórdão nº 1201-002.255. Sessão de 13/06/2018) Nesse ponto, entendo que deva ser reduzida a multa ao patamar de 75%. Da mesma forma, entendo deva ser afastada a multa agravada. Com efeito, é indiscutível que o contribuinte deixou de atender a uma série de quesitos levantados pela autoridade fiscal no curso do procedimento de fiscalização. Todavia, tal fato por si só não é suficiente, a nosso ver, para o agravamento da multa. Em outras palavras, não é o não atendimento à fiscalização que justifica a multa agravada, mas sim o embaraço à fiscalização. Fl. 14173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 103 Nesse ponto, convém ressaltar que o Fisco dispunha de toda a documentação que serviu de base para o presente lançamento, realizado com nas notas fiscais eletrônicas constantes do seu SPED. Portanto, deve ser cancelado agravamento da multa. Por fim, passo à análise dos fundamentos atinentes à imputação de responsabilidade. Antes de ingressar na análise específica de cada um dos responsáveis, gostaria de firmar algumas premissas. Registre-se inicialmente que para a responsabilização com base no artigo 124, I, é imprescindível o interesse jurídico – e não meramente econômico ou financeiro – na situação que constitua o fato gerador. A solidariedade tributária de que trata as situações previstas no artigo 124,I, do CTN, pressupõe a existência de dois sujeitos passivos praticando conduta lícita, descrita na regra- matriz de incidência tributária. Do fato gerador, nestas situações, decorre a possibilidade do sujeito ativo exigir o pagamento de tributos de qualquer um dos sujeitos que integrou a relação jurídico-tributária. O CTN prevê a distinção de responsabilidade entre a pessoa jurídica e as pessoas dos diretores, gerentes ou seus representantes. Tal distinção encontra seu fundamento de validade na lógica premissa segundo a qual, uma vez constituída a pessoa jurídica, por ficção legal, acaba por assumir um plexo de direitos e obrigações absolutamente distinto dos direitos e obrigações peculiares às pessoas físicas e jurídicas que compõe o seu quadro societário. Com efeito, ao manifestarem sua affectio societatis, as pessoas físicas ou jurídicas vertem parcelas patrimoniais próprias à constituição e consolidação do capital social do novo ente que se forma, provendo o com recursos financeiros suficientes para, ao menos, em tese, satisfazer suas obrigações, legitimando o à existência financeira própria. Dessa maneira, a distinção de responsabilidades e, de conseguinte, a limitação da responsabilidade dos sócios se impõe como regra lógica. Especificamente, com relação aos diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica, o caput do artigo 135 do CTN é expresso ao condicionar a atribuição de responsabilidade Fl. 14174DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 104 dos mesmos às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatutos. Disto decorre que a responsabilidade solidária não é abrangente ao ponto de colocar o sócio, gerente ou representante, como solidário em relação a toda e qualquer obrigação tributária, mas somente em relação àquela que agiu indevidamente, ou seja, com excesso de poderes, violação à lei, ao contrato ou ao estatuto. Pressupõe-se, portanto, um ato ilícito gerador de unia obrigação tributária, com evidente nexo causal objetivo entre a causa (ato ilícito) e o efeito (obrigação tributária). No caso concreto, infere-se do TVF que as razões fático-jurídicas para tanto foram as seguintes: O sujeito passivo solidário Plantae If Fomento Comercial Ltda6: empresa em nome do sócio administrador Wolney de Medeiros Arruda Filho; é a real controladora da E.N.S. e da R.T.S.; usou as empresas E.N.S. e R.T.S. para realização das operações com sonegação e fraude fiscal; e detinha conta corrente de remessas e recebimentos de recursos ocultos para/das empresas E.N.S. e R.T.S.. O sujeito passivo solidário Foregon.com S.A.: 96% das ações são detidas por Wolney de Medeiros Arruda Filho; presidida por Wolney de Medeiros Arruda Filho; e beneficiária oculta dos recursos desviados pela R.T.S.. O sujeito passivo solidário Grupo WAF Imóveis Participações e Empreendimentos Ltda: administrado pelo usufrutuário Wolney de Medeiros Arruda Filho; Wolney de Medeiros Arruda Filho transferiu a empresa para o nome do filho menor durante o curso da ação fiscal, num evidente intuito de frustrar a cobrança fiscal sobre a empresa E.N.S. e R.T.S.; e beneficiária oculta dos recursos desviados pela E.N.S. e R.T.S. fruto da sonegação e fraude fiscal. O sujeito passivo solidário Grupo W Participações Ltda: administrado pelo usufrutuário Wolney de Medeiros Arruda Filho; Wolney de Medeiros Arruda Filho transferiu a empresa para o nome do filho menor durante o curso da ação fiscal, num evidente intuito de frustrar a cobrança fiscal sobre a empresa E.N.S. e R.T.S.. Assim sendo, as empresas Plantae If Fomento Comercial Ltda, Foregon.com S.A., Grupo WAF Imóveis Participações e Empreendimentos Ltda e Grupo W Participações Ltda devem responder solidariamente pelos débitos tributários da R.T.S., nos termos do art. 124, I, do CTN, que estabelece a solidariedade pelo adimplemento das obrigações tributárias de pessoas que possuem interesse comum na situação que constitui o fato gerador. CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 14175DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 105 I- as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Wolney de Medeiros Arruda Filho: real proprietário da R.T.S. e da E.N.S.; sócio administrador da Plantae If; ex-sócio administrador da empresa patrimonial Grupo WAF, beneficiária oculta dos recursos desviados pela E.N.S. e R.T.S., e que fora transferida para o nome do filho menor durante o curso da fiscalização; ex- sócio administrador da empresa patrimonial Grupo W que fora transferida para o nome do filho menor durante o curso da fiscalização; sócio administrador da empresa Foregon.com, beneficiária oculta de recursos remetidos pela R.T.S. (sucessora da E.N.S.); e beneficiário oculto de pagamentos realizados pelas empresas E.N.S. e R.T.S. Assim sendo, pelo fato do real proprietário da R.T.S., Wolney de Medeiros Arruda Filho, ter exercido a administração ou gerência com prática de atos com infração à lei, pondo em execução a sonegação, fraude e conluio, este deve responder solidariamente pelas dívidas tributárias, nos termos do art. 135, III, do CTN. CTN Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I- as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Ricardo de Souza: testa de ferro; sócio administrador constante do cadastro da R.T.S.; nunca informou a titularidade da R.T.S. nas DIRPF (vide DIRPF às fls. 11113 a 11159); nunca informou ter auferido rendimentos, lucros ou dividendos da R.T.S.; não informa rendimentos da E.N.S., sucedida da R.T.S.; não possui bens declarados na DIRPF compatíveis com as vultosas receitas da R.T.S. e E.N.S.; não possui rendimentos compatíveis com as elevadas receitas da R.T.S. e E.N.S.; os recursos da atividade da R.T.S. e E.N.S. são desviados direta ou indiretamente (empresas do Sr. Wolney) a favor do Wolney de Medeiros Arruda Filho, verdadeiro titular da R.T.S.. Antônio Carlos Shiro Hachisuca: sócio da Plantae If; contador responsável pela empresa operacional, Plantae If, e pelas empresas E.N.S. e R.T.S.; omitiu os débitos devidos na DCTF das empresas E.N.S. e R.T.S.; e omitiu as receitas auferidas pela E.N.S. e R.T.S. no SPED Contribuições e SPED ECF. Fl. 14176DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 106 Assim sendo, pelo fato de Antônio Carlos Shiro Hashisuca ter realizado atos com excesso de poderes ou infração de lei, pondo em execução a sonegação, fraude e conluio, este deve responder solidariamente pelas dívidas tributárias, nos termos do art. 135, II, do CTN. CTN Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: - as pessoas referidas no artigo anterior; - os mandatários, prepostos e empregados; - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No caso concreto, a fiscalização demonstrou que tais empresas possuíam interesse comum na concretização do fato gerador, conforme bem resume o acórdão recorrido: 206. Às págs. 11.608/11.659, o Autuante relata porque concluiu tratar-se de grupo econômico de fato formado pela empresa operacional Plantae lf, que declarava e recolhia tributos, e as empresas de fachada E.N.S. e R.T.S., que sonegavam, e que a prática era registrar as operações na E.N.S. e R.T.S; e que a amostragem efetuada evidenciou operações equiparadas às de instituição financeira por exigirem garantias nas operações de desconto de títulos, e eram exercidas irregularmente sem autorização do Banco Central; que o grupo abrange também as empresas patrimoniais Grupo WAF e Grupo W, e a operacional Foregon.com, todas beneficiárias ocultas de vultosos recursos desviados da E.N.S. e da R.T.S.. d. Segundo alteração do contrato social em 10/04/2012 da E.N.S., o sócio administrador Wolney de Medeiros Arruda Filho retirou-se da sociedade E.N.S. e ingressou como sócio administrador Everaldo do Nascimento Silva; contudo trata- se de interposta pessoa, haja vista que este constava na empresa circularizada Master Guinchos, págs. 8.208/8.221, registrado como motorista no período de 2012 a 2019, também porque nunca assinou qulquer contrato da E.N.S., não declarou esta participação societária em sua DIPF (na qual informou a ocupação principal como “518 – Motorist e condutor do transporte de passageiros”a, e nunca recebeu qualquer valor da E.N.S.; a. Ao longo de 2016, a E.N.S. cessou atividades, as quais foram continuadas pela R.T.S: (...) À pág. 11.610, os registros SPED e-financeira demonstram que os débitos e créditos da E.N.S. em 2017, se reduziram a R$1.192,55 e R$612,01, respectivamente, em 2017, enquanto a R.T.S, cuja movimentação começou em Fl. 14177DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 107 2015, aumentou desde então, e em 2017, os débitos e créditos montaram R$187.563.501,93 e R$187.124.106,45, respectivamente. A Fiscalização também descreve as informações obtidas nas circularizações a clientes, que foram intimados a apresentar documentos de operações com a E.N.S. e com a R.T.S, págs. 11.613/11.659 e 11.633/11.694, já transcritas neste voto, no citado item, no que tange à caracterização das citadas operações como desconto financeiro e não factoring; mas, relativamente às mesmas operações, descritas nas citadas páginas, destacam-se as informações que apóiam a conclusão de que as empresas agiam em conjunto sob o comando de Wolney de Medeiros Arruda Filho: (...) 207. Além destes fatos, descreve às págs. 11.695/11.704, 11.707, desvio de recursos da R.T.S para a empresa Grupo WAF, Foregon.com, Plantae IF, pagamentos de despesas da Plantae IF, e Grupo W, além de pagamentos de despesas de Wolney de Medeiros Arruda Filho e de seus familiares, descritos adiante neste voto; também descreve o fato de empregados da Plantae IF realizarem operações e representarem a R.T.S e a E.N.S. (as quais não tinham quadro próprio). Às págs. 11.711/11.720, descreve outros fatos que evidenciam as ligações entre as empresas do grupo e as pessoas responsabilizadas solidariamente: obrigações acessórias como envio de declarações pelas empresas, feitas pela mesma pessoa Antonio Carlos Shiro Hachisuca, e quase simultâneas e, em outros casos Wolney de Medeiros Arruda Filho, porém todas partindo do mesmo computador; endereço da R.T.S no cadastro do banco Bradesco, é sala comercial de propriedade de Wolney, e o contato informado é o Nungesses, empregado da Plantae IF; e-mail e nº telefone de contato da R.T.S e E.N.S., são os mesmos que os da Plantae IF; recebimento de recursos da E.N.S., sem motivo; E.N.S. usou nas NF o endereço da Plantae IF. E o autuante concluiu, pág. 11.695: V - DA OCULTAÇÃO DE BENS, DIREITOS E VALORES As empresas E.N.S. e a sucessora R.T.S. eram utilizadas para realização das operações com sonegação e fraude fiscal, assim como para desvio de vultosos recursos e elevados pagamentos de despesas pessoais a favor de pessoas ocultas do grupo, que somente foram reveladas após investigação e procedimento de circularização, conforme será demonstrado a seguir. Consultando-se o cadastro CNPJ na RFB, págs. 13.216/13.218, constata-se que todas as empresas do grupo, excetuada a Foregon.com, têm como endereço, Av Washington Luiz 422, Bairro/Distrito: Centro, Municipio: 6929 Presidente Prudente/SP; no caso da Foregon.com, o endereço até 13/09/2016 foi Coronel Fl. 14178DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 108 Jose Soares Marcondes 983 2 Andar - Sala 2 , 6929 Presidente Prudente SP CEP. 19010080, que também foi o endereço da Autuada, de 01/09/2004 a 15/05/2012. As declarações de todas eram elaboradas pelo contador, sócio da Plantae IF Antonio Carlos Shiro Hachisuca. Wolney de Medeiros Arruda Filho e Ricardo de Souza foram sócios da E.N.S. (empresa dedicada a serviços de cobrança, porém sem funcionários) desde 2001, até 15/05/2012, quando Wolney de Medeiros Arruda Filho se retirou e ingressou nomeado como único administrador Everaldo do Nascimento Silva identificado como interposta pessoa. Coincidindo com a saída de Wolney de Medeiros Arruda Filho da E.N.S., foi constituída por Ricardo de Souza, a firma individual R.T.S, também dedicada a efetuar cobrança, também sem funcionários próprios. A conclusão fiscal foi de que a E.N.S. e, em seguida a R.T.S, empresas sem empregados, eram usadas pela Plantae IF nas operações de descontos e de empréstimos em que atuavam junto aos clientes, funcionários da Plantae IF e Wolney de Medeiros Arruda Filho. Wolney de Medeiros Arruda Filho(sócio majoritário) e Ricardo de Souza são sócios da Foregon (empresa intermediadora de cartões de crédito e da área de informática) desde 11/10/2004, até o momento; a Foregon foi convertida em S/A fechada desde 18/03/2019, na qual Wolney de Medeiros Arruda Filho é sócio controlador. Wolney de Medeiros Arruda Filho e Ricardo de Souza também foram sócios na Plantae IF, empresa factoring, junto ainda com Antonio Carlos Shiro Hachisuca, desde antes de 18/10/2005; Ricardo de Souza se retirou em 08/03/2013, continuando como sócios Wolney de Medeiros Arruda Filho (administrador) e Antonio Carlos Shiro Hachisuca. Wolney de Medeiros Arruda Filho e esposa constituíram em 07/05/2013 a Grupo W e em 29/01/2015, a Grupo WAF, empresas de participação em outras sociedades e administração de imóveis próprios e/ de terceiros, cuja titulariedade repassaram ao filho menor em 03/2019, porém mantendo usufruto popder de decisão e sendo Wolney o administrador. A fiscalização identificou que tanto a E.N.S. como a R.T.S tiveram movimentação financeira incompatível com as receitas declaradas, intimou-as a justificar a origem dos valores recebidos e, uma vez não justificados, a autuação contra a E.N.S. e em seguida contra a R.T.S que ora se analisa; a fiscalização também identificou que ambas transferiram recursos para a GrupoW, GrupoWAF e Foregon, além de efetuarem pagamentos de despesas de Wolney de Medeiros Arruda Filho e seus familiares; identificou que funcionários registrados na Plantae IF negociavam com os clientes, operações que eram Fl. 14179DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 109 registradas como próprias pela E.N.S. e R.T.S e que as correspondentes receitas não eram declaradas Verificou que além de atuarem na atividade de factoring (à qual não estavam autorizadas) foram além, atuando em empréstimos a terceiros garantidos por Notas Promissórias emitidas por estes terceiros (seus clientes), ou seja, em atividade de instituição financeira, ou seja, atuação de forma não autorizada no mercado financeiro e identificou confusão patrimonial, entre estas pessoas jurídicas e físicas, bem como identificou Wolney de Medeiros Arruda Filho como detentor das decisões deste grupo econômico não formalizado de empresas. Concluiu o Autuante, pág. 11.608: Trata-se de grupo econômico formado pela empresa operacional Plantae lf, que declarava e recolhia tributos, e as empresas de fachada E.N.S. e R.T.S.. A prática era registrar as operações objeto de sonegação e fraude fiscal na E.N.S. e R.T.S., como será demonstrado a seguir. Além disso, diversas operações da E.N.S. e R.T.S., que são equiparadas às de instituição financeira por exigirem garantias nas operações de desconto de títulos, eram exercidas irregularmente sem autorização do Banco Central. O grupo abrange também as empresas patrimoniais Grupo WAF e Grupo W, e a operacional Foregon.com, todas beneficiárias ocultas de vultosos recursos desviados da E.N.S. e da R.T.S.. 254. Do exposto, evidencia-se que se tratava de grupo econômico não formalizado, que atuava sob o mesmo comando, com confusão patrimonial entre as empresas e liderado por Wolney de Medeiros Arruda Filho. Portanto, mantenho a responsabilidade imputada com base no art. 124, I do CTN. Quanto à responsabilidade de Wolney de Medeiros Arruda Filho, a fiscalização demonstrou que ele é o proprietário de fato da contribuinte e responsável pelo grupo econômico, conforme bem resumido no acórdão recorrido: Foi responsabilizado com base no art. 135, III do CTN. Às págs. 11.609/11.610, o Autuante descreveu e elaborou um gráfico onde representa as relações de Wolney de Medeiros Arruda Filho, com as empresas do grupo, nas quais é administrador e representante legal, exceto a E.N.S. (onde foi substituído pela interposta pessoa Everaldo Nascimento Silva) e R.T.S, que deu contibuidade às operações da E.N.S., a partir de 2016. Decreve o Relatório Fiscal ainda, além dos fatos que evidenciaram que comandava o grupo econômico de fato, que: Usou Ricardo de Souza como interposta pessoa, como sedno sócio e administrador, no contrato social da R.T.S, no qual ele mesmo Wolney de Medeiros Arruda Filho não figura; Fl. 14180DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 110 cedeu e transferiu, em março de 2019, durante o curso da ação fiscal, a título de doação, a favor do filho dele, Theo Avila de Robertis Arruda, nascido em 08/03/2005, a propriedade de todas as quotas nas empresas patrimoniais Grupo WAF Participações (vide contrato às fls. 9190 a 9242) e Grupo W Participações (vide contrato às fls. 9683 a 9727), num evidente intuito de frustar a cobrança do crédito tributário da E.N.S. e R.T.S.; pagamentos que recebeu da E.N.S. e R.T.S: págs. 11.704/11.711, despesas pessoais e de aquisições de bens de Wolney de Medeiros Arruda Filho, de Wolney de Medeiros Arruda (pai), Maria Eunice de Ávila (sogra); Carla Zamora Medeiros de Arruda Gregolin, da Foregon.com, da empresa BGWD Agropecuária, de aquisição de veículo Volvo e taxas de licenciamento de veículo de Wolney de Medeiros Arruda Filho. Estes fatos e demais relatados nos autos apontam ser Wolney de Medeiros Arruda Filho o dirigente de fato do grupo empresarial e, haja vista a interposição de pessoa na E.N.S., bem com o desenvolvimento pela E.N.S. e R.T.S de atividade de factoring não constante dos seus objetos sociais e, adicionalmente, empréstimos lastreados por NP dos clientes dadas em garantia, ou seja, operações financeiras às quais as empresas não estavam autorizadas pelo Banco central, são elementos suficientes para a caracterização da responsabilidade solidária com base no art. 135, III do CTN. Assim, não tendo apresentado argumentos para afastar as conclusões alcançadas pela Fiscalização e pelo acórdão recorrido, correta a manutenção da responsabilidade. Quanto à responsabilidade tributária imputada à Antônio Carlos Shiro Hachisuca, entendo ela deve ser afastada. Embora o referido seja sócio da Plantae If, e responsável pela contabilidade das principais empresas do grupo, ele não era diretor, gerente ou representantes da Recorrente. De sorte que entendo houve equívoco na capitulação legal da responsabilidade, razão pela qual entendo deva ser afastada a responsabilidade. Conclusões Em vista do exposto, conheço do Recurso Voluntário para dar-lhe parcial provimento, para reduzir a multa ao patamar de 75%, afastar a multa agravada e a responsabilidade do sócio Antônio Carlos Shiro Hachisuca. Fl. 14181DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 111 Assinado Digitalmente André Luis Ulrich Pinto VOTO VENCEDOR Conselheiro Maurício Novaes Ferreira, redator designado Inobstante o robusto e bem fundamentado voto proferido pelo ilustre Conselheiro relator, o Colegiado, após os debates, houve por bem divergir do seu voto quanto à qualificação da multa aplicada às infrações apuradas pelo fisco. Compulsando-se o relatório deste acórdão, constata-se que a qualificação da multa levou em conta os seguintes fatos apurados no curso do procedimento fiscal: Os fatos que justificaram a qualificação da multa de ofício foram os seguintes (fls. 11724/11725 do e-processo): a) Não oferecer à tributação as vultosas receitas das operações de desconto de direitos creditórios. b) Omitir à tributação as vultosas receitas de depósitos bancários de origem e causa não comprovados. c) Não declarar em DCTF os tributos devidos. d) Não declarar no SPED ECF (Escrituração contábil fiscal) e SPED Contribuições as receitas auferidas e os débitos devidos. e) Deixar de transmitir à base do SPED a ECD (Escrituração contábil digital) e também deixar de fornecer à fiscalização os arquivos digitais da escrituração contábil devidamente validados, num evidente intuito de embaraçar a fiscalização e a identificação dos reais proprietários. f) Deixar de apresentar os contratos que amparam as operações de desconto de direitos creditórios. A R.T.S. apresentou somente os contratos às fls. 97 a 145 relativos a 6 clientes, sendo que realizou operações com mais de 70 clientes (vide Anexo II do Relatório de Fiscalização). g) Deixar a empresa no nome de Ricardo de Souza, interposta pessoa e testa de ferro. h) Não informar no quadro societário o Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, real sócio administrador e beneficiário final dos recursos desviados. i) Ocultar a causa e a identificação do remetente/destinatário da vultosa movimentação de recursos entre empresa operacional Plantae If e a R.T.S.. Fl. 14182DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 112 j) Ocultar o desvio de vultosos recursos da R.T.S. para a empresa patrimonial Grupo WAF (empresa em nome do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho), em prejuízo do recolhimento de tributos. k) Ocultar o desvio de recursos para a empresa operacional Foregon.com, em nome do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, em detrimento do recolhimento de tributos. l) Ocultar o pagamento das despesas pessoais do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho, em detrimento do recolhimento de tributos. m) Ocultar o pagamento de despesas de pessoas da família do Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho. n) Deixar de comprovar individualmente o beneficiário e causa de vultosos pagamentos, num evidente intuito de esconder os reais beneficiários de recursos provenientes da sonegação e fraude fiscal. o) A Plantae If usar a R.T.S. para omitir receitas e os tributos devidos sobre de desconto de direitos creditórios e depósitos bancários de origem e causa não comprovados. p) Não apresentar os comprovantes de custos e despesas, num evidente intuito de esconder os reais beneficiários de recursos provenientes de sonegação e fraude fiscal. O relator do feito, apesar da extensa lista de razões que, no entender do fisco, justificariam a qualificação da multa, não seriam suficientes para demonstrar o dolo específico, exigência necessária para autorizar a imposição da sanção qualificada: Portanto, os elementos indicados pela Fiscalização não são suficientes para a qualificação da multa em minha visão por não representarem dolo específico em relação ao fato gerador. Dos itens acima elencados, verifica-se que a omissão dos beneficiários pode ter como consequência o lançamento de IRRF por pagamento sem causa, mas não a qualificação da multa, haja vista que tais informações não são capazes de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Da mesma forma, o não oferecimento à tributação de vultuosas somas ou mesmo a ausência de tais informações em documentos contábeis e fiscais é justamente o núcleo da omissão de receita, conforme expõem Jeferson Teodorovicz e Michell Przepiorka: [...] Mais uma vez, não discordamos que não seja um ilícito a entrega de declarações zeradas, todavia, somente será um ilícito passível de ser penalizado com uma multa qualificada na hipótese de a conduta dolosa praticada restar sobejamente demonstrada, o que não nos parece que seja o caso. Nesse sentido, atente-se Fl. 14183DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 113 para as Súmulas CARF nº 14 e 25, cujo os seus fundamentos de existência podem ser aproveitados no presente caso: [...] Nesse ponto, entendo que deva ser reduzida a multa ao patamar de 75%. Os fundamentos do voto condutor do julgado até poderiam, concretamente, afastar a qualificação da multa se as condutas e fatos apurados no curso do procedimento fiscal tivessem se limitado à omissão de receitas ou ausência de declarações, ainda que, aos olhos deste redator, há sim hipótese de qualificação da infração a partir destes fatos. Mas, ainda que se admita, para fins argumentativos, que a omissão de rendimentos ou as ausências de declarações que deveriam ter sido apresentadas pelo sujeito passivo não ensejassem a aplicação da multa qualificada, restam outros fundamentos adotados pelo fisco que não foram infirmados pelos recorrentes, tampouco invalidados pelo voto vencido. Veja-se, por exemplo, que a empresa ficou sob a responsabilidade de interposta pessoa, conduta por si suficiente para qualificar as infrações apuradas, dado o incontestável propósito de omitir, do fisco, a real propriedade da empresa. Ademais, restou sobejamente demonstrada a ocorrência de confusão patrimonial entre a empresa e seu real proprietário, Sr. Wolney de Medeiros Arruda Filho e as empresas Plantae If e Grupo WAF, para as quais foram destinados vultosos recursos originários da pessoa jurídica autuada e que decorreram, sem margem para dúvida, das condutas praticadas pela Recorrente que ensejaram a autuação fiscal justamente sancionada com a multa qualificada de 150%. Deve-se ainda registrar que o voto condutor do julgado, ao analisar a responsabilidade solidária atribuída às empresas do grupo e ao titular de fato da pessoa jurídica autuada, concluiu que os recorrentes não lograram êxito em desconstituir os fatos apontados pelo fisco que ensejaram a dita responsabilização e, também, a qualificação da multa. Veja-se a seguinte passagem do voto condutor do julgado (com destaques ora acrescidos): No caso concreto, infere-se do TVF que as razões fático-jurídicas para tanto foram as seguintes: O sujeito passivo solidário Plantae If Fomento Comercial Ltda6: empresa em nome do sócio administrador Wolney de Medeiros Arruda Filho; é a real controladora da E.N.S. e da R.T.S.; usou as empresas E.N.S. e R.T.S. para realização das operações com sonegação e fraude fiscal; e detinha conta corrente de remessas e recebimentos de recursos ocultos para/das empresas E.N.S. e R.T.S.. O sujeito passivo solidário Foregon.com S.A.: 96% das ações são detidas por Wolney de Medeiros Arruda Filho; presidida por Wolney de Medeiros Arruda Filho; e beneficiária oculta dos recursos desviados pela R.T.S.. Fl. 14184DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 114 O sujeito passivo solidário Grupo WAF Imóveis Participações e Empreendimentos Ltda: administrado pelo usufrutuário Wolney de Medeiros Arruda Filho; Wolney de Medeiros Arruda Filho transferiu a empresa para o nome do filho menor durante o curso da ação fiscal, num evidente intuito de frustrar a cobrança fiscal sobre a empresa E.N.S. e R.T.S.; e beneficiária oculta dos recursos desviados pela E.N.S. e R.T.S. fruto da sonegação e fraude fiscal. O sujeito passivo solidário Grupo W Participações Ltda: administrado pelo usufrutuário Wolney de Medeiros Arruda Filho; Wolney de Medeiros Arruda Filho transferiu a empresa para o nome do filho menor durante o curso da ação fiscal, num evidente intuito de frustrar a cobrança fiscal sobre a empresa E.N.S. e R.T.S.. Assim sendo, as empresas Plantae If Fomento Comercial Ltda, Foregon.com S.A., Grupo WAF Imóveis Participações e Empreendimentos Ltda e Grupo W Participações Ltda devem responder solidariamente pelos débitos tributários da R.T.S., nos termos do art. 124, I, do CTN, que estabelece a solidariedade pelo adimplemento das obrigações tributárias de pessoas que possuem interesse comum na situação que constitui o fato gerador. [...] Portanto, mantenho a responsabilidade imputada com base no art. 124, I do CTN. Quanto à responsabilidade de Wolney de Medeiros Arruda Filho, a fiscalização demonstrou que ele é o proprietário de fato da contribuinte e responsável pelo grupo econômico, conforme bem resumido no acórdão recorrido: [...] Assim, não tendo apresentado argumentos para afastar as conclusões alcançadas pela Fiscalização e pelo acórdão recorrido, correta a manutenção da responsabilidade. Resta evidente, portanto, que o voto vencido deste acórdão ratificou parte dos fundamentos utilizados pela autoridade fiscal para fins de qualificação da multa de ofício, de modo que não se justifica, seja com base nos fatos, seja com base nos argumentos apresentados, sua desqualificação. Entretanto, com o advento da Lei nº 14.689/2023, o percentual máximo da multa qualificada, exceção feita à hipótese do art. 44, § 1º, inciso VII da Lei nº 9.430/1996, será de 100%. Deste modo, com base no previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, há de se reduzir a multa de ofício para 100% dos valores constituídos de ofício. Por estes motivos, divergi do ilustre Conselheiro Relator, de modo que a multa qualificada foi mantida pelo Colegiado e seu percentual reduzido, de ofício, para 100%, nos termos da legislação hoje vigente. Fl. 14185DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.561 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.726977/2019-18 115 Assinado Digitalmente Maurício Novaes Ferreira Fl. 14186DF CARF MF Original Acórdão Relatório I - INFRAÇÕES APURADAS a) Omissão de receitas de operações de desconto de títulos de crédito (fls. 11580/11597 do e-processo): b) Omissão de receitas de depósitos de origem e causa não comprovados (fls. 11597/11599 do e-processo): II – ARBITRAMENTO DO LUCRO III – DO SUPOSTO GRUPO ECONÔMICO IV – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR V – MULTA REGULAMENTAR POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA VI – QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO VII – DAS DEFESAS APRESENTADAS EM IMPUGNAÇÃO Impugnação. R.T.S. Serviços e Cobranças Eireli Impugnação. Plantae IF Fomento Comercial Ltda Impugnação. Foregon Com S/A Impugnação. Antonio Carlos Shiro Hachisuca Impugnação. Grupo W Participações Ltda Impugnação. Grupo WAF Imóveis, Participações e Empreendimentos Ltda Impugnação. Wolney de Medeiros Arruda Filho VIII – FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO DRJ09 2 Nulidade. 3 Mérito. 3.1 DA NATUREZA JURÍDICA DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA CONTRIBUINTE 3.2 ARBITRAMENTO DO LUCRO. PERCENTUAL APLICÁVEL. 3.3 ALÍQUOTAS DE CSLL E COFINS. 3.4 CSLL. BASE DE CÁLCULO. 3.5 OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL, DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. 181. (i) Operações de “trustee”: relaciona 9 (nove) operações na planilha de pág. 13.209, na qual discrimina data, dado na Planilha da Fiscalização, conta, e informa que os comprovantes são extratos bancários e Borderôs que reproduz, e detalha cada op... 183. (ii) depósitos bancários oriundos de simples transferências entre empresas (E.N.S. x R.T.S); diz que: 184. (iii) liquidações de cobrança efetuadas pela própria Autuada: alega que eventualmente pagava ela mesma os títulos que tinha a receber e que estavam inadimplentes, a fim de melhorar os índices de adimplemento da sua carteira de cobrança, e requer ... 185. (iv) estornos de lançamentos bancários e devoluções de cheques. São 30 (trinta) casos que explicita na planilha que anexou; relata-se a seguir, a conclusão a respeito de cada Ordem (conforme denomina a Litigante): 186. (v) Outros depósitos: invoca a verdade material e apresenta planilha “Depósitos Bancários Outros”, que se analisa a seguir (Sumarizaram-se os dados na planilha v. Outros Depósitos, pág. 13.219): 3.6 MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. 3.7 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE ENTREGA DA ECD 3.9 GRUPO ECONÔMICO 3.10 RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. 3.10.1 Wolney de Medeiros Arruda Filho. pág. 1.609 3.10.2 Plantae IF Fomento Comercial Ltda, Grupo W Participações Ltda, Grupo WAF Imóveis, Participações e Empreendimentos Ltda, Foregon Com S/A 3.10.3 Antonio Carlos Shiro Hachisuca IX – MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE E DOS RESPONSÁVEIS Voto Vencido Recurso de ofício Tempestividade dos recursos voluntários Preliminares de mérito Mérito Conclusões Voto Vencedor

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