Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13005.722182/2016-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/01/2010
CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
A conversão do julgamento em diligência é medida de caráter excepcional, cabível apenas quando a ausência de determinada informação ou documento torna inviável a própria análise do direito controvertido.
PRELIMINAR. FATO SUPERVENIENTE. LEI COMPLEMENTAR Nº 160/2017. MATÉRIA DE MÉRITO.
A superveniência da Lei Complementar nº 160/2017, com a inclusão dos §§ 4º e 5º ao art. 30 da Lei nº 12.973/2014, não configura matéria de ordem pública apta a ensejar nulidade processual, devendo sua incidência ser apreciada no mérito recursal.
INCENTIVOS FISCAIS DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. LC Nº 160/2017. ART. 30, §§ 4º E 5º, DA LEI Nº 12.973/2014.
Os incentivos e benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao ICMS concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal são considerados subvenções para investimento, sendo vedada a exigência de requisitos ou condições não previstos em lei. O disposto no art. 30, §§ 4º e 5º, da Lei nº 12.973/2014 aplica-se inclusive aos processos administrativos ainda não definitivamente julgados.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
Reconhecida a natureza de subvenção para investimento dos valores decorrentes de incentivo fiscal de ICMS, descabe sua inclusão na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.
Numero da decisão: 3301-014.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, por maioria de votos, em rejeitar a conversão em diligência, vencida a Conselheira Rachel Freixo Chaves. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Márcio José Pinto Ribeiro e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe que lhe negavam provimento. Designada a Conselheira Keli Campos de Lima para redigir o voto vencedor quanto à desnecessidade de conversão em diligência.
Assinado Digitalmente
Rachel Freixo Chaves – Relator
Assinado Digitalmente
Keli Campos de Lima - Redatora
Assinado Digitalmente
Paulo Guilherme Deroulede – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os (as) Conselheiros (as) Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Keli Campos de Lima, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: RACHEL FREIXO CHAVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 25 09:00:01 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202510
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2005 a 31/01/2010 CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. A conversão do julgamento em diligência é medida de caráter excepcional, cabível apenas quando a ausência de determinada informação ou documento torna inviável a própria análise do direito controvertido. PRELIMINAR. FATO SUPERVENIENTE. LEI COMPLEMENTAR Nº 160/2017. MATÉRIA DE MÉRITO. A superveniência da Lei Complementar nº 160/2017, com a inclusão dos §§ 4º e 5º ao art. 30 da Lei nº 12.973/2014, não configura matéria de ordem pública apta a ensejar nulidade processual, devendo sua incidência ser apreciada no mérito recursal. INCENTIVOS FISCAIS DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. LC Nº 160/2017. ART. 30, §§ 4º E 5º, DA LEI Nº 12.973/2014. Os incentivos e benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao ICMS concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal são considerados subvenções para investimento, sendo vedada a exigência de requisitos ou condições não previstos em lei. O disposto no art. 30, §§ 4º e 5º, da Lei nº 12.973/2014 aplica-se inclusive aos processos administrativos ainda não definitivamente julgados. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Reconhecida a natureza de subvenção para investimento dos valores decorrentes de incentivo fiscal de ICMS, descabe sua inclusão na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 13005.722182/2016-41
anomes_publicacao_s : 202604
conteudo_id_s : 7360474
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 3301-014.654
nome_arquivo_s : Decisao_13005722182201641.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : RACHEL FREIXO CHAVES
nome_arquivo_pdf_s : 13005722182201641_7360474.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, por maioria de votos, em rejeitar a conversão em diligência, vencida a Conselheira Rachel Freixo Chaves. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Márcio José Pinto Ribeiro e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe que lhe negavam provimento. Designada a Conselheira Keli Campos de Lima para redigir o voto vencedor quanto à desnecessidade de conversão em diligência. Assinado Digitalmente Rachel Freixo Chaves – Relator Assinado Digitalmente Keli Campos de Lima - Redatora Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os (as) Conselheiros (as) Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Keli Campos de Lima, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2025
id : 11305112
ano_sessao_s : 2025
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 25 09:41:49 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1863435042750988288
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-14T23:20:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-14T23:20:26Z; Last-Modified: 2026-04-14T23:20:26Z; dcterms:modified: 2026-04-14T23:20:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-14T23:20:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-14T23:20:26Z; meta:save-date: 2026-04-14T23:20:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-14T23:20:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-14T23:20:26Z; created: 2026-04-14T23:20:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2026-04-14T23:20:26Z; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-14T23:20:26Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13005.722182/2016-41 ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 22 de outubro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE OIW INDUSTRIA ELETRONICA S.A INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2005 a 31/01/2010 CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. A conversão do julgamento em diligência é medida de caráter excepcional, cabível apenas quando a ausência de determinada informação ou documento torna inviável a própria análise do direito controvertido. PRELIMINAR. FATO SUPERVENIENTE. LEI COMPLEMENTAR Nº 160/2017. MATÉRIA DE MÉRITO. A superveniência da Lei Complementar nº 160/2017, com a inclusão dos §§ 4º e 5º ao art. 30 da Lei nº 12.973/2014, não configura matéria de ordem pública apta a ensejar nulidade processual, devendo sua incidência ser apreciada no mérito recursal. INCENTIVOS FISCAIS DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. LC Nº 160/2017. ART. 30, §§ 4º E 5º, DA LEI Nº 12.973/2014. Os incentivos e benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao ICMS concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal são considerados subvenções para investimento, sendo vedada a exigência de requisitos ou condições não previstos em lei. O disposto no art. 30, §§ 4º e 5º, da Lei nº 12.973/2014 aplica-se inclusive aos processos administrativos ainda não definitivamente julgados. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Reconhecida a natureza de subvenção para investimento dos valores decorrentes de incentivo fiscal de ICMS, descabe sua inclusão na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Fl. 832DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, por maioria de votos, em rejeitar a conversão em diligência, vencida a Conselheira Rachel Freixo Chaves. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Márcio José Pinto Ribeiro e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe que lhe negavam provimento. Designada a Conselheira Keli Campos de Lima para redigir o voto vencedor quanto à desnecessidade de conversão em diligência. Assinado Digitalmente Rachel Freixo Chaves – Relator Assinado Digitalmente Keli Campos de Lima - Redatora Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os (as) Conselheiros (as) Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Keli Campos de Lima, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). RELATÓRIO 1. Por economia processual e por retratar adequadamente a demanda, adoto o relatório constante da decisão de primeira instância proferida pela DRJ/POA, com os destaques e complementações que faço a seguir para melhor compreensão: DO LANÇAMENTO Trata o presente processo dos Autos de Infração, às fls. 323 a 394, lavrados contra a OIW INDÚSTRIA ELETRÔNICA S/A (doravante denominada OIW), para a exigência de crédito tributário no montante de R$ 2.172.488,04 (dois milhões, cento e setenta e dois mil, quatrocentos e oitenta e oito reais e quatro centavos), estando assim distribuído: Fl. 833DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 3 Contribuição para o PIS/PASEP R$ 180.432,09 Juros de Mora (calculados até 09/2016) R$ 71.768,25 Multa Proporcional (Passível de Redução) R$ 135.323,98 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS R$ 831.082,40 Juros de Mora (calculados até 09/2016) R$ 330.569,60 Multa Proporcional (Passível de Redução) R$ 623.311,72 De acordo com o Auto de Infração da Contribuição para o PIS/PASEP e Relatório de Auditoria Fiscal - RAF, às fls. 323 a 357 e 395 a 410, respectivamente, o crédito tributário ali lançado foi constituído em razão da Fiscalização verificar que a Contribuinte, no decorrer dos anos-calendário de 2012 e 2013, teria cometido diversas infrações, as quais, juntamente com seus fundamentos e consequências, podem ser assim resumidas: 0001 – INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA PADRÃO. INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP, cujos valores encontram- se relacionados às fls. 324, correspondentes aos fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2013, conforme discriminado no RAF, às fls. 395 a 408, tendo como enquadramento legal: Art. 1º da Lei Complementar nº 7/70; art. 4° da Lei nº 10.637/02; Art. 2º da Lei nº 10.637/02; Art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941/09; Art. 1º da Lei nº 10.637/02, com as alterações introduzidas pelo art. 25 da Lei nº 10.684/03, pelo art. 37 da Lei nº 10.865/04, pelo art. 42, inciso III, alínea "c" da Lei nº 11.727/08 e pelo art. 16 da Lei nº 11.945/09; Art. 3º da Lei nº 10.637/02, com as alterações introduzidas pelo art. 25 da Lei nº 10.684/03, pelo art. 37 da Lei nº 10.865/04, pelo art. 16 da Lei nº 10.925/04, pelo art. 3º da Lei nº 10.996/04, pelo art. 45 da Lei nº 11.196/05, pelo art. 3º da Lei nº 11.307/06, pelo art. 17 da Lei nº 11.488/07, pelo art. 4º da Lei nº 11.787/08, pelo art. 14 da Lei nº 11.727/08, pelo art. 24 da Lei nº 11.898/09 e pelo art. 16 da Lei nº 11.945/09. Por fim, observa-se que, no referido Termo, a Fiscalização aponta as razões que levaram à tributação da omissão de receita, principalmente que: O procedimento de fiscalização visou averiguar o tratamento fiscal dado a benefícios fiscais recebidos junto ao Estado da Bahia para a implantação e operacionalização de unidade naquele Estado, visto que se constatou que o Auditado (...) deu tratamento de subvenções para investimentos (receita isenta) a subvenções para custeio (receita tributável). Neste seguimento, iniciou-se a presente auditoria com a intimação do Fiscalizado, via postal, Aviso de Recebimento – AR, às fls. 05, do Termo de Início de Fiscalização – TIF, em 13/05/2016, no qual foram requeridos documentos e livros em prol da apreciação do objeto em questão. Fl. 834DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 4 No decorrer da fiscalização verificamos que não foram incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas de subvenção nos montantes mostrados no Livro Razão e contrapartidas onde constam os valores estornados de débitos de ICMS registrados na conta "3.01.05.01.0003 - ICMS Decreto 4.316/95 - Bahia".(g.n) (...) a subvenção recebida pela empresa tem característica de custeio, além de não haver qualquer vinculação dos valores obtidos com o benefício fiscal de créditos (estorno de débitos) de ICMS por meio do Decreto Estadual nº 4.316/95 e aplicação específica dos recursos em bens ou direitos ligados à implantação ou expansão das atividades da empresa. (g.n) A definição de subvenção governamental deve ser buscada no âmbito do Direito Financeiro, o qual, nos parágrafos 2º e 3º do art. 12 da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, assim dispõe: Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: (...) § 2Q Classificam-se como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. § 3Q Consideram-se subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: - subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; - subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n) (...) no item 6 do Pronunciamento Técnico CPC 07, esclarece que as subvenções governamentais são também designadas, entre outras formas, por subsídios, incentivos fiscais, doações e prêmios, e, no item 3, assim define o que é uma subvenção governamental: (g.n) "Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade. Não são subvenções governamentais aquelas que não podem ser razoavelmente quantificadas em dinheiro e as transações com o governo que não podem ser distinguidas das transações comerciais normais da entidade." As subvenções econômicas podem ser de duas espécies - subvenções para custeio ou operação e subvenções para investimento. (g.n) Fl. 835DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 5 Segundo o entendimento do Fisco Federal sobre o assunto, estabelecido no Parecer Normativo - PN CST nº 112/78: as subvenções para custeio ou operação são as transferências de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá-la a fazer frente ao seu conjunto de despesas, auxiliando-a nas suas operações, ou seja, na consecução de seus objetivos sociais. (g.n) Já as subvenções para investimento, são aquelas que apresentam características específicas, a saber: (a) a intenção do subvencionador de destiná-las para investimento; (b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e, (c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. (g.n) Fundamentando-se no sobredito PN, observou que as subvenções para investimento apresentam características bem marcantes e exigem a perfeita sincronia entre a intenção do subvencionador com a ação da entidade subvencionada. Não basta apenas o "animus" de incentivar investimentos, impõe- se, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, em conformidade com o que estabeleceu o subvencionador. Por outro lado, se o subvencionador não manifestou explicitamente a sua intenção, a simples aplicação dos recursos em investimentos por parte da entidade beneficiária não autoriza a classificação como subvenção para investimento. (g.n) Contribuiu para o seu entendimento, a Solução de Consulta SRRF/5ª RF/DISIT nº 47/2002, na qual restou concluído que "Os valores lançados a crédito em virtude de gozo do benefício fiscal de redução do ICMS, regulado pelo Decreto do Estado da Bahia nº 4.316/95 e alterações, não possuem os requisitos necessários a sua caracterização como subvenção para investimento, devendo ser computados na determinação do lucro operacional." (g.n) Por tudo exposto, inferiu que para que uma subvenção seja considerada como de investimento e, neste caso, não incluída na base de cálculo do PIS e da COFINS, é imprescindível a sua efetiva e específica aplicação na aquisição de bens ou direitos necessários à implantação ou expansão de empreendimento econômico pré- definido, não sendo suficiente a realização dos propósitos meramente almejados com a subvenção. Não caracterizada tal vinculação e sincronia, os valores objeto da subvenção, decorrentes de créditos de ICMS, devem ser computados na determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS. (g.n) Ao final, no RAF, às fls. 406 a 408, transcreveu os lançamentos contábeis no livro Razão e contrapartidas, relativos aos valores estornados de débitos de ICMS registrados na conta "3.01.05.01.0003 - ICMS Decreto 4.316/95 - Bahia", nos anos de 2012 e 2013, que devem ser computados na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme demonstrativos de apuração, às fls. 321 a 322. Fl. 836DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 6 0002 – INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA - CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE. INFRAÇÃO: CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE EM DECORRÊNCIA DE APROVEITAMENTO DE OFÍCIO EM PERÍODOS ANTERIORES, nos montantes de R$ 7.839,19 (sete mil, oitocentos e trinta e nove reais e dezenove centavos), R$ 8.236,08 (oito mil, duzentos e trinta e seis reais e oito centavos), R$ 25.430,80 (vinte e cinco mil, quatrocentos e trinta reais e oitenta centavos), R$ 1.946,90 (um mil, novecentos e quarenta e seis reais e noventa centavos), R$ 2.822,48 (dois mil, oitocentos e vinte e dois reais e quarenta e oito centavos), R$ 6.449,66 (seis mil, quatrocentos e quarenta e nove reais e sessenta e seis centavos) e R$ 31.654,02 (trinta e um mil, seiscentos e cinquenta e quatro reais e dois centavos), correspondente aos fatos geradores de 28/02/2012, 30/04/2012, 31/07/2012, 30/09/2012, 31/12/2012, 30/04/2013 e 31/01/2014, respectivamente, às fls. 325, conforme discriminado no RAF, às fls. 409, tendo como enquadramento legal: Art. 1º da Lei Complementar nº 7/70; art. 4° da Lei nº 10.637/02; Art. 3º da Lei nº 10.637/02, com as alterações introduzidas pelo art. 25 da Lei nº 10.684/03, pelo art. 37 da Lei nº 10.865/04, pelo art. 16 da Lei nº 10.925/04, pelo art. 3º da Lei nº 10.996/04, pelo art. 45 da Lei nº 11.196/05, pelo art. 3º da Lei nº 11.307/06, pelo art. 17 da Lei nº 11.488/07, pelo art. 4º da Lei nº 11.787/08, pelo art. 14 da Lei nº 11.727/08, pelo art. 24 da Lei nº 11.898/09 e pelo art. 16 da Lei nº 11.945/09, observando-se que, no referido RAF, a Fiscalização aponta que: Para fins de apuração do saldo devedor das contribuições do PIS e da COFINS, em decorrência da infração descrita no item anterior, foi efetuado o aproveitamento de ofício do saldo de créditos apurados pelo contribuinte no regime da não cumulatividade, conforme demonstrativos às fls. 334 à 357 (PIS) e às fls. 369 à 392 (COFINS). Tal aproveitamento de ofício ocasionou falta de pagamento das contribuições do PIS e da COFINS em períodos subsequentes (indicados nos respectivos autos de infração (PIS, fl. 325 e COFINS, fl. 360), em razão de o sujeito passivo ter descontado em sua apuração créditos da não cumulatividade aproveitados de ofício em períodos anteriores, por meio destes autos de infração). Em decorrência dos mesmos fatos foi apontada a falta de recolhimento da COFINS, compreendendo os mesmos períodos de apuração, sendo lavrado o correspondente Auto de Infração, onde, também, foram apontadas diversas infrações, as quais, juntamente com seus fundamentos e consequências, podem ser assim resumidas: 0001 - INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA PADRÃO. INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS, cujos valores encontram-se relacionados às fls. 359, correspondentes aos fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2013, conforme discriminado no RAF, às fls. 395 a 408, tendo como enquadramento legal: Art. 1º da Lei Complementar nº 70/1991; art. 5º da Lei nº 10.833/03; Art. 2º, caput, da Lei nº 10.833/03; Art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, com as alterações Fl. 837DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 7 introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941/09; Art. 3º da Lei nº 10.833/03, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04, pelo art. 5º da Lei nº 10.925/04, pelo art. 21 da Lei nº 11.051/04, pelo art. 43 da Lei nº 11.196/05, pelo art. 4º da Lei nº 11.307/06, pelo art. 18 da Lei nº 11.488/07, pelo art. 5º da Lei nº 11.787/08, pelos arts. 15 e 36 da Lei nº 11.727/08, pelo art. 25 da Lei nº 11.898/09 e pelo art. 17 da Lei nº 11.945/09; Art. 1º da Lei nº 10.833/03, com alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04 e pelo art. 17 da Lei 11.945/09. 0002 - CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE. INFRAÇÃO: CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE EM DECORRÊNCIA DE APROVEITAMENTO DE OFÍCIO EM PERÍODOS ANTERIORES, nos montantes de R$ 36.135,05 (trinta e seis mil, cento e trinta e cinco reais e cinco centavos), R$ 37.935,87 (trinta e sete mil, novecentos e trinta e cinco reais e oitenta e sete centavos), R$ 117.135,88 (cento e dezessete mil, cento e trinta e cinco reais e oitenta e oito centavos), R$ 8.967,58 (oito mil, novecentos e sessenta e sete reais e cinquenta e oito centavos), R$ 13.000,56 (treze mil e cinquenta e seis centavos), R$ 29.707,62 (vinte e nove mil, setecentos e sete reais e sessenta e dois centavos) e R$ 145.800,69 (cento e quarenta e cinco mil, oitocentos reais e sessenta e dois centavos), correspondente aos fatos geradores de 28/02/2012, 30/04/2012, 31/07/2012, 30/09/2012, 31/12/2012, 30/04/2013 e 31/01/2014, respectivamente, às fls. 360, conforme discriminado no RAF, às fls. 409, tendo como enquadramento legal: Art. 1º da Lei Complementar nº 70/1991; art. 5º da Lei nº 10.833/03; Art. 3º da Lei nº 10.833/03, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04, pelo art. 5º da Lei nº 10.925/04, pelo art. 21 da Lei nº 11.051/04, pelo art. 43 da Lei nº 11.196/05, pelo art. 4º da Lei nº 11.307/06, pelo art. 18 da Lei nº 11.488/07, pelo art. 5º da Lei nº 11.787/08, pelos arts. 15 e 36 da Lei nº 11.727/08, pelo art. 25 da Lei nº 11.898/09 e pelo art. 17 da Lei nº 11.945/09; Art. 1º da Lei nº 10.833/03, com alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04 e pelo art. 17 da Lei 11.945/09. DA IMPUGNAÇÃO Ciente da autuação em 07/10/2016, no dia 04/11/2016, a OIW impugnou os lançamentos, às fls. 422 a 582, na qual sustentou que o Auto de Infração sob julgamento não merecia prosperar, devendo ser cancelado integralmente os respectivos lançamentos, bem como a multa e juros aplicados, em suma, pelas seguintes considerações de direito: No mérito, quanto a glosa das exclusões indevidas alegou improcedência do lançamento ante ao patente enquadramento dos valores decorrentes do incentivo fiscal de ICMS no conceito de subvenção para investimento. Nesse seguimento, assegurou, inclusive citando doutrina e diversas jurisprudências Fl. 838DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 8 administrativas oriundas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, que: (g.n) (...) pela leitura dos fundamentos que ensejaram o lançamento fiscal ora combatido, a descaracterização do incentivo fiscal de ICMS a que a Impugnante faz jus teve por fundamento unicamente o fato de que a Receita Federal do Brasil, em 2002, já havia se manifestado em um caso específico, rotulando o Decreto Estadual 4.316/95 como um instrumento concessor de incentivos fiscais cuja natureza é de subvenção para custeio. Ou seja, em sua peça acusatória, a autoridade fiscalizadora se limita a citar o entendimento proferido em sede de Solução de Consulta, sem analisar no caso concreto o cumprimento pela Impugnante de qualquer requisito que ela própria indicou como necessário; (...) após a edição da Lei 11.941/09 é certo afirmar que para fins de análise da incidência do PIS e COFINS sobre determinados valores registrados como subvenções, devem ser levadas em conta as premissas adotadas pela legislação do IRPJ. Ou seja, uma vez caracterizado o benefício fiscal como uma subvenção para investimento, o reflexo tributário será o mesmo tanto para fins de incidência do IRPJ, CSLL PIS e COFINS. Pela inteligência do art. 443, do RIR99, abaixo transcrito, (...) a subvenção para investimento não é tributável pelo IRPJ, uma vez que não é computada na determinação do lucro real - desde que atendidas, obviamente, as condições legais pré-estabelecidas: Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (Decreto-lei n" 1.598, de 1977, art. 38, § 2", e Decreto-lei n" 1.730, de 1979, art. 1", inciso VIU): - registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou - feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniencias passivas ou insuficiências ativas. Extrai-se da redação do art. 18, da Lei 11.941/09, abaixo reproduzido, revogada pela Lei nº 12.973/2014, mas vigente à época dos fatos geradores esgrimidos, dois requisitos legais para caracterização de determinada subvenção como de investimento, não se exigindo (...) qualquer outro critério ou requisito para a caracterização de um incentivo fiscal como subvenção para investimentos: Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se Fl. 839DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 9 refere o art. 38 do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: - reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3a do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; - excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; - manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195-A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada ató o limite do lucro líquido do exercício; - adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo. no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3º deste artigo. § 1º - As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: - capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; - restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou - integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 2º - O disposto neste artigo terá aplicação vinculada à vigência dos incentivos de que trata o § 2º do art. 38 do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, não se lhe aplicando o caráter de transitoriedade previsto no § 1º do art. 15 desta Lei. § 3º - Se, no período base em que ocorrer a exclusão referida no inciso II do caput deste artigo, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e subvenções governamentais, e neste caso não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do inciso III do caput deste artigo, esta deverá ocorrer nos exercícios subsequentes. Fl. 840DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 10 (g.n) 4.1.4.1 O primeiro requisito legal que desponta, da leitura tanto da Lei 11.941/09, como do Decreto-Lei 1.598/77, diz respeito à restrição da vinculação das subvenções ao estimulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. (...) não havendo maiores divergências sobre a necessidade de se verificar o animus do agente ente subvencionador em estimular a criação ou expansão de empreendimento por parte dos subvencionados; e 4.1.4.2 O segundo requisito que se pode extrair da interpretação dos textos legais diz respeito à necessária constituição de reserva de lucros. Em favor de (...) que os valores percebidos não fossem utilizados como meios de ampliação da margem de lucro das empresas. 4.1.5 Denota-se da leitura do Decreto 4.316/95, a notória intenção do Estado da Bahia em estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos na região de Ilhéus, visto que (...) contém diversos requisitos legais e características para que as empresas possam gozar do referido benefício como subvenção para investimento, dentre os quais abaixo apontamos alguns dos principais: 4.1.5.1 A empresa deve ter instalado projeto de planta industrial devidamente aprovada pelo Estado da Bahia - art. 1°; 4.1.5.2 Deve haver habilitação junto à Secretaria da Fazenda Estadual (vide doc. 06), bem como a renovação desta habilitação - registro especial - inciso I, do §1° do art. 1o; 4.1.5.3 O faturamento das vendas de produtos fabricados na unidade industrial objeto do incentivo devem ser de no mínimo: 25% (primeiro ano), 33% (segundo ano), 40% (terceiro ano) e 50% (a partir do quarto ano de produção) - inciso II, do §1° do art. 1o. Caso não seja atendido esse requisito, o beneficiário deverá atender aos seguintes (art. 9o-A): 4.1.5.3.1 Investimento de no mínimo 70% do projeto industrial; 4.1.5.3.2 Faturamento anual de 20% a 5% a depender do tempo de instalação da empresa; 4.1.5.3.3 Possuir no mínimo 40 empregados; 4.1.5.3.4 Possuir certificado da norma ISO 9.000 (ou posterior); 4.1.5.3.5 Não possuir débitos com a fazenda estadual; 4.1.5.3.6 Desembaraçar no território da Bahia ao menos 15% das importações; e 4.1.5.3.7 Estar autorizada por ato específico da SEFAZ/BA; 4.1.5.4 Contrapartida com a contribuição ao INOVATEC - Programa Estadual de incentivos à Inovação Tecnológica, de 0,25% calculado sobre o valor de vendas e transferências dos produtos industrializados. (art. 10-A) Fl. 841DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 11 4.1.5.5 Pena de cassação da habilitação caso não cumprido algum dos requisitos previstos na norma. - art. 9º 4.1.6 (...) a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em recente julgamento analisando exatamente o Decreto 4.316/95, se manifestou pela caracterização deste incentivo fiscal como uma subvenção para investimentos, nos termos da ementa abaixo reproduzida: PROGRAMA DO ESTADO DA BAHIA. INCENTIVOS FISCAIS. ICMS. ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA, ELETRÔNICA E TELECOMUNICAÇÕES. ASPECTOS. NORMA EM TESE. AÇÕES DO SUBVENCIONADO. Dois aspectos que devem ser considerados para apreciação de valores subvencionados, (I) a norma em tese, no caso o Decreto Estadual n" 4.316, de 1995, do Governo do Estado de Bahia, que estabelece metas claras que permitem averiguar se, de fato, está se consumando a implantação ou expansão do empreendimento econômico por meio de mecanismos de controle c acompanhamento do projeto, e (2) as ações do ente subvencionado promovendo incrementos no ativo fixo, convergem no sentido de que os valores transferidos pelo subvencionado}' encontram-se efetivamente destinados à expansão do parque industrial, razão pela qual são subvenções para investimento. Acórdão n" 9101002.335 - Ia Turma - Sessão de 4 de maio de 2016 4.1.7 No que concerne a escrituração dos valores da subvenção percebida (...) na conta de patrimônio líquido, 781-1 2.04.04.03.0002 Reservas de subvenções e incentivos fiscais ICMS", nos exatos termos do art. 38, §2°, do Decreto-Lei 1.598/77, (...) verifica-se que em nenhum momento o não cumprimento do requisito legal foi questionado pela autoridade fiscalizadora. Ademais, atendendo ao disposto na norma mencionada, os sobreditos montantes, relacionados aos anos-calendário de 2012 e 2013, foram integralizados no capital da sociedade no ano de 2016; 4.1.8 Considerando que os argumentos genéricos trazidos pela Fiscalização fundamentaram-se no que dispõe o PN CST nº 112/78, é nítida a extrapolação do poder interpretativo do referido Parecer, incorrendo em patente ilegalidade, haja vista que os requisitos elencados não encontram nenhum fundamento legal, tendo em vista que o art. 443, do RIR (art. 38, do Decreto-Lei 1.598/77) e art. 18 da Lei 11.941/09 não tratam da forma como o agente subvencionado deve aplicar a subvenção percebida, muito menos impõe a gama de requisitos restritos como faz o PN CST 112/78; 4.1.9 A sobredita percepção da exorbitação do poder interpretativo do PN CST nº 112/78 é corroborada pela doutrina e jurisprudência do CARF. 4.2 Ainda no âmbito das exclusões guerreadas, pleiteou o reconhecimento da impossibilidade de se tributar incentivos fiscais, no caso, os valores provenientes do crédito presumido de ICMS (estorno dos débitos), pelo PIS/COFINS, ante a ausência de materialidade, visto que: Fl. 842DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 12 4.2.1 O PIS e a COFINS encontram fundamento de validade no art. 195, I, b, da Constituição Federal, que determina que as contribuições sociais poderão incidir sobre a "receita" ou o "faturamento". Nos termos das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03, o PIS e a COFINS incidem sobre o "total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil;(g.n) 4.2.2 (...) nem toda entrada ou ingresso de valores no patrimônio representa "receita", pois é necessário que os valores representem elemento novo e positivo na esfera patrimonial da empresa. 4.2.3 Nesse contexto, os valores provenientes do crédito presumido de ICMS (estorno dos débitos) jamais poderão ser alcançados pela tributação do PIS/COFINS. Primeiro, pelo seu patente enquadramento no conceito legal de subvenção para investimentos, como já explicitado ao longo do tópico anterior. E, segundo, pelo fato de que estes valores não se amoldam ao conceito de receita, que é a materialidade definida pelo artigo 1° da Lei 10.833/03 e da 10.637/02. 4.2.4 Assim, a única conclusão possível é de que os valores percebidos através do crédito presumido de ICMS (estorno de débitos) não se constituem receita ou faturamento, mas se tratam de um incentivo fiscal, que visa recuperar custos tributários, portanto, estão fora com campo de incidência da materialidade legalmente prevista ao PIS e COFINS, de acordo com a pacífica jurisprudência do TRF4 e STJ. É como relato. 2. A DRJ de Salvador/BA, por meio de acórdão proferido em 05/04/2018, decidiu pela manutenção integral do lançamento, cuja ementa reproduz-se a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012, 2013 PARECER NORMATIVO. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de 1ª instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade de Parecer Normativo expedido por autoridade hierárquica superior. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2013 SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES As subvenções configuram-se auxílios ou recursos externos ao empreendimento empresarial que não importem qualquer exigibilidade para o subvencionado, destarte nítidas receitas, por natureza tributáveis, sendo as correntes para custeio ou operação de cunho operacional e, portanto, integram a base de cálculo para Fl. 843DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 13 apuração do tributo, consoante determinado no art. 392, I, do RIR 99; enquanto as de investimento, por terem índole de resultado não operacional, podem ser excluídas da tributação se atendidas as condições impostas pelo art. 443, do mesmo regulamento. Assim, considerando que a análise da incidência das contribuições sobre os valores registrados à título de subvenção baseia-se nas premissas adotadas pelo Regulamento do IRPJ, e, no caso em espécie, não houve comprovação que as transferências percebidas foram efetivamente destinadas à expansão do empreendimento econômico prédefinido, é indiscutível que integra a base de cálculo daquelas. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. ESTÍMULO À IMPLANTAÇÃO OU EXPANSÃO DE EMPREENDIMENTOS ECONÔMICOS. Para restar caracterizada a subvenção para investimento as transferências devem ser concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. E não basta a mera intenção, deve estar hialino no diploma legal que o ente subvencionador irá, de fato, estabelecer mecanismos claros de controle para verificar se as condições serão atendidas. Espera-se que os investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo fixo, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. PROGRAMA DO ESTADO DA BAHIA. INCENTIVOS FISCAIS. ICMS.ASPECTOS. NORMA EM TESE. DECRETO ESTADUAL Nº 4.316/95. AÇÕES DO SUBVENCIONADO. NÃO COMPROVAÇÃO DAAPLICAÇÃO DOS RECURSOS NO ATIVO FIXO PROPORCIONAL ÀS TRANSFERÊNCIAS RECEBIDAS. ART. 443, RIR 99. Dois aspectos que devem ser considerados para apreciação de valores subvencionados: (1) a norma em tese, no caso o Decreto Estadual nº 4.316, de 1995, do Governo do Estado de Bahia, que estabelece metas claras que permitem averiguar se, de fato, está se consumando a implantação ou expansão do empreendimento econômico por meio de mecanismos de controle e acompanhamento do projeto; e (2) as ações do ente subvencionado promovendo incrementos no ativo fixo; convergem no sentido de que os valores transferidos pelo subvencionador encontram-se efetivamente destinados à expansão do parque industrial, sob pena de não atendimento das condições impostas pelo art. 443, do RIR99. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 31/01/2012 a 31/12/2013 COFINS. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento da Cofins, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões Fl. 844DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 14 advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo ao PIS, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias objeto de lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Em sede de recurso voluntário a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, incluindo apenas em preliminar e como fato superveniente o advento da LC 160/17. Vejamos: Em sede de preliminarmente: 1. Fato Superveniente – Publicação da Lei Complementar n. 160/2017 – Caracterização dos Incentivos Fiscais de ICMS como Subvenção para Investimento – Vedação da Exigência da RFB de outros Requisitos para sua Caracterização – Norma aplicável a Atos não Definitivamente Julgados No mérito: 1. Das razões para reforma do r. Acórdão proferido pela DRJ - da improcedência do lançamento ante ao patente enquadramento dos valores decorrentes do incentivo fiscal de ICMS no conceito de subvenção para investimento – extrapolação dos limites legais do pn 112/1978 ; 2. Da improcedência do lançamento ante à impossibilidade de se tributar créditos presumidos pelo pis/cofins. 4. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Rachel Freixo Chaves, Relatora. I. DO CONHECIMENTO 5. O Recurso Voluntário é tempestivo e devem ser conhecidos nos exatos termos do Despacho de Admissibilidade. II. PRELIMINAR DE ORDEM PÚBLICA. SUPERVENIENTE. 6. O conceito de ordem pública, de natureza jurídica indeterminada, assume delineamentos variados no ordenamento. O Decreto nº 70.235/1972 não define, de forma Fl. 845DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 15 expressa, quais matérias ostentam tal natureza, razão pela qual sua identificação vem sendo construída pela jurisprudência administrativa conforme as especificidades do caso concreto. 7. No âmbito deste Conselho, verifica-se, de modo reiterado, que o reconhecimento de matérias de ordem pública se vincula a pressupostos processuais estruturantes, tais como legitimidade das partes, interesse processual, decadência e prescrição, inovação recursal, cerceamento do contraditório, intempestividade e critérios de atualização monetária. 8. No caso, em sede de recurso voluntário, a contribuinte alega preliminar de ordem pública fundada em fato superveniente consubstanciado na publicação da Lei Complementar nº 160, de 7 de agosto de 2017, que incluiu os §§ 4º e 5º ao art. 30 da Lei nº 12.973/2014. 9. A controvérsia central destes autos, contudo, reside no enquadramento, ou não, do incentivo de ICMS concedido pelo Estado da Bahia como subvenção para investimento ou de custeio. Trata-se de matéria de fundo, afeta ao regime jurídico material aplicável, a ser examinada no mérito, e não de vício capaz de ensejar nulidade por violação a pressupostos de ordem pública. 10. Diante disso, rejeito a preliminar de nulidade suscitada, porquanto a aplicação da Lei Complementar nº 160/2017 e dos §§ 4º e 5º do art. 30 da Lei nº 12.973/2014 se insere no âmbito do mérito recursal. III. DO MÉRITO III.1. Da diligência necessária para confirmação do incentivo junto ao CONFAZ e ao ente estadual 11. Em síntese, a autuação devolveu à tributação valores classificados pela empresa como subvenções para investimento, referente a créditos presumidos de ICMS vinculados, no que interessa, ao Decreto baiano 4.316/1995, sob o argumento de que seriam receitas tributáveis pelo PIS e pela COFINS, ou, quando muito, “subvenções de custeio”, por ausência de comprovação dos requisitos de subvenção para investimento. A DRJ manteve integralmente o lançamento por entender não demonstrada a destinação “efetiva e específica” a investimento e por reputar inaplicáveis, no caso, as exclusões pretendidas. 12. A Recorrente, por sua vez, sustenta: a) natureza de subvenções para investimento dos incentivos de ICMS; b) aplicação do art. 21 da Lei 11.941/2009 (período 2012- 2013) e, supervenientemente, do art. 30 da Lei 12.973/2014 com os §§ 4º e 5º inseridos pela LC Fl. 846DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 16 160/2017; e c) registro contábil em reserva de lucros, oferecendo, inclusive, a realização de diligência para eventual comprovação contábil pormenorizada. 13. Diante dessas premissas, passa-se à análise temática. 14. A presente controvérsia versa sobre a aplicação do art. 30 da Lei nº 12.973/2014, acrescido dos §§ 4º e 5º pela LC nº 160/2017. 15. Citada lei, além de trazer segurança jurídica quanto ao enquadramento dos incentivos de ICMS como subvenção para investimento para todos os efeitos legais. no entanto, é importante rememorar que a LC nº 160/2017, que pôs termo à chamada “guerra fiscal” do ICMS entre os Estados ao exigir a convalidação, no âmbito do CONFAZ, dos incentivos fiscais concedidos unilateralmente por entes federativos, o disciplinou no âmbito do Convênio ICMS nº 190/2017. 16. No âmbito desse regramento, estabelece-se que os Estados deveriam não apenas depositar, no CONFAZ, a legislação concessiva dos incentivos, mas também atender a critérios específicos para que tais benefícios fossem considerados válidos. Isso inclui não só o depósito formal das normas, mas a verificação de que elas não foram ampliadas ou alteradas de forma irregular após a convalidação. 17. O cerne do presente voto reside na distinção entre o mero depósito da legislação e a comprovação de que os requisitos materiais de convalidação foram efetivamente cumpridos, bem como se a empresa em questão, no período de atuação, usufruía de incentivos enquadráveis nos referidos requisitos. Ademais, ao analisar os documentos apresentados pela empresa (fls. 422-582; doc. 04; pág. 63/63), observa-se que apenas foi juntado protocolo no qual se afirma que a empresa estava enquadrada no Decreto nº 4.316, de 19 de junho de 1995. No entanto, ao analisar o decreto, nota-se que ele contempla diversos incentivos, além de ter ocorrido mudanças após a Lei Complementar nº 160/2017. 18. Em consulta pública ao certificado de depósito no CONFAZ, no site do Confaz, embora esta relatoria tenha localizado o CERTIFICADO DE REGISTRO E DEPÓSITO — SE/CONFAZ nº 20/2018, isso, por si só, não demonstra necessariamente que todos os requisitos foram observados. O certificado atesta o depósito, ou seja, o protocolo, mas não a conformidade material e a não alteração posterior das normas estaduais. Pois, se não válidas à luz da legislação em vigor, sequer será possível avançar na discussão sobre a matéria. 19. Além disso, o processo indica que a empresa é beneficiária de incentivos previstos em decreto estadual da Bahia que contempla não apenas benefícios tributários, mas também medidas como diferimento de ICMS. Importa ressaltar que o diferimento não se configura, por si só, como incentivo tributário a ser convalidado, mas sim como postergação do pagamento, o que pode gerar dúvidas sobre a natureza e o alcance dos benefícios efetivamente concedidos. 20. Ademais, não se pode transferir tal responsabilidade à autoridade fiscal sobre tais certificações, visto que, como dito, a LC nº 160/2017 é posterior à lavratura do próprio Fl. 847DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 17 auto, razão pela qual entendo que tais esclarecimentos são fundamentais para o bom e fiel deslinde. 21. Diante dessa situação, a proposta é de que os autos sejam baixados em diligência para que a unidade de origem providencie: 1. Notificação à Secretaria da Fazenda estadual para que informe detalhadamente quais incentivos do decreto em questão foram de fato usufruídos pela empresa e em que período, especificando a natureza dos benefícios (se meros diferimentos ou se há outros enquadráveis como incentivo tributário). 2. Notificação ao Secretário-Executivo do CONFAZ, Conselho Nacional de Política Fazendária, do Ministério da Fazenda, para que certifique se o decreto estadual em tela e todos os seus dispositivos foram integralmente convalidados conforme o Convênio ICMS nº 190/2017, garantindo a validade dos benefícios questionados. 22. Assim, proponho que o feito retorne à origem para a realização das diligências acima delineadas. Somente após o cumprimento dessas etapas é que será possível aferir, com a segurança jurídica necessária, se a empresa efetivamente cumpriu os critérios de convalidação e se os incentivos em questão permanecem válidos à luz da legislação aplicável. 23. Se vencida a matéria de diligência supra, prossigo com o julgamento das demais teses da defesa. III.2. Dos incentivos tributários estaduais e a lei complementar 160/2017. Da natureza de subvenção para investimento. 24. É premissa normativa que os incentivos tributários estaduais constituem instrumentos legítimos de política pública voltados à redução de desigualdades regionais e ao desenvolvimento econômico (CF, arts. 43, § 2º, e 151, I). 25. A leitura das subvenções de ICMS deve harmonizar-se com essa finalidade constitucional e com o federalismo cooperativo, evitando requalificações fiscais que desvirtuem políticas reconhecidas pelo ordenamento. 26. Do ponto de vista das finanças públicas, convém distinguir benefício tributário (gênero) de renúncia de receita (espécie). 27. Benefícios tributários abrangem regimes preferenciais previstos em lei para determinados contribuintes e/ou setores. Já renúncia implica diminuição do produto Fl. 848DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 18 arrecadatório em comparação a um regime de referência, exigindo avaliação orçamentário- financeira (LRF, art. 141). 28. No entanto, a legislação prevê a hipóteses, porém, em que o incentivo não se traduz em renúncia líquida, por vir condicionado a contraprestações econômicas (investimento, emprego, adensamento produtivo) que ampliam a base arrecadatória futura, como reconhecem a Estrutura Conceitual e as NBC TSP 01 e 02. Nesses casos, o aparente “gasto tributário” pode, no resultado consolidado do ente, representar não-renúncia, à luz do acréscimo de atividade econômica e receitas correlatas. 29. Nessa perspectiva, o advento da LC nº 160/2017, em diálogo com o Convênio ICMS nº 190/2017 e com o art. 30 da Lei nº 12.973/2014, instituiu um marco de segurança jurídica para a política pública de incentivos estaduais, ao positivar, de forma uniforme e nacional, que os benefícios de ICMS convalidados qualificam-se como subvenções para investimento, e não como receitas operacionais ordinárias. Vejamos: LC 160/16 Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: (Parte mantida pelo Congresso Nacional) "Art. 30. .................................................................................. ................................................................................................. § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplica-se inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados." 30. Com isso, o legislador alinhou o tratamento tributário ao conteúdo econômico efetivo desses instrumentos (fomento a investimento, emprego, adensamento produtivo e, por consequência, incremento arrecadatório futuro), preservando o desenho do federalismo cooperativo e impedindo requalificações fiscais que desestruturem programas legítimos de desenvolvimento regional. Em síntese, ao amarrar a distinção entre benefício e 1 Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: (...) ; § 1 o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. (destaques da relatora) Fl. 849DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 19 renúncia ao seu resultado econômico e ao assegurar previsibilidade para contribuintes e Fisco, o novo arranjo normativo afasta a leitura automática que pretenda converter tais incentivos em “receita” para PIS/Cofins, sobretudo quando inexistente ingresso novo no patrimônio do contribuinte. III.3. Do enquadramento jurídico-tributário das subvenções estaduais e da decisão recorrida 31. No mérito, a fiscalização reintroduziu na base de PIS/COFINS valores contabilizados como subvenções, sustentando que se tratariam de receitas tributáveis ou, quando muito, de subvenções de custeio por ausência de prova de destinação específica a investimentos. A decisão recorrida acolheu tal linha, apoiando-se, inclusive, em parâmetros infralegais e na exigência de demonstração de “aplicação efetiva e específica” no ativo. 32. De outro lado, a Recorrente afirma que os incentivos de ICMS percebidos qualificam-se como subvenções para investimento e, nessa condição, não integram a base das contribuições, com amparo, no que interessa, no art. 21 da Lei nº 11.941/2009 (para os períodos de 2012-2013) e, supervenientemente, no art. 30 da Lei nº 12.973/2014, acrescido dos §§ 4º e 5º pela LC nº 160/2017. Ademais, aponta manter a escrituração dos valores em reserva de lucros específica e, se necessário, requereu diligência para demonstrar a escrituração pormenorizada. 33. Nesse contexto, e em primeiro lugar, a qualificação dada na origem mostra- se incompatível com a moldura normativa superveniente aplicável aos processos pendentes. Com efeito, a LC nº 160/2017 incluiu o § 4º no art. 30 da Lei nº 12.973/2014 para dispor que os incentivos e benefícios fiscais ou financeiro-fiscais de ICMS “são considerados subvenções para investimento”, vedando a exigência de requisitos não previstos no próprio artigo; e o § 5º estendeu tal disciplina aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. Tais comandos, invocados já no recurso, incidem sobre o debate travado nos autos, deslocando o critério infralegal adotado na origem. 34. Além disso, a própria jurisprudência administrativa, antes mesmo da LC nº 160/2017, havia reconhecido, em tese, a aderência do Decreto baiano nº 4.316/1995 ao conceito de subvenção para investimento, por estabelecer metas e mecanismos de controle aptos a verificar a implantação ou expansão do empreendimento; cotejadas as ações do subvencionado, reputou-se caracterizada a natureza de investimento dos valores. 35. Tal entendimento consta em precedentes desta casa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2012, 28/02/2012, 31/03/2012 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os créditos presumidos de ICMS, oriundos de programa estadual de incentivo fiscal, com o objetivo de oferecer estímulos de expansão, desenvolvimento e modernização das empresas da região, por força da combinação de dispositivos Fl. 850DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 20 expressos (Art. 113 e 142 do CTN, no Art. 1, §3.º, inciso x da Lei 10637/02 e Art. 1, §3.º, inciso IX da lei 10833/03), não podem ser computados na base de cálculo para fins de incidência das contribuições (regime não cumulativo) uma vez que são meros ingressos, despesas de custeio ou recuperação de custos e não receita. (Fonte: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Acórdão nº 3201-005.566, Processo nº 11516.722301/2016-70, 3ª Seção de Julgamento/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, 21 agosto de 2019.) *************** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 INCENTIVOS FISCAIS DO ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO. NATUREZA DA SUBVENÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. SUPERVENIÊNCIA DAS ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS PELA LC Nº 160/2017. DISCUSSÃO SUPERADA POR DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA PELO CARF. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em sede de embargos de divergência, teve a oportunidade de discutir uma dentre as espécies do gênero "benefícios fiscais". Por ocasião do julgamento dos ERESP 1.517.492/PR, a Primeira Seção entendeu que a espécie de favor fiscal de "crédito presumido" não estará incluída na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, independente das alterações introduzidas pela LC. nº160/2017 ao art. 30 da Lei 12.973/2012. O STJ em sede de recursos repetitivos nos RE’s nº 1.945.110/RS e nº 1.987.158 firmou tese de que a aferição do cumprimento dos requisitos do art. 30 Lei nº 12.973/2012 deve se restringir à constituição de reservas de incentivos, nos casos de outros tipos de benefícios fiscais dos ICMS, tais como redução de base de cálculo, redução de alíquota, isenção, diferimento, não cabendo ser exigida a demonstração de sua concessão como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Apesar de a aplicação da Súmula CARF 105 ser restrita à multa isolada “lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996”, os argumentos que ensejaram a aprovação da referida súmula são totalmente aplicáveis à multa isolada lançada com base no art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. 36. De igual modo, quanto ao tratamento contábil, a Recorrente realizou os registros dos montantes em “Reservas de subvenções e incentivos fiscais ICMS” (fl 422-582). Ausente, nestes autos, prova específica produzida pela fiscalização capaz de infirmar tais registros, não se justifica, por presunção, a requalificação como “custeio” para fins de incidência das Fl. 851DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 21 contribuições, sobretudo diante do regramento legal que equipara, por definição, os incentivos de ICMS a subvenções de investimento e veda exigências extra legem. 37. Por conseguinte, à luz da legislação aplicável aos períodos e da superveniência normativa invocada no recurso, bem como do precedente específico do CARF e STJ, conclui-se que não subsiste a premissa utilizada na origem para a devolução à tributação. 38. Dessarte, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente as exigências de PIS e de COFINS lançadas sobre as transferências oriundas dos incentivos de ICMS discutidos, reconhecendo-lhes a natureza de subvenções para investimento, conforme o art. 30 da Lei nº 12.973/2014, com os §§ 4º e 5º introduzidos pela LC nº 160/2017. III. CONCLUSÃO 39. Ante o exposto, voto por baixar os autos em diligência para que a unidade de origem: 1. Notificação à Secretaria da Fazenda estadual para que informe detalhadamente quais incentivos do decreto em questão foram de fato usufruídos pela empresa e em que período, especificando a natureza dos benefícios (se meros diferimentos ou se há outros enquadráveis como incentivo tributário). 2. Notificação ao Secretário-Executivo do CONFAZ, Conselho Nacional de Política Fazendária, do Ministério da Fazenda, para que certifique se o Decreto baiano nº 4.316/1995 e todos os seus dispositivos foram integralmente convalidados, conforme o Convênio ICMS nº 190/2017, garantindo a validade dos benefícios questionados. 40. E, se vencida a diligência, ante os fatos e o direito em tese, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para anular o auto de infração em sua totalidade. 41. É como voto. Assinado Digitalmente Rachel Freixo Chaves VOTO VENCEDOR Conselheira Keli Campos de Lima, redatora designada Em que pese o entendimento da i. Relatora, ouso dela discordar em relação a proposta de conversão do julgamento em diligência. Fl. 852DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.654 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13005.722182/2016-41 22 Embora reconheça o zelo e a prudência que motivaram a proposta, entendo que a diligência é desnecessária. O cerne da divergência reside na interpretação do valor probatório do Certificado de Registro e Depósito emitido pelo CONFAZ. A Lei Complementar nº 160/2017 e o Convênio ICMS nº 190/2017 estabeleceram um procedimento claro e objetivo para encerrar a "guerra fiscal", culminando na convalidação dos incentivos estaduais. O ato final desse procedimento é, precisamente, o registro e o depósito no CONFAZ, formalizado pelo respectivo certificado. Este certificado não é um mero protocolo, mas sim um ato administrativo dotado de presunção de legitimidade e veracidade, emitido pelo órgão máximo de deliberação da política tributária do ICMS no país. Ele atesta que o Estado cumpriu os requisitos formais para a validação de seus benefícios e presumir que o CONFAZ certificaria o depósito de uma norma sem a devida análise de conformidade material, seria esvaziar a própria finalidade do Convênio. Importante pontuar que no caso dos autos, não houve qualquer questionamento por parte da autoridade fiscal acerca dos requisitos materiais do decreto convalido pelo CONFAZ e usufruído pela Recorrente. A fiscalização se limitou a questionar a natureza da subvenção (custeio x investimento), não a validade do incentivo em si. A meu ver, o presente processo encontra-se devidamente instruído e maduro para julgamento, contendo os elementos necessários para a formação do convencimento deste Colegiado acerca das matérias devolvidas a esta instância. A conversão do julgamento em diligência é medida de caráter excepcional, cabível apenas quando a ausência de determinada informação ou documento torna inviável a própria análise do direito controvertido. Não me parece ser o caso dos autos, já que o acervo probatório existente, juntamente com os argumentos trazidos pelas partes, permite que este órgão julgador aprecie as teses defendidas e aplique o direito à espécie, ainda que a matéria seja complexa. Pelo exposto, com a devida vênia e, em respeito à celeridade e à eficiência processual, divirjo da proposta de diligência para votar pelo prosseguimento imediato do julgamento, passando-se à análise das questões de mérito postas em recurso. Assinado Digitalmente Keli Campos de Lima Fl. 853DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720453/2016-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FONOAUDIÓLOGA. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a efetiva prestação do serviço e o registro profissional da fonoaudióloga junto ao Conselho Regional competente, enquadra-se a despesa entre aquelas previstas no art. 80 do RIR/1999. Indevida a glosa. Dedução restabelecida.
Numero da decisão: 2302-004.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo – Relatora
Assinado Digitalmente
Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente).
Nome do relator: ANGELICA CAROLINA OLIVEIRA DUARTE TOLEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 25 09:00:01 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202602
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FONOAUDIÓLOGA. COMPROVAÇÃO. Comprovada a efetiva prestação do serviço e o registro profissional da fonoaudióloga junto ao Conselho Regional competente, enquadra-se a despesa entre aquelas previstas no art. 80 do RIR/1999. Indevida a glosa. Dedução restabelecida.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 10540.720453/2016-78
anomes_publicacao_s : 202604
conteudo_id_s : 7360003
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 2302-004.375
nome_arquivo_s : Decisao_10540720453201678.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : ANGELICA CAROLINA OLIVEIRA DUARTE TOLEDO
nome_arquivo_pdf_s : 10540720453201678_7360003.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo – Relatora Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2026
id : 11302585
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 25 09:41:45 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1863435042762522624
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-13T20:04:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-13T20:04:37Z; Last-Modified: 2026-04-13T20:04:37Z; dcterms:modified: 2026-04-13T20:04:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-13T20:04:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-13T20:04:37Z; meta:save-date: 2026-04-13T20:04:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-13T20:04:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-13T20:04:37Z; created: 2026-04-13T20:04:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2026-04-13T20:04:37Z; pdf:charsPerPage: 1269; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-13T20:04:37Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10540.720453/2016-78 ACÓRDÃO 2302-004.375 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 12 de fevereiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE REJANE SILVA DE ALMEIDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FONOAUDIÓLOGA. COMPROVAÇÃO. Comprovada a efetiva prestação do serviço e o registro profissional da fonoaudióloga junto ao Conselho Regional competente, enquadra-se a despesa entre aquelas previstas no art. 80 do RIR/1999. Indevida a glosa. Dedução restabelecida. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo – Relatora Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente). RELATÓRIO Fl. 87DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.375 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.720453/2016-78 2 Reproduzo trecho do Relatório da decisão de piso, que bem descreve o processo (e- fls. 48/53): Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida por Auditor-Fiscal da DRF/Vitória da Conquista/BA, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2014, ano-calendário 2013. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 8.855,18, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento decorreu da constatação das seguintes infrações: - DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE Dedução indevida de dependente, sendo glosadas as dependentes Juliana Silva de Almeida e Giovana Silva de Almeida, por falta de apresentação da certidão de nascimento. Valor glosado: R$ 4.127,28. - DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO Dedução indevida de despesa com instrução, por falta de apresentação dos comprovantes da dedução pleiteada. Valor glosado: R$ 5.600,00. - DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Dedução indevida de despesas médicas, sendo glosadas as seguintes despesas: Caixa de Assistência dos Funcionários - R$ 3.019,92 e R$ 2.180,76; Irabela Moreira de Almeida Ribeiro - R$ 10.000,00, uma vez que não foi comprovada a relação de dependência das beneficiárias das despesas. Valor glosado: R$ 15.200,68. O Enquadramento Legal encontra-se na referida notificação. Os autos foram encaminhados à DRJ e os membros da 6ª Turma da DRJ/BSB, por unanimidade de votos, julgaram parcialmente procedente a impugnação, reconhecendo as seguintes deduções: Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer a despesa com instrução no valor de R$ 3.230,46 e as despesas médicas no valor de R$ 5.010,28, o que resulta em saldo de imposto a pagar de R$ 3.453,98, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, de acordo com a legislação vigente. . Cientificado do acórdão, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em breve síntese (e-fls. 71/84) que devem ser consideradas as despesas a fonoaudióloga, vez que elencada no art. 80 do RIR/99, anexando registro da profissional no Conselho Regional de Fonoaudiologia. Reconheceu (“aceito”) a glosa da parcela referente a Faculdade Unipac, cursada por sua filha Juliana. Fl. 88DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.375 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.720453/2016-78 3 É o relatório. VOTO Conselheira Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Relatora. O Recursos Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Como se vê, a decisão de piso manteve a glosa sobre as despesas médicas com a Fonoaudióloga Irabela Moreira de Almeida Ribeiro, sob o seguinte fundamento: não será acatada, uma vez que não é possível identificar o registro profissional da emissora do recibo a fim de se verificar se se trata de um dos profissionais elencados no caput do art. 80. Ocorre que a recorrente juntou aos autos declaração contendo o número de registro profissional da referida fonoaudióloga junto ao Conselho Regional de Fonoaudiologia, o que afasta integralmente a justificativa adotada na decisão recorrida. Desse modo, resta plenamente comprovado que a profissional enquadra-se entre aquelas previstas no caput do art. 80 do RIR/1999, vigente à época, sendo indevida a glosa efetuada. Assim, devem ser restabelecidas as despesas médicas deduzidas, no valor de R$ 10.000,00, por preencherem todos os requisitos legais. 1 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e dar -lhe provimento. Assinado Digitalmente Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo Fl. 89DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 Conclusão
score : 1.0
Numero do processo: 10660.722226/2018-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2015 a 30/05/2017
AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO E CAUSA DE PEDIR DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 01.
Importa renúncia às instâncias administrativas, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
LANÇAMENTO FISCAL. PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A pendência de decisão administrativa definitiva, não impede a constituição do crédito tributário, sobretudo para prevenir a decadência do direito de lançar.
Numero da decisão: 2301-012.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias submetidas à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar provimento.
Assinado Digitalmente
Flavia Lilian Selmer Dias - Relatora
Assinado Digitalmente
Diogo Cristian Denny - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Carlos Eduardo Avila Cabral, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: FLAVIA LILIAN SELMER DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202607
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2015 a 30/05/2017 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO E CAUSA DE PEDIR DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTO FISCAL. PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A pendência de decisão administrativa definitiva, não impede a constituição do crédito tributário, sobretudo para prevenir a decadência do direito de lançar.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 10660.722226/2018-82
anomes_publicacao_s : 202609
conteudo_id_s : 7407665
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 2301-012.196
nome_arquivo_s : Decisao_10660722226201882.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : FLAVIA LILIAN SELMER DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 10660722226201882_7407665.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias submetidas à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar provimento. Assinado Digitalmente Flavia Lilian Selmer Dias - Relatora Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Carlos Eduardo Avila Cabral, Diogo Cristian Denny (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2026
id : 11489431
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 03 20:51:56 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1878063309378289664
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-24T14:13:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-24T14:13:45Z; Last-Modified: 2026-08-24T14:13:45Z; dcterms:modified: 2026-08-24T14:13:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-24T14:13:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-24T14:13:45Z; meta:save-date: 2026-08-24T14:13:45Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-24T14:13:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-24T14:13:45Z; created: 2026-08-24T14:13:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2026-08-24T14:13:45Z; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-24T14:13:45Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10660.722226/2018-82 ACÓRDÃO 2301-012.196 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 10 de julho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE COOPERATIVA MISTA AGRO PECUARIA DE PARAGUACU LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2015 a 30/05/2017 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO E CAUSA DE PEDIR DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTO FISCAL. PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A pendência de decisão administrativa definitiva, não impede a constituição do crédito tributário, sobretudo para prevenir a decadência do direito de lançar. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias submetidas à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar provimento. Assinado Digitalmente Flavia Lilian Selmer Dias – Relatora Fl. 561DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.196 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722226/2018-82 2 Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Carlos Eduardo Avila Cabral, Diogo Cristian Denny (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 09-72.287, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ. A decisão de piso julgou improcedente a Impugnação apresentada contra o AUTO DE INFRAÇÃO da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA – relativa ao período de 2016 e até maio de 2017. A ação fiscal resultou em lançamento de ofício de crédito tributário: PRODUTOR RURAL PF e GILRAT/SAT – Contribuição Previdenciária a cargo do produtor rural pessoa física, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, em substituição às definidas no art. 22, I e II da Lei nº 8.212, de 1991, conforme art. 25 da mesma Lei, com a redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001, sub-rogada na pessoa jurídica adquirente da produção rural nos termos do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991. no valor principal de R$ 2.201.036,58 (patronal) e R$ 110.051,68 (Gilrat), acrescido de multa de ofício de 75% e a taxa de juros SELIC. O relatório da decisão recorrida faz uma síntese dos fatos e motivos que levaram à constituição do crédito tributário de oficio: Segundo Relatório Fiscal de fls. 30/32 a atividade do contribuinte encontra-se cadastrada no CNAE 4621-4-00 - comércio atacadista de café e que as contribuições foram apuradas com base em arquivos digitais dos Registros de Entradas de Mercadorias. O fato gerador das contribuições destinadas à Previdência Social, devida por sub- rogação, decorre da comercialização da produção rural dos segurados especiais ou dos produtores rurais pessoa física, diretamente com a empresa adquirente, consumidora, consignatária ou com cooperativa e a base de cálculo das contribuições previdenciárias é o valor da receita bruta da comercialização da produção rural. Fl. 562DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.196 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722226/2018-82 3 Informa ainda o Auditor que o contribuinte promoveu o ajuizamento do Mandado de Segurança n° 2298-67.2010.4.01.3809, onde questiona a constitucionalidade da cobrança do Funrural, objetivando abster-se de efetuar a retenção e o recolhimento, por sub-rogação, da referida contribuição, incidente sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de café. No processo foi concedida decisão favorável, após sentença em 1ª instância, no TRF 1ª Região, tendo sido a mesma transitada em julgado. Porém em dezembro de 2016 a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ajuizou a Ação Rescisória 0070890-37.2016.4.01.0000 MG, tendo sido sobrestado o julgamento pelo TRF 1ª Região. Aduz que o julgamento pelo Supremo do RE 718.874/RS, recurso representativo da controvérsia, foi fixada a tese da constitucionalidade do Funrural e que a empresa levantou os depósitos judiciais efetuados. Salienta que os valores das contribuições devidas nas competências 06/2017 a 12/2017 foram devidamente informadas em GFIP e recolhidas pela empresa em épocas próprias; que foi elaborado demonstrativo do valor da aquisição de produtos rurais, contendo a competência, número da nota fiscal e o nome e CPF do produtor rural. (ANEXO I) e demonstrativo das bases de cálculo das aquisições de produto rural, informando as alíquotas aplicadas, os valores devidos e não recolhidos da contribuição previdenciária (ANEXO II). Por fim, a Fiscalização comunica que, em face da falta de informação em GFIP ou a declaração incorreta que provoque a supressão ou redução de recolhimentos, cujo fato representa em tese crime de sonegação previdenciária, prevista no Decreto Lei 2.848/40, Art. 337-A, inciso III, e crime contra a ordem tributária previsto na Lei 8.137, artigo Io, inciso I, foi emitida Representação Fiscal Para Fins Penais, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis. Foi lavrada Representação Fiscais para Fins Penais. A contribuinte foi intimada do lançamento do crédito tributário e, tempestivamente, apresentou Impugnação nos seguintes termos, conforme relatório da decisão recorrida: Cientificada a empresa, conforme Termo de Solicitação de Juntada acostado às fls. 296 em 20/08/2018, apresenta a impugnação de fls. 387/401, onde, de início, resume os fatos que motivaram a autuação e com relação à informação de que foi ajuizada pela Fazenda Nacional Ação Rescisória, diz que: "não cabe ação rescisória de julgamento que estava em harmonia com a orientação jurisprudencial predominante à época da concessão do direito". Em preliminar, diz ser o Auto de Infração improcedente em razão de decisões judiciais de primeiro e segundo grau que afastam o lançamento, pois obteve decisão com o reconhecimento do direito de não se submeter à incidência da Fl. 563DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.196 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722226/2018-82 4 contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural pelo acórdão proferido pela Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da Primeira Região no AC 0002298-67.2010.4.01.3809/MG. Informa que a União reconheceu que deixou de interpor, à época, o competente recurso extraordinário, tendo ocorrido o trânsito em julgado do acórdão nº 0002298-67.2010.4.01.3809/MG, em 28.07.2015, decisão que reconheceu a inexistência de relação jurídica que obrigue a Cooperativa a reter, recolher e a pagar a contribuição social denominada Funrural sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção. Informa que o TRF1, ao analisar a Ação Rescisória decidiu que: A Seção, por unanimidade, acolheu a questão de ordem arguida pela Desembargadora Maria do Carmo Cardoso no sentido de não ser possível a propositura de ação rescisória se, mesmo no Supremo Tribunal Federal, não houver ainda o trânsito em julgado da decisão que se pretenda rescindir. No mérito, aduz que não pode existir questionamento acerca de eventual afronta direta aos dispositivos legais e constitucionais no acórdão rescindendo o que configura violação da segurança jurídica, pois não é possível permitir "que a União interponha ação nova, despida de novos fundamentos, para suprir os efeitos do decurso de prazo (deixou de interpor recurso extraordinário). Atenta contra a Justiça". Diz in verbis: A pretensão declinada na ação rescisória, e agora no presente auto de infração, viola a coisa julgada trazendo insegurança jurídica, desequilíbrio entre os direitos envolvidos e instabilidade das relações sociais. Razões a evidenciar a inconstitucionalidade da ação rescisória e do presente auto de infração, por afronta ao princípio da coisa julgada (CF, art. 52, XXXVI), da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. Aduz que já existe coisa julgada, que não existe violação da norma legal, pois "não cabe à União rediscutir matéria transitada em julgada mediante ação rescisória, motivada apenas pela modificação de posicionamento jurisprudencial sobre a matéria, o que escapa ao âmbito da ação rescisória, por força do comando enunciado na Súmula 343, do Supremo Tribunal Federal, que dispõe": Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais.. Defende, ainda, que não existe incidência da contribuição sobre atos cooperados, que não podem ser considerados como atos de comércio, bem como diz que afastada a incidência, também, afastada a multa e juros. Salienta que no patamar aplicado a multa afronta o princípio do não confisco. Fl. 564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.196 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722226/2018-82 5 Por fim, protesta pela produção de provas, em especial a juntada de novos documentos, a perícia e outras que se fizerem necessárias para o bom deslinde do feito. O colegiado da primeira instância, por unanimidade de votos, manteve o lançamento do crédito tributário, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2015 a 30/05/2017 LANÇAMENTO FISCAL. POSSIBILIDADE. DECADÊNCIA. PREVENÇÃO. A pendência de decisão administrativa definitiva, não impede a constituição do crédito tributário, sobretudo para prevenir a decadência do direito de lançar. TRIBUTÁRIO. FATOS GERADORES. AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO. A identidade entre os fatos geradores objeto de lançamento e o mérito de ação judicial promovida pelo sujeito passivo implica renúncia quanto a tais questionamentos no âmbito do processo administrativo PROVA. APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A impugnante tomou ciência do Acordão de julgamento de primeira instância em 27/09/2019. O Recurso Voluntário foi apresentado em 22/10/2019 e reafirmou os motivos alegados na impugnação. O Recurso não foi acompanhado de novas provas. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheira Flavia Lilian Selmer Dias, Relatora 1 ADMISSÃO DO RECURSO O Recurso Voluntário é tempestivo e será conhecido, mas de forma parcial. Fl. 565DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.196 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722226/2018-82 6 Concomitância de instância O lançamento do crédito tributário, relativo à receita bruta da comercialização da produção rural, foi feito com intuito de prevenir a decadência, tendo em vista a existência de ação judicial para afastar a obrigatoriedade de reter e recolher a contribuição previdenciária (subrogação) a cargo dos vendedores de produtos rurais pessoas físicas: 6- O contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n° 2298-67.2010.4.01.3809, através do qual questionava a constitucionalidade da cobrança do Funrural, objetivando abster-se de efetuar a retenção e o recolhimento, por sub-rogação, da referida contribuição, incidente sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de café. 7- Foi concedida decisão favorável, após sentença em 1ª instância, no TRF 1ª Região, tendo sido a mesma transitada em julgado. 8- Porém em dezembro de 2016 a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ajuizou a Ação Rescisória 0070890-37.2016.4.01.0000 MG, tendo sido sobrestado o julgamento pelo TRF 1ª Região. 9- Portanto com o julgamento pelo Supremo do RE 718.874/RS, recurso representativo da controvérsia, foi fixada a tese da constitucionalidade do Funrural 10- Mediante tais decisões e uma vez que a empresa levantou os depósitos judiciais efetuados, o crédito das contribuições sociais apurado está de acordo com a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 6 3(exigibilidade suspensa) e Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. n° 151, itens IV e V, até a decisão da Ação Rescisória. Ao discutir o mesmo objeto e causa de pedir no Poder Judiciário, aplica-se o teor da Súmula CARF nº1, e o art. 133 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 2023: Art. 133. O recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Súmula CARF nº 01 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 566DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.196 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722226/2018-82 7 (Grifos não originais) Nestes termos, o conhecimento é limitado a questão se poderia ou não lavrar o auto de infração. 2 MÉRITO A recorrente se limitou a transcrever as mesmas alegações da impugnação, com ajustes na redação, não havendo um real questionamento dos motivos da decisão de piso, razão pela qual, utilizando do disposto no §12 art. 114 do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria nº 1.634, de 2023, transcrevo as conclusões do Acórdão da DRJ, com as quais concordo: O presente lançamento refere-se a contribuições previdenciárias cuja exigibilidade do crédito tributário encontra-se suspensa por decisão judicial (art. 151, inciso IV e V do CTN) refere-se à legalidade da contribuição previdenciária incidente sobre a receita de comercialização de produtos rurais adquiridas diretamente do produtor. É oportuno esclarecer, entretanto, que não há que se confundir “suspensão da exigibilidade do crédito tributário” com a impossibilidade de lançamento. A “suspensão” refere-se tão somente à exigibilidade do crédito previdenciário por via de execução, ou seja, do adimplemento forçado em juízo, impedindo que sejam praticados, contra o sujeito passivo, atos de naturezas constritivas, expropriatórias ou assemelhados, ainda que esgotada a fase administrativa. Assim, ao contrário do que pretende a impugnante, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por via judicial, não afeta a efetividade do lançamento, feito por autoridade competente dentro dos moldes definidos em lei. Em regra, a suspensão do crédito afasta a cobrança de determinada contribuição, mas não fica a Fazenda Pública impedida de proceder ao lançamento, pois este, segundo o parágrafo único do art. 142 do CTN, constitui atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional. Por outro lado, o lançamento do débito, mesmo estando a Fazenda Pública impossibilitada de o cobrar, tem como objetivo resguardar o crédito previdenciário do prazo decadencial. Note-se que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei, e, em razão disso, eventual demora na solução do litígio em questão poderia acarretar a perda do direito de constituir o crédito pelo lançamento. Assim sendo, é cabível sua formalização nos termos do art. 86 do Decreto 7.574/2011, in verbis Art. 86 . O lançamento para prevenir a decadência deverá ser efetuado nos casos em que existir a concessão de medida liminar em mandado de Fl. 567DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.196 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722226/2018-82 8 segurança ou de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, arts. 142, parágrafo único, e 151, incisos IV e V; Lei nº 9.430, de 1996, art. 63, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 70). § 1º O lançamento de que trata o caput deve ser regularmente notificado ao sujeito passivo com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, arts. 145 e 151; Decreto nº 70.235, de 1972, art. 7º). § 2º O lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. (grifos não originais) 3 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer em parte o Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias concomitantes e, na parte conhecida, negar provimento. Assinado Digitalmente Flavia Lilian Selmer Dias Fl. 568DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 admissão do Recurso Concomitância de instância 2 Mérito 3 Conclusão
score : 1.0
Numero do processo: 10983.720720/2015-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 22 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
FASE RECURSAL. INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO.
A manifestação de inconformidade instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, sendo o momento em que o contribuinte deve aduzir todas as razões de defesa, nos termos dos art. 16 e 17 do Decreto n. 70.235/1972. Não se admite, portanto, a apresentação, em sede recursal, de novos fundamentos não debatidos na origem, devendo ser reconhecida a preclusão consumativa.
Numero da decisão: 3102-004.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo em relação às alegações referentes à empresa fornecedora Nutriarroz Comércio de Cereais Ltda., posto que não foram suscitadas na Manifestação de Inconformidade e não versam sobre matéria de ordem pública, e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento para reverter as glosas com relação às aquisições efetuadas junto à pessoa jurídica João Luiz Arzeno da Silva – CNPJ 09.368.569/0001-89, acobertadas pelas notas fiscais nºs 000296, 000297, 000298 e 000300, juntadas aos autos por ocasião da interposição do Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Joana Maria de Oliveira Guimarães – Relatora
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: JOANA MARIA DE OLIVEIRA GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202606
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 FASE RECURSAL. INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, sendo o momento em que o contribuinte deve aduzir todas as razões de defesa, nos termos dos art. 16 e 17 do Decreto n. 70.235/1972. Não se admite, portanto, a apresentação, em sede recursal, de novos fundamentos não debatidos na origem, devendo ser reconhecida a preclusão consumativa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 10983.720720/2015-17
anomes_publicacao_s : 202609
conteudo_id_s : 7408771
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 3102-004.249
nome_arquivo_s : Decisao_10983720720201517.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : JOANA MARIA DE OLIVEIRA GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 10983720720201517_7408771.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo em relação às alegações referentes à empresa fornecedora Nutriarroz Comércio de Cereais Ltda., posto que não foram suscitadas na Manifestação de Inconformidade e não versam sobre matéria de ordem pública, e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento para reverter as glosas com relação às aquisições efetuadas junto à pessoa jurídica João Luiz Arzeno da Silva – CNPJ 09.368.569/0001-89, acobertadas pelas notas fiscais nºs 000296, 000297, 000298 e 000300, juntadas aos autos por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Jun 22 00:00:00 UTC 2026
id : 11494528
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 03 20:52:07 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1878063309405552640
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-19T17:34:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-19T17:34:35Z; Last-Modified: 2026-08-19T17:34:35Z; dcterms:modified: 2026-08-19T17:34:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-19T17:34:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-19T17:34:35Z; meta:save-date: 2026-08-19T17:34:35Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-19T17:34:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-19T17:34:35Z; created: 2026-08-19T17:34:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2026-08-19T17:34:35Z; pdf:charsPerPage: 1611; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-19T17:34:35Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10983.720720/2015-17 ACÓRDÃO 3102-004.249 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 26 de junho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE MATIOLA ALIMENTOS LTDA. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 FASE RECURSAL. INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, sendo o momento em que o contribuinte deve aduzir todas as razões de defesa, nos termos dos art. 16 e 17 do Decreto n. 70.235/1972. Não se admite, portanto, a apresentação, em sede recursal, de novos fundamentos não debatidos na origem, devendo ser reconhecida a preclusão consumativa. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo em relação às alegações referentes à empresa fornecedora Nutriarroz Comércio de Cereais Ltda., posto que não foram suscitadas na Manifestação de Inconformidade e não versam sobre matéria de ordem pública, e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento para reverter as glosas com relação às aquisições efetuadas junto à pessoa jurídica João Luiz Arzeno da Silva – CNPJ 09.368.569/0001-89, acobertadas pelas notas fiscais nºs 000296, 000297, 000298 e 000300, juntadas aos autos por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães – Relatora Fl. 206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.249 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.720720/2015-17 2 Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO Por bem narrar os fatos, adoto o relatório contido na decisão proferida pela DRJ: O presente processo trata de manifestação de inconformidade apresentada em face do deferimento parcial do pedido de ressarcimento (PER) nº 10533.57843.150214.1.1.11-7039, de acordo com Informação Fiscal de fls. 117 a 122 e Despacho Decisório de fls. 131 e 132. O referido PER contém demonstração de crédito de Cofins não-cumulativa – mercado interno do 4º trimestre de 2012 no valor de R$ 135.934,63. A fiscalização relata, inicialmente, que o contribuinte tem como objeto social a atividade de: beneficiamento de arroz e derivados; secagem e armazenamento de arroz; comércio de gêneros alimentícios; fabricação de alimentos para animais; transporte rodoviário de cargas, importação e exportação por atacado. Dos gastos apresentados pelo contribuinte, constam aquisições de arroz em casca, embalagens, fretes e demais insumos aplicados na produção. A fiscalização glosou os créditos em relação ao arroz em casca adquirido de pessoa jurídica, com apuração de créditos básicos (alíquotas de 1,65% e 7,6%), pois considerou que o correto seria a apuração de crédito presumido de atividades agroindustriais, uma vez que os fornecedores se enquadram, no caso em análise, como cerealistas. Diante de tais ajustes, foi deferido o valor de R$ 37.935,79. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva (fls. 141 a 144) contendo os argumentos a seguir. A manifestante alega que entre as aquisições de arroz em casca de pessoa jurídica há algumas aquisições com CFOP 6.102, o que denota que o fornecedor está exercendo uma atividade meramente comercial, de compra e venda. Sendo assim, esse fornecedor não se enquadra como cerealista, pois não efetuou as atividades de limpeza e padronização, e as aquisições estariam sujeitas à incidência normal das contribuições. Ainda, a manifestante salienta que o Fl. 207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.249 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.720720/2015-17 3 fornecedor efetuou destaque do PIS/Pasep e da Cofins nos campos próprios das notas fiscais (apresentadas em anexo). Assim, requer o reconhecimento parcial dos créditos glosados, nos termos da fundamentação. É o relatório. A 5ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 09, por meio do Acórdão nº 109-007.408, de 22 de julho de 2021, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, revertendo as glosas com relação às aquisições efetuadas junto ao fornecedor João Luiz Arzeno da Silva, acobertadas pelas notas fiscais (e-fls. 146 a 150) apresentadas juntamente com a Manifestação de Inconformidade. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em apertada síntese, que: - Parte das aquisições de arroz em casca cujo crédito foi glosado são de empresa cerealista, qual seja, a Nutribaur Alimentos Ltda, inscrita no CNPJ sob o número 10.880.402/0001- 81, que não permitia o desconto de créditos pelas alíquotas normais, haja vista a suspensão das Contribuições aplicada às receitas daquela empresa, por força do Art. 9, inciso I, da Lei nº 10.925/2004. - Contudo, haveria outras aquisições de arroz em casa cujos créditos foram glosados, nos meses de outubro a dezembro de 2012, cujos fornecedores são empresas comerciais, que não aplicaram a suspensão das contribuições, por exercerem apenas a atividade de revenda, tendo as notas fiscais o CFOP 6102. Essas empresas comerciais fornecedoras seriam Nutriarroz Comércio de Cereais Ltda. e João Luiz Arzeno da Silva. - Esclarece que algumas notas fiscais da empresa fornecedora João Luiz Arzeno da Silva foram apresentadas juntamente com a Manifestação de Inconformidade e tiveram o direito ao crédito reconhecido pelo acórdão recorrido. - Por outro lado, em relação às demais notas fiscais, “por motivo que a recorrente desconhece, não foram contestadas na manifestação de inconformidade, embora refiram-se a compras de empresas comerciais, que não fazem jus à suspensão das contribuições”. (g.n.) - Ao final, requer seja provido o Recurso Voluntário. É o relatório. VOTO Conselheira Joana Maria de Oliveira Guimarães, Relatora Fl. 208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.249 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.720720/2015-17 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e este colegiado é competente para apreciar o feito, nos termos do art. 65, Anexo Único, da Portaria MF nº 1.364/2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. Na Manifestação de Inconformidade, a Recorrente restringe a sua insurgência quanto às glosas de créditos decorrentes de operações de aquisição do arroz em casca da pessoa jurídica João Luiz Arzeno da Silva e apresenta algumas das notas fiscais que acobertaram as referidas aquisições. Em relação a esta fornecedora, a Recorrente defende em sua Manifestação de Inconformidade se tratar de empresa comercial, não cerealista, tratando-se de operações de revenda, normalmente tributada pela Contribuição para o PIS e a COFINS. Sustenta que nas notas fiscais houve o destaque das referidas contribuições nos campos próprios. Veja-se o seguinte trecho da Manifestação de Inconformidade: Sendo assim, diante da específica insurgência manifestada pela Recorrente, a DRJ se limitou à análise das aquisições realizadas com a pessoa jurídica João Luiz Arzeno da Silva – CNPJ 09.368.569/0001-89, conforme se depreende da íntegra da parte relativa ao voto do acórdão recorrido: VOTO A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade, motivos pelos quais deve ser conhecida. A manifestante alega que o fornecedor João Luiz Arzeno da Silva, CNPJ nº 09.368.569/0001-89, não é cerealista, mas tem atividade meramente comercial e, Fl. 209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.249 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.720720/2015-17 5 portanto, as aquisições estariam sujeitas ao crédito das contribuições às alíquotas básicas. Ao compulsar os documentos fiscais juntados ao processo (fls. 146 a 150), verifica-se que, de fato, o CFOP utilizado é próprio de operações de revenda (6.102) e há destaque de valor referente ao PIS e à Cofins nos campos próprios das notas fiscais. Ademais, não há nenhuma evidência de que o fornecedor se trate de um cerealista. Dessa forma, entendo que as evidências apresentadas são suficientes para considerar que tais operações não estão sujeitas à suspensão das Contribuições e dão direito ao creditamento às alíquotas básicas. Portanto, devem ser revertidas as glosas com relação às aquisições efetuadas junto ao fornecedor João Luiz Arzeno da Silva, CNPJ nº 09.368.569/0001-89. Considerando os percentuais de rateio para créditos vinculados à receita não tributada nº mercado interno de 97,64% para outubro/2012, 99,12% para novembro/2012 e 99,40% para dezembro/2012, o valor total de R$ 92.449,40 de aquisições efetuadas gera um direito creditório adicional ressarcível no valor de R$ 6.967,29. Por todo o exposto, VOTO no sentido de julgar a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 6.967,29 a título de Cofins não-cumulativa – mercado interno do 4º trimestre de 2012. (g.n.) Já em seu Recurso Voluntário, a Recorrente sustenta a existência de outras operações de aquisição de arroz em casca que teriam como fornecedoras empresas comerciais, tratando-se de operações de mera revenda, dando direito, portanto, ao crédito pretendido. Além de trazer outras notas fiscais da pessoa jurídica João Luiz Arzeno da Silva – CNPJ 09.368.569/0001- 89, junta aos autos notas fiscais emitidas pela empresa Nutriarroz Comércio de Cereais Ltda, que em momento algum foi sequer mencionada em sua Manifestação de Inconformidade. Salienta-se, primeiramente, que, ao contrário das notas fiscais emitidas por João Luiz Arzeno da Silva – CNPJ 09.368.569/0001-89, nas notas fiscais emitidas pela fornecedora Nutriarroz Comércio de Cereais Ltda, apresentadas juntamente com o Recurso Voluntário, não há destaque de valores referentes à Contribuição para o PIS e COFINS. Ademais, reconhece a Recorrente expressamente se tratar de operações que “não foram contestadas na manifestação de inconformidade” alegando curiosamente “por motivo que a recorrente desconhece”. Fl. 210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.249 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.720720/2015-17 6 Sendo assim, entendo que a insurgência da Recorrente trazida em sede de Recurso Voluntário no tocante às operações de aquisição tendo como fornecedora a empresa Nutriarroz Comércio de Cereais Ltda configura inovação de defesa, razão pela qual não deve ser conhecida. A falta de adequação entre o Recurso Voluntário e a Manifestação de Inconformidade configura necessariamente ausência de lide em relação à matéria trazida apenas em segunda instância, devendo ser reconhecida a preclusão consumativa. Ressalta-se que a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a defesa do contribuinte, contendo as matérias que delimitam a lide administrativa, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de Recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal, inclusive para se evitar supressão de instância. A competência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se circunscreve ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de forma que não se aprecia a matéria que não tenha sido atacada em impugnação e submetida à primeira instância administrativa. Corroborando esse entendimento, é remansosa a jurisprudência do CARF: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2016 INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. INSTÂNCIA RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE Não se admite a inovação de argumentos em sede de Recurso Voluntário. A vertente defensiva deve guardar consonância com o exposto na exordial, sob pena de inviabilizar o conhecimento da matéria esposada. (Processo nº 10725.900240/2017-41; Acórdão nº 3201-008.052; Relator Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior; sessão de 22/03/2021) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, sendo o momento em que o contribuinte deve aduzir todas as razões de defesa, nos termos dos art. 16 e 17 do Decreto n. 70.235/1972. Não se admite, portanto, a apresentação, em sede recursal, de novos fundamentos não debatidos na origem, devendo ser reconhecida a preclusão consumativa. (Processo nº 10218.720512/2007-89; Acórdão nº 2202-005.775; Relatora Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira; sessão de 03/12/2019) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Fl. 211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.249 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.720720/2015-17 7 Ano-calendário: 2006 FASE RECURSAL. INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. É vedado às partes inovarem nas teses de defesa na fase recursal, sob pena de supressão de instância e de violação aos artigos 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72, e aos princípios do contraditório e da ampla defesa. (Processo nº 19647.010980/2009-28; Acórdão nº 2003-003.339; Relatora Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez; sessão de 23/06/2021) Passa-se à análise das operações de aquisição efetuadas junto à pessoa jurídica João Luiz Arzeno da Silva – CNPJ 09.368.569/0001-89, especialmente aquelas acobertadas pelas notas fiscais nºs 000296, 000297, 000298 e 000300, juntadas aos autos por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. Em relação à juntada das notas fiscais nºs 000296, 000297, 000298 e 000300 por ocasião do Recurso Voluntário, a despeito da literalidade do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, verifica-se uma tendência das Turmas Julgadoras em admitir o conhecimento de provas apresentadas em segundo grau de instância com base nos princípios do formalismo moderado, da instrumentalidade das formas e da verdade material, como se colhe da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 PRECLUSÃO. NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. (CARF, Processo nº 10880.928419/2010-01, Recurso Voluntário, Acórdão nº 1401-002.163, Sessão de 23 de fevereiro de 2018) (g.n.) Referido entendimento também encontra guarida na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 Fl. 212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.249 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.720720/2015-17 8 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (CARF, Processo nº 14098.000308/2009-74, Recurso Especial do Contribuinte, Acórdão nº 9101-002.781 – CSRF / 1ª Turma, Sessão de 06 de abril de 2017) Desta forma, entendo que as notas fiscais nºs 000296, 000297, 000298 e 000300, emitidas por João Luiz Arzeno da Silva – CNPJ 09.368.569/0001-89 e apresentadas pela Recorrente em segundo grau de instância podem ser conhecidas. Analisando os referidos documentos fiscais, verifica-se que o CFOP utilizado é o próprio de operações de revenda (6.102) e há destaque de valores referentes à Contribuição para o PIS e a COFINS nos campos próprios das notas fiscais. Ademais, como bem ressaltou o acórdão recorrido, também “não há nenhuma evidência de que o fornecedor se trate de um cerealista”. Dessa forma, concordo com o entendimento adotado pela DRJ, no sentido de que “as evidências apresentadas são suficientes para considerar que tais operações não estão sujeitas à suspensão das Contribuições e dão direito ao creditamento às alíquotas básicas”, devendo ser revertidas as glosas com relação às aquisições acobertadas pelas notas fiscais nºs 000296, 000297, 000298 e 000300, emitidas por João Luiz Arzeno da Silva – CNPJ 09.368.569/0001-89. Conclusão Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário com relação às alegações referentes à empresa fornecedora Nutriarroz Comércio de Cereais Ltda., posto que não foram suscitadas na Manifestação de Inconformidade e não versam sobre matéria de ordem pública, e, na parte conhecida, dou provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas com relação às aquisições efetuadas junto à pessoa jurídica João Luiz Arzeno da Silva – CNPJ 09.368.569/0001-89, acobertadas pelas notas fiscais nºs 000296, 000297, 000298 e 000300, juntadas aos autos por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. É como voto. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães Fl. 213DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10850.905839/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3102-000.588
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3102-000.584, de 17 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10850.905835/2011-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202604
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 10850.905839/2011-40
anomes_publicacao_s : 202609
conteudo_id_s : 7408888
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 3102-000.588
nome_arquivo_s : Decisao_10850905839201140.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : PEDRO SOUSA BISPO
nome_arquivo_pdf_s : 10850905839201140_7408888.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3102-000.584, de 17 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10850.905835/2011-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
id : 11494645
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 03 20:52:12 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1878063309419184128
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-26T17:13:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-26T17:13:38Z; Last-Modified: 2026-08-26T17:13:38Z; dcterms:modified: 2026-08-26T17:13:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-26T17:13:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-26T17:13:38Z; meta:save-date: 2026-08-26T17:13:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-26T17:13:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-26T17:13:38Z; created: 2026-08-26T17:13:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2026-08-26T17:13:38Z; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-26T17:13:38Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10850.905839/2011-40 RESOLUÇÃO 3102-000.588 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 17 de abril de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE RCE DIGITAL LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3102-000.584, de 17 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10850.905835/2011- 61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Restituição apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de PIS/PASEP. Fl. 162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.588 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.905839/2011-40 2 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A Recorrente tomou ciência da Decisão de Primeira Instância e apresentou Recurso Voluntário, alegando o seguinte: I. Alega que a falta de retificação da DCTF não poderia implicar na recusa ao reconhecimento do crédito decorrente de pagamento indevido a maior em razão do STF ter considerado inconstitucional o § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. II. Nulidade do Despacho Decisório – alega que a Autoridade Tributária não teria investigado as circunstâncias materiais do fato e não intimou a Recorrente a prestar esclarecimentos em desacordo com as prerrogativas da mesma Autoridade previstas na IN RFB nº 1.300/2012. III. Nulidade do Acórdão Recorrido – o Acórdão de Primeira Instância não teria apreciado o conjunto probatório apresentado aos autos, incorrendo em cerceamento do direito de defesa da Recorrente por não ter determinado diligências. IV. Falta de retificação da DCTF não é suficiente para negar o direito ao crédito pleiteado. V. Esclarece que o balancete juntado aos autos com a Manifestação de Inconformidade faz prova inconteste de que foram contabilizadas receitas que não fariam parte da hipótese de incidência do PIS/COFINS, pois não se tratavam de vendas de mercadorias ou de prestação de serviços. VI. Faz uma extensa descrição da base de cálculo do PIS/COFINS. Por fim, apresenta o seguinte pedido: Em face de todo o exposto, a recorrente postula o conhecimento e provimento do presente recurso. Requer-se, inicialmente, seja reconhecida a nulidade do trabalho fiscal e do acórdão recorrido. No entanto, considerando a robusta documentação apresentada pela ora recorrente nos autos, considerando o art. 59 do Decreto n. 70235, é possível a superação das nulidades acima apontadas, para que seja reformada a r. decisão recorrida, de modo que seja determinado o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Termos em que, Pede deferimento. Este é o relatório. Fl. 163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.588 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.905839/2011-40 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado na resolução paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada na resolução paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto à tempestividade e às preliminares, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento. Nulidade do Despacho Decisório A Recorrente cita que a IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 76: Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Alega que este artigo obrigaria à Autoridade Tributária um escrutínio profundo de todos os fatos envolvidos para a apreciação do pedido de restituição/ressarcimento, mas a mesma Autoridade apenas verificou o débito declarado em DCTF e o pagamento apresentado como a maior. O caso que está sendo julgado neste processo é um pedido de restituição de pagamento indevido e a maior em razão de recolhimento de PIS com base no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo STF. A Recorrente apresentou o pedido sem retificar a sua DCTF que, a princípio, registra o débito para o período de apuração apontado contendo o débito que seria indevidamente reconhecido pelo contribuinte. Ao não retificar a DCTF o pagamento realizado encontrava-se integralmente alocado ao débito confessado e não estaria disponível para restituição. Desta forma, por omissão da própria Recorrente a Autoridade Tributária apurou devidamente os fatos que eram disponíveis à época da elaboração do Despacho Decisório e não há nada a retificar em seu trabalho. Fl. 164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.588 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.905839/2011-40 4 O artigo 76, da IN RFB nº 1.300/2012, ao contrário da interpretação da Recorrente, não obriga a Autoridade Tributária à uma forma específica de proceder, ao contrário, lista as prerrogativas que a mesma Autoridade pode aplicar na busca pelo valor do crédito devido, e no caso em questão, como já foi dito acima, a omissão do contribuinte em retificar a DCTF ocasionou a recusa em homologar o pedido. Não reconheço nestes autos nenhum dos requisitos da nulidade previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de forma que entendo sem razão à Recorrente. Nulidade da Decisão de Primeira Instância Em segundo julgamento, após o primeiro ter sido anulado pelo CARF, a DRJ consigna que a Recorrente não se manifestou novamente a respeito deste novo julgamento após a Decisão do CARF. Desta forma, o conjunto probatório que havia para ser avaliado era o mesmo apresentado na Manifestação de Inconformidade inicial. A Recorrente alega que a DRJ não analisou os documentos acostados aos autos e que apresentou balancete consignado em seu Livro Diário e, portanto, teria cerceado o seu direito de defesa. Já a DRJ entendeu que a documentação não seria suficiente para fazer prova do direito creditório pleiteado pela Recorrente. Vejamos. Nas e.fls. 19 a 22, encontramos, de fato, folhas destacadas do Livro Diário, referentes ao período de 1º de janeiro de 1999 a 30 de junho de 1999. No entanto, a simples apresentação destas cópias de folhas do Livro Diário, não é de fato suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado em ressarcimento. É pressuposto que os valores pleiteados em restituição precisam ter sua certeza e liquidez confirmados pela Autoridade Tributária, sendo a certeza a confirmação da validade jurídica do crédito, neste caso, uma receita que tenha gerado um débito de PIS, indevidamente pago a maior em razão de sua classificação contábil e tributária não poder ser considerada como base de cálculo para esta contribuição, e a liquidez representando o valor efetivamente pago a maior. Entendo que a Autoridade Julgadora de Primeira Instância está correta na sua avaliação que a simples apresentação de páginas dos livros contábeis não é suficiente para fazer a demonstração de certeza e liquidez do valor pretendido em restituição. O fato de uma operação constar nos livros contábeis como receita financeira, p.ex., precisa do devido lastreio em documentos que comprovem a operação, a contabilidade regular somente faz prova a favor do contribuinte se devidamente Fl. 165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.588 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.905839/2011-40 5 acompanhada dos documentos comprobatórios, como notas fiscais, contratos, ou comprovantes de pagamento ou de depósitos bancários. Desta forma, afasto a arguição de nulidade pois não reconheço nestes autos nenhum dos requisitos da nulidade previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de forma que entendo sem razão à Recorrente. Quanto ao mérito, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com todas as vênias, entendo que o processo não está maduro para julgamento e, por isso, divirjo do i. Relator. O processo trata de restituição (despacho decisório eletrônico), e o crédito não foi integralmente confirmado porque alocado para pagamento: As premissas adotadas pela DRJ para manutenção do despacho recorrido foram: (i) Falta de provas; (ii) Ausência de retificação da DCTF. Quanto as provas, esclarece a DRJ “O interessado deveria ter fornecido os livros Diário e Razão completos, para que fosse possível apurar qual a base de cálculo total e, após, apartado o montante afastado pela ampliação da Lei nº 9.718/98.”. Em recurso voluntário, o i. Relator adota como razões de decidir a insuficiência de provas e esclarecimentos, explicando: A Recorrente não retificou a sua DCTF, a qual é confissão de dívida, e não traz aos autos uma demonstração minimamente razoável da natureza jurídica e contábil das receitas que ensejaram o recolhimento a maior, como contratos, comprovantes de depósitos ou outros documentos que pudessem validar o registro contábil apresentado através de cópias dos Livros Diário e Razão, apresentados tanto em Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário. Assim também não lhe socorre juntada posterior de folhas do Livro Razão, por ocasião do segundo Recurso Voluntário, e.fls 352 a 369, pois continua não sendo suficiente. (...)” (destaques nossos) Fl. 166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.588 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.905839/2011-40 6 Como dito anteriormente, a Recorrente tomou conhecimento do indeferimento do crédito por meio de despacho eletrônico. Tão logo foi alertada pela DRJ quanto à necessidade de produção de provas, apresentou, em recurso voluntário, os documentos por ela indicados, com o fito de contrapor os fatos (alínea “c”, § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72). Nesse sentido, em homenagem aos princípios da verdade material e do formalismo moderado, a realização de diligência confirmaria a certeza e a liquidez do crédito, à luz do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Pelo exposto, voto na conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem analise as provas carreadas aos autos à luz do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e do RE nº 585.235 julgado na sistemática de repercussão geral. Sendo necessário, intime a recorrente para prestar esclarecimentos e apresentar documentação complementar, em auxílio aos trabalhos fiscais. Encerrados os trabalhos, seja elaborado relatório conclusivo de diligência informando se há crédito restituível, dando-se prazo de 30 (trinta) dias para que a recorrente se manifeste. Vencido o prazo, sejam os autos devolvidos ao CARF para conclusão do julgamento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 167DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720036/2015-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
NULIDADE NÃO EVIDENCIADA.
As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ART. 20-A DA LEI Nº 9.430, DE 1996. NATUREZA HÍBRIDA. NATUREZA MATERIAL E PROCEDIMENTAL. NORMA PROCEDIMENTAL. VIGÊNCIA. MARCO INICIAL ESTABELECIDO POR NORMA MATERIAL. ART. 144 DO CTN.
I - O art. 20-A da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, consiste em norma que tem natureza híbrida, tanto material quanto procedimental. As providências de natureza processual imputadas à autoridade fiscal no caso de desqualificação do método de preço de transferência adotado pela pessoa jurídica encontram termo inicial expressamente determinado, sendo exigidas apenas sobre ações fiscais relativas ao ano-calendário de 2012 e posteriores. Ainda que normas procedimentais, em tese, possam se aplicar a processos pendentes com efeitos retroativos, no caso há correlação indissociável com norma material que determina marco temporal inicial para que o rito procedimental deva ser aplicado, evitando-se colisão com o caput art. 144 do CTN, que predica que o lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente. Assim, não cabe aplicação do § 1º do art. 144 do CTN, vez que o art. 20-A da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, tutela também de norma de natureza material.
II - Caso de ação fiscal iniciada em 2014 relativa a ano-calendário de 2011. Não há como se imputar à fiscalização a aplicação de norma procedimental (intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação), se consta expressamente que o termo inicial da norma que trata impossibilidade de se alterar o método do preço de transferência após o início da ação fiscal tem vigência apenas para fatos geradores a partir do ano-calendário de 2012. Lei vigente à época da concretização do fato gerador de 2011, nos termos do art. 144 do CTN, não determinava aplicação de norma procedimental.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60. IN SRF nº 243/2002. LEGALIDADE
Inexiste ilegalidade nas orientações constantes na IN SRF nº 243, de 2002, em especial as instruções contidas no art. 12, § 11, incisos II e III, nomeadamente em relação à participação dos itens importados de produto acabado para fins de aplicação do PRL60. Súmula CARF nº 115.
REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA.
É cabível a dedução dos valores correspondentes à Contribuição para o PIS/Pasep e à COFINS da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço-parâmetro apurado pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), ainda que a pessoa jurídica - importador ou fabricante dos medicamentos previstos na Lei nº 10.147/2000 - tenha aderido ao regime especial de crédito presumido por ela estabelecido.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. DEDUÇÃO DE PIS E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. TEMA 69 DO STF. MODULAÇÃO DE EFEITOS. AÇÃO JUDICIAL ANTERIOR. COISA JULGADA. VINCULAÇÃO.
A modulação de efeitos estabelecida pelo STF no julgamento do RE nº 574.706 (Tema 69) ressalvou as ações judiciais ajuizadas até 15/03/2017. Comprovada a existência de Mandados de Segurança impetrados antes desse marco temporal, com decisões transitadas em julgado favoráveis ao contribuinte, afasta-se a aplicação da trava temporal da modulação. Consequentemente, no cálculo do Preço Parâmetro pelo método PRL, a dedução referente ao PIS e à COFINS para apuração do preço líquido de venda deve considerar a exclusão do ICMS de suas bases de cálculo, em estrita obediência à coisa julgada material.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL20. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. PRINCÍPIO ARMS LENGTH. SÚMULA CARF Nº 229. APLICAÇÃO VINCULANTE.
No regime de Preços de Transferência, o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) deve refletir a integralidade do custo econômico da operação, em observância ao Princípio do Arms Length. Devem ser incluídos no preço praticado, para fins de comparação com o preço parâmetro, os valores de frete e seguro suportados pelo importador, bem como os tributos incidentes na importação, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, até a entrada em vigor do art. 38 da Medida Provisória nº 563/2012, convertida na Lei nº 12.715/2012. A exclusão desses encargos reduz artificialmente o custo de aquisição e compromete a comparabilidade da operação. Aplicação obrigatória da Súmula CARF nº 229, nos termos do art. 25, § 13, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 123, § 4º, do RICARF.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
MULTA E JUROS. ART. 100 DO CTN. NORMA COMPLEMENTAR. INAPLICABILIDADE. LEI Nº 9.430/1996. ATO NORMATIVO REVOGADO. CONTROVÉRSIA INTERPRETATIVA. INEXISTÊNCIA DE EXCLUDENTE.
A Lei nº 9.430/1996 não se enquadra no conceito de norma complementar previsto no art. 100 do CTN, não podendo ser invocada para afastar penalidades decorrentes do seu próprio descumprimento. A observância de ato normativo revogado não afasta a incidência de juros e multa quando vigente, à época dos fatos, norma complementar obrigatória. A divergência interpretativa, por si só, não constitui causa legítima para afastamento da penalidade. A aplicação de juros e multa decorre de expressa previsão legal, sendo vedado a este Conselho o exercício de controle de constitucionalidade, conforme a Súmula CARF nº 2.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A Súmula CARF nº 108 definiu pela legitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO.
Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à CSLL, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias.
Numero da decisão: 1201-007.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado nos seguintes termos: (a) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. Vencidos os Conselheiros Renato Rodrigues Gomes e Lucas Issa Halah, que votaram por declarar a natureza procedimental do art. 20-A da Lei nº 9.430/1996, cuja inobservância acarretou nulidade por cerceamento do direito de defesa; e (b) quanto ao mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Renato Rodrigues Gomes apresentou voto divergente para dar provimento ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha e Lucas Issa Halah. A divergência ficou vencida e se converteu em declaração de voto.
Assinado Digitalmente
Raimundo Pires De Santana Filho - Relator
Assinado Digitalmente
Nilton Costa Simões - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antonio Biancardi, Renato Rodrigues Gomes, Raimundo Pires de Santana Filho e Nilton Costa Simões (Presidente).
Nome do relator: RAIMUNDO PIRES DE SANTANA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202606
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 16561.720036/2015-82
anomes_publicacao_s : 202609
conteudo_id_s : 7408969
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 1201-007.623
nome_arquivo_s : Decisao_16561720036201582.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : RAIMUNDO PIRES DE SANTANA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 16561720036201582_7408969.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado nos seguintes termos: (a) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. Vencidos os Conselheiros Renato Rodrigues Gomes e Lucas Issa Halah, que votaram por declarar a natureza procedimental do art. 20-A da Lei nº 9.430/1996, cuja inobservância acarretou nulidade por cerceamento do direito de defesa; e (b) quanto ao mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Renato Rodrigues Gomes apresentou voto divergente para dar provimento ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha e Lucas Issa Halah. A divergência ficou vencida e se converteu em declaração de voto. Assinado Digitalmente Raimundo Pires De Santana Filho - Relator Assinado Digitalmente Nilton Costa Simões - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antonio Biancardi, Renato Rodrigues Gomes, Raimundo Pires de Santana Filho e Nilton Costa Simões (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2026
id : 11494726
ano_sessao_s : 2026
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ART. 20-A DA LEI Nº 9.430, DE 1996. NATUREZA HÍBRIDA. NATUREZA MATERIAL E PROCEDIMENTAL. NORMA PROCEDIMENTAL. VIGÊNCIA. MARCO INICIAL ESTABELECIDO POR NORMA MATERIAL. ART. 144 DO CTN. I - O art. 20-A da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, consiste em norma que tem natureza híbrida, tanto material quanto procedimental. As providências de natureza processual imputadas à autoridade fiscal no caso de desqualificação do método de preço de transferência adotado pela pessoa jurídica encontram termo inicial expressamente determinado, sendo exigidas apenas sobre ações fiscais relativas ao ano-calendário de 2012 e posteriores. Ainda que normas procedimentais, em tese, possam se aplicar a processos pendentes com efeitos retroativos, no caso há correlação indissociável com norma material que determina marco temporal inicial para que o rito procedimental deva ser aplicado, evitando-se colisão com o caput art. 144 do CTN, que predica que o lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente. Assim, não cabe aplicação do § 1º do art. 144 do CTN, vez que o art. 20-A da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, tutela também de norma de natureza material. II - Caso de ação fiscal iniciada em 2014 relativa a ano-calendário de 2011. Não há como se imputar à fiscalização a aplicação de norma procedimental (intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação), se consta expressamente que o termo inicial da norma que trata impossibilidade de se alterar o método do preço de transferência após o início da ação fiscal tem vigência apenas para fatos geradores a partir do ano-calendário de 2012. Lei vigente à época da concretização do fato gerador de 2011, nos termos do art. 144 do CTN, não determinava aplicação de norma procedimental. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60. IN SRF nº 243/2002. LEGALIDADE Inexiste ilegalidade nas orientações constantes na IN SRF nº 243, de 2002, em especial as instruções contidas no art. 12, § 11, incisos II e III, nomeadamente em relação à participação dos itens importados de produto acabado para fins de aplicação do PRL60. Súmula CARF nº 115. REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes à Contribuição para o PIS/Pasep e à COFINS da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço-parâmetro apurado pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), ainda que a pessoa jurídica - importador ou fabricante dos medicamentos previstos na Lei nº 10.147/2000 - tenha aderido ao regime especial de crédito presumido por ela estabelecido. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. DEDUÇÃO DE PIS E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. TEMA 69 DO STF. MODULAÇÃO DE EFEITOS. AÇÃO JUDICIAL ANTERIOR. COISA JULGADA. VINCULAÇÃO. A modulação de efeitos estabelecida pelo STF no julgamento do RE nº 574.706 (Tema 69) ressalvou as ações judiciais ajuizadas até 15/03/2017. Comprovada a existência de Mandados de Segurança impetrados antes desse marco temporal, com decisões transitadas em julgado favoráveis ao contribuinte, afasta-se a aplicação da trava temporal da modulação. Consequentemente, no cálculo do Preço Parâmetro pelo método PRL, a dedução referente ao PIS e à COFINS para apuração do preço líquido de venda deve considerar a exclusão do ICMS de suas bases de cálculo, em estrita obediência à coisa julgada material. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL20. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. PRINCÍPIO ARMS LENGTH. SÚMULA CARF Nº 229. APLICAÇÃO VINCULANTE. No regime de Preços de Transferência, o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) deve refletir a integralidade do custo econômico da operação, em observância ao Princípio do Arms Length. Devem ser incluídos no preço praticado, para fins de comparação com o preço parâmetro, os valores de frete e seguro suportados pelo importador, bem como os tributos incidentes na importação, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, até a entrada em vigor do art. 38 da Medida Provisória nº 563/2012, convertida na Lei nº 12.715/2012. A exclusão desses encargos reduz artificialmente o custo de aquisição e compromete a comparabilidade da operação. Aplicação obrigatória da Súmula CARF nº 229, nos termos do art. 25, § 13, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 123, § 4º, do RICARF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 MULTA E JUROS. ART. 100 DO CTN. NORMA COMPLEMENTAR. INAPLICABILIDADE. LEI Nº 9.430/1996. ATO NORMATIVO REVOGADO. CONTROVÉRSIA INTERPRETATIVA. INEXISTÊNCIA DE EXCLUDENTE. A Lei nº 9.430/1996 não se enquadra no conceito de norma complementar previsto no art. 100 do CTN, não podendo ser invocada para afastar penalidades decorrentes do seu próprio descumprimento. A observância de ato normativo revogado não afasta a incidência de juros e multa quando vigente, à época dos fatos, norma complementar obrigatória. A divergência interpretativa, por si só, não constitui causa legítima para afastamento da penalidade. A aplicação de juros e multa decorre de expressa previsão legal, sendo vedado a este Conselho o exercício de controle de constitucionalidade, conforme a Súmula CARF nº 2. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A Súmula CARF nº 108 definiu pela legitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à CSLL, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias.
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 03 20:52:15 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1878063309434912768
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-13T09:51:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-13T09:51:14Z; Last-Modified: 2026-08-13T09:51:14Z; dcterms:modified: 2026-08-13T09:51:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-13T09:51:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-13T09:51:14Z; meta:save-date: 2026-08-13T09:51:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-13T09:51:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-13T09:51:14Z; created: 2026-08-13T09:51:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 51; Creation-Date: 2026-08-13T09:51:14Z; pdf:charsPerPage: 2101; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-13T09:51:14Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 16561.720036/2015-82 ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 26 de junho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE ASTRAZENECA DO BRASIL LTDA. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ART. 20-A DA LEI Nº 9.430, DE 1996. NATUREZA HÍBRIDA. NATUREZA MATERIAL E PROCEDIMENTAL. NORMA PROCEDIMENTAL. VIGÊNCIA. MARCO INICIAL ESTABELECIDO POR NORMA MATERIAL. ART. 144 DO CTN. I – O art. 20-A da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, consiste em norma que tem natureza híbrida, tanto material quanto procedimental. As providências de natureza processual imputadas à autoridade fiscal no caso de desqualificação do método de preço de transferência adotado pela pessoa jurídica encontram termo inicial expressamente determinado, sendo exigidas apenas sobre ações fiscais relativas ao ano-calendário de 2012 e posteriores. Ainda que normas procedimentais, em tese, possam se aplicar a processos pendentes com efeitos retroativos, no caso há correlação indissociável com norma material que determina marco temporal inicial para que o rito procedimental deva ser aplicado, evitando-se colisão com o caput art. 144 do CTN, que predica que o lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege- se pela lei então vigente. Assim, não cabe aplicação do § 1º do art. 144 do CTN, vez que o art. 20-A da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, tutela também de norma de natureza material. II – Caso de ação fiscal iniciada em 2014 relativa a ano-calendário de 2011. Não há como se imputar à fiscalização a aplicação de norma procedimental Fl. 1963DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 2 (intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação), se consta expressamente que o termo inicial da norma que trata impossibilidade de se alterar o método do preço de transferência após o início da ação fiscal tem vigência apenas para fatos geradores a partir do ano-calendário de 2012. Lei vigente à época da concretização do fato gerador de 2011, nos termos do art. 144 do CTN, não determinava aplicação de norma procedimental. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60. IN SRF nº 243/2002. LEGALIDADE Inexiste ilegalidade nas orientações constantes na IN SRF nº 243, de 2002, em especial as instruções contidas no art. 12, § 11, incisos II e III, nomeadamente em relação à participação dos itens importados de produto acabado para fins de aplicação do PRL60. Súmula CARF nº 115. REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes à Contribuição para o PIS/Pasep e à COFINS da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço-parâmetro apurado pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), ainda que a pessoa jurídica - importador ou fabricante dos medicamentos previstos na Lei nº 10.147/2000 - tenha aderido ao regime especial de crédito presumido por ela estabelecido. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. DEDUÇÃO DE PIS E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. TEMA 69 DO STF. MODULAÇÃO DE EFEITOS. AÇÃO JUDICIAL ANTERIOR. COISA JULGADA. VINCULAÇÃO. A modulação de efeitos estabelecida pelo STF no julgamento do RE nº 574.706 (Tema 69) ressalvou as ações judiciais ajuizadas até 15/03/2017. Comprovada a existência de Mandados de Segurança impetrados antes desse marco temporal, com decisões transitadas em julgado favoráveis ao contribuinte, afasta-se a aplicação da trava temporal da modulação. Consequentemente, no cálculo do Preço Parâmetro pelo método PRL, a dedução referente ao PIS e à COFINS para apuração do preço líquido de venda deve considerar a exclusão do ICMS de suas bases de cálculo, em estrita obediência à coisa julgada material. Fl. 1964DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 3 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL20. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. PRINCÍPIO ARM’S LENGTH. SÚMULA CARF Nº 229. APLICAÇÃO VINCULANTE. No regime de Preços de Transferência, o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) deve refletir a integralidade do custo econômico da operação, em observância ao Princípio do Arm’s Length. Devem ser incluídos no preço praticado, para fins de comparação com o preço parâmetro, os valores de frete e seguro suportados pelo importador, bem como os tributos incidentes na importação, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, até a entrada em vigor do art. 38 da Medida Provisória nº 563/2012, convertida na Lei nº 12.715/2012. A exclusão desses encargos reduz artificialmente o custo de aquisição e compromete a comparabilidade da operação. Aplicação obrigatória da Súmula CARF nº 229, nos termos do art. 25, § 13, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 123, § 4º, do RICARF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 MULTA E JUROS. ART. 100 DO CTN. NORMA COMPLEMENTAR. INAPLICABILIDADE. LEI Nº 9.430/1996. ATO NORMATIVO REVOGADO. CONTROVÉRSIA INTERPRETATIVA. INEXISTÊNCIA DE EXCLUDENTE. A Lei nº 9.430/1996 não se enquadra no conceito de norma complementar previsto no art. 100 do CTN, não podendo ser invocada para afastar penalidades decorrentes do seu próprio descumprimento. A observância de ato normativo revogado não afasta a incidência de juros e multa quando vigente, à época dos fatos, norma complementar obrigatória. A divergência interpretativa, por si só, não constitui causa legítima para afastamento da penalidade. A aplicação de juros e multa decorre de expressa previsão legal, sendo vedado a este Conselho o exercício de controle de constitucionalidade, conforme a Súmula CARF nº 2. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A Súmula CARF nº 108 definiu pela legitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Fl. 1965DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 4 Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à CSLL, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado nos seguintes termos: (a) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. Vencidos os Conselheiros Renato Rodrigues Gomes e Lucas Issa Halah, que votaram por declarar a natureza procedimental do art. 20-A da Lei nº 9.430/1996, cuja inobservância acarretou nulidade por cerceamento do direito de defesa; e (b) quanto ao mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Renato Rodrigues Gomes apresentou voto divergente para dar provimento ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha e Lucas Issa Halah. A divergência ficou vencida e se converteu em declaração de voto. Assinado Digitalmente Raimundo Pires De Santana Filho – Relator Assinado Digitalmente Nilton Costa Simões – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antonio Biancardi, Renato Rodrigues Gomes, Raimundo Pires de Santana Filho e Nilton Costa Simões (Presidente). RELATÓRIO Da Autuação e da Impugnação Trata o presente de Recurso Voluntário, às fls. 1.059/1.107, apresentado em face do acórdão nº 02-76.800, exarado pela 10ª Turma da DRJ/BHE, em 24 de outubro de 2017, às fls. Fl. 1966DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 5 1.025/1.052, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela ASTRAZENECA DO BRASIL LTDA.(doravante denominada ASTRAZENECA), às fls. 133/552 e 555/960, contra Autos de Infração lavrados pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – Demac/SPO, às fls. 62/105, através dos quais foram constituídos os tributos abaixo relacionados, no montante de R$ 9.014.274,62, inclusos principal, multa de ofício de 75% e juros de mora, apurados em conformidade com o regime tributário do Lucro Real Anual, referente ao ano- calendário de 2011: Por bem descrever os fatos que desembocaram no presente processo, reproduzo os termos do relatório da decisão da DRJ de origem, complementando-o ao final: Segundo a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal/Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica”, a fls. 63, foi imputada à interessada a seguinte infração: ADIÇÕES - PREÇOS DE TRANSFERÊNCIAS CUSTOS, DESPESAS, ENCARGOS - BENS, SERVIÇOS, DIREITOS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR – PESSOA VINCULADA Valor de ajuste decorrente da aplicação de métodos de preços de transferências, relativamente a seus custos, despesas e encargos de importação de bens, serviços e direitos adquiridos de pessoa vinculada no exterior não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, conforme relatório fiscal em anexo. Idêntica infração encontra-se a fls. 70 na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal/Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”. No relatório fiscal de fls. 75 a 104, as irregularidades apuradas estão narradas como segue: A AstraZeneca do Brasil Ltda é uma indústria farmacêutica, inscrita no CNAE 2121- 1/01. Seu capital social é de R$ 24.030.313,00, divididos em cotas de valor nominal de R$1,00. A empresa holandesa Astrazeneca Continent B.V. possui 24.030.146 cotas e a empresa holandesa Astrazeneca Gamma B.V. possui as outras 167 cotas. No ano-calendário de 2011 efetuou compras de mercadorias no mercado externo que totalizaram mais de R$ 470 milhões. Quase a totalidade das importações foram feitas entre pessoas físicas/jurídicas consideradas vinculadas ou de países de tribulação favorecida. Tais operações estão sujeitas ao controle de preços de transferência. Na ficha 9A da DIPJ do ano calendário 2011, não constam ajustes referentes a preços de transferência. Nas fichas 32 desta DIPJ a empresa informou a apuração de preços de transferência conforme tabela abaixo: Fl. 1967DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 6 Expõe o autor do feito, em seguida, a legislação de regência dos preços de transferência: artigos 18 a 24 e 28 da Lei nº 9.430, de 1996, e Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, fazendo referência ainda ao manual de Perguntas e Respostas da DIPJ 2011, para afirmar que: A principal divergência entre o fisco e os contribuintes é a aplicação da metodologia PRL60 descrita na IN243/2002 para importação de insumos utilizados em processos produtivos. Apresenta jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 3a Região e do CARF com reconhecimento da legalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002. Relata que os preços praticados foram auditados e validados e descreve os métodos de apuração dos preços parâmetros pela fiscalizada: Conforme documentação apresentada, o contribuinte usou o método PRL (Preço do Revenda menos o Lucro) para elaboração de seus preços parâmetro. Foram utilizadas as duas modalidades de PRL: o PRL20 para mercadorias revendidas, e o PRL60 para mercadorias que sofreram algum tipo de processo produtivo. Afirma que o confronto entre os valores de venda das mercadorias sujeitas ao controle de preços de transferência informados pela fiscalizada e as notas fiscais de venda constantes do Sped-Fiscal não revelou diferenças significativas, mas foram encontradas inconsistências. Diz que a contribuinte não considerou nos seus cálculos os valores dos descontos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, conforme descrito no inciso II do art 12 da IN 243/02. Intimada a refazer os cálculos, respondeu a fiscalizada que nem todos os seus produtos estavam sujeitos à dedução do PIS e da Cofins, por força da Lei nº 10.147, de 2000, que estabeleceu as listas “positiva”, medicamentos com Fl. 1968DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 7 regime de desoneração, e “negativa”, medicamentos com alíquota diferenciada e sujeitos ao controle dos preços de transferência. Após transcrever dispositivos da Lei nº 10.147, de 2000, e da Instrução Normativa SRF nº 549, de 2005, aduz, com apoio em julgado da DRJ/SP, que: O fato da concessão de crédito presumido para certas empresas que cumprem determinadas condições, em nada interfere no campo de incidência da PlS/Cofins. Aderindo ao regime especial de utilização de crédito PIS/Cofins, a pessoa jurídica não se exime do recolhimento dessas contribuições, mas tem a faculdade de deduzir créditos extras dos valores devidos das contribuições. O próprio contribuinte reconhece a incidência do PIS/Cofins ao declarar tais valores em suas DACONs. Descreve, na sequência, os cálculos realizados para os produtos sujeitos ao PRL60: a partir das planilhas do PRL60 do contribuinte, inicialmente criamos uma nova coluna para inserir os valores de PIS/Cofins que serão descontados das vendas brutas: (2,1% + 9,9% da coluna "Valor Bruto das Vendas"). Denominamos essa coluna como "Dedução PIS/Cofins"; inserimos uma nova coluna para calcularmos a porcentagem do custo do insumo em relação ao custo total do produto acabado: (coluna "PMA_Total_MP" dividido pela coluna "Custo Total"). Denominamos essa nova coluna de "Porcentagem do insumo no custo"; inserimos uma outra coluna para calcularmos o valor correspondem e à parcela da venda líquida correspondente a este insumo específico: o valor líquido das vendas é o valor bruto das vendas, menos as deduções, e menos as novas deduções relativas ao PIS/Cofins. Nessa coluna multiplicamos o valor da venda líquida e o valor da "porcentagem do insumo no custo". Chamamos essa coluna de "Receita Líquida x porcentagem"; a seguir, descontamos a margem de lucro 60% da coluna "Receita Líquida x porcentagem". Esse valor obtido já é o preço parâmetro total. E se dividirmos esse preço parâmetro total pela quantidade de insumo utilizado, chegamos ao preço parâmetro unitário. É o preço parâmetro que devemos comparar com o preço praticado para saber se devemos efetuar algum ajuste. Identifica, então, treze produtos com preços parâmetro inferiores ao preço praticado, em mais de 5%, em conformidade com o disposto no artigo 38 da IN SRF nº 243, de 2002. Fl. 1969DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 8 Ciente do lançamento em 22 de abril de 2015 (fls. 111), a interessada apresentou, em 21 de maio de 2015 (fls. 128), impugnação a fls. 133 a 179, em que alega, em síntese e fundamentalmente, o seguinte: • O cálculo do preço parâmetro na metodologia do PRL 60 deve considerar as premissas indicadas na Lei 9430 e não na IN 243. • Com relação à apuração do PIS e da COFINS, está sujeita ao regime especial de crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.147/2000, que instituiu o sistema monofásico do setor farmacêutico, razão pela qual não se aplicaria o desconto do PIS e da COFINS na apuração do preço parâmetro. • O lançamento é nulo, pois a Fiscalização se limitou a desconsiderar o PRL 60, calculado pela Impugnante nos termos da Lei 9430 sem, contudo, intimar a Impugnante a apresentar novos cálculos segundo outro método, rompendo com um mandamento explícito no regime de preços de transferência, que é buscar o método mais favorável ao contribuinte, e não aquele que apresente o maior ajuste, conforme parágrafo 4° do artigo 18 da Lei 9430. • Segundo no artigo 20-A da Lei 9430, cabe ao fiscal solicitar ao contribuinte a formulação de novo cálculo, em casos de desqualificação do método ou de seus próprios critérios de cálculo. • A fiscalização foi concluída somente em dezembro de 2014, quando a nova redação da Lei 9430, com alterações promovidas pela Lei 12.715, inclusive o artigo 20-A, que tem teor procedimental, já eram plenamente aplicáveis, nos termos do § 1º do artigo 144 do CTN. Fl. 1970DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 9 • O controle de preços de transferência foi introduzido no Brasil em 1997 com a edição da Lei 9430, com a possibilidade de aplicação de três métodos: (i) Preços Independentes Comparados ("PIC"), (ii) Método do Custo de Produção mais Lucro de 20% ("CPL") e (iii) PRL. • Grande parte da indústria brasileira enfrentou dificuldades insuperáveis na aplicação dos métodos PIC e CPL, em razão da falta de produtos comparáveis e da dificuldade de obtenção de dados no exterior. O método PRL foi a única saída em diversas situações. • O legislador editou a Lei n° 9.959, de 27 de janeiro de 2000 ("Lei 9959"), que alterou a redação do art. 18 da Lei 9430 e criou o método PRL 60%, aplicável aos casos de produção local. • O PRL 60 foi regulamentado pela Instrução Normativa n° 113/00 (“IN 113"), que alterava a redação da IN 38. Logo em seguida, a IN 38 foi inteiramente substituída pela Instrução Normativa 32/01 ("IN 32"), que tinham redação idêntica ao texto do art. 18 da Lei 9430, com a redação da Lei 9.959, no que tange ao PRL 60. • Ocorre que, em 11.11.2002, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN 243, alterando significativamente o cálculo para apuração do preço parâmetro de acordo com o PRL 60%. • Os cálculos efetuados com base na Lei 9430 apresenta ajustes inferiores àqueles decorrentes da IN 243. • De acordo com a Lei 9430, o método PRL seria calculado através da média aritmética dos preços de revenda de bens ou direitos, pactuados com compradores não vinculados, deduzindo-se descontos incondicionais, tributos sobre vendas, comissões e corretagens e uma margem de lucro calculada sobre o preço de revenda de 20% ou 60%, conforme o caso. • A diferença na apuração do PRL 60, prevista na Lei 9430, e a forma de apuração do PRL 60, prevista na IN 243, está fincada essencialmente na margem de cálculo a ser deduzida do preço líquido de revenda. • Enquanto a Lei 9430 prevê que a margem de 60% incide sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto, diminuído do valor agregado do país, a IN 243 prevê que a margem de 60% deve incidir sobre "parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direito importados". • Essa diferença é melhor compreendida através do seguinte exemplo numérico. Imaginemos que a Impugnante importe a matéria-prima X de uma pessoa vinculada, agregue outras matérias-primas compradas no mercado local e venda o produto final Y. Os preços de ambas as parcelas são de R$ 50,00 cada, de modo a totalizar um custo de produção de R$ 100,00. Suponhamos, ainda, que esse produto acabado seja vendido por um valor líquido (livre de tributos, descontos incondicionais e comissões) de R$ 150,00. • O cálculo do preço parâmetro segundo a sistemática do art. 18 da Lei 9430 seria: Fl. 1971DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 10 • Por outro lado, o cálculo para o mesmo produto segundo a sistemática do artigo 12 da IN 243 seria: • Neste sentido a IN 243 é ilegal, por seu conteúdo discrepar do conteúdo da lei, que em nenhum momento trata da participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço líquido de venda como fator para apuração da margem de lucro de 60%. • A IN 243 desconsidera solenemente algumas variáveis constantes da fórmula legal, notadamente o valor agregado no Brasil, na base de cálculo da margem de lucro. • A IN 243 criou uma obrigação nova, não prevista em lei; além disso, impediu expressamente o cômputo do "valor agregado no País" como redutor interno da base de cálculo da margem de 60% e somente à lei, em sentido estrito, são atribuídas as funções de instituição e aumento do tributo, em razão da alteração da base de cálculo ou da alíquota. • A nova fórmula de cálculo prevista pela IN 243 foi válida somente a partir do anº calendário de 2002 (art. 45 da IN 2438). Se a referida fórmula apenas reproduzisse os termos da Lei 9430, certamente teria declarado seu caráter interpretativo e aplicado a IN 243 para fatos pretéritos, o que não ocorreu. • Em 03/04/2012, foi editada a MP 563, posteriormente, convertida na Lei 12.715, de 2012, que no artigo 48 alterou o artigo 18 da Lei 9430, com redução da margem aplicável à produção local de 60% para 20% (regra geral) e introduziu, em nível legal, a sistemática de cálculo antes prevista somente na IN 243, evidenciando a incompatibilidade da margem de 60% sobre o valor de revenda (ou de 150% de retorno sobre os custos) com a forma de cálculo contida na IN 243, ou seja, a incompatibilidade da própria IN com a Lei 9430. Fl. 1972DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 11 • Essa não foi a primeira oportunidade em que se tentou criar fundamento de validade para a IN 243. Em dezembro de 2009, o Governo Federal editou a Medida Provisória n° 478 ("MP 478"), por meio da qual tentou sanar a carência de base legal da IN 243 introduzindo o seu texto na Lei 9430. Entretanto, a referida MP 478 acabou por não ser convertida em lei. • A exposição de motivos da MP 478 torna clara a ausência de base legal da IN 243. • Não obstante existam decisões na esfera administrativa que sustentam que a IN 243 seria uma das interpretações possíveis da Lei 9430, destacamos as decisões da 2ª Turma da 3ª Câmara (Acórdão 1302-00.915), da 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF (Acórdão 1202-000.835), da 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção (Acórdão 1101 000.864) e 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção (Acórdão 1301001.262) que reconhecem a ilegalidade da IN 243. • O artigo 18 da Lei 9430 chega à minúcia de prescrever, no corpo do próprio texto legal, uma fórmula. • O sopesamento das finalidades das regras de preços de transferência foi feito pelo legislador em momento pré-legislativo que presidiu à feitura da regra, e uma vez estabelecida uma precisa fórmula para alcançá-los, só cabe ao administrador respeitá-la. • Juridicamente não há melhor fórmula, conforme defende a PGFN, mas há a fórmula prevista em lei. • Ademais, o estabelecimento de presunção absoluta quanto à margem de lucro praticada por dado seguimento empresarial dissocia-se das reais condições de mercado, ofendendo, em última análise, ao princípio da capacidade contributiva, por isso o valor agregado no País foi incluído, pelo legislador, como elemento interno à base de cálculo da margem efetiva, calibrando-a de acordo com a realidade fática da operação sujeita a controle. • Além de ilegal, o cálculo do PRL 60 segundo a sistemática prevista pela IN 243 gera uma série de problemas e erros lógicos, o que já seria igualmente suficiente para afastar a sua aplicação. • Primeiro, a sistemática do método PRL 60% segundo a IN 243 exige que itens não sujeitos ao controle de preços de transferência, tais como itens comprados no mercado local ou adquiridos de partes independentes no exterior tenham uma lucratividade de 150% sobre os custos. • Segundo, para a sistemática da IN 243, é economicamente mais racional importar produto acabado do que produzir no Brasil. • Terceiro, a IN 243 apresenta um erro lógico, testar o custo a partir do custo, o que não acontece com o cálculo da Lei 9430, já que há uma variável em relação custo, qual seja, o valor agregado. • O artigo 18, II, item 1, da Lei 9430 é norma de eficácia plena. Fl. 1973DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 12 • Na improvável hipótese de se entender que a IN 243 não afronta diretamente a Lei 9430 (por explicitar uma das interpretações possíveis da Lei), cabe demonstrar, a seguir, a única linha de raciocínio apta a justificar a sua validade: convivência com a metodologia da lei, sem afastá-la, porque não há dúvidas de que o entendimento empregado pelo contribuinte também configura uma das interpretações possíveis da Lei, e, nesse cenário, dever-se-á reconhecer que o que faz a IN 243 é estabelecer um novo método de preços de transferência na importação (na realidade, um novo sub método de apuração do PRL, quando há agregação de valor no País). • Este raciocínio não tem nada de estranho, pois é da essência e tradição das regras de preços de transferência o estabelecimento de métodos alternativos, possibilitando que o contribuinte eleja aquele mais adequado a sua atividade, de acordo com critérios de praticabilidade e de menor onerosidade. • Na remota hipótese de que se reconheça que a sistemática do PRL nos termos da IN 243 é legal, o que se admite apenas a título argumentativo, temos que a margem a ser aplicada seria a 20% (vinte por cento), pois, se a técnica da proporcionalização transforma a venda de um produto acabado em várias revendas, deveria se utilizar a margem de 20% aplicável às revendas. • Nas alterações promovidas pela Lei n° 12715 no artigo 18 da Lei 9430 que introduziram o novo PRL, o qual adota a técnica da proporcionalização, mas utiliza uma margem única de 20% para revenda e produção local. • Conforme se depreende do artigo 3º da Lei 10.147, de 2000, a comercialização de determinados medicamentos pelas indústrias farmacêuticas geram, simultaneamente e em contrapartida ao PIS e COFINS que seria devido (calculados sob as alíquotas de 2,1% e 9,9%, respectivamente), crédito presumido de igual valor, isto é, em relação aos medicamentos tarjados, a indústria farmacêutica não terá nenhum valor a ser pago a título de PIS e COFINS. • A indústria farmacêutica, sujeita ao regime especial de crédito presumido acima mencionado, que comercialize medicamentos constantes da "Lista Positiva de Medicamentos", não se sujeita ao PIS e à COFINS a ser pago em relação aos mesmos medicamentos à medida que os valores das contribuições são compensados com os créditos presumidos gerados nos mesmos valores, como determina o inciso I do parágrafo 1° do art. 3° da Lei 10.147, que alberga a impugnante, conforme reconhecido pelo Ato Declaratório Executivo COSAR n° 44, de 25 de junho de 2001. • Por outro lado, caso a indústria farmacêutica comercialize medicamentos constantes da "Lista Negativa de Medicamentos", o PIS e a COFINS calculados sob as alíquotas específicas de 2,1% e 9,9%, respectivamente, serão integralmente devidos, não sendo gerado qualquer crédito presumido em relação aos mesmos. Fl. 1974DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 13 • Diferentemente do quanto alegado pela Fiscalização, dos pontos de vista prático e econômico, a Impugnante não recolhe aos cofres públicos PIS e COFINS em relação os medicamentos enumerados do documento anexo. • Embora seja registrado contabilmente tanto um débito dessas contribuições (o que seria devido e não o é), quanto um crédito presumido do mesmo valor, o efeito fiscal é nulo. • Conforme se depreende da alínea “b” do artigo 18 da Lei 9.430 e do inciso II do artigo 12 da IN 243, deve ser descontado da apuração do preço parâmetro pelo método PRL os "impostos e contribuições incidentes sobre as vendas". • O legislador deixou claro que deverão ser diminuídos da apuração do preço parâmetro os impostos e contribuições que recaiam de fato sobre o produto, isto é, os tributos com os quais o importador ao comercializá-lo no mercado interno irá efetivamente incorrer, tendo um verdadeiro desembolso e ingresso dos respectivos valores nos cofres públicos. • O benefício concedido por lei aos produtos da Lista Positiva não é um benefício da indústria; é um benefício ao consumidor do medicamento e por tal razão o repasse ao preço é condição para sua utilização. • Essa é, inclusive, a diretriz da própria IN 243, ao esclarecer o conceito de "impostos e contribuições incidentes sobre as vendas" em seu art. 12, §7°, ao estabelecer que serão considerados como impostos e contribuições cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre as vendas, aqueles que sejam integrantes do preço. • Ao lavrar o presente Auto de Infração, a Fiscalização incorreu em outro equívoco ao efetuar a inclusão dos valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do preço praticado (cálculo "CIF"), sob o fundamento • No entanto, a Fazenda adequou sua interpretação quando da edição da MP 563 (convertida na Lei 12.715), a qual modificou a redação do seu §6° e incluiu o § 6°- A, que estabelece que não integram o custo os tributos incidentes na importação e os gastos incorridos no desembaraço aduaneiro. • A Exposição de Motivos da MP 563, que justifica as alterações promovidas no artigo 18 da Lei 9430, menciona que os valores incorridos pelas importadoras a título de frete, seguros e impostos incidentes sobre as importação não devem ser considerados na apuração do preço parâmetro uma vez que referidos valores não são suscetíveis de eventuais manipulações pelos contribuintes, com o intuito de evitar o pagamento de imposto. • Os valores de frete, seguro e imposto de importação não devem ser incluídos no preço praticado para fins de comparação com o preço parâmetro calculado segundo o método PRL, uma vez que são pagos a terceiros. • A letra do caput do art. 18 da Lei 9430 é clara em afirmar que "Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos Fl. 1975DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 14 documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada (...)". Em outros termos, são os custos inerentes às operações praticadas com as pessoas vinculadas que são alvo do controle pela legislação de preços de transferência, enquanto as despesas de frete, seguro e tributos não decorrem de transações realizadas com a empresa vinculada, mas sim de operações com terceiros, empresas seguradoras, transportadoras e a própria Administração Federal, que não possuem vínculo de dependência com a empresa sediada no Brasil. • Independe, nesta lógica, se os valores são pagos diretamente à pessoa vinculada, tal como ocorre quando a contratação se dá na cláusula CIF + II, ou se os valores são pagos às empresas seguradoras, transportadoras e à Administração Federal diretamente, em contratação em regime de cláusula FOB. • A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, na antiga Instrução Normativa n° 38/97, entendia que o cálculo do preço praticado não envolveria, necessariamente, tais custos, sendo do contribuinte a faculdade em escolher se tais despesas seriam ou não acrescidas aos custos da operação de importação com a empresa vinculada. • De fato, o §4° do art. 4° da IN n° 38/97 previa que as despesas de transporte e seguro poderiam compor o cálculo do preço praticado na operação. • Não é outro, aliás, o entendimento mais recente da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais ("CSRF"), manifestado em sessão realizada em 12 de setembro de 2011, no acórdão 9101-01.166. • Em recente julgamento efetuado pelo CARF, em sessão de 25 de novembro de 2014, no julgamento do acórdão n° 1102-001.238 (Caso Scania), foi reconhecido por esse Tribunal que "É incabível a inclusão do frete, seguro e tributos no cálculo do preço praticado a ser comparado com o PRL". • Em verdade, constatado que para pelo menos um dos métodos a inclusão do frete, do seguro e dos tributos incidentes na importação no cálculo dos preços de transferência levaria a resultados absurdos, a conclusão não pode ser outra: a melhor interpretação do § 6° do art. 18 da Lei 9430 é aquela que entende que não foi a intenção do legislador incluir o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação no cálculo dos preços de transferência, mas tão-somente integrá-los ao custo para efeito de dedutibilidade para fins de cálculo do lucro real, como diz a própria lei. Daí o legislador ter incluído a expressão "para efeito de dedutibilidade" no § 6° do art. 18 da Lei 9430. • Em conformidade com o artigo 61 da Lei 9.430, somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias. • A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais recentemente confirmou tal entendimento, de modo que foi afastada definitivamente a incidência de juros sobre a multa de ofício. Fl. 1976DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 15 Ao final, protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas e pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa e requer ainda que todas “as intimações relativas ao presente processo administrativo sejam feitas aos cuidados de Raquel Novais, com escritório à Av. Brigadeiro Faria Lima, n° 3.144, 11° andar, 01451-000, São Paulo, SP, enviando de tudo cópia à Impugnante no endereço constante dos autos”. Da Decisão Recorrida Após apreciar os Autos de Infração e o Termo de Verificação Fiscal, às fls. 62/105, e a Impugnação apresentada pela contribuinte, às fls. 133/552 e 555/960, a 10ª Turma da DRJ/BHE exarou o Acórdão nº 02-76.800, em 24 de outubro de 2017, às fls. 1.025/1.052, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo integralmente o crédito tributário lançado, juntamente com a multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2011 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. IN SRF 243/2002. LEGALIDADE. A sistemática prevista pela Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002, não padece de qualquer ilegalidade, limitando-se a explicitar metodologia de cálculo em conformidade com o disposto no artigo 18, II, da Lei nº 9430, de 1996. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE VENDA. Por expressa determinação legal, a contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre venda devem ser deduzidas da média aritmética ponderada dos preços de revenda para fins de fixação do preço parâmetro, não havendo previsão legal para que se considere no cálculo os créditos presumidos de tais contribuições. FRETE, SEGURO, IMPOSTOS SOBRE IMPORTAÇÃO. Para efeito de apuração do preço parâmetro, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2011 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. As normas relativas aos Preços de Transferência aplicam-se à apuração da base de cálculo da CSLL. Impugnação Improcedente Fl. 1977DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 16 Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A ASTRAZENECA tomou ciência da sobredita decisão em 14/11/2017, através da sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico – DTE na RFB, às fls. 1.056. Indignada, em 13/12/2017, protocolou Recurso Voluntário, às fls. 1.059/1.107, e, citando doutrina e jurisprudência administrativa, apresentou idênticos pedidos e causa de pedir carreados na fase impugnatória, a seguir sintetizados: a) Da Preliminar de Nulidade por Infração ao disposto no art. 20-A, da Lei nº 9.430/96 b) Do Mérito: i. Da apuração do PRL 60 – Da fórmula prevista na Lei nº 9.430/96 e da ilegalidade da IN nº 243/02 e dos pleitos subsidiários; ii. Do indevido desconto do PIS/COFINS na apuração do preço parâmetro; iii. Da ilegitimidade de adoção do preço CIF para cálculo do preço praticado; e iv. Da impossibilidade de aplicação de penalidades no caso concreto e, sucessivamente, da ilegalidade da incidência de juros SELJC sobre a parcela da multa; Da Petição Em 26/05/2026, a Recorrente atravessou petição, às fls. 1.122/1.128, através da qual, além de repisar os pleitos supra, requereu, sucintamente, que seja excluído da base de cálculo do PIS e COFINS incidente sobre as vendas - excluídos do cálculo do preço parâmetro pelo método PRL60 – o ICMS, em respeito ao Tema 69 do STF. É o Relatório VOTO Conselheiro Raimundo Pires de Santana Filho, Relator Fl. 1978DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 17 1 DA ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Neste ponto, impende registrar que embora se trate de hodierno e extemporâneo o pleito relativo à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS incidente sobre as vendas, corroboro com os argumentos apresentados pela Recorrente quanto à necessidade de conhecimento, visto que se amolda, cumulativamente, a: (i) fato superveniente, materializado em momento posterior à interposição do Recurso Voluntário, à luz do art. 493 do CPC, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal (art. 15 do CPC); (ii) matéria de ordem pública, cognoscível de ofício pelo julgador administrativo, na medida em que envolve a observância de precedente vinculante do STF em repercussão geral e de coisa julgada material; e (iii) observância obrigatória de precedente vinculante, nos termos do art. 99 do RICARF (Portaria MF nº 1.634/2023), que impõe aos Conselheiros o dever de reproduzir decisões de mérito transitadas em julgado proferidas pelo STF na sistemática de repercussão geral. 2 DA DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA Inicialmente, cumpre esclarecer que os acórdãos das instâncias administrativas, bem como decisões judiciais e posicionamentos doutrinários, embora de inestimável valor como fonte de consulta, servem apenas como forma de ilustrar e reforçar a argumentação dos litigantes, dado que não têm o condão de alterar determinações expressas na legislação. Ademais, no que diz respeito às decisões judiciais, além de não se constituírem em normas complementares do direito tributário nos termos do art. 100, do CTN1, devem ser respeitadas as limitações impostas pelo Decreto nº 2.346/1997, e as determinações contidas no 1 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 1979DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 18 art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002. Quanto às citações doutrinárias que a defendente traz lume em seu petitório, em diversos tópicos da peça recursal, ressalva-se que a doutrina não integra a legislação tributária, conforme define o art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN2. Também as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e mesmo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ainda que reiteradas sobre determinada questão, não se fazem oponíveis à autoridade administrativa de Julgamento, ressalvada a hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do art. 26 A, do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.196/20053. Veja-se também a conclusão do Parecer Normativo Cosit nº 23, publicado no DOU de 9 de setembro de 2013, que se presta a bem elucidar o tema: Diante do exposto, conclui-se que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. 3 DA PRELIMINAR DE NULIDADE 3.1 DA ALEGADA FALTA DE ATENDIMENTO AO ART. 20-A DA LEI 9.430/96 Em âmbito preambular, a Recorrente, repisando o pleiteado na fase impugnatória, protesta em favor da declaração de nulidade dos Autos de Infração por ofensa aos arts.18, § 4o, e 20-A, da Lei nº 9.430, de 19964, e art. 144, § 1o, do CTN5. 2 Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sôbre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. 3 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6 o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n o 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n o 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 Art.18. Fl. 1980DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 19 Explicando melhor, assevera que, na espécie, a Autoridade Fiscal, no curso do procedimento fiscal, iniciado no ano de 2014, desconsiderou o critério de cálculo que adotou para aferição do preço parâmetro pelo método PRL 60 – Preço de Revenda menos Lucro -, entretanto não a intimou para apresentar novos cálculos, descumprindo o mandamento procedimental previsto no caput do art. 20-A, da Lei nº 9.430/96, introduzido pela Lei nº 12.715/2012, vigente durante a fase inquisitorial, em respeito ao § 1º, do art. 144, do CTN. A decisão recorrida rejeitou a preliminar à epígrafe calcada no entendimento de que embora o dispositivo multicitado tenha natureza procedimental, não instituiu novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, tampouco ampliou os poderes de investigação do Fisco ou outorgou maiores garantias ou privilégios ao crédito tributário, por conseguinte, não se subsome a retroatividade, determinada pelo § 1º, do art. 144 do CTN. De outro giro, argumentou que a positivação em questão estabeleceu regramentos a serem aplicados em relação aos fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário de 2012, enquanto nos autos examinam-se os atinentes ao ano-calendário de 2011. Por fim, aduz que, ainda que se entendesse o artigo 20-A aplicável ao procedimento fiscal ora examinado, não houve, no caso vertente, desqualificação do modelo adotado pelo Recorrente pela Fiscalização – entende (...) §4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. (...) Art. 20-A. A partir do ano-calendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o ano-calendário e não poderá ser alterada pelo contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 1o A fiscalização deverá motivar o ato caso desqualifique o método eleito pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 2o A autoridade fiscal responsável pela verificação poderá determinar o preço parâmetro, com base nos documentos de que dispuser, e aplicar um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19, quando o sujeito passivo, após decorrido o prazo de que trata o caput: (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) I - não apresentar os documentos que deem suporte à determinação do preço praticado nem às respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro, segundo o método escolhido;(Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) II - apresentar documentos imprestáveis ou insuficientes para demonstrar a correção do cálculo do preço parâmetro pelo método escolhido; ou (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) III - deixar de oferecer quaisquer elementos úteis à verificação dos cálculos para apuração do preço parâmetro, pelo método escolhido, quando solicitados pela autoridade fiscal. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) § 3o A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda definirá o prazo e a forma de opção de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) 5 Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 1981DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 20 que a desqualificação dos critérios de cálculo não implica em desqualificação do próprio método -, dado que foi preservada a opção pelo método PRL 60. No ponto, em que pese a louvável construção jurídica apresentada pela Recorrente, tenho que não lhe assiste razão. Ab initio, é salutar delimitar que a autuação combatida se refere a fato gerador ocorrido no ano-calendário de 2011 e o procedimento fiscalizatório foi iniciado em 2014 e concluído em 2015. O cerne da contenda consiste em verificar se a Autoridade Fiscal estaria vinculada ao procedimento disposto no art. 20-A, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, mediante entendimento de que se trataria de norma de cunho procedimental, e, por isso, de aplicação retroativa, nos termos do § 1º, do art. 144, do CTN. Aqui, é mister registrar que em recente julgado desta turma – Acórdão 1201- 007.317, sessão de 22/10/2025 - tive a oportunidade, como Redator designado, de expor parcial entendimento sobre o tema, pois em razão do caso apreciado referir-se a fato gerador ocorrido no ano-calendário de 2006, cujo procedimento fiscalizatório foi encerrado em 2011, pugnei no sentido de que apenas para os fatos geradores a partir de 2012 e seguintes, é que o legislador impôs ao Fisco o dever de intimar o Sujeito Passivo para que apresentasse método alternativo, acepção que foi acompanhada pela maioria do colegiado. Sem embargo, não aprofundei a discussão no tocante à natureza da norma estampada no art. 20-A, da Lei nº 9.430/96 – material, procedimental ou híbrida – em especial o cotejo com o mandamento do art. 144, do CTN - subsunção ao caput ou parágrafo primeiro -. Nessa toada, em prol desse desiderato, inclusive no sentido de demonstrar a coerência entre o entendimento outrora expressado por este signatário e o que será explanado neste voto, é essencial trazer para apreciação da controvérsia, o contexto em que ocorreu a alteração legislativa culminando com a edição do art. 20-A da Lei nº 9.430, de 1996, e, à vista disso, demonstrar a sistemática vigente, relativa ao preço de transferência, à época do fato gerador fulcro da autuação. Anteriormente, o Sujeito Passivo apenas informava em DIPJ os valores dos ajustes segundo cada um dos métodos adotados no período. E, como documentação de suporte, deveria conservar as memórias de cálculo com a informação, por óbvio, do método por ele adotado, nos termos do art. 40, da Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Isto significa que se exigia que o Contribuinte escolhesse um método de apuração, contudo essa opção não era definitiva. Nessa conjuntura, a opção pelo método era materialmente evidenciada quando, durante o procedimento fiscal, o sujeito passivo era intimado a informar e demonstrar o método adotado para cálculo dos ajustes. Destarte, no curso da ação fiscal, a Autoridade Fiscal ao se deparar com a opção adotada pela Contribuinte para determinar o preço parâmetro, caso não concordasse, poderia Fl. 1982DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 21 desclassificá-la e efetuar uma nova apuração adotando um dos métodos previstos pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse cenário, a Fiscalização submetia-se aos disciplinamentos da Instrução Normativa (IN) SRF nº 243/2002, notadamente o preceituado no § único, do art. 40, o qual não previa a intimação do Sujeito Passivo para escolha de outro método ou que promovesse alguma alteração no critério de cálculo, conforme observa-se in verbis: Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos Auditores-Fiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I - a indicação do método por ela adotado; II - a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determiná-lo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa. (g.n.) Não obstante, discutia-se se a Autoridade Fiscal, ao desclassificar o método e promover uma nova apuração do preço de transferência, deveria, ao calcular o novo preço parâmetro, efetuar o cálculo abarcando todos os métodos previstos pela legislação, conforme a redação do § 4º, art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, ou se poderia efetuar com base no método possível levando em consideração a documentação apresentada pelos autos. A partir do ano-calendário de 2012, passou a ser obrigatória para o Contribuinte a opção por um dos métodos manifestada ao Fisco antes de início do procedimento fiscal e através da DIPJ. Nesse momento, é introduzido no ordenamento pátrio o art. 20-A, na Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 12.712/12, determinando que a sobredita opção se torna irretratável depois de iniciado o procedimento fiscal, nos termos do § 1º, do art. 7ª, do Decreto nº 70.235/726, salvo se a Autoridade Fiscal desqualificar o método adotado ou algum critério de cálculo, situação em que é obrigada a intimar o Sujeito Passivo para, no prazo de 30 dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. Nota-se que o multicitado preceptivo proporcionou uma equalização para a questão, ao predicar que, caso a Autoridade Fiscal entenda pela desclassificação do método do preço de transferência ou critério do cálculo, terá o dever de conceder oportunidade ao Contribuinte para que se manifeste a respeito da escolha de um novo método. 6 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Fl. 1983DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 22 Esclarecendo, observa-se que tal faculdade foi concedida para o Contribuinte, no decorrer da ação fiscal, em prol de se manifestar sobre a apuração do preço de transferência, atributo concernente ao aspecto material, atinente à apuração da base de cálculo do tributo, previsto no art. 142 do CTN7. Ademais, não podemos olvidar que, consoante o Codex Fiscal brasileiro, notadamente no que diz respeito ao lançamento, estabelece o caput do art. 144, abaixo transcrito, que se deve reportar à data da ocorrência do fato gerador, ainda que a lei vigente tenha sido posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Nessa trilha cognitiva, impende registrar que até este momento toda explanação circundou na seara do direito material envolvido, posto que todo discurso envolveu a hipótese de incidência da norma, e qual o direito a ser apreciado, se o vigente à época da ocorrência dos fatos jurídicos com repercussão tributária, ou o da época em que o lançamento constitutivo do crédito tributário for concretizado. E restou hialina a ilação pela irretroatividade em relação ao direito material. Prosseguindo, é salutar evidenciar outra norma de irretroatividade, contudo de caráter procedimental - § 1º, do art. 144, do CTN –, onde, em casos específicos, foram mitigados os efeitos retroativos da legislação: § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (g.n.) Em termos claros, a retroatividade é admitida quando a legislação instituir, independentemente: (1) novos critérios de apuração ou processos de fiscalização; (2) ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas; ou (3) outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios exceto para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Em suma, ao interpretarmos os disciplinamentos acima transcritos, resulta de forma clarividente a diferenciação de aplicação da retroatividade na legislação tributária pátria: a) no caput do art. 144, alusivo ao aspecto material, impõe-se a irretroatividade plena; e b) no § 1º, 7 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1984DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 23 do art. 144, pertinente ao aspecto procedimental, há primazia da irretroatividade, entretanto, mitigada em casos específicos. Reforça esta dedução a exceção estabelecida ao final do § 1º a respeito de responsabilidade tributária a terceiros, pois tutela precisamente a irretroatividade em face do direito material da norma, ao dizer que a sujeição passiva não pode retroagir, justamente em virtude de a lei não poder retroagir para incluir no polo passivo outras pessoas que não aquelas designadas à época do lançamento tributário, nos termos do art. 142, do CTN. Diante do exposto, nos atendo ao disposto no art. 20-A, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, é de clareza solar e não deixa margem a dúvidas hermenêuticas a sua natureza híbrida, tanto material quanto procedimental. Isto porque, ao analisá-lo detalhadamente, percebe-se que a primeira parte tem cunho material, cujo mandamento é destinado ao Contribuinte, informando-lhe que, a partir do ano-calendário de 2012 – marco temporal definido -, a opção por um dos métodos de preço de transferência não poderá mais ser alterada a começar do momento em que for iniciado o procedimento fiscal: A partir do ano-calendário de 2012, a opção por um dos métodos previstos nos arts. 18 e 19 será efetuada para o ano-calendário e não poderá ser alterada pela contribuinte uma vez iniciado o procedimento fiscal, (...) Já a segunda parte da multicitada norma tem natureza procedimental, pois positiva que a Autoridade Fiscal cumpra determinados procedimentos para a determinação da base de cálculo, caso desclassifique a opção do Sujeito Passivo manifestada na primeira parte: (...) salvo quando, em seu curso, o método ou algum de seus critérios de cálculo venha a ser desqualificado pela fiscalização, situação esta em que deverá ser intimado o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Neste ponto, importa sinalar que, apesar da natureza procedimental da segunda parte da norma, é indissociável a vinculação com a primeira parte, que estabelece expressamente um marco temporal para a sua vigência. Ou seja, ao introduzir a expressão "A partir do ano-calendário de 2012", o legislador não o fez de forma fortuita ou por mero formalismo. Indiscutivelmente, em razão de estar disciplinando uma norma de cunho material, diretamente repercutindo na apuração da base de cálculo, foi diligente em evitar a colisão com o caput do art. 144, do CTN, ao dizer expressamente que não retroage a fatos geradores anteriores a 2012, antes da edição da lei. A reboque, constitui-se em condição para o implemento da norma de natureza procedimental. Desse modo, para os procedimentos fiscais, cujo objeto resida em fatos geradores relacionados ao ano-calendário de 2012 e seguintes, caso o método optado pelo Sujeito Passivo – de que a alteração não é permitida após iniciada a ação fiscal (primeira parte) -, seja Fl. 1985DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 24 desqualificado pelo Fisco, deverá a Autoridade Fiscal intimar a pessoa jurídica a apresentar novo método. Nessa quadra, embora, em regra, seja indiscutível a possibilidade de aplicação da norma procedimental, de natureza processual, aos processos pendentes, ou seja, com efeitos retroativos, no caso em tela, obviamente há um marco temporal determinado, para que a norma procedimental tenha início. Em resumo, não há como impor a Fiscalização o dever de aplicar uma norma procedimental (intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação), se o novel tratamento legal, repiso de natureza material, direcionado para o Contribuinte, no sentido de que não mais poderia alterar o método do preço de transferência após o início da ação fiscal, surte efeitos apenas para fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário de 2012. No mais, importar registrar que o tema em questão já foi objeto de proposta de súmula não aprovada no Pleno de 2018, dada a jurisprudência consistente em favor do entendimento defendido pela PGFN. Os acórdãos que sustentaram a proposta estão assim ementados: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ARTIGO 20-A DA LEI Nº 9.430/1996. O artigo 20-A, da Lei nº 9.430/1996, determina expressamente que sua aplicação deve ocorrer para fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário de 2012. Afastar esta previsão sob o argumento de que tal lei teria violado o CTN implica análise de questão constitucional, análise esta cuja competência não detém este Conselho, conforme artigo 26-A do Decreto nº 70.235/1972 e Súmula CARF nº 2. (Acórdãos nº 1201-001.614, de 23 de março de 2017; e 1201-001.652, de 12 de abril de 2017) PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ART. 20-A DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Embora a segunda parte do art. 20-A da Lei n° 9.430, de 1996, estabeleça procedimento que deverá ser aplicado pela fiscalização, o que, em tese, atrairia a aplicação do §1º do art. 144 do CTN, aquele artigo fixou como data inicial fatos geradores a partir do ano-calendário 2012. Não há falar-se em afronta de lei ordinária ao CTN, porquanto, se a lei ordinária pode estabelecer novos procedimentos de igual forma pode estabelecer a data de sua implementação. (Acórdão nº 1201-003.196, de 15 de outubro de 2019) DOCUMENTO VALIDADO PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Inaplicável ao caso o art. 20 A da Lei nº 9.430/96 eis que, pelo texto legal, o dispositivo Fl. 1986DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 25 abranger apenas fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário de 2012. (Acórdãos nº 1402-002.760, de 20 de outubro de 2017, e 1402-002.816, de 24 de janeiro de 2018) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ART. 20-A DA LEI Nº 9.430, DE 1996. NATUREZA HÍBRIDA. NATUREZA MATERIAL E PROCEDIMENTAL. NORMA PROCEDIMENTAL. VIGÊNCIA. MARCO INICIAL ESTABELECIDO POR NORMA MATERIAL. ART. 144 DO CTN. I – O art. 20-A da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, consiste em norma tem natureza híbrida, tanto de natureza material quanto procedimental. As providências de natureza processual imputadas à autoridade fiscal no caso de desqualificação do método de preço de transferência adotado pela pessoa jurídica encontram termo inicial expressamente determinado, sendo exigidas apenas sobre ações fiscais relativas ao ano-calendário de 2012 e posteriores. Ainda que normas procedimentais, em tese, possam se aplicar a processos pendentes com efeitos retroativos, no caso há correlação indissociável com norma material que determina marco temporal inicial para que o rito procedimental deva ser aplicado, evitando-se colisão com o caput art. 144 do CTN, que predica que o lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente. Não cabe aplicação do § 1º do art. 144 do CTN, vez que o art. 20-A da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, tutela também de norma de natureza material. II – Caso de ação fiscal iniciada em 2014 relativa a ano-calendário de 2011. Não há como se imputar à fiscalização a aplicação de norma procedimental (intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação), se consta expressamente que o termo inicial da norma que trata impossibilidade de se alterar o método do preço de transferência após o início da ação fiscal tem vigência apenas para fatos geradores a partir do ano-calendário de 2012. Lei vigente à época da concretização do fato gerador de 2011, nos termos do art. 144 do CTN, não determinava aplicação de norma procedimental. (Acórdão nº 9101-003.910, sessão de 4 de dezembro de 2018) Em que pese a não conversão em súmula, a jurisprudência administrativa prevalente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF mantém-se sólida, conforme ementa abaixo transcrita espelhada em vários acórdãos: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ART. 20-A DA LEI Nº 9.430, DE 1996. NATUREZA HÍBRIDA. NATUREZA MATERIAL E PROCEDIMENTAL. NORMA PROCEDIMENTAL. VIGÊNCIA. MARCO INICIAL ESTABELECIDO POR NORMA MATERIAL. ART. 144 DO CTN. I – O art. 20-A da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, consiste em norma tem natureza híbrida, tanto de natureza material quanto procedimental. As providências de natureza processual imputadas à autoridade Fl. 1987DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 26 fiscal no caso de desqualificação do método de preço de transferência adotado pela pessoa jurídica encontram termo inicial expressamente determinado, sendo exigidas apenas sobre ações fiscais relativas ao ano-calendário de 2012 e posteriores. Ainda que normas procedimentais, em tese, possam se aplicar a processos pendentes com efeitos retroativos, no caso há correlação indissociável com norma material que determina marco temporal inicial para que o rito procedimental deva ser aplicado, evitando-se colisão com o caput art. 144 do CTN, que predica que o lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente. Não cabe aplicação do § 1º do art. 144 do CTN, vez que o art. 20-A da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012, tutela também de norma de natureza material. II – Caso de ação fiscal iniciada em 2014 relativa a ano-calendário de 2011. Não há como se imputar à fiscalização a aplicação de norma procedimental (intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 dias, apresentar novo cálculo de acordo com qualquer outro método previsto na legislação), se consta expressamente que o termo inicial da norma que trata impossibilidade de se alterar o método do preço de transferência após o início da ação fiscal tem vigência apenas para fatos geradores a partir do ano-calendário de 2012. Lei vigente à época da concretização do fato gerador de 2011, nos termos do art. 144 do CTN, não determinava aplicação de norma procedimental. (Acórdão nº 9101-004.757, sessão de 05/02/2020; Acórdão nº 9101-005.800, sessão de 05/10/2021; e Acórdão nº 9101-007.055, sessão de 09/07/2024) Na espécie, embora, com a máxima vênia, divirja do Aresto atacado quando afirma que a multicitada norma tem natureza apenas procedimental e que só se aplica no caso de desqualificação do método, posto que, conforme explanamos, trata-se de preceptivo de cunho híbrido e enquadra-se no preceito em questão as situações de desconsideração dos cálculos pela Fiscalização, como se verificou no caso em tela, conforme evidenciamos, o período de apuração (ano-calendário) objeto da autuação é o de 2011, por conseguinte, não cabe a aplicação da norma em discussão. Por tudo exposto, pugno em prol de que seja rejeitada a preliminar de nulidade suscitada. 4 DO MÉRITO 4.1 DOS FATOS Em apertada síntese, a Autoridade Fiscal, ao executar procedimento de fiscalização com fulcro nas compras de mercadorias importadas da ASTRAZENECA, realizadas no ano- Fl. 1988DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 27 calendário de 2011, com pessoas físicas/jurídicas vinculadas ou residentes em países de tributação favorecida, sujeitos, por conseguinte, ao controle de preços de transferência, divergiu dos ajustes informados pela Recorrente na DIPJ 2012, com base nos seguintes fundamentos: a) Não aplicação da metodologia PRL60 descrita na IN SRF nº 243/2002 para importação de insumos utilizados em processos produtivos; b) Não consideração dos valores de descontos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins nos cálculos dos preços parâmetros, conforme determinado no inciso II, do art 12, da IN SRF nº 243/02; e c) Não inclusão dos valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do preço praticado (cálculo "CIF"), sob o fundamento do artigo 4º, §4°, da IN SRF 243/2002. Diante do sobredito, efetivou ajustes em relação a 13 produtos importados, cujos preços praticados foram superiores aos preços parâmetros em mais de 5%, em respeito ao art. 38, da IN SRF 243/02, impactando nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e culminando nos lançamentos de ofício ora combatidos. Após a impugnação da Interessada, a DRJ confirmou integralmente a autuação, levando a Contribuinte a interpor Recurso Voluntário, às fls. 1.059/1.107. No que pertine ao mérito da autuação, controverte, citando doutrina e jurisprudência, baseado em idênticos argumentos trazidos na fase impugnatória, salvo o multicitado pleito inovador, notadamente: a) Da apuração do PRL 60: i. Como pleito principal, defende a legalidade da fórmula prevista na Lei nº 9.430/96 e a ilegalidade da preceituada pela IN SRF nº 243/02, sem olvidar que o cálculo com base nesta norma infralegal gera uma série de problemas e discrepâncias de impossível solução; e ii. Subsidiariamente, caso prevaleça a legalidade da fórmula prevista na IN SRF nº 243/02, requer que seja reconhecida a possibilidade de convivência da metodologia da IN SRF nº 243 com a prevista na Lei nº 9.430/96, sem afastá- la, pois o entendimento que empregou também configura uma das interpretações possíveis da Lei; ou, alternativamente, seja adotada a margem de lucro de 20% introduzida pela Lei nº 12.715, de 2012. b) Do indevido desconto do PIS/COFINS na apuração do preço parâmetro: i. Em virtude de estar sujeita ao regime especial de crédito presumido de PIS e COFINS, previsto no art. 3º, da Lei nº 10.147/2000 – inclusive reconhecido pelo Ato Declaratório Executivo COSAR n° 44, de 25 de junho de 2001, emitido pela RFB -, de modo que jamais poderia ser aceito tal desconto na apuração do preço parâmetro de tributos com os quais a Recorrente não Fl. 1989DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 28 incorreu e que não foi incluído no cálculo do preço praticado com o consumidor final; ii. Ademais, a condição primordial para concessão do regime especial de crédito presumido é o repasse do benefício aos preços praticados. Ou seja, nenhum valor de PIS e COFINS deve ser incluído no preço do medicamento pela farmacêutica; iii. (...) O legislador deixou claro que deverão ser diminuídos da apuração do preço parâmetro os impostos e contribuições que recaiam de fato sobre o produto, isto é, os tributos com os quais o importador, ao comercializá-lo no mercado interno, irá efetivamente incorrer, tendo um verdadeiro desembolso e ingresso dos respectivos valores nos cofres públicos. O legislador prevê a diminuição de algo que está afetando economicamente o preço. Não pode ser suprimido do preço algo que nele não está inserido. O benefício concedido por lei aos produtos da Lista Positiva não é um benefício da indústria; é um benefício ao consumidor do medicamento e por tal razão o repasse ao preço é condição para sua utilização; e iv. Subsidiariamente, caso mantida a exclusão do PIS e da COFINS na apuração do preço líquido para o cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, requereu que seja excluído o ICMS da base de cálculo das sinaladas contribuições, em respeito ao Tema 69 do STF. c) Da ilegitimidade de adoção do preço CIF para cálculo do preço praticado: i. Tratou-se de equívoco do Fisco, a inclusão dos valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do preço praticado (cálculo "CIF"), pois (...) a melhor interpretação do § 6o do art. 18 da Lei 9.430 é aquela que entende que não foi a intenção do legislador incluir o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação no cálculo dos preços de transferência, mas tão-somente integrá-los ao custo para efeito de dedutibilidade para fins de cálculo do lucro real; e d) Da impossibilidade de aplicação de penalidades no caso concreto e, sucessivamente, da ilegalidade da incidência de juros SELJC sobre a parcela da multa: i. Assevera que, (...) na remota hipótese deste colegiado prestigiar o teor da IN SRF nº 243 em detrimento da Lei, por entender que esta regulamentação possui o mérito de aperfeiçoá-la, mantendo, assim, os ajustes às bases cálculo do IRPJ e da CSLL, não se pode negar que a Recorrente pautou sua conduta confiando legitimamente na força normativa da lei em sentido formal, por conseguinte, a espécie se subsome ao disposto no § único, do Fl. 1990DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 29 art. 100, do CTN, devendo ser desonerada da cobrança das multas e dos juros; (g.n.) e ii. Subsidiariamente, caso se mantenham as multas, devem ser expurgados os juros sobre estas, dada a ilegalidade da incidência de juros SELJC sobre a parcela das multas. Resumidos os fatos que envolveram a autuação e os pleitos da Recorrente, em seguida apreciaremos o caso concreto alicerçados nos entendimentos jurídicos, doutrinários e jurisprudenciais, que envolvem os temas devolvidos a esta esfera recursal. 4.2 DA LEGALIDADE DA APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO PELO MÉTODO PRL60, NOS TERMOS DA FÓRMULA PREVISTA NA IN SRF Nº 243/2002 E DOS PLEITOS SUBSIDIÁRIOS Quanto ao tema à epígrafe, a Recorrente não se insurge materialmente em relação ao cálculo do ajuste de preços de transferência, mas basicamente no que diz respeito à ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em especial que as instruções contidas no § 11, do art. 12, afrontariam o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, nomeadamente em relação à participação dos itens importados no produto acabado para fins de aplicação do PRL60. Trata-se de matéria superada na esfera administrativa a partir da edição da Súmula CARF nº 115 - verbete de observância obrigatória pelos Conselheiros deste Tribunal -, com a seguinte redação: Súmula CARF nº 115 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 03/09/2018 A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Suplantada a questão de ilegalidade e a reboque de todos os argumentos que ladeiam carreados na peça recursal, subsidiariamente, a Recorrente asseverou que, caso se reconhecesse a legalidade da sistemática do PRL60, nos termos da IN SRF nº 243/2002, fosse admitida a convivência desta metodologia com a prevista no art. 18, da Lei nº 9.430/96, sem afastá-la, em razão do entendimento que empregou também consistir em uma das interpretações possíveis da Lei. Alternativamente, pleiteou a adoção da margem de lucro de 20%, Lei nº 12.715, de 2012, em substituição ao método PRL60, sob o argumento de que a técnica da proporcionalização, prevista na apontada norma infralegal, transforma a venda de um produto Fl. 1991DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 30 acabado em várias revendas, por conseguinte, deveria se utilizar a margem de 20% aplicável às revendas. No que tange ao requerimento da ASTRAZENECA para que seja admitida a convivência da sistemática de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL 60, positivada na sinalada norma infralegal, com a metodologia exarada pela lei, sem afastá-la, conforme muito bem discorrido pela decisão atacada, não há como acatar, visto que a IN SRF nº 243/2002 não traz um método alternativo em relação ao disposto na Lei nº 9.430, de 1996, como quer fazer crer a Recorrente, mas sim a única e escorreita interpretação do texto legal veiculada por ato normativo expedido pela RFB. Por derradeiro, em relação ao pedido para que se adote a margem de lucro de 20%, nos termos do art. 48, da Lei nº 12.715, de 2012, igualmente não pode ser deferido, visto que tal requerimento envolve a apuração do preço de transferência, atributo relativo ao aspecto material, atinente à apuração da base de cálculo do tributo, previsto no art. 142 do CTN. Assim, considerando que o objeto de autuação envolve apenas o ano-calendário de 2011, a suscitada norma não era vigente, portanto, inaplicável, em respeito ao disposto no caput do art. 144, do CTN. Pelo exposto, nego provimento a este tópico do Recurso Voluntário. 4.3 DO DESCONTO DO PIS E DA COFINS NA APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO PELO MÉTODO PRL60 Na espécie, uma das razões que fundamentaram os ajustes efetivados pelo Fisco no preço parâmetro apurado pela Recorrente na DIPJ 2012 foi calcada na ausência de desconto dos valores das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS nos cálculos, em descumprimento ao determinado no inciso II, do art 12, da IN SRF nº 243/028. A decisão de piso manteve integralmente a autuação. Indignada, em sede recursal, a Recorrente argumentou que o desconto de PIS/COFINS no cálculo do preço-parâmetro é indevido porque, por estar submetida ao regime especial de crédito presumido dessas contribuições, previsto na Lei nº 10.147/2000,: a) não arcaria com tais contribuições, tampouco as inclui no preço final ao consumidor; b) o benefício deve ser integralmente repassado ao preço, de modo que não há PIS/COFINS a ser abatido; e c) a legislação somente autoriza deduzir do preço 8 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: (...) II - dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; Fl. 1992DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 31 parâmetro tributos que efetivamente onerem o produto, não podendo ser excluído algo que não compõe o preço, sobretudo porque o benefício fiscal visa ao consumidor, e não à indústria. Subsidiariamente, caso mantida a exclusão do PIS e da COFINS na apuração do preço líquido para o cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, requereu que seja excluído o ICMS da base de cálculo das sinaladas contribuições, em respeito ao Tema 69 do STF. Entendo que não assiste razão à Recorrente no tocante ao pleito principal, diferente do subsidiário, cuja legitimidade é de rigor. A saber. Inicialmente, para apreciarmos o questionamento principal deste tópico, é essencial distinguirmos os institutos da incidência tributária e do pagamento ou compensação do tributo – a Recorrente na peça recursal repetidamente alega que o impacto fiscal é nulo dada a inexistência de contribuições a pagar/recolher em razão do crédito presumido em questão -, bem como à correta qualificação jurídica do crédito presumido de PIS e COFINS previsto na Lei nº 10.147/2000, especialmente quanto à sua relação com um desses momentos da dinâmica tributária. A adequada compreensão da controvérsia exige, no primeiro momento, a delimitação conceitual dos institutos envolvidos. A incidência tributária ocorre quando o fato concreto se amolda à hipótese prevista em lei, dando ensejo ao chamado fato gerador, nos termos do art. 114, do CTN9. Nesse momento, opera-se a subsunção normativa, de natureza eminentemente jurídica, da qual resulta o nascimento da obrigação tributária. Por sua vez, o pagamento ou a compensação do tributo constituem forma de extinção do crédito tributário, conforme disposto no art. 156, I e II, do CTN10. Trata-se de atos de natureza material, por meio do qual o sujeito passivo satisfaz a obrigação previamente constituída. Dessa forma, evidencia-se que tais institutos se situam em momentos distintos da relação jurídico-tributária: a) a incidência dá origem à obrigação; e b) o pagamento ou a compensação promovem sua extinção. Feita essa distinção, passa-se à análise da natureza jurídica do crédito presumido de PIS e COFINS instituído pela Lei nº 10.147/2000. O referido crédito presumido configura-se como um benefício fiscal, inserido na sistemática de apuração das contribuições, destinado a reduzir o MONTANTE DEVIDO pelo contribuinte. Trata-se, portanto, de mecanismo que atua na 9 Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. 10 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; II - a compensação; Fl. 1993DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 32 dimensão quantitativa da obrigação tributária, afetando o quantum debeatur, e não sua existência. Com efeito, o crédito presumido não interfere na hipótese de incidência, uma vez que o fato gerador das contribuições ocorre normalmente, tampouco impede o nascimento da obrigação tributária, pois atua em momento posterior, na fase de apuração e compensação, reduzindo o valor a ser recolhido. Assim, sua natureza jurídica é INCOMPATÍVEL COM QUALQUER IMPACTO SOBRE A INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, inserindo-se claramente no âmbito do PAGAMENTO, COMPENSAÇÃO OU DA APURAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. Prosseguindo, nos atendo especificamente ao cerne da contenda – a exigência de desconto dos valores do PIS e da COFINS para apuração do preço parâmetro pelo método PRL60, nos termos do inciso II, do art 12, da IN SRF nº 243/02 -, no PAF nº 16561.720174/2012-19, cujo voto vencedor do Acórdão nº 1301-002.015, sessão de 04 de maio de 2016, coube ao ilustre Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas, o presente tema foi tratado como maestria e envolve os mesmos: contribuinte, objeto e argumentos, diferindo apenas quanto ao ano-calendário, portanto, sem qualquer pretensão de inovar, adoto os seus fundamentos com nossos grifos: Aqui, em síntese, alega a Recorrente que, no caso, não houve recolhimentos do PIS e da COFINS nos produtos importados que especifica, por força do regime especial de crédito presumido previsto na Lei nr. 10.147/2000, não sendo devido, portanto, o desconto da apuração do preço parâmetro de um tributo com o qual não incorreu e que não foi incluído no cálculo do preço praticado com o consumidor final. Alega que a própria Instrução Normativa editada pela Receita Federal destaca que, no cálculo do preço parâmetro, devem ser diminuídos do preço de revenda dos bens somente os "impostos e contribuições incidentes sobre as vendas", assim entendidos apenas aqueles "integrantes do preço". E, no caso, em face da Lei n° 10.147/2000, fica claro que tais contribuições não integram os preços dos medicamentos. Portanto, não deveriam ter sido subtraídos, no cálculo fiscal do preço parâmetro, os valores indevidamente arbitrados pelo fisco, relativos ao PIS e à COFINS. Os argumentos da recorrente, contudo, não merecem prosperar. Dispõe a Lei nº 9.430/96, no seu art. 18, na redação vigente à época dos fatos, com relação ao método PRL: Art. 18. (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (...) b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; Fl. 1994DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 33 Nesta conformidade, também a IN SRF nº 243/02 assim dispunha a respeito: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: (...) II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; (...) § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: (...) II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; A Lei n° 10.147/2000, por sua vez, em nenhum momento definiu a não incidência de PIS e de COFINS nas operações de venda efetuadas pela recorrente, ao contrário, expressamente definiu a incidência dessas contribuições sobre as vendas, confira se: “Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento);” O fato de a mesma lei prever, no seu art. 3º, a possibilidade de apuração de um crédito presumido de PIS e de COFINS, mesmo que tenha tido a intenção de "assegurar a repercussão nos preços da redução da carga tributária em virtude do disposto neste artigo" conforme estatuído no caput do próprio art. 3º, não possui o condão de caracterizar como "não incidente" o PIS e a COFINS sobre as suas vendas, conforme quer a recorrente. Fl. 1995DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 34 A mera circunstância de, eventualmente, inexistirem valores a pagar de PIS ou COFINS, seja por força dos citados créditos presumidos, seja por força destes em conjunto com quaisquer outros créditos afetos a essas contribuições, não confere ao argumento de "incidência econômica", apresentado pela recorrente, qualquer embasamento, tendo-se em conta os textos da lei e da sua regulamentação normativa, conforme transcrições acima feitas. Não apenas o PIS e a COFINS, mas também o ICMS possui, na sua legislação de regência, a previsão de créditos, diretos ou mesmo presumidos. Contudo, nunca houve qualquer confusão entre o conceito de ICMS (incidente) sobre as vendas e ICMS a pagar, que é sempre inferior ao valor do ICMS sobre as vendas, justamente em razão dos citados créditos. O conceito de "incidência", portanto, está vinculado tão somente à aplicação de uma alíquota sobre o valor da receita de vendas. E a incidência do PIS e da COFINS, nos termos do artigo 1º da Lei nº 10.147/2000, se dá mediante a aplicação, respectivamente, das alíquotas de 2,1% e 9,9%, conforme consta, inclusive, no DACON Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais. (...) Portanto, corretos os cálculos do fisco, neste aspecto. A versada cognição também encontra albergue no voto condutor do Acórdão nº 1201-002.628, da lavra do digníssimo Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, do qual merecem destaque os seguintes excertos: Da inclusão (dedução) dos valores de PIS e COFINS para fins de preço parâmetro Nos ajustes decorrentes dos métodos PLR20 e PRL60, a fiscalização esclarece que incluiu os valores de PIS e COFINS para fins de cálculo do preço parâmetro, nos seguintes termos: (...) Com efeito, entendo que a decisão recorrida bem apresentou os fundamentos para a solução da controvérsia. De fato, o direito ao regime especial de crédito presumido de PIS e COFINS não exime a pessoa jurídica do recolhimento dessas contribuições. Confere, na verdade, a possibilidade de abatimento dos valores devidos das contribuições, tendo como contrapartida o ônus de reduzir os preços dos medicamentos proporcionalmente à diminuição do impacto tributário. No método PRL, uma das parcelas a ser deduzida da média aritmética dos preços de revenda para a obtenção do preço parâmetro são os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, dentre eles, o PIS e a COFINS. O artigo 3º da Lei nº 10.147/2000, na verdade, confere benefício de deduzir, exclusivamente do valor apurado de PIS e COFINS, determinado crédito Fl. 1996DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 35 presumido, mas daí a estender tal benefício às regras de preços de transferência entendo existir uma enorme distância. Nesse sentido, aliás, já se manifestou o CARF em decisão unânime que restou assim ementada: REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes ao PIS e à COFINS da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido, estabelecido pela Lei n° 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos. (Acórdão n. 1402002.131. Sessão de 02 de março de 2016). Trago, ainda, excertos de outro julgado (Acórdão n. 1301-002.015: Sessão de 04 de maio de 2016): (acima transcrito) Nessa linha de raciocínio, entendo que, para fins de determinação do preço parâmetro, agiu corretamente a autoridade fiscal ao deduzir dos preços de venda de cada um dos medicamentos importados os valores incidentes de PIS e COFINS, ainda que a Recorrente tenha se valido do regime especial de crédito presumido da Lei n° 10.147/2000. (g.n.) Em suma, do exposto, restou inconteste que, no método PRL60, uma das parcelas a ser deduzida da média aritmética dos preços de revenda para a obtenção do preço parâmetro são os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas no mercado interno, entre eles, o PIS e a COFINS. Dito de outra forma, uma vez nascida a obrigação tributária do PIS e da COFINS – quer dizer, verificada a incidência -, para qualquer pessoa jurídica envolvida em transação comercial internacional, é indiferente os eventos que ocorrerão posteriormente atinentes à relação jurídico-tributária, incluso neste espectro a adesão das farmacêuticas ao regime especial de crédito presumido da Lei nº 10.147/2000. Melhor esclarecendo, ao aderir a tal regime especial, repiso a empresa apenas passa a ter o direito de deduzir um crédito presumido do MONTANTE DEVIDO, entretanto, permanece íntegra a incidência das multicitadas contribuições. Esta ilação é clarividente ao interpretarmos os dispositivos da norma citada pela Defesa. Isto porque, consoante o disposto no art. 1º, resta expressa a determinação da incidência dessas contribuições sobre as vendas, calculadas mediante a aplicação das alíquotas de 2,1 % para o PIS e de 9,9% para a COFINS, inclusive, na espécie, conforme consta na DACON - arquivo não paginável -, às fls. 59. De outro giro, o benefício, previsto no seu artigo 3º, consiste, simplesmente, no direito do contribuinte, enquadrado nesse regime especial, de deduzir, do montante devido a Fl. 1997DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 36 título de PIS e COFINS, um crédito presumido – previsto no § 1º, inciso II -, recolhendo/pagando, menos aos cofres públicos, acarretando, assim, a mencionada redução da carga tributária. Destarte, com todas as vênias, diametralmente oposto ao que pensa a Recorrente, esse benefício NÃO POSSUI o condão de caracterizar como "não incidente" o PIS e a COFINS sobre as suas vendas, tampouco é capaz de provocar qualquer repercussão na apuração dos preços de transferência, que se prestam a outra finalidade, ou seja, a de verificar se os preços pelos quais a contribuinte importou (como no caso em tela) ou exportou produtos de/para empresas a ela vinculadas divergem do preço de mercado negociado por empresas independentes, em condições análogas. Diante dessa incidência, é imperioso deduzir essas contribuições da média aritmética ponderada dos preços de venda para a obtenção do preço-parâmetro, nos termos do já mencionado art. 18, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430/96 (com a redação vigente à época dos fatos), c/c o disposto no inciso II, do art. 12, da IN SRF nº 243/02. Nessa trilha intelectiva, é seguro afirmar que deixar de deduzir o PIS e a COFINS na apuração dos preços-parâmetro implicaria em uma diminuição do ajuste a título de preços de transferência, equivalente a uma exclusão do crédito tributário, configurando uma interpretação extensiva desse benefício, em evidente violação ao disposto no art. 111, do CTN11. Em linguagem mais simples, trata-se de tema que o Codex Fiscal impõe a interpretação gramatical para resolução. Arrematando, em benefício de sedimentar as considerações feitas no presente voto, traz-se à colação o entendimento expresso nas seguintes ementas extraídas de acórdãos desse Egrégio Conselho Administrativo - cujas decisões, prolatadas por diferentes composições de colegiados, se concretizaram por unanimidade ou esmagadora maioria - que corroboram com o explanado: REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes ao PIS e à COFINS da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido, estabelecido pela Lei n° 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos. (Acórdão nº 1402-002.131 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 2 de março de 2016) MÉTODO PRL 60. IMPOSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DE VENDAS RELATIVAS A AQUISIÇÕES DO ANO ANTERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO DA INCLUSÃO DE VENDAS 11 Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 1998DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 37 A CONTROLADAS NA APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO. DEDUÇÃO DO PIS/COFINS NA APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO Não encontra respaldo legal o pleito da recorrente para exclusão dos valores das vendas relativas aos produtos fabricados com insumos adquiridos no ano anterior, bem assim, dos saldos iniciais dos insumos no cálculo dos ajustes. A não comprovação da inclusão de vendas a controladas na apuração do preço parâmetro, nos termos do § 3º, do art. 18 da Lei nº 9.430/96, valida o cálculo efetuado pela fiscalização. As pessoas jurídicas industriais e importadoras submetidas ao regime especial previsto na Lei nº 10.147/00 são contribuintes das contribuições para a COFINS e PIS, portanto, os valores dessas contribuições devem ser excluídos dos preços de venda na apuração do preço parâmetro. (g.n.) (Acórdão nº 1301-002.185 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 25 de janeiro de 2017) IMPORTAÇÃO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL. REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS/PASEP. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes à contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.147, de 2000, ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos. (Acórdão nº 1402-003. 472 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 16 de outubro de 2018) In terminis, em respeito aos princípios que devem prevalecer nas jurisprudências dos Tribunais, sobretudo da segurança jurídica, preconizados nos arts. 926 e 927, § 4º, do CPC/1512, e em prol de tonificar nosso entendimento, é salutar sinalar a constatação, após exaustivas pesquisas, que o presente tema foi objeto de Recursos Especiais de Divergência impetrados por diferentes Recorrentes, em todos os processos relacionados aos acórdãos investigados. Não obstante, a Câmara Superior de Recursos Especiais NÃO teve a oportunidade de reapreciá-los, pois SEQUER FORAM ADMITIDOS, destaco tanto em juízo prévio quanto em 12 Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente. § 1º Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante. § 2º Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem ater-se às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação. Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: (...) § 4º A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. Fl. 1999DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 38 sede de agravo - exercícios em que se concretizaram as citadas inadmissibilidades: 1402-002.131 (2016), 1301-002.015 (2017), 1201-002.628 (2019), 1402-002.296 (2021) e 1402-003.472 (2021) -. Desse exame, é manifesta a ilação que não houve dissenso jurisprudencial entre as turmas ordinárias da Primeira Seção, por conseguinte, trata-se de JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE deste Tribunal, consoante racional educto do Codex Processual Civil. Supletivamente, evidencio que, nestes autos, a ASTRAZENECA, apesar das várias oportunidades (fases: inquisitorial e contenciosas) de expor sua posição quanto ao tema, NÃO carreou aos autos uma única jurisprudência – administrativa ou judicial – que corroborasse com a sua tese – inclusa a petição, repisando todos os pleitos, atravessada no dia 26/05/2026, e diversos memoriais apresentados -. Já no que toca ao pleito subsidiário, reputo legítimo. Vejamos. Ab initio, impende acentuar que a questão encontra respaldo em decisão do STF, no julgamento do RE nº 574.706/PR, sob a sistemática da repercussão geral (Tema 69), na qual restou assentada a seguinte tese de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, nos termos do art. 99, do RICARF: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS". O eminente Tribunal, quando da modulação dos efeitos do suscitado Tema, apenas permitiu a exclusão e a eventual restituição de valores pagos indevidamente a título de PIS/COFINS com base no ICMS para os contribuintes que houvessem questionado a matéria judicial ou administrativamente até o dia 15/03/2017. No caso em apreço, a Recorrente comprovou estar amparada por tal restrição em virtude do trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 0025382-34.2008.4.01.3400 (certidão de objeto e pé, às fls. 1.129/1.154), quer dizer, protocolado antes do marco temporal fixado pelo STF. Dessa forma, é inquestionável que detém direito subjetivo individualizado, com força de coisa julgada material, de excluir o ICMS da base do PIS e da COFINS, visto que a existência dessa decisão judicial definitiva constitui fato jurídico imutável que vincula a Administração Tributária Federal. Nesse contexto, não se trata de mera aplicação de jurisprudência abstrata, mas de obediência à coisa julgada material entre as partes. Uma vez que o Poder Judiciário declarou, de forma definitiva, que a ASTRAZENECA tem o direito de não incluir o ICMS na base do PIS e da COFINS para o período em questão, tal diretriz deve repercutir imediatamente no cálculo do Preço de Transferência (Método PRL). Conforme exaurimos, no cálculo do PRL, a legislação determina a dedução dos "impostos e contribuições incidentes sobre as vendas" para se chegar ao Preço Líquido de Venda, elemento essencial para o cálculo do preço-parâmetro pelo método PRL, nos termos do art. 12, II, da IN RFB nº 243/2002, vigente à época dos fatos. Fl. 2000DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 39 Então, se por força de decisão judicial, o valor de PIS/COFINS incidente sobre as vendas é menor (pois sua base de cálculo é menor, sem o ICMS), consequentemente temos que a dedução será menor e o Preço Líquido de Venda será maior, o que eleva o Preço Parâmetro e, por fim, tem potencial para reduzir ou eliminar o ajuste de preços de transferência apurado pela fiscalização. Pensar diferente consistiria em ignorar a coisa julgada e implicaria em manter uma exigência fiscal (ajuste de IRPJ/CSLL) fundamentada em uma premissa (valor de PIS/COFINS "cheio") que o Judiciário já declarou indevida para esta Recorrente. Diante do discorrido, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário neste tema, para manter a dedução dos valores das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, incidentes sobre as vendas, do preço bruto de revenda para apuração do preço líquido em prol do cálculo do preço-parâmetro pelo método PRL60, entretanto, deve ser excluído o ICMS dos correlatos valores apurados dessas Contribuições, ainda que a Recorrente tenha se valido do regime especial de crédito presumido da Lei nº 10.147/2000. 4.4 DA INCLUSÃO DOS VALORES DE FRETE, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO NA DETERMINAÇÃO DO PREÇO PRATICADO (CÁLCULO “CIF”) Por derradeiro, a Recorrente aduziu que a Fiscalização incorreu em equívoco ao efetuar a inclusão dos valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do preço praticado (cálculo "CIF"), sob o fundamento do artigo 4º, §4°, da IN 243/2002. Contrapondo, asseverou que (...) a melhor interpretação do § 6o do art. 18 da Lei 9.430 é aquela que entende que não foi a intenção do legislador incluir o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação no cálculo dos preços de transferência, mas tão-somente integrá-los ao custo para efeito de dedutibilidade para fins de cálculo do lucro real. Em síntese, a questão que aqui se coloca é se o preço praticado sujeito a controle de preços de transferência é o preço CIF ou FOB. Admito que a matéria, ao longo dos últimos anos, suscitou intensos debates neste Tribunal em ambas as Câmaras, contudo, ao final, o entendimento que se firmou é no sentido de que, no âmbito dos Preços de Transferência, o “preço praticado” deve contemplar todos os custos inerentes à internalização da mercadoria. Nesse racional, em prol de consolidar o entendimento e conferir maior previsibilidade às decisões administrativas, este Conselho instituiu a Súmula nº 229, cuja redação aborda precisamente a controvérsia analisada: SÚMULA CARF Nº 229 Fl. 2001DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 40 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em sessão de 05/09/2025 – vigência em 16/09/2025 O valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação devem ser incluídos no preço praticado para fins de comparação com o preço parâmetro determinado segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro - PRL, apurado conforme a Instrução Normativa SRF nº 243/2002, até a entrada em vigor do art. 38 da Medida Provisória nº 563/2012, convertida na Lei nº 12.715/2012, que deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 9.430/1996. As razões que motivaram a edição da súmula decorrem do entendimento de que, se os custos acessórios e os tributos incidentes na importação fossem desconsiderados, o custo de aquisição da Recorrente seria artificialmente reduzido. Tal redução comprometeria a comparabilidade com o preço-parâmetro, em afronta ao Princípio do Arm’s Length, que impõe a análise integral da operação sob sua perspectiva econômica. Por força normativa, o enunciado sumulado ostenta natureza vinculante e deve ser obrigatoriamente observado por esta relatoria, conforme prevê o inciso II e § 13, do art. 25 do Decreto nº 70.235/197213, c/c o § 4º do art. 123 do RICARF14. À luz dessas premissas, rejeito o argumento apresentado pela Recorrente. 4.5 DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE PENALIDADES NO CASO CONCRETO E, SUCESSIVAMENTE, DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE A PARCELA DA MULTA Em caráter subsidiário, a Recorrente pleiteia que seja desonerada da multa de ofício e dos juros de mora, nos termos do § único, do art. 100, do CTN15, visto que sua conduta foi 13 Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) (...) II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 13. Os órgãos julgadores referidos nos incisos I e II do caput deste artigo observarão as súmulas de jurisprudência publicadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) 14 Art. 123. A jurisprudência assentada pelo CARF será compendiada em Súmula de Jurisprudência do CARF. (...) § 4º As Súmula de Jurisprudência do CARF deverão ser observadas nas decisões dos órgãos julgadores referidos nos incisos I e II do caput do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 2002DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 41 pautada confiando legitimamente na força normativa da lei em sentido formal. Entretanto, caso se mantenham as multas, devem ser expurgados os juros sobre estas, dada a ilegalidade da incidência de juros SELJC sobre a parcela das multas. Em que pese os argumentos bem estruturados apresentados pela Recorrente, na espécie, carecem de base legal para afastar a penalidade e os juros de mora à luz do preceptivo invocado. Isto porque a Lei nº 9.430/96 não é norma complementar segundo o art. 100 do CTN, e, portanto, não pode ser usada para excluir penalidades pelo seu descumprimento. Também não procede a alegação de que seguiu orientação de ato revogado, pois, à época dos ajustes, a norma vigente era a IN SRF nº 243/2002, de cumprimento obrigatório. Divergências interpretativas não afastam multas, já que somente atos normativos vinculantes oferecem essa proteção, o que não se aplica ao caso. De outro giro, ad argumentandum tantum, pleiteia um benefício que o legislador concedeu para aqueles Sujeitos Passivos que observam as normas complementares, quando, em verdade, NÃO OBSERVOU um ato normativo expedido pela Autoridade Administrativa – IN SRF nº 243/2002 –, e, INTENCIONALMENTE, visto que sofreu fiscalização idêntica, relativa ao ano- calendário de 2009, cuja insurgência quanto ao tema esgotou todos os recursos possíveis na esfera administrativa sem lograr qualquer êxito – vide PAF nº 16561.720174/2012-19 -. Além disso, a exclusão de juros e multas equivaleria a controle de constitucionalidade, o que não compete ao CARF, conforme a Súmula nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. In terminis, no tocante à alegação de impossibilidade de cobrança dos juros de mora incidente sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal, sem mais delongas, o tema encontra-se pacificado pela Súmula CARF nº 108: “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. Diante do exposto, os fundamentos apresentados não se sustentam e as teses subsidiárias também devem ser rejeitadas. 15 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Fl. 2003DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 42 5 DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL Quanto ao Auto de Infração de CSLL, decorrente das mesmas matérias fáticas descritas no Auto de Infração do IRPJ, em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado, mutatis mutandis, o que foi decidido para o Auto de Infração principal, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. 6 DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, oriento meu voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO apenas para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS incidente sobre as vendas, excluídos do cálculo do PRL60, em respeito ao Tema 69 do STF. Assinado Digitalmente Raimundo Pires de Santana Filho DECLARAÇÃO DE VOTO Renato Rodrigues Gomes Da delimitação da controvérsia: Peço vênia ao eminente Relator para divergir da conclusão alcançada quanto à manutenção da exigência fiscal. A divergência, contudo, não decorre de compreensão distinta acerca da disciplina geral dos preços de transferência, tampouco da metodologia legal do Preço de Revenda menos Lucro – PRL. Entendo que a solução da presente controvérsia depende, antes, da correta identificação da realidade econômica sobre a qual essa metodologia deve incidir. Com efeito, a questão devolvida a julgamento não consiste em definir, abstratamente, se o PIS e a Cofins integram ou não a base de cálculo utilizada para formação do Fl. 2004DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 43 preço parâmetro. Essa discussão, considerada em sua generalidade, encontra-se suficientemente enfrentada pela jurisprudência deste Conselho e não constitui, a meu sentir, o ponto central da controvérsia instaurada nos presentes autos. O que efetivamente se discute é se o Preço Fábrica praticado pela contribuinte, relativamente aos medicamentos submetidos ao regime da denominada Lista Positiva, ainda incorpora, sob a perspectiva econômica, a carga correspondente às contribuições cuja dedução foi promovida pela autoridade lançadora na aplicação do método PRL. Trata-se de questão logicamente prejudicial e anterior à própria interpretação da fórmula legal, pois diz respeito à correta identificação da grandeza econômica utilizada como ponto de partida do cálculo do preço parâmentro. É precisamente sob essa perspectiva que examinarei a matéria. A questão, portanto, não reside propriamente na forma de aplicação da metodologia do PRL, mas na premissa econômica adotada pelo lançamento para sua aplicação. Definida essa premissa, será possível verificar se a metodologia empregada pela autoridade lançadora efetivamente reconstrói o preço que seria praticado entre partes independentes ou se, ao contrário, acaba por afastar-se da realidade econômica que a legislação de preços de transferência pretende reproduzir. Da finalidade do método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL: As regras de preços de transferência foram instituídas com o propósito de neutralizar os efeitos tributários decorrentes da manipulação de preços praticados entre pessoas vinculadas, buscando aproximar essas operações das condições que seriam observadas entre agentes econômicos independentes: A expressão preços de transferência deve continuar a ser usada para definir a prática de alocação de receitas ou despesas, nas operações com vendas de bens, prestação de serviços, transferência e uso de tecnologia e patentes, mútuos, e outros, entre pessoas vinculadas, de qualquer modo relacionadas, situadas em diferentes jurisdições.16 Nessa perspectiva, o método PRL, utilizado pela Recorrente, parte do preço de revenda praticado no mercado interno e, mediante as deduções expressamente previstas na legislação, procura identificar o valor máximo que poderia ser atribuído à operação de importação realizada com a parte vinculada: Lei Federal nº 9.430/1996 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações 16 TORRES, Heleno Taveira. Direito tributário internacional. Planejamento tributário e operações transnacionais. p. 164 Fl. 2005DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 44 efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: II - Método do Preço de Revenda menos Lucro - PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargo. Trata-se de técnica de reconstrução econômica que utiliza o preço efetivamente praticado no mercado nacional como referência para aferição da compatibilidade do custo de aquisição perante o princípio arm's length. A fórmula prevista pelo legislador representa instrumento destinado a reconstruir determinada realidade econômica, razão pela qual sua adequada aplicação pressupõe que a grandeza utilizada como ponto de partida corresponda, efetivamente, ao preço observado no mercado que serve de paradigma para a comparação. Disso decorre consequência relevante para o deslinde da presente controvérsia. As deduções previstas na metodologia do PRL somente cumprem a finalidade para a qual foram concebidas quando recaem sobre elementos econômicos efetivamente presentes no preço utilizado como referência. Caso contrário, a metodologia deixa de reproduzir a realidade econômica do mercado e passa a reconstruir situação hipotética incompatível com a finalidade do próprio regime de preços de transferência. Em vista disso, antes de examinar a legitimidade da dedução promovida pela autoridade lançadora, torna-se necessário identificar qual é a realidade econômica que caracteriza o mercado farmacêutico da lista positiva submetido ao controle estatal de preços. Somente a partir dessa compreensão será possível verificar se a metodologia empregada no lançamento efetivamente reproduz o preço praticado entre partes independentes Fl. 2006DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 45 ou se parte de premissa econômica incompatível com o ambiente regulatório em que se desenvolvem as operações da contribuinte. A discussão, portanto, desloca-se para a análise da formação do Preço Fábrica no mercado farmacêutico regulado, uma vez que é essa realidade que deve servir de paradigma para a aplicação das regras de preços de transferência. Da formação do Preço Fábrica no mercado farmacêutico regulado: A Lei nº 10.147/2000 não instituiu tratamento tributário favorecido com a finalidade de ampliar a rentabilidade da indústria farmacêutica. Tampouco concedeu simples redução da carga tributária desvinculada de objetivo regulatório específico. Ao disciplinar o regime aplicável aos medicamentos integrantes da Lista Positiva, o legislador utilizou a desoneração do PIS e da COFINS como instrumento de política pública. A lógica do regime é clara. O Estado neutraliza economicamente a carga das contribuições não para que o valor correspondente permaneça apropriado pela indústria, mas para que essa desoneração seja incorporada ao preço do medicamento, tornando-o mais acessível à população, aos hospitais e aos próprios entes públicos adquirentes. O benefício fiscal, portanto, não se esgota na relação tributária entre Administração Tributária e contribuinte. Ele projeta efeitos sobre a formação econômica do preço praticado no mercado farmacêutico. A Lei nº 10.147/00, estabelece a desoneração; a regulação exercida pela CMED atua para assegurar que seus efeitos sejam refletidos na formação e na prática dos preços dos medicamentos. O órgão regulador não surge como elemento externo ao benefício fiscal, mas como mecanismo institucional destinado a conferir efetividade à finalidade extrafiscal perseguida pelo legislador. Esse sistema se realiza por meio da definição e do controle do Preço Fábrica e do Preço Máximo ao Consumidor: Lei Federal nº 10.742/2003 Art. 4o As empresas produtoras de medicamentos deverão observar, para o ajuste e determinação de seus preços, as regras definidas nesta Lei, a partir de sua publicação, ficando vedado qualquer ajuste em desacordo com esta Lei. § 1o O ajuste de preços de medicamentos será baseado em modelo de teto de preços calculado com base em um índice, em um fator de produtividade e em um fator de ajuste de preços relativos intra-setor e entre setores. Art. 5o Fica criada a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos - CMED, do Conselho de Governo, que tem por objetivos a adoção, implementação e coordenação de atividades relativas à regulação econômica do mercado de medicamentos, voltados a promover a assistência farmacêutica à população, por Fl. 2007DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 46 meio de mecanismos que estimulem a oferta de medicamentos e a competitividade do setor. O Preço Fábrica constitui o limite máximo que pode ser praticado pela indústria ou pelo importador na comercialização do medicamento junto aos integrantes da cadeia de distribuição. O Preço Máximo ao Consumidor, por sua vez, representa o teto máximo permitido para a venda ao consumidor final pelas farmácias e drogarias. Por esse motivo, a adequada compreensão da legislação de preços de transferência pressupõe sua integração com o regime regulatório instituído pelas Leis nºs 10.147/00 e 10.742/03, em observância aos postulados da coerência, da unidade e da harmonia do ordenamento jurídico. A aplicação do método PRL não pode abstrair o regime jurídico que disciplina a própria formação da grandeza econômica utilizada como ponto de partida da metodologia, sob pena de reconstruir realidade econômica incompatível com aquela previamente conformada pelo próprio Estado. O Preço Fábrica praticado pela contribuinte constitui preço previamente conformado pela disciplina regulatória do Estado, e não resultado da livre dinâmica ordinária de mercado. Sua formação é juridicamente disciplinada para refletir, entre outros elementos, o tratamento tributário aplicável aos medicamentos integrantes da Lista Positiva. A regulação do preço não é acidental ao benefício fiscal. Ela é a forma pela qual o benefício se exterioriza e cumpre sua finalidade econômica. Essa característica distingue profundamente o mercado farmacêutico da lista positiva dos mercados ordinariamente considerados pelas regras de preços de transferência. Em um mercado livre, o preço nasce da iniciativa privada e somente posteriormente pode ser objeto de fiscalização pela Administração Pública. No setor farmacêutico de medicamentos da lista positiva ocorre precisamente o inverso. A atuação estatal antecede a própria formação do preço, estabelecendo critérios obrigatórios para sua composição e condicionando sua prática aos parâmetros fixados pelo órgão regulador: Lei Federal nº 10.742/2003 Art. 6o Compete à CMED, dentre outros atos necessários à consecução dos objetivos a que se destina esta Lei: I - Definir diretrizes e procedimentos relativos à regulação econômica do mercado de medicamentos; II Estabelecer critérios para fixação e ajuste de preços de medicamentos; III Definir, com clareza, os critérios para a fixação dos preços dos produtos novos e novas apresentações de medicamentos, nos termos do art. 7o; X Assegurar o efetivo repasse aos preços dos medicamentos de qualquer alteração da carga tributária; Art. 7º A partir da publicação desta Lei, os produtos novos e as novas apresentações de medicamentos que venham a ser incluídos na lista de produtos Fl. 2008DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 47 comercializados pela empresa produtora deverão observar, para fins da definição de preços iniciais, os critérios estabelecidos pela CMED. § 1º Para fins do cálculo do preço referido no caput deste artigo, a CMED utilizará as informações fornecidas à Anvisa por ocasião do pedido de registro ou de sua renovação, sem prejuízo de outras que venham a ser por ela solicitadas. § 2º A CMED regulamentará prazos para análises de preços de produtos novos e novas apresentações. Essa atuação revela-se de forma particularmente clara na disciplina estabelecida pela Resolução CMED nº 2/04. Ao regulamentar o procedimento de definição de preços para produtos novos e novas apresentações, a norma não se limita a exigir que a empresa informe o valor que pretende praticar. Exige, em realidade, a apresentação dos elementos que compõem esse preço, incluindo informações relativas às margens de comercialização, aos tributos incidentes, aos preços praticados em países de referência e aos demais fatores considerados relevantes para a avaliação econômica do produto. A regulamentação também evidencia que o procedimento desenvolvido perante a CMED não possui natureza meramente homologatória. A Administração não recebe passivamente a informação prestada pelo agente econômico. Ao contrário, examina sua consistência, confronta os dados apresentados com os critérios estabelecidos pela legislação e verifica sua compatibilidade com os parâmetros regulatórios aplicáveis ao setor. O Preço Fábrica, nesse contexto, não pode ser compreendido como preço livremente definido pelo agente econômico. Antes de sua utilização nas operações de mercado, ele já se encontra submetido à conformação regulatória exercida pelo Estado, por intermédio da CMED, inclusive com controle anual dos parâmetros de sua atualização. No ano de 2011, os fatores de conversão observáveis eram os seguintes: Resolução CMED nº 2/2010 Art. 5º O Preço Máximo ao Consumidor - PMC será obtido por meio da divisão do Preço Fabricante - PF pelos fatores constantes da tabela abaixo, observadas as cargas tributárias do ICMS praticadas nos Estados de destino e a incidência da contribuição o para o PIS/PASEP e COFINS, conforme o disposto na Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2001. ICMS Lista Positiva Lista Negativa Lista Neutra 19% 0,7234 0,7523 0,7071 18% 0,7234 0,7519 0,7073 17% 0,7234 0,7515 0,7075 12% 0,7234 0,7499 0,7084 0% 0,7234 0,7465 0,7103 Ao estabelecer fator de conversão específico para os medicamentos submetidos ao regime da Lista Positiva, a CMED incorpora à metodologia regulatória o tratamento tributário Fl. 2009DF CARF MF Original ca://s/?q=ICMS_tax_rate ca://s/?q=Lista_Positiva_CMED ca://s/?q=Lista_Negativa_CMED ca://s/?q=Lista_Neutra_CMED D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 48 diferenciado instituído pela Lei nº 10.147/00, fazendo com que a formação do preço máximo regulado reflita, desde sua origem, a política pública de desoneração desses produtos. A concretização dessa diretriz regulatória pode ser observada nas próprias operações de venda realizadas pela contribuinte. Conforme se verifica no campo "Informações Complementares" das notas fiscais acostadas às fls. 262 a 269, consta expressamente a aplicação do denominado Coeficiente de Repasse. Esse mecanismo não redefine o Preço Fábrica fixado pela CMED, mas atua no momento da realização da operação comercial, projetando sobre o faturamento a política pública de desoneração prevista na Lei nº 10.147/00. Em consequência, o valor exigido do adquirente já reflete a conformação regulatória do preço decorrente do regime da Lista Positiva, evidenciando que a parcela correspondente ao PIS e à COFINS não integra a grandeza econômica representada pelo preço praticado na operação. Desse modo, o fator de conversão adotado pela CMED e o Coeficiente de Repasse destacado nas notas fiscais integram uma única sistemática regulatória destinada a assegurar que a desoneração prevista na Lei nº 10.147/00 repercuta efetivamente na formação do preço dos medicamentos. Enquanto o primeiro conforma o Preço Fábrica, o segundo projeta essa mesma conformação sobre a operação comercial, de modo que o valor efetivamente praticado pela Recorrente já não contém, sob a perspectiva econômica, a parcela correspondente ao PIS e à COFINS. Nessa hipótese, promover nova dedução dessas contribuições na aplicação do método PRL implica considerar duas vezes a mesma carga econômica, reduzindo artificialmente o preço parâmetro e afastando-o da realidade econômica que o princípio arm's length busca reproduzir. Com a devida vênia ao eminente Relator, observo que nossas conclusões divergem não quanto à incidência jurídica do PIS e da COFINS sobre as operações praticadas pela contribuinte, mas quanto à identificação da realidade econômica sobre a qual a metodologia do PRL deve incidir. Reconhecer que determinado tributo incide juridicamente sobre uma operação não conduz, por si só, à conclusão de que o respectivo valor permaneça economicamente incorporado ao preço utilizado como ponto de partida da fórmula legal. São planos distintos de análise. O primeiro diz respeito à disciplina tributária da operação; o segundo refere-se à composição econômica da grandeza utilizada pelo método de preços de transferência. É precisamente nesse ponto que reside a especificidade do presente caso. A Lei nº 10.147/00, não eliminou a incidência das contribuições como categoria jurídica. Estruturou, contudo, política pública destinada a neutralizar seus efeitos econômicos sobre o preço dos medicamentos integrantes da Lista Positiva, finalidade cuja concretização é assegurada pelo regime regulatório exercido pela CMED. Fl. 2010DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 49 A contribuinte não recebeu o valor correspondente ao PIS e à Cofins para, em momento posterior, recolhê-lo ou neutralizá-lo por meio de crédito presumido. O que se verifica é que, em razão do regime da Lista Positiva e dos limites previamente conformados pela CMED, a desoneração já se projeta sobre o preço da operação, reduzindo o valor cobrado do adquirente desde a emissão da nota fiscal. De forma direta, a parcela correspondente ao PIS e à COFINS não integra a grandeza econômica representada pelo Preço Fábrica utilizado como ponto de partida para a aplicação do método PRL, justamente porque sua exclusão decorre da própria disciplina regulatória que conforma a formação desse preço. Essa conclusão encontra respaldo nos próprios elementos constantes dos autos. Conforme se verifica do documento nº 123878348, correspondente ao CD entregue pela contribuinte à fiscalização, especificamente na subpasta "Memórias de Cálculos – Fiscalização 2011", consta a planilha de vendas utilizada no procedimento fiscal, na qual as colunas destinadas ao PIS e à COFINS apresentam valores zerados. Nessa perspectiva, a discussão não consiste em saber se há ou não incidência jurídica das contribuições sobre a receita da operação. Consiste em saber se a grandeza utilizada pela fiscalização como ponto de partida para aplicação do método PRL ainda continha, economicamente, a parcela relativa ao PIS e à Cofins. Se essa parcela já havia sido retirada do preço por força da política pública de desoneração e do controle regulatório exercido pela CMED, sua nova dedução na metodologia do PRL implica reduzir artificialmente o preço parâmetro. É precisamente essa questão que a fundamentação do lançamento deixa de enfrentar. A fiscalização se concentra na incidência jurídica das contribuições, mas não examina se o respectivo valor integrou, de fato, o preço efetivamente percebido pela contribuinte nas operações submetidas ao regime da Lista Positiva. Essa omissão é relevante porque, para fins de aplicação do método PRL, não basta afirmar a incidência formal do tributo; é necessário verificar se a parcela que se pretende deduzir compunha economicamente a base sobre a qual a fórmula foi aplicada. Essa distinção revela consequência metodológica igualmente relevante. Se a autoridade lançadora entende que a metodologia do PRL exige, necessariamente, a dedução do PIS e da COFINS, essa operação não poderia ser realizada diretamente sobre o Preço Fábrica praticado pela contribuinte. Isso porque essa grandeza econômica já foi previamente conformada pelo regime regulatório instituído pelas Leis nºs 10.147/2000 e 10.742/2003, de modo a refletir, em sua própria formação, a neutralização econômica da carga correspondente ao PIS e à COFINS. Em outras palavras, nas operações de venda realizadas no mercado interno, o preço praticado pela Recorrente já se apresenta economicamente conformado pela política pública de desoneração instituída para os medicamentos integrantes da Lista Positiva, de modo Fl. 2011DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 50 que a parcela correspondente ao PIS e à COFINS não integra a composição econômica da grandeza utilizada como ponto de partida da metodologia do PRL. Promover a dedução diretamente sobre esse preço significa tratar como existente componente econômico que já havia sido excluído de sua própria formação, produzindo artificial redução do preço parâmetro e comprometendo a correspondência que o método PRL busca estabelecer com o preço praticado entre partes independentes. A coerência lógica da própria metodologia exigiria procedimento diverso. Antes de proceder à dedução das contribuições, seria necessário reconstituir a base econômica da operação, recompondo o preço bruto hipotético que existiria caso a política pública de desoneração não tivesse sido implementada. Somente sobre essa grandeza recomposta seria possível aplicar, de forma coerente, as deduções previstas na legislação de preços de transferência. Todavia, essa reconstrução evidencia precisamente a inconsistência do lançamento. Uma vez recomposta a base econômica e, em seguida, aplicada a dedução correspondente ao PIS e à Cofins, o resultado obtido seria exatamente o mesmo Preço Fábrica regulado praticado pela contribuinte. Ou seja, a metodologia conduz, inevitavelmente, ao reconhecimento de que o preço efetivamente utilizado nas operações já corresponde ao valor líquido conformado pela política pública instituída pela Lei nº 10.147/00, e operacionalizada pela CMED. Percebe-se, assim, que a autuação somente produz o resultado pretendido porque realiza diretamente a dedução sobre um preço que já não contém, economicamente, a parcela correspondente às contribuições. Não há, portanto, simples aplicação da fórmula legal do PRL. Há alteração da própria grandeza econômica sobre a qual essa fórmula incide, circunstância que conduz à redução artificial do preço parâmetro e rompe a correspondência entre o valor reconstruído pela fiscalização e o preço que efetivamente seria praticado entre partes independentes submetidas ao mesmo ambiente regulatório. Em outras palavras, a parcela econômica correspondente ao PIS e à COFINS não transita pelo patrimônio da contribuinte. Não constitui riqueza efetivamente percebida para, em momento posterior, ser abatida ou neutralizada. O preço regulado é formado justamente para que esse valor deixe de compor a operação desde a sua origem, assegurando que o benefício fiscal seja integralmente transferido ao adquirente do medicamento. Esse fato acaba por afastar outro argumento utilizado pela fiscalização: a suposição de que o benefício do "crédito presumido" concedido à Lista Positiva representaria uma espécie de receita adicional, subvenção ou recomposição financeira passível de ser neutralizada via decote no Preço de Transferência (PRL). Semelhante entendimento confunde a nomenclatura técnica do instituto com a sua realidade econômica material. No regime da Lei nº 10.147/01, o chamado "crédito presumido" Fl. 2012DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.623 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16561.720036/2015-82 51 não possui a natureza jurídica de um direito creditório voltado a recompor o caixa da empresa ou a gerar um ingresso positivo de recursos. Em verdade, trata-se de uma mera técnica de desoneração prévia, cujo único objetivo regulatório é forçar a redução imediata do preço de venda do medicamento na origem. Em síntese, verifico que a autoridade lançadora partiu de preço cuja formação já refletia a política pública de desoneração instituída pela Lei nº 10.147/00 e operacionalizada pelo regime regulatório da CMED. Ao promover a dedução do PIS e da COFINS diretamente sobre o Preço Fábrica, tratou como existente componente econômico que já havia sido previamente excluído da própria formação desse preço. O resultado é que a mesma carga econômica acaba sendo considerada duas vezes: a primeira, quando é neutralizada na conformação regulatória do Preço Fábrica; a segunda, quando volta a ser deduzida na aplicação do método PRL. Essa dupla consideração reduz artificialmente o preço parâmetro e rompe a correspondência que a metodologia busca estabelecer entre o preço praticado e aquele que seria observado entre partes independentes. O equívoco do lançamento, portanto, não reside na interpretação da fórmula prevista no art. 18 da Lei nº 9.430/1996, mas em etapa logicamente anterior: na identificação da grandeza econômica sobre a qual essa metodologia deveria incidir. Como consequência, o preço parâmetro reconstruído deixa de reproduzir a realidade econômica do mercado regulado e, em vez de aproximar a operação controlada das condições de mercado, introduz uma distorção incompatível com a finalidade do método PRL e com o princípio arm's length. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e dou-lhe provimento para julgar improcedente o lançamento fiscal, cancelando integralmente a exigência tributária. Assinado Digitalmente Renato Rodrigues Gomes Fl. 2013DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 DA ADMISSIBILIDADE 2 DA DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 3 DA PRELIMINAR DE NULIDADE 3.1 Da alegada falta de atendimento ao art. 20-A da Lei 9.430/96 4 DO MÉRITO 4.1 DOS FATOS 4.2 DA LEGALIDADE DA APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO PELO MÉTODO PRL60, NOS TERMOS DA FÓRMULA PREVISTA NA IN SRF Nº 243/2002 e dos pleitos subsidiários 4.3 Do desconto DO PIS E DA COFINS na apuração do preço parâmetro pelo método prl60 4.4 DA inclusão dos valores de frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do preço praticado (cálculo “cif”) 4.5 Da impossibilidade de aplicação de penalidades no caso concreto e, sucessivamente, da ilegalidade da incidência de juros SELIC sobre a parcela da multa 5 Dos lançamentos reflexos de csll 6 DA CONCLUSÃO Declaração de Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908419/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3102-000.638
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3102-000.584, de 17 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10850.905835/2011-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202604
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 10850.908419/2011-15
anomes_publicacao_s : 202609
conteudo_id_s : 7408938
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 3102-000.638
nome_arquivo_s : Decisao_10850908419201115.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : PEDRO SOUSA BISPO
nome_arquivo_pdf_s : 10850908419201115_7408938.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3102-000.584, de 17 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10850.905835/2011-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
id : 11494695
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 03 20:52:14 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1878063309452738560
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-26T20:37:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-26T20:37:24Z; Last-Modified: 2026-08-26T20:37:24Z; dcterms:modified: 2026-08-26T20:37:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-26T20:37:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-26T20:37:24Z; meta:save-date: 2026-08-26T20:37:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-26T20:37:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-26T20:37:24Z; created: 2026-08-26T20:37:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2026-08-26T20:37:24Z; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-26T20:37:24Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10850.908419/2011-15 RESOLUÇÃO 3102-000.638 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 17 de abril de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE RCE DIGITAL LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3102-000.584, de 17 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10850.905835/2011- 61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Restituição apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de PIS/PASEP. Fl. 137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.638 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908419/2011-15 2 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A Recorrente tomou ciência da Decisão de Primeira Instância e apresentou Recurso Voluntário, alegando o seguinte: I. Alega que a falta de retificação da DCTF não poderia implicar na recusa ao reconhecimento do crédito decorrente de pagamento indevido a maior em razão do STF ter considerado inconstitucional o § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. II. Nulidade do Despacho Decisório – alega que a Autoridade Tributária não teria investigado as circunstâncias materiais do fato e não intimou a Recorrente a prestar esclarecimentos em desacordo com as prerrogativas da mesma Autoridade previstas na IN RFB nº 1.300/2012. III. Nulidade do Acórdão Recorrido – o Acórdão de Primeira Instância não teria apreciado o conjunto probatório apresentado aos autos, incorrendo em cerceamento do direito de defesa da Recorrente por não ter determinado diligências. IV. Falta de retificação da DCTF não é suficiente para negar o direito ao crédito pleiteado. V. Esclarece que o balancete juntado aos autos com a Manifestação de Inconformidade faz prova inconteste de que foram contabilizadas receitas que não fariam parte da hipótese de incidência do PIS/COFINS, pois não se tratavam de vendas de mercadorias ou de prestação de serviços. VI. Faz uma extensa descrição da base de cálculo do PIS/COFINS. Por fim, apresenta o seguinte pedido: Em face de todo o exposto, a recorrente postula o conhecimento e provimento do presente recurso. Requer-se, inicialmente, seja reconhecida a nulidade do trabalho fiscal e do acórdão recorrido. No entanto, considerando a robusta documentação apresentada pela ora recorrente nos autos, considerando o art. 59 do Decreto n. 70235, é possível a superação das nulidades acima apontadas, para que seja reformada a r. decisão recorrida, de modo que seja determinado o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Termos em que, Pede deferimento. Este é o relatório. Fl. 138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.638 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908419/2011-15 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado na resolução paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada na resolução paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto à tempestividade e às preliminares, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento. Nulidade do Despacho Decisório A Recorrente cita que a IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 76: Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Alega que este artigo obrigaria à Autoridade Tributária um escrutínio profundo de todos os fatos envolvidos para a apreciação do pedido de restituição/ressarcimento, mas a mesma Autoridade apenas verificou o débito declarado em DCTF e o pagamento apresentado como a maior. O caso que está sendo julgado neste processo é um pedido de restituição de pagamento indevido e a maior em razão de recolhimento de PIS com base no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo STF. A Recorrente apresentou o pedido sem retificar a sua DCTF que, a princípio, registra o débito para o período de apuração apontado contendo o débito que seria indevidamente reconhecido pelo contribuinte. Ao não retificar a DCTF o pagamento realizado encontrava-se integralmente alocado ao débito confessado e não estaria disponível para restituição. Desta forma, por omissão da própria Recorrente a Autoridade Tributária apurou devidamente os fatos que eram disponíveis à época da elaboração do Despacho Decisório e não há nada a retificar em seu trabalho. Fl. 139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.638 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908419/2011-15 4 O artigo 76, da IN RFB nº 1.300/2012, ao contrário da interpretação da Recorrente, não obriga a Autoridade Tributária à uma forma específica de proceder, ao contrário, lista as prerrogativas que a mesma Autoridade pode aplicar na busca pelo valor do crédito devido, e no caso em questão, como já foi dito acima, a omissão do contribuinte em retificar a DCTF ocasionou a recusa em homologar o pedido. Não reconheço nestes autos nenhum dos requisitos da nulidade previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de forma que entendo sem razão à Recorrente. Nulidade da Decisão de Primeira Instância Em segundo julgamento, após o primeiro ter sido anulado pelo CARF, a DRJ consigna que a Recorrente não se manifestou novamente a respeito deste novo julgamento após a Decisão do CARF. Desta forma, o conjunto probatório que havia para ser avaliado era o mesmo apresentado na Manifestação de Inconformidade inicial. A Recorrente alega que a DRJ não analisou os documentos acostados aos autos e que apresentou balancete consignado em seu Livro Diário e, portanto, teria cerceado o seu direito de defesa. Já a DRJ entendeu que a documentação não seria suficiente para fazer prova do direito creditório pleiteado pela Recorrente. Vejamos. Nas e.fls. 19 a 22, encontramos, de fato, folhas destacadas do Livro Diário, referentes ao período de 1º de janeiro de 1999 a 30 de junho de 1999. No entanto, a simples apresentação destas cópias de folhas do Livro Diário, não é de fato suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado em ressarcimento. É pressuposto que os valores pleiteados em restituição precisam ter sua certeza e liquidez confirmados pela Autoridade Tributária, sendo a certeza a confirmação da validade jurídica do crédito, neste caso, uma receita que tenha gerado um débito de PIS, indevidamente pago a maior em razão de sua classificação contábil e tributária não poder ser considerada como base de cálculo para esta contribuição, e a liquidez representando o valor efetivamente pago a maior. Entendo que a Autoridade Julgadora de Primeira Instância está correta na sua avaliação que a simples apresentação de páginas dos livros contábeis não é suficiente para fazer a demonstração de certeza e liquidez do valor pretendido em restituição. O fato de uma operação constar nos livros contábeis como receita financeira, p.ex., precisa do devido lastreio em documentos que comprovem a operação, a contabilidade regular somente faz prova a favor do contribuinte se devidamente Fl. 140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.638 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908419/2011-15 5 acompanhada dos documentos comprobatórios, como notas fiscais, contratos, ou comprovantes de pagamento ou de depósitos bancários. Desta forma, afasto a arguição de nulidade pois não reconheço nestes autos nenhum dos requisitos da nulidade previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de forma que entendo sem razão à Recorrente. Quanto ao mérito, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com todas as vênias, entendo que o processo não está maduro para julgamento e, por isso, divirjo do i. Relator. O processo trata de restituição (despacho decisório eletrônico), e o crédito não foi integralmente confirmado porque alocado para pagamento: As premissas adotadas pela DRJ para manutenção do despacho recorrido foram: (i) Falta de provas; (ii) Ausência de retificação da DCTF. Quanto as provas, esclarece a DRJ “O interessado deveria ter fornecido os livros Diário e Razão completos, para que fosse possível apurar qual a base de cálculo total e, após, apartado o montante afastado pela ampliação da Lei nº 9.718/98.”. Em recurso voluntário, o i. Relator adota como razões de decidir a insuficiência de provas e esclarecimentos, explicando: A Recorrente não retificou a sua DCTF, a qual é confissão de dívida, e não traz aos autos uma demonstração minimamente razoável da natureza jurídica e contábil das receitas que ensejaram o recolhimento a maior, como contratos, comprovantes de depósitos ou outros documentos que pudessem validar o registro contábil apresentado através de cópias dos Livros Diário e Razão, apresentados tanto em Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário. Assim também não lhe socorre juntada posterior de folhas do Livro Razão, por ocasião do segundo Recurso Voluntário, e.fls 352 a 369, pois continua não sendo suficiente. (...)” (destaques nossos) Fl. 141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.638 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908419/2011-15 6 Como dito anteriormente, a Recorrente tomou conhecimento do indeferimento do crédito por meio de despacho eletrônico. Tão logo foi alertada pela DRJ quanto à necessidade de produção de provas, apresentou, em recurso voluntário, os documentos por ela indicados, com o fito de contrapor os fatos (alínea “c”, § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72). Nesse sentido, em homenagem aos princípios da verdade material e do formalismo moderado, a realização de diligência confirmaria a certeza e a liquidez do crédito, à luz do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Pelo exposto, voto na conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem analise as provas carreadas aos autos à luz do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e do RE nº 585.235 julgado na sistemática de repercussão geral. Sendo necessário, intime a recorrente para prestar esclarecimentos e apresentar documentação complementar, em auxílio aos trabalhos fiscais. Encerrados os trabalhos, seja elaborado relatório conclusivo de diligência informando se há crédito restituível, dando-se prazo de 30 (trinta) dias para que a recorrente se manifeste. Vencido o prazo, sejam os autos devolvidos ao CARF para conclusão do julgamento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 142DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720180/2014-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO.
A manutenção, no passivo, de obrigações cuja existência não tenha sido comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS PROBATÓRIO.
A presunção legal desloca para o sujeito passivo o ônus de demonstrar a improcedência do fato presumido.
LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA ADMINISTRATIVA.
O Mandado de Procedimento Fiscal constitui instrumento de controle administrativo da fiscalização, não se submetendo às hipóteses de nulidade previstas no Processo Administrativo Fiscal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência, se presentes elementos de convicção bastantes para o julgamento da lide.
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se configura nulidade por ausência de fundamentação quando a decisão de primeira instância enfrenta as questões centrais da controvérsia, ainda que de forma contrária aos interesses do contribuinte.
O simples inconformismo com a conclusão adotada pelo julgador não caracteriza cerceamento do direito de defesa, especialmente quando assegurados o contraditório e a ampla defesa.
Numero da decisão: 1201-007.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Marcelo Antonio Biancardi - Relator
Assinado Digitalmente
Nilton Costa Simoes - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz (substituto[a]integral), Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antonio Biancardi, Raimundo Pires de Santana Filho, Nilton Costa Simoes (Presidente).
Nome do relator: MARCELO ANTONIO BIANCARDI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202607
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja existência não tenha sido comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS PROBATÓRIO. A presunção legal desloca para o sujeito passivo o ônus de demonstrar a improcedência do fato presumido. LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA ADMINISTRATIVA. O Mandado de Procedimento Fiscal constitui instrumento de controle administrativo da fiscalização, não se submetendo às hipóteses de nulidade previstas no Processo Administrativo Fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência, se presentes elementos de convicção bastantes para o julgamento da lide. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade por ausência de fundamentação quando a decisão de primeira instância enfrenta as questões centrais da controvérsia, ainda que de forma contrária aos interesses do contribuinte. O simples inconformismo com a conclusão adotada pelo julgador não caracteriza cerceamento do direito de defesa, especialmente quando assegurados o contraditório e a ampla defesa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 16004.720180/2014-53
anomes_publicacao_s : 202609
conteudo_id_s : 7408874
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 1201-007.659
nome_arquivo_s : Decisao_16004720180201453.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : MARCELO ANTONIO BIANCARDI
nome_arquivo_pdf_s : 16004720180201453_7408874.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Marcelo Antonio Biancardi - Relator Assinado Digitalmente Nilton Costa Simoes - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz (substituto[a]integral), Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antonio Biancardi, Raimundo Pires de Santana Filho, Nilton Costa Simoes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2026
id : 11494631
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 03 20:52:11 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1878063309454835712
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-27T17:02:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-27T17:02:48Z; Last-Modified: 2026-08-27T17:02:48Z; dcterms:modified: 2026-08-27T17:02:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-27T17:02:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-27T17:02:48Z; meta:save-date: 2026-08-27T17:02:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-27T17:02:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-27T17:02:48Z; created: 2026-08-27T17:02:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2026-08-27T17:02:48Z; pdf:charsPerPage: 1614; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-27T17:02:48Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 16004.720180/2014-53 ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 31 de julho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE FIDO CONSTRUTORA MONTAGENS INDUSTRIAIS, IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja existência não tenha sido comprovada autoriza a presunção de omissão de receitas. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS PROBATÓRIO. A presunção legal desloca para o sujeito passivo o ônus de demonstrar a improcedência do fato presumido. LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA ADMINISTRATIVA. O Mandado de Procedimento Fiscal constitui instrumento de controle administrativo da fiscalização, não se submetendo às hipóteses de nulidade previstas no Processo Administrativo Fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência, se presentes elementos de convicção bastantes para o julgamento da lide. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 543DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16004.720180/2014-53 2 Não se configura nulidade por ausência de fundamentação quando a decisão de primeira instância enfrenta as questões centrais da controvérsia, ainda que de forma contrária aos interesses do contribuinte. O simples inconformismo com a conclusão adotada pelo julgador não caracteriza cerceamento do direito de defesa, especialmente quando assegurados o contraditório e a ampla defesa. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Marcelo Antonio Biancardi – Relator Assinado Digitalmente Nilton Costa Simoes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz (substituto[a]integral), Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antonio Biancardi, Raimundo Pires de Santana Filho, Nilton Costa Simoes (Presidente). RELATÓRIO O presente processo administrativo decorre de procedimento de fiscalização onde se constituiu o seguinte crédito tributário: Fl. 544DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16004.720180/2014-53 3 Curial atentar que aquele procedimento originou dois processos de autuação diferentes, baseados nos mesmos fatos. Neste processo constam os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e no processo nº 16004-720.228/2014-23 o lançamento de IPI. Em face disso, é possível que no relatório constem fatos e apurações referentes aos dois processos em face do compartilhamento dos dados, termos fiscais e respostas da recorrente. 1 DA AUTUAÇÃO A autuação encontra-se explanada no TERMO N° 17 — CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADE FISCAL juntado ao presente processo às folhas 361 a 368, o qual resumimos abaixo. O procedimento fiscal objetivou verificar a regularidade e a comprovação dos saldos de contas do passivo circulante, especialmente das contas “Fornecedores”, “Obrigações Sociais e Fiscais” e “Outras Contas a Pagar”. Para isso, a recorrente foi intimada a apresentar demonstrativos de composição do passivo e documentação hábil e idônea comprobatória dos saldos registrados em sua escrituração contábil. Segundo a autoridade fiscal, após reiteradas intimações e sucessivas oportunidades concedidas à recorrente para apresentação de provas e documentos, inclusive mediante prorrogações de prazo, verificou-se que diversos valores contabilizados no passivo não haviam sido adequadamente comprovados. A fiscalização concluiu que a empresa mantivera passivo fictício ou não comprovado em seus balanços trimestrais de 2010, caracterizado por obrigações já quitadas e não baixadas contabilmente, obrigações cuja existência não fora demonstrada ou débitos cuja pendência de liquidação não fora comprovada. Com base nisso, foi imputada à recorrente a infração de omissão de receitas por presunção legal, decorrente da manutenção de passivo fictício, nos termos do RIR/99. A fiscalização apurou valores de passivo não comprovado nos quatro trimestres de 2010, totalizando R$ 3.254.254,33 no primeiro trimestre, R$ 96.407,66 no segundo trimestre, R$ 328.672,78 no terceiro trimestre e R$ 228.595,61 no quarto trimestre. Esses valores decorreram principalmente de saldos registrados na conta “Fornecedores”, além de obrigações sociais, obrigações fiscais e outras contas a pagar sem suporte documental suficiente. A fiscalização relacionou detalhadamente os fornecedores e credores cujos saldos permaneceram sem comprovação documental adequada, apontando valores expressivos registrados perante fornecedores e diversos outros credores constantes dos anexos do termo fiscal. Em relação ao quarto trimestre de 2010, a fiscalização ainda consignou divergência entre o saldo da conta “Fornecedores” constante do balancete e aquele apresentado nas relações fornecidas pela recorrente, identificando diferença de R$ 8.550,00 sem comprovação documental. Fl. 545DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16004.720180/2014-53 4 Ao final, a autoridade fiscal efetuou lançamento de ofício do IRPJ e seus reflexos, acrescido de multa de ofício de 75% e juros legais, por entender caracterizada a omissão de receitas decorrente do passivo fictício. 2 DA IMPUGNAÇÃO Apresentou impugnação (fls. 423 a 443) a recorrente com os seguintes argumentos. A impugnação sustenta que a autuação fiscal decorreu de fiscalização instaurada em dezembro de 2012 para apurar suposto “passivo fictício” na DIPJ do ano-calendário de 2010 da recorrente. Segundo a defesa, desde o início da fiscalização a contribuinte apresentou toda a documentação exigida pela Receita Federal para comprovar os saldos das contas do passivo circulante, incluindo demonstrativos e documentos contábeis referentes às contas de fornecedores, obrigações sociais e fiscais e outras contas a pagar. Apesar disso, a fiscalização entendeu que os documentos seriam insuficientes e, ao final, lavrou auto de infração exigindo aproximadamente R$ 3,65 milhões a título de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep, sob a alegação de omissão de receitas decorrente de passivo não comprovado. Defende que a autuação se baseou apenas em presunções e conjecturas, sem efetiva análise da documentação apresentada pela empresa. A impugnante afirma que a própria autoridade fiscal reconheceu, no auto de infração, que havia recebido enorme quantidade de documentos e que a análise detalhada desse material levaria “à exaustão”, circunstância que demonstraria a ausência de exame efetivo das provas produzidas pela contribuinte. Com isso, sustenta-se que o lançamento foi efetuado de forma desidiosa e arbitrária, sem investigação aprofundada e sem comprovação concreta da suposta omissão de receitas. A defesa argumenta ainda que a contabilidade da empresa não contém vícios ou irregularidades que autorizassem arbitramento de receitas ou lançamento de ofício. Sustenta que o Fisco deixou de observar o art. 142 do CTN, pois não comprovou o fato gerador nem demonstrou, de forma objetiva e robusta, qualquer ilícito tributário. A impugnante afirma que, em lançamentos de ofício, o ônus da prova pertence integralmente à autoridade fiscal, a qual deveria ter produzido diligências suficientes para infirmar os registros contábeis da empresa, em vez de simplesmente desconsiderá-los sem análise. Outro ponto central da impugnação é a alegação de que a contribuinte atendeu integralmente à fiscalização, apresentando todos os documentos solicitados, os quais seriam hábeis, idôneos e suficientes para comprovar a regularidade dos saldos do passivo. A defesa enfatiza que o próprio auto de infração reconhece a entrega dos demonstrativos e da documentação complementar, mas, mesmo assim, a Receita concluiu pela não comprovação do passivo sem apontar falsidade, omissão ou inconsistência específica nos documentos apresentados. Fl. 546DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16004.720180/2014-53 5 A impugnante também sustenta a nulidade do lançamento por vício de motivação, invocando a teoria dos motivos determinantes. Segundo a tese, se o próprio fundamento utilizado pelo Fisco para lançar o crédito foi a impossibilidade de examinar toda a documentação em razão do volume apresentado, então a motivação do ato administrativo seria incompatível com a exigência legal de análise efetiva dos elementos probatórios. Assim, o lançamento estaria contaminado por vício insanável e deveria ser anulado. Além disso, a defesa requer a realização de nova diligência ou perícia técnica, alegando que o crédito tributário não foi corretamente aferido e que a documentação contábil precisa ser examinada de forma minuciosa por especialistas. Informa inclusive que providenciava laudo técnico pericial para posterior juntada aos autos. Quanto às penalidades, a impugnação sustenta que não houve dolo, fraude, simulação ou qualquer conduta dolosa da empresa, razão pela qual seria indevida a multa de ofício de 75%. A defesa afirma que a autuação decorreu exclusivamente de divergência interpretativa e de suposta insuficiência documental, inexistindo qualquer elemento que caracterize fraude ou intenção de sonegação. Subsidiariamente, a contribuinte argumenta que a multa de 75% possui caráter confiscatório e viola os princípios constitucionais da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Para tanto, cita precedentes do STF que reconheceriam o caráter confiscatório de multas tributárias excessivas, defendendo que a penalidade aplicada é desproporcional e incompatível com a capacidade contributiva da empresa. Por fim, a defesa suscita nulidade do auto de infração em razão da extrapolação do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Afirma que a fiscalização teve início em 18/12/2012 e somente foi encerrada em 28/11/2014, ultrapassando o prazo máximo de 120 dias previsto na Portaria SRF nº 1.687/2014, sem renovação válida do procedimento fiscal. 3 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Decidiu a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre, através de acórdão juntado às folhas 470 a 481, cujo voto, em suma, traz conclusão seguinte. No voto, o relator inicialmente reconheceu a tempestividade da impugnação e passou a analisar a preliminar de nulidade relacionada ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Afirmou que o MPF constituía mero instrumento administrativo de controle interno da fiscalização e que eventuais irregularidades em sua prorrogação não configuravam hipótese de nulidade do processo administrativo fiscal, pois as nulidades estavam restritas às hipóteses previstas nos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72. Além disso, destacou que o MPF permaneceu vigente até março de 2015 e que a fiscalização foi encerrada em dezembro de 2014, razão pela qual não haveria qualquer vício apto a invalidar o lançamento. Fl. 547DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16004.720180/2014-53 6 No mérito, o voto examinou as alegações da recorrente de inexistência de vícios contábeis e de ilegalidade na constituição do crédito tributário. O relator descreveu que a fiscalização solicitou documentos comprobatórios das contas do passivo registradas na contabilidade da empresa e que, após análise minuciosa da documentação apresentada, concluiu que parte significativa dos saldos não possuía comprovação documental idônea. Em razão disso, foram emitidos novos termos de intimação para que a recorrente apresentasse comprovação adicional dos valores remanescentes. O voto detalhou que, dos mais de R$ 14 milhões registrados nas contas do passivo da empresa em 2010, aproximadamente R$ 10,5 milhões foram aceitos pela fiscalização como devidamente comprovados, permanecendo sem comprovação cerca de R$ 3,9 milhões. Segundo o relator, isso demonstrava que a documentação apresentada foi efetivamente analisada pela autoridade fiscal, ao contrário do que sustentava a recorrente. O entendimento adotado foi o de que a manutenção, no passivo, de obrigações sem comprovação documental autorizava a aplicação da presunção legal de omissão de receitas. O relator também rejeitou a alegação de que teria havido arbitramento ilegal de receita, esclarecendo que o lançamento não se baseara no regime de arbitramento previsto no artigo 284 do RIR/99, mas sim em simples reajuste das bases de cálculo do lucro real trimestral, em razão da constatação de passivo fictício. Ressaltou ainda que a legislação tributária admitia expressamente a presunção de omissão de receitas quando houvesse manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não fosse comprovada. Outro ponto enfatizado no voto foi a inversão do ônus da prova decorrente da presunção legal. Segundo o relator, caberia à recorrente demonstrar, de forma detalhada e conciliada, a improcedência da presunção e comprovar documentalmente os valores questionados. Contudo, entendeu que a recorrente não apresentou documentação hábil e idônea suficiente para afastar as conclusões da fiscalização, limitando-se a alegações genéricas de que os documentos teriam sido entregues e não analisados. O voto também afastou as alegações de desídia da fiscalização, registrando que houve aprofundamento das análises, sucessivas oportunidades de manifestação da recorrente e concessão de prorrogações de prazo para apresentação de documentos. Assim, concluiu que a fiscalização atuou de forma diligente e que a recorrente não conseguiu demonstrar qualquer erro relevante no procedimento fiscal. Quanto ao pedido de diligência, o relator entendeu que ele era desnecessário, pois os autos já conteriam elementos suficientes para a formação da convicção da autoridade julgadora. Observou ainda que a recorrente mencionou a existência de trabalho técnico de auditoria, mas não juntou qualquer laudo pericial aos autos. Ao final, o voto concluiu pela improcedência integral da impugnação, mantendo-se o crédito tributário lançado pela fiscalização. Fl. 548DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16004.720180/2014-53 7 4 DO RECURSO Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 499 a 524) onde apresenta sua síntese dos fatos e passa a atacar o decisum da DRJ com os seguintes argumentos. O Recurso Voluntário, em sua maioria, repete os argumentos da impugnação, muitas vezes com redações idênticas. A peça recursal inovou em relação à Impugnação ao concentrar parte relevante da defesa em alegações de nulidade do acórdão da DRJ por cerceamento do direito de defesa. A recorrente passou a sustentar que a decisão de primeira instância teria rejeitado de forma genérica o pedido de diligência e de produção de prova pericial, impedindo a adequada apreciação da documentação apresentada e violando as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa previstas no art. 5º, LV, da Constituição Federal. Nesse contexto, o recurso também invocou, pela primeira vez, os arts. 2º e 27 da Lei nº 9.784/99 para defender que o processo administrativo federal deve assegurar ampla defesa ao administrado mesmo diante de eventual alegação de insuficiência documental. Além disso, o Recurso Voluntário passou a desenvolver de forma autônoma o princípio da verdade material no processo administrativo tributário, sustentando que a Administração teria o dever de buscar a efetiva realidade dos fatos e apreciar integralmente as provas produzidas, independentemente de formalismos. Para reforçar essa tese, foram acrescentadas referências doutrinárias e a citação a precedente específico do CARF sobre nulidade por cerceamento de defesa, defendendo que a ausência de apreciação integral das alegações e provas apresentadas pela contribuinte exigiria a anulação da decisão de primeira instância. Em razão disso, foi formulado pedido expresso de nulidade do acórdão recorrido, com retorno dos autos para reabertura da instrução e análise da prova pericial requerida. É o relatório. VOTO Conselheiro Marcelo Antonio Biancardi, Relator. 1 DA ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele conheço. 2 DAS PRELIMINARES A recorrente suscita questões preliminares, a saber: Fl. 549DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16004.720180/2014-53 8 2.1 DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, UMA VEZ QUE FORA LAVRADO APÓS O PRAZO LEGAL DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF Nota-se que este ponto do recurso é cópia fiel dos argumentos já apresentados em sede de impugnação, sem que se tenha trazido qualquer inovação dos argumentos. O julgador de piso já se debruçou sobre o tema, havendo indicado que o MPF é instrumento de controle interno da fiscalização e que eventuais irregularidades em sua prorrogação não geram nulidade do processo administrativo fiscal, por não se enquadrarem nas hipóteses dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72. Observou, ademais, que o MPF permaneceu válido até março de 2015 e a fiscalização foi encerrada em dezembro de 2014, inexistindo qualquer vício na emissão ou vigência daquele documento, sendo improcedente o apontamento da recorrente de vício capaz de invalidar o lançamento. Por nos alinharmos com o entendimento e o voto proferido, o transformamos em nosso, nos termos do art. 114, §12, I do RICARF - Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. 2.2 DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA No Recurso Voluntário, a recorrente sustenta a nulidade da decisão da DRJ sob o argumento de que houve cerceamento do direito de defesa, pois o órgão julgador teria deixado de apreciar adequadamente o pedido de diligência e de produção de prova pericial formulado na impugnação, limitando-se a considerá-lo desnecessário sem fundamentação suficiente. A recorrente afirma que essa conduta violou os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa previstos no art. 5º, LV, da Constituição Federal, bem como os arts. 2º e 27 da Lei nº 9.784/99, além do princípio da verdade material, já que a DRJ não teria permitido a produção de provas aptas a demonstrar a inexistência das irregularidades apontadas pela fiscalização. Para reforçar a tese, o recurso cita precedente deste Conselho segundo o qual a não apreciação integral das alegações e provas da recorrente caracteriza cerceamento de defesa e impõe a anulação da decisão de primeira instância. No que se refere ao pedido de diligência temos que, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando as entender necessárias, indeferindo aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Depreende-se do excerto acima que o deferimento de realização de diligências e perícias é faculdade do julgador de primeira instância administrativa, a quem compete analisar o conjunto de informações constantes do processo e concluir se essas são suficientes à formação de Fl. 550DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16004.720180/2014-53 9 sua convicção ou se, do contrário, são necessários novos elementos a serem obtidos por meio de diligência. Há que se dizer também que o princípio da verdade material, aplicável ao processo administrativo tributário, preceitua que se deve buscar, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos, de forma que se busca a realidade dos fatos, desprezando-se as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a Administração Tributária promover de ofício as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela se proceda o lançamento. No presente caso, a autoridade fiscal foi suficientemente diligente no sentido de buscar a verdade material, havendo possibilitado à recorrente, por diversas vezes, a apresentação dos elementos necessários para o aclaramento dos fatos. Isso foi consignado no termo de apuração fiscal (fl. 362): 5. Finalmente, após sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, sempre concedidos pela fiscalização, em 18/11/2014 a contribuinte apresenta um conjunto de alegações consubstanciado em arrazoado, acompanhado de novos documentos, no afã de comprovar os saldos das contas do Passivo, sob análise. Posto isso, esta fiscalização volta e procede aos exames complementares, chegando à beira exaustão. Como bem apontado pelo julgador de piso, a autoridade fiscal analisou toda a documentação e alegações apresentadas pela recorrente na fase inquisitorial (fl. 478 ss.): 25. Em relação ao parágrafo 15 (fl.426), em nenhum trecho dos parágrafos 4 e 5 do Termo 17 (fls. 361 e 362) há informação de que o fisco NÃO APRECIOU A DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA. Pelo contrário, a Autoridade Tributária expressamente afirma: (fl. 361, parágrafo 4) ...Compulsando toda documentação apresentada e após criteriosa verificação e acurados exames, pode-se concluir que a empresa até então deixara de apresentar vários documentos comprobatórios dos saldos das sobreditas contas do Passivo, razão pela qual ensejou, em 22/08/2014, à lavratura do Termo n° 16— Intimação e anexos I, II, III e IV, oferecendo a fiscalizada nova oportunidade para apresentar as provas finais. (fl. 362, parágrafo 5) Finalmente, após sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, sempre concedidos pela fiscalização, em 18/11/2014 a contribuinte apresenta um conjunto de alegações consubstanciado em arrazoado, acompanhado de novos documentos, no afã de comprovar os saldos das contas do Passivo, sob análise. Posto isso, esta fiscalização volta e procede aos exames complementares... 26. Fica evidente que houve aprofundamento do Fisco. Houve tentativa de elucidação de valores não comprovados. Foi dado ao contribuinte oportunidades de manifestação a respeito dos valores residuais não comprovados. Portanto, não Fl. 551DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16004.720180/2014-53 10 procede a indicação contida no parágrafo 16 (fl. 426), de que haveria necessidade do Fisco de “se aprofundar nas investigações”. [Grifos no original]. Entretanto, a recorrente não se desincumbiu do ônus que lhe recaía, o que levou à autuação. Poderia tê-lo feito em sede de impugnação, uma vez que o processo administrativo- fiscal é informado pelo princípio da concentração das provas na contestação, com o condão de mitigar a aplicação do princípio da verdade material, ou seja, uma vez que não há a previsão para a realização de uma audiência de instrução, como ocorre no âmbito do processo civil, as provas de fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fazendária, no caso de exigência tributária, e as alegações pertinentes à defesa devem ser oferecidas pelo sujeito passivo na impugnação. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997) § 5º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997)” [Grifamos]. Além de não apresentar a citada documentação comprobatória no momento da impugnação, que levaria ao afastamento da autuação, também não apresentou qualquer motivo ou impedimento que justificasse a juntada daquela documentação em momento posterior, ou seja, não trouxe qualquer elemento da necessidade imperiosa da realização da diligência que pleiteou. Assim, constando nos autos todos os elementos necessários ao deslinde da demanda, o julgador de piso valeu-se de sua prerrogativa legal e decidiu pela prescindibilidade da diligência, motivando seu ato, não restando, portanto, qualquer cerceamento ao direito de defesa ou ilegalidade hábil para anular a decisão proferida pela DRJ, tão pouco desrespeito ao princípio da verdade material. Dessarte, rejeito também esta preliminar. 3 DO MÉRITO No mérito a recorrente limitou-se a repisar, nos exatos termos, as argumentações já trazidas em sede de impugnação. Sustenta, em síntese, que o auto de infração seria improcedente porque a recorrente teria apresentado documentação suficiente, idônea e hábil para comprovar Fl. 552DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16004.720180/2014-53 11 os saldos do passivo circulante e afastar a acusação de omissão de receitas e passivo fictício. Alega que a fiscalização lavrou os autos de infração com base em meras presunções e suposições, sem efetiva comprovação do ilícito tributário e sem analisar adequadamente os documentos apresentados, limitando-se a afirmar que a quantidade de documentos teria levado a fiscalização “à exaustão”. Defende, assim, a ilegalidade do arbitramento da receita e do lançamento de ofício, sustentando violação ao art. 142 do CTN, ao princípio da verdade material e à necessidade de comprovação concreta da omissão de receitas, inclusive com fundamento em precedentes do CARF e do STJ. O recurso também sustenta que a recorrente atendeu integralmente às solicitações da fiscalização e que os documentos apresentados jamais tiveram sua autenticidade questionada, razão pela qual não poderia o Fisco desconsiderá-los sem análise individualizada. Defende ainda a necessidade de realização de diligência e perícia contábil para apuração correta dos fatos e comprovação da inexistência das irregularidades apontadas no auto de infração. Além disso, o Recurso Voluntário impugna a multa de ofício de 75%, alegando ausência de dolo, fraude ou simulação que justificassem sua aplicação, bem como sustenta o caráter confiscatório, desproporcional e irrazoável da penalidade, com fundamento no art. 150, IV, da Constituição Federal e em precedentes do STF. Por fim, a recorrente também alega nulidade do auto de infração em razão da extrapolação do prazo de 120 dias do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) sem renovação válida. Em face de não haver inovação das alegações da defesa em sede de Recurso Voluntário, essas alegações já foram enfrentadas pelo julgador de piso que decidiu: (i) que não houve vícios no lançamento, pois a fiscalização analisou a documentação apresentada, reconheceu como comprovada parte substancial dos valores contabilizados e manteve a exigência quanto aos valores do passivo sem comprovação idônea, aplicando a presunção legal de omissão de receitas (passivo fictício); (ii) rejeitou a alegação de arbitramento ilegal de receita, afirmando que o lançamento não decorreu de arbitramento, mas de reajuste das bases de cálculo do lucro real trimestral em razão do passivo fictício identificado; (iii) que o ônus da prova competia à recorrente, a qual não apresentou documentação hábil e idônea suficiente para afastar a presunção legal de omissão de receitas; (iv) por afastar as alegações de desídia da fiscalização, registrando que houve aprofundamento das análises, concessão de prorrogações de prazo e diversas oportunidades para manifestação da recorrente; (v) Indeferir o pedido de diligência, por considerar que os autos já continham elementos suficientes para o julgamento e porque a recorrente não apresentou laudo técnico ou prova pericial apta a infirmar o lançamento e (vi) concluir, ao final, pela manutenção integral do crédito tributário e pela improcedência da impugnação. E, por nos alinharmos com o entendimento e o voto proferido pelo julgador de piso, transformamos o voto de mérito da DRJ em nosso, nos termos do art. 114, §12, I do RICARF - Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, acrescido dos seguintes comentários. Fl. 553DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16004.720180/2014-53 12 É improcedente a alegação da recorrente de que a autoridade fiscal teria procedido ao lançamento com base em meras presunções e suposições, sem efetiva comprovação do ilícito tributário e sem analisar adequadamente os documentos apresentados, limitando-se a afirmar que a quantidade de documentos teria levado a fiscalização “à exaustão”. Como já visto neste voto, a autoridade fiscal, no termo de apuração fiscal (fl. 362), asseverou que analisou toda a documentação apresentada pela recorrente: 5. Finalmente, após sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, sempre concedidos pela fiscalização, em 18/11/2014 a contribuinte apresenta um conjunto de alegações consubstanciado em arrazoado, acompanhado de novos documentos, no afã de comprovar os saldos das contas do Passivo, sob análise. Posto isso, esta fiscalização volta e procede aos exames complementares, chegando à beira exaustão. Após este relato, a fiscalização apresenta sua conclusão: 6. A par disso, com base nas informações e documentos fornecidos pela contribuinte e demais elementos disponíveis, infere-se que a fiscalizada apresentou Passivo Não Comprovado ou fictício nos balanços encerrados ao final de cada trimestre civil: 1°) 31/03/2010; 2°) 30/06/2010; 30) 30/09/2010 e 4°)31/12/2010, representado por obrigações já pagas e não contabilizadas no período, ou mesmo, deixou de comprovar que as mesmas se encontravam ainda pendentes de liquidação, ou ainda, não comprovou a existência do Passivo, consoante se infere do demonstrativo consolidado abaixo, e das relações detalhadas, analíticas, constantes dos ANEXOS I, II, III, IV, que passam a fazer partes integrantes deste Termo: 7. CONCLUSÃO: REGISTRE-SE QUE NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL, FOI OFERECIDO A CONTRIBUINTE TODA OPORTUNIDADE, PARA COMPROVAR/JUSTIFICAR A ESTA FISCALIZAÇÃO, TODAS IRREGULARIDADES APONTADAS, TAIS COMO APRESENTAR PROVA DOCUMENTAL DO EFETIVO PAGAMENTO DE TAIS OPERAÇÕES OU PROVA DE QUE SE ENCONTRAVAM EM ABERTO AO FINAL DE CADA TRIMESTRE CIVIL, O QUE ENTRETANTO NÃO LOGROU FAZÊ-LO NA INTEGRALIDADE, RESTANDO A COMPROVAR/JUSTIFICAR O MONTANTE CONSTANTE DAS PLANILHAS ANEXAS A ESTE TERMO SOB N's I A IV. POSTO ISTO, CABÍVEL É O LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, QUE DEVERÁ SER FORMALIZADO EX OFFÍCIO, ATRAVÉS DO COMPETENTE AUTO DE INFRAÇÃO, COM Fl. 554DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16004.720180/2014-53 13 EXIGÊNCIA DO TRIBUTO IMPOSTO RENDA - PESSOA FÍSICA, SEGUIDO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS E MULTA, PELOS MOTIVOS ACIMA EXPENDIDOS. Assim, o que se apresenta é mero argumento retórico da recorrente a qual não logrou comprovar que os lançamentos em conta de passivo listados pela autoridade fiscal se encontravam ainda pendentes de liquidação, ou ainda, que representavam uma obrigação real. Desse ônus também não se desincumbiu em sede de impugnação e/ou recurso voluntário. No que se refere a multa de ofício de 75%, a recorrente apresenta como argumento que este percentual não seria aplicável por ausência e dolo, fraude ou simulação que justificassem sua aplicação. Nota-se que o recurso é inepto neste ponto, pois completamente desconectado da apuração fática e das normas legais, tendo em vista que a citada multa é aplicável ao lançamento de ofício, sem qualquer requisito adicional para sua aplicação. No que se refere a alegação de que a multa de ofício seria inconstitucional por desrespeito ao princípio do não-confisco, tem-se que, em nosso ordenamento positivo, a lei em vigor produz todos os efeitos que lhe são próprios, e, até que formalmente revogada, presume-se em harmonia com o sistema jurídico em que está inserida. Nessa linha, o controle da constitucionalidade de leis compete exclusivamente ao Poder Judiciário (incisos I, alínea “a”, e III, alínea “b”, e parágrafo 1º do art. 102 da Constituição da República Federativa do Brasil). Assim, enquanto não declarada a sua inconstitucionalidade, com a sua subsequente exclusão do mundo jurídico, a lei goza de presunção de validade, vinculando todos os atos da administração pública. Ainda acerca do fundamento de inconstitucionalidade, o Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação que lhe deu a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009), dispõe: Art.26-A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ante a isso, as questões levantadas pela recorrente, que, ao final, versam sobre constitucionalidade, estão fora da órbita da autoridade julgadora administrativa, à qual compete verificar a correta aplicação da lei, sem, contudo, proferir juízo acerca de sua constitucionalidade ou de outros aspectos atinentes à sua validade no mundo jurídico. Ademais, a Súmula CARF n° 2 expressamente explicita este entendimento, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desse modo, não se conhece das alegações de inconstitucionalidade. Fl. 555DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.659 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16004.720180/2014-53 14 4 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Marcelo Antonio Biancardi Fl. 556DF CARF MF Original Acórdão Relatório 1 DA AUTUAÇÃO 2 DA IMPUGNAÇÃO 3 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA 4 DO RECURSO Voto 1 DA ADMISSIBILIDADE 2 DAS PRELIMINARES 2.1 DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, UMA VEZ QUE FORA LAVRADO APÓS O PRAZO LEGAL DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF 2.2 DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA 3 DO MÉRITO 4 CONCLUSÃO
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908426/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3102-000.645
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3102-000.584, de 17 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10850.905835/2011-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202604
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 10850.908426/2011-17
anomes_publicacao_s : 202609
conteudo_id_s : 7408945
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 3102-000.645
nome_arquivo_s : Decisao_10850908426201117.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : PEDRO SOUSA BISPO
nome_arquivo_pdf_s : 10850908426201117_7408945.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3102-000.584, de 17 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10850.905835/2011-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
id : 11494702
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 03 20:52:14 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1878063309459030016
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-26T18:54:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-26T18:54:11Z; Last-Modified: 2026-08-26T18:54:11Z; dcterms:modified: 2026-08-26T18:54:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-26T18:54:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-26T18:54:11Z; meta:save-date: 2026-08-26T18:54:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-26T18:54:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-26T18:54:11Z; created: 2026-08-26T18:54:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2026-08-26T18:54:11Z; pdf:charsPerPage: 1816; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-26T18:54:11Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10850.908426/2011-17 RESOLUÇÃO 3102-000.645 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 17 de abril de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE RCE DIGITAL LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3102-000.584, de 17 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10850.905835/2011- 61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Restituição apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de PIS/PASEP. Fl. 136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.645 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908426/2011-17 2 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A Recorrente tomou ciência da Decisão de Primeira Instância e apresentou Recurso Voluntário, alegando o seguinte: I. Alega que a falta de retificação da DCTF não poderia implicar na recusa ao reconhecimento do crédito decorrente de pagamento indevido a maior em razão do STF ter considerado inconstitucional o § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. II. Nulidade do Despacho Decisório – alega que a Autoridade Tributária não teria investigado as circunstâncias materiais do fato e não intimou a Recorrente a prestar esclarecimentos em desacordo com as prerrogativas da mesma Autoridade previstas na IN RFB nº 1.300/2012. III. Nulidade do Acórdão Recorrido – o Acórdão de Primeira Instância não teria apreciado o conjunto probatório apresentado aos autos, incorrendo em cerceamento do direito de defesa da Recorrente por não ter determinado diligências. IV. Falta de retificação da DCTF não é suficiente para negar o direito ao crédito pleiteado. V. Esclarece que o balancete juntado aos autos com a Manifestação de Inconformidade faz prova inconteste de que foram contabilizadas receitas que não fariam parte da hipótese de incidência do PIS/COFINS, pois não se tratavam de vendas de mercadorias ou de prestação de serviços. VI. Faz uma extensa descrição da base de cálculo do PIS/COFINS. Por fim, apresenta o seguinte pedido: Em face de todo o exposto, a recorrente postula o conhecimento e provimento do presente recurso. Requer-se, inicialmente, seja reconhecida a nulidade do trabalho fiscal e do acórdão recorrido. No entanto, considerando a robusta documentação apresentada pela ora recorrente nos autos, considerando o art. 59 do Decreto n. 70235, é possível a superação das nulidades acima apontadas, para que seja reformada a r. decisão recorrida, de modo que seja determinado o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Termos em que, Pede deferimento. Este é o relatório. Fl. 137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.645 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908426/2011-17 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado na resolução paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada na resolução paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto à tempestividade e às preliminares, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento. Nulidade do Despacho Decisório A Recorrente cita que a IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 76: Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Alega que este artigo obrigaria à Autoridade Tributária um escrutínio profundo de todos os fatos envolvidos para a apreciação do pedido de restituição/ressarcimento, mas a mesma Autoridade apenas verificou o débito declarado em DCTF e o pagamento apresentado como a maior. O caso que está sendo julgado neste processo é um pedido de restituição de pagamento indevido e a maior em razão de recolhimento de PIS com base no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo STF. A Recorrente apresentou o pedido sem retificar a sua DCTF que, a princípio, registra o débito para o período de apuração apontado contendo o débito que seria indevidamente reconhecido pelo contribuinte. Ao não retificar a DCTF o pagamento realizado encontrava-se integralmente alocado ao débito confessado e não estaria disponível para restituição. Desta forma, por omissão da própria Recorrente a Autoridade Tributária apurou devidamente os fatos que eram disponíveis à época da elaboração do Despacho Decisório e não há nada a retificar em seu trabalho. Fl. 138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.645 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908426/2011-17 4 O artigo 76, da IN RFB nº 1.300/2012, ao contrário da interpretação da Recorrente, não obriga a Autoridade Tributária à uma forma específica de proceder, ao contrário, lista as prerrogativas que a mesma Autoridade pode aplicar na busca pelo valor do crédito devido, e no caso em questão, como já foi dito acima, a omissão do contribuinte em retificar a DCTF ocasionou a recusa em homologar o pedido. Não reconheço nestes autos nenhum dos requisitos da nulidade previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de forma que entendo sem razão à Recorrente. Nulidade da Decisão de Primeira Instância Em segundo julgamento, após o primeiro ter sido anulado pelo CARF, a DRJ consigna que a Recorrente não se manifestou novamente a respeito deste novo julgamento após a Decisão do CARF. Desta forma, o conjunto probatório que havia para ser avaliado era o mesmo apresentado na Manifestação de Inconformidade inicial. A Recorrente alega que a DRJ não analisou os documentos acostados aos autos e que apresentou balancete consignado em seu Livro Diário e, portanto, teria cerceado o seu direito de defesa. Já a DRJ entendeu que a documentação não seria suficiente para fazer prova do direito creditório pleiteado pela Recorrente. Vejamos. Nas e.fls. 19 a 22, encontramos, de fato, folhas destacadas do Livro Diário, referentes ao período de 1º de janeiro de 1999 a 30 de junho de 1999. No entanto, a simples apresentação destas cópias de folhas do Livro Diário, não é de fato suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado em ressarcimento. É pressuposto que os valores pleiteados em restituição precisam ter sua certeza e liquidez confirmados pela Autoridade Tributária, sendo a certeza a confirmação da validade jurídica do crédito, neste caso, uma receita que tenha gerado um débito de PIS, indevidamente pago a maior em razão de sua classificação contábil e tributária não poder ser considerada como base de cálculo para esta contribuição, e a liquidez representando o valor efetivamente pago a maior. Entendo que a Autoridade Julgadora de Primeira Instância está correta na sua avaliação que a simples apresentação de páginas dos livros contábeis não é suficiente para fazer a demonstração de certeza e liquidez do valor pretendido em restituição. O fato de uma operação constar nos livros contábeis como receita financeira, p.ex., precisa do devido lastreio em documentos que comprovem a operação, a contabilidade regular somente faz prova a favor do contribuinte se devidamente Fl. 139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.645 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908426/2011-17 5 acompanhada dos documentos comprobatórios, como notas fiscais, contratos, ou comprovantes de pagamento ou de depósitos bancários. Desta forma, afasto a arguição de nulidade pois não reconheço nestes autos nenhum dos requisitos da nulidade previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de forma que entendo sem razão à Recorrente. Quanto ao mérito, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com todas as vênias, entendo que o processo não está maduro para julgamento e, por isso, divirjo do i. Relator. O processo trata de restituição (despacho decisório eletrônico), e o crédito não foi integralmente confirmado porque alocado para pagamento: As premissas adotadas pela DRJ para manutenção do despacho recorrido foram: (i) Falta de provas; (ii) Ausência de retificação da DCTF. Quanto as provas, esclarece a DRJ “O interessado deveria ter fornecido os livros Diário e Razão completos, para que fosse possível apurar qual a base de cálculo total e, após, apartado o montante afastado pela ampliação da Lei nº 9.718/98.”. Em recurso voluntário, o i. Relator adota como razões de decidir a insuficiência de provas e esclarecimentos, explicando: A Recorrente não retificou a sua DCTF, a qual é confissão de dívida, e não traz aos autos uma demonstração minimamente razoável da natureza jurídica e contábil das receitas que ensejaram o recolhimento a maior, como contratos, comprovantes de depósitos ou outros documentos que pudessem validar o registro contábil apresentado através de cópias dos Livros Diário e Razão, apresentados tanto em Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário. Assim também não lhe socorre juntada posterior de folhas do Livro Razão, por ocasião do segundo Recurso Voluntário, e.fls 352 a 369, pois continua não sendo suficiente. (...)” (destaques nossos) Fl. 140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.645 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908426/2011-17 6 Como dito anteriormente, a Recorrente tomou conhecimento do indeferimento do crédito por meio de despacho eletrônico. Tão logo foi alertada pela DRJ quanto à necessidade de produção de provas, apresentou, em recurso voluntário, os documentos por ela indicados, com o fito de contrapor os fatos (alínea “c”, § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72). Nesse sentido, em homenagem aos princípios da verdade material e do formalismo moderado, a realização de diligência confirmaria a certeza e a liquidez do crédito, à luz do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Pelo exposto, voto na conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem analise as provas carreadas aos autos à luz do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e do RE nº 585.235 julgado na sistemática de repercussão geral. Sendo necessário, intime a recorrente para prestar esclarecimentos e apresentar documentação complementar, em auxílio aos trabalhos fiscais. Encerrados os trabalhos, seja elaborado relatório conclusivo de diligência informando se há crédito restituível, dando-se prazo de 30 (trinta) dias para que a recorrente se manifeste. Vencido o prazo, sejam os autos devolvidos ao CARF para conclusão do julgamento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 141DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10860.904340/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO NA ANÁLISE DAS PROVAS. DECISÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA.
Não se configura nulidade quando a decisão de primeira instância aprecia os elementos probatórios constantes dos autos e apresenta fundamentação suficiente, ainda que conclua de forma desfavorável ao contribuinte.
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. UTILIZAÇÃO DE DEMONSTRATIVOS TÉCNICOS.
É válida a motivação do despacho decisório baseada em demonstrativos analíticos de glosa, com identificação das operações e indicação dos motivos por códigos padronizados, quando tais elementos permitem a plena compreensão da exigência e o exercício do contraditório.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu pedido, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
IPI. CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. VEDAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DEVOLUÇÃO.
É vedado o aproveitamento de crédito de IPI relativo a aquisições de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, salvo prova inequívoca de que se trata de operações de devolução regularmente escrituradas. A simples indicação de CFOP não supre a necessidade de comprovação documental completa e idônea.
IPI. CRÉDITO. DOCUMENTO FISCAL EMITIDO POR PESSOA JURÍDICA COM CNPJ CANCELADO. INIDONEIDADE.
Documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica com inscrição no CNPJ baixada não são aptos a comprovar a ocorrência de operações nem a legitimar o aproveitamento de crédito de IPI, diante da ausência de capacidade jurídica do emitente.
Numero da decisão: 3402-013.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Louise Lerina Fialho, que dava parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito relativo às notas fiscais emitidas por empresas do SIMPLES, por alteração de critério jurídico.
Assinado Digitalmente
Cynthia Elena de Campos - Relatora
Assinado Digitalmente
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Anselmo Messias Ferraz Alves, Cynthia Elena de Campos, José de Assis Ferraz Neto, Alessandra Lessa dos Santos, Louise Lerina Fialho (substituta integral) e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Sep 19 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202605
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO NA ANÁLISE DAS PROVAS. DECISÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. Não se configura nulidade quando a decisão de primeira instância aprecia os elementos probatórios constantes dos autos e apresenta fundamentação suficiente, ainda que conclua de forma desfavorável ao contribuinte. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. UTILIZAÇÃO DE DEMONSTRATIVOS TÉCNICOS. É válida a motivação do despacho decisório baseada em demonstrativos analíticos de glosa, com identificação das operações e indicação dos motivos por códigos padronizados, quando tais elementos permitem a plena compreensão da exigência e o exercício do contraditório. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu pedido, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. IPI. CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. VEDAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DEVOLUÇÃO. É vedado o aproveitamento de crédito de IPI relativo a aquisições de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, salvo prova inequívoca de que se trata de operações de devolução regularmente escrituradas. A simples indicação de CFOP não supre a necessidade de comprovação documental completa e idônea. IPI. CRÉDITO. DOCUMENTO FISCAL EMITIDO POR PESSOA JURÍDICA COM CNPJ CANCELADO. INIDONEIDADE. Documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica com inscrição no CNPJ baixada não são aptos a comprovar a ocorrência de operações nem a legitimar o aproveitamento de crédito de IPI, diante da ausência de capacidade jurídica do emitente.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 10860.904340/2011-04
anomes_publicacao_s : 202609
conteudo_id_s : 7407728
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 3402-013.259
nome_arquivo_s : Decisao_10860904340201104.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
nome_arquivo_pdf_s : 10860904340201104_7407728.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Louise Lerina Fialho, que dava parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito relativo às notas fiscais emitidas por empresas do SIMPLES, por alteração de critério jurídico. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos - Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Anselmo Messias Ferraz Alves, Cynthia Elena de Campos, José de Assis Ferraz Neto, Alessandra Lessa dos Santos, Louise Lerina Fialho (substituta integral) e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 28 00:00:00 UTC 2026
id : 11490224
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Oct 03 20:51:59 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1878063309463224320
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-25T21:43:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-25T21:43:09Z; Last-Modified: 2026-08-25T21:43:09Z; dcterms:modified: 2026-08-25T21:43:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-25T21:43:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-25T21:43:09Z; meta:save-date: 2026-08-25T21:43:09Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-25T21:43:09Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-25T21:43:09Z; created: 2026-08-25T21:43:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2026-08-25T21:43:09Z; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-25T21:43:09Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10860.904340/2011-04 ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 28 de maio de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE LG ELECTRONICS DO BRASIL LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO NA ANÁLISE DAS PROVAS. DECISÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. Não se configura nulidade quando a decisão de primeira instância aprecia os elementos probatórios constantes dos autos e apresenta fundamentação suficiente, ainda que conclua de forma desfavorável ao contribuinte. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. UTILIZAÇÃO DE DEMONSTRATIVOS TÉCNICOS. É válida a motivação do despacho decisório baseada em demonstrativos analíticos de glosa, com identificação das operações e indicação dos motivos por códigos padronizados, quando tais elementos permitem a plena compreensão da exigência e o exercício do contraditório. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu pedido, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. IPI. CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. VEDAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DEVOLUÇÃO. Fl. 3307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 2 É vedado o aproveitamento de crédito de IPI relativo a aquisições de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, salvo prova inequívoca de que se trata de operações de devolução regularmente escrituradas. A simples indicação de CFOP não supre a necessidade de comprovação documental completa e idônea. IPI. CRÉDITO. DOCUMENTO FISCAL EMITIDO POR PESSOA JURÍDICA COM CNPJ CANCELADO. INIDONEIDADE. Documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica com inscrição no CNPJ baixada não são aptos a comprovar a ocorrência de operações nem a legitimar o aproveitamento de crédito de IPI, diante da ausência de capacidade jurídica do emitente. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Louise Lerina Fialho, que dava parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito relativo às notas fiscais emitidas por empresas do SIMPLES, por alteração de critério jurídico. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos – Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Anselmo Messias Ferraz Alves, Cynthia Elena de Campos, José de Assis Ferraz Neto, Alessandra Lessa dos Santos, Louise Lerina Fialho (substituta integral) e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 14-99.255, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade. Por bem reproduzir os fatos, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância: Fl. 3308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 3 Trata-se de pedido de ressarcimento relativo a Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado nº 3º trimestre de 2008, no valor de R$ 20.281.673,52, conforme o PER/DCOMP nº 13987.64177.301008.1.1.01-2005. Em 03/01/2012, foi proferido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 1826 que deferiu parcialmente o direito creditório de R$ 20.120.788,83, glosando o crédito de R$ 160.894,69 e homologando as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. Segundo consta no Despacho Decisório e no detalhamento de análise de crédito (fls. 1828/1869), em especial na “RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS – CRÉDITOS POR ENTRADAS NO PERÍODO”, foram glosados créditos indevidos em razão das seguintes constatações: crédito de IPI não admitido para o CFOP registrado (motivo 1); créditos do imposto decorrentes de aquisições de fornecedor na situação de cancelado no CNPJ (motivo 4); e créditos do imposto referentes a aquisições de empresas fornecedoras optantes pelo SIMPLES (motivo 7). Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1870/1880, na qual, em síntese, alegou que: - as notas fiscais indicadas no demonstrativo como aquisições de fornecedores optantes pelo SIMPLES referem-se à devolução de mercadorias por diversas razões, o que, de acordo com a legislação em vigor, autoriza a Requerente a registrar os respectivos créditos, não havendo qualquer vedação relacionada ao SIMPLES; - a natureza das operações de devolução, cujos créditos foram equivocadamente contestados pelo r. despacho decisório, pode ser facilmente verificada por meio da análise do próprio demonstrativo que relaciona as Notas Fiscais emitidas por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES; referido demonstrativo traz também o Código Fiscal de Operações da transação, indicando claramente tratar-se de devolução de mercadorias adquiridas por terceiros (CF0Ps 1.202 e 2.202); no que se refere à devolução em razão de substituição em garantia, em razão da inexistência de CFOP especifico, os clientes da Requerente adotam CF0Ps com final "949", que se refere a outras saídas não especificadas; - foram glosados créditos de aquisições de estabelecimento supostamente em situação irregular, mas não foram trazidos provas a esse respeito; de acordo com os registros estaduais, o estabelecimento foi cancelado somente em 31/12/2008, após a emissão das notas fiscais; em relação ao CNPJ, de fato a baixa teria ocorrido em 04/07/2008, porém, é sabido que a baixa no CNPJ é realizada, via de regra, sem que haja a efetiva verificação de que o estabelecimento realmente não está operando; além disso, as operações referem-se a devolução em garantia, e não interfere a condição do estabelecimento que realizou a devolução; - em relação às notas fiscais cujos créditos foram contestados em razão de supostamente o CFOP sob o qual estão registradas não gerar direito a créditos de IPI, cumpre esclarecer que se tratou de devolução de mercadorias que haviam sido adquiridas para uso e consumo da Requerente; ao receber as mercadorias, constatou avarias e devolveu a mercadoria ao remetente original; como a devolução deveria receber o mesmo tratamento da saída original, a Requerente Fl. 3309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 4 destacou o IPI nessa Nota Fiscal de devolução e registrou a Nota Fiscal original em seus livros fiscais com crédito do imposto. Por fim, requereu a homologação integral das compensações pleiteadas. Posteriormente, por meio do Despacho Decisório de fls. 2383/2385, em 29/10/2013, a unidade de origem, com fulcro no relatório fiscal de fls. 2045/2066, efetuou a revisão de ofício, com base na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 56, do ato decisório anterior, e reconheceu a existência de direito creditório no montante de R$ 15.527.730,87 (com a glosa total de R$ 4.753.942,65) e, consequentemente, homologou as compensações declaradas em PER/DCOMPs até o limite do direito creditório reconhecido. Cientificada do novo Despacho Decisório, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2398/2434, alegando, em síntese, o seguinte: - a revogação de decisão anterior não poderia ter sido realizada, pois faltam os requisitos para retificação de ofício, e a autoridade fiscal não poderia, a seu bel prazer, arbitrariamente, revogar, anular e emitir atos que impactem diretamente no patrimônio dos contribuinte, afetando seu direito adquirido e a segurança jurídica de ter o seu crédito tributário devidamente extinto pela homologação expressa; - sendo o IPI um tributo sujeito ao lançamento por homologação, há o prazo decadencial de 5 anos previsto no CTN, art, 150, § 4º; os créditos se referem ao 3º trimestre de 2008, e a ciência do novo Despacho Decisório ocorreu somente nº 4º trimestre de 2013; portanto, o novo Despacho Decisório é ilegal e deve ser reconhecido todo crédito pleiteado e homologadas as compensações; - o direito a creditamento na aquisição de insumos isentos advindos da Zona Franca de Manaus encontra-se alicerçado no princípio constitucional da não cumulatividade, conforme jurisprudência e julgados administrativos que invoca; - foram glosados os créditos relativos à devolução e retorno de mercadorias, ante alegada falta de comprovação de saída posterior e falta de registro no livro Registro de Controle da Produção e Estoque; não são esses requisitos necessários para o registro dos créditos de IPI em questão, devendo o contribuinte, tão somente, comprovar que os produtos efetivamente retornaram a seu estabelecimento; o RIPI/2002, art. 163, é claro ao autorizar o crédito de IPI na hipótese em tela; a impugnante registrou todas as entradas referentes a devoluções e retornos em seu livro Registro de Entradas e tal comprovação é suficiente para o reconhecimento da legitimidade dos créditos, conforme decisão do CARF; apresenta, a título exemplificativo, conjunto de documentos (anexo à manifestação de inconformidade) que comprovam a efetividade das devoluções das mercadorias; não há restrição para a apresentação de controles em idioma estrangeiro, conforme decisão do CARF; - a movimentação de insumos (partes e componentes) importados ou adquiridos no mercado interno quando requisitados para industrialização é lançada na conta CN01 e, para fins de refletir as demais ocorrências relacionadas à movimentação de Fl. 3310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 5 estoques, utiliza-se outros códigos, entre os quais o CN02; a requerente não cometeu qualquer irregularidade em relação aos insumos objeto de perda/quebra no processo produtivo, cuja substituição era registrada no código CN02; os valores lançados sob o código CN02 são agregados ao custo de produção, sendo considerados na composição do preço de venda das mercadorias fabricadas; o IPI incide justamente sobre o valor da operação de saída de produtos industrializados, recaindo sobre o preço de venda de seus produtos, o qual é calculado com base no custo de fabricação do produtos (que inclui tais valores), acrescido da margem de lucro; aceito o lançamento de ofício, estar-se-ia diante de bi-tributação; no caso em tela, o montante do imposto que incidiu nas etapas anteriores, desde que relacionado a saídas tributadas, dá direito à manutenção de crédito; - devem ser admitidas as perdas/quebras de produtos no processo produtivo; nos termos do art. 449 do RIPI/2002, no caso de a fiscalização apurar diferenças nos estoques, justificadas como quebras, tais diferenças devem ser submetidas ao órgão técnico competente para que se pronuncie acerca da aceitabilidade dessas quebras, o que não se deu nº caso concreto; as perdas contabilizadas no código CN02 correspondem a um valor ínfimo em relação a todos os insumos adquiridos, em nível admissível para a atividade produtiva da requerente;produtivo durante o período, não se podendo chegar a outra conclusão senão a de que o valor de perdas de mercadorias é irrelevante, devendo ser considerada como razoável nº ramo de atividade da requerente; note-se que o CARF já aceitou o percentual de 2% de perdas como razoáveis; - em relação a insumos estrangeiros com defeito de fabricação, os mesmos possuem um custo unitário bastante reduzido e geralmente provenientes de países localizados a grande distância, motivo pelo qual não são devolvidos; não há, porém, qualquer dispositivo que determine a obrigatoriedade de devolução ao fornecedor, com o correspondente estorno do crédito; o que estabelece o art. 193, VI, do RIPI/2002 é que os produtos recebidos com defeito e que forem devolvidos ao fornecedor devem ter seu crédito estornado; não sendo devolvidos os produtos, não há que se falar em estorno de crédito; referidos valores eram considerados perdas no processo produtivo e, ainda, como parte do custo de produção, de modo a serem submetidos à tributação do IPI no momento da saída das mercadorias produzidas. Por fim, requereu que seja integralmente deferido o PER nº 13987.64177.301008.1.1.01-2005 e homologadas integralmente as DCOMPs apresentadas. Em 10/06/2015, a 12ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO proferiu o Acórdão nº 14-58.863 (fls. 2789/2805) no qual afastou o pedido preliminar de anulação do segundo Despacho Decisório e julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo o direito creditório adicional de R$ 27,69 e a homologação das compensações até o limite do crédito reconhecido. Inconformada, a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 2811/2867, no qual, entre outras demandas, requereu que fosse declarado nulo o Acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento. Em 27/02/2019, a 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do CARF prolatou o Acórdão nº 3401-005.935 (fls. 3180/3204) no qual anulou todos Fl. 3311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 6 os atos processuais ocorridos por ocasião do segundo Despacho Decisório, incluindo o Acórdão da DRJ, determinando que os autos retornassem à DRJ para novo julgamento, para análise do primeiro Despacho Decisório e subsequente Manifestação de Inconformidade. Posteriormente, a requerente solicitou a juntada, às fls. 3213/3218, de mandado judicial (processo nº 1002274-70.2019.4.01.3400 do TRF1) determinando o sobrestamento, no CARF, do julgamento de 27 processos administrativos, em razão da discussão no STF sobre o direito ao crédito de IPI nas aquisições de insumos com alíquota zero da Zona Franca de Manaus. A Contribuinte foi intimada da decisão em data de 22/01/2020 (e-fls. 3237), apresentando o Recurso Voluntário em 18/02/2020 (e-fls. 3239), o que fez com os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade e os seguintes pedidos: 103. Em vista de todo o exposto, a Recorrente vem, perante V.Sas., preliminarmente, requerer seja declarado nula a r. decisão recorrida, por qualquer das razões do item III. 104. Caso assim não se entenda, requer a Recorrente seja a r. decisão recorrida integralmente reformada, de forma a que se reconheça o direito da Recorrente à integralidade dos créditos de IPI, pelas razões expostas no item IV. 105. Requer também que, caso restem dúvidas, seja requerida diligência para verificação dos documentos apresentados nos autos pela Recorrente, conforme art. 29 do Decreto nº 70235/197219. 106. A Recorrente protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários e pela produção de todas as provas em direito admitidas, bem como pela sustentação oral do presente recurso, nos termos do art. 58, II, do RICARF, razão pela qual requer seja previamente intimada nas pessoas das suas representantes legais a seguir relacionados: Camila Galvão e Anderi Silva (OAB/SP n. 140.450) e Cristiane Romano (OAB/SP n. 123.771), advogadas, sócias do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados, a primeira com endereço na Avenida Brigadeiro Faria Lima nº 3.144, 11º andar, CEP 01451-000, São Paulo/SP, e a segunda com endereço em Brasília/DF, SCN, Quadra 2, Bloco A, Sala 904-A, CEP 70712-900. Após, o processo foi encaminhado para inclusão em lote e sorteio para julgamento. É o relatório. VOTO Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. Fl. 3312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 7 1. Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. 2. Objeto do litígio Conforme relatório, versa o presente litígio sobre Pedido de Ressarcimento de créditos de IPI relativos ao 3º trimestre de 2008, no valor total de R$ 20.281.673,52, tendo sido reconhecido o montante de R$ 20.120.788,83 e glosado o valor de R$ 160.894,69, com homologação das compensações até o limite do crédito admitido. Registre-se que houve posterior revisão de ofício (Despacho Decisório de 29/10/2013), ampliando as glosas. Porém tal ato foi anulado através do Acórdão nº 3401-005.935, razão pela qual o presente julgamento limita-se às glosas constantes do primeiro despacho decisório (03/01/2012), cujo montante é de R$ 160.894,69, excluído o valor de R$ 27,69 já reconhecido pela DRJ. Em síntese, as glosas remanescentes dizem respeito a: créditos decorrentes de aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES; créditos vinculados a fornecedor com CNPJ cancelado; Delimitada a controvérsia a ser julgada por este Colegiado, passo à análise dos argumentos da defesa. 3. Preliminares 3.1. Nulidade da decisão da DRJ por ausência de enfrentamento das provas A Recorrente sustenta que o acórdão recorrido não teria analisado adequadamente os documentos por ela apresentados, dentre os quais notas fiscais e respectivos registros contábeis, Livro Registro de Entradas, documentação relativa ao SINTEGRA do fornecedor e elementos que demonstrariam a natureza de devolução das operações. Todavia, da leitura do acórdão recorrido, verifica-se que a autoridade julgadora de primeira instância examinou a documentação apresentada, tendo concluído pela sua insuficiência para comprovar o direito creditório pleiteado, especialmente no que se refere às operações com empresas optantes pelo SIMPLES. Também enfrentou a questão relativa ao fornecedor com CNPJ cancelado, com base, inclusive, em informação trazida pela própria contribuinte, além de ter acolhido parcialmente a prova no tocante à nota fiscal no valor de R$ 27,69. Dessa forma, não se constata ausência de fundamentação, mas sim conclusão desfavorável aos interesses da Recorrente. Fl. 3313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 8 Ademais, a circunstância de a decisão não acolher os argumentos da parte não a torna nula, desde que devidamente motivada, como se verifica no presente caso, motivo pelo qual afasto a preliminar de nulidade suscitada pela defesa. 3.2. Nulidade do despacho decisório por deficiência de motivação A Recorrente argumenta que a glosa teria sido fundamentada apenas em planilhas contendo códigos, sem exposição clara das razões que ensejaram a não homologação dos créditos. Entretanto, observa-se que consta dos autos um demonstrativo detalhado dos créditos glosados (fls. 1828/1869), no qual há identificação das notas fiscais envolvidas, bem como indicação dos motivos das glosas mediante códigos padronizados, suficientemente aptos a permitir a compreensão da exigência e o exercício do contraditório. Ademais, não há falta de motivação do Despacho Decisório, pois o Contribuinte teve todos os elementos para exercer seus direitos à defesa e contraditório, demonstrando em defesa que teve plena compreensão do objeto do litígio. O Decreto nº 70.235/1972 (que dispõe sobre o procedimento administrativo fiscal, dentre outras), em seu artigo 59 assim estabelece: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Não se verifica qualquer hipótese elencada no dispositivo acima, tampouco prejuízo ao direito de defesa, razão pela qual a preliminar deve ser rejeitada. 4. Mérito 4.1. Créditos de IPI relativos a operações com optantes pelo SIMPLES Em razões recursais a Recorrente esclarece que é uma empresa do setor eletroeletrônico, contribuinte do IPI, que pode aproveitar créditos desse imposto por sua natureza não cumulativa. Fl. 3314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 9 Devido a saídas de produtos com benefícios fiscais, acumulou créditos de IPI e solicitou seu ressarcimento ou compensação com outros tributos federais, apresentando Pedido de Ressarcimento (PER) e diversas Declarações de Compensação (DCOMP), referentes a créditos apurados no terceiro trimestre de 2008. Tais créditos decorrem da aplicação de incentivos fiscais previstos pelas Leis nºs. 8.248/91, 10.176/01 e 11.077/04, as quais concedem redução do IPI devido aos contribuintes que cumprirem os requisitos nelas dispostos. Com relação aos créditos de IPI relativos a operações com empresas optantes pelo SIMPLES, a Fiscalização procedeu à glosa sob o fundamento de que tais créditos decorreriam de aquisições realizadas junto a pessoas jurídicas submetidas a esse regime, hipótese vedada pela legislação de regência. A Contribuinte sustenta que não se trataria de aquisições, mas de devoluções de mercadorias, afirmando que os CFOPs constantes das notas fiscais — notadamente 1.202, 2.202 e aqueles terminados em “949” — evidenciariam essa natureza. Aduz, ainda, que teria apresentado documentação comprobatória, ainda que por amostragem, suficiente para demonstrar a legitimidade dos créditos. A decisão recorrida consignou que os documentos apresentados não permitiam validar integralmente os créditos pleiteados, conforme conclusão abaixo reproduzida: AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES Conforme demonstrado na “RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS – CRÉDITOS POR ENTRADAS NO PERÍODO” às fls. 828/1868, foram glosados créditos decorrentes de aquisições de fornecedores optantes pelo SIMPLES (motivo 7). Em sua defesa, a manifestante alega que as notas fiscais indicadas no demonstrativo como aquisições de fornecedores optantes pelo SIMPLES referem- se à devolução de mercadorias por diversas razões, não havendo qualquer vedação relacionada ao SIMPLES. Inicialmente, cabe esclarecer que para comprovar a sua alegação de que não se trata de aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES, a contribuinte juntou somente algumas notas fiscais e respectivos registros contábeis (fls. 1906/2029). Tratando-se de pedido de reconhecimento de direito creditório, deve-se destacar que a parte que invoca direito resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. No caso em concreto, o administrado deve carrear aos autos as provas que dão lastro ao direito creditório reclamado. Trata-se de postulado do Código de Processo Civil, instituído pela Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: Fl. 3315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 10 I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar-lhe as alegações. Assim, na hipótese de solicitação administrativa, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, o pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente. Além disso, vale lembrar que na esfera cível, no que se refere ao autor da ação, as provas devem ser indicadas na exordial e apresentadas na audiência de instrução, sendo que o réu também deve indicar as suas provas na contestação para produção na audiência; na seara tributária, conquanto, todas as contraprovas devem ser carreadas aos autos no bojo da peça impugnatória. Da seguinte maneira discorre o Decreto nº 70.235 (PAF), de 1972, art. 16, acerca dos requisitos da impugnação, verbis: "Art. 16. A impugnação mencionará: I - omissis; II - omissis; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV – omissis”. (grifei) Tratando-se de créditos decorrentes de produtos remetidos por empresas optantes pelo SIMPLES, cabia à requerente comprovar que não se trata de aquisições de produtos. Desse modo, em relação aos casos não comprovados pela contribuinte, mantém-se as glosas, em virtude da vedação legal de creditamento do IPI nos casos de aquisições de insumos de empresas optantes pelo SIMPLES, de acordo com o Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), art. 166, cuja matriz legal é a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 5º, §5º, in verbis : “§ 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS”. Quanto aos casos de devoluções de produtos, a admissibilidade do crédito está condicionada à comprovação da escrituração destas devoluções em seu Livro Registro de Controle de Produção e Estoque, ou sistema equivalente, o que também não foi realizado pela manifestante, razão pela qual mantém-se as glosas. Reitero que sustenta a defesa que apresentou com a Manifestação de Inconformidade, notas fiscais emitidas por empresas do Simples, além de registros contábeis e do Livro de Registro de Entradas, para comprovar que as operações analisadas se referem a devoluções de mercadorias por defeito, avaria ou garantia. Argumenta que, pela análise do CFOP, Fl. 3316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 11 é possível identificar a natureza dessas operações como devoluções, e não aquisições. Assim, sustenta que a vedação ao aproveitamento de créditos de entradas do Simples não se aplica ao caso, pois essa restrição diz respeito apenas a operações de compra, e não de devolução. Todavia, da análise dos autos, verifica-se que a prova apresentada é parcial e insuficiente para infirmar a glosa efetuada. Vejamos, a título exemplificativo, Notas Fiscais acostada com a impugnação (fls. 1.906-1.907): Fl. 3317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 12 Da análise dos autos, entendo que não há demonstração de que as operações glosadas correspondam efetivamente a devoluções, tampouco comprovação da adequada escrituração dessas operações nos livros fiscais pertinentes, em especial no que se refere ao controle de produção e estoque. Fl. 3318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 13 Ademais, a simples indicação de CFOP não se revela suficiente, por si só, para caracterizar a natureza devolutiva da operação, sendo imprescindível a apresentação de documentação idônea e completa que comprove o efetivo direito ao crédito. Cumpre destacar que incumbia à contribuinte, como titular da pretensão de restituição, demonstrar de forma clara e inequívoca a constituição do direito creditório invocado. Nos termos do artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, compete ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. No mesmo sentido, vejamos as decisões abaixo colacionadas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários a apreciação de pedido formulado, a demonstrar o direito do contribuinte, ele se obriga a apresentá-los para comprovar o seu direito, caso contrário se sujeita à análise de seu pedido destituída de provas. ÔNUS DA PROVA Cabe a defesa do ônus dos fatos que fundamentam o pedido de ressarcimento. Recurso voluntário negado. (Acórdão nº 3403-003.392 – PAF nº 13869.000095/00-40 – Relator: Conselheiro Antonio Carlos Atulim) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. (Acórdão nº 9303-007.218 – PAF nº 10840.909854/2011-86 – 3ª Turma da CSRF - Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Fl. 3319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 14 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. (Acórdão nº 9303-002.562 – PAF nº 10120.904658/2009-26 – 3ª Turma da CSRF - Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) Cumpre observar que o processo administrativo deve atentar ao Princípio da Verdade Material, bem como aplicar o Princípio do Formalismo Moderado, pelo qual os ritos e formas do processo administrativo acarretam interpretação flexível e razoável, suficientes para propiciar um grau de certeza, segurança, com garantia do contraditório e da ampla defesa. Todavia, cabe ao Contribuinte trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada. Assim, conforme concluiu a DRJ, não tendo a Recorrente se desincumbido do ônus de comprovar o direito creditório, deve ser mantida a glosa. 4.2. Créditos relativos a fornecedor com CNPJ cancelado No que se refere aos créditos vinculados a fornecedor com CNPJ cancelado, a glosa fundamenta-se no fato de que as notas fiscais que lastreiam o crédito foram emitidas por estabelecimento cuja inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica encontrava-se baixada à época das operações. Concluiu a DRJ que a Fiscalização demonstrou que foram glosados créditos de IPI relativos a aquisições feitas de fornecedor com CNPJ cancelado, situação em que não podem operar nem emitir documentos fiscais válidos, motivo pelo qual tais notas são consideradas ilegítimas, o que justifica a manutenção das glosas dos créditos correspondentes. A Contribuinte argumenta que o fornecedor estaria ativo no SINTEGRA no período, que a baixa no CNPJ não comprovaria, por si só, a inexistência material das operações e que se trataria de devoluções em garantia. Entretanto, conforme se depreende dos autos, a própria contribuinte reconheceu que o CNPJ do fornecedor se encontrava baixado antes da emissão das notas fiscais. A título de exemplo, foram mencionadas as notas fiscais emitidas entre 05 e 22 de agosto de 2008, sendo que a consulta da situação cadastral em relação ao CNPJ se verifica que a baixa teria supostamente ocorrido em 04 de julho de 2008. Ocorre que o CNPJ baixado/cancelado é aquele que foi oficialmente encerrado na Receita Federal, deixando de existir legalmente. Nessa condição, a empresa não pode mais exercer atividades econômicas nem praticar atos negociais válidos, como emitir notas fiscais, contratar funcionários, abrir contas bancárias ou firmar contratos, sendo considerados inidôneos os documentos fiscais eventualmente emitidos. Fl. 3320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.259 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904340/2011-04 15 A eventual regularidade perante o cadastro estadual não tem o condão de suprir a irregularidade perante o cadastro federal, sendo certo que a validade dos documentos fiscais depende da regularidade cadastral do emitente. Ademais, não há nos autos prova robusta da efetividade das operações que seja apta a afastar a presunção de invalidade dos documentos emitidos em tais condições. Como já tratado no item anterior deste voto, reitero que compete ao Contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito creditório. Dessa forma, não podem tais documentos servir de suporte para a constituição de créditos de IPI, devendo ser mantida a glosa. 5. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos Fl. 3321DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
