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11397314 #
Numero do processo: 10880.944961/2013-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jun 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do referido crédito por ele pleiteado. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SERVIÇOS COM MANUTENÇÃO DE ESTRADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito a crédito de PIS e Cofins os dispêndios com a manutenção de estradas por não se caracterizarem como insumos aplicados no processo produtivo da empresa. Tal gasto, embora necessário à atividade econômica da pessoa jurídica, refere-se à infraestrutura e logística de escoamento, não guardando relação de essencialidade ou relevância direta com a fabricação do produto ou a prestação do serviço (atividade-fim). Incidência da vedação prevista no Art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. ALCANCE. Conforme decidiu o STJ no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, na sistemática dos recursos repetitivos, não há previsão legal para a apropriação de créditos de PIS, no regime da não-cumulatividade, sobre as despesas de cunho administrativo e comercial, sobretudo quando não demonstradas qualquer vínculo de sua relevância com o processo produtivo da empresa. Contudo, demonstrado que o bem ou serviço adquirido foi utilizado no processo produtivo e se comprovou a sua essencialidade e relevância faz se necessário o reconhecimento do direito ao crédito. No presente caso devem ser acatados os créditos em relação: partes e peças utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos, bem como os serviços de manutenção; vestuário e equipamentos de proteção individual, material de análise laboratorial, inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, serviços de manutenção civil e mecânica, serviços de limpeza, serviços de consultoria ambiental, serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa, locação de andaimes e rádios para comunicação, serviços de engenharia e projetos, serviço de silvicultura, treinamentos relacionados à atividade industrial, abarcando a fase agroflorestal, arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas, depreciação de poços de tratamento de efluentes, água, lodo, depreciação de talude, depreciação de instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões, depreciação de ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra, depreciação de carros de transporte e porta pallets utilizados para transporte e guarda dos pallets, depreciação de pátio de madeira, depreciação de serviço de montagem da torre de telecomunicações, depreciação de combate a incêndio e depreciação de máquinas de geração de energia; serviços de logística e supervisão; locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TREINAMENTO OBRIGATÓRIO OU RELACIONADO A ATIVIDADE EMPRESARIAL. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com treinamento que se refiram a obrigatoriedade regulatória ou que tenham relação à atividade empresarial da Contribuinte constituem insumos, nos termos da legislação do PIS e da Cofins, e, portanto, geram créditos da contribuição passíveis de desconto dos valores calculados sobre o faturamento mensal. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na não cumulatividade do PIS/COFINS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. CRÉDITO. ALUGUEL DE GUINDASTE E ESCAVADEIRA. IMPOSSIBILIDADE. Os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. (Súmula CARF nº 190) CRÉDITO. LOCAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, mas desde que devidamente comprovados e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País em operação devidamente tributada pelas contribuições PIS/Cofins. CRÉDITO. BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. POSSIBILIDADE. Há direito a crédito das contribuições não cumulativas em relação aos encargos de depreciação de benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros utilizados nas atividades da empresa, genericamente consideradas, mas desde que devidamente comprovados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 NULIDADE POR OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A ausência de manifestação sobre pontos irrelevantes para o desfecho da lide não configura cerceamento de defesa. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Opera-se a coisa julgada administrativa quando a matéria em discussão foi objeto de decisão definitiva, não sendo possível a sua reapreciação, em obediência ao princípio da segurança jurídica.
Numero da decisão: 3201-013.223
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale e Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que a acolhiam, e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, para reverter a glosa de créditos em relação às seguintes aquisições: (I.1)partes e peças utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos, bem como os serviços de manutenção, (I.2) vestuário e equipamentos de proteção individual, (I.3) material de análise laboratorial, (I.4) inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, (I.5) serviços de manutenção civil e mecânica, (I.6) serviços de limpeza, (I.7) serviços de consultoria ambiental,(I.8) serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa, (I.9) locação de andaimes e rádios para comunicação, (I.10) serviços de engenharia e projetos, (I.11) serviço de silvicultura, (I.12) treinamentos relacionados à atividade industrial, abarcando a fase agroflorestal, (I.13) arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas, (I.14) depreciação de poços de tratamento de efluentes, água, lodo, (I.15) depreciação de talude, (I.16) depreciação de instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões, (I.17) depreciação de ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra, (I.18) depreciação de carros de transporte e porta pallets utilizados para transporte e guarda dos pallets,(I.19) depreciação de pátio de madeira, (I.20) depreciação de serviço de montagem da torre de telecomunicações, (I.21) depreciação de combate a incêndio e (I.22)depreciação de máquinas de geração de energia; (II) por maioria de votos, para reverter a glosa de créditos em relação aos serviços de logística e supervisão, vencidos os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar e Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, que negavam provimento nesse item; (III) por voto de qualidade, para(III.1) manter a glosa de créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que davam provimento nesse item, e(III.2) para reverter a glosa de créditos relativos à locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis, vencidos os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi e Fabiana Francisco de Miranda, que negavam provimento; e (IV) por maioria de votos, para manter a glosa de créditos em relação aos fretes em operações de vendas, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale e Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que revertiam tal glosa. Durante os debates, o conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow propôs a realização de diligência, sendo acompanhado pela conselheira Flávia Sales Campos Vale, proposta essa rejeitada pelos demais conselheiros. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.222, de16 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 10880.944962/2013-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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Não geram direito a crédito de PIS e Cofins os dispêndios com a manutenção de estradas por não se caracterizarem como insumos aplicados no processo produtivo da empresa. Tal gasto, embora necessário à atividade econômica da pessoa jurídica, refere-se à infraestrutura e logística de escoamento, não guardando relação de essencialidade ou relevância direta com a fabricação do produto ou a prestação do serviço (atividade-fim). Incidência da vedação prevista no Art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. ALCANCE. Conforme decidiu o STJ no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, na sistemática dos recursos repetitivos, não há previsão legal para a apropriação de créditos de PIS, no regime da não-cumulatividade, sobre as despesas de cunho administrativo e comercial, sobretudo quando não demonstradas qualquer vínculo de sua relevância com o processo produtivo da empresa. Contudo, demonstrado que o bem ou serviço adquirido foi utilizado no processo produtivo e se comprovou a sua essencialidade e relevância faz se necessário o reconhecimento do direito ao crédito. No presente caso devem ser acatados os créditos em relação: partes e peças utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos, bem como os serviços de manutenção; vestuário e equipamentos de proteção individual, material de análise laboratorial, inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, serviços de manutenção civil e mecânica, serviços de limpeza, serviços de consultoria ambiental, serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa, locação de andaimes e rádios para comunicação, serviços de engenharia e projetos, serviço de silvicultura, treinamentos relacionados à atividade industrial, abarcando a fase agroflorestal, arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas, depreciação de poços de tratamento de efluentes, água, lodo, depreciação de talude, depreciação de instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões, depreciação de ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra, depreciação de carros de transporte e porta pallets utilizados para transporte e guarda dos pallets, depreciação de pátio de madeira, depreciação de serviço de montagem da torre de telecomunicações, depreciação de combate a incêndio e depreciação de máquinas de geração de energia; serviços de logística e supervisão; locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TREINAMENTO OBRIGATÓRIO OU RELACIONADO A ATIVIDADE EMPRESARIAL. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com treinamento que se refiram a obrigatoriedade regulatória ou que tenham relação à atividade empresarial da Contribuinte constituem insumos, nos termos da legislação do PIS e da Cofins, e, portanto, geram créditos da contribuição passíveis de desconto dos valores calculados sobre o faturamento mensal. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na não cumulatividade do PIS/COFINS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. CRÉDITO. ALUGUEL DE GUINDASTE E ESCAVADEIRA. IMPOSSIBILIDADE. Os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. (Súmula CARF nº 190) CRÉDITO. LOCAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, mas desde que devidamente comprovados e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País em operação devidamente tributada pelas contribuições PIS/Cofins. CRÉDITO. BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. POSSIBILIDADE. Há direito a crédito das contribuições não cumulativas em relação aos encargos de depreciação de benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros utilizados nas atividades da empresa, genericamente consideradas, mas desde que devidamente comprovados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 NULIDADE POR OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A ausência de manifestação sobre pontos irrelevantes para o desfecho da lide não configura cerceamento de defesa. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Opera-se a coisa julgada administrativa quando a matéria em discussão foi objeto de decisão definitiva, não sendo possível a sua reapreciação, em obediência ao princípio da segurança jurídica.

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REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do referido crédito por ele pleiteado. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SERVIÇOS COM MANUTENÇÃO DE ESTRADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito a crédito de PIS e Cofins os dispêndios com a manutenção de estradas por não se caracterizarem como insumos aplicados no processo produtivo da empresa. Tal gasto, embora necessário à atividade econômica da pessoa jurídica, refere-se à infraestrutura e logística de escoamento, não guardando relação de essencialidade ou relevância direta com a fabricação do produto ou a prestação do serviço (atividade-fim). Incidência da vedação prevista no Art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. ALCANCE. Fl. 6989DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 2 Conforme decidiu o STJ no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, na sistemática dos recursos repetitivos, não há previsão legal para a apropriação de créditos de PIS, no regime da não-cumulatividade, sobre as despesas de cunho administrativo e comercial, sobretudo quando não demonstradas qualquer vínculo de sua relevância com o processo produtivo da empresa. Contudo, demonstrado que o bem ou serviço adquirido foi utilizado no processo produtivo e se comprovou a sua essencialidade e relevância faz se necessário o reconhecimento do direito ao crédito. No presente caso devem ser acatados os créditos em relação: partes e peças utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos, bem como os serviços de manutenção; vestuário e equipamentos de proteção individual, material de análise laboratorial, inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, serviços de manutenção civil e mecânica, serviços de limpeza, serviços de consultoria ambiental, serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa, locação de andaimes e rádios para comunicação, serviços de engenharia e projetos, serviço de silvicultura, treinamentos relacionados à atividade industrial, abarcando a fase agroflorestal, arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas, depreciação de poços de tratamento de efluentes, água, lodo, depreciação de talude, depreciação de instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões, depreciação de ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra, depreciação de carros de transporte e porta pallets utilizados para transporte e guarda dos pallets, depreciação de pátio de madeira, depreciação de serviço de montagem da torre de telecomunicações, depreciação de combate a incêndio e depreciação de máquinas de geração de energia; serviços de logística e supervisão; locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TREINAMENTO OBRIGATÓRIO OU RELACIONADO A ATIVIDADE EMPRESARIAL. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com treinamento que se refiram a obrigatoriedade regulatória ou que tenham relação à atividade empresarial da Contribuinte constituem insumos, nos termos da legislação do PIS e da Cofins, e, portanto, geram créditos da contribuição passíveis de desconto dos valores calculados sobre o faturamento mensal. Fl. 6990DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 3 NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na não cumulatividade do PIS/COFINS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. CRÉDITO. ALUGUEL DE GUINDASTE E ESCAVADEIRA. IMPOSSIBILIDADE. Os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. (Súmula CARF nº 190) CRÉDITO. LOCAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, mas desde que devidamente comprovados e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País em operação devidamente tributada pelas contribuições PIS/Cofins. CRÉDITO. BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. POSSIBILIDADE. Há direito a crédito das contribuições não cumulativas em relação aos encargos de depreciação de benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros utilizados nas atividades da empresa, genericamente consideradas, mas desde que devidamente comprovados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 NULIDADE POR OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A ausência de manifestação sobre pontos irrelevantes para o desfecho da lide não configura cerceamento de defesa. Fl. 6991DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 4 COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Opera-se a coisa julgada administrativa quando a matéria em discussão foi objeto de decisão definitiva, não sendo possível a sua reapreciação, em obediência ao princípio da segurança jurídica. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale e Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que a acolhiam, e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, para reverter a glosa de créditos em relação às seguintes aquisições: (I.1)partes e peças utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos, bem como os serviços de manutenção, (I.2) vestuário e equipamentos de proteção individual, (I.3) material de análise laboratorial, (I.4) inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, (I.5) serviços de manutenção civil e mecânica, (I.6) serviços de limpeza, (I.7) serviços de consultoria ambiental,(I.8) serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa, (I.9) locação de andaimes e rádios para comunicação, (I.10) serviços de engenharia e projetos, (I.11) serviço de silvicultura, (I.12) treinamentos relacionados à atividade industrial, abarcando a fase agroflorestal, (I.13) arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas, (I.14) depreciação de poços de tratamento de efluentes, água, lodo, (I.15) depreciação de talude, (I.16) depreciação de instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões, (I.17) depreciação de ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra, (I.18) depreciação de carros de transporte e porta pallets utilizados para transporte e guarda dos pallets,(I.19) depreciação de pátio de madeira, (I.20) depreciação de serviço de montagem da torre de telecomunicações, (I.21) depreciação de combate a incêndio e (I.22)depreciação de máquinas de geração de energia; (II) por maioria de votos, para reverter a glosa de créditos em relação aos serviços de logística e supervisão, vencidos os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar e Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, que negavam provimento nesse item; (III) por voto de qualidade, para(III.1) manter a glosa de créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que davam provimento nesse item, e(III.2) para reverter a glosa de créditos relativos à locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis, vencidos os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi e Fabiana Francisco de Miranda, que negavam provimento; e (IV) por maioria de votos, para manter a glosa de créditos em relação aos fretes em operações de vendas, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale e Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que revertiam tal glosa. Durante os debates, o conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow propôs a realização de diligência, sendo acompanhado pela conselheira Flávia Sales Campos Vale, proposta essa rejeitada pelos demais conselheiros. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes Fl. 6992DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 5 aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.222, de16 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 10880.944962/2013-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a suposto crédito de PIS- PASEP/COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Cientificado do acórdão recorrido, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário com a finalidade de demonstrar a regularidade dos créditos tributários de PIS-PASEP/COFINS vinculados operação de exportação. Solicita direito ao ressarcimento integral do crédito de PIS-PASEP/COFINS apurado e descreve seus motivos nos itens abaixo: PRELIMINARMENTE: - DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO EM RELAÇÃO AO INDEFERIMENTO DO CRÉDITO DE DESPESAS DE ENERGIA DO MÉRITO: - DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS E DA COFINS; DO CONCEITO DE INSUMOS NA LEGISLAÇÃO DO PIS E DA COFINS NÃO-CUMULATIVOS; E DO PROCESSO PRODUTIVO INTEGRADO DA RECORRENTE Fl. 6993DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 6 1) DO DIREITO AOS CRÉDITOS DE PIS-PASEP/COFINS SOBRE A AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS DO PROCESSO PRODUTIVO INTEGRADO 1.1 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na aquisição de partes e peças de máquinas/equipamentos florestais e veículos de transporte 1.2 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na aquisição de vestuário e equipamentos de proteção individual 1.3 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na aquisição de material de análise laboratorial 1.4 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na aquisição de material de construção civil 1.5 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na aquisição de inibidores de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza 1.6 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na aquisição de materiais de pintura, placas e portas de sinalização e proteção 1.7 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na contratação de serviços aplicados em estradas 1.8 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na contratação de serviços de manutenção civil e mecânica 1.9 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na contratação de serviços de limpeza 1.10 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre contratação de consultoria ambiental 1.11 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre construção e manutenção da estação de tratamento de efluentes 1.12 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na contratação de serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa 1.13 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre a locação de escavadeira 1.14 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre partes e peças de máquinas e equipamentos florestais e veículos de transporte 1.15 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre a locação de andaimes, guindastes, rádios, veículos e imóveis 1.16 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre os serviços de engenharia, projetos, logística e supervisão Fl. 6994DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 7 1.17 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre a silvicultura 1.18 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre os serviços de treinamento 1.19 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre o arrendamento de terra agrícolas 2) DA ILEGALIDADE DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO 2.1) Câmaras frigoríficas; 2.2) Poços de tratamento de efluentes, água, lodo; 2.3) Talude; 2.4) Materiais de análise laboratoriais; 2.5) instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões; 2.6) Ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção, cortadores de amostras; 2.7) Máquinas lava-peças, armários de alvenaria e câmeras de monitoramento; 2.8) Carros de transporte e porta pallets; 2.9) Pátio de madeira; 2.10) Serviços de montagem da torre de telecomunicações; 2.11) Combate a incêndio; 2.12) Máquinas de geração de energia 3) DO DIREITO AOS CRÉDITOS DE PIS SOBRE DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDA É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão Fl. 6995DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 8 paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto ao mérito, exceto quanto aos créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, aos créditos relativos à locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade para conhecê-lo. Trata-se de Pedido de Ressarcimento (PER) nº 00631.39353.081112.1.1.08- 4370, de créditos da Contribuição para o PIS de incidência não cumulativa, vinculados à receita de exportação, apurados no 3º trimestre-calendário de 2012, no valor de R$ 1.960.251,57. Note-se que os mencionados créditos foram utilizados em declaração de compensação (Dcomp). Preliminares A contribuinte questiona como preliminar a nulidade quanto ao indeferimento do crédito de despesa de energia, uma vez que teria ocorrido omissão pela fiscalização quanto às razões da glosa do crédito. Descreve que houve indeferimento quanto ao ressarcimento dos créditos tributários de fevereiro e março de 2012, relativos às despesas de energia elétrica e térmica. E alega que a fiscalização se limitou a apontar o valor que seria admitido, deixando à sorte da contribuinte a interpretação dos fundamentos e motivos que teriam gerado o não ressarcimento do pleito. Quanto ao argumento de omissão, note-se trecho do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, o qual demonstra que houve a devida informação e descrição dos itens relacionados à despesas de energia: “O interessado aponta também que não foi cientificado a respeito das glosas com despesas de energia elétrica. No entanto, consta às fls.82/86, quadro demonstrativo referente às despesas com energia elétrica e térmica, inclusive sob a forma de vapor, com os totais escriturados cujo confronto com os postulados pela contribuinte, ocasionaram as glosas perpetradas. Ou seja, as informações foram extraídas dos elementos firmados pelo próprio contribuinte através de sua escrituação, sendo descabido a informação de que desconhece tais valores.” Fl. 6996DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 9 Além dessa preliminar, descreve em seu Recurso Voluntário quanto ao tema “Do direito ao crédito de PIS e Cofins sobre a formação da floresta. Nulidade do Acórdão recorrido em razão da alteração do critério jurídico do lançamento.” Nesse item, entendo a Contribuinte que deveria haver a nulidade da decisão da DRJ, uma vez que haveria glosado os créditos sobre as despesas com formação de floresta sob o argumento de que não estão diretamente relacionadas ao processo industrial. Nesse contexto, note-se as hipóteses de nulidade previstas nº Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal: “Art.59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Entendo que no presente processo não há nulidade, uma vez que os atos e termos foram lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa. Tanto no caso acima exposto das divergências quanto à energia elétrica, quanto no caso de a Decisão ter diferente entendimento que a Contribuinte quanto ao creditamento de formação de floresta, não há aplicação das hipóteses legais mencionadas para a nulidade da decisão. Mérito Em Recurso Voluntário, a Contribuinte descreve sobre a não cumulatividade do PIS/Cofins, diferenciado dos conceitos de outros tributos. Conceitua o termo “insumo” no contexto de creditamento de PIS/Cofins, e afirma que no presente processo foi considerada uma interpretação restritiva pelas autoridades fiscais, contrária ao entendimento do STJ que julgou o Recurso Especial repetitivo nº 1.221.170/PR. Fl. 6997DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 10 Explica que o processo produtivo da celulose é totalmente integrado, e que começa com a produção de mudas em viveiros. Também, eventualmente, ocorre a aquisição de florestas inteiras, com madeiras em pé, para o corte, preparação das toras, transporte para a fábrica e produção de celulose. Por motivo de qualidade, sua primeira opção é pela matéria-prima própria, uma vez que possuí controle tora a tora, desde a fase de produção. Concluí que o início do seu processo produtivo ocorre antes mesmo da fase de plantio das mudas de eucalipto, ou seja, quando é escolhido o clone que será utilizado para atender a demanda do cliente. Note-se explicação abaixo na necessidade de adequação do que será plantado ao produto final: “Se o cliente quer adquirir folhas de celulose para produzir papel fotográfico, a Recorrente irá plantar o clone que tem fibras com a densidade (quantidade de fibras por grama) para produzir o referido papel. Se o cliente quer celulose para produzir livros escolares, pode optar por celulose para produzir um papel mais rústico e de maior resistência.” Após a escolha do clone, é analisado onde ele será plantado. Explica que nesse comento se inicia a fase de implantação florestal, com operações destinadas à preparação da área, preparação do solo, fertilização e plantio de modo a desenvolver condições de sobrevivência e crescimento homogêneo das mudas. Em seguida, é iniciada a fase de implantação florestal, que contempla operações destinadas à preparação da área, preparação do solo, fertilização e plantio. São descritos no recurso demais processos realizados na sua produção, como: manutenção florestal; controle de pragas e doenças; controle de ervas daninhas; programa de combate a incêndios; monitoramento e controle de operações de silvicultura; colheita florestal; sistemas de colheita de eucalipto; logística floresta; carregamento das todas do campo; transporte rodoviário; descarregamento e estocagem no pátio de madeira; processo industrial, em que consistem em extrair da madeira de eucalipto o material fibroso; manutenção industrial; manutenção de equipamentos de automação no processo de fabricação dos fardos de celulose; manutenção dos equipamentos de processamento de matéria-prima, insumos, celulose e produto final; manutenção dos equipamentos de geração, transformação de distribuição de energia para acionamento dos equipamentos e iluminação; manutenção dos equipamentos de tratamento de efluentes; e instalações gerais da área da fábrica. Fl. 6998DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 11 Por fim, expõe sua conclusão quanto ao seu processo produtivo, explicando que o ciclo “começa com a escolha dos gravetos que serão selecionados para a geração de novas mudas, a preparação e cuidado com estas mudas, a preparação da área agrícola que irá receber estas novas mudas, o plantio, acompanhamento do desenvolvimento e posterior manutenção das árvores já adultas, até que haja o primeiro abate, depois de longos 6 ou 7 anos de cuidados.” E critica o entendimento do Termo de Verificação fiscal, que trazia a alegação que somente poderia ser admitido crédito tributário quando os bens e serviços tomados ocorressem a partir do momento em que a madeira ingressa na linha de produção industrial. 1) DO DIREITO AOS CRÉDITOS DE PIS SOBRE A AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS DO PROCESSO PRODUTIVO INTEGRADO A contribuinte aduz que todos os bens e serviços que foram considerados como geradores de crédito de PIS/Cofins na exportação são essenciais a sua atividade. E, para sua comprovação, demonstra item a item seu fundamento, conforme abaixo: 1.1 Do direito ao crédito de PIS na aquisição de partes e peças de máquinas/equipamentos florestais e veículos de transporte A contribuinte descreve que utiliza uma série de equipamentos na plantação, colheita e manutenção dos eucaliptos, essenciais para a obtenção da matéria-prima que será utilizada na produção de celulose. Note-se trecho de seu Recurso Voluntário com descrição das aquisições relacionadas a esse item, e os motivos pelo qual defende o creditamento: “O uso de foices, facões e serras elétricas para a limpeza das áreas onde os eucaliptos serão plantados, assim como para a manutenção da limpeza da área; de equipamentos para o corte, desbastamento e transporte dos troncos da área de plantio até o ponto onde serão coletados para serem transportados até a fábrica, todos estes equipamentos são essenciais para a manutenção de seu ciclo econômico, razão pela qual as partes e peças a eles relacionados também devem ser considerados como essenciais dentro deste ciclo produtivo. Fl. 6999DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 12 Neste grupo a fiscalização também indeferiu o crédito oriundo do aproveitamento de peças destinadas a veículos, sem se preocupar em intimar a Recorrente para esclarecer qual a utilidade de cada peça. Há aqui mangueiras, parafusos, arruelas, anéis, parafusos, filtros de ar, separadores, tubos, reservatórios, buchas, travas, suportes, bombas, retentores, monitores etc., das marcas John Deere, Komatsu e Valmet, que são as fornecedoras dos equipamentos utilizados pela Recorrente no corte, desbastamento e transporte das toras de eucalipto, sem que a fiscalização da Receita Federal tivesse o mínimo cuidado de fazer esta conferência ou, ao menos, intimar o contribuinte para que apresentasse a lista de bens e sua utilização. Estas partes e peças não são adquiridas para ser mantidas em estoque, mas para emprego nos equipamentos utilizados nas áreas agrícolas da Recorrente, sendo o seu uso essencial para mantê-los em funcionamento, razão pela qual deve garantido o direito ao creditamento de PIS sobre sua aquisição.” Grifei. Cabe notar que as autoridades fiscais entenderam pela glosa das partes e peças de máquinas e equipamentos florestais e utilizadas em veículos por entender que não possuí relação direta com o produto industrializado, conforme trecho abaixo do Acórdão da Manifestação de Inconformidade: “Entretanto, as partes e peças de reposição, bem como o serviço de manutenção aplicadas na manutenção de máquinas, e equipamentos utilizadas no corte, no tratamento e no transporte da madeira a qual será, em uma segunda etapa de industrialização, transformada em celulose, não são passíveis do mesmo enquadramento pois não se tratam, obviamente, de bens e serviços aplicados ou utilizados diretamente no produto em fabricação. São bens e serviços aplicados para a eventual obtenção de uma matéria-prima industrial, a madeira, sendo sua relação com o produto industrializado apenas indireta; 8. Nesse aspecto, somente são passíveis de crédito os custos relativos aos bens adquiridos e serviços tomados a partir do momento em que a madeira (matéria-prima industrial) ingressa na linha de produção industrial.” Grifei. No caso em questão foi devidamente demonstrada a essencialidade das partes e peças de máquinas, equipamentos florestais e veículos para o desenvolvimento do processo produtivo da Contribuinte. Fl. 7000DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 13 Adicionalmente, note-se abaixo trechos de decisão do CARF dos créditos de PIS, do 2º trimestre de 2009, da mesma Contribuinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela contribuinte. No presente caso, a contribuinte demonstrou a essencialidade e pertinência dos insumos utilizados em seu processo produtivo, quais sejam: a) equipamentos de proteção individual; b) materiais utilizados para análises químicas em laboratório; c) rádios para comunicação, inclusive pilhas e baterias; d) partes e peças para reposição e serviços de manutenção; e) combustíveis e lubrificantes utilizados tanto na etapa florestal quanto industrial. Acórdão nº 3401-012.731, de 19/03/2024. Processo nº. 12585.000274/2010-34. Relator Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. (grifei). Dessa forma, voto pela reversão das glosas relativas aos créditos decorrentes de aquisições de peças e partes utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos. 1.2 Do direito ao crédito de PIS na aquisição de vestuário e equipamentos de proteção individual A Contribuinte destaca que seus empregados atuam na limpeza das áreas onde serão plantados os eucaliptos, e também na manutenção da limpeza das áreas de plantio e utilizam equipamentos de proteção individual, com a finalidade de reduzir o risco de eventuais acidentes. Há previsão legal de observância obrigatória dos equipamentos de proteção individual. Por esse motivo, deve haver seu enquadramento ao conceito de insumo, sendo determinante para que o processo produtivo da empresa e pela segurança necessária, nas fases florestais e fabris. A obrigatoriedade e relevância do vestuário e dos equipamentos de proteção individual adquiridos pela recorrente e disponibilizados aos Fl. 7001DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 14 funcionários que participam do seu processo produtivo caracteriza o insumo. Note-se trecho do Laudo ESALQ demonstrando a essencialidade de relevância das despesas com vestuário e equipamentos de proteção individual: "Os trabalhadores rurais são treinados e fazem reciclagem de treinamento anual, sendo o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) obrigatório e cedido pela empresa. As vestimentas que se utilizam para proteção são lavadas diariamente, e têm vida útil definida pelo fabricante quanto ao número de vezes que a roupa pode ser lavada, após o que é descartada." (fl. 35 do laudo) "Para os funcionários próprios a empresa disponibiliza os EPIs necessários para a função exercida. As empresas prestadoras de serviço florestal tem que obrigatoriamente fornecer os EPIs adequados para cada função. Os valores (custos) destes equipamentos são ressarcidos pelo contrato de prestação de serviço. Os EPIs são variáveis de acordo com o trabalho executado. A seguir a lista dos equipamentos mais utilizados: protetor auricular, capacete, viseira, uniformes, vestimentas especiais para aplicação de produtos químicos, botas, repelentes, protetores solar, óculos de proteção, caneleira." (fl. 81 do laudo) Dessa forma, voto pela reversão da aquisição de vestuário e equipamentos de proteção individual. 1.3 Do direito ao crédito de PIS na aquisição de material de análise laboratorial A Contribuinte explica que realiza análise laboratorial na identificação de seus clones, para identificar aquele que melhor se adapta a um solo e para atestar que um produto está de acordo com as especificações do cliente. Descreve que no laudo da ESALQ há a confirmação de que a produção agroindustrial de celulose é uma atividade única, e se inicia no laboratório. Destaca que o laudo demonstra que há essencialidade das atividades de pesquisa, laboratoriais e produção de mudas em viveiros, na forma de garantir a qualidade e produtividade projetada pelo plantio dos clones desenvolvidos. Ainda explica que, ao final do processo produtivo, há a necessidade de certificar que a celulose produzida está de acordo com as especificações determinadas pelo cliente, conforme acordo no momento da compra. Fl. 7002DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 15 Sendo inclusive aplicável realizar novo lote caso as especificações alinhadas não tenham sido atendidas. Como se vê, desde o início do processo produtivo é imprescindível a aquisição de material de análise laboratorial. No Acordão de Manifestação de inconformidade, houve negativa do creditamento desse item baseado no entendimento que a interpretação ao conceito de insumo deveria ser restrita, conforme transcrição abaixo: “Em nosso entendimento, na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda excluem-se quaisquer serviços e bens que não sofram alterações, tais como consumo, desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado.” Entendo que a essencialidade das análises laboratoriais no processo produtivo resta caracterizada na necessidade de testes para início da produção, acompanhamento e confirmação se o produto está adequado às especificações contratadas pelo cliente. Além disso, ressalta-se que, a imprescindibilidade das análises laboratoriais foi demonstrada pela Contribuinte em laudo do processo produtivo. Assim, concluo por reverter a glosa sobre materiais destinados às análises laboratoriais. 1.4 Do direito ao crédito de PIS na aquisição de material de construção civil Trata-se aqui de áreas não relacionadas à atividade industrial direta. Referem-se a outras áreas construídas, como guaritas, refeitórios, parte administrativa, almoxarifado, e estação de tratamento de efluentes. Pela interpretação da Contribuinte, deve-se manter o crédito desses itens relacionados ao suporte administrativo, por serem necessários a atividade da contribuinte. Nesse contexto, note-se o disposto no artigo 3º, inciso VII, e §1º, inciso III, da Lei nº 10.637/2002: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 7003DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 16 VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; (...) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês;” Note determinação do Parecer Normativo COSIT nº 05/18 quanto a essa matéria: “7. INSUMOS E ATIVO IMOBILIZADO 70. Como cediço, o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, prevê ao lado da modalidade de creditamento em relação à aquisição de insumos (inciso II) a modalidade de creditamento em relação à aquisição ou construção de ativo imobilizado (inciso VI). 71. As duas referidas modalidades de creditamento diferem substancialmente porque a apuração de créditos relativos à aquisição de insumos ocorre com base no valor mensal das aquisições e a apuração referente ao ativo imobilizado ocorre, como regra, com base no valor mensal dos encargos de depreciação ou de amortização do ativo (atualmente essa regra está bastante relativizada pelo creditamento imediato permitido pelo art. 1º da Lei nº 11.774, de 17 de setembro de 2008, mas ainda permanece a regra geral da modalidade).” Desta forma, quanto às edificações e benfeitorias em imóveis, somente é aplicável a apropriação de créditos quando utilizados nas atividades da empresa. Adicionalmente, tais créditos devem ser apropriados sobre o valor dos encargos de depreciação e amortização dos bens, e não sobre a aquisição dos bens e serviços. Nesse contexto, note-se que não entendo haver comprovação de essencialidade ou relevância dos itens de construção de suporte administrativo no desenvolvimento do processo produtivo da Contribuinte, não podendo então se falar em apropriação de crédito de insumos. Segue abaixo decisão do CARF quanto à impossibilidade de creditamento de material de construção civil como insumo: “NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MATERIAL DE CONSTRUÇÃO DECLARADO COMO INSUMO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo constado do Pedido de Ressarcimento (PER/DComp), e nem informado no Dacon, o pedido alternativo formulado pelo interessado Fl. 7004DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 17 quanto à apuração de créditos com base nos encargos de depreciação de material de construção registrado originalmente como insumo, há que se considerar que o processo administrativo fiscal não pode ser utilizado para retificar requisições do próprio sujeito passivo em face de decisões administrativas a ele desfavoráveis.” (Acórdão nº 3201-012.486, de 25/07/2025. Processo nº 10925.901153/2012-40. Relator Hélcio Lafetá Reis.) Adicionalmente, note-se abaixo decisão do CARF em processo similar da mesma Contribuinte, quanto aos créditos de PIS, do 2º trimestre de 2009: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de diligência. No mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da forma a seguir apresentada. Por unanimidade de votos, 1) acatar a reversão da glosa proposta pela autoridade diligente em relação aos créditos apropriados fora do período de competência da respectiva nota fiscal, assim como, replicar tal entendimento em relação aos créditos apropriados pela sistemática regular; 2) em incluir a receita das vendas a empresas comerciais exportadoras no cômputo do rateio proporcional; 3) considerar adequado o momento adotado pela recorrente para apuração dos créditos relativos aos insumos e aos bens para revenda, votaram pelas conclusões os Conselheiros Renan Gomes Rego, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva; 4) em reverter as glosas referentes as rubricas: a) crédito extemporâneo dos insumos; b) equipamentos de proteção individual; c) materiais de laboratório; d) rádios comunicadores; e) Peças e partes de peças de máquinas indicadas no tópico “Bens, partes e peças para manutenção e reposição”; f) “Formação de Floresta. Ativo Imobilizado. Exaustão”, excetuando-se pelos serviços de manutenção/construção de estrada e pontes; g) fretes utilizados na aquisição de matéria-prima; h) combustíveis, GLP e óleo diesel; i) correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallet (palete), caixa de papelão e arames; j) locação de veículos; k) insumos adquiridos de terceiros indicados no voto. Pelo voto de qualidade, manter as glosas de: a) serviços de manutenção/construção de estrada e pontes inseridos no tópico “Formação de Floresta. Ativo Imobilizado. Exaustão”; b) fretes utilizados na aquisição do ativo imobilizado (máquinas), vencidos os Conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues (relator) e Sabrina Coutinho Barbosa. Por maioria de votos: a) reverter as glosas de fretes de produtos acabados, vencido o Conselheiro Marcos Roberto da Silva; b) manter a glosa de materiais de construção civil, vencida a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Renan Gomes Rego.” Fl. 7005DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 18 Acórdão nº 3401-012.731, de 19/03/2024. Processo nº. 12585.000274/2010-34. Relator Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. Pelos motivos expostos, voto pela manutenção da glosa dos materiais de construção civil. 1.5 Do direito ao crédito de PIS na aquisição de inibidores de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza A Contribuinte explica que as máquinas e equipamentos utilizados na plantação de eucalipto estão sujeitos a muita poeira e, por isso, ocorre a utilização de inibidores de corrosão e engraxantes. Dessa forma, visa-se impedir que estes itens sofram queda de rendimento ou mesmo uma quebra, paralisando temporariamente a sua utilização. Nesse mesmo sentido, as máquinas necessitam de inibidores de corrosão para proteger sua integridade física, além de graxas para seu devido funcionamento. Também para esse item, as autoridades fiscais no Acordão de Manifestação de inconformidade negaram o creditamento, baseado no entendimento que a interpretação ao conceito de insumo deveria ser restrita. Considerando o processo produtivo de produção de celulose, e nos termos do Recurso Especial no 1.221.170/PR, as despesas realizadas para aquisição de inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, autorizam o desconto de créditos das contribuições de Pis. Dessa forma, reverto a glosa do presente item. 1.6 - Do direito ao crédito de PIS na aquisição de materiais de pintura, placas e portas de sinalização e proteção Conforme descrito no Recurso Voluntário, os itens em análise nesse tópico se referem aos materiais de pintura que são utilizados em diversos locais como nos laboratórios de análises, guaritas, travessia de pedestre e local de circulação dos funcionários; placas de sinalização utilizadas em locais de trânsito de veículos e pedestres; portas de proteção utilizadas em laboratórios para regular o acesso de pessoas autorizadas, e em saídas de emergências. Fl. 7006DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 19 As autoridades fiscais destacaram que é requisito ao creditamento que a aquisição de bens e serviços tenham relação direta às atividades realizadas pela empresa. Notadamente, o creditamento de PIS e COFINS está relacionado à comprovação da direta relação dos custos e despesas com o auferimento de receitas da empresa. Deve-se ter em conta os critérios da essencialidade ou relevância das despesas com relação à atividade desempenhada (tal como definido pelo STJ e adotado pelo CARF). Note-se Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018, o qual descreve como conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, os bens e serviços que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de prestação de serviço a terceiros, tanto os que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. De fato, itens de segurança relacionados ao processo produtivo geram direito a crédito, em virtude de sua essencialidade e necessidade à atividade de uma empresa. Entretanto, no caso em análise, não localizei informações e documentos suficientes para concluir que os itens mencionados, como placas de trânsito, sinalização em guarita, entre outros possuem relação direta com sua atividade. Cabe lembrar que é do contribuinte o ônus da prova nos casos de compensação, restituição e ressarcimento, devendo ele apresentar comprovação detalhada documental e explicações para não restar dúvidas quanto ao crédito. Note-se trecho de decisão do CARF, da turma 3201, quanto ao ônus da prova em caso de ressarcimento ser do contribuinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2009 (...) PIS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do referido crédito por ele pleiteado.” (Acórdão nº 3201-010.788, de 27/07/2023. Processo nº 10925.906142/2011-75. Relator Hélcio Lafetá Reis. Fl. 7007DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 20 Pelos motivos expostos, voto pela manutenção da glosa da aquisição de materiais de pintura, placas e portas de sinalização e proteção. 1.7 - Do direito ao crédito de PIS na contratação de serviços aplicados em estradas A Contribuinte explica que a plantação de eucalipto é realizada em áreas rurais, com estradas de terra e a sua manutenção é essencial a sua atividade. Como exemplo, cita a colocação de bueiros para a passagem de água, a colocação de pedras para que o barro não impeça a circulação de caminhões e o seu nivelamento. Note-se, entretanto, que a contração de serviços para manutenção de estradas não pode ser considerada como insumo, uma vez que não possuí relação direta com sua atividade fim. Entendo que as estradas são bens incorporados ao ativo imobilizado, sendo, assim, os gastos com sua manutenção ou construção não são incluídos no conceito de insumo. Dessa forma, não são passíveis de creditamento com base no inciso II do artigo 3° da Lei nº 10.637/2002: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (...)” Não se pode confundir a aquisição de bem ou serviço para o ativo imobilizado com a aquisição de um insumo na produção de bens destinados à venda. Assim, voto por manter as glosas dos créditos referentes aos serviços aplicados em estradas. 1.8 - Do direito ao crédito de PIS na contratação de serviços de manutenção civil e mecânica Fl. 7008DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 21 Conforme destaca a Contribuinte, há a contratação de manutenção de máquinas e equipamentos como forma de regular manutenção, a fim de mantê-los em sua função, evitando inclusive paralização da produção. Ainda nesse item, as autoridades fiscais votaram pela glosa da aquisição de serviços de manutenção, por entender que deveria haver uma interpretação restritiva do conceito de insumo. Deve-se aplicar a interpretação do REsp nº 1.221.170/PR, vinculante para a RFB em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, e nos termos da referida Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF. Notadamente, há essencialidade e relevância para a atividade da empresa a manutenção civil e mecânica. E, dessa forma, deve-se seguir com a reversão da glosa. 1.9 - Do direito ao crédito de PIS na contratação de serviços de limpeza Trata-se de contratação de serviço de limpeza das áreas comuns e industriais das fábricas, onde há também coleta seletiva do lixo. Conforme itens já expostos, as autoridades fiscais discordaram do creditamento explicando dever ser aplicável uma interpretação restritiva do conceito de insumo. Entretanto, cabe-se notar no caso em questão que há essencialidade na contratação de serviço de limpeza, uma vez que se visa a manutenção da salubridade do local de trabalho de milhares de profissionais. Pelo exposto, voto pela reversão da glosa de contratação de serviços de limpeza. 1.10 Do direito ao crédito de PIS sobre contratação de consultoria ambiental Há a contratação de consultoria ambiental para a finalidade de obtenção de licenças ambientais e sua respectiva renovação perante os órgãos de meio ambiente estadual e federal. Note-se que é obrigatório para manter a fábrica em movimento a existência dessas certificações. A decisão do STJ incluiu no conceito de insumos geradores de crédito do PIS, em razão da relevância os itens que integrem o processo de produção podem imposição legal. Fl. 7009DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 22 Dessa forma, incluem-se nesse conceito os de gastos com consultoria ambiental. Pelo exposto, voto pela reversão da glosa de contratação de serviços de consultoria ambiental. 1.11 - Do direito ao crédito de PIS sobre construção e manutenção da estação de tratamento de efluentes Trata-se aqui de construção e manutenção de estação de tratamento de efluentes que, conforme Recurso Voluntário, é resultante de uma obrigação da legislação ambiental, nos termos da Resolução n° 430, de 13 de maio de 2011, do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA abaixo transcrita: “Art. 1º Esta Resolução dispõe sobre condições, parâmetros, padrões e diretrizes para gestão do lançamento de efluentes em corpos de água receptores, alterando parcialmente e complementando a Resolução n° 357, de 17 de março de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente- CONAMA. Parágrafo único. O lançamento indireto de efluentes no corpo receptor deverá observar o disposto nesta Resolução quando verificada a inexistência de legislação ou normas específicas, disposições do órgão ambiental competente, bem como diretrizes da operadora dos sistemas de coleta e tratamento de esgoto sanitário. Art. 3° Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados diretamente nos corpos receptores após o devido tratamento e desde que obedeçam às condições, padrões e exigências dispostos nesta Resolução e em outras normas aplicáveis. Parágrafo único. O órgão ambiental competente poderá, a qualquer momento, mediante fundamentação técnica: I - acrescentar outras condições e padrões para o lançamento de efluentes, ou torná-los mais restritivos, tendo em vista as condições do corpo receptor; ou II - exigir tecnologia ambientalmente adequada e economicamente viável para o tratamento dos efluentes, compatível com as condições do respectivo corpo receptor. Art. 12. O lançamento de efluentes em corpos de água, com exceção daqueles enquadrados na classe especial, não poderá exceder as condições e padrões de qualidade de água estabelecidos para as respectivas classes, nas condições da vazão de referência ou volume disponível, além de atender outras exigências aplicáveis. Fl. 7010DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 23 Parágrafo único. Nos corpos de água em processo de recuperação, o lançamento de efluentes observará as metas obrigatórias progressivas, intermediárias e final. Art. 27. As fontes potencial ou efetivamente poluidoras dos recursos hídricos deverão buscar práticas de gestão de efluentes com vistas ao uso eficiente da água, à aplicação de técnicas para redução da geração e melhoria da qualidade de efluentes gerados e, sempre que possível e adequado, proceder à reutilização.” O descumprimento da legislação mencionada gera interdição ao funcionamento do estabelecimento. Ademais, a Contribuinte explica que o tratamento de efluentes é necessário para não prejudicar a qualidade da água que é consumida pela cidade, sendo ainda essencial à produção de celulose o devido tratamento do seu resíduo. Nesse contexto, note-se Solução de Consulta COSIT Nº 1, de 06/01/2021: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. TRATAMENTO DE EFLUENTES. POSSIBILIDADE. No caso de pessoa jurídica dedicada ao curtimento e a outras preparações de couro, os gastos relativos a tratamento de efluentes, resíduos industriais e águas residuais, considerados indispensáveis à viabilização da atividade empresarial, em virtude de integrarem o processo de produção por imposição da legislação específica do setor, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep no regime de apuração não cumulativa, desde que observados os requisitos e condições estabelecidos na normatização desse tributo. Dispositivos Legais: Lei nº 6.938, de 1981; Lei nº 9.433, de 1997; Lei nº 9.605, de 1998, art. 33; Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, II; Decreto nº 99.274, de 1990; Resoluções Conama nº 237, de 1997, nº 357, de 2005, e nº 430, de 2011; Resolução Cema nº 65, de 2008; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 5, de 2018.” Grifei Entendo que os serviços de tratamento de efluentes geram direito ao crédito de PIS, tanto por sua essencialidade e relevância ao processo produtivo, quanto devido a obrigatoriedade legal de sua realização. Porém, no caso em questão, trata-se de construção e manutenção de construção. Deve-se novamente notar que não se trata de insumo, e sim de ativo imobilizado, em que o creditamento ocorreria via depreciação. Fl. 7011DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 24 Conforme já descrito no item “Do direito ao crédito de PIS na aquisição de material de construção civil”, não se trata de gastos relacionados à atividade industrial direta, devendo-se notar o disposto no artigo 3º, inciso VII, e §1º, inciso III, da Lei nº 10.637/2002, quanto à determinação de crédito mediante a aplicação de alíquota sobre o valor dos encargos de depreciação e amortização dos bens. Dessa forma, voto pela manutenção da glosa quanto à construção e à manutenção da estação de tratamento de efluentes. 1.12 - Do direito ao crédito de PIS na contratação de serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa Conforme já detalhado no presente Acordão, a contribuinte realizada a contratação de serviços para a análise laboratorial para certificar o produto que será entregue ao seu cliente atende às especificações contratadas. Adicionalmente, note-se trechos do Recurso Voluntário quanto a forma de realização dessas atividades: “Este controle de qualidade é essencial para que a Recorrente possa certificar o que está sendo entregue ao seu cliente e que atende a todas as especificações exigidas, evitando inclusive reclamações posteriores. (...) As atividades de monitoramento de pragas e doenças ocasionais é um programa contínuo que envolve vistorias periódicas, em intervalos de 60 (sessenta) a 90 (noventa) dias, com o objetivo de detectar precocemente a ocorrência de focos de pragas e doenças, bem como avaliar a evolução dos surtos. As informações são utilizadas pelos responsáveis técnicos para tomada de decisão e análise da eficiência das práticas de controle, quando necessário. Já o monitoramento de plantas daninhas é um programa contínuo, apoiado por um software especializado (MPD) que envolve amostragens periódicas para detectar o nível de competição com o eucalipto. As informações obtidas são utilizadas para a tomada de decisão de controle, bem como para definição do método a ser adotado, considerando o uso racional de recursos no manejo de plantas daninhas.” Como se pode ser observado, a contratação desses serviços é essencial para garantir a entrega do produto contratado. Seja na análise laboratorial do produto, seja na prevenção de pragas e doenças e na pesquisa, há de fato essencialidade na contratação desses serviços à atividade da Contribuinte. Fl. 7012DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 25 Pelo exposto, voto pela reversão da glosa da contratação de serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa. 1.14 - Do direito ao crédito de PIS sobre a manutenção das partes e peças de máquinas e equipamentos florestais e veículos de transporte O tópico 1.1 acima tratou “Do direito ao crédito de PIS na aquisição de partes e peças de máquinas/equipamentos florestais e veículos de transporte” e se referia a aquisição desses itens. Já a presente análise se refere à manutenção dos mencionados itens. Conforme já tratado no item 1.1, os gastos com a manutenção e as peças de reposição dessas máquinas e equipamentos, ligadas à movimentação de carga, empilhadeiras, guinchos e guindastes, são indispensáveis à produção. Aqui também foi devidamente comprovada a essencialidade da manutenção das partes e peças de máquinas, equipamentos florestais e veículos para o desenvolvimento do processo produtivo da Contribuinte. Desse modo, voto pela reversão da glosa da manutenção das partes e peças de máquinas e equipamentos florestais e veículos de transporte. 1.15 - Do direito ao crédito de PIS sobre a locação de andaimes, guindastes, rádios, veículos e imóveis De acordo com o Recurso Voluntário, em virtude do tamanho dos seus equipamentos industriais, é necessária a locação de andaimes e guindastes. Já a locação de rádios se dá pelas dimensões da propriedade, sendo em muitos casos o único meio de comunicação. A locação de veículo está relacionada ao transporte de funcionários da fábrica para as áreas agrícolas. Já a locação de imóveis é realizada para que os empregados tenham um local de descanso durante os intervalos ou em caso se chuva, em pequenos imóveis próximos às florestas da Contribuinte. O creditamento de PIS e COFINS está relacionado à comprovação da direta relação dos custos e despesas com o auferimento de receitas da empresa. Deve-se ter em conta os critérios da essencialidade ou relevância das despesas com relação à atividade desempenhada. Nesse contexto, note-se trecho de decisão do CARF, da turma 3201, quanto à impossibilidade de creditamento referente ao aluguel de veículos: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 7013DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 26 Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 (...) ALUGUÉIS DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ARRENDAMENTO DE TERRAS. VEÍCULOS. CRÉDITOS. É possível o aproveitamento de crédito no sistema da não cumulatividade sobre pagamentos quer seja a título de aluguéis de máquinas e equipamentos ou mesmo de arrendamento de terras, quando utilizados na atividade da empresa e devidamente comprovados, com exceção da locação de veículos, tratores, caminhões e afins.” (Acórdão: 3201-012.563 de 21/08/2025. Processo nº: 10183.904960/2017- 50. Relator: Helcio Lafeta Reis). Grifei. Nesse contexto, é imprescindível nesse caso citar a Súmula CARF nº 190, aprovada em 2024, a qual estabelece que os gastos com o aluguel de veículos para transporte de carga ou passageiros não permitem o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins no regime não cumulativo. Note-se abaixo texto da mencionada súmula: “Súmula CARF nº 190 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.415; 9303-014.369; 9303-013.956”. Grifei. Note-se também recente decisão do CARF determinando a aplicação da mencionada Súmula nº 190: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 (...)CRÉDITO. LOCAÇÃO VEÍCULO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 190, para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.” (Acórdão: 3302-015.032 de 29/07/2025. Processo nº: 16682.722026/2017- 77. Relatora: Marina Righi Rodrigues Lara). Grifei. Fl. 7014DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 27 Como sabido, nos termos do seu Regimento Interno, as Súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros do CARF. Voto, portanto, pela manutenção da glosa dos créditos relacionados às despesas com aluguel de veículos. Adicionalmente, deve-se notar que a locação de imóvel não utilizado na atividade produtiva não pode gerar crédito tributário. Conforme exposto, os imóveis desse item se referem a pequenas propriedades que os empregados usam para descansar. Não vejo essencialidade e necessidade quanto a essa despesa de locação de imóvel, por não ser utilizado nas atividades da empresa. Por esse motivo, também voto pela manutenção da glosa dos créditos de locação de imóveis. Quanto às demais locações, note-se previsão legal do art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002, abaixo transcrita: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;” Conforme explicado pela recorrente, a locação de andaimes e guindastes possuem direta relação com sua atividade produtiva. Nos termos da legislação acima transcrita, há direito ao crédito na locação de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. Adicionalmente, em relação a locação de rádios comunicadores, entendo que assiste razão à Contribuinte. Suas atividades produtivas são realizadas em local de grande extensão, sendo então imprescindível o uso de rádio para comunicação entre o escritório central e as frentes de trabalho. Notadamente, no caso em questão, o rádio comunicador possuí essencialidade e relevância em seu processo de fabricação, uma vez que atua na segurança, logística e coordenação das atividades. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para o fim de reverter as glosas relativas à locação de andaimes e guindastes e rádios para comunicação. 1.16 - Do direito ao crédito de PIS sobre os serviços de engenharia, projetos, logística e supervisão Fl. 7015DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 28 A Contribuinte explica em seu Recurso Voluntário que sua cadeia produtiva se inicia muito antes do plantio, por meio de estudo do solo realizado e pesquisa laboratorial. Nesse contexto, note-se trechos do mencionado recurso, quanto a esse item: “Conforme atesta o laudo técnico, o processo produtivo da celulose se inicia com a análise laboratorial que propiciará a seleção dos clones de eucaliptos que atendam a gramatura adequada à futura extração da celulose. Ou seja, o processo de produção tem início antes mesma da fase de plantio, ocorrendo a seleção dos clones que possuam características específicas para a obtenção de uma celulose capaz de atender ao pedido de seus clientes. Exemplificando, para clientes que desejam adquirir a celulose da Recorrente para produzir papéis destinados a revelação de fotos, a empresa deverá produzir uma madeira que lhe permita formular uma celulose com tamanha densidade (alta quantidade de fibras por grama) capaz de propiciar a seu cliente a produção de um papel de alta qualidade (com a lisura comum às folhas fotográficas). Fibras de diferente espessura também são objetos de encomenda, para clientes que produzem livros escolares, cujo papel a ser produzido será resistente. Ora, a obtenção das mais variadas especificações de celulose está intrinsecamente relacionada à fase laboratorial, posto que a empresa realiza diversos testes para selecionar o clone que contém características específicas para propiciar a obtenção de uma celulose cujas fibras atendam as exigências de um determinado cliente. Depois de feitos os projetos de pesquisa, a Recorrente precisa de laudos de engenharia de tráfego e orientação da logística, pois as florestas devem garantir fornecimento de madeira para as unidades industriais durante o ano todo. Logo, a Recorrente depende de projetos de logística, contratados junto a prestadores de serviços, que deverão prever como a madeira sairá das fazendas e chegará até as fábricas, passando por comunidades com pouca ou nenhuma infraestrutura, locais de baixa ou alta circulação de veículos, cálculo das distâncias, tudo para garantir o fornecimento contínuo de toras de madeira. Por fim, caberá ao prestador de serviços a supervisão do efetivo implemento dos serviços de logística, cabendo a ele dizer que os projetos contratados no início produziram os resultados desejados ou não. Portanto, a contratação destes serviços é essencial para que a Recorrente possa desenvolver a sua atividade econômica com regularidade, razão pela qual é injustificada a negativa ao creditamento de PIS.” Fl. 7016DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 29 Como pode ser observado, as mencionadas aquisições de serviços de engenharia, projetos, logística e supervisão estão diretamente relacionados à atividade produtiva da Contribuinte. Note-se previsão legal do art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002, conforme transcrição abaixo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Nesse sentido, segue julgamento da CSRF pelo direito ao creditamento de serviços utilizados como insumo na produção de bens ou direitos destinados à venda: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. ALCANCE. Conforme decidiu o STJ no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, na sistemática dos recursos repetitivos, não há previsão legal para a apropriação de créditos de PIS, no regime da não-cumulatividade, sobre as despesas de cunho administrativo e comercial, sobretudo quando não demonstradas qualquer vínculo de sua relevância com o processo produtivo da empresa. Contudo, demonstrado que o bem ou serviço adquirido foi utilizado no processo produtivo e se comprovou a sua essencialidade e relevância faz se necessário o reconhecimento do direito ao crédito. No presente caso devem ser acatados os créditos em relação aos Serviços de topografia; Projetos técnicos de engenharia de projetos industriais; e Projetos gerenciamento e engenharia.” (Acórdão 9303-010.242, de 11/03/2020. Processo nº 15586.720149/2011- 11. Relator Andrada Márcio Canuto Natal)” Grifei. Note-se também decisão do CARF quanto ao creditamento de elaboração de projetos na modalidade insumos: Fl. 7017DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 30 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...) DISPÊNDIOS INCORRIDOS COM A ELABORAÇÃO DE PROJETOS (FASE DE DESENVOLVIMENTO). APURAÇÃO DE CRÉDITOS NA MODALIDADE INSUMOS. REQUISITOS. Os dispêndios incorridos na elaboração de projetos (fase de desenvolvimento) são passíveis da geração de créditos da não cumulatividade do PIS e da COFINS na modalidade insumos (inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03), desde que documentado o início da fase desenvolvimento e efetivamente comprovado que esses projetos resultaram em produto destinado à venda ou serviço prestado a terceiros. (Acórdão 3001-002.470, de 08/04/2024. Processo nº 15586.720028/2011- 61. Relator João José Schini Norbiato)” Devido à aplicação da necessidade e essencialidade na atividade produtiva da Contribuinte, voto pela reversão da glosa com aquisição de serviços de engenharia, projetos, logística e supervisão. 1.17 - Do direito ao crédito de PIS sobre a silvicultura A recorrente transcreve em seu Recurso Voluntário trecho do laudo técnico para demonstrar que a silvicultura se trata de um processo que o compreende a fase florestal, na qual são empregados dezenas de insumos. Explica que conforme advertido pelos professores da ESALQ, devem ser classificados como serviços silviculturais todos os serviços realizados entre a análise do solo e o abastecimento das unidades fabris: “A atividade de silvicultura consiste no planejamento do abastecimento das unidades fabris, envolvendo e definindo as análises de solo, limpezas de terreno, enleiramentos de resíduos florestais, aberturas de estradas e aceiros, confecções de cercas, delimitações de áreas de preservação permanente, reservas legal, preparos, correções e adubações do solo, combates à formiga, plantios, irrigações, monitoramentos das operações silviculturais, capinas químicas e/ou mecânicas, manutenções anuais (combate à formiga, limpeza de aceiros, manutenção de estradas), adubações complementares, monitoramentos de pragas e doenças, combates a pragas e doenças, monitoramentos e prevenções da ocorrência de incêndios florestais, manutenções preventivas e corretivas de equipamentos, máquinas e veículos florestais, fornecimentos de Fl. 7018DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 31 combustível para frota própria e de terceiros por conta da Fibria no campo através de comboios.” A Contribuinte concluí que a manutenção do crédito tributário é devida em virtude da necessidade dos serviços de silvicultura para seu processo produtivo, que é integrado e se inicia na fase florestal. As autoridades fiscais teriam negado o creditamento alegando que o serviço de silvicultura não faria parte do processo produtivo da Contribuinte. Entretanto, cabe-se notar que os serviços de silvicultura são essenciais para obtenção da matéria-prima da Recorrente, sendo necessárias para a fabricação da celulose, devendo ser considerados na composição da base de cálculo dos créditos a serem descontados do PIS. Pelo exposto, voto por reverter a glosa do serviço de silvicultura. 1.18 - Do direito ao crédito de PIS sobre os serviços de treinamento A Contribuinte explica que contrata diversos tipos de treinamentos aos seus funcionários, desde o momento da capina e aplicação de herbicida onde serão plantados os eucaliptos. Cita que os treinamentos são realizados também na fase de manutenção, em que é obrigatório o uso de EPI. Também menciona trecho do laudo pericial da ESALQ, conforme abaixo: “Os trabalhadores rurais são treinados e fazem reciclagem de treinamento anual, sendo o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) obrigatório e cedido pela empresa.” E que também são contratados serviços de treinamento para: uso de EPI dos funcionários industriais, direção segura dos caminhões; atualização a funcionários da área administrativa; evacuação em caso de incêndio; operacionalização das máquinas; entre outros. Dessa forma, a recorrente entende que seus treinamentos são essenciais a sua atividade empresarial para assegurar o melhor bem-estar do funcionário no desempenho de sua atividade laboral, bem como sobre para evitar riscos do trabalho caso as normas de segurança não sejam observadas. Fl. 7019DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 32 Note-se Súmula CARF nº 189 quanto ao tema de “insumos do insumo”, que permite o direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativa quantos aos gastos relacionados a fase agrícola. “Súmula CARF nº 189 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 Os gastos com insumos da fase agrícola, denominados de "insumos do insumo", permitem o direito ao crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.147; 9303-014.128; 9303-009.313” Adicionalmente, note-se decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais quanto à possibilidade de creditamento das despesas com treinamentos, no caso de empresa que têm como objeto social serviços de informática: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2008 CUSTOS/DESPESAS. CURSOS. TREINAMENTO. PESQUISA E DESENVOLVIMENTO. AQUISIÇÃO DE SOFTWARES. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE Os custos/despesas incorridos com treinamento. pesquisa e desenvolvimento, bem como com a aquisição de softwares constituem insumos das empresas que têm como objeto social a produção, comercialização e a distribuição de softwares e de equipamentos de informática, bem como prestação de serviços de infraestrutura, instalação, assistência técnica, manutenção, assessoramento técnico, treinamento, processamento de dados e congêneres, monitoramento, limpeza, integração de sistemas eletrônicos de automação e produtos afins e demais serviços na área de informática e comunicações constituem insumos, nos termos da legislação do PIS e da Cofins, e, portanto, geram créditos da contribuição passíveis de desconto dos valores calculados sobre o faturamento mensal.” (Acórdão 9303-008.297, de 20/03/2019. Processo nº 19515.720484/2012- 87. Relator Rodrigo da Costa Pôssas)” Grifei. No caso em questão, a atividade da Contribuinte é de “Fabricação de celulose e outras pastas para fabricação de papel”. Entendo que nesse ponto devemos dividir os tipos de treinamento entre: treinamento relacionado à atividade de industrialização (como para o uso Fl. 7020DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 33 de EPI, de direção seguro das carretas, operacionalização das máquinas etc.) e demais treinamentos (como exemplo a atualização a funcionários da área administrativa). Quanto aos treinamentos relacionados à atividade industrial, impossível negar a relevância e essencialidade desses treinamentos técnicos para o desenvolvimento de suas atividades, pelo que devem ser considerados insumos, com a consequente reforma do acórdão ora recorrido. Notadamente, quando há gastos de capacitação para cumprimento de exigência legal, ou para possibilitar a entrega da produção, há a configuração do crédito tributário, pois sua ausência impediria a operação da empresa. Já quanto aos demais treinamentos, entendo que tais despesas não constituem insumos nos termos do inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, nem se enquadram na definição dada pelo STJ na decisão do REsp nº 1.221.170/PR. Como no exemplo do treinamento da área administrativa, uma vez que esse gasto não tem relação com a produção de bens ou serviços. Pelos motivos expostos, voto pela reversão da glosa dos treinamentos relacionados à atividade industrial. Em contraponto, voto pela manutenção da glosa quanto aos demais treinamentos. 1.19 - Do direito ao crédito de PIS sobre o arrendamento de terra agrícolas A Contribuinte explica que realiza o arrendamento de terras para o plantio de novas árvores, quando seu planejamento indica que as áreas de sua propriedade não são suficientes para produzir as toras de eucalipto para a produção de celulose em 6 anos. Dessa forma, entende que a despesa com arrendamento de terra agrícola é necessária à sua atividade, pois há de fato necessidade desse arrendamento quanto suas próprias terras forem insuficientes para a produção das toras. A possibilidade de crédito do arrendamento rural já foi objeto de julgamento nessa turma, conforme trechos abaixo do acórdão nº 3201- 007.349: “O assunto não é unanimidade no CARF, tendo resultados favoráveis e contrários as alegações das empresas quanto a possibilidade de creditamento do arrendamento rural, e muitos dos acórdãos não foram proferidos por unanimidade, acórdãos nº 3302-005.844, 3302- 006.737, 9303-009.737, 3201-004.207, 3201-004.278, 3401-006.851 e 3402 004.759. Fl. 7021DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 34 PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. USINA DE AÇUCAR E ÁLCOOL. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMO. Em relação à atividade agroindustrial de usina de açúcar e álcool, configuram insumos as aquisições de serviços de análise de calcário e fertilizantes, serviços de carregamento, análise de solo e adubos, transportes de adubo/gesso, transportes de bagaço, transportes de barro/argila, transportes de calcário/fertilizante, transportes de combustível, transportes de sementes, transportes de equipamentos/materiais agrícola e industrial, transporte de fuligem,/cascalho/pedras/terra/tocos, transporte de materiais diversos, transporte de mudas de cana, transporte de resíduos industriais, transporte de torta de filtro, transporte de vinhaças, serviços de carregamento e serviços de movimentação de mercadoria, bem como os serviços de manutenção em roçadeiras, manutenção em ferramentas e manutenção de rádios amadores, e a aquisição de graxas e de materiais de limpeza de equipamentos e máquinas e o arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas. (Acórdão: 3403002.318; 25.06.2013) PIS/PASEP. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. ARRENDAMENTO DE IMÓVEIS RURAIS. PRÉDIO RÚSTICO. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito das contribuições sobre o arrendamento de imóveis rurais/prédios rústicos utilizados nas atividades da empresa, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Lei 10.637/02 e da Lei 10.833/03. Para tanto, é de se considerar que o termo prédio de que trata tal dispositivo abarca tanto o prédio urbano como o prédio rústico não edificado, vez que a Lei 4.504/64 Estatuto da Terra e a Lei 8.629/93, definem "imóvel rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada. (Acórdão 9303-007.535) Por pertinente reproduzo os esclarecimentos contidos no acórdão nº 3401- 006.851, do Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto: 2.1.11.7. Todavia, como antedito, as despesas com instalações, estradas, pontes e cercas, ainda que possam ser relevantes (sentido jurídico), inexiste prova neste sentido e a glosa deve ser mantida. 2.1.12. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA para a Recorrente é equivalente ao aluguel de prédio, e portanto, é possível o crédito desta despesa nos termos do artigo 3° inciso IV da Lei 10.833/03. Isto porque, prédio, segundo a legislação de regência, engloba o terreno sem construção. Ademais, aluguel é o valor pago como contraprestação ao arrendamento agrícola. Ainda que assim não fosse, o arrendamento agrícola, a posse do solo para plantio, é essencial ao processo produtivo da Recorrente. Fl. 7022DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 35 2.1.12.1. A DRJ aborda o tema arredamento como uma linha no parágrafo destinado às despesas com aquisição de entressafra, e afasta o direito ao crédito porquanto defende que a etapa agrícola não faz parte do processo produtivo da Recorrente. 2.1.12.2. O conceito de prédio no direito civil é diferente do usual e engloba terreno, ainda que sem construção. No direito civil prédio significa imóvel, rural ou urbano, edificado ou não, assim como gleba de terra, moradia, casa ou edifício. É o que se depreende dos arts. 1251, 1252, do Código Civil Brasileiro e do Estatuto da Terra (art. 4°, inciso): Código Civil Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver reclamado. Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendo-se que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo. Estatuto da Terra Art. 4º Para os efeitos desta Lei, definem-se: I - "Imóvel Rural", o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada; 2.1.12.3. Ainda, o inciso IV do artigo 3° da Lei 10.833/03 aparenta utilizar a palavra aluguel não no sentido de tipo contratual, porém no sentido de contraprestação para a alguém. Tanto assim é que a norma fala de “aluguéis de prédios pagos (...) a pessoa jurídica”. Na forma muito bem exposta pela Recorrente, o aluguel é uma das formas de contraprestação ao contrato de Arrendamento Rural, nos termos do artigo 3° § 2° do Decreto 59.566/66: Art 3º Arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e ou facilidades, com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agro-industrial, extrativa ou mista, mediante, certa retribuição ou aluguel , observados os limites percentuais da Lei. (...) § 2º Chama-se Arrendador o que cede o imóvel rural ou o aluga; e Arrendatário a pessoa ou conjunto familiar, representado pelo seu chefe que o recebe ou toma por aluguel. 2.1.12.4. Por consequência, deve ser concedido o crédito decorrente das despesas com arrendamento rural nos termos do artigo 3°, inciso IV da Lei 10.833/03. Conosco precedentes deste Conselho: Fl. 7023DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 36 NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. (Acórdão 3201-004.278) 2.1.12.5. Ao lado dos contratos de arredamento em que a contraprestação é o aluguel, a fiscalização encontrou outros contratos de parceria em que o pagamento é feito por meio de uma participação do Arrendador no valor de venda da cana. Portanto, para estes contratos o raciocínio acima é inaplicável, até porque não se trata de despesa, e sim de lucro, receita de venda partilhada. Logo, deve ser mantida a glosa. Neste cenário, entendo que o arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas e de coligadas se caracterizam como custos do processo produtivo, devendo ser revertida a glosa. (Acórdão 3201-007.349, de 20/10/2020. Processo nº 13888.001387/2005- 48. Relatora Mara Cristina Sifuentes)” Grifei. Adicionalmente, note-se que a Solução de Consulta Cosit nº 331, de 21/06/2017 reconheceu o direito ao crédito no arrendamento rural: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. A pessoa jurídica submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS/Pasep pode descontar créditos sobre aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. A remuneração paga pelo arrendatário em relação ao bem arrendado é denominada de aluguel, representando a retribuição pelo uso e gozo do bem imóvel. A Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra), e a Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, definem "imóvel rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada. É princípio geral de hermenêutica que onde a lei não distingue não cabe ao intérprete distinguir. Desta forma, o conceito de prédio contido no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, engloba tanto o prédio urbano construído como o prédio rústico não edificado. Fl. 7024DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 37 Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso IV; Lei nº 4.504, de 1964 (Estatuto da Terra); Lei nº 8.629, de 1993; Decreto nº 59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº 4.382, de 2002, art. 9º.” Grifei Pelo exposto, voto pela reversão da glosa do crédito tributário do arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas por se caracterizar como custos do processo produtivo. 2) DA ILEGALIDADE DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO Conforme descrito no Acordão da Manifestação de Inconformidade, foram aceitos os encargos de depreciação nos casos de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda. Em paralelo, foram glosados determinados créditos tributários via encargos de depreciação. Como justificativa dessa glosa, as autoridades fiscais informam que somente poderia haver crédito na depreciação a partir do momento em que o bem ingressa na linha de produção industrial, conforme trecho abaixo da “Informação Fiscal”: “No tocante à possibilidade de os encargos de depreciação originarem créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, firma-se o entendimento no sentido de que o art. 3°, § 1°, inciso III, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 apenas autoriza tal benefício nos casos de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, o que não é o caso, pois na presente situação, consideramos como bens a serem industrializados e destinados à venda a madeira (matéria-prima industrial) a partir do momento que ingressa na linha de produção industrial. “ Grifei. Em contraponto, no Recurso Voluntário, a Contribuinte explica que os bens indicados pela fiscalização: 1) integram a fase florestal ou de silvicultura, que tem início com a escolha dos gravetos que darão origem às mudas, ou; 2) integram a fase industrial, mas sem contato direto com a produção da celulose. Fl. 7025DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 38 Nesse contexto, note-se transcrição do disposto no artigo 3º, inciso VII, e §1º, inciso III, da Lei nº 10.637/02, que traz a previsão legal pelo creditamento tributário dos encargos de depreciação e amortização: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2ºa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; (...) XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês;” A contribuinte em seu Recurso Voluntário descreve um detalhamento da relação entre os itens considerados nos encargos de depreciação e sua atividade produtiva. Note-se breve resumo dos itens abaixo, separados conforme meu entendimento quanto à possibilidade de creditamento via depreciação, a partir da base legal e informações trazidas no presente processo: Itens conforme legislação de creditamento por encargo de depreciação: - Poços de tratamento de efluentes, água, lodo, que se referem a construções de estações de tratamento de efluentes. Há creditamento em razão da obrigatoriedade junto às Secretarias de Meio Ambiente; possibilidade de perda do licenciamento sem essa construção; e essencialidade do item. - Talude, que são planos de terreno inclinados para delimitar um aterro e garantir sua estabilidade. Em um exemplo, demonstrou-se que a elaboração de um talude em rocha para evitar o deslocamento de terra do aterro. Há creditamento por se tratar de medida de segurança relacionada à atividade da empresa. Fl. 7026DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 39 - Instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões se referem a uma variedade de prédios, entre os quais refeitórios, prédios administrativos, construções próximas às plantações de eucalipto. Entendo que há creditamento pois houve adequação à regra para edificações (Art. 3º, inciso VII da Lei nº 10.637/02), a qual exige somente que o bem seja "utilizado nas atividades da empresa". Adicionalmente, há essencialidade desses itens na atividade empresarial da Contribuinte. - Ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra foram descritos como: de uso para identificação das correntes elétricas; oficina é onde são realizados os consertos e manutenções preventivas dos equipamentos; e cortadores são usados para extração de uma pequena parte do tronco, para verificação de características de seu local de origem. Há crédito devido à nítida essencialidade desses itens em relação a sua atividade empresarial. - Carros de transporte e porta pallets são utilizados para transporte e guarda dos pallets. Entendo que há creditamento, devido à essencialidade desses itens com relação à produção da Contribuinte. - Pátio de madeira é o local dentro da área industrial em que ficam estocados os troncos que serão utilizados a curto prazo. Como possuí essencialidade e relevância em relação à sua atividade empresarial, entendo que há creditamento desse item. - Serviço de montagem da torre de telecomunicações se refere a despesas de montagem de uma torre de transmissão de telecomunicações na entrada da unidade industrial. Entendo pelo creditamento em virtude da necessidade de ter acesso à comunicação para andamento de suas atividades empresariais. - Combate a incêndio são equipamentos utilizados nas fábricas e áreas agrícolas. Concordo com o creditamento em virtude de sua essencialidade à sua atividade empresarial. Note-se que a Contribuinte não poderia operar sem tal estrutura e, consequentemente, sem um alvará concedido pelos Bombeiros. - Máquinas de geração de energia são equipamentos que produzem a energia elétrica utilizada no processo produtivo. Dessa forma, é nítida sua essencialidade na produção da Contribuinte. Fl. 7027DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 40 Itens que não estão em conforme legislação de creditamento por encargo de depreciação: - Câmaras frigoríficas, que são utilizadas para a conservação dos alimentos que serão utilizados nos refeitórios. Não há direito ao creditamento por não se referir a despesa relacionada diretamente a sua atividade empresarial. - Materiais de análise laboratoriais, relacionado tanto a materiais quanto a serviços de análises. Não há direito ao creditamento em virtude de falta de informações suficientes e comprovação documental que efetivamente demonstrasse a que se refere essa despesa, e sua relação de fato com a sua atividade. Vale lembrar que o ônus da prova do caso de ressarcimento é da contribuinte. - Máquinas de lavar peças, armários de alvenaria e câmeras de monitoramento trata-se de máquinas de levar peças industriais; armários para guarde de documentos administrativos, ferramentas e lubrificantes; e câmeras utilizadas no serviço de segurança. Entendo que não geram creditamento em virtude da falta de comprovação quanto sua relação com a produção da Contribuinte. Novamente, note-se que o ônus da prova em ressarcimento é da Contribuinte. 3) DO DIREITO AOS CRÉDITOS DE PIS SOBRE DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDA De acordo com informação descrita no Recurso Voluntário, houve a glosa dos créditos tributários das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda, em virtude de haver divergências entre os montantes declarados nos meses de janeiro e fevereiro de 2012. Exatamente por falta de esclarecimentos quanto aos créditos desse item, houve a glosa dos respectivos créditos tributários. A contribuinte informa que as autoridades fiscais deveriam ter solicitado esclarecimentos e documentações. Note-se, novamente, que o ônus da prova em caso de ressarcimento é da Contribuinte. Não localizei no presente processo informações e documentos suficientes para confirmar o direito ao creditamento desse item de despesas de outras operações. Como já descrito, a contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do referido crédito por ele pleiteado para haver fato constitutivo do direito de crédito. Fl. 7028DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 41 Pelo exposto, voto pela manutenção da glosa quanto ao serviço de armazenagem e frete na venda. Quanto aos créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, aos créditos relativos à locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Tendo sido designado redator do voto vencedor no presente processo, passo, na sequência, a expor o entendimento que prevaleceu na turma quanto às seguintes matérias: (i) manutenção da glosa de créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, (ii) reversão da glosa de créditos relativos à locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e (iii) reversão da glosa de créditos referentes a benfeitorias em imóveis. I. Crédito. Aluguel de escavadeira e guindaste. A decisão prevalente foi no sentido de manter a glosa de créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, com base, precipuamente, na súmula CARF nº 190, que assim dispõe: Súmula CARF nº 190 Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. (g.n.) Os dispositivos legais referenciados na súmula encontram-se assim estabelecidos no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (g.n.) Nota-se que a súmula CARF nº 190 exclui da previsão legal supra a locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros, conotando que, sob o manto do termo “máquinas e equipamentos”, não se incluem os veículos, seja de carga ou de passageiros. A dúvida que pode exsurgir dessa constatação paira sobre o enquadramento ou não da escavadeira e do guindaste no conceito de veículos de carga, conceito esse não definido ou delimitado nas referidas leis. Fl. 7029DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 42 Em consultas na internet, é possível obter a definição de escavadeira como máquina pesada ou classificada sob o manto do termo genérico “veículos”, neste caso, especificada como maquinário pesado. A retroescavadeira “é um modelo de trator que possui uma pá carregadeira montada à frente e uma escavadeira montada em sua traseira”, cuja “função é escavar o solo ou remover materiais dos canteiros de obra, além de muitas outras, como transportar materiais no dia a dia.” (g.n.) A escavadeira é um veículo utilizado na construção civil especialmente para escavar ou mover objetos grandes. Basicamente, ela é constituída por duas partes: uma base de condução e um braço de lança com um acessório projetado para a escavação. O operador fica dentro de uma pequena cabine ligada à base e pode controlar o braço. Assim, um conjunto move a unidade real para frente e para trás; enquanto o outro move a unidade sobre o plano horizontal e controla o braço. O funcionário precisa ser muito bem treinado, pois estes controles determinam o ângulo e a velocidade dos movimentos do braço. O Ministério dos Transportes, em procedimento de regulamentação da circulação de tratores e de máquinas agrícolas, datado de 20/04/2024, assim cuidou do tema: O CONSELHO NACIONAL DE TRÂNSITO (CONTRAN), no uso da competência que lhe conferem os incisos I e X do art. 12 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), e com base no que consta nos autos do processo administrativo nº 50000.027261/2023-40, resolve: (...) Art. 2º Considera-se trator o veículo automotor construído para realizar trabalho agrícola, de construção e pavimentação e tracionar outros veículos e equipamentos, conforme definição disposta no Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). (...) Art. 3º Os tratores, conforme finalidade principal para a qual são projetados, classificam-se em duas categorias principais: I - Tratores agrícolas: veículos automotores especialmente projetados e construídos para realizar trabalhos relacionados à agricultura, incluindo, mas não limitando-se a cultivo, plantio, colheita, e atividades de manejo de solo e culturas; II - Tratores de construção civil e pavimentação: veículos automotores projetados e construídos para auxiliar as atividades de construção civil, Fl. 7030DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 43 incluindo a construção e manutenção de infraestruturas como prédios, estradas, pontes e outros projetos de engenharia, bem como em atividades de pavimentação, abrangendo uma ampla gama de equipamentos, incluindo, mas não se limitando, retroescavadeiras, pás carregadeiras, pavimentadoras, dentre outras. (destaques nossos) A regulamentação supra abrange a exigência de emissão do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT) para os tratores, excetuando-se aqueles destinados a trabalho agrícola. Nesse contexto, embora dispensada a emissão do CAT para os tratores agrícolas, dentre os quais podem se incluir, a depender de sua utilização, as retroescavadeiras, tais equipamentos encontram-se identificados pelo Ministério dos Transportes na rubrica genérica de “veículos automotores”. Assim, em conformidade com o teor da súmula CARF nº 190, a glosa de créditos decorrentes da locação de escavadeiras deve ser mantida, decisão essa que se estende, também, aos guindastes, cuja definição aqui adotada é a seguinte: O caminhão guindaste, também conhecido como guindauto ou caminhão munck, é um veículo de carga equipado com um guindaste articulado hidráulico acoplado ao seu chassi. É um equipamento especialmente projetado para erguer e movimentar cargas pesadas, oferecendo mais autonomia e agilidade em operações logísticas e de movimentação. (destaques nossos) O Código de Trânsito Brasileiro, instituído pela Lei nº 9.503/1997, faz referência ao guindaste nos seguintes termos: Art. 101. Ao veículo ou à combinação de veículos utilizados no transporte de carga que não se enquadre nos limites de peso e dimensões estabelecidos pelo Contran, poderá ser concedida, pela autoridade com circunscrição sobre a via, autorização especial de trânsito, com prazo certo, válida para cada viagem ou por período, atendidas as medidas de segurança consideradas necessárias, conforme regulamentação do Contran. (...) § 3º Aos guindastes autopropelidos ou sobre caminhões poderá ser concedida, pela autoridade com circunscrição sobre a via, autorização especial de trânsito, com prazo de seis meses, atendidas as medidas de segurança consideradas necessárias. (destaques nossos) Nota-se, portanto, que a legislação também inclui os guindastes na categoria “veículos utilizados no transporte de carga”, razão pela que, em relação a eles, deve-se manter também a glosa de créditos das contribuições não cumulativas. Fl. 7031DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 44 II. Crédito. Locação de bens do ativo permanente. A regra definidora do direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas é a mesma tratada no item anterior deste voto, a saber, o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, abrangendo “prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Destaque-se que, tratando-se, inequivocamente, de bens imóveis ou maquinário, devidamente comprovados, utilizados nas atividades da empresa, cujo valor do aluguel seja pago a pessoa jurídica domiciliada no País em operação devidamente tributada pelas contribuições PIS/Cofins, a lei garante o direito ao desconto de créditos. Deve-se ressaltar, ainda, que, para a fruição do crédito, não pode haver dúvidas quanto ao enquadramento de tais bens nas rubricas “prédios, máquinas e equipamentos”, previsão normativa essa que não restringe tal direito a bens utilizados na prestação de serviços e/ou na produção ou fabricação de bens ou produtos, alcançando, portanto, todas as atividades da pessoa jurídica. Esta turma julgadora já decidiu nesses termos, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS O contribuinte pode apurar créditos de COFINS sobre o valor dos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos somente quando pagos a pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da empresa. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. (Acórdão nº 3201-012.762, j. 01/12/2025 - g.n.) Portanto, reverte-se a glosa de créditos decorrentes dos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, mas desde que devidamente comprovados e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País em operação devidamente tributada pelas contribuições PIS/Cofins. III. Crédito. Benfeitorias em imóveis. Fl. 7032DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 45 O direito ao desconto de créditos com benfeitorias em imóveis encontra-se previsto nos seguintes dispositivos das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (g.n.) A previsão legal é clara e direta, há direito a crédito das contribuições não cumulativas em relação aos encargos de depreciação de benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros utilizados nas atividades da empresa, genericamente consideradas, mas desde que devidamente comprovados. Diante do exposto, o presente voto caminha no sentido de (i) manter a glosa de créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, (ii) reverter a glosa de créditos relativos à locação de bens do ativo permanente (imóveis, máquinas e equipamentos) utilizados nas atividades da pessoa jurídica, mas desde que devidamente comprovada e paga a pessoa jurídica domiciliada no País em operação devidamente tributada pelas contribuições PIS/Cofins, e (iii) reverter a glosa de créditos referentes à depreciação de benfeitorias em imóveis devidamente comprovada. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 7033DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.223 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944961/2013-46 46 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (I) para reverter a glosa de créditos em relação às seguintes aquisições: (I.1)partes e peças utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos, bem como os serviços de manutenção, (I.2) vestuário e equipamentos de proteção individual, (I.3) material de análise laboratorial, (I.4) inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, (I.5) serviços de manutenção civil e mecânica, (I.6) serviços de limpeza, (I.7) serviços de consultoria ambiental,(I.8) serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa, (I.9) locação de andaimes e rádios para comunicação, (I.10) serviços de engenharia e projetos, (I.11) serviço de silvicultura, (I.12) treinamentos relacionados à atividade industrial, abarcando a fase agroflorestal, (I.13) arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas, (I.14) depreciação de poços de tratamento de efluentes, água, lodo, (I.15) depreciação de talude, (I.16) depreciação de instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões, (I.17) depreciação de ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra, (I.18) depreciação de carros de transporte e porta pallets utilizados para transporte e guarda dos pallets,(I.19) depreciação de pátio de madeira, (I.20) depreciação de serviço de montagem da torre de telecomunicações, (I.21) depreciação de combate a incêndio e (I.22)depreciação de máquinas de geração de energia; (II) para reverter a glosa de créditos em relação aos serviços de logística e supervisão; (III) para manter a glosa de créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste; (IV) para reverter a glosa de créditos relativos à locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis; e (V) para manter a glosa de créditos em relação aos fretes em operações de vendas. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 7034DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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4829268 #
Numero do processo: 10980.008295/90-41
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 1993
Ementa: PROCESSO FISCAL - PRAZOS - PEREMPÇÃO - Não há de ser conhecido o recurso interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto-Lei nº 70.235/72. Recurso não conhecido por perempto.
Numero da decisão: 203-00.234
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em no conhecer do recurso por perempto. Ausente o Conselheiro SEBASTIÃO BORGES TAQUARY.
Nome do relator: MARIA THEREZA VASCONCELLOS DE ALMEIDA

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O. U. MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO t. ‘ç8 e , --r ---a, .'"..f.' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES t Rub:co ; — . Processo no 10980-008.295/90-41 SessWo de u 16 de fevereiro de 1993 ACORDO No 203.00.234 Recurso no:; 90.570 Recorrente: GERALDO DA COSTA PINTO Recorrida : DRF EM CASCAVEL - PR PROCESSO FISCAL - PRAZOS - PEREMPÇPIO - No ha de ser conhecido o recurso interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto-Lei no 70.235/72. Recurso no conhecido por perempto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GERALDO DA COSTA PINTO. ACORDAM os Membros da Terceira C .átmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em no conhecer do recurso por perempto. Ausente o Conselheiro SEDASTINO BORGES TAGUARY. Sala das Sessffes, em 16 de fevereiro de 1993. ROSAL O Vi7UL t.7unc SANTOS - Presidente eia le li -‘1 çi kt e tegge. O , ddetm eido MAR -a' - - REZA VASC:HCELLOS A_MEIDA - ReTfli-Sra ALF.'80 C'ACCO - Procurador'-' da F-a \Çk VISTA EM SESSNO DE: 1- 4 V; AI 1993 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RICARDO LEITE RODRIGUES, SERGIO AFANASIEFF, MAURO WASILEWSKI e TIDERANY FERRAZ DOS SANTOS. cf/mas/cf-gb :I. 11:15 NY. MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO ~- \e-'^U740# SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTESt't-. ...-. Processo no 10980-008.295/90-41 Recurso no: 90.370 AcórdWo no 203-00.234 Recorrente: GERALDO DA COSTA PINTO RELATORI O o Contribuinte acima identificado impugna tempestivamente (fl. 01) o lançamento do Imposto Territorial Rural relativo ao imóvel Estrada itiquira, Sonora-MS, exercício de 1990, no montante de Cr$ 145.004,32, conforme Notificação de fls. 02. . Traz na peça impugnatória os argumentos que transcrevo e julga, fundamentam à impugnaçãoN "A impugnação acima está sendo solicitada em virtude da área estar escriturada em nome de Deonildo Luiz Dei Vechio e Lino Dai to e que o impugnante possuía 1/5 da área através de contrato e que o ITR foi recolhido conforme escritura cuja área total é de 6.050 ha, em nome de Deonildo Dei Vechio e Lino Dalto (1/5 de 6.050,0 ha. = 1.210,0 ha.). A área referente a notificação foi vendida em 1.982 9 conforme xerox da declaração de bens, anexa." As fls. 11, a informação técnica do INCRA esclarece que não logrou encontrar cadastros em nome dos supostos compradores do imóvel, estando diligenciando a respeito. Mais adiante, fls. 15, anexa a repartição fiscalizadora, cópia de correspondOncia datada de 04/03/91, remetida a Deonildo Luiz Dei Vechio, solicitando providOncias no sentido de regularização da situação cadastral do imóvel discutido em Sonora/MS, em virtude da aquisição da ¡Área de Geraldo da Costa Pinto, estabelecendo, para tanto, o prazo de 30 dias, sob pena de aplicação das cominaçffes legais. Em 15/05/91 (fls. 16), a autoridade informa ter sido a supracitada correspondOncia devolvida pelos Correios (fls. 17). Remete então o processo à Delegacia de Cascavel/PR, que, por SUA vez, intima o Sr. Geraldo Costa Pinto (fls. 18) para, no prazo de 10 dias, prestar esclarecimentos que se fazem necessários, juntando, para tanto, documentos pertinentes. Dentro do prazo concedido, vem aos autos (fls. 20) petição do Apelante, pedindo prorrogação do prazo concedido para esclarecer o feito e juntar documentos, visto alegar que a 2 .• 701‘ .C ;:r4fb- MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO Atc. • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo non 10980-008.295/90-41 Acórdão no n 203-00.234 documentação aludida encontra-se em poder de terceiro, ausente do Pais. Tal petição foi protocolizada na repartição competente em 17/06/91. As fls. 21/23 encontra-se a Decisão do julgador Manecrático, datada de 20/02/92, em que este alega que, até a data mencionada, o Contribuinte não houvera se Manifestado no sentido de atender a intimação para a juntada dos documentos comprobatórios de transferAncia do imóvel questionado. Assim ementou o digno julgador a guo o seu entendimento:; "Alegação de erro de cadastro, sem a devida comprovação com documentos hábeis e idóneos, é mantido o lançamento. LANÇAMENTO PROCEDENTE." C: o relatório. 3 - . . ;ÈL'12i13", MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO ,kdL'AP7,i SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no: 10980-008.295/90-41 AcórcMo no: 203-00.234 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA THEREZA VASCONCELLOS DE ALMEIDA Inconformado com a Decisão Monocrática, o Sr. Geraldo da Costa Pinto protocolizou em 29/04/92, segundo ele P"i"rio menciona (fls. 27), imwAgnasWo (grifou-se), dirigida ao Delegado da Receita Federal de Toledo/PR. Seria, no caso, o Recurso endereçado a este Conselho e, como tal, seria apreciado. Entretanto, às fls. 43, a autoridade fiscal informa que o AR (fls. 42), anexado ao processo, foi devolvido com atraso. Ora, como atesta mencionado documento verifica-se ser a data de recebimento 09/03/92, tendo o Recurso dado entrada na repartição fiscal em 29/04/92 sendo manifestamente perempto, nos termo% do disposto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Foi a peça recursal encaminhada a este Colegiado, como efetivamente cl ispae o art. 35 do mencionado diploma legal. Entretanto, não há como se conhecer do recurso, por estar provada, nos autos, a perempção. ' Meu voto é assim neste sentido pelo não conhecimento. Sala das Sessaes, em 16 de fevereiro de 1993. / 6 et 'MA (teite OdO " jil floh, MARIA THEREZA COM t LOS DF' ALMEIDA . 4

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11396407 #
Numero do processo: 10880.736788/2017-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 22 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
Numero da decisão: 2002-010.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, dar provimento. Assinado Digitalmente André Barros de Moura – Relator Assinado Digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: ANDRE BARROS DE MOURA

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DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, dar provimento. Assinado Digitalmente André Barros de Moura – Relator Assinado Digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente Fl. 70DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.272 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.736788/2017-38 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de impugnação apresentada pelo interessado contra lançamento de ofício formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 04/08, (numeração e-processo), que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA) relativa ao exercício 2013, ano-calendário 2012, de imposto a restituir de R$ 3.445,08 para imposto suplementar de R$ 12.505,84. O lançamento decorreu de procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual apresentada, em que foi apurada a seguinte infração: - Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/sem vínculo Empregatício, no valor de R$ 58.003,34. Cientificado do lançamento em 22/11/2017 (AR à fl. 25), o interessado apresentou impugnação em 28/11/2017 (fl. 03). Em síntese, afirma que os rendimentos apontados como omitidos são isentos em função de moléstia grave. A 11ª Turma da DRJ/RJO por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação em acórdão dispensado de ementa. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/02/2020, fls. 39, o sujeito passivo interpôs, em 28/02/2020, Recurso Voluntário, alegando que o valor contestado é isento por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e suas respectivas complementações recebidos por portadora de moléstia grave, conforme documentos que junta novamente com seu recurso. É o relatório VOTO Conselheiro André Barros de Moura, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 71DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.272 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.736788/2017-38 3 Assim, versa o presente processo sobre Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado para o exercício de 2013. Quanto à isenção dos rendimentos sob escrutínio, destaque-se a súmula CARF nº 63, de observância obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Portanto, para reconhecimento da isenção pleiteada, é necessária a comprovação da existência de duas condições concomitantes: (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e (ii) (ii) que o contribuinte seja portador de uma das patologias previstas pela legislação de regência atestado em laudo médico oficial que cumpra os requisitos legais. Na decisão de piso restou consignado: Pois bem, da análise dos documentos juntados pelo impugnante, não obstante o interessado ter comprovado ser portador de moléstia grave, desde junho de 2002, através do laudo médico, de fl. 09, emitido por Faculdade de Saúde Pública, emitido em 24/04/2017; não consta dos autos a prova de que os rendimentos percebidos pelo contribuinte correspondem a proventos de aposentadoria, reforma, pensão ou ainda recebidos a título de complementação. Convém registrar que na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf, do ano-calendário de 2012, a seguir colada, a fonte pagadora informou o pagamento de rendimentos do trabalho assalariado ao interessado. Assim, não se questiona a existência da moléstia, mas sim a prova de que o rendimento declarado como isento se tratava de rendimento oriundo de aposentadoria, reforma ou pensão. Junto a seu recurso o recorrente apresentou cópia do Ato de concessão de sua aposentadoria, fls. 45 e o Informe de Rendimentos da São Paulo Previdência, fonte pagadora dos rendimentos em discussão, fls. 47, documentos que comprovam que os rendimentos tidos como omitidos são oriundos de aposentadoria e, portanto, isentos. Assim, caso é de cancelamento do lançamento. CONCLUSÃO Fl. 72DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.272 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.736788/2017-38 4 Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar provimento. Assinado Digitalmente André Barros de Moura Fl. 73DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11400941 #
Numero do processo: 11060.722464/2017-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE. ILEGITIMIDADE PARA QUESTIONAMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº. 172. A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 101. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. PARECER NORMATIVO COSIT /RFB Nº. 04/2018. SÚMULA CARF Nº. 210. O grupo econômico irregular decorre da unidade de direção e de operação das atividades empresariais de mais de uma pessoa jurídica, o que demonstra a artificialidade da separação jurídica de personalidade; esse grupo irregular realiza indiretamente o fato gerador dos respectivos tributos e, portanto, seus integrantes possuem interesse comum para serem responsabilizados. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 108. Incidem juros moratórios sobre o valor correspondente à multa de ofício, conforme previsão da Súmula nº 108 do CARF. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO AO PERCENTUAL DE 100%. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. Restando comprovada a ocorrência de dolo por parte do contribuinte, cabível a aplicação da multa de ofício qualificada. Contudo, em função da alteração legislativa trazida pelo Art. 14 da Lei 14.689/2023, o percentual desta multa deve ser reduzido ao montante de 100% do crédito tributário apurado.
Numero da decisão: 2101-003.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias relacionadas a coobrigada NJS Telecom Ltda.; na parte conhecida, rejeitar a preliminar e dar-lhe parcial provimento para reduzir a multa qualificada ao percentual de 100%. Assinado Digitalmente Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior – Relator Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Hermes Soares Campos (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Debora Fofano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente)
Nome do relator: SILVIO LUCIO DE OLIVEIRA JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE. ILEGITIMIDADE PARA QUESTIONAMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº. 172. A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 101. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. PARECER NORMATIVO COSIT /RFB Nº. 04/2018. SÚMULA CARF Nº. 210. O grupo econômico irregular decorre da unidade de direção e de operação das atividades empresariais de mais de uma pessoa jurídica, o que demonstra a artificialidade da separação jurídica de personalidade; esse grupo irregular realiza indiretamente o fato gerador dos respectivos tributos e, portanto, seus integrantes possuem interesse comum para serem responsabilizados. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 108. Incidem juros moratórios sobre o valor correspondente à multa de ofício, conforme previsão da Súmula nº 108 do CARF. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO AO PERCENTUAL DE 100%. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. Restando comprovada a ocorrência de dolo por parte do contribuinte, cabível a aplicação da multa de ofício qualificada. Contudo, em função da alteração legislativa trazida pelo Art. 14 da Lei 14.689/2023, o percentual desta multa deve ser reduzido ao montante de 100% do crédito tributário apurado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias relacionadas a coobrigada NJS Telecom Ltda.; na parte conhecida, rejeitar a preliminar e dar-lhe parcial provimento para reduzir a multa qualificada ao percentual de 100%. Assinado Digitalmente Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior – Relator Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Hermes Soares Campos (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Debora Fofano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente)

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-06-26T08:41:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-06-26T08:41:37Z; Last-Modified: 2026-06-26T08:41:37Z; dcterms:modified: 2026-06-26T08:41:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-06-26T08:41:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-06-26T08:41:37Z; meta:save-date: 2026-06-26T08:41:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-06-26T08:41:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-06-26T08:41:37Z; created: 2026-06-26T08:41:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2026-06-26T08:41:37Z; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-06-26T08:41:37Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11060.722464/2017-39 ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 13 de maio de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE GAZETA DO SUL S/A - EM RECUPERACAO JUDICIAL E OUTRO INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE. ILEGITIMIDADE PARA QUESTIONAMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº. 172. A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 101. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. PARECER NORMATIVO COSIT /RFB Nº. 04/2018. SÚMULA CARF Nº. 210. O grupo econômico irregular decorre da unidade de direção e de operação das atividades empresariais de mais de uma pessoa jurídica, o que demonstra a artificialidade da separação jurídica de personalidade; esse grupo irregular realiza indiretamente o fato gerador dos respectivos tributos e, portanto, seus integrantes possuem interesse comum para serem responsabilizados. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 108. Fl. 498DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 2 Incidem juros moratórios sobre o valor correspondente à multa de ofício, conforme previsão da Súmula nº 108 do CARF. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO AO PERCENTUAL DE 100%. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. Restando comprovada a ocorrência de dolo por parte do contribuinte, cabível a aplicação da multa de ofício qualificada. Contudo, em função da alteração legislativa trazida pelo Art. 14 da Lei 14.689/2023, o percentual desta multa deve ser reduzido ao montante de 100% do crédito tributário apurado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias relacionadas a coobrigada NJS Telecom Ltda.; na parte conhecida, rejeitar a preliminar e dar-lhe parcial provimento para reduzir a multa qualificada ao percentual de 100%. Assinado Digitalmente Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior – Relator Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Hermes Soares Campos (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Debora Fofano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por GAZETA DO SUL S/A - EM RECUPERACAO JUDICIAL e ANDRÉ LUIZ JUNGBLUT contra o Acórdão nº 02-81.341, da 8ª Turma da Fl. 499DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 3 Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte(MG) – DRJ/BHE (e.fls. 440/457), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. A autuação é referente a Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados não declarados em GFIP, nas competências 01/2012 a 12/2014, no valor total consolidado de R$ 911.496,18. Consoante o Relatório Fiscal (e-fls. 21/34), lavrado pela autoridade fiscal lançadora, parte integrante do Auto de Infração (e.fls. 02/18), as contribuições lançadas decorrem do fato que a fiscalização identificou a existência de grupo econômico de fato envolvendo a empresa autuada e a empresa NJS TELECOM LTDA, optante pelo Simples Nacional. A fiscalização consignou, ainda, que a análise dos elementos colhidos durante o procedimento fiscal indicou forte integração operacional entre as empresas envolvidas, bem como desproporção entre a massa salarial e a receita bruta declarada pela NJS TELECOM LTDA, circunstâncias que, aliadas à condição de optante pelo Simples Nacional, evidenciariam a utilização dessa pessoa jurídica como instrumento para redução indevida da carga tributária do grupo. Nesse contexto, a autoridade fiscal concluiu que teria ocorrido dissimulação da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, por meio da criação de arranjo jurídico destinado a deslocar formalmente vínculos empregatícios para a empresa optante pelo regime simplificado, embora os serviços fossem prestados no interesse do conjunto empresarial. Assim, entendeu-se que as remunerações pagas aos empregados formalmente vinculados à NJS TELECOM LTDA deveriam ser atribuídas ao grupo econômico de fato identificado pela fiscalização. Com base nessa premissa, as remunerações desses trabalhadores foram consideradas, para fins de incidência das contribuições previdenciárias, como pertencentes à GAZETA DO SUL S/A, procedendo-se ao lançamento das diferenças correspondentes no âmbito da autuação. Diante das irregularidades constatadas, especialmente a utilização reiterada de estrutura societária simulada com o objetivo de reduzir a carga tributária, foi constituído o crédito tributário correspondente, com aplicação de multa de ofício qualificada no percentual de 150%, além do reconhecimento da responsabilidade solidária de NJS TELECOM LTDA e das pessoas físicas/sócios SYDNEY DE OLIVEIRA, LAUDELINO FERREIRA CADIMA e ANDRE LUIS JUNGBLUT. Conforme consta do relatório fiscal, o valores recolhidos à Previdência Social através do SIMPLES NACIONAL pela NJS foram deduzidos dos valores levantados pela fiscalização na autuação. Os principais elementos e conclusões da autoridade fiscal lançadora encontram-se sintetizados no Relatório da decisão recorrida nos seguintes termos: Fl. 500DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 4 FATOS IDENTIFICADOS QUE CARACTERIZAM A FORMAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO 1) A empresa NJS Telecom LTDA, iniciou suas atividades em 13/12/2010, com os sócios NÉVIO JAIR STEFAINSKI e SYDNEY DE OLIVEIRA, identificados acima. Entretanto, tais sócios, concomitantemente com as atividades desta sociedade, desempenharam atividades na empresa Gazeta do Sul S/A, como empregados desta. O sócio SYDNEY DE OLIVEIRA que no período fiscalizado exercia a atividade de Gerente Administrativo (CBO 142105) na Gazeta do Sul S/A, hoje, nesta, desempenha a atividade de Diretor Administrativo Financeiro (CBO 1231). O sócio NÉVIO JAIR STEFAINSKI, no período fiscalizado desempenhou na Gazeta do Sul a atividade de Auxiliar de Contabilidade (CBO413110), até a data de 10/06/2013, quando saiu desta empresa, e deixou a sociedade da NJS Telecom LTDA nesta mesma época, em 18/04/2013, quando passou a totalidade de suas ações para LAUDELINO FERREIRA CADIMA, acima identificado, este, além de sua participação nesta sociedade, é também empregado da Gazeta do Sul S/A, onde durante o período fiscalizado e nos dias atuais desempenha atividade ligada à Gerência Comercial (CBO 142305). 2) A empresa Gazeta do Sul S/A tem sua sede na Rua Ramiro Barcelos nº 1206, Santa Cruz do Sul/RS, e a NJS Telecom LTDA tem como endereço de sua sede atual na mesma rua no nº 1224, os dois endereços ficam lado a lado sem nenhuma divisão por muro ou outros. Ocorre que a NJS, em seu Contrato Social, na ocasião de sua constituição, teve como endereço a Rua Ramiro Barcelos nº 1206 – sala 9, Santa Cruz do Sul/RS, e em sua 1ª Alteração Contratual em 06/12/2011, houve a alteração do endereço para Rua Ramiro Barcelos nº 1224, na mesma cidade. Mesmo após a alteração de endereço, a empresa NJS continuou usando o endereço anterior em seus documentos, Notas Fiscais de prestação de serviços e NFs de entradas, cópias em anexo, e, ao mesmo tempo, utiliza, também, nas NFs de entradas e Contratos de Mútuo, o endereço com o nº 1224. Esse fato demonstra que a empresa NJS não tem um endereço definido, tanto faz um como o outro, isto ocorreu em todo o período fiscalizado, como demonstram os documentos anexos. 3) A NJS e a Gazeta do Sul não são proprietárias dos imóveis que ocupam. Estes foram alugados (os dois) em nome da empresa Gazeta do Sul e a NJS não apresentou, ao ser intimada, nenhum contrato de locação/sublocação de imóvel, bem como não há registros em sua contabilidade de nenhum pagamento de aluguel. 4) Constatou-se que as despesas de água, luz, telefone dos dois endereços (nº 1206 e nº1224) são pagas e contabilizadas pela empresa Gazeta do Sul. 5) Verificou-se a existência de unicidade administrativa entre as empresas Gazeta do Sul S/A e NJS Telecom LTDA., que fica definida no caso do formulário de ORDEM DE COMPRA utilizado por ambas (cópias anexadas ao Relatório Fiscal), este formulário é o mesmo para as duas empresas, o formulário traz impresso o Fl. 501DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 5 nome das empresas, com campo definido para que seja marcada a empresa a que se refere o pedido de compras solicitado. Cabe salientar que, neste formulário, a NJS consta com o endereço da Rua Ramiro Barcelos nº 1206. Outra prática entre as duas empresas, que reforça a estreita relação administrativa, a exemplo do citado formulário, é que ambas possuem e fazem parte do mesmo convênio com a Uniodonto, que é feito em nome da Gazeta, e a NJS a reembolsa após, como demonstram as amostras das planilhas em anexo. 6) A empresa NJS iniciou suas atividades em 13/12/2010 e foi optante pelo SIMPLES NACIONAL no período de 23/12/2010 a 31/12/2015. 7) A empresa NJS apresenta as seguintes relações Massa Salarial/Receita Bruta/ Número de Empregados (média), nos anos-calendário de 2012, 2013 e 2014: (...) Constata-se que a empresa NJS, em todo o período fiscalizado, possui uma Massa Salarial média que corresponde a 66,24% de sua Receita Bruta média, com uma média de 58 empregados. Destaca-se que no ano calendário de 2013 a Massa Salarial consumiu 73,09% de sua Receita Bruta. Em uma pesquisa feita entre todas as empresas do Brasil que tem o mesmo CNAE Preponderante da NJS - (6110803) e que também são optantes pelo SIMPLES NACIONAL, tomando como base o ano de 2014, verificou-se que a relação Massa Salarial/Receita Bruta média entre elas é de 34,24%, enquanto que a NJS tem essa relação em no ano calendário pesquisado, e mais, colocando todas estas empresas em ordem decrescente de percentual desta relação, a NJS ocupa a 11ª posição de um total de 817 empresas. CONCLUSÃO FISCAL Todos os fatos acima, analisados conjuntamente, levaram a Fiscalização a concluir pela existência de uma administração única e comum às duas empresas configurando assim grupo econômico de fato. A comprovação da formação de grupo econômico de fato, o elevado percentual de massa salarial x receita bruta da NJS e o fato desta ser optante pelo Simples Nacional levaram a constatação da dissimulação da ocorrência do fato gerador das Contribuições Previdenciárias. A empresa NJS TELECOM LTDA, como optante pelo SIMPLES NACIONAL, fez parte de uma composição que levou o grupo a obter indevidamente vantagem tributária através de criação de uma situação jurídica que dissimulou o fato gerador das Contribuições Previdenciárias do grupo. As remunerações dos empregados da NJS TELECOM LTDA, foram consideradas como do Grupo Econômico de fato e lançadas na empresa GAZETA DO SUL S/A. Foram lançadas apenas as contribuições da empresa (no presente processo nº 11060.722464/2017-39) e para os terceiros (no processo nº 11060-722.465/2017- 83), pois os valores de contribuição dos segurados foram recolhidos à Previdência Social através do SIMPLES NACIONAL pela NJS. Fl. 502DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 6 Pelo fato da empresa Gazeta do Sul S/A, a partir de janeiro de 2014, ter passado ao regime de desoneração da folha (CPRB), para este exercício foi levantado somente os valores referentes ao SAT/RAT. A multa de ofício foi qualificada em decorrência da prática de conduta tipificada como sonegação fiscal, simulação e conluio, bem como foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais. Inconformada com o lançamento, a contribuinte e coobrigados apresentaram impugnações tempestivas. A seguir os fundamentos das impugnações, como bem lançado pela decisão de piso: IMPUGNAÇÕES A autuada Gazeta do Sul S/A e todos os responsáveis solidários foram cientificados pessoalmente dos autos de infração em 19/09/2017 (fls. 371/380). Em 11/10/2017, a autuada Gazeta do Sul e o sócio André Luiz Jungblut apresentaram conjuntamente a impugnação de fls. 391/404. Em 13/10/2017, a empresa NJS Telecom Ltda. e os sócios Sydney de Oliveira e Laudelino Ferreira Cadima apresentaram conjuntamente a impugnação de fls. 415/429. As impugnações apresentam os mesmos argumentos que, em síntese, são discriminados a seguir: Afirma que a Fiscalização desqualificou a personalidade jurídica da empresa NJS Telecom Ltda. com base nos fatos de que os seus sócios prestaram serviços a Gazeta do Sul S/A, as empresas desenvolverem atividades em endereços próximos, contratos comuns de prestadores de serviços odontológicos, a NJS ser optante pelo Simples Nacional e ter um custo elevado de folha de pagamento. Alega que as justificativas arroladas pela Fiscalização são insuficientes para caracterizar uma única atividade econômica, formalmente exercida por duas empresas. Diz que a partir dessas falsas premissas, a Fiscalização desconsiderou a opção pelo Simples Nacional da NJS e tributou sua folha de pagamento na empresa Gazeta do Sul S/A. DECADÊNCIA Inicialmente requer o afastamento das contribuições exigidas até setembro de 2012, em função da decadência, pois o CTN prevê o prazo de 5 anos para cobrança de tributos. FALSA PREMISSA DO FISCO Aduz que as empresas não fazem parte de um grupo econômico, pois exercem atividades distintas. A NJS sempre desenvolveu a atividade de comunicação multimídia (internet), a qual não é realizada pela Gazeta do Sul, que explora atividades relativas a jornais e outras. Fl. 503DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 7 Assevera que na legislação do Simples Nacional não existe qualquer fundamento que "... justifique o que o lançamento definiu como existência de Grupo Econômico, bem como em relação a regras concernentes à desconsideração da personalidade jurídica...". Acrescenta que "... não há qualquer restrição de empresas compartilharem plataformas, espaços, sem que isto represente a conclusão aqui combatida." Alega que "... não há qualquer alusão à confusão de negócios entre as empresas, os sócios são diversos e a NJS não foi montada para prestar a mesma atividade da Gazeta, sendo inteiramente falsa a premissa que serviu de mote para delinear o deliberado propósito da desconsideração da personalidade jurídica." ABUSO NA ACUSAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO E DESQUALIFICAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA SEM EMBASAMENTO LEGAL Diz que não foi indicado o fundamento legal para a desqualificação da personalidade jurídica da NJS. Afirma que a desqualificação de personalidade jurídica é medida extrema, só autorizada em situações especialíssimas, como abuso por desvio de finalidade ou confusão patrimonial, ainda assim, mediante deliberação do Poder Judiciário. Alega que nenhuma dessas situações foi arrolada e comprovada pela fiscalização, tampouco têm pertinência com os fatos ali narrados. Aduz que a omissão da fundamentação legal para desconsideração da personalidade jurídica da NJS representa cerceamento de defesa, que leva à nulidade da autuação. ALEGAÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS, COM DIFERENTES SÓCIOS E DISTINTAS ATIVIDADES Afirma que a Gazeta vem exercendo atividades de edição de jornais e revistas por décadas e que "... sempre motivou iniciativas da comunidade em que atua bem como de seus colaboradores. Este é o contexto da NJS, iniciativa que foi de seus prestadores de serviços, mas investimento daqueles." Assevera que vigora no Brasil o princípio da liberdade de associação e da livre iniciativa. Acrescenta que "... dentro desse espírito de motivar iniciativas é que se estimulou que tradicionais colaboradores da Gazeta pudessem empreender, todavia, assumindo estes os riscos e eventuais benefícios do novo negócio. Isso foi atestado pela fiscalização, e os atos societários comprovam que os sócios da NJS não são acionistas da GAZETA, o que já demonstra diferentes interesses no exercício de distintas atividades econômicas, sem qualquer outra afinidade." Alega que são "... duas pessoas jurídicas distintas, compostas por diferentes sócios, com patrimônios individualizados, que exercem diferentes atividades econômicas em distintos espaços." Fl. 504DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 8 ALEGAÇÃO DE QUE A NJS UTILIZA ESTRUTURA FÍSICA DISTINTA DA GAZETA Diz que "... a NJS, inicialmente, utilizou escritórios cedidos pela Gazeta e posteriormente em prédio distinto. Em ambas as situações houve separação física absoluta." Afirma que "... o parque gráfico da Gazeta e as instalações da NJS sempre ocuparam espaços físicos distintos, até pela natureza de cada uma das operações, que pode se presumir pela atividade diversa e incompatível de ambas as empresas." Alega que a legislação tem remédio para solução do suposto defeito apontado pela Fiscalização, relacionado às despesas não corretamente apropriadas. Acrescenta ser um absurdo a comparação de uma empresa recém-criada como era a NJS e as gigantes do setor, no tocante ao suposto elevado custo da folha de pagamento da NJS. Aduz que o "... Relatório não reúne condições para justificar a extremada medida de apontar Grupo Econômico e nítida desconsideração da personalidade jurídica." ALEGAÇÃO DE QUE AS CONSEQUÊNCIAS TRIBUTÁRIAS PARA OS FATOS NARRADOS, PREVISTAS EM LEI, NÃO PODEM SER SUBSTITUÍDAS PELA DESCONSIDERAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA Afirma que, ao invés de desqualificar a personalidade jurídica da NJS, a regra prevista no art. 299 do RIR/99 determina que se deveria efetuar a glosa dos custos e despesas tidos pela legislação tributária como indedutíveis, porque reconhecidos como "não necessários". NÃO EXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO A ADESÃO DA NJS AO SIMPLES NACIONAL Diz que nenhuma das condutas apontadas no Relatório constitui vedação à adesão da NJS ao Simples Nacional. Acrescenta que o lançamento "criou" outras vedações não previstas na legislação. MULTA AGRAVADA Alega que não foram comprovados a sonegação, conluio ou fraude, necessários para o enquadramento à legislação de regência na determinação da multa em dobro. Afirma que não há sonegação ou fraude, pois "... os Impugnantes nunca agiram de má-fé. Jamais adulteraram documentos fiscais ou impediram que o Fisco conhecesse a operação e a escrituração contábil da Gazeta ou ainda tentaram modificar características de um fato gerador. A contabilidade da Gazeta reflete a realidade." Assevera que as operações das empresas são distintas, portanto não há conluio com a NJS. Fl. 505DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 9 Diz que o relatório não especifica qual irregularidade contábil ou fiscal foi cometida e que a presença do dolo e a intenção são fundamentais para que possa haver a imputação do crime e aplicação de multa qualificada. Ressalta que a defesa não pode "... fazer prova negativa, o ônus da prova é integralmente do agente fiscal, que no presente caso não conseguiu reunir provas que embasem e justifiquem o lançamento com o arbitramento da multa." Acrescenta que "... encontra-se para ser julgado pelo STF, com repercussão geral conhecida, o RE 736.090 que trata da incidência da multa de 150 % frente a vedação do efeito confiscatório." SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO Afirma que a Selic não pode incidir sobre a multa de ofício, pois "... enquanto a acusação estiver pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, não há que se falar em acréscimos moratórios sobre a referida multa, que ao menos é exigível no decorrer da discussão administrativa. Isto porque a multa de oficio somente será devida a partir da decisão definitiva, que trará a certeza da infração sobre a qual deverá recair a penalidade prevista na legislação." Aduz que "... o art. 9°, inciso II, 61 da Lei n° 6.537/73 deve ser interpretado restritivamente, por força do disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional." Apresenta jurisprudência do CARF que entende lhe ser favorável. Por fim, requer que seja julgado totalmente improcedente o presente auto de infração. Submetida a julgamento, decidiu a 8ª Turma da DRJ/Belo Horizonte pela improcedência das impugnações, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 NULIDADE Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição da legislação e dos fatos suficientes para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de defesa. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE E SIMULAÇÃO. No âmbito da decadência, havendo a constatação da simulação e da fraude, o marco inicial de sua contagem rege-se pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia haver o lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. Fl. 506DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 10 A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, configurando-se estes pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns em que uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas exercem, de modo inequívoco, o controle, direção e administração das empresas. MULTAS E JUROS. As multas e juros exigidos na constituição do crédito tributário por meio do lançamento fiscal de ofício decorrem de expressa disposição legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificadas da decisão proferida, a contribuinte e o sócio responsável solidário ANDRE LUIZ JUNGBLUT apresentaram Recurso Voluntário em conjunto, onde reiteram todos os argumentos de defesa constantes da respectiva peça impugnatória, conforme argumentos a seguir sintetizados: Em sede de preliminar reitera a prejudicial de decadência para que sejam afastadas as contribuições exigidas até setembro de 2012. No mérito aduz que (i) o fisco partiu de premissa equivocada para fundamentar desconsideração da personalidade jurídica para atingir NJS e sócios, uma vez que não teriam sido atendidos os requisitos para tanto; (ii) a caracterização do grupo econômico realizada pela fiscalização se confunde com a desconsideração da personalidade jurídica e que tal medida é extrema e não observou os preceitos legais (art. 50 do Código Civil e art. 10, IV do Decreto 70.235/1972; (iii) não há vinculação entre os sócios das empresa autuada Gazeta do Sul S/A e a coobrigada NJS a dar ensejo ao reconhecimento de grupo econômico de fato; (iv) a NJS sempre ocupou espaço diverso da Gazeta do Sul de modo que não se caracteriza o grupo econômico; (v) não poderia haver o reconhecimento de grupo econômico sem a devida instauração da desconsideração da personalidade jurídica das empresas; (vi) que a vedação a adoção ao simples nacional possui balizas previstas no art. 17 da LC 123 e que a fiscalização teria invocado regras não previstas em lei; (vii) a multa aplicada no patamar de 150% não pode ser aplicada por não estarem preenchidos os requisitos previstos nos art. 71 a 73 da lei 4.502/64 (viii) encontra-se para ser julgado pelo STF com repercussão geral o RE 736.090 que trata da incidência da multa de 150% frente a vedação de efeito confiscatório; (ix) não poderia ser cobrado juros remuneratórios (Selic) sobre a multa de ofício. Ao final, requer o provimento integral do recurso para que seja julgado improcedente o Auto de Infração. Fl. 507DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 11 A Representação Fiscal para Fins Penais (11060.722522/2017-24) está apensada aos presentes autos. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheiro Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior, Relator. 1. Admissibilidade A devedora principal e responsáveis solidárias foram devidamente cientificadas da decisão de 1ª instância e fora apresentado Recurso Voluntário somente por Gazeta do Sul S/A e André Luis Jungblut, conforme quadro resumo a seguir: Contribuinte / Solidária Data recebimento do acórdão da DRJ Data de protocolo do Recurso Voluntário Situação Gazeta do Sul S/A 25/05/2018 (via DTE - e.fl. 465) 14/06/2018 (Termo de Solicitação de Juntada –e.fl. 470) tempestivo NJS Telecom Ltda. 16/05/2018 (via AR - e.fl. 466) Não Protocolado - Sydney de Oliveira 16/05/2018 (via AR - e.fl. 467) Não Protocolado - Laudelino Ferreira Cadima 16/05/2018 (Via AR - e.fl. 468) Não protocolado - Andre Luis Jungblut 16/05/2018 (Via AR - e-fl. 469 14/06/2018 (Termo de Solicitação de Juntada –e.fl. 470) tempestivo Conforme se verifica dos autos, os coobrigados NJS Telecom Ltda., Sydney de Oliveira e Laudelino Ferreira Cadima não apresentaram recurso, atraindo a preclusão com relação a eles no que se refere ao julgamento do acórdão pela DRJ. Com relação ao recurso conjunto de Gazeta do Sul S/A e Andre Luis Jungblut, o recurso voluntário encontra-se tempestivo e preenche parcialmente os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, portanto deve ser parcialmente conhecido. Fl. 508DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 12 Isto porque não se pode conhecer dos argumentos relacionados a empresa coobrigada NJS Telecom Ltda apresentados pelos recorrentes em seu recurso, uma vez que não poderia ser pleiteado pelos recorrentes e sim pela própria responsável solidária. Nesse sentido necessário aplicar o entendimento sumulado pelo CARF, de aplicação obrigatória e vinculante. Súmula CARF nº 172: A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. Portanto, conheço parcialmente do recurso, não conhecendo dos argumentos relacionados a estrutura distinta e vedação a adoção ao Simples Nacional pela NJS Telecom Ltda. 2. Preliminar: Decadência A Recorrente sustenta a necessidade de exclusão das contribuições lançadas relativas a período superior a cinco anos, sob o argumento de ocorrência de decadência. Afirma que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 559.882, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que previam prazo decadencial de dez anos para constituição de créditos previdenciários, reconhecendo que a disciplina de prescrição e decadência em matéria tributária é reservada à lei complementar, nos termos do art. 146, III, “b”, da Constituição Federal. Assim, sustenta que deve prevalecer o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. A recorrente também refuta a conclusão da decisão de primeira instância quanto à existência de dolo, fraude ou simulação. Argumenta que toda a sua escrituração contábil sempre esteve regularmente mantida e disponível à fiscalização, inexistindo qualquer tentativa de ocultação de informações ou manipulação de registros contábeis. Segundo alega, a própria transparência de suas operações e o recolhimento regular de tributos demonstrariam a ausência de conduta dolosa ou fraudulenta. Com base nesses fundamentos, a Recorrente requer o reconhecimento da decadência das contribuições relativas aos períodos anteriores a setembro de 2012, com a consequente exclusão desses valores do lançamento. Com efeito, sustenta a recorrente que seria aplicável ao caso o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, segundo o qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário seria contado a partir da ocorrência do fato gerador. Todavia, tal regra somente se aplica nas hipóteses em que há pagamento antecipado do tributo pelo contribuinte e inexistem indícios de dolo, fraude ou simulação. No caso dos autos, contudo, a fiscalização constatou a existência de estrutura societária utilizada para dissimular a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, Fl. 509DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 13 mediante a utilização da empresa NJS Telecom Ltda, optante pelo Simples Nacional, no âmbito de um grupo econômico de fato formado com a empresa Gazeta do Sul S/A. Conforme descrito no relatório fiscal, verificou-se elevado percentual entre massa salarial e receita bruta da NJS, além de outros elementos que evidenciaram a utilização dessa empresa como forma de deslocar artificialmente a contratação de mão de obra, reduzindo indevidamente a carga tributária incidente sobre as contribuições previdenciárias. Tal circunstância caracterizou a ocorrência de fraude ou simulação, consistente na criação de situação jurídica destinada a dissimular o verdadeiro sujeito passivo das contribuições previdenciárias, fazendo constar como empregadora a empresa optante pelo Simples Nacional, quando, na realidade, as relações de trabalho integravam a estrutura operacional da Gazeta do Sul S/A. Nessas hipóteses, a jurisprudência e a própria sistemática do Código Tributário Nacional são firmes no sentido de que não se aplica a regra do art. 150, § 4º, mas sim o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN, segundo o qual o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nesse sentido, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 101: Súmula CARF nº 101 Aprovada pelo Pleno em 08/12/2014 Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, considerando que o Auto de Infração foi lavrado em 19/09/2017, o prazo decadencial, nos termos do art. 173, I, do CTN, somente se encerraria em 31/12/2017 em relação às competências anteriores, motivo pelo qual não se encontravam alcançadas pela decadência as contribuições relativas às competências até 09/2012. Dessa forma, correta a aplicação da regra decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN, razão pela qual rejeita-se a preliminar de decadência suscitada pela recorrente. 3. Mérito No mérito, os recorrentes sustentam que o lançamento fiscal teria sido construído a partir de premissa equivocada, consistente na suposta existência de grupo econômico entre a empresa Gazeta do Sul S/A e a empresa NJS Telecom Ltda. Argumentam que tal conclusão não corresponde à realidade dos fatos, pois ambas as empresas exercem atividades econômicas distintas. Enquanto a Gazeta atua no ramo editorial, voltado à edição de jornais e revistas, a NJS desenvolve atividades ligadas à comunicação Fl. 510DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 14 multimídia e tecnologia da informação, possuindo estrutura técnica própria e quadro de profissionais especializados. Assim, defendem que a simples existência de relações comerciais ou parcerias entre as empresas não seria suficiente para caracterizar grupo econômico ou justificar a responsabilização tributária atribuída pela fiscalização. A recorrente também afirma que a autuação teria se baseado, de forma indevida, na desconsideração da personalidade jurídica da NJS, sem a indicação de fundamento legal que autorizasse tal medida. Sustenta que a desconsideração da personalidade jurídica constitui providência excepcional, prevista no art. 50 do Código Civil, aplicável apenas em hipóteses de abuso de direito, desvio de finalidade ou confusão patrimonial, circunstâncias que não teriam sido demonstradas pela fiscalização. Ademais, alega que o procedimento fiscal deixou de indicar o dispositivo legal supostamente infringido que autorizaria a adoção dessa medida, o que configuraria vício no lançamento e cerceamento do direito de defesa. Argumenta, ainda, que a fiscalização não demonstrou de forma concreta qualquer subordinação dos empregados da NJS à Gazeta do Sul, limitando-se a inferências baseadas na estrutura operacional e no número de empregados da empresa. A defesa ressalta também que as empresas possuem personalidades jurídicas autônomas, com sócios distintos, patrimônios próprios e atividades econômicas diversas. Destaca que a constituição da NJS decorreu de iniciativa empresarial independente de antigos colaboradores da Gazeta, que passaram a desenvolver novo empreendimento assumindo os riscos do negócio. Nesse contexto, afirma que a existência de relações comerciais ou cooperação entre empresas não configura irregularidade, sendo expressão legítima da liberdade de iniciativa e da liberdade de organização empresarial asseguradas pela Constituição Federal. Os recorrentes argumentam igualmente que a NJS sempre manteve estrutura física própria, ainda que, em determinado período inicial, tenha utilizado espaços cedidos pela Gazeta. Afirmam que essa circunstância não implica confusão entre as empresas, destacando que as atividades exercidas são distintas e demandam estruturas operacionais diferentes. Contestam, ainda, outras conclusões da fiscalização, como suposta inadequação na apropriação de despesas ou o elevado custo da folha de pagamento da NJS, sustentando que tais elementos foram interpretados de forma equivocada. Por fim, a recorrente sustenta que, mesmo que se admitisse a existência das irregularidades apontadas pela fiscalização, as consequências tributárias aplicáveis seriam outras, previstas na legislação tributária, como eventual glosa de despesas consideradas indevidas. Segundo argumenta, tais hipóteses não autorizariam a desconsideração da personalidade jurídica Fl. 511DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 15 da empresa ou a imputação das obrigações tributárias diretamente à Gazeta do Sul, razão pela qual requer o reconhecimento da improcedência do lançamento. As alegações recursais de que o lançamento teria sido construído a partir de premissa equivocada, baseada em indevida caracterização de grupo econômico e suposta desconsideração da personalidade jurídica da empresa NJS Telecom Ltda., não merecem acolhimento. Inicialmente, cumpre esclarecer que a autuação não se fundamentou na aplicação do art. 50 do Código Civil, relativo à desconsideração da personalidade jurídica, tampouco na norma constante do parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional, como sustenta a recorrente. Na situação examinada, a autoridade fiscal identificou que a empresa Gazeta do Sul S/A figurava, na realidade, como verdadeiro sujeito passivo das contribuições previdenciárias, por ser a efetiva empregadora dos trabalhadores formalmente registrados na empresa NJS Telecom Ltda. A caracterização dessa condição não decorreu de mera presunção, mas da análise conjunta de diversos elementos apurados no curso da fiscalização. Entre esses elementos destacam-se a unicidade administrativa, evidenciada pelo fato de que os sócios da NJS eram empregados registrados da Gazeta do Sul e se retiravam do quadro societário quando encerravam o vínculo empregatício com esta; a confusão patrimonial, demonstrada pelo compartilhamento de estrutura física e pelo pagamento de despesas da NJS — tais como aluguel, água, energia elétrica e telefonia — diretamente pela Gazeta do Sul; bem como o elevado percentual da massa salarial em relação à receita bruta da NJS, significativamente superior ao observado em centenas de empresas do mesmo setor em âmbito nacional. Soma-se a isso a circunstância de que a NJS era optante pelo Simples Nacional, o que evidenciava vantagem tributária decorrente da transferência artificial da folha de pagamento para empresa submetida a regime tributário mais favorecido. Esses elementos, analisados em conjunto, demonstram a existência de grupo econômico de fato, caracterizando a relação direta da Gazeta do Sul com a situação que deu origem aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Importante ressaltar que tais circunstâncias não foram efetivamente infirmadas pela defesa, limitando-se a recorrente a apresentar argumentos formais sem afastar os fatos concretos apurados pela fiscalização. No que se refere à identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, a legislação previdenciária é clara ao estabelecer que o contribuinte das contribuições incidentes sobre a folha de pagamento é a empresa que assume os riscos da atividade econômica, admite, dirige e remunera os trabalhadores, nos termos do art. 15 da Lei nº 8.212/1991 e do art. 2º da Consolidação das Leis do Trabalho. Desse modo, o sujeito passivo das contribuições previdenciárias é aquele que efetivamente se beneficia da prestação laboral e dirige a atividade econômica na qual o trabalho é realizado. Fl. 512DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 16 Nesse contexto, para fins de incidência tributária, não prevalecem necessariamente as formas jurídicas adotadas pelas partes, mas sim a realidade material das relações econômicas. O art. 118 do Código Tributário Nacional estabelece expressamente que a definição do fato gerador independe da validade jurídica dos atos praticados, impondo à autoridade fiscal a análise da substância econômica das operações. Assim, diante da divergência entre a realidade fática constatada e a estrutura formal apresentada pelos contribuintes, impõe-se a aplicação do princípio da prevalência da substância sobre a forma, com o reconhecimento do verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. A atuação da autoridade fiscal encontra pleno respaldo nas competências atribuídas à Receita Federal do Brasil pelo art. 33 da Lei nº 8.212/1991 e pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, que conferem à administração tributária o dever de verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo e constituir o crédito tributário mediante lançamento. Nesse exercício, a fiscalização deve buscar a verdade material, não se limitando às formalidades adotadas pelos contribuintes quando estas não refletem a realidade dos fatos. Ademais, a legislação tributária autoriza expressamente a revisão de situações em que se verifique a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme previsto no art. 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional. Nessas hipóteses, cabe à autoridade fiscal desconsiderar os atos simulados e apurar o crédito tributário com base nos fatos efetivamente ocorridos. Tal providência não constitui aplicação da desconsideração da personalidade jurídica prevista no direito civil, mas sim exercício regular da competência fiscalizatória para identificar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. Cumpre destacar que o ordenamento jurídico assegura aos contribuintes ampla liberdade para organizar suas atividades empresariais da forma que lhes pareça mais conveniente. Todavia, essa liberdade encontra limites na legislação tributária e não pode ser utilizada como instrumento para dissimular fatos geradores ou deslocar artificialmente a incidência tributária. Uma vez evidenciada a utilização de estrutura formal que não corresponde à realidade econômica subjacente, compete à fiscalização requalificar os fatos e aplicar a legislação tributária conforme os elementos efetivamente constatados. Diante desse contexto, conclui-se que o lançamento não decorreu de indevida desconsideração da personalidade jurídica, mas sim da correta identificação do verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, à luz da realidade fática apurada no procedimento fiscal. Com relação a existência do grupo econômico de fato entendo que restou claramente demonstrado pela fiscalização e confirmado pela decisão de piso, conforme os trechos a seguir transcritos: Na situação em exame, o conjunto de elementos e evidências apontados pela fiscalização, não de forma isolada, mas dentro de um contexto abrangente, evidencia de forma consistente uma disposição empresarial atípica, concebida de Fl. 513DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 17 forma artificial, de modo a permitir à contratante beneficiar-se das prerrogativas de tributação que, de outra forma, não lhe seria possível usufruir. Dentre os elementos coletados pelo auditor fiscal destacam-se: a) Unicidade de administração, sócios da NJS sempre foram empregados registrados na empresa Gazeta do Sul no mesmo período em que eram sócios, e quando o sócio NÉVIO JAIR STEFAINSKI saiu da Gazeta do Sul, ato contínuo retirou-se também do quadro societário da NJS. b) A identidade de endereço, sem qualquer divisão ou distinção interna, comprovados pelo endereço constante nos documentos e notas fiscais juntados aos autos; c) As despesas de funcionamento ficavam ao encargo da Gazeta do Sul, inexistindo na contabilidade da NJS quaisquer registros de pagamento de aluguel, energia elétrica, água e telefone; assim o controle contábil e de recursos humanos das empresas envolvidas era feito pela Gazeta do Sul; d) O elevado percentual de massa salarial x receita quando comparado com várias outras empresas do mesmo ramo (mais de 800), associado ao fato da NJS ser optante pelo Simples Nacional. Os fatos e informações coletados pela Fiscalização a respeito do funcionamento à época das empresas envolvidas ensejam a conclusão de que a empresa NJS Telecom Ltda dependia patrimonial, financeira e administrativamente da empresa Gazeta do Sul, evidenciando uma situação fática divergente da situação jurídica. Tais constatações enfraquecem a assertiva defensória de que as empresas sob análise tinham vida própria e que são insuficientes os argumentos da Fiscalização para fundamentar o lançamento. A autoridade lançadora demonstrou que os empregados da NJS estavam, de fato, vinculados à Gazeta do Sul, pois esta é quem detinha o poder de direção de toda a atividade empresarial, traço característico da subordinação, um dos requisitos da relação de emprego. As diversas e consistentes evidências relatadas demonstram que os empregados formalmente vinculados à empresa NJS Telecom Ltda. possuem, de fato, vínculo como segurados empregados da autuada. Ou seja, os fatos acima mencionados não indicam outra realidade que não seja a de que a formalização dos contratos de trabalho em nome da empresa NJS foi um mero artifício utilizado para reduzir as contribuições previdenciárias devidas pela Gazeta do Sul. Diante do conjunto de evidências, não há como acolher a assertiva de defesa de que os fatos arrolados não são suficientes para embasar a conclusão fiscal. É verdade que cada um desses fatos se considerados de maneira isolada poderiam até ser justificados por questões circunstanciais. Contudo, considerados em Fl. 514DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 18 conjunto, formam um todo probatório inequívoco, ensejando a convicção a respeito da verdadeira situação fática ocorrida. Importante mencionar que tal tema não é estranho a este Conselho, que tem jurisprudência consolidada no sentido de aplicação direta da solidariedade com base no inc. IX, do art. 30 da Lei nº 8.212/1991, sem necessidade de comprovação de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, considerando a expressa previsão legal, que ampara a solidariedade descrita no lançamento, sendo, inclusive, aprovado o verbete sumular nº 210, que apresenta o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 210 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN. Nesse mesmo sentido os seguintes julgados da 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais: Acórdão 9202-011.139 Relator: Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti - ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS (...) GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA LEGAL. Verificada a existência de grupo econômico legalmente constituído, o conjunto de empresas que o integram responde solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, com base no art. 30, IX, da Lei n. 8.212, de 1991, não havendo necessidade de demonstração de interesse comum na realização do fato gerador. (...) Acórdão 9202-011.423 Relator: Conselheiro Mário Hermes Soares Campos- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS (...) GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DEFINIDA POR LEI ESPECIAL. As empresas que integram grupo econômico, de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previstas na legislação previdenciária, a teor do disposto no inc. IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 124, inc. II, Fl. 515DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 19 do CTN, sem necessidade de comprovação de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária. (...) Assim, não procedem as alegações recursais de falsa premissa, abuso na caracterização de grupo econômico ou ausência de fundamento legal para o lançamento, devendo ser mantida a conclusão da decisão recorrida. 4. Multa aplicada A Recorrente contesta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996, sustentando que a penalidade foi aplicada sem a comprovação de conduta dolosa caracterizadora de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. Argumenta que a autuação teria se baseado apenas em presunções e inferências da fiscalização, sem a apresentação de provas concretas de adulteração de documentos, ocultação de informações ou qualquer prática destinada a impedir ou dificultar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco. Alega que toda a escrituração contábil e fiscal da empresa sempre esteve à disposição da fiscalização, inexistindo qualquer tentativa de ocultação ou manipulação de dados. Sustenta, ainda, que a aplicação da multa agravada exige a demonstração inequívoca de dolo específico, não bastando a existência de indícios ou suspeitas, conforme entendimento já manifestado em precedentes do CARF e da jurisprudência dos tribunais federais. Com base nesses fundamentos, a recorrente afirma que não houve prática de sonegação, fraude ou conluio e que o lançamento não apontou irregularidades contábeis ou fiscais aptas a justificar a penalidade agravada, razão pela qual requer o afastamento da multa qualificada aplicada no auto de infração. A decisão de piso entendeu que a multa da forma qualificada estaria embasada na legislação e que as partes envolvidas teriam agido em ajuste doloso para reduzir a carga tributária, senão, vejamos: No presente caso, verifica-se que a multa de 150% foi aplicada em razão da prática, pela autuada, de fraude, conforme salientado no Relatório Fiscal. De plano é de se ressaltar que a multa aplicada está prevista em norma legal em plena vigência, razão pela qual resta prejudicada a questão posta pela defesa no tocante ao caráter confiscatório da multa em questão, a qual implicaria, necessariamente, o exame da constitucionalidade dos dispositivos legais que embasaram esse aspecto do lançamento, o que é defeso à autoridade julgadora, ressalvados, somente, os casos previstos no parágrafo 6.º do artigo 26-A do Decreto n.º 70.235/72, incluído pela Lei n.º 11.941/2009. . Nesse sentido, entendo que ficou comprovada a intenção de fraudar o Fisco mediante simulação e que a multa aplicada deve ser mantida. . Fl. 516DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 20 A recorrente sustenta ainda que a multa qualificada de 150% encontra-se submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário nº 736.090/SC, ao qual foi reconhecida repercussão geral. Vale acrescentar que o STF já apreciou o referido RE, tendo sido fixado o Tema 863/STF, conforme se verifica a seguir: Até que seja editada lei complementar federal sobre a matéria, a multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a 100% (cem por cento) do débito tributário, podendo ser de até 150% (cento e cinquenta por cento) do débito tributário caso se verifique a reincidência definida no art. 44, § 1º-A, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 14.689/23, observando-se, ainda, o disposto no § 1º-C do citado artigo. Ressalto que, com a alteração promovida pela Lei nº. 14.689/2023, no artigo 44 da Lei nº. 9.430/96, e a aplicação do princípio da retroatividade da norma mais benigna, a penalidade deve ser reduzida a 100% 5. Aplicação da Selic sobre a multa A recorrente sustenta a impropriedade da incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício eventualmente mantida após o julgamento administrativo. Argumenta que a penalidade possui natureza sancionatória e somente se tornaria exigível após decisão administrativa definitiva que reconheça a ocorrência da infração, razão pela qual não seria cabível a incidência de acréscimos moratórios enquanto a exigência estiver sendo discutida na esfera administrativa. Alega, ainda, que a aplicação da taxa Selic prevista na legislação teria sido concebida para remunerar o atraso no pagamento de tributos devidos, não se aplicando às penalidades pecuniárias. Assim, sustenta que os juros de mora deveriam incidir apenas sobre o valor do tributo principal, não alcançando a multa de ofício, cuja cobrança teria natureza distinta e não representaria receita ordinária esperada pela Fazenda Pública. Com base nesses fundamentos, a recorrente defende que a incidência de juros sobre a multa de ofício careceria de previsão legal expressa e violaria o princípio da legalidade tributária, razão pela qual requer o afastamento da aplicação da taxa Selic sobre a penalidade eventualmente mantida. Acerca da aplicabilidade da taxa SELIC sobre os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, tal questão já se encontra sumulada no âmbito deste CARF, conforme enunciado da súmula nº 108, vejamos: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Não merece amparo a alegação recursal na matéria. 6. Conclusão Fl. 517DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.787 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.722464/2017-39 21 Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias relacionadas a coobrigada NJS Telecom Ltda., na parte conhecida, rejeitar a preliminar de decadência e dar-lhe parcial provimento para reduzir a multa de ofício a 100%. Assinado Digitalmente Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior Fl. 518DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 19515.720157/2020-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Jun 25 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2012 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. APLICAÇÃO SOMENTE ÀS PARTES LITIGANTES. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela, objeto da decisão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias pode ser indeferido pelo órgão julgador quando desnecessárias para a solução da lide. Imprescindível a realização de diligência e/ou perícia somente quando necessária a produção de conhecimento técnico estranho à atuação do órgão julgador, não podendo servir para suprir omissão na produção de provas. ALEGAÇÕES NOVAS. NÃO CONHECIMENTO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRINCÍPIO DA NÃO SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. As alegações que não tenham sido levantadas à apreciação da autoridade julgadora de primeira instância administrativa não podem ser conhecidas por se tratar de matérias novas, de modo que o seu conhecimento violaria o princípio da não supressão de instância. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELAÇÃO DE DIREITO MATERIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA NÃO CONFIGURADA. A responsabilidade tributária solidária imputada pela autoridade fiscal lançadora não se trata de matéria de ordem pública passível de verificação de ofício pelo órgão julgador, devendo assim, ser contestada pelo interessado no início da fase litigiosa (impugnação), sob pena de preclusão. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2012 MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. Diante da existência de compensação indevida e de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor do débito indevidamente compensado, sem necessidade de imputação de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte.
Numero da decisão: 2201-012.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em relação à responsabilidade solidária, por preclusão, e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho (substituto integral), Thiago Alvares Feital e Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

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APLICAÇÃO SOMENTE ÀS PARTES LITIGANTES. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela, objeto da decisão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias pode ser indeferido pelo órgão julgador quando desnecessárias para a solução da lide. Imprescindível a realização de diligência e/ou perícia somente quando necessária a produção de conhecimento técnico estranho à atuação do órgão julgador, não podendo servir para suprir omissão na produção de provas. ALEGAÇÕES NOVAS. NÃO CONHECIMENTO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRINCÍPIO DA NÃO SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. As alegações que não tenham sido levantadas à apreciação da autoridade julgadora de primeira instância administrativa não podem ser conhecidas por se tratar de matérias novas, de modo que o seu conhecimento violaria o princípio da não supressão de instância. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELAÇÃO DE DIREITO MATERIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA NÃO CONFIGURADA. A responsabilidade tributária solidária imputada pela autoridade fiscal lançadora não se trata de matéria de ordem pública passível de verificação de ofício pelo órgão julgador, devendo assim, ser contestada pelo interessado no início da fase litigiosa (impugnação), sob pena de preclusão. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 1564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.787 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720157/2020-35 2 Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2012 MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. Diante da existência de compensação indevida e de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor do débito indevidamente compensado, sem necessidade de imputação de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em relação à responsabilidade solidária, por preclusão, e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho (substituto integral), Thiago Alvares Feital e Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário em face da decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 10, consubstanciada no acórdão nº 110- 003.653, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada pela Contribuinte autuada. Foi efetuado lançamento fiscal de multa isolada por compensação indevida. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 10/20), a multa foi aplicada em razão de ter ficado caracterizado que o contribuinte realizou as seguintes compensações de forma indevida, sem o devido respaldo legal, conforme Despacho Decisório formalizado através do processo 19515.720158/2020-80. Segundo a autoridade fiscal, as compensações foram indevidas pelas seguintes razões: a) Divergências entre as retenções destacadas nas notas fiscais e as retenções informadas nas GFIP/DCTFWeb: Fl. 1565DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.787 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720157/2020-35 3 Os valores a compensar informados pela empresa nas GFIPs (até a competência 07/2018) e nas DCTFWebs (a partir da competência 08/2018), decorrentes de retenções sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviço (art. 31 da Lei nº 8.212/91), superaram as retenções efetivamente sofridas no montante de R$ 53.857.751,84. A divergência foi verificada a partir do cruzamento entre as retenção destacadas na notas fiscais de serviço emitidas pela empresa e as retenções informadas em GFIP e DCTFWeb. b) Compensações indevidas informadas em GFIP nas competências 07/2016 e 08/2016: A empresa não apresentou justificativa para as importâncias informadas a título de compensação propriamente dita nas GFIP das competências 07/2016 e 08/2016, no valor total de R$ 1.203.805,72. Em decorrência das compensações indevidamente informadas nas GFIP/DCTFWeb, sem respaldo legal, foi aplicada a multa isolada por compensação com falsidade da declaração, prevista no inciso I do caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 (75%), aplicada em dobro (150%), em cumprimento no disposto no § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91, conforme demonstrado no Anexo IV do Relatório Fiscal (fls. 698/699). Segundo a Fiscalização, José Roberto Lopes, único proprietário e administrador da empresa autuada, foi incluído como responsável solidário no presente processo, de acordo com o disposto no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, sendo pessoalmente responsável pela conduta de inserir ou permitir a inserção de compensações indevidas, com infração à lei, nas GFIP/DCTFWeb, nas competências 01/2016 a 12/2019, com a finalidade de suprimir parte das contribuições previdenciárias devidas pela empresa. A Contribuinte tomou ciência do lançamento em 20/08/2020 (fl. 1.499) e o responsável solidário em 14/0/2020. Ambos apresentaram, conjuntamente, a Impugnação de fls. 1.507/1.515, em 04/09/2020, alegando, em síntese:  O auto de infração foi lavrado na esteira do despacho decisório proferido no processo 19515-720.158/2020-80, o qual está na pendência de ser desafiado por manifestação de inconformidade e, portanto, não havendo constituição definitiva do crédito tributário, por razões lógicas, não há falar em aplicação de multa isolada, ainda que se decida por suspender sua exigibilidade.  A multa aplicada se revela um verdadeiro confisco. O Supremo Tribunal Federal tem se pronunciado reiteradas vezes que a multa de 150% como a aplicada na espécie tem efeito confiscatório e está prestes a reconhecer com efeitos vinculantes a declaração de inconstitucionalidade. Requer, ao final, a homologação das compensações apresentadas, sem juntar documentos comprobatórios. Fl. 1566DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.787 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720157/2020-35 4 A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 10, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, cuja decisão foi consubstanciada no Acordão nº 110- 003.653 (fls. 1.522/1.526), com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2019 COMPENSAÇÃO PREVIDENCIÁRIA INDEVIDA. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade contra a decisão que considerou indevidas as compensações previdenciárias não impede a aplicação da multa isolada a que se sujeita o contribuinte, uma vez presentes as condições expressas na norma. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2019 CONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado o exame da constitucionalidade das leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte autuada foi cientificada da decisão da DRJ em 08/04/2021, por meio da caixa postal eletrônica (fl. 1.537), e o responsável solidário em 22/06/2021, por edital eletrônico (fls. 1.556/1.557). Foi apresentado, em conjunto, o Recurso Voluntário de fls. 1.542/1.554, em 10/05/2021 – segunda-feira - (fl. 1.541), com as seguintes alegações, em suma:  No Recurso Especial 1.230.957/RS, na sistemática dos recursos repetitivos o STJ reafirmara o entendimento de que a verba relativa ao terço de férias possui natureza indenizatória/compensatória, sobre ela não sendo possível a incidir contribuição previdenciária (a cargo da empresa).  O Tema 985 do STF pode ter o efeito do julgamento modulado, impactando este processo administrativo diretamente, devendo seu trâmite ser suspenso imediatamente.  O fato de a Fiscalização ter constatado erros no preenchimento da GFIP e DCTFweb não basta para lavrar a multa isolada em dobro e representá-lo criminalmente.  Em momento algum, foi demonstrado que o Recorrente José Roberto Lopes, sócio da Atento, sabia ou quis reduzir o recolhimento de contribuição previdenciária.  É fundamental que, na descrição dos fatos, seja evidenciada a conduta, o contexto fático dos atos e sua consciência e vontade em querer suprimir tributo federal – o que não houve. Fl. 1567DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.787 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720157/2020-35 5  A autoridade julgadora entendeu que o erro de preenchimento de obrigação acessória e divergências nas retenções são suficientes para demonstrar que José Roberto Lopes cometeu um crime. Ao final, requer: (i) A exclusão do Sr. José Roberto Lopes de devedor solidário, por inexistir nos autos qualquer prova de elemento subjetivo que justifique sua solidariedade e responsabilidade criminal. (ii) A suspensão do feito até que sobrevenha julgamento definitivo sobre o Tema 985 e Tema 163 de repercussão geral no STF, dos quais depende a solução desta lide; (iii) A conversão do julgamento em diligência para que seja excluída da base de cálculo a verba indenizatória assegurada por decisão judicial. (iv) A conversão do julgamento em diligência, remetendo-se os autos à primeira instância a fim de que permita a autora provar que há verbas indenizatórias que devem ser excluídas da base da contribuição previdenciária patronal lançada, cumprindo-se decisão judicial a seu favor. (v) O cancelamento da multa isolada em dobro, por não ter provas de dolo e basear-se em mero juízo hipotético, quando houve erro de preenchimento de obrigação acessória. Conforme despacho de fls. 1.560/1.561, o processo restou sobrestado, sob a alegação do então Relator de cumprimento à decisão monocrática do Ministro André Mendonça, proferida em face do Recurso Extraordinário nº 1.072.485/PR - paradigma da repercussão geral tratada no Tema 985 de seu ementário -, que determinou a suspensão nacional do trâmite processual dos litígios acerca da matéria (natureza jurídica do terço constitucional de férias). Posteriormente, com a suspensão do motivo que levou ao sobrestamento e, tendo em vista que o antigo conselheiro relator não mais integra nenhum dos colegiados da Seção, o processo foi sorteado novamente e encontra-se sob minha relatoria (despacho de fl. 1.563). É o relatório. VOTO Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 1568DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.787 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720157/2020-35 6 CONEXÃO ENTRE PROCESSOS Em virtude da conexão deste processo administrativo fiscal com o de nº 19515.720158/2020-80, no qual se discute a compensação indevida, o julgamento está sendo feito em conjunto. DECISÕES ADMINISTRATIVAS A Recorrente cita diversas decisões administrativas. Quanto ao entendimento que consta das decisões proferidas pela Administração Tributária ou pelo Poder Judiciário, embora possam ser utilizadas como reforço a esta ou aquela tese, elas não se constituem entre as normas complementares contidas no art. 100 do CTN e, portanto, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindo-se aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. São inaplicáveis, portanto, tais decisões à presente lide. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Requer o Recorrente a conversão do julgamento em diligência, justificando a necessidade de comprovação de que há verbas indenizatórias que devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias. As diligências e perícias somente devem ser deferidas caso sejam idôneas para trazer novos elementos capazes de elucidar os fatos; do contrário, sendo prescindível, somente retardando a tramitação do processo, a administração tributária não está obrigada a realizá-la. É o que dispõem os artigos 16 e 18 do Decreto n.º 70.235/1972: Art. 16 - A impugnação mencionará: IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, endereço e qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. [...] Art. 18 - A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’. A realização de diligências ou perícias tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, sobre a qual o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida. Contudo, elas não podem ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal, porque se destinam a subsidiar a formação da convicção do julgador e não para suprir a Fl. 1569DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.787 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720157/2020-35 7 deficiência probatória do recurso, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciar. Aqui, a Recorrente requer a realização de diligência para que ela possa provar que há verbas indenizatórias que devem ser excluídas da base da contribuição previdenciária patronal lançada, em cumprimento à decisão judicial. Entretanto, a apresentação de provas no contencioso administrativo, pelo sujeito passivo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas, de acordo com o disposto no Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [... ] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim dispõe a Súmula CARF nº 163, vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Ademais, deve-se aplicar neste processo as conclusões do processo administrativo fiscal nº 19515.720158/2020-80, no qual se discutiu a compensação indevida. Portanto, indefiro o pedido de diligência. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO A Recorrente solicita a suspensão do feito até que sobrevenha julgamento definitivo sobre o Tema 985 e Tema 163 de repercussão geral no STF, dos quais alega depender a solução desta lide. Não há previsão normativa para sobrestamento dos julgamentos no CARF em virtude da existência de temas com repercussão geral conhecida, salvo se houver determinação Fl. 1570DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.787 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720157/2020-35 8 judicial expressa nesse sentido. Quanto aos temas em questão, não existem mais em vigor determinações sobre o sobrestamento dos julgamentos administrativos. Outrossim, no presente caso, em nenhum momento, a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos previdenciários sobre tais verbas remuneratórias nos cinco anos que antecederam à propositura das ações, nem apresentou qualquer demonstrativo da composição do direito creditório. A Recorrente, embora intimada a demonstrar a natureza e a origem das compensações decorrentes de retenções sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços e dos créditos utilizados nas compensações declaradas nas competências 07 e 08/2016, limitou-se a afirmar que as compensações decorrem de decisões judiciais proferidas em dois mandados de segurança impetrados pelo SERVESP – Sindicato de Empresas de Segurança Privada, Segurança Eletrônica, Serviços de Escolta e Cursos de Formação do Estado de São Paulo. Não se está aqui entrando no mérito da incidência da tributação sobre as alegadas verbas indenizatórias, mas sim se constatando que não há provas de que referidas verbas foram pagas indevidamente pela Recorrente. E, também, é de se destacar que se deve aplicar neste processo as conclusões do processo administrativo fiscal nº 19515.720157/2020-35, no qual de discutiu a compensação indevida. Desse modo, nega-se o pedido de sobrestamento. MÉRITO Aplica-se, aqui, as conclusões do processo administrativo fiscal de nº 19515.720157/2020-35, no qual se discutiu a regularidade da glosa de compensação indevida, tendo sido negado provimento ao recurso, por se concluir pela procedência da glosa feita pela Fiscalização, conforme excerto do voto condutor, reproduzido abaixo: Valores de retenções sobre notas fiscais declaradas em GFIP/DCTFWeb: Conforme bem decidiu a DRJ, a empresa não apresentou qualquer manifestação para justificar as divergências apontadas pela Fiscalização entre o valor das retenções destacadas nas notas fiscais e as retenções informadas nas GFIP/DCTFWeb. Não há controvérsia com relação ao valor de R$ 53.857.751,84, apurado pela autoridade fiscal a título de compensação indevida informada pela empresa nas GFIPs/DCTFWebs, decorrente de retenções sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços. Portanto, nada a prover. Valores compensados nas competências 07/2016 e 08/2016: Segundo a Recorrente, as compensações estariam amparadas pela ordem judicial expedida nos mandados de segurança impetrados pelo Sindicato de Empresas de Fl. 1571DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.787 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720157/2020-35 9 Segurança Privada, Segurança Eletrônica, Serviços de Escolta e Cursos de Formação do Estado de São Paulo - SERVESP, que afastou a incidência de contribuição social sobre importâncias pagas a título de: aviso prévio indenizado, primeiros 15 dias de afastamento por doença ou acidente do trabalho, férias convertidas em pecúnia e terço constitucional das férias gozadas ou não. No entanto, a empresa autuada não apresentou nenhuma documentação que demonstre a existência de direito creditório relativo às verbas objeto das ações judiciais. Conquanto se possa em tese concordar com os argumentos da Recorrente de que as verbas indenizatórias reconhecidas judicialmente não se incluem no salário de contribuição, é necessário que o contribuinte apresente documentação apta a comprovar terem sido elas incluídas em suas folhas de pagamento e contabilidade, o que não ocorreu no presente caso. Logo, não tem razão a Recorrente. Quanto à aplicação da multa isolada, sustentam os Recorrentes que não ocorreu falsidade na declaração prestada e não restou demonstrada pela autoridade fiscal a existência de dolo. Em relação à questão da falsidade na declaração prestada, não podem os Recorrentes negarem que a empresa declarou a extinção de débitos com créditos inexistentes até aquele momento. Nos termos do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91: § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. No caso concreto, resta claramente caracterizada a hipótese de compensação indevida. Nos termos do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, reproduzido acima, diante de compensação indevida, caso se comprove falsidade da declaração apresentada, será aplicada a multa em dobro. O legislador determina a aplicação da multa de 150% (cento e cinquenta por cento), quando constatada a falsidade da declaração GFIP, sem mencionar a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Neste sentido, basta que, na declaração, se insira créditos que o contribuinte sabe serem inexistentes, de fato ou de direito, seja pela não comprovação dos respectivos recolhimentos, seja por não haverem integrado a base de cálculo das contribuições, ou pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários utilizados em compensação. Fl. 1572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.787 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720157/2020-35 10 O legislador, na redação do referido dispositivo, utilizou-se do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa a ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Essa opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, uma vez que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Se o legislador quisesse atribuir a mesma natureza às duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Portanto, a incidência da multa isolada não está condicionada à comprovação de evidente intuito de fraude ou dolo do sujeito passivo. Este é o entendimento consolidado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF -, cujas ementas transcrevo a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2010 a 31/01/2011 MULTA ISOLADA DO ART. 89, §10 DA LEI 8.212/91. DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. CONFIGURAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, exige-se da autoridade lançadora a demonstração da ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, não fazendo qualquer referência a exigência de comprovação de dolo, fraude ou simulação. Correta a imputação de multa isolada de 150% quando o contribuinte declara em GFIP possuir créditos oriundos de ação judicial sem trânsito em julgado, o que revela não haver direito líquido e certo à compensação e atesta a falsidade da declaração. (Acórdão nº 9202-011.644, de 23/01/2025, Rel. Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2010 [...] COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes. COMPENSAÇÃO INDEVIDA INFORMADA EM GFIP. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. LANÇAMENTO FISCAL. Fl. 1573DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.787 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720157/2020-35 11 Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, não tendo havido a comprovação, pelo sujeito passivo, durante o procedimento fiscal, da certeza e liquidez dos créditos por ele aí declarados, não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, cabível a glosa dos valores indevidamente compensados, pela fiscalização, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas em virtude deste procedimento do contribuinte. (Acórdão nº 2201-010-978, de 13/07/2023, Relatora: Débora Fofano dos Santos). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2011 [...] MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. Diante da existência de compensação indevida e de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor do débito indevidamente compensado, sem necessidade de imputação de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte. (Acórdão nº 2202-010.769, de 09/05/2024, Relatora: Sonia de Queiroz Accioly) Assim, não merece reforma a decisão recorrida. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Requerem os Recorrentes a exclusão do Sr. José Roberto Lopes da condição de devedor solidário, por inexistir nos autos qualquer prova de elemento subjetivo que justifique sua solidariedade e responsabilidade criminal. Incialmente, cabe destacar que se trata de argumentos trazidos pelos Recorrentes apenas no Recurso Voluntário, pois, em sua Impugnação, não há contestação sobre a responsabilidade solidária. É de se evidenciar que, no uso do recurso voluntário, a parte impugna a decisão de primeira instância, provocando o reexame da causa pelo órgão administrativo de segundo grau, visando à sua reforma total ou parcial. A finalidade do recurso é única, qual seja, devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Dessa forma, não se admite, em grau de recurso, a modificação da decisão de primeiro grau baseada em novos fundamentos que não foram objeto da defesa e que, por óbvio, sequer foram discutidos na instância a quo. Aqui, resta evidente a inovação recursal, não merecendo, por esta razão, ser esse pleito dos Recorrentes apreciado nesta instância julgadora. Fl. 1574DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.787 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720157/2020-35 12 Destaque-se que eventual discussão da imputação de responsabilidade solidária em razão dos atributos e fatos observados não é matéria de ordem pública passível de ser conhecida de ofício pelo julgador, uma vez que se refere a aspectos que envolvem a relação de direito material, inclusive detalhes da conduta de cada administrador imputado. Nesse sentido, temos as seguintes decisões deste Conselho: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. DUPLO GRAU DO CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA PELOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PARA INSTAURAR O LITÍGIO E IMPUGNAR A IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRECLUSÃO. Em procedimento de exigência fiscal, incluindo a imputação de responsabilidade solidária, o contencioso administrativo fiscal instaura-se com a tempestiva impugnação apresentada por cada parte isoladamente que pretende recorrer, sob pena dos efeitos da preclusão para quem não apresentou sua própria irresignação. A impugnação protocolada a tempo e modo delineia a matéria controvertida para a parte, considerando-se preclusa quando não apresentada. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação pela parte que pretende discutir ato da autoridade administrativa decorrente da atividade fiscalizadora. Impossibilidade de apreciação de recurso voluntário quando inexistente impugnação por parte do específico recorrente, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. A imputação de responsabilidade tributária não é matéria de ordem pública passível de ser conhecida de ofício pelo julgador administrativo no contencioso administrativo fiscal, pois diz respeito a aspecto da relação de direito material e, desse modo, não se confunde com a relação de direito processual da qual deriva o dever do julgador de verificar a ausência de legitimidade ou de interesse processual do recorrente. (Acórdão nº 2004-000.394, de 13/02/2026, Rel. Leonam Rocha de Medeiros) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 (...) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. A atribuição de responsabilidade tributária não é matéria de ordem pública passível de ser conhecida de ofício pelo julgador, pois diz respeito a aspecto da relação de direito material e, desse modo, não se confunde com a relação de direito processual da qual deriva o dever do julgador de verificar a ausência de legitimidade ou de interesse processual do recorrente. (Acórdão nº 9101-007.077, de 06/08/2024, Rel. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) Fl. 1575DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.787 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720157/2020-35 13 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELAÇÃO DE DIREITO MATERIAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA NÃO CONFIGURADA. A atribuição de responsabilidade tributária não é matéria de ordem pública passível de ser conhecida de ofício pelo julgador, pois diz respeito a aspecto da relação de direito material e, desse modo, não se confunde com a relação de direito processual da qual deriva o dever do julgador de verificar a ausência de legitimidade ou de interesse processual da recorrente. (Acórdão nº 9303-016.422, de 21/01/2025, Rel. Vinicius Guimaraes) É de se ressaltar, ainda, a existência da Súmula CARF nº 172, que dispõe: A pessoa indicada no lançamento na qualidade de contribuinte não possui legitimidade para questionar a responsabilidade imputada a terceiros pelo crédito tributário lançado. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Caso se entendesse pela possibilidade de se conhecer de ofício as alegações sobre responsabilidade solidária, o enunciado da referida súmula não teria razão de subsistir. Desse modo, não se conhece do Recurso Voluntário na parte que questiona a responsabilidade solidária de José Roberto Lopes. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário em relação à responsabilidade solidária, por preclusão, e, na parte conhecida, por negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 1576DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2021/arquivos-e-imagens/portaria-me-no-12975-sumulas-carf-atribui-efeito-vinculante.pdf Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 16682.900506/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não enseja a nulidade do ato administrativo, quando esse esteja fundamentado de forma a viabilizar a compreensão dos fatos imputados, permitindo ao contribuinte uma defesa coerente com a adequada subsunção. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.075.598/SC. As matérias-primas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização. O conceito de insumos, no contexto do IPI, pressupõe que os bens nele subsumidos sejam consumidos - e aqui consumo assume um sentido amplo de desgaste, desbaste, perda de propriedades etc. - em contato direto com o produto em fabricação, e desde que não integrem o ativo permanente. Nessa linha, não se afiguram como matéria-prima ou produto intermediário, para fins de creditamento do IPI, os bens que forem utilizados apenas indiretamente na produção ou não consumidos em contato direto com o produto em fabricação. Trata-se do conceito de insumos nos termos do REsp 1.075.508/SC, submetido ao rito previsto no art. 543-C do antigo CPC e de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, por força do que dispõem o art. 99 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1634/2023. INDÚSTRIA DE CIMENTO. COQUE DE PETRÓLEO. O coque de petróleo é um material intermediário consumido integral e imediatamente no processo de produção do clínquer e assegura o direito ao creditamento de IPI. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. O Tema nº 198 dos Repetitivos do E. STJ, conjugado com o CPC 27, excluem a possibilidade de apropriação de créditos de IPI sobre peças e partes de máquinas e equipamentos, salvo aqueles que entram em contato direito com o produto no processo de industrialização. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. BOLAS DE AÇO. DESGASTE DIRETO E IMEDIATO. POSSIBILIDADE. Os produtos intermediários que geram direito ao crédito básico do IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles consumidos diretamente no processo de produção, ou seja, aqueles que tenham contato direto com o produto em fabricação. REFRATÁRIOS. FORNOS DE CLINQUERIZAÇÃO. Na industrialização do cimento, os refratários entram em contato com a matéria prima e se desgastam pelo uso no processo produtivo direto do cimento assegurando direito ao creditamento de IPI.
Numero da decisão: 3101-004.935
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade. No Mérito, em dar provimento parcial, nos seguintes termos: a) Por maioria de votos, em reverter as glosas referentes aos custos com bolas de aço, com os materiais refratários e com coque de petróleo. Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto à reversão das glosas dos custos com bolas de aço, com os materiais refratários e com coque de petróleo. Conselheiro Ramon Silva Cunha quanto à reversão dos custos com bolas de aço e com os materiais refratários; b) Por maioria de votos, em manter a glosa referente aos custos com explosivos, Vencido Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.930, de 22 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 16682.900501/2015-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburgo Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não enseja a nulidade do ato administrativo, quando esse esteja fundamentado de forma a viabilizar a compreensão dos fatos imputados, permitindo ao contribuinte uma defesa coerente com a adequada subsunção. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.075.598/SC. As matérias-primas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização. O conceito de insumos, no contexto do IPI, pressupõe que os bens nele subsumidos sejam consumidos - e aqui consumo assume um sentido amplo de desgaste, desbaste, perda de propriedades etc. - em contato direto com o produto em fabricação, e desde que não integrem o ativo permanente. Nessa linha, não se afiguram como matéria-prima ou produto intermediário, para fins de creditamento do IPI, os bens que forem utilizados apenas indiretamente na produção ou não consumidos em contato direto com o produto em fabricação. Trata-se do conceito de insumos nos termos do REsp 1.075.508/SC, submetido ao rito previsto no art. 543-C do antigo CPC e de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, por força do que dispõem o art. 99 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1634/2023. INDÚSTRIA DE CIMENTO. COQUE DE PETRÓLEO. O coque de petróleo é um material intermediário consumido integral e imediatamente no processo de produção do clínquer e assegura o direito ao creditamento de IPI. Fl. 471DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.935 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900506/2015-13 2 PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. O Tema nº 198 dos Repetitivos do E. STJ, conjugado com o CPC 27, excluem a possibilidade de apropriação de créditos de IPI sobre peças e partes de máquinas e equipamentos, salvo aqueles que entram em contato direito com o produto no processo de industrialização. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. BOLAS DE AÇO. DESGASTE DIRETO E IMEDIATO. POSSIBILIDADE. Os produtos intermediários que geram direito ao crédito básico do IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles consumidos diretamente no processo de produção, ou seja, aqueles que tenham contato direto com o produto em fabricação. REFRATÁRIOS. FORNOS DE CLINQUERIZAÇÃO. Na industrialização do cimento, os refratários entram em contato com a matéria prima e se desgastam pelo uso no processo produtivo direto do cimento assegurando direito ao creditamento de IPI. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade. No Mérito, em dar provimento parcial, nos seguintes termos: a) Por maioria de votos, em reverter as glosas referentes aos custos com bolas de aço, com os materiais refratários e com coque de petróleo. Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto à reversão das glosas dos custos com bolas de aço, com os materiais refratários e com coque de petróleo. Conselheiro Ramon Silva Cunha quanto à reversão dos custos com bolas de aço e com os materiais refratários; b) Por maioria de votos, em manter a glosa referente aos custos com explosivos, Vencido Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.930, de 22 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 16682.900501/2015-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburgo Filho (Presidente). Fl. 472DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.935 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900506/2015-13 3 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao ressarcimento de IPI apurado no 2° trimestre de 2013. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Cientificado do acórdão recorrido, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário solicitando, em síntese: Que seja dado provimento ao presente recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido e, consequentemente, homologar as compensações aqui discutidas e extinguir os débitos compensados. Outrossim, reitera seu pedido de prova pericial técnica formulado no item “DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA”. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, ressalvando o meu entendimento pessoal expresso na decisão paradigma, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Da preliminar de nulidade Alega-se nulidade do acórdão combatido, pois não versou sobre os materiais explosivos utilizados na exploração do calcário. Fl. 473DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.935 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900506/2015-13 4 A autoridade fiscal entende que tais itens não integram o processo produtivo de industrialização do cimento, mas na verdade na etapa de mineração, ou seja, anterior à fase de industrialização, o que afasta a possibilidade de que confiram direito de crédito de IPI. O entendimento, vejamos, foi ratificado pela autoridade julgadora a quo: Nos termos do entendimento administrativo há bastante tempo assentado, não basta que o insumo desapareça ou perca as suas funções físico-químicas para que se considerem satisfeitos os requisitos do Parecer Normativo nº 65/79, sendo necessário que tal ocorra em função de ação direta sobre o produto em elaboração. Em rigor, o insumo deve entrar em “contato físico” com o produto em fabricação e ser consumido nesse processo, participando intrinsecamente do processo industrial. Tal participação intrínseca sempre foi interpretada no sentido de não haver direito a crédito de IPI relativamente à aquisição de materiais utilizados na fase pré- industrial e de combustíveis utilizados para o desenvolvimento da atividade industrial, além de inexistir referido direito na aquisição de máquinas, equipamentos, partes e peças de máquinas. (...) Quanto aos demais produtos, vemos que alguns não participam, intrinsecamente, do processo industrial, posto que não entram em contato físico com o produto em elaboração (durante o ciclo de transformação2 ). Os demais, ainda que sofram desgaste e tenham contato com o produto em elaboração, caracterizam-se como máquinas, equipamentos ou instalações, ou suas partes. Vale dizer, todos os insumos esbarram nas limitações antes apontadas. Percebe-se que o julgador, em que pese não ter mencionado a palavra explosivos, fundamentou a manutenção da glosa ao inclui-los no grupo aquisição de materiais utilizados na fase pré-industrial ou quanto aos demais produtos. Assim, rejeita-se a preliminar de nulidade suscitada. Do mérito Do coque calcinado de petróleo As aquisições de coque de petróleo foram glosadas ao argumento de se tratar de combustível para o forno usado na produção de clínquer. Para a defesa, não se trata de simples combustível para permitir o funcionamento de uma máquina, mas, sim, de item utilizado na produção do cimento. Tem-se como premissa que o coque calcinado de petróleo é utilizado como combustível para a fabricação de cimentos, mas, também, que o seu contato ocorre diretamente com o produto em fabricação e que, inclusive, há agregação deste ao produto final (cimento). Fl. 474DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.935 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900506/2015-13 5 Com razão à Recorrente. O coque de petróleo é a principal fonte de energia na indústria cimenteira, sendo o principal combustível utilizado no forno rotativo de clínquer. Ao se queimar, o coque se transforma em energia (catalisadora do processo) e gera inúmeras cinzas, as quais já saem misturadas ao clínquer. Por sua vez, o clínquer é a matéria prima básica de diversos tipos de cimento, onde, no seu processo de fabricação, o clínquer sai do forno a cerca de 80°C, indo diretamente à moagem onde é adicionado ao gesso. Conforme decido pelo Superior Tribunal de Justiça, em caráter vinculante, no Resp nº 1.075.508 (Tema n° 198), as matérias-primas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização, vale dizer, os bens nele subsumidos devem consumidos (com desgaste imediato e integral) e em contato direto com o produto em fabricação, e desde que não integrem o ativo permanente. Nesses termos, apesar do coque de petróleo ser combustível para a fabricação do cimento, entendo que é inquestionável que, além de suas cinzas integrarem o novo produto (com contato direto), também é consumido imediatamente, restando caracterizado o conceito de insumo nos termos do E. STJ. Com isso, voto por reverter a glosa dos créditos do coque calcinado de petróleo. Das partes e peças de máquinas Trata-se de partes e peças de máquinas como correia de transporte e bolas de aço. Segundo a Recorrente, os materiais em questão não estão imobilizados, pois foram adquiridos para industrialização (CFOP 2101). Diz que possuem vida útil bastante curta, rapidamente consumidas no processo de produção do cimento e que, portanto, integram o custo de fabricação do produto. Todavia, a Recorrente não logrou êxito em comprovar a baixa vida útil das correias de transporte, tampouco seu consumo imediato e integral no ciclo produtivo. As alegações apresentadas no recurso voluntário revestem-se de caráter genérico, carecendo do suporte probatório necessário para sustentar a pretensão. Segundo o Tema nº 198 do E. STJ, tais elementos, ainda que indispensáveis ao processo produtivo, uma vez que integram máquinas e equipamentos destinados ao processo fabril, não dão direito ao creditamento de IPI. Por outro lado, as bolas de aço (bens que não compõem o ativo imobilizado) são instaladas dentro do moinho de cimento para realizar a moagem do coque e do cimento empregados no processo produtivo, com a finalidade de redução de sua granulometria. Fl. 475DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.935 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900506/2015-13 6 De pronto, já se verifica que há contato direito das bolas de aço com o produto cimento. Ademais, demonstra-se que as bolas de aço sofrem desgaste ao longo desse processo contínuo (mesmo que um desgaste lento, é iniciado imediatamente no primeiro ciclo de moagem), sendo relevante ainda que tal desgaste incorporado aos próprios materiais por elas moídos. Com efeito, entendo que esses bens, que não integram o ativo permanente, são consumidos (com desgaste imediato) e em contato direto com o produto em fabricação, caracterizando produto intermediário para fins de creditamento do IPI. Dos materiais refratários O contribuinte argui que o material refratário aplicado dentro dos seus fornos é um material intermediário, uma vez que é consumido no processo produtivo e entra em contato direto com o produto, incorporando-se ao cimento, uma vez que o forno é utilizado na fase de clinquerização. Para isso, apresenta laudo técnico que detalhe o desgaste desses materiais dentro das torres de ciclones do forno e depois a incorporação ao produto final. Com efeito, evidencia-se que o material refratário é submetido a um desgaste imediato e direto durante a fabricação do cimento. Pelo fato de manter contato direto com o produto e integrar a composição final, ainda que residualmente, o material preenche os requisitos legais para o creditamento de IPI. Tal entendimento está em plena consonância com os critérios normativos vigentes e com a tese firmada no Tema nº 198 do STJ. Exatamente no sentido de que os materiais refratários podem ser admitidos como produtos intermediários, manifestaram-se o E. Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça: "IPI. AÇÃO DE EMPRESA FABRICANTE DE ACO PARA CREDITAR-SE DO IMPOSTO, RELATIVO AOS MATERIAIS REFRATARIOS QUE REVESTEM OS FORNOS ELÉTRICOS, ONDE E FABRICADO O PRODUTO FINAL. INTERPRETAÇÃO QUE CONCILIA O DECRETO-LEI N. 1.136/70 E O SEU REGULAMENTO, ART. 32, APROVADO PELO DECRETO N. 70.162/72, COM A LEI 4.503/64 E COM O ART. 21, PARAGRAFO 3., DA CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE PELO CONHECIMENTO E PROVIMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. (...) Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a circunstância de não se fazer essa consumição em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à incidência da regra constitucional e legal que proíbe a cumulatividade do IPI" (Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário 90205, Rel. Min. Soares Munoz, Primeira Turma, julgado em 20/02/1979, DJ 23-03-1979 p 02103 - grifei) Fl. 476DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.935 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900506/2015-13 7 "TRIBUTARIO. IPI. MATERIAIS REFRATARIOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. OS MATERIAIS REFRATARIOS EMPREGADOS NA INDUSTRIA, SENDO INTEIRAMENTE CONSUMIDOS, EMBORA DE MANEIRA LENTA, NÃO INTEGRANDO, POR ISSO, O NOVO PRODUTO E NEM O EQUIPAMENTO QUE COMPÕE O ATIVO FIXO DA EMPRESA, DEVEM SER CLASSIFICADOS COMO PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS, CONFERINDO DIREITO AO CREDITO FISCAL." (Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial 18.361/SP, Rel. Ministro Hélio Mosimann, Segunda Turma, julgado em 05/06/1995, DJ 07/08/1995, p. 23026 - grifei) Tal entendimento foi deferido pelo CARF em situações semelhantes ao caso em análise, conforme destaques nas ementas abaixo: Acórdão nº 3201-006.156 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS REFRATÁRIOS. ITENS NÃO CONTABILIZADOS EM ATIVO IMOBILIZADO. POSSIBILIDADE. As despesas com aquisições de material refratário, que não devam ser contabilizados em Ativo Imobilizado, observando-se o critério da essencialidade e relevância, subsumem-se no conceito de insumo para indústrias siderúrgicas, e ensejam a tomada de créditos. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Os créditos apurados em conformidade com o art. 3º das Leis nº’s 10.637, de 2002 (PIS) e 10.833, de 2003 (COFINS) podem ser utilizados no desconto dos valores devidos sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Acórdão nº 3402-010.944 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2013 INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO. PRODUTOS E MATERIAIS REFRATÁRIOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. COMPROVAÇÃO TÉCNICA. IMOBILIZADO. NÃO ENQUADRAMENTO. Entende-se como correto o enquadramento de produtos e materiais refratários no conceito de "produtos intermediários" ou assemelhados nos estritos termos do Parecer Normativo CST nº 65/79, reconhecendo-se o correspondente direito ao Fl. 477DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.935 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900506/2015-13 8 creditamento de IPI como insumo quando foi apurado que: a) esses produtos não são “partes e peças de máquinas”; b) não podem ser classificados no “ativo permanente” (imobilizado) segundo as regras e os princípios contábeis aplicáveis aos lançamentos à época em que foram registrados; e c) conforme atesta Parecer Técnico, são consumidos no processo industrial da recorrente majoritariamente pelo desgaste em função do seu contato com o produto em elaboração. Ante todo o exposto, voto no sentido de reverter a glosa dos créditos sobre materiais refratários. Dos materiais explosivos Em relação aos explosivos utilizados para extração mineral (extração do calcário), deve-se registrar que os valores de IPI passíveis de creditamento são aqueles decorrentes de aquisições de insumos direcionados a processo de industrialização, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99, in verbis: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. No caso, trata-se de atividade extrativista mineral e não se enquadra na definição de atividade econômica prevista no RIPI/2002: Art. 3º Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo (...) A extração de recursos naturais situa-se no setor primário, precedendo a fase de industrialização característica do setor secundário. Por se tratar da obtenção de insumos em estado bruto, sem beneficiamento fabril, a atividade extrativa não usufrui da não cumulatividade do IPI. Esse regime tributário passa a incidir apenas quando a matéria-prima é submetida ao processo de transformação industrial. Em verdade, o critério definidor da industrialização para fins de IPI reside na natureza das operações realizadas sobre os insumos — como modificação, Fl. 478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.935 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900506/2015-13 9 aperfeiçoamento ou alteração estética e funcional — e não no destino final do produto. Portanto, a extração de calcário não se transmuda em atividade industrial pelo simples fato de o mineral ser destinado à fabricação posterior de cimento. O ciclo industrial propriamente dito apenas se inaugura com a mistura e o tratamento dos minerais; a fase antecedente permanece estritamente no campo da atividade extrativista. Por essas razões, as aquisições de insumos relativas à viabilização da etapa extrativista, conforme definições da legislação do IPI, não se configuram como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados na produção industrial. Logo, não geram crédito de tal imposto. Da necessidade de perícia Inexiste a necessidade de dilação probatória mediante perícia técnica, uma vez que os elementos de convicção constantes nos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia. Este julgador firmou seu convencimento de forma plena, não remanescendo pontos obscuros ou dúvidas que justifiquem a produção de prova pericial. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas de créditos sobre coque calcinado de petróleo, sobre materiais refratários e sobre bolas de aço. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial, para reverter as glosas referentes aos custos com bolas de aço, com os materiais refratários e com coque de petróleo. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 479DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11384614 #
Numero do processo: 10840.721294/2018-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Jun 12 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 CONHECIMENTO. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO NÃO CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 02. A apreciação da alegação de ofensa ao princípio constitucional do não confisco encontra óbice na súmula CARF nº 02. DOCUMENTOS E ALEGAÇÕES. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. Alegações de defesa e documentação comprobatória devem ser apresentadas no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo a ocorrência das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior e também devidamente comprovadas. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu, ou ainda com documentação correlata pertinente, esclarecendo o efetivo dispêndio correlato. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. SUMULA CARF 180. Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais
Numero da decisão: 2101-003.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer: (a) do argumento de que a multa seria confiscatória e (b) dos novos documentos juntados aos autos em razão da preclusão; na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa - Relatora Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Hermes Soares Campos (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Debora Fófano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: ANA CAROLINA DA SILVA BARBOSA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-06-12T08:19:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-06-12T08:19:36Z; Last-Modified: 2026-06-12T08:19:36Z; dcterms:modified: 2026-06-12T08:19:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-06-12T08:19:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-06-12T08:19:36Z; meta:save-date: 2026-06-12T08:19:36Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-06-12T08:19:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-06-12T08:19:36Z; created: 2026-06-12T08:19:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2026-06-12T08:19:36Z; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-06-12T08:19:36Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10840.721294/2018-14 ACÓRDÃO 2101-003.781 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 13 de maio de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE ELIVANETE APARECIDA ZUPPOLINI BARBI INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 CONHECIMENTO. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO NÃO CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 02. A apreciação da alegação de ofensa ao princípio constitucional do não confisco encontra óbice na súmula CARF nº 02. DOCUMENTOS E ALEGAÇÕES. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. Alegações de defesa e documentação comprobatória devem ser apresentadas no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo a ocorrência das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior e também devidamente comprovadas. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu, ou ainda com documentação correlata pertinente, esclarecendo o efetivo dispêndio correlato. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. SUMULA CARF 180. Fl. 168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.781 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.721294/2018-14 2 Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer: (a) do argumento de que a multa seria confiscatória e (b) dos novos documentos juntados aos autos em razão da preclusão; na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Hermes Soares Campos (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Debora Fófano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 117/138) interposto por ELIVANETE APARECIDA ZUPPOLINI BARBI em face do Acórdão nº. 12-103.471 (e-fls. 100/105), que julgou a Impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário. O presente processo, trata de Notificação de Lançamento decorrentes de malha fiscal, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exercício 2015, ano-calendário 2014, que resultou em imposto suplementar, no valor de R$ 8.802,20, acrescido dos juros de mora e multa de ofício. Fl. 169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.781 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.721294/2018-14 3 O lançamento decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, tendo sido constatadas deduções de Despesas Médicas, no valor de R$ 32.008,00, relativas a Fabrício Magalhães. A justificação da glosa foi a de que não haveria prova do efeito pagamento das despesas. Cientificada do lançamento em 03/05/2018 (e-fl. 50), a contribuinte apresentou impugnação em 29/05/2018, com as seguintes alegações, aqui resumidas pela decisão de piso: (...) Cientificada do lançamento em 03/05/2018, fl. 50, apresentou a notificada a impugnação, de fl. 04, em 29/05/2018, por meio de procuradora, fls. 07/09afirmando que o valor contestado refere-se a despesas médicas glosadas por falta de comprovação do efetivo pagamento para as quais apresenta documentos tais como extratos bancários, cheques, comprovantes de depósito bancário, transferências bancárias e outros com vistas à comprovação do efetivo pagamento das despesas. Acrescenta, a defendente, no documento, de fl. 06, em síntese que: Durante quatro anos, de 2013 a 2016, submeteu-se a extenso tratamento odontológico, sendo que o detalhamento do procedimento somente pode ser divulgado com autorização do CROSP, conforme declaração anexa. Está juntando extratos bancários especificando cheques emitidos, descontados ou compensados pelo profissional de odontologia, bem como saques para pagamento no ano de 2014. Do total de R$ 32.008,00, foram pagos em cheque R$ 27.008,00 e, em dinheiro, R$ 5.000,00. Os valores eram pagos conforme sua disponibilidade de valores, tanto em cheque, como em espécie, e os recibos foram emitidos mensalmente, razão pela qual não há coincidência das datas dos recibos emitidos e as datas dos cheques compensados e saques. No ano de 2014, recebeu doação do irmão, Alexandre Zuppolini Neto, CPF nº xxxx, do valor de R$ 5.000,00 que ajudou no pagamento do tratamento. Sobreveio o julgamento e foi proferido o Acórdão nº. 12-103.471 (e-fls. 100/105), não ementado em razão da Portaria RFB nº 2.724, de 2017. A decisão houve por bem manter a exigência, em razão da falta de comprovação das despesas. No que diz respeito à penalidade, esclareceu-se que foi aplicada a multa de ofício no percentual de 75%, nos termos da Lei 9.430/1996, art. 44, inc. I, devendo ser mantida. A intimação do resultado do julgamento foi encaminhada ao sujeito passivo pela via postal, e recebida em seu endereço em 04/12/2018, conforme AR (e-fls. 108). Em 26/12/2018, foi juntado aos autos Recurso Voluntário (e-fls. 117/138), por meio do qual a recorrente reitera os argumentos no sentido de que as despesas foram pagas em razão de tratamento odontológico e que, além de recibo, apresentou declaração do profissional Fl. 170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.781 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.721294/2018-14 4 atestando ter realizado o tratamento e ter recebido os valores; questiona a necessidade de comprovação do efetivo pagamento, e reitera a idoneidade do recibo e declaração apresentada aos autos e alega que o Fisco é que deveria comprovar a inidoneidade dos documentos. No que diz respeito à multa, alega que ela é confiscatória e inconstitucional. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não foram apresentadas contrarrazões. Em 07/05/2026, foram juntados aos autos Petição com os seguintes documentos (e- fls. 142/157): (i) Declaração firmada pelo Médico Oncologista, Dr. Fábio Eduardo Zola, por meio da qual atesta o quadro clínico da sua paciente, Sra. Elivanete Aparecida Zuppolini Barbi, bem como a necessidade de realização de tratamentos complementares necessários ao adequado manejo da enfermidade diagnosticada em 28/07/2008; (ii) Declaração firmada pelo cirurgião-dentista Dr. Fabrício Magalhães, por meio da qual atesta que a Sra. Elivanete Aparecida Zuppolini Barbi é sua paciente, submetendo-se a acompanhamento contínuo em decorrência de condição clínica associada à enfermidade oncológica, bem como que os valores constantes dos recibos emitidos em favor da Sra. Elivanete Aparecida Zuppolini Barbi, referentes aos exercícios de 2013, 2014 e 2016, foram regularmente lançados em suas respectivas Declarações de Imposto de Renda/Livros-Caixa, sem qualquer impugnação pela autoridade fiscal, esclarecendo, ainda, que os documentos fiscais comprobatórios foram fornecidos por seu contador, Sr. José Roberto Zoanon Tenan; (iii) Livros-Caixa/Escrituração “Carnê-Leão” do Exercício de 2015 (ano calendário 2014) do profissional dentista, Dr. Fabrício Magalhães, nas quais constam os recebimentos da Sra. Elivanete Aparecida Zuppolini Barbi, que somam R$ 32.008,00. Esclarece-se que essa documentação foi encaminhada pelo contador do profissional dentista, Sr. José Roberto Zoanon Tenan, via e-mail também juntado. É o relatório VOTO Conselheira Ana Carolina da Silva Barbosa, Relatora. 1. Admissibilidade Fl. 171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.781 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.721294/2018-14 5 O Recurso Voluntário é tempestivo. Porém, atende parcialmente aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e deve ser parcialmente conhecido. Não se pode conhecer do argumento de que a multa de ofício teria caráter confiscatório, por se tratar de matéria de cunho constitucional, cuja apreciação é vedada a este Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2, que estabelece que: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer da alegação de que a multa teria efeito confiscatório. 2. Petição e documentos juntados após o recurso voluntário A recorrente apresentou petição e documentos complementares em 07/05/2026, vários anos após a apresentação do Recurso Voluntário. Requer a consideração dos documentos como provas do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas e sustenta que a apresentação extemporânea seria possível, diante da busca pela Verdade Material. Foram juntados os seguintes documentos: (i) Declaração firmada pelo Médico Oncologista, Dr. Fábio Eduardo Zola, por meio da qual atesta o quadro clínico da sua paciente, Sra. Elivanete Aparecida Zuppolini Barbi, bem como a necessidade de realização de tratamentos complementares necessários ao adequado manejo da enfermidade diagnosticada em 28/07/2008; (ii) Declaração firmada pelo cirurgião-dentista Dr. Fabrício Magalhães, por meio da qual atesta que a Sra. Elivanete Aparecida Zuppolini Barbi é sua paciente, submetendo-se a acompanhamento contínuo em decorrência de condição clínica associada à enfermidade oncológica, bem como que os valores constantes dos recibos emitidos em favor da Sra. Elivanete Aparecida Zuppolini Barbi, referentes aos exercícios de 2013, 2014 e 2016, foram regularmente lançados em suas respectivas Declarações de Imposto de Renda/Livros-Caixa, sem qualquer impugnação pela autoridade fiscal, esclarecendo, ainda, que os documentos fiscais comprobatórios foram fornecidos por seu contador, Sr. José Roberto Zoanon Tenan; (iii) Livros-Caixa/Escrituração “Carnê-Leão” do Exercício de 2015 (ano calendário 2014) do profissional dentista, Dr. Fabrício Magalhães, nas quais constam os recebimentos da Sra. Elivanete Aparecida Zuppolini Barbi, que somam R$ 32.008,00. Esclarece-se que essa documentação foi encaminhada pelo contador do profissional dentista, Sr. José Roberto Zoanon Tenan, via e-mail também juntado. Tais documentos não devem ser conhecidos em razão da preclusão. O Decreto nº. 70.235/72 determina que a Impugnação instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal e ela deverá conter todos os argumentos de direito e fato e todas as Fl. 172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.781 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.721294/2018-14 6 comprovações dos argumentos, sob pena de preclusão. É o que dispõem os artigos 15, 16 e 17 do Decreto, verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, Fl. 173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.781 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.721294/2018-14 7 a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Nesse contexto, a impugnação promove a estabilidade do processo entre as partes, de modo que a matéria ventilada em recurso deve guardar estrita harmonia com àquela abordada pelo recorrente em sua impugnação, não podendo a parte contrária ser surpreendida com novos argumentos em sede recursal, em razão da preclusão processual. O mesmo racional se aplica à produção probatória. Conforme o comando do art. 16, § 4º, reproduzido alhures, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, havendo ressalva somente nas situações expressamente previstas nas alíneas do mesmo § 4º, hipóteses essas que não se mostram presentes no caso ora sob apreciação. Os documentos juntados estavam disponíveis à época dos fatos e não foram apresentados quaisquer óbices para a sua apresentação na ocasião. Muito pelo contrário, a recorrente insistiu na linha de defesa de que os recibos e a declaração apresentadas eram suficientes para a comprovação das despesas, o que a fiscalização refutou desde o início. Portanto, novos documentos apresentados em momento totalmente atípico, não devem ser apreciados, por se tratar de absoluta inovação, e porque não foram objeto de análise e julgamento pela autoridade julgadora de piso, sendo preclusa a sua apresentação em fase posterior à da impugnação. O conhecimento dos documentos, a meu ver, ocasionaria indevida supressão de instância administrativa. Diante do exposto, não conheço dos documentos apresentados extemporaneamente. 3. Mérito A presente demanda gira em torno da comprovação das despesas médicas declaradas pela recorrente, para as quais não foi comprovado o efetivo pagamento. Em sede de Recurso Voluntário, como relatado, a recorrente apenas reitera os argumentos apresentados em Fl. 174DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.781 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.721294/2018-14 8 sede de Impugnação no sentido de que deveriam ser aceitos os recibos emitidos pelo dentista Fabrício Magalhães, bem como a declaração juntada com a Impugnação do profissional (e-fls. 16). Na referida declaração o profissional declara: O pagamento referente a esses tratamentos é feito regularmente, na maioria das vezes em espécie, porém também com cheques ou cartão de crédito, sendo emitidos à paciente recibos nos valores a mim pagos. (e-fls. 16) A decisão de piso manteve a glosa da dedução, pois não considerou que estaria comprovado o efetivo pagamento dos valores por meio dos recibos e da declaração, apresentando os seguintes fundamentos: A inversão legal do ônus da prova, do fisco para os contribuintes, transfere para esses a obrigação de comprovação e justificação das deduções; não o fazendo, sofrem as consequências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Nesse contexto, verificando que as deduções são elevadas, cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4º, do Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, reproduzido no art. 73, §1º do RIR/99. Para provar o efetivo pagamento, não basta a disponibilidade dos recibos, e a declaração do cirurgião dentista, fl.16, por parte da contribuinte, sem vinculação do pagamento ou da efetiva prestação do serviço, principalmente quando, pelos valores envolvidos, restarem dúvidas quanto à idoneidade dos documentos. A contribuinte juntou aos autos o extrato bancário relativo a sua conta corrente nº 23085-3, da agência 3815, do Banco Itaú, fls. 19/44, já apresentado na ação fiscal, com intuito de provar o efetivo pagamento. Verifica-se que foram assinalados, pela defendente, pagamentos em cheque, relacionados na planilha abaixo, em valores que não conferem com aqueles registrados nos recibos (mesmo se somados) e em datas não próximas, em vários casos, além de que não é possível identificar o beneficiário dos pagamentos, uma vez que não foi apresentada a cópia do cheque. Também se observam saques em valores inferiores aos dos pagamentos pela prestação do serviço. (...) Assim, não foi possível fazer vinculação inequívoca entre os cheques compensados e saques e os pagamentos ao cirurgião dentista. É evidente que a contribuinte pode pagar suas despesas em espécie, dinheiro, que pode inclusive ter como origem a doação de terceiros, como afirmado na defesa, Fl. 175DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.781 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.721294/2018-14 9 mas se ela for utilizar como dedução em sua Declaração de Ajuste Anual o pagamento efetuado a prestadores de serviços de saúde, tem que manter documentação comprobatória, inclusive do efetivo pagamento se for solicitado para tanto. Importa que fique bem claro que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas sim o contribuinte justificá-las, tendo em vista que a inclusão de tais despesas em suas declarações de ajuste anual nada mais é do que um benefício para a impugnante, haja vista que as referidas despesas reduzem a base de cálculo do imposto devido. Pois bem. O disposto no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, acerca das deduções permitidas de despesas médicas: DEDUÇÕES Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).(Grifos Acrescidos) Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I- aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II- restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III- limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifos acrescidos) Como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. O primeiro item a ser comprovado pelo contribuinte, segundo expressa disposição legal (pagamentos efetuados), é exatamente o pagamento das despesas médicas. Fl. 176DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.781 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.721294/2018-14 10 É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega e, tendo o contribuinte informado, em sua declaração de ajuste anual, deduções de despesas médicas, deve fazer prova dessas despesas, quando provocado, para usufruir das referidas deduções. É o que estabelece o art. 11, § 3º do Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, quando dispõe expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová-las ou justificá-las. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo/nota fiscal firmado pelo profissional da área médica. No entanto, cabe esclarecer que mesmo o contribuinte apresentando os recibos firmados pelo profissional, com todos os requisitos exigidos pela legislação acima transcrita, é licito à Autoridade exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. É equivocado entender-se que basta para comprovação de despesas médicas/odontológicas a apresentação de recibo contendo o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Essa não é a correta interpretação ao inciso III transcrito (matriz legal do art. 80, § 1º, III, do RIR/1999. O tema encontra-se pacificado no âmbito do CARF por meio da Súmula nº 180: Súmula CARF nº 180 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021. Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. A essência do dispositivo legal é a especificação e comprovação tanto dos serviços prestados quanto que foi o contribuinte quem arcou com o ônus do pagamento, tanto que se admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova de transferência de numerários entre pessoas. No presente caso, a fiscalização glosou as despesas médicas acima elencadas por falta de comprovação do efetivo pagamento. Os documentos apresentados não foram considerados como provas incontestes do efetivo pagamento, das deduções pretendidas. Como citado anteriormente, a declaração do dentista sequer especifica cada um dos tratamentos realizados durante o ano de 2014, faz uma declaração genérica. Também não diz exatamente como os valores teriam sido pagos pela recorrente e afirma de forma imprecisa que os pagamentos podem ter se dado em espécie, por cheques e por cartão de crédito. Acerca do pagamento das despesas médicas em espécie, vale dizer que não é proibido pela legislação, todavia o interessado deve possuir meios de comprovar tal operação, para fazer a comprovação do pagamento ou da prestação dos serviços, assistia ao contribuinte a possibilidade de apresentação de vários documentos, tais como: extratos bancários com saques contemporâneos e nos valores dos pagamentos, cheques nominativos, depósitos bancários, transferências entre contas dentre outros documentos. A contribuinte até apresenta uma lista de Fl. 177DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.781 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10840.721294/2018-14 11 valores que teriam sido pagos com cheques e saques, mas não foi possível fazer vinculação inequívoca entre os cheques compensados e saques e os pagamentos ao cirurgião dentista. Nesse ponto, cumpre destacar que a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas requer a coincidência de datas e valores, e a recorrente não logrou êxito em promover tal comprovação. A interessada teve oportunidade, à luz do art. 15 do Decreto nº 70.235/72, de contestar os dados apurados pela Fiscalização, fundamentando sua defesa com os elementos de prova suficientes e necessários a infirmar os dados utilizados na efetivação do lançamento, no entanto, não o fez. É pertinente aqui transcrever o disposto no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (sem grifos no original) Na situação presente e conforme análise da documentação trazida aos autos, não houve o convencimento de que as despesas médicas ocorreram na forma e valores alegados pela contribuinte. A glosa deve ser mantida. 4. Conclusão Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer do argumento de que a multa seria confiscatória, deixo de conhecer dos novos documentos juntados aos autos em razão da preclusão, para, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa Fl. 178DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10865.723655/2016-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 25 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jun 16 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 NULIDADE. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO DELEGADO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUDITORFISCAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. Não se reconhece nulidade quando o auto de infração é devidamente assinado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, autoridade competente para o lançamento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. CONFRONTO ENTRE ECD E NFe. APURAÇÃO DIRETA. ADMISSÃO PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. A constatação de receita omitida mediante confronto objetivo entre a escrituração contábil e as notas fiscais eletrônicas emitidas, confirmada pelo próprio contribuinte ao apresentar planilha que reconhece o montante omitido, legitima integralmente o lançamento, sobretudo quando não são trazidas provas capazes de descaracterizar a omissão ou os cálculos fiscais. IRPJ E CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO DE 30%. EXCESSO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. GLOSA MANTIDA. Comprovado pela fiscalização, por meio de demonstrativos analíticos, que o contribuinte compensou prejuízos fiscais em valores superiores ao limite de 30% do lucro líquido ajustado, e não havendo impugnação específica quanto aos cálculos, mantémse a glosa dos valores excedentes. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TERCEIRO. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. ART. 50 DO CÓDIGO CIVIL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DIRETA PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É inválida a imputação de responsabilidade tributária a terceiro quando a autoridade fiscal fundamenta expressamente o lançamento na desconsideração da personalidade jurídica prevista no art. 50 do Código Civil, instituto cuja aplicação depende de decisão judicial. A responsabilização de terceiros no âmbito tributário submete-se às hipóteses específicas previstas no Código Tributário Nacional, não podendo a autoridade administrativa promover diretamente a extensão dos efeitos da obrigação tributária com fundamento exclusivo em norma de direito privado. Ainda que os fatos apurados possam, em tese, suscitar discussão acerca da existência de interesse comum na situação constitutiva do fato gerador, nos termos do art. 124, I, do CTN, não cabe ao órgão julgador substituir a motivação adotada pela autoridade lançadora para manter a exigência com fundamento jurídico diverso daquele utilizado na constituição do crédito tributário. Caracterizado o vício de motivação do ato administrativo, impõe-se o afastamento da responsabilidade atribuída ao terceiro. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR. ART. 135, III, DO CTN. OMISSÃO DE RECEITAS E COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS. Mantém-se a responsabilidade do administrador quando comprovado que, além de exercer a gestão da sociedade, era também responsável pela elaboração e assinatura da escrituração contábil e das declarações fiscais que deram suporte às infrações tributárias apuradas pela fiscalização. A constatação de omissão de receitas e de compensação de prejuízos fiscais em desacordo com a legislação, associada à atuação direta do administrador como contador da empresa, evidencia sua participação consciente nos atos praticados com infração à lei, legitimando a responsabilização prevista no art. 135, III, do CTN.
Numero da decisão: 1201-007.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (1) rejeitar a preliminar de nulidade formal do lançamento, e (2) no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte. Por maioria de votos, (3) dar provimento ao Recurso Voluntário da responsável solidária Ideal Business, para afastar sua responsabilidade, vencida a Conselheira Isabelle Resende Alves Rocha (Relatora), que votou por mantê-la; e (4) negar provimento ao Recurso Voluntário do sócio-administrador, mantendo sua responsabilidade tributária, vencidos os Conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha (Relatora) e Lucas Issa Halah, que votaram por afastá-la. Designado o Conselheiro Marcelo Antonio Biancardi para redigir o voto vencedor Assinado Digitalmente Isabelle Resende Alves Rocha - Relatora Assinado Digitalmente Marcelo Antonio Biancardi - Redator designado Assinado Digitalmente Nilton Costa Simões - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Marcelo Antonio Biancardi, Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah e Nilton Costa Simoes (Presidente).
Nome do relator: ISABELLE RESENDE ALVES ROCHA

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 NULIDADE. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO DELEGADO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUDITOR‑ FISCAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. Não se reconhece nulidade quando o auto de infração é devidamente assinado por Auditor‑ Fiscal da Receita Federal do Brasil, autoridade competente para o lançamento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. CONFRONTO ENTRE ECD E NF‑ e. APURAÇÃO DIRETA. ADMISSÃO PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. A constatação de receita omitida mediante confronto objetivo entre a escrituração contábil e as notas fiscais eletrônicas emitidas, confirmada pelo próprio contribuinte ao apresentar planilha que reconhece o montante omitido, legitima integralmente o lançamento, sobretudo quando não são trazidas provas capazes de descaracterizar a omissão ou os cálculos fiscais. IRPJ E CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO DE 30%. EXCESSO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. GLOSA MANTIDA. Comprovado pela fiscalização, por meio de demonstrativos analíticos, que o contribuinte compensou prejuízos fiscais em valores superiores ao limite de 30% do lucro líquido ajustado, e não havendo impugnação específica quanto aos cálculos, mantém‑ se a glosa dos valores excedentes. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 2 Ano-calendário: 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TERCEIRO. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. ART. 50 DO CÓDIGO CIVIL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DIRETA PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É inválida a imputação de responsabilidade tributária a terceiro quando a autoridade fiscal fundamenta expressamente o lançamento na desconsideração da personalidade jurídica prevista no art. 50 do Código Civil, instituto cuja aplicação depende de decisão judicial. A responsabilização de terceiros no âmbito tributário submete-se às hipóteses específicas previstas no Código Tributário Nacional, não podendo a autoridade administrativa promover diretamente a extensão dos efeitos da obrigação tributária com fundamento exclusivo em norma de direito privado. Ainda que os fatos apurados possam, em tese, suscitar discussão acerca da existência de interesse comum na situação constitutiva do fato gerador, nos termos do art. 124, I, do CTN, não cabe ao órgão julgador substituir a motivação adotada pela autoridade lançadora para manter a exigência com fundamento jurídico diverso daquele utilizado na constituição do crédito tributário. Caracterizado o vício de motivação do ato administrativo, impõe-se o afastamento da responsabilidade atribuída ao terceiro. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR. ART. 135, III, DO CTN. OMISSÃO DE RECEITAS E COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS. Mantém-se a responsabilidade do administrador quando comprovado que, além de exercer a gestão da sociedade, era também responsável pela elaboração e assinatura da escrituração contábil e das declarações fiscais que deram suporte às infrações tributárias apuradas pela fiscalização. A constatação de omissão de receitas e de compensação de prejuízos fiscais em desacordo com a legislação, associada à atuação direta do administrador como contador da empresa, evidencia sua participação consciente nos atos praticados com infração à lei, legitimando a responsabilização prevista no art. 135, III, do CTN. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (1) rejeitar a preliminar de nulidade formal do lançamento, e (2) no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte. Por maioria de votos, (3) dar provimento ao Recurso Voluntário da Fl. 939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 3 responsável solidária Ideal Business, para afastar sua responsabilidade, vencida a Conselheira Isabelle Resende Alves Rocha (Relatora), que votou por mantê-la; e (4) negar provimento ao Recurso Voluntário do sócio-administrador, mantendo sua responsabilidade tributária, vencidos os Conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha (Relatora) e Lucas Issa Halah, que votaram por afastá- la. Designado o Conselheiro Marcelo Antonio Biancardi para redigir o voto vencedor Assinado Digitalmente Isabelle Resende Alves Rocha – Relatora Assinado Digitalmente Marcelo Antonio Biancardi – Redator designado Assinado Digitalmente Nilton Costa Simões – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Marcelo Antonio Biancardi, Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah e Nilton Costa Simoes (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recursos voluntários interpostos contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, que julgou improcedentes as impugnações do Contribuinte e dos Responsáveis Solidários. O caso tem origem em autos de infração lavrados para cobrança de IRPJ, com reflexos em CSLL, PIS e COFINS referentes ao ano de 2012, em razão da constatação de omissão de receita pela emissão de notas fiscais de venda sem a correspondente contabilização. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de créditos constituídos pela fiscalização, mediante a lavratura de autos de infrações, para lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no ano-calendário 2012, decorrentes da omissão de receita em razão da ausência de escrituração contábil de notas fiscais de venda, bem como da compensação de prejuízos acima do limite de 30%, com os seguintes valores originais: Fl. 940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 4 IRPJ - R$ 128.352,56 CSLL - R$ 52.686,90 PIS - R$ 22.949,39 COFINS - R$ 105.706,33 No Relatório Fiscal de fls. 482/493 a fiscalização informou, em síntese, que: a) A autuada é indústria do ramo de alimentos, constituída como sociedade empresária limitada, tendo por sócios duas pessoas jurídicas (Ideal Business Part. Soc. Ltda e J.G.N. Part. Soc. Ltda) com iguais números de quotas sociais, mas é administrada por administrador pessoa física, Sr. Edson Antonio Tonon, que representa a autuada, assina declarações e a contabilidade da empresa, como contador e administrador. b) Iniciada a fiscalização na autuada, elaborou quadro dando conta de divergências entre as receitas escrituradas na Escrituração Contábil Digital (ECD) e as receitas observadas por meio das Notas Fiscais Eletrônicas (NFe-Sped), para os anos-calendário 2012 e 2013. Em resposta, a Santa Eliza apresentou suas justificativas através de planilha MS Excel e arquivos em PDF contendo razões analíticos; c) A partir da planilha elaborada intimou o contribuinte a prestar esclarecimentos. Assim, acatou as justificativas e comprovações apresentadas pela Santa Eliza no que se refere aos valores omitidos, conforme planilhas e documentos por ela apresentados; d) A autuação compreendeu os dois primeiros trimestres de 2012. Para efeito da apuração do primeiro trimestre, a fiscalização, considerou a receita omitida nos meses de janeiro e fevereiro. Os meses de março e abril, com diferenças negativas em relação ao escriturado, foram considerados como redutores da receita omitida no mês de maio, reduzindo assim a omissão no segundo trimestre; e) Assim a base de cálculo resultou das receitas omitidas no ano-calendário 2012 e, a partir dela, foram lançados de ofício o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Também foram considerados eventuais saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa na apuração do IRPJ e CSLL, respectivamente, devidos; f) Na verificação das compensações de prejuízos fiscais ficou evidenciado que no primeiro e terceiro trimestres de 2012 a Santa Eliza compensou prejuízos fiscais, sem observar o limite de compensação de 30% do Lucro Líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação de regência. Considerando as bases de cálculo do IRPJ serem as mesmas da CSLL, verificou-se a mesma inobservância quanto a essa contribuição social. Os valores compensados a maior foram de R$ 89.824,97 no primeiro trimestre e de R$ 82.778,98 no terceiro trimestre, ambos de 2012; g) Sobre o imposto apurado, nas duas infrações, foi aplicada a multa de ofício em sua graduação mínima de 75%; h) A omissão de receitas e compensação de prejuízos acima do limite legal configuram infração à legislação tributária, portanto, lavrou termo de sujeição Fl. 941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 5 passiva solidária em relação ao administrador, haja vista que é o responsável direto pela contabilização e declaração, nos termos do artigo 135, III do CTN; i) A sócia, Ideal Business, atuou como intermediário financeiro da Santa Eliza. A movimentação financeira da Santa Eliza foi realizada nas contas bancárias da Ideal Business, através da qual eram recebidas as receitas, efetuados pagamentos, transferências e saques, conforme extratos bancários apresentados à fiscalização; j) A Ideal Business não realizou escrita contábil no ano de 2012, justificando ausência de movimentação financeira, bem como declarou que não realizou atividades mercantis ou financeiras no mesmo ano, com exceção da cessão de suas contas bancárias para movimentação pela Santa Eliza, conforme declarações prestadas; k) Nos termos do Art. 50 do Código Civil, houve abuso de personalidade jurídica pela Ideal Business tanto pela confusão patrimonial quanto pelo desvio de finalidade, devendo as obrigações por créditos tributários objeto das infrações tributárias atribuídas à Santa Eliza em 2012 serem estendidos aos bens da Ideal Business na condição de solidária. Inconformadas com a autuação, da qual tomaram ciência pessoal em 18/01/2017, os Impugnantes apresentaram impugnação, às fls. 565/582, 767/787, 802/812 e 815/835, em 17/02/2017, alegando, em síntese, que: Impugnação do Contribuinte: a) A impugnação é tempestiva; b) Nulidade por contrariar o artigo 11 do PAF, ou seja, ausência de assinatura do delegado; c) Exerce suas atividades comerciais e industriais, realizando compra e venda de mercadorias, primando pelo cuidado e diligência em todas as contratações. Realiza a escrituração de todos os eventos que envolvam valores, observando a Resolução CFC 595/85, não havendo que se falar em omissão de receitas; d) A autuada deixou de pagar suas obrigações com alguns fornecedores e, tendo em vista a possibilidade de bloqueio de recursos financeiros, firmou contrato de prestação de serviços com a empresa Ideal Business Participações Societárias LTDA, de modo que os recursos de gestão financeira foram lançados na conta 1.42.10.001 - denominada 796 Banco do Brasil IBSoc. Ag 275-5 c/c 100811; e) Anexou razão analítico do 1º e 2º trimestre com todos os lançamentos necessários à apuração. A fiscalização baseou a autuação em documentos digitais, sem analisar os documentos e livros do contribuinte e sem comprovar a omissão. Não é possível o lançamento baseado em mera presunção; f) Em nenhum momento a defendente deixou de observar o limite de 30% na compensação do prejuízo operacional; Fl. 942DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 6 g) Não sendo devido o imposto, também não são devidos a multa e juros. Não foi comprovada a omissão de receita, nem a inobservância do limite de compensação, não justificando as multas que lhe foram imputadas, também não são devidos juros. Impugnação dos Responsáveis Solidários: h) Não restaram comprovadas práticas que justifiquem a responsabilidade tributária solidária da empresa Ideal Business, nos termos do art. 124 do CTN. Bem assim, deve ser interpretado conjuntamente com o artigo 134 do CTN, logo, somente seria responsável na impossibilidade de satisfação pelo contribuinte e no caso de provado o ato omissivo ou comissivo relacionado ao fato jurídico tributário; i) O contribuinte tem plenas condições de arcar com o débito, o que afasta a solidariedade, caso não entenda assim, somente a responsabilidade abarcaria as penalidades moratórias, haja vista que não houve dolo; j) Reproduz todas as razões de defesa do contribuinte, relatadas acima. (destaques meus) A decisão recorrida (fls. 842/851) afastou as alegações de nulidade formal e rechaçou os argumentos de mérito, ao entendimento de que a fiscalização acatou as justificativas e esclarecimentos do contribuinte, de modo que os valores das receitas omitidas são exatamente aqueles constantes da planilha MANIFESTO DE RECEITAS 2012 (arquivo não paginável 201709131724916), elaborada pela própria autuada, na qual, concluiu que o valor das receitas omitidas não era de R$ 1.746.932,70, como dizia ao Fisco, mas de R$ 1.090.441,51, desta forma admitindo a ocorrência de omissão neste montante. (destaques meus) A DRJ registrou, ainda, que os impugnantes não comprovaram a escrituração e tributação das notas fiscais identificadas como omitidas e que não houve contestação dos cálculos elaborados pela fiscalização. Quanto à compensação do prejuízo fiscal acima do limite de 30%, o acórdão recorrido também entendeu que não foi rechaçada pelas impugnações, que apenas afirmaram a observância do limite. Por fim, a DRJ manteve a responsabilidade solidária da sócia pessoa jurídica, que, “estreme de dúvidas, laborou em comunhão com a autuada para evitar a tributação das receitas, haja vista que o próprio contribuinte afirma que utilizava a conta bancária da sócia para ocultar sua movimentação financeira, com fito de evitar o bloqueio judicial de suas contas pelos credores, o que também implicou na omissão de fatos geradores.” Já a responsabilidade solidária do sócio da Contribuinte foi mantida por ser “representante e administrador da empresa desde o ano de 2004, conforme consta do contrato social, e também atua como contador da empresa, assinando a contabilidade, declarações e demonstrativos.” Fl. 943DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 7 A Contribuinte e os Responsáveis Solidários interpuseram recursos voluntários, reiterando seus argumentos de impugnação. É o relatório VOTO VENCIDO Conselheira Isabelle Resende Alves Rocha, Relatora. 1 ADMISSIBILIDADE A Contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 16/01/2018 (fl. 857) e apresentou o seu recurso voluntário em 09/02/2018 (fl. 859), antes do prazo. O Responsável Solidário sócio administrador da Contribuinte Sr. Edson Tonon protocolou seu recurso no mesmo dia, sendo que não foi registrada sua ciência a respeito do acórdão, falha que se supre pelo comparecimento do sujeito passivo. Também não identifiquei ciência da Responsável Solidária Ideal Business, mas ela também interpôs recurso voluntário, suprindo a ausência de intimação. Assim, os recursos são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual devem ser conhecidos. 2 RECURSOS VOLUNTÁRIOS DA CONTRIBUINTE E DA SÓCIA PESSOA JURÍDICA Considerando que os recursos são mera reiteração da impugnação e por entender que o acórdão recorrido enfrentou de modo satisfatório a questão, adoto as razões de decidir da DRJ, nos termos do art. 114, § 12, I, do RICARF (Portaria MF nº 1634/2023)1, acrescentando ao final considerações que entendo serem pertinentes: DA PRELIMINAR DE NULIDADE 1. NULIDADE POR OFENSA AO ART. 11 DO PAF Os impugnantes alegaram haver nulidade pelo fato de os autos de infração não terem sido assinados pelo delegado da unidade, portanto, lavrados por autoridade incompetente. O artigo 11 do Decreto nº 70.235/72 trata de “notificação de lançamento”, instrumento distinto do “auto de infração”, cujos requisitos estão no artigo 10 da mesma lei. Aquela é expedida pelo órgão que administra o tributo, portanto, 1 Art. 114. (...) (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; e Fl. 944DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 8 assinada pelo seu responsável, este, é lavrado pelo servidor competente pelo lançamento tributário, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos do artigo 6º, inciso I, alínea “a” da 10.593/2002. O processo cuida de autos de infração, cujos requisitos estão no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, e seu inciso VI impõe a assinatura do servidor autuante, com informação do cargo e matrícula, o que se verifica nos documentos de fls. 494/560, portanto, ausente a hipótese arguida, contida no artigo 59, II do PAF, que daria azo à declaração de nulidade. DO MÉRITO 2. DA OMISSÃO DE RECEITA Os Impugnantes sustentam que não houve omissão de receita, porquanto todas as operações de venda foram devidamente escrituradas de acordo com as normas contábeis. Alegam que a autuação decorreu de mera presunção, a partir de indícios, sem a devida comprovação pelo Fisco. Explicam também que a utilização de conta bancária de terceiros para recebimento de suas receitas tinha o objetivo de evitar o bloqueio judicial nas ações de execução pelo inadimplemento de obrigações junto aos fornecedores. O lançamento foi motivado pela falta de escrituração de notas fiscais de venda na contabilidade da autuada, verificada a partir do confronto das informações constantes da ECD e NFe do SPED. Realizado o confronto das informações o Auditor Fiscal elaborou planilha com as receitas omitidas, assim considerados os valores constantes das notas fiscais não escrituradas. Referida planilha foi encaminhada ao contribuinte que, após analisá-la, apresentou esclarecimentos e justificativas, bem assim elaborou sua planilha, denominada de MANIFESTO DE RECEITAS 2012. Informa o Relatório Fiscal (item 15, fls. 487) que a fiscalização acatou as justificativas e esclarecimentos do contribuinte, de modo que os valores das receitas omitidas são exatamente aqueles constantes da planilha MANIFESTO DE RECEITAS 2012 (arquivo não paginável 201709131724916), elaborada pela própria autuada, na qual, concluiu que o valor das receitas omitidas não era de R$ 1.746.932,70, como dizia ao Fisco, mas de R$ 1.090.441,51, desta forma admitindo a ocorrência de omissão neste montante. O Auditor Fiscal não presumiu a ocorrência de omissão de receita, mas a constatou mediante aferição direta no confronto de ECD e NFe de vendas emitidas, cujo resultado da apuração foi submetido ao contribuinte, que, por sua vez, após esclarecimentos e justificativas, admitiu a omissão em sua maior parte. Ainda que a autuada não houvesse admitido a omissão, a fiscalização apontou para as NFe de vendas emitidas e que não estavam escrituradas, discriminando- as, desincumbindo-se, desta forma, do ônus que lhe cabia. Agora, em sede de contencioso, os Impugnantes ainda poderiam demonstrar que esta ou aquela Fl. 945DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 9 NFe foi escriturada, ou cancelada, ou devolvida, de modo a possibilitar uma revisão do quantum omitido, mas não o fizeram. Os Impugnantes até carrearam cópia do razão analítico aos autos, mas não apontam os lançamentos que entendem servirem de prova para demonstrar eventual irregularidade ou ensejar a necessidade da conversão do julgamento em diligência para revisão do lançamento. Os Impugnantes não se desincumbiram do ônus de comprovar que houve a escrituração e oferecimento à tributação dos valores lançados, apresentando suas razões e os pontos de discordância, consoante dispõe artigo 16, III do PAF. Vale lembrar que a mera juntada do razão analítico, como fizeram os Impugnantes, sem que haja a vinculação ao lançamento ou fato que deseja discordar e provar não configura propriamente a comprovação que a lei incumbe ao contribuinte. Conforme mencionado alhures, o lançamento considerou os valores das receitas omitidas constantes das NFe de venda emitidas e não escrituradas, no montante de R$ 1.090.441,51, conforme planilha apresentada pela própria autuada, sendo certo que, em sede de contencioso, não trouxe novos elementos de prova capazes de modificar ou afastar a exação. Vale registrar que em nenhuma das impugnações houve contestação expressa acerca dos cálculos de apuração das bases de cálculo e dos tributos devidos sobre a receita omitida, constantes do auto, (fls. 494/543 e arquivo não paginável 201709131725199) de maneira que se considera matéria não impugnada nos termos do artigo 17 do PAF. 3. DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO ACIMA DE 30% No Relatório Fiscal o Auditor Fiscal informou que na verificação das compensações de prejuízos fiscais ficou evidenciado que no primeiro e terceiro trimestres de 2012 a Santa Eliza compensou prejuízos fiscais, sem observar o limite de compensação de 30% do Lucro Líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação de regência. Considerando as bases de cálculo do IRPJ serem as mesmas da CSLL, verificou-se a mesma inobservância quanto a essa contribuição social. Os valores compensados a maior foram de R$ 89.824,97 no primeiro trimestre e de R$ 82.778,98 no terceiro trimestre, ambos de 2012. Em sua defesa, fls. 575, a Impugnante menciona, em um único parágrafo, que não deixou de observar o limite de 30% na compensação de prejuízo, sem apresentar qualquer razão ou prova para sustentar a sua alegação, de maneira que se considera não impugnada. Nada obstante, o Auditor Fiscal apresentou, com base na informação de fls 246/254, planilha demonstrativa (arquivo não paginável 201709131725199) do cálculo do valor limite para compensação dos prejuízos, evidenciando o descumprimento pelo contribuinte, no 1º e 3º trimestres. Fl. 946DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 10 Realmente, verifica-se, às fls. 251, que houve a compensação de R$ 128.321,38, quando o limite seria R$ 38.496,41 (128.321,38 x 30%), o que resulta num excesso de R$ R$ 89.824,96 no 1º trimestre. Bem assim, nota-se, às fls. 253, que houve a compensação de R$ 118.255,69, quando o limite seria R$ 35.476,07 (118.215,09 x 30%), o que resulta num excesso de R$ R$ 82.778,98 no 3º trimestre, portanto, procedente os lançamentos. Assim como não contestou expressamente a imputação de descumprimento do limite à compensação, os Impugnantes deixaram também de contestar os cálculos de IRPJ e CSLL sobre as bases ajustadas, logo, não impugnados. 4. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Da Responsabilidade do Sócio PJ O Auditor Fiscal relatou, nos itens 28 a 33, de fls. 490/491, a atuação da sócia pessoa jurídica, Ideal Business Participações Ltda, que, estreme de dúvidas, laborou em comunhão com a autuada para evitar a tributação das receitas, haja vista que o próprio contribuinte afirma que utilizava a conta bancária da sócia para ocultar sua movimentação financeira, com fito de evitar o bloqueio judicial de suas contas pelos credores, o que também implicou na omissão de fatos geradores. O contrato de prestação de serviços, fls. 592/595, firmado entre a autuada e sua sócia, além de corresponder, pela confusão patrimonial e comunhão de interesses, a prova produzida unilateralmente, sem qualquer registro ou possibilidade de aferir sua existência previamente aos fatos geradores da autuação, é inócua em face do Fisco, não se prestando para afastar a responsabilidade tributária que pesa sobre as Impugnantes, a teor da norma contida no artigo 123 do CTN. A fiscalização foi eficiente ao demonstrar a impossibilidade de a sócia executar os serviços supostamente contratados, servindo tão-somente para ocultar a movimentação financeira da autuada, o que também resultou na confusão patrimonial, haja vista que a sócia, Ideal Business, mesclou ao seu patrimônio, o da empresa autuada, constatação que enseja a aplicação do artigo 50 do CC/02, na forma em que fundamentou o Auditor, para desconsiderar a personalidade jurídica da sócia e atribuir a responsabilidade solidária. Os Impugnantes, a respeito da responsabilidade solidária, atribuída à sócia Ideal Business, questionaram a sujeição passiva, mas sob o fundamento dos artigos 124 e 134, defendendo, em síntese, que a responsabilidade seria subsidiária e, ainda assim, somente abarcaria as penalidades moratórias. No âmbito da RFB, o entendimento prevalente é de que a responsabilidade atribuída pelo artigo 124 é solidária, portanto, não guarda benefício de ordem. Embora não tenha sido este o fundamento legal utilizado pelo Auditor Fiscal, os atos praticados pela sócia da autuada ajustam-se perfeitamente ao seu inciso I, pois, não resta dúvida de que o fato de utilizar sua conta bancária para ocultar a Fl. 947DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 11 movimentação financeira da autuada, laborou também para omitir do Fisco fatos geradores que não foram oferecidos à tributação, o que caracteriza o interesse comum de que trata a norma suscitada. À vista dos fatos narrados no relatório fiscal e do conjunto probatório constante dos autos, escorreito o procedimento adotado pela fiscalização, que comprovou a confusão patrimonial e o desvio de finalidade da pessoa jurídica, sócia da autuada, caracterizou o abuso de personalidade e atribuiu a responsabilidade solidária, com fito de alcançar o patrimônio da sócia para garantia e satisfação do crédito tributário. A respeito da confirmação da Recorrente sobre as receitas omitidas, relevante reiterar o teor da decisão recorrida analisando a planilha apresentada no arquivo não paginável de fl. 341, em que a Contribuinte afirmou que “A Receita Real omitida por ERRO após todos os cálculos soma o valor de R$ 1.090.441,51.”, exatamente a base utilizada pela fiscalização para os lançamentos ora discutidos. No que tange à responsabilidade solidária da sócia Ideal Business, entendo que a fundamentação para sua manutenção merece maior aprofundamento, notadamente porque a autoridade fiscal não indicou dispositivo do CTN para embasar a responsabilização. E, como destacou a DRJ, a hipótese dos autos se subsome ao art. 124, I do CTN, dada a caracterização de interesse econômico e jurídico no fato gerador, consubstanciado na confusão patrimonial e abuso da personalidade jurídica. A pergunta que se faz diante disso é: poderia o fisco responsabilizar solidariamente a empresa sócia por desconsideração da personalidade jurídica, invocando o art. 50 do Código Civil2, sem mencionar os requisitos de responsabilização tributária do CTN? A doutrina auxilia na construção da resposta, de modo que recorro a Maria Rita Ferragut3, para quem a responsabilidade tributária de terceiros não se confunde com a mera vinculação formal decorrente de relações societárias. Ao contrário, exige-se que o sujeito responsabilizado esteja materialmente vinculado ao fato gerador ou à prática que ensejou a obrigação tributária. Todavia, a mesma autora esclarece que há hipóteses em que a própria estrutura societária é utilizada de forma abusiva, com a criação de entes jurídicos meramente formais, desprovidos de autonomia real, com o objetivo de ocultar patrimônio, diluir responsabilidades ou frustrar a atuação do Fisco. Nessas situações, não se está propriamente diante de um grupo econômico legítimo, mas sim de uma simulação de autonomia, em que diversas pessoas jurídicas operam como se fossem uma única entidade econômica, ao menos em relação àquele ato infracional. 2 Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. 3 Artigo “Grupos Econômicos e Responsabilidade Tributária” na obra Coletânea 100 anos do CARF, organizada por Ana Claudia Borges de Oliveira e Tadeu Puretz, São Paulo, 2024. Fl. 948DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 12 É precisamente nesse contexto que se insere o art. 50 do Código Civil, que autoriza a desconsideração da personalidade jurídica e corresponsabilização de terceiros quando verificados o desvio de finalidade ou a confusão patrimonial. Embora Ferragut tenha feito essa análise no contexto do art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 (responsabilidade solidária de grupo econômico para fins de contribuição previdenciária), o raciocínio se aplica ao presente caso, na medida em que se entende que a desconsideração não se presta a criar nova hipótese de sujeição passiva tributária, mas sim a permitir que se alcance solidariamente o patrimônio daquele que, embora formalmente distinto, atuou de forma abusiva e integrada na prática dos atos que deram ensejo à obrigação. No caso concreto, o conjunto probatório evidencia, de forma inequívoca, a ocorrência de tais pressupostos. Conforme relatado pela autoridade fiscal (itens 28 a 33, fls. 490/491), a sócia Ideal Business Participações Ltda. foi utilizada como meio para movimentação financeira da autuada, inclusive com a disponibilização de sua conta bancária para ocultação de receitas, com o objetivo de evitar bloqueios judiciais e frustrar a atuação de credores. Tal circunstância foi reconhecida pela própria Contribuinte, que explicou a situação no contexto de contratação da empresa Ideal Business para a prestação de serviços de gestão financeira. O contrato firmado entre as partes, juntado pela Contribuinte nas fls. 592/595, denota como objeto a “a prestação de serviços de administração em geral, incluindo serviços de cobrança, objetivando a recuperação financeira da empresa mediante a reestruturação financeira e administrativa da mesma.” O próprio contrato prevê que “em virtude da dificuldade financeira atravessada pela CONTRATANTE, as contas bancárias encontram-se bloqueadas mediante decisão judicial, fazendo-se necessária a utilização da conta bancária da CONTRATADA para execução do objeto contratual.” Acontece que a contratada era sócia da contratante desde 20/08/2004 (fl. 485), tendo sido o tal contrato assinado no dia 23/05/2007. Assim, longe de afastar as conclusões de confusão patrimonial e abuso de personalidade jurídica, o contrato apresentado pelas Recorrente reforça-as. Isso porque não apenas carece de elementos que comprovem a efetiva execução do serviço de recuperação financeira, como revela, em sua própria lógica, a utilização da sócia como meio para circulação de recursos da autuada em contexto de restrição patrimonial. Trata-se, portanto, de instrumento que busca conferir aparência de legalidade a uma prática que, na substância, corresponde à utilização indevida da autonomia patrimonial da suposta contratada, inclusive com indícios de fraude a credores. Nesse cenário, a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica mostra-se adequada para afastar a autonomia meramente formal da sócia e permitir a responsabilização solidária pela omissão de receitas constatada no período em que uma transitava seus recursos pela conta bancária da outra. Fl. 949DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 13 É importante registrar que a desconsideração da personalidade jurídica não exige a demonstração de dolo na prática de crime tributário, mas a comprovação de que houve desvio de finalidade e confusão patrimonial. Além disso, a doutrina esclarece que a desconsideração não implica a extinção da pessoa jurídica, mas apenas a suspensão pontual dos efeitos da sua autonomia patrimonial em determinado caso concreto, preservando-se sua existência para as demais relações jurídicas4. No âmbito tributário, a jurisprudência do CARF tem reconhecido que a autoridade administrativa pode proceder à desconsideração da personalidade jurídica quando presentes os seus pressupostos, no exercício da competência atribuída pelo art. 142 do CTN para constituir o crédito tributário e identificar os sujeitos passivos. Nesse sentido, o Acórdão nº 2201-009.434 assentou que a desconsideração da personalidade jurídica, embora não seja necessária, é útil à autoridade fiscal para conferir efetividade ao crédito tributário em algumas circunstâncias, destacando que cabe à autoridade, no ato do lançamento, comprovar a ocorrência das hipóteses previstas pela lei para fundamentar essa desconsideração. A citação a seguir auxilia na compreensão do entendimento: Assim, o desenvolvimento mais explícito, rápido e completo da figura da 'desconsideração da personalidade jurídica' nos domínios do direito privado pode e deve ser aproveitado no campo do direito tributário, já familiarizado, embora parcialmente, com a prática. Nesta linha, o art. 50 do novo Código Civil afirma e confirma a possibilidade de se afastar a personalidade jurídica quando esta concorre para a proteção indevida de patrimônios individuais em detrimento do Fisco. Pode-se afirmar, diante do que foi considerado, que o art. 50 do novo Código Civil não é necessário, mas é útil à autoridade fiscal no momento de constituir, em certas circunstâncias, o crédito tributário. Não é necessário porque a autoridade pode apurar o crédito tributário contra o contribuinte em sentido estrito (com fundamento nos arts. 121, parágrafo único, inciso I, 142 e 149, inciso VII do CTN) ou contra o responsável (com fundamento nos arts. 121, parágrafo único, inciso II, 135 e 142 do CTN). E útil porque confirma, para a ordem jurídica brasileira como um todo e para o direito tributário em particular, a possibilidade da desconsideração ou afastamento da personalidade jurídica. Importa, ainda, destacar que o agente da desconsideração da personalidade jurídica no campo tributário não é o juiz. A menção ao magistrado no art. 50 do novo Código Civil decorre do fato daquele dispositivo estar voltado para a aplicação da desconsideração em relações jurídicas de direito privado, caracterizadas pela horizontalidade, onde uma das partes não pode, unilateralmente, impor obrigações ou constituir direitos em desfavor da outra. Na seara tributária, como já sublinhado, compete à autoridade fiscal, nos termos do 4 RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito empresarial esquematizado.4. ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2014. Fl. 950DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 14 art. 142 do Código Tributário Nacional, constituir o crédito tributário, identificando o sujeito passivo da obrigação. Neste momento, se for o caso, será aplicada a desconsideração da personalidade jurídica. Esse entendimento, portanto, harmoniza-se com os arts. 128 e 124, I, do CTN, que admitem a atribuição de responsabilidade a terceiros vinculados ao fato gerador. Utilizando, mais uma vez, a doutrina de Maria Rita Ferragut, pode-se afirmar que o art. 50 do Código Civil somente não poderia ser aplicado se lhe fosse conferida interpretação que contrariasse as normas gerais do CTN, o que não é o caso. Diante disso, ainda que o Auditor Fiscal não tenha fundamentado expressamente a responsabilização no art. 124, I, do CTN, os fundamentos fáticos e jurídicos adotados são compatíveis com o sistema de responsabilidade tributária, de modo que voto por manter a responsabilização solidária atribuída à pessoa jurídica Ideal Business Participações Ltda. 3 RECURSO VOLUNTÁRIO DO SÓCIO ADMINISTRADOR Em reiteração de sua impugnação, o sócio administrador da Contribuinte sustenta que sua indicação responsável solidária não corresponde aos fatos e carece de comprovação de condutas que justifiquem transferência de responsabilidade. Invoca o art. 128 do CTN para lembrar que só lei pode, expressamente, atribuir responsabilidade a terceiro vinculado ao fato gerador, e distingue a responsabilidade de terceiros (arts. 134 e 135 do CTN) da responsabilidade por substituição, frisando que aquela é por transferência e surge após o fato gerador. Argumenta que a solidariedade do art. 124 do CTN não alcança os sócios administradores na hipótese dos autos, pois não há interesse comum no fato gerador nem designação legal específica. Além disso, o art. 134 condiciona a responsabilização solidária à impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação do contribuinte — o que não se verifica, porque a contribuinte principal está regularmente constituída e com situação “ATIVA” no CNPJ. Sem esse requisito, não se pode estender a terceiros a obrigação do sujeito passivo principal. Aduz, ainda, que, mesmo em cenário de responsabilidade de terceiro, o parágrafo único do art. 134 limita a repercussão, em matéria de penalidades, às multas moratórias, inexistindo dolo do responsável. Entendo que assiste razão ao Recorrente. Sua responsabilidade solidária na autuação foi embasada no art. 135, III, do CTN, pelo simples fato de ele ser, na época dos fatos, responsável pela administração da sociedade e também assinava as demonstrações contábeis como contador. No entanto, a responsabilização de um sócio administrador pela obrigação tributária da empresa exige a existência de prova consistente e detalhada que, além de Fl. 951DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 15 individualizar sua ação, evidencie o ato ilícito praticado. Somente nessa hipótese se admite atingir o patrimônio pessoal do gestor para satisfazer o crédito tributário. Convém lembrar que a pessoa jurídica possui patrimônio próprio, distinto do de seus sócios e administradores, e que o afastamento dessa autonomia – com a consequente responsabilização pessoal dos dirigentes – constitui medida de caráter excepcional, dependente de comprovação robusta de comportamentos concretos. Aqui, portanto, diferente da desconsideração da personalidade jurídica empreendida para responsabilizar a sócia pessoa jurídica que emprestou suas contas bancárias para a Contribuinte, para que se configure a responsabilidade solidária do art. 135, III, do CTN, exige-se a comprovação de dolo do administrador na prática dos atos que teriam levado à omissão de receitas, o que não se verificou no caso concreto. 4 DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade formal do lançamento e, no mérito, negar provimento aos recursos da Contribuinte e da Responsável Solidária Ideal Business. Quanto ao recurso voluntário do sócio administrador, voto por dar-lhe provimento para excluir sua responsabilidade tributária firmada com base no art. 135, III, do CTN, por ausência de comprovação de dolo na prática de omissão de receitas. Assinado Digitalmente Isabelle Resende Alves Rocha VOTO VENCEDOR Marcelo Antonio Biancardi, redator designado Pedimos vênia à brilhante relatora para discordar no que tange a atribuição de responsabilidade tributária pelos motivos abaixo expostos. No que se refere aos demais assuntos julgados, transformamos em nossos os argumentos e voto da relatora. 1 DA RESPONSABILIDADE DA IDEAL BUSSINESS A controvérsia cinge-se à validade da imputação de responsabilidade solidária à empresa Ideal Business Participações Societárias Eireli, promovida pela autoridade fiscal no âmbito do lançamento. Do exame do Relatório Fiscal, verifica-se que a autoridade autuante não fundamentou a responsabilização da recorrente nas hipóteses previstas no Código Tributário Fl. 952DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 16 Nacional, mas expressamente na desconsideração da personalidade jurídica prevista no art. 50 do Código Civil. Com efeito, já no resumo da autuação consignou-se que: “Durante o procedimento fiscal foi verificado que um dos sócios da Indústria Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Santa Eliza Ltda (Santa Eliza), a empresa Ideal Business Participações Societárias Eireli – EPP – CNPJ 06.371.388/0001-13 (Ideal Business), cedeu suas contas bancárias para trânsito financeiro das operações da Santa Eliza no período dos fatos geradores omitidos. Assim, nos termos do art. 50 da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil), a Ideal Business passa a responder, também, solidariamente com o crédito tributário lançado na presente autuação.” Posteriormente, ao tratar especificamente da matéria, a fiscalização afirmou que: “Logo, A Ideal Business distancia-se de seu objeto social ao ceder suas contas bancárias para movimentação de terceiros, sem a devida contabilização, e separação de forma inequívoca, de forma a demonstrar a propriedade de tais valores (se da Santa Eliza, se da Ideal Business o de ambas) em desrespeito à separação patrimonial inerente às pessoas jurídicas. Verifica-se, pois a confusão patrimonial na movimentação bancária e o desvio de finalidade quanto ao objeto social.” E concluiu: “Portanto, nos termos do Art. 50 do Código Civil, houve abuso de personalidade jurídica pela Ideal Business tanto pela confusão patrimonial quanto pelo desvio de finalidade, devendo as obrigações por créditos tributários objeto das infrações tributárias atribuídas à Santa Eliza em 2012 serem estendidos aos bens da Ideal Business na condição de solidária.” [Grifamos]. Não há dúvida, portanto, de que a motivação adotada pela autoridade fiscal foi a aplicação direta do art. 50 do Código Civil, mediante reconhecimento de confusão patrimonial e desvio de finalidade. Todavia, a própria norma invocada pela fiscalização dispõe que: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. A redação legal é inequívoca ao atribuir ao Poder Judiciário a competência para decretar a desconsideração da personalidade jurídica. Trata-se de instituto de direito privado cuja aplicação pressupõe decisão judicial, não cabendo à autoridade administrativa promover, diretamente no lançamento tributário, a Fl. 953DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 17 extensão dos efeitos de obrigações aos bens de terceiros com fundamento exclusivo no art. 50 do Código Civil. [Grifos nossos]. No âmbito do direito tributário, a responsabilização de terceiros encontra disciplina própria no Código Tributário Nacional, que estabelece hipóteses específicas de sujeição passiva indireta. Entre elas, destaca-se o art. 124, inciso I, do CTN, segundo o qual são solidariamente obrigadas “as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. Sob esse aspecto, cumpre registrar que os fatos descritos pela fiscalização são potencialmente aptos a ensejar discussão acerca da existência de interesse comum na situação que deu origem à obrigação tributária. Segundo o Relatório Fiscal, a Ideal Business teria: a) atuado como intermediária financeira da Santa Eliza; b) permitido que a movimentação financeira da Santa Eliza fosse realizada por meio de suas próprias contas bancárias, pelas quais transitavam receitas, pagamentos, transferências e saques; c) declarado ausência de movimentação financeira própria, apesar da utilização de suas contas para movimentação de recursos da Santa Eliza; d) apresentado DIPJ com receita zero; e) participado de contexto que a fiscalização qualificou como confusão patrimonial e desvio de finalidade. Conforme nosso entendimento, o interesse comum previsto no art. 124, I, do CTN não se restringe à realização conjunta do fato gerador em sentido estrito, podendo alcançar situações de atuação coordenada, fraude, conluio, abuso da personalidade jurídica, confusão patrimonial ou participação consciente na desfiguração do fato jurídico tributário, desde que demonstrados vínculo material com a infração e nexo causal com o resultado lesivo ao Erário. Todavia, não foi essa a fundamentação adotada no lançamento. A autoridade fiscal não imputou responsabilidade à Ideal Business com fundamento no art. 124, I, do CTN. Tampouco construiu a motivação do ato administrativo a partir dos requisitos próprios da responsabilidade tributária previstos no sistema tributário nacional. Ao contrário, fundamentou expressamente a responsabilização na desconsideração da personalidade jurídica prevista no art. 50 do Código Civil, instituto cuja aplicação foi atribuída pelo legislador ao Poder Judiciário. Tal situação difere-se do simples equívoco na atribuição da responsabilidade tributária considerando-se os artigos do CTN, que ao nosso ver pode ser suprido pela correta descrição dos fatos ensejadores da responsabilização. Neste caso, o princípio jurídico e os requisitos legais são os mesmos, havendo mero equívoco formal no enquadramento legal, Fl. 954DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 18 equívoco este que não impede ao responsabilizado apresentar sua defesa sem prejuízo do contraditório e da ampla defesa, já que o instituto jurídico atacado é o mesmo. Por sua vez, no presente caso, estamos diante de institutos jurídicos de natureza totalmente diversa. Como visto, o art. 50 do CC disciplina instituto de direito privado, aplicável na relação entre particulares, enquanto o art. 124, I do CTN trata de regulamento de direito público, onde há prevalência do interesse público sobre o do administrado. Nessas circunstâncias, não cabe ao órgão julgador substituir a motivação adotada pela autoridade lançadora para manter a exigência com fundamento jurídico diverso daquele efetivamente utilizado na constituição do crédito tributário, sob pena de macular os princípios da ampla defesa e do contraditório. A validade do lançamento deve ser examinada à luz dos motivos expressamente indicados pela autoridade administrativa. Se a responsabilização foi construída sobre fundamento jurídico inadequado, o vício compromete a própria validade do ato quanto à inclusão do terceiro no polo passivo. Assim, ainda que os fatos descritos no Relatório Fiscal pudessem, em tese, suscitar debate acerca da aplicação do art. 124, I, do CTN, a responsabilização efetivamente promovida baseou-se exclusivamente na desconsideração da personalidade jurídica prevista no art. 50 do Código Civil, fundamento que não poderia ser utilizado pela autoridade fiscal para, por si só, estender os efeitos da obrigação tributária à recorrente. Diante disso, voto por afastar a responsabilidade atribuída à Ideal Business Participações Societárias Eireli, excluindo-a do polo passivo da presente exigência fiscal. 2 DA RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR Divirjo da conclusão da eminente relatora de que não estariam presentes os requisitos para a responsabilização do administrador Edson Antonio Tonon com fundamento no art. 135, III, do CTN. Inicialmente, cumpre destacar que a autoridade fiscal não atribuiu responsabilidade ao recorrente exclusivamente em razão de sua condição formal de administrador. Ao contrário, o Relatório Fiscal registra circunstâncias concretas que evidenciam sua participação direta nos fatos que deram origem às infrações tributárias apuradas. Conforme consignado no relatório, a fiscalização constatou a ocorrência de duas infrações tributárias distintas: (i) omissão de receitas decorrente da emissão de notas fiscais de venda sem a correspondente contabilização e (ii) compensação indevida de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas em desacordo com o limite legal de 30%. A fiscalização apurou que havia divergências entre as receitas registradas na Escrituração Contábil Digital e aquelas efetivamente evidenciadas pelas Notas Fiscais Eletrônicas, Fl. 955DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 19 concluindo pela existência de receitas omitidas nos dois primeiros trimestres de 2012. Após análise dos documentos apresentados pela recorrente, permaneceu caracterizada omissão de receitas em montante superior a um milhão de reais. Além disso, verificou-se que a sociedade compensou prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL sem observância do limite legal de 30%, promovendo redução indevida das bases tributáveis. No tocante ao recorrente solidário, o relatório registra expressamente que ele era o representante legal da sociedade durante todo o período fiscalizado, exercendo a administração da empresa desde agosto de 2004. Mais do que isso, a fiscalização consignou que o recorrente solidário não apenas administrava a sociedade, mas também era responsável pelo preenchimento da DIPJ e assinava as demonstrações contábeis e fiscais da empresa, inclusive o balanço patrimonial e o LALUR, simultaneamente na qualidade de administrador e contador. Esse aspecto assume especial relevância para o deslinde da controvérsia. A responsabilização prevista no art. 135, III, do CTN exige demonstração de prática de atos com infração à lei. Evidentemente, tal responsabilidade não decorre automaticamente da mera condição de sócio ou administrador. Todavia, quando o administrador participa diretamente da elaboração, validação e assinatura dos registros contábeis e das declarações fiscais que veiculam informações falsas ou inexatas, revela-se presente o elemento subjetivo necessário à responsabilização. No caso concreto, as infrações apuradas não decorreram de fatos externos ou de mera irregularidade formal. A omissão de receitas pressupõe a existência de receitas efetivamente auferidas pela empresa que deixaram de ser refletidas na escrituração contábil e fiscal. Da mesma forma, a compensação indevida de prejuízos fiscais pressupõe a adoção consciente de critérios incompatíveis com a legislação tributária. Não se trata, portanto, de situação em que o administrador poderia alegar desconhecimento dos fatos e/ou o contador de que procedeu à incorreta contabilização em função da ascendência funcional imposta pelo administrador. Ao acumular as funções de administrador e contador da sociedade, sendo simultaneamente responsável pela condução dos negócios empresariais, pela escrituração contábil, pela elaboração das demonstrações financeiras e pela transmissão das declarações fiscais, o recorrente possuía domínio integral sobre as informações utilizadas para apuração dos tributos. As receitas omitidas eram conhecidas pela administração da empresa e as informações prestadas ao Fisco eram produzidas sob sua supervisão direta. As divergências entre as notas fiscais emitidas e as receitas escrituradas não poderiam passar despercebidas justamente à pessoa encarregada de elaborar e assinar a contabilidade e as declarações tributárias da sociedade. Fl. 956DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.573 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.723655/2016-17 20 Da mesma forma, a compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal não decorre de erro material involuntário, mas da adoção consciente de procedimento incompatível com a legislação de regência. Nesse contexto, os fatos apurados evidenciam que o recorrente não figurava como mero administrador formal, mas atuava diretamente na gestão operacional e na produção das informações contábeis e fiscais que serviram de suporte às infrações tributárias constatadas pela fiscalização. A conjugação das funções de administrador e contador, aliada à natureza das infrações apuradas, permite concluir pela existência de atuação dolosa na apresentação de informações sabidamente incompatíveis com a realidade econômica e fiscal da empresa, circunstância que caracteriza infração à lei para os fins do art. 135, III, do CTN. Assim, entendo que a autoridade fiscal logrou demonstrar elementos suficientes para individualizar a conduta do recorrente e estabelecer o nexo entre sua atuação e as infrações tributárias apuradas, razão pela qual deve ser mantida sua responsabilização pessoal pelos créditos tributários objeto da autuação. Diante do exposto, voto por manter a responsabilidade atribuída ao Sr. Edson Antonio Tonon, nos termos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Assinado Digitalmente Marcelo Antonio Biancardi Fl. 957DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido 1 Admissibilidade 2 RECURSOS VOLUNTÁRIOS DA CONTRIBUINTE E DA SÓCIA PESSOA JURÍDICA 3 RECURSO VOLUNTÁRIO do sócio administrador 4 DISPOSITIVO Voto Vencedor 1 DA RESPONSABILIDADE DA IDEAL BUSSINESS 2 DA RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR

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Numero do processo: 10580.731808/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 14 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições destinadas a terceiros a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. O adicional constitucional de férias integra o salário de contribuição para o fim de incidência da contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.072.485/PR. TEMA 985 DO STF. MODULAÇÃO EFEITOS. É legítima a incidência de contribuição social sobre o valor satisfeito a título de terço constitucional de férias. Em sede de embargos de declaração opostos foi modulado os efeitos da decisão, a contar da data da publicação da ata de julgamento da decisão de mérito, ou seja, a contribuição previdenciária das empresas deve ser cobrada sobre o terço constitucional de férias a partir de 15/09/2020, com exceção das contribuições já pagas e não impugnadas judicialmente até essa mesma data, que não serão devolvidas pela União. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário é efeito que decorre direta e automaticamente da interposição tempestiva do recurso voluntário, nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional, prescindindo de decisão a respeito por parte do CARF.
Numero da decisão: 2101-003.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Débora Fófano dos Santos - Relatora Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Carolina da Silva Barbosa, Debora Fofano dos Santos, Mario Hermes Soares Campos (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS

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OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições destinadas a terceiros a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. O adicional constitucional de férias integra o salário de contribuição para o fim de incidência da contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.072.485/PR. TEMA 985 DO STF. MODULAÇÃO EFEITOS. É legítima a incidência de contribuição social sobre o valor satisfeito a título de terço constitucional de férias. Em sede de embargos de declaração opostos foi modulado os efeitos da decisão, a contar da data da publicação da ata de julgamento da decisão de mérito, ou seja, a contribuição previdenciária das empresas deve ser cobrada sobre o terço constitucional de férias a partir de 15/09/2020, com exceção das contribuições já pagas e não impugnadas judicialmente até essa mesma data, que não serão devolvidas pela União. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário é efeito que decorre direta e automaticamente da interposição tempestiva do recurso voluntário, nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional, prescindindo de decisão a respeito por parte do CARF. Fl. 804DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.799 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.731808/2010-92 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Débora Fófano dos Santos – Relatora Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Carolina da Silva Barbosa, Debora Fofano dos Santos, Mario Hermes Soares Campos (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por TOP SERVICE SERVIÇOS E SISTEMAS LTDA, sucessora por incorporação da empresa PREDIAL HIGIENIZAÇÃO LIMPEZA E SERVIÇOS LTDA (fls. 690/697 e págs. PDF 643/650), contra decisão no acórdão exarado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE (fls. 645/658 e págs. PDF 607/620), que julgou a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário formalizado no Auto de Infração – DEBCAD 37.306.542-6, consolidado em 20/11/2010, no montante de R$ 81.432,11, já acrescido de juros e multa de mora, referente contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social correspondentes exclusivamente às contribuições a cargo da empresa (terceiros - outras entidades) sobre a remuneração paga aos segurados empregados, não incluídas em GFIP (fls. 02/36), acompanhado do Relatório Fiscal (fls. 37/49). Do Lançamento Utilizo para compor o presente relatório o seguinte excerto extraído do acórdão recorrido (fls. 646/647 e págs. PDF 608/609): Tem-se em pauta o auto de infração (AI) n 37.306.542-6 para a exigência de contribuições destinadas a terceiros, incidentes sobre as remunerações dos Fl. 805DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.799 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.731808/2010-92 3 segurados que prestaram serviços ao Autuado, nas competências 01/2006 a 13/2006. Valor R$ 81.432,11. Além do estabelecimento matriz (15.XXX.XXX/0001-39), integra o lançamento informações da filial (15.XXX.XXX/0002-10). Os fatos geradores estão agrupados nos seguintes levantamentos:  AE1 - EMP POR AFERIÇÃO INDIRETA RAIS: remuneração de empregados não declarada em GFIP, apurada por aferição indireta na RAIS;  EN1 - EMP NÃO DECLARADOS EM GFIP: remunerações de empregados registradas nas folhas de pagamentos digitais, não declaradas em GFIP;  SF1 - REM E GLOSA DE SALFAM: salário-família considerado salário-de- contribuição, visto que a empresa não apresentou documentos. Consoante relatório fiscal (fls. 37/49), o Autuado não considerou como salário-de- contribuição as seguintes rubricas: reembolso de transporte, reembolso de refeição, 1/3 adic de férias, 1/3 s/ férias variáveis, 1/3 s/ variáveis - vlr, cesta básica, reembolso vale transporte, pagamento de transporte BA, ajuda eventual/abono, reemb cesta básica. A auditoria prossegue relatando que as guias de recolhimento normais e as guias de retenção foram abatidas conforme relatório de apropriação de documentos apresentados (RADA) fls. 24/33. Conforme despacho (fls. 50/51), os documentos de prova estão anexados ao processo principal n 10580.731806/2010-01, ao qual o presente está apensado. (...) Da Impugnação, da Diligência e da Impugnação Adicional O contribuinte foi cientificado do lançamento e apresentou impugnação em 30/12/2010 (fls. 53/67), acompanhada de documentos (fls. 68/258), com os argumentos sintetizados abaixo, extraídos do acórdão recorrido (fls. 647/649 e págs. PDF 609/611): (...) Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 53/67), em 30/12/2010, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: 1. Preliminarmente: 1.1. o MPF foi instaurado para fiscalização do estabelecimento matriz (Predial BA), no entanto o lançamento contempla supostas infrações da filial (Predial SP), cuja jurisdição é de competência da Receita Federal em SP; 1.2. a fiscalização foi prejudicada em relação à filial, pois parte dos documentos não foi apresentada porque estavam arquivados no estabelecimento de SP; 2. apresentação de folhas de pagamentos e GFIPs indevidos porque: Fl. 806DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.799 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.731808/2010-92 4 2.1. apresentou folhas de pagamentos em papel e MANAD com inconsistências, originárias de erro na parametrização para gerar referidos documentos; 2.2. verificou-se também equívoco no arquivo SEFIP, pois os que foram entregues haviam sido substituídos em razão da transmissão de retificações (Anexo A), por isso apurou-se suposto recolhimento a menor; 2.3. Apresenta: últimas GFIP transmitidas (anexo D); folhas de pagamentos (anexo E e F); e planilhas (doc. 18 e doc. 19); 3. Dedução do salário de contribuição: 3.1. acrescentou-se indevidamente na base de cálculo as seguintes rubricas que não integram o salário-de-contribuição: reembolso de transporte; reembolso de alimentação; 1/3 adic de férias; 1/3 s/ férias variáveis; 1/3 s/ variáveis - vlr; cesta básica; pagamento de transporte BA; Ajuda eventual/abono; reemb. cesta básica; 3.2. apresenta justificativa para pagamento de cada uma das rubricas contestadas (tabela às fls. 55/56), alegando que os valores não estão sujeitos à incidência e a exclusão está prevista na legislação; 3.3. junta cópia de inscrição do Impugnante no PAT (doc. 20); 4. inclusão no parcelamento dos valores não contestados: 4.1. os valores relativos aos seguintes levantamentos serão incluídos no parcelamento da Lei n 11.941/2009: AE1 - Emp por aferição indireta RAIS; AI1 - CI por aferição indireta DIRF; e SF1 - Rem e glosa de SalFam; 4.2. junta pedido de parcelamento (doc. 21 a 23); 4.3. os débitos objeto de parcelamento devem ser excluídos do lançamento fiscal; 5. retificação de ofício de erros de fato: 5.1. os erros de fato cometidos pela Impugnante ao apresentar GFIP, folhas de pagamento, MANAD e outras informações com inconsistências não causaram nenhum prejuízo à Administração Tributária, considerando que ao corrigi-los não será reduzido nem excluído tributo; 5.2. a retificação de ofício tem respaldo no art. 147 do CTN; 5.3. em respeito ao princípio da verdade real, espera que todos os documentos e argumentos apresentados sejam aceitos. Ao final, requer o cancelamento integral da exigência fiscal reclamada e protesta por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos. Com a impugnação, trouxe cópias dos seguintes documentos: representação (fls. 68/77); AI (fls. 78/107); CNPJ (fls. 108/109); inscrição no PAT (f. 110); contrato social (111/124); pedido de parcelamento (fls. 112/127); resumos de folhas de pagamentos (fls. 128/219); GFIP (fls. 220/230). Ao final da impugnação, indica relação com outros anexos, incluindo cd, que não foram juntados aos autos. Fl. 807DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.799 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.731808/2010-92 5 Em 28/06/2011, o sujeito passivo atravessa petição (fls. 232/234) requerendo o desmembramento da parte não impugnada do crédito. Em 07/11/2012, foi desmembrada a parte não impugnada do crédito, conforme Termo de Transferência (TETRA), fls. 278, e Discriminativo analítico do débito desmembrado (DADD), fls. 279/286. Da análise inicial, o processo foi baixado em diligência (fls. 291/293) para a Fiscalização se pronunciar acerca dos fatos narrados na impugnação. Em resposta (fls. 557/567), a auditoria propõe manter o lançamento e excluir da base de cálculo somente as rubricas:  "Adicional 1/3 de férias", "Adicional 1/3 variáveis - Qtd"; "Adicional 1/3 variáveis - Vlr", por corresponderem a férias indenizadas;  "transporte", em razão do Parecer PGFN/CRJ n.º 189/2016;  "refeição", por corresponder a cesta básica;  "ajuda eventual/abono", em razão do Parecer PGFN/CRJ n.º 2114/2011. Cientificado da diligência em 17/07/2017 (fl. 570), o sujeito passivo apresentou impugnação adicional (fls. 576/584), em 03/08/2017, argumentando: 6. rubricas mantidas no AI: em relação as férias mantidas no lançamento, não devem prosperar porque a jurisprudência dos tribunais superiores já se consolidou em favor do contribuinte; 7. da glosa indevida dos créditos: no relatório RADA o fiscal apropriou créditos da Impugnante e de ofício realizou inúmeras compensações. Sobre o montante dos débitos que foram excluídos do auto de infração, o fiscal não trouxe tópico para tratar da situação das glosas dos créditos que recaiam sobre tais débitos; 8. os erros de fato ao prestar informações em GFIP não causaram prejuízos à administração tributária, devendo ser retificados de ofício. Ao final, requer o apensamento do processo ao de nº 10580.731806/2010-01; exclusão das rubricas mantidas; suspensão da exigibilidade; em sendo mantida a exigência, requer apropriação dos créditos e restituição de eventual saldo em favor da Impugnante; provar o alegado por todos os meios em direito admitidos; a improcedência total do lançamento. Com a manifestação, o contribuinte juntou cópias de: representação e identificação (fls. 585/630); envelope (fl. 631); peças do presente PAF (fls. 632/643). (...) Da Decisão da DRJ Inicialmente convém trazer à colação o seguinte excerto da decisão recorrida em relação às matérias que permanecem em litígio com a apresentação da impugnação tempestiva ao lançamento (fl. 649 e pág. PDF 611): Fl. 808DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.799 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.731808/2010-92 6 (...) Da parte não impugnada Consoante impugnação, resumida no item 4 deste relatório, o sujeito passivo reconhece o débito relativo aos levantamentos AE1 - Emp por aferição indireta RAIS; e SF1 - Rem e glosa de SalFam, demandando a sua inclusão em parcelamento. Não havendo impugnação sobre tais lançamentos, nada há para este Colegiado pronunciar acerca destes créditos tributários. Os levantamentos não impugnados foram transferidos para o AI n 37.389.516-0 (fl. 278), atendendo ao pleito de desmembramento feito na impugnação, podendo ser incluído em pedido de parcelamento. Permanece sob julgamento o levantamento impugnado, a saber EN1 - EMP NÃO DECLARADOS EM GFIP, para o qual serão examinados os demais argumentos de defesa. (...) Os valores não impugnados, acima referidos, por terem sido reconhecidos pelo contribuinte, foram objeto de pedido de desmembramento dos presentes autos para inclusão dos respectivos valores no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941 de 2009, na modalidade RFB - Débitos Previdenciários, de modo que permaneceu em litígio nos presentes autos apenas a parcela remanescente do lançamento referente ao levantamento EN1 – EMP NÃO DECLARADO EM GFIP, correspondente às rubricas relacionadas na tabela abaixo (fl. 39): DEFINICAO DE RUBRICAS DO MANAD Ind BC Rubrica Período Afrfb Emp Código Descrição P/D Início Fim 1 8 019 Reembolso de Transporte P 200603 200612 1 8 029 Reembolso de Refeição P 200601 200612 Afrfb 9 047 1/3 Adic de Férias P 200601 200612 Afrfb 9 047H 1/3 s/Férias Variáveis P 200601 200612 Afrfb 9 047V 1/3 s/ Variáveis – Vlr P 200601 200612 1 8 585 Cesta básica P 200601 200612 1 8 606 Reembolso vale transporte P 200601 200612 1 8 608 Pagamento de transporte BA P 200601 200612 1 8 889 Ajuda Eventual/Abono P 200605 200611 1 8 895 Reemb Cesta Basica P 200601 200612 LEGENDA: Rubricas informadas pela empresa- Ind BC- Emp Rubricas retificadas pelo Auditor- Ind BC- Afrfb Como percebemos as rubricas acima não foram consideradas como Base de Cálculo pela empresa A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), em sessão de 06 de setembro de 2017, no acórdão nº 11-57.497 (fls. 645/658 e págs. PDF 607/620), julgou parcialmente procedente a impugnação, excluindo da base de cálculo do Fl. 809DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.799 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.731808/2010-92 7 lançamento, após o reconhecimento pela fiscalização em diligência proposta, a não-incidência de contribuições sobre as rubricas (fl. 653 e pág. PDF 615): (...)  "Adicional 1/3 de férias", "Adicional 1/3 variáveis - Qtd"; "Adicional 1/3 variáveis - Vlr", por corresponderem a férias indenizadas;  "transporte", em razão do Parecer PGFN/CRJ n.º 189/2016;  "refeição", por corresponder a cesta básica;  "ajuda eventual/abono", em razão do Parecer PGFN/CRJ n.º 2114/2011. Das rubricas reclamadas na impugnação inicial, a auditoria manteve a incidência somente sobre o terço constitucional de férias gozadas (não indenizadas). (...) Segue reproduzida abaixo a ementa do acórdão (fl. 645 e pág. PDF 607): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 FÉRIAS. TERÇO CONSTITUCIONAL. INCIDÊNCIA. A remuneração adicional de férias gozadas integra o salário-de contribuição por expressa determina a legislação tributária. RUBRICAS. RETIFICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Comprovado que o lançamento exigia contribuições sobre rubricas para as quais não há incidência, impõe-se a retificação do crédito tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. IMPUGNAÇÃO. Afora as exceções legais (impossibilidade, por motivo de força maior, de apresentação oportuna; referência a fato ou direito superveniente; ou destinadas a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos), a impugnação deve estar instruída com as respectivas provas que sustentem o afirmado pelo sujeito passivo, precluindo o direito de o impugnante apresentá-las em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 MATRIZ. ESTABELECIMENTOS. COMPETÊNCIA. FISCALIZAÇÃO. A competência para executar ações de fiscalização é da Delegacia da Receita Federal do Brasil em cuja área de abrangência esteja situado o estabelecimento matriz, onde a empresa deverá manter, à disposição do auditor, os elementos Fl. 810DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.799 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.731808/2010-92 8 necessários aos procedimentos fiscais, que compreendem todos os estabelecimentos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário O contribuinte foi intimado da decisão da DRJ em 20/10/2017 (AR de fl. 665 e pág. PDF 627) e interpôs recurso voluntário em 17/11/2017 (fls. 690/697 e págs. PDF 643/650), acompanhado de documentos (fls. 698/729 e págs. PDF 651/682), com os argumentos sintetizados nos tópicos abaixo: I - DOS FATOS II — DAS RUBRICAS MANTIDAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO III - DO PEDIDO Em face de todo o exposto, é de se concluir pela insubsistência total do auto de infração ora combatido, procedendo a reforma parcial do acórdão nº 11-57.497, no que tange aos valores que foram mantidos, pelo que é o presente Recurso Voluntário, para requerer a V. Sas.: I — Recebam o presente Recurso Voluntário, acompanhado dos documentos anexos, para o devido processamento; II — Requer a exclusão total dos valores decorrentes das rubricas que foram mantidas no lançamento fiscal (1/3 de Adicional de férias (COD 047); 1/3 de periculosidade — insalubridade sobre férias (COD 047AD); 1/3 sobre variáveis — Vir (COD 047V); e 1/3 sobre férias variáveis (COD 047H)), em razão da impossibilidade do aumento da base de cálculo da contribuição previdenciária via Decreto e diante do posicionamento definitivo dos Tribunais Superiores que reconheceram que o abono terço constitucional é verba de natureza compensatória ou indenizatória e não íntegra o salário-de-contribuição; III — Requer a suspensão total da exigibilidade dos créditos que compõem o AI - DEBCAD nº 37.306.542-6, nos termos do Art. 151, III, do Código Tributário Nacional; IV — Ao final, que o presente Recurso Voluntário seja conhecido e totalmente provido, para extinguir a totalidade dos débitos que foram mantidos pela 7ª Turma da DRJ/REC, no acórdão nº 11-57.497. Em 20/11/2017 houve nova protocolização do recurso voluntário (fls. 732/740 e págs. PDF 684/692), acompanhado de documentos (fls. 741/791 e págs. PDF 693/743), que se constitui em cópia ipsis litteris do anteriormente apresentado em 17/11/2017 (fls. 690/697 e págs. PDF 643/650). Por meio do Despacho – 2201-000.001 de 24/06/2025, propôs-se o sobrestamento do presente processo em obediência à ordem de sobrestamento proferida pelo Ministro André Fl. 811DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.799 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.731808/2010-92 9 Mendonça, em decisão monocrática no Recurso Extraordinário (RE) 1.072.485, em que se discute a natureza jurídica do terço constitucional de férias, indenizadas ou gozadas, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal, que encontra-se aguardando o julgamento de embargos de declaração para a modulação de efeitos, “decretou a suspenção, em todo o território nacional, dos feitos judiciais e administrativos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão presente no Tema nº 985 do ementário da Repercussão Geral, nos termos do art. 1.035, § 5º, do CPC” (fl. 801 e pág. PDF 752). Certificado o trânsito em julgado do RE nº 1.072.485/PR, em 24/09/2025, o processo foi devolvido para continuidade do julgamento, conforme teor do Despacho de Devolução (fl. 803 e pág. PDF 754). É o relatório. VOTO Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora ADMISSIBILIDADE O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. RAZÕES MERITÓRIAS O Recorrente relata que a 7ª Turma de Julgamento da DRJ/REC julgou a impugnação procedente em parte, considerando o CNPJ/MF da matriz sob nº 15.XXX.XXX/0001-39 e o CNPJ/MF da filial São Paulo sob nº 15.XXX.XXX/0002-10, para manter: (i) as glosas sobre as retenções (GR1) e compensações (GC1) e (ii) o lançamento sobre a rubrica constitucional de férias e seus reflexos, com base no § 11, do artigo 214, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 1999. Alega que as cobranças mantidas são totalmente indevidas e não devem prosperar, devendo o acórdão ser reformado parcialmente. Inicialmente convém deixar consignado que nos presentes autos não foram lançadas glosas de retenções (GR1) e compensações (GC1), matérias estas objeto do processo nº 10580.731806/2010-01, limitando-se o litígio nos presentes autos exclusivamente em relação ao terço constitucional de férias. Das Rubricas Mantidas nos Autos de Infração (Terço Constitucional de Férias). O Recorrente relata que, atendendo pedido de conversão de julgamento em diligência, a 7ª Turma da DRJ/RECIFE determinou a realização de nova verificação por parte do fiscal que lavrou os autos de infrações que, após constatar várias inconsistências no trabalho que realizou, reconheceu que a maior parte dos lançamentos deveriam ser excluídos do auto de Fl. 812DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.799 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.731808/2010-92 10 infração, mantendo apenas as cobranças relativas às rubricas 1/3 de adicional de férias (COD 047); 1/3 de periculosidade-insalubridade sobre férias (COD 047AD); 1/3 sobre variáveis — VIr (COD 047V); e 1/3 sobre férias variáveis (COD 047H), fundamentando a manutenção das cobranças dessas rubricas com base na já ultrapassada nota explicativa nº 640/2014 da PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, que desconsidera os efeitos do julgamento do REsp. 1.230.957/RS, fazendo uso de um raciocínio ilusório e indevido, sobre o qual, no entendimento dos Procuradores da Fazenda Nacional, o afastamento da verba terço constitucional da base do INSS está pendente de julgamento no STF. Aduz que o judiciário já reconheceu que a verba abono adicional de férias não integra o salário-de-contribuição e afastou em definitivo a incidência do INSS sobre tal rubrica, não existindo outra conclusão a não ser a de reconhecer que tecnicamente e materialmente a discussão sobre o terço constitucional de férias está encerrada no âmbito dos Tribunais Superiores (STF e STJ), que resultou no entendimento de que o abono constitucional não integra o salário de- contribuição, por se tratar de verba indenizatória e que a ampliação da base de cálculo de tributo está reservada a tratamento via Lei Complementar e não por Decreto, devendo, a cobrança ser excluída totalmente do auto de infração. A decisão recorrida justificou a manutenção do lançamento da contribuição previdenciária sobre as rubricas correspondentes ao terço constitucional de férias sob o fundamento de que “a auditoria-fiscal não pode afastar a incidência de dispositivo regulamentar expresso, que determina a sua incidência, nos termos do artigo 214, § 4º do Decreto nº 3.048 de 1999”1 (fls. 653/654 e págs. PDF 615/616). O julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 1.072.485/PR, Leading case do Tema 985, em que se discute a natureza jurídica do terço constitucional de férias, indenizadas ou gozadas, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal, teve o trânsito em julgado da decisão dos EMB. DECL. NOS EMB. DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.072.485/PR2, que rejeitou os embargos opostos pela União, certificado em 24/09/2025. Foi 1 DECRETO No 3.048, DE 6 DE MAIO DE 1999. Aprova o Regulamento da Previdência Social, e dá outras providências. Art.214. Entende-se por salário-de-contribuição: (...) § 4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o salário- de-contribuição. (...) 2 EMB. DECL. NOS EMB. DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.072.485 PARANÁ. Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TERÇO DE FÉRIAS. REJEIÇÃO. I. CASO EM EXAME 1. Embargos de declaração em que se pretende rediscutir a modulação de efeitos realizada no julgamento de embargos anteriores, quanto à sua necessidade e aos seus marcos temporais. 2. O acórdão embargado atribuiu efeitos ex nunc ao reconhecimento da constitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária patronal sobre o terço constitucional de férias, a contar da publicação da ata do julgamento de mérito. Foram ressalvadas as contribuições já pagas e não impugnadas judicialmente até essa mesma data, que não serão restituídas pela União. Fl. 813DF CARF MF Original http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEC%203.048-1999?OpenDocument D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.799 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.731808/2010-92 11 reconhecida a constitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, com modulação dos efeitos da decisão a contar da data da publicação da ata de julgamento da decisão de mérito, ou seja, a partir de 15/09/2020, "com exceção das contribuições já pagas e não impugnadas judicialmente até essa mesma data, que não serão devolvidas pela União". Assim, certificado o trânsito em julgado que reconheceu a legalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, tal decisão vincula os membros das turmas de julgamento do CARF, nos termos do artigo 99 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634 de 21 de dezembro de 20233. No caso em análise, o lançamento corresponde ao período de 01/2006 a 12/2006. Como tal verba compôs a base de cálculo das contribuições previdenciárias, as rubricas correspondentes ao 1/3 Adic de Férias (Cód. 047), 1/3 s/ Férias Variáveis (Cód. 047H) e 1/3 s/ Variáveis- Vlr (Cód. 047V) devem ser excluídas do lançamento, de modo a adequar-se à decisão proferida pelo STF. Em vista dessas considerações, como a única matéria em litígio remanescente nos presentes autos era a questão do terço constitucional de férias, merece ser acolhido o argumento do contribuinte, com a reforma da decisão recorrida. Da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário. O interessado requer seja reconhecida a suspensão de exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. Deste modo, as reclamações e recursos apresentados nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito tributário em litígio, consoante artigo 151, III do CTN combinado com o artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972, prescindindo de decisão a respeito por parte do CARF. Conclusão II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. Discute-se a presença de omissão ou contradição no acórdão recorrido quanto à modulação temporal dos efeitos da decisão de mérito e às ressalvas nela contidas. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, rejeitou os embargos de declaração opostos pela União, nos termos do voto do Relator, Ministro Luís Roberto Barroso (Presidente). Plenário, Sessão Virtual de 1.8.2025 a 8.8.2025. 3 Art. 99. As decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica nos casos em que houver recurso extraordinário, com repercussão geral reconhecida, pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, sobre o mesmo tema decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos. Fl. 814DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.799 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.731808/2010-92 12 Por todo o exposto e por tudo mais que consta dos autos, vota-se por dar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Débora Fófano dos Santos Fl. 815DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10166.902182/2016-91
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Súmula CARF nº 163. COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, TAMPOUCO CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Afasta-se o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme o Recurso Especial n° 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009, proferido pelo STJ, em regime de recurso repetitivo (Acórdão nº 9303-015.187 – CSRF / 3ª Turma). CRÉDITO DE IPI. MATERIAIS EXPLOSIVOS. EXTRAÇÃO DE CALCÁRIO E ARGILA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE CIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PARECER NORMATIVO CST Nº 65, DE 1979. Os materiais explosivos utilizados na extração do calcário e argila não são matéria-prima ou produto intermediário na industrialização de cimento, passíveis de creditamento de IPI, uma vez que não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. PN CST nº 65, de 1979.
Numero da decisão: 3003-002.736
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3003-002.727, de 06 de março de 2026, prolatado no julgamento do processo 10166.902184/2016-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Súmula CARF nº 163. COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, TAMPOUCO CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Afasta-se o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme o Recurso Especial n° 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009, proferido pelo STJ, em regime de recurso repetitivo (Acórdão nº 9303-015.187 – CSRF / 3ª Turma). CRÉDITO DE IPI. MATERIAIS EXPLOSIVOS. EXTRAÇÃO DE CALCÁRIO E ARGILA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE CIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PARECER NORMATIVO CST Nº 65, DE 1979. Os materiais explosivos utilizados na extração do calcário e argila não são matéria-prima ou produto intermediário na industrialização de cimento, passíveis de creditamento de IPI, uma vez que não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. PN CST nº 65, de 1979.

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3003-002.727, de 06 de março de 2026, prolatado no julgamento do processo 10166.902184/2016-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente).

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INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Súmula CARF nº 163. COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, TAMPOUCO CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Afasta-se o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme o Recurso Especial n° 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009, proferido pelo STJ, em regime de recurso repetitivo (Acórdão nº 9303-015.187 – CSRF / 3ª Turma). CRÉDITO DE IPI. MATERIAIS EXPLOSIVOS. EXTRAÇÃO DE CALCÁRIO E ARGILA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE CIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PARECER NORMATIVO CST Nº 65, DE 1979. Fl. 590DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 2 Os materiais explosivos utilizados na extração do calcário e argila não são matéria-prima ou produto intermediário na industrialização de cimento, passíveis de creditamento de IPI, uma vez que não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. PN CST nº 65, de 1979. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3003- 002.727, de 06 de março de 2026, prolatado no julgamento do processo 10166.902184/2016-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão de primeira instância, que por unanimidade de votos, decidiu julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório em litígio, sob o fundamento de que os materiais objeto do presente litígio não ensejariam direito ao crédito de IPI. Vejamos: (i) Coque de Petróleo - Alega que não pode ser considerado matéria-prima stricto sensu, porque não é adicionado ou agregado às outras matérias primas, nem matéria prima latu sensu, porque não entra em contato direto com os produtos industrializados consumindo-se em razão deste contato. Fl. 591DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 3 (ii) Materiais refratários - Sustenta que os materiais refratários agregam características ao equipamento - proteção a altas temperaturas e resistência à abrasão e isolamento térmico e não ao produto em transformação. Portanto, não se questiona se o material refratário tem contato com o produto, nem mesmo se há o desgaste destes materiais. Porém, este contato\desgaste não tem o objetivo de agregar nada ao produto, nem mesmo alterar sua característica especial. (iii) Partes e peças de máquinas – Considera que, mesmo com vida útil menor que 1 ano, as magas, bolas de aço, correias transportadoras, material refratário, parafusos e outras partes e peças de máquinas devem ser contabilizados no ativo imobilizado, pois fazem parte de máquinas específicas, sendo materiais de reposição e conservação. (iv) Explosivos - Considera que a atividade extrativista mineral não pode ser enquadrada no conceito de industrialização por tratar-se de operação pré-industrial, não configurando-se como matéria-prima, bem como, não sendo passível de creditamento de IPI. Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento de Crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), vinculado a compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela Receita Federal, deferido em parte pela Autoridade Fiscal. O Despacho Eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil DEFERIU PARCIALMENTE o ressarcimento solicitado e homologou parte da compensação declarada, em razão da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado, bem como, a ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal, que não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do art. 266, I, do RIPI/2010, por se referirem a partes e peças de reposição/manutenção de máquinas e equipamentos, combustível e de material utilizado como explosivo. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual reprisa os argumentos postos em sua defesa inicial, quanto ao direito de crédito de IPI, sobre os custos com aquisição de coque de petróleo, peças e materiais refratários e explosivos no processo de industrialização, e acrescenta a alegação de cerceamento do direito de defesa, em face da negativa do pedido de diligência. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Fl. 592DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 4 I – Da admissibilidade do Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário apresentado pela recorrente é tempestivo e por cumprir os pressupostos para o seu manejo, esse deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. II – Da preliminar de nulidade da decisão da DRJ: Defende a recorrente “que tão-somente através da perícia será possível dimensionar o emprego desses materiais na produção do cimento, bem como a incorporação química de certos insumos no produto final, razão pela qual o seu indeferimento implicou no cerceamento do direito de defesa”. Sem razão a recorrente nesse ponto. Em relação ao indeferimento do pedido de produção de prova pericial, o nobre Relator do voto condutor do julgado justificou o indeferimento da referida prova, baseada nos seguintes fundamentos: Deve-se notar que as diligências e perícias visam, única e tão-somente, dirimir dúvidas com relação às provas carreadas ao processo, no sentido de subsidiar a formação de convicção do julgador, conforme lhe facultam os artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, não se presta a servir de meio de produção de provas cuja responsabilidade é do encargo da impugnante. É ônus processual da interessada fazer prova dos fatos constitutivos de seu direito ou dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito da Fazenda Pública. Ademais, no caso em exame, considera-se desnecessária a perícia proposta pela contribuinte, por entendê-la dispensável para o deslinde do presente julgamento. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Este julgador pode perfeitamente identificar quais os bens objeto de glosa, como se dá a utilização desses bens na cadeia produtiva da interessada e de que forma foram consumidos/desgastados no processo de industrialização. Com efeito, a perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou quando se exige o pronunciamento por parte de técnico especializado no assunto, fora do campo de atuação do julgador, o que, como já dito acima, não é o caso dos presentes autos. O processo de produção e os materiais envolvidos estão devidamente explanados nos autos, inclusive pela impugnação da contribuinte. Posto isto, entendo que deva ser indeferido o pedido de diligência/perícia, nos termos dos artigos 18 e 28 do PAF. Fl. 593DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 5 Como visto, essa decisão não merece qualquer reparo, haja vista que, no âmbito do processo administrativo fiscal federal, regido pelo Decreto nº 70.235/1972, a decisão quanto ao deferimento ou não de realização de prova pericial constitui-se prerrogativa da autoridade julgadora, ou seja, decisão do âmbito do seu poder discricionário. Esse é o entendimento que se extrai da leitura combinada dos arts. 18, 28 e 29 do referido decreto, que seguem transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, uma vez devidamente fundamentado o indeferimento da realização da referida prova pericial não procede o alegado cerceamento do direito de defesa suscitado pela recorrente, muito menos é causa de nulidade da decisão proferida. Por oportuno, cumpre registrar que essa avaliação para fins de deferimento ou indeferimento da prova não pode representar qualquer prejuízo para defesa do contribuinte. Ou seja, a prova deve ser útil para o fim a que se destina no sentido efetivamente demonstrar as alegações trazidas aos autos pelas partes, bem como no sentido de contribuir para o convencimento da autoridade julgadora. Nesse norte, em se tratando de processo administrativo fiscal, a matéria já foi submetida por diversas vezes ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sob o fundamento de que o indeferimento da prova implica diretamente em cerceamento de defesa da parte, foi editada a Súmula aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021, in verbis: Súmula CARF nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Fl. 594DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 6 Acórdãos Precedentes: 9303-01.098, 2401-007.256, 2202-004.120, 2401- 007.444, 1401-002.007, 2401-006.103, 1301-003.768, 2401-007.154 e 2202-005.304. Por outro lado, chama a atenção a inversão de papéis e responsabilidades pretendida pela recorrente, pois nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato ", postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999 , que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. No mesmo sentido é a regra basilar extraída no inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil1. Quanto a renovação do pedido de diligência, estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência. Pelo exposto, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, bem como o pedido de diligência. III – Do mérito: Como relatado, trata-se de pedido de ressarcimento de saldo credor de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fundamentado no art. 11 da Lei nº 9.779/99, originário da aquisição de matérias-primas/insumos utilizados no processo de fabricação de cimento. Sua análise resultou no deferimento parcial, em razão das glosas de créditos sobre os seguintes créditos, objeto do litígio ora em julgamento: (i) coque de petróleo; (ii) material refratário (iii) partes de peças de máquinas; (iv) explosivos; e, (v) devolução de vendas referentes a notas fiscais emitidas em data posterior a 01/04/2009. (i) coque de petróleo: Cinge-se a primeira controvérsia em analisar se o “coque verde de petróleo” constitui produto intermediário na fabricação do cimento, cujo IPI incidente na aquisição é passível de apropriação na escrita fiscal. Para a presente análise, o que importa é saber se este combustível (coque) entra em contato direto com a matéria prima é consumido em razão deste contato, alterando-se os componentes. 1 Código de Processo Civil Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 595DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 7 O crédito básico do IPI decorre diretamente do princípio constitucional da não cumulatividade (art. 153, § 3º, II, da CF), permitindo ao contribuinte compensar o IPI devido nas saídas tributadas com o IPI incidente nas aquisições de insumos, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem efetivamente empregados no processo industrial. O RIPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010, assim dispõe, sobre créditos básicos: Dos Créditos Básicos Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditar-se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...) Bens de Produção Art. 610. Consideram-se bens de produção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decreto-Lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I - as matérias-primas; II - os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial; III - os produtos destinados a embalagem e acondicionamento; IV - as ferramentas, empregadas no processo industrial, exceto as manuais; e V - as máquinas, instrumentos, aparelhos e equipamentos, inclusive suas peças, partes e outros componentes, que se destinem a emprego no processo industrial. (grifou-se) Note-se que o dispositivo regulador do crédito básico a que o estabelecimento industrial tem direito define que o direito ao crédito de IPI se dá em relação a matérias-primas e produtos intermediários que passam a compor o produto final, garantindo-se, também, ao industrial, o direito de se creditar do imposto relativo a produtos que, sem compor a mercadoria final, sejam consumidos durante o processo produtivo e não se classifiquem contabilmente no ativo permanente. Fl. 596DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 8 In casu, a empresa recorrida formulou pedidos eletrônicos de ressarcimento de créditos de IPI, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Atentando-se para a r. decisão recorrida com relação à glosa sobre a aquisição de coque de petróleo se incorporaria no produto (cimento), observa-se que no entendimento dos julgadores a quo, seu uso se daria na forma de combustível usado para gerar energia térmica, ou seja, sua utilização não seria incorporada diretamente no produto final. Pertinente a transcrição do trecho do voto: Apesar de a queima do combustível e de o tipo deste poder interferir na qualidade do produto fabricado, por seus resíduos entrarem em contado com a matéria prima, deve-se ter em mente que não é o coque que entra em contato com o produto fabricado, e seu consumo (queima para gerar calor) não se dá em ação direta com a matéria prima. O fato de os resíduos da queima do coque entrar em contato com o produto fabricado não lhe descaracteriza a classificação de combustível, não lhe cabendo o conceito de matéria-prima. Assim, o coque de petróleo não pode ser considerado matéria-prima stricto sensu, porque não é adicionado ou agregado às outras matérias primas, nem matéria prima latu sensu, porque não entra em contato direto com os produtos industrializados consumindo-se em razão deste contato. Assim, correta a glosa. Em contra partida defende a recorrente não haver dúvidas de que o coque de petróleo é verdadeira matéria-prima do cimento, argumenta que é necessário para sua fabricação, pois além da função de combustível para os fornos que promovem o processamento da mistura de materiais extraídos da mineração (calcário e argila), seus componentes passam a compor também o ‘clinquer’, que é o resultado da queima da mistura dos materiais extraídos da mineração e que ao contrário do que se percebe em outros processos produtivos - em que as fontes energéticas se limitam a aquecer os fornos - na produção de cimento o coque é diretamente injetado na Fl. 597DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 9 mistura em processamento (denominada farinha), interagindo e misturando-se com o produto final. Traz no corpo do Recurso Voluntário, a reprodução esquemática de seu processo produtivo: No recurso tece as seguintes explicações: Dito processo implica na decomposição térmica do petróleo cru e posterior condensação de radicais, dando-se origem a um material sólido, aromático, quimicamente estável (não reativo, não explosivo, com alto ponto de ignição) e insolúvel em água, composto basicamente por moléculas de hidrocarbonetos, polinucleadas. Já na produção de cimento, uma vez moído o coque é pulverizado através de ar comprimido para o sistema de alimentação de maçaricos localizados no interior dos fornos rotativos, onde se dá o processamento/queima da “farinha”, decorrente da mistura de calcário e argila extraídos de minas, processados em britadores e homogeneizados através de materiais corretivos. É justamente nos fornos rotativos que se observa, então, a produção do clínquer – componente básico do cimento – decorrente do processamento (em temperaturas entre 1.400ºC e 1.500ºC) dos materiais nestes fornos inseridos, quais sejam, calcário, argila, corretivos e o próprio coque. Uma vez resfriado, adiciona-se ao clínquer o sulfato de cálcio (gesso) e eventuais novos aditivos, tais como escórias de alto forno ou materiais pozolânicos, para que tal mistura seja, então, finalmente submetida a processo de moagem em moinhos de bolas de aço (uniformidade e baixa granulometria) e expedição para consumo (ensacados ou a granel). Fl. 598DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 10 A princípio, oportuno ressaltar, que com o objetivo de esclarecer a equivocada interpretação de que qualquer elemento consumido nas instalações da empresa, certamente necessário ao desenvolvimento de suas atividades, ainda que indiretamente, seja considerado matéria-prima ou produto intermediário com o fim de gerar o respectivo direito ao crédito, sobreveio o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, que interpretou os dispositivos legais aplicáveis. Vejamos o que dispõe o citado parecer, a seguir transcrito em parte: 11. Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final, (matérias-primas e produtos intermediários, ‘stricto-sensu’, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. 11.1 - Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se deem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito de que trata o inciso I do artigo 66 do RIPI/79. (grifou-se) Resta evidente que, para fins de aproveitamento do crédito básico do IPI, autorizado nos termos do art. 226, I, do RIPI/10, o contribuinte poderá se creditar em relação a produtos intermediários que venham a incorporar o produto final (PI, em sentido estrito) ou que, não incorporando o produto final, sejam consumidos na industrialização, ou seja, deve ser estritamente relacionado com o processo indispensável à obtenção de um novo produto. A esse respeito, assim dispõe a Solução de Consulta nº 135 – Cosit, de 14/09/2021 e Solução de Consulta Cosit nº 99008, de 14/11/2025, in verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. ELEMENTOS QUE SE INCORPORAM AO PRODUTO FINAL OU QUE SE CONSOMEM NA INDUSTRIALIZAÇÃO. Considera-se produto intermediário (PI), para efeitos de apuração de créditos do IPI, quando não se enquadre como matéria-prima ou material de embalagem: a) o bem que se incorpora ao produto final, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Decreto nº 7.212, de 15 de Fl. 599DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 11 junho de 2010 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados), dele resultando diretamente um novo produto (PI strictu sensu); ou b) o bem que se consome no processo de industrialização em decorrência de contato físico com o produto final, embora a esse não se incorpore, por ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida (PI lato sensu). Para reconhecimento do direito ao crédito básico do IPI, não se considera consumido no processo de industrialização o produto que, embora em contato com o produto final, sofra mero desgaste, tal como pode ocorrer com máquinas, equipamentos ou outros bens utilizados no processo de fabricação. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº4.502, de 1964, art.25; Decreto nº 7.212, de 2010, art.226, I; PN/CST nº 65, de 1964. No presente caso, é incontroverso que a utilização do coque de petróleo na indústria cimenteira, por possuir alto poder calorífico, se dá como principal fonte de combustível para geração de energia térmica para os fornos na etapa intermediária de produção que resulta no clínquer2 (principal insumo na produção do cimento), que após ser resfriado e passar pelo processo de moagem juntamente com outros materiais origina o cimento Portland. Para uma reflexão, trago a colação a conclusão do Parecer elaborado pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento – SNIC, com conclusão idêntica ao do Parecer Técnico 20 884-205, anexados aos autos pela recorrente. Vejamos: 3.2 coque de petróleo cumpre estes dois critérios com relação à indústria de cimento. Em primeiro lugar, o coque de petróleo cumpre com o critério de integração, porque é materialmente incorporado ao produto industrializado (cimento) durante o processo produtivo. O coque de petróleo é um subproduto da destilação do petróleo cru e é utilizado preponderantemente como combustível, tendo em vista sua propriedade de fácil liberação de energia no processo de combustão. Na industrialização do cimento, o coque de petróleo é utilizado como combustível dos fornos de produção de clínquer, sendo essencial nesta etapa da produção. E, como o material se integra ao clínquer durante o processo industrial normal de queima e entra em contato direto com a matéria-prima, os resíduos decorrentes do seu desgaste acabam fazendo parte do produto final. 3.3 Em segundo lugar, o coque de petróleo cumpre com o critério da consumição, porque além de se integrar ao produto industrializado, é 2 Produto intermediário do cimento, elaborado pelo processamento térmico em alta temperatura da farinha (mistura mineral constituída de calcário, argila, areia e, eventualmente, corretivos minerais - matérias-primas para a fabricação do cimento), que após o aquecimento e as reações que ocorrem no forno resulta no clínquer. Fl. 600DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 12 consumido durante o processo de fabricação de cimento. Devido à sua natureza química e à elevada temperatura do processo, todo o coque de petróleo acaba sendo consumido na etapa de clinquerização. No momento da combustão do coque de petróleo, e justamente para produzir este efeito durante a sua participação direta na fabricação do clínquer, o coque sofre imediata alteração, com desgaste e perda de suas propriedades físicas e químicas. Carbono e hidrogênio presentes no coque são consumidos no processo de queima, com geração de calor capaz de manter a temperatura de clinquerização, enquanto que os componentes das cinzas são incorporados ao clínquer. Sua utilização, portanto, passa necessariamente pelo seu consumo no processo industrial, ao longo de toda cadeia de produção do cimento. 3.4 Assim, o coque de petróleo cumpre tanto o critério da integração, como o critério da consumição. Isso significa dizer que o direito de crédito da indústria de cimento com relação à aquisição de coque de petróleo independe da adoção de uma concepção material-funcional ou material- corpórea da não-cumulatividade do IPI, uma vez que este material preenche ambos os requisitos para o reconhecimento do direito de crédito -tanto aquele vinculado à concepção restrita de não-cumulatividade, como aquele vinculado à concepção restritíssima de não-cumulatividade. Ainda, no citado Parecer Técnico emitido pelo Nacional da Indústria do Cimento – SNIC 20 884-205, tece esclarecimentos quanto à natureza de combustível do coque de petróleo no processo de produção do cimento da pessoa jurídica, que reiteradamente é confirmada no laudo técnico do Instituto de Pesquisa Tecnológicas, no qual afirma: Em resumo, da análise documentos e esclarecimentos trazidos pela recorrente nos autos, resta evidente que o “coque de petróleo”, sendo um subproduto da destilação do petróleo cru num processo denominado craking ou coqueificação, é utilizado como combustível para a produção do clinquer, e seu uso, é uma escolha da empresa e relacionado com o custo de produção e qualidade do clínquer. Aliás, conforme informação contida no próprio laudo, “a clinquerização também pode ser realizada utilizando- se energia elétrica como fontes de energia alternativa. Entretanto, por razões de viabilidade econômica, essa opção não é praticada em escala Fl. 601DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 13 industrial, limitando-se à aplicação em estudos de clinquerização em escala laboral”. Ressalta-se, por oportuno, que apesar de a queima do combustível e de o tipo deste poder interferir na qualidade do produto fabricado, o fato de os resíduos da queima do coque entrar em contato com o produto fabricado não lhe descaracteriza seu uso como combustível, tampouco lhe confere o conceito de matéria-prima, pois este contato resultante da queima do coque com o clinquer, produto intermediário, é apenas incidental, como já se disse, e tal fato não lhe descaracteriza a ação de combustível, fonte de energia térmica, não lhe cabendo o conceito de MP ou PI. Aliás, apenas para contextualizar, o clínquer que é o principal componente do cimento, é formado por silicatos de cálcio (Alita e Belita), aluminatos de cálcio (C₃A) e ferro-aluminatos de cálcio (C₄AF), resultantes da queima de calcário e argila em altas temperaturas, sendo a Alita (silicato tricálcico) o componente mais abundante e responsável pela resistência inicial, que compõem cerca de 50% a 70% do clínquer. Esses minerais se formam pela fusão de calcário (carbonato de cálcio) e argila em altas temperaturas, resultando nos grânulos do clínquer que são moídos para fazer o cimento. Em suma, os combustíveis, em si, são itens que não guardam semelhança alguma com as matérias primas e os produtos intermediários “stricto sensu”, ou seja, exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, entrarem em “contato físico” com o produto em fabricação ou com a matéria prima e serem consumidos nesse processo. Além disto, esse consumo/desgaste deve ser estritamente relacionado com os processos indispensáveis à obtenção do produto e não, mero reflexo deste processo, isto é, não como circunstância acidental, ou, mais apropriadamente, incidental, condições essas para admitir o crédito do IPI, segundo a análise efetuada pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, e esclarecimentos trazidos nas Soluções de Consultas Cosit 135 e 99008, acima transcritas. Essa compreensão encontra respaldo na jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), como exemplo cito o Acórdão nº 9303-016.700, julgado em 28 de março de 2025, in verbis: RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR E DO CONTRIBUINTE RECORRENTES FAZENDA NACIONAL CCB - CIMPOR CIMENTOS DO BRASIL S.A Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 Fl. 602DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 14 COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, TAMPOUCO CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Afasta-se o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme o Recurso Especial n° 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009, proferido pelo STJ, em regime de recurso repetitivo. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda, e no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que lhe negou provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que lhe deu provimento. (Acórdão nº 9303-016.700, Processo nº 10880.923998/2012-50, Rel. Conselheiro Alexandre Freitas Costa, Sessão de 28 de março de 2025). Há inúmeras decisões do CARF que seguem tal entendimento: Acórdão nº 3003-000.244 – Turma Extraordinária / 3ª Turma (julgado em 17 de abril de 2019); Acórdão nº 3301-012.496 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (julgado em 26 de abril de 2023); Acórdão nº 3002-003.731 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária (julgado em 31 de julho de 2025). Compulsando os julgados do STJ sobre o tema, em 22 de março de 2022, a Segunda Turma, enfrentou questão semelhante a tratada nos autos: "possibilidade de aproveitamento dos créditos de IPI em decorrência da aquisição de insumos consumidos de forma imediata e integral no processo de industrialização, em especial no que diz respeito ao piche e ao coque calcinado de petróleo". Naquela oportunidade, a Turma Julgadora soberana na análise das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, concluiu que os insumos – "coque calcinado de petróleo" e "piche" – não integram o produto final (fabricação de alumínio) nem são consumidos por Fl. 603DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 15 meio de contato direto, sendo descabido o aproveitamento dos créditos de IPI. Consta da ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE ALUMÍNIO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. INSUMOS QUE NÃO INTEGRAM O PRODUTO FINAL NEM SÃO CONSUMIDOS POR MEIO DE CONTATO DIRETO. REVISÃO DE PREMISSAS FÁTICAS ESTABELECIDAS NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. ANÁLISE DA DIVERGÊNCIA PREJUDICADA. 1. A parte agravante reitera a tese de violação do art. 1.022 do CPC, afirmando que houve omissão no julgado, porquanto os insumos gerariam créditos de IPI, "uma vez que são consumidos no processo de industrialização, em contato direto com o alumínio produzido" (fl.1339, e- STJ), não tendo a Corte de origem analisado a legislação de regência. Além disso, afirma ser contraditório o acórdão recorrido, porquanto o entendimento por ele adotado contraria a conclusão do laudo pericial, o qual supostamente "comprova que o coque calcinado e o piche são consumidos em razão do contato direto com o alumínio produzido" (fl. 1340, e-STJ). 2. Por outro lado, na hipótese dos autos, o acórdão recorrido consignou expressamente que "a prova pericial também esclareceu que esses insumos (coque calcinado de petróleo e o piche) não se incorporam ao produto em fabricação" (fl. 1145, e-STJ), estando a decisão devidamente embasada na legislação aplicável e no entendimento do STJ, motivo pelo qual não há falar em negativa de prestação jurisdicional. 3. Assim, não se configura a alegada ofensa ao artigo 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. 4. Consoante a jurisprudência do STJ, os produtos consumidos no processo produtivo, por não sofrerem ou provocarem ação direta mediante contato físico com o produto, não integram o conceito de "matérias-primas" ou "produtos intermediários" para efeito da legislação do IPI e, por conseguinte, para efeito da obtenção do crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, na forma do art. 1° da Lei 9.363/1996. Nesse sentido: AgInt no AREsp 908.161/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 4/11/2016; REsp 816.496/AL, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 19/6/2012. Fl. 604DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 16 5. O Tribunal de origem, soberano na análise das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, concluiu que os insumos – "coque calcinado de petróleo" e "piche" – não integram o produto final nem são consumidos por meio de contato direto, sendo descabido o aproveitamento dos créditos de IPI. Para tanto, adotou-se, inclusive, o entendimento do STJ no REsp 1.049.305/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 22/3/2011. 6. É evidente que a revisão desse posicionamento, in casu, demanda revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, inadmissível na via especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 7. Ressalte-se que, consoante a jurisprudência do STJ, a análise do dissídio jurisprudencial está prejudicada, porquanto "aplicada a Súmula 7/STJ quanto à alínea 'a' fica prejudicada a divergência jurisprudencial, pois as conclusões divergentes decorreriam das circunstâncias específicas de cada processo e não do entendimento diverso sobre uma mesma questão legal" (AgInt no AREsp 1.651.863/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 2/9/2021). 8. Agravo Interno não provido. (AgInt nos EDcl no Agravo em REsp nº 1.904.015-PA (2021/0157385-0), Relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 28/03/2022). (grifou-se) No mesmo sentido, trago a colação jurisprudência proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região: TRIBUTÁRIO. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. COFINS. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE IPI. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. PERÍCIA CONTÁBIL INDEFERIDA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INDUSTRIALIZAÇÃO DO CIMENTO. PRODUTOS NÃO CLASSIFICADOS COMO INSUMOS SEGUNDO A LEGISLAÇÃO DO IPI. 1. O juiz julgou antecipadamente os embargos à execução, indeferindo o pedido de realização de prova pericial, por entender ser a matéria questionada de direito e de fato comprovada de plano, portanto, correta a aplicação do parágrafo único do art. 17 da Lei 6.830/80, que dispõe sobre o julgamento antecipado da lide. 2. O Código de processo Civil consagra o juiz como condutor do processo, cabendo a ele analisar a necessidade da dilação probatória, conforme os artigos 139, 370 e 371. Desta forma, o magistrado, considerando a matéria impugnada, pode indeferir a realização da prova, através de decisão fundamentada, por entendê-la inútil ou meramente protelatória. 3. Especificamente no caso em questão, o MM juiz a quo indeferiu fundamentadamente o pedido de produção de prova pericial, pois Fl. 605DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 17 considerou que os fatos e fundamentos jurídicos do pedido independem de conhecimento técnico para serem comprovados, além de que as respostas aos quesitos apresentados não auxiliariam na formação de seu convencimento. 4. Cumpre ressaltar que não se tratam os presentes embargos de pedido de deferimento de compensação tributária no bojo dos próprios autos, o que expressamente é vedado pelo disposto no art. 16, § 3º da Lei n.º 6.830/80. 5. In casu, o embargante formulou pedidos eletrônicos de ressarcimento de créditos de IPI, PERD/Comp´s nºs 42834.25249.221010.1.1.01-7604, 01570.7139.221010.1.3.01-6824, 02811.01870.200111.1.1.01-0751 e 37195.82312.210111.1.3.01-6858, para a compensação com débitos de Cofins, 3º e 4º trimestres de 2010, nos termos do art. 226, I, do Regulamento do IPI, Decreto nº 7.212/10 e art. 11 da Lei nº 9.779/99. 6. Conforme despachos decisórios acostados aos autos (fls. 64/65, 77/78), as compensações foram parcialmente homologadas, pois os créditos foram insuficientes para extinguir integralmente os débitos informados. Isso porque, após procedimento fiscal realizado pela Delegacia da Receita Federal de João Pessoa/PB, concluiu-se que nem todas as compras efetuadas pelo estabelecimento para a utilização em suas operações industriais se referem a insumos, conforme conceito estabelecido pela legislação do IPI. 7. Após a apresentação dos livros e documentos requisitados pela autoridade administrativa para a análise do pedido de ressarcimento de IPI, visando entender melhor o processo produtivo do contribuinte, foi realizada visita em suas instalações industriais, os quais resultaram na desconsideração dos créditos de IPI na aquisição dos seguintes produtos, por não se enquadrarem no conceito de insumo: dinamite e matinel (detonador); tijolos e concreto refratários, corpo moedor e coque de petróleo. 8. Como bem elucidado nas informações fiscais (fls. 66/75 e 79/88), tais produtos não podem ser considerados insumos no processo de industrialização do cimento, nos termos da legislação do IPI, pois, enquanto o dinamite e o matinel são utilizados para a extração de calcário, esse sim matéria-prima; os tijolos e concreto refratários são utilizados no revestimento do forno de clinquerização e o corpo moedor (bola) é utilizado nos moinhos para moagem de farinha e cimento, tratando-se, portanto de maquinários, ou seja, ativo permanente; já o coque de petróleo é combustível no processo produtivo. 9. Desta feita, considerando que tais produtos não podem ser classificados como insumos segundo a legislação do IPI, não possuem o condão de gerar crédito pela aquisição para fins de compensação com débitos de Cofins. Fl. 606DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 18 10. Precedentes jurisprudenciais. 11. Apelação improvida. (TRF3, 6ª Turma, AC nº 0065922-22.2015.4.03.6182/SP, Rel. Desembargadora Federal Consuelo Yoshida, DJF 09/10/2017). (grifou-se) Dessa forma, a documentação técnica anexada pelo contribuinte aos presentes autos não afasta a premissa da qual partiu a fiscalização para a glosa do crédito, no sentido de que o coque de petróleo é utilizado como combustível no processo produtivo da empresa, não se enquadrando no conceito de matéria-prima ou produto intermediário por não integrar diretamente o produto em produção (cimento). (ii) partes e peças de reposição, materiais refratários e explosivos: Sobre o tema, defende a recorrente que o Parecer Normativo CST nº 65/79, consagrou o entendimento de que as partes e peças de reposição aplicadas em máquinas e equipamentos utilizados na linha de produção geram direito ao aproveitamento de créditos, sendo desnecessário manterem contato físico com o produto em fabricação para se enquadrarem no conceito de “insumos” para a legislação do PIS/COFINS. Aduz que os “materiais refratários (tijolos, concreto e argamassa) são produtos que revestem o forno de produção de clínquer, com altíssimo grau de desgaste no processo produtivo devido a sua elevada exposição a altas temperaturas. Trata-se de verdadeiro e típico produto intermediário, consumido diretamente no processo de industrialização do cimento, inclusive integrando-se a ele e se tornando inutilizável em decorrência do processo de industrialização, exigindo constante e onerosa renovação/reposição. Por sua vez, os materiais explosivos, utilizados como única forma de se possibilitar a extração e o desmonte da rocha de calcário fundamentalmente necessária à produção do cimento, de igual modo e por óbvio são consumidos no curso do processo de industrialização, o sendo imediata e integralmente”. A respeito da possibilidade das partes e peças de reposição, aplicadas em máquinas e equipamentos utilizados na linha de produção, serem considerados insumos para fins de creditamento de IPI. A decisão recorrida enfrentou o tema sob os seguintes fundamento:  DAS PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Como dito anteriormente, existem pareceres de natureza normativa que estabelecem o entendimento oficial da Secretaria da Receita Federal do Fl. 607DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 19 Brasil a respeito da matéria que devem ser observados pelas DRJ, ao teor do art. 17º da Portaria MF nº 340, de 8 de outubro de 2020. Destaque-se a seguinte passagem do PN CST nº 65/79: 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). 10.4. Note-se, ainda, que a expressão “compreendidos no ativo permanente” deve ser entendida faticamente, isto é, a inclusão ou não dos bens, pelo contribuinte, naquele grupo de contas deve ser “juris tantum” aceita como legítima, somente passível de impugnação para fins de reconhecimento, ou não, do direito ao crédito quando em desrespeito aos princípios contábeis geralmente aceitos. 11. Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, “stricto sensu”, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. 11.1. Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito de que trata o inciso I do artigo 66 do RIPI/79. Mais recentemente, o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 3, de 4 de dezembro de 2018, citando expressamente o PN CST nº 181/74 e o PN CST nº 65/79, concluiu da seguinte forma: 9. Verifica-se, então, que o crédito de IPI está ligado diretamente ao fato de o insumo participar intrinsecamente do processo produtivo. E isso não ocorre com as máquinas e suas partes e peças e nem com equipamentos e instalações. (...) 10. Não se vislumbra qualquer alteração legislativa ou regulamentar que imponha alteração desse entendimento acerca da matéria. Assim, não se vê razão para admitir-se, ainda que em tese (como fez a SC 24), a possibilidade Fl. 608DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 20 de crédito de IPI para partes e peças de máquinas. Reitere-se que, pelas mesmas razões, não se admite apuração de crédito de IPI na aquisição de equipamentos e instalações. 11. Portanto, deve ser corroborado o entendimento administrativo assentado no sentido de que não cabe crédito de IPI relativo à aquisição de máquinas, suas partes e peças, equipamentos e instalações. Conclusão 12. Com base no exposto, conclui-se que não há direito a crédito de IPI relativo à aquisição de máquinas, suas partes e peças, equipamentos e instalações, ainda que se desgastem com o uso. (grifei) 13. Ficam modificadas as conclusões em contrário constantes em Soluções de Consulta ou em Soluções de Divergência emitidas antes da publicação deste ato, independentemente de comunicação aos consulentes. Como se vê, referido ato modificou o entendimento anteriormente esposado na SC Cosit nº 24/2014, e foi reforçado pela Solução de Consulta COSIT nº 249, de 12 de dezembro de 2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI EMENTA: CRÉDITO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. MATERIAIS EMPREGADOS NO PROCESSO INDUSTRIAL QUE NÃO SE AGREGAM AO PRODUTO FINAL FABRICADO. O direito ao crédito do imposto de que trata o art. 226, inciso I, do Ripi/2010, relativamente aos produtos intermediários, alcança além dos produtos intermediários que se integrem ao produto final, também aqueles que, embora não se integrando àquele produto, sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação (i.e. se se consumirem em decorrência de contato físico) ou vice-versa, desde que não estejam compreendidos entre os bens do ativo imobilizado. Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, inexiste o direito ao crédito mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo imobilizado da empresa. Cabe ao estabelecimento industrial ou a ele equiparado identificar quais produtos intermediários consumidos em seu processo industrial geram direito ao crédito do imposto e em consonância com os critérios e definições constantes do PN CST n.º 65, de 1979. Esses estabelecimentos arcarão com as consequências da errônea caracterização dos produtos intermediários, podendo ser-lhes exigidas, no prazo previsto no art. 150, parágrafo 4º do CTN, eventuais diferenças de imposto resultantes das incorreções. CRÉDITO. PARTES. PEÇAS. Não geram direito ao crédito de que tratam o art. 226, inciso I, do Ripi/2010, as partes e peças de máquinas adquiridas para reposição ou Fl. 609DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 21 restauração, ainda que não sejam incorporadas ao ativo imobilizado e mesmo que tais partes e peças se desgastem, se consumam ou percam suas propriedades no processo de industrialização em razão do contato direto que exercem sobre o produto em fabricação ou que este produto exerce sobre elas. (grifei) DISPOSITIVOS LEGAIS: Decreto nº 7.212, de 2010, art. 226, inciso I, e art. 610; Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 59, de 1994; Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, item 13; e Parecer Normativo CST nº 65, de 1979; e Parecer Normativo Cosit/RFB nº 3, de 2018. Por conseguinte, fica claro que “máquinas, equipamentos e instalações, bem como suas partes, peças e acessórios e as ferramentas” não se confundem com as matérias-primas e produtos intermediários. Portanto, as partes e peças de máquinas adquiridas para reposição ou restauração, ainda que não sejam incorporadas ao ativo imobilizado e mesmo que se desgastem, se consumam ou percam suas propriedades no processo de industrialização em razão do contato que exercem sobre o produto em fabricação ou que este produto exerce sobre elas, não geram direito ao crédito de IPI. Conforme se vê, os produtos elencados pela manifestante (mangas filtrantes, âncoras, chapas, hastes, placas, parafusos, pinos, arruelas, correias transportadoras e produtos refratários) fazem parte do que comumente se define como “partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos”. E, assim, não geram crédito de IPI em sua aquisição. Com respeito à questão, dispõe expressamente o art. 226, inciso I, do RIPI/2010 (Decreto nº 7.212/2010) que os estabelecimentos industriais poderão creditar-se do IPI relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias- primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Destarte, a interpretação sistemática do art. 226, inciso I, do RIPI/2010, revela a expressa vedação à utilização de créditos do IPI oriundos da aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa, não se vislumbrando a ofensa aos dispositivos legais apontados pela recorrente. Portanto, não há como reconhecer o direito ao creditamento de IPI dos bens de uso e consumo que sofrem apenas desgaste indireto no processo produtivo, tais como mangas filtrantes, âncoras, chapas, hastes, placas, parafusos, pinos, arruelas, correias transportadoras e produtos refratário. Fl. 610DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 22 A matéria foi objeto de recurso especial interposto junto ao STJ e está pacificada, em julgamento na sistemática de recurso repetitivo – art. 543-C do CPC, no Resp 1.075.508/SC, cuja ementa transcreve-se: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp n. 1.075.508/SC, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/9/2009, DJe de 13/10/2009.). (grifou-se) No mesmo diapasão, confiram-se as ementas dos seguintes julgados proferidos por este Conselho: Fl. 611DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 23 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS(IPI) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS PARA FINS DA LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. Para fins da legislação do IPI, produtos intermediários são os bens utilizados diretamente na produção do produto final, integrando-o diretamente ou consumidos no processo produtivo em contado direto com o que está sendo fabricado. Neste conceito não subsomem-se as peças de máquinas como as mantas das esteiras transportadoras e os pneus fora de estrada utilizados em caminhões e máquinas que, embora sofram desgaste com a matéria prima de mineradora, a rocha, não são produtos, mas sim peças de máquinas. (Acórdão nº 9303-015.409 – CSRF / 3ª Turma, Processo nº 11065.722813/2017-72, Rel. Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho , Sessão de 13 de junho de 2024). Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2000 MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata(direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno (Acórdão nº 9303-014.185). (ACÓRDÃO 9303-016.416 – CSRF/3ª TURMA, PROCESSO 10783.902105/2006-92, Rel. Conselheira Denise Madalena Green, SESSÃO DE 24 de janeiro de 2025) Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso nesse ponto. Quanto soa materiais refratários, a decisão recorrida assim enfrentou a questão:  DOS MATERIAIS REFRATÁRIOS Fl. 612DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 24 Os materiais refratários (concreto, tijolos e argamassa) também estão compreendidos na categoria de “máquinas, equipamentos e instalações, suas partes, peças e acessórios”. Os fornos (equipamentos), que terão contato direto com os insumos na fabricação do cimento, já são construídos com a cobertura refratária, e não podem ser usados em separado. Ou seja, os refratários aqui tratados são empregados nas indústrias de cimento para o isolamento térmico dos fornos industriais, com a finalidade de evitar-se a perda de calor para o ambiente externo, possibilitando, assim, a manutenção das temperaturas internas destes, necessárias ao processo de transformação dos insumos para obtenção do cimento. A substituição do material refratário danificado é um custo de manutenção no equipamento, não aumenta sua vida útil, apenas o mantém em funcionamento. Portanto, embora sejam repostos com frequência devido às altíssimas temperaturas a que são submetidos, os refratários guardam similaridade não com matéria-prima e produto intermediário, mas sim com os bens do ativo imobilizado, pois apenas recondicionam os equipamentos ao seu estado funcional, restabelecendo a sua condição de uso. Os materiais refratários agregam características ao equipamento - proteção a altas temperaturas e resistência à abrasão e isolamento térmico e não ao produto em transformação. Portanto, não se questiona se o material refratário tem contato com o produto, nem mesmo se há o desgaste destes materiais. Porém, este contato\desgaste não tem o objetivo de agregar nada ao produto, nem mesmo alterar sua característica especial. Vide figura abaixo: (...) Resumindo, os produtos refratários adquiridos pelas indústrias e destinados à construção ou reparo (manutenção) dos fornos e demais instalações não são produtos intermediários. As reposições causadas pelos desgastes pelo uso são decorrentes da própria atividade industrial (submetida a alta temperatura), sendo uma decorrência natural desta atividade, estes produtos se consomem sem haver uma interação com o produto final. Constituem um desgaste ligado às despesas com a manutenção do equipamento em perfeito funcionamento (substituição e conserto de peças e outros reparos mais ou menos constantes e previsíveis), constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos financeiros das indústrias. Não se entende por consumo, para os efeitos da legislação fiscal pertinente, a destruição ou perda do produto pelo uso, não componente do processo de fabricação. Fl. 613DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 25 Para complementar o embasamento aqui exposto cito o Parecer Normativo Cosit nº 260, de 1971, que integra o rol das normas complementares a serem adotadas pelas DRJ: 1.1 - CRÉDITO (exclusive exportação) Substâncias refratárias adquiridas por usinas siderúrgicas e destinadas à construção ou reparo (manutenção) do fornos e demais instalações. Não constituindo matéria prima ou produto intermediário, estão excluídas do direito ao crédito previsto no inciso I, do Art. 30, do RIPI (Decreto n° 61.514/67). (...) 5 - (...). Pretendeu-se, em alguns setores desta importante indústria (siderúrgica), emprestar ao termo 'consumidos no processo de industrialização' um sentido literal, isolado do texto, o que, entretanto, de nenhuma firma é cabível. Tratando-se 'in casu' de direito de caráter tributário, deve a interpretação, 'ex vi' do art. 111 do CTN, ser restrita. 6 - Donde necessário se faz esclarecer de vez as dúvidas levantadas. Ainda na existência do extinto Departamento de Rendas Internas, já se firmara o entendimento de que 'quando o Regulamento ampliou o pensamento do legislador (lei n° 4.502/64, citada) foi somente para deixar bem compreendido que "as matérias-primas, produtos intermediários e embalagens' gerariam direitos de crédito, quer quando fossem empregados diretamente no produto, de modo intrínseco, quer quando se consumissem no processo de industrialização, isto querendo significar uma implicação direta dos ingredientes empregados, mesmo que alguns destes sejam volatilizados, constituam veículo de reação, surjam em fases intermediárias do método ou processo industrial, mas, sempre, consumo estritamente relacionado com os componentes indispensáveis à obtenção do produto. As reposições causadas pelos desgastes, pelo uso e decorrentes da própria atividade industrial têm, evidentemente, peculiaridades diversas. 7 - É sabido, inclusive através de pareceres do Instituto Nacional de Tecnologia, que os materiais refratários usados nas operações metalúrgicos se perdem sem haver incorporação ao produto. Entretanto, essa perda não é necessariamente destinada ao processo de industrialização, mas, isto sim, dele é decorrência natural, constituindo um desgaste ligado as despesas com a manutenção do equipamento em perfeito funcionamento (substituição e conserto de peças e outros reparos mais ou menos constantes e previsíveis). 8 - Isto posto, não se aplica à hipótese em epígrafe o direito previsto no art. 30, inciso I, do Regulamento aprovado com o Decreto n° 61.514/67, por não atenderem ao conceito nele especificado os produtos refratários e ignífugos adquiridos por indústrias siderúrgicas, vez que não se compreendem como matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem, destinados que são ao emprego na construção ou reparo (manutenção ou Fl. 614DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 26 recondicionamento) de seus fornos e demais instalações, tais como, caçambas, lingoteiras etc, citando-se como exemplo as argamassas retratarias; os refratários pré-moldados, apresentando-se em tijolos, cunhas, suportes, placas, muflas etc, os materiais pulverulentos, tais como a magnesita, a diatomita (Kieselgur), a lã de rocha ou de vidro, etc, isolantes térmicos empregados para evitar a fuga do calor, nas corridas do forno, bem como as demais misturas destinadas a reparar as partes do revestimento e condutos sujeitos à ação agressiva do banho ígneo, constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos financeiros das indústrias. 9 - Cumpre ter em vista que os materiais refratários submetidos à ação do metal em estado de fusão e as elevadíssimas temperaturas reinantes no interior dos fornos, lingoteiras, caçambas etc., perdem a resistência que lhes é característica e se desgastam, (...). O desgaste observado, é certo, é o fator que determina a oportunidade de substituição dos refratários, visando à melhor proteção dos revestimentos das instalações. Mas isto nada tem a ver com o direito ao crédito do tributo incidente sobre as matérias-primas e produtos intermediários consumidos nos artigos objeto da elaboração. Não se entende por consumo, para os efeitos da legislação fiscal pertinente, a destruição ou perda do produto pelo uso, não componente do processo de fabricação. Haja vista, pura simples ilustração teórica, que se chegaria ao mesmo resultado se se empregasse (no caso em foco) um refratário imune ao desgaste. Trata-se, não cabe a menor dúvida, de circunstância acidental e não de um requisito essencial ao processo de industrialização. Portanto, correta a glosa. Sem reparos a serem feitos da conclusão da decisão recorrida. Como pontuado acima, a legislação do IPI (art. 226 do RIPI/2010) limita o creditamento aos produtos intermediários "stricto sensu” utilizados na produção de bens industriais, isto é, produtos que “embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente”. Dessume-se da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito do IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. Os materiais refratários se desgastam por conta de sua aplicação direta na linha produtiva principal. No entanto, não é o suficiente para se enquadrar na categoria de “produtos intermediários”. Ademais, o refratário não Fl. 615DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 27 agrega qualquer característica ao produto, mas sim ao equipamento: proteção das altas temperaturas, resistência à abrasão e isolamento térmico. Assim, são acessórios ao forno industrial e aos demais equipamentos, todos integrantes do ativo imobilizado, razão pela qual não geram direito ao crédito de IPI. Os refratários terão sempre a função de proteger a parede metálica do forno, evitando o seu derretimento, ataque químico e perda de calor. E a função dos fornos será sempre a mesma: a queima de combustível gerando calor, que se pretende transferir a uma substância que se quer aquecer. Não se questiona que o refratário tem contato com o produto. Mas este contato não tem o objetivo de agregar ao produto alguma característica especial. Em pesquisa realizada no site do Superior Tribunal de Justiça, é pacífica a jurisprudência quanto à tomada de crédito, como produto intermediário dos materiais refratários, tal pleito deve ser afastado diante da consolidada jurisprudência do STJ, no sentido de afastar o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização. Nesse sentido, cito um trecho contido no já citado REsp nº 1.075.508-SC, julgado em 23/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, in verbis: Destarte, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". Dessume-se da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. No mesmo diapasão, confiram-se as ementas dos seguintes julgados das Turmas de Direito Público: "TRIBUTÁRIO - IPI - CREDITAMENTO - PRODUTO ADQUIRIDO E UTILIZADO DE FORMA IMEDIATA E INTEGRALMENTE. Fl. 616DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 28 1. É pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a dedução do IPI somente se aplica aos casos em que os produtos intermediários, matérias-primas e embalagens adquiridos pela empresa destinem-se à fabricação do produto final.2. No caso em análise, merece reparo a decisão do Tribunal de origem que deferiu a apropriação de créditos de IPI decorrentes da aquisição de bens que não se consomem imediata e integralmente no processo produtivo. Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009) "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CREDITAMENTO DO IPI DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS AO ATIVO PERMANENTE. IMPOSSIBILIDADE. I - Os materiais destinados ao ativo permanente da empresa não se integram no preço do produto final para efeito de tributação do IPI em operações posteriores ou anteriores ao processo de industrialização, não gerando o creditamento do tributo, diante do fenômeno da não cumulatividade e da substituição tributária. II - Considerando que somente há o direito de creditamento do IPI pago anteriormente quando se tratar de insumos que se incorporam ao produto final ou que são consumidos no curso do processo de industrialização, de forma imediata e integral, não há que se falar em crédito no caso em exame. Precedentes: AgRg no Ag nº 940.241/PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/03/08; REsp nº 886.249/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 15/10/07 e REsp nº 608.181/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 27/03/06. III - Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008) "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. DECRETO 2.637/98. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 49, DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. 1. É vedada a utilização de créditos do IPI, oriundos da aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, consoante a ratio essendi do artigo 147, inciso I, do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98), que estabelecia que, entre as matérias-primas e produtos intermediários, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluíam-se "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de Fl. 617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 29 industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 2. In casu, pretende a recorrente o creditamento de IPI relativo à aquisição de bens de uso e consumo, tais como material de expediente, uniformes e alimentação, conservação e manutenção, bens duráveis de pequeno valor etc, além das máquinas e equipamentos que serão incorporados ao seu ativo permanente , que, segundo incontroversa inferência da instância ordinária, apesar de não integrarem fisicamente o produto final, nem se desgastarem por ação direta (física ou química), sofrem desgaste indireto no processo produtivo, integrando-se financeiramente ao produto final. 3. Precedentes desta Corte: REsp 608181 / SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Zavascki, DJ de 27/03/2006; RESP 500076/PR, Relator Ministro Francisco Falcão, DJ de 15.03.2004; RESP 497187/SC, Relator Ministro Franciulli Netto, DJ de 08.09.2003). 4. Recurso especial desprovido." (REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007) "TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO DE VALORES PAGOS NA AQUISIÇÃO DE BENS DE USO E CONSUMO UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. DESGASTE INDIRETO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO. 1. "A dedução do IPI pago anteriormente somente poderá ocorrer se se tratar de insumos que se incorporam ao produto final ou, não se incorporando, são consumidos no curso do processo de industrialização, de forma imediata e integral". (RESP 30.938/PR, Rel. Min. Humberto Gomes De Barros, DJ de 07.03.1994; RESP 500.076/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, 1ª Turma, DJ de 15.03.2004). 2. No caso dos autos, ficou assentado que os bens de uso e consumo sofreram desgaste indireto no processo produtivo, não sendo cabível o creditamento do IPI pago na sua aquisição. 3. Recurso especial a que se nega provimento." (REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006) "RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL - ALÍNEAS "A" E "C" - IPI - AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA ISENTA, NÃO TRIBUTADA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO - CRÉDITO - COMPENSAÇÃO - ART. 166 DO CTN - INAPLICABILIDADE À HIPÓTESE - AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. (...) Não prospera a alegação de que restou malferido o comando do artigo 49 do CTN, pois, consoante asseverou o nobre relator do v. acórdão objurgado, o Regulamento do IPI (art. 147, do Decreto n. 2.637/98) veda Fl. 618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 30 expressamente o aproveitamento dos bens do ativo permanente da empresa, mesmo se houver seu natural desgaste no curso do processo de industrialização. (...)" (REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003) In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Com essas considerações, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL No mesmo sentido posto acima, cito a jurisprudência deste CARF: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, NEM CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. INVIABILIDADE DO CREDITAMENTO. Consolidada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de afastar o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme acórdão proferido pelo regime de recurso repetitivo (REsp n° 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009). (Acórdão nº 9303-016.321 – CSRF / 3ª Turma, Processo nº 11080.732116/2013-16, Rel. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Sessão de 10 de dezembro de 2024) Com estes fundamentos, voto por negar provimento a este capitulo recursal. Por fim, com relação aos materiais explosivos utilizados na extração de calcário, argila e gipsita, assim constou na decisão da DRJ:  DOS MATERIAIS EXPLOSIVOS. A INDUSTRIALIZAÇÃO do cimento Portland baseia-se, de modo geral, em quatro etapas fundamentais: 1. Mistura e moagem da matéria-prima (calcários, margas e brita de rochas). 2. Produção do clínquer (forno rotativo a 1400ºC + arrefecimento rápido). Fl. 619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 31 3. Moagem do clínquer e mistura com gesso. 4. Ensacamento Como se vê, a extração das matérias primas (calcário, argila e gipsita) e a britagem, estão em uma etapa anterior à que chamamos de industrialização - A atividade econômica de mineração. A mineração pode até, num sentido mais amplo, participar do processo de fabricação do calcário, mas não é industrialização em seu sentido estrito, pois somente se pode considerar industrialização aquilo que está disposto no artigo 4º do RIPI/20103. Isto porque o produto da mineração (no caso o calcário, a brita, a argila e magas ou até o gesso), que são as matérias primas para a produção do cimento, não são tributados pelo IPI (ou seja, constam da TIPI como NT). Com efeito, o conceito de industrialização, à luz da legislação do IPI, abrange apenas os produtos tributados ainda que isentos ou tributados à alíquota zero. Nesse passo, os produtos não tributados (NT), por se situarem fora do campo de incidência do imposto, não se inserem no conceito anteriormente exposto, não sendo considerados, para os efeitos do IPI, como produtos industrializados. Mesmo que se considerasse a mineração como processo industrial, os produtos e materiais usados na extração do calcário, fugiriam ao conceito de matéria-prima, material de embalagem e produto intermediário latu sensu, pois, diferentemente do que alegado pela manifestante, tais conceitos (produtos intermediários e de matérias-primas) deve obedecer estritamente ao estipulado pela legislação do IPI (Lei nº 5.172 de 1996, Decretos, Regulamentos, Instruções Normativas e Pareceres). Assim, os produtos e materiais usados na extração do calcário são custos da mineração, mas na industrialização o insumo é o calcário (que já possui o custo de extração embutido). A não cumulatividade do IPI não permite o 3 RIPI/2010: Da Industrialização Características e Modalidades (...) Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II - a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III - a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV - a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V - a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Fl. 620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 32 uso de créditos de cadeia não industrial, pois estes não são contribuintes do IPI. Ademais, os explosivos e os outros materiais usados na extração do calcário não tiveram contato direto com o produto em fabricação (cimento) nem sofreram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação (cimento); ou, vice-versa. O princípio da não-cumulatividade tem origem constitucional, entretanto, o direito dele decorrente não é irrestrito, sendo perfeitamente possível sua limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais e atos infralegais, tal como ocorre com vários outros direitos e garantias previstos na Constituição. Disso decorre que não há nenhuma norma que desabone o entendimento usado para a fundamentação dos autos. Concordo com o ilustre julgador a quo ao afirmar que os produtos e materiais usados na extração do calcário são custos da mineração, sendo que, na industrialização, o insumo é o calcário (que já possui o custo de extração embutido). Nesse sentido, cito o Acórdão nº 9303-016.539, da 3ª Turma da CSRF:] Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2013 IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, TAMPOUCO CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento de IPI sobre bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final nem são consumidos de forma imediata e integral, submetendo-se apenas a desgaste indireto no processo produtivo, nos termos do Recurso Especial nº 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009, julgado sob o rito dos recursos repetitivos pelo STJ. Oportuna a transcrição das conclusões contidas no Acórdão citado, in verbis: O aproveitamento do crédito do IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. Os materiais refratários se desgastam por conta de sua aplicação direta na linha produtiva principal. No entanto, não é o suficiente para se enquadrar na categoria de “produtos intermediários”, pois o refratário não agrega Fl. 621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 33 qualquer característica ao produto, mas sim ao equipamento: proteção das altas temperaturas, resistência à abrasão e isolamento térmico. Assim, são acessórios ao forno industrial e aos demais equipamentos, todos integrantes do ativo imobilizado, razão pela qual não geram direito ao crédito de IPI. Os refratários colocados no interior de fornos têm a função de proteger a parede metálica do forno, evitando o seu derretimento, ataque químico e perda de calor. E a função dos fornos é: a queima de combustível gerando calor, que se pretende transferir a uma substância que se quer aquecer. Logo, o refratário faz parte do equipamento, e este tem a função de transferir calor gerado pela queima do combustível para a substância de interesse. Não se questiona que o refratário tem contato com o produto, contudo este contato não tem o objetivo de agregar ao produto alguma característica especial. O fato de ocorrer ou não contato com o produto fabricado não modifica as qualidades ou características tecnológicas dos refratários, que de qualquer maneira não podem ser incluídos entre as matérias-primas e os produtos intermediários a que se refere a segunda parte do art. 226 do RIPI/2010. Com estes fundamentos, nego provimento ao recurso também nesse ponto. Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário, para afastar a preliminar de nulidade arguida, e no mérito negar provimento ao recurso. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Fl. 622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.736 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.902182/2016-91 34 Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Fl. 623DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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