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11451420 #
Numero do processo: 10410.906801/2016-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2014 a 31/10/2014 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRITÉRIOS DE ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. Para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no regime da não cumulatividade, o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade e da relevância, considerando a imprescindibilidade ou importância do bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade produtiva desempenhada pelo contribuinte. TRANSPORTE DE TRABALHADORES. ATIVIDADE PRODUTIVA. ESSENCIALIDADE. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os dispêndios com transporte de trabalhadores vinculados ao processo produtivo podem gerar créditos das contribuições não cumulativas quando demonstrada sua essencialidade ou relevância para a atividade desenvolvida pelo contribuinte. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os gastos com frete suportados pelo adquirente na aquisição de bens que geram direito ao crédito integram o respectivo custo de aquisição e podem compor a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. DESPESAS ADUANEIRAS E PORTUÁRIAS. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO ACABADO. ETAPA POSTERIOR AO PROCESSO PRODUTIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os dispêndios realizados após a finalização do processo produtivo, relacionados à exportação de produtos acabados, não se enquadram como insumos para fins de apuração de créditos da não cumulatividade. Aplicação da Súmula CARF nº 232. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. TRANSPORTE DE CARGAS OU PASSAGEIROS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os dispêndios com locação de veículos de transporte de cargas ou passageiros não geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Aplicação da Súmula CARF nº 190. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL, HIDRÁULICA E ELÉTRICA. REGRA ESPECÍFICA DE CREDITAMENTO. Os dispêndios relativos a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros utilizados nas atividades da pessoa jurídica submetem-se à regra específica de creditamento sobre encargos de depreciação ou amortização, não se enquadrando como insumos da produção. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. DESGASTE OPERACIONAL. AUSÊNCIA DE AUMENTO DE VIDA ÚTIL. CREDITAMENTO COMO INSUMO. Os gastos com serviços de manutenção, partes e peças destinadas à recomposição das condições normais de funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, sem caracterizar melhoria ou aumento de vida útil superior a um ano, enquadram-se como insumos para fins de apuração de créditos da não cumulatividade. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. UTILIZAÇÃO POSTERIOR À PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.Os combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos empregados nas etapas do processo produtivo podem gerar créditos como insumos. Não geram direito ao crédito aqueles utilizados após a finalização da produção do bem destinado à venda. MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. A contratação de mão de obra temporária somente gera créditos da não cumulatividade quando demonstrada sua utilização nas atividades produtivas. Ausente comprovação específica da aplicação da mão de obra contratada no processo produtivo, mantém-se a glosa. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS VINCULADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. É admissível o creditamento dos encargos de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado efetivamente empregados no processo produtivo ou na fase agrícola da atividade agroindustrial, desde que demonstrada sua vinculação às atividades que autorizam o crédito, nos termos da legislação de regência. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe ao contribuinte comprovar os requisitos necessários ao reconhecimento do crédito presumido. A ausência de elementos suficientes para demonstrar a vinculação entre documentos, pagamentos e operações que fundamentam os créditos apropriados justifica a manutenção da glosa. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR DE PESSOA JURÍDICA. ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. VERDADE MATERIAL.A ausência de indicação cadastral de atividade agropecuária pelo fornecedor não é suficiente, por si só, para afastar o crédito presumido quando comprovada a efetiva aquisição da matéria-prima. PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE ÁLCOOL. LEI Nº 12.859/2013. REGIME ESPECÍFICO. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS PRÓPRIOS. A adoção do método de rateio proporcional previsto na legislação geral da não cumulatividade não afasta a necessidade de atendimento dos requisitos específicos previstos na Lei nº 12.859/2013 para compensação ou ressarcimento dos créditos vinculados à produção e comercialização de álcool. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. DESNECESSIDADE. ÔNUS DA PROVA. A realização de diligência ou perícia pressupõe a necessidade de esclarecimento de questão controvertida, não se prestando a substituir o ônus do contribuinte de comprovar o direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3201-013.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter a glosa de créditos em relação aos seguintes itens: (i) transporte de mão de obra vinculado às fases agrícola e industrial, (ii) fretes sobre compra de cana-de-açúcar, (iii) serviços de instalação, montagem de máquinas, restauração e manutenção de equipamentos, (iv) partes e peças aplicadas em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e (v) encargos de depreciação em relação aos bens utilizados (v.1) na captação/tratamento de água, (v.2) sondas utilizadas para amostra de qualidade das matérias-primas, (v.3) tanque/irrigação/captação de vinhaça destinados à irrigação da lavoura da cana-de-açúcar, (v.4) laboratório/experimentação para atestar a qualidade dos produtos acabados e (v.5) balança rodoviária. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.620, de 19 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10410.906791/2016-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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Os gastos com frete suportados pelo adquirente na aquisição de bens que geram direito ao crédito integram o respectivo custo de aquisição e podem compor a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. DESPESAS ADUANEIRAS E PORTUÁRIAS. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO ACABADO. ETAPA POSTERIOR AO PROCESSO PRODUTIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os dispêndios realizados após a finalização do processo produtivo, relacionados à exportação de produtos acabados, não se enquadram como insumos para fins de apuração de créditos da não cumulatividade. Aplicação da Súmula CARF nº 232. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. TRANSPORTE DE CARGAS OU PASSAGEIROS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os dispêndios com locação de veículos de transporte de cargas ou passageiros não geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Aplicação da Súmula CARF nº 190. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL, HIDRÁULICA E ELÉTRICA. REGRA ESPECÍFICA DE CREDITAMENTO. Os dispêndios relativos a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros utilizados nas atividades da pessoa jurídica submetem-se à regra específica de creditamento sobre encargos de depreciação ou amortização, não se enquadrando como insumos da produção. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. DESGASTE OPERACIONAL. AUSÊNCIA DE AUMENTO DE VIDA ÚTIL. CREDITAMENTO COMO INSUMO. Os gastos com serviços de manutenção, partes e peças destinadas à recomposição das condições normais de funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, sem caracterizar melhoria ou aumento de vida útil superior a um ano, enquadram-se como insumos para fins de apuração de créditos da não cumulatividade. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. UTILIZAÇÃO POSTERIOR À PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.Os combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos empregados nas etapas do processo produtivo podem gerar créditos como insumos. Não geram direito ao crédito aqueles utilizados após a finalização da produção do bem destinado à venda. MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. A contratação de mão de obra temporária somente gera créditos da não cumulatividade quando demonstrada sua utilização nas atividades produtivas. Ausente comprovação específica da aplicação da mão de obra contratada no processo produtivo, mantém-se a glosa. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS VINCULADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. É admissível o creditamento dos encargos de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado efetivamente empregados no processo produtivo ou na fase agrícola da atividade agroindustrial, desde que demonstrada sua vinculação às atividades que autorizam o crédito, nos termos da legislação de regência. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe ao contribuinte comprovar os requisitos necessários ao reconhecimento do crédito presumido. A ausência de elementos suficientes para demonstrar a vinculação entre documentos, pagamentos e operações que fundamentam os créditos apropriados justifica a manutenção da glosa. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR DE PESSOA JURÍDICA. ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. VERDADE MATERIAL.A ausência de indicação cadastral de atividade agropecuária pelo fornecedor não é suficiente, por si só, para afastar o crédito presumido quando comprovada a efetiva aquisição da matéria-prima. PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE ÁLCOOL. LEI Nº 12.859/2013. REGIME ESPECÍFICO. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS PRÓPRIOS. A adoção do método de rateio proporcional previsto na legislação geral da não cumulatividade não afasta a necessidade de atendimento dos requisitos específicos previstos na Lei nº 12.859/2013 para compensação ou ressarcimento dos créditos vinculados à produção e comercialização de álcool. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. DESNECESSIDADE. ÔNUS DA PROVA. A realização de diligência ou perícia pressupõe a necessidade de esclarecimento de questão controvertida, não se prestando a substituir o ônus do contribuinte de comprovar o direito creditório pleiteado.

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INSUMOS. CRITÉRIOS DE ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. Para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no regime da não cumulatividade, o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade e da relevância, considerando a imprescindibilidade ou importância do bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade produtiva desempenhada pelo contribuinte. TRANSPORTE DE TRABALHADORES. ATIVIDADE PRODUTIVA. ESSENCIALIDADE. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os dispêndios com transporte de trabalhadores vinculados ao processo produtivo podem gerar créditos das contribuições não cumulativas quando demonstrada sua essencialidade ou relevância para a atividade desenvolvida pelo contribuinte. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os gastos com frete suportados pelo adquirente na aquisição de bens que geram direito ao crédito integram o respectivo custo de aquisição e podem compor a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. DESPESAS ADUANEIRAS E PORTUÁRIAS. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO ACABADO. ETAPA POSTERIOR AO PROCESSO PRODUTIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os dispêndios realizados após a finalização do processo produtivo, relacionados à exportação de produtos acabados, não se enquadram como Fl. 11960DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 2 insumos para fins de apuração de créditos da não cumulatividade. Aplicação da Súmula CARF nº 232. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. TRANSPORTE DE CARGAS OU PASSAGEIROS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Os dispêndios com locação de veículos de transporte de cargas ou passageiros não geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Aplicação da Súmula CARF nº 190. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL, HIDRÁULICA E ELÉTRICA. REGRA ESPECÍFICA DE CREDITAMENTO. Os dispêndios relativos a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros utilizados nas atividades da pessoa jurídica submetem-se à regra específica de creditamento sobre encargos de depreciação ou amortização, não se enquadrando como insumos da produção. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. DESGASTE OPERACIONAL. AUSÊNCIA DE AUMENTO DE VIDA ÚTIL. CREDITAMENTO COMO INSUMO. Os gastos com serviços de manutenção, partes e peças destinadas à recomposição das condições normais de funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, sem caracterizar melhoria ou aumento de vida útil superior a um ano, enquadram-se como insumos para fins de apuração de créditos da não cumulatividade. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. UTILIZAÇÃO POSTERIOR À PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos empregados nas etapas do processo produtivo podem gerar créditos como insumos. Não geram direito ao crédito aqueles utilizados após a finalização da produção do bem destinado à venda. MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE UTILIZAÇÃO NO PROCESSO PRODUTIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. A contratação de mão de obra temporária somente gera créditos da não cumulatividade quando demonstrada sua utilização nas atividades produtivas. Ausente comprovação específica da aplicação da mão de obra contratada no processo produtivo, mantém-se a glosa. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS VINCULADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. Fl. 11961DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 3 É admissível o creditamento dos encargos de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado efetivamente empregados no processo produtivo ou na fase agrícola da atividade agroindustrial, desde que demonstrada sua vinculação às atividades que autorizam o crédito, nos termos da legislação de regência. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe ao contribuinte comprovar os requisitos necessários ao reconhecimento do crédito presumido. A ausência de elementos suficientes para demonstrar a vinculação entre documentos, pagamentos e operações que fundamentam os créditos apropriados justifica a manutenção da glosa. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR DE PESSOA JURÍDICA. ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. VERDADE MATERIAL. A ausência de indicação cadastral de atividade agropecuária pelo fornecedor não é suficiente, por si só, para afastar o crédito presumido quando comprovada a efetiva aquisição da matéria-prima. PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE ÁLCOOL. LEI Nº 12.859/2013. REGIME ESPECÍFICO. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS PRÓPRIOS. A adoção do método de rateio proporcional previsto na legislação geral da não cumulatividade não afasta a necessidade de atendimento dos requisitos específicos previstos na Lei nº 12.859/2013 para compensação ou ressarcimento dos créditos vinculados à produção e comercialização de álcool. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. DESNECESSIDADE. ÔNUS DA PROVA. A realização de diligência ou perícia pressupõe a necessidade de esclarecimento de questão controvertida, não se prestando a substituir o ônus do contribuinte de comprovar o direito creditório pleiteado. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter a glosa de créditos em relação aos seguintes itens: (i) transporte de mão de obra vinculado às fases agrícola e industrial, (ii) fretes sobre compra de cana-de-açúcar, (iii) serviços de instalação, montagem de máquinas, restauração e manutenção de equipamentos, (iv) partes e peças aplicadas em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e (v) encargos de depreciação em relação aos bens utilizados Fl. 11962DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 4 (v.1) na captação/tratamento de água, (v.2) sondas utilizadas para amostra de qualidade das matérias-primas, (v.3) tanque/irrigação/captação de vinhaça destinados à irrigação da lavoura da cana-de-açúcar, (v.4) laboratório/experimentação para atestar a qualidade dos produtos acabados e (v.5) balança rodoviária. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.620, de 19 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10410.906791/2016-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Hélcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2014 a 31/10/2014 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. Conforme estabelecido no Parecer Normativo Cosit RFB n° 5, de 2018, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. ESSENCIALIDADE. RELEVÂNCIA. Fl. 11963DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 5 O critério da essencialidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit RFB n° 5/2018, requer que o bem ou serviço creditado constitua elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pela contribuinte; já o critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção do sujeito passivo. INSUMO DO INSUMO. POSSIBILIDADE. CREDITAMENTO. Nos termos do Parecer Normativo Cosit RFB n° 5/2018, havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permite-se a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem-insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo). BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS E MÁQUINAS. Podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições os bens e serviços adquiridos e utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço. INSUMOS. SERVIÇOS. CONDIÇÕES PARA CREDITAMENTO. As despesas da pessoa jurídica na aquisição de serviços prestados em atividades diversas da produção de bens não representam aquisição de insumos geradores de créditos das contribuições, como ocorre com as despesas havidas nos setores administrativo, contábil, jurídico, etc. da pessoa jurídica. CONTRATAÇÃO. SERVIÇOS DE MÃO DE OBRA. Na hipótese de contratação de pessoa jurídica fornecedora de mão de obra, somente haverá a subsunção ao conceito de insumos geradores de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se a mão de obra cedida pela pessoa jurídica contratada atuar diretamente nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços protagonizadas pela pessoa jurídica contratante. MATERIAIS DE LIMPEZA E DE TRATAMENTO DE ÁGUA. Os materiais e serviços de limpeza de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ATIVO IMOBILIZADO. As obras de construção civil realizadas para instalação ou manutenção de ativos autoriza a apuração de créditos exclusivamente sobre os encargos de depreciação dos ativos nos quais foram utilizados. DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. Fl. 11964DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 6 As partes e peças adquiridas para reposição, utilizadas em máquinas e equipamentos que atuam no processo de fabricação dos bens destinados à venda, que porventura representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorra sua aplicação, devem ser capitalizadas, razão pela qual os respectivos créditos não podem ser concedidos na condição de insumos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. A legislação de regência da não cumulatividade prevê o direito ao crédito apenas de despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, não compreendendo as despesas com aluguel de veículos. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas de fretes relativos às transferências de produtos em elaboração da mesma pessoa jurídica, por serem enquadrados como insumos, geram direito ao crédito no regime não cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. GASTOS COM DESEMBARAÇO ADUANEIRO. As despesas aduaneiras relativas a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, decorrentes de importação de bens, não geram crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da Cofins, exceto quando integrarem a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação efetivamente pagas. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. São considerados insumos geradores de créditos das contribuições os combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens ou de prestação de serviços, inclusive pela produção de insumos do insumo efetivamente utilizado na produção do bem ou serviços finais disponibilizados pela pessoa jurídica. GASTOS COM VEÍCULOS. INSUMOS. Gastos com veículos que participam efetivamente do processo produtivo podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2014 a 31/10/2014 NULIDADE. HIPÓTESES. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO. Fl. 11965DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 7 Não cabe a discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais no âmbito do contencioso administrativo, uma vez que o julgador administrativo encontra se vinculado à aplicação das normas vigentes no ordenamento jurídico. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus dos sujeitos passivos requerentes a comprovação da existência do direito creditório. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE INDEFERIMENTO Indefere-se o pedido de diligência ou perícia quando a sua realização revela-se prescindível para a formação da convicção da autoridade julgadora. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da oficialidade, que obriga à administração impulsionar o processo até sua decisão final, não havendo previsão legal para o seu sobrestamento com o objetivo de se aguardar decisão em recurso extraordinário. Cientificada da decisão de primeira instância, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Ao final, requer, em síntese, o conhecimento do recurso, com aplicação do princípio da fungibilidade, se necessário, bem como a reforma da decisão recorrida para reconhecimento integral do crédito pleiteado e homologação das compensações. Requer, ainda, a realização de diligências e a admissão do laudo técnico apresentado em sede recursal, além da manutenção da suspensão da exigibilidade dos débitos compensados até o julgamento definitivo. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo direito creditório de PIS/Pasep não cumulativo Fl. 11966DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 8 vinculado às receitas de exportação do 3º trimestre de 2013, no montante de R$ 347.747,64. A controvérsia dos autos versa sobre à análise das glosas de créditos relativos a bens e serviços utilizados nas fases agrícola e industrial do processo produtivo, cuja caracterização como insumos, para fins de creditamento, foi afastada pela fiscalização. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, instituiu o regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS/Pasep, aplicável às pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real. De acordo com o art. 3º da referida norma, é permitido ao contribuinte descontar, da contribuição devida no mês, créditos apurados em relação a determinados custos, despesas e encargos vinculados à sua atividade econômica. O caput do artigo estabelece a regra-matriz do direito ao crédito, enquanto os incisos disciplinam hipóteses específicas de creditamento. Entre essas hipóteses, destacam-se: a aquisição de bens para revenda (inciso I); a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (inciso II); o consumo de energia elétrica nos estabelecimentos da pessoa jurídica (inciso III); e os pagamentos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa (inciso IV), entre outros. No que se refere ao inciso II, o conceito de “insumo” não foi expressamente definido pela legislação, o que gerou divergências interpretativas relevantes. Inicialmente, a Administração Tributária adotava entendimento mais restritivo, com base nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004. Esse posicionamento, no entanto, foi superado pelo julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, pelo Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que fixou como critério para o creditamento a demonstração da essencialidade ou relevância do bem ou serviço em relação à atividade econômica desenvolvida. Esse entendimento foi incorporado à atuação da Administração Pública Federal, conforme expresso na Nota SEI nº 63/2018 da PGFN, no Parecer Normativo COSIT nº 5/2018 e na Instrução Normativa RFB nº 2.121, de 15 de dezembro de 2022, os quais reconhecem que, para fins de geração de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições, a caracterização de insumo deve observar esses dois critérios: essencialidade e relevância, considerados à luz do processo produtivo ou da prestação de serviços da pessoa jurídica. No contexto específico das operações de exportação, o regime da não cumulatividade também assegura ao contribuinte o direito de apurar e utilizar créditos da contribuição para o PIS/Pasep vinculados a receitas não tributadas. Nos termos do art. 5º da Lei nº 10.637/2002, tais créditos podem ser objeto de ressarcimento ou compensação, desde que demonstrada sua efetiva vinculação ao processo produtivo voltado à exportação. A utilização desses créditos, embora Fl. 11967DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 9 relacionada a receitas imunes ou com alíquota zero, depende da observância dos mesmos critérios aplicáveis à caracterização de insumos, exigindo comprovação documental idônea da relação entre o bem ou serviço e a atividade de exportação., conforme transcrição abaixo: Art. 5 o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1 o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3 o para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2 o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1 o , poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (g.n.) No mesmo sentido, a jurisprudência consolidada do CARF vem adotando tal critério interpretativo, reconhecendo o direito ao crédito quando demonstrada a vinculação direta entre o bem ou serviço e a atividade-fim do contribuinte. Ressalte-se que o CARF tem seguido um entendimento intermediário: não tão restritivo quanto aquele previsto nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, que foram declaradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça, tampouco tão amplo quanto o pretendido por parte dos contribuintes. Para este Conselho, a caracterização de um insumo está diretamente relacionada à pertinência ou necessidade da despesa dentro dos limites espaço-temporais do processo produtivo ou da prestação de serviços, sendo imprescindível a demonstração concreta do seu papel na dinâmica operacional da empresa. Dessa forma, a aferição do direito ao crédito no regime da não cumulatividade exige análise fático-probatória à luz do critério jurídico consolidado, segundo o qual apenas os bens e serviços essenciais ou relevantes ao processo produtivo ou à prestação de serviços da pessoa jurídica podem ser considerados insumos. Conforme já exposto, a aplicação dos parâmetros de essencialidade e relevância — consagrados pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhidos pela jurisprudência deste Conselho — demanda apreciação casuística, de modo a verificar se os itens Fl. 11968DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 10 questionados possuem, de fato, função indispensável ou significativa no desempenho da atividade econômica da contribuinte. Cumpre ressaltar, contudo, que o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, delimitou o conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, mediante a adoção dos critérios da essencialidade e relevância. Assim, tais parâmetros destinam-se à análise das hipóteses de creditamento fundamentadas no conceito jurídico de insumo, não afastando a necessidade de observância dos requisitos próprios estabelecidos pelo legislador para as demais modalidades de créditos previstas no regime da não cumulatividade. Portanto, a análise dos créditos objeto da presente controvérsia deve observar a natureza específica de cada dispêndio, verificando-se, em relação aos itens enquadrados como insumos, sua essencialidade ou relevância para o processo produtivo ou para a prestação de serviços desenvolvida pela pessoa jurídica. Feitas essas considerações, passa-se à análise da controvérsia, que será realizada em tópicos, com vistas à melhor organização da fundamentação e à adequada apreciação das matérias discutidas. Glosas da Fase Agrícola Créditos sobre transportes de mão-de-obra: Foram glosados pela fiscalização os créditos relativos aos serviços de transporte de trabalhadores, sob o fundamento de que tais dispêndios não possuem relação direta com a fabricação de açúcar e álcool, mas sim com a etapa agrícola de cultivo da cana-de-açúcar. A decisão recorrida manteve a glosa por entender que tais despesas se destinam à viabilização da mão de obra, não se enquadrando, em regra, no conceito de insumo, conforme Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018. A Recorrente sustenta que, em razão das peculiaridades da atividade agroindustrial, as despesas com transporte de empregados devem ser consideradas insumos, uma vez que são essenciais à realização das etapas produtivas da cana-de-açúcar. Argumenta que as áreas agrícolas estão localizadas em zonas rurais, distantes dos centros urbanos e sem acesso a transporte público regular, sendo indispensável o deslocamento dos trabalhadores até as frentes de trabalho para viabilizar a produção. Defende, assim, que tais dispêndios atendem aos critérios de essencialidade e relevância, citando precedentes deste Conselho e a Solução de Consulta Cosit nº 45/2020. No caso concreto, entendo ser possível o creditamento das despesas com transporte de trabalhadores até os locais onde são desenvolvidas as atividades de Fl. 11969DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 11 plantio e extração, especialmente quando realizadas em áreas rurais remotas ou de difícil acesso, por se tratar de serviço essencial à continuidade do processo produtivo. Esse entendimento encontra-se atualmente consolidado na Súmula CARF nº 189, aprovada pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, segundo a qual "os gastos com insumos da fase agrícola, denominados de 'insumos do insumo', permitem o direito ao crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins não cumulativas". O transporte da mão de obra empregada diretamente nas atividades agrícolas constitui despesa indispensável à utilização do próprio insumo agrícola, enquadrando-se na categoria de "insumo do insumo", razão pela qual o respectivo creditamento deve ser admitido. Quando devidamente comprovado e contratado junto à pessoa jurídica, o transporte dos trabalhadores diretamente vinculados às etapas agrícolas pode ser enquadrado como serviço utilizado como insumo, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, em observância aos critérios de essencialidade e relevância já abordados e reconhecidos por este Conselho em situações similares, inclusive pela Súmula CARF nº 189. Nesse contexto, devem ser revertidas as glosas referentes ao transporte de mão de obra vinculada à fase agrícola. Créditos relativos a serviços de locação de máquinas e equipamentos. No que se refere às despesas com locação de máquinas e equipamentos de terceiros, a fiscalização glosou créditos relativos a “serviços de sublocação de veículos” e “serviços de locação/arrendamento”. A decisão recorrida manteve a glosa por entender que não restou comprovada a natureza dos bens locados/arrendados e que, a partir das informações disponíveis nos autos, os dispêndios estariam relacionados à locação de veículos. Fundamentou que o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 autoriza o creditamento apenas dos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos à pessoa jurídica e utilizados nas atividades da empresa, inexistindo previsão legal para créditos sobre locação de veículos, inclusive tratores, empilhadeiras e similares. Destacou, ainda, que locação de bens móveis e prestação de serviços possuem naturezas jurídicas distintas, razão pela qual não seria possível enquadrar tais dispêndios como serviços utilizados como insumos. Diante disso, manteve as glosas relativas à locação de veículos e aos contratos de arrendamento, estes últimos também pela ausência de documentação suficiente para comprovação da natureza dos bens envolvidos. A Recorrente sustenta que as despesas com locação de tratores, máquinas e demais equipamentos utilizados na atividade agrícola geram direito ao crédito das Fl. 11970DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 12 contribuições ao PIS e à Cofins, seja pelo enquadramento como serviços utilizados como insumos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, seja como aluguéis de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, conforme inciso IV dos mesmos dispositivos. Argumenta que, no contexto da agroindústria sucroalcooleira, tratores, pás carregadeiras, motoniveladoras, empilhadeiras e demais equipamentos são indispensáveis às etapas de cultivo, corte, carregamento e transporte da cana-de- açúcar, integrando diretamente o processo produtivo. Defende que, após o julgamento do REsp nº 1.221.170/PR pelo STJ, deve prevalecer a análise da essencialidade e relevância do dispêndio, inclusive quanto aos bens e serviços utilizados na fase agrícola (“insumo do insumo”), conforme reconhecido pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018. Cita, ainda, precedentes deste Conselho e soluções de consulta da Receita Federal para sustentar que a utilização de veículos e equipamentos diretamente vinculados à atividade produtiva não impede o creditamento, requerendo, ao final, a reversão das glosas. Todavia, o que se extrai da decisão recorrida é que os dispêndios analisados se referem à locação de veículos destinados ao transporte rodoviário de cargas, e não à locação de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtivo, conforme se verifica do trecho abaixo: “Analisando-se o relatório de glosas verifica-se que as glosas em questão foram relativas às aquisições de serviços da empresa R.L. Motomecanização & Transportes Ltda., que tem como atividade principal transporte rodoviário de carga (...). Por tal motivo, depreende-se que a locação em questão diz respeito a veículos.” Sobre o tema, cumpre destacar que a matéria relativa ao aproveitamento de créditos sobre despesas com locação de veículos foi objeto de consolidação no âmbito deste Conselho por meio da Súmula CARF nº 190, aprovada pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 190: Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Verifica-se, portanto, que a legislação restringiu o aproveitamento de créditos relativos à locação de prédios, máquinas e equipamentos pagos à pessoa jurídica e utilizados nas atividades da empresa, não contemplando os dispêndios relativos à locação de veículos. Fl. 11971DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 13 Com efeito, a própria legislação tributária diferencia máquinas e equipamentos de veículos, conferindo tratamento específico quando pretende alcançar esta última categoria de bens. Dessa forma, uma vez caracterizado que os dispêndios se referem à locação de veículos de transporte de carga ou passageiros, aplica-se o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 190, razão pela qual devem ser mantidas as respectivas glosas. Créditos sobre serviços de despachante/desembaraço aduaneiro Quanto aos créditos relativos aos serviços de despachante e desembaraço aduaneiro, a decisão recorrida manteve a glosa sob o fundamento de que a contribuinte não apresentou elementos específicos capazes de demonstrar a vinculação das despesas ao processo produtivo. Consignou que, em regra, as despesas aduaneiras não geram direito ao crédito no regime não cumulativo do PIS/Pasep e da Cofins, salvo quando integrarem a base de cálculo das contribuições incidentes na importação efetivamente recolhidas. Destacou, ainda, que os serviços de despachante e desembaraço aduaneiro, embora possam representar despesas necessárias à atividade empresarial, ocorrem em etapa posterior ou externa ao processo de produção de bens ou prestação de serviços, não se enquadrando no conceito de insumo previsto no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, conforme orientação do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente sustenta que, embora a decisão recorrida tenha entendido que os serviços de despachante e desembaraço aduaneiro ocorrem em momento posterior ao processo produtivo, tal circunstância não afastaria, por si só, o direito ao crédito. Argumenta que, em razão das particularidades da atividade agroindustrial sucroalcooleira, especialmente na produção de açúcar destinado à exportação, o desembaraço aduaneiro constitui etapa essencial para que o produto final seja disponibilizado ao mercado externo. Alega que, sem a realização desses serviços, não seria possível concluir a operação de exportação, sendo também necessária a contratação de serviços relacionados à logística, movimentação e guarda dos produtos. Defende, assim, que tais dispêndios atendem aos critérios de essencialidade e relevância fixados pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR, citando precedentes deste Conselho no sentido da possibilidade de creditamento de gastos logísticos vinculados à atividade produtiva e comercial da empresa, razão pela qual requer a reversão das glosas. Não assiste razão à Recorrente. Fl. 11972DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 14 Os serviços de despachante e desembaraço aduaneiro incidem sobre produto já acabado, destinando-se à operacionalização dos procedimentos necessários à exportação, e não à produção ou fabricação do bem. Assim, embora possam representar uma facilidade operacional e estar relacionados à atividade comercial da empresa, não se qualificam como insumos do processo produtivo para fins de creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins. Ademais, a contratação de despachante aduaneiro constitui opção do contribuinte para auxiliar no cumprimento dos procedimentos relativos ao comércio exterior, não se tratando de exigência indispensável ao próprio processo de fabricação do produto. A matéria encontra óbice, ainda, na Súmula CARF nº 232, aprovada pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, segundo a qual: Súmula CARF nº 232: As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas. Dessa forma, devem ser mantidas as glosas relativas aos serviços de despachante e desembaraço aduaneiro. Créditos relativos a serviços de construção civil, hidráulica e elétrica Quanto aos créditos relativos aos serviços de construção civil, hidráulica e elétrica, a fiscalização entendeu que tais dispêndios não se caracterizam como insumos aplicados na fabricação de produtos destinados à venda, não se enquadrando no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A decisão recorrida manteve as glosas ao fundamento de que a Recorrente apresentou alegações genéricas, sem demonstrar quais serviços foram efetivamente realizados e sua vinculação com o processo produtivo. Consignou, ainda, que as despesas relacionadas a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros possuem tratamento específico na legislação, sendo eventual crédito admitido com base nos encargos de depreciação ou amortização, nos termos do inciso VII e § 1º, inciso III, do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, não podendo ser apropriadas diretamente como insumos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reitera, de forma genérica, o pedido de reconhecimento dos créditos relativos aos serviços de construção civil, hidráulica e elétrica, sustentando que tais dispêndios foram aplicados no parque industrial e destinados à melhoria dos processos produtivos. Defende que, após o julgamento do REsp nº 1.221.170/PR pelo STJ, não se exige a aplicação direta e imediata do bem ou serviço ao produto fabricado, devendo ser Fl. 11973DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 15 analisados os critérios de essencialidade e relevância para o desenvolvimento da atividade produtiva. Assim, entende que os serviços contratados se enquadram no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, requerendo a reversão das glosas. Conforme consignado no início deste voto, os critérios de essencialidade e relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR aplicam-se à análise do conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. As demais hipóteses de creditamento previstas no referido artigo possuem regras próprias e devem ser analisadas de acordo com os requisitos estabelecidos pelo legislador. No caso dos autos, tratando-se de dispêndios relacionados a serviços de construção civil, hidráulica e elétrica vinculados a edificações ou benfeitorias, a legislação prevê tratamento específico, com aproveitamento dos créditos mediante encargos de depreciação ou amortização, não sendo possível sua reclassificação como insumos apenas com fundamento nos critérios de essencialidade e relevância. Esse entendimento tem sido reiteradamente adotado por este Colegiado, conforme se observa, por exemplo, no Acórdão nº 3201-012.455, proferido por esta Turma, em sessão de 25 de julho de 2025, cuja ementa consignou: CRÉDITO. IMOBILIZADO. BENFEITORIAS. Como regra, benfeitorias, reformas e materiais de construção realizadas em bens ativados, componentes do parque produtivo (edificações) ou máquinas, devem ser incorporados ao ativo em questão, só gerando créditos a partir dos encargos de depreciação. Também devem ser ativados bens e materiais de construção incorporados aos bens do ativo cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, assim como as despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração, para futuras depreciações ou amortizações. Ademais, a Recorrente não demonstrou de forma individualizada a natureza dos serviços executados e sua efetiva vinculação ao processo produtivo, limitando-se a alegações genéricas quanto à utilização no parque industrial. Neste sentido, mantém-se a referida glosa. Glosas da Fase Industrial Glosas sobre Serviços Créditos sobre serviços de transporte de pessoal Fl. 11974DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 16 Quanto aos créditos relativos aos serviços de transporte na fase industrial, a fiscalização identificou que os valores glosados se referiam a despesas com transporte de trabalhadores e fretes sobre compras. Em relação ao transporte de pessoal, a decisão recorrida manteve a glosa sob o fundamento de que tais dispêndios se destinam à viabilização da mão de obra, não integrando o processo produtivo da empresa. Reiterou o entendimento aplicado ao transporte de trabalhadores na fase agrícola, com base no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, no sentido de que tais gastos, em regra, não se enquadram no conceito de insumo. A Recorrente, por sua vez, reitera os mesmos argumentos apresentados em relação ao transporte de trabalhadores na fase agrícola, sustentando que tais dispêndios seriam essenciais ao desenvolvimento de sua atividade econômica e que, após o julgamento do REsp nº 1.221.170/PR pelo STJ, não se exige a aplicação direta do serviço no processo produtivo, mas a análise dos critérios de essencialidade e relevância. Pelas mesmas razões expostas quando da análise do transporte de trabalhadores vinculados à fase agrícola, entendo que, uma vez demonstradas a essencialidade e a relevância do deslocamento da mão de obra para a realização das atividades produtivas da Recorrente, tais despesas qualificam-se como insumos, na forma do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, entendimento que se harmoniza com a Súmula CARF nº 189, a qual reconhece o direito ao creditamento dos gastos com "insumos do insumo" da fase agrícola. Dessa forma, devem ser revertidas as glosas relativas aos serviços de transporte de trabalhadores na fase industrial. Créditos relativos a fretes sobre compras Quanto aos créditos relativos aos fretes sobre compras, a decisão recorrida consignou que, embora não exista previsão específica de creditamento para despesas de transporte suportadas pelo adquirente, o frete pode integrar o custo de aquisição do bem transportado, admitindo-se o crédito quando vinculado à aquisição de bens que também gerem direito ao creditamento. Destacou, contudo, que o direito ao crédito do frete acompanha o tratamento tributário conferido ao bem adquirido, de modo que somente será admitido quando relacionado a insumos ou mercadorias passíveis de creditamento. No caso concreto, considerando que o transporte estaria relacionado à aquisição de cana-de-açúcar, cuja saída do fornecedor ocorre com suspensão da incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, a decisão recorrida concluiu pela impossibilidade de aproveitamento dos créditos, mantendo a glosa. A Recorrente sustenta que a decisão recorrida equivocou-se ao afastar o crédito sob o fundamento de que a cana-de-açúcar adquirida estaria sujeita à suspensão Fl. 11975DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 17 das contribuições, pois tal circunstância não afastaria a natureza tributada da operação. Argumenta que o serviço de frete contratado sofre incidência do PIS/Pasep e da Cofins e que os valores pagos pelo transporte das mercadorias adquiridas integram o custo de aquisição do insumo, gerando direito ao respectivo crédito. Destaca, ainda, que mesmo nas aquisições de cana-de-açúcar de pessoas físicas, não contribuintes das referidas contribuições, a legislação prevê possibilidade de aproveitamento de créditos, nos termos da Lei nº 10.925/2004. Dessa forma, entende que os dispêndios com frete na aquisição da cana-de- açúcar são passíveis de creditamento, requerendo a reversão das glosas. O tema relativo ao creditamento dos gastos com frete na aquisição de insumos já foi objeto de consolidação no âmbito deste Conselho, por meio da Súmula CARF nº 188, que assim dispõe: Súmula CARF nº 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. No presente caso, trata-se de frete relacionado ao transporte de cana-de-açúcar destinada ao processo produtivo da agroindústria. A circunstância de a aquisição da cana-de-açúcar estar submetida ao regime de suspensão das contribuições não implica, por si só, o afastamento do direito ao crédito sobre o serviço de transporte contratado, quando este possui tributação própria e constitui dispêndio necessário à aquisição do insumo. Assim, devem ser revertidas as glosas correspondentes. Créditos de serviços sujeitos a depreciação Quanto aos créditos relativos a serviços sujeitos à depreciação, a fiscalização identificou dispêndios relacionados a serviços de instalação e montagem de máquinas, construção civil, hidráulica, restauração e manutenção de equipamentos com longa vida útil, entendendo que tais gastos deveriam ser capitalizados quando resultassem em aumento da vida útil do bem superior a um ano. A decisão recorrida manteve as glosas ao fundamento de que, embora seja possível o aproveitamento de créditos relativos a serviços de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, deve-se verificar se os dispêndios caracterizam simples manutenção, passível de enquadramento Fl. 11976DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 18 como insumo, ou se representam melhorias que aumentam a vida útil do bem, hipótese em que o creditamento deve ocorrer pelas regras de depreciação ou amortização. Consignou que caberia à contribuinte comprovar que os serviços realizados não representaram melhoria ou aumento da vida útil originalmente estimada dos equipamentos. Contudo, entendeu que os elementos apresentados, inclusive o relatório técnico juntado aos autos, não demonstraram de forma suficiente a natureza dos serviços executados nem afastaram a necessidade de capitalização dos gastos. A Recorrente sustenta que os serviços glosados, embora envolvam valores expressivos, não correspondem a melhorias dos equipamentos, mas a manutenções necessárias em razão do intenso desgaste decorrente do processo produtivo de açúcar e álcool. Argumenta que determinados componentes, como correntes, flanges e camisas de moenda, sofrem desgaste contínuo durante a safra e demandam intervenções periódicas, sem caracterizar acréscimo de vida útil ou melhoria do ativo. Aduz, ainda, que apresentou novo laudo técnico, acompanhado de ART, demonstrando as características do processo produtivo e a necessidade de manutenção anual dos componentes utilizados nas etapas de recepção, preparo e extração da cana-de-açúcar. No caso concreto, assiste razão à Recorrente. Da análise do laudo técnico apresentado, verifica-se que os serviços glosados estão relacionados à manutenção periódica de equipamentos submetidos a elevado desgaste em razão das características abrasivas do processo produtivo da cana-de-açúcar. Conforme demonstrado no referido laudo, durante a safra são necessárias intervenções para recuperação das condições normais de funcionamento dos equipamentos, em razão do desgaste sofrido no processo industrial. Não se verifica que tais serviços tenham resultado em melhoria, ampliação de capacidade produtiva ou aumento da vida útil originalmente estimada dos equipamentos que justificasse sua capitalização como ativo imobilizado. Trata-se, ao contrário, de serviços destinados à conservação e manutenção da operacionalidade das máquinas utilizadas na produção. Dessa forma, considerando que os serviços de instalação, montagem de máquinas, restauração e manutenção de equipamentos com longa vida útil estão vinculados aos equipamentos empregados no processo produtivo e são necessários à continuidade da atividade industrial, enquadram-se como insumos nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, razão pela qual devem ser revertidas as glosas correspondentes. Fl. 11977DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 19 Mantêm-se, entretanto, as glosas referentes aos serviços de construção civil e hidráulica, pelos mesmos fundamentos expostos no item 1.4 deste voto. Créditos de serviços não considerados insumos A Recorrente sustenta que os serviços de suporte e manutenção de programas, assistência técnica, arquitetura, consultoria, corretagem, treinamento, hospedagem, desembaraço aduaneiro, regulação de sinistro/garantia e varrição/coleta foram indevidamente glosados, pois estariam vinculados ao desenvolvimento de sua atividade produtiva. Argumenta que, no contexto da agroindústria sucroalcooleira, deve ser considerada toda a cadeia operacional, desde a preparação do solo até a disponibilização do produto final ao mercado, especialmente diante da variedade de produtos fabricados e das exigências específicas relacionadas ao açúcar destinado ao mercado interno e à exportação. Defende que os critérios de essencialidade e relevância definidos pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR permitem o creditamento de serviços indispensáveis ao desempenho da atividade econômica, ainda que não aplicados diretamente no produto fabricado. Sustenta, ainda, que serviços como corretagem, assessoria e consultoria seriam necessários para inserção dos produtos no mercado e obtenção de resultados comerciais, enquanto os serviços de suporte/manutenção de programas e assistência técnica estariam relacionados ao funcionamento das centrais de operação industrial responsáveis pelo controle das máquinas produtivas. Quanto aos serviços de desembaraço aduaneiro, logística e varrição de depósitos, afirma serem indispensáveis às operações de exportação e à adequada movimentação e guarda dos produtos acabados. Assim, entende que tais dispêndios atendem aos critérios de essencialidade e relevância e requer a reversão das glosas. Conforme consignado no início deste voto, os critérios de essencialidade e relevância aplicáveis à definição de insumo, nos termos do julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, já foram devidamente analisados, sendo desnecessária sua reprodução neste tópico. No caso concreto, verifica-se que a decisão recorrida apreciou adequadamente a natureza dos dispêndios e sua vinculação com o processo produtivo da Recorrente, razão pela qual adoto seus fundamentos como razão de decidir, incorporando-os ao presente voto, conforme transcrição abaixo: Neste tópico, a autoridade a quo narra que verificou a existência de créditos calculados sobre dispêndios com os seguintes serviços: suporte/manutenção de programas; assistência técnica; arquitetura; análise; desembaraço aduaneiro; corretagem; treinamento; hospedagem; assistência e consultoria qualquer; Fl. 11978DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 20 regulação sinistro/garantia e varrição/coleta. Aduz que tais serviços não estão associados ao processo produtivo da empresa, de modo que não podem ser considerados insumos. A Manifestante assevera que tais serviços são essenciais e que foram utilizados para melhoria de sua produtividade. Afirma que não se exige mais que determinado bem ou serviço tenha aplicação direta e imediata ao produto fabricado. Entende que o crédito é permitido desde que estejam presentes a essencialidade ou relevância, o que resta configurado no presente caso. Como já relatado, determinado serviço só poderá ser enquadrado como insumo caso esteja relacionado ao processo produtivo da Manifestante. Deve-se ter em mente que serviços ligados à área administrativa, como os de assessoria e consultoria qualquer, arquitetura, varrição, corretagem, regulação sinistro/garantia, hospedagem e treinamento não se enquadram no conceito de insumos. Sobre a questão, a interpretação estabelecida pelo PN Cosit nº 5/2018 é a seguinte: 18. Deveras, essa conclusão também fica patente na análise preliminar que os Ministros acordaram acerca dos itens em relação aos quais a recorrente pretendia creditar-se. Por ser a recorrente uma indústria de alimentos, os Ministros somente consideraram passíveis de enquadramento no conceito de insumos dispêndios intrinsecamente relacionados com a industrialização (“água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e (...) equipamentos de proteção individual – EPI”), excluindo de plano de tal conceito itens cuja utilidade não é aplicada nesta atividade (“veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (...), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões”). [...] 69. Sem embargo, pode-se afirmar de plano que as despesas da pessoa jurídica com atividades diversas da produção de bens e da prestação de serviços não representam aquisição de insumos geradores de créditos das contribuições, como ocorre com as despesas havidas nos setores administrativo, contábil, jurídico, etc. da pessoa jurídica. Por outro lado, os serviços de desembaraço aduaneiro já foram analisados em tópico precedente, não propiciando o direito aos créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Quanto aos demais serviços de suporte/manutenção de programas e de assistência técnica até poderiam gerar o crédito em tela. Contudo, também consoante já esclarecido quando se tratou dos mesmos tipos de créditos sobre serviços realizados na fase agrícola, faltam provas de que eles são inerentes ao processo fabril da empresa. Alegações genéricas, como as que estão no recurso apresentado, não ajudam na elucidação da questão. Enfim, não há reparos a se fazer no procedimento fiscal. Dessa forma, devem ser mantidas as glosas relativas aos referidos serviços. Fl. 11979DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 21 Créditos de serviços de fornecimento de mão-de-obra temporária Quanto às glosas relativas aos serviços de fornecimento de mão de obra avulsa temporária, a fiscalização entendeu que os créditos apropriados estavam relacionados a serviços administrativos e diversos, sem vinculação com o processo produtivo da empresa. A decisão recorrida manteve as glosas ao fundamento de que, conforme orientação do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, a contratação de pessoa jurídica fornecedora de mão de obra somente poderá gerar créditos das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins quando os trabalhadores cedidos atuarem diretamente nas atividades de produção de bens ou prestação de serviços da contratante. Consignou, ainda, que a Recorrente não apresentou elementos capazes de demonstrar que a mão de obra contratada foi aplicada no processo produtivo, razão pela qual manteve as glosas efetuadas. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reitera que, após a definição do conceito de insumo pelo STJ, não deve prevalecer interpretação restritiva para fins de aproveitamento dos créditos de PIS/Pasep e Cofins, devendo ser analisada a essencialidade e relevância do dispêndio para o processo produtivo. Sustenta que a contratação de empresa fornecedora de mão de obra temporária pode gerar direito ao crédito quando destinada às atividades produtivas, conforme reconhecido pela Solução de Divergência Cosit nº 29/2017. A Recorrente afirma que, no caso concreto, a mão de obra contratada foi utilizada temporariamente para suprir necessidades do processo produtivo, razão pela qual requer a reversão das glosas. Todavia, embora seja possível o creditamento de despesas com contratação de mão de obra fornecida por pessoa jurídica quando demonstrada sua aplicação direta no processo produtivo, a Recorrente não apresentou elementos suficientes para comprovar em quais atividades os trabalhadores foram efetivamente alocados. Assim, diante da ausência de comprovação da vinculação da mão de obra contratada ao processo produtivo, devem ser mantidas as glosas. Glosas sobre Bens Crédito referente a bens com natureza de ativo fixo (sujeitos à depreciação) Quanto aos créditos relativos aos bens sujeitos à depreciação, a fiscalização identificou a aquisição de partes e peças aplicadas em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, entendendo que, por se tratarem de itens de valor significativo, deveriam ser incorporados ao ativo imobilizado quando sua Fl. 11980DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 22 substituição resultasse em aumento da vida útil do equipamento superior a um ano. A decisão recorrida manteve as glosas ao fundamento de que partes e peças cuja substituição implique melhoria ou acréscimo de vida útil do equipamento devem ser capitalizadas, com aproveitamento dos créditos pela sistemática aplicável aos bens do ativo imobilizado. Consignou, ainda, que, embora tais componentes fossem utilizados em máquinas do processo produtivo, caberia à contribuinte comprovar que sua aplicação correspondia à mera reposição decorrente do desgaste operacional, sem aumento da vida útil do equipamento principal. Diante da ausência de comprovação suficiente, manteve as glosas realizadas pela fiscalização. A Recorrente sustenta que as partes e peças glosadas, embora possuam valores expressivos, não representam aquisição de novos ativos ou melhorias nos equipamentos, mas componentes necessários à manutenção das máquinas em razão do desgaste intenso decorrente do processo produtivo sucroalcooleiro. Argumenta que determinados itens precisam ser substituídos periodicamente durante as safras, uma vez que estão sujeitos a elevado desgaste nas etapas de recepção, preparo e extração da cana-de-açúcar, sem que essa substituição resulte em aumento da vida útil originalmente estimada do equipamento principal. Afirma que apresentou laudo técnico acompanhado de ART, demonstrando que os componentes analisados são itens de reposição necessários à manutenção da capacidade operacional dos equipamentos produtivos. A meu ver, assiste razão à Recorrente. Inicialmente, cumpre destacar que os créditos relativos aos bens incorporados ao ativo imobilizado possuem disciplina própria, prevista no inciso VI c/c § 1º, inciso III, do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, sendo calculados com base nos encargos de depreciação ou amortização. Todavia, tal hipótese não se confunde com a aquisição de partes e peças destinadas à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, cuja análise deve ser realizada à luz do conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3º das referidas leis: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 11981DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 23 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Com efeito, para a correta classificação dos dispêndios, deve-se verificar se a substituição das partes e peças representa efetiva melhoria, ampliação de capacidade ou aumento da vida útil do equipamento superior a um ano, hipótese em que o gasto deverá ser incorporado ao ativo imobilizado, ou se corresponde à mera recomposição das condições normais de funcionamento do bem em razão do desgaste decorrente do processo produtivo. Ressalte-se que o valor unitário dos componentes, isoladamente considerado, não é suficiente para determinar sua classificação como ativo imobilizado. O limite de R$ 1.200,00, mencionado no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, constitui parâmetro oriundo da legislação do Imposto de Renda para dispensa de imobilização de bens de pequeno valor, mas não afasta a necessidade de análise da natureza do dispêndio e dos efeitos decorrentes da substituição do componente. No caso concreto, verifica-se que a própria planilha “Glosa de Bens Sujeitos à Depreciação” identifica que os itens analisados correspondem a peças aplicadas em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da Recorrente. Embora a decisão recorrida tenha entendido ausente comprovação suficiente quanto à natureza meramente substitutiva desses componentes, o laudo técnico apresentado trouxe elementos específicos acerca da natureza desses bens, demonstrando que se tratam de peças submetidas a elevado desgaste em razão das características do processo produtivo sucroalcooleiro, especialmente nas etapas de recepção, preparo e extração da cana-de-açúcar. O laudo explicita ainda que tais componentes demandam substituições periódicas ou processos de recuperação durante as safras, com o objetivo de recompor suas condições normais de funcionamento, sem que isso represente melhoria, acréscimo da vida útil originalmente estimada do equipamento principal ou incorporação de nova capacidade produtiva. Assim, não se trata de bens destinados à melhoria ou ampliação dos ativos produtivos, mas de itens necessários à manutenção da operacionalidade das máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo de fabricação. Dessa forma, considerando sua essencialidade para a continuidade do processo produtivo, os referidos dispêndios enquadram-se como insumos, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, razão pela qual devem ser revertidas as glosas correspondentes. Crédito referente a combustíveis e lubrificantes Fl. 11982DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 24 Quanto aos créditos relativos a combustíveis, lubrificantes e aditivos automotivos, a fiscalização efetuou glosas por entender que determinados dispêndios não estavam vinculados ao processo produtivo, especialmente aqueles relativos ao óleo diesel utilizado no transbordo de açúcar e aos itens alocados em serviços gerais. A decisão recorrida, com fundamento no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, reconheceu que os combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos empregados nas etapas do processo produtivo, inclusive na fase agrícola da agroindústria, enquadram-se no conceito de insumo, revertendo as glosas constantes da “Planilha de Glosas de Combustíveis/Lubrificantes/Aditivos Automotivos”. Entretanto, foram mantidas as glosas relativas ao óleo diesel utilizado no transbordo de açúcar, por entender que o dispêndio ocorre em etapa posterior à finalização do processo produtivo, bem como aquelas relativas aos combustíveis, lubrificantes e aditivos alocados em serviços gerais, diante da ausência de demonstração de sua vinculação com a produção. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente sustenta que o óleo diesel utilizado no transbordo de açúcar está relacionado à operação de venda destinada à exportação, uma vez que o produto é transportado até terminal intermodal para posterior envio ao porto onde ocorrerá o desembaraço aduaneiro. Defende, assim, que tais dispêndios não se referem a simples etapa posterior à produção, mas integram a logística necessária ao escoamento dos produtos destinados à venda, razão pela qual requer a reversão das glosas remanescentes. Não assiste razão à Recorrente. Conforme já consignado neste voto, o conceito de insumo, definido a partir dos critérios de essencialidade e relevância, deve ser analisado dentro dos limites estabelecidos pelo inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que se refere aos bens e serviços utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. No caso concreto, verifica-se que o óleo diesel objeto da glosa foi utilizado no transbordo do açúcar já produzido, em etapa posterior à conclusão do processo produtivo, relacionada à logística de movimentação e escoamento do produto acabado. Embora tais operações sejam relevantes para a atividade econômica da Recorrente e necessárias à comercialização dos produtos, não se confundem com os dispêndios empregados no processo de produção ou fabricação do bem destinado à venda, conforme exigido pela legislação para enquadramento como insumo. Nada a corrigir na decisão recorrida. Fl. 11983DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 25 Crédito referente a encargos de depreciação Quanto aos créditos relativos aos encargos de depreciação de bens utilizados na fase industrial, a fiscalização efetuou glosas sob o fundamento de que determinados bens do ativo imobilizado não estariam diretamente vinculados ao processo produtivo da Recorrente. A decisão recorrida reconheceu que os créditos relativos à depreciação devem observar o disposto no inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, admitindo-se o aproveitamento em relação às máquinas, equipamentos e demais bens do ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda. Reconheceu, ainda, a possibilidade de creditamento dos bens empregados na etapa agrícola da agroindústria, por integrarem a cadeia produtiva da cana-de-açúcar destinada à fabricação de açúcar, álcool e demais produtos. No que se refere à fase industrial, consignou que a fiscalização já havia reconhecido créditos relativos a diversos setores produtivos, tais como caldeira, extração, empacotamento, centrifugação, tratamento de caldo e estação termoelétrica. Contudo, manteve as glosas remanescentes ao fundamento de que os relatórios apresentados incluíam bens vinculados a setores administrativos e de apoio, bem como descrições genéricas que impossibilitariam a identificação segura dos itens efetivamente empregados no processo produtivo. A Recorrente sustenta que a análise realizada adotou interpretação restritiva do conceito de utilização na produção, defendendo que diversos setores glosados possuem relação essencial com a atividade sucroalcooleira, ainda que não atuem diretamente sobre o produto em fabricação. Nesse sentido, afirma que setores como captação e tratamento de água, sondas, balanças, irrigação e captação de vinhaça, controle industrial, instrumentação, suporte de tecnologia vinculado aos equipamentos industriais e laboratórios possuem participação necessária no processo produtivo, sendo indispensáveis ao funcionamento da atividade industrial. Aduz, ainda, que as informações apresentadas permitem identificar os bens e sua vinculação às respectivas áreas, afastando a conclusão de ausência de comprovação ou inconsistência dos relatórios apresentados. Assim, requer a reversão das glosas relativas aos encargos de depreciação dos bens que entende vinculados ao processo produtivo. No caso concreto, assiste razão à Recorrente em relação aos encargos de depreciação incidentes sobre os bens utilizados na captação e tratamento de água, sondas destinadas à coleta de amostras e análise da qualidade das matérias- primas, tanques, sistemas de irrigação e equipamentos de captação de vinhaça destinados à irrigação da lavoura de cana-de-açúcar, laboratórios de experimentação destinados ao controle da qualidade dos produtos acabados e balança rodoviária. Fl. 11984DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 26 Com efeito, tais bens encontram-se diretamente vinculados à cadeia produtiva da atividade sucroenergética, desempenhando funções indispensáveis à obtenção da matéria-prima, ao desenvolvimento do processo produtivo e ao controle de qualidade da produção, não se caracterizando como bens de natureza meramente administrativa ou de apoio. Os equipamentos empregados na captação e tratamento de água integram etapa essencial da atividade industrial, uma vez que a água constitui elemento indispensável em diversas fases da fabricação de açúcar e etanol. De igual modo, as sondas utilizadas para coleta de amostras e análise da qualidade das matérias- primas destinam-se ao controle das características da cana-de-açúcar que ingressa no processo produtivo, permitindo o adequado acompanhamento da produção e influenciando diretamente o rendimento industrial. No que se refere aos tanques, sistemas de irrigação e equipamentos de captação de vinhaça, verifica-se que tais bens são empregados na fase agrícola da atividade agroindustrial. A vinhaça, subproduto resultante da fabricação do etanol, é utilizada na fertirrigação da lavoura de cana-de-açúcar, sendo indispensável a existência da infraestrutura necessária à sua captação, armazenamento, transporte e aplicação no campo. Trata-se, portanto, de bens diretamente vinculados à cadeia produtiva da cana-de-açúcar, entendimento que se harmoniza com a Súmula CARF nº 189, segundo a qual os gastos com insumos da fase agrícola, denominados "insumos do insumo", permitem o direito ao crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins não cumulativas. Da mesma forma, os bens empregados em laboratórios de experimentação integram o controle de qualidade dos produtos acabados, permitindo a verificação de sua conformidade com as especificações técnicas e exigências legais para comercialização, razão pela qual constituem etapa inerente ao próprio processo produtivo. Também merece acolhimento o pleito referente à balança rodoviária, uma vez que sua utilização na pesagem da matéria-prima recebida, dos insumos empregados e dos produtos acabados constitui atividade operacional diretamente relacionada ao controle da produção, revelando-se equipamento necessário ao desenvolvimento da atividade industrial, e não mero instrumento administrativo. Assim, em relação a esses bens, encontra-se suficientemente demonstrada sua efetiva utilização nas atividades produtivas da Recorrente, atendendo aos requisitos previstos no inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 para o aproveitamento dos créditos relativos aos encargos de depreciação. Diversamente, quanto aos demais bens remanescentes objeto da glosa, especialmente aqueles vinculados aos setores de controle industrial, instrumentação, suporte e manutenção de tecnologia da informação, bem como aos caminhões utilizados para transbordo e transporte interno de açúcar, a Recorrente não apresentou elementos suficientes para demonstrar, de forma Fl. 11985DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 27 individualizada, a efetiva utilização de cada bem diretamente no processo produtivo, permanecendo hígidas as conclusões da fiscalização quanto a esses itens. Dessa forma, devem ser revertidas as glosas relativas aos encargos de depreciação incidentes sobre os bens utilizados na (i) captação e tratamento de água; (ii) sondas destinadas à coleta de amostras e análise da qualidade das matérias-primas; (iii) tanques, sistemas de irrigação e equipamentos de captação de vinhaça destinados à irrigação da lavoura de cana-de-açúcar; (iv) laboratórios de experimentação destinados ao controle da qualidade dos produtos acabados; e (v) balança rodoviária, mantendo-se as demais glosas efetuadas pela fiscalização. Crédito presumido de cana-de-açúcar de aquisições de pessoa física Quanto aos créditos relativos às aquisições de cana-de-açúcar de produtores rurais pessoas físicas, a fiscalização efetuou glosas sob o fundamento de ausência de comprovação dos requisitos necessários ao reconhecimento dos créditos apropriados. A decisão recorrida manteve as glosas por entender que a simples apresentação das notas fiscais de aquisição e dos registros contábeis não seria suficiente para comprovar as operações que fundamentaram o aproveitamento dos créditos, cabendo à contribuinte demonstrar a efetiva correspondência entre os documentos apresentados e os negócios jurídicos realizados. Consignou que os elementos constantes dos autos não permitiriam confirmar a entrega da cana-de-açúcar pelos produtores indicados nas notas fiscais, bem como que os pagamentos realizados a terceiros não seriam suficientes, por si só, para comprovar a quitação das obrigações perante os fornecedores originários. A Recorrente, por sua vez, sustenta que as operações de aquisição foram devidamente comprovadas por meio das notas fiscais, escrituração contábil e contratos firmados com os produtores rurais, destacando que, no setor sucroalcooleiro, é comum a existência de pagamentos a terceiros em razão de cessões de crédito, financiamentos, garantias e demais ajustes comerciais vinculados ao fornecimento da matéria-prima. Alega que os contratos apresentados autorizavam descontos e pagamentos destinados à liquidação de obrigações assumidas pelos fornecedores, não havendo irregularidade no fato de os pagamentos terem sido direcionados a terceiros. Argumenta, ainda, que a legislação exige que os custos tenham sido incorridos, não condicionando o aproveitamento dos créditos à comprovação do efetivo pagamento da matéria-prima adquirida. Por fim, afirma que os documentos fiscais e contábeis apresentados seriam suficientes para demonstrar a regularidade das operações de compra de cana-de- Fl. 11986DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 28 açúcar e requer a reversão das glosas ou, subsidiariamente, a realização de diligência para confirmação das informações. No caso concreto, após análise dos elementos constantes dos autos, entendo que a decisão recorrida enfrentou adequadamente a controvérsia, razão pela qual adoto seus fundamentos como razão de decidir. Conforme consignado naquele Acórdão, a controvérsia não envolve a possibilidade jurídica de aproveitamento do crédito presumido previsto na legislação, mas a comprovação dos requisitos necessários à validação dos créditos pleiteados. Embora não haja impedimento jurídico ao pagamento realizado a terceiro por indicação ou autorização do credor originário, cabe à contribuinte demonstrar a vinculação entre os pagamentos efetuados, as cessões de crédito indicadas e as operações que deram origem aos créditos apropriados. No presente caso, conforme destacado pela decisão recorrida, os elementos apresentados não foram suficientes para comprovar que os pagamentos efetuados a terceiros correspondiam efetivamente à liquidação das obrigações relativas às notas fiscais objeto das glosas. Ressalte-se que as diligências no processo administrativo fiscal têm por finalidade esclarecer fatos controvertidos a partir dos elementos constantes dos autos, não podendo ser utilizadas como meio de substituir o ônus probatório atribuído ao contribuinte quanto à demonstração do direito creditório. Dessa forma, diante da ausência de comprovação específica dos requisitos necessários ao reconhecimento dos créditos presumidos apropriados, mantenho as glosas relativas às aquisições de cana-de-açúcar de pessoas físicas. Crédito presumido de cana-de-açúcar de aquisições de pessoa jurídica Quanto às glosas relativas ao crédito presumido decorrente da aquisição de cana- de-açúcar de pessoas jurídicas, a fiscalização identificou fornecedores que, segundo os dados cadastrais disponíveis, não exerceriam atividade agropecuária, razão pela qual afastou os créditos apropriados pela Recorrente. A decisão recorrida, entretanto, afastou tal fundamento, consignando que a análise do direito ao crédito deve privilegiar a realidade das operações realizadas, não sendo suficiente a simples verificação das informações cadastrais dos fornecedores para descaracterizar as aquisições de cana-de-açúcar. Nesse sentido, reconheceu que as provas apresentadas, tais como documentos fiscais e demais elementos constantes dos autos, demonstravam a efetiva aquisição da matéria-prima, razão pela qual admitiu o crédito presumido relativo às operações questionadas. Fl. 11987DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 29 Contudo, a decisão recorrida entendeu que, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, tais créditos presumidos somente poderiam ser utilizados para dedução da própria contribuição devida, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação com outros tributos. A Recorrente sustenta que observou a limitação prevista na legislação, afirmando que os créditos presumidos foram utilizados exclusivamente para dedução dos débitos das próprias contribuições ao PIS e à Cofins, razão pela qual requer a reversão da glosa. Pelo exposto, verifica-se que não subsiste controvérsia quanto ao entendimento adotado pela decisão recorrida, uma vez que a própria Recorrente reconhece a aplicação do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 e afirma que os créditos presumidos foram utilizados para dedução dos débitos das próprias contribuições ao PIS e à Cofins, em conformidade com os limites estabelecidos pela legislação. Dessa forma, inexistindo divergência quanto ao critério jurídico adotado pela decisão recorrida, eventual verificação acerca da correta utilização dos créditos reconhecidos deve ser realizada no momento da apuração do crédito pela unidade de origem. Créditos com base no art. 1º, § 7º da Lei nº 12.859/2013 Quanto ao critério de apuração dos créditos não cumulativos de PIS e Cofins vinculados à produção e comercialização de álcool, a fiscalização verificou que a Recorrente não demonstrou, em sua escrituração fiscal, os custos, despesas e encargos especificamente relacionados a esse produto, para fins de aplicação do art. 1º, § 7º, da Lei nº 12.859/2013, que assim dispõe: Lei nº 12.859/2013 Art. 1º A pessoa jurídica importadora ou produtora de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) poderá descontar das referidas contribuições, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o volume mensal de venda no mercado interno do referido produto. (...) § 7º O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado pelas pessoas jurídicas de que trata o caput, na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de álcool, inclusive para fins carburantes, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, poderá ser objeto de: Fl. 11988DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 30 I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Por sua vez, a legislação da não cumulatividade admite, quando houver custos, despesas e encargos comuns, a utilização do método de rateio proporcional, conforme previsto nos §§ 8º e 9º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003: Lei nº 10.833/2003 [...] Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 7 o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não- cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. A controvérsia, portanto, não reside na possibilidade de utilização do método de rateio proporcional para apuração dos créditos da não cumulatividade, mas na observância dos requisitos específicos previstos para o aproveitamento do tratamento estabelecido pelo art. 1º, §7º, da Lei nº 12.859/2013. A Recorrente sustenta que adotou corretamente o método de rateio proporcional, considerando que possui processo produtivo integrado envolvendo Fl. 11989DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 31 açúcar e álcool, com custos comuns às atividades. Defende que a legislação autoriza a utilização desse critério, não podendo a fiscalização exigir apropriação direta dos dispêndios vinculados a cada produto. Afirma que os créditos foram distribuídos proporcionalmente conforme as receitas auferidas, sendo as receitas tributadas no mercado interno relacionadas ao etanol, as receitas não tributadas ao açúcar comercializado internamente e as receitas de exportação ao açúcar VHP. Dessa forma, entende que os créditos devem ser reconhecidos nos termos do art. 1º, §7º, da Lei nº 12.859/2013. Contudo, não assiste razão à Recorrente. A possibilidade de adoção do rateio proporcional prevista na legislação geral da não cumulatividade não afasta a necessidade de observância dos requisitos estabelecidos em legislação específica quando se pretende usufruir de tratamento diferenciado. No caso, o art. 1º, §7º, da Lei nº 12.859/2013 estabeleceu regra própria aplicável aos produtores de álcool, autorizando a compensação ou o ressarcimento do saldo credor somente em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização desse produto. Trata-se de regime específico, cuja aplicação depende do cumprimento dos requisitos expressamente previstos na norma instituidora, não sendo possível afastá-los mediante aplicação isolada das regras gerais de apuração dos créditos da não cumulatividade. No caso concreto, conforme consignado pela decisão recorrida, a Recorrente não demonstrou na EFD nem nos demonstrativos apresentados a segregação dos custos, despesas e encargos vinculados à produção e comercialização de álcool. Ao contrário, apresentou créditos apurados conjuntamente para açúcar e álcool. Ressalte-se que a fiscalização não desconsiderou os créditos da não cumulatividade nem afastou a aplicação do método de rateio proporcional. O que se verificou foi a impossibilidade de enquadrar os valores apurados conjuntamente no tratamento específico previsto pelo art. 1º, §7º, da Lei nº 12.859/2013, diante da ausência de demonstração da vinculação exigida pela própria norma. Ademais, conforme destacado pela decisão recorrida, não restou demonstrado prejuízo decorrente do procedimento fiscal, uma vez que os créditos foram analisados com base nos documentos apresentados pela contribuinte e o critério de rateio proporcional foi observado na apuração geral. Dessa forma, considerando que a Recorrente não comprovou o atendimento aos requisitos específicos previstos na Lei nº 12.859/2013 para fins de compensação ou ressarcimento dos créditos vinculados à produção e comercialização de álcool, mantenho a decisão recorrida neste ponto. Do pedido de diligência/perícia Fl. 11990DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 32 No que se refere ao pedido de realização de perícia, cumpre observar que a jurisprudência deste Conselho tem reiteradamente afirmado que a produção de prova pericial não constitui medida obrigatória quando o julgador já se encontra suficientemente convencido a partir das provas constantes dos autos. Trata-se, na verdade, de faculdade atribuída à autoridade julgadora, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Nesse sentido, a realização de prova pericial mostra-se cabível quando necessária ao esclarecimento de questões técnicas específicas e quando os demais elementos constantes dos autos forem insuficientes para a formação do convencimento do julgador, devendo sua produção observar os critérios de necessidade, utilidade e pertinência, em consonância com os princípios da razoabilidade e da economia processual. No caso concreto, diante do conjunto de informações documentais já constantes dos autos e das diversas diligências efetuadas ao longo da instrução processual, entende-se que a ausência de perícia não compromete a busca da verdade material, tampouco prejudica o adequado julgamento da controvérsia. Assim, considerando que os elementos constantes dos autos são suficientes para a formação do convencimento acerca das matérias controvertidas, mostra-se desnecessária a realização de diligências ou perícias adicionais para o julgamento do feito. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, dar parcial provimento para reverter as seguintes glosas referentes a: i. Transporte de mão de obra vinculados às fases agrícola e industrial; ii. Fretes sobre compra de cana-de-açúcar; iii. Serviços de instalação, montagem de máquinas, restauração e manutenção de equipamentos; iv. Partes e peças aplicadas em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo; v. Encargos de depreciação em relação aos bens utilizados: (v.1) na captação/tratamento de água; (v.2) sondas utilizadas para amostra de qualidade das matérias-primas; (v.3) tanque/irrigação/captação de vinhaça destinados à irrigação da lavoura da cana-de-açúcar; (v.4) laboratório/experimentação para atestar a qualidade dos produtos acabados; e (v.5) balança rodoviária. Fl. 11991DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.630 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10410.906801/2016-88 33 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter a glosa de créditos em relação aos seguintes itens: (i) transporte de mão de obra vinculado às fases agrícola e industrial, (ii) fretes sobre compra de cana-de-açúcar, (iii) serviços de instalação, montagem de máquinas, restauração e manutenção de equipamentos, (iv) partes e peças aplicadas em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e (v) encargos de depreciação em relação aos bens utilizados (v.1) na captação/tratamento de água, (v.2) sondas utilizadas para amostra de qualidade das matérias-primas, (v.3) tanque/irrigação/captação de vinhaça destinados à irrigação da lavoura da cana-de-açúcar, (v.4) laboratório/experimentação para atestar a qualidade dos produtos acabados e (v.5) balança rodoviária. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 11992DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11461833 #
Numero do processo: 15504.724645/2011-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Aug 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE SUCATAS. CRÉDITOS. RE 607.109/PR. TEMA 304/STF São inconstitucionais os arts. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, que vedam a apuração de créditos de PIS/Cofins na aquisição de insumos recicláveis. DESCONTO DE CRÉDITOS. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ATIVIDADES DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. A locação de equipamentos para a utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica é passível de creditamento, nos termos do art. 3º, IV, da Lei n.º 10.833/2003.
Numero da decisão: 3202-003.708
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, (I) por unanimidade, para: (a) reconhecer o direito da recorrente a creditar-se sobre as aquisições de sucatas, e (b) reverter as despesas com frete interno de matérias-primas importadas (sucatas); (II) por voto de qualidade, para reverter as glosas de despesas com locação de equipamentos de áudio e vídeo (motivo 7) e de equipamentos radiocomunicação (motivo 11) constantes de planilha do arquivo não paginável planilha 3 - aluguéis de máquinas e equipamentos crédito não.xlsx). Vencidas as Conselheiras Juciléia de Souza Lima, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro e Aline Cardoso de Faria, que negavam provimento ao recurso na matéria. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-003.591, de 17 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 15504.724305/2011-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE

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AQUISIÇÃO DE SUCATAS. CRÉDITOS. RE 607.109/PR. TEMA 304/STF São inconstitucionais os arts. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, que vedam a apuração de créditos de PIS/Cofins na aquisição de insumos recicláveis. DESCONTO DE CRÉDITOS. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ATIVIDADES DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. A locação de equipamentos para a utilização na atividade desempenhada pela pessoa jurídica é passível de creditamento, nos termos do art. 3º, IV, da Lei n.º 10.833/2003. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, (I) por unanimidade, para: (a) reconhecer o direito da recorrente a creditar-se sobre as aquisições de sucatas, e (b) reverter as despesas com frete interno de matérias-primas importadas (sucatas); (II) por voto de qualidade, para reverter as glosas de despesas com locação de equipamentos de áudio e vídeo (motivo 7) e de equipamentos radiocomunicação (motivo 11) constantes de planilha do arquivo não paginável “planilha 3 – aluguéis de máquinas e equipamentos crédito não.xlsx”). Vencidas as Conselheiras Juciléia de Souza Lima, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro e Aline Cardoso de Faria, que negavam provimento ao recurso na matéria. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-003.591, de 17 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 15504.724305/2011-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 458DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.708 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.724645/2011-07 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de PIS/PASEP. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE SUCATA. É vedada a apuração do crédito de que trata o art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, nas aquisições de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel ou cartão, de vidro, de ferro ou aço, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho, classificados respectivamente nas posições 39.15, 47.07, 70.01, 72.04, 74.04, 75.03, 76.02, 78.02, 79.02 e 80.02 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, e demais desperdícios e resíduos metálicos do Capítulo 81 da Tipi. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE NA IMPORTAÇÃO. Não são passíveis de creditamento, na apuração não-cumulativa do PIS e da Cofins, os gastos com fretes pagos na aquisição de insumos importados, por tratar-se de valor não incluído no custo de aquisição desses insumos, e por não haver previsão legal para tal. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CALCÁRIO E CAL. Fl. 459DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.708 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.724645/2011-07 3 Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins não-cumulativas, podem ser descontados créditos relativos à aquisição de calcário e cal utilizados como insumo, que não esteja sujeita à redução de alíquota. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, conforme assentado na decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR, e nos termos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGFN- MF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco, por meio de documentos comprobatórios hábeis e idôneos, a procedência do crédito utilizado como desconto da contribuição apurada pelo regime não- cumulativo, que resultou na redução do valor a pagar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Indefere-se o pedido de endereçamento de intimações por via postal em nome do procurador constituído, em razão de inexistência de previsão legal de intimação em endereço diverso do domicílio tributário do sujeito passivo. Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário ao CARF, no qual pugna pela homologação integral do crédito. É o que havia a ser relatado. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que Fl. 460DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.708 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.724645/2011-07 4 pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto à tempestividade, aos pressupostos para sua admissibilidade e ao mérito, ressalvado quando à glosa de despesas com locação de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso é tempestivo, bem como, atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Ante a inexistência da arguição de preliminares, passo a análise do mérito. DO MÉRITO Do conceito de insumos Para interpretar o conceito de insumo, entendo por bem registrar que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS deve tomar como base a decisão proferida no RESP 1.221.170. É sabido que em fevereiro de 2018, a 1ª Seção do STJ ao apreciar o Resp 1.221.170 definiu, em sede de repetitivo, decidiu pela ilegalidade das instruções normativas 247 e 404, ambas de 2002, sendo firmada a seguinte tese: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. No resultado final do julgamento, o STJ adotou interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, pretendeu-se que seja considerado insumo o que for essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vejamos excerto do voto da Ministra Assusete Magalhães: “Pela perspectiva da zona de certeza negativa, quanto ao que seguramente se deve excluir do conceito de ‘insumo’, para efeito de creditamento do PIS/COFINS, observa-se que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 trazem vedações e limitações ao desconto de créditos. Quanto às vedações, por exemplo, o art. 3º, §2º, de ambas as Leis impede o crédito em relação aos valores de mão de obra pagos a pessoa física e aos valores de Fl. 461DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.708 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.724645/2011-07 5 aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Já como exemplos de limitações, o art. 3º, §3º, das referidas Leis estabelece que o desconto de créditos aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e aos custos e despesas pagos ou creditados a pessoas jurídicas também domiciliadas no território nacional.” Restou pacificada no STJ a tese que: “o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. O conceito de insumo também foi consignado pela Fazenda Nacional, vez que, em setembro de 2018, publicou a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018, in verbis: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica e orienta, internamente, a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou obste a atividade principal da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Tal ato ainda reflete Fl. 462DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.708 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.724645/2011-07 6 que o “teste de subtração” deve ser utilizado para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Feitas tais considerações, partiremos para análise das glosas. Das glosas Dos bens utilizados como insumos (das aquisições de Sucatas- da (in)aplicabilidade do art. 47 e 48 da Lei nº 11.196/05) Este tópico recursal trata das aquisições de sucata, além de créditos sobre transporte de produtos importados. Neste caso, houve a glosa de créditos sobre as aquisições de sucatas, com base no art. 47 da Lei 11.196/2005. Defende a Recorrente que os créditos glosados referem-se, tão-somente, a bens e serviços utilizados em suas unidades produtoras de aço, acusa a fiscalização de agir forma simplificada ao glosar todos os serviços que não são aplicados/consumidos na produção. Diz que na prática a glosa é indevida, posto que foi realizada sem qualquer análise quanto à aplicação de cada um desses serviços no processo produtivo. Neste sentido, reforça a argumentação pela ilegalidade da aplicação restritiva do conceito de insumos. Fl. 463DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.708 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.724645/2011-07 7 Sendo assim, manteve-se, dentre outras, a glosa sobre a aquisição de sucatas ao aplicar o § 2º do artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, no qual se estabeleceu regras gerais para o desconto de créditos no âmbito da sistemática não cumulativa, dispondo que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. O julgador de piso afastou a tese da Recorrente ao defender que o direito ao crédito sobre as aquisições de sucatas decorre do seu reconhecimento como insumos essenciais ao desenvolvimento de suas atividades. Entretanto, entendeu o acórdão recorrido que, exatamente, por serem insumos do processo produtivo é que o direito ao crédito encontra-se vedado pelos art. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, ao prever: Lei 11.196/2005: “Art. 47. Fica vedada a utilização do crédito de que tratam o inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, nas aquisições de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel ou cartão, de vidro, de ferro ou aço, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho, classificados respectivamente nas posições 39.15, 47.07, 70.01, 72.04, 74.04, 75.03, 76.02, 78.02, 79.02 e 80.02 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, e demais desperdícios e resíduos metálicos do Capítulo 81 da Tipi. Art. 48. A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de desperdícios, resíduos ou aparas de que trata o art. 47 desta Lei, para pessoa jurídica que apure o imposto de renda com base no lucro real. Parágrafo único. A suspensão de que trata o caput deste artigo não se aplica às vendas efetuadas por pessoa jurídica optante pelo Simples. Como se vê, expressamente, no art. 47 há vedação à utilização de crédito de PIS (inciso II do caput do art. 3º da Lei 10.637/2002) e da Cofins (inciso II do caput do art. 3º da Lei 10.833/2003) “ nas aquisições de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel ou cartão, de vidro, de ferro ou aço, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho”, bem ainda nos “ demais desperdícios e resíduos metálicos do Capítulo 81 da Tipi”. No artigo 48 desta está disposto a possibilidade de suspender a cobrança das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins na venda de produtos reciclados, em específico: venda de desperdícios, resíduos ou aparas. Todavia, a suspensão das contribuições para o PIS/Cofins não se aplica às vendas efetuadas por pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional. De certo, as sucatas adquiridas pela Recorrente (que estava/está sujeita ao regime não cumulativo das contribuições, uma vez que apurou/apura o IPRJ pelo lucro real) de empresas não optantes do Simples, para a utilização como insumos em seu processo produtivo, tem, desde 01/03/2006 (entrada em vigor dos art. 47 Fl. 464DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.708 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.724645/2011-07 8 e 48 acima, conforme art. 132, inciso V, alínea c, todos da Lei nº 11.196, de 2005), a incidência das contribuições (para o PIS/Pasep e da Cofins) suspensa e, por óbvio, estão impedidas de gerarem crédito. No que pese toda argumentação da Recorrente, é importante registrar que esta Relatora não desconhece que tal questão, ainda que não em definitivo, já foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do Ministro Gilmar Mendes, RE 607.109/PR, no qual votou por reconhecer a inconstitucionalidade dos art. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, Tema 304/STF. O voto dele foi seguido pelos Ministros Luís Roberto Barroso, Cármen Lúcia, Luiz Edson Fachin, Luiz Fux, Nunes Marques e Ricardo Lewandowski, ocasião que firmou-se a seguinte tese: “São inconstitucionais os arts. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, que vedam a apuração de créditos de PIS/Cofins na aquisição de insumos recicláveis”. Naquele julgamento, o Pretório Excelso, considerando a interdependência funcional das normas previstas nos arts. 47 e 48 da Lei 11.196/2005, para dar solução constitucionalmente adequada, decidiu pela declaração de invalidade do bloco normativo como um todo. Acontece que, no dia 06/03/2026, o STF julgou os Embargos de Declarações opostos pela PGFN, modulando os efeitos da decisão recorrida: (i) estabelecer que os efeitos sejam produzidos a partir da data de publicação da ata de julgamento dos presentes embargos de declaração, ficando ressalvadas da modulação as ações ajuizadas até 15.06.2021 (data da publicação da ata do julgamento de mérito do presente recurso extraordinário); e (ii) vedar, mesmo no âmbito das ações ressalvadas, a cobrança de contribuições sociais (PIS/COFINS) incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes do marco temporal da modulação (publicação da ata de julgamento dos presentes embargos de declaração), quando a pretensão fazendária decorrer da invalidação do art. 48 da Lei n. 11.196/05. Portanto, em observância ao decidido no Tema 304 do STF, impõe-se a esta Relatora reconhecer a inexistência de vedação para creditamento nas aquisições de sucata. Frete interno de matérias-primas importadas (sucatas) Neste ponto, alega recorrente que, para além das aquisições no mercado interno, ela também realiza a aquisição de sucata no mercado externo. Na importação de sucata, a Recorrente apura e recolhe o PIS/Cofins Importação, fazendo jus, por conseguinte, ao direito a crédito das contribuições apuradas na sistemática não cumulativa. Fl. 465DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.708 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.724645/2011-07 9 Por sua vez, o julgador de piso denegou o pleito da recorrente com base no disposto no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que trata, especificamente, de produtos importados. Isso, justamente porque os bens e serviços importados não seriam adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, de modo a dar direito a crédito com base no art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Nos termos do § 3º do referido art. 15, entendeu o julgador de piso, que o crédito na importação será calculado sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º, que é o valor aduaneiro da mercadoria importada, acrescido do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Entretanto, com a devida vênia, o entendimento do julgador merece reparo. Tal matéria já foi objeto dos questionamentos na COSIT nº 175 de 18 de dezembro de 2020, neste ponto a Solução de Consulta esclarece que a lei instituidora (Lei nº 10.865, de 2004) das contribuições sobre a importação é anterior a Lei nº 11.196, de 2005, sendo que esta fez referência específica aos incisos II dos artigos 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que se referem às aquisições no mercado interno. Daí, caso pretendesse o legislador da Lei nº 11.196, de 2005, vedar também os créditos das contribuições nas importações, certamente teria feito menção à Lei nº 10.865, de 2004, o que não se verifica. Portanto, não haveria restrição ao aproveitamento de crédito de bens e serviços adquiridos no mercado externo, utilizados como insumo, (inclusive os resíduos de sucatas metálicas) na produção ou fabricação de bens ou produtos. Também é o que se extrai da Solução de Consulta nº 175/2020: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. RESÍDUOS DE SUCATAS METÁLICAS. CRÉDITOS. Nas aquisições de resíduos de sucatas metálicas oriundos do mercado externo, utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos, nos termos do art. 15, II, da Lei nº 10.865, de 2004, geram direito a crédito os valores efetivamente pagos a título de Cofins-Importação. A vedação à utilização de crédito contida no art. 47 da Lei nº 11.196, de 2005, diz respeito à Cofins incidente nas aquisições realizadas no mercado interno. Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, arts. 1º e 15; Lei nº 11.196, de 2005, arts. 47 e 48. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. RESÍDUOS DE SUCATAS METÁLICAS. CRÉDITOS. Nas aquisições de resíduos de sucatas metálicas oriundos do mercado externo, utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos, nos termos do art. 15, II, da Lei nº 10.865, de 2004, geram direito a crédito os valores efetivamente pagos a título de Contribuição para o PIS/Pasep-Importação. Fl. 466DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.708 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.724645/2011-07 10 A vedação à utilização de crédito contida no art. 47 da Lei nº 11.196, de 2005, diz respeito à Contribuição para o PIS/Pasep incidente nas aquisições realizadas no mercado interno. Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, arts. 1º e 15; Lei nº 11.196, de 2005, arts. 47 e 48. Por todo exposto, voto por reverter as glosas com os dispêndios de frete interno de sucatas importadas utilizadas como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos para fins de crédito dos valores efetivamente pagos a título de Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e de Cofins-Importação desde que tais serviços tenham sido pagos à pessoa jurídica domiciliada no país. SERVIÇOS como insumos No que se refere aos serviços como insumos, trata-se dos dispêndios com segurança, consultoria, avaliação e análise técnica. Considerando a atividade produtiva da Recorrente, e, em observância ao decidido no REsp 1.221.170, em sede de repetitivo pelo STJ, tais glosas não merecem ser revertidas, pois inexistência de relação com a atividade desenvolvida pela empresa. Neste tópico evidencia-se outros serviços estranhos à atividade produtiva da recorrente, tais como os serviços de buffet, palestra, fotografias aéreas, instalação de câmeras, avaliação de imóvel, serviço de demolição, almoço, locação de toalhas, os quais não se enquadram no conceito de insumo. Mantenho hígidas as glosas. Quanto à glosa de despesas com locação de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Em que pese o costumeiro bem fundamentado voto da i. Relatora, ouso divergir em relação à glosa de despesas com locação de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica. Trata-se, no caso, de glosas de despesas registradas na Linha 06 da Ficha 06A / 16A do Dacon, conforme discriminado no tópico “2.1.5 Despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica” do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 200-217). As motivações das glosas foram as seguintes: Fl. 467DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.708 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.724645/2011-07 11 O acórdão recorrido consignou que “os motivos listados demonstram tratar-se de locação ou aluguel de materiais e serviços alheios à atividade produtiva da empresa, ou mesmo despesas que a interessada não logrou comprovar”, fundamento adotado pela relatora. Com a devida vênia, o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não restringe o crédito às despesas com locação de máquinas e equipamentos que sejam aplicados na atividade produtiva; antes, permite o creditamento, desde que as máquinas e os equipamentos locados sejam aplicados nas atividades da empresa. No caso, tem-se a locação de diversos itens como caminhão, veículos, tirolesa, estande, mesas, cadeiras, tenda, material para evento, cadeiras, cortinado e carpete, piano, toalhas industriais, serviços de estiva, serviços de transporte etc. Nesses casos, entendo que o óbice ao creditamento não reside no fato de não serem aplicados à atividade produtiva, mas sim no fato de não se tratar de máquinas ou equipamentos, mas sim de móveis, objetos de decoração, aparelho musical etc. Além disso, a Súmula CARF nº 190 veda o creditamento de despesas com locação de veículos de transporte de carga ou de pessoas, incidindo, a meu ver, nas motivações 2 e 5 da tabela acima. No entanto, exclusivamente com relação aos equipamentos de áudio e vídeo (motivo 7) e aos equipamentos radiocomunicação (motivo 11), parece-me que não é possível, com base exclusivamente na concisa descrição com que a autoridade fiscal motivou as glosas, afastar a locação de tais itens de sua aplicação das atividades da empresa. Ante o exposto, voto por reverter as glosas de despesas com locação de equipamentos de áudio e vídeo (motivo 7) e de equipamentos radiocomunicação (motivo 11) constantes de planilha do arquivo não paginável “planilha 3 – aluguéis de máquinas e equipamentos crédito não.xlsx” (fls. 330). Conclusão Fl. 468DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.708 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.724645/2011-07 12 Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: (a) reconhecer o direito da recorrente a creditar-se sobre as aquisições de sucatas; (b) reverter as despesas com frete interno de matérias-primas importadas (sucatas); (c) reverter as glosas de despesas com locação de equipamentos de áudio e vídeo (motivo 7) e de equipamentos radiocomunicação (motivo 11) constantes de planilha do arquivo não paginável “planilha 3 – aluguéis de máquinas e equipamentos crédito não.xlsx”. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 469DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 14041.720178/2017-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 DECADÊNCIA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE E SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. Comprovada a prática de condutas dolosas voltadas à ocultação de fatos geradores e à supressão do recolhimento de contribuições previdenciárias, afasta-se a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Caracterizadas a fraude, simulação e sonegação, o prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN, iniciando-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Realizada a ciência do lançamento dentro do quinquênio legal, não há decadência do crédito tributário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SÓCIO ADMINISTRADOR. COMISSÕES DE CORRETAGEM. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. Os valores pagos a sócio administrador em razão da prestação de serviços de corretagem imobiliária constituem remuneração por serviços prestados à pessoa jurídica.Comprovada a prestação de serviços e a contraprestação correspondente, incide a contribuição previdenciária patronal prevista no art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212, de 1991. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL CONTEMPORÂNEA. RECIBOS PARTICULARES. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. A isenção aplicável à distribuição de lucros exige demonstração mediante escrituração contábil regular e contemporânea aos fatos geradores.Recibos particulares desacompanhados de registros nos livros contábeis oficiais não comprovam a natureza de dividendos dos valores retirados por sócio administrador.Relatórios de auditoria e reprocessamentos contábeis elaborados após o início da ação fiscal não possuem eficácia para descaracterizar a natureza remuneratória de pagamentos realizados sem suporte na escrituração regular da sociedade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SIMULAÇÃO. CONTABILIDADE PARALELA. MANUTENÇÃO DA QUALIFICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A utilização de contratos simulados, recibos sem correspondência na escrituração oficial, movimentação financeira paralela e ocultação de pagamentos evidencia a prática de fraude e simulação aptas a justificar a qualificação da multa de ofício prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996.Aplica-se retroativamente a legislação superveniente mais benéfica, nos termos do art. 106, inciso II, alínea c, do CTN.Ausente comprovação de reincidência, a multa qualificada deve ser reduzida ao percentual de 100%, conforme redação introduzida pela Lei nº 14.689, de 2023. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. ART. 135 DO CTN. Respondem pelos créditos tributários os administradores que, no exercício da gestão societária, praticam atos em infração à legislação tributária mediante omissão de fatos geradores, manutenção de pagamentos não contabilizados e descumprimento das obrigações de recolhimento das contribuições previdenciárias.Comprovado o exercício da administração de direito ou de fato, subsiste a responsabilização pessoal prevista no art. 135 do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. ART. 124, INCISO I, DO CTN. Caracteriza-se o interesse comum na situação constitutiva do fato gerador quando comprovada a utilização de recursos de uma sociedade em benefício direto de outra empresa do mesmo núcleo econômico, sem contraprestação ou adequada segregação patrimonial.A confusão patrimonial evidenciada pelo pagamento de despesas e investimentos em benefício de empresa relacionada legitima a responsabilização solidária prevista no art. 124, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 2302-004.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Recursos Voluntários, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar-lhes parcial provimento para reduzir a multa de ofício qualificada para 100%, nos termos da Lei nº 14.689/2023. Assinado Digitalmente Roberto Carvalho Veloso Filho - Relator Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araújo Cavalcanti - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosimery Brandao Barbosa(substituto[a] integral), Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca (substituto[a] integral), Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Roberto Carvalho Veloso Filho, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO CARVALHO VELOSO FILHO

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MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE E SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. Comprovada a prática de condutas dolosas voltadas à ocultação de fatos geradores e à supressão do recolhimento de contribuições previdenciárias, afasta-se a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Caracterizadas a fraude, simulação e sonegação, o prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN, iniciando-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Realizada a ciência do lançamento dentro do quinquênio legal, não há decadência do crédito tributário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SÓCIO ADMINISTRADOR. COMISSÕES DE CORRETAGEM. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. Os valores pagos a sócio administrador em razão da prestação de serviços de corretagem imobiliária constituem remuneração por serviços prestados à pessoa jurídica.Comprovada a prestação de serviços e a contraprestação correspondente, incide a contribuição previdenciária patronal prevista no art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212, de 1991. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL CONTEMPORÂNEA. RECIBOS PARTICULARES. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. A isenção aplicável à distribuição de lucros exige demonstração mediante escrituração contábil regular e contemporânea aos fatos geradores.Recibos particulares desacompanhados de registros nos livros contábeis oficiais não comprovam a natureza de dividendos dos valores Fl. 2068DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 2 retirados por sócio administrador.Relatórios de auditoria e reprocessamentos contábeis elaborados após o início da ação fiscal não possuem eficácia para descaracterizar a natureza remuneratória de pagamentos realizados sem suporte na escrituração regular da sociedade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SIMULAÇÃO. CONTABILIDADE PARALELA. MANUTENÇÃO DA QUALIFICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A utilização de contratos simulados, recibos sem correspondência na escrituração oficial, movimentação financeira paralela e ocultação de pagamentos evidencia a prática de fraude e simulação aptas a justificar a qualificação da multa de ofício prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996.Aplica-se retroativamente a legislação superveniente mais benéfica, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN.Ausente comprovação de reincidência, a multa qualificada deve ser reduzida ao percentual de 100%, conforme redação introduzida pela Lei nº 14.689, de 2023. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. ART. 135 DO CTN. Respondem pelos créditos tributários os administradores que, no exercício da gestão societária, praticam atos em infração à legislação tributária mediante omissão de fatos geradores, manutenção de pagamentos não contabilizados e descumprimento das obrigações de recolhimento das contribuições previdenciárias.Comprovado o exercício da administração de direito ou de fato, subsiste a responsabilização pessoal prevista no art. 135 do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. ART. 124, INCISO I, DO CTN. Caracteriza-se o interesse comum na situação constitutiva do fato gerador quando comprovada a utilização de recursos de uma sociedade em benefício direto de outra empresa do mesmo núcleo econômico, sem contraprestação ou adequada segregação patrimonial.A confusão patrimonial evidenciada pelo pagamento de despesas e investimentos em benefício de empresa relacionada legitima a responsabilização solidária prevista no art. 124, inciso I, do CTN. Fl. 2069DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 3 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Recursos Voluntários, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar-lhes parcial provimento para reduzir a multa de ofício qualificada para 100%, nos termos da Lei nº 14.689/2023. Assinado Digitalmente Roberto Carvalho Veloso Filho – Relator Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araújo Cavalcanti – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosimery Brandao Barbosa(substituto[a] integral), Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca (substituto[a] integral), Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Roberto Carvalho Veloso Filho, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis Ltda. e pelos corresponsáveis solidários Eliane e Silva Nogueira Lima, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, Gustavo e Silva Nogueira Lima e Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas Ltda. Contra o Acórdão nº 11-60.858 proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou procedente em parte a impugnação apenas para excluir o contador Gustavo Steiner Rodrigues Mesquita do polo passivo, mantendo a exigência do crédito tributário e a qualificação da multa em relação aos demais sujeitos passivos. 1.AÇÃO FISCALIZATÓRIA O lançamento fiscal decorreu do Procedimento Fiscal instaurado para examinar as movimentações financeiras da CNAI no período de julho de 2012 a dezembro de 2014, tendo resultado na lavratura do Auto de Infração consubstanciado no Processo Administrativo Tributário nº 14041.720178/2017-55, mediante o qual a fiscalização exigiu contribuições previdenciárias patronais, acrescidas de juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%, Fl. 2070DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 4 em razão de pagamentos que reputou constituírem remuneração sujeita à incidência das contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal, a exigência teve por fundamento três grupos de operações. O primeiro refere-se a valores pagos ao sócio administrador Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, identificados pela fiscalização como comissões de venda não contabilizadas e não submetidas à tributação previdenciária. O segundo compreende pagamentos efetuados à sócia Eliane e Silva Nogueira Lima, formalizados por recibos de quitação, que a fiscalização entendeu constituírem remuneração e não distribuição de lucros. O terceiro grupo abrange despesas suportadas pela empresa em benefício de Gustavo e Silva Nogueira Lima, consistentes na aquisição de veículo e no custeio de despesas pessoais e relacionadas ao seu casamento, qualificadas pela fiscalização como remuneração indireta. Além da exigência tributária, a autoridade fiscal imputou responsabilidade solidária à empresa Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas Ltda., com fundamento no art. 124, inciso I, do CTN, por entender configurado interesse comum na situação constitutiva dos fatos geradores. Ainda segundo o Relatório Fiscal, a multa qualificada foi aplicada sob o argumento de que a contribuinte teria praticado condutas destinadas a ocultar fatos geradores, mediante ausência de contabilização de operações e omissão reiterada de informações relevantes. Para efeitos de contextualização do procedimento fiscal, transcreve-se o Relatório Fiscal(fls.31/74): Com vistas a subsidiar o procedimento fiscal junto ao político em questão, foram instauradas diligências em diversas pessoas físicas e jurídicas, notadamente em familiares e empresas das quais o Sr. CIRO NOGUEIRA é sócio. Nesse contexto, também houve a instauração de procedimento de diligência fiscal junto à CIRO NOGUEIRA AGROPECUARIA E IMOVEIS LTDA - EPP, doravante denominada de CNAI, empresa da qual o senador em tela é sócio, por intermédio do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Diligência (TDPF – D) N° 01.1.01.00 2016-00181-5. No decorrer dessa diligência restou constatada a existência de diversas irregularidades perpetradas pela CNAI, o que ensejou a abertura do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Fiscalização (TDPF – F) n°03.3.01.00-2017-00294-7 para verificação do correto cumprimento de obrigações tributárias por parte dessa empresa. 8. Ressalta-se que foram utilizados na presente fiscalização os documentos e provas obtidos no decorrer da citada diligência fiscal na CNAI. Tal procedimento encontra respaldo, dentre outros, na Súmula No 46 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovada em 29/11/2010, que assim versa: Fl. 2071DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 5 Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. b) A CNAI foi regularmente intimada a apresentar diversos documentos que deram suporte a lançamentos a crédito extraídos dos extratos bancários apresentados por ela à fiscalização. Entretanto, a autuada respondeu de maneira insatisfatória, apenas parcial, essa intimação que buscava identificar possíveis receitas não declaradas ao fisco. A CNAI, portanto, não esclareceu a contento a origem de diversos recursos, dentre eles montantes em espécie que entraram em suas contas correntes bancárias. Nesse ponto é importante notar que o senador CIRO NOGUEIRA, conforme denúncias constantes dos ANEXOS 04 a 07, foi acusado por diversos delatores de receber montantes em espécie no âmbito da Operação Lava Jato; c) Restou constatada a existência de pagamentos de milhões de reais devidamente identificados nos extratos bancários da empresa que não foram por ela contabilizados, evidências claras da existência de uma contabilidade paralela, de “Caixa 2”; d) Outras informações contábeis fornecidas pela CNAI também indicam a existência de fraudes por ela perpetradas. A título de ilustração, cumpre discriminar a existência de saldo credor expressivo na conta Caixa da empresa (Conta: 11101.0001 - Caixa) em várias datas e em diversos períodos consecutivos. e) A análise das informações relativas a pagamentos efetuados pela CNAI ainda levantam suspeitas sobre outros crimes perpetrados por essa contribuinte, já que a escritura do imóvel objeto de transações com o sr. ITALO KEITT LIMA MACHADO SOUSA foi registrada para uma venda de R$ 75.000,00, enquanto o valor de fato pago nessa transação teria superado R$ 500.000,00. Tal prática, de mascarar o valor efetivamente pago em transações comerciais, pode estar relacionada, em tese, a crimes correlatos à lavagem de dinheiro. FALTA DE DECLARAÇÃO E DE RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS INDICENTES SOBRE REMUNERAÇÕES PAGAS A SÓCIOS. 102. No que concerne às verbas pagas aos sócios da CNAI descritas na já citada Infração “B”, relativa à multa exigida isoladamente pela não retenção na fonte do imposto sobre a renda de pessoas físicas (IRRF); na medida em que são de fato consideradas como remunerações pagas aos sócios, também sofrem a incidência de contribuições previdenciárias patronais. 103. No presente caso, restou constatado que o sujeito passivo em tela deixou de recolher em sua totalidade contribuições sociais incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a contribuintes individuais (sócios) que lhe prestaram serviços. 104. Nesse contexto, salários-de-contribuição (remunerações) não declarados foram levantados pela fiscalização com base na documentação apresentada pelo contribuinte e Fl. 2072DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 6 nas informações constantes dos sistemas da RFB, representam os fatos geradores desta fiscalização e estão devidamente discriminados nos ANEXOS 32 a 36, 39 a 41 e 58. 105. Essas remunerações se referem a comissões pagas ao sócio administrador RAIMUNDO NETO E SILVA NOGUEIRA LIMA, a remunerações pagas por intermédio de alegadas antecipações de lucros à sócia administradora ELIANE E SILVA NOGUEIRA LIMA e a remunerações indiretas pagas ao sócio GUSTAVO E SILVA NOGUEIRA LIMA. Nesse ponto, a fiscalização se abstém de tecer considerações acerca dos motivos pelos quais considerou tais verbas como remunerações para não ser repetitiva, uma vez que essas questões já foram discutidas à saciedade em itens anteriores deste relatório, notadamente nos itens relacionados à INFRAÇÃO “B”, relativa à multa exigida isoladamente pela não Retenção na Fonte do Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas. 106. Ressalta-se que as Guias de Pagamento da Previdência Social (GPS) recolhidas pela CNAI não foram utilizadas na presente fiscalização, porquanto o contribuinte não relacionou as verbas em questão entre os fatos geradores de contribuições previdenciárias e não as declarou em GFIP. DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO O parágrafo único, do art. 11 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, assim versa sobre as contribuições sociais: Art.11. (...) Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço. c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário-de-contribuição; As contribuições patronais destinadas à Seguridade Social estão descritas nos incisos I, II e III do art. 22, da referida lei: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99). (...) Fl. 2073DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 7 III - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) O Inc. I, do art. 28, da lei supracitada, com redação dada pela Lei nº. 9.528, de 10 de dezembro de 1997, assim define salário-de-contribuição: Art. 28 – Entende-se por salário-de-contribuição: (...) III - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) O parágrafo 9, do art. 28, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, com redação dada pela Lei no 9.528, de 10 de dezembro de 1997 assim dispõe: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o salário- maternidade; b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT; e) as importâncias: 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; Há que se destacar o disposto no art. 176 do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966), que assim define: Fl. 2074DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 8 Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. O art. 30 e o parágrafo 5º do art. 33 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, também dispõem sobre obrigações tributárias das empresas: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93) I - a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Art. 33. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Cumpre ressaltar o disposto no inciso IV do art. 32 da lei em comento: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso incluído pela Lei nº. 9.528, de 10.12.97) O inciso IV e o parágrafo 3º do art. 225 do Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, determinam que: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Fl. 2075DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 9 à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. (...) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. DAS MULTAS 117. Nesse contexto, há que se mencionar, conforme descrito no decorrer deste relatório, que foram constatadas situações previstas nos § 1o do artigo 44, da lei em questão. 118. No presente caso, restou comprovado que o contribuinte não chegou sequer a contabilizar pagamentos expressivos. Por diversos anos, milhões de reais devidamente identificados nos extratos bancários da empresa não foram por ela contabilizados. Foi possível perceber que as ações perpetradas pela CNAI não se tratam de erros pontuais, de atitudes isoladas, mas de atos reiterados e articulados. Verificou-se nitidamente que, de forma continuada, o contribuinte tentou impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência de fatos geradores de obrigações tributárias de modo a evitar o pagamento de tributos devidos. 119. As condutas ilícitas e reiteradas do contribuinte e das sociedades envolvidas, aliadas aos expressivos montantes das transações em análise, de fato afastam a possibilidade de equívocos e evidenciam a existência de atos articulados com o intuito de evitar a correta tributação sobre fatos geradores de obrigações tributárias. 120. Nessa linha, é fundamental mencionar também que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por intermédio do Acórdão CSRF n° 9101 00.140, de 12/05/2009, também corrobora o entendimento de que haveria dolo diante da prática reiterada de infrações à legislação tributária: MULTA AGRAVADA. CONDUTA REITERADA. Nos termos da Jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco. 121. As atitudes dolosas também se revelaram por intermédio de alegações desencontradas e inverídicas oferecidas à fiscalização numa clara tentativa de se desvencilhar do pagamento de tributos incidentes sobre diversos pagamentos, dentre eles os relacionados a legítimas remunerações pagas a sócios da empresa. 122. Diversas constatações efetuadas pela fiscalização também ratificam a existência de dolo, fraude, conluio e má-fé no presente caso, dentre elas: a existência de saldo credor expressivo na conta caixa em diversos períodos; a não apresentação de documentos relacionados a pagamentos substanciais; a não contabilização e o não esclarecimento da Fl. 2076DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 10 origem de diversos recursos, dentre eles montantes significativos em espécie creditados em contas correntes bancárias; a existência de escrituras com valores distintos de alegados pagamentos e de contratos de compra e venda de imóveis; a não contabilização e a não declaração reiterada de pagamentos relacionados a valores relevantes; a comprovação de pagamentos de remunerações indiretas a sócios; as tentativas de declarar a existência de supostas distribuições de lucro, que não constavam sequer da contabiilidade da empresa, após o início do procedimento fiscal; a comprovação de que montantes não foram pagos a alegados beneficiários de pagamentos realizados pela CNAI; a existência de confusão patrimonial envolvendo sócios e empresas administradas pela mesma sócia; o fato de sócios terem coadunado com as irregularidades perpetradas, em especial as relacionadas à confusão patrimonial; a comprovação da existência de simulação nos contratos de mútuos apresentados à fiscalização; as alegações contraditórias e infundadas do contribuinte; e as evidências claras da existência de uma contabilidade paralela, de “Caixa 2”. 123. Em suma, os fatos já fartamente descritos neste relatório evidenciam a tentativa de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária de fatos geradores de obrigações tributárias. 124. Isso posto, restou caracterizada a necessidade de qualificação da multa descrita no § 1o do artigo 44, da Lei nº 9.430/1996. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 125. Conforme relatado em itens anteriores deste relatório, as atenções da fiscalização se voltaram para a CNAI, empresa da qual o senador CIRO NOGUEIRA é sócio, em virtude, dentre outros, de essa empresa atuar no ramo imobiliário e de a denúncia constante do ANEXO 08, com trecho abaixo transcrito, indicar a existência de irregularidades na atuação dessa empresa: “Gustavo e Silva Nogueira Lima, outro irmão de Ciro Nogueira, tem empresa no ramo imobiliário ‘onde esquenta imóveis e lava o dinheiro conseguido com as maracutaias da família’. ” 126. Nesse contexto, há que se destacar que a fiscalização de fato identificou a existência de diversas irregularidades não apenas na CNAI, mas também em outras empresas das quais o citado senador é sócio, sobretudo na CNLF EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS, cujas irregularidades serão tratadas em outro processo. 127. Antes de entrar no mérito da sujeição passiva solidária, cumpre tecer algumas considerações acerca do núcleo familiar e de parte das empresas a ele pertencentes. Inicialmente, vale mencionar que a Sra. ELIANE E SILVA NOGUEIRA LIMA é mãe do senador CIRO NOGUEIRA, de GUSTAVO E SILVA NOGUEIRA LIMA e de RAIMUNDO NETO E SILVA NOGUEIRA LIMA, e é sócia administradora de diversas empresas da família, dentre elas: Fl. 2077DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 11 CN COMERCIO DE MOTOCICLETAS LTDA (CN MOTOS). CIRO NOGUEIRA AGROPECUARIA E IMOVEIS LTDA – EPP (CNAI). GUSTAVO NOGUEIRA CONSULTORIA IMOBILIARIA E EMPRESARIAL (GNCIE); e CNLF EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA (CNLF). 130. A título de contextualização, vale esclarecer também que o senador CIRO NOGUEIRA é sócio, dentre outras, da CNAI, da CNLF e da CN MOTOS. 131. Na medida em que as evidências de confusão patrimonial encontradas pela fiscalização impactam diretamente na sujeição passiva solidária do presente caso, faz-se necessário salientar que, de acordo com o disposto em itens anteriores deste relatório, a CNAI pagou diversas despesas (casamento, veículo etc) do sócio GUSTAVO E SILVA NOGUEIRA LIMA. Os documentos constantes dos ANEXOS 39 a 41, relativos a gastos efetuados pela CNAI, corroboram essas afirmações. 132. Intimada a se manifestar sobre algumas dessas despesas que beneficiaram o sócio GUSTAVO E SILVA NOGUEIRA LIMA, notadamente as despesas do casório, a CNAI informou que “a empresa utilizou de seu direito discricionário, com concordância de todos os sócios, para efetuar as referidas despesas”. É oportuno, pontuar, portanto, que os sócios da CNAI coadunavam com a confusão patrimonial que permeava os negócios dessa empresa. 134. As evidências de confusão patrimonial nos negócios da CNAI não cessam por aí. As informações complementares das notas fiscais constantes do ANEXO 46, evidenciam que a CNAI pagou despesas relacionadas a obras na casa/apartamento da sócia administradora ELIANE E SILVA NOGUEIRA LIMA. 135. Outro ponto atinente à confusão patrimonial pode ser obtido mediante análise de documentos apresentados pela autuada para dar respaldo a lançamentos a crédito extraídos de seus extratos bancários. 136. E mais, a confusão patrimonial em tela não se restringe a pessoas físicas. As informações complementares de diversas outras notas fiscais (ANEXO 48), corroboram o entendimento de que a CNAI efetuou gastos relacionados a obras da CN MOTOS em diversas localidades, dentre elas: Barra do Corda –MA, Castelo do Piauí – PI, Teresina – PI, Timon – MA e Presidente Dutra – MA. 137. Os exemplos citados ilustram com propriedade a confusão patrimonial que permeava os negócios da família NOGUEIRA e revelam o completo desprezo dos envolvidos pelo princípio da entidade contábil. Some-se a tudo isso, o fato de a CNAI, conforme itens anteriores deste relatório, ter feito apologia à informalidade de transações por ela realizadas em virtude da relação familiar existente entre empresas e sócios envolvidos em diversas transações. Fl. 2078DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 12 138. Ante a utilização de artifícios que abrangeram, dentre outros, o fornecimento de informações desencontradas e infundadas ao fisco, a não contabilização de lançamentos, a similaridade no comando administrativo de sociedades, a existência de confusão patrimonial e o conluio entre sócios e suas empresas em diversas e flagrantes irregularidades perpetradas pela CNAI, a fiscalização se viu obrigada a considerar como responsáveis solidários os seguintes contribuintes, envolvidos em diversas das irregularidades descritas neste relatório: a) Sra. ELIANE E SILVA NOGUEIRA LIMA, sócia administradora da CNAI; b) Sr. RAIMUNDO NETO E SILVA NOGUEIRA LIMA, o sócio administrador da CNAI; c) GUSTAVO E SILVA NOGUEIRA LIMA), sócio da CNAI; d) GUSTAVO STEINER RODRIGUES MESQUITA, contador da CNAI; e) CN COMERCIO DE MOTOCICLETAS LTDA (CN MOTOS), que também possui como sócia administradora a Sra. ELIANE E SILVA NOGUEIRA LIMA; A SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DESSES CONTRIBUINTES ENCONTRA RESPALDO NOS NORMATIVOS ABAIXO DESCRITOS: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. (CTN) Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 140. Especificamente no que concerne à CN MOTOS é imperioso notar que, além de ter sido beneficiada com pagamentos efetuados pela CNAI, o que configura interesse direto em situações enquadradas como fatos geradores deste relatório; também restou constatada a existência de confusão patrimonial, de similaridade no comando administrativo, de informalidade em transações e de conluio envolvendo essas empresas e seus sócios. 141. Ressalta-se, portanto, que restou comprovada a confusão patrimonial e a decorrente impossibilidade de distinguir a sociedade de fato de seus integrantes (pessoas físicas e jurídicas). Tais condições evidenciam a solidariedade entre as pessoas que compõem a sociedade de fato: um grupo composto, no mínimo, pela CNAI, pela CN MOTOS e pelos sócios RAIMUNDO NOGUEIRA, ELIANE NOGUEIRA E GUSTAVO NOGUEIRA. O patrimônio comum amealhado em razão dos ilícitos praticados e o evidente interesse comum nos negócios realizados em benefício dos envolvidos corroboram esse entendimento. Fl. 2079DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 13 142. Diante disso, resta configurada a solidariedade passiva dos seguintes contribuintes com base no já citado Art. 124, inciso I, do CTN: ELIANE E SILVA NOGUEIRA LIMA, RAIMUNDO NETO E SILVA NOGUEIRA LIMA, GUSTAVO E SILVA NOGUEIRA LIMA e CN MOTOS. 143. Nessa linha, é importante trazer à baila algumas questões relevantes acerca das pessoas físicas (sócios e contador) ora enquadradas como responsáveis solidários e das infrações por eles perpetradas. 144. O contrato social da CNAI previa que os administradores ELIANE E SILVA NOGUEIRA LIMA e RAIMUNDO NETO E SILVA NOGUEIRA LIMA se incumbiriam “de todas as operações e representariam a sociedade ativa, passiva, judicial e extrajudicialmente”. Entretanto, no que representa uma infração ao contrato social, o sócio GUSTAVO E SILVA NOGUEIRA LIMA, com a anuência dos sócios administradores, além de ser beneficiado por diversos pagamentos efetuados pela empresa, também possuía poderes relativos à gestão da CNAI. A procuração constante do ANEXO 38 concede a GUSTAVO NOGUEIRA, dentre outros, poderes para, movimentar e encerrar contas bancárias, emitir e endossar cheques, fazer retiradas, receber importâncias e dar quitações e representar a CNAI perante cartórios. 145. Tal sócio de fato prestava serviços para a CNAI, chegando até a assinar contratos e a fazer pedidos em nome dessa empresa. 146. Por sua vez, os contratos sociais, os diversos cheques e contratos assinados por cada um dos sócios administradores e vários outros documentos constantes dos ANEXOS 10 a 52, ratificam o entendimento de que ELIANE E SILVA NOGUEIRA LIMA e RAIMUNDO NETO E SILVA NOGUEIRA LIMA de fato exerciam a gerência da sociedade e, encarregados da direção administrativa e da parte econômico-financeira da empresa, esses administradores coadunaram com as irregularidades expostas neste relatório. Irregularidades que também os beneficiaram e não se tratam de erros pontuais, de atitudes isoladas, mas de fatos reiterados e articulados. 147. Os fatos descritos ensejam a responsabilização das seguintes pessoas físicas por subsunção ao art. 135, incisos II e III, do CTN: a) Sra. ELIANE E SILVA NOGUEIRA LIMA, sócia administradora da CNAI; b) Sr. RAIMUNDO NETO E SILVA NOGUEIRA LIMA, o sócio administrador da CNAI; c) GUSTAVO E SILVA NOGUEIRA LIMA, sócio, sócio administrador de fato e preposto (representante) da CNAI; 148. Em relação ao Sr. GUSTAVO STEINER RODRIGUES MESQUITA, responsável pela contabilidade da CNAI, a solidariedade encontra guarida no já citado Art. 135, inciso II, do CTN pelas razões a seguir expostas. Fl. 2080DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 14 149. Tal profissional também coadunou com a não contabilização de pagamentos. Milhões de reais devidamente identificados nos extratos bancários da empresa não foram contabilizados e os saldos credores expressivos da Conta Caixa em diversos períodos são evidências claras da existência de uma contabilidade paralela, de “Caixa 2”. Os elevados montantes envolvidos nas transações não contabilizadas em diversos anos afastam a possibilidade de equívocos e evidenciam o dolo desse profissional que, conforme ANEXO 50, atuava também como representante da CNAI, inclusive perante a Receita Federal do Brasil (RFB). 150. Os documentos constantes dos ANEXOS 13, 14, 50, 51 e 55, notadamente os Recibos do Sistema de Autenticação e Validação de Arquivos (SVA), nos quais constam a assinatura desse contador, e os arquivos contábeis da empresa com a clara identificação desse profissional como responsável pela contabilidade da CNAI, confirmam que GUSTAVO STEINER era de fato o contador da CNAI no período objeto da fiscalização. 151. Salienta-se também que os documentos constantes do ANEXO 55 denunciam que o contador GUSTAVO STEINER RODRIGUES MESQUITA foi o responsável pelo preenchimento das DIPJ (Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica) da CNAI. 152. No tocante aos pagamentos efetuados e não escriturados, cumpre observar que eles constituem, em tese, irregularidades tanto à legislação empresarial quanto à tributaria, conforme determina o Art. 1.184 do Código Civil, pois a escrituração deve abranger todas as operações relativas ao exercício da empresa.  Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil). Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. 153. No que tange a infrações de lei, condutas relatadas neste documento se enquadrariam, em tese, na prestação de declaração falsa e na omissão de informação, tipificadas nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Ainda poderiam ser, em tese, tipificadas no crime de falsidade ideológica e de falso testemunho tal como descrito nos artigos 299 e 342 do Decreto-lei nº 2.848/40 (Código Penal Brasileiro). 154. Outras infrações à legislação tributária encontram-se devidamente descritas neste relatório. Nesse contexto, a fiscalização constatou que a contribuinte principal omitiu receitas e deixou de recolher contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas aos sócios que lhe prestaram serviços. Fl. 2081DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 15 Tais remunerações foram divididas em três eixos: comissões pagas ao sócio administrador Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima decorrentes de corretagem imobiliária; retiradas mensais em favor da sócia majoritária Eliane e Silva Nogueira Lima, rotuladas pela defesa como antecipações de lucros; e despesas de caráter eminentemente pessoal (casamento, compra de veículo e obras) realizadas em benefício do sócio Gustavo e Silva Nogueira Lima. O lançamento tributário de ofício exigiu o montante principal de R$ 877.876,55 a título de contribuição previdenciária patronal (FPAS 5150) e impôs a multa qualificada de 150% no valor de R$ 1.316.814,81, nos termos do artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/1996. 2.IMPUGNAÇÕES Em sede de impugnação tempestiva, a contribuinte CNAI e os corresponsáveis sustentaram a ocorrência de decadência parcial para as competências de julho de 2012 a novembro de 2012 com base no artigo 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional, alegando que a ausência de dolo exigiria a aplicação do prazo quinquenal contado do fato gerador. Em sua impugnação, a CNAI sustentou, preliminarmente, a decadência parcial dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos anteriormente ao quinquênio contado da ciência do lançamento, defendendo a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN em razão da inexistência de dolo, fraude ou simulação. No mérito, afirmou que os pagamentos efetuados à sócia Eliane e Silva Nogueira Lima correspondiam a antecipações de lucros, justificadas por sua condição de sócia majoritária, detentora de 69% do capital social da empresa. Alegou que tais valores eram utilizados para custeio de despesas pessoais e familiares, tendo sido emitidos recibos destinados ao controle das antecipações realizadas. Sustentou que a ausência de adequada contabilização decorreria da informalidade característica da estrutura empresarial familiar, não sendo suficiente para descaracterizar a natureza dos pagamentos. Relativamente aos valores pagos em benefício de Gustavo e Silva Nogueira Lima, argumentou que não constituíam remuneração, mas mera destinação dada por Eliane aos valores que lhe haviam sido antecipados a título de lucros. Segundo a defesa, os pagamentos relativos à aquisição de veículo e às despesas do casamento foram realizados pela empresa por conta e ordem da sócia majoritária, sem qualquer vínculo com prestação de serviços por Gustavo. Quanto aos pagamentos efetuados a Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, a impugnante não negou a ocorrência das operações, mas sustentou inexistir qualquer elemento apto a caracterizar fraude ou intuito doloso, defendendo que eventual falta de contabilização resultaria de deficiência administrativa e contábil. Fl. 2082DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 16 A CNAI também impugnou especificamente a multa qualificada, sustentando que a fiscalização não comprovou a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Argumentou que a mera omissão de receitas, desacompanhada de atos artificiais voltados à ocultação da realidade tributária, não autoriza a aplicação da penalidade agravada. Para sustentar sua tese, invocou precedentes do CARF e a Súmula CARF nº 14. Por sua vez, a CN Motos, em impugnação própria, insurgiu-se exclusivamente contra sua inclusão no polo passivo da exigência. Sustentou inexistir responsabilidade solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, por ausência de interesse comum na realização dos fatos geradores. Alegou que a mera participação em grupo econômico não basta para caracterizar solidariedade tributária, sendo indispensável a demonstração de atuação conjunta na prática dos fatos tributados. Aduziu que a única operação identificada entre as empresas consistiu em empréstimo realizado em maio de 2013, sem qualquer relação com os pagamentos que fundamentaram a autuação. Requereram o cancelamento da cobrança ou, sucessivamente, o afastamento da qualificação da multa para o percentual de 75%. 3.DECISÃO RECORRIDA A DRJ acolheu a impugnação do contador Gustavo Steiner Rodrigues Mesquita, determinando sua exclusão do polo passivo por verificar que ele desempenhava funções meramente técnicas sem poder de gestão tributária ou societária. Quanto à contribuinte principal e aos sócios, a DRJ rejeitou a decadência sob o fundamento de que a multa qualificada atrai o prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. No mérito, entretanto, manteve a exigência relativa aos pagamentos efetuados a Raimundo, Eliane e Gustavo, por entender comprovada a natureza remuneratória dos valores autuados. Entendeu, ainda, que não restou demonstrada a alegada distribuição antecipada de lucros, reputando insuficientes os recibos apresentados pela contribuinte. A decisão recorrida também manteve a imputação de responsabilidade solidária à CN Motos, por considerar configurado interesse comum entre as empresas envolvidas, bem como preservou a multa qualificada aplicada pela fiscalização. Nesse sentido, a decisão hostilizada, julgou improcedentes as impugnações por concluir que os pagamentos não estavam amparados por lucros efetivamente escriturados e que a confusão patrimonial e a ocultação de movimentações financeiras justificavam a manutenção da multa de 150% e a solidariedade dos gestores e da CN Motos, conforme a seguinte ementa: DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Fl. 2083DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 17 A ocorrência de dolo, fraude ou simulação atrai a norma de decadência do art. 173, I, do CTN, tendo-se como termo inicial o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. SERVIÇO PRESTADO POR SÓCIO PESSOA FÍSICA. É devida contribuição previdenciária patronal incidente sobre remuneração paga a pessoa física por serviço prestado à pessoa jurídica da qual é sócia. MULTA QUALIFICADA. A utilização intencional e reiterada de expedientes para manutenção de vultosas verbas à margem da tributação autoriza a qualificação da multa de lançamento de ofício. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal ou a prática de ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto autorizam a responsabilização pelo crédito tributário. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTADOR. O exercício das tarefas típicas de contador, sem a prática de qualquer dos atos previstos no art. 135 do CTN, é insuficiente para autorizar a responsabilização desse profissional pelo crédito tributário da pessoa jurídica à qual presta serviço. 4.RECURSOS VOLUNTÁRIOS Inconformados, os recorrentes apresentaram recurso voluntário perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reiterando integralmente os argumentos delineados nas Impugnações. A recorrente principal e os corresponsáveis juntaram relatório de auditoria e reprocessamento contábil dos anos de 2012 a 2014, confeccionado por Planning Auditores e Contadores Ltda., com o escopo de demonstrar a existência de lucros acumulados suficientes para lastrear as distribuições de dividendos feitas à sócia administradora. Por sua vez, a CN Motos defendeu a ilegalidade de sua inclusão como corresponsável solidária, argumentando que o mero interesse econômico ou a composição de grupo familiar não caracteriza o interesse comum exigido pelo artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Por fim pugnaram pelo provimento dos Recursos voluntários É o relatório. Fl. 2084DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 18 VOTO Conselheiro Roberto Carvalho Veloso Filho, Relator 1.ADMISSIBILIDADE Os recursos voluntários preenchem cumulativamente os requisitos de admissibilidade previstos no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972, sendo tempestivos motivo pelo qual devem ser conhecidos. 2.PRELIMINAR 2.1DECADÊNCIA Passo a análise da preliminar de decadência. A preliminar de decadência parcial envolve o prazo de constituição dos créditos previdenciários relativos aos fatos geradores de julho de 2012 a novembro de 2012. Conforme se extrai dos autos, a notificação de lançamento ocorreu em 13/12/2017. O exame do prazo decadencial está umbilicalmente atrelado à qualificação da multa de ofício. É cediço que a decadência em tributos sujeitos a homologação, quando constatada atividade fraudulenta, dolosa ou simulada, afasta a incidência do artigo 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional, atraindo a aplicação do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. Contudo, na hipótese em exame, a análise meritória que se desenvolverá a seguir aponta para a plena caracterização do dolo qualificado imputado à contribuinte, restando evidenciada a ocorrência de fraude, simulação e sonegação deliberada com o escopo de suprimir o pagamento de tributos previdenciários. Diante da comprovação de condutas fraudulentas voltadas à evasão fiscal, afasta-se a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional, atraindo-se a incidência do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. Sob essa ótica, o prazo decadencial de cinco anos para que o Fisco possa constituir o crédito tributário inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Considerando que os fatos geradores mais remotos sob fiscalização ocorreram a partir de julho de 2012, o prazo para lançamento iniciou-se em 01/01/2013 e findaria apenas em 31/12/2017. Tendo em vista que a notificação do Auto de Infração ocorreu em 13/12/2017, constata-se que a totalidade das competências lançadas (julho de 2012 a dezembro de 2014) foi alcançada de forma tempestiva pela ação fiscalizadora, restando plenamente afastada a preliminar de decadência. 3.MÉRITO 3.1NATUREZA JURÍDICA DAS VERBAS PAGAS AOS SÓCIOS No mérito, a discussão reside em determinar se os valores repassados aos sócios da contribuinte no curso das competências fiscalizadas revestem-se de natureza remuneratória, atraindo a incidência da contribuição previdenciária patronal, ou se de fato constituem adiantamento de lucros isentos de tributação. Fl. 2085DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 19 Quanto ao primeiro grupo de valores, referente às comissões pagas ao sócio administrador Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, a autuação deve ser mantida. A fiscalização localizou contratos de prestação de serviços de corretagem imobiliária firmados entre a pessoa jurídica e o referido sócio, bem como recibos de comissões que atestam de forma inequívoca o pagamento de retribuição pelo trabalho por ele desempenhado em transações de venda e aluguel de imóveis. A própria tese recursal restringe-se a justificar tais lançamentos como 'mero erro de escrituração'. Ocorre que o artigo 22, inciso III, da Lei nº 8.212/1991 determina a incidência de contribuição previdenciária patronal de 20% sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados contribuintes individuais que prestem serviços à empresa. Uma vez comprovada a prestação de serviços de corretagem pelo sócio administrador, a contraprestação recebida possui indiscutível natureza salarial, compondo a base de cálculo da contribuição patronal. Em relação às retiradas mensais efetuadas pela sócia Eliane e Silva Nogueira Lima, a defesa sustenta tratar-se de antecipação de lucros lastreada no artigo 10 da Lei nº 9.249/1995. Para corroborar a assertiva, o contribuinte colacionou recibos informais assinados pela referida sócia. No entanto, o exame da escrita contábil oficial entregue tempestivamente ao Fisco revelou de forma expressiva e literal que a distribuição de lucros no período sob análise foi nula, constando expressamente a informação de que 'não houve distribuição de lucros aos sócios'. A legislação tributária admite a isenção de retiradas a título de lucros, desde que haja a efetiva apuração e demonstração de lucros mediante regular escrituração contábil comercial do período. A apresentação de recibos de quitação sem qualquer amparo ou correspondência nos livros Diário e Razão da sociedade não é apta a afastar a natureza remuneratória dos repasses mensais sistemáticos e periódicos efetuados em benefício da sócia administradora majoritária, os quais devem ser tributados como pró-labore. O relatório de reprocessamento contábil e auditoria elaborado pela Planning Auditores Ltda., embora demonstre de forma matemática a existência retrospectiva de lucros fiscais acumulados após a retificação de receitas anteriormente omitidas pela própria empresa, não tem o condão de convalidar a distribuição isenta. A escrituração contábil deve retratar as operações de forma tempestiva e contemporânea aos fatos geradores. A reconstrução da escrituração a posteriori, realizada apenas após a lavratura da infração fiscal com o evidente propósito de elidir o passivo tributário previdenciário, carece de eficácia jurídica para afastar a presunção legal de pró-labore sobre os valores retirados sem contemporâneo registro contábil de dividendos. Por fim, os repasses destinados ao custeio de despesas de cunho pessoal em benefício do sócio Gustavo e Silva Nogueira Lima configuram clássica hipótese de remuneração indireta sujeita à incidência previdenciária. Restou provado que a pessoa jurídica CNAI suportou gastos relativos ao casamento do sócio, adquiriu automóvel Mercedes-Benz em seu proveito e quitou faturas decorrentes de reformas em seu benefício, sem qualquer registro contábil ou fiscal de tais despesas. Fl. 2086DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 20 A tese defensiva de que tais gastos seriam 'antecipação de lucros da sócia Eliane' que, por sua liberalidade, decidiu doar referidos bens e serviços ao seu filho Gustavo, não encontra respaldo documental mínimo. Trata-se de mera alegação desprovida de escrituração contábil idônea. Gustavo Nogueira, conquanto titular de apenas 1% do capital social, exercia a gerência de fato e a representação comercial da sociedade por força de ampla procuração outorgada. O pagamento de despesas pessoais de administrador pela pessoa jurídica, sem a respectiva retenção do imposto de renda e contabilização como despesa indedutível reajustada, sujeita-se à incidência de contribuição previdenciária patronal, pois constitui vantagem econômica indireta decorrente da relação de trabalho e gestão estabelecida entre o sócio de fato e a sociedade autuada, nos termos do artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/1991. Dessa forma, impõe-se a manutenção da cobrança da contribuição previdenciária patronal sobre as comissões pagas a Raimundo Neto, os valores retirados por Eliane e as vantagens indiretas fruídas por Gustavo. 3.2 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A fiscalização impôs multa de ofício qualificada no percentual de 150%, fundamentada no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/1996, sob a acusação de que a conduta da contribuinte amoldou-se às hipóteses de sonegação, fraude ou conluio previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. O acórdão da DRJ/REC chancelou o agravamento apontando a movimentação financeira omitida, a simulação de mútuos e a confusão patrimonial sistemática entre os envolvidos. A pretensão de reforma recursal nesse ponto deve ser integralmente rejeitada. A qualificação da multa de ofício em 150% é devida quando demonstrado que o sujeito passivo agiu de forma intencional para impedir que o Fisco conhecesse o fato gerador tributário, valendo-se de fraudes estruturadas para camuflar a natureza dos pagamentos efetuados. No caso concreto, os elementos probatórios reunidos pela fiscalização revelam que as irregularidades superaram em larga escala uma eventual desorganização gerencial ou informalidade de empresa familiar. A contribuinte CNAI operou movimentação financeira paralela milionária por meio de conta de Caixa sem o devido registro fiscal, apresentando saldo credor fictício e ocultando a real destinação dos recursos mediante contratos de mútuo fictícios com os próprios sócios e empresas ligadas, os quais eram desprovidos de fluxos de amortização, garantias e publicidade comercial. A simulação de contratos de mútuo e a emissão de recibos informais de 'antecipações de lucros' de forma completamente dissociada da escrituração contábil oficial, que inclusive asseverou expressamente a inexistência de distribuição de dividendos no período, constituem evidente artifício ardiloso voltado a sonegar as contribuições previdenciárias patronais decorrentes do pró-labore de seus gestores e das remunerações indiretas. Ficou configurada fraude na confecção de instrumentos de mútuo e recibos sem correspondência na contabilidade comercial contemporânea, visando apenas justificar saques de vulto perante a Receita Federal do Brasil. Demonstrado, pois, o dolo específico e o emprego de simulação para burlar a incidência tributária, impõe-se a manutenção da multa de ofício Fl. 2087DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 21 qualificada no percentual de 150%, conforme preceitua o artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/1996. Quanto à aplicação da alíquota de 150%, cabe observar a Lei nº 14.689, de 2- de setembro de 2023, norma superveniente à data de interposição do recurso voluntário, a qual deu nova redação ao art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996: § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (...)VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. Quando não há comprovação da reincidência do sujeito passivo, a novel legislação limitou a multa qualificada, fixada no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, ao patamar de 100%, ante o antigo percentual de 150%. 3.3RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS CORRESPONSÁVEIS Resta analisar a conformidade legal da inclusão dos corresponsáveis no polo passivo da exigência tributária previdenciária. Em relação aos sócios administradores Eliane e Silva Nogueira Lima e Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, a responsabilidade solidária deve ser integralmente mantida. Ambos detinham contratualmente e de fato a administração e gerência da sociedade, encarregando-se da condução dos negócios e das decisões financeiras. A falta de declaração das remunerações pagas, a ausência de recolhimento da contribuição previdenciária patronal correspondente e a manutenção de pagamentos à margem da contabilidade constituem violação direta de obrigações previstas na legislação de regência (artigo 30, inciso I, alínea 'b', da Lei nº 8.212/1991). Tais atos de gestão praticados com expressa infração à lei ensejam a responsabilização pessoal dos administradores nos termos do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. De igual forma, a inclusão do sócio Gustavo e Silva Nogueira Lima no polo passivo é legítima. Embora detentor de apenas 1% do capital social, restou sobejamente demonstrado que Gustavo atuava como administrador e gestor de fato da contribuinte CNAI, operando contas bancárias, assinando contratos, efetuando saques e coordenando as atividades cotidianas com base em procuração ampla que lhe conferia plenos poderes de representação. O administrador de fato que pratica atos com infração à lei responde pessoalmente pelos créditos tributários resultantes de sua gestão, enquadrando-se no artigo 135, inciso II, do Código Tributário Nacional, na condição de preposto ou mandatário da sociedade autuada. Fl. 2088DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.560 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14041.720178/2017-55 22 Por fim, no tocante à recorrente solidária Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas Ltda. - CN Motos, sua inclusão no polo passivo com base no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional também deve ser confirmada. A defesa sustenta que a solidariedade por interesse comum exige a coparticipação direta no fato gerador do tributo, não bastando o mero interesse econômico reflexo ou a união em grupo econômico familiar. Contudo, a hipótese vertente distingue-se do mero relacionamento comercial ou econômico societário. A fiscalização comprovou de forma documentada que a contribuinte CNAI suportou e pagou diretamente faturas pertinentes a obras e reformas realizadas em benefício de diversas filiais da empresa CN Motos (em Barra do Corda, Castelo do Piauí, Teresina, Timon e Presidente Dutra), utilizando recursos próprios da sociedade autuada sem qualquer contraprestação ou registro de débito intercompany. Tais fatos evidenciam uma inequívoca e severa confusão patrimonial, em que as receitas da CNAI eram misturadas e revertidas diretamente em proveito da CN Motos, de modo que esta última auferiu proveito econômico direto e imediato decorrente do desvio de recursos da sociedade autuada. Configurada a confusão patrimonial e o proveito direto, resta consubstanciado o interesse comum na situação que deu causa à omissão de receitas e ao consequente inadimplemento das obrigações previdenciárias patronais, legitimando a manutenção da CN Motos como responsável solidária pelo débito tributário, nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. 4.CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer dos Recursos Voluntários, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar-lhes parcial provimento para reduzir a multa de ofício ao percentual de 100%. Assinado Digitalmente Roberto Carvalho Veloso Filho Fl. 2089DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 19613.727673/2021-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jul 20 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2020, 2021 AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. REVELIA. PRECLUSÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. A ausência de apresentação de impugnação tempestiva por responsável solidário regularmente intimado impede a instauração do contencioso administrativo em relação a ele. Opera-se a preclusão processual, vedado o conhecimento do recurso voluntário quanto ao sujeito passivo revel. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA CABIMENTO. Na hipótese de compensação considerada não declarada, o contribuinte está sujeito à multa isolada nos termos do art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/03.
Numero da decisão: 3301-015.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo Célia Pereira de Souza e conhecer do recurso voluntário apresentado pela RJ Comércio e Prestação De Serviços Gerais Ltda e negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Keli Campos de Lima - Relatora Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Keli Campos de Lima, Larissa Cassia Favaro Boldrin(substituto[a] integral), Marcio Jose Pinto Ribeiro, Rachel Freixo Chaves, Rodrigo Kendi Hiramuki, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)
Nome do relator: KELI CAMPOS DE LIMA

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RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. REVELIA. PRECLUSÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. A ausência de apresentação de impugnação tempestiva por responsável solidário regularmente intimado impede a instauração do contencioso administrativo em relação a ele. Opera-se a preclusão processual, vedado o conhecimento do recurso voluntário quanto ao sujeito passivo revel. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA CABIMENTO. Na hipótese de compensação considerada não declarada, o contribuinte está sujeito à multa isolada nos termos do art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/03. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo Célia Pereira de Souza e conhecer do recurso voluntário apresentado pela RJ Comércio e Prestação De Serviços Gerais Ltda e negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Keli Campos de Lima – Relatora Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Fl. 251DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.233 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.727673/2021-63 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Keli Campos de Lima, Larissa Cassia Favaro Boldrin(substituto[a] integral), Marcio Jose Pinto Ribeiro, Rachel Freixo Chaves, Rodrigo Kendi Hiramuki, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente) RELATÓRIO Para fins de economia processual adoto o relatório parcialmente da decisão recorrida a fim de elucidar os fatos que motivaram a autuação, vejamos: Trata o processo de auto de infração, fls. 2 a 11, lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe para a exigência de multa isolada, por compensações consideradas não declaradas, conforme os excertos a seguir. Os sujeitos passivos tiveram ciência e alguns apresentaram impugnações, conforme segue. JOÃO RODRIGUES RIBEIRO FILHO teve a ciência em 09/08/2021, fl. 50, apresentando impugnação em 23/09/2021, fl. 108 a 140, intempestivamente conforme Termo de fl. 148. CÉLIA PEREIRA DE SOUZA: teve a ciência em 03/09/2021, fl. 52, não apresentou impugnação. CH CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA.: teve a ciência em 06/08/2021, fl. 54, não apresentou impugnação. CARLOS ALBERTO DE CAMARGO: teve a ciência em 03/09/2021, fl. 53, não apresentou impugnação. RJ COMÉRCIO & PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS LTDA teve a ciência em 06/08/2021, fl. 51, apresentando impugnação tempestiva em 24/08/2021, fl. 56 de fls. 58 a 80, solicitando que seja anulado o Auto de Infração, insistindo no mérito do processo de compensação, baseado em supostos créditos oriundos da exclusão do ISS da base de cálculo das contribuições ao Pis e à Cofins, vergastando Fl. 252DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.233 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.727673/2021-63 3 o Despacho Decisório, objeto do processo de compensação que deu origem à multa isolada, ora apreciada. Diz ainda, que está sofrendo de dupla sanção pela aplicação das multas de mora e isolada, afigurando-se ilícita e confiscatória, violando frontalmente Princípios Constitucionais, especialmente da Razoabilidade e Proporcionalidade. Que a multa aplicada carece de motivação e previsão legal específica. Dando seguimento, o processo foi encaminhado para julgamento em primeira instância. Em análise das impugnações apresentadas a 25ª TURMA/DRJ08 por meio do acordão acórdão 108-044.935 julgou-a parcialmente procedente para reduzir o percentual a multa de 150% para 100%, conforme decisão abaixo ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2020, 2021 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA.CAMBIMENTO. Cabível o lançamento de multa isolada de pedido de compensação considerada não declarada, conforme legislação de regência. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente responsáveis pela mesma. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Não cabe à autoridade julgadora de instância administrativa competência para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. CONCOMITÂNCIA. MULTA DE MORA COM MULTA ISOLADA. É cabível a aplicação da multa isolada por compensação não declarada, concomitantemente com a cobrança de multa de mora incidente sobre os tributos cujas compensações foram consideradas não declaradas, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. MULTA ISOLADA DUPLICADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. LEI SUPERVENIENTE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, aplica-se a lei superveniente à vigente à época do fato gerador que venha a cominar penalidade menos severa, reduzindo a multa duplicada de 150% para 100%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignadas, a Recorrente RJ Comércio e Prestação De Serviços Gerais Ltda e a coobrigada Célia Pereira de Souza apresentam recurso voluntário, arguindo a inexistência de dolo Fl. 253DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.233 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.727673/2021-63 4 e subsidiariamente, pedem a exclusão da responsabilidade quanto ao auto de infração em questão. É o relatório. VOTO Conselheira Keli Campos de Lima, Relatora. Da Admissibilidade e Conhecimento Recursal. O recurso voluntário apresentado pela RJ Comércio e Prestação De Serviços Gerais Ltda é tempestiva e preenche aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser admitido. Contudo, em relação ao recurso interposto conjuntamente pela Sra. Célia Pereira de Souza, este não deve ser conhecido. Conforme se depreende nos autos, foi constada a a regularidade da intimação acerca da lavratura do auto de infração e a inércia da coobrigada Célia Pereira de Souza, culminando no termo de revelia de fls. 147. Como cediço, no processo administrativo fiscal (PAF), a impugnação é o ato que instaura a fase litigiosa e delimita os sujeitos que compõem a lide administrativa. A ausência de impugnação tempestiva por parte de um dos autuados acarreta a sua revelia e a consequente preclusão consumativa do direito de discutir o mérito do lançamento. O fato de o recurso voluntário ter sido apresentado em peça conjunta com o contribuinte principal (que impugnou regularmente) não tem o condão de sanar a revelia do coobrigado ou reabrir prazos preclusos. A jurisprudência deste Conselho é pacífica ao estabelecer que o processo fiscal é instaurado apenas em relação a quem apresentou impugnação. Se o responsável solidário não se manifestou no momento oportuno, opera-se a preclusão processual, sendo vedado o conhecimento de seu recurso voluntário: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, I, CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE JURÍDICO COMUM. AFASTAMENTO. Há sujeição passiva solidária somente se estiver configurado que as pessoas, jurídica e física, no caso, possuam interesse comum na situação que consubstancie o fato gerador da obrigação tributária principal. Não havendo prova do interesse jurídico comum, é de ser afastada a solidariedade. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 Fl. 254DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.233 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.727673/2021-63 5 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITO DEVOLUTIVO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES OBJETIVOS. MATÉRIA PRECLUSA. O recurso voluntário devolve ao CARF apenas as matérias expressamente impugnadas em primeira instância; temas não devolvidos permanecem preclusos (art. 17 do Decreto nº 70.235/72). A matéria não especificamente impugnada é incontroversa, sendo insuscetível de invocação posterior no âmbito de órgão de julgamento administrativo ad quem. SUJEITO PASSIVO DEVEDOR PRINCIPAL OU RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal para o impugnante, ocorrendo a preclusão processual para os demais interessados que não apresentarem impugnação. Além da matéria impugnada, a impugnação tem, como um de seus elementos caracterizadores, o próprio impugnante: isso significa que o processo fiscal será instaurado apenas com relação a quem apresentou impugnação e na medida da matéria impugnada. Nessa linha, se apenas o responsável solidário apresentar impugnação, o processo administrativo será instaurado com relação apenas a ele, ocorrendo a preclusão processual quanto aos demais responsáveis solidários que não se manifestaram. (CARF - RECURSO VOLUNTARIO: 00013819722715201962 3401-014.102, Relator: CELSO JOSE FERREIRA DE OLIVEIRA, Data de Julgamento: 19/08/2025, Data de Publicação: 12/12/2025) Na mesma linha é o entendimento de que recursos de coobrigados revéis não devem ser conhecidos, uma vez que a preclusão consumativa impede a análise de mérito para quem não integrou a fase litigiosa na origem, vejamos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2017 REVELIA. NÃO CONHECIMENTO. Ausente impugnação tempestiva, operou-se a preclusão consumativa. Recursos voluntários de coobrigados que não impugnaram não são conhecidos, por não versarem sobre afastamento da revelia. (...) (CARF - RECURSO VOLUNTARIO: 00015746722204202191 1201-007.267, Relator: ISABELLE RESENDE ALVES ROCHA, Data de Julgamento: 24/09/2025, Data de Publicação: 20/10/2025) Assim, em relação à Coobrigada Célia Pereira de Souza o recurso é manifestamente inadmissível por ausência de pressuposto processual, ou seja, instauração da fase litigiosa por meio de impugnação. Mérito: Fl. 255DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.233 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.727673/2021-63 6 Como relatado, cuida-se de multa isolada por compensação indevida de débitos com créditos falsos, nos termos do que foi documentado no processo administrativo nº 19613.722894/2021-45. Assim, as compensações foram consideradas não declaradas atraindo a aplicação do art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/03. Em sua defesa a Recorrente traz considerações sobre o esquema fraudulento de creditamento argumento ausência de culpa na fraude perpetrada, argumenta, ainda, a impossibilidade de aplicação da multa mantida pela DRJ no percentual de 100% pugnando pela aplicabilidade do Tema 736 em que o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que é inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária. Pois bem. No que tange, a conduta atribuída à Recorrente - compensação indevida de débitos com créditos falsos - temos claramente pela leitura das razões recursais que esta reconhece a fraude, embora argumente que tenha sido vítima da empresa de consultoria e seus respectivos sócios. Neste sentido, a despeito dos argumentos apresentados, o que foi objeto de discussão no processo 19613.722894/2021-45 com decisão irrecorrível desfavorável à Recorrente e os respectivos coobrigados, ou seja, sem reconhecimento de qualquer direito creditório, fato é que a conduta de prestar informação falsa em declaração é inconteste e resultou na não declaração da compensação, atraindo consequentemente a aplicação do artigo 18, §4º da Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)§ 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Em relação à aplicabilidade do tema 736 do STF no presente caso, cumpre destacar que se trata de situação distinta. O Supremo Tribunal Federal ao julgar o referido tema fixou a seguinte tese: Fl. 256DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.233 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.727673/2021-63 7 É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. STF — RECURSO EXTRAORDINÁRIO 796939 RS — Publicado em 23/05/2023 A ratio decidendi do Tribunal fundamenta-se na premissa de que o contribuinte de boa-fé não pode ser punido pelo simples exercício do direito de petição ao pleitear uma compensação que venha a ser indeferida por questões interpretativas ou de direito. No caso dos autos, diferentemente do decido, não trata de "mera negativa de homologação", mas sim de falsidade comprovada e fraude. O próprio STF, na ADI 4.905, ressalvou que a inconstitucionalidade não alcança casos onde há má-fé ou ilicitude qualificada: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. SANÇÕES TRIBUTÁRIAS. MULTA ISOLADA. LEI 9.430/96. LEI 12.249/2010. LEI 13.097/2015. IN RFB 1.717/2017. PROPORCIONALIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. 1. Perda superveniente do objeto da ação quanto ao § 15 do artigo 74 da Lei 9.430/96, alterado pela Lei 12.249/2010, tendo em vista a sua revogação pela Lei 13.137/2015. 2. Atendidos os requisitos previstos em lei, a compensação tributária se traduz em direito subjetivo do sujeito passivo, não estando subordinada à apreciação de conveniência e oportunidade da administração tributária. 3. A declaração de compensação é um pedido lato sensu, no exercício do direito subjetivo à compensação, submetido à Administração Tributária, que decide de forma definitiva sobre a matéria, homologando, de forma expressa ou tácita, a declaração. 4. É inconstitucional a aplicação de multa isolada em razão da mera não homologação de declaração de compensação, sem que esteja caracterizada a má-fé, falsidade, dolo ou fraude, por violar o direito fundamental de petição e o princípio da proporcionalidade. 5. Ação direta de inconstitucionalidade parcialmente conhecida e, nessa parte, julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996 – incluído pela Lei 12.249/2010, alterado pela Lei 13.097/2015 –, bem como do inciso Ido § 1º do art. 74 da Instrução Normativa RFB 1.717/2017, por arrastamento. (STF - ADI: 4905 DF, Relator: Min. GILMAR MENDES, Data de Julgamento: 18/03/2023, Tribunal Pleno, Data de Publicação: PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 17-05-2023 PUBLIC 18-05-2023) Portanto, havendo a comprovação de que a Recorrente utilizou créditos falsos, a conduta converte-se de um legítimo exercício do direito de petição para um ato ilícito qualificado, o que legitima a imposição da multa isolada prevista no art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/2003. A penalidade, neste caso, possui natureza repressiva contra a fraude, não se confundindo com a sanção automática rechaçada pela Suprema Corte. Assim, restando caracterizada a falsidade da declaração e a fraude no processo principal, não há que se falar em aplicação do Tema 736 do STF. A multa isolada aplicada é Fl. 257DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.233 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19613.727673/2021-63 8 legítima e fundamentada na prática de ato ilícito que extrapola o mero indeferimento administrativo. Dispositivo. Diante do exposto voto por : i. Não conhecer do recurso voluntário apresentado pela Coobrigada Célia Pereira de Souza. ii. Conhecer e negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela RJ Comércio e Prestação De Serviços Gerais Ltda. Assinado Digitalmente Keli Campos de Lima Fl. 258DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11415813 #
Numero do processo: 11080.902368/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3201-002.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do presente processo na Dipro-Cojul -3ª Seção -2ª Câmara, para que se aguarde o julgamento final do processo administrativo nº 11080.725094/2013-20. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do presente processo na Dipro-Cojul -3ª Seção -2ª Câmara, para que se aguarde o julgamento final do processo administrativo nº 11080.725094/2013-20. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Relatório Reproduzo o relatório adotado pela DRJ visto que bem sintetiza os fatos. Trata-se de Despacho Decisório que indeferiu o crédito pleiteado e, consequentemente, não homologou a compensação que o utilizou, baseado na Informação Fiscal de e-fls. 61/79, da qual são extraídos os seguintes trechos: 4. A empresa ora fiscalizada atua na distribuição de combustíveis adquirindo tais produtos diretamente das refinarias e revendendo no mercado interno. 5. Conforme esclarece o próprio contribuinte na resposta apresentada ao termo de início de fiscalização parte dos seus produtos é tributada à alíquota zero das contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins nos termos do art. 42 da Medida Provisória nº 2.158- 35/2001, informando ainda que tais produtos são sujeitos a apuração não cumulativa das contribuições. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 02 36 8/ 20 13 -1 9 Fl. 185DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.918 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.902368/2013-19 6. Informa ainda o contribuinte que revende Álcool combustível e que até o mês de setembro de 2008 tais produtos eram excluídos da não cumulatividade das contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins por força do artigo 1º parágrafo 3º do inciso IV da Lei 10.833/2003 que trata da Cofins e 10.637/2002 que trata do Pis/Pasep. 7. No curso da ação fiscal detectei irregularidades, com repercussão sob o aspecto tributário. Os fatos e procedimentos relacionados com as irregularidades detectadas estão descritos nos itens a seguir. ... 1. Inclusão indevida na base de cálculo dos créditos da Cofins não cumulativa de despesas sem amparo legal. Fretes nas aquisições de produtos: 8. Sobre o direito a creditamento de despesas com fretes na aquisição de produtos à serem revendidos é importante tecer alguns comentários: 9. A legislação que rege as contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins não prevê expressamente a possibilidade de creditamento de fretes quando da aquisição de insumos ou produtos destinados à revenda, na verdade o direito à apuração de créditos sobre tais despesas se deve ao fato do frete na compra integrar o custo de aquisição de tais produtos, consoante a boa técnica contábil e o disposto no art. 289, §1º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (...). 10. Superada esta questão claro está que o frete como integrante do custo de aquisição do produto à ser revendido só será admitido se sobre o produto adquirido a legislação permitir a apuração de créditos. Vale lembrar que isso somente será possível no caso de Insumos ou Bens para revenda adquiridos na forma dos incisos I e II do art. 3º das leis 10.637 em relação ao Pis/Pasep e 10.833 em relação a Cofins. ... 13. A lei 11.727/2008 inseriu o álcool para fins carburantes na não cumulatividade das contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins porém inseriu uma vedação específica ao creditamento na forma do artigo 3º das Leis 10.637/2008 e 10.833/2003, quando da compra de tais produtos (...). 14. Portanto no período fiscalizado o contribuinte não poderia ter se aproveitado de qualquer crédito na aquisição dos produtos relacionados nas alineas “a” e “b” do inciso I do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. 15. Com relação aos fretes de transferência de produtos monofásicos à serem revendidos, inexiste qualquer possibilidade de creditamento em função da ausência de base legal para apuração de tais créditos, uma vez que fretes de transferência não se enquadram nem como fretes na aquisição tão pouco como fretes na operação de venda, e menos ainda como custo de fabricação uma vez que os produtos transferidos são destinados à revenda e não produtos em industrialização, uma vez que a fiscalizada, nada industrializa apenas compra e revende seus produtos. ... Armazenagem e frete em operações de vendas: 17. Situação análoga ao discutido anteriormente ocorre com relação as despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas: Fl. 186DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.918 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.902368/2013-19 18. O direito ao creditamento neste caso encontra óbice no inc. IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, o qual somente autoriza o creditamento de despesas de frete e armazenagem “... na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”, e por seu turno, estes dois incisos somente autorizam o creditamento em relação a: (i) bens adquiridos para revenda, exceto, dentre outras hipóteses, em relação às mercadorias e aos produtos citados no art. 2º, §1º, cujo inciso I da Lei nº 10.833, de 2003, se reporta aos combustíveis listados no art. 4º, I a III, da Lei nº 9.718, de 1998; e (ii) aos bens utilizados como insumos na prestação de serviços ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 19. Fica clara que a atividade da contribuinte não se encaixa em nenhuma das opções de creditamento. 20. Realmente, não se ajusta à primeira hipótese porque se a lei, ao inicialmente reconhecer o direito ao creditamento de despesas de frete e armazenagem em operações de venda, logo em seguida restringe estas operações aos determinados casos, dos quais é excluída a venda de combustíveis derivados de petróleo, é porque as despesas de frete e armazenagem sobre a venda destes produtos não ensejam direito a crédito. 21. Fosse a intenção do legislador autorizar o crédito para toda e qualquer operação de venda de produtos ou mercadorias, bastaria ter o texto do inciso IX a redação original, sem a delimitação ‘...nos casos dos incisos I e II ...’. Se redigida como ‘armazenagem e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor’, restaria clara a autorização para o crédito decorrente de qualquer operação de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, se suportado pelo vendedor. ... 24. Portanto claro está que as despesas com fretes na operação de venda de produtos sujeitos à tributação monofásica não geram créditos das contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins por expressa vedação legal. Créditos vinculados a outros despendios: 25. Além dos créditos anteriormente citados o contribuinte apurou créditos vinculados a outros dispêndios tais como Energia Elétrica, Aluguéis, Encargos de Amortizações de Edificações e Benfeitorias além dos créditos vinculados à compras de produtos tributados no caso Óleo Petroquímico e Querosene. 26. Com exceção dos créditos vinculados à aquisições de Óleo Petroquímico e Querosene, que são produtos sujeitos a tributação normal em relação ao Pis/Pasep e a Cofins nada há de se corrigir em relação ao aproveitamento de créditos pelo contribuinte quando da aquisição destes produtos. 27. Com relação aos chamados encargos comuns as duas receitas, sejam eles Aluguel, Energia Elétrica, Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias em imóveis deve-se levar em conta que tais créditos não são aceitos quando vinculados à receitas monofásicas não tributadas, e isso se deve a própria lógica do sistema de tributação, pois ao optar pela tributação em um único elo da cadeia e desonerar as etapas posteriores o legislador introduziu a estes produtos um regime próprio onde inexiste cumulatividade a ser evitada nas etapas posteriores da cadeia, sendo neste caso ilegítimo o creditamento de qualquer despesa ou encargo vinculado a estas receitas. Portanto na hora de proporcionalizar os créditos o contribuinte deveria ter excluido em relação a estes créditos a parte que seria vinculada as receitas de revenda não tributada de combustíveis monofásicos, mantendo apenas o crédito vinculado as demais receitas. Fl. 187DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.918 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.902368/2013-19 ... 33. Portanto, as receitas de venda de combustíveis derivados de petróleo pelas distribuidoras no regime não-cumulativo do Pis/Pasep e da Cofins, jamais podem gerar, para as distribuidoras na forma das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, quaisquer débitos e/ou créditos na etapa comercial que elas desempenham, sob pena de completa destruição da lógica da tributação monofásica, a qual tem por pressuposto a incidência em um único elo da cadeia de produção/comercialização. Aliás, a possibilidade de creditamento na tributação monofásica em relação àqueles integrantes desobrigados de pagamento de tributo geraria significativa redução – senão mesmo a nulificação ou até a negativização – da tributação na cadeia. Créditos vinculados à compras de Álcool Anidro: 34. Durante o período fiscalizado o contribuinte realizou aquisições de álcool anidro pra adição à gasolina. Equivocadamente o contribuinte entendeu que tais créditos se confundem com os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, e incluiu tais créditos em seus pedidos de ressarcimento por entender que a gasolina é tributada à alíquota zero em relação ao Pis/Pasep e a Cofins. 35. Ocorre que a lei 11.116/2005 ao disciplinar os pedidos de ressarcimento e/ou compensação não permitiu ao contribuinte incluir em tais pedidos qualquer crédito diferente daqueles do art. 3º das leis 10.833/2003 e 10.637/2002 e do art. 15º da lei 10.865/2004, ficando vedada portanto a utilização de outros créditos em pedidos de ressarcimento e/ou compensação por absoluta falta de previsão legal, uma vez que tais créditos diferem dos citados no “caput” do art. 16 da referida lei. ... 37. Diante do exposto claro está que apesar dos créditos apurados pelo contribuinte em razão da compra de álcool anidro na forma do Decreto 6.573/2008 serem legítimos tais créditos não se amoldam ao disposto no art. 16º da Lei 11.116/2005, sendo portanto ilegítima a sua utilização em pedidos de ressarcimento e/ou compensação. 38. Uma parcela destes créditos foi utilizada de ofício para abater as contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins em função da inexistência dos demais tipos de crédito e do fato de que estes créditos somente poderão ser utilizados para abater a própria contribuição conforme já explanado neste despacho. Tais valores estão demonstrados no Processo Administrativo n° 11080.725094/2013-20 que cuida dos Autos de Infração das contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins em razão da apuração e utilização indevida de créditos. 39. Tendo em vista o disposto, verifiquei que o contribuinte não dispõe de nenhum crédito vinculado à receitas não tributadas no mercado interno em razão das vedações legais à sua apuração, portanto se inexiste a possibilidade de apurar tais créditos inexistirá também crédito à ser mantido na forma do art. 17 da Lei 11.033/2004, conseqüentemente inexistirá crédito à ser ressarcido ao contribuinte na forma do art. 16 da Lei 11.116/2005. Cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alega que recebeu apenas uma folha com o Despacho Decisório discriminando a autuação, o valor, a base legal e a assinatura da autoridade e indica o caminho via internet para maiores detalhes. O detalhamento da Compensação mostra o Processo vinculado. São essas duas folhas que tomou conhecimento sobre o Despacho Decisório e as anexa nessa Manifestação. O Despacho Decisório integral não foi recebido, de forma a poder saber-se o conteúdo e o número do mesmo. Não obstante, a contribuinte afirma entender que o presente Despacho Decisório tem por origem procedimento de auditoria controlado no PAF nº 11080.725094/2013-20, Fl. 188DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3201-002.918 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.902368/2013-19 que resultou em glosas de créditos e exigência tributária. Por essa razão anexa à Manifestação de Inconformidade a cópia da Impugnação que apresentou nos autos daquele processo e requer que o conteúdo desta última seja aqui considerado como fundamento de contestação do Despacho Decisório. A cópia da Impugnação juntada aos autos traz, em síntese, os seguintes argumentos no que respeita à apuração e utilização de créditos da não cumulatividade: a) o chamado “regime monofásico”, utilizado como pretexto pela fiscalização para justificar as glosas, existe apenas para restringir o sistema não cumulativo. O fato de certos produtos estarem incluídos na tributação monofásica não impede a geração e aproveitamento de créditos da não cumulatividade; b) a fiscalização, para glosar os créditos, utilizou-se de conceitos que foram apresentados em duas medidas provisórias em 2.008 (MP nº 413/01-2008 e MP nº 451/12-2008) que foram rejeitados pelo Congresso Nacional quando tais medidas tornaram-se leis em 2008 e 2009. A fiscalização chegou a citar algumas vezes em seu Relatório de Ação Fiscal a parte da Medida Provisória nº 413/01-2008 que foi convertida na Lei nº 11.727/06-2008. Por óbvio, a parte citada e convertida não tem nada a ver com aquelas rejeitadas. A Latina mostrará que também na parte citada e convertida a Fiscalização fez uma leitura errada. A Fiscalização ignorou duas decisões do Congresso Nacional favorecendo as distribuidoras de combustíveis e que referem-se exatamente às situações que glosou nesse Auto de Infração referente ao período de abril/2008 dezembro/2011. O foco das Medidas Provisórias eram as distribuidoras de combustíveis, e as proposições legais rejeitadas foram fatos que comprovam a licitude da prática adotada pela Latina. Assim: a Latina tem créditos sobre custos, despesas e encargos vinculados a produtos/mercadorias vendidos com alíquota zero, no caso gasolina e diesel, e isso com base nos artigos 3º combinados com os artigos 2º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; c) as lei vedam créditos apenas sobre produtos/mercadorias referidos, ou seja, créditos sobre aquelas especificamente listados nos art. 2º das leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A Latina alega que por estar no ‘sistema não cumulativo’, tudo que não é seja (sic) literalmente vedado como são os casos referidos/listados nos artigos 2º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e faça parte dos custos dos produtos/mercadorias revendidas, então é permitido fazer créditos de PIS/COFINS. A Latina alega que tem apoio do artigo 17 da Lei nº 11.033/12-2004 confirmado no artigo 17 da Lei nº 11.116/05-2005 que viabilizou a tomada desses créditos; d) a Latina é uma distribuidora de combustíveis e como tal uma revendedora. Mas mesmo sendo comércio, o frete na aquisição foi agregado ao custo contábil (a contabilidade foi apresentada e está aí para provar). Essa fiscalização indevidamente glosou créditos sobre os fretes na aquisição do álcool carburante (hidratado e anidro) e que fazem parte do custo da mercadoria vendida; e) especificamente quanto aos créditos decorrentes da aquisição de álcool carburante no período entre outubro e dezembro de 2008, a referência que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 fazem nos seus artigo 3º ,inciso I e na letra "b" remetendo, e no caso do álcool, ao §1°A do art.2° implicam em dizer que quanto ao álcool aplica-se uma alíquota específica sobre a receita bruta de venda de álcool pelos Distribuidores (caso da LATINA) e, aí nesse §1°A do art.2 leva a para o artigo 5° da Lei 9.718/98 . E é nesse artigo 5° que legisla sobre a tributação do álcool carburante e é nele se verifica a possibilidade de créditos sobre o álcool carburante, dentro do sistema não cumulativo, conforme se lê nos § 13 a 16. A Latina entende que por aí existia (deixou de existir a partir de 07/maio/2013) claramente a possibilidade da tomada de créditos de PIS e de COFINS dentro do sistema não cumulativo e que aquela ‘exceção’ prevista nos artigos 3º, inciso I, não se aplicam para o álcool carburante; Fl. 189DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3201-002.918 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.902368/2013-19 f) acerca das glosas sobre fretes na aquisição, fretes sobre vendas, armazenagem, aluguéis, amortização, arremata: A LATINA tem direito de créditos , PELO MENOS, no período de outubro/2008 até dezembro/2011 sobre aquisições de ÁLCOOL HIDRATADO e ÁLCOOL ANIDRO, e também tem direito aos valores de fretes sobre aquisições de álcool hidratado e álcool anidro e que totalizam , de base de cálculo, R$22.398.385,45. A LATINA PEDE AOS JULGADORES QUE EXCLUAM ESSA BASE DE CALCULO R$22.398.385,84 DESSA AUTUAÇÃO ONDE INCORREU 9,25% DE PIS/COFINS NO VALOR PRINCIPAL DE R$ 2.071.850,69! Assim como não tem porque glosar créditos de custos e despesas vinculadas a compra e venda do "álcool carburante"(hidratado e anidro) também não tem motivo para glosar créditos calculados sobre fretes na venda da gasolina tipo "c" onde dentro do seu conteúdo tem até vinte e cinco (25%) de álcool anidro , e que o Governo Federal admite o créditos de PIS e COFINS nas compras! OS ARGUMENTOS PARA A TOMADA DE CRÉDITOS SOBRE AS RUBRICAS ARMAZENAGEM e FRETES SOBRE VENDAS, ENERGIA ELÉTRICA . ALUGUÉIS E AMORTIZAÇÕES SÃO: A-)A Medida Provisória n°458 de dez/2.008 convertida na Lei 11.945 de junho de 2.009 e cujo texto abaixo NÃO FOI APROVADA pelo Congresso Nacional. A FISCALIZAÇÃO glosou nesse Auto de Infração em maio/2013, especificamente o que Governo Federal "tentou" glosar em 2008 através da Medida Provisória citada adiante. A prova inconteste está aí nessa própria proposição do EXECUTIVO rejeitada pelo CONGRESSO NACIONAL. B-) A FISCALIZAÇÃO, "elucubrou" suporte não legal " para glosar os créditos tomados sobre as despesas pagas de " armazenagem e fretes sobre vendas" e também sobre amortizações, aluguéis, energia elétrica etc. A LATINA já explicou tudo quanto aos créditos sobre o álcool. Logo a Quanto ao "óbice", não existe "óbice nenhum "pois não existe nenhuma vedação dentro da lei que impeça a tomada de créditos com base no inciso IX do artigo 3° das citadas leis, mesmo quando aí faça referência aos incisos I e II desse mesmo artigo. As referências feitas aos dois incisos. EM NADA AFETAM A TOMADA DE CRÉDITOS SOBRE FRETES PAGOS NA VENDA E NA ARMAZENAGEM?!!! É totalmente natural que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 façam essas referências nesse inciso IX pois, ao fazer referências aos incisos I e II , está aí dizendo que só cabem créditos sobre fretes sobre vendas e armazenagem" pagos que se refiram aqueles incisos I e II." E é apenas só isso! A referência aos incisos I e II , feita no inciso IX , NÃO SIGNIFICA , NÃO MOSTRA NENHUMA VEDAÇÃO . indicando A FISCALIZAÇÃO está tentando vedar créditos só através de "entendimentos", "raciocínios "! C-) Ainda , quanto aos fretes sobre vendas e armazenagem da gasolina tipo"c". Já foi explicado que em seu conteúdo tem até 25% de álcool anidro e esse é tributado e o Governo aceita créditos sobre o mesmo (art. 5º §13 da Lei 9.718/98 e Decreto n°6.573/09-2008). Ora! Se a lei aceita créditos sobre até 25% desse conteúdo (VENDIDO COMO GASOLINA porque é predominante ), porque então não aceitar créditos sobre fretes pagos na venda e sobre armazenagem de GASOLINA? Fl. 190DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 3201-002.918 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.902368/2013-19 g) O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é base legal para a tomada de créditos sobre custos e despesas vinculadas às vendas com alíquota zero de gasolina e diesel. Entende a defesa que: O artigo 17 da lei 11.033/2004 está referido no artigo 17 da Lei 11.116/05-2005 que define a forma de aproveitamento via ressarcimento e compensação dos créditos de PIS/COFINS. E é com base na Lei 11.116/05-2005 que a Receita Federal elaborou o "programa " para apresentação do PER DCOMP- Pedido de Restituição e Compensação. Nas PER DCOMP, mesmo após várias novas versões, sempre são citados os artigos 17 de ambas as Leis 11.033/12-2004 e 11.116/05- 2005, e é válido PARA TODOS OS CONTRIBUINTES. Não restringem aos participantes do REPORTO. Nas operações de REPORTO não existe alíquota zero, isenção, não incidência e a suspensão é de cinco anos e é apenas para bens que vão para o imobilizado. O artigo 17, infelizmente, só está na sequência e logo após aos artigos que tratam do REPORTO. Por isso, na Justiça, algumas decisões o "enquadram" dentro do REPORTO! A manifestação de inconformidade foi julgada na Delegacia Regional de Ribeirão Preto, acórdão n.º 14.104.341, parcialmente procedente com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PRODUTOS MONOFÁSICOS. COMBUSTÍVEIS. REVENDA. VEDAÇÃO. É vedada, por expressa disposição legal, a apuração de créditos com a aquisição, para revenda, de combustíveis sujeitos ao regime de tributação monofásica. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ARMAZENAGEM E FRETE. PRODUTOS MONOFÁSICOS. COMBUSTÍVEIS. VEDAÇÃO. É vedada, por expressa disposição legal, a apuração de créditos sobre gastos com armazenagem e fretes relacionados ao álcool tributado pelo regime monofásico. NÃO CUMULATIVIDADE. REVENDEDOR DE PRODUTOS MONOFÁSICOS. DEMAIS CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Atendidos os demais requisitos, ao revendedor de produtos monofásicos é possível a apuração de créditos em relação às hipóteses previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A parte provida se deu pelos seguintes fundamentos: (...) Por conseguinte, as glosas de créditos comuns vinculados a receitas de produtos monofásicos devem ser afastadas, exceto nos períodos em que as Medidas Provisórias nº 413 e 451, ambas de 2008, surtiram efeito. (...) Resultado Do que se disse, resulta que a contribuinte teria direito aos créditos apurados em função das despesas gerais com energia, aluguéis e encargos de depreciação, conforme tabela abaixo: Fl. 191DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 3201-002.918 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.902368/2013-19 Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual pretende a reforma do julgado, conforme se verifica nas fls. 124/181. É o relatório. VOTO Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. Trata-se de Despacho Decisório que indeferiu o crédito pleiteado e, consequentemente, não homologou a compensação que o utilizou, baseado em apuração Fiscal cujas informações estão dispostas nas e-fls. 61/79. Os créditos são relativos ao 4ª período de 2010, no valor de R$ 88.035,35. O contribuinte afirma entender que o presente Despacho Decisório tem por origem procedimento de auditoria controlado no PAF nº 11080.725094/2013-20, que resultou em glosas de créditos e exigência tributária. Por essa razão anexa à Manifestação de Inconformidade a cópia da Impugnação que apresentou nos autos daquele processo e requer que o conteúdo desta última seja aqui considerado como fundamento de contestação do Despacho Decisório. O processo referido que tem como objeto auto de infração esta aguardando distribuição na 2ª turma ordinária, da 3ª câmara da 3ª seção. DILIGÊNCIA Ocorre que não estão presentes neste processo as cópias do referido auto de infração, fato que dificulta a análise da legalidade das glosas e por consequência a promoção do princípio da ampla defesa. Nesse sentido, entendo pela necessidade de diligência com o sobrestamento do julgamento do presente processo na Dipro-Cojul -3ª Seção -2ª Câmara, para que se aguarde o julgamento final do processo administrativo nº, PAF nº 11080.725094/2013-20, no qual constam a análise e os fundamentos da autoridade fiscal quanto aos direitos creditórios pleiteados no presente processo. É o meu entendimento. (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Fl. 192DF CARF MF Original

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Numero do processo: 13888.902731/2019-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2016 INSUMOS COM SUSPENSÃO E ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos sujeitos à suspensão das contribuições ao PIS e Cofins nas vendas no mercado interno ou à alíquota zero não gera direito ao crédito das contribuições não cumulativas para o adquirente. ALUGUEL DE VEÍCULOS. CRÉDITO. SÚMULA CARF 190. IMPOSSIBILIDADE. Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. INSUMOS. PARCERIA RURAL AVÍCOLA. CRÉDITOS PROPORCIONAIS. No caso de parceria rural avícola, o valor do crédito das contribuições não cumulativas a que faz jus a pessoa jurídica será considerada pela totalidade da produção, inclusive aquela destinada à remuneração do sistema de parceria.
Numero da decisão: 3102-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas referentes aos créditos de insumos utilizados junto a produtores rurais (sistema de parceria). Vencidos os conselheiros Fábio Kirzner Ejchel (Relator) e Pedro Sousa Bispo que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Luís Cabral. A conselheira Sabrina Coutinho Barbosa apresentou declaração de voto. Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel - Relator Assinado Digitalmente Jorge Luis Cabral - Redator designado Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: FABIO KIRZNER EJCHEL

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CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos sujeitos à suspensão das contribuições ao PIS e Cofins nas vendas no mercado interno ou à alíquota zero não gera direito ao crédito das contribuições não cumulativas para o adquirente. ALUGUEL DE VEÍCULOS. CRÉDITO. SÚMULA CARF 190. IMPOSSIBILIDADE. Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. INSUMOS. PARCERIA RURAL AVÍCOLA. CRÉDITOS PROPORCIONAIS. No caso de parceria rural avícola, o valor do crédito das contribuições não cumulativas a que faz jus a pessoa jurídica será considerada pela totalidade da produção, inclusive aquela destinada à remuneração do sistema de parceria. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas referentes aos créditos de insumos utilizados junto a produtores rurais (sistema de parceria). Vencidos os conselheiros Fábio Kirzner Ejchel (Relator) e Pedro Sousa Bispo que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Luís Cabral. A conselheira Sabrina Coutinho Barbosa apresentou declaração de voto. Fl. 229DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 2 Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel – Relator Assinado Digitalmente Jorge Luis Cabral – Redator designado Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente de pedido de ressarcimento de crédito relativo à Cofins Mercado Interno do 4º trimestre de 2016. Despacho decisório da DRF/Piracicaba – SP reconheceu apenas parcialmente o crédito pleiteado. O despacho decisório baseou-se em análise efetuada pela fiscalização daquela delegacia, que lavrou Termo de Informação Fiscal onde destaca os valores de créditos glosados: Fl. 230DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 3 A empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que “as despesas a seguir tratadas enquadram-se no conceito de insumo definido, em sede de recurso Fl. 231DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 4 repetitivo pelo E. STJ, razão pela qual permitem a apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS”. Discorreu, em seguida, sobre cada uma das glosas de créditos feitas pela fiscalização. A manifestação de inconformidade foi analisada e julgada improcedente, por unanimidade de votos, pela 17ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 06 (DRJ/06) conforme acórdão 106-045.544, cuja ementa está transcrita abaixo: PROCESSO 13888.902731/2019 -13 ACÓRDÃO 106 -045.544 – 17ª TURMA/DRJ06 SESSÃO DE 17 de janeiro de 2024 INTERESSADO FRIGORIFICO ROSFRAN LTDA CNPJ/CPF 04.829.643/0001 -01 Assunto : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2016 PIS/PASEP. COFINS. INSUMOS. A análise da apropriação de créditos de PIS/Pasep e Cofins não -cumulativos, deve ser feita com base no julgamento do Recurso Especial(Resp) nº 1221170/PR pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça. PIS/PASEP. COFINS. REGIME DA NÃO -CUMULATIVIDADE. INSUMOS. PARCERIA RURAL AVÍCOLA. A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves poderá, observados os demais requisitos legais, creditar -se relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber . Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 15/02/2024 pela abertura da mensagem da ciência na sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, e, em 14/03/2024, apresentou recurso voluntário em que solicita: 71. Ante o exposto, requer-se o recebimento, conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário para se seja reformado o v. acórdão e reconhecida a integralidade do crédito pleiteado, homologando-se a compensação realizada. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Fábio Kirzner Ejchel, Relator Fl. 232DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, devendo, então, ser conhecido. Conforme relatado, trata-se de pedido de ressarcimento de Cofins cujo crédito foi reconhecido apenas parcialmente. O recurso voluntário solicita a análise conjunta do presente processo com outros 07 processos, todos de 2019, já que se originam da mesma fiscalização. Em seguida, traz questões sobre a glosa de créditos relativos a aluguel de veículos de pessoa jurídica; créditos de insumos adquiridos junto a produtores rurais (sistema de parceria) e créditos na aquisição de insumos utilizados no processo produtivo adquiridos com suspensão ou alíquota zero. Todos esses assuntos passam a ser tratados em seguida. 1) Análise conjunta de processos Neste tópico a recorrente solicita a análise conjunta de 08 processos, relativos à mesma fiscalização: 9. Inicialmente, a Recorrente informa que o v. acórdão ora combatido decorre do procedimento fiscalizatório consubstanciado no e-Dossiê nº 10010.034701/0318- 03 que analisou os PER que abrangem o período do 1º ao 4º trimestre de 2016 referente ao PIS e à COFINS. 10. Nessa esteira, foram proferidos 8 (oito) acórdãos provenientes do mesmo contexto fático e legal, de modo que se faz necessária a sua distribuição e julgamento em conjunto a fim de evitar decisões conflitantes entre si. Veja abaixo o quadro que consolida todos os processos provenientes da mesma fiscalização: A análise da conveniência e oportunidade da distribuição conjunta é do setor do CARF responsável pelo sorteio e distribuição de processos para julgamento. que avalia todas as regras e variáveis envolvidas na distribuição de processos para as Turmas de Julgamento e para os conselheiros. Importante notar que os processos podem ser considerados repetitivos – ou seja, uma vez julgado o processo paradigma, os repetitivos seguem automaticamente a mesma decisão. Não deverão ocorrer, assim, nesses casos, decisões conflitantes, como temia a recorrente. O processo administrativo fiscal é disciplinado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, não existindo, na norma, obrigatoriedade de análise conjunta para esse caso. Pelo contrário, o processo administrativo fiscal é regido por regras e Fl. 233DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 6 princípios, estes sim de observância obrigatória, sendo que, dentre eles, está o da oficialidade, quando da determinação de “impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados”, conforme dispõe o art. 2º, parágrafo único, XII da Lei nº. 9.784/99. Por fim, o conselheiro está vinculado às normas que regem o órgão julgador, no caso, o RICARF. Não há qualquer orientação no regimento desse Conselho para que não ocorra a análise imediata do processo em tela, independentemente da análise dos demais processos conexos. Assim, segue-se para a análise das questões de mérito. 2) Glosa de créditos de aluguel de veículos de pessoa jurídica A recorrente alega que os valores pagos a título de aluguel de veículos geram direito a crédito das contribuições não cumulativas: 13. No tocante à manutenção do crédito da contribuição em razão do aluguel de veículos, verifica-se que o v. acórdão recorrido manteve o despacho decisório, determinando a manutenção das glosas com relação ao aluguel de veículos de pessoas jurídicas. Em suma, alega-se que tais dispêndios não estão contemplados pelos incisos IV dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como tais créditos supostamente não estariam de acordo com a jurisprudência do STJ: (...) 14. Contudo, tal decisão deve ser relativizada, uma vez que a atual diretriz jurisprudencial, que consagra o direito a crédito para fins de PIS e COFINS, com dispêndios incorridos pela pessoa jurídica que guardem uma relação de inerência/pertinência com a atividade econômica (produção, fabricação ou prestação de serviços), assim entendidos aqueles que sejam necessários para a realização da atividade, seja por serem nelas utilizados ou por viabilizarem a atividade, e cuja subtração implica a inexistência da atividade ou perda de suas qualidades essenciais. 15. O aluguel de veículos, além de se caracterizar como aluguel de máquinas e equipamentos, é absolutamente essencial aos deslocamentos das mercadorias da Requerente, de modo que não merece prosperar a glosa de tais créditos. (...) 25. No caso da Recorrente, os veículos locados geradores das despesas sobre as quais se pretende o creditamento foram empregados invariavelmente em atividades conexas à produção (transporte de matérias-primas e de produtos acabados), uma vez que são todos veículos de carga, conforme comprovado pela Recorrente, razão pela qual não se pode glosar os créditos correlatos. Não assiste razão à recorrente. O Termo de Informação Fiscal destaca que: Fl. 234DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 7 O assunto já foi objeto de Súmula de aplicação obrigatória por este CARF, não cabendo mais qualquer discussão sobre o tema: Súmula CARF nº 190 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.415; 9303-014.369; 9303-013.956 A glosa deve então, ser mantida. 3) Glosa de créditos de insumos utilizados junto a produtores rurais (sistema de parceria) Nesse tópico, a empresa argumenta que a glosa de parte dos créditos relativos a despesas com insumos usados na criação de frangos no chamado sistema de parceria seria indevida, conforme disposto abaixo: 26. O v. acórdão entendeu ainda por glosar parte dos créditos relativos a despesas com insumos usados na criação de frangos no chamado sistema de parceria, por entender que essas aves não seriam destinadas à venda pela Recorrente. 27. Neste contexto, conforme exposto em Manifestação de Inconformidade, muito embora o Contrato firmado entre a Recorrente e o produtor rural responsável pela criação das aves (produtor integrado) determine que parte das aves produzidas serão destinadas ao produtor como forma de pagamento, este fato em nada afeta a tomada de créditos relativos aos insumos. (...) 29. Desse modo, observa-se que o v. acórdão sustenta que a Recorrente não faria jus aos créditos decorrentes de insumos consumidos na criação de frangos que pertencem ao parceiro, sob a fundamentação que “não constitui produção da pessoa jurídica nem tampouco é destinada à venda pela pessoa jurídica”, não se enquadrando, assim, na hipótese de creditamento do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003. (...) Fl. 235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 8 32. Assim, o produtor rural responsável pela criação das aves (produtor integrado) recebe como pagamento uma porcentagem das aves por ele criadas, as quais poderão ou não ser vendidas à Recorrente. Ainda assim, para que o produtor integrado receba como pagamento a porcentagem das aves por ele criadas, é necessário que essas aves pertençam à Recorrente. Caso contrário, seria inviável que o parceiro receba como pagamento aves que já lhe pertenciam. 33. Posto esse cenário, vale ressaltar que a parcela das aves criadas pelo parceiro e que lhe serviram como remuneração não deixaram de ser uma venda da Recorrente. Tão somente, em vez do parceiro ser remunerado em espécie pela criação de aves da Recorrente, a remuneração foi recebida por meio do ativo biológico aves gordas. 34. As aves gordas dadas em pagamento, convém ressaltar, foram engordadas com o emprego dos pintos de um dia e demais insumos fornecidos pela Recorrente, tais como ração e medicamentos. 35. Dessa forma, assim como a Recorrente faz jus aos créditos dos insumos utilizados para a engorda das aves não dadas em pagamento, também faz jus aos créditos das aves dadas em pagamento, haja vista que que a única diferença entre os dois grupos de aves se dá em momento posterior à engorda, em que parte das aves é dada ao produtor integrado em substituição a remuneração em pecúnia a que ele faria jus. (...) 45. Sendo assim, ao analisar a questão por essa perspectiva, o e. CARF reiteradamente decidiu a favor do contribuinte, admitindo a manutenção integral dos créditos relativos aos insumos utilizados no processo de produção rural integrada, enfatizando expressamente que não é devido o estorno proporcional dos créditos, i.e., “sem a redução do percentual de participação do parceiro”, conforme claramente elucidado nos acórdãos acima transcritos. Não assiste razão à recorrente. O Termo de Verificação Fiscal explicita que: Fl. 236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 9 A empresa, por seu turno, alega que ainda que parte das aves produzidas seja destinada ao produtor, isso em nada altera a possibilidade de creditamento dos respectivos insumos. Adoto como razões de decidir trechos do acórdão recorrido, que reputo como absolutamente pertinentes: O sistema de criação de frangos utilizado pela interessada, comumente denominado de integração, é tradicionalmente empregado no setor avícola. No caso em exame, são formalizados contratos de parceria entre a Rosfran (Parceira - Proprietária) e as Granjas (Parceiras-Criadoras), onde a primeira assume a obrigação de fornecer às segundas pintos de um dia, rações e medicamentos, além de responsabilizar -se pela retirada e transporte das aves. O produtor tem por atribuição, regra geral, zelar e cuidar das aves e de todos os insumos postos à sua disposição, devendo cumprir uma série de prescrições relativas à criação das aves, além de suprir água potável e energia elétrica nas quantidades necessárias à atividade. Nesse aspecto, é relevante destacar que a ração e outros insumos fornecidos pela Rosfran não se destinam integralmente à “produção” dela própria, pois uma parte dos frangos criados cabe ao produtor integrado. Fl. 237DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 10 Para o caso vertente, resta definir, quanto à apuração de créditos pela pessoa jurídica responsável pelo fornecimento de ração e outros produtos empregados na criação de frangos pelo sistema de integração (parceria) se ela teria direito a calcular créditos sobre o total dos insumos fornecidos, uma vez que parte da produção cabe ao produtor integrado. Os créditos a que faz jus a pessoa jurídica sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, destinados a assegurar a não -cumulatividade de suas incidências, estão arrolados nos arts. 3º das Leis nº 10.637 /2002 10.833 /2003. Dentre eles constam os previstos nos incisos II dos citados diplomas legais que estabelecem que “do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Com efeito, ao analisarmos os dispositivos supramencionados, não se distingue no seu texto restrição à apuração de créditos em relação a insumos utilizados na produção de produtos destinados à venda, fornecidos pela pessoa jurídica a terceiro, encarregado da efetiva produção (criação de frangos), mediante contrato de parceria avícola. Ademais, não se pode esquecer que a pessoa jurídica, uma vez recebidos os frangos em seu estabelecimento, executará nova etapa de produção, ela própria, mediante o abate e beneficiamento das aves. Conforme os incisos II dos arts. 3º das Lei nº 10.637/2002 10.833/2003, observa - se que eles autorizam a apuração de créditos em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Está claro nesse comando, diante de seu contexto, que a produção há de pertencer à pessoa jurídica que apura o crédito e que essa produção há de destinar-se à venda, a ser por ela realizada. Ora a parcela das aves que cabe ao produtor integrado não constitui produção da pessoa jurídica nem tampouco é destinada à venda por ela (é irrelevante, nesse aspecto, a eventual prática de a processadora de frangos adquirir essa parcela do produtor rural). Esse o entendimento da Solução de Consulta nº 1, SRRF/10ª RF, de 18 de maio de 2007, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins INCIDÊNCIA NÃO -CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. A definição de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda não está atrelada estritamente ao conceito de industrialização de bens e serviços, inerente à legislação do IPI, podendo abranger outros processos produtivos não tipificados como industrialização. CRIAÇÃO DE AVES PELO SISTEMA DE INTEGRAÇÃO (PARCERIA AVÍCOLA). Fl. 238DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 11 A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves poderá, observados os demais requisitos legais, creditar -se da Cofins relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria avícola, o parceiro desta pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarrega -se, dentre outras atribuições, da criação dos pintos que lhe foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. O valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. Portanto, não se pode admitir que a pessoa jurídica calcule créditos sobre a totalidade da ração e outros insumos empregados na criação dos frangos. Como consequência lógica do explanado anteriormente, o valor dos créditos a que ela faz jus há de ser proporcional ao quinhão da produção que efetivamente lhe toca. A Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF já se manifestou, por unanimidade de votos, no sentido de que o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela que efetivamente lhe couber, conforme disposto abaixo: Processo nº 11634.720126/2013-97 Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303-011.301 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 17 de março de 2021 Recorrentes FAZENDA NACIONAL JAGUAFRANGOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. PARCERIA RURAL AVÍCOLA. A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves poderá, observados os demais requisitos legais, creditar-se relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria avícola, o parceiro desta pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarrega-se, dentre outras atribuições, da criação dos pintos que lhe foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. Assim, a decisão de piso não merece qualquer reparo neste tópico. 4) Glosa de créditos relativos a insumos utilizados no processo produtivo adquiridos com suspensão ou alíquota zero Neste tópico, a recorrente discorre sobre créditos glosados por tratarem de aquisições não tributadas ou erroneamente classificadas e de insumos adquiridos junto ao Abatedouro de Aves Ideal Ltda. Abaixo, excertos do recurso voluntário: Fl. 239DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 12 48. Conforme exposto em Manifestação de Inconformidade, a d. autoridade fiscal entendeu por glosar parte dos créditos relativos a insumos – óleo vegetal, “aviclor”, “cevac” – que, em tese, não se sujeitam à tributação das contribuições. Tais glosas foram mantidas pelo v. acórdão, que assim registrou: (...) 50. Isso porque entende o v. acórdão recorrido que pelo mero fato de a Nota Fiscal de aquisição não possuir o destaque do imposto, seria possível a manutenção das glosas realizadas. 51. Todavia, não merece prosperar esse argumento, porque, conforme demonstra o arquivo DocComprobatorios02 – “aba C170 – Insumos Glosados”, todos os CST dos produtos adquiridos constavam sob o código 53, que descrevem operações com “Direito a Crédito - Vinculada a Receitas Tributadas e Não-Tributadas no Mercado Interno” (cf. Tabela Código da Situação Tributária Referente ao PIS/Pasep e à COFINS – CST – Versão 1.0.0). Desse modo, conclui-se que os códigos informados pelos respectivos emitentes indicam justamente o contrário do que entendeu a d. Autoridade Fiscal, bem como o v. acórdão, visto que descrevem operações que dão direito ao crédito. (...) 54. Com efeito, o fato de os insumos adquiridos serem classificados pelo CST 53 nos Registros C170 da EFD-Contribuições demonstra que a Recorrente tomou créditos de valores de PIS e COFINS que constavam como devidamente tributáveis. 55. Em outras palavras: não se trata de operações sujeitas à alíquota zero em que o fornecedor, eventualmente, poderia pedir restituição do montante indevidamente destacado em nota fiscal, tal como exemplificado pelo v. acórdão recorrido. O caso concreto versa sobre aquisição de insumos cuja legislação não permite isenção ou não incidência, de forma que o fornecedor, na falta de recolhimento do imposto, deverá ser autuado e cobrado. 56. Como dito, é cediço que a legislação que rege as contribuições não autoriza o creditamento nos casos de aquisições de insumos que não tenham sido tributados nas operações anteriores, exceto nos casos de aquisição de insumos isentos. Mas, autoriza o crédito quando as operações anteriores forem tributadas, razão pela qual a análise deve ater-se à sujeição do insumo à tributação nas etapas anteriores da cadeia, independentemente de estar ou não informada tal situação no documento fiscal. (...) 58. Por fim, o v. acórdão glosou os créditos de PIS e COFINS apropriados relativamente às notas fiscais da aquisição de energia elétrica, graxeta, carcaça sob a justificativa que se tratava de aquisições de produtos por outra empresa: Fl. 240DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 13 “Quanto aos itens energia elétrica, graxeta, carcaça, esses insumos sobre os quais a manifestante deseja apurar créditos não foram adquiridos por ela, e sim pela empresa ABATEDOURO DE AVES IDEAL LTDA – CNPJ nº 74.251.919/0001-94.” Contudo, ocorre que tal entendimento desconsiderou que na verdade se tratam produtos adquiridos junto a produtores rurais através do sistema de parceria (integração). (...) 61. Assim, no instituto do sistema de integração, criou-se uma ficção legal aproximando-se o integrador dos produtores integrados, como se ele fosse o produtor legal, de modo que as atividades desempenhadas pelo produtor integrado são consideradas como se houvessem sido realizadas pelo integrador, que, por via de consequência, preserva o direito à manutenção dos créditos referentes a todos os insumos consumidos no processo de engorda. (...) 63. Feitos tais esclarecimentos, no presente caso, diferentemente do que defende o v. acórdão, os créditos referentes aos insumos de propriedade do produtor integrado empregados no processo de integração são perfeitamente apropriáveis pela Recorrente, uma vez que foram efetivamente empregados no processo de engorda de suas aves, via modelo de contrato de integração. 64. Não somente, a Recorrente enfatiza que suporta todos os custos da parceria, por isso faz jus ao crédito, conforme é possível verificar através das notas fiscais emitidas pelo produtor integrado, no caso o ABATEDOURO DE AVES IDEAL LTDA – ROSAVES apresentadas por amostragem (DocComprobatorio03). Em outras palavras, a Recorrente remunerou o produtor integrado por esses insumos e, por essa razão, faz jus ao aproveitamento dos respectivos créditos, visto que tratam- se de insumos à sua própria produção integrada (DocComprobatorio02 – aba “Base – Abatedouro de Aves Ideal”). (...) 69. Nessa esteira, percebe-se que a jurisprudência consagra o entendimento de que o sistema de parceria agrícola na modalidade integração fosse uma extensão do estabelecimento da empresa integradora contratante, para fins de direito ao crédito, razão pela qual ficam assegurados os créditos relativos à totalidade dos insumos adquiridos pelo integrador, bem como pelo integrado, os quais foram glosados no presente caso. Não assiste razão à recorrente. O cerne da questão está em saber se os produtos adquiridos pela recorrente dão direito ou não ao creditamento das contribuições não cumulativas. Fl. 241DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 14 Os insumos glosados referem-se efetivamente a produtos com suspensão ou alíquota zero do PIS e da Cofins: NCM 1507.90.90, com alíquota zero, e NCM 1005.90.10, com suspensão do pagamento das contribuições nas vendas no mercado interno. O inciso II do parágrafo 2º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2004 dispõe que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição: § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I - de mão de obra paga a pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 14.592, de 2023) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição No recurso voluntário, a recorrente alega “o fato de os insumos adquiridos serem classificados pelo CST 53 nos Registros C170 da EFD-Contribuições demonstra que a Recorrente tomou créditos de valores de PIS e COFINS que foram efetivamente tributados pelos respectivos fornecedores”. Ou seja: a alegação é de que como ela (recorrente) lançou os valores no registro C170 da EFD, os seus fornecedores teriam sido efetivamente tributados, ao arrepio da legislação vigente. Porém não é o fato do adquirente ter feito determinado lançamento contábil que obrigaria o fornecedor a recolher ou não os tributos, desprezando o que reza a legislação sobre o assunto. A recorrente reconhece que a legislação não autoriza o creditamento no caso de aquisições de insumos que não tenham sido tributados nas operações anteriores, mas afirma ter direito ao creditamento mesmo sem nenhuma comprovação de que os insumos teriam sido tributados, ainda que em desacordo com o previsto na legislação, em etapa anterior. O pleito não tem fundamento. Com relação à energia elétrica, graxeta e carcaça que, conforme especificado nas notas fiscais da empresa Abatedouro de Aves Ideal (CNPJ: 74.251.919/0001-94) tratam de industrialização efetuada para a Rosfran, também têm sua alíquota reduzida a zero, conforme disposto no parágrafo 4º do art. 1º da Lei nº 10.925, tratando-se, assim, do mesmo caso discutido no presente tópico: Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (...) Fl. 242DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 15 § 4º Aplica-se a redução de alíquotas de que trata o caput também à receita bruta decorrente das saídas do estabelecimento industrial, na industrialização por conta e ordem de terceiros dos bens e produtos classificados nas posições 01.03, 01.05, 02.03, 02.06.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da Tipi. A decisão de piso deve, então, ser mantida neste tópico. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel VOTO VENCEDOR Conselheiro Jorge Luís Cabral, redator designado Venho respeitosamente redigir a divergência ao voto do Ilustre Relator, a respeito do item “3) Glosa de créditos de insumos utilizados junto a produtores rurais (sistema de parceria)”, onde se analisaram as glosas procedidas pela Autoridade Tributária a respeito dos insumos necessários à criação de frangos que, em momento posterior são direcionados ao parceiro como parte da remuneração no sistema de parceria na criação de frangos. Como se sabe, este sistema envolve frigorífico e produtores rurais que recebem dos frigoríficos, todos ou pelo menos a maior parte dos insumos para a criação e engorda das aves até que estas atinjam o ponto de abate. Em seguida os parceiros direcionam toda a produção ao frigorífico, e entre outras remunerações contratuais, recebem uma parcela dos próprios frangos como parte da remuneração dos custos pelo serviço na parceira. Esta parcela da produção revertida para os parceiros é de sua livre destinação podendo inclusive ser vendida para o próprio frigorífico parceiro. A Autoridade Tributária entendeu que como o produto final (aves) não se destina a venda pelo contribuinte que pleiteia o crédito no regime não cumulativo, o referido crédito pelos insumos necessários a esta parcela da produção (redirecionada ao produtor rural parceiro) seria indevido. Este sistema equivale a uma industrialização por encomenda, e os custos gerais para a produção da totalidade das aves que serão vendidas pela Recorrente, envolve necessariamente as aves que são remetidas aos parceiros como parte da sua remuneração contratual, assim, o arranjo permite à Recorrente que projete uma certa produção de frangos, já Fl. 243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 16 considerando que parte deles não serão de sua propriedade, no entanto, os insumos para a sua criação e engorda foram fornecidos aos parceiros e fazem parte do custo total. Desta forma, entendo que cabe razão à Recorrente na reversão da referida glosa. Acompanho o relator em todos os demais itens de seu voto. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e , no mérito, dar parcial provimento para reverter as glosas relativas aos insumos aplicados nas aves revertidas para os produtores parceiros. Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. As razões de decidir do i. Relator encontram-se devidamente esmiuçadas, motivo pelo qual acompanho o resultado por ele proferido, no sentido da negativa de reversão das glosas relativas às despesas contraídas pela recorrente junto aos produtores rurais (sistema de parceria), bem como às despesas com energia elétrica, graxeta e carcaça. No tocante às despesas com insumos utilizados junto a produtores rurais (sistema de parceria), acompanho a divergência apresentada pelo Conselheiro Jorge Luís Cabral. Quanto às despesas com energia elétrica, graxeta e carcaça, acompanho o i. Relator quanto à conclusão, porém por fundamento diverso, qual seja, a insuficiência de provas, e não pela inexistência jurídica do direito, como adotado no voto condutor. Dispenso maiores discussões em torno do conceito de insumo, matéria já superada pelo Superior Tribunal de Justiça, especialmente no julgamento do Tema 779, cuja orientação vem sendo aplicada por este Tribunal. Considerando que o ponto controvertido guarda relação direta com matéria fática (probatória), notadamente quanto à demonstração da relevância e/ou essencialidade das despesas no processo produtivo ou na prestação de serviços, é sobre esse aspecto que concentro a presente declaração de voto. A razão de decidir do i. Relator, no ponto acima referido, apoia-se na alegada falta de previsão legal. Com a devida vênia, divirjo desse fundamento. No tocante às despesas com energia elétrica, graxeta e carcaça, a recorrente esclarece que a criação das aves ocorre por meio do sistema de produção integrada. No setor Fl. 244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 17 avícola, o produtor integrado é o criador de aves que atua sob contrato com a empresa integradora, não sendo proprietário do ciclo completo da produção Nessa sistemática, a recorrente figura como empresa integradora, sendo responsável pelo fornecimento dos principais insumos ao produtor integrado, tais como pintinhos, ração, vacinas, medicamentos e assistência técnica, cabendo a este último a criação das aves. Tais insumos são essenciais à obtenção do produto final, qual seja, a carne de frango ou os ovos posteriormente comercializados pela integradora. Assim, o insumo não necessita transitar fisicamente pelas instalações da integradora, bastando que seja por ela fornecido e efetivamente empregado na produção de bens sujeitos à tributação; O produtor integrado, por sua vez, não realiza a venda direta ao consumidor final, mas entrega a produção à integradora, que permanece como responsável pela comercialização, assumindo, portanto, a condição de contribuinte da receita tributada. Nesse contexto, a energia elétrica pode, em tese, ser considerada insumo, desde que comprovadamente utilizada no processo produtivo. Isso porque, na criação de aves, o produtor integrado utiliza energia elétrica nos galpões para atividades indispensáveis, tais como:  iluminação das aves, essencial ao seu desenvolvimento;  aquecimento e ventilação, fundamentais para o controle ambiental;  funcionamento de bombas d’água e sistemas automatizados de alimentação. A recorrente apresenta notas fiscais; entretanto, a existência de contrato de integração é elemento essencial para a confirmação da natureza jurídica da relação entre as partes, bem como para a identificação dos insumos fornecidos, da prestação dos serviços e da entrega da produção final. Além disso, seriam igualmente necessários elementos probatórios complementares, tais como:  notas fiscais de energia elétrica, ainda que emitidas em nome do produtor integrado;  planilhas de rateio ou demonstrativos que evidenciem o consumo de energia diretamente vinculado ao processo produtivo. A ausência desses elementos probatórios inviabiliza a confirmação da certeza e da liquidez do crédito tributário pleiteado. Dessa forma, acompanho o i. Relator quanto às conclusões, porém não pela inexistência do direito material, e sim pela falta de provas suficientes que demonstrem a higidez do crédito. Fl. 245DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.335 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13888.902731/2019-13 18 Ante o exposto, acompanho a divergência do Conselheiro Jorge Luís Cabral para reverter as glosas referentes aos créditos de insumos utilizados junto a produtores rurais (sistema de parceria). No mais, acompanho o i. Relator quanto às conclusões e mantenho as glosas relativas às despesas com energia elétrica, graxeta e carcaça. É como voto. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa. Fl. 246DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor Declaração de Voto

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Numero do processo: 10540.726064/2019-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Jul 24 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2017 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal e é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, não se admitindo a apresentação em sede recursal de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GILRAT. ENQUADRAMENTO NA ATIVIDADE PREPONDERANTE. PROVA. INEXISTÊNCIA. É da responsabilidade da empresa a realização do enquadramento na atividade preponderante, cabendo, no entanto, à Secretaria da Receita Federal do Brasil recusá-lo quando não demonstrada a sua correção para efeito de apuração da contribuição previdenciária (art. 22, II da Lei de Custeio). ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. O adicional constitucional de férias integra o salário de contribuição para o fim de incidência da contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.072.485/PR. TEMA 985. MODULAÇÃO EFEITOS. É legítima a incidência de contribuição social sobre o valor satisfeito a título de terço constitucional de férias. Em sede de embargos de declaração opostos foi modulado os efeitos da decisão, a contar da data da publicação da ata de julgamento da decisão de mérito, ou seja, a contribuição previdenciária das empresas deve ser cobrada sobre o terço constitucional de férias a partir de 15/09/2020, com exceção das contribuições já pagas e não impugnadas judicialmente até essa mesma data, que não serão devolvidas pela União. ALEGAÇÃO SEM COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INFIRMAR O LANÇAMENTO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Alegações sem qualquer comprovação não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. DISCUSSÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E EM PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de eventual matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 2101-003.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das matérias não impugnadas objeto de inovação recursal; na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior - Relator Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Júnior - Presidente Substituto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Debora Fofano dos Santos, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Luciana Costa Loureiro Solar (substituto[a]integral), Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente)
Nome do relator: SILVIO LUCIO DE OLIVEIRA JUNIOR

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PRECLUSÃO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal e é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, não se admitindo a apresentação em sede recursal de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GILRAT. ENQUADRAMENTO NA ATIVIDADE PREPONDERANTE. PROVA. INEXISTÊNCIA. É da responsabilidade da empresa a realização do enquadramento na atividade preponderante, cabendo, no entanto, à Secretaria da Receita Federal do Brasil recusá-lo quando não demonstrada a sua correção para efeito de apuração da contribuição previdenciária (art. 22, II da Lei de Custeio). ADICIONAL CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. O adicional constitucional de férias integra o salário de contribuição para o fim de incidência da contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.072.485/PR. TEMA 985. MODULAÇÃO EFEITOS. É legítima a incidência de contribuição social sobre o valor satisfeito a título de terço constitucional de férias. Em sede de embargos de declaração opostos foi modulado os efeitos da decisão, a contar da data da publicação da ata de julgamento da decisão de mérito, ou seja, a contribuição previdenciária das empresas deve ser cobrada sobre o terço constitucional Fl. 2167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 2 de férias a partir de 15/09/2020, com exceção das contribuições já pagas e não impugnadas judicialmente até essa mesma data, que não serão devolvidas pela União. ALEGAÇÃO SEM COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INFIRMAR O LANÇAMENTO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Alegações sem qualquer comprovação não tem o condão de infirmar o lançamento fiscal. DISCUSSÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E EM PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de eventual matéria distinta da constante do processo judicial. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das matérias não impugnadas objeto de inovação recursal; na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior – Relator Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Júnior – Presidente Substituto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Debora Fofano dos Santos, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Luciana Costa Loureiro Solar (substituto[a]integral), Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente) Fl. 2168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 3 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto por MUNICIPIO DE PORTO SEGURO (e-fls 2116/2141) em face do Acórdão n° 04-52.914 (e-fls. 2056/2097) da 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. O lançamento se refere a crédito previdenciário conforme síntese realizada pela decisão de piso: a) Contribuição Previdenciária da Empresa devida pelos Órgãos do Poder Público (FPAS 5820), não declarada em GFIP e não recolhidas através de GPS, inclusive Gilrat, incidente sobre as divergências de remuneração apurada pelo confronto dos dados informados nas declarações GFIP e DIRF entregues pelo autuado, atinentes aos períodos fiscalizados. b) Contribuição Previdenciária dos Segurados Empregados, assim considerados os ocupantes de cargos efetivos, agentes políticos, cargos comissionados e temporários, apurada pelo confronto entre dos valores de contribuição previdenciária retida desses segurados informados nas declarações GFIP e DIRF entregues pelo autuado, relativas aos períodos sob fiscalização. c) Contribuição Previdenciária dos Contribuintes Individuais, assim consideradas as pessoas físicas que prestaram serviço à Prefeitura Municipal, apurada pelo confronto entre dos valores de contribuição previdenciária retida desses segurados informados nas declarações GFIP e DIRF entregues pelo autuado, relativas aos períodos sob fiscalização. d) Contribuição para financiar os benefícios previdenciários decorrentes do grau de incidência de incapacidade laborativa (Gilrat), que deixou de ser recolhida em virtude de o município ter declarado a menor os valores de Rat Ajustado. e) Juros de mora, por não ter recolhido as contribuições previdenciárias nos prazos estabelecidos pela legislação. f) Cobrança da multa de ofício, por ter deixado de declarar e recolher a totalidade das contribuições previdenciárias patronais e dos segurados. g) Multa por Descumprimento de Obrigação Acessória, por deixado de apresentar os Resumos Consolidados das Folhas de Pagamentos exigidos pelo Fisco Federal. O crédito tributário constituído pode ser assim resumido: Contribuição Previdenciária da Patronal: Identificação Valor (R$) Contribuição Risco Ambiental 6.451.251,52 Fl. 2169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 4 Juros de Mora 1.211.393,71 Multa de Ofício 4.838.438,46 CP Patronal - Empresa 19.168.100,36 Juros de Mora 2.835.335,66 Multa de Ofício 14.376.075,12 Valor do Crédito Tributário 48.880.594,83 Contribuição Previdenciária dos Segurados Identificação Valor (R$) CP Segurados 10.135.522,26 Juros de Mora 1.566.306,47 Multa de Ofício 7.601.614,61 Valor do Crédito Tributário 19.303.470,34 Multa Previdenciária Identificação Valor (R$) Multa Regulamentar 24.112,64 Valor do Crédito Tributário 24.112,64 Constou do Relatório Fiscal que: No caso em tela, a Prefeitura Municipal foi intimada a apresentar os Resumos Consolidados das Folhas de Pagamento dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestaram serviços nos anos de 2016 e 2017. Em face da ausência da entrega destes documentos, as bases de cálculo da contribuição previdenciária patronal e o valor da contribuição dos segurados retida foram calculadas a partir das informações de rendimentos tributáveis e de previdência oficial registrados nas declarações I F transmitidas pelo fiscalizado. (...) O Município de Porto Seguro deixou de informar na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ocasionando na cobrança dos créditos tributários, acrescido de juros de mora e multa de ofício. Fl. 2170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 5 Ainda, está sendo cobrada a multa por descumprimento de obrigação acessória. Desse modo, o montante cobrado a título de acréscimos legais e de multas poderia ser usado na prestação de serviços públicos em prol dos munícipes. Tal fato configura-se, em tese, o ilícito tipificado no artigo 10, caput, da Lei nº 8.429, de 02 de junho de 1992, e por isso foi formalizada a Representação por Ato de Improbidade Administrativa, processo número 10540.726.067/2019-32. Devidamente intimado o município apresentou impugnação tempestiva na qual apresentou os seguintes argumentos, conforme síntese realizada pela decisão de piso: 1) DIVERGÊNCIA ENTRE AS INFORMAÇÕES APRESENTADAS NA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE - DIRF E AS DECLARADAS NA GFIP - GUIA DE RECOLHIMENTO DE FGTS E DE INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL A Auditora da Receita Federal alegou divergência entre as informações apresentadas na Declaração do Imposto Retido na Fonte - DIRF e as declaradas na GFIP - Guia de Recolhimento de FGTS e de Informações à Previdência Social, relativamente aos exercícios Financeiros de 2016 e 2017. Acostaram tabela contendo as informações atinentes aos vencimentos e subsídios de ocupantes de cargos de provimento efetivo e temporário, em comissão, de exercentes de função comissionada e dos agentes políticos, bem assim a indicação de diferença entre as declarações à Receita. Todas as contribuições foram recolhidas em sua integralidade, tanto no CNPJ principal, quanto no do Fundo Municipal de Saúde, não havendo verossimilhança nas alegações de divergências de informações. 2) DIVERGÊNCIAS DE INFORMAÇÕES SOBRE O PAGAMENTO DO PASEP VIA INFORMAÇÃO DAS DCFT'S EXERCÍCIOS DE 2016 E 2017 Em relação ao Auto de Infração lavrado pela Receita Federal em razão de supostas divergências de informações sobre o pagamento do PASEP, via informação das DCFT's dos exercícios de 2016 e 2017, há de se esclarecer que a lei Federal 9.715/1998 disciplina a obrigatoriedade de pagamento a título de PASEP de 1% de toda a receita do Município conforme art. 2º, início III da Lei n° 9.715, de 25 de Novembro de 1998. Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I-......; B-......; III - pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Ou seja, o legislador incluiu na base de cálculo do PASEP todas as receitas do Município (correntes e de capital). Entretanto é necessário observar que alguns recursos já sofrem descontos automáticos e com isso devem ser abatidos no Fl. 2171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 6 momento do recolhimento do valor devido, a exemplo do FPM, ICMS Exportação, ITR, etc. Além disso, o §7° da mesma lei citada exclui da base de cálculo do PASEP todo o recurso de convênio, com destinação específica, in verbis: § 7º Excluem-se do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. (Incluído pela Lei n° 12.810, de 2013) Veja que essa exclusão faz referência a todos os recursos vinculados, que não podem ter despesas incompatíveis com a sua destinação, a exemplo do FUNDEB, que tem a Finalidade de custear pagamento de profissionais do Magistério em efetivo exercício da profissão e despesas diversas na Manutenção da Educação Básica, conforme art. 70 da Lei n° 9394/96 (LDB). Não é cabível o Município receber recursos vinculados e com destinação específica, ao mesmo tempo não podendo custear com os mesmos a despesa de 1% sobre o ingresso (conforme lei 9715/98) comprometendo os recursos próprios para tal obrigação. Entretanto, vale salientar que no caso do FUNDEB cabe verificar qual parte dele é considerado "Transferência Governamental", uma vez que, existe na composição deste, (Recursos Próprios) abatidos automaticamente por força de lei (20% do FPM, ICMS, ITR, IPVA, IPI). Desta forma, se assim ficar entendido, deveria sim pagar o PASEP sobre a equação líquida do FUNDEB (Valor Recebido - Valor Contribuído para formação do FUNDEB). A base de cálculo foi apurada da seguinte forma: (...) Com base o art. 2 º, §7°, a Administração deve buscar junto a RFB -Receita federal do Brasil a apuração da base de cálculo, somando toda a Receita do Município, abatendo da base de cálculo os recursos de Instrumento Congêneres com Destinação Específica que tem sua aplicabilidade definida e dentre elas não incluem pagamento de PASEP, abatendo ainda os recursos que já sofrem a dedução automática. Neste sentido, a apuração realizada pela RFB inclui todos os recursos recebidos pelo Município, sem que houvesse a exclusão da base de cálculo daqueles que se enquadram no §7° da lei 9.715/98. 3) DIVERGÊNCIAS DE GILRAT SOBRE BASES DECLARADAS DE EMPREGADO GFIP A Receita Federal afirmou haver divergência entre os valores recolhidos através de GILRAT e os valores apurados sobre as bases declaradas através de GFIP. Afirmaram que "de acordo com a legislação da época da ocorrência dos fatos geradores, os valores do FAP atribuídos para este município foi de 1,8083 (em 2016) e de 1,8280 (em 2017)", enquanto os valores declarados foram de 1,000 nas competências de 01 a 11, 13/2016, 04 e 05/2017, e de 1,3700 nas competências 12/2016, 01 a 03/2017 e 07 a 13/2017. Fl. 2172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 7 Explicou a Auditora Fiscal que "o Fator Acidentário de Prevenção-FAP afere o desempenho da empresa com relação à ocorrência de acidentes de trabalho num intervalo de tempo, dentro da respectiva atividade econômica. Consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0.5000) a dois inteiros (2,000), aplicado com quatro casas decimais sobre a alíquota RAT". Explicou, ainda que efetuou o lançamento da contribuição GILRAT calculada pela aplicação da alíquota RAT ajustada sobre as bases de cálculo/remunerações auferidas pelos segurados empregados identificados nas declarações de GFIP. O Fator Acidentário de Prevenção - FAP, criado em 2010, é um índice aplicado sobre a contribuição GIIL-RAT, que tanto pode resultar em aumento como diminuição da respectiva contribuição. Portanto, a partir dos dados inseridos nos campos específicos das declarações GFIP, é calculada a contribuição patronal, inclusive GILRAT, incidente sobre a remuneração dos segurados, nos moldes do art. 22 da Lei n° 8.212/1991. O Seguro de Acidente de Trabalho, também conhecido como GILRAT ou Risco de Acidente de Trabalho, é uma contribuição previdenciária instituída pelo art. 22 da Lei 8.212 de 1991. Tal dispositivo determina a base de cálculo do tributo e a sua alíquota, in verbis: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I-(...) II - para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n° 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b)2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III -(...)" Conforme pode ser observado, existem três alíquotas possíveis para a realização do cálculo do GILRAT, incidentes sobre o total da remuneração paga, dependendo do tipo de risco de cada atividade: leve, médio ou grave. O grau de risco foi fixado inicialmente pelo Decreto n° 3.048 de 1999 do Poder Executivo Federal, também conhecido como Regulamento da Previdência Social. Fl. 2173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 8 Na redação original deste decreto, a atividade da administração pública em geral era considera de risco leve, por isso deveria obedecer a alíquota de 1%. Entretanto, o Decreto n° 6.042, que fora publicado em 12 de fevereiro de 2007 modificou o Regulamento da Previdência Social e elevou o grau de risco da "administração pública em geral" de leve para médio, isto é, a alíquota passou de 1% (um por cento) para 2% (dois por cento). Ou seja, automaticamente, os municípios foram enquadrados pelo fisco federal na atividade de "Administração Pública em geral" e desta forma, desde junho de 2007 passaram recolher o SAT pela alíquota de 2%. Após reiterados questionamentos sobre o assunto, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 351, que assim dispõe: "A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro". Ou seja, a jurisprudência consolidada indica que a determinação da alíquota do SAT/GILRAT deve ser tida em função da área de atuação dos empregados da empresa, e não de seu CNAE principal. Dispõe a Lei n° 8.212/1991 e a IN RFB n. 971 (art. 72, §1°, I), que o enquadramento nos graus de risco (GILRAT/SAT/FAT) é de responsabilidade da empresa e deve ser feito de acordo com a sua atividade preponderante. Essa atividade preponderante é definida como aquela que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Analisando a documentação disponibilizada pelo Departamento de Recursos Humanos do Município de Porto Seguro, verifica-se que nos últimos 5 (cinco) anos foram registrados somente 10 (dez) acidentes de trabalho, em um total de 6.287 e que o maior número de servidores está alocado na Secretaria Municipal de Educação, exercendo atividade de magistério na educação infantil e fundamental, sob o CNAE 851: (...) Ou seja, constata-se claramente que o risco de acidente de trabalho é baixíssimo: (...) Destarte, considerando que o maior número de servidores públicos municipais está vinculado à área de educação, na qual o grau de risco da atividade é leve e a alíquota original do GILRAT é de 1%, deve-se proceder ao pedido administrativo para novo enquadramento no cartão CNPJ e, a partir de então, calcular o GILRAT a partir da alíquota de 1%, bem como realizar a compensação administrativa dos valores pagos a maior. Em pesquisa jurisprudencial, verifica-se que o Superior Tribunal de Justiça entende da mesma forma, isto é, o grau de risco será determinado pela atividade Fl. 2174DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 9 preponderante e não pela atividade registrada como CNAE principal: (Reproduz Jurisprudência) Assim, com amparo na jurisprudência do STJ, a contribuição ao GILRAT/SAT deve considerar a atividade econômica que agrega o maior número de trabalhadores, independente de esta atividade ser distinta da CNAE principal da pessoa jurídica. Para os municípios, isso significa que a alíquota do GILRAT/SAT deve ser definida em função da atividade econômica que agrega o maior número de servidores públicos, não necessariamente a CNAE 6411-6/00 - "Administração Pública em Geral". Considerando que o Município de Porto Seguro desenvolve atividade preponderantemente de ensino, na qual envolve a maioria da mão-de-obra a seu serviço, o grau de risco da atividade é leve, sendo devido o GILRAT/SAT à alíquota de 1%, nos termos do Anexo V do Decreto Federal n° 6.957/2009. Note-se que na Secretaria Municipal de Educação se concentram mais de 50% dos servidores municipais, os quais atuam principalmente no ensino fundamental, CNAE 8513 9/00 - Ensino Fundamental. (Reproduz Jurisprudência) A recente decisão do STF (julgamento em 31/05/2016), externa posicionamento de que não há amparo para a Fazenda Nacional requerer o recolhimento da GILRAT na alíquota de 2%, mas sim na alíquota de 1%, segundo se vislumbra abaixo: (Reproduz Jurisprudência) A quantidade de acidentes do trabalho registrados nos últimos 5 anos (com emissão de CAT), é mínima, conforme planilha abaixo: (...) Portanto, consubstanciado no art. 66 da Lei n° 8.383/91 e artigos 56 a 59 da IN/RFB n° 1.300/12, se faz necessária a adequação da alíquota do GILRAT/SAT para risco leve (1%) e o consequente reenquadramento do Município de Porto Seguro, bem como a compensação das diferenças de alíquotas cobradas nos últimos 5 (cinco) anos (STF - RE n° 607.614 e AI 633.469; STJ - REsp n°. 166.399 e REsp n° 94.860). 4) VALORES PAGOS OU CREDITADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO OFERECIDOS A TRIBUTAÇÃO Os valores pagos ou creditados aos contribuintes individuais apontados pela I. Auditora da Receita Federal não foram oferecidos a tributação em razão destes terem fornecido documentação ao Município declarando e/ou demonstrando que já recolhem a contribuição pelo teto do INSS. A contribuição do contribuinte individual passou a ser calculada sobre a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite mínimo e máximo do salário-de-contribuição, ou seja, a base de cálculo de sua contribuição não é mais um valor determinado pelo INSS e sim a sua remuneração efetiva dentro do Fl. 2175DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 10 mês, observado os limites citados. De janeiro a dezembro de 2016 o limite mínimo passou a ser de R$ 880,00 (Decreto n° 8.618/2015) e o máximo de R$ 5.189,82. De janeiro a dezembro de 2017 o limite mínimo passou a ser de R$ 937,00 (Decreto n° 8.948/2016) e o máximo de R$ 5.531,31. 5) VALORES PAGOS OU CREDITADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO OFERECIDOS A TRIBUTAÇÃO - PROCESSOS DE PAGAMENTO ELEMENTO DE DESPESA CONTA N° 33.90.36.00.00 A Portaria Interministerial n º 163, de 4 de maio de 2001, que dispõe sobre normas gerais de consolidação das Contas Públicas no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, e dá outras providências, em seu art. 3º determina: "Art. 3º A classificação da despesa, segundo a sua natureza, compõe-se de: I - categoria econômica; II - grupo de natureza da despesa; III - elemento de despesa; § 3 º O elemento de despesa tem por finalidade identificar os objetos de gasto, tais como vencimentos e vantagens fixas, juros, diárias, material de consumo, serviços de terceiros prestados sob qualquer forma, subvenções sociais, obras e instalações, equipamentos e material permanente, auxílios, amortização e outros de que a administração pública se serve para a consecução de seus fins." 6) BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS E VERBAS INDENIZATÓRIAS A incidência das contribuições previdenciárias possui respaldo constitucional, especificamente no artigo 195, que prescreve que a "seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta", mediante contribuições sociais provenientes do empregador incidentes sobre a "folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício". No campo infraconstitucional, a Lei n. 8.212/91, no seu art. 22, I, estabelece que a contribuição é incidente sobre verbas destinadas a remunerar o trabalho e outros ganhos habituais, constituídos sob a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, resultante do serviço prestado, tempo à disposição ou de convenção ou acordo coletivo. Assim, sendo nítido que a incidência da contribuição previdenciária pressupõe a existência de parcelas incorporáveis ao salário (com caráter remuneratório /contraprestativo), resta identificar quais seriam as verbas indenizatórias, em relação às quais não há incidência da referida contribuição em razão de sua natureza. Fl. 2176DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 11 O STF, para fins de repercussão geral, firmou tese de que: "Não incide contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos proventos de aposentadoria do servidor público, tais como terço de férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional de insalubridade." a) Férias - Natureza Jurídica Compensatória/Indenizatória O pagamento de férias aos empregados e sua tributação pelas contribuições previdenciárias sempre foi tema de discussões dentro do STJ. E há muito tempo o STJ firmou posicionamento no sentido de haver a incidência das contribuições previdenciárias sobre as férias e terço constitucional quando estas férias tenham sido gozadas pelos empregados. Por outro lado, quando não havia gozo das férias pelo empregado e esse pagamento era convertido em indenização, o STJ entendia pela não incidência destas contribuições. Tal entendimento era baseado no argumento de que as férias eram pagas aos empregados pelo trabalho prestado nos 12 meses anteriores, o que supostamente lhe conferiria caráter remuneratório e somente no caso do empregado não ter tido a oportunidade de gozar esse direito esse pagamento se tornaria uma indenização não tributável. Contudo esse panorama mudou radicalmente com o julgamento do STF em que reconheceu que o terço constitucional de férias não poderia ser tributado pelas contribuições previdenciárias, pois segundo o entendimento dos ministros, essa parcela teria natureza compensatória/indenizatória e não poderia ser incorporada aos vencimentos do servidor público, razão pela qual não representaria remuneração. Essa decisão foi proferida ainda sob a égide da lei processual anterior ao instituto da repercussão geral, e há repercussão geral sobre o tema reconhecida em outro processo a ser ainda julgado, porém essa decisão foi fundamental para a modificação do entendimento, não só para as contribuições previdenciárias dos servidores públicos, mas também para os empregados. Isso porque a partir desse entendimento, os tribunais inferiores começaram a rever seus posicionamentos e recentemente a Ia seção do STJ, ao julgar o REsp 1.230.957, pacificou o entendimento, sob a égide dos recursos repetitivos, de que não há incidência das contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias pago aos empregados. Deve-se ressaltar que esse processo trata especificamente das contribuições previdenciárias devidas por empresas, ou seja, não tratava das contribuições devidas pelos servidores públicos, como eram os casos julgados pelo Supremo, mas sim sobre os pagamentos feitos aos empregados e tal julgamento deve refletir diretamente nas decisões de primeira e segunda instância. Contudo, mais recentemente, a Ia seção do STJ foi ainda mais longe na modificação da sua jurisprudência ao julgar o REsp 1.322.945, determinando também não haver incidência das contribuições previdenciárias não só sobre o Fl. 2177DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 12 terço constitucional, mas também sobre as férias gozadas, matéria que não foi objeto de análise pelo STF, e também não havia sido julgada no caso do RESp 1.230.957. O argumento utilizado foi de que o entendimento acerca da natureza não remuneratória do terço constitucional de férias deveria ser estendido às férias em si, pois o terço seria uma verba acessória às férias, verba principal, e se o acessório segue sempre a natureza do principal, não se poderia concluir que as férias teriam natureza salarial diferente do acessório. Esse acórdão foi ainda objeto de embargos de declaração, porém em decisão publicada no último dia 16/5/14, estes não foram acolhidos no que toca a esse entendimento, tendo sido modificado o julgamento apenas quanto ao salário maternidade, restando assim consolidada a decisão que determinou a não incidência das contribuições previdenciárias também sobre as férias gozadas. Evidentemente que essa decisão ainda pode ser objeto de análise pelo STF, pois quando do julgamento do terço não houve manifestação expressa sobre as férias em si. Porém, entendemos que esse julgamento do STJ já representa um importante precedente favorável com boas chances de ser mantido possibilitando aos contribuintes que pleiteiem o afastamento das contribuições e peçam a compensação dos valores recolhidos nos últimos anos. (Reproduz Jurisprudência) b) 1/3 DE FÉRIAS - Natureza Jurídica Compensatória/Indenizatória Por sua vez, no tocante ao adicional de 1/3 sobre as férias gozadas ou indenizadas, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, nos autos do RESp 1230957/RS, que, no primeiro caso, não se constitui ganho habitual e, no segundo caso, a não incidência da contribuição previdenciária decorre da própria lei: (Reproduz Jurisprudência) 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 - redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel.Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas". [...] Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543-C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 -Presidência/STJ. Fl. 2178DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 13 (STJ -Acórdão Resp 1230957 / Rs, Relator(a): Min. Mauro Campbell Marques, data de julgamento: 25/02/2014, data de publicação: 17/03/2014, Ia Seção) c) Salários dos Quinze Dias Anteriores ao Recebimento de Benefício de Auxílio- doença e Auxílio-Acidente Já em relação aos salários dos quinze dias anteriores ao recebimento de benefício de auxílio-doença e auxílio-acidente, a Primeira Seção e a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiram, nos autos do RESp 1230957/RS e nos autos do AgRg no RESp 1403607/SP, respectivamente, que, no primeiro caso, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, até mesmo porque há interrupção do contrato laboral, e, no segundo caso, nos autos do o caráter é de compensar o segurado de sequelas que reduzam a sua capacidade laboral, motivos pelos quais não há que se falar em incidência da contribuição previdenciária em tais situações: (Reproduz Jurisprudência) d) 13° Salário - Gratificação Natalina - Natureza Jurídica A gratificação natalina é compulsória e não corresponde à contraprestação pelo serviço prestado. Na verdade, é devida ao empregado em proporção ao tempo trabalhado em cada ano, antecipando-se o seu pagamento, se despedido injustamente. O parágrafo Io do art.457 da CLT, ao enumerar os elementos componentes do salário, inclui expressamente as gratificações ajustadas. Apesar da jurisprudência reconhecê-la como de natureza salarial (Súmula 207 do STJ), é obvio que não se trata de uma gratificação habitual ajustada entre as partes. A Carta Maior em momento algum atribui caráter contraprestativo ao 13° Salário. 7) MULTAS DE INFRAÇÃO PROCESSO 05110300.2019.0071 (PROCESO N° 10540 726.065/2019-43): a) Divergência de GILRAT sobre bases declaradas de empregados-GFIP - Valor: 2.999.738,64. b) Valores pagos ou creditados a contribuintes individuais não oferecidos a tributação-DIRF - Valor: 249.885,29. c) Valores pagos ou creditados a contribuintes individuais não oferecidos a tributação - processos de pagamento elemento de despesa conta n° 33.90.36.00.00 - Valor: 21.000,00. d) Rubricas a segurados empregados não oferecidos a tributação –DIRF - Valor: 18.897.215,07. e) GILRAT sobre rubricas de empregados não oferecidos a tributação Valor: 3.451.512,88 Fl. 2179DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 14 Como já explanado alhures, nenhuma das infrações acima descritas foram cometidas pelo Município autuado, razão esta que justifica a anulação dos lançamentos realizados. 8) MULTAS DE INFRAÇÃO PROCESSO 05110300.2019.0072: a) Rubricas a segurados empregados não oferecidos a tributação contribuição previdenciária empresa - Valor: R$ 19.791.944,12 b) Rubricas a segurados empregados não oferecidos a tributação contribuição previdenciária do segurado - Valor: R$ 5.955.296,47 c) Multas previdenciárias - Valor: R$ 24.112,64 PEDIDO O sujeito passivo requer: - Diante do exposto, requer seja acatada a presente impugnação para anular os lançamentos das diferenças de valores apontadas e multas de infração descritas acima, por serem indevidas, conforme explanação alhures e provas carreadas. Adveio o julgamento no qual a decisão de piso negou provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme Acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2017 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. Todas as atividades exercidas pela administração pública são norteadas pelos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, visando assegurar a estabilidade da ordem jurídica na relação entre o Estado e seus administrados. Fl. 2180DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 15 Estando o Auto de Infração de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, e a Impugnante não apresentar argumentos ou elementos de prova capazes de elidir o lançamento, devendo ser mantida a exigência. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. PIS/PASEP. MUNICÍPIO. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO. FUNDEB. NÃO CABIMENTO. Integram as receitas correntes e transferências correntes recebidas pelo município para fins de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep as transferências, ordinárias e complementares, oriundas do FUNDEB (antigo FUNDEF). CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. GRAU DE RISCO. Para os órgãos da Administração Pública em geral a alíquota SAT/RAT foi alterada de 1% (risco leve) para 2% (risco médio) a partir de 06/2007, em decorrência da edição do Decreto 6042, de 12/02/2007, que modificou o anexo V do Regulamento da Previdência Social. Inexiste, no período do lançamento, norma que permita a redução da alíquota. FAP - FATOR ACIDENTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. A contribuição a cargo da empresa destinada à Seguridade Social para o financiamento do SAT, poderá ser majorada ou reduzida em função da aplicação do Fator Acidentário de Prevenção. Se houver discordância quanto ao FAP atribuído pelo Ministério da Previdência Social, a empresa poderá contestá-lo perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial. CONTRIBUIÇÕES À CARGO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. REMUNERAÇÃO RECEBIDA DE MAIS DE UM VÍNCULO. LIMITE MÁXIMO DO SALÁRIO-DE- CONTRIBUIÇÃO. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, observando o limite máximo do salário-de-contribuição, e a recolher o valor arrecadado, juntamente com a contribuição a seu cargo. O segurado que possuir mais de 1 (um) vínculo, deverá comunicar a todos os seus empregadores, mensalmente, mediante a apresentação de comprovantes de pagamento das remunerações, consignando que a remuneração recebida atingiu o limite máximo do salário-de-contribuição, identificando o nome empresarial da empresa ou empresas, com o número do CNPJ, que efetuou ou efetuará o desconto sobre o valor declarado. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Fl. 2181DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 16 Os valores pagos pelo empregador nos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença e acidente de trabalho, e a título de salário-maternidade, horas extras, férias, e adicional de férias de que trata o inciso XVII do artigo 7º da Constituição Federal integram o salário-de contribuição. Somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 não integram o salário-de-contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de piso em 14/10/2020 pela via postal (AR de e-fl. 2113), foi juntado aos autos Recurso Voluntário em 13/11/2020, conforme Termo de Solicitação de Juntada (e-fl. 2114), por meio do qual o recorrente reprisa de forma resumida os argumentos apresentados em impugnação, concentrando a fundamentação do recurso nas questões relacionadas às verbas de natureza indenizatória com incidência na base de cálculo das contribuições sociais apuradas. Os argumentos recursais podem ser assim sintetizados: a) o enquadramento do GILRAT/FAP adotado pela fiscalização não corresponderia à atividade preponderante do recorrente, que estaria majoritariamente vinculada à área educacional, sujeita a grau de risco reduzido; b) a alíquota aplicada ao Seguro de Acidente do Trabalho deveria observar a atividade efetivamente preponderante desenvolvida pelo contribuinte, nos termos da Súmula nº 351 do STJ; c) inexistiriam divergências entre as informações declaradas e os recolhimentos efetuados relativamente às contribuições previdenciárias; d) a fiscalização teria desconsiderado hipóteses legais de não incidência e exclusões da base de cálculo do PASEP, especialmente receitas decorrentes de convênios e transferências constitucionais; e) os valores pagos a contribuintes individuais não estariam sujeitos à exigência lançada, diante da comprovação de recolhimento previdenciário até o teto do RGPS; f) as bases de cálculo dos lançamentos teriam incluído verbas transitórias e indenizatórias não sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias, razão pela qual requer o cancelamento das exigências e das multas aplicadas. No tocante as verbas transitórias e indenizatórias, o recorrente desenvolve a fundamentação do recurso acerca das verbas a seguir apontadas: 1 – Horas Extras; 2 – Funções Gratificadas; 3 – Terços de Férias; Fl. 2182DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 17 4 – Vale transporte; 5 – Adicional noturno; 6 – Adicionais de insalubridade 8– Prêmio; Abonos, incentivos 9 – Quinze dias de aux. Acidente ou Doença 10 – Diárias e Ajuda de Custo Menciona que obteve a seu favor decisão favorável, proferida em 26/08/2020 em processo judicial (1018623-60.2019.4.01.3300) que tramitou perante a 1ª Vara Federal Cível da SJBA. Alega que a ação judicial importa em reconhecimento do direito invocado em desconstituir lançamentos que se utilizaram de base de cálculo indevida. Ao final, requer o provimento do recurso para anular os lançamentos das diferenças de valores apontadas e multas de infração por serem indevidas, conforme argumentos apresentados. Da análise do processo judicial verifico que a ação foi proposta no decorrer da tramitação do processo administrativo. Em 28/04/2022 foi proferida sentença, a seguir transcrita: MUNICÍPIO DE PORTO SEGURO propôs ação sob o rito comum contra a UNIÃO, visando afastar a incidência da contribuição social previdenciária e das contribuições destinadas a terceiros “a) horas extras e serviços extraordinários; b) aviso prévio indenizado; c) adicional de insalubridade e adic. noturno; d) terço de férias constitucional, férias indenizadas; e) vales/auxílios transporte; f) gratificação sobre o exercício de cargo de direção ou comissionado para os servidores efetivos; g) os primeiros 15 (quinze) dias do afastamento por conta de acidente de trabalho; h) diárias/ajuda de custo; i) salário-família”, bem como a compensação dos valores indevidamente pagos desde os 5 anos anteriores a propositura da presente ação. Alegou que não devem incidir contribuições sociais sobre as verbas de caráter indenizatório/compensatório, já que inexiste, nestes casos, pagamento com finalidade de contraprestação ao trabalho, além de serem parcelas que não compõem o salário de contribuição. Foi deferida em parte a tutela de urgência suspender a exigibilidade da contribuição social incidente sobre “aviso prévio indenizado, ao terço de férias, às férias indenizadas, ao vale-transporte, aos quinze primeiros dias que antecedem o auxílio-doença e auxílio-acidente, às diárias de viagem até o limite de 50% (cinquenta por cento) da remuneração, à ajuda de custo e ao salário-família”. A União apresentou resposta informando que não se opõe aos pedidos de incidência sobre o vale transporte, arguiu preliminar de carência de ação quanto Fl. 2183DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 18 ao auxílio creche, abono de férias, férias indenizadas, férias proporcionais e respectivo terço constitucional e salário-família e, quanto ao mérito, defendeu a legalidade da cobrança das demais parcelas, afirmando que a Não houve réplica, nem pedidos de produção de novas provas. É o relatório. Decido. A controvérsia trazida aos autos se resume à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros devidas pela empresa sobre parcelas que não teriam natureza salarial. De início, acolho a preliminar de carência de ação quanto às parcelas cuja não incidência está expressa na legislação, como é o caso do auxílio-creche, do salário família e das férias indenizadas. Considerando que as contribuições em questão são lançadas por meio de declaração (GFIP) e que o impetrante não demonstrou ter sofrido ação fiscal ou recolhido espontaneamente qualquer contribuição sobre a referida verba, não há como reconhecer o interesse processual, quer em relação ao pedido de repetição de eventual indébito, quanto ao pedido de tutela preventiva quanto futuros lançamentos. De fato, diante da convergência entre a tese adotada pela administração fazendária e aquela defendida pela parte autora, nada impede que eventual pedido de repetição de indébito seja formulado na via administrativa. Também não há necessidade de examinar a incidência sobre o vale transporte, tendo em vista o reconhecimento do pedido por parte da União. Quanto às demais verbas mencionadas na petição inicial, verifico que sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais está pacificada na jurisprudência dos tribunais superiores. De acordo com tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento de recurso especial representativo de controvérsia, o adicional de um terço devido sobre as férias gozadas por segurados do Regime Geral de Previdência Social, a remuneração paga pela empresa durante o afastamento de seus empregados nos 15 dias que antecede a concessão de benefício previdenciário por incapacidade e os valores pagos em razão do não cumprimento do aviso prévio não possuem natureza remuneratória, não integrando a hipótese de incidência da contribuição social incidente sobre a folha de salários (REsp 1230957, DJe 18/03/2014). Neste ponto, destaco que o aviso prévio indenizado não se confunde com a projeção do décimo terceiro salário decorrente inobservância do prazo relativa ao aviso prévio, parcela esta que integra a base de cálculo da contribuição social em razão de sua natureza remuneratória (cf. STJ, REsp 1813002, DJe 10/09/2019). Por outro lado, o STF firmou tese no sentido de considerar que “[é] legítima a incidência de contribuição social sobre o valor satisfeito a título de terço constitucional de férias” (RE 1072485, DJe 02/10/2020 – Tema 985), razão pela qual deve ser rejeitada a pretensão da parte autora. Mesmo raciocínio se aplica às Fl. 2184DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 19 férias gozadas, verba que o art. 7º, XVII, da Constituição Federal previu como "remuneradas". É igualmente pacífico na jurisprudência do STJ que somente as diárias excedentes a 50% da remuneração do trabalhador pode integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias (AIREsp 1808938, DJe 18/11/2019), cabendo ressaltar que a Lei n. 13.467, de 13/07/2017 alterou a Lei n. 8.212/91 para afastar a incidência do tributo sobre a integralidade das “diárias para viagens” (art. 29, § 8º, “h”), o que retira o interesse processual na discussão em relação às parcelas posteriores ao advento da nova lei. Da mesma forma, a pretensão da parte autora está em desconformidade com tese há muito firmada pelo STJ em sede de recursos representativo de controvérsia acerca da em relação à incidência das contribuições sobre as horas- extra (REsp 1358281, DJe 05/12/2014) e sobre os adicionais noturno e de insalubridade (AINTAREsp 1612306, DJe 08/10/2020; AINTAREsp 1953384, DJe 01/02/2022). Por fim, “[a] jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica quanto à não incidência da contribuição previdenciária sobre as gratificações pagas pelo exercício de funções de confiança e cargos em comissão porque, com base na Lei 9.738/1999, tais verbas não se incorporam aos proventos dos servidores estatutários. No entanto, quando o servidor municipal é submetido ao Regime Geral, como na hipótese dos autos, os valores pagos a título de funções ou cargos comissionados, por força do art. 40, § 13, da Constituição Federal, ficam compreendidos no art. 22, I e II, da Lei 8.212/1991” (STJ, REsp 1844025, DJe 19/12/2019). Neste ponto, ressalto que o STF firmou tese em sede de repercussão geral assentando a incidência das contribuições previdenciárias patronais "sobre ganhos habituais do empregado, quer anteriores ou posteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998" (RE 565160, Tema 20), orientação que abarca qualquer pagamento realizado sem caráter esporádico ou eventual. Ante o exposto: a) extingo o processo sem resolução de mérito quanto aos pedidos relativos às diárias pagas após 13/07/2017, ao vale-transporte, ao auxílio creche, ao salário família e às férias indenizadas, por ausência de interesse processual (NCPC, art. 485, VI); b) julgo parcialmente procedentes os demais pedidos para: b.1) declarar a impossibilidade de inclusão, na base de cálculo das contribuições previdenciárias patronais, sobre o aviso prévio indenizado (exceto quanto ao décimo terceiro projetado), o salário devido durante os 15 dias que antecedem à concessão de auxílio-doença ou auxílio acidente e as diárias até o limite de 50% do salário; b.2) autorizar a compensação tributária de eventuais créditos a serem apurados no período acima indicado, nos termos da Instrução Normativa RFB n. Fl. 2185DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 20 1.717/2017, inclusive quanto à incidência da taxa Selic, a partir do trânsito em julgado desta sentença. Condeno a União ao pagamento das custas e de honorários de sucumbência que arbitro em 10% sobre o valor da condenação, tendo em vista a desnecessidade de produção de prova além de reduzido acervo documental e da relativa simplicidade da demanda (CPC, art. 85, § 2º, IV, e 3º, I). Condeno também a parte autora ao pagamento de honorários que arbitro em idêntico percentual, a ser apurado entre a diferença entre o valor atualizado da causa e o valor da condenação. Havendo recurso, intime-se para contrarrazões e remetam-se os autos à superior instância. Transitada em julgado a sentença nestes exatos termos, intimem-se as partes para promoverem o cumprimento de sentença, no prazo de 30 dias, sob pena de arquivamento. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Salvador, na data da assinatura digital. Em junho de 2025 foi proferido despacho determinando o arquivamento do feito: DESPACHO Como a parte exequente não manifestou interesse em requerer o cumprimento de sentença, arquivem-se os autos com baixa. Salvador/BA, datado e assinado eletronicamente. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não foram apresentadas contrarrazões. Inicialmente distribuído a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, os autos foram sobrestados em atenção a questão relacionada a Repercussão Geral do Tema nº 985, conforme Recurso Extraordinário 1.072.485/PR, no tocante a incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o terço constitucional de férias. As e-fl. 2166 foi certificado o trânsito em julgado do recurso perante o STF e determinando a retomada da tramitação processual, nos termos do art. 99 do RICARF. Ato contínuo, os autos foram atribuídos a este relator para análise. VOTO Fl. 2186DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 21 Conselheiro Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior, Relator. 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário foi interposto dentro do prazo legal de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, razão pela qual deve ser considerado tempestivo. Todavia, verifica-se que, na fase recursal, o recorrente trouxe argumentos adicionais, circunstância que impõe a análise acerca da eventual ocorrência de preclusão quanto a tais elementos apresentados posteriormente. 2. Novos argumentos apresentados em sede de Recurso Voluntário Deve ser observado que, no recurso voluntário, ao trazer alegações sobre uma série de rubricas, o recorrente traz clara inovação recursal, dado que não apresentara questionamentos sobre as verbas a seguir relacionadas em sede de impugnação, quais sejam: - Horas Extras; - Funções Gratificadas; - Vale transporte; - Adicional noturno; - Adicionais de insalubridade - Prêmio; Abonos, incentivos - Diárias e Ajuda de Custo Dado ser inadmissível o CARF inaugurar apreciação de matéria desconhecida do julgador de origem, porque não impugnada, eis que o efeito devolutivo do recurso abarca somente o decidido pelo órgão julgador de origem, descabe conhecer de matéria não trazida pelo recorrente no momento adequado. A inovação recursal referenciada evidencia a preclusão e a impossibilidade de conhecimento do argumento. O Decreto nº. 70.235/72 determina que a Impugnação instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal e ela deverá conter todos os argumentos de direito e fato e todas as comprovações dos argumentos, sob pena de preclusão. É o que dispõem os artigos 15, 16 e 17 do Decreto, verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 2187DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 22 IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por Fl. 2188DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 23 outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Nesse contexto, a impugnação promove a estabilidade do processo entre as partes, de modo que a matéria ventilada em recurso deve guardar estrita harmonia com àquela abordada pelo recorrente em sua impugnação, não podendo a parte contrária ser surpreendida com novos argumentos em sede recursal, em razão da preclusão processual. O entendimento acerca da preclusão quando de inovação recursal encontra-se consolidado neste Conselho: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Não deve ser conhecida a matéria inovada em recurso voluntário que não havia sido objeto de impugnação, tendo sido consumada a preclusão. (Ac. 2202 004.915, de 17/01/2019). RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A impugnação, que instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa (arts. 1416, Decreto nº 70.235/1972). Não se admite, pois, a apresentação, em sede recursal, de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. Não configurada hipótese que autorize a apresentação de novos fundamentos na fase recursal, mandatório o reconhecimento da preclusão consumativa. (Ac. 2202-005.272, de 09/07/2019) PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. É vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir em sede de julgamento de segundo grau, salvo nas circunstâncias excepcionais referidas nas normas que regem o processo administrativo tributário federal. (Ac. 2202-005.311, de 10/07/2019.) INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso voluntário, em relação aos quais não teve oportunidade de se manifestar a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação em segunda instância, por preclusão processual. (Ac. 2402-007.507, de 07/08/2019). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Matéria que não tenha sido objeto de impugnação e, portanto, não conste da decisão de primeira instância, não pode ser alegada em sede de recurso voluntário, por estar preclusa. (Ac CSRF. 9303-009.436, de 18/09/2019.) Ora, se a matéria não foi impugnada, se não se instaurou o litígio em relação a ela, a autoridade julgadora, seja de primeira, seja de segunda instância, não tem competência para dela conhecer. A propósito, o instituto da preclusão existe para evitar a deslealdade processual, e Fl. 2189DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 24 tendo em vista que o argumento trazido em sede de Recurso Voluntário não foi debatido em primeira instância, fica prejudicada, consequentemente, a dialética no debate da controvérsia instaurada. Era ônus do recorrente, já por ocasião da apresentação da impugnação, momento em que se instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, justificar suas alegações e anexar a documentação apta a comprovar os fatos por ele sustentados. Tal exigência decorre do disposto nos art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, que disciplina o contencioso administrativo fiscal, além da regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo. Dessa forma, as alegações relacionadas às verbas acima descritas não devem ser conhecidas, em razão da ocorrência da preclusão processual. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer dos argumentos relacionados às rubricas não impugnadas. 3. Da alíquota do Gilrat/FAP: O recorrente aponta que a alíquota aplicada no lançamento é inadequada, dado tratar-se de estabelecimento distinto, sendo descumprido o disposto na Súmula 351. Alega que a maioria dos servidores atua na educação, que seria uma atividade de baixo risco: O acórdão recorrido assim enfrenta o tema: CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. GRAU DE RISCO. A impugnante se insurgiu contra o lançamento da diferença de contribuição, decorrente da utilização de alíquota RAT menor que a estabelecida na legislação previdenciária. Agiu corretamente a fiscalização, diante da constatação de que estava sendo recolhida a contribuição sob alíquota de 1%: - Portanto, consubstanciado no art. 66 da Lei n° 8.383/91 e artigos 56 a 59 da IN/RFB n° 1.300/12, se faz necessária a adequação da alíquota do GILRAT/SAT para risco leve (1%) e o consequente reenquadramento do Município de Porto Seguro, bem como a compensação das diferenças de alíquotas cobradas nos últimos 5 (cinco) anos (STF - RE n° 607.614 e AI 633.469; STJ - REsp n°. 166.399 e REsp n° 94.860). Para os órgãos da Administração Pública em geral, categoria na qual se insere a impugnante, a aludida alíquota foi alterada de 1% (risco leve) para 2% (risco médio), a partir de 06/2007, em conformidade com o Decreto 6.042, de 12/02/2007, que em seu artigo 2º modificou o Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048, de 06/05/1999. No Anexo V do citado Regulamento encontravam-se fixados os graus de risco e as correspondentes alíquotas de 1%, 2% ou 3% e elencadas as atividades econômicas, com sua descrição e identificação nos moldes da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). Tal Anexo, na redação dada pelo artigo 2º do Decreto nº. 6.042, de 2007, publicado no Diário Oficial da União de Fl. 2190DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 25 13/01/2007, alterou para mais ou para menos o grau de risco de inúmeras atividades, sendo o artigo 5º do Decreto 6.042, de 2007, determinou que os novos graus de risco e alíquotas entrariam em vigor no 4º mês seguinte ao da sua publicação, ou seja, em junho de 2007. Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I-um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II-dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III-três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) §3º Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. (...) ANEXO V – Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (Conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas - Redação dada pelo Decreto 6042/2007) (...) Deste modo, para os recolhimentos relativos aos fatos geradores ocorridos a partir de junho/2007, a autuada deveria observar o percentual de 2% fixado pela nova redação do citado anexo V, conforme o grau de risco nele definido para sua atividade. FAP - FATOR ACIDENTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. Refere-se a previdenciárias, a cargo do sujeito passivo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, que no presente caso a autoridade fiscal lançou, assim motivado: - Em consultas às declarações GFIP apresentadas pela prefeitura, constatamos que o Fator Acidentário de Prevenção - FAP declarado foi Fl. 2191DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 26 informado em montante inferior ao estabelecido para o Município de Porto Seguro nos anos de 2016 e 2017. Assim sendo, foi declarado o FAP de 1,000 nas competências de 01 a 11, 13/2016, 04 e 05/2017; e de 1,3700 nas competências 12/2016, 01 a 03/2017; 07 a 13/2017. - De acordo com a legislação da época da ocorrência dos fatos geradores, os valores do FAP atribuídos para este município foi de 1,8083 (em 2016) e de 1,8280 (em 2017). Por conseguinte, os valores da contribuição GILRAT apurados nas declarações GFIP entregues pela prefeitura é menor que o devido. A partir de janeiro de 2010, em razão do viés extrafiscal da contribuição em comento, que visa incentivar a prevenção de acidentes trabalhistas, instituiu-se o Fator Acidentário de Prevenção - FAP, pelo qual o contribuinte é analisado de per si dentro do seu grupo de atividades econômicas, possibilitando-lhe a redução das alíquotas em até 50% ou sua majoração em até 100%, conforme o seu desempenho. Quanto aos índices do Fator Acidentário de Prevenção - FAP, o mesmo encontra- se disponível no sítio do Ministério da Previdência Social - MPS na Internet, juntamente com as respectivas ordens de frequência, gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a verificação, por parte da empresa, do seu desempenho dentro da sua Subclasse da CNAE, bem como a legislação correlata e dúvidas frequentes das empresas. Se houver discordância quanto ao FAP atribuído pelo Ministério da Previdência Social, a empresa poderá contestá-lo perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial. O FAP entrou em vigor a partir da competência janeiro/2010 e está normatizado no Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, atualizado pelo Decreto 6.957/2009. As Portarias interministeriais MPS/MF nºs 329, de 10/12/2009, a de nº 451, de 23/09/2010 e por último a de nº 424, de 24/09/2012 estabeleceram os procedimentos para contestação do FAP. O art. 5º da Portaria Interministerial MPS/MF nº 424, de 24/09/2012, assim dispõe: Art. 5º O FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social - MPS poderá ser contestado perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional - DPSSO da Secretaria Políticas de Previdência Social - SPPS do Ministério da Previdência Social - MPS, exclusivamente de forma eletrônica, por intermédio de formulário que será disponibilizado na rede mundial de computadores nos sítios do Ministério da Previdência Social - MPS e da Receita Federal do Brasil - RFB. Fl. 2192DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 27 § 1º A contestação de que trata o caput deverá versar, exclusivamente, sobre razões relativas a divergências quanto aos elementos previdenciários que compõem o cálculo do FAP. § 2º O formulário eletrônico de contestação deverá ser preenchido e transmitido no período de 1º de novembro de 2012 a 04 de dezembro de 2012. § 3º O resultado do julgamento proferido pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional - DPSSO, da Secretaria de Políticas de Previdência Social - SPPS, do Ministério da Previdência Social - MPS, será publicado no Diário Oficial da União, e o inteiro teor da decisão será divulgado no sítio do Ministério da Previdência Social, na rede mundial de computadores, com acesso restrito à empresa. § 4º O processo administrativo de que trata este artigo tem efeito suspensivo. § 5º Caso não haja interposição de recurso, o efeito suspensivo cessará na data da publicação do resultado do julgamento. O Fator Acidentário de Prevenção - FAP pode ser contestado administrativamente, por meio de formulário eletrônico dirigido ao Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional (DPSSO). Em sede de julgamento da RFB são analisadas apenas as contestações de possíveis divergências de dados previdenciários que compõem o cálculo do fator. Não sendo, portanto, desta alçada a análise dos questionamentos prolatados pelo sujeito passivo. Alega ainda que deve ser observada a Súmula 351 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabelece que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é determinada pelo grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado pelo seu CNPJ. Se a empresa possui filiais com registros próprios, a alíquota SAT incide sobre a atividade preponderante de cada estabelecimento, não necessariamente a da matriz. Neste contexto, o acórdão recorrido aponta exatamente que o Município, por essência, é órgão do Poder Público. A regra básica para a administração pública é a aplicação da GILRAT de 2%. O recorrente não traz, em sede argumentativa, nenhum elemento de prova capaz de infirmar a conclusão da decisão de piso, devendo ser mantida. 4. Da alegada inexistência de divergência entre informações declaradas e recolhimentos e base de cálculo do PASEP. Também não prospera a alegação de inexistência de divergências entre as informações declaradas e os recolhimentos efetuados. Conforme consignado pela autoridade fiscal e ratificado pela decisão recorrida, os lançamentos foram constituídos a partir da análise de Fl. 2193DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 28 documentos e informações prestados pelo próprio sujeito passivo, mediante confronto das obrigações acessórias e demais elementos constantes dos sistemas da administração tributária. Os procedimentos adotados pela fiscalização foram devidamente descritos no Relatório Fiscal, que individualizou os fatos geradores, os critérios de apuração e os valores exigidos, conferindo ao contribuinte plenas condições para exercer o contraditório e a ampla defesa. Verifica-se, contudo, que o recorrente se limita a afirmar, de forma genérica, que todas as contribuições foram integralmente recolhidas e que inexistiriam divergências entre as informações prestadas, sem apresentar elementos concretos aptos a infirmar os levantamentos efetuados pela fiscalização. Não foram indicados erros específicos nos demonstrativos fiscais, tampouco produzidas provas capazes de demonstrar, para cada uma das exigências constituídas, a incorreção dos valores apurados ou a efetiva quitação das contribuições lançadas. Cumpre destacar que, uma vez regularmente constituído o crédito tributário com base em documentos fornecidos pelo próprio contribuinte, cabia ao sujeito passivo demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a improcedência das diferenças apuradas, especialmente quanto às remunerações consideradas bases de cálculo das contribuições previdenciárias e aos valores pagos a contribuintes individuais. Entretanto, tal ônus não foi observado, permanecendo hígidos os fundamentos fáticos e jurídicos que embasaram o lançamento. Assim, diante da ausência de impugnação específica e de prova apta a desconstituir as conclusões da fiscalização, não há elementos que justifiquem o afastamento das divergências constatadas ou a revisão dos créditos tributários constituídos. No tocante a não incidência e exclusões da base de cálculo do PASEP, especialmente receitas decorrentes de convênios e transferências constitucionais, por oportuno, adoto os argumentos da decisão de piso: Nesses termos, a Administração Tributária fixou o entendimento de que as transferências para os fundos de destinação específica integram as bases de cálculo dos municípios, assim como não podem ser excluídos os valores alocados aos mesmos fundos. A jurisprudência administrativa vai também nesse sentido, conforme exemplificam as ementas dos seguintes acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Acórdão nº 3202-000.352, sessão de 10/08/2011 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, de sorte que os valores recebidos com destaque para o FUNDEF/FUNDEB Fl. 2194DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 29 devem integrar a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado. Acórdão nº 3403-001.267, sessão de 06/10/2011: PASEP. TRANSFERÊNCIAS PARA O FUNDEF. As transferências recebidas do FUNDEF compõem a base de cálculo da contribuição por constituir transferência corrente, e as transferências realizadas para o citado fundo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição, por não ser o destinatário da transferência entidade pública, mas sim um fundo de natureza meramente contábil. Recurso negado.” Culminando a tendência dos julgamentos administrativos, a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF vem, de recentemente, decidir no sentido de que a Lei Complementar nº 08/70 não determina a exclusão desses valores da base de cálculo da contribuição, ao contrário, determina que incidirá a contribuição sobre todas as transferências governamentais, a uma alíquota de 2% (art. 2º, inciso II, alínea “b”, da LC nº 08/70). Ainda que esse valor vá para o FUNDEF, ele configura sim uma transferência e não há previsão legal para a exclusão do referido valor. (Processo nº 10120.008422/2004-52 – Recorrente: GOIÁS – GOVERNO DO ESTADO e FAZENDA NACIONAL). Sessão ocorrida nos dias 16, 17 e 18 de outubro de 2012. Diga-se, por pertinente, que a ocorrência de bitributação é evitada exatamente pela limitação da exclusão da base de cálculo apenas para recursos transferidos a outras entidades da Administração Pública, ou seja, aquelas dotadas de personalidade jurídica. Dessa forma, não há reparos a serem feitos na decisão de piso. 5. Da alegação de que os valores pagos a contribuintes individuais não estariam sujeitos à exigência lançada, diante da comprovação de recolhimento previdenciário até o teto do RGPS. Quanto a tributação de contribuintes individuais, o ente alega que os mesmos não foram apontados nas declarações por recolherem contribuição previdenciária sobre o teto do RGPS. Tal situação é rebatida pelo voto condutor do acórdão recorrido, nos seguintes termos : Resta evidenciado, portanto, que o segurado contribuinte individual que prestarem serviços a mais de uma empresa, e que, durante o mês, tiver sua contribuição descontada sobre o limite máximo do salário de contribuição, deverá comprovar o fato à empresa tomadora que, em decorrência, estará desobrigada de efetuar nova retenção, seja através da apresentação do comprovante de pagamento, seja através da emissão de declaração específica, ambos de arquivamento e guarda obrigatórios por parte da empresa contratante. Fl. 2195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 30 Neste sentido, a alegação de que os prestadores de serviços (contribuintes individuais) contribuíam pelo limite máximo em outras empresas exige a prova desta condição por parte da impugnante, para cada segurado, fato que não ocorreu. Ao contrário, o sujeito passivo não anexou aos autos sequer um único documento neste sentido, em que pese ter tido acesso à relação nominal de todos segurados abrangidos pelo lançamento, não tendo se desincumbido do ônus de provar os fatos por ela alegados, de que os segurados, tanto empregados como contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, já recolhiam pelo teto máximo em decorrência de descontos já realizados por outros empregadores. Assim correto o enquadramento, a tipologia do segurado e o lançamento efetuado. 6. Base de cálculo dos lançamentos com inclusão de verbas transitórias e indenizatórias não sujeitas a incidência das contribuições previdenciárias e cancelamento das multas aplicadas: O Município de Porto Seguro busca esclarecer que o questionamento sobre as alegadas divergências de valores apontadas e multas de infração, encontram supedâneo no afastamento de verbas de natureza puramente transitória/indenizatória, portanto, não podendo ser utilizada para compor a base de cálculo dos aludidos créditos previdenciários. Em oportuno traz-se aos autos as verbas destacadas para fins de afastamento de incidência. Todavia, a peça recursal, ao inovar neste tópico, trazendo questionamentos acerca de rubricas que não foram impugnadas, teve parte de seu recurso não conhecido, de sorte que se apresenta ao colegiado a matéria que fora objeto de apreciação pela DRJ. O acórdão recorrido assim enfrenta o tema: SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES De forma genérica, ou seja, sem identificar pontualmente cada uma das bases de cálculos de supostas e eventuais verbas trabalhistas consideradas tributáveis pela autoridade fiscal, já que tais rubricas não constam relacionadas em lançamentos específicos, a interessada alega que denominadas verbas pagas aos seus segurados são isentas. Em relação ao questionamento sobre os valores pagos aos funcionários relativos aos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença, cumpre esclarecer que, para o segurado empregado, o auxílio-doença será devido a partir do 16º dia de afastamento, enquanto que os primeiros quinze dias de afastamento a remuneração do trabalhador será suportada pelo empregador. Portanto, resta claro que os quinze dias iniciais não constituem benefício previdenciário e, portanto, trata-se de rendimento pago ao trabalhador pelo empregador. Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: Fl. 2196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 31 I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (destaques nossos) O mesmo entendimento se extrai do artigo 60, parágrafo 3º da Lei n.º 8.213/91, a seguir transcrito, possuem natureza salarial. Art. 60. O auxílio-doença será devido ao segurado empregado a contar do décimo sexto dia do afastamento da atividade, e, no caso dos demais segurados, a contar da data do início da incapacidade e enquanto ele permanecer incapaz. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) (...) § 3º Durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbirá à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) (...) Merece ser reproduzido, também, o artigo 86, parágrafo 2º da Lei n.º 8.213/91, que trata do auxílio-acidente. Art. 86. O auxílio-acidente será concedido, como indenização, ao segurado quando, após consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) § 2º O auxílio-acidente será devido a partir do dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença, independentemente de qualquer remuneração ou rendimento auferido pelo acidentado, vedada sua acumulação com qualquer aposentadoria. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) Assim, se, nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento, cabe à empresa pagar o salário, e sendo este o elemento nuclear do conceito de remuneração, forçoso é concluir que referida verba integra o campo de incidência das contribuições previdenciárias. Fl. 2197DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 32 (...) Quanto à alegação de que seria indevida a contribuição previdenciária sobre a remuneração de férias, aqui entendida como o valor das férias gozadas, e seu respectivo adicional constitucional de 1/3 (um terço), tem-se que igualmente não procede. Cabe observar que a remuneração de férias fruídas, na forma do artigo 7º, inciso XVII da Constituição Federal de 1988, com seu respectivo terço adicional, ou seja, a remuneração habitual acrescida de mais um terço, integra o salário-de- contribuição. A exceção fica por conta do § 9º, art. 28 da Lei nº 8.212/91, que elenca, para fins previdenciários, exaustivamente, as hipóteses de exclusão de incidência, autorizando, apenas, em sua alínea “d”, a não cobrança da referida contribuição na hipótese de se referir às férias indenizadas, o que não é o caso em apreço. Ademais, o citado adicional segue a natureza do principal ao qual se refere, ou seja, as férias, que não sendo indenizadas, representam remuneração auferida pelo trabalhador, e, por consequência, passível de incidência para a Seguridade Social. O Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, trouxe expresso tal entendimento no § 4º do art. 214: §4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o salário-de-contribuição. (...) Isso implica dizer que para o segurado do RGPS qualquer parcela destinada a retribuir o trabalho que não tenha sido excepcionada pelo art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/1991, integra o salário de contribuição, conforme inciso I do mesmo artigo, já reproduzido acima. No que concerne aos itens décimo terceiro salário e a remuneração no mês de férias, entendo que não merece qualquer reparo a manifestação trazida no voto condutor do acórdão recorrido, estando os fundamentos trazidos aderentes aos precedentes deste colegiado sobre o tema. Com relação ao terço constitucional de férias, vale mencionar que o STF reconheceu a constitucionalidade da incidência da contribuição no RE 1.072.485/PR, essa decisão teve modulação de efeitos ex nunc, a partir de 15/09/2020, conforme embargos de declaração julgados em 12/06/2024. Assim, como o presente caso trata de períodos de 2016 e 2017, o recorrente eventualmente estaria enquadrado na hipótese de exclusão do lançamento referente a tal verba, uma vez que restou fixado pelo Tema 985 do STF que é legítima a incidência de contribuição Fl. 2198DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 33 previdenciária sobre o terço constitucional de férias gozadas, ao considerar que este tem natureza salarial e habitual. Contudo, por segurança jurídica, esse entendimento, quando há questionamentos tempestivos, valerá apenas para fatos geradores a partir de 15/09/2020, data de publicação da ata do julgamento do mérito do RE nº 1.072.485, e não retroage. Ocorre que, no presente caso, em que pese o recorrente afirmar que teria anexado documentos de comprovação acerca das supostas verbas indenizatórias, a realidade fática demonstra que não fora juntada aos autos comprovantes de que as contribuições objeto da autuação incidiram sobre tais verbas. Resta evidenciado que o recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar documentalmente, para elidir do lançamento as parcelas que entende não serem passíveis de incidência de contribuições previdenciárias. Entendo que cabia ao recorrente comprovar suas alegações mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Em não o fazendo, não se desonerou do ônus probatório nos termos do artigo 373 da Lei nº 13.105 de 2015 (Código de Processo Civil)1, de modo não merecer qualquer reforma o acórdão recorrido neste ponto. Importa salientar que, não tendo sido sequer apresentadas as folhas de pagamento pela recorrente, tanto em sede de impugnação quanto em sede recursal, fica o julgador administrativo impossibilitado, mesmo que razoável seu pleito em relação ao mérito. Cabe destacar que incumbe ao interessado a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, não deve ser deferida a pretensão do recorrente. Dado que não trouxe as solicitadas folhas de pagamento (inclusive objeto de autuação) necessárias a demonstrar eventual crédito pleiteado. Alegar sem provar equivale a não alegar. Sem as devidas provas tendentes à demonstração fática de suposta inclusão indevida de valores de natureza indenizatória em base de cálculo de contribuição social e que, no mérito foram legitimados por decisão de Tribunais Superiores, sendo inviabilizada por omissão do contribuinte, o argumento não pode prosperar. Ademais, no tocante aos 15 dias iniciais do afastamento dos segurados por auxílio- doença ou auxilio doença acidentário e terço constitucional de férias, deve ser observado os autos 1 LEI Nº 13.105, DE 16 DE MARÇO DE 2015. Código de Processo Civil. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Fl. 2199DF CARF MF Original http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2013.105-2015?OpenDocument D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.812 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10540.726064/2019-07 34 do processo judicial 1018623-60.2019.4.01.3300 mencionado pelo recorrente, conforme se verifica no relatório a sentença e o despacho de arquivamento proferidos. Conforme se verifica, sendo o objetivo da referida ação judicial o reconhecimento da inexigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre as verbas citadas, do direito da recorrente de efetuar a compensação após o trânsito em julgado como a decisão final do Poder Judiciário obrigatoriamente deverá ser acatada no âmbito administrativo, não resta outro caminho a ser observado neste caso que não o que determina a Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por fim, com relação as multas aplicadas, a alegação trazida é genérica, correlacionando a impossibilidade de aplicação em razão da legitimidade da exclusão das verbas, de sorte que não merecer reparo o acórdão recorrido. 7. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias não impugnadas objeto de inovação recursal, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior Fl. 2200DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11274.720528/2023-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2019 INTEMPESTIVIDADE. Os prazos para apresentação de Recurso Voluntário são os previstos no artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972, que antes da vigência da Lei Complementar nº 227/2026, era de trinta dias. O não cumprimento dos prazos processuais implica na intempestividade do Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3102-004.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral - Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: JORGE LUIS CABRAL

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Os prazos para apresentação de Recurso Voluntário são os previstos no artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972, que antes da vigência da Lei Complementar nº 227/2026, era de trinta dias. O não cumprimento dos prazos processuais implica na intempestividade do Recurso Voluntário. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Fl. 1059DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.205 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720528/2023-08 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 108-044.282, proferido pela 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 08- DRJ08, que por unanimidade de votos julgou parcialmente procedente a Impugnação ao auto de infração. Por bem retratar os fatos, reproduzo o relatório do voto da Primeira Instância. 1. Trata-se de impugnação contra os lançamentos de ofício de PIS E COFINS, totalizando o montante de R$ 1.078.417,00 e R$ 4.967.254,57, respectivamente, relativo ao ano-calendário de 2019, com as seguintes infrações: (...) A ação fiscal foi decorrente de investigações acerca de um fornecedor do sujeito passivo com indícios de emitir notas fiscais “frias”, caracterizando-se como uma empresa “noteira”. De acordo com a autoridade fiscal:  A pessoa jurídica AGROINDUSTRIAL FERRAZ LTDA, nome de fantasia “CABRITOS DA FLORESTA”, é contribuinte com jurisdição na DRF Caruaru/PE;  No curso do procedimento fiscal foi realizada a diligência na pessoa jurídica Associação dos Agropecuaristas Cabritos da Floresta, CNPJ 02.134.825/0001-24, em virtude das operações de compras de mercadorias que envolviam os indícios que ocasionaram o procedimento fiscal em curso;  Nas fls. 28 a 48, a autoridade tributária discorre sobre todo o procedimento fiscal que antecedeu a lavratura dos lançamentos de ofício, demonstrando as infrações identificadas durante a fiscalização;  Nas fls. 48 a 52 discorre sobre o Ofício nº 8/DRF/REC/RFB ao Cartório Único de Floresta/PE;  Nas fls. 52 a 58 discorre sobre a diligência na Associação dos Agropecuaristas Cabritos da Floresta, CNPJ 02.134.825/0001-24;  Nas fls. 59 a 62 discorre sobre a Escrituração Contábil Fiscal – ECF do ano-calendário 2019;  Nas fls. 62 a 66 discorre sobre as EFD Contribuições Mensais do ano de 2019;  Com base na análise de todos os documentos e informações obtidos durante o procedimento fiscal, a fiscalização constatou as seguintes irregularidades na impugnante:  Primeiramente cabe destacar que a Agroindustrial Ferraz Ltda comprava regularmente peles de cabra e carneiro salgadas de pessoas físicas, como estas últimas não emitiam notas fiscais pelas suas vendas, obrigatoriamente a Agroindustrial Ferraz Ltda emitia NF-e de entrada de mercadorias adquiridas de pessoas físicas com o “CFOP 1101 – Compra para industrialização ou produção rural”;  Em 2019 foram emitidas NF-e de entradas de mercadorias adquiridas de PF no total de R$ 4.859.700,00, representando 724.500,00 unidades de peles vendidas;  Em relação à Associação dos Agropecuaristas Cabritos da Floresta foram emitidas NF de vendas de peles de cabra e carneiro salgadas para a impugnante no montante de R$ 29.371.409,50 (1.219.200 - peles de cabra e 2.373.578 - peles carneiro), ou seja, 3.592.598 peças vendidas.  Em 23/01/2019, onde foi incluído dentre os objetivos da Associação “a criação de caprinos como uma das atividades desempenhadas pela associação”, veja que a partir de 28/01/2019 ela começou a vender peles de cabra e carneiros para a Agroindustrial Ferraz Ltda.  Já no dia 31/01/2019 é alterado novamente o estatuto para constar comércio atacadista de couros, lãs, peles e outros produtos não comestíveis de origem animal;  Até 31/01/2019, a Associação tinha emitido R$ 1,5 milhão em vendas de peles de cabra e carneiro salgadas para a Agroindustrial Ferraz, sem a devida inscrição estadual e sem o devido credenciamento para emissão de NF-e no ICMS;  A Associação dos Agropecuaristas Cabritos da Floresta foi moldada para emitir notas fiscais eletrônicas – NF-e de vendas de mercadorias em valores milionários em favor da Agroindustrial Fl. 1060DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.205 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720528/2023-08 3 Ferraz Ltda, não tendo movimentação financeira, conta corrente bancária e empregados registrados;  Sob o manto da isenção do IRPJ/CSLL emitia NF-e de vendas em dezenas de milhões de reais única e exclusivamente para a Agroindustrial Ferraz sem se preocupar em recolher estes tributos, contudo, esqueceram que o fato de ser isenta na apuração do IRPJ/CSLL não a desobrigava de apresentar as escriturações digitais exigidas pela legislação;  O próprio sócio da Agroindustrial Ferraz Ltda, o Sr. Adriano Ferraz Gomes, foi o responsável direto pela arquitetura de como a associação deveria funcionar, presidindo-a quando assumiu a associação junto com os seus empregados e os empregados de outras empresas do grupo econômico do qual a sua filha era sócia (vide parágrafos 22. a 39);  Alegaram a impugnante e a diligenciada que os pagamentos pelas mercadorias vendidas eram repassados em dinheiro diretamente aos associados (respostas da Agroindustrial Ferraz) e não associados (resposta da Associação), contudo restou comprovado pela fiscalização que:  Não há registros contábeis de tais pagamentos a pessoas físicas;  Os cheques apresentados nas diversas respostas, quando autenticados pelas instituições financeiras foram compensados no sistema bancário, o que contradiz a informação de pagamento em dinheiro;  As cópias dos cheques apresentados sem autenticação das instituições financeiras desacompanhados dos extratos bancários não provam nada.  Apuração Lucro Real Anual x Trimestral: O sujeito passivo apurou o Lucro Real Anual e conforme já demonstrado nos parágrafos 51. e 52, apurou as estimativas mensais com base na receita bruta, apurando-se o Imposto de Renda e a CSLL devidos mensais já a partir do mês de janeiro de 2019, no entanto, não recolheu e nem declarou os valores do Imposto de Renda e da CSLL devidos em DCTF;  O §5º do art. 37 da Lei nº 8.981, de 1995 estabelece que a pessoa jurídica optante à apuração pelo lucro real anual deve efetuar mensalmente, no curso do ano-calendário, recolhimento por estimativa, segundo os arts. 27 a 34 dessa Lei, ou efetuar os balancetes de redução ou suspensão.  Assim, a pessoa jurídica que não efetuar o pagamento do Imposto de Renda e da CSLL, devidos no curso do ano-calendário ou não demonstrar, por balanços ou balancetes de suspensão ou redução, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive o adicional, calculado com base no lucro real do período em curso, está sujeito à apuração trimestral do imposto (regra geral);  No presente caso o sujeito passivo calculou as estimativas mensais com base na sua receita bruta e apurou os valores do Imposto de Renda e da CSLL devidos já a partir do mês de janeiro de 2019, mas não os recolheu;  A lei estabelece uma única condição para manifestação da opção pela sistemática de apuração pelo lucro real anual, pagamento da estimativa de janeiro.  Assim a apresentação da ECF e mesmo a simples indicação em DCTF da referida sistemática não são condições suficientes para determinação da opção. Desta forma, a apuração pelo Lucro Real Anual por parte do sujeito passivo não teve nenhum efeito, já que não houve o recolhimento do Imposto de Renda e da CSLL por estimativa mensal em janeiro ou o levantamento de balanço de redução/suspensão para demonstrar que não houve tributos devidos mensalmente, então não houve a manifestação da apuração pelo Lucro Real Anual e deveria ter sido apurado o Lucro Real Trimestral, que é a regra geral;  Os valores totais do IRPJ e da CSLL apurados A PAGAR na apuração trimestral não divergiram do valor apurado pelo sujeito passivo na apuração anual, até porque foi mantido o mapeamento que o próprio sujeito passivo escriturou na sua ECF, mas estes valores apurados A PAGAR do IRPJ e da CSLL serão lançados no Auto de Infração como insuficiência de recolhimento, já que os valores do IRPJ e da CSLL apurados a PAGAR na apuração anual não foram declarados em DCTF e nem foram recolhidos via DARF pelo sujeito passivo;  apurado é a venda de mercadorias da Associação para o impugnante (AC 2019), no montante de R$ 29.371.409,50; Fl. 1061DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.205 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720528/2023-08 4  A impugnante somente escriturou os pagamentos destas compras de mercadorias via conta contábil “35 - Caixa Matriz”, a partir do dia 11/12/2019, totalizando o valor de R$ 1,5 milhão de reais;  Foi comprovado que a Associação só vendeu mercadorias exclusivamente para a impugnante e, mesmo sem ter adquirido nada nos últimos anos, vendeu nos últimos 3 (três) dias de janeiro para a impugnante mais de R$ 1,5 milhões de peles de cabras e carneiros, sem, no entanto, ter recebido nenhum pagamento por tais vendas;  Restou comprovado que o total de peles compradas (AC 2019), de acordo com as Notas Fiscais Eletrônicas – NF-e emitidas pela Associação, foi de 3,6 milhões de peças de pele de caprinos e ovinos.  Ocorre que a impugnante vendeu em 2019, aproximadamente 1,3 milhões de peças manufaturadas decorrentes da transformação e/ou beneficiamento das peles compradas de seus fornecedores;  Nas fls. 74 constata-se que as compras oriundas da referida Associação foram reduzidas drasticamente nos anos seguintes, mas os estoques foram mantidos estáveis no decorrer destes anos, o que significa que o sujeito passivo tinha um grande estoque de peles, sem repassar ou vendê- los a terceiros, o que denota os indícios de que estes estoques formados por estas compras específicas eram fictícios;  Na resposta ao TIF 2 foi apresentada uma declaração da contadora do sujeito passivo informando que apropriou indevidamente como suprimento de caixa diversos cheques no valor total de R$ 4,9 milhões, quando na realidade era para ter sido contabilizado como “Pagamento de Fornecedor da Associação”.  Em relação à questão do suprimento de caixa esclareço que mesmo com a justificativa da Sra. Contadora, os valores de cheques apresentados na resposta como supostos pagamentos aos associados totalizou um pouco mais R$ 280 mil, bem aquém dos quase R$ 30 milhões de compras de peles de ovinos e caprinos à referida associação;  Com fundamento no Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 7º, § 1º, não há como considerar o custo de aquisição das mercadorias revendidas com base nas notas fiscais emitidas Associação dos Agropecuaristas Cabritos da Floresta no valor total de R$ 29.371.409,50 incorridos em 2019;  Somente são dedutíveis para fins de apuração do lucro real os custos e as despesas que, além de necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, forem documentalmente comprovadas;  Incumbe ao sujeito passivo comprovar perante o Fisco, não só a efetivação do pagamento do preço consignado na nota fiscal, mas também o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, a exemplo do disposto no § único do art. 82 da Lei n.º 9.430, de 1996, o que não ocorreu no presente caso;  Desta forma, os valores lançados no Auto de Infração são os demonstrados abaixo, pelo fato do sujeito passivo não ter comprovado documentalmente os custos decorrentes de pagamentos a fornecedor: (...)  ente, também no presente caso, cabe a glosa dos créditos utilizados na apuração da não cumulatividade do PIS/Cofins;  Nas fls. 76 a 80 deste processo, tomando-se por base os valores contabilizados como custos com o fornecedor Associação dos Agropecuaristas Cabritos da Floresta com indícios de fraude, conforme explanado anteriormente (EFD Contribuições mensais), a apuração das EFD Contribuições mensais do ano de 2019, foram demonstrados os valores devidos de PIS e COFINS;  É fato que os valores lançados de IRPJ e CSLL foram desmembrados para outro processo de nº 11274.720527/2023-55. DA MULTA APLICADA  A fiscalização aplicou a multa de 75% mais a qualificadora, tendo em vista todos os fatos narrados no TVF, totalizando 150%;  A previsão legal da multa de 150% encontra-se no art. 44, §1° da Lei nº 9.430, de 1996 e Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964; DA SUJEIÇAO PASSIVA SOLIDÁRIA Fl. 1062DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.205 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720528/2023-08 5  O fato de ter contabilizado pagamentos em dinheiro em dezembro de 2019 à Associação dos Agropecuaristas Cabritos da Floresta por mercadorias inexistentes, utilizando-se de notas fiscais eletrônicas “frias”;  Ter deduzido da apuração do lucro líquido estes supostos custos como forma de diminuir o seu lucro;  Ter aproveitado créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins inexistentes, com tais condutas automaticamente deixou de pagar menos tributos, caracterizando-se a sonegação;  Contabilizar pagamentos na sua contabilidade, pagamentos estes não comprovados materialmente por ele, mesmo tendo sido intimado várias vezes a comprová-los, configura-se fraude;  Não ter demonstrado efetivamente a compra de insumos contabilizados;  Tais pagamentos foram baseados em contabilização cujos lançamentos não foram comprovados documentalmente;  Ter simulado compras e a partir de dezembro de 2019 contabilizando pagamentos, com uma Associação com fortes indícios de ter sido moldada a partir de 2016, ano em que o sócio do sujeito passivo a assume como presidente, com o único intuito de emitir notas fiscais inidôneas (“frias”);  Diante disso, ocorreu a qualificação das multas sobre os diversos créditos constituídos e ficou caracterizada a responsabilidade solidária do sócios-administrador do sujeito passivo, o Sr. ADRIANO FERRAZ GOMES, CPF 775.835.904-34, com base no art. 135, III do CTN;  Abaixo seguem mais condutas do Sr. Adriano identificadas durante a fiscalização:  Assumiu a Associação dos Agropecuaristas Cabritos da Floresta em 2016 como presidente e alterando o seu estatuto para moldá-la como fornecedora de peles de caprinos e ovinos, matéria- prima principal da Agroindustrial Ferraz Ltda, pessoa jurídica que em 2016 ele era o responsável e assumiu a sociedade em 2017;  Incluiu como associados da Associação pessoas físicas que tinham uma relação de subordinação hierárquica (empregados) com pessoas jurídicas pertencentes à sua filha;  Utilizou de notas fiscais eletrônicas inidôneas emitidas pela referida Associação para elidir os tributos devidos pela Agroindustrial Ferraz Ltda ao criar custos fictícios no valor total de quase R$ 30 milhões;  Tinha conhecimento de que a Associação não pagaria o ICMS devido sobre as vendas de peles de cabra e carneiro devido à legislação do ICMS do Estado de Pernambuco, diferindo o pagamento para a própria Agroindustrial Ferraz Ltda, que por sua vez não pagaria o ICMS diferido em sua quase totalidade em virtude das saídas das mercadorias para outros Estados da Federação, com tributação mais favorecida pela legislação do ICMS;  Utilizou a figura da Associação como entidade isenta para emissão de notas fiscais inidôneas, como forma de não recolher os tributos federais devidos e a não apresentação das obrigações acessórias que era obrigada a apresentar;  Utilizou da escrituração contábil e fiscal no âmbito federal por parte da Agroindustrial Ferraz Ltda como forma de dar uma aparência de regularidade das operações entre esta pessoa jurídica e a Associação dos Agropecuaristas Cabritos da Floresta; Assim decidiu a Autoridade Julgadora de Primeira Instância: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2019 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente sua peça impugnatória. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. PROVA DOCUMENTAL NÃO APRESENTADA COM A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. O pedido de perícia pode ser indeferido pela autoridade julgadora, quando for prescindível para o deslinde do litígio, como é o caso em que os lançamentos sobre as quais o contribuinte, ainda que regularmente intimado, não tenha apresentado as provas exigidas pela legislação para comprovar os fatos alegados. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 1063DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.205 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720528/2023-08 6 Ano-calendário: 2019 GLOSA DE CRÉDITOS. INSERÇÃO ARTIFICIAL DE CUSTOS NA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NOTAS INIDÔNEAS (“FRIAS”). Uma vez comprovada a inserção artificial de custos na escrituração comercial e fiscal, por meio de compras fictícias de mercadorias valendo-se de notas inidôneas (“notas frias”), deve ser mantida a glosa. CONTABILIDADE IRREGULAR. PROVA CONTRA O CONTRIBUINTE. INTELIGÊNCIA DO ART. 226 DO CÓDIGO CIVIL. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2019 GLOSA DE CRÉDITOS. INSERÇÃO ARTIFICIAL DE CUSTOS NA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NOTAS INIDÔNEAS (“FRIAS”). Uma vez comprovada a inserção artificial de custos na escrituração comercial e fiscal, por meio de compras fictícias de mercadorias valendo-se de notas inidôneas (“notas frias”), deve ser mantida a glosa. CONTABILIDADE IRREGULAR. PROVA CONTRA O CONTRIBUINTE. INTELIGÊNCIA DO ART. 226 DO CÓDIGO CIVIL. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2019 ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 135, III do CTN. Cabe a responsabilização tributária solidária, com base no art. 135, III do CTN, dos administradores que tenham praticado diretamente ou tolerado a prática do ato abusivo e ilegal quando em posição de influir para sua não ocorrência. MULTA. CONFISCO. DESCABIMENTO. A vedação ao confisco insculpida na Carta Magna é dirigida ao legislador ordinário, que o deve considerar quando da elaboração das disposições normativas, e não ao aplicador da lei, que a ela deve obediência. MULTA DE OFÍCIO. 150% (CENTO E CINQUENTA POR CENTO). EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Correta a aplicação da multa de 150%, quando resta provado nos autos que a pessoa jurídica efetuou compras fictícias de mercadorias utilizando-se de notas fiscais inidôneas (“notas frias”). MULTA. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. A nova regra mais benéfica, prevista na Lei 14.689/2023, acerca da redução da multa de 150% para 100%, deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106, II "c" do CTN (retroatividade benigna de penalidade). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Recorrente AGROINDUSTRIAL FERRAZ tomou ciência da Decisão de Primeira Instância no dia 04 de setembro 2024, e apresentou Recuso Voluntário no dia 1º de novembro de 2024. O Recorrente ADRIANO FERRAZ GOMES tomou ciência da Decisão de Primeira Instância no dia 02 de setembro de 2024, e apresentou Recurso Voluntário conjunto com a outra Recorrente. Em seu Recurso Voluntário alega o seguinte: I. Irregularidade da intimação do resultado do julgamento da Primeira Instância, por inconsistência na assinatura da intimação à AGROINDUSTRIAL e por ter enviado a intimação ao endereço errado para o Recorrente ADRIANO FERRAZ. Fl. 1064DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.205 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720528/2023-08 7 II. Nulidade do julgamento de Primeira Instância por cerceamento do direito de defesa, em virtude da DRJ ter indeferido prova pericial ou pedido de diligência. III. A Autoridade Tributária que realizou o lançamento seria incompetente para a jurisdição da Recorrente. IV. As operações objeto do auto de infração de fato ocorreram. V. Os documentos fiscais apresentados eram idôneos e referiam-se a operações que de fato ocorreram. VI. A declaração de inaptidão não poderia perpassar o CNPJ indicado como inapto. VII. O lançamento não excluiu o ICMS da base de cálculo das contribuições. VIII. Considerações sobre o efeito de confisco e da capacidade contributiva. IX. A multa qualificada é inaplicável. X. A responsabilidade dos sócios é inaplicável. Por fim, apresenta o seguinte pedido: Frente a todo o exposto e ao saber dos eméritos julgadores, considerando a plena demonstração da existência das operações cuja inexistência serviu de premissa para a construção de toda a acusação fiscal, assim como também pela demonstração inequívoca da boa-fé das partes recorrentes, pugna pelo conhecimento e TOTAL PROVIMENTO do presente recurso, nos seguintes termos: a.O acolhimento das preliminares para reconhecer a tempestividade do recurso e a nulidade do acórdão vergastado, por latente cerceamento de defesa, com a consequente determinação de retorno dos autos à origem para reabertura da instrução processual, mormente para a realização de prova pericial para demonstrar (1) a relação pele salgada/metro wetblue; (2) a utilização dos insumos na fabricação e (3) a condição de produtores rurais dos associados; e também de perícia contábil acerca do centro de custos dos produtos acabados, da base e da metodologia de recomposição da base de cálculo, nomeando-se, desde já a Sra. KARINA MORAIS FERRAZ DE LIMA E SOUSA, contadora inscrita no CRC/PE sob o n. 022044/O-1, portadora da cédula de identidade de n. 5.423.272, expedida pela SDS/PE, inscrita no CPF/MF sob o n. 033.335.694-26, com endereço profissional na Praça Major João Novaes, 273, Centro, Floresta (PE), servida pelos telefones (87) 3877.1292 e (81) 9.9643.1656, formulando-se, desde já, os seguintes quesitos: (1) Todos os pagamentos listados na planilha em anexos estão contabilizados na ECF? (2) A diferença entre o valor pago e o valor devido está lançada na conta do passivo de fornecedores? (3) Qual a base de Cálculo e a metodologia para recomposição do lucro líquido tributável? E da atualização monetária e juros moratórios? (5) Qual o valor dos custos expurgando a diferença não paga? (3) Qual o valor quando calculado a partir da presunção de custo? Tudo isso sem prejuízo da formulação de outros no momento da oportuna peça de aditamento ao presente petitório. – b.Caso seja superada a preliminar anterior, que, no mérito, seja dado TOTAL PROVIMENTO ao presente recurso para, por honra à legalidade, (1) acolher as preliminares suscitadas na impugnação para que sejam os Autos de Infração de Tributário ora em análise, a um só tempo ilegal, irregular e inconsistente, declarado como nulo de pleno direito; e, ad argumentandum tantum, na hipótese de superação das nulidades, que seja Fl. 1065DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.205 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720528/2023-08 8 considerado IMPROCEDENTE o ato administrativo ora contestado e, como consequência, que as penalidades dele decorrentes sejam canceladas; – c. Que os recorrentes sejam intimados, nos termos da Lei 9.784/99, de todos os atos do processo, mormente do julgamento deste, por ser de direito e demais lídima Justiça; d.Por fim, com fundamento no art. no art. 272, §5º do NCPC, postula-se que as notificações, intimações e/ou publicações deste feito sejam expedidas em nome do Dr. JOÃO ALVES DE MELO JÚNIOR, brasileiro, solteiro, advogado, portador da Cédula de Identidade de n. 6.353.616 (SSP/PE), inscrito no CPF/MF sob o n. 048.722.534-18, inscrito na OAB/PE sob o n. 24.277-D, sócio da ALVES DE MELO ADVOGADOS ASSOCIADOS, sociedade de advogados inscrita na OAB/PE, no livro próprio B-7, sob o n. 1.070 (mil e setenta), e no CNPJ/MF sob o n. 08.730.141/0001-71, com endereço profissional na Av. Dantas Barreto, 191, Salas 310/312/314, no bairro de Santo Antônio do Município de Recife, capital do Estado de Pernambuco, sob pena de nulidade. Este é o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Luís Cabral, Relator O Recurso Voluntário é intempestivo e, portanto, dele não tomo conhecimento. O Recurso Voluntário apresenta preliminar pela defesa da tempestividade de sua interposição baseada nos fatos alegados de que a intimação à Recorrente AGROINDUSTRIAL FERRAZ foi feita de forma irregular por estar assinada por pessoa diversa da responsável pelo procedimento fiscal, e quanto ao solidário ADRIANO FERRAZ, a notificação da Decisão de Primeira Instância teria sido enviada a endereço diferente do que consta aos autos como qualificação do sócio. O despacho às e.fls 1047 a 1049, determina que a intimação do resultado do julgamento de Primeira Instância foi corretamente notificada à AGROINDUSTRIAL FERRAZ pois a intimação foi assinada por servidora da equipe de contencioso nacional, mas que o Acórdão possui as assinaturas dos julgadores de Primeira Instância. Com relação ao responsável solidário, ADRIANO FERRAZ, o referido despacho informa que o endereço utilizado foi o informado ao domicilio tributário eleito pelo próprio contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF, conforme tela copiada no documento, e entregue em 30/05/2024. De acordo com o despacho de e.fls. 1.047 a 1.049, o Recurso Voluntário é intempestivo e, portanto, não tomo conhecimento do mesmo. Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral Fl. 1066DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.205 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11274.720528/2023-08 9 Fl. 1067DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11456234 #
Numero do processo: 10580.721798/2015-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. ENFRETAMENTO DA MATÉRIA. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, no sentindo de corrigir a fundamentação do voto, apenas no sentido de enfrentar a matéria, não modificando o julgado. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado.
Numero da decisão: 2002-010.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Assinado Digitalmente Rafael de Aguiar Hirano - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Marcelo de Sousa Sateles (substituto[a] integral), Rafael de Aguiar Hirano (Presidente)
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA

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OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. ENFRETAMENTO DA MATÉRIA. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, no sentindo de corrigir a fundamentação do voto, apenas no sentido de enfrentar a matéria, não modificando o julgado. PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Fl. 294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.366 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.721798/2015-91 2 Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Assinado Digitalmente Rafael de Aguiar Hirano – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Marcelo de Sousa Sateles (substituto[a] integral), Rafael de Aguiar Hirano (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo às contribuições previdenciárias correspondentes a diferença de alíquota GILRAT. De acordo com o Relatório Fiscal (e-fls.56/60), extrai-se: Esclarece o Auditor Fiscal notificante que o contribuinte exerce atividade cujo CNAE é de código 4511-1/04, relativo a Comércio por Atacado de Caminhões Novos e Usados, com alíquota de SAT é de 2% (dois por cento), sendo para o ano de 2011 o índice FAP de 1,3992. O índice de multiplicação do FAP foi divulgado pelo Ministério da Previdência Social (MPS). O contribuinte, entretanto, utilizou o FAP – Fator Acidentário de Previsão correspondente a 1,0000, passando a declarar e recolher a contribuição devida a título de SAT Ano percentual de 2,0000%, quanto o correto seria 2,7984 (2% x 1,3992). Acosta planilhas para demonstrar a apuração das diferenças (fls. 61/62), esclarecendo seu conteúdo e forma de apuração da contribuição devida. As bases de cálculo do lançamento são as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, apuradas nas GFIP entregues pelo contribuinte, conforme relacionado na coluna “C” das planilhas acima citadas. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, esta egrégia 2ª Turma Extraordinária da 2ª Seção, em 25 de julho de 2025, por unanimidade de votos, achou por bem conhecer do recurso da contribuinte para negar-lhe provimento, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2002-009.439. Irresignada, a Contribuinte opôs Embargos de Declaração, às e-fls. 274/280, com fulcro no artigo 116 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, pugnando pela sua reforma em virtude dos seguintes pontos: Fl. 295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.366 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.721798/2015-91 3 1.Omissão e obscuridade quanto à análise do argumento relativo à nulidade do acórdão da DRJ; 2.Omissão e obscuridade quanto à incompetência da Administração Tributária para revisão do Fator Acidentário de Prevenção (FAP); e 3.Omissão e obscuridade quanto à análise dos argumentos suscitados nos parágrafos 51 ao 78. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração. Submetido à análise de admissibilidade, por parte do nobre Conselheiro Marcelo de Sousa Sateles, este entendeu por bem acolher parcialmente o pleito da contribuinte inscrito nos Embargos de Declaração, o admitindo APENAS em relação ao item 1 (omissão quanto à análise do argumento relativo à nulidade do acórdão da DRJ), propondo inclusão em nova pauta de julgamento para sanear a omissão apontada, nos termos do Despacho de e-fls. 285/292. É o relatório. VOTO Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte que sejam conhecidos seus Embargos, insurgindo-se contra o Acórdão recorrido, por entender ter ocorrido omissão e obscuridade na fundamentação do voto. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito das omissões e obscuridades apontadas, de modo a corrigir a conclusão do julgado. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs o acolhimento dos presentes Embargos, constata-se que, o Acórdão guerreado incorreu APENAS em uma única omissão, qual seja: omissão quanto à análise do argumento relativo à nulidade do acórdão da DRJ (item 1). Dito isto, passaremos a analisar o vício, vejamos: Da Nulidade da Decisão de 1° Instância Fl. 296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.366 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.721798/2015-91 4 A contribuinte suscita preliminarmente a nulidade da decisão de primeira instância por não ter avaliado o pedido constante da impugnação, especificamente quanto a natureza das verbas. Destarte, é direito da contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, bem como quanto a decisão de piso, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento e a decisão não foram devidamente fundamentados na legislação de regência. Concebe-se que o Acórdão da DRJ foi lavrado de acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, dispostas nos artigos 9° e 10° do Decreto n° 70.235/72 (com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/93), não se vislumbrando nenhum vício de forma que pudesse ensejar nulidade do lançamento. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade são as previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões preferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Ademais, contrariamente ao que alega a contribuinte, observamos que os argumentos constantes da impugnação foram apreciados e rechaçados pelo julgador de primeira instância. Especificamente quanto a eventuais verbas não remuneratórias, a decisão de piso foi expressa ao enfrentar a matéria, veja-se: 12.1 Finalmente, devemos esclarecer que o presente lançamento não contêm levantamentos decorrente verbas não-remuneratórias, como as citadas pelo contribuinte em sua peça de defesa, a saber: (...). Como já acima esclarecido, as bases de cálculo utilizadas foram os valores declarados pelo próprio contribuinte em GFIP como salário de contribuição. (...) Não sendo o bastante, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. Logo, em face do exposto, rejeito o pedido de nulidade da decisão de primeira instância. Conclusão Por todo o exposto voto no sentido rejeitar embargos de declaração. Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.366 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.721798/2015-91 5 Fl. 298DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10120.900019/2016-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jul 20 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 PIS/COFINS. CRÈDITO. FRETES DE PRODUTOS ACABADOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. PIS/COFINS. CRÈDITO. DESPESAS PORTUÁRIAS NA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 232. As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas.
Numero da decisão: 9303-017.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, e Régis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 PIS/COFINS. CRÈDITO. FRETES DE PRODUTOS ACABADOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. PIS/COFINS. CRÈDITO. DESPESAS PORTUÁRIAS NA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 232. As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, e Régis Xavier Holanda (Presidente).

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Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 PIS/COFINS. CRÈDITO. FRETES DE PRODUTOS ACABADOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. PIS/COFINS. CRÈDITO. DESPESAS PORTUÁRIAS NA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 232. As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso, para, no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Relator Fl. 597DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.377 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10120.900019/2016-11 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, e Régis Xavier Holanda (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra a decisão consubstanciada no Acórdão no 3302-014.596, de 19/06/2024 (fls. 478 a 498)1: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 CONCEITO DE INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170. Nos termos do julgamento do REsp 1.221.170, sob o rito dos repetitivos, o conceito de insumos previsto no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância de determinado bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica produtiva desempenhada pelo contribuinte. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA. POSSIBILIDADE. Na forma do art. 3º, §4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.CONTRIBUINTE. Tratando-se de processo de iniciativa do contribuinte é dele o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado.” “Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas relativas aos gastos com (i.1) serviços de armazenagem, (i.2) fretes, devidamente comprovados, na transferência de produtos entre estabelecimentos, e (i.3) peças de reposição e manutenção de máquinas; e, (ii) por maioria de votos, para reverter as glosas relativas aos gastos com (ii.1) elevação para transportar a soja e o milho para dentro do portão do navio, vencidos os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares e Francisca Elizabeth Barreto, e (ii.2) descarregamento da soja/milho nº armazém, vencida a conselheira Francisca Elizabeth Barreto”. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (e-processos). Fl. 598DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.377 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10120.900019/2016-11 3 Breve síntese do processo O processo versa sobre Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação – PER/DCOMP, no valor de R$ 516.371,16, relativo a crédito de COFINS apurado no regime da não cumulatividade-exportação, em relação ao 3º trimestre de 2009. Foram glosados os fretes que não se referiam a operações de venda, ou transporte de insumos, créditos com arrendamento mercantil, bens e serviços não enquadráveis como insumos, e créditos extemporâneos, resultando em reconhecimento apenas parcial do crédito solicitado. Cientificado do despacho decisório resultante da análise do crédito, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) o despacho é nulo, por cerceamento do direito de defesa; (b) o conceito de insumo é mais alargado que o utilizado pelo fisco, e abrange qualquer bem aplicado ou consumido na produção ou fabricação, sendo ligado à atividade exercida; (c) as análises laboratoriais e as despesas com manutenção são indispensáveis para a atividade; (d) os lubrificantes e combustíveis são utilizados no maquinário agrícola; (e) os gastos com serviços portuários e aduaneiros são necessários à operação logística de embarque para exportação; (f) é legítimo o crédito de fretes de transferência de soja em grãos dos estabelecimentos produtivos e nas remessas para armazém e depósito; e (g) em relação a “saídas-mercado interno” a soja e o milho em, grãos, com saída suspensa, por força da Lei 12.350/2010, o estorno de crédito deve ser restrito ao insumo. No julgamento de primeira instância, a DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, por unanimidade de votos, em síntese, sob os seguintes fundamentos: (a) não houve nulidade, tendo sido claramente descritos os fatos e as infrações detectadas; (b) o conceito de insumos está atrelado à essencialidade e à relevância, conforme Parecer Normativo COSIT RFB 5/2018; (c) os gastos com aferição da qualidade do produto, assim como as despesas com combustíveis, podem gerar créditos quando comprovadamente relacionados ao processo produtivo, sendo ônus do postulante tal comprovação; (d) os gastos com desembaraço aduaneiro na exportação não geram crédito das contribuições não cumulativas, por falta de amparo legal; (e) fretes de transferência de insumos geram créditos, mas devem ser comprovados pelo postulante; (f) não há previsão para créditos em relação a aluguel de veículos; e (g) a fruição de créditos extemporâneos exige a retificação de declarações de demonstrativos. Em recurso voluntário, a empresa reitera as alegações de defesa em relação a fretes na transferência de produtos acabados e em elaboração, serviços portuários/aduaneiros, partes e peças de reposição, e créditos extemporâneos, acrescentando que o Acórdão da DRJ seria nulo por não apreciar laudo da ESALQ Junior Consultoria em Ciências Agrárias, e que haveria erro de cálculo em relação a crédito sobre ativo imobilizado. Fl. 599DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.377 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10120.900019/2016-11 4 No âmbito do CARF, foi exarada a decisão consubstanciada no Acórdão no 3302- 014.596, de 19/06/2024, que, como exposto ao início (agora com destaque para as matéria que remanescem em debate): (a) por unanimidade de votos, reverteu as glosas relativas aos gastos com serviços de fretes, devidamente comprovados, na transferência de produtos entre estabelecimentos; e (b) por maioria de votos, reverteu as glosas relativas aos gastos com elevação para transportar a soja e o milho para dentro do portão do navio, vencidos os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares e Francisca Elizabeth Barreto, e descarregamento da soja/milho no armazém, vencida a conselheira Francisca Elizabeth Barreto. Da matéria submetida à CSRF A Fazenda Nacional, ciente da decisão do CARF, apresentou Recurso Especial apontando divergência jurisprudencial com relação às seguintes matérias: (i) Serviços de carga e descarga e demais serviços portuários (indicando como paradigmas os Acórdãos 9303-011.000 e nº 3401-011.073); e (ii) Fretes de produtos acabados entre estabelecimentos (tendo como paradigmas os Acórdãos no 3403-003.163 e nº 3301-004.278, este integrado pelo Acórdão de Embargos nº 3301-005.705). No exame monocrático de admissibilidade (fls. 532 a 540), entendeu-se caracterizada a divergência para os dois itens. Em contrarrazões (fls. 550 a 573) o Contribuinte defende a inadmissibilidade do recurso, pois houve manifestação em laudo pericial quanto à essencialidade e relevância dos itens para as atividades da empresa, destacando as atividades de “pulverização, carga e descarga de big bags contendo insumos, escarificação, distribuição de corretivos e condicionadores de solo, aração, gradagem, plantio, colheita e terraceamento”, despesas com serviços portuários na exportação, e fretes de produtos acabados entre estabelecimentos. Alega ainda a ausência de similitude entre os acórdãos paradigma e recorrido, e, no mérito, subsidiariamente, que deve ser mantido o acórdão recorrido nos itens que são objeto de recurso fazendário. Em 23/10/2025 o processo foi distribuído a este Conselheiro, mediante sorteio, para relatoria e submissão ao Colegiado da análise do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório. VOTO Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. Do Conhecimento O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, conforme consta do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial. Cabe, no entanto, a nosso ver, tecer Fl. 600DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.377 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10120.900019/2016-11 5 considerações adicionais sobre a admissibilidade, tendo em conta as alegações de contrarrazões pelo não conhecimento do apelo fazendário. Em relação ao primeiro tema (Serviços de carga e descarga e demais serviços portuários), o voto condutor do acórdão recorrido assevera: “Quanto às despesas com serviços portuários/aduaneiros, entendeu a DRJ por manter a glosa efetuada pela fiscalização, em razão da ausência de previsão legal expressa do referido crédito no âmbito da não cumulatividade. A Recorrente, por sua vez, defende que os gastos com serviços aduaneiros para uma empresa preponderantemente exportadora são essenciais, cruciais e necessários para organização logística e para embarque com finalidade de fazer chegar as mercadorias ao consumidor final localizado em outro país. (...) Nesse cenário, por não haver outra fase entre a produção/fabricação e a venda de determinados produtos, os gastos com (i) armazenagem das mercadorias e (ii) transporte (elevação) das mercadorias para navio destinadas ao exterior, enquanto em etapa anterior àquela de venda, deve ser analisado sob a ótica do inciso II, do art. 3º, das Leis nsº 10.637/02 e 10.833/03. A venda é o momento em que o sujeito passivo aufere a receita que será tributada, de modo que, até aquele momento, os gastos essenciais e relevantes para que tal operação possa ser executada devem ser reconhecidos como insumos. A operação de venda, em sentido estrito, é tratada em um inciso próprio, qual seja, o inciso IX. É que a partir daquele momento, findar-se-ia a atividade produtiva elencada no inciso II, não podendo mais os serviços de fretes serem analisados sob aquela ótica. Nessa linha, não haveria qualquer racionalidade em uma interpretação que negasse o direito ao creditamento em relação ao serviço de armazenagem das mercadorias e transporte (elevação) das mercadorias para navio destinadas ao exterior, apenas por não se enquadrar especificamente na hipótese prevista no inciso IX.” (grifo nosso) Vê-se, portanto, que o crédito de serviços de carga e descarga e demais serviços portuários foi concedido pelo colegiado, por maioria de votos, com base no inciso II do art. 3º das leis de regência. O Acórdão 9303-011.000, indicado como primeiro paradigma, já caracteriza a divergência, ao destacar que “as despesas portuárias - de capatazia e estivas, movimentação de carga, serviços de embarque, despesas com estadia de container, assessoria logística, serviço de despacho aduaneiro, etc, não dão direito a crédito por não caracterizarem insumo nem frete/armazenamento na venda”. Enquanto o recorrido reconhece o crédito unicamente pelo inciso II, o paradigma nega tanto pelo inciso II quanto pelo inciso IX do art. 3º das leis de regência. Fl. 601DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.377 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10120.900019/2016-11 6 Clara a divergência, sendo absolutamente irrelevante que tipo de produto final estaria sendo movimentado, carregado (no navio) ou descarregado (no armazém) na exportação. Recorde-se ainda que não estão em debate “despesas de armazenagem” (que não constam expressamente no recurso fazendário nem no resultado do acórdão recorrido registrado em ata - e não embargado), nem “despachantes aduaneiros” (cujo crédito foi negado no recorrido), mas apenas os seguintes serviços logísticos/portuários: “gastos com elevação para transportar a soja e o milho para dentro do portão do navio” e “descarregamento da soja/milho no armazém”, sendo claro que ambas as operações ocorrem com o produto final, antecedendo exportação. No que se refere ao segundo tema (Fretes de produtos acabados entre estabelecimentos), dispõe o voto condutor do acórdão recorrido: “No que se refere aos gatos com frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da contribuinte sustenta a DRJ que por serem serviços realizados após a finalização do processo produtivo dos sujeitos passivos, não poderiam ser considerados como insumos, e, portanto, não gerariam o respectivo crédito. A Recorrente, por sua vez, sustenta que seriam gastos com transporte para transferências de produtos dentro da mesma filial ou entre filiais, sendo tanto para transferência do material colhido na produção agrícola até o armazém quanto de insumos entre unidades filiais, representando, assim, etapa imprescindível para o seu processo produtivo”. Com razão a Recorrente. (...) Quanto a este ponto, entendo que deve ser aplicada exatamente a mesma linha de raciocínio do item anterior, qual seja, de que, por não haver outra fase entre a produção/fabricação e a venda de determinados produtos, o frete para a transferência interna de um produto que acabou de ser produzido, enquanto em etapa anterior àquela de venda, deve ser analisado sob a ótica do inciso II, do art. 3º, das Leis nsº 10.637/02 e 10.833/03.” (grifo nosso) O Acórdão no 3403-003.163, indicado como paradigma, já comprova a divergência, ao estabelecer que “por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (..., produtos acabados ...) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da contribuição social não cumulativa”. Novamente, enquanto o recorrido reconhece o crédito unicamente pelo inciso II, o paradigma nega tanto pelo inciso II quanto pelo inciso IX do art. 3º das leis de regência. Assim, cabe o conhecimento integral do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, cabendo aclarar que o tópico recursal descrito como “Serviços de carga e descarga e Fl. 602DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.377 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10120.900019/2016-11 7 demais serviços portuários“ refere-se unicamente a “gastos com elevação para transportar a soja e o milho para dentro do portão do navio” e “descarregamento da soja/milho no armazém”, sendo ambas as operações efetuadas com o produto final, antecedendo exportação. Do Mérito No mérito, as matérias já estão, ambas, assentadas no seio deste colegiado uniformizador de jurisprudência, a ponto de serem sumuladas no CARF, o que vincula o julgamento. Em relação ao tema frete de produtos acabados entre estabelecimentos, entendo ser flagrante a aplicação ao caso da Súmula CARF no 217: Súmula CARF nº 217 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 “Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas”. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. Pelo exposto, cabe o provimento do apelo fazendário em relação a tal item. E no que se refere a “Serviços de carga e descarga e demais serviços portuários“, que, como esclarecemos, refere-se unicamente a “gastos com elevação para transportar a soja e o milho para dentro do portão do navio” e “descarregamento da soja/milho no armazém”, sendo ambas as operações efetuadas com o produto final, antecedendo exportação, cabe invocar a Súmula CARF no 232: Súmula CARF nº 232 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 05/09/2025 – vigência em 16/09/2025 “As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas”. Acórdãos Precedentes: 9303-015.131, 9303-015.265, 9303-015.949. Pelo exposto, cabe o provimento do recurso fazendário em relação ao tema. Fl. 603DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-017.377 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10120.900019/2016-11 8 Conclusão Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para, no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 604DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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