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Numero do processo: 10950.006703/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA.
O lucro deve ser arbitrado pela autoridade administrativa sempre que o sujeito passivo deixar de apresentar os livros solicitados no curso da ação fiscal e expressamente reconhecer a inexistência dos mesmos.
OMISSÃO DE RECEITAS - OPERAÇÕES DE FACTORING. PRESUNÇÃO E PROVA DIRETA.
Não há que se falar em lançamento por presunção quando o interessado disponibiliza ao fisco documentos que comprovam ter auferido receitas decorrentes de operações de factoring, as quais não foram escrituradas e tão pouco oferecidas à tributação, autorizando o lançamento por omissão de receitas amparado em prova direta.
DECADÊNCIA.- LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, não ocorrendo o recolhimento ou, havendo o recolhimento da exação em desconformidade com a legislação aplicável, e; por conseguinte, procedendo-se ao lançamento de oficio (CTN, art. 149), o prazo decadencial de 5 (cinco) anos tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento (de oficio) poderia haver sido realizado, nos termos do art. 173, I, do CTN.
LANÇAMENTOS REFLEXOS
Tratando-se de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando demonstrado o evidente intuito de fraudar o fisco
Numero da decisão: 1202-001.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal e de decadência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Por maioria de votos, acordam em afastar a apreciação ex-officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu argüida pela Recorrente essa matéria.
Carlos Alberto Donassolo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA. O lucro deve ser arbitrado pela autoridade administrativa sempre que o sujeito passivo deixar de apresentar os livros solicitados no curso da ação fiscal e expressamente reconhecer a inexistência dos mesmos. OMISSÃO DE RECEITAS - OPERAÇÕES DE FACTORING. PRESUNÇÃO E PROVA DIRETA. Não há que se falar em lançamento por presunção quando o interessado disponibiliza ao fisco documentos que comprovam ter auferido receitas decorrentes de operações de factoring, as quais não foram escrituradas e tão pouco oferecidas à tributação, autorizando o lançamento por omissão de receitas amparado em prova direta. DECADÊNCIA.- LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, não ocorrendo o recolhimento ou, havendo o recolhimento da exação em desconformidade com a legislação aplicável, e; por conseguinte, procedendo-se ao lançamento de oficio (CTN, art. 149), o prazo decadencial de 5 (cinco) anos tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento (de oficio) poderia haver sido realizado, nos termos do art. 173, I, do CTN. LANÇAMENTOS REFLEXOS Tratando-se de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando demonstrado o evidente intuito de fraudar o fisco
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BERSANI & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA. O lucro deve ser arbitrado pela autoridade administrativa sempre que o sujeito passivo deixar de apresentar os livros solicitados no curso da ação fiscal e expressamente reconhecer a inexistência dos mesmos. OMISSÃO DE RECEITAS OPERAÇÕES DE FACTORING. PRESUNÇÃO E PROVA DIRETA. Não há que se falar em lançamento por presunção quando o interessado disponibiliza ao fisco documentos que comprovam ter auferido receitas decorrentes de operações de factoring, as quais não foram escrituradas e tão pouco oferecidas à tributação, autorizando o lançamento por omissão de receitas amparado em prova direta. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, não ocorrendo o recolhimento ou, havendo o recolhimento da exação em desconformidade com a legislação aplicável, e; por conseguinte, procedendose ao lançamento de oficio (CTN, art. 149), o prazo decadencial de 5 (cinco) anos tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento (de oficio) poderia haver sido realizado, nos termos do art. 173, I, do CTN. LANÇAMENTOS REFLEXOS Tratandose de exigências reflexas de tributos e/ou contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 67 03 /2 00 8- 21 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 2 Cabível a imposição da multa qualificada de 150% quando demonstrado o evidente intuito de fraudar o fisco Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares de nulidade do lançamento fiscal e de decadência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Por maioria de votos, acordam em afastar a apreciação exofficio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu argüida pela Recorrente essa matéria. Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta – Relatora (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratamse os Autos de exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 27.888,90; de contribuição ao PIS, R$3.147,13 de PIS; de COFINS, de R$ 14.525,44, e de contribuição social sobre o lucro líquido CSLL de R$ 8.082,27, acrescidos todos de multa de oficio ã razão de 150% e juros calculados com base na taxa SELIC, para o anocalendário de 2003, face à omissão de receitas apuradas em suas operações de “factoring”. A autoridade lançadora aplicou o arbitramento uma vez que a contribuinte, intimada a apresentar sua escrituração, informou que inexistia Livros Diário e Razão referentes ao período fiscalizado e da impossibilidade de elaborálos, requerendo que a tributação fosse efetuada pelo arbitramento. A omissão de receitas tem como fundamento legal os artigos 530, I, 532 e 537 do RIR/99 – aprovado pelo Decreto 3000/1999, como também: para a contribuição ao PIS, artigos 1° e 3° da Lei Complementar n° 7/70, artigo 24, § 2° da Lei nº 9.249/1995, e, artigos 2 °, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002; para a COFINS, artigos 2°, inciso II e parágrafo único, 3º , 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002; e, para a CSLL — artigo 2° e §§, da Lei nº 7.689/1988, artigo 24 da Lei nº 9.249/1995, artigo 29 da Lei nº 9.43/1996, artigo 37 da Lei nº 10.637/2002 e, artigo 22 da Lei nº 10.684/2003. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10950.006703/200821 Acórdão n.º 1202001.126 S1C2T2 Fl. 3 3 A contribuinte foi cientificada em 20/11/2008, na pessoa do sócio Sérgio Luiz Cassidori Padial, CPF 550.191.29968, apresentando Impugnação (fl. 491/518) em 8 de dezembro de 2008. Preliminarmente, alega a nulidade do lançamento, assinalando que a origem deste é a somatória de simples depósitos bancários, base de cálculo para a cobrança do IRPJ e contribuições reflexas exigidas, com a presunção de que todos sejam receitas omitidas, contrariando, assim, o artigo 132 do CTN, o qual determina que a responsabilidade tributária tem caráter subjetivo, e não objetivo, devendo o fisco, para a constituição de crédito tributário, cumprir os requisitos do artigo 142 do CTN. A autoridade fiscal deveria provar a real existência de fato gerador, com a tributação da receita líquida de vendas e serviços, como são definidas nos artigos 78, parágrafo único, 248 e 280, todos do RIR/99, indicando ainda a obrigação tributária da cobrança do IRPJ (artigo 43 do CTN c/c artigo 6º da Lei 8021/90 e artigo 846 do RIR/99). Entende, assim, equivocada a pretensão fiscal de utilizar como base tributável os depósitos bancários, já que o fato imponível é o ganho líquido, citando sobre o tema jurisprudência administrativa e o Ato Declaratório COSIT nº 51/94, de onde aponta que prevalecer o lançamento seria cobrar imposto sobre o que não é renda e contribuição sobre o que não é lucro. Deveria haver interpretação literal dos dispositivos legais tributários e na hipótese de imposição de penalidade, da maneira mais favorável à contribuinte. Ainda, cita que inexistindo renda ou sinais de exteriorização de riqueza pela apuração líquida, não há de se falar em obrigação tributária, e que a exigência questionada atenta contra o Princípio da Legalidade, conforme artigo 97 CTN c/c artigo 150, I, Constituição Federal, justamente por não serem os depósitos bancários sinônimo de renda, citando jurisprudência administrativa sobre o tema. Não tendo sido observada tal regra, cabe a presunção legal a favor da impugnante, já que à autoridade cabe a prova da inveracidade dos atos registrados, como reza o artigo 924 do RIR/99, apontando que a presunção de legitimidade do lançamento fiscal não exonera o fisco de provar a ocorrência dos fatos que afirma, sob pena de nulidade da exigência. Sobre o tema, indica que, conforme artigo 333, I, do Código de Processo Civil CPC, cabe a quem alega fato constitutivo de seu direito, especialmente no âmbito tributário. Não se pode admitir que mero raciocínio pessoal do aplicador, substituindo prova concreta e efetiva, o que seria o mesmo que permitir a possibilidade de se exigir um tributo sem a necessidade da ocorrência do fato gerador, gerando exigência presumida de IRPJ. Aponta jurisprudência que atende a suas pretensões e, assim, requer o afastamento da exigência do IRPJ e contribuições reflexas lançadas por meio do auto de infração combatido, declarandose a nulidade deste. Em atenção ao Princípio da Eventualidade, invoca a ocorrência da prescrição em relação ao período de 31 de março de 2003 a 21 de novembro de 2003, uma vez que a contribuinte teve ciência em 21 de novembro de 2008. Sendo a prescrição qüinqüenal, nos termos do artigo 150, §4º do CTN com combinado com o artigo 899 do RIR/99, por se tratar de lançamento por homologação, decaiu o direito de lançar se não houver manifestação do fisco no período de 5 anos, nos termos do artigo 156, V, do CTN. Em acréscimo, diz que o fato gerador suposto ocorreu no momento da aquisição da disponibilidade econômica, nos termos do artigo 218 do RIR/99. Cita doutrina de Estevão Hovarth e Vitório Cassone sobre o tema. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 4 Lembra que o prazo decadencial não se suspende ou interrompe, assim, caberia a Administração exercitar seu poder/dever de lançar, citando doutrina de Yves Gandra da Silva Martins, Carlos Eduardo de Vasconcelos, Fabio Fanucchi e Ruy Barbosa Nogueira, bem como jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Entende que se deu a ocorrência da decadência do período mencionado. Pugna pela desqualificação da multa agravada, alegando que, embora a constituição do crédito tenha se dado por presunção legal, o artigo 42 da Lei nº 9340/96 não autoriza o mesmo procedimento em relação à imputação de fraude ou dolo, cabendo à administração comprovar sua ocorrência, já que lançamento fiscal se deu a partir de simples omissão de receita. Traz jurisprudência a respeito. Proceder neste sentido seria permitir ao interprete uma posição que o legislador não concedeu, em evidente invasão de competência, pelo que entende que fraude e dolo não se escoram na presunção, devendo a autoridade comprovar sua ocorrência, conforme artigo 924 do RIR/99. Assim, concordar com as exposições contidas no lançamento é negar vigência ao artigo 112 do CTN, trazendo jurisprudência administrativa da 4ª Câmara do 1º CC. Requer a redução da multa imposta ao patamar de 75%, citando sobre o tema as Súmulas nº 14 do 1º CC e nº 15 do CSRF, bem como o artigo 53 do Regimento Interno deste Conselho. Ao julgar o feito no Acórdão nº 0626.918, a 2ª Turma da DRJ/CTA julgou a impugnação improcedente. Após traçar breve histórico dos fatos, inicia a análise pela argüição de decadência. Aponta que a tributação dos impostos e contribuições constantes do Auto de Infração é lançada por homologação, conforme artigo 150 do CTN, indicando que o pagamento antecipado extingue o crédito tributário sob condição resolutória de existir a homologação. Cita ainda os artigos 156 e 173 do CTN que alteram o prazo inicial da decadência. Indica, segundo informações do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, que foi constatada sonegação fiscal decorrente da omissão de receitas, pelo que incide a multa de 150% prevista no artigo 44, II da Lei nº 9430/96. Ainda, aponta que houve a apresentação de DIPJ zerada e não houve a declaração de nenhum débito à Receita Federal. Ante tais considerações, aponta que diferentemente do argüido pela defesa, de que seriam cabíveis ao caso os dispositivos do artigo 150, §4º do CTN, aponta que, no caso concreto, houve lançamento de ofício, nos termos do artigo 149, que segue para a decadência os preceitos do artigo 173, todos do CTN, o que é corroborado com a caracterização da omissão do total de receitas auferidas para o ano de 2003. Sobre o tema, transcreve ementa de decisão (Recurso Especial n. 182.241) proferida pela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça. Portanto, entende que os créditos tributários em discussão (ano de 2003), poderiam ser constituídos até 31 de dezembro de 2008 e, como a ciência se deu em 20 de novembro de 2008, não há de se falar em decadência. Destaca ainda que, mesmo tendo havido prazo superior a cinco anos relativos aos períodos de março a novembro de 2003, não há de se falar em decadência, já que houve conduta nitidamente dolosa, caracterizada pela prática de atos com o propósito deliberado de impedir ou retardar a ocorrência de fato gerador, o que a faz incidir nas hipóteses dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4502/64, como segue: Fl. 565DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10950.006703/200821 Acórdão n.º 1202001.126 S1C2T2 Fl. 4 5 “Os procedimentos da contribuinte, que optou por omitir a totalidade das receitas auferidas, as quais convenientemente foram depositadas na conta corrente conjunta dos sócios pessoas físicas, evidenciam consciente intuito de não pagar tributos e contribuições sobre tais parcelas e enquadramse perfeitamente à hipótese prevista na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 71. Desse modo, considerandose que o § 4° do art. 150 excepciona as hipóteses cm que tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação, a contagem passa a subsumirse à regra do art. 173, I, do CTN que prevê o inicio da contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” Prossegue, indicando a improcedência da invocação da contribuinte de que o lançamento foi efetuado com base em depósitos bancários, os quais não caracterizam renda e que o lançamento foi baseado em mera presunção, devendo ser afastada a multa de oficio qualificada. Disto, diz que: “ Percebase que a exigência não está calcada em depósitos bancários posto que ao intimar as pessoas físicas dos sócios, acerca da movimentação financeira havida nas contas correntes bancárias, em resposta, ambos responderam (fls. 8283) que embora a conta corrente n° e53.8167 do Banco Bradesco seja conjunta , a movimentação nela existente não é relacionada à pessoa física dos sócios e que, aquela movimentação decorre de operações de factoring pertencente à empresa L. C. Bersani & Cia Ltda. 37. Com esta resposta, afastase qualquer possibilidade de lançamento por presunção, posto que a origem do numerário tornouse conhecida (resultado de operações de factoring) e, a ação fiscal que havia iniciado com vistas a questionar a movimentação financeira havida em conta corrente conjunta, mantida pelos sócios pessoas físicas, foi redirecionada para a pessoa jurídica e, de uma simples presunção de omissão de receitas, por depósitos de origem não comprovada passou a ser tratada como omissão direta de receitas originarias de operações de factoring. 38. Os documentos oferecidos a autoridade fiscal, fls. 112199, 202 399 e, 402441 constituem provas concretas das operações e são eles os borderô originais de compra de direitos creditórios, conforme mencionado a fl. 112. Tanto isso é verdade que, após a recepção dos documentos, o sujeito passivo foi chamado a apresentar o Livro Diário e Razão e, caso não os possuísse, lhe foi informado acerca do arbitramento. Em resposta, negou a existência dos livros e requereu o arbitramento do lucro, sobre a parcela reconhecida como ganho real, no importe de R$ 484.182,75, conforme demonstrativo de fl.114. Assim foi feito. Assim, aponta que o que foi tributado foi o ganho expressamente reconhecido pela contribuinte (a partir de documentação por este oferecida), não havendo que se falar em Fl. 566DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 6 presunção, mas sim em lançamento de omissão de receitas de operações de factoring, estabelecidos em prova direta. Sobre invocada nulidade da multa qualificada, com base que esta seria decorrente de lançamento por presunção, entende o julgador que a alegação é improdutiva. Aponta que foi comprovado que o lançamento não decorre de presunção, mas de omissão de receitas da operação de factoring, lastreado por provas diretas. Assim, a autuação respeitou as formalidades legais exigidas, especialmente em relação ao Decreto n. 70.235/72, tendo a autoridade lançadora agido no seu dever de ofício, conforme artigo 142, parágrafo único, do CTN, não havendo que se falar em nulidade, nem tampouco incidindo o caso concreto nas hipóteses previstas no artigo 59 do mencionado Decreto. Do mesmo modo, não cabe a alegação de cerceamento de defesa, ante a concessão do prazo de 30 dias para apresentação de impugnação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, artigos 15, 16 e 17, tendo no caso, a contribuinte apresentado sua defesa a maneira que lhe interessou. Acresce que o mesmo Decreto mencionado, em seu artigo 10, dispõe sobre as exigências para a lavratura do Auto de Infração, que foram todas respeitadas. Sobre o tema, indica que o Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal continham a descrição dos fatos e respectivo enquadramento legal, os demonstrativos de apuração do imposto de renda devido, da multa e juros moratórios. Aponta que estes documentos continham ainda os outros requisitos legais, como qualificação do autuado, local data e hora da lavratura, determinação da exigência e intimação para seu cumprimento ou para apresentação de impugnação no prazo de 30 dias, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo e número de matrícula. Indica ainda que houve a imposição da multa qualificada em 150%, conforme artigo 44, §1º da Lei 9430/96, ante a constatação de sonegação, reconhecida como “deliberada ação dolosa de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador”. Afasta também a alegação de ausência de comprovação de sonegação, indicando que a qualificação da multa de ofício está amparada pelas constatações do TVF, ante a prática de conduta dolosa prevista nos artigos 71 e 72 da Lei n. 4502/64. Ressalta que a contribuinte deveria manter um sistema de controle de operações acima de R$ 10.000,00, conforme exigência da Resolução COAF n. 2/1999, não cabendo a justificativa de não apresentação dos livros fiscais e contábeis. Acresce ainda a situação da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica e das DCTFs Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais que foram apresentadas zeradas, de onde conclui que a atuação da contribuinte se deu deliberadamente com fulcro de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador, destacando que os valores das receitas foram depositados em conta corrente conjunta mantida pelos sócios, o que para o julgador é mais um elemento que indica a intenção de afastar da tributação tais valores, pelo que entende correta a imposição da multa qualificada. Quanto aos demais tributos, CSLL, Cofins e contribuição ao PIS, são reflexos da exigência principal do IRPJ, pelo que as conclusões deste último devem ser aplicadas, inclusive em relação à multa qualificada e aos juros moratórios, determinando a manutenção integral do lançamento destes. A contribuinte foi intimada em 22 de junho de 2010, apresentando Recurso Voluntário em 6 de julho do mesmo ano (fl. 532/548) . Fl. 567DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10950.006703/200821 Acórdão n.º 1202001.126 S1C2T2 Fl. 5 7 Em suas razões recursais, indica inicialmente que, ao contrário do que indicou a decisão de 1ª instância, o fato dos depósitos bancários pertencerem efetivamente à movimentação da contribuinte não as transforma em “receita bruta líquido conhecida”, já que decorrem da presunção de renda ou exteriorização de riquezas. Sobre o tema de auferimento de renda, traz ainda a posição contida no Ato Declaratório COSIT nº 51/94, indicando que a prevalência do lançamento nos termos recorridos implica em cobrar imposto sobre o que não é renda e contribuição sobre o que não é lucro. Sobre a multa qualificada, destaca que não é possível ignorar que a hipótese de incidência retratou a somatória da movimentação bancária, sendo que o fato gerador do lançamento foi presumido, quando ocorreu a aquisição da disponibilidade econômica, nos termos do artigo 218 do RIR/99. Traz novamente a Súmula do Conselho de Contribuintes: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo" (Súmulas nºs 14 do 1°. CC e n. 15 da CSRF). No mais, reitera os argumentos da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos quesitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tratamse os autos de exigência de IRPJ, CSLL, contribuição ao PIS e COFINS relativo ao anocalendário de 2003, face à omissão de receitas identificadas em extratos bancários entregues pela própria Recorrente durante o procedimento de fiscalização (fls 112 e 117). A recorrente foi intimada a apresentar Livros Diários e Razão, referente ao anocalendário de 2003, para comprovar que não houve movimentação financeira alguma, tal qual registrado nas suas DIPJ e DCTF enviadas à SRF. A recorrente, em duas oportunidades, isto é, por duas vezes, respondeu que esses livros inexistiam (fls 112 e 445). Ainda, a autoridade fiscal pediu esclarecimento sobre os créditos constantes em sua contacorrente no Banco Bradesco, quando a própria recorrente respondeu que se tratava de movimentações dela mesma e entregou os referidos extratos, bem como um relatório com o cálculo do ganho real que obteve nas operações de factoring (fls. 113/114) que executou. Às fls 445, a recorrente, além de afirmar que inexistia os Livros Diários e Razão para o anocalendário de 2003, também solicita, expressamente, que seja feito o arbitramento sobre o ganho real de R$484.182,75, já apresentado às fls 113. Como vimos, a própria recorrente ofereceu à autoridade lançadora os dados para que procedesse o arbitramento nos termos dos artigos 530, I, do RIR/99. Esses documentos constituem provas concretas das operações realizadas pela recorrente (borderôs e Fl. 568DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 8 documentos de compra de direitos creditórios), bem como, expressamente, apurou o ganho real no qual se pautou a exigência que resultou na lavratura do Auto de Infração. Portanto, não há o que se falar em presunção ou tributação de ‘não renda’, como quis argüir a própria Recorrente em sua Impugnação ou Recurso Voluntário, uma vez que as receitas foram omitidas, tratase sim de lançamento de omissão de receitas de operações de factoring, calcado em prova direta, oferecida pela própria recorrente durante o procedimento de fiscalização. Assim, não cabem as alegações da recorrente de nulidades do lançamento ou da constituição do crédito exigido, uma vez que estão em consonância com o artigo 142 do CTN e artigo 10 do Decreto 70235/1972. A própria recorrente entregou todas as documentações e, inclusive, os cálculos que suportaram o lançamento. Logo, o lançamento é de total conhecimento e entendimento da Recorrente, não há as dúvidas que pretende argumentar. Além disso, nenhuma das hipóteses do artigo 59 do referido Decreto n° 70.235/1972 foram verificadas. Da multa qualificada A multa qualificada de 150% foi lançada nos termos do artigo 44, §1° da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, uma vez que ficou constatada a sonegação pela deliberada ação dolosa da recorrente em impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fiscal. Concordamos com entendimento da autoridade fiscal que resultou no lançamento, bem como na manutenção deste pela turma julgadora de 1ª Instância. Apesar da Recorrente, durante o procedimento de fiscalização, ter apresentado toda a documentação para que fosse verificada a ocorrência do fato gerador dos tributos lançados, bem como a evidência de que, mesmo apurando lucro, não foi feito o recolhimento da obrigação tributária devida, não fosse o procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal não teria conhecimento algum dos fatos geradores ocorridos. As DCTFs e DIPJ foram enviadas para a SRF, mas com informações sempre zeradas. Ainda, as movimentações financeiras eram feitas em contacorrente de terceiro que não tinham identificação ou relação alguma com a recorrente. Portanto, a recorrente agiu, continuamente e consistentemente, de forma a encobrir os fatos ou dificultar o conhecimento ou acesso das informações por parte das autoridades fiscais. Com isso, correto está o entendimento até aqui exarado, cabe a multa qualificada nos termos do artigo 44, §1° da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Decadência Concluindo pela aplicação da multa qualificada por considerar que houve conduta dolosa, as conseqüências, em relação à contagem do prazo decadencial, é de se considerar a contagem com base no artigo 173, I, do CTN e, não, no artigo 150, parágrafo 4º do mesmo diploma legal. O prazo decadencial de que trata o artigo 173, I, do CTN inicia sua contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, portanto, em 2004. Como o lançamento foi cientificado em 20/11/2008, não está alcançado pela decadência, uma vez que findaria no anocalendário de 2009. Apreciação exofficio da incidência dos juros de mora sobre a multa agravada Fl. 569DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10950.006703/200821 Acórdão n.º 1202001.126 S1C2T2 Fl. 6 9 Como a Recorrente não apresentou qualquer argüição sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa agravada, não há por que esse Colegiado conhecer dessa matéria. Lançamentos Reflexos Pela pertinência com a exigência do IRPJ com base em omissão de receitas, constituemse reflexos os lançamentos de contribuição ao PIS, COFINS e CSLL. Desse modo, o voto é no sentido de afastar as preliminares de nulidade e negar provimento ao Recurso Voluntário. Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora. (assinado digitalmente) Fl. 570DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA
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Numero do processo: 16024.000044/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA. NÃO OBSERVADO. DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. NULIDADE.
Lançamento efetuado sem qualquer fundamentação, nos termos do art. 10 do Decreto 70.235/72, não está apto a validar a cobrança do crédito previdenciário.
Recurso de Ofício NEGADO.
Crédito Tributário EXONERADO.
Numero da decisão: 2302-003.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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DIREITO DE DEFESA. NÃO OBSERVADO. DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. NULIDADE. Lançamento efetuado sem qualquer fundamentação, nos termos do art. 10 do Decreto 70.235/72, não está apto a validar a cobrança do crédito previdenciário. Recurso de Ofício NEGADO. Crédito Tributário EXONERADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi –Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 00 44 /2 01 0- 81 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 Relatório Adoto o relatório da DRJ (fls. 97/104): “Tratase de Auto de Infração — Al/DEBCAD n° 37.188.2915 — lavrado em face do contribuinte acima identificado pelo descumprimento de obrigação principal e constitutivo de contribuições devidas As outras entidades ou fundos, ditas 'terceiros', a saber SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações de segurados obrigatórios da Previdência Social, no importe de R$ 556.058,08 (Quinhentos e cinqüenta e seis mil, cinqüenta e oito reais e oito centavos), valor consolidado em 23/03/2010. De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa apresentou GFIPs — Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com informações incorretas relativas a fatos geradores nos campos códigos 'FPAS 639 — Entidade Filantrópica com isenção' 'outras entidades 0000', ‘alíquota RAT — 0,0' e 'pagamento GPS — 2305', de maneira que as declarações deixaram de informar a contribuição devida pela empresa relativa a cota patronal bem como a contribuição devida aos terceiros. Informa ainda que procedeu A comparação das penalidades aplicáveis ao caso de maneira a aplicálas da forma favorável ao sujeito passivo em cada competência (conforme disposto no art. 106, II, 'c' do CTN), tendo em vista as alterações no ordenamento jurídico promovidas pela MP 449/2008 (convertida na Lei n° 11.941/2009), aplicandose ao caso as multas dispostas na legislação então vigente, conforme o demonstra a planilha comparativa anexa aos autos. No presente caso, aplicouse a multa de 24% prevista no art. 35, II da Lei n° 8.212/91. 0 contribuinte apresentou impugnação tempestiva na qual contesta o lançamento fiscal estribado nas seguintes razões, em síntese: i) que a Instituição é portadora do CEAS desde 1972, no entanto, no período autuado, pleiteava junto ao CNAS e aos Ministérios da Previdência Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 16024.000044/201081 Acórdão n.º 2302003.330 S2C3T2 Fl. 701 3 Social, Saúde e Desenvolvimento e combate A fome, a renovação do referido certificado; ii) que o Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública com o fito de determinar à Unido que não concedesse indiscriminadamente o CEBAS As entidades prestadoras de serviços de saúde e educação; que, atendendo em parte a ação, o juízo da 13ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal determinou que a Secretaria da Receita Federal procedesse ao lançamento de todos os créditos de contribuições devidas à Seguridade Social em face das entidades que tinham pedidos de concessão e renovação do CEBAS pendentes de julgamento, o qual foi contestado pela Unido e acatada pelo Desembargador Federal Relator,de maneira a suspender a liminar proferida naquela ação civil pública; iii) que o crédito tributário foi lançado com base naquela liminar suspensa; iv) tece considerações acerca do trâmite da MP n° 446/2008 e o desdobramento dos feitos, bem como a extensão dos seus efeitos, para concluir que se encontra demonstrada a improcedência e insubsistência da ação fiscal, pelo quê postula pelo cancelamento do débito reclamado. Em análise preliminar do processo e da defesa entendeu por bem, este Relator, retornar os autos à origem para que a autoridade fiscal se pronunciasse sobre qual ou quais as razões para o contribuinte auditado não ser considerado corno Entidade Filantrópica em gozo da isenção, posto que o Relatório Fiscal silencia sobre o terna. Especificamente suscitouse pedido de esclarecimento sobre se, em algum momento, ele assim foi considerado e, em caso positivo, se foi elaborado Ato Cancelatório da Isenção e por qual fundamentação legal. Ainda, solicitouse verificar se as razões de um eventual cancelamento subsistiriam considerando, inclusive, o quanto disposto na MP 446/2008, particularmente em seu artigo 28. Retornaram os autos com os seguintes esclarecimentos fiscais, em síntese: o contribuinte auditado fazia parte de um rol de contribuintes que entregavam GFIPs com o código FPAS 639 (sem possuir CEBAS) e recolhia suas Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 contribuições em GPS sob o código de recolhimento 2305; constavam do Cadastro de Isenções Previdenciárias no sistema CONFILAN e figuravam no pólo passivo da Ação Civil Pública n° 2008.34.00.038.3144, proposta pelo MPF em relação a qual foi prolatada decisão judicial que determinou a fiscalização das entidades favorecidas pela MP 446/2008. Acrescenta que o contribuinte foi intimado a apresentar os Atos Declaratórios de Concessão da Isenção Previdenciária e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, em vão. Isto posto e considerando as alterações no ordenamento legislativo no tocante aos requisitos para a fruição das isenções previdenciárias, lavrou a presente autuação, já na vigência da Lei n° 12.101/2009, sem verificar "...durante a ação fiscal a condição do contribuinte cumprir ou não os requisitos que o habilitariam a ser considerado como Entidade Filantrópica por não ser o escopo da ação fiscal e portanto nem foi emitido Informação Fiscal propondo o cancelamento da isenção". Retornam os autos sem a cientificação da autuada acerca do Informe Fiscal por considerarse que não houve modificação ou ampliação do entendimento original expresso no relatório fiscal.” No julgamento da DRJ (fls. 94/104), o lançamento foi anulado por ter sido lavrado sem a observância das disposições legais e normativas então vigentes, já que a pessoa jurídica beneficente, ao deixar de atender aos requisitos legais e regulamentares exigidos, teria cancelada a sua isenção a partir daquela data mediante a observação de um procedimento próprio, a partir do qual, poderia ser autuada pelo descumprimento das obrigações previstas em lei para as empresas em geral. Em decorrência de o valor exonerado ter sido superior ao limite de alçada, subiu os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para reexame da matéria. Eis o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 16024.000044/201081 Acórdão n.º 2302003.330 S2C3T2 Fl. 702 5 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora A matéria ventilada nos autos traz como tema principal o tratamento diferenciado conferido às Entidades de Beneficentes de Assistência Social´. Conforme dito acima, em uma análise preliminar do processo e da defesa, entendeu o Relator da DRJ determinar o retorno dos autos à origem para que a autoridade fiscal (fls. 88/89): a) Se pronunciasse sobre qual ou quais as razões para o contribuinte não ser considerado como Entidade Filantrópica em gozo da isenção, posto que o Relatório Fiscal silencia sobre o assunto; b) Esclarecesse se, em algum momento, o contribuinte estava isento e, em caso positivo, se foi elaborado Ato Cancelatório da Isenção e por qual fundamentação legal; c) Verificasse se as razões de um eventual cancelamento subsistiriam considerando, inclusive, o quanto disposto na MP 446/2008, particularmente em seu artigo 28. Em resposta (fls. 91/92), respondeu o auditor: a) Que a Impugnante fazia parte do rol de contribuintes que i) entregaram Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social, nos exercícios de 2006 e 2007, o código FPAS 639 (correspondente as Entidades Beneficentes de Assistência Social) e recolheram a contribuição previdenciária na GPS sob o código de pagamento 2305; ii) constavam do cadastro de Isenções Previdenciárias no sistema COFILAN; iii) figuravam no pólo passivo da Ação Civil Pública n° 2008.34.00.038.3144 proposta pelo Ministério Público Federal, em relação as quais foi prolatada a decisão judicial n° 70, de 03 de abril de 2009 que autorizou a fiscalização das entidades favorecidas pela Medida Provisória n° 446/08, suspendendo, todavia, a exigibilidade do crédito tributário assim constituído; iv) declararam o código FPAS 639 em GFIP e não tinham CEBAS; b) Que o escopo da fiscalização foi definido como lançamento imediato da cota patronal com multa se não houver Ato Declaratório de Isenção e, se houver, proceder ao cancelamento do mesmo e lançamento da cota patronal; c) Que o contribuinte foi intimado através do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal em 29/09/2009 a apresentar: Atos Declaratórios de Concessão de Isenção Previdenciária e Certificado de Entidade Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 Beneficente Assistência Social (CEAS) e não apresentou nenhum dos dois documentos; d) Que o art. 55 da Lei 8212/91 que definia os requisitos para isenção das contribuições previdenciárias foi revogado com a edição da MP 446 de 07/11/2008, a qual foi rejeitada em 10/02/2009. Deixando de vigorar a MP 446, o art. 55 da Lei 8212/91 teve a sua vigência restabelecida até a edição da Lei 12.101 de 27/11/2009 que revogou novamente o art. 55 da Lei 8212/91. Na data da emissão do Auto de Infração, em 26/03/2010 já estava em vigor a Lei nº 12.101/09 que revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/91; e) Concluiu dizendo que não foi verificado durante a ação fiscal a condição do contribuinte cumprir ou não os requisitos que o habilitariam a ser considerado como Entidade Filantrópica por não ser o escopo da ação fiscal e, portanto, não foi emitido Informação Fiscal propondo o Cancelamento da Isenção. Após a resposta (fls. 91/92), a entidade não foi intimada para se manifestar. Em seguida, foram os autos enviados à DRJ para julgamento o qual resultou na anulação do processo administrativo (fls. 94/104) por ter sido lavrado sem a observância das disposições legais e normativas então vigentes, já que a pessoa jurídica beneficente, ao deixar de atender aos requisitos legais e regulamentares exigidos, teria cancelada a sua isenção a partir daquela data mediante a observação de um procedimento próprio, a partir do qual, poderia ser autuada pelo descumprimento das obrigações previstas em lei para as empresas em geral. De acordo com o art. 5º, inciso LV da Constituição Federal/88, aos litigantes, em processo administrativo, são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes: “Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;” Pela leitura da norma, inferese que o princípio constitucional do contraditório confere à parte o direito de manifestar seu entendimento sobre fatos trazidos pela outra, de modo a darlhe pleno conhecimento dos atos processuais e, sendo o caso, impugná los. Este pensamento foi contemplado pela norma que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X), vejamos: “Lei n° 9.784/99: Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 16024.000044/201081 Acórdão n.º 2302003.330 S2C3T2 Fl. 703 7 ... X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio;” (grifo nosso) O processo administrativo fiscal rechaça as decisões das quais resultem qualquer espécie de preterição ao direito de defesa do contribuinte, as quais já nascem sob o estigma da nulidade, a teor do art. 59, inciso II, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72: “Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: ... II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” (grifo nosso) Diante da ausência de intimação da entidade beneficente para manifestarse sobre a resposta do auditor constante às fls. 91/92, poderia afirmar que a decisão de 1º grau seria nula, determinando, na oportunidade, o retorno dos autos à instância primária para que o sujeito passivo fosse notificado sobre aquelas informações, dandose regular andamento ao feito. Por outro lado, ciente que o lançamento efetuado pela autoridade fazendária contém vício que não valida qualquer cobrança, à luz do art. 59, §1º do Decreto nº 70.235/72, ouso ir além, passando por cima da nulidade acima citada, para julgar a própria validade do lançamento, visto que, assim feito, não haverá qualquer prejuízo para o contribuinte; “Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: .... II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa ... §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93)” (grifo nosso) Vejamos o que ocorreu! Inicialmente, pretendeu a autoridade fazendária exigir o pagamento das contribuições previdenciárias relativas a cota patronal, bem como, aquelas destinadas a Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 8 Terceiros, visto que, pela análise da fiscalização, a empresa teria preenchido nas GFIP’s informações incorretas identificandose como entidade filantrópica com isenção (FPAS 639). Na época, não prestou qualquer informação a respeito da situação da entidade, se em pleno gozo da isenção ou não. Apenas disse que ela havia preenchido incorretamente os dados da GFIP, nada mais! Após a impugnação, a instância primária de análise, sem saber a razão do lançamento, determinou que o auditor não só se pronunciasse sobre os motivos que o levaram a não considerar o contribuinte como entidade filantrópica em gozo da isenção, como também, esclarecesse se, em algum momento, estava isento e, em caso positivo, se foi elaborado Ato Cancelatório da Isenção e por qual fundamentação legal. É bem verdade que o lançamento foi efetuado sob a égide da Lei nº 12.101/09 (12.11.2009) cuja revogação do art. 55 da Lei nº 8.212/91 acabou por conferir ao auditor fiscal o direito de no mesmo ato verificar o cumprimento dos requisitos para o gozo da isenção e, uma vez constatado a inobservância, lançar de ofício o valor das contribuições previdenciárias sob o regime normal de tributação. Aliás, faço um parêntese para ressaltar que esta é a razão por não acatar a nulidade proferida pela DRJ. Após a publicação da Lei nº 12.101/09 não é mais necessário emitir ato cancelatório de isenção para o fim de possibilitar o contribuinte a impugnálo em autos apartados daquele onde estaria sendo efetivada a cobrança. A partir de Novembro/2009 tudo é feito no mesmo processo. Não obstante a nova legislação, não foi suprimido do ordenamento jurídico o dever de motivar os atos administrativos. O dever de informar corretamente os fatos motivandoo está intimamente relacionado à proteção do administrado na medida em que lhe dá acesso a todos os elementos da imputação garantindo, por conseguinte, a correta tipificação do fato e a adequação no enquadramento legal da infração, viabilizando, por conseguinte, a ampla defesa e o contraditório, proteção esta igualmente protegida pela Constituição Federal (art. 5º, inciso LV, Constituição Federal/88). O art. 142 do CTN atribui à autoridade administrativa o dever de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, in verbis: “Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Todavia, este procedimento não foi adotado pelo auditor. Embora responsável em verificar o fato gerador e determinar a matéria tributável, foi omisso sobre fatos que intrinsecamente repercutiriam no surgimento da obrigação tributária. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 16024.000044/201081 Acórdão n.º 2302003.330 S2C3T2 Fl. 704 9 Desse modo, a partir do momento que no decorrer do processo seja necessário o auditor explicar as razões que o levaram a constituir o crédito previdenciário fica patente a desobediência ao art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72, ensejando a nulidade do próprio lançamento: “Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;” Por todo o exposto: CONHEÇO do Recurso de Ofício, por tempestivo, para NEGARLHE PROVIMENTO e votar pela NULIDADE do lançamento por ausência de fundamentação legal da infração, tornando insubsistente o crédito aqui constituído. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de Agosto de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
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Numero do processo: 10830.917873/2011-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn.
Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851. Relatório e Voto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 87 3/ 20 11 -0 3 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917873/201103 Resolução nº 3802000.208 S3TE02 Fl. 128 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da nãohomologação de compensação. Aduziu a Recorrente que a origem do crédito seria decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou recolhimento a maior da contribuição no período mencionado. Sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). Aduz a prescindibilidade da retificação da DCTF, apresentando, ao final, documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, proceda a análise de toda documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo necessária, a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Por conter matéria de competência deste Colegiado, estando o crédito pleiteado dentro do seu limite de alçada e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Como se sabe, o §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917873/201103 Resolução nº 3802000.208 S3TE02 Fl. 129 3 classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10580.911725/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 29/02/2004
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 25 /2 00 9- 41 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911725/200941 Acórdão n.º 3802003.454 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 200DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906310/2012-94
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/03/2011
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 10 /2 01 2- 94 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/03/2011 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 54DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906310/201294 Acórdão n.º 1802003.276 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10840.903629/2011-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL
Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Conhecido em parte e na parte conhecida dado Provimento
Numero da decisão: 3801-003.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Conhecido em parte e na parte conhecida dado Provimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Conhecido em parte e na parte conhecida dado Provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 36 29 /2 01 1- 36 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.903629/201136 Acórdão n.º 3801003.777 S3TE01 Fl. 159 2 Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.903629/201136 Acórdão n.º 3801003.777 S3TE01 Fl. 160 3 Relatório Tratase de pedido de compensação por intermédio do qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/COFINS. Preliminarmente a Recorrente foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que o valor dessa rubrica foi sistematicamente reduzido nas suas DIPJ retificadoras dos anos calendário de 2001 e 2002. A interessada, em cumprimento ao despacho apresentou demonstrativo de fls. informando que a alteração se deu em decorrência da existência de valores excluídos da base referentes a comissões, descontos obtidos, juros recebidos, receitas financeiras e variação monetária ativa, apresentando na manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário cópia parcial do livro razão e do Registro de Apuração do ICMS. Por despacho decisório, foi reconhecido em parte direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, homologada parcialmente a compensação declarada. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que seu crédito decorre do pagamento a maior de receitas financeiras que devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições e da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo das mesmas. A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO Anocalendário: 2002 CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA REGIMENTAL. A instancia administrativa não possui competência regimental para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.903629/201136 Acórdão n.º 3801003.777 S3TE01 Fl. 161 4 A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) para reexame de decisões sobre pedidos de restituição e compensação, em sede recursal administrativa, limitase à matéria objeto do pedido, que tenha sido apreciada pela autoridade a quo competente, e sobre a qual se estabeleça litígio. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Apresenta a Recorrente Recurso Voluntário no qual alega em síntese que: a) é INADMISSÍVEL a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS/PIS, haja vista que, por força da interpretação estabelecida tanto pelo Supremo Tribunal Federal como pelo Superior Tribunal de Justiça à Lei Federal n° 9.718, de 1998, APENAS o faturamento (resultado da venda de mercadorias e serviços) poderá ser objeto de incidência daquela exação, EXCLUÍDAS, assim, as receitas financeiras e outras receitas, que não se encaixam nesse conceito; b) é correta a exclusão de valores de ICMS da base de cálculo da COFINS, eis que não se trata de faturamento ou sequer receita da pessoa jurídica, mas simples ingresso pertencente a terceiros (no caso, o Estado de São Paulo) que circula no caixa da empresa, mas para ela representa ônus. É o que importa relatar. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.903629/201136 Acórdão n.º 3801003.777 S3TE01 Fl. 162 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme apontado são dois os pontos em exame no presente processo, o um a inclusão na base de cálculo das contribuições cumulativas para o PIS e para a COFINS das receitas financeiras da pessoa jurídica; e, o dois a possibilidade de se excluir da respectiva base de cálculo o ICMS. Em prelação ao primeiro ponto, como se sabe, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) julgou indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998 no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.903629/201136 Acórdão n.º 3801003.777 S3TE01 Fl. 163 6 constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), os Conselheiros do CARF são obrigados a aplicar as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, e assim, devemos afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei n.º 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.903629/201136 Acórdão n.º 3801003.777 S3TE01 Fl. 164 7 Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López4: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Quanto à inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS tenho que não é possível aos membros desse conselho examinar a matéria, pois se trata de matéria constitucional e o controle de constitucionalidade das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Neste sentido, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(grifouse) (...) § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.903629/201136 Acórdão n.º 3801003.777 S3TE01 Fl. 165 8 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que. fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, Vale observar que, no caso em tela, não ocorreu nenhuma das exceções previstas no §6° do artigo acima transcrito. Outrossim, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse sentido, voto por julgar parcialmente procedente o recurso para reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13884.001093/2004-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/1999, 30/03/1999, 30/04/1999, 30/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 28/02/2000, 30/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 30/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 30/03/2001, 30/04/2001, 30/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001
DESISTÊNCIA PARCIAL. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PERDA DE OBJETO. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO. ART. 78 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
Tendo o contribuinte desistido de parte da discussão contida em seu recurso voluntário, bem como, quanto à parte remanescente, havendo informação fiscal de extinção do crédito tributário em face de superveniente decisão judicial, tem-se que há a perda do objeto do recurso com a renúncia à irresignação, impondo-se o não conhecimento das matérias pelo CARF, nos termos do art. 78, do RI-CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3402-002.429
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência do recurso.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PERDA DE OBJETO. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO. ART. 78 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Tendo o contribuinte desistido de parte da discussão contida em seu recurso voluntário, bem como, quanto à parte remanescente, havendo informação fiscal de extinção do crédito tributário em face de superveniente decisão judicial, temse que há a perda do objeto do recurso com a renúncia à irresignação, impondose o não conhecimento das matérias pelo CARF, nos termos do art. 78, do RICARF. Recurso Voluntário Não Conhecido ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência do recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho– Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 10 93 /2 00 4- 75 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13884.001093/200475 Acórdão n.º 3402002.429 S3C4T2 Fl. 195 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, lavrado em 28/04/2004, perfazendo o total de R$427.040,57, incluídos o principal e juros de mora, estes calculados até março/2004. Como bem narra a DRJ, a infração apurada consta do Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 82/83 na seguinte dicção: “001 – COFINS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Lançamento formalizado para evitar os efeitos da decadência estando sua exigibilidade suspensa em virtude de ação judicial (processo nº 1999.61.03.0036947) impetrada pelo contribuinte, conforme fls. 11 a 46. O contribuinte excluiu indevidamente da receita bruta para se apurar a base de cálculo da COFINS a importância paga a título de comissão e bonificação de volume, conforme demonstrativo de dedução apresentado pelo contribuinte à fls. 57 a 59. Elaboramos, então, o demonstrativo da base de cálculo e apuração da COFINS sub judice conforme demonstrativo de fls. 57 a 59 e 73, o qual foi elaborado com base na informação prestada pelo contribuinte da seguinte forma: a) Foi calculada a COFINS sobre outras receitas à alíquota de 3% e sobre a exclusão indevida da receita bruta (comissão e bonificação de volume) à alíquota de 1%. b) A diferença de alíquota (2%) sobre a exclusão indevida da receita bruta (comissão e bonificação de volume) está sendo objeto de lançamento em outro processo administrativo. c) No mês de fevereiro de 1999, foram incluídas as diferenças de receita financeira apurada a menor no montante de R$179.135,57 (187.201,93 – 8.066,36) na coluna outras receitas, conforme termo de constatação de fls. 60 e 66 e R$327.791,02 na coluna dedução de vendas, referente à diferença de alíquota calculada a menor, conforme demonstrativo de fls. 57. d) Nos meses de setembro e outubro de 1999 foram incluídas as receitas brutas de R$3.096.674,59 e R$3.586.836,14 respectivamente na coluna dedução de vendas, tendo em vista que o contribuinte recolheu a COFINS a 2%, conforme comprovante de fls. 69 e 70. Assim sendo, estamos efetuando o lançamento de ofício dos valores devidos a título de COFINS. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 28/02/1999 R$ 10.393,62 0,00 30/03/1999 R$ 1.297,62 0,00 30/04/1999 R$ 2.248,15 0,00 30/05/1999 R$ 1.871,11 0,00 30/06/1999 R$ 2.472,94 0,00 31/07/1999 R$ 2.575,11 0,00 31/08/1999 R$ 632,81 0,00 30/09/1999 R$ 38.998,55 0,00 31/10/1999 R$ 41.680,97 0,00 30/11/1999 R$ 7.514,42 0,00 31/12/1999 R$ 8.249,35 0,00 31/01/2000 R$ 6.676,08 0,00 28/02/2000 R$ 5.337,11 0,00 30/03/2000 R$ 5.796,90 0,00 30/04/2000 R$ 5.289,58 0,00 31/05/2000 R$ 5.757,14 0,00 30/06/2000 R$ 7.197,65 0,00 31/07/2000 R$ 8.819,53 0,00 30/08/2000 R$ 6.804,39 0,00 30/09/2000 R$ 5.148,94 0,00 31/10/2000 R$ 6.097,43 0,00 30/11/2000 R$ 5.849,49 0,00 31/12/2000 R$ 6.291,36 0,00 31/01/2001 R$ 7.363,64 0,00 28/02/2001 R$ 5.601,43 0,00 30/03/2001 R$ 5.738,56 0,00 30/04/2001 R$ 3.458,05 0,00 30/05/2001 R$ 4.072,08 0,00 30/06/2001 R$ 4.569,99 0,00 31/07/2001 R$ 4.922,77 0,00 31/08/2001 R$ 4.527,69 0,00 30/09/2001 R$ 5.590,53 0,00 31/10/2001 R$ 5.586,25 0,00 30/11/2001 R$ 5.719,44 0,00 31/12/2001 R$ 5.448,98 0,00 Enquadramento Legal: Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; Arts. 2º, 3º e 8º, da Lei nº 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória nº 1.807/99 e reedições; Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; Arts. 2º, 3º e 8º, da Lei nº 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória nº 1.807/99 e reedições, com as alterações da Medida Provisória nº 1.858/99 e reedições.” DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13884.001093/200475 Acórdão n.º 3402002.429 S3C4T2 Fl. 196 5 Cientificado do despacho decisório, a interessada apresentou, tempestivamente, impugnação em 09/06/2004, expondo em sua defesa as razões de fatos e direito a seguir sintetizadas: Salienta a tempestividade da impugnação, fazendo um breve histórico dos fatos, ratificando a não aplicação da multa pela existência de provimento judicial em ação intentada contra União, conforme art. 63 da Lei 9.430/96. Afirma haver um equívoco no lançamento dos juros de mora, pois que o crédito tributário somente se tornaria exigível após o vencimento do prazo para o seu pagamento. Que não há que se falar em vencimento da obrigação porque sua exigência é suspensa pela decisão judicial favorável. Traz doutrina favorável ao entendimento de que os juros moratórios decorrem do descumprimento de um dever obrigacional, que não aconteceu no caso vertente, cujo mérito está sendo discutido judicialmente. Por fim, requer o provimento da impugnação, objetivando a exclusão dos juros de mora, protestando pela produção de todas as provas admitidas, inclusive perícia contábil. DO JULGAMENTO EM 1ª INSTANCIA Distribuído o processo à 4ª Turma da Delegacia de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), a mesma julgou a Impugnação Improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, proferindo o Acórdão 0518.298, datado de 02/07/2007, cuja ementa restou assim consignada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 28/02/1999, 30/03/1999, 30/04/1999, 30/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999, 31/01/2000, 28/02/2000, 30/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 30/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 30/03/2001, 30/04/2001, 30/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001 PEDIDO DE PERÍCIA Indeferese o pedido de perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando efetuado sem a formulação dos quesitos, assim como sem a indicação do nome, do endereço e da qualificação profissional Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 do perito, por não se coadunar às regras insculpidas no art. 16, inciso IV, e § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela Autoridade Administrativa a que caberia o julgamento. JUROS DE MORA. VALORES INDICATIVOS. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, sejam quais forem os motivos determinantes da falta, em conformidade com o que expressamente dispõe a legislação de regência para o período apurado. Os juros de mora, constantes do auto de infração, têm caráter indicativo dessa obrigação e serão recalculados por ocasião da liquidação do débito, em caso de ser desfavorável à contribuinte eventual decisão proferida no âmbito judicial. Lançamento Procedente Inicialmente a DRJ considera o pedido de perícia não formulado, eis que, conforme autoridade julgadora, não houve observância às disposições constantes do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. No mérito, a única manifestação do contribuinte se referiu ao registro dos juros de mora, no auto de infração, que fora lavrado com a finalidade de se preservarem os direitos da União, com relação à decadência do direito de lançar, posto que os valores envolvidos estão em discussão na esfera judicial, concluindo que sua exigência fica suspensa, no aguardo da decisão judicial, em face da supremacia hierárquica da mesma, sendo este o entendimento transcrito do Ato Declaratório normativo nº 3, de 14 de Fevereiro de 1996. No tocante aos juros de mora, salienta que sua exigência deriva de imposição legal, não podendo a autoridade administrativa se afastar do lançamento, consoante o disposto no art. 161 do CTN, e ainda, que o valor, calculado até o mês anterior da impugnação, pelo seu caráter indicativo, será atualizado quando do pagamento do crédito tributário exigido. Alude que se a contribuinte obtiver êxito na contenda judicial, o lançamento constante do auto de infração restará prejudicado, sem subsistência, o que alcançará, também, os acréscimos dos juros de mora. Caso a decisão seja desfavorável, os lançamentos reputarse ão corretos e legítimos, inclusive quanto ao vencimento original, este vinculado ao fato gerador, estando os juros de mora devidos desde o mês seguinte ao do vencimento até a data da quitação. Afirma, portanto, ser correta a exigência dos juros de mora, em função da inadimplência da obrigação tributária, estando o lançamento com sua exigibilidade suspensa pela discussão no mérito no âmbito judicial. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13884.001093/200475 Acórdão n.º 3402002.429 S3C4T2 Fl. 197 7 Pelo exposto, vota no sentido da procedência da exigência fiscal contida no Auto de Infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão da DRJ/CPS em 13/08/2007o contribuinte apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 12/09/2007,repisando os argumentos já utilizados em sede de impugnação, acrescentando ainda que: Apresentada a impugnação, sobreveio a decisão da DRJ julgando procedente o lançamento fiscal e indeferindo o pedido de perícia, mas não se pronunciando acerca da matéria: “Comissão e bonificação de volume”. Traz, neste sentido, jurisprudências favoráveis do CARF quando da não apreciação de todas as razões em sede de impugnação. Contesta o indeferimento do pedido de períciacontábil, pois que afirma ter procedido na juntada de todos os documentos hábeis a fim de comprovar o alegado, sendo a autoridade detentora de meios próprios para solicitar ao contribuinte os esclarecimentos necessários ou juntada de documentos essenciais a comprovação do direito. Afirma que com o despacho do processo administrativo, se deu a impossibilidade do exercício de direito de ampla defesa, cerceando seu direito ao contraditório. Alega que obteve provimento jurisdicional, no sentido de autorizar os recolhimentos de COFINS, em curso perante a 3ª Vara Federal /SJ Campos,solicitando a retificação dos lançamentos, excluindo a parte relativa à cobrança de Cofins incidentes sobre outras receitas que não o faturamento, nos termos da LC 70/91. Afirma também que tantos os valores recebidos diretamente dos anunciantes, que são repassadas as agências de publicidade e propaganda, denominados comissão, não integram a base de cálculo da contribuição COFINS por haver regulamentação específica da atividade. E ainda, que os valores recebidos onde não constem discriminados descontos relativos a agencia de propaganda nas faturas emitidas contra os anunciantes, por expressa disposição normativa do mercado publicitário, são repassados a razão de 20% as agências de propaganda, não constituindo receita da recorrente. Alega que no seu caso, existem duas contas em sua contabilidade que controlam esta operação. A primeira de n° 3601 a 3642 denominada “desconto de agência", diz respeito às faturas emitidas já pelo seu valor líquido, ou seja, já considerados os descontos de agência à razão de 20%. E a conta n° 2311 e 2523 que contempla as faturas emitidas em seu valor bruto, onde o desconto será pago diretamente pela ora recorrente às Agências de Propaganda, se constituindo, pois, despesa dedutível da base de cálculo do faturamento. Como argumento a seu favor, aduz que o fato de não constar nas Notas Fiscais o desconto de agência, não quer dizer que os valores não foram pagos. Quanto à bonificação de volume concedida às agências, afirma que estas somente foram pagas até a competência de julho/1999. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Alega ser competência do fisco o ônus do provar porque os valores percebidos diretamente dos anunciantes não foram repassados para a agência de publicidade, sendo legítima a escrituração em conta separada para fins de exclusão da base de cálculo. No tocante aos juros moratórios, afirma que no presente caso, sendo obtido provimento jurisdicional a fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário, não há que se falar em vencimento da obrigação, por estar suspensa, sendo estes os ensinamentos de Pontes de Miranda. Por fim, requer a nulidade do julgamento para obter provimento do Recurso Voluntário, reformando a decisão da DRJ de São José dos Campos, ou, convertendo o julgamento em diligência. No dia 11/02/2010, o contribuinte apresentou nova petição (às fls. 156 numeração eletrônica), pedindo desistência parcial do recurso voluntário, referentemente aos valores relativos à dedução indevida da base de calculo da COFINS. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (Um) Volume, numerado até a folha 193 (cento e noventa e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13884.001093/200475 Acórdão n.º 3402002.429 S3C4T2 Fl. 198 9 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. Observo, antes de mais nada, que o recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, no entanto, em razão de esclarecimentos que adiante serão alinhados, dele não tomo conhecimento. Inicialmente, insta mencionar que o contribuinte requereu, expressamente nestes autos, desistência parcial do recurso apresentado. Posteriormente sobreveio informação fiscal que dá conta da extinção do crédito tributário remanescente àquele que houvera sido objeto de pedido de desistência, às fls. 173/175 – n.e., in verbis: Da Situação Atual da Ação Judicial n° 1999.61.03.0036947 Na decisão publicada em 21/09/06 (fls. 127 a 130), o. douto Relator do STF deu parcial provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Impetrante, afastando, com isso, a aplicação do art. 3°, §1°, da Lei n° 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS/COFINS, mantida, no entanto, a aplicação da alíquota majorada da COFINS (3%). Nessa tessitura, a ação judicial transitou em julgado em 09/10/06 (fls. 131) parcialmente favorável à União. Da Exigibilidade do Crédito Tributário Consubstanciado no Presente Processo A análise do crédito tributário sub judice objeto deste processo permite depreender que o crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração em epígrafe é dividido em 02 (duas) partes (vide planilha às fls. 73): 1 a parte relativa à ampliação da base de cálculo da COFINS (4a coluna “Valor COFINS'); 2 a parte que se refere à dedução indevida da base de cálculo da COFINS (7ª coluna Valor COFINS”). A parte relativa à ampliação da base de cálculo (diferença entre a COFINS devida com base na Lei n° 9.718/98 3% sobre a receita total e a COFINS apurada à alíquota de 3%, aplicando se a base de cálculo instituída peta LC n°70/91 — receita bruta as vendas e serviços), encontrase extinta por força da decisão proferido pelo Colendo STF nos autos do MS n° 1999.61.03.0036947 (fls. 127 a 131). Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 Por outro lado, a parte que se refere à dedução indevida da base de cálculo da COFINS (1% sobre o monte correspondente à dedução indevida o saldo remanescente, de acordo com informação da autoridade administrativa na própria planilha elaborada às fls. 73; foi objeto de lançamento em outro processo) tornouse exigível em face da desistência formalizada na data de 11/02/2010 (vide petição às fls. 153 a154), deferida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O contribuinte, com a desistência, pretende que o saldo remanescente do crédito tributário seja incluído no regime especial instituído pela Lei n° 11.941/09. Ademais, como se observa do comprovante de recolhimento acostado às fis. 157, devidamente identificado nos sistemas de controle da RFB (fls. 161), houve liquidação do valor correspondente aos juros moratórios mediante a utilização de prejuízo fiscal, conforme permissivo do art. 1°, §§7° e 8° da citada Lei, regulamentado pelos arts. 27 e 28 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/09. Das Condições Estabelecidas para Inclusão do Crédito Tributário Remanescente. Controlado pelo Presente Processo no Regime Especial da Lei n° 11.941/09 (...) A análise do caso que se apresenta permite depreender o que segue: 1 todos os débitos controlados pelo presente processo têm data de vencimento anterior a 30/11/08; 2 em consulta aos sistemas informatizados da RFB (SAPLI), foi verificado que o contribuinte apresentava, em 31/12/2008, saldo de prejuízo fiscal no importe de R$ 12.884.142,89 e saldo nulo de base de cálculo negativa da CSLL, próprios (fls. 168 a 169); 3. os cálculos elaborados com auxílio do SICALC (fls. 162 a 167) demonstram que o saldo de prejuízo fiscal existente em 31/12/08 passível de utilização para pagamento do crédito tributário remanescente, controlado por este processo (25% de R$ 12.884.142,89 = R$ 3.221.035,72), é suficiente para amortização integral dos juros moratórios acumulados na data do pagamento à vista (30/11/09), com a redução prevista no art.: 2º, I, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/09, que importam em R$ 84.657.59 (55% de R$ 153.922,89); 4 a. desistência dó recurso interposto à CSRF, que alberga o saldo remanescente do crédito tributário controlado por este processo, foi formalizada em 11/02/2010, antes, portanto, da datalimite estabelecida pela legislação (28/02/2010); 5 houve pagamento integral do principal associado, ao crédito tributário remanescente (fls. 73,154,157,161 e 167). Deste modo, analisando as considerações acima, concluise pela possibilidade de inclusão do crédito tributário consubstanciado no presente processo (que, em virtude da extinção parcial ocorrida em face da decisão judicial favorável proferida nos autos do MS n° 1999.61.03.0036947, transitada em julgado em 09/10/2006, compreende apenas a parte relativa à de dedução indevida da base de cálculo da COFINS) no regime especial da Lei n°11.941/09, admitida a liquidação dos juros moratórios mediante a utilização de prejuízo fiscal, nos termos do art. 1º, §§7° e 8o, da citada Lei. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13884.001093/200475 Acórdão n.º 3402002.429 S3C4T2 Fl. 199 11 Ademais, os cálculos elaborados às fls. 162 a 167 permitem concluir que o recolhimento consubstanciado no DARF às fls. 157, agregado à utilização de prejuízo fiscal próprio no montante de R$ 84.657,59, é suficiente para assegurar a liquidação do crédito tributário remanescente. Todavia, considerando o disposto no art. 27, §5°, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/09, a confirmação da liquidação dos juros e multa de mora deve aguardar a fase de consolidação dos débitos, razão pela qual não se afigura possível o reconhecimento imediato da extinção dos créditos tributários controlados por este processo. Diante do exposto, considerando que a ação judicial objeto do presente processo já transitou em julgado, DETERMINO o encaminhamento do presente à Equipe de Processos Fiscais desta Delegacia para: 1 seja apartada deste processo a parte do crédito tributário relativa à dedução indevida da base de cálculo da COFINS (coluna 7 da planilha às fls. 73; planilha às fls. 154), reconhecendose, no processo administrativo assim formalizado: 1 a possibilidade de inclusão do correspondente débito no regime especial instituído pela Lei n° 11.941/09; 2 a extinção parcial do correspondente crédito tributário por força do comprovante de recolhimento às fls. 157; 3 a possibilidade de utilização de prejuízo fiscal para liquidação dos juros moratórios, a teor do disposto no art. 1º,§§7° e 8o, da Lei n° 11.941/09, sobrestado, contudo, o reconhecimento da extinção do correspondente crédito tributário até que se opere a consolidação prevista no art. 27, §5°, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/09. Até que se opere a extinção, é de se manter suspensa a sua exigibilidade; 2 seja o presente processo encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para julgamento do recurso voluntário sobre o saldo remanescente, ressaltandose que referido crédito tributário encontrase extinto por força de decisão favorável obtida nos autos do MS n° 1999.61.03.003694 7, transitada em julgado em 09/10/2006.(Grifei) Neste cenário, imperioso se faz observar o que determina o artigo 78 do Regimento Interno desta Casa, in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fl. 204DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Logo, o fato do contribuinte ter pedido desistência expressa do recurso, bem como haver informação por parte da autoridade fiscalizadora de que o crédito remanescente pendente de julgamento encontrase extinto, implica, nos termos da regulamentação acima, em renúncia de qualquer discussão que possa ter o sujeito passivo trazido aos autos, pelo que no tocante a todos os valores que restariam remanescentes em razão da decisão da DRJ, deixo de tomar conhecimento das razões aduzidas pela recorrente. Assim, na linha das considerações acima, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 13683.000039/2003-98
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 15/01/2003 a 31/01/2003
DECISÃO JUDICIAL. ALCANCE.
A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros.
RECURSOS REPETITIVOS.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF).
COMPENSAÇÃO. CONTROVÉRSIA JUDICIAL. IMPEDIMENTO.
Na compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, mas desde que referente a ação ajuizada após a vigência do art. 170-A do Código Tributário Nacional (CTN).
Numero da decisão: 3803-006.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Belchior Melo de Sousa que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 15/01/2003 a 31/01/2003 DECISÃO JUDICIAL. ALCANCE. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. RECURSOS REPETITIVOS. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF). COMPENSAÇÃO. CONTROVÉRSIA JUDICIAL. IMPEDIMENTO. Na compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, mas desde que referente a ação ajuizada após a vigência do art. 170-A do Código Tributário Nacional (CTN).
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LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. CRÉDITO DE TERCEIRO. DECISÃO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. A lei que rege a compensação é a vigente no momento em que se realiza o encontro de contas, e não aquela em vigor na data do surgimento do crédito. A decisão judicial que assegurou o direito creditório de terceiros afastou, por ausência de previsão legal, a aplicação de norma complementar editada em momento anterior ao da vigência da lei aplicável ao fato sob análise nos autos, não alcançando, por conseguinte, o presente pleito. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. FIXAÇÃO DE PRAZO. FATOS ANTERIORES. ALCANCE. A instituição de um limite temporal máximo destinase a resguardar a segurança jurídica, aplicandose a fatos anteriores a sua previsão legal, mas iniciandose a contagem do prazo a partir da vigência da lei nova, e não da data da formulação do pleito. COMPENSAÇÃO. CONTROVÉRSIA JUDICIAL. IMPEDIMENTO. Na compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, mas desde que referente a ação ajuizada após a vigência do art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/01/2003 a 31/01/2003 DECISÃO JUDICIAL. ALCANCE. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. RECURSOS REPETITIVOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 3. 00 00 39 /2 00 3- 98 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13683.000039/200398 Acórdão n.º 3803006.362 S3TE03 Fl. 207 2 As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Belchior Melo de Sousa que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Em 15 de janeiro de 2003, o contribuinte supra identificado apresentou Pedido de Compensação (fl. 01), pleiteando a compensação de débitos próprios com crédito pertencente ao contribuinte Nitriflex S/A Indústria e Comércio, CNPJ 42.147.496/000170, que, em ação judicial transitada em julgado, obtivera o reconhecimento de créditos a seu favor. Posteriormente, a Nitriflex impetrou Mandado de Segurança objetivando obter autorização judicial para compensar seus créditos com débitos de terceiros, tendo obtido provimento no sentido de invalidar a limitação prevista na Instrução Normativa SRF n° 41/2000, que vedava a compensação com débitos de terceiros. Em 3 de julho de 2008 (fl. 116), a repartição de origem, por meio de despacho decisório (fls. 104 a 108), deu ciência ao contribuinte da não homologação da compensação declarada neste processo, considerando que, a partir de 30 de agosto de 2002, a legislação de regência passou a vedar, expressamente, a compensação de débitos de um contribuinte com créditos de terceiros, sendo ressaltado, ainda, que teria perdido o objeto a decisão proferida em mandado de segurança baseada em legislação que veio a ser revogada e substituída por outra. O mesmo despacho decisório esclareceu que, a par da decisão judicial, favorável ao estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio, no sentido de autorizar a compensação de débitos com créditos de terceiros, a compensação sob comento não poderia ser homologada, em razão da superveniência de legislação contrária à pretensão do declarante, no caso, a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13683.000039/200398 Acórdão n.º 3803006.362 S3TE03 Fl. 208 3 Ressaltou a autoridade administrativa de origem que o art. 49 da Lei nº 10.637/2002 deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/1996, impossibilitando, a partir de 1º de outubro de 2002, a compensação de créditos apurados pelo sujeito passivo com débitos de terceiros. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 117 a 145) e requereu a reforma do despacho decisório, com a homologação da declaração de compensação, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrara o Mandado de Segurança nº 98.00166580 para, tendo em conta o princípio constitucional da não cumulatividade, obter o reconhecimento de créditos do IPI relativos a aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, nos dez anos anteriores à impetração, tendo transitado em julgado, em 18 de abril de 2001, acórdão do TRF da 2ª Região, favorável à pretensão do impetrante; b) a coisa julgada material impede a aplicação da superveniente Lei nº 10.637/2002, que passou a limitar a disponibilidade do crédito do IPI, cujas disposições somente valem para os créditos nascidos posteriormente à sua edição. O entendimento da repartição de origem configura descumprimento de uma ordem judicial, com desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da não cumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis; c) o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250, impetrado em 26 de março de 2001, visava a impedir que a IN SRF nº 41/2000 obstasse a livre disposição do crédito do IPI, tendo sido obtido decisão favorável confirmando o direito de livre disposição do crédito assegurado judicialmente; d) “foi ajuizada pelo Fisco, em 15/04/2003, a ação rescisória 2003.02.01.0056758 visando à desconstituição da coisa julgada produzida no MS 98.0016658 0. Embora o pedido tenha sido julgado parcialmente procedente pelo E. TRF da 2ª Região, foram interpostos pela Nitriflex recursos pendentes de análise, e não foi concedida tutela de urgência para suspender a execução da coisa julgada, que, por isto, continua produzindo efeitos”. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito à homologação da compensação (fls. 160 a 167), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. As compensações declaradas a partir de 19 de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal MP n° 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002 impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de Fl. 427DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13683.000039/200398 Acórdão n.º 3803006.362 S3TE03 Fl. 209 4 débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 19 de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/01/2003 a 31/01/2003 JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Compensação não Homologada Argumentou a autoridade julgadora de piso que o Mandado de Segurança nº 98.00166580 se referia, exclusivamente, ao reconhecimento de créditos do IPI em favor da Nitriflex S/A Indústria e Comércio, sem qualquer referência à compensação desse mesmo crédito com débitos de terceiros. Cientificado da decisão da DRJ Juiz de Fora/MG em 18 de dezembro de 2008, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12 de janeiro de 2009 (fls. 1702 a 187) e reiterou o seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo destacadas as alegações de que a ação transitada em julgado não só reconhecera o direito de crédito, como também sua plena disponibilidade, e que a nova redação do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, não poderia retroagir para alcançar os fatos consumados no passado. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia do acórdão nº 0921.455, da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora/MG (fls. 202 a 204), prolatado em 6 de novembro de 2008, em que se decidiu pelo arquivamento do processo administrativo nº 13746000048/200305, por versar sobre o mesmo objeto do presente. Na sessão desta 3ª Turma Especial realizada em 27 de maio de 2014, o Recorrente informou que, a partir de petição formalizada no bojo dos autos do mandado de segurança nº 2001.51.10.0010250, obtevese, em 25/03/2014, decisão judicial “determinando o imediato cumprimento da coisa julgada”, cuja conclusão assim dispôs: Por conseguinte, considerando que a impetrada não trouxe aos autos qualquer alegação capaz de relativizar os efeitos da coisa julgada, DEFIRO O PEDIDO de fls. (...), para determinar que cumpra imediatamente a r. decisão transitada em julgado, adotando todas as providências necessárias nos autos dos processos administrativos relativos às compensações objeto da ação nº 98.00166580 (PA 10735.000001/9918 e apensos), efetuando em definitivo a análise dos pedidos de compensação com débitos de terceiros não optantes do REFIS, conforme limites objetivos do título judicial exeqüendo, atentando para o fato de que o advento da Lei nº 10.637/02 não pode ser óbice à homologação do pedido de compensação da impetrante. É o relatório. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13683.000039/200398 Acórdão n.º 3803006.362 S3TE03 Fl. 210 5 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre o direito à compensação com créditos de terceiros, créditos esses reconhecidos judicialmente, em face de legislação superveniente que passou a vedar a compensação nesses moldes. De início, registrese que a ação rescisória ajuizada pela Fazenda Nacional com o fito de desconstituir o crédito da Nitriflex, referenciada no relatório supra, foi declarada nula pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, por ausência de competência do Tribunal para apreciação do pleito, já que previamente interposta a ação rescisória n.º 1.788 no Supremo Tribunal Federal (STF), esta extinta sem julgamento do mérito. O pedido de compensação sobre o qual se controverte nos autos foi protocolizado pelo Recorrente em 12 de fevereiro de 2003, quando já se encontrava vigente a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, dada pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, que, expressamente, passou a restringir a compensação a créditos e débitos próprios dos contribuintes, vedandose, por conseguinte, o feito com base em créditos de terceiros. Em casos de compensação de tributos, a legislação que se aplica é a vigente no momento da formalização do pedido pelo interessado, independentemente da data de surgimento do crédito. Conforme bem salienta Leandro Paulsen1, é “inapropriada a invocação da proteção do direito adquirido, no caso, porque acaba consagrando um direito adquirido a regime jurídico de compensação, quando é certo que o STF não reconhece direito adquirido a regime jurídico. Ademais não se pode pensar em compensação senão em face do débito a ser compensado e do momento do encontro de contas”. Dessa forma, considerando que na compensação, há a extinção de um crédito tributário – o débito –, a legislação aplicável não pode ser aquela vigente à época do crédito que surgiu no passado, pois o instituto da compensação envolve o encontro de contas simultâneo entre saldo credor e saldo devedor, não havendo que se invocar um comando legal que não mais vigia no momento do surgimento do débito. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu nesse sentido por mais de uma vez, conforme se depreende do excerto a seguir transcrito, extraído da decisão do Recurso Especial nº 492.627, julgado em maio de 2004: TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO STF. 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria dos Advogados, 2008, p. 1123. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13683.000039/200398 Acórdão n.º 3803006.362 S3TE03 Fl. 211 6 COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DE ESPÉCIES DISTINTAS. 1. (...) a lei aplicável à compensação é a vigente na data do encontro entre os débitos e créditos (...) 2. No caso concreto, tendo em vista o regime vigente à época da postulação, deve a compensação do FINSOCIAL ser admitida apenas com parcelas da COFINS, ressalvado o direito da autora de proceder à compensação dos créditos na conformidade com as normas supervenientes. 3. Recurso especial provido. Esse mesmo entendimento consta dos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 419.757, julgados em março de 2004, conforme se constata a seguir: TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. FINSOCIAL. PRESCRIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. POSSIBILIDADE. ART. 74 DA LEI Nº 9.430/96, COM REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI Nº 10.637/02. (...) 4. A lei que rege a compensação é aquela vigente no momento em que se realiza o encontro de contas, e não aquela em vigor na data em que se efetiva o pagamento indevido. Constatase, portanto, que, na data da protocolização do pedido de compensação, a legislação em vigor já vedava a compensação com créditos de terceiros, não havendo suporte legal ao pedido do ora Recorrente nos termos formulados. Por outro lado, na mesma data em que o pedido de compensação fora formulado, qual seja, 15 de janeiro de 2003, a redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, se restringia ao que a seguir é transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação:(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 430DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13683.000039/200398 Acórdão n.º 3803006.362 S3TE03 Fl. 212 7 (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Verificase do excerto supra que, na data da apresentação do Pedido de Compensação de Créditos com Débitos de Terceiros, a lei já previa a figura da Declaração de Compensação, sendo estipulado no § 4º supra que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa passariam a ser considerados declaração de compensação, para os efeitos previstos no art. 74. Contudo, na mesma data, ainda não se encontrava vigente o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se passou a prever o prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada, o que veio a ocorrer somente em 31 de outubro de 2003, data da publicação da Medida Provisória nº 135, convertida na Lei nº 10.833, de 2003. Constatase, portanto, que, na data da apresentação do presente pedido de compensação/declaração de compensação, inexistia a definição de um prazo para a homologação tácita da compensação, não se aplicando tal regra, por conseguinte, ao presente caso, pois que instituída em lei posterior, não podendo alcançar, a meu ver, fatos ocorridos anteriormente a sua produção de efeitos. Ressaltese que essa questão relativa à aplicação de prazos decadenciais a fatos anteriores a sua criação já foi objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 626.489, ocorrido em 16 de outubro de 2013, submetido à sistemática da repercussão geral. Segundo o Informativo do STF de 16 de outubro de 2013, o Tribunal acolheu a tese de que a instituição de um limite temporal máximo destinase a resguardar a segurança jurídica, aplicandose a fatos anteriores a sua previsão legal, mas devendo o prazo ser contado, nessas hipóteses, a partir da vigência da lei nova, e não da data da formulação do pleito. Referido RE, contudo, ainda não transitou em julgado, restando pendente o julgamento de Embargos de Declaração interpostos em 20 de outubro de 2013, não podendo, portanto, ser invocado para fins de aplicação da regra do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. No entanto, tal constatação não impede que este Colegiado se valha da decisão do STF como parâmetro para a prolação da presente decisão, sendo isso o que se faz neste momento. Logo, considerando que o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, passou a viger em 31 de outubro de 2003, temse que o prazo de cinco anos para a homologação tácita da compensação extinguiu em 31 de outubro de 2008, data essa posterior à da ciência do despacho decisório, ocorrida em 3 de julho de 2008 (fl. 116, que corresponde à fl. 121 do PDF), do que se conclui pela inocorrência da homologação tácita. No mérito, quanto à alegação de coisa julgada, temse que, além do fato de que o trânsito em julgado favorecera expressamente apenas a sociedade empresária Nitriflex, pois o direito foi deferido nominalmente a ela, que poderia se valer dele para proceder às Fl. 431DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13683.000039/200398 Acórdão n.º 3803006.362 S3TE03 Fl. 213 8 compensações de seus créditos sem o entrave da Instrução Normativa SRF nº 41/2000, o ora Recorrente, no presente caso, dela não se beneficia, pois, na data do seu pedido de compensação, essa Instrução Normativa não mais vigia, pois que fora revogada pela Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002. Se coisa julgada havia que pudesse favorecer o Recorrente, conforme ele alega, a este processo ela não se aplica, pois o fundamento legal que embasara a decisão administrativa de origem não corresponde ao agasalhado na decisão judicial. Enquanto a decisão judicial afasta as condições fixadas na IN SRF nº 41/2000 para fruição do direito à compensação, a base legal do despacho decisório foi a lei vigente na data da entrega do pedido de compensação, qual seja, o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que, repisese, passou a prever a vedação de compensação com créditos de terceiros, hipótese essa que veio a ser regulamentada por outra Instrução Normativa, qual seja, a de número 210/2002, esta amparada em dispositivo legal. O afastamento da aplicação da Instrução Normativa SRF nº 41/2000, determinado pela decisão judicial, fundouse no fato de que tal normativo vedava a compensação com créditos de terceiros sem haver uma lei dispondo no mesmo sentido, situação essa não condizente com a sob análise, pois, repitase mais uma vez, no momento da formalização do pedido de compensação, já havia lei vedando a compensação nos moldes ora pleiteados. Por fim, ressaltese que, tendose em conta os documentos e as informações presentes nos autos, não há na decisão judicial da Nitriflex nenhuma referência expressa ao ora Recorrente, assegurandolhe o direito de uso do crédito reconhecido judicialmente ou outro direito qualquer, não se vislumbrando razão para a alegação de coisa julgada a seu favor. No que tange à decisão judicial informada pelo Recorrente na sessão desta 3ª Turma Especial ocorrida em 27/05/2014, cujo dispositivo encontrase reproduzido no Relatório supra, há que se destacar que referida decisão fora proferida no bojo dos autos do segundo mandado de segurança impetrado pela Nitriflex, o de nº 2001.51.10.0010250, em que se requerera autorização judicial para se compensarem os créditos, estes reconhecidos definitivamente no primeiro mandado de segurança, de nº 98.0016658, com débitos de terceiros, desconsiderandose a limitação prevista na Instrução Normativa SRF n° 41/2000, que vedava a compensação com débitos de terceiros. A meu ver, é nesse contexto que se deve analisar a decisão judicial datada de 25/03/2014. Considerando o objeto desse segundo mandado de segurança, há que se destacar que a matéria discutida judicialmente se refere ao direito à compensação que estava sendo obstado pela Administração tributária federal com base em instrução normativa desprovida de suporte legal. Todos os demais contornos da decisão judicial devem ser interpretados nesse contexto, sob pena de se ter uma nova apreciação da matéria a partir de mera petição do interessado, petição essa protocolizada após o trânsito em julgado da ação judicial, não submetida ao duplo grau de jurisdição. Dessa forma, quando a MM Juíza decidiu que a disciplina da Lei nº 10.637, de 2002, não podia ser óbice à homologação da compensação, ela destacou que tal Fl. 432DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13683.000039/200398 Acórdão n.º 3803006.362 S3TE03 Fl. 214 9 entendimento inseriase nos “limites objetivos do título judicial exeqüendo” e se referia expressamente ao pedido de compensação formulado pela Nitriflex no bojo do processo administrativo nº 10735.000001/9918, em que, conforme se verifica dos despachos decisórios trazidos por cópia aos autos (fls. 37 a 45, que correspondem às fls. 44 a 52 do PDF), abrange compensações homologadas relativas a débitos de filiais da Nitriflex2. Inexiste na decisão judicial qualquer referência ao ora Recorrente ou ao presente processo administrativo, não podendo, a meu ver, tal extensão de efeitos ser obtida a partir de uma referência genérica à Lei nº 10.637, de 2002, pois, nos termos do art. 472 do Código de Processo Civil (CPC), “[a] sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros.” Inexiste, ainda, na referida decisão judicial, alusão às eventuais datas de protocolização dos pedidos de compensação, dado esse imprescindível à apreciação da matéria, pois, tratandose de pedido formalizado anteriormente à alteração legislativa que passou a vedar expressamente a compensação com créditos de terceiros, não há que se impor esse novo disciplinamento ao pleitos iniciados no passado. Diferentemente do que aqui ocorre, pois, conforme já dito, o Recorrente protocolizou seu pedido de compensação após a vedação legal, pedido esse que não foi objeto de análise nas ações ajuizadas pela Nitriflex, não tendo sido tal questão – protocolização do pedido de compensação após a vigência do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 – objeto de discussão na esfera judicial. Além disso, a MM Juíza opôs a sua decisão ao entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) de que “perde o objeto decisão proferida em mandado de segurança quando baseada em legislação que veio a ser revogada ou substituída por outra”. Neste voto, não se argui a perda de objeto da decisão judicial por força de legislação superveniente, mas a sua inaplicabilidade ao caso, dado que o Pedido de Compensação sobre o qual ora se controverte fora formulado num contexto normativo diferente daquele submetido à discussão judicial no âmbito do mandado de segurança nº 2001.51.10.0010250. O presente pedido de compensação não fora denegado pela repartição de origem com fundamento na Instrução Normativa SRF nº 41/2000, esta, sim, objeto da ação judicial, mas com base no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que passou a restringir a compensação a créditos e débitos do mesmo sujeito passivo, dispositivo esse vigente na data da protocolização do pedido na repartição de origem. Há que se registrar, ainda, que inexiste nos autos prova inequívoca quanto aos valores remanescentes do crédito da Nitriflex reconhecido judicialmente, crédito esse utilizado por diferentes pessoas jurídicas, dentre elas as filiais da Nitriflex, em diferentes processos judiciais e administrativos. No julgamento da apelação interposta pela União Federal no âmbito do processo nº 2011.51.20.0006327, ajuizado pela filial Nitriflex da Amazônia Indústria e Comércio S/A, constou do Relatório do acórdão da Quarta Turma Especializada do Tribunal 2 Nitriflex da Amazônia Indústria e Comércio S/A, Nitriflex do Nordeste Indústria e Comércio S/A e Brampac S/A. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13683.000039/200398 Acórdão n.º 3803006.362 S3TE03 Fl. 215 10 Regional Federal da 2ª Região que o crédito reconhecido judicialmente de R$ 62.235.433,54 já havia sido utilizado em sua totalidade no processo administrativo nº 10735.000001/9918, cujo somatório dos débitos extrapolou em muito esse valor, fato esse que exige que se demonstre e comprove a efetiva existência de saldo remanescente do crédito suficiente à compensação aqui pleiteada. Por fim, não bastassem as constatações acima expostas, há um dado que compromete ainda mais o pleito do Recorrente. O Pedido de Compensação sobre o qual se controverte nestes autos foi protocolizado na repartição de origem em 15 de janeiro de 2003, quando ainda não havia transitado em julgado o mandado de segurança nº 2001.51.10.0010250, em que se discutia a possibilidade de se compensar o crédito da Nitriflex com débitos de terceiros sem o entrave da Instrução Normativa SRF nº 41, de 2000, o que veio a ocorrer somente em 12 de setembro de 2003. Tal fato contraria o disposto no art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN), vigente desde 11/01/2001, em que se estipula que “[é] vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” Tal entendimento consta da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferida no julgamento do Recurso Especial (RE) nº 1.164.452, submetido ao rito dos recursos repetitivos, transitado em julgado em 05/10/2010, cuja ementa assim dispôs: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 3. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (grifei) De acordo com a decisão supra e considerando o disposto no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal após 11/01/2001, data da vigência do art. 170A do CTN, e antes do trânsito em julgado da decisão judicial que a autoriza não tem o poder de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, não produzindo, por conseguinte, efeito extintivo do crédito tributário. Como Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250 fora impetrado em 20 de setembro de 2001, a ele se aplica o entendimento contido no referido RE. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13683.000039/200398 Acórdão n.º 3803006.362 S3TE03 Fl. 216 11 Consoante o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tal decisão do STJ deve ser, obrigatoriamente, reproduzida pelos conselheiros nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 435DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10640.723183/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
CITAÇÃO POR EDITAL
Quando restar improfícua a citação por via postal enviada para endereço diverso ao da Recorrente, não tem validade jurídica a citação do sujeito passivo efetuada por edital.
NÃO APRSEENTAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO PRAZO LEGAL.
Mesmo tendo ciência da decisão de 1ª instancia e os demais documentos do processo, entregues em cópia eletrônica não houve a propositura do Recurso Voluntário. Vencido o prazo sem que a Recorrente tenha apresentado o Recurso Voluntário, configurou-se a decadência do direito de recurso, nos termos e limites do art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1401-001.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Jorge Celso Freire da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Sergio Luiz Bezerra Presta
Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 CITAÇÃO POR EDITAL Quando restar improfícua a citação por via postal enviada para endereço diverso ao da Recorrente, não tem validade jurídica a citação do sujeito passivo efetuada por edital. NÃO APRSEENTAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO PRAZO LEGAL. Mesmo tendo ciência da decisão de 1ª instancia e os demais documentos do processo, entregues em cópia eletrônica não houve a propositura do Recurso Voluntário. Vencido o prazo sem que a Recorrente tenha apresentado o Recurso Voluntário, configurou-se a decadência do direito de recurso, nos termos e limites do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 CITAÇÃO POR EDITAL Quando restar improfícua a citação por via postal enviada para endereço diverso ao da Recorrente, não tem validade jurídica a citação do sujeito passivo efetuada por edital. NÃO APRSEENTAÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO PRAZO LEGAL. Mesmo tendo ciência da decisão de 1ª instancia e os demais documentos do processo, entregues em cópia eletrônica não houve a propositura do Recurso Voluntário. Vencido o prazo sem que a Recorrente tenha apresentado o Recurso Voluntário, configurouse a decadência do direito de recurso, nos termos e limites do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 31 83 /2 01 1- 14 Fl. 908DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 666 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 667 3 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa constante do acórdão nº 0938.873 proferido pela 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG, constante das fls. 676 e segs, até aquela fase: “Pelos Autos de Infração (AIs) de IRPJ, PIS, CSLL e Cofins constituiuse créditos tributários nos valores de R$ 645.556,10, R$ 84.625,58, R$ 140.158,86 e R$ 390.580,96, respectivamente, tendo sido declinadas na DESCRIÇÃO DOS FATOS as seguintes irregularidades: IRPJ, Cofins e CSLL > omissão de receita via depósitos bancários de origem não comprovada; Pis > falta/insuficiência em razão da omissão de receita; A impugnação encontrase assim articulada por excertos: PRELIMINAR DAS EMPRESAS VIAÇÃO FROTANOBRE LTDA e FROTANOBRE TRANSPORTE DE PESSOAL LTDA [...] DO ENDEREÇO DA PESSOA JURÍDICA [...] DA DECLARAÇÃO DA CONTADORA [...] DA PRECIPITAÇÃO DA AÇÃO FISCAL [...] DA COMUNICAÇÃO AOS SÓCIOS [...] DOS TERMOS DE INTIMAÇÃO FISCAL CIENTIFICADOS POR EDITAL E DOS FATOS OCORRIDOS A PARTIR DO DIA EM QUE A EMPRESA CONSTATOU A EXISTÊNCIA DO EDITAL [...] RESUMO DOS FATOS E DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 1 A empresa foi procurada no endereço em que sempre recebeu suas correspondências e, em face de uma declaração tendenciosa prestada por uma ex funcionária que fora dela demitida, passou a ser intimada por edital. 2 Uma procuradora da pessoa jurídica, ao comparecer à sede da Delegacia da Receita Federal, viu o edital relativo à intimação n° 2, afixado na Repartição, cujo prazo final para retirada ocorreria no dia 25/08/2011. 3 Esta procuradora somente conseguiu marcar um horário com o Auditor Fiscal, para o dia 23/08/2011. Recebendoa, nesta data, o Auditor se recusou a dar informações sobre o andamento da fiscalização, alegando que a sua procuração não autorizava o acesso a dados sigilosos. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 668 4 4 A partir deste dia, a empresa tentou por diversas vezes, sem sucesso, falar com o referido Auditor. 5 Somente no dia 26/08/2008, a empresa conseguiu contatar o Auditor Fiscal, o qual alegou que só poderia recebêla no dia 30/08/2011. 6 No dia 30/08/2011 a empresa foi recebida pelo Auditor, o qual já apresentou o Auto de Infração para ciência da pessoa jurídica. 7 Em resposta às ponderações da empresa, no sentido de que ela havia procurado a repartição com a finalidade de atender a intimação, antes do esgotamento do prazo concedido, o Auditor laconicamente respondeu que não alteraria o procedimento fiscal, afirmando que ainda que a empresa tivesse sido por ele recebida, em dois ou três dias ela não conseguiria atender à referida intimação. 8 Por todo o exposto, fica claro que a empresa não se esquivou no atendimento à fiscalização. Prova disso é que o Auto de Infração não foi cientificado à empresa por edital, MAS SIM PESSOALMENTE. Diante do evidente cerceamento do direito de apresentação das provas no momento adequado, a impugnante requer que todos os fatos narrados e comprovados até agora sejam levados em consideração no exame das provas e argumentos que serão adiante apresentadas e/ou aduzidos. Requer também, caso V. Sas entendam necessário, que esses fatos sejam confirmados junto ao Auditor Fiscal, colocandose, as pessoas citada no presente tópico, à disposição para qualquer ato processual necessário ao deslinde da questão, tais como, depoimento pessoal, acareação, etc. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA E ARBITRAMENTO DO LUCRO [...] AGRAVAMENTO DA MULTA [...] somente deixou de atender à intimação da fiscalização porque o Auditor Fiscal não recebeu a contribuinte dentro do prazo do edital após a expiração deste prazo, não permitiu a autuada a entrega dos documentos requeridos. [...] segundo entendimento já consolidado na Corte Administrativa, o agravamento da multa não é aplicável nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. [...] Em momento algum do procedimento ficou demonstrado que a empresa agiu dolosa ou fraudulentamente com o intuito de retardar ou impedir a ocorrência, do fato gerador de tributo. [...] o Fisco não comprovou a ocorrência de omissão receitas, mas apenas a presumiu, já que a exigência fiscal teve como fundamento legal o art. 42 da Lei n° 9.430/96 [...]. [...] se a infração é presumida, incabível a qualificação da multa, exceto em situações especiais, como por exemplo, a utilização de interposta pessoa”. A 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG na sessão de 31/01/2012, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 0938.873 entendendo “por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação apresentada tão somente pela contribuinte, nos termos do voto.”, sob argumentos assim ementados: Fl. 911DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 669 5 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Cumpridos os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/1972 para a lavratura do auto de infração e observados os procedimentos previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas créditos em conta bancária de depósito em relação aos quais a pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO ARBITRADO. Cabível o arbitramento do lucro quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese da tributação pelo lucro presumido. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA No caso de evidente intuito de fraude, simulação ou conluio, aplicase multa de 150% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, com percentual aumentado de metade, nos casos de não atendimento no prazo marcado de intimação para prestar esclarecimentos. Não se qualifica, nem se agrava a multa, no caso de valores lançados, declarados em DIPJ e em DCTF, de conhecimento do fisco. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Pis. Cofins. CSLL Uma vez que os lançamentos decorreram dos mesmos elementos prova que nortearam o do IRPJ, impõese a eles, mudando o que deve ser mudado, o mesmo veredicto firmado no lançamento principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. Encontramos nas folhas 714 a Intimação nº: SACAT/2012, que dava ciência do acórdão n° 0938.873 proferido pela 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG, que teve como endereço da Recorrente a Avenida Brasil, 1975, loja 16 – Centro, Cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, CEP. 36070010 e código de rastreamento dos correios RM756213297BR; porém em 16/03/2012, a notificação foi negativa, conforme pode ser observada às fls. 718 dos autos. Diante da não localização da Recorrente, foi expedido edital, sob o nº. 011064061200047, com base no que determina o § 1º do art. 23 do Decreto nº. 70.235/1972, constante das fls. 720 dos autos onde consta da data de afixação do Edital 05/07/2012 e a data de desafixação do Edital 20/07/2012. Encontramos às fls. 721 dos autos o termo de perempção e as fls. 722 a Carta Cobrança nº SACAT/2012, que teve como endereço da Recorrente a Avenida Francisco Fl. 912DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 670 6 Valadares, 28, Poço Rico, Cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, CEP. 36020420 e código de rastreamento dos correios RQ034816610BR, sendo a Recorrente cientificada da Carta Cobrança nº SACAT/2012 e também da decisão de primeira instância em 05/10/2012 (fls. 729). Em 18/10/2012 a Recorrente ingressa com solicitação de copia de documentos, fls. 731 dos autos, firmado pela procuradora Sonia Maria Duran Leitão, inscrita no CPF/MF sob o nº. 570.848.66868, procuração constante dos autos nas fls. 732 e 733; sendo fornecida copia integral do presente processo, em meio eletrônico, no mesmo dia (18/10/2012), conforme termo constante das fls. 735. No dia 01/11/2012 a VIAÇÃO FROTANOBRE LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0938.873 e na notificação por edital, apresenta recurso voluntário, constante das fls 738 e segs, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sem requer a reforma do julgado ou apresentando argumentos e provas contrárias, objetivando unicamente o seguinte, fls. 742: Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Primeiramente vou me ater à questão da validade da citação por edital e a tempestividade do Recurso Voluntário. Não encontrei na impugnação, fls. 236 e segs dos autos qualquer menção ao endereço Avenida Francisco Valadares, 28, Poço Rico, Cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais, CEP. 36020420, como afirma o recurso voluntário. Encontro copia, autenticada, do contrato social, mas sem qualquer indicio de registro pela Junta Comercial do Estado de Mina Gerais. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 671 7 Aqui entendo ser necessária a aplicação do principio do “in dubio pro reu”, e visando que seja mantida a segurança jurídica e observado o que determina observado as determinações constantes do PAF do art. 33 do Decreto nº. 70.235/1972, por isso conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, que preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Porém, ao relevar a ciência da decisão formalizada através do acórdão n° 09 38.873, através do edital nº. 011064061200047, entendo que o prazo para a apresentação do recurso voluntário contra as razões de decidir da 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG, teve inicio em 18/10/2012 (quintafeira) quando a Recorrente recebeu copia integral do presente processo, em meio eletrônico, conforme termo constante das fls. 735 e terminou em 17/11/2012 (sábado) sendo prorrogado para o dia 19/11/2012 (segundafeira). Até a presente data, que perfaz 593 (quinhentos e noventa e três) dias depois da ciência da decisão, não houve qualquer insurreição contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada. Não tenho a menor duvida que a Recorrente diante dos fatos e das datas descritas em 18/10/2012 (quintafeira) teve conhecimento do Acórdão nº 0938.873 proferido pela 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG. Na verdade a RECORENTE não observou que a legislação que rege a forma de promover as intimações é cristalina, conforme podemos constatar no Processo Administrativo Fiscal (Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972), que quando trata de intimação, especificamente no art. 23, com nova redação editada pela Lei n°. 9.532, de 1997, diz: “Art. 23 Farseá a intimação:(...) I – (...) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)”. Ora, não se tem divida que a decisão de 1ª instancia e os demais documentos do processo, entregues em cópia eletrônica a procuradora da Recorrente, mesmo assim não houve a propositura do Recurso Voluntário contestando os argumentos do acórdão n° 09 38.873 exarado pela 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG. Assim, em 19/11/2012 (segunda feira) venceu o prazo sem que a Recorrente tenha apresentado o Recurso Voluntário, configurouse a decadência do direito de recurso, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Assim, conhecer a possibilidade de um novo Recurso Voluntário implicaria grave ofensa aos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10640.723183/201114 Acórdão n.º 1401001.203 S1C4T1 Fl. 672 8 Entendo que a Recorrente não observou que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. Tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe; já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. E, tendo em vista que expirado o prazo para interposição do recurso voluntário sem a sua efetiva apresentação, está, de forma inconteste, caracteriza a desistência do processo administrativo conforme determina os limites e parâmetros insertos no Decreto nº 70.235/1972. Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, nego provimento ao recurso tendo em vista que os pleitos de nova abertura de no prazo para interposição do recurso voluntário ou quitação do valor devido com os benefícios legais, mantendo, pela ausência de razões que fundamentam o recurso, assim fica mantida integralmente a decisão consubstanciada através do acórdão n° 0938.873 exarado pela 2ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG, inclusive quanto aos devedores solidários, estes últimos que nem apresentação impugnação ao auto de infração. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 915DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 12/0 8/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000222/2008-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA.
No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 11/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 11/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 157 1 156 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14751.000222/200818 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.295 – 2ª Turma Sessão de 31 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DIMENSIONAL CONSTRUÇÕES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 02 22 /2 00 8- 18 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 14751.000222/200818 Acórdão n.º 9202003.295 CSRFT2 Fl. 158 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 11/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de autuação decorrente de ação desenvolvida na Dimensional Construções Ltda, CNPJ 09.239.195/000100, onde foram constatadas as seguintes incorreções nos Livros Diário de números 14 a 18 e dos Livros Razão de 2000 a 2003, todos relacionados à obra de construção civil matriculada no cadastro específico do INSS (CEI) sob o n.° 33.940.00865/77: a) Saldo credor na conta CAIXA em 30/11/2000, 02/12/2000, 30/04/2002 e 10/05/2002; b) Total de lançamentos a crédito diferente do total de lançamentos a débito em dezoito datas listadas no Relatório Fiscal, inclusive 10 e 20/12/2002; c) A entrega de apartamento de R$ 51.000,00 (cinqüenta e um mil reais), feita a título de entrada para a aquisição da unidade 501 do Edificio Luiz Felipe não foi contabilizada, nem consta de contrato de compra e venda; d) A nota fiscal n.° 0065, emitida em 08/06/2001 por Pereira e Vasconcelos Ltda. foi superfaturada em R$ 4.618,64. Tais condutas da empresa foram enquadradas como infração prevista no § 3.° do art. 33, da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, o que motivou a lavratura do presente auto de infração (AI), de no. 37.118.5122 – fls. 01 a 07. O Acórdão nº 2.40300.794, da 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 154 a 159), julgado na sessão plenária de 30 de setembro de 2011, por unanimidade de votos, em sede preliminar, declarou a decadência para todas as competências lançadas (a saber, 05/2000 a 12/2002, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 14751.000222/200818 Acórdão n.º 9202003.295 CSRFT2 Fl. 159 3 conforme relatório de fls. 04 e 05), considerando que, uma vez tendo havido recolhimento referente à antecipação da obrigação principal, aplicável também ao presente AI o teor do art. 150 §4o. do CTN. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2002 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência com fulcro no art. 67, inciso II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (fls. 186 a 215), onde propugna pela aplicação do art. 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. Defende inicialmente, quanto à matéria supra, que, à semelhança do entendimento encampado pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdão 20601723, adotado como paradigma), quando se tratar de descumprimento de obrigação acessória dando causa à lançamento de ofício, a regra a ser aplicada é o artigo 173, inciso I, do CTN, visto inexistir possibilidade de antecipação de pagamento nesta hipótese. Ou seja, entende a recorrente que, em se tratando de obrigação acessória descumprida, o crédito tributário decorre de penalidade infligida ao sujeito passivo, mostrando se, assim, óbvia a inviabilidade da ocorrência de qualquer pagamento antecipado de sua parte, já que a quantia devida encontra sua origem no próprio ato emanado da autoridade fiscal quando do lançamento de ofício. Propugna que, nesta hipótese, a possibilidade de promover algum pagamento surge somente depois da conversão da obrigação acessória em principal, em relação à penalidade pecuniária. Antes da atividade de lançamento da multa, nada há a recolher. Ou seja, entende que, no que tange a todas as multas derivadas da inobservância de obrigações acessórias, o instituto de antecipação de pagamento só se afigura compatível, quanto ao cômputo do período decadencial, com a contagem prevista no art. 173, I, do CTN. Propugna, assim, pela reforma do recorrido, de forma a que seja declarada a decadência dos débitos sob análise, aplicandose o art. 173, I do CTN, em detrimento da aplicação do art. 150, §4o do mesmo diploma. Encaminhamse, assim, os autos, agora a esta Câmara Superior para julgamento. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 14751.000222/200818 Acórdão n.º 9202003.295 CSRFT2 Fl. 160 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A propósito, a decadência, no caso de tributos lançados por homologação é questão tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma aqui não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173, em seu inciso I, fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 194DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 14751.000222/200818 Acórdão n.º 9202003.295 CSRFT2 Fl. 161 5 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 195DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 14751.000222/200818 Acórdão n.º 9202003.295 CSRFT2 Fl. 162 6 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento (quando a lei assim o determine) e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, inciso I, nos demais casos. A propósito, verifico que, no caso em questão se está diante de descumprimento de obrigação acessória, que gerou, como conseqüência, a aplicação, pelo Fisco, de multa, através de procedimento de ofício, em linha com o disposto no art. 113 do CTN, convertendose, desta forma, a obrigação de fazer ou não fazer em obrigação principal, ou seja, em obrigação de dar. Alinhome, nesta hipótese, ao entendimento expresso no acórdão trazido pela Fazenda Nacional em sede de seu pleito recursal, que entende que, em se tratando de obrigação acessória descumprida, não vinculada a tributo, geradora de posterior lançamento pela autoridade fazendária, impossível se poder falar em antecipação de pagamento legalmente previsto, decorrendo daí, independentemente de se admitir ser a forma legal de lançamento a de ofício ou por homologação (conforme entende a contribuinte), a necessidade de aplicação do art. 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, considerada na última hipótese a vinculação ao estabelecida no REsp nº 973.733/SC. Especificamente quanto ao caso sob análise, verifico que a aplicação do critério acima não geraria maiores dificuldades caso se estivesse aqui a tratar de exigência exclusivamente oriunda de infrações realizadas até 11/2002, hipótese para a qual se deveria reconhecer como fulminado pela decadência qualquer lançamento efetuado, ainda que se utilizasse a contagem do prazo decadencial defendida pela recorrente, visto que a ciência do lançamento só se deu em 31/03/2008 (fl. 1). Todavia, faço notar que, no caso em questão, ficou devidamente caracterizada a ocorrência de duas infrações no mês de dezembro de 2012 (respectivamente nos dias 10 e 20 de dezembro, conforme fl.4), as quais, notese também, já seriam suficientes para caracterizar a necessidade de tributação do montante aqui lançado a título de multa, caso não caracterizada a extinção do crédito por decadência. A propósito ainda, verifico ter alegado a autoridade de 1a. instância, em seu despacho de fl. 109, que a contagem a ser realizada para fins do cômputo decadencial no âmbito presente feito na forma do referido art. 173, inciso I, deveria se iniciar de 01/01/2004, visto que apenas a partir de 03/01/2003 poderia a obrigação principal decorrente da competência 12/2002 ser lançada pelo Fisco, concluindose ali que “o prazo de decadência aplicável às obrigações acessórias é o mesmo, pois se assim não fosse os dispositivos legais Fl. 196DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 14751.000222/200818 Acórdão n.º 9202003.295 CSRFT2 Fl. 163 7 que instituíram as contribuições seriam letra morta, dado que o Fisco não teria como investigar se os mesmos foram cumpridos”. Entendo, assim, ser esta a aplicação do art. 173, I defendida pela recorrente, de forma a que, em linha com a decisão de primeira instância e o pedido recursal, se julgue procedente o lançamento sob análise, reformandose assim o vergastado. Para as infrações aqui caracterizadas como ocorridas no mês de Dezembro de 2002 (decorrentes de incorreções contábeis de registros efetuados no livro Razão naquele mês de competência), devemos considerar que o prazo regimental, previsto no § 13 do art. 225 do Decreto 3.048, para apresentação da escrituração contábil é de 90 dias. Ora, somente se poderia verificar a ocorrência da infração de erro de escrituração no mês de Dezembro de 2002, em março de 2003. Portanto, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser realizado seria 01/01/2004 ocorrendo a decadência em 01/01/2009. Assim, concluo que, Aplicandose à situação fática o teor do art. 173, I do CTN, com o auto de infração tendo sido cientificado somente em 31/03/2008, o crédito tributário aqui sob análise não se encontrava fulminado pelo efeito decadencial quando de sua constituição. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, com retorno do processo à Câmara a quo, para manifestação sobre o mérito do lançamento. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 197DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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