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Numero do processo: 10480.015443/2002-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. PRESSUPOSTOS.
As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Não demonstrando a embargante a ocorrência de imperfeições no acórdão, rejeitam-se os embargos opostos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA.
Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevem-se a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. A ausência da notificação ao contribuinte do ato declaratório excludente do SIMPLES caracteriza vício substancial, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 1202-000.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
(Documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Luis Tadeu Matosinho Machado, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: NELSON LOSSO FILHO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. PRESSUPOSTOS. As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Não demonstrando a embargante a ocorrência de imperfeições no acórdão, rejeitamse os embargos opostos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevem se a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. A ausência da notificação ao contribuinte do ato declaratório excludente do SIMPLES caracteriza vício substancial, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. (Documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 54 43 /2 00 2- 73 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10480.015443/200273 Acórdão n.º 1202000.938 S1C2T2 Fl. 324 2 Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Luis Tadeu Matosinho Machado, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Nelson Lósso Filho. Relatório Retornam os autos para exame do pedido formulado pela embargante, com base no § 2º do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, denominado de “Embargos de Declaração”, por entender o peticionário existir contradição e omissão no Acórdão nº 120200.695, fls. 305/316, prolatado na sessão de 17 de janeiro de 2012, apresentando em seu arrazoado de fls. 320/321 o seguinte: “A União (Fazenda Nacional), por sua procuradora, com amparo no art. 65 do RICARF, vem apresentar EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelos motivos a seguir aduzidos: Pela análise do acórdão 120200.695, verificase que a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da Ia Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração por cerceamento ao direito de defesa. Entretanto, a existência de cerceamento do direito de defesa é causa de nulidade do auto de infração, conforme determina a legislação de regência do processo administrativo fiscal (Decreto n° 70.235/72, art. 59), verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 9/12/93)" Portanto, convém destacar que esse julgado incorreu em omissão, pois inobservou o disposto no art. 59 do Decreto n" 70.235/72. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10480.015443/200273 Acórdão n.º 1202000.938 S1C2T2 Fl. 325 3 Resta também contraditório o acórdão, tendo em vista que o argumento ligado ao cerceamento do direito de defesa enseja a nulidade por vício formal do lançamento e não o seu cancelamento. Nesse sentido: Acórdão 30131801: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação específica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 1 1 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vício formal. PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO". (Grifos nossos) Acórdão 30134449; Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 30/10/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A omissão no enquadramento legal do auto de infração, impossibilitando caracterizar com clareza o ilícito imputado ao sujeito passivo, implica descumprimento de formalidade essencial exigida por lei e configura cerceamento do direito de defesa que macula o lançamento de vício insanável, impondose a decretação de sua nulidade. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO". Acórdão n°. 30333365: ITR/1999. VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Constatada insuficiência na descrição dos fatos e no enquadramento legal é de se reconhecer A NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO FORMAL e cerceamento ao direito de defesa. A imprecisão do lançamento é particularmente notada na identificação do sujeito passivo, na caracterização do imóvel sobre o qual deve recair o lançamento, e na descrição da motivação e respectivo enquadramento legal para a autuação. Recurso de oficio negado". Para ratificar esse entendimento, destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 9a ed. pág. 1112): "Vício formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do credito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei". Fl. 325DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10480.015443/200273 Acórdão n.º 1202000.938 S1C2T2 Fl. 326 4 Convém destacar que é indispensável o saneamento dessa questão para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN: Art. 173 — 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (Grifos nossos) Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento provimento do presente recurso para que essa e. Turma sane a contradição apontada.” No julgamento do mérito, deliberou a Turma “por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.”, como consta registrado naquela ata de julgamento, traduzida na folha de rosto do acórdão embargado, fls. 305. É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho Vieramme os autos para que seja examinado o pedido manifestado pela embargante às fls. 320/321, que vislumbrou ter ocorrido omissão e contradição no voto, conforme consta do Relatório. Rejeito os embargos opostos, em virtude de não restar configurada a irregularidade apontada. O posicionamento adotado pela decisão do acórdão embargado foi resumido pela seguinte ementa: “CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO EXCLUDENTE DO SIMPLES. PUBLICAÇÃO NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO. Configura cerceamento ao direito de defesa a falta de notificação regular ao contribuinte do Ato Declaratório Executivo excludente do SIMPLES, na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, não bastando para tal apenas a publicação desse ato no Diário Oficial da União. Recurso Voluntário Provido.” Da leitura do Acórdão nº 120200.695, vejo que o voto proferido na sessão de 17/01/2012 foi no sentido de dar provimento ao recurso voluntário em virtude da falta de Fl. 326DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10480.015443/200273 Acórdão n.º 1202000.938 S1C2T2 Fl. 327 5 notificação ao contribuinte de sua exclusão do SIMPLES, como se observa do excerto que extraio: “Retorna o processo para continuidade do julgamento nesta Turma, após o cumprimento da diligência determinada pela Resolução nº 120200.028, da sessão de 26/01/2010. Em seu recurso, ao se defender do auto de infração para a exigência de tributo, a contribuinte sustenta ter ocorrido cerceamento ao direito de defesa, em virtude de não ter tido ciência regular do ato declaratório excludente do regime beneficiado, dele não se defendendo, não podendo o lançamento fiscal prosperar. Pela análise do Relatório da Diligência, constato que cabe razão à recorrente em sua afirmativa de que não teria sido intimada regularmente do Ato Declaratório Executivo excludente do SIMPLES por uma das formas previstas no artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ocorrendo apenas, como confirma a diligência, a sua publicação no Diário Oficial da União, acarretando o cerceamento ao direito de defesa. Com efeito, a ciência aos contribuintes dos ADE de exclusão do Simples, deve ser efetivada na forma prevista no artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelos artigos 67 da Lei nº 9.532/97, e 113 da Lei nº 11.196/2005: pessoalmente, por via postal, ou telegráfica ou qualquer outro meio, ou por meio eletrônico. Quando um dos meios acima citados, previstos no referido artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, resultar improfícuo, poderá ser feita essa notificação via publicação de edital em dependência do órgão local da Receita Federal do Brasil ou em órgão de imprensa oficial local. Inexiste na legislação tributária federal previsão para que o Ato Declaratório Executivo de exclusão de empresa do Simples seja publicado no DOU. Mesmo quando se tornar improfícuo a ciência regular ao contribuinte e se optar pela publicação de edital para ciência da pessoa jurídica, o Diário Oficial da União não se presta para tanto, haja vista não ser órgão de imprensa oficial local. Assim sendo, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, constato a inexistência de intimação regular da empresa do Ato declaratório Executivo que a excluiu do SIMPLES, tendo sido cerceado seu direito de defesa. Portanto, restando não cientificada regularmente da exclusão do SIMPLES, com a possibilidade de abertura de litígio quanto a essa exclusão, não poderia a contribuinte ter seu lucro arbitrado, pois a empresa mantinha a condição de tributação simplificada à época da lavratura do auto de infração, com exigência de tributos em nova sistemática de apuração de lucro tributável. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10480.015443/200273 Acórdão n.º 1202000.938 S1C2T2 Fl. 328 6 Pelos fundamentos exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a ocorrência do cerceamento do direito de defesa, pela falta de notificação da exclusão do SIMPLES, e cancelar a exigência fiscal.” Após analisar as argumentações anteriormente expostas e confrontálas com as alegações apresentadas pela Fazenda Nacional, concluo que não restou provada nenhuma imperfeição no voto proferido, não há omissão, dúvida, inexatidão ou contradição no julgado, que pudesse justificar o embargo aqui analisado. Não posso concordar com os fundamentos do embargante no sentido de que esteja caracterizado um vício de forma que possibilite a lavratura de outro auto de infração, conforme o disposto no art. 173, II, do CTN. O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN, ao admitir a contagem de prazo especial para decadência do direito de a Fazenda Nacional efetivar o lançamento, diz respeito a erros quanto à caracterização do auto de infração, como por exemplo: inexistência de data, nome da autoridade competente, matrícula, local de lavratura do auto, assinatura do autuante, autorização para nova lavratura de auto de infração, ou quaisquer outros erros que comprometam a forma do ato do lançamento. Luiz Henrique Barros de Arruda, em seu livro Processo Administrativo Fiscal, 2ª edição 1994, Editora Resenha Tributária Ltda., assim se manifesta às fls. 81 a respeito de vício formal: “Vício Formal A expressão vício formal, por seu turno, compreende as incorreções e omissões de forma do ato (artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72), assim como as falhas ou omissões quanto a Formalidades que devem ser respeitadas na feitura do lançamento. Para as finalidades do artigo 173, inciso II do CTN, essas formalidades necessitam ser essenciais à legalidade do ato, pois, somente essas ensejam a revisão de ofício do lançamento e autorizam a realização de um novo, em consonância com o artigo 149, inciso IX, “in fine”, do CTN, que estatui: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I a VIII – omitidos; IX – quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial.” O vício formal se caracteriza, segundo De Plácido e Silva, in Vocabulário Jurídico Editora Forense, pp. 865, como o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisitos, ou desatenção à solenidade, que se prescreve como necessário à sua validade ou eficácia jurídica. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10480.015443/200273 Acórdão n.º 1202000.938 S1C2T2 Fl. 329 7 Assim, numa visão geral sobre o Lançamento Tributário, cabe destacar as disposições do Código Tributário Nacional e do Decreto n° 70.235/72 acerca da competência para a constituição do crédito tributário, dos elementos essenciais ao lançamento e da validade dos atos praticados por servidor. O artigo 142 do Código Tributário Nacional traça as linhas gerais a respeito da competência para a constituição do crédito tributário. “Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Por sua vez, prescreve o Decreto nº 70.235/72, respectivamente, as regras sobre o procedimento e os elementos indispensáveis ao lançamento: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 329DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10480.015443/200273 Acórdão n.º 1202000.938 S1C2T2 Fl. 330 8 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Buscando apoio na doutrina, encontrei inúmeras referências ao tema em questão, principalmente no livro Processo Administrativo Fiscal, São Paulo, Editora Saraiva, 1993, pág. 531/534 do exConselheiro Antonio da Silva Cabral, do qual extraio os ensinamentos a seguir: “5. Efeitos da nulidade. (omitido) O julgador deverá sanar o processo, determinando, inclusive, se repitam os atos posteriores àquele que foi declarado nulo. Acontece, entretanto, que o efeito do ato do julgador é “ex tunc”. Deste modo, o ato nulo pode, até, tornarse ato insanável. Suponhase que um processo chegue a julgamento no Conselho de Contribuintes após sete anos da lavratura do auto de infração que o motivou e o Conselho apure ter ocorrido erro na identificação do sujeito passivo. O erro seria insanável, pois se a repartição quisesse proceder ao lançamento contra o verdadeiro sujeito passivo verseia impossibilitada (pela decadência.)” Pela leitura do excerto acima, resta claro que o autor considera o erro na identificação do sujeito passivo como sendo um vício substancial e não um vício formal, porque no seu exemplo existe a hipótese da caducidade do direito de a Fazenda Nacional efetuar novo lançamento. Prossegue o ilustre exConselheiro do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes com os seguintes ensinamentos: “4. O vício formal. O art. 173 do CTN diz que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Um dos motivos da declaração de nulidade, portanto, é o chamado vício formal, antes mencionado. O art. 642 do RIR/80 também determina que os auditores fiscais procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados etc. Acrescenta o § 2º desse artigo que, em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame mediante ordem escrita do superintendente, do delegado ou do inspetor da Receita Federal. Se, após terminada a ação numa empresa, o fiscal aí reaparecer e tornar a examinar documentos sem a devida autorização, poderá ter o respectivo auto de infração, que porventura vier a lavrar, totalmente anulado por vício de forma, isto é, por não ter obedecido à formalidade necessária, que era a autorização do superior. Esta foi a tese confirmada pela CSRF, no Ac. CSRF/010.538, de 2351985. Tratavase de caso em que o lançamento foi anulado, por vício formal, uma vez que a escrita do contribuinte já havia Fl. 330DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10480.015443/200273 Acórdão n.º 1202000.938 S1C2T2 Fl. 331 9 sido anteriormente examinada pela fiscalização relativamente ao mesmo exercício, e faltava, no novo lançamento, a autorização determinada pela lei. A Câmara recorrida entendeu que ocorrera a decadência, pois tendo sido anulado o lançamento, o segundo lançamento foi feito quando já ocorrera o período decadencial. A questão estava em saber se o início da decadência deveria ter sido contado a partir da decisão que anulara o lançamento primitivo. O núcleo da questão estava em saber se houve vício formal no lançamento. O acórdão valeuse da doutrina da Marcelo Caetano (Manual de direito administrativo, 10. Ed., Lisboa, 1973, t. I), que lecionou: “O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal”. Mais adiante Marcelo Caetano esclarece: “Formalidade é, pois, todo ato ou fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança da formação ou da expressão da vontade de um órgão de uma pessoa coletiva”. O acórdão também mencionou o ‘Vocabulário jurídico (2. Ed., 1967, v. 4, p. 1651), de De Plácido e Silva: ‘Vício de Forma. É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisito, ou de desatenção à solenidade, que se prescreve como necessária à sua validade ou eficácia jurídica’. No v. 3 (p. 712/3), De Plácido e Silva assinalou: ‘Formalidade – Derivado de forma (do latim ‘formalitas’), significa a regra, solenidade ou prescrição legal, indicativas da maneira por que o ato deve ser formado’. O relator da matéria continuou na citação: ‘Neste sentido, as ‘formalidades’ constituem a maneira de proceder em determinado caso, assinalada em lei, ou compõem a própria forma solene para que o ato se considere válido ou juridicamente perfeito. As ‘formalidades’ mostramse prescrições de ordem legal para a feitura do ato ou promoção de qualquer contrato, Quando as formalidades atendem à questão de ‘forma material’ do ato, dizemse ‘extrínsecas’. Quando se referem ao ‘fundo’, condições ou requisitos para a sua eficácia jurídica, dizemse ‘intrínsecas’ ou ‘viscerais’, “...”. À vista de tudo isto, finalizou o relator: ‘Vejo a autorização do § 2º do art. 642 do RIR/80 como ato preliminar e indispensável à formação do lançamento como formalidade essencial, cuja inobservância vicia o ato de modo a determinar sua anulabilidade, mas não a nulidade. Nestas condições, merece ser reformado o acórdão recorrido. A ilustre Maioria detevese em questão preliminar, respeitante ao prazo decadencial. Na medida em que entendeu não ter havido vício de forma, afastou a aplicabilidade da regra do inciso II do art. 173 do CTN, e, por via de conseqüência, declarou a decadência do direito de lançar, apegada ao qüinqüênio normal. Pelo que se ensaiou de Fl. 331DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10480.015443/200273 Acórdão n.º 1202000.938 S1C2T2 Fl. 332 10 demonstrar acima, entendo caracterizado o vício formal, devendo incidir o citado inciso II do art. 173 do CTN’. Há um pormenor de suma importância no voto citado, qual seja, a distinção feita por ele entre ato ‘nulo’ e ato ‘anulável’. Conforme se salientará mais adiante, a diferença está, entre outras muitas, no fato de que o ato anulável continua a produzir efeitos, enquanto não for anulado. Na verdade, vício de forma é ato anulável, exceto, é claro, quando a forma for da essência do ato e imprescindível para a sua própria validade e não apenas para a sua eficácia.” Em monografia intitulada O Vício Formal no Lançamento Tributário, apresentada no Curso de Especialização em Direito Tributário da Faculdade de Direito do Recife, da Universidade Federal de Pernambuco, o ilustre exConselheiro Manoel Antonio Gadelha Dias, estudou com maestria o assunto, ao qual peço vênia para extrair de seu trabalho o esclarecedor excerto: “Conforme destacamos em capítulo anterior, o lançamento tributário é ato administrativo consistente em documento escrito, produzido pela Administração Pública, com vistas a exigir do contribuinte o pagamento do tributo devido. Por sua vez, para que o lançamento possa produzir os seus efeitos, nele deverão estar presentes todos os seus elementos e pressupostos. Atendidos tais requisitos, o lançamento será ato perfeito e acabado, produzindo efeitos jurídicos, ainda que eivados de vícios e imperfeições. Consoante ensina Aurélio Pitanga Seixas Filho “A desconformidade do ato administrativo com seus pressupostos legais não impede a produção dos efeitos jurídicos que lhe são próprios, que somente serão interrompidos ou suspensos em um procedimento administrativo posteriori para invalidação ou modificação desses efeitos jurídicos.” Por outro lado, a ausência ou deficiência dos requisitos pode levar à invalidação do ato do lançamento, com conseqüências distintas em razão da natureza da imperfeição. À luz do Código Tributário Nacional, fonte de direito material nacional, e do Decreto nº 70.235/72, fonte de direito formal de âmbito restrito à União, entendemos que os requisitos do lançamento podem ser divididos em dois grandes grupos: 1º) o dos requisitos fundamentais ou estruturais, e 2º) o dos requisitos complementares ou formais. Se o defeito no lançamento disser respeito a requisito fundamental, estaremos diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindoo de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10480.015443/200273 Acórdão n.º 1202000.938 S1C2T2 Fl. 333 11 Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e dizem respeito à própria conceituação do lançamento insculpida no art. 142 do CTN, qual seja a valoração jurídica do fato tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo. Assim, a valoração jurídica equivocada do fato tributário, a lavratura de auto de infração por agente incompetente ou a indicação errada do sujeito passivo da obrigação tributária levam à nulidade do lançamento, cabendo à Administração Tributária, uma vez declarada a nulidade por decisão administrativa ou judicial, se for o caso, sanar o vício mediante a formalização de outro lançamento, agora sem o defeito apontado, desde, é claro, que a Fazenda Pública não tenha ainda decaído do direito de fazêlo. Nessa hipótese, a decretação da nulidade do lançamento não tem o condão de interromper ou suspender o prazo de decadência. Em verdade, para fins da contagem do lapso decadencial para outro lançamento, deve a administração tributária considerar como inexistente o lançamento declarado nulo e observar a regra geral de decadência contida no art. 173, I, ou a regra própria prevista para os casos disciplinados pelo art. 150, § 4º, ambos do CTN, ou ainda regra específica estabelecida na legislação de determinados tributos. Já se o vício estiver presente no que denominamos de requisitos complementares do lançamento, ou seja, naqueles que devem compor a linguagem para a comunicação jurídica, consistente na notificação ao sujeito passivo, estaremos falando de vício formal. Os requisitos complementares ou formais são aqueles exigidos por lei para o momento da edição do ato, por isso dão denominados requisitos extrínsecos ao lançamento. O aludido inciso II do art. 173 do CTN, ao prescrever a anulação do lançamento na hipótese de existência de vício formal, por certo está se referindo apenas às aludidas formalidades extrínsecas, ou seja, aquelas que dizem respeito apenas à forma como o ato se exterioriza. À toda evidência, o Código Tributário Nacional adotou a concepção restrita de forma, pois não haveria nenhuma razão lógica para o legislador de 1966, ao tratar do vício formal no lançamento, ter também nele incluído o defeito decorrente de inobservância de formalidades intrínsecas (aquelas que se apresentam como requisitos necessários à validade do ato), se tal vício leva à mesma conseqüência do vício substancial, qual seja, à decretação da nulidade do lançamento. Com efeito, o alegado privilégio atribuído à Fazenda Pública pelo CTN só alcança os denominados defeitos menores, ocorridos em momento posterior à aplicação da norma Fl. 333DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10480.015443/200273 Acórdão n.º 1202000.938 S1C2T2 Fl. 334 12 tributária material, quando corretamente identificados, pela autoridade competente, o fato jurídico tributário e a relação jurídica obrigacional. Portanto, a regra especial de decadência contida no art, 173, II, do CTN, possibilita que a Fazenda Pública promova novo lançamento, na hipótese em que o anterior deixou de observar certas formalidades, mas que já permitia ao sujeito passivo conhecer claramente a obrigação tributária. Nas palavras de Ives Gandra da Silva Martins, o novo lançamento, nessa hipótese, visa a preservar “um direito já previamente qualificado, mas inexeqüível pelo vício de forma declarado”. Em última análise, conforme conclui Antonio Airton Ferreira, a aplicação da comentada regra especial de decadência impede que questão de forma prevaleça sobre questão de fundo. Os mencionados requisitos complementares ou formais do lançamento, no âmbito da União, estão previstos no Decreto nº 70.235/72, que rege a determinação e exigência dos tributos federais e prevê a formalização do lançamento por meio de auto de infração lavrado por auditorfiscal ou por notificação de lançamento a ser expedida pelo órgão que administra o tributo”. Conforme consta do voto do acórdão original, “restando não cientificada regularmente da exclusão do SIMPLES, com a possibilidade de abertura de litígio quanto a essa exclusão, não poderia a contribuinte ter seu lucro arbitrado, pois a empresa mantinha a condição de tributação simplificada à época da lavratura do auto de infração, com exigência de tributos em nova sistemática de apuração de lucro tributável”, ou seja, não cientificada a empresa da sua exclusão do SIMPLES, permanecia ela dentro da sistemática de tributação privilegiada, não se admitindo a motivação para os lançamentos fiscais. A ausência de notificação ao contribuinte de sua exclusão do SIMPLES traduzse em um vício material, que também vicia o lançamento decorrente dessa exclusão, e tem efeitos distintos do vício formal na possibilidade futura de renovação do mesmo. Não vislumbro que o fato apontado pela Procuradoria da Fazenda Nacional seja caracterizador da nulidade dos lançamentos por vício formal, geraria, isto sim, a nulidade absoluta das exigências, não lhes sendo aplicada a regra especial de contagem do prazo de decadência previsto no art. 173, II, do CTN. Assim sendo, tendo em vista a inocorrência de omissão, contradição ou obscuridade no acórdão combatido, entendo devam ser rejeitados os embargos opostos. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 334DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10480.015443/200273 Acórdão n.º 1202000.938 S1C2T2 Fl. 335 13 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 p or NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10580.002851/2005-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO PARA FINS DE INTIMAÇÃO. ENDEREÇO CADASTRAL FORNECIDO PELO CONTRIBUINTE.
Para fins de intimação, o domicílio tributário do sujeito passivo é, regra geral, aquele por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal.
Não é obrigação da Receita Federal buscar as informações sobre o
falecimento dos contribuintes, e atualizar, de ofício, sua base de dados. Esse é um ônus do sujeito passivo por meio de seus representantes, que deve arcar com as consequências de não ter atualizado as informações cadastrais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.084
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO PARA FINS DE INTIMAÇÃO. ENDEREÇO CADASTRAL FORNECIDO PELO CONTRIBUINTE. Para fins de intimação, o domicílio tributário do sujeito passivo é, regra geral, aquele por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. Não é obrigação da Receita Federal buscar as informações sobre o falecimento dos contribuintes, e atualizar, de ofício, sua base de dados. Esse é um ônus do sujeito passivo por meio de seus representantes, que deve arcar com as consequências de não ter atualizado as informações cadastrais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. EDITADO EM: 16/05/2011 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo (convocado), José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes (convocado) e Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado). Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 20 a 26, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$12.827,84, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o recorrente apresentou impugnação (fl. 1 a 15). Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 92), que “o contribuinte falecera em 2003; que a impugnação fora encaminhada ao endereço do falecido, quando se deveria notificar o inventariante, que reside em São Paulo; que a esposa do contribuinte, que residia no mesmo endereço, havia também falecido; que a Receita Federal tem conhecimento da morte dos contribuintes através das informações de diversos órgãos, como o INSS, Cartório de Registro Civil, etc., por isso não poderia utilizar o endereço antigo.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não conheceu da impugnação, por considerála intempestiva, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 91 a 92): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Não se aprecia o mérito de impugnação intempestiva. Impugnação não Conhecida O julgador de 1a instância fundamentou sua decisão da seguinte maneira (fl. 92): O endereço utilizado para a notificação fora aquele eleito pelo espólio e informado em suas declarações do imposto de renda. Não caberia à Receita Federal desatender esta informação e notificar o responsável em endereço diverso, mesmo que estivessem disponíveis informações de outros órgãos quanto à morte do contribuinte, como argumenta o interessado. Nada impede que o espólio tenha endereço diverso do endereço do inventariante. Concluise que foi regular a notificação em 23/02/2005, e que a impugnação foi apresentada intempestivamente 06/04/2005, não cabendo a análise das questões de mérito. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.002851/200580 Acórdão n.º 210101.084 S2C1T1 Fl. 143 3 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 26/02/2008 (fl. 140), o contribuinte apresentou, em 13/03/2008, o recurso de fls. 97 a 139, onde reafirma: a) que, como o contribuinte já tinha falecido por ocasião da ciência do auto de infração, a intimação deveria ter sido dirigida para o endereço da inventariante, que representava o espólio, o responsável pelo tributo; b) que o auto de infração foi enviado para a antiga residência do autuado, onde residia sua esposa, que também veio a falecer em 24/03/2005; c) que foi nula a intimação não enviada para o domicílio tributário do sujeito passivo; d) que a Receita Federal tem o conhecimento do falecimento dos contribuintes por informações de outros órgãos. Após acrescentar a defesa referente ao mérito da autuação, pugna para que se reconheça a tempestividade da impugnação e se retornem os autos para apreciação do mérito pelo julgador de 1a instância, ou que se aprecie de imediato o mérito do recurso e se julgue improcedente o auto de infração. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 141, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O recorrente fundamenta seu recurso na alegação de que o domicílio tributário do espólio é o do inventariante, e que somente a intimação efetuada na pessoa do inventariante seria válida. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, traz as regras para a intimação em seu art. 23, abaixo transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Assim, para fins de intimação, o domicílio tributário do sujeito passivo é, regra geral, aquele fornecido por ele ou seu representante, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. Verifico que, neste processo, todos os extratos de sistema, tanto os da época da autuação (fl. 70), quanto aqueles emitidos por ocasião do julgamento de 1a instância (fl. 95), contém o mesmo endereço da autuação, o que demonstra que nunca se alterou o endereço do sujeito passivo nas bases de dados da Receita Federal. Equivocase o recorrente ao atribuir à Receita Federal a obrigação de buscar as informações sobre o falecimento dos contribuintes, e atualizar, de ofício, sua base de dados. Esse é um ônus do sujeito passivo por meio de seus representantes, que deve arcar com as consequências de não ter atualizado as informações cadastrais. Desta forma, reputo válida a intimação do auto de infração dirigida ao endereço cadastral do contribuinte, e, por consequência, considero irreparável o julgamento de 1a instância que não conheceu da impugnação por sua intempestividade. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.002851/200580 Acórdão n.º 210101.084 S2C1T1 Fl. 144 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 36160.001547/2006-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/10/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DIFERENÇAS LANÇADAS - DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.”
No caso, relativamente ao período em apreço, a aplicação de tal regra é inquestionável, pois há pagamento de contribuições previdenciárias, sendo que a notificação fiscal de lançamento de débito envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos pela empresa, inexistindo acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação.
Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até a competência 08/2001, inclusive.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.285
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/10/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DIFERENÇAS LANÇADAS DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” No caso, relativamente ao período em apreço, a aplicação de tal regra é inquestionável, pois há pagamento de contribuições previdenciárias, sendo que a notificação fiscal de lançamento de débito envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos pela empresa, inexistindo acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 36160.001547/200631 Acórdão n.º 920202.285 CSRFT2 Fl. 4.698 2 Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até a competência 08/2001, inclusive. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de SS Administração e Serviços Ltda., CNPJ n° 01.635.956/0001 22, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 35.595.3544 (fls. 01207), para a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores constantes em folhas de pagamento e GFIP, valores constantes em folhas e não em GFIP, abono assiduidade, aferição indireta relativa às anotações de responsabilidade técnica, aferição indireta da remuneração dos sóciosgerentes e aferição indireta em folhas de pagamento, relativamente a fatos ocorridos entre as competências 03/1997 e 10/2005. A ciência do lançamento se deu em 01/09/2006 (fls. 339, Volume II). A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) considerou o lançamento procedente em parte (fls. 4.1084.127, Volume XVI). Apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte e o recurso de ofício apresentado pela DRJ, a Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF proferiu o acórdão n° 2301 00.155, que se encontra às fls. 4.4984.512 (Volume XVII), cuja ementa é a seguinte: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 36160.001547/200631 Acórdão n.º 920202.285 CSRFT2 Fl. 4.699 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS,. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A Previdência Social provou a existência do fato gerador, com base nas folhas de pagamento, elaboradas pela própria recorrente. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contraprova. REMUNERAÇÃO SÓCIOSGERENTES. ARBITRAMENTO. Conforme previsto no art. 201, parágrafo 3 ° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048, não havendo comprovação dos valores pagos ou creditados aos segurados sóciosgerentes, em face de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a contribuição da empresa referente a esses segurados será de vinte por cento sobre o saláriode contribuição do segurado nessa condição; a maior remuneração paga a empregados da empresa; ou o salário mínimo, caso não ocorra nenhuma das hipóteses anteriores. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão recorrida acordou, “por maioria de votos, com fundamentos nos artigos 173, I e 150, §4° do CTN, conforme os levantamentos, acatar a preliminar de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 36160.001547/200631 Acórdão n.º 920202.285 CSRFT2 Fl. 4.700 4 decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que aplicavam para todos os fatos geradores o artigo 150, §4° e no mérito, por unanimidade de votos, manter os demais valores lançados, nos termos do voto do relator e por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, no termos do voto do relator.” A decadência foi reconhecida para todos os fatos ocorridos até a competência 11/2000 e parcialmente para os fatos lançados entre as competências 12/2000 e 07/2001 (considerouse a existência de pagamentos antecipados por rubrica lançada). Intimada do acórdão em 29/06/2010 (fls. 4.520, Volume XVII), a empresa, devidamente representada, interpôs recurso especial às fls. 4.5234.538, acompanhado dos documentos de fls. 4.5394.679 (Volume XVIII), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Tratase de autuação que teve início na então Secretaria da Receita Previdenciária, apontando uma série de equívocos de recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa ora recorrente, utilizandose larga e inadequadamente de aferição indireta, promovendo múltiplas lesões às garantias constitucionais, especialmente ao direito de defesa; b) Tamanho foi o disparate da lavratura da NFLD que, já em 1ª instância administrativa, a autuação que superava R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais) foi reduzida a cerca de R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais). Ou seja: pouco mais de 2 % (dois por cento); c) Posteriormente, já após a edição da Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, foi reconhecida a decadência parcial do direito de lançar, afastando mais uma parte da exigência. d) A decisão recorrida considerou que, nada obstante se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, onde em regra se aplica, para fins de contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 150, §4°, do CTN, “se não houver pagamento antecipado (...) há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN”; e) Tal interpretação é divergente da que foi dada, ao mesmo tema, pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, nos acórdãos nos 10196.733, 10196.712, 10196.696 e 10196.582; f) Deve ser aplicada no caso concreto a regra do art. 150, §4°, do CTN, para contagem do prazo decadencial. Isto porque a exigência fiscal refletida nestes autos é de contribuição previdenciária. Tal sorte de tributo está sujeita ao lançamento por homologação, razão pela qual se lhe aplica, expressamente, o regramento apontado; g) Não é despiciendo recordar que não se pode compreender a aplicação do art. 150 do CTN apenas nos casos em que ocorreu o pagamento do tributo; h) O pagamento, vejase, é irrelevante para caracterizar a natureza do lançamento. O que se homologa não é o simples pagamento, mas toda a Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 36160.001547/200631 Acórdão n.º 920202.285 CSRFT2 Fl. 4.701 5 atividade desenvolvida pelo contribuinte, sejam as operações comerciais, sua contabilização e o cálculo do tributo; i) Então, se a autuação diz respeito a tributos e os mesmos se submetem à modalidade de lançamento por homologação, cabe ao contribuinte exercer a atividade de determinar a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do quantum devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação; j) A ausência de recolhimento do imposto, repitase, não altera a natureza do lançamento, vez que o contribuinte continua sujeito aos encargos decorrentes da obrigação inadimplida (atualização, multa, juros a partir da data do vencimento originalmente previsto, ressalvado o disposto no art. 106 do CTN); k) Em verdade, a definição imposta pelo Código Tributário Nacional é deveras simples: não é a atuação do contribuinte que determina qual será a regra de contagem do prazo prescricional a se aplicar. A regra de incidência do tributo, in abstrato, define a sistemática do seu lançamento. E a contagem da caducidade se dará conforme for a sistemática de lançamento; l) Não há subjetividade. A definição é objetiva: aplicarseá a regra do art. 150 ou do art. 173 do CTN segundo a forma de lançamento do tributo. E esta está previamente prevista em lei. Logo, não há espaço para considerações sobre a ação do contribuinte, que se torna desimportante para esse fim; m) Requerse, então, seja parcialmente reformado o Acórdão recorrido, para que se aplique o prazo decadencial, na forma do art. 150, § 4°, do CTN, em todas as hipóteses destes autos; n) Outrossim, no plano técnico, cumpre protestar e requerer a retificação dos pretensos débitos lançados sob a rubrica FPG — FOLHA DE PAGAMENTOS. Isso porque há registro e prova de que os valores foram retidos na fonte por terceiros, gerando o direito à compensação, pela Recorrente, do excesso de retenção. Admitido o recurso, no que se refere à decadência, por meio do despacho n° 2300006/2011 (fls. 4.6824.684), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contrarrazões às fls. 4.6884.696 (Volume XVIII), onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 36160.001547/200631 Acórdão n.º 920202.285 CSRFT2 Fl. 4.702 6 O Recurso Especial da contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido, com relação à decadência. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do CARF, por unanimidade de votos, acolheu a decadência para os fatos ocorridos até a competência 11/2000 e, por maioria de votos, para parte dos fatos ocorridos até a competência 07/2001, sendo que os Conselheiros vencidos entenderam que todos os fatos lançados até a competência 07/2001 estavam atingidos pela decadência. Nas demais questões, negou provimento aos recursos voluntário e de ofício, por unanimidade de votos. A insurgência da recorrente está relacionada à decadência e sua pretensão é no sentido de que se aplique ao caso da regra do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Eis a matéria em litígio. Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacífica desta Corte Administrativa, as contribuições previdenciárias em apreço são tributos sujeitos ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração das suas base de cálculo e o recolhimento dos montantes devidos, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 36160.001547/200631 Acórdão n.º 920202.285 CSRFT2 Fl. 4.703 7 Considerando que o caso em apreço envolve fatos geradores ocorridos nas competências compreendidas entre 03/1997 e 10/2005 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência da notificação fiscal de lançamento de débito em 01/09/2006 (fls. 339, Volume II), concluo que a decisão recorrida não pode ser confirmada, pois a decadência impede a manutenção do lançamento para os fatos ocorridos até a competência 08/2001. Na visão deste julgador, como não se imputou à empresa as condutas de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Entendo que para o início da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A homologação é da atividade e não do pagamento. Esta é a minha posição a respeito da matéria. Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 36160.001547/200631 Acórdão n.º 920202.285 CSRFT2 Fl. 4.704 8 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/09/2009) Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ...”. Dessa forma, tornase importante analisar a comprovação quanto à existência ou não de pagamento de contribuições previdenciárias no período em apreço. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 36160.001547/200631 Acórdão n.º 920202.285 CSRFT2 Fl. 4.705 9 O Relator do acórdão recorrido, Conselheiro Marco André Ramos Vieira, apreciou a questão da seguinte forma (fls. 4.507, Volume XVII): Na hipótese concretizada, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre algumas rubricas, conforme relatório fiscal, uma vez que foram apuradas somente as diferenças não recolhidas. Assim, para os levantamentos DAL, FNG, FP, FPG aplicase o previsto no art. 150, parágrafo 4 ° do CTN; desse modo, a contar dos fatos geradores, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento fiscal. Para tais rubricas encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência julho de 2001, inclusive esta. Por seu turno para os levantamentos ABA, AFA, APR; não houve pagamento antecipado, logo deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I di o CTN. Para essas competências encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente A competência novembro de 2000, inclusive esta. A competência dezembro de 2000 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, data em que se exigia o pagamento antecipado, ou seja em 2 de janeiro de 2001; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui corno termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, o dia 1° de janeiro de 2002, a qual findaria em 10 de janeiro de 2007. Portanto, salvo melhor juízo, a decisão recorrida admite que houve pagamentos parciais, de determinadas rubricas (levantamentos DAL, FNG, FP e FPG), para os fatos ocorridos até a competência 07/2001. Observando o Discriminativo Analítico de Débito – DAD, às fls. 20, 33, 34, 39, 40 e 41, constatase a existência de pagamentos parciais de contribuições previdenciárias nas competências compreendidas entre 12/2000 e 08/2001 (a ciência do lançamento ocorreu em 01/09/2006). A existência de pagamento antecipado, portanto, é inquestionável. Portanto, o ensinamento jurisprudencial do Egrégio STJ não dá sustentação ao acórdão de segunda instância. Sendo assim, a decadência fulminou os fatos geradores ocorridos até a competência 08/2001, de modo que a decisão recorrida deve ser reformada. Ressalto, por fim, que este Colegiado não tem competência para apreciar a questão do crédito/compensação alegada pela recorrente, pois tal matéria não foi devolvida à apreciação da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da contribuinte, para reconhecer que a decadência extinguiu o crédito tributário relativo às competências até 08/2001, inclusive. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 36160.001547/200631 Acórdão n.º 920202.285 CSRFT2 Fl. 4.706 10 (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 10945.000611/2010-21
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 1802-001.245
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000611/201021 Acórdão n.º 180201.245 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, Acórdão nº 0635.145, de 06/01/2012, com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, dispositivo este que se aplica inclusive para as microempresas e empresas de pequeno porte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS. A falta de escrituração de contas bancárias torna a contabilidade imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, autorizando o arbitramento do lucro PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Impugnação Improcedente Fl. 396DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000611/201021 Acórdão n.º 180201.245 S1TE02 Fl. 3 3 Crédito Tributário Mantido A ciência desta decisão pela Contribuinte ocorreu em 19/01/2012, e o recurso voluntário foi apresentado em 29/02/2012. Entre estas datas, foi lavrado Termo de Perempção, que se encontra acostado aos autos. Este é o relatório. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000611/201021 Acórdão n.º 180201.245 S1TE02 Fl. 4 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Realmente, não há condição para se conhecer do Recurso. O prazo para sua apresentação é de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, mas a Contribuinte o protocolizou depois de esgotado esse prazo. A ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu em 19/01/2012, uma quintafeira, e o último dia para a apresentação do recurso seria 23/02/2012, quintafeira após os feriados de carnaval, conforme as regras do art. 210 do Código Tributário Nacional. Todavia, o recurso só foi apresentado em 29/02/2012, portanto, a destempo. Assim, não estando preenchido o requisito de apresentação no prazo legal, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 398DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11442.000092/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Período de Apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Ausência de julgamento de primeira instância.
Recurso não conhecido por supressão de instância.
Numero da decisão: 3201-000.865
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Data do Período de Apuração: 01/10/1995 a 29/02/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Ausência de julgamento de primeira instância. Recurso não conhecido por supressão de instância.
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SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Ausência de julgamento de primeira instância. Recurso não conhecido por supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudiño,Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório A Prefeitura de Assis solicitou através do Pedido de Restituição de fl. 02, protocolado em 04/06/2010, a restituição de crédito que alega ter no montante de R$ 7.152.525,00, correspondente a valores pagos indevidamente, a titulo de contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, recolhidos a maior no período de 1995 a 1999, com base na decisão do STF no Recurso Extraordinário n° 232.896 3/PA, que declarou a inconstitucionalidade do artigo 15 da Medida Provisória n.° 1.212, de 28/11/95, e suas reedições, convertida na Lei 9.715/98, artigo 18. Juntamente com o pedido, protocolou a comunicação de fl. 01, onde alega que não foi possível efetuar o pedido de restituição através do programa PER/DCOMP, pois para isso seria necessário o n° do processo administrativo protocolizado na Receita Federal do Brasil e, na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, utilizou o formulário Pedido de Restituição, conforme art. 3°, § 2° da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, de 30 de dezembro de 2008. O pleito foi analisado conforme Despacho Decisório n° 2010/346, de 29/06/2010, onde considera não formulado o Pedido de Restituição de fl. 02, uma vez que não será considerada impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, a restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária, nos termos do artigo 39, § 10 c/c art. 98, § 5° da IN RFB n° 900/2008, porquanto o direito de solicitar restituição de crédito relativo aos pagamentos realizados entre os anos de 1995 a 1999, relativos a contribuição ao PIS/PASEP, extinguiuse com o transcurso do prazo de 5 anos da data de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN). Consta comunicação à interessada que não cabe manifestação de inconformidade contra a decisão exarada no aludido despacho, nos termos do art.66, § 8° da IN RFB n° 900/2008 e facultase interposição de recurso hierárquico. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim Como relatado, consta nos autos, o pedido de restituição, o despacho decisório e finalmente a comunicação que não cabe a manifestação de inconformidade e sim a interposição de recurso hierárquico. Foi quando o processo no CARF foi a mim distribuído. Logo, a meu ver sem a apreciação da impugnação, defesa, argumentos, manifestação da interessada não inaugurou a fase litigiosa do processo administrativofiscal, nos termos do Decreto n.º 70.235/1972, de 06/03/1972, arts.14 e 15, com a redação dada pela Lei n.º 8.748, de 09/12/1993. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11442.000092/201025 Acórdão n.º 320100.865 S3C2T1 Fl. 2 3 Consta, nos autos, a defesa, logo, impedindo, que a autoridade julgadora de segunda instância adentre no mérito sem a análise dessas alegações veiculadas nessa peça, pela primeira instância, por supressão da mesma. De qualquer sorte, dispõem os inciso I e o II do art. 25 do Dec. 70.235/72, verbis: “Art. 25 – O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I – em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal (redação da MP nº 2.15835/01); (Destaquei). .......................................... II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” (Destaquei). Nesse passo, o art. 1º do Regimento Interno dos Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – , estabelece que “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.” (Destaquei). Logo, a inexistência de julgamento de primeira instância impede Este Conselho de se pronunciar a respeito da matéria, inteligência do art. 25, I e II, do Dec. 70.235/72 e do art. 1º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ante o exposto, inclusive em homenagem ao princípio da supressão de instância, deixo de conhecer do recurso voluntário. Em assim sendo, retornem os autos para a Delegacia de julgamento para efetuar o devido julgamento. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 7/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13886.000024/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(Súmula CARF no. 63). Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.659
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 IRPF. ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(Súmula CARF no. 63). Recurso provido.
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ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(Súmula CARF no. 63). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13886.000024/200858 Acórdão n.º 220201.659 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, MARLENE GALANTE SPAGNOL, foi lavrado NL relativo ao IRPF, ano calendário 2003, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste de imposto a restituir de R$ 6.750,56 para R$ 1.468,99, com saldo de imposto a restituir ajustado de R$ 1.127,08, tendo em vista imposto já restituído de R$ 341,91. O lançamento foi decorrente de omissão de rendimentos tributáveis recebidos da Prefeitura Municipal de Americana, CNPJ 45.781.176/000166, no valor de R$ 43.009,18. A filha da contribuinte, Regina Célia Galante Spagnol, tornou ciência do lançamento em 11/01/2008, via postal, conforme fl. 07, e ingressou com a impugnação (fl. 01), em 17/01/2008, na qual alega, em síntese, que não concorda com a notificação de lançamento, uma vez que o relatório médico entregue constava a doença na qual dá direito ao gozo da isenção do rendimento, porém com palavras técnicas usadas nos meios médicos. Apresenta novo relatório médico comprovando a doença como consta na lei. A DRJ ao apreciar os argumento do recorrente, julgou o lançamento procedente, tendo em vista que não estaria comprovado que os rendimentos seriam decorrentes de aposentadoria. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FíSICA IRPF Anocalendário: 2003 PORTADORA DE MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO Para a contribuinte portadora de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, urna é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, c sua complementação, e a outra é que seja portadora de urna das doenças previstas no texto legal. Impugnação Improcedente Insatisfeita a contribuinte interpõe recurso voluntário reiterando suas razões e fazendo acostar aos autos os documentos de fls.51, onde visa demonstrar a natureza de sua enfermidade. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A discussão no presente processo cingese à exigência de crédito tributário decorrente do imposto de renda pessoa física, relativo ao exercício de 2004. O recorrente considerou como isento os rendimentos da Prefeitura Municipal de Americana. Segundo a autoridade recorrida não estaria demonstrado que os rendimentos seriam decorrentes de aposentadoria. O inciso XXXIII do artigo 39, do Decreto n.o 3000/99, assim dispõe: "Art. 39 Não entrarão do cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira ... " No que se refere a moléstia grave, essa estava devidamente comprovada.Entretanto o que não estava claro, é se a recorrente encontravase aposentada. Segundo o documento de fls.34 e 35, efetivamente estava aposentada, fazendo jus a isenção prescrita em lei. Cabe registrar a posição sumulada sobre essa matéria, tal como se depreende a seguir: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (Súmula CARF Nº 43). Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10120.011491/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DOS 11% O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n° 9.711/1998.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216.
O dever de reter os 11% é da tomadora de serviços, a presunção do desconto sempre se presume oportuna e regularmente realizado.
RECURSO REPETIÇÃO DE ARGUMENTOS JÁ APRECIADOS EM DILIGÊNCIA FISCAL AUSÊNCIA DE FATOS OU DOCUMENTOS NOVOS.
Em sendo o processo baixado em diligência e tendo o auditor rebatido pontualmente os argumentos trazidos pelo recorrente, prevalece o entendimento exposto na informação fiscal, quando não apresente o recorrente qualquer fato ou documento para desconstituir o lançamento.
RETENÇÃO 11% EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES INAPLICABILIDADE
Não cabe retenção em restando demonstrada a contratação de empresa optante pelo SIMPLES.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.533
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para que se ajuste o lançamento de acordo com a planilha DE/PARA fl. 651.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DOS 11% O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n° 9.711/1998. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. O dever de reter os 11% é da tomadora de serviços, a presunção do desconto sempre se presume oportuna e regularmente realizado. RECURSO REPETIÇÃO DE ARGUMENTOS JÁ APRECIADOS EM DILIGÊNCIA FISCAL AUSÊNCIA DE FATOS OU DOCUMENTOS NOVOS. Em sendo o processo baixado em diligência e tendo o auditor rebatido pontualmente os argumentos trazidos pelo recorrente, prevalece o entendimento exposto na informação fiscal, quando não apresente o recorrente qualquer fato ou documento para desconstituir o lançamento. RETENÇÃO 11% EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES INAPLICABILIDADE Não cabe retenção em restando demonstrada a contratação de empresa optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. O dever de reter os 11% é da tomadora de serviços, a presunção do desconto sempre se presume oportuna e regularmente realizado. RECURSO REPETIÇÃO DE ARGUMENTOS JÁ APRECIADOS EM DILIGÊNCIA FISCAL AUSÊNCIA DE FATOS OU DOCUMENTOS NOVOS. Em sendo o processo baixado em diligência e tendo o auditor rebatido pontualmente os argumentos trazidos pelo recorrente, prevalece o entendimento exposto na informação fiscal, quando não apresente o recorrente qualquer fato ou documento para desconstituir o lançamento. RETENÇÃO 11% EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES INAPLICABILIDADE Não cabe retenção em restando demonstrada a contratação de empresa optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para que se ajuste o lançamento de acordo com a planilha DE/PARA fl. 651. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.011491/200796 Acórdão n.º 2401002.533 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. DEBCAD 35.415.1770, em desfavor da recorrente, decorrente da falta da retenção e recolhimento previdenciários de 11% incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados das empresas cedentes de mãode obra, conforme notas fiscais de prestação de serviços, na forma prevista no art. 31 da Lei ri° 8.212/91, ou da retenção efetuada em desconformidade com as orientações emanadas das Ordens de Serviço/INSS — n° 203 e 209/99. O lançamento compreende competências entre o período de 02/1999 a 12/2000. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 14/08/2001, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 24/08/2001. Inconformado com o lançamento a empresa apresentou impugnação, fls. 75/78, com alegações genéricas e desacompanhada de provas, reclamando do curto prazo para se defender. Foi exarada DecisãoNotificação n° 08.401.4/0150, fls. 94/96, julgando totalmente procedente o lançamento fiscal. Porém a referida DN fora expedida sem o conhecimento, por parte do órgão julgador, de uma complementação de defesa entregue pela empresa em 05/02/2002, fls. 101/145, antes, portanto, da emissão da DN. Assim, para apreciação e análise dos novos argumentos e documentos juntados, foi emitida a Reforma de DecisãoNotificação n° 08.401.4/0356, em 04/08/2003, que também concluiu pela procedência total do lançamento, por absoluta improcedência dos novos argumentos e insuficiência dos documentos trazidos pela impugnante no intuito de se eximir da responsabilidade pelas contribuições lançadas, conforme se pode ver às fls. 153/159. Em 26/09/2003, a empresa formalizou recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS, apenas pedindo a juntada posterior de documentos e novas alegações, fl. 163, tendo, na oportunidade, efetuado o depósito prévio recursal, fls. 166/167. 0 processo foi, a seguir, encaminhado ao então Serviço de Análise de Defesas e Recursos, em 06/11/2003, fl. 169. Em 02/12/2003, conforme despacho de fl. 170, além de documentos relativos a procuração e do substabelecimento desta, foi anexada aos autos uma nova peça recursal, fls. 171/180, com alegações também novas. Na oportunidade, informou a recorrente que estava colocando à disposição da Fiscalização, na sede da empresa, toda a documentação comprobatória dos argumentos apresentados, esclarecendo que, devido ao grande números de documentos, não os juntava ao recurso. Os autos foram, então, baixados em diligência, para a apreciação dos argumentos trazidos pelo recorrente, o que culminou com a Informação Fiscal de fls. 212/214, de 12/08/2005, anexados os documentos e planilhas de fls. 215/310. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Segundo a referida informação, após análise dos esclarecimentos prestados pela recorrente, dos documentos juntados aos autos e daqueles colocados à. disposição da fiscalização na sede da empresa, e, ainda, após pesquisas nos sistemas de dados informatizados da Secretaria da Previdência Social — SRP, bem como no site da Secretaria da Receita Federal — SRF, concluiu o notificante por sugerir a retificação do débito conforme a Planilha 05, à fl. 292. Cientificado da supracitada Informação Fiscal, o contribuinte apresentou nova complementação recursal, fls. 315/325, juntando os documentos de fls. 326/371, que também foram encaminhados, em diligência fiscal, para análise do notificante, fl. 372. Em cumprimento à. referida diligencia, o Auditor notificante exarou a Informação Fiscal de fls. 373/379, concluindo não haver nenhuma outra retificação a ser efetuada no presente lançamento, considerando os esclarecimentos anteriores, a diligência já realizada pela auditoria previdenciária e os documentos probatórios por esta trazidos aos autos, e que a recorrente não apresentou nenhum fato novo que comprovasse serem indevidas as contribuições lançadas. Conforme Termo de fl. 381, a recorrente obteve vista dos autos em 29/03/2006, apresentando, em seguida, nova manifestação, fls. 384/393, reafirmando suas alegações anteriores de que houve equívocos no lançamento fiscal e juntando documentos, fls. 394/606. Em 18/08/2006, foi expedida a Reforma de DecisãoNotificação n° 08.401.4/142/2006, julgando o lançamento parcialmente procedente, com base na retificação proposta pelo auditor notificante, ficando o crédito previdenciário de acordo com o Discriminativo Analítico do Débito Retificado — DADR de fls. 626/629. Tendo sido reaberto o prazo recursal, o contribuinte formalizou novo recurso, fls. 634/641, reportandose as suas alegações anteriores, que foi encaminhado ao Serviço do Contencioso Administrativo da DRP, em 24/01/2007. Este, conforme despacho de fl. 661, decidiu solicitar novo pronunciamento da autoridade notificante, especificamente sobre as alegações referentes aos serviços prestados pela empresa Constroluz Eletrificação Ltda., por ter sido verificado ser a mesma optante pelo SIMPLES, em período abrangido pelo lançamento e pela Instrução Normativa INSS/DC — n° 08, de 21/01/2000. Em atendimento, o notificante expediu a Informação Fiscal de fl. 650, acrescentando nova planilha com sugestão de alteração do débito na competência 07/2000, f1. 651, que foi cientificada ao contribuinte, com abertura de prazo para nova manifestação, fl. 653. Não houve manifestação do recorrente. Entendeu a DRF/GO entendeu que, por haver uma diligência fiscal cumprida por solicitação do julgador do antigo Serviço do Contencioso Administrativo, deve ser o processo ainda submetido a novo julgamento em primeira instância. Todavia, entendeu aquela autoridade julgadora que o julgamento de la instância, realizado pelo então Serviço de Análise de Defesas e Recursos, posteriormente Serviço do Contencioso Administrativo Previdenciário, ocorreu em plena conformidade legal e regulamentar, considerando todos os elementos constantes dos autos na fase em que se encontrava. Entendeu aquela autoridade que todos os elementos trazidos aos autos, na fase de impugnação, foram considerados no julgamento de 1' instância consubstanciado na Reforma de Decisão Notificação n° 08.401.4/0356, de 04/08/2003, e ainda na Reforma de DecisãoNotificação 08.401.4/142/2006. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.011491/200796 Acórdão n.º 2401002.533 S2C4T1 Fl. 3 5 Assim, devese considerar as razões recursais trazidas pelo recorrente em sua última manifestação, ou seja após a realização das diligências e reforma da Decisão Notificação. Em síntese, a recorrente em seu recurso, fl. 620 a 628, alega o seguinte: 1. As empresas contratadas que não possuem empregados são isentas de sofrerem a retenção, de acordo com o dispositivo A O.S. 209/1999, no item 26. Todas estas empresas prestadoras de serviços apresentaram a declaração informando a inexistência de empregados, portanto não existem débitos originados por estas prestações de serviços, segundo a O.S. 209/1999. 2. A O.S. 209/1999, no item 16, alínea "b", exclui os serviços de assessorias e consultorias da obrigação de retenção: Ocorre que a fiscalização, em total desobediência ao dispositivo citado, contabilizou a retenção nos valores pagos as assessorias e consultoria técnicas. 3. Prevê ainda, a O.S. 209/1999, as deduções da base de cálculo da retenção: "17 A contratada que esteja obrigada a fornecer material ou dispor de equipamentos próprios ou de terceiros indispensáveis à execução do serviço, cujos valores estejam estabelecidos contratualmente, sendo as parcelas correspondentes discriminadas na nota.” A fiscalização, em momento algum, fez as deduções previstas nos dispositivos acima descritos. Nos processos de pagamento onde previa o gasto com material e equipamentos, nenhuma dedução foi realizada, sendo contabilizado o valor global da nota. 4. Nestes casos houve dois equívocos da fiscalização, primeiro a negativa da dedução dos valores gastos com materiais e equipamentos, em segundo não se compensou o valor retido sobre o valor da mãodeobra, tendo neste último caso, ocorrido a incidência do valor contabilizado pela fiscalização sobre o valor global da nota fiscal, sendo que. houve a retenção sobre parte do valor da nota (mãodeobra), ocorrendo portanto duplicidade sobre parte do valor da nota a ser retido os 11%. 5. Foram contabilizados também na NFLD, ora defendida, as empresas optantes pelo SIMPLES, portanto, não sendo devido a retenção dos 11%, conforme a Instrução Normativa 08 de janeiro de 2000. 6. Pelas razões e fundamentos discorridos, requer a Vossa Senhoria a reforma da Decisão Notificação n.° 08.401.4/142/2006, haja vista a evidência da maioria dos valores apurados não poder prosperar por ausência de fundamentação legal, com a consequente revisão dos valores arbitrados. É o Relatório. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 664. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa ou falta de definição clara dos fatos geradores que ensejaram o lançamento. No mesmo sentido, não existe qualquer nulidade na decisão de 1. Instância, tendo em vista que o julgador promoveu a apreciação dos fatos dentro do que prevê a legislação pertinente. Em se tratando de contratação de serviços mediante cessão ou empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. Pelas informações trazidas no relatório fiscal, bem como pelo que restou demonstrado nas informações fiscais, a recorrente não cumpriu a obrigação de reter e recolher as contribuições previdenciárias correspondentes sobre a totalidade dos serviços que lhe foram prestados. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98. A recorrente tomou serviços que envolveram cessão de mãodeobra, prova disso são os contratos e as notas fiscais anexadas aos presentes autos, bem como o fato de em momento algum contestar ditos fatos. Desse modo, a recorrente deveria ter retido o valor de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura e recolher a importância até o dia dois do mês subseqüente à emissão da respectiva nota fiscal/fatura. Ao apreciarmos os argumentos trazidos pelo recorrente observamos que inicialmente tanto sua impugnação, quanto o primeiro recurso apresentado junto ao CRPS foram totalmente genéricos, alegando ora a inconstitucionalidade dos dispositivos legais, ora requerendo a apresentação posterior de documentos. Apenas em 02/12/2003, conforme descrito no relatório deste voto, além de documentos relativos a procuração foi anexada aos autos uma nova peça recursal, fls. 171/180, com alegações também novas. Na oportunidade, informou a recorrente que estava colocando à disposição da Fiscalização, na sede da empresa, toda a Fl. 688DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.011491/200796 Acórdão n.º 2401002.533 S2C4T1 Fl. 4 7 documentação comprobatória dos argumentos apresentados, esclarecendo que, devido ao grande números de documentos, não os juntava ao recurso. Mesmo considerando a inovação dos argumentos e documentos colacionados aos autos, observamos que a autoridade julgadora promoveu a baixa do processo em diligência para que fossem apreciadas as razões trazidas pelo recorrente. E isso não se deu em um único momento. Após as cientificações das diligência requeridas foi o recorrente devidamente cientificado, tendo a oportunidade de destacar pontualmente dos elementos trazidos aos autos e não contemplados, elementos de prova para afastar o posicionamento do auditor fiscal. Assim, entendo que todos os argumentos trazidos pelo recorrente foram suficientemente apreciados e rebatidos pela fiscalização em diligências relacionadas, onde após a cientificação dos ditos fatos resumiuse o recorrente a novamente argumentar, como o fez no recurso após a reforma da Decisão Notificação mas sem apresentar qualquer novo elemento que rebatesse os argumentos da autoridade fiscal. Os principais argumentos trazidos pelo recorrente no último recurso apresentado são: CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS SEM EMPREGADOS Segundo o recorrente as empresas contratadas que não possuem empregados são isentas de sofrerem a retenção, de acordo com o dispositivo A O.S. 209/1999, no item 26. Todas estas empresas prestadoras de serviços apresentaram a declaração informando a inexistência de empregados, portanto não existem débitos originados por estas prestações de serviços, segundo a O.S. 209/1999. Quanto a esse primeiro ponto entendo que não logrou o recorrente êxito em comprovar suas alegações. Ainda na primeira diligência informou a autoridade fiscal, fl. 213 Após a análise dos esclarecimentos prestados pela recorrente, após o exame dos documentos juntados aos autos pela mesma e dos documentos colocados à disposição da Auditoria nas dependências da empresa, e após as pesquisas nos sistemas de dados informatizados da Secretaria da Previdencia Social SRP e no site da Secretaria da Receita Federal SRF, foram observadas as seguintes ocorrências: 4.1 — A recorrente não comprovou mediante qualquer documento, que as notas fiscais relativas aos itens relacionados à fl. 173, pertencentes à planilha original do débito (fls. 33 a 71), foram emitidas por empresas que não possuíam empregados. Apesar de afirmar, à mesma fl. 173, que "Todas estas empresas prestadoras de seiviços apresentaram a declaração informando a inexistência de empregados (...)", tais declarações não foram apresentadas a esta auditoria, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração referenciado no item 3.3 anterior. Notese que após ditas alegações o recorrente em todas as suas manifestações posteriores resumise a novamente tecer os mesmos argumentos, sem conseguir rebater os fatos trazidos pelo auditor. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSULTORIA Segundo o recorrente a O.S. 209/1999, no item 16, alínea "b", exclui os serviços de assessorias e consultorias da obrigação de retenção: Ocorre que a fiscalização, em Fl. 689DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 total desobediência ao dispositivo citado, contabilizou a retenção nos valores pagos as assessorias e consultoria técnicas. Também nessa seara entendo que o recorrente após os argumentos trazidos pela autoridade fiscal, não apresentou qualquer fato novo capaz de alterar o lançamento. A recorrente não comprovou que os serviços constantes das notas fiscais relativas aos itens relacionados As fls. 174175, pertencentes à planilha original do débito (fls. 33 a 71), se referem a serviços assessoria e consultoria. Cabe esclarecer que esta fiscalização elaborou novas planilhas, a partir das originais constantes das fls. 33 a 71, conforme descritas no item 5 a seguir, acrescentando a coluna intitulada "Observação 01". Nos casos devidos esta coluna contém indicações que confirmam tratarse de inequívoca prestação de serviços com cessão de mãodeobra, sujeitos, portanto, ao disposto na Lei 9.711/98. Relativamente aos serviços prestados pelo SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial deve ser ressaltado ainda, que durante a ação fiscal original e durante a presente diligência, a auditoria previdenciária foi atendida por pessoas abrangidas pelo contrato firmado com a empresa. Tais pessoas estavam desempenhando atividades técnicasoperacionais, continuas e rotineiras, próprias de empregados normais da recorrente, atividades que não se enquadram como de assessoria e consultoria. Exemplificando o acima exposto indicamos a seguir os nornegffcle,4iguns segurados com as atividades que a auditoria observou realizarem. Bruno Miwa Alves segurado de nível técnico, responsável pelas atividades do Arquivo da recorrente, sobretudo as de consulta e localização de processos, arquivamento e desarquivamento dos mesmos, incluindo, também, as rotinas de transporte de processos e obtenção de cópias de documentos. Atendeu à auditoria original durante vários meses executando os serviços acima. Aprigio Correa Neto atividades operacionais junto ao departamento de contabilidade. Atendeu à auditoria original e a esta diligência apresentando as informações relativas a ações trabalhistas, esclarecendo os dados e cálculos contidos nas planilhas por ele preparadas, originadas de suas atividades rotineiras. Aurelio Gonçalves Pinheiro serviços operacionais no setor de processamento de dados, tendo atendido a auditoria original, em diversas oportunidades, na geração rotineira de dados em meio digital. Estão sendo juntadas (Anexo II fls. 302 303) cópias, fornecidas pela recorrente, de faturas emitidas SENAI, nas quais consta relação de segurados. Após ditas alegações reprisa o recorrente as mesmas razões anteriores sem apresentar novos fatos, ou mesmo rebater as informações trazidas pelo auditor, que seriam fatos capazes alterar o entendimento ali disposto. QUANTO A EXCLUSÃO DE MATERIAIS DA BASE DE CÁLCULO No que concerne a base de cálculo alegou o recorrente em todas as suas manifestações que conforme prevê ainda, a O.S. 209/1999, as deduções da base de cálculo da retenção: "17 A contratada que esteja obrigada a fornecer material ou dispor de equipamentos Fl. 690DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.011491/200796 Acórdão n.º 2401002.533 S2C4T1 Fl. 5 9 próprios ou de terceiros indispensáveis à execução do serviço, cujos valores estejam estabelecidos contratualmente, sendo as parcelas correspondentes discriminadas na nota.” A fiscalização, em momento algum, fez as deduções previstas nos dispositivos acima descritos. Nos processos de pagamento onde previa o gasto com material e equipamentos, nenhuma dedução foi realizada, sendo contabilizado o valor global da nota. Nestes casos, segundo o recorrente houve dois equívocos da fiscalização, primeiro a negativa da dedução dos valores gastos com materiais e equipamentos, em segundo não se compensou o valor retido sobre o valor da mãodeobra, tendo neste último caso, ocorrido a incidência do valor contabilizado pela fiscalização sobre o valor global da nota fiscal, sendo que. houve a retenção sobre parte do valor da nota (mãodeobra), ocorrendo portanto duplicidade sobre parte do valor da nota a ser retido os 11%. Novamente quanto a esse ponto não há como atribuir razão ao recorrente. Novamente da análise de todos os argumentos trazidos nas informações fiscais e das manifestações colocadas pelo recorrente, o mesmo não conseguiu atacar pontualmente os elementos trazidos pelo auditor notificante, novamente apresentando recurso nos mesmos moldes dos anteriores, sem atacar pontualmente, ou fazer prova documental e pontual de suas alegações. Valhome dos termos das informações fiscais trazidas pelo auditor em que aborda a questão: Informação fiscal, fl. 214 e 215 9.3. A recorrente não comprovou que os valores constantes das notas fiscais relativas aos itens relacionados às fls. 176, pertencentes à planilha original do débito (fls. 33 a 71), incluem, além de mãodeobra, parcelas de material e equipamento utilizados. Apenas para os itens relacionados na planilha do Anexo III, fls. 305, as AFS — Autorizações para Fornecimento de Serviços emitidas pela CELG contêm a previsão de parcelas relativas a material, além de mãodeobra. Informação fiscal, fl. 277 a 279 4 — Após a análise dos argumentos da recorrente, e após o exame dos escassos documentos por ela juntados ao "adendo ao recurso", nos itens a seguir esclarecemos e concluímos: 4.1 — Quanto ao argumento do item 3.1 anterior, da não consideração de redução nas bases relativas As notas fiscais cujas AFS Autorizações para o Fornecimento de Serviço não faziam previsão do uso de material e equipamentos, esclarecemos que a afirmativa da apelante é confusa e protelatória. Além de não demonstrar que as contribuições não são devidas, não comprovou que as mesmas foram corretamente recolhidas. As referidas AFS Autorizações para Fornecimento de Serviços são emitidas pela recorrente e têm efeito substitutivo de contratos por ela firmados com seus prestadores. De acordo com os itens 17.1 e 18 da OS 209/99 temos: 17.1 Na hipótese de não constar no contrato os valores referentes material ou equipamentos, deverão ser discriminadas as respectivas parcelds` na nota fiscal, fatura ou recibo, não se Fl. 691DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 admitindo que o valor relativo aos serviços seja inferior a 50% (cinqüenta por cento) do valor bruto. 18 Na falta de discriminação do valor da parcela relativa a material ou equipamento na nota fiscal, fatura ou recibo, a base de cálculo para a retenção será o seu valor bruto. A consideração da base de cálculo da contribuição devida como sendo igual o valor bruto da nota fiscal 6, portanto, correta e atende ao prescrito nas normas, visto que as An não previam o uso de material e equipamentos, e a notas não discriminaram tais valores. Ressaltese que a notificada, em momento algum, apresentou qualquer documento que comprovasse que os referidos serviços tenham sido executados com a utilização de material ou equipamento ou que estes lhes eram inerentes. Na verdade, como ela própria afirma As fls. 315 e 316, para as notas fiscais cujas AFS previam um percentual de mãode obra, a fiscalização realizou as devidas considerações. Cabe ainda, destacar que os documentos juntados pela apelante, no "adendo ao recurso", às fls. 326 a 371, supostamente referentes aos itens 216 e 222 (fls. 282) da planilha da diligência fiscal realizada, não têm maiores relações com o presente processo nem trazem qualquer nova informação. Conforme consta da referida planilha á fl. 282, o item 216 se refere à nota fiscal 610 emitida em 05/04/2000 e o item 222 A nota fiscal 631 emitida em 22/05/2000, ambas do mesmo prestador. À folha 332 é apresentada uma cópia de uma GPS Guia da Previdencia Social, que supostamente comprova o recolhimento de contribuições. A referida GPS, entretanto, não trás em seu campo 12 a devida autenticação bancária. À fl. 336, a apelante apresenta outra cópia da mesma GPS, agora como campo 12 preenchido. Contudo, como se pode observar neste mesmo campo, a GPS, quando recolhida, deveria ser associada à nota fiscal número 605, emitida em 13/03/2000. Esta GPS, portanto, nenhuma relação possui com as notas fiscais 610 e 631 acima referidas. Conclusão: Considerando os esclarecimentos deste item, considerando a não apresentação, pela apelante, de fato novo ou de provas de suas alegações, considerando a não comprovação de que as contribuições não são devidas ou que foram corretamente recolhidas, informamos que não há qualquer retificação a ser feita no débito relativo aos serviços prestados por estas empresas. 4.2 — Quanto à suposta existência de duplicidade de cobrança de contribuição, a alegação é confusa e não procede. Esclarecemos que tal duplicidade só ocorreria em duas hipóteses: Primeira: No caso do contribuinte ter recolhido a contribuição devida e o órgão fiscalizador estar exigindo este mesmo valor em documento de crédito previdenciário. Tal situação não ocorreu. A apelante não comprovou ter recolhido os valores devidos, fato pelo qual a auditoria constituiu o crédito tributário. Segunda: No caso da cobrança da contribuição devida estar sendoexigida em mais de um documento de constituição de crédito previdenciario Tal situação, identicamente, não ocorreu. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.011491/200796 Acórdão n.º 2401002.533 S2C4T1 Fl. 6 11 Os valores das referidas retenções estão sendo exigidos apenas na presente NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Conclusão: Considerando os esclarecimentos acima a não apresentação, pela apelante, de fato novo ou de provas de suas alegações, informamos que não há qualquer retificação a ser feita no débito relativo aos serviços prestados por estas empresas. 4.3 — Quanto à não consideração, em todas as notas fiscais emitidas por uma empresa, do percentual de mãodeobra previsto em algumas AFS Autorização para Fornecimento de Serviços: A consideração de existência de material e mãodeobra aplicados em determinado serviço não está vinculada à empresa contratada, mas, sim, ás características dos serviços executados. Portanto, o abatimento de valores relativos a equipamentos e materiais não pode ser feito por empresa, mas individualmente por serviço, visto que um mesmo prestador pode executar serviços de características diferentes, com o uso parcial ou total de mãodeobra. Importante ressaltar que as AFS Autorizações para Fornecimento de Serviços têm efeito substitutivo de contratos firmados pela recorrente com seus prestadores, sendo emitidas para determinado serviço, para o qual, normalmente, o contratado emite uma (mica nota fiscal. Assim, conforme já apreciado pela auditoria durante a diligência fiscal, nos casos cabíveis, a auditoria relacionou às fls. 240 a 270 da planilha que acompanha a Informação Fiscal da diligência, todas as notas vinculadas a AFS que previam o uso de material ou equipamento nos serviços contratados. Para estas notas esses valores foram deduzidos no cálculo da mãodeobra para fins da determinação da contribuição devida. Cabe, ainda, destacar que em todos os demais casos a recorrente, durante a diligência fiscal e no "adendo ao recurso", não comprovou que os referidos serviços foram executados com a utilização de material ou equipamento. Conclusão: Considerando os esclarecimentos acima e a não apresentação, pela apelante, de fato novo ou de provas de suas alegações, informamos que não há qualquer retificação a ser feita no débito relativo aos serviços prestados por estas empresas. Assim, conforme detalhado pelo recorrente, teve o mesmo por diversas oportunidades, a possibilidade de pontualmente apresentar os contratos, descrição dos serviços executados, e notas com o detalhamento acerca da utilização da mão de obra e material. Entendo que também neste ponto a questão restou devidamente enfrentada e esclarecida pelo auditor sendo que meros argumentos do recorrente (já apresentados e rebatidos) não desconstituem o lançamento. EXCLUSÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES Fl. 693DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 12 Por fim, entendo que o último ponto que merece ser apreciado diz respeito a alegação de que foram incluídos no débito, valores referentes a contribuição sobre serviços prestados por empresas optantes pelo SIMPLES. Quanto a este ponto, observamos a manifestação da autoridade fiscal, que ao apreciar o fato descreveu realmente existir contribuição a ser excluída do lançamento, inclusive anexando planilha de/para propondo a retificação do débito, a qual entendo deva ser observa para ajuste do lançamento em questão. Despacho fl. 248 2.Segundo a recorrente, as empresas Océlio Rezende, Constroluz Eletrificação Ltda., Construtora Elétrica Saba Ltda e Empreiteira de Conservação Cândido de Morais Ltda eram optantes pelo SIMPLES à época das prestações dos respectivos serviços à contratante. 3.Em consulta realizada no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal —CONSIMPLES, verificamos que as empresas Construtora Elétrica Saba Ltda e Empreiteira Cândido de Morais Ltda não são e jamais foram optantes pelo SIMPLES. Já a empresa Océlio Rezende é optante pelo SIMPLES, porém as contribuições originadas em virtude dos serviços prestados por esta empresa já foram excluídas do débito em referência, conforme se verifica no item 29 da ON acima citada. Por sua vez, constatamos que a empresa Constroluz Eletrificação Ltda foi optante pelo SIMPLES no período de 01/01/1997 a 31/12/2001. Informação fiscal 650 3 Para este período foi identificada, pela fiscalização, uma única nota fiscal de pagamento por serviços prestados, cujo registro, nas planilhas de apuração do credito previdenciário original, é o de no. 243, conforme fls. 54, 55 e 56. Para esta nota fiscal, o valor da retenção originalmente apurada é de R$ 2.896,36, conforme fl. 55. 4 Apresentamos a seguir, f1.304, duas tabelas esclarecendo a situação. 3.1 — A primeira, TAB 01, contendo os valores do débito remanescente após a retificação proposta em virtude da Diligência realizada nos meses de maio a agosto de 2.005 (fl. 292), os valores a serem excluídos, e os valores a serem mantidos, discriminados por competência. 3.2 — A segunda, TAB 02, contendo o discriminativo "DE — PARA", que especifica, por competência, os valores do débito anteriormente retificados, e os valores a serem mantidos, obtidos da TAB 01 descrita no item anterior. De acordo com o previsto no art. 33, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, o desconto sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, sendo a responsabilidade direta de quem tinha o dever de realizálo. Art. 33 (...) §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente Fl. 694DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.011491/200796 Acórdão n.º 2401002.533 S2C4T1 Fl. 7 13 responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. No caso da retenção de 11% não há que se falar em solidariedade, tampouco em benefício de ordem, como alega a recorrente, pois o comando legal impôs a responsabilidade à tomadora de serviços, assim como o fez em relação ao desconto dos segurados empregados. Essa é uma presunção legal absoluta que milita em favor da fiscalização previdenciária. Entendo que no caso de retenção há duas obrigações: a primeira, acessória, que é o desconto dos 11%; a segunda é a principal, que é o recolhimento das contribuições retidas. Uma vez que as contribuições previdenciárias são tributos, o objeto da retenção dos 11% também possui natureza tributária, haja vista ser uma antecipação das contribuições, possuindo natureza de substituição tributária. Por todo o exposto, entendo que o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima propostos. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que se ajuste o lançamento de acordo com a planilha DE/PARA fl. 651. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 695DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000121/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. Alegações de ofensa a princípios
constitucionais não podem ser analisadas pelo julgador na esfera
administrativa, pois não possuem competência para examinar hipóteses de violação à Constituição Federal, conforme artigo 62 do RICARF e Súmula 2 do CARF:
TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 4 DO CARF. A partir de
1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Não produz efeitos a apresentação de Declaração de Compensação no curso da fiscalização, com o
intuito de caracterizar a extinção do crédito tributário e a confissão espontânea da dívida.
APLICAÇÃO MULTA DE OFÍCIO DE 75%. É cabível a aplicação da multa
de ofício sobre os valores escriturados e não recolhidos, conforme dispõe o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1202-000.809
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Alegações de ofensa a princípios constitucionais não podem ser analisadas pelo julgador na esfera administrativa, pois não possuem competência para examinar hipóteses de violação à Constituição Federal, conforme artigo 62 do RICARF e Súmula 2 do CARF: TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 4 DO CARF. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Não produz efeitos a apresentação de Declaração de Compensação no curso da fiscalização, com o intuito de caracterizar a extinção do crédito tributário e a confissão espontânea da dívida. APLICAÇÃO MULTA DE OFÍCIO DE 75%. É cabível a aplicação da multa de ofício sobre os valores escriturados e não recolhidos, conforme dispõe o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Fl. 214DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/07/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000121/200984 Acórdão n.º 1202000.809 S1C2T2 Fl. 215 2 Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o presente processo de Autos de Infração consubstanciados em lançamentos de IRPJ e CSLL pautados em suposta insuficiência de recolhimento de IRPJ, apurado pelo confronto da DIPJ com as DCTFs apresentadas pela Recorrente, relativas ao ano de 2006. Cientificada dos Autos de Infração lavrados, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 81/102), alegando, em síntese, o que segue: (i) Inexistência de valores a pagar, pois teria ocorrido erros formais de ausência de formalização de pedido de compensação, não existindo diferenças a serem recolhidas de IRPJ e CSLL em face das informações contidas na DIPJ; (ii) Não cabimento de lançamento e aplicação de multa de ofício, visto que o tributo não poderia ser exigido, uma vez que teria sido compensado e também pelo fato de que em momento algum a fiscalização teria alegado expressamente a existência de omissão de receitas, mas sim falta de pagamento, o que ensejaria o cancelamento do lançamento e da multa aplicada; (iii) Alega também a inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic como índice de atualização dos juros. Os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), a qual houve por bem julgar improcedente a Impugnação apresentada pela Recorrente, nos seguintes termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE A autoridade administrativa não possui competência para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa ao Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 215DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/07/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000121/200984 Acórdão n.º 1202000.809 S1C2T2 Fl. 216 3 Data do fato gerador: 31/12/2006 DIVERGÊNCIA ENTRE VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO, PAGO OU COMPENSADO. Ante as divergências entre valores escriturados e os declarados em DCTFs, sem comprovação do respectivo pagamento ou compensação, há que se manter a exigência nesse particular. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 3 1/12/2006 DIVERGÊNCIA ENTRE VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO, PAGO OU COMPENSADO. Ante as divergências entre valores escriturados e os declarados em DCTFs, sem comprovação do respectivo pagamento ou compensação, há que se manter a exigência nesse particular. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ de Juiz de Fora a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, pautada, em síntese, nos mesmos fundamentos da Impugnação. Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento e passo à análise dos argumentos aduzidos pela Recorrente. Primeiramente, quanto à alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade na aplicação da Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para Títulos Federais (“SELIC”) como índice de correção monetária do crédito tributário constituído na presente Fiscalização, vale destacar que este Conselho não possui a competência necessária para julgar o mérito da constitucionalidade de normas e dispositivos tributários. Referida competência é exclusiva do Poder Judiciário, conforme já exposto no enunciado da Súmula nº 2 do CARF: “Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ademais, quanto à aplicação da Taxa SELIC, a regularidade da sua aplicação também é matéria sumulada, conforme abaixo transcrito: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fl. 216DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/07/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000121/200984 Acórdão n.º 1202000.809 S1C2T2 Fl. 217 4 Dessa forma, não procedem os argumentos da Recorrente quanto à impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC. Quanto às divergências entre valores escriturados e os declarados em DCTFs e pagos, objeto do presente lançamento, não assiste razão à Recorrente, conforme se passa a demonstrar. A fiscalização apurou divergências entre os valores escriturados na DIPJ de 2007 e os valores informados nas DCTFs, e os recolhidos à título de IRPJ e CSLL. Os valores informados na DIPJ foram superiores aos valores escriturados nas DCTFs e aos recolhidos no referido período. Assim, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício dos referidos tributos supostamente recolhidos a menor. Em contrapartida a este lançamento, a Recorrente alega que os valores divergentes se relacionam a “créditos internos nas suas compras de todo o PIS e COFINS”. Segundo a própria Recorrente, o que teria ocorrido de fato seriam “meros erros formais de ausência de formalização de pedido de compensação, não existindo diferenças a serem recolhidas de IRPJ e CSLL em face das informações contidas em DIPJ”. E ainda, “pela mesma DIPJ que foi consultada para apurar os valores lançados, encontramse informações de créditos que a impugnante possui, que foram usados para compensar o seu débito de IRPJ e CSLL informados na declaração”. Todavia, e conforme reconhecido pela própria Recorrente, não foi apresentada a PER/DCOMP para efetivar a compensação feita na DIPJ e sem a devida apresentação de PER/DCOMP ou qualquer pedido de compensação, não há possibilidade de se compensar de ofício, conforme pretende a Recorrente. Na tentativa de reparar o erro cometido, quando da apresentação da Impugnação a Recorrente efetuou o pedido de compensação via PER/DCOMP, juntando o mesmo como documento anexo à sua Impugnação. Contudo, não tem validade a apresentação do referido pedido naquele momento processual, pois considerase perdida a espontaneidade, de maneira que o lançamento de ofício deve ser mantido. Este também é o entendimento deste E. Conselho. Vejamos: (...) DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE. PERDA. Não produz efeitos a apresentação de Declaração de Compensação, no curso da fiscalização, com o intuito de caracterizar a extinção do crédito tributário e a confissão espontânea da dívida. DÉBITOS DA COFINS. COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. DCTF. FALTA DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O crédito tributário relativo a tributo objeto de compensação escritural irregular e não informada em DCTF exige constituição de ofício. DIFERENÇAS NÃO DECLARADAS. MULTA. CABIMENTO. A multa de ofício incide sobre o valor lançado de diferenças de contribuição não declaradas e não pagas. (...) Recurso provido em parte. (Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20180286 do Processo 16095000199200606, Data: 22/05/2007) (não grifado no original) Fl. 217DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/07/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000121/200984 Acórdão n.º 1202000.809 S1C2T2 Fl. 218 5 Conforme se depreende da ementa acima transcrita, a apresentação de PER/DCOMP no curso da ação fiscal não extingue o crédito tributário, de modo que devem ser mantidos os lançamentos de ofício. Ademais, ainda que não fosse necessária a utilização de PER/DCOMP para efetuar a compensação, ao menos deveria ter sido apresentado um pedido de compensação, em vista do que dispõe a legislação tributária. Porém, a Recorrente não efetuou nenhum tipo de pedido de compensação e apenas declarou os supostos créditos que possuía em DIPJ, deixando de declarálos em DCTF e não efetuando o pagamento dos mesmos. A jurisprudência deste E. Conselho já se manifestou acerca da necessidade e efetividade do pedido de compensação, conforme se observa das ementas abaixo transcritas: (...) COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DCTF. EFETIVIDADE. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Anteriormente à instituição da declaração de compensação, somente seria possível a realização de compensação de débitos informados em DCTF, nos casos de apresentação específica de pedidos de compensação, que, no mínimo, identificassem o tributo a ser compensado e o período de apuração, hipótese que, anteriormente à efetivação do lançamento, exigiria da autoridade administrativa o prévio saneamento do pedido. (...) Recursos de ofício negado e voluntário provido em parte. (Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20177839 do Processo 10670000758200360, Data: 15/09/2004) (não grifado no original) (...) IMPUGNAÇÃO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Inadmissível pedido de compensação em sede de impugnação. Procedimentos incompatíveis e com ritos processuais administrativos próprios e independentes. Recurso negado. (Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20175216 do Processo 103800173929714, Data: 21/08/2001) (não grifado no original) Desta forma, resta claro que a PER/DCOMP apresentada pela Recorrente juntamente com a Impugnação não surte efeito para o presente caso, devendo ser mantidos os lançamentos de IRPJ e CSLL consubstanciados nos presentes Autos de Infração. Por fim, é cediço que a multa de ofício incide sobre os valores declarados e não recolhidos, conforme disposto no artigo, inciso I da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Em observância ao artigo acima transcrito, não restam dúvidas de que é cabível a aplicação de multa de ofício nos casos de falta de pagamento ou de declaração inexata, como é o caso dos autos. A jurisprudência deste E. Conselho é vasta neste sentido: Fl. 218DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/07/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000121/200984 Acórdão n.º 1202000.809 S1C2T2 Fl. 219 6 “(...) DIFERENÇAS NÃO DECLARADAS. MULTA. CABIMENTO. A multa de ofício incide sobre o valor lançado de diferenças de contribuição não declaradas e não pagas. Recurso provido em parte.” (Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20180287 do Processo 16095000200200694, Data: 22/05/2007). Dessa forma, tendo em vista que os valores escriturados em DIPJ não foram declarados em DCTF, muito menos recolhidos, e também diante do fato de que a apresentação de PER/DCOMP só ocorreu posteriormente à lavratura do auto de infração, especificamente no momento da Impugnação, esta não deve ser considerada válida e consequentemente devem ser mantidos os lançamentos de ofício efetuados nestes autos, assim como a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 219DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/07/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 15940.000039/2007-69
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES. PROMOÇÃO À SAÚDE. Sujeitam-se a alíquota normal de 8% preconizada no art. 15, § 1º, inciso III, alínea “a” da Lei nº 9.249/95, os estabelecimentos hospitalares e clínicas médicas que prestam serviços de promoção à saúde, excetuadas as simples consultas médicas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. Por força do disposto no art. 62-A do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 1803-001.374
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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SERVIÇOS HOSPITALARES. PROMOÇÃO À SAÚDE. Sujeitamse a alíquota normal de 8% preconizada no art. 15, § 1º, inciso III, alínea “a” da Lei nº 9.249/95, os estabelecimentos hospitalares e clínicas médicas que prestam serviços de promoção à saúde, excetuadas as simples consultas médicas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. Por força do disposto no art. 62A do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 504DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000039/200769 Acórdão n.º 180301.374 S1TE03 Fl. 505 2 Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório LACMEN LABORATORIO ANÁLISES CLINICAS E MEDICINA NUCLEAR SS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. No âmbito do procedimento de revisão interna n. 08.1.05.00 2007000284 (fl. 18), contra a contribuinte, submetida à tributação pela sistemática de apuração do resultado pelo lucro presumido, foi lavrado o auto de infração (fls. 346/350) que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$117.219,84, multa de R$87.914,86 e juros de mora de R$87.762,58, totalizando R$292.897,28. A base legal que amparou a constituição do crédito tributário achase descrita no auto de infração e nos demonstrativos correspondentes. Conforma consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 351/358), em face de ter ocorrido inconsistência em um dos parâmetros de análise, a contribuinte fora incluída nos procedimentos de malha fiscal pela circunstância de ter aplicado a alíquota de 8% sobre a receita bruta para determinação do lucro presumido, classificando sua receita como decorrente da prestação de serviços hospitalares. Após ter sido intimada a descrever as atividades, no âmbito da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n. 50, de 21/02/2002, desenvolvidas na área de saúde, inerentes à sua atividade diária prestar informações, notadamente a indicação dos profissionais que desempenham cada uma das funções, a contribuinte informou que realiza exames de tireóide, que exigem isolamento e internação do paciente, além de tratamento para dor óssea em pacientes com câncer, que exigem isolamento e internação de um dia para decaimento do material radioativo. Apresentou relatórios de exames, bem assim alegou que mantém em seu quadro colaboradores especializados (médicos, enfermeiros e técnicos). Juntou documentos que comprovam a especialização de alguns profissionais, aí incluído o Dr. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000039/200769 Acórdão n.º 180301.374 S1TE03 Fl. 506 3 Ubiratan Aparecido Botelho, médico especializado em medicina nuclear e representante legal da empresa. Após tecer considerações sobre a atividade desenvolvida pela contribuinte a autoridade fiscal consignou no termo antes referido que para serem enquadrados como hospitalares os serviços devem ser prestados por sociedade que seja constituída sob a forma empresarial, o que não é o caso da contribuinte, motivo por que a utilização da alíquota de 8% para apuração do lucro presumido é indevida. Escorouse no Ato Declaratório Interpretativo (ADI) n. 18, de 23/10/2003, para excluir a atividade da contribuinte do rol dos serviços hospitalares. Aduziu que a expressão serviços hospitalares descrita no texto legal abrange apenas os serviços qualificados como hospital, conforme determina a Portaria do Ministério da Saúde n. 30, de 11/02/1977, cujo inciso 7 conceitua serviço hospitalar como "parte integrante de uma organização médica e social, cuja função básica consiste em proporcionar à população assistência médica integral, curativa e preventiva, sob quaisquer regimes de atendimento, inclusive o domiciliar, constituindose também em centro de educação, capacitação de recursos humanos e de pesquisas, em saúde, bem como de encaminhamentos de pacientes, cabendolhe supervisionar e orientar os estabelecimentos de saúde a ele vinculados tecnicamente". Arvorouse nas regras da Instrução Normativa (IN) n. 539, de 25/04/2005, que alterou o art. 27 da IN 480, de 15/12/2004, para excluir a atividade exercida pela contribuinte do grupamento dos serviços hospitalares previsto na legislação. Fundamentou a exclusão no fato de que dita IN tem caráter interpretativo, de aplicação retroativa. Regularmente notificada da imposição tributária, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 362/377, com alegação de que: o serviço efetivamente prestado pela impugnante considerase complementação médicohospitalar, haja vista tratarse de serviço de medicina nuclear e radiologia, por conseguinte, abrangido pela expressão "serviços hospitalares" constante do dispositivo legal; a impugnante tem sua sede e atividade nas dependências do Hospital, possuindo o mesmo endereço; há manifestação da administração tributária no sentido de reconhecer como serviço hospitalar o serviço prestado por clínicas, a teor das Soluções de Consulta n. 317, de 21/10/2003, da 7a Região Fiscal e n. 166, de 17/09/2003, proferida pela Secretaria da Receita Federal da 6a Região Fiscal; o precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), citado pela autoridade fiscal, que não reconheceu como serviços hospitalares a atividade do autor não se enquadra no presente caso; ademais, no Resp 831.644 o STJ decidiu de forma a reconhecer que "tal atividade só é possível desde que suas Fl. 506DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000039/200769 Acórdão n.º 180301.374 S1TE03 Fl. 507 4 instalações sejam realizadas obrigatoriamente junto ao Hospital, ou equipamentos similares no seu interior existam, tendo em vista envolver procedimentos médicos terapêuticos de alto risco, exigindo recursos emergenciais caso haja alguma intercorrência"; a autoridade fiscal não abateu do lançamento tributário as retenções na fonte decorrentes de pagamentos por serviços prestados pela impugnante; os juros lançados com base na taxa Selic são ilegais, têm natureza remuneratória, em vez de natureza moratória e, portanto, não se prestam para o cálculo da recomposição do valor dos capitais do Fisco, cuja remuneração deve ser limitada ao teto imposto pelo Código Tributário Nacional, de 1% a.m.; a multa aplicada tem natureza confiscatória e afronta os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da proibição de confisco. A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1432.650, de 24 de fevereiro de 2011 (fls. 465/474 eproc), julgou procedente em parte o lançamento (exonerou a parcela com lapso material), ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial, atividades desenvolvidas e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SEL1C. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. Ciente da decisão em 18/03/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 477 eproc), apresentou o recurso voluntário em 04/04/2011 fls. 478/498 (eproc), onde reitera os argumentos da inicial. É o relatório. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000039/200769 Acórdão n.º 180301.374 S1TE03 Fl. 508 5 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração IRPJ, relativo ao ano calendário 2002, lavrado em virtude de utilização indevida de coeficiente de presunção de 8%. Alega a recorrente em síntese: a) A nulidade do auto de infração por ausência de motivação; b) A nulidade por cerceamento de defesa; c) A nulidade por ausência de provas; d) Que a atividade de medicina nuclear deve ser enquadrado como serviço hospitalar fazendo jus ao coeficiente de presunção de 8%; e) Inaplicabilidade da taxa SELIC a título de juros de mora; f) Caráter confiscatório da multa de ofício. Deixo de apreciar as questões de nulidades, ilegalidades e inconstitucionalidades aventadas em virtude de pronunciar o mérito em favor da recorrente (art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72). A decisão de primeira instância merece reforma. Com efeito, a matéria comportou tormentosa discussão nos colegiados julgadores administrativos e judiciais, tendendo hora para uma corrente que se atinha à determinadas exigências de equipamentos e instalações hora apenas em relação ao serviços destinados à promoção da saúde. Prevaleceu a segunda tese sendo que o Superior Tribunal de Justiça prolatou acórdão submetido ao regime do Art. 543C do CPC, com a seguinte ementa: “DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000039/200769 Acórdão n.º 180301.374 S1TE03 Fl. 509 6 ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em Fl. 509DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000039/200769 Acórdão n.º 180301.374 S1TE03 Fl. 510 7 ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido.” RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES Nos embargos de declaração interpostos contra a decisão acima, foi deixado bem claro pelos Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça que são serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, excluídas as consultas médicas. Os julgados emanados do STJ submetidos ao rito do art. 543C do CPC (repetitivos) devem ser observados por este colegiado julgador administrativo por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, conforme segue: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme elementos contidos no processo (fls. 29/72) e reafirmado pelas autoridades fiscais em seu Termo de Verificação Fiscal (fls. 392/399 eproc) constatase que a empresa tem por atividade a prestação de serviços de laboratório de análises clínicas e de medicina nuclear. Não há nos autos outrossim, qualquer elemento que possa sugerir a existência de consultas médicas nas receitas auferidas pela recorrente, sendo portanto válida a conclusão de que todo seu faturamento no ano calendário 2002, está sujeito à alíquota normal de 8% para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, sendo em consequência improcedente o lançamento de ofício realizado. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 510DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000039/200769 Acórdão n.º 180301.374 S1TE03 Fl. 511 8 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10283.900063/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3101-000.203
Decisão: Resolvem os membros Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida DRJ/BELÉMPA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente contra decisão proferida pela DRJ que indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação pela suposta ausência de crédito de COFINS. Contra o referido despacho decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que, de forma equivocada, declarou em sua DCTF o valor a pagar de R$ 4.768,34, referente à COFINS do mês de fevereiro de 2003. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.900063/200939 Resolução n.º 3101000.203 S1‐C1T1 Fl. 117 2 Alega a Recorrente que o pagamento de COFINS considerado indevido decorre da isenção que possuí em razão dos benefícios fiscais concedidos na Zona Franca de Manaus, e, por isso, pleiteou a restituição do pagamento de COFINS – fevereiro de 2003 mediante a transmissão do PER/DCOMP nº 36248.45415.280105.1.3.041818, para compensação com débito de IRPJ referente ao 4º trimestre de 2004. Ocorre que, como a Recorrente somente retificou sua DCTF após perceber que seu pedido de compensação não foi homologado, a compensação foi indeferida por ausência de crédito, já que o pagamento indevido estava integralmente relacionado ao débito da COFINS. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, a DRJ proferiu decisão no sentido de indeferir o pedido com base nos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra decisão proferida pela DRJ, foi interposto Recurso Voluntário requerendo a juntada de novos documentos, uma vez que a alegação de que a Recorrente não apresentou os documentos fiscais hábeis a comprovar o direito creditório constituí argumento novo, abrindo a oportunidade para apresentação de documentos para “contrapor fatos ou razões trazidas aos autos”, conforme alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Decreto 70.235/72, bem como a homologação da compensação efetuada. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente requerendo a juntada de novos documentos para contrapor novos fatos ou razões, artigo 16, § 4º, alínea ‘c’ do Decreto nº 70.235/72, e, consequentemente, o reconhecimento do direito creditório. O §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 estabelece a preclusão ao direito de produzir provas após a apresentação da Impugnação pelo Autuado, ressalvada as exceções previstas em suas alíneas. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.900063/200939 Resolução n.º 3101000.203 S1‐C1T1 Fl. 118 3 Para afastar a preclusão e juntar documentos extemporaneamente, a Recorrente fundamenta seu pedido sob alegação de que a DRJ, ao julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade pela falta de comprovação do direito creditório, trouxe argumento novo aos autos, passível de contraposição. No entanto, muito embora a DRJ tenha indeferido o pleito por falta de documentos “capazes de indicar o quantum do tributo efetivamente devido”, entendo que os documentos necessários para comprovação do direito creditório foram devidamente apresentados na Manifestação de Inconformidade, quais sejam, o PER/DCOMP (fls. 12/17), o comprovante de recolhimento do tributo (fls. 18) e a DCTF retificadora (fls. 19/37), devendo ser confirmados pela Fiscalização, como será demonstrado a seguir. A compensação é hipótese de extinção do crédito tributário – artigo 156, II do CTN, disciplinada pelo artigo 170 do mesmo diploma, que estabelece o princípio da estrita legalidade: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” Analisandose o dispositivo acima, verificase que a compensação pressupõe a constituição de credor (sujeito ativo) e devedor (sujeito passivo) recíprocos, condicionada a existência de norma reconhecendo o direito aos Contribuintes de efetuarem a compensação. Na época do encontro de contas – transmissão do PER/DCOMP , a restituição, ressarcimento e compensação era disciplinada pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, alterado pela Lei nº 10.637/2002: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.” [...] Assim, a compensação poderia ser utilizada no caso de credor e devedor recíprocos, de créditos passíveis de restituição ou ressarcimento apurados pelo Contribuinte. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.900063/200939 Resolução n.º 3101000.203 S1‐C1T1 Fl. 119 4 No caso em tela, o direito creditório pleiteado pela Recorrente decorre de pagamento a maior, previsto como hipótese de restituição pelo inciso I do artigo 2º da IN SRF nº 460/2004: “Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I – cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido;” Demonstrado que a Recorrente possuía o direito de efetuar a compensação dos valores supostamente recolhidos a maior, basta verificar a existência do direito creditório pleiteado. O crédito objeto da presente compensação não homologada decorre de suposto pagamento a maior a título de COFINS, espécie de tributo sujeito ao lançamento por homologação, jungido às regras previstas no art. 150, §§ 1º a 4º do CTN, e segundo as quais a atividade do Contribuinte compreende a de apurar o montante do tributo devido e efetuar o recolhimento antecipado. Para estes casos, o crédito tributário propriamente dito constituise com a formalização da obrigação tributária mediante a apuração e entrega pelo sujeito passivo da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais – DCTF. A DCTF, inicialmente denominada Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi instituída pela IN SRF nº 129/1986 para prestação de informações de débitos, e, posteriormente, substituída pela Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais instituída pela já revogada IN SRF nº 126/1998, a qual, na época dos fatos, era regulamentada pela IN SRF nº 255/2002, instrumento este que tem o condão de confissão de dívida e constituição do crédito tributário. Os efeitos de constituição do crédito e confissão de dívida das declarações prestadas pelo Contribuinte estão previstos no § 1º do artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/84: “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.” Corroborando o Decretolei nº 2.341/84, foi editada a IN SRF nº 77/98, que veio justamente confirmar a constituição do crédito pela DCTF, determinando a remessa direta dos Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.900063/200939 Resolução n.º 3101000.203 S1‐C1T1 Fl. 120 5 débitos declarados e não quitados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa: “Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” Constatado que a DCTF é o instrumento que constituí o crédito tributário e confissão de dívida, é consequência lógica que a restituição/compensação de eventual pagamento a maior se apura com o confronto do montante recolhido com os valores constituídos em sua DCTF. No presente caso, o recolhimento a maior se concretizou no momento em que a Recorrente retificou sua DCTF para isentála do pagamento da COFINS, já que a retificadora substituí integralmente a original, podendo inclusive reduzir o valor do crédito tributário confessado, conforme §1º do artigo 11 da IN SRF nº 903/2008 (vigente à época da declaração retificadora): “Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.” Diante do exposto, apesar de reconhecer que a DCTF retificadora é bastante e suficiente para retificar a confissão de dívida, em prol da segurança jurídica da Fazenda e do Contribuinte, entendo necessário converter o julgamento em diligência a fim de que a repartição de origem confirme na escrituração contábil e fiscal da Recorrente a correlação entre a materialidade da base de cálculo declarada, confirmando sua procedência e informando qual o valor do crédito tributário devido decorrente dessa apuração. Concluída a diligência, intimese a Recorrente para, querendo, manifestarse acerca da diligência, no prazo de 30 dias, sendo que, após, os autos devem retornar para julgamento Luiz Roberto Domingo Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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