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Numero do processo: 10935.902387/2012-95
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/04/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/04/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 23 87 /2 01 2- 95 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.693, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 03963.87667.161107.1.2.044232, rastreamento nº 029224849, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 21.115,02, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/03/2004, efetuado em 15/04/2004, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902387/201295 Acórdão n.º 3802002.543 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/04/2004 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902387/201295 Acórdão n.º 3802002.543 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902387/201295 Acórdão n.º 3802002.543 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902387/201295 Acórdão n.º 3802002.543 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10280.002230/2004-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, nos limites do representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em seja considerado absolutamente necessário, tendo em vista a natureza vinculada do ato de fiscalização. Aplicação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001.
AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SELIC.
A matéria encontra-se sumulada no âmbito do CARF, não comportando maiores detalhamentos sobre o assunto, devendo a mesma ser rejeitada, in verbis:
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 1101-001.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, 1) Por maioria de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; e 2) por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso relativamente ao mérito .
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso, Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, nos limites do representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em seja considerado absolutamente necessário, tendo em vista a natureza vinculada do ato de fiscalização. Aplicação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SELIC. A matéria encontrase sumulada no âmbito do CARF, não comportando maiores detalhamentos sobre o assunto, devendo a mesma ser rejeitada, in verbis: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 22 30 /2 00 4- 08 Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10280.002230/200408 Acórdão n.º 1101001.129 S1C1T1 Fl. 442 2 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, 1) Por maioria de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; e 2) por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso relativamente ao mérito . (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente (assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso, Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 140100.010, de 13/05/2009, que determinou o sobrestamento do presente recurso, em razão do disposto no § 1º do art. 62A do RICARF, nos seguintes termos: Esse julgamento ocorreu após ter sido anulada a decisão de primeira instância, em 05.12.2007 (acórdão 10709.238) por determinação deste colegiado, em julgamento de recurso voluntário, em razão da primeira decisão da Turma Julgadora não ter apreciado a maior parte dos argumentos relativos à aplicação da Lei 9.718/98 e por omissão quanto à cobrança de juros com base na taxa Selic. 1— DA AUTUAÇÃO A infração referese a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não contabilizados, cuja origem dosrecursos não foi comprovada. A receita declarada é de R$18.682,50 e a movimentação financeira supera R$ 6,7 milhões. O lançamento do IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS e COFINS referese ao anocalendário de 2001. A ciência do lançamento se deu em 21.12.2005. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10280.002230/200408 Acórdão n.º 1101001.129 S1C1T1 Fl. 443 3 O lucro foi arbitrado. Destacou o autuante na descrição dos fatos constante do auto de infração, que em 02.12.2005 foi registrado no CNPJ a exclusão da empresa no SIMPLES, com efeitos a partir de janeiro de 2001, em virtude do tipo de atividade exercida "industrialização por conta própria de bebidas". Por essa razão, a contribuinte foi intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal (Diário, Razão, Lalur, comprovantes de despesas, custos e receitas, etc.). A contribuinte respondeu que não possuía a documentação, o que justificou o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, I, do RIR/99. O autuante observou na descrição dos fatos: Os valores relativos ao faturamento/receita bruta declarada são quantias que foram declaradas pelo SIMPLES. Considerando que o contribuinte está sendo arbitrado, sugiro ao contribuinte que solicite compensação ou restituição do imposto pago pelo Simples. Além dos valores declarados pelo SIMPLES anoscalendário de 2000 e 2001, nenhum elemento de prova apresentou a esta fiscalização que justificasse seus argumentos. Por outro lado, havíamos solicitado "de oficio" a exclusão da empresa da opção do SIMPLES, com base no inciso XIX do art. 90 da Lei 9.317/96, com efeitos a partir de 01.01.2001, em virtude do tipo de atividade exercida "industrialização por conta própria de bebidas classificadas na TIPI capítulo 22", sujeita ao regime de tributação de que trata a Lei 7.798/99, mantidas até 31/12/2000 as opções já exercidas. Em 02.12.2005 foi registrada no CNPJ a exclusão da empresa a partir de janeiro de 2001. (..). A ciência da nova decisão da Turma Julgadora foi dada em 25.07.2008 e o recurso foi protocolizado em 20.08.2008. II DA SEGUNDA DECISÃO DA TURMA JULGADORA (12/06/2008 – fls. 1092 e seguintes) Sobre a decadência e sobre o enquadramento legal do TI, a Turma Julgadora afirmou que não houve lançamento para o anocalendário de 2000 neste processo e que o lançamento do IPI foi formalizado por meio de outro processo e que tal fato inviabilizou a apreciação desses argumentos. Rejeitou os demais argumentos da recorrente, concluindo pela procedência do lançamento, tendo sido, proferidas as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10280.002230/200408 Acórdão n.º 1101001.129 S1C1T1 Fl. 444 4 Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro do Anocalendário de 1997, a Lei 9.430/96, no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. COBRANÇA DO PIS E DA COFINS. Equiparase ao conceito de receita bruta, sujeita ao pagamento do PIS e da COFINS, a omissão presumida de receita, oriunda de suprimento de caixa cuja origem e entrega dos recursos não foi comprovada. INCONSTITUCIONALIDADE LEI N° 9.718/98 E DA TAXA SELIC. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a apreciação, por autoridade julgadora da esfera administrativa, de argüição de inconstitucionalidade de lei, por tratarse de matéria inserta na competência privativa do Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. DECADÊNCIA. Mister a rejeição dos argumentos referentes à decadência do direito de lançar o tributo e contribuições se o Anocalendário a que se refere o sujeito passivo é diverso daquele em que ocorreram os lançamentos tributários e o período abrangido pelos autos de infração não foi alcançado pela decadência. LEGISLAÇÃO REVOGADA. Rejeitase a argüição de utilização de legislação revogada se os argumentos referemse ao lançamento do IPI, que não está em julgamento. LANÇAMENTO REFLEXO. PIS. COFINS. CSLL. Ás questões sujeitas às mesmas regras adotadas para o lançamento do principal submetemse a idêntico entendimento. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10280.002230/200408 Acórdão n.º 1101001.129 S1C1T1 Fl. 445 5 A ciência da decisão se deu em 25.07.2008 e o recurso foi apresentado 20.08.2008. III DO RECURSO VOLUNTÁRIO No recurso argumenta que deve ser reconhecida a nulidade da autuação referente ao período anterior a dezembro de 2000, uma vez que foi efetuada apenas em 21.12.2005, tendo ocorrido a decadência, nos termos do art. 150, § 4 0, do CTN. Cita jurisprudência judicial e administrativa. Afirma que o acórdão recorrido não apreciou a matéria com o argumento de que para o ano de 2000 houve o lançamento do IPI que teria sido formalizado em outro processo, entretanto, diz não ter sido intimada de qualquer desmembramento e que desconhece o número do processo administrativo relativo a esse lançamento, bem como, a situação atual de julgamento. Aduz que no anocalendário de 2000 era optante do SIMPLES, e assim os tributos incluídos nesse regime estariam fulminados pela decadência no que tange aos primeiros meses do ano de 2000. Afirma que a decisão da Turma Julgadora está eivada de erro de fato, pois teria sido lavrado auto de infração referente ao anocalendário de 2000, face à omissão de receitas e insuficiência de recolhimentos do IRPJ e que da mesma forma, o Termo de Encerramento da ação fiscal (MPF 0210100/00116/04) aponta como crédito tributário o IRPJ Simples do ano de 2000. Argumenta que depósito bancário não pode ser utilizado como base para tributação por omissão de rendimentos, por entender que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do imposto de renda, já que depósito bancário é estoque (patrimônio) e não fluxo (renda) e que juridicamente somente a renda tem a conotação de acréscimo patrimonial. Cita a súmula n° 182 do TRF. Cita doutrina, jurisprudência judicial e administrativa (acórdão CSRF/0102.741). Pede a aplicação do DL 2.471/88, art. 9 0, VII; por esse dispositivo legal entende que devem ser extintos os lançamentos de imposto de renda baseados exclusivamente em depósitos bancários. Aduz que os extratos bancários podem funcionar como indícios de que há descompasso entre a renda declarada e a de fato recebida, ou ainda para sustentar uma ação fiscal que vise por meio dessas informações, demonstrar a omissão de receitas. Acrescenta que à administração fiscal cabe diligenciar, com os meios que lhe são lícitos para que reste provada e inconteste a irregularidade tributária; destaca que não cabe à administração fiscal distribuir presunções e falsas afirmações sem base fática que as sustente. Discute a impossibilidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, o que no seu entendimento contraria o art. 5 0, XII, da CF/88. Afirma que o STF, na ADIN 939DF considerou o sigilo bancário como direito individual, colocandoa na condição de cláusula pétrea e inafastável por emenda constitucional ou qualquer outro dispositivo, conforme dispõe o art. 60, § 40, IV da CF/88. Conclui que a quebra do sigilo bancário não poderá ser feita por requisição de movimentação financeira. Cita jurisprudência judicial. Também menciona o disposto no art. 197, II, do CTN e na Lei 4.595/64, art. 28. Entende que as informações protegidas pelo sigilo bancário não podem ser prestadas pelas instituições financeiras e que seria legítimo, a elas a recusa no atendimento às requisições de movimentação financeira. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10280.002230/200408 Acórdão n.º 1101001.129 S1C1T1 Fl. 446 6 Diz que o julgador fundouse no art. 197 do CTN, mas que omitiu o § único; que se baseou na lei 9.311/96 e que esse dispositivo longe de tornar livre a quebra de sigilo bancário pela administração fazendária, apenas dispõe sobre a CPMF. Argüiu que mesmo que o envio de informações privilegiadas e sigilosas das instituições financeiras à SRF significasse simples transferência de sigilo, ainda assim, essa transferência teria que se dar com autorização judicial; ainda que admitindose que a autoridade administrativa tivesse o poder de exigir os extratos bancários, teriam que ser respeitados os limites observados pelo Judiciário e Legislativo: a prévia e necessária fundamentação da necessidade da quebra do sigilo. Cita jurisprudência judicial (MS 25668/DF, DJ de 04.08.2006), para concluir que a quebra de sigilo bancário, praticada pela SRF, nulifica plenamente todo o procedimento administrativo já que não consta nos autos qualquer justificação, indicação de fato concreto ou indicação de causa provável. Acrescenta, que ainda que a Receita Federal pudesse quebrar o sigilo bancário, com base na Lei 10.174/2001 e LC 105/2001, ambas de janeiro de 2001, não poderiam retroagir para alcançar fatos geradores ocorridos antes de sua vigência, em função do princípio da irretroatividade (art. 5°, XXXIX e 150, III, "a" e "b", da CF/88). Cita jurisprudência judicial. Conclui que a quebra do sigilo bancário de todo o ano de 2000 é ilegal. Também discute a inconstitucionalidade da exigência da contribuição para o PIS e COFINS, com fundamento na Lei 9.718/98. Discorda quanto a ser vedado ao julgador administrativo se manifestar sobre a constitucionalidade das leis, porque o ato administrativo deve se ater aos ditames legais e constitucionais, razão pela qual entende ser plenamente cabível que seja afastada a aplicação do dispositivo contestado, por entender inaplicável ao caso em tela, com base nos princípios da ampla defesa e da legalidade. Transcreve trecho de voto proferido no julgamento do recurso voluntário 133330 da l a Câmara. A seguir traz argumentos em que pretende demonstrar a inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 (alargamento da base de cálculo). Afirma que a jurisprudência é amplamente favorável à sua tese, e que seus argumentos não estão fundados em julgados superficiais e individuais. Aduz que nem se argumente que as razões do Supremo Tribunal são irrelevantes porque não há competência de declaração de inconstitucionalidade na via administrativa, uma vez que independentemente de haver ou não essa competência, a inconstitucionalidade incidentalmente declarada mostra à autoridade que o dispositivo legal viola o sistema jurídico pátrio, e por isso, não deve ser aplicado. Argumenta ser inconstitucional a utilização da taxa Selic como parâmetro para a cobrança de juros sobre débitos tributários. Por fim, argüiu que a decisão administrativa menciona que não apreciou a parte da defesa que se refere ao IPI, porque o lançamento foi formalizado por meio de outro processo. Destaca que não foi intimada de qualquer desmembramento da defesa por si apresentada e que é desconhecido até o momento o número do processo administrativo referente ao IPI. Conclui que a negativa de apreciação dos argumentos implica violação do art. 27 e seguintes do Decreto 70.235/72, devendo ser sanada. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10280.002230/200408 Acórdão n.º 1101001.129 S1C1T1 Fl. 447 7 Na impugnação, argumentou em relação ao IPI, a nulidade do auto de infração por descumprimento de requisitos formais, por fundamentação em legislação revogada. Pede ao final, 1) Seja recebido o recurso, por preencher os requisitos de admissibilidade; 2) Seja julgado totalmente improcedente o lançamento em face da ilegitimidade do procedimento adotado, que se funda meramente em extratos bancários, que não comprovaria a existência do fato gerador; 3) Seja declarada a nulidade da autuação, por violar princípios básicos da privacidade/intimidade, quando da quebra do sigilo bancário, estando absolutamente ausente qualquer justificação que autorize tal medida de ruptura; 4) Em respeito ao princípio processual da eventualidade caso não sejam acolhidas tais razões pede: a) Que seja reconhecida a decadência operada no caso concreto, impossibilitando a cobrança de créditos tributários do período de janeiro a novembro de 2000; b) Que sejam afastados do lançamento todos os valores referentes ao ano de 2000 e de parte do ano de 2001, visto que só houve lei formal garantindo o requerimento de dados bancários por autoridade administrativa no ano de 2001, não podendo os efeitos retroagir; c) Que sejam retirados da autuação os valores oriundos da indevida majoração da base de cálculo dos tributos PIS e COFINS; d) Que seja afastada a incidência dos juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais pertinentes, devendo por isso ser conhecido. DECADÊNCIA Em relação à decadência, a Recorrente argumenta em seu recurso que deve ser reconhecida a nulidade da autuação referente ao período anterior a dezembro de 2000, uma vez que foi efetuada apenas em 21/12/2005, momento em que já se encontrava patentemente caduco o direito de cobrar tais créditos fiscais. A despeito da Recorrente se insurgir contra fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2000, todavia, conforme consta dos autos, em especial do Auto de Infração do IRPJ, de fls. 15 e seguintes e CSLL (fls. 43 e ss.) a mesma teve ciência do referido AI em 21/12/2005, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de apuração de 03/2001 a 12/2001, não restando portanto, caraterizado lapso temporal superior ao quinquênio legal previsto nos arts. 150, § 4º ou 173, I, do CTN. Em relação às Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins (fls. 24 e ss.), constam exigências do período de apuração 01/2001 a 12/2001, igualmente constituídos na mesma data (21/12/2005), não ocorrida a decadência. Rejeito, portanto, a preliminar de decadência. UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10280.002230/200408 Acórdão n.º 1101001.129 S1C1T1 Fl. 448 8 Em relação à preliminar suscitada pela Recorrente quanto à utilização de dados bancários pela Fiscalização, reservo meu entendimento pessoal sobre o assunto tendo em vista que entendo que o sigilo bancário constitui direito fundamental, o qual certamente será confirmado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. Entretanto, no âmbito deste colendo CARF, e mormente deste colegiado, esse assunto tem sido reiteradamente debatido, sendo que tese majoritária tem sido desfavorável aos contribuintes. Com efeito, a despeito de ainda não haver decisão definitiva pelo STF, com repercussão geral, o assunto também foi objeto de julgamento definitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos a que se refere o art. 543C do CPC, o que, igualmente, determina a reprodução da decisão nos julgamentos deste colendo CARF. Nesse sentido peço vênia para transcrever o Boletim Informativo nº 0417 Período: 23 a 27 de novembro de 2009, da Primeira Seção do STJ, informando que o assunto foi julgado em sede de recurso repetitivo, inclusive no que se refere à possibilidade de aplicação retroativa dos efeitos da Lei Complementar nº 105/2001, in verbis: RECURSO REPETITIVO. SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO. No recurso representativo de controvérsia (art. 543C do CPC e Res. n. 8/2008STJ), a Seção reiterou que a quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei n. 8.021/1990 e pela LC n. 105/2001, normas procedimentais de aplicação imediata. Com efeito, o art. 145, § 1º, da CF/1988 faculta à administração tributária, nos termos da lei, criar instrumentos ou mecanismos que lhe possibilitem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente para conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva. Destarte, o sigilo bancário não tem caráter absoluto, cedendo ao princípio da moralidade, aplicável, de forma absoluta, às relações de direito público e privado e, ainda, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias denotam ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Em que pese o direito adquirido de obstar a fiscalização tributária, ele não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. No caso, a autoridade fiscal pretende utilizar dados da CPMF para apuração do imposto de renda (1998), tendo instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. Precedentes citados: EREsp 806.753RS, DJe 1º/9/2008; EREsp 726.778PR, DJ 5/3/2007; EREsp 608.053RS, DJ 4/9/2006; AgRg nos EREsp 863.702RN, DJe 27/5/2009; AgRg no Ag 1.087.650SP, DJe 31/8/2009; AgRg no REsp 1.078.878SP, DJe 6/8/2009; AgRg no REsp 1.084.194SP, DJe 26/2/2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223RS, DJe 24/11/2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637MG, DJe 21/5/2008, e AgRg nos EDcl no REsp 970.580RN, DJe 29/9/2008. REsp 1.134.665SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/11/2009 Transcrevo, abaixo, a ementa do recurso representativo da controvérsia: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10280.002230/200408 Acórdão n.º 1101001.129 S1C1T1 Fl. 449 9 APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringirseiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10280.002230/200408 Acórdão n.º 1101001.129 S1C1T1 Fl. 450 10 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel.Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10280.002230/200408 Acórdão n.º 1101001.129 S1C1T1 Fl. 451 11 outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1134665/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Logo, enquanto o STF não julgar o mérito do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, nenhum recurso subirá à Egrégia Corte, e consequentemente a questão constitucional envolvida no REsp 1134665/SP (discutida no RE correspondente) ficará sobrestada no STJ, vigorando assim o efeito repetitivo atribuído ao mesmo. Assim sendo, em razão do disposto no art. 62A do RICARF, e considerando que o STJ ao julgar o REsp 1134665/SP, submeteu o v. Acórdão ao regime do art. 543C do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, deve ser reputada válida a utilização de dados bancários para a apuração da omissão de receita, desde que sejam absolutamente necessários, tendo em vista conforme permite dizer os trechos abaixo da ementa do r. Acórdão do STJ: 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10280.002230/200408 Acórdão n.º 1101001.129 S1C1T1 Fl. 452 12 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." Tendo em vista que o ato de fiscalização ser eminentemente vinculado, não comportando espaço para qualquer discricionariedade, pelo que quando a lei atribui à Fiscalização o poder de decidir sobre a quebra do sigilo bancário, quer dizer quando absolutamente necessário e nos estritos limites da lei, conforme permite concluir os ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho, citado no julgamento do REsp nº 858.234/SP, pelo i. Ministro Luiz Fux, in verbis: [...] 2. "Lançamento é o ato jurídico administrativo, da categoria dos simples, constitutivos e vinculados, mediante o qual se insere na ordem jurídica brasileira uma norma individual e concreta, que tem como antecedente o fato jurídico tributário e, como conseqüente, a formalização do vínculo obrigacional, pela individualização dos sujeitos ativo e passivo, a determinação do objeto da prestação, formado pela base de cálculo e correspondente alíquota, bem como pelo estabelecimento dos termos espaçostemporais em que o crédito há de ser exigido"(Paulo de Barros Carvalho in Curso de Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, 2004, p. 386). Nesse sentido, a notificação para o pagamento do tributo materializa a obrigação tributária, constituindo o conseqüente da regramatriz de incidência tributária, para atribuir ao contribuinte (sujeito passivo da relação jurídica) o dever de recolher aos cofres públicos da Entidade tributante (sujeito ativo) a prestação pecuniária (objeto da prestação, composto pela aplicação de uma alíquota sobre uma base de cálculo, ambas dispostas em lei). [...] 8. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 858.234/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/09/2008, DJe 02/10/2008). No âmbito deste colendo CARF, foi aprovada a Súmula nº 35, referindose à utilização de depósitos bancários para a apuração de omissão de receita (ainda que se refiram, respectivamente à possibilidade de aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula Vinculante aprovada pela Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010). No caso em tela a utilização dos extratos bancários foram justificados pelo fato da infração referirse a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10280.002230/200408 Acórdão n.º 1101001.129 S1C1T1 Fl. 453 13 contabilizados, cuja origem dosrecursos não foi comprovada e cuja receita declarada ter sido de R$18.682,50 e a movimentação financeira supera R$ 6,7 milhões. Além disso, em relação ao lucro arbitrado, conforme destacado pelo autuante na descrição dos fatos constante do auto de infração, que em 02.12.2005 foi registrado no CNPJ a exclusão da empresa no SIMPLES, com efeitos a partir de janeiro de 2001, em virtude do tipo de atividade exercida "industrialização por conta própria de bebidas". Por essa razão, a contribuinte foi intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal (Diário, Razão, Lalur, comprovantes de despesas, custos e receitas, etc.). A contribuinte respondeu que não possuía a documentação, o que justificou o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, I, do RIR/99. Constando ainda ter ocorrido suprimento de caixa cuja origem e entrega dos recursos não foi comprovada. Logo, a utilização de dados bancários, a despeito de ser autorizada pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o qual vincula este colendo CARF, a teor do art. 62A do RICARF, todavia, não constitui um cheque em branco dado à Fiscalização, somente podendo ser utilizado quando absolutamente necessários. Desta forma deve ser mantida a higidez do lançamento mesmo tendo sito utilizada a movimentação bancária do contribuinte para no cotejo da documentação apresentada, incompleta por sinal, ensejando a apuração do IRPJ com base nos critérios do lucro arbitrado, inclusive através da utilização de dados bancários, os quais foram utilizados para o arbitramento do lucro, em conformidade com o art. 530 do RIR/99. INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DO PIS E DA COFINS COM FUNDAMENTO NA LEI N° 9.718/98 Em relação à alegada majoração da base de cálculo destinado à exigência das Contribuições PIS/Pasep e Cofins, apesar de afirmar que houve exigência com fulcro no art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, refutado inconstitucional pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, todavia não logrou comprovar com precisão sobre os supostos fatos geradores que não integrantes do faturamento da empresa. Ademais disto, em se tratando de autuações reflexas AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS, datada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Igualmente não há como ser acolhida a inconstitucionalidade suscitada sobre o assunto, por expressa vedação da Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA IMPOSSIBILIDADE DE SE UTILIZAR A TAXA SELIC COMO PARÂMETRO PARA A COBRANÇA DE JUROS SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS Por fim, a Recorrente pugna em seu recurso pela impossibilidade de incidência dos juros calculados pela Taxa Selic deve ser afastado, uma vez que inconstitucionais para efeitos tributários, como vastamente debatido neste Conselho, e acatado pelo Superior Tribunal de Justiça. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10280.002230/200408 Acórdão n.º 1101001.129 S1C1T1 Fl. 454 14 Ocorre, porém que essa matéria encontrase sumulada no âmbito do CARF, não comportando maiores detalhamentos sobre o assunto, devendo a mesma ser rejeitada, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 4 de junho de 2014 (assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906283/2012-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/10/2009
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 83 /2 01 2- 50 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/10/2009 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906283/201250 Acórdão n.º 1802003.250 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000048/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSÉ CARLOS BATISTA.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .0 00 04 8/ 20 06 -1 8 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10805.000048/200618 Resolução nº 2202000.427 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, JOSÉ CARLOS BATISTA, já qualificada nos autos, foi lavrado em 18/2/2010 o auto de infração de fls. 222/232, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2003, anoscalendários de 2002, no valor de R$ 5.433.594,77 (cinco milhões, quatrocentos e trinta e três mil, quinhentos e noventa e quatro reais e setenta e sete centavos ), valor já acrescido dos juros de mora e multa de ofício, calculados de acordo com a legislação de regência. O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, tendo sido constatado omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável obitidos em operações daytrade na bolsa de mercadorias e futuros, omissão de ganhos líquidos no mercado de liquidação futura, referente às operações realizadas fora da bolsa em mercados de opções flexíveis de dólar, na modalidade sem garantia e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovados, conforme fls. 228/231, descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração ora guerreado.. Notase, da análise cuidadosa do processo, que RMFs foram encaminhadas a instituições financeiras, tal como se constata de fls.08 a 10. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10805.000048/200618 Resolução nº 2202000.427 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314) Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 531DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10805.000048/200618 Resolução nº 2202000.427 S2C2T2 Fl. 5 4 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 532DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10805.000048/200618 Resolução nº 2202000.427 S2C2T2 Fl. 6 5 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 533DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10805.000048/200618 Resolução nº 2202000.427 S2C2T2 Fl. 7 6 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 534DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10865.003564/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA. UNIÃO FEDERAL.
A competência para legislar sobre contribuições sociais previdenciárias é da União Federal, não cabendo ao município a concessão de benefícios nesta seara.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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COMPETÊNCIA LEGISLATIVA. UNIÃO FEDERAL. A competência para legislar sobre contribuições sociais previdenciárias é da União Federal, não cabendo ao município a concessão de benefícios nesta seara. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 35 64 /2 01 0- 68 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 09/11/2010 (fl. 24), para exigência de contribuição previdenciária dos empregados, não descontadas pelo empregador, incidentes sobre os valores pagos pelo município a seus servidores a título de “Abono Salarial” nas competências de 10/2005 a 13/2005. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 72/81) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, ao analisar o presente caso (fls. 95/98), julgou o lançamento parcialmente procedente, entendendo que: (i) estão decaídas as obrigações principais referentes à competência 10/2005 nos termos do artigo 150 § 4º do CTN; (ii) o município não tem competência legislativa para isentar as verbas pagas a título de abono salarial da incidência da contribuição previdenciária. O Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 105/112) argumentando em suma que o abono salarial foi concedido aos servidores do município através do Decreto nº 019/2004 e Lei Complementar Municipal nº 347, os quais preveem que os vencimentos a este título não comporão a base de cálculo da contribuição previdenciária. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10865.003564/201068 Acórdão n.º 2402004.221 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente argumenta que houve falhas na presente autuação, uma vez que o abono salarial foi concedido aos servidores do município através do Decreto nº 019/2004 e da Lei Complementar municipal nº 347, os quais preveem que os vencimentos a título de abono salarial não comporão a base de cálculo da contribuição previdenciária. Contudo, conforme bem decidiu o órgão julgador de primeira instância, a contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários é um tributo de competência da União, por força do art. 195, I, ‘a’ da CF/88, sendo completamente incabível qualquer interferência do ente municipal na hipótese de incidência deste tributo. Os abonos concedidos somente serão isentos da contribuição previdenciária se forem expressamente desvinculados do salário, cumprindo os requisitos previstos no §9º, alínea ‘e’, item ‘7’ do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991: “Art. 28. (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;” Outrossim, o art. 214, § 9º, inciso V, alínea ‘j’ do Decreto nº 3.048/99 dispõe que os abonos sobre os quais não incidirão a contribuição previdenciária deverão estar expressamente previstos em lei, e esta lei, considerando a competência da União para tratar de contribuições previdenciárias, deverá ser a lei federal. Além disso, é importante destacar que, muito embora o município defenda a natureza de abono salarial dos pagamentos realizados, não há nenhuma comprovação nos autos de que os pagamentos eram desvinculados do salário, e se verifica dos autos (fls. 23/66) que nos 3 meses que compõem o lançamento os servidores receberam o abono, sendo evidente, portanto, a habitualidade no pagamento, o que desnatura a natureza de abono. Deste modo, a concessão de abono salarial pelo município, sem lei que preveja hipótese de isenção, sem comprovação de desvinculação do salário, e de modo habitual, deverá integrar o salário de contribuição para fins de incidência de contribuição previdenciária. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10935.721673/2011-71
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2010, 2011
DEPENDENTES. CURSO UNIVERSITÁRIO CONCLUÍDO NO ANO DA EM QUE LANÇADA A DEDUÇÃO NA DIRPF. POSSIBILIDADE.
O contribuinte tem o direito de deduzir como dependente filho que conclui o curso universitário no ano em que completa 24 anos.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. CURSO PRÉ-VESTIBULAR. GLOSA.
Apresentado mero recibo sem qualquer detalhamento da despesa com instrução a que se refere, emitido por empresa que leciona curso pré-vestibular, deve ser mantida a glosa levada a efeito, na ausência de base legal para dedução do gênero.
DESPESAS MÉDICAS. INCONSISTÊNCIAS NOS DOCUMENTOS. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO.
É preciso a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas, quando os documentos que as amparariam (recibos e notas fiscais) estão permeados de sérias inconsistências, as quais levantam dúvidas sobre a efetiva prestação dos serviços.
DESPESAS MÉDICAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO EXONERADA.
Não se confunde a insuficiência de prova apta a amparar a glosa de despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste, com a existência de conjunto de provas hábil a ensejar, com o grau de verossimilhança necessário, a conclusão pela natureza dolosa da conduta do contribuinte, de modo a justificar a imposição da multa de ofício qualificada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-003.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de R$ 1.516,32 (hum mil, quinhentos e dezesseis reais e trinta e dois centavos) a título de dependentes na DAA do exercício 2007, e excluir a qualificação da multa de ofício no que se refere aos anos-calendário 2006, 2007, 2009 e 2010, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2010, 2011 DEPENDENTES. CURSO UNIVERSITÁRIO CONCLUÍDO NO ANO DA EM QUE LANÇADA A DEDUÇÃO NA DIRPF. POSSIBILIDADE. O contribuinte tem o direito de deduzir como dependente filho que conclui o curso universitário no ano em que completa 24 anos. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. CURSO PRÉ-VESTIBULAR. GLOSA. Apresentado mero recibo sem qualquer detalhamento da despesa com instrução a que se refere, emitido por empresa que leciona curso pré-vestibular, deve ser mantida a glosa levada a efeito, na ausência de base legal para dedução do gênero. DESPESAS MÉDICAS. INCONSISTÊNCIAS NOS DOCUMENTOS. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. É preciso a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas, quando os documentos que as amparariam (recibos e notas fiscais) estão permeados de sérias inconsistências, as quais levantam dúvidas sobre a efetiva prestação dos serviços. DESPESAS MÉDICAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO EXONERADA. Não se confunde a insuficiência de prova apta a amparar a glosa de despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste, com a existência de conjunto de provas hábil a ensejar, com o grau de verossimilhança necessário, a conclusão pela natureza dolosa da conduta do contribuinte, de modo a justificar a imposição da multa de ofício qualificada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de R$ 1.516,32 (hum mil, quinhentos e dezesseis reais e trinta e dois centavos) a título de dependentes na DAA do exercício 2007, e excluir a qualificação da multa de ofício no que se refere aos anos-calendário 2006, 2007, 2009 e 2010, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
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CURSO UNIVERSITÁRIO CONCLUÍDO NO ANO DA EM QUE LANÇADA A DEDUÇÃO NA DIRPF. POSSIBILIDADE. O contribuinte tem o direito de deduzir como dependente filho que conclui o curso universitário no ano em que completa 24 anos. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. CURSO PRÉVESTIBULAR. GLOSA. Apresentado mero recibo sem qualquer detalhamento da despesa com instrução a que se refere, emitido por empresa que leciona curso pré vestibular, deve ser mantida a glosa levada a efeito, na ausência de base legal para dedução do gênero. DESPESAS MÉDICAS. INCONSISTÊNCIAS NOS DOCUMENTOS. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. É preciso a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas, quando os documentos que as amparariam (recibos e notas fiscais) estão permeados de sérias inconsistências, as quais levantam dúvidas sobre a efetiva prestação dos serviços. DESPESAS MÉDICAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO EXONERADA. Não se confunde a insuficiência de prova apta a amparar a glosa de despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste, com a existência de conjunto de provas hábil a ensejar, com o grau de verossimilhança necessário, a conclusão pela natureza dolosa da conduta do contribuinte, de modo a justificar a imposição da multa de ofício qualificada. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 16 73 /2 01 1- 71 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de R$ 1.516,32 (hum mil, quinhentos e dezesseis reais e trinta e dois centavos) a título de dependentes na DAA do exercício 2007, e excluir a qualificação da multa de ofício no que se refere aos anos calendário 2006, 2007, 2009 e 2010, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 41.452,99 relativo aos anoscalendário 2006, 2007, 2009 e 2010. A autuação apurou as seguintes infrações, aqui separadas conforme os respectivos anoscalendário: 2006 glosa de dependente – filho maior de 21 anos após o término do curso universitário – R$ 1.516,32; glosa de despesas médicas por falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas após intimação regular e pela impossibilidade de identificação do valor pago ao plano de saúde relativo à declarante e seus dependentes – R$ 15.506,08; 2007 glosa de despesas médicas por falta de comprovação do efetivo pagamento, por se tratar de despesa médica de seu cônjuge que declara em separado e pela impossibilidade de identificação do valor pago ao plano de saúde relativo à declarante e seus dependentes – R$ 22.002,35; glosa de despesas com instrução própria, face à não apresentação de comprovante do pagamento da despesa após regularmente intimada – R$ 2.480,66; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10935.721673/201171 Acórdão n.º 2802003.089 S2TE02 Fl. 219 3 2009 glosa de despesas médicas por falta de comprovação do efetivo pagamento – R$ 7.000,00; glosa de despesas com instrução por falta de comprovação do efetivo pagamento – R$ 1.400,00; 2010 glosa de despesas médicas no valor de R$ 8.905,00 por falta de comprovação do efetivo pagamento dos serviços e inconsistências nos documentos apresentados. Anotese que as glosas pertinentes a parte das despesas médicas e às despesas com instrução, tidas como indevidas/inexistentes, foram objeto de imposição de multa qualificada. Também vale acrescentar que foi realizada diligência junto à Clínica Odontológica Realeza Sociedade Simples Ltda., com o fito de verificar as despesas médicas lançadas na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do anocalendário 2010. O arrazoado vertido pela contribuinte na impugnação restringiuse a defender a inexistência de obrigação legal para que o pagamento das despesas em referência se desse em cheques bancários, e a protestar pela "REVISÃO COMPLETA do lançamento efetuado". A DRJ/CTA manteve o lançamento integralmente, consubstanciando seu entendimento em acórdão assim ementado: ÔNUS DA PROVA. EFETIVO PAGAMENTO. A apuração de irregularidades nos documentos apresentados para comprovação das despesas declaradas seguida de intimação para apresentação de prova do efetivo pagamento das despesas, resulta na inversão do ônus da prova do efetivo pagamento das despesas dedutíveis. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. IMPOSSIBILIDADE. A legislação que rege o processo administrativo fiscal veda a apresentação de impugnação genérica do lançamento, sem que haja indicação dos motivos de fato e de direito pelos quais o contribuinte considera que o lançamento fiscal deva ser reformado ou mesmo invalidado. Irresignada, a autuada interpôs recurso voluntário em 16/7/2012, alegando, em síntese: que Leandro Daniel de Paris era seu dependente no anocalendário 2006, conforme documentos já anexados, pois a lei não define quanto tempo durante o ano o dependente deva estar na condição de universitário, e levandose em conta o tempo para o registro do diploma; que a decisão de pagar em cheque ou dinheiro é de livre arbítrio do pagador; Fl. 220DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 que as alegadas divergências entre informações na primeira via de notas fiscais e recibos, ou numeração de notas, devem ser explicadas pelos respectivos emitentes, e que certamente efetuou os pagamentos, pois senão não possuiria a primeira via dos indigitados documentos; que "o zelo extremo" levou a fiscalização a não reconhecer a expressão tratamento odontológico como um serviço prestado por um dentista ou odontólogo, à similaridade do que aconteceu com o recibo vinculado ao tratamento fisioterápico; que o fato de determinados profissionais médicos residirem em cidades diversas da que reside a contribuinte não é relevante, pois o serviço foi prestado em cidade próxima a de sua residência; que é comum em serviços prestados em clínicas que congreguem diversos profissionais os recibos e notas serem preenchidos por secretária ou funcionário administrativo, que atendem a parte burocrática; quanto ao valor pago como plano de saúde à Fundação Copel no ano calendário 2007, não existia nem a exigência, nem a possibilidade de se separar no programa o valor por beneficiários, sendo impossível, pelo valor, ali estar incluído como beneficiário seu esposo. Demanda o reconhecimento das despesas já comprovadas pelos documentos anexados ao processo, deixando claro que, com relação ao anocalendário 2006, sua inconformidade se atém à consideração do dependente Leandro Daniel de Paris, e no tocante ao anocalendário 2007, à glosa de despesas médicas totalizando R$ 13.449,35. Quanto ao restante das exigências, inclusive as relativas aos anoscalendário 2009 e 2010, requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da dedução com dependente. A matéria é regrada pelo art. 35 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Fl. 221DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10935.721673/201171 Acórdão n.º 2802003.089 S2TE02 Fl. 220 5 IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. A contribuinte deduziu o dependente Leandro Daniel de Paris na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do exercício 2007, apresentando, como comprovação da relação de dependência, diploma universitário de lavra da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) datado de 9/3/2006, segundo o qual é conferido o grau de Engenheiro Químico ao referido, nascido em 24/8/1982 (fls. 39/40). A fiscalização glosou a dedução com base nos seguintes argumentos: A contribuinte informou como dependente seu filho LEANDRO DANIEL DE PARIS, com 24 anos completados em 2006, que concluiu o ensino superior no ano de 2005, recebendo seu diploma em março de 2006 (fls. 39/40). Desta forma, no ano calendário de 2006 não mais podia ser considerado como dependente para fins de imposto de renda. Muito embora tais considerações, temse que o diploma em questão traz em seu bojo declaração do Reitor da UNIOESTE consignando que Leandro Daniel de Paris concluiu seu Curso de Engenharia Química em 9/3/2006, do que decorre, por consequência lógica, que até 8/3/2006 ele ainda estava cursando tal graduação. Se existe a possibilidade de que já ao final do ano de 2005 aquele houvesse concluído todas as cadeiras e atingido todos os créditos necessários para a sua formatura, também é perfeitamente possível que assim não tivesse ocorrido, como sói acontecer em Fl. 222DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 universidades públicas, nas quais, por diversos motivos, tais como greves e paralisações, acontece de o ano letivo estenderse até o anocalendário subsequente ao inicialmente previsto para o seu término. O fato é que a fiscalização não carreou evidências aos autos que pudessem infirmar o teor da declaração constante no diploma apresentado pela contribuinte, motivo pelo qual deve ser admitido que seu filho, Leandro Daniel de Paris, estava cursando Engenharia Química ao menos nos dois primeiros meses do anocalendário em questão. Deve então ser reconhecida sua relação de dependência para com a autuada, restando improcedente a glosa levada a efeito no particular. Das despesas com instrução. A contribuinte não recorreu da glosa das despesas com instrução informadas na DAA do anocalendário 2007, porém protesta seja acatada a dedução a esse título constante na DAA do anocalendário 2009, R$ 1.400,00, sustentando ser o documento por ela trazido e constante à fl. 47 suficiente para sua comprovação. Razão não lhe assiste, entretanto. Tal documento tratase de singelo recibo que não possui a identificação do representante do estabelecimento, não discrimina valores mensais pagos e as respectivas datas de pagamento, tampouco a série cursada pelo aluno. Inábil, portanto, para os fins que pretende a recorrente. Não fossem bastantes tais constatações, cabe destacar que no recibo está aposto como nome da empresa emitente "ÁGUIA PRÉVESTIBULAR S/C LTDA.". Ora, como é cediço, a legislação não contempla a possibilidade de dedução de despesas com cursos preparatórios para vestibulares do imposto de renda de pessoas físicas, consoante pode ser visto da leitura do art. 8º, II, "b" da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Por conseguinte, deve ser mantida a autuação nesse aspecto. Das despesas médicas. Como narrado no Relatório ao norte, a contribuinte contesta todas as glosas das despesas médicas informadas nas DAA dos exercícios 2010 e 2011, bem como os R$ 13.449,35 glosados a esse título com relação ao informado na DAA do exercício 2008. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) Fl. 223DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10935.721673/201171 Acórdão n.º 2802003.089 S2TE02 Fl. 221 7 § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) Anocalendário 2007 a) Foram glosadas despesas médicas correspondentes aos recibos emitidos por Luiz Eduardo Brigantini (R$ 600,00, fl. 44), Letícia Cristina Brigantini (R$ 5.000,00, fl. 43) e por Clarice D.V.M. Chagas (R$ 5.000,00, fl. 45); relativamente a todos esses recibos, não há identificação do paciente e do local de emissão, além de não ter sido comprovado o pagamento, sob a alegação de ter este se dado em espécie. Além disso, a fiscalização teceu os seguintes comentários sobre as inconsistências apuradas nos ditos documentos, abaixo separadas conforme o respectivo emitente: Luiz Eduardo Brigantini: a assinatura do profissional no recibo é diferente de sua assinatura nos recibos do ano de 2010 (fls. 52/53), constando na discriminação dos serviços apenas a expressão "Tratamento Odontológico"; Letícia Cristina Brigantini: é residente em Paranavaí/PR, conforme cadastros da Receita Federal do Brasil, e os dados nesse recibo (nome do pagador, valor, tipo de serviço prestado, local e data de emissão), nos recibos emitidos por Clarice D.V.M. Chagas de fl. 45 (neste recibo somente o nome do pagador) e Luiz Eduardo Brigantini (R$ 600,00, fl. 44), Letícia Cristina Brigantini (R$ 5.000,00, fl. 43) e por Clarice D.V.M. Chagas de fls. 48/50 e 42/43 (dos anos de 2009 e 2010) e nas Notas Fiscais emitidas pela Clínica Odontológica Realeza de fls. 54/88 (do ano de 2010) foram escritos pela mesma pessoa; Clarice D.V.M. Chagas: é residente em Pranchita/PR; informou em sua DIRPF ter DAA ter recebido apenas R$ 1.500,00 de pessoas físicas no ano de 2007; o recibo por ela emitido é datado de 11/11/2007, um domingo; o nome do pagador nesse recibo, nos recibos emitidos por Letícia Cristina Brigantini de fl. 43 e Luiz Eduardo Brigantini de fls. 48/50 e 52/53 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 (dos anos de 2009 e 2010) e nas Notas Fiscais emitidas pela Clínica Odontológica Realeza de fls. 54/88 (do ano de 2010) foram escritos pela mesma pessoa. O exame dos documentos de fls. 43 e 45 revela que neles consta, como pessoa que pagou pelas despesas médicas, a recorrente; no de fl. 44, o pagante consignado consta como sendo Lucas de Paris, dependente na DAA do ano correspondente ao da emissão do recibo. Considero que não trilha bom caminho interpretação segundo a qual, além do nome da pessoa física que pagou pelo serviço, deveria necessariamente estar consignado o nome do beneficiário. De uma maneira geral, como é cediço, o recibo emitido pelos prestadores de serviço pessoa física é entregue para os pacientes assim que se dá o pagamento do tratamento ou consulta, sem dispor de campo próprio ou apartado a ser preenchido com a indicação do beneficiário, até mesmo porque, na maioria das vezes, este se confunde com a própria pessoa que está realizando a quitação. Destarte, à míngua de evidências outras que assim o justifiquem, o nome constante como responsável pelo pagamento deve ser aceito e presumido como sendo o do beneficiário da prestação do serviço a que se refere o recibo, em respeito ao princípio da boa fé que deve reger as relações fiscocontribuinte. Nesse sentido, temse o entendimento da própria Receita Federal do Brasil sobre o tema, consoante espelha a Solução de Consulta Interna nº 23, de 30 de agosto de 2013 (Diário Oficial da União de 10/2/2014), da qual se reproduz a respectiva ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § Fl. 225DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10935.721673/201171 Acórdão n.º 2802003.089 S2TE02 Fl. 222 9 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. (grifei) Não obstante tais considerações, cabe frisar que a contribuinte não comprovou o efetivo pagamento das despesas em questão, necessário consoante as diversas inconsistências constatadas pela fiscalização; além disso, os recibos em tela carecem do endereço profissional dos emitentes, requisito indispensável de acordo com o art. 8º, § 2º, III da Lei nº 9.250/95, mais acima transcrito. Impende, nessa esteira, ser mantida a glosa vergastada. b) Foram glosadas despesas médicas informadas na DAA como pagas a Fundação Copel de Previdência e Assistência Social, no valor de R$ 2.849,35. A contribuinte foi intimada a apresentar documentos do Plano de Saúde dessa Fundação nos quais estivessem informados: os nomes de todos os beneficiários; os valores das mensalidades e das despesas discriminadas por beneficiário; os valores de todos os reeembolsos referentes às despesas médicas pagas, e os tipos de serviços médicos cobertos pelo Plano de Saúde. No único documento trazido pela autuada (fl. 42), o "Comprovante de Rendimentos pagos e Retenção do Imposto de Renda na Fonte", consta apenas que os R$ 2.849,35 são atinentes ao somatório de despesas dedutíveis a título de "Plano Complementar de Saúde", "Médicos/Dentistas/Fisioterapeutas" e "Exames Complementares". Inexiste, contudo, qualquer identificação dos beneficiários de tais despesas. Vale registrar, ainda, que a fiscalização asseverou existir usuário do Plano de Saúde que não está informado como dependente e apresenta Declaração em separado no modelo simplificado, no caso o cônjuge da autuada Orlando de Paris, CPF nº 369.349.41934, não havendo como separar os valores que correspondem a cada beneficiário. A contribuinte, resta claro, não se desincumbiu do seu ônus de trazer os documentos necessários, os quais poderiam ter sido obtidos junto aos gestores do plano de saúde, para fins de esclarecimento das questões levantadas pela fiscalização, especialmente no que tange à discriminação dos beneficiários do precitado plano de saúde no anocalendário em foco. Mantémse, portanto, a glosa corretamente realizada. Anocalendário 2009 Foram glosadas despesas médicas correspondentes aos recibos emitidos por Luiz Eduardo Brigantini no valor de R$ 7.000 (fls. 48/50), tendo em vista que neles não há identificação do paciente e do local de emissão, além de não ter sido comprovado o respectivo pagamento, sob a alegação de ter este se dado em espécie. Além disso, a fiscalização teceu os seguintes comentários sobre as inconsistências apuradas nos ditos documentos: a assinatura do profissional no recibo é Fl. 226DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 diferente de sua assinatura nos recibos do ano de 2010 (fls. 52/53), constando na discriminação dos serviços apenas a expressão "Tratamento Odontológico"; os dados nesses recibos (nome do pagador, valor, tipo de serviço prestado, local e data de emissão), nos recibos emitidos por Letícia Cristina Brigantini de fl. 43 e Clarice D.V.M. Chagas de fl. 45 (neste recibo somente o nome do pagador) e nas Notas Fiscais emitidas pela Clínica Odontológica Realeza de fls. 54/88 (do ano de 2010) foram escritos pela mesma pessoa. A assinatura e o CPF estão escritos com caneta diferente da utilizada para preenchimento dos demais dados. A assinatura desse profissional nesses recibos é diferente da assinatura do mesmo nos recibos do ano de 2010 (fls. 52/53). O exame dos documentos de fls. 48/503 e 45 revela que neles consta, como pessoa que pagou pelas despesas médicas, a recorrente. Não obstante, cabe frisar que não foi comprovado o efetivo pagamento dessas despesas, necessário consoante as diversas inconsistências já relatadas; além disso, os recibos em tela carecem do endereço profissional do emitentes, requisito indispensável de acordo com o art. 8º, § 2º, III da Lei nº 9.250/95, mais acima transcrito. Mantémse, portanto, a glosa realizada. Anocalendário 2010 Foram glosadas despesas médicas correspondentes aos recibos emitidos por Luiz Eduardo Brigantini (total de R$ 2.000,00, fls. 52/53) e Fátima S. Bortoluzzi (total R$ 1.000,00, fl. 51), bem como vinculadas a notas fiscais emitidas pela Clínica Odontológica Realeza Sociedade Simples (total de R$ 5.905,00, fls. 54/88); relativamente a todos esses documentos, não há comprovação do pagamento, sob a alegação de ter este se dado em espécie. Além disso, a fiscalização teceu os seguintes comentários sobre as inconsistências apuradas nos ditos documentos, abaixo separadas conforme o respectivo emitente: Luiz Eduardo Brigantini: os dados nesses recibos (nome do pagador, valor, tipo de serviço prestado, local e data de emissão), nos recibos emitidos por Letícia Cristina Brigantini de fl. 43 e Clarice D.V.M. Chagas de fl. 45 (neste recibo somente o nome do pagador) e nas Notas Fiscais emitidas pela Clínica Odontológica Realeza de fls. 54/88 (do ano de 2010) foram escritos pela mesma pessoa. A assinatura e o CPF estão escritos com caneta diferente da utilizada para preenchimento dos demais dados. A assinatura desse profissional nesses recibos é diferente da assinatura do mesmo nos recibos dos anos de 2007 (fl. 44) e 2009 (fls. 48/50). A assinatura do profissional no recibo é diferente de sua assinatura nos recibos do ano de 2010 (fls. 52/53), constando na discriminação dos serviços apenas a expressão "Tratamento Odontológico"; Fátima S. Botoluzzi: os recibos apresentados foram referentes a sessões de acupuntura, tipo de serviço que só poderia ser deduzido se prestado por médico; Clínica Odontológica Realeza Sociedade Simples: como comprovação apresentou 35 (trinta e cinco) Notas Fiscais que totalizam o valor de R$ 5.905,00 (fls. 54/88). De acordo com a fiscalização: "Verificamos as seguintes inconsistências: a Nota Fiscal nº 098 foi emitida em 15/02/2010 e as Notas Fiscais nºs 116 e 122 foram emitidas anteriormente, em 18/01/2010 e 28/01/2010; Notas Fiscais em seqüência emitidas para a mesma pessoa (nºs 139, 140, 141 e 142; nºs 149, 150 e 151; nºs 160, 161, 162, 163 e 164; nºs 186, 187 e 188); e os dados nesses recibos (nome do pagador, valor, tipo de serviço prestado, local e data de Fl. 227DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10935.721673/201171 Acórdão n.º 2802003.089 S2TE02 Fl. 223 11 emissão), nos recibos emitidos por Letícia Cristina Brigantini de fl. 43, Luiz Eduardo Brigantini de fls. 48/50 e 52/53 (dos anos de 2009 e 2010) e Clarice D.V.M. Chagas de fl. 45 (neste recibo somente o nome do pagador) foram escritos pela mesma pessoa. Também constatamos que a data, o valor e o tipo de tratamento foram escritos com caneta diferente da utilizada para preenchimento dos demais dados (nome do pagador, CPF, e nome do paciente). Em vista desta constatação, intimamos a referida clínica a apresentar as 2ªs e 3ªs vias originais dessas Notas Fiscais (fls. 89/90). Analisando as vias das Notas Fiscais encaminhadas pela clinica, observamos que a data, o valor e o tipo de tratamento estão de acordo com a 1ª via. Porém os demais dados (nome do pagador, CPF e nome do paciente) que constam nas 2ªs (fls. 94/128) e 3ªs vias (fls. 129/163) não coincidem com os preenchidos nas 1ªs vias, inclusive os dados da 2ªs e 3ªs vias também não coincidem, embora a letra seja a mesma nas 3 (três) vias. Também verificamos que as 1ªs vias da Notas Fiscais nºs 98, 116, 133, 171, 208 e 221 estão rasuradas, o que não ocorre com as 2ªs e 3ªs vias dessas Notas. Intimada a apresentar documentação bancária que comprovasse a efetividade dos desembolsos dos pagamentos dessas despesas, a contribuinte se limitou a informar que os pagamentos foram em moeda corrente. Constatase claramente que as Notas fiscais foram adulteradas posteriormente à sua emissão com o único objetivo de pagar imposto menor do que o devido". Ora, no tocante aos recibos emitidos por Luiz Eduardo Brigantini, impõese a sua não aceitação para fins de comprovação das deduções pleiteadas, sendo que as razões para tanto são similares às já expendidas no que se refere aos anoscalendário já examinados, quais sejam, falta de endereço do local de prestação de serviços, e da comprovação dos pagamentos, necessária dadas as várias inconsistências constatadas pela autoridade lançadora. Quanto aos recibos associados à fisioterapeuta Fátima S. Botoluzzi, deve ser registrado que a legislação tributária não traz normas específicas que dêem respaldo à conclusão de que tais profissionais não possam praticar a acupuntura. Não obstante, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça exarado no REsp nº 1.357.139/DF, em 18/4/2013 (relator Min. Napoleão Leal Nunes Maia Filho), dá amparo à glosa levada a efeito pela fiscalização: ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. PRÁTICA ACUPUNTURISTA. ATIVIDADE NÃO REGULAMENTADA NO BRASIL. EXERCÍCIO PROFISSIONAL POR PSICÓLOGOS.RESOLUÇÃO 005/2002 DO EGRÉGIO CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. EXTENSÃO DO CAMPO DE ATUAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA ÁREA DE PSICOLOGIA. NULIDADE. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Realmente, no Brasil não existe legislação que proíba a certos profissionais da área de saúde a prática da Acupuntura, ou mesmo que a preveja apenas em favor de alguns; no entanto, não se pode deduzir, a partir desse vácuo normativo, que se possa, por intermédio de ato administrativo, como a Resolução 005/2002, editada pelo Conselho Federal de Psicologia, atribuir ao Psicólogo a prática da Acupuntura, porquanto dependeria de autorização legal expressa o exercício de tal técnica médica, por ser o agulhamento idêntico a procedimento invasivo, ainda que minimamente. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 2. Convém recordar que, no domínio do Direito Público, como ensina o Professor GERALDO ATALIBA, a ausência de previsão legal para o desempenho de certa atividade regulamentada significa a sua interdição àquele agente, por falta de atribuição de competência, que somente a lei pode definir; não se aplica, no âmbito do Direito Público, a famosa teoria da licitude implícita, segundo a qual, a conduta que não é proibida é permitida, tal como é conhecida tradicionalmente nos campos do privatismo jurídico. 3. Além do mais, não é admissível aos profissionais de Psicologia estender o seu próprio campo de trabalho por meio de Resolução Administrativa, pois as suas competências estão fixadas em lei que regulamenta o exercício da notável profissão (Lei 4.119/62). 4. Recurso Especial desprovido.(grifei) Com efeito, tratandose a acupuntura de técnica médica realizada mediante procedimento invasivo, consoante firmado no acórdão supra, imprescindível previsão legal expressa para o seu exercício por parte de fisioterapeutas, à semelhança da situação dos psicólogos, examinada no referido julgamento. Correta, em decorrência, a glosa efetuada, por tratarse a despesa sob exame de pagamento a profissional sem a devida habilitação para a prestação do correspondente serviço. Quanto à glosa das deduções correlacionadas com serviços alegadamente prestados pela Clínica Odontológica Realeza, também não merece prosperar a inconformidade da recorrente. São várias as inconsistências levantadas pela fiscalização, minuciosamente explanadas no Termo de Verificação Fiscal: rasuras no preenchimento, descompasso entre as informações presentes 1ª, 2ª e 3ª vias das Notas Fiscais apresentadas, numeração das Notas incoerentes com as respectivas datas de emissão, etc. Diante de tais inconsistências, exsurgia como necessária a comprovação efetiva da realização dos pagamentos, por meio da apresentação de cheques, extratos bancários ou documentos de teor similar, aptos ao esclarecimento da situação. A contribuinte, porém, limitouse a asseverar que os pagamentos foram todos feitos em moeda corrente, e que tal proceder se encontra amparado pelo ordenamento jurídico. Nada impede, esclareçase, que a contribuinte escolha pagar suas obrigações em dinheiro, porém ao fazêlo abriu mão de poder comprovar a transferência de recursos por meio inequivocamente hábil e idôneo para tanto, a saber, os registros bancários da transação. Consequentemente, ela claramente optou, ainda que involuntariamente, por limitar sua capacidade de produzir prova do adimplemento dessas obrigações, caso fosse necessário, como no particular, quando os documentos que em tese poderiam atestar o pagamento da prestação de serviços estão permeados por irrefutáveis inconsistências. Nenhum reparo a fazer, portanto, às autuações referentes ao anocalendário 2010. Da multa qualificada. A fiscalização reputou como inexistentes as despesas com instrução declaradas nos anoscalendário 2007 e 2009, e parte das despesas médicas declaradas nos anos Fl. 229DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10935.721673/201171 Acórdão n.º 2802003.089 S2TE02 Fl. 224 13 calendário 2006, 2007, 2009 e 2010, o que ensejou a qualificação da multa de ofício relativa a tais despesas. Primeiramente, há que se explicar que com relação às despesas com instrução de 2007 e às despesas médicas de 2006, a contribuinte simplesmente não apresentou os respectivos comprovantes, o que não atesta, por si só, que tais despesas não tenham ocorrido; inclusive, a contribuinte, na irresignação ora analisada, não apresentou recurso no tocante a esses aspectos, alegando não ter encontrado esses documentos. No que se refere às despesas com instrução do anocalendário de 2009, a glosa efetuada deveuse, como se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal, muito mais à inadequação do recibo de fl. 47 para fins de prova, do que propriamente à constatação de inexistência da despesa nele lastreada. Mais, no atinente à glosa do pagamento efetuado à fisioterapeuta Fátima S. Bortoluzzi (fl. 51), a crítica da fiscalização cingese à falta de comprovação dos pagamentos efetuados e à habilitação daquela profissional para a prestação do serviço, não se questionando a efetiva realização deste. Destarte, descabida a qualificação da multa de ofício relativamente a tais infrações, pois lançada sem fundamentação condizente. As demais despesas tidas por inexistentes se referem às prestações de serviços vinculadas à Luiz Eduardo Brigantini, Letícia Cristina Brigantini, Clarice D.V.M. Chagas e Clínica Odontológica Realeza. Os motivos pelos quais foram consideradas inexistentes tais despesas já foram narrados à saciedade quando da análise dos documentos a elas vinculados, mais acima vertida. Não obstante seja forçoso reconhecer a fragilidade dos documentos para fins de comprovação cabal das despesas médicas em apreço, tenho que o arcabouço probatório reunido pela fiscalização não dá suporte suficiente para a qualificação da multa de ofício a essas despesas vinculada. Para a qualificação da multa, é necessário a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo, ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridicotributárias. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Vejase que no caso em comento várias das motivações, cogitadas pela fiscalização para fins de imputação da qualificação, não se sustentam diante de exame mais ponderado. Por exemplo, o fato de Letícia Cristina Brigantini morar na cidade de Paranavaí/PR, e de Clarice D.V.M. Chagas residir na cidade de Pranchita/PR não tem maior Fl. 230DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 significância, pois não é incomum que no interior dos Estados, profissionais da área da saúde trabalhem em cidades outras que não as de sua residência, ainda que algumas vezes ao mês, caso distantes. Noutro giro, a existência de um recibo, dentre as dezenas apresentados, que possui como data da prestação de serviço um dia de domingo aparenta ser decorrente mais de equívoco no seu preenchimento do que de outra motivação. Também é sabido que em diversas clínicas médicas, consoante aduz a autuada, o preenchimento de certos campos dos recibos a serem fornecidos aos tomadores de serviços fica ao encargo do pessoal da secretaria ou administração do local, cabendo ao profissional médico apenas a assinatura. A natureza das inconsistências constantes nas Notas Fiscais emitidas pela Clínica Odontológica Realeza Ltda., por sua vez, apontam mais para falhas de responsabilidade da própria empresa do que para eventual conduta dolosa da recorrente. Enfim, a despeito da existência de significativos problemas com os documentos examinados, não há um conjunto de provas convergente, forte e suficiente para amparar o entendimento de que a conduta da contribuinte, ao lançar como deduções em suas DAA despesas médicas naqueles amparadas, foi dolosa, ou mesmo para que se assevere que tais despesas não tenham, efetivamente, existido. Descabida, assim, a qualificação da multa imposta pela autoridade lançadora. Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer a dedução de R$ 1.516,32 (hum mil, quinhentos e dezesseis reais e trinta e dois centavos) a título de dependentes na DAA do exercício 2007, e excluir a qualificação da multa de ofício no que se refere aos anos calendário 2006, 2007, 2009 e 2010. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 231DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10166.908050/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2005
ERRO FORMAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - PREVALÊNCIA.
Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3302-002.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2005 ERRO FORMAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido.
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Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 50 /2 00 9- 44 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Trata se de compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de PIS em virtude de apuração equivocada por parte da contribuinte. Ocorre que a contribuinte, constatado o erro de apuração, procedeu à retificação da DIPJ, mas não retificou as respectivas DCTF’s. O despacho decisório foi pelo indeferimento da compensação em vista do crédito ter sido considerado inexistente. Após o Despacho Decisório a contribuinte retificou as DCTF’s e recorreu do indeferimento da compensação promovida. Com detalhes segue o relato da decisão de primeira instância administrativa que reproduzo, verbis: “Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp n10969.37512.141106.1.7.041107, transmitida eletronicamente em 14/11/2006, com base em suposto crédito de Pis oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentando na inexistência de crédito. Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando em síntese, que de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, foram pagos Pis e Cofins sobre toda a receita de venda de mercadorias, sem a devida exclusão da base de calculo dos produtos monofásicos. Esclarece que a atividade da empresa é bar e restaurante, com grande volume de venda de chopp, cervejas e refrigerantes, tendo sido pago Pis a maior, haja vista a não observância do tratamento tributário adequado. Informada do erro na apuração dos impostos, apresentou Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa JurídicaDIPJ retificadora do período, corrigindo as informações referentes ao Pis e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do Pis e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, por meio de PER/DCOMP. Inteirada do referido Despacho Decisório, procurou o plantão fiscal da Receita Federal, com todos os documentos a respeito do assunto, sendo informada da necessidade de apresentar DCTF retificadoras. Desta forma, com a apresentação das DCTF retificadoras, solicita a baixa dos débitos referentes aos Despachos Decisórios, estaremos a disposição para a apresentação de outros documentos.” Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10166.908050/200944 Acórdão n.º 3302002.210 S3C3T2 Fl. 11 3 Após analisar as razões da Recorrente a 4 ª Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília DRJ/BSB – proferiu o acórdão n° 0347.826, o qual restou da seguinte forma ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.” Em resumo, as autoridades administrativas de primeira instância entenderam que a Recorrente apenas retificou sua DCTF, sem contudo comprovar a existência de seu direito, razão pela qual indeferiram a compensação pleiteada. A Recorrente foi intimada em 29/05/2012 (AR – fls. 25) e, irresignada, interpôs Recurso Voluntário em 28/06/2012, reiterando as razões de impugnação e rogando pela aplicação do princípio da verdade material. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Da análise dos autos verificase que a DIPJ e a DCTF indicam a existência de saldo credor de contribuições de Pis e Cofins. Informa a Recorrente não ter realizado, à época devida, a exclusão das respectivas bases de cálculo dos valores referentes aos produtos monofásicos. Vale notar que em momento algum do processo a autoridade fiscal questionou as informações da Recorrente. A abordagem da DRJ foi estritamente no sentido de que a simples retificação de DCTF não seria suficiente para a constituição do crédito tributário. Ou seja, não questionou o fato de a Recorrente deduzir da base de cálculo os valores referentes aos produtos monofásicos. Pois bem, muito embora tenha razão a DRJ ao afirmar que a simples retificação de DCTF e DIPJ não é suficiente para comprovar a existência do crédito tributário, fato é que se o contribuinte comprova que há um erro na DCTF e procede à retificação das informações, constitui outro valor como devido, o que não pode ser desconsiderado. Vale dizer, o processo administrativo tributário, regido pelo princípio da verdade material, não permite análise rasas de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas, uma vez que se constate que os fatos se deram de forma distinta daquilo que foi declarado. Assim, mero erro formal do contribuinte, consubstanciando erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando comprovada a verdade dos fatos. A jurisprudência deste Tribunal corrobora este entendimento, tendo cancelado diversos lançamentos quando comprovada a ocorrência de mero erro formal, por equivoco do contribuinte na prestação de informações em suas declarações. Destaco: “AUDITORIA DE DCTF. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. No caso de lançamento decorrente de auditoria interna de DCTF, estando demonstrado nos autos que o valor recolhido pelo sujeito passivo a título de IRPJ corresponde ao informado na DIPJ, é de se admitir como incorreto o valor divergente informado pelo contribuinte na DCTF.(...)” (CARF 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 140200.189) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10166.908050/200944 Acórdão n.º 3302002.210 S3C3T2 Fl. 12 5 circunstâncias.(...)” (CARF 3ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias. (...)” (CARF – 3ª Seção – 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Acórdão 10808.689) “(...) VALOR DA TERRA NUA. DITR ERRO NO PREENCHIMENTO Constatado erro no preenchimento da DITR, a autoridade administrativa deve rever o lançamento, para adequálo aos elementos fáticos reais. Havendo erro no Valor da Terra Nua declarado e inexistindo nos autos elementos que permitam a manutenção da base de cálculo do tributo, adotase o valor fixado na IN pertinente. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos.Recurso especial da Fazenda Nacional negado.” (CSRF, 3ª Turma, Acórdão CSRF/0304.471) As decisões acima apresentadas fundamentamse no princípio da verdade material, que impede que o formalismo se sobreponha à matéria e à verdade dos fatos. O processo administrativo fiscal tem por fim a busca da verdade material justamente por permitir, nesta instância, a análise irrestrita e profunda dos fatos, visando justamente estabelecer como se deram de modo que a tributação não ultrapasse seus limites. Em observância a tais princípios, uma vez constatado que houve erro nas informações prestadas pelo contribuinte, de se considerar a verdade dos fatos, ainda que elas sejam diversas das informações em que se baseou o Fisco na execução de seus atos – seja na lavratura de um auto de infração, ou, como no presente caso, na não homologação de uma compensação. Ressaltando, contudo, que esta decisão não significa a homologação da compensação pleiteada, uma vez que o crédito tem de ser avaliado pela autoridade administrativa competente. A questão é que não há impedimento legal para que a retificação seja realizada posteriormente, sendo permitido o procedimento adotado pela Recorrente. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Ante o exposto, conheço do presente para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da Recorrente, para reconhecer o direito ao procedimento de compensação, ficando ressalvado à fiscalização a apuração do crédito tributário pleiteado. É como voto, 27 de junho de 2013. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 16/0 9/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10283.721283/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITAS - COMPROVAÇÃO DE ORIGEM - MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA ENTRE CONTAS DO MESMO TITULAR - EXCLUSÃO.
Se da acusação relativa a presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem, se verifica movimentação financeira entre contas bancárias do mesmo titular e de outra sociedade da qual se é sócio, tal montante deve ser excluído da base de cálculo apurada pela fiscalização.
OMISSÃO DE RECEITAS - INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL - LASTRO COMPROVADO DO SÓCIO - EXCLUSÃO.
Demonstrado, por documentação hábil e idônea, válida tanto da pessoa jurídica, como de seu sócio, que legítima e lastreada patrimonialmente a integralização do capital no sujeito passivo, é de se afastar integralmente a acusação da referida omissão de receitas pelos fatos alegados.
Numero da decisão: 1202-001.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores de omissão de receitas de depósitos bancários de origem não comprovada, exceto o valor de R$ 100.000,00, depositado no Banco Bradesco em 17/11/2004, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo que, além desse valor, também mantinha a tributação dos depósitos originados da empresa Rios Empreendimentos e Construções Ltda., e excluir da tributação os valores de omissão de receita referentes à integralização de capital, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Pires e Carlos Alberto Donassolo, que mantinham a tributação também quanto a este último item.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS - COMPROVAÇÃO DE ORIGEM - MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA ENTRE CONTAS DO MESMO TITULAR - EXCLUSÃO. Se da acusação relativa a presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem, se verifica movimentação financeira entre contas bancárias do mesmo titular e de outra sociedade da qual se é sócio, tal montante deve ser excluído da base de cálculo apurada pela fiscalização. OMISSÃO DE RECEITAS - INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL - LASTRO COMPROVADO DO SÓCIO - EXCLUSÃO. Demonstrado, por documentação hábil e idônea, válida tanto da pessoa jurídica, como de seu sócio, que legítima e lastreada patrimonialmente a integralização do capital no sujeito passivo, é de se afastar integralmente a acusação da referida omissão de receitas pelos fatos alegados.
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Se da acusação relativa a presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação de origem, se verifica movimentação financeira entre contas bancárias do mesmo titular e de outra sociedade da qual se é sócio, tal montante deve ser excluído da base de cálculo apurada pela fiscalização. OMISSÃO DE RECEITAS INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL LASTRO COMPROVADO DO SÓCIO EXCLUSÃO. Demonstrado, por documentação hábil e idônea, válida tanto da pessoa jurídica, como de seu sócio, que legítima e lastreada patrimonialmente a integralização do capital no sujeito passivo, é de se afastar integralmente a acusação da referida omissão de receitas pelos fatos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores de omissão de receitas de depósitos bancários de origem não comprovada, exceto o valor de R$ 100.000,00, depositado no Banco Bradesco em 17/11/2004, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo que, além desse valor, também mantinha a tributação dos depósitos originados da empresa Rios Empreendimentos e Construções Ltda., e excluir da tributação os valores de omissão de receita referentes à integralização de capital, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Pires e Carlos Alberto Donassolo, que mantinham a tributação também quanto a este último item. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 12 83 /2 00 8- 17 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 20 2 Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando José Gonçalves Bueno Relatório Tratase de Auto de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos aos anos calendários de 2003 e 2004. Por bem descrever os fatos, segue resumidamente partes do relatório da decisão recorrida nos seguintes termos: A Fiscalização lavrou Auto de Infração contra a ora Recorrente, alegando: A não comprovação por documento hábil e idôneo da origem dos recursos utilizados nas operações de crédito das contas bancárias da fiscalização. Alegou haver: “I.omissão de receitas da atividade caracterizada pela existência de créditos nas contas bancárias abaixo identificadas de titularidade deste sujeito passivo que regularmente intimado, conforme Termo de Intimação datado de 09/11/2008, não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações; II. Tendo em vista que o contribuinte não lançou nas Declarações de Informações EconômicoFiscaisDIPJ’S dos anos calendários de 2003 e 2004, os valores, respectivos, abaixo demonstrados, procedemos o referido lançamento: Nº C/C; III.Omissão de receitas da atividade caracterizada pela Integralização de Capital Social no valor de R$ 2.687.300,00 (dois milhões, seiscentos e oitenta e sete mil e trezentos reais), entregue em espécie no dia 07/10/2004, ao Caixa da Empresa. O sujeito Passivo regularmente intimado, através do Termo de Intimação datado de 19/11/2004, não logrou êxito em comprovar com documentação hábil e idônea coincidentes em data e valor, a origem dos recursos entregues ao caixa da empresa no valor acima citado para efeito de integralização de Capital. Em carta resposta data de 12 de dezembro de 2008, o sujeito passivo apresentou os recibos anexos, assinado pela Sra. Joana Teixeira, responsável pelo Financeiro da empresa no valor acima mencionado. Não obstante, não comprovou a origem do dinheiro.” Diante do Auto de Infração em comento, a Recorrente apresentou Impugnação visando combater a autuação lavrada em seu desfavor, afirmando: “Créditos tributários extintos por decadência relativos aos 1º, 2º e 3ºtrimestres de 2003, de acordo com art. 150,§ 4º do CTN;enquadramentolegal utilizado pela fiscalização não autoriza a inversãodo ônus da prova;ainversão do ônus da prova é inconstitucional;não há provas de que: a) não tenha ocorrido a integralização do capital, conforme demonstrado à fl. 139 ; Fl. 371DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 21 3 b) os depósitos bancários representem Omissão de Receitas. Ao final, impugnante solicita o afastamento do Auto de Infração.” Contudo, a decisão expurgou tão somente os créditos tributários exigidos relativos ao IRPJ, CSLL, 1º, 2º, 3º trimestre de 2003 e ao PIS e COFINS relativos aos meses de janeiro a novembro do ano de 2003, assim, mantendo os demais créditos tributários, considerando a impugnação parcialmente procedente, conforme a ementa do Acórdão, senão vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003, 2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO.EXTINÇÃO.DECADÊNCIA.Nos lançamentocuja exação se faz por homologação, havendo pagamento antecipado doimposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação,realiza sea contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4º do art.150 do CTN, de outra forma, aplicasea regra ordinária da decadênciaestampada no art. 173, inciso I, do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.Os valorescreditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, emrelação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove,mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizadosnessas operações são caracterizados como omissão de receitas. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO.A presunção legaljuris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadorafica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fatoindiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fatojurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de ProcessoCivil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu nasituação concreta. OMISSÃO DE RECEITAS.INTEGRALIZAÇÃO DECAPITAL.PROVAS. A integralização de capital social deve tercomprovada tanto a sua entrega dos valores á empresa como a origem dosrecursos aplicados, devendo ocorrer com documentos hábeis e idôneos,bem como registrados na contabilidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a fim de contestar a decisão proferida no referido Acórdão. DA OMISSÃO DE RECEITA – INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Deste modo, a decisão em tela, entendeu que a recorrente ao não esclarecer a origem dos recursos depositados em sua conta bancária, conforme solicitado pela fiscalização, Fl. 372DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 22 4 autorizou a inversão do ônus da prova, caracterizando a presunção legal de Omissão de Receitas, descrita no art. 42 da Lei 9430/96 e no art.281 do RIR/99. Afirma que no caso fático, a fiscalizada não apontou a origem de seus depósitos, deixando de indicar o depositante, a natureza das operações e os registros contábeis. O Acórdão embute a Recorrente um equívoco nos autos de sua Impugnação, esclarecendo entender que verificada a Omissão de Receita, o tratamento tributário será o descrito no artigo 528 do RIR/99. Aduz o Acórdão que ainda que houvesse engano na indicação do artigo que fundamentou a infração, a situação factual foi perfeitamente descrita pela fiscalização: a) foram identificadosdepósitos bancários não oferecidos à tributação em DIPJ; b) a fiscalização atendeu à condiçãodo caput do art. 42 da lei 9430/96; c) o contribuinte não comprovou a origem dos recursos. Neste sentido, o recurso voluntário discorre acerca dos princípios que norteiam o Direito Tributário, dentre eles o Princípio da Legalidade, aduzindo que a lei deverá conter os contornos precisos dos elementos descritores do fato e a decorrente conduta, representada sempre pela relação obrigacional do poder tributário com o contribuinte. A tipicidade constituise em garantia para o cidadão permitindo que o mesmo anteveja as condutas proibidas e respectivas sanções, além de impedir que a Administração Pública eventualmente atue de forma arbitrária, vez que somente imporá pena relativamente ao que estiver descrito na norma como infração. No presente caso, a tipificação da infração teria sido obtida através do artigo 528 do RIR/99, supracitado. O primeiro aspecto a considerar é que a norma citada já prevê a ocorrência do ilícito tributário – omissão de receita e a sua conseqüência, o que equivaleria ao consequente normativo. Já o caput do artigo 42 da Lei 9.430/96 prevê que se caracterizam também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Afirma que aqui sim há o descritivo da hipótese de incidência infracional. Este o comando que deveria ter sido lançado no auto de infração já que em pleno atendimento aos princípios da legalidade e da tipicidade. Ademais, somente este dispositivo legal é que autoriza a implementação da presunção da omissão de receita que se caracterizará pela não comprovação, após devidamente intimado para fazêlo, pelo contribuinte da origem dos depósitos bancários creditados em sua conta. Entendendo, que seria, portanto, nulo o Auto de Infração. A recorrente então afirma que dos autos se resultou a existência de valores creditados em sua conta corrente, mas a título de empréstimos contraídos no Banco, como se vê dos documentos acostados aos autos, o que demonstra a inexistência de “acréscimo patrimonial” para efeito de considerarse existente o fato gerador. Assevera que passou a ser devedora daquela instituição financeira, tendo em vista que o dinheiro há de ser devolvido. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 23 5 Desta forma, entende a recorrente, que em face do exposto, é insubsistente o Auto de Infração lavrado e os autos decorrências, pois intentam visualizar acréscimo patrimonial inexistente e aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica que não ocorreram. DA INTEGRALIZAÇÃO DO CAPÍTAL O Acórdão em tela aduz que a recorrente apresentou recibos dando conta da integralização do capital, assim como apresentou saldos na DIPJ 2005 que permite inferir a integralização alegada. O que, contudo, não comprova a origem dos recursos questionados pela fiscalização. Transcrevendo trecho do livro. A decisão afirma ainda que não fora apresentada a alteração do contrato social na respectiva junta comercial e nem o registro contábil deste fato em livros próprios, restando assim, não comprovada a integralização do capital. Em face disso, a recorrente aduz em sede de impugnação, que o processo administrativo federal é regido pelo princípio da verdade material o qual determina o dever da Administração de “tomar decisões sempre com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, ou pelo menos o mais próximo possível desses fatos, e não se pautar tão somente pela versão dos fatos trazida ao processo pelas partes.” O que significa dizer que a autoridade administrativa tem o poderdever de se utilizar de todos os meios lícitos para buscar provas, dados ou informações sobre o objeto em exame, não estando limitada aos aspectos considerados pelas partes em face do principio da verdade material especificamente aplicável ao processo administrativo fiscal. Pelo exposto, a Recorrente versa a respeito da não preclusão do direito do contribuinte, ainda que esta fase, em tese, encerrase com a impugnação ao auto de infração. Afirma que assim procedendo, a autoridade administrativa age em conformidade com os princípios que devem se observados pela Administração Pública, previstos na Constituição federal, na Lei do Processo Administrativo Federal (Lei nº 9784, de 1999) e do Processo Administrativo Fiscal, atendendo especialmente os requisitos da moralidade e da eficiência administrativa, assim como da economia processual, atendendo o interesse público e a legitimação social. Assim, diante do exposto e clamando pelo principio da verdade material, o Recorrente requer que o E. Conselho receba os documentos acostados que, aliados aos já existentes nos autos, demonstrarão de forma cabal que houve, de fato, a integralização do capital suscitada, exonerandose este contribuinte de recolher o crédito tributário exigido e mantido no Auto de Infração em comento. Ademais, pede pela recepção dos documentos, igualmente acostados, que revelam a efetiva tomada de empréstimo junto a diversas instituições financeiras, o que soterra o argumento de incidência do Imposto de Renda e demais tributos exigidos. É o relatório. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 24 6 Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele se toma conhecimento. Como já abordado no relatório a discussão no presente caso se dá em síntese em relação à omissão de receitas relativas a valores que transitaram por contas bancarias da Recorrente mantidas em instituições financeiras, bem como omissão de receitas da atividade caracterizada pela integralização de Capital Social realizada com recursos de origem não comprovada. I. OMISSÃO DE RECEITAS – INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Em que pese o esforço da Recorrente em afastar a inversão do ônus da prova, no presente caso resta caracterizada a presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Em decorrência do preceito legal, caracterizase a omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe neste sentido ao Fisco comprovar, por meio da movimentação bancária, que houve depósitos movimentados nas contascorrentes das pessoas que não foram escriturados como ativo patrimonial, e levadas à tributação. Com efeito, ante o advento do artigo 42 da Lei nº. 9.430/96, a jurisprudência deste Conselho solidificouse no sentido de que cabe diante da inversão do ônus da prova pela presunção legal ao contribuinte refutar a presunção perpetrada pelo Fisco quando o acusa que omitiu receitas decorrentes de movimentações bancárias em contas de depósitos mantidas em seu nome junto a instituições financeiras, através de apresentação de provas irrefutáveis que demonstrem que a omissão não ocorreu. Ao contribuinte cabe apresentar a comprovação hábil a refutar a presunção legal, posto que tratase de presunção relativa. Aliás muitas das vezes temse a constatação de equívocos, como por exemplo a existência de cheques depositados que foram devolvidos, baixas de aplicação, transferências entre contas de mesma titularidade, entre outras. Sustenta a Recorrente que houve a tributação sobre meras entradas, que não constituem receitas, posto que se tratavam de recursos próprios. Cabe, assim, neste ponto, destacar as diferenças entre entradas e receitas. Nem todo ingresso de capital tem natureza de receita, afinal, é preciso que esteja presente a agregação de tal entrada ao patrimônio, assim, os valores que apenas transitam Fl. 375DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 25 7 pela contabilidade da empresa, mas que são recebidos sob determinada condição, não lhe outorgam, de forma alguma, a titularidade definitiva de tal capital. Imperioso destacar algumas considerações sobre o conceito de receita. A receita é (i) uma espécie de entrada no patrimônio, ressaltandose que nem toda entrada é receita; (ii) tipo de entrada que adere ao patrimônio sem qualquer ressalva, condição ou compromisso nas saídas da pessoa jurídica. Somase ao patrimônio; (iii) tem caráter permanente, uma vez que ingressou, pertence a entidade (iv) é proveniente de outro patrimônio, passando a integrar o patrimônio de que a recebe em decorrência das suas atividades; (v) manifesta a capacidade contributiva da pessoa jurídica; (vi) modifica o patrimônio. Destarte, receita é toda aquela entrada que se adere ao patrimônio da entidade, modificandoo em caráter de permanência, advindo de outro patrimônio, em decorrência de suas atividades. Nesta esteira podese citar Geraldo Ataliba1, quando ensina: “O conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres da entidade. Nem toda entrada é uma receita. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que o recebe.” Este entendimento encontrase pacificado na doutrina e na jurisprudência, podendose extrair ainda a contribuição de Edmar Oliveira Andrade Filho2: “Nem todo numerário que circula pelo patrimônio de uma pessoa jurídica constitui acréscimo a seu patrimônio. Assim, é possível que uma pessoa jurídica receba valores na condição de mandatária de terceiros; nestes casos, os valores recebidos constituem exigibilidades e não receitas. (...) Enfim, o imposto incide sobre a receita e não sobre ingressos de valores. Logo, não será tributado um ingresso financeiro que não corresponda a uma receita, assim entendida parcela que se agrega ao patrimônio social para aumentálo. Essa conclusão decorre da absoluta ausência de conteúdo econômico que satisfaça ao principio constitucional da capacidade contributiva. É evidente que essas conclusões só se justificam se essas condições estiverem claramente estipuladas em lei ou em contrato válido e que possa ser provado por qualquer uma das formas admitidas pelo ordenamento jurídico.” Não obstante, admitirse a tributação sobre o total de entradas, considerando os receita, fere o principio da capacidade contributiva. Desta sorte, a tributação acabaria por 1 ATALIBA, Geraldo. ISS e base imponível. In: Estudos e pareceres de direito tributário. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1978. p. 8185. 2ANDRADE FILHO,Edmar Oliveira. Imposto de renda das empresas. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2005. p. 4647. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 26 8 tornar a atividade inviável, uma vez que a tributação não estaria a respeitar o patrimônio, e sua real modificação. Tanto é assim, que a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 42 contempla exceções de ingressos de valores que devem ser excluídos da determinação da matéria tributável, vejase seu parágrafo terceiro: Art. 42. (omissis) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais) A Recorrente busca demonstrar a existência de valores que foram movimentados entre contascorrentes de sua titularidade, os quais merecem um olhar mais atento deste julgador. Do Auto de Infração, as fls.34/35, constam os depósitos bancários cuja fiscalização entendem que não houve comprovação de origem dos recursos, efetuando, portanto o lançamento fiscal. Dentre eles temos os seguintes: Banco Rural (Agência 0020, Conta 18468) DATA VALOR 02/01/2004 R$ 3.200,00 09/04/2004 R$ 970.000,00 26/04/2004 R$ 646.600,00 16/08/2004 R$ 75.000,00 17/08/2004 R$ 5.000,00 18/08/2004 R$ 48.000,00 19/08/2004 R$ 600.000,00 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 27 9 24/08/2004 R$ 135.000,00 25/08/2004 R$ 60.000,00 27/08/2004 R$ 13.000,00 21/09/2004 R$ 10.600,00 19/10/2004 R$ 200.000,00 21/10/2004 1.000,00 R$ Confrontandose tais créditos em contacorrente apontados pela Autoridade Fiscal no Auto de Infração, as fls. 34/35, com os extratos bancários juntados pela própria Autoridade Fiscal as fls. 59/70, temse que a natureza de tais operações é a de transferência entre contas de mesma titularidade. Vejase que a rubrica constante dos próprios extratos bancários corrobora este entendimento, posto que todos estes lançamentos efetuados a título de crédito em conta corrente são apontados como “TR. CTA. MES. TIT.”, ou seja, transferência entre contas de mesma titularidade. Desta sorte, nos exatos termos do §3º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, não podem ser considerados para a determinação da receita omitida, razão pela qual, é de se dar provimento ao recurso voluntário para que sejam expurgados tais valores da base de cálculo dos tributos apurados (IRPJ e reflexos). Assim, podese conferir a documentação junto aos autos, sobre a qual evidenciase: Crédito Efetuado no Banco Rural no valor de R$ 235.000,00 em 08/01,2004 Temse do Auto de Infração, as fls. 35, valor creditado no Banco Rural, agência 0020, conta nº 18468, em 08/01/2004, no valor de R$ 235.000,00. Verificando o extrato bancário as fls. 59, temse que em 08/01/2004, houve um depósito bancário no valor de R$ 250.000,00, sendo que este valor fora depositado em cheque, que fora devolvido pelo banco. De seu turno, o valor de R$ 235.000,00apontado pela fiscalização, fora creditado em 22/08/2004. Aponta a Recorrente, que tal valor referese a transferência de contas de sua titularidade, e que tal valor seria oriundo de sua conta mantida junto ao Banco Bradesco, Agência 19992, contacorrente 38.826. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 28 10 Consultando o extrato bancário de fls. 81, há saída coincidente em data e valor deste montante, evidenciando a mera movimentação entre valores da conta mantida junto ao Bradesco e a conta mantida junto ao Banco Rural. Crédito Efetuado no Banco Rural no valor de R$ 500.000,00 em 18/02/2004 Alega a Recorrente, que o valor acima referese a operação de mútuo contratada por meio da Cédula de Crédito Bancário nº 01315/0020/03, em 16/02/2004, em valor coincidente com o tributado pela fiscalização. Tal valor consta do Auto de Infração as fls. 34, como creditado no Banco Rural, agência 0020, contacorrente, 18468, no importe de R$ 500.000,00. Este valor aparece no extrato bancário de fls. 60, como creditado em conta corrente. As fls. 317, temse Cédula de Crédito Bancário emitida pelo Banco Rural em favor da Recorrente, vinculada à sua conta mantida junto a agência 0020, no valor de R$ 500.000,00, coincidente por tanto com o valor creditado. Crédito Efetuado no Banco Bradesco no valor de R$ 110.000,00 em 15/04/2004 Sustenta a Recorrente, que o valor acima referese transferência entre contas de mesma titularidade exteriorizada por meio de cheque por ela emitido, tendo como origem sua conta no Banco Rural, agência 0020. Temse no Auto de Infração, as fls. 35, o lançamento de R$ 110.000,00, referente a crédito efetuado na conta corrente nº 38.8262, agência 19992, do Banco Bradesco. No extrato bancário de fls. 88 (Bradesco), temse o depósito realizado por meio de cheque, no valor e data acima dispostos. No extrato bancário de fls. 62 (Banco Rural), temse o débito no valor de R$ 110.000,00, realizado em 15/04/2004, a título de cheque compensado. Entendo que restou efetivamente demonstrado que o valor de R$ 110.000,00, considerado pela fiscalização para a composição da base de cálculo dos tributos lançados referese, efetivamente, a transferência realizada entre contas de mesma titularidade. Créditos Efetuados no Banco Rural no valor de R$ 40.000,00 em 06/09/2004, por duas vezes Verificase no Auto de Infração as fls. 35, a existência de dois lançamentos no valor de R$ 40.000,00, realizados em 06/09/2004, junto ao Banco Rural, Agência 0020, ContaCorrente 18468. De seu turno, no extrato de fls. 67, há apenas um lançamento efetuado à titulo de crédito na referida contacorrente, evidenciandose o erro cometido pela Autoridade Fiscal, devendo um dos lançamentos constantes do Auto de Infração ser expurgado. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 29 11 Depósitos Bancários cuja origem foi a empresa Rios Empreendimentos e Construções Fundamenta a Autoridade Fiscal, o lançamento materializado nos presente Auto de Infração, da seguinte forma: 1 Omissão de receitas da atividade caracterizada pela existência de créditos nas contas bancárias abaixo identificadas de titularidade deste sujeito passivo, que regularmente intimado, conforme Termo de Intimação datado de 9/11/2008, não comprovou com documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme abaixo demonstrado: 2 Tendo em vista que o contribuinte não lançou nas Declarações de Informações EconômicoFiscais – DIPJs os anos calendários de 2003 e 2004, os valores,respectivos, abaixo demonstrados, procedemos o referido lançamento. Sustenta a Recorrente que diversos valores creditados em suas contas bancárias se deram à título de suprimento de caixa, realizado pela empresa Rios Empreendimentos e Construções Ltda, CNPJ/MF 04.995.067/000164, cujo quadro societário é idêntico ao da Recorrente. Desta feita, tais valores apenas transitaram pelas contascorrentes da Recorrente não configurando renda ou receita bruta, mas apenas ingressos não passiveis de tributação pela presunção legal de relativa a depósitos bancários de origem não comprovada. Alega que o valor de R$ 140.000,00, creditado em sua conta do Banco Rural em 02/09/2004, foi realizado por meio de cheque emitido pela Empresa Rios, de nº 0000171, cuja origem foi a contacorrente de nº 38.806, mantida por esta empresa junto ao Banco Bradesco. Aponta que o referido cheque, emitido pela empresa Rios e depositado pela Recorrente para fins de “cobrir” sua conta corrente, foi originariamente devolvido, o que se verifica outrossim, do extrato da própria Recorrente, tomado pela Fiscalização, o qual também evidencia a devolução, confirmando a origem dos recursos (vide fls. 67 dos autos). Desta sorte, não haveria dúvida de que o ingresso de R$ 140.000,00, percebido pela Recorrente na conta corrente de sua titularidade, mantida junto ao Banco Rural em 02/09/2004 não representa renda ou receita nova, consubstanciando apenas movimentação mantida entre empresas do mesmo grupo,com a finalidade de “cobrir” deficiência de caixa em uma delas. Ressalta que durante o curso da Fiscalização foram requisitados esclarecimentos a respeito de movimentações financeiras mantidas pela Recorrente que, tal como a presente, se entabularam entre a Recorrente e a empresa Rios, v.g. o depósito de R$ 1.310.000,00 (um milhão, trezentos e dez mil reais)efetivado em 25/10/2004 (fls. 05), em que consta Termo de Intimação no qual esse depósito esta relacionado e fls. 55/68, em que prestados esclarecimentos pela ora Recorrente. Assevera, nesses casos acima descritos, o próprio Agente Fiscal reconheceu a natureza dosvalores depositados, excluindoos do conceito de renda e, consequentemente, da própria autuação. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 30 12 Esse mesmo raciocínio deve, necessariamente, ser adotado emrelação a todas as demais hipóteses em que configurada movimentações financeiras mantidas entre a recorrente e a empresa rios.Podemse, cogitar de mútuo ou empréstimo, contudo, jamais renda ou receita nova. Desta feita, estariam abarcados pela mesma origem os seguintes valores: R$ 140.000,00, depositado em 02/09/2004, no Banco Rural; R$ 150.000,00, depositado em 04/10/2004, no Banco Bradesco; R$ 12.000,00, depositado em 26/10/2004, no Banco Bradesco; R$ 25.000,00, depositado em 27/10/2004, no Banco Bradesco; R$ 25.000,00, depositado em 01/11/2004, no Banco Bradesco; R$ 140.000,00, depositado em 03/11/2004, no Banco Bradesco; R$ 100.000,00, depositado em 17/11/2004, no Banco Bradesco; A Recorrente, afirma que embora não revestida das formalidades típicas das operações de mútuo, tal natureza há de ser, necessariamente, reconhecida na hipótese dos autos, nos eventos envolvendo a Recorrente e a empresa Rios Empreendimentos e Construções Ltda, do mesmo grupo econômico. Ressalta que quando iniciado o procedimento fiscal que culminou com a constituição dos autos de infração ora contestados, foram requisitados esclarecimentos em relação a um número bastante superior de lançamentos financeiros do que aquele que, ao final,acabou contemplado na autuação, o que demonstra que diversos casos restaram esclarecidos ao longo da fiscalização e, assim, excluídos da autuação, como já mencionado. E frisa que dentre esses casos, haviam depósitos que, tal como aqueles acima relacionados,contemplam recursos provenientes da empresa Rios Empreendimentos e Construções Ltda, os quais foram aceitos pela fiscalização, como se pode verificar da resposta apresentada pela ora Recorrente, juntada às fls. 54/55 do processo. Pois bem, as fls. 04, temse Termo de Intimação Fiscal, em que a Recorrente fora intimada a apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor que comprovem as origens dos recursos depositados em suas contascorrentes. Em atendimento a tal intimação a Recorrente apresenta esclarecimentos (fls. 54/ ), apontando extratos de conta corrente da Empresa Rios demonstrando transferências realizadas entre estas empresas, cópia de cheques da Empresa Rios Considerando a documentação apresentada pela Recorrente, a Autoridade Fiscal excluiu da base de cálculo do lançamento valores representados por transferências de valores realizados entre a Recorrente e a Empresa Rios, sendo estes os seguintes depósitos: Bradesco, 14/02/2003, R$ 50.000,00; Fl. 381DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 31 13 Extrato bancário da Empresa Rios (fls. 105) demonstrou que fora realizada transferência mediante o cheque de nº 0003, no valor de R$ 50.000,00, para a conta da Recorrente no Bradesco, sendo portanto este valor desconsiderado pela fiscalização para a composição da base de cálculo dos tributos lançados. Bradesco, 31/10/2003, R$ 139.000,00; Extrato bancário da Empresa Rios (fls. 108) demonstrou que fora realizada transferência mediante o cheque, no valor de R$ 139.000,00, para a conta da Recorrente no Bradesco, sendo portanto este valor desconsiderado pela fiscalização para a composição da base de cálculo dos tributos lançados. Rural, 16/02/2004, R$ 210.000,00; Comprovante de depósito (fls. 110), e cópia do cheque (fls. 111), emitido pela Empresa Rios e depositada em conta da Recorrente, no valor de R$ 210.000,00, sendo este valor desconsiderado pela fiscalização para a composição da base de cálculo dos tributos lançados. Bradesco, 30/04/2004, R$ 78.000,00; Extrato bancário da Empresa Rios (fls. 119/120) demonstrou que fora realizada transferência eletrônica, no valor de R$ 78.000,00, para a conta da Recorrente no Bradesco, sendo portanto este valor desconsiderado pela fiscalização para a composição da base de cálculo dos tributos lançados. Rural, 07/06/2004, R$ 92.000,00; Comprovante de depósito (fls. 121), e cópia do cheque (fls. 122), emitido pela Empresa Rios e depositada em conta da Recorrente, no valor de R$ 210.000,00, sendo este valor desconsiderado pela fiscalização para a composição da base de cálculo dos tributos lançados. Bradesco, 23/07/2004, R$ 57.000,00; e Cópia de comprovante de depósito e cheque emitido pela própria Recorrente (fls. 125/126), demonstrando transferência de valores entre contas de mesma titularidade. Rural, 25/10/2004, R$ 1.310.000,00; Comprovante de depósito (fls. 131), cópia do extrato de contacorrente da Recorrente (fls. 132), e cópia de extrato da Empresa Rios (fls. 144), demonstrando a origem dos valor de R$ 1.310.000,00, transferido entre as empresas, sendo este valor desconsiderado pela fiscalização para a composição da base de cálculo dos tributos lançados. Ante o acima exposto, verificase que a Fiscalização entendeu justificada a origem dos valores que a Recorrente na ocasião demonstrou como provenientes da Empresa Rios, excluindoos da base de cálculo do lançamento Fiscal. Assim, como já dito, a Recorrente entende que os seguintes valores devem ter a mesma sorte, ou seja, devem ser excluídos da base de cálculos, uma vez que comprovada sua origem – Empresa Rios: Fl. 382DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 32 14 R$ 140.000,00, depositado em 02/09/2004, no Banco Rural; R$ 150.000,00, depositado em 04/10/2004, no Banco Bradesco; R$ 12.000,00, depositado em 26/10/2004, no Banco Bradesco; R$ 25.000,00, depositado em 27/10/2004, no Banco Bradesco; R$ 25.000,00, depositado em 01/11/2004, no Banco Bradesco; R$ 140.000,00, depositado em 03/11/2004, no Banco Bradesco; R$ 100.000,00, depositado em 17/11/2004, no Banco Bradesco; Passase a analisar cada um dos depósitos. R$ 140.000,00, depositado em 02/09/2004, no Banco Rural; Tal valor se refere a cheque emitido pela empresa Rios, conforme se pode verificar no extrato da contacorrente nº 36806, agência 1999, do Banco Bradesco, cheque nº 171, cuja primeira apresentação se deu em 01/09, tendo sido devolvido, e então compensado em 02/09. As fls. 67, temse extrato da Recorrente, em que há apontamento do primeiro depósito, em 01/09, da devolução em mesma data, e do segundo depósito, em 02/09. Desta feita, resta comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem do depósito no importe de R$ 140.000,000, realizado no Banco Rural, merecendo provimento o Recurso Voluntário quanto a este fato. R$ 150.000,00, depositado em 04/10/2004, no Banco Bradesco; Tal valor se refere a cheque/espécie da empresa Rios, conforme se pode verificar no extrato da contacorrente nº 36806, agência 1999, do Banco Bradesco, cheque/espécie 190, cuja compensação se deu em 04/10/2004. As fls. 99, temse extrato da Recorrente, em que há apontamento do depósito em igual data e valor, Desta feita, resta comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem do depósito no importe de R$ 150.000,000, realizado no Banco Bradesco, merecendo provimento o Recurso Voluntário quanto a este fato. R$ 12.000,00, depositado em 26/10/2004, no Banco Bradesco; Este valor se refere a cheque/espécie da empresa Rios, conforme se pode verificar no extrato da contacorrente nº 36806, agência 1999, do Banco Bradesco, cheque/espécie 216, cuja compensação se deu em 26/10/2004. As fls. 100, temse extrato da Recorrente, em que há apontamento do depósito em igual data e valor, Fl. 383DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 33 15 Desta feita, resta comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem do depósito no importe de R$ 12.000,000, realizado no Banco Bradesco, merecendo provimento o Recurso Voluntário quanto a este fato. R$ 25.000,00, depositado em 27/10/2004, no Banco Bradesco; Este valor se refere a cheque/espécie da empresa Rios, conforme se pode verificar no extrato da contacorrente nº 36806, agência 1999, do Banco Bradesco, cheque/espécie 218, cuja compensação se deu em 27/10/2004. As fls. 100, temse extrato da Recorrente, em que há apontamento do depósito em igual data e valor. Desta feita, resta comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem do depósito no importe de R$ 25.000,000, realizado no Banco Bradesco, merecendo provimento o Recurso Voluntário quanto a este fato. R$ 25.000,00, depositado em 01/11/2004, no Banco Bradesco; Este valor se refere a cheque/espécie da empresa Rios, conforme se pode verificar no extrato da contacorrente nº 36806, agência 1999, do Banco Bradesco, cheque/espécie 226, cuja compensação se deu em 01/11/2004. As fls. 101, temse extrato da Recorrente, em que há apontamento do depósito em igual data e valor. Desta feita, resta comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem do depósito no importe de R$ 25.000,000, realizado no Banco Bradesco, merecendo provimento o Recurso Voluntário quanto a este fato. R$ 140.000,00, depositado em 03/11/2004, no Banco Bradesco; Este valor se refere a cheque/espécie da empresa Rios, conforme se pode verificar no extrato da contacorrente nº 36806, agência 1999, do Banco Bradesco, cheque/espécie 228, cuja compensação se deu em 03/11/2004. As fls. 101, temse extrato da Recorrente, em que há apontamento do depósito em igual data e valor. Desta feita, resta comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem do depósito no importe de R$ 140.000,000, realizado no Banco Bradesco, merecendo provimento o Recurso Voluntário quanto a este fato. R$ 100.000,00, depositado em 17/11/2004, no Banco Bradesco; Aponta o Recorrente que este valor se refere a cheque/espécie da empresa Rios, conforme se pode verificar no extrato da contacorrente nº 36806, agência 1999, do Banco Bradesco, cheque/espécie 235, cuja compensação se deu em 19/11/2004. As fls. 101, temse extrato da Recorrente, em que há apontamento do depósito em igual valor, porém com divergência de data. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 34 16 Assim, por não restar comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem do depósito no importe de R$ 100.000,000, realizado no Banco Bradesco, não cabe o provimento o Recurso Voluntário quanto a este fato. Diante o exposto, neste item de autuação fiscal é de se dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendose somente à base de cálculo tributável o montante de 100.000,00, deferente a depósito em conta do Banco Bradesco, sem comprovação de origem. II. INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL Quanto a este ponto, a Recorrente apresentou recibos (fl.139) dando conta da integralização do capital, assim como apresenta saldos na DIPJ 2005 que permitem inferir a integralização alegada. Contudo, a decisão a quo entendeu não restar comprovada a integralização do capital social, apontando não ter sido apresentada a alteração do contrato social na respectiva Junta Comercial, nem o registro contábil deste fato em livros próprios. A Recorrente sustenta que o processo administrativo fiscal é regido pela busca da verdade material par que seja admitida a juntada de prova hábil a demonstrar a efetividade da operação de integralização do Capital Social. Para tanto, apresentou Alteração do Contrato Social realizada no ano de 2004, levada oportunamente a registro na respectiva Junta Comercial, em que consta o aumento do Capital do Social da empresa no valor de R$ 2.687.300,00. Apresentou ainda cópia do Livro Diário Geral em que consta a integralização do Capital Social da empresa. Em que pese a prova ter sido juntada apenas quando do Recurso Voluntário, há de se reconhecer que o inicio já havia sido produzido quando da Impugnação. Vejase, o Recorrente havia apresentado os recibos dando conta da integralização do Capital Social, bem como os saldos em DIPJ 2005. Trazer agora o Contrato Social em que foi instrumentalizado o aumento do Capital Social, bem como o registro contábil desta integralização, é na verdade atender aquilo que a autoridade julgadora a quo entendeu como faltante para a comprovação da efetividade da operação. Ademais, demonstrou a Recorrente que seu sócio José de Moura Teixeira Junior possuía lastro para a integralização do capital social em espécie. Em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – anocalendário 2004, temse como declarados recursos em espécie suficientes para a realização da operação sob exame. Verificase em sua DIRPF, que no anocalendário houve a baixa do valor mantido em espécie concomitantemente ao aumento de sua participação societária, qual seja, no exato montante relativo à integralização do capital social. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 35 17 Não obstante há apontamento no Livro Razão da Recorrente espelhando a efetividade da operação, em conta própria relativa ao capital social (2.4.1.01.0001). No mesmo sentido o Balanço encerrado em 2003 e o Balanço encerrado em 2004, espelham o aumento do capital social. Não pode o Julgador cerrar seus olhos quando se vê diante da prova, notadamente documental, consubstanciada nos fatos, objeto do lançamento de ofício. Muito embora, por vezes a posição deste Conselho seja no sentido de não admitir a apresentação de documentos após a impugnação, a rigidez processual que estabelece a preclusão pode e deve ser mitigada. O objetivo, por excelência, do processo administrativo fiscal, é apurar a legalidade da tributação. E essa legalidade não se presume pelo decurso do prazo para a prática de determinado ato. Ela deve ser demonstrada de forma inequívoca, tendo o julgador o poder dever de se valer de qualquer prova levada ao processo, desde que lícita. Prevalece o princípio da finalidade do interesse público que o lançamento de ofício seja líquido e certo, com o intuito de constituir, como toda plenitude de seus efeitos jurídicos, a correta e válida exigibilidade do crédito tributário sob exame. Certo é que por diversas vezes já se admitiram provas juntadas tardiamente, como bem se vê: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NULIDADE. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador , pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Preliminar acolhida. Recurso provido. ” (1º. CC, Acórdão 103 19.789, DOU 29.1.99) “NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. Caracterizado nos autos que o Contribuinte pleiteou indiretamente a aplicação de juros equivalentes à Taxa Selic em sua peça exordial , incluindo os em demonstrativo de cálculo do valor do ressarcimento, nãohá que se considerar inovador o pedido na fase recursal. A informalidade moderada, desde que preservadas as garantias fundamentais do administrado, é mais adequada ao autocontrole da legalidade pela Administração Pública e mais aberta à busca da verdade real que, como vimos, é a base de todo o sistema. ”(CSRR, Acordão 0201.100, de 21.1.02) No presente caso, a Recorrente complementa a prova já produzida, como meio de apresentar aquilo que a própria autoridade julgadora a quo entendeu como sendo o necessário para demonstração do direito da Recorrente. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 36 18 Temse da documentação acostada todo o lastro da operação de integralização Capital Social, merecendo o Recurso Voluntário provimento quanto a este item. Ante o exposto, votase no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para expurgar da base de cálculo do item 1 – Omissão de Receitas relativa a depósitos bancários de origem não comprovada, o valores constantes da planilha abaixo, e cancelar em sua totalidade o lançamento relativo ao item 2 – Omissão de Receitas pela Integralização de Capital Social, todos relativos aos lançamentos do IRPJ e Reflexos. VALORES EXPURGADOS DA BASE DE CÁLCULO Nº C/C Agência Banco Data Valor em R$ 18468 0020 Rural 02/01/04 3.200,00 18468 0020 Rural 08/01/04 235.000,00 18468 0020 Rural 18/02/04 500.000,00 18468 0020 Rural 09/04/04 970.000,00 18468 0020 Rural 26/04/04 646.600,00 38.8262 19992 Bradesco 15/04/04 110.000,00 18468 0020 Rural 16/08/04 75.000,00 18468 0020 Rural 17/08/04 5.000,00 18468 0020 Rural 18/08/04 48.000,00 18468 0020 Rural 19/08/04 600.000,00 18468 0020 Rural 24/08/04 135.000,00 18468 0020 Rural 25/08/04 60.000,00 18468 0020 Rural 27/08/04 13.000,00 18468 0020 Rural 02/09/04 140.000,00 18468 0020 Rural 21/09/04 10.600,00 18468 0020 Rural 06/09/04 40.000,00 38.8262 19992 Bradesco 04/10/04 150.000,00 38.8262 19992 Bradesco 26/10/04 12.000,00 38.8262 19992 Bradesco 27/10/04 25.000,00 18468 0020 Rural 19/10/04 200.000,00 18468 0020 Rural 21/10/04 1.000,00 38.8262 19992 Bradesco 01/11/04 25.000,00 38.8262 19992 Bradesco 03/11/02 140.000,00 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10283.721283/200817 Acórdão n.º 1202001.196 S1C2T2 Fl. 37 19 (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 388DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 08 /09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.950159/2008-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa OAB/SP nº 250.118.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.950159/200828 Recurso nº 1Voluntário Resolução nº 3801000.776 – 1ª Turma Especial Data 22 de julho de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa OAB/SP nº 250.118. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 50 15 9/ 20 08 -2 8 Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.950159/200828 Resolução nº 3801000.776 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório que não homologa Declaração de Compensação (fl 1). A razão foi a falta de crédito pois o pagamento no Darf indicado (data: 15/06/2004 ; receita: 6912 – Pis Não Cumulativo; valor R$ 99.436,65) foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo passível para a compensação declarada (Pis junho de 2004; valor: 36.959,00; vencimento 15/7/2004; fl 10 ). A base legal foram os artigos 165 e 170, do CTN, e o artigo 74, da Lei 9.430/96. Em 2/12/2008 ocorreu a ciência da decisão (fl 4). Em 22/12/2008, a manifestação de inconformidade argui: a) recolhimento indevido; b) afronta ao contraditório e ampla defesa (art 5º, CF/88), por não ter discriminado os débitos liquidados pelo crédito, citando doutrinadores constitucionalistas, devendo ser anulada a decisão recorrida; c) argui defeito de forma do ato administrativo,citando doutrina sobre nulidade quando falta motivação ao ato. Ao final, requer a juntada de documentos anexos para comprovar seu crédito e reforma da decisão recorrida. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos citando a ementa da decisão recorrida. Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.950159/200828 Resolução nº 3801000.776 S3TE01 Fl. 4 3 Alega que o entendimento da decisão a quo não deve prevalecer tendo em vista que o crédito não foi localizado no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, em razão de erro de fato cometido pela Recorrente ao informar na DCTF do 2° trimestre de 2004, os valores relativos ao débito de Cofins de maio de 2004, justamente o período que deu origem ao crédito pleiteado no presente processo. Esclarece que entregou DCTF relativa ao mês de maio de 2004, página 141 (doc. 01), em que informou como devido a titulo de Cofins o valor de R$ 623.650,60 (seiscentos e vinte e três reais, seiscentos e cinquenta reais e sessenta centavos). A quitação desse valor se deu por meio de recolhimento efetuado nesse exato valor. Ocorre que, no período, o valor devido a título de Cofins era de R$ 472.438,63 (quatrocentos e setenta e dois mil, quatrocentos e trinta e oito reais e sessenta e três centavos). Ou seja, houve confissão em valor superior ao devido. Sustenta que a efetividade dos créditos a serem considerados na apuração que consistem em: (i) Créditos não tomados decorrentes das compras de insumos provenientes do exterior, conforme previsão dos incisos I e II do artigo 15 da Lei n° 10.865/04; (ii) Créditos tomados a menor nas variações monetárias e cambiais; (iii) Créditos tomados a maior decorrentes dos valores de armazenagem e fretes nas operações de venda, conforme previsão contida no inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/ 04. Pontua que o erro no preenchimento da DCTF acabou por implicar na não homologação da compensação em exame, porque induziu a Autoridade Julgadora a erro. Insiste que a ocorrência de apontado erro de fato é muito clara e pode ser facilmente vislumbrada da simples análise dos documentos anexos. Postula a retificação de ofício da DCTF. Colaciona jurisprudência do CARF. Por fim, requer que o recurso voluntário seja julgado procedente com reforma integral do r. acórdão recorrido, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado pela Recorrente nos exatos termos e valores em que declarado na PER/DCOMP, e, por conseguinte, extinto o crédito tributário em comento, de acordo com o artigo 156, II, do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.950159/200828 Resolução nº 3801000.776 S3TE01 Fl. 5 4 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Como visto acima, o motivo que fundamentou o indeferimento do pedido formulado pelo contribuinte e a conseqüente não homologação da compensação por ele pretendida foi tãosomente a indisponibilidade do pagamento informado como origem do crédito, alegadamente indevido, em razão de estar vinculado a débito declarado em DCTF e, portanto, já tendo sido utilizado para quitação deste no sistema conta corrente. É certo que esta fundamentação é superficial e decorre de análise realizada nos sistemas informatizados da instituição (confronto entre o valor declarado em DCTF e o recolhimento), no qual não se está analisando efetivamente o mérito do direito creditório, cujo exame somente seria viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pela requerente, na qual, foi descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. De imediato ressaltase que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Quanto ao direito à restituição do indébito, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 420, esclarece: O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. Destarte não se exige para o reconhecimento do indébito a retificação da DCTF, pois o importante é aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito, de acordo com o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional). Tenhase presente que após a Emenda Constitucional 42/2003 a não cumulatividade das contribuições PIS e Cofins foi assegurada constitucionalmente. As Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com as alterações posteriores, disciplinam o regime da nãocumulatividade das contribuições PIS e Cofins, respectivamente. Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.950159/200828 Resolução nº 3801000.776 S3TE01 Fl. 6 5 Para o exercício da nãocumulatividade das contribuições essas leis asseguram ao sujeito passivo o direito de descontar créditos sobre custos e despesas enumerados nos respectivos atos legais citados. Posto, em tese, o direito do contribuinte, passase ao exame da situação fática probatória. A interessada sustenta que tem o direito de descontar créditos decorrentes de: a) créditos não tomados decorrentes das compras de insumos provenientes do exterior, conforme previsão dos incisos I e II do artigo 15 da Lei n° 10.865/04; b) créditos tomados a menor nas variações monetárias e cambiais; c) créditos tomados a maior decorrentes dos valores de armazenagem e fretes nas operações de venda, conforme previsão contida no inciso IX do artigo 3° da Lei n° 10.833/04. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente, visto que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição parcial de contribuição paga a maior com fundamento no direito de descontar créditos da contribuição com base nas Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar os créditos da contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure a correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração em referência, verificando a legitimitidade dos créditos citados no recurso voluntário nos termos das Leis 10.637/2002, e 10.833/2003; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10830.917855/2011-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn.
Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851. Relatório e Voto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 85 5/ 20 11 -1 3 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917855/201113 Resolução nº 3802000.194 S3TE02 Fl. 137 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da nãohomologação de compensação. Aduziu a Recorrente que a origem do crédito seria decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou recolhimento a maior da contribuição no período mencionado. Sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). Aduz a prescindibilidade da retificação da DCTF, apresentando, ao final, documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, proceda a análise de toda documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo necessária, a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Por conter matéria de competência deste Colegiado, estando o crédito pleiteado dentro do seu limite de alçada e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Como se sabe, o §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917855/201113 Resolução nº 3802000.194 S3TE02 Fl. 138 3 classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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