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Numero do processo: 10768.720796/2007-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2001
COMPENSAÇÃO. FALTA DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÃO ERRÔNEA PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO. PROSSEGUIMENTO DA ANÁLISE.
Constatado, pelo exame dos autos, que o alegado direito creditório trazido à compensação não foi verificado em momento algum, nem neste processo, nem em algum outro, e que essa não verificação decorreu de informação errônea prestada pelo próprio sujeito passivo, o processo deve ser devolvido à unidade da RFB para prosseguimento da análise da compensação, especialmente no que tange à liquidez e certeza do alegado crédito.
Numero da decisão: 1301-000.545
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, no sentido de que
o presente processo seja devolvido à Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte, para que prossiga na análise da compensação, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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FALTA DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÃO ERRÔNEA PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO. PROSSEGUIMENTO DA ANÁLISE. Constatado, pelo exame dos autos, que o alegado direito creditório trazido à compensação não foi verificado em momento algum, nem neste processo, nem em algum outro, e que essa não verificação decorreu de informação errônea prestada pelo próprio sujeito passivo, o processo deve ser devolvido à unidade da RFB para prosseguimento da análise da compensação, especialmente no que tange à liquidez e certeza do alegado crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, no sentido de que o presente processo seja devolvido à Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte, para que prossiga na análise da compensação, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 332DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10768.720796/200787 Acórdão n.º 130100.545 S1C3T1 Fl. 300 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, André Ricardo Lemes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior. Relatório TELEMAR NORTE LESTE S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I / RJ, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (DERAT/RJ). O presente processo foi formalizado para estabelecer um tratamento manual da DCOMP nº 13878.46669.131103.1.3.029352 (fl. 02 a 05), transmitida em 13/11/2003. O débito objeto da compensação é a COFINS de outubro de 2003 no valor de R$ 887.472,63. O crédito informado na declaração é o saldo negativo de IRPJ, apurado pela incorporada Telecomunicações de Alagoas S/A, CNPJ 12.286.423/000107 em 02/08/2001 (data da incorporação), no valor original, na data de transmissão, de R$ 627.543,93. A declarante informou, no campo apropriado da declaração de compensação, que o crédito pleiteado havia sido informado anteriormente no processo administrativo nº 10070.002269/200221. Com base nessas informações, foi prolatado o Despacho Decisório, datado de 14/11/2007 (fl. 36), o qual não homologou a compensação declarada. Baseouse, ainda, no Parecer Conclusivo nº 239/2007 (fl. 33 a 35), que asseverou que “os documentos extraídos do processo nº 10070.002269/200221, anexos fls. 26 a 30, informam que a totalidade do valor reconhecido não foi suficiente para quitar o débito relacionado na Declaração de Compensação vinculada ao processo. [...] Portanto, não há crédito remanescente a ser utilizado na Dcomp apresentada” neste processo. A interessada tomou ciência do Parecer e do Despacho Decisório e apresentou a manifestação de inconformidade (fls. 44/49), em que aduz os argumentos assim resumidos: • Sustenta que não teria sido empreendida, nos autos do processo 10070.002269/200221, qualquer desconstituição dos créditos da Telecomunicações de Alagoas S/A. Tais créditos teriam sido analisados no processo nº 10070.003151/200210. • Passa, a seguir, a discorrer sobre o saldo negativo de IRPJ, apurado pela incorporada Telecomunicações de Alagoas S/A nos anoscalendário 2000 e 2001. Seus argumentos foram assim sintetizados no relatório do processo por ocasião do julgamento em primeira instância: o As estimativas relativas a 01 e 04/2001 foram extintas por compensação, utilizandose o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, no valor de R$ 2.039.063,17. Este constituise de estimativas, bem como retenções efetuadas por órgãos públicos e particulares (quadro fl.46). Fl. 333DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10768.720796/200787 Acórdão n.º 130100.545 S1C3T1 Fl. 301 3 o O crédito de saldo negativo de 2000 superou o valor informado na DIPJ correspondente e transferido ao ano – calendário de 2001, redundou em crédito suficiente à extinção do débito em apreciação. o As estimativas de IRPJ de 01 e 04/2001 foram extintas com o crédito de saldo negativo de 2000. o Afiguramse conclusões obvias: existe crédito para a compensação das estimativas de IRPJ de 01 e 04/2001; a segunda conclusão se funda na homologação tácita da compensação das estimativas de 01 e 04/2001 com crédito do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 por ter transcorrido mais de 5 anos da declaração de compensação consubstanciada nas DCTF do 1º e 2º trimestres de 2000(doc. 05), sem que a autoridade fiscal contestasse. o Foi levado ao conhecimento do Fisco, mediante a informação em DCTF enviadas para apreciação da SRFB nas datas de 11/05/2001 e 27/07/2001 (doc.5), o pleito administrativo da compensação, sem que no prazo estabelecido na Lei 9430/97, tenha sido exarada a decisão. o Encontrase decaído o direito da Fazenda Pública contestar as compensações efetuadas no anocalendário de 2001 e que gerara o saldo negativo, haja vista a homologação tácita, nos termos do § 5º do art.74 da Lei 9430/96. o Mesmo considerando a existência de DCTF retificadoras relativas ao primeiro e segundo trimestres de 2001(doc.6), não houve alteração dos débitos de estimativas de IRPJ, nem alteração quanto ao crédito vinculado para extinção dos citados débitos de estimativas. o Portanto, inexistem maiores questionamentos sobre o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001. O saldo negativo de 2000 e a sua transferência para o ano calendário de 2001, bem como o saldo negativo de 2001são suficientes para a extinção de parcela do débito da COFINS de 10/2003. o Ao crédito deverá ser aplicada a SELIC até o mês anterior ao vencimento dos débitos, acrescida de 1% no mês de vencimento (art. 39§ 4º da Lei 9250/95). Conclui com o pedido de reconhecimento de seu direito creditório e a homologação da compensação declarada. Subsidiariamente, requer o retorno dos autos à DRF para análise do direito creditório. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I / RJ analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1223.865, de 17/04/2009 (fls. 175/180), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. O crédito líquido e certo é requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 Código Tributário Nacional. A inexistência do mesmo acarreta o indeferimento do pedido. Fl. 334DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10768.720796/200787 Acórdão n.º 130100.545 S1C3T1 Fl. 302 4 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PRAZO PRESCRICIONAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMPENSADO MEDIANTE DCOMP. O prazo prescricional de cobrança do crédito tributário confessado mediante a entrega da declaração de compensação, interrompido com a apresentação da declaração de compensação à SRF, tem sua contagem iniciada na data em que a nãohomologação da compensação tornase definitiva na esfera administrativa Ciente da decisão de primeira instância em 10/09/2009, conforme documento de fl. 186, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 09/10/2009 (registro de recepção à fl. 192, razões de recurso às fls. 192/199). Seus argumentos podem ser sintetizados como segue: a) A documentação fiscal contida nos autos seria suficiente para confirmar a existência de saldo negativo da incorporada Telecomunicações de Alagoas nos anoscalendário 2000 e 2001, de tal forma a gerar os créditos compensados. b) Impossibilidade de reapuração dos resultados dos anoscalendário 2000 e 2001, dada a preclusão do direito de reapurar a base de períodos já decaídos; c) O saldo negativo apurado pela incorporada Telecomunicações de Alagoas no anocalendário 2000 foi analisado nos autos do processo administrativo nº 10070.003151/200210, o qual se encontra pendente de decisão final, uma vez que foi interposto recurso contra a decisão que não homologou a compensação; esse saldo negativo (do AC 2000) teria sido transferido para o anocalendário seguinte (2001), mediante a compensação com estimativas de janeiro e abril de 2001. A recorrente conclui que o saldo negativo de IRPJ passível de compensação no anocalendário 2001 seria de R$ 2.178.483,60, valor muito superior aos R$ 627.543,93 utilizados na DCOMP ora discutida. d) Uma vez que a não homologação da DCOMP se deu unicamente em razão da decisão que não reconheceu a existência do crédito no PTA n° 10070.003151/200210, contra a qual foi interposto recurso, ainda não julgado, o presente recurso voluntário deve ser julgado concomitantemente com o referido PTA, caso se entenda que os elementos acostados aos autos não são suficientes para a conclusão acerca da certeza e liquidez do crédito alegado. É o Relatório. Voto Fl. 335DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10768.720796/200787 Acórdão n.º 130100.545 S1C3T1 Fl. 303 5 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Gira a lide em torno do alegado direito creditório, decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado pela incorporada Telecomunicações de Alagoas S/A no ano calendário 2001. Tal direito creditório foi trazido à compensação na DCOMP nº 13878.46669.131103.1.3.029352 (fls. 02 a 05), juntamente com a informação prestada pela própria declarante de que o crédito pleiteado havia sido informado anteriormente no processo administrativo nº 10070.002269/200221. Diante de tal informação, equivocada, digase desde já, a Autoridade Administrativa negou homologação à compensação aqui declarada, desde que os créditos analisados no processo administrativo nº 10070.002269/200221 já haviam sido ali integralmente absorvidos. Instaurado o litígio, a Autoridade Julgadora em primeira instância reafirmou que “todo o montante do direito creditório relativo ao processo n° 10070.002269/200221 foi consumido na homologação tácita, não restando qualquer valor remanescente a ser utilizado na Dcomp que instrui este feito”. Por outro lado, alertada, embora de forma tíbia, pela manifestação de inconformidade da interessada, de que o processo que cuidou dos saldos negativos de IRPJ da incorporada Telecomunicações de Alagoas S/A seria o de nº 10070.003151/200210, assim se manifestou a DRJ: Cabe esclarecer que o crédito da Telecomunicações Alagoas S/A ano calendário 2000, que foi objeto de incorporação pela interessada, faz parte do processo n° 10070.003151/200210, conforme fl 159 a 174, nele foi apreciado, tendo como resultado o não reconhecimento do direito creditório. Contrariamente ao que afirma a interessada, não foi apresentada Dcomp que possua como crédito o saldo negativo do anocalendário de 2001. Portanto, não há crédito a favor da Telecomunicações Alagoas que respalde a compensação. É de se constatar, então, que em momento algum se fez a análise do direito creditório alegado no presente processo, a saber, saldo negativo de IRPJ apurado pela incorporada Telecomunicações de Alagoas S/A no anocalendário 2001. Num primeiro momento, a DERAT/RJ foi induzida a erro pela informação prestada pela própria interessada, de que o crédito teria sido anteriormente informado no processo administrativo nº 10070.002269/200221. Mas tal informação não corresponde aos fatos, vide o seguinte excerto, extraído do acórdão nº 1218.645, proferido nos autos daquele processo, e que foi acostado por cópia às fls. 120/158 deste processo (grifos não constam do original): Os créditos pertencentes a Telecomunicações Piauí e Telecomunicações Alagoas (fl. 521 e 527), foram analisados processo n° 10070.003151/200210. O crédito pertencente a Telecomunicações Maranhão (fl. 525), bem como o da Telecomunicações Rio Grande do Norte (fl. 528), foram analisados no processo n° 10070.000284/200315. Fl. 336DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10768.720796/200787 Acórdão n.º 130100.545 S1C3T1 Fl. 304 6 A decisão da Autoridade Administrativa, portanto, se mostrou equivocada, posto que baseada no quanto decidido em outro processo que nenhuma relação guardava com os presentes autos. Num segundo momento, a DRJ vislumbrou a ligação existente com o processo n° 10070.003151/200210. Com propriedade, apontou que apenas o saldo negativo apurado pela incorporada Telecomunicações de Alagoas no anocalendário 2000 foi analisado naquele processo. A análise lá empreendida (vide acórdão nº 1221.808, fls. 159/174 deste processo) reconheceu parcialmente o alegado direito creditório do anocalendário 2000, com o que as compensações pretendidas com débitos de estimativas do anocalendário 2001 restaram igualmente parcialmente homologadas. Vejamse os seguintes excertos do relatório e do voto do acórdão DRJ nº 1221.808 (grifos não constam do original): Relatório: [...] • O valor do saldo negativo do ano de 2000 seria de R$ 426.344,51 (planilha fl.892). • As consultas ao sistema DCTF (fl. 12 e 713) evidenciam que a interessada compensou crédito de saldo negativo de 2000 com as estimativas de janeiro e abril de 2001. Conforme relatório de fl. 714, o valor do saldo negativo de 2000 não foi suficiente para quitar os débitos, remanescendo o débito de estimativa de abril/2001 no valor de R$ 89.439,32. [...] Voto: [...] Também não são atacadas questões que fundamentaram a decisão da DeratRJ insertas no presente processo como: IRRF retido por órgão público em valores superiores aos limites permitidos pela legislação, ajustes nos saldos negativos de 1998 e 1999 que geraram o ajuste do saldo negativo de 2000, além de compensações efetuadas do saldo negativo de 2000 com débitos de estimativas de 2001 que excederam o valor do crédito relativo ao ano de 2000. No recurso voluntário interposto no presente processo, a interessada requer o julgamento conjunto com o processo n° 10070.003151/200210. Seu pleito não mais pode ser atendido, visto que aquele outro processo já foi julgado em segunda instância administrativa, em 01/09/2010, pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste CARF. O Acórdão nº 110100.350 negou provimento ao recurso voluntário, cristalizando, assim, os ajustes feitos no alegado saldo credor apurado no anocalendário 2000 pela incorporada Telecomunicações de Alagoas S/A e, por via de consequência, nas compensações pretendidas desses créditos com débitos de estimativas do anocalendário 2001, antes da incorporação. Mas retorno ao ponto que me parece central: em momento algum se fez a análise do direito creditório alegado no presente processo, a saber, saldo negativo de IRPJ apurado pela incorporada Telecomunicações de Alagoas S/A no anocalendário 2001, nem neste processo, nem em algum outro. A questão foi tangenciada, mas não enfrentada. À fl. 111, encontro cópia da ficha 12A da DIPJ apresentada pela Telecomunicações de Alagoas S/A, Fl. 337DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10768.720796/200787 Acórdão n.º 130100.545 S1C3T1 Fl. 305 7 referente ao anocalendário 2001. O saldo negativo de imposto ali apurado monta a R$ 670.324,92. A liquidez e a certeza do alegado direito creditório não foram verificadas. Diante do exposto, voto no sentido de que o presente processo seja devolvido à Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte (Derat/RJ), para que prossiga na análise da compensação aqui declarada (DCOMP nº 13878.46669.131103.1.3.02 9352, fls. 02 a 05), superando e desconsiderando a informação errônea de que os alegados direitos creditórios teriam sido anteriormente informados no processo administrativo nº 10070.002269/200221 e, ainda, considerando possíveis efeitos no presente processo do quanto decidido no processo administrativo n° 10070.003151/200210. Desde logo ressalto que não se há de cogitar, no caso concreto, da ocorrência de homologação tácita pelo decurso do prazo quinquenal estabelecido pelo parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. O despacho decisório a ser proferido pela Derat/RJ não será uma nova decisão, mas tão somente um prosseguimento da análise feita a tempo, mas que não chegou a bom termo por força unicamente da informação equivocada prestada pela própria interessada. Ainda, admitir a homologação tácita equivaleria a permitir que a ora recorrente se beneficiasse de seu próprio erro, o que não condiz com os princípios do direito. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 338DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 18471.002773/2003-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Não há paralelo entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. Os ajustes na base de cálculo para corrigir a periodicidade na apuração de PIS/COFINS (acórdão paradigma) não são aplicáveis ao lançamento de IRPJ/CSLL (acórdão recorrido). Os contextos fáticos distintos justificam as diferentes decisões.
Numero da decisão: 9101-002.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que conheceram.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Não há paralelo entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. Os ajustes na base de cálculo para corrigir a periodicidade na apuração de PIS/COFINS (acórdão paradigma) não são aplicáveis ao lançamento de IRPJ/CSLL (acórdão recorrido). Os contextos fáticos distintos justificam as diferentes decisões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que conheceram. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 27 73 /2 00 3- 09 Fl. 726DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à nulidade do lançamento contido nestes autos, por erro na periodicidade de apuração dos tributos IRPJ/CSLL no anocalendário de 1998. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1201001.166, de 04/03/2015, por meio do qual a 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento a recurso voluntário apresentado pela contribuinte acima identificada, para fins de cancelar o lançamento fiscal em razão de erro na apuração da base de cálculo dos tributos. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 IMUNIDADE. SUSPENSÃO. ERRO NO LANÇAMENTO FISCAL. BASE DE CÁLCULO. LUCRO REAL ANUAL. NULIDADE. O artigo 3º da Lei nº 9.430/96 prescreve que a opção pelo contribuinte quanto à apuração pelo lucro real anual se dá com o pagamento do tributo correspondente ao mês de janeiro do ano calendário. No caso em análise o contribuinte declarou ser imune. Portanto, deveria o fisco apurar o IRPJ e a CSLL do ano de 1998 com base no lucro real trimestral. Não fazendo dessa forma incorre em nulidade o lançamento por erro na base de cálculo. Recurso conhecido e provido. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto ao cancelamento dos lançamentos de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 1998, em razão de vício de nulidade, por erro na periodicidade de apuração dos referidos tributos. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: de acordo com o acórdão recorrido, os lançamentos de IRPJ/CSLL se deram com base no lucro real anual, quando deveriam se dar em bases trimestrais, havendo, portanto, erro jurídico, que inquina de nulidade por vício substancial o lançamento; DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL a decisão recorrida está em evidente divergência com decisão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento: Fl. 727DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 4 3 ACÓRDÃO Nº 130200.163 [...] PIS, COFINS, MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. O fato de a autoridade autuante ter considerado períodos de apuração trimestrais na determinação do montante devido a título de PIS e COFINS, não impede que, em sede de revisão, a autoridade administrativa julgadora retifique as bases de cálculo correspondentes a cada um dos meses de encerramento do referido período de apuração, vez que, concretizada a hipótese de incidência, ainda que disso decorram exações inferiores às que foram consignadas nas peças acusatórias, remanesce o dever do contribuinte de cumprir com a obrigação tributária principal correspondente. [...] diante das teses antagônicas dos acórdãos recorrido e paradigma, no que concerne à possibilidade de revisão/retificação do lançamento efetuado com mero erro do lançamento no que concerne à periodicidade em que o tributo deveria ter sido lançado, não restam dúvidas em relação à divergência jurisprudencial, encontrandose presentes, portanto, os requisitos de admissibilidade do recurso especial; DO MÉRITO a e. câmara a quo, considerando que o Recorrido não foi intimado ou notificado pela fiscalização para que apresentasse a apuração do IRPJ e da CSLL pelo Lucro Real anual, e ainda o fato de que o mesmo se declarou imune para o período de apuração em questão, afirmou que a fiscalização não poderia ter efetuado o lançamento com base no lucro real anual, que os tributos deveriam ter sido apurados com base no lucro real trimestral; há muito o imposto de renda convive com formas de apuração anual e mensal (ou trimestral) do lucro real; a partir da Lei n° 9.430/96, a pessoa jurídica que não cumprisse com as condições para efetuar os pagamentos por estimativa deveria determinar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL trimestralmente; o contribuinte que tem o dever de calcular o lucro real pode fazêlo de duas maneiras, trimestralmente ou pelo regime de estimativa. À fiscalização compete velar pela correta apuração do lucro real, respeitando a opção do contribuinte, e, no caso do regime de estimativa, deve verificar se as condições dispostas nos §§ 5° e 6º da Lei n° 8.981/95 foram cumpridas; ocorre que no caso concreto, o contribuinte julgou, erroneamente, que se tratava de entidade imune, não fazendo qualquer opção. Nessa situação, não havia opção do contribuinte pelo regime de estimativa ou pelo lucro real trimestral; a e. câmara a quo aduziu que caberia à fiscalização intimar o contribuinte para que ele manifestasse sua opção por uma das formas de apurar o lucro real; Fl. 728DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 5 4 vejase que, consoante o disposto no art. 3° da Lei n° 9.430/96, não poderia mais o Recorrido, à época da lavratura do auto de infração, optar por uma das formas de apuração do lucro real. Consoante o dispositivo legal, a opção seria manifestada apenas com o pagamento do imposto correspondente, o que, inferese, não ocorreu no presente caso; entendese do voto condutor do acórdão que, inexistente qualquer opção do Recorrido quanto à forma de apuração do lucro real (tanto pelo regime de estimativa quanto pelo lucro real trimestral), a fiscalização poderia somente se valer do lucro real trimestral; a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais é pacífica e tranqüila no sentido de que o arbitramento de lucros é medida excepcional, e não pode ocorrer quando for possível apurar a efetiva base de cálculo do tributo. E, no caso, há que se aferir se os registros contábeis permitiam ou não que se calculasse o lucro real trimestral; ou seja, a interpretação mais consentânea com as normas aplicáveis ao caso aponta para a conclusão de que na hipótese em que a ausência de uma opção formal por parte do contribuinte leve a um arbitramento que poderia ser evitado, é correto dispensar tal opção, para favorecer o contribuinte e impedir que a medida excepcional seja tomada pela fiscalização; tratase da interpretação mais razoável dos arts. 1° e 2° da Lei n.° 9.430/96 e do art. 47, I, da Lei n.° 8.981/95, para impedir que no caso concreto o contribuinte fosse penalizado com a medida excepcional; os fatos que desencadearam a declaração de nulidade do presente lançamento não foram abarcados pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72; há que se interpretar o art. 59 do Decreto nº 70.235/72 à luz do princípio da instrumentalidade processual, plenamente aplicável ao processo administrativo tributário, que impede seja declarada a nulidade de atos processuais quando não exista prejuízo ao contribuinte; somente importarão em nulidade as irregularidades apontadas no art. 59 do diploma legal acima referido, o que não é a hipótese dos autos, haja vista que a decisão vergastada reconheceu como nulidade eventual equívoco na determinação da matéria tributável, fato este que não se enquadra às hipóteses descritas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72; esse julgamento vai de encontro aos princípios da economia processual e da instrumentalidade das formas. É de se concluir, por conseguinte, que se aplica a este feito o art. 60 do Decreto 70.235/72, razão pela qual a suposta irregularidade do lançamento não poderá importar em nulidade; considerandose o equívoco na apuração do tributo devido pelo contribuinte e a patente necessidade de revisão, não havendo dúvida quanto à infração imputada ao contribuinte, o presente lançamento se torna necessário, com o intuito de se preservar o direito da Fazenda Pública na constituição do correto montante do crédito tributário; Fl. 729DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 6 5 tratase de mero ato para salvaguardar eventual crédito tributário representado pelo presente lançamento, não havendo razão plausível para de declarar a sua nulidade, se o mesmo pode ser ajustado; portanto, desnecessária e ilegal a anulação do presente lançamento, bastandose sua revisão pela autoridade julgadora, ajustandose a base imponível, até mesmo em sede de execução do julgado, para sanar eventuais equívocos na determinação da matéria tributável; DO PEDIDO requer a FAZENDA NACIONAL seja conhecido e provido o presente recurso especial para reformar o acórdão atacado e declarar a validade do lançamento em relação ao IRPJ, para o anocalendário de 1998, procedendose apenas à revisão do lançamento. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 21/07/2015, admitiu o recurso especial com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] No tocante ao erro no lançamento fiscal, o voto condutor do acórdão recorrido posicionouse no sentido de que, a fiscalização deveria ter apurado os tributos, IRPJ e CSLL de 1998, e, lançados com base no lucro real trimestral, e não, com base no lucro real anual, tendo em vista que o contribuinte declarou ser imune e não efetuara o pagamento do tributo correspondente ao mês de janeiro do ano calendário como determina o artigo 3º da Lei nº 9.430/96 o qual prescreve que a opção pelo contribuinte quanto à apuração pelo lucro real anual se dá com o mencionado pagamento. [...] De outra banda, segundo o acórdão paradigmático o fato de a autoridade autuante ter considerado períodos de apuração trimestrais em vez de mensais na determinação do montante devido a título de PIS e COFINS, não viciou, de forma insanável, os lançamentos tributários, de sorte que não impede que, em sede de revisão, a autoridade administrativa julgadora retifique as bases de cálculo correspondentes a cada um dos meses de encerramento do referido período de apuração. [...] Como se vê, no acórdão recorrido considerouse que há nulidade material em relação ao IRPJ e CSLL quanto ao critério quantitativo do lançamento, visto que a fiscalização deveria ter apurado os tributos lançados com base no lucro real trimestral e não com apuração anual, em virtude da falta de pagamento do tributo relativo ao mês de janeiro do ano calendário como condição necessário para a apuração anual, conforme previsto no artigo 3º da Lei nº 9.430/96. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 7 6 Já no acórdão paradigma, prevaleceu o entendimento de que o fato de a autoridade autuante ter considerado períodos de apuração trimestrais na determinação do montante devido a titulo de PIS e COFINS, não impede que, em sede de revisão, a autoridade administrativa julgadora retifique as bases de cálculo correspondentes a cada um dos meses de encerramento do referido período de apuração, cabendo a adequação da base de cálculo ao fato gerador ocorrido. Portanto, nesse julgado, não obstante a indicação incorreta dos períodos de apuração trimestrais, e não mensais, não se considerou o fato como suficiente para a nulidade do lançamento fiscal. O confronto dos fundamentos expressos nos votos condutores dos acórdãos recorrido e paradigma evidencia que a PFN logrou comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, no que diz respeito à nulidade ou retificação do lançamento efetuado quanto à periodicidade em que o tributo deveria ter sido lançado. Portanto, demonstrada a divergência jurisprudencial argüida, devese DAR seguimento ao recurso especial da PFN. Antes mesmo de ser formalmente intimada do Acórdão nº 1201001.166, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso, a contribuinte apresentou em 30/06/2015 as contrarrazões ao referido recurso, com os argumentos descritos a seguir: DA TEMPESTIVIDADE a Recorrida tomou ciência pessoal do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em 15/06/2015 (mediante solicitação de cópias do processo), iniciando seu prazo para apresentação de contrarrazões no primeiro dia útil seguinte, ou seja, na terçafeira, dia 16/06/2015; o termo final para apresentação de contrarrazões encerrouse no dia 30/06/2015 (terçafeira). Apresentada nesta data é, pois, tempestiva a presente contrarrazões; PRELIMINAR DA INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL requisito fundamental para a admissibilidade do recurso especial é a demonstração clara da divergência da interpretação dada à lei num caso concreto e em outro; no presente caso, decidiuse que o lançamento de IRPJ e de CSLL realizado contra a Recorrida padece de nulidade, visto que há erro na apuração da base de cálculo do suposto crédito tributário, elemento essencial para sua constituição, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional; isto porque, ao invés de a autoridade fiscal realizar o lançamento do IRPJ e da CSLL com base no lucro real trimestral, que é a regra, o lançamento foi realizado com base no lucro real anual, sem que, contudo, a Recorrida tivesse feito a opção por tal regime, conforme dispõe o artigo 1º c/c os artigos 2º e 3°, todos da Lei n° 9.430/96; já o acórdão paradigma apresentado pela Fazenda Nacional (AC n° 1302, 00.163), decidiu que o erro na apuração da base de cálculo, naquele caso concreto, não daria Fl. 731DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 8 7 azo à nulidade do lançamento pois "uma vez concretizada a hipótese de incidência em determinado período de apuração, emerge o dever do contribuinte de cumprir com a obrigação tributária principal correspondente, cabendo, se for o caso, a adequação da base de cálculo ao fato gerador"; ocorre que o acórdão paradigma trazido pela Fazenda Nacional diz respeito a erro na apuração base de cálculo de crédito tributário relativo ao PIS e à COFINS, onde a autoridade fiscal, ao invés de lançar os créditos tributários mensalmente, lançouos trimestralmente; está claro que o acórdão paradigma trazido pela Fazenda Nacional trata de situação fática diversa da debatida no v. acórdão recorrido; o acórdão paradigma diz respeito a erro na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, ao passo que o v. acórdão recorrido trata da apuração de IRPJ e CSLL. Como se sabe, estas contribuições sociais têm como fato gerador "auferir receita" e como base de cálculo, a própria receita, definida como a receita bruta auferida pela pessoa jurídica e todas as demais receitas; nesta linha, a despeito de também discordamos do entendimento exposto no voto condutor do acórdão paradigma, é um pouco mais plausível dizer que apurar equivocadamente a base de cálculo do PIS e da COFINS em períodos trimestrais ao invés de período mensal não influenciaria na caracterização do próprio fato gerador. Uma vez auferida a receita, serão devidos o PIS e a COFINS; já no caso do IRPJ e da CSLL, o fato gerador destes tributos é "auferir lucro" e a base de cálculo é próprio lucro; o lucro tributável pelo IRPJ e pela CSLL é o resultado positivo do confronto entre receitas e despesas num determinado intervalo de tempo, ajustado pelas adições e exclusões previstas em lei; neste caso, ao contrário do que restou consignado no acórdão paradigma, o erro no regime de apuração do lucro real (anual ou trimestral) e, portanto, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, fulmina a certeza sobre o próprio fato gerador dos tributos, visto que, se em bases anuais, conforme o lançamento combatido, a Recorrida teria apurado lucro, isso não significa que, em bases trimestrais, o mesmo teria ocorrido; constatase que o contexto fático do acórdão paradigma é claramente diverso do contexto fático do caso vertente, o que impossibilita comparar a aplicação da legislação tributária num caso e no outro; ressaltese que a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem entendimento firme pela inadmissibilidade do recurso especial quando o contexto fático do acórdão paradigma é diferente do contexto do acórdão recorrido (ementas transcritas); a Recorrida transcreve, ainda, trecho do voto do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, no julgamento do acórdão nº 9202003.045, pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entende que não há que se falar na aplicação de critérios jurídicos diferentes quando as situações fáticas analisadas nos acórdãos (recorrido e paradigma) são distintas (transcrição contida nas contrarrazões); Fl. 732DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 9 8 como se vê, diante da jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não se pode admitir que um acórdão que trate da apuração do PIS e da COFIN, ou seja, tributos que possuem fatos geradores e bases de cálculo distintas do IRPJ e da CSLL, seja utilizado como paradigma, sob pena de se aplicar o mesmo critério jurídico a situações fáticas completamente distintas; ademais, como restará demonstrado no próximo tópico, nos casos com situações fáticas muito próximas à da Recorrida erro na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em decorrência de erro no regime de apuração o entendimento do CARF demonstrase em consonância com o acórdão recorrido, isto é, pela nulidade material do lançamento; portanto, inexistente a alegada divergência de "interpretação" da legislação tributária, a Recorrida entende que deve ser inadmitido, de plano, o recurso especial da Fazenda Nacional, conforme entendimento pacificado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais; DIREITO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO EM DECORRÊNCIA DE ERRO NO REGIME DE APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL ERRO MATERIAL INSANÁVEL NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO na remota hipótese de o recurso especial da Fazenda Nacional ser admitido, o que se admite apenas para fins de argumentação, é certo que não merece ser provido, conforme se passa a demonstrar; como já esclarecido, a fiscalização pretendeu a exigência do IRPJ e da CSLL calculados com base no regime de apuração anual, conforme se infere do campo "fato gerador" dos autos de infração. No entanto, a regra geral prevista na legislação é o da apuração trimestral do IRPJ e da CSLL, nos termos do artigo 1° da Lei n° 9.430/96; opcionalmente, pode o contribuinte voluntariamente apurar o IRPJ e a CSLL com base no regime de apuração anual, mas, nessa hipótese, deve efetuar o recolhimento mensal por estimativa. É o que dispõe o artigo 2° da Lei n° 9.430/96; importante ressaltar que a adoção de uma dessas sistemáticas é irretratável para todo o anocalendário, de forma que na apuração anual, a opção é manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro do respectivo anocalendário, conforme artigo 3° da Lei nº 9.430/96; portanto, restando assente que a regra geral prevista na legislação é a apuração trimestral, a ausência do recolhimento de estimativa de janeiro leva, necessariamente, à aplicação dessa sistemática; no caso dos autos, considerando que a Recorrida sempre foi destinatária da imunidade tributária (e continua sendo), evidentemente ela não fez qualquer opção pelo regime de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Inclusive, essa ausência de opção pela tributação com base no lucro real, seja trimestral seja anual, foi devidamente demonstrada e comprovada em petição protocolizada nos autos do presente processo; assim, é evidente que, consoante determina a Lei n° 9.430/96, a autoridade fiscal deveria obedecer à regra geral quando da lavratura do auto de infração, isto é, efetuar a Fl. 733DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 10 9 apuração do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 1998 de forma apartada por trimestre, seja a partir da escrituração contábil e de informações prestadas pela Recorrida ou mesmo através de arbitramento do lucro, evitando, assim, eventuais distorções causadas pelo regime de apuração anual. Esse, contudo, não foi o procedimento adotado pela fiscalização; ressaltese que a própria Fazenda Nacional, em seu recurso especial, reconhece a ausência de opção da Recorrida pelo lucro real anual; a Fazenda Nacional afirma claramente (i) que a Recorrida não havia feito qualquer opção pela tributação pelo lucro real anual ou trimestral e (ii) que tal opção já não poderia ser feita quando da lavratura do auto de infração, visto que a opção pela regra de exceção lucro real anual se dá com o pagamento do imposto por estimativa mensal devido em janeiro; destas afirmações, que não merecem reparo, a conclusão lógica frente à legislação já aqui apresentada seria de que a fiscalização apenas poderia ter efetuado o lançamento com base na apuração do lucro real trimestral já que esta, como já demonstrado, é a regra e o lucro real anual, a exceção; de forma incoerente, a Fazenda Nacional utilizase das premissas acima para concluir que, diante da ausência de opção feita pela contribuinte, a aplicação da apuração do IRPJ e da CSLL em base anual mostrouse como uma alternativa para evitar o arbitramento do lucro, opção esta que seria mais onerosa para a Recorrida; tal argumento não ratifica a errônea conduta adotada pela fiscalização. Isto porque, ainda que o lançamento fosse feito com base no lucro arbitrado, ainda assim este o seria em períodos trimestrais, tal como dispõe o artigo 27, inciso I, c/c artigo 1°, ambos da Lei n° 9.430/96; portanto, seja com base no lucro real, seja com base no lucro arbitrado, o período de apuração de eventual crédito tributário de IRPJ e, reflexamente, de CSLL, sempre seria trimestral e nunca anual, já que não houve o pagamento de qualquer estimativa mensal; nesta linha, a autoridade fiscal, no caso concreto, teria apenas duas opções: (i) se entendesse que a Recorrida possuía escrituração contábil e fiscal regular, verificar a apuração do lucro real em bases trimestrais e, se for o caso, efetuar o lançamento nestes termos ou (ii) se entendesse que a Recorrida não possuía escrituração contábil e fiscal regular, lançar o crédito tributário de IRPJ e CSLL com base no lucro arbitrado, também em períodos trimestrais; assim, tendo a autoridade fiscal realizado o lançamento com base no lucro real anual, contrariando claramente a legislação de regência, esta incorreu em gravíssimo erro na apuração da base de cálculo, o que fulmina a validade do lançamento por inobservância ao artigo 142 do Código Tributário Nacional; nessas hipóteses, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem reconhecendo a nulidade do lançamento (ementas transcritas); e não poderia ser diferente, na medida em que o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao tratar do lançamento tributário, expressamente prevê que se trata de Fl. 734DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 11 10 atividade vinculada, a qual deve seguir alguns procedimentos, dentre eles, o correto cálculo do montante do tributo devido; inclusive, cabe destacar que, em todas as hipóteses, ainda que diversas da presente, em que há a constatação de que o lançamento implicou em violação de qualquer das atividades previstas no artigo 142 do Código Tributário Nacional (verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e propor a aplicação da penalidade cabível), este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de forma pacífica, reconhece a nulidade material do lançamento (ementas transcritas); do mesmo modo, não deve prosperar o argumento da Fazenda Nacional de que o erro na base de cálculo não seria fundamento para a nulidade do lançamento por não estar previsto no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72; no mínimo, essa é uma interpretação bastante limitada dos vícios que podem acarretar a nulidade do ato administrativo; em se tratando de nulidades absolutas, ainda que não previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, não há como se admitir a manutenção do ato administrativo viciado, sob pena de cometimento de outra ilegalidade, que afeta diretamente o interesse público; as nulidades não correspondem apenas àquelas previstas nos incisos I e lI do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, mas incluem ainda outras hipóteses de nulidades, como o caso dos vícios materiais presentes no ato do lançamento; portanto, não estar o "erro na apuração da base de cálculo" elencado como causa de nulidade no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, não significa que o lançamento não deverá ser declarado nulo por esta razão; aliás, o erro na apuração da base de cálculo é, evidentemente, um erro de natureza material, relacionado à própria validade e à incidência da lei e que, portanto, viola o artigo 142 do Código Tributário Nacional, configurando uma nulidade absoluta; verificase, assim, que todos os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional devem restar improvidos, sendo de rigor a manutenção integral do acórdão recorrido; SUBSIDIARIAMENTE NECESSIDADE DE ANÁLISE DOS DEMAIS ARGUMENTOS DO RECURSO VOLUNTÁRIO na hipótese de não serem acatados os argumentos anteriores, o que se admite apenas para fins de argumentação, cabe esclarecer que a Recorrida, em seu recurso voluntário, argüiu ainda: (i) a impossibilidade de exigência do IRPJ e da CSLL com base no superávit por ela verificado, sem que haja a efetiva apuração do lucro real; e (ii) a ineficácia do Ato Declaratório n° 05G de 2003, que pretendeu a suspensão de sua imunidade tributária, para fundamentar a exigência de CSLL. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 12 11 ambos os argumentos, contudo, deixaram de ser apreciados pela Turma Julgadora deste Egrégio Conselho por restarem superados em decorrência da declaração de nulidade material do lançamento; caso, no entanto, essa Egrégia Turma entenda que não se verificou tal nulidade, o que, repitase, admitese apenas para fins de argumentação, tais argumentos devem ser apreciados, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa; IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL COM BASE NO SUPERÁVIT quanto à impossibilidade de exigência do IRPJ e da CSLL com base no superávit por ela verificado, sem que haja a efetiva apuração do lucro real, a Recorrida demonstrou que, na qualidade de associação beneficente sem fins lucrativos, apura déficit ou superávit de acordo com os ingressos e despesas, consoante normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Contabilidade CFC (NBCT 10.19). À evidência, tais conceitos não podem ser confundidos com prejuízo ou lucro líquido, dada a natureza jurídica particular de cada instituto, assim como em razão dos ajustes previstos na legislação comercial e fiscal para a apuração do lucro líquido; não obstante, conforme se infere às fIs. 178 do processo administrativo n° 18471.000221/200277, a autoridade fiscal utilizouse da apuração do "superávit" apresentado pela Recorrida, referente ao anocalendário de 1998, o qual foi elaborado com observância das disposições atinentes às entidades sem fins lucrativos e que permanece registrado em seus livros contábeis, como um suposto "lucro", a fim de constituir o crédito tributário, ao qual denomina "Resultados Operacionais Não Declarados"; todavia, o superávit das entidades sem fins lucrativos não traduz o conceito de lucro real passível de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, sistemática que requer a elaboração de demonstrações financeiras segundo as leis comerciais e fiscais, não havendo como equiparar os superávits apurados na escrituração das entidades imunes com o lucro. A esse respeito, cabe ressaltar que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais já reconheceu a ilegitimidade de se utilizar o superávit como base de calculo do IRPJ e da CSLL (CSRF Acórdão nº 010100.605, ementa transcrita); resta claro que o superávit não se confunde com o lucro líquido, de forma que a autoridade autuante não poderia utilizar o superávit apurado pela Recorrida como base de cálculo do IRPJ e da CSLL; inclusive, a esse respeito, quando da análise do caso, o conselheiro relator do acórdão recorrido chegou a manifestar o seu entendimento de que não seria correto utilizar o superávit como lucro real para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, mas que essa questão, não obstante, estava superada em razão da nulidade do lançamento; caso seja ultrapassada a nulidade já declarada, essa matéria deve ser apreciada; INEFICÁCIA DO ATO DECLARATÓRIO N° 05G DE 2003 PARA FUNDAMENTAR A EXIGÊNCIA DE CSLL Fl. 736DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 13 12 o auto de infração foi lavrado para a cobrança de débitos de IRPJ e de CSLL do anocalendário de 1998, após a suspensão da imunidade em relação ao IRPJ veiculada pelo Ato Declaratórion° 05G de 2003; é fácil constatar que o referido Ato Declaratório não é eficaz para fins de CSLL, ou seja, não importa em suspensão da imunidade tributária da Recorrente em relação à CSLL; a própria autoridade julgadora de primeira instância já havia observado esse fato (transcrição contida nas contrarrazões); apesar disso, a autoridade julgadora deixou de reconhecer a nulidade do auto de infração de CSLL, sob a alegação de que esse ,lançamento seria reflexo do lançamento principal de IRPJ, de modo que, suspensa a imunidade para o IRPJ, não poderia a fiscalização, de ofício, deixar de fora do campo de incidência tributária o lançamento decorrente (CSLL); mas a regra de decorrência da CSLL em relação ao IRPJ verificase apenas em relação às normas de apuração e de pagamento desses tributos, o que não é a hipótese ora analisada, que diz respeito à aplicação de uma imunidade tributária; e nem poderia haver uma regra de decorrência em relação a essa matéria de imunidade, visto que, em se tratando de imunidade tributária, a norma de concessão deve estar prevista na Constituição Federal, sendo que a Constituição Federal de 1988 traz regra de imunidade específica para cada um desses tributos. Enquanto a imunidade do IRPJ está prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal, a segunda encontra fulcro no artigo 195, parágrafo 7°, da Constituição Federal. Inclusive, os requisitos legais extrínsecos para fruição dessas imunidades também são distintos, encontrando suporte legal diverso; portanto, ao suspender a imunidade tributária para fins de IRPJ em razão do não atendimento aos requisitos específicos para sua fruição, evidentemente não se pode chegar à mesma conclusão de que os requisitos para fruição da imunidade tributária da CSLL não teriam sido atendidos; ao analisar esse tema, o conselheiro relator do acórdão recorrido, mais uma vez, reconheceu a procedência do argumento da Recorrida, destacando que a suspensão da sua imunidade foi reconhecida apenas quanto ao IRPJ, não fazendo qualquer menção à CSLL, sendo certo, inclusive, que o fundamento legal para a suspensão da referida imunidade (artigo 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal) não se aplicaria à CSLL; logo, também por essa razão deve ser reconhecida a nulidade do lançamento de CSLL; DO PEDIDO diante o exposto, a Recorrida requer não seja conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional, uma vez que o acórdão paradigma apresentado traz situação fática completamente distinta da discutida nestes autos, o que, considerando o entendimento pacífico desta Corte, impede o seu prosseguimento; caso, contudo, o recurso especial da Fazenda Nacional seja conhecido, a Recorrida requer seu integral desprovimento, tendo em vista a efetiva nulidade material do Fl. 737DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 14 13 lançamento que pretende a exigência do lucro real com base na apuração anual, quando a regra estabelece a apuração trimestral; subsidiariamente, caso o recurso especial da Fazenda Nacional seja conhecido e seja superada a referida nulidade, seja negado provimento a esse recurso, visto que o lançamento encontrase, ainda, eivado de nulidade pelas seguintes razões: (i) impossibilidade de exigência do IRPJ e da CSLL com base no superávit, sem que haja a efetiva apuração do lucro real; e (ii) ineficácia do Ato Declaratório nº 05G de 2003 para fundamentar a exigência de CSLL. É o relatório. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 15 14 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e CSLL sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1998. A apuração dos tributos se deu com base no lucro real anual. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito à divergência jurisprudencial relativamente à nulidade do lançamento por erro na periodicidade de apuração desses tributos. De acordo com o acórdão recorrido, a autoridade fiscal, ao suspender a imunidade da contribuinte, deveria ter realizado o lançamento pelo lucro real trimestral, que é a regra geral prevista nos arts. 1º e 2º da Lei nº 9.430/1996, e não pelo lucro real anual. A PGFN pretende reverter essa decisão, indicando paradigma que, diante de uma situação semelhante, ou seja, de erro na periodicidade de apuração de tributos (no caso, PIS e COFINS), não cancelou o lançamento por vício de nulidade, mas apenas retificou as bases de cálculo. Em sede de contrarrazões, a contribuinte apresenta preliminar de não conhecimento do recurso. Realmente, as situações examinadas pelas decisões cotejadas (acórdão recorrido e acórdão paradigma) não são idênticas, mas cabe verificar em que medida as diferenças entre essas situações comprometem a caracterização de divergência jurisprudencial a ser dirimida por processamento de recurso especial. O acórdão recorrido cancelou lançamento de IRPJ/CSLL pelo lucro real anual, entendendo que a autuação fiscal deveria ter sido realizada pelo lucro real trimestral, que é a regra geral para a apuração desses tributos. O acórdão paradigma, por sua vez, tratou de lançamento de PIS e COFINS realizado por períodos trimestrais, enquanto a lei estabelece períodos mensais para a apuração dessas contribuições. No caso do paradigma, a decisão do CARF não cancelou o lançamento por vício de nulidade, mas apenas retificou as bases de cálculo, de acordo com os meses correspondentes ao momento em que a autoridade fiscal considerou ocorrido o fato gerador: Considerouse, na linha aqui esposada, que, não obstante a indicação incorreta dos períodos de apuração, cada um dos meses correspondentes ao momento em que a autoridade fiscal considerou ocorrido o fato gerador, efetivamente era indicativo de tal ocorrência, porém, em montantes inferiores aos apontados nas peças acusatórias, eis que ali estavam Fl. 739DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 16 15 incluídas receitas que correspondiam a meses distintos do indicado como sendo o correspondente à concretização da hipótese de incidência. O entendimento lá manifestado foi no sentido de que, como o auto de infração apontava a ocorrência de fatos geradores em março, junho, setembro e dezembro (períodos trimestrais), seria possível manter a autuação para esses meses, apenas ajustando a base de cálculo para que ela representasse o faturamento do mês indicado no auto de infração, e não do trimestre. Não se desconhece que cada tributo tem uma regra específica que define seu período de apuração. Mas a divergência aqui, da forma como foi suscitada pela PGFN, não repousa sobre a aplicação de uma dessas regras específicas do IRPJ, do PIS, ou de qualquer outro tributo. A divergência, nesse caso, se daria em relação à conseqüência pela não observância da periodicidade legal para a apuração do tributo (de qualquer tributo). O acórdão recorrido entendeu que a não observância da regra de periodicidade para o IRPJ/CSLL implicou na nulidade do lançamento por vício material, enquanto que o paradigma não decretou a nulidade da autuação de PIS/COFINS, mas apenas retificou as bases de cálculo, de acordo com os meses correspondentes ao momento em que a autoridade fiscal considerou ocorrido o fato gerador. O problema para a caracterização da alegada divergência é que não há como comparar ajustes na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS com ajustes na base de cálculo de IRPJ/CSLL. Os ajustes feitos no paradigma não são aplicáveis ao acórdão recorrido. No caso de lançamento de PIS/COFINS, havendo indicação do faturamento de cada mês que compõem um determinado trimestre, o ajuste da base de cálculo trimestral para base de cálculo mensal é operação simples, plenamente viável na atividade de revisão pela autoridade julgadora, mediante simples exclusão dos valores excedentes. O mesmo tipo de ajuste não pode ser feito para IRPJ/CSLL, que incidem sobre uma base de cálculo bem mais complexa. No caso de IRPJ/CSLL, transformar uma apuração anual em apuração trimestral implica em novo trabalho de auditoria fiscal, que muito ultrapassa os limites da atividade revisional dos órgãos julgadores. A própria argumentação desenvolvida pela PGFN em seu recurso denota esse problema. É que a PGFN, embora tenha trazido paradigma que considerou adequado e possível fazer pequenos ajustes na base de cálculo de PIS/COFINS para corrigir a periodicidade na apuração dessas contribuições, defende, no caso do acórdão recorrido, uma linha de argumentação que só se viabiliza pela manutenção integral do lançamento. De acordo com a PGFN, a fiscalização tomou a providência mais consentânea com as normas aplicáveis ao caso, o que tornaria dispensável a opção formal do contribuinte pelo regime de tributação anual (que foi o adotado pela fiscalização). Fl. 740DF CARF MF Processo nº 18471.002773/200309 Acórdão n.º 9101002.474 CSRFT1 Fl. 17 16 Ao final do recurso, a PGFN apresenta um pedido subsidiário de revisão/ ajuste no lançamento de IRPJ/CSLL, para sanar "eventuais equívocos" na determinação da matéria tributável, o que dá uma idéia de proximidade/semelhança entre os casos cotejados. Mas ela não dá nenhum esclarecimento de como fazer esse ajuste no âmbito de apuração do lucro real. O que ela defende mesmo é a manutenção integral do lançamento (pelo lucro real anual), e não é esse o sentido do acórdão paradigma apresentado. A própria PGFN indica que os registros contábeis não permitiram que se calculasse o lucro real trimestral. E se isso não era possível de ser realizado na fase de auditoria fiscal, menos ainda é na atividade revisional do órgão julgador, mediante pequenos ajustes na base de cálculo para compatibilizála com o período de apuração previsto na lei. A argumentação desenvolvida pela PGFN em seu recurso denota que a caracterização da divergência que ela pretendeu suscitar dependeria da apresentação de paradigma que mantivesse a apuração pelo lucro real anual (em vez do lucro real trimestral, ou do lucro arbitrado), mesmo o contribuinte não tendo feito opção por essa forma de tributação. Não é disso que trata o paradigma. O paradigma realizou pequenos ajustes na base de cálculo para corrigir a periodicidade na apuração de PIS/COFINS, procedimento que não é aplicável ao lançamento de IRPJ/CSLL. Não há paralelo entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido que permita a caracterização de divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Os contextos fáticos distintos justificam as diferentes decisões. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 741DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904221/2009-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente CRISTINA APARECIDA FREDERICH & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 21 /2 00 9- 17 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904221/200917 Acórdão n.º 9303004.086 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3303002.508, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 269DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904221/200917 Acórdão n.º 9303004.086 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904221/200917 Acórdão n.º 9303004.086 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904221/200917 Acórdão n.º 9303004.086 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904221/200917 Acórdão n.º 9303004.086 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904221/200917 Acórdão n.º 9303004.086 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904221/200917 Acórdão n.º 9303004.086 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10930.903576/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 02/12/2005
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 02/12/2005 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.903576/201225 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.547 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria COFINS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente WYNY DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 02/12/2005 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 76 /2 01 2- 25 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903576/201225 Acórdão n.º 3402003.547 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.918, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903576/201225 Acórdão n.º 3402003.547 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903576/201225 Acórdão n.º 3402003.547 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903576/201225 Acórdão n.º 3402003.547 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903576/201225 Acórdão n.º 3402003.547 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.720043/2008-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO ECOLÓGICA. COMPROVAÇÃO.
Além da apresentação do ADA, é requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural referente à área de preservação ecológica a apresentação de ato declaratório de órgão competente, federal ou estadual. Hipótese em que inexiste tal ato quanto à área objeto de glosa.
Numero da decisão: 9202-004.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra. Julgamento iniciado em 27/10/2016 e concluído dia 24/11/2016.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercicio
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO ECOLÓGICA. COMPROVAÇÃO. Além da apresentação do ADA, é requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural referente à área de preservação ecológica a apresentação de ato declaratório de órgão competente, federal ou estadual. Hipótese em que inexiste tal ato quanto à área objeto de glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 00 43 /2 00 8- 73 Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10855.720043/200873 Acórdão n.º 9202004.577 CSRFT2 Fl. 726 2 Votaram pelas conclusões os Conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra. Julgamento iniciado em 27/10/2016 e concluído dia 24/11/2016. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercicio (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2201002.350, prolatado pela 1a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção deste CARF, na sessão plenária de 19 de março de 2014 (efls. 590 a 600). Ali, por unanimidade de votos, rejeitouse a preliminar e, no mérito, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia que entender desnecessário. Não se configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia. ITR. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA). REQUISITOS. Para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como Área de Proteção Ambiental aquelas assim declaradas, em caráter especifico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. Comprovada por meio de laudo técnico, devese reconhecer a área de preservação permanente, corretamente indicada pela autoridade julgadora de primeira instância. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO MANTIDO. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10855.720043/200873 Acórdão n.º 9202004.577 CSRFT2 Fl. 727 3 Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533),demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Decisão: por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para acrescentar à Área de Preservação Permanente APP aceita pela Fiscalização o montante de 184,47 hectares. Enviados os autos à contribuinte, para fins de ciência, ocorrida em 24/07/2014 (efl. 621), esta apresentou, em 07/08/2014 (efl. 623), Recurso Especial (efls. 623 a 649 e anexos), com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. Embora contivesse o pleito da recorrente alegações de divergência interpretativa quanto a três diferentes matérias, restou admitido tão somente quanto ao reconhecimento da área de 7.060,90 ha declarada como de preservação permanente (Área de Proteção Ambiental de Itupararanga), conforme exame de admissibilidade de efls. 700 a 709. Quanto à matéria admitida, alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 2a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF, através do Acórdão 2102001.848, prolatado em 12 de março de 2012, e, ainda, em relação ao decidido pela mesma Turma na mesma data, agora através do Acórdão 2102001.849, cujas ementas e decisões encontramse a seguir transcritas: Acórdão 2102001.848 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Anocalendário: 2003 NÃO PROSPERA A ARGUMENTAÇÃO DE NULIDADE DO TRABALHO FISCAL OU MESMO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO, QUANDO PRESENTES TODOS OS ELEMENTOS QUE EMBASAM O TRABALHO FISCAL E AS DECISÕES PROFERIDAS. DESNECESSIDADE DE PERÍCIAS OU DILIGENCIAS. Não há nulidade do trabalho fiscal, tão pouco do processo administrativo, quando neles presentes todos os elementos que embasam o trabalho fiscal que ensejou a exigência do imposto, não vislumbrando assim, necessidade de perícia ou qualquer procedimento para que as decisões sejam validamente proferidas. ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. PROVIDO O RECURSO. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10855.720043/200873 Acórdão n.º 9202004.577 CSRFT2 Fl. 728 4 As áreas de Proteção Ambiental e de Preservação Permanente, devidamente comprovadas através de diploma legal estadual e constantes em ADA Ato Declaratório Ambiental, em data que precedeu ao trabalho fiscal, não estão sujeitas à tributação do imposto, devendo assim, ser afastada a pretensão fiscal. O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE. O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes com documentos que evidenciem circunstancias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso. Decisão: por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente, nos termos do voto do relator. Acórdão 2102001.849 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Anocalendário: 2005 NÃO PROSPERA A ARGUMENTAÇÃO DE NULIDADE DO TRABALHO FISCAL OU MESMO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO, QUANDO PRESENTES TODOS OS ELEMENTOS QUE EMBASAM O TRABALHO FISCAL E AS DECISÕES PROFERIDAS. DESNECESSIDADE DE PERÍCIAS OU DILIGENCIAS. Não há nulidade do trabalho fiscal, tão pouco do processo administrativo, quando neles presentes todos os elementos que embasam o trabalho fiscal que ensejou a exigência do imposto, não vislumbrando assim, necessidade de perícia ou qualquer procedimento para que as decisões sejam validamente proferidas. ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. PROVIDO O RECURSO. As áreas de Proteção Ambiental e de Preservação Permanente, devidamente comprovadas através de diploma legal estadual e constantes em ADA Ato Declaratório Ambiental, em data que precedeu ao trabalho fiscal, não estão sujeitas à tributação do imposto, devendo assim, ser afastada a pretensão fiscal. O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE. O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10855.720043/200873 Acórdão n.º 9202004.577 CSRFT2 Fl. 729 5 com documentos que evidenciem circunstancias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso. Decisão: por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente, nos termos do voto do relator. Em linhas gerais, argumenta a recorrente em sua demanda que: a) O entendimento do recorrido de que, para serem consideradas APP não submetida à tributação pelo ITR, as áreas objeto de glosa devem ser declaradas por Ato do Poder Público, nos termos da lei, está completamente equivocado, na medida em que a Recorrente atende plenamente aos requisitos impostos pela legislação, sendo que, apenas de início, a própria Área de Proteção Ambiental ("APA") de Itupararanga foi criada por meio de Lei Estadual de São Paulo n° 10.100, de 1o. de dezembro de 1998, posteriormente alterada pela Lei n° 11.579, de 02 de dezembro de 2003, objetivando o uso sustentável e a conservação ambiental de seu território; b) Cita que Recorrente já acostou aos autos em sua defesa, Declaração expedida em 14 de agosto de 2008 (efl. 289), pelo Diretor Executivo da Fundação Florestal do Estado de São Paulo, comprovando que da área total de 7.742,8 ha do Complexo de Itupararanga, 6.821,29 ha estão inseridos nos limites da APA de Itupararanga. Assim, entende a recorrente como inconteste que as Leis Estaduais n° 10.100, de 1998 e 11.579, de 2003, juntamente com a Declaração expedida pelo Diretor Executivo da Fundação Florestal do Estado de São Paulo, declaram, de forma inequívoca pela autoridade competente para tanto, tratarse de área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, e por isso, isentas de tributação pelo ITR, nos exatos termos exigidos pela legislação federal que regula a matéria; c) Ressalta ter apresentado cópias do Ato Declaratório Ambiental ADA do IBAMA, referente aos anos calendário de 1997 e 2007 (vide, a propósito efls. 32 a 36), conforme reconhecido pela própria Fiscalização e Acórdão recorrido, em que consta, expressamente, como área de preservação permanente o total de 7.060,9 hectares, ou seja, estamos diante de uma situação inequívoca em que o Poder Público IBAMA através da expedição do competente ato administrativo, ratificou as informações prestadas pelo contribuinte; d) Ressalta tratarem os paradigmas de caso análogo sobre o mesmo imóvel, onde se decidiu; a) ser válido o Parecer Técnico apresentado pelo contribuinte que atesta a ocupação de 90,38% da área total do imóvel por APP e APA e b) que é aplicável o benefício da isenção ao ITR mediante a comprovação das APP e APA constantes do ADA do IBAMA apresentado nos autos pela Recorrente, de modo que deve ser mantida a extensão de área não tributável indicada na DITR prestada pelo contribuinte; e) Salienta, por fim, que nada mais fez do que imputar as informações em sua DITR/2004, conforme já devidamente reconhecido por Ato do Poder Público ADA do IBAMA, além de corroborado por Laudo Técnico de profissional de engenharia, no cumprimento de suas obrigações tributárias. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10855.720043/200873 Acórdão n.º 9202004.577 CSRFT2 Fl. 730 6 Requer, assim, quanto à matéria admitida, que se reconheça a existência da área de preservação permanente e área de proteção ambiental no Complexo Ituparanga como não tributável pelo ITR. Encaminhados os autos à PGFN para fins de ciência em 04/11/2015 (efl. 717), apresentou, em 12/11/15 (efl. 724), contrarrazões de efls. 719 a 723, onde: a) Ressalta que, como bem observou o acórdão recorrido, diferentemente do que defende a contribuinte, para se obter a isenção tributária, não basta, simplesmente, reservar e/ou preservar e declarar, pois, essas áreas, além de existirem, atendendo à legislação ambiental, têm que estar documentadas, regularizadas e atualizadas, toda vez que assim a lei tributária exigir para serem contempladas com a isenção; b) Entende, assim, que para efeito de exclusão do ITR não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas assim declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como as situadas em APA, mas sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular, na forma da alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei 9.393/1996. Ou seja, somente devem ser aceitas as áreas contidas dentro dos limites da APA, aquelas assim declaradas em caráter especifico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. Para fins de ITR, a área de interesse ecológico não será considerada tributável, apenas e tão somente quando declarada como tal por órgão competente, federal ou estadual, com ampliação das restrições de uso relativas às áreas de preservação permanente e de reserva legal. Cita jurisprudência deste Conselho que sustentaria seu entendimento e requer, assim, que seja negado provimento ao Recurso Especial da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, prequestionamento, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, bem como caracterização de divergência interpretativa o recurso atende aos requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Passo, assim, à análise de mérito. Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: 19/12/2007 efl. 29; b) Demonstrativo contemplando a glosa efetuada pela autoridade fiscal na DITR efl. 8; Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10855.720043/200873 Acórdão n.º 9202004.577 CSRFT2 Fl. 731 7 c) ADA/1997 e ADA/2007 protocolizados, respectivamente, em 09/09/1998 e 28/08/2007 efls. 32 a 36; d) Laudo/Parecer anexado pela autuada efls. 48/68 e anexos. e) Declaração da Fundação Florestal do Estado de São Paulo efl. 289. Assim, o cerne da questão passa a ser a necessidade ou não de elementos adicionais aos carreados aos autos pela autuada, para fins de exclusão, a título de preservação permanente, da área glosada pela autoridade fiscal, argumentando a autuada ter comprovado que atendeu todos os requisitos legais para tal exclusão e, ainda, que tal área faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) Itupararanga. A propósito, como já tive oportunidade de manifestar em outros feitos, quando do julgamento em instância ordinária, entendo que a fruição da isenção de ITR, seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...) § 1o. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165 , de 2000)(g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. In casu, de se considerar cumprido o requisito de apresentação do ADA, a partir dos elementos de efls. 32 a 36 e, ainda, da inexistência de obrigatoriedade de sua apresentação anual até 2005. Também reconheço haver, nos autos, Laudo Técnico de efls. 48 a 68 e anexos relativo à área de preservação permanente, na forma do artigo 2°, da Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 (vigente à época do lançamento), com identificação da respectiva área e do imóvel a partir do memorial descritivo, contendo as coordenadas dos vértices definidores dos limites dos imóveis rurais, georreferenciadas ao Sistema Geodésico Brasileiro. Todavia, ainda que presentes tais elementos, entendo quanto à área de preservação permanente (APP) de interesse ecológico, assim entendidas aquelas APPs não definidas no art. 10, § 1º, inciso II, alíneas “a” , da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, haver o requisito adicional de emissão de ato declaratório por parte do órgão competente estadual ou federal, na forma do disposto art. 10, § 1º, inciso II, alínea “b” , daquela mesma Lei nº 9.393, de 1996, a seguir transcrito e que, notese, restou não cumprido pela contribuinte. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10855.720043/200873 Acórdão n.º 9202004.577 CSRFT2 Fl. 732 8 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a)... b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (g.n.), e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; No presente decisum, se está exatamente diante desta hipótese, uma vez que a glosa perpretada pela Fiscalização (2029,0 ha.) é composta das seguintes parcelas: a) 1.966,0 ha. (vide segundo demonstrativo de efl. 598), relativos à área constante da APA, mas não abrangida no conceito de APP estabelecido pela alínea "a" citada e constantes de laudo técnico; b) Ainda, área adicional da APA, não abrangida pela referida alínea "a", totalizando 63,0 ha., decorrentes diferença entre a área de APP indicada na DITR e aquela indicada pelo laudo como partes da APA e de APP, este último demonstrando um total de 6.997,9 ha. de APP e APA e não 7.060,9 ha., conforme declarado em DITR. Ou seja, tratase quanto a esta parcela de área não suportada pelo Laudo anexado aos autos. Para esta área (em litígio, a menos da concessão de 184,4766 ha. a título de APP, concedida pelo Colegiado a quo), com a devida vênia ao entendimento esposado pelos Colegiados paradigmáticos, entendo, em linha com o recorrido, que uma vez inexistente o referido ato específico do órgão competente, federal ou estadual, que, na forma da alínea "b" do art. 10, § 1º, inciso II da Lei no. 9.393, de 1996, amplie as restrições de uso previstas na alínea anterior do dispositivo legal aqui citado, impossível a exclusão da base de cálculo do ITR para a área em questão como área de interesse ecológico. Tratase, aqui, de requisito expresso estabelecido pelo legislador, o qual, em meu entendimento, não pode ser afastado por este CARF, em plena obediência ao princípio da legalidade. Ainda, noto que a declaração de efl. 289 não é capaz de suprir o referido requisito, uma vez que, notese, não se trata, ali, de qualquer ampliação de restrição de uso, mas de mera declaração de localização. Ainda a propósito, aqui, bastante esclarecedor acerca do tema são os itens 28 a 45 (efls. 518 a 522) do Acórdão de 1a. instância, os quais se adotam como razões de decidir adicionais: "(...) com relação à APP é importante esclarecer que existem dois tipos: a) áreas que em virtude da topografia das florestas e tipo de acidentes geográficos específicos são definidas por lei Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10855.720043/200873 Acórdão n.º 9202004.577 CSRFT2 Fl. 733 9 como APP e b) áreas que pela destinação são declaradas como APP por Ato do Poder Público. 29. No artigo 2o, do Código Florestal, se lista os locais de situação das florestas que, pelo só efeito dessa lei, se consideram APP: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 2 de 50 (cinqüenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinqüenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinqüenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18. 7.1989 ) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados olhos d'água, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinqüenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10855.720043/200873 Acórdão n.º 9202004.577 CSRFT2 Fl. 734 10 h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Redação dada pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989) (...) 31. Conforme artigo 30, do mesmo Código, dependendo da destinação existem outros tipos de florestas que, também, se consideram como APP. Vejamos o artigo: Art. 3° Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. 32. Entretanto, conforme esse dispositivo legal, para que tais áreas possam ser consideradas APP necessitam ser assim declaradas por Ato do Poder Público. 33. Neste aspecto, como já visto, o interessado pretende sustentar seus argumentos na lei da APA da represa de Itupararanga e demais leis que tratam de áreas de conservação, por entender que pelo fato de seu imóvel estar localizado no perímetro dessa área teria direito à isenção. Entretanto, este fato, por si só, não é justificativa suficiente para isentar do ITR toda a área do imóvel abrangida pela APA. Isto porque, não são para todas as áreas dos imóveis que se proíbe a exploração, posto que a legislação ambiental permite a exploração econômica de determinadas áreas do imóvel, desde que de forma planejada e regulamentada. Na própria legislação criadora da APA em foco se menciona do estabelecimento de plano de manejo e gestão da área, das restrições de uso industrial e habitacional. Nas diversas legislações que tratam de áreas de proteção, também, está claro que apenas as atividades potencialmente poluidoras, as de terraplanagem, entre outras, que ameacem extinguir as espécies de flora e fauna é que estariam proibidas. (...) Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10855.720043/200873 Acórdão n.º 9202004.577 CSRFT2 Fl. 735 11 35. Assim, fica entendido que as áreas contidas dentro dos limites da citada APA não podem ser, de maneira geral, automaticamente consideradas de interesse ecológico para efeito de exclusão do ITR. Dependendo, para tal fim, a declaração de APP da área específica por parte do Poder Público ou de laudo técnico informando a existência de APP listadas no Código Florestal, bem como do cumprimento das demais exigências legais previstas para cada tipo de área ambiental. Neste ponto, nos próprios laudos apresentados pela interessada se observa estes dois tipos de áreas. 36. Vejamos, com mais detalhes, esta parte dos documentos apresentados: Dos laudos constam informações de dimensões bem diferenciadas relativas a APP e APA, porém, como já explicado, a APA não se trata de área isenta; essa própria diferenciação atestada nos laudos já demonstra isso. Para sua isenção, a APA deve estar composta de APP conforme artigo 2o, do Código Florestal ou declarada como tal pelo Poder Público, conforme artigo 3o do mesmo código. 37. Das informações do laudo a Autoridade Fiscal considerou as dimensões relativas à APP e à área represada. 38. Para melhor análise, vejamos o seguinte quadro de distribuição de áreas do imóvel apresentado nos laudos: Represa (espelho d'água) 3.833,9107ha APP 1.013,5892ha APA Itupararanga 6.813,5185ha APP + APA Itupararanga 6.997,9951ha Área livre de APP ou APA 744,8049ha Área Total 7.742,8000ha 40. Procedendose a uma correta realocação dos dados acima, excluindo a represa da APA e identificando a dimensão de APP constante dessa área de proteção, é possível construir o seguinte demonstrativo, com destaque das APP: Represa (espelho d'água) 3.833,9107ha APP fora da APA 1.013,5892ha APP dentro da APA 184,4766ha APA diversa da APP 1.966,0186ha Área livre de APP ou APA 744,8049ha Área Total 7.742,8000ha 41. Deste quadro é possível calcular mais facilmente o total de APP que é igual a 1.198,0 ha (1.013,5892ha + 184,4766ha) (...) 42. Em razão disso, a diferença dessa dimensão de área não deveria estar declarada como isenta, pois, não se tratava de área passível dessa concessão, pois, entre outros descumprimento de requisitos legais, não foi apresentado ato do Poder Público declarandoa como APP, fato que configura declaração incorreta. (grifos não presentes no original). Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10855.720043/200873 Acórdão n.º 9202004.577 CSRFT2 Fl. 736 12 43. Desta forma, considerando que as atividades do servidor público estão vinculadas à lei, se constatado o não atendimento aos requisitos legais necessários para a isenção, as áreas declaradas como isentas devem ser glosadas, pois, em atendimento ao disposto no artigo 111, do Código Tributário Nacional — CTN, o dispositivo legal de concessão de benefício fiscal se interpreta restritivamente: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I — (..); II outorga de isenção; III — (..) 44. Portanto, a mencionada diferença de APP acima dos 1.198,0 ha está sujeita à tributação nos exercícios aqui tratados. Além disso, para efeito do ITR, deve ser enquadrada como área aproveitável do imóvel e não explorada pela atividade rural. 45. Entretanto, na NL foi aceita a dimensão de 4.847,4ha, pois, além da APP informada no confuso demonstrativo do laudo, foi considerada, também, a área alagada de 3.833,9ha (...)" Destarte, com base no acima disposto, entendo que se deva manter a glosa perpetrada pela fiscalização referente à área de preservação permanente declarada pela contribuinte, ressalvada somente a concessão adicional de 184,47 ha. de exclusão a título de APP, na forma já decidida pelo recorrido. Noto que a concessão da área alegada pela autoridade fiscal não está sob litígio, por se tratar de recurso do Contribuinte, vedada a reformatio in pejus. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 736DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002043/2001-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1989, 1990
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO. SEM EFEITO MODIFICATIVO.
Configurada a omissão e contradição na decisão recorrida, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir o vício apontado no acórdão embargado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-004.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos de declaração, para, sanando a contradição apontada, modificar o dispositivo do acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini- Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins- Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Ferreira Santana, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira.
Nome do relator: Márcio de Lacerda Martins
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-02-01T21:25:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-02-01T21:25:06Z; Last-Modified: 2017-02-01T21:25:06Z; dcterms:modified: 2017-02-01T21:25:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:0aa99e0d-54d8-4641-8d1d-673f2762a74e; Last-Save-Date: 2017-02-01T21:25:06Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-02-01T21:25:06Z; meta:save-date: 2017-02-01T21:25:06Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-02-01T21:25:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-02-01T21:25:06Z; created: 2017-02-01T21:25:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2017-02-01T21:25:06Z; pdf:charsPerPage: 926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-02-01T21:25:06Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 265 1 264 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.002043/200194 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401004.564 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2017 Matéria Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Embargante CONSELHEIRO MÁRCIO DE LACERDA MARTINS Interessado EXTRASUL EXTRATOS ANIMAIS E VEGETAIS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1989, 1990 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. SANEAMENTO. SEM EFEITO MODIFICATIVO. Configurada a omissão e contradição na decisão recorrida, acolhemse os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir o vício apontado no acórdão embargado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 20 43 /2 00 1- 94 Fl. 264DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos de declaração, para, sanando a contradição apontada, modificar o dispositivo do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Ferreira Santana, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10882.002043/200194 Acórdão n.º 2401004.564 S2C4T1 Fl. 266 3 Relatório Tratase de embargos de declaração tempestivamente opostos por este conselheiro, com fulcro no artigo 65, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria nº 343, de 2015, contra o acórdão nº. 2401004.520, proferido por esta Colenda 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção, datado de 22 de setembro de 2016, relativamente ao processo acima epigrafado. Ocorre que, em que pese o Colegiado ter decidido, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto (vencedor) do Conselheiro Carlos Alexandre Tortato, o dispositivo do julgamento no corpo do acórdão recorrido restou redigido de maneira equivocada, em contradição com o efetivamente decidido, razão pela qual merece a presente correção. Eis a Ata de Julgamento, publicada no sítio oficial deste Conselho: "Relator(a): MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo: 10882.002043/200194 Recorrente: EXTRASUL EXTRATOS ANIMAIS E VEGETAIS LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 2401004.520 Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Vencidos os conselheiros Márcio de Lacerda Martins(relator), Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO." Entretanto, o dispositivo correto para o acórdão deve ser: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins, Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini." Por essa razão, ante a contradição existente entre o dispositivo do acórdão embargado, registrado na ata, e o voto vencedor, se faz necessária a oposição destes aclaratórios, a fim de retificar o trecho acima mencionado do acórdão nº. 2401004.520. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Márcio de Lacerda Martins Relator 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Presidente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara admitiu os presentes embargos uma vez presentes os pressupostos do artigo 65, caput, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Constato a contradição entre os registros da Ata da sessão ocorrida em 22 de setembro de 2016 e o dispositivo do Acórdão. Ocorre que, em que pese o Colegiado ter decidido, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto (vencedor) do Conselheiro Carlos Alexandre Tortato, o dispositivo do julgamento no corpo do acórdão recorrido restou redigido de maneira equivocada, em contradição com o efetivamente decidido, razão pela qual merece a presente correção. Eis a Ata de Julgamento, publicada no sítio oficial deste Conselho: "Relator(a): MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo: 10882.002043/200194 Recorrente: EXTRASUL EXTRATOS ANIMAIS E VEGETAIS LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 2401004.520 Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, por maioria, negarlhe provimento. Vencidos os conselheiros Márcio de Lacerda Martins(relator), Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO." Entretanto, o dispositivo correto para o acórdão deve ser: (grifei) "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins, Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini." Por essa razão, ante a contradição existente entre o dispositivo do acórdão embargado, registrado na ata, e o voto vencedor, se faz necessária a oposição destes aclaratórios, a fim de retificar o trecho acima mencionado do acórdão nº. 2401004.520 Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10882.002043/200194 Acórdão n.º 2401004.564 S2C4T1 Fl. 267 5 Assim, configurada a contradição na decisão recorrida, devese acolher os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para suprir os vícios apontados no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins. Fl. 268DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.903649/2012-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 29/11/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 49 /2 01 2- 89 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903649/201289 Acórdão n.º 3402003.619 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.991, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903649/201289 Acórdão n.º 3402003.619 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903649/201289 Acórdão n.º 3402003.619 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903649/201289 Acórdão n.º 3402003.619 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903649/201289 Acórdão n.º 3402003.619 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915969/2008-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/1999
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/1999 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/1999 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 69 /2 00 8- 38 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915969/200838 Acórdão n.º 9303003.985 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.868, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915969/200838 Acórdão n.º 9303003.985 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915969/200838 Acórdão n.º 9303003.985 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915969/200838 Acórdão n.º 9303003.985 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915969/200838 Acórdão n.º 9303003.985 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915969/200838 Acórdão n.º 9303003.985 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915969/200838 Acórdão n.º 9303003.985 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.721528/2012-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2011
AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. COMPATIBILIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração (Súmula CARF nº 48), tampouco é nulo o lançamento que tem por objeto crédito tributário depositado judicialmente.
DECISÃO JUDICIAL. EFEITO REPETITIVO. INOCORRÊNCIA.
No julgamento proferido no âmbito do Recurso Especial nº 1.140.956-SP, não foi apreciada a possibilidade de lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, em face de crédito tributário objeto de depósito judicial integral.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e negado
Numero da decisão: 9202-004.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Apresentará declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Apresentará declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente em exercício (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra e Maria Helena Cotta Cardozo.
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SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. COMPATIBILIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração (Súmula CARF nº 48), tampouco é nulo o lançamento que tem por objeto crédito tributário depositado judicialmente. DECISÃO JUDICIAL. EFEITO REPETITIVO. INOCORRÊNCIA. No julgamento proferido no âmbito do Recurso Especial nº 1.140.956SP, não foi apreciada a possibilidade de lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, em face de crédito tributário objeto de depósito judicial integral. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Apresentará declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 15 28 /2 01 2- 15 Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Gerson Macedo Guerra e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Auto de Infração por meio do qual se exige Imposto de Renda na Fonte incidente sobre a operação de conversão de ações em depositary receipts (certificados de depósito), efetuada em 10/09/2010 (fls. 837/842). Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 843/888), a Contribuinte questionou judicialmente a exigência, por meio do Mandado de Segurança nº 001922046.2010.4.036100, impetrado em 14/09/2010, tendo sido efetuado depósito judicial nessa data. Em sessão plenária de 16/07/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2201002.435, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2011 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1. “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 48. “A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração”. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. Não há previsão legal ou normativa, fora dos casos previstos no Regimento Interno do CARF, para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, em face da existência de processo judicial em que se discute o mérito do lançamento." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, na parte concomitante com ação judicial e, na parte conhecida, negarlhe provimento." Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.721528/201215 Acórdão n.º 9202004.303 CSRFT2 Fl. 1.232 3 Cientificado do acórdão em 05/09/2011 (Termo de Abertura de Documento no eCAC fls. 1.104), o Contribuinte opôs, em 11/09/2014, os Embargos de Declaração de fls. 1.107 a 1.115, rejeitados conforme o Despacho de Admissibilidade de Embargos de fls. 1.142 a 1.144. Intimado da rejeição de seus Embargos em 07/11/2014 (Termo de Abertura de Documento no eCAC fls. 1.148), o Contribuinte interpôs, em 19/11/2014, o Recurso Especial de fls. 1.151 a 1.164, com fundamento nos artigos 64, inciso II, e 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, suscitando a nulidade do Auto de Infração, tendo em vista a existência de depósito judicial. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi dado seguimento, conforme o Despacho de Admissibilidade de 18/02/2015 (fls. 1.215 a 1.218). No Recurso Especial, o Contribuinte apresenta os seguintes argumentos, em resumo: no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (entre os quais está incluído o Imposto sobre a Renda), quando o contribuinte, verificando a ocorrência do fato gerador, calcula o montante devido e realiza o depósito judicial, ele constitui definitivamente o crédito tributário, nos termos do artigo 150 do CTN; Isso porque, nessa hipótese, verificase a "típica atividade exercida pelo contribuinte" (que, de acordo com o mencionado dispositivo, representa um ato de lançamento), no qual o depósito do tributo equivale ao pagamento antecipado e o substitui; assim, tendo em vista que, quando há depósito judicial, o crédito tributário é constituído pelo contribuinte (auto lançamento), é desnecessário e indevido o lançamento de ofício por parte da Autoridade Fiscal; confirase, neste sentido, o entendimento esposado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando da prolação dos acórdãos paradigmas n°s 3201000.640 e 1201000.887, os quais, frisese, são posteriores à edição da Súmula CARF n° 48, suscitada no acórdão recorrido: Acórdão nº 3201000.640 Relator: Marcelo Ribeiro Nogueira "DEPÓSITO JUDICIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO FORMAL PELO FISCO. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O depósito judicial do montante integral pelo contribuinte substitui o lançamento, nos tributos por homologação, sendo desnecessário o lançamento para prevenir a decadência." Acórdão nº 1201000.887 Relator: Roberto Caparroz de Almeida "DEPÓSITO JUDICIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO FORMAL PELO FISCO. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O depósito judicial do montante integral pelo contribuinte substitui o lançamento, nos tributos por homologação, sendo desnecessário o lançamento para prevenir a decadência." A propósito, importante transcrever trecho do voto condutor do acórdão paradigma n° 3201000.640,: "Durante anos houve debate sobre a necessidade e dever do Poder Público lançar valores depositados para prevenir a decadência. Naqueles tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando o contribuinte efetua o depósito integral do débito restou pacificada no Superior Tribunal de Justiça a desnecessidade de constituição do crédito por meio do lançamento, uma vez que o contribuinte já teria feito a apuração e o recolhimento/depósito do valor devido. (...) Assim, o depósito integral do montante do tributo, efetuado pelo contribuinte, além de suspender a exigibilidade do crédito tributário, torna desnecessária a constituição do crédito pelo lançamento. Isto porque aquela Corte Superior entendeu que o depósito corresponde a um lançamento tácito, porque o sujeito passivo procede ao cálculo do tributo e coloca o montante correspondente em dinheiro à disposição do Fisco. Desta forma, o lançamento só será necessário quando o depósito não for integral. Além disso, mais recentemente, o Superior Tribunal de Justiça adotou o procedimento previsto no artigo 543C do CPC, o qual deve ser observado por este Colegiado, na forma do disposto no artigo 62A, introduzido na nova redação emprestada ao Regimento Interno deste CARF, pela Portaria n° MF n° 586, de 21 de dezembro de 2010 (publicada no DOU de 22.12.2010). Foi a seguinte ementa adotada por aquela Corte Superior: (...) Por esta razão, VOTO por dar provimento ao recurso e considerar o auto de infração nulo." (g.n.) ora, conforme descrito no voto acima colacionado, de fato, o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, consolidou o entendimento no sentido de aue em tais casos não há necessidade da lavratura de auto de infração pela autoridade fiscal, nos termos acima expostos, confirase: "É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidadeautuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidadeexecução Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.721528/201215 Acórdão n.º 9202004.303 CSRFT2 Fl. 1.233 5 Os editos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso propostas, deverá ser extinta. [...]". (RESP n° 1140956 g.n.) dessa forma, como bem reconhecido nos paradigmas ora suscitados, e em observância ao disposto no artigo 62A do RICARF, não haveria razão à lavratura do presente auto de infração, uma vez que o crédito tributário já se encontrava constituído através do depósito realizado pelo Recorrente nos autos da Ação Judicial; de fato, o Contribuinte realiza todas as atividades que caracterizam o lançamento, quais sejam, (i) calcula o valor do tributo e (ii) efetua o pagamento, ou, no caso de tal cobrança não ser devida, (iii) substitui o "pagamento antecipado" pelo depósito judicial em montante integral, ou seja, o ato administrativo do lançamento tornase desnecessário, uma vez que suprido pelo próprio contribuinte; a Fazenda Nacional, por sua vez, aceitando como integral o depósito para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, anui expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no artigo 150, § 4°, do CTN; ademais, há que se consignar que, diferentemente do que entendeu a Turma Julgadora, não é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário que impede a lançamento fiscal por meio do Auto de Infração, mas a constituição do crédito tributário por meio do depósito integral realizado pelo contribuinte; e mesmo que assim o fosse, da interpretação do disposto no artigo 151 do CTN, depreendese que a existência de medida judicial com provimento que suspenda a exigibilidade do crédito tributário (hipótese da Súmula 48 do CARF) e o depósito do montante integral devido, são hipóteses diversas; deveras, a Súmula nº 48 do CARF não se amolda à atuação descrita nos presentes autos, uma vez que não é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial que impede a lavratura do auto de infração, mas sim a constituição do crédito tributário pelo próprio contribuinte, por meio do depósito judicial efetuado pelo Recorrente; verificase, portanto, que o entendimento esposado no acórdão recorrido, no sentido de manter incólume o lançamento fiscal, não merece prosperar, uma vez que o presente auto de infração é, de fato, nulo, posto que o Recorrente já havia efetuado depósito integral do valor exigido, constituindo o crédito tributário; assim, é evidente a desnecessidade e a nulidade do lançamento objeto do presente processo, uma vez que o crédito tributário já havia sido constituído pelo depósito judicial ("pagamento antecipado") efetuado pelo Recorrente; portanto, conforme jurisprudência deste Conselho, emanada dos acórdãos paradigmas acima colacionados, bem como do entendimento pacificado no STJ, na sistemática do artigo 543C do CPC, há que se reconhecer a necessidade de reforma do acórdão recorrido, uma vez que, claramente, o depósito integral realizado pelo Recorrente nos autos da Ação Judicial constituiu o crédito Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 tributário em discussão, tornando desnecessário e imotivado o ato administrativo, ensejando, assim, a declaração de nulidade do auto de infração originário do presente processo administrativo; Ao final, o Contribuinte pede o conhecimento e provimento do recurso, para que seja cancelado o Auto de Infração. O processo foi encaminhado à Fazenda Nacional em 24/02/2015 (Despacho de Encaminhamento fls. 1.219) e, em 10/03/2015, foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 1.220 a 1.228 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.229), contendo os seguintes argumentos, em síntese: nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é ato administrativo de caráter vinculado e obrigatório, não podendo a autoridade fiscal eximirse de efetuálo, mesmo que existente hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário (art. 151, CTN), sob pena de responsabilidade funcional (cita doutrina de Alberto Xavier); com efeito, nada impede que o Fisco, com vistas a prevenir a decadência, proceda ao lançamento quando o contribuinte, antes do procedimento fiscal, busca a tutela jurisdicional para deixar de recolher, total ou parcialmente, determinado tributo, realizando os respectivos depósitos judiciais integrais, conforme preceitua o art. 63 da Lei 9.430, de 1996; a jurisprudência dos Tribunais Superiores não diverge dessa linha de pensamento, confirase: “TRIBUTÁRIO. ICM. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. (destacouse) 4. Recurso especial provido.” (STJ, REsp 260040 / SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ 14.12.2006 p. 330) “TRIBUTÁRIO IPI FORMA DE APURAÇÃO CORREÇÃO MONETÁRIA – DL 2.450/88 E LEI 7.799/89 CTN, ART. 151, II DEPÓSITO JUDICIAL SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO POSSIBILIDADE NÃO OCORRÊNCIA DECADÊNCIA LEVANTAMENTO DOS VALORES DEPOSITADOS IMPOSSIBILIDADE ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA PRECEDENTES. Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.721528/201215 Acórdão n.º 9202004.303 CSRFT2 Fl. 1.234 7 O depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário impugnado, nos termos do art. 151, II, do CTN, mas não impede que a Fazenda proceda ao lançamento e, muito menos, que se abstenha de lavrar novas autuações sob o mesmo fundamento, paralisando apenas a execução do crédito controvertido.(destacouse) Transcorrido o prazo decadencial de cinco anos (art. 150, § 4º, do CTN), insuscetível de interrupção ou suspensão, e não efetuado o lançamento dos valores impugnados e depositados em juízo, há que se reconhecer a decadência do direito do fisco efetuar a constituição do crédito tributário. A jurisprudência deste Tribunal Superior firmou o entendimento no sentido de que o depósito para suspender a exigibilidade do crédito tributário só pode ser convertido em renda da UNIÃO, ou devolvido ao contribuinte, após o trânsito em julgado da sentença. Recurso especial prejudicado ante a superveniente perda de objeto.” (STJ, REsp 464343 / DF, rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, DJ 30.03.2006 p. 190) Citese, ainda, entendimento do CARF: Acórdão 1101001.135 Sessão de 05/06/2014 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO DEPOSITADO JUDICIALMENTE. LANÇAMENTO. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. INOCORRÊNCIA. No julgamento proferido no âmbito do Recurso Especial nº 1.140.956/SP não foi apreciada a possibilidade de lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, em face de crédito tributário objeto de depósito judicial integral. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. Embora desnecessário, não é nulo o lançamento que tem por objeto crédito tributário depositado judicialmente. JUROS DE MORA. Não são devidos juros de mora sobre o crédito tributário objeto de depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 SOBRESTAMENTO. Se o julgamento do litígio administrativo não depende do julgamento da ação judicial, é desnecessário o sobrestamento. Acórdão 10707.992 Sessão de 16/03/2005 NULIDADE DE LANÇAMENTO. Não provada a violação das disposições contidas no art. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. Não há que se falar em nulidade do lançamento. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. O depósito judicial do montante integral do crédito tributário, nos termos do inciso II do art. 151 do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas, não impede a formalização do lançamento para prevenção de decadência. Acórdão 20307064 Sessão de 25/01/2001 PIS DEPÓSITOS JUDICIAIS CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE LANÇAMENTO PARA PREVINIR A DECADÊNCIA POSSIBILIDADE Quando o contribuinte, antes de procedimento fiscal, busca a tutela jurisdicional para deixar de recolher, total ou parcialmente, determinado tributo, realizando os respectivos depósitos judiciais, nada impede o Fisco, com vistas a prevenir a decadência, proceder o respectivo lançamento, cuja cobrança só poderá ser implementada após o trânsito em julgado da decisão judicial. PRAZO DE RECOLHIMENTO Com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis trs 2.445/88 e 2.449/88, o prazo de recolhimento da Contribuição para o PIS deve ser aquele previsto na Lei Complementar n° 07/70 e na legislação posterior que a alterou (Lei n° 8.019/90, originada da conversão das MPs trs 134/90 e 147/90, e Lei n 8.218/91, originada da conversão das MPs n°s 97/91 e 298/91), normas essas que não foram objeto de questionamento, e, portanto, permanecem em vigor. Incabível a interpretação de que tal contribuição deva ser calculada com base no faturamento do sexto mês anterior. Recurso negado. Acórdão nº 3403003.017 “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 16/04/2008, 08/05/2008, 11/04/2012 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MATÉRIA DISCUTIDA JUDICIALMENTE. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA 1/CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.721528/201215 Acórdão n.º 9202004.303 CSRFT2 Fl. 1.235 9 a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTO FISCAL. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O lançamento fiscal efetuado para prevenção da decadência não é nulo na hipótese de existir depósito judicial buscando garantir eventual exigência, ainda mais se os montantes depositados divergem dos lançados. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. TRIBUTOS. CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL. A partir da edição da Lei no 10.833/2003, passou a ser possível a cumulação da multa substitutiva do perdimento com tributos incidentes na importação, na excepcional hipótese em que as mercadorias sejam entregues ao importador (v.g. por força de decisão judicial) e incorporadas à economia nacional, impossibilitando nova apreensão por não localização, consumo o revenda. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário apresentado na parte em que há concomitância com processo judicial e, na parte conhecida, em negar provimento.” à luz da jurisprudência acima destacada, não se justifica o cancelamento da exigência, posto que a existência de depósito judicial das quantias objeto da cobrança não impede o lançamento; o lançamento foi realizado por agente competente, o ato reúne os requisitos expressos na art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e veicula crédito tributário ainda não extinto, logo não há que se falar em nulidade, sendo o Auto de Infração plenamente válido; por fim, cumpre destacar que a manutenção do Auto de Infração não traz qualquer prejuízo para o Contribuinte, eis que não lhe será efetuada qualquer exigência antes do trânsito em julgado do processo judicial; por outro lado, o cancelamento do Auto de Infração pode trazer prejuízos irreparáveis à Fazenda Nacional, eis que, em que pese não seja o procedimento normal, sabese que, por vezes, o Poder Judiciário autoriza o levantamento dos valores depositados judicialmente antes do trânsito em julgado do processo. nesse contexto, devidamente demonstrada a inexistência de nulidade, resta clara a necessidade de manutenção do lançamento, tal como decidido pelo Colegiado a quo. Ao final, a Fazenda Nacional pede que se negue provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o acórdão recorrido Voto Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração por meio do qual se exige Imposto de Renda na Fonte, lavrado unicamente para prevenir a decadência, tendo em vista o depósito do montante integral, conforme registrado na respectiva peça de autuação (fls. 837): "O crédito tributário constituído por meio do presente auto de infração está com a exigibilidade suspensa por força de depósito do montante integral efetuado nos autos do processo nº 001922046.2010.4.03.6100 da 8ª Vara Federal (art. 151, incisos II e IV do CTN)." O Contribuinte suscita a nulidade do Auto de Infração, tendo em vista a existência de depósito judicial. A Fazenda Nacional, por sua vez, em sede de Contrarrazões pede a manutenção do lançamento. De plano, constatase que , no que tange à possibilidade de lavratura do Auto de Infração, quando o autuado busca a tutela do Poder Judiciário sobre o mesmo objeto do processo administrativo e efetua o depósito do montante integrado do débito, no acórdão recorrido aplicouse a Súmula CARF nº 48, que assim dispõe: “A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração”. Assim, constatase que a citada súmula não faz qualquer ressalva quanto à medida judicial específica que teria ocasionado a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, se depósito do montante integral ou qualquer outra. O art. 151 do Código Tributário Nacional, por sua vez, elenca as hipóteses de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, judiciais ou não, dentre elas o depósito do montante integral. Confirase: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial VI – o parcelamento. Destarte, sendo o depósito do montante integral uma das hipóteses de suspensão de exigibilidade de crédito tributário, e tendo em vista que a Súmula CARF nº 48 permite a lavratura de Auto de Infração mesmo que o crédito tributário esteja com sua exigibilidade suspensa por força de medida judicial, sem explicitar qualquer exceção, obviamente que ela também é aplicável aos casos de depósito, portanto foi correta a decisão recorrida. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.721528/201215 Acórdão n.º 9202004.303 CSRFT2 Fl. 1.236 11 Em seu Recurso Especial, o Recorrente argumenta que, quando há depósito judicial, o crédito tributário é constituído pelo Contribuinte (auto lançamento), portanto seria desnecessário e indevido o lançamento de ofício por parte da Autoridade Fiscal. Nesse passo, pede que seja declarada a nulidade do Auto de Infração. O art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Com efeito, a situação dos autos não se enquadra em nenhuma das situações passíveis de declaração de nulidade, acima especificadas. O Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente e não houve qualquer cerceamento de direito, já que o Contribuinte teve a liberdade inclusive de buscar a tutela do Poder Judiciário. E na esfera administrativa o crédito tributário já foi lavrado com suspensão de exigibilidade, de sorte que não se vislumbra qual seria a razão para declararse a alegada nulidade. A discussão que se pode travar, no presente caso, é se a lavratura do Auto de Infração seria imprescindível ou se seria dispensável, o que de forma alguma se confunde com a proibição de efetuarse a sua lavratura, muito menos com a necessidade de declararse a nulidade de lançamento já efetuado, seguindo todos os ditames legais, sem qualquer mácula. A esse respeito, o Contribuinte alega a existência de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil, que vincularia os Conselheiros de CARF, conforme o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF. Tratase do Recurso Especial 1.140.956SP, que no entender desta Conselheira de forma alguma autoriza a conclusão de que deveriam ser declarados nulos os Autos de Infração lavrados em presença de depósito do montante integral do débito. Assim, embora não seja imprescindível a lavratura de Auto de Infração nos casos em que haja depósito do montante integral do crédito tributário, não há base legal para que os lançamentos efetuados nessas condições sejam considerados nulos ou sejam cancelados. Nesse sentido, trago à colação e aqui incluo em minhas razões de decidir o voto proferido pela Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão nº 1101001.135, de 05/06/2014, que analisou o Recurso Especial 1.140.956SP, citado pelo Contribuinte em seu apelo, concluindo que o efeito repetitivo não contempla a tese esposada pelo Contribuinte: "A recorrente invoca a observância do art. 62A do RICARF em razão da manifestação do Superior Tribunal de Justiça assim consolidada na ementa do Recurso Especial nº 1.140.956SP: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (Precedentes: REsp 885.246/ES, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 06/08/2010; REsp 1074506/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/09/2009; AgRg nos EDcl no REsp 1108852/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/08/2009, DJe 10/09/2009; AgRg no REsp 774.180/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe 29/06/2009; REsp 807.685/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/04/2006, DJ 08/05/2006; REsp 789.920/MA, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/02/2006, DJ 06/03/2006; REsp 601.432/CE, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/09/2005, DJ 28/11/2005; REsp 255.701/SP, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/04/2004, DJ 09/08/2004; REsp 174.000/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/05/2001, DJ 25/06/2001; REsp 62.767/PE, Rel. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/04/1997, DJ 28/04/1997; REsp 4.089/SP, Rel. Ministro GERALDO SOBRAL, Rel. p/ Acórdão MIN. JOSÉ DE JESUS FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/02/1991, DJ 29/04/1991; AgRg no Ag 4.664/CE, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/08/1990, DJ 24/09/1990) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidadeautuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.721528/201215 Acórdão n.º 9202004.303 CSRFT2 Fl. 1.237 13 como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p. 205/206). 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: "A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução , o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora." 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: "O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontrase em andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Porém, observase que a discussão, naqueles autos, tinha em conta execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial classificado como insuficiente pela Municipalidade e, assim, inábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Aqui, o lançamento foi formalizado sem aplicação de penalidade e com o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inexistindo qualquer questionamento acerca da suficiência do depósito judicial. Por sua vez, o voto condutor do julgado antes mencionado principia observando que: Entrementes, dentre os multifários recursos especiais relacionados à questão da impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal, ante a existência de ação antiexacional conjugada ao depósito do crédito tributário, grande parte refere se à discussão acerca da integralidade do depósito efetuado ou da existência do mesmo, razão pela qual impõese o julgamento da controvérsia pelo rito previsto no art. 543C, do CPC, cujo escopo precípuo é a uniformização da jurisprudência e a celeridade processual. (destaques do original) Sob esta ótica, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse acerca da implementação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de depósito judicial, asseverando que sua implementação, quando integral, impede “atos de cobrança”, dentre os quais inseriu a “lavratura do auto de infração e aplicação de multa”, sem apreciar a possibilidade de lançamento sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade. É nesse contexto específico que exsurge o impedimento à lavratura do auto de infração em face de depósito judicial integral do tributo. No mais, o Superior Tribunal de Justiça teve em conta apenas a extinção do crédito tributário em razão da conversão do depósito em renda da Fazenda Pública, bem como a suficiência Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.721528/201215 Acórdão n.º 9202004.303 CSRFT2 Fl. 1.238 15 do depósito judicial no caso concreto em análise, determinando a extinção da execução fiscal em curso. Concluise, do exposto, que o Superior Tribunal de Justiça não decidiu, no rito do art. 543C, acerca da impossibilidade de lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, de tributo depositado judicialmente. Por tais razões, deve ser REJEITADO o pedido de vinculação ao julgado antes referido, por força do art. 62A do RICARF." E segue a Relatora, acerca da improcedência da tese de que o Auto de Infração lavrado em presença de depósito do montante integral seria nulo: "Quanto à desnecessidade de lançamento frente a depósito integral do crédito tributário, de fato, a jurisprudência firmouse neste sentido, mas sempre em face de discussões em torno da decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, e eventual possibilidade de levantamento dos valores depositados ainda que o sujeito passivo não tivesse sucesso no pleito judicial, caso não formalizado o lançamento no prazo legal. A título de exemplo, citese a ementa resultante da apreciação de Embargos de Divergência em REsp nº 671.773RJ, datada de 23/06/2010: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. 1990. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. PRECEDENTES. 1. O depósito judicial do tributo questionado torna dispensável o ato formal de lançamento por parte do Fisco (REsp 901052 / SP, 1ª S., Min. Castro Meira, DJ de 03.03.2008; EREsp 464343 / DF, 1ª S., Min. José Delgado, DJ 29.10.2007; AGREsp 969579 / SP, 2ª T., Min. Castro Meira, DJ 31.10.2007; REsp 757311 / SC, 1ª T., Min. Luiz Fux, DJ 18.06.2008) . 2. Embargos de divergência a que se dá provimento. Frente a este contexto, não é lícito concluir que, embora desnecessário, seja nulo ou improcedente o lançamento formalizado em face de depósito integral do crédito tributário. Não há notícia de decisão judicial impedindo a formalização do lançamento, a autoridade lançadora era competente, o ato reúne os requisitos expressos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e veicula crédito tributário ainda não extinto. Em verdade, nulidade somente se verificaria se o art. 142 do CTN fosse interpretado a contrario sensu, de modo a concluir que a vinculação ali expressa não autoriza lançamentos desnecessários. Todavia, este não foi o objetivo do legislador, que fez uso da expressão “vinculado” apenas para afastar a discricionariedade do agente fiscal, e não para impedir atuações que pudessem ser dispensáveis. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 Recordese, ainda, que a formalização de crédito tributário com exigibilidade suspensa, ainda que por depósito judicial, sempre foi uma prática administrativa que resultou, neste Conselho, na aprovação da Súmula CARF nº 5 (São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral)." Assim, resta claro que o julgado ora analisado de forma alguma autoriza a interpretação no sentido de que o Auto de Infração lavrado apenas para prevenir a decadência, adotando todas as cautelas legais, no sentido da manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, lavrado por pessoa competente e sem qualquer cerceamento de direito de defesa deva ser declarado nulo, por haver o Contribuinte efetuado depósito do montante integral do débito. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, ressalvandose que, conforme o julgado do STJ examinado no presente voto, enquanto perdurar o depósito do montante integral do crédito tributário em litígio, não poderão ser implementados atos de cobrança, mormente aqueles tendentes à pretensão de execução fiscal, até o trânsito em julgado da sentença no processo judicial que trata do mesmo objeto do presente processo. Maria Helena Cotta Cardozo Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Em que pese o brilhante voto da relatora ouso discordar de seu entendimento no tocante a aplicação da Súmula CARF n. 48, ao caso dos autos. A relatora assim decidiu: "A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração (Súmula CARF nº 48), tampouco é nulo o lançamento que tem por objeto crédito tributário depositado judicialmente". Contudo, a meu ver a decisão exarada pelo STJ em sede de repetitivo de controvérsia foi muita clara ao explicitar que os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação juridicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, tem o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento de execução fiscal, a qual, acaso proposta deverá ser extinta. No caso em apreço é necessário compreender se as orientações dadas pelo STJ no que se referem a não possibilidade de lançar a infração compõe a ratio decidendi ou configuram mera argumentação periférica, qual seja obiter dictum. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.721528/201215 Acórdão n.º 9202004.303 CSRFT2 Fl. 1.239 17 Carlos Maximiliano criou uma imagem ilustrativa para este ofício: “Existe entre o legislador e o juiz a mesma relação que entre o dramaturgo e o ator. Deve este atender às palavras da peça e inspirarse no seu conteúdo; porém, se é verdadeiro artista, não se limita a uma reprodução pálida e servil: dá vida ao papel, encarna de modo particular a personagem, imprime um traço pessoal à representação, empresta às cenas um certo colorido, variações de matiz quase imperceptíveis; e de tudo faz ressaltarem aos olhos dos espectadores maravilhados belezas inesperadas, imprevistas. Assim o magistrado: não procede como insensível e frio aplicador mecânico de dispositivos; porém como órgão de aperfeiçoamento destes, intermediário entre a letra morta dos Códigos e a vida real, apto a plasmar, com a matériaprima da lei, uma obra de elegância moral e útil à sociedade. Não o consideram autômato; e, sim, árbitro da adaptação dos textos às espécies ocorrentes, mediador esclarecido entre o direito individual e o social”. (Hermenêutica e Aplicação do Direito , p. 59) Várias modalidades de argumento podem ser encontradas no texto de uma decisão. Cada um tem peso relativo na composição do conjunto, da cadeia argumentativa. A primeira e mais importantes são razões que compõem a ratio decidendi, aquelas que correspondem aos fundamentos definitivos para decidir, à prescrição que pode ser aplicada a casos futuros. E um segundo grupo chamado de obiter dictum . Estes são os componentes marginais ao argumento geral, coisas ditas a propósito do caso concreto em si e que não lhe transcendem, nem alcançam os casos futuros. Localizamse na periferia da decisão e não servem como precedentes judiciais. Analisando cuidadosamente o inteiro teor do acórdão proferido no RE 1.140.956 SP, sob a sistemática de Repetitivo de Controvérsia, observo que a determinação de não lançar foi razão de decidir dos ministros do Superior Tribunal de Justiça, e que correspondem ao mandamento basilar daquela decisão. Embora as alegações de debate do colegiado tenham ventilado que a Fazenda Nacional, faz o lançamento tão somente para evitar a decadência, no Direito os fins não justificam os meios (nem poderia ser diferente), e não podemos, portanto, autorizar algo errado (que contrarie expressa ordem judicial) mesmo que com a finalidade de preservar algo bom. No Recurso Especial, o Contribuinte apresenta os seguintes argumentos, em resumo: · No caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (entre os quais está incluído o Imposto sobre a Renda), quando o contribuinte, verificando a ocorrência do fato gerador, calcula o montante devido e realiza o depósito judicial, ele constitui definitivamente o crédito tributário, nos termos do artigo 150 do CTN; · Isso porque, nessa hipótese, verificase a "típica atividade exercida pelo contribuinte" (que, de acordo com o mencionado dispositivo, representa um ato de lançamento), no qual o depósito do tributo equivale ao pagamento antecipado e o substitui; Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 · assim, tendo em vista que, quando há depósito judicial, o crédito tributário é constituído pelo contribuinte (auto lançamento), é desnecessário e indevido o lançamento de ofício por parte da Autoridade Fiscal; Observo que assiste razão o contribuinte, motivo pelo qual a Fazenda Nacional deve se abster de qualquer ato de lançamento em seu desfavor, enquanto perdurar o mandamento judicial. Saliento ainda, que os conselheiros deste Tribunal Administrativo estão vinculados as decisões exaradas pelos Tribunais Superiores na sistemática de Repetitivo de Controvérsia e Repercussão Geral, proferidas pelo STJ e STF, respectivamente. O mandamento que proibiu a lavratura do auto de infração configura legítima ratio decidendi do repetitivo de controvérsia citado nesta decisão, não cabendo ao conselheiro fazer juízo de valor acerca das ponderações dos ministros da Corte Superior, escolhendo qual parte será e qual não será aplicada no julgamento administrativo. Diante do exposto conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para no mérito darlhe provimento, a fim de que seja cancelado o Auto de Infração. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/0 8/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SAN TOS, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11080.914817/2012-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.278
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.817, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 17 /2 01 2- 82 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914817/201282 Acórdão n.º 9303004.278 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914817/201282 Acórdão n.º 9303004.278 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 226DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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