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5543760 #
Numero do processo: 10580.010914/00-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência de julgamento deste litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes Relatório. Cuida-se de recurso voluntário interposto contra acórdão da 4a. Turma da DRJ em Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra ato de não homologação de compensações pleiteadas nos autos. Pelo Despacho Decisório n°645/2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA, indeferiu o direito de compensação de débitos declarados com direito creditório relativo a contribuição para o PIS/PASEP proveniente da Ação Ordinária 1997.33.581-0, na qual se discute o direito ao reconhecimento de indébito de PIS recolhido com base nos Decretos-lei n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, uma vez que este mesmo crédito já tinha sido objeto de análise no processo administrativo n°10580.000290/00-17, Despacho Decisório DRF/SDR n°573, de 07/11/2008, para indeferi-lo, em razão da identidade entre os créditos pleiteados nas esferas judicial e administrativa, tendo o contribuinte optado em prosseguir com a execução. Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada a empresa alegou que em virtude da revogação dos efeitos suspensivos relativos aos débitos do PAF ora discutido, com impedimento à emissão de CND, ingressou com medida liminar através do processo n° 2002.33.00.023224-4, na 1a. Vara da Justiça Federal, com objetivo de restaurar a suspensão, tendo sido concedida a segurança, mas cuja medida judicial o órgão de origem insiste em contrariar. No voto proferido a Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito e consignou que a partir de janeiro de 2001, passou a ser vedada a compensação de tributo objeto de discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva ação e os eventuais encontros de contas baseados em ação judicial a partir de então deveriam aguardar o desfecho da lide. Explicou que o contribuinte ingressou com o PAF n° 10580.000290/00-17 visando a restituição dos valores do PIS pagos a maior tendo sido indeferido o direito pleiteado mediante o Despacho Decisório DRF/SDR n°573, de 07/11/2008, uma vez que ficou constatada a identidade entre o crédito nas esferas judicial e administrativa, e que o contribuinte optou em prosseguir com a execução, conforme Laudo Pericial da Primeira Vara da Seção Judiciária do Estado da Bahia, na ação constante dos auto n°1997.33.581-0. Nessas condições não poderia, por via obliqua, obter outro provimento jurisdicional, dado o risco de tornar-se detentor de dois títulos executivos, na esfera judicial, a execução, e no processo administrativo, a restituição e compensações a esta vinculada, fato que foi levado em consideração na apreciação do processo n°10580.000290/0d- 17, para indeferi-lo, sendo vedado ao interessado utilizar novamente os créditos para compensação administrativa após ter obtido judicialmente o direito à repetição dos valores pagos a maior. Notificada da decisão, em 05/02/2010 (sexta-feira), apresentou a interessada, em 09/03/2010, recurso voluntário, no qual alega que o crédito pleiteado na esfera administrativa difere consideravelmente do crédito pleiteado na ação judicial e que, para evitar possíveis prejuízos futuros, não poderia desistir da ação judicial. Discorre a respeito do princípio da irretroatividade da lei, da constitucionalidade e da verdade material para concluir que restaria comprovada a regularidade das compensações efetuadas. Ao final, pede pelo provimento do recurso voluntário com a homologação integral das compensações formalizadas. É o relatório.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.010914/00­87  Resolução nº  1801­000.240  S1­TE01  Fl. 3          2  1997.33.581­0,  na  qual  se  discute  o  direito  ao  reconhecimento  de  indébito  de  PIS  recolhido  com base nos Decretos­lei n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, uma vez que este mesmo crédito já  tinha  sido  objeto  de  análise  no  processo  administrativo  n°10580.000290/00­17,  Despacho  Decisório DRF/SDR n°573, de 07/11/2008, para  indeferi­lo,  em razão da  identidade entre os  créditos  pleiteados  nas  esferas  judicial  e  administrativa,  tendo  o  contribuinte  optado  em  prosseguir com a execução.  Na  manifestação  de  inconformidade  tempestivamente  apresentada  a  empresa  alegou que em virtude da revogação dos efeitos suspensivos relativos aos débitos do PAF ora  discutido,  com  impedimento  à  emissão  de  CND,  ingressou  com medida  liminar  através  do  processo n° 2002.33.00.023224­4, na 1a. Vara da Justiça Federal, com objetivo de restaurar a  suspensão,  tendo  sido  concedida  a  segurança,  mas  cuja  medida  judicial  o  órgão  de  origem  insiste em contrariar.  No  voto  proferido  a  Turma  Julgadora  de  1a.  instância  indeferiu  o  pleito  e  consignou que a partir de janeiro de 2001, passou a ser vedada a compensação de tributo objeto  de discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva ação e os eventuais encontros  de contas baseados em ação judicial a partir de então deveriam aguardar o desfecho da lide.  Explicou  que  o  contribuinte  ingressou  com  o  PAF  n°  10580.000290/00­17  visando a restituição dos valores do PIS pagos a maior tendo sido indeferido o direito pleiteado  mediante  o  Despacho  Decisório  DRF/SDR  n°573,  de  07/11/2008,  uma  vez  que  ficou  constatada  a  identidade  entre  o  crédito  nas  esferas  judicial  e  administrativa,  e  que  o  contribuinte optou em prosseguir com a execução, conforme Laudo Pericial da Primeira Vara  da Seção Judiciária do Estado da Bahia, na ação constante dos auto n°1997.33.581­0.  Nessas  condições  não  poderia,  por  via  obliqua,  obter  outro  provimento  jurisdicional, dado o risco de tornar­se detentor de dois títulos executivos, na esfera judicial, a  execução, e no processo administrativo, a restituição e compensações a esta vinculada, fato que  foi levado em consideração na apreciação do processo n°10580.000290/0d­ 17, para indeferi­ lo,  sendo  vedado  ao  interessado  utilizar  novamente  os  créditos  para  compensação  administrativa após ter obtido judicialmente o direito à repetição dos valores pagos a maior.  Notificada da decisão, em 05/02/2010 (sexta­feira), apresentou a interessada, em  09/03/2010, recurso voluntário, no qual alega que o crédito pleiteado na esfera administrativa  difere  consideravelmente  do  crédito  pleiteado  na  ação  judicial  e  que,  para  evitar  possíveis  prejuízos futuros, não poderia desistir da ação judicial.  Discorre a respeito do princípio da irretroatividade da lei, da constitucionalidade  e da verdade material para concluir que restaria comprovada a regularidade das compensações  efetuadas.  Ao  final,  pede  pelo  provimento  do  recurso  voluntário  com  a  homologação  integral das compensações formalizadas.  É o relatório.      Fl. 173DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Erro! Fonte de  referência não  encontrada.  Fls. 4  ___________       VOTO  Maria de Lourdes Ramirez – Relatora    O  recurso  é  tempestivo,  mas  não  deve  ser  conhecido  por  esta  Turma  de  Julgamento.  Trata­se  de  pedido  de  compensação  pelo  qual  pretende,  a  recorrente,  o  reconhecimento de direito creditório a título de pagamento indevido de PIS recolhido com base  nos Decretos 2.445 e 2.449, de 1988.  Em relação à previsão legal para julgar esta matéria, a Portaria MF nº 256, de 22  de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, dispõe, no Anexo II:   Art. 1° Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de  recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância,  bem  como  os  recursos  de  natureza  especial,  que  versem  sobre  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil.  Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na  forma dos arts. 2° a 4° da Seção I.  Das Seções de Julgamento  Art.  2°  À  Primeira  Seção  cabe  processar  e  julgar  recursos  de  ofício e voluntário de decisão de primeira  instância que versem  sobre aplicação da legislação de:   I ­ Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ);  II ­ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);  III ­ Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar  de antecipação do IRPJ;  IV  ­  demais  tributos  e  o  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos,  assim  compreendidos  os  referentes  às  exigências  que  estejam  lastreadas  em  fatos  cuja  apuração  serviu  para  configurar  a  prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ;   ...  Art.  4°  À  Terceira  Seção  cabe  processar  e  julgar  recursos  de  ofício e voluntário de decisão de primeira  instância que versem  sobre aplicação da legislação de:  Fl. 174DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.010914/00­87  Resolução nº  1801­000.240  S1­TE01  Fl. 5          4  I  ­  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS),  inclusive  as  incidentes na importação de bens e serviços;  ...  Analisando os mencionados dispositivos verifica­se a ausência de competência  desta  1ª  Turma  Especial  da  3ª  Câmara  da  1ª  Seção  de  Julgamento  para  exame  do  Recurso  Voluntário.  Pelo exposto voto por declinar a competência do julgamento do presente recurso  para a 3ª Seção, com proposta de retorno dos autos à Secretaria dessa Câmara para as devidas  providências.    (assinado digitalmente)  Maria de Lourdes Ramirez      Fl. 175DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES

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5495850 #
Numero do processo: 11543.000506/2006-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1995 a 29/02/1996 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados. Recurso especial parcialmente provido
Numero da decisão: 9303-002.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para afastar a prescrição do período de fevereiro/1996 e determinar o retorno dos autos ao Colegiado “a quo” para apreciação do mérito, não enfrentado na decisão recorrida. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente da Segunda Seção no exercício da Presidência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para afastar a prescrição do período de fevereiro/1996 e determinar o retorno dos autos ao Colegiado “a quo” para apreciação do mérito, não enfrentado na decisão recorrida. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente da Segunda Seção no exercício da Presidência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Ivan Allegretti (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2270; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 3          1 2  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11543.000506/2006­00  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­002.919  –  3ª Turma   Sessão de  10 de abril de 2014  Matéria  RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO.  Recorrente  PREFEITURA MUNICIPAL DE RIO BANANAL  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/11/1995 a 29/02/1996  NORMAS  REGIMENTAIS.  OBRIGATORIEDADE  DE  REPRODUÇÃO  DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO  ART. 543­B DO CPC.  Consoante  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF,  “As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros  no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.   NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  PRESCRIÇÃO.  DIREITO  DE  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO.  TRIBUTOS  SUJEITOS  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  TERMO  INICIAL.  DECISÃO  PROFERIDA  PELO  STF  NO  JULGAMENTO  DO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  566.621/RS  (RELATORA  A  MINISTRA  ELLEN  GRACIE).  “Reconhecida  a  inconstitucionalidade  do  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC  118/05, considerando­se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão­ somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou  seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543­B, § 3º do CPC aos  recursos sobrestados.  Recurso especial parcialmente provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso especial para afastar a prescrição do período de fevereiro/1996 e     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 05 06 /2 00 6- 00 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS     2 determinar o retorno dos autos ao Colegiado “a quo” para apreciação do mérito, não enfrentado  na decisão recorrida. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama  LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS  ­ Presidente da Segunda Seção  no exercício da Presidência.     JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Relator.    NOME DO REDATOR ­ Redator designado.  EDITADO EM: 05/05/2014  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres,  Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas,  Ivan  Allegretti  (Substituto  convocado),  Joel  Miyazaki,  Fabiola  Cassiano  Keramidas  (Substituta  convocada),  Maria  Teresa  Martínez  López  e  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente  Substituto).  Ausentes,  justificadamente,  os  Conselheiros  Nanci  Gama,  Francisco  Maurício  Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)    Relatório  O ente público acima qualificado impugna acórdão que negou provimento a  recurso voluntário seu por considerar prescrito direito de restituição de indébito tributário. Na  análise empreendida, a Câmara aplicou a tese de que o prazo prescricional é de cinco anos e se  conta, sempre, de cada recolhimento efetuado, independente da razão do indébito.  No caso, se trata de recolhimentos de PASEP realizados entre 13 de janeiro  de 1988 e 20 de fevereiro de 1996. O pedido administrativo foi formalizado em 24 de fevereiro  de  2006  (fl.  01).  Por  isso  mesmo,  a  tese  do  recurso  especial  é  a  que  vincula  o  início  da  contagem  do  prazo  ao  ato  que  retire  a  eficácia  da  norma  considerada  inconstitucional,  na  hipótese, a Resolução do Senado Federal que afastou os decretos­leis 2.445 e 2.449.  É o Relatório, sucinto porquanto desnecessário alongar­se.  Voto             Conselheiro Júlio César Alves Ramos  Como  indicado  no  relatório,  o  recurso  foi  bem  admitido  porque  trazido  paradigma  conforme  a  sua  pretensão  e  em  franco  desacordo  com  a  decisão  recorrida.  Dele  conheço, pois.  Mas a ele somente cabe dar parcial provimento quanto ao mês de fevereiro de  1996,  pois,  como  se  vê,  todos  os  demais  períodos  de  apuração  incluídos  no  pedido  administrativo ocorreram há mais de dez anos de sua protocolização, além do que o pedido é  posterior à entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005.   Fl. 367DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 11543.000506/2006­00  Acórdão n.º 9303­002.919  CSRF­T3  Fl. 4          3 Destarte,  a  ele  se  aplica  exatamente  a  tese  aventada  na  decisão  recorrida,  como  já  reconhecido  pelo  e.  Supremo  Tribunal  Federal,  que  apenas  afastou  a  aplicação  retroativa  do  entendimento  nela  expresso  ao  considerar  inconstitucional  o  seu  art.  4º  (RE  566.621/RS (relatora a ministra Ellen Gracie).   Nele, afirmou a Ministra:  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  do  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC  118/05,  considerando­se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão­somente às  ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de  junho  de  2005.  Aplicação  do  art.  543­B,  §  3º  do  CPC  aos  recursos  sobrestados  (destaquei).  Com essas considerações, voto por dar parcial provimento em relação ao mês  de fevereiro de 1996 com retorno.                                  Fl. 368DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS

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5476214 #
Numero do processo: 13749.001088/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E DESPESAS JUDICIAIS. PROVA. Cancela-se o lançamento, quando verificado nos autos que o contribuinte atendeu ao quesito estabelecido pela autoridade julgadora de primeira instância, em face da legislação que rege a matéria, no sentido de que a dedução do valor declarado como honorários advocatícios, de valor equivalente àquele considerado como omissão de rendimento originário de ação judicial, depende da comprovação do seu efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2802-002.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Mello. Ausente momentaneamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E DESPESAS JUDICIAIS. PROVA. Cancela-se o lançamento, quando verificado nos autos que o contribuinte atendeu ao quesito estabelecido pela autoridade julgadora de primeira instância, em face da legislação que rege a matéria, no sentido de que a dedução do valor declarado como honorários advocatícios, de valor equivalente àquele considerado como omissão de rendimento originário de ação judicial, depende da comprovação do seu efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Mello. Ausente momentaneamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1826; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE02  Fl. 47          1 46  S2­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13749.001088/2008­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2802­002.819  –  2ª Turma Especial   Sessão de  14 de abril de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  ELDER DOS SANTOS SILVA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2007  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  DEDUÇÃO  DE  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS E DESPESAS JUDICIAIS. PROVA.  Cancela­se  o  lançamento,  quando  verificado  nos  autos  que  o  contribuinte  atendeu  ao  quesito  estabelecido  pela  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  em  face  da  legislação  que  rege  a  matéria,  no  sentido  de  que  a  dedução  do  valor  declarado  como  honorários  advocatícios,  de  valor  equivalente  àquele  considerado  como  omissão  de  rendimento  originário  de  ação judicial, depende da comprovação do seu efetivo pagamento.  Recurso Voluntário Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos  DAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.   (assinado digitalmente)  Jorge Cláudio Duarte Cardoso ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Jaci de Assis Junior ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte  Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior e     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 10 88 /2 00 8- 41 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2 Carlos André Ribas  de Mello. Ausente momentaneamente  o Conselheiro German Alejandro  San Martín Fernández.  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  Notificação  de  Lançamento,  fls.  05  a  07,  em  virtude da constatação de “omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em  virtude  de  processo  judicial  trabalhista,  no  valor  de  R$  *******189.547,70  auferidos  pelo  titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na  Fonte  (IRRF)sobre  os  rendimentos  omitidos  no  valor  de  R$  *************.”  Consta  da  COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS:  “Não não declarou valor rec. de reclamat. trab. pelo valor bruto  e sim pelo líquido.”  Impugnado tal lançamento pelo contribuinte às fls. 01, a Delegacia da Receita  Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou a impugnação improcedente,  fls. 18 a 21, nos termos da seguinte ementa:  “ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA  EXERCÍCIO: 2007  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS  E  DESPESAS  JUDICIAIS.  PROVA.  Os  honorários  advocatícios  e  as  despesas  judiciais  podem  ser  excluídos  dos  rendimentos  tributáveis,  porém  seu  efetivo  pagamento deve ser comprovado documentalmente.  Impugnação Improcedente”  Cientificado em 05/08/2011, fls. 25, o interessado ingressou recurso voluntário  em 15/08/2011, fls. 27, instruído com o documento de fls. 28, alegando, em síntese, que teria  solicitado a nota fiscal do valor que havia pago de honorários advocatícios. Porém, até aquela  data,  o  escritório  de  advocacia  Chaves  de  Azevedo  não  conseguiu  localizar  a  referida  nota  fiscal.  Por  outro  lado,  aduz  que  está  apresentando  cópia  do  recibo  da  transferência  bancária para o escritório e, apesar de um pouco apagado, dele constam a data da transferência,  o  seu  nome  como  remetente,  o  nome  do  escritório  corno  favorecido  e  os  dados  da  conta  bancária do escritório Chaves de Azevedo.  O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 17 de julho de 2013,  tendo esse Colegiado proferido a Resolução nº 2802­000.168, que, por unanimidade de votos,  sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62­A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de  22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF ­ RICARF c/c Portaria CARF  nº 01/2012, fls. 44 a 46.  Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou  os parágrafos primeiro e segundo do art. 62­ A do RICARF, o presente processo foi novamente  distribuído a este Conselheiro em 23/11/2013.  É o relatório.  Fl. 48DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13749.001088/2008­41  Acórdão n.º 2802­002.819  S2­TE02  Fl. 48          3 Voto             Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator  O  recurso  foi  tempestivamente  apresentado  e  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  Conforme relatado, o lançamento se deu em virtude de o contribuinte haver  omitido  rendimentos  tributáveis  recebidos  acumuladamente  em  virtude  de  processo  judicial  trabalhista, uma vez que declarara o rendimento contemplado pela ação reclamatória trabalhista  pelo valor líquido e não pelo valor bruto recebido.  A  respeito  do  assunto,  observe­se  que  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  examinando o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito  do art. 543­C do Código de Processo Civil, proferiu o Acórdão, cuja ementa se encontra assim  redigida:  TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO  REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS  ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA.   1.  O  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  adimplidos,  observando  a  renda  auferida  mês  a  mês  pelo  segurado. Não  é  legítima a  cobrança  de  IR  com parâmetro  no  montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ.   2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do  art. 543­C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp  1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010   Uma vez que se trata de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática  prevista  no  art.  543­C  do  CPC,  no  âmbito  do  CARF,  cabe  o  exame  da  sua  reprodução  no  julgamento  do  recurso  voluntário,  ora  interposto  pelo  contribuinte,  consoante  estabelece  o  citado art. 62­A do RICARF.  Antes, porém, convém que sejam examinadas as alegações do recorrente que  envolvem a apuração da base de cálculo tributada como omissão de rendimentos.  Em  sua  impugnação  o  interessado  explicou  que  o  montante  considerado  rendimento  omitido  foi  consignado  em  sua  declaração  de  ajuste  anual  como  pagamento  realizado  ao  escritório  Chaves  de  Azevedo,  CNPJ  01.844.149/0001­10,  sob  o  código  20,  referente aos honorários devidos aos advogados que patrocinaram a ação judicial.  Por  sua  vez,  a  decisão  proferida  pela  DRJ,  fundamentado­se  no  art.  56,  parágrafo  único  do  RIR,  de  1999  admitiu  a  possibilidade  de  exclusão  das  despesas  com  o  pagamento  de  advogados  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  incidente  sobre  os  rendimentos  recebidos  acumuladamente.  Porém,  entendeu  a  autoridade  julgadora  a  quo  que  embora  o  contribuinte  tenha  informado  o  pagamento  ao  escritório  de  advocacia  Chaves  de  Azevedo  em  sua  declaração  de  ajuste,  caberia  a  ele  a  apresentação  à  Fl. 49DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     4 autoridade fiscal do recibo emitido pelo prestador de serviço e, de forma suplementar, em razão  de  se  tratar de valores  elevados,  a cópia do  cheque ou do depósito bancário  correspondente,  “em  homenagem  ao  princípio  do  convencimento  motivado  do  julgador  art.  29  do  Decreto  70.235/72”   Diante dessa  decisão,  o Recorrente  juntou  à  sua  defesa  o COMPROVANTE  DE  TED COM CPMF,  fls. 28 (fls. 30 do processo digital), o qual, apesar de algumas falhas na sua  impressão, se consegue identificar que em 12/05/2006, houve uma transferência de numerário  no valor de R$189.471,70, da conta corrente bancária de Elder S Silva para a conta corrente  Chaves de Azevedo Adv Ass. Corrobora esse documento, conforme reconhecido pela própria  decisão  recorrida,  a  informação  prestada  no  campo  PAGAMENTOS  E  DOAÇÕES  EFETUADOS  da  respectiva declaração de ajuste anual, juntada às fls. 08 e 12 (fls. 12 e 17 do processo digital).  Havendo o recorrente atendido o quesito pelo qual a autoridade julgadora de  primeira  instância  impôs  para  fins  de  dedução  dos  honorários  pagos  em  virtude  de processo  judicial  trabalhista  informado pelo  lançamento fiscal, cabe o cancelamento da Notificação de  Lançamento.  Voto por dar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Jaci de Assis Junior                                Fl. 50DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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Numero do processo: 10410.004189/2009-88
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) e Marcio Henrique Sales Parada quanto à proposta do julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente e Redatora Designada. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 84          1 83  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10410.004189/2009­88  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­003.552  –  1ª Turma Especial   Sessão de  15 de maio de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  MARGARIDA MARIA VIEIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2006  IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO  DO REGIME DE COMPETÊNCIA.  Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o  imposto  de  renda  incidente  sobre  rendimentos  pagos  acumuladamente deve  ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei  nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular  o imposto.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao  recurso  para  cancelar  o  lançamento.  Vencidos  os  Conselheiros  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida  (Relator)  e  Marcio  Henrique  Sales  Parada  quanto  à  proposta  do  julgamento  em  diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.  Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin – Presidente e Redatora Designada.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo  Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 41 89 /2 00 9- 88 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10410.004189/2009­88  Acórdão n.º 2801­003.552  S2­TE01  Fl. 85          2 Relatório  Trata­se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa  Física – IRPF por meio da qual se reduziu o valor do imposto a restituir apurado na declaração  de ajuste anual da contribuinte de R$ 2.404,71 para R$ 1.207,47.  O  crédito  tributário  foi  constituído  em  razão  de  ter  sido  verificado,  na  Declaração de Ajuste Anual da contribuinte, exercício 2006, omissão de rendimentos recebidos  de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, recebidos acumuladamente, no valor de R$  5.573,88.  Consta  da  “Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal”,  à  fl.  14  deste  processo digital, que  foram deduzidos do valor  recebido os honorários  sindicais previstos no  acordo  (R$ 2.503,84),  o mesmo não acontecendo com os honorários  advocatícios  constantes  dos recibos apresentados pela contribuinte. A não exclusão destes se deu por duas  razões: a)  nos recibos apresentados não consta o nº da ação judicial; e b) a advogada que os subscreveram  não está indicada no Acordo Judicial como patrono da parte exequente.  A  impugnação  apresentada  pela  contribuinte  foi  julgada  improcedente,  nos  termos da ementa abaixo transcrita:   ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Ano­Calendário: 2006   OMISSÃO DE RENDIMENTOS.  Deve subsistir o lançamento, quando, mediante batimento com a  DIRF  fonte  pagadora,  a  fiscalização  apura  informação  na  Declaração de Ajuste Anual de valor dos rendimentos tributáveis  a menor. As Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte  (DIRF)  possuem  força  probatória  suficiente  para  dar  sustentação  ao  lançamento  de  oficio  no  caso  de  omissão  de  rendimentos   HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.  Os  honorários  advocatícios  e  periciais  incidentes  sobre  rendimentos  auferidos  em  ações  judiciais  somente  podem  ser  excluídos dos rendimentos, para efeito de apuração do  imposto  de  renda  da  pessoa  física,  se  comprovado  se  tratarem,  inequivocamente,  de  honorários  vinculados  aos  rendimentos  percebidos,  e  cujo  ônus  tenha  sido  assumido  pelo  contribuinte.  Não  pode  ser  deduzida  do  valor  auferido  em  decorrência  de  ação  judicial  a  importância paga a pessoa  jurídica, a  título de  honorários advocatícios, sem a comprovação que o mesmo atuou  em juízo como patrono do contribuinte.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  10/08/2011  (fl.  48),  a  Interessada interpôs, em 06/09/2011, o recurso de fl. 49/52, acompanhado dos documentos de  fls. 53/72. Na peça recursal aduz, em síntese, que:  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10410.004189/2009­88  Acórdão n.º 2801­003.552  S2­TE01  Fl. 86          3 ­  A  divergência  ocorreu  entre  o  valor  declarado  (R$  13.795,36)  e  o  valor  informado pela fonte pagadora (R$ 19.260,20).  ­ Em 19/08/2009 apresentou impugnação ao lançamento anexando os recibos  de  honorários  pagos  à  advogada  Maria  Diva  Xavier  (R$  2.961,00),  que  também  atuou  no  processo trabalhista.  ­  Do  valor  bruto  (R$  19.260,20),  13%  (treze  por  cento)  se  destinou  ao  advogado do sindicato (R$ 2.503,84). Incidiu também no Acordo Judicial taxa de 2% (dois por  cento) em favor do Sindicato, bem como o desconto de 8% (oito por cento) para a Previdência  Social.   ­ Na declaração preenchida, modelo  simplificado, não havia a possibilidade  de informar os pagamentos realizados, motivo pelo qual não constaram os nomes e pagamentos  aos advogados atuantes na causa.  ­  Os  documentos  ora  juntados  atestam  que  Maria  Diva  Xavier  foi  devidamente  constituída  nos  autos,  inclusive  atuando  (petição  em  anexo),  de  forma  que  os  recibos  fornecidos por ela, que montam R$ 2.961,00, espelham a  remuneração percebida em  decorrência de sua atuação no referido processo, diferentemente do advogado do Sindicato, que  recebeu mediante Alvará Judicial.  ­ Dessa  forma,  foram pagos  a  título de honorários os  seguintes valores: R$  2.503,84,  retido  pela  Vara  em  favor  do  advogado  do  Sindicato,  e  R$  2.961,00,  pagos  à  advogada  Maria  Diva  Xavier,  perfazendo  o  total  de  R$  5.464,84,  justificando  o  suposto  “rendimento omitido”.   ­  A  documentação  retirada  dos  autos  do  processo  judicial  e  acostada  aos  autos  deste  processo  administrativo  comprova  a  atuação  efetiva  da  advogada  Maria  Diva  Xavier, e os valores de direito do outro advogado, que aparece no termo de acordo judicial, foi  pago diretamente pela Vara do Trabalho, como se extrai do próprio termo.  Ao final, requer seja acolhido o presente recurso para o fim de se cancelar o  débito fiscal reclamado e recompor o valor do imposto a restituir, atualizando­o de acordo com  a legislação que rege a matéria.   Por meio da Resolução nº 2801­000.242, de 17 de julho de 2013, esta Turma  de  julgamento sobrestou o  julgamento do recurso, nos  termos dos §§ 1º e 2º do art. 62­A do  Regimento  Interno do CARF, vencidos este Relator e o Conselheiro Márcio Henriques Sales  Parada, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.  Em  face  da  revogação  dos  §§  1º  e  2º  do  art.  62­A  do  RICARF,  pedi  a  inclusão do presente processo em pauta de julgamento.  Voto Vencido  Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator  Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.  Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10410.004189/2009­88  Acórdão n.º 2801­003.552  S2­TE01  Fl. 87          4 O  Acordo  Trabalhista  acostado  aos  autos  em  fls.  19/21,  originário  do  Processo  01415­2005­008­19­00­0,  não  deixa  nenhuma  dúvida  de  que  a  empresa  executada  deveria pagar à Interessada a quantia de R$ 19.260,20, em quatro parcelas de R$ 4.815,05, nos  meses 09, 10, 11 e 12 de 2005.  De cada parcela deveria ser  retido 13% a  título de honorários sindicais  (R$  625,96),  2%  a  titulo  de  contribuição  sindical  e  8%  em  favor  do  INSS  (contribuição  previdenciária  do  segurado).  Dessa  forma,  o  total  de  honorários  pagos  ao  advogado  do  Sindicato foi de R$ 2.503,84 (4 x R$ 625,96).  A  Interessada  alega que,  além dos R$ 2.503,84  destinados  ao  advogado do  Sindicato, também pagou à advogada Maria Diva Xavier honorários no valor de R$ 2.961,00  (recibos às fls. 5/7/9/11), decorrentes da mesma ação trabalhista. Para comprovar que a referida  advogada atuou na demanda trabalhista, a Recorrente anexou à peça recursal a petição de fls.  54/56 e a procuração de fl. 58, ambas extraídas do Processo 0092000­93.1996.5.19.0005.  Ocorre  que  as  partes  do  Processo  0092000­93.1996.5.19.0005  são  SINDICATO  EMP.  EMPRESAS  ASSEIO  CONSERVACAO  E  LIMP.  URBANA  (Reclamante) e CIA. BENEFICIADORA DE LIXO DE MACEIO – COBEL (Reclamada), ao  passo  que  no  acordo  homologado  (Processo  01415­2005­008­19­00­0)  constam  como  partes  SINDICATO  EMP.  EMPRESAS  ASSEIO  CONSERVACAO  E  LIMP.  URBANA  (Reclamante) e COMPANHIA MUNICIPAL DE RECURSOS HUMANOS E PATRIMÔNIO  – COMARHP (Reclamada).   Não  se  desconhece  que  o  Processo  0092000­93.1996.5.19.0005  foi  redistribuído para a 8ª Vara do Trabalho de Maceió (consulta ao site do TRT da 19ª Região), o  que pode ter ocasionado a alteração do número do processo para 0141500­07.2005.5.19.0008.  Nada obstante,  a  alteração no polo passivo da demanda  trabalhista  (Reclamada) não permite  afirmar,  com certeza  absoluta,  que os processos  são os mesmos, ou  seja,  que decorreram da  mesma relação jurídica.   Nesse cenário de incertezas, sou pela conversão do presente julgamento em  diligência, a fim de que a Delegacia que jurisdiciona o domicilio fiscal da Recorrente oficie a  8ª Vara do Trabalho de Maceió para que esta informe:  a)  se  o  número  do  Processo  0092000­93.1996.5.19.0005  foi  alterado  para  01415­2005­008­19­00­0;  b)  em  caso  afirmativo,  se  o  polo  passivo  do  referido  processo  trabalhista  (Reclamada) foi alterado de CIA. BENEFICIADORA DE LIXO DE MACEIO – COBEL para  COMPANHIA MUNICIPAL DE RECURSOS HUMANOS E PATRIMÔNIO – COMARHP.   Após a obtenção das informações, o contribuinte deve ser intimado para, caso  queira,  apresentar  novas  alegações  circunscritas  aos  fatos  objeto  da  presente  Resolução.  De  seguida, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento.  Tais providências prestigiam, a meu ver, a segurança jurídica, o contraditório,  a ampla defesa e a justiça fiscal.  É como voto.   Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10410.004189/2009­88  Acórdão n.º 2801­003.552  S2­TE01  Fl. 88          5 Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida  Voto Vencedor  Com a devida vênia do Ilustre Relator, Conselheiro Marcelo Vasconcelos de  Almeida,  permito­me  divergir  de  seu  voto  quanto  à  proposta  do  julgamento  em  diligência,  tendo  em  vista  que  o  presente  lançamento  trata  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente  em  decorrência  de  ação  trabalhista,  e  cuja  tributação  ocorreu  sob  a  regra  estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988.  Em relação aos rendimentos  recebido acumuladamente, cabe registrar que a  Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, diante da jurisprudência do STJ sobre rendimentos  recebidos  acumuladamente  e  com  base  no  Parecer  PGFN/CRJ/nº  287/2009,  editou  o  Ato  Declaratório  nº  1/2009  publicado  no  Diário  Oficial  da  União  de  14/05/2009  e  aprovado  conforme  despacho  do  Ministro  da  Fazenda  publicado  em  13/05/2009,  e  que  teve  efeito  vinculante sobre o Fisco, com determinação para o cálculo do imposto ser mensal e não global,  tanto para rendimentos de aposentaria quanto para rendimentos do trabalho.  O  referido  Ato  Declaratório  teve  sua  eficácia  suspensa  pelo  Parecer  PGFN/CRJ/nº  2.331/2010,  em  razão  de  o  Supremo  Tribunal  Federal,  em  20/10/2010,  reconhecer  repercussão  geral  aos  Recursos  Extraordinários  nº  614232  e  614406  que  versam  sobre a  tributação de  rendimentos  recebidos  acumuladamente  e  cujos  julgamentos  ainda não  foram concluídos.  Aliás,  Conforme  exposição  de  motivos  interministerial  nº  111/MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT/ de 23/10/2010, com a edição da Medida Provisória nº497, a  qual, em seu art. 20, modificou a Lei nº 7.713/1988, acrescentando lhe o art 12­A, a legislação  foi alterada por  iniciativa do Poder Executivo para contemplar a  jurisprudência  firmada pelo  Superior  Tribunal  da  Justiça,  a  qual  já  havia  sido  adotada  pela  Administração  por  meio  da  Aprovação  do  Ato  Declaratório  PGFN  nº  1/2009,  em  relação  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente, seja do trabalho ou de aposentadoria.   Importa que,  após  reiteradas decisões no sentido de que o  art. 12 da Lei nº  7.713/1988  disciplina  o  momento  da  incidência,  e  não  a  forma  de  calcular  o  imposto,  o  Superior Tribunal de Justiça ­ STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que  o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo  regime de competência, nos termos da seguinte ementa:  TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO  REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS  ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA.   1.  O  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  adimplidos,  observando  a  renda  auferida  mês  a  mês  pelo  segurado. Não  é  legítima a  cobrança  de  IR  com parâmetro  no  montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ.   Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10410.004189/2009­88  Acórdão n.º 2801­003.552  S2­TE01  Fl. 89          6 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do  art. 543­C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp  1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010   Verifica­se,  em  julgados  recentes,  que  o  STJ  tem  adotado  a  orientação  firmada  pela  Primeira Seção  do  STJ,  por  ocasião  do  julgamento  do  recurso  repetitivo REsp  1.118.429/SP  para  também  afastar  a  tributação  dos  rendimentos  do  trabalho  recebidos  acumuladamente pelo regime de caixa, determinando que o imposto de renda incidente sobre  rendimentos  pagos  acumuladamente  deve  ser  calculado  com  base  nas  tabelas  e  alíquota  próprias a que se referem tais rendimentos, haja vista a ementa da seguinte Decisão:   TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  IMPOSTO  DE  RENDA  DA  PESSOA  FÍSICA  ­  IRPF.  NÃO  INCIDÊNCIA  SOBRE  JUROS  DE  MORA  PAGOS  NO  CONTEXTO  DE  RESCISÃO DO CONTRATO DE  TRABALHO.  ACÓRDÃO DO  TRIBUNAL  DE  ORIGEM  EM  CONSONÂNCIA  COM  A  JURISPRUDÊNCIA  DO  STJ  QUANTO  AO  TRATAMENTO  TRIBUTÁRIO  DE  PARCELAS  PAGAS  ACUMULADAMENTE  EM  CUMPRIMENTO  DE  DECISÃO  JUDICIAL.  TEMAS  JÁ  JULGADOS  PELA  SISTEMÁTICA  INSTITUÍDA  PELO  ART.  543­C DO CP.  1....   2.  Em  relação  ao  ponto  do  recurso  especial  em  que  a  Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art.  12  da  Lei  n.  7.713/88  e  impugna  o  capítulo  do  acórdão  do  Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do  imposto  de  renda",  consta  da  decisão  ora  agravada  que  o  mencionado  recurso  não  procede  porque  a  decisão  proferida  pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação  firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento  do  recurso  repetitivo  REsp  1.118.429/SP  (Rel.  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  14.5.2010),  cuja  ementa  assim  enuncia:  "O  imposto  de  renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  adimplidos,  observando  a  renda  auferida  mês  a  mês  pelo  segurado. Não  é  legítima a  cobrança  de  IR  com parâmetro  no  montante global pago extemporaneamente."  3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o  art.  12  da Lei  7.713/88 disciplina  o momento da  incidência do  imposto  de  renda,  porém  nada  diz  a  respeito  das  alíquotas  aplicáveis a  tais rendimentos. Assim, no  julgamento do recurso  especial,  não  ocorreu  violação  do  art.  97  da  Constituição  da  República,  tampouco  contrariedade  à  Súmula  Vinculante  n.  10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl  no  REsp  622.724/SC  (Rel.  Min.  Felix  Fischer,  REVJMG,  vol.  174,  p.  385),  "não  há  que  se  falar  em  violação  ao  princípio  constitucional  da  reserva  de  plenário  (art.  97  da  Lex  Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada  a inconstitucionalidade de qualquer lei".  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 10410.004189/2009­88  Acórdão n.º 2801­003.552  S2­TE01  Fl. 90          7 4. Agravo regimental não provido.  (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PRAGRAVO REGIMENTAL  NO  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES  2012/0138520­ DJe  08/02/2013)(grifei e sublinhei)  É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na  apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante  interpretação  dada  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  sede  de  Recurso  Especial  com  a  atribuição  da  sistemática  do  artigo  543–C  do  CPC,  e  que  deve  ser  de  aplicação  obrigatória  pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62­A do Regimento Interno do CARF,  aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs  446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis:  Artigo  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Diante  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  para  cancelar  o  presente lançamento.    Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin                    Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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Numero do processo: 10305.000834/96-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1990 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO- OMISSÃO. A falta de manifestação expressa sobre os efeitos do provimento do recurso da Fazenda Nacional quanto à decadência representa omissão quanto ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, devendo ser suprida.
Numero da decisão: 9101-001.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, embargos conhecidos e acolhidos para suprir a omissão, sem efeitos infringentes. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono da embargante, Dr. Vinicius Gomes Pereira dos Santos OAB-RJ 157417. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, André Mendes de Moura (Suplente Convocado), Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10305.000834/96­23  Acórdão n.º 9101­001.918  CSRF­T1  Fl. 3          2 Convocado), Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente  Convocado).  Relatório  Brasif S/A. Administração e Participações interpõe Embargos de Declaração  em face do Acórdão 9101­001.362, prolatado em 17 de maio de 2002, solicitando seja suprida  omissão.  Alega a Recorrente que, ao prover o Recurso Especial da Fazenda Nacional  para  declarar  a  inexistência  de  decadência  do  IRPJ  e  do  ILL  relativos  ao  ano­calendário  de  1990, a CSRF deveria devolver os autos à Câmara competente da Primeira Seção do CARF,  para que o mérito das exigências  fiscais  relativas a esses  impostos  (ano­calendário de 1990),  fosse efetivamente julgado, sob pena de cerceamento de defesa.  Observa que, em relação aos anos­calendário de 1991 a 1993, a 3ª Câmara do  extinto  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  reconheceu,  por  unanimidade  de  votos,  a  improcedência dos lançamentos no mérito.  Aduz que, embora a  rigor as  alegações de defesa em  relação ao mérito das  exigências  concernentes  ao  IRPJ  e  ao  ILL  do  ano­calendário  de  1990  não  tenham  sido  enfrentadas  pela  3ª  Câmara  do  extinto  Primeiro  Conselho  e  Contribuintes  e,  portanto,  não  abordadas  no  recurso  Especial  da  Fazenda Nacional,  como  a  Embargante  a  suscitou  no  seu  Recurso Voluntário,  caso  entenda  essa  Colenda  Turma  estarem  presentes  os  requisitos  para  aplicação subsidiária do disposto nos §§ 1º e 2º do CPC, requer, a Embargante, por economia  processual, que a Turma se pronuncie a seu respeito.  Requer, afinal, que sejam providos os embargos de declaração, para suprir a  omissão, inclusive conferindo­lhe efeitos infringentes.  É o relatório.    Voto             Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator.  O  Acórdão  9101­001.362,  ora  embargado,  resultou  de  recurso  especial  da  Fazenda Nacional quanto à decadência acolhida pelo Acórdão 103­23.299, para fatos geradores  relativos ao ano­calendário de 1990.   A Turma, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso da Fazenda  Nacional, do que resultou não acolhida a preliminar de decadência suscitada.   A parte final do voto condutor está assim redigida:  Assim, no caso concreto, por se tratar de fato gerador ocorrido  quando ainda não vigorava a Lei 8.383/91, deve ser aplicado o  Fl. 843DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10305.000834/96­23  Acórdão n.º 9101­001.918  CSRF­T1  Fl. 4          3 entendimento  pacificado  pela  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  que  uniformizou  a  jurisprudência  no  sentido  de  que,  antes do advento daquele diploma legal, o Imposto de Renda de  Pessoa Jurídica era tributo sujeito a lançamento por declaração,  passando a sê­lo por homologação a partir desse novo diploma  legal.   Pelas razões que expus, dou provimento ao recurso da Fazenda  Nacional.  O  art.  65  do Regimento  Interno  do CARF  dispõe  que  cabem  embargos  de  declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os  seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar­se a turma.   No caso, os efeitos do provimento do recurso da Fazenda Nacional quanto à  decadência  representa  ponto  sobre  o  qual  devia  pronunciar­se  a  turma,  e  a  falta  de  manifestação expressa no voto a esse respeito deve ser suprida pela Turma.  Para definir quais devam ser os efeitos do provimento do recurso da Fazenda  Nacional, cumpre recuperar o que ocorreu ao longo do processo.   No caso concreto, o  litígio estabeleceu­se em  torno de autos de  infração de  IRPJ e decorrentes (CSLL e ILL), sob acusação de que a contribuinte deixou de computar em  suas  apurações  de  resultados  dos  períodos  compreendidos  entre  janeiro/90  a  dezembro/93  receitas de variações monetárias ativas de depósitos judiciais.  A  decisão  de  primeira  instância  deu  provimento  parcial  ao  recurso  apenas  para reduzir a multa de ofício, de 100% para 75%, fazendo retroagir a lei que instituiu os novos  percentuais mais favoráveis (art. 44 da Lei nº 9.430/96). O acórdão da DRJ Fortaleza recebeu a  seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 1990, 1991, 1992, 1993  Ementa:  VARIAÇÕES  MONETÁRIAS  ATIVAS.  DEPÓSITO  JUDICIAL.  É  legítima  a  exigência  de  atualização  monetária  de  depósitos  judiciais  porque  visa  tão­somente  neutralizar  correção  de  idêntico  valor  de  conta  representativa  da  origem  dos  recursos  depositados.  A  correção  monetária  dos  depósitos  judiciais  equivale  a  estorno  de  despesa  de  valores  que,  escrituralmente,  integram  o  Patrimônio  Líquido.  Assim,  o  valor  da  atualização  monetária não se traduz em riqueza nova, pelo que é impróprio  falar em disponibilidade.  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA.  IMPOSTO DE  RENDA  NA  FONTE  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE O LUCRO.  Aplica­se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à  exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre  elas,  ressalvadas  as  alterações  exoneratórias  procedidas  de  Fl. 844DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10305.000834/96­23  Acórdão n.º 9101­001.918  CSRF­T1  Fl. 5          4 ofício,  decorrentes  de  novos  critérios  de  interpretação  ou  de  legislação superveniente.  MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO  A multa de lançamento de ofício de que trata o artigo 44, inciso  I, da Lei n°9.430/96, equivalente a 75% do imposto, sendo menos  severa  que  a  vigente  ao  tempo  da  ocorrência  do  fato  gerador,  aplica­se  retroativamente,  tendo  em  vista  o  disposto  no  artigo  106,  II,  "c"  do  Código  Tributário  Nacional.  em  razão  da  retroatividade benigna da lei que de 100% para   Em  recurso  voluntário,  a  contribuinte  suscitou  a  decadência  e  contestou  a  decisão, alegando que alega que seu procedimento não gerou nenhum resultado no âmbito do  imposto  sobre  a  renda,  uma  vez  que  "...a  cada  depósito  judicial  do  montante  integral  do  crédito  tributário  litigado  debitava  a  conta  do  Ativo  Realizável  a  Longo  Prazo  que  o  representava, sem todavia, corrigir monetariamente o seu saldo.”  A Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes converteu  o julgamento em diligência porque, nos termos do voto do Relator, “ Compulsando os autos,  constata­se  não  existirem  documentos  aptos  a  aferir  a  veracidade  da  informação  da  ora  recorrente,  ou  seja,  de  que  não  teria  corrigido  a  conta  de  ativo,  e,  também,  a  sua  contrapartida no  lançamento de passivo” Em vista disso, a  intimação da recorrente para que  providencie  a  juntada  de  documentos  contábeis  hábeis  a  comprovar  a  afirmação  de  que  não  teria corrigido os depósitos judiciais em questão, tanto nas contas de ativo quanto nas contas de  passivo, bem como que fosse elaborado relatório circunstanciado e conclusivo acerca do fato.  Cumprida a diligência, o processo foi submetido a julgamento em sessão de  07 de dezembro de 2007, tendo sido, por maioria, acolhida a preliminar de decadência para os  fatos  geradores  ocorridos  até  31/12/90  e,  no  mérito,  por  unanimidade  de  votos,  provido  o  recurso.  O provimento do recurso encontra­se assim justificado no voto condutor do  Acórdão:  “ (...) nos autos, restou provado, via da diligência efetuada, que  a  empresa  não  efetuou  a  correção  monetária  dos  valores  do  ativo  e  nem  do  passivo.  Com  isso,  o  efeito  compensatório  das  duas atualizações monetárias, no ativo (depósitos) e no passivo  (provisão) se anulam, não gerando qualquer resultado tributável  São estas  razões de decidir que me levam a dar provimento ao  recurso.”  Portanto, entendo que o provimento do recurso da Fazenda Nacional quanto à  decadência não gera nenhum efeito prático em relação ao  crédito  tributário objeto do  litígio.  Não faz sentido retornarem os autos à 1ª Seção de Julgamento para julgar o mérito em relação  aos  fatos geradores ocorridos  em 31/12/90 porque o mérito,  de uma maneira  abrangente,  foi  decidido pela 3ª Câmara do 1º C.C, por unanimidade de votos, ao fundamento de que restou  provado, via diligência efetuada, que a falta de atualização monetária dos depósitos não gerou  qualquer resultado tributável.  Fl. 845DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10305.000834/96­23  Acórdão n.º 9101­001.918  CSRF­T1  Fl. 6          5 Por isso, acolho os embargos do contribuinte para suprir a omissão, alterando  a parte final do voto que passa a ser a seguinte:   “Pelas  razões  que  expus,  dou  provimento  ao  recurso  da  Fazenda Nacional,  para  rejeitar  a  preliminar  de  decadência,  sem  alterar  o  decidido  pelo  Acórdão  recorrido  no  sentido do provimento integral do recurso voluntário”.  É como voto.   (assinado digitalmente)  Valmir Sandri                                Fl. 846DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI

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Numero do processo: 19515.001825/2002-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, substituída pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado). (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2067; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  19515.001825/2002­40  Recurso nº  162.825   Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­003.154  –  2ª Turma   Sessão de  27 de março de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN)  Interessado  ROMEU DI ANGELIS RODRIGUES JÚNIOR    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 1999  RECURSO  ESPECIAL.  ADMISSIBILIDADE.  COMPROVAÇÃO  DE  DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA  Na admissibilidade do Recurso Especial,  conforme o Regimento  Interno do  CARF, deve­se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária  interpretação  divergente  da  que  lhe  tenha  dado  outra  câmara,  turma  de  câmara,  turma  especial  ou  a  própria  CSRF.  Somente  se  configura  a  divergência  pela  similitude  entre  fatos  e  razões  presentes  nas  decisões  recorridas e paradigmas.  No  presente  caso,  como  as  razões  e  os  fatos  nas  decisões  recorridas  e  paradigmas ­ que levaram às conseqüentes decisões ­ são diversas, não há a  similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se  admitir o recurso.  Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer  do  recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta  Cardozo e Marcos Aurélio Pereira Valadão.  Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.  Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, substituída  pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado).       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 25 /2 00 2- 40 Fl. 932DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     2     (assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO  Presidente        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Relator        Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão  (Presidente  em  exercício),  Rycardo  Henrique  Magalhaes  de  Oliveira,  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Alexandre  Naoki  Nishioka  (suplente  convocado),  Marcelo  Oliveira,  Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Marcelo  Freitas  de  Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire.  Fl. 933DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001825/2002­40  Acórdão n.º 9202­003.154  CSRF­T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  por  divergência,  fls.  0778,  interposto  pela  Procuradoria Geral  da  Fazenda Nacional  (PGFN)  contra  acórdão,  fls.  0757,  que  decidiu  dar  provimento a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  — IRPF  Exercício: 1999  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.  Verificada a existência de omissão no julgado, é de se acolher os  Embargos de Declaração opostos pelo Recorrente.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  IDENTIFICAÇÃO  DOS  DEPOSITANTES.  JUSTIFICATIVA  DO  DEPÓSITO.  COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS.  Incabível  o  lançamento  tributário  tendo  por  base  de  cálculo  depósitos  bancários,  na  pessoa  física  do  titular  de  conta  bancária,  quando  restar  identificado  e  justificado,  por meio  de  documentação  anexada  aos  autos,  o  depositante  dos  valores  questionados,  bem  como  a  sua  motivação.  Os  valores  assim  apurados,  quando  for  o  caso,  submeter­se­ão  às  normas  de  tributação especifica prevista na  legislação vigente à época em  que  auferidos  ou  recebidos  (art.  42,  §  2°,  da  Lei  n°  9.430,  de  1996).  Recurso provido.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade de  votos,  acolher os Embargos Declaratórios para, retificando o Acórdão  n.°  3402­00.073,  de  06/05/2009,  sanando  a  omissão  apontada,  atribuir  efeitos  infringentes,  dar  provimento  ao  recurso,  nos  termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões a Conselheira  Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino. .  Em síntese, o litígio em questão versa sobre ...  Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que:  1.  Após  Embargos  de  Declaração  opostos  pelo  contribuinte, o colegiado retificou o acórdão recorrido  para,  analisando  provas  carreadas  aos  autos  após  a  decisão  de  primeira  instância,  excluir  o  valor  de  R$  696.000,00, implicando provimento ao recurso;  Fl. 934DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     4 2.  O  acórdão  recorrido  diverge  da  jurisprudência  do  CARF,  acerca  da  interpretação  do  art.  16,  §  4º  do  Decreto no 70.235/72;  3.  Portanto, como se vê, o sujeito passivo não apresentou  em  sua  impugnação  prova  suficiente  para  alicerçar  o  deferimento de  seu pleito,  somente na fase  recursal, o  sujeito passivo veio apresentar documentação que fosse  capaz de sustentar sua tese;   4.  A  divergência  jurisprudencial  aqui  invocada  se  estabelece em torno da interpretação e aplicação do art.  16, § 4º do Decreto no 70.235/72;  5.  Enquanto  o  acórdão  recorrido  ignora  seus  preceitos,  fazendo das suas disposições letra morta, o paradigma  aplica rigorosamente o preceito, proclamando a higidez  processual, o que satisfaz o principio constitucional do  devido processo legal;  6.  O  ponto  é  que  o  órgão  julgador  a  quo,  apesar  de  ter  aceitado as provas documentais  em sede  recursal,  não  justificou  seu  acolhimento  com  base  em  alguma  das  exceções dispostas nas alíneas "a" a "c" do § 4º do art.  16 do Decreto no 70.235/72;  7.  E  com  a  supressão  do  recurso  por  maioria,  com  o  advento  da  Lei  nª  11.941/2009,  no  qual  poder­se­ia  questionar a decisão  colegiada  com base na evidência  das  provas  carreadas  ao  feito,  é  evidente  que  se  está  diante de séria preterição ao direito de defesa da União,  uma vez que se ultrapassou o momento adequado para  a apreciação das provas colacionadas ao feito;  8.  Assim, merece reforma o acórdão proferido pelo órgão  julgador a quo, devendo ser restabelecida a decisão de  primeira instância.  Por despacho, fls. 0819, deu­se seguimento ao recurso especial.  O  sujeito  passivo  –  devidamente  intimado  –  não  apresentou  suas  contra  razões.  Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão.  É o Relatório.  Fl. 935DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001825/2002­40  Acórdão n.º 9202­003.154  CSRF­T2  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator  Quanto a admissibilidade do recurso, há questão a ser analisada.  Como  muito  bem  salientado  no  recurso  especial,  o  acórdão  recorrido,  fls.  0759v, considerou prova (cheque administrativo solicitado e depósito no mesmo valor, com um  dia de diferença) apresentada já em fase de recurso, sem justificar qualquer hipótese para tanto,  expressas na legislação.  Decreto 70.235/1972:  Art. 16. A impugnação mencionará:  ...  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:   a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b)  refira­se a fato ou a direito superveniente;  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.      § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser  requerida  à  autoridade  julgadora,  mediante  petição  em  que  se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.       §  6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda  instância.  É  de  salientar  que  a  legislação  determina  que  as  provas  devem  ser  apresentadas  até  a  impugnação,  já  fixando  sua  preclusão,  incluindo  possibilidades  em  que  a  regra taxativa deixe de vigorar.  Portanto, a regra e a determinação é a decisão pela preclusão.  Quando  o  acórdão  recorrido  não  fundamenta  a  apreciação  de  prova  após  a  impugnação, claro que ele é omisso.      Fl. 936DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     6   O  Regimento  Interno  do  CARF  (RICARF)  determina  mecanismo  para  correção de omissões em decisão: embargos declaratórios.  RICARF:  Art.  65.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e  os  seus  fundamentos,  ou  for  omitido  ponto  sobre  o  qual  devia  pronunciar­se a turma.    Portanto,  havia mecanismo  para  a  recorrente  questionar  a  decisão,  que  não  utilizou.  Destaque­se  que  tal  omissão  não  ocorreu  nos  acórdãos  paradigmas,  que  avaliaram  a  prova  apresentada  e  decidiram  declarar  o  direito  precluso,  por  não  constar  nas  possibilidades para sua apreciação.  Acórdão n° 05­14.087:  “Ora, o que se há de dizer sobre tal situação? Estaria realmente  difícil  o  acesso  a  tais  documentos?  Por  que  nunca mencionou  existir  dificuldades  para  o  atendimento  ao  chamado  do  Fisco  mesmo  com  reiteradas  intimações  se  sabia  a  que  valores  e  lançamentos contábeis se reportava a indagação fiscal?  Por  maior  esforço  que  se  faça  não  há  como  conceber  essa  letargia  e  adiamento  na  busca  dos  documentos  que  sabia  importantes  na  sustentação  da  sua  movimentação  financeira,  assim  também  o  fato  de  nunca  ter manifestado  haver  qualquer  dificuldade na sua obtenção.  ...  Considerando,  pois,  os  fatos  expostos  e  o  que  preceitua  o  Decreto n° 70.235/72, é de ser entendido que a juntada de prova  documental, consoante os termos do § 4° acima referido, deverá  ocorrer  no  momento  da  impugnação,  precluindo  o  direito  de  fazê­lo em outro momento processual, CUJAS HIPÓTESES DE  RESSALVAS AQUI NÃO SE VISLUMBRA, mormente quando  comprovado  que  a  Recorrente  teve  todas  as  oportunidades  de  apresentar  as  provas  documentais  de  suas  afirmativas  durante  toda  a  fase  de  fiscalização  e  instrucional  e  não  o  fez.  Não  cabendo,  agora,  a  sua  aceitação  e  análise,  visto  que  não  foi  provada  a  "força maior  a  obstaculizar  a  sua  apresentação  em  tempo hábil,  não  se  aplicando,  por  conseguinte,  as disposições  do § 60 do citado Decreto.  Ainda  que  admitidos  fossem,  apenas  por  amor  ao  debate,  os  documentos que diz corroborar os seus assentamentos e afastar  a  acusação  fiscal  apresentam  as  seguintes  características.  Os  extratos  do BC  ­  SISCOMEX  refletem  operações  realizadas  no  período  de  01/11/2001  a  24/07/2002,  não  coincidente  com  aqueles  fiscalizados,  que  foram  os  períodos­base  de  1997  a  2000.0s  extratos  bancários  anexados  por  cópias  às  fls.  1205,  Fl. 937DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.001825/2002­40  Acórdão n.º 9202­003.154  CSRF­T2  Fl. 5          7 1206  (Banco  do  Brasil)  e  1208  (CEF),  segundo  afirma  a  Recorrente, seriam de contas da empresa Casas Americanas S/A,  das quais foram emitidos cheques em fevereiro e agosto de 1998,  registrados em sua contabilidade, por conta de empréstimos.  Entretanto,  os  extratos  do  BB  não  indicam  o  titular  da  conta,  mesmo  sendo  a  agência  de  Foz  do  Iguaçu  —  Pr.  Quanto  ao  extrato  da  CEF,  agência  da  mesma  cidade,  o  nome  que  nele  consta é YUA TUNG HSI — AMERICANA — TP.  Pelo que se observa, por maior que seja a vontade de se chegar  a  mais  pura  realidade,  os  indicadores  fornecidos  não  dão  a  segurança e certeza aos fatos alegados.”    No  paradigma  acima,  a  decisão  analisa  e  justifica  a  preclusão  da  prova  e,  mesmo afirmando ao contrário, a analisa, para decidir que a sua aceitação não teria o condão de  alterar o lançamento.  Portanto, a decisão paradigma é juridicamente diversa da decisão recorrida.  Acórdão 202­18.463:  Tendo em vista que a contribuinte descumpriu o disposto no § 4ª  do art. 16 do Decreto 112 70.235/72, não possuindo em ordem  os  livros  e  demais  elementos  contábeis,  e  sendo  certo  que  as  provas  posteriormente  apresentadas  não  se  enquadram  nas  situações das alíneas do prefalado § 4º, tenho que está correta a  decisão recorrida, nada havendo a se reformar.  ...  Logo, como a fiscalização apontou diversas irregularidades que  inviabilizam  o  pedido  da  interessada,  e  como  a mesma  não  se  desincumbiu do ônus da prova, que permitiria o deferimento de  seu pedido, hei por bem negar provimento ao recurso.”    Também neste paradigma a decisão analisa e justifica a preclusão da prova.  Portanto, a decisão paradigma não se contrapõe à decisão recorrida, que foi  omissa na análise obrigatória determinada pela legislação.  Assim, como a omissão apontada não permite o confronto entre as decisões,  não há como admitir o recurso interposto.          Fl. 938DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     8   CONCLUSÃO:  Em razão do exposto, voto em não conhecer do recurso, nos termos do voto.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira                                Fl. 939DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 16095.000256/2010-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 DIREITO AO CREDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. INSUMOS ISENTOS ADVINDOS DA ZFM. CREDITAMENTO FICTO. Excetuando-se à regra, somente geram crédito ficto de IPI os insumos isentos advindos da Amazônia Ocidental, na qual se inclui a ZFM, como se devido fosse, quando empregados como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto, desde que tenham sido elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, por força do Decreto-lei nº 1.435, de 1975. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os conselheiros Alexandre Gomes e Fabíola Cassiano Keramidas acompanharam a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 DIREITO AO CREDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. INSUMOS ISENTOS ADVINDOS DA ZFM. CREDITAMENTO FICTO. Excetuando-se à regra, somente geram crédito ficto de IPI os insumos isentos advindos da Amazônia Ocidental, na qual se inclui a ZFM, como se devido fosse, quando empregados como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto, desde que tenham sido elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, por força do Decreto-lei nº 1.435, de 1975. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os conselheiros Alexandre Gomes e Fabíola Cassiano Keramidas acompanharam a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   2 primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de  origem  pecuária,  por  estabelecimentos  industriais  localizados  na Amazônia  Ocidental,  cujos  projetos  tenham  sido  aprovados  pelo  Conselho  de  Administração da SUFRAMA, por força do Decreto­lei nº 1.435, de 1975.  PRODUTOS  INTERMEDIÁRIOS.  DESGASTE  INDIRETO.  IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI.   Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do  REsp nº 1.075.508,  são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de  forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos  valores do  IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas  partes  e  peças,  combustível  empregado  em máquinas  e  equipamentos,  bem  como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma  indireta.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,    por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os conselheiros Alexandre  Gomes e Fabíola Cassiano Keramidas acompanharam a relatora pelas conclusões.  (Assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ ­ Relatora.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva  (Presidente),  Gileno  Gurjão  Barreto  (Vice­Presidente);  Fabíola  Cassiano  Keramidas,  ,  Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.    Relatório  Trata­se de recurso voluntário (fls. 423 a 466) apresentado em 16 de Janeiro  de  2012,  pela  contribuinte AMBEV BRASIL BEBIDAS LTDA, CNPJ  02.808.708/0002­80,  contra  o  Acórdão  nº  14­35.614,  proferido  em  26  de  outubro  de  2011  pela  2ª  Turma  da  DRJ/RPO  (fls.  399  a  416),  que,  relativamente  ao  auto  de  infração  de  IPI  dos  períodos  de  Janeiro de 2006 a dezembro de 2007,  julgou a  impugnação  improcedente, nos  termos de sua  ementa e dispositivo, a seguir reproduzidos:  “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI   Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  Fl. 505DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 505          3 GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS  DA  AMAZÔNIA  OCIDENTAL.  DESCUMPRIMENTO  DE  REQUISITOS.  São  insuscetíveis  de  apropriação  na  escrita  fiscal  os  créditos  concernentes  a  produtos  isentos  adquiridos  para  emprego  no  processo  industrial,  mas  não  elaborados  com  matérias  primas  agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária,  de  produção  regional  por  estabelecimentos  industriais  localizados  na  Amazônia  Ocidental  e  sem  projetos  aprovados  pelo Conselho de Administração da SUFRAMA.  INSUMOS  DESONERADOS.  CRÉDITOS  FICTÍCIOS.  APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.  Somente  são  passíveis  de  aproveitamento  na  escrita  fiscal  do  sujeito passivo os créditos concernentes a insumos onerados pelo  imposto  e  admitidos  segundo  o  entendimento  albergado  na  legislação tributária.  CRÉDITOS.  INSUMOS  ADMITIDOS  PELA  LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  Somente  os  créditos  referentes  a  matérias  primas,  produtos  intermediários e materiais de embalagem aplicados no processo  industrial,  conforme  a  conceituação  albergada  pela  legislação  tributária, podem ser apropriados na escrita fiscal.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido   Acórdão   Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos,  considerar  improcedente  a  impugnação,  com  a  manutenção  integral da exigência fiscal fustigada.”  Com  fulcro  no  Regulamento  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, foi lavrado auto de  infração  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  IPI,  em  10/06/2010,  pelos  fatos  constatados e assim descritos pelo Auditor Fiscal:  “o  contribuinte  lançou  indevidamente  no  Livro  Registro  de  Apuração do IPI RAIPI nos anos­calendário de 2006 e 2007, sob  a  rubrica  ‘outros  créditos’  e  sem  previsão  legal,  valores  referentes  à  aquisição  de  insumos  isentos  oriundos  da  Zona  Franca  de  Manaus.  Ainda  no  mesmo  período  e  sob  a  mesma  rubrica,  o  contribuinte  creditou­se  da  aquisição  de  peças  e  materiais  de  manutenção,  contrariando  o  que  determinam  as  normas  legais  que  regem  a  matéria  em  questão.  A  glosa  dos  valores  indevidamente  creditados  resultou no não recolhimento  do imposto sobre produtos industrializados.”  Fl. 506DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   4 Relativamente  às  glosas  dos  insumos  isentos  adquiridos  na  ZFM,  a  autoridade fiscal esclarece:  “Analisando  as  notas  fiscais  de  entrada  (créditos  da  ZFM)  apresentadas  pelo  contribuinte  e  relacionadas  em  planilha  própria,  ratificando  sua  informação  verifiquei  tratar­se  de  aquisições  de  "rolhas  metálicas"  para  garrafas,  operação  passível  de  isenção  do  IPI  por  enquadrar­se  no  disposto  no  artigo  69  inciso  11  do  RlPI/2002,  conforme  alegado  pelo  contribuinte,  porém  sem  direito.ao  beneficio  estabelecido  no  artigo  175  do  mesmo  Regulamento,  uma  vez  que  tal  artigo  somente  garante  o  direito  ao  crédito  do  imposto  àqueles  operações elencadas no inciso III do artigo 82, conforme acima  transcrito;”  No que  tange às  glosas dos  créditos nas  aquisições de peças  e materiais de  manutenção,  consta  no  Termo  de  Verificação  e  Constatação,  à  fl.  286,  o  seguinte  esclarecimento:  “Assim,  ao  analisar  as  notas  fiscais  de  entrada  (créditos  de  materiais  de  manutenção)  apresentadas  pelo  contribuinte  e  também  relacionadas  em  planilhas  mensais  própria,  verifiquei  tratar­se  de  aquisições  de  ‘peças  e  materiais  diversos  para  manutenção de máquinas e equipamentos’. Fica claro que pela  natureza e destinação de tais aquisições, ou seja, a utilização na  manutenção  e/ou  reparo  de  bens  do  ativo  permanente  (máquinas  e  equipamentos),  tais  operações não  dão  direito  ao  crédito  do  IPI,  conforme  disposto  na  norma  legal  acima  transcrita,  corroborada  ainda  pelos  termos  do  Parecer  Normativo CST nº 65/79.”  Irresignada,  a  contribuinte  apresenta  impugnação,  assim  resumida  pela  autoridade julgadora de 1ª instância:  “Em  23/07/2010,  insubmissa,  a  contribuinte  apresentou  impugnação  subscrita  pelo  representante  legal  da  pessoa  jurídica, em que aduz, em síntese, que:   1)  quanto aos créditos relativos aos produtos com isenção:  a)  independentemente de o produto originário da Zona  Franca de Manaus ser ou não isento, há o direito ao  crédito  em  virtude  do  princípio  da  não­ cumulatividade  do  IPI,  verdadeira  cláusula  pétrea  na  Constituição  Federal  (art.  153,  IV),  tendo  sido  utilizado o verbo “será”, e não o vocábulo “poderá  ser”  concernente  ao  princípio  da  seletividade  em  função  da  essencialidade  do  produto;  a  restrição  quanto  ao  direito  ao  crédito  na  isenção  existe  somente  em  relação ao  ICMS  (art.  155,  II,  § 2º,  II,  “a” e “b”); o impedimento do ato de crédito quanto  à  operação  anterior  corresponde  a  considerar  a  regra  isentiva  como  mero  diferimento,  tudo  conforme doutrina e  jurisprudência  (notadamente o  julgamento do RE nº 212.4842), sendo o princípio da  não­cumulatividade, que não comporta exceção, uma  garantia individual do contribuinte;   Fl. 507DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 506          5 b)  os  produtos  intermediários  isentos  adquiridos  pela  impugnante na Zona Franca de Manaus, destinados  à  fabricação  de  bebidas,  implicam  o  direito  ao  crédito  à  luz  do  princípio  da  não­cumulatividade,  sendo  a  isenção  uma  causa  de  exclusão  do  crédito  tributário,  pela  qual  o  fato  gerador  ocorre  com  a  plena incidência do tributo por força de lei, inclusive  com  alíquota,  porém  outra  lei  dispensa  o  sujeito  passivo  do  pagamento  em  razão  de  políticas  econômicas  ou  fiscais,  conforme  doutrina  e  jurisprudência  do  STJ;  a  isenção  gera  o  direito  ao  crédito  escritural,  já  que  há  o  nascimento  da  obrigação  tributária  e  a  exclusão  do  crédito  tributário,  diferentemente  da  hipótese  de  alíquota  zero, para a qual há o surgimento de uma obrigação  tributária  sem  expressão  e  o  direito  a  um  crédito  nulo;   c)  a impugnante tem o direito ao crédito presumido na  aquisição dos produtos da Zona Franca de Manaus  em  virtude  da  previsão  legal  (princípio  da  legalidade),  conforme  o  Decreto­lei  nº  1.435,  de  1975,  art.  6º,  que  alterou  o  Decreto­lei  nº  288,  de  1967,  que  instituíra  a  ZFM;  o  tratamento  diferenciado  e  favorecido  conferido  à  ZFM  foi  expressamente  mantido  pelo  Poder  Constituinte  Originário de 1988, pelo ADCT, art. 40, da CF/88; o  direito  ao  crédito,  vinculado  à  mercadoria,  é  garantido  tanto pelo  incentivo  fiscal do Decreto­lei  nº  1.435,  de  1975,  art.  6º,  quanto  pelo  incentivo  fiscal  do Decreto­lei  nº  288,  de  1967,  art.  9º;  uma  leitura  desatenta  da  legislação  implicaria  que  o  direito  ao  crédito  seria  somente  em  relação  a  “produtos  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  de  produção  regional  (...)”,  mas  o  crédito  presumido  de  todos  os  produtos  industrializados  oriundos  da  ZFM  tem  prescrição  legal  na  Lei  nº 8.387,  de 30  de  dezembro  de  1991,  que modificou  a  redação do Decreto­lei  nº  288,  de  1967,  art.  9º,  sob  pena  de  anulação  da  lógica  econômica  dos  incentivos  criados;  acrescenta:  “na  hipótese  aqui  denominada  "B"  de  industrialização  de ROLHA na ZONA FRANCA, depois destinada à  (sic)  outro  ponto  do  território  nacional  para  ser  utilizada  como  material  de  embalagem  de  outro  produto (Refrigerante, suco, cerveja) neste caso ter­ se­á  um  novo  produto,  qual  seja,  aquele  final,  destinado  ao  consumidor,  este  sim,  passível  de  incidência do IPI, todavia, pergunta­se: como ficará  a  isenção  da  embalagem  produzida  na  região  da  Amazônia,  uma  vez  que  ela  (Rolha,  embalagem)  perfaz o preço  total  do produto,  pois  não há venda  de  dois  itens  (conteúdo  e  embalagem,  mas  apenas  um)?”; ainda mais, quanto ao texto do artigo 6º do  Decreto­lei  nº  1.435/1975:  “Assim,  não  podemos  Fl. 508DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   6 aduzir pelo enunciado do caput que a regra aplica­ se apenas em relação aos "produtos elaborados com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção regional, exclusive as de origem pecuária"  pois  este  deve  ser  interpretado  em  conjunto,  de  forma  indissociável,  com  o  respectivo  §1°,  o  qual  define  os  "aspectos  complementares  à  norma  enunciada no caput do artigo e as exceções à regra  por este estabelecida";   d)   especificamente  quanto  à  possibilidade  de  aproveitamento  do  crédito  de  produtos  isentos  fabricados  na  ZFM,  não  houve  mudança  do  entendimento  pelo  STF  vertido  nos  autos  do  RE  nº  212.4842RS,  acompanhado  pelo  STJ  e  pelo  Conselho  de  Contribuintes,  apesar  de  alteração  de  entendimento  quanto  a  créditos  relativos  a  aquisições  de  insumos  isentos  em  geral  (RE  nº  444.2671, de 18/04/2007), não aplicável à aquisição  de produtos isentos fabricados na ZFM, e por isso a  autuação deve ser julgada improcedente   e)  representa  uma  violação  do  princípio  da  isonomia  ou igualdade (CF, art. 150, II) a interpretação fiscal  de que apenas empresas adquirentes de alguns tipos  de  produtos  oriundos  da  ZFM  (elaborados  com  matérias  primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional)  teriam  o  direito  ao  crédito,  já  que a Amazônia Ocidental  fornece uma vasta gama  de  produtos  (agricultura,  extrativismo,  pecuária  e  mineração)  e  o  fundamento  do  benefício  fiscal  é  o  desenvolvimento  da  Amazônia  Ocidental,  sendo  cabível,  portanto,  que  o  auto  de  infração  seja  julgado improcedente;   2)   quanto  aos  créditos  relativos  a  peças  e  materiais  de  manutenção:   o auto de infração deve ser anulado nesse ponto, pois as peças  destinadas  ao  funcionamento  de  máquinas  e  equipamentos  da  indústria  não  são  classificadas  no  ativo  permanente,  mas  em  contas de “insumos aplicados na produção”, conforme o critério  contábil  de  apuração  de  custos  industriais  correspondente  ao  enunciado  do  art.  13  do  Decreto­lei  nº  1.598/1997,  cujo  §  1º  assim  determina:  “o  custo  de  produção  dos  bens  vendidos  compreenderá,  obrigatoriamente  o  custo  de  aquisição  de  matérias­primas  e  quaisquer  outros  bens  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  na  produção”;  a  garantia  do  direito  ao  crédito  relativo  a  produtos  destinados  à manutenção dá  efetividade  ao  princípio da proporcionalidade e soluções de consulta e decisões  do  conselho  de  Contribuintes  denotam  aceitação  de  créditos  oriundos de peças e ferramentas.  Por  fim,  dado  o  acerto  pleno  da  impugnação  apresentada,  requer  que  o  auto  de  infração  seja  julgado  totalmente  improcedente.”  Fl. 509DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 507          7 A  DRJ  em  Ribeirão  Preto/SP  julgou  o  lançamento  procedente,  conforme  Acórdão nº 14­35.614 de e­fls.399 a 416, que restou ementado conforme acima transcrito.  Por meio da Intimação n°: 722/2011, a contribuinte toma ciência do Acórdão  nº 14­35.614 da DRJ/RPO, em 16/12/2011(sexta­feira), conforme Aviso de Recebimento – AR  de  e­fl.421,  e,  irresignada,  apresenta,  em  16/01/2012,  o  seu  recurso  Voluntário,  no  qual  a  contribuinte reprisou os argumentos da peça impugnatória, defendendo o direito ao crédito de  IPI no caso de  insumos  isentos  e procedentes da Zona Franca de Manaus ZFM e  relativos a  peças e materiais de manutenção, segundo os seguintes itens e subitens:  I – DOS FATOS E DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA   II – DO DIREITO (TOTAL IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO)  II.1­  Do  Direito  a  Crédito  do  IPI  decorrente  do  Princípio  da  Não  Cumulatividade– Cláusula Pétrea;   II.2 – Do Direito a Crédito do IPI na Aquisição de Insumos Isentos;   II.3 – Do Direito a Crédito do IPI na Aquisição dos produtos pela Recorrente  na Zona Franca de Manaus em razão de expressa previsão legal;  II.4  – Do Direito  a Crédito  do  IPI  na Aquisição  de  “Rolhas Metálicas”  da  Zona Franca de Manaus;   II.5 – Da Jurisprudência do STF, no trato da matéria, especialmente quando  tratarse de produto proveniente da Zona Franca de Manaus, bem como do STJ, dos Tribunais  Regionais e do Conselho de Contribuintes;   II.6  –  Do  Necessário  Cancelamento  do  Auto  de  Infração  em  razão  do  Princípio da isonomia;   II.7 _ Direito ao crédito sobre as peças e materiais de manutenção;   Ao  final,  formula  o  seu  pedido,  requerendo  que:  seja  julgado  procedente  o  recurso, com vistas a reconhecer a nulidade do Auto de Infração originário, cancelando­o nos  termos da fundamentação postas no recurso; o direito de provar o alegado por todos os meios  de  prova  admitidos  e  que  todas  as  publicações  atinentes  a  este  processo  sejam  veiculadas  exclusivamente em nome dos advogados que nomeia, sob pena de nulidade.  Em conformidade com o Regimento, este processo  foi  a mim distribuído e,  em 31 de março de 2013 foi submetido à julgamento desta turma que decidiu, por unanimidade  de  votos,  por  meio  da  Resolução  nº  3302­000.292,  em  sobrestar  o  julgamento  do  recurso  voluntário, tendo em vista a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no  RE 592.891/SP e as decisões de sobrestamento proferidas pelo o Ministro Marco Aurélio nos  Recursos  Extraordinários  (RE)  596.614,  593.615,  587.502,  585.663,  que  se  referiram  ao  idêntico  caso  daquele  contido  no  RE  592.891/SP,  o  qual,  também,  coincide  com  uma  das  matérias deste processo, qual  seja o direito de creditamento de  IPI nos  caso de aquisição de  insumos isentos oriundos da ZFM, em face do que determinava, à época, a regra do §1º do art.  62­A do Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, alterada pela Portaria MF n. 586, de 2010.   Fl. 510DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   8 Suspenso  o  sobrestamento,  na  forma  regimental,  o  processo  foi  a  mim  redistribuído.  É o relatório.  Voto             Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  validade,devendo, pois, ser conhecido.  DA SOLICITAÇÃO DE NULIDADE  De  início,  tendo  em  vista  que  a  recorrente  afirma  que  o  processo  administrativo  bem  como  a  decisão  recorrida  encontram­se  eivados  de  nulidades  e  irregularidades,  uma  vez  inobservados  os  princípios,  regras  e  ditames  constitucionais  e  legais, e que, em seu pedido, requer a nulidade do Auto de Infração originário, mister se  faz esclarecer que os casos de nulidade no Processo Administrativo Fiscal estão estatuídos  nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, verbis:  “Art. 59. São nulos:  I  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente;  II  os  despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou  com preterição do direito de defesa.  (...)”  “Art.  60. As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio”.   Como se vê, de acordo com o art. 59, 1, só se pode cogitar de declaração de  nulidade de auto de infração ­ que se insere na categoria de ato ou termo ­, quando for lavrado  por pessoa incompetente. Eventual nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere  do  art.  59,  II,  somente  pode  ser  declarada  quando  o  cerceamento  está  relacionado  aos  despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em unia  fase posterior à  lavratura do  auto de infração.  Quaisquer outras irregularidades, incorreções c omissões não importarão em  nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este  lhes houver dado causa, a teor do art. 60, também reproduzido.   Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento.  Ademais, em se  tratando de  IPI exigido por meio de auto de  infração, deve  ser observado, ainda, o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, que estipula:  “Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ A qualificação do autuado;  Fl. 511DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 508          9 II ­ O local, a data e a hora da lavratura:  III­ A descrição do fato;  IV­ A disposição legal infringida e a penalidade aplicável:  V  ­ A determinação da exigência e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias:  VI  ­  A  assinatura  do  atuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.”  No caso aqui tratado, o lançamento obedeceu rigorosamente às disposições do  art. 10 do Decreto nº 70.235/72, e o Acórdão recorrido , também, foi proferido pela autoridade  competente e os  fundamentos da decisão  recorrida, por  sua vez,  são claros e objetivos e não  cercearam o direito de defesa da recorrente.  Portanto, não estando presente pressuposto algum dos referidos no art. 59 do  PAF, não há que se falar em nulidade.  DO LITÍGIO E DO SOBRESTAMENTO  Versa  o  litígio  sobre  a  glosa  dos  créditos  presumidos  de  IPI  advindos  das  aquisições  de  insumos  isentos  referentes  à  rolhas  metálicas  de  empresas  sediadas  na  Zona  Franca  de Manaus  e  da  glosa  dos  créditos  básicos  de  IPI  relativos  à  aquisições  de  produtos  (peças  e  materiais  de  manutenção)que  não  se  enquadram  no  conceito  de  matéria­prima,  produto intermediário e material de embalagem e do direito de manutenção destes créditos.  Verifica­se que a matéria sobre o direito, ou não, de creditamento ficto de IPI  nas  aquisições  de  insumos  isentos  adquiridos  da  ZFM,  uma  das  questões  discutida  nos  presentes  autos,  encontra­se  submetida  ao  rito  da Repercussão Geral  na  Suprema Corte  (RE  592891, Relator(a): Min. Ellen Gracie,  julgado em 16/08/2010, Tema 322) e que há recursos  extraordinários sobrestados, aguardando a decisão do acórdão em repercussão geral.  Não  obstante,  de  antemão,  registre­se  a  recente  alteração  do  Regimento  Interno do CARF, ocorrida por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013 que em  seu art 1º revoga os parágrafos primeiro e segundo do art. 62­A do Anexo II da Portaria MF nº  256, de 22 de junho de 2009, afastando, assim, a figura do sobrestamento neste colegiado.  Desta  forma,  cumpre  registrar,  nos  termos  da  alteração  do  regimento  do  CARF  acima  mencionada,  que  a  pendência  de  julgamento  de  igual  matéria  pelo  Supremo  Tribunal Federal, em regime de repercussão geral, não mais implica direito ao sobrestamento  de recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF.  Assim sendo, o presente processo, que já se encontrava com o julgamento do  recurso voluntário  sobrestado,  conforme  acima  relatado,  foi  a mim  redistribuído. Portanto,  o  presente litígio deve ser submetido à análise desta turma de julgamento.  Cabe  esclarecer  que  as  normas  do  Processo  Administrativo  Fiscal  e  do  Regimento  Interno  do  Carf  ­  RICARF  (Anexo  II  à  Portaria  MF  n.  256,  de  2009),  consubstanciadas nas disposições do art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, art. 26­A do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  arts.  62  e  62­A  do  Ricarf  e  Súmula  Carf  nº  2,  vedam  ao  Carf  a  possibilidade de, originalmente, reconhecer a inconstitucionalidade de lei ou decreto com o fim  Fl. 512DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   10 de afastar a aplicação da norma ao caso concreto e determinam que, no caso de existir decisão  definitiva do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria, aplica­se o entendimento do Tribunal.  Não  obstante  a  existência  de RE  592891,  cujo  litígio  refere­se  à  direito  de  crédito de insumos isentos adquiridos da ZFM, submetido ao regime de repercussão geral, tal  ainda não foi julgado, conforme se verá adiante na referência à jurisprudência do STF.   DO DIREITO DE PROVAR O ALEGADO POR TODOS OS MEIOS DE  PROVA ADMITIDOS  É sabido que o PAF utiliza­se da aplicação subsidiária do Código de Processo  Civil  e  da  Lei  nº  9.784/1999,  principalmente,  em  questões  de  prova,  haja  vista  a  pouca  regulação da matéria no Decreto 70.235/72.  Pois bem, o artigo 333 do CPC, que trata do ônus da prova, estipula:  “Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I – ao autor, quanto ao  fato constitutivo do seu direito; II – ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo do direito do autor. [...]”  Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem  dela se aproveita.   Conforme  bem  destaca  o  Auditor  Fiscal  Gilson Wessler Michels,  em  seus  comentários  e  anotações  ao  Decreto  nº  70.235/721:  “Esta  formulação  foi  trazida  para  o  processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída  tanto  ao  autor  do  procedimento,  a  autoridade  fiscal  (parte  final  do  caput  do  artigo  9.º  do  Decreto  n.º  70.235/1972:  os  autos  de  infração  e  notificações  de  lançamento  ‘deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis à comprovação do ilícito’), quanto ao contribuinte que contesta o lançamento  (‘Art.  16.  A  impugnação  mencionará  :  [...]  III  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.’)”.  Por sua vez, a Lei nº 9.784/1999 igualmente traz importante regra em matéria  probatória em seu artigo 36:  “Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.”  O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF traz a seguinte regra, in  verbis:  “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  [...]                                                              1  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comentários  e Anotações  ao Decreto  n.º  70.235,  de  06/03/1972.  Versão 17 Atualizada até 31/Agosto/2011.  Fl. 513DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 509          11 Art. 16. A impugnação mencionará:  [...]  III  –  os motivos  de  fato  e de  direito em que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  [...]  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997):  b) refira­se a  fato ou a direito  superveniente;(Incluído pela Lei  nº 9.532, de 1997);  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)   [...]”(grifos nossos).  No  caso  específico,não  se  constata  a  ocorrência  de  alguma  das  hipóteses  legais  acima  transcrita  que  possibilite  atender  ao  pleito  da  recorrente  para  trazer  aos  autos  outras  provas  além  daquelas  anexadas  junto  à  sua  impugnação, motivo  pelo  o  qual  é  de  se  negar o seu pleito nesse sentido, em face da preclusão.   Ultrapassada as questões antecedentes, passa­se para a análise de mérito das  questões, ora sob litígio.  Dos Créditos indevidos de insumos isentos (rolhas metálicas) adquiridos  na ZFM, que não se enquadravam nos critérios do art. 82, III, do RIPI/2002,  tendo em  vista o princípio da não cumulatividade.  PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE   Os  princípios  da  não  cumulatividade  e  o  da  seletividade  do  IPI  foram  introduzidos no arcabouço constitucional por meio da Emenda Constitucional (EC) nº 18/1965  e permanecem na Constituição Federal (CF) de 1988, que não trouxe alterações no tocante aos  princípios em questão:  “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:  (...)  IV ­ produtos industrializados;  (...)  § 3º O imposto previsto no inciso IV:  I ­ será seletivo, em função da essencialidade do produto;  Fl. 514DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   12 II  ­  será  não­cumulativo,  compensando­se  o  que  for  devido  em  cada operação com o montante cobrado nas anteriores;   (...).”  O  Código  Tributário  Nacional,  sobre  o  princípio  da  não  cumulatividade,  estabelece a regra a ser observada por lei específica, no sentido de que o direito ao crédito do  IPI  resulte  do  imposto  pago  pelo  adquirente  quando  da  entrada  dos  produtos  em  seu  estabelecimento, in verbis:  “Art. 49. O  imposto é não­cumulativo, dispondo a  lei de  forma  que  o  montante  devido  resulte  da  diferença  a  maior,  em  determinado  período,  entre  o  imposto  referente  aos  produtos  saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos  nele entrados.  Parágrafo  único.  O  saldo  verificado,  em  determinado  período,  em  favor  do  contribuinte,  transfere­se  para  o  período  ou  períodos seguintes.” (grifou­se)  Nesta  direção,  o  principio  constitucional  da  não­cumulatividade  teve  sua  sistemática regulada por lei ordinária, qual seja, o art. 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro  de 1964, e alterações posteriores, que assim estabelecia:  "Art.  25 A  importância  a  recolher  será  o montante do  imposto  relativo  aos  produtos  saídos  do  estabelecimento,  em  cada mês,  diminuído  do  imposto  relativo  aos  produtos  nele  entrados,  no  mesmo  período,  obedecidas  as  especificações  e  normas  que  o  regulamento estabelecer.  §  1°  0  direito  de  dedução  só  é  aplicável  aos  casos  em  que  os  produtos  entrados  se  destinem  à  comercialização,  industrialização  ou  acondicionamento  e  desde  que  os  mesmos  produtos  ou  os  que  resultarem  do  processo  industrial  sejam  tributados na saída do estabelecimento." (negritos acrescidos)   O Regulamento do IPI ­ RIPI 2002 (Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de  2002),  por  sua  vez,  em  seu  art.  163  (equivalente  ao  art.  225  do Decreto  nº  7.212,  de  15  de  junho de 2010 ­ Regulamento do IPI (RIPI/2010)) estabeleceu:  “CAPÍTULO X   DOS CRÉDITOS   Seção I   Disposições Preliminares   Não­Cumulatividade do Imposto   Art.  163.  A  não­cumulatividade  do  imposto  é  efetivada  pelo  sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo  a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do  que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período,  conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art.  49).  Fl. 515DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 510          13 §  1º  O  direito  ao  crédito  é  também  atribuído  para  anular  o  débito  do  imposto  referente  a  produtos  saídos  do  estabelecimento e a este devolvidos ou retornados.  §  2º  Regem­se,  também,  pelo  sistema  de  crédito  os  valores  escriturados a  título de  incentivo, bem assim os  resultantes das  situações indicadas no art. 178.”  Pelos  dispositivos  constitucional  e  legais  acima  dispostos  verifica­se  que  a  sistemática  de  não  cumulatividade  adotada  pelo  o  Brasil  opera­se mediante  a  apropriação  e  utilização de créditos, por meio da compensação entre o valor do IPI recebido dos adquirentes  do produto fabricado pelo o industrial e o IPI pago pelo o industrial quando da aquisição dos  insumos onerados, apurando­se a diferença, que pode ser credora ou devedora, nos termos do  estabelecido pela regra do art. 153, §3º, II da Constituição Federal. Seu foco não está no valor  agregado  pelo  o  contribuinte  aos  insumos  por  ele  adquirido, mas  na  diferença  do  confronto  entre o imposto devido nas saídas de seu produto com o suportado nas aquisições dos insumos,  técnica esta denominada “imposto sobre imposto”.  Como  a  sistemática da  não  cumulatividade  não  dá  direito  à  apropriação  de  crédito  de  IPI  em  entradas  de  insumos  não  tributados  por  tal  imposto,  este  creditamento  só  poderá  ser  admitido  quando  lei  específica  o  autorize  expressamente  na  condição  de  um  benefício.  É  que  a  Constituição  da  República  proíbe  expressamente  a  concessão  de  crédito  presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe o §6º do art. 150 da Carta Magna,  cujo texto se transcreve a seguir, o que se harmoniza com a opção do constituinte pelo sistema  de crédito para efetivação do princípio da não­cumulatividade.  “Seção II   Das Limitações do Poder de Tributar   Art.  150.  Sem  prejuízo  de  outras  garantias  asseguradas  ao  contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal  e aos Municípios:   (...);  § 6º ­ Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo,  concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a  impostos,  taxas  ou  contribuições,  só  poderá  ser  concedido  mediante  lei  específica,  federal,  estadual  ou  municipal,  que  regule  exclusivamente  as  matérias  acima  enumeradas  ou  o  correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto  no  Art.  155,  §  2.º,  XII,  g.  (Alterado  pela  EC­000.003­1993)”  (grifos acrescidos)  Desta  forma,  para  que  haja  o  direito  ao  crédito  de  IPI  na  aquisição  de  insumos  desonerados,  a  título  de  crédito  presumido,  faz­se  necessário  lei  específica  nesse  sentido.  Daí  é  que,  o  Regulamento  de  IPI  de  2002,  em  seu  art.  175,  estabeleceu  o  benefício  de  creditamento  ficto  de  IPI,  como  se  devido  fosse,  nas  aquisições  de  matérias­ primas,  produtos  intermediários  e material  de  embalagem, de  fornecedores  situados na Zona  Franca de Manaus, apenas quando da ocorrência de isenção prevista no inciso III do art. 82 do  RIPI/2002. Vejamos:  Fl. 516DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   14 “Art. 82. São isentos do imposto:  (.)  III­  os  produtos  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional,  exclusive  as  de  origem  pecuária,  por  estabelecimentos  industriais  localizados  na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados  pelo Conselho  de Administração da SUFRAMA,  excetuados  o  fumo do Capitulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03  a  22.06  e  dos  códigos  2208.20.00  a  2208.70.00  e  2208.90.00  (exceto o Ex 01) da TIPI (Decreto­lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e  Decreto­lei nº 1.593, de 1977, art. 34)”. (Grifei)  “Art.  175.  Os  estabelecimentos  industriais  poderão  creditar­se  do  valor  do  imposto  calculado,  como  se  devido  fosse,  sobre  os  produtos  adquiridos  com  a  isenção  do  inciso  III  do  art.  82,  desde  que  para  emprego  como  MP,  PI  e  ME,  na  industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decreto­lei n2  1.435, de 1975, art. 62, § 12). (Grifei)   Portanto, convém ressaltar que o direito ao creditamento de insumos isentos  adquiridos da ZFM e da Amazônia Ocidental não é absoluto. A possibilidade de creditamento  ficto de IPI quando da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus fica  restrita  aos  casos  de  a  isenção  ocorrer  com  base  no  inciso  III  do  art.  82,  e  desde  que  para  emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto, por ser esta  uma  situação  específica  e  única  sobre  a  qual  há  norma  legal  especificando  a  sua  previsão  e  requisitos para a sua utilização.  O fato de os produtos serem vendidos por fornecedores situados na ZFM com  a  isenção  do  artigo  69,  II,do  RIPI/2002  não  garante  aos  adquirentes  dos  mesmos,  que  os  utilizam como insumos de sua produção, a escrituração de crédito de IPI incentivado, em face  de inexistência de dispositivo que ampare tal crédito.  No caso em questão, é inconteste que nas vendas dos insumos efetuadas pelos  fornecedores  situados na ZFM mencionados na  autuação, para o  estabelecimento  autuado da  AMBEV, as  isenções de  tais  insumos deram­se com fulcro no art. 69,  II, do RIPI/2002,  fato  esse  não  controvertido  pela  recorrente,  cujo  direito  ao  crédito  dar­se­ia,  na  concepção  da  recorrente, com base no princípio da não cumulatividade, in verbis:  “Inicialmente,  a  Recorrente  esclarece  que,  independente  do  produto originado da Zona Franca de Manaus, ser ou não isento,  permanece  intacto  o  seu  direito  ao  crédito,  uma  vez  que  o  Princípio  da  não­cumulatividade  do  IPI  é  uma  garantia  Constitucional  assegurada  ao  contribuinte  e  não  comporta  exceção de qualquer natureza, sendo inclusive imutável por meio  de Emenda Constitucional, por tratar­se de verdadeira cláusula  pétrea (...).  (...).  Em  síntese,  considerando  que  o  Constituinte  não  restringiu  o  direito  a  crédito  das  contribuintes  do  IPI  adquirentes  de  produtos isentos, tal como o fez com o ICMS, tomou irrelevante,  para  fins  da  não­cumulatividade,  o  fato  da  operação  anterior  não  ter sido  tributada em razão do  instituto da  isenção, motivo  Fl. 517DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 511          15 pelo  qual  se  impõe  o  julgamento  pela  improcedência  da  autuação.”.  Não resta dúvida que, não se tratando do caso de credito ficto previsto no art.  175 do RIPI/2002, a única forma de creditamento de IPI seria, então, pela sistemática da não  cumulatividade.  Mas,  esta,  em  regra  geral,  ao  contrário  do  entendimento  defendido  pela  recorrente, só se opera nos casos de aquisição de insumos onerados pelo o imposto, consoante  demonstrado acima .  Na  direção  supra  destacada  caminha  a  jurisprudência  mais  recente  do  plenário do STF, conforme demonstra­se a seguir.  DA JURISPRUDÊNCIA DO STF   A  recorrente  também  fundamentou  o  entendimento  por  ela  defendido  com  base  na  jurisprudência  do  STF,  fazendo  referências  e  transcrições  de  alguns  acórdãos,  consoante trecho a seguir transcrito:  “Destarte,  o  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  autos  do  Recurso  Extraordinário  n.°  212.484­2,  quando  da  apreciação  de  caso  IDÊNTICO ao presente, deu ganho de causa à contribuinte, para o fim  de  garantir  o  direito  ao  crédito  do  IPI,  pois  caso  contrário,  tornaria  inócuo  o  benefício  incentivo  concedido  às  empresas  estabelecidas  na  ZFM,  já  que  muito  distante  dos  principais  centros  consumidores,  tal  como o Estado de São Paulo, onde se sedia a Recorrente.” (grifos do  original).  Inicialmente,  mister  se  faz  necessário  ressaltar  que  a  questão  atinente  ao  direito  de  creditamento  de  IPI  nas  aquisições  de  insumos  desonerados,  seja  qual  for  a  modalidade  (isenção,  alíquota  zero  e  não  tributação)  já  foi  muitas  vezes  enfrentadas  pelo  o  Supremo Tribunal Federal em diversos recursos extraordinários impetrados antes da regulação  da sistemática de repercussão geral, cujas decisões são válidas “inter partes”.  Pois  bem,  nesta  questão  de  creditamento  de  IPI  quando  de  aquisições  de  insumos  desonerados,  a  orientação  do  Pretório  Excelso,  embora  em  outrora  tenha  sido  antagônica,  consoante  destacou  a  recorrente,  agora,  hodiernamente,  segue  plasmando  no  sentido de que a mencionada utilização de créditos afronta o inciso II do § 3° do art. 153 da  Constituição Federal. Isso porque, nos termos da fundamentação da nova jurisprudência, a não­ cumulatividade pressupõe, salvo previsão expressa da própria Carta Magna, tributo devido e já  recolhido e, nos casos de isenção, alíquota zero e não­tributação, não há parâmetro normativo  para se definir a quantia a compensar, consoante se observa dos votos já proferidos no REXT  353.657/PR e 370.682­9/SC. Vejamos a seguir, na ordem dos julgamentos:  1)  RE 212.484­12/RS, com trânsito em julgado em 10/dez/1998   De  início,  registra­se  que  o  RE  212.484­12/RS  interposto  pela  Fazenda  Nacional  contra  o  Acórdão  do  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região,  o  qual  autorizou  contribuinte do IPI a creditar­se do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o  regime  de  isenção,  não  obstante  tratar­se  de  questão  atinente  ao  crédito  aproveitado  pela  compra de insumo isento (xarope) oriundo da Zona Franca de Manaus para produção de Coca­ Cola, verifica­se que toda a discussão e decisão adotada pelo o plenário do STF foi em cima do  Fl. 518DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   16 princípio  da  não­cumulatividade  e  não  sobre  o  direito  ao  creditamento  com  base  em  lei  específica sobre os insumos adquiridos da ZFM.  Os Ministros do STJ, em sessão plenária, por maioria de votos, nos termos do  voto  do  redator  do  RE  212.484­12/RS, Min.  Nelson  Jobim,  decidiram  em  não  conhecer  do  Recurso Extraordinário, segundo a seguinte ementa:  “CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  IPI.  ISENÇÃO  INCIDENTE  SOBRE  INSUMOS.  DIREITO  DE  CRÉDITO.PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. OFENSA  NÃO CARACTERIZADA.  Não ocorre ofensa à CF (Art. 153,§3º,II) quando o contribuinte  do IPI credita­se do valor do tributo incidente sobre o valor de  insumos adquiridos sobre o regime de isenção.  Recurso não conhecido.”  Naquela ocasião, o Ministro Marco Aurélio acompanhou o voto do redator,  tendo a recorrente, inclusive, transcrito trecho do voto por ele proferido no RE 212.484/RS.  Deu­se o trânsito em julgado em 10/dez/1998.  Pois  bem,  o RE 212.484­12  não  se  submeteu  à  sistemática da Repercussão  Geral por  ser anterior  à  regulação dessa  sistemática e  tinha validade “inter partes”. Mas, por  trazer em seu bojo discussão de grande interesse dos contribuintes, tornou­se paradigma e foi  base  de  muitos  votos  do  CARF  favoráveis  ao  creditamento  de  IPI  quando  da  aquisição  de  insumos isentos, conforme demonstrou a recorrente com a transcrição de ementa de um desses  julgados.   Registre­se,  contudo,  que  o  entendimento  do  direito  ao  creditamento  do  crédito  objetivo  na  aquisição  do  insumo  isento  ali  proferido  foi  modificado  pelo  o  STF,  consoante se demonstra a seguir, e os Julgados do antigo Conselho de Contribuintes não são  vinculantes.  2) RE 353.657/PR  ­ RECURSO EXTRAORDINÁRIO  ­ DJ 07/03/2008,  com trânsito em julgado em 19.10.2010.  Pela  consulta  ao  sítio  do  STF,  verifica­se  que  a maioria  dos Ministros  que  compunham à época o Eg. STF acompanhou o  entendimento do Min. Marco Aurélio no RE  353.657­5/PR  para  dizer  o  que  é  o  princípio  da  não­cumulatividade. Na  ocasião  o Ministro  relator disse que a aquisição de insumos desonerados (seja por isenção, incidência da alíquota  zero ou não tributação) não dá margem a creditamento de IPI para o adquirente.  Tendo  em  vista  a  referência  feita  pela  recorrente  ao  posicionamento  defendido  pelo  o Ministro Marco Aurélio  nos  julgados  do RE 212484­12/RS,  no  sentido  de  embasar o seu entendimento ao direito de creditamento de IPI no caso ora sob análise, faz­se  necessário demonstrar que o referido Ministro evoluiu em seu posicionamento sobre a questão,  reformando  o  seu  entendimento  anterior,  consoante  o  próprio  esclarece  no  voto  do  RE  353657/PR , de sua relatoria, in verbis:  “Admito  haver  votado,  quando  do  julgamento  dos  Recursos  Extraordinários  nos  350.446/PR,  353.668/PR  e  357.277/RS,  acompanhando  o  relator.  A  reflexão  sobre  o  tema  levou­me  a  formar convencimento diverso, afetando este extraordinário ao  Fl. 519DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 512          17 Colegiado,  e,  então,  cumpre­me,  como  cumpre  a  todo  e  qualquer  juiz,  evoluir,  reconhecida  razão  à  tese  inicialmente  rechaçada.  Digo  mesmo  que,  a  prevalecer  a  conclusão  a  que  chegou o Colegiado nesses  recursos  extraordinários,  ter­se­á o  esvaziamento  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  nos  últimos anos, com passivo da União conflitante com o Diploma  da República ( ... )". (negritei)  Transcreve­se, a seguir, ementa e decisão proferidos no RE 353657/PR.  RE 353657 / PR ­ PARANÁ   RECURSO EXTRAORDINÁRIO   Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO   Julgamento: 25/06/2007   Órgão Julgador: Tribunal Pleno   “Ementa  IPI  ­  INSUMO ­ ALÍQUOTA ZERO  ­ AUSÊNCIA DE  DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II  do  §  3º  do  artigo  153  da  Constituição  Federal,  observa­se  o  princípio  da  não­cumulatividade  compensando­se  o  que  for  devido  em  cada  operação  com  o  montante  cobrado  nas  anteriores,  ante  o  que  não  se pode  cogitar  de  direito  a  crédito  quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero  IPI  ­  INSUMO  ­  ALÍQUOTA  ZERO  ­  CREDITAMENTO  ­  INEXISTÊNCIA DO DIREITO  ­  EFICÁCIA.  Descabe,  em  face  do  texto  constitucional  regedor  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  e  do  sistema  jurisdicional  brasileiro,  a  modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso  sendo  emprestada  à  Carta  da  República  a  maior  eficácia  possível, consagrando­se o princípio da segurança jurídica.”  Decisão   “ Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso e,  por maioria, deu­lhe provimento, vencidos os Senhores Ministros  Cezar  Peluso,  Nelson  Jobim,  Sepúlveda  Pertence,  Ricardo  Lewandowski e Celso de Mello, que lhe negavam provimento. Na  seqüência  do  julgamento,  o  Tribunal  conheceu  da  questão  de  ordem suscitada pelo Senhor Ministro Ricardo Lewandowski, no  sentido de examinar a possibilidade de modular temporalmente a  decisão,  dando­lhe  efeito  prospectivo.  Decidiu  o  Tribunal,  por  maioria,  em  caráter  excepcional,  vencido  o  Senhor  Ministro  Joaquim Barbosa, renovar a oportunidade de  sustentação oral,  relativamente  à  questão  nova.  Falaram,  pela  recorrida,  o  Professor  Luís  Roberto  Barroso  e,  pela  recorrente,  União,  a  Procuradora  da  Fazenda  Nacional,  Dra.  Luciana  Moreira  Gomes.  No mérito,  o  Tribunal,  por  maioria,  vencido  o  Senhor  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  rejeitou  a  questão  de  ordem.  Votou  a  Presidente,  Ministra  Ellen  Gracie.  Plenário,  25.06.2007.”  Fl. 520DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   18 Assim manifesta­se o  relator, Ministro Marco Aurélio no voto do 353.657­ 5/PR, no que foi acompanhado pela maioria dos ministros:  "Verifica­se  que  em  relação  ao  IPI,  nada  foi  previsto  sob  o  ângulo  do  crédito,  mesmo  em  se  cuidando  de  isenção  ou  não  incidência.  O  figurino  constitucional  apenas  revela  a  preservação  do  princípio  da  não­cumulatividade,  ficando  o  crédito, justamente por isso – e em vista do conteúdo pedagógico  do texto regedor, artigo 153, §3º, inciso II ­, sujeito ao montante  cobrado  nas  operações  anteriores,  até  porque  a  alíquota  não  poderia  ser  zero,  em  termos  de  arrecadação,  inexistindo  obrigação  tributária  e  ser  ‘x’,  em  termos  de  crédito.  Ante  o  princípio da razoabilidade, há de ser única. Em outras palavras,  essa  compensação,  realizada  via  o  creditamento,  pressupõe,  como assentado na Carta Federal,  o  valor  levado em conta na  operação antecedente,  o  valor  cobrado pelo  fisco. Relembre­se  que, de acordo com a previsão constitucional, a compensação se  faz considerado o que efetivamente exigido e na proporção que o  foi.  Assim,  se  a  hipótese  é  de  não­tributação  ou  de  prática  de  alíquota zero, inexiste parâmetro normativo para, à luz do texto  constitucional,  definir­se,  até  mesmo,  a  quantia  a  ser  compensada. Se o recolhimento anterior do tributo se fez à base  de  certo  percentual,  o  resultado  da  incidência  deste  ­  dada  a  operação  efetuada  com  alíquota  definida  de  forma  especifica  e  a  realização  que  se  lhe  mostrou  própria  ­  é  que  há  de  ser  compensado,  e  não  o  relativo  à  alíquota  final  cuja  destinação  é  outra.  Não fosse a clareza do texto, a necessidade de os preceitos maiores  serem  interpretados  de  maneira  integrativa,  teleológica  e  sistemática, atente­se para as incongruências em face da ilação de  que  cabe  o  creditamento  em  se  tratando  de  não­tributação  ou  de  alíquota zero. De início, surge perplexidade quanto à alíquota a ser  observada,  porquanto,  na  não  tributação,  ela  inexiste  e,  na  tributação  à  alíquota  zero,  tem­se  absoluta  neutralidade,  não  surgindo, nos dois casos, a definição de qualquer valor.  Determinado  benefício  implementado  em  uma  política  incentivadora  não  pode  importar  num  plus,  tomando  aquele  que,  pelo  Diploma  Maior,  é  desonerado  do  tributo  credor  do  próprio  Estado,  invertendo­se  a  posição,  em  contrariedade  ao  sistema  adotado.  A  equação  segundo  a  qual  a  não­tributação  e  a  alíquota  zero  viabilizam  creditamento  pela  alíquota  da  operação  final  conflita  com  a  letra  do  inciso  II  do  §  3°  do  artigo  153  da  Constituição  Federal, que versa sobre a compensação do "montante cobrado nas  anteriores",  diga­se,  nas  operações  anteriores.  Não  tendo  sido  cobrado  nada,  absolutamente  nada,  nada  há  a  ser  compensado,  mesmo  porque  inexistente  a  alíquota  que,  incidindo,  por  exemplo,  sobre  o  valor  do  insumo,  revelaria  a  quantia  a  ser  considerada.  Tomar de empréstimo a alíquota  final atinente a operação diversa  implica  ato  de  criação  normativa  para  o  qual  o  Judiciário  não  conta com a indispensável competência. Mais do que isso, a óptica  até aqui prevalecente  ­ em que pese à veemência contrária da voz  isolada  do  ministro  lImar  Galvão,  afetando  inclusive,  por  ponderação dos integrantes da 1ª Turma, não obstante o julgamento  ocorrido e o escore verificado, outro processo, a versar a matéria,  ao  Pleno  ­  colide  frontalmente  e  de modo  pernicioso  ao  extremo,  Fl. 521DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 513          19 revertendo valores ­ fala­se em esqueleto de bilhões de reais ­ com  característica do tributo, ou seja, a seletividade.  Vale  dizer  que,  tanto  mais  supérfluo  o  produto  final,  quando  se  impõe alíquota de grandeza superior, maior será o valor objeto de  compensação.  Raciocine­se com o que ocorrerá em relação a certos insumos que  servem para fabricação de produtos tidos como essenciais e outros  como  supérfluos,  a  exemplo  do  que  se  verifica  no  campo  dos  cosméticos  e  dos  remédios.  Se  o  produto  final  for  de  natureza  enquadrável  no  primeiro,  haverá  o  creditamento  em  quantia  maior ( ... )"  O  Acórdão  foi  embargado.  Os  embargos  foram  rejeitados,  consoante  se  demonstra a seguir:  RE 353.657 ED / PR ­ PARANÁ   EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO   Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO   Julgamento: 23/06/2010   Órgão Julgador: Tribunal Pleno   “Ementa EMBARGOS DECLARATÓRIOS ­  INEXISTÊNCIA DE  VÍCIO.  Uma  vez  inexistentes  os  vícios  articulados,  incumbe  o  desprovimento dos declaratórios e, ganhando eles contornos de  medida a projetar no tempo, simplesmente a projetar no tempo, o  desfecho  do  conflito  de  interesses,  hão  de  ser  tidos  como  protelatórios, impondo­se a multa respectiva.  Decisão O Tribunal,  por unanimidade,  e nos  termos do  voto do  Relator,  rejeitou  os  embargos  de  declaração.  Ausentes,  licenciado,  o  Senhor  Ministro  Joaquim  Barbosa,  justificadamente  o  Senhor  Ministro  Eros  Grau  e,  neste  julgamento, a Senhora Ministra Ellen Gracie.  Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Cezar Peluso.   Plenário, 23.06.2010.”  O RE 353657/PR não se submeteu à sistemática da Repercussão Geral.  Deu­se o trânsito em julgado em 19.10.2010.  3)  RE  370.682­9/SC  –  DJ  19/12/2007,  com  trânsito  em  julgado  em  16/fev/2011.  Neste,  os  precedentes  que  julgaram  em  sentido  contrário  à  nova  jurisprudência foram citados e a matéria foi reexaminada.  Acrescente­se  que  o  redator,  Min.  Gilmar  Mendes,  em  seu  voto,  efetua  a  ressalva de ser o  IPI um  tributo  indireto, onde o ônus do  imposto é  totalmente  repassado ao  Fl. 522DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   20 adquirente  final  do  produto  fabricado,  não  sendo  o  industrial  que,  a  final,  responde  pela  incidência,  não  havendo  razão  para  o  crédito  pretendido,  sob  pena  de,  acolhida  a  pretensão,  ocorrer enriquecimento sem causa.  Não  obstante  a  fundamentação  do  redator  referir  à  qualquer  tipo  de  desoneração,  o  redator  ainda  ressalva  que,  em  face  de  o  RE  370682­9/SC  ter  impugnado  o  Acórdão apenas no que tange à matéria­prima adquirida sob os regimes da alíquota zero e da  não tributação, o mesmo é conhecido para o fim de reformar a decisão impugnada apenas na  parte em que reconheceu o direito a crédito presumido nas referidas hipóteses.   RE 370682 ­ RECURSO EXTRAORDINÁRIO   Origem: SC ­ SANTA CATARINA   Relator: MIN. ILMAR GALVÃO   Redator para acórdão: MIN. GILMAR MENDES   RECTE.(S) UNIÃO   “EMENTA: Recurso  extraordinário.  Tributário.  2.  IPI. Crédito  Presumido.  Insumos sujeitos à alíquota  zero ou não tributados.  Inexistência.  3.  Os  princípios  da  não­cumulatividade  e  da  seletividade  não  ensejam  direito  de  crédito  presumido  de  IPI  para  o  contribuinte  adquirente  de  insumos  não  tributados  ou  sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido.  Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso e,  por maioria, deu­lhe provimento, vencidos os Senhores Ministros  Cezar  Peluso,  Nelson  Jobim,  Sepúlveda  Pertence,  Ricardo  Lewandowski e Celso de Mello, que lhe negavam provimento. Na  seqüência  do  julgamento,  o  Tribunal  conheceu  da  questão  de  ordem suscitada pelo Senhor Ministro Ricardo Lewandowski, no  sentido de examinar a possibilidade de modular temporalmente a  decisão,  dando­lhe  efeito  prospectivo.  Decidiu  o  Tribunal,  por  maioria,  em  caráter  excepcional,  vencido  o  Senhor  Ministro  Joaquim Barbosa, renovar a oportunidade de  sustentação oral,  relativamente  à  questão  nova.  Falaram,  pela  recorrida,  o  Professor  Luís  Roberto  Barroso  e,  pela  recorrente,  União,  a  Procuradora  da  Fazenda  Nacional,  Dra.  Luciana  Moreira  Gomes.  No mérito,  o  Tribunal,  por  maioria,  vencido  o  Senhor  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  rejeitou  a  questão  de  ordem.  Votou a Presidente, Ministra Ellen Gracie. Lavrará o acórdão o  Senhor  Ministro  Gilmar  Mendes,  primeiro  a  votar  após  o  Relator, Ministro Ilmar Galvão. Plenário, 25.06.2007”   O  Acórdão  foi  embargado.  Os  embargos  foram  rejeitados,  consoante  se  demonstra a seguir:  RE 370.682 ED / SC ­ SANTA CATARINA   EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO   Relator(a): Min. GILMAR MENDES   Julgamento: 06/10/2010   Órgão Julgador: Tribunal Pleno   Fl. 523DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 514          21 “Ementa Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2.  Não  há  direito  a  crédito  presumido  de  IPI  em  relação  a  insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3.  Ausência  de  contradição,  obscuridade  ou  omissão  da  decisão  recorrida.  4.  Tese  que  objetiva  a  concessão  de  efeitos  infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade.  Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados.”(grifei)  “Decisão O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do  Relator,  rejeitou  os  embargos  de  declaração.  Votou  o  Presidente, Ministro Cezar Peluso. Plenário, 06.10.2010.”  Igualmente,  o  RE  370.682­9/SC  não  se  submeteu  à  sistemática  da  Repercussão Geral.  Deu­se o trânsito em julgado em 16/fev/2011.  Registre­se  que,  em  face  da  jurisprudência  assim  firmada,  o  STF  inclusive  tem dado provimento aos Recursos Extraordinários da União mediante despacho, consoante se  constata,  dentre  outros,  nos  RE  485.966­1/SC,  ReI.Min.  Cezar  Peluso,  j.  26/6/2007  e  RE  370.464­8/SC,  ReI. Min.  Eros  Grau,  j.29/6/2007  e  no  RE  352.854­  8/PR,  ReI. Min.  Carlos  Britto, cuja decisão transcreve­se a seguir:  "DECISÃO: Vistos,  etc. Cuida­se  de  recurso  extraordinário  em  que  se  discute  a  legitimidade  da  utilização  de  créditos  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI  na  aquisição  de  insumos favorecidos pela alíquota zero e pela não­tributação. 2.  Pois  bem,  o  Plenário  deste  Supremo  Tribunal,  ao  apreciar  os  REs  353.657  e  370.682,  entendeu  que  a mencionada  utilização  de  créditos  afronta  o  inciso  11  do  §  3°  do  art.  153  da  Constituição  Federal.  Esta  colenda  Corte  concluiu  que  a  nãocumulatividade  pressupõe,  salvo  previsão  expressa  da  própria Carta Magna,  tributo  devido  e  já  recolhido  e  que,  nos  casos  de  alíquota  zero  e  não­tributação,  não  há  parâmetro  normativo  para  se  definir  a  quantia  a  compensar.  O  Tribunal  ressaltou  que,  ao  ser  admitida  a  apropriação  dos  créditos,  o  produto  menos  essencial  proporcionaria  uma  compensação  maior,  sendo  o  ônus  decorrente  dessa  operação  suportado  indevidamente pelo Estado. Mais: ficou esclarecido que a Lei n°  9.779/99  não  confere  direito  a  crédito  na  hipótese  de  alíquota  zero  ou  de  não­tributação,  mas,  sim,  nos  casos  em  que  as  operações  anteriores  forem  tributadas.  3.  Por  outra  volta,  o  Plenário entendeu que não era de se aplicar aos casos a técnica  da modulação  de  efeitos  das  decisões,  dado  que  se  cuidava  de  mera  reversão  de  precedente  ,  e  não  propriamente  de  virada  jurisprudencial (palavras do Ministro Sepúlveda Pertence). Isso  posto,  aplico o  entendimento do Plenário do Supremo Tribunal  Federal e dou provimento ao recurso. O que faço com base no §  1°­A do art. 557 do CPC. Publique­se. Brasília, 29 de junho de  2007. Ministro CARLOS AYRES BRITTO Relator" (RE 352.854­  8/PR, ReI. Min. Carlos Britto)  Os  recursos  da  União  estão  sendo  providos  também  para  reconhecer  a  inexistência do direito ao creditamento com relação aos insumos isentos, como se constata nos  Fl. 524DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   22 RE  350.129­1/RS,  ReI.  Min.  Gilmar  Mendes,  abaixo  transcrito  a  título  de  exemplo,  RE  429.620­9/RS, ReI. Min. Carlos Britto e RE 468.207­9/PR, ReI. Min.Cármen Lúcia:   "DECISÃO:  Trata­se  de  recurso  extraordinário  interposto  em  face  de  acórdão que  decidiu  pela  existência  de  créditos  de  IPI  nos  casos  de  insumos  adquiridos  sob  o  regime  de  isenção  ou  sujeitos  à  alíquota  zero.  O  acórdão  recorrido  divergiu  do  entendimento  firmado  por  esta Corte  no  julgamento  dos  RREE  370.682,  ReI.  limar  Galvão  e  353.657,  ReI.  Marco  Aurélio,  sessão de 15.2.2007. O Plenário desta Corte decidiu, ainda, não  ser  aplicável  ao  caso  a  limitação  de  efeitos  da  declaração  de  inconstitucionalidade  (RE­QO  353.657,  ReI.  Marco  Aurélio,  sessão  de  25.6.2007).  Assim,  conheço  do  recurso  e  dou­lhe  provimento (art. 557, caput, do CPC). Sem honorários  (Súmula  512 ­ STF). Publique­se. Brasília, 27 de junho de 2007. Ministro  GILMAR  MENDES  Relator."  (RE  350.129­1/RS,  ReI.  Min.  Gilmar Mendes)  Também,  nesta  direção,  constam  decisões  monocráticas  e  acórdãos  da  Segunda Turma do STF que já vinham afastando a tese do creditamento “ficto” também para  os insumos isentos. Transcrevem­se ementas de alguns:  “Ementa:  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  IPI.  INSUMOS  ISENTOS,  NÃO  TRIBUTADOS  OU  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO.  PRINCÍPIO  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  INEXISTÊNCIA.  MODULAÇÃO  TEMPORAL  DOS EFEITOS DA DECISÃO. INAPLICABILIDADE.  1. A expressão utilizada pelo constituinte originário ­­­ montante  "cobrado"  na  operação  anterior  ­­­  afasta  a  possibilidade  de  admitir­se o crédito de IPI nas operações de que se trata, visto  que  nada  teria  sido  "cobrado"  na  operação  de  entrada  de  insumos  isentos,  não  tributados  ou  sujeitos  à  alíquota  zero.  Precedentes.” (AgR no RE nº 444.267/PR, Rel. Min. Eros Grau,  DJ 16/5/2008)  Destaca­se trecho do voto do relator, Ministro Eros Grau, no mesmo Agravo  Regimental, onde é justificada a não modulação dos efeitos da decisão:  “8.  Afirmei,  em  meu  voto,  que  nenhuma  razão  relacionada  ao  interesse  social, menos  ainda  o “excepcional  interesse  social”,  prospera no sentido de aquinhoarem­se empresas que vieram a  Juízo  afirmando  interpretação  que  esta  Corte  entendeu  equivocada. Fizeram­no, essas empresas, por sua conta e risco.  É  seguramente  inusitado:  o  empresário  pretende  beneficiar­se  por  créditos  aos  quais  não  faz  jus;  o  Judiciário  afirma  que  efetivamente  o  empresário  não  é  titular  do  direito  a  esses  mesmos créditos, mas o autoriza a fazer uso deles até certa data  ...  Um  ‘negócio  da  China’  para  os  contribuintes,  ao  qual  corresponde inimaginável afronta ao interesse social.”  E, destacam­se,  ainda,  as  ementas  consignadas nos Agravos  regimentais no  RE nº 444.267/RS, de autoria do Ministro Gilmar Mendes e no RE 566.551, cuja relatora foi a  Ministra Ellen Gracie:  Fl. 525DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 515          23 “Ementa:  Agravo  regimental  em  recurso  extraordinário.  2.  Insumos. IPI. Alíquota zero, isenção ou não tributação. Crédito  na operação posterior. Impossibilidade. Ausência de violação ao  art. 153, § 3o, II, da CF/88. Precedentes. 3. Limitação de efeitos  da  declaração  de  inconstitucionalidade.  Inaplicabilidade.  4.  Agravo  regimental  a  que  se  nega  provimento.”  (AgR no RE nº  444.267/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJ 29/2/2008)  “Ementa:  "TRIBUTÁRIO.  IPI.  INSUMOS  ISENTOS,  NÃO­ TRIBUTADOS  OU  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO.  INEXISTÊNCIA  DE  DIREITO  AOS  CRÉDITOS.  DECISÃO  COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. 1.  A decisão recorrida está em consonância com a  jurisprudência  do Plenário desta Corte  (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no  sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no  que  tange  às  aquisições  insumos  isentos,  não­tributados  ou  sujeitos à alíquota zero. 2. Agravo regimental improvido." (AgR  no  RE  nº  566.551,  Rel.  Ministra  Ellen  Gracie,  DJ  30/4/2010)(Grifos nossos)  4)  RE  566.819/RS  –  Dje  10/02/2011  com  trânsito  em  julgado  em  18/11/2013 – Análise de crédito nos insumos isentos, critério objetivo.  No  RE  566.819/RS,  interposto  por  contribuinte  irresignado  com  a  decisão  proferida pelo TRF4ªR, o plenário, em 29/09/2010, nega provimento ao recurso extraordinário,  analisando a isenção sob o critério objetivo.  Consoante  pesquisa  no  Sítio  do  STF,  ocorreu  trânsito  em  julgado  em  18/11/2013:  “RE 566819 / RS ­ RIO GRANDE DO SUL   RECURSO EXTRAORDINÁRIO   Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO   Julgamento: 29/09/2010   Órgão Julgador: Tribunal Pleno   Ementa  IPI  –  CRÉDITO.  A  regra  constitucional  direciona  ao  crédito do valor cobrado na operação anterior.  IPI  –  CRÉDITO  –  INSUMO  ISENTO.  Em  decorrência  do  sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera,  por si só, direito a crédito.   IPI  –  CRÉDITO  –  DIFERENÇA  –  INSUMO  –  ALÍQUOTA.  A  prática  de  alíquota  menor  –  para  alguns,  passível  de  ser  rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença  de crédito, considerada a do produto final.  Decisão Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria e  nos  termos  do  voto  do  Relator,  negou  provimento  ao  recurso  extraordinário,  contra  o  voto  do  Presidente,  Ministro  Cezar  Peluso. Plenário, 29.09.2010.”  Fl. 526DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   24 O Ministro  Marco  Aurélio,  fazendo  referência  aos  julgamentos  proferidos  nos RE 353.657 e RE 370.682, fundamenta que o raciocínio desenvolvido naqueles julgados é  próprio tanto no caso de insumo sujeito à alíquota zero ou não tributado, quanto no de insumo  isento,  tema  não  apreciado  nos  mencionados  precedentes.  Afirma  ser  inexistente  dado  específico a conduzir ao tratamento diferenciado, permitindo­se o creditamento relativamente à  isenção, em que também não se recolhe o tributo, e não se admitindo no tocante à alíquota zero  e à não­tributação.  A Ministra Ellen Gracie em seu voto de vistas no RE 566.819 ressalva que  esse assunto já foi por diversas vezes enfrentada pelo o STF e cita os precedentes, tais quais os  RE 212.484­12  e  353.668  e que  retorna  novamente  em  razão  da  ausência de  submissão  dos  recursos anteriores à sistemática de repercussão geral.  A Ministra  Ellen Gracie  em  seu  voto  vistas  ao  RE  566.819  ressalva  ainda  que,  segundo essa nova  jurisprudência,  a  sistemática da não­cumulatividade não dá direito  à  apropriação de crédito de IPI em entradas não oneradas por tal  imposto, a qual só poderá ser  admitida  quando  lei  específica  a  autorize  expressamente  na  qualidade  de  benefício  fiscal  autônomo (Art.150,§6º, da Constituição federal).  No  RE  566.819/RS,  julgando  os  embargos  declaratório,  O  Tribunal,  08.08.2013,  rejeitou o pedido da embargante de  sobrestamento dos presentes embargos até o  julgamento  do RE  592.891/SP  e,  por  unanimidade,  acolheu  os  embargos  de  declaração,  nos  termos do voto do Relator Min Marco Aurélio, nos seguintes termos:   “IPI  –  CRÉDITO  –  INSUMO  ISENTO  –  ABRANGÊNCIA.  No  julgamento  deste  recurso  extraordinário,  não  se  fez  em  jogo  situação jurídica regida quer pela Lei nº 9.779/99 – artigo 11 –,  quer por legislação especial acerca da Zona Franca de Manaus.  Esta  última  matéria  será  apreciada  pelo  Plenário  ante  a  admissão  da  repercussão  geral  no  Recurso  Extraordinário  nº  592.891/SP, outrora sob a relatoria da Ministra Ellen Gracie e  hoje redistribuído à Ministra Rosa Weber”.  O Min. Marco Aurélio, em seu voto, esclareceu:.  “VOTO   O  SENHOR  MINISTRO  MARCO  AURÉLIO  (RELATOR)É  estreme  de  dúvidas  que  o  Tribunal  ressalvou  o  exame  de  controvérsia apanhada quer pela regência da Lei nº 9.779/99 –  artigo 11 –, quer por legislação especial, como é o caso da Zona  Franca de Manaus.  Provejo  os  embargos  declaratórios  para  prestar  esses  esclarecimentos.  Lembro, como fez o Estado do Amazonas, que a matéria ligada à  Zona  Franca  de Manaus  está  para  ser  julgada,  em  virtude  da  admissão  da  repercussão  geral  no  Recurso  Extraordinário  nº  592.891/SP,  então  sob  a  relatoria  da  Ministra  Ellen  Gracie  e  hoje aos cuidados da Ministra Rosa Weber.”  O RE  566.819/RS  também  não  se  submeteu  à  sistemática  da  Repercussão  Geral.  Fl. 527DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 516          25 5) RE 590.809/RS, Protocolado em 08/07/2008, Distribuído para o Min.  Marco Aurélio, ainda não julgado.  Na origem, trata­se de Ação rescisória ajuizada pela União Federal, fundada  na nova jurisprudência firmada de acordo com o que decidido pelo o STF no julgamento do RE  353.657/PR,  com  o  escopo  de  desconstituir  julgado  em  que  reconhecido  o  direito  do  contribuinte de creditar valor a  título de IPI em decorrência de aquisição de insumos isentos,  não tributados ou sujeitos à alíquota zero.  Exatamente porque as  ações  anteriormente  julgadas  foram  impetradas  antes  da  regulação da  sistemática de  repercussão geral,  a matéria  em questão  retornou ao STF por  meio  do  RE  590.809/RS,  o  qual  abrange  dois  temas  de  grande  importância:  um,  ligado  à  segurança  jurídica,  posto  que  aborda  a  possibilidade  de  se  impetrar  ação  rescisória  quando  havia  corrente  jurisprudencial majoritária  no  sentido  da  decisão  rescindenda  e  outro  que  diz  respeito ao creditamento de IPI nos casos de aquisição de insumos desonerados, em destaque  os insumos isentos, tema este ainda pendente de novo crivo no pleno do STF.   O  Tribunal,  em  14/11/2008,  com  base  no  voto  proferido  pelo  o  relator,  Ministro  Marco  Aurélio,  decidiu  pela  existência  de  repercussão  geral  das  questões  constitucionais  suscitadas.  A  Procuradoria  Geral  da  República  apresentou  parecer  pelo  não  provimento do recurso extraordinário RE 590.809 interposto pela contribuinte. O mérito ainda  não foi votado pelo o STF:   “RE 590809 RG / RS ­ RIO GRANDE DO SUL   REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO   Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO   Julgamento: 13/11/2008   Ementa  IPI  ­  CREDITAMENTO  ­  ALÍQUOTA  ZERO  ­  PRODUTO  NÃO  TRIBUTADO  E  ISENÇÃO  ­  RESCISÓRIA  ­  ADMISSIBILIDADE  NA  ORIGEM.  Possui  repercussão  geral  controvérsia envolvendo a rescisão de julgado fundamentado em  corrente  jurisprudencial  majoritária  existente  à  época  da  formalização do acórdão rescindendo, em razão de entendimento  posteriormente  firmado  pelo  Supremo,  bem  como a  relativa  ao  creditamento  no  caso  de  insumos  isentos,  não  tributados  ou  sujeitos à alíquota zero.   Decisão   Decisão:  O  Tribunal  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral da questão  constitucional  suscitada. Não  se manifestou a  Ministra Cármen Lúcia. Ministro MARCO AURÉLIO Relator”   6) RE 592.891/SP – Protocolado em 22/08/2008 e Distribuído para a Min.  Ellen Gracie   Defende a  recorrente que o  entendimento da  recente  jurisprudência do STF  acima  destacada  e  que  foi,  igualmente,  acostada  no  Acórdão  ora  recorrido  não  se  aplica  à  situação  específica de  isenção  regional  nas  aquisições  da ZFM,  posto  que,segundo  afirma,  a  recente jurisprudência traz o entendimento daquela Corte quanto ao direito de creditamento do  IPI  nas  operações  normais.  Então,  noticia  que  a  Corte  Suprema  de  Justiça  reconheceu  Fl. 528DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   26 repercussão geral no Recurso Extraordinário n° 592891, com vistas a retomar a discussão do  assunto  específico  de  isenção  regional,  que  até  o  presente momento  não  houve  julgamento,  permanecendo incólume seu entendimento anterior exarado no já mencionado RE 212.484.  Quando da menção ao RE 212.484, acima, ressaltou­se que “o RE 212.484­ 12/RS interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª  Região, o qual autorizou contribuinte do IPI a creditar­se do valor do tributo incidente sobre  insumos  adquiridos  sob  o  regime de  isenção,  não  obstante  tratar­se  de  questão  atinente  ao  crédito  aproveitado  pela  compra  de  insumo  isento  (xarope)  oriundo  da  Zona  Franca  de  Manaus para produção de Coca­Cola, verifica­se que toda a discussão e decisão adotada pelo  o  plenário  do  STF  baseou­se  na  análise  do  princípio  da  não­  cumulatividade,  de  forma  objetiva, sem se adentrar na questão constitucional de isenção regional e/ou sobre o direito ao  creditamento com base em lei específica sobre os insumos isentos adquiridos da ZFM.”  De  forma que  o  entendimento  do  STF  efetuado  sob  o  enfoque  objetivo  do  princípio  da  não  cumulatividade,  tal  como  se  deu  no  RE  212.484/RS,  sofreu  reformulação,  conforme  foi mostrado  supra. Veja­se  que  o RE 566.819/RS,  acima citado,  com  trânsito  em  julgado  em  18/11/2013,  e,  no  qual  se  efetuou  análise  de  crédito  nos  insumos  isentos,  sob  o  critério objetivo, ficou decidido que “IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO. Em decorrência do  sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito”.  A  discussão  dessa  matéria,  com  já  mostrado,  foi  retomada  agora  sob  a  sistemática  de  repercussão  geral  no  RE  590.809/RS,  Protocolado  em  08/07/2008,  Distribuído  para  o Min.  Marco Aurélio, ainda não julgado.  Acolhendo  embargos  ao  julgamento  do  RE  566.819/RS,  o  relator  Marco  Aurélio assim decidiu:  “IPI  –  CRÉDITO  –  INSUMO  ISENTO  –  ABRANGÊNCIA.  No  julgamento  deste  recurso  extraordinário,  não  se  fez  em  jogo  situação jurídica regida quer pela Lei nº 9.779/99 – artigo 11 –,  quer  por  legislação  especial  acerca  da  Zona  Franca  de  Manaus. Esta última matéria será apreciada pelo Plenário ante  a admissão da repercussão geral no Recurso Extraordinário nº  592.891/SP, outrora sob a relatoria da Ministra Ellen Gracie e  hoje redistribuído à Ministra Rosa Weber”.(Grifos nossos)  De  fato,  o RE 592.891/SP,  submetido  ao  regime de  repercussão  geral  trata  especificamente da questão do creditamento do IPI nas aquisições de insumos isentos da ZFM,  sob  novo  enfoque,  qual  seja,  o  de  que  a  previsão  constitucional  de  incentivos  regionais  constante  do  artigo  43,  §1º,  inciso  II  e  §2º,  inciso  III,  constituiriam  limites  objetivos  à  cumulatividade.  Trata­se de Recurso extraordinário interposto pela União, por entender que a  invocação da previsão constitucional de incentivos regionais previstos no art. 43, §1º, II e §2º,  III da CF2, não justifica exceção ao princípio da não­cumulatividade, que, no entendimento do  STF, não daria direito ao creditamento de IPI que não tenha sido suportado na entrada.                                                              2  CF:  Art.  43.  Para  efeitos  administrativos,  a  União  poderá  articular  sua  ação  em  um  mesmo  complexo  geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais.  § 1º ­ Lei complementar disporá sobre:  I ­ as condições para integração de regiões em desenvolvimento;  II ­ a composição dos organismos regionais que executarão, na forma da lei, os planos regionais, integrantes dos  planos nacionais de desenvolvimento econômico e social, aprovados juntamente com estes.  § 2º ­ Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei:  (...);  Fl. 529DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 517          27  “RE  592891  RG  /  SP  ­  SÃO  PAULO  REPERCUSSÃO  GERAL  NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  Relator(a):  Min.  ELLEN  GRACIE  Julgamento:  21/10/2010  Ementa  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI.  NÃO­ CUMULATIVIDADE.  DIREITO  AO  CREDITAMENTO  NA  ENTRADA DE INSUMOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA  DE MANAUS. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.   Decisão  Decisão:  O  Tribunal  reconheceu  a  existência  de  repercussão geral da questão constitucional suscitada, vencido o  Ministro  Cezar  Peluso.  Não  se manifestou  o Ministro  Joaquim  Barbosa.  Ministra  ELLEN  GRACIE  Relatora”  Portanto,  diferentemente ao argüido, diante da jurisprudência do STF, fica  claro  que  ,  em  relação  ao  direito  de  se  creditar  de  IPI  na  aquisição  de  insumos  desonerados,  o  tratamento  a  ser  dado  à  aquisição  de  insumos  submetidos  à  não­incidência  (NT)  e  à  alíquota­zero  (não  creditamento)  é  o  mesmo  tratamento  a  ser  dado nas aquisições de insumos submetidos à isenção (direito ao  crédito).  Inclusive, as indústrias situadas na ZFM clamam pela manutenção do modelo  de  desenvolvimento  econômico  implantado  na  “Amazônia  Ocidental”  e  argúem  que  a  manutenção  da  Zona  Franca  de  Manaus  requer  uma  interpretação  constitucional  que  dê  continuidade ao modelo de desenvolvimento econômico delineado pelo constituinte originário,  no art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias/1988.  Esta, portanto, é uma nova discussão, de cunho constitucional.  Portanto,  pelo  fato  de  a  matéria  examinada  se  encontrar  plenamente  disciplinada  por  atos  legais  regularmente  inseridos  no  ordenamento  jurídico,  as  instâncias  administrativas,  por  caráter  vinculado  de  atuação,  são  incompetentes  para  apreciar  questões  que se referem à ilegalidade e/ou inconstitucionalidade das respectivas normas legais, uma vez  que tal competência é atribuída privativamente ao Poder Judiciário (art. 102, I, "a" e III, "b" da  Constituição Federal).  Até que haja a decisão definitiva do STF acerca desta questão específica no  RE 592.891/SP, a este colegiado incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente,  sendo­lhe  defeso  afastar  a  aplicação  da  norma  ao  caso  concreto  em  face  de  alegada  inconstitucionalidade de lei ou decreto(Súmula Carf nº 2).  DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ   Em  razão  da  firme  jurisprudência  do  STF,  quanto  à  impossibilidade  de  creditamento de IPI na aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero,  a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, julgando Recurso Especial representativo de  controvérsia (ARTIGO 543­C, DO CPC), acompanhou a jurisprudência do STF:  “RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.903 ­ SP (2009/0067536­9)  RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX                                                                                                                                                                                            III ­ isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas;  (...).    Fl. 530DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   28 RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL   EMENTA  PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IPI.  DIREITO  AO  CREDITAMENTO  DECORRENTE  DO  PRINCÍPIO  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.INSUMOS  OU  MATÉRIAS­PRIMAS  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO  OU  NÃO  TRIBUTADOS.  IMPOSSIBILIDADE.JURISPRUDÊNCIA  FIRMADA  PELO  SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.  1. A aquisição de matéria­prima e/ou insumo não tributados ou  sujeitos  à  alíquota  zero,  utilizados  na  industrialização  de  produto  tributado  pelo  IPI,  não  enseja  direito  ao  creditamento  do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese  que  se  coaduna  com  o  princípio  constitucional  da  não­ cumulatividade  (Precedentes  oriundos  do  Pleno  do  Supremo  Tribunal  Federal:  (RE  370.682,  Rel.  Ministro  Ilmar  Galvão,  julgado em 25.06.2007, DJe­165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC  19.12.2007 DJ 19.12.2007;  e RE 353.657, Rel. Ministro Marco  Aurélio,  julgado  em  25.06.2007,  DJe­041 DIVULG  06.03.2008  PUBLIC 07.03.2008).  2.  É  que  a  compensação,  à  luz  do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade  (erigido pelo artigo 153, § 3º,  inciso  II,  da  Constituição  da República Federativa  do Brasil  de 1988),  dar­ se­á somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo  que  nada  há  a  compensar  se  nada  foi  cobrado  na  operação  anterior.  3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela­ se  insindicável  ao Superior Tribunal de Justiça,  tendo em vista  sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso  II,  da  Constituição  (princípio  da  não­cumulatividade),  matéria  de  índole  eminentemente  constitucional,  cuja  apreciação  incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal.  4. Entrementes,  no  que  concerne  às  operações  de  aquisição  de  matéria­prima  ou  insumo  não  tributado  ou  sujeito  à  alíquota  zero,  é mister  a  submissão  do  STJ  à  exegese  consolidada  pela  Excelsa  Corte,  como  técnica  de  uniformização  jurisprudencial,  instrumento  oriundo  do  Sistema  da  Common  Law  e  que  tem  como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal.  5.  Outrossim,  o  artigo  481,  do  Codex  Processual,  no  seu  parágrafo  único,  por  influxo  do  princípio  da  economia  processual, determina que ‘os órgãos fracionários dos tribunais  não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de  inconstitucionalidade, quando  já houver pronunciamento destes  ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão’ .  6.  Ao  revés,  não  se  revela  cognoscível  a  insurgência  especial  atinente às operações de aquisição de matéria­prima ou insumo  isento,  uma  vez  pendente,  no  Supremo  Tribunal  Federal,  a  discussão  acerca  da  aplicabilidade,  à  espécie,  da  orientação  firmada  nos  Recursos  Extraordinários  353.657  e  370.682  (que  versaram  sobre  operações  não  tributadas  e/ou  sujeitas  à  alíquota  zero)  ou  da  manutenção  da  tese  firmada  no  Recurso  Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998,  Fl. 531DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 518          29 DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada  quando  do  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  590.809,  submetido ao rito do artigo 543­B, do CPC (repercussão geral).  7. In casu, o acórdão regional consignou que:  "Autoriza­se a apropriação dos créditos decorrentes de insumos,  matéria­prima e material de embalagem adquiridos sob o regime  de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de  Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a  hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a  incidência  à  alíquota  zero,  na  medida  em  que  a  providência  substancia,  em  verdade,  agravo  ao  quanto  estabelecido  no  art.  153,  §  3°,  inciso  II  da  Lei  Fundamental,  já  que  havida  opção  pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual  não  se  compadece  com  tais  creditamentos  inerentes  que  são  à  variável  base  sobre  base, que  não  foi  o prestigiado pelo  nosso  ordenamento constitucional."  8.  Recurso  especial  parcialmente  conhecido  e,  nesta  parte,  desprovido.Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do  CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  ACÓRDÃO  Vistos,  relatados  e  discutidos  estes  autos,  os  Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça  acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a  seguir,  por  unanimidade,  conhecer  parcialmente  do  recurso  especial e, nesta parte, negar­lhe provimento, nos termos do voto  do  Sr.  Ministro  Relator.  Os  Srs.  Ministros  Castro  Meira,  Humberto  Martins,  Herman  Benjamin,  Mauro  Campbell  Marques,  Benedito  Gonçalves,  Hamilton  Carvalhido  e  Eliana  Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator.  Brasília (DF), 09 de junho de 2010(Data do Julgamento)  MINISTRO LUIZ FUX Relator”   Assim,  relativamente  à  questão  de  creditamento  de  IPI  na  aquisição  de  insumos  isentos  adquiridos  na  ZFM,  tendo  em  conta  o  que  foi  acima  fundamentado  e  a  jurisprudência do SFT e STJ e considerando que a existência de repercussão geral em recursos  extraordinários  que  enfrentem  igual  matéria  não  mais  leva  ao  sobrestamento  dos  recursos  interpostos neste Conselho, é de se negar provimento ao recurso voluntário, devendo­se manter  a glosa dos  créditos de  IPI aproveitados pela  contribuinte  incidente  sobre os produtos  saídos  com isenção da Amazônia Ocidental que não foram elaborados com matérias­primas agrícolas  e extrativas vegetais de produção regional.  DO CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO  Para  relembrar,  neste  item  de  autuação  a  glosa  deu­se  em  face  de  creditamento  indevido  referente  à  entrada  de  bens  que  não  se  enquadram  no  conceito  de  insumos,  quais  sejam  peças  e  materiais  adquiridos  para  utilização  na  manutenção  e/ou  reparo de bens do ativo permanente (máquinas e equipamentos) e quanto à esta destinação,  não há controvérsias.  Fl. 532DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   30 Constata­se que a controvérsia centra­se no direito ao creditamento de IPI na  aquisição de produtos que sofrem desgaste indireto no processo de industrialização, haja vista  que, in caso, trata­se, repita­se, de peças e materiais adquiridos para utilização na manutenção  e/ou reparo de bens do ativo permanente (máquinas e equipamentos).  A contribuinte argúi:  “há que se registrar, ainda, a nulidade do auto de  infração no  que tange à glosa de créditos originados da aquisição de peças e  ferramentas  utilizados  no  processo  de  fabricação  das  bebidas,  tendo em vista que o artigo 25, da Lei n. 4.502/64, que instituiu  este direito, não fez restrição alguma(...)  As peças de reposição destinadas ao funcionamento da máquina  industrial  não  está  classificada  nas  contas  de  bens  do  Ativo  Permanente,  mas  em  contas  de  "insumos  aplicados  na  produção"  (...).  a Recorrente faz jus ao crédito ' referente à aquisição das peças  e ferramentas, bem como quaisquer outros bens que, não sendo  partes de bens do Ativo Permanente, independentemente de suas  qualificações  tecnológicas,  se  consumirem  no  processo  de  fabricação  do  produto  final,  até,  porque,  não  se  é  possível  industrializar o produto sem determinadas peças e  ferramentas,  pelo simples fato de que a máquina não funcionaria.  (...)  O  Ilustre  relator  que  proferiu  a  decisão  recorrida  justifica  sua  interpretação em razão do enunciado no Parecer Normativo CST  n.° 65/79, da Secretaria da Receita Federal (publicado no DOU  de 06/11/1979), contudo, inequívoco que por força do Princípio  da  Legalidade,  os  Atos  Normativos  do  Poder  Executivo  que  objetivam regulamentar  a matéria,  não  podem operar  contra o  artigo 25, da Lei n. 4.502/64, mais do que em função desta lei e  principalmente  sem  que  haja  prévia  lei,  mas  tão  somente  segundo e dentro desta lei.”.  Relativamente à infração apontada, não assiste razão à recorrente.  Sabe­se  que  tanto  a  autoridade  fiscal  quanto  a  autoridade  julgadora  de  1ª  instância administrativa encontram­se vinculadas à legislação tributária.  Tal  vinculação  advém da  Lei  n°  8.112  de  11/12/1990,  no  inciso  III  de  seu  artigo  116,  que  elenca  como  um  dos  deveres  do  servidor  observar  as  normas  legais  e  regulamentares.  Os  artigos  96  e  100  do  Código  Tributário  Nacional  (Lei  n.°  5.172,  de  25/10/66) estabelecem:  “Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis,  os  tratados  e  as  convenções  internacionais,  os  decretos  e  as  normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre  tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.  Fl. 533DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 519          31 “Art. 100. São normas complementares das  leis, dos  tratados e  das convenções internacionais e dos decretos:   I  –  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas;   (...)”.  Portanto,  as  normas  complementares,  gênero  do  qual  os  Pareceres  Normativos  são  espécie,  enquanto  "atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas"  (art.  100,  inciso  I,  do  CTN),  caracterizam­se  como  verdadeiras  fontes  do  Direito Tributário, como complemento da tarefa legislativa, que visam explicitar o sentido e o  alcance da lei tributária, produzindo efeitos que se presumem válidos enquanto não expurgados  formalmente  do mundo  jurídico,  vinculando  indistintamente,  em  caráter  geral  e  obrigatório,  contribuintes e agentes públicos.  Também,  a  Portaria  SRF  n.°  3.608/94  estabelece  a  obrigatoriedade  de  as  autoridade  julgadoras  das  Delegacias  da  Receita  Federal  de  Julgamento  observarem  preferencialmente em seus julgados, o entendimento da Administração da Secretaria da Receita  Federal,  expresso  em  Instruções Normativas,  Portarias  e  despachos  do Secretário  da Receita  Federal,  e  em  Pareceres  Normativos,  Atos  Declaratórios  Normativos  e  Pareceres,  da  Coordenação­Geral do Sistema de Tributação.  De  modo  que,  estando  aquelas  autoridades  vinculadas,  por  determinação  legal, às normas legais e regulamentares, sob este aspecto, não se encontra incorreção sobre a  decisão adotada pela autoridade de primeira instância.  Passa­se à análise do mérito.  Pois  bem,  os  estabelecimentos  industriais  e  os  que  lhe  são  equiparados,  conforme  autorização  legal  contida  no  art.  164,  inciso  I,  do RIPI/2002,  repetido  nos  demais  regulamentos,  podem  creditar­se  do  imposto  relativo  às  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  adquiridos  para  emprego  na  industrialização  de  produtos tributados,  incluindo­se, entre as matérias­primas e produtos intermediários, aqueles  que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação,  salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.  A regra do art. 164,  I do Regulamento do IPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002)  revela  a expressa vedação à utilização de  créditos do  IPI  oriundos  da  aquisição de bens que  integram  o  ativo  permanente  da  empresa.  De  modo  que,  quanto  à  esta  questão  não  resta  maiores dúvidas.  Contudo, equivoca­se a recorrente quando interpreta que a lei apenas veda o  crédito dos bens classificáveis no ativo imobilizado.  De  acordo  com  os  esclarecimentos  contidos  no Parecer Normativo CST n°  65, de 1979:   ““4.2 ­ Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que  se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se  integrando,  sejam  consumidos  no  processo  de  fabricação,  Fl. 534DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   32 ficando  definitivamente  excluídos  aqueles  que  não  se  integrem  nem sejam consumidos na operação de industrialização.  (.)  6  ­  Todavia,  relativamente  aos  produtos  referidos  na  segunda  parte, matérias­primas e produtos intermediários entendidos em  sentido  amplo,  ou  seja,  aqueles  que  embora  não  sofram  as  referidas  operações  são  nelas  utilizados,  se  consumindo  em  virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como  lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não  gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige­ se uma série de considerações.  6.1 ­ Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem  direito  ao  crédito  os  produtos  compreendidos  entre os  bens  do  ativo  permanente),  que  automaticamente  gerariam  o  direito  ao  crédito  os  produtos  não  inseridos  naquele  grupo de  contas,  ou  seja,  que  a  norma  em  questão  teria  adotado  como  critério  distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento  contábil emprestado ao bem.  6.2  ­  Entretanto,  uma  simples  exegese  lógica  do  dispositivo  já  demonstra  a  improcedência  do  argumento,  uma  vez  que,  consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa  negativa  (os  produtos  ativados  permanentemente  não  geram  o  direito)  somente  conclui­se  por  uma  negativa,  não  podendo,  portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão,  ou  seja,  no  caso,  a  de  que  os  bens  não  ativados  permanentemente geram o direito de crédito.  (...)  10 ­ Resume­se, portanto, o problema na determinação do que se  deve entender como produtos 'que embora não se integrando no  novo  produto,  forem  consumidos  no  processo  de  industrialização',  para  efeito  de  reconhecimento  ou  não  do  direito ao crédito.  10.1  ­  Como  o  texto  fala  em  'incluindo­se  entre  as  matérias­ primas  e  os  produtos  intermediários',  é  evidente  que  tais  bens  hão  de  guardar  semelhança  com  as  matérias­primas  e  os  produtos  intermediários  `stricto  sensu',  semelhança  esta  que  reside  no  fato  de  exercerem  na  operação  de  industrialização  função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência  de  um  contato  físico,  ou  melhor  dizendo,  de  uma  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este  diretamente sofrida (...).”.  Assim, diante da legislação tributária acima mencionada, é de se concluir que  o  aproveitamento  do  crédito  de  IPI  dos  insumos  que  não  integram  o  produto  pressupõe  o  consumo,  ou  seja,  o  desgaste  de  forma  imediata  (direta)  e  integral  do  produto  intermediário  durante  o  processo  de  industrialização  e  que  o  produto  não  esteja  compreendido  no  ativo  permanente da empresa.  Portanto,  não  há  como  reconhecer  o  direito  ao  creditamento  de  IPI  dos  produtos que sofrem apenas desgaste indireto no processo produtivo.  Fl. 535DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 520          33 Neste  mesmo  sentido  decidiu  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  sede  de  recurso  repetitivo  (REsp  nº  1.075.508),  cujos  termos  vincula  este  colegiado  consoante  regra  contida no art. 62 A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais ­,  RICARF (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, alterada pela Portaria MF n. 586, de 2010),  que assim prescreve:  “Art.  62  ­A.­ As  decisões definitivas  de mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.  (Portaria MF nº 586/2010)  O  RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.075.508  ­  SC  (2008/0153290­5),  representativo de controvérsias (artigo 543­C, do CPC), apresenta a seguinte ementa:  “EMENTA  PROCESSO  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IPI.  CREDITAMENTO.  AQUISIÇÃO  DE  BENS DESTINADOS AO ATIVO  IMOBILIZADO E AO USO E  CONSUMO.  IMPOSSIBILIDADE.  RATIO  ESSENDI  DOS  DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98.  1. A  aquisição  de  bens  que  integram  o  ativo  permanente  da  empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final  ou  cujo  desgaste  não  ocorra  de  forma  imediata  e  integral  durante  o  processo  de  industrialização  não  gera  direito  a  creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I,  do  Decreto  4.544/2002  (Precedentes  das  Turmas  de  Direito  Público:  AgRg  no  REsp  1.082.522/SP,  Rel.Ministro  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  julgado  em  16.12.2008,  DJe  04.02.2009;  AgRg  no  REsp  1.063.630/RJ,  Rel.  Ministro  Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe  29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira  Turma,  julgado  em  18.09.2007,  DJ  15.10.2007;  REsp  608.181/SC,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Turma,  julgado  em  06.10.2005,  DJ  27.03.2006;  e  REsp  497.187/SC,  Rel.  Ministro  Franciulli  Netto,  Segunda  Turma,  julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003).  2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como  o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os  estabelecimentos  industriais  (e  os  que  lhes  são  equiparados),  entre outras hipóteses, podem creditar­se do  imposto relativo a  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  adquiridos  para  emprego  na  industrialização  de  produtos  tributados,  incluindo­se  ‘aqueles  que,  embora  não  se  integrando ao novo produto,  forem consumidos no processo de  industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo  permanente’.  3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida­se de  estabelecimento  industrial  que  adquire  produtos  ‘que  não  são  consumidos  no  processo  de  industrialização  (...), mas  que  são  Fl. 536DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   34 componentes  do  maquinário  (bem  do  ativo  permanente)  que  sofrem o desgaste  indireto no processo produtivo e cujo preço  já  integra  a  planilha  de  custos  do  produto  final’,  razão  pela  qual não há direito ao creditamento do IPI.  4.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Grifei)  De início, ressalte­se que a matéria tratada em tal recurso repetitivo é idêntica  à  tratado  no  presente  item  da  autuação,  conforme  se  constata  pela  identificação  feita  pelo  o  relator em seu voto, o Sr. Ministro Luiz Fux :  “O ponto  nodal  da  atual  controvérsia  cinge­se  à  possibilidade  de  creditamento,  a  título  de  IPI,  dos  valores  decorrentes  da  aquisição de bens destinados ao uso e consumo e ao ativo fixo  do estabelecimento que, apesar de não integrarem fisicamente o  produto  final  nem  se  desgastarem  por  ação  direta  ­  física  ou  química  ­,  sofrem  desgaste  indireto  no  processo  produtivo,  integrando­se financeiramente ao produto final”.(grifei)  Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte:  “(...)  A sentença bem concluiu, ao vaticinar que:  ‘... não é todo o IPI pago pelas indústrias que gera creditamento.  A legislação do IPI limita o creditamento aos produtos intermediários  utilizados na produção de bens industriais, isto é, produtos que tenham  contato físico direto com o bem produzido ­ produtos que embora não  se  integrando  ao  novo  produto  são  consumidos  no  processo  de  industrialização.  Note­se que a doutrina e a jurisprudência também adotam o conceito  de crédito físico para reconhecer o direito ao creditamento’.  (...).  Dessume­se  da  norma  insculpida  no  supracitado  preceito  legal  que o  aproveitamento  do  crédito  de  IPI  dos  insumos  que  não  integram o  produto  pressupõe  o  consumo,  ou  seja,  o  desgaste  de forma imediata e integral do produto intermediário durante  o  processo  de  industrialização  e  que  o  produto  não  esteja  compreendido no ativo permanente da empresa.  (...).”(grifei).  Para fundamentar o posicionamento adotado em seu voto, o Min. Relator do  Resp 1075508, Sr. Luiz Fux, faz transcrições e referências à diversos precedentes da Corte, dos  quais,  escolhe­se  dois  deles  para  se  transcrever  as  ementas  a  seguir,  inclusive  um  de  sua  própria  autoria,  visando  melhor  compreensão  do  que  foi  decidido  no  Resp  1075508,  representativo de controvérsia:  "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL.  IPI. CREDITAMENTO.  AQUISIÇÃO  DE  BENS  DESTINADOS  AO  ATIVO  IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. DECRETO 2.637/98.  PRINCÍPIO  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  VIOLAÇÃO  DO  ARTIGO 49, DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA.  Fl. 537DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000256/2010­25  Acórdão n.º 3302­002.450  S3­C3T2  Fl. 521          35 1.  É  vedada  a  utilização  de  créditos  do  IPI,  oriundos  da  aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa  ou  de  insumos  cujo  desgaste  não  ocorra  de  forma  imediata  e  integral  durante  o  processo  de  industrialização,  consoante  a  ratio  essendi  do  artigo  147,  inciso  I,  do  Regulamento  do  IPI  (Decreto  nº  2.637/98),  que  estabelecia  que,  entre  as  matérias­ primas  e  produtos  intermediários,  adquiridos  para  emprego na  industrialização  de  produtos  tributados,  incluíam­se  "aqueles  que,  embora  não  se  integrando  ao  novo  produto,  forem  consumidos  no  processo  de  industrialização,  salvo  se  compreendidos entre os bens do ativo permanente".  2. In casu, pretende a recorrente o creditamento de IPI relativo  à  aquisição  de bens  de  uso  e  consumo,  tais  como  material  de  expediente,  uniformes  e  alimentação,  conservação  e  manutenção,  bens  duráveis  de  pequeno  valor  etc,  além  das  máquinas e equipamentos que serão incorporados ao seu ativo  permanente , que, segundo incontroversa inferência da instância  ordinária,  apesar  de  não  integrarem  fisicamente  o  produto  final, nem se desgastarem por ação direta (física ou química),  sofrem desgaste  indireto no  processo  produtivo,  integrando­se  financeiramente ao produto final.  3. Precedentes  desta Corte: REsp  608181  /  SC,  1ª  Turma, Rel.  Min.  Teori  Zavascki,  DJ  de  27/03/2006;  RESP  500076/PR,  Relator  Ministro  Francisco  Falcão,  DJ  de  15.03.2004;  RESP  497187/SC,  Relator  Ministro  Franciulli  Netto,  DJ  de  08.09.2003).  4.  Recurso  especial  desprovido."  (REsp  886.249/SC,  Rel.  Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ  15.10.2007).(grifei).  "TRIBUTÁRIO.  IPI.  CREDITAMENTO  DE  VALORES  PAGOS  NA  AQUISIÇÃO  DE  BENS  DE  USO  E  CONSUMO  UTILIZADOS  NO  PROCESSO  PRODUTIVO.  DESGASTE  INDIRETO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO.  1.  ‘A  dedução  do  IPI  pago  anteriormente  somente  poderá  ocorrer se se tratar de insumos que se incorporam ao produto  final  ou,  não  se  incorporando,  são  consumidos  no  curso  do  processo  de  industrialização,  de  forma  imediata  e  integral’.  (RESP 30.938/PR, Rel. Min. Humberto Gomes De Barros, DJ de  07.03.1994; RESP  500.076/PR,  Rel. Min.  Francisco Falcão,  1ª  Turma, DJ de 15.03.2004).  2.  No  caso  dos  autos,  ficou  assentado  que  os  bens  de  uso  e  consumo sofreram desgaste indireto no processo produtivo, não  sendo cabível o creditamento do IPI pago na sua aquisição.  3.  Recurso  especial  a  que  se  nega  provimento."  (REsp  608.181/SC,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006).(grifei)  Portanto, em face do que foi acima exposto e tendo em vista que o Superior  Tribunal de Justiça, já decidiu em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508) ser incabível  Fl. 538DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA   36 o creditamento de IPI na aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de  produtos  de  uso  e  consumo  que  sofreram  desgaste  indireto  no  processo  produtivo,  deve­se  nesta  questão  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  mantendo­se  a  decisão  recorrida,  e  consequentemente  manter  a  glosa  dos  créditos  de  IPI  atinentes  à  aquisição  dos  produtos  identificados  na  autuação  e  acima mencionados,  pelo  o  fato  de  os mesmos  apenas  terem  se  desgastados de forma indireta no processo produtivo.  Da impossibilidade de as intimações serem veiculadas exclusivamente em  nome dos advogados  Acerca  do  pedido  de  que  as  publicações  atinentes  a  este  processo  sejam  veiculadas exclusivamente em nome dos advogados, resta ressaltar a inexistência de legislação  que ampare tal solicitação.  Portanto, diante da falta de amparo legal, deve­se rejeitar o pedido para que  as  intimações  doravante  expedidas  sejam  encaminhadas  para  o  endereço  do  advogado  do  impugnante.  CONCLUSÃO  Diante  da  fundamentação  acima  posta,  conduzo  o meu  voto  no  sentido  de  negar a solicitação de nulidade, de anexação de outras provas em face da preclusão e de negar  o  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  manter  a  decisão  da  autoridade  julgadora  de  1ª  instância, cujos fundamentos ratifico, com fulcro. no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99.  É como voto.  (Assinado digitalmente)  MARIA  DA  CONCEIÇÃO  ARNALDO  JACÓ  ­  Relatora                             Fl. 539DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA

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5475607 #
Numero do processo: 13312.000312/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Camilo Balbi, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo. Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar a incompatibilidade entre os rendimentos declarados pelo recorrente e os registros de transações bancárias exercidas em suas contas — dados obtidos através de DCPMF entregue pelas instituições financeiras — para o ano-calendário 2002, a Fazenda Nacional decidiu iniciar procedimento de verificação em relação ao IRPF do referido ano-calendário (fl.09). O recorrente foi intimado de termo de início de fiscalização, em 17/04/06, requisitando a apresentação de: i) extratos bancários de suas contas corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas por ele, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referente ao período de 2002; ii) informação quanto a efetuação de transferências de recursos para/do exterior, o período referido, discriminando a data, valor, beneficiário no exterior e a destinação da transferência. (fl.08). Ante sua inércia, foi reintimado, em 12/06/06, em 20/07/06,e em 23/08/06. Em resposta, requereu a prorrogação do prazo por 15 dias. (fl.19). Não havendo manifestação no prazo requerido, a autoridade administrativa solicitou a emissão de requisição de informação sobre a movimentação financeira (RMF) do recorrente ao Brasil do Brasil S/A, ao argumento de que a hipótese enquadra-se no Art. 33 da Lei n.º 9.430/96 e da presença de indício de que o titular do direito é interposta pessoa do titular do fato. (fls.20-22) Os históricos bancários, bem como a fotocópia de cheques, foram apresentados pelo Banco do Brasil S/A em 08/01/07. (fls.26-106). Posteriormente, o recorrente foi intimado, em 21/02/07, (fls.31-37) a apresentar: i) comprovação da origem dos valores (R$ 30.000,00 e R$ 11.800,00) creditados/depositados durante o ano de 2002, em sua conta n.º 010.005.103-0, agência n.º 2087-7, do Banco do Brasil S/A; ii) comprovação da origem dos valores creditados/depositados durante o ano de 2002, em sua conta corrente n.º 5.103-9, agência n.º 2087-7, do Banco do Brasil S/A. (fls.115-117). Ausente manifestação do recorrente, o mesmo foi reintimado em 23/07/07 e em 28/03/07. 2 Notificação do Lançamento Em 13/06/07, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls.129-137), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito bancários aos quais o recorrente, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Considerando o período apurado, estabeleceu-se a quantia R$ 1.342.853,87 a título de valor tributável, e que deveria ser aplicada multa ao patamar de 75%. Ao valor apurado como infração, definiu-se a quantia de R$ 1.342.853,87 como base de cálculo à qual foi aplicada alíquota de 27,5%. Disto, foi deduzida a parcela de R$ 5.076,90, restando como imposto apurado o valor de R$ 364.207,91. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 875.956,44, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física, multa de 75% e juros moratórios calculados até 30/04/03. O contribuinte tomou ciência da notificação em 18/06/07. A autoridade administrativa lavrou, em 27/06/07, termo de constatação fiscal, pois revisando de ofício o lançamento feito constatou a ocorrência de erro de fato na alocação dos valores referentes aos meses de setembro e novembro, qual seja a duplicidade da alocação do valor de R$ 30.000,00 (no mês de setembro) e de R$ 11.800,00 (no mês de novembro). Diante de tal constatação, solicitou o cancelamento dos créditos tributários improcedentes. (fl.140). 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls.143-162) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a utilização das informações sigilosas, dados bancários, é expressamente vedada pela norma contida no art. 11, §3º, da Lei n.º 9.311/96; b) não cumpriu com a solicitação de apresentação de extratos bancários de movimentação financeira do exercício de 1999 por entender que o procedimento fiscalizatório foi instaurado irregularmente, desde sua origem, na medida em que teve por base a utilização de informações da CPMF do exercício de 1999, pois o art. 1º da Lei n.º 10.174/01 passou a permitir à Receita Federal a utilização de informação da CPMF a partir da sua entrada em vigor, ou seja, a partir de 09/01/2001, e por entender que a expressão “sigilo de dados” hospeda a espécie de “sigilo bancário”; c) a autoridade administrativa confessa e admite que o Mandado de Procedimento Fiscal foi motivado e instaurado em razão da utilização, por parte da SRF, dos valores de movimentação financeira prestadas pelos bancos para identificação dos contribuintes da CPMF; d) o legislador explicitou, na parte final do art. 11 da Lei n.º 9.311/96, uma expressa proibitiva a que estariam submetidas às autoridades administrativas, no sentido de impedir a utilização das informações da CMPF em quaisquer procedimentos que tivessem por escopo a “constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos”; e) o art. 11 da Lei n.º 9.311/96 tornar ilegal o Mandado de Procedimento Fiscal instaurado com base nas informações dos valores globais prestados em razão da CPMF; f) ao desrespeitar o art. 11 da Lei n.º 9.311/96, a autoridade fiscal agiu sem a competência fixada pelo legislador, incidindo em abuso de poder; g) a impossibilidade de aplicação retroativa do art. 1º da Lei n.º 10.174/01 ao caso, pois em nosso ordenamento jurídico persistem os princípios da irretroatividade das leis e do tempus regit actum, o que deixa claro que o Mandado de Procedimento Fiscalizatório foi irregularmente instaurado; h) a afronta ao art. 8º, I, do Pacto de San José da Costa Rica na hipótese de emprestar efeito retrooperante ao art. 11 da Lei n.º 9.311/96, uma vez que o referido tratado internacional, retificado pelo Brasil, estabelece a salvaguarda do princípio da irretroatividade; i) o sigilo bancário encontra respaldo no art. 5º, X, e XII, da Constituição, na medida em que deve ser considerado como sendo uma das “projeções específicas do direito à intimidade”; j) a necessidade de autorização judicial para quebra de sigilo bancário, uma vez que a quebra do sigilo bancário por decisão exclusiva da administração, independente de autorização judicial, não se coaduna com os arts. 2º e 60, §4º, III, c/c o art. 68, e com o art. 5º, X e XII, da Constituição; k) a ilegitimidade do lançamento do imposto de renda com base, exclusivamente, em estratos bancários, conforme a Súmula n.º 182 do TFR; l) a inexistência de dolo ou culpa que justifique a cobrança de multa de 75%, uma vez comprovado que não houve acréscimo de patrimônio. Anexos à impugnação, foram juntados recibos de compra e venda. (fls.166-210) 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 1ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade, (fls.215-234) rejeitando a preliminar e, no mérito, julgando improcedente a impugnação. Os fundamentos foram os seguintes: a autoridade administrativa, por força de sua subordinação ao poder vinculado ou regrado, deve limitar-se à aplicação da lei, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da legalidade ou constitucionalidade da norma legal; b) a inexistência de decisão do STF acerca da inconstitucionalidade da Lei Complementar n.º 105/01; c) com a publicação da Lei n.º 10.174/01 a autoridade fiscal pode utilizar dados da CPMF para instaurar procedimento de fiscalização para verificar a regularidade quanto ao recolhimento de IRPF, podendo, inclusive, verificar a regularidade quanto aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 2001, não havendo falar no caso em ilegalidade no procedimento de fiscalização e em abuso de poder; d) o lançamento foi levado a feito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação de sua impugnação, e que o Auto de Infração cumpriu todas as formalidades estabelecidas no art. 142 do CTN, estando em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72; e) a inocorrência de quebra do sigilo bancário, uma vez que a entrega dos extratos bancários pela instituição financeira, em atendimento à solicitação por meio de RMF, não configura quebrado do sigilo bancário, pois o agente fiscal tem o dever legal da guarda do sigilo fiscal que engloba o sigilo bancário; f) o contribuinte, ao ser intimado a apresentar os extratos bancários, entregou-os à fiscalização, em atendimento à solicitação, sendo que a fiscalização, na análise dos extratos bancários, verificou falta de alguns e os requereu por RMF com a finalidade de complementação das informações; g) as informações prestadas pelas instituições financeiras sobre o recolhimento da CPMF em nome do recorrente e, consequentemente, sobre sua movimentação financeira, e as informações prestadas nos termos e condições estabelecidas nos arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º da Lei Complementar n.º 105/01, não constituem violação do sigilo bancário; h) a ocorrência da hipótese prevista no inciso XI, do art. 3º do Decreto n.º 3.724/01 que torna indispensável a utilização dos extratos bancários; i) não há falar em provas ilícitas por quebra de sigilo bancário e por violação de um direito individual, nos termos do art. 5º, XII, da Constituição, uma vez que os extratos bancários foram solicitados nos termos do art. 6º da Lei Complementar n.º 105/01 e do Decreto n.º 3.724/01; j) a ausência de comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos aplicados nos depósitos bancários que embasaram o indício de existência de omissão de rendimentos; k) a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; l) a ausência de correlação entre os recibos que demonstram que o recorrente adquiriu pó cerifico e os depósitos com recursos de terceiros, depositados para aquisição de pó cerifico. 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 18/04/2012, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls.243-260) em 16/05/2012, repisando os argumentos da impugnação, acrescentando os seguintes: a) os valores constatados em sua conta corrente são quantias destinadas ao extrativismo vegetal, cera de carnaúba e palha, que advém de valores negociados com trabalhadores rurais, sendo tais valores repassados de forma antecipada pela fábrica de beneficiamento para que lhe seja assegurado a entrega do pó de carnaúba e palha, não perfazendo qualquer aferimento de renda; b) se os depósitos representam o marco inicial da investigação, eles não podem sustentar uma presunção legal, posto que além da ausência da correlação natural exigida para sua instituição, considerar os depósitos como rendimento baseado em simples presunção é transferir de forma integral o encargo probatório para o contribuinte, sendo que, para uma pessoa física, quase sempre, no rigor exigido pelo Fisco, essa prova não poderá ser produzida; c) conforme o Art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o depósito bancário não constitui fato gerador do imposto de renda, não se prestando, portanto a ensejar o lançamento da espécie; É o relatório.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Camilo Balbi, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo. Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar a incompatibilidade entre os rendimentos declarados pelo recorrente e os registros de transações bancárias exercidas em suas contas — dados obtidos através de DCPMF entregue pelas instituições financeiras — para o ano-calendário 2002, a Fazenda Nacional decidiu iniciar procedimento de verificação em relação ao IRPF do referido ano-calendário (fl.09). O recorrente foi intimado de termo de início de fiscalização, em 17/04/06, requisitando a apresentação de: i) extratos bancários de suas contas corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas por ele, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referente ao período de 2002; ii) informação quanto a efetuação de transferências de recursos para/do exterior, o período referido, discriminando a data, valor, beneficiário no exterior e a destinação da transferência. (fl.08). Ante sua inércia, foi reintimado, em 12/06/06, em 20/07/06,e em 23/08/06. Em resposta, requereu a prorrogação do prazo por 15 dias. (fl.19). Não havendo manifestação no prazo requerido, a autoridade administrativa solicitou a emissão de requisição de informação sobre a movimentação financeira (RMF) do recorrente ao Brasil do Brasil S/A, ao argumento de que a hipótese enquadra-se no Art. 33 da Lei n.º 9.430/96 e da presença de indício de que o titular do direito é interposta pessoa do titular do fato. (fls.20-22) Os históricos bancários, bem como a fotocópia de cheques, foram apresentados pelo Banco do Brasil S/A em 08/01/07. (fls.26-106). Posteriormente, o recorrente foi intimado, em 21/02/07, (fls.31-37) a apresentar: i) comprovação da origem dos valores (R$ 30.000,00 e R$ 11.800,00) creditados/depositados durante o ano de 2002, em sua conta n.º 010.005.103-0, agência n.º 2087-7, do Banco do Brasil S/A; ii) comprovação da origem dos valores creditados/depositados durante o ano de 2002, em sua conta corrente n.º 5.103-9, agência n.º 2087-7, do Banco do Brasil S/A. (fls.115-117). Ausente manifestação do recorrente, o mesmo foi reintimado em 23/07/07 e em 28/03/07. 2 Notificação do Lançamento Em 13/06/07, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls.129-137), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito bancários aos quais o recorrente, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Considerando o período apurado, estabeleceu-se a quantia R$ 1.342.853,87 a título de valor tributável, e que deveria ser aplicada multa ao patamar de 75%. Ao valor apurado como infração, definiu-se a quantia de R$ 1.342.853,87 como base de cálculo à qual foi aplicada alíquota de 27,5%. Disto, foi deduzida a parcela de R$ 5.076,90, restando como imposto apurado o valor de R$ 364.207,91. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 875.956,44, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física, multa de 75% e juros moratórios calculados até 30/04/03. O contribuinte tomou ciência da notificação em 18/06/07. A autoridade administrativa lavrou, em 27/06/07, termo de constatação fiscal, pois revisando de ofício o lançamento feito constatou a ocorrência de erro de fato na alocação dos valores referentes aos meses de setembro e novembro, qual seja a duplicidade da alocação do valor de R$ 30.000,00 (no mês de setembro) e de R$ 11.800,00 (no mês de novembro). Diante de tal constatação, solicitou o cancelamento dos créditos tributários improcedentes. (fl.140). 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls.143-162) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a utilização das informações sigilosas, dados bancários, é expressamente vedada pela norma contida no art. 11, §3º, da Lei n.º 9.311/96; b) não cumpriu com a solicitação de apresentação de extratos bancários de movimentação financeira do exercício de 1999 por entender que o procedimento fiscalizatório foi instaurado irregularmente, desde sua origem, na medida em que teve por base a utilização de informações da CPMF do exercício de 1999, pois o art. 1º da Lei n.º 10.174/01 passou a permitir à Receita Federal a utilização de informação da CPMF a partir da sua entrada em vigor, ou seja, a partir de 09/01/2001, e por entender que a expressão “sigilo de dados” hospeda a espécie de “sigilo bancário”; c) a autoridade administrativa confessa e admite que o Mandado de Procedimento Fiscal foi motivado e instaurado em razão da utilização, por parte da SRF, dos valores de movimentação financeira prestadas pelos bancos para identificação dos contribuintes da CPMF; d) o legislador explicitou, na parte final do art. 11 da Lei n.º 9.311/96, uma expressa proibitiva a que estariam submetidas às autoridades administrativas, no sentido de impedir a utilização das informações da CMPF em quaisquer procedimentos que tivessem por escopo a “constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos”; e) o art. 11 da Lei n.º 9.311/96 tornar ilegal o Mandado de Procedimento Fiscal instaurado com base nas informações dos valores globais prestados em razão da CPMF; f) ao desrespeitar o art. 11 da Lei n.º 9.311/96, a autoridade fiscal agiu sem a competência fixada pelo legislador, incidindo em abuso de poder; g) a impossibilidade de aplicação retroativa do art. 1º da Lei n.º 10.174/01 ao caso, pois em nosso ordenamento jurídico persistem os princípios da irretroatividade das leis e do tempus regit actum, o que deixa claro que o Mandado de Procedimento Fiscalizatório foi irregularmente instaurado; h) a afronta ao art. 8º, I, do Pacto de San José da Costa Rica na hipótese de emprestar efeito retrooperante ao art. 11 da Lei n.º 9.311/96, uma vez que o referido tratado internacional, retificado pelo Brasil, estabelece a salvaguarda do princípio da irretroatividade; i) o sigilo bancário encontra respaldo no art. 5º, X, e XII, da Constituição, na medida em que deve ser considerado como sendo uma das “projeções específicas do direito à intimidade”; j) a necessidade de autorização judicial para quebra de sigilo bancário, uma vez que a quebra do sigilo bancário por decisão exclusiva da administração, independente de autorização judicial, não se coaduna com os arts. 2º e 60, §4º, III, c/c o art. 68, e com o art. 5º, X e XII, da Constituição; k) a ilegitimidade do lançamento do imposto de renda com base, exclusivamente, em estratos bancários, conforme a Súmula n.º 182 do TFR; l) a inexistência de dolo ou culpa que justifique a cobrança de multa de 75%, uma vez comprovado que não houve acréscimo de patrimônio. Anexos à impugnação, foram juntados recibos de compra e venda. (fls.166-210) 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 1ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade, (fls.215-234) rejeitando a preliminar e, no mérito, julgando improcedente a impugnação. Os fundamentos foram os seguintes: a autoridade administrativa, por força de sua subordinação ao poder vinculado ou regrado, deve limitar-se à aplicação da lei, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da legalidade ou constitucionalidade da norma legal; b) a inexistência de decisão do STF acerca da inconstitucionalidade da Lei Complementar n.º 105/01; c) com a publicação da Lei n.º 10.174/01 a autoridade fiscal pode utilizar dados da CPMF para instaurar procedimento de fiscalização para verificar a regularidade quanto ao recolhimento de IRPF, podendo, inclusive, verificar a regularidade quanto aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 2001, não havendo falar no caso em ilegalidade no procedimento de fiscalização e em abuso de poder; d) o lançamento foi levado a feito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação de sua impugnação, e que o Auto de Infração cumpriu todas as formalidades estabelecidas no art. 142 do CTN, estando em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72; e) a inocorrência de quebra do sigilo bancário, uma vez que a entrega dos extratos bancários pela instituição financeira, em atendimento à solicitação por meio de RMF, não configura quebrado do sigilo bancário, pois o agente fiscal tem o dever legal da guarda do sigilo fiscal que engloba o sigilo bancário; f) o contribuinte, ao ser intimado a apresentar os extratos bancários, entregou-os à fiscalização, em atendimento à solicitação, sendo que a fiscalização, na análise dos extratos bancários, verificou falta de alguns e os requereu por RMF com a finalidade de complementação das informações; g) as informações prestadas pelas instituições financeiras sobre o recolhimento da CPMF em nome do recorrente e, consequentemente, sobre sua movimentação financeira, e as informações prestadas nos termos e condições estabelecidas nos arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º da Lei Complementar n.º 105/01, não constituem violação do sigilo bancário; h) a ocorrência da hipótese prevista no inciso XI, do art. 3º do Decreto n.º 3.724/01 que torna indispensável a utilização dos extratos bancários; i) não há falar em provas ilícitas por quebra de sigilo bancário e por violação de um direito individual, nos termos do art. 5º, XII, da Constituição, uma vez que os extratos bancários foram solicitados nos termos do art. 6º da Lei Complementar n.º 105/01 e do Decreto n.º 3.724/01; j) a ausência de comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos aplicados nos depósitos bancários que embasaram o indício de existência de omissão de rendimentos; k) a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; l) a ausência de correlação entre os recibos que demonstram que o recorrente adquiriu pó cerifico e os depósitos com recursos de terceiros, depositados para aquisição de pó cerifico. 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 18/04/2012, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls.243-260) em 16/05/2012, repisando os argumentos da impugnação, acrescentando os seguintes: a) os valores constatados em sua conta corrente são quantias destinadas ao extrativismo vegetal, cera de carnaúba e palha, que advém de valores negociados com trabalhadores rurais, sendo tais valores repassados de forma antecipada pela fábrica de beneficiamento para que lhe seja assegurado a entrega do pó de carnaúba e palha, não perfazendo qualquer aferimento de renda; b) se os depósitos representam o marco inicial da investigação, eles não podem sustentar uma presunção legal, posto que além da ausência da correlação natural exigida para sua instituição, considerar os depósitos como rendimento baseado em simples presunção é transferir de forma integral o encargo probatório para o contribuinte, sendo que, para uma pessoa física, quase sempre, no rigor exigido pelo Fisco, essa prova não poderá ser produzida; c) conforme o Art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o depósito bancário não constitui fato gerador do imposto de renda, não se prestando, portanto a ensejar o lançamento da espécie; É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/2007­26  Resolução nº  2202­000.543  S2­C2T2  Fl. 265          2 Relatório  1 Procedimento de Fiscalização   Após  verificar  a  incompatibilidade  entre  os  rendimentos  declarados  pelo  recorrente  e  os  registros  de  transações  bancárias  exercidas  em  suas  contas — dados  obtidos  através  de DCPMF  entregue  pelas  instituições  financeiras —  para  o  ano­calendário  2002,  a  Fazenda Nacional decidiu iniciar procedimento de verificação em relação ao IRPF do referido  ano­calendário (fl.09).  O  recorrente  foi  intimado  de  termo  de  início  de  fiscalização,  em  17/04/06,  requisitando a  apresentação de:  i)  extratos bancários de  suas  contas  corrente  e de  aplicações  financeiras,  cadernetas  de  poupança,  de  todas  as  contas  mantidas  por  ele,  cônjuge  e  seus  dependentes  junto  a  instituições  financeiras  no  Brasil  e  no  exterior,  referente  ao  período  de  2002;  ii)  informação  quanto  a  efetuação  de  transferências  de  recursos  para/do  exterior,  o  período  referido,  discriminando  a  data,  valor,  beneficiário  no  exterior  e  a  destinação  da  transferência.  (fl.08).  Ante  sua  inércia,  foi  reintimado,  em  12/06/06,  em  20/07/06,e  em  23/08/06.  Em resposta, requereu a prorrogação do prazo por 15 dias. (fl.19). Não havendo  manifestação no prazo requerido, a autoridade administrativa solicitou a emissão de requisição  de informação sobre a movimentação financeira (RMF) do recorrente ao Brasil do Brasil S/A,  ao argumento de que a hipótese enquadra­se no Art. 33 da Lei n.º 9.430/96 e da presença de  indício de que o titular do direito é interposta pessoa do titular do fato. (fls.20­22)   Os históricos bancários, bem como a fotocópia de cheques, foram apresentados  pelo Banco do Brasil S/A em 08/01/07. (fls.26­106).  Posteriormente, o recorrente foi intimado, em 21/02/07, (fls.31­37) a apresentar:  i) comprovação da origem dos valores (R$ 30.000,00 e R$ 11.800,00) creditados/depositados  durante o ano de 2002, em sua conta n.º 010.005.103­0, agência n.º 2087­7, do Banco do Brasil  S/A; ii) comprovação da origem dos valores creditados/depositados durante o ano de 2002, em  sua  conta  corrente  n.º  5.103­9,  agência  n.º  2087­7,  do  Banco  do  Brasil  S/A.  (fls.115­117).  Ausente manifestação do recorrente, o mesmo foi reintimado em 23/07/07 e em 28/03/07.  2 Notificação do Lançamento   Em 13/06/07, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls.129­ 137), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores  creditados em contas de depósito bancários aos quais o recorrente, regularmente intimado, não  comprovou, mediante documentação  hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  Considerando  o  período  apurado,  estabeleceu­se  a  quantia  R$  1.342.853,87  a  título  de  valor  tributável,  e  que  deveria  ser  aplicada  multa  ao  patamar  de  75%.  Ao  valor  apurado como infração, definiu­se a quantia de R$ 1.342.853,87 como base de cálculo à qual  foi aplicada alíquota de 27,5%. Disto,  foi deduzida a parcela de R$ 5.076,90,  restando como  imposto apurado o valor de R$ 364.207,91.   O total do crédito tributário constituído foi de R$ 875.956,44, incluídos Imposto  de Renda da Pessoa Física, multa de 75% e juros moratórios calculados até 30/04/03.  Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/2007­26  Resolução nº  2202­000.543  S2­C2T2  Fl. 266          3 O contribuinte tomou ciência da notificação em 18/06/07.  A  autoridade  administrativa  lavrou,  em  27/06/07,  termo  de  constatação  fiscal,  pois revisando de ofício o lançamento feito constatou a ocorrência de erro de fato na alocação  dos valores referentes aos meses de setembro e novembro, qual seja a duplicidade da alocação  do  valor  de R$ 30.000,00  (no mês  de  setembro)  e de R$ 11.800,00  (no mês  de novembro).  Diante  de  tal  constatação,  solicitou  o  cancelamento  dos  créditos  tributários  improcedentes.  (fl.140).  3 Impugnação   Indignado  com  a  autuação,  o  recorrente  apresentou  impugnação  (fls.143­162)  tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos:  a)  a  utilização  das  informações  sigilosas,  dados  bancários,  é  expressamente  vedada pela norma contida no art. 11, §3º, da Lei n.º 9.311/96;  b)  não  cumpriu  com  a  solicitação  de  apresentação  de  extratos  bancários  de  movimentação financeira do exercício de 1999 por entender que o procedimento fiscalizatório  foi instaurado irregularmente, desde sua origem, na medida em que teve por base a utilização  de  informações da CPMF do exercício de 1999, pois o art. 1º da Lei n.º 10.174/01 passou a  permitir  à  Receita  Federal  a  utilização  de  informação  da  CPMF  a  partir  da  sua  entrada  em  vigor, ou seja, a partir de 09/01/2001, e por entender que a expressão “sigilo de dados” hospeda  a espécie de “sigilo bancário”;  c)  a  autoridade  administrativa  confessa  e  admite  que  o  Mandado  de  Procedimento Fiscal foi motivado e instaurado em razão da utilização, por parte da SRF, dos  valores  de  movimentação  financeira  prestadas  pelos  bancos  para  identificação  dos  contribuintes da CPMF;  d)  o  legislador  explicitou,  na  parte  final  do  art.  11  da  Lei  n.º  9.311/96,  uma  expressa  proibitiva  a  que  estariam  submetidas  às  autoridades  administrativas,  no  sentido  de  impedir a utilização das informações da CMPF em quaisquer procedimentos que tivessem por  escopo a “constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos”;  e) o art. 11 da Lei n.º 9.311/96 tornar ilegal o Mandado de Procedimento Fiscal  instaurado com base nas informações dos valores globais prestados em razão da CPMF;  f) ao desrespeitar o art.  11 da Lei n.º 9.311/96,  a autoridade  fiscal  agiu  sem a  competência fixada pelo legislador, incidindo em abuso de poder;  g)  a  impossibilidade de aplicação  retroativa do  art.  1º  da Lei n.º  10.174/01 ao  caso, pois em nosso ordenamento jurídico persistem os princípios da irretroatividade das leis e  do  tempus regit actum, o que deixa claro que o Mandado de Procedimento Fiscalizatório  foi  irregularmente instaurado;  h)  a  afronta  ao  art.  8º,  I,  do  Pacto  de  San  José  da Costa Rica  na  hipótese  de  emprestar efeito  retrooperante ao  art. 11 da Lei n.º 9.311/96, uma vez que o  referido  tratado  internacional, retificado pelo Brasil, estabelece a salvaguarda do princípio da irretroatividade;  Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/2007­26  Resolução nº  2202­000.543  S2­C2T2  Fl. 267          4 i)  o  sigilo bancário  encontra  respaldo no art.  5º, X,  e XII,  da Constituição, na  medida em que deve ser considerado como sendo uma das “projeções específicas do direito à  intimidade”;  j) a necessidade de autorização judicial para quebra de sigilo bancário, uma vez  que  a  quebra  do  sigilo  bancário  por  decisão  exclusiva  da  administração,  independente  de  autorização judicial, não se coaduna com os arts. 2º e 60, §4º, III, c/c o art. 68, e com o art. 5º,  X e XII, da Constituição;  k)  a  ilegitimidade  do  lançamento  do  imposto  de  renda  com  base,  exclusivamente, em estratos bancários, conforme a Súmula n.º 182 do TFR;  l)  a  inexistência de dolo ou  culpa que  justifique a  cobrança de multa de 75%,  uma vez comprovado que não houve acréscimo de patrimônio.  Anexos à impugnação, foram juntados recibos de compra e venda. (fls.166­210)  4 Acórdão de Impugnação   O  lançamento  foi  julgado  procedente  pela  1ª  Turma  da  DRJ/FOR,  por  unanimidade,  (fls.215­234)  rejeitando  a  preliminar  e,  no  mérito,  julgando  improcedente  a  impugnação. Os fundamentos foram os seguintes:  a autoridade administrativa, por  força de sua  subordinação ao poder vinculado  ou  regrado,  deve  limitar­se  à  aplicação  da  lei,  sem  emitir  qualquer  juízo  de  valor  acerca  da  legalidade ou constitucionalidade da norma legal;  b)  a  inexistência  de  decisão  do  STF  acerca  da  inconstitucionalidade  da  Lei  Complementar n.º 105/01;  c) com a publicação da Lei n.º 10.174/01 a autoridade fiscal pode utilizar dados  da CPMF para instaurar procedimento de fiscalização para verificar a regularidade quanto ao  recolhimento de IRPF, podendo, inclusive, verificar a regularidade quanto aos fatos geradores  ocorridos anteriormente a 2001, não havendo falar no caso em ilegalidade no procedimento de  fiscalização e em abuso de poder;  d)  o  lançamento  foi  levado  a  feito  por  autoridade  competente  e  dado  ao  contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação de sua impugnação, e que o Auto  de  Infração  cumpriu  todas  as  formalidades  estabelecidas  no  art.  142  do  CTN,  estando  em  perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72;  e)  a  inocorrência  de  quebra  do  sigilo  bancário,  uma  vez  que  a  entrega  dos  extratos bancários pela instituição financeira, em atendimento à solicitação por meio de RMF,  não configura quebrado do sigilo bancário, pois o agente fiscal tem o dever legal da guarda do  sigilo fiscal que engloba o sigilo bancário;  f) o contribuinte, ao ser intimado a apresentar os extratos bancários, entregou­os  à fiscalização, em atendimento à solicitação, sendo que a fiscalização, na análise dos extratos  bancários,  verificou  falta  de  alguns  e  os  requereu  por  RMF  com  a  finalidade  de  complementação das informações;  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/2007­26  Resolução nº  2202­000.543  S2­C2T2  Fl. 268          5 g) as  informações prestadas pelas  instituições financeiras sobre o recolhimento  da CPMF em nome do recorrente e, consequentemente, sobre sua movimentação financeira, e  as informações prestadas nos termos e condições estabelecidas nos arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º  da Lei Complementar n.º 105/01, não constituem violação do sigilo bancário;   h)  a  ocorrência  da  hipótese  prevista  no  inciso  XI,  do  art.  3º  do  Decreto  n.º  3.724/01 que torna indispensável a utilização dos extratos bancários;  i) não há falar em provas ilícitas por quebra de sigilo bancário e por violação de  um  direito  individual,  nos  termos  do  art.  5º,  XII,  da  Constituição,  uma  vez  que  os  extratos  bancários foram solicitados nos termos do art. 6º da Lei Complementar n.º 105/01 e do Decreto  n.º 3.724/01;   j)  a  ausência  de  comprovação,  pelo  contribuinte,  da  origem  dos  recursos  aplicados  nos  depósitos  bancários  que  embasaram  o  indício  de  existência  de  omissão  de  rendimentos;  k) a presunção  legal de omissão de rendimentos que autoriza o  lançamento do  imposto  correspondente,  sempre  que  o  titular  da  conta  bancária,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não  comprove, mediante documentação hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento;  l)  a  ausência  de  correlação  entre os  recibos  que  demonstram que  o  recorrente  adquiriu pó cerifico e os depósitos com recursos de terceiros, depositados para aquisição de pó  cerifico.  5 Recurso Voluntário   Notificado  da  decisão  em  18/04/2012,  o  recorrente,  não  satisfeito  com  o  resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls.243­260) em 16/05/2012, repisando os  argumentos da impugnação, acrescentando os seguintes:  a)  os  valores  constatados  em  sua  conta  corrente  são  quantias  destinadas  ao  extrativismo  vegetal,  cera  de  carnaúba  e  palha,  que  advém  de  valores  negociados  com  trabalhadores  rurais,  sendo  tais  valores  repassados  de  forma  antecipada  pela  fábrica  de  beneficiamento  para  que  lhe  seja  assegurado  a  entrega  do  pó  de  carnaúba  e  palha,  não  perfazendo qualquer aferimento de renda;  b) se os depósitos representam o marco inicial da investigação, eles não podem  sustentar uma presunção legal, posto que além da ausência da correlação natural exigida para  sua  instituição,  considerar  os  depósitos  como  rendimento  baseado  em  simples  presunção  é  transferir  de  forma  integral  o  encargo  probatório  para  o  contribuinte,  sendo  que,  para  uma  pessoa física, quase sempre, no rigor exigido pelo Fisco, essa prova não poderá ser produzida;  c) conforme o Art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o depósito bancário não constitui fato  gerador do imposto de renda, não se prestando, portanto a ensejar o lançamento da espécie;  É o relatório.  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/2007­26  Resolução nº  2202­000.543  S2­C2T2  Fl. 269          6 Voto  Conselheiro Rafael Pandolfo   Trata  o  presente  caso  de  lançamento  baseado  em  omissão  de  rendimentos  baseado  em depósitos  bancários  de  origem não  comprovada.  Para  alcançar  seu  desiderato,  o  Fisco expediu Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira  (RMF) (fls.22­23)  diante  da  não  apresentação  dos  documentos  pela  recorrente.  O  Fisco  utilizou­se,  ainda,  registros de arrecadação de CPMF para apurar os valores movimentados nas contas bancárias  em nome da mesma, e este foi um dos motivos que levaram à iniciação do procedimento fiscal.  A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de  instrumentos infraconstitucionais ­ obtenção de informações junto às instituições por meio de  RMF, bem como a utilização de registros de movimentação financeira baseados em dados de  arrecadação de CPMF ­ está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº  601.314,  que  tramita  em  regime  de  repercussão  geral,  reconhecida  em  22/10/09,  conforme  ementa abaixo transcrita:  CONSTITUCIONAL.  SIGILO  BANCÁRIO.  FORNECIMENTO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA  DE  CONTRIBUINTES,  PELAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS,  DIRETAMENTE  AO  FISCO,  SEM  PRÉVIA  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL  (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE  APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE  SUA  VIGÊNCIA.  RELEVÂNCIA  JURÍDICA  DA  QUESTÃO  CONSTITUCIONAL.  EXISTÊNCIA  DE  REPERCUSSÃO  GERAL  Conforme  disposto  no  §  1º  do  art.  62­A  da  Portaria MF  nº  256/09,  devem  ficar  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  que  versarem  sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O  dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da  estabilidade  e  da  eficiência,  pois  ao  tempo  em  que  assegura  a  coerência  do  ordenamento,  confere  utilidade  à  atividade  judicante  exercida  no  âmbito  do  CARF.  Assim,  reconhecida,  pelo  STF,  a  relevância  constitucional  de  tema  prejudicial  à  validade  do  procedimento utilizado na constituição do crédito  tributário,  deve  ser  sobrestado o julgamento do recurso no CARF.   Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que  acolheu  o  recurso  extraordinário  interposto  pelos  contribuintes.  O  Recurso  foi  pautado  pelo  Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do  RISTF,  que  determina  que  todos  os  recursos  relacionados  ao  tema  do  caso  admitido  como  paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um  ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto  à  mecânica  processual  de  julgamento  dos  recursos  extraordinários  anteriores  à  Emenda  Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente  adstrito  à  reanálise  da  medida  cautelar  requerida  pela  parte  recorrente,  desbordou  para  enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada,  sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de  votação. A atipicidade do  caso,  entretanto,  não  indica posicionamento da Corte  afastando  as  consequências  imediatas  da  repercussão  geral,  como  o  sobrestamento  dos  processos  que  veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda.  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/2007­26  Resolução nº  2202­000.543  S2­C2T2  Fl. 270          7 O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE  389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos  recursos  extraordinários  que veiculam  a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº  601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas:  DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia  do  sigilo  fiscal  em face do  inciso II  do artigo 17 da Lei n° 9.393/96,  que  possibilitou  a  celebração  de  convênios  entre  a  Secretaria  da  Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura ­ CNA e a  Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a  fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais  para  possibilitar  cobranças  tributárias.  Verifica­se  que  no  exame  do  RE  n°  601.314/SP,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  foi  reconhecida  a  repercussão  geral  de  matéria  análoga  à  da  presente  lide,  e  terá  seu  mérito  julgado  no  Plenário  deste  Supremo  Tribunal  Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão  do  julgamento  do  mencionado  RE  nº  601.314/SP.  Devem  os  autos  permanecer  na  Secretaria  Judiciária  até  a  conclusão  do  referido  julgamento.  Publique­se.  Brasília,  9  de  fevereiro  de  2011.  Ministro  DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente(RE 488993,  Relator(a): Min.  DIAS  TOFFOLI,  julgado  em  09/02/2011,  publicado  em DJe­035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011)   DECISÃO  REPERCUSSÃO  GERAL  ADMITIDA  –  PROCESSOS  VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO ­ DADOS BANCÁRIOS – FISCO –  AFASTAMENTO  –  ARTIGO  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  105/2001  –  SOBRESTAMENTO.  1.  O  Tribunal,  no  Recurso  Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski,  concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade  de  o Fisco  exigir  informações  bancárias  de  contribuintes mediante  o  procedimento  administrativo  previsto  no  artigo  6º  da  Lei  Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o  recurso  veicular  a mesma matéria,  tendo  a  intimação do  acórdão da  Corte  de  origem  ocorrido  anteriormente  à  vigência  do  sistema  da  repercussão  geral,  determino  o  sobrestamento  destes  autos.  3.  À  Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04  de  outubro  de  2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI  691349  AgR,  Relator(a):  Min.  MARCO  AURÉLIO,  julgado  em  04/10/2011,  publicado em DJe­213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011)   REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI  10.174/01.  APLICAÇÃO  PARA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE  SUA  VIGÊNCIA.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  DA  UNIÃO  PREJUDICADO.  POSSIBILIDADE.  DEVOLUÇÃO  DO  PROCESSO  AO TRIBUNAL DE ORIGEM  (ART.  328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO  RISTF  ).  Decisão:  Discute­se  nestes  recursos  extraordinários  a  constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o  fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras  diretamente  ao  Fisco,  sem  autorização  judicial;  bem  como  a  possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de  créditos  tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua  vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento  à  remessa  oficial  e  à  apelação  da  União,  reconhecendo  a  impossibilidade  da  aplicação  retroativa  da  LC  105/01  e  da  Lei  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/2007­26  Resolução nº  2202­000.543  S2­C2T2  Fl. 271          8 10.174/01.  Contra  essa  decisão,  a  União  interpôs,  simultaneamente,  recursos  especial  e  extraordinário,  ambos  admitidos  na  Corte  de  origem. Verifica­se que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento  ao  recurso  especial  em  decisão  assim  ementada  (fl.  281):  “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA  CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS –  IMPOSTO  DE  RENDA  –  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO  –  PERÍODO  ANTERIOR  À  LC  105/2001  –  APLICAÇÃO  IMEDIATA  –  RETROATIVIDADE  PERMITIDA  PELO  ART.  144,  §  1º,  DO CTN  –  PRECEDENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO  –  RECURSO  ESPECIAL  PROVIDO.”  Irresignado,  Gildo  Edgar  Wendt  interpôs  novo  recurso  extraordinário,  alegando,  em  suma,  a  inconstitucionalidade  da  LC  105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01. O  Supremo  Tribunal  Federal  reconheceu  a  repercussão  geral  da  controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do  Pleno  desta  Corte,  nos  autos  do  RE  601.314,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski.  Pelo  exposto,  declaro  a  prejudicialidade  do  recurso  extraordinário  interposto  pela  União,  com  fundamento  no  disposto  no  artigo  21,  inciso  IX,  do  RISTF.  Com  relação  ao  apelo  extremo  interposto  por  Gildo  Edgar  Wendt,  revejo  o  sobrestamento  anteriormente  determinado  pelo  Min.  Eros  Grau,  e,  aplicando  a  decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n.  503.064­AgR­AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626­AgR­ AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473­ED, Rel.  Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de  origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543­B e seus  parágrafos do Código de Processo Civil). Publique­se. Brasília, 1º de  agosto  de  2011.  Ministro  Luiz  Fux  Relator  Documento  assinado  digitalmente(RE  602945,  Relator(a):  Min.  LUIZ  FUX,  julgado  em  01/08/2011,  publicado  em  DJe­158  DIVULG  17/08/2011  PUBLIC  18/08/2011)   DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ­ discussão  em  torno  da  suposta  transgressão  à  garantia  constitucional  de  inviolabilidade  do  sigilo  de  dados  e  da  intimidade  das  pessoas  em  geral,  naqueles  casos  em que  a  administração  tributária,  sem  prévia  autorização  judicial, recebe, diretamente, das  instituições  financeiras,  informações  sobre  as  operações  bancárias  ativas  e  passivas  dos  contribuintes ­ será apreciada no recurso extraordinário representativo  da  controvérsia  jurídica  suscitada  no  RE  601.314/SP,  Rel.  Min.  RICARDO  LEWANDOWSKI,  em  cujo  âmbito  o  Plenário  desta Corte  reconheceu  existente  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional.  Sendo  assim,  impõe­se  o  sobrestamento  dos  presentes  autos,  que  permanecerão  na  Secretaria  desta  Corte  até  final  julgamento  do  mencionado recurso extraordinário. Publique­se. Brasília, 21 de maio  de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a):  Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe­ 100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010)   Vistos.  Verifico  que  a  discussão  acerca  da  violação,  ou  não,  aos  princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e  o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando  o  Fisco,  nos  termos  da  Lei  Complementar  105/2001,  recebe  diretamente  das  instituições  financeiras  informações  sobre  a  movimentação  das  contas  bancárias  dos  contribuintes,  sem  prévia  Fl. 271DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/2007­26  Resolução nº  2202­000.543  S2­C2T2  Fl. 272          9 autorização judicial  teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº  601.314/SP,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski.  Dessa  forma,  dados  os  reflexos  da  decisão  a  ser  proferida  no  referido  recurso,  no  deslinde  do  caso  concreto,  determino  o  sobrestamento  do  presento  feito,  até  o  julgamento  do  citado  RE  nº  601.314/SP.  Publique­se.  Brasília,  13  de  junho  de  2012.  Ministro  Dias  Toffoli  Relator  Documento  assinado  digitalmente  (RE  410054  AgR,  Relator(a): Min.  DIAS  TOFFOLI,  julgado  em  13/06/2012,  publicado  em  DJe­120  DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012)  Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao  art. 26­A, §1º, da Portaria 256/09,  ratificado pelas decisões acima  transcritas, que retratam o  quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses  termos, considerando tratar­se de matéria de ofício, ainda que perempto o recurso voluntário,  voto  para  que  seja  sobrestado  o  presente  recurso,  até  o  julgamento  definitivo  do  Recurso  Extraordinário nº 601.314, pelo STF.   (Assinado digitalmente)  Rafael Pandolfo     Rafael Pandolfo ­ Relator    Fl. 272DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO

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Numero do processo: 10768.003366/99-35
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 1994, 1995 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Em se tratando de consectário do tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador se existir pagamento antecipado ou depósito judicial da integralidade do tributo. DEPÓSITO INTEGRAL DO TRIBUTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. CÔMPUTO DE JUROS DE MORA. IMPOSSIBILIDADE. ENUNCIADO SUMULAR Nº 05-CARF A correção monetária e os juros de mora não são devidos quando ocorrer depósito integral do tributo questionado. Enunciado da Súmula nº 05 - CARF: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”.
Numero da decisão: 1801-001.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, reconhecer a decadência do lançamento tributário com referência ao fato gerador ocorrido em junho de 1993 e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira-Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Roberto Massao Chinen que negava provimento quanto ao mérito do litígio. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE01  Fl. 2.789          1 2.788  S1­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10768.003366/99­35  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1801­001.607  –  1ª Turma Especial   Sessão de  11 de setembro de 2013  Matéria  LUCRO REAL  Recorrente  BANCO BTG PACTUAL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Exercício: 1994, 1995  DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.  Em  se  tratando  de  consectário  do  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  o  prazo  decadencial  começa  a  fluir  da  ocorrência  do  fato  gerador se existir pagamento antecipado ou depósito judicial da integralidade  do tributo.  DEPÓSITO  INTEGRAL  DO  TRIBUTO.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE.  CÔMPUTO  DE  JUROS  DE  MORA.  IMPOSSIBILIDADE. ENUNCIADO SUMULAR Nº 05­CARF  A  correção monetária  e  os  juros  de mora  não  são  devidos  quando  ocorrer  depósito  integral  do  tributo  questionado.  Enunciado  da  Súmula  nº  05  ­  CARF:  “São  devidos  juros  de  mora  sobre  o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo quando existir depósito no montante integral”.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  reconhecer  a  decadência do lançamento tributário com referência ao fato gerador ocorrido em junho de 1993  e,  no mérito,  dar  provimento  ao  recurso  voluntário. Vencida  a Conselheira­Relatora Carmen  Ferreira Saraiva que negava provimento  ao  recurso. Vencido o Conselheiro Roberto Massao  Chinen  que  negava  provimento  quanto  ao  mérito  do  litígio.  Designado  para  redigir  o  Voto  Vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni.  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes – Presidente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 33 66 /9 9- 35 Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/99­35  Acórdão n.º 1801­001.607  S1­TE01  Fl. 2.790          2 (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Relatora  (assinado digitalmente)  Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Designado  Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Roberto  Massao  Chinen,  Marcos  Vinícius  Barros  Ottoni,  Carmen  Ferreira  Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros  Fernandes.    Relatório  Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls.  187­199  com  a  exigência  do  crédito  tributário  no  valor  de  R$217.707,31  a  título  de  Contribuição para o Programa de  Integração Social  (PIS) Repique,  juros de mora e multa de  ofício proporcional relativamente aos fatos geradores ocorridos em 30.06.1993 e 28.02.1994.   A Recorrente ajuizou Medida Cautelar nº 88.0028847­2 junto à 21ª Vara da  Justiça  Federal/RJ  objetivando  a  suspensão,  mediante  depósito  judicial,  da  exigibilidade  do  crédito tributário relativo ao PIS, nos termos do Decreto­Lei nº 2.445, de 29 de junho de 1988 e  do Decreto­Lei nº 2.449, de 21 de julho de 1988. Na Ação Ordinária nº 89.0019163­2 principal  foi  declarada  a  inconstitucionalidade  do Decreto­Lei  nº  2.445,  de  1988  e  do Decreto­Lei  nº  2.449, de 1988 e determinou que o PIS fosse recolhido na forma da Lei Complementar nº 7, de  7  de  setembro  de  1970.  Tendo  e  vista  o  trânsito  em  julgado  da  ação  judicial  junto  ao  STF,  mediante  o  RE  nº  157.981­1/RJ,  houve  levantamento  dos  depósitos  judiciais  em  favor  da  Recorrente  no  valor  de  R$293.936,22  em  30.01.1995,  ou  seja,  434.367,10  UFIR.  Vale  esclarecer que os valores dos depósitos atualizados com índices legais referente ao período de  01.01.1988  a  28.02.1994  totalizam  R$363.949,33  restando  uma  diferença  a  converter  de  R$70.013,11.  Feita  a  imputação  em  pagamento  dessa  diferença  restaram  insuficiências  de  pagamentos de PIS Repique pela falta de incidência de juros de mora, fls. 69­168.   Para tanto, foi  indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e alínea “b”  do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970 e itens I e II da alínea “b” da  Seção 1 do Capítulo 1 do Título 5 do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF nº  142, de 15 de julho de 1982.  Cientificada em 25.02.1999, fl. 187, a Recorrente apresenta a impugnação em  29.03.1999, fls. 203­223, com as alegações abaixo sintetizadas.  Em  relação  à  possibilidade  jurídica  de  lavratura  do Auto  de  Infração,  tece  considerações  sobre  tramitação  da  ação  judicial,  esclarecendo  que  depois  do  trânsito  em  julgado houve provimento favorável. Esclarece que o lançamento carece de base legal, porque  refere­se à incidência de juros de mora sobre levantamento dos depósitos judiciais. Defende a  tese de que não há mais que se discutir sobre a matéria, uma vez que “quando foi instada a se  Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/99­35  Acórdão n.º 1801­001.607  S1­TE01  Fl. 2.791          3 manifestar a respeito, a Fazenda Nacional manifestou expressamente sua concordância com o  referido levantamento”. Daí a ilegalidade flagrante do Auto de Infração ora impugnado”.  Suscita que   A autoridade fiscal não reconhece que a questão em torno dos recolhimentos  da contribuição para o PIS foi transferida para o Judiciário a partir do momento em  que  foi  proposta  a  ação  e  realizados  os  depósitos,  não  cabendo  à  administração  discutir  a  decisão  judicial  fora  do  devido  processo.  Apenas  quanto  ao  valor  dos  depósitos realizados ou à abrangência ou não de determinado período ou parcela no  pedido da ação poderiam ensejar uma verificação fiscal. [...]  Ora, acolhida a pretensão da autoridade fiscal de absolutamente nada serviria  a  realização  de  um  pagamento  no  curso  de  uma  ação  judicial,  pois  a  qualquer  momento o credor poderia discutir os valores apurados, a metodologia do cálculo, e  o  que  mais  lhe  conviesse,  de  modo  que,  ao  invés  do  que  pretende  a  função  jurisdicional e o principio da segurança jurídica, nunca haveria a integral liberação  do devedor. [...]  Percebe­se,  portanto,  que  o  Poder  Executivo  não  pode,  de  forma  alguma,  desrespeitar decisões judiciais. Afinal, o principio do controle de legalidade dos atos  administrativos  por  parte  do  Poder  Judiciário  é  parte  essencial  do  Estado  Democrático de Direito. [...]  Ao revés, a Autoridade Fiscal responsável pela lavratura do Auto de Infração  ora  impugnado  preferiu  ignorar  completamente  a  decisão  judicial  que  extinguiu  o  processo  relativo  ao  PIS,  lavrando  uma  autuação  alegando  o  não  pagamento  de  multa moratória relativa a um crédito tributário que já foi extinto.  Atinente  aos  juros  moratórios  sobre  o  montante  que  foi  depositado  judicialmente, procura demonstrar a sua não incidência.  Argui que  [O  lançamento  refere­se  à  parcela]  do  valor  depositado  levantado  pela  Impugnante  [que]  deveria  ter  sido  convertido  em  renda  da  União  Federal,  pois  correspondia aos juros moratórios incidentes sobre o crédito tributário remanescente,  ou seja aquela parcela da Contribuição Para o PIS que era devida segundo o regime  da Lei Complementar n° 7/70 cuja eficácia dentro da ordem constitucional de 1988  foi  confirmada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (RE  n°  148.754­2).  Ocorre,  entretanto, que no período em que teriam incidido os referidos juros moratórios, os  valores do crédito tributário encontravam­se depositados judicialmente. [...]  Ora, considerando­se que o referido crédito tributário encontrava­se suspenso,  não há que se falar na incidência de juros moratórios. Estes somente incidem a partir  do  momento  em  que  o  crédito  encontra­se  constituído  e  vencido.  Em  resumo,  constituem obrigação acessória que é cobrada do contribuinte inadimplente, jamais  daquele  que  questiona  judicialmente  a  cobrança  mas  ao  mesmo  tempo  toma  a  precaução  de  garantir  o  juízo  para  a  eventualidade  de  que  seus  argumentos  não  sejam acolhidos pelo Poder Judiciário. [...]  Diante  da  atitude  da Autoridade  Fiscal,  no  caso  em  tela,  somente  nos  resta  reiterar  o  óbvio:  o  depósito  judicial  é  feito  em  instituição  financeira  oficial,  administrada  diretamente  ou  credenciada  pelo Poder Público  para  a  administração  dos recursos depositados em Juízo, que na hipótese é a Caixa Econômica Federal. A  Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/99­35  Acórdão n.º 1801­001.607  S1­TE01  Fl. 2.792          4 Impugnante  não  teve,  até  o  levantamento  do  depósito,  qualquer  disponibilidade  sobre  esses  valores.  Logo,  não  pode  ser  responsabilizada  pela  atualização  dos  mesmos. Isso compete à Caixa Econômica Federal ou, em última análise, ao próprio  Poder Público. [...]  Não  há,  portanto,  o  que  ser  exigido  da  Impugnante  visto  que  é  inegável  a  suspensão da exigibilidade operada pelo depósito integral do crédito tributário.   Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui  Por  todo o exposto, a  Impugnante  requer que o auto de  infração impugnado  seja  anulado,  uma  vez  que  o  crédito  tributário  objeto  da  autuação  já  foi  extinto,  como  conseqüência  de  decisão  proferida  em  processo  judicial  e,  sobre  este,  em  nenhum momento  incidiu qualquer acréscimo moratório, pois sua exigibilidade foi  suspensa pelo depósito integral nos termos do artigo 151 do CTN.   Nesses Termos, Pede Deferimento.  Houve  conversão  do  julgamento  na  realização  de  diligência,  em  conformidade  com  a  Resolução  da  4ª  TURMA/DRJ/RJO  II/RJ  nº  063,  de  07.12.2004,  fls.  2335­2341  9.  Sendo  assim,  faz­se  necessária  a  restituição  do  presente  processo  DIFIS/DEINF/RJO,  para  que  o  fiscal  autuante  ou  quem  for  designado  para  cumprimento da presente diligência:   9.1 Em vista da observação constante do subitem "8.1", informe qual o valor  correto, em cruzados novos, do PIS­Repique devido referente ao período base 1988.  Caso  entenda  que  o  correto  seja  o  informado  na  referida  planilha  (NCz$150,72),  demonstre como foi efetuada a conversão, informando a fundamentação legal;  9.2 Diligencie junto C.E.F. para que essa informe quais seriam os coeficientes  por ela utilizados para atualização, até 31/01/1995, de depósitos judiciais efetuados  nas  seguintes datas: 28/04/1989, 31/05/1990, 31/05/1991, 30/04/1992, 31/07/1992,  30/07/1993 e 30/03/1994. Deve também por ela ser informado quais são índices de  atualização que compõem esses coeficientes.  Os fatores de atualização foram informado pela CEF, fls. 2353­2362 e houve  a  lavratura  do  Termo  de  Diligência,  fls.  2363­2366  do  qual  a  Recorrente  foi  intimada  em  18.05.2005, fl. 2369 e permaneceu silente.  Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO II/RJ nº  11.167, de 28.12.2005, fls. 2373­2387: “Lançamento Procedente”.  Restou ementado  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep   Período de apuração: 01/06/1993 a 30/06/1993, 01/02/1994 a 28/02/1994   Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO.  Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/99­35  Acórdão n.º 1801­001.607  S1­TE01  Fl. 2.793          5 A  falta  ou  insuficiência  de  recolhimento  do  PIS,  apurada  em  procedimento  fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais.  CONVERSÃO  EM  RENDA  DA  UNIÃO.  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO. LIMITE. MONTANTE CONVERTIDO.  A  conversão  em  renda  da  União  de  valores  depositados  judicialmente  extingue  o  crédito  tributário  até montante  do  valor  convertido,  devendo  eventuais  diferenças apuradas ser objeto de lançamento de oficio.  Notificada  em 24.03.2006  (sexta­feira),  fl.  2397,  a Recorrente  apresentou o  recurso voluntário em 25.04.2006, fls. 2399­, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de  admissibilidade.  Discorre  sobre  o  procedimento  fiscal  contra  o  qual  se  insurge  e  reitera  os  argumentos apresentados na impugnação.  Acrescenta que o fato gerador ocorrido em junho de 1993 foi alcançado pela  decadência, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e não tem aplicação  o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.  Conclui  Ante o exposto, a Recorrente requer o conhecimento do presente Recurso com  a  conseqüente  reforma  da  decisão  ora  recorrida,  para  que  seja  reconhecida  a  decadência  parcial  da  autuação  ora  combatida,  e/ou  a  preclusão  do  seu  direito  de  exigir qualquer acréscimo aos montantes homologados pelo Poder Judiciário, e/ou,  ao menos, o reconhecimento do descabimento dos juros sobre valores depositados.  Termos em que, p. deferimento.  Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº  234.687.  Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  É o Relatório.    Voto Vencido  Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional.   A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos.   Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/99­35  Acórdão n.º 1801­001.607  S1­TE01  Fl. 2.794          6 Cabe  ao  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  no  exercício  da  competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta  atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja  de  jurisdição diversa da do domicílio  tributário do sujeito passivo. É a autoridade  legitimada  para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação  profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do  crédito  tributário,  os  Autos  de  Infração  podem  ser  lavrados  sem  prévia  intimação  à  pessoa  jurídica no  local em que foi constatada a  infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os  quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de  prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem  da  intimação válida para que  se  instaure o processo, vigorando na  sua  totalidade os direitos,  deveres  e  ônus  advindos  da  relação  processual  de modo  a  privilegiar  as  garantias  ao  devido  processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1.  O  Auto  de  Infração  foi  lavrado  por  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a  matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou  a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente  pudesse cumpri­la ou impugná­la no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada  de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada.  Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e  eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos  nos  autos  do  processo,  que  estão  instruídos  com as  provas  produzidas  por meios  lícitos,  em  observância às garantias ao devido processo  legal. O enfrentamento das questões na peça de  defesa  denota perfeita  compreensão  da descrição  dos  fatos  e dos  enquadramentos  legais  que  ensejaram  os  procedimentos  de  ofício. A  proposição  afirmada  pela  defendente,  desse modo,  não tem cabimento.  A Recorrente  argui  que  o  lançamento  relativo  ao  fato  gerador  ocorrido  em  30.06.1993 foi alcançado pela decadência.   Compete examinar a objeção de decadência por ser matéria de ordem pública  que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer  instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  tendo  em  vista  decurso  do  lapso  temporal de cinco anos previsto em lei.   Em se  tratando de  tributo  sujeito  ao  lançamento  por homologação, no  caso  em que o Recorrente efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por  parte  da  Administração  Pública,  o  prazo  decadencial  começa  a  fluir  da  ocorrência  do  fato  gerador.  Por  seu  turno,  comprovada  a  conduta  qualificada  pelo  dolo,  pela  fraude  ou  pela  simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco  anos  se  inicia  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia ter sido efetuado.                                                               1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código  Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº  70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de  janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46.  Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/99­35  Acórdão n.º 1801­001.607  S1­TE01  Fl. 2.795          7 Esse  é  o  entendimento  constante  na  decisão  definitiva  de  mérito  proferida  pelo  Superior Tribunal  de  Justiça  (STJ)  em  recurso  especial  repetitivo  nº  973.733/SC2,  cujo  trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser  reproduzido pelos conselheiros no  julgamento dos  recursos no âmbito do CARF3. Ademais, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de  julho  de  1991,  foi  declarado  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  em  conformidade  com  a  Súmula  Vinculante  nº  8  e  assim  foi  afastado  definitivamente  do  ordenamento jurídico.  No  presente  caso,  tratando­se  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  o  termo  de  início  da  contagem  do  prazo  decadencial  começa  a  fluir  da  ocorrência do fato gerador, no caso em que houver pagamento antecipado.   A  Recorrente  instrui  os  autos  com  cópias  dos  pagamentos  efetuados  em  21.06.1993 e 20.07.1993, fls. 2787 e 2788, código 3885 de PIS Receita Operacional. Por seu  turno, o código de PIS Repique objeto do lançamento é 8205.   Tem­se que a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato  gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá­la a denominação e demais  características  formais  adotadas  pela  lei,  bem  como  a  destinação  legal  do  produto  da  sua  arrecadação (art. 4º do Código Tributário Nacional).   Tem­se  que  à  época  essas  contribuições  tinham  fatos  geradores  distintos,  a  saber:  (a) o PIS Receita Operacional, código 3885, era calculado pelas  instituições  financeiras à alíquota incidente sobre do valor do faturamento (alíneas “a” e “b” do art. 3º da  Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970);  (b) o PIS Repique, código 8205, era calculado pelas instituições financeiras à  alíquota incidente sobre o valor do IRPJ devido (§2º do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7  de setembro de 1970).  A Recorrente foi cientificada em 25.02.1999, fl. 187, da exigência atinente ao  fato gerador ocorrido em 30.06.1993, de modo que se não verificou o transcurso do prazo legal  de  caducidade,  cujo  termo  inicial  rege­se  pelo  inciso  I  do  art.  173  do  Código  Tributário  Nacional,  uma  vez  que  não  se  comprovou  o  pagamento  antecipado  de  PIS  Repique.  A  contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada.  A Recorrente diz que optou pela via  judicial e por essa razão a matéria não  pode ser objeto de procedimento administrativo.  A garantia da inafastabilidade da jurisdição prevê que a lei não pode excluir  lesão  ou  ameaça  a  direito  da  apreciação  da  do  Poder  Judiciário,  como  também  não  pode  prejudicar  a  coisa  julgada,  entendida  como  a  imutabilidade  dos  efeitos  da  decisão  judicial                                                              2 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux,  Primeira  Seção,  Brasília,  DF,  12  de  agosto  de  2009.  Dsponível  em:  <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011.  3 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62­A do Anexo  II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil.  Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/99­35  Acórdão n.º 1801­001.607  S1­TE01  Fl. 2.796          8 decorrente  do  esgotamento  dos  recursos  eventualmente  cabíveis.  Nesse  sentido,  a  decisão  definitiva exarada em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua  suscetibilidade de revisão pelo Poder Judiciário.  Por  esta  razão,  importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do  lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do  processo judicial4.  Na Medida Cautelar  nº  88.0028847­2,  ajuizada  como  preparatória  da Ação  Ordinária nº 89.0019163­2, fl. 69­168, a Recorrente requer a autorização para que   que,  a  cada  mês,  a  partir  desta  Medida  Cautelar,  possa  depositar  até  o  julgamento  final  da  Ação  Declaratória  que  ,será  tempestivamente  ajuizada  e  distribuída  a  este M.M.  Juízo  por  dependência,  visando  a  obtenção de  julgamento  que declare a inexistência de relação jurídica que a obrigue ao recolhimento do PIS,  consoante  os  Decretos­Leis  nºs.  2.445/88  e  2.449/88,  os  valores  mensais  de  PIS  apurados  com  base  na  ROB,  segundo  o  critério  estabelecido,  naqueles  diplomas  legais.  Na  sentença  proferida  na  Medida  Cautelar  nº  88.0028847­2,  fls.  365­369,  restou esclarecido:  Ora,  como  a  requerente  provou  a  existência  dos  requisitos  básicos  indispensáveis  a  concessão  da medida —o  receio  do  dano  e  o  direito  a  tutela  do  processo com vistas a evitar o risco do recolhimento do PIS a re com base na receita  operacional  bruta  a  alíquota  de  0,65%  nos  termos  dos  Decretos­leis  2445/88  e  2449/88 ­ é de se conceder a tutela instrumental e provisória.  Isto posto, julgo procedente o pedido [...].  No Recurso  Extraordinário  nº  157981­1/RJ,  o  Supremo Tribunal  Federal  o  pedido  da Recorrente  foi  acolhido  “para  reformando o  acórdão  recorrido  para  restabelecer  o  entendimento sufragado na sentença” fls. 141­147.  A  Diretora  de  Secretaria  da  21ª  Vara  Federal,  Seção  Judiciária  do  Rio  de  Janeiro/RJ certifica, fl. 69  A  pedido  da  parte  interessada  que,  nos  autos  da  AÇÃO  CAUTELAR,  processo  nº  88.0028847­2  em  que  são  partes,  como  auto  r  PACTUAL  S.  A.  DISTRIBUIDORA  DE  TÍTULOS  E  VALORES  MOBILIÁRIOS  e  como  réu  a  UNIÃ0 FEDERAL que o objeto da presente ação é a suspensão da exigibilidade do  crédito tributário relativo ao PIS, calculado na forma dos Decretos­Lei nºs 2.445/88  e 2.449/88,mediante depósito judicial das respectivas quantias.[...].  Ainda, que nos autos da ACÃ0 ORDINÁRIA, processo nº 89.0019163­2, da  qual  esta  é  preparatória,  foi  proferido  acórdão  pelo  E.  STF,  restabelecendo  a  sentença de 1ª instancia, para declarar a inconstitucionalidade dos Decretos­Lei nºs                                                              4 Fundamentação legal:  inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, art. 78 do Regimento  Interno do CARF e Súmula CARF nº1.  Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/99­35  Acórdão n.º 1801­001.607  S1­TE01  Fl. 2.797          9 2.445/88  e  2.449/88,  e  determinar  que  o  PIS  seja  recolhido  na  forma  da  Lei  Complementar no. 7/70, tudo conforme cópias que seguem em anexo.  Para  tanto,  foram emitidos os Alvarás da 21ª Vara Federal/Seção Judiciária  do Rio de Janeiro/RJ nº 010 e nº 011, ambos de 26.01.1995, fls. 131­133:  Alvará  para  levantamento  em  favor  da.  autora Pactual  S/A Distribuidora de  Títulos e Valores Mobiliários, extraído dos autos ­ processo nº. 88.0028847­2 (ações  cautelares), pela Pactual S/A Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários contra  Fazenda Nacional [...].  Por seu turno na Descrição dos Fatos do Auto de Infração objeto de litígio e  regularmente cientificado a Recorrente, fls. 187­199, está registrado:  Em 30.01.95 ,através de alvará judicial, f1s. 83, a autora converteu em renda o  valor  de  R$293.936,22,correspondente  a  434.367,10  Ufir  (ufir  30.01.95=0,6767)  [...].  Conforme  demonstrativo  de  conversão  em  renda  ­  Pis  Repique,  fls.96  verificamos que os valores dos depósitos,atualizados pelo  índices da C.E.F  (Caixa  Econômica  Federal),  das  contribuições  do  Pis­Repique  devido  no  período  1988  à  02.94,  na  data  da  conversão,  totalizariam R$363.949,33,restando  uma  diferença  a  converter de R$70.013,11 (363.949,33 ­ 293.936,22).  Fazendo uma imputação da diferença de conversão, quitando os débitos mais  antigos, encontramos insuficiência de recolhimento dos períodos de apuração abaixo  relacionados, objeto do presente lançamento de oficio.  PA     Contribuição Pis ­ Repique     Vencimento   valor original    Ufir  06.93   1.855.788.892,00   57.467,45   30.07.93   02.94    11.951.084,28     33.358,69  30.03.94   Esclarecemos que a diferença encontrada motiva­se pela falta de consideração dos  juros  de  mora  como  preceitua  o  art.  988,  RIR/94  (Regulamento  de  Imposto  de  Renda­94) Decreto 1041/94,e § 2° do mesmo artigo que nos dita: "Os juros de mora  serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido  suspensa por decisão administrativa ou judicial" (DL 1736/79, art.5°). Isto porque o  índice  de  atualização  da CEF  engloba  a  correção monetária  enquanto  devida  e  os  juros  de mora  compensatórios  ,significando  que  se  os  valores  depositados  fossem  devidos a conversão seria pela totalidade do valor atualizado pela CEF, não havendo  quaisquer diferença a apurar.  Restou  demonstrado  que  a  ação  judicial  ajuizada  referente  ao  PIS  Receita  Operacional  (Decreto­Lei  nº 2.445, de 29 de  junho de 1988, Decreto­Lei nº 2.449, de 21 de  julho de 1988 e alíneas “a” e “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de  1970) não tem o mesmo objeto do lançamento formalizado no presente processo administrativo  fiscal atinente ao Pis Repique (§2º do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de  1970), o que não importa desistência do recurso voluntário interposto.  Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/99­35  Acórdão n.º 1801­001.607  S1­TE01  Fl. 2.798          10 Na  atribuição  do  exercício  da  competência  da  RFB,  em  caráter  privativo,  cabe ao Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  cuja  atribuição  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade funcional5. O Auto de Infração, fls. 187­199, foi lavrado com a verificação da  ocorrência do  fato  gerador  da obrigação  correspondente,  determinação  da matéria  tributável,  cálculo  do  montante  do  tributo  devido,  identificação  do  sujeito  passivo,  aplicação  da  penalidade  cabível  e  validamente  cientificada  a  Recorrente,  o  que  lhe  conferem  existência,  validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada.  A  Recorrente  procura  demonstrar  que  não  tem  cabimento  a  incidência  de  juros  de mora  sobre  os  valores  objeto  do  levantamento  dos  depósitos  judiciais  em  favor  da  Recorrente.  Tem­se  que  as  instituições  financeiras  participarão  do  Programa  de  Integração Social (PIS) com uma contribuição ao Fundo de Participação com recursos próprios  com valor equivalente à dedução de 5% (cinco pro cento) do  IRPJ devido, processando­se o  seu recolhimento ao Fundo juntamente com o pagamento do tributo sem prejuízo do direito de  utilização dos incentivos fiscais previstos na legislação em vigor6.   No  caso  do  pagamento  do  tributo  devido,  a  legislação  tributária  determina  expressamente que “a correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o  período  em  que  a  respectiva  cobrança  houver  sido  suspensa  por  decisão  administrativa  ou  judicial” 7. Assim, os depósitos judiciais somente suspendem a exigibilidade caso sejam feitos  oportuna  e  suficientemente.  Sobre  as  diferenças  verificadas  entre  os  depósitos  judiciais  e  os  correspondentes  débitos  tributários  incidem  juros  de mora.  Por  essa  razão,  não  resta  dúvida  quanto  à  incidência  de  juros  de mora  sobre  crédito  tributário  não  recolhido  no  prazo  legal,  mesmo  em  relação  aquele  recolhimento  que  decorra  de  decisão  judicial  que  suspenda  sua  exigibilidade.   Analisando  a  situação  fática  que  foi  inclusive  objeto  de  realização  de  diligência  em sede de primeira  instância de  julgamento  a  respeito dos  fatores de  atualização  foram informado pela Caixa Econômica Federal (CEF), fls. 2353­2362 e houve a lavratura do  Termo de Diligência, fls. 2363­2366 no seguinte sentido:  [...] o valor correto da conversão do PIS­Repique informado em OTN, fls. 96,  é, com efeito, o calculado no item 8.1 da solicitação de diligência, fls.584, ou seja,  OTN 145,49 x 6,17 (OTN jan/1989 ÷ 1000) x 1,0991 (BTN abr/89) = NCz$986,63.  Aparentemente, o autuante se equivocou na conversão do valor em comento  tendo, simplesmente, aplicado o fator de correção da BTN do mês de março de 1989  (1,0360), cabendo, também, de aplicar o fator de conversão da OTN em BTN (6,17),  resultando no total devido de: 145,49 x 1,0360 = 150,72.  Cabe  detalhar  os  valores  do  PIS  Repique  devidos  referente  ao  período  de  01.01.1988  a  28.02.1994  e  os  montantes  calculados  a  partir  dos  fatores  de  atualização                                                              5  Fundamentação  legal:  art.  142  e  art.  195  do  Código  Tributário  Nacional,  art.  6º  da  Lei  nº  10.593,  de  6  de  dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784  de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46.  6 Fundamentação legal: : art. 1º e alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970.  7 Fundamentação legal: art. 5º do Decreto­lei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979.  Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/99­35  Acórdão n.º 1801­001.607  S1­TE01  Fl. 2.799          11 utilizados pela Caixa Econômica Federal (CEF) em 31.01.1995, com o escopo de evidenciar as  diferenças do tributos não recolhidas, conforme detalhado na Tabela 1.  Tabela 1 – Diferenças de PIS Repique não Recolhidas    Período  de  Apuração  (A)  PIS Repique  Valores Devidos  (B)    Data do  Vencimento  (C)  Fator de  Atualização  Informado  pela CEF  Fls. 2353­ 2362  (D)  Valor do  PIS  Repique  Atualizado  31.01.1995  R$  (E)  Diferença  do PIS  Repique  Não  Recolhida  Fl. 193  R$  (F)  Diferença do PIS  Repique  Não Recolhida  Valor Original  (G)  1988  NCz$986,63  28.04.1989  0,88472337  872,89  0,00  0,00  1989  Cr$1.322.703,26  31.05.1990  0,01802031  23.835,52  0,00  0,00  1990  Cr$3.079.532,12  31.05.1991  0,00454332  13.991,30  0,00  0,00  1991  Cr$154.740.543,40  30.04.1992  0,00060383  93.436,98  0,00  0,00  1992  Cr$449.952.848,88  31.07.1992  0,00033150  149.159,37  0,00  0,00  Junho  1993  Cr$3.154.972.194,08  30.07.1993  0,00001883  59.408,13  46.767,98*  Cr$2.483.694.923,67  Fevereiro  1994  Cr$17.129.351,42  30.03.1994  0,00141983  24.320,77  24.320,77**  Cr$17.129.351,42  * Nota 1 – Valor calculado com base nos dados informados na DIRPJ do ano­calendário de 1993, fl. 35.  ** Nota 2 – Valor calculado com base nos dados informados na DIRPJ do ano­calendário de 1994, fls. 37.    Vale esclarecer que os montantes corretos na conversão em reais dos valores  não recolhidos em 31.01.1995 constam discriminados na Tabela 1 e por essa razão não cabem  reparos  ao  Auto  de  Infração,  fls.  187­199  e  ao  Acórdão  da  4ª  TURMA/DRJ/RJO  II/RJ  nº  11.167,  de  28.12.2005,  fls.  2373­2387,  que  permanecem  incólumes.  A  proposição  afirmada  pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem  ser observados os  atos para os quais  a  lei  atribua  eficácia normativa,  o que não  se  aplica  ao  presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada.  Atinente  aos  princípios  constitucionais  que  a  Recorrente  aduz  que  supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  uma  vez  que  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade9.  A  proposição  afirmada  pela  defendente,  desse  modo,  não  tem  cabimento.  Em assim sucedendo voto por negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)                                                              8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de  1972.  9 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2.  Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/99­35  Acórdão n.º 1801­001.607  S1­TE01  Fl. 2.800          12 Carmen Ferreira Saraiva    Voto Vencedor  Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Designado  Em  que  pesem  as  muito  bem  fundamentadas  razões  adotadas  pela  Conselheira Relatora, tenho que o presente Recurso Voluntário deve ser conhecido e provido,  pelos seguintes argumentos.  Inicialmente,  no  que  pertine  a  alegação  de  decadência  dos  fatos  geradores  ocorridos até junho de 1993, razão assiste ao contribuinte.  Isto  porque  o  Recorrente  suspendeu  a  exigibilidade  do  crédito  tributário,  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  através  do  tempestivo  depósito  judicial  de  sua  integralidade, atraindo, para si, a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN.  Aludido depósito  judicial, com a posterior conversão em renda da Fazenda,  extingue o crédito tributário, possuindo o mesmo efeito do pagamento do tributo, nos precisos  termos do artigo 156,  inciso VI, do CTN. Com o depósito da quantia em instituição bancária  oficial, a disponibilidade tais recursos passa a ser imediata em prol da Fazenda Nacional, como  se tivesse ocorrido o efetivo pagamento do crédito.   Nesta situação, o prazo decadencial passa a ser contado a partir de seu fato  gerador,  nos  termos  definidos  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  nos  auto  do  REsp  nº  973.733/SC, julgado sob a sistemática dos Recursos Repetitivos.  Assim, considerando que o contribuinte teve ciência do Auto de Infração em  25/02/1999,  tenho  que  encontram­se  decaídos  os  créditos  tributários  cujos  fatos  geradores  ocorreram em 30/06/1993.  Outrossim,  no  que  pertine  ao  mérito  do  presente  Voluntário,  tenho  que  melhor sorte socorre ao Recorrente.   Conforme  já  relatado,  o  Contribuinte  ajuizou  Medida  Cautelar  e,  posteriormente,  Ação  Principal,  objetivando  a  suspensão,  mediante  depósito  judicial,  da  exigibilidade do crédito tributário relativo ao PIS, nos termos do Decreto­Lei nº 2445/88 e do  Decreto­Lei nº 2449/88.  Ou seja,  através do depósito  integral do crédito  tributário,  sua exigibilidade  restou suspensa, consoante dispõe o artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional.  Como  consequência  prática  do  referido  depósito,  não  há  que  se  falar  em  contagem de juros de mora ou multa moratória, nos precisos termos do Enunciado Sumular nº  05, do CARF (“São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no  vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante  integral”).   Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/99­35  Acórdão n.º 1801­001.607  S1­TE01  Fl. 2.801          13 Pois  bem,  com  o  julgamento  definitivo  das  indigitadas  ações,  restou  reconhecida a inconstitucionalidade de ambos Decretos­Lei questionados, ao passo em que foi  definido que o PIS fosse recolhido na forma da Lei Complementar nº 07/70.  Diante do provimento parcial na demanda, coube ao Fisco, com o trânsito em  julgado, converter em renda o que lhe foi assegurado (recolhimento do PIS conforme a LC nº  07/70),  no  importe  de  R$70.013,11  e,  quanto  ao  contribuinte,  restou  levantar  o  saldo  remanescente em seu favor (R$293.936,22).  Ocorre  que,  posteriormente,  ignorando  sua  expressa  concordância  manifestada nos autos,  e a conseqüente preclusão, alegou o Fisco  ter havido  insuficiência de  recolhimento do PIS Repique, posto que não foram considerados supostos juros de mora para o  cálculo de seu crédito.  No entanto, quanto ao contribuinte, uma vez efetuado o depósito integral do  crédito tributário, não incide qualquer percentual a  título de multa moratória ou mesmo juros  de mora, nos precisos termos da já mencionada Súmula nº05, do CARF.  Por outro  lado,  ainda que  entendesse devidos os  juros de mora no presente  caso (o que não seria possível face o exposto), caberia a Fazenda Nacional exigir da instituição  bancaria que geriu tais recursos, a incidência dos índices que entender cabíveis. Não há como o  contribuinte possuir qualquer ingerência ou mesmo responsabilidade sobre tal operação.   Neste sentido é o Enunciado Sumular nº 179, do STJ, o qual assevera que “o  estabelecimento de credito que recebe dinheiro, em deposito judicial, responde pelo pagamento  da correção monetária relativa aos valores recolhidos.”  Este entendimento também restou confirmado, de maneira específica para os  juros de mora, através de diversos precedentes do Superior Tribunal de Justiça, como no REsp  221.560,  em  que  se  consignou  que  "os  juros  de mora,  e  a  correção monetária,  a  partir  do  depósito,  são  pagos  pela  instituição  financeira  depositária  e  não  pelo  contribuinte."  (Rel.  Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/09/1999, DJ 25/10/1999)   Destarte,  eventual  erro  de  cálculo  de  atualização  monetária  ou  mesmo  divergência na liquidação de sentença deve ser sanado nos autos do processo em que realizado  o  depósito.  Incabível,  portanto,  que  o  Fisco  venha  exigir  do  contribuinte,  pela  via  administrativa  (como  no  presente  lançamento),  juros  de  mora  sobre  parcela  depositada  judicialmente,  ignorando  os  ditames  da  coisa  julgada,  da  preclusão  processual,  bem  como  o  alcance do artigo 151, inciso II, do CTN.  Forte  em  tais  razões,  voto  por,  preliminarmente,  RECONHECER  A  DECADÊNCIA  dos  fatos  geradores  ocorridos  em  30/06/1999  e,  no  mérito,  DAR  PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, para cancelar integralmente o presente  lançamento.  (assinado digitalmente)  Marcos Vinícius Barros Ottoni    Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/99­35  Acórdão n.º 1801­001.607  S1­TE01  Fl. 2.802          14               Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 16045.000527/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.333-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
Numero da decisão: 1102-000.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.028          2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do  recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso.      Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé ­ Presidente.     Documento assinado digitalmente.  Ricardo Marozzi Gregorio ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  João  Otávio  Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares,  Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.     Relatório    Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  ADIMIL MENDES  JUNIOR  GUARATINGUETÁ contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/Campinas que concluiu  pela procedência dos  lançamentos efetivados e do ato de exclusão do SIMPLES FEDERAL,  bem como pela procedência parcial dos lançamentos de IRPJ e reflexos.  Os  créditos  tributários  lançados,  referentes  aos  tributos  abrangidos  na  sistemática  do  SIMPLES  FEDERAL,  devidos  nos  períodos  de  apuração  correspondentes  ao  ano­calendário  de  2003,  totalizaram  o  valor  de  R$  1.318.830,62.  Tal  autuação  foi  fundamentada na omissão de  receitas apurada com base na  circularização de  clientes, o que,  diante dos fatos constatados, resultou também na aplicação de multa qualificada.  Com  apoio  nos  fatos  que  fundamentaram  essa  autuação,  foi  editado  o  Ato  Declaratório Executivo nº 7, de 13 de fevereiro de 2009 (fls. 650 do processo em papel), o qual  excluiu a empresa do regime de tributação do SIMPLES FEDERAL, a partir do ano­calendário  de 2004, devido a esta ter ultrapassado o limite de receita bruta em 2003.  Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.029          3 Os  créditos  tributários  lançados,  referentes  ao  IRPJ  e  reflexos,  devidos  nos  períodos de apuração correspondentes aos anos­calendário de 2004 e 2005, totalizaram o valor  de R$ 2.475.337,04. Tal autuação, no regime do lucro arbitrado, foi fundamentada na omissão  de  receitas  apurada  com  base  em  notas  fiscais  não  declaradas. Novamente,  diante  dos  fatos  constatados, foi aplicada a multa qualificada.  A  já  mencionada  2ª  Turma  da  DRJ/Campinas,  ao  apreciar  a  impugnação  interposta,  proferiu  o  Acórdão  nº  05­27.013,  de  07  de  outubro  de  2009,  por  meio  do  qual  decidiu pela procedência em parte do feito fiscal na forma acima relatada.  Assim figurou a ementa do referido julgado:    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005  Decadência. Lançamento por Homologação. Falta de Pagamento de Antecipado.  Para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  ocorrendo  o  pagamento  antecipado  por  parte  do  contribuinte,  o  prazo  decadencial  para  o  lançamento  de  eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o  § 4º do art. 150 do CTN. Ausente a antecipação do pagamento, ainda que parcial, há  de  se  aplicar  a  norma  prevista  no  art.  173,  I,  do  CTN,  contando­se  o  prazo  qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício  seguinte ao da ocorrência do fato  gerador.  Decadência. Dolo. Fraude. Simulação.  Comprovada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  o  direito  de  a  Fazenda  Pública constituir o crédito tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados da  notificação  ao  sujeito  passivo  de  qualquer  medida  preparatória  indispensável  ao  lançamento,  na  qual  o  Fisco  revela  ao  contribuinte  o  conhecimento  do  fato  especialmente qualificado pelo dolo e lhe oportuniza a defesa.  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005  Omissão de Receitas. Circularizacão.  Provada  a  omissão  de  receitas  a  partir  de  notas  fiscais  obtidas  mediante  circularização junto aos clientes da empresa, devem ser exigidos os tributos devidos  na sistemática de tributação adotada pela pessoa jurídica.  Exclusão do Simples. Receita Bruta. Efeitos.  Comprovado  que  a  empresa  auferiu  receitas  no  ano­calendário  anterior  em  valor  superior  ao  limite  previsto  na  legislação  para  validar  a  opção  pelo  SIMPLES,  cumpre ratificar o ato de exclusão da pessoa jurídica da sistemática.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.030          4 Ano­calendário: 2004, 2005  Omissão de Receitas. Notas Fiscais. Duplicidade. Outras Saídas.  Devem  ser  excluídas  da  imputação  de  omissão  de  receitas  os  valores  das  notas  fiscais de vendas ou de serviços consideradas em duplicidade na autuação ou em que  a operação não configurou a obtenção de receita da atividade.  Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude.  A  prática  de  ocultar  do  fisco,  mediante  apresentação  sistemática  de  declarações  inverídicas  de  inatividade  e/ou  de  receitas  em  valores  inferiores  aos  efetivamente  auferidos,  para  eximir­se  do  pagamento  de  tributos,  constitui  fato  que  evidencia  intuito de fraude e implica qualificação da multa de oficio.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004, 2005  Competência. Autoridade Administrativa. Apreciação  de Norma Geral  e Abstrata.  Efeitos retroativos do ato de exclusão do SIMPLES e das multas de oficio.  Não  cabe  ao  órgão  administrativo  de  julgamento  apreciar  a  validade  de  preceitos  legais,  regularmente  inseridos  no  ordenamento  jurídico,  segundo  o  processo  legislativo constitucionalmente definido.    Aparentemente  intimada  dessa  decisão  em  06/11/2009,  a  empresa  autuada  apresentou  recurso  voluntário  em  02/08/2010,  no  qual,  de  forma  resumida,  ofereceu  os  seguintes argumentos:  ­ Preliminarmente,  a) O aviso de recebimento (AR) dos correios dá conta de que a intimação da  decisão  recorrida  foi  entregue  para  uma  pessoa  chamada  “Neemias  P.  Oliveira”. Contudo, não recebeu tal intimação e aquela seria uma pessoa  “absolutamente  desconhecida”,  que  “não  é,  nem nunca  foi  funcionário  da empresa, muito menos representante legal ou preposto”.   b) Tudo  faz  crer  que  a  intimação  foi  entregue  em  endereço  diverso  do  seu  domicílio fiscal. A respeito disso, transcreve o inciso II do artigo 23 do  PAF, que determina que a intimação por via postal se faça com prova de  recebimento  no  domicílio  fiscal  eleito  pelo  sujeito  passivo,  e  alguns  julgados  administrativos  que meramente  confirmam  essa  determinação  legal.  ­ No mérito,  c) Parte do crédito tributário apurado já se achava alcançado pela decadência,  mesmo  porque  é  equivocada  a  multa  qualificada  aplicada  ao  caso.  Assim,  o  crédito  tributário  somente  poderia  ser  constituído  quanto  ao  período não alcançado pela decadência, ou seja, novembro e dezembro  de 2003.  Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.031          5 d) A  fiscalização  confunde  declaração  inexata  com  sonegação  quando,  no  caso  das  operações  do  ano­calendário  de  2003,  entende  que  teria  sido  praticada  omissão  de  receitas  devido  ao  registro  de  vultosa  movimentação  financeira  com  notas  fiscais  de  vendas  emitidas,  declaração  de  inatividade  em  2003  e  apresentação  de  informação  inverídica na DIPJ acerca de sua situação econômico­financeira.  e) A  sonegação  somente  é  caracterizada  quando  verificado  e  comprovado  evidente  intuito  de  fraude.  Nesse  sentido,  transcreve  alguns  julgados  administrativos e a Súmula 14 do CARF. A fiscalização não comprova  conduta dolosa que pudesse caracterizar evidente intuito de fraude.  f) Considerando  que  todos  os  tributos  exigidos  são  do  tipo  sujeitos  a  lançamento por homologação, a Fazenda Pública dispõe de cinco anos, a  contar da ocorrência do fato gerador, para efetuar o lançamento.  g) O  fato  de  não  ter  havido  recolhimento  de  qualquer  tributo  no  ano­ calendário  de  2003  não  altera  a  modalidade  de  lançamento  (homologação) dos tributos exigidos.  h) Transcreve  trechos  de  várias  decisões  jurisprudenciais  e  da  doutrina  de  Leandro Paulsen, provavelmente, tentando reforçar os argumentos acima  mencionados.  i)  Transcreve  trechos  da  descrição  dos  fatos  que  fundamentou  a  autuação,  com a indicação das notas fiscais que motivaram a imputação da multa  qualificada  nos  anos­calendário  de  2004  e  2005,  para  concluir  que  a  fiscalização não poderia generalizar a qualificação da multa para todos  os períodos dos três anos­calendário.   Ao  final,  requer  que  seja  conhecido  seu  recurso  e,  no  mérito,  provido,  reformando­se a decisão recorrida.    É o relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio    O  artigo  33  do  Decreto  nº  70.235/72,  o  qual  disciplina  o  processo  administrativo fiscal, dispõe que:    Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.032          6 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.    Portanto, o cerne da questão preliminar é saber se houve e, em caso positivo,  quando se deu a ciência da decisão proferida pela primeira instância.  Às fls. 1954 do processo em papel, de fato, consta o AR recebido com data  de 06/11/2009 pela pessoa referida na peça recursal da empresa autuada.  Tal AR contém como destinatário a denominação da recorrente acrescida do  seguinte endereço:    Rua Mario Chain, 51 – Chácaras Santa Rita – Bº: Rio Comprido  Guaratinguetá/SP    12522­460    Contudo,  o  endereço  informado  na  impugnação  (fls.  1816  do  processo  em  papel) e no cadastro do CNPJ (fls. 1979 e 1980 do processo em papel) acrescentam um outro  sobrenome  ao  título  da  rua  (“Mario Elias Chain”).  Esta  filigrana  talvez  não  fosse  suficiente  para  afastar  a  intempestividade,  porém,  verifico  que  há  um  erro  no  endereço  preenchido  no  campo destinatário do AR. Trata­se da denominação “Chácaras Santa Rita – Bº”. Com efeito, a  denominação que consta no cadastro do CNPJ é “Chácaras Santa Maria”.  Essa constatação, aparentemente, não foi percebida pela SACAT da delegacia  de  origem  (fls.  1981  do  processo  em  papel),  a  qual  nada  comentou  sobre  tal  divergência,  apenas discorrendo sobre a alegação da empresa autuada, segundo a qual não teria tido ciência  do acórdão da DRJ, e  indicando as folhas do processo que conteriam as informações sobre o  seu domicílio fiscal.  É  verdade  que  a  Súmula  CARF  nº  9  valida  a  ciência  confirmada  com  a  assinatura do recebedor, ainda que este não seja o representante legal do destinatário, verbis:    Súmula  CARF  nº  9:  É  válida  a  ciência  da  notificação  por  via  postal  realizada  no  domicílio  fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência,  ainda que este não seja o representante legal do destinatário.     Nada obstante, não deve haver dúvidas quanto ao fato de que essa notificação  tenha  sido  efetivamente  enviada  para  o  domicílio  fiscal  eleito  pelo  contribuinte.  Havendo  dúvidas, entendo que não se pode atestar a validade da ciência.   Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.033          7 Portanto, há que se considerar a ciência na própria data da apresentação do  recurso e acolher a pretensão de tempestividade suscitada.  No mérito, constato que a recorrente só fez alegações quanto ao transcurso do  prazo decadencial,  o que  invalidaria  alguns dos  períodos  lançados,  e  contra a  imposição das  multas  qualificadas.  Não  houve  também  contestação  ao  ato  de  exclusão  do  SIMPLES  FEDERAL.  Considerando  que,  na  legislação  tributária,  a  discussão  sobre  o  prazo  decadencial para o lançamento depende da verificação de dolo, fraude ou simulação, começo  pela análise da imposição das multas qualificadas para depois tratar da questão da decadência.  A recorrente alega que é equivocada a multa qualificada aplicada ao caso e  que a fiscalização confunde declaração inexata com sonegação quando, no caso das operações  do  ano­calendário  de  2003,  entende  que  teria  sido  praticada  omissão  de  receitas  devido  ao  registro de vultosa movimentação financeira com notas fiscais de vendas emitidas, declaração  de inatividade em 2003 e apresentação de informação inverídica na DIPJ acerca de sua situação  econômico­financeira;  que  a  sonegação  somente  é  caracterizada  quando  verificado  e  comprovado evidente intuito de fraude, mas a fiscalização não comprova a conduta dolosa que  pudesse caracterizar esse intuito de fraude; e que se foram algumas notas fiscais emitidas nos  anos­calendário  de  2004  e  2005  que  motivaram  a  imposição  da  multa  qualificada,  não  se  poderia generalizar tal qualificação para todos os períodos dos três anos­calendário.  Apesar de não haver uma argumentação clara numa determinada direção, mas  uma variedade de argumentos desconexos, cumpre analisar alguns pontos levantados.  Como a empresa foi autuada segundo dois  regimes de tributação diferentes,  SIMPLES FEDERAL (2003) e lucro arbitrado (2004 e 2005), a fiscalização lavrou dois autos  de  infração.  Por  isso,  resolveu  elaborar  dois  relatórios  distintos  para  relatar  a  descrição  dos  fatos.  Da  descrição  dos  fatos  referente  à  autuação  conforme  o  SIMPLES  FEDERAL (fls. 532 a 537 do processo em papel), transcreve­se os seguintes excertos:    Especificamente em relação ao ano­calendário de 2003, a empresa apresentou  sua declaração na condição de pessoa jurídica INATIVA, indicando, assim, ao fisco  (ou,  ao menos  querendo  fazer  parecer),  não  haver movimentado  qualquer  centavo  naquele período (fls. 64/66).  Da mesma forma, não efetuou qualquer recolhimento de tributos sob o código  6106 ­ SIMPLES para o referido ano­calendário (extrato do sistema SINAL08 à fl  68).  Não obstante sua informação de condição de "inatividade", verificou­se que o  sujeito  passivo  obteve  expressiva  movimentação  financeira  bancária  no  período,  além  da  emissão  de  várias  notas  fiscais  que  foram  retidas  por  esta  Seção  de  Fiscalização quando do inicio do procedimento, em 04/12/206.  Cabe  registrar  que  no  âmbito  da  RFB  entende­se  por  inativa  a  situação  do  contribuinte  que  não  exerceu  qualquer  atividade  operacional,  não­operacional,  financeira  ou  patrimonial,  durante  todo  o  ano­calendário.  Em  outras  palavras,  Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.034          8 caberia dizer que o pagamento de uma simples conta de água ou o recebimento de  um pequeno  rendimento  de  determinada  aplicação  financeira  já  seriam  suficientes  para descaracterizar a situação de inatividade.  Ora, tanto a vultosa movimentação financeira quanto as notas fiscais emitidas,  por si só, e independentemente uma da outra, já indicariam que a empresa, de fato,  não  estaria  inativa.  Conseqüentemente,  sua Declaração Anual  Simplificada  ­  PJSI  2004, apresentada à RFB, não expressou a verdade, apresentando, sim, informação  inveridica  acerca  de  sua  situação  econômico­financeira  para  o  ano­calendário  de  2003.  (...)  Entendemos  ser  relevante,  também,  registrar  o  fato  de  a  empresa  não haver  efetuado  um  recolhimento  de  Simples  sequer  para  todo  o  período  de  2003,  o  que  afasta,  indubitavelmente,  qualquer  hipótese  de  alegação  de  homologação  de  pagamento/crédito  tributário,  haja  vista  não  existirem  pagamentos  efetuados,  ou  seja, antecipação de pagamento pelo contribuinte.  Quanto à aplicação da multa de oficio, o art. 44 da Lei n° 9.430/96, previa, à  época dos fatos geradores, o seguinte:  "Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  oficio,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas,  calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:    I  ­ de  setenta e cinco por cento, nos casos de  falta de pagamento ou recolhimento,  pagamento  ou  recolhimento  após  o  vencimento  do  prazo,  sem  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata,  excetuada  a  hipótese  do  inciso seguinte;  II ­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos  nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis". (grifo)    Quanto  ao  conceito  de  sonegação,  temos  a  definição  do  art.  71  da  Lei  n°  4.502/64:  “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou  parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária:    I ­ da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou  circunstâncias materiais;"  (...)  A declaração da pessoa jurídica, contendo as informações relativas as receitas  do período, deve ser entregue ao fisco em meados do ano seguinte ao período a que  se  referir,  devendo,  o  contribuinte,  durante  o  transcorrer  do  respectivo  ano­ calendário, apurar e efetuar o recolhimento de seus tributos, neste caso, o Simples,  mensalmente.  Ora, temos aqui situação que o contribuinte além de não efetuar o pagamento  de seu Simples devido em cada mês, no ano seguinte, 2004, apresentou informação à  RFB  de  que  não  havia  auferido  receitas  no  período  (ano­calendário  de  2003).  Vemos,  portanto,  uma  ação  continuada  do  contribuinte  no  intuito  de  não  levar ao  conhecimento  do  fisco  sua  real  situação  econômico­financeira,  principalmente  o  recebimento de receitas, fato gerador da obrigação tributária principal, o pagamento  de tributo.  Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.035          9 Portanto,  entendemos,  smj.,  ter  ficado  caracterizada  a  figura  de  sonegação,  conforme  definido  no  art.  71  da  Lei  n°  4.502/64,  haja  vista  o  contribuinte  haver  prestado informação inverídica ao fisco por meio de sua declaração PJSI 2004, com  o evidente intuito de omitir suas receitas de vendas, bem como, em tese, a figura de  crime  contra  a  ordem  tributária,  conforme  definido  nos  art.  1°  e  2°  da  Lei  n°  8.137/90.  Caber ressaltar, também, que a empresa não apresentou  livros e documentos  relativos  ao  ano­calendário  de  2003,  alegando  destruição/extravio  com  base,  segundo ela, em Boletim de Ocorrência que até então não foi apresentado. Nota­se,  portanto, também, no mínimo, falta de zelo na guarda de sua documentação contábil  e fiscal, cuja legislação lhe atribui obrigação em fazê­lo.  Diante  do  exposto,  tendo em  vista  ter  sido  apurada omissão de  receitas de  vendas,  conforme  documentos  acostados  aos  autos,  no  montante  de  R$  4.101.571,93,  e  o  fiscalizado  haver  informado/declarado  R$  0,00  (zero)  de  receita  bruta  ao  fisco,  bem  como  não  haver  efetuado  qualquer  recolhimento  de  Simples  para  o  período  de  2003,  no  interesse  da  Fazenda  Nacional,  lavramos  os  presentes Autos de Infração, nos termos do art. 926 e 957 do Decreto n° 3.000/99 —  Regulamento do Imposto de Renda, c/c art. 17, da Lei n°9.317/96.    Como  se  vê,  a  fiscalização  motivou  a  qualificação  da  multa  referente  à  atuação do ano­calendário de 2003 pela constatação de que houve sonegação.  De  fato,  pelos  fatos  narrados,  é  possível  verificar  que  a  sonegação  caracterizou­se  pela  efetiva  comprovação  de  que  a  empresa  auferiu  receitas,  de  substantivo  valor, mas não ofereceu qualquer centavo à tributação.  Diante de um vasto universo de contribuintes, é razoável pensar que haverá  menor  atenção  da  fiscalização  para  com  aqueles  que  realizam  pouca  ou  nenhuma  atividade  financeira  e  operacional.  E  é  isso  que  a  informação  contida  numa  declaração  com  valores  reduzidos ou “zerados” vai provocar.  Em acórdãos recentes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais  já decidiu de  forma semelhante:    MULTA  QUALIFICADA.  Restabelece­se  a  multa  qualificada  quando  constatado  que  o  contribuinte,  possuindo  atividade  comercial,  por  dois  anos  consecutivos,  apresenta DIPJ "zeradas" e não efetua pagamentos, nem inclui os tributos devidos no  parcelamento a que aderiu. Descabe falar em apresentação de declaração zerada com  o  intuito  de  evitar  a multa  da  obrigação  acessória  quando,  passados  quase  quatro  anos  do  prazo  de  entrega,  o  sujeito  passivo  não  promove  qualquer  retificação.  (Acórdão nº 9101­00.124)    MULTA QUALIFICADA. IRPJ.  Comprovado que o contribuinte omitiu  integralmente  suas  receitas e o  imposto de  renda  devido  em  suas  declarações  de  rendimentos  (DIPJ)  e  de  tributos  devidos  (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando retardar o conhecimento  Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.036          10 da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal  pela  autoridade  fazendária,  caracteriza­se  a  figura  da  sonegação  descrita  no  art.  71  da  Lei  nº  4.502/196,  impondo­se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º  do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. (Acórdão nº 9101­01.194)    MULTA QUALIFICADA Não obstante a prestação de declaração inexata não seja  suficiente para caracterizar o dolo ensejador da qualificação da multa, se tal conduta  é adotada de forma consistente e sistemática, não há como entender que se tratou de  equívoco  do  contribuinte,  e  que  não  houve  intenção de  impedir  ou  retardar,  ainda  que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência  do fato gerador da obrigação tributária principal. (Acórdão nº 9101­01.291)    Por sua vez, da descrição dos fatos referente à autuação pelo lucro arbitrado  (fls. 1799 a 1805 do processo em papel), transcreve­se os seguintes excertos:    Conforme consta do Termo e seus anexos, o contribuinte auferiu receitas de  vendas de produtos e serviços em valores bem superiores ao efetivamente declarado  à RFB, recolhendo, consequentemente, seus tributos em valores aquém do devido.   Como podemos observar nas tabelas II e III, o contribuinte teve uma receita  bruta  total  de  R$  11.762.682,68  contra  uma  receita  declarada  de  apenas  R$  1.438.877,46 nos dois períodos.  As  receitas  foram  apuradas  com  base  nas  próprias  notas  fiscais  de  vendas  emitidas  pelo  contribuinte  e  entregues  a  este  fisco,  e,  também,  em  notas  fiscais  apresentadas  por  clientes  do  contribuinte  em procedimento  de Diligência  efetuado  por esta Seção de Fiscalização (fls. 788/1725).  Além da apresentação de declaração inexata à RFB, mediante a informação de  receitas de vendas em valores bem inferiores ao efetivamente auferido no período, o  contribuinte,  em  relação  aos  documentos  fiscais  listados  no  item  4  do  Termo  de  Constatação  e  de  Intimação  Fiscal,  cujas  cópias  estão  acostadas  aos  autos  as  fls.  701/748, utilizou­se de artifícios fraudulentos para diminuir o valor de suas receitas  de vendas de serviços, mediante a utilização, de fato, de duas notas fiscais de mesmo  número,  porém  com valores  e  destinatários  diferentes,  como,  por  exemplo,  a  nota  fiscal a seguir:   Nota Fiscal de Prestação de Serviços n° 2381:        Apresentada pelo contribuinte  Apresentada por terceiro (cliente)  Valor (R$)  388,00  16.500,00  Destinatário  Eme Comercial de Produtos Ltda  Wobben Windpower Ind e Com Ltda    As  notas  fiscais  de  menor  valor  foram  apresentadas  pelo  contribuinte  enquanto as de valor maior (correta), pelos respectivos clientes que foram objeto de  Diligência Fiscal.  Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.037          11 O contribuinte não apresentou qualquer esclarecimento a tal constatação.  (...)  Quanto à aplicação da multa de oficio, o art. 44 da Lei n° 9.430/96, previa, à  época dos fatos geradores, o seguinte:  "Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  oficio,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas,  calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:    I  ­ de  setenta e cinco por cento, nos casos de  falta de pagamento ou recolhimento,  pagamento  ou  recolhimento  após  o  vencimento  do  prazo,  sem  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata,  excetuada  a  hipótese  do  inciso seguinte;    II ­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos  nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis". (grifo)    Quanto  ao  conceito  de  sonegação,  temos  a  definição  do  art.  71  da  Lei  n°  4.502/64:  “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou  parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária:    I ­ da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou  circunstâncias materiais;"  (...)  A declaração da pessoa jurídica, contendo as informações relativas as receitas  do período, deve ser entregue ao fisco em meados do ano seguinte ao período a que  se  referir,  devendo,  o  contribuinte,  durante  o  transcorrer  do  respectivo  ano­ calendário, apurar e efetuar o recolhimento de seus tributos, neste caso, o Simples,  mensalmente.  Ora, o contribuinte, em ambos os períodos, além de recolher seus tributos em  valores bem aquém do devido, informou à RFB, nos anos seguintes a cada período,  receitas  de  vendas  que  não  condisseram  com  sua  realidade,  ou  seja,  apresentou  informação falsa ou inverídica à RFB.    Além disso, em algumas situações, como no caso das notas fiscais de vendas  de serviços aqui relatadas e cujas cópias estão acostadas aos autos às  fls. 701/748,  utilizou­se  de  meios  explicitamente  fraudulentos  para  omitir  ou  reduzir  sua  real  receita de venda e,  consequentemente,  recolher  tributos em valores menores que o  devido.  Ou  seja,  a  exemplo  do  ocorrido  no  ano­calendário  de  2003,  que  o  contribuinte, apesar de ter auferido receitas de vendas da ordem de R$ 4.000.000,00,  apresentou  declaração  de  pessoa  jurídica  INATIVA  e  não  recolheu,  sequer,  um  centavo de tributo, nos demais períodos (2004 e 2005), em que pese haver recolhido  algum  tributo  (na  modalidade  Simples),  o  fez  em  valores  bem  abaixo  do  efetivamente devido.  Portanto,  entendemos,  s.m.j.,  ter  ficado caracterizada a  figura de  sonegação,  conforme  definido  no  art.  71  da  Lei  n°  4.502/64,  haja  vista  o  contribuinte  haver  Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.038          12 prestado informação inverídica ao fisco por meio de suas declarações apresentadas  em  2005  e  2006,  com  o  objetivo  de  omitir  parte  de  suas  receitas  de  vendas,  bem  como, em tese, a figura de crime contra a ordem tributária, conforme definido nos  art. 10 e 2° da Lei no 8.137/90, transcritos na página anterior deste Relatório.  Diante do exposto, tendo em vista ter sido apurada receitas de vendas que não  foram  oferecidas  à  tributação,  conforme  documentos  acostados  aos  autos,  no  montante  de  R$  10.323.805,22,  no  interesse  da  Fazenda  Nacional,  lavramos  os  presentes Autos de Infração, nos termos do art. 926 e 957 do Decreto n° 3.000/99 ­  Regulamento do Imposto de Renda.    Novamente, a qualificação da multa  foi motivada pela  sonegação. Mas,  sua  caracterização agora se deu pelo fato de a empresa ter declarado receita em valor bem inferior à  apurada,  qual  seja,  R$  1.438.877,46  contra  R$  11.762.682,68.  Isso  equivale  a  uma  receita  apurada 8,17 vezes maior que a receita declarada. Além disso, a caracterização da sonegação  foi acrescida pelo fato de que os documentos anexados às fls. 701 a 748 do processo em papel  comprovaram a prática de notas  fiscais  “paralelas” ou  “clonadas”,  por apresentarem  idêntica  numeração com valores e destinatários diferentes.   A recorrente não contesta tal comprovação, mas alega que essas notas fiscais  não  poderiam  generalizar  a  qualificação  da  multa  para  todos  os  períodos  dos  três  anos­ calendário.  O conjunto de condutas colhidos na autuação já caracteriza a prática reiterada  de a empresa sonegar sua receita nas declarações apresentadas ao Fisco. Como anteriormente  ressaltado, no ano de 2003 a empresa apresentou sua declaração “zerada”. Depois, nos anos de  2004 e 2005 declara uma receita 8,17 vezes inferior à constatada pela fiscalização.   Isso, por si só, já seria suficiente para a qualificação da multa. Nesse sentido,  acompanho o entendimento esposado nos seguintes julgados da Câmara Superior de Recursos  Fiscais:    MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Auferir vultosas receitas sem declará­las  à administração tributaria e com pagamento mínimo de tributos e contribuições, sem  qualquer justificativa razoável, é conduta dolosa que se amolda à figura delituosa da  sonegação prevista no  art, 71 da Lei n.  4.502/64,  justificando­se  a qualificação da  penalidade. (Acórdão nº 9101­00.461)    MULTA QUALIFICADA. Resta caracterizada a sonegação de que trata o art. 71 da  Lei  n°  4.502,  de  1964,  quando  o  sujeito  passivo  declara  ao  Fisco  valores  expressivamente  inferiores aos escriturados, pois deixou de  levar ao conhecimento  da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador e, se tal conduta se repete em  diversas declarações, evidencia­se o intuito de fraude. (Acórdão nº 9101­00.228)    MULTA  QUALIFICADA  ­  CONDUTA  CONTINUADA  ­  A  escrituração  e  a  declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a  Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.039          13 intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal  por  parte  da  autoridade  fazendária  e  enquadra­se perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64,  justificando a aplicação da multa qualificada. (Acórdão nº 01­05.810)    Ademais, conforme foi provado e não contestado, a empresa utilizou outras  práticas fraudulentas que acentuam a gravidade da conduta. É verdade que o conjunto de notas  fiscais reunidos para fazer essa prova não constitui a totalidade da receita omitida na autuação.  Contudo, isso não pode, como quer a recorrente, servir de argumento para que se conclua que  somente a parcela da receita omitida por meio de tais notas fiscais deveria servir de base para a  qualificação  da multa.  Afinal,  é  a  partir  de  todo  o  conjunto  probatório  que  se  concluiu  que  houve a conduta dolosa nos períodos de tributação autuados.  Confirmada, então, a correta aplicação das multas qualificas, passo à análise  da questão da decadência.  Independentemente das teses adotadas na decisão recorrida para a contagem  do prazo decadencial, das quais discordo,  importa anotar primeiramente as datas das ciências  dos autos de infração referentes ao SIMPLES FEDERAL e ao lucro arbitrado, respectivamente,  em 05/11/2008 e 04/08/2009.  Considerando  que  o  SIMPLES  FEDERAL  é  um  regime  de  tributação  cujo  fato  gerador  é  mensal,  caso  não  fosse  o  dolo  implícito  na  sonegação  apontada,  todos  os  lançamentos  referentes  aos  fatos  geradores  que  ocorreram  até  outubro  de  2003  realmente  estariam maculados pela decadência. É o que se depreenderia do que dispõe o § 4º do artigo  150 do CTN, verbis:    Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa. (grifei)  (...)  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação. (grifei)    Com efeito, entendo que a “atividade” exercida pelo sujeito passivo obrigado  a antecipar o pagamento é a característica marcante dessa modalidade de lançamento chamado  “por  homologação”.  Assim,  o  que  se  homologa  é  a  atividade  concernente  à  apuração  de  eventual  crédito  tributário  sujeito  à  extinção.  Independe,  portanto,  da  existência  de  efetivo  pagamento,  até  porque  muita  das  vezes  ele  poderá  não  ser  necessário,  seja  porque  não  é  Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.040          14 apurado crédito  tributário ou porque existe  crédito  a  favor do  sujeito passivo que poderá  ser  aproveitado numa compensação. Nesse sentido, qualquer que seja o tributo, se ele for sujeito a  essa  sistemática  denominada  “lançamento  por  homologação”,  o  prazo  decadencial  de  cinco  anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para a homologação da atividade de apuração do  crédito tributário efetivada pelo sujeito passivo, corresponderia ao mesmo prazo que dispõe o  Fisco para o lançamento de ofício de eventuais diferenças não pagas e/ou declaradas.  Porém,  constatada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  a  ressalva  é  expressa. Nessa hipótese, a  regra do prazo decadencial para o Fisco efetuar o  lançamento de  ofício desloca­se para aquela prevista no artigo 173,  I, do CTN, qual seja, o primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confira­se:    Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:   I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;    Para  os  fatos  geradores  ocorridos  durante  um  determinado  ano­calendário,  esse prazo inicial é contado a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. Contudo, quanto aos fatos  geradores ocorridos em 31 de dezembro, o primeiro dia em que o lançamento pode ser efetuado  é justamente o dia 1º de janeiro do ano seguinte. Portanto, nesses casos, o prazo inicial passa a  ser contado a partir de 1º de janeiro do ano subsequente.  No entanto, esse meu entendimento não pode prevalecer neste julgamento.  Isso porque o  artigo 62­A do Anexo  II do RICARF dispõe que  as decisões  proferidas  pelo  STJ,  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  devem  ser  reproduzidos  nos  julgamentos do CARF. Veja­se seu teor:    Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.    A  questão  da  decadência  foi  objeto  de  decisão  do  STJ,  na  referida  sistemática, no REsp nº 973.333­SC, com a  relatoria do Ministro Luiz Fux. Foi o  seguinte a  ementa dessa decisão:    PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.041          15 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  quinquenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  quinquenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs..  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs..  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199).  (...)  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.042          16 (REsp 973733 SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO,  julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009)    Portanto, o início do prazo decadencial para o Fisco promover o lançamento  de  ofício,  nos  casos  de  tributos  sujeitos  à  sistemática  dos  denominados  “lançamentos  por  homologação”, restou assim configurado:  1.  Se ocorrer dolo, fraude ou simulação: primeiro dia do exercício seguinte  àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN)  2.  Se não ocorrer dolo, fraude ou simulação:  a.  Se houver pagamento (ou declaração): data da ocorrência do fato  gerador (artigo 150, § 4º, do CTN)  b.  Se  não  houver  pagamento  (ou  declaração):  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ser  efetuado (artigo 173, I, do CTN)  Voltando  ao  caso  do  presente  processo,  foi  constatado  o  dolo  implícito  na  sonegação apontada para todos os períodos autuados.   Portanto, relativamente aos lançamentos do SIMPLES FEDERAL, referentes  ao  ano­calendário  de  2003  (exceto  o  de  dezembro),  o  início  do  prazo  decadencial  deve  ser  contado a partir de 1º de janeiro de 2004. Como a ciência foi efetivada em 05/11/2008, há que  se  concluir  que  não  havia  sido  ainda  concluído  o  referido  prazo. Obviamente,  o  lançamento  referente  a  dezembro  de  2003,  que  teria  sua  contagem  iniciada  em  1º  de  janeiro  de  2005,  poderia menos ainda ser questionado.  Por sua vez, quanto aos lançamentos com base no lucro arbitrado, há que se  reconhecer sua periodicidade trimestral. Assim, o início do prazo decadencial dos lançamentos  referentes  ao  primeiro,  segundo  e  terceiro  trimestres  de  2004  tiveram  o  início  do  prazo  decadencial em 1º de janeiro de 2005. Como a ciência foi efetivada em 04/08/2009, há também  que  se concluir  que não houve o decurso do  referido prazo. Obviamente,  a conclusão  será  a  mesma para o terceiro trimestre de 2004 e todos os trimestres de 2005.  Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar seu  provimento.    É como voto.    Documento assinado digitalmente.  Ricardo Marozzi Gregorio ­ Relator    Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/2008­13  Acórdão n.º 1102­000.939  S1­C1T2  Fl. 2.043          17                                 Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME

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