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Numero do processo: 11080.100196/2005-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO.
Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep não-cumulativo.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 9303-006.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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RESTITUIÇÃO. Recorrente ALIBEM ALIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO. Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep nãocumulativo. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 01 96 /2 00 5- 28 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11080.100196/200528 Acórdão n.º 9303006.605 CSRFT3 Fl. 230 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte ALIBEM COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA. (fls. 128 a 168) com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 330100.718 (fls. 117 a 124) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 27/10/2010, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PAsEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 BASE DE CALCULO. EXCLUSÕES. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Na sistemática não cumulativa, o PIS e a Cofins incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive sobre o crédito presumido de ICMS, vez que inexiste previsão legal para sua exclusão. RESSARCIMENTO. GLOSA PELA NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CALCULO DO ICMS CEDIDO. O art. 1 °, § 3 °, inciso VII, da Lei n° 10.637/02, incluído pela Lei n° 11.945/09, art. 16 colocou um fim na controvérsia acerca da possibilidade Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11080.100196/200528 Acórdão n.º 9303006.605 CSRFT3 Fl. 231 3 de exclusão da base de calculo do PIS, do valor correspondente A cessão de créditos de ICMS. Contudo, a produção de efeitos fora fixada como sendo a partir de 01/01/2009. Assim, eventos ocorridos anteriormente deverão compor a base de cálculo da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. A partir de agosto de 2004, as pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de nãocumulatividade do PIS e da Cofins que produzirem determinadas mercadorias de origem animal ou vegetal, desde que atendidos os requisitos necessários poderão usufruir de crédito presumido, o qual somente poderá ser utilizado para dedução das respectivas quantias devidas, conforme art. 8º da Lei nº 10.925/04. Recurso Voluntário Negado. A Recorrente alega divergência com relação (a) à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas decorrentes das transferências de créditos de ICMS a terceiros; e (b) à possibilidade de ressarcimento de crédito presumido sobre aquisição de pessoa física. Para comprovar o dissenso, trouxe como paradigmas os acórdãos nºs 201 79.966 e 930300.159, respectivamente. Foi dado seguimento parcial ao recurso especial, nos termos do despacho S/Nº, de 23 de março de 2016 (fls. 207 a 213), proferido pelo Ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial tão somente quanto à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas decorrentes das transferências de créditos de ICMS a terceiros. O prosseguimento parcial foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em exercício à época em sede de reexame de admissibilidade (fls. 214 a 215). Nas razões recursais atinentes à matéria que teve prosseguimento, a Contribuinte aduz, em síntese, que: (a) a decisão ora recorrida baseouse na Lei nº 11.945/09 para não reconhecer o direito ao crédito de PIS/Pasep decorrente das receitas oriundas da transferência de ICMS para terceiros, entendendo ser possível o aproveitamento tão somente a partir de 01/01/2009. No entanto, no acórdão paradigma houve o reconhecimento do direito ao crédito anteriormente à publicação da Lei nº 11.945/2009; (b) com relação ao mérito, o saldo credor de ICMS decorrente da regra que isenta as exportações do ICMS, tem natureza contábil de "tributo recuperável", classificado no balanço da empresa como uma conta do ativo; (c) a transferência do saldo credor de ICMS para pagamento de fornecedores e terceiros não caracteriza o auferimento de receita, pois há apenas uma alteração de classificação contábil, passando da conta "tributos recuperáveis" para o "caixa", outra conta do ativo. Além disso, não resulta em acréscimo patrimonial, mas sim em redução de uma dívida; Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11080.100196/200528 Acórdão n.º 9303006.605 CSRFT3 Fl. 232 4 (d) não há amparo para a incidência do PIS sobre os valores decorrentes da transferência de créditos de ICMS a terceiros, pois não se caracterizam como receitas passíveis de tributação; (e) por fim, requer o provimento do recurso especial. A Fazenda Nacional deixou de apresentar contrarrazões (fl. 228). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a controvérsia cingese à não inclusão das receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep nãocumulativo. A matéria restou decidida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, pela sistemática da repercussão geral, consoante art. 543B da Lei nº 5.869/1973 Código de Processo Civil vigente à época do julgado, declarando a inconstitucionalidade da inclusão, na base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos, dos valores de créditos de ICMS oriundos de exportação cedidos onerosamente a terceiros. O acórdão de relatoria da Ministra Rosa Weber recebeu a seguinte ementa: Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11080.100196/200528 Acórdão n.º 9303006.605 CSRFT3 Fl. 233 5 EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11080.100196/200528 Acórdão n.º 9303006.605 CSRFT3 Fl. 234 6 inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifouse) Nos termos do art. 62, §2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recurso no âmbito do CARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11080.100196/200528 Acórdão n.º 9303006.605 CSRFT3 Fl. 235 7 e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 235DF CARF MF
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Numero do processo: 35570.005723/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2003
PRELIMINAR. INCLUSÃO DOS DIREITOS NA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS - CORESP
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88).
APLICAÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP Nº 03/05. RETROATIVIDADE. INOCORRÊNCIA
Os documentos constantes dos incisos I a V do art. 381 da IN SRP 03/2005, também já haviam sido previstos igualmente nos incisos I a V do art. 404 da IN INSS/DC 100/2003, e, ainda, nos incisos IX e VIII do art. 234 da IN INSS/DC 70/2002. Não ocorre, portanto, a alegada retroatividade.
NULIDADE. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO
Correto o arbitramento quando demonstrado que a empresa não cumpriu a sua obrigação de fornecer a documentação necessária à elaboração e implementação do PCMSO da contratada, relativamente aos locais de prestação de serviços.
COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA DESCONSIDERAR OS PROGRAMAS APRESENTADOS PELA EMPRESA
Dentre as atribuições dos auditores fiscais previstas na Lei nº 10.593/2002 está a execução de auditoria e de fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançamento e constituição dos correspondentes créditos apurados.
CONTRIBUIÇÃO AO SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. ADICIONAL
Estando provada a presença de agentes nocivos no ambiente de trabalho, a incidência do adicional ao SAT somente será elidida se a empresa demonstrar que o fornecimento de tecnologia de proteção coletiva ou individual aos empregados é eficaz na eliminação ou na redução da intensidade do agente nocivo a patamares legalmente aceitáveis
Numero da decisão: 2202-004.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2003 PRELIMINAR. INCLUSÃO DOS DIREITOS NA RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS - CORESP A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88). APLICAÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP Nº 03/05. RETROATIVIDADE. INOCORRÊNCIA Os documentos constantes dos incisos I a V do art. 381 da IN SRP 03/2005, também já haviam sido previstos igualmente nos incisos I a V do art. 404 da IN INSS/DC 100/2003, e, ainda, nos incisos IX e VIII do art. 234 da IN INSS/DC 70/2002. Não ocorre, portanto, a alegada retroatividade. NULIDADE. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO Correto o arbitramento quando demonstrado que a empresa não cumpriu a sua obrigação de fornecer a documentação necessária à elaboração e implementação do PCMSO da contratada, relativamente aos locais de prestação de serviços. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA DESCONSIDERAR OS PROGRAMAS APRESENTADOS PELA EMPRESA Dentre as atribuições dos auditores fiscais previstas na Lei nº 10.593/2002 está a execução de auditoria e de fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançamento e constituição dos correspondentes créditos apurados. CONTRIBUIÇÃO AO SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. ADICIONAL Estando provada a presença de agentes nocivos no ambiente de trabalho, a incidência do adicional ao SAT somente será elidida se a empresa demonstrar que o fornecimento de tecnologia de proteção coletiva ou individual aos empregados é eficaz na eliminação ou na redução da intensidade do agente nocivo a patamares legalmente aceitáveis
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INCLUSÃO DOS DIREITOS NA RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS CORESP A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88). APLICAÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP Nº 03/05. RETROATIVIDADE. INOCORRÊNCIA Os documentos constantes dos incisos I a V do art. 381 da IN SRP 03/2005, também já haviam sido previstos igualmente nos incisos I a V do art. 404 da IN INSS/DC 100/2003, e, ainda, nos incisos IX e VIII do art. 234 da IN INSS/DC 70/2002. Não ocorre, portanto, a alegada retroatividade. NULIDADE. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO Correto o arbitramento quando demonstrado que a empresa não cumpriu a sua obrigação de fornecer a documentação necessária à elaboração e implementação do PCMSO da contratada, relativamente aos locais de prestação de serviços. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA DESCONSIDERAR OS PROGRAMAS APRESENTADOS PELA EMPRESA Dentre as atribuições dos auditores fiscais previstas na Lei nº 10.593/2002 está a execução de auditoria e de fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançamento e constituição dos correspondentes créditos apurados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 57 0. 00 57 23 /2 00 6- 19 Fl. 515DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÃO AO SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. ADICIONAL Estando provada a presença de agentes nocivos no ambiente de trabalho, a incidência do adicional ao SAT somente será elidida se a empresa demonstrar que o fornecimento de tecnologia de proteção coletiva ou individual aos empregados é eficaz na eliminação ou na redução da intensidade do agente nocivo a patamares legalmente aceitáveis Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Decisão/Notificação elaborado pela Delegacia da Receita Previdenciária RJ Duque de Caxias (fls. 456/458 numeração do eprocesso): DA NOTIFICAÇAO Tratase de crédito previdenciário no montante de R$ 206.813,90 (duzentos e seis mil oitocentos e treze reais e noventa centavos), consolidado em 13/12/2005, que, de acordo com o Relatório Fiscal de folhas 64/76, referese ao adicional à retenção de 11% aplicada ao valor bruto de notas fiscais e faturas de serviço emitidas por empresas prestadoras de serviços em cessão de mãodeobra, a teor do art. 6 ° da Lei 10.666/2003, exigível a partir de 04/2003. 2. No caso em questão, o referido adicional está previsto em 2%, para financiamento concessão da de aposentadoria especial após vinte e cinco anos de contribuição e exercício contínuo de atividades laborais em condições especiais nocivas à saúde/ integridade física do trabalhador, por exposiçao a agentes químicos, físicos e biológicos, ou sua associaçao, os quais, nos termos do art. 58 da Lei 8.213/91, estão relacionados no Anexo Fl. 516DF CARF MF Processo nº 35570.005723/200619 Acórdão n.º 2202004.363 S2C2T2 Fl. 516 3 IV do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 . 3. O crédito previdenciário foi constituído tendo em vista que a fiscalização constatou que a empresa não faz o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, deixando de controlar os riscos ocupacionais existentes e, por fim, por ter ficado evidenciada a presença de agentes nocivos, os quais estão trazendo prejuízos à saúde ou à integridade física dos trabalhadores terceirizados, que prestam à CSN, nos termos dos contratos com a empresa ABB LTDA, respectivamente nos CNPJ 61.074.829/007136 e 000123: S10295388, com vigência de 01/02/2003 a 15/02/20030, de serviços de “reparo geral no Iaminador de tiras a quente"; e S10202543, vigendo de 03/06/2002 a 02/06/2005, de serviços de “manutenção mecânica, elétrica e hidráulica, montagem de tubulação, caldeiraria, lubrificação, instrumentação e reparos gerais, paradas preventivas e serviços gerais nos equipamentos como da laminação e revestidos, bem a operação das oficinas de usinagem" 4. Foi solicitada da empresa notificada, CSN, atraves de TIAD, os seguintes documentos referentes à empresa prestadora dos serviços: contrato de serviços, PPRA/PGR/PCMAT, PCMSO e LTCAT. Dos documentos solicitados, apenas os contratos de serviços, o PPRA de 2002 e o PCMSO de 2002 forarn apresentados à fiscalização. 5. Tendo em vista que restou claro que a CSN não participou na elaboração e implementação do PCMSO e PPRA da contratada (os dados do PPRA da CSN não coincidem com os da contratada, as deficiências apresentadas no PPRA e no PCMSO da contratada para o exercício de 2002 conduzem à constatação de que existem trabalhadores cuja exposição a agentes nocivos geram a concessão de aposentadoria especial e, principalmente, não foram apresentados os PPRA e PCMSO da contratada para o exercício de 2003; nem LTCAT da contratada), ficou clara a obrigação da CSN pelo acréscimo da retenção, sendo assim constituído o credito previdenciário. 6. Consta no item 2 do relatório fiscal que, como não houve retenção pela empresa contratante das contribuições consideradas nesta NFLD, não ficou configurado o tipo penal previsto no art. 168A, §1°, inciso l do Código Penal, introduzido pela Lei 9.983/2000. 7. O lançamento foi efetuado em periodo acobertado pelo competente Mandado de Procedimento Fiscal MPF, com recebimento pela empresa às fls. 18/23, e emissão de TlAD e TEAF, fls. 24/54. DA IMPUGNAÇÃO 8. Tempestivamente, a empresa apresentou defesa as fls. 412/441, juntando prova da capacidade postulatória dos signatários. Em síntese, apresenta como razões: Fl. 517DF CARF MF 4 Das Preliminares 8.1. Protesta pela nulidade do lançamento, em decorrência de terem sido incluídos seus diretores no relatório de co responsáveis, sem que fosse apresentada a capitulação legal para tal procedimento, entendendo por isso que lhes foi cerceado o direito à ampla defesa, garantido pelo art. 5 °, LV da Constituição Federal. Apresenta excerto doutrinário. 8.2. Invoca o art. 689 da Instrução Normativa 100/2003, para protestar contra a falta de clareza e precisão do relatório fiscal, por faltar na NFLD a identificação dos trabalhadores que seriam beneficiados futuramente com a aposentadoria especial e o periodo em que teriam exercido suas atividades sob as condições nocivas à sua saúde/ integridade física. 8.3. Alega que a apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização impede a aplicação do arbitramento, que é instrumento de caráter excepcional, aplicável apenas caso o sujeito passivo não mantenha escrituração contábil e fiscal regulares ou se não houver documentos avaliadores dos riscos ambientais do trabalho, que não seria o caso, uma vez que foram apresentados o PPRA e o PCMSO, discriminando as tarefas exercidas e os agentes nocivos, bem como a utilização de equipamento de proteção individual e coletiva, que mitigariam o prejuízo à saúde e à integridade físicado trabalhador. 8.4. Protesta que os AuditoresFiscais não têm competência técnica para desconsiderar os programas apresentados pela empresa (PPRA e PCl\/ISO), que são privativos de profissão regulamentada por lei federal. Além disso, a informação constante do relatório de que há divergências entre os documentos apresentados, sem as relacionar, impossibilitaria sua analise. 8.5. Defende a tese de afronta ao Princípio da Irretroatividadeda Lei, uma vez que foi aplicada como fundamentação legal do lançamento a Instrução Normativa SRP 03/2005, que só entrou em vigência em 01/08/2005, enquanto o periodo lançado vai de 04/2003 a 04/2005. Do Mérito 8.6. Entende que os valores lançados estão em desacordo com a efetiva prestação dos serviços, sendo errado o emprego do valor bruto das notas fiscais, sem que sejam individualizados os segurados envolvidos na prestação dos serviços. Alem disso, o lançamento não teria qualquer repercussão no bem a ser protegido, que é a saúde/integridade fisica do trabalhador, com a concessão de aposentadoria com tempo de contribuição diminuído. A Delegacia da Receita Previdenciária RJ Duque de Caxias negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. fls 456 eprocesso): CONTRIBUIÇAO PREVIDENCIÁRIA. ACRÉSCIMO DE ALÍQUOTA NA RETENÇÃO PARA FINANCIAMENTO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 35570.005723/200619 Acórdão n.º 2202004.363 S2C2T2 Fl. 517 5 A partir de 04/2003, por determinação do art. 6 ° da Lei 10.666/2003, o percentual previsto no art. 31 da Lei 8.212/91 (redação alterada pela Lei 9.711/98), a cargo da contratante, de retenção do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, é acrescido de 2 pontos percentuais, relativamente aos serviços prestados por segurado em atividade que permita a concessão de aposentadoria especial após 25 anos de contribuição. PEÇAS QUE INSTRUEM O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PREVIDENCIÁRIO. RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS. A relação de coresponsáveis é anexo obrigatoriamente integrante da Notificação Fiscal de Débito NFLD, e apenas lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e periodo de atuação, conforme artigo 660, inciso X da Instrução Normativa SRP nº 03/2005 A Companhia Siderúrgica Nacional foi cientificada (AR fls. 467) em 13/10/2006 .Em 09/11/2006 apresentou o recurso de fls. 469/485 no qual reitera as alegações já suscitadas quando da impugnação. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1.) PRELIMINARES 1.1) DA INDEVIDA INCLUSÃO DOS DIRETORES COMO CORESPONSÁVEIS Alega a Recorrente, preliminarmente, que seria indevida a inclusão dos diretores como coresponsáveis pelas pretensas infrações da empresa, uma vez que para que tal responsabilidade se efetivasse, seria indispensável a menção ao preceito legal que, no entendimento das autoridades fiscais, sustenta a referida inclusão. De acordo com a Recorrente não foi feita a exposição pormenorizada dos atos de gestão que comprovasse a conduta acarretaria a infração apontada no lançamento. Quanto à exclusão dos coresponsáveis, cabe esclarecer que as pessoas constantes da Relação de CoResponsáveis – CORESP não foram arroladas como sujeitos passivos da NFLD, servindo o documento apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a Fl. 519DF CARF MF 6 conclusão do contencioso administrativo. É o que dispõe a Súmula CARF nº 88, de observância obrigatória pelos conselheiros deste órgão administrativo: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. 1.2) AFRONTA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS NORMAS INDEVIDA APLICAÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP Nº 03/05 Alega também a Recorrente nulidade do lançamento, uma vez que a autoridade fiscal utilizou como fundamentação legal da autuação a Instrução Normativa SRP nº 03, de 14 de julho de 2005, a qual somente entrou em vigor em 1º de agosto de 2005. Diante desse fato, a autoridade fiscal não poderia retroceder a aplicação da referida IN, uma vez que o período fiscalizado corresponde aos meses de abril a agosto de 2003. Incorretas as alegações do Recorrente. Como bem apontado pela decisão recorrida, não foi feita qualquer exigência a empresa que não constasse da legislação vigente à época dos fatos geradores. Não há que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade, uma vez que as obrigações já existiam. Como esclarece a decisão recorrida: "Assim, quando, por exemplo, no item 9 do relatório fiscal, os Auditores informam que emitiram TIAD solicitando PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO e LTCAT, de acordo com os incisos I a V do art. 381 da IN SRP 03/2005, constatase que tais documentos também já haviam sido previstos igualmente nos incisos I a V do art. 404 da IN INSS/DC 100/2003, e, ainda, nos incisos IX e VIII do art. 234 da IN INSS/DC 70/2002. Em outro exemplo, vemos que o mesmo ocorre quando os notificantes citam o art. 749 da IN SRP 03/2005, ao se referirem a cientificação das empresas componentes do grupo econômico, uma vez que o mesmo procedimento é determinado no art. 779 da IN INSS/DC 100/2003 e, ainda, no art. 175 da IN INSS/DC 70/2002. Em face do exposto, rejeito a preliminar. 1.3) NULIDADE DO LANÇAMENTO EM VIRTUDE DA IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO UTILIZADA. Alega a Recorrente que o Auto de Infração é nulo, uma vez que os requisitos de clareza e liquidez, previstos no art. 689 da Instrução Normativa 100 de 18 de dezembro de 2003, não foram alcançados. Isso porque não foram identificados os trabalhadores que exercem atividade em condições especiais. Quanto ao requisito da liquidez, alega a Recorrente que não existe nos autos a comprovação da remuneração individualizada e apurada mensalmente. Finalmente, alega a Recorrente que o arbitramento adotado pelas autoridades fiscais é instrumento que só deve ser utilizado nas hipóteses em que o sujeito passivo não mantenha escrituração contábil e fiscal regulares e pela inexistência de documentos que possibilitem a avaliação dos riscos ambientais do trabalho. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 35570.005723/200619 Acórdão n.º 2202004.363 S2C2T2 Fl. 518 7 Incorretas as alegações do Recorrente. Isso porque, o arbitramento se deu em razão de não ter a empresa cumprido a sua obrigação de fornecer a documentação necessária à elaboração e implementação do PCMSO da contratada, relativamente aos locais de prestação de serviços. Tal fato evidencia a responsabilidade da CSN, uma vez que, conforme disposto no subitem 7.1.3 da NR 07 "caberá à empresa contratante de mão de obra prestadora de serviços informar a empresa contratada dos riscos existentes e auxiliar na elaboração e implementação do PCMSO os locais de trabalho onde os serviços estão sendo prestados" Sendo assim, como não foram apresentados pela Recorrente os documentos regularmente solicitados no TIAD emitidos na ação fiscal e tendo em vista o fato de que a fiscalização concluiu que todos os segurados cedidos nos termos dos contratos S10295388 e S10202543 submetiamse aos riscos ocupacionais, correto o procedimento utilizado do lançamento. Dessa forma, não há que se falar em falta de clareza ou liquidez do lançamento, uma vez que da NFLD consta, de forma clara, o fundamento legal e a indicação dos valores apontados, possibilitando à Recorrente entender o procedimento utilizado para apuração do quantum devido. Os fatos geradores foram devidamente identificados e motivados, não havendo que se falar em nulidade por falta de clareza e certeza. 1.4) DA FALTA DE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA DESCONSIDERAR OS PROGRAMAS APRESENTADOS PELA EMPRESA CONTRATADA. Por fim, alega a Recorrente que a autoridade fiscal não tem competência para desconsiderar os programas apresentados pela empresa contratada, uma vez que tais documentos são privativos de profissionais de profissão regulamentada por lei federal. Quanto à falta de demonstração da capacitação profissional da fiscalização para dissertar sobre questões relacionadas à segurança do trabalho, é preciso considerar que as atribuições para o exercício do cargo público são fixadas por lei, em especial a que cria o cargo público. As valorações acerca do grau de especialização para exercício das funções são feitas. pelo legislador e não pela Administração Pública ou pelos agentes públicos ou privados. No caso dos auditores fiscais, suas atribuições constam da Lei nº 10.593/2002, merecendo destacar a execução de auditoria e de fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançamento e constituição dos correspondentes créditos apurados. Eventual assistência de outros profissionais (médicos e engenheiros do trabalho) para subsidiar eficazmente as conclusões do auditor fiscal é possível, embora não seja obrigatória, em virtude das prerrogativas asseguradas e das funções atribuídas legalmente Em face do exposto, rejeito a preliminar. 2) MÉRITO Quanto ao mérito, a Recorrente reitera as alegações no sentido de que apuração da base de cálculo, ao eleger como critério o valor bruto das notas fiscais, sem individualizar os segurados apresenta grande distorção, motivo pelo qual, requer diligência fiscal. A discussão sobre os critérios adotados pela autoridade fiscal para determinar a base de cálculo já foram detalhadas no item 1.3 da presente decisão. Fl. 521DF CARF MF 8 Quanto ao pedido de conversão do julgamento em diligência para realização de prova pericial, não há dúvida de que o ordenamento jurídico brasileiro, a começar pela Constituição Federal de 1988, consagra o respeito ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, aos litigantes em processo judicial ou administrativo. Isso não significa, entretanto, que toda e qualquer diligência requerida pela parte deva ser deferida pelo julgador. Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, a possibilidade de realização de diligências para apuração dos fatos é uma faculdade do julgador, devendo ser exercida quando houver dúvida acerca dos aspectos fáticos constantes nos autos, sem violação de qualquer direito constitucionalmente assegurado. É importante enfatizar que a cobrança do adicional ao SAT está associada ao desempenho de atividades que exponham segurados a riscos ambientais do trabalho, os quais produzem prejuízos presumidos à higidez física e mental do trabalhador. Isso significa que, para a cobrança do adicional ao SAT, a exposição ao agente nocivo acima dos limites regulamentares deve ser contínua e efetiva, embora os prejuízos ao empregado sejam presumidos. Ou seja, o fato de o empregado eventualmente não obter a concessão de aposentadoria especial (por exemplo, porque o tempo de exposição ao agente nocivo foi inferior ao patamar legal) não exime a empresa de contribuir com o adicional ao SAT. Os art. 57 e 58 da Lei nº 8.213/91 constituem o fundamento legal do adicional ao SAT (grifos nossos): Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 1º A aposentadoria especial, observado o disposto no art. 33 desta Lei, consistirá numa renda mensal equivalente a 100% (cem por cento) do saláriodebenefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2º A data de início do benefício será fixada da mesma forma que a da aposentadoria por idade, conforme o disposto no art. 49. § 3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social–INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 5º O tempo de trabalho exercido sob condições especiais que sejam ou venham a ser consideradas prejudiciais à saúde ou à integridade física será somado, após a respectiva conversão ao tempo de trabalho exercido em atividade comum, segundo Fl. 522DF CARF MF Processo nº 35570.005723/200619 Acórdão n.º 2202004.363 S2C2T2 Fl. 519 9 critérios estabelecidos pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, para efeito de concessão de qualquer benefício. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995) § 6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas no caput. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 8º Aplicase o disposto no art. 46 ao segurado aposentado nos termos deste artigo que continuar no exercício de atividade ou operação que o sujeite aos agentes nocivos constantes da relação referida no art. 58 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo Fl. 523DF CARF MF 10 trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) Estando provada a presença de agentes nocivos no ambiente de trabalho, a incidência do adicional ao SAT somente será elidida se a empresa demonstrar que o fornecimento de tecnologia de proteção coletiva ou individual aos empregados é eficaz na eliminação ou na redução da intensidade do agente nocivo a patamares legalmente aceitáveis. Tratase de ônus imposto à empresa. Por isso, a pertinência do art. 410 da Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, que nada mais faz do que esclarecer e regulamentar o papel do laudo técnico mencionado nos parágrafos 1º e 2º do art. 58 da Lei nº 8.213/91: Art. 410. Em procedimento fiscal que for constatada a falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, o AFPS fará, sem prejuízo das autuações cabíveis, o lançamento arbitrado da contribuição adicional, com fundamento legal previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário O art. 410, acima transcrito, prescreve o arbitramento do adicional ao SAT aos casos de falta ou incompatibilidade entre as demonstrações ambientais, como é a hipótese dos autos. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 524DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002959/2010-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE.
Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização indistinta em produtos não tributados NT, conforme Súmula 20 do CARF e IN SRF 33/99.
Numero da decisão: 3201-003.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: 31154744825 - CPF não encontrado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização indistinta em produtos não tributados “NT”, conforme Súmula 20 do CARF e IN SRF 33/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 29 59 /2 01 0- 76 Fl. 348DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 324 em face da decisão de primeira instância da DRJ/PA de fls. 296 que manteve o despacho decisório de fls. 185 e o crédito de IPI não reconhecido. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "Tratase de ressarcimento de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI apurado no terceiro trimestre de 2005, no valor de R$ 37.748,79, cumulado com declarações de compensação. A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório invocado, expediu a Informação Fiscal e o Despacho Decisório de fls. 185/204 reconhecendo direito creditório no valor de R$ 20.268,02 e homologando parcialmente a declaração de compensação nº 17600.87273.17100513,014130, até o limite do crédito reconhecido, e não homologando a declaração de compensação nº 29877.49613.170106.1.3.010684, sob os seguintes fundamentos: “(...) créditos básicos por entradas, destacados em notas fiscais, foram creditados no livro Registro de Apuração do IPI (...). Nada foi escriturado a débito no RAIPI no período, sendo informado que “NÃO OCORRERAM MOVIMENTOS NESTE PERÍODO” (...). Tais informações foram verificadas inverídicas, divergem do informado no livro Registro de Apuração do ICMS, que demonstra as operações da empresa, muito embora a maior parte da movimentação, de fato, não tivesse incidência do IPI. Dos créditos lançados no RAIPI verificouse a existência e o valor destacado nas notas fiscais de entrada, inclusive as da relação de fls. 115/118.. Com relação ao crédito baseado no art. 165 do Decreto 4.544/2002, verificouse que grande parte das notas fiscais tinham sido emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, cujo crédito é vedado pelo art. 118 do mesmo decreto. As notas fiscais não admitidas para esse crédito, listadas nas folhas 110, 112 e 114, estão fotocopiadas nas folhas 125/147, sendo admitido apenas os valores de R$ 134,34 em julho, R$ 32,58 em agosto e R$ 2,76 em setembro. Foram glosados os valores de R$ 371,39 em julho, R$ 944,01 em agosto e R$ 129,59 em setembro (fl. 161, coluna Glosas de Créditos Ressarcíveis), sendo desconsideradas as notas fiscais emitidas pelas empresas abaixo, que figuravam nos cadastros da RFB como optantes pelo SIMPLES no período em tela (...). (...) Foi constatado que contribuinte produz produtos tributados com diversas alíquotas e não tributados. Foi constatado que o contribuinte não destacou ou recolheu qualquer valor a título de IPI devido relativo aos produtos que produz. (...) Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11516.002959/201076 Acórdão n.º 3201003.676 S3C2T1 Fl. 349 3 Verificase que alguns dos produtos produzidos eram tributados com alíquota positiva, tendo, então, incorrido em infração tributária consistente em falta de destaque do IPI na saída da mercadoria correspondente. Tal fato se materializou porque o contribuinte classifica incorretamente seus produtos em relação à Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, em especial em relação aos produtos BLOCO, ao qual o contribuinte atribui classificação fiscal no código 4911.10.90, com alíquota zero e ENVELOPE, que o contribuinte classifica No código 4911.99.00. 2.1 Das correções da classificação fiscal 2.2.1 – Blocos O contribuinte classificou os blocos que produziu no código 4911.10.90 (fl. 16), aplicando em suas saídas a alíquota zero correspondente. Abaixo transcrevemos o texto da TIPI relativo ao capítulo 49, das posições 4910 e 4911, detalhando até o código 4911.10.90. (...) Da simples leitura dos textos dos capítulos, posições e subposições verificase que a correta classificação fiscal do item BLOCO é no código 4820.10.00, por ser mais específico. Cabe salientar, ainda, que a IN SRF n° 157, de 10 de maio de 2002, aprova o texto consolidado das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, do qual extraímos as notas relativas à posição 48.20, constante da página 895 de seu anexo: (...) Para que não restasse qualquer dúvida sobre a classificação dos blocos e calendários, o contribuinte foi intimado a fornecer amostras quando da verificação dos créditos do 2º trimestre do mesmo ano, tendo atendido à solicitação. A amostra então apresentada permitiu a conclusão de que se trata de um bloco de folhas personalizadas, pautados, sem formulários, porém claramente destinado a apontamentos. Não se trata de catálogos, estampas, gravuras ou fotografias e tem classificação fiscal específica no código 4820.10.00, não podendo ser confundido com outros impressos. Em resumo; os BLOCOS, compreendidos os blocos de anotações, de notas fiscais, de cupons, de pesquisa, de próxima consulta, etc que o contribuinte produziu nos períodos em tela classificamse na posição 4820.10.00 e são tributados à alíquota de 15% e permaneceram com esta alíquota durante todos estes períodos. Tendo em vista que o contribuinte pode creditarse dos saldos credores que ainda não tinham sido aproveitados e gerados nos cinco anos anteriores à data de seu creditamento, é forçoso verificarse a existência do crédito, verificandose também se não deixaram de ser descontados os débitos correspondentes às saídas neste período. Todavia, os saldos devedores porventura evidenciados com este procedimento não são passíveis de exigência, se já tinha ocorrido o Fl. 350DF CARF MF 4 decurso do prazo decadencial de 5 anos quando da constatação da infração. Assim, aplicouse a alíquota correta de 15% sobre as saídas que deixaram de ser tributadas, descontandose o resultado do saldo credor creditado. É interessante frisar que o contribuinte, apesar de classificar alguns de seus produtos na posição 4910.00.00, tributada A alíquota de 10%, nada lançou no RAIPI. O resultado da recomposição da escrita está nas folhas 161/162. As multas correspondentes As infrações previstas no art. 488, inciso I, do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02) serão lançadas em processo separado, quando cabível. 2.1.2 – Calendários O contribuinte classificou os calendários personalizados que produziu no código 4911.10.90, aplicando em suas saídas a alíquota zero correspondente. Em oposição, transcrevemos agora o texto relativo ao código 4910.00.00 da TIPI: (...) Transcrevemos abaixo o texto consolidado das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (...): (...) Desta forma, claro está que os calendários são classificados no código NCM 4910.00.00 e tributados à alíquota de 10%. 2.1.3 – Envelopes Os envelopes de papel ou cartão não se classificam em posição específica de envelope se utilizados como acessórios de cartões ou outros impressos, casos em que acompanham a classificação do produto principal ou conjunto. As notas fiscais de venda dos envelopes em tela não citam a venda concomitante de outros produtos que pudessem afastar a classificação fiscal dos envelopes da posição mais especifica, 4817.10.00, devendo ser tributados à alíquota de 5%, conforme as alterações introduzidas na TIPI pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002. Aqueles claramente identificados como envelopes para convites ou cartões, comercializados em conjunto não foram reclassificados. (...) O contribuinte classificou incorretamente seu produto ENVELOPE na posição 4911.99.00, destinada a outros impressos, outros, posição residual, aplicando em suas saídas a alíquota zero correspondente. 2.1.1 Dos produtos amparados por imunidade objetiva De acordo com o texto do capítulo 49 da TIPI, acima transcrito, sem dúvida os livros, jornais e outros produtos da indústria gráfica classificamse neste capítulo. O contribuinte classificou seus produtos JORNAL e INFORMATIVO na posição 4911.10.10, aplicando em suas saídas a alíquota zero correspondente. Porém, a posição mais específica para os jornais e publicações periódica é a posição 49.02. (...) Fl. 351DF CARF MF Processo nº 11516.002959/201076 Acórdão n.º 3201003.676 S3C2T1 Fl. 350 5 Tratamse dos produtos jornal ou periódicos, classificação fiscal 4902.10.00 ou 4902.90.00, conforme a periodicidade. Transcrevemos abaixo o texto consolidado das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (...): (...) Também as revistas são classificadas nesta posição, o que foi aceito pelo contribuinte que nela classificou as revistas que produziu. Ainda, o contribuinte produziu produtos que denominou CARTILHA e MANUAL, classificandoos no código 4911.10.90, aplicando em suas saídas a alíquota zero correspondente. As características das amostras apresentadas mostram claramente que se tratam de livros ou livretes. Tanto as CARTILHAS quanto os MANUAIS são livros ou livretes grampeados ou brochados, que são utilizados como manuais a respeito de um determinado assunto. Porém, a posição mais específica para livros é a posição 49.01. (...) Transcrevemos abaixo o texto consolidado das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (...): (...) Apesar de não haver IPI a cobrar no caso destes produtos (JORNAIS, PERIÓDICOS, REVISTAS, MANUAIS e CARTILHAS), a correta classificação fiscal acarreta um efeito tributário diferente. Ocorre que por força do disposto no Ato Declaratório Interpretativo n° 5, de 17 de abril de 2006, publicado no DOU de 18 de abril de 2006, abaixo transcrito, não é possível a manutenção de créditos de matériaprima, produtos intermediários ou material de embalagem utilizados na produção destes produtos, sendo obrigatório o estorno proporcional à produção destes produtos em relação ao total produzido. Assim, não se aplica o disposto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, bem como no art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33/99, porque estes produtos estão afastados do campo de incidência do IPI e também excluídos do referido art. 11. (...) 2.2 Do cálculo do crédito admitido Com base nas informações prestadas no (...) DACON, foi feito o quadro abaixo representativo das receitas declaradas (fls. 119 e 121, DACON, Ficha 08A, linha 3). (...) (...) o rateio proporcional previsto no art. 3° da IN SRF n° 33/1999 passou a ser a única forma de calcular o valor a excluir dos créditos de IPI pretendidos. A fim de possibilitar este rateio, a tabela abaixo contempla a soma das receitas brutas dos 3 meses Fl. 352DF CARF MF 6 anteriores a partir de julho de 2005 (julho = abril + maio + junho; agosto = maio + junho + julho e assim sucessivamente). (...) A receita da produção amparada por imunidade foi calculada com base na listagem e arquivos fornecidos pelo contribuinte, sendo as notas fiscais correspondentes listadas nas folhas 163/170, resumidas no quadro abaixo: (...) A fim de possibilitar o rateio, a tabela abaixo contempla a soma das receitas da produção amparada por imunidade dos 3 meses anteriores a partir de julho de 2005 (julho = abril + maio + junho; agosto = maio + junho + julho e assim sucessivamente). (...) Desta forma, devem ser aplicados, em cada mês, sobre o total de créditos de IPI admitidos (após as glosas por não se enquadrarem como MP, PI e ME, adiante descritas) os percentuais do quadro abaixo para definirse os valores de insumos comuns que devem ser glosados por terem sido utilizados na produção de produtos que não gozam do direito à manutenção e à utilização do crédito. (...) Assim, os percentuais acima devem ser aplicados sobre os créditos escriturados no RAIPI para gerar a coluna GLOSA PROPORCIONAL À PRODUÇÃO IMUNE na tabela de reconstituição da escrita, presente na folha 161/162. 2.3 Dos débitos por alteração da classificação fiscal Conforme citado acima, a classificação fiscal incorreta dos itens BLOCO e ENVELOPE levou à falta de destaque do IPI devido nas saídas destes itens. A multa correspondente à infração prevista no art. 488, inciso I, do Decreto nº4.544/02 (RIPI/02) será lançada em processo separado, se cabível. A listagem de notas fiscais nas quais houve saídas tributadas sem o correspondente destaque do IPI está na fl. 171, sendo as cópias das notas fiscais em tela anexadas a fls. 148/160. Abaixo transcrevemos o quadro com o resumo. (...)”Cientificado em 06/10/2010 (fl. 204), o sujeito passivo apresentou, em 04/11/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 210/224, na qual alega: “(...) o deferimento parcial da compensação pleiteada foi decorrência direta do resultado da fiscalização, sendo que o saldo credor de IPI foi reduzido de oficio em razão de: a) glosa de créditos relativos As aquisições de produtos feitos por empresa no SIMPLES; b) alteração de alíquota zero para alíquota positiva nas saídas de blocos, calendários publicitários e envelopes; e, c) glosa de créditos proporcionais às saídas de produtos com imunidade objetiva (não tributados — NT), classificados pela empresa como alíquota zero. (...) Da classificação fiscal dos Blocos e Calendários Promocionais: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 11516.002959/201076 Acórdão n.º 3201003.676 S3C2T1 Fl. 351 7 Os blocos e calendários produzidos pela Contribuinte são destinados a ações promocionais, isto é, destacam a marca e/ou o produto dos contratantes e não são destinados à comercialização por parte destes. Todas as amostras apresentadas à fiscalização nos procedimentos relacionados aos trimestres anteriores continham tais características. (...) O caráter publicitário fica destacado inclusive pela forma como são realizados muitos pedidos de impressão, por meio de agências de publicidade que criam, autorizam, acompanham e aprovam o produto final acabado, como se verifica nas Notas Fiscais n°s 6550, 8869, 7383, 9133 e 8837, relativos a blocos faturados contra agencias, ou Nota 8070, referente a calendário, como se percebe dos Cartões do CNPJ (doc. 04). (...) Tratase, portanto, de material promocional em que se destacam a publicidade em torno da marca e/ou as ações e feitos realizados pelos clientes. É importante reafirmar que a contratação do sujeito passivo do IPI por empresas que não exploram o comércio de tais produtos revela a característica determinante para a realização do impresso, qual seja, sua função publicitária. Caso não houvesse tal destinação nenhum dos produtos seria contratado junto à Contribuinte, ou seja, o elemento essencial é a promoção da marca do contratante. Tomandose tal premissa, a classificação fiscal adotada pela contribuinte foi a 4911.10.90 da TIPI, conforme segue: (...) A fiscalização ignorou o elemento fundamental e equiparou os blocos e calendários publicitários produzidos pela Contribuinte àquelas comercializadas em papelarias. Tal analogia desconsiderou a razão pela qual o material gráfico é contratado e impresso, qual seja, a publicidade, conforme indicado no item da TIPI utilizado de forma correta pela Contribuinte. A própria citação retirada pelos auditores das (...) NESH confirma que o importante é a natureza final do produto. (...) (...) Apenas a titulo argumentativo, ainda que houvesse dúvidas sobre o enquadramento dos artigos produzidos, deverseia aplicar o art. 112 do CTN: (...) b) Dos Envelopes como acessórios e específicos para acompanhar folders produzidos pela Contribuinte: A Contribuinte não produz envelopes offset para serem revendidos em papelarias e afins. Todos os envelopes impressos possuem seu correspondente conteúdo (folders em geral), também produzidos pela empresa, como visualizado na planilha abaixo, que contém o envelope seguido do seu conteúdo. O que ocorre, frequentemente, é o faturamento do envelope e do seu Fl. 354DF CARF MF 8 conteúdo em notas fiscais separadas, como se pode observar na planilha feita a partir daquela entregue à fiscalização e respectivos espelhos dos documentos fiscais anexos (doc. 05): (...) Assim, percebese que os envelopes produzidos pela Contribuinte são sempre acessórios em relação aos folders e afins, já que são impressos especialmente para levar estes conteúdos aos clientes do contratante, não se enquadrando na posição 48.17.10.00, mas sim na 4911.99.00, que possui alíquota zero já que acompanha os outros impressos. c) Do crédito decorrente das saídas de produtos enquadrados na alíquota zero indevida classificação de ofício como não tributados (imunes): Os agentes autuantes discordaram da classificação feita pela Contribuinte de seus produtos (jornais, revistas e informativos) na posição 4911.10.10 (impressos publicitários), enquadrandoos nos códigos 4902.10.00 e 4902.90.00, que dizem: (...) No entanto, estas publicações destacadas pela fiscalização possuem caráter publicitário, na medida em que cumprem os requisitos legais trazidos na classificação 49.01 (Livros, brochuras e impressos semelhantes, mesmo em folhas soltas), encontrada no NESH, aprovado pela IN n° 157/02: (...) Desta maneira, a Contribuinte levou em consideração a natureza dos seus produtos (publicidade) para realizar a classificação na TIPI, resultando na saída sob alíquota zero e possibilitando a utilização do crédito em sua conta gráfica. Realmente a posição 4911.10.10 não é a mais adequada para a espécie, pois existe previsão específica no código 49.02. Contudo, as subclasses 4902.10.00 e 4902.90.00 prevêem tratamento distinto para as peças publicitárias, sendo correto manter os créditos decorrentes das saídas dos produtos que preencham as características de publicidade exigidas pela legislação citada acima (NESH). Uma simples leitura do nome/título das publicações selecionadas pelos agentes fiscais serve para atestar que muitas delas se enquadram neste conceito de publicidade, tais como: “INFORMATIVO ABRASEL”: nota fiscal 7261, “INFORMATIVO FECOMÉRCIO”: Nota 7535; “INFORMATIVO LOJISTA CATARINENSE”: nota 6785, “INFORMATIVO SINDIFISCO”: nota 7926, “INFORMATIVO SINDUSCON”: nota 7009, “JORNAL AJUT”: nota 8042, “JORNAL SINDUSCON”: nota 6463, “REVISTA MEGAMED”: nota 8015, “REVISTA SANTUR SANTA CATARINA BRASIL 8 PAGINAS (PORTUGUES)”: nota 6596, etc. (...) Outras publicações listadas pela fiscalização também devem seguir o mesmo caminho, visto que se trata de manuais técnicos de produtos, os quais foram corretamente classificados pela Contribuinte, enquadrandose na posição 4911.10.10: Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11516.002959/201076 Acórdão n.º 3201003.676 S3C2T1 Fl. 352 9 (...) Este é o caso, por exemplo, do “MANUAL INSTALAÇÃO”: Nota Fiscal 7351, e do produtos “LAMINA – MANUAL DE INSTRUÇÃO”: Nota Fiscal 6950. Além do mais, quando as cartilhas e manuais não se enquadrarem no código 4911.10.10 (artigos técnicos), visto acima, igualmente serão submetidas à alíquota zero da posição 49.02, quando corresponderem à publicidade, como ocorre com boa parte deste material, conforme previsão do NESH sobre o código 49.01 (...): (...) Deste modo, a questão das saídas de produtos consideradas pela fiscalização como não tributadas resolvese por meio da constatação de que: a) tratase de material publicitário, nos termos exigidos pela legislação do IPI (NESH aprovado pela IN n° 175/02), sendo pois submetidos ao Exemplo 01 dos códigos 4902.10.00 e 4902.90.00 (alíquota zero); e, b) tratase de cartilhas e manuais técnicos de equipamentos, enquadráveis na posição 4911.10.10 e sujeitos à alíquota zero. Cabe ressaltar, por fim, a aplicação da interpretação mais favorável à Contribuinte, quando pairarem dúvidas acerca das características físicas e funcionais dos seus produtos impressos, nos termos do artigo 112, incisos I e II, do CTN, citado anteriormente. (...) d) Do direito ao crédito dos insumos aplicados nas saídas não tributadas (imunes), em razão da aplicação do artigo 4°, da IN n° 33/99: Caso não sejam aceitos os argumentos em relação às saídas sujeitas à alíquota zero, que dão direito ao crédito dos materiais consumidos na produção dos impressos, expostos acima, a Contribuinte requer seja aplicado o artigo 4°, da IN n° 33/99, que autoriza o creditamento sobre as saídas não tributadas (imunes), na redação vigente até a publicação do Ato Declaratório Interpretativo n° 05/06. Os créditos de IPI ora glosados nasceram da aquisição de produtos e operações de saídas realizadas pela Contribuinte, entre janeiro de 2003 e junho de 2005, quando vigorava a IN ° 33/99, que em seu artigo 4° previa: (...) O teor desta norma foi seguido irrestritamente pela Receita Federal, como se verifica na Solução de Consulta Fiscal n° 127/2003, editada pela SRRF da 6ª Região Fiscal, trazida abaixo como exemplo: (...) Somente em 18/04/2006, sob o pretexto interpretativo, houve verdadeira alteração na redação do artigo 4°, da IN n° 33/99, Fl. 356DF CARF MF 10 quando foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo n° 05/06, nestes termos: (...) A partir deste momento, as operações atingidas por imunidade objetiva, como é o caso da Contribuinte, que produz jornais, periódicos e revistas, também deixaram de gerar crédito de IPI. Os próprios fiscais utilizaram expressamente esta nova regra para desconsiderar o creditamento nas saldas destes artigos, como se observa na página 13 da Informação Fiscal. A não observância dos termos do artigo 4°, da IN 33/99, aplicando se retroativamente as regras do Ato Declaratório Interpretativo n° 05/06, contraria o disposto no artigo 146, do CTN: (...) O direito ao crédito deve ser mantido, assim, em razão de estarse diante de produtos atingidos pela imunidade, valendo a regra do artigo 4° da IN n° 33/99, vigente à época dos fatos, instituída em respeito ao artigo 11, da Lei n° 9.779/99, com base no princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI. Mesmo que o entendimento seja diverso, cabe invocar o artigo 100, parágrafo único, do CTN a fim de afastar a imposição de quaisquer penalidades e juros de mora sobre os débitos que não foram compensados em razão da glosa dos créditos ora debatida.” É o relatório." Este Acórdão de primeira instância da DRJ de fls. foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. MP, PI E ME EMPREGADOS EM PRODUTOS NT. Não podem ser escriturados créditos relativos a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, inclusive quando se trate de produtos alcançados por imunidade. RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. REQUISITOS E CONDIÇÕES. O ressarcimento de IPI vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a espécie, devendo ser indeferido em sua parcela cuja existência não tenha sido comprovada pelo contribuinte. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUANTUM RECONHECIDO. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11516.002959/201076 Acórdão n.º 3201003.676 S3C2T1 Fl. 353 11 A declaração de compensação somente pode ser homologada na exata medida do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." Os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Foi constatado que o contribuinte protocolou pedido de ressarcimento sobre saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados ou imunes. É certo ao julgamento administrativo de segunda instância, conforme Súmula 20 deste Conselho, que não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT e, não há qualquer prova ou sequer alegação do contribuinte que permita concluir que este não se creditou nestas situações. A simples alegação de que seus produtos seriam imunes e que esta condição não se equipara aos produtos "não tributados" ou, a simples alegação de que os insumos são de ação direta na produção, não é suficiente para concretizar a materialidade do direito ao crédito de IPI nas operações, visto que o ônus da prova é do contribuinte nos casos de crédito. Diante desta análise de fundo, perde valia a discussão a respeito da classificação das agendas, blocos, envelopes e calendários, visto que, independentemente da classificação fiscal deste produtos, esta lide administrativa trata somente do reconhecimento ou não do direito ao crédito e, dentro desta análise em que a lide ficou limitada, o contribuinte não comprovou ter tal direito. Sobre os mesmos fundamentos utilizados na decisão de primeira instância, é possível manter o entendimento de que é incorreto o creditamento sobre os produtos NT na tabela TIPI. Fl. 358DF CARF MF 12 Diante de todo o exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901946/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 01 94 6/ 20 14 -1 0 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10675.901946/201410 Resolução nº 1201000.469 S1C2T1 Fl. 3 2 Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado tratarse de pagamento de tributo já retido pela fonte pagadora. A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, pelos elementos de prova carreados aos autos, não se observa ter ocorrido pagamento em duplicidade de tributo sujeito à retenção na fonte. O pagamento referese a tributo devido pela sistemática do lucro presumido, regularmente apurado e declarado. No Recurso Voluntário foi alegado: a) que houve prestação de serviços da recorrente e a fonte pagadora efetuou a retenção do imposto; b) a recorrente também recolheu imposto do período, ocasionando o recolhimento em duplicidade; c) foram produzidas provas que comprovam o recolhimento em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.457, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.457): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, houve pagamento em duplicidade, uma vez a retenção na fonte relativamente aos serviços por ele prestados e, posteriormente, pagamento do imposto desse mesmo período. Ocorre que o valor pago referese ao imposto apurado no período trimestral pela sistemática do Lucro Presumido e, conforme pode ser visto desde o Despacho Decisório, esse pagamento corresponde ao valor apurado e devidamente declarado. Esse o motivo do indeferimento do pleito. Contudo, não consta dos autos a DIPJ do período correspondente, pelo que não é possível verificar se houve ou não a dedução do IRRF na apuração do imposto e, ainda, o resultado dessa apuração. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10675.901946/201410 Resolução nº 1201000.469 S1C2T1 Fl. 4 3 Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ do período e a demonstração do imposto a pagar apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720419/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PROVISÕES. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS
A teor do artigo 13, da Lei nº 9.249, de 1995, as provisões, excetuadas as relativas às férias, 13º salário, créditos de liquidação duvidosa e provisões técnicas de companhias de seguro, de capitalização e de entidades de previdência privada, são indedutíveis.
DESPESAS COM SERVIÇOS. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
São indedutíveis para a apuração do lucro tributável as despesas decorrentes de "serviços de consultoria" tomados pelo contribuinte quanto este, devidamente intimado, não faz prova da efetiva fruição dos mesmos.
PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS - PLR. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES
A dedutibilidade das despesas com as participações dos empregados nos lucros (PLR) passa, necessariamente, pela obediência ao artigo 2º da Lei nº 10.101/2000 e ao artigo 299, § 3º, incisos I e II do caput. Ausente qualquer demonstração dos critérios de pagamento dos valores classificados como participações nos lucros, não é possível aferir se aqueles requisitos foram atendidos, pelo que a glosa é imperativa.
DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. REGRA GERAL
As despesas incorridas pelas pessoas jurídicas para que possam ser tidas como dedutíveis da base imponível do IRPJ devem ser usuais, normais e necessárias às atividades, representarem o sacrifício suportado para que se aufira receita e lastrearem-se em documentos hábeis e idôneos, sem o que, embora possam ser gastos na acepção econômica do termo, não se revestem dos requisitos exigidos pela legislação tributária para que sua dedução seja aceita. Inteligência dos artigos 299, 251, 276 e 923, do RIR/1999 e Resolução CFC (Conselho Federal de Contabilidade) nº 563/83, de 28/10/1983, vigente à época dos fatos tratados.
PERDAS COM RECEBIMENTO DE CRÉDITO. ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE DAS PERDAS DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO
Para que a administradora de cartões possa deduzir as perdas no recebimento de créditos é necessário que tais créditos sejam decorrentes da atividade operacional da empresa, haja comprovação de que tenha suportado o prejuízo decorrente da perda e sejam observados os demais requisitos impostos pelo artigo 9º, da Lei nº 9.430/1996, correspondente ao art. 340 do RIR/1999.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
CSLL. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS EM SUA APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA
A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período, com os ajustes determinados na legislação de regência. Neste sentido, os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99. O lucro operacional traduz-se no resultado do confronto entre as receitas operacionais e as despesas operacionais (artigo 299 do RIR/99). Da interpretação sistemática destes dispositivos, deduz-se que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, quais sejam, as despesas necessárias e devidamente comprovadas. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Portanto, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mantém-se a glosa realizada pela Fiscalização.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA AGRAVADA.
O agravamento da penalidade só se mostra possível quando presentes (ou ausentes) atos do fiscalizado no sentido de tolher ou obstruir o procedimento fiscal de forma contumaz. Tendo o contribuinte, de uma forma ou outra, integral ou parcialmente, na data fixada ou após esta, apresentado o que lhe foi exigido e contribuído para que a ação fiscal se desenrolasse e chegasse ao final, descabe o agravamento
Numero da decisão: 1402-002.964
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o agravamento da multa, reduzindo-a a 75% e, no mérito, por maioria, manter integralmente os lançamentos, vencidos, nesta parte, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Eduardo Morgado Rodrigues e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento para cancelar as infrações, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei Lucas e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PROVISÕES. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS A teor do artigo 13, da Lei nº 9.249, de 1995, as provisões, excetuadas as relativas às férias, 13º salário, créditos de liquidação duvidosa e provisões técnicas de companhias de seguro, de capitalização e de entidades de previdência privada, são indedutíveis. DESPESAS COM SERVIÇOS. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis para a apuração do lucro tributável as despesas decorrentes de "serviços de consultoria" tomados pelo contribuinte quanto este, devidamente intimado, não faz prova da efetiva fruição dos mesmos. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS - PLR. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES A dedutibilidade das despesas com as participações dos empregados nos lucros (PLR) passa, necessariamente, pela obediência ao artigo 2º da Lei nº 10.101/2000 e ao artigo 299, § 3º, incisos I e II do caput. Ausente qualquer demonstração dos critérios de pagamento dos valores classificados como participações nos lucros, não é possível aferir se aqueles requisitos foram atendidos, pelo que a glosa é imperativa. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. REGRA GERAL As despesas incorridas pelas pessoas jurídicas para que possam ser tidas como dedutíveis da base imponível do IRPJ devem ser usuais, normais e necessárias às atividades, representarem o sacrifício suportado para que se aufira receita e lastrearem-se em documentos hábeis e idôneos, sem o que, embora possam ser gastos na acepção econômica do termo, não se revestem dos requisitos exigidos pela legislação tributária para que sua dedução seja aceita. Inteligência dos artigos 299, 251, 276 e 923, do RIR/1999 e Resolução CFC (Conselho Federal de Contabilidade) nº 563/83, de 28/10/1983, vigente à época dos fatos tratados. PERDAS COM RECEBIMENTO DE CRÉDITO. ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE DAS PERDAS DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO Para que a administradora de cartões possa deduzir as perdas no recebimento de créditos é necessário que tais créditos sejam decorrentes da atividade operacional da empresa, haja comprovação de que tenha suportado o prejuízo decorrente da perda e sejam observados os demais requisitos impostos pelo artigo 9º, da Lei nº 9.430/1996, correspondente ao art. 340 do RIR/1999. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL CSLL. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS EM SUA APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período, com os ajustes determinados na legislação de regência. Neste sentido, os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99. O lucro operacional traduz-se no resultado do confronto entre as receitas operacionais e as despesas operacionais (artigo 299 do RIR/99). Da interpretação sistemática destes dispositivos, deduz-se que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, quais sejam, as despesas necessárias e devidamente comprovadas. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Portanto, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mantém-se a glosa realizada pela Fiscalização. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 MULTA AGRAVADA. O agravamento da penalidade só se mostra possível quando presentes (ou ausentes) atos do fiscalizado no sentido de tolher ou obstruir o procedimento fiscal de forma contumaz. Tendo o contribuinte, de uma forma ou outra, integral ou parcialmente, na data fixada ou após esta, apresentado o que lhe foi exigido e contribuído para que a ação fiscal se desenrolasse e chegasse ao final, descabe o agravamento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROVISÕES. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS A teor do artigo 13, da Lei nº 9.249, de 1995, as provisões, excetuadas as relativas às férias, 13º salário, créditos de liquidação duvidosa e provisões técnicas de companhias de seguro, de capitalização e de entidades de previdência privada, são indedutíveis. DESPESAS COM SERVIÇOS. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis para a apuração do lucro tributável as despesas decorrentes de "serviços de consultoria" tomados pelo contribuinte quanto este, devidamente intimado, não faz prova da efetiva fruição dos mesmos. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS PLR. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES A dedutibilidade das despesas com as participações dos empregados nos lucros (PLR) passa, necessariamente, pela obediência ao artigo 2º da Lei nº 10.101/2000 e ao artigo 299, § 3º, incisos I e II do caput. Ausente qualquer demonstração dos critérios de pagamento dos valores classificados como participações nos lucros, não é possível aferir se aqueles requisitos foram atendidos, pelo que a glosa é imperativa. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. REGRA GERAL As despesas incorridas pelas pessoas jurídicas para que possam ser tidas como dedutíveis da base imponível do IRPJ devem ser usuais, normais e necessárias às atividades, representarem o sacrifício suportado para que se aufira receita e lastrearemse em documentos hábeis e idôneos, sem o que, embora possam ser gastos na acepção econômica do termo, não se revestem dos requisitos exigidos pela legislação tributária para que sua dedução seja aceita. Inteligência dos artigos 299, 251, 276 e 923, do RIR/1999 e Resolução AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 19 /2 01 2- 81 Fl. 2192DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.193 2 CFC (Conselho Federal de Contabilidade) nº 563/83, de 28/10/1983, vigente à época dos fatos tratados. PERDAS COM RECEBIMENTO DE CRÉDITO. ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE DAS PERDAS DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO Para que a administradora de cartões possa deduzir as perdas no recebimento de créditos é necessário que tais créditos sejam decorrentes da atividade operacional da empresa, haja comprovação de que tenha suportado o prejuízo decorrente da perda e sejam observados os demais requisitos impostos pelo artigo 9º, da Lei nº 9.430/1996, correspondente ao art. 340 do RIR/1999. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL CSLL. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS EM SUA APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período, com os ajustes determinados na legislação de regência. Neste sentido, os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99. O lucro operacional traduzse no resultado do confronto entre as receitas operacionais e as despesas operacionais (artigo 299 do RIR/99). Da interpretação sistemática destes dispositivos, deduzse que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, quais sejam, as despesas necessárias e devidamente comprovadas. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Portanto, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mantémse a glosa realizada pela Fiscalização. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA AGRAVADA. O agravamento da penalidade só se mostra possível quando presentes (ou ausentes) atos do fiscalizado no sentido de tolher ou obstruir o procedimento fiscal de forma contumaz. Tendo o contribuinte, de uma forma ou outra, integral ou parcialmente, na data fixada ou após esta, apresentado o que lhe foi exigido e contribuído para que a ação fiscal se desenrolasse e chegasse ao final, descabe o agravamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.194 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o agravamento da multa, reduzindoa a 75% e, no mérito, por maioria, manter integralmente os lançamentos, vencidos, nesta parte, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Eduardo Morgado Rodrigues e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento para cancelar as infrações, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei Lucas e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 2194DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.195 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 10ª Turma da DRJ/SP1 em sessão de 27 de setembro de 2012 (fls. 1707/1733)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos de IRPJ e de CSLL perpetrados pelo Fisco, anoscalendário 2007, relativamente às seguintes infrações (AI IRPJ – fls. 729/735 IRPJ – AI CSLL – fls. 736/742), a saber: 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 2195DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.196 5 Segundo os três TVF presentes nos autos – um para cada tipo de infração (fls. 712/713 – 714/719 e 720/728) – estas foram as acusações: “Contingências cíveis. [fls. 712/713] Glosa no valor de R$ 408.281,87 relativamente às ‘Provisões para Contingências Cíveis’, ao arrepio do quanto disposto no Inciso I, do artigo 13, da Lei nº 9.249/95. (ADM de cartões de crédito – despesas) [fls. 714/719] Glosa no valor de R$ 208.721.980,38 relativamente às ‘Perdas com Operações de Crédito’, decorrentes de operações de cartões de crédito, pois, após o procedimento fiscal, concluiu a autoridade autuante, em síntese, que: – as administradoras de cartões de crédito são pessoas jurídicas não financeiras que emitem e administram cartões, mas não financiam diretamente os seus portadores, apenas os representa perante as instituições financeiras para obtenção de financiamento, repassando aos mesmos respectivos encargos de financiamento; – não sendo os créditos em atraso de titularidade da Contribuinte, não há que se falar na aplicação das disposições tributárias contidas nos artigos 9º a 14 da Lei 9.430/96, consolidados nos artigos 340 a 343 do RIR/99, visto não integram os resultados operacionais das empresas administradoras de cartões de crédito as operações realizadas no âmbito das decorrentes de atividades precípuas das instituições financeiras; – tais encargos são indedutíveis para o Fisco, razão pela qual, não são admitidos a título de custos ou despesas as operações cuja efetiva realização não esteja comprovada com documentos hábeis e idôneos, constituindose em Fl. 2196DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.197 6 mera liberalidade e devendo compor as bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, visto que colidem frontalmente com o que dispõe o artigo 299 do RIR/99 (...) (Acordos Judiciais Trabalhistas – despesas glosada) [fls. 723] Glosa no valor de R$ 12.026.377,43 relativamente à conta 8.1.7.99..99.9.667.6 – ‘Acordos Judiciais Trabalhistas’. A autoridade fiscal disse que: (i) não foram entregues cópias dos Acordos Judiciais homologados junto à Justiça do Trabalho que dessem suporte para os pagamentos efetuados; (ii) foram apresentadas somente 2 (duas) Guias de Depósitos Judiciais Trabalhistas, sendo que uma delas não foi aceita por ter como Réu/Reclamado pessoa diversa do fiscalizado, e a outra, será deduzida do total da despesa contabilizada devido à sua pertinência com a despesa incorrida (reclamante: Lúcia Lafaiete da Silva – R$ 242.948,67); e (iii) o restante da documentação oferecida é de natureza contábil ou de Tesouraria (Recibos de Pagamentos) insuficientes para justificar as importâncias pagas, mesmo porque estas ora têm como favorecido pessoas diversas do reclamante, ora não possuem a identificação do favorecido. (Comissão Franquia/Promotora) [fls. 723/724] Glosa no valor de R$ 17.358.482,70 relativamente à conta nº 8.1.7.57.00.4.4982 – ‘Comissão Franquia/Promotora’. Entendeu a autoridade autuante que, fornecida documentação de natureza estritamente contábil (Demonstrativos de Integração Contábil e Contas a Pagar – Pagamentos a Fornecedores) ou de Tesouraria (Recibos de Pagamentos), estes são insuficientes para assegurar a dedutibilidade das correspondentes despesas. (Serviços Pessoas Jurídicas) [fls. 724] Glosa no valor de R$ 11.352.361.57 relativamente à conta nº 8.1.7.57.00.4.4982 – ‘Serviços Diversos Pessoas Jurídicas’. A autoridade autuante diz que: Diante da ausência de documentação que justificasse os pagamentos dos serviços supostamente prestados e contabilizados na aludida conta, (...) foi considerado indedutível (...) (Despesas com PLR) [fls. 724/726] Glosa nos valores de R$ R$ 4.243.852,93, de R$ 34.480.776,22 e de R$ 2.800.000,00 (com PLR) respectivamente, às contas nºs 8.1.7.33.00.4.383.3 – ‘Abono Participação Lucro’, 8.9.7.10.20.1.000.0 – ‘Empregados PLR’ e 8.1.7.99.00.6.668.4 – ‘Outras’. A autoridade autuante consigna: intimado e reintimado a apresentar a documentação comprobatória pertinentes às mencionadas despesas, o fiscalizado não atendeu satisfatoriamente o quanto requerido. (Outros Serviços de Pessoas Jurídicas) [fls. 726/727] Glosa no valor de R$ 5.369.628,64 relativamente às despesas com prestadoras de serviços. Insuficiência na comprovação. [fls. 727] Multa Agravada de 112,5% em atendimento ao quanto disposto no artigo 959 do citado RIR/99”. Fl. 2197DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.198 7 Irresignada, a contribuinte interpôs impugnação (fls. 748/786), julgada improcedente pela Turma a quo, com fundamento nas argumentações abaixo sintetizadas: 1. Relativamente às “Provisões para Contingências Cíveis”, manteve o lançamento fiscal pelas razões expostas às fls. 1727/1728, rejeitando o pedido de aplicação das regras da postergação, feito na impugnação, por falta de apresentação de provas dos fatos que a justificassem. 2. Relativamente às “Perdas com Operações de Crédito”, a decisão recorrida reconhece a tese de que teria havido, no caso das despesas com “perdas com cartões de crédito”, a subrogação nos direitos do credor original, e que essa subrogação nos direitos do credor original (instituição financeira) aconteceria quando a impugnante, como fiadora, efetuasse o pagamento da dívida em nome do titular do cartão (fls. 760 da impugnação), conforme cláusula 8.2.2 do contrato de emissão de cartões. 3. Contudo, acrescenta a DRJ, “a impugnante não comprova que efetuou tais pagamentos às instituições financeiras que concederam o financiamento, permanecendo com as instituições financeiras a titularidade dos créditos”; "Por outro lado, os documentos acostados aos autos, bem como os esclarecimentos prestados pela contribuinte, discriminados a seguir, levam à conclusão de que os titulares dos créditos em tela são instituições financeiras:"; e concluiu que “a titularidade dos créditos permanece com as instituições financeiras.” 4. Relativamente aos Acordos Judiciais Trabalhistas, a DRJ, indeferiu o pleito da empresa por entender não terem sido apresentados na impugnação documentos hábeis e idôneos, tais como cópias dos acordos judiciais homologados na Justiça do Trabalho e guias de depósito judicial aptos à comprovação das referidas despesas, na forma do mencionado art. 15, do Decreto nº 70.235/72.; já em relação à guia de depósito judicial (fls. 359), a impugnante não apresentou cópias da ação judicial e do respectivo acordo, nem o contrato de trabalho da reclamante da ação trabalhista, não comprovando o valor deduzido como despesa. 5. Quanto à Comissão Franquia/Promotora, a decisão recorrida manteve a exigência, assentando ter havido a falta de apresentação de contratos de prestação de serviços, falta de relatórios detalhando os serviços prestados, falta de identificação dos pagamentos no conta 8.1.7.57.00.4.4982, bem como a ilegibilidade de um determinado documento. 6. Relativamente aos “Serviços Diversos Pessoas Jurídicas”, a DRJ entendeu que a impugnante não apresentou documentos hábeis e idôneos, tais como cópias dos contratos de prestação de serviços e relatórios detalhando os serviços prestados, nem quaisquer outros elementos que justificassem tais pagamentos e comprovassem as referidas despesas. 7. No que toca às despesas com PLR, a DRJ assevera que a empresa também não apresentou documentos que poderiam esclarecer como é o programa de participação nos lucros/resultados da empresa, detalhando os critérios Fl. 2198DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.199 8 aplicáveis à apuração da participação nos lucros/resultados; o cronograma de metas, resultados e prazos pactuados previamente; o histórico dos índices de produtividade da empresa que seriam levados em conta para o pagamento dessas participações, concluindo que tais pagamentos são liberalidade da empresa, portanto indedutíveis. 8. Para a glosa de “Outros Serviços de Pessoas Jurídicas”, a DRJ ratificou os termos da Fiscalização para efetuar o lançamento. 9. Finalmente, manteve a multa agravada em 112,50% entendendo que, “ao contrário do alegado pela impugnante, a documentação solicitada pela fiscalização não foi integralmente apresentada. Conforme consignado no TVF (fls.723727), não foram apresentados: (...). Dessa forma, diante da recusa da contribuinte em apresentar os documentos e esclarecimentos requeridos pela fiscalização, o agravamento da penalidade deve ser mantido, nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96”. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO. DEDUÇÃO DE PERDAS. ATIVIDADE OPERACIONAL. Para que a administradora de cartões possa deduzir as perdas no recebimento de créditos é necessário que tais créditos sejam decorrentes da atividade operacional da empresa. PROVISÕES PARA PASSIVOS CONTINGENTES. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis as provisões, excetuandose os casos expressamente previstos em lei. DESPESAS OPERACIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E USUALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. O dispêndio incorrido pela contribuinte somente será dedutível se necessário, usual e normal à atividade da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à CSLL dele decorrente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, exceto se a Fl. 2199DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.200 9 impugnante demonstrar, via requerimento à autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado. AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. CABIMENTO. A falta de atendimento pela contribuinte à intimação feita pela autoridade fiscal, não apresentando os documentos e esclarecimentos requeridos, enseja o agravamento da multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 09/10/2012 (fls. 1736), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 07/11/2012 (fls. 1738/1779), no qual contrapôsse ao decidido em 1ª Instância e, quanto às matérias tratadas nos lançamentos, inicialmente abordou a “glosa de perdas no contexto do sistema de cartões de crédito”, dizendo que a Fiscalização equivocadamente entendeu que a recorrente “atuaria na obtenção de empréstimos junto aos bancos como mandatária do titular do cartão na hipótese em que este opta por financiar suas compras e, desse modo, o detentor do crédito relativo ao empréstimo tomado em nome do cartão de crédito seria a instituição financeira e não a Recorrente”. Detalha as operações realizadas para demonstrar que “celebrou com os bancos contrato de crédito em nome do titular do cartão no qual a Recorrente se constitui fiadora e avalista do financiamento”, de modo que, “ocorrido o inadimplemento do titular do cartão, a Recorrente assumia a obrigação de quitar a dívida com as instituições financeiras, tornandose ela própria credora do titular do cartão, subrogandose nos direitos do credor original”. Discorre ainda sobre o que chama de “conjunto intrincado de relações jurídicas” que compõe o “sistema de administração de cartões de crédito”, descrevendo os agentes e as relações jurídicas, bem como o “procedimento de apuração de responsabilidades”, ao final do qual “uma das empresas integrantes do sistema de cartão de crédito sempre assume o prejuízo pela inadimplência do consumidor (titular do cartão) em favor (em última instância) do estabelecimento comercial, mantendo, assim, a integridade e segurança do sistema de pagamento mediante utilização de cartão de crédito”. Destaca que “a responsabilidade por aquelas perdas só caberia à Recorrente, na medida em que, na qualidade de administradora (emissor), atua como centro operacional, cujas Fl. 2200DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.201 10 atribuições correspondem à própria base do sistema de cartões de crédito”, nos termos da doutrina que cita. Descreve as atividades realizadas, e passa a abordar a “natureza” e “a titularidade dos créditos em atraso”, observando que nas “situações em que o titular do cartão efetua o pagamento de sua fatura por valor inferior ao saldo devedor e/ou em atraso, ou simplesmente deixa de pagar a fatura de seu cartão”, a Recorrente, “na qualidade de administradora do cartão fica automaticamente autorizada a efetuar um financiamento em nome do titular para quitação de sua fatura”, conforme acordado nas cláusulas contratuais que transcreve. Por esta razão, a recorrente associouse ao Banco J. Safra S/A “para abertura de conta específica para financiar as dívidas realizadas pelos titulares de cartão”, conforme documento juntado à impugnação. A recorrente atua como interveniente neste contrato firmado entre o titular do contrato e o banco, e também se constitui “fiadora avalista e principal garantidora do financiamento, sendo estabelecido que, no caso de inadimplemento do titular, a Recorrente liquidará o débito perante as instituições financeiras, subrogandose aos direitos decorrentes do Contrato de Financiamento”, conforme cláusulas contratuais que transcreve. Reportase às garantias por ela dadas a estes contratos, e diz que a instituição financeira está autorizada a debitar de suas contas bancárias o saldo devedor dos financiamentos, verificandose a sua subrogação nos direitos e obrigações do credor, a teor do art. 831 do Código Civil, estando estipulado contratualmente que o titular do cartão deve “reembolsar a Recorrente do valor pago em seu nome por ocasião da liquidação do financiamento, no prazo de 24 horas”. Surge, então, “um novo crédito em favor da Recorrente”, que em “nada se confunde com a concessão de financiamento por instituições financeiras”. Assenta que a autoridade julgadora de 1ª instância equivocouse ao manter a exigência “sob o argumento de que não teriam sido comprovados os pagamentos às instituições financeiras que concederam o financiamento”, ou seja, sob a “premissa equivocada de que a Recorrente não teria honrado as obrigações afiançadas”, isto porque o “pagamento aos bancos era feito de forma compulsória, mediante débito direto realizado na conta bancária da Recorrente”. Em outras palavras, argui não ter “opção de assumir ou não o respectivo prejuízo” e, deste modo, o “Contrato de Financiamento é o documento que comprova cabalmente que o prejuízo decorrente da referida inadimplência do titular do cartão era ônus único e exclusivo da Recorrente”. Afirma ser “inegável a titularidade da Recorrente no que se refere aos créditos oriundos da subrogação da dívida contraída pelo titular do cartão”, reportase ao Parecer Normativo CST nº 298/73 e ao Acórdão nº 10194.261, e conclui que, como as “operações correspondentes encontramse no escopo de suas atividades operacionais”, tais despesas são necessárias, normais e usuais, não constituindo “mera liberalidade, mas sim obrigação legal e contratual, sem a qual não seria viável a consecução do objeto social da Recorrente”. Acrescenta que “as obrigações decorrentes da subrogação estão previstas em contratos de adesão”, e que a perda no recebimento desses créditos é inerente à atividade da empresa, na forma de acórdão deste Conselho que transcreve. Cita também o Parecer Normativo CST nº 33/74 e diz que, “sendo a acusação fiscal limitada apenas à característica de liberalidade da perda assumida”, a glosa deve ser afastada. Aduz que a autoridade julgadora inovou o lançamento ao exigir prova da observância dos requisitos dos arts. 9º a 11 da Lei nº 9.430/96, pois buscou fundamentálo “em ponto não levantado pela fiscalização, o que não pode ser aceito, sob pena de nulidade”, ferindo o princípio da ampla defesa. Transcreve ementas de acórdãos deste Conselho em favor de seu entendimento. Fl. 2201DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.202 11 Alega ainda que, se a autoridade julgadora entendeu que os autos estavam mal fundamentados, deveria ter declarado suas nulidades, determinado o refazimento do lançamento, com devolução do prazo de defesa à autuada. Por fim, insiste que a autoridade julgadora não pode agir como autoridade lançadora, nem surpreender “o contribuinte com a alteração dos pressupostos da cobrança” e ataca os demais itens do Lançamento e da decisão recorrida. A PGFN ofereceu contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 1816/1839) pugnando pela manutenção dos lançamentos e ratificação da decisão recorrida. Subindo os autos à apreciação deste Colegiado Administrativo a então 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul, por voto de qualidade2, editou a Resolução nº 1101000.103, 09/10/2013 (fls. 1846/1913) convertendo o julgamento em diligência ESPECIFICAMENTE em relação à primeira infração, ou seja, “Custos ou Despesas Não Comprovadas – Glosa de Despesas – Operações de Créditos de Liquidação Duvidosa – valor R$ 208.721.980,38”, em voto assim definido3: “Neste momento fazse necessário abordar, apenas, as perdas em operações de crédito. O presente procedimento fiscal apresenta os mesmos contornos daquele formalizado um ano antes, nos autos do processo administrativo nº 10880.736407/201125, cujos recursos de ofício e voluntário foram atribuídos à relatoria desta Conselheira. O Termo de Verificação Fiscal aqui lavrado (fls. 714/719) traz os mesmos argumentos desenvolvido naqueles autos, agora para glosa de perdas, no anocalendário 2007, no valor total de R$ 208.721.980,38. Da mesma forma, as intimações aqui remetidas à contribuinte durante o procedimento fiscal (fls. 161, 165 e 170) ensejaram as mesmas insuficientes respostas prestadas no procedimento fiscal anterior (fls. 163/164, 167/169 e 171/172). Por sua vez, a interessada também trouxe, em impugnação apresentada nestes autos, o Contrato de Prestação de Serviços de Emissão, Utilização e Administração do Cartão Panamericano antes apresentado (aqui fls. 1239/1250), assim como o Convênio para Financiamento de Terceiros Portadores de Cartões Administrados pela Panamericano Administradora de Cartões de Crédito Ltda e Outras Avencas (aqui fls. 1251/1270). Por estas razões, a conversão do presente julgamento em diligência se impõe pelas mesas razões expostas no processo administrativo nº 10880.736407/201125, a seguir reproduzidas: 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva, acompanhado pelos Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. 3 O Relator original, que restou vencido, havia dado provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar parte dos lançamentos, inclusive o relativo à diligência determinada. Fl. 2202DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.203 12 (...) Assim, igualmente por estas razões, o julgamento deve ser CONVERTIDO em diligência, para que a autoridade fiscal competente verifique, junto à escrituração da contribuinte, a comprovação das ocorrências que ensejaram sua subrogação nos créditos decorrentes de financiamentos aos titulares de cartões de crédito, bem como a presença dos requisitos legais para dedução destes créditos como perdas no anocalendário 2007, no montante de R$ 208.721.980,38. Ao final dos trabalhos deverá ser elaborado relatório circunstanciado, dele cientificandose a interessada com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa, antes do retorno dos autos a este Conselho". Cumprida a diligência (“RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO DE DILIGÊNCIA FISCAL” fls. 2010/2019) e com subsequente manifestação da interessada e documentos juntados (fls. 2037/2186), os autos voltaram para julgamento. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 2203DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.204 13 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 09/10/2012 – fls. 1736 – protocolização do RV em 07/11/2012 – fls. 1738), a representação da contribuinte está corretamente formalizada (fls. 787/790) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. PONDERAÇÕES INICIAIS Antes de partir para a apreciação do litígio, importante destacar os seguintes aspectos preliminares, por relevantes. 1. DOS PROCESSOS COM MATÉRIAS SEMELHANTES ENVOLVENDO A RECORRENTE Conforme suscitado pela própria interessada (fls. 2043), três são os processos contendo matérias semelhantes – quase idênticas que envolvem a contribuinte, a saber: 1.1 Processo nº 16327.001747/201012 – dado provimento ao recurso voluntário por maioria – anocalendário 2005; 1.2 Processo nº 10880.736407/201125 – dado provimento parcial ao recurso voluntário – anocalendário 2006 (processo aguardando exame de admissibilidade de RE da contribuinte à CSRF. Importante observar que este Relator participou do julgamento deste processo, tendo acompanhado INTEGRALMENTE o voto condutor proferido pela Conselheira Edeli Pereira Bessa; e, 1.3 Processo nº 16327.720419/201281 – ESTES AUTOS, relativo a lançamentos do anocalendário 2007. 2. DA DILIGÊNCIA Como relatado antes, os autos foram baixados em diligência para que a unidade jurisdicionante da interessada se manifestasse especificamente em relação à infração nº 001 “Custos ou Despesas Não Comprovadas – Glosa de Despesas – Operações de Créditos de Liquidação Duvidosa – valor R$ 208.721.980,38 (maior montante em discussão), decisão tomada pela então 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul por voto de qualidade, pontuando que o relator originalmente designado havia votado por dar provimento parcial ao RV (na verdade em sua maior parte, incluindo a matéria objeto da diligência). Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.205 14 Cumprida a diligência (“RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO DE DILIGÊNCIA FISCAL” fls. 2010/2019), e com subsequente manifestação da interessada e documentos juntados (fls. 2037/2186), os autos voltaram para julgamento. Antes de sua apreciação, porém, serão analisadas as demais infrações apontadas pelo Fisco e objeto de combate pela recorrente em todas as suas manifestações. Feitas estas considerações prefaciais, não havendo preliminares, passo ao mérito. DA GLOSA DE DESPESAS – PROVISÃO NÃO AUTORIZADA INFRAÇÃO Nº 002 DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Ø Provisões não autorizadas –Provisões para Contingências Cíveis conta nº 4.9.9.35.00.2.2008 Prov. p/ Passivos ContingentesOutras R$ 408.281,87. As alegações da defesa são no sentido de que tais valores deveriam ser reconhecidos como despesa, pois seriam oriundos de decisões/acordos judiciais assumidos no desenvolvimento de suas atividades operacionais e que, se assim não entendido que o lançamento tivesse sido feito observandose a regra da postergação (art.6º do DecretoLei º 1.598/77, PN CST nº 57/79, PN Cosit nº 02/96). Não lhe cabe razão, primeiro porque, a teor do artigo 13, da Lei nº 9.249, de 1995, regra geral, as provisões, excetuadas as relativas às férias, 13º salário, créditos de liquidação duvidosa e provisões técnicas de companhias de seguro, de capitalização e de entidades de previdência privada, são indedutíveis; depois porque, faltou não houve qualquer comprovação que embasasse o aduzido pela recorrente. A esse respeito, esclarecedor ementa de acórdão exarado pela então 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, relatoria do Conselheiro Mário Junqueira Franco Junior (Ac. 10194596 – sessão de 16/06/2004): PROVISÕES PARA CONTINGÊNCIAS CÍVEIS E TRABALHISTAS – INDEDUTIBILIDADE – Provisões são valores futuros e incertos que não devem afetar a base do imposto sobre a renda, ressalvadas as provisões expressamente previstas em lei. ( Recurso negado) Assim NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste tópico – Valor R$ 408.281,87 (infração nº 002 do AI). DA GLOSA DE DESPESAS – DESPESAS INDEDUTÍVEIS INFRAÇÃO Nº 003 DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Ø Conta nº 8.1.7.99.00.0.6676 – Acordos Judiciais Trabalhistas – R$ 12.026.377,43 Argui a recorrente que estes dispêndios originaramse de acordos judiciais firmados em ações de cunho trabalhista envolvendo seus exempregados e que, em muitos casos, participaria solidariamente da lide em função da legislação (CLT), que impõe a presença de empresas do mesmo grupo no pólo passivo. Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.206 15 Ainda que tal argumento não possa ser desprezado, fato é que tal colocação é matéria essencialmente de direito, ou seja, necessita de prova de sua efetividade, sem o que, por óbvio, fica no terreno filosófico das alegações e como tal deve ser tratado. Em outro dizer, não se está negando a habitual posição da Justiça do Trabalho de trazer à lide empresas de um mesmo grupo econômico, até para defesa dos direitos dos empregados, mas a contabilização como despesas e sua dedutibilidade sob o ângulo do IRPJ de valores eventualmente assumidos pela recorrente exigem prova inequívoca de seu pagamento, o que não restou comprovado. De fato, a recorrente não acostou documentos, tais como acordos trabalhistas homologados, contratos de trabalho, guias de depósitos judicial, sentenças condenatórias, etc., que permitissem constatar que tais despesas foram de sua responsabilidade; ao revés, limitou se a comentar sobre a possibilidade de duas empresas do mesmo grupo econômico figurarem no pólo passivo das demandas trabalhistas. Só isso. Por este motivo, não trazidas provas concretas que pudessem afastar a imputação fiscal, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário – Valor – R$ 12.026.377,43 (infração nº 003 – 4º item do AI). Ø Conta nº 8.1.7.57.00.4.5210 – Comissão Franquia/Promotora – R$ 17.358.482,70 Aponta o Fisco (TVF – fls. 723/724) que “o contribuinte foi intimado a apresentar elementos comprobatórios de despesas escrituradas, solicitou prorrogação do prazo em 30 dais, tendo apresentado: Razões Contábeis, relatório de Contas a Pagar e a forma de contabilização das referidas despesas, sendo que, ao contrário do que alegou em sua resposta, não foram apresentados relatórios referentes aos pagamentos efetuados”, e que, “reintimado (...) para apresentação de documentação complementar que desse suporte aos pagamentos efetuados, tendo uma vez mais sido requerida a dilação do prazo em 20 dias, ao final do que foi fornecida documentação de natureza estritamente contábil (...) insuficiente para assegurar a dedutibilidade das correspondentes despesas”. De sua parte, argumenta a recorrente (RV – fls. 1767): Pois bem, de novo estáse diante de matéria que exige prova, vale dizer, não basta a apresentação de livros e lançamentos contábeis se não acompanhados pela documentação que lhes dê lastro. Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.207 16 A respeito: √ RIR/1999 (Decreto nº 3.000): Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). §1º A escri turação mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis , segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). √ Resolução CFC (Conselho Federal de Contabilidade) nº 563/83, de 28/10/1983, que aprovou a NBC T 2 “Da Escrituração Contábil” – NBC T 2.1 “Das Formalidades da Escrituração Contábil”: 4 (...) 2.1.5 – O "Diário" e o "Razão" constituem os registros permanentes da Entidade. Os registros auxiliares, quando adotados, devem obedecer aos preceitos gerais da escrituração contábil, observadas as peculiaridades da sua função. No "Diário" serão lançadas, em ordem cronológica, com individuação, clareza e referência ao documento probante, todas as operações ocorridas, incluídas as de natureza aleatória, e quaisquer outros fatos que provoquem variações patrimoniais. Assim, não vindo aos autos a necessária documentação probante, os argumentos da recorrente se esvaem e impõe seja NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste item – Valor – R$ 17.358.482,70 (infração nº 003 – 5º item do AI). 4 Referida Resolução, vigente à época dos fatos, foi revogada pela Resolução CFC nº 1.300/2011, de 18/03/2011, que aprovou a ITG 2000 Escrituração Contábil, sendo mantidas, na nova norma, essencialmente, as mesmas determinações do texto revogado, com as adaptações e ajustes resultantes das evoluções legislativa e administrativa ocorridas. Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.208 17 Ø Conta nº 8.1.7.57.00.4.4982 – Serviços Diversos Pessoas Jurídicas e Outros Serviços de Pessoas Jurídicas – R$ 11.352.361,57 e R$ 5.369.628,64 As duas rubricas se entrelaçam e têm em comum a mesma conta contábil e, no fundo, a mesma estrutura fática, por isso analisadas em conjunto. Durante a ação fiscal, a contribuinte foi intimada a apresentar a comprovação das despesas relativas aos seguintes fornecedores de bens/serviços (TVF fls. 726/727): Segundo a acusação, “da análise da documentação oferecida, verificouse que não houve a indicação das contas contábeis em que foram escriturados os pagamentos efetuados às empresas retro apontadas, os quais não puderam ser identificados...”, vale dizer, ausentes os documentos probantes, a glosa de referidos gastos se impunha. Já a recorrente sustenta ter apresentado notas fiscais, contratos e livro Razão (fls. 1239/1351), por isso, a comprovação se estamparia. De fato, há documentos acostados aos autos (notas fiscais, contratos, etc.). Todavia, basta uma simples vista d´olhos para se constatar que, i) ou as notas fiscais não se referem a fornecedores listados pelo Fisco (quadro acima), caso das nfs.emitidas por “Manpower Professional Ltda.” (fls. 1282/1324), ou, ii) ainda que sejam pertinentes a fornecedores presentes no quadro citado, só foram apresentadas as notas fiscais, sem qualquer contrato que possa comprovar o tipo de serviço prestado e sua necessidade às atividades da empresa. São os casos dos fornecedores JPF Planejamento e Pesquisas Ltda. – nfs. nºs 078/083/088 (fls. 1271/1273) e Alphamark Assessoria de Negócios Ltda. – nf. nº 0233 (fls. Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.209 18 1280), sendo até desnecessário dizer, pela obviedade, que “serviços” de qualquer espécie, mais ainda os de assessoria e consultoria, até pela imaterialidade de que se revestem, devem ser robustamente comprovados, como fartamente assente neste Tribunal Administrativo: DESPESAS COM SERVIÇOS. NÃO COMPROVAÇÃO.INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis para a apuração do lucro tributável as despesas decorrentes de "serviços de consultoria" tomados pelo contribuinte quanto este, devidamente intimado, não faz prova da efetiva fruição dos mesmos. (Acórdão 10323336 – Relator Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Sessão de 22.01.2008) Igual posição estampada no recente Ac. 1402002.447, desta Turma, relatoria do Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, sessão da qual participei: DESPESAS OPERACIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.GLOSA. Cabível a exigência de ofício sobre valores contabilizados como despesas de auditoria, assessoria e publicação, quando não apresentados documentos hábeis e idôneos a comprovar a efetiva execução do serviço definido por contrato entre as partes. Finalmente, por bem resumir o tema, cabe reproduzir excerto do voto condutor do Ac. da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, relatoria Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, plenamente aplicável: “(...) Trabalhos de assessoria e de consultoria não se perfazem apenas com uma menção lacônica assentada em notas fiscais dando conta de que um serviço genérico fora prestado, pois, é fundamental que os documentos expressem com detalhes os serviços efetivamente contratados e que se façam acompanhar de contratos, propostas técnicas, papéis de trabalho, relatórios profissionais exaustivos e conclusivos, discriminação das técnicas utilizadas, discriminação dos profissionais envolvidos e sua qualificação técnica, a metodologia empregada, etc.”. Assim incomprovadas as despesas e documentalmente insuficiente sua comprovação, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste tópico Valores – R$ 11.352.361,57 (infração nº 003 – 6º item do AI) e R$ 5.369.628,64 (infração nº 003 – 1º item do AI). Ø Conta nº 8.1.7.33.00.4.3833 – Abono Participação Lucro, Conta nº 8.9.7.10.20.1.0000 – Empregados PLR e Conta nº 8.1.7.99.00.6.6684 – Outras – R$ 4.243.852,93 – R$ 34.480.776,22 e R$ 2.800.000,00 Segundo a recorrente, tais despesas (percentagens, gratificações e outros pagamentos realizados pelo empregador) teriam natureza remuneratória, e seriam uma contraprestação dos serviços prestados pelos seus funcionários, conforme lançamentos no Livro Razão (fls.13251349) e o relatório analítico da folha de pagamento relativo ao período dos lançamentos contábeis (fls.8571204 e 13571703). Já para o Fisco, como a contribuinte não apresentou documentação satisfatória referente aos pagamentos de PLR, ou, em outras palavras, da análise da documentação apresentada “inferiuse a inocorrência de fixação de regras claras e objetivas dos Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.210 19 direitos substantivos na participação, visto que o direito ao pagamento de PLR pela empresa está condicionado à observância dos requisitos previstos na Lei 10.101 (...), a qual elenca os requisitos necessários para a participação dos trabalha dores nos lucros ou resultados da empresa (...)”, não só a despesa restou incomprovada como tal pagamento revestiuse de mera liberalidade, por isso, indedutível. Não se nega a possibilidade de que os trabalhadores participem no resultado das empresas e que tal gasto se revista de necessidade, usualidade e normalidade. Todavia, para que esses dispêndios, que serão sempre dispêndios sob o ângulo econômico e financeiro, se enquadrem nas regras de dedutibilidade exigidas pela legislação tributária do IRPJ (e da CSLL), mister amoldemse não apenas aos requisitos do artigo 299, do RIR/1999, mas, também, inclusive e PRINCIPALMENTE, aos ditames do artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000, verbis: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Pois bem, ainda que gastos sejam tais estipêndios, sua dedutibilidade passa, necessariamente, pela comprovação de que foi obedecida a legislação citada, ou seja, devem ser apresentados os critérios de pagamento da remuneração de modo a afastar a hipótese de liberalidade. Até porque, como sabido, o art. 299, §3o do RIR/99 admite a dedução de gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem, mas desde que atendidos os requisitos do caput e dos incisos I e II daquele artigo, qual seja, se estas gratificações configurarem despesas operacionais, necessárias, usuais e normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Ora, ausente qualquer demonstração dos critérios de pagamento dos valores classificados como participações nos lucros, não é possível aferir se aqueles requisitos foram atendidos. Logo, correta a conclusão fiscal de que Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.211 20 “ausente o acordo específico, pressupõese que o pagamento efetuado revestiuse de mera liberalidade”. Como bem ponderado pela PGFN, em suas contrarrazões (fls. 1831), “Uma coisa é a natureza jurídica de um pagamento, outra é o efeito jurídico que esse pagamento gera. No âmbito do IRPJ, o efeito jurídico da distribuição de lucro aos empregados é a adição ao lucro líquido do período (regra geral). Todavia, este efeito pode ser modificado se, e somente se, o pagamento a esse título for realizado segundo os critérios estabelecidos na Lei n.º 10.101/2000, porque esta foi a exigência estabelecida pelo legislador para afastar a regra geral (inciso III art. 462 do RIR)”. Em síntese, para que sua dedutibilidade possa ir ao encontro do artigo 299, do RIR/1999, somente com a obediência irrestrita e literal aos dizeres da Lei nº 10.101/2000. Caso contrário, será um gasto INDEDUTÍVEL. No mesmo trilhar seguem as duas outras rubricas aqui tratadas e acerca das quais a interessada não logrou trazer qualquer esclarecimento, mediante prova documental, de sua natureza. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de despesas relativas a este tópico, a saber: Valores – R$ 4.243.852,93 (infração nº 003 – 2º item do AI); R$ 34.480.776,22 (infração nº 003 – 3º item do AI) e R$ 2.800.000,00 (infração nº 003 – 7º item do AI). DA GLOSA DE DESPESA – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS INFRAÇÃO Nº 001 DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Ø Dedução indevida de encargos contabilizados na conta nº 1.6.9.99.00.2.0000 Provisão para Operações de Créditos de Liquidação Duvidosa R$ 208.721.980,38 Para melhor fixação relembrese o resumo da acusação, segundo relato da decisão recorrida: “A contribuinte é uma sociedade empresarial de administração de cartões de crédito, realizando (i) prestação de serviços de intermediação para permitir aos consumidores a aquisição de bens e serviços em estabelecimentos comerciais, (ii) administração de cartões de terceiros e (iii) prestação de serviços junto ao mercado financeiro. As operações das administradoras de cartões de crédito envolvem cinco etapas: 1 o titular do cartão de crédito firma com a emissora do cartão um contrato de adesão e esta, por sua vez, firma com uma instituição financeira um contrato de abertura de crédito em nome do titular do cartão; 2 na operação com cartão de crédito o cliente portador do cartão se desobriga a pagar diretamente ao lojista os bens e serviços adquiridos, obrigandose, em contrapartida, a pagar a Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.212 21 um terceiro (emissor do cartão de crédito/administradora de cartões de crédito); 3 o lojista recebe o valor das aquisições do administrador do sistema de cartões de crédito (e não do cliente); 4 desde que o contrato de adesão contenha cláusula de mandato, o portador do cartão de crédito pode financiar o valor quando do vencimento da fatura; 5 a cláusula de mandato autoriza a entidade emissora do cartão de crédito a captar recursos junto a uma instituição financeira em nome do titular do cartão, para financiar os valores faturados e não pagos na data aprazada, repassando ao cliente a taxa de juros cobrada. A atividade de administração de cartão de crédito, portanto, é uma prestação de serviços direcionada ao mercado financeiro. Essa atividade comercial não se equipara às atividades exercidas pelas instituições financeiras descritas no art.17 da Lei nº 4.595/64, pois a administradora de cartões de crédito não tem como atividade principal ou acessória promover a coleta, intermediação e aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, e também não promove a custódia desses recursos, pois não financia o titular do cartão. Além disso, para que uma instituição financeira possa funcionar é necessário uma autorização prévia concedida pelo Banco Central (BC), órgão competente para fiscalizar tais instituições segundo o art. 18 da Lei n° 4.595/64. A administradora de cartões atua na obtenção de empréstimo junto às instituições financeiras, como mandatária do titular do cartão, quando este opta por financiar as compras ou serviços recebidos. Assim, a detentora do crédito referente ao empréstimo tomado em nome do usuário do cartão de crédito é a instituição financeira, e não a administradora de cartões de crédito. Concluise que a administradora de cartão de crédito é uma pessoa jurídica não financeira que emite e administra os cartões, mas não financia diretamente os seus portadores, apenas os representa perante as instituições financeiras para obtenção de financiamento, repassando aos mesmos os respectivos encargos de financiamento. A empresa registrou nas contas de crédito em atraso o total de R$ 123.726.656,93 no ano de 2007, porém constituiu “Provisão para Operações de Créditos de Liquidação Duvidosa” – conta nº 1.6.9.99.00.2.000.0, em contrapartida a “Perdas em Operações de Crédito” – conta nº 8.1.8.30.30.9.000.0, para créditos a receber considerados irrecuperáveis”. De seu lado a contribuinte assentou que no sistema de cartões de crédito, os titulares dos cartões podem financiar o pagamento das faturas outorgando poderes às administradoras de cartões para, em nome dos titulares, obter empréstimos em instituições financeiras, ficando a administradora de cartões como garantidora desses financiamentos. Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.213 22 Que, para garantir a credibilidade da modalidade de pagamento via cartão, foi estabelecido um procedimento no qual a empresa integrante do sistema de cartão de crédito assume o prejuízo pela inadimplência do consumidor (titular do cartão) em favor do estabelecimento comercial. Assim, a responsabilidade pelas perdas cabe a ela, recorrente. Mais: 1. Realizada a transação comercial, o titular do cartão efetua o pagamento à administradora do cartão, no vencimento da fatura. Por sua vez, o estabelecimento comercial recebe o respectivo valor da administradora de cartões. 2. Quando o titular do cartão efetua o pagamento da fatura a menor, ou em atraso, ou deixa de efetuar o pagamento, a recorrente, como administradora do cartão, fica autorizada a efetuar um financiamento em nome do titular para quitação da fatura, conforme o contrato de emissão de cartões (fls.12391250). 3. A recorrente, como administradora e mandatária, contrai em nome do titular um financiamento junto a instituições financeiras, com a finalidade exclusiva de quitar o saldo devedor da fatura em aberto. 4. Para tanto, associase a uma instituição financeira para a abertura de conta específica para financiar as dívidas realizadas pelos titulares de cartão, por meio de um convênio (fls. 12511254). 5. Nesse convênio, como interveniente e em nome e por conta do titular do cartão, firma com a instituição financeira contrato de abertura de crédito para o titular do cartão de crédito (fls. 12581262), cujo objeto é o financiamento de gastos, compras, juros, taxas, comissões, reajustes e encargos de qualquer natureza, incorridos pelos titulares de cartão junto a estabelecimentos comerciais credenciados ao sistema de cartões da recorrente. 6. Ao promover a contratação de financiamento nos termos acima, a recorrente, segundo o contrato de emissão de cartões, se constituirá fiadora, avalista e principal garantidora do financiamento. 7. A fiança oferecida como garantia à dívida contraída em nome do titular do cartão, é formalizada por meio de instrumento particular, conforme a cláusula 11 do contrato de financiamento, sendo parte integrante deste. 8. Ocorrido o inadimplemento do titular, a recorrente (fiadora) deve quitar a dívida contraída pelo titular, autorizando a instituição financeira a debitar o valor relativo ao saldo devedor do financiamento (cláusula 12 do contrato de financiamento), subrogandose nos direitos decorrentes do contrato de financiamento (cláusulas 8.2.1. e 8.2.2. do contrato de emissão de cartões). 9. Por sua vez, o titular do cartão se obriga a reembolsar a recorrente em 24h, pelo valor pago na liquidação do financiamento. Ou seja, a impugnante passa a ser credora do titular do cartão (cláusula 8.2.2. do contrato de emissão de cartões). 10. Tratase de um novo crédito a seu favor, oriundo do pagamento da dívida contraída pelo titular do cartão, que não se confunde com a Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.214 23 concessão de financiamento por instituições financeiras. Ao assumir as dívidas, a recorrente passa a deter um crédito relativo à sua atividade operacional. 11. Conforme o Parecer Normativo (PN) CST nº 298/73, os valores correspondentes aos títulos considerados incobráveis, no contrato de comissão del credere deverão ser debitados à provisão para créditos de liquidação duvidosa e, por conseguinte, dedutíveis do IRPJ e CSLL, na medida em que houve a subrogação dos direitos à comissária. 12. As perdas com charge back (incorridas pelas administradoras de cartões em razão do inadimplemento do titular do cartão) são dedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois são necessárias, usuais e normais para a atividade desenvolvida. 13. Os estabelecimentos comerciais não aceitariam a parceria com a recorrente se esta não assumisse a responsabilidade nas situações objetivadas nos autos de infração, o que torna essas despesas necessárias. 14. A assunção dessas despesas não constitui liberalidade, mas sim uma obrigação legal e contratual (prevista no contrato de emissão de cartões) que viabiliza o objeto social da recorrente. 15. A própria Receita Federal, no PN CST nº 33/74 reconhece a dedutibilidade das perdas assumidas por administradoras de imóveis que estão contratualmente obrigadas a adiantar os aluguéis aos locadores. 16. Portanto, as despesas incorridas são dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL pois são necessárias, normais e usuais, nos termos do art. 299 do RIR/99 e da Instrução Normativa SRF 390/2004. Comparecendo aos autos, a PGFN acostou contrarrazões (fls. 1816/1839), sendo imperioso reproduzir os seguintes tópicos: “Analisada em suas entrelinhas, a defesa sustentada pela recorrente consiste basicamente em dizer que, dado que o “sistema de administração de cartões de crédito” funciona de uma determinada maneira, não haveria que se exigir das administradoras a prova da existência e da titularidade de cada uma das perdas escrituradas, sendo suficiente para que se legitime a dedução a demonstração de que a recorrente celebra, em nome de seus clientes, contratos de financiamento nos quais figura como avalista. O dever de manutenção de documentos, todavia, atinge indistintamente todos os contribuintes, pouco importando se empreendem sua atividade por meio de operações mais ou menos complexas. Em verdade, se houver que se ater aos níveis de complexidade ou de vulto das atividades empreendidas por cada contribuinte, a lógica e o dever de prudência ditam que, quanto maior a empresa e mais complexas as suas atividades, maior deve ser o rigor na escrituração e na guarda dos documentos de interesse fiscal. Ora, senhores conselheiros, como é dever de todo contribuinte, era dever da recorrente, manter todos os documentos que comprovam os lançamentos efetuados Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.215 24 em sua escrituração comercial e fiscal, nos termos do que determina o parágrafo único do art. 195 do CTN: (...) Referida norma impõe de maneira muito clara a obrigação dos contribuintes de manterem e disponibilizarem seus livros fiscais e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados, ou seja, a obrigação de explicitar, documentalmente, como estão compostas as apurações dos tributos devidos escrituradas e depois declaradas. Como se vê, cabia à recorrente não apenas escriturar as perdas no recebimento de créditos, mas associálas às suas operações por via de registros contábeis e documentos que instrumentem estes registros. Pela tese da contribuinte, contudo, como o “sistema de administração de cartões de crédito” funciona de uma determinada maneira, todas as administradoras de cartões de crédito estariam dispensadas de apresentar os documentos que respaldam a escrituração de perdas, não sendo dado à autoridade fiscal sequer questionar a própria existência dessas perdas. O CARF, porém, já decidiu por diversas vezes que a escrituração, bem como os valores incluídos nas declarações entregues à Receita Federal, só fazem prova a favor do contribuinte nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos que lhes dão substância estejam comprovados por documentos hábeis. Os registros contábeis e valores incluídos nas declarações entregues à receita federal não dispensam a documentação comprobatória. A escrituração, bem como os valores incluídos nas declarações entregues à Receita Federal, só fazem prova a favor do recorrente nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos que lhes dão substância estejam comprovados por documentos hábeis.(Acórdão 20217.101). Na hipótese, a recorrente, entretanto, não apresentou documentação hábil. Não foi juntado um único documento de pagamento dos financiamentos por parte da recorrente. Os documentos juntados – modelo de contrato de adesão de cartão de crédito e convênio para financiamento de terceiros celebrado com os bancos – não provam absolutamente nada. Data venia, pouco importa que a recorrente apresente contratos que a coloquem como avalistas dos financiamentos contratados pelos usuários dos cartões de crédito, se não há prova de que tais financiamentos foram efetivamente quitados pela fiscalizada. O documento que respalda as perdas escrituradas pela recorrente é o comprovante de pagamento dos financiamentos junto às instituições financeiras, pois apenas com a realização de tal pagamento a fiscalizada se subroga na condição da credora dos valores financiados aos titulares de cartão de crédito, assumindo, assim, a titularidade das perdas. A recorrente não se torna titular dos créditos quando, em nome dos titulares do cartão de crédito, celebra o contrato de financiamento e se coloca na posição de avalista, mas apenas e tãosomente quando efetua o pagamento. Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.216 25 Sem prova do pagamento, não há que se falar em titularidade dos créditos escriturados como perdas, encontrandose plenamente legitimada a glosa efetuada pela fiscalização”. Com este posicionamento, os autos subiram ao CARF sendo analisado pela então 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul que, por voto de qualidade5, editou a Resolução nº 1101000.103, 09/10/2013 (fls. 1846/1913) convertendo o julgamento em diligência ESPECIFICAMENTE em relação à primeira infração, ou seja, “Custos ou Despesas Não Comprovadas – Glosa de Despesas – Operações de Créditos de Liquidação Duvidosa – valor R$ 208.721.980,38”, em voto assim definido6: “Neste momento fazse necessário abordar, apenas, as perdas em operações de crédito. O presente procedimento fiscal apresenta os mesmos contornos daquele formalizado um ano antes, nos autos do processo administrativo nº 10880.736407/201125, cujos recursos de ofício e voluntário foram atribuídos à relatoria desta Conselheira. O Termo de Verificação Fiscal aqui lavrado (fls. 714/719) traz os mesmos argumentos desenvolvido naqueles autos, agora para glosa de perdas, no anocalendário 2007, no valor total de R$ 208.721.980,38. Da mesma forma, as intimações aqui remetidas à contribuinte durante o procedimento fiscal (fls. 161, 165 e 170) ensejaram as mesmas insuficientes respostas prestadas no procedimento fiscal anterior (fls. 163/164, 167/169 e 171/172). Por sua vez, a interessada também trouxe, em impugnação apresentada nestes autos, o Contrato de Prestação de Serviços de Emissão, Utilização e Administração do Cartão Panamericano antes apresentado (aqui fls. 1239/1250), assim como o Convênio para Financiamento de Terceiros Portadores de Cartões Administrados pela Panamericano Administradora de Cartões de Crédito Ltda e Outras Avencas (aqui fls. 1251/1270). Por estas razões, a conversão do presente julgamento em diligência se impõe pelas mesas razões expostas no processo administrativo nº 10880.736407/201125, a seguir reproduzidas: (...) Assim, igualmente por estas razões, o julgamento deve ser CONVERTIDO em diligência, para que a autoridade fiscal competente verifique, junto à escrituração da contribuinte, a comprovação das ocorrências que ensejaram sua subrogação nos 5 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Relator Conselheiro José Ricardo da Silva, acompanhado pelos Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Nara Cristina Takeda Taga. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. 6 O Relator original, que restou vencido, havia dado provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar parte dos lançamentos, inclusive o relativo à diligência determinada. Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.217 26 créditos decorrentes de financiamentos aos titulares de cartões de crédito, bem como a presença dos requisitos legais para dedução destes créditos como perdas no anocalendário 2007, no montante de R$ 208.721.980,38. Ao final dos trabalhos deverá ser elaborado relatório circunstanciado, dele cientificandose a interessada com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa, antes do retorno dos autos a este Conselho". Cumprida a diligência (“RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO DE DILIGÊNCIA FISCAL” fls. 2010/2019) e com subsequente manifestação da interessada e documentos juntados (fls. 2037/2186), os autos voltaram para julgamento. Pois bem, como já observei no preâmbulo deste voto, em 21/10/2014 integrava a hoje extinta 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul e participei do julgamento do Processo nº 10880.736407/201125, de interesse da mesma contribuinte e dizendo respeito a fatos praticamente idênticos ao que se apreciam nestes autos (apenas alterandose os anoscalendário – 2006 e 2007), oportunidade em que acompanhei, INTEGRALMENTE, os argumentos esposados pela Conselheira Relatora Edeli Pereira Bessa (responsável pelo voto condutor), como se vê pelo resumo do Acórdão nº 1101 001.204, abaixo reproduzido: Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente à glosa de perdas, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Paulo Reynaldo Becari, que davam provimento ao recurso, e votando pelas conclusões o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 2) relativamente à glosa de despesas com vale transporte, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 3) relativamente às glosas de abono e participações nos lucros, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso, que davam provimento ao recurso, e o Conselheiro Paulo Reynaldo Becari, que convertia o julgamento em diligência; 4) relativamente à glosa de serviços de mão de obra temporária, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 5) relativamente à glosa de “comissão franquia/promotora”, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; 6) relativamente à glosa de serviços de consultoria financeira e “outros serviços de pessoas jurídicas”, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 7) relativamente à glosa de “serviços diversos de pessoas jurídicas”, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente à glosa de provisões para contingências cíveis e trabalhistas, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e 9) por unanimidade de votos, NEGAR Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.218 27 PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Certo que aquela decisão não tem efeito vinculante sobre esta e nem obriga, a princípio, que este Relator tenha que votar exatamente da mesma forma, salvo se novos fatos, argumentos e provas se exteriorizarem e nessa linha, a leitura da detalhada Informação Fiscal de diligência (fls. 2010/2019) é extremamente relevante: “Portanto, a denominada subrogação de créditos, da instituição financeira para a Administradora, se dá quando esta paga ao Banco o crédito inadimplido pelo titular do cartão, ao mesmo tempo em que ativa este mesmo crédito em seu patrimônio, com lançamentos do tipo: D Crédito subrogado C – Banco contamovimento Analisandose o balancete de 31/12/2007, constatase que as contas relacionadas na resposta à Intimação de 31/03/2016 integram o Ativo da contribuinte no grupo 1.6.9.00.00 – CRÉDITOS EM ATRASO: (...) A título de exemplo, a planilha anexa organiza, com base nos dados dos Razões fornecidos, os lançamentos a débito na conta 1.6.9.10.20.1.900.6 – BANCO SAFRA Total com contrapartida de crédito a contasdepósito na instituição Banco Safra, cujo resumo é o seguinte: Como se observa, no ano de 2007 a Administradora ativou Créditos em Atraso de seus clientes titulares de cartão e por eles pagou ao Banco Safra o valor de R$ 455.658.677,91”. CONCLUSÃO Muito embora os dados fornecidos estejam incompletos, conforme justificativas apresentadas pelo fiscalizado em decorrência das alterações societárias havidas e da dificuldade de localização de documentos sob a guarda de administradores anteriores, fato é que a escrituração da contribuinte apresenta registros relativos à subrogação de créditos de financiamento a titulares de cartões, do Banco Safra e do Banco J.Safra, para o então Panamericano Administradora de Cartões de Crédito Ltda., de acordo com o previsto no CONVÊNIO PARA FINANCIAMENTO DE TERCEIROS celebrado entre as partes. Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.219 28 Ou seja, restou claro que houve a subrogação dos créditos, de modo que foi respondida afirmativamente – e favoravelmente à tese da recorrente – a primeira parte do questionamento da diligência. Neste contexto, assim se manifestou a interessada em resposta à intimação, após a conclusão da diligência (fls. 2039/2040): “Portanto, como muito bem resumido na Manifestação Fiscal, denominada de “Relatório Circunstanciado de Diligência Fiscal Requisitada pelo CARF”, objeto da presente petição, a diligência visou a verificação de duas questões específicas: 1) Existência de dados na contabilidade capazes de comprovar a sub rogação da contribuinte com relação a créditos de financiamentos concedidos por estabelecimentos bancários aos titulares de cartões; e 2) Observação dos requisitos legais para dedução destes créditos como perdas, que em 2007 somaram R$ 208.721.980,38. No que se refere ao ponto 1), a Fiscalização, diante de toda a documentação apresentada, reconheceu a subrogação dos créditos de financiamentos que deram origem às perdas à Recorrente, os quais estão devidamente suportados em seus registros contábeis. Nesse sentido, vejase a conclusão da Fiscalização: (...) Devidamente reconhecido pela Fiscalização o atendimento e comprovação do item 1) da Resolução nº 1101000.103 pela Recorrente, resta a análise de seu item 2), o qual merece maior atenção”. Continuando com o procedimento de diligência, expressou conclusivamente a autoridade que presidiu o procedimento no seu RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO (fls. 2019): “Por outro lado, cumpre esclarecer que não faz qualquer sentido a afirmação do representante do contribuinte, em atendimento a pedido desta fiscalização, ao asseverar que a questão levada a discussão tem a ver simplesmente com a pronúncia acerca da natureza das despesas no sentido de serem as despesas necessárias, usuais e normais. Não! A carência da prova dá origem a uma situação análoga à que enseja o inadimplemento de um dever, pois a parte a quem incumbia o dever de provar suportará as consequências de sua falta. Assim nos ensina o grande mestre Chiovenda (CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil. p. 442.) Portanto, com relação à observação dos requisitos legais para dedução de perdas em créditos, conforme verificações apresentadas às páginas 2 a 4 deste Relatório, há carência de prova, tendo restado não atendida a solicitação desta diligência para apresentação do demonstrativo com dados que permitissem apreciar se os créditos deduzidos como perda no ano de 2007 atendiam aos requisitos legais de dedutibilidade do art. 9º da Lei 9.430/96”. Contra esta posição assumida na diligência insurgiuse a recorrente (fls. 2040): Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.220 29 “Conforme se depreende da Resolução, a d. Turma do CARF também solicitou fosse verificado se a Recorrente cumpriu os requisitos legais para dedução dos créditos como perdas no anocalendário 2007. Em análise de tal ponto, a d. Fiscalização sustentou na Resposta à Diligência que há carência de prova nos autos nesse item, concluindo “tendo restada não atendida a solicitação desta diligência para apresentação do demonstrativo com dados que permitissem apreciar se os créditos deduzidos como perda no ano de 2007 atendiam aos requisitos legais de dedutibilidade do art. 9º da Lei 9.430/96”. Contudo, a solicitação de verificação do cumprimento dos requisitos legais para dedução dos créditos como perdas ultrapassa os limites da acusação, eis que a única razão a fundamentar as autuações foi a equivocada consideração, por parte da Fiscalização, de que a Recorrente não poderia assumir a condição de credora dos titulares dos cartões de crédito inadimplentes, por tratarse tal atividade exclusiva de instituições financeiras. Nesse sentido, a própria fiscalização entendeu despicienda qualquer comprovação à luz da Lei 9.430/96, pois sua verdadeira causa de lançar foi a atividade exclusiva de instituição financeira, conforme indica o Termo de Verificação Fiscal”. Em suma, a partir deste quadro, a discussão cingese em definir se as despesas contabilizadas pela recorrente como “Perdas em Operações de Crédito” comportariam sua dedutibilidade, conforme preceitos previstos no artigo 9º, da Lei nº 9.430/1996 (artigo 340 – RIR/19997), lembrando que, no entender da recorrente, este ponto 7 Art. 340. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º). § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 1º): I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até cinco mil reais, por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de cinco mil reais, até trinta mil reais, por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a trinta mil reais, vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5º. § 2º No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.221 30 não foi objeto da acusação fiscal e só teria surgido quando da conversão do julgamento em diligência e na subsequente Informação Fiscal oriunda deste procedimento. Em outras palavras, teria havido inovação. Não comungo deste raciocínio. Primeiro porque não só o auto de infração já fazia referência, dentre outros dispositivos, ao artigo 9º, da Lei nº 9.430/1996. Depois porque, expressamente a ele faz referência o TVF (fls. 717/718): (20) A sistemática introduzida pela Lei nº 9.430/96 determina que as perdas nos recebimentos de créditos podem ser deduzidas como despesas para a determinação tanto do Lucro Real para o cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, quanto da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, desde que sejam observados os requisitos previstos em seu artigo 9º, correspondente ao art. 340 do citado RIR, a saber: Ademais, como bem assentado no voto que converteu o julgamento em diligência e na própria informação conclusiva do procedimento, não basta a comprovação (que foi feita) de que a recorrente teria se subrogado nos créditos. Este ponto é incontroverso, mas é apenas UM dos aspectos a se observar. O outro, tão importante quanto, é saber se a PERDA foi efetivamente suportada e, PRINCIPALMENTE, se restou comprovada. Dizendo mais claramente, seria extremamente simplório que a acusação apenas exigisse o enquadramento da recorrente como instituição financeira e que, suplantado este ponto, bastasse à contribuinte unicamente comprovar ser detentora dos créditos pela sub rogação para fazer jus à dedução das perdas, sem que, na sequência e como corolário, se impusesse que a despesa nascida da “perda” pudesse ficar ao largo do crivo da legislação que trata da matéria, o artigo 9º, da Lei nº 9.430, de 1996. as alíneas "a" e "b" do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 2º). § 3º Para os fins desta Subseção, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 3º). § 4º No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 4º). § 5º A parcela do crédito, cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária, poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 5º). § 6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 6º). Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.222 31 Ou seja, ainda que se aceite tal singeleza de raciocínio, não é crível possa haver a dedução da perda sem obediência aos dispositivos que regem tal matéria, não fosse por outro motivo, pela imperiosa obediência à lei que deve nortear as ações dos contribuintes, e, nesse sentido, são largamente conhecidas as restrições para deduções das perdas com direitos creditícios. Na verdade, o que a recorrente pretende é que a simples exibição de contratos possam validar eventuais perdas deles decorrentes. Ora, é necessário mais que isso. É indispensável a prova de que as perdas contabilizadas corresponderiam a créditos assumidos em decorrência dos efeitos da fiança demonstrada nos contratos apresentados e que estariam parametrizadas nos termos do dispositivo regulamentar citado (artigo 340 – RIR/1999). Com isso, ainda que não se negue a titularidade da Recorrente no que se refere aos créditos oriundos da subrogação da dívida contraída pelo titular do cartão, as eventuais “perdas” – mesmo que econômica e financeiramente sejam “perdas” na ótica do IRPJ só serão dedutíveis se observadas as regras do artigo citado e comprovadas documentalmente, caso contrário serão tratadas como indedutíveis. Em outro dizer, somente com a individualização das perdas e comprovação específica de cada uma delas é que se admitirá como dedutível a despesa surgida. Posição estampada com clareza na conclusão da diligência, balizamento que, se não vincula, não pode ser desprezado pelo julgador8: Portanto, com relação à observação dos requisitos legais para dedução de perdas em créditos, conforme verificações apresentadas às páginas 2 a 4 deste Relatório, há carência de prova, tendo restado não atendida a solicitação desta diligência para apresentação do demonstrativo com dados que permitissem apreciar se os créditos deduzidos como perda no ano de 2007 atendiam aos requisitos legais de dedutibilidade do art. 9º da Lei 9.430/96”. Em resumo e para que não pairem dúvidas, a restrição à dedução tem relação direta com a observância aos preceitos do artigo 340 do RIR/1999 (art. 9º, da Lei nº 9.430, de 1996). Como a recorrente não conseguiu trazer aos autos de forma individual e analítica o rol dos valores baixados (aí incluídos os dados do cliente, número dos títulos, vencimento, valor, etc.,), obviamente não foi possível ao Fisco, nem durante a ação fiscal nem por ocasião do procedimento de diligência, aferir a regular operação e validála, motivando, assim, os lançamentos perpetrados de ofício. 8 Processo nº 10580.011166/200200 Acórdão nº 110100008 – Sessão de 11/03/2009 – Relator Valmir Sandri Decisão – Provimento parcial ao recurso para reduzir a matéria tributável para (...) valor apurado na diligência fiscal. RECOMPOSIÇÃO DE BASES A diligência fiscal resultou em recomposição das bases tributáveis objeto do lançamento. O julgamento administrativo é norteado pelo Princípio da Verdade Material, constituindose em dever do Julgador Administrativo a sua busca incessante. Adequação do lançamento de acordo com ajustes reconhecidos pela própria autoridade fiscal em diligência realizada. Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.223 32 Mais a mais, não se olvide, no processo administrativo tributário, o sujeito passivo (contribuinte ou responsável solidário) defendese dos fatos que lhe são imputados, e não necessariamente da capitulação legal da infração. Se os fatos imputados estão devidamente narrados ou descritos no auto de infração e anexos e no Termo de Constatação Fiscal, como ocorre no presente caso, permitindo que o interessado deles se defendesse, eventual capitulação legal equivocada, insuficiente ou deficiente não tem o condão inquinar de nulidade o feito fiscal. Nesse sentido, até mesmo em relação ao ato de lançamento, é a posição do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF: ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL NULIDADE O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa.” (Acórdão nº 10312.119/92, Primeiro Conselho de Contribuintes). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). Nesse mesmo sentido, é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.224 33 Por todo o exposto, tenho que não se verificou qualquer inovação e que a motivação que sustenta o lançamento não foi afastada pela defesa, razão pela qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de perdas no recebimento de créditos Valor R$ 208.721.980,38 (infração nº 001 do AI). SOBRE A MULTA AGRAVADA Consta da imputação fiscal em relação à infração nº 003 (glosa de diversas despesas), o agravamento da multa em 50%, elevandoa ao patamar de 112,50%. A acusação está assim delineada (TVF fls. 727): “Por conseguinte, procederseá, de ofício, à constituição dos pertinentes créditos tributários incidentes sobre os valores a seguir demonstrados, através da lavratura dos competentes Autos de Infração de IRPJ e de CSLL com a aplicação da multa agravada de 112,5% em atendimento ao quanto disposto no artigo 959 do citado RIR/99, dos quais o presente fará parte integrante, sendo que a complementação do enquadramento legal encontrarseá alinhavada no corpo dos respectivos Autos de Infração”. Mencionado dispositivo regulamentar tem a seguinte redação: Art. 959. As multas a que se referem os incisos I e II do art. 957 passarão a ser de cento e doze e meio por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 2º e Lei nº 9.532, de 1997, art. 70, I): I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 265 e 266; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 267. Discordo do procedimento fiscal e da decisão recorrida que manteve o agravamento da penalidade que, no meu conceito, só tem razão de ser quando o fiscalizado, contumaz e repetidamente, negase a prestar quaisquer esclarecimentos ou dificulta de forma concreta o procedimento de fiscalização. Não é o que vejo nos autos. Ao contrário, mesmo supondose que a autoridade lançadora tenha cogitado da aplicação da hipótese prevista no inciso I do referido dispositivo (único que, em tese, aqui caberia), o fato é que a contribuinte, ainda que insatisfatoriamente, respondeu às intimações fiscais. Demais disso, várias intimações foram lavradas para questionamentos específicos, e não poderia a autoridade fiscal promover o agravamento em relação a todas as glosas de despesas indistintamente. Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 16327.720419/201281 Acórdão n.º 1402002.964 S1C4T2 Fl. 2.225 34 Em suma, não houve smj a mínima intenção da contribuinte em tumultuar os trabalhos da auditoria. E, se o agravamento da multa de ofício foi realizado pelo motivo da recorrente não ter apresentado documentos que evidenciassem a real prestação dos serviços tomados, isto não seria suficiente para motivar o agravamento, mas, sim, como visto, para realizar os lançamentos por não comprovação das despesas. Jamais para agravar a multa. Neste cenário, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar o agravamento da multa de 112,50%, reduzindoa ao seu patamar “normal” de 75%. Resumindo, para melhor fixação; 1 NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação às infrações imputadas, mantendo os lançamentos realizados e a decisão recorrida; e, 2, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário UNICAMENTE para afastar a aplicação da multa agravada (112,50%), reduzindoa a 75%. É como voto. Brasília (DF), em 13 de março de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 2225DF CARF MF
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Numero do processo: 10945.721075/2014-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
GANHO DE CAPITAL. TRANSFERÊNCIA A HERDEIROS. VALOR DE MERCADO.
Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus sujeitar-se-á à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento.
O imposto deverá ser pago pelo inventariante até a data prevista para entrega da declaração final de espólio, nas transmissões mortis causa, observado que, no caso de feita a adjudicação dos bens, deverá ser apresentada pelo inventariante, dentro de trinta dias contados da data em que transitar em julgado a sentença respectiva, declaração dos rendimentos correspondentes ao período de 1º de janeiro até a data da homologação ou adjudicação.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. COMPROVAÇÃO DE DEDUÇÃO LEGAL.
Comprovada a obrigatoriedade e o pagamento de pensão alimentícia, o valor a ela correspondente pode ser utilizado como dedução na apuração do carnê leão.
Numero da decisão: 2402-006.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa isolada de 50% incidente em relação ao imposto calculado sobre o valor de R$ 58.800,00, relativo aos recibos de pagamento vinculados à pensão paga a Melissa Rogick.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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TRANSFERÊNCIA A HERDEIROS. VALOR DE MERCADO. Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus sujeitarseá à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. O imposto deverá ser pago pelo inventariante até a data prevista para entrega da declaração final de espólio, nas transmissões mortis causa, observado que, no caso de feita a adjudicação dos bens, deverá ser apresentada pelo inventariante, dentro de trinta dias contados da data em que transitar em julgado a sentença respectiva, declaração dos rendimentos correspondentes ao período de 1º de janeiro até a data da homologação ou adjudicação. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. COMPROVAÇÃO DE DEDUÇÃO LEGAL. Comprovada a obrigatoriedade e o pagamento de pensão alimentícia, o valor a ela correspondente pode ser utilizado como dedução na apuração do carnê leão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 10 75 /2 01 4- 25 Fl. 226DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa isolada de 50% incidente em relação ao imposto calculado sobre o valor de R$ 58.800,00, relativo aos recibos de pagamento vinculados à pensão paga a Melissa Rogick. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10945.721075/201425 Acórdão n.º 2402006.089 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que entendeu por considerar improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração em 06.08.2014 para constituição de IRPF no valor principal de R$ 73.268,55, acrescido da multa de ofício (75%) e dos juros legais Selic, além de multa isolada no montante de R$ 100.012,48. A autuação decorre da constatação das infrações a seguir: 1 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão de ganhos de capital na transmissão "mortis causa"; e 2 Multas Aplicáveis à Pessoa Física Falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnê Leão. Para o relato dos fatos e constatações, sirvome do relatório do acórdão recorrido, por bem retratar o caso: Relata a autoridade fiscal que os bens havidos por herança com o falecimento da mãe, Bertina Carmen Guzzi, CPF n.º 084.145.13891, ocorrido em 16/11/1997, cujo inventário foi encerrado por sentença judicial em 07/08/2009, foram transferidos ao único herdeiro Otávio José Guzzi Taurisano por valor superior àquele que constava na declaração do de cujus, conforme demonstrado no quadro abaixo: Informa a fiscalização que a Declaração Final de Espólio foi apresentada em 29/04/2010, referente ao anocalendário 2009, ano em que se deu o encerramento do inventário. Segue relatando a fiscalização que os imóveis recebidos por herança foram incluídos na Declaração de Ajuste Anual do herdeiro, do anocalendário 2009, por valor superior ao constante da declaração do de cujus, e que intimado para comprovar o pagamento do imposto incidente sobre o ganho de capital apurado na transferência desses bens, o inventariante e herdeiro nada comprovou. Fl. 228DF CARF MF 4 Que a opção exercida pelo herdeiro em transferir os imóveis por valor superior ao que constava na ultima declaração do de cujus, consubstanciada na Declaração Final de Espólio entregue pelo inventariante sem que houvesse o respectivo pagamento do imposto, caracteriza a omissão de ganho de capital na transmissão de bens causa mortis. Esclarece a fiscalização quanto à aplicação do redutor do ganho de capital previsto na Lei n.º 7.713, de 1988, que foi considerada a data de aquisição consignada na certidão da matricula imobiliária de cada imóvel e como data de transmissão a data do óbito da autora da herança, em conformidade com o que dispõe o artigo 1.784 do Código Civil Brasileiro, calculado conforme demonstrativo abaixo: Esclarece ainda que, em razão do lançamento ter sido constituído após o encerramento do espólio, ocorrido em 07/08/2009, e sendo o crédito tributário apurado inferior ao montante recebido por herança, o mesmo está sendo constituído em nome do contribuinte supracitado, por força dos art. 119 e 142 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – RIR/99, destacando que o sucessor a qualquer título é responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, legado ou da meação, nos termos do inciso II do art. 131 do Código Tributário Brasileiro – CTN. Multa aplicada à Pessoa Física – Falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de CarnêLeão – Em razão do contribuinte ter deixado de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (carnê leão) incidente sobre os rendimentos declarados, foi aplicada a multa exigida isoladamente correspondente a 50% do imposto devido mensalmente e não recolhido, conforme Demonstrativo de Multa Exigida Isoladamente de fls. 135 a 138, totalizando R$ 100.012,48. Regularmente intimado, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 166/174. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10945.721075/201425 Acórdão n.º 2402006.089 S2C4T2 Fl. 4 5 Em seu Recurso Voluntário às fls. 206/211 aduz, em síntese: Que o fato gerador se deu em 1997, com o falecimento da mãe do recorrente, e não em 2009; Que os imóveis da Al Min Rocha Azevedo SP foram adquiridos pela autora da herança em 16.12.1989. Que além da redução de ganho da Lei 7.713/88, haveria outros redutores, como a depreciação pelo tempo em que o imóvel ficou com a contribuinte; Que sobre a diferença de R$ 51.932,90 (R$ 329.522,00 R$ 277.589,10) devem ser aplicados os seguintes redutores: 5% da Lei 7.713/88 e 50,92% e 14,84% da Lei 11.196/2005. Assim, o ganho seria de apenas R$ 20.620,85; Que o imóvel da Av. Angélica foi adquirido pela de cujus em 28.07.1981; Que sobre a diferença de R$ 18.241,54 (R$ 184.795,00 R$ 166.553,46) devem ser aplicados os seguintes redutores: 50% da Lei 7.713/88 e 50,92% e 14,84% da Lei 11.196/2005. Assim, o ganho seria de apenas R$ 3.812,18; Que quanto às multas isoladas, as declarações do recorrente, ladeadas às de sua exesposa, comprovariam os pagamentos da pensão. Estaria juntando documentos que comprovariam esses pagamentos de deduções quanto a dependente. (partilha de divórcio, homologação, recibo, declarações de imposto de renda do recorrente e de Flávia Rogick). Que a multa aplicada de 50% deve ser reduzida para 20%. Cita Jurisprudência. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 27.02.2015 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 27.03.2015. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. No que toca à sustentação de que o fato gerador teria se dado com o falecimento de sua genitora em 1997, dela não compartilho. Vejamos: O procedimento preconizado pelo artigo 23 da Lei 9.532/97 traz a possibilidade de, com a adjudicação ou com o formal de partilha, os valores serem transferidos aos herdeiros pelos valores que constaram na última declaração de bens do de cujus, não havendo qualquer imposto no ato da transferência, mitigando, nesse aspecto, a isenção imposta pelo inciso XVI do artigo 6º da Lei 7.713/88 1. Referida opção tem razão de ser pelo fato de nos processos de inventário ou arrolamento, os bens serem, a rigor, avaliados a valor de mercado, assim repercutindo na adjudicação/partilha. Por outro lado, há a possibilidade de os bens serem transferidos a valores de mercado, que, a rigor, constaram da partilha ou da adjudicação, ocasião em que, doravante, deverá ser apurado o ganho de capital na transferência do bem do espólio para o sucessor. Assim, é com a definição desse valor de mercado, que, em tese, se determinou com o trânsito em julgado da sentença (não raras as vezes se dá após cinco anos da abertura da sucessão), ladeada à manifesta opção do inventariante pela transferência dos bens por aquele valor de mercado 2 é que se tem, a meu ver, o momento de incidência do tributo, e não no falecimento de sua genitora em 1997. Corrobora o entendimento acima, o que consta no § 2º do mesmo diploma, ao estipular, como data do vencimento do imposto, a data prevista para a entrega da declaração final de espólio, quando se tratar de transmissão causa mortis, observadas às determinações do § 4º do artigo 7º da Lei 9.250/95, verbis. § 4º Homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, deverá ser apresentada pelo inventariante, dentro de trinta dias contados da data em que transitar em julgado a sentença respectiva, declaração dos rendimentos correspondentes ao período de 1º de janeiro até a data da homologação ou adjudicação. A seu turno, na forma do artigo 6º da IN RFB nº 81/2001, com a redação dada pela IN RFB nº 897/2008, a Declaração Final de Espólio deve ser apresentada até o último dia útil do mês de abril do anocalendário subseqüente ao da decisão judicial da adjudicação dos bens inventariados, que tenha transitado em julgado (27.08.2009) até o último dia do mês de fevereiro do anocalendário subseqüente ao da decisão judicial (07.08.2009). 1 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XVI o valor dos bens adquiridos por doação ou herança; 2 Por força da exigência contida no § 3º daquele artigo 23, caso não conste o valor da transferência na declaração final do espólio, tenho que a manifestação pela opção do valor de transferência deuse na declaração do sucessor, com a entrada do bem, em seu patrimônio, por valor superior ao da última declaração do de cujos Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10945.721075/201425 Acórdão n.º 2402006.089 S2C4T2 Fl. 5 7 A razão de ser dessa inovação legislativa está expressamente consignada na exposição de motivos da MP 1.602/97, convertida na Lei 9.532/97. Confirase: Nesse sentido, não merece acolhida a tese defendida, neste ponto. E prossegue o recorrente, valendose do princípio da eventualidade, ao questionar a apuração dos ganhos de capital, em especial, a aplicação dos fatores de redução da Lei 7.713/88 e 11.196/2005. A Declaração Final de Espólio acostada às fls. 90/96, apresenta valores de transferência zerados na Declaração de Bens e Direitos, embora tenham constados, na mesma declaração, os valores R$ 166.553,46, R$ 220.000,00 e R$ 277.589,10 na coluna "Situação na Data da Partilha". Não obstante, o recorrente entrou com tais bens em seu patrimônio pelos valores, respectivamente, de R$ 184.795,00, R$ 650.000,00 e R$ 329.522,00, implicando fosse admitido que, de fato, houvera a transferência dos bens, nesses valores, a ensejar a apuração do ganho de capital que deveria ter sido apurado pelo inventariante. Em função da não apuração pelo inventariante, a Fiscalização promoveu, de ofício, o levantamento do ganho da seguinte forma: Considerou, como custo de aquisição, os valores que constavam na declaração do espólio e, como data de aquisição, as consignadas nas escrituras de aquisição, a saber: 16.12.1988, 13.08.1979 e 20.12.1996. Considerou, como valor de transmissão, os que ingressaram no patrimônio do recorrente e que representariam os valores de transferência da Declaração Final de Espólio; como data da transferência, a do óbito de sua genitora (16.11.1997). Nesse contexto, após apurar o ganho de capital, a Fiscalização aplicou os percentuais de redução previstos na Lei 7.713/88, bem como requereu o recorrente. Não aplicou, contudo, os fatores de redução da Lei 11.196/2005, na medida em que muito embora a transferência a ensejar a apuração do ganho tenha se dado em 2009, a transmissão da propriedade, segundo a lei civil, derase com a abertura da sucessão, com o Fl. 232DF CARF MF 8 óbito. Ademais, aqueles fatores de redução aplicamse aos ganhos de capital decorrente de "alienações", o que, a meu ver, não se amolda ao caso, onde o ganho foi apurado em função de circunstância diversa, é dizer, da transferência causa mortis. Veja, nesse aspecto, não haverá qualquer prejuízo ao contribuinte, que, quando alienar referidos bens herdados, poderá se valer daqueles fatores de redução acima mencionados, caso, por óbvio, vigente a norma à época da alienação, a contar da data do falecimento de sua mãe. Não é outro o texto do inciso I do artigo 21 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, ao definir a data de aquisição, na transferência causa mortis, como sendo a da abertura da sucessão. Destarte, quanto à apuração dos ganhos, não vejo reparos a considerar no lançamento. No que toca às multas isoladas constituídas, requer o recorrente sejam consideradas as deduções com dependentes e pensão, muito embora não tivesse delas se aproveitado em suas DIRPF, quando da informação de rendimentos recebidos de pessoa física. (fls. 8 ac 2009; fls.18 ac 2010; fls. 31 ac 2011; e fls. 43 ac 2012). Todavia, apresentou, no recurso voluntário, o recibo de R$ 58.800,00, às fls. 203, subscrito por Flávia Rogick, vinculado à filha Melissa Rogick e relativo ao período de janeiro a dezembro de 2011 a valores mensais de R$ 4.900,00. Na ação de divórcio direto, transitada em julgado em 21.01.2011, constou o pagamento de pensão alimentícia aos filhos, dentre eles, Melissa, no valor de R$ 4.900,00. Tais valores foram oportunamente declarados pelo excônjuge em sua DIRPF/2012. Nesse sentido, concluo pela dedutibilidade desses valores na apuração mensal do carnê leão nos meses de janeiro a dezembro de 2011. Quanto às demais deduções pleiteadas, cumpre observar que além de não ter se valido delas na apuração mensal do tributo, nada apresentou que as comprovasse. No que toca à redução do percentual da multa isolada, tenho que inexiste amparo normativo para tanto, ressaltando que o percentual de 50% tem assento legal na alínea "a" do inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, que dele não se deve afastar este colegiado, por força do artigo 62 do RICARF. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso apresentado, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL provimento, para afastar a multa isolada correspondente à redução do valor a título de carnê leão, em função das deduções aqui autorizadas para o no 2011. (Assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10945.721075/201425 Acórdão n.º 2402006.089 S2C4T2 Fl. 6 9 Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.721559/2012-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso para, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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A prática de SIMULAÇÃO de uma situação, para beneficiarse indevidamente de regime especial de tributação, caracterizandose como prática reiterada de infração à legislação tributária, é causa de exclusão do simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso para, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 15 59 /2 01 2- 11 Fl. 212DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0829.265, da 4ª Turma da DRJ/FOR, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRF/SCS n° 10/2012, que a excluiu do Simples Nacional, face ao por prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme art. 89 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 12, 14, inciso V, e art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e arts. 21, 23, inciso V, e 24, inciso VII, da Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006 (fl. 41).Em síntese, foi proferido o seguinte voto: .A manifestação de inconformidade é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dela tomo conhecimento. Foram expedidos o Ato Declaratório Executivo DRF/SCS nº 10, de 24 de maio de 2012 (ADE 10/2012), por prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme art. 89 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 12, 14, inciso V, e art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e arts. 21, 23, inciso V, e 24, inciso VII, da Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006 e o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/SCS Nº 14, de 25/06/2012 (ADE 14/2012), em virtude de constituição por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, conforme art. 89 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 12, 14, inciso IV, e art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e arts. 21, 23, inciso IV, e 24, inciso VII, da Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006.A contribuinte foi excluída do Simples porque foi apurado excesso de receita sobre o limite legal de R$ 2.400.000,00 considerandose sua receita e das empresas das quais seus sócios igualmente faziam parte, conforme ADE nº 14 (fls. 404). PRELIMINARMENTE I – DA NULIDADE DO ADE 10/2012 A impugnante, alegando ofensa ao princípio da segurança jurídica requer a anulação do ADE 10/2012. Não é possível atender ao pedido da interessada porque não há razão jurídica para o fazer. A nulidade de um ato administrativo está previsto no artigos 59 a 61 do Decreto 70235/72, e suas alterações posteriores, que assim dispõem: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13005.721559/201211 Acórdão n.º 1001000.503 S1C0T1 Fl. 3 3 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Pelo acima exposto, vimos que a autoridade administrativa autora do ADE 10/2012 era competente para o fazer, visto que consta das suas atribuições que lhe são conferidas pelo artigo 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, do disposto no artigo 23, parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, e na Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996: Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores Chefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: (...) II decidir sobre a inclusão e exclusão de contribuintes em regimes de tributação diferenciados; Por outro lado, como vimos acima, as acusações de infrações cometidas pela Manifestante foram apontadas pelo Auditor às fls 4 a 37 do presente processo (p.p.), que embasaram a Representação Fiscal para exclusão do Simples, em decorrência do que foram expedidos os ADE 10/2012 e ADE 14/2012, o que permitiu à pessoa jurídica deles conhecer e, por conseguinte, exercer o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, o que resultou na extensa manifestação de inconformidade, que constitui prova inconteste do conhecimento pela pessoa jurídica das acusações que lhe foram feitas de usufruir indevidamente do regime especial de tributação. Não bastasse isso, o manifestante demonstrou amplo conhecimento de todos os pontos justificadores da exclusão, apresentando, nesta oportunidade, suas razões de contestação. Portanto, não se verifica vício na motivação dos atos de exclusão. Isto posto, provado está que os ADE 10/2012 e ADE 14/2012 foram expedidos dentro da estrita legalidade, não havendo motivos que justifiquem nulidade, pelo que voto para que seja negado provimento ao pedido da interessada. II DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA Fl. 214DF CARF MF 4 Embasa o pedido de diligência e perícia a busca da verdade real dos fatos que a defendente alega não estar presente nos autos. No entanto, entendo ser desnecessário periciar ou diligenciar para se chegar à verdade dos fatos, visto que o relatório fiscal é por demais detalhado, contendo os elementos necessários para formar a convicção deste julgador. Por outro lado, pedido de diligência ou perícia tem ritual previsto no Decreto 7574/2011 que não foi observado pela manifestante. Em seu artigo 36, o referido diploma legal reza que: Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). Não tendo a pessoa jurídica formulado os quesitos nem apontando o nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito, é de se considerar não formulado o pedido, nos termos do art. 57, parágrafo 1º Do Dec 7574/2011: Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei n o 8.748, de 1993, art. 1º , e pela Lei n o 11.196, de 2005, art. 113): I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, bem como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; e § 1º Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV. Por fim, a realização de diligência não se presta à aquisição processual de documentos que o interessado poderia ter juntado com a impugnação, se já não o fez, do que voto para negativa de deferimento ao pedido. III DA COBRANÇA DE MULTA, TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS Alega a manifestante impossibilidade de aplicação da multa prevista no artigo 21 da lei 9.317/2006 (sic), por esta se encontrar revogada, nos termos do art 89 da LC 123/2006, e da cobrança dos tributos e contribuições federais devidos pelo contribuinte, por se tratar de bis in idem (o que é vedado pelo ordenamento jurídico) visto que o auto de infração DEBCAD 37.284.2470 já o teria feito e não é possível tributar duas vezes o mesmo fato gerador. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13005.721559/201211 Acórdão n.º 1001000.503 S1C0T1 Fl. 4 5 Em relação aos fatos motivadores do lançamento, deixo de conhecer do argumento, vez que este argumento se refere à exigência da multa e de tributos e contribuições federais, que tem tramitação própria em processo administrativo distinto e neste deve ser proposto qualquer argumento contestatótio. NO MÉRITO ALEGAÇÃO DE PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA E CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA POR INTERPOSTAS PESSOAS. Referese a manifestante à constatação feita pela fiscalização de que no mesmo local de funcionamento da filial da Bison, desativada, teria havido a continuidade da linha de produção de calçados com as empresas Industria de Calçados Soft Ltda, Indústria de Calçados Flexshoes Ltda – ME e Indústria de Calçados Wood Ltda – ME, todas optantes do regime especial diferenciado do Simples Federal (lei 9317/96) e, posteriormente, do Simples Nacional (LC 123/2006), todas se utilizando da mesma estrutura utilizada anteriormente pela filial da Bison. Tal fato, associado a outros, consistem na motivação do ADE 10/2012 para decretar a exclusão da defendente do Simples Federal, quais sejam: serem as três empresas citadas clientes de um só fornecedor de softwares de folha de pagamento, integração bancária e controle de saúde ocupacional (Metadados); terem elas um só sistema de contas e um só e mesmo contador; os números apresentados na contabilidade das empresas não refletirem a realidade; as receitas de prestação de serviço das mesmas são provenientes da prestação de serviços à Via Uno; esta é a proprietária de todo o material empregado na prestação de serviços das três empresas (Soft, Wood e FLEXSHOES); estas foram criadas para fornecer a mãodeobra para a Via Uno; os bens integrantes dos ativos da FLEXSHOES, Soft e Wood são provenientes de compra e venda, com reserva de domínio à Via Uno; os bens de produção desta são bastante inferiores aos das três empresas citadas; maquinários e funcionários oriundos da Via Uno exercem as mesmas atividades nas três empresas; veículos de utilização comum pelas mesmas três empresas tem seu registro contábil na Soft e as despesas de lubrificantes e combustíveis dos mesmos veículos são apropriados nas contas contábeis das demais; notas fiscais de compra de suprimento cujas despesas foram suportadas por uma empresa foram apropriadas por outra; o seguro do prédio onde estão instaladas a Soft, a Wood e a FLEXSHOES foi contratado pela Soft, que arcou sozinha com esse ônus e depois os rateou;todos esses e outros fatos consistiriam numa simulação de uma situação, com o fim de utilizar tratamento tributário diferenciado e com o propósito de evasão fiscal. Alega a defendente que: essa interpretação dada pela fiscalização não tem respaldo e com ela não concorda, pois não ficou demonstrado, de forma inequívoca, que a manifestante tenha dado causa a qualquer irregularidade fiscal e as afirmações do auditor fiscal não passam de mera presunção, pois não estão fundamentadas em nenhum elemento de prova; não foi apontada Fl. 216DF CARF MF 6 nenhuma irregularidade na escrituração da(s) empresa(s) ou falta de pagamento de encargos tributários. Afirma a manifestante que tal presunção não pode gerar débitos inexistentes do contribuinte e que a atribuição de penalidade desta ordem constitui ofensa ao princípio da segurança jurídica: não havendo fato imponível e não havendo disposição legal em contrário, não se pode penalizar o contribuinte seja qual for a natureza da penalidade. Diz a “impugnante” que esta é gerida por seus sócios proprietários que tem relação comercial com outra empresa, não havendo vedação legal ao fato de um delas ter seu faturamento mensal preponderante decorrente de uma única relação comercial e não pode admitir seja dada a esse fato um interpretação de simulação. Entendo que não cabe razão à pessoa jurídica e seus argumentos são desprovidos de força jurídica ou fática para modificar a decisão contida no ADE 10/2012. A questão principal pode ser assim enunciada: a Via Uno S/A, empresa tradicionalmente submetida ao regime do lucro real, operou de modo a iludir a tributação, colhendo os benefícios da tributação simplificada e menos onerosa do Simples, mediante o artifício de transferir parte da sua produção e faturamento para três empresas do mesmo grupo, integrantes do regime simplificado (SOFT, Wood e Flexshoes). Em contrapartida, nelas concentrou os empregados do grupo, com propósito de reduzir o peso da contribuição previdenciária, que se detecta no caso. Ademais, a tese esposada pela fiscalização está alicerçada em planilhas demonstrativas e documentos. Após ler a representação fiscal, apreendendo, em sua totalidade, o contexto fático subjacente à tese da fiscalização, concluo estar ela respaldada na ausência de diversas autonomias em relação às demais empresas do grupo. Eis a síntese que faço das autonomias não detectadas no manifestante: Autonomia administrativa e societária: o controle do manifestante pertence, DE FATO, à Via Uno S/A, em que pese a interposição de antigos empregados para figurarem como seus sócios e administradores; Autonomia empresarial: o objeto social da Via Uno S/A é abarcante do objeto social das outras três empresas, entre as quais se encontra a manifestante, com o mesmo objeto social daquela; o mesmo plano de contas contábeis; Autonomia operacional: a atividade produtiva das três empresas do grupo (SOFT, Wood e Flexshoes) ocorre num mesmo galpão, situado na Rua Adolfo Hermes, 99; elas ainda compartilham: os mesmos empregados na produção; espaço de recepção; espaço de produção (evidenciado pela desproporção entre massa salarial e faturamento); refeitório para seus empregados; fornecedor comum de refeições; fornecedor comum de softwares; compra de insumos e funcionário para esse fim; motorista e mecânico para seus veículos; uniformes de trabalho semelhantes; o mesmo cliente majoritário; os mesmos veículos e a mesma maquinaria; Autonomia financeira: “gestão financeira única” das empresas, comprovada a partir da constatação de registros escriturais de obrigações recíprocas, tais como contas correntes; despesas com comunicação, energia e Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13005.721559/201211 Acórdão n.º 1001000.503 S1C0T1 Fl. 5 7 água; despesas com securitização comum à defendente e à Bison (atual Via Uno S/A) de suas instalações, sem a devida comprovação ou o oportuno registro da liquidação da dívida. Contra a negativa apresentada pela pessoa jurídica de prática reiterada de infração à legislação tributária militam os fatos descritos pela fiscalização caracterizadores da ilicitude e as conclusões expostas acima por este julgador. Não é demais recordar que: a empresa Bison dissociou a mãodeobra utilizada no seu processo produtivo para outras empresas criadas exclusivamente para esse objetivo, sendo o surgimento dessas empresas (dentre as quais a FLEXSHOES) coincidente no tempo com o desaparecimento de sua filial; as matérias primas que chegam às empresas de forma triangulares e por elas utilizadas são de propriedade da Bison/Via Uno; as empresas que foram criadas continuam a desempenhar o mesmo papel da filial desaparecida da Bison, sem qualquer interrupção na linha de produção, com seus trabalhadores exercendo as mesmas funções e operando as mesmas máquinas e equipamentos, alguns deles integrando os quadros societários dessas novas empresas, cujos calçados produzidos abastecem o mercado com a marca Via Uno; há uma enorme desproporção entre as produções das novas empresas e seus equipamentos e trabalhadores, mas o quantitativo beneficia todas as empresas, assim como incorrem em despesas comuns. Cumpre observar que o endereço da antiga filial da Bison coincide com o da FLEXSHOES, Wood e Soft. A incongruência com a realidade fática fica mais evidente quando se confronta a relação entre massa salarial, receita bruta das diferentes empresas e suas produções ao largo do tempo e no interregno de um ano calendário. De qualquer modo, os indícios colimados são contundentes e convergentes no sentido afirmado na representação fiscal. As empresas simulam, assim, uma situação que não aparenta a realidade dos fatos apurados, a fim de utilizar tratamento tributário diferenciado, com o propósito de evasão fiscal – deixa de existir uma empresa tributada pelo lucro real e surgem novas empresas no regime de tributação favorecida do Simples, que aparentam não ter com a principal demandante dos seus serviços e produtos qualquer relação. A aparência real é de certa confusão administrativa e patrimonial entre as empresas Soft, Wood e FLEXSHOES, onde não se pode delimitar certas competências exclusivas de suas atividades, pelo fato de uma das empresas se apropriar de custos das outras ou compartilhar espaços de recepção ou até mesmo espaço e ferramentas de produção. Fato significativo é o que se observa quanto ao faturamento de cada uma das três empresas e descrito nos gráficos que apresentam os saldos mensais acumulados da receita bruta com a venda de mercadorias e prestação de serviços no ano calendário de 2007 (fls. 14 e 15) bem como na evolução dos totais da conta 30011 (fl. 16 a 17) das três empresas, em especial da FLEXSHOES. Além da aparência de maquilagem contábil aplicada harmonicamente para as três empresas (por mesmos contabilistas – para as Fl. 218DF CARF MF 8 três empresas são os mesmos, e mesmo nº da conta “30011”), o cliente Bison/Via Uno é praticamente único e comum à FLEXSHOES, Soft e Wood. Ademais, repercute favoravelmente à acusação o fato de que as empresas FLEXSHOES, Soft e Wood nada vendem, pois nada compram, visto que as matérias primas utilizadas no processo produtivas são de propriedade da empresa que utiliza os seus serviços. As operações de compras de matérias primas são feitas de forma triangular, faturadas para a Bison, mas utilizadas pela FLEXSHOES, Soft e Wood, fornecedora de mão de obra. Entendo ter ficado caracterizado, também, que as atividades empresariais desenvolvidas pela extinta filial Bison, então tributada pelo lucro real, não foram encerradas, mas transferidas para as empresas constituídas exclusivamente para esse fim, num regime de tributação mais favorecido: FLEXSHOES, Soft e Wood. Não tão somente por esse fato, mas pelo conjunto das evidências, concluise que não houve a pura e simples extinção de uma filial e a terceirização das atividades por ela desenvolvidas, mas que a criação das empresas para substituir a extinta filial teve como escopo simular a aparência de uma situação fática, visando apenas e tão somente à economia tributária, com o manejo harmônico e intencionado da contabilidade da FLEXSHOES, Soft e Wood no sentido de se evitar o excesso de receita bruta (auferida no ano calendário) para cada uma delas, permitindo assim a sua permanência no Simples Federal. CONCLUSÃO A falta de autonomia objetiva da FLEXSHOES, enquanto estratagema utilizado para iludir, mediante simulação fraudulenta, a incidência das contribuições previdenciárias, constitui infração à legislação tributária, praticada reiteradamente, materializandose, dessa forma, a causa de exclusão prevista no art. 14, inc. V, da Lei nº 9.317, de 1996 (prática reiterada de infração à legislação tributária). Por sua vez, a falta de autonomia subjetiva implica a FLEXSHOES na causa de exclusão prevista na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, conforme arts. 1º, inciso I, 2º, § 6º, 28, 29, incisos IV e §§ 1º a 3º, 6º, e 32 (constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas), de modo que correto o Ato Declaratório Executivo nº 10/2012, que excluiu o contribuinte da sistemática do Simples Nacional De todo o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade e pela manutenção integral das disposições contidas nos Atos Declaratórios Executivos DRF/SCS nº 10, de 24 de maio de 2012 (ADE 10/2012), por prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme art. 89 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 12, 14, inciso V, e art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e arts. 21, 23, inciso V, e 24, inciso VII, da Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006 e Ato Declaratório Executivo DRF/SCS Nº 14 (ADE 14/2012) em virtude de constituição por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, conforme art. 89 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 12, 14, inciso IV, e art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317, Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13005.721559/201211 Acórdão n.º 1001000.503 S1C0T1 Fl. 6 9 de 5 de dezembro de 1996, e arts. 21, 23, inciso IV, e 24, inciso VII, da Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006 e pela exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal, com efeitos no período de 1º de novembro de 2006 até 30 de junho de 2007. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega que: · A exclusão da empresa Recorrente, nos termos do consignado no processo administrativo que lhe originou, efetuada mediante Ato Declaratório Executivo n° 10, de 24 de maio de 2012, apontou como fundamento para a exclusão a prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme art. 89 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 12, 14, inciso V e art. 15, inciso V, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e arts. 21, 23, inciso V, e 24, inciso VII, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006. · Todavia, conforme restará demonstrado, nenhuma das hipóteses legais de exclusão foram cometidas pela Recorrente, senão vejamos: · E assim, em preliminar, repete os argumentos utilizados na impugnação para requerer a nulidade do ADE 10/2012. DA PRETENSÃO DE COBRANÇA DE MULTA E DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS · Faz as mesmas alegações utilizadas em sua impugnação DA ALEGAÇÃO DE PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA · Também, basicamente, repete os argumentos utilizados para a impugnação · A fiscalização elaborou um cronograma das alterações contratuais das três empresas, informando que todas elas são optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL. · Como já referido, evidenciou que estas empresas encontramse instaladas no mesmo local onde já esteve estabelecida uma filial Fl. 220DF CARF MF 10 da empresa Via Uno, na cidade de Salvador do Sul, sendo que a filial desta última deixou de existir em concomitância com o surgimento das três pequenas empresas. · O espaço de 2.200m2 antes cedido pela Prefeitura de Salvador do Sul com exclusividade à empresa Bison, foi desmembrado em dois pavilhões de 1.100 m2 e cedido às empresas Flexshoes e Soft, e posteriormente também à empresa Wood. · Dessa forma, concluiu a fiscalização que no local teria havido a continuidade da linha de produção, de forma ininterrupta, sendo que a única diferença é que no local teria sido extinta empresa tributada pelo lucro real, para dar lugar a três empresas enquadradas no SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. · O agente fiscal relata, ainda, atividades e outros fatos constatados no local, que segundo seu entendimento seriam capazes de demonstrar que existe ligação entre as empresas Flexshoes, Soft e Wood, e cita, apenas a título de exemplificação, o fato de haver uma recepção única para as empresas, e de que estas utilizam o mesmo refeitório e espaço de estacionamento, além da transferência de funcionários entre as três empresas. · Conclui dizendo que entende que as empresas referidas neste auto de infração simulam uma situação, a fim de utilizar tratamento tributário diferenciado com o propósito de evadir as contribuições previdenciárias patronais e de outras entidades e fundos NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE IRREGULARIDADES PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO · O Agente Fiscal da Receita Federal do Brasil excluiu de ofício a empresa Recorrente do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, sob a afirmação de existência de simulação para não refletir a realidade existente, com o fito de tirar proveito de um enquadramento fiscal diferenciado, com o fim de evadir tributos e contribuições previdenciárias. · Conforme relatório apresentado, o escopo da fiscalização foi a redução do número de funcionários da empresa Via Uno, e o fato destes funcionários terem passado a integrar o quadro funcional ou societário de empresas que prestaram serviços a ela. · Dessa forma, já parte de premissa equivocada, visto que não demonstrou de forma inequívoca que a Recorrente tenha dado causa a qualquer irregularidade fiscal. · Para corroborar suas alegações, o Sr. Fiscal fez uma análise de alguns documentos que lhe foram fornecidos pelas empresas Soft, Flexshoes e Wood, concluindo que estas se utilizam de Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13005.721559/201211 Acórdão n.º 1001000.503 S1C0T1 Fl. 7 11 mãodeobra de exfuncionários da empresa Via Uno, além de estarem instaladas no mesmo pavilhão onde anteriormente funcionava a filial da autuada e que foi dividido para dar sede a outras três empresas. · Em seu relatório, o Sr. Auditor refere que as empresas Soft, Wood e Flexshoes possuem a mesma atividade econômica da empresa Via Uno, entendendo que este fato seria uma prova da existência de simulação, o que não é verídico. · Ocorre que todas estas afirmações não passam de mera presunção do Sr. Auditor Fiscal, que não se encontram fundamentadas em qualquer elemento de prova. Ao contrário, todas as negociações entre a empresa Via Uno e a empresa prestadora de serviço Soft estão devidamente contabilizadas, e nada de irregular existe na relação comercial instalada entre as empresas. · Na tentativa de justificar suas conclusões, o Sr. Auditor pretende fazer crer que o fato de pessoas que foram empregados da empresa Bison atualmente Via Uno S/A. e que atualmente trabalham ou fazem parte do quadro social das empresas Soft, Flexshoes e Wood seria indício de que existe uma continuidade de relação anteriormente vigente, porém em momento algum demonstra alguma irregularidade atribuível à Recorrente. · Não foi apontada nenhuma irregularidade na escrituração da empresa, ou a falta de pagamento de encargos tributários, a dar ensejo à exclusão da empresa Recorrente do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. · Importante ressaltar que sequer foi exigida ' a apresentação dos comprovantes de recolhimentos dos impostos da empresa fiscalizada. · A atribuição de penalidade desta ordem ao contribuinte constitui total desobediência ao PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA, ao qual está subordinado o Auditor Fiscal. Em relação ao princípio referido, merece transcrição a lição de ROQUE ANTÔNIO CARRAZZA.. · Além disso, com relação ao Ato Declaratório de exclusão, pede se vênia para colacionar, analogicamente, o entendimento do mestre Hugo de Brito Machado ao esclarecer a respeito dos requisitos do auto, como segue:... · Dessa forma, evidente a impropriedade do Ato Declaratório emitido em desfavor da empresa Soft com base nos fatos expostos, sendo que não foi apresentado na descrição dos fatos nenhum motivo que embase o entendimento de que a empresa tenha infringindo a legislação tributária. Fl. 222DF CARF MF 12 · ANTE O EXPOSTO, justificase o acolhimento da presente PRELIMINAR para determinar a ANULAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 10/2012, pois não pode o Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, por mera presunção, em OFENSA AO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA, declarar a exclusão da Recorrente do regime tributário diferenciado, uma vez que a mesma apresenta todo os requisitos legais de enquadramento. A empresa prestadora de serviço em tela é empresa regularmente constituída, com seus próprios sócios e diretores, com empregados regularmente contratados, estando perfeitamente em dia com suas obrigações fiscais e previdenciárias. A seguir, apresenta uma extensa análise do mérito, resumidamente transcrita a seguir:: · DOS CONTRATOS DE COMPRA E VENDA INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO · Entende o Fisco que a criação de novas empresas concomitante ao fechamento da filial da Via Uno, com a exploração do mesmo objeto social e utilização dos mesmos trabalhadores e equipamentos, bem como a instalação no mesmo local onde anteriormente estava instalada a filial da empresa Via Uno, seriam formas de simulação para iludir o Fisco, tendo em vista o sistema diferenciado de tributação adotado pelas novas empresas. · Com todo respeito às considerações lançadas pelo Sr. Auditor Fiscal, não pode a Recorrente concordar com suas conclusões, uma vez que a empresa foi constituída por antigos funcionários da empresa Via Uno, que viram como proveitosa a possibilidade de adquirir as máquinas da mesma e passar a administrar seu próprio negócio, já que experiência não lhes faltava, justamente pelo período em que prestaram serviços à empresa Via Uno, como funcionários. · Assim, firmado o contrato particular de compra e venda com reserva de domínio de bens industriais, prestação de serviços e outras avenças, as empresas Indústria de Calçados Soft Ltda. ME passou a prestar serviços para a empresa Via Uno. · ... · Dessa forma, necessária a realização de perícia nos livros das empresas prestadoras de serviços, caso se entenda que existe alguma irregularidade na sua escrituração, a fim de demonstrar o equívoco cometido pela fiscalização. Alega ainda que: Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13005.721559/201211 Acórdão n.º 1001000.503 S1C0T1 Fl. 8 13 · No tocante a análise das folhas de pagamento da Recorrente, mais uma vez sem razão as conclusões alcançadas pelo Sr. Auditor. · Importa mencionar que, assim como relativamente aos tópicos anteriores, não restou provado nenhum fato capaz de excluir a empresa Recorrente do SIMPLES NACIONAL, além de não restar demonstrada qualquer ligação dos dados informados na contabilidade com a empresa Via Uno S/A., a não ser a relação comercial existente, nos termos do amplamente demonstrado alhures. · O simples fato de utilizarem as empresas do mesmo tipo de programa para folhas de pagamento, integração bancária e controle de saúde ocupacional não tem o condão de demonstrar a existência de ligação entre as mesmas. · Ora, caso assim fosse, cada empresa deveria ter uma fornecedora exclusiva de programas dessa espécie, o que é impossível. As empresas que desenvolvem estes programas os colocam a disposição do mercado, podendo qualquer interessado, sem que sequer tenha conhecimento de quem utiliza o mesmo sistema. Em seu recurso, é possível constatar, conforme mencionado no acórdão da DRJ, que há uma certa confusão por parte da recorrente. Este processo trata de exclusão do Simples Nacional não havendo lançamento de crédito tributário, multas etc que foram objeto de um auto de infração especifico e um óbvio processo fiscal específico. Em seguida, rebate cada item apontado pela fiscalização como indícios de que teria havido simulação, o que , também, foi analisado pela DRJ, conforme transcrito acima. Faz referência às despesas compartilhadas que são rateadas, sendo que algumas não pois são profissionais autônomos que prestam serviços. Tal como em sua impugnação, reclama por perícia ou diligência, alegando: DA DILIGÊNCIA E PERÍCIA · O Acórdão recorrido entendeu por indeferir a produção de diligências e perícia, alegando não terem sido preenchidos os requisitos no pedido formulado pela recorrente. · Equivocadamente, contudo. · A Administração Pública, no exercício de sua atividade, deve atuar conforme o ordenamento jurídico, o que significa, no âmbito do processo administrativo tributário, o cumprimento do Fl. 224DF CARF MF 14 texto constitucional que determina a obediência ao devido processo legal e, conseqüentemente, das garantias da ampla defesa e do contraditório. · Essas garantias processuais encontramse consagradas nos incisos XXXV, LIV e LV do artigo 5o, entre elas o contraditório e ampla defesa que devem ser assegurados em todos os processos, inclusive administrativos, desde que nele haja litigantes ou acusados. · No ordenamento pátrio vigora o princípio da jurisdição única, segundo o qual existe uma reserva absoluta de jurisdição dos órgãos do Poder Judiciário e, portanto, a Administração Pública em nenhum momento exerce função jurisdicional, uma vez que seus atos sempre poderão ser reapreciados no Judiciário. · Não obstante, em complemento a esse sistema, existe o poder dever administrativo de autotutela, pelo qual a Administração, atuando de ofício ou por provocação do particular, reaprecia os atos por ela produzidos, tanto quanto à legalidade quanto ao mérito. · O poder de autotutela da Administração Pública encontrase consagrado na Súmula n° 473 do STF, que confere à Administração Pública o poder de declarar nulos os seus próprios atos, quando da constatação de ilegalidade, ou então de revogálos, sob a égide dos critérios de oportunidade e conveniência. · alega ainda que: A fundamentação para realização da diligência postulada restou amplamente demonstrada ao longo da manifestação de inconformidade, uma vez que a fiscalização deixou de diligenciar nos documentos imprescindíveis para a análise da autuação em tela. Nesse sentido, o indeferimento da prova pericial postulada, bem como das diligências requeridas, sob alegação de ausência de preenchimento dos requisitos formais para sua postulação apresentase manifestamente contrário às disposições constitucionais acerca do devido processo legal e da amplitude de produção de provas, caracterizando efetivo cerceamento de defesa. Impedese, pois, sejam realizadas as diligências requeridas, uma vez que imprescindíveis para demonstrar a ausência de irregularidades capazes de ensejar a condenação da autuada nos moldes determinados pela Receita Federal do Brasil. Por fim, requer: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de declarar nulo de pleno direito o Ato Declaratório Executivo n° 10, de 24 de maio de 2012, acolhedo as preliminares arguidas, ou, alternativamente, seja dado provimento ao recurso. PRELIMINARES ARGUIDAS ANULAÇÃO DO ADE 10/2012 Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13005.721559/201211 Acórdão n.º 1001000.503 S1C0T1 Fl. 9 15 Por concordar com os argumentos adotados no acórdão da DRJ, peço venia para repetilos: A impugnante, alegando ofensa ao princípio da segurança jurídica requer a anulação do ADE 10/2012. Não é possível atender ao pedido da interessada porque não há razão jurídica para o fazer. A nulidade de um ato administrativo está previsto no artigos 59 a 61 do Decreto 70235/72, e suas alterações posteriores, que assim dispõem: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Pelo acima exposto, vimos que a autoridade administrativa autora do ADE 10/2012 era competente para o fazer, visto que consta das suas atribuições que lhe são conferidas pelo artigo 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, do disposto no artigo 23, parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 9 de janeiro de 2006, e na Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996: Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores Chefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: Fl. 226DF CARF MF 16 (...) II decidir sobre a inclusão e exclusão de contribuintes em regimes de tributação diferenciados; Por outro lado, como vimos acima, as acusações de infrações cometidas pela Manifestante foram apontadas pelo Auditor às fls 3 a 36 do presente processo (p.p.), que embasaram a Representação Fiscal para exclusão do Simples, em decorrência do que foi expedido o ADE 10//2012 e ADE 14/2012, o que permitiu à pessoa jurídica deles conhecer e, por conseguinte, exercer o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, o que resultou na extensa manifestação de inconformidade, que constitui prova inconteste do conhecimento pela pessoa jurídica das acusações que lhe foram feitas de usufruir indevidamente do regime especial de tributação. Não bastasse isso, o manifestante demonstrou amplo conhecimento de todos os pontos justificadores da exclusão, apresentando, nesta oportunidade, suas razões de contestação. Portanto, não se verifica vício na motivação do ato de exclusão Isto posto, provado está que os ADE 10/2012 e ADE 14/2012 foram expedidos dentro da estrita legalidade, não havendo motivos que justifiquem nulidade, pelo que voto para que seja negado provimento ao pedido da interessada. Complemento apenas que a recorrente afirmou que a Lei 9.317/96 está revogada, pela LC 123/2006, art. 89, o que é um fato inconteste. Entretanto, a revogação se deu, como a própria recorrente afirma, a partir de 1 de julho de 2007. Portanto, no período coberto pelo ADE (1/11/ de 2006 a 30/06/2007) a lei estava em pleno vigor. DA PRETENSÃO DE COBRANÇA DE MULTA E DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS Repito aqui a decisão da DRJ: Em relação aos fatos motivadores do lançamento, deixo de conhecer do argumento, vez que este argumento se refere à exigência da multa e de tributos e contribuições federais, que tem tramitação própria nos autos do processo 11065.003161/201005 e lá deve ser proposto qualquer argumento contestatório. ALEGAÇÃO DE PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA E CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA POR INTERPOSTAS PESSOAS Também analisado pela DRJ, acrescento aqui que não se trata de preliminar, mas, sim de mérito e nesta análise será tratado. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE IRREGULARIDADES PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO (sic) O presente processo, como antes dito, não trata de nenhum auto de infração. Trata de exclusão do Simples Nacional, pelo ADE 10/2012. Descabido o pedido. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13005.721559/201211 Acórdão n.º 1001000.503 S1C0T1 Fl. 10 17 Portanto, há que se rejeitar todas as preliminares arguidas. Assim passemos, pois, à análise do mérito. Mais uma vez, a recorrente roga por diligência e/ou perícia. Transcrevo, por concordar, a decisão da DRJ: Embasa o pedido de diligência e perícia a busca da verdade real dos fatos que a defendente alega não estar presente nos autos. No entanto, entendo ser desnecessário periciar ou diligenciar para se chegar à verdade dos fatos, visto que o relatório fiscal é por demais detalhado, contendo os elementos necessários para formar a convicção deste julgador. Por outro lado, pedido de diligência ou perícia tem ritual previsto no Decreto 7574/2011 que não foi observado pela manifestante. Em seu artigo 36, o referido diploma legal reza que: Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). Não tendo a pessoa jurídica formulado os quesitos nem apontando o nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito, é de se considerar não formulado o pedido, nos termos do art. 57, parágrafo 1º Do Dec 7574/2011: Art. 57. A impugnação mencionará (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei n o 8.748, de 1993, art. 1º , e pela Lei n o 11.196, de 2005, art. 113): I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, bem como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; e § 1º Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV. Por fim, a realização de diligência não se presta à aquisição processual de documentos que o interessado poderia ter juntado Fl. 228DF CARF MF 18 com a impugnação, se já não o fez, do que voto para negativa de deferimento ao pedido. Quanto ao provimento ao recurso, entendo que a DRF fez um extenso trabalho onde apontou uma infinidade de indícios de que o único objetivo existente na terceirização foi o de dividir a receita entre as empresas participantes. No acórdão, a DRJ apontou as irregularidades, analisouas e concluir: CONCLUSÃO A falta de autonomia objetiva da SOFT, enquanto estratagema utilizado para iludir, mediante simulação fraudulenta, a incidência das contribuições previdenciárias, constitui infração à legislação tributária, praticada reiteradamente, materializandose, dessa forma, a causa de exclusão prevista no art. 14, inc. V, da Lei nº 9.317, de 1996 (prática reiterada de infração à legislação tributária). Por sua vez, a falta de autonomia subjetiva implica a SOFT na causa de exclusão prevista na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, conforme arts. 1º, inciso I, 2º, § 6º, 28, 29, incisos IV e §§ 1º a 3º, 6º, e 32 (constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas), de modo que correto o Ato Declaratório Executivo nº 10/2012, que excluiu o contribuinte da sistemática do Simples Nacional Atos Declaratórios Executivos DRF/SCS nº 10, de 24 de maio de 2012 (ADE 10/2012), por prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme art. 89 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 12, 14, inciso V, e art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e arts. 21, 23, inciso V, e 24, inciso VII, da Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006 e Ato Declaratório Executivo DRF/SCS Nº 14 (ADE 14/2012) em virtude de constituição por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, conforme art. 89 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 12, 14, inciso IV, e art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e arts. 21, 23, inciso IV, e 24, inciso VII, da Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006, de 1º de novembro de 2006 até 30 de junho de 2007. Acrescento aos argumentos dados que o Sr. Alexandre Braum era sócio e administrador da Soft, Flexshoes e Woo (documento fl 10), o que contraria o inciso V, parágrafo 4°, ao artigo 3°, da LC 123/2006: § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13005.721559/201211 Acórdão n.º 1001000.503 S1C0T1 Fl. 11 19 Além disso, houve a expedição do Ato Declaratório DRE/SCS 14, de 25 de junho de 2012, in verbis: O AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM SANTA CRUZ DO SUL (RS), no uso das competências delegadas pelos arts. 2º, inciso II, e 3° da Portaria DRF/SCS nº 15, de 11 de março de 2011, de que tratam o § 3º do art. 15º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, incluído pelo art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, o parágrafo único do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006, e os arts. 220, inciso IV, e 295, inciso II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado na forma do Anexo da Portaria MF n° 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista a Representação Fiscal e os demais documentos constantes no processo administrativo nº 13005.721560/201245 , declara: Art. 1º Fica excluída, com efeitos no período de 1º de novembro de 2006 até 30 de junho de 2007, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), a pessoa jurídica: INDUSTRIA DE CALCADOS SOFT LTDA., CNPJ nº: 08.375.654/0001 01, em virtude de constituição por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, conforme art. 89 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 12, 14, inciso IV, e art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e arts. 21, 23, inciso IV, e 24, inciso VII, da Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006. (grifei) Art. 2º Nos termos do § 3º do art. 15º da Lei nº 9.317, de 1996, incluído pela art. 3º da Lei nº 9.372, de 11 de dezembro de 1998, do parágrafo único do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 608, de 2006; dos arts. 5º, 15, 21 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF), com suas alterações; e do art. 229, inciso IV, do Regimento Interno da RFB, aprovado na forma do Anexo da Portaria MF n° 587, de 21 de dezembro de 2010: I a pessoa jurídica poderá apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste ADE, manifestação de inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), protocolada em qualquer unidade da RFB; II não havendo apresentação de manifestação de inconformidade no prazo de que trata o inciso I deste artigo, a exclusão tornarseá definitiva. No documento de fl 116, foi expedido o termo de revelia, como segue: TERMO DE REVELIA Tendo a contribuinte tomado ciência, em 02/07/2012, do Ato Declaratório DRF/SCS nº 14, de 25 de junho de 2012, fl. 51, por via postal, fl. 52, e transcorrido o prazo regulamentar, em 01/08/2012, sem que a interessada tenha apresentado manifestação de inconformidade contra o referido ato, lavro, nesta data, este termo para os devidos efeitos, em conformidade com o disposto nos termos dos arts. 5º, 15, 21 e 23, inciso II, e 2º, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com suas alterações. Como é sabido, a revelia é o estado de fato que foi gerado pela ausência de contestação pelo interessado. O seu principal efeito é a presunção da veracidade dos fatos alegados pelo autos consoante artigo 344, do Código de Processo Civil (CPC): Fl. 230DF CARF MF 20 Art. 344. Se o réu não contestar a ação, será considerado revel e presumirseão verdadeiras as alegações de fato formuladas pelo autor. Assim, considerando que no ADE 14/2012, que complementou o ADE 10/2012, a recorrente foi excluída em virtude de constituição por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios pela não contestação por parte da recorrente, este presumese verdadeiro. O CARF já decidiu, nesta mesma linha, no acórdão 2403002.856, que reproduzo a ementa: Acórdão: 2403002.856 Número do Processo: 13855.001761/200916 Data de Publicação: 03/03/2015 Contribuinte: ESTIVAL IMPORTACAO EXPORTACAO LTDA Relator(a): MARCELO MAGALHAES PEIXOTO Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIRSE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMPLES A simulação não é aceita como forma de planejamento tributário com vistas a reduzir a carga tributária da empresa. Manobra considerada ilegal. A utilização de interpostas pessoas enquadradas no SIMPLES para contratação d Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Assim, rejeito as preliminares alegadas para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 231DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.909937/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 99 37 /2 01 2- 83 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.909937/201283 Acórdão n.º 3301004.442 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.759, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.909937/201283 Acórdão n.º 3301004.442 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.909937/201283 Acórdão n.º 3301004.442 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.909937/201283 Acórdão n.º 3301004.442 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.909937/201283 Acórdão n.º 3301004.442 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13839.909937/201283 Acórdão n.º 3301004.442 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.909937/201283 Acórdão n.º 3301004.442 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.909937/201283 Acórdão n.º 3301004.442 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.004608/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO.
1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadram-se na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado.
2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição.
ENERGIA TÉRMICA UTILIZADA COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Se utilizada como insumo, o custo de aquisição de energia térmica permite a apropriação de créditos da Cofins, ainda que o custo tenha ocorrido antes de 15/6/2007, data da vigência da nova redação do art. 3º, III, da Lei 10.833/2003, dada pela Lei 11.488/2007 (ADI SRF nº 2/2003).
ÓLEO COMBUSTÍVEL BPF. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NA GERAÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
É passível de apropriação de crédito da Cofins a aquisição do Óleo Combustível BPF utilizado como combustível na geração de energia térmica, utilizada como insumo de produção.
INIBIDOR DE CORROSÃO E ÁCIDO SULFÚRICO. PRODUTOS UTILIZADOS NOS EQUIPAMENTOS DO PROCESSO INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
A aquisição dos produtos Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico aplicados, respectivamente, (i) na limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor e (ii) na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes, por serem insumos de produção, permite a apropriação de créditos da Cofins.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados na remoção de rejeitos industriais.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
1. A opção pela apropriação de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, somente poderá ser exercida se os referidos bens forem utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.
2. O desconto de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/12 (um doze avos) somente beneficia a aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, destinados à incorporação ao ativo imobilizado de empresas em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam.
3. Se não atendidos os requisitos legais, o contribuinte não faz jus aos créditos da Cofins calculados com base os valores mensais dos encargos de depreciação acelerada incentivada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer os créditos glosados calculados sobre o valor de aquisição do óleo combustível BPF, Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 07/05/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud , José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior, Raphael M. Abad, e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. ENERGIA TÉRMICA UTILIZADA COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Se utilizada como insumo, o custo de aquisição de energia térmica permite a apropriação de créditos da Cofins, ainda que o custo tenha ocorrido antes de 15/6/2007, data da vigência da nova redação do art. 3º, III, da Lei 10.833/2003, dada pela Lei 11.488/2007 (ADI SRF nº 2/2003). ÓLEO COMBUSTÍVEL BPF. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NA GERAÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. É passível de apropriação de crédito da Cofins a aquisição do “Óleo Combustível BPF” utilizado como combustível na geração de energia térmica, utilizada como insumo de produção. INIBIDOR DE CORROSÃO E ÁCIDO SULFÚRICO. PRODUTOS UTILIZADOS NOS EQUIPAMENTOS DO PROCESSO INDUSTRIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 46 08 /2 00 6- 61 Fl. 604DF CARF MF 2 INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. A aquisição dos produtos Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico aplicados, respectivamente, (i) na limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor e (ii) na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes, por serem insumos de produção, permite a apropriação de créditos da Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados na remoção de rejeitos industriais. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A opção pela apropriação de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, somente poderá ser exercida se os referidos bens forem utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. 2. O desconto de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/12 (um doze avos) somente beneficia a aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, destinados à incorporação ao ativo imobilizado de empresas em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. 3. Se não atendidos os requisitos legais, o contribuinte não faz jus aos créditos da Cofins calculados com base os valores mensais dos encargos de depreciação acelerada incentivada. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer os créditos glosados calculados sobre o valor de aquisição do óleo combustível BPF, Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10280.004608/200661 Acórdão n.º 3302005.402 S3C3T2 Fl. 3 3 EDITADO EM: 07/05/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud , José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior, Raphael M. Abad, e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 449466: Tratase de declaração de compensação de créditos de Contribuição para o PIS NãoCumulativo formulada pela contribuinte acima identificada, relativos ao mês de maio de 2006, no valor de R$ 1.572.184,16. A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório a compensar, expediu o relatório fiscal e o auto de infração de fls. 293/298, seguido do despacho decisório de fl. 302, do parecer de fls. 303/304 e novamente do despacho decisório de fl. 305, por intermédio dos quais reconheceu apenas parcialmente o crédito invocado, no valor de R$ 389.692,14, homologando as compensações até o limite do mesmo. Foram os seguintes os fundamentos adotados: “(...) CRÉDITOS DECORRENTES DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA (Ficha 06A/06B/02): Através dos arquivos magnéticos recebidos (planilha excel) onde consta relação completa de todas notas fiscais de insumos adquiridos, bem como sua aplicação no processo produtivo, realizamos verificação de sua consistência pela análise física de algumas notas fiscais (solicitadas por amostragem) e constatamos a irregularidade dos valores alocados na ficha 06A/06B, item 02 da DACON, conforme detalhamento na planilha 10 e 11, anexas. A pessoa jurídica poderá se creditar de aquisições de insumos (bens ou serviços), inclusive combustíveis e lubrificantes, efetuadas no mês. Considerase como insumos a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Glosas Efetuadas 10.1 Combustíveis e Carvão Energético utilizados como energia térmica no aquecimento das caldeiras, equipamentos e fornos, considerando que a lei 11.488/2007 só admitiu créditos a partir de 15/06/2007. A utilização de Combustíveis/Carvão energético (...) na queima de caldeiras não podem ser considerados como insumos antes de 15/06/2007 por não agir diretamente no processo produtivo; Fl. 606DF CARF MF 4 10.2 Glosas efetuadas em produtos/bens por não serem aplicados diretamente no processo produtivo; 10.3 Glosas efetuadas nos produtos/bens por serem considerados como ativo imobilizado; 10.4 Glosas efetuadas em produtos/bens por não conterem descrição detalhada do bem ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo. 10.5 Glosa dos fretes referentes aos produtos/bens glosados. (...) 11) CRÉDITOS DECORRENTES DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Ficha 06A/03): Pela análise dos arquivos magnéticos recebidos, referente a aquisição de serviços, constatamos a existência de Serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção dos bens, conforme detalhamento dasglosas relacionadas nas planilhas 08 e 09, anexas. Normas Relacionadas: Solução de Divergência Cosit n° 12, de 24/10/2007 "Não se consideram insumos, para fins de desconto de créditos da contribuição para o financiamento da seguridade social Cofins, materias de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas" 12) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA (Ficha 06A/04): Pela análise dos arquivos magnéticos e verificação, por amostragem, das notas fiscais não constatamos irregularidades relacionadas a esse item. 13) BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR REFERENTE AO ATIVO IMOBILIZADO (Ficha 06A/06B/10): A empresa utilizou créditos decorrentes da aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado em duas modalidades: 13.1 Por aproveitamento do crédito no prazo de 4(quatro) anos correspondendo a 1/48 (quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem (Lei n° 10.833/2003, art 3º, 14, introduzido pela Lei n° 10.865/2004, art. 21 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004, art. 1º, inciso I do § 2º e art. 2º, § 2º, inciso II do caput). Através dos arquivos magnéticos referentes às aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatamos a existência de bens que não se enquadram como máquinas e/ou equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda. Efetuamos a glosa dos bens separando os em duas categorias: 1)Máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados a venda. 2) Maquinas, equipamentos e outros bens considerados como Edificações, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B, em anexo. 13.1.1 Bens considerados pelo contribuinte com aproveitamento dos créditos no prazo de 04(quatro) anos e glosados pela fiscalização por considerar que tais bens não se enquadram como máquinas ou equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda, conforme exigência legal para gozo do benefício. 13.1.2 Bens considerados pelo contribuinte com aproveitamento dos créditos no prazo de 04(quatro) anos e glosados pela fiscalização por considerar que tais bens caracterizamse como Edificações, não abrangidos pelos benefícios acima referidos embora sejam do ativo imobilizado. Em relação a construção da Expansão II, o contribuinte informou que a mesma só entrou em operação a partir de janeiro de 2006 e a Expansão III somente em 2008. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10280.004608/200661 Acórdão n.º 3302005.402 S3C3T2 Fl. 4 5 Notas: a) Não foi concedido o benefício para os outros bens, senão máquinas e equipamentos, destinados ao Ativo Imobilizado utilizados na fabricação de produtos destinados a vendas, ficando fora do benefício a aquisição de: móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos. b) A partir de 1°/12/2005, são também admitidos créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado desde que sejam utilizados na produção de bens destinados à venda, continuando fora do benefício a aquisição de : móveis, veículos, construção civil e outros bens que não sejam utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. 13.2) Por aproveitamento do crédito no prazo de 12(doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a 1/12(um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microrregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam (...). (...) Após análise dos arquivos contendo listagem dos bens com aproveitamento de crédito no prazo de 12(doze) meses constatamos diversas irregularidades na utilização dos referidos créditos. Elaboramos a Planilha n° 07D onde constam todas as glosas efetuadas e as Planilhas 07E, 07F e 07G resumindo os valores glosados. Abaixo segue codificação adotada para as glosas efetuadas na Planilha 07D: DT05 Glosados em virtude da data de aquisição (emissão nota fiscal) ser anterior à previsão legal, que só reconheceu o beneficio para bens adquiridos a partir de 2006. EDIF06 Glosados por serem considerados como Edificações do ano de 2006 . EDIF07 Glosados por serem considerados como Edificações do ano de 2007 . N Glosados por não serem considerados como bens do ativo imobilizado e/ou não empregados no processo produtivo do adquirente. NCD Glosados por não estarem relacionados no Decreto 5.789/2006 mencionados no Decreto n° 5.988/2006. NREB Glosados por serem vendas equiparadas a exportações, não gerando direito a crédito (...).” Fl. 608DF CARF MF 6 Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade de fls. 390/421 (com argumentos replicados na impugnação de fls. 327/358), na qual alega: a) Foram glosados créditos gerados pelos bens e serviços empregados como insumos, mais especificamente: Transporte de Rejeitos Industriais, Óleo BPF, Ácido Sulfúrico e Inibidor de Corrosão, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda. Por derradeiro, foram glosados créditos relacionados a despesas ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao Ativo Imobilizado. b) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e que seriam os bens e serviços que seriam utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, abrangendo mas não se restringindo ao universo das matériasprimas produtos intermediários e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produtos em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Também se reputam como insumos empregados na prestação de serviços os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte de rejeitos industriais, óleo BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão. Naturalmente que não poderia furtase a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril do alumínio produzido e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. O óleo BPF, considerado pela fiscalização como gerador de energia térmica, destinase à queima em fornos adequados para a calcinação do hidrato e na geração de vapor nas caldeiras. A fiscalização glosou toda a utilização do BPF, tanto nas caldeiras como para calcinação. Em relação ao Ácido Sulfúrico, descabe glosa já que a fiscalização o está considerando como material de limpeza. O ácido sulfúrico é utilizado para limpeza dos trocadores de calor por onde passa o licor rico em alumina, limpeza esta fundamental para manter a eficiência de troca térmica e a estabilidade do licor para garantir a produtividade da planta. O ácido usado é utilizado na neutralização de afluentes cáusticos. A fiscalização glosou toda a aquisição deste insumo e frete, inclusive glosando fretes e duplicidade. Já a respeito do Inibidor de Corrosão, utilizado para formar uma película protetora contra corrosão nas tubulações de água de resfriamento, insta mencionar que sua ausência no rol das especificações compromete substancialmente a qualidade e quantidade da alumina produzida. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. Transcreve decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. c) Especificamente quanto aos bens adquiridos como Ativo Imobilizado, a Fiscalização entendera pela glosa de bens adquiridos com Ativo Imobilizado, nada obstante haver acertadamente considerado a requerente que os valores gastos na Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10280.004608/200661 Acórdão n.º 3302005.402 S3C3T2 Fl. 5 7 aquisição de bens, inclusive máquinas, equipamentos e outros incorporados ao ativo imobilizado devem ser recuperados enquanto créditos dedutíveis das bases apuratórias da Contribuição, logo descabe, igualmente, a glosa sobre o ativo imobilizado. Refere solução de consulta. d) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de PIS a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de PIS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. Transcreve excertos de decisão judicial, aduzindo que o critério fundamental para a concessão do crédito sobre insumos é da essencialidade ao processo produtivo, excluindo naturalmente a generalidade dos custos industriais e comerciais que não geram crédito se não forem imprescindíveis. e) Cabe voltarnos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10637/2002. A IN SRF nº 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito insculpido na lei ordinária, observada a periodicidade de quatro anos. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, glosou não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, Fl. 610DF CARF MF 8 ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Mandado de Procedimento que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. Logo, não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/20087 (REIDI). f) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado à Cofins e à Contribuição ao PIS/Pasep, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da nãocumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçandolhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeuo pela EC 42/2003 ao PIS, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10833/2003, que não apenas elencou quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. Não há como nem porque, seja à luz da Constituição, seja à luz da lei ordinária, reduzir ainda mais sua amplitude, ainda mais com base em interpretações extraídas de outras normas ou decisões que são eminentemente interpretativas e que, como tais, não podem inovar nem positiva nem negativamente. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10.637, apropriandose dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária. g) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico. Em 31 de janeiro de 2012, a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente foi, por unanimidade de votos, julgada improcedente, nos termos ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10280.004608/200661 Acórdão n.º 3302005.402 S3C3T2 Fl. 6 9 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS Não Cumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. DCOMP. CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. LIMITE DO CRÉDITO. As declarações de compensação apresentadas pelo sujeito passivo somente podem ser homologadas no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 15.02.2012 (fls. 467), a Recorrente foi cientificada da referida decisão. Inconformada, em 15.03.2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 469436, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Na Sessão de 27 de fevereiro de 2014, por meio da Resolução nº 3302 000.395 (fls. 540549), o julgamento foi convertido em diligência, para que a autoridade fiscal, in verbis: a) informe se, ao efetuar a glosa dos créditos decorrentes da depreciação incentivada (art. 31 lei 11.196 1/ 48 e 1/12), foram considerados os créditos decorrentes da depreciação normal da Lei 10.833/03; a.1) em caso negativo, elaborar planilha demonstrando o valor dos créditos a que faria jus a Recorrente, considerandose a Lei 10.833/03, em relação aos bens do ativo imobilizado que entende passíveis de creditamento; b) intime a Recorrente para que esta apresente: Fl. 612DF CARF MF 10 b.1) informações sobre a utilização do produto “inibidor de corrosão”, declarando onde ele é utilizado e qual função desempenha no processo produtivo; b.2) descritivo detalhado dos bens (art. 3º VI da Lei 10.833) glosados pela fiscalização, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo; c.3) em relação a diversos serviços de manutenção glosados, quais entende se enquadrarem no conceito estabelecido na lei de “benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”(art. 3º VII); Reunidas as informações acima requeridas deve a autoridade tecer as considerações que entender pertinentes ao bom deslinde do presente processo, intimando a Recorrente para manifestarse sobre o resultado da diligencia. Em 26/11/2014, por meio do Termo de Início de Diligência de fls. 554556, a recorrente foi intimada a: 1. Apresentar informações detalhadas sobre a forma de utilização do produto “inibidor de corrosão” dentro do processo produtivo da empresa; 2. Apresentar descritivo detalhado dos bens (art. 3o VI da Lei 10.833) glosados pela fiscalização, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo; 3. Apresentar, em relação a diversos serviços de manutenção glosados, quais entenda se enquadrarem no conceito estabelecido na lei de “benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa (art. 3o VII); Em resposta, a intimada apresentou os seguintes esclarecimentos (fls. 557 563): a) em relação ao produto “inibidor de corrosão”, informou que se tratava “de um produto químico apresentado em forma líquida e utilizado no processo de limpeza química ácida, com objetivo de se evitar desgastes das paredes dos trocadores de calor da área de digestão; b) em relação à descrição detalhada dos bens, após apresentar um breve histórico do processo de expansão das suas atividades industriais e um resumo do seu processo produtivo, a recorrente passou a descrever os investimentos realizados nas 2ª e 3ª expansões do parque fabril e respectivos valores aplicados nas atividades de investimentos indiretos, serviços de obras civis, serviços de montagem de equipamentos e instalações, equipamentos e instalações; e c) em relação aos serviços de manutenção glosados, informou que eles não enquadravam “no conceito de Benfeitorias em Imóveis Próprios ou de Terceiros.” Com base nas informações prestadas pela recorrente, por meio do relatório fiscal de fls. 564568, a autoridade fiscal opinou pela manutenção integral das glosas, baseadas nos seguintes argumentos relevantes, que seguem transcritos: Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10280.004608/200661 Acórdão n.º 3302005.402 S3C3T2 Fl. 7 11 1) O produto “Inibidor de Corrosão” era usado somente para limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor, em nenhum momento ele é utilizado como “insumo” na produção da alumina, nunca é usado, em qualquer fase do processo produtivo, na mistura que gera o “licor” da bauxita até sua transformação em alumina. Fazendo uma comparação com o cotidiano, seria similar ao “aditivo” usado no radiador do carro para diminuir o efeito corrosivo da água sobre as paredes do radiador. Por ser um mero produto para “limpeza”, não participando efetivamente do processo químico de transformação da bauxita em alumina é que efetuamos a glosa dos créditos para o PIS/COFINS NãoCumulativo desses produtos. 2) Relativamente aos bens do art. 3 VI da Lei 10.833 “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”, que foram glosados pela fiscalização, o sujeito passivo somente transcreveu, de uma forma geral, os aspectos do funcionamento operacional da empresa. Não houve, em relação aos itens glosados, informações específicas sobre a aplicação/destinação de cada item dentro do processo produtivo. Considerando que só foram prestadas informações de forma genérica, é de se manter a glosa efetuada pela fiscalização. 3) Quanto as glosas realizadas nos serviços de manutenção, o sujeito passivo não apresentou elementos que possibilitem sua alteração. Somente foi informado que as mesmas não se enquadram no art. 3o, VII da Lei 10.833. 4) No item "a" das Resoluções citadas, foi levantada a possibilidade, em tese, de aceitarse os créditos oriundos da depreciação normal incidente sobre os Itens que tiveram os encargos da depreciação incentivada (art. 21 da lei 10.865/2004, art. 31 da lei 11.196/05, 1/48 e 1/12) glosados pela fiscalização. Em atendimento ao requerido pelo CARF e considerando que não foram reconhecidos os encargos de depreciação normal quando das glosas, elaboramos diversas planilhas contendo os encargos de depreciação normal incidentes sobre os bens anteriormente glosados. As planilhas geradas com as respectivas taxas de depreciação e data de vigência estão contidas no CD anexo ao presente relatório. Está incluído no CD uma planilha com os bens que consideramos não passíveis de gerarem créditos relativos a encargos de depreciação normal, segue abaixo dados das planilhas: [...] Embora tenhamos efetuado os cálculos dos encargos de depreciação normal incidentes sobre os itens anteriormente glosados, seguindo as resoluções do CARF, não concordamos com o reconhecimento dos créditos incidentes sobre os citados encargos, conforme colocações abaixo: a) Em todos Demonstrativos de Apurações das Contribuições Sociais (DACONs), entregues pelo sujeito passivo só foram preenchidos os itens referentes a créditos sobre encargos de depreciação com base no “Valor de Aquisição” (leis 10.865/2004, 11.196/2005), Ficha 16 A/10, Ficha 16 B/07, Ficha 06 A/10 e Ficha 06 B/07; b) Os itens referentes às depreciações normais flei 10.833/2003) das referidas fichas, ficaram “em branco”; Fl. 614DF CARF MF 12 c) O contribuinte, espertamente, alocou todas aquisições do ativo imobilizado (veículos, maquinas, moveis, ferramentas, edificações...) na lei que lhe seria mais benéfica (dep. incentivada) não tendo qualquer cuidado em separar os bens que estariam beneficiados pelo incentivo dos demais bens sujeitos à depreciação normal; d) Como as leis são bem claras em relação aos bens incentivados, a conduta do sujeito passivo não pode ser considerada “erro de fato” no preenchimento das DACONs; Notas: Não foi concedido o benefício da depreciação incentivada para os outros bens, senão máquinas e equipamentos destinados ao Ativo Imobilizado e utilizados na fabricação de produtos destinados a vendas, ficando fora do benefício a aquisição de: móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos. A partir de 1°/12/2005, são também admitidos créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado desde que sejam utilizados na produção de bens destinados à venda, continuando fora do benefício a aquisição de: móveis, veículos, construção civil e outros bens que não sejam utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. Por aproveitamento do crédito no prazo de 12 (doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a 1/12(um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos, aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em mícroregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. (Lei 11.196/2005, art 31, e Decreto n° 5.988/2006). e) Como são atos legais distintos e com campos próprios para serem declarados nos DACOIMs, é de se aplicar o art. 832 do RIR/99 que veda a retificação de declaração após iniciado e concluído o processo fiscal de lançamento de ofício; As planilhas referenciadas no presente relatório estão contidas no CD/DVD anexo e foram autenticados e validados através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA) que pode ser acessado no site da Receita Federal. (grifos do original) Em 10/3/2015 (fls. 569570), a Recorrente foi regularmente cientificada do citado relatório fiscal, CD com as planilhas e recibo de entrega de arquivos digitais e lhe facultado, no prazo de 20 (vinte) dias, a apresentar manifestação, o que não ocorreu. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10280.004608/200661 Acórdão n.º 3302005.402 S3C3T2 Fl. 8 13 A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 15.02.2012 (fls.467) e protocolou Recurso Voluntário em 16.03.2012 (fls. 469536), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito A matéria de mérito objeto de análise referese a créditos de PIS do mês de maio de 2006, que resultou no deferimento parcial do valor do crédito informado e, por conseguinte, na homologação parcial do débito compensado. De acordo com relatório fiscal de fls. 293297, as glosas limitaramse a parte dos créditos apropriados sobre (i) os custos de aquisição de bens e de serviços utilizados como insumos e (ii) os encargos de depreciação acelerada incentivada de bens registrados no ativo imobilizado. Esta Turma de Julgamento já analisou a questão envolvendo os créditos da COFINS, relativo ao período de maio de 2006, quando do julgamento do PA nº 10280.004606/200672 (acórdão 3302004595), de relatório do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, restando, decidido naquela processo, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para reconhecer o creditamento sobre óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e ácido sulfúrico. Assim, considerando que a matéria objeto do recurso voluntário apresentado pela Recorrente já foi analisado em outra oportunidade, adoto como fundamento de decidir as razões apresentadas no voto do acórdão 3302004595, a saber: O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese à glosa de créditos da Cofins do mês de maio de 2006, que resultou no deferimento parcial do valor do crédito informado e, por conseguinte, na homologação parcial do débito compensado. De acordo com relatório fiscal de fls. 289/293, as glosas limitaramse a parte dos créditos apropriados sobre (i) os custos de aquisição de bens e de serviços utilizados como insumos e (ii) os encargos de depreciação acelerada incentivada de bens registrados no ativo imobilizado. 1) Da Definição de Insumos. Em relação as glosas dos créditos calculados sobre os custos de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de fabricação, as razões jurídicas, de caráter geral, apresentadas pela autoridade fiscal foram as que seguem transcritas: A pessoa jurídica poderá se creditar de aquisições de insumos (bens ou serviços), inclusive combustíveis e lubrificantes efetuadas no mês. Considerase como insumos a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 616DF CARF MF 14 e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, o dano ou a perda da propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. De outra parte, para a recorrente, insumo seria não apenas o que incorporado ao produto final a ser comercializado, mas tudo aquilo que concorresse na composição do processo produtivo desse produto, ou seja, cada um dos elementos imprescindíveis para a produção das mercadorias ou para a prestação dos serviços. Com base nos entendimentos apresentados pela autoridade fiscal e pela recorrente, fica evidenciado que a controvérsia gira em torno do significado e alcance do termo insumo, utilizado no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, que permite a dedução de créditos calculados sobre a aquisição de insumos, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...] (grifos não originais) Como o referido diploma legal não há definição de insumo, duas correntes definem no de forma diferente. A primeira, capitaneada pelos integrantes da Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10280.004608/200661 Acórdão n.º 3302005.402 S3C3T2 Fl. 9 15 Administração tributária, considera insumo os bens que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem) e quaisquer outros que sofram alterações, tais como desgaste, desbaste, dano e perda de propriedades físicas ou químicas, em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou viceversa. Essa corresponde, em termos gerais, a definição de insumo prevista na legislação do IPI, especificamente, no veiculada no Parecer Normativo CST 65/1979. A segunda, representada por parte relevante da doutrina, considera insumo de produção os bens e serviços inerentes e essenciais ao regular funcionamento do processo de produção/fabricação da pessoa jurídica, o que inclui os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação (custos), assim como aqueles necessários a manutenção da atividade da pessoa jurídica (despesas), que corresponde a definição custos e despesas da legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). No âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando entendimento intermediário, que considera insumo (i) tanto as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à venda, que, em termos financeiros, equivalem aos custos diretos de produção ou fabricação, (ii) quanto os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação dos bens aplicados diretamente na produção. Com a ressalva de que insumos e custos são termos que representam a mesma realidade de forma diferente, isto é, enquanto insumos representam os bens materiais ou imateriais (ou serviço), os custos representam a expressão financeira (o valor monetário) despendida na aquisição do respectivo bens. Ambos representam mesma realidade de forma distinta, ou seja, os insumos representam o fluxo físico dos bens, enquanto os custos representam o fluxo financeiro dos mesmos bens. E, no âmbito pessoa jurídica, enquanto o fluxo financeiro é relevante para a contabilidade, o fluxo físico interessa à administração e auditoria do estoque. No entendimento deste Relator, com a devida vênia aos que entendem de forma diferente, essa é a definição que melhor reflete o significado e alcance jurídico do termo insumo, contido no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003. E com base nesse entendimento, podese asseverar que, no âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação, que compreendem os insumos diretos de produção. Também são considerados insumos os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo produtivo, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. Por outro lado, não integram a definição de insumo de produção ou fabricação os bens e serviços não aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação. Em outras palavras, todos os bens ou serviços utilizados antes do início ou após a conclusão do processo de produção ou fabricação, que incluem os bens e serviços utilizados (i) na etapa anterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, compreende às despesas préindustriais, ou (ii) na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, equivalem às despesas operacionais ou não operacionais da pessoa jurídica (as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc.). Fl. 618DF CARF MF 16 Com base nesse entendimento, passase a analisar as glosas dos créditos apropriados sobre os custos de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de fabricação pela recorrente, especificamente, aqueles cujos créditos glosados foram objeto de contestação pela recorrente. E para facilitar a abordagem e a sua compreensão, analisarseá os pontos controversos, seguindo a mesma ordem dos tópicos apresentados no referido relatório fiscal. 2) Da Glosa dos Créditos Vinculados aos Bens Utilizados Como Insumos (Ficha 16A/16B/02 do Dacon). Na planilha de nº 10 (fls. 271/281), encontramse relacionados os tipos de bens, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção da alumina, o produto fabricado pela recorrente, cujos créditos foram glosados, a saber: a) Óleo Combustível BPF, utilizado como fonte de energia térmica, na queima em fornos de calcinação e geração de vapor nas caldeiras; b) Ácido Sulfúrico, utilizado na limpeza ácida dos trocadores de calor e neutralização de afluentes líquidos; e c) Inibidor de Corrosão, utilizado no tratamento de água potável e nas tubulações de resfriamento de água, e todos os bens com aplicações similares (antiespumante NALCO, v.g.). No recurso em apreço, de forma genérica, a recorrente alegou que os insumos glosados participavam “efetivamente do processo de industrialização da alumina, passíveis, por conseguinte, de restituição no esteio da nãocumulatividade da COFINS”. Para facilitar a análise da controvérsia, revelase de todo oportuno que se tenha uma visão geral do complexo processo de fabricação da alumina, o produto industrializado no estabelecimento fabril da recorrente e destinado à venda parte no mercado interno e o restante no mercado externo. No documento de fls. 70/102, a recorrente assim descreveu o processo de fabricação da alumina, in verbis: Para se extrair a Alumina da Bauxita utilizamos o Processo Bayer desenvolvido, há cerca de 100 anos, pelo Austríaco KARL JOSEPH BAYER. Inicialmente, a Bauxita, misturada com uma solução de Soda Cáustica e Cal é moída formando uma polpa de Bauxita que é préaquecida antes de receber uma nova adição de Soda na qual a Alumina se dissolverá sob certas condições separandose das impurezas. Seguemse as etapas de Decantação, Separação de Lama e Filtração que eliminarão as impurezas remanescentes da Alumina dissolvida, obtemos a solução de Licor Rico em Alumina dissolvida de alta pureza. Em equipamentos chamados Precipitadores, a Alumina da solução de Licor Rico se precipitará através de um processo chamado "Cristalização por Semente", obtendo se o Hidrato de Alumina. O Hidrato é, então, classificado, lavado e calcinado, obtendose assim um pó fino branco denominado Alumina, sendo necessário 5 t de bauxita para uma de alumina, em média. Os fluxogramas geral e parcial do processo de produção do referido produto encontramse reproduzido na primeira página do citado documento. De forma específica, a recorrente contestou a glosa dos créditos apropriados sobre os valores de aquisição do Óleo Combustível BPF, que segundo a fiscalização era utilizado na geração de vapor das caldeiras para o processo e calcinação do hidrato. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10280.004608/200661 Acórdão n.º 3302005.402 S3C3T2 Fl. 10 17 Não há controvérsia quanto ao fato de que a queima do óleo combustível BPF em fornos de calcinação destinase a produção de energia térmica sob a forma de vapor a ser consumido no processo industrial de produção da alumina, que é produto fabricado pela recorrente, conforme se extrai do excerto extraído do recurso voluntário em apreço, que segue transcrito: Não é admissível glosar a aquisição de um insumo no caso, o óleo combustível/BPF que é diretamente empregado na produção da alumina, com previsão serena e sem restrições na norma regente, pelo só fato de que sua aplicação no processo produtivo específico da alumina ocorre mediante processo havido no interior das caldeiras que resulta em energia a vapor. O fato é que a energia não foi adquirida pela postulante, e sim produzida a partir do insumo verdadeiro óleo combustível/BPF dentro dos equipamentos da refinaria. (grifos não originais) Essa afirmação esclarece que o referido produto não é insumo aplicado direta e imediatamente no processo produtivo da alumina. Ora, se o referido combustível era utilizado para produzir energia térmica, sob a forma de vapor, logo, o insumo diretamente utilizado no processo produtivo era a energia térmica resultante da queima do combustível e não o próprio combustível. De fato, o citado combustível era submetido a processo de combustão nas caldeiras, para fim de geração de energia térmica, sob a forma de valor, que era utilizado no processo produtivo da alumina, conforme demonstrado fluxograma geral do processo de produção colacionado aos autos. Assim, resta demonstrado que não o referido combustível não era utilizado como insumo de produção da alumina, mas do vapor gerado por sua queima nas respectivas caldeiras, que gera a energia térmica utilizada pela recorrente como insumo de produção. Cabe ressaltar, por oportuno, que no período de apuração dos créditos objeto da presente lide, só havia previsão de apropriação de créditos sobre custos na aquisição de energia elétrica. A extensão para a energia térmica somente ocorreu a partir de 15/6/2007, data da vigência da Lei 11.488/2007, que deu nova redação ao art. 3º, III, da Lei 10.833/2003. Acontece que a interpretação da anterior e nova redação do citado preceito legal, leva a conclusão que ele institui o direito de crédito sobre aquisição de energia elétrica, quando ela não é utilizada como insumo produção, ou seja, quando utilizada nas demais atividades do contribuinte. Se caracterizada como insumo de produção, o fundamento do direito de apropriação de crédito encontrase estabelecido no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, vigente desde a instituição do regime não cumulativo. Esse é, inclusive, o entendimento da própria administração tributária, que se encontra explicitado Ato Declaratório Interpretativo (ADI) nº 2/2003, cujos excertos pertinentes seguem transcritos: Art. 1º A partir de 1º de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas submetidas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep poderão descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à: I venda; e Fl. 620DF CARF MF 18 II prestação de serviços. [...] Art. 3º Para os fatos geradores da contribuição para o PIS/Pasep, na modalidade nãocumulativa, ocorridos em dezembro de 2002 e janeiro de 2003: I a receita decorrente da venda de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica integra a respectiva base de cálculo; II não poderá ser descontado: a) o crédito do PIS/Pasep calculado em relação ao valor da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, exceto quando se tratar de insumo utilizado na forma prevista no art. 1º; e [...] (grifos não originais). Assim, de acordo com a definição de insumo aqui adotado, inequivocamente, o custo de aquisição do referido combustível gera direito a crédito da Cofins. Cabe ainda ressaltar que, embora a recorrente não houvesse contestado, de forma específica, a glosa dos créditos apropriados sobre o custo de aquisição do produto “Inibidor de Corrosão”, por meio referida Resolução, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, para que a recorrente, apresentasse informações detalhadas sobre a forma de utilização do citado produto dentro do processo produtivo da empresa. Em resposta, a recorrente prestou a seguinte informação: “Tratase de um produto químico apresentado em forma líquida e utilizado no processo de limpeza química ácida, com objetivo de se evitar desgastes das paredes dos trocadores de calor da área de digestão.” No item 1 do citado relatório de diligência fiscal, a fiscalização assim descreveu o referido produto, in verbis: 1) O produto "Inibidor de Corrosão" é usado somente para limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor, em nenhum momento ele é utilizado como "insumo" na produção da alumina, nunca é usado, em qualquer fase do processo produtivo, na mistura que gera o "licor" da bauxita até sua transformação em alumina. Fazendo uma comparação com o cotidiano, seria similar ao "aditivo" usado no radiador do carro para diminuir o efeito corrosivo da água sobre as paredes do radiador. Por ser um mero produto para "limpeza", não participando efetivamente do processo químico de transformação da bauxita em alumina é que efetuamos a glosa dos créditos para o PIS/COFINS NãoCumulativo desses produtos. (grifos não originais) Como o referido produto é utilizado para limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor utilizados no âmbito do processo industrial, diferentemente do que entendeu a fiscalização, tratase de insumo de produção, portanto, a recorrente faz jus à apropriação dos créditos da contribuição. A mesma conclusão aplicase ao “Ácido Sulfúrico”, utilizado na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes. Com base nessas considerações, por atender ao conceito de insumos, deve ser restabelecidos os valores dos créditos glosados calculados sobre o valor de aquisição do óleo combustível BPF, Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico. 3) Da Glosa dos Créditos Vinculados aos Serviços Utilizados como Insumos (Ficha 06A/03 do Dacon). Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10280.004608/200661 Acórdão n.º 3302005.402 S3C3T2 Fl. 11 19 Na planilha de nº 08 (fls. 266/268), encontramse relacionados os tipos de serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção da alumina, o produto fabricado pela recorrente, cujos créditos foram glosados. No recurso em apreço, a recorrente limitouse a contestar a glosa dos créditos calculados sobre os serviços de transportes de rejeitos industriais, sob o argumento de que os dispêndios realizados com tais serviços, enquanto vinculados à receita de exportação, gerariam créditos, nos termos do art. 6º, §§ 1º e 3º, da Lei 10.833/2003. Sem razão a recorrente. Os referidos preceitos legais tratam da forma de apuração e utilização dos créditos vinculados às operações de exportação. As situações que a asseguram a apropriação de crédito da Cofins estão especificadas nos incisos I a XI da Lei 10.833/2003. Em julgamentos anteriores, tive a oportunidade de analisar os referidos preceitos legais e chequei ao entendimento de que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são assegurados somente em ralação aos serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Os gastos com os serviços de transporte de rejeitos industriais, inequivocamente, não se enquadram em nenhuma das referidas condições. A uma, porque não são insumos aplicados no processo de produção ou fabricação. A duas, porque não representa serviço de transporte (frete) na operação de venda. Relativamente aos demais serviços, embora não tenha havido contestação, a descrição apresentada na planilha nº 8 revela que tais serviços não estavam relacionados com o processo produtivo da recorrente. Certamente, não foram aplicados na produção da alumina, dentre outros, os serviços de fornecimento de concreto usinado, palestras, manutenção de bicicletas, revisões efetuadas em veículos de passeio e assessoria técnico comercial nas compras de energia elétrica, serviços topográficos diversas áreas da Alunorte, chave de impacto 1, manutenção de elevadores e manutenção de pequenas obras civis. Fl. 622DF CARF MF 20 Em atenção ao pedido de informação sobre os serviços de manutenção glosados pela fiscalização feito pelo Colegiado, por meio da Resolução, que converteu o julgamento em diligência, a recorrente informou que os mesmos não se enquadravam no conceito de benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros. Por conseguinte, se tais serviços não atendem os requisitos do art. 3º, VII, da Lei 10.833/2003, não merece reparo a glosa dos referidos serviços realizada pela fiscalização. Com base nessas considerações, deve ser mantida a totalidade das glosas realizadas pela fiscalização. 4) Da Glosa dos Créditos Calculados Sobre Encargos de Depreciação Incentivada de Bens do Ativo Imobilizado (Ficha 06A/06B/10 do Dacon). A fiscalização procedeu a glosa dos créditos calculados sobre os encargos de depreciação incentivada acelerada, previstos no art. 3º, § 14, da Lei 10.833/2003 (4 anos ou 1/48 mensal) e no art. 31, II, da Lei 11.196/2005 (1 ano ou 1/12 mensal). Da glosa dos créditos calculados sobre encargos de depreciação incentivada a taxa 1/48 por mês. O primeiro tipo de glosa referese às aquisições dos bens do Ativo Imobilizado, realizadas no período de maio/2004 a dezembro/2005, por não serem máquinas e/ou equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B (fls. 103/214). Essa glosa foi dividida em duas categorias: a) máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados à venda; e b) máquinas, equipamentos e outros bens considerados como edificações. Segundo a autoridade fiscal, até 30/11/2005, o referido benefício da depreciação incentivada foi concedido apenas para às máquinas e equipamentos destinados ao Ativo Imobilizado, utilizados na fabricação do bem destinado a venda, ficando de fora do benefício a aquisição os móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos. E a partir de 1/12/2005, foram também admitidos os créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado, desde que fossem utilizados na produção do bem destinado à venda, continuando fora do benefício a aquisição de móveis, veículos, construção civil e outros bens que não fossem utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. Os valores dos produtos relacionados na planilha 1 foram glosados porque os bens ali descritos não foram aplicados na produção dos bens destinados à venda, como exige o art. 3º, VI, § 1º, III, combinado com o § 14 da Lei nº 10.833/04. Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, lanches comerciais, café da manhã completo, desfibrilador, veneziana translúcida, condicionadores de ar, poltrona executiva diretor spider, execução de serviços de topografia, serviços de paisagismo das áreas dos restaurantes, veículo Toyota materiais elétricos diversos, entre outros. É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos, pois nem sequer são utilizados na produção da alumina. O entendimento da autoridade fiscal está em consonância com disposto no art. 3º, § 14, da Lei 10.833/2003, vigente na data dos fatos, a seguir transcritos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10280.004608/200661 Acórdão n.º 3302005.402 S3C3T2 Fl. 12 21 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; [...] § 1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caputo art. 2odesta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; [...] § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Em relação a essa modalidade de glosa, a recorrente se limitou em alegar, de forma genérica, que “os itens qualificados como máquinas foram efetivamente incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção da alumina destinada à venda”. Porém, em relação máquinas incorporadas ao ativo imobilizado e utilizadas na produção do bem destinado à venda, a fiscalização manteve o crédito apropriado pela recorrente. A glosa limitouse aos bens registrados no ativo imobilizado que não foram aplicados na produção do bem destinado à venda, porém, em relação aos referidos bens, discriminados nas citadas planilhas, a recorrente não apresentou qualquer elemento que comprovasse que eles foram utilizados na produção do bem destinado à venda. E a leitura das referidas planilhas revela que assiste razão a fiscalização, pois, na planilha nº 1 estão relacionados equipamentos de informática, móveis e utensílios, ferramentas elétricas, ferramentas diversas, sobressalentes nacionais, instalações provisórias para construção de canteiros, sistema monitor de câmeras da fábrica, equipamentos para restaurante, melhorias para tratamento de efluentes etc. Os valores dos encargos relacionados nas planilhas 2 e 5 foram glosados porque os bens ali descritos são edificações. Os bens descritos constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à construção civil, como elevadores, mão de obra, “diversos materiais para construção civil” etc. E os bens relacionados na planilha 4, constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, Fl. 624DF CARF MF 22 mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, lanches comerciais, café da manhã completo, desfibrilador, veneziana translúcida, condicionadores de ar, poltrona executiva diretor spider, execução de serviços de topografia, serviços de paisagismo das áreas dos restaurantes, veículo Toyota materiais elétricos diversos, entre outros. No recurso em apreço, a recorrente apresentou apenas alegações genéricas, sem amparo em qualquer elemento de prova adequado. Em relação a esse ponto, a defesa da recorrente limitouse em transcrever e comentar a legislação sobre apropriação de créditos normais de depreciação, bem como transcrever textos de jurisprudência e de doutrina sem relação com o motivo da glosa dos créditos em apreço, ou seja, o não atendimento dos requisitos para exercer a indevida opção pela apropriação de créditos, calculados sobre os encargos de depreciação incentivada no prazo de 48 meses. Assim, com base nos tipos de bens descritos nas referidas planilhas fica demonstrado que eles não foram aplicados no processo de fabricação da alumina, portanto, deve ser integralmente mantida a glosa realizada. Da glosa dos créditos calculados sobre encargos de depreciação incentivada a taxa 1/12 por mês. O segundo tipo de glosa referese às aquisições dos bens do Ativo Imobilizado, realizadas no período de janeiro a dezembro de 2006. O valor, a descrição dos bens e o motivo da glosa encontramse detalhados na planilha nº 07D (fls. 217/255). O direito ao crédito calculado sobre o valor do encargo de depreciação acelerada (1/12 do custo de aquisição do bem), tratase de benefício fiscal previsto no âmbito do Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), destinado às pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras, que somente se aplica às máquinas, aos aparelhos, aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microrregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam, conforme estabelecido art. 31, II, da Lei 11.196/2005 (vigente na época dos fatos), a seguir transcrito: Art. 31. Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos a partir do anocalendário de 2006 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam, terão direito: [...] II ao desconto, no prazo de 12 (doze) meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso III do § 1odo art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1odo art. 3oda Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4o do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao seu ativo imobilizado. [...] (grifos não originais). Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10280.004608/200661 Acórdão n.º 3302005.402 S3C3T2 Fl. 13 23 O referido preceito legal foi regulamentado pelo Decreto 5.988/2006, do qual merece destaque o art. 3º, a seguir reproduzido: Art. 3º O direito ao desconto dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS mencionado no inciso II do art. 1º aplicase às máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto nº 5.789, de 25 de maio de 2006, destinados aos projetos de que trata o caput do art. 1o. [...] (grifos não originais). Em conformidade com o citado preceito regulamentar, somente o custo de aquisição das máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, podem ser apropriados como créditos das referidas contribuições, no prazo de 12 (doze) meses contado da aquisição. De acordo com a citada planilha 07D, os motivos da glosa dos créditos em apreço foram os seguintes: a) bens com data de aquisição (emissão nota fiscal) anterior a janeiro de 2006, ou seja, antes do início da vigência do benefício; b) edificações construídas no ano de 2006 e 2007; c) bens do ativo imobilizado e/ou não empregados no processo produtivo; d) bens não relacionados no Decreto 5.789/2006, conforme exige o art. 3º do Decreto 5.988/2006; e) vendas equiparadas a exportação, que não geram direito a crédito. Da análise do conteúdo da referida planilha e com base nos esclarecimentos apresentados no citado relatório fiscal, verificase que, diferentemente do alegado pela recorrente, a autoridade fiscal não só relacionou todos os bens que não atendiam os requisitos legais para gozo do referido beneficio fiscal, como apresentou os motivos das respectivas glosas. Assim, para contraditar os fundamentos da questionada glosa, cabia a recorrente manifestarse, especificamente, em relação aos itens objeto da glosa, bem como apresentar as razões e/ou os elementos probatórios adequados que infirmassem os motivos apresentados pela fiscalização. Porém, não foi o que ocorreu nas duas oportunidades em que a recorrente compareceu aos autos para se defender. Com efeito, da leitura das referidas peças defensivas, especialmente do recurso em apreço, extraise que a recorrente restringiuse em apresentar alegações genéricas, sem amparo em qualquer elemento de prova adequado, assim como em transcrever a legislação instituidora e regulamentadora do citado benefício fiscal, bem como textos de jurisprudência e de doutrina sem relação com a questão objeto da lide. No caso, se a recorrente alegou que os motivos da glosa não tinham procedência, cabialhe o ônus de apresentar e comprovar o alegado equívoco da fiscalização. Ao se limitar a apresentar argumentos meramente teóricos, para contraditar elementos de natureza fática, inequivocamente, a defesa apresentada deixa de ter relevância, por se tratar de uma peça de cunho meramente retórico. Do resultado da diligência fiscal. Em relação a esse tópico, cabe destacar ainda a resposta da autoridade fiscal à indagação formulada na referida Resolução, que determinou a conversão do julgamento em diligência, no sentido de que, ao efetuar a glosa dos créditos Fl. 626DF CARF MF 24 decorrentes da depreciação acelerada incentivada de 1/48 (art. 21 da Lei 10.865/2004) e 1/12 (art. 31 Lei 11.196) do valor de aquisição, não foram considerados os créditos decorrentes da depreciação normal da Lei 10.833/03. Mas, atendendo solicitação pelo Colegiado, a autoridade fiscal elaborou as planilhas com os respectivos valores da depreciação normal, que integram o arquivo não paginável anexado ao documento de fl. 662. Embora tenha apurados os valores da depreciação normal, calculados sobre os itens das referidas depreciações incentivadas que foram glosados, em cumprimento a determinação deste Colegiado, a autoridade fiscal manifestou a sua discordância quanto ao reconhecimento dos créditos incidentes sobre os citados encargos depreciação normal, com base nas razões a seguir reproduzidas: a) Em todos Demonstrativos de Apurações das Contribuições Sociais (DACONs), entregues pelo sujeito passivo só foram preenchidos os itens referentes a créditos sobre encargos de depreciação com base no "Valor de Aquisição" (leis 10.865/2004, 11.196/2005), Ficha 16 A/10, Ficha 16 B/07, Ficha 06 A/10 e Ficha 06 B/07; b) Os itens referentes às depreciações normais (lei 10.833/2003) das referidas fichas, ficaram "em branco"; c) O contribuinte, espertamente, alocou todas aquisições do ativo imobilizado (veículos, maquinas, moveis, ferramentas, edificações...) na lei que lhe seria mais benéfica (dep. incentivada) não tendo qualquer cuidado em separar os bens que estariam beneficiados pelo incentivo dos demais bens sujeitos à depreciação normal; d) Como as leis são bem claras em relação aos bens incentivados, a conduta do sujeito passivo não pode ser considerada "erro de fato" no preenchimento das DACONs; Além das pertinentes ponderações apresentadas pela autoridade fiscal, no recurso voluntário em apreço não existe nenhum pedido ou manifestação da recorrente, sequer em caráter alternativo, a respeito do direito de apropriação dos créditos sobre o valor dos encargos de depreciação normal. Diante desta constatação, cabe decidir sobre a seguinte questão: pode este Colegiado conceder, de ofício, parcela de crédito que não foi pleiteada pela recorrente, ainda que houvesse amparo legal para apropriação em momento oportuno? Este Relator entende que não. Não se pode olvidar que a função deste Colegiado limitase a julgar as questões objeto do recurso de ofício e voluntário. Com a ressalva de que apenas as matérias de ordem pública podem ser apreciadas e resolvidas pelo Colegiado, o que não é o caso em tela. Cabe ainda ressaltar que, embora devidamente intimada a apresentar descrição detalhada das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, cujos créditos da depreciação incentivada foram glosados, inclusive, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo, a recorrente limitouse apenas em transcrever, de forma genérica, determinados aspectos do funcionamento operacional da empresa, com destaque para a implantação/ampliação do parque fabril. Com base nessas considerações, propugnase pela manutenção integral das glosas dos créditos apropriados sobre os encargos de depreciação acelerada incentivada, conforme procedeu a fiscalização. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10280.004608/200661 Acórdão n.º 3302005.402 S3C3T2 Fl. 14 25 5) Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para restabelecer os créditos glosados calculados sobre o valor de aquisição do óleo combustível BPF, Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico. III Conclusão Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 628DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001775/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. MANUTENÇÃO PARCIAL DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES.
Sendo declarada a procedência parcial do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP.
Numero da decisão: 2401-005.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo da multa aplicada os valores relativos à previdência complementar privada.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Declarou-se impedido o Conselheiro Matheus Soares Leite
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PARCIALMENTE PROCEDENTE. MANUTENÇÃO PARCIAL DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência parcial do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 75 /2 00 8- 96 Fl. 204DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo da multa aplicada os valores relativos à previdência complementar privada. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Declarouse impedido o Conselheiro Matheus Soares Leite Fl. 205DF CARF MF Processo nº 19515.001775/200896 Acórdão n.º 2401005.516 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório HAMBURG SUD BRASIL LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho do Acórdão n° 1623.495/2009 da 5° Turma da DRJ em São Paulo/SP, às efls. 138/151, que julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal, decorrente do descumprimento da obrigação acessória por ter apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, com os dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV,§ 5°, nas competências de janeiro/2004 a dezembro/2004. O Relatório Fiscal da Infração, de fls. 14, informa, ainda, que não foram informados cm GFIP, e não sofreram a incidência as contribuições previdenciárias, os valores pagos pela empresa a seus empregados a titulo de participação nos resultados (contabilizados como gratificação a funcionários), bem como os valores por ela dispendidos com o programa de previdência privada, sendo que tais valores, por terem sido pagos cm desacordo com as legislações pertinentes, foram considerados pela fiscalização como sujeitos incidência das contribuições para a seguridade social e serviram de base de cálculo para o débito lançado nos Autos de Infração 37.163.3400, 37.163.3419, 37.163.3443, 37.163.3451 e 37.163.3460. Em decorrência da infração encimada, foi aplicada a multa de R$ 81.725,99 (oitenta e um mil e setecentos e vinte e cinco reais e noventa e nove centavos) com base nos dispositivos legais citados no tópico do AI denominado Dispositivo Legal da Multa Aplicada artigo 32, parágrafo 5° da Lei n.° 8.212/91, acrescentado pela Lei n.° 9.528/97, e artigos 284, inciso II (com a redação dada pelo Decreto n.° 4.729/03) e 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão encimada, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 155/161, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, arguindo que os valores de participação nos resultados não integram o salário de contribuição; que não são fatos geradores de contribuição previdenciária e por isso não devem ser declarados em GFIP. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar o cancelamento do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 17 de janeiro de 2012, foi proposta resolução pela Nobre Conselheira Relatora Dra. Liege Lacroix Thomasi, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 187/188, in verbis: (...) Fl. 206DF CARF MF 4 O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade devendo ser conhecido. Entretanto, é de se notar que a obrigação principal, relativa ao pagamento de participação nos lucros e resultados aos segurados está sendo discutida em outro processo e somente após o julgamento do mesmo é que se poderá julgar este auto de infração que trata do descumprimento de obrigação acessória decorrente daquela obrigação principal. Assim, entendo que este processo deve ser convertido em diligência para que seja julgado conjuntamente com o processo que trata da obrigação principal conexa a este auto de infração. Em resposta a diligência acima transcrita, a autoridade administrativa (segunda seção do CARF) elaborou despacho à efls. 199, expondo o seguinte: A Resolução 2302000.130 (Relatora: Liége Lacroix Thomasi – 2ª Turma Ordinária/3ª Câmara), fls.187/188, em rápida conclusão vota no sentido de apensar o processo indicado acima aos processos 19515.001769/200839, 19515.001770/200863, 19515.001771/200816, 19515.001772/200852 e 19515.001773/200805. Os processos 19515.001769/200839, 19515.001770/200863 e 19515.001771/200816 encontramse, nesta data, na unidade de origem da Receita Federal do Brasil, após desistência do sujeito passivo. Já os processos 19515.001772/200852 e 19515.001773/200805 encontramse, também nesta data, aguardando distribuição e sorteio na Secam 4ª Câmara/2ª Seção de Julgamento. (...) Defiro a conexão proposta na Resolução 2302000.130 (Relatora: Liége Lacroix Thomasi – 2ª Turma Ordinária/3ª Câmara) entre os processos 19515.001775/200896, 19515.001772/200852 e 19515.001773/200805 e distribuase conforme o Regimento Interno do Carf. Os autos foram sorteados para minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 19515.001775/200896 Acórdão n.º 2401005.516 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Inicialmente saliento que em nenhum momento a contribuinte insurgese quanto ao "mérito", propriamente dito da obrigação acessória, apenas mencionando alguns princípios norteadores do direito. A recorrente manifestase apenas quanto ao mérito das contribuições previdenciárias (obrigação principal). Conforme se depreende do relatório, após a realização de diligência, restou demonstrado que os autos de infração de obrigação principal (PLR), aos quais o presente lançamento está relacionado, não houve julgamento de mérito, por desistência do sujeito passivo. Já os autos de infração principal (PREVIDÊNCIA PRIVADA), foram anexados ao AIOA em questão, pois encontravamse aguardando distribuição e sorteio. Dessa forma, resta a análise do presente auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, agora com ciência da informação acerca do andamento dos autos de infração de obrigação principal. O entendimento deste Relator é que o julgamento dos AI decorrentes de aplicação de multa por omissão de fatos geradores na GFIP deve levar em consideração o que ficou decidido nos AI para exigência da obrigação principal. Assim, os resultados dos julgamentos das lavraturas para cobrança das contribuições tem sido aplicados automaticamente nas demandas em que é discutida a exigência de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. Vejam esse julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSOS CONEXOS. O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Foi declarado nulo em virtude da declaração da nulidade, por vício formal, da NFLD (processo nº Fl. 208DF CARF MF 6 35554.005633/200626) que continha os lançamentos referentes aos fatos geradores tidos como não declarados, em decorrência da conexão existente entre o presente auto de infração e a referida NFLD. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Nos termos em que disciplina o art. 49, § 7º do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, os processos conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. (Acórdão 9202001.244, Rel Conselheiro Elias Sampaio Freire, 08/02/2011) Entrementes, como circunstanciadamente demonstrado nos PAF n° 19515.001772/200852 e 19515.001773/200805, no entendimento deste Colegiado, às contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas em comento não se sustentam, o que, ensejou a improcedência parcial dos autos de infrações pertinentes à obrigação principal. Dessa forma, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância à decisão levada a efeito nas autuações retromencionadas, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Na esteira desse entendimento, uma vez rechaçada parte da exigência fiscal consubstanciada nos Autos de Infração retro (obrigação principal relativas a Previdência Privada), aludida decisão deve, igualmente, ser adotada nesta autuação, afastando, por conseguinte, a penalidade aplicada, na linha do decidido no processo principal. Por todo o exposto, estando os Autos de Infração sub examine parcialmente em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para afastar a multa acerca dos fatos geradores decorrentes da Previdência Privada, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira Fl. 209DF CARF MF
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