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Numero do processo: 13811.002356/2003-36
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para saber se a Recorrente estava ou não enquadrada no Simples no ano-calendário 1999.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para saber se a Recorrente estava ou não enquadrada no Simples no ano-calendário 1999. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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Numero do processo: 19740.000103/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1998 a 28/02/2000, 01/04/2000 a 31/08/2007
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIDO.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Recurso de Ofício interposto da decisão da DRJ (fls. 342) não atingiu o limite legal. Recurso de Ofício não conhecido.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. SÚMULA CARF nº 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, mesmo que parcial, do tributo na competência do fato gerador a que se referir a autuação. Havendo evidência de recolhimento antecipado por depósito judicial em demanda que trata a exigibilidade do tributo, deve ser aplicada, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN.
DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR MULTA E JUROS DE MORA
Havendo decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário, só poderão ser objeto do lançamento, visando a prevenir a decadência, os acréscimos legais que não tiverem um caráter punitivo/sancionatório, já que o contribuinte não pode ser prejudicado por estar cumprindo uma decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, ainda mais se realizou o pagamento, por depósito judicial, antes do vencimento. Portanto, com base no artigo 63 da Lei 9.430/96, no lançamento preventivo, não cabe a multa de ofício, assim como, não há razão para o lançamento dos juros de mora, uma vez que não houve mora passível de gerar acréscimos moratórios em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito do montante
Numero da decisão: 2301-005.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário pela regra do art. 150, § 4º, e cancelar a multa e juros lançados.
.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1998 a 28/02/2000, 01/04/2000 a 31/08/2007 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIDO. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Recurso de Ofício interposto da decisão da DRJ (fls. 342) não atingiu o limite legal. Recurso de Ofício não conhecido. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, mesmo que parcial, do tributo na competência do fato gerador a que se referir a autuação. Havendo evidência de recolhimento antecipado por depósito judicial em demanda que trata a exigibilidade do tributo, deve ser aplicada, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR MULTA E JUROS DE MORA Havendo decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário, só poderão ser objeto do lançamento, visando a prevenir a decadência, os acréscimos legais que não tiverem um caráter punitivo/sancionatório, já que o contribuinte não pode ser prejudicado por estar cumprindo uma decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, ainda mais se realizou o pagamento, por depósito judicial, antes do vencimento. Portanto, com base no artigo 63 da Lei 9.430/96, no lançamento preventivo, não cabe a multa de ofício, assim como, não há razão para o lançamento dos juros de mora, uma vez que não houve mora passível de gerar acréscimos moratórios em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito do montante
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário pela regra do art. 150, § 4º, e cancelar a multa e juros lançados. . (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
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NÃO CONHECIDO. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Recurso de Ofício interposto da decisão da DRJ (fls. 342) não atingiu o limite legal. Recurso de Ofício não conhecido. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, mesmo que parcial, do tributo na competência do fato gerador a que se referir a autuação. Havendo evidência de recolhimento antecipado por depósito judicial em demanda que trata a exigibilidade do tributo, deve ser aplicada, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR MULTA E JUROS DE MORA Havendo decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário, só poderão ser objeto do lançamento, visando a prevenir a decadência, os acréscimos legais que não tiverem um caráter punitivo/sancionatório, já que o contribuinte não pode ser prejudicado por estar cumprindo uma decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, ainda mais se realizou o pagamento, por depósito judicial, antes do vencimento. Portanto, com base no artigo 63 da Lei 9.430/96, no lançamento preventivo, não cabe a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 03 /2 00 8- 08 Fl. 329DF CARF MF 2 multa de ofício, assim como, não há razão para o lançamento dos juros de mora, uma vez que não houve mora passível de gerar acréscimos moratórios em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito do montante Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário pela regra do art. 150, § 4º, e cancelar a multa e juros lançados. . (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 278 e ss.) interposto em face da decisão da DRJ (fls. 264) proferida pela 10ª Turma da DRJ/RJOI, Acórdão 1219.959 de 10/07/2008, que indeferiu em parte a Impugnação e determinou a procedência em parte do lançamento, cuja Ementa: Assumo: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/08/2007 CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. DECADÊNCIA PARCIAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. I A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorre, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 19740.000103/200808 Acórdão n.º 2301005.552 S2C3T1 Fl. 317 3 II A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não é óbice ao lançamento, uma vez que a formalização do crédito não implica, necessariamente, na sua exigência imediata. III o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído. IV Tratandose de lançamento destinado resguardar o crédito dos efeitos da decadência, justificase acautelar tanto a importância principal quanto os seus consectários legais, visto que indisponível o interesse público subjacente controvérsia. Lançamento procedente em parte Crédito Tributário Mantido Conforme consta da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls.2 e ss. (DEBCAD n. 37.061.1788), a Contribuinte foi condenada ao pagamento de crédito tributário na importância correspondente a R$ 21.932.805,31, sendo R$13.629.709,36 de imposto a recolher, R$6.258.639,53 de juros e R$2.044.456,42 de multa, referente a omissões de recolhimento de Contribuição Social proveniente de depósito judicial à autônomos, apurado de 01/02/1998 a 31/08/2007. Segundo o relatório fiscal de fls. 55 e ss., a notificada ingressou com duas demandas judiciais, a primeira para que fosse declarada a inexigibilidade de contribuição à seguridade social dos pagamentos efetuados a corretores autônomos, quando a Contribuinte ainda era denominada Companhia União de Seguros Gerais e a outra, um mandado de segurança. A primeira demanda, autos n° 1996.00095159, tramitou perante a 7ª Vara Federal, da Seção Judiciária do Distrito Federal. Embora negada a antecipação da tutela, foi deferido o depósito judicial integral do montante discutido. O processo foi julgado improcedente, assim como negado provimento ao Recurso de Apelação, Recurso Especial e Recurso Extraordinário, estando o processo em cumprimento de sentença. Além desta demanda, a Companhia União de Seguros Gerais também propôs ação semelhante, autos n. 2000.71.00.0099859, que tramitou perante a 8ª Vara Federal de Porto Alegre/RS, sendo julgado improcedente, negado provimento ao recurso de apelação e ao recurso especial. O Recurso Extraordinário foi julgado recentemente, aguardandose o transcurso do prazo. Em 28/09/2001 (fl. 61 a 67), a empresa NOVO HAMBURGO COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS foi incorporada à COMPANHIA UNIÃO DE SEGUROS GERAIS, quando houve a alteração da denominação social para UNIÃO NOVO HAMBURGO SEGUROS S/A. Posteriormente, houve nova mudança da denominação social, novamente, que passou a reger pela atual denominação, Bradesco Auto/Re Companhia de Seguros. Antes da incorporação de 28/09/2001, a empresa NOVO HAMBURGO COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS também ingressou com ação semelhante processo n° 2000.71.08.0028905, com pedidos similares ao da COMPANHIA UNIÃO DE SEGUROS Fl. 331DF CARF MF 4 GERAIS, não obtendo êxito, sendo realizado depósito judicial da quantia devida de contribuições sociais mensalmente. Destacase que, a partir de 10/2001, com a incorporação, os depósitos judiciais desta demanda começaram a ser efetuados nos autos 2000.71.00.0099859. Já os depósitos anteriores à incorporação, os do período de 04/2000 a 09/2001, foram apropriados ao processo n° 2000.71.08.0028905. Portanto foi efetuado lançamento na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito com o intuito de prevenir a decadência, referente às contribuições sobre as remunerações de corretores autônomos, para as quais houve depósito judicial, autorizado nos autos dos processos 96.00095159 e 2000.71.00.0099859. Nas fls. 57/59 a Autoridade Fiscal aponta em uma planilha simplificada a competência e os valores dos Depósitos Judiciais Autônomos efetuados em ambos os processos, lançando o valor final de R$ 21.932.805,31 como débito da infração. Nas fls. 68/152 constam os comprovantes de depósitos judiciais efetuados em ambos os processos. Na Impugnação juntada nas fls. 156/168, a Contribuinte alega decadência do período de fevereiro de 1998 a fevereiro de 2000 e de abril de 2000 a novembro de 2002, por se tratar de contribuição previdenciária de tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN; e requer a exclusão da multa e dos juros impostos, diante da suspensão da exigibilidade do crédito, nos termos do artigo 63 da Lei n° 9.430/1996. Nos termos da decisão da DRJ, fls. 264/273, a Autoridade Fiscal entendeu pela procedência parcial da impugnação, na seguinte razão: A) A existência de ação judicial não impede o desenvolvimento regular da sequência lógica de atos que perfazem o contencioso fiscal, sendo que a renúncia total ao contencioso só ocorrerá quando a ação judicial tiver por objeto “idêntico pedido” sobre o qual versa o processo administrativo (art. 126, § 3° da Lei 8.213/1991), sendo que se na impugnação também for deduzida matéria distinta da discutida em juízo, o sujeito passivo terá direito ao contencioso administrativo para que seja apreciada a matéria diferenciada, como ocorre no presente processo; B) Com relação à decadência suscitada, não cabe a aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN, citado pelo contribuinte em sua defesa, que diz respeito ao prazo de cinco anos ofertado à Fazenda Pública para homologar o lançamento no qual o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento do tributo, quando a lei não determinar prazo diverso, sendo que, no presente caso, têm se um lançamento de oficio, previsto no artigo 149, inciso V do CTN, lavrado em vista da omissão ou inexatidão por parte do contribuinte no exercício da atividade, sendo que os lançamentos de oficio, arrolados no artigo 149 do CTN, sujeitamse ao prazo decadencial estipulado no artigo 173, inciso I do CTN. Tendo em vista que o lançamento ocorreu em 18/12/2007, contribuições lançadas no período de 02/1998 até 11/2001, ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, sendo estas, portanto excluídas do levantamento, já as contribuições previdenciárias relativas às competências de 12/2001 a 08/2007, permanece válido o lançamento. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 19740.000103/200808 Acórdão n.º 2301005.552 S2C3T1 Fl. 318 5 C) Com relação aos juros, improcede a alegação de que não há incidência de juros em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito por decisão judicial, eis que a decisão eventualmente deferida no curso do processo é passível de reforma, sendo que a única forma de ser afastada a incidência dos juros seria o contribuinte efetuar, concomitantemente à ação judicial, o depósito integral do montante discutido; D) Com relação à multa, o “caput” do art. 63 da Lei 9.430/96 prevê a dispensa da multa de ofício no lançamento de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, que não se aplica às contribuições analisadas no processo, uma vez que essa figura (multa de oficio) é estranha aos lançamentos formalizados através de NFLD. E) Por conta do reconhecimento da decadência parcial, o lançamento ficou retificado conforme demonstrativo DADR DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DÉBITO RETIFICADO – de fls. 232/244. Nas fls. 278/288, a Contribuinte junta seu Recurso Voluntário alegando: A) Tendo em vista que se trata de contribuição previdenciária de tributo sujeito a lançamento por homologação, deveria ter sido aplicado o §4º do art. 150 do CTN, deve ser reconhecida a decadência do lançamento fiscal do período consistente de dezembro de 2001 a novembro de 2002 B) Indevido o lançamento dos juros de mora e multa moratória em face do reconhecimento do depósito judicial da contribuição previdenciária, na totalidade do imposto exigido; Nas fls. 285, houve a juntada de manifestação por parte do FISCO, na qual requer o reconhecimento de que, de acordo com o disposto no parágrafo único do art. 42 do Decreto n° 70.235/72, estão constituídos definitivamente na esfera administrativa, os créditos previdenciários correspondentes aos períodos de dezembro de 2002 a agosto de 2007, visto que não foram objeto de recurso, embora estejam suspensos, nos termos do Art. 151, II do CTN. Este é o relatório Voto Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato Relatora ADMISSIBILIDADE Conforme consta das fls. 256, a Contribuinte tomou ciência da decisão em 29/08/2008, apresentando Recurso Voluntário em 30/09/2008 (fls. 238). Fl. 333DF CARF MF 6 Nos termos do Art. 5º do Decreto 70.235/1972 em que determina que “os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento”, verificase que o Recurso Voluntário foi interposto dentro do prazo recursal, visto que o dia 29/08/2008 foi uma sextafeira, iniciandose o prazo na segundafeira, 01/09, encerrando no dia 30/09, data do protocolo. Portanto, reconheço a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte, passando à análise de seu mérito. MÉRITO Do Recurso de Oficio Conforme consta da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls.2 e ss. (DEBCAD n. 37.061.1788), a Contribuinte foi condenada ao pagamento de crédito tributário na importância correspondente a R$ 21.932.805,31, sendo R$13.629.709,36 de imposto a recolher, R$6.258.639,53 de juros e R$2.044.456,42 de multa, referente a omissões de recolhimento de Contribuição Social proveniente de depósito judicial à autônomos, apurado de 01/02/1998 a 31/08/2007. No julgamento da DRJ, modificouse o valor, exonerando a Contribuinte em parte do valor lançado: “(...) Acordam, por unanimidade de votos, (...), julgar, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, PROCEDENTE EM PARTE o lançamento efetuado, para considerar devidas as contribuições sociais previdenciárias, no valor de R$12.184.009,99, acrescidos de juros e multa a serem calculados no ato da liquidação (...)”. Portanto, exonerou a contribuinte em R$ 1.445.699,37 (hum milhão quatrocentos e quarenta e cinco mil seiscentos e noventa e nove reais e trinta e sete centavos), que na época ultrapassava o teto de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF n. 3 de 03/01/2008. Nos termos da Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. O valor de alçada modificou. Conforme constata a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 334DF CARF MF Processo nº 19740.000103/200808 Acórdão n.º 2301005.552 S2C3T1 Fl. 319 7 § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Conforme visto na DRJ, o valor exonerado ao Contribuinte é inferior ao limite legal de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), conforme previsto na Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 e, com fulcro na Súmula CARF nº 103, não conheço do Recurso de Ofício. Do Recurso de Voluntário Tratase de Recurso Voluntário que requer o reconhecimento da decadência do lançamento fiscal do período consistente de dezembro de 2001 a novembro de 2002 e da retirada dos juros e multa moratória, diante do depósito judicial integral da cobrança. Com relação à decadência suscitada, necessário destacar que o presente processo diz respeito ao lançamento de crédito tributário de contribuições previdenciárias não recolhidas pela Contribuinte. Na DRJ, o FISCO entendeu que o lançamento das contribuições previdenciárias são de oficio, nos termos artigo 149 do CTN, sujeitandose ao prazo decadencial estipulado no artigo 173, inciso I do CTN e não no §4º do art. 150 do CTN. Já a Contribuinte requer a aplicação do §4º do art. 150 do CTN. A Súmula 99 deste Conselho determina: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração Assim como, em consulta às jurisprudências consolidadas deste Conselho, verificase a aplicação do §4º do art. 150 do CTN, quando há o recolhimento do imposto, mesmo que parcial: Fl. 335DF CARF MF 8 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Aplicação da Súmula CARF nº 99. Acórdão nº 9202003.572 Sessão de 29 de janeiro de 2015 ................. DECADÊNCIA. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF Nº 99. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devendo ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Além disso, o enunciado da Súmula CARF nº 99 dispõe que “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração”. Acórdão nº 9202003.313 16/09/2014 .................... TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Os documentos constantes nos autos, especificamente, o Relatório de Documentos Apresentados RDA (fls. 58) consta a relação dos documentos de recolhimento de contribuições previdenciárias referentes à competência 12/1999. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregandose, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Portanto, concluo que, pelo menos, houve a ocorrência da questionada antecipação de pagamento. Acórdão nº 9202 002.928, Sessão de 05 de novembro de 2013. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 19740.000103/200808 Acórdão n.º 2301005.552 S2C3T1 Fl. 320 9 .................. PRAZO DECADENCIAL. CONCLUSÃO ACERCA DE ANTECIPAÇÃO DE RECOLHIMENTO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Quando se conclui, com esteio nos elementos constantes dos autos, que houve antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acórdão nº 2401 003.198, Sessão de 17 de setembro de 2013. .................. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuição incidente sobre valores reembolsados a título de auxílio excepcional. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregandose, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos, especificamente o Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF (fls. 66/67), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão, tendo em vista o fato de que o referido termo aponta que para o período fiscalizado foram examinados as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e os respectivos comprovantes de recolhimento do período em questão e, ainda, que os créditos tributários constituídos referemse, exclusivamente, a parcelas que o fisco considerou haver incidência de contribuições previdenciárias, ao contrário do contribuinte. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 02/10/2007, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 09/2002 encontravamse fulminados pela decadência. Acórdão nº 240101.981, Sessão de 22 de agosto de 2011. Fl. 337DF CARF MF 10 ............... SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas, devendose assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN. Acórdão nº 9202 003.355, Sessão de 17 de setembro de 2014. Verificase que a Contribuinte recolheu judicialmente as contribuições previdenciárias exigidas no lançamento, conforme comprovam os depósitos judiciais juntados nas fls. 68/152. Inclusive consta na manifestação do FISCO de fls. 310 que o depósito efetuado pela contribuinte foi no montante integral da NFLD lançada. Portanto, tendo a Contribuinte recolhido o imposto exigido no presente processo administrativo, imputase a aplicação do §4º do Art. 150 do CTN para o cômputo da Decadência, ou seja: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Tendo em vista que o lançamento ocorreu em 12/2007, verificase a decadência das contribuições previdenciárias que tiveram fatos geradores anteriores a 12/2002. Portanto, permanecem válidas apenas as contribuições previdenciárias relativas às competências que vão de 12/2002 a 08/2007, reconhecendo a decadência das anteriores, ou seja, das contribuições previdenciárias relativas às competências de 12/2001 a 11/2002. Ante ao exposto voto por conhecer e dar procedência ao Recurso Voluntário, no que consiste a decadência alegada pela Contribuinte, no intuito de determinar a validade das contribuições previdenciárias relativas às competências que vão de 12/2002 a 08/2007. Com relação ao pedido de exclusão da multa e dos juros moratórios lançados nos presentes autos, verificase entendimento sumulado por este Conselho: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que Fl. 338DF CARF MF Processo nº 19740.000103/200808 Acórdão n.º 2301005.552 S2C3T1 Fl. 321 11 suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Súmula CARF n° 17 (VINCULANTE): Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo Assim como, utilizo do julgamento deste Conselho para apresentar o presente Voto: Ementa(s) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. DECADÊNCIA Os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 que fixavam em dez anos o prazo para o INSS constituir e cobrar seus créditos, tiveram sua aplicação obstada pela edição da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, que firmou entendimento sobre a inconstitucionalidade desses artigos, publicada no DOU de 20/06/2008. Portanto, com base na legislação precedente, cabe revisão do lançamento fiscal a luz do Código Tributário Nacional CTN, observandose a vinculação das decisões administrativas ao enunciado das Súmulas Vinculantes editadas pelo Supremo Tribunal Federal STF e o Parecer PGFN/CRJ/CDA N° 143712008, estão decadentes todas as competências objeto neste Auto de Infração, anteriores a 15 de dezembro de 2003, isto porque há de ser aplicado o artigo 150, § 4° do CTN, eis que a Recorrente é contribuinte geral, ou seja, antecipou de uma certa forma parte das contribuições e, não olvidemos que foi lançamento para prevenir decadência. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. IMPOSSIBILIDADE DE SE EXIGIR MULTA E JUROS DE MORA Nos presentes autos a matéria discutida é diferente da que foi debatida na ação Judicial nos autos do MS sob n° 2000.38.00.0131552, razão pela qual não há que se falar em renúncia à esfera administrativa. Ou seja, no RV não discute a legitimidade da cobrança da contribuição previdenciária, mas apenas a incidência da multa e dos juros moratórios sobre crédito cuja exigibilidade encontrase suspensa por depósito judicial. Fl. 339DF CARF MF 12 De fato, de fundamental importância é quando diz respeito à definição do que deva ser objeto do lançamento tributário, se tão somente o principal corrigido, ou se deverão ser incluídos os acréscimos moratórios (juros de mora e multa de mora) e penalidades (descumprimento de obrigações acessórias, infrações à lei tributária). A situação do caso é que há uma decisão judicial que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, que só poderão ser objeto do lançamento visando a prevenir a decadência os acréscimos que não tiverem um caráter punitivo/sancionatório, já que o contribuinte não pode ser prejudicado por estar cumprindo uma decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Sobretudo porque realizou antes do vencimento. Por fim, deve ser mencionado que, na área federal, existe legislação específica que trata do ponto aqui examinado, qual seja, a Lei 9.430/96, artigo 63. Esse artigo estabelece, em seu caput, que não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos cuja exigibilidade tiver sido suspensa por liminar em Mandado de Segurança. Com base na Lei 9.430/96, artigo 63, no lançamento preventivo, como é o caso em tela não cabe a multa de ofício. Razão, portanto, assiste a Recorrente. Também não há razão para o lançamento dos juros de mora, uma vez que não houve mora passível de gerar acréscimos moratórios em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito do montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte. CARF. Acórdão 2301005.009. 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária/ 2ª Seção. Autos 15504.021489/200815. Seção 09/05/2017. Verificase nos autos, na petição de fls. 310 que a própria Autoridade Fiscal reconheceu o recolhimento total do imposto cobrado pela Contribuinte, comprovado pelos depósitos judiciais juntados nas fls. 68/152. Os depósitos judiciais foram efetuados, inclusive, antes do início do procedimento fiscal. Portanto, a Contribuinte nunca esteve em mora com o recolhimento, visto que, embora suspensa a exigibilidade do tributo, efetuou seu pagamento por intermédio dos depósitos judiciais. Além das súmulas supramencionadas, observa o art. 63 da Lei 9.430/96 aplicável ao presente caso. Por esta razão entendo ser indevida a imposição de juros e multa moratória nos termos da legislação, visto que houve recolhimento integral do imposto cobrado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao pedido. CONCLUSÃO Fl. 340DF CARF MF Processo nº 19740.000103/200808 Acórdão n.º 2301005.552 S2C3T1 Fl. 322 13 Ante o exposto, voto por nao conhecer o recurso de oficio; conhecer do recurso voluntário e dar provimento ao mesmo, para que se reconheça a decadência das competências anteriores a 12/2002 nos termos do artigo 150, parágrafo 4 do CTN e cancelar a multa e os juros lançados. É como voto. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 12493.720071/2017-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF
No ano calendário de 2012 já estava vigente a legislação que estabelecia que os rendimentos recebidos acumuladamente provenientes de pensão, correspondentes a anos calendário anteriores, seriam tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês.
Na apuração do imposto devido não foi incluído o valor da indenização paga em decorrência do naufrágio do Bateau Mouche, mas tão somente os valores pagos a título de pensão sobre os ganhos da vítima do acidente, considerando o período correspondente a 264 meses. Foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL
No que tange aos honorários advocatícios, o § 2º do artigo 12-A da Lei nº 7.713/88 estabelece que "poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização", razão porque deve ser excluído da base de cálculo dos RRA.
Devem ser excluídas da base tributável os honorários sobre o montante recebido a título de RRA.
Numero da decisão: 2401-005.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido da base de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente os honorários pagos a advogado, no montante de R$ 259.747,20
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF No ano calendário de 2012 já estava vigente a legislação que estabelecia que os rendimentos recebidos acumuladamente provenientes de pensão, correspondentes a anos calendário anteriores, seriam tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Na apuração do imposto devido não foi incluído o valor da indenização paga em decorrência do naufrágio do Bateau Mouche, mas tão somente os valores pagos a título de pensão sobre os ganhos da vítima do acidente, considerando o período correspondente a 264 meses. Foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL No que tange aos honorários advocatícios, o § 2º do artigo 12-A da Lei nº 7.713/88 estabelece que "poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização", razão porque deve ser excluído da base de cálculo dos RRA. Devem ser excluídas da base tributável os honorários sobre o montante recebido a título de RRA.
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF No ano calendário de 2012 já estava vigente a legislação que estabelecia que os rendimentos recebidos acumuladamente provenientes de pensão, correspondentes a anos calendário anteriores, seriam tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Na apuração do imposto devido não foi incluído o valor da indenização paga em decorrência do naufrágio do Bateau Mouche, mas tão somente os valores pagos a título de pensão sobre os ganhos da vítima do acidente, considerando o período correspondente a 264 meses. Foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL No que tange aos honorários advocatícios, o § 2º do artigo 12A da Lei nº 7.713/88 estabelece que "poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização", razão porque deve ser excluído da base de cálculo dos RRA. Devem ser excluídas da base tributável os honorários sobre o montante recebido a título de RRA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 49 3. 72 00 71 /2 01 7- 63 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 12493.720071/201763 Acórdão n.º 2401005.775 S2C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido da base de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente os honorários pagos a advogado, no montante de R$ 259.747,20 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF (DRJ/BSB) que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0377.115 (fls. 195/202): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE DE PESSOA JURÍDICA A TÍTULO DE PENSÃO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. Os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, de forma acumulada, a título de pensão, decorrentes de ação judicial, são tributados na sistemática prevista no art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, isto é, estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 12493.720071/201763 Acórdão n.º 2401005.775 S2C4T1 Fl. 4 3 RENDIMENTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Mantémse a infração apurada quando a retenção do valor informado a título de IRRF na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física não é comprovada, de forma hábil e idônea. É vedada a compensação de Imposto incidente sobre rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) referente ao Exercício 2013, anocalendário 2012 (fls. 164/173), lavrada em 03/07/2017, por meio da qual foi apurado crédito tributário no montante total de R$ 1.151.440,91, conforme descrito abaixo: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar: R$ 515.532,09; · Multa de Ofício (75%), passível de redução: R$ 386.649,06; · Juros de Mora, calculados até 31/07/2017: R$ 249.259,76. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 165/168), a fiscalização afirma que da análise das informações e documentos apresentados pela Contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse: 1. Compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no valor de R$80.903,68, tributados como rendimentos recebidos de forma acumulada (fl. 165); 2. Omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva na fonte, no valor de R$ 2.977.945,99. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$103.213,45 (fl. 167); 3. Do valor de R$3.721.983,36, referente ao total da indenização paga aos parentes de vítimas do naufrágio do "Bateau Mouche", foi considerado como rendimento isento a parcela referente aos danos morais, não sendo considerado os honorários advocatícios pagos. No entanto, o valor pago a título de pensão sobre os ganhos da vítima, no período que corresponde a 264 meses, é considerado rendimento tributável; Em 07/07/2017 a Contribuinte tomou ciência, via postal, da Notificação de Lançamento (AR fl. 175) e, em 02/08/2017, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 01 a 23, instruída com os documentos nas fls. 24 a 159. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 12493.720071/201763 Acórdão n.º 2401005.775 S2C4T1 Fl. 5 4 Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0377.115, a 3ª Turma, resolveu julgar a impugnação improcedente mantendo o crédito tributário exigido. Em 09/11/2017 a Contribuinte tomou ciência, via Correio, do Acórdão (AR fl. 206) e em 07/12/2017 interpôs seu Recurso Voluntário de fls. 209 a 215, asseverando em suma o seguinte: 1. Aduz que em 2012 recebeu à título de indenização por dano moral e material o total de R$ 3.752.273,00 composto dos seguintes valores: a. R$ 721.446,48, considerando que indevidamente fora retido R$ 22.312,77 de IRRF; b. R$ 2.615.885,81, considerando que indevidamente fora retido R$ 80.903,68 de IRRF; c. R$ 162.340,00, considerando que segundo documento emitido pela própria Marinha do Brasil, estes rendimentos são totalmente isentos; d. R$ 252.600,71, considerando que segundo o alvará emitido o valor é isento de imposto de renda; 2. Declara que deste valor recebido 20% foram pagos a título de honorários ao escritório de Advocacia Amarante & Tancredo Advogados Associados; 3. Informa que o escritório de advocacia foi quem realizou todos os recolhimentos tributários sob os valores recebidos pela Contribuinte; 4. Afirma que ao final só recebeu em 2012, a título de indenização decorrente da ação judicial, o valor de R$ 3.001.000,81, e que não houve omissão pois declarou exatamente esse valor em sua DIRPF; 5. Ressalta que esse valor foi especificado em sua DIRPF como sendo Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, considerando que ele se refere exclusivamente as indenizações decorrentes de três grandes perdas na vida da Contribuinte; 6. Discorre sobre a isenção de imposto de renda sobre indenizações, citando jurisprudências. Finaliza o Recurso Voluntário requerendo seu acolhimento, bem como o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 12493.720071/201763 Acórdão n.º 2401005.775 S2C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Conforme relatado, trata os presentes autos de lançamento relativo a glosa por compensação indevida de IRRF e omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva, decorrente da decisão proferida no processo nº 91.00201952, da 5ª Vara Federal do Rio de Janeiro, em virtude do acidente com naufrágio da embarcação “Bateau Mouche”. A Recorrente se insurge contra a exigência tributária e assevera que declarou o montante recebido como rendimentos isentos e não tributáveis, pois considerou que as verbas são de natureza indenizatória. Aduz que dos valores recebidos foram deduzidos os honorários advocatícios. A sentença julgou procedente em parte o pedido da postulante nos seguintes termos: Do exposto, JULGO PROCEDENTE, EM PARTE, O PEDIDO, para condenar os réus, em caráter solidário, a pagar à Autora: a) pensões vencidas e vincendas de 20 salários mínimos mensais, desde a data do evento e pelo tempo de sobrevida provável da vítima (35,5 anos), acrescido das verbas dos itens c e d da inicial; b) indenização a título de dano moral, arbitrado em Cr$ 25.200.000,00 (vinte e cinco milhões e duzentos mil cruzeiros); c) reembolso com as despesas de psicólogo cujas cópias estão nos autos, conforme soma a ser realizada pelo Contador, no momento da execução, e reembolso do valor de US$ 230,00 (duzentos e trinta dólares norte americanos), ao cambio do dia da quitação; d) correção monetária dos itens acima, juros simples de mora, à taxa de.6% (seis por cento) ao ano, contados da última citação, e reembolsa das custas, bem como honorários advocatícios, fixados em 10% (dez por cento) da condenação, à época da Fl. 231DF CARF MF Processo nº 12493.720071/201763 Acórdão n.º 2401005.775 S2C4T1 Fl. 7 6 pagamento, computandose uma anuidade das pensões vincendas. Ressalvo à União, na relação interna decorrente da solidariedade, o completo reembolso, contra os demais réus, de tudo que eventualmente venha a despender. Com efeito, os rendimentos decorrentes da decisão judicial encontramse sujeitos a regimes de tributação distintos, pois se tratam de verbas de pensão, vencidas e vincendas, pelo tempo de sobrevida provável do cônjuge, e valores correspondentes à indenização por danos morais. Assim, foram procedidas a reclassificação do imposto devido de RRA e a glosa do imposto de renda retido de RRA exclusivo na fonte e informado no quadro Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica, conforme Demonstrativo de Apuração das alterações dos dados declarados às fls. 12/15. Importante destacar a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. A Lei nº 7.713, de 1988, em seu art. 12, estabelecia que para os rendimentos recebidos acumuladamente, relativos aos anos calendário anteriores ao do seu recebimento, a incidência do Imposto sobre a Renda ocorria no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, subtraído o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive advogados: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Destarte, o artigo 12A da Lei nº 7.713/88, acrescido pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, alterou a sistemática de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, a partir de 28 de julho de 2010, que passaram a ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, submetidos à tabela progressiva do Imposto sobre a Renda, senão vejamos: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1º O imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva Fl. 232DF CARF MF Processo nº 12493.720071/201763 Acórdão n.º 2401005.775 S2C4T1 Fl. 8 7 resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 6o Na hipótese do § 5o, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. Dessa forma, no ano calendário de 2012, já estava vigente a legislação que estabelecia que os rendimentos recebidos acumuladamente provenientes de pensão, correspondentes a anos calendário anteriores, seriam tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Constatase que na apuração do imposto não foi incluído o valor da indenização paga em decorrência do naufrágio do Bateau Mouche, bem como não foi considerado nos cálculos os honorários advocatícios, mas tão somente os valores pagos a título de pensão sobre os ganhos da vítima do acidente, considerando o período correspondente a 264 meses. A glosa da compensação do IRRF ocorreu em virtude da forma de tributação exclusiva na fonte atribuída aos rendimentos recebidos acumuladamente pela Recorrente, o que impede a utilização do Imposto retido no ajuste anual. Destaquese ainda que na apuração do imposto devido foi considerado o imposto retido na fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 103.213,45. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 12493.720071/201763 Acórdão n.º 2401005.775 S2C4T1 Fl. 9 8 No que tange aos honorários advocatícios, o § 2º do artigo 12A da Lei nº 7.713/88 estabelece que "poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." Compulsando os autos, verifico que foram emitidas Notas Fiscais relativas a honorários contratuais no importe de R$ 324.644,84(fls. 74). A não consideração por parte da fiscalização dos honorários advocatícios pagos (fl. 11) diz respeito a verba sucumbencial (fl. 113) e não aos honorários contratuais. Assim entendo que assiste razão a insurgência da contribuinte ao pleitear a dedução das despesas com advogado, na medida em que não foi efetuado o desconto dos honorários do montante recebido a título de RRA, podendo para tanto deduzir da parte tributável o montante de R$ 259.747,20 (apurado na proporção dos rendimentos consideráveis tributáveis). Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja efetuada a dedução dos honorários pagos a advogado no montante de R$ 259.747,20. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.005878/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999
Prescrição. Súmula CARF nº 91:
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1402-003.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário - Súmula CARF n.91.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente justificadamente a conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999 Prescrição. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário - Súmula CARF n.91. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente justificadamente a conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1486; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.111 1 1.110 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.005878/200518 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.477 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2018 Matéria Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL Recorrente VOTORANTIM FINANÇAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 Prescrição. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário Súmula CARF n.91. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente justificadamente a conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 58 78 /2 00 5- 18 Fl. 278DF CARF MF 2 Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP que, por unanimidade de votos, decidiu julgar improcedente a Manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Tratase de Pedido de Compensação de crédito de saldo negativo de CSLL relativo ao ano calendário de 1999, indeferido pois o Pedido de Restituição deuse em 09.06.2005, portanto, 5 anos após a constituição do saldo negativo (31.12.1999). Em breve relato é o que expõe a DRJ: Após analisar os autos, assim decidiu a r. DRJ: A Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário em que aduz não ter se conformada a decadência pois (i) na sistemática do lucro real, o direito à compensação renovase anualmente, não tendo que se controlar a prescrição; (ii) aplicase ao caso a tese do 5+5, tal como consolidada na jurisprudência do e. STJ ou (iii) subsidiariamente, a decadência Fl. 279DF CARF MF Processo nº 19679.005878/200518 Acórdão n.º 1402003.477 S1C4T2 Fl. 1.112 3 iniciarseia a partir do primeiro dia do mês subsequente a entrega da DIPJ nos termos do art. 6, §1, II, C c/c art. 28, ambos da Lei nº 9430/96. É o relatório. Voto Fl. 280DF CARF MF 4 Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO 2.1 – DA DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA DO PRAZO PRESCRICIONAL Sustenta a Recorrente que o prazo para a restituição não prescreve enquanto mantido o regime de apuração no lucro real. Ocorre que o art. 168, I do CTN prescreve período de 5 anos para que o pedido de restituição seja feito. Por esta razão não entendo aplicável o raciocínio desenvolvido. 2.2 – DA DECADÊNCIA – A TESE DO 5 + 5 Em que pese a fundamentação aduzida pela r. DRJ, entendo que o r. Acórdão Proferido merece reforma. A introdução do art. 3º da Lei Complementar 118/05 acabou gerando enormes controvérsias quanto ao que seria da tradicional tese dos 5+5 (5 anos para homologação mais 5 anos para prescrição do direito de restituição). A insegurança jurídica que acompanhou a pretensa alteração interpretativa foi levada e conhecida por nossos Tribunais Superiores para delimitação de eventual regime de transição. O que acabou ocorrendo. O e. STJ decidiu em sede de recurso representativo de controvérsia assentou que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de Fl. 281DF CARF MF Processo nº 19679.005878/200518 Acórdão n.º 1402003.477 S1C4T2 Fl. 1.113 5 outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: (...) 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (RESP nº 1002932 / SP, relatoria Ministro Luiz Fux, j. em 25/11/2009, pub. DJe 18.12.2009) A matéria também foi alvo de apreciação pelo e. STF com repercussão geral reconhecida e lá se decidiu que deve ser considerada a data do ajuizamento da ação e não do pagamento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa Fl. 282DF CARF MF 6 também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Recurso Extraordinário nº 566621 / RS, relatoria Ministra Rosa Weber, j. em 04.08.2001, pub. DJE 11.10.2011) A referida decisão afetou o entendimento do e. STJ que então alterou seu posicionamento conforme decisão lavrada no RESP nº 1269570 / MG de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 19679.005878/200518 Acórdão n.º 1402003.477 S1C4T2 Fl. 1.114 7 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Nesse ponto, não há como se negar o reconhecimento da tese sob o risco de violação ao art. 62, § 2 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Aplicável ao caso a tese do 5+5, deve ser reconhecida a necessária reforma do r. Acórdão recorrido. Tratase de saldo negativo de CSLL gerado em 31.12.1999, cujo pedido de restituição deuse na data limite determinada pelos tribunais superiores para aproveitamento da tese dos 5+5, 09.06.2005. Nesse sentido o teor da Súmula 91 do CARF: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Conjugandose a Súmula 91 com o entendimento de que a Lei Complementar nº 118/05 deve respeitar o período de vacatio legis, como determinado nos Tribunais Superiores. 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por negar provimento ao RecursoVoluntário Súmula CARF n.91. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 284DF CARF MF 8 Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.001256/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2010
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS.
Quando o contribuinte regularmente intimado para apresentar os livros e documentos fiscais não o faz, deve ser aplicada a multa por não atender a solicitação de autoridade fiscal.
SÓCIO ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
CONFIGURAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA.
A responsabilização do sócio administrador da empresa pelo crédito constituído é atribuída quando constata, nos procedimentos fiscais, a ocorrência das situações do art. 135, do CTN, e quando não é afastada pelos interessados a ocorrência registrada das infrações cometidas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2010 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. Quando o contribuinte regularmente intimado para apresentar os livros e documentos fiscais não o faz, deve ser aplicada a multa por não atender a solicitação de autoridade fiscal. SÓCIO ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. A responsabilização do sócio administrador da empresa pelo crédito constituído é atribuída quando constata, nos procedimentos fiscais, a ocorrência das situações do art. 135, do CTN, e quando não é afastada pelos interessados a ocorrência registrada das infrações cometidas. Recurso Voluntário Negado.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2010 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. Quando o contribuinte regularmente intimado para apresentar os livros e documentos fiscais não o faz, deve ser aplicada a multa por não atender a solicitação de autoridade fiscal. SÓCIO ADMINISTRADOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. A responsabilização do sócio administrador da empresa pelo crédito constituído é atribuída quando constata, nos procedimentos fiscais, a ocorrência das situações do art. 135, do CTN, e quando não é afastada pelos interessados a ocorrência registrada das infrações cometidas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 12 56 /2 01 0- 29 Fl. 214DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Conselheiro Relator Wesley Rocha Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MOVIMENTA MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS LTDA. E OUTROS, contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (6ª Turma da DRJ/CPS), que julgou improcedente as impugnações e manteve o crédito tributário lançado, inclusive a sujeição passiva solidária dos sócios da empresa, Sr. BRUNO GUILHERMINO e Sr. AMÉRICO MATHIAS. Da mesma ação fiscal resultou em outros autos de infrações, do qual conforme relatório da DRJ de origem, este Auto de Infração de nº 37.276.2921, em procedimento fiscal com início no dia 02/03/2010 e finalizado em 16/06/2010, consta que o "contribuinte o contribuinte não apresentou seus livros contábeis (Diário e Razão), nem as Folhas de Pagamento de empregados e contribuintes individuais, o que constitui infração ao disposto no § 2º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c/c os art. 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99". Consoante o relatório fiscal (REFISC) e descrições lançadas no relatório da DRJ de origem , os fatos que originam as infrações foram as seguintes: 1º) A empresa não foi encontrada no endereço constante do cadastro do CNPJ; 2º) Os sócios foram intimados por Termo de Intimação Fiscal enviado pelo Correio, com ciência por AR, a efetuar a regularização cadastral:da empresa, mas, em 24/05/2010, compareceu à DRF Barueri uma procuradora da empresa, apresentando uma alteração contratual datada de 14/07/2008, não registrada em Cartório, da qual constava o endereço “Rua Caio Prado, 267”. Todavia, em diligência ao referido local em 14/06/2010, a .fiscalização constatou haver ali apenas uma empresa de locação de "escritórios virtuais", ou seja, não havia nenhum empregado da “MOVIMENTA” no local, embora na GFIP de 03/2010 constasse a existência de 136 vínculos trabalhistas; 3º) A ocultação do endereço real da empresa, por obstar o procedimento fiscal, foi considerado como circunstância agravante da multa, conforme art. 290, inciso IV, do RPS; 4º) O valor base da multa, de R$ 18.561,50, foi estipulado pelos art. 92 e 102 da Lei 8.212/91, c/c o art. 283, inciso II, alínea "j" e art 373 do RPS, e atualizado na forma veiculada pela Portaria Conjunta MPS/MF n° 350 de 30/12/2009; 5º) Em razão da circunstância agravante retro citada, a multa foi agravada em duas vezes o valor base, conforme artigo 292, Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13896.001256/201029 Acórdão n.º 2301005.349 S2C3T1 Fl. 215 3 inciso III, do RPS, ficando o valor total em R$ 37.123,00, o qual será atualizado pela SELIC, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 10/2008 de 14/11/2008, publicada no DOU de 17/11/2008, e da legislação que a ampara. A recorrente devidamente intimada, bem como os seus sócios, apresentam razões de seus recursos, conforme transcrevese abaixo. i) Das razões do Recurso voluntário da empresa Movimenta (fls. 162/191): A autuada não apresentou preliminares. Quanto ao mérito a empresa alega que, deveriam ser consideradas, para fins de aplicação da penalidade do presente auto de infração, as informações prestadas nas GFIPs, no sentido de considerar que houve prestação de informações ao fisco dos recolhimentos, ainda que imprecisos ou inexatos. Nesse sentido, a recorrente discorda da imputação de dolo em seus atos, uma vez que no seu entendimento "a auditora fiscal, não avaliou positivamente a transparência de procedimentos praticados pela empresa consubistanciados pela apresentação das respectivas GFIPs e RAIS. Desta feita, não pode prosperar a afirmação de que a empresa agiu com dolo, "artifícios ...". Pediu, ainda, a descaracterização de Sonegação fiscal de que trata o artigo 71, da lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1.964, cancelandose o crédito constituído, no tocante ao agravamento dos lançamentos de ofício (§1° artigo 44 da Lei 9.430/96). Solicitou, ainda, a irretroatividade de Lei ao caso concreto, ante a aplicação dos artigos 32 e 35 da lei 8.212/ 91, com alterações trazidas pela Medida Provisória 449/2008 e Lei 11.941/2009, bem como o benefício da retroatividade prevista no CTN, artigo 106, inciso II, "c". Ainda, a recorrente informa que não houve ocultação da empresa e nem de seus sócios. Registrase que, a contribuinte não recorreu aos demais pontos da decisão de primeira instância. ii) das Razões recursais dos sócios solidários AMÉRICO MATHIAS (fls. 107/127) e BRUNO GUILHERMINO (fls. 128/148). Os recorrentes reproduzem as mesmas argumentações do recurso da empresa contribuinte, acrescentando apenas que não houve nenhuma intenção dos sócios em lesar o fisco por alguma atitude dolosa que pudesse configurar sonegação, tendo em vista não terem se ocultado para receber intimações para apresentar documentos e informações, aduzindo que apresentaram, mesmo que de forma imprecisa as informações em GFIP/RAIZ. Por fim, todos os recursos pedem análise mais benéfica na aplicação da multa quando das alterações nas legislações que regiam na época dos fatos geradores (competências 01/2006 a 11/2008). Diante dos fatos, é o relatório. Voto Fl. 216DF CARF MF 4 Conselheiro Wesley Rocha Relator Os recursos voluntários apresentados estão revestidos do quesito formal da tempestividade. Portanto, deles o conheço. Cumpre registrar que o auto de infração cumpre os requisitos formais da legislação tributária e do PAF, estando de acordo com as normas legais. Diante dos recursos apresentados, para fins de análise de mérito, tomo por unificar o julgamento dos recursos interpostos. DELIMITAÇÃO DA LIDE EM FASE RECURSAL Toda a matéria abordada no recurso foi objeto de análise nos demandas principais, restando este da obrigação acessória mantido integralmente, já que constitui infração a não entrega dos documentos contábeis solicitados pela fiscalização, referente ao período apurado. A fiscalização lavrou autos de infração com o intuito de exigir da ora Recorrente o recolhimento de multa por falta de apresentação dos documentos fiscais, bem como teria se ocultado para prestar esclarecimentos e informações, motivo de agravamento da multa, infringindo, dessa forma, a regra contida no art. 32, §2º e 3§º da Lei nº 8.212/91. Portanto, passo a analisar o que de fato os recorrentes alegaram em seus recursos. DO DEVER DE CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui infração não apresentar livros contábeis (Diário e Razão), nem as Folhas de Pagamento de empregados e contribuintes individuais. A Lei, que é taxativa, não permite mera liberalidade de não aplicar a pena para os casos dos autos, sendo, portanto, devida a aplicação da multa pelo descobrimento da obrigação acessória, constituindo infração ao disposto no § 2º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c/c os art. 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. DA SOLIDARIEDADE ATRIBUÍDA A solidariedade fiscal se deu em razão de que os sócios teriam agido de maneira contrária à legislação, não informando o endereço correto da empresa, bem como por registrar informações equivocadas em GFIP, conforme o relatório fiscal (fl. 408) assim transcrito: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13896.001256/201029 Acórdão n.º 2301005.349 S2C3T1 Fl. 216 5 Nesse sentido, os recorrentes alegam as informações foram todas prestadas em GFIP, mesmo que de forma equivocada, mas que esse ato não configura a sonegação capaz de mantêlos como solidários do credito fiscal. Quanto à questão de não ter sido informado ao fisco o endereço correto, alegam que a pessoa que recebeu o fisco quando da diligência realizada nas dependências da empresa não teria poderes para responder por ela. Apesar dos fatores citados no relatório fiscal não impedirem a fiscalização de lançar o crédito fiscal, tornando elas apenas possivelmente dificultosas, entendo que são reais motivos para manter não só a multa qualificada como também a solidariedade em questão, uma vez que precede de exigências legais apresentar os dados, documentos e informações correntes e necessárias para análise e apuração da constituição do crédito, quando da ocorrência do fato gerador. Conclusão Nessas circunstâncias, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.906305/2015-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/08/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 63 05 /2 01 5- 63 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.906305/201563 Acórdão n.º 3301005.233 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06057.080. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.906305/201563 Acórdão n.º 3301005.233 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.906305/201563 Acórdão n.º 3301005.233 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.906305/201563 Acórdão n.º 3301005.233 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.906305/201563 Acórdão n.º 3301005.233 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.906305/201563 Acórdão n.º 3301005.233 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000761/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
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EPP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 07 61 /2 01 0- 42 Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 12963.000761/201042 Acórdão n.º 1402003.514 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 12963.000761/201042 Acórdão n.º 1402003.514 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004920/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.294
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
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PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão n.º 06049.865 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 49 20 /2 00 9- 56 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10935.004920/200956 Acórdão n.º 3201004.294 S3C2T1 Fl. 3 2 Em seu pedido de restituição, a contribuinte alega que sofreu a retenção do PIS e da Cofins (no percentual de 3,65%) sobre as operações de comercialização de produtos rurais e prestações de serviço de armazenamento que realizou com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), e que não conseguiu realizar a dedução dos valores retidos na contribuição devida, uma vez que, estando submetida a apuração da contribuição na modalidade não cumulativa, não apurou valor a pagar da contribuição no período, em face de os créditos gerados terem sido superiores ao valor do débito da contribuição. Por sua vez, a SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após analisar o pleito constante do presente processo, emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de restituição formulado pela interessada. Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. Diante do indeferimento do pedido de restituição, as compensações declaradas com lastro no pedido de restituição em comento não foram homologadas. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06049.865 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado em Pedido de Restituição ou em Declaração de Compensação DCOMP, é de se indeferir o crédito solicitado e de considerar não homologada a compensação declarada. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Dos Fatos Inicialmente a Recorrente argui que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cascavel equivocouse ao analisar o pedido, fazendo confusão com isenções, não incidências e imunidades, e análises que não tem qualquer relação com o pedido formulado, como se o pedido de restituição tivesse sido realizado com base e fundamento no artigo 27 da Instrução Normativa 900 de 2008. A Recorrente argumenta que o pedido de restituição se refere a créditos retidos de COFINS, pela prestação de serviços da ora Recorrente à CONAB. Alega ainda que o pedido restituição não se encontra prescrito. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10935.004920/200956 Acórdão n.º 3201004.294 S3C2T1 Fl. 4 3 Do Direito A Recorrente sustenta ter havido pagamento a maior do que o valor devido de COFINS para o período em análise (retenção indevida). Fundamenta o pedido restituição no artigo 12, da Instrução Normativa SRF 900/2008. Informa não haver conseguido utilizar os valores retidos na fonte a título de COFINS para pagar débitos da mesma espécie no mesmo mês. Assim, adotou o procedimento constante do artigo 34 da IN RFB 900/2008, que trata da compensação de débitos próprios de tributos administrados pela RFB. Sustenta que a única prova necessária para fazer valer o seu direito ao crédito seria da existência da retenção e da quitação dos tributos quando for positiva a sua apuração, o que, segundo a mesma, ocorrera no presente processo. Argumenta quando a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede que seja dado provimento ao recurso a fim de reformar o acórdão da DRJ com a restituição/compensação das contribuições devidamente acrescida de juros pela taxa acumulada da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.280, de 23/10/2018, proferido no julgamento do processo 10935.000340/200817, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.280): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. De forma objetiva, a lide cingese quanto a certeza e liquidez do crédito. No julgamento de primeira instância consta exatamente que a Recorrente não conseguiu comprovar tais créditos. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10935.004920/200956 Acórdão n.º 3201004.294 S3C2T1 Fl. 5 4 Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. (Acórdão DRJ, efl. 206) As manifestações de inconformidade da Recorrente não colaboraram para o esclarecimento da dúvida da autoridade administrativa. Ao contrário, parecem enveredar por caminhos diversos da comprovação fática de retenção nas Notas Fiscais emitidas pela Conab. Sobre a necessidade de comprovação, cito trecho do Acórdão de primeira instância. Entendeu a autoridade fiscal que para se usufruir do direito à restituição/compensação previsto na legislação acima, é necessário que se comprove: (i) a retenção realizada; e (ii) o valor da contribuição devida no mês, a qual deve ser realizada pela demonstração da respectiva base de cálculo, composta por todas as receitas tributáveis e as possíveis exclusões (receitas isentas, não tributáveis, suspensões, imunidades e, no caso, receitas decorrentes de atos cooperativos), bem como dos créditos da não cumulatividade. No entanto, conforme se observa pela leitura do despacho decisório, a auditoria realizada pela fiscalização não conseguiu firmar convicção sobre o direito creditório requerido, uma vez que os documentos apresentados (arquivos digitais) não espelham (ou confirmam) as receitas de bens e serviços declaradas no Dacon, não se podendo afirmar com certeza se os valores das Notas fiscais emitidas para a CONAB constam dentro das receitas tributadas que compõem a base de cálculo da contribuição, e, por conseqüência, se houve a configuração da hipótese de restituição/compensação acima tratada. Ou seja, a autoridade a quo concluiu que o direito à restituição/compensação restou prejudicado, posto que não houve a comprovação material do mesmo. (Acórdão DRJ, efl. 209) O juízo a quo entendeu que a Recorrente pouco colaborou para esclarecer a certeza e liquidez. Cito trecho e uso como razão de fundamentar como se meu fosse: Nesse ponto, é bom que se lembre, que a autoridade a quo não mediu esforços para seu intento, mas, infelizmente, a contribuinte pouco colaborou. Talvez, digase, em face de um entendimento equivocado. E assim dessa mesma forma, como se vê na manifestação de inconformidade, a interessada prossegue insistindo em sua tese. Inverte os papéis, age como se não precisasse provar nada e, também, como se autoridade tributária fosse obrigada a reconhecer o seu suposto direito creditório sem a necessidade de qualquer verificação documental (ou de arquivos eletrônicos). Ora, a interessada esquece, ou simplesmente ignora, que a administração pública tem a sua atividade vinculada à lei e que, no presente caso, a legislação é clara no sentido de que o direito creditório (com direito à restituição ou compensação) somente é devido quando se comprove a impossibilidade de dedução dos valores retidos dos valores a pagar da contribuição no período, consubstanciada, em síntese, na demonstração da base de cálculo e na inexistência da contribuição. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10935.004920/200956 Acórdão n.º 3201004.294 S3C2T1 Fl. 6 5 Com efeito, é de se dizer que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas pela contribuinte de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (Acórdão DRJ, efl. 209) Sobre a necessidade de certeza e liquidez, há farta jurisprudência deste órgão de julgamento. CARF Acórdão nº 3403001.477 do Processo 13882.000037/200271 – Data: 20/03/2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ORIGEM CERTEZA. LIQUIDEZ. Compensação de crédito independe de autorização, entretanto, deve ser certo e liquido, constatado por meio de diligência fiscal a certeza, a liquidez decorre do próprio procedimento fiscal, impõe reconhecer o crédito e homologar as compensações efetivadas até o limite dos créditos apurados. CARF Acórdão nº 3403002.579 do Processo 10983.902416/200867 – Data: 24/10/2013 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas na Dcomp nº 25265.65884.020408.1.3.046583." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720010/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, quando constatada omissão no julgado, quanto às consequências da vinculação de processos.
PROCESSOS VINCULADOS. CONSEQUÊNCIAS.
O processo decorrente, em julgamento conjunto, tem autonomia material e processual própria, e por isto, deve aproveitar somente as decisões de matérias que lhe são pertinentes.
Embargos Acolhidos, com Efeitos Infringentes.
Numero da decisão: 3201-004.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para excluir da decisão embargada as referências à decadência do direito de lançar e alterar o resultado para negar provimento ao pedido de ressarcimento e compensação.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, quando constatada omissão no julgado, quanto às consequências da vinculação de processos. PROCESSOS VINCULADOS. CONSEQUÊNCIAS. O processo decorrente, em julgamento conjunto, tem autonomia material e processual própria, e por isto, deve aproveitar somente as decisões de matérias que lhe são pertinentes. Embargos Acolhidos, com Efeitos Infringentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.720010/200719 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201004.260 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ESTRUTURAS METÁLICAS BRASIL LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, quando constatada omissão no julgado, quanto às consequências da vinculação de processos. PROCESSOS VINCULADOS. CONSEQUÊNCIAS. O processo decorrente, em julgamento conjunto, tem autonomia material e processual própria, e por isto, deve aproveitar somente as decisões de matérias que lhe são pertinentes. Embargos Acolhidos, com Efeitos Infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para excluir da decisão embargada as referências à decadência do direito de lançar e alterar o resultado para negar provimento ao pedido de ressarcimento e compensação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 00 10 /2 00 7- 19 Fl. 378DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Tratase de Embargos de Declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional, apontando omissão no julgado embargado. Conforme o Despacho de Admissão, apontase omissão no acórdão embargado porque, em seus fundamentos, faz referência ao processo principal 11444.000553/200825. A Fazenda Nacional entende que o acórdão embargado não se manifestou sobre o fato de que o processo principal não tem ainda julgamento definitivo, sendo objeto de Recurso Especial, e desse modo, não poderia ser utilizado como fundamento neste processo decorrente. Reproduzo excerto esclarecedor de sua manifestação fls.(375): Assim, o acórdão embargado foi omisso sobre ponto imprescindível ao desate da lide: o fato de que a formalização e o trânsito em julgado da decisão proferida nos autos nº 11444.000553/200825 é condição, futura e incerta, para o julgamento da lide decorrente, razão pela qual a provisoriedade da decisão emanada naqueles feitos configuraria um empecilho à atividade judicante no presente processo correlato. Nesse teor, o acórdão embargado foi omisso sobre a análise e aplicação dos artigos 421 e 452, ambos do Decreto nº 70.235/72 neste caso concreto. Os referidos dispositivos prescrevem quando as decisões administrativas se tornam definitivas e que, apenas na hipótese de decisão definitiva favorável ao contribuinte, podem ser exonerados os gravames decorrentes do litígio. A embargante pede também esclarecimentos quanto às consequências do vinculação do processos (fl. 378): Assim sendo, considerando que o Colegiado restou omisso no que tange à análise do citado ponto, fazse mister que se pronuncie acerca da falta de formalização e de definitividade da decisão tomada nos autos n. 11444.000553/200825 e das repercussões que tal fato terá na decisão adotada no presente feito. Nesses termos, revelase a necessidade de se aclarar o decisum, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima 1 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. 2 Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13830.720010/200719 Acórdão n.º 3201004.260 S3C2T1 Fl. 3 3 apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Na sessão do dia 17 de abril de 2018, esta Turma julgou o processo 11444.000553/200825, que trata de Auto de Infração de IPI, por erro de classificação fiscal das mercadorias produzidas pela empresa autuada. Na mesma sessão, julgamos os respectivos processos de ressarcimento de IPI, dos mesmos períodos, de números 13830.720011/200763, 13830.720018/200785, 13830.720016/200796 e o presente processo, 13830.720010/200719. Ambos os processos têm origem no mesmo procedimento fiscal, são do mesmo período e veiculam as mesmas matérias, posto que se origiram da mesma infração, o erro de classificação fiscal que ocasionou as glosas dos créditos pretendidos nos processos de ressarcimento, e o lançamento dos saldos devedores decorrentes da mesma infração. Assim, nesses casos, o julgamento deve ser conjunto, para que não haja decisões díspares sobre o mesmo fato autuado, originado do mesmo procedimento fiscal. O julgamento conjunto atende à diretriz do artigo 6º do regimento interno do Carf, e foi também, solicitado pelo contribuinte. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. Fl. 380DF CARF MF 4 § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Desse modo, a decisão havida no processo de Auto de Infração foi replicada nos processos de ressarcimento, para que tenham todos o mesmo fundamento de decidir. O contribuinte, também, pedia o julgamento conjunto, perfazendo tal matéria, portanto, pertencente à lide. A Fazenda Nacional, nos embargos, entende que a referência ao processo principal ensejaria omissão/obscuridade/contradição do julgado, pois que o julgamento do principal não seria definitivo. Entendo que lhe assiste razão, em parte. 1Vinculação de processos conexos A referência ao processo principal, julgado em conjunto, tem como razão a manutenção dos mesmos fundamentos, e não pressupõe sua definitividade, e por não pressupor sua definitivade, não precisaria se manifestar sobre os artigos do PAF que tratam desse instituto. Os processos vinculados não ficam sobrestados, mas devem, de preferência, serem julgados juntos para terem decisão equivalente. A referência ao processo principal não retira do acórdão embargado, no presente processo decorrente, o caráter de julgamento completo, pois utiliza seus próprios Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13830.720010/200719 Acórdão n.º 3201004.260 S3C2T1 Fl. 4 5 fundamentos, replicados por referência aos fundamentos do processo principal. Embora replicados e os mesmos, os fundamentos do acórdão embargado são do acórdão embargado. Em outras palavras, em sede de julgamento, vinculamse os processos pelo direito material, não pelo processual. A parte processual vinculada relacionase com a fase anterior, a distribuição e a pauta conjunta dos processos. A parte material vinculase pela manutenção dos mesmos fundamentos de decidir para os processos vinculados, para as mesmas matérias. Para ilustrar, por hipótese, conjecturamos que uma das partes perca prazo de recurso no processo principal, e não perca o prazo no presente processo. Então, o presente processo teria seguimento normal, posto que não está vinculado ao principal senão pela utilização dos mesmos fundamentos. 2 Repercussões do processo principal no presente processo Todavia, a utilização de todas as matérias decididas no processo principal, por omissão da análise das repercussões do processo principal nos decorrentes, tal como foi feito aqui, acarretou em erro, pois que a matéria de decadência do direito de lançar não é pertinente ao presente processo, que trata apenas de ressarcimento. A decadência do direito de lançamento, no processo principal, foi a única matéria de provimento parcial. Aqui, todavia, não sendo aplicável, o resultado deve ser por negativa da homologação da compensação, em conformidade com a decisão acerca das outras matérias. Observo que as referências à decadência quanto à homologação da compensação permanecem válidas, posto que contadas a partir da Declaração de Compensação, e aplicáveis neste presente processo. 3 Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos, com efeitos infringentes, para excluir da decisão embargada as referências à decadência do direito de lançar, e alterar o resultado para negar provimento ao pedido de ressarcimento e compensação. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 382DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.728564/2015-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.723
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
RELATÓRIO:
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 28 56 4/ 20 15 -1 5 Fl. 88231DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.232 2 RELATÓRIO: Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, que julgou PROCEDENTE, EM PARTE, a impugnação do contribuinte em epígrafe. Igualmente, em virtude da exoneração promovida na decisão a quo, houve o recurso de ofício, nos termos da atualmente vigente Portaria MF nº 63/2017. Da autuação fiscal: Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2010, nos seguintes montantes: IRPJ CSLL Total Principal 181.886.107,75 63.129.811,97 245.015.919,72 Multa (75%) 89.215.135,85 30.965.172,77 120.180.308,62 Juros 136.414.580,81 47.347.358,97 183.761.939,78 Total 407.515.824,41 141.442.343,71 548.958.168,12 Valores em R$ 1,00 corrigidos até dezembro/2015. Por bem retratar a autuação fiscal, replico o relatório pertinente do mesmo que consta na decisão a quo: Do Procedimento Fiscal 3. A ação fiscal iniciouse com a ciência da contribuinte, em 17/04/2014, do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 004 a 009) e teve como escopo inicial o exame da folha de pagamento da empresa. 4. Em momento posterior, em 16/03/2015, a Autoridade Fiscal passou a examinar também os valores lançados a título de baixa de imobilizado, depreciação, amortização, exaustão e despesas não operacionais (TIF de folhas 073 a 077), através de arquivos digitais a serem apresentados pela fiscalizada. 5. Após várias apresentações parciais e algumas prorrogações de prazo, em 24/11/2015 a empresa apresentou o arquivo digital relativo ao cadastro dos bens. Analisando o referido arquivo, a Fiscalização entendeu serem necessárias a apresentação de mais informações, tendo em vista que o montante demonstrado no arquivo (R$ 653.692.325,42) é inferior ao informado na contabilidade (R$ 1.183.620.935,69). 6. Assim, a contribuinte foi intimada, em 09/12/2015 (fls. 180 a 187) a apresentar os seguintes documentos e esclarecimentos: Fl. 88232DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.233 3 ∙ “Os bens informados no arquivo 4.7.1 estão sujeitos à depreciação, amortização ou exaustão? Criar coluna na planilha para informar (‘depreciação’; ou ‘amortização’; ou ‘exaustão’); ∙ “Apresentar, em meio digital .pdf, arrazoado detalhado sobre cada bem constante da planilha anexada na intimação, para que esta fiscalização conclua pela existência, necessidade, ou não, das despesas tratadas na referida planilha, assim como da possibilidade de dedução dos valores no lucro real e na base de cálculo da CSLL. A empresa deverá apresentar também planilha (em meio digital .pdf e .xls) que contemple, ano a ano, desde a aquisição e uso do bem, toda a despesa de depreciação e depreciação acumulada e taxas de depreciação aplicadas, indicando o fundamento legal para tanto, assim como de eventuais efeitos da Lei 11.638/2007 e normas contábeis editadas após a vigência da referida Lei. Apresentar, ainda, o controle da depreciação no lucro real e na base de cálculo da CSLL”; ∙ “Apresentar, em meio digital .pdf, todos os documentos que dão suporte aos valores constantes na planilha anexa, principalmente o valor apropriado como depreciação lançada. No mínimo, a empresa deverá apresentar: contrato, documento fiscal de aquisição e comprovante de pagamento, contrato, documento fiscal de venda e comprovante de recebimento, controle de depreciação de todo o período em que o bem foi depreciado, mesmo que seja antes e depois do ano de 2010, matrícula da obra (caso seja obra de construção civil), comprovante de regularização da obra (caso seja obra de construção civil), CND da obra (caso seja obra de construção civil) e arrazoado detalhado sobre a aplicação de cada bem no processo produtivo da empresa, incluindo controle da depreciação no lucro real e na base de cálculo da CSLL”; ∙ “Apresentar arrazoado, em meio digital .pdf, sobre a alienação de ativos imobilizado, investimento, intangível e/ou diferido do ano de 2010, com documentos que deram suporte às vendas: contrato, documento fiscal de aquisição e comprovante de pagamento, contrato, documento fiscal de venda e comprovante de recebimento, matrícula da obra (caso seja obra de construção civil), comprovante de regularização da obra (caso seja obra de construção civil), CND da obra (caso seja obra de construção civil) controle de depreciação de todo o período em que o bem foi depreciado, mesmo que seja antes do ano de 2010, e arrazoado detalhado sobre a aplicação de cada bem no processo produtivo da empresa, incluindo controle da depreciação no lucro real e na base de cálculo da CSLL”; ∙ “Esclarecer e apresentar todos os documentos de suporte, tudo em meio digital .pdf, porque a empresa Aracruz Celulose S/A, CNPJ 42.157.511/000161, tinha despesa de depreciação não dedutível e, após ser incorporada pela Fibra Celulose S/A, a própria Fibria deixou de reconhecer tais despesas de depreciação como não dedutíveis, ou seja, todas as despesas de depreciação da Fibria foram consideradas dedutíveis para fins do cálculo do IRPJ e da CSLL”. 7. Em resposta, em 17/12/2015, “... a empresa informou que todos os bens informados no arquivo entregue por esta fiscalização estão sujeitos à depreciação e são utilizados para produção e fabricação de celulose; sendo fundamentais e necessários para a atividade produtiva da empresa”. 8. Apresentou também planilha gerada a partir da elaborada pela Fiscalização, na qual estaria contemplada toda despesa de depreciação acumulada e taxa de depreciação aplicada conforme vida útil econômica do bem, ressaltando “... que as taxas de depreciação são revisadas periodicamente e Fl. 88233DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.234 4 fundamentamse na vida útil dos bens, conforme pronunciamentos contábeis baseados nos padrões internacionais de contabilidade, introduzidos no Brasil por meio da Lei 11.638/2007 e que as informações prestadas representam o total da despesa dedutível com depreciação de imobilizado no ano sob fiscalização. Salientou ainda que não há diferença entre a depreciação contábil e a reconhecida para fins fiscais”. 9. Em relação às despesas de depreciação, reconhecidas como não dedutíveis na Aracruz, “... esclareceu que equivalem aos custos reconhecidos na ficha 04A, Linha 10, conforme extratos da DIPJ 2009 em anexo; salientando que as mesmas foram reconhecidas como não dedutíveis para que não houvesse duplicidade de despesas na apuração do Imposto de Renda, uma vez que se tratavam de custo de arrendamento mercantil”. Informou também “... que após a incorporação, pela Fibria Celulose S/A, essas operações de arrendamento mercantil deixaram de ser realizadas e, portanto, a totalidade das despesas de depreciação seria dedutível e que a diferença entre as despesas contábeis e o montante verificado em ‘Doc.01’ referese aos valores de despesas de exaustão de florestas, não contemplados no arquivo”. 10. A contribuinte “... apresentou em meio digital (CD) algumas notas fiscais de aquisição de bens e serviços. Entretanto, tais notas não vieram acompanhadas de mais nenhum documento de suporte para que fossem aceitas por esta fiscalização como aquisição de bens que dessem direito à depreciação/amortização/exaustão fiscais. Outrossim, não há como se fazer a vinculação entre as notas apresentadas e os valores lançados na planilha de depreciação anexa ao Termo de 09/12/2015, tampouco com os lançamentos contábeis”. 11. Outrossim, foram apresentadas “... algumas notas fiscais de venda de bens, as quais não comprovam em nada os custos equivalentes à baixa de ativo imobilizado, tampouco em relação às demais despesas não operacionais”. Dos Lançamentos 12. Entendeu a Fiscalização que “... a empresa não obteve êxito em comprovar no decorrer da fiscalização e das inúmeras oportunidades que teve os valores deduzidos a título de depreciação/amortização/exaustão contidos no resultado contábil e no Lalur, assim como dos valores de despesas referentes a baixa do imobilizado e de outras despesas não operacionais, razão pela qual será efetuado o lançamento de IRPJ e seus reflexos”. Despesas de depreciação 13. Argumenta a Autoridade Fiscal “... que o contribuinte que optou pela dedução da depreciação mantenha os documentos (notas fiscais de aquisição, contratos, recibos de pagamento, comprovantes de pagamento, laudos técnicos, documentos de regularização de obra, etc) em salvaguarda pelo período mínimo de depreciação de determinado bem, ou seja, enquanto estiver sendo depreciado com a consequente dedução do Lucro Real, deve manter em boa guarda os comprovantes específicos dos bens depreciados”. 14. No caso concreto, especificamente a título de depreciação, observouse que a empresa registrou contabilmente os seguintes valores: Fl. 88234DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.235 5 15. Esclarece ainda “... que, na conta intitulada de Depreciações Crédito PIS/COFINS, em que pese esta nomenclatura, fomos informados pela empresa, sendo também possível verificar na análise do Razão anexo, que foram valores de despesa de depreciação referentes a bens do imobilizado que dariam direito a crédito do Pis e da Cofins, por isso a contabilização desses valores em conta distinta das demais. Entretanto, como se tratam de valores de depreciação deduzidas do resultado contábil e fiscal, seguindo a lógica desta autuação também será objeto de lançamento, por não haver comprovação”. 16. Na contramão das “... regras de dedução da depreciação, a empresa não apresentou os documentos em sua grande maioria e quando o fez, a qualidade da informação não permitiu a esta fiscalização uma vinculação inequívoca de que a despesa de depreciação poderia ter sido deduzida da base fiscal, haja vista que a empresa apresentou apenas notas esparsas de entrada de poucos bens se comparado ao montante deduzido, não havendo outra alternativa a esta fiscalização que não a glosa destas despesas”. 17. Dessa forma, o lançamento referente aos valores deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL à título de depreciação sem a devida comprovação teve como base o seguinte: 18. Salienta ainda a Autoridade Fiscal “... que não há ajustes no FCONT com o propósito de anular os efeitos decorrentes da Lei 11.638/2007. O que se verifica é que a empresa efetuou ajustes no próprio Lalur, os quais foram considerados para o cálculo da base tributável”. Despesas de exaustão 19. A dedução foi efetuada, segundo a Fiscalização, sem qualquer estudo pormenorizado que atestasse a idoneidade dos “... valores, uma vez que, quando intimada a esclarecer, a empresa novamente não apresentou a documentação necessária tais como: memória de cálculo, descritivo das áreas no início e no final do período de apuração, contratos de exploração em áreas de terceiros, comprovante de pagamento, dentre outros”. 20. Assim, o lançamento referente aos valores deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL à título de exaustão sem a devida comprovação teve como base o seguinte: Fl. 88235DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.236 6 21. Do mesmo modo como verificado na depreciação, “... não há ajustes no FCONT com o propósito de anular os efeitos decorrentes da Lei 11.638/2007. O que se verifica é que a empresa efetuou ajustes no próprio Lalur, os quais foram considerados para o cálculo da base tributável”. Despesas de amortização 22. Esclarece a Autoridade Fiscal “... que a conta ‘0033114060 Amortizações Créditos PIS/Cofins’ embora possua esta nomenclatura, se trata de despesa de amortização de bens que, de acordo com a empresa, dariam direito a crédito de PIS/COFINS, razão pela qual possui essa segregação”. 23. No caso de “... florestas, embora no presente caso não seja possível afirmar que se trate de amortização deste tipo de bem em razão da falta de comprovação, a quota anual de amortização do valor dos direitos contratuais de exploração de florestas terá como base de cálculo o valor do contrato e será calculada em função do prazo de sua duração ou poderá ser considerada como data do início do prazo contratual a do início da efetiva exploração dos recursos”. 24. No presente processo, “... seguindo a mesma lógica já discorrida sobre as despesas de depreciação e exaustão, os valores informados à título de amortização não possuem justificativa que atestem sua idoneidade e estrita atinencia aos requisitos legais, principalmente pelo fato da empresa não ter apresentado nenhum documento de suporte”. 25. Dessa forma, o lançamento referente aos valores deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL à título de amortização sem a devida comprovação teve como base o seguinte: Despesas não operacionais e baixa do imobilizado 26. Mesmo regularmente intimada, a empresa não apresentou documentos que justificassem os valores lançados na contabilidade e na DIPJ. 27. Com relação ao valor glosado, a Autoridade Fiscal destaca que o montante de R$ 23.318.907,71 “... está contido no montante de R$ 40.138.405,15, contabilizado na conta contábil de Despesas Não Operacionais que, por sua vez, está contido no montante de R$ 56.014.091,21 constante nas linhas 61 e 63 da ficha 06A da DIPJ 2011, ac 2010”, valor este considerado como base tributável. 28. Entretanto, separouse o “... montante de R$ 23.318.907,71 no lançamento, por se referir a baixa de imobilizado, tratandoo distintamente das outras despesas não operacionais”. Fl. 88236DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.237 7 29. Assim, o lançamento será efetuado da seguinte forma: Da Recomposição do Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa 30. No cálculo do IRPJ e da CSLL, foram aproveitados o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL que a empresa possuía em relação ao período autuado. Da impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: Ciência e Impugnação 31. Em 30/12/2015, a contribuinte foi cientificada, via postal, dos autos de infração (fls. 814 a 816) e, em 29/01/2016, apresentou impugnação, a qual foi juntada às folhas 858 a 915. Impugnação 32. A contribuinte inicia sua impugnação fazendo um resumo dos fatos e trazendo os argumentos que seguem. Preliminar O contexto da Autuação Fiscal e a Nulidade dos Autos de Infração 33. A fim de contextualizar os fatos descritos pela Autoridade Fiscal, argumenta a contribuinte que, no início da ação fiscal, os documentos solicitados relacionavamse à folha de pagamento e aos tributos informados na GFIP e na DIRF, ou seja, relacionados à remuneração dos empregados e ao plano de participação nos lucros e resultados. 34. Em 12/03/2015, a Fiscalização passou a solicitar documentos relativos à baixa de ativos imobilizados e a despesas nãooperacionais, não tendo sido, até tal data, solicitado qualquer documento para a comprovação das despesas de depreciação, amortização ou exaustão. 35. Admite a fiscalizada que, no curso do procedimento, teve dificuldades para apresentar os arquivos solicitados no formato da Instrução Normativa SRF nº 86/2001, porém, entende que deve ser reconhecido que apenas no dia 09/12/2015 a Fiscalização “... intimou a impugnante a apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias, planilha com a indicação dos bens sujeitos a depreciação, exaustão e amortização, com descrição detalhada de cada bem, da taxa de depreciação utilizada, do valor da depreciação acumulada, bem como dos eventuais efeitos decorrentes da adoção dos novos critérios contábeis introduzidos pela Lei n. 11.638, de 28.12.2007”, além da apresentação de todos Fl. 88237DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.238 8 os documentos que suportam os valores indicados na referida planilha, principalmente em relação às despesas de depreciação. 36. Com isso, alega a empresa que “... a fiscalização não estabeleceu um parâmetro de amostragem entre os bens do ativo nãocirculante, para fins de apresentação dos documentos que comprovam a aquisição dos ativos e o controle da depreciação, amortização ou exaustão. Pelo contrário, solicitou que todos os documentos de suporte fossem apresentados e no prazo de 5 dias”. 37. Mais ainda, continua a contribuinte, “... a lista de documentos exigida pela fiscalização, por seu conteúdo, dificulta sensivelmente o seu cumprimento pelo contribuinte, pois apresenta (i) itens desnecessários para o controle da depreciação, como o comprovante de regularização e a certidão negativa de débitos da obra, bem como (ii) itens de abrangência indefinida e que ultrapassam o escopo do trabalho fiscal, como o controle da depreciação em anoscalendário anteriores e posteriores a 2010” (vide folhas 183, 184 e 861). 38. Neste ponto, destaca a impugnante que o procedimento adotado pela fiscalização se deu justamente no momento em que o prazo final para o lançamento da exigência do IRPJ e da CSLL, relativos ao anocalendário de 2010, estava se aproximando (31/12/2015), tendo em vista que em pouco mais de três semanas (a partir de 01/01/2016) tais fatos estariam decaídos. 39. De acordo com a fiscalizada, “... caso a fiscalização estabelecesse um parâmetro de amostragem e a impugnante conseguisse fornecer os documentos solicitados em tempo hábil, seria necessário examinar todos os documentos em um curto prazo de tempo, para evitar que o instituto da decadência afetasse o direito do fisco de constituir o crédito tributário”. 40. Tal postura, continua, ficou “... mais nítida a partir da leitura do parágrafo 27 do TCIF, no qual a autoridade fiscal responsável prenuncia a sua intenção de efetuar a glosa das despesas de depreciação, exaustão e amortização, caso a impugnante não apresente todos os documentos solicitados no prazo assinalado”. 41. Ademais, afirma a impugnante não ter contribuído “... para a postura rígida adotada pela fiscalização ao atrasar a entrega dos arquivos solicitados no formato da Instrução Normativa SRF n. 86. Apesar das solicitações de dilação de prazo apresentadas pela Impugnante, é certo que a fiscalização poderia ter solicitado, em caráter geral, a apresentação de documentos que comprovam as despesas de depreciação, amortização e exaustão, como a escrituração contábil e os seus documentos de suporte”. 42. Outrossim, “... embora as informações da folha de pagamento também estejam compreendidas no âmbito da Instrução Normativa SRF n. 86, a fiscalização não esperou a entrega dos arquivos no formato eletrônico para solicitar os documentos de suporte para a Impugnante, bem como para lavrar o auto de infração de contribuição previdenciária que decorre do mesmo MPF. Ao contrário, ciente de que os arquivos digitais não representam condição essencial para o seguimento do trabalho fiscal, a fiscalização solicitou antecipadamente os documentos que entendeu conveniente e efetuou o lançamento de ofício”. Fl. 88238DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.239 9 43. Segundo a contribuinte, “... o procedimento adotado pela fiscalização é ainda mais inaceitável, pois o número de documentos envolvidos é bastante expressivo, o que dificulta a sua localização no prazo de 30 dias para a apresentação da defesa”. 44. Assim, entende que é inegável que a “... dificuldade de carrear aos autos a totalidade dos documentos que comprovam as despesas de depreciação, exaustão e amortização incorridas no anocalendário de 2010 impossibilita o adequado exercício do direito de defesa por parte da impugnante, em patente violação ao principio do contraditório e da ampla defesa, consagrado artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988, bem como no art. 2º da Lei n. 9784, de 29.1.1999, que regulamenta o processo administrativo federal”. 45. Tal postura malfere também “... os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que informam a atuação dos entes da Administração Pública, por não existir, no caso concreto, razoável compatibilidade entre o fim almejado (evitar a decadência do direito de constituição do crédito tributária) e a severa restrição imposta ao direito de defesa da Requerente (30 dias para juntar em sua defesa um infindável número de documentos, que não foram examinados no procedimento fiscal)”. 46. A fiscalização, de acordo com a empresa, “... poderia ter atingido o mesmo fim realizando o procedimento fiscal de forma consistente e solicitando os documentos com antecedência razoável, ao invés de deixar a solicitação dos documentos necessários para o mês de dezembro de 2015 e simplesmente iniciar o contencioso administrativo, transferindo à Impugnante o ônus de amealhar, no prazo de 30 dias para a apresentação da defesa, todos os documentos que comprovam as despesas de depreciação, exaustão e amortização”. 47. Nesse sentido, entende que lançamentos efetuados sem o devido aprofundamento na investigação dos fatos não são válidos e devem ser cancelados, pois, não foi verificada a liquidez e certeza do crédito tributário. 48. Cita respeitável jurisprudência do CARF. 49. Além disso, a falta da razoabilidade do procedimento adotado pela fiscalização também se evidencia no fato de que foi considerado que nenhum bem do ativo da impugnante estava sujeito à depreciação, exaustão, amortização ou baixa, situação que não parece crível para uma empresa de grande porte e com receitas expressivas. 50. Desse modo, “... em decorrência da manifesta falta de aprofundamento na investigação dos fatos, a Impugnante entende que deve ser reconhecida a nulidade da autuação fiscal, por absoluta insuficiência de elementos que a justifiquem”. A Comprovação das Despesas de Depreciação 51. Inicialmente, argumenta a fiscalizada que “... não foi relapsa no cumprimento da intimação fiscal. O problema é que é absolutamente impossível apresentar, no prazo de 5 dias concedido pela fiscalização, as notas fiscais que comprovam os mais de 100.000 itens constantes do ativo imobilizando (sic) da Impugnante, ainda mais quando se considera que um único componente do ativo pode ser formado por centenas de documentos fiscais”. Fl. 88239DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.240 10 52. Traz também considerações que, ao seu ver, reforçam os comentários gerais feitos no tópico anterior em relação à nulidade dos autos de infração. 53. De qualquer forma, caso assim não se entenda, “... a impugnante passa a demonstrar a total improcedência da autuação fiscal, seja em razão da decadência do direito questionar os bens adquiridos há mais de cinco anos da data do fato gerador do tributo, seja em virtude da apresentação de documentos para comprovar as despesas de depreciação incorridas no anocalendário de 2010”. Decadência: a Impossibilidade de o Fisco Questionar os Bens Adquiridos há Mais de Cinco Anos da Data do Fato Gerador do Tributo 54. Inicialmente, destaca a empresa que a maioria de seus bens registrados no ativo nãocirculante “... foi adquirida antes do anocalendário de 2010. Na verdade, a maior parte dos bens do ativocirculante foi adquirida ainda na década de 90 do século passado, de modo que, entre a data de aquisição e a data de lavratura dos autos de infração, houve o decurso do prazo de que o fisco dispõe para questionar a existência dos ativos depreciados”, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. 55. Assim, “... é evidente que não pode a Administração Tributária, a pretexto de verificar o impacto da contrapartida da despesa de depreciação na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, exigir documentos que comprovam a compra de ativos adquiridos em períodosbase atingidos pela decadência”. 56. Cita respeitável jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e afirma “... que a Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos para rever as aquisições de bens e direitos do ativo da impugnante. Logo, é incabível a glosa das despesas de depreciação de exercícios futuros quando, no momento oportuno, a fiscalização não inspecionou os lançamentos de aquisição dos referidos bens, que deram origem aos encargos de depreciação glosados”. 57. Frisa ainda “... que a regra insculpida no parágrafo 4º do art. 150 do CTN é clara: a fiscalização possui o prazo de cinco anos, da ocorrência do fato gerador, para verificar se o sujeito passivo cumpriu corretamente a sua obrigação tributária, apurando adequadamente a respectiva base de cálculo e aplicando sobre ela a correspondente alíquota e, se for o caso, efetuando o recolhimento do tributo devido. Decorrido esse prazo, o lançamento será considerado homologado, não mais podendo ser alterado pela autoridade fiscal”. 58. Além disso, destaca a contribuinte “... que a decadência tem o intuito de preservar a irreversibilidade da apuração fiscal realizada pelo sujeito passivo e afastar as dificuldades comprobatórias que surgem com o decurso do prazo do tempo. Por isso, a decadência opera de forma estritamente objetiva, com o mero transcurso do tempo”. 59. Traz também respeitável doutrina e afirma que “... após o decurso do prazo decadencial para homologação, o fisco não pode mais recompor as bases de cálculo do IRPJ e da CSL, com o objetivo de efetuar ajustes que repercutirão no cálculo dos tributos devidos em anoscalendário subsequentes”. Fl. 88240DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.241 11 60. Desse modo, entende que deve ser reconhecida a decadência do direito do fisco de questionar os fatos registrados na contabilidade da empresa e devidamente informados em suas declarações fiscais, que repercutiram nas quotas de depreciação de bens de seu ativo imobilizado adquiridos até 31/12/2009. Bens do Ativo NãoCirculante: Prova da sua Aquisição 61. Inicialmente, a empresa traz “... os Relatórios de Avaliação Patrimonial da Aracruz Celulose S/A e da Votorantim Celulose e Papel (doc. 01), emitidos em 2009 pela Deloitte Touche Tohmatsu, para avaliar os bens que foram adquiridos pela Impugnante (que na época denominavase Votorantim Celulose e Papel Ltda.) no contexto de uma operação de combinação de negócios. Esses documentos comprovam o valor justo de diversos ativos não circulantes depreciados pela Impugnante no decorrer do período fiscalizado, os quais correspondem a grande parte das despesas com encargos de depreciação registrada nas contas contábeis 33114010, 33114012, 33114040 e 33114100” (fls. 947 a 1812). 62. Tais “... documentos, apesar de não conterem comprovação do valor de aquisição de cada item do ativo, servem como indício da existência dos bens que geraram os encargos de depreciação que foram glosados pela fiscalização por falta de comprovação”. 63. A contribuinte junta também os “... Laudos elaborados nos anos de 2013 e 2014 pela empresa Advanced Appraisal Group para fins de contratação de seguro, documentos esses que avaliaram os itens do ativo não circulante da ora Impugnante e também comprovam a existência desses ativos, os quais geraram os encargos de depreciação glosados pela fiscalização no presente processo. Ao todo, são três laudos, relativos às unidades de Jacareí SP (doc. 02), Três Lagoas MS (doc. 03) e Aracruz ES (doc. 04)” (fls. 1813 a 23617), dos quais, cada descritivo analítico recebeu um número de resumo, “... sendo que anexo ao laudo estão os correspondentes resumos detalhados, nos quais cada planta é devidamente destrinchada, com a composição dos valores indicados no resumo analítico constante do laudo” (às folhas 874 a 876 a contribuinte demonstra como foram concebidos tais laudos). 64. Através de outros documentos (planilhas e notas fiscais fls. 23621 a 24308), a empresa demonstra de forma mais concreta os ativos que geraram os encargos de depreciação glosados pela fiscalização. Às folhas 877 a 890, que se referem à impugnação, a contribuinte traz alguns exemplos de ativos, que constam nos referidos documentos, que demonstram os valores, as taxas e valores das depreciações e as respectivas notas fiscais. 65. Ademais, esclarece a impugnante “... que em diversas notas fiscais juntadas aos autos aparece como adquirente a Aracruz Celulose S.A., o que se deve ao fato de a impugnante, à época denominada Votorantim Celulosa (sic) ter adquirido a Aracruz Celulose S.A., e, posteriormente, ter incorporado esta empresa (2009)”. 66. Diante do exposto, a contribuinte “... pugna pelo reconhecimento da nulidade do trabalho fiscal, diante da sua evidente precariedade, ou, caso assim não se entenda, pelo reconhecimento da decadência relativa do direito do fisco de questionar os fatos registrados na contabilidade da Impugnante e devidamente informados em suas declarações Fl. 88241DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.242 12 fiscais, que repercutiram nas quotas de depreciação de bens de seu ativo imobilizado adquiridos até 31.12.2009”. 67. Outrossim, na hipótese de tais pedidos não serem admitidos, “... requerse seja julgada procedente a presente Impugnação, para que se restabeleça as despesas com encargos de depreciação incorridas pela Impugnante no anocalendário de 2010, tudo nos termos do mencionado art. 57 da Lei n. 4506”. A Comprovação das Despesas de Exaustão 68. Alega a empresa que a acusação fiscal é infundada, pois, “... a lei tributária não exige a elaboração de um estudo pormenorizado para a dedução dos encargos de exaustão, a ser arquivado pelo contribuinte como comprovante dos valores registrados em sua contabilidade”. 69. Por esse motivo, é evidente que o contribuinte pode demonstrar os valores deduzidos do lucro contábil “... com base em quaisquer documentos hábeis e idôneos, como relatórios internos que evidenciem o volume dos recursos florestais utilizados, a quantidade de árvores extraídas ou, ainda, a área explorada no período de apuração”. 70. Pontua a empresa “... que a glosa integral das despesas de exaustão decorre de uma atitude arbitrária da fiscalização, pois a atividade principal da Impugnante consiste justamente na industrialização e no comércio de papel, celulose e produtos derivados, a formação e exploração de floretas próprias e de terceiros, bem como a administração de projetos de florestamento e reflorestamento”. 71. Dessa forma, entende que “... é inconcebível a atitude da fiscalização de pretender tributar o lucro proveniente da venda de papel e celulose e, ao mesmo tempo, glosar integralmente os encargos de exaustão de ativos biológicos, como se as florestas não existissem”. 72. Ressalta ainda “... que a fiscalização não questionou o custo de formação e manutenção das florestas, limitandose a arguir sobre a falta de apresentação de documentos que demonstram os recursos florestais exauridos. Assim, a composição dos custos envolvidos na formação das florestas de eucaliptos exauridas pela Impugnante representa matéria incontroversa”. 73. No mérito, esclarece a contribuinte que os encargos de exaustão são calculados com base no corte das florestas “... de eucalipto provenientes exclusivamente de plantios renováveis e são destinados para produção de celulose branqueada. O processo de colheita e replantio tem um ciclo aproximado de sete anos, pois, no caso da Impugnante, o eucalipto é utilizado para a produção de polpa como matériaprima para a fabricação de papel, celulose, pasta, fibra, entre outros produtos”. 74. Para o cálculo dos referidos encargos, a fiscalizada afirma ter seguido “... estritamente as disposições do art. 59 da Lei n. 4.506, de 30.11.1964, bem como do art. 4º do DecretoLei n. 1.483, de 6.10.1976, que estão consolidadas nos art. 334 do Regulamento do Imposto de Renda”. 75. Assim, foram computados “... como encargo de exaustão, no anocalendário de 2010, o valor correspondente à diminuição do valor de recursos florestais. Para tanto, a Impugnante calculou o volume dos recursos Fl. 88242DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.243 13 florestais utilizados em 2010, em confronto com volume de árvores que compunha a floresta no início do período de apuração”. 76. A composição do valor “... glosado pela fiscalização corresponde à soma dos valores de R$ 221.553.425,58 (Aracruz), R$ 96.251.827,26 (Jacarei) e R$ 27.051.530,28 (Compacel). Para fins de comprovação, a Impugnante irá focar nos valores de R$ 221.553.425,58 e R$ 96.251.827,23, que representam mais de 90% do valor total dos encargos de exaustão apropriados no anocalendário de 2010”. Encargos de exaustão da Aracruz 77. O valor correspondente aos encargos de exaustão da Aracruz (R$ 221.553.425,58) decorre da soma do valor de R$ 148.991.832,71 (encargos de exaustão apropriados entre janeiro e setembro de 2010) com o valor de R$ 72.561.592,87 (encargos de depreciação do período de outubro a dezembro de 2010) – vide folha 894. 78. As tabelas colacionadas à folha 894 evidenciam os encargos de exaustão apropriados pela contribuinte em cada mês na contacontábil 33114020, especificamente em relação à Aracruz, no valor total de R$ 221.553.425,58, cuja comprovação encontrase no Relatório de Detalhe de Exaustão (fls. 24309 a 24974). 79. Como forma de facilitar a compreensão, a empresa utiliza os dados do mês de março de 2010 como exemplo e demonstra a composição dos valores lançados como exaustão naquele mês (mais detalhes às folhas 895 a 897). 80. Afirma ainda que os relatórios mencionados atendem “... integralmente ao exigido pela fiscalização no item 64 do TVF, ao mencionar que o contribuinte deveria fornecer ‘memória de cálculo, descritivo das áreas no início e no final do período de apuração, contratos de exploração em áreas de terceiros, comprovante de pagamento, dentre outros’”, pois, apresentam “... informações como início do plantio, área plantada exaurida, número de árvores atraídas, valor proporcional do custo de formação e manutenção, entre outras informações”. Encargos de exaustão de Jacareí 81. O valor total dos encargos de depreciação relativo à unidade de Jacareí foi de R$ 96.251.827,26, cuja composição se encontra nas tabelas à folha 898. 82. De acordo com a empresa, o “... custo de exaustão por metro cúbico é obtido após o término do processo de formação da floresta, por meio da divisão do custo total de formação da floresta pelo volume total de área plantada em metros cúbicos. Após esse cálculo, chegase ao custo de exaustão por metro cúbico de árvore. No momento do corte, o volume total cortado é multiplicado pelo custo do metro cúbico de árvore, para determinação da quota de exaustão”. 83. No presente caso, o referido valor pode ser desmembrado de acordo com a sua origem, que compreende as florestas próprias (FPRO e FARD) e as madeiras adquiridas de terceiro/fomento florestal (FFOM e FFOR): Fl. 88243DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.244 14 84. A impugnante apresenta também a composição dos dois maiores valores indicados na tabela acima, a saber: R$ 44.261.867 (FPRO) e R$ 50.816.597 (FARD), conforme tabelas colacionadas às folhas 899 a 900, e ilustra o funcionamento do controle realizado, conforme detalhamento às folhas 901 a 902. 85. Com base em tais argumentos e demonstrativos, a contribuinte alega que “... mantém o controle não apenas das despesas de exaustão, mas também dos diversos custos envolvidos na formação das florestas, que compõem os encargos de exaustão apropriados no anocalendário de 2010. Assim, o controle elaborado pela Impugnante apresenta o custo total da formação da floresta, bem como o valor total exaurido no anocalendário de 2010. É evidente que tais documentos poderiam ter sido examinados pela fiscalização no procedimento fiscal, o que, por si só, demonstra a insubsistência do lançamento de oficio”. 86. Com relação aos custos de formação das florestas, repisa a empresa que a Fiscalização “... não questionou a sua composição, limitandose a arguir sobre a falta de apresentação de documentos que demonstram os recursos florestais exauridos. Assim, a composição dos custos envolvidos na formação das florestas de eucaliptos exauridas pela Impugnante representa matéria incontroversa”. 87. Na planilha de exaustão de Jacareí juntada foi apresentada, “... para efeito de amostragem, os detalhes relativos aos projetos F533, F750, F531, F337, F667, F653, F666, cujas despesas de exaustão foram glosadas pela fiscalização”. 88. Com relação aos casos que envolvem as operações de fomento florestal, como o projeto F052 (despesas de amortização no valor de R$ 697.217,00, a fiscalizada apresenta não apenas o controle dos custos e das despesas de amortização, mas também os contratos de compra e venda de madeira de eucaliptos e outras avenças (fls. 24482 a 24622). 89. Além disso, a empresa apresenta os Relatórios de Exaustão das operações de fomento florestal, relativo aos meses de janeiro a dezembro de 2010 (fls. 24623 a 24956) e o seu Relatório de Gerência Florestal relativo ao mês de dezembro de 2010 (fls. 24957 a 24974), “... no qual é possível encontrar diversas informações sobre a sua atividade florestal e os recursos naturais que sofrem exaustão”. 90. Finaliza a contribuinte com o argumento de que “A glosa integral dos encargos de exaustão apenas poderia ser justificada, quando muito, se houvesse fundada dúvida acerca da própria existência das florestas ou dos recursos naturais exauridos. Porém, em um caso em que não há qualquer dúvida quanto à existência das plantações de eucalipto, o procedimento seguido Fl. 88244DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.245 15 pela fiscalização se mostra absolutamente contrário às regras que conformam a atuação dos agentes da Administração Pública”. Os equívocos da fiscalização em relação ao CPC 29 91. Na composição das despesas glosadas, a fiscalização incluiu a conta contábil 33114022, no valor de R$ 190.191.112,87, tendo sido excluído do cálculo os valores adicionados pela própria empresa no LALUR, que totalizam R$ 114.869.729,08, glosando a diferença de R$ 75.321.383,79: 92. Entretanto, “... a parcela dos encargos de exaustão decorrente da avaliação de ativos biológicos a valor justo não foi deduzida pela Impugnante para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, como sugerido pela fiscalização. Assim, o valor de R$ 75.321.383,79, glosado pela fiscalização, decorre novamente da falta de aprofundamento do procedimento fiscal”. 93. Esclarece a contribuinte “... que o valor de R$ 190.191.112,87 não afetou o lucro líquido da Impugnante, que serviu de ponto de partida para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no âmbito do RTT”, pois, “... os encargos de exaustão passam a compor o custo da mercadoria vendida no estoque, afetando o lucro liquido contábil apenas no momento da venda definitiva, no qual o custo da mercadoria vendida é definitivamente baixado”. 94. Desse modo, “... apenas o valor de R$ 137.590.205,58 afetou o resultado do anocalendário de 2010, sendo, por consequência, adicionado no LALUR para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL”. 95. Às folhas 906 a 907 a contribuinte traz maiores detalhes (exemplos) sobre o assunto. 96. Outrossim, “... com relação à exclusão de R$ 22.720.476,50, tratase de valor decorrente da avaliação dos ativos biológicos a valor justo, com contrapartida em conta de receita, o que autoriza a sua exclusão do lucro real e da base de cálculo da CSLL mediante ajuste no LALUR”. 97. Assim, conclui a interessada que a parcela da autuação fiscal relativa ao valor de R$ 75.321.383,79, glosado pela fiscalização, deve ser cancelada. A Comprovação das Despesas de Amortização 98. A empresa apresentou, às folhas 24975 a 25042, para efeito de comprovação, o Relatório de Avaliação de Ativos Intangíveis da Aracruz Fl. 88245DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.246 16 Celulose S/A, “... que foram adquiridos no contexto de uma operação de combinação de negócios. Esse documento, emitido por terceiros, comprova o valor justo de diversos ativos intangíveis amortizados pela Impugnante, que corresponde à maior parte das despesas de amortização registrada na conta contábil 0033114030”. 99. Tal relatório comprova a existência de ativos intangíveis no montante de R$ 779.000.000,00: (i) DATABASE, que engloba o conjunto de informações sobre as tecnologias florestais e industriais acumuladas ao longo dos anos, bem como a base de conhecimento técnico desenvolvida internamente através de pesquisas e processos de aprimoramento (R$ 456.000.000,00); (ii) PATENTE, que corresponde ao processo de metalocationização de polpa celulósica desenvolvida pela área de pesquisa e desenvolvimento (R$ 129.000.000,00); (iii) RELACIONAMENTO COM FORNECEDOR DE ÓLEO DIESEL E ÁLCOOL COMBUSTÍVEL, que diz respeito ao contrato de fornecimento mantido com a PETROBRÁS, para a aquisição de óleo diesel e álcool combustível (R$ 29.000.000,00); (iv) RELACIONAMENTO COM FORNECEDOR DE PRODUTOS QUÍMICOS, que envolve o contrato de fornecimento mantido com a CANEXUS, para o fornecimento de produtos químicos pelo prazo de 16 anos (R$ 165.000.000,00). 100. Ademais, a empresa trouxe “... os documentos societários de incorporação da Aracruz Celulose S/A, que abrangem: ata de assembleia geral extraordinária que aprovou a incorporação; protocolo e justificação de incorporação; e laudo preparado pela PWC, com a avaliação do patrimônio liquido para fins de incorporação (doc. 58). Dessa forma, resta claro que, em razão da incorporação, Impugnante se tornou sucessora a titulo universal da Aracruz Celulose S/A”. 101. Ressalta ainda que os ativos intangíveis indicados “... foram amortizados de acordo com a vida útil indicada no laudo preparado pela Deloitte Touche Tohmatsu, o que gerou o reconhecimento de despesas de amortização no valor de R$ 83.122.892,04 no anocalendário de 2010”: 102. Assim, conclui a interessada “... que, do valor total de R$ 95.799.842,90 glosado pela fiscalização a Impugnante comprovou, em caráter de amostragem, o valor de R$ 83.122.892,04, que corresponde a aproximadamente 87% do valor total autuado. Por consequência, deve ser Fl. 88246DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.247 17 integralmente cancelada a parcela da autuação fiscal relativa às des asas de amortização deduzidas pela Impugnante no anocalendário de 2010”. A Comprovação das Despesas NãoOperacionais e a Baixa de Ativo Imobilizado 103. Para comprovar a baixa dos itens do ativo imobilizado, a empresa apresentou planilha de controle com a composição completa dos ativos baixados (fls. 25043 a 25064), bem como documentos internos e telas de seu sistema contábil que suportam parte dos itens baixados no anocalendário de 2010 (fls. 25065 a 25141). 104. Ademais, às folhas 911 a 912, a interessada traz exemplos para um melhor entendimento. 105. Assim, conclui a contribuinte “... que deve ser cancelada a parcela da autuação fiscal relativa à baixa de ativo imobilizado, no valor total de R$ 23.318.907,71, assim como o valor de R$ 32.695.183, qualificado como despesas nãooperacionais”. Pedido de Diligência 106. Requer a impugnante “... a conversão do julgamento em diligência, a fim de que sejam examinados os inúmeros documentos que comprovam as despesas glosadas pela fiscalização nos autos de infração ora combatidos. Para fins de atendimento ao disposto no art. 16, inciso VI, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a Impugnante formula os quesitos a serem respondidos na diligência ou perícia técnica, sem prejuízo da formulação de questões suplementares, caso seja necessário” (fls. 912 a 913). As Demonstrações Financeiras da Impugnante 107. Em complemento e confirmação a toda a exposição realizada, a empresa juntou também as Demonstrações Financeiras do exercício de 2010, as quais foram divulgadas ao Mercado (fls. 25142 a 25268), pois, entende que o procedimento adotado pela impugnante, no que se refere à depreciação, amortização e exaustão dos bens do ativo não circulante, está de acordo com as normas contábeis. Dos Juros de Mora Sobre a Multa 108. Requer a impugnante que seja afastada a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de oficio, pois, “... o art. 61, ‘caput’ e parágrafo 3º, da Lei n. 9430, de 27.12.1996, somente autoriza a incidência de juros sobre débitos ‘decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal’, sendo que os parágrafos 1º e 2º tratam minuciosamente do cálculo das multas sem prescrever a incidência de juros sobre elas”. 109. Desse modo, “... não cabe a aplicação do art. 61 da Lei n. 9430/96, que não previu a incidência de juros sobre as multas, mas apenas sobre o valor do principal de tributos e contribuições”. Outrossim, o parágrafo único do art. 43 da mesma lei determinou a incidência de juros sobre a multa cobrada isoladamente, ou seja, a “... comparação entre os dispositivos citados demonstra que a lei determina a cobrança je juros apenas sobre a multa isolada, que se constitui em crédito tributário principal, e não a determina sobre o valor da multa calculada proporcionalmente ao principal do tributo devido, pois é este que constitui o crédito tributário principal”. Fl. 88247DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.248 18 110. Assim, não cabe a exigência de juros sobre a multa de ofício. Juntada Posterior de Documentos 111. A interessada “... protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências e a juntada de outros documentos, mais especificamente laudo elaborado por especialistas, confirmando a regularidade dos procedimentos adotados em relação aos itens em discussão no presente processo. Vale ressaltar que a juntada posterior de documentos está fundamentada no art. 16, inciso IV, do Decreto n. 70235 e se justifica diante do exíguo prazo legal para impugnação diante do volume de documentos relativos às glosas efetuadas pela fiscalização”. Pedido 112. Por todo o exposto, a impugnante requer a admissão, conhecimento e integral provimento da presente defesa, para o fim de determinar o cancelamento das exigências fiscais consubstanciadas nos autos de infração ora questionados. Do pedido de diligência da DRJ Em 22/04/2016, por meio do Despacho nº 004 (fls. 25.275 a 25.277), o presente processo foi encaminhado à unidade de origem a fim de que se efetuasse diligência para que fossem analisados os documentos trazidos pela impugnante e justificasse a sua conclusão. Em 07/08/2017, a Autoridade Fiscal elaborou o Relatório Final de Diligência (fls. 25431 a 25435), no qual a mesma, em resumo, entendeu que nenhuma das despesas glosadas foi comprovada. A contribuinte foi cientificada de tal relatório em 10/08/2017 (fl. 25437) e apresentou suas contrarazões ao resultado da diligência em documento juntado às folhas 25.444 a 25.465. No referido documento a empresa reforça os argumentos trazidos na impugnação e contesta o resultado da diligência apresentado pela Fiscalização. Da decisão da DRJ: A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2010 NULIDADE DO PROCEDIMENTO POR SUPOSTO NÃO APROFUNDAMENTO DA INVESTIGAÇÃO. REJEIÇÃO DA ALEGAÇÃO. A Autoridade Fiscal tem ampla liberdade para decidir quais investigações deve fazer. Não é a contribuinte quem Fl. 88248DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.249 19 decide quais diligências devem ser feitas ou qual o grau de profundidade das investigações durante a ação fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. As causas de nulidade são aquelas previstas na legislação do processo administrativo em geral e do processo administrativo fiscal. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, não há que se falar em nulidade. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. Nos termos do que dispõe o Processo Administrativo Fiscal, a juntada de documentos deverá ser feita por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em momento posterior, salvo nos casos expressamente previstos no PAF. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. FISCALIZAÇÃO. O sujeito passivo está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados quando eles repercutirem em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. É cabível a glosa das despesas quando o contribuinte não comprova, mediante documentação idônea a sua existência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2010 CONSERVAÇÃO DE LIVROS E COMPROVANTES FISCAIS A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. GLOSA DE DESPESAS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. A escrituração contábil faz prova dos fatos correspondentes, a favor do contribuinte, desde que Fl. 88249DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.250 20 acompanhada por documentação hábil que os suporte, descabendo atribuir ao fisco a incumbência de provar a existência e dedutibilidade da despesa, quando inexistentes tais documentações. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Não havendo, no lançamento questionado, a incidência de juros sobre a multa de ofício, não se conhece do recurso quanto à matéria por falta de competência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: da questão de nulidade a intimação para entregar todos os documentos comprobatórios está previsto na legislação (art. 264, RIR/99) e não por amostragem, como desejaria a recorrente; da alegação de decadência a documentação que comprova eventos anteriores que refletem no período não decaído sob fiscalização devem ser guardados e apresentados quando intimados se refletem nos fatos geradores em análise; a diligência serve para formar convicção do julgador, não o vinculando; da glosa de despesas com depreciação o litígio se resume à comprovação destas despesas. Dos documentos trazidos na impugnação, alguns foram considerados como inadequados. Contudo, alguns (planilhas e notas fiscais) foram considerados e serviram de comprovação para alguns bens, conforme listagem na decisão a quo. Desta feita, foram considerados comprovados R$ 25.324.670,76 relativo às depreciações; da glosa de despesas com exaustão a discussão se resume à comprovação destas despesas. Após analisar os elementos trazidos na impugnação, a autoridade julgadora a quo reconheceu como comprovado parte dos valores glosados (R$ 244.954.967,51 dos R$ 420.178.166,91 glosados); da glosa de despesas com amortização igualmente, se resumiu a questão de prova, entendendo a autoridade julgadora a quo que os elementos trazidos na Fl. 88250DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.251 21 impugnação não foram adequados para tanto, não dando nenhum valor como comprovado; da glosa de despesas nãooperacionais e de baixas do imobilizado a planilha apresentada como comprovação e respectivos documentos internos e telas de seu sistema contábil foram entendidas como não satisfatórios para comprovação; quanto à matéria da cobrança de juros sobre multa de ofício, a DRJ não deu provimento; quanto ao protesto pela possibilidade de apresentação posterior de provas a DRJ não deu provimento. Do recurso voluntário: Tomando ciência da decisão de primeiro grau administrativo em 19/10/2017, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 19/11/2017, ou seja, tempestivamente. Na sua peça recursal apresenta as seguintes alegações, muitos das quais repisa o que já apresentara na sua peça impugnatória: entende que a autuação fiscal estaria nula, pela exiguidade de prazo para apresentar a documentação; que a intimação deveria ser por amostragem dado o expressivo volume de documentos; haveria uma inversão de ônus da prova que afrontaria os princípios do contraditório e da ampla defesa; não houve o aprofundamento da investigação dos fatos ocorridos; reclama que certas provas são mais complexas para serem produzidas; falta razoabilidade ao glosar a totalidade das despesas relacionadas a bens do ativo não circulante, e se assim prosperasse, seria então caso de arbitramento; . no mérito: das despesas de depreciação: repisa alegações do tópico da nulidade; reanalisa os documentos apresentados na peça impugnatória, os que entende representarem prova por amostragem da correição dos seus procedimentos; entende que os documentos não considerados como comprovação na decisão da DRJ (docs. 01 a 04 (fls. 947/23617)) não deve prevalecer, pois demonstram a existência de ativos imobilizados depreciáveis; reitera a necessidade de prova por amostragem; reafirma a impossibilidade de se questionar os bens adquiridos há mais de cinco anos da data do fato gerador do tributo; entende impossível colacionar aos autos documentos que comprovem a aquisição da totalidade dos bens de seu ativo não circulante, já que são mais de 100.000 itens; apresenta anexa a peça recursal arquivo não paginável denominado "Fibria Celulose Ativos Imobilizados" que trata da aquisição dos seus ativos imobilizados; das despesas de exaustão: entende que a lei tributária não exige a elaboração de um estudo pormenorizado para dedução dos encargos de exaustão a ser arquivado. Entende que qualquer documento que demonstre os valores deduzidos Fl. 88251DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.252 22 bastaria; apresenta novos documentos para comprovar a parte não cancelada pela DRJ; entende que houve equívoco da fiscalização quanto ao CPC 29; das despesas de amortização: entende que a documentação apresentada na sua peça impugnatória já seria hábil o bastante, apesar do entendimento contrário da turma julgadora da DRJ; o laudo preparado pela Deloitte, para o processo de aquisição da Aracruz em período anterior (database em 31/12/2008), serviu de base para os cálculos das despesas de amortização deduzidos pela recorrente teria a validade necessária; da comprovação das despesas nãooperacionais e a baixa de ativo imobilizado: entende que já colacionou documentação contábil hábil o bastante na sua peça impugnatória, e não procede a decisão da DRJ. Refaz análise destes documentos anteriormente acostados aos autos (doc. 59 e 60 fls. 25044/25118 da impugnação) e pede provimento pela comprovação; requer diligência para que sejam novamente examinados os inúmeros documentos colacionados aos autos; pede a não incidência de juros sobre a multa de ofício. Do recurso de ofício: A decisão da turma julgadora a quo promoveu a exoneração de R$ 97.292.033,58 (IRPJ, CSLL e respectivas multas), o que se aplica o reexame necessário nos moldes do art. 34, I do Decreto nº 70.235/1972. É o relatório. Fl. 88252DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.253 23 VOTO: Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Em relação ao recurso de ofício, considerando a exoneração promovida pela turma julgadora a quo, está acima dos limites da Portaria MF nº 63/2017, o que se faz necessário a sua reanálise. Das nulidades suscitadas na peça recursal: Na sua peça recursal, a recorrente entende que a autuação fiscal estaria nula, pela exiguidade de prazo para apresentar a documentação; que a intimação deveria ser por amostragem dado o expressivo volume de documentos. Haveria, no seu entender, uma inversão de ônus da prova que afrontaria os princípios do contraditório e da ampla defesa. Igualmente, entende que não houve o aprofundamento da investigação dos fatos ocorridos; reclamando que certas provas são mais complexas para serem produzidas; e que faltaria razoabilidade ao glosar a totalidade das despesas relacionadas a bens do ativo não circulante, e se assim prosperasse, seria então caso de arbitramento. Antes de qualquer manifestação ulterior, cabe ressaltar que a análise pela autoridade fiscal autuante das despesas inerentes da comprovação da baixa de ativos imobilizados e das despesas nãooperacionais começou em 12/03/2015, através de intimação específica a respeito. Nesta intimação fiscal a autoridade fiscal autuante solicita, além de elementos de matéria que vinha analisando desde o termo de início do procedimento fiscal (cuja ciência ocorreu em 17/04/2014), que fosse apresentado nos termos da IN 86/2001, os arquivos magnéticos que constassem os arquivos de vários itens da contabilidade, quais sejam notas fiscais de entrada, controle de estoque, registro de inventário, cadastro de bens, entre outros (fls. 73 a 77). Ao longo dos meses seguintes, compulsando os autos, vislumbramos vários pedidos de dilação de prazo e respostas parciais que foram detalhadas no termo de constatação fiscal datado de 29/06/2015 e cientificada à recorrente (fls. 160 a 162). Neste termo, a autoridade fiscal autuante informa que estava pendente o item 4.7.1 da intimação fiscal (arquivo de cadastro de bens). Após alguns respostas, em 09/12/2015, a autoridade fiscal autuante lavra outro termo de constatação e intimação fiscal (fl. 180 e segs.), em que informa que o arquivo 4.7.1 estariam com informações incompletas, e haveria discrepâncias entre os valores de depreciação dos constantes nos arquivos apresentados e os valores informados na DIPJ do mesmo anocalendário. Por conseguinte, intimou a recorrente a Fl. 88253DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.254 24 apresentar no prazo de 5 dias úteis os documentos pertinentes aos bens informados no arquivo 4.7.1 que estão sujeitos à depreciação, amortização ou exaustão, devendo ser tal relação em meio magnético. Na sua resposta a esta intimação fiscal, há a informação da recorrente de que todos os bens estão sujeitos à depreciação e são necessários para a atividade produtiva, e as informações prestadas até então representariam o total da despesa dedutível. Apresentou um CD, nas palavras do termo de verificação fiscal, com algumas notas fiscais de aquisição de bens e serviços, desacompanhadas de qualquer documento de suporte para demonstrar a depreciação/amortização/exaustão ocorridas. Com base neste histórico, e na falta da apresentação dos documentos que entenderia satisfatório, a autoridade fiscal autuante procedeu à autuação fiscal, glosando os montantes das despesas de depreciação, amortização e exaustão constantes na contabilidade da recorrente. Verificase pelo relatado acima que a exiguidade de prazo alegada pela recorrente foi decorrente do insatisfatório atendimento, ao menos no entender da autoridade fiscal autuante, quanto aos valores em análise, na sua completude que deveriam ter sido apresentados em meio magnético desde 12/03/2015, que culminou na intimação fiscal lavrada em 09/12/2015, a apresentar os documentos que davam suporte a tais lançamentos. Cabe destacar que se houvesse ocorrido a apresentação dos arquivos digitais como intimado, e a autoridade fiscal tivesse condições de cotejar tais valores com os informados na sua contabilidade e DIPJ, haveria maior precisão e quiçá uma análise amostral logo em seguida para enfrentar a questão probatória, se eventualmente essa surgisse. Não prevalece agora a alegação da recorrente que só dia 09/12/2015 houve intimação fiscal da matéria envolvendo os valores deduzidos pela recorrente quanto à depreciação, amortização e exaustão. E também não é satisfatório, e muito menos aceitável, o que se vê nas defesas da recorrente, tanto na sua peça impugnatória quanto na sua peça recursal, querem estabelecer os critérios de amostragem, dizendo que o que trouxe parcial de comprovação já seria o bastante para demonstrar o integral. Seria o esperado, nas circunstâncias acima, que a recorrente dispusesse de todos os controles adequados, não importando os quantitativos de itens envolvidos, dos valores que estaria deduzindo de depreciação, amortização e/ou exaustão. De qualquer forma, dado o contexto apresentado acima, puramente fático encontrável nos autos, não vislumbrei nenhuma nulidade como alega a recorrente, e nenhuma falta de razoabilidade na decisão da autoridade fiscal autuante, no momento que decidiu pela autuação fiscal, pois não houvera a apresentação dos documentos nos termos da legislação fiscal pertinente. Mesmo na instância impugnatória, quando apresentou uma pequena parcela dos documentos (fls. 947 a 25.268), eles foram apreciados e analisados pela Fl. 88254DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.255 25 instância julgadora a quo, quando solicitou conversão em diligência para apreciação dos mesmos. Em sede recursal, traz mais documentos comprobatórios fls. 25.629 a 78.947, bem como às vésperas do presente julgamento outros documentos e um laudo de empresa de auditoria Deloitte. De qualquer forma, sem adentrar ainda no mérito, apenas no compasso da preliminar da nulidade suscitada, e já tratado na decisão a quo, a recorrente está obrigada a conservar os livros e comprovantes em ordem, nos termos do art. 264 do RIR/991 e do art. 1.194 do Código Civil 2 Destarte, REJEITO as alegações de nulidade suscitadas pela recorrente. Da proposta em conversão em diligência: Como já analisado anteriormente no relatório, o caso aqui em discussão se cinge à questão probatória, essencialmente. Os valores glosados pela autoridade fiscal autuante foram os seguintes: depreciação R$ 488.454.569,35 exaustão R$ 420.178.166,91 amortização R$ 95.799.842,90 não operacional e baixas do imobilizado R$ 56.014.091,21 adições não computadas na CSLL R$ 63.129.811,97 Após análise dos elementos apresentados em sede de impugnação, se valendo de diligência para tanto, a autoridade julgadora a quo considerou como comprovados os seguintes valores: depreciação R$ 25.324.670,76 exaustão R$ 244.954.967,51 1 Conservação de Livros e Comprovantes Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). 2 Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Fl. 88255DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.256 26 Já em segunda instância administrativa, na sua peça recursal, traz novos elementos para dar suporte comprobatório, quais sejam as notas fiscais de aquisição dos bens do imobilizado e as respectivas notas fiscais ou equivalente de aquisição dos mesmos. Envolve as folhas 25.629 a 78.947, e alguns arquivos não pagináveis neste conjunto probatório apresentado. Ou seja, são mais de 53 mil folhas de documentos apresentadas. Nas palavras da recorrente: Isso porque a recorrente havia julgado que a amostragem colacionada em sua defesa era suficiente para que a DRJ/CTA admitisse a integralidade dos encargos incorridos. Contudo, como a DRJ/CTA não considerou suficiente esse conjunto de provas, a recorrente colaciona no presente momento conjuntos de documentos comprobatórios do valor de aquisição de mais de 8.000 itens do ativo imobilizado, nos mesmos moldes da documentação juntada na impugnação, que foi reputada como suficiente para a decisão da DRJ/CTA. Tendo em vista o grande volume de documentos, a recorrente chama atenção para a planilha excel juntada em arquivo não paginável, denominada "Fibria Celulose Ativos Imobilizados", a qual possui duas abas, uma relativa aos ativos imobilizados cuja comprovação é juntada nesse momento e outra com a relação de notas fiscais relativas a esses ativos. Vejase que se trata de um total de mais de 20.000 notas fiscais e documentos comprobatórios do valor de aquisição dos ativos, relativos a mais de 8.000 ativos imobilizados. Contudo, em parágrafo anterior da sua peça recursal, a recorrente já fala em mais de 100.000 itens no seu ativo não circulante: Antes de iniciar a presente exposição, importa repisar que é impossível colacionar nos autos documentos que comprovem a aquisição da totalidade dos bens de seu ativo não circulante, eis que, conforme destacado acima, são mais de 100.000 itens, o que representa mais de 1.000.000 de páginas de documentos. Ou seja, foram apresentados menos de 10% das comprovações de aquisições dos bens do ativo não circulante, em todas as instâncias administrativas até o momento. De qualquer forma, dado o volume de documentos há a necessidade de uma análise dos mesmos. Cabe destacar que o presente colegiado tem aceito documentos mesmo após o recurso voluntário, desde que não prejudiquem a apreciação e voto do relator, e se mostrem hábeis à busca da verdade material dos fatos ocorridos. Não se pretende que substitua a peça recursal, que deve respeitar o rito processual devido e seu prazo, mas Fl. 88256DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.257 27 seria um complementar probatório ao alegado, que eventualmente pode ficar disponível após expirado o prazo devido. Há nesta postura uma primazia da busca da verdade material, a qual se rege o processo administrativo fiscal. Em recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), sobre a matéria, decidiu que por força do princípio da verdade material e do princípio da ampla defesa, as provas podem ser apresentadas também “em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida” (Número do Processo 16327.001227/200542, Data da Sessão 08/08/2017, Acórdão 9101003.003). Neste cenário, considerando a importância de uma análise mais detida de tais documentos para o deslinde do julgamento, algo que não pode ser feito a contento neste CARF, até por eventuais necessidades de esclarecimentos adicionais, algo que só poderia ser obtido na unidade de origem, entendo oportuno a conversão do presente julgamento em diligência. Destarte, nos termos do Parecer Cosit nº 2, de 15 de janeiro de 2018, proponho diligência em que a autoridade fiscal designada, em relação a estes documentos anexos à peça recursal, proceda a uma análise e batimento, ainda que por amostragem devidamente justificada, que permita aduzir com a documentação trazida aos autos, os montantes a serem considerados comprovados. Igualmente, a autoridade fiscal poderá trazer aos autos, utilizandose dos meios que entender necessários, qualquer elemento ou informação, mesmo que não contemplado nos explicitado acima, mas que no seu entender seja relevante para um melhor resultado da diligência e esclarecimento dos valores glosados, para a adequada apreciação das infrações impostas à recorrente. Caso entendido necessário, seja intimada a recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos complementares e adicionais julgados devidos no que concerne às infrações aplicadas e o devido esclarecimento a respeito das comprovações apresentadas nos autos. Igualmente, solicito incluir nos autos a DIPJ integral referente ao ano calendário em questão (2010). Após estas providências, elabore relatório DETALHADO e CONCLUSIVO circunstanciando todas as informações possíveis e juntando documentos comprobatórios necessários. Do procedimento de diligência, inclusive do relatório referido no parágrafo anterior, cientificar o contribuinte, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre os fatos articulados e narrados na referida diligência, sendo desconsideradas manifestações de outra espécie. Fl. 88257DF CARF MF Processo nº 10314.728564/201515 Resolução nº 1402000.723 S1C4T2 Fl. 88.258 28 Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência, com ou sem nova intervenção do contribuinte, o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, para prosseguimento de seu julgamento. Destarte, PROPONHO A CONVERSÃO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, nos termos supracitados. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 88258DF CARF MF
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