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Numero do processo: 13839.722108/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADE POR INTERPOSTAS PESSOAS. PROCEDÊNCIA DO ATO DE OFÍCIO.
Correta a exclusão do Simples quando os fatos narrados demonstram que a empresa não existe de modo independente, subordinando-se em todos os aspectos a outra empresa, da qual funciona como um departamento. Os fatos verificados autorizam a conclusão de que a empresa excluída foi constituída por interpostas pessoas.
Numero da decisão: 1201-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADE POR INTERPOSTAS PESSOAS. PROCEDÊNCIA DO ATO DE OFÍCIO. Correta a exclusão do Simples quando os fatos narrados demonstram que a empresa não existe de modo independente, subordinandose em todos os aspectos a outra empresa, da qual funciona como um departamento. Os fatos verificados autorizam a conclusão de que a empresa excluída foi constituída por interpostas pessoas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 21 08 /2 01 5- 31 Fl. 366DF CARF MF 2 Relatório Adotase o relatório do Acórdão nº 0960.072 da 2ª Turma da DRJ/JFA (fls. 288 a 302), com a complementação necessária em seguida: A contribuinte anteriormente qualificada apresentou manifestação de inconformidade contra sua exclusão de ofício do Simples Nacional, a partir de 01/01/2007 (rectius 01/07/2007), que teve por base sua constituição por interpostas pessoas. A Representação Fiscal – Exclusão do Simples Nacional de fls. 140/152 detalha de forma amiúde a ação fiscal desenvolvida que culminou com a exclusão da contribuinte do SN, a partir de 01/01/2007 (rectius 01/07/2007). Em sua defesa, a contribuinte alega, em síntese, que: (...) Sem nenhuma razão os atos administrativos fiscais que excluíram a IMPUGNANTE do Simples Nacional, sob o fundamento de que "a sua constituição ocorreu por interpostas pessoas", tendo em vista que a representação fiscal se baseou em meras ilações, suposições e conjecturas, sem nenhum dado consistente que pudesse justificar a impiedosa punição. 1.1 DAS RAZÕES QUE LEVARAM A EMPRESA MV EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA A ESTABELECER COM A EMPRESA FISCALIZADA CONTRATO DE ARRENDAMENTO DE SUAS ATIVIDADES. (...) A partir do momento em que se verificou a transferência do sócio que estava à frente da administração da empresa que geria o hotel, primeiramente cuidouse de alterar o objeto social da empresa MV Empreendimentos e Participações Ltda, excluindo essa atividade de seu contrato social essa providência ocorreu em e depois procurouse interessados em locação ou arrendamento das instalações e dos bens que guarneciam o hotel.(Anexo 03) Justamente o que sucedera. Em 28 de abril de 2005, pelos sócios Adelino Tolentino Neto CPF n.5 182.58247115, e Rosimeire Alves Ferreira CPF n. 130.511.21134, sob a denominação social Tolentino e Alves Empreendimentos Hoteleiros Ltda. EPP, constituiuse a empresa fiscalizada, tendo por objetivos sociais a exploração da atividade hoteleira e afins. Notase que seu regime jurídico era de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, que adotava o regime fiscal comum, mediante a opção por lucro presumido. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13839.722108/201531 Acórdão n.º 1201002.577 S1C2T1 Fl. 3 3 Em 01/01/2007, celebrouse com a empresa Vieiralves Empreendimentos Hoteleiros Ltda EPP, empresa que era constituída por dois sócios, contrato de arrendamento Anexo 04. Assim se vislumbra, num primeiro momento, que a empresa fiscalizada fora enquadrada no lucro presumido e passou a então exercer as atividades hoteleiras e afins, uma vez que saiu de cena a empresa Arrendante em decorrência da impossibilidade de seu sócio administrador permanecer com residência e domicílio nesta cidade. Nenhum ilícito, nenhuma fraude e nem mesmo qualquer manobra visando ludibriar o fisco, perpetrou essas empresas, inclusive a fiscalizada. (...) 1.2 BREVE HISTÓRICO DA IMPUGNANTE. DE SUA CONSTITUIÇÃO E O CONFRONTO COM OS FUNDAMENTOS QUE ENSEJARAM SUA EXCLUSÃO DO SIMPLES. (...) A alegação de que a IMPUGNANTE foi constituída por meio de interposta pessoa não tem nenhuma consistência, "data vênia". O domicílio fiscal informado pela titular da empresa é real e não fictício. Tratase de um imóvel de propriedade do seu tio, que reside no interior de Minas Gerais, e o ocupa esporadicamente (uma ou duas vezes por ano), razão pela qual o cedeu em comodato à titular da empresa, para fins de fixação do seu domicílio fiscal nesta cidade de JundiaíSP, uma vez que sua morada é na vizinha cidade de Hortolândia/SP. Nos termos do artigo 127 do Código Tributário Nacional, "cabe ao contribuinte eleger o seu domicílio fiscal", e somente na falta de eleição é que deverá ser aplicado o disposto em seu item I. Por outro lado, é importante destacar que a eleição do domicílio fiscal da titular da empresa na cidade de JundiaíSP, ocorreu exatamente pelo fato de a empresa de sua propriedade estar domiciliada nesta cidade, por força do disposto no artigo 127, item II, do Código Tributário Nacional. Vale lembrar que a fixação do endereço tributário no local indicado pelo Sr. Auditor Fiscal, no município de JundiaíSP, não teve nenhum objetivo escuso. Muito pelo contrário, teve a finalidade específica de facilitar a localização da titular da empresa no município de domicílio tributário da pessoa jurídica. Conquanto tenha residência na cidade de HortolândiaSP, a titular da empresa possui legítimo domicílio tributário na cidade Fl. 368DF CARF MF 4 de JundiaíSP, conforme lhe faculta o artigo 127 "caput" do Código Tributário Nacional. Nesses termos, a simples existência de domicílio fiscal em local diverso da residência da titular da empresa não serve de justificativa para a exclusão da empresa do "Simples Nacional". (...) É lamentável que o auditor fiscal faça referência a uma recepcionista da empresa sem se dar ao trabalho de colher o seu nome, qualificação e endereço. Por outro lado, se a testemunha não tem nome, qualificação e endereço, certamente será algum fantasma, razão pela qual não se pode estranhar o fato de nunca ter ouvido falar em Neusa Helena Vieira Costa ou Vanessa Gomes Toledo. Ademais, não há nada de anormal no simples fato de um empregado não saber o nome do proprietário da empresa, tendo em vista que nem sempre é o titular da empresa que fica à frente de todos os setores empresariais. (...) Ora, se houve negligência na guarda de documentos fiscais, caberá à empresa responder especificamente por esse fato, não sendo lícito e nem jurídico excluíla do "Simples Nacional", com base nessa suposta irregularidade, máxime considerando que esse fato não se inclui entre as causas que autorizam a exclusão, de ofício, do contribuinte do "Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL". Ademais, a eventual irregularidade na guarda de documentos fiscais não significa que a empresa foi constituída por meio de interposta pessoa. (...) No que tange à alegada falta de CAPACIDADE ECONÔMICO/CONTRIBUTIVA DOS SÓCIOS para a realização dos contratos de mútuo indicados na representação fiscal, é forçoso reconhecer, mais uma vez, que esse fato não constitui justa causa para a exclusão da IMPUGNANTE do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL", mormente sob o fundamento de constituição por meio de interposta pessoa. (...) Entretanto, não há nenhuma ligação societária entre M. V. Empreendimentos e Participações LTDA. e a fiscalizada Vieiralves Empreendimentos Hoteleiros EIRELI — EPP. A relação jurídica estabelecida entre as referidas empresas é meramente negocial, uma vez que a primeira é proprietária e Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13839.722108/201531 Acórdão n.º 1201002.577 S1C2T1 Fl. 4 5 Arrendante do imóvel, ao tempo em que a segunda é a Arrendatária do imóvel. O Sr. Gilberto Galbiatti nunca teve nenhuma participação societária de fato e ou de direito na empresa M. V. Empreendimentos e Participações LTDA e muito menos na fiscalizada Vieiralves Empreendimentos Hoteleiros Eireli EPP. Desde a constituição das referidas empresas, o Sr. Gilberto Galbiatti sempre atuou como empregado, sem qualquer participação societária (os inclusos documentos comprovam essa alegação)(Anexo 05). (...) Argumenta o ilustre auditor fiscal que a amplitude de poderes outorgados aos procuradores Gilberto Galbiatti (132.167.018 40) e Sr. Eurípedes Jerônimo Vieira (656.890.38849) sugerem o empréstimo de seus nomes para a constituição de uma pessoa jurídica interposta. É cediço que não existe nenhuma lei determinando que aos procuradores sejam outorgados amplos e ilimitados poderes. Entretanto, por força de atos manifestamente abusivos e ilegais os ilustres burocratas dos bancos, instituições financeiras e principalmente dos poderes públicos, a começar pela Receita Federal do Brasil, não aceitam que o procurador tenha poderes gerais para representar o contribuinte, exigindo poderes específicos inclusive para receber citações e intimações. A simples leitura da "intimação n.o 3", emitida pelo próprio auditor fiscal, comprova a exigência manifestamente abusiva e ilegal, de que o procurador tenha poderes especiais para receber notificações de qualquer natureza. (...) Em razão de exigências manifestamente abusivas e ilegais como essas são incluídos nas procurações todos os poderes possíveis e imagináveis, a fim de satisfazer o ego dos burocratas de plantão. Assim, o ilustre auditor fiscal faz uso do seu próprio veneno para fazer conjecturas levianas baseadas em poderes outorgados aos procuradores da IMPUGNANTE. No que tange aos avais dos procuradores, nas operações bancárias acima referidas, não há nenhuma ilegalidade a ser punida, tendo em vista que, sendo eles os gestores de fato da empresa, nada mais natural que a exigência das instituições financeiras para figurarem como avalistas nas referidas transações. Ademais, o simples fato de ser avalista não significa que a pessoa tenha qualquer participação societária na empresa. Fl. 370DF CARF MF 6 Aliás, a maioria das instituições financeiras exige que a garantia seja dada por pessoa estranha aos quadros sociais da empresa. Destacase, em arremate, que a Fiscalização não produziu nenhuma prova de que a titular da empresa VIEIRALVES EMPREENDIMENTOS HOTELEIROS LTDAEIRELI teria apenas emprestado o seu nome para a constituição da pessoa jurídica, valendo lembrar que o fato de ter outorgado procurações para representála em situações especificas, visando à facilitação das práticas empresariais e desburocratização, não descaracteriza a sua qualidade de empresária individual, nem configura a existência de interpostas pessoas na constituição da empresa, mormente tendo em conta o disposto no art. 1018 do Código Civil. Observa que a sócia proprietária recebe pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, uma vez que a conceituação de interpostas pessoas, destaca que a sócia que integra a empresa IMPUGNANTE tem legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela mesma, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficiente a mantêla, e não há qualquer motivo ilícito para que a sócia integrante da empresa referida figure no quadro societário, nada existindo a acobertar. (...) O simples fato de a sua cunhada ter integrado o quadro societário da empresa Vieiralves Empreendimentos Hoteleiros Ltda. EPP não induz qualquer participação societária da sua pessoa, eis que o seu relacionamento com a cunhada sempre foi de patroa e empregado. Nada mais. Ademais, o senhor Gilberto Galbiatti não tem nenhuma vocação empresarial. Sempre atuou como empregado e a sua pequena experiência como sócio simbólico da empresa Terras do Horizonte Empreendimentos Ltda., não lhe trouxe nenhum benefício patrimonial e muito menos qualquer satisfação pessoal. Por essas razões, achou que deveria continuar a sua labuta como empregado, atuando como gerente de hotel. Em razão da sua larga experiência no ramo e da confiança que angariou dos patrões ao longo dos anos, o Sr. Gilberto Galbiatti acabou ficando à frente dos negócios da empresa, agindo como gerente do hotel e procurador da sua empregadora. Entretanto, sempre agiu por conta e em nome desta. Nunca praticou qualquer ato próprio de empresário e nunca obteve qualquer vantagem estranha à sua relação empregatícia. (...) No que se refere aos Sr. Eurípedes Jerônimo Vieira, a situação é mais clara ainda. Tratase de um senhor aposentado, depois de trabalhar arduamente por mais de trinta e cinco anos. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13839.722108/201531 Acórdão n.º 1201002.577 S1C2T1 Fl. 5 7 É irmão do Sr. Miguel Bento Vieira e tio da Sra. Neuza Helena Vieira Costa. Por muitos anos ajudou o irmão na administração e na gestão hoteleira em JundiaíSP e em Patos de MinasMG, sem qualquer participação societária nos empreendimentos hoteleiros. Em razão desse convívio no ramo hoteleiro, foi solicitado a colaborar com a sobrinha na fiscalização dos atos de gestão praticados na empresa Vieiralves Empreendimentos Hoteleiros Ltda. EPP, e posteriormente em Vieiralves Empreendimentos Hoteleiros Eireli. EPP, tendo em vista a inexperiência da sua sobrinha, no ramo. Para tanto, recebeu procuração da sobrinha para atuar conjuntamente com o Sr. Gilberto Galbiatti nos negócios da empresa. A sua atuação sempre foi limitada à fiscalização dos atos praticados pelo gerente e procurador Gilberto Galbiatti. Nunca teve qualquer participação societária e nunca foi empregado da empresa. Atuou sempre de favor e em benefício da sobrinha, sem qualquer outro interesse. Por essas razões, nunca cumpriu jornada de trabalho na empresa e nunca se envolveu em qualquer atividade na vida da empresa. Em razão da sua atuação sempre em conjunto com o Sr. Gilberto Galbiatti, em nome da empresa, acabou sendo levado a figurar como avalista da empresa, juntamente com o Sr. Gilberto, em contratos de abertura de crédito. (...) 1.2 SOBRE A ARRENDANTE MV EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA E DE SEU AFASTAMENTO DA ATIVIDADE HOTELEIRA. A empresa foi constituída no ano de 1996 e exerceu regularmente as suas atividades hoteleiras até o ano de 2007, sendo gerida e administrada sempre pelo seu sócio e administrador Miguel Bento Vieira. (...) Por essa principal razão, em data de 02/01/2007, acabou por ceder, em arrendamento, o imóvel e as dependências do hotel para a empresa Tolentino e Alves Empreendimentos Hoteleiros Ltda. EPP, cujos sócios não tinham qualquer ligação familiar ou pessoal com o Sr. Miguel. Com o passar dos tempos, ocorreram alterações na participação societárias da referida empresa e finalmente, na natureza jurídica, de sociedade por quotas de responsabilidade limitada para empresa individual de responsabilidade limitada. Nesse percurso, acabou ingressando no quadro societário da empresa a Sra. Neuza Helena Vieira Costa, sobrinha do Sr. Miguel. (...) Fl. 372DF CARF MF 8 O simples fato de ter a sobrinha de um dos sócios à frente da empresa Vieiralves Empreendimentos Hoteleiros Eireli EPP não induz qualquer envolvimento ou participação da M. V. Empreendimentos e Participações Ltda., nos negócios e nas atividades da empresa. (...) A alegação de que a empresa Vieiralves Empreendimentos Hoteleiros Eireli EPP teria sido constituída por meio de interposta pessoa, coma finalidade de burlar o pagamento de tributos, por meio "Simples Nacional", não tem nenhuma consistência, tendo em vista que, na época da sua constituição, o seu regime jurídico era de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, que adotava o regime tributário comum, mediante a opção por lucro presumido. Somente depois de dois anos da sua constituição é que a empresa resolveu fazer a opção pelo "Simples Nacional", tendo em vista ser este o regime tributário mais favorável. Verificase, dessa forma, que o fisco partiu de premissa equivocada, tomando a conseqüência como causa. (...) Olvidouse, permissa vênia, o ilustre auditor fiscal, que na data da sua constituição, a empresa Tolentino e Alves Empreendimentos Hoteleiros Ltda. EPP não era optante pelo "Simples Nacional". Logo não há se falar em constituição por interposta pessoa, já que estava há muito constituída quando fez opção pela natureza jurídica do Simples, não se enquadrando, portanto, em seu art. 28 e 29, inciso IV da LEI COMPLEMENTAR 123/2006 SIMPLES NACIONAL, como fez constar o Sr. Auditor Fiscal. II DOS FUNDAMENTOS LEGAIS E FÁTICOS QUE AUTORIZAM A PERMANÊNCIA DA IMPUGNANTE NO SIMPLES NACIONAL E DECLARAR INSUBSISTENTE O ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DESSE ENQUADRAMENTO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. (...) II.1 DO ERRO QUANTO AO ENQUADRAMENTO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL DA IMPUGNADA. (...) II.2 DA ABSOLUTA FALTA DE PROVA PARA A EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL DA IMPUGNANTE. (...) Ora, D. Julgador, há de ter em conta, como já se disse alhures, que as pessoas descritas no contrato social da empresa jamais foram utilizadas pelos Srs. Eurípedes e o Sr. Gilberto para o fim de auferirem benefícios fiscais para IMPUGNANTE, isto porque, Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13839.722108/201531 Acórdão n.º 1201002.577 S1C2T1 Fl. 6 9 inicialmente, por mais de 2 anos, nenhuma vantagem fiscal teve essa empresa, pois era tributada no lucro presumido. (...) Não diferente é o que dispõe o art. 333, inciso I do CPC, ao estabelecer ser obrigatório o ônus da prova do autor (auditor Fiscal), que por certo deveria ter indicado, em seu relatório de fiscalização, elementos essenciais e provas robustas a despeito de eventual ilicitude, fraude ou dissimulação em virtude da opção pelo simples Nacional. Pelo contrário, nada apresentou, apenas ficou no campo das divagações e conjecturas. II.3 DA IMPOSSIBILIDADE LEGAL DA RETROAÇÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO Pelo que se observou, pretende o Fisco Federal, que a exclusão do Simples nacional da empresa fiscalizada, ora IMPUGNANTE, tenha seus efeitos "ex tunc", aos últimos 05 (cinco) anos pretéritos, dês 1°/07/2007. Num primeiro momento, impõe trazer à baila o disposto no art. 45 e parágrafo único do CCB, (Lei ns 10.406 de 10 de Janeiro de 2002) que preconiza (...) Assim, com base nesta disposição de Lei Federal, não é crível que haja a retroatividade da exclusão da confiscada do Simples Nacional, com abrangência aos 5 anos anteriores a esse ato declaratório, porquanto não ter havido por parte da Receita federal qualquer questionamento naquele lapso tempo que quer que seja abrangido em decorrência da exclusão. Portanto, atingindo está pelo instituto da decadência, a objetivada retroatividade no período dos 05 anos. Não há de se invocar aqui os comandos previstos nos artigos 105 e 106 do CTN, uma vez que em se tratando de exclusão deve ser aplicada a regra da situação fática, cuja condição, na data de verificação, não poderia ser estendida a período passado. Inexiste qualquer base jurídica fática compatível/adequada para fixar a data de exclusão em período que abrange os 05 (cinco) anos pretéritos. Na hipótese de perdurar a retroatividade da exclusão, estaria ação fiscal deflagrando uma conduta confiscatória, pois a IMPUGNANTE não deu causa à exclusão do Simples nacional, e sob esse regime, ela permaneceu por um longo período e desde sua constituição e vigência, jamais restou evidente qualquer ato de fraudulento ou de sonegação fiscal e se a exclusão se processou, foi em virtude de interpretação equivocada do Sr. Auditor Fiscal. (...) Neste caso, reclamase pela aplicação desse dispositivo legal do CTN, em razão de contemplar o princípio " I N DÚBIO PRÓ Fl. 374DF CARF MF 10 RÉU", conferindose os benefícios do "in dúbio pró réu" determinados pelo artigo 112 do CTN, por estar patente a dúvida, senão a certeza, do erro do Sr. Auditor Fiscal, em especial quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias material do fato, ou à natureza dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade ou punibilidade, ou à natureza da penalidade aplicável ou à sua graduação. Por essa decisão, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. A empresa constituída por interpostas pessoas não pode permanecer no SN. No recurso voluntário, são repisadas as mesmas razões da manifestação de inconformidade, acrescentandose: não há qualquer alusão a que o legislador referiuse à constituição da empresa por interpostas pessoas, quando da sua abertura. O que fez a recorrente foi apenas demonstrar de forma clara e objetiva todo o seu histórico constituinte, a fim de não deixar dúvidas quanto à regularidade; a eleição do domicílio tributário deuse pelo fato de o imóvel pertencer ao tio da titular da recorrente; as sócias possuíam capacidade financeira para a realização de empréstimos à sociedade e, embora os documentos relativos ao empréstimo de R$ 2.107.000,00 tenham sido destruídos, a União possui mecanismos de averiguação quanto à origem dos recursos; a irregularidade na guarda de documentos não significa que a empresa foi constituída por interpostas pessoas; a recorrente é arrendatária do imóvel onde exerce suas atividades; a arrendante, M.V. Empreendimentos e Participações Ltda., pertence a Terras do Horizonte Participações Ltda. e ao Sr. Miguel Bento Vieira, sócioadministrador; "O Sr. Gilberto Galbiatti não é, mas foi administrador da empresa M.V. Empreendimentos e Participações Ltda., em conjunto com o Sr. Miguel Bento Vieira, até o ano de 2007, na qualidade de representante de Terras do Horizonte Empreendimentos Ltda."; "Miguel Bento Vieira é tio de Neusa Helena Vieira Costa, sóciaproprietária da fiscalizada. Entretanto, não há nenhuma relação societária entre a M.V. Empreendimentos e Participações Ltda. e a recorrente Vieiralves Empreendimentos Hoteleiros EIRELI EPP"; o Sr. Gilberto Galbiatti sempre atuou como empregado, sem qualquer participação societária; a Sra. Neusa Helena Vieira Costa, proprietária da recorrente, não tem nenhuma relação com a arrendante M.V. Empreendimentos e Participações Ltda. não há nenhuma prova de que a titular da recorrente "teria emprestado o seu nome para a constituição da pessoa jurídica, valendo lembrar que o fato de ter outorgado Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13839.722108/201531 Acórdão n.º 1201002.577 S1C2T1 Fl. 7 11 procurações para representála em situações específicas, visando a facilitação das práticas empresariais e desburocratização, não descaracteriza a sua qualidade de empresa individual, nem configura a existência de interpostas pessoas na constituição da empresa"; "nunca houve qualquer manobra entre Gilberto Galbiatti, Eurípedes Jerônimo Vieira e a empresa M.V. Empreendimentos e Participações Ltda., no sentido de utilizarem dos sócios constantes no Contrato Social da recorrente, através da interposição de pessoas"; as informações prestadas por funcionários dos quais nem os nomes foram mencionados, não têm consistência para a exclusão da recorrente do Simples Nacional; "a opção pelo 'Simples Nacional' ocorreu no ano de 2007, antes da alteração da sua razão social para Vieiralves Empreendimentos Hoteleiros Ltda. EPP. Logo está evidenciado com clareza solar, que a empresa não foi constituída por interposta pessoa e muito menos com a finalidade de fazer a opção pelo 'Simples Nacional' com o intuito de burlar o fisco". Ao final, requer seja o recurso provido, com o fim de se considerar insubsistente a exclusão da recorrente do Simples Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Adotamse, como razões de decidir, os fundamentos da decisão de piso, com as complementações pertinentes em face das novas alegações veiculadas no recurso voluntário. Antes de adentrar a matéria em litígio, esclareço que, de acordo com o artigo 7º da Portaria MF n.º 341/2011, os acórdãos exarados pelas Delegacias de Julgamento darseão com observação de normas legais e regulamentares (artigo 116, III, da Lei n.º 8.112/90), e com o entendimento adotado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos. Também não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional, nos termos do artigo 26A, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, exceto nos casos previstos no § 6º do mesmo artigo. Destaquese, por pertinente, Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, dispondo, in verbis: Fl. 376DF CARF MF 12 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De modo que, alegações sobre violações a princípios constitucionais não serão aqui analisadas. Quanto aos julgados do poder judiciário, em cujos processos o autuado não participa como impetrante ou litisconsorte, cabe esclarecer que eles não têm efeito vinculante nas decisões dos Órgãos do Poder Executivo. Para estes vale tãosomente o que está prescrito no § 6º do art. 26A do Decreto 70.235/72 (PAF). Os julgados do CARF só quando sumulados, com aprovação pelo Ministro da Fazenda, vinculam o colegiado administrativo de 1ª instância administrativa. A Representação Fiscal de fls. 140/152 destaca os seguintes pontos: 1) empréstimos das sócias Neusa Helena Vieira Costa e Vanessa Gomes Toledo, conforme contrato social, à Fiscalizada, no anocalendário 2011, no valor de R$ 2.107.000,00, sem comprovação da origem dos recursos; 2) a sócia Neusa Helena Vieira Costa não residia, em 21/07/2015, no endereço cadastral registrado nos sistemas da RFB. O proprietário do imóvel era Miguel Bento Vieira (CPF 042.863.32268) tio da sócia mencionada anteriormente. Foi informado, após intimação, que o endereço da sócia estava localizado na cidade de Hortolândia, Núcleo Habitacional Santa Izabel; 3) falta de capacidade financeira das sócias, com base nas DIRPF, para realização dos mútuos; 4) no anocalendário de 2011, faziam parte do quadro societário a Sra. Neusa Helena Vieira Costa, sobrinha do Sr. Miguel Bento Vieira, e a Sra. Vanessa Gomes Toledo, irmã da esposa do Sr. Gilberto Galbiatti, procurador da fiscalizada. Em 27/10/2014 Vanessa se retirou da sociedade, logo após o início da ação fiscal; 5) a atividade econômica/objeto social declarado pela fiscalizada é a exploração do ramo de “Estacionamento de Veículo, Hotéis, Lavanderias”, como consta do contrato social ora em análise. A empresa sob ação fiscal exerce suas atividades no Hotel Center Park, imóvel que é locatária, de propriedade de MV Emp. e Part. Ltda, empresa pertencente a Terras do Horizonte Participações Ltda e ao Sr.Miguel Bento Vieira, sendo este último sócio administrador. O Sr. Gilberto Galbiatti também consta como administrador da empresa MV Emp. e Part. Ltda; 6) procuração com os mais amplos, gerais e ilimitados poderes em nome de Gilberto Galbiati (132.167.01840) e Eurípedes Jerônimo Vieira (656.890.38849), irmão de Miguel Bento Vieira. A comprovação de que os sócios apenas emprestaram seus nomes para a constituição de uma pessoa jurídica interposta, a qual tinha por objetivo beneficiar terceiros, resta clara quando se observa o conteúdo da procuração que instrui o presente processo; 7) enfim, os outorgados Sr. Gilberto Galbiatti e Sr. Eurípedes Jerônimo Vieira, os quais não figuram no contrato social, possuem amplos e irrestritos poderes para gerir a ora fiscalizada em toda e qualquer situação; 8) por si só, o conteúdo da procuração já seria suficiente para direcionar a fiscalização no sentido da interposição de pessoas e justificar a exclusão da fiscalizada aos benefícios do Simples Nacional. Mas não foi apenas esse evento que acarretou sua exclusão, os fatos alhures mencionados deixam claro, sob o manto do mais lídimo Direito, que as manobras da fiscalizada convergem para o fim de locupletarse à custa do Erário; Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13839.722108/201531 Acórdão n.º 1201002.577 S1C2T1 Fl. 8 13 9) em reforço às constatações retromencionadas e com vistas à persecução da verdade material, foram identificadas ainda, compulsando os autos, Cédula de Crédito Bancário para abertura de Conta Corrente Garantida, no valor de R$ 150.000,00, firmada em 25/04/2011, e aditivos à Cédula de Crédito Bancário, datados de 18/08/2011 e 29/09/2011, no valor de R$ 150.000,00 e R$ 300.00,00 respectivamente (fls. 99 a 129), documentos estes em que figuram como avalistas os Srs. Gilberto Galbiatti e Eurípedes Jerônimo Vieira, procuradores da fiscalizada; 10) as provas trazidas aos autos, aliadas às evidências que dessas deflui, confirmam que o Contrato Social de constituição da fiscalizada foi formalizado exclusivamente para ocultar as operações comerciais realizadas pelos Srs. Gilberto Galbiatti (132.167.01840), Sr. Eurípedes Jerônimo Vieira (656.890.38849) e pela empresa M. V. Empreendimentos e Participações LTDA; 11) com suporte nas provas trazidas aos autos, restou configurada a hipótese de exclusão de ofício do sujeito passivo fiscalizado do SN prevista no artigo 29, inciso IV, da LC 123/2006. Cumpre transcrever a base legal para exclusão do SN: LC 123/2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; O enquadramento legal não merece reparos. Ao determinar a exclusão de ofício do SN das empresas quando sua constituição ocorrer por interpostas pessoas, o legislador não se reportou à constituição da sociedade quando de sua abertura, como alegado pela impugnante, mas sim quando a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas, ou seja, a qualquer tempo em que em seu contrato social ou alteração contratual constem sócios laranjas (fictícios). No voluntário, informa a recorrente que não há qualquer alusão a que o legislador referiuse à constituição da empresa por interpostas pessoas, quando da sua abertura. O que fez a recorrente foi apenas demonstrar de forma clara e objetiva todo o seu histórico constituinte, a fim de não deixar dúvidas quanto à regularidade. No caso, tanto o contido no voto do voto do relator da decisão de piso, quanto na informação do voluntário, não interferem na questão central, qual seja: comprovada pela fiscalização a interposição de pessoas na constituição de empresas, isso determina o desenquadramento do Simples Nacional. Resta claro na Representação Fiscal que embasou o ADE que o conjunto de indícios levantados pela Fiscalização convergem para a conclusão registrada no item 10 acima especificado, ressaltandose que somente a procuração em nome de Gilberto Galbiatti e Eurípedes Jerônimo Vieira já seria suficiente para caracterizar que a empresa tinha como sócias interpostas pessoas. A empresa tenta individualizar cada indício trazido pela Fiscalização, como se sozinhos não motivassem sua exclusão do SN. Fl. 378DF CARF MF 14 Como ressaltado pela Fiscalização, analisado individualmente somente a procuração com os mais amplos, gerais e ilimitados poderes seria passível de caracterizar a participação de Gilberto Galbiatti e Eurípedes Jerônimo Vieira como sócios de fato da defendente. Entretanto, quando somada aos outros indícios convergentes, resta estampada a veracidade da presunção levantada na ação fiscal, incluindose então, em função do conjunto probante, a participação de fato na sociedade da empresa M.V. Empreendimentos e Participações LTDA. De fato, a contribuinte não consegue afastar os indícios apontados na ação fiscal, alegando somente que individualmente não seriam suficientes para motivar sua exclusão. Não traz a comprovação da origem dos recursos dos empréstimos contraídos com suas sócias que, por sua vez, não provaram capacidade financeira para realização de empréstimos na monta de R$ 2.107.000,00, dentro do anocalendário 2011. Alega que os documentos foram incinerados e a negligência na guarda de documentos não pode gerar sua exclusão do SN. Entretanto, para comprovação da origem e da efetiva entrega dos recursos, as provas, se existissem, estariam com certeza também sob a guarda das sócias que fizeram os empréstimos à empresa. Isso porque, a prova da origem dos recursos, assim como da efetiva entrega à empresa deve ser feita por quem fez o empréstimo, ou seja: ainda que a empresa tenha que guardar esses documentos de prova, esses documentos lhes são fornecidos pelas sócias que desfizeram de bens, direitos ou aplicações para suprir o caixa da empresa. Se a empresa incinerou os documentos sob sua guarda, deveria requisitálos novamente a suas sócias para apresentação ao Fisco. A recorrente argúi que as sócias possuíam capacidade financeira para a realização de empréstimos à sociedade e, embora os documentos relativos ao empréstimo de R$ 2.107.000,00 tenham sido destruídos, a União possui mecanismos de averiguação quanto à origem dos recursos e que a irregularidade na guarda de documentos não significa que a empresa foi constituída por interpostas pessoas. Quanto à capacidade financeira para a realização dos empréstimos, as declarações das pessoas físicas (sócias) acostadas às fls. 46 a 73, demonstram o contrário. O único rendimento declarado por cada uma delas foi o pro labore recebido da recorrente, em valores inferiores a R$ 10.000,00 por ano (anoscalendário 2011, 2012 e 2013). Ainda, nas declarações apresentadas pela Sra. Vanessa Gomes Toledo, além das quotas da participação societária, o único bem declarado foi um automóvel, em valor aproximado a R$ 15.000,00. Também, como pode ser visto nos autos, a Sra. Neusa Helena Vieira Costa não residia em Jundiaí, mas em Hortolândia, não estando plenamente esclarecido o porquê do recebimento de pro labore. Confunde o regramento legal para a escolha de domicílio tributário pela sócia Neusa Helena Vieira Costa. O CTN estabelece algumas regras a serem utilizadas caso o contribuinte não faça a eleição do domicílio tributário. Para pessoas naturais será considerado domicílio tributário o local de sua residência habitual. Caso não seja possível sua definição considerará o centro habitual de suas atividades. Se a contribuinte eleger o seu domicílio, como alegado pela sócia, este pode ser recusado, nos termos do § 2º do artigo 127 do CTN, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou fiscalização. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13839.722108/201531 Acórdão n.º 1201002.577 S1C2T1 Fl. 9 15 Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: I – quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. No caso em apreço, a contribuinte informou como domicílio tributário um local onde não poderia ser encontrada, então foi devidamente aplicado o § 2º do artigo 127 do CTN. Não basta o imóvel ser de seu tio para ser aceita sua eleição como seu domicílio tributário. No recurso, é aduzido que a eleição do domicílio tributário deuse pelo fato de o imóvel pertencer ao tio da titular da recorrente. No Termo de Constatação à fl. 137 consta: No exercício regular das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no curso da ação fiscal no contribuinte acima identificado e de acordo com o disposto nos art. 904, 905, 910, 911 e 927 do Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999 (RIR/99), em 21/07/2015, terçafeira, às 11:00, realizamos Diligência Fiscal no endereço cadastral informado aos sistemas da Receita Federal do Brasil, pela proprietária da empresa em epígrafe, Av. Nove de Julho, nº 1450, Apto. nº 132, Centro, JundiaíSP, no qual constatamos os fatos abaixo discriminados: 1 – No endereço supramencionado, identificamos um condomínio de apartamentos de alto padrão, denominado Serra dos Cristais; 2 – Ao perguntar ao porteiro, sr. Fabiano Pereira Ognibene (CPF 266.975.89833), sobre a moradora do apartamento 132, sra. Neusa Helena Vieira Costa, este nos relatou que nunca havia ouvido falar nesta pessoa como moradora do respectivo condomínio; 3 – Ato contínuo, perguntamos ao porteiro quem, na realidade, residia no apartamento 132, e este nos respondeu que o morador se chamava sr. Miguel. Indagado sobre o sobrenome, negouse a informar. No entanto, em consulta à matrícula do respectivo imóvel, constatouse que o proprietário se chama sr. Miguel Bento Vieira (CPF 042.863.32268). Fl. 380DF CARF MF 16 4 – Ainda em conversa com o porteiro, pedimos para que entrasse em contato com o apartamento em apreço para dizer que estávamos à procura da moradora Neusa Helena Vieira Costa. Todavia, não obstante o porteiro tenha nos informado que não residia nenhuma Neusa Helena Vieira Costa naquele condomínio, o atual morador do apto. 132 disse, por meio do porteiro, que deveríamos nos dirigir ao Hotel Central Park, Av. Jundiaí nº 300, e que as intimações e outros documentos deveriam ser entregues ao sr. Gilberto Galbiatti. Assim, independentemente do apartamento ser de propriedade do tio da Sra. Neusa, o fato é que ela ali não residia, mas na cidade de Hortolândia. A relação intrínseca entre a Fiscalizada e a empresa proprietária do imóvel onde a contribuinte exerce suas atividades MV Emp. e Part. Ltda, que tem como sócio administrador Miguel Bento Vieira, tio de Neusa Helena Vieira Costa, e na qual também consta como administrador (não como mero empregado) Gilberto Galbiatti, também não foi afastada. Como já ressaltado, esse fato por si só não motivaria a exclusão da empresa do SN, porém é mais um indício convergente da constituição da Fiscalizada por interpostas pessoas. No tocante à procuração com os mais amplos, gerais e ilimitados poderes em nome de Gilberto Galbiati (132.167.01840) e Eurípedes Jerônimo Vieira (656.890.38849), irmão de Miguel Bento Vieira, que lhes possibilita gerir a ora fiscalizada em toda e qualquer situação, os argumentos trazidos pela defesa não lhe socorrem. Isso porque, os poderes conferidos ao mandatário pelo mandato nunca são ilimitados. Nas palavras de Fábio Ulhoa Coelho (2005, p. 313): “A lei atenta ao fato de que os sujeitos capazes, para estarem livres da possibilidade de fraudes aos seus interesses, devem, entre outras cautelas, administrálos diretamente. Quando a interposição do representante se faz necessária, isso deve ser tratado como situação temporária e excepcional. Não existe, para a lei brasileira, nenhum meio de o sujeito capaz outorgar a outrem poderes ilimitados de representação. Limitando o alcance da representação, procura a lei preservar os interesses do mandante contra possíveis irregularidades na execução do mandato”. Nesse sentido, quando o procurador recebe poderes considerados gerais, pode apenas praticar atos de administração ordinária, ao passo que para representar alguém na alienação de bens, por exemplo, precisa ter poderes especiais de acordo com o que estipula o art. 661, § 1º do CC. Assim, a outorga de poderes especiais restringe o mandatário a praticar aquilo que for especificamente indicado, enquanto que poderes gerais limitam à prática de atos de simples administração ordinária, sendo ambas as limitações resultantes da lei, conforme artigos a seguir transcritos do Código Civil de 2002: Art. 660. O mandato pode ser especial a um ou mais negócios determinadamente, ou geral a todos os do mandante. Art. 661. O mandato em termos gerais só confere poderes de administração. § 1o Para alienar, hipotecar, transigir, ou praticar outros quaisquer atos que exorbitem da administração ordinária, depende a procuração de poderes especiais e expressos. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13839.722108/201531 Acórdão n.º 1201002.577 S1C2T1 Fl. 10 17 § 2º O poder de transigir não importa o de firmar compromisso. Art. 662. Os atos praticados por quem não tenha mandato, ou o tenha sem poderes suficientes, são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados, salvo se este os ratificar. Portanto, ao dar amplos poderes aos seus mandatários, com especificações bem definidas, sabiase exatamente a real destinação daquela procuração, transformar os sócios de direito em simples figurantes (laranjas), ficando os sócios de fato à frente do negócio. A recorrente traz várias informações com as quais pretende afastar os fatos que firmaram a convicção do AuditorFiscal que realizou a ação fiscal e a do relator voto condutor da decisão de primeira instância (seguido por unanimidade): a arrendante, M.V. Empreendimentos e Participações Ltda., pertence a Terras do Horizonte Participações Ltda. e ao Sr. Miguel Bento Vieira, sócioadministrador; "O Sr. Gilberto Galbiatti não é, mas foi administrador da empresa M.V. Empreendimentos e Participações Ltda., em conjunto com o Sr. Miguel Bento Vieira, até o ano de 2007, na qualidade de representante de Terras do Horizonte Empreendimentos Ltda."; "Miguel Bento Vieira é tio de Neusa Helena Vieira Costa, sóciaproprietária da fiscalizada. Entretanto, não há nenhuma relação societária entre a M.V. Empreendimentos e Participações Ltda. e a recorrente Vieiralves Empreendimentos Hoteleiros EIRELI EPP"; o Sr. Gilberto Galbiatti sempre atuou como empregado, sem qualquer participação societária; a Sra. Neusa Helena Vieira Costa, proprietária da recorrente, não tem nenhuma relação com a arrendante M.V. Empreendimentos e Participações Ltda.; a recorrente é arrendatária do imóvel onde exerce suas atividades; a arrendante, M.V. Empreendimentos e Participações Ltda., pertence a Terras do Horizonte Participações Ltda. e ao Sr. Miguel Bento Vieira, sócioadministrador; Tomadas isolada e formalmente, elas estão corretas. Ocorre que muito embora esse arcabouço formal de legalidade, ficou demonstrado nos autos que as sócias da recorrente não eram as proprietárias de fato do empreendimento. Outras alegações veiculadas no voluntário foram as seguintes: não há nenhuma prova de que a titular da recorrente "teria emprestado o seu nome para a constituição da pessoa jurídica, valendo lembrar que o fato de ter outorgado procurações para representála em situações específicas, visando a facilitação das práticas empresariais e desburocratização, não descaracteriza a sua qualidade de empresa individual, nem configura a existência de interpostas pessoas na constituição da empresa"; "nunca houve qualquer manobra entre Gilberto Galbiatti, Eurípedes Jerônimo Vieira e a empresa M.V. Empreendimentos e Participações Ltda., no sentido de Fl. 382DF CARF MF 18 utilizarem dos sócios constantes no Contrato Social da recorrente, através da interposição de pessoas"; as informações prestadas por funcionários dos quais nem os nomes foram mencionados, não têm consistência para a exclusão da recorrente do Simples Nacional; "a opção pelo 'Simples Nacional' ocorreu no ano de 2007, antes da alteração da sua razão social para Vieiralves Empreendimentos Hoteleiros Ltda. EPP. Logo está evidenciado com clareza solar, que a empresa não foi constituída por interposta pessoa e muito menos com a finalidade de fazer a opção pelo 'Simples Nacional' com o intuito de burlar o fisco". Apesar dessas alegações, como visto, ficou demonstrado que as sócias indicadas no contrato social da recorrente não possuíam capacidade financeira para fazerem frente ao empreendimento. Ainda, como fartamente demonstrado, o negócio era gerido por duas outras pessoas, as quais possuíam procuração com os mais amplos poderes. Como pode ser visto nos autos (fls. 99 a 129), inclusive em transações bancárias esses procuradores assinavam pela empresa e como avalistas. Também a forma de tributação da empresa não afeta a irregularidade apontada na Representação Fiscal. A constituição da empresa por interpostas pessoas visa impossibilitar ou dificultar a cobrança de créditos tributários confessados ou lançados de ofício e não pagos. No caso em apreço, a empresa não possui bens, exercendo suas atividades inclusive em imóvel locado, e suas sócias, Neusa Helena Vieira Costa e Vanessa Gomes Toledo (se retirou quando do início da ação fiscal), à época da ocorrência dos fatos geradores, não possuíam capacidade financeira para realização dos empréstimos registrados pela empresa. Havendo débito inscrito em dívida ativa da União quem arcará com o prejuízo? A União, porque não terá de quem cobrálos. É exatamente essa a intenção dos sócios de fato que constituem empresa com sócios laranjas, fugir da obrigação de pagar, fugir da execução, deixando a União à mingua e, pior ainda, incumbindo os contribuintes honestos de arcarem com suas obrigações que seria o resultado final de toda essa tramóia, caso o Fisco não agisse em tempo hábil. Por fim, não há necessidade de analisar se, individualmente, os indícios abarcados na Representação Fiscal motivariam a exclusão da empresa do SN, porque, como reiteradamente sustentado, a procuração e os demais indícios convergentes, quando analisados em conjunto, são elementos probantes necessários e suficientes para determinar a constituição da empresa por interpostas pessoas. Consta da Representação Fiscal: (...) Diante de todo o exposto, represento para que o sujeito passivo fiscalizado, VIEIRALVES EMPREENDIMENTOS HOTELEIROS EIRELI EPP, CNPJ 07.684.591/000102, seja excluído de ofício do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional , estabelecido pela Lei Complementar n° 123/2006, com efeitos a partir de 09/11/2005, data de entrada da Sra. Neusa Helena Vieira Costa no Contrato Social. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13839.722108/201531 Acórdão n.º 1201002.577 S1C2T1 Fl. 11 19 E o ADE consuma a exclusão com a seguinte redação: Art. 1º. Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123/2006), a partir de 01/07/2007, de acordo com o artigo 76, IV, alínea c, da Resolução CGSN nº 94 de 2011 e com fundamento legal no artigo 29, incido IV, da Lei Complementar nº 123 de 2006, a empresa VIEIRALVES EMPREENDIMENTOS HOTELEIROS EIRELI EPP, CNPJ nº 07.684.591/000102, por ter sido constituída por interpostas pessoas. Art. 2º. De acordo com o Art. 29, §1º, da Lei Complementar nº 123/2006, a exclusão produzirá efeitos a partir do mês em que incorridas. Como o AuditorFiscal responsável pela Representação informou a data de 09/11/2005, a exclusão terá efeitos a partir de 01/07/2007, data de início do regime, conforme despacho de fl. 153 do processo administrativo citado. Resta evidente que os efeitos da exclusão retroagem porque a LC 123/2006, em seu artigo 29, § 1º, abaixo transcrito, assim determina. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; (...) §1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. Como elucidado na Representação Fiscal, a constituição por interpostas pessoas, ocorreu quando da entrada da Sra. Neusa Helena Vieira Costa no Contrato Social, 09/11/2005. Assim, quando do início da vigência do SN, a contribuinte não poderia nele se enquadrar, motivo pelo qual sua exclusão retroagiu a 01/07/2007. Como pode ser visto na ficha cadastral da JUCESP, anexada às fls. 74 e 75, a mudança da Razão Social e a admissão da Sra. Neusa Helena Vieira Costa como sócia ocorreu em 9 de novembro de 2005: Fl. 384DF CARF MF 20 Correto pois o ato de exclusão retroagir a 1º de julho de 2007. Discutese no processo em apreço somente a exclusão da empresa do SN, não havendo aqui qualquer cobrança ou lançamento de ofício, sendo descabida discussão sobre prescrição ou decadência com relação aos efeitos do ADE. Conclusão. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.720171/2016-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 10/09/2014, 11/09/2014, 18/09/2014
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
Há autorização legal à constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência relativamente a tributo de competência da União, cuja exigibilidade tenha sido suspensa por liminar ou tutela antecipada concedida, não cabendo lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF n° 17).
A Súmula CARF nº 5 dispõe que: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 3302-006.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto por XERYU´S e em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário interposto pela STILE e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 10/09/2014, 11/09/2014, 18/09/2014 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Há autorização legal à constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência relativamente a tributo de competência da União, cuja exigibilidade tenha sido suspensa por liminar ou tutela antecipada concedida, não cabendo lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF n° 17). A Súmula CARF nº 5 dispõe que: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
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RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Há autorização legal à constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência relativamente a tributo de competência da União, cuja exigibilidade tenha sido suspensa por liminar ou tutela antecipada concedida, não cabendo lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF n° 17). A Súmula CARF nº 5 dispõe que: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto por XERYU´S e em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário interposto pela STILE e, na parte conhecida, em negarlhe provimento (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 01 71 /2 01 6- 36 Fl. 592DF CARF MF Processo nº 12466.720171/201636 Acórdão n.º 3302006.010 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório O objeto do presente processo versa sobre a identidade de discussão entre processo judicial e a demanda administrativa relacionada a classificação equivocada de produtos em declaração de importação realizada pela contribuinte recorrente, e a exigência de multa de ofício. Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 07 39.114, da 1ª Turma da DRJ/FNS, proferido na sessão de 27 de janeiro de 2017: " Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de crédito tributário no valor de R$203.283,74 referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e respectivos juros de mora, em desfavor de STILE Comercial Limitada e, na condição de responsável solidária (Termo de Sujeição Passiva Solidária à fl. 278.), XERYU´s Importadora e Distribuidora de Artigos para Vestuário Limitada. De acordo com os relatórios fiscais (fls. 3 a 8), os lançamentos foram efetuados com a finalidade de prevenir o transcurso de prazo decadencial, haja vista a existência de ação judicial (Ação Ordinária nº 010914977.2014.4.02.5001) em curso para garantir a classificação fiscal das mercadorias importadas em desacordo com o determinado nas Soluções de Consulta (SC) nº 65/2013, 09/2014 e 10/2014. Consta dos relatórios que tais SC determinaram que os produtos importados fossem todos classificados adotandose a NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) 4202.92.00, implicando alíquotas de 35% para o II e de 10% para o IPI. Por sua vez, a ação judicial procura demonstrar que as classificações a serem adotadas seriam as da NCM 4202.12.20 e 4202.32.00 (20% de II de 10 % de IPI). Cientificada, a empresa STILE apresentou impugnação às fls. 283 a 323 na qual defende a classificação adotada nas declarações de importação (DI). Informa que a XERYU´s ajuizou Ação Ordinária nº 010914977.2014.4.02.5001, com o objetivo de afastar a aplicação do entendimento expressado nas Soluções de Consulta. Foi proferida a decisão a qual concedeu parcialmente os efeitos da tutela antecipada pretendida no sentido de autorizar a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, relativos, também, aos eventos futuros, mediante a Fl. 593DF CARF MF Processo nº 12466.720171/201636 Acórdão n.º 3302006.010 S3C3T2 Fl. 4 3 efetivação de depósito judicial referente à diferença apurada na divergência quanto à classificação fiscal. Alega que os créditos tributários estão com a exigibilidade suspensa em razão da tutela antecipada concedida, em face do depósito do montante integral, nos termos do artigo 151, incisos II e V, do Código Tributário Nacional. Diante de tal fato, temse não prosperar a fundamentação legal de incidência de juros de mora. Defende que, em última análise, o depósito integral do montante discutido corresponde ao pagamento, ainda que de modo indireto do tributo, uma vez que os valores já se encontram garantidos, à disposição do Fisco Federal, acaso sobrevenha decisão judicial definitiva desfavorável à responsável solidária, e consequentemente à ora impugnante, dandose prosseguimento à conversão em renda. Informou que, em que pese a impossibilidade de concomitância do julgamento de igual mérito, ainda assim, delinearia os argumentos atinentes à discussão da materialidade da infração, a fim de garantir a sua apreciação no caso de eventual decisão que determine a extinção do processo judicial sem análise de mérito. Apresentou os mesmos argumentos levados ao Judiciário. Requer que seja julgado procedente a presente impugnação, a fim de que seja considerado o mérito da demanda, inobstante o ajuizamento da Ação Ordinária perante a Justiça Federal, julgandose improcedente a ação fiscal. Requer ainda a inaplicabilidade dos juros de mora, tendo em vista os depósitos judiciais realizados nos autos do processo judicial. Cientificada, a empresa XERYU´s, responsável solidária (ciência em 17/03/2016 – fl. 279), apresentou impugnação de fls. 341 a 385, na qual alega, em síntese, as mesmas razões da empresa STILE, e se defende ainda da tempestividade da impugnação. Solicita postergação do prazo para a apresentação da impugnação administrativa, que expirou em 18/04/2016. Isto porque, diante da indisponibilidade do sistema eCAC para download dos processos, para fins de protocolo pelo PGS e, considerando a recusa dos servidores na Unidade Presencial de Atendimento, o protocolo foi efetuado no dia útil seguinte, 19/04/2016. É o relatório. No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada parcialmente procedente a impugnação realizada pela contribuinte, mantendose em parte o crédito tributário apurado, sendo traduzido na seguinte emenda: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/09/2014, 11/09/2014, 18/09/2014 Fl. 594DF CARF MF Processo nº 12466.720171/201636 Acórdão n.º 3302006.010 S3C3T2 Fl. 5 4 DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO DESNECESSÁRIO. SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT Nº 3/2016. O lançamento “desnecessário” revela a ocorrência de um ato administrativo que não precisava ter sido exarado, pois que não geraria quaisquer consequências negativas para o titular do direito ao crédito tributário o sujeito ativo haja vista que a providência de constituição do crédito fora executada em momento anterior, quando das providências levadas a efeito pelo sujeito passivo, ao efetuar o depósito, conforme manifestações da PGFN, mormente quanto ao item “63” , do Anexo “Delimitação da matéria decidida consoante solicitação da RFB”, da Nota PGFN/CRJ/Nº 1.114/2012. No caso, ficam obstados, somente, os atos de cobrança posteriores ao lançamento. AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. JUROS DE MORA. DEPÓSITO PRÉVIO. Indevida a exigência de juros de mora quando realizado o depósito integral do montante dos valores suspensos antes do início de qualquer procedimento fiscal. IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. A impugnação apresentada fora do prazo deve ser apreciada, caso a tempestividade esteja caracterizada como preliminar (ADN COSIT nº 15/1996). A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, não se devendo dela conhecer. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte STILE interpôs recurso voluntário onde repete de forma idêntica todos os argumentos trazidos na impugnação, não inovando em suas razões, requerendo ao final, novamente, a total procedência de seu apelo. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 12466.720171/201636 Acórdão n.º 3302006.010 S3C3T2 Fl. 6 5 Por seu turno contribuinte XERYU´s, interpôs recurso voluntário onde insurgese contra a decisão de não conhecimento de sua impugnação declarada intempestiva, além de utilizar como razões de seu recurso, aquelas apontadas pela recorrente STILE. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: I Do Recurso Voluntário da contribuinte XERYU´s Em apertada síntese e cotejando os dois recurso voluntários encartados nos autos, tendo em vista a declaração de sujeição passiva solidária, o recurso trazido pela contribuinte XERYU´s , difere do recurso interposto pela recorrente STILE, somente no que diz respeito ao não conhecimento de sua impugnação por parte da DRJ, já que declarada intempestiva. Em sede de preliminar traz alegações que em tese dariam base para a sua insurgência relacionada ao não conhecimento de sua impugnação intempestiva, afirmando sem qualquer prova a seu favor de que o protocolo teria sido recusado por servidor da RFB, tendo em vista a suposta falta de documentos, ou mesmo que não teria acesso ao processo em sua forma eletrônica, trazendo no corpo de sua impugnação e recurso colagem de páginas do sitio da RFB que em não provam o que se quer afirmar. Vale ressaltar que o recurso voluntário é um espelho daquilo que foi trazido pela impugnação, sem, como dito anteriormente, trazer qualquer tipo de inovação. Quanto ao prazo para o protocolo da impugnação por parte do contribuinte, dispõe o art. 15, do Decreto nº 70.237/72: Ar. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos que a fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Ressaltase que a intempestividade do protocolo da peça de defesa é incontroverso, sendo inclusive admitido pela própria contribuinte recorrente. Não podemos nos distanciar da norma trazida pelo art. 14 do mesmo decreto acima referido, quanto ao efeito da impugnação, vejamos: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Na hipótese de se admitir o recurso voluntário e consequentemente apreciar lhe o mérito, estaríamos promovendo a supressão de instância levando a fatal nulidade de qualquer pronunciamento, seja ele a favor ou contra os argumentos tecidos pela recorrente. Assim, não havendo impugnação válida, uma vez não ter sido conhecida pela DRJ, levandose ainda em consideração que a recorrente não trouxe ao processo qualquer Fl. 596DF CARF MF Processo nº 12466.720171/201636 Acórdão n.º 3302006.010 S3C3T2 Fl. 7 6 prova que pudesse sustentar suas alegações quanto à suposta impossibilidade de protocolo do documento, não temos instaurado, pelo menos quanto a contribuinte XERYU´s o contencioso administrativo. Desta forma, considerando que a impugnação não foi protocolada tempestivamente, muito menos ter havido a comprovação de fato que pudesse justificar a apresentação tardia da peça de defesa, não há como considerar como válidas as afirmações, motivo pelo qual não tomo conhecimento do recurso. II Do Recurso Voluntário da contribuinte STILE II.1 Concomitância No que tange ao recurso interposto pela contribuinte STILE, observamos que tratase de divergência qual a classificação de mercadorias importadas, uma vez verificado em procedimento de fiscalização que o NCM utilizado nas DI´s, não seria o adequado Referida matéria, pelo que se pode apurar dos documentos juntados ao processo, foi submetida pela recorrente à apreciação do judiciária, processo n. 0109149 77.2014.4.02.5001, que encontrase na fase recursal perante o TRF da 2ª Região. Esclarecese que a existência do processo judicial e que a matéria ali tratada referese ao mesmo objeto em discussão na esfera administrativa, foi informada pela própria recorrente, sendo fato incontroverso. Conforme podemos ver do relatório acima, tratase de matéria sumulada neste tribunal que a propositura de ação judicial, em qualquer modalidade processual, acarreta a renúncia à discussão do mesmo objeto em processo administrativo. É o teor da Súmula CARF nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Como se vê, a matéria discutida judicialmente versa exatamente sobre a divergência quanto a posição do NCM utilizada na classificação das mercadorias importadas, requerendose o afastamento de Soluções de Consulta outrora proferida. Assim, verificada a concomitância das matérias discutidas nas esferas administrativa e judicial, e tendo em vista a regra regimental que estabelece a obrigatoriedade na aplicação de matérias sumuladas no E. CARF, não se conhece da presente matéria. II.2 Afastamento dos Juros de Mora Conforme acima relatado, tratase de auto de infração lavrado para fins de se prevenir a decadência, em razão da existência de ação judicial, em que a Contribuinte discute a correta classificação de produtos importados. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 12466.720171/201636 Acórdão n.º 3302006.010 S3C3T2 Fl. 8 7 Com efeito, a figura do lançamento para fins de prevenção da decadência encontrase disciplinada no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, nos seguintes termos: Art.63 Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1961, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Ademais, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é ato administrativo de caráter vinculado e obrigatório, não podendo a autoridade fiscal eximirse de efetuáloj, mesmo que existente hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário (art. 151, CTN), sob pena de responsabilidade funcional. Neste sentido, nada impede que a Fazenda Nacional, com objetivo de prevenir a decadência, proceda ao lançamento quando o Contribuinte, antes do procedimento fiscal, busca a tutela jurisdicional para deixar de recolher, total ou parcialmente, determinado tributo, realizando os respectivos depósitos judiciais de forma integral. No presente caso, houve na ação judicial a concessão parcial da tutela antecipada, determinando a realização do depósito integral da exação, o que de fato ocorreu, ajustandose, portanto, à previsão do inciso V do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN), conforme exige o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcrito. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é ato administrativo de caráter vinculado e obrigatório, não podendo a autoridade fiscal eximirse de efetuálo, mesmo que existente hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário (art. 151, CTN), sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, o lançamento se encontra em conformidade com a lei, não se acolhe o pedido de cancelamento do Auto de Infração em razão do seu caráter preventivo. Quanto ao afastamento da incidência de juros sobre depósito judicial integral do débito, matéria tratada pela Súmula CARF nº 05, entendo não haver interesse recursal a contribuinte STILE quanto a referido tópico, vez que, como se depreende da decisão de piso sobre a qual se interpõe o recurso voluntário, restou julgada procedente a impugnação determinando o afastamento da cobrança de juros. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte, para manter a exigência valida do auto de infração para prevenir a decadência. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 12466.720171/201636 Acórdão n.º 3302006.010 S3C3T2 Fl. 9 8 III Conclusão Por todo o exposto, voto no seguinte sentido: a) Não conhecer do Recurso Voluntário interposto pela responsável solidária XERYU’S ; b) Conhecer parcialmente do Recurso Voluntário da contribuinte STILE, e na parte conhecida contudo negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 599DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003570/2009-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.332
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1770; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.003570/200986 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.332 – 3ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com embalagem de transporte, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 35 70 /2 00 9- 86 Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 9303007.332 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 330201.520, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2012. O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: despesas com embalagens e com aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras. Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens reconhecidos como insumos pela decisão recorrida: despesas com manutenção de empilhadeiras; com aquisição de GLP e despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). Visando à comprovação do dissenso interpretativo indicou, dentre outros, o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 9303007.332 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.328, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.000608/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.328): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras (manutenção e aquisição de GLP) e despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 9303007.332 CSRFT3 Fl. 5 4 consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 9303007.332 CSRFT3 Fl. 6 5 empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 9303007.332 CSRFT3 Fl. 7 6 Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 9303007.332 CSRFT3 Fl. 8 7 efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. (...) No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; (2) despesas com embalagem de transporte (material de embalagem). Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 9303007.332 CSRFT3 Fl. 9 8 atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " (...)3 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do direito de crédito quanto às despesas com material de embalagem (embalagem de transporte), por ser entendimento que foi vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.328. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 9303007.332 CSRFT3 Fl. 10 9 Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; e 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 9303007.332 CSRFT3 Fl. 11 10 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 9303007.332 CSRFT3 Fl. 12 11 2) Materiais utilizados para embalagens de transporte Conforme acórdão recorrido, tratam se dos seguintes itens: "tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets". Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos itens referentes às embalagens de transporte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial para restabelecer as glosas de crédito em relação aos itens referentes às embalagens de transporte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.004537/2007-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2005
FALTA. COMUNICAÇÃO. EXCLUSÃO.
Contribuinte, enquadrado na condição de microempresa, que auferiu em 2004 receita bruta superior ao limite legal para enquadramento neste regime deve ser excluído do sistema simplificado.
Numero da decisão: 1001-000.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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COMUNICAÇÃO. EXCLUSÃO. Contribuinte, enquadrado na condição de microempresa, que auferiu em 2004 receita bruta superior ao limite legal para enquadramento neste regime deve ser excluído do sistema simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Ato Declaratório c/c Informação Fiscal SECAT/DRF/FOZn° 57, de 08/04/2010, que excluiu a contribuinte ao Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005, em face de ter restado comprovado que no ano calendário de 2004 auferiu receitas em montante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 45 37 /2 00 7- 17 Fl. 179DF CARF MF 2 superior ao limite estabelecido na legislação de regência, o artigo 9°, inciso II c/c os artigos 14, inciso I e 15, inciso IV da Lei n° 9.317, de 1996 e, artigo 24, inciso VI da Instrução Normativa SRF n° 608, de 2006. Adoto aqui o relatório da decisão de primeira instância (70/75), por bem descrever o litígio: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório emitido ao amparo da Informação Fiscal SECAT/DRF/FOZn° 57, de 08/04/2010, que excluiu a contribuinte ao Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005, em face de ter restado comprovado que no ano calendário de 2004 auferiu receitas em montante superior ao limite estabelecido na legislação de regência. Portanto, a exclusão ao benefício ocorreu por conta do excesso de receitas e o fundamento legal para a emissão do ato é o artigo 9o , inciso II combinado com os artigos 14, inciso I e 15, inciso IV da Lei n° 9.317, de 1996 e, artigo 24, inciso VI da Instrução Normativa SRF n° 608, de 2006. 2. Em sua defesa argumenta que a exclusão tem como origem fiscalização realizada em face do faturamento auferido no ano calendário de 2004; que ao final da ação fiscal a autoridade entendeu existir movimentação financeira que demonstrava a existência de faturamento não oferecido à tributação; que o auto de infração foi julgado e encontrase em fase de Recurso junto ao CARF; que em que pese a informação fiscal emitida com base no julgamento de primeira instância do auto de infração, bem como todos os atos praticados, estes não podem prevalecer, posto inexistir excesso de faturamento a amparar a exclusão. 3. Alega em preliminar a decadência do direito de a autoridade fiscal promover sua exclusão ao Simples, posto que os fatos ocorreram em 2004 e o ato só foi emitido em 08/04/2010; pede a suspensão do processo em face da apresentação de Recurso junto ao processo que trata do lançamento de ofício e no mérito, alega inexistência de omissão de receitas. Sustenta que empresas que se dedicam à vendas no varejo não possuem um controle rígido de suas contas correntes bancárias, inexistindo vinculação entre determinado depósito e a correspondente venda efetuada; que podem efetuar diversas vendas para, ao final do dia realizar um único depósito; ou mesmo utilizar parte do valor para pagamento a fornecedores; que a autoridade fiscal afirma que sua seleção ocorreu por conta da movimentação financeira que se mostrou superior à receita bruta declarada; que o fiscal entendeu que como a movimentação financeira bancária era superior à receita declarada teria restado evidenciada a omissão de receitas. 4. Prossegue tentando descaracterizar a omissão de receitas e afirma que os valores que transitaram pela conta mantida junto à Cooperativa de Crédito Rural Costa Oeste (Sicredi) os quais, como restou consignado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 0304, restaram à margem da contabilidade, somados aos valores movimentados nas outras contas correntes totalizam R$ 1.042.105,77 que é inferior à receita bruta declarada. Concluíse que com este cálculo, pretende fazer prevalecer a tese de que inexiste omissão de receitas. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10945.004537/200717 Acórdão n.º 1001000.796 S1C0T1 Fl. 180 3 5. Na seqüência, foca sua manifestação em tentar justificar as razões da não comprovação da origem dos depósitos bancários, dos quais culminou a lavratura do auto de infração, PAF n° 10945.004463/200719 e justifica a forma de escrituração que adota. Volta a defender a inexistência de omissão de receitas, pede o cancelamento da exclusão e, por fim, clama para que sejam corrigidos os valores da receita bruta para a opção ao Simples. A decisão de primeira instância (0631.566 2 a Turma da DRJ/CTA, efls. 134/144) manteve a exclusão. Cientificado da decisão em 26/05/2011 (efl. 147) o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 149), de 21/06/2011, em que repete os argumentos da impugnação. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo. Dele conheço. O processo nº 10945.004463/200719, que trata dos autos de infração de receitas omitidas no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, anocalendário 2004, foi julgado de forma definitiva pela Acórdão nº 1401002.550 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018. Na oportunidade foi mantida a autuação e a presunção de auferimento de receitas, as mesmas que redundaram na exclusão da empresa do Simples. Desta forma não adentraremos sobre as razões da autuação e da presunção das receitas, pois já foram apreciadas por este CARF. Não cabe a junção de processos, pois o processo referido referente à autuação já não se encontra na mesma fase processual e já foi apreciado. O contribuinte repete os argumentos da impugnação à primeira instância juntada neste processo. Como concordamos com a refutação contida no voto condutor do acórdão da DRJ (0631.566 2ª Turma da DRJ/CTA, efls. 134/144), aqui recorrido, e em função do disposto no § 3º do art. 57 art. do RICARF, reproduzimos a seguir o citado voto e aderimos a seus termos. 6. A contribuinte discorda de sua exclusão ao Simples Federal, regido pela Lei n° 9.317, de 1996, ao argumento de que no ano calendário de 2004 teria auferido receitas em montante superior àquele permitido pela legislação de regência. 7. Apenas para contextualizar o presente processo fazse necessário historiar os fatos que culminaram com sua exclusão Fl. 181DF CARF MF 4 ao Simples. Conforme documentos que instruem esta peça, a contribuinte foi alvo de ação fiscal que culminou com a lavratura do auto de infração de fls. 0851, onde lhe estão sendo exigidos valores a título de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e contribuição ao INSS, todos calculados pela sistemática do Simples, os quais totalizaram à época R$ 235.936,29. As infrações imputadas foram omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados, omissão de receitas caracterizada por pagamentos não escriturados e insuficiência de recolhimento decorrente da alteração da faixa de tributação. O referido processo (PAF 10945.004463/200719) foi julgado por esta DRJ, sendo que o Acórdão proferido sob o n° 23.740, fls. 5389, considerou procedente em parte o lançamento, por unanimidade de votos. 8. Percebase que tanto o auto de infração como o Acórdão instruíram a Representação Fiscal de fl. 02 onde a autoridade fiscal propôs a exclusão da interessada ao Simples. O fato ocorreu em 09/08/2007 e o ato de exclusão foi emitido em 08/04/2010. 9. O primeiro argumento da contribuinte na manifestação de inconformidade é de que teria ocorrido a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar sua exclusão ao Simples, posto que amparada em fatos havidos em 2004. 10. De início, cabe analisar a arguição que teria ocorrido a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar sua exclusão ao Simples, uma vez que o ato de exclusão foi emitido quando já se havia passado mais de cinco anos do fato impeditivo, ocorrido em 2004. O argumento levantado pela impugnante é infundado. Nenhuma relação guarda com o direito, ou poderdever, de o fisco executar ato de ofício, no caso, a exclusão do Simples que, aliás, não é renunciável, como quer a interessada, em vista do princípio da indisponibilidade e da legalidade que revestem os atos administrativos em geral. Vale dizer, uma vez que a lei tributária prevê o ato de exclusão de ofício (art. 14 da Lei n° 9.317/96), não pode a autoridade administrativa renunciar ao ato, porque não o tem à livre disposição, devendo simplesmente cumprilo. 11. Ainda cabe esclarecer que no direito tributário, a decadência é tratada pelo legislador como sendo uma modalidade de extinção do crédito tributário, sendo de se analisar o que dispõem os artigos 156 e 173 do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: V a prescrição e a decadência; (Grifouse) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (Grifouse) I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10945.004537/200717 Acórdão n.º 1001000.796 S1C0T1 Fl. 181 5 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. 12. A decadência, portanto, constituise num óbice à autoridade fiscal para efetuar o lançamento do tributo, eis que se refere à perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário. Não pode este instituto, como quer a reclamante, ser suscitado para afastar constatação de situações configuradoras de vedação à permanência no Simples. 13. Como segundo argumento alega que o processo referente à omissão de receitas não se encontra definitivamente julgado, razão pela qual sua exclusão não poderia ocorrer. Mais uma vez não cabe razão à interessada. Analisando o Acórdão então emitido percebese que a autoridade julgadora manteve em parte a autuação e, no momento, o processo aguarda a apreciação do recurso interposto junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. 14. Embora ambos os processos tenham uma interligação direta, não cabe a esta Julgadora qualquer manifestação sobre o crédito ali lançado e, muito menos, sobre as provas e contra provas ali incluídas. A esta Relatora compete análise sobre a discussão a respeito do presente exclusão ou permanência da Empresa no SIMPLES, em face da constatação da receita bruta excedente ao valor legalmente aposto. 15. No entanto, não desconheço que o julgamento daqueles autos pode influenciar na discussão relacionada ao SIMPLES, objeto do presente autos. Assim, é importante deixar registrado que todos os argumentos da Empresa, relativos ao tema receita bruta, foram refutados naquele processo pelo Julgador Relator em seu Voto, e em Decisão unânime, concluiuse pela Impugnação Procedente em Parte com o crédito tributário mantido em parte, cuja ementa colo ao presente: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. CIÊNCIA DE TODOS OS DOCUMENTOS UTILIZADOS DURANTE A AÇÃO FISCAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não cabe suscitar nulidade por suposto cerceamento de defesa decorrente de falta de ciência de todos os documentos utilizados durante a ação fiscal, por ausência de previsão legal, bastando os documentos indispensáveis à comprovação da infração. 16. Em que pese o seu inconformismo, o efeito da exclusão em função do limite de receita bruta darseá a partir do ano calendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado. Confira se. 17. De acordo com a Lei n° 9.317/1996, a exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício (art. 12), mediante comunicação da pessoa jurídica (art. 13), por opção (inc. I) ou obrigatoriamente (inc. II), quando Fl. 183DF CARF MF 6 incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9° (alínea "a" ). 18. Já a exclusão de ofício, como a que aqui se apresenta, dar seá quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses (art. 14): "I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica;". 19. Quanto aos efeitos, temse na mesma Lei: "Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV a partir do anocalendário subseqüente àquele cm que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°;". 20. Dessa forma, considerando que a situação excludente apuração de receita bruta superior ao limite, deuse no ano calendário de 2004, é correto concluir que o termo inicial dos efeitos da exclusão deve ser janeiro de 2005, que corresponde ao ano calendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite estabelecido, nos estritos termos de art. 15, inc. IV, da Lei n° 9.317/1996. 21. A reclamante requer a concessão dos efeitos suspensivos pertinentes à exclusão do Simples, dispensando a contribuinte de seu cumprimento até que se conclua todo o processo administrativo. 22. Quanto a essa solicitação, entendo que a Manifestação de Inconformidade, ora em análise, contra o ato de exclusão do Simples não possui efeito suspensivo, por falta de previsão legal. 23. Como ponto de partida, apesar da idéia intuitiva do significado do termo, convém firmar alguns pressupostos. O efeito suspensivo é um atributo do recurso e tem aplicação sobre a decisão recorrida. A decisão, objeto da contestação, no âmbito do direito tributário, manifestase, em regra, através de um ato administrativo, que pode ser de espécies variadas (auto de infração, exclusão do Simples, cassação de benefício, indeferimento de compensação etc). Qualquer que seja a natureza desse ato, ele produz uma série de efeitos, que são simples conseqüências advindas da produção daquele ato. Quando se diz que determinado recurso tem efeito suspensivo, querse dizer que a decisão que está sendo contestada tem seus efeitos suspensos, ou seja, qualquer que seja a natureza do ato administrativo em litígio, ele deixa de produzir qualquer efeito, até a superveniencia da decisão final. É importante frisar esse aspecto. O efeito paralisante não atinge somente os atos executórios da decisão, até porque esta pode ser de natureza declaratória ou constitutiva, no entanto, mesmo os atos declaratórios ou constitutivos não podem produzir efeitos, diante do efeito suspensivo do recurso. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10945.004537/200717 Acórdão n.º 1001000.796 S1C0T1 Fl. 182 7 24. Para efeitos práticos, é como se a decisão não tivesse sido proferida, já que nenhum efeito pode surtir. No caso específico do ato de exclusão do Simples, o eventual efeito suspensivo da respectiva manifestação de inconformidade deve provocar a suspensão de todas as conseqüências que naturalmente adviriam da exclusão, até a decisão administrativa final. Isso inclui: a apuração do lucro por outro regime (que exigiria a escrituração de livros contábeis, caso a opção fosse pelo lucro real), o envio de declaração por outro regime, o pagamento de tributos por outro regime, as contribuições previdenciárias e às destinadas aos Terceiros, dentre outros. Nada disso poderia ser exigido do contribuinte, caso estivesse ele protegido pelo efeito suspensivo. 25. Um segundo aspecto que também merece ser destacado no instituto do efeito suspensivo é a necessidade de previsão expressa na lei que criou o recurso. Em outros termos, o efeito suspensivo não se presume, ele só existe quando o legislador manifesta a intenção de conferir esse efeito. É o que leciona Maria Sylvia Zanella DI PIETRO, em seu "Direito Administrativo, São Paulo: Atlas, 19a ed., 2006, p. 697: O efeito suspensivo, como o próprio nome diz, suspende os efeitos do ato até a decisão do recurso; ele só existe quando a lei o preveja expressamente. Por outras palavras, no silêncio da lei, o recurso tem apenas efeito devolutivo. 26. Esse princípio foi positivado na legislação do processo administrativo federal, através da Lei n° 9.784 , de 1999, que assim dispõe em seu artigo 61: Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo. Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente da execução, a autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso. 27. Isso sugere, como próximo passo, verificar se o legislador pretendeu dar efeito suspensivo no recurso cabível contra o ato de exclusão do Simples. A pesquisa deve ser iniciada pelo CTN e a única hipótese de suspensão é a prevista no artigo 151, que, no entanto, é restrita à exigibilidade do crédito tributário. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (grifouse) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. 28. O dispositivo é claro, e autoriza à conclusão de que ele não incide nas impugnações contra o ato de exclusão do Simples, uma vez que esses procedimentos não envolvem cobrança de Fl. 185DF CARF MF 8 crédito tributário, mas sim o regime de tributação do contribuinte. Assim, podese afirmar que, pelo menos no CTN, o legislador não pretendeu conferir efeito suspensivo nos processos de exclusão do Simples. 29. E em se tratando do Simples, parece evidente que, caso o legislador pretendesse beneficiar o contribuinte com o efeito suspensivo em seu recurso contra a exclusão, têloia previsto na própria Lei n° 9.317/96, que disciplina todo o referido regime. No entanto, se alguma conclusão for possível quanto à intenção do legislador quanto ao efeito suspensivo do recurso contra a exclusão, prevalece à tese negativa. Na realidade, na Lei do Simples, não se faz menção ao recurso administrativo contra o ato declaratório de exclusão. Ao tratar da matéria atinente aos efeitos da exclusão, o legislador estipulou apenas o marco temporal inicial, ou seja, o termo de início dos efeitos da exclusão, a partir do qual o contribuinte passaria a submeterse às regras dos demais regimes tributários. Segundo o artigo 16, o contribuinte passa a sujeitarse às regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão: "Art. 16° A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas". 30. Por sua vez, o período em que se processam os efeitos da exclusão encontrase definido no artigo 15, que disciplina uma série de regras, dependendo da hipótese de exclusão. Na situação presente receita bruta excedente, os efeitos da exclusão processamse a partir do mês subseqüente ao da situação excludente: "Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9o;". 31. Um possível argumento favorável à tese de existência de efeito suspensivo para o recurso no Simples seria o art. 33 do Decreto n° 70.235/72, que confere o efeito suspensivo, de forma genérica, para todos os recursos voluntários interpostos pelo contribuinte, contra a decisão de primeira instância, endereçado ao Conselho de Contribuintes. Do Julgamento em Primeira Instância Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." 32. No entanto, não há como aplicar tal norma aos casos de exclusão do Simples. Primeiramente, porque a redação do citado dispositivo é a mesma desde a publicação do PAF, que ocorreu em 06/03/1972, quando sequer existia o regime simplificado, que somente viria a ser implementado em 1996. Esse dispositivo foi implementado em cumprimento ao disposto no já citado art. 151, Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10945.004537/200717 Acórdão n.º 1001000.796 S1C0T1 Fl. 183 9 III do CTN, que determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e portanto, deve ser compreendido no âmbito dos processos de autos de infração. Além disso, é relevante observar que o art. 33 do PAF somente diz respeito ao recurso voluntário endereçado ao Conselho de Contribuintes, não havendo norma semelhante para os recursos interpostos contra atos da DRF e dirigidos à primeira instância julgadora. 33. Isso revela que o legislador foi silente no que tange aos efeitos do recurso contra o ADE. Logo, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.784/99, a manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples não tem efeito suspensivo. 34. Corrobora essa conclusão, julgados do então Conselho de Contribuintes, alinhados a esse mesmo entendimento, conforme denotam os seguintes acórdãos: Decisão: Acórdão 10516664, de 13/09/2007 QUINTA CÂMARA "SIMPLES EXCLUSÃO DE OFÍCIO MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do SIMPLES não possui efeito suspensivo. " ; Decisão: Acórdão 10516665, de 13/09/2007 QUINTA CÂMARA "SIMPLES EXCLUSÃO DE OFÍCIO MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do SIMPLES não possui efeito suspensivo. " . 35. O PAF é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final (art. 2o , inc. XII da Lei n° 9.784/1999), não cabendo sobrestarse o julgamento na inexistência de impeditivo legal. Nem mesmo se pode dizer que haja suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente da exclusão da empresa do SIMPLES, pelo fato de ela recorrer da exclusão. 36. O fato concreto é que a empresa foi excluída do SIMPLES, situação em que afasta o contribuinte do tratamento tributário diferenciado e submisso às mesmas regras das demais empresas, devendo se submeter às normas a que estas estão sujeitas, em consonância com o art. 16 supra transcrito, sem tratamento diferenciado. 37. Assim, a partir do período em que se processam os efeitos da exclusão do Simples por intermédio do ADE, a pessoa jurídica se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O Processo Administrativo mencionado pela Impugnante, pendente de julgamento, porém, já julgado procedente em primeira instância, não impede que o presente tenha continuidade. Destaquese, porém, que uma vez que os processos são correlatos, naturalmente a administração deve Fl. 187DF CARF MF 10 manter a coerência de procedimentos. Daí a informação da conexão dos processos aqui registrada. 38. Outro questionamento é de que não teria ocorrido omissão de receitas e, todos os argumentos apresentados constituem espelho daquilo que alegou junto ao PAF10945.004463/200719 os quais foram analisados no Acórdão respectivo. Apenas a título de curiosidade, transcrevemse os itens 26 a 29 daquele Acórdão que dizem: A litigante constrói sua defesa contestando a afirmação feita pelo autuante, de que a empresa teria apresentado movimentação financeira superior à receita bruta declarada; e explica que, em 2004, sua receita bruta foi de R$ 1.165.202,67, enquanto que, os créditos todos somados remontam a R$ 1.042.105,77; sustenta, enfim, que o agente fiscal inicia e mantém seu auto de infração com fundamento na movimentação bancária superior ao faturamento, constatação esta que se revelou incorreta. Tal argumento não convence, já que o fato de a empresa ter declarado receita bruta em montante superior aos depósitos bancários mantidos em suas contas bancárias não afasta a possibilidade de existência de omissão de receitas, quando, por exemplo, o contribuinte movimentar uma de suas contas à margem da tributação. A dúvida que paira, nesse ponto, portanto, é se os depósitos bancários nas contas do Sicredi, que compuseram a base de cálculo de parte da autuação, estariam ou não incluídos na receita declarada pelo contribuinte. Quanto a isso, há nos autos, prova suficiente para responder negativamente à indagação. Inicialmente, o próprio contribuinte explica em sua impugnação que utiliza um sistema de contabilização centralizado na conta caixa, onde concentrou todos os lançamentos, conforme lhe permite a Lei do Simples. Ocorre que, apesar de a empresa ter apresentado conta no Razão contendo a movimentação da conta do Sicredi, por ocasião da resposta à intimação fiscal acima mencionada, esses valores não passaram pela conta Caixa, contrariando o disposto no art. 1°, §1°, "a" da Lei n° 9.317/96, que determina a obrigatoriedade de escrituração de toda movimentação financeira na conta Caixa: Art. 7o A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3o e 4o. § 1o A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; (Grifouse) Conforme narrou o auditor fiscal no Termo de Verificação Fiscal, à fl. 240, "o contribuinte recebeu a intimação para justificar os depósitos bancários não contabilizados A fim de Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10945.004537/200717 Acórdão n.º 1001000.796 S1C0T1 Fl. 184 11 demonstrar que a movimentação da conta mantida no Banco Sicredi não transitou pelo caixa da empresa, temse a seguir tabelas ilustrando o movimento diário registradas no Razão das contas Sicredi e Caixa, para o mês de janeiro de 2004. Verifica se, pelo cotejo de datas, histórico e contrapartidas, que não houve um único lançamento que indicasse movimentação de recursos entre essas duas contas. Os valores que entram na conta Sicredi é sempre escriturado com histórico "Vir. Depósito c/c", e as saídas são, em sua grande maioria, feitas mediante emissão de cheques, de acordo com as indicações descritas, sendo que a contrapartida, tanto das operações de débito como as de crédito, dáse por uma conta identificada pelo código "5". Por outro lado, os ingressos na conta Caixa são, em regra, feitos contra conta de código "247", sem coincidência de valor ou descrição histórica em relação à movimentação da conta Sicredi. E ademais, mesmo na impugnação, o contribuinte sequer afirmou que seus recursos movimentados na conta Sicredi transitaram pela conta Caixa. Assim, se a empresa afirma que concentra todos os seus lançamentos na conta Caixa, e se tal conta não contempla a movimentação financeira operada na conta bancária mantida no Sicredi, a conclusão é inequívoca: os depósitos bancários dessa conta, cuja origem não foi esclarecida pelo contribuinte, não fazem parte da receita bruta da empresa, de forma que tais depósitos configuram omissão de receita, muito embora seu faturamento declarado supere a totalidade da movimentação financeira. 39. Desta forma, tendo os argumentos sido minuciosamente analisados descabe nova análise nesta ocasião, mesmo porque, o que se analisa é o excesso de receitas gente ao previsto na legislação que rege o Simples. O lançamento já foi analisado. 40. Apenas para enfatizar, cabe esclarecer que restou comprovado que os valores que transitaram pela conta corrente mantida na Sicredi não estavam contabilizados, portanto, à receita bruta declarada de R$1.165.202,67 deve ser acrescido o valor de R$241.001,89 da referida conta corrente. 41. Por fim, clama para que os valores limites de receitas para a permanência no Simples fossem atualizados. O pleito não pode prosperar posto que para o ano calendário de 2004 o limite de receita bruta para a permanência no Simples era de R$1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais anuais) previsto no inciso II do artigo 9o da Lei n° 9.317, de 1996 e que só veio a ser alterado pela Lei n° 11.307, de 2006, conforme abaixo: Art. 9a Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); (Redação dada pela Lei na 11.307, de 2006) Fl. 189DF CARF MF 12 42. Desta forma, como a alteração do volume de receita anual, para as empresas que aderiram ao Simples só se opera por expressa previsão legal, não há como acatar o pedido da contribuinte. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 190DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.003913/2010-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO POR DÉBITOS. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO NULO. SÚMULA CARF Nº 22. INAPLICABILIDADE.
Não se verificando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. Ato Declaratório de Exclusão restou perfeitamente hígido e os débitos para com a Fazenda Pública foram claramente demonstrados. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário encontram-se previstas de maneira taxativa no art. 151 do CTN, o qual não comporta uma leitura expansiva de seu conteúdo.
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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EXCLUSÃO POR DÉBITOS. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO NULO. SÚMULA CARF Nº 22. INAPLICABILIDADE. Não se verificando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. Ato Declaratório de Exclusão restou perfeitamente hígido e os débitos para com a Fazenda Pública foram claramente demonstrados. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário encontramse previstas de maneira taxativa no art. 151 do CTN, o qual não comporta uma leitura expansiva de seu conteúdo. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 39 13 /2 01 0- 98 Fl. 66DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 48 à 53) interposto contra o Acórdão n° 0128.851, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (efls. 38 à 45), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. EXCLUSÃO. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE pois foram observadas todas as normas e os princípios processuais do contraditório e da ampla defesa, sendo oferecidas as condições necessárias para que o contribuinte tivesse pleno conhecimento dos débitos constantes do ADE e apresentasse a sua defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Conforme se extrai dos presentes autos, a Recorrente teve sua exclusão do SIMPLES Nacional efetuada de ofício pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/ITJ nº 437105, de 01 de setembro de 2010 (efl. 25). O motivo para a retirada daquele regime tributário foi fundamentado na existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, nos termos do art. 17, V, da Lei complementar n° 123, de 2006, e na alínea "d" do inciso II do art. 3°, combinada com o inciso I do art. 5°, ambos da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007. Eis os débitos listados: Os argumentos apresentados no Recurso Voluntário podem ser resumidos nos seguintes excertos: Tão não foi a surpresa que, como se observa do procedimento administrativo, em virtude de dificuldades financeiras, pleiteou o Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10909.003913/201098 Acórdão n.º 1002000.384 S1C0T2 Fl. 67 3 parcelamento integral do débito, acrescido de juros e correção monetária, em 60 vezes, conforme faculta a lei n° 10.522/2002. Em suma, para respaldar a representação administrativa que deu ensejo ao ato de exclusão da insurgente do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL, o nobre fiscal apontou única e exclusivamente o inadimplemento do contribuinte, nada mais. Entretanto, como se observa, tal decisão fora tomada sem oportunizar a ampla defesa e o contraditório ao contribuinte, ou seja, sem instaurar a fase contenciosa, uma vez que ao contribuinte não foi dado o direito de defesa naquela fase a SRF, sumariamente, emitiu o Ato Declaratório n. 4371052010. (...) Por demais, oportuno dizer que nada impede que o fiscal previdenciário faça a representação administrativa, como no caso o fez, no entanto, à SRF competiria instaurar procedimento específico para averiguar as alegações e oportunizar ao contribuinte o exercício à ampla defesa e ao contraditório, e não excluílo sumariamente do sistema, sobremaneira quando as provas adunadas são vulneráveis. Como se vê, não restou permitido à insurgente a possibilidade de prévia defesa, violando, neste ponto, o princípio constitucional do devido processo legal, previsto no art. 5o, LIV e LV, da CRFB/88. Ora, é indubitável que o contribuinte não pode sofrer qualquer conseqüência na sua esfera jurídicopatrimonial até que haja conclusão segura acerca da irregularidade da empresa, sendo de repudiarse qualquer restrição a esta condição. Em conclusão, o contraditório e a ampla defesa são oportunizados aos cidadãos mediante a cientificação válida e inequívoca dos atos jurídicos ou administrativos a serem praticados, o que não ocorreu no presente caso, trazendo sérios transtornos à impugnante, conforme já amplamente mencionado. 1. PRELIMINARMENTE DA NULIDADE DE EXCLUSÃO DO REGIME ANTES DA ANÁLISE DO PEDIDO DE PARCELAMENTO DO DÉBITO: Conforme relatado nos fatos do presente defesa administrativa, a Receita Federal ainda não apreciou o pedido de parcelamento do débito vencido. E se ainda não foi analisado o pedido de parcelamento do débito vencido, o ato declaratório executivo de exclusão do regime especial é nulo, de vez que se for deferido o parcelamento, o contribuinte não estará em débito e por conseqüência deverá ser mantido do regime especial. Fl. 68DF CARF MF 4 2. DA ILEGALIDADE DE VEDAÇÃO AO PARCELAMENTO DOS DÉBITOS VENCIDOS: Porém não há que se falar em negativa de parcelamento, vez que a lei Complementar 123/2006 estabelece a possibilidade de parcelamento. Portanto a vedação ao parcelamento do débito seria totalmente arbitrária e ilegal, em descompasso com a legislação ordinária vigente. Além disso o artigo 179 da CF determina que a União deverá dispensar tratamento diferenciado às empresas de pequeno porte. (...) Ou seja, se deve ser dispensado tratamento diferenciado a estas empresas, qualquer vedação de parcelamento de débitos desta é inconstitucional. Seria um contra senso permitir o parcelamento de débitos de empresas de grande porte e negar o parcelamento de débitos de empresas de pequeno porte, na vigência do dispositivo constitucional supra citado. Diante do exposto, plenamente demonstrado está a ilegalidade do ato administrativo em relação a falta de cumprimento dos requisitos formais previstos na própria lei, onde é exigida a ampla defesa e contraditório, a qual não foi cumprida, tornando esta decisão totalmente nula, visto que inclusive, tão logo ciente da origem do débito, buscou regularizálo, assim, buscase perante esta ilustre secretaria a anulação de todos os atos administrativos realizados após a tentativa de parcelamento da impugnante, bem como, pugna seja reconhecida a regularidade da opção feita ao Simples. Caso não seja este o entendimento de Vossa Senhoria, o que fielmente não se acredita, requer como pedido alternativo, seja deferida o reenquadramento da recorrente para o ano fiscal seguinte, haja vista a regularidade dos pagamentos até então efetuados. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do SIMPLES Nacional, desvinculada de crédito tributário. Este não é exigido nos presentes autos, e também não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10909.003913/201098 Acórdão n.º 1002000.384 S1C0T2 Fl. 68 5 verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6º, § 1º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Da preliminar Em argumento preliminar, a Recorrente aduz a ocorrência de nulidade causada pela falta de apreciação do pedido de parcelamento de seu débito. Por primeiro, impende destacar que o Ato Declaratório Executivo data de 01/09/2010, recebido pela Contribuinte em 28/09/2010; enquanto o pedido de parcelamento apresentado foi realizado 05/10/2010 (efl. 30), ou seja, dentro do trintídio estabelecido no ADE para que se efetuasse a regularização dos valores em aberto. Contudo, não ficou comprovada a efetiva suspensão da exigibilidade, tampouco foi apresentada a posteriori quaisquer elementos probatórios aptos a demonstrar tal feito. Logo, o pedido de parcelamento acostado às efls 26 à 30 não teve sua efetividade corroborada por quaisquer provas adicionais, seja de seu deferimento, seja de recolhimento de valores. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade. Mérito Quanto ao mérito, também não há como se atender ao pleito do Recorrente. Da alegação de cerceamento do direito de defesa Ab initio, a suposta violação ao direito de defesa não persiste. Conforme exposto alhures, a Contribuinte teve todas as oportunidades garantidas pelo PAF para produzir provas aptas a comprovar a suspensão da exigibilidade do crédito. Ademais, repiso que o deslinde processual ocorreu de forma escorreita e sem quaisquer mitigações em seu trâmite. Por assim ser, peço vênia para, com base no § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF, extrair trechos daquela decisão onde estão consignados os fundamentos para indeferimento do pleito da recorrente e adotálos, desde logo, como complemento das razões de decidir: II Da alegação de cerceamento de defesa Sustenta o defendente que não foi assegurado seu direito de defesa contra a acusação fiscal antes da emissão do ato de exclusão do Simples Nacional, não restando instaurado o contencioso administrativo, com a aplicação de todos os preceitos constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, restringindose o ADE a relatar a exclusão da autora face o seu inadimplemento. Fl. 70DF CARF MF 6 Verificase que a alegação do contribuinte não está restrita ao objeto do processo que é a sua exclusão, promovida em consonância com a Lei nº 123/06, de onde se destacam os seguintes dispositivos: Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; (...) Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; (...) Sobre o rito do processo administrativo fiscal aplicável ao processo de exclusão do regime do Simples Nacional, assim dispõe o art. 39 da Lei Complementar nº 123/06: Art. 39. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento, o indeferimento da opção ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. ( Redação dada pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) Assim, tendo sido oportunizado o prazo para impugnação ou regularização das pendências de acordo com o rito do Decreto nº 70.235/72 (que regula o contencioso administrativo na esfera federal), restou assegurado ao contribuinte o direito ao contraditório e ampla defesa do contribuinte, de onde se conclui que foi observado o devido processo legal, inocorrendo cerceamento de direito de defesa. Da exclusão decorrente de débitos sem exigibilidade suspensa Ademais, impende reiterar que em momento algum ficou contestada a efetiva existência de débitos para com a Fazenda. Tampouco se comprovou eventual suspensão de exigibilidade daqueles. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10909.003913/201098 Acórdão n.º 1002000.384 S1C0T2 Fl. 69 7 Nessa trilha, ao contrário do que foi sustentado pela Recorrente, os débitos sem a exigibilidade suspensa são suficientes para embasar sua exclusão do SIMPLES. Notase que a Lei deixa claro que não poderão ser efetivamente enquadrados na aludida sistemática tributária aqueles que possuam débitos sem exigibilidade suspensa: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Portanto, a intelecção conferida pela Contribuinte não merece acolhida. Cumpro aqui com o mister de relacionar precedentes deste e. CARF sobre a matéria: SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS Acórdão 1.Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa.Não tendo sido regularizada a totalidade dos débitos no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do ADE, deve ser mantido o efeito da exclusão do Simples Nacional no processo administrativo fiscal de controle de legalidade do ato administrativo. (Acórdão n° 003000.014, de 06.06.2018, Rel. Cons. CARMEN FERREIRA SARAIVA) SIMPLES. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EXCLUSÃO.Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples quando da existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto à Fazenda Pública Federal.Excluído do Simples por existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, temse o prazo de trinta dias para regularização e permanência da pessoa jurídica como optante do Regime Especial, contados a partir da ciência da comunicação. Ultrapassado o mencionado prazo de regularização, consumase, em definitivo, a exclusão, ainda que venham a ser posteriormente parcelados os débitos pelo contribuinte, que poderá então fazer nova opção em procedimento próprio. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio. (Acórdão n° 1002000.198, de 10.05.2018, Rel. Cons. LEONAM ROCHA DE MEDEIROS) Quanto ao mais, vale destacar que a existência do retrocitado posicionamento consolidado pelo CARF também encontra guarida junto ao Superior Tribunal de Justiça, o qual Fl. 72DF CARF MF 8 reconhece a exclusão do SIMPLES Nacional quando da existência de débitos com a Fazenda Nacional: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. EMPRESA INDIVIDUAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ART. 17, V, DA LC 123/2006. ALEGADA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MERA INDICAÇÃO DE BENS À PENHORA EM EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 151 DO CTN. 1. Ficando incontroversa a existência dos aludidos débitos fiscais do recorrente, só a suspensão da exigibilidade desses seria capaz de impedir a sua exclusão do SIMPLES. Para tanto, foi alegado que a existência de indicação de bens à penhora seria suficiente para que se suspendesse a execução fiscal promovida contra a impetrante, não podendo ficar prejudicada pela mora do Judiciário, relativa à falta da lavratura dos respectivos termos de penhora. 2. Não se tendo verificado, no caso, a comprovação de nenhuma das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme previstas no art. 151 do CTN, não há como prosperar a pretensão do recorrente. 3. Recurso ordinário em mandado de segurança desprovido. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 27.869 SE Rel. Min. Denise Arruda TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO ESPECIAL. LEI N. 10.522/02. VEDAÇÃO ÀS EMPRESAS OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL. SÚMULA 83 DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 1. Cingese a controvérsia dos autos à possibilidade ou não de adesão ao parcelamento previsto na Lei n. 10.522/02, dos tributos previstos no SIMPLES NACIONAL. 2. O Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar n. 123, de 2006, estabelece tratamento tributário diferenciado e favorecido a empresas no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação dos tributos. 3. Não existe na referida Lei Complementar qualquer previsão para tanto. Inclusive, importante salientar que a existência de débitos enseja a exclusão da microempresa e da empresa de pequeno porte do mencionado regime tributário diferenciado. 4. O Simples Nacional é administrado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e pela Receita Federal, atendendo à condição prevista no art. 1º da Lei n. 11.941/2009. Ora, o citado sistema unificado de arrecadação é regulado pelo Comitê Gestor Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10909.003913/201098 Acórdão n.º 1002000.384 S1C0T2 Fl. 70 9 do Simples Nacional (CGSN), instituído pelo Decreto n. 6.038, de 7.2.2007, vinculado ao Ministério da Fazenda e composto por representantes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 5. A Portaria Conjunta PGFN/RFB 6/2009 regulamentou a Lei n. 11.941/09, que é lei ordinária; dessa forma, não poderia estabelecer transferência de parcelamentos de tributos devidos a Estados e Municípios, sob pena de afronta ao art. 146, III, "d", da Constituição Federal (que exige lei complementar), não havendo, portanto, qualquer extrapolação no seu poder regulamentador. 6. Apenas Lei Complementar pode criar parcelamento de débitos que englobam tributos de outros entes da federação, nos termos do art. 146, III, "d", da Constituição Federal. 7. Em suma, a exegese do art. 1º da Lei n. 11.941/09 não alcança os débitos do SIMPLES NACIONAL, em atenção à reserva de lei complementar de que cuida o art. 146 da CF, bem como a própria LC n. 123/06, que não previu qualquer hipótese de parcelamento. Agravo regimental improvido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.315.371 RS Rel. Min. Humberto Martins) GN Outrossim, ainda que não abordado tal espeque em sede Recursal, anoto que não se trata de violação à Súmula CARF n° 22, por não haver qualquer mácula ao direito de defesa, restando o ADE íntegro em conteúdo e forma: Súmula CARF nº 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Este enunciado teve por paradigmas os Acórdãos ns.º 30331479, de 17/06/2004, 30331882, de 24/02/2005, 30131763, de 14/04/2005, 30131917, de 17/06/2005, e 30132.120, de 13/09/2005. Ainda nessa explanação, há consolidada jurisprudência neste c. Conselho, no sentido de aplicar a aludida Súmula apenas nos casos de SIMPLES Federal, vide Acórdão n° 9101002.297, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido pela i. Conselheira Adriana Gomes Rêgo. Portanto, a leitura do enunciado sumular reforça a correta intelecção exarada no âmbito do Acórdão recorrido. Do pedido subsidiário de reenquadramento no SIMPLES no ano subsequente Ademais, requer o Contribuinte que lhe seja deferido o reenquadramento ao SIMPLES, para o anofiscal subsequente àquele da sua exclusão. Porém não há como se deferir tal pleito. Não cabe a este Colegiado Recursal proceder com a inclusão ex officio do Recorrente à sistemática do SIMPLES. Isso porque, uma vez desenquadrado, tornase necessário efetuar um novo procedimento de adequação ao indigitado regime tributário, cumprindo as etapas que a Lei determinou para tanto. Fl. 74DF CARF MF 10 Do pedido de parcelamento Por fim, no que cinge ao aspecto do parcelamento (efls. 26 à 30), não é possível afirmar se ocorreu a efetiva suspensão da exigibilidade do crédito. Conforme ressaltado alhures em sede de preliminar, a Contribuinte não cuidou de confirmar por quaisquer provas adicionais o deferimento daquele, ou recolhimento de valores. Elementos estes que são de inteira responsabilidade da Recorrente, quando da formação de seu acervo probatório. Portanto, tornase inviável acolher o pleito, sustentado apenas pelo mero protocolo do indigitado parcelamento, conforme bem ressoa o Acórdão de piso: III Do pedido de parcelamento dos débitos vencidos Sobre o pedido de parcelamento dos débitos que não teve resposta até a data da impugnação e demais alegações não cabe apreciação por não se tratar de matéria de competência das Delegacias de Julgamento. Cabe ressaltar que os documentos anexados, às fls. 26/30, não comprovam a solicitação do parcelamento na Unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte e tampouco seu deferimento a fim de atestar a regularização dos débitos no prazo legal concedido pelo ADE. Dispositivo Com tudo o que foi exposto, VOTO em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.720788/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/07/2009
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver manifesta contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3301-004.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver manifesta contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 07 88 /2 01 4- 15 Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301004.742 S3C3T1 Fl. 2.172 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 2133 a 2156) interpostos pelo Contribuinte, em 23 de março de 2017, em relação a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301003.193 (fls. 2034 a 2050), de 20 de fevereiro de 2017, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção, que por unanimidade de votos negou provimento ao Recurso Voluntário Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão (fls. 1682 a Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 02/04/2008, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados na importação e Contribuição PIS/COFINS, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, além de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 26.551.240,90, em virtude dos fatos a seguir descritos. O importador por meio das Declarações de Importação relacionadas na Tabela 3 do Relatório de Procedimento Fiscal, submeteu a despacho evaporadores e condensadores para equipamentos de ar condicionado "splitsystem" e os classificou em diversas NCMs como tal. Ocorre que efetivamente foram importados equipamentos completos de ar condicionado "splitsystem", classificáveis na Tarifa Externa Comum (TEC) no código NCM 8415.10.11, conforme explicado no Relatório de Procedimento Fiscal que segue anexo à este Auto de Infração. Sendo assim, cobrase a diferença do Imposto de Importação, nos casos em que foi recolhido a menor, apurada em face de tal incorreção, somado aos acréscimos legais devidos. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 27/06/2014 (fls. 1374), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 28/07/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 1.383 à 1.461, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Em resumo, o impugnante alegou que: • A nulidade dos lançamentos efetuados com base no art. 10 c/c art. 59, I do Decreto 70.235/72, dada a incompetência da autoridade fiscal lotada na IRF de Florianópolis que efetuou os lançamentos que compõe o presente PAF, pois as Declarações de Importação alvo da revisão aduaneira foram registradas em Itajaí/SC, sob jurisdição da Alfândega do Porto de Itajaí, conforme Portaria RFB n° 2466/10, e não sob jurisdição da IRF de Florianópolis; • As autoridades da Alfândega do Porto de Itajaí, através dos Processos 10909.721.429/201214, 10909.722.846/201276, 10909.720.439/201313 e 10909.722.203/201311, foram as primeiras a conhecer das operações, razão pela qual estariam preventas, afastando a competência de qualquer outra para conhecer dos mesmos fatos; Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301004.742 S3C3T1 Fl. 2.173 3 • As classificações fiscais nas NCM 8415.90.00, 8415.90.10, 8415.90.20 e 8418.69.40 apresentadas pela Impugnante por ocasião dos registros das Declarações de Importação estavam corretas, não podendo ser reclassificadas para a posição NCM 8415.10.11, pois além de NÃO ter restado comprovada a importação de "conjunto/pares", também há de se considerar que havia critério jurídico inequivocamente fixado pelos PAF's 10909.721.429/2012 14, 10909.722.846/201276, 10909.720.439/201313 e 10909.722.203/2013 11 e pelos 117 desembaraços realizados em canal vermelho e, portanto, inviável para a Autoridade fiscal, com base em erro de direito, e em desobediência ao art. 146 do CTN, pretender, mediante reclassificação tarifária, revisar lançamentos expressamente homologados; • Em face da litispendência administrativa verificada, sejam anulados todos os créditos tributários constituídos com base nas Declarações de Importação que já foram alvo de revisão aduaneira por meio dos PAF's 10909.721.429/2012 14, 10909.722.846/2012 76, 10909.720.439/201313 e 10909.722.203/2013 11; • Que se promova a ilegal exigência fiscal em duplicidade, e porque não se encontra presente a hipótese do art. 145, III do CTN; • Que sejam anulados, além dos créditos tributários apurados com base nas Declarações de Importação de unidades condensadoras que já tinham sido autuadas nos PAF's 10909.721129/201214, 10909.722.846/201276, 10909.720.439/201313 e que também se anule os créditos tributários apurados relativamente às Declarações de Importação que amparavam a importação de unidade evaporadoras, e das quais a fiscalização entendeu formar um conjunto com aquelas unidades condensadoras por meio da Tabela 5 do Relatório Fiscal, pois nesses casos impossível a formação do alegado "conjunto"; • Que sejam anulados os lançamentos efetuados em desconsideração ao EX TARIFÁRIO previsto para a NCM 8415.10.11, pois que dentre as "partes" de ar condicionado importadas estavam aquelas com capacidade igual ou maior do que 30.000 BTUs, ou seja, com capacidade entre 7.500 e 30.000 frigorias/hora. Logo, reclassificandoas para a NCM 8415.10.11 deveria ser aplicado o Ex Tarifário 001 que impõe a incidência da alíquota de 18% e não de 35%, como foi feito. Portanto, indevida a diferença de II apurada, com reflexo nos outros tributos; • Que sejam integralmente declarados nulos os Autos de Infração do PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação, pois além do STF ter reconhecido no julgamento do RE 559937/RS com repercussão geral que a base de cálculo dos referidos tributos é apenas o valor aduaneiro, a empresa Impugnante teve reconhecido em decisão judicial transitada em julgada (Processo n9 5003996 90.2011.404.7208 – 2ª Vara Federal de Itajaí) que em suas importações a base de cálculo é tão somente o valor aduaneiro. Logo, o lançamento suplementar de II e IPI jamais poderiam refletir na elevação da base de cálculo do PIS/COFINSimportação, como ocorreu no presente caso, motivo pelo qual absolutamente nulo os Autos de Infração das referidas Contribuições. A 23ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo decidiu baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16.000.501, de 29 de outubro de 2014, indagando à autoridade preparadora o seguinte: Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301004.742 S3C3T1 Fl. 2.174 4 1. Procede a afirmação feita pelo impugnante de que entre os anos de 2012 e 2013 foram formalizados 04 (quatro) Processos Administrativos Fiscais resultantes de autuações para a cobrança dos tributos aduaneiros e da multa regulamentar? 2. Se afirmativa a resposta, existe duplicidade de autuação em relação às Declarações de Importação acima relacionadas? Explicar se os objetos de autuação do presente processo fiscal e daqueles relacionados pelo impugnante são os mesmos? 3. Juntar uma cópia da exordial da ação judicial n° 5014513 81.2011.404.7200 ingressada pelo impugnante perante a 4ª Vara Federal de Florianópolis/SC e da respectiva sentença de mérito e acórdão (se já houver) para fins de análise da CONCOMITÂNCIA. 4. Comentar a afirmação feita pelo impugnante às folhas 1.433 do processo digital: Nos 04 (quatro) Processos Administrativos Fiscais anteriores, a Receita Federal fixou critério jurídico, pois que acolheu as classificações constantes das Dls revisadas, limitandose a discutir o percentual de cada uma da alíquotas incidentes sobre as operações. Neste contexto, implicitamente admitiu que as unidades condensadoras importadas pela Impugnante classificadas na posição NCM 8415.90.20 estavam corretas, eis que não impugnou este proceder da Impugnante. Assim, seja do ponto de vista material, seja do ponto de vista jurídico, manteve inlaterada a classificação na posição NCM 8415.90.20, limitandose a efetuar o lançamento de ofício cobrando os tributos aduaneiros decorrentes da diferença de alíquota do li (de 14% para 25%), não se cogitando de que tais mercadorias pudessem ser classificadas como " ar condicionado". (grifo e negrito nossos) 5. Comentar a afirmação feita pelo impugnante às folhas 1.448/1.449 do processo digital: Para efetuar a reclassificação fiscal pretendida, o d. Auditor Fiscal deveria ter prestado atenção em dois EXTARIFÁRIOS existentes para a posição tarifária na NCM 8415.10.11. No caso do Imposto de Importação, entre 15/09/2011 a 31/08/2012, a posição tarifária NCM 8415.10.11 pretendida pela Fiscalização, possuía EX TARIFÁRIO 001, que determinava que os aparelhos de arcondicionado split system com capacidade entre 7.500 e 30.000 frigorias/hora seriam tributados pela alíquota de 18%, e não 35%. Em relação ao IPI, entre 01/09/2012 e 30/09/2013, posição tarifária NCM 8415.10.11 pretendida pela Fiscalização, possuía EXTARIFÁRIO 01, que determinava que os aparelhos de arcondicionado splitsystem com capacidade menor do que 7.500 frigorias/hora seria tributado pela alíquota de 35% e, por conseguinte, os que tivessem capacidade maior ou igual a 7.500 frigorias/hora sofreria a incidência da alíquota de 18% e não 35%. No caso em tela, o d. Auditor Fiscal responsável pela lavratura dos autos de infração, em muitos casos NÃO tomou o cuidado de averiguar a capacidade das unidades importadas para definir se haveria incidência do extarifário. (grifo e negrito nossos) Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301004.742 S3C3T1 Fl. 2.175 5 Após a resposta, novamente a 23ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo decidiu baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16.000.528, de 30 de janeiro de 2015, para a oitiva do autuado. Em 28 de abril de 2015, foi feita NOVA RESOLUÇÃO de nº 16.000.571, para que a autoridade preparadora RECALCULASSE a base de cálculo das Contribuições PIS/COFINS Importação à luz do disposto no Recurso Extraordinário RE 559937 da lavra da Sra. Ministra Ellen Gracie. Intimado em 21/08/2015, via Aviso de Recebimento (folhas 1.862) o autuado se manifestou pela anulação do Auto de Infração. O Acórdão nº 33010003.193, objeto dos presentes embargos, que negou provimento ao Recurso Voluntário, ficou assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/07/2009 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO. Importação de evaporadores e condensadores para equipamentos de ar condicionado "splitsystem" com classificação tributária em diversas NCMs. A exegese dada pela Autoridade Fiscal ao conteúdo da regra de interpretação 2 a das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado com a classificação tributária correta no código NCM 8415.10.11 é a adequada que encontra pleno nexo de causalidade entre o conteúdo da regra e os elementos materiais trazidos pelo Relatório de Procedimento Fiscal. Recurso Voluntário negado. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Os Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte em relação a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301003.193, são tempestivos e atendem os requisitos legais. Assim dispõe o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, repetidos pelo art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, acerca dos Embargos de Declaração:: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301004.742 S3C3T1 Fl. 2.176 6 Alega o Contribuinte em Embargos de Declaração que a decisão (i) comete grave omissão no enfrentamento da questão acerca da duplicidade de lançamento/excesso de exação; (ii) da obscuridade, contradição e omissão ao abordar as diligências efetuadas em contraposição à duplicidade de lançamento; (iii) da omissão no enfrentamento do argumento de que, em face dos lançamentos efetuados nos 4 PAFs anteriores, inexistem conjuntos passíveis de serem classificados como Split system; (iv) da omissão no enfrentamento do tópico que trata sobre a fixação de critério jurídico e a impossibilidade de revisão do lançamento; (v) da omissão na análise de documentos acerca da utilização de alíquotas (extarifários); e, (vi) da obscuridade/contradição no dispositivo da decisão ora embargada. Por intermédio do Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração s/nº, de 30 de julho de 2017 (fls. 2159 a 2163), assim se pronunciou o il. Conselheiro Luiz Augusto Couto Chagas: (...) Relatadas as razões em que se fundamentaram os embargos, passase à análise de sua admissibilidade. (...) Assim, cabem embargos de declaração quando a decisão for OMISSA, isto é, quando alguma proposição deixar de ser nela inserida, e, portanto, tiver que ser reaberto o julgamento, para que seja preenchida a lacuna existente na decisão. No caso ora sob análise, quanto à omissão relativa à existência de duplicidade de lançamento, é de se ver que se equivoca a recorrente, uma vez que a questão foi claramente tratada na decisão recorrida, a qual firmou entendimento no sentido de ser inexistente a duplicidade de lançamento apontada pela contribuinte. Vejase: “(...) o Contribuinte alega em seu Recurso Voluntário que houve a duplicidade de lançamento no presente processo no que diz respeito à diferença de alíquota de 14% para 25% em relação a nova classificação adotada pela Fiscalização. Conforme se verifica no seguinte trecho retirado do referido recurso (fls. 2008 a 2010): [omissis] Diante desta questão foi solicitada diligência por intermédio da Resolução 16.501 em 29 de outubro de 2014 que em síntese requereu (fls.1797 e 1798): [omissis] Em atendimento ao solicitado na Resolução no 16.501, assim se pronunciou a autoridade administrativa fiscal em 9 de dezembro de 2014 (fls. 1800 e 1801): [omissis] Diante da Resolução 16.501 e da diligência realizada notase que o Contribuinte teve a oportunidade de demonstrar quais foram as Declarações de Importação em Duplicidade, tanto que assim se manifestou o julgado no voto do Acórdão ora recorrido (fls. 1954): “Em sua resposta o impugnante teve a oportunidade de relacionar as Declarações de Importação em duplicidade e mesmo assim se manteve inerte. Logo, tomase como válidas as alegações trazidas pela autoridade preparadora.” Ocorre que no Recurso Voluntários às folhas 2.019 a 2.025, em que o Contribuinte alega a duplicidade das Declarações de Importação, consta a tabela/planilha das DIs em duplicidade. Esta discussão já foi objeto de diligência no quesito 2 que foi formulado dessa Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301004.742 S3C3T1 Fl. 2.177 7 forma: 2. Se afirmativa a resposta, existe duplicidade de autuação em relação às Declarações de Importação acima relacionadas? Explicar se os objetos de autuação do presente processo fiscal e daqueles relacionados pelo impugnante são os mesmos? Cabe então verificar qual foi a resposta ofertada à diligência: 2. Ainda que a afirmação do contribuinte no ponto 1 não proceda na sua totalidade, visando contribuir na instrução do presente, responderemos o presente quesito. Na Resolução 16.501 (folhas 1.045) são citados 4 (quatro) processos do contribuinte, os quais supomos são aqueles à que se refere a pergunta. Considerado isto, constatase nas impugnações do próprio contribuinte nestes processos (10909.721.429/201214 em fls. 583 a 696, 10909.722.846/201276 em folhas 174 a 213, 10909.720.439/201313 em folhas 53 a 133 e 10909.722.203/201311 em folhas 308 a 350) que o mérito em todos eles é a discussão da aplicação da Resolução CAMEX 69/2011 que majorou alíquotas do imposto de importação em determinada NCM. Por outro lado, o presente processo trata da reclassificação fiscal de aparelhos de ar condicionado que no momento do despacho aduaneiro de importação foram incorretamente classificados como evaporadores e condensadores. Do exposto concluise que não se trata de duplicidade de autuação e os objetos não são os mesmos. Considerando a diligência, entendo que não assiste razão ao Contribuinte na alegada duplicidade de autuação, apesar de restar dúvidas acerca do alegado na diligência de serem objetos distintos.” Resta evidente, assim, que a decisão considerou inexistente a duplicidade de lançamento alegada, sendo, portanto, abordada a matéria no voto condutor do acórdão, razão pela qual não há que se falar em omissão no julgado quanto a tal matéria. Quanto às omissões alegadas pelo sujeito passivo, em razão de não haver a decisão recorrida manifestadose expressamente sobre todos os argumentos de defesa trazidos pela contribuinte em seu recurso voluntário, é de se ressaltar que tal fato não importa em omissão no julgado, tendo em vista que o princípio do livre convencimento permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que o julgador entender cabível, não sendo necessária a análise de todos os argumentos invocados pela parte. Conforme remansosa jurisprudência, é pacífico o entendimento de que o julgador não está obrigado a rebater todas as alegações do recurso ou da impugnação ao lançamento. Nesse sentido, a manifestação do eminente então Ministro do STJ, Luiz Fux, no Recurso Especial no 779.680: “Inexiste ofensa ao art. 535, CPC, quando o Tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, cujo decisum revelase devidamente fundamentado. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Precedente desta Corte: RESP 658.859/RS, publicado no DJ de 09.05.2005. [...] É pacífico o entendimento jurisprudencial de que o juiz não está obrigado a analisar e rebater todas as alegações da parte, bem como todos os argumentos sobre os quais suporta a pretensão deduzida em juízo, bastando apenas que indique os fundamentos suficientes à compreensão de suas razões de decidir, Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301004.742 S3C3T1 Fl. 2.178 8 cumprindo, assim, o mandamento constitucional insculpido no art. 93, inc. IX, da Lei Fundamental. Nesse sentido: STJ: EDRESP 581.682/SC, 2a. Turma, Rel. Min. Castro Meira, in DJU, I, 1o.3.2004, p. 176; e EEERSP 332.663/SC, 1a. Turma, Rel. Min. José Delgado, in DJU, I, 16.2.2004, p. 204.” Não é de se esperar, portanto, que cada um dos argumentos apresentados pela defesa seja contraditado, desde que as razões de decidir expostas pelo julgador demonstrem, no seu todo, a impossibilidade de acolhimento da tese ou dos argumentos expendidos pelo contribuinte. O julgador não está obrigado a emitir pronunciamento sobre cada uma das teses apresentadas no recurso voluntário, bastando que fundamente coerentemente as razões que o levaram à sua decisão, o que, como visto, ocorreu. Já quanto à aplicação da alíquota reduzida de 18% para o II, temse também que não há qualquer omissão no julgado, visto que a matéria foi expressamente abordada, sendo que o julgador adotou como razões de decidir o entendimento manifestado pela DRJ. Verifica se ali, claramente, que a decisão tomou como fundamento o relatório fiscal juntado ao auto de infração, por meio do qual o Fisco deixa ver que as alíquotas aplicadas no lançamento levaram em consideração as reduções estabelecidas pelas exceções tarifárias. Assim, em relação às omissões apontadas pela recorrente, temse que falece razão à embargante. Por sua vez, em relação à obscuridade/contradição suscitada, há que se dar razão à recorrente, quando alega que o acórdão, ao afirmar que não há duplicidade de lançamento, assim o faz consignando que há dúvidas quanto a essa questão, tanto que, na parte dispositiva, deixa a solução do litígio quanto a essa matéria por conta da unidade de origem, conferindo àquela unidade competência que é, na verdade, do órgão de julgamento. O voto condutor do acórdão encerra em si duas proposições que são incompatíveis entre si, configurando assim a contradição: ao mesmo tempo em que afirma não haver lançamento em duplicidade, afirma também haver dúvidas quanto a isso. Vejase: “Considerando a diligência, entendo que não assiste razão ao Contribuinte na alegada duplicidade de autuação, apesar de restar dúvidas acerca do alegado na diligência de serem objetos distintos.” Tanto persiste a dúvida quanto à existência ou não da duplicidade de lançamento alegada pela contribuinte, que, na parte dispositiva, o voto condutor do acórdão transfere a competência para declarar se tal duplicidade existe de fato à unidade de origem, deixando assim obscura a decisão, visto não ser compreensível a ideia do julgador, que nega provimento ao recurso, mesmo em relação à matéria sobre a qual transfere a decisão para a unidade de origem. Vejase: “De acordo com a legislação vigente e com as provas no presente processo voto em negar provimento ao Recurso Voluntário e que a autoridade fiscal de origem certifiquese do alegado pelo Contribuinte acerca da duplicidade de autuação.” Desse modo, diante do acima exposto, com fundamento no § 3o do art. 65, do Regimento Interno do CARF, ACOLHO EM PARTE os embargos de declaração, em razão de se verificar procedente a alegação de obscuridade/contradição quanto à matéria relativa à existência de duplicidade de lançamento, e REJEITO os embargos de declaração opostos pela contribuinte quanto às demais matérias, em caráter definitivo, vez que as demais alegações mostramse manifestamente improcedentes. (grifouse). Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301004.742 S3C3T1 Fl. 2.179 9 Assim, de acordo com o entendimento proferido quando do Despacho de Admissibilidade de Embargos, cabe a análise do último ponto que diz respeito a obscuridade/contradição no dispositivo da decisão ora embargada. O Despacho de Admissibilidade de Embargos é preciso em apontar que no voto embargado a decisão foi no sentido de que não há duplicidade de autuação, mas que em dois momentos o voto faz referência no sentido de “(...) restar dúvidas acerca do alegado na diligência de serem objetos distintos” (fls. 2.048) e na parte dispositiva “(...) negar provimento ao Recurso Voluntário e que a autoridade fiscal de origem certifiquese do alegado pelo Contribuinte acerca da duplicidade de autuação” (fls. 2.050). Diante dessa obscuridade/contradição cabe verificar o solicitado na Resolução nº 16.501 no que concerne a existência ou não da duplicidade de autuação (fls. 1797): 1. Procede a afirmação feita pelo impugnante de que entre os anos de 2012 e 2013 foram formalizados 04 (quatro) Processos Administrativos Fiscais resultantes de autuações para a cobrança dos tributos aduaneiros e da multa regulamentar? 2. Se afirmativa a resposta, existe duplicidade de autuação em relação às Declarações de Importação acima relacionadas? Explicar se os objetos de autuação do presente processo fiscal e daqueles relacionados pelo impugnante são os mesmos? (...) A autoridade administrativa fiscal diante do requerido na Resolução nº 16.501 assim se pronunciou(fls. 1801 e 1802): 1. Salvo melhor juízo, não procede totalmente a afirmação, pois em consulta ao sistema COMPROT (comprot.fazenda.gov.br), constatamos que entre de 01/01/2012 até 31/12/2013 foram formalizados 9 (nove) Processos Administrativos Fiscais cujo interessado é o CNPJ 06.114.935/00428, conforme extrato de tela deste sistema (Figura 1). Destes processos, 6 (seis) se referem à Autos de Infração na área aduaneira. (...) 2. Ainda que a afirmação do contribuinte no ponto 1 não proceda na sua totalidade, visando contribuir na instrução do presente, responderemos o presente quesito. Na Resolução 16.501 (folhas 1.045) são citados 4 (quatro) processos do contribuinte, os quais supomos são aqueles à que se refere a pergunta. Considerado isto, constatase nas impugnações do próprio contribuinte nestes processos (10909.721.429/201214 em fls. 583 a 696, 10909.722.846/201276 em folhas 174 a 213, 10909.720.439/201313 em folhas 53 a 133 e 10909.722.203/201311 em folhas 308 a 350) que o mérito em todos eles é a discussão da aplicação da Resolução CAMEX 69/2011 que majorou alíquotas do imposto de importação em determinada NCM. Por outro lado, o presente processo trata da reclassificação fiscal de aparelhos de ar condicionado que no momento do despacho aduaneiro de importação foram incorretamente classificados como evaporadores e condensadores. Do exposto concluise que não se trata de duplicidade de autuação e os objetos não são os mesmos. (grifouse). Diante de tais informações prestadas pela autoridade administrativa fiscal, atendendo a Resolução nº 16.501, os (as) Conselheiros (as) da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, decidiram que não há duplicidade de autuação e os objetos não são os mesmo, visto que nos processos 10909.721.429/201214, 10909.722.846/201276, 10909.720.439/201313 e 10909.722.203/20131, conforme constatou Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 10983.720788/201415 Acórdão n.º 3301004.742 S3C3T1 Fl. 2.180 10 a autoridade fiscal nas impugnações do próprio contribuinte, o mérito se restringe a aplicação da Resolução CAMEX 69/2011 que majorou alíquotas do imposto de importação em determinada NCM. Diante da constatação de obscuridade/contradição no voto ora embargado frente ao decidido no Acórdão nº 3301003.193, voto por acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para alterar um parágrafo do voto e o dispositivo, que passam a ter a seguinte redação: (...) Considerando a diligência, entendo que não assiste razão ao Contribuinte na alegada duplicidade de autuação, visto que os objetos não são os mesmo. (...) Em conclusão “De acordo com a legislação vigente e com as provas no presente processo voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. Portanto, diante da legislação aplicável e os autos do processo, voto por acolher os embargos declaratórios para sanar a obscuridade/contradição sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 2310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722505/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. ABONOS DIVERSOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA .
A Convenção Coletiva de Trabalho é documento reconhecido pela Constituição da República e o que nela for estipulado deve ser respeitado entre as partes mas o conceito de salário-de-contribuição para o segurado empregado está contido no inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97. De forma taxativa, as hipóteses de não incidência estão previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212, de 1991.
LANÇAMENTO. NULIDADE
Atendidos os requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN e pelo artigo 37, da Lei nº 8.212/1991, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/1972) bem como presentes todo o embasamento legal e normativo para o lançamento, facultando r o exercício do direito e da ampla defesa pelo contribuinte, não que falar em nulidade a ser declarada.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%.
Numero da decisão: 2301-005.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.388, de 08/12/2015, rerratificar o acórdão embargado para consignar que foi negado provimento ao recurso voluntário e determinar o cálculo da multa tendo por limite máximo o percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2170; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 186 1 185 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.722505/201061 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301005.566 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado KUTTNER DO BRASIL EQUIPAMENTOS SIDERURGICOS LIMITADA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. ABONOS DIVERSOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA . A Convenção Coletiva de Trabalho é documento reconhecido pela Constituição da República e o que nela for estipulado deve ser respeitado entre as partes mas o conceito de saláriodecontribuição para o segurado empregado está contido no inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97. De forma taxativa, as hipóteses de não incidência estão previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212, de 1991. LANÇAMENTO. NULIDADE Atendidos os requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN e pelo artigo 37, da Lei nº 8.212/1991, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/1972) bem como presentes todo o embasamento legal e normativo para o lançamento, facultando r o exercício do direito e da ampla defesa pelo contribuinte, não que falar em nulidade a ser declarada. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 25 05 /2 01 0- 61 Fl. 190DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 004.388, de 08/12/2015, rerratificar o acórdão embargado para consignar que foi negado provimento ao recurso voluntário e determinar o cálculo da multa tendo por limite máximo o percentual de 75%. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato Relatório Tratamse de embargos declaratórios interpostos pela FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão nº 2301004.388. Sustentou, a embargante, que haveria contradição no acórdão embargado porquanto registrou, no dispositivo, o parcial provimento do recurso voluntário quando, na verdade, diante dos fundamentos dos votos, não houve nenhum provimento. O voto vencido teria determinado o recálculo da multa, dada a retroatividade de norma inovadora mais benéfica, mas expressamente negado provimento na questão do abono único, pois teria entendido que as verbas, embora estipuladas em convenção coletiva, possuíam natureza salarial. O voto vencedor teria divergido do relator tãosomente da forma de cálculo da multa, embora houvesse registrado, na conclusão, o provimento parcial ao recurso para excluir do salário de contribuição o abono único, mesmo que a matéria não tivesse constado dos seus fundamentos. No dispositivo, registrouse o provimento parcial do recurso quanto à exclusão do abono único e, sobre a multa, a tese esposada no voto vencedor. Os embargos foram acolhidos pelo presidente desta turma. É o que se tem a relatar. Voto Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13603.722505/201061 Acórdão n.º 2301005.566 S2C3T1 Fl. 187 3 Conselheiro João Maurício Vital Relator. Percebo as contradições apontadas pela embargante. A matéria de fato que compõe a lide é a incidência de contribuição previdenciária sobre o abono único. O relator entendeu, e assim se manifestou em seu voto, que a verba comporia o salário de contribuição e, portanto, sobre ela está correta a cobrança da exação. Mas o relator foi além. Ainda que não constasse do recurso voluntário, manifestouse sobre a multa e entendeu por bem aplicar a retroatividade benigna para determinar o recálculo com base no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi suscitada divergência e o relator restou derrotado quanto ao modo de cálculo da multa. O voto vencedor decidiu por limitar a multa ao percentual de 75%. No dispositivo, registrouse o provimento parcial do recurso quanto à exclusão do abono único e, sobre a multa, a tese esposada no voto vencedor. Pareceme que não há dúvidas no acórdão acerca da decisão do colegiado sobre a multa aplicável, que sequer foi objeto do recurso. A matéria embargada, pois, é a relacionada ao abono único. Noto que, na questão, há, de fato, contradições dentro do voto vencedor e entre este e o voto vencido. O relator original assim se manifestou sobre o abono único: Os Acordos Trabalhistas, questão de fundo em apreço, trazidos pela impugnante não se enquadram em nenhuma das hipóteses previstas no sobredito § 9º do artigo 28 da Lei 8.212, de 1991, constituindose assim verbas de natureza salarial. Portanto, NÃO DOU PROVIMENTO às alegações da Recorrente (grifos do original). No voto vencedor, assim foi consignado: Todavia, como a legislação de regência prevê a progressão da multa em função das fases do processo, podendo chegar a 100%, a multa, no caso, deverá ser apurada no momento do pagamento, devendo ser limitada ao percentual de 75%, nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212/91, com redação da MP 449/2008. Em relação às demais matérias do recurso, ratifico os fundamentos do voto do relator. Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, rejeitando a preliminar de nulidade e, no mérito, excluindo o crédito tributário constituído pelo abono único e limitar a multa ao percentual de 75%. Fl. 192DF CARF MF 4 O relator original votou por considerar a verba tributável e fundamentou seu voto. A redatora, por sua vez, expressamente registrou que divergia da multa, mas concordava com o relator nas demais matérias, apesar disso, não colocou, na conclusão, seu posicionamento sobre a multa mas consignou a exclusão do abono único da base de cálculo da contribuição sem que os fundamentos dessa conclusão estivessem no seu voto. Ora, lendo e relendo o voto vencedor, vêse que a redatora tratou da multa mas não fez qualquer menção ao abono único; ao contrário, expressou a plena concordância com o relator nessa questão. Ademais, a ementa do acórdão condiz exatamente com os fundamentos do voto vencido, que na questão do abono único foi vencedor. Portanto, o desfecho seguro quanto ao posicionamento daquele colegiado é a de que tanto a conclusão do voto vencedor quanto o dispositivo do acórdão estão em total dessintonia com os fundamentos dos votos vencido e vencedor. O que ocorreu, pelo que se constata dos dois votos, foi o improvimento do recurso na questão do abono único. O acórdão embargado, pois, deve ser corrigido para sanar a contradição apontada, modificandoselhe o dispositivo, que passa a ser o seguinte: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso. Em relação à multa, por maioria de votos decidiuse por limitá la a 75%, vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza (relator), Alice Grecchi, Nathália Correia Pompeu e Marcelo Malagoli da Silva, que aplicavam a regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei 11.941, de 2009. Redigirá o voto vencedor a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. Voto, pois, por acatar os embargos e rerratificar o acórdão embargado para consignar que foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário e determinar o cálculo da multa tendo por limite máximo o percentual de 75%. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Relator Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720337/2017-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA.
Caracterizada a indevida compensação de imposto de renda retido na fonte, é procedente o lançamento efetuado pela RFB para glosar os valores declarados a título de IRRF.
Numero da decisão: 2402-006.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Caracterizada a indevida compensação de imposto de renda retido na fonte, é procedente o lançamento efetuado pela RFB para glosar os valores declarados a título de IRRF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Caracterizada a indevida compensação de imposto de renda retido na fonte, é procedente o lançamento efetuado pela RFB para glosar os valores declarados a título de IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 86/94) em face do Acórdão n. 12 96.233 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1 (efls. 71/77), que julgou improcedente a impugnação de efls. 54/61 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 03 37 /2 01 7- 35 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10680.720337/201735 Acórdão n.º 2402006.606 S2C4T2 Fl. 102 2 manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 02/01/2017 (efl. 18) mediante a Notificação de Lançamento IRPF n. 2014/915441637081308 Exercício 2014 no valor total de R$ 51.324,81 sendo R$ 33.591,61 de imposto (Cód. Receita 0211); R$ 6.718,32 de multa de mora não passível de redução; e R$ 11.014,68 de juros de mora calculados até 29/12/2016 (efls. 11/14), com fulcro em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnação de efls. 54/61, julgada improcedente pela DRJ/RJ1, nos termos do Acórdão n. 1296.233 (efls. 71/77), de cujo teor tomou ciência em 05/03/2018 (efls. 80/81), havendo interposto recurso voluntário na data de 04/04/2018 (efl. 82). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator. O Recurso Voluntário (efls. 86/94) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. O cerne da presente lide concentrase em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF), vez que, no entendimento do Recorrente, a responsabilidade pelo não recolhimento do tributo é exclusiva da fonte pagadora, tendo em vista que o IRRF consta de DIRF. É oportuno ressaltar que no Recurso Voluntário (efls. 86/94) o Recorrente não aduz novas razões de defesa. Muito bem. Para uma melhor contextualização da análise em curso, é oportuno resgatar que o Recorrente apresentou a DIRPF/2014 ND 06/74.386.953 Data de Entrega: 30/04/2014 informando rendimentos tributáveis de R$ 197.875,76 e IRRF de R$ 34.407,10, configuração que lhe conferia imposto a pagar de R$ 5.257,60. Todavia, em razão da glosa de IRRF R$ 33.591,61 decorrente do trabalho de Malha Fiscal, resultou um lançamento com fulcro em compensação indevida de IRRF de R$ 51.324,81, conforme discriminado na Notificação de Lançamento IRPF n. 2014/915441637081308 (efls. 11/14). O Recorrente, ressaltese, é sócioadministrador (diretor) da fonte pagadora Estamparia S/A CNPJ 19.791.987/000138 que declarou em DIRF o IRRF no valor de R$ 33.591,61, objeto de glosa pela Fiscalização da RFB. Com relação a este fato, assim se pronuncia a decisão recorrida: No caso, e como já exposto, a autoridade fiscal verificou que o contribuinte é sócio administrador (diretor) da fonte pagadora Estamparia S/A (CNPJ 19.791.987/0001 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10680.720337/201735 Acórdão n.º 2402006.606 S2C4T2 Fl. 103 3 38), como se observa da “tela” de fl. 42, devidamente confirmada. Notese constar dos sistemas da RFB Termo de Intimação Fiscal (fls. 68/69), solicitando ao interessado, na hipótese de ser proprietário ou administrador da fonte pagadora, o comprovante de recolhimento do IRRF, pedidos de compensação e DCTF. O referido Termo foi recepcionado em 19/10/2016 (fl. 70). No entanto, não foram apresentados, na ocasião, tais documentos, daí a glosa efetuada. Assim, na condição de sócioadministrador, o Recorrente é responsável solidário com a empresa pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do IRRF (art. 8°. do DecretoLei n. 1.736/1979 e art. 723 do RIR/99), o que condiciona a compensação do IRRF em seu desfavor do imposto devido apurado na declaração de ajuste anual, à comprovação do devido recolhimento do valor retido (no caso concreto, R$ 33.591,61), não sendo prova bastante a DIRF emitida pela fonte pagadora, nem muito menos o comprovante de rendimentos pagos e de IRRF, quando desacompanhadas do referido comprovante de recolhimento. É oportuno ressaltar que o Recorrente, na peça recursal de efls. 86/94, ou em qualquer outro momento processual, não ilide a natureza de seu vínculo com a fonte pagadora Estamparia S/A CNPJ 19.791.987/000138. No tocante à alegação do Recorrente de que os tributos devidos teriam sido objeto de compensação, via Per/Dcomp, é esclarecedor o arremate da decisão recorrida: Quanto à alegação de que os tributos retidos teriam sido objeto de compensação, via pedido de compensação, informação esta que, segundo o contribuinte, poderia ser facilmente identificada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, há que se esclarecer, inicialmente, que é dever dos contribuintes em geral instruir a impugnação / defesa com os elementos necessários e suficientes à comprovação do direito que pleiteia, observada a legislação de regência da matéria e nos termos dos art. 15 e inciso III, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. É de se ressaltar, entretanto, que a autoridade revisora, antes de lavrar o Despacho Decisório, efetuou pesquisas junto aos sistemas da RFB para fins de localizar recolhimentos sob o código de receita 0561 (rendimentos do trabalho assalariado), efetuados pela empresa Estamparia S/A (CNPJ 19.791.987/000138), como se observa do Extrato Completo do Contribuinte – Pessoa Jurídica (fls. 43/45), sendo que as informações obtidas não permitiram efetuar qualquer vínculo com a questão e os valores objetos do processo em análise, daí a manutenção da glosa do IRRF. Igualmente, pesquisas aos sistemas da RFB, efetuadas por este julgador, resultaram infrutíferas. É cediço que é ônus do Recorrente em fazer acompanhar do recurso voluntário todo o conjunto probatório necessário a amparar as suas alegações (arts. 15 e 16, III, do Decreto n. 70.235/1972). No caso concreto, o Recorrente não traz aos autos nenhum elemento de prova com força probatória suficiente a respaldar as suas alegações, observandose ser esta a terceira oportunidade que lhe é concedida para provar o efetivo recolhimento do IRRF informado em DIRF e no comprovante de rendimentos (efls. 15/16 e 38/39), vez que, por força do rito processual estabelecido na Instrução Normativa RFB n. 958/2009, pode se defender do lançamento em lide diretamente junto à autoridade lançadora (impugnação efl. 02), bem assim impugnar a decisão consubstanciada no Despacho Decisório em sede de revisão de ofício (efls. 46/48) junto ao órgão julgador de primeira instância, e, por fim, apresentar recurso voluntário à segunda instância em face da decisão de primeira instância de julgamento, sem que em nenhuma dessas oportunidades fizesse prova de suas alegações. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10680.720337/201735 Acórdão n.º 2402006.606 S2C4T2 Fl. 104 4 Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 86/94) para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.935911/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72.
Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-003.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROCESSUAL PRECLUSÃO INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Operase preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 59 11 /2 00 9- 25 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15374.935911/200925 Acórdão n.º 1302003.049 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o processo de pedido de compensação de crédito oriundo de pretenso indébito de IRPJ apurado no anocalendário de 2004. Inicialmente, o pleito não foi homologado em razão de, na forma do despacho decisório constante dos autos, terse verificado que o DARF que dera origem ao pedido estar alocado, integralmente, à débito declarado em DCTF. Cientificado do respectivo despacho, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade sustentando, em apertada síntese, que teria se equivocado quando do preenchimento da mencionada DCTF tendo apresentado, junto com a sua petição, cópia de declaração retificadora, por meio da qual, exclui o débito relativo ao primeiro trimestre de 2004. Ao analisar a manifestação do recorrente, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente dado entender que a DCTF retificadora teria sido transmitida em 21/07/2009 e, portanto, após a ciência, pela empresa, de despacho decisório concernente a pedido de compensação tratado em processo conexo, relativo ao mesmo crédito. Ato contínuo, e sem maiores explicações, considerou não demonstrada a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cientificado do acórdão supra em 16 de setembro de 2011 (sextafeira), conforme AR juntado à efls. 110, o recorrente interpôs suas razões de insurgência em 18 de outubro de 2011 (terçafeira), tal como se extrai do carimbo aposto à efls. 112, alegando que: a) a DCTF retificadora seria, per se, suficiente para comprovar o crédito pleiteado, não se observando, na hipótese, a perda da espontaneidade pelo fato de ter sido transmitida após despacho decisório proferido em outro processo de compensação, cujo objeto é o mesmo crédito tratado neste feito; b) a par do alegado anteriormente, a retificação realizada teria se dado porque o contribuinte, sujeito ao regime de lucro presumido, teria aplicado o percentual de presunção de 32% sobre a sua receita bruta quando, como demonstra através de Solução de Consulta de nº 340/04 de 29 de julho de 2004, estaria sujeita ao percentual de 8% por desenvolver atividade hospitalar. A vista do exposto, sustenta que faria, sim, jus ao direito creditório pleiteado, requerendo, pois, a reforma do acórdão combatido e a homologação de seu pleito. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15374.935911/200925 Acórdão n.º 1302003.049 S1C3T2 Fl. 4 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.047, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.943401/2009 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.047): "O recurso é tempestivo mas, todavia, não merece conhecimento. De fato, o contribuinte argui, em manifestação, apenas e tão somente, que o crédito se originaria de erro no registro de sua DCTF, justificando a respectiva retificação apenas em tal alegação genérica. Apenas quando da interposição de seu recurso voluntário o contribuinte suscita se tratar de empresa que desenvolve atividade hospitalar e que, nesta esteira, faria jus á redução de sua base de presunção... há, neste passo, inegável, e vedada, inovação da matéria em litígio em aberto e incontendível afronta aos preceitos dos arts. 16 e 17 do Decreto 70.235/72. A matéria abordada pelo recurso voluntário, pois, já estaria abarcada por preclusão lógica. Como esta é a única questão tratada no recurso voluntário e, não tendo sido arguída em primeira instância, consentaneamente, o próprio apelo carece dos requisitos mínimos a sua apreciação. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.924078/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 24 07 8/ 20 09 -5 3 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10880.924078/200953 Resolução nº 3201001.399 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição e que a Administração tributária tinha o dever de retificar de ofício a DCTF em face do princípio da verdade material. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a declaração de nulidade da decisão de primeira instância ou sua reforma, bem como a realização de diligência, arguindo cerceamento do direito de defesa, por falta de demonstração por parte do julgador a quo do motivo para declarar a insuficiência dos documentos acostados aos autos (DARF, DIPJ, Balancete e DCTFs), e inobservância do princípio da verdade material. No mérito, requereu o Recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, a reforma do despacho decisório em face do recolhimento indevido, justificandose que, por um lapso, não procedera à retificação tempestiva da DCTF. Junto ao recurso, o Recorrente apresentou cópia de parte do Razão Contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.393, de 29/08/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.913528/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.393): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10880.924078/200953 Resolução nº 3201001.399 S3C2T1 Fl. 4 3 A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Cerceamento do Direito de Defesa e da Inobservância do Princípio da Verdade Material Afastase a preliminar de cerceamento do direito de defesa. A recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A recorrente teve assegurado, inclusive, o direito de juntar documentos, razão contábil, no presente recurso de segunda instância. Nesse sentido, observese jurisprudência do CARF. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3301003.976 do Processo 15586.001130/200788 Data 30/08/2017 CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. NULIDADE Não há nulidade quando se constata em todas as fases processuais o exercício do direito ao contraditório e de ampla defesa, não caracterizando o cerceamento de defesa. Em referência a argumentos fundados nos princípios constitucionais, aplicase a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Cabe ainda indeferir o pedido de diligência genérico, sem comprovação de sua necessidade e da impossibilidade da produção da prova pelo contribuinte. Preliminares indeferidas. Mérito A fundamentação do despacho decisório denegatório seria a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. A DCTF originária representou uma confissão de dívida. Assim, quando da manifestação de inconformidade, a documentação apresentada em primeira instância, DARF de pagamento, DIPJ, Balancete e DCTF´s foram considerada insuficientes. Citase trechos do relatório da DRJ: Ressaltese que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, 6. O documento apresentado pelo contribuinte para prestar à autoridade fazendária as informações relativas aos valores devidos dos tributos e contribuições federais, e os respectivos valores de créditos vinculados (pagamento, parcelamento, compensação, etc.), constituindose cm confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, na forma do disposto pelo § 1 0, do art. 5° do Decreto lei n° 2.124, de 8 de março de 1984. (efl. 92) (...) Deste modo, a DIPJ não se configura como documento suficiente a comprovação de erro nas informações prestadas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, para fins de homologação da compensação efetivada pelo contribuinte. (efl. 92) No mérito, o cerne da lide consiste em verificar se a documentação contábil e/ou fiscal apresentada após o despacho decisório seria prova suficiente para a compensação. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10880.924078/200953 Resolução nº 3201001.399 S3C2T1 Fl. 5 4 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3002000.234 do Processo 10880.674831/200954 Data 13/06/2018 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. PROVA INSUFICIENTE QUANDO DESACOMPANHADA DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não impede o reconhecimento do direito ao crédito desde que acompanhada de documentação contábil e/ou fiscal que comprove o erro cometido no preenchimento da declaração original. Em sendo apresentada isoladamente, não constitui prova suficiente. A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento está fundamentado no § 1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Existe jurisprudência do CARF sobre o assunto. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Na retificação, a DCTF sofreu alteração para menor, cabendo a interessada comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que compete a mesma trazer aos autos. Agora, em segunda instância, a recorrente junta aos autos o razão contábil provisão COFINS a recolher em 31/07/2004, onde demonstra de janeiro a dezembro de 2004 a provisão de recolhimento da COFINS. De fato, verificase que o valor a recolher, relativo a COFINS, em julho de 2004, seria de R$29.775,70 e não de R$42.341,83 (doc. 09 do recurso efls. 182/183). A escrituração do razão contábil em conjunto com o balancete são documentos contábeis/fiscais oficiais que fazem prova de verdade. Os documentos deixam claro a existência de saldo creditório e são suficientes para garantir o direito. A recorrente também alega que efetuou a retificação na DCTF original. Demonstrada a composição da base de cálculo da contribuição por meio de documentos contábeis/fiscais resta demonstrado o valor devido do tributo e, Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10880.924078/200953 Resolução nº 3201001.399 S3C2T1 Fl. 6 5 consequentemente, o indébito decorrente do recolhimento em valor maior que o devido. Finalmente, cabe repetir que o artigo 151, III do Código Tributário Nacional determina que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito. Somente com o encerramento da fase administrativa é que se pode, se for o caso, inscrever o crédito cm dívida ativa, efetuar a cobrança judicial e incluir o contribuinte no Cadastro Informativo de Débitos não quitados de Órgãos e Entidades Federais — CADIN. Em vista da apresentação de documentos adicionais, dentro do princípio da verdade material, que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, o razão contábil. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o Fisco se manifeste sobre a prova carreada aos autos em sede de recurso voluntário, a saber, o Razão Contábil. Após, deve o Recorrente ser instado a se manifestar, se assim o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 198DF CARF MF
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