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Numero do processo: 13609.000206/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 22/09/2007 a 30/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. REQUISITOSLEGAIS. O Reconhecimento da imunidade de que trata o §7º do art. 195 da CF/88 depende do cumprimento cumulativo de todos os requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91 e será concedido à Entidade Beneficente de Assistência Social - EBAS que requerer o benefício tributário ao INSS, nos termos do §1º do mesmo dispositivo legal acima mencionado.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. ENTIDADEBENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. LEI Nº12.101/2009.O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela Entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos essenciais previstos nos incisos I a VIII do art. 29 da Lei nº 12.101/2009.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. DIREITO RESERVADO AO SUJEITO PASSIVO APÓS A CIÊNCIA DO LANÇAMENTO COM O OFERECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO FISCAL. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa; direito reservado ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação fiscal, quando se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE ELEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade quecaracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
MULTA DE MORA E DE OFÍCIO. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. SÚMULA O2 -CARF - INCOMPETÊNCIA PARA PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88 E Súmula 02 - CARF.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-003.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado no Código de Fundamento Legal 68, para que a multa aplicada seja calculada considerando as disposições do artigo 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencia na votação a Conselheira Graziela Parisotto, que entendeu negar provimento ao recurso.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa- Relatora
EDITADO EM: 09/09/2015
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Graziela Parisotto, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. REQUISITOSLEGAIS. O Reconhecimento da imunidade de que trata o §7º do art. 195 da CF/88 depende do cumprimento cumulativo de todos os requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91 e será concedido à Entidade Beneficente de Assistência Social EBAS que requerer o benefício tributário ao INSS, nos termos do §1º do mesmo dispositivo legal acima mencionado. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. ENTIDADEBENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. LEI Nº12.101/2009.O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela Entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos essenciais previstos nos incisos I a VIII do art. 29 da Lei nº 12.101/2009. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. DIREITO RESERVADO AO SUJEITO PASSIVO APÓS A CIÊNCIA DO LANÇAMENTO COM O OFERECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO FISCAL. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 02 06 /2 01 0- 12 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa; direito reservado ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação fiscal, quando se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE ELEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade quecaracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. MULTA DE MORA E DE OFÍCIO. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. 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Liége Lacroix Thomasi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora EDITADO EM: 09/09/2015 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Graziela Parisotto, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000206/201012 Acórdão n.º 2302003.660 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo HOSPITAL SÃO JOÃO DE DEUS em face de DecisãoAdministrativa de 1ª Instância proferida pela 7ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que julgouimprocedente a Impugnação ao Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.267.0865, lavrado em face da infringência ao artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, por ter a Recorrente apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores, em relação às informações que alteram os valores das contribuições previdenciárias, no período de 09/2007 a 11/2008, conforme descrito no Relatório Fiscal. O Recorrente transmitiu, tempestivamente, declarações à Secretaria da Receita Federaldo Brasil RFB, por intermédio das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo deServiço e Informações à Previdência Social – GFIP, informando o código FPAS “639”,como se fosse Entidade isenta do recolhimento de contribuições sociais, enquanto o correto seria o código 515, o que resultou em informação a menor no valor das contribuições sociais devidas, a cargo da empresa. A isenção das contribuições previdenciárias se deu em razão da Recorrente ter informado o código FPAS 639, o qual é utilizado, com exclusividade, porentidades beneficentes de assistência social em gozo regular do beneficio da isenção/imunidadede contribuições para a seguridade social, desde que estejam atendidas as exigências estabelecidas emlei. Entretanto durante a ação fiscal, verificouse queo Hospital São João de Deus não obteve arenovação do CEAS – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, deixando de atender assim, o disposto no Inciso II do Art. 55 da Lei n° 8.212/91, com redaçãodada pela Medida Provisória n° 2.18713/2001. Aduz a fiscalização que o gozo da isenção não é automático, devendo a entidade requererao órgão estatal competente o benefício da isenção perante a Secretaria da ReceitaFederal do Brasil RFB,por força do disposto na Lei n° 11.457/2007, desde que cumpridos osrequisitos dispostos na legislação, conforme determina o §1° do Art. 55 da Lei n°.8.212/91, o que não ocorreu. Dessa forma, a entidade não cumpriu o requisito do inciso II do Art.55 da Lei nº 8.212/91, como também não atendeu o estatuído no §1° do mesmodispositivo legal, vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores, não gozando dequalquer benefício fiscal. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o ora Recorrente apresentou impugnação a fls. 44/54. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em BeloHorizonte/MG lavrou Decisão Administrativa, formalizada no Acórdão nº 0229.858 da 7ª Turma da DRJ/BHE, às fls. 86/89, julgando procedente o lançamento fiscal impugnado e mantendo o créditotributário em sua integralidade. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador aquo, o ora Recorrente cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 28/01/2010, interpôs Recurso Voluntário às fls. 92/106, ratificando suas alegações anteriormente expendidas e respaldando suainconformidade em argumentação desenvolvida nos termosa seguir expostos: Cerceamento de defesa, em razão da inobservância de procedimentoadministrativo próprio para suspender o direito à isenção, garantindolhe o exercício da ampla defesa e do contraditório; · afronta à norma inserta no art. 195, §7º, da CF/88, tendo em vista que se enquadra no conceito de associação civil de caráterassistencial e beneficente, fazendo jus às imunidades tributáriasdecorrentes dessa condição; · caráter confiscatório da multa aplicada; · Que o CEBAS tem caráter declaratório; Ao final requer a declaração de insubsistência do Auto de Infração. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram osautos a este Eg.Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 28/01/2011, conforme AR juntado às fls. 91, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 24/02/2011, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA O Recorrente alega que houve cerceamento do seu direito de defesa, tendo em vista a ausência de procedimento administrativo para suspender seu direito à isenção/imunidade tributária, análogo ao estabelecido pelo artigo 32 da Lei nº 9.430/96, no qual o interessado possa expor suas razões e demonstrar que são improcedentes os argumentos levantados pelo fisco, reiterando os argumentos expendidos em sede de Impugnação. Referida alegação não pode prosperar em face ao que ensina o artigo 144 do CTN; no Direito Tributário o lançamento é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda queposteriormente modificada ou revogada.Nessa perspectiva, ainda que a Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000206/201012 Acórdão n.º 2302003.660 S2C3T2 Fl. 4 5 norma tributária tenha sido revogada ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurídico, não há que se falar em desconstituição do crédito tributário correspondente, senão vejamos: Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportaseà data da ocorrência do fatogerador da obrigação e regesepela lei então vigente, ainda queposteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicaseao lançamento a legislação que, posteriormente àocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novoscritérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado ospoderes de investigação das autoridades administrativas, ououtorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, excetoneste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidadetributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançadospor períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixeexpressamente a data em que o fato gerador se consideraocorrido. Em face da norma mencionada, verificase que a exceção à regra apresentada se dá nos casos em que legislação nova, promulgada posteriormente à ocorrência do fatogerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização,ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao créditomaiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuirresponsabilidade tributária a terceiros. Dentro desses parâmetros, a Lei nº 12.101/2009, além de estabelecer novas normas de direitomaterial tributário, também estabeleceu normas de cunho procedimental, as quais instituíram novos critérios deapuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação dasautoridades administrativas, bem como outorgando ao crédito tributário maiores garantias ouprivilégios. Ressaltese que pelo fato do estabelecimento de requisitos para a concessão de isençãoconfigurar matéria de direito material, e não de direito processual, os mesmos deverão observar os requisitos vigentes à data dos fatos geradores, in casu: · Art. 55 da Lei nº 8.212/91, até 09/11/2008; · Art. 28 da MP nº 446/2008, de 10/11/2008 até 10/02/2009; · Art. 55 da Lei nº 8.212/91, de 11/02/2009 até 29/11/2009, e · Art. 29 da Lei nº 12.101/2009, a contar de 30 de novembro de 2009. No processo sob análise, constatase que o Hospital São João deDeus não obteve a renovação do CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, dessa forma, no período de apuração do débito, não foi observado o disposto no Inciso II do Art.55 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713/2001; aliás, nem no momento em que a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário sob análise, NÃO Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 juntou a renovação de seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nem tampouco qualquer outra prova capaz de demonstrar que a entidade atendia aos requisitos da lei. O Auto de Infração em debate foi lavrado na vigência e eficácia da Lei nº 12.101/2009, cuja norma procedimental inscrita no seu art. 32 estatui deforma expressa que, constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados noart. 29 dessa mesma lei, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos quedemonstrarem o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. Somase ainda o disposto no §1o do mencionado art. 32, onde prevê que eventual direito à isenção dascontribuições previdenciárias, como as ora em debate, será considerado automaticamente suspenso durante operíodo em que se constatar o descumprimento de requisitos na forma desse dispositivo legal, verbis: Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá serexercido pela entidade a contar da data da publicação da concessãode sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I desteCapítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitosindicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria daReceita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo aoperíodo correspondente e relatará os fatos que demonstram o nãoatendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. §1o Considerarseáautomaticamente suspenso o direito à isençãodas contribuições referidas no art. 31 durante o período em que seconstatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo,devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a datada ocorrência da infração que lhe deu causa. §2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processoadministrativo fiscal vigente. No caso ora em apreciação, tanto o inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/91,quanto o caput do art. 38 da MP nº 446/2008, assim como o caput do art. 29 da Lei nº12.101/2009, exigem, como condição para gozar da isenção de contribuiçõesprevidenciárias patronais, que a Entidade Beneficente de Assistência Social seja portadora doCertificado de Entidade Beneficente de Assistência Social; assim, não sendo a Recorrente portadora do CEBAS válido, no períodofiscalizado, ela não faz jus à isenção ora em debate. Nesse contexto, a Fiscalização, constatando o descumprimento desse requisito essencial para o gozo da isenção em tela, considerou automaticamente suspenso qualquer eventual direito àexclusão do crédito tributário, expondo em seu Relatório Fiscalos fatos demonstrativos do descumprimento observado, e lavrando o competente Auto deInfração relativo ao período mencionado no Relatório Fiscal, tudo em perfeita sintonia com os preceitosinsculpidos no art. 32 da Lei nº 12.101/2009 c/c art. 144, §1º, do CTN. Noteseque o processo administrativo fiscalé precedido de uma fase inquisitorial, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofíciode sua competência, aplicando a legislação tributária ao caso concreto (situação de fato), cujo resultado pode ounão Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000206/201012 Acórdão n.º 2302003.660 S2C3T2 Fl. 5 7 resultar no correspondente lançamento tributário. Nessa fase preliminar, há coleta de informações, dados, elementos de prova, oitiva de testemunhas, análise de documentos, verificação dos registros contábeis e fiscais, tudo objetivando a apuração de eventual ocorrência de fatos geradoresde obrigação tributária principal e/ou acessória. Frisese que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalizaçãoquanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação, não sesubmetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa. Somente após encerrado o procedimento fiscal (TEPF), será oportunizado ao sujeito passivo/interessado, o direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa, momento em que, desejando, poderá impugnar os termos dolançamentono AI; é nesse momento que se instaura a fase contenciosa do Processo AdministrativoFiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o Contribuinte tem ao seuinteiro dispor, como já dito, o direito ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa doprocedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída comos documentos em que se fundamentar, será apresentada aoórgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data emque for feita a intimação da exigência. A Constituição Federal em seu inciso LV do artigo 5º assegura aos litigantes, nos processos judiciais eadministrativos, o exercício do contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígioapós a impugnação do lançamento, se assim desejar o Contribuinte. Constituição Federal de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquernatureza, garantindoseaos brasileiros e aos estrangeirosresidentes no País a inviolabilidade do direito à vida, àliberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termosseguintes: (...) LV aoslitigantes, em processo judicial ou administrativo, e aosacusados em geral são asseguradosocontraditório eampladefesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos) Diante do que ora se expõe, rejeito a preliminar de cerceamento de defesa, visto que foi oportunizado ao Recorrenteo exercício pleno do contraditório e da ampla defesa no procedimento administrativo em comento. Vencidas as preliminares, passo diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Inicialmente cumpre consignar que os fatos e/ou as matérias que não foram contestados expressamente, tanto em sede de Impugnação como em fase de Recurso Voluntário, são considerados verdadeiros, restando preclusas eventuais arguições em momento posterior, nos termos da legislação que rege a matéria, razão pela qual não serão objeto de apreciação por esteColegiado. Impendese ainda salientar que qualquer questão de fato ou de direito, estranhas ao presente lançamento, ou não oferecidas à apreciação perante o Órgão Julgador de1ª Instância, não serão objeto de apreciação por esta Corte de Julgamento Administrativa, em face ao que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DO DIREITO À ISENÇÃO A Recorrente alega exaustivamente ter havido afronta à norma inserta no art. 195, §7º, daCF/88, por entender que o Hospital São João de Deus se enquadra no conceito de associação civil de caráterassistencial e beneficente, fazendo jus ao gozo dos benefícios de imunidade tributária decorrentes dessa situação, e não à isenção tributária, como insiste em afirmar a autoridade fiscal. Aduz que ao final dos trabalhos fiscalizatórios fora concluído de maneira equivocada, já que se considerou que a entidade deixou de fazer jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º da CF/88, tendo sido lavrado o presente Auto de Infração para aplicação da multa ora combatida por informar nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, contribuições devidas à Previdência Social correspondentes aos fatos geradores, adotandose o código FPAS 639 e NÃO o código 615, no período descrito no Relatório Fiscal. Referidas alegações não podem prosperar, conforme já esclarecido no Acórdão ora recorrido, o pretendido benefício fiscal só está apto a ser usufruído se o Contribuinte atendera todas as exigências estabelecidas em lei, conforme dispõe o parágrafo 7º do art. 195 da CF/88. Segundo o mencionado dispositivo legal, são isentasde contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social queatenderem às exigências estabelecidas em lei, verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda asociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei,mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dosEstados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintescontribuições sociais: (...) §7º Sãoisentas de contribuição para a seguridade social asentidades beneficentes de assistência social que atendam àsexigências estabelecidas em lei. Como sabido,referido dispositivo constitucional foi normatizado por lei ordinária federal, já que só se exige regulamentação por lei complementar para as matérias que fazem exigência expressa por essa modalidade legislativa em seus dispositivos Constitucionais. Nessa ordem de idéias, a matéria em comento foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 55 estabeleceu,expressamente, ser isenta de contribuições previdenciárias a entidade beneficente deassistência social que atendesse, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000206/201012 Acórdão n.º 2302003.660 S2C3T2 Fl. 6 9 a) Ser reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou doDistrito Federal ou municipal; b) Ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de FinsFilantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, oqual deve ser renovado a cada três anos; c) Promover gratuitamente e em caráter exclusivo a assistência socialbeneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes,idosos e portadores de deficiência; d) Não perceber seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores oubenfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios aqualquer título; e) Aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção edesenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado desuas atividades. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social queatenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I– sejareconhecida como de utilidade pública federal e estadualou do Distrito Federal ou municipal; II–sejaportadora do Registro e do Certificado de EntidadeBeneficente de Assistência Social, fornecidos pelo ConselhoNacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001); III promova,gratuitamente e em caráter exclusivo, aassistência social beneficente a pessoas carentes, em especial acrianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;(Redação dada pela Lei nº 9.732/98); IV – nãopercebam seus diretores, conselheiros, sócios,instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruamvantagens ou benefícios a qualquer título; V–apliqueintegralmente o eventual resultado operacional namanutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionaisapresentando, anualmente ao órgão do INSS competente,relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dadapela Lei nº 9.528/97). §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trataeste artigo será requerida ao Instituto Nacional do SeguroSocial INSS,que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despacharo pedido. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ouentidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantidapor outra que esteja no exercício da isenção. §3º Para os fins deste artigo, entendesepor assistência socialbeneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quemdela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSScancelará aisenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo.(Incluído pela Lei nº 9.732/98). §5o Considerasetambém de assistência social beneficente, paraos fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços depelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nostermos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociaisé condição necessária ao deferimento e à manutenção daisenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no§3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela MedidaProvisória nº 2.18713,de 2001). Notese que oInstituto Nacional do Seguro Social – INSS(hoje RFB) cancelará a isenção se verificado odescumprimento do disposto nesse artigo de lei. Dessarte, para que uma entidadepossa se beneficiar do direito à isenção em comento, é indispensável que comprove ser entidadebeneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidadepública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; que seja portadora deCertificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, além de atender, cumulativamente,aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Destarte, a mera concessão do CEBAS não implicaper siem isenção das contribuições previdenciárias assinaladas nos art. 22 e 23 da Lei nº8.212/91, é necessário atender, cumulativamente, a todos os requisitos exigidos nos incisos I a V do art. 55da Lei nº 8.212/91; bem como que a Entidade postule o benefício tributário perante o INSS, nos termos do§1º do mesmo dispositivo legal referido, fato esse não comprovado pelo Recorrente. Acerca da questão, impendese salientar que amera obtenção de toda a documentação que satisfaça cumulativamente aos requisitos legaispara a obtenção da isenção de contribuições previdenciárias não implica no direito automático àplena fruição de tal Benefício Fiscal, porquanto o §1º do art. 55 da Lei 8.212/91 determina,taxativamente, que o interessado tem que requerer a isenção ao Instituto Nacional do SeguroSocial INSS,que tem o prazo de 30 dias para despachar o pedido. Sobre esse tema olegislador ordinário ao elaborar a Lei nº 12.101/2009, que instituiu um novo regime jurídicopara a concessão de isenção das contribuições previdenciárias ora em apreço, determinou: Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do CapítuloII fará jus à isenção do pagamento das contribuições de quetratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000206/201012 Acórdão n.º 2302003.660 S2C3T2 Fl. 7 11 1991,desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos:(grifos nossos) I nãopercebam seus diretores, conselheiros, sócios,instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens oubenefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título,em razão das competências, funções ou atividades que lhessejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II – apliquesuas rendas, seus recursos e eventual superávitintegralmente no território nacional, na manutenção edesenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresentecertidão negativa ou certidão positiva com efeitode negativa de débitos relativos aos tributos administrados pelaSecretaria da Receita Federal do Brasil e certificado deregularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV – mantenhaescrituração contábil regular que registre asreceitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade deConselho Federal de Contabilidade; V nãodistribua resultados, dividendos, bonificações,participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquerforma ou pretexto; VI – conserveem boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos,contado da data da emissão, os documentos que comprovem aorigem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ouoperaçõesrealizadas que impliquem modificação da situaçãopatrimonial; VII cumpraas obrigações acessórias estabelecidas nalegislação tributária; VIII apresenteas demonstrações contábeis e financeirasdevidamente auditadas por auditor independente legalmentehabilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando areceita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pelaLei Complementar nº 123/2006. Art. 30. A isenção de que trata esta Lei não se estende a entidadecom personalidade jurídica própria constituída e mantida pelaentidade à qual a isenção foi concedida. Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá serexercido pela entidade a contar da data da publicação daconcessão de sua certificação, desde que atendido o disposto naSeção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dosrequisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização daSecretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto deinfração relativo ao período correspondente e relatará os fatosque demonstram o não atendimento de tais requisitos para ogozo da isenção. (grifos nossos) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 §1o Considerarseáautomaticamente suspenso o direito àisenção das contribuições referidas no art. 31 durante o períodoem que se constatar o descumprimento de requisito na formadeste artigo, devendo o lançamento correspondente ter comotermo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deucausa. §2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processoadministrativo fiscal vigente. É fato que o novo regime jurídico não exige qualquer requerimento aoórgão competente para o gozo do benefício fiscal em debate; o art. 31 da nova legislaçãoautoriza o exercício de tal isenção à entidade beneficente que atender cumulativamentetodos os requisitos previstos no art. 29 daquela Lei Ordinária, mas tão somente a CONTAR DADATA DA PUBLICAÇÃO DA CONCESSÃO DE SUA CERTIFICAÇÃO. É necessário consignar que os atos administrativos, bem como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade everacidade. E, utilizando como referência os ensinamentos de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidadee legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo,presumemse,até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos comobservância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Segue ainda a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Emdecorrência desse atributo, presumemseverdadeiros os fatos alegados pela Administração."(op. cit. pág. 191). A inversão do ônus da prova é consequência lógica da aplicação da presunção de veracidade pelo agente público, cabendo ao particular comprovar o fato constitutivo, modificativo ou extintivo de seu direito de forma a desconstituir a conduta narrada pelo agente público, de maneira a eximir sua responsabilidade administrativa e/ou penal,nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil, o que não ocorreu no presente caso. Nesse sentido, é adequado interpretar que os fatos constantes em documentos públicos trazem em si a mesma presunção de veracidade dos atos administrativos válidos, inclusive no que se refere à fépública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, até prova em contrário (artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC). Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal eaos Municípios: (...) II– recusarfé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da suaformação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou ofuncionário declarar que ocorreram em sua presença. No caso concreto observase que O Hospital São João de Deus não obteve a renovação do CEAS –Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, não atendendo dessa forma, odisposto no Inciso II do Art. 55 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Medida Provisórian°. 2.18713de 2001; bem como o Contribuinte nãoatendeu ao caput do Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000206/201012 Acórdão n.º 2302003.660 S2C3T2 Fl. 8 13 art. 28 da MP nº 446/2008, nem ao caput doart. 29 da Lei nº 12.101/2009, e, partindo da presunção de veracidade do ato administrativo, bem como da inexistência de fato constitutivo, modificativo ou extintivo apresentado pelo Recorrente, o Auto de Infração lavrado é válido. Ou seja, partindo da premissa de que o Auto de Infração é documento público oriundo de ato administrativo, formalizado pela Autoridade Fiscal, estando apto a gerar todos os efeitos dele decorrentes, esperase que a parte interessada se empenhe em afastar a eficácia do lançamento em debate; entretanto, em sua defesa administrativa, tanto em grau de Impugnaçãoquanto em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente não produziu qualquer prova de que detenha o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido no período fiscalizado, a dar esteio ao direito à isenção pretendida. O que se observa é que o Recorrente apresentou alegações recursais, desacompanhadas de qualquer indício de prova material, capaz de lhe fornecer o mínimo de esteio probatório, e, como é de conhecimento geral, no Processo Administrativo Fiscal, referidas alegações devem ser lastreadas em provas documentais. A contestação dos fatos por negativa geral não é admitida em nosso ordenamento jurídico, seja no âmbito administrativo, seja no âmbito judiciário;as autuações do Fisco exigem que o sujeitopassivo instrua sua defesa com todas as provas documentais garantidoras de seu direito, sob pena de preclusão. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 17. Considerarseánão impugnada a matéria que não tenhasido expressamente contestada pelo impugnante. Referida contestação expressa da matéria, mencionada no dispositivo legal supramencionado, deve ser acompanhada de suporte probatório consistente e não somente de alegações técnicasdoutrinárias ou de suposta ocorrência de fatos e de ações sem nenhum amparo probatório a corroborar sua veracidade. Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado,sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para ainstrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Impendese ainda salientar que, é irrelevanteo debate acerca da naturezajurídica do CEBAS, se constitutiva ou declaratória, bem como os seus efeitos. O que deve ser verificado, preliminarmente, de acordo com a legislação que rege a matéria, é se o Recorrente comprovou ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, o que NÃO ocorreu no presente caso. Desta feita, é incontroverso o entendimento, pelo que se coligiu até o momento, que o Recorrente não tem direito ao benefício de isenção de contribuições previdenciárias em debate. 3.2. DA MULTA – RETROATIVIDADE BENÉFICA As normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000206/201012 Acórdão n.º 2302003.660 S2C3T2 Fl. 9 15 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstancia em infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I – até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro lado, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000206/201012 Acórdão n.º 2302003.660 S2C3T2 Fl. 10 17 Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007); II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000206/201012 Acórdão n.º 2302003.660 S2C3T2 Fl. 11 19 prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 4. CONCLUSÃO: Dessa forma, considerando que o Recorrente não apresentou o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, válido para o período objeto da autuação, como exigido no inciso II do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, bem como não contestou os valores lançados pela auditoria fiscal a partir de seus próprios documentos, correta a lavratura do Auto de Infração para aplicação da multa por não informar corretamente em GFIP a contribuição devida à Previdência Social. Entretanto, no Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado no Código de Fundamento Legal 68, devese calcular a multa aplicada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 Pelo exposto VOTO para CONHECER DO RECURSO e no mérito DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que no Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado no Código de Fundamento Legal 68, a multa aplicada seja calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10380.727157/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010
Ementa:
PASSIVO. OBRIGAÇÕES COMPROVADAS. EXCLUSÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. PROCEDÊNCIA.
No caso em que as próprias autoridades autuantes, em procedimento de diligência requerido na instância julgadora de primeiro grau, revisam o lançamento e concluem que as obrigações anteriormente tidas como não comprovadas efetivamente existiram, restando regular a escrituração contábil em relação a essas obrigações, não há reparo a ser feito na decisão que, com suporte em tais conclusões, exclui de tributação a matéria tributável correspondente.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCESSOS CONEXOS. APRECIAÇÃO POR UNIDADES ADMINISTRATIVAS DISTINTAS. AUTORIZAÇÃO POR NORMA REGIMENTAL. EXISTÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Presente autorização regimental para que a autuação refletida em processo conexo seja apreciada por autoridade julgadora distinta da competente para julgar o denominado lançamento matriz, os pronunciamentos promovidos em primeira instância revelam-se regulares, eis que observado o devido processo legal. Não gozando referidos pronunciamentos de caráter definitividade, descabe falar em cerceamento do direito de defesa, eis que a norma processual faculta ao contribuinte meios para, em âmbito administrativo, reclamar pela uniformização dos entendimentos declinados.
DOCUMENTAÇÃO. ANEXAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE AUTUANTE. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Se a documentação supostamente não trazida aos autos pela autoridade fiscal é, em sede de defesa, devidamente aportada ao processo pelo autuado, descabe falar em cerceamento, vez que tal providência, à evidência, além de comprovar que ela, a documentação, compunha o acervo auditado, faz desaparecer a própria razão que serve de suporte à alegação.
SALDO CREDOR DE CAIXA. PASSIVO FICTÍCIO OU NÃO COMPROVADO.
Nos exatos termos do disposto no parágrafo 2º do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77, "o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção". Também caracteriza a omissão de receita, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada (art. 40 da Lei nº 9.430/96).
SALDO CREDOR DE CAIXA. MÚLTIPLAS INCIDÊNCIAS. INOCORRÊNCIA.
Descabe falar em multiplicidade de incidência sobre a mesma base de cálculo, na situação em que a apuração do SALDO CREDOR foi feita subtraindo-se do montante apurado em determinado mês os valores submetidos à tributação nos meses anteriores.
PASSIVO NÃO COMPROVADO. DOCUMENTAÇÃO. ANÁLISE.
Tratando-se de passivo não comprovado, a eventual apresentação por parte do autuado de documentos que, ao seu juízo, são hábeis e idôneos à comprovação das obrigações questionadas, impõe à autoridade responsável pela sua análise o dever de realizar cuidadosa apreciação, mormente na circunstância em que a referida análise é empreendida pelas próprias autoridades responsáveis pela autuação. Nessa linha, a rejeição dos documentos oferecidos pela contribuinte fiscalizada deve estar consubstanciada em robusta argumentação, e, principalmente, em elementos que permitam concluir, longe de qualquer dúvida, que a operação espelhada no documento submetido ao seu crivo não foi ou não poderia ser concretizada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA QUALIFICADA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1301-001.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista, que davam provimento parcial em maior extensão.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009, 2010 Ementa: PASSIVO. OBRIGAÇÕES COMPROVADAS. EXCLUSÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. PROCEDÊNCIA. No caso em que as próprias autoridades autuantes, em procedimento de diligência requerido na instância julgadora de primeiro grau, revisam o lançamento e concluem que as obrigações anteriormente tidas como não comprovadas efetivamente existiram, restando regular a escrituração contábil em relação a essas obrigações, não há reparo a ser feito na decisão que, com suporte em tais conclusões, exclui de tributação a matéria tributável correspondente. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCESSOS CONEXOS. APRECIAÇÃO POR UNIDADES ADMINISTRATIVAS DISTINTAS. AUTORIZAÇÃO POR NORMA REGIMENTAL. EXISTÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presente autorização regimental para que a autuação refletida em processo conexo seja apreciada por autoridade julgadora distinta da competente para julgar o denominado lançamento matriz, os pronunciamentos promovidos em primeira instância revelam-se regulares, eis que observado o devido processo legal. Não gozando referidos pronunciamentos de caráter definitividade, descabe falar em cerceamento do direito de defesa, eis que a norma processual faculta ao contribuinte meios para, em âmbito administrativo, reclamar pela uniformização dos entendimentos declinados. DOCUMENTAÇÃO. ANEXAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE AUTUANTE. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Se a documentação supostamente não trazida aos autos pela autoridade fiscal é, em sede de defesa, devidamente aportada ao processo pelo autuado, descabe falar em cerceamento, vez que tal providência, à evidência, além de comprovar que ela, a documentação, compunha o acervo auditado, faz desaparecer a própria razão que serve de suporte à alegação. SALDO CREDOR DE CAIXA. PASSIVO FICTÍCIO OU NÃO COMPROVADO. Nos exatos termos do disposto no parágrafo 2º do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77, "o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção". Também caracteriza a omissão de receita, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada (art. 40 da Lei nº 9.430/96). SALDO CREDOR DE CAIXA. MÚLTIPLAS INCIDÊNCIAS. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em multiplicidade de incidência sobre a mesma base de cálculo, na situação em que a apuração do SALDO CREDOR foi feita subtraindo-se do montante apurado em determinado mês os valores submetidos à tributação nos meses anteriores. PASSIVO NÃO COMPROVADO. DOCUMENTAÇÃO. ANÁLISE. Tratando-se de passivo não comprovado, a eventual apresentação por parte do autuado de documentos que, ao seu juízo, são hábeis e idôneos à comprovação das obrigações questionadas, impõe à autoridade responsável pela sua análise o dever de realizar cuidadosa apreciação, mormente na circunstância em que a referida análise é empreendida pelas próprias autoridades responsáveis pela autuação. Nessa linha, a rejeição dos documentos oferecidos pela contribuinte fiscalizada deve estar consubstanciada em robusta argumentação, e, principalmente, em elementos que permitam concluir, longe de qualquer dúvida, que a operação espelhada no documento submetido ao seu crivo não foi ou não poderia ser concretizada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%.
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OBRIGAÇÕES COMPROVADAS. EXCLUSÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. PROCEDÊNCIA. No caso em que as próprias autoridades autuantes, em procedimento de diligência requerido na instância julgadora de primeiro grau, revisam o lançamento e concluem que as obrigações anteriormente tidas como não comprovadas efetivamente existiram, restando regular a escrituração contábil em relação a essas obrigações, não há reparo a ser feito na decisão que, com suporte em tais conclusões, exclui de tributação a matéria tributável correspondente. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCESSOS CONEXOS. APRECIAÇÃO POR UNIDADES ADMINISTRATIVAS DISTINTAS. AUTORIZAÇÃO POR NORMA REGIMENTAL. EXISTÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presente autorização regimental para que a autuação refletida em processo conexo seja apreciada por autoridade julgadora distinta da competente para julgar o denominado lançamento matriz, os pronunciamentos promovidos em primeira instância revelamse regulares, eis que observado o devido processo legal. Não gozando referidos pronunciamentos de caráter definitividade, descabe falar em cerceamento do direito de defesa, eis que a norma processual faculta ao contribuinte meios para, em âmbito administrativo, reclamar pela uniformização dos entendimentos declinados. DOCUMENTAÇÃO. ANEXAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE AUTUANTE. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Se a documentação supostamente não trazida aos autos pela autoridade fiscal é, em sede de defesa, devidamente aportada ao processo pelo autuado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 71 57 /2 01 2- 54 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 534 2 descabe falar em cerceamento, vez que tal providência, à evidência, além de comprovar que ela, a documentação, compunha o acervo auditado, faz desaparecer a própria razão que serve de suporte à alegação. SALDO CREDOR DE CAIXA. PASSIVO FICTÍCIO OU NÃO COMPROVADO. Nos exatos termos do disposto no parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, "o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção". Também caracteriza a omissão de receita, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada (art. 40 da Lei nº 9.430/96). SALDO CREDOR DE CAIXA. MÚLTIPLAS INCIDÊNCIAS. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em multiplicidade de incidência sobre a mesma base de cálculo, na situação em que a apuração do SALDO CREDOR foi feita subtraindose do montante apurado em determinado mês os valores submetidos à tributação nos meses anteriores. PASSIVO NÃO COMPROVADO. DOCUMENTAÇÃO. ANÁLISE. Tratandose de passivo não comprovado, a eventual apresentação por parte do autuado de documentos que, ao seu juízo, são hábeis e idôneos à comprovação das obrigações questionadas, impõe à autoridade responsável pela sua análise o dever de realizar cuidadosa apreciação, mormente na circunstância em que a referida análise é empreendida pelas próprias autoridades responsáveis pela autuação. Nessa linha, a rejeição dos documentos oferecidos pela contribuinte fiscalizada deve estar consubstanciada em robusta argumentação, e, principalmente, em elementos que permitam concluir, longe de qualquer dúvida, que a operação espelhada no documento submetido ao seu crivo não foi ou não poderia ser concretizada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. ÔNUS INVERTIDO. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 535 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista, que davam provimento parcial em maior extensão. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). Fl. 535DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 536 4 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas aos anoscalendário de 2008 e 2009. Transcrevo, a seguir, relato feito em primeira instância acerca dos fatos apurados e das razões trazidas pela fiscalizada em sede de impugnação. [...] Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração a seguir indicados: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, fls. 03/13, no valor total de R$ 13.169.704,60, incluídos encargos legais. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, fls. 14/23, no valor total de R$ 4.931.989,93, incluindo encargos legais. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 24/42, no valor total de R$ 7.650.371,95, incluindo encargos legais. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, fls. 43/63, no valor total de R$ 1.660.936,05, incluindo encargos legais. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05/06, e o Termo de Verificação Fiscal, fls. 64/72, foram apuradas as seguintes infrações: 1 – Omissão de Receitas (Saldo Credor de Caixa) Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a comprovar, através de documentos hábeis e idôneos, o suprimento de caixa registrado na contabilidade em 15/02/08, em dinheiro, no valor de R$ 7.918.488,22, lançado em contrapartida da conta DUPLICATAS A RECEBER. Foi anexado a este processo o Razão da conta DUPLICATAS A RECEBER referente ao mês de fevereiro de 2008, no qual consta o referido lançamento. Ressaltese que na conta DUPLICATAS A RECEBER não havia saldo suficiente para comportar o suprimento de caixa mencionado. Também foi intimada a comprovar os direitos registrados junto à empresa RECICLAR RECICLADORA DE PLÁSTICO LTDA conta do Ativo 121010006, em relação ao ano de 2008, cujo saldo ao final do referido exercício era de R$ 4.217.531,34, e o suprimento de caixa, em dinheiro, no mesmo valor de R$ 4.217.531,34, registrado na contabilidade em 02/01/2009. A empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos, conforme Termo de Constatação Fiscal de 10/05/2012. Não tendo a empresa apresentado documentação comprobatória dos elevados ingressos na conta CAIXA 111010001, nem das contrapartidas dos referidos Fl. 536DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 537 5 lançamentos, a conta caixa foi recomposta desconsiderandose o ingresso dos referidos valores, R$ 7.918.488,22 (lançamento efetuado no dia 15/02/2008) e R$ 4.217.531,34 (lançamento efetuado no dia 02/01/2009). Com a recomposição da conta CAIXA, por meio do estorno dos referidos lançamentos contábeis, constatouse a existência de saldo credor de caixa, caracterizando a prática de omissão de receitas por parte da empresa, conforme previsto no inciso I do art. 281 do Decreto 3.000 de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) c/c DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40. Conforme Termo de Intimação Fiscal 04 de 05/06/2012, recebido pelo Procurador e Contador da empresa no dia 13/06/2012, o contribuinte foi cientificado da constatação da prática de omissão de receitas, diante da existência de saldo credor de caixa, e do DEMONSTRATIVO DA RECONSTITUIÇÃO DA CONTA CAIXA (em anexo ao Termo), também tendo sido intimado a discriminar a quais produtos a receita omitida se refere. Decorrido o prazo de 05 (cinco) dias, a empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos adicionais. Caracterizada a omissão de receitas, além do lançamento correspondente ao IRPJ, foram efetuados os lançamentos reflexos de CSLL, COFINS E PIS. As bases de cálculo utilizadas foram os maiores saldos credores da conta CAIXA, apurados em cada mês, abatendose os valores acumulados já utilizados como base de cálculo nos meses anteriores. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 279, 280, 281, inciso I, e 288 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/99 RIR/99. 2 – Omissão de Receitas (Passivo Fictício) Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a comprovar, através de documentos hábeis e idôneos, os lançamentos relacionados no demonstrativo LANÇAMENTOS CONTÁBEIS CUJOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DEVEM SER APRESENTADOS, em anexo ao Termo, e o registro das obrigações para com as empresas MULTIUNIÃO COMÉRCIO DE USINAGEM LTDA conta contábil do Passivo 211010499 e PREMIX MULTIOLEFINAS COMERCIAL LTDA conta contábil do Passivo 211010570, referentes aos anos de 2008 e 2009, bem como a liquidação das referidas obrigações. Conforme Termo de Intimação Fiscal 04 de 05/06/2012, recebido pelo Procurador e Contador da empresa no dia 13/06/2012, a empresa foi reintimada e cientificada de que a não apresentação da documentação comprobatória das obrigações listadas no item 06 caracterizaria a omissão de receitas nos termos do art. 40 da Lei 9.430/96. Tratamse de lançamentos referentes a empréstimos contraídos junto a instituições financeiras, sem a devida comprovação. Também foi reintimada e cientificada de que a não comprovação das obrigações registradas na contabilidade junto às empresas MULTIUNIÃO COMÉRCIO DE USINAGEM e PREMIX MULTIOLEFINAS COMERCIAL LTDA também caracterizaria a omissão de receitas, tendo sido anexados os razões das duas contas. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 538 6 Decorrido o prazo de 05 (cinco) dias, a empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos adicionais, o que caracteriza a existência de passivo fictício em sua escrituração contábil, conforme previsto no inciso III do art. 281 do Decreto 3.000 de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) c/c DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2° e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40. Caracterizada a omissão de receitas, além do lançamento correspondente ao IRPJ, foram efetuados os lançamentos reflexos de CSLL, COFINS E PIS. As bases de cálculo utilizadas são os valores mensais das obrigações não comprovadas. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 279, 280, 281, inciso III, e 288 do RIR/99. 3 – Omissão de Receitas (Depósitos Bancários de Origem não Comprovada) Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a comprovar, através de documentos hábeis e idôneos, os lançamentos relacionados no demonstrativo LANÇAMENTOS CONTÁBEIS CUJOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DEVEM SER APRESENTADOS, em anexo ao Termo. Entre os lançamentos relacionados está o correspondente ao depósito efetuado no dia 28/03/2008, na conta 111020017 – UNIBANCO S/A AG.0373 CTA 2197359, no valor de R$ 1.344.000,00. Conforme Termo de Intimação Fiscal 04 de 05/06/2012, recebido pelo Procurador e Contador da empresa no dia 13/06/2012, a empresa foi reintimada a comprovar a origem dos recursos referentes ao referido depósito, com a documentação hábil e idônea. Também foi informada de que a não comprovação da origem dos recursos seria enquadrada como omissão de receitas nos termos do art. 42 da Lei 9430/96. Decorrido o prazo, a empresa não apresentou a referida documentação, caracterizando a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme previsto no art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda, c/c art. 42 da Lei 9.430/96. Caracterizada a omissão de receitas, além do lançamento correspondente ao IRPJ, foram efetuados os lançamentos reflexos de CSLL, COFINS E PIS. A base de cálculo utilizada foi o valor de R$ 1.344.000,00, referente ao depósito não comprovado, conforme lançamento contábil efetuado no dia 28/03/2008, na conta 111020017 – UNIBANCO S/A AG.0373 CTA 2197359. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 279, 280, 287 e 288 do RIR/99. 4 – Incidência NãoCumulativa Padrão – Insuficiência de Recolhimento da Cofins Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a justificar as diferenças apuradas quanto à COFINS, no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS CONTRIBUIÇÕES, em anexo ao Termo. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 539 7 As bases de cálculo consideradas na apuração da COFINS, bem como os créditos apurados foram demonstrados no batimento em anexo ao Termo (EVIDENCIAÇÃO DA COFINS DEVIDA EM CADA COMPETÊNCIA). As bases de cálculo referemse a receitas escrituradas na contabilidade da empresa e os créditos referemse a notas fiscais apresentadas pela empresa à fiscalização. Os valores das contribuições que foram lançadas, são os relacionados no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS CONTRIBUIÇÕES (em anexo ao Termo), obtidos com base na conta contábil 21301006 – COFINS A RECOLHER. Foram abatidos os valores declarados em DCTF. A empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos sobre as diferenças apuradas. Para esta infração foi aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento). O enquadramento legal encontrase discriminado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 26/35. 5 – Incidência NãoCumulativa Padrão – Insuficiência de Recolhimento da Contribuição para o PIS/PASEP Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a justificar as diferenças apuradas quanto ao PIS, no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS CONTRIBUIÇÕES, em anexo ao Termo. As bases de cálculo consideradas na apuração do PIS, bem como os créditos apurados, estão demonstrados no batimento em anexo ao Termo (EVIDENCIAÇÃO DO PIS DEVIDO EM CADA COMPETÊNCIA). As bases de cálculo referemse a receitas escrituradas na contabilidade da empresa e os créditos referemse a notas fiscais apresentadas pela empresa à fiscalização. Os valores das contribuições que foram lançadas, são os relacionados no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS CONTRIBUIÇÕES (em anexo ao Termo), obtidos com base na conta contábil 21301005 – PIS A RECOLHER. Foram abatidos os valores declarados em DCTF. A empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos sobre as diferenças apuradas. Para esta infração foi aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento). O enquadramento legal encontrase discriminado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 26/35. Ao final do Termo de Verificação Fiscal, fls. 64/72, os autuantes “fazem” a seguinte conclusão: Tendo sido constada a existência de contribuições sociais a recolher (COFINS e PIS) e a prática, por parte da empresa fiscalizada, de omissão no registro de receitas foi efetuado o presente lançamento referente ao IRPJ, CSLL COFINS e PIS. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 540 8 As alíquotas utilizadas foram evidenciadas nos demonstrativos em anexo ao presente auto de infração. Quanto às infrações correspondentes à omissão de receita (saldo credor de caixa, passivo fictício e depósitos bancários de origem não comprovada), a multa aplicada foi de 150% (cento e cinqüenta por cento), qualificada nos termos do art. 44, inciso I e § 1º da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007, c/c art. 71 da Lei 4.502/64. Como ficou demonstrado, a empresa utilizou diversos artifícios para omitir o registro de suas vendas. É de se estranhar que a empresa não tenha se manifestado sobre o depósito milionário (R$ 1.344.000,00) na sua conta bancária junto ao Unibanco, realizado em 28/03/08. Também não se manifestou sobre os empréstimos junto ao Banco Guanabara (R$ 1.000.000,00) e BANRISUL (R$ 1.438.969,72). A empresa também não apresentou os documentos comprobatórios de seus direitos de credor junto à empresa RECICLAR RECICLADORA DE PLÁSTICO LTDA no valor, também milionário, de R$ 4.217.531,34. É importante ressaltar o pagamento desse elevado valor em um único dia, em dinheiro, por parte da RECICLAR RECICLADORA DE PLÁSTICO LTDA para a IBAP. A prova cabal de que todas essas práticas visavam omitir o ingresso de receitas da empresa é a baixa da conta DUPLICATAS A RECEBER, no valor de R$ 7.918.488,22, em contra partida da conta CAIXA no dia 15/02/08, conforme evidenciado no razão da conta DUPLICATAS A RECEBER referente ao mês de fevereiro de 2008 (em anexo). Para que isso acontecesse, todos os clientes da empresa deveriam ter pago suas duplicatas, em dinheiro, ao mesmo tempo. Mais grave do que isso é o fato de que não havia saldo para comportar esse valor. O saldo da conta DUPLICATAS A RECEBER, antes deste lançamento, era de R$ 4.862.209,04. A empresa adotou as práticas contábeis anteriormente mencionadas para ocultar a ocorrência dos fatos geradores de tributos decorrentes das receitas omitidas, tendo deixado de declarar os tributos devidos em DCTF e efetuar os recolhimentos respectivos. Por tudo que foi exposto restou clara a ação e/ou omissão do contribuinte acarretando a qualificação da multa ora imposta. Tais condutas do contribuinte também configuram, em tese, crime contra a ordem tributária nos termos dos artigos 1º e 2º da Lei 8.137/90. Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 20/06/2012, fls. 04, 15, 24 e 44, o contribuinte apresentou impugnação em 20/07/2012, fls. 146/166, contrapondose aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados. DO PASSIVO FICTÍCIO E DO SALDO CREDOR DE CAIXA. QUADRO HISTÓRICO Alega a defesa que, independentemente do mérito, a recomposição de Caixa manejou apenas a coluna de "entradas não comprovadas", que a autoridade lançadora chama "estornos realizados" (fls. 117/138 do arquivo pdf, de numeração não imprimível). Fl. 540DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 541 9 Afirma que, se o saldo credor de caixa somente veio à tona porque a impugnante teria pago fornecedores com recursos que estavam efetivamente em seu caixa físico, tais recursos de caixa, ainda que oriundos de operações supostamente não contabilizadas, giravam DENTRO da empresa, de modo que, pago o tributo sobre o mais antigo valor acaso desvendado, esse mesmo valor há de ser transposto do "caixa físico" para o Caixa Contábil, sob pena de a tributação vir a incidir várias vezes sobre a mesma operação. Considera fundamental trazer algumas explicações sobre o estouro de caixa (saldo credor), bem como sobre o passivo fictício que, a rigor se confundem na formação do lucro presumidamente omitido. Nesse sentido, a defesa faz um análise histórica das duas presunções legais – saldo credor de caixa e passivo fictício – com a transcrição da legislação pertinente e da jurisprudência administrativa, para, ao final, concluir que, fosse nos primórdios, antes do Decretolei 1.598/77; fosse sob a sua vigência, seja agora sob a Lei n° 9.430/96, o passivo fictício tem sido, e é – e sempre o será – , uma presunção, na medida em que outros ingressos podem lastrear os pagamentos não contabilizados. Outros ingressos? Sim, vejamolos: (i) dinheiro com problema no Direito de Família, da mulher, do pai, do filho, do sogro, de um parente, em que a conveniência familiar de não aparecer é maior do que o risco fiscal de ocultar; (ii) dinheiro de empréstimos de particulares. Deveras, quantas empresas não se socorrem dos agiotas quando perdem o crédito na rede bancária? Como contabilizar? Evidente que não há como. (iii) Também os dinheiros sob preconceitos: fiéis, religião, amantes, companheiro (a), em que o impedimento de aparecer, para alguns, é absoluto, armários, seitas e quejandos. (iv) Configurações outras, assustadoras, com origem no ilícito penal propriamente dito: quantas empresas foram abertas ou supridas de Caixa com o produto do roubo do Banco Central?! Evidente que não se trata de omissão de receitas, nem o assaltante confessará que o dinheiro suprido viajou no túnel do banco. E dos políticos, dizem os jornais. Entende a defesa que, em qualquer desses ingressos, nenhuma omissão de receitas, muitos menos a incidência de PIS e Cofins, mas real a omissão negocial, a grande diferença entre a presunção (possibilidade, probabilidade) e a verdade material cabalmente comprovada, o fato real. Em sendo o passivo fictício apenas uma presunção, há de se lhe aplicar o tipo nãopenal, na forma do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, matéria a ser demonstrada mais adiante, uma vez que a autoridade do lançamento aplicou a multa de 150%, que corresponde, não à presunção da omissão, mas à certeza da fraude, da sonegação ou do conluio. DO TIPO FISCAL DO PASSIVO FICTÍCIO: MANUTENÇÃO A defesa faz uma breve análise sobre qual seria o tipofiscal do Passivo Fictício, com transcrição de doutrina e dispositivos legais que tratam da referida presunção legal. Considera que, tanto pelo disposto no art. 12, § 2º, do DecretoLei nº 1.598/77 quanto pelo estabelecido pelo art. 40 da Lei nº 9.430/96, o tipofiscal é a manutenção. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 542 10 A partir da definição do que venha a ser manutenção «fazer perdurar em determinado estado» indaga: Perdurar por quanto tempo? Quando, o corte, no tempo? A lei específica nada diz. Dilo a Ciência Contábil: manutenção, em contabilidade, é a posição contábil levada ao encerramento do exercício, quando todas as contas transitórias são encerradas; e algumas, as contas mantidas, são transpassadas para o exercício seguinte. Em conclusão, uma situação passiva em janeiro e encerrada em janeiro não é conta mantida no balanço da empresa, porque transitoriamente encerrada. Uma posição contábil é transitória quando criada depois do balanço de abertura e encerrada no balanço final; é conta mantida quando vem a ultrapassar o balanço final para ser restaurada no balanço seguinte. O Parecer Normativo CST n° 108/78 é muito objetivo em esclarecer que transitórias são as contas abertas e encerradas até o balanço em curso; e permanentes (mantidas), as contas que ultrapassam o exercício seguinte. Na ausência de outro critério, a expressão legal «manutenção no passivo» há de ser tomada no sentido léxicológicocontábil, de conta que permaneceu (mantida), mas nada a ver com ativo permanente. Afinal, a lei tributária não pode subverter a linguagem (art. 110 do CTN). Considera que, se o suposto passivo fictício não representasse recursos de caixa entregues pelo proprietário ou controlador da companhia, e utilizados no efetivo pagamento de títulos da empresa, o tal passivo fictício jamais viria a ser encontrado, tudo por uma razão muito simples: encontrado foi pelo Fisco justamente porque DENTRO da empresa, no giro da empresa, ainda que não tenha hipótese que se diz apenas em prol do direito de argumentar , ingressado pela via contábil ao Caixacontábil da empresa. Na gaveta, sim; no Caixafiscocontábil, não. Em suma, a distribuição, ainda que presumida, do passivo fictício, situase no campo da impossibilidade contábil. Continuando a defesa faz os seguintes questionamentos e manifesta o seu entendimento. Impossibilidade contábil? Sim, isto mesmo, assim o vejamos. Admitase esteja a empresa a venderereceber, sem todavia fazer o registro de parte ou da totalidade dessa vendarecebimento. Obviamente, o dinheiro físico é desviado da empresa para o seu proprietário ou controlador. O proprietário ou controlador pode dar diversos destinos ao recurso que embolsou, digamos, viagens, mansões, fazendas, etc. Pode também devolver à empresa os recursos de caixa que dela desviou. E o faz por uma razão fundamental: a empresa necessita dos recursos justamente para pagar as duplicatas aos seus fornecedores. Recursos de caixa? Sim, os recursos de caixa, expressão fundamental da configuração do passivo fictício, assim o registro expresso do Decretolei n° 1.598/77. Vale mencionar que, anteriormente ao Decretolei 1.598/77, ainda em 1970, a CST – Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal baixara o Parecer Normativo n° 214 (30.07.1970), explicitando que a «Importância tributada em poder da pessoa jurídica como "passivo fictício", em virtude de ação fiscal, pode ser considerada reserva livre para fins de aumento de capital», o que afasta de imediato o entendimento de que o valor presumidamente omitido fora também presumidamente distribuído. Evidente que um recurso de caixa encontrado DENTRO da empresa, justo porque a biópsia das suas entranhas demonstrara a existência da reserva de lucros formada por obrigações inexistentes, não pode ser considerado distribuído, exatamente porque encontrado dentro da empresa, ali mesmo, na empresa (pleonástico), girando dentro da empresa, sem qualquer distribuição; pelo contrário, Fl. 542DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 543 11 em vez de distribuição, o aporte do seu valor pelo proprietário. Logo, repercutir o IRFonte sobre fato materialmente inexistente, inclusive do ponto de vista teórico, impossível de acontecer, porque os recursos foram utilizados no pagamento aos fornecedores equivale a cobrar tributo sob o formato do enriquecimento ilícito. Em seguida, a defesa passa a fazer uma análise do disposto no art. 12, § 3º, do DecretoLei nº 1.598/77, que trata da presunção legal de Suprimentos de Caixa efetuados por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia. Nesse sentido, conclui que, apenas para argumentar, seja dada a hipótese de, configurado o passivo fictício e/ou saldo credor de caixa, o contribuinte tem o direito ao arbitramento do lucro tributável da referida operação, na forma do § 3º do art. 12 do Decretolei n° 1.598/77. Sob que critérios? A legislação do Imposto de Renda dispõe de amplos critérios para segregar resultados, sem desprezar a escrita contábil. Exemplo: lucro da exploração, por atividades. Não seria, evidente, o caso de arbitrar todo o lucro, desprezando a escrita da empresa; mas apenas de segregar os «recursos de caixa fornecidos à empresa». Por que não o critério de 9,6% da empresa comercial/industrial, do critério geral de arbitramento, a incidir tãosó sobre os tais recursos de caixa fornecidos à empresa? DA COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DO PASSIVO Afirma a impugnante que inexistiu qualquer passivo nãocomprovado. Existiu, sim, a efetiva dificuldade de administrar o fluxo de papéis à equipe fiscal. Considera que não é fácil levar papéis à autoridade lançamento em atividade externa, noutras empresas, noutros municípios, quando da intimação para comparecer à sede do Fisco. Tanto mais difícil ante a dificuldade de qualquer contato, seja pelo minguado expediente ao público (somente pela manhã, não antes das 09h nem depois das ll:30h); seja por conta das barreiras instransponíveis, crachás, senhas e agendamentos. Para evitar tais contratempos é que a lei estabelece a proibição de fiscalizar pela via postal. Alega que jamais recusou a apresentação de qualquer documento. Houve apenas o desencontro provocado pela infração, cometida pelo Fisco, da regra do art. 904 do RIR/99. Com estes esclarecimentos, eis a documentação das contas, comprovandoas: • Multiunião Comércio de Usinagem Ltda, anexo n° 1; • Premix Multiolefinas Comercial Ltda, anexo n° 2; • Banco Banrisul S. A., Banco Guanabara S. A. e Unibanco S. A., anexo n° 3. A discussão resumese, ante as comprovações, à recomposição do Caixa, valores antecipados (Duplicatas a Receber) e da conta Reciclar Recicladora de Plástico Ltda. A autoridade do lançamento agiu com absoluta correção na recomposição do saldo de Caixa; excluindo o valor dado como recebido, alocandoos de volta à medida do recebimento. O erro deuse apenas quando somou todos os saldos do mês, passando por cima da evidência de que se determinada parcela foi omitida como receita, mas tributada pelo Fisco, há de ser chamada ao Caixa, justamente porque permaneceu no giro da empresa, dentro da empresa, quitando os títulos da empresa. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 544 12 Mês/Ano Maior Saldo Parcela do Mês Saldo do Ano Jan/08 708.869,44 708.869,44 Fev/08 Mar/08 Abr/08 Mai/08 920.489,05 211.619,61 Jun/08 1.072.069,34 151.580,29 Jul/08 Ago/08 Set/08 Out/08 Nov/08 Dez/08 1.072.069,34 Jan/09 Fev Mar Abr Mai 1.840.130,12 768.060,78 Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 768.060,78 Os valores acima, R$ 1.072.069,34 e R$ 768.060,78, para 2008 e 2009, constituem o resultado do "desprovimento de caixa", isto é, o efetivo saldocredor, na forma do art. 12, § 2º, do Decretolei n° 1.598/77, para o cálculo do IRPJ e da CSL, termo referencial de juros, jan/2009 e jan/2010, respectivamente. Quanto aos reflexos de PIS e Cofins, sim; os valores acima, base mensal, jan/08, R$ 708.869,44; mai/08, R$ fev/211.619,61; jun/08, R$ 151.580,29; mai/09, R$ 768.070,78. Para o IPI, não. Comprovarseá, no processo respectivo, inexiste previsão legal para levar a presunção do passivo fictício para o IPI. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 545 13 DO AGRAVAMENTO DA PENALIDADE Após mais uma vez fazer referência ao fato de que o lançamento estaria embasado em presunções, a defesa cita manifestação do STF no sentido de que não dá para levar alguém ao cárcere sob a presunção de que matou se não há sequer a certezacerta de que o "defunto" morreu. Por igual, na presunção da receita omitida com base na figura do passivo fictício, a lei elege uma presunção, que não pode ser tomada em sentido absoluto, posto que recursos outros podem ser oriundos de outras hipóteses, algumas até mais graves como o sequestro, o assalto, o roubo; ou, o mais comum e mais benigno, o socorro de amigos e familiares ou o tradicional empréstimo de agiotas. A lei exige para enquadrar o procedimento como tipo fiscal sujeito à penalidade agravada que o fato se enquadre numa destas três hipóteses, ou nas três, respectivamente artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Qualquer das hipóteses há de ficar cabalmente provada e comprovada. Nos autos, genericamente, apenas (fl. 23 do arquivo pdf): “Quanto às infrações correspondentes à omissão de receita (saldo credor de caixa, passivo fictício e depósitos bancários de origem não comprovada), a multa aplicada foi de 150% (cento e cinqüenta por cento), qualificada nos termos do art. 44, inciso I e § 19 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007, c/c art. 71 da Lei 4.502/64. Como ficou demonstrado, a empresa utilizou diversos artifícios para omitir o registro de suas vendas”. A impugnante chama a atenção para o detalhe de que a autoridade do lançamento não tipifica o procedimento em qualquer dos artigos (71, 72 ou 73); nem num, nem no outro, tanto assim que não se refere especificamente a nenhum deles, optando pela capitulação a granel, no que apenas repete a dicção do art. 40, I, § 1º, da Lei n° 9.430/96. E, como se assim fosse suficiente, maneja representação criminal, sem tipificar o crime. O art. 73, a complicar, tipifica o conluio. Não há nos autos qualquer notícia. A lei exige o tipopenal; melhor dizendo, exige, não apenas a suposição (presunção legal), mas a comprovação mesma do tipo, assim o vejamos: Súmula CARF n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF n° 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Atentese que até mesmo na hipótese de movimentação bancária estranha ao movimento da empresa (hipótese inexistente nos autos), o CARF só autoriza a multa agravada se houver a interposta pessoa, que não é o caso dos autos: Súmula CARF n° 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. DAS DIFERENÇAS, VALORES LANÇADOS Fl. 545DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 546 14 À vista da escrita fiscocontábil da empresa, a autoridade do lançamento encontrou diferenças a recolher. A objeção é apenas no sentido de que a impugnante tinha (e tem!) o direito aos vinte dias previstos no art. 47 da Lei n° 9.430/96 para quitar com multa de mora. Realmente, todos os dados apurados, foramno a partir da escrituração fisco contábil; mais exatamente, a partir dos livros fiscais da impugnante. Se o benefício alcançasse apenas os débitos lançados em DCTF, o dispositivo legal deixaria de ter qualquer sentido, posto que os débitos depois de lançados em DCTF saem do campo da multa de oficio. DOS PEDIDOS A impugnante pede que esta impugnação seja recebida em seu efeito suspensivo: (i) sejam aceitas as comprovações com base nos documentos anexados aos autos; (ii) seja recomposto o saldo de Caixa, como indicado em demonstrado específico; (iii) seja, nos termos do art. 12, parágrafo 3º, do Decretolei n° 1.598/77, arbitrado o lucro da presumida omissão de receitas, com manutenção porém da escrita da empresa e do seu regime de lucro real; (iv) seja desclassificada a penalidade típica de fraude, sonegação ou conluio, de 150% para 75%, com o consequente arquivamento da Representação para Fins Penais, processo n° 10380.727161/201212; (v) seja reaberto prazo para pagar as diferenças dos valores lançados na escrita fiscocontábil com o benefício do art. 47 da Lei n° 9.430/96; (vi) Pede, enfim, a insubsistência do auto de infração. Analisando a matéria, esta turma de julgamento decidiu pela conversão do julgamento em diligência, Resolução nº 2.427, de 21/11/2012, fls. 404/416, para que: a) verifique a idoneidade dos documentos às fls. 170/401; b) caso sejam idôneos, apure os reflexos que tais dados terão na apuração das infrações de que trata o presente litígio Em atenção, foi anexado ao presente o Relatório Fiscal – Diligência, fls. 418/420. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, Ceará, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural e a informação produzida pela diligência fiscal realizada, decidiu, por meio do acórdão nº 0826.075, de 02 de agosto de 2013, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 547 15 A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante provas hábeis e idôneas. PASSIVO FICTÍCIO. No caso de presunção de omissão de receita com base em passivo fictício, relevante é perquirir a origem, fonte ou procedência dos recursos utilizados para cumprimento das obrigações. Tendo o contribuinte comprovado parte das obrigações no seu passivo, deve ser cancelada a cobrança correspondente. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESCABIMENTO. Descabida a solicitação para o arbitramento da receita omitida, quando não verificadas as situações configuradoras previstas na legislação vigente. MULTA QUALIFICADA. Aplicável a multa de ofício qualificada quando constatada a intenção deliberada do contribuinte em obter benefícios em matéria tributária mediante uma série de práticas contábeis com o objetivo específico de ocultar a ocorrência dos fatos geradores de tributos. LANÇAMENTO. FALTA DE COMUNICAÇÃO DO DIREITO AO PRAZO PREVISTO NO ART. 47 DA LEI Nº 9.430/1996. O permissivo legal para pagamento até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, com acréscimos legais aplicáveis aos casos de procedimento espontâneo, é auto aplicável e abrange somente os tributos já declarados pelo contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, eis que acolheu a conclusão trazida por meio da diligência fiscal no sentido de que alguns passivos restaram comprovados, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 2.108/2.140, em que, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita que houve violação ao princípio da unidade processual, eis que o presente processo foi julgado por unidade distinta da que julgou o de nº 10830.727160/201278, que trata da mesma matéria. Alega que documentos entregues à unidade administrativa responsável pelo lançamento não foram Fl. 547DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 548 16 juntados aos autos, e, atacando a numeração das folhas do processo, tece considerações acerca de uma denominada NÃO INTEGRIDADE PROCESSUAL. Em uma primeira apreciação, esta Primeira Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 1301000.217, de 23 de setembro de 2014, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem apartasse dos autos a infração identificada como INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO (infração 1 das peças acusatórias de fls. 24/63), encaminhando as peças pertinentes em processo próprio à Terceira Seção deste Colegiado. Em atendimento, a Agência da Receita Federal em Maranguape, Ceará, anexou aos autos o TERMO DE TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS de fls. 529, cumprindo, assim, o determinado pela Resolução desta Primeira Turma de Julgamento. É o Relatório. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 549 17 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Embora não conste registro da data em que o recurso voluntário foi protocolizado, julgoo tempestivo, eis que a Recorrente foi cientificada da decisão exarada em primeira instância em 15/08/2013 (aviso de recebimento de fls. 506) e o documento de fls. 456 consigna a juntada da peça recursal em 12/09/2013. O montante de crédito tributário exonerado em primeira instância ultrapassa o limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, revelandose cabível, assim, o recurso necessário. Atendidos, pois, os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Cuida o presente de exigência de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas aos anoscalendário de 2008 e 2009. À contribuinte fiscalizada foram imputadas as seguintes infrações: i) omissão de receitas, caracterizada por saldo credor de Caixa; ii) omissão de receitas, caracterizada por passivo fictício; iii) omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada; e iv) insuficiência de recolhimento de PIS e de COFINS. Os lançamentos tributários relativos ao PIS e à COFINS alcançaram os valores devidos em decorrência das omissões de receita apuradas (REFLEXOS) e as insuficiências de recolhimento detectadas. Para fins de determinação das referidas insuficiências de recolhimento das contribuições (PIS e COFINS), a autoridade fiscal apurou os valores devidos com base na contabilidade (receitas escrituradas) e nas notas fiscais apresentadas (créditos) e os confrontou com o declarado em DCTF. As infrações indicadas como INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA PADRÃO – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, apontadas como infração 1 nas peças acusatórias de fls. 24/63, têm natureza autônoma, isto é, não estão lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, motivo pelo qual decidiuse pela segregação das referidas peças para fins de encaminhamento à Terceira Seção deste Colegiado. Aprecio, então, os recursos impetrados. RECURSO DE OFÍCIO A autoridade julgadora de primeira instância, amparada em RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL, pronunciouse pelo cancelamento de parcela da exigência que teve por fundamento a imputação de PASSIVO FICTÍCIO. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 550 18 Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 64/71, a Fiscalização não considerou comprovadas obrigações da Recorrente com as pessoas jurídicas MULTIUNIÃO COMÉRCIO DE USINAGEM LTDA e PREMIX MULTIOLEFINAS COMERCIAL LTDA, e de empréstimos supostamente tomados junto a instituições financeiras. Diante da apresentação de documentação na fase impugnatória, a Turma Julgadora de primeiro grau resolveu converter o julgamento em diligência para que os documentos trazidos ao processo fossem analisados (Resolução nº 2.427, de 21/11/2012, fls. 404/416). Em atendimento, foi produzido o RELATÓRIO FISCAL DILIGÊNCIA, fls. 419/420, no qual os responsáveis pelo procedimento (os mesmos que efetuaram a autuação) concluíram que, relativamente às pessoas jurídicas MULTIUNIÃO COMÉRCIO DE USINAGEM LTDA e PREMIX MULTIOLEFINAS COMERCIAL LTDA, as obrigações efetivamente existiram, estando regular, portanto, a escrituração contábil. A decisão de primeira instância, acolhendo o Relatório da diligência efetuada, afastou a matéria tributável correspondente às obrigações comprovadas, conforme quadro abaixo. FATO GERADOR MATÉRIA TRIBUTÁVEL EXCLUÍDA 29/02/2008 107.388,75 30/04/2008 43.680,00 31/05/2008 84.630,00 30/06/2008 52.500,00 31/07/2008 127.393,78 31/08/2008 94.054,00 31/10/2008 681.740,50 30/11/2008 203.422,50 31/12/2008 113.289,75 TOTAL 1.508.099,28 Penso que, se as próprias autoridades autuantes, em procedimento de diligência requerido na instância julgadora, revisam o lançamento e concluem que as obrigações anteriormente tidas como não comprovadas efetivamente existiram, restando regular a escrituração contábil em relação a essas obrigações, não há reparo a ser feito na decisão que, com suporte em tais conclusões, exclui de tributação a matéria tributável correspondente. Nego, pois, provimento ao recurso de ofício impetrado. RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 550DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 551 19 No que diz respeito ao recurso voluntário, cabe destacar que a apreciação limitarseá às razões relacionadas aos créditos controlados no presente processo, vez que, como já visto, os lançamentos de PIS e de Cofins que não tiveram por suporte fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, foram apartados para fins de apreciação pela Terceira Seção deste Colegiado. CERCEAMENTO UNIDADE PROCESSUAL Argumenta a Recorrente que a ampla defesa pressupõe a unidade processual, motivo pelo qual o presente processo e o de nº 10380.727160/201278, que trata de IPI e que com este guarda conexão, deveriam ter sido apreciados em primeira instância pela mesma autoridade julgadora. Alega que "jamais imaginara que a acusação da mesma omissão de receitas fosse ter julgamentos diferentes, em locais diferentes, por juízes diferentes, de modo que os papeis apresentados nos autos do IRPJ não fossem levados em conta no processo idêntico, decorrente, do IPI". Registro em primeiro lugar que a apreciação, em primeira instância, do presente processo e a do de nº 10380.727160/201278 se deu de forma absolutamente regular, eis que, nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos (Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil aprovado pela Portaria MF nº 125, de 2009, e Portaria RFB nº 1916, de 2010), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza era a unidade administrativa competente para apreciar os litígios relacionados aos impostos e contribuições administrados pela Receita Federal decorrentes de lançamentos tributários contra contribuintes domiciliados em sua circunscrição territorial (3ª Região Fiscal, na qual o estado Ceará está incluído), exceto, além do ITR, o IPI e lançamentos conexos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, por sua vez, nos termos dos referidos atos administrativos, era a unidade competente para apreciar os litígios decorrentes dos lançamentos do IPI, inclusive os conexos, relacionados a contribuintes domiciliados na circunscrição territorial da 3ª Região Fiscal. Cumpre destacar que o estabelecimento, por parte do Secretário da Receita Federal, de especialização de turmas das Delegacias da Receita Federal de Julgamento encontra amparo no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, que é aprovado por Portaria do Ministro de Estado da Fazenda. No caso vertente, o inciso XXVII do art. 261 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 125, de 04 de março de 2009, estabelecia: Art. 261. Ao Secretário da Receita Federal do Brasil incumbe: ... XXVII estabelecer a especialização das turmas das DRJ, no tocante à matéria de competência da respectiva unidade; No que tange ao alegado cerceamento, penso não assistir razão à Recorrente, eis que o decidido em primeira instância não tem natureza de definitividade, merecendo destaque o fato de que, uma vez mantida a divergência em segunda instância, ao contribuinte é facultado a interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais com o intuito de buscar a uniformização de entendimento acerca da matéria. Rejeito, pois, a preliminar arguída. CERCEAMENTO NÃO INTEGRIDADE PROCESSUAL Fl. 551DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 552 20 Trazendo considerações acerca de erro na numeração das folhas do processo, a Recorrente alega que os documentos entregues por ela não foram carreados ao processo. Não obstante, afirma que, por ter guardado cópia, junta referida documentação ao processo. Adiante, sustenta que, caso a autoridade fiscal tivesse desconfiança em relação a quaisquer documentos, deveria promover uma circularização, e não exigir elemento que se encontra fora do alcance do contribuinte. Aqui, de igual forma, penso não merecer acolhimento os argumentos trazidos pela Recorrente. Com efeito, a Recorrente, embora alegue cerceamento (do direito de defesa, pressupõese) em razão de a autoridade fiscal não ter colacionado aos autos documentos referenciados em seus pronunciamentos, afirma, ao mesmo tempo, que, por possuir cópia, junta ao processo esses mesmos documentos. Tal providência revela que a documentação em questão pertence ao acervo auditado pela autoridade fiscal, e, tendo sido juntada em sede de defesa pela própria Recorrente, não há que se falar em cerceamento, seja ele de que natureza for. No que tange aos alegados erros na numeração das folhas do processo, o que se observa, primeiramente, é que a numeração adotada é a fornecida pelo arquivo digital. Não obstante, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, ao anexar aos autos os seus pronunciamentos (Resolução nº 2.427 e Acórdão nº 0826.075), o fez considerando a impressão frente e verso dos referidos documentos, o que provocou um descompasso entre a numeração digital e a adotada pela unidade de julgamento. Tal fato, entretanto, não é capaz de provocar qualquer embaraço à compreensão das peças processuais, seja porque a anexação dos documentos foi feita respeitandose a ordem cronológica dos atos e fatos neles espelhados, seja porque a numeração do arquivo digital foi devidamente preservada. Rejeito, assim, a preliminar suscitada. PASSIVO FICTÍCIO E SALDO CREDOR DE CAIXA Alega a Recorrente que os recursos de CAIXA, ainda que oriundos de operações supostamente não contabilizadas, "giravam DENTRO da empresa, de modo que, pago o tributo sobre o mais antigo valor acaso desvendado, esse mesmo valor há de ser transportado do caixafísico para o Caixa Contábil, sob pena de a tributação vir a incidir várias vezes sobre a mesma operação." Adiante, tecendo considerações acerca das matérias em relevo e sobre a legislação que as rege, aponta situações que poderiam justificar a origem dos recursos, não sendo elas, as situações, hipóteses representativas das incidências tributárias tratadas nos presentes autos. Em que pese os reparos que seriam necessários às considerações trazidas pela Recorrente acerca do PASSIVO FICTÍCIO e do SALDO CREDOR DE CAIXA, objetivamente, merece apreciação tão somente as considerações da Recorrente acerca das presunções legais que serviram de suporte para os lançamentos tributários. De fato, os créditos tributários tratados no presente item têm por lastro a aplicação de presunções preconizadas em lei, presunções essas de cunho relativo, o que significa dizer que aquilo que a lei estabelece como origem para os recursos não contabilizados (OMISSÃO DE RECEITAS TRIBUTÁVEIS) pode não corresponder à realidade. Contudo, do ponto de vista estritamente tributário, não se pode confrontar a aplicação da presunção legal Fl. 552DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 553 21 com outras presunções (ou suposições), pois, como é cediço, tratandose de aplicação pelo Fisco de presunção abrigada pela lei, o ônus de comprovar a sua improcedência recai naquele em relação ao qual ela age em desfavor (no caso, a contribuinte autuada), sendo que tal comprovação deve ser feita por meio da apresentação de documentação hábil e idônea (e não por meio de suposições). Nessa linha, simples ilações acerca de uma possível origem para os recursos movimentados à margem da escrituração não podem, à evidência, contraditar presunções legais, sendo necessário o aporte, como dito, de documentos hábeis e idôneos capazes de levar à conclusão de que, de fato, os valores em questão não tiveram suporte em receitas omitidas. No que diz respeito à recomposição do CAIXA promovido pela autoridade fiscal, equivocase a Recorrente ao afirmar que, no caso, houve incidências múltiplas sobre um mesmo valor. Com efeito, analisando os quadros demonstrativos de fls. 117/138, constato que o responsável pela autuação cuidou de, ao determinar o valor correspondente ao saldo credor de CAIXA no mês, subtrair os montantes submetidos à tributação nos meses anteriores, de modo que a incidência se deu única e exclusivamente sobre a diferença. Não identifico, assim, razões para afastar a incidência, a título de omissão de receitas, sobre os saldos credores apurados pela Fiscalização. PASSIVO FICTÍCIO Sob o título em destaque, a Recorrente retoma considerações acerca da presunção legal aplicada pela Fiscalização, inclusive da legislação tributária de regência. Adiante, discorre sobre: a conexão entre o passivo fictício e os recursos ingressos no CAIXA; a impossibilidade de se considerar recursos de CAIXA detectados "dentro" da empresa como recursos distribuídos; e direito ao arbitramento do lucro tributável na forma do parágrafo 3º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 (sugere, como critério para o arbitramento referenciado pela norma, a utilização do percentual de 9,6% sobre os recursos de CAIXA fornecidos à empresa). Com o intuito de comprovar o passivo contestado pela Fiscalização, discorre sobre problemas diversos associados à condução da fiscalização e ao atendimento das intimações lavradas, informando ter juntado aos autos comprovação do passivo relacionado à MULTIUNIÃO COMÉRCIO DE USINAGEM LTDA ANEXO 1; PREMIX MULTIOLEFINAS COMERCIAL LTDA ANEXO 2; e BANCO BANRISUL S/A, BANCO GUANABARA S/A e UNIBANCO S/A ANEXO 3. Argumenta que, a partir das comprovações, a discussão resumese "à recomposição do Caixa, valores antecipados (Duplicatas a Receber) e da conta Reciclar Recicladora de Plástico Ltda." Sustenta que, na recomposição do CAIXA, "o erro deuse apenas quando somou todos os saldos do mês, passando por cima da evidência de que se determinada parcela foi omitida como receita, mas tributada pelo Fisco, há de ser chamada ao Caixa, justamente porque permaneceu no giro da empresa, dentro da empresa, quitando os títulos da empresa" (apresenta quadro, no qual reproduz os valores que entende que deveriam ter sido considerados como tributáveis pela Fiscalização). Restringindome a apreciar argumentos que se revelam importantes à solução da controvérsia, esclareço, inicialmente, que a aplicação das presunções estampadas no parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 (saldo credor de caixa e passivo fictício) e no art. 40 da Lei nº 9.430/96 (passivo não comprovado) é absolutamente independente, ou seja, a autoridade fiscal, ao identificar passivo ficto ou não comprovado, não está obrigada a, de forma subsequente, apontar o saldo credor correspondente. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 554 22 Destaco, ainda em âmbito preambular, que, considerados os termos da autuação e os argumentos de defesa trazidos pela contribuinte fiscalizada, a apreciação acerca da imputação de passivo não comprovado circunscrevese a existência ou não de documentos capazes de comprovar as obrigações questionadas pela Fiscalização, inexistindo nos autos, seja nas peças acusatórias, seja nas peças de defesa apresentadas pela contribuinte, discussão acerca do fato de as obrigações questionadas terem sido extintas em momento anterior ao do encerramento do período de apuração. Confundese a Recorrente ao fazer referência às disposições do parágrafo 3º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, visto que o dispositivo em comento trata de presunção diversa das que foram aplicadas pela Fiscalização por meio do presente processo. Com efeito, a norma em questão (parágrafo 3º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77) cuida dos denominados SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIOS, cuja origem e efetiva entrega não são devidamente comprovadas. A questão acerca de um suposto equívoco por parte da Fiscalização na apuração dos saldos credores de caixa já foi objeto de apreciação no item precedente. No que diz respeito à comprovação do PASSIVO, observo a existência de registro no Relatório correspondente à diligência fiscal requisitada em primeira instância, fls. 419/420, no sentido de que: a) a contribuinte foi intimada a apresentar os originais relativos aos documentos de fls. 170/401; b) a contribuinte atendeu a intimação e apresentou os documentos arrolados no protocolo de entrega, o qual estaria anexado ao relatório; c) em relação aos empréstimos bancários, a contribuinte não logrou êxito na comprovação das obrigações, vez que "o único documento apresentado foi uma página impressa intitulada Extrato de Movimentação, sem chave de autenticação, com cabeçalho identificando o Banco Guanabara S/A, CNPJ 31.880.826/000116, impresso em 22/06/2012" (fls. 396); e d) em relação aos demais empréstimos bancários, nada teria sido apresentado por ocasião da realização da diligência. Contudo, não localizei, como anexo ao relatório da diligência, o denominado PROTOCOLO DE ENTREGA. Além do extrato de movimentação de fls. 396, referenciado no citado relatório, identifico também: i) extrato do BANRISUL, no qual constam registros de dois créditos, no montante de R$ 370.372,18 cada um, efetuados em abril de 2008 (fls. 397); extrato do BANRISUL, no qual constam registros de dois créditos, no montante de R$ 349.112,68 cada um, efetuados em junho de 2008 (fls. 398); cópia de folha do Razão da conta nº 11102.0017 UNIBANCO, em que consta o registro a débito, em 28/03/2008, do montante de R$ 1.344.000,00 (fls. 399); cópia de folha do Razão da conta nº 11401.0002 COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO, em que consta o registro a crédito, em 28/03/2008, do montante de R$ 1.344.000,00 (fls. 400); e cópia de nota fiscal emitida pela empresa PREMIX Multiolefinas Comercial Ltda (fls. 493). A decisão exarada em primeira instância, relativamente à documentação aportado ao processo, limitouse a ratificar as conclusões esposadas no relatório da diligência, não tecendo qualquer consideração acerca dos documentos juntados às fls. 397/401. Ao recurso voluntário, a contribuinte anexou: cópia de um denominado PROTOCOLO DE ENTREGA (fls. 489/492); cópia de nota fiscal emitida pela empresa PREMIX Multi Olefinas Comercial Ltda (fls. 493); cópia de contrato de mútuo com o BANCO GUANABARA (fls. 494/502); e cópia de extrato de movimentação (fls. 503/504). Fl. 554DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 555 23 O referido PROTOCOLO DE ENTREGA não faz referência aos documentos de fls. 397/401 (extratos do BANRISUL; cópia de folhas do Razão; e cópia de nota fiscal), e, pelo que se pode supor, representa o documento citado no relatório de diligência. Penso que a questão acerca da comprovação do passivo é merecedora de uma análise mais adequada. Com efeito, é cediço que, no caso, na esteira do disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, compete a autoridade fiscal reunir ao processo elementos comprobatórios da prática da infração por parte do contribuinte fiscalizado. Nesse diapasão, tratandose de passivo não comprovado, a eventual apresentação por parte do autuado, em sede defesa, de documentos que, ao seu juízo, são hábeis e idôneos à comprovação das obrigações questionadas, impõe à autoridade responsável pela sua análise o dever de realizar cuidadosa apreciação, mormente na circunstância em que a referida análise é empreendida pelas próprias autoridades responsáveis pela autuação. Nessa linha, penso que a rejeição dos documentos oferecidos pela contribuinte fiscalizada deve estar consubstanciada em robusta argumentação, e, principalmente, em elementos que permitam concluir, longe de qualquer dúvida, que a operação espelhada no documento submetido ao seu crivo não foi ou não podia ser concretizada. Especificamente em relação ao PASSIVO NÃO COMPROVADO, em conformidade com o Termo de Intimação de fls. 115/116 e o relatório de fls. 419/420, a matéria tributável, excluídas as operações devidamente comprovadas com as empresas MULTIUNIÃO COMÉRCIO DE USINAGEM LTDA e PREMIX MULTIOLEFINAS COMERCIAL LTDA, é composta pelas parcelas indicada no quadro abaixo. FATO GERADOR VALOR (R$) INSTITUIÇÃO FINANCEIRA JANEIRO/2008 500.000,00 BANCO FIBRA S/A JANEIRO/2008 395.273,80 BIC BANCO INDUSTRIAL ABRIL/2008 370.372,18 BANCO BANRISUL S/A ABRIL/2008 370.372,18 BANCO BANRISUL S/A JUNHO/2008 1.000.000,00 BANCO GUANABARA S/A JUNHO/2008 349.112.68 BANCO BANRISUL S/A JUNHO/2008 349.112.68 BANCO BANRISUL S/A JUNHO/2008 216.000,00 BANCO DO BRASIL S/A SETEMBRO/2008 393.798,00 BANCO REAL S/A NOVEMBRO/2009 300.000,00 BANCO DO BRASIL S/A DEZEMBRO/2009 240.000,00 BANCO REAL S/A De início, registro que não identifico nos autos documentos comprobatórios, ou mesmo argumentação, relacionados às seguintes obrigações: R$ 500.000,00 (BANCO FIBRA S/A); R$ 395.273,80 (BIC BANCO INDUSTRIAL); R$ 216.000,00 (BANCO DO BRASIL S/A); R$ 393.798,00 (BANCO REAL S/A); R$ 300.000,00 (BANCO DO BRASIL Fl. 555DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 556 24 S/A); e R$ 240.000,00 (BANCO REAL S/A). Portanto, em relação a essas obrigações, penso que a atuação deve ser mantida. Quanto às demais, entretanto, mais pelos termos da autuação do que pela documentação carreada ao processo por parte da Recorrente, penso que as imputações não podem subsistir. Para todas elas, a Fiscalização consignou no Termo de Verificação Fiscal que a contribuinte não apresentou a documentação correspondente aos empréstimos contraídos junto às correspondentes instituições financeiras. No que tange ao valor de R$ 1.000.000,00 (BANCO GUANABARA S/A), como já visto, a contribuinte, por ocasião da diligência fiscal, apresentou extrato de movimentação do referido Banco, no qual identificase registro de crédito com o seguinte histórico: OPERAÇÃO DE EMPRÉSTIMO INDÚSTRIA BRASILEIRA DE ARTEFA. As autoridades autuantes, em sede de diligência, para recusar a comprovação, sustentaram que o extrato se reporta a apenas um dia; que uma operação envolvendo quantia tão expressiva exigiria a apresentação de documentação mais "rigorosa"; e que não parecia verossímil não haver contrato estipulando as condições de pagamento, garantias e todas as formalidades intrínsecas a este tipo de operação. Entendo, em primeiro lugar, que, se a documentação apresentada pela fiscalizada não se revelou satisfatória, deveria a autoridade fiscal informar a contribuinte a respeito de tal juízo e, passo seguinte, intimála a apresentar elementos complementares. Nesse caso específico, inclusive, a partir da própria manifestação da Fiscalização (supõese), a contribuinte, em sede de recurso, juntou cópia de CONTRATO DE MÚTUO firmado com o BANCO GUANABARA (fls. 494/498) e um instrumento de garantia (INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA) fls. 499/502. Cabe notar, ainda, que o fato de o extrato de movimentação se reportar a apenas um dia, embora irrelevante, guarda perfeita compatibilidade com o registro nele consignado de que a abertura da conta se deu exatamente na mesma data em que o crédito foi efetuado (06 de junho de 2008). Diante de tais circunstâncias, tenho por comprovada a obrigação em referência. Relativamente aos valores de R$ 740.744,36 e R$ 698.225,36, correspondentes a obrigações de abril de 2008 e junho de 2008, respectivamente, com o BANCO BANRISUL S/A, a contribuinte apresentou extratos, fls. 397 e 398, nos quais constam os históricos OPER. CR. BBH e CREDITO BBHRET. Ainda que se possa considerar de pouca ou nenhuma utilidade para a adequada compreensão acerca da natureza da operação, penso que referida documentação, no contexto do dever probatório a que se submete a autoridade fiscal que formaliza a acusação, deveria ter sido objeto de maior investigação. Observese que citados documentos encontramse às fls. 397 e 398 dos autos, foram alcançados pela Resolução da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (conforme transcrição abaixo) e foi também abrangida pelo Termo de Intimação lavrado em cumprimento à diligência requerida (também reproduzido abaixo). Resolução nº 2.427, fls. 404/416 [...] Fl. 556DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 557 25 No entanto, considerandose que os documentos apresentados são reproduções de originais que a fiscalização não teve acesso durante a ação fiscal e que muitos deles são de difícil visualização no processo digital (eprocesso), torna se necessário o retorno dos autos à autoridade lançadora, para que, mediante diligência: a) verifique a idoneidade dos documentos às fls. 170/401; [...] Termo de Intimação Fiscal (DILIGÊNCIA), fls. 418 [...] Para dar cumprimento ao disposto na Resolução 2.427 da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza CE, INTIMAMOS o contribuinte acima identificado a apresentar os documentos especificados a seguir, no prazo de 10 (dez) dias a partir do recebimento deste Termo: 1. Documentos originais cujas cópias foram juntadas, por meio de impugnação, às fls. 170/401 do Processo 10380.727157/201254 (autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). [...] Embora seja possível concluir que, embora intimada, a contribuinte não apresentou aos responsáveis pela diligência os originais correspondentes aos extratos de fls. 397 e 398, isso deveria estar suficientemente claro no relatório de fls. 419/420. A simples informação de que o único documento apresentado foi o extrato de fls. 396, a meu juízo, não supre a falta. Ademais, penso que era necessário aprofundar a investigação acerca das cópias de extratos trazidos pela contribuinte por meio da impugnação interposta, especialmente quanto à sua idoneidade, de modo a tornar sólida a imputação de que os empréstimos bancários tinham natureza ficta, servindose, apenas, como suporte para o ingresso de recursos provenientes de receitas mantidas à margem da escrituração. A Recorrente também foi autuada com base na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (depósitos bancários de origem não comprovada). Nesse caso, a Fiscalização apurou o crédito bancário por meio do registro contábil efetuado na conta nº 111020017 UNIBANCO S/A AG. 0373CTA 2197359. Em sede de impugnação, a contribuinte carreou ao processo cópias de folhas do Razão da conta nº 11102.0017 UNIBANCO, em que consta o registro a débito, em 28/03/2008, do montante de R$ 1.344.000,00 (fls. 399), e da conta nº 11401.0002 COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO, em que consta o registro a crédito, em 28/03/2008, desse mesmo montante (fls. 400). Relativamente ao depósito em questão, nada foi juntado ao recurso voluntário. Não trouxe a Recorrente também qualquer esclarecimento acerca da origem do crédito bancário de R$ 1.344.000,00, e nem anexou ao processo a documentação que serviu de lastro para os registros contábeis espelhados no Razão, fls. 399 e 400 dos autos. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 558 26 Diante de tal circunstância, penso que a exigência correspondente à imputação de depósito de origem não comprovada deve ser mantida. QUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE Argumenta a Recorrente que "a lei exige para enquadrar o procedimento como tipo fiscal sujeito à penalidade agravada que o fato se enquadre numa destas três hipóteses, ou nas três, respectivamente artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64". Adita que, seja qual for a hipótese, ela deve ficar cabalmente provada. Diz que a autoridade fiscal não tipifica a conduta em qualquer dos citados artigos. Rejeito, inicialmente, o argumento da Recorrente no sentido de que a autoridade fiscal, para fins de qualificação da penalidade, tem que enquadrar a conduta do fiscalizado em qualquer das hipóteses autorizadoras da exasperação da sanção. A meu ver, é suficiente que se identifique nos autos elementos que permitam concluir que a ausência ou insuficiência de tributação, reparada pelo lançamento de ofício, decorreu de ato intencional abrigado pelas normas sancionadoras. Na circunstância em que os lançamentos tributários encontramse respaldados em presunções legais, em regra, não existe possibilidade de qualificação da penalidade, pois, como se sabe, a infração pode ser presumida, mas, a intenção deliberada de praticála, não. Contudo, em muitos casos, referidas presunções são aplicadas tão somente para quantificar os montantes tributários subtraídos ao erário, eis que presente conduta dolosa no fato indiciário albergado pela presunção legal. No caso vertente, todas as imputações formalizadas pela Fiscalizada decorreram da aplicação de presunções legais (saldo credor de caixa; passivo fictício; e depósito de origem não comprovada). Para fins de qualificação da penalidade, as autoridades autuantes indicaram os seguintes elementos: utilização de artifícios para omitir registros de vendas; ausência de manifestação acerca da origem do crédito bancário de R$ 1.344.000,00; ausência de manifestação sobre os empréstimos tomados junto a instituições financeiras; ausência de apresentação dos documentos comprobatórios dos direitos de credor junto à empresa RECICLAR RECICLADORA DE PLÁSTICO LTDA; e o suprimento do CAIXA com baixa de duplicatas a receber, no montante de R$ 7.918.488,22, quando a referida conta apresentava um saldo de R$ 4.862.209,04. No que tange à ausência de comprovação da origem do crédito bancário de R$ 1.344.000,00 e de manifestação sobre os empréstimos tomados junto a instituições financeiras, esses fatos, por si sós, não me parecem suficientes à exasperação da penalidade, até porque foi exatamente em função deles que as presunções foram aplicadas. A ausência de origem do depósito bancário atraiu a aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, enquanto a falta de comprovação da exigibilidade dos passivos com as instituições financeiras, autorizou a aplicação da presunção prevista no art. 40 do mesmo diploma legal. Relativamente ao saldo credor, contudo, penso de forma diversa, eis que me parece induvidosa a intenção da Recorrente de, por meio de registro contábil absolutamente contrário à realidade refletida na escrituração, evitar o denominado "estouro" do CAIXA. No caso, refirome ao suprimento que teve como contrapartida a conta "duplicatas a receber". Fl. 558DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10380.727157/201254 Acórdão n.º 1301001.842 S1C3T1 Fl. 559 27 Ressalto que, no caso do saldo credor de caixa, embora aponte suposições para a origem dos recursos, a própria Recorrente admite a sua existência, discordando, apenas, do montante tributável apurado pela Fiscalização. A meu ver, tal conduta amoldase ao disposto no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, vez que a ação da Recorrente objetivou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta dolosa somente descortinada a partir da ação fiscalizadora empreendida pela autoridade fiscal. No que diz respeito à infração OMISSÃO DE RECEITA caracterizada por SALDO CREDOR DE CAIXA, sou pela manutenção da qualificação da penalidade. Assim, rejeitando as preliminares arguídas, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: a) excluir de tributação os valores discriminados no quadro abaixo; e b) reduzir o percentual da multa de ofício aplicada para 75%, relativamente às infrações OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO e OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR VALOR (R$) INSTITUIÇÃO FINANCEIRA ABRIL/2008 370.372,18 BANCO BANRISUL S/A ABRIL/2008 370.372,18 BANCO BANRISUL S/A JUNHO/2008 1.000.000,00 BANCO GUANABARA S/A JUNHO/2008 349.112.68 BANCO BANRISUL S/A JUNHO/2008 349.112.68 BANCO BANRISUL S/A “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 559DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10510.720038/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que se aguarde, na unidade preparadora (DRF-Aracaju), o desfecho do processo judicial no qual se determinará a composição da base de cálculo, necessária à verificação administrativa da liquidez do crédito tributário.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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BANESE Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que se aguarde, na unidade preparadora (DRFAracaju), o desfecho do processo judicial no qual se determinará a composição da base de cálculo, necessária à verificação administrativa da liquidez do crédito tributário. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente processo sobre Declarações de Compensação DCOMP apresentadas pelo Banco do Estado de Sergipe S.A. com intuito de utilizar créditos da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .7 20 03 8/ 20 07 -8 1 Fl. 2826DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10510.720038/200781 Resolução nº 3401000.917 S3C4T1 Fl. 2.827 2 Contribuição para o PIS/Pasep que entende ter recolhido indevidamente ou em valor superior ao devido (fls. 2 a 85)1, no valor de R$ 911.332,67. A unidade local analisou, em 30/04/2007, as Declarações de Compensação e proferiu Despacho Decisório no 400 (fls. 120 a 123) não homologando as compensações apresentadas pelo contribuinte, ante a inexistência dos créditos apresentados, basicamente porque: (a) não existem os pagamentos informados nas DCOMP, exceto os referentes a setembro de 2002 e maio de 2005, ainda assim em valor menor que o informado; e (b) ainda que existissem os pagamentos, eles estariam em consonância com os débitos declarados. Destaca ainda que parte das DCOMP encontrase pendente de decisão administrativa e parte já fora objeto de manifestação no sentido de considerar as compensações não declaradas. Cientificada do teor do Despacho Decisório em 03/05/2007 (fl. 127), a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 29/05/2007 (fls. 129 a 149), buscando a homologação das compensações realizadas por meio do sistema PER/DCOMP e argumentando, em síntese, que: (a) não fora considerada na decisão recorrida que a base de cálculo utilizada no cálculo da contribuição e os recolhimentos foram feitos nos termos da Lei no 9.718/1998, que teve parte de seus dispositivos declarados inconstitucionais (art. 3o, § 1o); (b) em face da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, todos os recolhimentos a título de Contribuição para o PIS/Pasep efetivados pela recorrente a partir de fevereiro de 1999, cuja base de cálculo tenha obedecido ao dispositivo inconstitucional, devem ser recalculados considerando, para tanto, a receita bruta como aquela decorrente da prestação de serviços pela recorrente; e (c) sobre os valores originais devem ser aplicados os juros correspondentes ao período, nos moldes da Lei no 9.532/1997 taxa “SELIC” a partir do mês subsequente ao pagamento até a data de efetiva utilização do crédito. A decisão de primeira instância, proferida em 03/07/2007 (fls. 180 a 182), julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou as declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte. Acordouse que “a homologação da compensação de débitos da contribuinte com créditos contra a Fazenda Nacional depende da comprovação da certeza e liquidez dos indébitos fiscais por ele utilizados”, explicitando que: (a) nos meses de competência de dezembro/2003, janeiro a julho, outubro e novembro/2004, e maio, junho e dezembro/2005, em que o interessado alega possuir valores a restituir, efetivamente não consta nos sistemas da RFB nenhum recolhimento (fls.88/90); (b) à exceção dos meses de setembro de 2002 e maio de 2005, onde houve pagamentos em valores idênticos aos declarados e confessados em DCTF, a interessada não comprovou mediante documento hábil qualquer pagamento dos débitos da contribuição para o PIS para os quais solicita compensação; (c) o contribuinte informou no campo dos créditos a vinculação de débitos apurados a compensações que foram formalizadas mediante entrega de outras DCOMP (algumas já apreciadas, nas quais as compensações não foram homologadas, e outras pendentes de apreciação Despachos SAORT no 110/2005, 114/2005 e 187/2005 fls.110/115), tornando exigíveis os débitos vinculados a essas compensações, especificamente quanto aos meses de abril a junho, outubro e novembro de 2004; e (d) mesmo que as DCOMP mencionadas nas DCTF apresentadas pelo contribuinte tivessem sido apreciadas favoravelmente, tal reconhecimento somente teria a possibilidade de homologar as compensações vinculadas aos débitos confessados na DCTF, para extinguilos, jamais podendo tais débitos confessados serem transmudados em créditos. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 2827DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10510.720038/200781 Resolução nº 3401000.917 S3C4T1 Fl. 2.828 3 Cientificada da decisão em 24/07/2007 (AR à fl. 185), a recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 187 a 211), em 20/08/2007, no qual defende seu direito de petição, de restituição e de compensação, e sustenta seu direito creditório, considerando que o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento para a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, foi declarado inconstitucional. Assim, alega que todos os recolhimentos da Contribuição ao PIS/Pasep efetuados a partir de fevereiro de 1999 devem ser recalculados, considerando para tanto a receita bruta como aquela decorrente da prestação de serviços, excetuandose a aplicação do dispositivo inconstitucional. No Recurso, pede (a) a reforma do acórdão recorrido, a fim de serem homologadas as compensações efetuadas por meio do sistema PERD/COMP, valendose dos créditos oriundos da apuração de recolhimentos da Contribuição para o PIS/Pasep com base na lei declarada inconstitucional, devidamente corrigidos pela taxa SELIC, e (b) que se atribua suspensão à exigibilidade dos créditos, obstando quaisquer atos de cobrança ou atos constritivos de direito, com paralisação imediata de encaminhamento dos supostos débitos tributários para inscrição em Divida Ativa da União. Em 04/06/2008, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes apreciou o processo (fls. 298 a 302), concluindo pela anulação dos atos processuais a partir da decisão de primeira instância, inclusive, e determinando o retorno “dos autos para a DRJ apreciar qual a efetiva base de cálculo da contribuição, devendo, inclusive, tratar em números os valores do PIS que foram objeto da primeira compensação apresentados em 27/01/2004 e 19/01/2006, valores estes que agora vem sendo objeto do presente Pedido de Restituição”. Considerou o julgador em seu voto que (a) a análise da questão tem que passar pela prévia decisão definitiva da primeira compensação realizada pelo contribuinte, e que só após homologada tal compensação e definido o valor do seu credito é que poderseia falar na possibilidade da homologação da segunda compensação, no caso, a presente, na qual também se precisa definir o montante do débito, i.e. a base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep; e (b) as decisões dos órgãos de base (DRF e DRJ) não enfrentaram a discussão quanto à exata delimitação da base de cálculo da contribuição, não podendo este Conselho enfrentálas na ocasião sob pena de supressão de instâncias. O processo foi, então, reenviado ao órgão julgador de primeira instância, que solicitou à unidade local diligência (fls. 304 a 306) buscando detalhamento quanto: (a) à existência de créditos decorrentes das primeiras declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte; (b) à existência de ação judicial específica em relação à contribuição; (c) à base de cálculo da contribuição nos períodos em que o contribuinte solicita restituição/compensação, apresentando, se for o caso, os novos valores devidos e destacando a parcela dos créditos vinculados “a maior”; e (d) ao confronto dos possíveis créditos com as novas compensações pretendidas pelo contribuinte nas DCOMP objeto deste processo. A unidade local apresentou Relatório de Diligência (fls. 778 a 784) em 24/04/2009, respondendo aos questionamentos da DRJ, informando que: (a) as situações das primeiras DCOMP são as relacionadas na tabela de fl. 463; (b) foi identificada a ação judicial correspondente (MS no 2007.85.00.0058347, ajuizado em 2007), na qual se veda a compensação antes do trânsito em julgado, nos termos do art. 170A do CTN (o trânsito em julgado ocorreu apenas na ação da empresa relativa a COFINS); (c) os pedidos de compensação foram feitos pela empresa sem amparo legal ou judicial; (d) excluídas as receitas não operacionais, em função da citada declaração de inconstitucionalidade, chegouse ao Demonstrativo de Base de Cálculo e ao Demonstrativo de Diferenças de Receitas (fls. 466 e 467); e (e) todos os créditos tributários disponíveis, decorrentes da jurisprudência do STF, foram integralmente compensados com o primeiro débito de IRPJ (R$ 77.170,59), restando Fl. 2828DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10510.720038/200781 Resolução nº 3401000.917 S3C4T1 Fl. 2.829 4 ainda um saldo a pagar da contribuição de R$ 74.504,50, na data de 31/08/2006, e ficando em aberto todos os demais débitos, que totalizam R$ 908.666,60. Cientificada do teor do Relatório em 24/04/2009 (fls. 777), a recorrente apresenta sua manifestação em 26/05/2009 (fls. 788 a 819), alegando que: (a) não foi apresentada planilha evidenciando mês a mês as receitas consideradas operacionais e não operacionais, com base nos balancetes e razões apresentados pela recorrente; (b) ao relacionar a integralidade das receitas financeiras como operacionais, a fiscalização deixou de observar a distinção entre as receitas financeiras de recursos próprios e de terceiros; (c) não se reconheceu o crédito pleiteado com base no fundamento de que não seriam suficientes à extinção dos débitos objeto de compensações não homologadas ou não declaradas, antecipando o julgamento de processos distintos, com exigibilidade suspensa em virtude de recursos administrativos; (d) a diligência se mostra omissa e precária para os fins pretendidos (composição do crédito fiscal), sendo nula, havendo a necessidade de determinação de outra; (e) houve equívoco em relação à DCOMP no 08964.37953.200204.1.3.040080, e na competência de maio de 2005; (f) a suposta diferença constatada no período de apuração de dezembro de 2003 não é passível de revisão, por ter operado a decadência (CTN, art. 150 § 4o); (g) todos os valores a título da Contribuição para o PIS/Pasep apurados pela recorrente com base no dispositivo declarado inconstitucional foram tempestivamente recolhidos e encontram se extintos pelo pagamento (CTN, art. 156, I), pela homologação da compensação (CTN, art. 156, II), ou sob condição resolutória de posterior homologação (Lei no 9.430/1996, art. 74, § 3o), ou, ainda, com a exigibilidade suspensa em face de interposição de recurso (Lei no 9.430/1996, art. 74, § 11); (h) as declarações de compensação foram transmitidas antes do ajuizamento do mandado de segurança, sendo inaplicável o art. 170A do CTN; (i) o conceito de faturamento não inclui as receitas financeiras; e (j) houve mudança de critério jurídico na nova fundamentação para indeferimento da compensação (que o eventual direito de crédito estaria restrito à exclusão das receitas não operacionais da base de cálculo da contribuição). O julgador de primeira instância reaprecia, então, demanda, em 24/07/2009 (fls. 1557 a 1575), à vista dos elementos acrescentados pela diligência e pela manifestação da recorrente, concluindo pela improcedência da compensação, ante à iliquidez dos créditos informados, destacando ainda que: (a) há confusão, por parte da recorrente, entre compensação e pagamento; (b) há impossibilidade de análise administrativa de constitucionalidade de ato legal; (c) a declaração de inconstitucionalidade no controle difuso não gera efeitos erga omnes; (d) a diligência é procedimento que não vincula o julgador; e (e) o conceito de receita bruta envolve a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Ciente da decisão da DRJ em 12/08/2009 (AR às fls. 1580), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 08/09/2009 (fls. 1585 a 1636), sustentando que: (a) a decisão da DRJ é nula, por ofensa ao princípio da ampla defesa, consubstanciado no indeferimento da realização de nova diligência; (b) há mudança de critério jurídico, alegandose agora como motivo para o indeferimento o fato de a recorrente ser instituição financeira, cujas receitas financeiras integram a atividade mercantil típica da empresa; (c) o direito creditório perseguido pela recorrente foi reconhecido pelo STF e deve ser observado pela Administração, cf. Decreto no 2.346/1997, art 1o; e (d) é irrelevante questionar se o crédito perseguido advém de compensações ou pagamentos em espécie, ou ainda se as compensações encontramse sob análise perante a RFB. Em 26/02/2010 (fls. 2586 a 2588), a recorrente protocoliza requerimento de desistência parcial do Recurso Voluntário, em relação a determinados débitos que relaciona Fl. 2829DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10510.720038/200781 Resolução nº 3401000.917 S3C4T1 Fl. 2.830 5 (compensações consideradas não declaradas nos processos no 10510.000911/200553 e no 10510.001479/200356), em virtude de pagamento à vista, com os benefícios da Lei no 11.941/2009. Apresenta ainda cópia da petição em juízo para desistência parcial de Embargos de Declaração em relação aos mesmos débitos (fls. 2624 a 2626). No CARF, o julgamento é convertido em diligência em 24/10/2012, por meio da Resolução no 3403000.401 (fls. 2813 a 2820), na qual a turma julgadora decide unanimemente determinar que os autos aguardem na unidade local o desfecho no processo judicial. A unidade local, por meio do despacho de fls. 2823/2824, assinado em 24/07/2015, conclui que o procedimento não trata de diligência, e que nos casos de sobrestamento o processo aguarda no próprio CARF. Acrescenta ainda discordância em relação ao decidido pelo CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Retomese o processo do estágio em que se encontrava quando encaminhado à unidade local, em 24/10/2012, para que lá aguardasse o desfecho no processo judicial. Da diligência (não) realizada Naquela ocasião, este tribunal administrativo, ou mesmo este relator, não concluiu, como equivocadamente entendeu a autoridade encarregada pela diligência, que restava afastada a concomitância entre o processo administrativo e o judicial. Aliás, reconheça se que nem tal autoridade estava convicta do entendimento, acrescentando um s.m.j. (provavelmente se referindo à expressão salvo melhor juízo) ao final. E, feito um melhor juízo do excerto do voto pela conversão em diligência, percebese nitidamente que em momento algum se afasta a concomitância. Pelo contrário, a dúvida revelada naquele voto era sobre um eventual sobrestamento judicial do processo, tendo em vista o RE no 609.096/RS, de reconhecida Repercussão Geral. A empresa tinha ação judicial em curso (MS no 2007.85.00.0058347 inicial às fls. 675 a 714), na qual expressamente mencionava o presente processo administrativo (e ainda outro, de no 10510.720037/200736), demandando, entre outros (fl. 712/713): Fl. 2830DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10510.720038/200781 Resolução nº 3401000.917 S3C4T1 Fl. 2.831 6 Afora tal pedido, há ainda outro que menciona expressamente o presente processo administrativo (fl. 713), demandando homologação da compensação: Na decisão de fls. 715 a 724, dispõese que: No mais, a decisão defere parcialmente a liminar requerida, determinando a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários vencidos e vincendos devidos a título da Contribuição para o PIS/PASEP com base no § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998. Fl. 2831DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10510.720038/200781 Resolução nº 3401000.917 S3C4T1 Fl. 2.832 7 A sentença (fl. 725 a 736) é no seguinte sentido: Após a interposição de embargos de declaração, a parte dispositiva é alterada para (fl. 741): No TRF da 5a Região são analisadas apelações das partes, acordandose que (fl. 746): Nessa situação se encontrava o processo à época da conversão do julgamento em diligência. Vejase que o Poder Judiciário, ao mesmo tempo em que concedia o direito de compensar, submetendo a apuração de liquidez à Administração, restringia o direito ao trânsito Fl. 2832DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10510.720038/200781 Resolução nº 3401000.917 S3C4T1 Fl. 2.833 8 em julgado da ação, com fundamento no art. 170A do CTN, com a redação dada pela Lei Complementar no 104/2001. Ocorre que, na apuração da certeza e da liquidez do crédito, com a consequente determinação da base de cálculo da contribuição, nos termos da decisão pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998 (no RE no 585.235/MG) não se resolve uma questão atinente ao presente processo: como aplicar a referida inconstitucionalidade, afastandose as receitas financeiras da base de cálculo, diante do fato de ser a recorrente uma instituição financeira. Essa matéria é objeto de RE específico (de no 609.096/RS), como narrado no voto pela conversão em diligência. Assim, dependendo do curso do processo judicial (havendo ou não nos autos judiciais análise específica vinculada ao fato de ser a recorrente uma instituição financeira) seria afetada a base de cálculo a ser adotada pela Administração. Não havendo tratamento específico do tema pela autoridade judicial, seria perfeitamente cabível a aplicação administrativa do entendimento externado na segunda decisão de piso, de que "o conceito de receita bruta envolve a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais". Mas tal ato dependeria das consequências administrativas de Repercussão Geral no RE no 609.096/RS. Aqui remetemos à segunda "discordância" da autoridade administrativa, que informa ter havido revogação do § 1o do art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF), que estabelecia o sobrestamento administrativo como consequência do sobrestamento judicial diante de Repercussão Geral, entre outros, pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013. Ocorre que a Resolução pela baixa em diligência, recordese, é de 24/10/2012. Por certo que não poderia este tribunal antever revogação futura do dispositivo que configurava óbice ao julgamento do processo. Em síntese, deveria efetivamente a unidade preparadora ter acompanhado o processo judicial, para verificar o que se passa a discorrer a seguir (andamentos do processo de 2012 até a presente data, providência que sequer foi tomada no despacho da autoridade responsável pela diligência, redigido em 2015 para afirmar que a diligência demandada em 2012 era indevida). Do andamento do processo judicial Na ação judicial da recorrente, em relação à matéria, houve acórdão em 09/04/2014 para adequar a decisão anterior ao entendimento externado pelo STF no RE no 566.621/RS, sobre a vigência da Lei Complementar no 118/2001 e a aplicação do prazo quinquenal. O acórdão foi embargado, sendo a decisão sobre os embargos publicada em 13/06/2014, no sentido de que a instituição financeira permanece sujeita às regras da Lei no 9.718/1998, não cabendo as limitações de compensação constantes na Lei no 10.637/2002. Importante destacar que nos embargos a recorrente aproveita para "sanar omissão e reconhecer a legitimidade e legalidade do procedimento de restituição e compensação já realizado nos autos" do presente processo administrativo e de outros dois. Sobre o tema, assim se manifesta o TRF5: Fl. 2833DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10510.720038/200781 Resolução nº 3401000.917 S3C4T1 Fl. 2.834 9 "O pedido do particular para sanar a omissão do julgado com relação ao reconhecimento da legitimidade e legalidade do procedimento de restituição e compensação já realizado nos autos dos processos nºs 10510.002215/200662, 10510.7200037/200736, 10510.720038/2007 81 e 10510.720040/200750 importa em nítido propósito de reapreciação do julgado, em face da ausência dos requisitos do art. 535 do CPC. Contudo, no que se refere ao argumento de omissão do acórdão com relação à inaplicabilidade às instituições financeiras da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, devem ser acolhidos os embargos declaratórios, para concederlhes efeitos modificativos." (grifo nosso) Interpostos recursos especial e extraordinário, em 20/11/2014 não é admitido o recurso especial, sob os seguintes argumentos: Despacho do Desembargador(a) Federal VicePresidente Recurso Especial Não Admitido [Publicado em 25/11/2014 00:00] Tratase de recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, "a", da Constituição Federal, em face de acórdão proferido por esta Corte. A partir de acurado exame dos autos, verifico que foram observados os requisitos gerais de admissibilidade extrínsecos (tempestividade, regularidade formal e preparo) e os intrínsecos (cabimento, legitimação, interesse recursal e inexistência de fato impeditivo do poder de recorrer), assim como que restou prequestionada a matéria objeto do recurso. Todavia, observo que, no particular da controvérsia em comento (definição do conceito de faturamento para fins de incidência da contribuição para o PIS relativamente às receitas financeiras das instituições financeiras), cuidase de matéria para cuja solução é preponderante a interpretação não de normas legais, mas sim do art. 195, I, da CF/88. Sendo assim, é forçoso que a matéria não será resolvida em termos de recurso especial, cujo processamento somente dilatará, sobremodo e inutilmente, o andamento do processo. A razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, CF) orienta o operador do sistema jurídico à inadmissibilidade do recurso, principalmente quando, por ser a matéria nitidamente de colorido constitucional, não tocará a sua análise ao recurso especial. É, portanto, de se concluir que, nas hipóteses onde houver a interposição de recurso especial versando sobre questão de direito cuja repercussão geral já foi admitida ou até mesmo julgada pelo Pretório Excelso, a sua inadmissibilidade se impõe, pois será a deliberação da Corte Suprema que irá guiar a solução da controvérsia. Com isso, conferese celeridade ao feito, poupando a máquina judiciária de esforços inúteis. (...)" (grifo nosso) Em relação ao recurso extraordinário, o despacho foi no seguinte sentido: Tratase de recurso extraordinário com fundamento no artigo 102, inciso III, "a", da Constituição Federal, em face de acórdão proferido por esta Corte. Tendo em vista o reconhecimento da existência de repercussão geral no RE 609096RS, que diz respeito à exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras, cujo relator é o Ministro Ricardo Lewandowski, determino o SOBRESTAMENTO deste recurso até o Fl. 2834DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10510.720038/200781 Resolução nº 3401000.917 S3C4T1 Fl. 2.835 10 pronunciamento daquela Corte, em consonância com o art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil. Encaminhese ao NURER. Recife, 19 de novembro de 2014. Desembargador Federal EDILSON PEREIRA NOBRE JÚNIOR VicePresidente do TRF da 5ª Região." (grifo nosso) Assim, o andamento do processo judicial revelou que a composição da base de cálculo, para efeitos de apuração da Contribuição para o PIS/PASEP, não pode ser levada a cabo pela Administração antes do pronunciamento judicial no caso concreto, visto que a ação judicial da recorrente passa a contemplar não só a questão da inconstitucionalidade em sentido estrito do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998, mas a determinação do que deve ser considerado faturamento para instituições financeiras após a referida declaração de inconstitucionalidade. Não há, assim, como apurar administrativamente a liquidez do crédito, no caso concreto, antes do pronunciamento do Poder Judiciário. Pelo exposto, reafirmase o entendimento anteriormente externado na conversão em diligência de que o presente processo deve aguardar o desfecho do processo judicial, simplesmente porque não há como operacionalizar a compensação antes de se saber qual será o provimento judicial obtido em relação à composição da base de cálculo da contribuição. Voto, destarte, no sentido de nova conversão em diligência, para que se aguarde, na unidade preparadora (DRFAracaju), o desfecho do processo judicial no qual se determinará a composição da base de cálculo, necessária à verificação administrativa da liquidez do crédito tributário. Rosaldo Trevisan Fl. 2835DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 19515.002727/2010-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96.
Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos em sua conta corrente, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 2202-003.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para excluir da base tributável o valor de R$4.213,02.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator.
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos em sua conta corrente, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
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COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA. ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para excluir da base tributável o valor de R$4.213,02. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator. Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 27 /2 01 0- 30 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do Acórdão nº 1750.696, da Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2). DO LANÇAMENTO Versa este processo sobre exigência de crédito tributário relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2006, conforme auto de infração de fls. 374 a 377 e demonstrativos de fls. 372 e 373. Foi lançado o imposto no valor de R$ 55.267,70, acrescido de juros de mora de R$ 19.122,62 (calculados até 31/08/2010) e de multa de oficio proporcional no valor de R$ 41.450,77, resultando no montante de R$ 115.841,09. Trata a autuação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O enquadramento legal é informado As fls. 373 e 377. A descrição dos fatos é apresentada no Termo de Verificação Fiscal, As fls. 348 a 371. DA IMPUGNAÇÃO O autuado tomou ciência do auto de infração em 14/09/2010, conforme AR de fl. 380, e apresentou, em 13/10/2010, por meio de procurador (procuração A. fl. 18), a impugnação de fls. 384 a 404, acompanhada dos documentos de fls. 405 a 433, abaixo resumida. Das peculiaridades do presente auto de infração O impugnante — que conta com 80 (oitenta) anos completos — aposentouse como médico, recebendo aposentadorias do Ministério da Saúde, do Governo do Estado de São Paulo e do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS. Acrescente ainda que o impugnante: a) é casado pelo regime de comunhão universal de bens com Fernanda de Azevedo Catapano, a qual percebe proventos de aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS; b) recebe aluguel correspondente à metade ideal do imóvel situado na Rua Girassol 913, São Paulo, sendo que a outra metade pertence a seu irmão José Luiz Catapano, o qual está locado A. Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ n° 47.226.840/000130; c) no anocalendário 2006 auferiu rendimentos de pessoas físicas na ordem de R$ 12.000,00. Salientese, por fim, que no anocalendário 2006 ocorreram variações no que tange à compra e venda de imóvel e liquidação de CDB, consoante segue: a) venda do imóvel relativo à Casa de Madeira, montada no terreno do Condomínio Fazenda Oripaba, em Monte Alegre do Sul, vendido a Eduardo Paulo Bolkovitz, pelo valor de R$ 135.000,00; b) compra do apartamento 75, na Rua das Galhetas 375, no município de Guarujá, adquirido de Cyro Eyer do Valle e sua mulher, em 17/05/2006, no valor de R$ 150.000,00; c) liquidação do CDB DI SWAP, existente no Banco do Brasil S.A., conta n° 32.093 5, no valor de R$ 90.000,00; Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.002727/201030 Acórdão n.º 2202003.057 S2C2T2 Fl. 641 3 d) também é certo que os rendimentos mensais percebidos pelo impugnante, mencionados mais acima, bem como o produto da venda e compra de imóveis e liquidação de aplicações, transitaram nas contas bancárias do impugnante no ano calendário 2006. Por todos os fatos acima explicitados o presente auto de infração não tem base para prosperar. Da interpretação da lei e do excessivo rigor na sua aplicação pela fiscalização É preciso levar em consideração o disposto no art. 5º da Lei de Introdução do Código Civil, que preconiza a interpretação teleológica da lei: "Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e as exigências do bem comum". Com efeito, teria sido alcançada a interpretação mais correta, se tivessem sido consideradas as peculiaridades descritas no tópico anterior, bem como as justificativas apresentadas e a inexistência de aumento patrimonial e de sinais exteriores de riqueza. Das justificativas da origem dos depósitos bancários BANCO SANTANDER O valor total de R$ 11.995,00 que consta na planilha da fiscalização foi devidamente declarado na declaração de ajuste anual simplificada relativa ao ano calendário 2006, na rubrica total de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física/exterior, no qual constou o recebimento do valor de R$ 12.000,00. BANCO DO BRASIL Foram levantados os depósitos correspondentes aos meses de janeiro a dezembro de 2006, no valor total de R$ 188.978,43, os quais são discriminados a seguir: 1 Janeiro de 2006, depósitos no valor de R$ 15.902,02 Justificativas: 27/01/06 Dep. on line R$ 3.000,00 27/01/06 Dep. on line R$ 3.000,00 27/01/06 Dep. on line R$ 3.000,00 27/01/06 Doc. crédito R$ 4.213,02 Total R$ 13.213,02 São originários da venda de um imóvel a Eduardo Paulo Boscovitz e sua mulher, consoante Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Direitos e Obrigações de Venda e Compra, datado de 16/01/2006, em cuja cláusula terceira constou o seguinte: "O preço certo da presente cessão é de R$ 135.000,00 (cento e trinta e cinco mil reais) pagos da seguinte forma: R$ 5.000,00 (cinco mil reais) como sinal e principio de pagamento e mais R$ 130.000,00 (cento e trinta mil reais) pagos na assinatura do presente contrato, mediante depósito em conta corrente dos cedentes no Banco do Brasil, Agência 02976, conta n° 32.0935, servindo o recibo desse depósito como prova de pagamento e sendo depositado em cheques, quitado somente após a compensação." Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Os depósitos foram efetuados no mês de janeiro nas datas e valores a seguir nomeados: Dia e mês Histórico Créditos 19/01/06 TED pagamento FGTS 36.035,76 24/01/06 TED pagamento FGTS 56.752,22 27/01/06 Dep. on line 3.000,00 27/01/06 Dep. on line 3.000,00 27/01/06 Dep. on line 3.000,00 27/01/06 Dep. on line 21.000,00 27/01/06 Doc. crédito 4.213,02 Total 127.001,00 Esse valor (R$ 127.001,00), acrescido da comissão de R$ 8.000,00 (correspondente a 6% do preço de R$ 135.000,00), resultou na importância total da venda do imóvel: R$ 135.000,00. O impugnante esclarece que o Banco do Brasil informou, na data de 06/07/2010, que os depósitos de R$ 36.035,75, R$ 21.000,00 e R$ 56.752,22 foram efetuados em 27/01/2006 pelo Sr. Eduardo Paulo Boscovitz, comprador do imóvel. Quanto aos três depósitos de R$ 3.000,00 e o de R$ 4.231,02, por serem inferiores a R$ 5.000,00, não há a informação do nome do depositante. 2 Fevereiro de 2006, depósitos no valor de R$ 4.220,73 Justificativas: Recebimento de aluguel no mês de fevereiro da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ n° 47.226.840/000130, conforme declaração de ajuste anual do anocalendário 2006: R$ 2.267,00. 3 Março de 2006, depósitos no valor de R$ 3.053,00 Justificativas: Recebimento de aluguel no mês de março da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ n° 47.226.840/000130, conforme declaração de ajuste anual do anocalendário 2006: R$ 2.267,00. 4 Abril de 2006, depósitos no valor de R$ 2.511,39 Justificativas: Recebimento de aluguel no mês de abril da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ n° 47.226.840/000130, conforme declaração de ajuste anual do anocalendário 2006: R$ 2.267,00. 5 Maio de 2006, depósitos no valor de R$ 105.570,00 Justificativas: a) A esposa do contribuinte, D. Fernanda de Azevedo Catapano, CPF n° 607.563.06868, como professora aposentada pelo INSS, percebeu rendimentos Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.002727/201030 Acórdão n.º 2202003.057 S2C2T2 Fl. 642 5 mensais que totalizaram, no anocalendário 2006, R$ 15.177,82, conforme constou na declaração de ajuste anual do requerente, na parte correspondente as Informações do cônjuge, que foi acostada com a petição de 10 de maio de 2010. b) A esposa do requerente acumulou reservas em moeda corrente no pais e assim forneceu valores a seu marido na ordem de R$ 20.000,00. c) O impugnante possuía em 31/12/2005 a importância de R$ 10.500,00, a qual está consignada em sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2006. Conseqüentemente, esse valor integrou o depósito por ele efetuado em 26/05/2010. d) O requerente emprestou de seu filho Gerson Luiz de Castro Catapano, CPF no 114.692.94800, em moeda corrente no pais, que o impugnante depositou em conta corrente, o valor de R$ 25.000,00. e) Recebimento de aluguel no mês de maio da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ n° 47.226.840/000130, conforme declaração de ajuste anual do anocalendário 2006: R$ 2.267,00. f) A diferença que falta para completar o valor de R$ 105.570,00 é originária dos valores recebidos pelo impugnante de suas aposentadorias, os quais constaram de sua declaração de ajuste anual. Esses valores foram retirados dos bancos respectivos, formando um caixa em moeda corrente do pais e posteriormente depositados na data de 26/05/2006: R$ 47.803,00. 6 Junho de 2006, depósitos no valor de R$ 6.623,40 Justificativas: Recebimento de aluguel no mês de junho da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ n° 47.226.840/000130, conforme declaração de ajuste anual do anocalendário 2006: R$ 2.267,00. 7 Julho de 2006, depósitos no valor de R$ 8.947,00 Justificativas: Recebimento de aluguel no mês de julho da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ no 47.226.840/000130, conforme declaração de ajuste anual do anocalendário 2006: R$ 2.267,00. 8 Agosto de 2006, depósitos no valor de R$ 3.526,00 Justificativas: Recebimento de aluguel no mês de agosto da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ n° 47.226.840/000130, conforme declaração de ajuste anual do anocalendário 2006: R$ 2.267,00. 9 Setembro de 2006, depósitos no valor de R$ 11.159,00 Justificativas: Recebimento de aluguel no mês de setembro da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ n° 47.226.840/000130, conforme declaração de ajuste anual do anocalendário 2006: R$ 2.267,00. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 10 Outubro de 2006, depósitos no valor de R$ 4.530,00 Justificativas: Recebimento de aluguel no mês de outubro da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ n° 47.226.840/000130, conforme declaração de ajuste anual do anocalendário 2006: R$ 2.267,00. 11 Novembro de 2006, depósitos no valor de R$ 18.883,40 Justificativas: Recebimento de aluguel no mês de novembro da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ n° 47.226.840/000130, conforme declaração de ajuste anual do anocalendário 2006: R$ 2.267,00. 12 Dezembro de 2006, depósitos no valor de R$ 4.052,49 Justificativas: Recebimento de aluguel no mês de dezembro da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ no 47.226.840/000130, conforme declaração de ajuste anual do anocalendário 2006: R$ 2.267,00. Em face do exposto, concluise que o levantamento do Fisco não deverá prosperar, devendo prevalecer as justificativas acima apresentadas pelo impugnante. Outrossim, restou comprovado que os depósitos não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. 0 lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimento. Além disso, não foi constatado pelo Fisco nenhum aumento patrimonial nem sinais exteriores de riqueza. Da jurisprudência A jurisprudência é consistente no entendimento da fragilidade do auto de infração lastreado simplesmente em depósitos bancários, sem contudo ficarem comprovados o aumento patrimonial e os sinais exteriores de riqueza, conforme excertos transcritos às fls. 401/404. Da conclusão E para finalizar o impugnante protesta pela juntada de novos documentos, especialmente das declarações relativas aos fornecimentos dos valores de R$ 20.000,00 e R$ 25.000,00 por sua esposa e por seu filho, ocorridos em maio de 2006. Pelo exposto, requer o impugnante que o auto de infração seja julgado improcedente. A DRJ/SP2 julgou parcialmente procedente a impugnação, cujo Acórdão nº 1750.696 (fls. 547 a 561) foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NULIDADE PARCIAL. A Lei no 9.430/1996, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento Fl. 645DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.002727/201030 Acórdão n.º 2202003.057 S2C2T2 Fl. 643 7 do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Devese, no entanto, proceder à anulação do lançamento com relação aos depósitos efetuados em conta conjunta, quando um dos cotitulares da conta não é intimado a comprovar a origem dos depósitos na fase que precede à lavratura do auto de infração, nos termos da Súmula CARF n° 29. PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. Em não se verificando nos autos a ocorrência de nenhuma das hipóteses que autorizam a juntada de novos documentos em momento posterior ao da apresentação da impugnação, deve ser indeferido o pedido feito nesse sentido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão da DRJ excluiu a tributação sobre os depósitos efetuados na conta do Banespa/Santander, por ser uma conta conjunta e um dos cotitulares não ter sido intimado a comprovar a origem dos créditos. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 04/07/2011, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) à fl. 564, tendo interposto recurso voluntário em 1º/08/2011 (fls. 567 a 597), por meio de procurador legalmente habilitado, no qual repisa os argumentos da impugnação e acrescenta as seguintes razões: Quanto aos três depósitos efetuados pelo Recorrente no dia 27/01/2006, nos valores de R$3.000,00 (três mil reais) cada um, são originários da agência 01510 do Banco do Brasil S.A., a mesma 01510 do depósito de R$21.000.00, devidamente aceito e considerado pelos órgãos julgadores. Após pesquisar o número da agência do B. Brasil 01510, constatou que diz respeito à cidade de São José do Rio Preto, onde residia o Sr. Eduardo Paulo Boskovits, adquirente do imóvel vendido pelo Recorrente, consoante comprovam os documentos de n°s 21 e 22 em anexo; no que toca ao depósito de R$4.213,02, procedido pelo Recorrente no dia 27/01/2006, foi efetuado pelo Sr. Eduardo Paulo Boskovits, adquirente do imóvel por ele vendido, conforme prova o documento n° 23 em anexo, dissipando qualquer dúvida em relação a origem do depósito questionado; em cada mês do ano de 2006, foram depositados na sua conta corrente R$ 1.000,00, originários do valor constante mensalmente na sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2006, como recebidos de pessoas físicas, conforme prova a Declaração de Ajuste Anual Simplificada em anexo (doc. n° 25); os valores depositados em moeda corrente do país pelo Recorrente no mês de maio/2006 foram efetuados em virtude da compra do Apartamento n° 75 e vaga de garagem 75 do Edifício Galhetas, situado na Rua Galhetas 370, na cidade Guarujá, São Paulo, em maio de 2006, conforme prova a Escritura respectiva, documentos de nºs. 6 a 14 em anexo. Também é certo que a sua esposa e o seu filho colaboraram para essa aquisição, bem como os recebimentos de suas aposentadorias; o valor de R$2.054,36, recebido no mês de dezembro de 2006, corresponde ao recebimento de uma ação ordinária de repetição de indébito, contra a União Federal, perante Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 o Juízo da 17ª Vara da Seção Judiciária de São Paulo (proc. n° 91.6991246), conforme docs. 31 e 32 em anexo. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento foi efetuado em virtude da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, em relação ao exercício 2007 (anocalendário 2006). Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, os valores creditados em contas bancárias mantidas junto a instituição financeira, os quais o contribuinte não comprove a sua origem, serão tributados como omissão de rendimentos. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Passo então a analisar as justificativas apresentadas pelo recorrente em relação aos depósitos efetuados em sua conta corrente nº 32.0935, agência 02976, do Banco do Brasil. Rendimentos recebidos de pessoas físicas declarados na DAA O Recorrente alegou em sua impugnação que os valores dos depósitos na sua conta do Banco Santander, no total de R$11.995,00, eram oriundos de rendimentos tributáveis Fl. 647DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.002727/201030 Acórdão n.º 2202003.057 S2C2T2 Fl. 644 9 recebidos de pessoa física/exterior, devidamente declarados em sua Declaração de Ajuste Anual Simplificada (DAA), na qual consta o recebimento de R$12.000,00. Os valores depositados na conta do Banco Santander foram excluídos da tributação pela DRJ em virtude da falta de intimação de um dos cotitulares da conta. O Recorrente vem alegar, em seu recurso voluntário, que devem ser excluídos R$1.000,00 de cada mês dos depósitos efetuados na sua conta do Banco do Brasil, sob a mesma justificativa, ou seja, de que se trata de valores devidamente declarados como sendo de recebimentos de pessoas físicas. Se tais valores foram depositados no Banco Santander, conforme afirmou o próprio contribuinte em sua impugnação, e já foram excluídos da tributação pela decisão de primeira instância, não se pode acatar a justificativa agora apresentada para excluílos novamente, dessa feita da conta do Banco do Brasil. Dos aluguéis da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda. O Recorrente aduz que devem ser excluídos da tributação os valores dos aluguéis recebidos da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ n° 47.226.840/000130, correspondente a R$ 2.267,00 mensais, de fevereiro a dezembro de 2006. Entretanto, verificase na planilha de depósitos (fls. 450 a 454) que não há, em nenhum desses meses, o registro de qualquer depósito no valor de R$ 2.267,00 e ele não esclareceu quais depósitos seriam provenientes dos rendimentos de aluguéis, tampouco informou a data e o valor dos depósitos que o compõem. Também não apresentou nenhum documento que comprove que o recebimento dos aluguéis era feito por meio de depósitos bancários. Ou seja, não há nenhuma prova que vincule os valores depositados em sua conta do Banco do Brasil com o recebimento de valores de aluguéis. Assim, não se deve acolher as razões do recorrente nesse ponto. Dos recebimentos relativos à venda de um imóvel ao Sr. Eduardo Paulo Boscovitz e sua esposa O Recorrente argumenta que vendeu um imóvel a Eduardo Paulo Boscovitz e sua mulher, consoante Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Direitos e Obrigações de Venda e Compra, datado de 16/01/2006, em cuja cláusula terceira constou o seguinte: "O preço certo da presente cessão é de R$ 135.000,00 (cento e trinta e cinco mil reais) pagos da seguinte forma: R$ 5.000,00 (cinco mil reais) como sinal e principio de pagamento e mais R$ 130.000,00 (cento e trinta mil reais) pagos na assinatura do presente contrato, mediante depósito em conta corrente dos cedentes no Banco do Brasil, Agência 0297 6, conta n° 32.0935, servindo o recibo desse depósito como prova de pagamento e sendo depositado em cheques, quitado somente após a compensação." Afirma que os depósitos foram efetuados no mês de janeiro nas datas e valores a seguir: Data Histórico Créditos 19/01/06 TED pagamento FGTS 36.035,76 Fl. 648DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 24/01/06 TED pagamento FGTS 56.752,22 27/01/06 Dep. on line 3.000,00 27/01/06 Dep. on line 3.000,00 27/01/06 Dep. on line 3.000,00 27/01/06 Dep. on line 21.000,00 27/01/06 Doc. crédito 4.213,02 Total 127.001,00 Os depósitos referentes aos valores de R$36.035,76, R$56.752,22 e R$21.000,00 já haviam sido excluídos pela Fiscalização. Quanto aos demais valores, ele argumenta que também são originados da venda do referido imóvel e apresenta os docs. nºs 21 a 22 para comprovação. O doc. 21 (fl. 623) é parte do extrato da conta corrente em referência, onde se pode verificar que os três depósitos, de R$3.000,00 cada, tiveram como origem a mesma agência 01510 do depósito de R$ 21.000,00, como afirma o contribuinte. O doc. 22 (fl. 624) mostra apenas que a agência 01510, do Banco do Brasil, está localizada na cidade de São José do Rio Preto. Quanto ao valor de R$4.213,02, também depositado no dia 27/01/2006, consta do doc. 23 (fl. 625) que foi uma transferência eletrônica efetuada por Eduardo Paulo Boskovitz, da Caixa Econômica Federal, agência 16101. Assim, é de acatar apenas a justificativa relativa a esse depósito de R$4.213,02, pois ficou demonstrada a sua origem, sendo que o depositante é o sr. Eduardo Paulo Boskovitz, adquirente do imóvel vendido pelo recorrente. Os outros três depósitos, de R$3.000,000 cada, não se encontram justificados, uma vez que não restou provado quem os efetuou. É até possível que tenha sido efetuado pelo sr. Eduardo Paulo, como afirma o Recorrente, mas não existe uma prova convincente desse fato. Da mesma forma que o contribuinte obteve a prova da origem para os outros depósitos, poderia também ter ido buscar em relação a esses valores aqui questionados. Dos valores depositados em maio/2006 para aquisição de um apartamento no Garujá/SP Apresenta o recorrente as seguintes justificativas para os depósitos ocorridos no mês de maio, no valor de R$105.570.00: a) A sua esposa, Sra. Fernanda de Azevedo Catapano, CPF n° 607.563.068 68, como professora aposentada pelo INSS, percebeu rendimentos mensais que totalizaram, no anocalendário 2006, R$ 15.177,82, conforme constou na declaração de ajuste anual do requerente; b) a sua esposa acumulou reservas em moeda corrente no país e assim forneceu valores a ele na ordem de R$ 20.000,00; Fl. 649DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.002727/201030 Acórdão n.º 2202003.057 S2C2T2 Fl. 645 11 c) ele possuía em 31/12/2005 a importância de R$ 10.500,00, a qual está consignada em sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2006. Conseqüentemente, esse valor integrou o depósito por ele efetuado em 26/05/2010; d) obteve empréstimo de seu filho Gerson Luiz de Castro Catapano, CPF 114.692.94800, em moeda corrente no país, no valor de R$ 25.000,00, que foi depositado em sua conta corrente. e) recebeu de aluguel no mês de maio o valor de R$ 2.267,00, da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda., CNPJ n° 47.226.840/000130, conforme declaração de ajuste anual do anocalendário 2006; f) a diferença que falta para completar o valor de R$ 105.570,00 é originária dos valores recebidos pelo impugnante de suas aposentadorias, os quais constaram de sua declaração de ajuste anual. Esses valores foram retirados dos bancos respectivos, formando um caixa em moeda corrente do país e posteriormente depositados na data de 26/05/2006, em um montante de R$ 47.803,00. O item e) já foi tratado no ponto "Dos aluguéis da Escola de Educação Infantil Fralda Molhada S/C Ltda.", acima. Quanto aos demais itens, o Recorrente não estabeleceu nenhum vínculo entre os créditos na sua conta corrente com os valores que ele tenta justificar. Também não apresentou nenhuma prova convincente que relacionasse, de forma individualizada, os depósitos aos fatos por ele invocados. Portanto, deve ser mantida a exigência relativa aos valores creditados no mês de maio. Ressaltese que a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Recebimento de ação ordinária de repetição de indébito O Fiscalizado sustenta que o valor de R$2.054,36, recebido no mês de dezembro de 2006, corresponde ao recebimento de uma ação ordinária de repetição de indébito, contra a União Federal, perante o Juízo da 17ª Vara da Seção Judiciária de São Paulo (proc n° 91.6991246), conforme docs. 31 e 32 em anexo. Pelo recibo apresentado (doc. 31 fl. 633), consta que foi recebido pelo contribuinte o valor de R$2.054,56 no dia 14/11/2006, referente a uma ação ordinária contra a União. No entanto, a planilha de depósitos (fls. 450 a 454) não contém nenhum depósito nesse valor no mês de novembro e nem no mês de dezembro de 2006. Dessa forma, não há como acolher essa justificativa do recorrente. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir da base tributável o valor de R$4.213,02. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 651DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001217/2007-04
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2803-000.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine dos autos digitais os arquivos de conteúdo idêntico. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Conselheiro Marcelo Oliveira - Relator designado ad hoc na data da formalização
Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê-lo.
Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo.
Feito o registro.
Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo os mesmos vieram apenas com duas (idênticas) versões do volume II (fls. 293 e seguintes dos autos físicos), estando ausentes os demais autos antecedentes do processo (volume I).
É o relatório.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine dos autos digitais os arquivos de conteúdo idêntico. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 13 30 .0 01 21 7/ 20 07 -0 4 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11330.001217/200704 Resolução nº 2803000.260 S2TE03 Fl. 3 2 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo os mesmos vieram apenas com duas (idênticas) versões do volume II (fls. 293 e seguintes dos autos físicos), estando ausentes os demais autos antecedentes do processo (volume I). É o relatório. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11330.001217/200704 Resolução nº 2803000.260 S2TE03 Fl. 4 3 Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pela resolução ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Em razão da ausência de documentação e duplicação indevida de cópias nos autos digitais, deve os autos retornarem a autoridade preparadora para fins de juntada dos documentos do referido processo faltantes descritos no relatório (volume I dos autos físicos). Isso posto, voto para converter o presente processo em diligência para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine dos autos digitais os arquivos de conteúdo idêntico. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento. É como voto. Foi assim que o conselheiro posicionouse na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13656.000525/2003-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 07/09/1995 a 19/01/1999
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO
Numero da decisão: 9303-003.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise do mérito.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 07/09/1995 a 19/01/1999 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise do mérito. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/09/1995 a 19/01/1999 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise do mérito. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 05 25 /2 00 3- 33 Fl. 726DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial, interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão proferido pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Sejul, sob a seguinte ementa: Relator: Maurício Taveira e Silva Acórdão: 330100.511 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 04/01/1995 a 19/01/1999 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO O direito de pedir restituição/compensação de contribuição para o PIS/Pasep e Cofins extinguese em cinco anos, contados do pagamento. A edição da Lei Complementar n° 118/2005 esclareceu a controvérsia de interpretação quanto ao direito de pleitear a restituição do indébito, sendo de cinco anos contados da extinção do crédito que, no lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado previsto no § 1° do art.150 do CTN. A PGFN apresentou recurso especial onde alega que a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), somente se aplica a processos judiciais e não administrativos. O contribuinte apresentou contrarrazões. Essas são as questões jurídicas necessárias ao deslinde da questão. É o relatório. Voto O recurso interposto pela contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Não pode prosperar o argumento levantado pela PGFN que a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a Fl. 727DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13656.000525/200333 Acórdão n.º 9303003.097 CSRFT3 Fl. 191 3 pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), somente se aplica a processos judiciais e não administrativos. Dessa forma, assiste razão à contribuinte, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Assim, visto que a interessada protocolizou seu pedido de restituição em 05/09/2003, os pagamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição, o que não ocorreu in casu, pois o período de apuração foi de 07/09/1995 a 19/01/1999. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. No presente caso, não existe nenhum período cujo direito a se pleitear a repetição esteja prescrito. Ante o exposto voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, com retorno dos autos à unidade preparadora para a análise do mérito do pedido de restituição. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 728DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 13784.000116/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Somente o valor fixado em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado em juízo ou escritura pública, efetivamente comprovado, pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda, a título de pensão alimentícia judicial.
DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO.
Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades
Numero da decisão: 2202-003.196
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar as seguintes glosas:. O Conselheiro MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA votou pelas conclusões
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.";
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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Recorrente JOSÉ CARLOS FIGUEREDO POLESHUCK Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente o valor fixado em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado em juízo ou escritura pública, efetivamente comprovado, pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda, a título de pensão alimentícia judicial. DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar as seguintes glosas:. O Conselheiro MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA votou pelas conclusões (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 4. 00 01 16 /2 01 1- 81 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA."; Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento (fls. 05/11), onde foi exigido imposto suplementar de R$ 20.595,50 e acréscimos legais correspondentes, relativo ao anocalendário 2008, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas e de pensão alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. O contribuinte impugna parcialmente o lançamento (fls.02), concordando com a glosa da despesa com drenagem linfática. Apresenta os documentos de fls. 13/35 para comprovar as demais deduções. De acordo com a Notificação de Lançamento o contribuinte deduziu o montante de R$ 49.080,26 a título de pensão alimentícia. Sendo R$ 39.560,00 pago a Rafael Teixeira Figueiredo Poleshuck (filho do Recorrente) e R$ 9.250,26 pago a Leny Bittencourt (ex esposa) . O acordo homologado judicialmente (fls.15 e 17/20) estabeleceu o pagamento de 8 salários mínimos mensais para Rafael Teixeira Figueiredo Poleshuck a ser depositado em conta corrente de sua genitora. Já com relação aos valores deduzidos relativos à pensão alimentícia paga a Leny Bittencourt, a pelitção de fls. 21/22 estabeleceu o pagamento de 30% dos rendimentos recebidos pelo contribuinte do Ministério da Saúde, os quais deveriam ser depositados na conta corrente da beneficiária. Às fls. 23 consta a homologação do "acordo de fls 83/84, ratificado às fls. 93" relativo ao processo nº 50817. Em relação a dedução das despesas médicas, foi glosado um montante total de R$ 25.812,46 relativo as deduções abaixo especificadas: “Glosa no valor de RS 5.000,00, referente profissional Maite Granado. Glosa no valor de RS 5.900.00, referente profissional Daniele Rodrigues. Glosa dos recibos para os quais não houve identificação do paciente/responsável pelo pagamento. Glosa no valor de RS 11.280,00 referente profissional Thiago de Oliveira Correa. Referese a serviços de drenagem linfática, para o qual não há previsão legal para sua dedução. Glosa no valor de R$ 3.632,46 referente Grupo Hospitalar do Rio de Janeiro, por se tratar de despesas em nome de Maria Emylia Polesnuck C. Branco c/.beneficiários não dependentes do contribuinte (Maria Fl. 80DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13784.000116/201181 Acórdão n.º 2202003.196 S2C2T2 Fl. 80 3 Emylia Polesnuck C. Branco, Maria Eduarda Poleshuck C. Branco e Maria Ellisa Polesnuck C. Branco).” A Delegacia Regional de Julgamento julgou parcialmente procedente a Impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente o valor fixado em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado em juízo ou escritura pública, efetivamente comprovado, pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda, a título de pensão alimentícia judicial. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais,serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao próprio tratamento do contribuinte e ao de seus dependentes e devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em relação a dedução de despesas com pensão alimentícia, a DRJ reconheceu a possibilidade de dedução do montante de R$ 39.280,00 (8 salários mínimos) relativos ao anocalendário de 2008, por considerar que a declaração de fls. 13, juntamente com a DIRPF/2009 entregue por Rafael Teixeira Figueiredo, comprovam o respectivo pagamento da pensão alimentícia, devendo ser restabelecida a dedução de R$ 39.280,00, que foi o valor acordado judicialmente. Manteve, todavia, a glosa do montante de R$ 9.250,26 pago a ex esposa, Leny Bittencourt por entender que a simples declaração de fls. 14 seria insuficiente para comprovar o pagamento, uma vez que a Sra. Leny Bittencourt não declarou esses recebimentos em sua DIRPF/2009. Em relação às despesas médicas, o contribuinte concordou com a glosa do valor de R$ 11.280,00 relativo a drenagem linfática e não impugnou a glosa de R$ 3.632,43 referente ao grupo hospitalar do Rio de Janeiro. A DRJ, por sua vez, admitiu a dedução de R$ 5.900,00 em razão dos recibos de fls. 29/30 acompanhados da declaração da cirurgiã dentista Danielle Rodrigues (fls. 31), mas manteve a glosa de R$ 5.000,00 referente a profissional Maite Granado, por entender que os recibos de fls. 3335 não identificam o paciente dos serviços prestados. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, no qual se insurge contra a parte da decisão da DRJ que manteve a glosa dos valores pagos à sua ex esposa por considerar que a simples declaração por ela prestada não seria prova da comprovação do pagamento. Alega o Recorrente que não poderia ser prejudicado por uma infração que deveria ser imputada a sua exesposa e que, de acordo com o artigo 320 do Código Civil, a quitação das obrigações sempre poderá ser dada por instrumento particular. Em relação a glosa das despesas médicas, o contribuinte alega que que todos os recibos juntados aos autos demonstram o pagamento de dívidas relativas aos tratamentos médicos realizados e identificam de maneira suficiente os profissionais, bem como os valores pagos É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. De acordo com o artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda, cuja matriz legal é o artigo 4º, inciso II, da Lei nº 9.250/94, a dedução das despesas relativas a pensão alimentícia estão sujeitas aos seguintes requisitos: Pensão Alimentícia Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13784.000116/201181 Acórdão n.º 2202003.196 S2C2T2 Fl. 81 5 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). (grifamos) De acordo com o dispositivo legal acima transcrito, constatase que o requisito fundamental para dedução das despesas com pensão alimentícia é que ela conste de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Conforme se verifica, foi juntado, às fls. 15, a homologação do acordo datado de 09 de janeiro de 1997, relativo ao processo nº 1.061/96 . Logo em seguida, às fls. 16, foi juntada carta de sentença endereçada ao registro civil em 06 de fevereiro de 1997. Nas fls. 21 a 22, foi juntada outra petição da ação de separação consensual firmada pelo contribuinte e Leny Bittencourt. Na referida petição, o Recorrente e sua ex esposa requerem que os montantes de 70% pago a título de pensão (30% ´para ex esposa e 40% para o filho) passe a incidir tão somente sobre os ganhos auferidos na matrícula 0639322, do Ministério da Saúde pelo prazo de 5 anos (fls. 22). Findo esse prazo, estaria mantido, unicamente, o percentual de 30% (trinta por cento) para ex esposa.Às fls. 23 foi juntada a homologação do acordo de relativo ao Processo nº 50817. Essa decisão foi publicada em 14/06/1995 (fls. 24). Embora tenham sido trazida aos autos as decisões judiciais e as respectivas homologações a DRJ indeferiu a dedução das despesas pagos à Leny Bittencourt por entender que "a simples declaração de fls. 14 é insuficiente para comprovar esse pagamento, uma vez que a Sra Leny Bittencourt não declarou esses recebimentos em sua DIRPF/2009. Necessário que o contribuinte apresentasse os comprovantes de depósito ou transferência bancária para comprovar esses pagamentos". Os requisitos impostos pela legisglação para dedução de despesas com pensão alimentícia terem sido realizados em cumprimento de ação judicial ou acordo homologado judicialmente. Não há portanto, na legislação, a exigência de que para sua dedutibilidade, tais valores constem da declaração de ajuste da benefíciária. Ademais, não foi apontado qualquer falha ou indício que pudesse macular o recibo constante de fls. 14, motivo pelo qual, entendo que deve ser aceita a dedução das mencionadas despesas. Em relação a dedução das despesas médicas, entendo que assiste razão ao Recorrente. Isso porque, conforme disposto na Solução de Consulta Interna nº 23 da Coordenação Geral de Tributação COSIT, de 30/08/2013, na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem especificação do benefíciário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus Fl. 83DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 6 dependentes,desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. É meu voto (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 84DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000835/2004-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2003
Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade
Proposições constantes do voto-condutor ou até mesmo da ementa, que não tiverem sido acolhidas pelo colegiado, não se incorporam ao acórdão paradigma nem, consequentemente, respaldam o recurso especial de divergência.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-003.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de comprovação de divergência jurisprudencial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de comprovação de divergência jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE Proposições constantes do votocondutor ou até mesmo da ementa, que não tiverem sido acolhidas pelo colegiado, não se incorporam ao acórdão paradigma nem, consequentemente, respaldam o recurso especial de divergência. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de comprovação de divergência jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 08 35 /2 00 4- 16 Fl. 907DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11516.000835/200416 Acórdão n.º 9303003.360 CSRFT3 Fl. 902 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivamente interposto pela contribuinte em desfavor do Acórdão nº 3102001.796, de 19/03/2013, cuja ementa se transcreve parcialmente a seguir, na fração que interessa ao presente julgamento: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUTORIZAÇÃO PARA DETERMINADO TRIBUTO OU PERÍODO. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência ou a falta de autorização para fiscalização de determinado tributo, contribuição ou período não acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. Aduz a recorrente que o acórdão destoara da jurisprudência dos Colegiados do CARF, com relação aos efeitos do descumprimento da legislação que disciplinaria o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), especificamente com relação a dois aspectos: a) inobservância dos limites procedimentais inerentes às denominadas "verificações obrigatórias", posto que o MPF que determinou a realização da ação fiscal em análise limitarseia à verificação da regularidade do recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, relativo ao exercício 2000; b) ausência de MPF relativo aos tributos vencidos no curso da ação fiscal. No intuito de demonstrar a necessária divergência, foi colacionado aos autos o Acórdão 240101.309, de 07/07/20101, cuja ementa transcrevese a seguir, na fração que interessa à solução do presente litígio: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/1999 PROCEDIMENTO FISCAL .LAVRATURA DA NOTIFICAÇÃO FISCAL FORA DO PRAZO DE VALIDADE DO MPF. NULIDADE O lançamento de débito deve ser precedido da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, nos termos do disposto pelo Decreto n.. 3.969/2001. É nulo o procedimento ocorrido após o prazo de validade do MPF. Importante destacar, ainda, a decisão do Colegiado (original não destacado): 1 Embora o contribuinte, em um trecho do recurso, faça referencia ao Acórdão nº 220200517, colaciona aos autos o de nº 240101.309, mesmo indicado na tabela em que se pretende demonstrar analiticamente a divergência. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11516.000835/200416 Acórdão n.º 9303003.360 CSRFT3 Fl. 903 3 ACORDAM os membros da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância. O recurso teve seguimento por meio do despacho às fls 887 a 8902. Instada a se manifestar, a Procuradoria da Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões, defendendo que o MPF possuiria caráter exclusivamente gerencial e a consequente legalidade do procedimento fiscal. Conforme se verifica no extrato da movimentação processual impresso a partir do sítio do CARF, colacionado pela Recorrente à fl. 876, o acórdão paradigma foi alvo de embargos de declaração, solucionados por meio do Acórdão 2401003.751, de 05/11/2004, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/1999 a 30/11/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. Tendo em vista que o acórdão recorrido não enfrentou a decadência do crédito tributário e, ainda, anulou a decisão de primeira instância, deve ser corrigido o erro material apontado na ementa, que equivocadamente fez referência à decadência parcial do crédito tributário. Embargos Acolhidos em Parte. Como é possível perceber, o colegiado ratificou a decisão de anular o processo a partir do acórdão de 1ª instância. É o Relatório. 2 Toda referência às folhas do processo, salvo ressalva, levará em consideração a numeração digital. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Antes de enfrentar as matérias recursais, julgo relevante revisitar o exame de admissibilidade, pois, após uma nova análise, passei a considerar que o recurso não deve ter seguimento, máxime após a manifestação do Colegiado responsável pela prolação do acórdão paradigma, em sede de embargos de declaração. Como visto, a ementa do acórdão colacionado como paradigma trata da decretação da nulidade da ação fiscal em razão de vencimento do MPF (que equiparou à ausência do instrumento), circunstância que não é sequer alegada no presente processo. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11516.000835/200416 Acórdão n.º 9303003.360 CSRFT3 Fl. 904 4 O acórdão recorrido, noutro giro, está escorado em duas premissas: a) inconsistências ou até mesmo a ausência de MPF não dão azo à nulidade da ação fiscal; e b) as verificações obrigatórias realizadas pela Fiscalização não estariam em desacordo com a legislação que disciplina o MPF. Assim, ainda que se considere que o acórdão paradigma afastaria a primeira premissa, a admissibilidade, quanto a esse ponto, só alcançaria os períodos vencidos no curso da ação fiscal. A alegação de nulidade, com relação a tais períodos, de fato, foi afastada com base na primeira premissa. Confirase excerto do votocondutor. No mesmo compasso, também não merece acolhimento a sugestão de que os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil não pudessem incluir no Auto de Infração os tributos correspondentes a períodos vencidos durante o curso da fiscalização. Independentemente do texto normativo encontrado em cada uma das Portarias que regulam a emissão do MPF, por todas razões até aqui expostas, pareceme claro que a competência e o dever no qual está investido a Autoridade Fiscal decorrem de disposições legais de hierarquia superior. Ressaltese, não foi trazido qualquer paradigma que respaldasse a alegação de nulidade em razão da suposta extrapolação dos limites em razão da prática dos atos nos moldes verificados no presente processo. Com efeito, a única decisão citada no recurso que suportaria a interpretação da recorrente foi prolatada pela DRJ Florianópolis e, como tal, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF vigente à época da interposição do recurso, ineficaz para demonstrar. Ocorre que, mesmo se superada essa dificuldade e se pudesse dar seguimento parcial ao recurso, após uma melhor análise do acórdão apontado como paradigma, chegase à conclusão de que o aresto não se presta a esse desiderato. De fato, se houvesse dúvida de que o Colegiado não acolheu o argumento do relator no sentido de que se deveria anular o processo desde o início, tanto que só anulou a decisão de primeira instância, após a manifestação em sede de embargos, não resta qualquer dúvida. Peço licença para transcrever os esclarecimentos da Relatora acerca das razões que conduziram à conclusão de que os embargos deveriam ser acolhidos parcialmente (destaques editados): Os embargos foram admitidos apenas quanto à omissão apontada. No que diz respeito à obscuridade, observase que o voto do Relator se posicionou, de forma sucessiva, sobre duas nulidades diferentes, mas os membros da Turma, por unanimidade de votos, acordaram em acolher a segunda, anulando a decisão de Primeira Instância. Não foram, portanto, admitidos os embargos, no tocante à alegada obscuridade. Se o acórdão paradigma não decidiu pela nulidade do procedimento em razão das alegadas irregularidades do MPF, evidentemente não se presta a demonstrar o dissídio jurisprudencial alegado. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11516.000835/200416 Acórdão n.º 9303003.360 CSRFT3 Fl. 905 5 Com essas considerações, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso especial. Henrique Pinheiro Torres Fl. 911DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19679.013059/2004-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Dec 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
AQUISIÇÃO DE INSUMOS RELATIVOS A PRODUTOS ELENCADOS NA LEI 10.485/2002. NÃO HÁ DIREITO AO CREDITAMENTO NO PERÍODO.
A Lei 10.637/2002 determina categoricamente a sujeição das receitas de venda dos produtos relacionados na Lei 10.485/2002 às normas da incidência cumulativa. Portanto, não há direito creditório dos insumos correspondentes a esses produtos.
ENERGIA ELÉTRICA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS.
Em principio, o crédito relativo a dispêndios com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, que não for aproveitado em determinado mês, poderá sê-lo nos meses subsequentes, sem atualização monetária nem incidência de juros sobre os respectivos valores.
DESPESAS FINANCEIRAS. DIREITO DE CRÉDITO
Somente geram crédito, para efeito do regime não-cumulativo do PIS, os gastos relativos a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica. As demais despesas financeiras não podem ser computadas, por ausência de previsão legal.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-002.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, que deu provimento parcial para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito sobre as despesas de variação cambial.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 AQUISIÇÃO DE INSUMOS RELATIVOS A PRODUTOS ELENCADOS NA LEI 10.485/2002. NÃO HÁ DIREITO AO CREDITAMENTO NO PERÍODO. A Lei 10.637/2002 determina categoricamente a sujeição das receitas de venda dos produtos relacionados na Lei 10.485/2002 às normas da incidência cumulativa. Portanto, não há direito creditório dos insumos correspondentes a esses produtos. ENERGIA ELÉTRICA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. Em principio, o crédito relativo a dispêndios com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, que não for aproveitado em determinado mês, poderá sê-lo nos meses subsequentes, sem atualização monetária nem incidência de juros sobre os respectivos valores. DESPESAS FINANCEIRAS. DIREITO DE CRÉDITO Somente geram crédito, para efeito do regime não-cumulativo do PIS, os gastos relativos a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica. As demais despesas financeiras não podem ser computadas, por ausência de previsão legal. Recurso Voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 AQUISIÇÃO DE INSUMOS RELATIVOS A PRODUTOS ELENCADOS NA LEI 10.485/2002. NÃO HÁ DIREITO AO CREDITAMENTO NO PERÍODO. A Lei 10.637/2002 determina categoricamente a sujeição das receitas de venda dos produtos relacionados na Lei 10.485/2002 às normas da incidência cumulativa. Portanto, não há direito creditório dos insumos correspondentes a esses produtos. ENERGIA ELÉTRICA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. Em principio, o crédito relativo a dispêndios com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, que não for aproveitado em determinado mês, poderá sêlo nos meses subsequentes, sem atualização monetária nem incidência de juros sobre os respectivos valores. DESPESAS FINANCEIRAS. DIREITO DE CRÉDITO Somente geram crédito, para efeito do regime nãocumulativo do PIS, os gastos relativos a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica. As demais despesas financeiras não podem ser computadas, por ausência de previsão legal. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, que deu provimento parcial para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito sobre as despesas de variação cambial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 30 59 /2 00 4- 55 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 19679.013059/200455 Acórdão n.º 3402002.807 S3C4T2 Fl. 594 2 Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação em papel protocolizada em 30/09/2004 (fl. 02), na qual o epigrafado compensou débito de IRPJ (código de receita 2362) com crédito de PIS não cumulativo referente ao mês de outubro de 2003 (fl. 04). No entanto, encontramse apensados a estes autos 5 outros processos (19679.0165542/200491, 19679.0165540/200401 e 19679.016545/200425, protocolados em 01/12/2004, 19679.0046646/200534, protocolado em 13/05/2005 e 19679.006217/200500, protocolado em 17/062005), que igualmente referemse à Declarações de Compensação em papel, com lastro em créditos de PIS não cumulativo, referente aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2003 (4º trimestre de 2003). O quadro abaixo resume os créditos e débitos compensados, por processo. Desta forma, sob análise neste julgado todos esses processos de compensação conjuntamente, uma vez arrimados em crédito do mesmo período de apuração. O despacho da DRF/Marília (fls. 67/70), de 18/08/2008, consigna que na DACON referente ao 4º trimestre/2003 (fls. 62/66) informou a empresa ter auferido receitas de exportação e receitas de vendas no mercado interno de produtos de fabricação própria. Informa Fl. 594DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 19679.013059/200455 Acórdão n.º 3402002.807 S3C4T2 Fl. 595 3 ainda, ter a empresa utilizado o método de rateio proporcional, com base na razão entre a receita de exportação e a receita bruta auferida, para separar créditos referentes à exportação dos créditos referentes ao mercado interno. Assim, utilizou os créditos vinculados à receita de vendas no mercado interno como dedução das contribuições mensais do PIS, e o créditos relativos à exportação, conforme quadro acima, em tese estariam disponíveis para compensação com outros débitos administrados pela RFB. Esse mesmo despacho dá conta que, conforme DACON, os créditos vinculados à receita de exportação foram calculados em relação à bens utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas financeiras de empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoas jurídicas, alem de crédito presumido relativo a estoque de abertura. Feitas tais observações, entendeu a DRF Marília encaminhar o processo à DEFISSP para que esta, em diligência junto à empresa, verificasse se de fato as aquisições informadas se enquadrariam no conceito de insumos, nos termos das IN SRF 247/2002 e 358/2003, a origem dos bens e serviços, uma vez que à época somente bens e serviços de PJ domiciliada no país gerava direito ao crédito, dentre outras questões (energia elétrica, despesas financeiras, etc.) elencadas no item "2 Verificação da consistência dos valores informados no DACON" (FL. 69) do despacho em referência. Em 27/09/2009, o processo foi encaminhado à Equipe Especial de Ressarcimento da DEFIS/SP (fl. 72). Em 01/03/2010, a empresa tomou ciência do início da diligência fiscal (fls. 74/77). De fls. 338/359, despacho da Equipe Especial de Auditora da DEFIS/SP, que levou a cabo a diligência solicitada pela DRF Marília. Em suma, o quadro abaixo reproduz o que consta no despacho do Delegado da DERAT (fl. 359), de 07/05/2010, que homologou parcialmente as compensações no limite do crédito reconhecido para compensação no próprio mês. Pontua o relatório fiscal, item 16, que as vendas da empresa para o mercado interno, quais sejam, os produtos de autopeças listados na Lei nº 10.485/2002, até a edição da Lei nº 10.865/2004, que deu nova redação à Lei 10.637, sujeitavamse no período em análise ao regime cumulativo monofásico (Lei 10.637, art. 1º, §3º, IV), o que, em consequência, impedia qualquer desconto. Pelo mesmo motivo, as receitas de vendas no mercado externo dos produtos dos anexos I e II da Lei 10.485/2002, também não davam direito a creditamento, embora fizessem jus ao crédito presumido do IPI da Lei 9.363/96. Neste ponto, em reforço ao seu entendimento, referese às Soluções de Consulta da 6ª e 8ª RF, que transcreve, acerca da incidência monofásica do PIS em relação ao regime automotivo até 01/08/2004, ou 01/05/2004, para as PJ que optassem pela antecipação. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 19679.013059/200455 Acórdão n.º 3402002.807 S3C4T2 Fl. 596 4 Como a empresa a interessada é fabricante de autopeças, e parte de seus produtos de fabricação própria constam dos anexos I e II da Lei 10.485/2002 (regime monofásico) e parte não, a fiscalização segregou as receitas sujeitas ao regime monofásico cumulativo daquelas sujeitas ao regime plurifásico não cumulativo. Às fls. 343/344, consta o demonstrativo da receita de venda para o mercado interno por regime de apuração. Do mesmo modo, à fl. 345 consta a segregação das receitas de vendas para o mercado externo, restando consignado no relatório fiscal, que até 31/07/2004 foram excluídas do total das vendas para o mercado externo os valores referentes às vendas dos produtos constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002. Ou seja, tais vendas foram desconsideradas na base de cálculo da receita de exportação não cumulativa para cálculo do rateio da proporcionalidade para apuração do crédito de mercado externo "por tratarse de receita cumulativa de alíquota diferenciada", nos termos do demonstrativo que consta à fl. 345. Conforme DACON entregue pelo contribuinte, este adota o método do rateio proporcional para determinar o crédito de PIS. Com base no raciocínio desenvolvido pela fiscalização, acima descrito, foi refeito o rateio da receita não cumulativa, conforme quadro abaixo: Apurada a receita não cumulativa, foi calculado o percentual de rateio entre a receita não cumulativa do mercado externo e receita não cumulativa do mercado interno, segundo demonstrativo abaixo. Da base de cálculo do PIS foram glosados os valores referentes aos serviços prestados por pessoas físicas referente aos CFOP 1352 e 2352 (serviços de transporte por estabelecimento industrial). Em relação aos créditos, foi aceito o valor informado na DACON referente a "Crédito Presumido Relativo a Estoque de Abertura" e glosadas os seguintes itens: 1) Energia Elétrica Entendeu a fiscalização que a despesa com energia elétrica está sujeita ao princípio da competência, pelo que foram glosados esses valores e as despesas de outros meses por trataremse de despesas de períodos outros, assim como os Fl. 596DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 19679.013059/200455 Acórdão n.º 3402002.807 S3C4T2 Fl. 597 5 valores referente a juros e a atualização monetária do parcelamento de valores em aberto (feito junto à empresa fornecedora de energia elétrica), por entender não estar autorizado pelo art. 3º da Lei 10.637/2002. 2) Despesas financeiras Para o Fisco a despesa financeira a que alude o art. 3º, V, da Lei 10.637/2002 é aquela decorrente de empréstimos e financiamento de pessoa jurídica, por isso a glosa dos valores constantes do quadro demonstrativo abaixo. A motivação, em síntese, foi a seguinte: juros de mora são penalidades contratuais decorrentes de atraso de pagamento, não sendo estes, em caso, vinculados a contrato de empréstimo ou financiamento; despesas de cobrança, variação cambial resultante de atualização de direito de crédito e variação monetária na aquisição de controladas não são despesas financeiras e nem estão vinculadas a empréstimos ou financiamentos; e, por fim, variação cambial sobre provisão de rejeição de clientes, igualmente, não estando vinculada a empréstimo, não dá direito "ao desconto". Manifestando a empresa sua inconformidade (fls. 365/380) com o despacho decisório local, a 6ª Turma da DRJ/SP1, em 24/05/2011 (fls. 471/482) não reconheceu o direito creditório pleiteado, mas declarou homologadas, por decurso de prazo (Lei 9.430/96, art. 74, § 5º, com redação da Lei 10.833/2002), a DCOMP constante deste processo, alem daquelas insertas nos seguintes processos apensados: 19679.016540/200401, 19679.016545/200425 e 19679.016542/200491. Em consequência, não foram homologadas as compensações declaradas nos processos 19679.006217/200500 e 19679.004646/200534, por insuficiência de crédito. Ainda não resignada com a r. decisão, a empresa recorreu a este Colegiado, onde, em suma, alega que os créditos postulados são legítimos e que a decisão recorrida partiu de premissa fática equivocada quanto ao aproveitamento do crédito de energia elétrica, "contrariando a própria análise fiscal autuante (sic), inovando no julgamento em prejuízo ao contribuinte". Entende a recorrente que mesmo em relação às suas vendas das mercadorias listadas nos anexos da Lei 10.485/2002, fazem parte de seu processo produtivo, pelo que seus insumos, de acordo com o art. 3º da Lei 10.637/2002, permite a dedução a título de PIS não cumulativo. No que tange às despesas com energia elétrica, alega que "seria necessário que o acórdão recorrido trouxesse aos autos prova de sua afirmação no sentido de demonstrar que os créditos legitimamente gerados pela recorrente seriam anteriores aos cinco anos anteriores à entrega das compensações, o que, de fato, não aconteceu". Ademais, alega que os valores Fl. 597DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 19679.013059/200455 Acórdão n.º 3402002.807 S3C4T2 Fl. 598 6 dos juros de mora e correção monetária aplicados no parcelamento de sua dívida de energia elétrica não podem ser dissociadas do montante da despesa incorrida com aquele insumo. Em sequência, no que pertine às glosas de despesas financeiras, alega que "as despesas glosadas pela unidade administrativa por terem sido enxergadas como despesas financeiras cujo desconto não é autorizado, quando, na verdade, tais despesas não têm natureza financeira". Em síntese, nesse tópico, argui que juros de mora pagos a fornecedores são despesas acessórias e por essa razão indissociáveis à despesa principal, consistente no custo dos bens e serviços adquiridos dos fornecedores. Quanto às despesas de cobrança com variação cambial resultante de atualização de direitos e créditos, despesas com variação monetária na aquisição de controladas e despesas com variação cambial sobre provisão de rejeição de clientes, pugna que são elas "despesas indispensáveis para a formação da recorrente, que serve de base de cálculo para a incidência do PIS não cumulativo", pelo que, assevera, "são despesas tipicamente operacionais, que se encaixam perfeitamente no espírito da sistemática da Lei 10.637/2002". Nestes termos, pede o reconhecimento da integralidade do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Sem reparos à decisão recorrida. Os produtos que a empresa vendeu, arrolados nos anexos da Lei 10.485/2002, no período em análise, não se sujeitavam ao regime não cumulativo da Lei 10.637/2002. Desse modo, correta a proficiente diligência fiscal (fls. 343/344) que apartou tais vendas. Assim, não há que se falar, em relação ao insumos utilizados na vendas das autopeças, em creditamento, pois tratavase de regime monofásico, à época em análise, o que afastava a incidência da Lei 10.637/2002. Esta Lei era expressa (art. 8º) no sentido de que as receitas das vendas dos produtos relacionados na Lei 10.485/2002 não estavam abarcadas pelo regime não cumulativo quanto ao PIS. Quanto às glosas referente à energia elétrica, igualmente corretas. Como bem dito na r. decisão as despesas estão sujeitas ao regime de competência. Ademais, a Lei 10.684/2003, ao dar nova redação ao art. 3º da Lei 10.637, admitiu o desconto da "energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica". A recorrente faz uma leitura extensiva da legislação, o que vai de encontro ao meu entendimento, pois a interpretação, tratandose de desconto sobre a base imponível de tributo, deve ser estrita. Dessarte, não deve ser descontado da base de cálculo da indigitada contribuição o pagamento de juros e correção monetária sobre o parcelamento de energia elétrica, pois não há autorização legal nesse sentido. De igual sorte, as despesas financeiras em análise também não dão margem a abatimento da base de cálculo do PIS. A legislação da época dispunha que poderia ser descontado crédito calculado em relação a "despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto...." (art. 3º, V, da Lei 10.637/2002). Ora, mais uma vez o contribuinte faz uma leitura abrangente como se tudo que estivesse vinculado à despesa Fl. 598DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 19679.013059/200455 Acórdão n.º 3402002.807 S3C4T2 Fl. 599 7 financeira ou de financiamento pudesse ser objeto de desconto. Mas não foi isso que normatizou o legislador. As despesas financeiras acessórias não estão abarcadas pelo desconto legal, pelo que juros de mora pagos a fornecedores decorrente de mora em pagamento não dá direito a creditamento, bem como despesas de cobrança, que sequer, in casu, vinculamse a empréstimos ou financiamentos. Com arrimo no mesmo raciocínio, não há como se admitir que variação cambial resultante de atualização direitos de créditos (exportação de peças especiais), variação cambial sobre provisão de rejeição de clientes e variação monetária na aquisição de controladas possam ser admitidas como "despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamento de pessoa jurídica". Forte no exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Lock Freire Relator. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 15/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900019/2013-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR MEIO DE SENTENÇA JUDICIAL. HABILITAÇÃO. NECESSIDADE.
Na hipótese de o direito de crédito ter sido reconhecido por sentença judicial é imprescindível sua habilitação prévia à transmissão dos Perdecomps.
HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. ILEGALIDADE.
A prévia exigência habilitação do crédito para a transmissão de Perdecomp não é ilegal, pois esse procedimento não suprime e nem limita o exercício do direito de compensação estabelecido pela lei.
Numero da decisão: 3402-002.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Ivo Oliveira Lima, OAB/PE 25.263.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DIREITO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR MEIO DE SENTENÇA JUDICIAL. HABILITAÇÃO. NECESSIDADE. Na hipótese de o direito de crédito ter sido reconhecido por sentença judicial é imprescindível sua habilitação prévia à transmissão dos Perdecomps. HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. ILEGALIDADE. A prévia exigência habilitação do crédito para a transmissão de Perdecomp não é ilegal, pois esse procedimento não suprime e nem limita o exercício do direito de compensação estabelecido pela lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Ivo Oliveira Lima, OAB/PE 25.263. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 00 19 /2 01 3- 89 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor de escrita do IPI relativo ao 3º Trimestre de 2009, cumulado com declarações de compensação, transmitido em 26/11/2009. Por meio de informação fiscal e despacho decisório notificado ao contribuinte em 09/05/2014 o pedido de ressarcimento foi indeferido e as compensações declaradas não foram homologadas. Segundo a autoridade administrativa, a maior parte do saldo credor da escrita fiscal é formada por créditos decorrentes de aquisições de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus. Esses créditos foram escriturados com base em decisão judicial transitada em julgado, mas o contribuinte não cumpriu as exigências contidas nas IN SRF nº 517/2005; 600/2005; 900/2008 e 1300/2012, uma vez que deixou de solicitar a habilitação prévia do crédito e deixou de informar nos Perdecomp que o crédito tinha origem em decisão judicial transitada em julgado. Inconformado com o indeferimento do seu pleito, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: 1) a decisão judicial obtida em mandado de segurança não se enquadra nas hipóteses de habilitação de crédito, pois não houve condenação da União a restituir nenhum valor, apenas houve a emissão de ordem judicial no sentido de que a Administração Tributária não efetuasse o estorno dos créditos decorrentes de aquisições isentas da ZFM; 2) houve mudança de critério jurídico por parte do fisco, pois outros pedidos formalizados anteriormente na mesma condição foram processados sem que houvesse exigência de prévia habilitação; 3) as instruções normativas que exigem a prévia habilitação do crédito são ilegais, por afrontarem o art. 74 da Lei nº 9.430/96; 4) afastar o direito de crédito com base no descumprimento de questões procedimentais configura afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, previstos no art. 2º da Lei nº 9.784/99. Por meio do Acórdão nº 47.721, de 17/09/2014 a DRJRecife julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O julgado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PEDIDO DE HABILITAÇÃO. NECESSIDADE. Quando o crédito do contribuinte é reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, é necessário que haja um procedimento prévio de habilitação deste crédito na esfera administrativa. O pedido de ressarcimento e as declarações de compensação somente podem ser processados após esta habilitação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.900019/201389 Acórdão n.º 3402002.812 S3C4T2 Fl. 6 3 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de atos insertos no ordenamento jurídico. Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 28/10/2014 (fls. 738/739), o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reprisou as alegações oferecidas na impugnação, acrescentando a alegação de nulidade do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. É ponto incontroverso nos autos que o contribuinte está amparado por decisão judicial transitada em julgado em 15/10/1998, que lhe garantiu o direito de escriturar créditos de IPI sobre a aquisição de concentrados para a produção de refrigerantes, isentos por força do art. 45, XXI do Regulamento do IPI, em virtude de serem produzidos na Zona Franca de Manaus (fls. 48/126). O art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637/2002, garante aos contribuintes o direito de compensação, inclusive de créditos que sejam decorrentes de decisões judiciais transitadas em julgado. O § 14 do referido artigo autorizou a Receita Federal a disciplinar o procedimento da compensação. Com base nessa autorização legal, foram baixadas as Instruções Normativas que exigiram a prévia habilitação do crédito reconhecido em processos judiciais para que o contribuinte pudesse utilizálo em Perdecomps. A defesa alegou, basicamente, que o provimento judicial que obteve não se enquadra na exigência das Instruções Normativas e que essa exigência de habilitação prévia é ilegal. Não existe ilegalidade alguma na exigência da habilitação prévia, pois nenhuma das instruções normativas emitidas pela Administração Tributária ao longo do tempo suprimiu ou limitou direitos do contribuinte que estejam previstos na lei. O que essas instruções normativas fizeram foi disciplinar o exercício do direito de compensação, pois é necessário que a Receita Federal tenha controle sobre os créditos utilizados pelos contribuintes. Existem contribuintes que nem possuem crédito e mesmo assim transmitem declarações de compensação. Existem outros casos em que os contribuintes alegaram que Fl. 829DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 desconheciam a existência de compensações declaradas em seus nomes porque terceiros teriam transmitido as decomp com o fim de prejudicálos. Certamente, a recorrente não se enquadra em nenhum desses casos, pois agiu como devem agir os bons contribuintes: ao sentir que a Administração estava ferindo seu direito, ajuizou o mandado de segurança e logrou êxito na sua pretensão. Mas embora tenha garantido seu direito de escriturar os créditos pelas aquisições dos concentrados isentos da ZFM, deixou de solicitar a habilitação do crédito, conforme exigia o art. 71 da IN SRF nº 900/2008, vigente ao tempo de transmissão do pedido de ressarcimento. Ao contrário do alegado, para os fins da habilitação do crédito, não existe distinção entre provimentos judiciais de cunho condenatório e provimentos judiciais de cunho mandamental. O fato de o mandado de segurança ter concedido ordem no sentido de que a Administração Tributária não estornasse os créditos sobre os concentrados isentos, não significa que não havia crédito a ser habilitado. Isso porque a palavra "crédito" utilizada na legislação possui sentido equívoco, pois ora é utilizada com o sentido de "valor do crédito" e ora com o sentido de "direito de crédito". No caso concreto a decisão no mandado de segurança não assegurou o valor do crédito, mas sim o direito de crédito. E é justamente esse direito de crédito é que é regulado no processo de habilitação do crédito. Observem senhores conselheiros, que o art. 71, § 4º da IN SRF nº 900/2008, estabelece que: § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. Ora, as verificações que a Administração executa nesse procedimento, são sumárias, nem de longe se cogita de investigar ou de se conferir o "valor do crédito". Apenas é investigado se existe o "direito ao crédito". Observem, ainda, que os incisos IV e V do referido parágrafo ressalvam a hipótese em que a decisão judicial tem cunho condenatório, o que Fl. 830DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.900019/201389 Acórdão n.º 3402002.812 S3C4T2 Fl. 7 5 significa que o processo de habilitação do crédito abrange também as decisões de cunho meramente mandamental, como a que beneficia a recorrente neste processo. A Instrução Normativa não faz a distinção alegada pela defesa, porque o que se habilita não é o "valor do crédito", mas sim o "direito de crédito". Não há violação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade em negar o pleito do contribuinte pela falta de habilitação do direito de crédito, pois no pedido de ressarcimento o contribuinte informou a existência de um saldo credor acumulado passível de ressarcimento no valor de R$ 10.047.043,37. É justo e razoável esperar que a Administração, antes de deferir um valor dessa magnitude, se certifique da presença dos requisitos estabelecidos no art. 71, § 4º da IN nº 900/2008. A defesa alegou que houve mudança de critério jurídico. Contudo, entendo que não configura a mudança de critério jurídico proibida pelo art. 146 do CTN o fato de em processos anteriores ter havido o deferimento do pedido de ressarcimento, mesmo porque a fiscalização narrou que o contribuinte vinha omitindo nos Perdecomp o fato de que o crédito tinha origem em decisão judicial transitada em julgado. A negativa do direito ao ressarcimento ora pleiteado não gera prejuízo algum ao contribuinte, pois ele poderá a qualquer tempo habilitar o direito conquistado perante o Poder Judiciário sem o óbice da prescrição, não só por se tratar de ação mandamental, mas também pelo fato de os créditos sobre o concentrado já terem sido escriturados na época própria. Não se olvide que o saldo credor escriturado no livro de IPI pode ser transferido para os períodos de apuração subsequentes de modo indefinido, sem problema algum de prescrição. Entendo também, que a ausência do pedido de habilitação e a omissão da informação no Perdecomp de que o crédito tinha origem em processo judicial, contaminaram todo o Perdecomp, mesmo porque o saldo credor acumulado e pleiteado é composto tanto dos créditos oriundos da ação judicial, quanto dos demais créditos tomados com base na legislação de regência. Sendo assim, não existe a nulidade alegada no despacho decisório. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 831DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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