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6877505 #
Numero do processo: 15374.724303/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 EMBARGOS. OMISSÃO. Embargos acolhidos para sanar a omissão quanto a análise da documentação comprobatória apresentada pela contribuinte, que a decisão deixou de apreciar. CSLL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDOS NEGATIVOS DE CSLL. A contribuinte apresentou nos autos os comprovantes de retenção na fonte de CSLL que atestam o montante declarado na DIPJ entregue no ano-calendário de 2007.
Numero da decisão: 1301-002.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos embargos com efeitos modificativos a fim de reconhecer as retenções sofridas no valor de R$ 4.003.441,75 que compõem o saldo negativo de CSLL apurado pela embargante no AC de 2007, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha que sanavam a omissão sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausente momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca (suplente convocado).
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO

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1301­002.402  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de abril de 2017  Matéria  PER/DCOMP ­ DIVERSOS  Embargante  COBRA TECNOLOGIA S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2007  EMBARGOS. OMISSÃO. Embargos acolhidos para sanar a omissão quanto  a análise da documentação comprobatória apresentada pela contribuinte, que  a decisão deixou de apreciar.  CSLL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDOS NEGATIVOS DE CSLL. A  contribuinte  apresentou  nos  autos  os  comprovantes  de  retenção  na  fonte  de  CSLL que atestam o montante declarado na DIPJ entregue no ano­calendário  de 2007.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  aos embargos com efeitos modificativos a fim de reconhecer as retenções sofridas no valor de  R$ 4.003.441,75 que compõem o saldo negativo de CSLL apurado pela embargante no AC de  2007,  vencidos  os  Conselheiros  Flávio  Franco  Corrêa, Milene  de  Araújo Macedo  e Waldir  Veiga Rocha que sanavam a omissão sem efeitos modificativos.  (assinado digitalmente)  Waldir Veiga Rocha ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha,  Flávio  Franco  Corrêa,  José  Eduardo  Dornelas  Souza,  Roberto  Silva  Junior,  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  Milene  de  Araújo  Macedo,  Amélia  Wakako  Morishita  Yamamoto.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 43 03 /2 00 9- 97 Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 15374.724303/2009­97  Acórdão n.º 1301­002.402  S1­C3T1  Fl. 1.048          2 Ausente  momentaneamente  o  Conselheiro  Gustavo  Guimarães  da  Fonseca  (suplente  convocado).    Relatório  Cuida  o  presente  processo  de  pedido  de  restituição  de  saldo  negativo  de  CSLL relativo ao ano­calendário de 2007, no valor de R$ 4.003.441,75.   A  DRF,  por  meio  de  Despacho  Decisório  ao  analisar  as  informações  prestadas acabou por reconhecer apenas o direito creditório no montante de R$ 3.269.944,96.  A  Embargante  ingressou  com Manifestação  de  Inconformidade,  a  qual  foi  julgada  improcedente  pela  3ª  Turma  de  Julgamento  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento do Rio de Janeiro.  Contra esta decisão, foi interposto Recurso Voluntário, ao qual foi dado, por  unanimidade de votos, provimento parcial ao recurso voluntário, por meio do acórdão n° 1301­ 001.196, conforme ementa abaixo:  "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2007  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  SALDO  NEGATIVO  DE  CSLL.  PROVISÕES INDEDUTÍVEIS.   PROVISÃO PARA PERDAS DE ISS Se a conta assim denominada registra  valores que, na realidade, caracterizam­se como perdas efetivas, não procede a sua  adição para apuração do lucro real.  PROVISÃO  PARA LICENÇA  PRÊMIO Não  constando  entre  as  provisões  expressamente  autorizadas  conforme  inciso  I  do  art.  13  da  lei  nº  9.249/95,  cabe  proceder à adição dos respectivos valores na determinação do lucro real.  PROVISÃO DE CUSTO DE  FORNECEDORES Conta  destinada  a  receber  valores de custos incorridos num ano e faturados pelos fornecedores no ano seguinte  não  tem  a  natureza  de  provisão.  Se  no  curso  do  procedimento  da  diligência  para  averiguar,  mediante  exame  da  escrituração  contábil  e  fiscal,  a  exatidão  do  saldo  negativo  informado,  o  contribuinte  dá  essa  informação  ao  auditor  e  ele  não  a  contesta, descabe exigir a adição.  PERDAS DE INSS Valores retidos e contabilizados como perdas em razão da  impossibilidade de  sua recuperação através da escrita  fiscal não  têm a natureza de  provisão, descabendo promover sua adição com base no inciso I do art. 13 da Lei nº  9.249/95.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO CSLL VALOR DAS RETENÇÕES A glosa de  valores  de  retenção  de  CSLL  deve  ser  mantida  se  não  elidida  por  prova  em  contrário.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 15374.724303/2009­97  Acórdão n.º 1301­002.402  S1­C3T1  Fl. 1.049          3 ACORDAM  os  membros  da  3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Primeira  Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao  recurso para reconhecer crédito adicional e homologar as compensações até o limite  do crédito reconhecido, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator."  Contra  decisão,  a  contribuinte  interpôs  embargos  de  declaração  (955/1038)  para que seja sanada a omissão quanto à análise da Documentação comprobatória das retenções  de CSLL.  Em despacho  às  fls.  1044/1046  os  embargos  foram  admitidos  com  amparo  nas disposições do no artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno.  É o relatório. Passo a decidir.    Voto             Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro ­ Relator  Primeiramente, impende destacar que os embargos de declaração são cabíveis  quando  for  constatada  obscuridade,  omissão  ou  contradição  entre  a  decisão  e  os  seus  fundamentos,  ou  caso  seja  omitido  ponto  sobre  o  qual  deveria  pronunciar­se  a  turma,  nos  termos do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno.   Os embargos de declaração são tempestivos, portanto, deles conheço.  Feitas  essas  considerações  iniciais,  passa­se  à  análise  dos  argumentos  aduzidos pelo Embargante  A  Embargante  alega  que  houve  omissão  no  que  tange  a  análise  da  documentação comprobatória das retenções de CSLL, pois o v. acórdão entendeu que a mesma  nada  trouxe  para  desconstituir  os  valores  apurados  pela  autoridade  administrativa,  conforme  excerto da decisão a seguir:  "A  autoridade  administrativa  da  DERAT  calculou  as  retenções  de  IRF  sofridas  pelo  interessado,  aplicando,  sobre  os  valores  informados  nas  DIRFs,  os  percentuais fixados na Instrução Normativa SRF n° 539, de 25 de abril de 2005, e, a  partir desse resultado, ajustou os valores informados pelo contribuinte em sua DIPJ.  O  contribuinte  nada  trouxe  para  desconstituir  os  valores  apurados  pela  autoridade  administrativa,  limitando­se  a  afirmar,  tanto  na  Manifestação  de  Inconformidade  como no Recurso,  que os  impostos  retidos pelas  fontes pagadoras  em  2007  são  coerentes  com  aqueles  registrados  nos  livros  contábeis,  devendo,  portanto, ser mantido os ajustes efetuados pela decisão recorrida."  Nesse ponto, a Embargante rebate tal alegação, demonstrando que juntou aos  autos,  conforme  fls. 871/924, os comprovantes de  retenção na  fonte da CSLL que atestam o  montante  declarado  na  DIPJ  entregue  no  ano­calendário  de  2007,  conforme  valores  discriminados na tabela abaixo:  Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 15374.724303/2009­97  Acórdão n.º 1301­002.402  S1­C3T1  Fl. 1.050          4   Dessa forma, a embargante demonstrou que apresentou nos autos o conjunto  probatório quanto a parcela do crédito que compõe o saldo negativo de CSLL apurado no ano  de 2007, constatando que a decisão deixou de apreciar os documentos por ela apresentados.  Embora  a  Embargante  tenha  feito  em  momento  posterior  a  Impugnação,  estando sujeita a pena de preclusão, conforme o art. 16 do Decreto nº. 70.235/72, entendo que a  preclusão  processual  deve  ser mitigada  em  virtude  da  busca  pela  verdade material,  tendo  o  julgador o dever de se valer de qualquer prova acostada aos autos para apurar a legalidade da  tributação.  Ante todo o exposto, acolho os embargos e, no mérito, dou­lhes provimento  para  sanar  a  omissão  apontada,  com  efeitos  infringentes,  a  fim  de  reconhecer  as  retenções  realizadas no valor de R$ 4.003.441,75 que compõem o saldo negativo de CSLL apurado pela  Embargante no AC de 2007.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro                           Fl. 1050DF CARF MF

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6964419 #
Numero do processo: 10711.003388/88-52
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 1991
Numero da decisão: CSRF/03-00.042
Decisão: RESOLVEM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos propostos pelo Relator.
Nome do relator: Paulo Affonseca de Barros faria Junior

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6894052 #
Numero do processo: 10830.912072/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.786
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T19:30:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T19:30:43Z; Last-Modified: 2017-08-11T19:30:43Z; dcterms:modified: 2017-08-11T19:30:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T19:30:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T19:30:43Z; meta:save-date: 2017-08-11T19:30:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T19:30:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T19:30:43Z; created: 2017-08-11T19:30:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T19:30:43Z; pdf:charsPerPage: 1798; 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Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito  fiscal,  é  imprescindível  que  o  crédito  tributário  pleiteado  esteja munido  de  certeza  e  liquidez.  No  presente  caso,  não  logrou  o  contribuinte  comprovar  que faria  jus à  imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de  Entidades  Beneficentes  de  Assistência  Social  (CEBAS),  requisito  este  essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei  12.101/2009.   Recurso Voluntário negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri,  Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara  Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen  e Luiz Augusto do Couto Chagas.  Relatório  Trata­se  de  manifestação  de  inconformidade  contra  Despacho  Decisório  eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico ­ PER referente a alegado crédito de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 72 /2 01 2- 24 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912072/2012­24  Acórdão n.º 3301­003.786  S3­C3T1  Fl. 3          2 pagamento  indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de  receita 8301  (PIS –  Folha de Pagamento).  Segundo  o  Despacho  Decisório,  o  DARF  informado  no  PER  foi  integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para  restituição.  Em  sua  manifestação  de  inconformidade  a  interessada  argumentou,  em  resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais,  nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso  III,  art.  145, § 1º,  art.  146,  II,  todos  da Constituição Federal,  e do  art.  14 do CTN. Discorre  sobre  sua  condição  de  imune.  Requer  que  seja  declarada  como  Entidade  Beneficente  de  Assistência Social.   Ao  analisar  o  caso,  a  DRJ  em  Juiz  de  Fora  (MG),  entendeu  por  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  nos  termos  do  Acórdão  09­051.813,  com  base  primordialmente  nos  seguintes  fundamentos:  (i)  a  imunidade  das  contribuições  sociais  está  sujeita  às  exigências  estabelecidas  pela  Lei  12.101/2009;  (ii)  a  Recorrente  não  possui  CEBAS  (Certificação  de Entidades Beneficentes  de Assistência  Social);  (iii)  o  PIS  não  está  abrangido  pela  imunidade  estabelecida  no  art.  195,  §  7º  da  Constituição  Federal;  e  (iv)  a  Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento.   Intimado  da  decisão  e  insatisfeito  com  o  seu  conteúdo,  o  contribuinte  interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que  o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária  das  contribuições  previdenciárias  fixada  pelo  art.  195,  parágrafo  7º  da Constituição  Federal,  conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS,  que  teve  repercussão  geral  reconhecida;  (ii)  que  a  Recorrente  atende  a  todos  os  requisitos  da  Lei  12.101/2009  para  fins  de  usufruto  da  imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre  cada  um  dos  requisitos);  (iii)  que  a  emissão  do CEBAS  é  um  ato  administrativo  vinculado,  constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo  da  imunidade;  (iv)  que  a  emissão  do CEBAS  tem  caráter  declaratório,  sendo­lhe  conferidos  efeitos  retroativos.  Requer,  ao  final,  que  seja  dado  provimento  ao  seu  recurso,  para  fins  de  deferir  o  pedido  de  restituição,  por  se  tratar  de  instituição  imune  às  contribuições  previdenciárias.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3301­003.674, de  27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/2013­33, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301­003.674):  Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912072/2012­24  Acórdão n.º 3301­003.786  S3­C3T1  Fl. 4          3 "O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, portanto, dele conheço.  Consoante  acima  narrado,  trata­se  de  Pedido  de  Restituição  Eletrônico  ­  PER nº 23871.62072.130912.1.2.04­0241 referente a alegado crédito de pagamento indevido  ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador,  efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75.  Como  é  cediço,  para  fins  de  concessão  de  pedido  de  restituição  e/ou  compensação  de  indébito  fiscal,  é  imprescindível  que  o  crédito  tributário  pleiteado  esteja  munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso  concreto  ora  analisado,  portanto,  há  de  se  verificar  se  o  crédito  tributário  alegado  pelo  contribuinte encontra­se revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser  deferido.  Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria  líquido e  certo ao gozo da  imunidade. A DRJ, por  seu  turno, entendeu de  forma diversa, conforme se  extrai da passagem do voto a seguir transcrita:  A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está  prevista nos seguintes dispositivos constitucionais:  Art.  150.  Sem  prejuízo  de  outras  garantias  asseguradas  ao  contribuinte,  é  vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:  [...]  VI ­ instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993)  a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;  b) templos de qualquer culto;  c)  patrimônio,  renda  ou  serviços  dos  partidos  políticos,  inclusive  suas  fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação  e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;  d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.  [...]  Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma  direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:  [...]  §  7º  ­  São  isentas  de  contribuição  para  a  seguridade  social  as  entidades  beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.  A  imunidade  prevista  no  artigo  150  acima  transcrito  é  especifica  para  impostos  não  abrangendo  às  contribuições  sociais.  Portanto,  não  alcança  o  PIS/PASEP –Folha de Salários.  A  imunidade  prevista  no  artigo  195,  §  7º,  é  específica  para  contribuições  para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente  Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912072/2012­24  Acórdão n.º 3301­003.786  S3­C3T1  Fl. 5          4 de  assistência  social  que  atenda  às  exigências  estabelecidas  em  lei,  entre  elas  a  certificação  de  que  trata  a  Lei  12.101/2009,  conforme  dispositivos  transcritos  a  seguir:  Art.  1o A  certificação  das  entidades  beneficentes  de  assistência  social  e  a  isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III ­  do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência  social.  (...)  Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à  isenção do pagamento das contribuições de que  tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº  8.212, de 24 de  julho de 1991, desde que atenda,  cumulativamente, aos  seguintes  requisitos (grifo não original)  Com  base  nos  atos  acima  transcritos,  que  vinculam  este  colegiado  de  1ª  instância  administrativa,  a  contribuinte,  por  não  ser  detentora  do  certificado  de  entidade  beneficente  de  assistência  social,  não  faz  jus  à  imunidade  prevista  no  artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei.  Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão  de  certificados  de  entidade  beneficente  de  assistência  social,  não  tendo  força  vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela  defesa.  De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente  da Assistência  Social,  com  força  substitutiva  do  registro  e  da  certificação de  que  trata  o  art.  21  da  Lei  nº  12.101/2009,  não  pode  ser  atendido  no  âmbito  desse  colegiado.  A  contribuinte  impetrou  o  mandado  de  segurança  nº  2007.61.05.012968­1,  junto à 2ª Vara Federal de Campinas,  que atualmente  tramita no TRF 3º Região,  com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º,  da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN  e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal.  Portanto,  mantida  a  exigência  do  certificado  de  entidade  beneficente  de  assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88.  Concordo  com  a  conclusão  a  que  chegou  a  DRJ  no  trecho  acima,  por  entender  que  não  restou  comprovada  a  certeza  e  liquidez  do  crédito  pleiteado  pelo  contribuinte.   Embora  a  Recorrente  tenha  protocolizado  pedido  de  emissão  do  CEBAS  (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que  este pedido ainda não foi deferido, encontrando­se atualmente na situação de "encaminhado".  E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da  imunidade pleiteada, nos  termos do  que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto  da presente demanda seja líquido e certo. Note­se que o art. 29 da referida lei dispõe que fará  jus à isenção a entidade beneficente certificada.  Ademais,  como  bem  destacou  a DRJ  em  sua  decisão,  a  análise  quanto  ao  atendimento  dos  requisitos  dispostos  na  Lei  n.  12.101/2009  e  a  consequente  concessão  do  Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912072/2012­24  Acórdão n.º 3301­003.786  S3­C3T1  Fl. 6          5 CEBAS  não  é  de  competência  da  Receita  Federal  do  Brasil,  ou  mesmo  deste  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.   Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja  plenamente  vinculado,  e  que  os  seus  efeitos  sejam  declaratórios,  conferindo­lhe  aplicação  retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por  parte da autoridade competente.  Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição  apresentado, por faltar­lhe certeza e liquidez.  De outro norte,  importante ainda que se analise o  segundo  fundamento  da  decisão recorrida, que assim dispôs:  Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da  administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da  Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei.  No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP  –  Folha  de  Salários.  Cabe,  então,  observar  o  disposto  no  art.  13  da  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001:  Art.  13. A  contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na  folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades:  I ­ templos de qualquer culto;  II ­ partidos políticos;  III ­ instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12  da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997;  IV ­  instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as  associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997;  V ­ sindicatos, federações e confederações;  VI ­ serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei;  VII  ­  conselhos  de  fiscalização  de  profissões  regulamentadas;  jurídicas  de  direito  privado,  sem  fins  lucrativos,  reconhecidas  como  entidades  beneficentes de assistência social com a  finalidade de prestação de serviços  nas  áreas  de  assistência  social,  saúde  ou  educação,  e  que  atendam  ao  disposto nesta Lei.  (...)  Art.  21.  A  análise  e  decisão  dos  requerimentos  de  concessão  ou  de  renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência  social  serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios:  I ­ da Saúde, quanto às entidades da área de saúde;  II ­ da Educação, quanto às entidades educacionais; e  VIII  ­  fundações  de  direito  privado  e  fundações  públicas  instituídas  ou  mantidas pelo Poder Público;  IX ­ condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e  Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912072/2012­24  Acórdão n.º 3301­003.786  S3­C3T1  Fl. 7          6 X  ­  a Organização  das Cooperativas Brasileiras  ­ OCB  e  as Organizações  Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de  16 de dezembro de 1971.  [...].” [Grifei].  Por  sua vez, os mencionados arts. 12  e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim  dispõem1:  Art.  12.  Para  efeito  do  disposto  no  art.  150,  inciso  VI,  alínea  "c",  da  Constituição, considera­se imune a instituição de educação ou de assistência  social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque  à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades  do  Estado,  sem  fins  lucrativos.  (Vide  artigos  1º  e  2º  da  Mpv  2.189­49,  de  2001) (Vide Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  §  1º  Não  estão  abrangidos  pela  imunidade  os  rendimentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  em  aplicações  financeiras  de  renda  fixa  ou  de  renda  variável.  §  2º Para  o  gozo  da  imunidade,  as  instituições  a  que  se  refere  este  artigo,  estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos:  [...]  Art.  15.  Consideram­se  isentas  as  instituições  de  caráter  filantrópico,  recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços  para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo  de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº  2158­35, de 2001)  §  1º  A  isenção  a  que  se  refere  este  artigo  aplica­se,  exclusivamente,  em  relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre  o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente.  [...]  § 3º Às instituições isentas aplicam­se as disposições do art. 12, § 2°, alíneas  "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14.  Nesse  sentido,  o  Decreto  nº  4.527,  de  17  de  dezembro  de  2002,  ao  regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins,  devidas pelas pessoas  jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe:  Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as  seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001, art. 13):  [...]  III  ­  instituições  de  educação  e  de  assistência  social  que  preencham  as  condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997;  IV  ­  instituições  de  caráter  filantrópico,  recreativo,  cultural,  científico  e  as  associações,  que  preencham  as  condições  e  requisitos  do  art.  15  da  Lei  nº  9.532, de 1997; [...]  Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912072/2012­24  Acórdão n.º 3301­003.786  S3­C3T1  Fl. 8          7 Art.  46.  As  entidades  relacionadas  no  art.  9º  deste  Decreto  (Constituição  Federal, art. 195, § 7º  ,  e Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001, art. 13,  art. 14, inciso X, e art. 17):  I ­ não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e  [...]  Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep  incidente sobre a  folha de salários  mensal,  das  entidades  relacionadas  no  art.  9º,  corresponde  à  remuneração  paga, devida ou creditada a empregados.  [...].” [Grifei].  Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se  declara  imune  em  razão  da  atividade  por  ela  exercida  (atividades  de  apoio  à  educação  –  exceto  caixas  escolares),  não  há  incidência  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  sobre  o  faturamento.  Entretanto,  é  devida  a  contribuição  para  o  PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP  nº 2.158­35, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no  artigo 150 ou 195 da CF/88.  Assim,  diante  da  ausência  de  certeza  do  crédito  pleiteado,  voto  por  considerar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  ratificando  o  Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida.  Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF  já  pacificou  seu  entendimento  quanto  à  submissão  do  PIS  à  imunidade  tributária  das  contribuições  previdenciárias  fixada  pelo  art.  195,  parágrafo  7º  da  Constituição  Federal,  conforme  acórdão  proferido  no  RE  636.941/RS,  publicado  em  04/04/2014,  que  teve  repercussão geral reconhecida.   Da  análise  do  referido  julgado,  extrai­se  que  o  STF  chegou  à  seguinte  conclusão:  A pessoa  jurídica para  fazer  jus à  imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com  relação às contribuições  sociais, deve atender aos  requisitos previstos nos artigos  9º  e  14, do CTN,  bem  como no  art.  55,  da Lei  nº  8.212/91,  alterada  pelas Lei  nº  9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa  liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.208­5.  As  entidades  beneficentes  de  assistência  social,  como  consequência,  não  se  submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art.  13,  IV,  da  MP  nº  2.158­35/2001,  aplicáveis  somente  àquelas  outras  entidades  (instituições  de  caráter  filantrópico,  recreativo,  cultural  e  científico  e  as  associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e  os  coloquem  à  disposição  do  grupo  de  pessoas  a  que  se  destinam,  sem  fins  lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da  legislação  superveniente  sobre  a  matéria,  posto  não  abarcadas  pela  imunidade  constitucional.  A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º  2.158­35/2001,  às  entidades  que  preenchem  os  requisitos  do  art.  55  da  Lei  nº  8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade  desses  dispositivos  legais,  mas  da  imunidade  em  relação  à  contribuição  ao  PIS  como técnica de interpretação conforme à Constituição.  Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912072/2012­24  Acórdão n.º 3301­003.786  S3­C3T1  Fl. 9          8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social  não  se  submetem ao  regime  tributário  disposto no  art.  13,  IV da MP n.  2.158­35/2001,  por  fazerem  jus  à  imunidade  do  art.  150,  §  7º,  da  CF/88.  E  como  restou  conferida  à  tese  ali  assentada  repercussão  geral  e  eficácia  erga  omnes  e  ex  tunc,  tal  entendimento  deverá  ser  observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in  verbis:  Art.  62.  Fica  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.   §  1º  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo  internacional, lei ou ato normativo:   I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de  2016)   II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:   a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103­A  da Constituição Federal;   b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça,  em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543­B ou 543­C da Lei nº 5.869,  de  1973­  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  na  forma  disciplinada  pela  Administração Tributária;   b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal  de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543­B e 543­C da  Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 ­ Código  de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação  dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)   (...).  §  2º  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática dos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverãoser  reproduzidas pelos  conselheiros no  julgamento dos  recursos no âmbito do CARF.  (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)   Com  base  no  entendimento  do  STF  expresso  no  RE  636.941/RS,  há  de  se  reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido  de  seria  "devida  a  contribuição  para  o  PIS/Pasep  calculada  sobre  a  folha  de  salários,  conforme  definido  no  art.  13  da  MP  nº  2.158­35,  de  2001,  independentemente  de  sua  imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88".  Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do  julgado do STF ao  caso  vertente,  seria  necessário  verificar  se  a  Recorrente  se  enquadra  como  entidade  beneficente  de  assistência  social  e  se  atende  os  requisitos  legais  dispostos  na  legislação  pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS  (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo  da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a  Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912072/2012­24  Acórdão n.º 3301­003.786  S3­C3T1  Fl. 10          9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14  do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009).  É  válido destacar,  inclusive,  que o STF, ao  julgar o RE 636.941/RS  tratou  expressamente  desta  certificação,  concluindo  que  "a  definição  dos  limites  objetivos  ou  materiais,  bem  como  dos  aspectos  subjetivos  ou  formais,  atende  aos  princípios  da  proporcionalidade  e  razoabilidade".  É  o  que  se  infere  da  passagem  a  seguir  transcrita,  extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE:  Pela  análise  da  legislação,  percebe­se  que  se  tem  consagrado  requisitos  específicos  mais  rígidos  para  o  reconhecimento  da  imunidade  das  entidades  de  assistência  social  (art.  195,  §  7º, CF/88),  se  comparados  com os  critérios  para  a  fruição  da  imunidade  dos  impostos  (art.  150,  VI,  c,  CF/88).  Ilustrativamente,  menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente  de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº  8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009.  A  definição  dos  limites  objetivos  ou  materiais,  bem  como  dos  aspectos  subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade,  não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual  seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes.  Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei  ordinária  regulamentar  os  requisitos  e  normas  sobre  a  constituição  e  o  funcionamento  das  entidades  de  educação  ou  assistência  (aspectos  subjetivos  ou  formais).  Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso  Voluntário  interposto  pelo  contribuinte, mantendo o  indeferimento  do  pedido  de  restituição,  conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do  crédito pleiteado."  Da mesma  forma que  ocorreu  no  caso  do  paradigma,  no  presente  processo  não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência  da  Certificação  de  Entidades  Beneficentes  de  Assistência  Social  (CEBAS),  requisito  este  essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima  expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto do Couto Chagas                            Fl. 199DF CARF MF

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Numero do processo: 18470.725702/2014-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Traduz o posicionamento a Súmula-CARF nº 2. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Se o contribuinte não traz em sua impugnação, de forma objetiva, todas as suas razões de defesa e nem mesmo comprova a veracidade de suas alegações, não fica caracterizada a violação ao duplo grau de julgamento preconizado na legislação, pela improcedência da impugnação. NULIDADE. PRORROGAÇÃO DO MPF. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Quando da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, a ausência da ciência por parte do fiscalizado não fere o princípio do devido processo legal, bem como seus corolários: ampla defesa e o contraditório, posto que a oportunidade para se defender adequadamente tem lugar com a apresentação da impugnação. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCESSOS JUDICIAL E CRIMINAL. PROVA ILÍCITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez deferida a quebra dos sigilos fiscal e bancário da autuada, havendo autorização judicial para utilização de documentos apreendidos, bem como autorizado, judicialmente, o compartilhamento de informações extraídas do inquérito policial com a Receita Federal pela autoridade competente, as provas que servirão de fundamento para a autuação são consideradas lícitas, podendo o contribuinte fiscalizado, no seu direito pleno de defesa, se defender administrativamente por meio da impugnação e, posteriormente, pelo recurso voluntário, apresentando qualquer prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo dos fatos colacionados pela autoridade fiscal autuante. NULIDADE. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência apenas é devida quando necessária para a apreciação da matéria litigada. Todavia, sendo prescindível ou impraticável a diligência, deve a autoridade julgadora fundamentar a razão pela qual decide não converter o julgamento em diligência. Ademais, se a interessada não motivar o seu pedido de diligência e nem mesmo formular os quesitos que deseja ter respondidos pelo procedimento requerido, não deve a autoridade julgadora considerar tal pedido como corretamente formulado. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS E INQUÉRITO POLICIAL. SUSPENSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O fato de a autuação basear-se unicamente em inquérito policial não concluído e em processos administrativos que ainda estão pendentes de análise, não implica diretamente na suspensão da tramitação do processo administrativo em análise, posto que a lavratura do auto de infração, bem com de todo o procedimento fiscalizatório não estão vinculados ao andamento de um inquérito policial ou mesmo à existência de outros processos administrativos. A suspensão só será cabível quando a decisão de um processo administrativo for prejudicial ao processo sob análise. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES DA PESSOA JURÍDICA. DOLO COMPROVADO. INCIDÊNCIA. A responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica incide automaticamente quando do cabimento da qualificação da penalidade prevista no artigo 44, inciso I, c/c §1º, da Lei nº 9.430/96 e artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, notadamente quando somado a majoração da multa, também ocorre a utilização de pessoas interpostas e confusão patrimonial entre as empresas do grupo e seus reais proprietários. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. AFASTAMENTO. Mantendo-se a multa qualificada pela confirmação da conduta dolosa e fraudulenta por parte do contribuinte, a análise do prazo decadencial obedecerá o disposto no art. 173, I, do CTN, uma vez que o início da contagem do prazo decadencial deve ser postergada para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado. A alegação de prescrição não merece prosperar diante da apresentação de impugnações e posteriores interposições de recursos voluntários, posto que tais atos interrompem o prazo prescricional. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIA. AFASTADA. Não há que se falar em inconsistência do arbitramento do lucro quando atendidas as exigências previstas no artigo 530, do RIR/99. Desta forma, o lançamento efetuado com base não em meras presunções, mas sim em provas contundentes, como receitas obtidas mediante artifício fraudulento, obtidos em arquivos digitais e documentos apreendidos com autorização judicial, que demonstram a existência de intrincado controle de vendas sem emissão de notas fiscais efetuado à margem da escrituração contábil e fiscal da fiscalizada, não deve sofrer os efeitos da nulidade. OMISSÃO DE RECEITAS COM VENDAS. Solidificado farto conjunto probatório demonstrando e quantificando que o controle das receitas de vendas obtidas pela autuada e por todas as empresas do mesmo grupo econômico se deu sem a emissão de notas fiscais, sendo mantido à margem da escrituração contábil e fiscal da autuada, correto o lançamento emanado pela autoridade fiscal. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONFIGURAÇÃO. A aplicação da multa qualificada, prevista no §1º do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, está intimamente condicionada ao perfazimento das condutas estipuladas nos artigos 71(sonegação), 72 (fraude) e 73(conluio) da Lei nº 4.502/64, ou seja, a qualificação da penalidade exige o dolo em ocultar o fato gerador. Portanto, uma vez demonstrada suficientemente nos autos tal vontade de esquivar-se das obrigações tributárias de forma dolosa e abusiva, correta a cobrança da multa qualificada. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à Taxa Selic. Registre-se, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Mantido o lançamento quanto ao IRPJ em decorrência da omissão de receitas, por força do artigo 24, da Lei nº 9.249/95, os mesmos efeitos da glosa do IRPJ se estenderão ao PIS, a COFINS e a CSLL, se não diferirem dos fatos ou argumentos que ensejaram a cobrança do primeiro imposto.
Numero da decisão: 1402-002.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nas questões atinentes a inconstitucionalidade de lei, e, na parte conhecida: I) rejeitar: i) as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; ii) as arguições de decadência e de prescrição e: iii) o pedido de produção de prova pericial; e: II) no mérito, negar provimento aos recursos voluntários apresentados. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nas questões atinentes a inconstitucionalidade de lei, e, na parte conhecida: I) rejeitar: i) as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; ii) as arguições de decadência e de prescrição e: iii) o pedido de produção de prova pericial; e: II) no mérito, negar provimento aos recursos voluntários apresentados. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Traduz o posicionamento a Súmula-CARF nº 2. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Se o contribuinte não traz em sua impugnação, de forma objetiva, todas as suas razões de defesa e nem mesmo comprova a veracidade de suas alegações, não fica caracterizada a violação ao duplo grau de julgamento preconizado na legislação, pela improcedência da impugnação. NULIDADE. PRORROGAÇÃO DO MPF. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Quando da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, a ausência da ciência por parte do fiscalizado não fere o princípio do devido processo legal, bem como seus corolários: ampla defesa e o contraditório, posto que a oportunidade para se defender adequadamente tem lugar com a apresentação da impugnação. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCESSOS JUDICIAL E CRIMINAL. PROVA ILÍCITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez deferida a quebra dos sigilos fiscal e bancário da autuada, havendo autorização judicial para utilização de documentos apreendidos, bem como autorizado, judicialmente, o compartilhamento de informações extraídas do inquérito policial com a Receita Federal pela autoridade competente, as provas que servirão de fundamento para a autuação são consideradas lícitas, podendo o contribuinte fiscalizado, no seu direito pleno de defesa, se defender administrativamente por meio da impugnação e, posteriormente, pelo recurso voluntário, apresentando qualquer prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo dos fatos colacionados pela autoridade fiscal autuante. NULIDADE. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência apenas é devida quando necessária para a apreciação da matéria litigada. Todavia, sendo prescindível ou impraticável a diligência, deve a autoridade julgadora fundamentar a razão pela qual decide não converter o julgamento em diligência. Ademais, se a interessada não motivar o seu pedido de diligência e nem mesmo formular os quesitos que deseja ter respondidos pelo procedimento requerido, não deve a autoridade julgadora considerar tal pedido como corretamente formulado. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS E INQUÉRITO POLICIAL. SUSPENSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O fato de a autuação basear-se unicamente em inquérito policial não concluído e em processos administrativos que ainda estão pendentes de análise, não implica diretamente na suspensão da tramitação do processo administrativo em análise, posto que a lavratura do auto de infração, bem com de todo o procedimento fiscalizatório não estão vinculados ao andamento de um inquérito policial ou mesmo à existência de outros processos administrativos. A suspensão só será cabível quando a decisão de um processo administrativo for prejudicial ao processo sob análise. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES DA PESSOA JURÍDICA. DOLO COMPROVADO. INCIDÊNCIA. A responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica incide automaticamente quando do cabimento da qualificação da penalidade prevista no artigo 44, inciso I, c/c §1º, da Lei nº 9.430/96 e artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, notadamente quando somado a majoração da multa, também ocorre a utilização de pessoas interpostas e confusão patrimonial entre as empresas do grupo e seus reais proprietários. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. AFASTAMENTO. Mantendo-se a multa qualificada pela confirmação da conduta dolosa e fraudulenta por parte do contribuinte, a análise do prazo decadencial obedecerá o disposto no art. 173, I, do CTN, uma vez que o início da contagem do prazo decadencial deve ser postergada para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado. A alegação de prescrição não merece prosperar diante da apresentação de impugnações e posteriores interposições de recursos voluntários, posto que tais atos interrompem o prazo prescricional. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIA. AFASTADA. Não há que se falar em inconsistência do arbitramento do lucro quando atendidas as exigências previstas no artigo 530, do RIR/99. Desta forma, o lançamento efetuado com base não em meras presunções, mas sim em provas contundentes, como receitas obtidas mediante artifício fraudulento, obtidos em arquivos digitais e documentos apreendidos com autorização judicial, que demonstram a existência de intrincado controle de vendas sem emissão de notas fiscais efetuado à margem da escrituração contábil e fiscal da fiscalizada, não deve sofrer os efeitos da nulidade. OMISSÃO DE RECEITAS COM VENDAS. Solidificado farto conjunto probatório demonstrando e quantificando que o controle das receitas de vendas obtidas pela autuada e por todas as empresas do mesmo grupo econômico se deu sem a emissão de notas fiscais, sendo mantido à margem da escrituração contábil e fiscal da autuada, correto o lançamento emanado pela autoridade fiscal. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONFIGURAÇÃO. A aplicação da multa qualificada, prevista no §1º do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, está intimamente condicionada ao perfazimento das condutas estipuladas nos artigos 71(sonegação), 72 (fraude) e 73(conluio) da Lei nº 4.502/64, ou seja, a qualificação da penalidade exige o dolo em ocultar o fato gerador. Portanto, uma vez demonstrada suficientemente nos autos tal vontade de esquivar-se das obrigações tributárias de forma dolosa e abusiva, correta a cobrança da multa qualificada. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à Taxa Selic. Registre-se, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Mantido o lançamento quanto ao IRPJ em decorrência da omissão de receitas, por força do artigo 24, da Lei nº 9.249/95, os mesmos efeitos da glosa do IRPJ se estenderão ao PIS, a COFINS e a CSLL, se não diferirem dos fatos ou argumentos que ensejaram a cobrança do primeiro imposto.

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1402­002.604  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de junho de 2017  Matéria  IRPJ ­ OMISSÃO DE RECEITAS   Recorrente  RPT DISTRIBUIDORA DE AUTO PEÇAS LTDA. E OUTROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011, 2012  EXAME  DE  CONSTITUCIONALIDADE  DA  LEI  TRIBUTÁRIA.  INCOMPETÊNCIA.   No  âmbito  do  procedimento  administrativo  tributário,  cabe,  tão  somente,  verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei,  sem  emitir  juízo  de  constitucionalidade  das  normas  jurídicas  que  embasam  aquele ato. Traduz o posicionamento a Súmula­CARF nº 2.  NULIDADE  DA  DECISÃO  DE  PRIMEIRO  GRAU.  AUSÊNCIA  DE  ANÁLISE  DE  TODOS  OS  ARGUMENTOS  DE  DEFESA.  NÃO  CONFIGURAÇÃO.  Se o  contribuinte não  traz  em sua  impugnação,  de  forma objetiva,  todas  as  suas  razões  de  defesa  e  nem  mesmo  comprova  a  veracidade  de  suas  alegações,  não  fica  caracterizada  a  violação  ao  duplo  grau  de  julgamento  preconizado na legislação, pela improcedência da impugnação.  NULIDADE. PRORROGAÇÃO DO MPF. CERCEAMENTO DE DEFESA.  NÃO CARACTERIZAÇÃO.  Quando da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, a ausência da  ciência por parte do fiscalizado não fere o princípio do devido processo legal,  bem  como  seus  corolários:  ampla  defesa  e  o  contraditório,  posto  que  a  oportunidade para se defender adequadamente tem lugar com a apresentação  da impugnação.  NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCESSOS JUDICIAL E  CRIMINAL. PROVA ILÍCITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.  Uma vez deferida a quebra dos sigilos fiscal e bancário da autuada, havendo  autorização  judicial  para  utilização  de  documentos  apreendidos,  bem  como  autorizado,  judicialmente,  o  compartilhamento  de  informações  extraídas  do  inquérito  policial  com  a  Receita  Federal  pela  autoridade  competente,  as     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 57 02 /2 01 4- 32 Fl. 66629DF CARF MF     2 provas que servirão de fundamento para a autuação são consideradas lícitas,  podendo  o  contribuinte  fiscalizado,  no  seu  direito  pleno  de  defesa,  se  defender  administrativamente  por  meio  da  impugnação  e,  posteriormente,  pelo recurso voluntário, apresentando qualquer prova quanto à existência de  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo  dos  fatos  colacionados  pela  autoridade fiscal autuante.   NULIDADE.  CONVERSÃO  DO  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA.  DESNECESSIDADE. PRESCINDIBILIDADE.   A conversão do julgamento em diligência apenas é devida quando necessária  para  a  apreciação  da  matéria  litigada.  Todavia,  sendo  prescindível  ou  impraticável  a  diligência,  deve  a  autoridade  julgadora  fundamentar  a  razão  pela  qual  decide  não  converter  o  julgamento  em  diligência.  Ademais,  se  a  interessada não motivar o seu pedido de diligência e nem mesmo formular os  quesitos que deseja ter respondidos pelo procedimento requerido, não deve a  autoridade julgadora considerar tal pedido como corretamente formulado.  CONCOMITÂNCIA  ENTRE  PROCESSOS  ADMINISTRATIVOS  E  INQUÉRITO POLICIAL. SUSPENSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.  O  fato  de  a  autuação  basear­se  unicamente  em  inquérito  policial  não  concluído  e  em  processos  administrativos  que  ainda  estão  pendentes  de  análise,  não  implica  diretamente  na  suspensão  da  tramitação  do  processo  administrativo  em  análise,  posto  que  a  lavratura  do  auto  de  infração,  bem  com  de  todo  o  procedimento  fiscalizatório  não  estão  vinculados  ao  andamento  de  um  inquérito  policial  ou  mesmo  à  existência  de  outros  processos administrativos. A suspensão só será cabível quando a decisão de  um processo administrativo for prejudicial ao processo sob análise.   RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  DOS  ADMINISTRADORES  DA  PESSOA JURÍDICA. DOLO COMPROVADO. INCIDÊNCIA.  A  responsabilidade  tributária  dos  administradores  da  pessoa  jurídica  incide  automaticamente  quando  do  cabimento  da  qualificação  da  penalidade  prevista no artigo 44, inciso I, c/c §1º, da Lei nº 9.430/96 e artigos 71, 72 e  73, da Lei nº 4.502/64, notadamente quando somado a majoração da multa,  também  ocorre  a  utilização  de  pessoas  interpostas  e  confusão  patrimonial  entre as empresas do grupo e seus reais proprietários.  DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. AFASTAMENTO.  Mantendo­se  a  multa  qualificada  pela  confirmação  da  conduta  dolosa  e  fraudulenta  por  parte  do  contribuinte,  a  análise  do  prazo  decadencial  obedecerá  o  disposto  no  art.  173,  I,  do  CTN,  uma  vez  que  o  início  da  contagem do prazo decadencial  deve ser postergada para o primeiro dia  do  exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado. A alegação  de prescrição não merece prosperar diante da apresentação de impugnações e  posteriores  interposições  de  recursos  voluntários,  posto  que  tais  atos  interrompem o prazo prescricional.  LUCRO  ARBITRADO.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  ALEGAÇÃO  DE  INCONSISTÊNCIA. AFASTADA.  Não  há  que  se  falar  em  inconsistência  do  arbitramento  do  lucro  quando  atendidas  as  exigências  previstas no  artigo 530,  do RIR/99. Desta  forma, o  lançamento efetuado com base não em meras presunções, mas sim em provas  contundentes,  como  receitas  obtidas mediante  artifício  fraudulento,  obtidos  Fl. 66630DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.630          3 em arquivos digitais e documentos apreendidos com autorização judicial, que  demonstram  a  existência  de  intrincado  controle  de  vendas  sem  emissão  de  notas  fiscais  efetuado  à  margem  da  escrituração  contábil  e  fiscal  da  fiscalizada, não deve sofrer os efeitos da nulidade.   OMISSÃO DE RECEITAS COM VENDAS.   Solidificado  farto  conjunto  probatório  demonstrando  e  quantificando  que  o  controle das receitas de vendas obtidas pela autuada e por todas as empresas  do mesmo  grupo  econômico  se  deu  sem  a  emissão  de  notas  fiscais,  sendo  mantido  à  margem  da  escrituração  contábil  e  fiscal  da  autuada,  correto  o  lançamento emanado pela autoridade fiscal.  MULTA  QUALIFICADA.  DOLO.  SONEGAÇÃO.  FRAUDE.  CONFIGURAÇÃO.   A  aplicação  da  multa  qualificada,  prevista  no  §1º  do  artigo  44,  da  Lei  nº  9.430/96,  está  intimamente  condicionada  ao  perfazimento  das  condutas  estipuladas  nos  artigos  71(sonegação),  72  (fraude)  e  73(conluio)  da  Lei  nº  4.502/64, ou seja, a qualificação da penalidade exige o dolo em ocultar o fato  gerador.  Portanto,  uma  vez  demonstrada  suficientemente  nos  autos  tal  vontade de esquivar­se das obrigações tributárias de forma dolosa e abusiva,  correta a cobrança da multa qualificada.  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.   A  obrigação  tributária  principal  compreende  o  tributo  e  multa  de  ofício  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  ofício,  incidem juros de mora, devidos à Taxa Selic. Registre­se, ainda, que  tal  fato  não  decorre  da  autuação,  mas  sim  do  vencimento  da  multa,  por  ocasião  do  não  pagamento  voluntário  do  valor  resultante  deste  auto  de  infração,  no  seu  respectivo  vencimento,  momento  em  que  se  iniciará  o  computo de juros sobre a multa.  AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.  Mantido  o  lançamento  quanto  ao  IRPJ  em  decorrência  da  omissão  de  receitas,  por  força  do  artigo  24,  da  Lei  nº  9.249/95,  os mesmos  efeitos  da  glosa do IRPJ se estenderão ao PIS, a COFINS e a CSLL, se não diferirem  dos fatos ou argumentos que ensejaram a cobrança do primeiro imposto.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  por unanimidade de votos, não conhecer  do  recurso  voluntário  nas  questões  atinentes  a  inconstitucionalidade  de  lei,  e,  na  parte  conhecida:  I)  rejeitar:  i)  as preliminares de nulidade do  lançamento e da decisão de primeira  instância; ii) as arguições de decadência e de prescrição e: iii) o pedido de produção de prova  pericial; e: II) no mérito, negar provimento aos recursos voluntários apresentados.    (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente.   Fl. 66631DF CARF MF     4 (assinado digitalmente)  Demetrius Nichele Macei ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Mateus  Ciccone,  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Marco  Rogério  Borges,  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves,  Evandro  Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Demetrius  Nichele  Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).  Fl. 66632DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.631          5   Relatório  Adoto a seguir, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação  nº 12­79.223, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJO, em 14 de janeiro de 2016.  "Trata  o  presente  processo  do  auto  de  infração  de  fls.  65.113  a  65.244,  lavrado pela DRF/MGA, no qual consta a exigência de:   ­ Imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 20.949.043,13,  somados  a multa  de  ofício  qualificada,  no  percentual  de  150%,  e  juros  de  mora;   ­  Contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido  –  CSLL,  no  valor  de  R$  9.424.162,43, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%,  e juros de mora;   ­ Contribuição para o financiamento da seguridade social ­ COFINS, no valor  de R$ 18.357.977,36, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de  150%, e juros de mora; e   ­ Contribuição para o PIS/PASEP no valor de R$ 3.977.561,77,  somados  a  multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora.     De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 65.121 a  65.128 e do  termo de verificação  fiscal  de  fls.  65.247 a 65.696, os  lançamentos  se devem a  apuração  da  omissão  de  receitas  da  atividade  referentes  à  revenda  de  mercadorias,  com  arbitramento  do  lucro  com  base  na  receita  conhecida,  por  ter  a  contribuinte  optado  indevidamente pela apuração com base no lucro presumido, bem como por ser a escrituração  apresentada  e  mantida  pelo  contribuinte  imprestável  para  a  determinação  do  lucro  real  em  virtude de erros e fraudes apuradas.   Segundo a autoridade fiscal, o procedimento fiscal decorreu do resultado da  operação “Laranja Mecânica”, deflagrada em 17/11/2012, fruto da parceria entre o Ministério  Público  Federal,  Polícia  Federal  e  Receita  Federal,  na  qual  foram  cumpridos  mandados  de  busca  e  apreensão  nos  estados  do  Paraná  (Maringá  e  Curitiba),  São  Paulo  (Guarulhos),  Rio  Grande  do Sul  (Caxias  do Sul)  e Mato Grosso  do Sul  (Campo Grande  e  Iguatemi),  no  qual  apurou­se,  por  meio  de  vasta  documentação  e  arquivos  magnéticos  apreendidos  com  autorização  da  justiça  federal,  a  existência  de  uma  rede  intrincada  de  empresas  atuando  no  ramo  de  comercialização  de  autopeças,  denominada Rede  Presidente,  do  qual  a  autuada  faz  parte,  constituídas  por  interpostas  pessoas,  porém  administradas  de  fato  por  integrantes  da  família Tolardo.   Com base em documentação e em arquivos magnéticos apreendidos teria sido  possível  apurar  que  as  receitas  brutas  efetivas  da  fiscalizada  nos  anos­calendário  de  2009,  2010,  2011  e  2012,  este  último  apurado  até  setembro,  foi,  respectivamente,  de  R$  203.771.895,18,  R$  216.672.772,65,  R$  260.232.962,69  e  R$  213.044.986,08,  sendo  Fl. 66633DF CARF MF     6 calculados  o montante  de  IRPJ  e CSLL  devidos,  com  base  no  lucro  arbitrado,  e  abatido  os  tributos já declarados pela autuada em DIPJ e DCTF, na modalidade do lucro presumido.  Tendo em vista que a autuada teria se utilizado de elaborada sistemática de  vendas sem emissão de notas fiscais, às quais não foram declaradas à RFB, omitindo, portanto,  parcela relevante de suas vendas mediante intricado sistema mantido a margem de sua escrita  contábil e fiscal, bem como a apuração de que sociedade teria sido constituída por sócios sem  capacidade  econômica,  mediante  falsificação  de  diversos  documentos  e  assinaturas,  foi  aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, pela prática de sonegação fiscal e fraude,  segundo  a  definição  contida  nos  incisos  I  e  II  do  art.  71  e  art.  72  da  Lei  nº  4.502/64,  com  fundamento no § 1º, do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430/96.   Em decorrência da  comprovação  inequívoca de  que os  reais proprietários  e  administradores  da  fiscalizada  seriam  os  integrantes  da  família  Tolardo,  foram  nomeados  sujeitos  passivo  solidários  mediante  lavratura  dos  competentes  termos  de  sujeição  passiva  solidária, com base no art 124,  inciso I, e art 135,  inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código  Tributário Nacional), as seguintes pessoas físicas:  Íris da Silva Tolardo, CPF 958.804.969­53;   Róbson Marcelo Tolardo, CPF 623.843.849­53;   Rogério Marcio Tolardo, CPF 723.045.539­15;   Samuel Tolardo Junior, CPF 121.023.838­14;   Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, CPF 828.784.559­91.   Cientificada  da  autuação  em  12/12/2014,  conforme  AR  de  fl.  65.924,  a  interessada apresentou em 21/01/2015 a impugnação de fls. 66.165 a 66.248, na qual alega, em  síntese, a tempestividade, e:   1) nulidade do  lançamento,  ante  a ausência de  cientificação da prorrogação  do Mandado de Procedimento Fiscal, o que afrontaria o principio do devido processo legal e  culminaria no violação de seu direito de ampla defesa e de contraditório, que se iniciaria com a  chegada do fiscal nas dependências da empresa;   2) a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa, uma vez que  houve  a  desconsideração  de  uma  série  de  documentos  apresentados  a  fiscalização,  comprobatórios de todas as operações realizadas, sem que a autoridade fiscal indicasse a base  legal  para  tanto  e  especificar  detidamente  os motivos  pelos  quais  os  documentos  não  foram  aceitos. Além disso, foi requerido prazo para apresentação de documentos, em vista que estes  dependiam de terceiros, prazo não acatado pelo auditor­fiscal.;   3) nulidade do lançamento em razão da ilegitimidade passiva da autuada e da  utilização de provas ilícitas, extraídas de inquérito policial, no qual não houve contraditório e  ampla  defesa,  sem  autorização  judicial  para  utilização  das  mesmas,  não  sendo  por  isso  admissível a prova emprestada;   4)  nulidade  por  inobservância  dos  requisitos  para  o  lançamento,  pela  impossibilidade de utilização de presunção de ocorrência de infrações, pela impossibilidade de  consideração dos  integrantes da sociedade  impugnante como  laranjas,  ante a  impossibilidade  de  desconsideração  de  negócios  jurídicos  pela  autoridade  fiscal,  e  por  falta  de motivação  e  fundamentação da autuação;  Fl. 66634DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.632          7 5)  nulidade  pela  violação  aos  princípios  informadores  do  processo,  especialmente do devido processo legal e da ampla defesa, posto que a autuação teria sido feita  com base em meras suposições e presunções, com total ausência de provas que consubstanciem  as  alegações  da  autoridade  autuante,  uma  vez  que  o  ônus  de  provar  a  ocorrência  do  fato  gerador dos tributos lançados e a responsabilidade pela obrigação tributária é do Fisco;   6)  que  os  atos  societários  praticados  pela  impugnante  são  perfeitamente  válidos  e  produzem  efeitos  no  ordenamento  jurídico,  o  que  afastaria  em  absoluto  a  consideração de que seus sócios seriam “laranjas”, inexistindo qualquer indício de falsidade ou  de simulação, resultando na nulidade da autuação;   7)  também  seria  nulo  todo  o  procedimento  fiscal,  ante  a  ausência  de  devolução  dos  documentos  fiscais  após  o  encerramento  da  fiscalização,  por  violação  aos  princípios do devido processo legal e do contraditório;   8) a decadência do crédito tributário lançado;   9) insurge­se contra o arbitramento do lucro, uma vez que a suposta ausência  de  verificação  de movimentação  financeira  e  bancária não  é  capaz  de  tornar  a  contabilidade  imprestável,  sendo possível,  de  fato,  com os  elementos que dispunha a  fiscalização apurar o  lucro da autuada;   10)  nega  a  omissão  de  receitas  e  considera,  por  consequência,  a  tributação  reflexa de CSLL, PIS, COFINS e de Contribuição Previdenciária indevida;   11) a  inexistência de dolo,  fraude ou simulação, uma vez que todos os atos  societários  e  contábeis  praticados  foram  legais  e  estavam  amparados  pela  legislação  correspondente, o que não pode ensejar a qualificação da multa aplicada, evocando a seu favor  o princípio da interpretação mais benéfica, prevista no art. 112, do CTN;   12) na formação da base de cálculo dos  tributos pretensamente devidos não  teriam sido deduzidos os recolhimentos efetuados e teriam sidos desconsiderados os efeitos da  não cumulatividade prevista em lei;   13)  insurge­se  contra  o  caráter  confiscatório  da  multa  aplicada,  ante  os  princípios constitucionais da capacidade econômica do contribuinte  e a vedação ao  confisco,  previstos nos arts. 145, § 1º e 150, IV da CF/88;   14)  pleiteia  o  afastamento  dos  juros  incidentes  sobre  a  multa  de  ofício  proporcional, ante a ausência de previsão legal;   15) a ausência de solidariedade por empresas autônomas.   Requereu a realização de diligência para comprovação da regularidade de sua  escrita fiscal, a produção de prova pericial para apuração da veracidade das provas coletadas na  operação  "Laranja  Mecânica",  as  quais  alega  não  ter  tido  acesso,  formalizando  quesitos  e  indicando seu assistente técnico.   Requereu,  ainda,  a  suspensão  do  processo  até  a  conclusão  do  inquérito  judicial,  e  até  o  julgamento  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  de  5  ações  de  diretas  de  Fl. 66635DF CARF MF     8 inconstitucionalidade sobre  a quebra de  sigilo bancário  efetuado diretamente pela  autoridade  administrativa, com fulcro na Lei Complementar n° 105.  Por fim, requereu preliminarmente o cancelamento integral da exigência, em  face  das  nulidades  argüidas,  e  que  seja  acatada  as  questões  de  mérito  desconstituindo  os  créditos tributários exigidos.   Cientificados  da  autuação  e  dos  termos  de  sujeição  passiva  em  10/12/2014  conforme AR de fls. 65.937, 65.925, 65.939 e 65.927, Rogério Marcio Tolardo,  Íris da Silva  Tolardo,  Samuel  Tolardo  Júnior,  e  Jeane  Cristine  Tolardo  Dalle  Ore  apresentaram  em  07/01/2014 as impugnações de fls. 65.942 a 65.993, 65.997 a 66.048, 66.052 a 66.103 e 66.110  a 66.161, respectivamente, nas quais alegam, em apertada síntese, a tempestividade e:   1) a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal;   2) a ausência de intimação pessoal, considerando nula a efetuada através dos  correios;   3) cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao  inteiro teor dos autos apesar de requerido;   4)  a  ilegitimidade  passiva  dos  impugnantes,  ante  a  ausência  de  prova  do  vinculo entre estes e a empresa autuada,  e  tendo em vista a  impossibilidade de utilização de  prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à  ampla defesa;   5) a falta de motivação e fundamentação da autuação;   6)  a  incompetência  legal  da  autoridade  fiscal  para  desconsiderar  a  personalidade  jurídica  da  empresa  e  atribuir  a  responsabilidade  objetiva  e  solidária  aos  impugnantes;   7)  a  ilicitude das provas utilizadas,  tendo em vista que a ordem de busca  e  apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente;   8)  pugna  pela  necessidade  de  suspensão  do  processo  administrativo  fiscal  para  aguardar  o  julgamento  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  de  cinco  Ações  Diretas  de  Inconstitucionalidade,  que  questionam  a  constitucionalidade  da  quebra  do  sigilo  fiscal  diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105;   9) a ausência de responsabilidade dos impugnantes, uma vez que não seriam  sócios  ou  administradores  da  autuada,  nem  teriam  interesse  comum  no  fato  gerador  da  obrigação tributária, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica;   10) a decadência dos créditos tributários lançados;   11)  pleiteiam  a  exclusão  ou  redução  da  multa,  uma  vez  que  a  responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo  em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do  lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório;   12)  a  inaplicabilidade  da  correção  da  multa  com  base  na  taxa  Selic,  por  ausência de previsão legal;  Fl. 66636DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.633          9 Por fim, requereram a produção de prova pericial, oral e a  juntada posterior  de documentos, bem como que fosse julgada improcedente a exigência fiscal.   Cientificado  da  autuação  e  do  termo  de  sujeição  passiva  em  11/12/2014,  conforme AR de fls. 65.932, Robson Marcelo Tolardo não apresentou impugnação."  Passo, agora, a complementar o relatório que foi acima colacionado.  Dá apreciação das 5 impugnações, assim decidiu a 5ª Turma da DRJ/RJO:    "Acordam  os  membros  da  5ª  Turma  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado:   1)  NEGAR  PROVIMENTO  A  IMPUGNAÇÃO  DA  AUTUADA,  MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO lançado de:   ­ Imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 20.949.043,13,  somados  a multa  de  ofício  qualificada,  no  percentual  de  150%,  e  juros  de  mora;   ­  Contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido  –  CSLL,  no  valor  de  R$  9.424.162,43, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%,  e juros de mora;   ­ Contribuição para o financiamento da seguridade social ­ COFINS, no valor  de R$ 18.357.977,36, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de  150%, e juros de mora; e   ­ Contribuição para o PIS/PASEP no valor de R$ 3.977.561,77,  somados  a  multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora.   2)  NEGAR  PROVIMENTO  AS  IMPUGNAÇÕES,  MANTENDO  a  imputação de responsabilidade solidária atribuída pela autoridade fiscal a:   ­ ÍRIS DA SILVA TOLARDO, CPF 958.804.969­53;   ­ ROBSON MARCELO TOLARDO, CPF 623.843.849­53;   ­ ROGÉRIO MARCIO TOLARDO, CPF 723.045.539­15;   ­ SAMUEL TOLARDO JUNIOR, CPF 121.023.838­14;   ­ JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, CPF 828.784.559­91."    A referida decisão restou assim ementada:    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2009, 2010, 2011, 2012   AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.   Fl. 66637DF CARF MF     10 Somente  ensejam  a  nulidade  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.   DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  FRAUDE,  DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA.   Começa  a  fluir  o  prazo  decadencial  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento  por  homologação,  quando  comprovada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação.   SOLIDARIEDADE  TRIBUTÁRIA.  SÓCIOS­GERENTES  E  ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM.   São  solidariamente  obrigadas  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal,  decorrente  de  atos praticados com infração de lei.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2009, 2010, 2011, 2012   ARBITRAMENTO DO  LUCRO. NEGATIVA DE APRESENTAÇÃO DE  LIVROS  COMERCIAIS  E  FISCAIS  PELA  PESSOA  JURÍDICA.  CABIMENTO.   A  lei  autoriza  o  Fisco  a  fixar  os  lucros  tributáveis, mediante  arbitramento,  quando falte a documentação comprobatória da escrita contábil, situação que  alcança a hipótese de ela não  ter sido apresentada pela pessoa  jurídica após  regular intimação para fazê­lo.   ARBITRAMENTO  DO  LUCRO.  OPÇÃO  INDEVIDA  PELA  TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. CABIMENTO.   Caracteriza  hipótese  de  arbitramento  do  lucro  a  opção  indevida  pela  tributação com base no lucro presumido.   ARBITRAMENTO  DO  LUCRO.  ESCRITURAÇÃO.  INDÍCIOS  DE  FRAUDE. CABIMENTO   Caracteriza hipótese de arbitramento a escrituração elaborada com evidentes  indícios de fraude.   OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM  DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO.   Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota  fiscal,  com  registro  das  receitas  auferidas  efetuado  pelo  contribuinte  e  mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal.   MULTA  QUALIFICADA.  INTERPOSIÇÃO  DE  PESSOAS.  SONEGAÇÃO. CABIMENTO.   É  cabível  a qualificação da multa no  caso de  sonegação,  caracterizada pela  utilização  de  interpostas  pessoas,  de  modo  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  tributária  das  condições  pessoais  do  contribuinte,  suscetíveis  de  afetar  a  obrigação  tributaria principal ou o credito tributário correspondente.   MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO.   Fl. 66638DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.634          11 É  cabível  a  qualificação  da  multa  no  caso  de  fraude,  caracterizada  pela  utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas  fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal.   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  ­  CSLL   Ano­calendário: 2009, 2010, 2011, 2012   TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.   Aplica­se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência  matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.    Inconformados  com  a  improcedência  de  suas  impugnações  os  fiscalizados  Iris,  Jeane  e  Samuel,  além  da  pessoa  jurídica,  recorrerem  a  este  Conselho,  repisando  seus  argumentos, exceto pela nova alegação de incompetência da autoridade que prolatou a decisão,  apresentada pelas pessoas físicas fiscalizadas.   Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN.  É o relatório.  Fl. 66639DF CARF MF     12   Voto             Conselheiro Demetrius Nichele Macei ­ Relator  Os  recursos  são  tempestivos  e  atendem  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, razão pela qual, deles conheço, exceto quanto às questões atinentes a confisco  e a inconstitucionalidade de lei, conforme se abordará oportunamente.    Saliento,  ainda,  que  o  responsável  solidário Róbson Marcelo Tolardo, CPF  623.843.849­53, não apresentou impugnação, nem recurso voluntário e o responsável solidário  Rogério  Marcio  Tolardo,  CPF  723.045.539­15,  embora  tenha  apresentado  impugnação,  também não apresentou recurso voluntário.    Tratando­se de argumentos  idênticos em todas as peças  recursais, o voto os  tratará de forma conjunta.     Em síntese,  as questões  preliminar  e de mérito postas pelo  contribuinte  em  seu  recurso  voluntário  cingem­se  à  (i)  preterição  do  direito  de  defesa  (negativa  de  perícia  técnica e diligências);  (ii)  ilegalidade da adição,  à base de cálculo do  IRPJ e CSLL de  juros  sobre  tributos  com  exigibilidade  suspensa  por  inexistência  de  norma;  e,  (iii)  inexistência  de  exclusão indevida relacionada a reversão de provisão adicionada em outro período.    Antes  de  adentrar  ao  mérito  propriamente  dito,  seguindo,  na  ordem,  os  argumentos  dispostos  pelo  contribuinte  e  responsáveis  solidários  em  seus  Recursos  Voluntários, passo à análise das preliminares suscitadas, conforme segue mais adiante.    Antes ainda, me parece crucial salientar, para a formação do convencimento  dos ilustres colegas desta Turma Julgadora, que a operação policial que deu origem ao presente  auto  de  infração  (denominada  "Laranja Mecânica"),  deu  igualmente  origem  a  outros  tantos  autos  de  infração  à  empresas  envolvidas  num  conglomerado  corporativo  do  ramo  de  Auto  Peças  denominado  "REDE PRESIDENTE",  sempre  envolvendo  as mesmas  pessoas  físicas  ­  diga­se.    Um desses autos de infração (A.P.E AUTO PEÇAS LTDA. E OUTROS), foi  julgado por esta Turma em 11 de abril de 2017 e, portanto, há menos de 03 meses da sessão de  hoje, por meio do acórdão nr. 1402­002.462, na lavra do Conselheiro Fernando Brasil que, com  sua  habitual  profundidade  e  detalhamento,  nos  levou  à  decidir  pela  total  improcedência  dos  Recursos Voluntários lá interpostos.    Além de tratar precisamente da mesma operação, os fatos e argumentos são  bastante  semelhantes  aos  aqui  versados  e  serviram,  inclusive,  de  referência  segura  para  diversos dos fundamentos proferidos no meu voto.    Veja­se a ementa do precedente mencionado:    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011, 2012  Fl. 66640DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.635          13 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  Somente  ensejam  a  nulidade  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  DECADÊNCIA.  PRÁTICA  DE  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  INÍCIO  DA  CONTAGEM  DO  PRAZO.  PRECEDENTE  DO  STJ  NO  RECURSO ESPECIAL N° 973.733/SC.  A  ausência  de  pagamento  antecipado,  ou  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata  o  §  4º  do  art.  150  do Código Tributário Nacional  e  remete  a  contagem  do  prazo decadencial  para  a  regra geral  prevista no  art.  173,  inc.  I,  do mesmo  diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ no Recurso Especial  n° 973.733/SC julgado nos termos do art. 543­C do CPC/1973 o que implica,  em razão do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do  CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, vinculação dos membros deste  Colegiado à tese vencedora no âmbito do STJ.  PRESCRIÇÃO.  APRESENTAÇÃO  DE  IMPUGNAÇÃO  E  RECURSO  VOLUNTÁRIO. INTERRUPÇÃO.  A  contagem  do  prazo  prescricional  inicia­se  a  partir  da  ciência  do  lançamento,  sendo  interrompido  com  a  apresentação  de  impugnação  e  de  recurso voluntário.  SUJEIÇÃO PASSIVA. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE  ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135,  III, DO CTN. POSSIBILIDADE.  A  cominação  da  penalidade  qualificada  baseada  em  conduta  dolosa  que  denote  sonegação,  fraude  ou  conluio  com  repercussões,  em  tese,  na  esfera  criminal, ensejam a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica  à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão.  SUJEIÇÃO  PASSIVA.  INTERPOSIÇÃO  DE  PESSOAS.  CONFUSÃO  PATRIMONIAL  ENTRE  SÓCIOS  DE  FATO  E  PESSOA  JURÍDICA  AUTUADA.  Constatado  que  os  proprietários  de  fato  da  autuada  não  constam  em  seu  quadro  societário,  aliado  à  confusão  patrimonial  entre  esses  e  a  pessoa  jurídica  autuada,  implica  reconhecer  o  interesse  comum  a  que  alude  o  art.  124,  I,  do CTN,  implicando  a  imputação  de  responsabilidade  tributária  aos  titulares de fato da pessoa jurídica.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.   A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.   Fl. 66641DF CARF MF     14 A  obrigação  tributária  principal  compreende  tributo  e  multa  de  oficio  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio,  incidem  juros  de mora,  devidos  à  taxa  SELIC.  Precedentes  das  três  turmas da Câmara Superior ­ Acórdãos 9101­001.863, 9202­003.150 e 9303­ 002.400.  Precedentes  do  STJ  ­  AgRg  no  REsp  1.335.688­PR,  REsp  1.492.246­RS e REsp 1.510.603­CE.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011, 2012  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM  DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO.  Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota  fiscal,  com  registro  das  receitas  auferidas  efetuado  pelo  contribuinte  e  mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal.  MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO.  É  cabível  a  qualificação  da  multa  no  caso  de  fraude,  caracterizada  pela  utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas  fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal.  LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS  A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica­se, no que couber,  aos  lançamentos  reflexos quando não houver  fatos ou argumentos a ensejar  decisão diversa.    Passo então à análise das preliminares argüidas no presente processo.     1.  Nulidade da decisão de primeiro grau    A  questão  de  nulidade,  arguida  pelo  contribuinte  neste  tópico,  cinge­se  à  necessidade  do  Julgador  referir­se,  expressamente,  às  razões  de  defesa  suscitadas  em  impugnação.    Segundo a Recorrente, não teriam sido analisados diversos pontos trazidos  em impugnação, certamente com o intuito de proporcionar celeridade ao PAF, afirmando que  uma  simples  leitura  da  impugnação  e  da  decisão  em  primeiro  grau  permitiria  vislumbrar  a  contradição  entre  ambas,  requerendo,  por  conseguinte,  novo  julgamento  para  a  impugnação  apresentada, de tal forma a assegurar o duplo grau de julgamento preconizado na legislação.    Era  dever  da  Recorrente  apontar,  de  forma  objetiva,  as  razões  de  defesa  apresentadas  em  impugnação  que  não  teriam  sido  consideradas  pela  DRJ  por  ocasião  do  julgamento em primeira isntância administrativa, provando a veracidade de sua afirmação (art.  36, da Lei nº 9.784/99).     Independentemente  de  não  o  ter  feito,  a  r.  decisão  recorrida,  de  forma  objetiva e no intuito de afastar quaisquer dúvidas quanto ao correto procedimento por ocasião  da fiscalização e lavratura dos autos de infração, confirmou, de forma peremptória, que “o auto  de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no  art. 142, do Código Tributário Nacional (CTN), e art. 10, do Decreto nº 70.235, de 6 de março  de 1972 (PAF), não se enquadrando em nenhuma das hipóteses de nulidades previstas no art.  59,  do  PAF”,  não  se  justificando,  portanto,  a  devolução  para  novo  julgamento  em  primeira  instância.  Fl. 66642DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.636          15   2.  Nulidade – prorrogação indevida do MPF    Argui a Recorrente que o MPF que deu início a fiscalização em 27.02.2014  foi alterado e prorrogado sem a devida e necessária cientificação da Recorrente, em afronta ao  art. 11 da Portaria RFB nº 3.014, de 29.06.2011 c/c o art. 33, § 3º do Decreto 7.574/11.    Como bem posto na decisão recorrida, o “Mandado de Procedimento Fiscal  é documento de controle administrativo destinado ao planejamento das ações fiscais por parte  da  administração  tributária.  A  sua  eventual  ausência,  ou  a  ausência  da  ciência  de  sua  prorrogação por parte do  fiscalizado não  implica em ofensa  ao devido  processo  legal para  a  constituição  do  crédito  tributário,  quando  muito  implicaria  em  infração  administrativa  de  natureza disciplinar da autoridade autuante, a teor do disposto no caput do art. 195, do Código  Tributário Nacional”.    Quanto  à  suposta  não  observância  do  devido  processo  legal,  direito  de  defesa  e  legalidade,  a  r.  decisão  recorrida  também  tratou  do  tema  com  desenvoltura,  não  se  justificando a insurgência da Recorrente. Veja­se:    “Diferente  do  que  alega  a  impugnante,  o  procedimento  fiscal,  tal  qual  o  inquérito  policial,  tem  natureza  inquisitorial,  inaugurando­se  a  fase  do  contraditório com a apresentação da impugnação, a teor do disposto no art.  14, do Decreto n° 70.235/72, submetendo­se a partir de então ao princípio  da ampla defesa na forma prevista no inciso LV, do art. 5°, da Constituição  Federal. Desse modo, não há que se falar em cerceamento de defesa antes  da existência de litígio”.       3.  Nulidade – cerceamento de defesa    Alega  a  Recorrente  que  houve  a  desconsideração  de  uma  série  de  documentos, comprobatórios das operações realizadas, e, que não lhe foi dado prorrogação de  prazo para a apresentação de documentos, conforme requerimento, pois dependiam de terceiros  para serem obtidos. Também alega que não lhe foi disponibilizado os documentos referidos no  relatório  do  auditor  fiscal,  que  deu  azo  à  lavratura  do  auto  de  infração.  Mesmo  tendo  diligenciado na DRF de seu domicílio fiscal, não teve êxito em consultar o conteúdo integral e  nem teria obtido cópias antes de exaurido o prazo de impugnação.    Não  se  vislumbra,  no  presente  caso,  as  nulidades  acima  suscitadas  pela  Recorrente, pois não se pode desconsiderar o contexto em que a fiscalização foi realizada, qual  seja,  em  paralelo  a  um  procedimento  criminal,  com  provas  obtidas  e  compartilhadas  com  autorização judicial, com quebra dos sigilos fiscal e bancário da Recorrente.    Ademais,  a  descrição  das  infrações  contidas  na  autuação,  em  face  de  sua  clareza,  permitiram  à  Recorrente  apresentar  a  sua  impugnação,  permitiram,  ainda,  que  houvesse um julgamento de mérito em primeira instância, e, posteriormente, a apresentação de  recursos voluntários, não se vislumbrando cerceamento do direito de defesa no caso concreto.      4.  Nulidade – ilegitimidade passiva da recorrente e prova nula  Fl. 66643DF CARF MF     16   Alega a Recorrente que não restou comprovado vínculo entre a Recorrente e  a empresa autuada nos PAF’s nº 11020.723699/2012­18 e 15586.720329/2011­95, bem como  no inquérito Policial nº 256/2008­DPF/MGA/PR, instaurado em 02.04.2008 por requisição do  MPF e que tramita da Polícia Federal de Maringá/PR, concluindo que em relação à si, a origem  do presente processo administrivo tem por base prova ilícita, não submetida ao contraditório,  de  tal  forma  que  os  elementos  informativos  colhidos  no  inquérito  policial  não  servem  de  fundamento para este processo administrativo, o qual é, portanto, nulo.    Não se vislumbra a nulidade acima apontada pela Recorrente em razão do  que  já foi demonstrado no  item anterior e destacado na decisão recorrida: havia “autorização  judicial  para  utilização  de  documentos  apreendidos,  uma  vez  que  foi  deferida  a  quebra  dos  sigilos  fiscal  e  bancário  da  Recorrente,  bem  cmo  autorizado,  judicialmente,  o  compartilhamento de  informações  coletadas no  inquérito policial com a Receita Federal pela  autoridade competente”.    A decisão  recorrida  fundamenta  seu  entendimento  com  base  nos  elementos  de prova colacionados pela Fiscalização, o que não poderia se dar de modo diferente, uma vez  que a Recorrente,  em nenhum momento,  trouxe, no entender da  turma  julgadora de primeira  instância, qualquer prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo dos  fatos colacionados pela autoridade fiscal autuante.     5.  Nulidade  –  ausência  de  observância  de  requisitos  no  processo  administrativo fiscal para o lançamento    Parte  a  Recorrente  do  princípio  que  a  Fiscalização  embasou  todo  o  procedimento  fiscal  com  tendencialidade  de  atribuir  aos  sócios  a  qualidade  de  “laranjas”  e  considerar  a  existência  de  um  suposto  “Grupo  Rede  Presidente”  composto  por  diversas  empresas e que os autos de  infração  teriam sido  lavrados sob condições não conhecidas pela  Recorrente, o que impede e limita a sua defesa, uma vez que o convencimento não está calcado  na prova dos autos.  Novamente os argumentos da Recorrente mostram­se equivocados. A decisão  recorrida  fundamenta  seu  entendimento  com base nos  elementos de prova colacionados pela  Fiscalização, o que não poderia se dar de modo diferente, uma vez que a Recorrente, como já  dito  anteriormente,  em  nenhum momento  trouxe  qualquer  prova  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo, modificativo ou extintivo dos fatos colacionados pela autoridade fiscal autuante.   Em relação ao contraditório e ampla defesa, bem como em relação à suposta  ausência de motivação e fundamentação do lançamento, os elementos de prova encontram­se  todos  nos  autos,  que  foram  devidamente  cientificados  ao  contribuinte,  inclusive  relatório  do  procedimento fiscal (fls. 65.246­65.686) e todos os seus anexos. De acordo com o artigo 17 do  Decreto  nº  70.235/72,  a  impugnação  da  exigência  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento.  Portanto, não há que se falar em contraditório até o momento da apresentação da impugnação,  exceto  quando  a  lei  expressamente  assim  determina  (como  no  caso  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96, por exemplo). Assim sendo,  toda a possibilidade de defesa foi dada à Recorrente a  partir da ciência do lançamento, quer com base nos elementos de prova acostados aos autos e  cientificados  à Recorrente,  quer pela profunda  e  pormenorizada descrição dos  fatos  levada  a  efeito pela autoridade fiscal autuante.  Veja­se o disposto, de forma objetiva, na r. decisão recorrida, demonstrando  o acerto do posicionamento, ora mantido, da autoridade julgadora de primeira instância:    Fl. 66644DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.637          17 “Quanto  a  alegada  falta  de  competência  da  autoridade  fiscal  para  desconsideração  de  negócios  jurídicos,  tenho  como  descabida,  na medida  que o lançamento decorre da apuração de fraude na constituição da pessoa  jurídica,  mediante  a  utilização  de  interpostas  pessoas.  Nestes  casos,  a  comprovação  da  fraude  implica  necessariamente  na  desconsideração  dos  negócios  jurídicos  fraudulentos  para  a  constituição  de  créditos  tributários  mediante o ato administrativo do lançamento, cuja competência privativa de  lavratura, pertence, na forma da lei, ao Auditor­Fiscal da Receita Federal do  Brasil.”      6.  Nulidade – impossibilidade de presunção para o lançamento    Parte  a  Recorrente  do  princípio  que  a  Fiscalização  embasou  todo  o  procedimento  fiscal  em  presunções,  sem,  no  entanto,  demonstrar  claramente  os  indícios  que  levaram a fazer esta grave opção.    Como já exposto nos itens acima, o relatório fiscal está farto de documentos  e comprovações da atividade ilícita da Recorrente, infringindo a legislação fiscal e justificando  as  autuações  lavradas. Não há prova  apresentada  pela Recorrente que  permita  inferir  que  os  autos de infração lavrados estejam fundados tão somente em presunções fiscais.     Afasto a preliminar.      7.  Nulidade – inobservância dos princípios informadores    O tema acerca do devido processo legal, a competência da fiscalização para  a  realização  dos  atos  administrativos  necessários  para  a  apuração  dos  tributos  devidos  e  a  constituição do crédito tributário, a observância ao contraditório e ampla defesa, ao princípio  da legalidade, isonomia, a verdade material, a publicidade, dentre outros, todos foram, de uma  forma ou de outra, já tratados nos tópicos anteriores.    Como a Recorrente não traz, de forma direta e objetiva, a comprovação da  violação aos citados princípios e, ao contrário, constata­se no Relatório de Atividade Fiscal, o  cuidado dos auditores fiscais na condução do procedimento administrativo para a apuração da  verdade no caso concreto, não vislumbro a nulidade pleiteada, afastando­a.    8.  Nulidade – inexistência de prova material    Sem delongas, a quantidade de documentos apresentados pela  fiscalização  em seu Relatório de Atividade Fiscal e anexos demonstram que há farta prova material acerca  da conduta ilícita da Recorrente em relação à legislação tributária, justificando­se plenamente a  lavratura dos autos de infração.    Afasto a preliminar.    9.  Nulidade  –  utilização  de  elementos  coligidos  de  processos  administrativos não transitados em julgado e de inquérito policial ainda não finalizado    Fl. 66645DF CARF MF     18 Não há a necessidade de que as provas obtidas para fundamentar a autuação  tenham  sido  coligias  de  processos  administrativos  finalizados.  Se  os  elementos  probatórios  apresentados pela Fiscalização demonstram, por si só, a ocorrência do fato gerador e a omissão  do contribuinte em declará­lo ao fisco, nos termos da legislação tributária, não há que se falar  em nulidade pela utilização desses elementos, ainda que vindo de processos não transitados em  julgado ou de inquérito policial em andamento. A prova da ocorrência do fato gerador não se  confunde  com  a  cobrança  do  crédito  tributário,  que  depende  do  encerramento  do  processo  administrativo  para  que  o  lançamento  se  torne  definitivo  e  adquira  o  conceito  de  certeza  e  liquidez.    Afasto a preliminar.    10.  Nulidade  –  apreciação  das  provas  e  limites  do  livre  convencimento da autoridade julgadora    É garantido à autoridade  julgadora a  liberdade na apreciação das provas  e  formar o seu julgamento por livre convencimento, atendo­se às provas contidas no processo.    Formalizado  o  seu  convencimento  em  forma  de  razões  de  decidir  e  nas  provas trazidas aos autos, respeitado foi o devido processo legal, não se justificando as ilações  da Recorrente neste ponto.    Afasto a preliminar.    11.  Nulidade  –  impossibilidade  do  auditor  considerar  como  “laranjas” os integrantes da sociedade recorrente    Apesar  do  esforço  da Recorrente  para  tentar  demonstrar  a  higidez  de  seu  registro  de  constituição  societária,  enfatizando  o  arquivamento  dos  atos  constitutivos  na  competente Junta Comercial, as provas existentes nos autos demonstram o contrário, conforme  detalhado  e  comprovado  no  Relatório  de  Atividade  Fiscal  e  documentos  existentes  no  bojo  deste processo administrativo.    O  auditor  fiscal  responsável  pela  fiscalização  e  autuação  agiu  dentro  do  devido processo legal e balizou sua conduta dentro das provas obtidas e carreadas ao processo.  Se a Recorrente não logrou provar o contrário, não se vislumbra qualquer nulidade na autuação  da fiscalização.    Afasto a preliminar.    12.  Nulidade – falta de motivação e fundamentação    Como já demonstrado em todos os itens acima, o auditor fiscal responsável  pela fiscalização e autuação agiu dentro do devido processo legal.     A questão da motivação e fundamentação da autuação é de mérito e, desta  forma, será tratada oportunamente.      13.  Nulidade – ausência de autorização judicial para utilização de  documentos    Fl. 66646DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.638          19 A  Recorrente  tenta  se  arvorar  na  inexistência  de  mandados  de  busca  e  apreensão firmados por autoridade judicial para a obtenção de documentos em seu endereço e  que as  autoridades que  realizaram  tais apreensões o  fizeram através de mandados destinados  para vasculhar pessoas físicas e jurídicas em outros endereços.    Já foi esclarecido, alhures, que havia autorização para a quebra dos sigilos  fiscal e bancário da Recorrente e, desta forma, todas os elementos de prova obtidos, ainda que  em outros processos ou procedimentos, à vista da autorização judicial para o compartilhamento  dos mesmos entre a autoridade policial e a Receita Federal afastam a nulidade arguida.    Afasto a preliminar.      14.  Nulidade – ilicitude das provas utilizadas    Já  foi  esclarecido,  neste  voto,  que  não  há  ilicitude  comprovada,  pela  Recorrente, em relação às provas trazidas a este processo e que fundamentaram a lavratura dos  autos de infração lavrados.    Não  sendo  comprovado  pela  Recorrente  a  alegada  ilicitude,  afasto  a  preliminar.    15.  Solicitação de diligência à DRF de origem    O  tema  em  questão  já  foi  tratado,  de  forma  absolutamente  correta,  pela  decisão  recorrida,  razão  pela  qual  adoto  as  mesmas  razões  para  afastar  a  solicitação  da  Recorrente:    “A  contribuinte  requer  a  realização  de  diligência  para  o  exame  dos  seus  livros  contábeis,  com a  finalidade de  atestar  a  ausência de  irregularidades  fiscais  em  sua  escrituração,  bem  como  de  perícia  para  apuração  da  veracidade das provas coletadas na operação "Laranja Mecânica", as quais  alega não ter  tido acesso, formalizando quesitos e indicando seu assistente  técnico.    Os autos estão devidamente  instruídos, com  todos os elementos de provas  colhidos  pela  fiscalização  de  modo  a  sustentar  a  acusação  efetuada.  A  impugnante  exerceu  plenamente  o  seu  direito  de  defesa,  por  meio  da  impugnação,  contestando  todas  as  condutas  atribuídas  pela  autoridade  fiscal, possibilitando o julgamento da lide.    A  veracidade  das  provas  coletadas  na  operação  Laranja  Mecânica  estão  atestadas  por  peritos  criminais  federais,  conforme  se  extrai  de  laudos  periciais  constantes  dos  autos,  de  modo  que  considero  prescindível  a  realização de nova perícia.    Ademais,  a  interessada  não  motivou  suficientemente  o  seu  pedido  de  diligência,  nem  formulou os quesitos que pretende que sejam  respondidos  na diligência  requerida, de modo que considero o pedido não efetuado, na  forma do § 1º e inciso IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72.  Fl. 66647DF CARF MF     20   Ante o exposto, denego o pedido de diligência e de perícia, por considerar  aquele  não  formulado,  e,  também,  ambas  prescindíveis  para  o  julgamento  da presente lide.”      16.  Do inquérito policial realizado pela Polícia Federal    Ressalta­se, neste tópico que a autoridade fiscal não tomou de empréstimo as  conclusões do inquérito policial, mas sim os elementos colhidos no curso do inquérito para a  realização  do  procedimento  de  fiscalização,  tendo  sido  submetidos  ao  contraditório  todas  as  provas  utilizadas  quando  da  ciência  do  lançamento  à  Recorrente,  não  se  justificando  a  insurgência da Recorrente neste ponto.     17.   Prejudicial de Mérito – necessidade de suspensão    Argumenta a Recorrente que o  fato da  autuação  basear­se unicamente  em  inquérito policial não concluído e em processos administrativos que ainda estão pendentes de  análise, impõe­se suspender a tramitação do presente processo administrativo.    Com todo o respeito à Recorrente, a realização de fiscalização e a lavratura  de auto de infração, para a constituição de créditos tributários, não se vinculam ao andamento  de um inquérito policial ou mesmo a existência de outros processos administrativos.    Por  outro  lado,  quando  se  comprova  que  a  decisão  de  um  processo  administrativo pode ser prejudicial ao processo em análise, é possível a suspensão a critério do  julgador, em decisão fundamentada.    No  presente  caso,  este  julgador  não  vislumbra  a  prejudicialidade  dos  processos administrativos apontados pelo contribuinte em relação a este em julgamento, uma  vez  que  o  processo  administrativo  nº  11020.723699/2012­18  ainda  se  encontra  em  primeira  isntância administrativa e se refere a outro contribuinte e o outro processo administrativo, de nº  15586.720329/2011­95, está pendente no CARF, ainda sem o sorteio de um relator,  também  vinculado a outro contribuinte.    Afasto a prejudicial de mérito.      18.   Prejudicial  de  Mérito  –  necessidade  de  suspensão  –  julgamento no STF    Requer a Recorrente, ainda, a suspensão do presente processo administrativo  até  que  seja  julgado  no  Supremo  Tribunal  Federal  ­  STF  as  ações  diretas  de  inconstitucionalidade  que  questionam  a  possibilidade  de  quebra  de  sigilo  bancário  pela  autoridade administrativa (Lei Complementar 105).    Tal prejudicial de mérito não pode ser acatada.     A previsão regimental de suspensão do julgamento dos recursos sempre que o  STF  também  sobreste  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da mesma matéria,  até  que  fosse proferida decisão nos termos do então art. 543­B do CPC/1973, então prevista no art. 62­ Fl. 66648DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.639          21 A,  §1º,  do  Anexo  II,  do  RICARF/2009  não  mais  persistiu  no  atual  Regimento  Interno  do  CARF.    Além disso, no  julgamento das Ações Direta de  Inconstitucionalidade 2859,  2390, 2386 e 2397 o STF decidiu que o disposto na Lei Complementar nº 105 não resulta em  quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal,  ambas  protegidas  contra  o  acesso  de  terceiros.  Decidiu­se  ainda  que  a  transferência  de  informações  é  feita  dos  bancos  ao  Fisco,  que  tem  o  dever  de  preservar  o  sigilo  dos  dados,  portanto, não havendo que se falar em ofensa à Constituição Federal.     Portanto, rejeito tal prejudicial de mérito.      DO MÉRITO    19.   Ausência de solidariedade – empresas autônomas    Inicio  a  análise  do  tema,  transcrevendo  excerto  da  decisão  recorrida  a  respeito do tema:  “Sustenta a impugnante a ausência de solidariedade entre empresas autônomas  com atividade própria, sócios distintos, sem qualquer identidade em seu quadro  social  e  quadro  de  funcionários  próprios,  que  não  compõem  um  grupo  econômico, com administração própria e descentralizada e que não realizavam  conjuntamente a situação configuradora do fato jurídico tributário.  Por  isso,  não poderia prosperar  a  tentativa do Fisco de  impor a  impugnante a  responsabilidade  tributária  solidária  por  eventuais  débitos  de  empresas  estranhas.  Descabida  a  alegação,  pois  à  impugnante  esta  sendo  atribuída  a  responsabilidade por suas  infrações a  legislação  tributária,  tendo o  lançamento  constituído  créditos  tributários  incidentes  sobre  suas  receitas,  e  não  sobre  receitas de outras empresas.    Em  suma,  a  Recorrente  discorre  em  sua  defesa  sobre  a  questão  da  responsabilidade tributária para, ao final, afirmar que não pode prosperar a tentativa de impor­ lhe  a  responsabilidade  tributária  solidária  por  eventuais  débitos  de  empresas  estranhas  aos  mesmos, requerendo sua exclusão do polo passivo da obrigação tributária, reforçando que não  restou  comprovado  qualquer  ato  praticado  que  pudesse  gerar  a  constituição  de  créditos  tributários.    No  caso  concreto,  entendo  que  a  imputação  de  responsabilidade  atribuída  pela autoridade fiscal está em consonância tanto com o disposto no art. 124,  I, quanto com a  regra prevista no art. 135, III, do mesmo CTN.  Fl. 66649DF CARF MF     22 Veja­se o contido no art. 135, III, do CTN, verbis:  "São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato social ou estatutos:  [...]  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado."  Percebe­se  que,  para  a  caracterização  da  responsabilidade  de  que  trata  o  dispositivo legal em questão, faz­se necessária a coexistência de dois elementos essenciais em  relação  a  um  fato:  que  seja  praticado  por  um  representante  legal  de  empresa  e  que  denote  excesso de poder ou infração à lei ou atos constitutivos da pessoa jurídica.  Passo à análise do caso concreto.  As  provas  coligidas  e  sintetizadas  no  voto  condutor  do  aresto  recorrido  alhures reproduzido demonstram claramente que todos os Recorrentes participavam, de algum  modo,  na  administração  da  autuada,  percebendo,  inclusive  pró­labore mensal. A  prova mais  evidente diz  respeito a pen drives apreendidos  (cujos conteúdo de  interesse, arquivo CTB29,  item 5 às fls. 933 e 934) que continham planilhas (arquivos em formato excel) com os balanços  das empresas da Rede Presidente, inclusive a autuada ­ e com o controle de “saldos” ­ referente  aos pagamentos de pró­labore aos sócios de fato da autuada, ora Recorrentes.  Não  desconheço  da  jurisprudência  do  STJ  que  pode  ser  resumida  com  a  transcrição do Enunciado nº 430 da Súmula do STJ:  O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só,  a responsabilidade solidária do sócio­gerente.  Mais recentemente, julgou­se a matéria sob a égide do disposto no art. 543­C  do CPC/1973  (“recurso  repetitivo”),  sendo  que  a  Primeira  Seção  do  STJ,  no  julgamento  do  REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento  segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese,  circunstância  que  acarreta  a  responsabilidade  subsidiária  do  sócio,  prevista  no  art.  135  do  CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei,  ao contrato social ou ao estatuto da empresa”.  Saliento que o simples inadimplemento da obrigação não pode gerar, de per  si, a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica. Ao assim dispor, por outro lado, o  STJ  deixou  transparecer  que  em  hipóteses  de  um  inadimplemento,  digamos,  “qualificado”,  pode­se sim atribuir a responsabilidade de que trata o art. 135 do CTN.   E  não  se  fala  aqui  de  um  simples  inadimplemento  de  tributo,  mas  sim  de  inadimplemento  doloso,  penalizado  administrativamente  com  multa  de  150%  que  se  aplica  somente  em  casos  de  sonegação,  fraude  ou  conluio  (art.  44,  inciso  I,  c/c  §  1º,  da  Lei  nº  9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), dando ensejo à representação fiscal para fins  penais por cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária a que alude o art. 1º da Lei  nº 8.137/90.  Comungo do entendimento de que, nas hipóteses em que se mostra correta a  qualificação da penalidade com esteio no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502/64,  incide,  automaticamente,  a  responsabilidade  tributária  dos  administradores da pessoa jurídica que, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores,  Fl. 66650DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.640          23 também  poderão  vir  a  ser  responsabilizados  pelo  cometimento  de  crimes  contra  a  ordem  tributária.  No  presente  caso,  entendo  que  restou  sim  comprovado  o  intuito  doloso  (fraude e sonegação), razão mais do que suficiente para manutenção da multa qualificada, e por  todo o exposto, a manutenção da coobrigação imputada aos Recorrentes com base no art. 135,  III, do CTN.  Ainda  que discordem de  tal  conclusão,  há  de  se  levar  em  consideração,  no  presente caso, que a autuada estava, sem sombra de dúvidas e conforme já analisado, em nome  de  interpostas  pessoas  (“laranjas”),  havendo  comprovada  confusão  patrimonial  entre  as  empresas do grupo e seus reais proprietários, ora Recorrentes.  Em  casos  idênticos  este  colegiado  vem  decidindo  que  nos  lançamentos  em  que  reste  configurado  que  a  pessoa  jurídica  autuada  encontra­se  em  nome  de  interpostas  pessoas, mas o fato gerador correspondente não tem qualquer correlação com tal interposição  (por exemplo, depósitos bancários, sem comprovação de origem, nas próprias contas da pessoa  jurídica autuada – art. 42 da Lei nº 9.430/96), não há incidência de multa qualificada, mas os  reais  proprietários  de  tal  pessoa  jurídica  devem  responder  pelo  crédito  tributário  correspondente, quer por força do art. 124, I, do CTN, quer pelo disposto no art. 135, III,  do CTN quando demonstrados que administravam tal pessoa jurídica (Acórdão 1402­002.210,  sessão de 08 de junho de 2016).  A  respeito  do  art.  124,  I,  do  CTN,  destaco  o  entendimento  comumente  adotado pelo i. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto:  [...] Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é  definida pelo  interesse  comum ainda que a  lei  seja omissa,  pois  trata­se de norma  geral.  Justamente  por  não  ter  sido  definida  pela  lei,  a  expressão  “interesse  comum”  é  imprecisa, questionável, abstrata e mostra­se inadequada para expor com exatidão a  condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador.  Daí  a  fragilidade  do  inciso  I,  do  mencionado  art.  124,  do  CTN;  muitas  vezes  utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de  forma indireta.  Para  que  haja  solidariedade  com  supedâneo  no  art.  124,  I  do CTN,  é  preciso  que  todos  os  devedores  tenham  um  interesse  focado  exatamente  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária.  Ainda  que  mais  de  uma  pessoa  tenha  interesse  comum  em  algum  fato,  para  que  haja  solidariedade  tributária  é  necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a  realização do fato que tem a  capacidade de gerar a tributação. 1   Mais ainda, é necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico  mas sim jurídico, entendendo­se como tal aquele derivado de uma relação jurídica  de  qual  o  sujeito  de  direito  seja  parte  integrante,  e  que  interfira  em  sua  esfera  de  direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse.2                                                              1 BARCELOS, Soraya Marina. Os Limites da Obrigação Tributária Solidária Prevista    no  art.  124    do Código  Tributário  Nacional  e  o  Princípio  da  Preservação  da  Empresa.  Disponível  em  http://www.mcampos.br/posgraduacao/Mestrado/dissertacoes/2011. Acesso em 31/08/2012.    2 idem  Fl. 66651DF CARF MF     24 Entendo  que  uma  vez  comprovado  que  os  proprietários  de  fato  da  autuada  não constavam em seu quadro societário, aliado à confusão patrimonial entre esses e a pessoa  jurídica autuada, implica reconhecer o interesse comum a que alude o art. 124, I, do CTN.  No presente caso, portanto, quer com base no art. 135,  III, ou ainda no art.  124,  I,  ambos  do  CTN,  justifica­se  a  inclusão  dos  Recorrentes  no  polo  passivo  da  relação  tributária.  Assim sendo, voto por manter a imputação de responsabilidade tributária aos  coobrigados.    20.   Prescrição e decadência    A  exigência,  referente  aos  fatos  geradores  dos  anos­calendário  de  2009  a  2012, foi formalizada a partir de arbitramento do lucro e apuração trimestral do IRPJ e CSLL,  sendo cominada multa qualificada de 150% em virtude de a Fiscalização entender ter ocorrido  sonegação e fraude.  Em relação à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ  entendeu  em  caráter  definitivo  (julgamento  de  recurso  representativo  de  controvérsia,  nos  termos  do  art.  543­C,  do  CPC/1973)  que,  para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, assim  como  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  conforme  se  observa  na  ementa  do  REsp  973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux:   PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.   1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR,  Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).   2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  Fl. 66652DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.641          25 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).   3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).   5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em26.03.2001.   6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.   7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.   No caso concreto, mantida a penalidade qualificada, confirmou­se a conduta  dolosa e fraudulenta por parte do contribuinte, implicando que o início da contagem do prazo  decadencial deve se dar com base no disposto no art. 173, I, do CTN, uma vez que o início da  contagem do prazo decadencial deve ser postergada para o primeiro dia do exercício seguinte  ao que o lançamento poderia ter sido realizado.  Desse  modo,  em  relação  ao  IRPJ  e  a  CSLL,  para  os  créditos  tributários  relativos  aos  fatos  geradores  do  1°,  2°  e  3º  trimestres  de  2009,  o  lançamento  poderia  ser  efetuado  ainda  no  decorrer  do  ano  de  2009,  e  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  seria  01/01/2010, ou seja, o lançamento poderia ter sido constituído até 31/12/2014. Considerando­ se que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 30 de dezembro de 2014, não há que se  falar em decadência. Relativamente ao 4º  trimestre de 2009, o prazo fatal para o  lançamento  seria 31/12/2015, afastando­se, por óbvio, a extinção do crédito tributário em razão de suposta  decadência.   Fl. 66653DF CARF MF     26 Relativamente  ao  PIS  e  a  Cofins,  tratando­se  de  períodos  de  apuração  mensais, o raciocínio é idêntico em relação ao período de janeiro a novembro de 2009 (prazo  limite  para  o  lançamento  seria  31/12/2014)  e  ao mês  de  dezembro  de  2009  (prazo  fatal  em  31/12/2015), afastando­se também a ocorrência de decadência.  Obviamente,  para  os  períodos  posteriores,  não  há  que  se  falar  também  em  decadência.  A fim de se evitar qualquer discussão sobre o tema, salienta­se que todos os  coobrigados também foram cientificados do lançamento antes de 31/12/2014.  No  que  diz  respeito  à  arguição  de  prescrição,  tendo  o  lançamento  sido  devidamente  cientificado  ao  contribuinte  em  30/12/2014,  a  partir  dessa  data  iniciou­se  a  contagem  do  prazo  prescricional,  interrompido  pela  apresentação  das  impugnações,  e  posteriormente  recursos voluntários, dos  interessados, afastando­se, portanto, a ocorrência de  prescrição.  Logo, voto por rejeitar as arguições de decadência e prescrição em relação a  todos os sujeitos passivos.      21.   Da suposta inconsistência do arbitramento      Adoto as razões da r. decisão recorrida neste tópico por comungar do mesmo  entendimento, razão pela qual utilizo os mesmos fundamentos como motivação de decidir.    Descabida a alegação da inconsistência do arbitramento, pois à impugnante esta  sendo  atribuída  a  responsabilidade  por  suas  infrações  a  legislação  tributária,  tendo  o  lançamento  constituído  créditos  tributários  incidentes  sobre  suas  receitas, e não sobre receitas de outras empresas.    Ademais,  o  arbitramento  do  lucro  foi  efetuado  com  fundamento  no  art.  530,  incisos II e IV do RIR/99, in verbis:    Art.  530.  O  imposto,  devido  trimestralmente,  no  decorrer  do  ano­ calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado,  quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º):  (...)  II  ­ a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes  indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem  imprestável para:  a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)  determinar o lucro real;   (...)   IV ­ o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro  presumido;    Defende­se a autuada, afirmando que descabe o arbitramento do lucro, uma vez  que  a  suposta  ausência  de  verificação  de movimentação  financeira  e  bancária  não é capaz de tornar sua contabilidade imprestável.    Não  assiste  razão  a  impugnante,  a  motivação  para  o  arbitramento  do  lucro  utilizado pela autoridade fiscal diverge completamente das alegações da defesa,  Fl. 66654DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.642          27 pois o lançamento no presente caso não foi efetuado com base em presunção de  receitas decorrente de movimentação bancária sem comprovação de origem, mas  de  receita  comprovada  mediante  artifício  fraudulento,  obtidos  em  arquivos  digitais  e  documentos  apreendidos  com  autorização  judicial,  demonstrando  a  existência  de  intrincado  controle  de  vendas  sem  emissão  de  notas  fiscais  efetuado  à margem  da  escrituração  contábil  e  fiscal  da  interessada,  sendo  por  isso  sua  escrituração  considerada  imprestável  para  a  apuração  das  bases  de  cálculo do IRPJ e da CSLL.    Com a apuração da omissão de receitas, efetuada pela fiscalização, verificou­se  que  a  contribuinte  não  poderia  optar  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido, uma vez  que  sua  receita bruta  anual  seria muito  superior  ao  limite  legal.    Via de regra, todas as empresas são tributadas com base no lucro real. As outras  formas de tributação previstas na legislação são aplicadas sob certas condições.  A opção pela tributação com base no lucro presumido está assim disposta no art.  516, do RIR/99:    Art.  516.  A  pessoa  jurídica  cuja  receita  bruta  total,  no  ano­calendário  anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a  dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no  ano­calendário anterior, quando  inferior a doze meses,  poderá optar pelo  regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998,  art. 13).  § 1º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva  em relação a todo o ano­calendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º ).  § 2º Relativamente  aos  limites  estabelecidos neste  artigo,  a  receita bruta  auferida  no  ano  anterior  será  considerada  segundo  o  regime  de  competência ou  caixa,  observado o  critério  adotado pela  pessoa  jurídica,  caso  tenha,  naquele  ano,  optado  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 2º ).  § 3º A pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real  (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido.  § 4º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da  primeira  ou  única  quota  do  imposto  devido  correspondente  ao  primeiro  período de apuração de cada ano­calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26,  § 1º).    De fato, tendo a impugnante auferido receita bruta nos anos­calendário de 2009,  2010,  2011 e  de  janeiro  a  setembro  de  2012 nos montantes  respectivos  de R$  203.771.895,18,  R$  216.672.772,65,  R$  260.232.962,69  e  R$  213.044.986,08,  tal qual apurado no lançamento, conforme consta da planilha do relatório fiscal,  a fl. 65.676, e estava sujeita à tributação pelo lucro real no período, não poderia a  mesma ter optado pela tributação com base no lucro presumido, sendo esta uma  causa determinante para o arbitramento do lucro.    Assim,  uma  vez  presentes  todos  os  requisitos  legais  para  o  arbitramento  do  lucro,  e ante  a  ausência  por parte da  impugnante da  comprovação  de qualquer  fato impeditivo para apuração nesta forma de tributação, considero procedente o  arbitramento do lucro efetuado no lançamento.    Fl. 66655DF CARF MF     28   22.   Omissão de Receitas ­ inexistência    A  omissão  de  receitas  indicada  pelo  Fisco  baseia­se  em  extensa  documentação e arquivos apreendidos nos próprios estabelecimentos da autuada.  A  decisão  recorrida  manteve  a  exigência.  Em  seu  recurso  voluntário  a  Recorrente  não  trouxe  quaisquer  elementos  de  prova  que  infirmassem  as  conclusões  da  autoridade fiscal e também da decisão recorrida. Por concordar integralmente com as razões de  decidir  da  decisão  de  primeira  instância,  adoto  seus  fundamentos,  transcrevendo­os  a  seguir  com autorização do disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99:    A  autoridade  autuante  efetuou  o  lançamento  com  base  em  arquivos  digitais  apreendidos com autorização da justiça federal de Curitiba, nos quais eram feitos  pelos administradores de fato da autuada ou por seus empregados o controle das  receitas de vendas da fiscalizada e de todas as suas filiais, e mantidos à margem  da escrituração contábil e fiscal da autuada.     Limita­se  a  impugnante  a  suscitar  a  nulidade  na  utilização  das  provas  obtidas  com base no  procedimento  cautelar  de  busca  e  apreensão,  as quais não  teriam  sido submetidas ao contraditório,  nem objeto de  julgamento na esfera criminal  competente, e de modo genérico em afirmar a inexistência de provas da infração  atribuída pela fiscalização.     Tendo a alegação de nulidade na utilização de provas emprestadas sido afastada  no item que trata sobre a nulidade da autuação, passo a análise da comprovação  de receitas omitidas.     Há nos autos, farto conjunto probatório demonstrando e quantificando a receita  de  vendas  obtidas  não  só  pela  autuada,  como  de  todas  as  empresas  da  denominada  “Rede  Presidente”,  uma  vez  que  era  efetuado  pela  autuada  o  controle das receitas com vendas sem emissão de notas fiscais, ao passo que as  vendas  com  emissão  de  notas  fiscais  eram  devidamente  escrituradas  e  suas  receitas declaradas ao Fisco.     Em diversos documentos apreendidos, havia as expressões “TAB1” e “TAB2”.  Apurou­se que “TAB1” referia­se a vendas com nota fiscal, e “TAB2” referia­se  a  vendas  sem  documento  fiscal.  Tal  constatação  é  confirmada  pela  informação  constante da agenda encontrada na loja de Curitiba­PR, constante das fls 1.200 a  1.242, e reproduzida às fl. 65.545 a 65.547 do relatório fiscal, com agravante de  que as vendas sem nota eram estimuladas pela autuada com comissão majorada  em 50 % em relação às das vendas com nota.     Mesmas conclusões se tiram dos documentos reproduzidos no relatório  fiscal à  fl. 65.547, extraído de duas agendas encontradas na loja de Curitiba/PR.     Da  análise  efetuada  dos  relatórios  de  vendas  extraídos  a  partir  do  programa  AUTOW  (fls  26.982  a  28.207;  30.791  a  31.131;  32.040  a  33.390;  37.348  a  38.504; 43.386 a 43.826; 45.020 a 45.663; 47.299 a 48.136; e 50.333 a 53.635),  obtidos no disco rígido do computador de funcionário Daniel de Oliveira Júnior  apreendido, somadas às vendas mediante NFe para empresas do próprio esquema  (planilha  as  fls  18.611  a  18.836),  bem  como  os  cupons  fiscais  extraídos  dos  Livros  Fiscais  da  "filiais"  da  Rede  Presidente,  ou  do  programa  Central  de  Fl. 66656DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.643          29 Cobranças,  em  que  consta  o  controle  mensal  das  vendas  de  todas  empresas,  inclusive  a  autuada,  com  individualização  das  receitas  auferidas  por  estabelecimento  e  segregação  das  vendas  com  emissão  de  notas  fiscais  e  das  vendas  sem  emissão  de  documentos  fiscais,  foi  possível  apurar  as  receitas  mensais da autuada, possibilitando o lançamento.     A prova obtida foi sem dúvida elaborada pela própria autuada, por meio dos seus  administradores de fato ou por seus empregados, e mantida nos computadores e  pendrives apreendidos das empresas da Rede Presidente, de seus empregados ou  de seus administradores de fato do grupo empresarial.     Assim,  tenho  como  comprovada  a  omissão  de  receitas  de  vendas  da  autuada,  razão pela qual mantenho, neste aspecto, o lançamento.    Desse modo, mantenho a infração relativa a omissão de receitas em relação  ao IRPJ.    23.   IRPJ    A Recorrente procura afastar a constituição do crédito tributário de IRPJ sob  a  alegação  de  que  “a  simples  análise  de valores  creditados  em planilhas  unilaterais,  por não  estabelecer  o  necessário  elo  de  certeza  para  a  determinação  da  titularidade  dos  valores,  não  possibilita a aferição da ocorrência do fato gerador do IRPJ”.    Como demonstrado no item anterior, ocorreu a omissão de receitas por parte  da  Recorrente,  devidamente  comprovada  pela  Fiscalização,  inclusive  em  montante  que  desqualificou  a  apuração  do  IRPJ  devido  com  base  no  lucro  presumido,  por  exceder­lhe  o  limite, de tal forma que, seguida a legislação que rege a apuração da base de cálculo do IRPJ  por  arbitramento,  no  termos  do  RIR/99,  não  há  que  se  falar  em  inexistência  de  acréscimo  patrimonial ou falta de materialidade do tributo.      24.   CSLL, PIS e COFINS    Os  lançamentos  do  Programa  de  Integração  Social  ­  PIS,  da  Contribuição  para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido ­ CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada.  Assim,  mantido  o  lançamento  quanto  ao  IRPJ,  e  não  tendo  fatos  ou  argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter também essas exigências, ante a  íntima relação e causa e efeito.  Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de  cálculo  da CSLL,  PIS  e COFINS,  conforme  dispõe  o  §  2º  do  art.  24  da  Lei  nº  9.249/1995,  verbis:  Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária  determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados  de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a  pessoa jurídica no período­base a que corresponder a omissão.  Fl. 66657DF CARF MF     30 (...)  §  2º.  O  valor  da  receita  omitida  será  considerado  na  determinação  da  base  de  cálculo  para  o  lançamento  da  contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a  seguridade  social  ­  COFINS  e  da  contribuição  para  os  Programas de  Integração Social e de Formação do Patrimônio  do Servidor Público ­ PIS/PASEP.  Diante do exposto, os lançamentos reflexos devem ser mantidos.      25.   PIS e COFINS    Discorre  a  Recorrente  sobre  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  nos  moldes da Lei 9.718/98. No entanto, como foi desqualificada a opção da Recorrente pelo lucro  presumido,  a  legislação  que  rege  o  PIS  e  a  COFINS  passa  a  ser  as  Leis  nº  10.637/02  e  10.833/03, ficando prejudicados os argumentos dispendidos, notadamente porque, em todas as  referidas leis, a base de cálculo de ambas as contribuições é a receita bruta.    A exclusão do ICMS da base de cálculo de ambas as exações, até o momento,  não é objeto de uma decisão final, transitada em julgado, com efeitos erga omnes, de tal forma  que, sem a existência de uma demanda própria, transitada em julgado, não é possível admitir a  exclusão  requerida,  de  tal  forma  que  a  autuação  deve  ser  mantida,  em  relação  às  referidas  contribuições, nos exatos termos dos autos de infração lavrados.       26.   Não  dedução  de  recolhimentos  e  desconsideração  da  não­ cumulatividade    Afirma  a  Recorrente  que  os  valores  apurados  pela  fiscalização  foram  erroneamente  coletados  no  livro  razão,  bem  como  não  teria  sido  consideradas  deduções  e  a  não­cumulatividade prevista em lei.    Se  o  contribuinte  apurava  e  recolhia  o  PIS  e  a  COFINS  no  regime  cumulativo, nos moldes da Lei 9.718/98 e, à vista do faturamento apurado pela fiscalização, a  Recorrente foi inserida no lucro real e, portanto, no regime não­cumulativo de PIS e COFINS,  haveria,  de  fato,  créditos  de  PIS  e  COFINS  em  suas  aquisições  para  abatimento  no  PIS  e  COFINS devidos por suas saídas.    Contudo,  a  Recorrente  limitou­se  a  apontar  a  questão,  sem  apresentar  elementos  e  informações  que  atestassem  a  veracidade  de  suas  ponderações  e  não  cabia  à  fiscalização  refazer  toda  a  contabilidade  da  Recorrente  para  averiguar  a  existência  ou  não  destes créditos.    A  míngua  de  prova  quanto  ao  alegado  no  caso  concreto,  inviável  o  deferimento do pedido de abatimento formulado pela Recorrente.       27.   Multa – exclusão ou redução    Fl. 66658DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.644          31 No que  tange às questões postas pela Recorrente que envolvem a aplicação  de princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis, seu mérito não pode ser analisado  por  este  Colegiado.  Essa  análise  foge  à  alçada  das  autoridades  administrativas,  que  não  dispõem  de  competência  para  examinar  hipóteses  de  violações  às  normas  legitimamente  inseridas no ordenamento jurídico nacional.     Deve­se  observar  que  as  supostas  ofensas  aos  princípios  constitucionais  levam  a  discussão  para  além  das  possibilidades  de  juízo  deste  julgador.  No  âmbito  do  procedimento  administrativo  tributário,  cabe,  tão  somente,  verificar  se  o  ato  praticado  pelo  agente  do  fisco  está,  ou  não,  conforme  à  lei,  sem  emitir  juízo  de  constitucionalidade  das  normas  jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento  Interno do CARF,  em  seu  art.  62,  dispõe  que  “Fica  vedado  aos membros  das  turmas  de  julgamento  do CARF  afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo  internacional,  lei ou decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.”  O  caso  concreto  não  se  enquadra  nas  exceções  elencadas no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de  aplicação cogente aos membros do CARF.    Por  fim,  sobre  a  matéria  este  Conselho  já  pacificou  seu  entendimento  por  meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Portanto,  não  se  conhece  do  recurso  em  relação  aos  argumentos  de  inconstitucionalidade de lei.    28.   Multa confiscatória – impossibilidade de manutenção    Em relação à análise dos argumentos sobre (não) confisco, esclareça­se que a  vedação  à  utilização  de  tributo  com  efeito  de  confisco,  preceituada  pelo  art.  150,  IV,  da  Constituição Federal, pelas mesmas razoes apontadas no tópico anterior, estão enquadradas na  vedação contida na súmula 02 deste Conselho.    Portanto, não se conhece do recurso em relação a estes argumentos.      29.   Multa de ofício – ausência dos requisitos para sua aplicação    Para melhor entendimento,  transcreve­se, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430  de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007:  Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  passa  a  vigorar  com  a  seguinte  redação,  transformando­se  as  alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  Fl. 66659DF CARF MF     32 pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:  a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física;  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  [...]    Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é  admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73  da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem:    Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente;  Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante  do  imposto  devido,  ou  a  evitar  ou  diferir  o  seu  pagamento.  Art.  73. Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  duas  ou mais  pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  artigos 71 e 72.    Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº  9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que  em procedimento fiscal constatar­se a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio.  Fl. 66660DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.645          33 Vê­se  que,  para  enquadrar  determinado  ilícito  fiscal  nos  dispositivos  dessa  lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência  e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou  seja,  a  vontade  de  praticar  a  conduta,  para  a  subsequente  obtenção  do  resultado. Deve  ficar  demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o  pagamento do tributo ou contribuições devidos.  A decisão recorrida, assim justifica a exasperação da penalidade:    “A  autoridade  fiscal  aplicou  a  multa  qualificada  no  percentual  de  150%,  pela  sonegação  em  razão  da  suposta  utilização  de  interpostas  pessoas,  componentes do quadro societário da autuada, de modo a encobrir os reais  sócios,  integrantes  da  família  Tolardo,  eximindo­os  da  responsabilidade  pela  infração  apurada.  Tal  interposição  teria  sido  perpetrada  mediante  a  utilização  de  documentos  elaborados  com  falsidade  ideológica,  e  com  falsificação de assinaturas.    A  autoridade  administrativa  constatou  ainda  que  a  autuada  omitiu  parte  considerável de  suas  receitas de vendas,  obtidas  sem a devida  emissão de  notas fiscais, aos quais eram controladas em arquivos digitais mantidos em  computadores  de  empresas  da  denominada  Rede  Presidente  ou  em  pendrives  dos  seus  administradores  de  fato  ou  de  seus  empregados  e  que  foram  apreendidos  em  operação  conjunta  da Polícia, Ministério  Público  e  Receita Federais, em cumprimento a ordem expedida pela justiça federal do  Paraná.    A autuada  teria  se eximido do pagamento de parcela considerável de  seus  tributos,  tendo  em  vista  que  declarou  de  valor  de  receita  bruta  para  os  exercícios  de  2009  a  2011  de  R$  0,00,  R$  61.789.939,44,  R$  110.485.347,10,  tendo  sido  apurada  no  lançamento  a  obtenção  de  receita  com  vendas  de  mercadorias  no  mesmo  período  no  valor  de  R$  203.771.895,18, R$ 216.672.772,65 e R$ 260.232.962,69, respectivamente.    Assim, restou caracterizada a ocorrência da hipótese de sonegação e fraude  prevista nos incisos I e II, do art. 71, a art. 72 da Lei nº 4.502/64.    Nos recursos apresentados, nenhum elemento novo foi trazido aos autos.  Cumpre esclarecer que a multa aplicada foi a qualificada, de 150%, baseada  em  conduta  supostamente  dolosa  por  parte  da  autuada  (art.  44,  inciso  I,  c/c  §  1º,  da  Lei  nº  9.430/96), e não a multa aumentada em 50% a que se referente o inciso I do § 2º do art. 44 do  mesmo diploma legal.  Retornando ao cerne da qualificação da multa, embora considere que o fato  de  uma pessoa  jurídica  estar  em  nome  de  interpostas  pessoas  não  possui  correlação  com  os  fatos  geradores,  mas  sim  com  a  cobrança  do  crédito  tributário,  no  caso  concreto  há  razão  autônoma, que, por si só, justifica a exasperação da penalidade: conforme se observa, a autuada  omitiu receitas, de 2009 a 2012, em montante vultosos, em montante acima de R$ 400 milhões.  Fl. 66661DF CARF MF     34 Comprovou­se à exaustão, os valores efetivos de receita vendas auferida pelo  contribuinte. Logrou também a autoridade fiscal demonstrar que houve, inclusive, a utilização  de  sistema  informatizado  com  o  intuito  específico  de  burlar  o  Fisco,  caracterizando,  sem  dúvida, o conceito de fraude estampado no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Relativamente à  omissão  de  receitas,  nos moldes  praticado,  sem  dúvida  caracteriza  a  intenção  dolosa  na  sua  conduta  com  o  propósito  de  impedir  ou  retardar  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária,  da ocorrência do  fato  gerador,  enquadrando­se na hipótese prevista no  art.  71 da  Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação). Esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o  risco de produzi­lo, ficou evidenciado e demonstrado nos autos, não podendo ser considerado  mero erro de ordem material, sem a caracterização de qualquer intuito doloso, posto que não se  tratam de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em todos os meses dos  anos­calendário de 2009 a 2012.  Em tais circunstâncias, não há como se cogitar a ausência de dolo. A intenção  de sonegar, ocultando o fato gerador, é conclusão imediata e inequívoca. Portanto, em relação a  tais infrações, correta a posição do Fisco em exasperar a penalidade.    Logo, presentes elementos que permitam enquadrar a conduta da autuada nos  conceitos  de  sonegação  e  fraude  (arts.  71  e  72  da  Lei  nº  4.502/64),  voto  por  manter  a  penalidade qualificada de 150%.      30.   Taxa Selic ­ inaplicabilidade    No  que  tange  ao  questionamento  da  aplicação  da  taxa  Selic,  a  matéria  encontra­se  absolutamente  pacificada  no  âmbito  do  CARF,  tendo  sido  alvo,  inclusive  de  súmula, cujo enunciado número 4 recebeu a seguinte redação:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Conforme determina o caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, os  enunciado da súmula CARF são de observância obrigatória por parte de seus membros.  Desse modo, correta a aplicação da taxa Selic sobre os tributos apurados.    31.   Provas e impugnação – garantia do devido processo legal    Esse assunto já foi tratado, à exaustão, nas preliminares. Não se configurou,  no  caso  concreto,  qualquer  desrespeito  ao  devido  processo  legal,  de  tal  forma  que  não  há  razões para a insubsistência da autuação.    32.   Da prova pericial    À vista de todos os elementos de prova acostados ao processo administrativo,  que  demonstram  a  imprestabilidade  da  contabilidade  da  Recorrente  para  a  apuração  dos  créditos tributários decorrentes de omissão de receita, não cabe a realização de prova pericial,  notadamente  porque,  no  caso  concreto,  os  documentos  produzidos  já  o  foram  por  peritos  judiciais.  Fl. 66662DF CARF MF Processo nº 18470.725702/2014­32  Acórdão n.º 1402­002.604  S1­C4T2  Fl. 66.646          35   Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso nas questões atinentes a  inconstitucionalidade de lei, e, na parte conhecida: I) rejeitar: i) as preliminares de nulidade do  lançamento  e  da  decisão  de  primeira  instância;  (ii)  o  pedido  de  produção  de  provas,  iii)  as  arguições  de  decadência  e  de  prescrição;  e:  II)  no  mérito,  negar  provimento  aos  recursos  voluntários apresentados.     É o voto.  Demetrius Nichele Macei                                Fl. 66663DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.972726/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1580; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 2          1 1  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.972726/2010­11  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1302­000.507  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  27 de julho de 2017  Assunto  ÁGIO. REMESSAS PARA O EXTERIOR. IRRF. DIRF  Recorrente  VIVO PARTICIPAÇÕES S.A. (SUCESSORA DA TELESP CELULAR  PARTICPAÇÕES S.A. )  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  voto  do  relator,  vencido  o  Conselheiro  Paulo  Henrique Silva Figueiredo.   (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Rogério Aparecido Gil ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  César  Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério  Aparecido  Gil,  Ester  Marques  Lins  de  Sousa,  Gustavo  Guimarães  da  Fonseca,  Eduardo  Morgado  Rodrigues  (Suplente  Convocado)  e  Luiz  Tadeu  Matosinho  Machado  (Presidente). Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 12­59.563 de 12  de setembro de 2007 da 15ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro que, por unanimidade de voto,  não  reconhecer  o  direito  creditório  pleiteado  pela  Recorrente  e,  consequentemente,  Manter  Integralmente  os  termos  do  Despacho  Decisório  n°  952491429,  de  09/09/2011  (fl.  06),  registrando­se a seguinte ementa:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 72 72 6/ 20 10 -1 1 Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10880.972726/2010­11  Resolução nº  1302­000.507  S1­C3T2  Fl. 3          2 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF.  INDEDUTIBILIDADE.  NÃO  COMPROVAÇÃO  DO  OFERECIMENTO  À  TRIBUTAÇÃO DOS RESPECTIVOS RENDIMENTOS.  Para  efeito  de  determinação  do  saldo  negativo  de  IRPJ  a  ser  restituído  ou  compensado,  a  pessoa  jurídica  pode  deduzir  do  imposto  devido  o  valor  do  imposto de renda pago ou retido na fonte,  incidente sobre receitas computadas  na  determinação  do  lucro  real.  No  caso  de  receitas  oriundas  de  aplicações  financeiras que abranjam mais de um exercício, o oferecimento destas receitas à  tributação ocorre em conformidade  com o ano em que  tais  rendimentos  foram  auferidos,  de  acordo  com  o  regime  de  competência.  Cabe  ao  contribuinte  a  comprovação  do  oferecimento  destas  receitas  à  tributação,  justificando­se  a  glosa do respectivo IRRF quando não realizada a devida comprovação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido     A Fiscalização registrou os seguintes  fatos, os quais  também foram destacados  no Acórdão recorrido:  Trata­se de DCOMP Eletrônica n° 18930.88100.301209.1.2.02­6480, fls. 02/05,  apresentada em 30/12/2009 onde a interessada declara, resumidamente, a compensação  utilizando o seguinte crédito:  Crédito  ­  Saldo Negativo  de  IRPJ  Forma  de Apuração: Anual  Exercício:  2005  Valor do Saldo Negativo  : R$ 101.054.248,39 Valor Original  do Crédito  Inicial  : R$  101.054.248,39 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 101.054.248,39 Valor do  Pedido de Restituição : R$ 101.054.248,39 O contribuinte pleiteou ainda a utilização do  saldo  negativo  em  questão  para  compensar  os  débitos  relacionados  às  seguintes  PERDCOMP:  PER/DCOMPs  Relacionadas  24290.57212.240511.1.3.02­5808  33811.80328.210611.1.3.02­5906  17182.20499.220611.1.3.02­1615  40033.60144.300611.1.3.02­6040  40630.27357.300611.1.3.02­0984  17168.31867.210711.1.7.02­5891  34727.15796.210711.1.7.02­1297  30392.52668.220711.1.3.02­2923  19081.39375.260711.1.3.02­2578  27500.98559.130711.1.3.02­0988  13411.27143.070611.1.3.02­5911  14564.01858.300511.1.3.02­0742  40872.23754.310511.1.3.02­1862  36618.61338.310511.1.3.02­5744  26229.59579.310511.1.3.02­6705  25594.24337.260511.1.3.02­5002  17594.44694.290711.1.3.02­1636  10904.82400.150711.1.3.02­3628  01254.69371.150711.1.3.02­7275  27006.63245.200611.1.7.02­2595  34966.13019.200611.1.7.02­3380  36025.53553.200611.1.3.02­9770  13162.73138.150611.1.3.02­1315  07270.14121.170611.1.3.02­8340  28699.05797.140611.1.3.02­5114  03706.49559.110811.1.3.02­0690  33741.75801.150811.1.3.02­4050  02803.04423.170811.1.3.02­0390   Anotou­se  que,  as  PERDCOMP  foram  analisadas  em  procedimentos  informatizados,  resultando  em  HOMOLOGAÇÃO  PARCIAL  e  NÃO  HOMOLOGAÇÃO  das  compensações  declaradas  e  inexistência  de  valor  a  ser  restituído/ressarcido para os PER/DCOMP listados a seguir.  Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10880.972726/2010­11  Resolução nº  1302­000.507  S1­C3T2  Fl. 4          3 Declaração  Compensação  Homologada  Parcialmente  24290.57212.240511.1.3.02­5808  Declarações  de  Compensação  Não  Homologadas  33811.80328.210611.1.3.02­5906  17182.20499.220611.1.3.02­1615  40033.60144.300611.1.3.02­6040  40630.27357.300611.1.3.02­0984  17168.31867.210711.1.7.02­5891  34727.15796.210711.1.7.02­1297  30392.52668.220711.1.3.02­2923  19081.39375.260711.1.3.02­2578  27500.98559.130711.1.3.02­0988  13411.27143.070611.1.3.02­5911  14564.01858.300511.1.3.02­0742  40872.23754.310511.1.3.02­1862  36618.61338.310511.1.3.02­5744  26229.59579.310511.1.3.02­6705  25594.24337.260511.1.3.02­5002  17594.44694.290711.1.3.02­1636  10904.82400.150711.1.3.02­3628  01254.69371.150711.1.3.02­7275  27006.63245.200611.1.7.02­2595  34966.13019.200611.1.7.02­3380  36025.53553.200611.1.3.02­9770  13162.73138.150611.1.3.02­1315  07270.14121.170611.1.3.02­8340  28699.05797.140611.1.3.02­5114  03706.49559.110811.1.3.02­0690  33741.75801.150811.1.3.02­4050  02803.04423.170811.1.3.02­0390   De acordo com o Despacho Decisório n° 952491429, de 09/09/2011  (fl. 06), o  julgamento teve a seguinte fundamentação:  "Valor  original  do  saldo  negativo  informado  no  PER/DCOMP  com  demonstrativo de crédito: R$ 101.054.248,39 Valor na DIPJ: R$ 101.054.248,39  Somatório  das  parcelas  de  composição  do  crédito  na DIPJ: R$  101.054.248,39  IRPJ devido: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas  limitado ao somatório das parcelas na DIPJ)  ­  (IRPJ devido)  limitado ao menor  valor  entre  saldo  negativo  DIPJ  e  PER/DCOMP,  observado  que  quando  este  cálculo resultar negativo, o valor será zero.  Valor  do  saldo  negativo  disponível:  R$  56.633.352,77"  Instruindo  o  despacho  decisório  veio  o  Demonstrativo  de  Análise  do  Crédito  (fls.  08/21),  onde  foram  detalhadas as parcelas confirmadas e as parcelas não confirmadas integrantes do direito  creditório pleiteado, que reproduzimos a seguir:    CNPJ da Fonte pagadora  código de Receita  Valor confirmado  02.319.126/0001­59  5706  41.110.200,00  02.449.992/0001­64  3426  8.806.486,00  30.306.294/0001­45  3426  16.238,83  59.588.111/0001­03  3426  104.801,47  ,60.770.336/0001­65  3426  1.921,45  61.472.676/0001­72  3426  269.426,62  02.558.132/0001­6  5706  6.324.278,40  Total  56.633.352,77    Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas  CNPJ da Fonte  código de  Valor  Valor  Valor não  Justificativa  pagadora  Receita  PERDCOMP  confirmado  confirmado    33.479.023/0001­80  5273  44.417.474,96  0,00  44.417.474,96  Rec. cor. não ofer.à trib.  58.160.789/0001­28  5273  3.420,66  0,00  3.420,66  Rec. cor. não ofer.à trib.  total  44.420.895,62  0,00  44.420.895,62      58.160.789/0001­28  5273  3.420,66  0,00  3.420,66  Rec. cor. não ofer.à trib.  total  44.420.895,62  0,00  44.420.895,62    A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 22/09/2011, fl. 07.  Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10880.972726/2010­11  Resolução nº  1302­000.507  S1­C3T2  Fl. 5          4 A  Recorrente  apresentou  manifestação  de  inconformidade  (21/10/2011,  fls.  23/39), instruída com os documentos de fls. 40/462, em que alega:  No ano­calendário de 2004, a Requerente sofreu retenções de imposto de renda  no valor total de R$ 101.054.248,39 (vide Ficha 53, da DIPJ, doc. n° 05 ­fls.233/308),  conforme abaixo:  (...)  Tendo  em  vista  que,  ao  final  do  ano­calendário,  a  Requerente  não  apurou  imposto  a  recolher,  o  imposto  retido  na  fonte,  no  montante  de  R$  101.054.248,39,  compôs o saldo negativo de IRPJ relativo ao período em questão.  No entanto, a Receita Federal do Brasil não reconheceu as retenções decorrentes  de operações de swap realizadas junto ao Citibank S/A, CNPJ n° 33.479.023/0001­80 e  ao Banco Safra S/A, CNPJ n° 58.160.789/0001­28, nos valores de R$ 44.417.474,962 e  R$ 3.420,66, respectivamente (cf. informes de rendimento, doc. n° 06­309/311).  O  argumento  adotado  pelo  Fisco  para  não  reconhecer  tais  retenções  foi  a  não  tributação da receita de swap correspondente.  (...)  Ora, as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, como a Requerente,  devem registrar as receitas decorrentes de aplicações financeiras com base no regime de  competência.  É o que determina o artigo 17 do Decreto Lei n° 1.598/773 e artigo n° 373 do  RIR/99  ­ Decreto  n°  3.000/994. Mesmo  entendimento  é  aquele  exarado  pela Receita  Federal em diversas decisões e soluções de consulta. O mesmo raciocínio aplica­se às  operações de swap.  Nesse  sentido, em atendimento  ao princípio da  competência,  o  reconhecimento  das  receitas ocorre no momento em que nasce o direito ao rendimento e é  rateada ao  longo do tempo em que produz efeitos.  Em suma, se uma aplicação financeira de longo prazo é realizada em 2004 com  vencimento  em  2006,  nos  anos­calendários  2004,  2005  e  2006  os  rendimentos  decorrentes dessa aplicação em cada um dos períodos serão reconhecidos como receita  pelas empresas em sua conta de resultados, bem como escriturados nos livros razão dos  respectivos anos e oferecidos à tributação do IRPJ.  Já o imposto de renda retido na fonte (IRRF) é devido no momento da alienação,  que compreende a liquidação (vencimento) e o resgate.  Isso é o que dispõem o artigo 65 § 3º da Lei n° 8.981/19956 c/c Artigo 5°da Lei  9.779/997 e artigo 1° da Lei n° 11.033/20048, corroborada pela Instrução Normativa da  Receita Federal n° 1.022/20109 e soluções de consulta da Receita Federal do Brasil.  Ou  seja,  o  IRRF  sobre  rendimentos  de  aplicações  financeiras  em operações  de  swap  somente  é  devido  quando do  resgate  ou  alienação  da  referida  aplicação,  isto  é,  quando efetivamente é colocado à disposição o investidor as receitas dela decorrentes.  Ante  o  exposto  é  comum  haver  um  descasamento  entre  o momento  em  que  o  rendimento decorrente de aplicações financeiras é reconhecido como receita e tributado  pelo  IRPJ  e  aquele  em  que  ocorre  a  retenção  do  IRRF  ­  que,  frise­se,  ocorre  no  momento do vencimento da aplicação.  Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10880.972726/2010­11  Resolução nº  1302­000.507  S1­C3T2  Fl. 6          5 A DRJ anotou que,  a Requerente auferiu  receita de swap, nos anos de 1999 a  2004, no valor  total de R$473.491.464,20. É o que demonstram a "Composição das Receitas  Financeiras  por  lançamentos  contábeis"  e  a  "Composição  Analítica  da  DIPJ",  relativas  aos  anos­calendário em questão (doc. n° 07­ fls. 312/334).  Tais  rendimentos,  entretanto,  foram  oferecidos  à  tributação  na  medida  que  auferidos e informados nas DIPJ correspondentes (doc. n° 08 ­ fls. 335/350 ).  De  seu  lado,  a  Recorrente  sustentou  que,  apesar  do  descasamento  entre  as  receitas de swap no total de R$ 473.491.464,20 ­ frisou, oferecidas a tributação na medida que  auferidas, de acordo com a legislação aplicável e com o princípio da competência ­ e a retenção  do  imposto  correspondente,  no  montante  de  R$101.054.248,39,  devido  apenas  quando  do  resgate das aplicações, não haveria se falar em não tributação de tais receitas.  Considerou, assim, que havia demonstrado as  retenções sofridas e a  tributação  dos  rendimentos  correlatos,  a  lógica  seria  o  cômputo  do  imposto  retido  pelos  Citibank  e  Banco  Safra  S/A,  nos  valores  de  R$44.417.474,96  e  R$  3.420,66  respectivamente,  na  apuração do saldo negativo de imposto de renda relativo ao ano­calendário 2004, que totaliza  R$101.054.248,39.  Não obstante, as razões da Recorrente não foram acolhidas, conforme Acórdão  recorrido, cujo resultado e ementa foram inicialmente transcritos.  A Recorrente  foi  intimada do Acórdão em questão,  em 04/10/2013  (fl.  483)  e  interpôs Recurso Voluntário,  em 17/10/2007  (fl.  485). Representação processual  formalizada  às fls. 496/603.  Razões da Recorrente   Em  suas  razões  a Recorrente  reafirma  os  fatos  e  fundamentos  expendidos  na  Manifestação de Inconformidade e destaca os pontos a seguir resumidos:  A Lei  n°  9.430/96  prevê,  em  seu  art.  1º,  três  formas  distintas  de  apuração  do  imposto de renda: real, presumido ou arbitrado.  A tributação com base no lucro real, por sua vez, admite duas formas diferentes  de tributação: real anual com antecipações mensais e real trimestral.  Na apuração do imposto com base no lucro real anual, com antecipações mensais  (regime  adotado  pela Recorrente),  fica  o  contribuinte  obrigado  a  fazer  recolhimentos  mensais com base na receita bruta ou mediante balanços ou balancetes de suspensão e  redução.  Os  pagamentos mensais  são  considerados  antecipação  do  imposto devido e,  ao  final do exercício, é realizado o ajuste anual, em que se apura lucro ou prejuízo, com o  consequente saldo de imposto a pagar ou a ser restituído ou compensado.  Para calcular  tal  saldo, a pessoa jurídica sujeita à  tributação com base no  lucro  real  poderá  deduzir  do montante  devido,  dentre  outros,  o  valor  do  imposto  pago  ou  retido  na  fonte,  incidente  sobre  receitas  computadas  na  determinação  do  lucro  real,  conforme expressamente autorizado pelo art. 231 do RIR/994.  Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10880.972726/2010­11  Resolução nº  1302­000.507  S1­C3T2  Fl. 7          6 No ano­calendário de 2004, a Recorrente sofreu retenções de imposto de renda  no valor total de R$101.054.248,39 (vide Ficha 53, da DIPJ, doc. 05 da manifestação de  inconformidade).  Sendo certo que, ao fim do ano­calendário, a Recorrente não apurou  imposto a  recolher, o imposto retido na fonte, no montante de R$ 101.054.248,39, compôs o saldo  negativo de IRPJ relativo ao período em questão.  Contudo, a Receita Federal do Brasil não reconheceu as retenções decorrentes de  operações de swap realizadas junto ao Citibank S/A, CNPJ n° 33.479.023/0001­80, e ao  Banco Safra S/A, CNPJ n°  58.160.789/0001­28,  nos  valores  de R$ 44.417.474,965  e  R$ 3.420,66, respectivamente (cf. informes de rendimento, doe. n° 06 da manifestação  de inconformidade).  (...)  Como  reconhecido  pelo  julgador,  as  pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro  real,  como  a  Recorrente,  devem  registrar  as  receitas  decorrentes  de  aplicações  financeiras  com  base  no  regime  de  competência.  É  o  que  determinam  os  arts.  17  do  Decreto­lei n° 1.598/776 e 373 do RIR/99 ­ Decreto n° 3.0007997. O mesmo raciocínio  aplica­se às operações de swap.  Nesse  sentido,  em  atenção  ao  princípio  da  competência,  o  reconhecimento  das  receitas ocorre no momento em que nasce o direito ao rendimento e é rateado ao longo  do tempo em que produz efeitos.  Ou  seja,  o  IRRF  sobre  rendimentos  de  aplicações  financeiras  em operações  de  swap  somente  é  devido  quando do  resgate  ou  alienação  da  referida  aplicação,  isto  é,  quando  efetivamente  são  colocadas  à  disposição  do  investidor  as  receitas  delas  decorrentes.  Ante  o  exposto,  é  comum haver  um descasamento  entre  o momento  em que  o  rendimento decorrente de aplicações financeiras é reconhecido como receita e tributado  pelo  IRPJ  e  aquele  em  que  ocorre  a  retenção  do  IRRF  ­  que,  frise­se,  ocorre  no  vencimento da aplicação.  No  presente  caso,  a  Recorrente  auferiu  receita  de  swap,  nos  anos  de  1999  até  2004,  no  valor  total  de R$ 473.491.464,20. É  o  que demonstram  a  "Composição  das  Receitas Financeiras por  lançamentos contábeis" e a "Composição Analítica da DIPJ"  relativas  aos  anos  calendário  em  questão  (doe.  n°  07  da  manifestação  de  inconformidade).  Tais  rendimentos,  entretanto,  foram  oferecidos  à  tributação  na medida  em  que  auferidos  e  informados  nas  DIPJ  correspondentes  (doe.  n°  08  da  manifestação  de  inconformidade), conforme abaixo:  Já o imposto de renda retido na fonte (IRRF) é devido no momento da alienação,  que compreende a liquidação (vencimento) e o resgate. Isso é o que dispõem o art. 65 §  3o da Lei n° 8.981 /958 c/c art. 5o da Lei 9J79/999 e o art.  (...)  Destarte,  a  análise  dos  livros  contábeis  do  período  de  vigência  dos  contratos  celebrados pela Recorrente ­ Livro Razão, DIPJ e registros deles extraídos (composição  das  receitas  financeiras  por  lançamentos  contábeis;  composição  analítica  da  DIPJ)  demonstra que as receitas de swap, no total de R$ 473.491.464,20, foram oferecidas à  tributação  na  medida  em  que  auferidas,  o  que  condiz  com  os  valores  retidos  pela  Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10880.972726/2010­11  Resolução nº  1302­000.507  S1­C3T2  Fl. 8          7 instituição  financeira,  no montante  de R$ 101.054.248,39,  devidamente  comprovados  pelos informes de rendimentos.  Ora, a exigência dos contratos de swap ­ firmados em 2001 ­ como única forma  para  a  consideração  do  direito  creditório  oponível  à  Fazenda  Pública  afigura­se  atentatória aos princípios da legalidade, da verdade material, da boa­fé na instrução do  procedimento fiscal e da proibição de enriquecimento ilícito do Estado.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Rogério Aparecido Gil ­ Relator   O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  a  Recorrente  está  devidamente  representada. Conheço do Recurso.  Na  forma  relatada,  não  obstante  a  conclusão  da  DRJ,  há  fortes  indícios  com  relação  à  existência  das  operações  de  swap.  Nesse  sentido,  verifica­se  que  para  a  regular  apreciação  das  razões  da  recorrente  há  a  necessidade  de  informações  complementares  específicas que não constam dos autos.  Nesse sentido, voto no sentido de converter o julgamento em diligência na qual  deverão ser atendidas as seguintes requisições:   Unidade Preparadora  a) juntar todas as DIRFs de 1999 a 2004;  b) elaborar Relatório Final; e   c)  analisar  os  rendimentos  que  restarem  oferecidos  à  tributação  e  os  referidos  montantes,  observadas  as  regras  de  proporcionalidade,  relativamente  às  informações e documentos a seguir requisitados à Recorrente.  Contribuinte  a) intimar para apresentar os extratos bancários de 1999 a 2004, com os créditos  dos rendimentos de operações de swap referentes as fontes pagadores Citibank e  Safra indicar os respectivos CNPJ;  b) vincular e trazer o Razão dos lançamentos de fls. 313/334, indicando quais os  lançamentos se referem a receitas de swap;  c) explicar a divergência entre os valores contido no informe de rendimentos do  Citibank e Banco Safra (fls. 311/315) e os valores informados como retidos;  d)  demonstrar/individualizar  a  que  se  referem  os  rendimentos  de  receitas  financeiras de 1999 a 2004 – como swap, CDB etc.  (assinado digitalmente)  Rogério Aparecido Gil  Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10880.972726/2010­11  Resolução nº  1302­000.507  S1­C3T2  Fl. 9          8   Fl. 745DF CARF MF

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Numero do processo: 13971.723117/2014-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO DA CONTA CAIXA. POSSIBILIDADE. Quando constatada pela Fiscalização a ocorrência de saldo credor de caixa, é adequada e cabível a recomposição da conta caixa, desde que os livros e a sistemática de registro e escrituração eleita pelo contribuinte permitam a obtenção de valores que, fielmente, representem a movimentação de numerário ocorrida. O arbitramento não é modalidade de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Trata-se de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas, concretamente, suas hipóteses legais de adoção. A legítima constatação de omissão de receitas tributáveis constitui presunção relativa, cabendo ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração, em contraposição direta aos fundamentos trazidos pela Fiscalização. EXCLUSÃO DOS VALORES DE PIS E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXIGIDOS NO LANÇAMENTO. Ainda que, via de regra, os valores apurados de Contribuição para o PIS e COFINS sejam dedutíveis das bases tributáveis da IRPJ e da CSLL, após a lavratura da autuação, havendo contencioso administrativo, sua exigibilidade resta suspensa, não sendo autorizada tal dedução, nos termos do § 1º do art. 344 do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTOS REFLEXOS. No que tange à acusação de omissão de receitas, quando ausentes fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011, 2012 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. VALOR NÃO INCLUÍDO NO LANÇAMENTO. A apreciação da alegação de necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS depende da constatação da inclusão pela Fiscalização de tais valores na base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2011, 2012 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. VALOR NÃO INCLUÍDO NO LANÇAMENTO. A apreciação da alegação de necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS depende da constatação da inclusão pela Fiscalização de tais valores na base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. Se a decisão administrativa que promove a revisão do lançamento de ofício utiliza-se, expressamente, de outros fundamentos, diversos daqueles trazidos pela Fiscalização para sustentar a exigência fiscal, resta configurada a modificação dos critérios jurídicos, vedada pela norma extraída das disposições dos arts. 142, 146 e 149 do CTN, devendo ser cancelado o crédito tributário. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário. RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 124 INCISO I CTN. INADEQUAÇÃO. A norma contida no art. 124, inciso I, do CTN não é própria e adequada para a responsabilização de sócios administradores, devidamente constantes do contrato ou do estatuto social das pessoas jurídicas autuadas. O interesse comum a que se refere o dispositivo não é aquele econômico, finalístico e consequencial, que os titulares naturalmente têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica. Para a ocorrência da responsabilidade solidária prevista na norma é necessária a demonstração comprovada da participação direta e conjunta das pessoas apontadas como responsáveis na realização do fato gerador, revestindo-se de copartícipes da infração apurada. RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 CTN. IMPROCEDÊNCIA. A responsabilização do sócio administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. A mera constatação da função de administração em instrumento societário e a simples argumentação, genérica e abstrata, de que as práticas das empresas dependem de atos de gestão de pessoas naturais, não é capaz de atribuir responsabilidade a sócio administrador. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011, 2012 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do cálculo da recomposição da Conta Caixa os valores dos expurgos discriminados na tabela contida na parte final do voto condutor; e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Por voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário quanto à exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar a exigência dessa penalidade. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA

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EXCLUSÃO DOS VALORES DE PIS E COFINS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXIGIDOS NO LANÇAMENTO. Ainda que, via de regra, os valores apurados de Contribuição para o PIS e COFINS sejam dedutíveis das bases tributáveis da IRPJ e da CSLL, após a lavratura da autuação, havendo contencioso administrativo, sua exigibilidade resta suspensa, não sendo autorizada tal dedução, nos termos do § 1º do art. 344 do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTOS REFLEXOS. No que tange à acusação de omissão de receitas, quando ausentes fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011, 2012 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. VALOR NÃO INCLUÍDO NO LANÇAMENTO. A apreciação da alegação de necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS depende da constatação da inclusão pela Fiscalização de tais valores na base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2011, 2012 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. VALOR NÃO INCLUÍDO NO LANÇAMENTO. A apreciação da alegação de necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS depende da constatação da inclusão pela Fiscalização de tais valores na base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. Se a decisão administrativa que promove a revisão do lançamento de ofício utiliza-se, expressamente, de outros fundamentos, diversos daqueles trazidos pela Fiscalização para sustentar a exigência fiscal, resta configurada a modificação dos critérios jurídicos, vedada pela norma extraída das disposições dos arts. 142, 146 e 149 do CTN, devendo ser cancelado o crédito tributário. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário. RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 124 INCISO I CTN. INADEQUAÇÃO. A norma contida no art. 124, inciso I, do CTN não é própria e adequada para a responsabilização de sócios administradores, devidamente constantes do contrato ou do estatuto social das pessoas jurídicas autuadas. O interesse comum a que se refere o dispositivo não é aquele econômico, finalístico e consequencial, que os titulares naturalmente têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica. Para a ocorrência da responsabilidade solidária prevista na norma é necessária a demonstração comprovada da participação direta e conjunta das pessoas apontadas como responsáveis na realização do fato gerador, revestindo-se de copartícipes da infração apurada. RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 CTN. IMPROCEDÊNCIA. A responsabilização do sócio administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. A mera constatação da função de administração em instrumento societário e a simples argumentação, genérica e abstrata, de que as práticas das empresas dependem de atos de gestão de pessoas naturais, não é capaz de atribuir responsabilidade a sócio administrador. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011, 2012 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2078; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 2.822          1 2.821  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.723117/2014­33  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  1402­002.603  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de junho de 2017  Matéria  OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrentes  FACIL INDUSTRIA COMERCIO E EXPORTAÇÕES LTDA              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011, 2012  ARBITRAMENTO.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  SALDO  CREDOR  DE  CAIXA. RECOMPOSIÇÃO DA CONTA CAIXA. POSSIBILIDADE.  Quando constatada pela Fiscalização a ocorrência de saldo credor de caixa, é  adequada e  cabível  a  recomposição da  conta  caixa,  desde que os  livros  e  a  sistemática  de  registro  e  escrituração  eleita  pelo  contribuinte  permitam  a  obtenção  de  valores  que,  fielmente,  representem  a  movimentação  de  numerário ocorrida.  O  arbitramento  não  é  modalidade  de  sanção  fiscal  e  tampouco  uma  prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Trata­se de  modalidade  de  apuração  do  lucro  tributável,  aplicável  quando  verificadas,  concretamente, suas hipóteses legais de adoção.  A legítima constatação de omissão de receitas tributáveis constitui presunção  relativa,  cabendo  ao  contribuinte  o  ônus  da  prova  da  insubsistência  da  infração, em contraposição direta aos fundamentos trazidos pela Fiscalização.  EXCLUSÃO  DOS  VALORES  DE  PIS  E  COFINS  DA  BASE  DE  CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXIGIDOS NO LANÇAMENTO.  Ainda  que,  via  de  regra,  os  valores  apurados  de Contribuição  para o PIS  e  COFINS sejam dedutíveis das bases  tributáveis da  IRPJ e da CSLL, após a  lavratura da autuação, havendo contencioso administrativo, sua exigibilidade  resta suspensa, não sendo autorizada tal dedução, nos termos do § 1º do art.  344 do RIR/99.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  CONTRIBUIÇÕES.  LANÇAMENTOS  REFLEXOS.  No  que  tange  à  acusação  de  omissão  de  receitas,  quando  ausentes  fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 31 17 /2 01 4- 33 Fl. 2822DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.823          2 manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de  COFINS.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2011, 2012  EXCLUSÃO  DO  ICMS  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  VALOR  NÃO  INCLUÍDO NO LANÇAMENTO.  A apreciação da  alegação de necessidade de  exclusão do  ICMS da base  de  cálculo da COFINS depende da constatação da inclusão pela Fiscalização de  tais valores na base de cálculo utilizada para o lançamento de ofício.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2011, 2012  EXCLUSÃO  DO  ICMS  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  VALOR  NÃO  INCLUÍDO NO LANÇAMENTO.  A apreciação da  alegação de necessidade de  exclusão do  ICMS da base  de  cálculo da Contribuição para o PIS depende da constatação da inclusão pela  Fiscalização de tais valores na base de cálculo utilizada para o lançamento de  ofício.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2011, 2012  MODIFICAÇÃO  DOS  CRITÉRIOS  JURÍDICOS  DO  LANÇAMENTO.  DECISÃO ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO.  Se a decisão administrativa que promove a  revisão do  lançamento de ofício  utiliza­se, expressamente, de outros fundamentos, diversos daqueles trazidos  pela  Fiscalização  para  sustentar  a  exigência  fiscal,  resta  configurada  a  modificação  dos  critérios  jurídicos,  vedada  pela  norma  extraída  das  disposições  dos  arts.  142,  146  e  149  do  CTN,  devendo  ser  cancelado  o  crédito tributário.  MULTA  ISOLADA.  FALTA  OU  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.  O  não  recolhimento  ou  o  recolhimento  a  menor  de  estimativas  mensais  sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa  de  ofício  isolada  estabelecida  no  artigo  44,  inciso  II,  “b”,  da  Lei  nº  9.430/1996, ainda que encerrado o ano­calendário.  RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 124 INCISO I  CTN. INADEQUAÇÃO.  A norma contida no art. 124, inciso I, do CTN não é própria e adequada para  a  responsabilização  de  sócios  administradores,  devidamente  constantes  do  contrato ou do estatuto social das pessoas jurídicas autuadas.  O  interesse  comum  a  que  se  refere  o  dispositivo  não  é  aquele  econômico,  finalístico e consequencial, que os  titulares naturalmente  têm na exploração  dos negócios mercantis pela pessoa jurídica.   Fl. 2823DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.824          3 Para  a  ocorrência  da  responsabilidade  solidária  prevista  na  norma  é  necessária a demonstração comprovada da participação direta e conjunta das  pessoas  apontadas  como  responsáveis  na  realização  do  fato  gerador,  revestindo­se de copartícipes da infração apurada.  RESPONSABILIDADE.  SÓCIO  ADMINISTRADOR.  AUSÊNCIA  DE  DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135  CTN. IMPROCEDÊNCIA.  A  responsabilização  do  sócio  administrador  é  prerrogativa  excepcional  da  Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso  para  permitir  a  transposição  da  personalidade  jurídica  do  contribuinte,  penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular.  A mera constatação da função de administração em instrumento societário e a  simples argumentação, genérica e abstrata, de que as práticas das empresas  dependem  de  atos  de  gestão  de  pessoas  naturais,  não  é  capaz  de  atribuir  responsabilidade a sócio administrador.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2011, 2012  IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.  Decorrendo a exigência de CSLL da mesma  imputação que  fundamentou o  lançamento  do  IRPJ,  deve  ser  adotada,  no mérito,  a mesma  decisão,  desde  que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do  cálculo  da  recomposição  da  Conta  Caixa  os  valores  dos  expurgos  discriminados  na  tabela  contida na parte final do voto condutor; e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Por  voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário quanto à exigência da multa isolada.  Vencidos  os  Conselheiros  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira  e  Demetrius  Nichele Macei  que  votaram  por  cancelar  a  exigência  dessa  penalidade.  Designado  o  Conselheiro  Paulo Mateus  Ciccone  para  redigir  o  voto vencedor.      (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente.       Fl. 2824DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.825          4 (assinado digitalmente)  Caio Cesar Nader Quintella ­ Relator.      (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone – Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Mateus  Ciccone,  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Marco  Rogério  Borges,  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves,  Evandro  Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Demetrius  Nichele  Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).                                      Fl. 2825DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.826          5 Relatório    Trata­se  de  Recurso  de  Ofício  e  Recurso  Voluntário  (fls.  2763  a  2800),  interpostos  contra  v.  Acórdão  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  São  Paulo/SP  (fls.  2564  a  2608)  que  manteve  integralmente  as  Autuações  sofridas  pelo  Contribuinte  (fls.  04  a  522),  mas  excluiu  a  responsabilidade  dos  sócios  administradores, rejeitando parcialmente a Impugnação apresentada pela Empresa (fls. 1901 a  2121) e provendo as Defesas dos titulares (fls. 1869 a 1900).    O  processo  versa  sobre  exações  de  IRPJ, CSLL,  PIS  e COFINS  (inclusive  aproveitamento de crédito de ofício de períodos anteriores), referentes aos anos­calendário de  2011  e  2012,  acompanhado  de  multa  de  qualificada  (150%),  multas  isoladas  referente  às  estimativas de  IRPJ  e CSLL do período,  lançadas  em  face da  empresa FACIL  INDUSTRIA  COMERCIO  E  EXPORTAÇÕES  LTDA,  tendo  sido  responsabilizados  seus  Sócios  administradores, Sr. GILMAR ANTONIO SCHMITZ e Sra. MARILEIA RAASCH.    A  acusação  fiscal  que  sustenta  as  Autuações  se  resume  à  constatação  de  omissão  de  receitas,  com  base  em  verificação  de  saldo  credor  de  caixa,  vez  que  inúmeros  valores referentes a pagamentos, por diversos meios (cheques, TEDs, etc), não possuíam prova  de lançamento a crédito correspondente ou identificação do beneficiário e motivação, inflando  o  saldo  desta  conta.  A  Fiscalização  procedeu  à  recomposição  do  "Caixa"  para  efetuar  o  lançamento.    Por  bem  resumir  a  contenda,  passa­se  a  reproduzir  trechos  do  preciso  e  completo relatório da DRJ a quo:    Os  fatos  que  ensejaram  a  autuação  de  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  e  os  respectivos  enquadramentos  legais  encontram­se descritos a fls. 7/8:  (...)  Conforme  Relatório  Fiscal  de  fls.  120/133,  integrado  pelos  documentos de fls. 134/523:  •  a  ação  fiscal  decorre  do Mandado  de  Procedimento  Fiscal  ­  Fiscalização nº 09.2.04.00­2014­00113­7, inicialmente expedido  para verificação da regularidade na apuração do IRPJ relativo  aos  anos­calendário  2011  e  2012  e,  posteriormente,  com  inclusão  do  IRF  no  escopo  da  auditoria,  o  que  gerou  outro  processo fiscal, o de nº 13971.723118/2014­88;  Fl. 2826DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.827          6 • Em 25/03/2014, deu­se início ao procedimento fiscal, conforme  TIPF  (Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal)  a  fls.  525/7  e  resposta a fls. 532/6;  •  Este  processo  trata  exclusivamente  do  IRPJ  e  seus  reflexos,  enquanto o IRRF é objeto do processo 13971.723118/2014­88;  • Ciência em 22/04/2014 do Termo de Intimação Fiscal nº 1, por  meio do qual o  contribuinte  foi  intimado para apresentação de  novos documentos e esclarecimentos adicionais. A resposta veio  em  09/05/2014,  após  um  pedido  de  prorrogação  de  prazo  ocorrido em 29/04/2014;  • Em 29/04/2014 foram expedidos os Termos de Intimação Fiscal  de nº 02 a 09, cujo objetivo foi o de coletar informações perante  diversos  fornecedores  de  mercadorias/serviços  com  os  quais  a  Fiscalizada teve relações comerciais nos anos de 2011 e 2012;  •  Lavrado  contra  a  Fiscalizada  o  Termo  de  Intimação  nº  10  (ciência pessoal em 23/05/2014), por meio do qual foi  intimada  para  apresentar documentos  bem  como  esclarecimentos  acerca  de  sua  movimentação  bancária  e  contabilização  de  diversas  operações. Após novo pedido de prorrogação de prazo datado de  13/06/2014,  em  30/06/2014  foram  apresentados,  de  forma  parcial, alguns dos documentos e esclarecimentos solicitados;  • em 28/07/2014, mediante ciência do Termo de Intimação nº 11,  o  contribuinte  foi  reintimado  a  apresentar  documentos  já  solicitados  mediante  o  Termo  de  Intimação  nº  10,  bem  como  para  esclarecimentos  de  questões  surgidas  com  a  análise  da  documentação apresentada. A resposta ocorreu em 18/08/2014;  • Por fim, foram lavrados os Termos de Intimação Fiscal nº 12 e  13, cuja ciência foi efetivada via postal em 20/08/2014 e pessoal  em 15/09/2014.  Os  respectivos  termos  foram  respondidos  em  28/08/2014  e  22/09/2014.  Dos Valores Informados na DIPJ e no DACON  •  Conforme  DIPJ  analisadas,  verificou­se  que  não  foram  apurados  valores  devidos  para  o  IRPJ,  CSLL,  PIS/PASEP  e  COFINS,  chamando  atenção  para  os  expressivos  valores  de  Custos  dos  Bens  e  Serviços  Vendidos  que  representaram,  nos  anos­calendários  de  2011  e  2012,  os  percentuais  de  94,82%  e  96,38, respectivamente, sobre a Receita Líquida das Atividades,  conforme Tabela 1 elaborada:  (...)  Considerando  ainda  que  foram  informados  saldos  anteriores  provenientes  do  ano  de  2010  nos  montantes  de  R$  232.235,30  para a COFINS e, R$ 64.650,38 para o PIS/PASEP, em todos os  meses o  contribuinte apurou  saldo credor destas  contribuições,  sendo  este  fato  também  reflexo  dos  expressivos  valores  dos  custos mencionados  no  item 10. Portanto,  levando­se  em conta  Fl. 2827DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.828          7 os valores das DIPJ e dos DACON não foram apurados valores  devidos para o IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS nos períodos  em questão;  Contabilização  de  Pagamentos  –  Utilização  da  Conta  Caixa  para Pagamentos Realizados via Bancos  •  Conforme  informado  pela  contribuinte,  os  pagamentos  efetuados  mediante  cheques  ou  transferências  bancárias,  bem  como  os  “pagamentos  de  títulos”  identificados  nos  extratos  bancários,  foram  debitados  na  contabilidade  da  empresa  na  conta “Caixa”;  Transferências  bancárias:  O  contribuinte  foi  intimado  e  reintimado a apresentar, para cada transferência bancária, qual  a  motivação  do  pagamento  e  em  qual  conta  contábil  foi  registrada;  •  Somente  com  a  amostragem  dos  lançamentos  com  valores  superiores  a  R$  10  mil  reais  com  os  históricos  nos  extratos  bancários  de  “TED  –  Transferência  Eletrônica  Disponível”,  “Transferência  Agendada”  e  “Transferência  online”  foram  debitados na conta “Caixa” nos anos de 2011 e 2012 a quantia  de R$ 9.217.148,58. No caso destas transferências, de fato, tais  recursos  nunca  transitaram  pelo  caixa,  são  créditos  efetivados  diretamente na conta do beneficiário;  •  O  contribuinte  teve  nova  oportunidade  para  identificar  os  respectivos  lançamentos  a  crédito  na  conta  “Caixa”,  os  favorecidos  e  o  motivo  dos  pagamentos,  conforme  item  4  da  Intimação Fiscal nº 11;  • Segundo a fiscalização, considerando que referidos valores não  ingressaram  efetivamente no  caixa  da  empresa,  as  entradas  na  conta  caixa  (débito)  deveriam  ter  o  respectivo  lançamento  de  saída (crédito) no mesmo dia;  • Em 18/08/2014, a fiscalizada apresentou boletim de ocorrência  noticiando recente invasão da sede da contabilidade da empresa,  o  que  teria  impossibilitado  apresentar  justificativas  das  operações bancárias e dos cheques emitidos que foram objeto de  questionamento.  A  fiscalizada  também  esclareceu  que  os  pagamentos  eram  parcelados  e  a  prazo,  o  que  dificultava  a  identificação dos respectivos lançamentos;  • Das  258  transferências  solicitadas,  o  contribuinte apresentou  comprovantes e justificativas em relação a apenas 83. A análise  dos  documentos  apresentados  está  discriminada no Anexo  I  do  relatório fiscal e pode ser resumido da seguinte forma:  Fl. 2828DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.829          8   • Cheques emitidos: dos 75 cheques selecionados, todos maiores  do que R$ 10 mil reais, foram comprovados apenas 11;  •  O  contribuinte  teve  nova  oportunidade  para  identificar  os  lançamentos  a  crédito na  conta  “Caixa”,  relativamente  aos  64  cheques  restantes,  informando  o  beneficiário;  motivação  do  pagamento  e  em  qual  conta  contábil  foi  registrado,  conforme  item 3 da Intimação Fiscal nº 11;  • Foi reiterada a escusa da não apresentação de justificativa das  operações  bancárias  e  dos  cheques  emitidos,  mediante  apresentação  de  boletim  de  ocorrência  relativo  a  invasão  da  sede da contabilidade, em 18/08/2014;  •  Dos  75  cheques  emitidos  selecionados,  o  contribuinte  apresentou  comprovantes  e  justificativas  em  relação  a  apenas  11. A análise dos documentos apresentados está discriminada no  Anexo  II  do  relatório  fiscal  e  pode  ser  resumido  da  seguinte  forma:    •  Esclareceu  a  fiscalização  que,  caso  a  saída  do  caixa  tivesse  ocorrido  em dia diverso do  lançamento da  entrada no caixa, o  que  se  admitiu  apenas  para  os  cheques  não  compensados,  deveria  ser  indicado o dia  em que  tal  lançamento a  crédito da  conta caixa foi efetuado.  •  Pagamento  de  Títulos:  Foram  identificados  nos  extratos  bancários  diversos  pagamentos  denominados  “Pagamento  de  Título”,  que  eram  realizados  com  recursos  existentes  na  conta  corrente bancária da empresa;  Fl. 2829DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.830          9 • O contribuinte foi intimado (item 5 da Intimação Fiscal nº 11)  a  comprovar  referidos  pagamentos  acompanhados  das  respectivas notas fiscais;  • a exemplo dos pagamentos efetuados com cheques ou mediante  transferências,  referidos  pagamentos  eram  debitados  na  contabilidade  da  empresa  na  conta  “Caixa”  e  deveriam  ter  o  lançamento  a  crédito  no  mesmo  dia.  Entretanto,  não  constam  saídas nos mesmos dias, nem mesmo até 31/12/2012;  • O contribuinte esclareceu que as operações cujas notas notas  fiscais  haviam  sido  apresentadas  eram  acordadas  para  pagamento parcelado e a prazo, não tendo a empresa condições  para identificar os respectivos lançamentos;  • Neste caso, houve identificação do beneficiário do pagamento e  a motivação do pagamento, porém, novamente, o saldo da conta  “Caixa”  foi  indevidamente  inflado  e  os  saldos  das  contas  representativas dos fornecedores pagos também são irreais. Tais  lançamentos correspondem ao montante de R$ 1.405.994,79 (um  milhão quatrocentos e cinco mil novecentos e noventa e quatro  reais e setenta e nove centavos) e estão discriminados no Anexo  III deste Relatório Fiscal;  • Recomposição do Saldo da Conta “Caixa”.  •  Segundo  a  fiscalização,  considerando  que  referidos  valores  apenas  transitaram  pela  conta  “Caixa”,  ou  seja,  não  ingressaram  efetivamente no  caixa  da  empresa,  as  entradas  na  conta  caixa  (débito)  deveriam  ter  o  respectivo  lançamento  de  saída (crédito) no mesmo dia;  • Foram efetuados os expurgos dos lançamentos indevidos, com  os históricos no extrato bancário, relativos aos suprimentos para  os quais não houve a comprovação dos lançamentos a crédito na  escrita contábil da conta “Caixa”:    • Com o necessário expurgo dos lançamentos indevidos relativos  aos suprimentos representados pelos lançamentos com históricos  nos extratos bancários de “Cheques”, “Cheques Compensados”,  “TED”,  “Transferência  on­line”,  “Transferências  Agendadas”  e  “Pagamentos  de  Título”,  para  os  quais  não  houve  a  comprovação dos  lançamentos  a  crédito  na  escrita  contábil  na  Fl. 2830DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.831          10 conta  “Caixa”,  seu  saldo  se  torna  credor  em  vários  períodos,  conforme se verifica no Anexo IV deste Relatório fiscal;  •  Na  tabela  10  abaixo,  cujos  valores  foram  demonstrados  no  Anexo  IV  do  relatório,  os  valores  de  omissão  considerados  no  mês  correspondem  ao  maior  saldo  credor  verificado  naquele  período mensal, subtraído da omissão acumulada no período sob  análise. Outro critério adotado foi o de se considerar, no início  de cada período anual, o saldo da conta caixa contabilizado pela  contribuinte;    • Com a  inclusão das omissões verificadas,  foram recalculadas  as  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  adicional,  considerando o  lucro  real  anual,  tendo  sido  compensado  na  autuação  o Prejuízo  do  próprio período apurado pelo contribuinte;  • Não  foram compensados  os  prejuízos  de  períodos  anteriores,  visto  que  não  houve  a  confirmação  dos  valores  nas  DIPJ  apresentadas  relativas  aos  anos­calendário  de  2007,  2008  e  2009, período em que escriturados no LALUR;  •  A  base  de  cálculo  da  CSLL  também  foi  recalculada  com  inclusão das referidas omissões;  • As receitas omitidas foram tributadas pelo PIS e pela COFINS,  com  aproveitamento  de  ofício  dos  saldos  de  créditos  apurados  pelo  contribuinte  em  seu DACON,  tendo  remanescido  saldo  de  crédito igual a zero em 01/01/2013;  Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.832          11 • Em relação ao PIS e a COFINS, além das omissões verificadas,  foram lançadas insuficiências em outubro de 2012, identificadas  no Auto de Infração como “Créditos Descontados Indevidamente  na  Apuração  das  Contribuições”,  resultantes  de  utilização  de  créditos inexistentes relativos a junho de 2012.  • Das multas aplicadas.  • diante da magnitude dos valores financeiros movimentados, da  frequência com que tais atos foram praticados, não há como se  classificar  como  não  intencional  ou  fruto  de  erro  a  postura  adotada,  ainda  mais  se  considerando  o  resultado  obtido  pela  contribuinte, qual seja, a economia tributária por ela alcançada;  •  as  multas  de  ofício  foram  aplicadas  neste  procedimento  no  percentual de 150% para as ocorrências vinculadas às omissões  de  receitas,  em  virtude  da  caracterização  da  sonegação  tributária,  nos  termos  da  legislação  retrocitada,  inclusive  na  apuração reflexa das contribuições;  •  foram  apuradas  multas  isoladas,  visto  que  a  apuração  dos  resultados  consolidados  mensais  teve  que  ser  refeita,  considerando­se o valor das infrações apuradas;  • Da Responsabilidade Solidária ­ No caso, os atos com infração  de  lei  praticados  devem  ser  atribuídos  aos  sócios  administradores  da  empresa,  visto  que  são  estes  que,  por  disposição  do  Contrato  Social,  têm  a  atribuição  e  poder  de  decisão  acerca  dos  assuntos  da  empresa,  sendo  responsáveis  solidários pelo crédito tributário, nos termos dos artigos 124, I,  e 135, III, do CTN;  Foi  providenciada,  ainda,  a  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais  (Processo nº 13971.723380/2014­22) cabível nos termos  dos artigos 1º e 4º da Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro  de 2010.  Impugnação apresentada por GILMAR ANTONIO SHMITZ:  Na  impugnação  à  responsabilidade  solidária  atribuída  ao  Sr.  Gilmar  Antonio  Shmitz,  apresentada  em  29/10/2014  (fls.  1.869/1.884), foram levantadas as alegações abaixo sintetizadas:  •  a  simples  condição  de  sócio  não  acarreta a  responsabilidade  tributária, mas  sim os atos praticados por  este com excesso de  poder, infração de lei ou estatuto;  • não houve nenhuma demonstração de atos dolosos dos sócios;  • a mesma lógica que norteia o Enunciado nº 14, do CARF, que  desautoriza a qualificação da multa de ofício no caso de simples  apuração  de  omissão  de  receitas,  exigindo  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude,  infirma  a  manobra  extrema  de  responsabilização solidária dos sócios;  • requer, por fim, o cancelamento da responsabilidade solidária  atribuída aos sócios.  Fl. 2832DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.833          12 Impugnação apresentada por MARILEIA RAASH EBSEN:  Na  impugnação  à  responsabilidade  solidária  atribuída  à  Sra.  Mariléia  Raash  Ebsern,  apresentada  em  29/10/2014  (fls.  1.885/1.900),  foram  apresentadas  as  mesmas  alegações  presentes na defesa do sócio Sr. Gilmar Antonio Shmitz.  Impugnação apresentada pela empresa FACIL:  Na  impugnação  apresentada  em  29/10/2014  (fls.  1.901/1.930  e  documentos  a  fls.  1.931/2.121),  a  autuada  Fácil,  Indústria,  Comércio  e  Exportações  Ltda.,  CNPJ  nº  05.589.639/0001­78,  sustenta as alegações abaixo sintetizadas:  •  a  autuação  é  nula;  o  fisco  deveria  ter  procedido  ao  arbitramento,  diante  da  impossibilidade  de  reconstituição  dos  fatos contábeis ocorridos;  •  configura  excesso  de  formalismo  e  rigor  exacerbado  a  exigência  de  coincidência  exata  de  datas  e  valores,  pois  o  importante  é  a  identificação  da  realidade  dos  fatos  e  a  efetiva  comprovação da origem dos recursos;  • a despeito da impossibilidade de apontar todos os créditos que  correspondem  aos  débitos  glosados  pela  fiscalização,  considerando o volume das operações da empresa, a impugnante  identificou alguns casos, discriminados nos itens 12, 13, 14 e 15  da peça de defesa;  • todas as vendas da empresa foram levadas à tributação, mas a  dinâmica  assumida  por  ela  acabou  impedindo  de  identificar,  a  posteriori,  a  vinculação  das  entradas  com  as  saídas  correspondentes;  • a presunção de omissão de receitas, com base na recomposição  da  conta  caixa,  não  se  sustenta,  levando  a  uma  tributação  excessiva, contrária até mesmo ao direito de propriedade, o que  exige o arbitramento de valores;  • na hipótese concreta a fiscalização desprezou os princípios da  verdade material e do dever de investigação;  •  em atenção ao  princípio  da  eventualidade,  argumenta  que  os  valores  lançados a  título de PIS e de COFINS,  inclusive  juros,  deveriam  ter  sido  abatidos  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL,  conforme  disposto  no  artigo  344  do  RIR,  sendo  irrelevante o fato de não ter havido o recolhimento dos referidos  tributos;  •  o  pretenso  ICMS  correspondente  também  deveria  ter  sido  abatido da base de cálculo do PIS e da COFINS;  •  a  simples  constatação  de  omissão  de  receitas  através  de  presunção  legal,  ainda  que  reiteradamente,  não  enseja  a  imposição de multa qualificada, para a qual exige­se a prova do  dolo;  Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.834          13 •  em  face  dos  princípios  da  razoabilidade  e  da  proporcionalidade, bem como do critério da consunção, a multa  isolada não pode prosperar, visto que o IRPJ e a CSLL apurados  no  encerramento  dos  anos­base  superaram,  em  muito,  os  montantes estimados inicialmente;  • é incabível a incidência de juros sobre a multa de ofício;  •  por  ausência  de  liquidez  e  certeza,  os  débitos  lançados  não  podem  ser  simplesmente  corrigidos,  impondo­se  o  seu  cancelamento;  • requer, por fim, o recebimento da impugnação; a suspensão da  exigibilidade do crédito  tributário  impugnado; a declaração de  procedência da defesa e conseqüente cancelamento integral dos  autos  de  infração  combatidos,  inclusive  em  razão  da  iliquidez/incerteza ou, quando menos, seu cancelamento parcial,  mediante expurgo das parcelas indevidas.    Ato  contínuo,  o  processo  foi  encaminhado  à  5ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ/SP,  que  julgou  parcialmente  procedente  o  lançamento,  excluindo  de  ofício  pequena  duplicidade  na  recomposição  da  conta  caixa,  calculando  seu  reflexo  nas  demais  exigências,  bem como afastou totalmente a responsabilidade de ambos os Sócios administradores incluídos  no lançamento. Confira­se a ementa daquele julgado a quo:    ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011, 2012  SALDO CREDOR DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITAS.  A  constatação  de  saldo  credor  na  contabilidade  da  conta  caixa  caracteriza  presunção  legal  de  omissão  de  receitas  tributáveis.  BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES DE TRIBUTOS.  Não podem ser descontados da base de cálculo do Imposto  de Renda valores relativos a tributos não pagos.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2011, 2012  BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES.  O ICMS compõe o faturamento da empresa, e não pode ser  excluído  da  base  de  cálculo  da  COFINS,  por  falta  de  dispositivo legal que assim determine.  Fl. 2834DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.835          14 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2011, 2012  BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES.  O ICMS compõe o faturamento da empresa, e não pode ser  excluído da base de cálculo do PIS, por falta de dispositivo  legal que assim determine.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2011, 2012  MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO.  Caracterizada  a  ação  dolosa  do  contribuinte  visando  impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento  por parte da autoridade  fazendária da ocorrência do  fato  gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou  circunstâncias  materiais,  é  cabível  a  aplicação  da  multa  qualificada de 150%.  MULTA  ISOLADA.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  COM  A  MULTA DE OFÍCIO.  Por  determinação  legal,  constatada  a  falta  de  pagamento  do  imposto  por  estimativa,  devem  ser  exigidas  as  multas  sobre  os  valores  devidos  por  estimativa  e não  recolhidos,  bem como o imposto apurado pelo ajuste anual, acrescido  da MULTA de ofício pelo seu não recolhimento.  RESPONSABILIDADE  PESSOAL/  SOLIDÁRIA  DOS  SÓCIOS /ADMINISTRADORES.  Não  caracterizada  a  prática  de  atos  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos,  nem o interesse comum com a contribuinte autuada, exclui­ se a responsabilização (tanto a pessoal, quanto a solidária)  de  todas  as  pessoas  físicas  elencadas  nos  Termos  de  Sujeição Passiva Solidária.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA.  A  decisão  proferida  no  lançamento  principal  é  aplicável  aos demais lançamentos reflexivos, face à relação de causa  e efeito que os vincula.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte    Fl. 2835DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.836          15 Diante de tal revés, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 2763  a  2800),  afirmando,  preliminarmente  que,  diferente  daquilo  entendido  no  v.  Acórdão,  todos  valores  foram  impugnados,  inclusive  aqueles  referentes  aos  créditos  glosados  de  PIS  e  COFINS.    Além disso, alega 1) nulidade da autuação, pois o Fisco deveria ter procedido  ao arbitramento; 2) que PIS e a COFINS deveriam ter sido abatidos da base de cálculo do IRPJ  e da CSLL; 3) que o ICMS deveria ter sido excluído da base de cálculo do PIS/COFINS; 4) a  inexigibilidade da multa qualificada e 5) a extinção das multas isoladas.    Na sequência, os  autos  foram encaminhados para este Conselheiro  relatar e  votar.    É o relatório.                                  Fl. 2836DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.837          16       Voto Vencido  Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella ­ Relator    O  Recurso  Voluntário  é  manifestamente  tempestivo  e  sua  matéria  se  enquadra  na  competência  desse  N.  Colegiado.  Os  demais  pressupostos  de  admissibilidade  igualmente foram atendidos.    O  Recurso  de  Ofício  não  foi  expressamente  interposto  no  v.  Acórdão  recorrido, mas verifica­se, de ofício, a ocorrência de hipótese de cabimento trazida na Portaria  MF nº 63/20171.    Recurso Voluntário    Preliminarmente, alega a Recorrente que, diferentemente daquilo que consta  no v. Acórdão, a parcela das exações referente à glosa do aproveitamentos de créditos de PIS e  COFINS,  do  regime  não  cumulativo,  não  restou  incontroversa  e  teria  sido  atacada  em  sua  Impugnação.    Afirma a Recorrente que a sua alegação sobre a necessária exclusão do ICMS  da base de cálculo do PIS/COFINS, diretamente afeta os valores em referência.                                                                 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ)  recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa,  em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais).    § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo.    § 2º Aplica­se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade  da exigência do crédito tributário.      Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União.      Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008.    Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.838          17 Assim, para o Contribuinte, o argumento dessa matéria aproveitaria a defesa  da outra.    Não assiste razão à Recorrente nesse ponto.    Observe as constatações do TVF que justificaram tal parte do lançamento:    42.  Neste  particular,  deve  ser  ressaltado  que  todos  os  saldos  créditos informados pela Fiscalizada como existentes no final do  ano  de  2012  foram  utilizados  de  ofício  para  dedução  das  contribuições  calculadas  em  razão  das  infrações  apuradas,  devendo  ser  considerado  que  seu  saldo  inicial  de  créditos  em  01/01/2013 é igual a 0 (zero), para ambas as contribuições.  43.  Ainda,  houve  desconto  a  maior  na  apuração  destas  contribuições  no  mês  de  outubro  de  2012.  Neste  mês,  a  Fiscalizada descontou créditos da COFINS apurados  em  junho  de  2012  no  montante  de  R$  43.735,22,  conforme  DACON.  Ocorre  que  levando  em  conta  os  descontos  efetuados  até  setembro de 2012, relativamente aos créditos apurados em junho  de  2012,  restavam  apenas  R$  39.618,13  para  desconto  em  outubro de 2012. Desta forma, foi descontado indevidamente no  mês de outubro,  relativamente ao crédito apurado em  junho de  2012,  o  montante  de  R$  4.117,09.  Mesmo  procedimento  em  relação  ao  PIS/PASEP,  onde  no  mês  de  outubro  de  2012  descontou créditos apurados em junho de 2012 no montante de  R$ 23.726,01, conforme DACON. Ocorre que levando em conta  os descontos efetuados até setembro de 2012, relativamente aos  créditos  apurados  em  junho  de  2012,  restavam  apenas  R$  22.832,17 para desconto  em outubro de 2012. Desta  forma,  foi  descontado  indevidamente no mês de outubro, relativamente ao  crédito  apurado  em  junho  de  2012,  o  montante  de  R$  893,84.  Estas  insuficiências  foram  lançadas  nos  respectivos  Autos  de  Infração  e  estão  identificadas  pela  infração  “Créditos  Descontados Indevidamente na Apuração das Contribuições”.    Como se observa, no cômputo feito pela Fiscalização do montante de PIS e  COFINS devidos pela constatação de omissão de receitas, considerando os créditos percebidos  e utilizados pela Recorrente no período  colhido, verificou­se um  aproveitamento  indevido,  a  maior.    Posto  isso,  a  alegação  jurídica,  sobre  a  composição  da  base  de  cálculo  das  Contribuições  Sociais  em  referencia,  na  linha  que  o  valor  do  ICMS  incidente  nas  suas  Fl. 2838DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.839          18 operações não lhe compõe, é alheio à constatação específica e  individual do aproveitamentos  indevido de créditos destes tributos.    Até porque tal acusação fiscal e sua correspondente exação se relacionam ao  à  quitação  das  obrigações  de  Contribuição  para  o  PIS  e  COFINS,  conforme  concretamente  calculado e declarado pelo Contribuinte, e não à formação de sua base de cálculo e apuração.    Claramente, a defesa da exclusão do  ICMS da base de cálculo do PIS e da  COFINS não aproveita a defesa sobre a utilização de créditos indevidos (em montante maior  do  o  verificado)  dessas  mesmas  contribuições,  confirmando  ter  restado,  de  fato,  tal  matéria  como incontroversa nos autos.    Na sequência a Recorrente passa a alegar que o lançamento de foi nulo, pois  deveria ter a Fiscalização procedido ao arbitramento e não à recomposição de seu Caixa.    Sustenta  tal  arguição afirmando que, considerando o volume das operações  da  pessoa  jurídica,  é  simplesmente  impossível  apontar,  clara  e  especificamente,  todos  os  créditos  que  correspondem  aos  débitos  glosados  pela  fiscalização,  bem  como  a  dinâmica  assumida  por  ela  [a  Empresa  autuada]  acaba  impedindo  de  identificar,  a  posteriori,  a  vinculação das entradas com as saídas correspondentes.    Também  invoca  o  princípio  da  verdade  material,  afirmando  que  a  recomposição da conta caixa afasta­se da realidade e a apuração do lucro por arbitramento seria  mais fidedigna.    Tais colocações são improcedentes.    Primeiro porque a Recorrente deixa de apontar qual hipótese do art. 530 do  RIR/99  não  teria  sido  observada,  apenas  trazendo  argumentos  abstratos  e  relacionados  à  suposta dificuldade forense de se combater a Autuação.    Também  não  foi  demonstrado  que  esta  sua  Conta  se  valia  de  manobras  excepcionais  ou  de  métodos  diferentes  de  registros  e  contabilização  que  poderiam  conflitar  com a técnica utilizada pelo Fisco na sua recomposição.     Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.840          19 Mais  importante,  a  escrituração  contábil  do  Contribuinte  não  apresentou  falhas  ou  qualquer  outra  manifestação  de  imprestabilidade  que  justificasse  a  opção  pelo  arbitramento.  A  Autoridade  Fiscal  dispunha  de  todos  os  elementos  para  proceder  à  precisa  recomposição da conta caixa e, tanto assim é, que elaborou robusto TVF munido de planilhas  com centenas de folhas que claramente apontam datas, valores, histórico, motivo dos expurgos  efetuados e o resultado final da recomposição (fls. 4 a 522).    Ainda,  é  contraditória  a  invocação  da  verdade  material  para  suportar  a  necessidade  de  arbitramento,  vez  que  a  recomposição  dessa  conta,  apenas  excluindo  os  expurgos  fundamentados,  é  a  técnica  que  mais  aproxima­se  da  realidade  (repita­se:  quando  ausentes  manobras  excepcionais  de  registro  contábil  ou  metodologia  discrepante  daquela  adotada pelo Fisco).    Frise­se  que  o  arbitramento  não  é  uma  garantia  ou  uma  prerrogativa  do  contribuinte  e  nem  uma  forma  de  penalizá­lo.  Nada  mais  é  do  que  uma  modalidade  de  determinação do lucro tributável, aplicável quando verificadas, concretamente, suas hipóteses  legais de adoção.    Assim,  diante  da  improcedência  das  alegações  da  Recorrente,  deve  ser  mantida a recomposição da conta caixa.    Ainda que não exista no Recurso Voluntário tópico específico sobre a prova  de  correspondência  entre  débitos  (entradas)  e  créditos  (saídas)  do  Caixa,  o  Contribuinte,  quando  alega  a  necessidade  do  arbitramento,  já  superada,  demonstra  o  suposto  encontro  de  alguns  valores,  ainda  que  em  datas  e montantes  distintos, mas muito  próximos  em  algumas  hipóteses,  tendo  acostado  em  sua  Impugnação  dezenas  de  cópias  de  seus  Livros  Razão  e  Diário, bem como Notas Fiscais, cheques e boletos (fls. 1945 a 2120).    Tais documentos, fornecidos após a lavratura das Autuações, visam suprir as  deficiências  de  comprovação  apontas  nos  lançamentos,  quais  sejam:  "Identificação  de  Beneficiários",  "Comprovação  de  Saída"  e  "Motivação  de  Pagamento".  Confira­se  a  esquematização das acusações fiscais elaboradas em tabela do Anexo I do Relatório Fiscal:      Fl. 2840DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.841          20   Ao  seu  turno,  da  posição  adotada  no  v.  Acórdão  sobre  tais  alegações  e  documentos  observa­se  que  não  houve  uma  verificação  analítica  de  tal  documentação,  rejeitando­os de maneira geral e expressamente  fundamentando a manutenção dos  expurgos  apenas em desencontros de datas e valores. Confira­se:    A planilha abaixo elaborada apresenta o  resultado da análise  dos  documentos  e  alegações  em  relação  a  cada  um  dos  expurgos de débitos contestados:    Em relação aos expurgos de débitos efetuados em 12/09/2011 e  10/05/2012, o Anexo  IV, que reproduz a escrituração auditada,  evidencia  que  a  contribuinte,  por  equívoco,  realizou  dois  Fl. 2841DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.842          21 lançamentos  a  débito  e  um  a  crédito,  todos  no mesmo  valor  e  data, tendo a autoridade fiscal expurgado os dois lançamentos a  débito.  Nesses  casos,  não  há  dúvida  de  que  apenas  um  dos  lançamentos  a  débito  teria  que  ser  expurgado;  o  outro  lançamento a débito, que corresponde ao crédito de igual valor,  deve ser considerado na escrituração da conta Caixa.  Os  demais  expurgos  efetuados  pela  fiscalização  não  merecem  reparos,  em  razão  dos  motivos  indicados  na  planilha  acima,  alinhados  aos  critérios  utilizados  pela  autoridade  fiscal  na  apuração das receitas omitidas. (fls. 2584 ­ destacamos)    Posto  isso,  temos  que  a  fundamentação  de  manutenção  de  vários  itens  (expurgos) das Autuações  e a  continuidade do  processo  administrativo  em  tela  fundou­se na  constatação de data distinta do crédito ou crédito em valor distinto.    Frise­se, pontualmente, aqui que, para este Conselheiro, o mero desencontro,  por diferenças e distanciamento mínimos, de datas e valores de débito e crédito da conta caixa,  per si, fora do contexto probatório da acusação fiscal, não bastariam para a manutenção dessa  exigência.    Expressamente consignou­se no v. Acórdão (como acima destacado) ser esta  a  conclusão  alcançada  da  análise  de  alegações  e  documentos  trazidos  pelo  Contribuinte,  tornando­se a sua motivação decisória.    Ocorre  que,  no  lançamento  de  ofício,  o  desencontro  de  datas  e  valores  da  conta caixa colhida não foi utilizado foi como justifica dos expurgos.    Adotando  um  exemplo,  observe  o  seguinte  débito  (item)  referente  a  uma  transferência bancária:    Autuação:      Impugnação:  Fl. 2842DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.843          22 12/01/2011 – débito no  caixa de R$ 69.482,45, desconsiderado  pela fiscalização – em 13/01/2011 houve crédito no caixa de R$  69.482,45,  para  pagamento  da  NF  18269,  do  fornecedor  Guabifios Produtos Têxteis Ltda.; (Docs. fls. 1945 a 1947)    DRJ:      Transparece que houve pela DRJ o câmbio do critério para a constatação da  ocorrência de omissão de receitas em relação a algumas ocorrências, como listadas na tabela  elaborada,  não  podendo  prevalecer  a  exigência  em  relação  a  tais  ocorrências,  ao  arrepio  do  conteúdo e da sistemática normativa instituída pelos arts. 142, 146 e 149 do CTN.    Como já relatado e apontado, a fundamentação da constatação de omissão de  receitas cinge­se a 1) ausência de comprovação do lançamento a crédito na conta "Caixa" e/ou  2)  falta  de  indicação/comprovação  de  beneficiário  de  pagamentos  e/ou  3)  carência  da  motivação/causa dos pagamentos (vide fls. 120 a 133).    E para combater tais acusações, a defesa da Recorrente fundou­se em outros  elementos, dentro da acusação inicialmente feita, visando à demonstração concreta e material  da oferta de tais valores a tributação, elucidando tais ocorrências questionadas.    Em momento algum a Autoridade Fiscal invocou a discrepância de valores e,  em  relação  a  divergência  de  data,  apenas  é  feito  breve  comentário,  hipotético,  abstrato  e  de  cunho interpretativo diverso, até mais flexível do que aquele adotado pela DRJ. Confira­se:    23.Cheques Emitidos: em relação aos cheques,  foi  selecionada  uma amostragem contendo todos os cheques emitidos com valor  superior a R$ 20 mil (vinte mil reais). No total foram debitados  na  conta  “Caixa”  nos  anos  de  2011  e  2012  a  quantia  de  R$  3.415.359,71 (três milhões quatrocentos e quinze mil trezentos e  cinquenta e nove reais e setenta e um centavos).  Ora, no caso dos cheques, se estes efetivamente circularam pelo  caixa da empresa, posteriormente, preferencialmente na mesma  data,  deveria  haver  um  lançamento  que  indicasse  a  efetiva  motivação  do  pagamento,  mormente  no  caso  de  cheques  compensados. (fls. 124)    Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.844          23 O art. 146 do CTN2  (que deve ser considerado em  interpretação conjunta e  sistemática com os arts. 142 e 149 do CTN) expressamente veda a modificação dos critérios  jurídicos  de  uma  exigência  fiscal,  não  podendo  haver  inovação,  por  meio  de  decisão  administrativa, no fundamento e na continuidade de exigência de crédito tributário.    Desse  modo,  fica  clara  a  alteração  do  critério  jurídico  promovida  pelo  v.  Acórdão a quo em relação aos itens (expurgos) da infração acima mencionados (ao final deste  listados), merecendo ser canceladas.    No  que  tange  aos  demais  itens  combatidos,  que  no  v.  Acórdão  recorrido  foram  mantidos  pela  justificativa  genérica  de  não  comprovado(s)  o(s)  crédito(s)  correspondentes,  analisando  agora  as  provas  juntadas  pela  Recorrente  aos  autos,  verifica­se  que  o  Contribuinte  ou  não  trouxe  qualquer  documento  com  conteúdo  probante  ou  apenas  acostou  cópia  dos  cheques  (de  difícil  leitura),  com  o  campo  do  beneficiário  em  branco  ou  indicando o Banco do Brasil (própria instituição Financeira fornecedora dos cheques ­ fls. 2104  a 2121). Também não há indicações específicas nas peças de defesa sobre tal documentação e  sua função de prova em relação às alegações aduzidas.    Isoladamente,  sem  qualquer  outro  elemento  de  prova  (inclusive  sobre  o  desconto,  saque ou depósito de  tais valores)  tais  provam não bastam para elidir a presunção  criada pela devida constatação fundamentada de omissão de receitas.    Em  face  da  prevalência  parcial  do  lançamento,  cabe  agora  enfrentar  as  demais alegações do Recurso Voluntário.    Alega  a Recorrente,  apenas  por meio  de  argumentação  abstrata  e  genérica,  que  a Contribuição para o PIS e  a COFINS contra  ela  exigidos neste mesmo  lançamento de  ofício  deveriam  ser  excluídos  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da CSLL,  vez  que  são  valores  dedutíveis.    Não procede tal alegação, na medida que desde a lavratura das Autuações ­  havendo  o  presente  contencioso  administrativo  ­  a  exigibilidade  de  tais  Contribuições  está  suspensa, nunca ganhando exigibilidade e, assim, não revestindo­se de dedutíveis, mesmo que  atinentes ao mesmo período.                                                                 2 Art. 146. A modificação  introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou  judicial, nos  critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada,  em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.  Fl. 2844DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.845          24 O  art.  344  do  RIR/99  é  claríssimo  ao  efetuar  tal  ressalva  à  dedução  lá  permitida:    Art.  344.  Os  tributos  e  contribuições  são  dedutíveis,  na  determinação do lucro real, segundo o regime de competência.  §  1º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  aos  tributos  e  contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos  incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não  depósito judicial     Também alega o Contribuinte, por meio de arguição meramente teórica, que  o ICMS deveria ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS, dele  agora exigidos.    Tal tese poderia até inaugurar aqui um debate sobre a necessidade ou não de  sobrestamento deste processo, vez que o E. Supremo Tribunal Federal  recentemente julgou a  matéria  favoravelmente  aos  contribuintes,  mas  não  esclareceu  a  dinâmica  temporal  de  seus  efeitos.    Todavia, o que de verifica das Autuações e do TVF (fls. 04 a 133) é que a  Autoridade  Fiscal  não  incluiu  expressamente  este  Imposto  estadual  na  base  de  cálculo  do  lançamento. Não há qualquer menção a tal manobra ou mesmo a indicação de que, nos valores  colhidos, está incluído o ICMS ­ inclusive por parte da Recorrente.    Inclusive,  as  Notas  Fiscais  acostadas  referem­se  a  valores  de  expurgos  já  cancelados neste Voto.    O  que  se  depreende,  então,  é  que  o  PIS  e  a  COFINS  foram  simples  e  devidamente  calculados  sobre  os  valores  exigidos  sob  a  rubrica  de  omissão  de  receitas,  diretamente extraídos da recomposição de conta caixa, sem considerar ou adicionar a suposta  oneração tributária estadual.    Desse modo,  sem a demonstração e  comprovação da presença do  ICMS na  composição dos valores colhidos pelo Fisco, o argumento se esvazia por completo, devendo ser  rejeitado.    Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.846          25 Quanto  à  alegação  de  improcedência  da  multa  qualificada,  verifica­se  do  TVF  (fls.  120  a  133)  que  não  houve  qualquer  demonstração  específica  e  individual  de  ocorrência de manobra  dolosa,  simulada  ou  fraudulenta  (e muito menos  conjunto  probatório  correspondente). Posto isso, é certamente incidente ao caso o disposto na Súmula CARF nº 14,  devendo ser afastada a qualificação da penalidade:    A  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito passivo.    Em relação à cumulação da multa de ofício com as multas isoladas, entende  este  Conselheiro  que  não  podem  coexistir  no  mesmo  lançamento,  independentemente  da  alteração legislativa que se procedeu no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, que teria invalidado a  aplicação da Súmula CARF nº 1053.    Isso  pois,  a  alteração  promovida  pela  Lei  nº  11.488/2007  não modificou  o  teor  jurídico da prescrição das penalidades do  art.  44 da Lei nº 9.430/96,  apenas vindo para  cambiar algumas de suas características, como a percentagem da multa isolada e afastar a sua  possibilidade de agravamento ou qualificação.    A  dinâmica  de  aplicação  e  a  coexistência  de  ambas  penalidades  não  foi  alterada  e,  por  sua  vez,  o  cenário  de  possibilidade  de  dupla  penalização  do  contribuinte  prevaleceu. Frise­se que, tal ocorrência é tema que vem sendo abordado já há alguns anos por  este E. CARF, havendo forte corrente que rechaça a aplicação concomitante de tais multas.     Comprovando  tal  afirmativa,  inicialmente,  confira­se  a  clara  e  didática  redação da ementa do Acórdão nº 1803­01.263, proferido pela 3ª Turma Especial dessa mesma  1ª Seção, em julgamento de 10/04/2012:    ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2002  NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE  DEFESA. INOCORRÊNCIA.                                                              3 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da  Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e  CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.  Fl. 2846DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.847          26 A  garantia  constitucional  de  ampla  defesa,  no  processo  administrativo  fiscal,  está  assegurada  pelo  direito  de  o  contribuinte ter vista dos autos, apresentar impugnação, interpor  recursos  administrativos,  apresentar  todas  as  provas  admitidas  em  direito  e  solicitar  diligência  ou  perícia.  Não  caracteriza  cerceamento do direito de defesa o indeferimento de perícia, eis  que  a  sua  realização  é  providência  determinada  em  função  do  juízo formulado pela autoridade julgadora, ex vi do disposto no  art. 18, do Decreto 70.235, de 1972.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  NOTAS  FISCAIS  DE  SAÍDA  E  CUPONS FISCAIS. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO.  Não comprovado que as notas  fiscais de  saída e cupons  fiscais  correspondem  a  uma  mesma  operação,  resta  configurada  a  omissão de receitas.  APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E  MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA.  Incabível a aplicação concomitante de multa  isolada por  falta  de  recolhimento  de  estimativas  no  curso  do  período  de  apuração  e  de  ofício  pela  falta  de  pagamento  de  tributo  apurado no balanço.  A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal  caracteriza  etapa preparatória  do  ato de  reduzir  o  imposto no  final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é  meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante  é  sem dúvida a  efetivação da arrecadação  tributária,  atendida  pelo  recolhimento  do  tributo  apurado  ao  fim  do  ano­ calendário,  e  o  bem  jurídico  de  relevância  secundária  é  a  antecipação  do  fluxo  de  caixa  do  governo,  representada  pelo  dever de antecipar essa mesma arrecadação. (destacamos)    Como se observa, o cerne decisório  foi a dupla penalização do contribuinte  pelo mesmo ilícito tributário.    Ao passo que as estimativas  representam o simples adiantamento de  tributo  que tem seu fato gerador ocorrido apenas uma vez, no término do período de apuração anual, a  falta dessa antecipação mensal é elemento apenas concorrente para a efetiva  infração de não  recolhê­lo,  ou  recolhê­lo  a  menor,  após  o  vencimento  da  obrigação  tributária,  efetivamente  aperfeiçoada ­ a qual já é objeto penalização com a multa de ofício.    E tratando­se de ferramentas punitivas do Estado, compondo o  ius puniendi  (ainda que formalmente contidas no sistema jurídico tributário), estão sujeitas aos mecanismos,  princípios e institutos próprios que regulam essa prerrogativa do Poder Público.    Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.848          27 Assim,  um  único  ilícito  tributário  e  seu  correspondente  singular  dano  ao  Erário  (do  ponto  de  vista material),  não  pode  ensejar  duas  punições  distintas,  devendo  ser  aplicado  o  princípio  da  absorção  ou  da  consunção,  visando  repelir  esse  bis  in  idem,  como  explica Fabio Brun Goldschmitd em sua obra4.      Frise­se  que,  per  si,  a  coexistência  jurídica  das  multas  não  implica  em  qualquer  ilegalidade,  abuso ou violação de garantia. Na verdade,  cada uma presta­se a punir  uma  conduta  diferente.  A  patologia  surge  na  sua  cumulação,  em  autuações  que  sancionam  tanto a falta de pagamento dos tributos apurados no ano­calendário como também, por suposta  e  equivocada  consequência,  a  situação  de  pagamento  a  menor  (ou  não  recolhimento)  de  estimativas daquele mesmo período de apuração, já encerrado.     Tal bis  in  idem,  caracterizado  pelo  duplo  sancionamento  administrativo  do  contribuinte, não deve ser tolerado.    O mesmo entendimento estampa o Acórdão nº 1401­001.886, proferido pela  C.  1ª  Turma  Ordinária  dessa  mesma  4ª  Câmara,  com  voto  vencedor  sobre  o  tema  da  I.  Conselheira Livia de Carli Germano, publicado muito recentemente, em 09/06/2017:    ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2007  (...)  MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO.  ABSORÇÃO  OU  CONSUNÇÃO.  A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos  antecipados  deve  ser  aplicada  sobre  o  total  que  deixou  de  ser  recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento  do  exercício  redunde  em  montante  menor.  Pelo  princípio  da  absorção  ou  consunção,  contudo,  não  deve  ser  aplicada  penalidade  pela  violação  do  dever  de  antecipar,  na  mesma  medida  em  que  houver  aplicação  de  sanção  sobre  o  dever  de  recolher  em  definitivo.  Tratando­se  de  mesmo  tributo,  esta  penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se  identificarem.                                                                4 Teoria da Proibição de Bis in Idem no Direito Tributário e Sancionador Tributário. São Paulo: Noeses, 2014, p.  462.  Fl. 2848DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.849          28 Posto isso, devem ser canceladas as multas isoladas, lançadas em referência e  proporção às exigências tributárias mantidas.    Recurso de Ofício    Após  a  edição  da  Portaria MF  nº  63/2017,  a  exclusão  de  responsáveis  das  demandas  processuais  administrativas  é  causa  ensejadora  de Recurso  de Ofício, mesmo  que  não expressamente interposto pela DRJ. É a hipótese que se verifica no presente caso.    Como  se  observa  do  relatório,  o  v.  Acórdão  recorrido  afastou  a  responsabilidade  dos  sócios  GILMAR ANTONIO  SCHMITZ  e MARILEIA RAASCH,  que  haviam  inicialmente  sido  incluídos  no  lançamento,  nos  termos  dos  art.  124,  inciso  I  e  135,  inciso III do CTN, pela Autoridade Fiscal.    Nesse sentido, o TVF (fls. 131 a 132) brevemente afirma que o ilícito colhido  (omissão  de  receitas)  implica  em  ocorrência  de  sonegação  fiscal.  Confira­se  os  termos  da  responsabilização dos sócios:    59. Como se vê, se restar caracterizado que o crédito tributário é  resultante  de  atos  praticados  com  infração  de  lei,  temos  a  responsabilidade solidária dos administradores. E, de fato, como  restou  fartamente  comprovado,  tem­se  caracterizada  a  sonegação  fiscal  na  conduta  da  contribuinte,  com  infração,  portanto, à lei tributária e penal.  60. No  caso,  os  atos  com  infração de  lei  praticados devem ser  atribuídos aos sócios administradores da empresa, visto que são  estes que, por disposição do Contrato Social, têm a atribuição e  poder de decisão acerca dos assuntos da empresa:  GILMAR ANTONIO SCHMITZ:  designado  sócio  administrador  da Fiscalizada, conforme consta da 6a Alteração Contratual da  sociedade.  MARILEIA  RAASCH:  designada  sócia  administradora  da  Fiscalizada,  também  conforme  consta  da  6a  Alteração  Contratual da sociedade.  61. Tal informação ainda foi corroborada pela resposta ao item  4  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  13  protocolizada  em  22/09/2014, onde foi informado que “Gilmar Antonio Schmitz e  Mariléia  Raasch  Ebsen  –  funções  societárias:  responsabilidade  igualitária por todas as decisões inerentes às questões financeiras,  estratégicas,  fiscais,  produção,  comercial,  administrativa  e  Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.850          29 investimentos  da  empresa.  Nenhuma  decisão  nestas  áreas,  que  pudessem  impactar  o  resultado,  eram  tomadas  sem  o  conhecimento, aprovação e consenso dos sócios.”  62.  De  todo  o  exposto,  conclui­se  que  os  sócios  citados  são  responsáveis  solidários  pelo  crédito  tributário  constituído  através deste processo, nos termos dos artigos 124, I, e 135, III,  do Código Tributário Nacional.  63.  É  fato  que  a  pessoa  jurídica  é  entidade  diferente  da  dos  sócios  e  que  possui  personalidade  jurídica,  sendo,  portanto,  sujeita de deveres e obrigações. Mas é fato também que a pessoa  jurídica  não  possui,  em  sentido  estrito,  vontade  própria,  mas  antes  exterioriza  a  vontade  das  pessoas  naturais que  estão por  detrás dela, os seus sócios e/ou dirigentes.    Em primeiro lugar, deve­se esclarecer que a infração de omissão de receitas,  da forma como apontada pela Fiscalização, de forma alguma, implica em sonegação fiscal. É  mero ilícito tributário, ordinário, não podendo dele se presumir ocorrência de  fraude, dolo ou  simulação.    O  próprio  teor  da  Súmula  CARF  nº  14,  já  citada  neste  voto,  ainda  que  expressamente  apenas  afaste  a  qualificação  automática  da  multa  de  ofício  quando  da  constatação de omissão de receitas  tributáveis, bastaria para denotar a  incorreção dessa outra  manobra perpetrada no lançamento de ofício.    Ao seu turno, o art. 124, inciso I, do CTN não contém norma adequada para  possibilitar a responsabilização dos sócios administradores das pessoas jurídicas, devidamente  constantes dos contratos e estatutos sociais que lhes constituem.    É  cediço  que,  para  ocorrer  a  responsabilização  solidária  lá  prevista  é  necessária a constatação e a prova da participação conjunta de pessoas, como referido na sua  redação,  quando  da  ocorrência  do  fato  gerador,  devendo  ser  estas  copartícipes  das  infrações  percebidas pelo Fisco.     O interesse comum que se refere o inciso I do art. 124 do CTN não é aquele  econômico,  consequencial,  que  os  titulares,  naturalmente,  têm  na  exploração  dos  negócios  mercantis pela pessoa jurídica, como apontado pela Fiscalização. A utilização de tal dispositivo  para  atribuir  responsabilidade  aos  sócios  administradores,  sob  a  simples  conjectura de  haver  interesse dos sócios gestores, acaba por desconsiderar, indevida e ilegalmente, a personalidade  jurídica.    Fl. 2850DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.851          30 E mesmo o art. 135 do CTN ­ dispositivo este adequado à responsabilização  dos  sócios  administradores  ­  traz  consigo  uma  prerrogativa  excepcional  da  Administração  Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da  personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular.    Confira­se  a  lição  de  Aliomar  Baleeiro5  (em  obra  atualizada  por  Misabel  Abreu Machado Derzi) sobre o tema:    A aplicação do art.135 supõe assim:    1.  a  prática  de  ato  ilícito,  dolosamente,  pelas  pessoas  mencionadas no dispositivo;  2.  ato  ilícito,  como  infração de  lei,  contrato  social ou  estatuto,  normas  que  regem  as  relações  entre  contribuinte  e  terceiro­ responsável, externamente à norma tributária básica ou matriz,  da qual se origina o tributo;  3. a autuação tanto da norma básica (que disciplina a obrigação  tributária  em  sentido  restrito)  quanto  da  norma  secundária  (constante  no  art.  135  e  que  determina  a  responsabilidade  do  terceiro, pela prática do ilícito).    Observe que, no presente caso, a Fiscalização se ateve a  rotular omissão de  receitas  de  sonegação,  apontando  para  a  menção  em  contrato  social  dos  Sócios  responsabilizados  como  administradores  do  Contribuinte  e  fazendo  simples  ilação,  abstrata,  genérica e primária, de que a pessoa jurídica não possui, em sentido estrito, vontade própria.    Como  antes  mencionado,  um  tema  tão  sensível,  com  consequências  patrimoniais  tão  severas,  demanda  materialidade  probatória  das  práticas  e  circunstâncias  elencadas pelo Legislador no dispositivo sob análise (dolo, infração à lei que não se confunda  com  inadimplemento  fiscal,  excesso de poderes/violação de  estatuo  e efetiva participação na  conduta  ilícita),  não  podendo  ser  invocado  quando  da  ocorrência  de  simples  infração  tributária.    Dessa  forma,  o  v.  Acórdão  não  merece  reforma,  devendo  ser  mantida  a  exclusão  da  responsabilidade  dos  sócios  GILMAR  ANTONIO  SCHMITZ  e  MARILEIA  RAASCH.                                                              5  Direito Tributário Brasileiro. 11ª Ed., rev. e ampl. por Misabel Machado Derzi. Rio de Janeiro: Forense, 2003,  p. 757.  Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.852          31   Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  rejeitar  a  preliminar  alegada  e,  no  mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, excluindo do cálculo da recomposição  da conta caixa os expurgos que foram objeto de alteração de critério jurídico pela DRJ a quo,  afastando a multa qualificada, para reduzir a penalidade para o montante de 75%, cancelando  as multas isoladas, e negar provimento ao Recurso de Ofício.    Em  relação  específica  ao  cálculo  da  recomposição  da  conta  caixa  do  Contribuinte,  os  seguintes  valores  (expurgos),  inicialmente  computados  pela  Fiscalização,  devem  ser  excluídos  para  obtenção  da  devida  base  de  cálculo  do  lançamento  de  ofício  parcialmente mantido:      (assinado digitalmente)  Caio Cesar Nader Quintella           Fl. 2852DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.853          32 Voto Vencedor  Conselheiro Paulo Mateus Ciccone  Embora  respeitando  os  argumentos  com  que  o  ilustre  relator  sustentou  seu  voto  em  relação às  imposições das  chamadas  “multas  isoladas”,  faço outra  leitura  acerca do  tema,  tendo sempre perfilado com os que entendem estar­se diante de  imposições diferentes,  com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou  seja,  da  leitura  artigo 44, da Lei nº 9.430/1996,  com suas  alterações,  infere­se que, uma vez  constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada.   Se, além disso,  tiver ocorrido falta de recolhimento do  imposto devido com  base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de  multa  de  ofício  proporcional  e  juros,  pois  a  determinação  legal  de  imposição  da  multa  de  ofício, aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período  anual,  inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, apontada  pelo recorrente.  Em  síntese,  não  tendo  as  referidas multas  a mesma hipótese  de  incidência,  não haveria nada que pudesse impedir a imposição concomitante da multa isolada com a multa  de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na  apuração anual.  Todavia,  quaisquer  interpretações  em  outro  sentido  pudessem  existir  não  mais se justificam a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº  MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a  distinção:  Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  (...)  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre  o valor do pagamento mensal:  (...)  b) na  forma do  art.  2º  desta Lei,  que  deixar de  ser  efetuado,  ainda  que  tenha  sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido, no ano­calendário correspondente, no caso de pessoa  jurídica. (destaquei)    Inexiste  assim  a  estreita  correlação  entre  o  tributo  correspondente  e  a  estimativa  a  ser  paga  no  curso  do  ano.  Registre­se  que  essa  nova  redação  não  impõe  nova  penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais  clara a intenção do legislador.  Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.854          33 Faço minha as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS  SANTOS MENDES que de forma precisa analisou o tema no Acórdão nº 103­23.370, Sessão  de 24/01/2008:  “Nada  obstante,  as  regras  sancionatórias  são  em  múltiplos  aspectos  totalmente  diferentes  das  normas  de  imposição  tributária,  a  começar  pela  circunstância  essencial  de  que  o  antecedente  das  primeiras  é  composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das  segundas se  trata de conduta lícita.  Dessarte,  em  múltiplas  facetas  o  regime  das  sanções  pelo  descumprimento  de  obrigações  tributárias  mais  se  aproxima  do  penal  que do tributário.  Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da  pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL.  A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição  da  norma  punitiva,  inibe­se  o  comportamento  da  coletividade  de  cometer  o  ato  infracional.  Já  a  segunda  é  dirigida  especificamente  ao  infrator para que ele não mais cometa o delito.  É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao  contrário  do  que  ocorre  com  tributos. Uma  vez  que  uma  conduta  não  mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela  deixa de cumprir as funções preventivas.  Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de  deveres provisórios ou excepcionais.  Hector  Villegas,  (em  Direito  Penal  Tributário.  São  Paulo,  Resenha  Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da  Doutrina  Argentina  acerca  da  aplicação  da  retroatividade  benigna  às  leis temporárias e excepcionais.  No direito  brasileiro,  porém,  essa  discussão passa  ao  largo há muitas  décadas,  em razão de expressa disposição em nosso Código Penal,  no  caso, o art. 3º:  Art.  3º  A  lei  excepcional  ou  temporária,  embora  decorrido  o  período  de  sua  duração  ou  cessadas  as  circunstâncias  que  a  determinaram, aplica­se ao fato praticado durante sua vigência.  O  legislador  penal  impediu  expressamente  a  retroatividade  benigna  nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de  prevenção. Explico e exemplifico.  Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às  temporárias,  a  cessação  de  sua  vigência,  a  exclusão  da  punição  implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos  teriam  a  garantia  prévia  de,  em  breve,  deixarem  de  ser  punidos.  É  o  caso  de  uma  lei  que  impõe  a  punição  pelo  descumprimento  de  tabelamento  temporário  de  preços.  Se  após  o  período  de  tabelamento,  aqueles  que  o  descumpriram  não  fossem  punidos  e  eles  tivessem  a  Fl. 2854DF CARF MF Processo nº 13971.723117/2014­33  Acórdão n.º 1402­002.603  S1­C4T2  Fl. 2.855          34 garantia  prévia  disso,  por  que  então  cumprir  a  lei  no  período em que  estava vigente?  Ora,  essa  situação  já  regrada  pela  nossa  codificação  penal  é  absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra  que  estabelece  o  dever  de  antecipar  não  ser  temporária,  cada  dever  individualmente  considerado  é  provisório  e  diverso  do  dever  de  recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”.  Ainda  acerca  da  concomitância  na  aplicação  de  multa  de  ofício  e  multa  isolada, mesmo  que  abstraídas  questões  conceituais  envolvendo  aspectos  do  direito  penal,  o  fato é que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento  do  tributo  devido  a  título  de  estimativas,  não  estabeleceu  qualquer  limitação  quanto  à  imputação  dessa  penalidade  juntamente  com  a multa  exigida  em  conjunto  com  o  tributo,  de  modo  que,  sob  esta  ótica,  a  Fiscalização  simplesmente  aplicou  norma  abstrata  plenamente  vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou.  Registre­se,  por  fim,  ser  inaplicável,  no  caso,  a  Súmula  nº  105  do  CARF,  posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007.  Assim,  entendo  devam  ser  mantidas  integralmente  as  multas  isoladas  aplicadas.    É como voto.  Brasília (DF), em 20 de junho de 2017.     (documento assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Redator Designado.                  Fl. 2855DF CARF MF

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6877109 #
Numero do processo: 10580.720882/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007 IMUNIDADE. ENTIDADE ASSISTENCIAL. ATIVIDADE ACESSÓRIA. A imunidade tributária possui nítido caráter teleológico, de sorte que a entidade assistencial não pode praticar, reiteradamente, atividade econômica em regime empresarial. Ofensa ao § 4º, do artigo 150, VI, da Constituição, que expressamente determina que a imunidade alcança somente o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais de cada entidade. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. As instituições que gozam de imunidade tributária, na forma do art. 150, VI, “c” são obrigadas a manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades que assegurem a respectiva exatidão. Constatada a não apresentação dos livros e documentos contábeis, é lícito ao Fisco proceder à suspensão da imunidade, no período em que ocorreram tais irregularidades. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos viciados, ainda mais quando comprovado que as autoridades observaram os procedimentos previstos na legislação tributária.
Numero da decisão: 1201-001.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Luis Fabiano e Luis Toselli acompanharam o Relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: Roberto Caparroz de Almeida

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1201­001.804  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de junho de 2017  Matéria  SUSPENSÃO DE IMUNIDADE  Recorrente  ORGANIZACAO DE AUXILIO FRATERNO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006, 2007  IMUNIDADE. ENTIDADE ASSISTENCIAL. ATIVIDADE ACESSÓRIA.  A  imunidade  tributária  possui  nítido  caráter  teleológico,  de  sorte  que  a  entidade assistencial não pode praticar,  reiteradamente, atividade econômica  em regime empresarial. Ofensa ao § 4º, do artigo 150, VI, da Constituição,  que expressamente determina que a imunidade alcança somente o patrimônio,  a  renda  e  os  serviços  relacionados  com  as  finalidades  essenciais  de  cada  entidade.  SUSPENSÃO  DA  IMUNIDADE  TRIBUTÁRIA.  ESCRITURAÇÃO  CONTÁBIL.  As instituições que gozam de imunidade tributária, na forma do art. 150, VI,  “c” são obrigadas a manter escrituração completa de suas receitas e despesas  em  livros  revestidos  de  formalidades  que  assegurem  a  respectiva  exatidão.  Constatada a não apresentação dos livros e documentos contábeis, é lícito ao  Fisco proceder à suspensão da imunidade, no período em que ocorreram tais  irregularidades.  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Somente  ensejam  a  nulidade  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe  a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos viciados, ainda  mais  quando  comprovado que  as  autoridades  observaram os  procedimentos  previstos na legislação tributária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 08 82 /2 01 0- 83 Fl. 3273DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 3          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Luis Fabiano e Luis Toselli acompanharam o  Relator pelas conclusões.    (assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Roberto Caparroz  de  Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti  Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães.    Relatório  Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados por decisão anterior  deste Conselho, peço vênia para reproduzir o relatório já efetuado:  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  pelo  Contribuinte  acima  identificado,  com  o  fito  de  ver  reformada  a  decisão  proferida pela Delegacia da Receita Federal de  Julgamento de  Salvador/BA,  a  qual  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  interposta  visando  à  anulação  do  Ato  Declaratório  n°  11/2010,  que  decretou  a  suspensão  da  imunidade  tributária  da  entidade  em  relação  ao  imposto  de  renda IRPJ e contribuições sociais, nos seguintes termos:  INSTITUIÇÕES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE.  A  imunidade  prevista  no  art.  150,  VI,  "c",  da  Constituição  Federal  alcança  somente  as  entidades  que  atendam  aos  requisitos  previstos  no  art.  14  da  Lei  n°  5.172/1966,  o  não  cumprimento  de  tais  requisitos  implica  a  suspensão,  pela  autoridade competente, da aplicação daquele "benefício".  SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.  ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.  As instituições que gozam de imunidade tributária, na forma do  art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal de 1988,  são obrigadas a manter escrituração completa de suas receitas e  despesas em livros revestidos de formalidades que assegurem a  respectiva exatidão. Constatada a não apresentação dos livros e  documentos contábeis, é lícito ao Fisco proceder à suspensão da  imunidade, no período em que ocorreram tais irregularidades.  Fl. 3274DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 4          3 ENTIDADE  DE  ASSISTÊNCIA  SOCIAL.  DESVIO  DE  FINALIDADE.  A prática de atos de natureza econômico­financeira por entidade  beneficente  de  assistência  social  caracteriza  desvio  de  seus  objetivos  essenciais,  uma  vez  que  estabelece  concorrência  com  organizações  que  não  gozam  do  mesmo  tipo  de  favor,  acarretando perda do direito de tratamento privilegiado.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Para  melhor  entendimento  da  questão  e  por  economia  processual,  transcrevo  abaixo  o  resumo  dos  fatos  contido  no  acórdão exarado na primeira instância administrativa:  Trata o  presente processo,  de Manifestação  de  Inconformidade  protocolada contra decisão da Delegada da Receita Federal do  Brasil  de  Salvador,  que  através  do Ato Declaratório  Executivo  n° 11, de 29 de março de 2010, publicado no Diário Oficial da  União  de  30  de  março  de  2010,  suspendeu  a  imunidade  tributária da entidade em epígrafe.  O procedimento fiscal decorreu de representação do Ministério  Público Federal (MPF) através do ofício 058/2009/PR/BA/AR,  onde a citada instituição encaminha relatório à Receita Federal  do Brasil, mencionando a movimentação financeira atípica da  Organização  do  Auxílio  Fraterno  (OAF)  no  período  de  01/01/2006  a  26/03/2008,  além  de  mencionar  seu  relacionamento  financeiro  com  a  EBAL  Empresa  Baiana  de  Alimentos  S/A,  alvo  da  Comissão  Parlamentar  de  Inquérito  (CPI da Cesta do Povo) da Assembléia Legislativa do Estado da  Bahia.  A  movimentação  de  recursos  no  período  citado  pela  OAF  fora  classificada,  pelo  Banco  Central  do  Brasil  (Carta  Circular  n°  2826),  como  incompatível  com  o  patrimônio,  atividade  econômica  ou  com  a  ocupação  profissional  e  a  capacidade financeira presumida do cliente.  1­  DA  REPRESENTAÇÃO  FISCAL  PARA  CASSAÇÃO  DA  IMUNIDADE E ISENÇÕES  Através do Termo de fls. 02 a 15, a autoridade encarregada do  procedimento fiscal propõe a suspensão da imunidade tributária  da impugnante, com base nos seguintes argumentos:  "O  contribuinte  fiscalizado  é  uma  organização  não  governamental (ONG), imune para fins tributários, filantrópica,  cadastrada  na  Receita  Federal  sob  o  CNAE  n°  9430800  (atividades  de  associações  de  defesa  de  direitos  sociais),  cadastrada no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS),  com  autorização  para  efetuar  operações  no  comércio  exterior,  estando,  inclusive,  habilitada  no  sistema  SISCOMEX  para  tanto”;   "No  site da mencionada ONG  (www.oaf.org.br)  se  informa  sua  fundação  em  outubro  de  1958,  quando  a  advogada  católica  Dalva  Matos  fundou  um  abrigo  para  crianças  abandonadas  e  Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 5          4 mães  solteiras,  quando  o  serviço  oferecido  pela  instituição  restringia­se ao internato, onde crianças e mulheres conviviam e  eram assistidas. Com o  ingresso na  instituição do padre jesuíta  Clodoveo Piazza, em 1986, fora implantada uma pequena oficina  que  servia  tanto  como  instrumento  de  aprendizagem  para  os  jovens acolhidos pela entidade, quanto para o custeio da mesma.  O  objetivo  apresentado  no  site  é  a  educação  de  crianças  e  adolescentes em situação de risco pessoal e social (Instituição de  Educação e de Assistência Social)”;  "A entidade atualmente conta apenas com a matriz, instalada no  município de Salvador, mas  já  contou com quatro  filiais,  todas  extintas  por  encerramento  voluntário.  A  última  ata  de  assembléia  ocorreu  em  30  de  junho  de  2008,  quando  foram  eleitos  como  Diretor  Presidente  Francisco  Javier  Barturen  López  (CPF  040.230.565­53),  Maria  Miguel  Mendes  como  Diretora  Secretária  (CPF  674.550.267­49),  Maria  Conceição  Vieira  Gonçalves  para  Diretora  Social  e  de  Educação  (CPF  019.689.205­87),  todos  com mandatos até 30/06/2012. No ano­ calendário  2006  eram  os  dirigentes  da  entidade  a  sra.  Vanda  Raymunda  Pereira  (CPF  n°  050.379.805­34),  sra.  Margarida  Neves  de Almeida  (CPF n°  094.125.145­49);  sr. Marcos Paiva  Silva  (CPF n° 441.812.994­49) e  sra. Célia Pereira dos Santos  (CPF n° 205.958.978­94).  No  ano­calendário  2007  os  dirigentes  informados  à  Receita  Federal na DIPJ 2008 eram os mesmos que no ano anterior”.  "No  que  se  refere  à  entrega  da  DIPJ  2007  (ano­calendário  2006), o contribuinte se declarou como Entidade de Assistência  Social,  imune  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  e  desobrigada de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido (CSLL) e equiparado a industrial por opção, com saldo  devedor  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI)  nos  meses  de  agosto  (RS  231.755,75)  e  dezembro  de  2006  (R$  195.440,90). A entidade declarou ter adquirido, no ano de 2006,  diversos insumos/mercadorias (ficha 24 da DIPJ 2007) no valor  total  de  R$  840.696,99,  e  as  destinou,  conforme  informou  na  ficha  26  da  mesma  declaração,  à  fabricação  de  móveis  com  predominância  em  madeira  (classificação  fiscal  9403.90.90),  com  saídas  de  produtos  no  valor  de  R$  4.710.554.80.  O  ativo  total declarado da entidade em 2006 era de R$ 19.848.980,42.  Do ponto de vista da origem e aplicação de recursos, a entidade  declarou  à  RFB  origens  ("outros  recursos")  que  somaram  R$  29.619.774,00  e  aplicações  ("impostos,  taxas,  contribuições  e  despesas  de manutenção")  de  R$  31.918.134,00,  resultando  no  déficit anual de R$ 2.298.360,00”;  "No  que  se  refere  à  entrega  da  DIPJ  2008  (ano­calendário  2007), o contribuinte se declarou como Entidade de Assistência  Social,  imune do  Imposto  de Renda Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  e  desobrigada de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido  (CSLL),  porém  SEM  INFORMAÇÕES  DE  IPI  NO  PERÍODO.  A  contradição  registrada  com  as  informações  Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 6          5 prestadas  em  DIPJ  decorrem  da  entrega,  pelo  próprio  contribuinte,  de  livro de  registro de  saídas e de  IPI,  contendo  vendas  de produtos  industrializados  para  diversos  estados,  em  2007,  conforme detalhado  adiante. O  ativo  total  declarado  da  entidade em 2007 foi de R$ 14.166.384,00. Do ponto de vista da  origem  e  aplicação  de  recursos,  a  entidade  declarou  à  RFB  origens  ("outros  recursos")  que  somaram  R$  4.201.823,00  e  aplicações ("despesas de manutenção e outras despesas") de R$  9.567.448,00, resultando no déficit anual de R$ 5.365.625,00”;  "Os livros contábeis do contribuinte, objeto do Termo de Início  do  Procedimento  Fiscal  (05/06/2009)  e  do  Termo  de  Reintimação Fiscal  n°  002  (22/09/2009)  não  foram  entregues  até  a  conclusão  da  fiscalização,  registrando­se  apenas  a  entrega,  em  01/10/2009  dos  mesmos,  impressas  em  folhas  soltas,  sem  registro  na  Junta  Comercial  (JUCEB),  sem  assinatura  de  responsáveis  legais  e  de  contador,  imprestável  portanto à auditoria”. Quanto aos livros fiscais, de registro de  entrada e de saída de mercadorias, também foram entregues em  folhas  soltas,  sem  assinatura  e  sem  numeração  de  folhas.  Porém,  informações  curiosas  foram  obtidas  dos mencionados  livros”;  1)  Embora  se  tratando  de  entidade  não  governamental  de  educação  e  assistência  social,  o  "livro  de  registro  de  saídas”(folhas  soltas),  denominado  de  livro  012,  evidenciou  vendas de mercadorias  para a Bahia, São Paulo, Pernambuco,  Alagoas, Minas Gerais, Goiás,  nos meses de  janeiro a outubro  de 2007.  2)  No  "livro  de  apuração  do  ICMS"  (folhas  soltas),  para  o  mesmo  período  de  janeiro  a  outubro  de  2007  a  entidade  registrou  operações  de  saída  com  CFOP  (código  fiscal  de  operações  e  de  prestações)  variado,  listados  a  seguir:  5.101  (Venda  de  produção  do  estabelecimento),  5.102  (Venda  de  mercadoria  adquirida  ou  recebida  de  terceiros),  5.949  (Outra  saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado),  6.101  (Venda  de  produção  do  estabelecimento),  6.124  (Industrialização  efetuada  para  outra  empresa),  6.949  (Outra  saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado),  6.551 (Venda de bem do ativo imobilizado), 5.556 (Devolução de  compra  de  material  de  uso  ou  consumo),  6.915  (Remessa  de  mercadoria ou bem para conserto ou reparo), 5.917 (Remessa de  mercadoria  em  consignação  mercantil  ou  industrial),  6.902  (Retorno  de  mercadoria  utilizada  na  industrialização  por  encomenda), 5.910 (Remessa em bonificação, doação ou brinde),  5.916 (Retorno de mercadoria ou bem recebido para conserto ou  reparo). Embora  nem  todas  as  operações  constituam  vendas,  todas  elas  refletem  a  plena  atividade  comercial  da  entidade,  incluindo  operações  de  bens  industrializados  pela  entidade,  inclusive por encomenda”;  "O início da ação fiscal se deu com a ciência (em 05/06/2009),  via  postal,  com  aviso  de  recebimento,  do  Termo  de  Início  do  Procedimento Fiscal, anexo ao processo. Neste, o contribuinte é  Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 7          6 intimado a apresentar, em 20 (vinte) dias, para os anos de 2006  e  2007,  seu  estatuto  social  com  respectivas  alterações,  livros  contábeis  e  fiscais,  atas  de  eleição  do  conselho  diretor  ou  equivalente,  comprovante  de  reconhecimento  da  condição  de  utilidade  pública  federal  e  estadual  ou  municipal;  certificado  como entidade beneficente de assistência social ou registro como  entidade  para  fins  filantrópicos;  comprovante  de  isenção  fornecido pelo INSS; comprovação de  inscrição da entidade no  Conselho Municipal de Assistência Social; extratos bancários de  todas as contas correntes; contratos com fornecedores; folha de  pagamento de todos os funcionários e informação quanto ao tipo  de relação comercial mantida com a empresa EBAL ­ Empresa  Baiana de Alimentos S/A”;   "Em  09/07/2009  o  contribuinte  se  manifesta,  apresentando  apenas parte da documentação solicitada, sem fornecer ao fisco  os livros fiscais e contábeis e os extratos bancários de todas as  suas  contas,  esquivando­se  de  fornecer  aqueles  das  contas  movimentadas no banco Unibanco, objeto de citação explícita no  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal.  Nesta  data  informou  que o "episódio EBAL" os conduziu a dificuldades em localizar  os documentos exigidos”.  "Dentre os documentos fornecidos pela OAF a este  fisco citam­ se o contrato de prestação de serviços de manutenção predial e  de reparos gerais celebrado com a EBAL ­ Empresa Baiana de  Alimentos S/A. Referente ao processo n° 918/03 e seus anexos o  objeto do contrato é a realização dos serviços citados, a serem  realizados pela OAF na rede de lojas e mercados da EBAL. Os  serviços  incluíam a revisão e execução de instalações elétricas,  hidrosanitárias,  telefônicas,  incêndio,  ar  condicionado,  conservação de pisos, paredes, estruturas e fachadas; execução  de  pinturas  em  geral;  paisagismo;  revisão  de  cobertura;  impermeabilizações,  execução  de  esquadrias,  pavimentação,  dentre inúmeros outros serviços da área de engenharia. Através  da  cláusula  1.3  fica  estabelecida  a  vedação  à  subcontratação,  total ou parcial do objeto do contrato, condição esta que a OAF  também parece ter desrespeitado, haja vista o grande número de  empresas de construção civil contratadas no mesmo período, que  possuía como escopo exatamente o mesmo de seu contrato com a  EBAL. Tal fato está detalhado no item IV (Suspensão de Isenção  ou  Imunidade)  deste  relatório.  O  custo  estimado  mensal  do  contrato  firmado  era  de  R$  100.323,04  (cem  mil,  trezentos  e  vinte e três reais e quatro centavos) por mês. Segundo o item 4.1  do contrato, a EBAL pagaria pelo execução dos serviços o valor  correspondentes  à  soma  dos  custos  arcados  pela  OAF  com  a  aquisição de insumos, mão de obra, encargos sociais, materiais,  veículos,  equipamentos,  transportes  e  despesas  indiretas,  acrescidos de 5% a título de "taxa de programa educacional”;  "Da  diligência  efetuada  na  EBAL  obteve­se  as  notas  fiscais  emitidas pela OAF contra aquela, nos anos­calendário 2006 e  2007, todas se referindo, na descrição do serviço, a contratos de  manutenção firmados. O conteúdo de todas as notas obtidas foi  digitado  numa  planilha  denominada  "Notas  Fiscais  Emitidas  Fl. 3278DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 8          7 contra  a  EBAL".  Embora  as  notas  obtidas  não  sejam  conclusivas quanto ao faturamento da OAF nos anos de 2006 e  2007, são provas objetivas da fuga do objeto social desta ONG  quando  do  estabelecimento  de  relações  comerciais  com  terceiros”;   "Em virtude da falta de cumprimento pela  fiscalizada do objeto  do Termo de Reintimação Fiscal  n°  002,  pela  não  entrega  dos  livros contábeis e fiscais, este fisco lavrou Termo de Constatação  Fiscal n° 003, no qual dá ciência ao contribuinte de que a falta  do  cumprimento  do  art.  14  do  CTN  poderia  acarretar  a  suspensão da  imunidade  tributária  concedida  ao  contribuinte,  através  de  ATO  DECLARATÓRIO  expedido  pela  autoridade  competente da Receita Federal do Brasil”;   "Finalmente,  dada  à  falta  de  dados  para  se  apropriar  as  receitas auferidas pela entidade nos anos de 2006 e 2007,  vez  que o contribuinte não entregara seus livros contábeis e fiscais,  nem forneceu a totalidade de suas contas bancárias, autorizado  está o fisco federal de efetuar o afastamento do sigilo bancário  do  mesmo,  conforme  hipóteses  previstas  no  art.  33  da  lei  n°  9.430/96  (embaraço  à  fiscalização  caracterizado  pela negativa  não  justificada de  exibição  de  livros  e  documentos  em  que  se  assente  a  escrituração  das  atividades  do  sujeito  passivo,  bem  como  pelo  não  fornecimento  de  informações  sobre  bens,  movimentação financeira, quando intimado)”;  "Analisando a documentação apresentada pela OAF no curso da  ação  fiscal,  constatou­se  que,  no  ano  de  2006,  a  mesma  era  detentora  de  registro  no  Conselho  Nacional  de  Assistência  Social,  conforme processo 14.089/63­00, deferido em 14/05/63;  possuía certificado de entidade beneficente de assistência social  junto  ao  Ministério  do  Desenvolvimento  Social  e  Combate  à  Fome (Conselho Nacional de Assistência Social CNAS); certidão  de utilidade pública federal decretada pelo Ministério da justiça;  comprovante de Inscrição no Conselho Municipal de Assistência  Social  de  Salvador  (CMASS),  com  validade  de  02/06/2006  a  30/05/2011, e atestado de funcionamento pelo Juízo da 1a Vara  da  Infância  e da  Juventude;  registro no conselho Municipal de  Direitos  da  Criança  e  do  Adolescente  e  certidão  negativa  de  débitos  mobiliários  da  Prefeitura  de  Salvador,  de  débitos  tributários  com  o  fisco  do  estado  da  Bahia  e  certidão  positiva  com efeitos de negativa com a União e a Procuradoria Geral da  Fazenda  Nacional.  Apresentou  ainda  certidão  negativa  de  débito,  válida  em  2006,  junto  à  Previdência  Social  e  Ato  Declaratório  de  reconhecimento  de  isenção  de  contribuições  sociais, datada de 30/04/2007”;  "No  ato  constitutivo  da  OAF  consta  a  fundação  de  uma  sociedade  de  amparo  à  mulher  e  à  criança,  representando  a  ação  privada  para  amparo  às  mães  solteiras,  mulheres  e  crianças abandonadas. O art. 3° do capítulo II do estatuto social  de 22/11/2004 exibe como finalidade da OAF o planejamento e  execução  de  programas  de  amparo,  proteção  sócio­educativas  destinados  a  crianças,  adolescentes  e  jovens  em  situação  de  Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 9          8 grave  dificuldade,  desamparo,  abandono  e  em  risco  pessoal  e  social,  além  de  ministrar  educação  infantil  e  ensino  fundamental:  conceber  programas  de  educação  profissional,  capacitando  jovens  e  adultos  para  o  exercício  de  atividades  produtivas”;   "O primeiro ato de desrespeito às condições estabelecidas pela  legislação  para  o  usufruto  da  imunidade  constitucional  do  Imposto  de Renda  e  da  isenção  para  as  contribuições  sociais  fora a não apresentação ao fisco dos livros contábeis (Diário e  Razão),  conforme  determina  o  inciso  III  do  art.  14  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  com  redação  dada  pela  Lei  Complementar n° 104/2001”;   "Intimado através do Termo de Início do Procedimento Fiscal e  reintimado através do Termo de Reintimação Fiscal n° 002, este  específico para o tema, a apresentar os livros fiscais e contábeis,  o  contribuinte  se  limitou  a  entregar  folhas  soltas  de  uma  pretensa  contabilidade,  sem  assinatura  de  contador  e  responsável legal e sem registro na Junta Comercial. Da mesma  forma  entregou  os  livros  de  registro  de  entradas  e  saídas  de  mercadorias e de apuração do IPI: também em folhas soltas, não  contendo  todos  os  meses  dos  anos  de  2006  e  2007,  portanto  imprestáveis para a auditoria, em desrespeito ao art. 12 da Lei  n°  9.532/97,  que  determina  a  manutenção  da  escrituração  completa  de  suas  receitas  e  despesas  em  livros  revestidos  das  formalidades que assegurem a respectiva exatidão”;   "O  segundo  ato  de  desrespeito  às  condições  impostas  pela  legislação  para  usufruto  de  seu  benefício  fiscal  consistiu  no  pagamento, no ano­calendário 2004, de rendimentos à Diretora  Célia Pereira dos Santos (CPF n° 205.958.978­94), em mandato  na entidade no período de 30/12/2003 a 30/12/2007. Consulta à  Dirf  (Declaração  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte)  entregue  pela  OAF,  cuja  síntese  abaixo,  revelou  que  essa  entidade  pagou  à  diretora  rendimentos  tributáveis  (código  de  receita 0561) de R$ 557,19 naquele ano. Tal ato,  independente  de  sua  quantia,  afronta  o  determinado  pelo  art.  12  da  Lei  n°  9.532/97,  que  veda  a  remuneração,  por  qualquer  forma,  dos  dirigentes da entidade pelos serviços prestados, conforme art. 12  da Lei n° 9.532/97 e art 34 da Lei n° 10.637/2002”;  "Finalmente, o  terceiro  ato  de  transgressão  detectado  por  este  fisco  foi  a  prática  reiterada  de  atividades  completamente  alheias  ao  seu  objeto  social. Através  da  diligência  efetuada  à  EBAL  Empresa  Baiana  de  Alimentos  S/A  foram  obtidas  as  notas  fiscais  emitidas  pela  OAF  contra  aquela,  todas  elas  fazendo menção  a  serviços  de manutenção  predial,  conforme  contratos firmados, as quais estão anexas a este processo”;  "Consulta  aos  contratos  em questão  revelaram que os  serviços  prestados  pela OAF à EBAL  incluíam a  revisão e  execução de  instalações  elétricas,  hidrosanitárias,  telefônicas,  incêndio,  ar  condicionado,  conservação  de  pisos,  paredes,  estruturas  e  fachadas;  execução  de  pinturas  em  geral;  paisagismo;  revisão  Fl. 3280DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 10          9 de  cobertura;  impermeabilizações,  execução  de  esquadrias,  pavimentação,  dentre  inúmeros  outros  serviços  da  área  de  engenharia, conforme exposto anteriormente. Do total das notas  emitidas  em  2006,  somente  contra  a  EBAL,  constata­se  um  faturamento de R$ 13.320.177,03; em 2007 este total fora de R$  1.234.741,44”;   "Pesquisa  às  declarações  prestadas  pela  OAF  quanto  à  retenção de imposto de renda e de contribuição social na fonte  de pessoas jurídicas prestadoras de serviço, nos anos de 2006 e  2007, revelou a contratação de inúmeras empresas da área de  construção  civil,  o  que  reforça  a  tese  da  atuação  da  entidade  fora  de  seu  objetivo  social.  Dentre  as  inúmeras  contratadas  podem  ser  citadas:  SIPLAR  SERVIÇOS  DE  RECUPERAÇÃO  (CNPJ  n°  00.972.960/000113,  no  valor  de  R$  13.022,41,  em  2006);  a  UBC  INSTALAÇÕES  ELÉTRICAS  HIDRÁULICAS  (CNPJ  n°  02.062.220/000175,  de  R$  137.209,34,  em  2006);  a  ÊXITO  PINTURAS  (CNPJ  n°  04.380.878/000150,  de  R$  7.118,82, em 2006); DOS ANJOS SERVIÇOS DE ENGENHARIA  LTDA (CNPJ n° 05.913.720/000161, de R$ 19.534,00, em 2006);  QUALITY  ENGENHARIA  E  CONSULTORIA  (CNPJ  n°  34.306.019/000182,  de  R$  15.004,64  em  2006);  COMASA  CONSTRUÇÕES  LTDA  (CNPJ  n°  03.642.500/000115,  de  R$  5.684.440,00 em 2006); PAULUS CONSTRUÇÕES e SERVIÇOS  (CNPJ n° 02.702.285/000138, em 2006); TREVO ENGENHARIA  (CNPJ n° 06.131.637/000101, de R$ 2.230.178,99, em 2006), e  novamente,  em  2007,  a  UBC  INSTALAÇÕES  ELÉTRICAS  HIDRÁULICAS, de R$ 45.703,12.  Estes  dados  comprovam,  de  forma  cabal  e  indiscutível,  que  a  OAF estava contratada para executar obras de construção civil,  conforme  atestam  os  contratos  firmados  coma  EBAL,  assim  como deles se depreende o "modus operandi" da entidade, que  subcontratava  os  serviços  de  diversas  empresas  da  área  da  construção civil”;   "Outro convênio (n° 061/2006) estranho ao objeto da OAF fora  aquele por ela firmado com a Prefeitura Municipal de Salvador,  através  da  Secretaria  Municipal  do  Desenvolvimento  Social  (SEDES),  tendo  como  objeto  social  a  capacitação  de  400  servidores  desta  secretaria  e  de  200  "parceiros  de  sua  rede  sócio  assistencial",  tendo  como  contrapartida  a  captação  de  recursos.  O  período  do  convênio  foi  de  outubro  a  dezembro/2006,  num  valor  total  de  R$  259.193,99. Não  ficou  evidente,  em  nenhum  documento  obtido,  como  a  receita  auferida  pela  entidade  se  reverteria  em  benefícios  dos  jovens  em situação de risco”;   "Diante  do  anteriormente  disposto,  foi  expedido  TERMO  DE  NOTIFICAÇÃO  FISCAL,  encaminhado  ao  contribuinte  via  postal,  com  aviso  de  recebimento,  contendo  o  relato  dos  fatos  que determinam a suspensão do benefício,  indicando a data da  ocorrência da infração e a informação sobre o prazo de 30 dias  para a entidade apresentar provas e alegações em contrário, se  assim desejar”;  Fl. 3281DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 11          10 Por  fim,  o  processo  foi  encaminhado  ao  "SEORT  para  manifestação  quanto  às  eventuais  alegações  apresentadas  pelo  contribuinte,  com  propositura  de  expedição  de  ATO  DECLARATÓRIO  DE  SUSPENSÃO  DA  IMUNIDADE  DE  IMPOSTOS E DA ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS,  para  posterior  lavratura  do  auto  de  infração  dos  tributos  devidos, para os anos­calendário 2006 e 2007 e Representação  Fiscal para Fins Penais".  2  ­  DA  NOTIFICAÇÃO  AO  CONTRIBUINTE DOS  MOTIVOS  QUE  ESTARIAM  DANDO  CAUSA  AO  PEDIDO  DE  SUSPENSÃO DA IMUNIDADE  Em  decorrência  da  constatação  de  que  o  contribuinte  não  estaria  observando  os  requisitos  legais  para  o  gozo  da  imunidade  prevista  no  art.  150  da  Constituição  Federal,  em  cumprimento  ao  §  1°  do  art.  32  da  Lei  n°  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  a  Impugnante  foi  notificada  dos  fatos  que  estariam  dando  causa  ao  pedido  de  suspensão  do  citado  benefício fiscal (fls. 16 a 25).  Cientificado  pessoalmente  da  notificação  fiscal  em  04/02/2010  (fl. 19), na data de 08/03/2010 (fls. 2.393 a 2.400) o contribuinte  apresenta  suas  alegação  sobre  os  fatos,  informando  resumidamente o seguinte:  "Instituição de assistência social,  como a define a Constituição  Federal  (Art.  150,  VI,  in  fine),  a  oponente  é  pessoa  jurídica  (Cód. Civil, arts. 40/52), associação, a união de pessoas que se  organizem  para  fins  não  econômicos  (Cód.  Civ.,  arts.  53  definição  usque  61).  Pessoa  jurídica  sem  fins  econômicos,  a  associação, sobretudo nos moldes da oponente, dispensa capital  social.  Aos  titulares  dos  órgãos  de  sua  estrutura,  é  vedado  estatutariamente  auferir  benefício  ou  vantagem  patrimonial,  qualquer o pretexto, modo ou forma. O que acaso foi auferido, à  socapa  e  ao  arrepio  do  estatuto,  da  lei  e  da  Constituição,  foi  reprimido  incontinente,  de  sorte  que  não  pode  ser  imputado  à  oponente”.  "Responsabilidade não se presume. Resulta de lei ou de negócio  jurídico.  No  caso,  de  lei.  O  autor,  por  ação  ou  omissão,  de  infração  constitucional  ou  legal  é que  é  o  responsável  por  ela,  recaindo sobre ele, autor, as cominações constitucionais e legais  cabíveis,  respondendo ele,  outrossim, pelas demais  seqüelas da  ilicitude cometida”.  "O  responsável  pela  infração  é  sempre  e  necessariamente,  a  pessoa  física  ou  jurídica  que  descumpriu  a  obrigação.  A  responsabilidade  é  incontroversa,  em  se  tratando  de  pessoa  física,  uma  vez  comprovados  a  autoria  e  a  infração.  Não  por  outra  razão  o  Código  Civil  dispõe  que  quem,  por  ação  ou  omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e  causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete  ato  ilícito  (Cód.  Civ.  art.  186),  ficando  sujeitos  às  sanções  e  conseqüências  corolários  legais  do  ilícito  cometido.  O  Código  Tributário Nacional,  lei  complementar de cunho constitucional,  Fl. 3282DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 12          11 proíbe a Legislação Tributária alterar a definição, o conteúdo e  o alcance dos  institutos,  conceitos e  formas do direito privado,  utilizados  expressa  ou  implicitamente,  pela  Constituição  Federal, pelas Constituições do Estado, ou pelas Leis Orgânica  do Distrito  Federal  ou  dos Municípios,  para  definir  ou  limitar  competência tributárias (Art. 110). Quando todavia imputa­se a  autoria de infração à Pessoa Jurídica, as coisas já não são tão  simples assim. O responsável pela infração legalmente, é sempre  e necessariamente quem o cometeu no mundo real, disciplinado  juridicamente pelo Direito, mesmo que ele tente ocultá­la sob o  simulacro da titularidade do órgão d'uma pessoa jurídica”.  "Apesar  de  ainda  não  lhe  haver  a  comprovação  judicial,  não  obstante  já  esteja  em  curso  o  processo  penal  instaurado,  a  requerimento  do  Ministério  Público  do  Estado  da  Bahia,  sem  nele  figurar  como o Diretor­Presidente  da  oponente,  o  que  lhe  comprova a  inexistência de  responsabilidade,  e pessoa  jurídica  não é ré em processo penal, é  fato notório, dispensando prova,  havendo sido objeto anteriormente de Comissão Parlamentar de  Inquérito amplamente divulgada pela imprensa, que a oponente  foi envolvida por um titular de órgão de sua estrutura (que não o  Diretor­Presidente,  como  dito  neste  parágrafo),  num  pacto  sceleris, com um órgão público estadual, engendrado para lesar  o  Estado  da  Bahia,  dele  advindo  a  este  prejuízo  de  monta,  à  revelia dela, que reagiu tão logo lhe teve ciência, assim como de  outra  infração,  implicando  locupletamento  do  respectivo  autor,  lesões repelidas tão logo a oponente teve ciência delas”.  "É  igualmente  notório,  dispensando  prova,  outrossim,  que  Secretario de Combate à Pobreza do Estado da Bahia, Diretor­ Presidente  da  oponente,  assoberbado  pelos  afazeres  da  Pasta,  teve  de  deixar  a  administração  da  oponente  com  Marcos  de  Paiva Silva, também titular do órgão da estrutura da oponente, o  verdadeiro  e  único  responsável  por  sua  administração,  desde  então,  o  que  lhe  propiciou  envolvê­la  no  pactum  sceleris  e  em  outras  infrações,  inclusive  para  beneficiar  patrimonialmente  outro  titular  de  órgão de  estrutura  da  oponente,  que,  ao  saber  dessas  ocorrências,  adotou  prontamente  as  medidas  legais  cabíveis,  tanto  que  eles  há  muito  perderam  a  titularidade  dos  órgãos da estrutura dela”.  "Induvidoso, pois, que, as haver ocorrido, a autoria da infração  é imputável, tão só e exclusivamente, a Marcos de Paiva Silva, e  ao  titular  de  órgão  da  estrutura  da  oponente  que  compactuou  com ele, qualquer a infração, pretexto, modo ou forma, tanto que  ele  é  réu  na  ação penal  promovida  pelo Ministério Público  do  Estado da Bahia”.  As alegações do  contribuinte,  juntamente  com a Representação  Fiscal  do  fisco  propondo  a  suspensão  da  isenção  e  imunidade  foram  submetidas  ao  SEORT/DRF/SDR,  unidade  da  Receita  Federal do Brasil encarregada da análise e emissão do parecer,  que subsidiará a decisão da autoridade competente para decidir  sobre a suspensão de benefícios fiscais, no caso a Delegada da  Receita Federal do Brasil em Salvador.  Fl. 3283DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 13          12 3 ­ DO DESPACHO DECISÓRIO DO SEORT/DRF/SDR  Analisando  a  matéria,  o  SEORT/DRF/SDR  emite  o  Despacho  Decisório  0252/2010  (fls.  2.401  a  2.407),  onde,  em  síntese  afirma que:  "Cumpre  salientar  que  a  defesa  apresentada  pelo  procurador  não  refutou  as  irregularidades  identificadas  pela  fiscalização.  Apenas  atribuiu  a  responsabilidade  pelas  infrações  ao  administrador que figurava no período fiscalizado”;   "De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte é uma entidade  imune para fins tributários, cadastrada na Receita Federal sob o  CNAE  n°  9.430800  (atividades  de  associações  de  defesa  de  direitos  sociais),  em  cujo  site  consta  informação  de  que  a  entidade havia sido fundada em outubro de 1958, com o objetivo  de abrigar crianças abandonadas e mães  solteiras,  tendo como  seu  atual  objeto  a  educação  de  crianças  e  adolescentes  em  situação  de  risco  pessoal  e  social  (Instituição  de  Educação  e  Assistência Social)”;  "A  fiscalização  identificou  atos  de  desrespeito  às  condições  estabelecidas  pela  legislação  para  fruição  da  imunidade  constitucional  do  Imposto  de  Renda  e  da  isenção  para  as  contribuições sociais, quais sejam”:  "Não  apresentação  ao  fisco  dos  livros  contábeis  (Diário  e  Razão),  conforme determina o  inciso  III, do art. 14, do Código  Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/66)”;  "Realização  de  pagamento  a  uma  Diretora,  no  valor  de  R$  557,19,  no  ano­calendário  2004,  em  mandato  na  entidade,  no  período de 30/12/2003 a 30/12/2007, conforme consulta à DIRF  (Declaração  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte).  Ato  que  afronta o determinado pelo art. 12, da Lei n° 9.532/97 e art. 34,  da  Lei  10.637/2002,  que  vedam  a  remuneração,  por  qualquer  forma, dos dirigentes da entidade, pelos serviços prestados”;  "Prática  reiterada  de  atividades  completamente  alheias  ao  seu  objeto  social,  identificadas  por  meio  de  uma  diligência  à  Empresa  Baiana  de  Alimentos  S/A  (EBAL),  na  qual  foram  obtidas  notas  fiscais  emitidas  pela OAF  contra  a  EBAL,  todas  referentes a serviços de manutenção predial, conforme contratos  firmados, as quais se encontram anexadas ao presente processo.  Além disso, por meio de pesquisas às declarações prestadas pela  OAF, quanto à retenção de imposto de renda e de contribuição  social na fonte de pessoas jurídicas prestadoras de serviço, nos  anos  de  2006  e  2007,  revelou­se  contratações  de  inúmeras  empresas da área de construção civil, o que reforçaria a atuação  da  entidade  fora  do  seu  objeto  social. Por  fim,  foi  identificado  um convênio com a Prefeitura Municipal de Salvador, que teria  como  objeto  a  capacitação  de  servidores  de  uma  Secretaria  Municipal e parceiros da rede sócio assistencial, com captação  de  recursos,  sem  documentação  que  comprove  o  benefício  a  jovens em situação de risco”;   Fl. 3284DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 14          13 Citando  ou  transcrevendo  toda  a  legislação  aplicável  aos  tributos  envolvidos  na  fiscalização,  conclui  o  SEORT  que  "a  defesa não refutou o cometimento das infrações, o que nos leva a  aceitar os fatos como verdadeiros, uma vez que são verossímeis.  ­  A  não  apresentação  dos  livros  fiscais  solicitados  nas  intimações  demonstram  violação  à  alínea  "c",  do  §  2°,  do  art.  12, da Lei n° 9.532/97 e ao inciso III do art. 14 do CTN;  ­  Realização  de  pagamento  a  uma  Diretora,  no  valor  de  R$  557,19, no ano­calendário de 2004, em mandato na entidade, no  período de 30/12/2003 a 30/12/2007;  ­ As práticas reiteradas de atividades alheias ao objeto social da  entidade,  elencadas  pela  fiscalização,  principalmente  no  contrato  de  manutenção  predial,  firmado  com  a  EBAL,  e  nas  subcontratações de empresas de engenharia, que nada possuem  de  cunho  social,  fato  este  que,  inclusive,  motivou  rescisão  unilateral  do  contrato,  por  parte  da  EBAL  (fls.220/227),  demonstram  violação à  alínea “b”,  do  art.  12,  §  2o,  da Lei  n°  9.532/97  e  ao  inciso  II  do  art.  14  do  CTN,  que  determina  a  exigência  da  aplicação  dos  recursos  na  manutenção  dos  objetivos  institucionais;  Sobre  as  alegações  da  defesa,  que  buscou  transferir  da  Pessoa  Jurídica  para  Pessoa  Física  a  responsabilidade  pelos  atos  que  ocasionaram  a  Representação  Fiscal  pela  cassação  da  imunidade  da  Impugnante,  conclui  a  Autoridade  Fiscal  que  "a  legislação  regulamentadora  da  responsabilidade tributária prevista no Capítulo V, do CTN, que  leciona,  de  forma  induvidosa,  que  a  responsabilidade  de  terceiros  somente  se  aplica  às  hipóteses  previstas  no  art.  134.  Este  rol  não  prevê  a  hipótese  da  ação  do  administrador  da  empresa  supracitada,  uma  vez  que  ali  estabelece  a  responsabilidade  de  bens  de  terceiros,  somente  pelos  tributos  devidos  por  estes,  circunstância  que  não  ocorre  nos  presentes  autos. Aqui não se discute  insuficiência de recolhimento ou seu  não  recolhimento. O  que  se  discute  aqui  é  a  configuração  de  irregularidades  capazes  de  suspender  o  gozo  da  imunidade  tributária”.  "Deve­se  destacar  ainda  a  disciplina  contida  no  art.  137,  do  CTN, quando estabelece, taxativamente, que a responsabilidade  não é pessoal do agente quando praticado no exercício regular  da administração, mandato, função, cargo ou emprego, que é a  hipótese desses autos”.  "Após análise dos papéis que  formalizam o presente processo,  penso ser inequívoco que o contribuinte transgrediu requisitos  estabelecidos  para  a  fruição  do  benefício  da  imunidade.  Ele  transgrediu o disposto nas alíneas "b" e "c" do § 2° do art. 12  da Lei 9.532/97 e nos incisos II e III do art. 14 do CTN (Lei n°  5.172/66), conforme antes especificado”.  "Do exposto, submeto à apreciação da chefia do SEORT, com a  recomendação de que a autoridade  competente,  o Delegado da  Receita Federal  do Brasil  em Salvador,  determine  a  suspensão  da imunidade a que alude o art. 150 VI alínea "c", Constituição  Fl. 3285DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 15          14 Federal,  relativamente  aos  anos­calendário  2006  e  2007,  na  forma da competente e regular Representação Fiscal”.  4 ­ DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 11/2010  Com  base  no  Despacho  Decisório  0252/2010  do  SEORT,  o  Delegado  Adjunto  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Salvador,  emitiu em 29 de março de 2010, o Ato Declaratório Executivo  n° 11,  suspendendo a  imunidade da  impugnante na  forma do  art.  32  da  Lei  9.430/96  (fl.  2.408/2.410),  cuja  ciência  ao  contribuinte ocorreu através de 02 AR dos Correios, sendo o 1°  em 30/03/2010 (fl. 2.411) e o 2° em 01/04/2010 (fl. 2.412).  Cabe  esclarecer,  que  na  mesma  data  da  intimação  do  Ato  Declaratório  que  suspendeu  a  sua  imunidade,  o  contribuinte  foi  também  intimado  dos  lançamentos  de  IRPJ, CSLL,  PIS  e  COFINS,  matéria  tratada  em  processo  específico  de  n°  10580.722802/201024 que  tramita apensado ao presente PAF,  cujo mérito  será  analisado  em momento  subseqüente  à  análise  do processo de suspensão da imunidade e das isenções.  5  ­  DA  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE  AO  ATO  DECLARATÓRIO  Regularmente  intimada da suspensão da sua imunidade através  do  Ato  Declaratório  Executivo  n°  11,  em  29/04/2010  a  interessada  apresenta  tempestivamente  sua  Manifestação  de  Inconformidade  através  de  02  petições  (fls.  2.416/2.431  e  2.433/2.443),  sendo  a  primeira  relacionada  aos  lançamentos  decorrentes  da  suspensão  da  imunidade  (IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS)  cujo  mérito  será  analisado  no  processo  n°  10580.722802/201024  que  tramita  apensado  ao  processo  ora  em análise,  e a  segunda vinculada ao Ato Declaratório n° 11,  cuja matéria será a seguir analisada.  Integra, ainda, o presente PAF, 04 pedidos de afastamento de  responsabilização solidária e impugnações aos lançamentos do  IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 2.446 a 2.553), protocolados  por Vanda Raymunda  Pereira, Margarida Neves  de Almeida,  Marcos de Paiva Silva e Célia Pereira dos Santos, matéria cujo  mérito,  será  tratado  no  processo  referente  aos  lançamentos  (Processo n° 10580.722802/201024).  Em sua defesa de fls. 2.433 a 2.444, a Impugnante apresenta as  seguintes alegações:  "O  primeiro  passo  é  delimitar  a  defesa  ao  Ato  Declaratório  Executivo  que  suspendeu,  ou  pretendeu  suspender  a  imunidade  da Recorrente, qual seja, ao imposto de renda da pessoa jurídica  a que se refere, à Constituição Federal de 1988, no art. 150, VI,  alínea "c" e a norma adjetiva esculpida o art. 32, da Lei 9.430,  de 1996”;  "Fixado os  limites da  lide, a alegação  inicial e preliminar é de  nulidade do ato declaratório executivo, nos termos seguintes. A  Lei  9.430  de  1996,  na  parte  de  que  trata  da  suspensão  do  Fl. 3286DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 16          15 benefício da imunidade, artigo 32, parágrafo 3°, traz a seguinte  dicção”:  Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta  de  observância  de  requisitos  legais,  deve  ser  procedida  de  conformidade com o disposto neste artigo.  (...)  O  Delegado  ou  Inspetor  da  Receita  Federal  decidirá  sobre  a  procedência  das  alegações,  expedindo  o  ato  declaratório  suspensivo  do  beneficio,  no  caso  de  improcedência,  dando,  de  sua decisão, ciência à entidade.  "O  texto  identifica  a  autoridade  com  competência  legal  para  assinar e mandar publicar a decisão sobre o caso de suspensão  de  imunidade,  que  na  espécie  é  uma  Delegada,  conforme  indicação  que  consta  do  site  da  Receita  Federal,  cujo  cargo  é  privativo  de  Auditor  Fiscal”;  "No  entanto,  a  assinatura  que  consta  do  Ato Declaratório  é  de  Servidor  que  não  identifica  o  cargo,  não  diz  a  matrícula  e  nem  informa  se  sua  assinatura  decorre de delegação de competência.  Enfim,  o  ato  é  nulo  pela  falta  de  competência  legal,  sua  identificação,  ou  seja,  não  possui  os  requisitos  essências  de  validade do ato administrativo”;   "A segunda preliminar é em razão da ADIN.18023, cujo teor é o  seguinte”:  O  Tribunal  por  unanimidade  deferiu,  em  parte,  o  pedido  de  medida cautelar, para suspender, até a decisão final da ação, a  vigência do § 1° e a alínea f do § 2 °, ambos do art. 12, do art.  13,  caput  e  do  art.  14,  todos  da  Lei  n°  9532,  de  10/12/97,  e  indeferindoo  com  relação  aos  demais.  Votou  o  Presidente.  Ausentes,  justificadamente,  os  Srs.  Ministros  Marco  Aurélio,  Sidney  Sanches  e  Celso  de  Mello,  Presidente.  Presidiu  o  julgamento  o  Sr.  Ministro  Carlos  Velloso,  Vice  Presidente.  Plenário, 21/08/1998.  "Como  se  verifica,  a  Suprema  Corte,  em  sede  de  ação  declaratória  de  inconstitucionalidade,  mediante  antecipação  cautelar, suspendeu a vigência dos artigos de lei que menciona.  Ao  suspender  a  vigência  do  art.  14,  a  decisão  antecipatória  cautelar por questão de causa e efeito, suspendeu também todo o  artigo 32, da Lei 9.430, que abaixo se reproduz parcialmente”;  "Da  representação  fiscal  e  do  despacho  anexo  ao  ato  declaratório  expedido  constam,  expressamente  os  enunciados  acima  descritos,  cuja  vigência  está  suspensa  por  força  de  cautelar em sede de ação de inconstitucionalidade, Adin 18023”  ;   "Suspensa a vigência do enunciado da lei, o efeito, sobretudo em  matéria tributária, é sobrestar os lançamentos de constituição de  créditos  tributários  já  efetuados  em data anterior à publicação  Fl. 3287DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 17          16 da  sentença  e  proibir  qualquer  procedimento  preparatório  ao  lançamento, como o efetuado aqui, indevidamente. Tal proibição  não  decorre  de  mera  interpretação  da  Recorrente.  Ao  invés,  é  por determinação da Lei 9.868, de 1999”.  "Não  é  necessário  ser  expert  para  compreender  que  a  medida  cautelar  deferida  guarda  efeito  erga  omnes,  a  partir  da  publicação  da  sentença  (ex  tunc).  Sendo  assim,  não  é  difícil  concluir  que  o  crédito  lançado  e  os  pendentes  de  aperfeiçoamento em tramite no ambiente administrativo  ficarão  paralisados no aguardo da decisão judicial final”;   "Quanto aos eventos que subsumem a hipótese de incidência não  podem ser lançados uma vez que a lei autorizadora encontra­se  com  sua  vigência  suspensa  no  aguardo  de  decisão  final,  sob  pena de tornar letra morta a lei acima transcrita e a decisão da  Suprema Corte”;   "Por oportuno, vale ressaltar que a Delegacia de Salvador não  apenas desobedeceu a Corte Suprema e lançou o crédito a partir  de  norma  suspensa,  como  também  avançou  indevidamente,  ao  lançar  multa  de  ofício,  omitindo  o  sobrestamento  do  lançamento.Três ilegalidades, em um só ato”;  "Com  efeito,  a  autuação  fiscal  invocou  a  norma  suspensa  pela  Suprema Corte como lançou multa de ofício, apesar de proibida  por  lei  e  incluiu  no  auto  de  infração  as  contribuições  sociais,  sem autorização, uma vez que não estas exações não constam do  ato executivo”;   "Por  fim,  quer  a  Recorrente  que  sejam  considerados  todos  os  termos e argumentos trazidos na manifestação inicial, datada de  05 de março de 2010, como se aqui estivessem escritos em razão  da  Delegacia  de  Salvador  não  ter  considerado  nem  debatido  qualquer dos pontos controvertidos nela (impugnação inicial da  suspensão  da  imunidade),  atentando  contra  os  direitos  e  garantias  fundamentais  do  devido  processo  legal,  da  ampla  defesa,  da  prestação  jurisdicional  completa  (também  aplicável  ao foro administrativo) e ninguém ser obrigado a fazer ou deixar  de  fazer alguma coisa senão em virtude de  lei Const. Fed., art.  5°, LIV, LV, XXXV e II)”;  Em  suas  considerações  finais  alega  que  "a  diretora  Célia  Pereira  dos  Santos  jamais  foi  remunerada pela  Impugnante  no  decorrer de seu mandato de diretora. Como ela era empregada,  antes de ser eleita diretora pela Assembléia Geral, seu contrato  de  trabalho  foi  regularmente  extinto,  como  prova  a  xerox  do  TERMO  DE  RESCISÃO  DO  CONTRATO  DE  TRABALHO  devidamente  homologado  cuja  juntada  ao  processo  administrativo é requerida, sendo que a expressão pecuniária de  seus  direitos  trabalhistas  pecuniários  decorrentes  só  lhe  foram  pagos quando ela, Célia Pereira dos Santos,  já era diretora da  Impugnante. Assim, não houve pagamento ilícito da Impugnante  a Célia Pereira  dos  Santos,  como  supõe  a  autuação  fiscal,  em  mais um equívoco, a ser corrigido ao ser provido o recurso”;  Fl. 3288DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 18          17 "Uma  instituição  de  assistência  social  obter  renda  ou  receita,  aplicada  integralmente  na  assistência  social,  sua  fina1idade  social, como é o caso concreto mediante a prestação de serviços  ou  produção  de  bens  que  seriam  mercantis,  se  prestados  por  empresa, não constitui infração das disposições constitucionais e  legais  às  quais  a  instituição  de  assistência  social  está  subordinada";   "Se o entendimento da autuação fiscal prevalecesse, não haveria  instituição  de  assistência  social  que  não  tivesse  a  imunidade  suspensa.  Ao  contrário,  exatamente,  o  Supremo  Tribunal  Federal,  a  Corte  Constitucional  do  país,  na  configuração  constitucional do Poder Judiciário, há mais de década assentou  a  imunidade  dos  alugueis  recebidos  por  Santa  Casa  de  Misericórdia,  pela  locação  de  seus  inúmeros  imóveis,  porque  renda  ou  receita  destinada  a  lhe  prover  a  existência,  assegurando­lhe,  destarte,  o  cumprimento  de  sua  finalidade  de  assistência social. O caso, mutatis mutandi, da Impugnante, em  seu  contrato  com  uma  entidade  da  administração  estadual  descentralizada.  Se  esta  se  houve  mal,  é  matéria  de  economia  interna do Estado da Bahia. A ingerência do fisco federal nessa  questão atenta contra a autonomia federativa (Const: Fed., arts.  1° e 18). É irrelevante a instituição de assistência social prestar  serviços  ou  produzir  bens  próprios  da  atividade  empresarial,  obtendo  renda  ou  receita  que  seria  empresarial,  não  fosse  prestada por ela, desde que a renda ou receita obtida com esses  serviços ou produtos seja totalmente aplicada em sua finalidade  social. Como é o caso concreto. Tanto que a autuação fiscal não  suspendeu a imunidade porque a renda ou receita obtida com os  serviços  prestados  e  os  bens  produzidos  pela  Impugnante  não  teriam sido integralmente aplicados em sua finalidade social”;  "Ante o exposto, a Recorrente  requer o provimento do recurso,  sendo  o  ato  declaratório  executivo  anulado,  ou  cancelado  vez  que  afronta  as  razões  de  fato  e  os  fundamentos  de  direito  apontados no recurso, assim resumidos: nulidade do ato devido  à  falta  da  assinatura  da  Delegada,  ou,  ainda,  pela  falta  de  identificação  funcional  do  Servidor  que  o  assinou  e  a  não  indicação da delegação; pela invocação, como se  fundamentos,  de  normas  com  vigência  suspensa  em  sede  de medida  cautelar  com efeito contra todos ex nunc”.  Conforme mencionado no início deste relatório, a Delegacia da  Receita  Federal  de  Julgamento  de  Salvador/BA  julgou  improcedente a manifestação de  inconformidade contra o Ato  Declaratório n° 11/2010, mantendo a suspensão da imunidade  tributária da entidade em relação ao imposto de renda IRPJ e  contribuições sociais.  Em  11/04/2012,  a  pessoa  jurídica  apresentou  o  recurso  voluntário de fls. 2853 a 2866, objetivando novamente reverter  o ato de suspensão de imunidade.  Em  04/12/2012,  esta  2ª  Turma  Especial  da  1ª  Seção  de  Julgamento  do  CARF  exarou  o  Acórdão  nº  1802001.465,  Fl. 3289DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 19          18 decidindo  não  tomar  conhecimento  do  recurso  voluntário  por  considerá­lo intempestivo (...).  O processo foi enviado à Delegacia de origem para seguir o seu  curso normal (para que fosse dada ciência da decisão do CARF  à interessada, etc.), mas na seqüência os autos foram devolvidos  ao CARF com o Despacho de fls. 3244:  Tendo em vista que o recurso voluntário interposto no processo  n°  10580.722802/201024,  ora  apensado  a  este,  encontra­se  pendente de apreciação, retornamos os processos ao Conselho  Administrativo  de Recursos Fiscais  para  análise,  observado  o  despacho  de  encaminhamento  Secat  n°  0701/2013  juntado  àquele processo.  O  processo  nº  10580.722802/2010­24,  que  está  apensado  ao  presente, trata do lançamento realizado para a constituição de  créditos tributários que surgiram em decorrência da suspensão  da imunidade.  A  primeira  observação  feita  pela  Delegacia  de  origem  foi  no  sentido  de  que  o  processo  apensado,  que  trata  das  exigências  fiscais decorrentes da suspensão da imunidade, também deveria  ter sido julgado pelo CARF.  Além  disso,  a  Delegacia  de  origem  chama  a  atenção  para  “o  despacho  de  encaminhamento  Secat  n°  0701/2013  juntado  àquele processo”, com o seguinte conteúdo:  PROCESSO N°: 10580.722802/201024   INTERESSADO: ORGANIZAÇÃO DE AUXÍLIO FRATERNO  DESPACHO SECAT N.° 0701/2013   Tendo em vista o aviso de recebimento AR, de fl. 3353, referente  à ciência do Acórdão DRJ/SDR n° 1526.318, estar com a data de  recebimento omitida e considerando o art. 23, §2°,  inciso II do  Decreto n° 70.235/72, consideramos feita a intimação, s.m.j., em  23/03/2012, considerando a data de expedição em 08/03/2012.  Tendo  em  vista,  ainda,  o  recurso  voluntário  interposto  pelo  contribuinte  às  fls.  2953/2997,  encaminhamos  o  processo  ao  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.  Em sessão de 21 de outubro de 2014, a 2a Turma Especial desta 1a Seção do  CARF, decidiu ANULAR a decisão anteriormente proferida pelo Colegiado, Acórdão nº 1802­ 001.465,  de  04/12/2012,  e  DECLINAR  da  competência  para  o  julgamento  dos  processos  10580.720882/2010­83  e  10580.722802/2010­24,  por  força  do  limite  de  alçada  das  turmas  especiais.  Naquela  oportunidade,  o Colegiado  acatou  a  argumentação  da  delegacia  de  origem, no sentido de que o recurso voluntário apresentado pela interessada seria tempestivo,  nos seguintes termos:  Fl. 3290DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 20          19 Aos  presentes  autos  está  apensado  o  processo  nº  10580.722802/2010­24, que trata do lançamento realizado para  a  constituição  de  créditos  tributários  que  surgiram  em  decorrência da suspensão da imunidade.  O recurso voluntário apresentado nestes autos foi objeto de uma  decisão anterior exarada por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção  de  Julgamento  do  CARF,  Acórdão  nº  1802­001.465,  de  04/12/2012, ocasião  em que o  referido  recurso  foi considerado  intempestivo.  Não houve decisão para o processo apensado, e os autos foram  encaminhados à Delegacia de origem.  Na  seqüência,  a  Delegacia  de  origem  devolveu  os  autos  ao  CARF,  chamando  a  atenção  para  a  falta  de  julgamento  do  processo  apensado,  e  também  destacando  informação  que  descaracteriza a intempestividade declarada por este colegiado.  O “despacho de encaminhamento Secat n° 0701/2013” contido  no  processo  nº  10580.722802/201024  (apensado  ao  presente)  evidencia  que  a  ciência  das  decisões  de  primeira  instância  administrativa  (nos  dois  processos)  ocorreu  em  23/03/2012,  e  não  em  08/03/2012,  que  seria  a  data  de  expedição  das  correspondências que comunicavam tais decisões.  Importante  destacar  que  o  AR  mencionado  no  despacho  de  encaminhamento  do  processo  10580.722802/2010­24  ao CARF  possui  exatamente  as  mesmas  características  do  AR  que  embasou  a  decisão  de  intempestividade  proferida  por  este  colegiado no processo sob exame.  É  que  as  ciências  das  decisões  de  primeira  instância  administrativa  exaradas  tanto  no  processo  que  trata  da  suspensão  de  imunidade  (agora  sob  exame),  quanto  no  processo  que  trata  dos  créditos  tributários  decorrentes  dessa  suspensão  (processo  apensado),  foram  dadas  conjuntamente,  encaminhadas  pelo mesmo  emissário  e  recebidas  pela mesma  pessoa  do  mesmo  modo,  ou  seja,  sem  aposição  da  data  de  recebimento da correspondência.  Considerado o dia 23/03/2012 como sendo a data de ciência das  decisões  de  primeira  instância  administrativa,  nos  termos  da  regra contida no art. 23, § 2°, inciso II, do Decreto n° 70.235/72,  fica  afastada  a  intempestividade  do  recurso  voluntário  objeto  dos presentes autos.  Nesses termos, a decisão anterior proferida por esta 2ª Turma  Especial  da  1ª  Seção  de  Julgamento  do  CARF,  Acórdão  nº  1802001.465,  de  04/12/2012,  padece  do  vício  de  nulidade,  eis  que  ao  não  tomar  conhecimento  do  recurso  voluntário,  por  uma  errônea  constatação  de  intempestividade,  incorreu  em  cerceamento de direito de defesa, e, por isso, deve ser anulada.  Depois  de  passar  por  outros  Conselheiros,  os  autos  foram  devolvidos  e  sorteados a este Relator.  Fl. 3291DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 21          20   É o relatório.    Voto             Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator   O  recurso  foi  considerado  tempestivo  pela  Delegacia  de  origem  e  por  decisão anterior deste CARF; como atende aos pressupostos legais, dele conheço.  A questão em discussão nos autos diz respeito à suspensão da imunidade da  Recorrente, enquanto que no processo n. 10580.722802/2010­24, que será julgado em conjunto  com  o  presente,  questiona­se  os  créditos  tributários  decorrentes  do  Ato  Declaratório  que  ensejou a suspensão.  Faremos  a  análise  tópica  dos  pontos  controversos  trazidos  pela Recorrente,  conforme segue.  a) Base legal da suspensão da imunidade  Aduz  a  Recorrente  que  a  base  legal  para  a  suspensão  da  imunidade  não  poderia utilizar dispositivos da Lei n. 9.532/97, pois o STF teria suspendido, em ação cautelar,  os efeitos de alguns desses dispositivos quando do julgamento da ADI 1802­3.  O  tema  foi  enfrentado  pela  decisão  de  piso,  que  apresentou  os  seguintes  argumentos, que acolhemos integralmente:  A controvérsia resultou em Ação Direta de Inconstitucionalidade  (ADIn)  impetrada  pela  Confederação  Nacional  de  Saúde,  Hospitais,  Estabelecimentos  e  Serviços  (CNS)  cuja  liminar  foi  deferida parcialmente em 27/08/1998, nos seguintes termos:  ADIn 1802­3 ­ O Tribunal, por unanimidade, deferiu, em parte, o  pedido de medida cautelar,  para  suspender,  até a decisão  final  da ação, a vigência do §1º e a alínea f do §2º, ambos do art. 12,  do art. 13, caput e do art. 14, todos da Lei nº 9.532, de 10/12/97,  e  indeferindo­o  com  relação  aos  demais.  Votou  o  Presidente.  Ausentes,  justificadamente,  os  Srs.  Ministros  Marco  Aurélio,  Sydney  Sanches  e Celso  de Mello,  Presidiu  o  julgamento  o  Sr.  Ministro Carlos Velloso, Vice­Presidente.  Plenário, 27.08.1998.  Assim,  até  o  julgamento  da  referida  ADIn,  está  suspensa  a  vigência  dos  dispositivos  da  Lei  nº  9.532,  de  1997,  abaixo  destacados:  Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c",  da  Constituição,  considera­se  imune  a  instituição  de  educação  ou  de  assistência  social  que  preste  os  serviços  para  os  quais  Fl. 3292DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 22          21 houver  sido  instituída  e  os  coloque  à  disposição  da  população  em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem  fins lucrativos.  §  1º  Não  estão  abrangidos  pela  imunidade  os  rendimentos  e  ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda  fixa ou de renda variável.  § 2º Para o gozo da  imunidade, as  instituições a que  se  refere  este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos:  a)  não  remunerar,  por  qualquer  forma,  seus  dirigentes  pelos  serviços prestados;   b)  aplicar  integralmente  seus  recursos  na  manutenção  e  desenvolvimento dos seus objetivos sociais;   c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em  livros  revestidos  das  formalidades  que  assegurem  a  respectiva  exatidão;   d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado  da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de  suas  receitas  e  a  efetivação  de  suas  despesas,  bem  assim  a  realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a  modificar sua situação patrimonial;   e)  apresentar,  anualmente,  Declaração  de  Rendimentos,  em  conformidade  com  o  disposto  em  ato  da  Secretaria  da  Receita  Federal;   f)  recolher  os  tributos  retidos  sobre  os  rendimentos  por  elas  pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social  relativa  aos  empregados,  bem  assim  cumprir  as  obrigações  acessórias daí decorrentes;   g) assegurar a destinação de seu patrimônio à outra instituição  que  atenda  às  condições  para  gozo  da  imunidade,  no  caso  de  incorporação,  fusão,  cisão  ou  de  encerramento  de  suas  atividades, ou a órgão público;   h)  outros  requisitos,  estabelecidos  em  lei  específica,  relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere  este artigo.  §  3º  Considera­se  entidade  sem  fins  lucrativos  a  que  não  apresente  superávit  em  suas  contas  ou,  caso  o  apresente  em  determinado  exercício,  destine  referido  resultado  integralmente  ao incremento de seu ativo imobilizado.  Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a  Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade  a  que  se  refere  o  artigo  anterior,  relativamente  aos  anos­ calendário em que a pessoa  jurídica houver praticado ou, por  qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que  constitua  infração  a  dispositivo  da  legislação  tributária,  especialmente  no  caso  de  informar  ou  declarar  falsamente,  Fl. 3293DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 23          22 omitir  ou  simular  o  recebimento  de  doações  em  bens  ou  em  dinheiro,  ou  de  qualquer  forma  cooperar  para  que  terceiro  sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais.  Parágrafo  único.  Considera­se,  também,  infração  a  dispositivo  da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em  favor  de  seus  associados  ou  dirigentes,  ou,  ainda,  em  favor  de  sócios,  acionistas  ou  dirigentes  de  pessoa  jurídica  a  ela  associada  por  qualquer  forma,  de  despesas  consideradas  indedutíveis  na  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido.  Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplica­se o disposto  no art. 32. da Lei nº 9.430, de 1996.  Entende a Impugnante, que “ao suspender a vigência do art. 14,  a decisão antecipatória  cautelar por questão de causa e  efeito,  suspendeu também todo o artigo 32, da Lei 9.430/1996” e que,  suspensa a vigência do enunciado da lei, o efeito, sobretudo em  matéria tributária, é sobrestar os lançamentos de constituição de  créditos  tributários  já  efetuados  em data anterior à publicação  da  sentença  e  proibir  qualquer  procedimento  preparatório  ao  lançamento, como o efetuado aqui, indevidamente.  Não nos parece correta  tal  interpretação. A norma  inserida no  art.  32  da  Lei  9.430/1996  é  eminentemente  procedimental  e  apenas regula a forma pela qual o fisco poderá exercitar o seu  direito material de suspender a imunidade concedida a qualquer  contribuinte, desde que este descumpra os requisitos e condições  exigidos pelo art. 14 do CTN e pelos dispositivos da Lei nº 9.532,  de 1997, que não foram objeto de suspensão na Adin 1.8023.  A  cautelar  concedida  nos  autos  da  referida  ADIn,  afetou  parcialmente  os  artigos  12  e  13  da  Lei  nº  9.532/1997,  em  especial no que diz respeito ao parágrafo primeiro e parágrafo  segundo, alínea “f” do art. 12 e caput do artigo 13, que se refere  à  prática  de  ato  que  constitua  infração  à  dispositivo  da  legislação tributária ou, de qualquer forma, a cooperação para  que  terceiro  sonegue  tributos ou pratique  ilícitos  fiscais. Todos  os dispositivos restantes daqueles comandos legais permanecem  hígidos e aptos a produzirem seus efeitos.  Quanto  ao  artigo  14,  este  apenas  remete  ao  artigo  32  da  Lei  9.430/1996  os  casos  advindos  da  Lei  9.532/1997.  O  artigo  32  permanece válido como norma de caráter procedimental para os  demais casos, tanto para os artigos da Lei 9.532/97 não afetados  pela  decisão  do  STF,  como  para  os  casos  advindos  dos  requisitos constantes do Código Tributário Nacional.  Constata­se  que  a  norma  prevista  no  artigo  32  da  Lei  n.  9.430/96  cuida  apenas dos procedimentos de fiscalização para o exercício do direito de suspender a imunidade  quando descumpridos os requisitos do artigo 14 do CTN e dos dispositivos da Lei n. 9.532/97  não afetados pela decisão cautelar do STF.  Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 24          23 Como  visto,  os  motivos  que  ensejaram  a  suspensão  da  imunidade  da  Recorrente foram diversos e bem definidos pela autoridade fiscal:  a) O primeiro ato de desrespeito às condições estabelecidas pela  legislação  para  o  usufruto  da  imunidade  constitucional  do  Imposto  de  Renda  e  da  isenção  para  as  contribuições  sociais  fora  a  não  apresentação  ao  fisco  dos  livros  contábeis  (...)  portanto imprestáveis para a auditoria, em desrespeito ao art. 12  da Lei n° 9.532/97, que determina a manutenção da escrituração  completa  de  suas  receitas  e  despesas  em  livros  revestidos  das  formalidades que assegurem a respectiva exatidão”;   b)  O  segundo  ato  de  desrespeito  às  condições  impostas  pela  legislação  para  usufruto  de  seu  benefício  fiscal  consistiu  no  pagamento, no ano­calendário 2004, de rendimentos à Diretora  Célia Pereira dos Santos;  c) O  terceiro ato de  transgressão detectado por este  fisco  foi a  prática  reiterada  de  atividades  completamente  alheias  ao  seu  objeto  social.  Através  da  diligência  efetuada  à  EBAL  Empresa  Baiana de Alimentos S/A foram obtidas as notas fiscais emitidas  pela OAF contra aquela,  todas elas  fazendo menção a  serviços  de  manutenção  predial,  conforme  contratos  firmados,  as  quais  estão anexas a este processo.  Constata­se,  s.m.j.,  que  as  irregularidades  detectadas  pela  autoridade  fiscal  baseiam­se em dispositivos que não foram alcançados pela decisão do STF, restando incólume  a possibilidade de suspensão da imunidade da Recorrente.  Destacamos,  por  oportuno,  que  o  Despacho  Decisório  que  fundamentou  o  Ato  Declaratório  de  suspensão  da  imunidade  expressamente  consignou  os  fundamentos  jurídicos da medida:  Após  análise  dos  papéis  que  formalizam  o  presente  processo,  penso ser inequívoco que o contribuinte transgrediu requisitos  estabelecidos  para  a  fruição  do  benefício  da  imunidade.  Ele  transgrediu o disposto nas alíneas "b" e "c" do § 2° do art. 12  da Lei 9.532/97 e nos incisos II e III do art. 14 do CTN (Lei n°  5.172/66), conforme antes especificado.   Assim,  verifica­se  que  os  dispositivos  que  embasaram  o  ato  administrativo  aqui  questionado não  foram atingidos pela decisão  cautelar do STF. Consulta  ao  sítio  do  Pretório Excelso, formulada na data de elaboração deste voto, informa que ainda não ocorreu o  trânsito em julgado da ADI 1802­3.  No atual estado jurídico em que se encontra o presente processo, parece­nos  que  não  há  obstáculo  para  o  reconhecimento  da  validade  do Ato Declaratório  exarado  pela  Receita Federal.  b) Sobre a competência para assinatura do Ato Declaratório  A Recorrente questiona a validade do ato combatido sob o argumento de que  a competência para assinatura é privativa do Delegado ou Inspetor da Receita Federal e que no  caso dos autos o instrumento foi assinado pela auditora fiscal Elen Cristina Britto de Souza ­  Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 25          24 Mat. 718.482, que não possuiria competência para tanto, nos termos do artigo 32, §3º, da Lei n.  9.430/96:  Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta  de  observância  de  requisitos  legais,  deve  ser  procedida  de  conformidade com o disposto neste artigo.  (...)  §3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a  procedência  das  alegações,  expedindo  o  ato  declaratório  suspensivo  do  benefício,  no  caso  de  improcedência,  dando,  de  sua decisão, ciência à entidade.  Este ponto também foi enfrentado pela decisão recorrida:  Quanto  à  primeira  alegação  de  nulidade  (Ato  Declaratório  assinado por servidor não identificado ou incompetente), consta  às fls. 2.408 do PAF, o original do Ato Declaratório nº 11/2010,  devidamente  assinado  pelo  Auditor  Fiscal  Pedro  Wenceslau  Cardoso  Rodrigues,  Delegado  Adjunto  da  DRF/Salvador.  O  citado documento indica em seu texto, que este teria sido emitido  pelo  “Delegado  Adjunto  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Salvador,  no  uso  das  atribuições  que  lhe  são  conferidas  pelo  art.  280,  inc.  VII,  da  Portaria  MF  125,  de  04/03/2009,  publicada no D. O. U. de 06/03/2009”, cujo teor é o seguinte:  Art.  280.  Aos  Delegados  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  Inspetores­Chefes  da  Receita  Federal  do  Brasil  incumbem,  no  âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com  a  gerência  e  a  modernização  da  administração  tributária  e  aduaneira e, especificamente:  I a VI  (...)  VII ­ decidir sobre o reconhecimento de imunidades e isenções;  VIII a XIII (...)  XIII  ­  negar  o  seguimento  de  impugnação,  manifestação  de  inconformidade  e  recurso  voluntário,  quando  não  atendidos  os  requisitos legais.  Como  sabido,  os  Delegados­Adjuntos  substituem  os  titulares  nos  casos  de  eventuais ausências ou impedimentos, conforme normas internas do Ministério da Fazenda.  Nesse contexto, a Ato Declaratório em questão integra o Despacho Decisório  n.  0252/2010,  cuja  ciência  à Recorrente  (além da  publicação  no Diário Oficial),  ocorreu  em  30/03/2010, conforme AR dos Correios, recepcionado por Ailton M. da Conceição.   Afasta­se, pois, o argumento de nulidade, pois não se verifica qualquer vício  formal ou material no citado ato, especialmente no que diz  respeito à assinatura por servidor  incompetente.  Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 26          25 A  simples  leitura  do  documento  de  fls.  2.416  nos  leva  a  concluir  pela  pertinência e validade do ato, nos termos da legislação de regência.  Afastadas as preliminares de nulidade, no que respeita ao mérito melhor sorte  não alcança a Recorrente.  Restou  sobejamente  comprovado  nos  autos  a  ocorrência  de  práticas  que  desbordam  os  requisitos  e  condições  para  o  reconhecimento  e  manutenção  da  imunidade  tributária.  Com  efeito,  a  redação  do  artigo  14  do  Código  Tributário  Nacional,  que  regulamenta a imunidade das entidades beneficentes e de assistência social, nos leva a concluir  pelo desrespeito às condições estabelecidas:  Art.  14.  O  disposto  na  alínea  c  do  inciso  IV  do  artigo  9º  é  subordinado  à  observância  dos  seguintes  requisitos  pelas  entidades nele referidas:  I  – não distribuírem qualquer parcela de  seu patrimônio ou de  suas  rendas,  a qualquer  título;(Redação dada pela Lcp nº 104,  de 2001)   II  ­  aplicarem  integralmente,  no  País,  os  seus  recursos  na  manutenção dos seus objetivos institucionais;   III  ­  manterem  escrituração  de  suas  receitas  e  despesas  em  livros  revestidos  de  formalidades  capazes  de  assegurar  sua  exatidão.   § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no §  1º  do  artigo  9º,  a  autoridade  competente  pode  suspender  a  aplicação do benefício.   § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo  9º  são  exclusivamente,  os  diretamente  relacionados  com  os  objetivos  institucionais  das  entidades  de  que  trata  este  artigo,  previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.  Já  nos  manifestamos,  em  outros  julgados,  pela  impossibilidade  de  as  entidades do  chamado  terceiro  setor  ­  notadamente no  caso de ONG´s,  como a  interessada  ­  exerceram atividade comercial e empresarial, como comprovado nos autos.  A fiscalização demonstrou que a entidade praticava reiteradamente atividades  alheias  ao  seu  objeto  social,  notadamente  relacionadas  à  construção  civil,  como  no  caso  do  contrato de manutenção predial firmado com a EBAL.  Neste ponto não podem prevalecer os argumentos da entidade, no sentido de  que  tais  atividades  tinham  por  objeto  o  treinamento  de  pessoas,  até  porque  apurou­se  que  houve várias subcontratações de terceiros, empresas de engenharia, sem qualquer cunho social,  fato que motivou, inclusive, a rescisão unilateral do contrato pela EBAL.   Como  as  atividades  desempenhadas  pelas  entidades  merecedoras  de  imunidade devem se  relacionar  com o  seu objeto  social,  entendo que houve ofensa  expressa  aos requisitos necessários para o benefício.  Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 10580.720882/2010­83  Acórdão n.º 1201­001.804  S1­C2T1  Fl. 27          26 Ademais, também ficou comprovado que a interessada, embora devidamente  intimada  e  reintimada,  não  apresentou  os  livros  ou  documentos  fiscais,  ou  o  fez  de  forma  incompleta, sem respeito aos requisitos formais, como destacou a fiscalização:  Intimado através do Termo de  Início do Procedimento Fiscal e  reintimado através do Termo de Reintimação Fiscal n° 002, este  específico para o tema, a apresentar os livros fiscais e contábeis,  o  contribuinte  se  limitou  a  entregar  folhas  soltas  de  uma  pretensa  contabilidade,  sem  assinatura  de  contador  e  responsável legal e sem registro na Junta Comercial. Da mesma  forma  entregou  os  livros  de  registro  de  entradas  e  saídas  de  mercadorias e de apuração do IPI: também em folhas soltas, não  contendo  todos  os  meses  dos  anos  de  2006  e  2007,  portanto  imprestáveis para a auditoria, em desrespeito ao art. 12 da Lei  n°  9.532/97,  que  determina  a  manutenção  da  escrituração  completa  de  suas  receitas  e  despesas  em  livros  revestidos  das  formalidades que assegurem a respectiva exatidão.  Por fim, no que tange à remuneração da diretora Célia Pereira dos Santos, a  decisão de piso acatou os argumentos da interessada e entendeu pela licitude do pagamento de  pequena quantia em seu favor, decorrente de rescisão de contrato de trabalho.  Em  síntese,  conclui­se  que  a  não  apresentação  dos  livros  e  documentos  exigidos  pela  legislação,  aliada  à  prática  reiterada  de  atividades  de  natureza  econômica  e  empresarial  estranhas  ao  objeto  social  da  entidade,  em  claro  desvio  de  finalidade  e  em  desobediência aos requisitos para o gozo da imunidade, são fatos suficientes para a suspensão  do benefício.  Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGAR­LHE  provimento.    É como voto.    (assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida ­ Relator                                Fl. 3298DF CARF MF

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Numero do processo: 10980.911712/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.543
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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3302­004.543  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de julho de 2017  Matéria  PERDCOMP. PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE  CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES.  Recorrente  VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004  ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.  O  ICMS  compõe  a  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  vencidos  os  Conselheiros  Lenisa  Prado,  Charles  Pereira  Nunes e José Renato Pereira de Deus.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède, Walker Araujo,  José Fernandes  do Nascimento,  Sarah Maria Linhares  de Araújo  Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira  Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.    Relatório  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Restituição/Declaração  de  Compensação  (PERDCOMP)  eletrônico  por  meio  da  qual  a  contribuinte  objetivava  quitar  débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizando­se de créditos de COFINS, que teria  sido indevidamente recolhido.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 17 12 /2 01 1- 84 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.911712/2011­84  Acórdão n.º 3302­004.543  S3­C3T2  Fl. 3          2 A  justificativa  apresentada  pela  autoridade  fiscal  para  não  homologar  a  compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP  havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte.  Cientificada  sobre  o  teor  do  despacho  decisório,  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade,  na  qual  alega  que  o  pedido  de  compensação/restituição  refere­se  a  créditos  decorrentes  de  pagamentos  a maior de PIS/Pasep  e Cofins,  em  razão  da  inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições.  A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de  origem, nos termos do Acórdão 06­043.111.  Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida  dos autos a este Conselho.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3302­004.500, de  25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/2011­83, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302­004.500) 1:  "Em que  pese  as  razões  arroladas  pela  ilustre Relatora,  peço  licença  para  divergir  dos  fundamentos  e  do  resultado  dado  ao  presente  o  processo  administrativo.  Conforme  relatado  anteriormente,  alega  a  Recorrente  que  os  créditos  são  decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da  inclusão do ICMS na  base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.785­2/MS e  574.706.  Para  dirimir  a  controvérsia  sobre  a  inclusão  ou  não  do  ICMS  na  base  de  cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da  decisão  proferida  pela  Suprema  Corte  ao  presente  caso,  empresto  e  adoto  como  fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo  Paes  de  Souza,  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  10283.902818/2012­35  (acórdão 3302­004.158):                                                              1  Deixo  de  transcrever  o  voto  vencido,  que  pode  ser  facilmente  consultado  no  Acórdão  paradigma,  mantendo  apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor.  Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.911712/2011­84  Acórdão n.º 3302­004.543  S3­C3T2  Fl. 4          3 A  controvérsia  cinge­se  sobre  a  inclusão  ou  não  do  ICMS  na  base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS.  A  situação  que  permeia  os  tribunais  na  atualidade  é  de  dois  posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo  na base de cálculo do PIS e da COFINS.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  no  REsp  1144469/PR,  em  sistema de recursos repetitivos assim decidiu:  RECURSO  ESPECIAL  DO  PARTICULAR:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO.  RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.  1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente  a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art.  155,  §2º,  XI,  ao  tratar  do  ICMS,  quanto  estabelece  que  este  tributo:  "XI  ­  não  compreenderá,  em  sua  base  de  cálculo,  o  montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a  operação,  realizada  entre  contribuintes  e  relativa  a  produto  destinado  à  industrialização  ou  à  comercialização,  configure  fato gerador dos dois impostos".  2.  A  contrario  sensu  é  permitida  a  incidência  de  tributo  sobre  tributo  nos  casos  diversos  daquele  estabelecido  na  exceção,  já  tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos,  a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão  geral  no  RE  n.  582.461  /  SP,  STF,  Tribunal  Pleno,  Rel.  Min.  Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011.  2.2.  Das  contribuições  ao  PIS/PASEP  e  COFINS  sobre  as  próprias  contribuições  ao  PIS/PASEP  e  COFINS:  recurso  representativo  da  controvérsia  REsp.  n.  976.836  ­  RS,  STJ,  Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010.  2.3.  Do  IRPJ  e  da  CSLL  sobre  a  própria  CSLL:  recurso  representativo  da  controvérsia  REsp.  n.  1.113.159  ­  AM,  STJ,  Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009.  2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 ­ PR, STJ, Segunda  Turma,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques,  julgado  em  24.08.2010; REsp. Nº 610.908  ­ PR, STJ, Segunda Turma, Rel.  Min.  Eliana  Calmon,  julgado  em  20.9.2005,  AgRg  no  REsp.Nº  462.262 ­ SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins,  julgado em 20.11.2007.  2.5.  Das  contribuições  ao  PIS/PASEP  e  COFINS  sobre  o  ISSQN:  recurso  representativo  da  controvérsia  REsp.  n.  1.330.737  ­  SP,  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Og  Fernandes,  julgado em 10.06.2015.  3.  Desse  modo,  o  ordenamento  jurídico  pátrio  comporta,  em  regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título  de  outros  tributos  ou  do mesmo  tributo.  Ou  seja,  é  legítima  a  incidência  de  tributo  sobre  tributo  ou  imposto  sobre  imposto,  Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.911712/2011­84  Acórdão n.º 3302­004.543  S3­C3T2  Fl. 5          4 salvo determinação constitucional ou  legal expressa em sentido  contrário,  não  havendo  aí  qualquer  violação,  a  priori,  ao  princípio da capacidade contributiva.  4.  Consoante  o  disposto  no  art.  12  e  §1º,  do  Decreto­Lei  n.  1.598/77, o  ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora  de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de  sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se  tem é a receita líquida.  5.  Situação  que  não  pode  ser  confundida  com  aquela  outra  decorrente  da  retenção  e  recolhimento  do  ISSQN  e  do  ICMS  pela  empresa  a  título  de  substituição  tributária  (ISSQN­ST  e  ICMS­ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o  contribuinte  é  o  próximo  na  cadeia,  o  substituído.  Quando  é  assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são  meros  ingressos  na  contabilidade  da  empresa  que  se  torna  apenas  depositária  de  tributo  que  será  entregue  ao  Fisco,  consoante o art. 279 do RIR/99.  6.  Na  tributação  sobre  as  vendas,  o  fato  de  haver  ou  não  discriminação  na  fatura  do  valor  suportado  pelo  vendedor  a  título  de  tributação  decorre  apenas  da  necessidade  de  se  informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do  tributo  embutido no preço pago.  Essa  necessidade  somente  surgiu  quando  os  diversos  ordenamentos  jurídicos  passaram  a  adotar  o  lançamento  por  homologação  (informação  ao  Fisco)  e/ou  o  princípio  da  não­ cumulatividade  (informação  ao  Fisco  e  ao  adquirente),  sob  a  técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto  pago sobre imposto devido ou "tax on tax").  7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo  contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco  efetivar  a  fiscalização  a  posteriori,  dentro  da  sistemática  do  lançamento  por  homologação  e  permitir  ao  contribuinte  contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o  saldo  do  tributo  devido  dentro  do  princípio  da  não  cumulatividade  sob  a  técnica  de  dedução  de  imposto  sobre  imposto. Não se  trata em momento algum de exclusão do valor  do tributo do preço da mercadoria ou serviço.  8. Desse modo,  firma­se para efeito de recurso repetitivo a tese  de  que:  "O  valor  do  ICMS,  destacado  na  nota,  devido  e  recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo­ se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS,  sendo  integrante  também  do  conceito maior  de  receita  bruta,  base de cálculo das referidas exações".  9.  Tema  que  já  foi  objeto  de  quatro  súmulas  produzidas  pelo  extinto Tribunal Federal de Recursos ­ TFR e por este Superior  Tribunal de Justiça ­ STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a  exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre  combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Inclui­se na  Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.911712/2011­84  Acórdão n.º 3302­004.543  S3­C3T2  Fl. 6          5 base  de  cálculo do PIS  a parcela  relativa  ao  ICM".  Súmula  n.  68/STJ: "A parcela relativa ao ICM inclui­se na base de cálculo  do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui­ se na base de cálculo do FINSOCIAL".  10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da  controvérsia REsp. n. 1.330.737 ­ SP (Primeira Seção, Rel. Min.  Og  Fernandes,  julgado  em  10.06.2015)  que  decidiu  matéria  idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem  ser  respeitados  por  esta  Seção  por  dever  de  coerência  na  prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015.  11.  Ante  o  exposto,  DIVIRJO  do  relator  para  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  especial  do  PARTICULAR  e  reconhecer  a  legalidade  da  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO  ESPECIAL  DA  FAZENDA  NACIONAL:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO.  INCLUSÃO  DOS  VALORES  COMPUTADOS  COMO  RECEITAS  QUE  TENHAM  SIDO  TRANSFERIDOS  PARA  OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º,  III, DA LEI Nº  9.718/98.  NORMA  DE  EFICÁCIA  LIMITADA.  NÃO­ APLICABILIDADE.  12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que  a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98  ao  conceito  de  faturamento  (exclusão  dos  valores  computados  como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas  jurídicas) não  teve  eficácia no mundo  jurídico  já que dependia  de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa  regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158­ 35,  de  2001.  Precedentes:  AgRg  nos  EREsp.  n.  529.034/RS,  Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006;  AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min.  Luiz Fux,  DJ  de  28/02/2005;  EDcl  no  AREsp  797544  /  SP,  Primeira  Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina,  julgado em 14.12.2015, AgRg  no  Ag  544.104/PR,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  DJ  28.8.2006;  AgRg  nos  EDcl  no  Ag  706.635/RS,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  Primeira  Turma,  DJ  28.8.2006;  AgRg  no  Ag  727.679/SC,  Rel.  Min.  José  Delgado,  Primeira  Turma,  DJ  8.6.2006; AgRg  no Ag  544.118/TO, Rel. Min.  Franciulli Netto,  Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Turma,  DJ  3.5.2004;  e  REsp  445.452/RS,  Rel.  Min.  José  Delgado,  Primeira  Turma,  DJ  10.3.2003.   13.  Tese  firmada  para  efeito  de  recurso  representativo  da  controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve  eficácia  jurídica,  de  modo  que  integram  o  faturamento  e  também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das  contribuições  ao  PIS/PASEP  e  COFINS,  os  valores  que,  computados como receita, tenham sido transferidos para outra  pessoa jurídica".  Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.911712/2011­84  Acórdão n.º 3302­004.543  S3­C3T2  Fl. 7          6 14.  Ante  o  exposto,  ACOMPANHO  o  relator  para  DAR  PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL.  (REsp  1144469/PR;  Relator:  Napoleão  Nunes  Maia  Filho;  Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques)  (grifos não  constam no original)  Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706­RG/PR, julgou,  no dia 15.03.2017, no sentido de que:   O  Tribunal,  por  maioria  e  nos  termos  do  voto  da  Relatora,  Ministra Cármen Lúcia  (Presidente),  apreciando  o  tema  69  da  repercussão  geral,  deu  provimento  ao  recurso  extraordinário  e  fixou a seguinte  tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo  para a incidência do PIS e da Cofins".   Vencidos  os  Ministros  Edson  Fachin,  Roberto  Barroso,  Dias  Toffoli  e  Gilmar  Mendes.  Nesta  assentada  o  Ministro  Dias  Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017.  (grifos não constam do original)  No  âmbito  do  regimento  interno  deste  Egrégio  Tribunal  Administrativo,  existe  previsão  normativa  em  seu  artigo  62,  anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes  em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos  casos:  RICARF  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.   §  1º  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo internacional, lei ou ato normativo:   (...)  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  (...)  b)  Decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal  ou  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  sede  de  julgamento  realizado  nos termos dos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou  dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n  º 13.105, de 2015 ­ Código de  Processo  Civil,  na  forma  disciplinada  pela  Administração  Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)   O  RICARF  prevê  o  requisito  da  decisão  definitiva  para  a  obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise,  o REsp  1.144.469/PR  transitou  em  julgado  em 10.03.2017  e  o  RE 574.706­RG/PR ainda  espera a modulação de  seus  efeitos,  não  havendo,  portanto,  trânsito  em  julgado.  Logo,  deve­se  Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.911712/2011­84  Acórdão n.º 3302­004.543  S3­C3T2  Fl. 8          7 observar  a  decisão,  já  transitada  em  julgado,  do  Superior  Tribunal de Justiça.  Em  razão  da  obrigatoriedade  por  parte  do  conselheiro  em  aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente  de  desnecessidade  de  previsão  legal  para  a  exclusão  do  ICMS  por  respeito  ao  princípio  da  capacidade  contributiva  e  da  impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do  faturamento ficam, desde já, encontram­se fundamentados com a  aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade  com  o  REsp  1.144.469/PR,  que  firmou  para  efeito  de  recurso  repetitivo a  tese de que: "O valor do  ICMS, destacado na nota,  devido  e  recolhido  pela  empresa  compõe  seu  faturamento,  submetendo­se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e  COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita  bruta,  base  de  cálculo  das  referidas  exações",  é  negado  provimento ao recurso voluntário.  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário."  Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o  litígio resume­se ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins,  em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições.   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                              Fl. 66DF CARF MF

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Numero do processo: 12448.735838/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de precedentes jurisprudências favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstram, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2301-005.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos inominados para correção do número do Acórdão de 2202-002.569 para 2201-002.569. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator EDITADO EM: 08/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: Relator

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de precedentes jurisprudências favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstram, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso parcialmente provido

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos inominados para correção do número do Acórdão de 2202-002.569 para 2201-002.569. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator EDITADO EM: 08/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).

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2301­005.110  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de agosto de 2017  Matéria  Contribuições Sociais Previdenciárias  Embargante  Presidente da 2ª Câmara/1ª Turma Odinária   Interessado  GUSTAVO DE HUNGRIA MACHADO     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2006, 2009  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.  Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido  os embargos devem ser acolhidos.  OMISSÃO  DE  GANHO  DE  CAPITAL  NA  ALIENAÇÃO  DE  AÇÕES.  DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.  Constatada  a  majoração  artificial  do  custo  de  aquisição  da  participação  societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de  ganhos  avaliados  por  equivalência  patrimonial  nas  sociedades  investidoras,  seguida  de  incorporações  reversas  e  nova  capitalização,  em  nítida  inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados  os  acréscimos  indevidos  com  a  conseqüente  tributação  do  novo  ganho  de  capital apurado.  MULTA QUALIFICADA  A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de precedentes  jurisprudências  favoráveis  ao  negócio  jurídico  praticado  pelo  contribuinte,  demonstram, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser  reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos  autos  a  convicção  do  recorrente  no  sentido  de  estar  agindo  segundo  o  permissivo  legal,  sem  ocultação  da  prática  e  da  intenção  final  dos  seus  negócios.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.  A  obrigação  tributária  principal  compreende  tributo  e  multa  de  oficio  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.  Recurso parcialmente provido     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 58 38 /2 01 1- 17 Fl. 1319DF CARF MF     2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por  unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos inominados para correção do número  do Acórdão de 2202­002.569 para 2201­002.569.  (assinado digitalmente)  João Bellini Junior ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Alexandre Evaristo Pinto ­ Relator    EDITADO EM: 08/09/2017  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Junior,  Andrea Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto,  Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente  convocado).    Relatório  Tratam­se  de  Embargos  Inominados  do  Presidente  da  2ª  Câmara/1ª  Turma  Odinária  opostos  contra  o  Acórdão  nº  2202002.569  (fls.  1286  a  1308),  proferido  em  04/11/2014,  pela  1ª  Turma  Ordinária  da  2ª  Câmara  da  2º  Seção  de  Julgamento,  que  deu  provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos:  "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Ano­calendário:2006, 2009  OMISSÃO  DE  GANHO  DE  CAPITAL  NA  ALIENAÇÃO  DE  AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E  RESERVAS.  Constatada  a  majoração  artificial  do  custo  de  aquisição  da  participação  societária  alienada,  mediante  a  capitalização  de  lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência  patrimonial  nas  sociedades  investidoras,  seguida  de  incorporações  reversas  e  nova  capitalização,  em  nítida  inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser  expurgados  os  acréscimos  indevidos  com  a  conseqüente  tributação do novo ganho de capital apurado.  MULTA QUALIFICADA  A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de  precedentes  jurisprudências  favoráveis  ao  negócio  jurídico  Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 12448.735838/2011­17  Acórdão n.º 2301­005.110  S2­C3T1  Fl. 3          3 praticado  pelo  contribuinte,  demonstram,  na  verdade,  uma  hipótese de  erro de proibição. Não há como  ser  reconhecido o  dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos  autos  a  convicção  do  recorrente  no  sentido  de  estar  agindo  segundo  o  permissivo  legal,  sem  ocultação  da  prática  e  da  intenção final dos seus negócios.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.  A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de  oficio  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio,  incidem  juros  de  mora,  devidos  à  taxa SELIC.  Recurso parcialmente provido".  Em  06/07/15,  a  Presidente  da  2ª  Câmara/1ª  Turma  Ordinária  apresentou  Embargos  Inominados,  uma  vez  que  foi  identificado  erro  no  número  do  acórdão,  conforme  pode ser observado a seguir:  Em  sessão  plenária  de  04/11/2014,  foi  julgado  o  Recurso  Voluntário  em  epígrafe,  proferindo­se  a  decisão  consubstanciada no Acórdão nº 2201­002.569.  Formalizado  o  acórdão  em  03/03/2015,  a  SECAM/2ª  CAM/2ª  SEJUL  detectou  erro  no  respectivo  número  –  2202­002.569  ao  invés  de  2201­002.569  –  lapso  este  que  acarreta  inclusive  a  existência  de  dois  julgados  com  a  mesma  numeração,  um  na  Primeira  Turma  Ordinária  e  outro  na  Segunda  Turma  Ordinária, ambos da 2ª CAM/2ª SEJUL.  Identificado  o  lapso,  os  autos  foram  devolvidos  ao  Relator,  especificando­se a necessidade de correção por meio de nota no  sistema e­processo.  Entretanto,  tendo  em  vista  o  tempo  decorrido  sem  qualquer  providência  por  parte  do  Relator  no  sentido  de  resolver  a  pendência,  só  resta  a  esta  Presidência  opor  os  presentes  Embargos  Inominados,  previstos  no  art.  66,  do  Anexo  II,  do  RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, que assim  estabelece:  “Art.  66.  As  alegações  de  inexatidões  materiais  devidas a  lapso manifesto e os  erros de escrita ou de  cálculo  existentes  na  decisão,  provocados  pelos  legitimados  para  opor  embargos,  deverão  ser  recebidos  como  embargos  inominados  para  correção,  mediante a prolação de um novo acórdão.”  Diante  do  exposto,  encaminho  ao  Relator,  para  reinclusão  em  pauta de julgamento.  É o relatório.    Fl. 1321DF CARF MF     4   Voto             Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto  Os  embargos  de  declaração  são  tempestivos  e,  por  cumprir  com  as  demais  formalidades legais, deles conheço.  De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº  343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos  seguintes termos:   Art.  65.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e  os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria  pronunciar­se a turma.  Em  06/07/15,  a  Presidente  da  2ª  Câmara/1ª  Turma  Odinária  apresentou  Embargos Inominados, uma vez que foi identificado erro no número do acórdão, uma vez que  há  erro  no  número  do  acórdão  2202­002.569  ao  invés  de  2201­002.569  –  lapso  este  que  acarreta  inclusive  a  existência  de  dois  julgados  com  a  mesma  numeração,  um  na  Primeira  Turma Ordinária e outro na Segunda Turma Ordinária, ambos da 2ª CAM/2ª SEJUL.  Não resta dúvida de que há um erro material passível de correção por meio de  embargos, de modo que o número do Acórdão deve ser corrigido.  Com  base  no  exposto,  voto  por  acolher  dos  embargos  inominados  para  correção  do  número  do  Acórdão  de  .  2202­002.569  para  2201­002.569,  de  modo  que  o  Acórdão nº 2201­002.569 terá a seguinte ementa:  "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Ano­calendário:2006, 2009  OMISSÃO  DE  GANHO  DE  CAPITAL  NA  ALIENAÇÃO  DE  AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E  RESERVAS.  Constatada  a  majoração  artificial  do  custo  de  aquisição  da  participação  societária  alienada,  mediante  a  capitalização  de  lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência  patrimonial  nas  sociedades  investidoras,  seguida  de  incorporações  reversas  e  nova  capitalização,  em  nítida  inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser  expurgados  os  acréscimos  indevidos  com  a  conseqüente  tributação do novo ganho de capital apurado.  MULTA QUALIFICADA  A existência de correntes doutrinárias divergentes, bem como de  precedentes  jurisprudências  favoráveis  ao  negócio  jurídico  praticado  pelo  contribuinte,  demonstram,  na  verdade,  uma  hipótese de  erro de proibição. Não há como  ser  reconhecido o  dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos  Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 12448.735838/2011­17  Acórdão n.º 2301­005.110  S2­C3T1  Fl. 4          5 autos  a  convicção  do  recorrente  no  sentido  de  estar  agindo  segundo  o  permissivo  legal,  sem  ocultação  da  prática  e  da  intenção final dos seus negócios.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.  A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de  oficio  proporcional.  Sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio,  incidem  juros  de  mora,  devidos  à  taxa SELIC.  Recurso parcialmente provido".  É como voto.   (assinado digitalmente)  Alexandre Evaristo Pinto ­ Relator                                Fl. 1323DF CARF MF

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6920146 #
Numero do processo: 10611.001106/2006-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 01/01/2001 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE

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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 01/01/2001 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 1.730          1 1.729  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10611.001106/2006­90  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  3402­004.363  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de agosto de 2017  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Recorrida  GERDAU AÇOMINAS S.A.    ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Data do fato gerador: 01/01/2001  VALOR  DE  ALÇADA  PARA  INTERPOSIÇÃO  DE  RECURSO  DE  OFÍCIO ­ SÚMULA CARF 103  O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de  09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora  de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo  e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior  o  valor  exonerado,  não  se  conhece  do  recurso  de  ofício,  uma  vez  que  a  aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula  CARF 103).  Recurso de ofício não conhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso de ofício.  assinado digitalmente  Jorge Olmiro Lock Freire ­ Presidente e relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Jorge  Olmiro  Lock  Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis  Galkowicz,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Carlos  Augusto  Daniel  Neto  e  Pedro Sousa Bispo.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 11 06 /2 00 6- 90 Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 10611.001106/2006­90  Acórdão n.º 3402­004.363  S3­C4T2  Fl. 1.731          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  de  ofício  interposto  pela  DRJ/SPO,  nos  termos  do  Acórdão  16­57.246  (fls.  1707/1723),  de  23/04/2014,  que  ao  julgar  a  impugnação  cancelou  a  exação objeto dos autos  (descumprimento drawback suspensão), no montante consolidado de  R$ 1.708.132,30, por entender decaído o direito da Fazenda para constituir o crédito tributário  vez que à época da decisão tal valor ultrapassou o limite de alçada.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator.  Como relatado, o valor exonerado objeto do  recurso de ofício  foi  inferior à  R$ 2.500.000,00.  A Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 (DOU 10/02/2017), estabeleceu que:  Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  recorrerá  de  ofício  sempre  que  a  decisão  exonerar  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de  multa,  em  valor  total  superior  a  R$  2.500.000,00  (dois  milhões  e  quinhentos  mil  reais).  § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo.  §  2º  Aplica­se  o  disposto  no  caput  quando  a  decisão  excluir  sujeito  passivo  da  lide,  ainda  que  mantida  a  totalidade  da  exigência do crédito tributário.  Por  seu  turno,  a  Súmula  CARF,  abaixo  transcrita,  explicita  o  direito  intertemporal  para  aplicação  do  teor  da  transcrita Portaria Ministerial,  consoante  o  brocardo  que é princípio do direito adjetivo, qual seja, tempus regit actum.   Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de  ofício,  aplica­se  o  limite  de  alçada  vigente  na  data  de  sua  apreciação em segunda instância.  Com efeito, sendo o valor de alçada nesta data inferior à R$ 2.500.000,00, o  presente recurso não pode ser conhecido.   Diante do exposto, não conheço do recurso de ofício.  assinado digitalmente  Jorge Olmiro Lock Freire ­ relator    Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 10611.001106/2006­90  Acórdão n.º 3402­004.363  S3­C4T2  Fl. 1.732          3                             Fl. 1732DF CARF MF

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