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Numero do processo: 13830.001069/98-06
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.459
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes,por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes,por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. j2,ee-MF I FI. RESOLUÇÃO N° 202-00.459 ESAGA - PROJETOS, SANEAMENTO E OBRAS LTDA. DRJ em Ribeirão Preto - SP 13830.001069/98-06 120.834 1 Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2002 4:-t.~~e-d,4~Á4'W~1'~4ffannque l'l&:'élroTorre?7 - Presidente Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes ~An~~~~ Relatora Processon° Recurso nO Recorrente Recorrida cl/cf 2 Às fls. 39/67, cópias de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais - DARF de Contribuição para o PIS. Com o pedido inicial foram trazidas as Planilhas de fls. 11/12, em que são apresentados comparativos entre os valores recolhidos conforme os Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88 e aqueles devidos tendo por base a Lei Complementar nO 7/70, sendo a diferença acrescidade correção monetária, legislação de regência da contribuição e da compensação. ~Ld ESAGA - PROJETOS, SANEAMENTO E OBRAS LTDA. 13830.001069/98-06 120.834 RELATÓRIO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° Recurso nO Recorrente O sujeito passivo trouxe aos autos o Arrazoado de fls. 02/10, em que tece considerações acerca da incidência da Contribuição para o PIS e da. declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88, o que teria determinado a aplicação da Lei Complementar nO7/70, com a alíquota de 0,75%, e a base de cálculo como o faturamento do sexto mês anterior. Daí resultaria a existência de valores pagos a maior, devido à modificação da sistemática de cálculo da contribuição, o que implicaria em indébitos a serem restituídos pela Fazenda Pública, como tratado pela fustrução Normativa IN SRF n° 31/97, vez queo contribuinte que não recolheu a exação estaria dispensado de quaisquer exigências, quem a recolheuo fez de forma indevida. Invoca os artigos 66 da Lei nO8.383/91, 74 da Lei n° 9.430/96, e 1° do Decreto n° 2.138/97, para afirmar o seu direito à restituição pretendida, acrescida de atualizaçãomonetária determinada por lei. Trata o presente processo de pedidos de restituição/compensação de valores que o sujeito passivo teria recolhido a maior, referentes à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, pagos na forma dos Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88, com débitos vencidos e vincendos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. À fl. 93, a requerente vem aos autos para comunicar que, a partir do mês de. março de 1999, passava a compensar o saldo que disporia de Contribuição para o PIS com valores devidos daquela contribuição e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social- COFINS, de conformidade com as IN SRF nOs21/97 e 03/97, e com o pronunciamento doSuperior Tribunal de Justiça no julgamento do RMS nO8.108/SP. A Delegacia da Receita Federal em Marília/SP deliberou no sentido de indeferira compensação pleiteada, sob o argumento de que, considerando-se o artigo 168, I, do CódigoTributário Nacional, ocorrera a decadência do direito de pleitear a restituição dos valores pagosaté 07/10/1993, vez que o pedido de restituição foi protocolizado em 07 de outubro de 1998. No tocante aos pagamentos posteriores, o crédito apontado resultaria do fato de a requerente ter calculado os valores devidos mediante a utilização do prazo de vencimento originalmente estabelecido pela Lei Complementar nO7170, sendo que, nesse tocante, a referida leifoi alterada por leis posteriore?J-- / 3 Anexa os Documentos de fls. 113/121. , ,/ ~Ld 13830.001069/98-06 120.834 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° Recurso n° É o relatóriof f A 5a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manifestou-se pelo indeferimento da solicitação, por entender que teria ocorrido a decadência para pleitear a restituição dos valores pagos até 07/10/1993, e, para os demaispagamentos, os créditos argumentados pela contribuinte decorrem de sua interpretação equivocadado parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar nO7/70, afirmando que o prazo ali referido dita que a base de cálculo da contribuição é o faturamento de seis meses atrás; entendeaquela autoridade que referida norma não se refere a base de cálculo, e sim a prazo de recolhimento. 2. não ocorreu na espécie a decadência, pois, observando-se a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e considerando-se que se trata de lançamento por homologação, apenas decairá o direito de pedir a repetição de indébitos após decorridos cinco anos do fato gerador, adicionados por mais cinco anos. 1. por tudo que instruiu o seu pedido inicial, e atos posteriores, onde foi alegada toda a ocorrência, mencionando todos os atos administrativos e do Poder Legislativo, no tocante à inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88, ratificada pelo Senado Federal, deve ser reconhecido o seu direito à compensação; e o sujeito passivo apresentou impugnação ao ato supra-referido, argumentando emsua defesa, em apertada síntese, que: Irresignada com o julgamento a quo, a interessada, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, onde reapresenta os argumentos de defesa expendidos na impugnação para, ao final, defender o reconhecimento do direito pleiteado e a reforma do acórdão de primeira instância. conhecimento. pela Recorrente; - se sujeita ao PIS/Repique, que seja então procedida a verificação de créditos, IZ'CGMF IFI. VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo 13830.001069/98-06 120.834 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes - se sujeita ao PIS/Faturamento, que seja então procedida a verificação de créditos pela recorrente, utilizando-se do critério da semestralidade do PIS1, conforme a interpretação e aplicação do artigo 6°, parágrafo único, da LC n° 7/70, conforme já definido em reiteradas decisões vazadas por este Colegiado e também pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, sobre a matéria; e - se não sujeita ao PIS/Repique, que seja então procedida a verific~ção de créditos pela recorrente, utilizando-se do critério da semestralidade do PIS2, conforme a interpretação e aplicação do artigo 6°, parágrafo único, da LC nO7/70, conforme já definido em reiteradas decisões vazadas por este Colegiado e também pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, sobre a matéria; e - apure a real atividade da recorrente, ou seja, se é prestadora de serviços, vendedora de mercadorias ou mista, sujeita ao recolhimento da Contribuição para o PIS na modalidade PIS/Faturamento ou PIS/Repique; Nos autos não restou esclarecida a atividade empresarial desenvolvida pela peticionante, ou seja, se é empresa prestadora de serviços, vendedora de mercadorias ou mista, o que é de fundamental importância, considerando os termos da r. decisão recorrida, confrontados com as razões de recurso voluntário a esse Colegiado, somados estes elementos ao pleito compensatório formulado, e, com vistas a apurar a certeza e liquidez dos créditos alegados, voto no sentido de converter este julgamento em diligência à repartição de origem para que a mesma, conclusivamente: A análise da questão da decadência do direito de compensação dos valores que a recorrente argumenta ser credora deveria ser enfrentada preliminarmente, o. que, entretanto, deixo de fazer, em virtude das circunstâncias peculiares da espécie. . 1Egrégia Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais dos Conselhos de Contribuintes, RD/201-0.344, Acórdão CSRF/02-0.913, Sessão de julgamentos de 06/06/2000. 2Egrégia Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais dos Conselhos de Contribuintes, RDI201-0.344, Acórdão CSRF/02-0.913, Sessão de julgamentos de 06/06/2000 -}/ 4 A questão central do dissídio posto nos autos cinge-se ao pleito da compensação de valores de Contribuição para o PIS que teriam sido recolhidos a maior que o devido, na vigência dos Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88, para suprir quantias referentes a tributos e contribuições vencidas ou vincendas. Processo nO Recurso n° 5 !2'CC-MF IFI. 13830.001069/98-06 120.834 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° Recurso nO Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2002 - ao final, para que se manifeste sobre a suficiência dos saldos acumulados desses pagamentos a maior, atualizados monetariamente com base nos índices estabelecidos pela NE/SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27/6/1997, referentes a todos os períodos de que trata este processo, bem como proceda de imediato o bloqueio dos créditos confirmados até o montante necessário para quitar os valores a se compensar aqui em exame, total ou parcialmente. Findas essas apurações, seja oferecida oportunidade à recorrente de se manifestar sobre os resultados da diligência, antes do retomo dos autos a esta Câmara. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901744/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.309
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Relator Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente AGROCAFE COMERCIO E REPRESENTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostrase insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação declarada pelo contribuinte (PER/DCOMP), cujo fundamento indicado seria a integral vinculação do crédito informado em outro débito de titularidade do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 17 44 /2 00 9- 19 Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10675.901744/200919 Acórdão n.º 3401003.309 S3C4T1 Fl. 3 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte informou que o crédito estaria em consonância com declarações retificadoras (DIPJ e DCTF) apresentadas. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou a manifestação de inconformidade improcedente ao argumento que a compensação pressuporia a certeza e liquidez do direito creditório, tal como evidenciado nas informações prestadas em DCTF anterior ou contemporânea à transmissão da DCOMP respectiva. Em recurso voluntário o contribuinte pugnou, preliminarmente, pelo julgamento em conjunto com o PA 10675.901421/200917. No mérito, salientou que o crédito originarase de tributação indevida das contribuições (Cofins e PIS) sobre produtos cujas alíquotas foram reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei nº 10.925/04; demonstrou a forma de apuração do indébito; juntou os documentos comprobatórios do crédito pleiteado; questionou o excesso de formalismo, citando jurisprudência administrativa; e, por fim, asseverou a procedência do direito de crédito e, por conseqüência, a regularidade da compensação aviada. Na sessão de 24/04/2013, mediante Resolução nº 3802000.115, o julgamento foi convertido em diligência para aferição da procedência do direito creditório invocado. Em 05/08/2014, a SAORT/DRF/UBL/MG confeccionou despacho relatando a diligência realizada e as conclusões extraídas. O contribuinte, devidamente cientificado, não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.296, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10675.901420/200972, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.296): "Os requisitos de admissibilidade do recurso já foram verificados por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Por oportuno, trago à colação as razões de decidir que nortearam a extinta 2ª Turma Especial/3ª SEJUL a converter o julgamento em diligência: 'Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10675.901744/200919 Acórdão n.º 3401003.309 S3C4T1 Fl. 4 3 Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que 'procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)’. Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim (defensivos, adubos, sementes, etc.)”. (...) Ora, o art. 1º da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9º, § 1º, e 15, § 3º), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1º. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10.925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuin te é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo.' Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10675.901744/200919 Acórdão n.º 3401003.309 S3C4T1 Fl. 5 4 Prestigiando a fundamentação do voto condutor, com a qual concordo, entendo que a questão de direito mostrase adequadamente enfrentada e superada, de modo que, sem maiores delongas, passase ao resultado da diligência determinada. Nesta senda, a informação fiscal coligida aos autos atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Por conseguinte, mostrase insubsistente o motivo apresentado como fundamento para não homologação da compensação, consoante despacho decisório eletrônico expedido. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto." Retornando ao caso deste processo, importante ressaltar que a informação fiscal coligida nestes autos (fls. 1241/1242), da mesma forma que no caso do paradigma, também atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Também vale ressaltar que a decisão do paradigma, que tratou da Cofins, aplica se igualmente aos processos do PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 1254DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003040/2006-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF.
O Mandado de Procedimento Fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento, especialmente quando sequer foram confirmadas as irregularidades apontadas pela Recorrente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A exclusão de penalidade pela alegada denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal e, quando for o caso, dos acréscimos legais devidos, anteriormente a qualquer procedimento fiscal de ofício, hipótese não comprovada nos autos.
MULTA DE OFÍCIO. CONCORDATA.
Inexiste previsão legal para dispensa da multa de ofício no regime de concordata preventiva.
CSLL. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.
Não tendo sido pagas as parcelas do imposto mensal apuradas com base em balanços ou balancetes de suspensão, correta a exigência da multa isolada.
LANÇAMENTO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL.
Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.
Numero da decisão: 1803-001.101
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta votaram pelas conclusões.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento, especialmente quando sequer foram confirmadas as irregularidades apontadas pela Recorrente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de penalidade pela alegada denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal e, quando for o caso, dos acréscimos legais devidos, anteriormente a qualquer procedimento fiscal de ofício, hipótese não comprovada nos autos. MULTA DE OFÍCIO. CONCORDATA. Inexiste previsão legal para dispensa da multa de ofício no regime de concordata preventiva. CSLL. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Não tendo sido pagas as parcelas do imposto mensal apuradas com base em balanços ou balancetes de suspensão, correta a exigência da multa isolada. LANÇAMENTO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 409 2 Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 410 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 371 e 372): Tratase de apreciar impugnação ao auto de infração lavrado em 16/10/06 para exigência da multa isolada decorrente da falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), devida mensalmente nos anoscalendário de 2001 a 2006, no valor de R$ 55.915,93 (fls. 02 a 10). Segundo o relatório da ação fiscal que integra o auto de infração (fl. 13 a 15), a empresa teria, nos anoscalendário de 2001 a 2005, tributado seus resultados com base no lucro real anual, utilizando balancetes de redução ou suspensão para apuração dos valores devidos mensalmente. Já no anocalendário de 2006, embora tivesse informado opção pelo lucro presumido, a DCTF relativa ao 1º semestre de 2006 informou débitos sob o código 248401, correspondente às pessoas jurídicas que apuram o lucro real com estimativa mensal. Os débitos foram compensados por meio de Declaração de Compensação, ficando manifesta a opção pelo lucro real anual nesse anocalendário. Consigna ainda a autoridade fiscal que apurou a CSLL devida mensalmente com base nos balancetes contábeis levantados pelo contribuinte, evidenciando falta de recolhimento da contribuição em alguns períodos, em relação aos quais exigiu a multa isolada de que trata o art. 44, inciso IV, § 1º, da Lei nº 9.430/96. O lançamento foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 07/11/06, que em 05/12/06 apresentou impugnação ao lançamento calcada, em síntese, nos seguintes argumentos (fl. 326 a 338): a) que a ação fiscal extrapolou os limites do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), tendo em vista que o MPF original não indicou o IRPJ como tributo a ser fiscalizado, e o MPF complementar apenas incluiu o IRPJ para os períodos de 01/2001 a 03/2001, tornando o lançamento irregular; b) em relação ao IRPJ relativo às competências anteriores ao mês de novembro de 2001, alega ter ocorrido a decadência do direito de constituição do crédito tributário, à luz do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; c) que a penalidade aplicada somente é passível de exigência dentro do período de apuração do imposto; após o encerramento do período, com recolhimento integral do tributo, como ocorreu no caso, a multa é inexigível; d) como o tributo devido foi pago integralmente antes do início da fiscalização, cabe a aplicação do art. 138 do CTN, de forma que, também por isso, não cabe a aplicação da multa isolada; e) por fim, entende que a exigência esbarra nos termos do art. 23, inciso III, da Lei de Falências, tendo em vista o ajuizamento de pedido de concordata, cabendo conversão do julgamento em diligência, a fim de verificar o prazo e condições da concordata. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 411 4 Ao fim, requer a nulidade do auto de infração e inexigibilidade da penalidade aplicada. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 370): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso das contribuições sociais, o prazo é de dez anos. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento, especialmente quando sequer foram confirmadas as irregularidades apontadas pela impugnante. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de penalidade pela alegada denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal e, quando for o caso, dos acréscimos legais devidos, anteriormente a qualquer procedimento fiscal de ofício, hipótese não comprovada nos autos. MULTA DE OFÍCIO. CONCORDATA. Inexiste previsão legal para dispensa da multa de ofício no regime de concordata preventiva. CSLL. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Não tendo sido pagas as parcelas do imposto mensal apuradas com base em balanços ou balancetes de suspensão, correta a exigência da multa isolada. Cabível, entretanto, a redução do percentual aplicado tendo em vista legislação posterior abrandando o percentual da multa aplicável. Lançamento Procedente em Parte. 3. Cientificada da referida decisão em 30/06/2008 (fls. 384), a tempo, em 29/07/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 386 a 399, instruído com o documento de fls. 400, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, examinando o acórdão recorrido, verificase que os Julgadores de Primeira Instância confirmam a existência dos vícios formais apontados pelo contribuinte, mas lhe atribuíram efeitos diversos dos legalmente estabelecidos para cada uma das falhas; b) que a referência feita pela decisão recorrida ao disposto no art. 45 da Lei 8.212/91 é absolutamente impertinente, visto que esse dispositivo legal foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF); c) que, neste contexto, extinto parte do crédito tributário pela decadência, deve ser reformada a decisão de primeira instância; Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 412 5 d) que a cobrança da multa esbarra, também, nos termos do art. 23, inciso III, da Lei de Falências, vigente ao tempo dos fatos; e) que, diante desse argumento, os julgadores de primeiro grau concluíram que a regra é inaplicável, pois “a legislação vigente na data do lançamento, Lei nº 11.101, de 9/01/05, já havia revogado o dispositivo, permitindo a habilitação, na falência, das multas tributárias...” (fl. 377); e f) que deveriam os julgadores aplicar a regra do art. 144 do Código Tributário Nacional, segundo a qual a lei aplicável é a vigente ao tempo dos fatos e não a vigente no momento do lançamento. Em mesa para julgamento. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 413 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Generalidades 4. Com relação a tudo o que foi dito pela Recorrente, reprisando o que já houvera alegado na impugnação, faço minhas as palavras da decisão recorrida, às quais adoto como razões de decidir, uma vez que não foram de nenhum modo contraditadas: Do Mandado de Procedimento Fiscal A falta ou imperfeição do MPF não tem o condão de anular auto de infração que atenda aos requisitos fixados no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, posto tratarse de mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A teor do retrocitado artigo do CTN, o lançamento decorre de atividade privativa e vinculada da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional, quando se depare com infração definida em lei como suficiente ao lançamento de ofício: [...]. As portarias da Receita Federal sobre o MPF constituemse em atos administrativos de hierarquia inferior ao CTN, não tendo o condão de determinar a nulidade do lançamento, entendimento reiterado pelos Conselhos de Contribuintes: [...]. A par do exposto, que, desde logo, afastaria a alegação de nulidade, vejo que, no caso em exame, sequer houve a irregularidade administrativa apontada. O MPF que respaldou o procedimento fiscal foi regularmente emitido em 23/08/05, sob nº 10.1.06.002005005216, dele constando ordem de fiscalização da CSLL relativa a julho de 2004. Posteriormente, foi objeto de complementação em 25/04/06, para incluir, na ordem, a CSLL de janeiro de 2001 a março de 2006 (fl. 27). De se concluir, portanto, que o MPF abarcava, em relação ao IRPJ (sic), o período de janeiro de 2001 a março de 2006, dentro do qual estão integralmente inseridos os fatos geradores objeto Fl. 416DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 414 7 do lançamento, inexistido a irregularidade apontada pela impugnante. [...]. Da decadência Segundo o entendimento unânime e reiterado firmado por esta Turma de Julgamento a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário está regulada com exclusividade no art. 173 do CTN. O prazo previsto no art. 150, § 4º, do CTN não é decadencial, mas de homologação tácita de lançamento pertinente a tributo sujeito à sistemática de apuração e pagamento nele prevista, tratandose de ficção jurídica que estabelece o implemento de condição resolutória extintiva do crédito tributário, no caso de ausência de homologação expressa por parte da Administração Pública. Por seu turno, a regra do art. 173, I, do CTN prevê a extinção do direito de lançar no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, em relação aos fatos geradores ocorridos em 2001, a contagem do prazo quinquenal teve início em 2002, findando a possibilidade de lançamento em 31/12/06. Deste modo, considerando que o auto de infração foi cientificado à impugnante em 07/11/06, não há que se cogitar de decadência. [...]. Da aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional Não me parece aplicável ao caso vertente o disposto no art. 138 do CTN. O dispositivo exclui a responsabilidade quando houver denúncia espontânea da infração, desde que acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. A infração, no caso, é a falta de recolhimento da parcelas devidas por estimativa, e a elisão da penalidade dependeria, por força do texto legal, do seu pagamento. Ocorre que, além de a impugnante não ter feito qualquer prova do alegado – o pagamento antes do início do procedimento fiscal – em consulta ao sistema próprio da Receita Federal (Sinal10, fls. 364 a 368), não localizei qualquer pagamento de IRPJ (sic) no período de 01/01/01 a 07/11/06 (data da autuação). Não se aplica ao caso concreto, portanto, o art. 138 do CTN, como é possível conferir, por exemplo, na seguinte decisão do Conselho de Contribuintes: [...]. Do art. 23, inciso III, da Lei de Falências O dispositivo a que se refere a impugnante encontrase descrito no DecretoLei nº 7.661, de 21/06/45, com a seguinte redação (grifos meus): Fl. 417DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 415 8 Art. 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Parágrafo único. Não podem ser reclamados na falência: I as obrigações a título gratuito e as prestações alimentícias; II as despesas que os credores individualmente fizerem para tomar parte na falência, salvo custas judiciais em litígio com a massa; III as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. De plano verificase, primeiro, que o dispositivo arguido tem aplicação aos casos de falência e, no caso vertente, tratase de concordata preventiva; e, segundo, o impedimento restringese à reclamação da dívida na falência, não obstando a constituição de crédito tributário, que decorre do art. 142 do CTN. Entender se aplicável o dispositivo à concordata, obstando o lançamento, implicaria anistiar, quanto às penalidades, quaisquer infrações tributárias cometidas pelos contribuintes no curso da concordata. De se notar, aliás, que a legislação vigente na data do lançamento, Lei nº 11.101, de 9/01/05, já havia revogado o dispositivo, permitindo a habilitação, na falência, das multas tributárias (art. 83, inciso VI). Registro que o Conselho de Contribuintes também tem decidido quanto ao cabimento da multa nos casos de concordata, como se confere nos acórdãos abaixo: [...]. De resto, os elementos trazidos à colação informam que, já em 09/06/2005, o processo de concordata foi extinto pelo cumprimento da moratória judicial (fl. 343). 5. Acrescento, apenas, com relação à alegação da Recorrente de que, para a cobrança da multa isolada, se deve aplicar a regra do art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), que, nesse caso, o entendimento da decisão recorrida não se altera, em face do contido no § 1º do referido artigo: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 416 9 § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Multa isolada por falta de recolhimento de estimativa 6. Com relação, especificamente, à exigência em si da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa, transcrevo, nos itens subsequentes (9 a 14), o meu entendimento sobre a matéria. 7. Destaco, apenas, que a Recorrente não prova, nos autos, a existência dos alegados prejuízos fiscais. 8. A se aceitar como comprovação dessa alegação as folhas do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), de fls. 290 a 292, verificase que, pelo menos para o ano calendário de 2004, houve apuração de lucro líquido do exercício, no valor de R$ 95.441,22 (fls. 291), superior ao apurado nos balancetes dos meses autuados de maio e setembro de 2004 (R$ 54.889,30 e R$ 58.264,11, respectivamente) (fls. 19). 9. Primeiro que tudo, oportuno se faz recordar a magistral advertência de Carlos Maximiliano [Hermenêutica e Aplicação do Direito. 2. ed. Porto Alegre: Globo, 1933. p. 118], no sentido de que: Cumpre evitar, não só o demasiado apego à letra dos dispositivos, como também o excesso contrário, o de forçar a exegese e, deste modo, encaixar na regra escrita, graças à fantasia do hermeneuta, as teses pelas quais este se apaixonou, de sorte que vislumbra no texto ideias apenas existentes no próprio cérebro ou no sentir individual, desvairado por ojerizas e pendores, entusiasmos e preconceitos. A interpretação deve ser objetiva, desapaixonada, equilibrada, às vezes audaciosa, porém não revolucionária, aguda, mas sempre atenta respeitadora da lei. 10. Dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação original (grifouse): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, [...]; II cento e cinquenta por cento, [...]. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...]; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda Fl. 419DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 417 10 que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; 11. Da atenta leitura desse dispositivo legal, observase o seguinte: a) não há qualquer orientação no sentido de que a aplicação da multa isolada por falta de pagamento de estimativas devase fazer apenas “no curso do próprio anocalendário”. Haja vista que, segundo a lei, essa multa será exigida da pessoa jurídica “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente”, e não “ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (destaque da transcrição). Entender o contrário conduziria ao absurdo de, com relação à estimativa do mês de novembro, por exemplo, ser inviável qualquer procedimento fiscal, haja vista que o seu vencimento se dá como é sabido no último dia útil do mês de dezembro. Estarseia, assim, instituindo, pelas vias tortuosas de mera tese jurisprudencial, verdadeira dispensa de obrigação tributária para esse mês, o que somente seria possível mediante lei; b) se a multa isolada é aplicável “ainda que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente” (negrito da transcrição), também é exigível quando apurado resultado positivo. Seguese, daí, que nada impede a cobrança dessa multa, mesmo que, sobre esse resultado positivo, venha a incidir tributo e respectiva multa de ofício, prevista no inciso I do § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 (“juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos”); c) a infração da falta de pagamento de estimativas não deixa de subsistir por ter sido apurado, eventualmente, ao final do ano calendário, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, ou seja, essa infração, por força de lei, não é nem jamais poderia ser condicional, não admitindo uma espécie de “retroatividade benigna”, no sentido de desfazer os seus efeitos. Dessa forma, tendose verificado a hipótese de incidência da multa isolada, fatos posteriores sãolhe de todo estranhos. Há que se destacar, também, que, quando do cometimento da infração (falta de pagamento de estimativas), não era, ainda, conhecido o resultado anual da empresa; d) se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar resultado negativo ao final do período de apuração anual, a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido (art. 44, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996), senão pela falta de cumprimento de obrigação autônoma que, com Fl. 420DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 418 11 aquela, não guarda qualquer nexo de dependência, a saber: o pagamento da estimativa mensal (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), condição suficiente para a aplicação da penalidade. Assim, se não há coincidência de motivação, se as causas são díspares, se os fundamentos são diversos, não cabe falar em duplicidade de punição, não cabe apontar dupla incidência sobre a mesma infração, não cabe alegar bis in idem que, por sinal, somente se aplica a tributos. Advirtase, por pertinente, que a tentativa de se excluir a aplicação da multa isolada ao argumento da suposta “inexistência de prejuízo ao fisco” ou da “não repercussão na órbita do tributo”, esbarra no contido no art. 136 do CTN (“a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”); e) o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, ao depois, se mostrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas base de cálculo dessa penalidade revelaremse, ao final do período de apuração anual (após o cometimento da infração), total ou parcialmente indevidas, é irrelevante, e não conduz à concessão de uma “anistia” ao sujeito passivo. Essa infração não se desmaterializa pelo fato de, na apuração anual, o imposto efetivamente devido vir a ser menor. Não por outro motivo, aliás, dita multa é denominada “isolada”, ou seja, não possui qualquer vínculo com o tributo devido ao final do período de apuração anual; f) a base de cálculo das estimativas e a do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, em princípio, são distintas. Ao tempo que as estimativas são calculadas com base na receita bruta (sobre a qual se aplica um percentual fixado em função da atividade do contribuinte) e acréscimos, a base de cálculo do IRPJ e CSLL é o lucro líquido contábil ajustado pelas adições e exclusões prescritas na legislação. Por conseguinte, o simples fato de as bases de cálculo das respectivas multas (isolada e de ofício, respectivamente), eventualmente, poderem ser coincidentes (v.g., nas hipóteses de omissão de receitas), não significa que esteja havendo dupla incidência ou aplicação concomitante sobre a mesma base de cálculo apurada em procedimento de ofício. Coube ao legislador estabelecer, a seu critério, que a base de cálculo da multa isolada seria o valor da estimativa não recolhida, como poderia, ele, ter optado por qualquer outra fórmula de cálculo ou, mesmo, ter estabelecido multa de valor fixo para aquela infração, adequando convenientemente a dosagem da correspondente penalidade; g) a lei é clara ao admitir a cobrança de multa isolada por insuficiências de estimativas, mesmo quando apurado Fl. 421DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 419 12 resultado negativo ao final do período de apuração anual (ausência de tributo devido). Com que fundamento, então, pode o simples intérprete e aplicador da lei fixar limitações a essa multa, vinculandoa à existência de tributo devido? Ora, o fato de haver sido apurado resultado negativo ao final do período anual não significa que, em todos os meses componentes desse mesmo período, também tenha sido apurado resultado negativo; h) nada impede que o sujeito passivo que não tenha recolhido estimativas ao longo do ano venha a pagar o tributo apurado ao final do período anual: nesse caso, serlheia aplicada apenas a multa por falta de recolhimento de estimativas. Também o sujeito passivo pode ter atendido às condições para apuração do lucro real anual, não efetuando, porém, o pagamento do saldo remanescente do ajuste ao final do ano: nesse caso, serlheia cobrada apenas a diferença de tributo acompanhada da multa de ofício correspondente. Já na hipótese de ter havido omissão total por parte do sujeito passivo, tanto no que diz respeito ao recolhimento de estimativas, quanto no que se refere ao pagamento do saldo anual do imposto, serlheão exigidas as duas penalidades, por se tratar de infrações distintas. A concomitância, portanto, será decorrente desse fato (dupla infração). 12. Acrescentase, por pertinente, que insurgências quanto ao eventual montante desproporcional da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento de estimativas devem ser endereçadas ao legislador que, por sinal, já teve a iniciativa de reduzir o percentual correspondente, de 75 % (setenta e cinco por cento) para 50 % (cinquenta por cento), não mais prevendo sua duplicação ou aumento de metade, por ocasião da edição da Lei nº 11.488, de 2007. 13. Por derradeiro, revelase bemvinda a lição de Francesco Carrara (Interpretação e Aplicação das Leis. 2. ed. Coimbra: 1963. p. 129) que, sobre o tema, prelecionou: [...] nada é pior do que o intérprete colocar na lei o que na lei não está, por preferência, ou dela retirar o que nela está, por não lhe agradar o princípio. 14. E também esta, do Supremo Tribunal Federal (STF), em voto proferido pelo eminente Ministro Oscar Corrêa (Revista Brasileira de Direito Processual. Ed. Forense, vol. 50, p. 159): Não pode o juiz, sob alegação de que a aplicação do texto da lei à hipótese não se harmoniza com o seu sentimento de justiça ou equidade, substituirse ao legislador para formular, de próprio, a regra de direito aplicável. Mitigue o Juiz o rigor da lei, apliquea com equidade e equanimidade, mas não a substitua pelo seu critério. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 420 13 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Declaração de Voto O objetivo da presente declaração de voto é explicitar o motivo pelo qual acompanhei o relator pelas suas conclusões. Em que pese o brilhantismo da argumentação acerca da validade da cobrança da multa isolada, acompanho o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o tema. A jurisprudência dominante na Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de que com a apuração do imposto e da contribuição devidos ao final do exercício, desaparece a base imponível da penalidade isolada (antecipações), surgindo uma nova base, que corresponde ao imposto e à contribuição efetivamente apuradas. Isto, até o advento da Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que alterou a a base imponível da multa isolada, ao modificar a redação do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. As ementas a seguir reproduzidas deixam bem clara a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “MULTA ISOLADA FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO A regra é o pagamento com base no lucro real no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento do IRPJ e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir do IRPJ devido a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro líquido do período em curso (Lei nº 8.981/95, art. 35 c/c art. 2º Lei nº 9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não Fl. 423DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 421 14 demonstra ser indevido o valor do IRPJ do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores (Lei nº 9.430/96 44 § 1º inciso IV c/c art. 2º). A base de cálculo da multa é o valor do IRPJ calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do imposto anual. A partir da apuração do IRPJ anual, o limite para a base de cálculo da sanção é o IRPJ devido com base nesse lucro (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Indevida a multa quando lançada após o ano relativo aos fatos geradores quando a empresa não tenha apurado imposto ou contribuição na apuração anual. Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/0105.376, sessão em 06.12.2005)” “MULTA ISOLADA FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO A regra é o pagamento com base no lucro líqüido apurado no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento da contribuição e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o IRPJ E A CSLL devidos a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do IRPJ e ou da contribuição, inclusive adicional, calculados com base no lucro líqüido do período em curso (Lei nº 8.981/95, art. 35 c/c art. 2º Lei nº 9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor dos tributos do mês em virtude de recolhimentos excedentes em períodos anteriores (Lei nº 9.430/96 44 § 1º inciso IV c/c art. 2º). A base de cálculo da multa é o valor dos tributos calculados sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração da contribuição anual. A partir da apuração do IRPJ E CSLL anuais, o limite para a base de cálculo da sanção dos tributos devidos com base nesse lucro (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Indevida a multa quando lançada após o ano relativo aos fatos geradores quando a empresa tenha apurado prejuízo anual. Indevida também em relação às diferenças apuradas pela fiscalização em virtude da ausência de previsão legal para cumulação das penalidades. Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/0105.441, sessão em 21.03.2006) Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 11020.003040/200695 Acórdão n.º 180301.101 S1TE03 Fl. 422 15 No presente caso, acompanhei o relator pelas suas conclusões porque a Recorrente não provou, nos autos, a existência dos alegados prejuízos fiscais. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 10480.905479/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.034
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 05 47 9/ 20 12 -1 2 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10480.905479/201212 Resolução nº 3401001.034 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.528. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10480.905479/201212 Resolução nº 3401001.034 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10480.905479/201212 Resolução nº 3401001.034 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 263DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.720527/2006-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA.
A aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o intuito de fraude, caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, sujeitando-se ainda o autuado ao agravamento da exigência nos casos em que deixar de atender a intimações expedidas pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 9101-002.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, (i) quanto à qualificação da multa, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento; (ii) quanto ao agravamento da multa, em relação ao ano-calendário 2004, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento; e (iii) quanto ao agravamento da multa, em relação aos anos-calendário 2000 a 2003, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinatura digital)
André Mendes de Moura - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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MULTA AGRAVADA. A aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o intuito de fraude, caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, sujeitandose ainda o autuado ao agravamento da exigência nos casos em que deixar de atender a intimações expedidas pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, (i) quanto à qualificação da multa, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento; (ii) quanto ao agravamento da multa, em relação ao anocalendário 2004, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento; e (iii) quanto ao agravamento da multa, em relação aos anos calendário 2000 a 2003, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto, Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 05 27 /2 00 6- 08 Fl. 5195DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.196 2 (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. (assinatura digital) André Mendes de Moura Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (doravante “PFN” ou “recorrente”), em face do acórdão nº 1103 00.460 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 3ª Turma Ordinária, 1ª Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido assentou a descrição fática nos seguintes termos: “A ação fiscal consistiu na tributaca̧õ dos valores das diferenças entre as receitas escrituradas no livro "apuração de ICMS" em relaca̧õ àquelas informadas na Declaraçaõ de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e também entre os valores dos tributos originados pelas receitas constantes na escrituracã̧o contábil e aqueles informados/confessados na DIPJ e na Declaraçaõ de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Para fins do IRP.I e CSLL a apuração e tributação do lucro da empresa se deu pelo regime do lucro real no quarto trimestre de 2000; primeiro, terceiro e quarto trimestre de 2001; nos quatro trimestres de 2002; primeiro a terceiro trimestres de 2003 e nos dois primeiros trimestres de 2004, enquanto na seara das contribuições ao PIS e COFINS a tributaçaõ incidiu sobre as receitas mensais (faturamento) dos meses de janeiro de 2001 a dezembro de 2003. O Fisco também lavrou Termo de Declaraçaõ de Sujeição Passiva Solidária em nome do Sr. Mauro Antonio Costa de Araújo e Sra. Mary Goreth Melo Araújo, sócios e administradores da autuada, e lhes deu cien̂cia, ao fundamento de simulação na transferen̂cia de titularidade da empresa. assim considerada ante a inexistência de efetivo pagamento pelo negócio cumulada com a desativação paulatina da sociedade mediante mudanças do nome empresarial e de enderegos, aliados ao fato do ramo negocial ter continuado em outras sociedades de mesma titularidade. Também foi consignado que a multa de oficio fora qualificada para 150% (cento e cinquenta por cento) com base no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ante o fato da contribuinte Fl. 5196DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.197 3 ter transferido a empresa sob fiscalização para interposta pessoa, com o consentimento desta, em flagrante simulação do seu contrato social, eis que nenhum dos envolvidos logrou provar a real transferência societária, infringindo, assim, o disposto nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Em seguida, referida multa fora agravada para 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), assim prevista no § 2º do artigo 44 citado, ao pressuposto da tentativa dos envolvidos de dificultar e embaraca̧r fiscalização.” Ao analisar as impugnações apresentadas, a DRJ/BHE proferiu decisão assim ementada (efls. 2019 e seg.): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento, e o contribuinte, no exercício pleno de sua defesa, manifestou contestação de forma ampla e irrestrita, em consonância com o rito do processo administrativo fiscal. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados como excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DCTF RETIFICADORA A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início do procedimento fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ DIFERENÇA APURADA ENTRE O ESCRITURADO E DECLARADO/PAGO Constatada divergência entre os valores escriturados e os declarados/pagos, é lícito o lançamento do imposto devido em relação às diferenças apuradas, quando o contribuinte não logra êxito em refutar às evidências expostas no trabalho fiscal. Deve ser retificado o lançamento quando comprovado, em diligência fiscal, que em período especificados foram incluídos indevidamente na base de cálculo do imposto valores correspondentes a transferências de mercadoria entre filial e matriz. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA A TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o intuito de fraude, caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, sujeitandose ainda o autuado ao agravamento da exigência nos casos em que deixar de atender a intimações expedidas pela autoridade fiscal. JUROS DE MORA – TAXA SELIC É legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 5197DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.198 4 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento Procedente em Parte. Os responsáveis solidários interpuseram recurso voluntário contra a referida decisão (efls. 2110 e seg.). Ao julgar o caso, a Turma a quo prolatou acórdão assim ementado (efls. 2515 e seg.): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DECLARAÇÃO INEXATA. Valores de vendas lançados nos livros "Razão" ou "Diário" ou "Registro de Saídas do ICMS", sem correspondência com a receita bruta informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) ou com os tributos confessados na DCTF, caracterizam prova direta da subtração do crivo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), que tem o lucro como base de cálculo. Subsistindo o lançamento principal, na seara do IRPJ, igual sorte colhe os lançamentos que tenham sido formalizados em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele (CSLL) ou que define o evento comum, no caso a apuração de receita auferida pela pessoa jurídica, como fato gerador das contribuições incidentes sobre o faturamento (COFINS e PIS). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. Incabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, afeta as condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a receita tornada em conta pelo procedimento fiscal para o lançamento dos tributos foi colhida em livro contábil (razão ou diário) e fiscal (apuração do ICMS) da própria contribuinte, aflorando a hipótese de declaração inexata, igualmente prevista no mesmo comando legal e cuja penalidade pecuniária é aquela prevista em seu inciso I, qual seja, multa de 75%. MULTA AGRAVADA O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de oficio se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu as intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado ou documentos específicos, legalmente previstos. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. CTN ARTIGO 135. ALIENAÇÃO SOCIETÁRIA. SIMULAÇÃO. AGRAVAMENTO DA PENA PECUNIÁRIA. A simulação no negócio de alienação societária, por consistir prática de ato ilícito, autoriza a responsabilização dos sócios ditos cedentes para responder pelo crédito tributário, consubstanciando relação jurídica de garantia. Entrementes, por constituir obrigação autónoma aquela decorrente de fato gerador tributário, descabe a aplicação da qualificadora prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996. A PFN interpôs recurso especial (efls. 2535 e seg.) em face do acórdão a quo, no qual requer seja reestabelecida a qualificação e o agravamento da multa de ofício aplicada. O referido recurso foi integralmente admitido por despacho (efls. 4914 e seg.). A PFN alega, em apertada síntese, que: O acórdão paradigma autorizaria a aplicação de multa qualificada e agravada de 225%; Fl. 5198DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.199 5 Quanto à qualificação da multa (de 75% para 150%): como os responsáveis solidários transferiram a atividade da empresa sob fiscalização para interposta pessoa, teria havido simulação, com a incidência do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96; Quanto ao agravamento da multa (de 75% para 112,50% ou de 150% para 225%): A contribuinte teria solicitado sucessivas postergações de prazo para apresentar documentações, com o cumprimento apenas parcial. Tal fato geraria a aplicação do art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Os responsáveis solidários apresentaram contrarrazões ao recurso especial da PFN (efls. 5041 e seg.), em que se alega, em apertada síntese: Os acórdãos trazidos como paradigma pela recorrente não tratariam de hipóteses similares ao presente caso, razão pela qual o recurso especial da PFN não poderia ser aceito; Não teria havido prática fraudulenta para diminuir, retardar ou suprimir o pagamento de tributos exigidos, o que afastaria a hipótese de qualificação da multa; A empresa teria cumprido as intimações, o que afastaria a hipótese de agravamento da multa. Os responsáveis solidários também interpuseram recurso especial (efls. 4968 e seg.), o qual, contudo, não foi admitido por despacho irrecorrível (efls. 5169 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Conhecimento A PFN interpôs recurso especial de divergência em face do acórdão a quo, com a apresentação dos acórdãos n. 10613718 e n. 10809078 como paradigmas, arguindo que, nestes, teria sido adotada a multa qualificada e agravada de 225% em situações semelhantes à dos presentes autos. Os referidos acórdãos restaram assim ementados: Acórdão 10613718 DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Fl. 5199DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.200 6 MULTA AGRAVADA Cabível o agravamento de 150% para 225% no percentual da multa de lançamento de ofício quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. Acórdão 10809078: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase a alegação de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS – FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. IRPJ LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. AGRAVAMENTO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Cabível o agravamento do percentual da multa de ofício pela falta de atendimento à intimação, quando restou caracterizado nos autos o seu descumprimento intencional por parte da empresa. O despacho de admissibilidade compreendeu que o recurso deveria ser conhecido integralmente, tanto em relação à qualificação quanto ao agravamento da multa (e fls. 4914 e seg.). No entanto, compreendo que o recurso especial não deve conhecido. Quanto ao tema da qualificação da multa, apenas o acórdão n. 10613718 foi indicado como paradigma. Contudo, o seu contexto fático é diverso daquele presente nestes autos. Naquele caso, foi realizado lançamento de IRPF em face de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos não identificados, em que restou evidenciada a utilização de interpostas pessoas para a ocultação dos reais beneficiários. Notese o trecho a seguir, colhido do acórdão paradigma: “ o evidente intuito de fraude verificado pela utilização de conta corrente aberta em nome de interposta pessoa, cujo movimento financeiro ocorreu desde 20/06/1996, com evidente intuito de sonegar tributos e informações aos órgãos públicos, prática constatada, ensejou a aplicação do percentual agravado da multa de ofício para 150%, com fulcro no artigo 44, II, da Lei n° 9.430/96, combinado com o artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, formalizandose os respectivos e competentes Processos Administrativos Fiscais de Representação Fiscal para Fins Penais”. No presente caso, por sua vez, está em discussão se deve ser qualificada a multa, para 150%, tendo em vista divergências de informações constatadas entre DIPJ, a DCTF, escrita contábil e fiscal do contribuinte, bem como em face da imputação de simulação do esvaziamento da pessoa jurídica. Há, portanto, diferença substancial de contexto fático entre o acórdão recorrido e o paradigma. Também é decisivo observar que a recorrente não realizou o cotejo analítico da divergência jurisprudencial, tal como requerido pelo RICARF, delegando aos julgadores Fl. 5200DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.201 7 deste Tribunal o ônus de realizálo, seja em relação ao tema da qualificação quanto do agravamento da multa. Em relação ao tema do agravamento da multa, foram indicados como paradigmas os acórdãos n. 10613718 e n. 10809078. No entanto, além de não haver qualquer cotejo quanto à semelhança fática dos casos e indicação dos trechos do acórdão recorrido que seriam divergentes de tais acórdãos, ao realizarse tal análise, verificase que o substrato fático destes é diverso e não há evidente divergência de entendimento entre estes. Colhese da ementa do acórdão n. 10613718 ser “cabível o agravamento de 150% para 225% no percentual da multa de lançamento de ofício quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado”. Já a ementa do acórdão n. 10809078, também indicado como paradigma, indica ser “cabível o agravamento do percentual da multa de ofício pela falta de atendimento à intimação, quando restou caracterizado nos autos o seu descumprimento intencional por parte da empresa”. No presente caso, o fundamento da decisão recorrida é justamente a ausência de tais demonstrações consideradas necessárias pelos acórdãos n. 10613718 e n. 10809078 para o agravamento da multa. É o que se observa do seguinte trecho colhido do acórdão a quo: “Em que pesem as dificuldades relatadas pelo Fisco fato é que este não afirma a falta de respostas por parte da fiscalizada ou não aponta especificamente as omissões, mas sim registra que as justificativas ou esclarecimentos possuíam índole insatisfatória, o que remete a contexto subjetivo. Ademais, a própria fiscalização utilizase do vocábulo tentativa de embaraço. o que pressupõe não consumada a conduta embaraçadora, a qual, aliás, requisita lavratura de auto próprio (RIR/99. artigo 919). Dessa forma, caso verificasse presente a referida demonstração, é provável que o acórdão a quo alcançasse a mesma conclusão dos acórdãos indicados como paradigmas. Não há divergência, mas convergência. Nesse cenário, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso especial. Mérito Por restar vencido quanto ao não conhecimento do recurso especial, passo à análise de seu mérito. Qualificação da multa. Foram dois os eixos que guiaram o agente fiscal para a qualificação da multa isolada: i) as declarações DIPJ e DCTF não teriam apresentado o verdadeiro evento econômico ou os tributos devidos, impedindo ou retardando, assim, o conhecimento da ocorrência do fato gerador e; ii) teria havido simulação na transferência de titularidade da empresa autuada. Quanto ao primeiro eixo, a decisão recorrida compreendeu que a não entrega de DIPJ e DCTF pelo contribuinte não seria por si só causa para a qualificação da multa, mas Fl. 5201DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.202 8 sim hipótese de incidência da multa de 75%, atentandose para o fato de que a escrituração contábil apresentada pelo contribuinte, notadamente documentos atinentes ao ICMS, foram suficientes para embasar o lançamento tributário realizado, in verbis: “Reprisese: o ordenamento diz, textualmente, que a ausência de declaração ou a prestaçaõ de declaração inexata atrai a pena pecuniária de 75% (setenta e cinco por cento). Uma vez previstas, não ha como o intérprete delas desconhecer. De qualquer sorte, nestes autos impera o fato de que as operacõ̧es econômicas praticadas no período fiscalizado, que vieram ensejar os respectivos fatos geradores dos tributos ora lançados, encontramse regularmente escrituradas, isto é, o montante da receita mensal esta registrado nos livros comerciais e no "livro de apuraca̧õ do ICMS". Notadamente, fora justamente essa escrita que serviu de base ao Fisco para o cálculo das diferenças. Diante dessa circunstancia, não nos parece que possa prosperar o entendimento de que se pretendeu ocultar os fatos geradores. Ainda, tenho que os livros fiscais exigidos por outros entes tributantes (v.g. livro de apuraca̧õ do ICMS ou livro de apuraçaõ do ISS). quando apresentados isoladamente pela defesa não se prestam e nem tampouco poderiam prestar como instrumentos de regularidade escritural porque não requisitados pela legislação tributária federal, que se encarregou de exigir outros, como os livros "diário", "razão" e "lalur" no caso do regime do lucro real e os livros "caixa" e "registro de inventário" na hipótese de regime do lucro presumido. Todavia, a Fiscalização entendeu pela eficácia da escrituração fiscal levada a efeito no livro "Registro de Apuração do ICMS" para formalizar parte da exigência, tanto que justamente essa escrita alicerco̧u a imputaçaõ fiscal de omissão de receita e/ou insuficien̂cia de recolhimentos.” Realmente, a matriz legal prescrita pelo legislador ordinário prevê penalidades diferentes para hipóteses factuais distintas: multa de ofício de 75% (Lei n. 9.430/96, art. 44, I): cabível quando o sujeito passivo tributário deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido; multa de ofício de 150% (Lei n. 9.430/96, art. 44, II): cabível quando o contribuinte, além de deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido, o faz mediante conduta dolosa. No caso dos autos, cujos fatos geradores se reportam a período anterior a 2007, para a qualificação da multa de ofício, exigese que seja “evidente” a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64. O artigo 71 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “sonegação” a que a Lei n. 9.430/96 faz remissão, nos seguintes termos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 5202DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.203 9 O artigo 72 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “fraude” a que a Lei n. 9.430/96 faz remissão, nos seguintes termos: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A conduta fraudulenta, que dolosamente intente impedir ou retardar a ocorrência do fato jurídico, a que se refere o enunciado acima, é tutelada pelo art. 1º da Lei 8.137/90, segundo o qual: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (...) II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Por fim, o artigo 73 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “conluio” a que a Lei n. 9.430/96 faz remissão, nos seguintes termos: Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. É da essência dos atos em questão o propósito de ocultar, de impedir ou retardar de forma artificial a ocorrência do fato gerador ou, ainda, o conhecimento da autoridade administrativa a respeito da ocorrência do fato jurídico, de algum de seus elementos ou de condições pessoais do contribuinte que lhe digam respeito. No caso sob análise, vale repisar, essa majoração da multa apenas será cabível caso o intuito de fraude se mostrar “evidente”, em face da redação do art. 44, II, da Lei n. 9.430/96, vigente à época dos fatos. Concordo com a decisão a quo, quando atribui relevo à manutenção de escrita contábil e fiscal que, colocada à disposição da fiscalização, foram suficientes para a lavratura do lançamento ora sob julgamento. Ocorre que, mesmo que se compreenda que a reiterada ausência de entrega de DIPJ e DCTF com informações completas possa corroborar para a compreensão de que o contribuinte procurou omitir do fisco a ocorrência do fato gerador, não se mostra “evidente” o intuito doloso quando “o montante da receita mensal esta registrado nos livros comerciais e no ‘livro de apuração do ICMS’”, notadamente quando tais escritas são suficientes para servir de base para o lançamento fiscal e estes foram entregues à fiscalização. Por sua vez, a decisão recorrida também observou que a alegada tentativa de esvaziamento da pessoa jurídica, após a prática dos fatos geradores, não influenciaria na gradação da multa. Em relação a esse segundo eixo, assim se manifestou a decisão recorrida: “Em suma: a qualificação da pena pecuniária consta no ordenamento e requisita a presença de conduta fraudulenta conectada diretamente ao fato gerador do tributo, enquanto sequer previsão de pena pecuniária existe para a simulação na compra e venda de quotas societárias. A propósito, convém lembrar que a indicação dos responsáveis solidários pode se dar a qualquer tempo, inclusive no decorrer da execução fiscal manejada contra a pessoa jurídica, ocasião em que sequer se cogita da qualificação da multa”. Fl. 5203DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.204 10 Concordo com a decisão recorrida quando conclui, em face dos fatos identificados, que não há elementos necessários para que se considere “evidente” que a reorganização societária implementada objetivou ocultar a realização do fato gerador, reduzir ou impossibilitar o montante a ser pago. Quanto à qualificação da multa, portanto, voto no sentido de manter a decisão recorrida. Agravamento da multa Iniciado o procedimento de fiscalização, a não colaboração do contribuinte pode ensejar o agravamento da multa que, a depender das peculiaridades do caso, será de 75% (agravável, então, para 112,5%) ou 150% (agravável, então, para 225%). Assim dispõe o art. 44, § 2º, da Lei n. 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) § 2. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei No caso sob julgamento, a autoridade fiscal, ao lavrar o Termo de Verificação Fiscal, consignou a sua conclusão de que ao contribuinte “aplicase ainda a qualificação da multa, atingindose assim uma penalidade total de 225%, conforme o parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430/96, em função da tentativa dos envolvidos em dificultar e embaraçar a fiscalização, através das práticas de apresentarem respostas parciais e/ou evasivas, pedidos de prorrogação de prazos excessivos, e descumprimentos sistemáticos de prazo de atendimento em praticamente todas as intimações dirigidas à empresa fiscalizada, culminadas com o não atendimento ao Termo de Reintimação n° 03” (efls. 84 e seg.). A Turma a quo decidiu afastar o agravamento da multa, em decisão assim ementada: MULTA AGRAVADA O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de oficio se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu As intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado on documentos específicos, legalmente previstos. A decisão estou assim fundamentada (efls. 2531 e seg.), in verbis: “Em que pesem as dificuldades relatadas pelo Fisco fato é que este não afirma a falta de respostas por parte da fiscalizada ou não aponta especificamente as omissões, mas sim registra que as justificativas ou esclarecimentos possuíam índole insatisfatória, o que remete a contexto subjetivo. Ademais, a própria fiscalização utilizase do vocábulo tentativa de embaraço, o que pressupõe não consumada a conduta embaraçadora, a qual, aliás, requisita lavratura de auto próprio (RIR/99. artigo 919). Asseverou a Fiscalização, ainda, que a contribuinte não forneceu os documentos solicitados no Termo de fls. 324 (fichas de registro de empregados e relações de empregados constantes da GFIP Guia de Fl. 5204DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.205 11 Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social). Tenho, neste particular, que os elementos indicados não caracterizam aqueles elencados nas alienas ‘b’ e ‘c’ do transcrito § 2°”. Concordo com a Turma a quo quando aduz que o agravamento da multa não deve ser aplicado aos casos em que não há demonstração de que o contribuinte realmente deixou de atender à fiscalização de tal forma a imporlhe obstáculos tendentes a ocasionar prejuízos ao erário. Inclusive por força do art. 112 do CTN, apenas deve ser aplicado o agravamento da penalidade nos casos em que não restem dúvidas quanto à subsunção do fato à norma. Dispositivo. Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER o recurso especial da PFN e, no mérito, para NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Apesar da bem fundamentada exposição do ilustre Relator, peço vênia para divergir quanto à admissibilidade, e, no mérito, a qualificação e agravamento da multa de ofício. Admissibilidade. Entendo que a recorrente logrou demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e os paradigmas. O paradigma nº 10613.718 apresentou situação no qual foi qualificada e agravada a multa de ofício, e o de nº 10809.078 no qual foi agravada a penalidade, ambos em situações semelhantes à dos presentes autos. Transcrevo as ementas na parte que interessa: (Acórdão 10613.718) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. MULTA AGRAVADA Cabível o agravamento de 150% para 225% no percentual da multa de lançamento de ofício quando Fl. 5205DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.206 12 comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. ........................................................................................................ (Acórdão 10809.078:) IRPJ LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. AGRAVAMENTO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Cabível o agravamento do percentual da multa de ofício pela falta de atendimento à intimação, quando restou caracterizado nos autos o seu descumprimento intencional por parte da empresa. Entendo que o despacho de exame de admissibilidade (efls. 4914/4918) apreciou com precisão a divergência, com se pode observar pelo excerto reproduzido na sequência. Neste processo administrativo fiscal, foi aplicada à contribuinte a multa de 225% em razão de os sujeitos passivos terem tentado dificultar e embaraçar a fiscalização por meio de simulação de compra e venda da sociedade empresária, não tendo atendido às intimações do Fisco para apresentar documentação contábil e fiscal, apresentando sucessivos pedidos de prorrogação de prazo e entregando apenas parcialmente a documentação solicitada. Na decisão combatida, afastouse a imposição da multa aplicada com fulcro no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Entendeuse que o caso se enquadra no de declaração inexata, e afastouse a hipótese de fraude. Vejase excerto do voto condutor da decisão: De plano, pois, a conduta do sujeito passivo em omitirse na confissão da dívida, ou de confessála em cifra de monta inferior à realidade, não soa perfeitamente sintonizada no tipo fraudulento descrito na norma. Em se tratando de pessoa jurídica e tendose em mente a sistemática de lançamento por homologação adotada pela Administração, bem como, o fato da receita auferida exprimirse na base de cálculo ou integrar a conceituação do fato gerador do PIS, COFINS, IRPJ e da CSLL, afigurame que à contribuinte cumpre emitir a nota fiscal de venda ou documento equivalente, escriturar a operação, calcular o tributo devido e declarála ao Fisco. Assim, penso que a conduta fraudulenta, para fins de gradação da multa pecuniária, só se caracteriza com a omissão das duas primeiras ou, se praticadas, tenham sido com falsidade. Já as práticas de omissão no dever de declarar, ou da declaração inexata, também foram textualmente qualificadas pelo legislador como reprováveis, de forma que apenadas, em pecúnia, à razão Fl. 5206DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.207 13 de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do tributo que deixou de ser pago. Repisese: o ordenamento diz, textualmente, que a ausência de declaração ou a prestação de declaração inexata atrai a pena pecuniária de 75% (setenta e cinco por cento). Uma vez previstas, não há como o intérprete delas desconhecer. De qualquer sorte, nestes autos impera o fato de que as operações econômicas praticadas no período fiscalizado, que vieram ensejar os respectivos fatos geradores dos tributos ora lançados, encontramse regularmente escrituradas, isto é, o montante da receita mensal está registrado nos livros comerciais e no “livro de apuração do ICMS”. Notadamente, fora justamente essa escrita que serviu de base ao Fisco para o cálculo das diferenças. Diante dessa circunstância, não nos parece que possa prosperar o entendimento de que se pretendeu ocultar os fatos geradores. De outro modo, nos paradigmas, a simples falta de atendimento à intimação e a constatação do descumprimento intencional por parte da empresa foram suficientes para se considerar cabível a imputação da multa de 225%. Vale observar que, no que concerne à qualificação da multa, tanto o acórdão recorrido quanto o paradigma (nº 10613.718) tratam de utilização de interposta pessoa, sendo no paradigma a penalidade mantida e no recorrido afastada. Sobre o agravamento de multa, trata de condições objetivas expostas pela norma. No recorrido, apesar do não atendimento às intimações, considerou a decisão que tal fato não era suficientemente relevante para aplicação da multa agravada, enquanto que os paradigmas (nº 10613718 e 10809.078), ao tratarem de situação semelhante, não hesitaram em manter a penalidade. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da PGFN. Fl. 5207DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.208 14 Mérito. Multa Qualificada e Agravada. Sobre a qualificação da multa, vale transcrever as conclusões do Termo de Verificação Fiscal (efls. 82/83): É aplicada multa qualificada de 150% sobre o crédito tributário apurado, com base no inciso II do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, haja vista que os contribuintes de fato, infringiram o disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, uma vez que transferiram a empresa sob fiscalização para interposta pessoa, com o consentimento da mesma, fazendo apenas uma simulação no contrato social da empresa, uma vez que nenhum dos envolvidos logrou provar a real transferência, uma vez que não houve nenhum pagamento do Sr. Paulo César da Costa, aos reais sóciosproprietários da empresa o Sr. Mauro Antonio Costa de Araújo e a sua esposa, a Sra. Mary Goreth Melo Araújo. Ao executarem esta simulação, os envolvidos transferiram a empresa de endereço, informando um endereço incorreto para a Receita Federal, ou seja, o n° 151 da Av. Carandaí, e não o n° 147, onde funcionava apenas um pequeno escritório e posteriormente para uma sala ainda menor, no atual endereço da empresa (sic). Não é crível que uma empresa que apresentava um faturamento médio mensal no ano de 2003, acima de R$ 5.000.000,00, seja transferida apenas pelo valor do seu capital social, sem que nenhum pagamento seja efetuado, mesmo depois de transcorrido mais de 02 (dois) anos do início da simulação efetuada pelas pessoas já citadas. Cabe ainda ressaltar que o Sr. Paulo César da Costa, não possuía condições econômicasfmanceiras para se tomar o único sócio de tal empresa, bastando verificar as declarações de ajuste anual das pessoas fisicas apresentadas pelo mesmo, cópias às fls. 309 e 317. Fica ainda mais patente, a simulação quando se observa que a "marca" da empresa, ou seja, o nome "PORT", foi transferido para novas empresas (ou novos CNPJ's), não trazendo nenhum transtorno aos seus proprietários. Na sequência, apresenta a autoridade autuante um quadro com as empresas do grupo: Fl. 5208DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.209 15 Ora, resta clara a presença do dolo na conduta da Contribuinte. No caso concreto, o plus na conduta é evidente, ultrapassando o tipo objetivo da norma tributária. Verificase a presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o intuito doloso, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT1: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constatase que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizála. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, a vontade, que não pode existir sem aquele. Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 2 discorre com didática: Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 3: A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a 1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 267. 2 BITENCOURT, 2007, p. 269. 3 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 5209DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.210 16 previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. Diante do exposto, voto no sentido de restabelecer a qualificação da multa. Em relação ao agravamento da multa, a norma tributária não deixa dúvidas quanto à sua imputação, estabelecendo requisitos de ordem objetiva: cabe a penalidade pelo não atendimento pelo sujeito passivo no prazo marcado para prestar esclarecimentos, apresentar arquivos ou sistemas ou apresentar documentação técnica. E, no caso concreto, é fato incontroverso que, de fato, a Contribuinte, em diversas oportunidades, não atendeu às intimações. O quadro demonstrativo elaborado pela Fiscalização não deixa dúvidas (efl. 84): Portanto, voto no sentido de restabelecer o agravamento da multa. Assim, restabelecidas a qualificação e o agravamento, consolidase a multa no percentual de 225%. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 5210DF CARF MF Processo nº 10680.720527/200608 Acórdão n.º 9101002.567 CSRFT1 Fl. 5.211 17 Fl. 5211DF CARF MF
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Numero do processo: 13009.000156/99-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
PRECLUSÃO DE MATÉRIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
O reconhecimento da homologação tácita dos Pedidos de Compensação
apresentados até 22/03/2000 foi tratado pelo primeiro acórdão do CARF.
Com aquela decisão, a matéria foi integralmente analisada e decidida. Os embargos de declaração da contribuinte não restabeleceram qualquer debate sobre a ocorrência da homologação tácita dos pedidos de compensação apresentados até 22/03/2000, até porque a decisão sobre isso lhe era favorável, e o segundo acórdão do CARF também não reexaminou essa matéria (ou seja, a aplicação do art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei nº 9.430/1996,
aos referidos pedidos de compensação), inclusive porque isso não era objeto dos embargos da contribuinte. O recurso especial da PGFN contesta, na verdade, o que foi decidido no primeiro acórdão do CARF, e pretende reabrir debate sobre matéria preclusa, o que não é possível pelas regras processuais. É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo
respeito se operou a preclusão (CPC, art. 507). Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.555
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 PRECLUSÃO DE MATÉRIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. O reconhecimento da homologação tácita dos Pedidos de Compensação apresentados até 22/03/2000 foi tratado pelo primeiro acórdão do CARF. Com aquela decisão, a matéria foi integralmente analisada e decidida. Os embargos de declaração da contribuinte não restabeleceram qualquer debate sobre a ocorrência da homologação tácita dos pedidos de compensação apresentados até 22/03/2000, até porque a decisão sobre isso lhe era favorável, e o segundo acórdão do CARF também não reexaminou essa matéria (ou seja, a aplicação do art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei nº 9.430/1996, aos referidos pedidos de compensação), inclusive porque isso não era objeto dos embargos da contribuinte. O recurso especial da PGFN contesta, na verdade, o que foi decidido no primeiro acórdão do CARF, e pretende reabrir debate sobre matéria preclusa, o que não é possível pelas regras processuais. É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo respeito se operou a preclusão (CPC, art. 507). Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente ao reconhecimento de homologação tácita para determinados Pedidos de Compensação que haviam sido apresentados pela contribuinte acima identificada. A recorrente insurgiu-se contra o Acórdão nº 1103-00.158, de 07/04/2010 (alterado parcialmente pelo Acórdão nº 1103-000.914, de 07/08/2013, em razão de embargos de declaração apresentados pela contribuinte), por meio do qual a 3 a Turma Ordinária da 1 a Câmara da 1 a Seção de Julgamento do CARF deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de, entre outras coisas, "reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações, que compreendem créditos de PIS, de COFINS e de saldos negativos de IRPJ e de CSL, pedidas até 22 de março de 2000". O Acórdão nº 1103-00.158 possui a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo, na parte que ora interessa: [...] PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO TÁCITA - ART. 74, § 5º, DA LEI 9.430/96 Impõe-se reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações, que compreendem créditos de PIS, de COFINS e de saldos negativos de IRPJ e de CSL, pedidas até 22 de março de 2000, devendo do valor dos créditos dessas compensações ser subtraído o valor dos autos de infração de IRPJ e de CSL atinentes ao ano-calendário de 1998 e os valores de desistências de compensação formuladas até 22 de março de 2005. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO - PIS E COFINS Cabe reconhecer as compensações pedidas após 22 de março de 2000 dos créditos de PIS e de COFINS, que devem levar em consideração as desistências formuladas após a homologação tácita - após 22 de março de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações (que compreendem créditos de PIS, de COFINS e de saldos negativos de IRPJ e de CSL) pedidas até 22/03/2000, devendo do valor dos créditos dessas compensações ser subtraído o valor dos autos de infração de IRPJ (R$ 136.783,36) e de CSL Fl. 2561DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 4 3 (R$ 40.679,22) referentes ao ano-calendário de 1998 e os valores de desistências de compensação formuladas até 22/03/2005 (data em que se aperfeiçoou a homologação tácita), e reconhecer as compensações pedidas após 22/03/2000, dos créditos de PIS e de COFINS postulados, que devem levar em consideração as desistências formuladas após a homologação tácita (após 22/03/2005), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva votou também pela homologação tácita dos créditos não reconhecidos em face de autos de infração. E o Acórdão nº 1103-000.914, exarado em razão de embargos de declaração apresentados pela contribuinte contra a decisão acima mencionada, contém as seguintes conclusões: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 CONTRADIÇÃO NOS FUNDAMENTOS EFEITO INFRINGENTE Contradição endógena aos fundamentos ao se dizer que cabe reconhecer a homologação tácita das compensações e que se devem deduzir dos valores dessas compensações (dos créditos absorvidos nessas compensações) os dos autos de infração relativos ao mesmo ano-calendário dos créditos. Efeito infringente do dispositivo como conseqüência lógica ou necessária do saneamento da contradição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos, com efeitos infringentes, alterando o dispositivo do Acórdão nº 1103-00.158/2010 para "Dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações (que compreendem créditos de PIS, de Cofins e de saldos negativos de IRPJ e de CSLL) pedidas até 22/3/2000, das quais devem ser subtraídos os valores das desistências das compensações formuladas até 22/3/2005 (data em que se aperfeiçoou a homologação tácita), e reconhecer as compensações pedidas após 22/3/2000, dos créditos de PIS e de Cofins postulados, que devem levar em consideração as desistências formuladas após a homologação tácita (após 22/3/2005)." A PGFN afirma que a decisão do CARF deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto ao reconhecimento da homologação tácita dos pedidos de compensação apresentados antes de 22/03/2000. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. - a Turma a quo considerou que o prazo para homologação da compensação é de 5 anos contados da data da entrega da declaração, independentemente de esta ter sido realizada antes ou após a MP nº 135, de 30/10/2003, embasando tal entendimento em interpretação do art. 74, § 5º, da Lei n.º 9.430/96; Fl. 2562DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 5 4 - ocorre que a Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, analisando o mesmo dispositivo legal, fixou exegese diversa da esposada pelo Colegiado a quo, sob o fundamento de que o prazo de 5 anos para homologação, disposto no art. 74, § 5º, da Lei n.º 9.430/96, com a redação conferida pelo art. 17 da Medida Provisória n.º 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apenas se aplica a partir de 30/10/2003: Acórdão n° 203-11.648 [...] COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considera-se homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplica-se somente a partir de 30/10/2003. Recurso provido em parte. - é clara a divergência entre a e. Turma a quo e a Terceira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes relativamente ao âmbito de aplicação do art. 74, § 5º, da Lei n.º 9.430/96, visto que, com base em situação fática similar em ambos os feitos, há interpretações jurídicas díspares; - se, por um lado, o acórdão ora recorrido, com fulcro no art. 74, § 5º, da Lei n.º 9.430/96, considera ter havido homologação tácita da compensação, pelo decurso de mais de cinco anos entre a declaração e a ciência do despacho decisório, o acórdão apontado como paradigma, de outra banda, considera que o lapso de cinco anos, por incidência do mesmo dispositivo legal acima citado, só pode ser contado a partir de 30 de outubro de 2003, data da alteração legislativa, visto que, antes de tal marco, não havia para a administração tributária qualquer prazo limite para a homologação; - resta demonstrada a divergência jurisprudencial diante da ementa anexa, e encontram-se presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO. - antes da Medida Provisória n.º 135/2003, não havia que se cogitar de qualquer prazo para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação; - em outras palavras, quando da declaração de compensação apresentada nos presentes autos, em novembro de 1998 e março de 1999, não estava a administração, por lei, obrigada a cumprir qualquer lapso, findo o qual estaria caracterizada a homologação do referido pleito. De fato, como visto, a obrigação de cumprimento de prazo somente surgiu com a edição da Medida Provisória n.° 135/2003, de 30 de outubro de 2003; - entendimento diverso do aqui esposado conduziria à situação esdrúxula de ser a administração tributária literal e sumariamente surpreendida com a repentina fluência de um prazo que, quando do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, sequer existia; Fl. 2563DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 6 5 - a correta exegese exige que o prazo para homologação (5 anos) aplique-se tão-somente aos pleitos formulados após o marco de 30 de outubro de 2003, data da edição da Medida Provisória n.º 135/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833/2003, visto que, antes disso, não havia qualquer limitação temporal para a respectiva apreciação pela administração fiscal; - outrossim, ainda que se pretendesse aplicar o referido prazo de 5 anos para homologação aos pleitos anteriores, pendentes de apreciação à época da edição da MP N.º 135, de 30 de outubro de 2003, então, que fosse o referido lapso, em tais hipóteses, contado a partir do mencionado marco, sendo qualquer outra exegese contrária ao princípio da irretroatividade da lei tributária e ofensiva à legislação de regência; - oportuno registrar, a esse respeito, que Cândido Rangel Dinamarco, ao tratar da Teoria do Isolamento dos atos processuais, correlacionada ao princípio da irretroatividade das leis (tempus regit actum), ambos consagrados em nosso ordenamento jurídico, nega aplicação imediata da lei processual nova quando esta retirar a proteção antes outorgada a determinada pretensão, excluindo ou comprometendo radicalmente a possibilidade do exame desta, de modo a tornar impossível ou particularmente difícil a tutela anteriormente prometida. O referido autor, ademais, rejeita a aplicação imediata da lei processual quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas antes inexistentes; - no caso vertente, não se verifica qualquer das hipóteses elencadas no art. 106 do CTN, não sendo autorizada a retroatividade da lei para alcançar fatos pretéritos; - registre-se que, nos termos de seu art. 170, o Código Tributário Nacional previu a compensação como forma de extinção do crédito tributário. Todavia, em atendimento ao princípio da legalidade, determinou que a extinção do crédito tributário por essa modalidade depende de lei autorizadora, que estabeleceria as condições e as garantias em que poderia ocorrer a compensação ou atribuiria à autoridade administrativa o estabelecimento dessas condições e garantias; - a fim de normatizar a forma pela qual seria concebida a compensação no âmbito tributário, foram editadas leis, dentre as quais se destaca a de nº 9.430/96, que postula requisitos indispensáveis ao deferimento do pleito; - a realização da compensação fora das estritas hipóteses legais, que regem essa modalidade de extinção do crédito tributário, não pode ser admitida; - de fato, tanto o CTN (art. 170) quanto a Lei nº 9.430/96 (arts. 73 e 74), e demais atos normativos aplicáveis à matéria, estipularam normas condicionantes da compensação não só com a finalidade de verificar se os créditos de que um contribuinte se diz titular são líquidos e certos e aptos a liquidar os respectivos débitos, mas também com o desejável objetivo de controlar os créditos tributários extintos por compensação, impedindo, assim, a dispensa dos referidos créditos tributários fora dos casos previstos no CTN (art. 141); - por essas razões é que todas as normas e argumentos acima expostos levam à conclusão de que o instituto da compensação tem, no Direito Tributário, tratamento diverso do que lhe é dado pelo Direito Privado, mais especificamente o Direito Civil, mormente em face do princípio da legalidade. Nesse ponto, é importante transcrever parte do Parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1499/2005, que corrobora o que vem sendo exaustivamente defendido nesta peça (parecer transcrito); Fl. 2564DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 7 6 - assim, tendo em vista o princípio da legalidade e a regra de que o fato regula-se juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência (irretroatividade das leis), conclui-se ser imperiosa a reforma do julgado. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 20/07/2015, admitiu o recurso especial com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Efetivamente como se deduz da leitura das ementas dos Acórdãos confrontados, a divergência restou caracterizada, posto que visível o descompasso entre o apontado pelo recorrido e o que consta do paradigma (Acórdão nº 203-11.648), um fixando que a contagem decadencial para DCOMP apresentada antes de 30/10/2003 conta-se da data da apresentação da declaração, o outro impondo que tal medida de tempo flui a partir de 30/10/2003, vigência da MP nº 135/2003 (depois Lei nº 10.833/2003). Assim, vê-se que o dissenso restou estampado. Em 19/08/2015, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 1103-000.914, do recurso especial da PGFN e do despacho que admitiu esse recurso. Em 03/09/2015, ela remeteu por via postal as contrarrazões ao recurso, mas o aviso de recebimento (AR) lhe foi devolvido em 08/09/2015 com a informação "mudou-se", porque a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte tinha se transferido para um outro endereço daquela cidade. A contribuinte, então, fez nova postagem das contrarrazões, desta vez para o endereço atual da Delegacia da Receita Federal, e a peça processual foi juntada aos autos. O que se alega em sede de contrarrazões é o seguinte: PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE DAS CONTRARRAZÕES - preliminarmente, esclarece a recorrida que as presentes contrarrazões foram interpostas por via postal, de acordo com a autorização contida no Ato Declaratório Normativo nº 19/1997; - uma vez que a ora recorrida foi cientificada em 19/08/2015 (quarta-feira), por via postal, conforme prova o rastreamento do objeto postado nos Correios sob o n° JH04293667BR, do despacho que lhe facultou impugnar o Recurso Especial interposto extemporaneamente pela Fazenda Nacional, encerra-se assim o prazo para tanto no dia 03/09/2015, nos termos da legislação de regência; - como as presentes contrarrazões foram enviadas à Autoridade Fiscal por via postal nesta data, e tendo em vista que o Ato Declaratório Normativo n° 19 de 1997 considera o protocolo ocorrido, para fins de aferição de tempestividade, a data de postagem da correspondência contendo a respectiva manifestação de irresignação, é de se concluir por sua tempestividade; Fl. 2565DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 8 7 PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO - conquanto valha o respeito ao douto despacho que admitiu o recurso especial ora vergastado, é de se ver que há muito precluiu o direito da Fazenda Nacional oferecer esta irresignação, na medida em que o mérito de seu apelo trata da controvérsia relacionada à contagem do prazo decadencial para a homologação tácita de Declarações de Compensação após o advento da MP nº 135/2003; - em primeiro lugar, é de se esclarecer que o recurso especial somente foi veiculado após o julgamento de embargos de declaração opostos pela recorrida, e que nada tiveram a ver com a controvérsia relacionada à contagem do prazo decadencial para a homologação tácita de Declarações de Compensação após o advento da MP nº 135/03; - os Embargos foram manejados por conta de vícios materiais contidos no acórdão originário, de fls. 2174/2195, e diziam respeito tão somente à dedução de valores referentes a autos de infração das compensações tacitamente homologadas, como se vê às fls. 2.483; - com relação à matéria objeto do recurso especial, esta fora decidida integralmente pelo Acórdão de fls. 2174/2195, e contra o qual a Fazenda Nacional não interpôs recurso, consoante prova o Termo de Intimação de fls. 2196; - isto significa afirmar, sem nenhum possibilidade de contestação, que caso a recorrida se quedasse inerte e não tivesse manejado os embargos de declaração para corrigir um vício do Acórdão contra o qual a Fazenda expressamente desistiu de recorrer, sequer estar- se-ia levando este processo ao conhecimento desta Câmara Superior de Recursos Fiscais; - veja-se que o suposto paradigma citado no recurso especial da Fazenda Nacional já existia quando seu representante, às fls. 2196, expressa e inequivocamente deixou de oferecer recurso contra a decisão que efetivamente declarou tacitamente homologadas as Declarações de Compensação da recorrida; - obrigar a recorrida a ver esta questão rediscutida por esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais é fazer tabula rasa dos institutos que regem a preclusão, pois não se trata a presente hipótese de preclusão lógica, mas sim de preclusão material, na medida em que a Fazenda Nacional, de forma expressa e inequívoca, absteve-se, consoante o Termo de Intimação de fls. 2196, de discutir ou recorrer da tese veiculada pelo Acórdão de fls. 2174/2195; - a legislação de regência sempre obrigou que, no caso de matérias autônomas, pode sim o recurso especial ser recebido parcialmente, o que torna forçosa a conclusão de que a matéria objeto do recurso especial ora contrarrazoado está preclusa, eis que no momento próprio a Fazenda Nacional, expressa e inequivocamente, abriu mão de discuti-la perante esta CSRF; - daí porque não se pode obrigar que a recorrida se socorra do princípio da eventualidade e discuta o mérito do recurso especial admitido, já que a matéria fora definitivamente decidida em desfavor da Fazenda Nacional, em decisão com a qual o douto Representante da PGFN concordou de forma expressa e inequívoca (fls. 2196); Fl. 2566DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 9 8 - diante de todo o exposto, roga a recorrida, consoante prova o Termo de Intimação de fls. 2196 (PDF), seja negado conhecimento ao Recurso Especial de fls. 2487/2495, por tratar de matéria definitivamente decidida, nos termos do art. 156, IX, do Código Tributário Nacional, recompondo-se, em definitivo, com a escorreita aplicação da legislação de regência do Processo Administrativo Fiscal. É o relatório. Fl. 2567DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto Pedido de Restituição apresentado em 26/01/1999, referente a créditos apurados no ano-calendário de 1998, cumulado com Pedidos de Compensação protocolizados entre 26/01/1999 e 23/01/2001, com base nos referidos créditos. A Delegacia de origem exarou despacho de não homologação das compensações em 23/03/2005, o que ensejou o debate sobre a ocorrência ou não de homologação tácita para algumas delas, sob o enfoque do art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei 9.430/1996. Em relação a essa questão, a 3 a Turma Ordinária da 1 a Câmara da 1 a Seção de Julgamento do CARF, por meio do Acórdão nº 1103-00.158, de 07/04/2010, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte, para fins de, entre outras coisas, "reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações, que compreendem créditos de PIS, de COFINS e de saldos negativos de IRPJ e de CSL, pedidas até 22 de março de 2000, devendo do valor dos créditos dessas compensações ser subtraído o valor dos autos de infração de IRPJ e de CSL atinentes ao ano-calendário de 1998 e os valores de desistências de compensação formuladas até 22 de março de 2005." (grifos acrescidos) No mês de agosto/2010, a PGFN foi intimada dessa decisão, e o processo foi devolvido ao CARF com a observação de que não haveria apresentação de recurso especial e nem de embargos de declaração. Em 23/01/2013, a contribuinte foi intimada dessa mesma decisão, e ela apresentou embargos de declaração, alegando a existência de contradição no acórdão do CARF, porque ele reconheceu expressamente a homologação tácita de algumas compensações, mas mandou deduzir uma determinada parcela dos créditos nelas utilizados. Ao examinar esses embargos de declaração, a 3 a Turma Ordinária da 1 a Câmara da 1 a Seção de Julgamento do CARF exarou o Acórdão nº 1103-000.914, de 07/08/2013, para fins de corrigir erro contido na decisão anterior: [...] A contradição é endógena aos fundamentos quando se diz que cabe reconhecer a homologação tácita das compensações e, ao mesmo tempo, que se devem deduzir dos valores dessas compensações - óbvio, dos créditos absorvidos nessas compensações - os dos autos de infração supramencionados. Para além da contradição radicada nos fundamentos do decisório, faço o registro de que a dedução dos montantes dos autos de infração referidos é inovação no julgamento, porquanto isso não fora objeto de Fl. 2568DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 11 10 enfrentamento no despacho decisório, e é antecipar o adimplemento dos processos (que presidem tais autos de infração) sem seus desfechos finais. Eventual efeito infringente dos embargos deve-se dar como conseqüência lógica ou necessária do saneamento de contradição ou do enchimento de omissão existentes (enchimento do vazio) no acórdão embargado. É o que se dá no caso vertente, com o saneamento da contradição acusada. Impõe-se reconhecer que das compensações homologadas tacitamente não devem ser deduzidos os valores de principal de IRPJ e de CSL dos autos de infração relativos ao ano-calendário de 1998. De tais compensações tacitamente homologadas, a dedução dos valores de desistências formuladas antes daquelas é de rigor, pela elementar razão de esses valores não terem sido objeto de compensação inalterável pela homologação tácita. Em tais termos, dou provimento parcial aos embargos, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do acórdão embargado que passa a ser o seguinte: DAR provimento parcial ao recurso para reconhecer a concreção da homologação tácita das compensações (que compreendem créditos de PIS, de Cofins e de saldos negativos de IRPJ e de CSL) pedidas até 22/3/2000, das quais devem ser subtraídos os valores das desistências das compensações formuladas até 22/3/2005 (data em que se aperfeiçoou a homologação tácita), e reconhecer as compensações pedidas após 22/3/2000, dos créditos de PIS e de Cofins postulados, que devem levar em consideração as desistências formuladas após a homologação tácita (após 22/3/2005). Esse segundo acórdão do CARF teve por finalidade apenas suprimir a ordem para que fosse subtraído o valor dos autos de infração de IRPJ e de CSL atinentes ao ano- calendário de 1998 dos créditos constantes das compensações tacitamente homologadas (relativamente aos mesmos tributos), conforme fora determinado pelo primeiro acórdão. Mas no que toca ao reconhecimento da homologação tácita dos Pedidos de Compensação apresentados até 22/03/2000, o primeiro acórdão tratou exaustivamente do tema, e não deixou nenhuma dúvida sobre isso. Com aquela decisão, a matéria foi integralmente analisada e decidida, e a PGFN, após intimada de seu conteúdo, devolveu os autos ao CARF com a observação de que não haveria apresentação de recurso especial e nem de embargos de declaração. Posteriormente, a contribuinte apresentou embargos de declaração, mas ela não restabeleceu qualquer debate sobre a ocorrência da homologação tácita dos pedidos de compensação apresentados até 22/03/2000, até porque a decisão sobre isso lhe era favorável, e o segundo acórdão do CARF também não reexaminou essa matéria (ou seja, a aplicação do art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei nº 9.430/1996, aos referidos pedidos de compensação), inclusive porque isso não era objeto dos embargos da contribuinte. Fl. 2569DF CARF MF Processo nº 13009.000156/99-01 Acórdão n.º 9101-002.555 CSRF-T1 Fl. 12 11 O que se constata é que o recurso especial da PGFN contesta, na verdade, o que foi decidido no primeiro acórdão do CARF, relativamente aos critérios de aplicação do art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei nº 9.430/1996 (matéria cujo debate se esgotou naquele momento processual). A própria divergência jurisprudencial, que foi suscitada pela PGFN e reconhecida pelo despacho monocrático de admissibilidade do Resp, só se apresenta pelo confronto do acórdão paradigma com o primeiro acórdão do CARF. Com efeito, o voto que orientou o segundo acórdão do CARF (julgamento dos embargos da contribuinte) sequer menciona os dispositivos que tratam da homologação tácita (acima citados), não rediscute os critérios para a contagem desse evento, nem as datas para a sua consumação, etc. Tudo isso é matéria que foi decidida apenas pelo primeiro acórdão do CARF. Nesse passo, admitir o recurso especial da PGFN nesse segundo momento (após a ciência do segundo acórdão do CARF) é reabrir debate sobre matéria preclusa, o que não é possível pelas regras processuais: LEI Nº 13.105, DE16 DE MARÇO DE 2015 (CPC) Art. 507. É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo respeito se operou a preclusão. O recurso especial da PGFN, no momento e no contexto processual em que foi apresentado, não pode ser conhecido. Desse voto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2570DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.725457/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/01/2009
RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS E CAPITALIZAÇÃO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE FATURAMENTO
O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, porém todas as receitas derivadas das atividades-fim do contribuinte. No caso em tela, as receitas da venda de seguros, cosseguros, resseguros, seguros-saúde e títulos de capitalização estão inseridas em tal conceito e, portanto, sofrem a incidência do PIS.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-003.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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INCLUSÃO NO CONCEITO DE FATURAMENTO O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, porém todas as receitas derivadas das atividadesfim do contribuinte. No caso em tela, as receitas da venda de seguros, cosseguros, resseguros, segurossaúde e títulos de capitalização estão inseridas em tal conceito e, portanto, sofrem a incidência do PIS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 54 57 /2 01 1- 59 Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório, datado de 14/05/2012, emitido pela DRF em Curitiba, que homologou a compensação declarada no Per/Dcomp nº 25815.17170.300109.1.3.579002 (Per nº 10844.26526.300109.1.2.572571), no valor de R$ 1.744.742,00, de IRPJ 239001 do PA de 2008, e homologou parcialmente a compensação declarada no Per/Dcomp nº 33632.86128.300109.1.3.579002 (Per nº 42007.96960.300109.1.2.573105), que buscava a compensação de débito de IRPJ 231901, do PA de 2008, no valor de R$ 4.665.320,96, tendo sido homologada a importância de R$ 551.158,86, restando um saldo devedor de R$ 4.114.162,10, por insuficiência do crédito reconhecido. Segundo relatado no referido Despacho Decisório, a contribuinte obteve tutela judicial favorável no Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0040312, no qual objetivou “concessão de ordem para o fim de afastar o art. 3º, caput, e § 1º, da Lei nº 9.718/1998, reconhecendose o seu direito à incidência da contribuição ao PIS e da Cofins sobre o faturamento, assim entendido o produto da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos (conforme definido pela Lei Complementar nº 70/91), em razão de vícios de inconstitucionalidade contidos na Lei nº 9.718/1998, a partir da competência de janeiro de 2001”. Em sentença prolatada foi concedida parcialmente a segurança, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em recurso de apelação interposto pela União, o E. TRF da 4ª Região “negou provimento ao agravo retido, ao apelo da União, e deu parcial provimento à remessa oficial para reconhecer a prescrição dos valores recolhidos antes de 13/02/2001”. O trânsito em julgado da ação ocorreu em 04/04/2008 e a impetrante renunciou à execução do julgado no que tange à repetição judicial dos valores indevidamente recolhidos. Após pedido de habilitação de crédito, houve deferimento da RFB, em 05/06/2008, para que fossem viabilizados e permitidos os meios eletrônicos hábeis a promover a compensação de seus créditos, porém não houve verificação, por parte do fisco, à época, do valor habilitado. Posteriormente, em 14/10/2011, foi iniciada auditoria dos créditos, objeto do PAF nº 10980.005905/200807, que culminou da emissão do Despacho Decisório pela DRF em Curitiba. No procedimento adotado pela fiscalização, quando da auditoria dos créditos, foi constatado que a contribuinte “interpretou equivocadamente a decisão judicial obtida no âmbito do Mandado de Segurança nº 2006.70.00.0040312 (PR), extrapolando frontalmente o comando jurisdicional, o qual reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e declarou o direito das impetrantes de recolher a contribuição ao PIS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 07/70 e na Lei nº 9.715/98, e a Cofins calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 70/91, enquanto não promovida alteração específica na legislação regulamentadora das contribuições. O juízo destacou no dispositivo a inexistência de declaração na ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos.” Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 12 3 A autoridade administrativa assim entendeu porque a contribuinte, quando teve por objeto social, diretamente ou por meio de empresa incorporada, a prestação de serviços de capitalização, excluiu do conceito de ‘faturamento’ suas receitas de operações de capitalização e receitas correlatas, bem como outras receitas operacionais; no período em que teve por objeto social a prestação de serviços de seguros, cosseguros e resseguros dos ramos: Elementares, Vida e Previdência Privada Aberta, segurosaúde e de cobertura de custos assistenciais à saúde, excluiu do faturamento suas receitas de prêmios de seguros, rendas de contribuições relativas à previdência privada e receitas correlatas, além de outras receitas operacionais. Por conseqüência, as excluiu da base de cálculo do PIS, produzindo créditos indevidos, em desconformidade com a legislação que rege o tributo e em desacordo com o alcance do dispositivo judicial obtido no Mandado de Segurança. Observouse, assim, que a contribuinte calculou créditos de PIS, desconsiderando como integrantes do seu faturamento receitas ligadas aos objetos principais de sua atividade, ou seja, ligadas ao próprio objetivo de existência da companhia, segundo seus Estatutos vigentes. A seguir, a autoridade administrativa fundamenta tratarse as atividades de seguros, cosseguros, resseguros, dos ramos elementares, vida e previdência privada aberta; de segurosaúde e de cobertura de custos assistenciais de saúde, e de capitalização, exercidas pelas instituições financeiras, que as têm expressamente previstas como objetos sociais, de efetiva prestação de serviços, ou seja, parte do faturamento e, por conseqüência, parte da base de cálculo do PIS e da Cofins, citando: o § 2º do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) que considera serviço como “qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.” ; a alínea b do item 3 do Artigo I do Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços, ao definir o termo ‘serviços’, “inclui qualquer serviço em qualquer setor exceto aqueles prestados no exercício da autoridade governamental“ e o Anexo sobre Serviços Financeiros, do mesmo Acordo, dispõe em seu item 5 acerca das definições de serviços financeiros, que inclui os serviços de seguros e os relacionados com seguros e todos os serviços bancários e demais serviços financeiros, discriminando as atividades relacionadas com cada elemento do grupo, definindo como atividades de prestação de serviços de seguros: seguros de vida, outros seguros, resseguros e retrocessão, intermediação de seguros e serviços auxiliares a prestação dos serviços de seguros; jurisprudência do STF se posicionando, em caso semelhante, da seguinte forma: “...Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e Cofins, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (REAgR 400.479/RJ, STF, Rel. Min. Cezar Peluso, 2ª Turma, 10/10/2006, DJ 06/11/2006)”; no mesmo sentido decisão no Recurso Especial nº 1.197.440/RJ (2010/01024931), 2ª Turma STJ, Rel. Min. Herman Benjamin, 08/10/2010 – data do julgamento), que diz: “Além disso, ainda que se pudesse conhecer do mérito da discussão, o Supremo Tribunal Federal já decidiu que, Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 13 4 mesmo após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as receitas advindas de prêmios de seguro integram o faturamento das seguradoras para fins de tributação pelo PIS e pela Cofins, já que decorrentes do exercício de suas atividades empresariais”. Cientificada em 06/11/2012, a interessada ingressou, por meio de seus procuradores legalmente constituídos, com Manifestação de Inconformidade, trazendo, em resumo, as argumentações a seguir expostas. Traçando um perfil constitucional da Cofins e da contribuição ao PIS, relata que a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterou a base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins, instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e nº 70, de 30 de dezembro de 1991, respectivamente, considerando faturamento como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou o tratamento contábil adotado. Essa modificação trazida por lei ordinária motivou uma discussão acerca de sua inconstitucionalidade, que acabou alcançando o E. Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e concluindo que a base de cálculo equivale ao faturamento, entendido este como sendo o total de receitas auferidas em razão da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços de qualquer natureza. Posteriormente, acrescenta, foi editada a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que revogou expressamente o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando definitivamente a equiparação do conceito de faturamento à totalidade das receitas da pessoa jurídica. Expõe que, sujeitandose às disposições da Lei nº 9.718/1998, ingressou com ação judicial requerendo lhe fosse reconhecido o direito de calcular o PIS e a Cofins com base no seu faturamento, tal como definido pela Lei Complementar nº 70/91, e não pela totalidade das receitas. O desfecho dessa ação se deu com a decisão do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, declarando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, como já fizera o STF, confirmandose deverem incidir exclusivamente sobre receitas auferidas na venda de mercadorias, na prestação de serviços ou na conjunção de ambos. Com base nessa decisão transitada em julgada é que apurou os recolhimentos feitos a maior a título de PIS desde janeiro de 2001 e apresentou o devido Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado. Ressalta que o provimento em seu favor concedido não implica mera autorização para ‘exclusão’ de receitas da base de cálculo das contribuições, mas sim o reconhecimento de que há valores que jamais a compuseram validamente. Diz, referindose a sua causa de pedir na ação judicial, que o afastamento da base de cálculo prevista na Lei nº 9.718/1998 implicaria a impossibilidade de incidência da Cofins e do PIS sobre atividades securitárias e as de previdência complementar. Sendo assim, e de acordo com a decisão contida no acórdão proferido pelo TRF/4ª Região, não haveria dúvidas de que as receitas financeiras (e aquelas a elas equiparadas) não integram e nunca poderiam integrar o conceito de prestação de serviços. Por isso, alega que a decisão adotada pela DRF/CTA no sentido de glosar parte dos créditos de PIS apurados após a recomposição das bases de cálculo nos anos de 2001 a 2008 não pode prosperar, eis que está em desacordo com o conteúdo da decisão proferida na ação judicial em comento. E mais, diz que a decisão administrativa apresenta uma interpretação disparatada do conteúdo da norma e do mandamento judicial, pretendendo, por vias oblíquas – glosa dos créditos e não Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 14 5 homologação das compensações, exigir exatamente valores cuja inexigibilidade já foi declarada pelo Poder Judiciário. Em tópico específico, salienta o equívoco cometido pela DRF/CTA, dada a impossibilidade de enquadramento das receitas de natureza securitária e de capitalização no conceito de contraprestação pela prestação de serviços, conforme conceituação presente no Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços GATS, firmado pelo Estado Federativo do Brasil no âmbito do GATT/OMC, e que o STF, em julgamento sobre a incidência de ISS na locação de guindastes, já se posicionou que somente há uma prestação de serviço quando se verificar uma obrigação de fazer relacionada a um esforço humano, que gere uma utilidade material ou imaterial a terceiro. Cita, no mesmo sentido, doutrina a respeito. Salienta, ainda, nesse contexto, que muito embora parte de suas atividades possa estar prevista no item 19.01 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 116, o qual prevê “Serviços de distribuição e venda de bilhetes e demais produtos de loteria, bingos, cartões, pules ou cupons de apostas, sorteios, prêmios, inclusive os decorrentes de títulos de capitalização e congêneres”, com ela não se confunde, pois as lotéricas e outras distribuidoras de títulos de terceiros podem prestar o serviço previsto no referido item da lista, mas não as entidades de capitalização. Mesmo com relação à atividade securitária (exercida até outubro/2004), muito esteja previsto no item 18.01 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 116, o qual prevê “Serviços de regulação de sinistros vinculados a contratos de seguros; inspeção e avaliação de riscos para cobertura de contratos de seguros; prevenção e gerência de riscos seguráveis e congêneres” a jurisprudência do STF foi contundente em afastar a tributação de atividades que pudessem extrapolar o conceito constitucional de serviço. Finaliza que jamais se poderia equiparar receitas tipicamente financeiras (às quais juridicamente se equiparam as receitas securitárias) a uma contraprestação de serviço (preço de serviço). Argumentando que o fato gerador da contribuição é uma prestação de serviços (ou uma venda de mercadorias), e nenhuma outra, afirma que esta não é a causa jurídica das receitas por ela auferidas, eis que não decorrem de uma prestação de serviço, por não remunerar qualquer espécie de esforço humano. Ressalta que além da atividade desenvolvida não se equiparar a uma prestação de serviços, não há possibilidade de se equiparar a atividade de capitalização à atividade securitária. Expõe que, por ser companhia seguradora, firma com seus clientes contratos pelos quais se obriga a custear/assumir despesas eventualmente incorridas em razão dos chamados ‘sinistros’, mediante o recebimento de um valor fixo mensal (‘prêmio’), destinado à constituição de um fundo comum que será utilizado para a cobertura de eventuais despesas dos clientes. Essa espécie contratual, complementa, é tipicamente aleatória, na medida em que uma das prestações é sempre incerta, dependente da ocorrência de evento futuro e imprevisível, percebendose, assim, que não se está diante de uma prestação de serviços, já que os valores recebidos não se prestam a remunerar um serviço especificamente prestado. Portanto, não se pode equiparar as receitas securitárias e de capitalização como oriundas de uma prestação de serviços, sob pena de alterar a definição de faturamento, emprestada do Direito Privado, o que é vedado pelo art. 110 do CTN, restaurando por vias oblíquas a aplicabilidade do dispositivo legal já declarado inconstitucional e, inclusive, revogado pela novel legislação supramencionada (Lei nº 11.941/09), assim como afrontando o mandamento judicial transitado em julgado que tem a interessada em seu favor prolatado. Alegando a inaplicabilidade do CDC para a caracterização de serviços, realça que nem mesmo a qualificação das atividades de natureza financeira como se Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 15 6 serviço fossem pelo Código de Defesa do Consumidor permite a incidência tributária pretendida no Despacho Decisório. Relembra o conceito constitucional de serviço tributável trazido em entendimentos do STJ e do STF, para concluir que, a despeito de o CDC trazer a atividade securitária (dentre outras) como se serviço fosse, tal previsão não tem o condão de permitir a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas correspondentes; tanto que esse Código considera que uma operação tipicamente bancária, como um empréstimo, seria um serviço para fins exclusivos de atribuir proteção especial ao cliente/consumidor, o que, de modo algum, poderia significar transferência da competência tributária privativa da União aos Municípios. Refuta o GATS para a caracterização de serviços, uma vez que o âmbito da assinatura e da aplicabilidade do GATS é no comércio internacional de serviços, entre EstadosMembros, não podendo ser utilizada a conceituação ali inserida para fazer incidir a Cofins e o PIS sobre as receitas de natureza securitária e de previdência privada. Por último, assevera que o GATS foi recepcionado no ordenamento por meio de Decreto, o que afasta qualquer possibilidade de que os conceitos por si trazidos possam se sobrepor àqueles pressupostos pela Constituição Federal na definição dos aspectos materiais dos tributos de competência de cada ente tributante (ex.: faturamento, serviço) ou de leis complementares definidoras das respectivas regras matrizes de incidência tributária (ex.: LC 07/70, LC 70/91, CTN). Por fim, solicita o sobrestamento do julgamento do presente processo administrativo, em razão de a discussão sobre a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras estar pendente de julgamento definitivo pelo E. STF no Recursos Extraordinário nº 609.096/RS, ao qual foi conferido repercussão geral. É o relatório." A manifestação de inconformidade foi julgada integralmente improcedente e o Acórdão n° 0641.549 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/01/2009 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE CAPITALIZAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitada em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas securitárias e de capitalização, e correlatas, atinentes à atividade operacional da companhia, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 16 7 É o relatório. Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 17 8 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar A Dra. Ana Paula Lui OAB/SP questionou se algum Conselheiro representante da Fazenda Nacional se considerava impedido para realizar o julgamento e os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho se consideraram aptos a realizar o julgamento. Mérito A contenda diz respeito à homologação parcial de compensação de créditos de PIS, relativos aos anoscalendário de 2001 a 2008, com débito de IRPJ, de 2008. Os pleitos foram precedidos de Pedidos de Habilitação de Crédito de PIS Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, os quais foram deferidos pelo Fisco, porém sujeitos a ulterior revisão. Naqueles anos, conforme fl. 1.093, a Recorrente e a HSBC Financial Capitalização (Brasil) S.A., incorporada em fevereiro de 2005, exploravam atividades de seguro, cosseguro e resseguro, assistência à saúde ("segurosaúde") e capitalização. Em 04/04/2008, obtiveram sentença favorável, em sede do MS nº 2006.70.00.0040312, em que foram declaradas a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 e os direitos de recolher o PIS com base na Lei Complementar n° 7/70 e Lei n° 9.715/98 e compensar os valores até então pagos a maior com tributos federais. No Despacho Decisório (fls. 1.077 a 1.111), consta que o contribuinte equivocouse na interpretação da sentença judicial e, por conseguinte, no cálculo do PIS indevidamente pago e passível de compensação. Da sentença, inferiu que o PIS seria devido exclusivamente sobre receitas da venda de mercadorias e serviços, não incluindo as de seguros e cosseguros e resseguros aceitos, segurosaúde e capitalização. Por seu turno, a fiscalização depreendeu que todas as receitas produzidas pelas atividadesfim seriam tributáveis pela contribuição. Com efeito, nas fls. 1.103 a 1.108, verificase que os créditos cuja compensação foi pleiteada, porém não aceita pela fiscalização, foram calculados sobre as rubricas representativas das receitas derivadas das atividades típicas de empresas de seguro, segurosaúde e capitalização. Na peça recursal, a Recorrente apresenta sua defesa em quatro pontos: Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 18 9 1) "Do erro da interpretação da DRJ quanto à decisão proferida pelo E.STF no RE n° 390.840" o julgador da primeira instância administrativa considera que tal decisão não teria excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas financeiras de instituições financeiras. Ao limitar a incidência ao faturamento, teria sim excluído as receitas financeiras. Da mesma forma, ao restringir à venda de mercadorias e serviços, inferese que as de seguros e capitalização também não comporiam a base de cálculo das contribuições. 2) "Mandado de Segurança n° 2006.70.00.0040312 o caso da Recorrente": a decisão prolatada em seu favor está em linha com a citada no item precedente: exclui das bases de cálculo do PIS e da COFINS as receitas da venda de seguros e capitalização. 3) "Impossibilidade de enquadramento das receitas de natureza securitária e de capitalização no conceito de contraprestação pela prestação de serviço" 3.1) "Impossibilidade de enquadramento das receitas securitárias e de capitalização como se prestação de serviços fossem": o STF, no julgamento da RE 116.121/SP (leading case sobre a incidência de ISS sobre locação de bens móveis), definiu serviço como obrigação de fazer, associada a esforço humano. Assim, não se pode considerar como prestação de serviços as atividades de empresa de seguros e capitalização. 3.2) "Inaplicabilidade do GATS para a caracterização dos serviços": entre outros, a fiscalização utilizou como argumento para considerar a venda de seguros como serviços o Anexo sobre Serviços Financeiros do GATS. Aduz que tal previsão aplicase a negócios internacionais, não tendo o condão de resultar na incidência de tributos sobre práticas locais que não se configuram como serviços, à luz da legislação interna. 4) "Ad argumentandum da aplicação do artigo 62A do regimento Interno do CARF pendência de análise da matéria pelo STF": na hipótese de seus demais argumentos não prosperarem, com fundamento no art. 62A do RICARF, requer o sobrestamento do processo, até o julgamento definitivo do RE n° 609.096/RS, do qual emergirá a posição definitiva do STF sobre o conceito de faturamento/receita bruta. Divirjo da Recorrente. Em suma, não depreendo das ações judiciais em que se discutiu a constitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 que o PIS e a COFINS incidem somente sobre vendas de bens e serviços. Minha oposição, entretanto, não reside na pretensa classificação da venda de seguros e títulos de capitalização como serviços. Indiscutivelmente, não os são. Entendo que o conceito de faturamento, receita bruta, venda de bens e serviços, é amplo, abrangente, evoluiu ao longo dos anos com a expansão da atividade empresarial e deve ser entendido como o fruto, a receita obtida com as atividadesfim, principais e típicas do negócio. Nesta linha, a receita derivada da venda de seguros e títulos de capitalização deve ser incluída nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Destaco, por oportuno, que no presente processo, não discutiremos a inclusão ou não das receitas financeiras no rol das integrantes do faturamento ou receita bruta ou receitas típicas de empresas de seguro e capitalização. A fiscalização não glosou créditos de PIS sobre receitas financeiras. Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 19 10 De volta ao tema principal, cabe então apresentar aos Conselheiros desta Turma o processo movido pela Recorrente e os fundamentos da opinião que expus em parágrafos anteriores. Apesar da baixa qualidade da reprodução, dada a sua importância, reproduzo trechos das seguintes peças processuais: pedido incluído no citado Mandado de Segurança; a decisão que concedeu parcialmente a segurança; e a sentença que transitou em julgado, prolatada pelo TRF da 4° Região: MS nº 2006.70.00.0040312 (fl. 41) Pedido Concessão parcial da segurança Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 20 11 Sentença transitada em julgado (TRF 4° Região) Dos excertos acima, destaco que: a Recorrente pleiteou pagar PIS sobre o "faturamento"; e não obstante o fato de ser apenas a decisão de primeiro grau, o juízo que concedeu a segurança deixou claro que o conceito de faturamento não foi objeto de apreciação, por não ter sido incluído no pedido: "destacando, apenas, a inexistência de declaração na presente ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos". No tocante aos textos legais em que fundamento o entendimento acima manifestado sobre "faturamento" ou "receita bruta" ou "receita da venda de bens e serviços", Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 21 12 inicio pelos artigos 278 a 280 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99), cujo fundamento legal se encontra no Decretolei n° 1.598/77 e Lei n° 6.404/76 ("Lei das Sociedades Anônimas): Regulamento do Imposto de Renda (RIR) "Lucro Bruto Art. 278. Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 2º). Parágrafo único. O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços (art. 280) e o custo dos bens e serviços vendidos Subseção III (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, inciso II). Subseção I Disposições Gerais sobre Receitas Receita Bruta Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Receita Líquida Art. 280. A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 1º)." (g.n.) Adicionalmente, na sessão do julgamento do RE 346.084/PR (fls. 1.253 e 1.254), em que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, o Ministro César Peluso expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa e acrescentou que, se determinadas instituições têm receitas financeiras como atividade empresarial típica, tais receitas ingressam no conceito de receita bruta como faturamento: “(. . . ) Quanto ao caput do art. 3°, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE n° 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de "receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços", adotado pela legislação anterior, e que, Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 22 13 a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (..) Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento". (g.n.) O Ministro César Peluso manifestou idêntico posicionamento, quando do julgamento do AgR RE 371.258 e no AgR RE 400.479. Sobre este último, chamo a atenção dos Conselheiros para a reprodução da manifestação do referido ministro, pois trata do caso presente, isto é, tributação pelo PIS e COFINS de receitas da venda de seguros: AgR RE 371.258 “RECURSO. Extraordinário. COFINS. Locação de bens imóveis. Incidência. Agravo regimental improvido. O conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” RE 400.479AgR, manifestação do Relator, Ministro Cezar Peluso “Tendo em conta que a doutrina comercialista mais acatada reconhece há tempos a relevância da chamada teoria da empresa e que o conceito básico do moderno direito comercial seria o de atividade empresarial, substituindo a velha noção de ato de comércio, assentou o relator que se deveria formular a ideia de faturamento sob a perspectiva da natureza e das finalidades da atividade empresarial. Ressaltou que o equívoco dos que querem furtarse ao regulamento das contribuições, alegando não comercializar bens nem serviços, decorreria da não percepção da ideia mais abrangente de atividade empresarial. Disse que, embora se use definir empresa com base na noção de empresário, entendido como quem exerce profissionalmente atividade organizada para a produção e circulação de bens e serviços, obviamente não haveria como nem por onde resumir a ideia da atividade empresarial à de venda de bens e serviços, nem tampouco interpretar restritivamente o sentido da referência a esses bens e serviços. A noção seria ampla e abarcaria o conjunto das atividades empresariais, pouco importando o ramo a que pertençam. Para o relator, não seria possível deixar de correlacionar atualmente a noção jurídica de faturamento com a de atividade empresarial. Realçou que, se nem todas as receitas constituem faturamento, seria preciso reconhecer, por outro lado, que as receitas que o compõem não se exauririam na rubrica das oriundas de vendas de bens e serviços. Não seria lícito, portanto, invocar a concepção curtíssima de mercadorias ou serviços para limitar a noção de faturamento, não procedendo a argumentação quer Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 23 14 da seguradora quer das instituições financeiras de que, por não venderem mercadorias nem prestarem serviços, estariam livres da incidência da contribuição sobre o faturamento. Aduziu que a atividade econômica se expressaria das mais variadas formas e o fato de certos ramos não se dedicarem à produção de mercadorias nem à prestação de serviço ‘stricto sensu’, não lhes retiraria nem esmaeceria o caráter empresarial que está indissociavelmente ligado ao pressuposto do fato autorizador do PIS e da COFINS” (Informativo STF n. 556, de 17 a 21 de agosto de 2009 – g. n.). Por fim, imprescindível mencionar que, em sessão de 24/08/2016, a 2° Turma Ordinária destas Seção e Câmara, em processo idêntico e de n° 10980.725458/201101, proferiu decisão em desfavor da Recorrente. O Acórdão 3302003.334 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2008 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE CAPITALIZAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitada em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei n. 9.718/98, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas securitárias e de capitalização, e correlatas, atinentes à atividade operacional da companhia, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições." (g.n.) No quarto item do recurso voluntário, a Recorrente requer o sobrestamento do processo, "em razão de a discussão sobre a incidência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas por instituições financeiras estar pendente de julgamento definitivo pelo STF, em sede do RE n° 609.096/RS, ao qual foi conferido repercussão geral." Deste resultado, aguardase posicionamento definitivo do STF sobre a abrangência dos conceitos de "faturamento" / "receita bruta" / "receita da venda de bens e serviços", para fins de determinação das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Não obstante a pertinência do RE n° 609.096/RS com a discussão em tela, no Regimento Interno do CARF atualmente em vigor (Portaria MF n° 343/2015), não há mais previsão acerca de sobrestamento. Diante do exposto, entendo que as receitas derivadas da venda de seguros, cosseguros, resseguros, segurossaúde e de títulos de capitalização incluemse no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS, o qual abrange as receitas das atividadesfim do contribuinte. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10980.725457/201159 Acórdão n.º 3301003.166 S3C3T1 Fl. 24 15 Fl. 1317DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.000995/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade sem prejuízo para a parte, quanto mais se houve no processo administrativo tributário total garantia ao contraditório e ampla defesa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE INOCORRÊNCIA.
Não se verifica alteração de fundamentação legal em ato pelo qual a Administração Tributária, devidamente motivada e com indicação da fundamentação legal, corrige omissão em ato administrativo prolatado.
ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REQUISITOS. APLICAÇÃO INTEGRAL DE SEUS RESULTADOS OPERACIONAIS EM SEUS OBJETIVOS.
A prestação dos serviços de saúde, por parte de uma entidade que tem por objetivo a prestação assistencial da saúde, pode ser realizada para órgão público encarregado de promoção da saúde e integrante do Sistema Único de Saúde, SUS. É ônus do Fisco comprovar que um serviço foi prestado mediante cessão de mão-de-obra.
ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REQUISITOS. PROMOÇÃO ASSISTENCIAL DE SAÚDE.
A prestação de serviços de saúde integrante dos programas de Saúde da Família e Controle de Doenças Endêmicas e Epidemiológicas, por meio do SUS caracteriza a prestação assistencial da saúde.
ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REQUISITOS. ENTIDADE EM DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL.
Mero inadimplemento, pontual e de baixo valor, não caracteriza o débito ensejador do cancelamento da isenção previsto no artigo 55 da Lei de Custeio, quanto mais quando se comprova a falta de repasse de verbas por órgão integrante do SUS.
ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REQUISITOS. PROIBIÇÃO DE CONCESSÃO DE VANTAGENS PARA DIRETORES E INSTITUIDORES.
A mera contratação de pessoa jurídica que tenha em seu contrato social, sócio que possua cargo na entidade portadora de isenção, não caracteriza a percepção de vantagem por parte desse diretor. Necessidade de comprovação por parte do Fisco, ao menos indiciariamente, da percepção da vantagem obtida.
Numero da decisão: 2201-003.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade por cerceamento do direito de defesa e por alteração na fundamentação legal do ato cancelatório. No mérito, também por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para determinar o restabelecimento do direito à isenção das contribuições previdenciárias a partir de 02/2000.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 29/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há nulidade sem prejuízo para a parte, quanto mais se houve no processo administrativo tributário total garantia ao contraditório e ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não se verifica alteração de fundamentação legal em ato pelo qual a Administração Tributária, devidamente motivada e com indicação da fundamentação legal, corrige omissão em ato administrativo prolatado. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REQUISITOS. APLICAÇÃO INTEGRAL DE SEUS RESULTADOS OPERACIONAIS EM SEUS OBJETIVOS. A prestação dos serviços de saúde, por parte de uma entidade que tem por objetivo a prestação assistencial da saúde, pode ser realizada para órgão público encarregado de promoção da saúde e integrante do Sistema Único de Saúde, SUS. É ônus do Fisco comprovar que um serviço foi prestado mediante cessão de mãodeobra. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REQUISITOS. PROMOÇÃO ASSISTENCIAL DE SAÚDE. A prestação de serviços de saúde integrante dos programas de Saúde da Família e Controle de Doenças Endêmicas e Epidemiológicas, por meio do SUS caracteriza a prestação assistencial da saúde. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REQUISITOS. ENTIDADE EM DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 09 95 /2 00 8- 44 Fl. 1170DF CARF MF 2 Mero inadimplemento, pontual e de baixo valor, não caracteriza o débito ensejador do cancelamento da isenção previsto no artigo 55 da Lei de Custeio, quanto mais quando se comprova a falta de repasse de verbas por órgão integrante do SUS. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REQUISITOS. PROIBIÇÃO DE CONCESSÃO DE VANTAGENS PARA DIRETORES E INSTITUIDORES. A mera contratação de pessoa jurídica que tenha em seu contrato social, sócio que possua cargo na entidade portadora de isenção, não caracteriza a percepção de vantagem por parte desse diretor. Necessidade de comprovação por parte do Fisco, ao menos indiciariamente, da percepção da vantagem obtida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade por cerceamento do direito de defesa e por alteração na fundamentação legal do ato cancelatório. No mérito, também por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para determinar o restabelecimento do direito à isenção das contribuições previdenciárias a partir de 02/2000. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 29/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso contra ato cancelatório que determinou a suspensão da isenção de entidade beneficente por descumprimento dos requisitos legais para fruição do benefício constitucional. O procedimento fiscal foi instaurado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, MPF nº 09.404.751F00, do qual o contribuinte teve ciência pessoal em 01 de junho de 2007 (efls 256). Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 18050.000995/200844 Acórdão n.º 2201003.473 S2C2T1 Fl. 1.171 3 O contribuinte foi pessoalmente cientificado da informação fiscal (fls. 02) que propôs o cancelamento da isenção, a partir da competência 02 de 2000, em 19 de dezembro de 2007, conforme se verifica às folhas 31. Em 14 de janeiro de 2008, a entidade protocolizou defesa, rebatendo os pontos da informação fiscal que pugnava pelo cancelamento da isenção tributária. Como decorrência, foi emitido em 17 de julho de 2012, Despacho Decisório nº 215/2008, de 26 de junho de 2008, pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, determinando a emissão de Ato Cancelatório nº 001/2008 suspendendo o gozo do benefício da isenção tributária a partir de 01 de maio de 2000. Consta do Ato Cancelatório: "ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS N.° 0001/2008 DRF/SDR 1 . DADOS DA ENTIDADE NOME DA ENTIDADE: REAL SOCIEDADE ESPANHOLA DE BENEFICÊNCIA CNPJ: 15.113.103/000135 TELEFONE : 32641999 ENDEREÇO: Avenida Sete de Setembro, 4161 CEP 40140.100 BAIRRO: Barra MUNICÍPIO: SALVADOR UF: BA 2. DECLARAÇÃO DE CANCELAMENTO DECLARO CANCELADA, com base no disposto no § 8 o , artigo 206, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999, a partir de 01/05/2000, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, concedida à entidade Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, acima identificada, por infração ao(s) Parágrafo 6o , do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o artigo 206§§ 12 e 13 do Decreto n° 3048/99 RPS, pelos motivos especificados em Informação Fiscal de 18/12/2007, com ciência em 19/12/2007 e Despacho Decisório n° 215/2008 DRF/SDR, anexo. Local e data: Salvador, 26 de junho de 2008." O procedimento fiscal autorizado pelo MPF supra identificado, embasador do cancelamento da isenção, também resultou na constituição de crédito tributário no valor originário de R$ 675.583,87, DEBCAD 37.056.9113, consolidado em 19/12/2007, relativo às contribuições descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais e não recolhidas pelo sujeito passivo, tudo consoante o Relatório Fiscal constante das folhas 192. A autoridade lançadora na mencionada Informação Fiscal, após discorrer sobre a legislação aplicável às entidades beneficentes, apresenta em conclusão os fatos que culminaram na perda da isenção (fls. 29): Fl. 1172DF CARF MF 4 8 DA CONCLUSÃO 8.1 Essa informação relatou fatos que evidenciam o descumprimento dos requisitos legais exigidos para a manutenção da isenção, conforme disposto no art. 55, da Lei 8.212/91, regulamentado pelo art. 206, §8°, I do RPS. 8.2 Constatado pela fiscalização da Receita Federal do Brasil que a pessoa jurídica beneficente não atende aos requisitos do artigo 55, da Lei 8.212/91, regulamentado pelo RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, será emitida a qualquer tempo, Informação Fiscal na qual serão relatados os fatos que ensejariam a perda da isenção. 8.3 Conforme relatado e documentado, verificase que a Real Sociedade Espanhola de Beneficência Hospital Espanhol não atendeu, cumulativamente, a todos os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91, mais precisamente, os incisos III, IV e V. 8.4 Os pontos relevantes anotados neste relatório foram: 8.4.1 Os contratos de cessão de mãodeobra firmados com a Prefeitura Municipal de Salvador descumprem os incisos III e V, do artigo 55, da Lei 8.212/91, conforme se pode aferir do entendimento do Parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social 3.272/2004, aprovado pelo Ministro, com força vinculante. O mês da primeira contratação foi 02/2002; 8.4.2 Foram constatados pagamentos para empresas que possuem no quadro societário diretores da entidade, caracterizando vantagem indevida e configurando descumprimento ao inciso IV, do artigo 55, da Lei 8.212/91. O primeiro pagamento detectado pela fiscalização foi realizado em 01/2004. 8.4.3 A Real Sociedade Espanhola de Beneficência mantevese em débito em relação aos tributos previdenciários declarados na Guia de Recolhimentodo FGTS e Informação à Previdência Social GFIP, durante vários meses do período da ação fiscal, configurando descumprimento do disposto no §12, do artigo 206, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Atualmente a empresa está em débito devidamente constituído por meio de declaração em GFIP em diversas competências, sendo a primeira delas em 02/2000, conforme demonstrado no item 4.7.2. 8.5 Diante do exposto, postulase O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO, a partir de 02/2002, por descumprimento do item 7.4.1, a partir de 01/2004, pela infração relatado no item 7.4.2 e a partir de 02/2000 pelo descumprimento apontado no item 7.4.3." (negritei e sublinhei) O contribuinte teve ciência do ato cancelatório por via postal, em 18 de novembro de 2008, conforme se verifica no AR acostado às folhas 498. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 18050.000995/200844 Acórdão n.º 2201003.473 S2C2T1 Fl. 1.172 5 Inconformado, apresentou tempestivamente, em 15 de dezembro de 2008, recurso voluntário (fls .502), pelo qual reitera os motivos de sua defesa contra a informação fiscal. Porém, em 13 de maio de 2009 (AR fls 684), por meio de ofício de folhas 683, a entidade é cientificada da emissão de novo ato cancelatório, de mesmo número, embasado no mesmo despacho decisório. Vejamos: "SEORT/DRF/SDR(Isenção Previdenciária) 05/05/2009 À REAL SOCIEDADE ESPANHOLA DE BENEFICÊNCIA Av. Sete de Setembro, 4161BarraSalvador/BA CEP 40140100 REF: Ato Cancelatório de Isenção Previdenciária n° 0001/2008 Estamos encaminhando Ato Cancelatório de Isenção Previdenciária desta Entidade, que. deverá substituir o anteriormente enviado, na oportunidade em que reratificamos o cancelamento da isenção, a partir de 01/05/2000, por infringência ao § 6o do artigo 55 da Lei n° 8212/91 e incisos III e IV, do mesmo artigo e Lei, conforme Despacho Decisório n° 215/2008, já enviado à Contribuinte. Informamos que esta reaberto o prazo para interposição de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de trinta dias, contados da ciência desta." Irresignado, o contribuinte apresenta, em 04/06/2009, tempestivamente portanto, novo recurso (fls 686), onde, em síntese, alega: · nulidade do processo administrativo em face da incorreta fundamentação legal do ato cancelatório de 2007; · nulidade pela impossibilidade de retificação da base legal, posto que já o exercício da defesa pelo contribuinte, e não pode agora, com o processo em segunda instância, a Administração almejar a correção da nulidade; · nulidade por falta de informações e documentos suficientes para exercício da ampla defesa, posto que não se informa que o ato retifica o ato anterior, não há indicação de processo administrativo ao qual se encontra vinculado, nem contém os documentos necessário para o exercício da ampla defesa; · no mérito, reitera os argumentos recursais já apresentados na defesa da informação fiscal. Fl. 1174DF CARF MF 6 Em 08 de setembro de 2011, por meio de despacho de folhas 887, o Serviço de Controle de Julgamento, SECOJ/CARF, determina o retorno dos autos à DRF Salvador para que se verifique, por meio de diligência, as determinações constantes do Decreto nº 7.237/10. Em 29 de setembro de 2013, a entidade peticiona reiterando os pedidos constantes do Voluntário e em face da edição da Medida Provisória 446/08, com posterior rejeição da mesma pela Câmara dos Deputados, sem a edição do decreto legislativo que dispusesse sobre os efeitos da norma provisória, e considerando o posicionamento da AGU sobre o tema, todos os certificados que embasam as isenções foram convalidados e portanto, o presente processo administrativo perdeu seu objeto devendo ser revogado o ato cancelatório que aqui se discute. Cumprindo a diligência determinada por este Conselho Administrativo, em 05 de agosto de 2014, o Serviço de Fiscalização da DRF Salvador produz o relatório de diligência, acostado às folhas 979, que conclui que o fato da entidade ter prestado serviços mediante cessão de mãodeobra para a Prefeitura de Salvador e das vantagens percebidas pelos diretores da Entidade, houve o descumprimento do artigo 29, incisos I e II, da Lei nº 12.101/09. Cientificado, pessoalmente, do relatório de diligência em 06 de agosto de 2014 (fls 987), o Contribuinte, em 02 de setembro de 2014, apresenta suas contrarrazões, entre as quais, reiteras os efeitos da MP 446/08 e no mérito, suas razões recursais. Por sorteio eletrônico, em razão do término do mandato do Conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari, o processo foi a mim distribuído. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA O recurso é tempestivo. Passo a apreciálo na ordem de suas alegações. DA NULIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DA INCORRETA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO ATO ANTERIOR Como consta do Relatório, o cancelamento da isenção que aqui se aprecia se origina de Informação Fiscal lavrada em 18 de dezembro de 2007 (fls 02/31). Devidamente impugnada, restou apreciada pela Despacho Decisório nº 215/2008 (fls. 482), que apresenta a seguinte conclusão (fls. 496): "DECISÃO Por tudo o que se relatou; Considerando tudo o mais que consta dos autos; Julgo PROCEDENTE a Informação Fiscal, e decido: Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 18050.000995/200844 Acórdão n.º 2201003.473 S2C2T1 Fl. 1.173 7 a) Rejeitar as alegações suscitadas na Defesa da entidade, na forma da fundamentação aqui constante, julgando procedente a Informação Fiscal. b) Determinar a emissão do Ato Cancelatório da Isenção, a partir de 01/05/2000, por descumprimento do parágrafo 6o do artigo 55, da Lei n° 8212/91 (débito) e, subsidiariamente, a partir de 01/02/2002 por descumprimento inciso III do artigo 55 da Lei n" 8212/91 (cessão de mão de obra) e, ainda, a partir de 01/01/2004 por descumprimento do inciso IV do artigo 55 da mesma lei acima(concessão de vantagens para sócios)." (destaquei) O cumprimento de tal decisão se dá com a expedição do Ato Cancelatório de Isenção de nº 0001/2008 DRF/SDR (fls. 497), datado de 26 de junho de 2008, que novamente reproduzimos, no ponto que nos interessa: "DECLARO CANCELADA, com base no disposto no § 8 o , artigo 206, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999, a partir de 01/05/2000, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, concedida à entidade Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, acima identificada, por infração ao(s) Parágrafo 6o , do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o artigo 206§§ 12 e 13 do Decreto n° 3048/99 RPS, pelos motivos especificados em Informação Fiscal de 18/12/2007, com ciência em 19/12/2007 e Despacho Decisório n° 215/2008 DRF/SDR, anexo." (negritei e sublinhei) Porém, em maio de 2009, a Delegacia da Receita Federal em Salvador encaminha outro Ato Cancelatório de Isenção, de mesmo número. O ofício de encaminhamento tem o seguinte teor (fls. 683): "REF: Ato Cancelatório de Isenção Previdenciária n° 0001/2008 Estamos encaminhando Ato Cancelatório de Isenção Previdenciária desta Entidade, que deverá substituir o anteriormente enviado, na oportunidade em que reratificamos o cancelamento da isenção, a partir de 01/05/2000, por infringência ao § 6o do artigo 55 da Lei n° 8212/91 e incisos III e IV, do mesmo artigo e Lei, conforme Despacho Decisório n° 215/2008, já enviado à Contribuinte. Informamos que esta reaberto o prazo para interposição de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de trinta dias, contados da ciência desta." (destaquei) O novo ato cancelatório está assim redigido (fls 685): "DECLARO CANCELADA, com base no disposto no § 8 o , artigo 206, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999, a partir Fl. 1176DF CARF MF 8 de 01/05/2000, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, concedida à entidade Real Sociedade Espanhola de Beneficência, acima identificada, por infração ao(s) Parágrafo 6 o , do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o artigo 206§§ 12 e 13 do Decreto n° 3048/99 RPS e incisos III e IV do artigo 55 da Lei n° 8212/91, pelos motivos especificados em Informação Fiscal de 18/12/2007, com ciência em 19/12/2007 e Despacho Decisório n° 215/2008 DRF/SDR, anexo. Local e data: Salvador, 05 de maio de 2009." (destaquei) É sobre esses fatos que se insurge a recorrente alegando (fls 687): "Inicialmente cumpre discorrer acerca do ato cancelatório expedido em 2007, uma vez que a própria autoridade autuante assumiu, de ofício, que houve erro no enquadramento legal, ou seja, os fatos narrados não correspondem à motivação jurídica alegada e por esse motivo o ato foi retificado. Com efeito, todo ato administrativo, além da obrigação de possuir fundamentação legal, sob pena de violar o princípio da legalidade e o da motivação do ato administrativo, celebrados pelo art. 37, caput, e inciso I, do art. 150, ambos da Constituição Federal de 1988; deve possuir uma fundamentação correta, ou seja, pautada no ordenamento jurídico que efetivamente incida sobre o ato praticado. A omissão desta fundamentação, ou qualquer equívoco cometido em seu embasamento legal, não permite ao administrado a prática da uma ampla defesa administrativa de seus direitos, também constitucionalmente garantida (inciso LV, art. 5o, CF/88), uma vez que jamais saberá com certeza a razão pela qual está sendo praticado tal ato administrativo contra ele. (...) DA IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA BASE LEGAL Conforme já noticiado, em que pese inexistir informações no ato cancelatório de n°. 0001/2008, tudo faz crer que se trata de ato retificador do cancelamento ao qual a recorrente teve ciência em 2007. Frisese, que ao tomar ciência do ato anterior a ora recorrente apresentou defesa, tomou ciência da decisão de primeira instância e já apresentou Recurso Voluntário, conforme protocolos em anexo Com efeito, a Secretaria da Receita Federal reconheceu de ofício que a descrição dos fatos não correspondia ao enquadramento legal contido no ato anterior, qual seja a base legal dos incisos III e IV do art. 55 da lei 8.212/91. Dessa forma, não pode agora, já na 2° instância administrativa, almejar a correção da nulidade que permeia todo o processo. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 18050.000995/200844 Acórdão n.º 2201003.473 S2C2T1 Fl. 1.174 9 Quando a descrição do ato não corresponde à figura típica apontada, padece o mesmo de nulidade insanável, fundamento suficiente, para, por si só, justificar a nulidade de todo o processo administrativo" Não vejo a nulidade apontada. Explico. Como mencionado, todo ato da Administração Pública deve estar motivado e fundamentado, ou veja, o impulso legal determina o agir da Administração Pública e pauta suas decisões. Tanto assim o é que a Lei nº 9.784, que regula o processo administrativo, explicita: "Art. 2oA Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; (...)" (negritei) Por seu turno, o Decreto nº 70.235/72, que versa sobre o processo administrativo tributário, determina que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo." Ora, não verifico falta de motivação nem de fundamentação do ato administrativo combatido, vez que há, no ato emanado, as razões e amparo legal de sua edição. Também não observo nem a Recorrente demonstra, nulidade por cerceamento de defesa, posto que em seu recurso, com alegações bem fundamentadas e acompanhadas de provas, todos os pontos da imputação fiscal foram abordados, demonstrando compreensão das razões fiscais e exprimindo os motivos da discordância. Importa realçar que também não há como faz crer a Recorrente alteração da base legal da imputação fiscal, ou seja, dos motivos ensejadores do ato cancelatório da isenção que aqui se discute. Demonstro. Fl. 1178DF CARF MF 10 O ato cancelatório decorre de determinação do despacho decisório que apreciou as razões da Fiscalização, constantes da informação fiscal, e da insurgência da Entidade contra a suspensão do gozo da isenção tributária da Recorrente. Tal despacho é claro em fundamentar suas razões. Às folhas 496, encontramos a decisão, transcrita linhas acima, fundamentada no descumprimento dos requisitos do artigo 55, dispostos no § 6º, e nos incisos II e IV. O Ato Cancelatório emitido em agosto de 2008, e acima transcrito, é expresso em remeter a motivação ao Despacho Decisório nº 215/2008. Textualmente, encontramos às folhas 497, a explicação: "pelos motivos especificados em Informação Fiscal de 18/12/2007, com ciência em 19/12/2007 e Despacho Decisório n° 215/2008 DRF/SDR, anexo." Não obstante, em maio de 2009, a Administração resolve reratificar o Ato Cancelatório nº 215/2008, porém sem alterar sua fundamentação, como se observa do cotejamento que se apresentará abaixo: AC nº 215 de jun/2008 AC nº 215 de mai/2009 Fundamento Legal por infração ao(s) Parágrafo 6o , do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o artigo 206§§ 12 e 13 do Decreto n° 3048/99 RPS, por infração ao(s) Parágrafo 6 o , do artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o artigo 206§§ 12 e 13 do Decreto n° 3048/99 RPS e incisos III e IV do artigo 55 da Lei n° 8212/91 Motivação pelos motivos especificados em Informação Fiscal de 18/12/2007, com ciência em 19/12/2007 e Despacho Decisório n° 215/2008 DRF/SDR, anexo pelos motivos especificados em Informação Fiscal de 18/12/2007, com ciência em 19/12/2007 e Despacho Decisório n° 215/2008 DRF/SDR, anexo. Não se constata alteração de base legal do ato cancelatório. Não há inovação no preceito jurídico inobservado pelo Recorrente, e ensejador do ato cancelatório. O que se observa, no máximo, seria uma omissão somente no ato cancelatório da remissão legal do dispositivo descumprido. Porém, como bem ressaltado no ato vergastado, os preceitos legais descumpridos constam não só da informação fiscal como também do despacho decisório como o próprio nome indica, as razões de decidir da Administração Tributária além das remissões ao Regulamento da Previdência Social, que, por óbvio, explicitam as razões da Lei de Custeio da Previdência Social. Tal equívoco não é ensejador de nulidade. Tal afirmação encontra supedâneo no próprio Decreto nº 70.235/72, que explicita: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." (destaquei) Mister ressaltar que não existe, como consta do recurso (fls 691), falta de informações ou documentos que permitam o exercício da defesa do Contribuinte em sua plenitude. Como acima mencionado, a informação fiscal combatida é clara e precisa em apresentar suas razões, comprovandoas, por meio de documentos acostados em seus anexo à Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 18050.000995/200844 Acórdão n.º 2201003.473 S2C2T1 Fl. 1.175 11 peça produzida pelo Fisco. Tais características de clareza e fundamentação são encontradas também no despacho decisório combatido, o que permitiu e facilitou a defesa da Entidade Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade arguidas. DIREITO ADQUIRIDO INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 8.212/91. Passando a tratar do mérito, a Recorrente alega ter direito adquirido à isenção, não se aplicando os preceitos da Lei nº 8.212/91. São seus argumentos (fls. 692): "A REAL SOCIEDADE ESPANHOLA DE BENEFICÊNCIA é uma instituição centenária, e como constatado na própria informação fiscal reconhecida de utilidade pública federal por Decreto de 19 de outubro de 1965 e detentora do certificado de filantropia desde 03 de maio de 1966 Nesse passo, não se deve olvidar que a própria Lei 8.212/91 ressalvou o direito adquirido das entidades que já gozavam do benefício da isenção sob as regras do regime anterior. Diz o §1°, do artigo 55, da Lei Federal n° 8.212/91 § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Nesse sentido, é mister trazer à colação os seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. (...)" A decisão de piso tratou do tema com acerto. Vejamos (fls 488): Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento liminar da ADIN n° 20285, manifestou que para fins da imunidade prevista no artigo 195, § 7o da Constituição Federal, as entidades beneficentes de assistência social deverão atender ao artigo 55 da Lei n° 8212/91, em sua redação original, afastando as modificações previstas na Lei n° 9732/98. Abaixo citamos o trecho da referida decisão: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 20285 Decisão IMUNIDADE ENTIDADES BENEFICENTES VÍCIO DE FORMA E DE FUNDO MITIGAÇÃO DO PRECEITO CONSTITUCIONAL REGEDOR DA MATÉRIA LIMINAR DEFERIDA SOB CONDIÇÃO: REFERENDO DO PLENÁRIO (...) Tudo recomenda , assim, que sejam mantidos, até a decisão final desta ação direta de inconstitucionalidade, Fl. 1180DF CARF MF 12 os parâmetros da Lei n° 8212/91, na redação primitiva... (grifamos) (...) Também, no acórdão do julgamento do RE n° 4288151, cujo relator foi o ministro Sepúlveda Pertence, foi deixado claro que o artigo 55 da Lei n° 8212/91 é constitucional. Abaixo reproduzimos a Ementa do Acórdão desse julgamento: RE 428815 A g R / A M AMAZONAS AG.REG NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): M i n . SEPÚLVEDA PERTENCE Julgamento: 07/06/2005 Órgão Julgador: Primeira Turma Publicação: DJ 24062005 j Ementa EMENTA: I. Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, §7o : delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária ( A D 1 M C 1802, 27.8.1 WS, Pertence, DJ I3.2.2004;RE 93.770, 17.3.81, Soares Munoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito "aos lindes da imunidade", à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária "as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune". II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público,do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o beneficio constitucional, não ofende os arts. 146, II, c 195, § 7o , da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódicaprevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91." Fazemos referência, também, ao Parecer n° 2901/2002, da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, que muito bem esclarece a questão do "direito adquirido" na seara da isenção das contribuições sociais, deixando claro que a expressão aposta no § 1° do artigo 55 da Lei n° 8212/91, refere se tão somente à não necessidade de solicitar isenção, para aquelas entidades que já eram isentas em função da Lei n° 3.577/59. Abaixo reproduzimos trechos do referido Parecer: (...) Assim sendo, conforme explicitado acima, as entidades isentas das contribuições sociais previstas nos arts. 22/23 da Lei n° 8212/91, necessitam, sim, atender aos requisitos previstos no art 55 dá mesma lei, mesmo aquelas que já eram isentas antes da edição da referida lei, tendo em vista, as manifestações nessa Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 18050.000995/200844 Acórdão n.º 2201003.473 S2C2T1 Fl. 1.176 13 direção dos Tribunais Superiores já citadas e o entendimento do Parecer CJ n° 2901/02, já referido, cujos trechos acima citamos, não podendo prosperar a alegação da defendente de que a referida lei lhe é inaplicável. " (destaquei) Importante ressaltar que a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, em especial nos trechos acima transcritos, conta com minha total concordância, não só em sua motivação quanto também na fundamentação apresentada. Do exposto e por entender que não há direito adquirido frente aos requisitos dispostos pela Lei de Custeio para o gozo da isenção prevista no artigo 195 da Carta da República, nego o provimento ao recuso nessa parte. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 55, DA LEI ORDINÁRIA N° 8.212/91 LIMITAÇÃO CONSTITUCIONAL AO PODER DE TRIBUTAR NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR Após tecer considerações sobre as imunidades tributárias e os preceitos constitucionais afetos ao tema, a Recorrente esposando a tese que as imunidades são limitações ao poder de tributar e portanto dependem de lei complementar que as regule alega inconstitucionalidade do artigo 55 e de seus incisos e parágrafos. Quanto a tais argumentos, importante recordar que a autoridade administrativa não devese manifestar sobre a constitucionalidade de leis, posto que não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF nº 343, de 2015), a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. É nesse sentido a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não é outro o balizado pronunciamento do professor Hugo de Brito Machado (Temas de Direito Tributário, Vol. I, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134) sobre a matéria: (...) Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional. Se não cumprila sujeitase à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do CTN. Há o inconformado de provocar o Judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratandose de inconstitucionalidade já declarada." Do exposto, deixo de apreciar as alegações de inconstitucionalidade dos incisos, parágrafos e do próprio artigo 55 da Lei nº 8.212/91 em razão da incompetência ínsita ao julgador administrativo em face do império da Lei sobre o agir da Administração Pública Fl. 1182DF CARF MF 14 Segue a Recorrente em seu objetivo de, no mérito, afastar o ato cancelatório. Para tanto alega que a decisão do STF na ADIN 2028 afastou a eficácia do inciso III do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, e que tal decisão demonstra cabalmente o equívoco na interpretação que a RFB dá ao inciso V do artigo 55 da Lei de Custeio. Após discorrer longamente sobre a melhor interpretação a ser dada aos incisos III e V do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, a peça recursal passa demonstrar que os contratos de prestação de serviços do Programa de Saúde da Família e do Combate a Doenças Epidemiológicas são atuações complementares ao Sistema Único de Saúde. Tece também considerações sobre os contratos celebrados com entes públicos, gestores do SUS e a sistemática constitucional da isenção para as entidades assistenciais da Saúde, em especial do Programa Saúde da Família e de combate às endemias. Destaco os seguinte pontos de seus argumentos (fls 741): "Assim, resta claro que a entidade goza de isenção fiscal decorrente da atuação, como entidade filantrópica sem fins lucrativos, nas atividades Programa Saúde da Família e Programa de Vigilância Epidemiológica, objeto de contrato com o Município do Salvador, enquanto gestor destes programas. Alegam os Auditores que os benefícios que a entidade filantrópica possui foram repassados ao Município. Contudo, essa assertiva não é verdadeira. Aliás a informação fiscal não demonstra, nem traz qualquer comprovação dessa afirmação Nesse passo, vale ressaltar, que a entidade enfrenta problemas junto ao Município porque aquele ente federado aduz expressamente que a entidade não repassou o benefício ao preço ofertado na licitação. O fato é que no particular, a afirmação dos fiscais é vazia de conteúdo e de comprovação. Não pode a fiscalização simplesmente fazer a afirmação de que o benefício foi repassado ao Município no preço sem trazer qualquer comprovação de tal circunstância Por fim, vale ressaltar que os contratos celebrados com o Município não podem se caracterizados como simples cessão de mão de obra, como se percebe da simples leitura de seus objetos e das obrigações da Contratada. Observasse que não há qualquer razão jurídica para que os fiscais enquadrem os referidos contratos em uma simples cessão de mão de obra, na medida em que as obrigações contratuais são muitos mais abrangentes, envolvendo a gestão dos serviços, locação de imóveis, treinamento, seleção, aquisição de material de disponibilização de toda uma estrutura para o desenvolvimento das atividades dos programas de saúde. Ressaltese que no caso em discussão, os contratos havidos com o Município de Salvador, além de não se caracterizarem como cessão de mãodeobra, mas sim uma verdadeira prestação de serviços, ainda têm como objetivo a realização de atividades de saúde em prol da população. Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 18050.000995/200844 Acórdão n.º 2201003.473 S2C2T1 Fl. 1.177 15 Qual a distinção dessas atividades com o atendimento de saúde prestado através do SUS, quando credencia entidades beneficentes ?Apenas o local da atividade ? E se o local foi um imóvel alugado pela própria Instituição ? É evidente que as situações são idênticas. Ao firmar contrato com o Município para realização de ações de saúde, o que a Contestante promoveu foi a ampliação das suas ações necessitando, para tanto, de aumento do seu corpo funcional. Feitas as considerações que demonstram a inexistência de proibição de realização de atividades por parte das entidades beneficentes, cumpre agora seja abordado o parecer 3272/04. Além da tendência nefasta de um parecer elaborado para se chegar a um fim, e não tendo este como uma conseqüência de um estudo lógico de determinada matéria, ele se apresenta titubeante ao carecer de embasamento legal, concluir contra a lei e não indicar critérios objetivos Dizse titubeante na medida em que afirma no corpo do parecer 3272/04 que uma entidade não pode ceder mãodeobra se tal atividade não estiver prevista no estatuto. Logo em seguida, contudo, afirma que mesmo que haja tal previsão, não poderia a atividade ser realizada pela entidade, salvo se pontual (De onde surgiu esta disposição ?) Em seu item 25 o Parecer afirma que o STF, no julgamento da ADI 20285 reconheceu que a entidade não tem limitação de atividade. Porém, inova, mais uma vez sem respaldo legal, ao afirmar que as atividades extras não "podem assumir proporções, nem formas, que desvirtuem a própria natureza da entidade de assistência social." Assim perguntase, qual o critério do desvirtuamento" ( destaquei) Sobre o tema, assim consta da Informação Fiscal (fls. 6): 4.2 Contrato de Cessão de MãodeObra 4.2.1 O Hospital Espanhol foi contratado no ano de 2002 pela Prefeitura Municipal de Salvador para prestar serviço para os Programas Saúde da Família (PSF) e Combate a Doenças Endêmicas e Epidemiológicas. Para tanto, o Hospital contratou empregados para serem alocados nestes projetos, caracterizando verdadeira cessão de mão de obra. 4.2.2 A contratação foi efetuada a partir processos licitatórios da Prefeitura de Salvador. Para prestação de serviços no projeto de Combate a Doenças Endêmicas e Epidemiológicas foi firmado contrato de número 002/2002, constando sucessivos aditivos. Para a prestação de serviço no Programa Saúde da Família foi firmado contrato de número 034/2002, com sucessivos termos aditivos. Os contratos e seus aditivos constam em anexo (Anexo II) Fl. 1184DF CARF MF 16 4.2.3 Neste relatório, efetuaremos uma detalhada análise acerca da ilicitude desta contratação e da impossibilidade de uma entidade filantrópica prestar serviços desta natureza. Vejamos: 4.3 Natureza Jurídica da Contratação 4.3.1 O contrato, sem qualquer dúvida, se trata de cessão de mão de obra. Vejamos a definição legal deste conceito, trazida pelo artigo 31, §3°, da Lei 8.212/91: (...) 4.3.2 Fabío Zambitte Imbrahim detalha o conceito de cessão de mãode obra, com propriedade (Leituras Complementares de Previdenciário. Editora JusPodivm; pag. 119): "O locatio operarum é contratação que visa a obtenção de mão deobra por parte do contratante. Obviamente, como é inaceitável considerar uma pessoa objeto de um contrato, o verdadeiro objeto é a força de trabalho desta pessoa. Assim, um contrato de cessão de mãodeobra é aquele em que o fim desejado pelo contratante é a obtenção desta mãodeobra (força de trabalho) para realizar algum mister. Percebase, desde já, que aí reside a diferença fundamental entre empreitada e cessão de mãode obra. No primeiro, a mãodeobra é mero meio para atingir a obra ou tarefa desejada pelo contratante. Já na cessão, a mãodeobra é a própria razão de existência da contratação. Veja que não se trata de mera intermediação de mãodeobra, mas sim da realização de serviços contínuos que requerem a permanente disponibilidade de pessoal para a empresa contratante. A continuidade temporal da atividade desempenhada é que traz como conseqüência a relevância da mãodeobra nesta contratação." 4.3.3 No caso em questão, a Prefeitura Municipal de Salvador efetuou processo licitatório para contratação da força de trabalho gerenciada por empresa terceirizada. 4.3.4 Ressaltese que os serviços eram contínuos, vez que o prazo de duração dos contratos era de um ano, prorrogável por iguais períodos (Doenças Endêmicas), e de dois anos, prorrogável por iguais períodos (PSF). O contrato teve inicio em 2002, tendo sido prorrogado diversas vezes por meio de termos aditivos, estando os dois contratos vigentes até o período final da ação fiscal. 4.3.5 Salientese ainda que é indiscutível que os serviços eram realizados na dependências da contratante (Prefeitura) ou na localidade por ela indicada. O item 5.1.12 do contrato das Doenças endêmicas e o item XXX do contrato do PSF especificam que: Contrato Doenças Endêmicas, item 5.1.12 "Manter os seus empregados, quando da execução dos serviços, tanto nas dependências da CONTRATANTE, quanto em trabalho Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 18050.000995/200844 Acórdão n.º 2201003.473 S2C2T1 Fl. 1.178 17 de campo, devidamente identificados e uniformizados, fornecendo fardamento adequado". Contrato Saúde da Família (PSF), item 5.1.4 "Locar imóveis de característica específica ao atendimento do PSF, conforme descrito no Anexo I e seus complementos, nos locais e regiões indicadas pela CONTRATANTE." 4.3.6 Assim, fica patente a natureza de cessão de mãodeobra, pois o caso concreto, sem qualquer esforço hermenêutico, se molda à definição trazida pelo texto legal. Ademais, os serviços eram executados em campo, conforme definido pela Prefeitura Municipal de Salvador. 4.3.7 Por fim, com intuito de deixar ainda mais evidente a natureza do contrato em análise, observamos que os mencionados contratos prevêem a contratação de equipes médicas e administrativas, aluguéis de veículos, motoristas e diversos outros cargos não relacionados à área de saúde. Como a Real Sociedade de Beneficência Espanhola não tem experiência na cessão de mãodeobra, subcontratou a empresa "Organização Bahia Serviço de Limpeza e Locação de Mãode Obra Ltda." para auxiliar na administração dos referidos contratos. O contrato com a referida empresa consta em anexo (Anexo III)." A questão da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra é tormentosa e fulcral para o deslinde da questão que agora se analisa, no tocante ao cumprimento dos requisitos legais para a fruição da isenção, muito em razão da vedação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra constante do Parecer 3.272/2004 da Consultoria Jurídica do MPS, aprovado pelo Ministro da Previdência Social. Logo, necessário que enfrentemos o conceito de cessão de mãodeobra para que possamos verificar se houve a vedada prestação de pela Recorrente. Para que um serviço seja prestado mediante cessão de mãodeobra é necessário, antes de mais nada, que esse serviço esteja contemplado no rol exaustivo contido no artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.098/99, em face de expressa determinação do § 4º do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. Consta do inciso XXIV do § 2º do artigo 219 o serviço de saúde. Porém, além de constar do mencionado rol regulamentar, o serviço deve ser prestado mediante cessão de mãodeobra. Mister, portanto que esmiucemos os demais termos legais, mais notadamente a definição de cessão de mãodeobra, nos aspectos do local da prestação desses serviços, da disponibilização de trabalhadores e na exigência da continuidade dessa prestação. Como explicitado na Instrução Normativa SRP nº 03 de 2005, vigente à época da fiscalização, conceito mantido na vigente IN RFB nº 971/09, por disponibilização de trabalhadores entendese a efetiva cessão dos empregados da empresa contratada para a contratante, nas dependências desta ou onde ela indicar, deixando de ter a prestadora de serviços a força do labor dos seus trabalhadores cedidos. Tal conceituação, que à primeira vista Fl. 1186DF CARF MF 18 parece tautológica, permite – quando bem entendida – que se afira a efetiva cessão de mãode obra, uma vez que a empresa contratada quando cede seus trabalhadores com eles não pode contar para a realização de qualquer outra tarefa, exceto aquela estabelecida com seu contratante, na qual mediante cessão de mãodeobra prestará o serviço avençado. Enfrentemos agora a questão da continuidade dos serviços prestados por meio de cessão de mãodeobra. Por expressa disposição da Instrução Normativa SRP nº 03/05, no parágrafo 2º do artigo 143, a continuidade da prestação dos serviços não deve ser entendida como um tempo, ou ainda uma freqüência da efetiva contratação da prestadora de serviços e sim deve ser aferida quanto à necessidade da contratante, ou seja, se a utilidade daquele serviço prestado pela contratada se repetirá para a tomadora do serviço de modo contínuo, de modo perene, mesmo que com amplo intervalo de tempo entre os eventos que demandem a prestação de serviço. Com exemplo se entende melhor: a prestação de um serviço de manutenção de uma máquina ou um equipamento é uma necessidade contínua de uma empresa que possua tal máquina ou equipamento, sob pena de não poder utilizar o seu bem por falha na manutenção deste. Agora, a periodicidade dessa manutenção depende do tipo de equipamento, de seu uso, de sua condição de uso, de sua idade, etc. Logo, se realizada com disponibilização de pessoal, e nas dependências da contratante ou onde ela indicar, a prestação de serviços de manutenção será mediante cessão de mãodeobra, e, portanto, deverá sofrer a antecipação tributária previdenciária instituída pela Lei nº 9.711, de 1998. Assentemos. Ocorre prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra quando os serviços sob análise constam do rol taxativo elencado no parágrafo 2º do artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e a prestadora disponibiliza seus trabalhadores (deixando de com eles contar para outras tarefas que não as contratadas no caso em análise), para prestar serviços que sejam de necessidade contínua da tomadora, nas dependências dela, ou em local por ela indicado. Por todo o dito, podemos inferir que os serviços são prestados mediante cessão de mãodeobra, e portanto, deverão sofrer a retenção de 11% sobre os valores a eles referentes, constantes da nota fiscal, fatura ou recibo, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212, de 1991, quando a contratada perde, por ter efetivamente cedido, a capacidade de contar com os trabalhadores que – naquele momento contratualmente previsto – estiverem laborando na consecução do desiderato do contrato firmado com a tomadora dos seus serviços. Por todo o dito, podemos afirmar que há prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, nos termos da legislação tributária previdenciária quando comprovadamente o tomador de serviços contrata uma empresa prestadora de serviços para realizar um serviço que seja necessidade permanente desse contratante para realizálos no local de interesse desse tomador, sem que o prestador de serviços possa, por força contratual, realizar o objeto da contratação da maneira que melhor lhe aprouver, ou seja, que ele prestador possa gerenciar o uso de sua força laboral, e ressalto com tintas fortes não pode gerenciar sua força de trabalho porque por expressa disposição contratual cedeu sua mãodeobra. Analisemos o caso concreto à luz dos conceitos. Os serviços contratados serviços de saúde constam da lista exaustiva do Regulamento da Previdência. Esses serviços são prestados em local definido pelo contratante, no caso, a Prefeitura de Salvador, por meio de sua Secretária competente. É necessidade permanente da Secretaria de Saúde da Prefeitura prestar os serviços de saúde. Requisitos preenchidos. Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 18050.000995/200844 Acórdão n.º 2201003.473 S2C2T1 Fl. 1.179 19 Por fim, resta verificar se a prestação de serviços se dá mediante a efetiva disponibilização dos trabalhadores da Recorrente, no caso prestadora, para a Contratante no caso a Prefeitura. Para tanto, como dito acima, mister perquirir as disposições contratuais atinentes, ou seja, verificar se a prestação de controle de doenças epidemiológicas e da saúde da família se dá por meio de efetiva disponibilização de pessoas, ou seja, se cabe ao município a determinação do que fazer e quando fazer, ou se essas questões do que e do quando fazer cabem ao prestador, no caso a Recorrente, que efetivamente, nessa última hipótese, não disponibilizaria seus funcionários, ao reverso, teria sobre eles plena gestão, posto que não haveria a cessão desses. A leitura atenda dos documentos constantes do Anexo II da Informação Fiscal, anexo que contém os contratos relativos à cessão de mãodeobra, nos permitiu encontrar às folhas 121, a seguinte cláusula no contrato de prestação de serviços nº 034/2002, que tem por objeto a contratação dos serviços relacionados ao Programa de Agentes Comunitários de Saúde e ao Programa de Saúde da Família. "2.1 Na prestação dos serviços referidos na Cláusula anterior a CONTRATADA obedecerá, rigorosamente, às especificações estabelecidas nos documentos que integram o Edital de Concorrência SEAD n.° 009/2001 e as condições indicadas em sua proposta de preços, datada de 16/01/2002, que são considerados como partes integrantes de^te Contrato como se nele estivessem transcritos. A mesma cláusula se repete no contrato nº 02/2002, cujo objeto é " a prestação de serviços de apoio e operacionalização das ações de combate a doenças endêmicas e epidemiológicas de acordo com o descritivo no anexo I", às folhas 127. Não se observou, em todo anexo II da informação fiscal, num total de 80 páginas, nenhum documento relativo a como se desenvolveria a prestação dos serviços de saúde, ou seja, qual serviço deveria ser efetivamente prestado (o que fazer) e como deveria ser prestado (quando fazer). Com isso não soube a Autoridade Fiscal se desincumbir do ônus probatório de suas acusações. Não se pode afirmar que a prestação de serviços de saúde se deu mediante cessão de mãodeobra, posto que a contratada, poderia não ter cedido seus funcionários, bastante para tanto, por exemplo, que o contrato previsse que o atendimento às famílias fosse realizado no bairro x no mês y num total de tantos atendimentos por equipe. Tal cláusula hipotética demonstra de forma cabal que não houve disponibilização dos trabalhadores da prestadora de serviço pois essa poderia organizar a sua mãodeobra como preferisse, desde que cumprisse o atendimento mínimo contratualmente exigido para aquele bairro naquele mês. Um simples exemplo espanca qualquer dúvida. Do exposto, não se pode concordar pelos documentos acostados à Informação Fiscal que houve efetiva cessão de mãodeobra nos casos em comento. Ao reverso, o que se observa é a entidade prestando serviço a um ente público, serviço esse totalmente voltado às suas atividades existenciais, no caso a promoção assistencial da saúde, quanto mais considerandose que no caso em apreço os serviços eram Fl. 1188DF CARF MF 20 prestados para o Município de Salvador, no âmbito das políticas de promoção da saúde pelo Sistema Único de Saúde. Irrelevante, para o caso em apreço, que a Recorrente tenha contratado trabalhadores para cumprir os contratos firmados e que esses contratos tenham sido prorrogados ao longo do tempo. Eventuais desvios praticados nesses contratos só poderiam ser analisados se comprovados pela Fiscalização. Não se pode presumir que houve qualquer vantagem indevida em contratação de prestação de serviços de promoção à Saúde, por um ente público, integrante do SUS, serviços esses de combate à doenças endêmicas e epidemiológicas e do Programa de Saúde da Família. Irrelevante também para efeito do descumprimento dos ditames da Lei de Custeio, diante das conclusões acima, a contratação da Organização Bahia para o auxílio na prestação dos serviços de saúde aos quais a Recorrente se obrigou contratualmente. Forçoso, portanto, reconhecer que os contratos firmados não tem o condão de demonstrar o descumprimento dos incisos III e V do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, uma vez que não pode afirmar que houve desvio de recursos obtidos da finalidade precípua da entidade que é a promoção da saúde aos desassistidos, quanto mais quando tais ações foram realizadas por meio das promoções do Sistema Único de Saúde Recurso provido nessa parte. SUPOSTO DÉBITO COM INSS DIVERSIDADE ENTRE VALOR DECLARADO NA GFIP E O RECOLHIMENTO Consta da Informação Fiscal (fls 23): 4.7.2 A Real Sociedade Espanhola de Beneficência mantevese em débito em relação aos tributos previdenciários declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social GFIP, durante vários meses do período da ação fiscal. Os constantes atrasos nos pagamentos relativos aos contratos com a Prefeitura Municipal de Salvador, conforme já explicado, ocasionaram a impossibilidade do cumprimento regular do pagamento das contribuições previdenciárias, na data de seu vencimento. A tabela abaixo exemplifica competências cujas Guias da Previdência Social foram pagas em valor inferior aos declarados em GFIP: Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 18050.000995/200844 Acórdão n.º 2201003.473 S2C2T1 Fl. 1.180 21 Em sua defesa, alega a Recorrente (fls. 806): "No particular, a Entidade não tinha ciência até a data que foi notificada da Informação Fiscal de que havia suposta divergência entre algumas pouquíssimas declarações da GFIP e os recolhimentos identificados pela Receita. Nesse passo é bom ressaltar que a entidade possui Certidão Negativa de Débitos em vigor emitida pela própria Receita Federal. (doe. Anexo) Em verdade, não há qualquer débito, nem muito menos ato voluntário de deixar de recolher os valores eventualmente equivocados, o que há é erro material de preenchimento de formulários eletrônicos ou outras falhas acessórias." (sublinhei e negritei) Muito embora o critério objetivo da norma como posto, não vejo motivo suficiente para o cancelamento da isenção das contribuições sociais com base nos débitos apontados pela Fiscalização. Tratamse de valores de pequena monta, desproporcionais para uma entidade com mais de 600 segurados, que como dito pela Fiscalização, acresceu esse quadro em mais de 3000 trabalhadores em razão dos contratos de prestação de serviços firmados com o Município de Salvador, órgão público encarregado de repasse de verbas oficiais oriundas do SUS. Mister recordar que tal situação é apontada inclusive pela própria Autoridade Fiscal, como se observa no trecho transcrito acima, retirado da Informação Fiscal. Entendo que a situação dos débitos constatados se originam do descumprimento dos deveres do próprio Estado, por meio de Unidade Federativa, que por vezes podem depender de repasses de verbas federais. Recurso voluntário provido nessa parte. Fl. 1190DF CARF MF 22 DA AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE NA CONTRATAÇÃO EVENTUAL DE EMPRESAS QUE TENHAM COM SÓCIOS INTEGRANTES DA INSTITUIÇÃO Constam do Recurso as seguintes alegações sobre o tema (fls 814): "Aduzem os i. Auditores que foram identificados pagamentos de contratos a empresas que tem entre seus sócios dirigentes da entidade. Entendem os i. Auditores que tal situação caracteriza vantagem indevida à associados. A inteligência da norma realizada pelos i. Fiscais, data vênia é absolutamente inconsistente, e conflita com princípios basilares de interpretação jurídica. Não há qualquer ilegalidade na contratação eventual de empresas que tenham entre seus sócios algum dirigente. Primeiro porque, impedir ou criar obstáculos para que qualquer empresa ofereça seus serviços e produtos seria violação do princípio da livre iniciativa e da liberdade de profissão. Segundo porque a personalidade jurídica da empresa não se confunde com a personalidade de seus sócios, sendo sujeitos distintos. Nesse sentido o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça: (...) Terceiro os valores encontrados são irrelevantes considerando se o faturamento da entidade, o que demonstra claramente que a condição de dirigente não teve qualquer influência na decisão de contratação, mas sim o melhor preço apresentado. Do contrário se perceberia uma prática contumaz de contratação, o que não ocorreu. O faturamento médio no período apurado no período da fiscalização foi de quase R$ 800.000.000 ( oitocentos milhões de reais). Os valores dos contratos mencionados pela fiscalização são de R$ 800.000,00 em seu total. Ou seja, o percentual de contratos em relação à receita da instituição é a apenas 0,1 %, o que, por si só demonstra que não há qualquer prática contumaz e deliberada de favorecimento. Quarto, não há qualquer comprovação e sequer alegação de que os preços praticados nos referidos contratos eram excessivos ou não estavam de acordo com os praticados no mercado. Quinto, os dirigentes mencionados não tinham poderes para decidir contratações, tarefa reservada ao Presidente da Entidade. Sexto, o Sr Roberto Cal de Almeida sequer era membro da Diretoria no período indicado na Informação Fiscal. Aduzem os i. Fiscais que os irrisórios valores, se considerado o faturamento da entidade, decorrentes dos contratos de prestação Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 18050.000995/200844 Acórdão n.º 2201003.473 S2C2T1 Fl. 1.181 23 de serviços e fornecimento mencionados devem ser considerados benefícios à associado. Tal entendimento não tem qualquer amparo jurídico e já foi examinado em precedentes da própria Consultoria Jurídica, como se vê, do Parecer que se segue, que, em face de sua pertinência e propriedade ora se transcreve na íntegra: (...)" (negritei) A imputação fiscal ocorreu nos seguintes termos (fls.21): "4.6.1 A auditoria constatou haver pagamento por parte da Real Sociedade Espanhola de Beneficência para empresa que possuem em seu quadro societário diretores da entidade beneficente, em evidente descumprimento do inciso II, do artigo 55, da Lei 8.212/91. Vejamos: Art. 55, Lei 8.212/91 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; 4.6.2 A contratação de empresas que contenham diretores da entidade como sócios constitui, indubitavelmente, uma espécie de vantagem. 4.6.3 A auditoria fiscal constatou as seguintes contratações, por meio da comparação do cadastro das empresas pertencentes aos diretores do Hospital com a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte e o Razão Contábil da Real Sociedade Espanhola de Beneficência: 4.6.4 Notese que as empresas relacionadas contratadas pela Real Sociedade Espanhola de Beneficência em período em que os seus sócios exerciam os respectivos mandatos de Diretores da entidade beneficente. O cadastro das empresas contratadas, Fl. 1192DF CARF MF 24 constando os sócios encontrase em anexo (Anexo V). Os valores extraídos da contabilidade (Livro Razão) e da DIRF também foram anexados a este relatório(Anexo VI). (...)" (negritei) Novamente vejo razão à Recorrente. Explico. A Lei nº 8.212/91 em seu artigo 55, inciso IV, veda que a entidade no gozo da isenção remunere, de qualquer forma, inclusive por meio de vantagens ou benefícios, seus dirigentes ou instituidores. Uma interpretação teleológica, assim entendida aquela que busca a finalidade da norma, a "ratio legis", nos permite afirmar que a Lei de Custeio da Previdência Social vedou que a entidade portadora de uma vantagem tributária relevante e ensejadora de uma diminuição de seus custos e portanto, potencialmente majoradora de seus resultados usase esse resultado em prol de seus instituidores ou dirigentes. Logo, para essa norma produza o resultado esperado devese ter patente que houve uma vantagem ou benefício para os gestores ou fundadores da entidade. Não observo tal comprovação no caso concreto. O Fisco assevera que a mera contratação das empresas desses gestores constitui uma vantagem. Não se pode concordar de maneira alguma com tal presunção. A uma, ao se recordar que a prestação de serviços ou comercialização de mercadorias com a entidade só poderá resultar em vantagem para o contratado se o preço avençado para a prestação do serviço ou a compra da mercadoria estiver acima do valor de mercado ou no mínimo ajustado a esse, ainda com a necessária verificação do resultado operacional do negócio realizado pela contratada. A duas, porque como cediço, o ônus da comprovação do alegado, posto que a imputação fiscal ensejará necessariamente uma obrigação tributária principal, nascendo o direito de crédito, é do Fisco. Dito de maneira diversa, cabe ao Auditor Fiscal comprovar suas alegações por meio de provas. Impende realçar que a comprovação da alegada vantagem do dirigente pela contratação de sua empresa para a prestação de serviços ou comercialização, poderia ser realizada com mera prova indiciária, como por exemplo a demonstração da ausência de simples cotação de preços por parte da Recorrente, ou ainda, da verificação dos preços médios praticados no mercado, ou ainda de alguma vantagem contratual atípica firmada entre a Recorrente e a empresa do dirigente. Nada foi acostado aos autos. Novamente não soube o Fisco se desvencilhar do ônus probatório. Recurso provido também nessa parte. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 18050.000995/200844 Acórdão n.º 2201003.473 S2C2T1 Fl. 1.182 25 CONCLUSÃO Diante do exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por conhecer do Recurso e rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e por alteração na fundamentação legal do ato cancelatório; e no mérito, por dar provimento ao recurso, para determinar o restabelecimento do direito à isenção das contribuições previdenciárias a partir de 02/2000. assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator Fl. 1194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000697/2002-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. USO DA CONTA POR TERCEIROS. NÃO COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 32.
1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária.
3. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
4. Prejudicados os demais argumentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente ERCI FARIA PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. USO DA CONTA POR TERCEIROS. NÃO COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 32. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. 3. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. 4. Prejudicados os demais argumentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 97 /2 00 2- 17 Fl. 228DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 19515.000697/200217 Acórdão n.º 2402005.643 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração de fls. 93 a 95, demonstrativos de fls. 91 a 92, e, Termo de Verificação Fiscal de fls. 76 a 90 relativo ao imposto sobre a renda da pessoa física ano calendário de 1.998, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 284.782,63, dos quais, R$ 123.069,42 são referentes a imposto, R$ 92.302,06 são cobrados a título de multa proporcional e R$ 69.411,15 correspondem a juros calculados até 30/08/2002 Conforme descrição dos fatos no Auto de infração, a exigência decorreu da seguinte infração: Omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, para o ano calendário de 1.998. Os valores tributáveis, decorrentes dessa omissão de rendimentos, encontramse discriminados no auto de infração. O enquadramento legal para a infração foi: Omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários: Art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 4° da Lei n° 9.481/97; art. 21 da Lei n° 9.532/97. Cientificado, do Auto de Infração e Termo de Encerramento Fiscal, por via Postal (AR) em 03/09/2.002, a contribuinte apresentou, através de procurador (instrumento de procuração na fl. 107), a impugnação de fls. 99 a 106, em 23/09/2.002, acompanhado de documentos às fls. 108 a 152 na qual, após breve relato dos fatos, alega, em síntese, que: A CONTRIBUINTE “EMPRESTAVA” SUA CONTA CORRENTE PARA EMPRESAS. A impugnante “emprestava” sua conta corrente para depósitos de cheques referentes as vendas que fazia para duas empresas e uma vez compensados os cheques, repassava 95,00% do total para as empresas que a contratava, retendo apenas 5,00% do montante, que prática, equivalia a sua remuneração bruta. Para se atestar a veracidade dessa informação, anexase aos autos desse processo administrativo Demonstrativos de Pagamento de Representantes Comercial emitidos pelas duas empresas que contrataram a Requerente para fazer vendas em favor das mesmas. [...] Fl. 230DF CARF MF 4 Este procedimento, de depósito das empresas em sua conta corrente, era feito porque tais empresas passavam por dificuldades econômicas no ano de 1998 [...]. [...] A Requerente não tem nada, não é dona de nada; é urna trabalhadora autônoma de poucas posses pessoais, que não tem patrimônio e vive com as comissões de venda que realiza e certamente jamais teve para si, como renda, quantia apontada no auto de infração. Os extratos bancários não deixam margem à dúvida: tudo que entrava na conta corrente da Requerente sofria desconto de 5,00% e excetuandose algumas despesas de pouca monta, como compras em supermercados e contas do dia a dias, o repasse era quase que imediato para as empresas representadas que contratavam seus serviços de venda. A NÃO APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDA DO ANO BASE DE 1998. A impugnante alega que, pelos motivos apresentados, a sua renda do ano de 1.998 seria a de R$ 23.161,71 (5,00 % dos depósitos), e, portanto obrigada a ter apresentado a declaração de rendimento. A mesma poderá ser multada por esse único motivo, que lhe acarretará uma multa de valor fixo, infinitamente inferior aquela que lhe está sendo imputada. DO PEDIDO. Caso não se anule integralmente o Auto de Infração em questão, requer seja apenas aplicada à Requerente a penalidade pecuniária aplicável a quem deixa de apresentar a declaração de imposto de renda; na pior das situações que se considere como base de cálculo para apuração do imposto de renda devido de todo exercício de 1.998, a quantia de R$ 23.161,71. Em sessão realizada em 25 de setembro de 2008, a DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Ementa: INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS PROVA. A caracterização de "INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS”, conforme estabelecido no § 5° do art. 42 da Lei n° 9430/96, necessita de provas com 'documentos hábeis e idôneos, que comprovem a vinculação com esses terceiros que se utilizou a sua conta bancária, bem como de que os recursos provenientes dos negócios desses terceiros, foram efetivamente depositados na sua conta corrente. Lançamento Procedente Fl. 231DF CARF MF Processo nº 19515.000697/200217 Acórdão n.º 2402005.643 S2C4T2 Fl. 4 5 A recorrente foi intimada da decisão em 24/11/2008 (fl. 208) e interpôs recurso voluntário em 08/12/2008 (fls. 211 e seguintes), no qual basicamente reiterou as teses constantes da impugnação. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Do uso da conta por terceiros A tese fundamental da recorrente é a de que ela emprestava sua conta para duas empresas. Segundo alega, os valores das vendas que efetuava em favor das referidas pessoas jurídicas eram creditados em sua conta, mas sua remuneração correspondia a apenas 5% dos citados montantes, a título de comissão. A prova documental de sua afirmação restringese aos recibos de acerto de contas de fls. 128 e seguintes. Pois bem. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 19515.000697/200217 Acórdão n.º 2402005.643 S2C4T2 Fl. 5 7 §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizandoos como receitas ou rendimentos omitidos. 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 234DF CARF MF 8 Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar, exemplificativamente, que o recurso é atinente a uma doação ou a um empréstimo, ou mesmo que são aplicáveis as hipóteses dos incs. I e II do § 3º retro mencionado. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. Mutatis mutandis, o verbete sumular CARF nº 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). No caso vertente, a contribuinte alega que emprestava sua conta para duas empresas e que os valores ali depositados ou creditados eram atinentes às vendas que efetuava em favor delas. A receita efetiva da contribuinte se restringiria a 5% dos montantes, a título de comissão. Contudo, a recorrente não juntou aos autos nem mesmo a documentação comprobatória das vendas, tais como pedidos, recibos, notas fiscais, etc, muito menos documentação comprovando que os valores das vendas eram creditados na conta de sua titularidade. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 19515.000697/200217 Acórdão n.º 2402005.643 S2C4T2 Fl. 6 9 Conforme exposto anteriormente, a comprovação deve ser feita de forma minimamente individualizada e mediante documentação hábil e idônea, ex vi da Súmula CARF nº 32: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Essa circunstância é suficiente para afastar a tese da recorrente. Mas não é só. Os recibos de acerto de contas de fls. 128 e seguintes têm valor probatório reduzido, pois, além de não estarem instruídos com outros documentos (pedidos, recibos, notas fiscais, etc), registram valores que não coincidem com as quantias apuradas pela fiscalização. Vejase, nesse sentido, o seguinte trecho da decisão recorrida, que se integra ao presente voto como razão de decidir (fl. 202): Os recibos apresentados (docs. 2 a 25) correspondem ao período de dez/97 a nov/98, sendo em alguns meses a soma dos recibos das duas empresas superam os totais mensais de depósitos na conta corrente (descontadas as devoluções), e, em outros meses a soma dos recibos são inferiores aos totais mensais de depósitos (descontadas as devoluções). De acordo com os argumentos da impugnante, de que todo o faturamento bruto das empresas transitou em sua conta corrente, então deveria haver uma coincidência de valores, ou que pelo menos a soma dos recibos das duas empresas serem no mínimo superiores aos totais mensais de depósitos (descontadas as devoluções). Chama a atenção, ainda, o fato de que uma das empresas signatárias sequer consta nos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil, como elucidado pela DRJ: Para tanto apresenta recibos de acerto de contas com as empresas Fábrica de Defumadores “Wilson” Ltda. e Santos Indústria e Comércio de Velas Ltda ME. A primeira empresa citada não consta no cadastro da RFB sendo que a segunda consta no cadastro da RFB com CNPJ n° 65.832.263/000102. Realmente, os documentos firmados pela referida empresa sequer trazem o número de sua inscrição no CNPJ/MF. De outro vértice, a recorrente também não produziu qualquer prova dando conta de sua relação com as referidas empresas, como, exemplificativamente, o contrato de representação comercial. A contrario sensu, a prova documental se limitou aos recibos encimados, e, ao invés de se desincumbir de seu ônus probatório, a recorrente se valeu se meros argumentos, tais como "bastava o agente fiscalizador verificar o recolhimento da CPMF das empresas citadas" (fl. 214) e "se a D. Autoridade Julgadora verificasse com mais detalhamento os extratos bancários" (fl. 216). Fl. 236DF CARF MF 10 É sabido que o Direito brasileiro adotou o sistema da persuasão racional do julgador, ou livre convencimento motivado, conforme se depreende do art. 371 do NCPC e do art. 9º do Decreto 70.235/1972, sistema segundo o qual "o julgador é livre para decidir segundo seu convencimento, que necessariamente deve estar pautado no conjunto probatório constante dos autos"3. Isto é, muito embora o julgador tenha um certo grau de liberdade de apreciação, ele está vinculado à prova dos autos, sendo que, no caso in concreto, o conjunto probatório produzido pela recorrente é insuficiente para derruir a regra presuntiva. Tratandose de depósitos bancários, a prova é legal ou tarifada, como explica a prof. Maria Rita Ferragut: A adoção das provas legais ou tarifadas consiste na atribuição, a cada prova, de um valor fixo e imutável, não deixando margem de liberdade para apreciação do destinatário. Diminui, sem dúvida alguma, a importância do julgador como intérprete dos fatos. Como exemplo, a presunção relativa de omissão de rendimentos, quando a pessoa física não provar a origem do dinheiro depositado em conta bancária (art. 42 da Lei n. 9.430/96). 4 Nessa toada, deve ser negado provimento ao recurso nesse ponto, restando prejudicado o argumento de que a recorrente deveria responder apenas pela falta de entrega da Declaração de Ajuste Anual. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. 3 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 91. 4 Obra citada, p. 90. Fl. 237DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.910961/2011-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.907
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição ao Programa de Integração Social (“PIS”) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 96 1/ 20 11 -0 8 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13896.910961/201108 Resolução nº 3402000.907 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.113, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13896.910961/201108 Resolução nº 3402000.907 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13896.910961/201108 Resolução nº 3402000.907 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 117DF CARF MF
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