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Numero do processo: 10830.723985/2013-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA.
Em face da decisão contida no REsp nº 973.733-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. VERIFICAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA.
Em face da decisão contida no REsp nº 973.733-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, verificada a existência de pagamentos para os correspondentes tributos/períodos, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir da data da ocorrência dos respectivos fatos geradores.
MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. INEXISTÊNCIA.
Inexiste conduta dolosa, para fins tributários, no fato de a empresa ter deduzido na sua apuração uma parcela que nem chegou a ser glosada pela fiscalização. Igual conclusão deve-se extrair sobre o fato de a empresa ter deduzido uma parcela consubstanciada num auto de infração, cuja ciência foi tomada em momento posterior ao encerramento do ano-calendário, quando a mesma parcela foi imediatamente adicionada na apuração do resultado tributável.
MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. INEXISTÊNCIA.
O fato de haver divergência quanto ao correto momento para o reconhecimento da despesa, bem como a eventual discordância sobre o caráter dedutível dessa mesma despesa, não podem, isoladamente, configurar uma conduta dolosa do contribuinte.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 1401-001.443
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Documento assinado digitalmente.
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.733-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. VERIFICAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.733-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, verificada a existência de pagamentos para os correspondentes tributos/períodos, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir da data da ocorrência dos respectivos fatos geradores. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. INEXISTÊNCIA. Inexiste conduta dolosa, para fins tributários, no fato de a empresa ter deduzido na sua apuração uma parcela que nem chegou a ser glosada pela fiscalização. Igual conclusão deve-se extrair sobre o fato de a empresa ter deduzido uma parcela consubstanciada num auto de infração, cuja ciência foi tomada em momento posterior ao encerramento do ano-calendário, quando a mesma parcela foi imediatamente adicionada na apuração do resultado tributável. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. INEXISTÊNCIA. O fato de haver divergência quanto ao correto momento para o reconhecimento da despesa, bem como a eventual discordância sobre o caráter dedutível dessa mesma despesa, não podem, isoladamente, configurar uma conduta dolosa do contribuinte. Recurso de Ofício Negado
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Decadência. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GALVANI INDUSTRIA, COMERCIO E SERVIÇOS S.A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.733SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. VERIFICAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.733SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, verificada a existência de pagamentos para os correspondentes tributos/períodos, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir da data da ocorrência dos respectivos fatos geradores. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. INEXISTÊNCIA. Inexiste conduta dolosa, para fins tributários, no fato de a empresa ter deduzido na sua apuração uma parcela que nem chegou a ser glosada pela fiscalização. Igual conclusão devese extrair sobre o fato de a empresa ter deduzido uma parcela consubstanciada num auto de infração, cuja ciência foi tomada em momento posterior ao encerramento do anocalendário, quando a mesma parcela foi imediatamente adicionada na apuração do resultado tributável. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. INEXISTÊNCIA. O fato de haver divergência quanto ao correto momento para o reconhecimento da despesa, bem como a eventual discordância sobre o caráter dedutível dessa mesma despesa, não podem, isoladamente, configurar uma conduta dolosa do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 39 85 /2 01 3- 59 Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.126 2 Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso de ofício contra acórdão proferido pela DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela improcedência total dos lançamentos efetuados. No mesmo acórdão, recorreuse de ofício em face da exoneração de crédito tributário que superou o limite previsto na Portaria MF nº 03/2008. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/CampinasSP, referentes ao IRPJ e à CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2007, totalizaram o valor de R$ 18.590.537,07. A autuação foi motivada pela não adição de valores ao lucro líquido para a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Houve qualificação das multas aplicadas. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 18/24), em síntese, o seguinte: Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.127 3 A fiscalização intimou o interessado, em 05/02/2013, a esclarecer o seguinte lançamento contábil: Data Código conta Conta D/C Valor Histórico 31/12/2007 55010019 Outras despesas operacionais D 59.966.657,80 00101JE700779710H 31/12/2007 22040010 Outras provisões a pagar C 47.973.486,24 00101JE700779730 (*) 31/12/2007 21050102 Proc. Federais, Estaduais, Mun. C 11.993.371,56 00101JE700779750 (*) (*) Os 3 históricos se completam com a informação em legenda:(*)PROCESSO CREDITO TRIBUTÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO A contribuinte respondeu a intimação nos seguintes termos: "A Contribuinte informa que o lançamento se refere ao Auto de infração correspondente ao Processos Administrativo 10830720.106/200527 (Processos de Compensações de Créditos 10830.003714/200492, 10830720.107/200571 e 10830 720.115/200818) cujo Termo de verificação Fiscal encerrou definitivamente em 29/10/08." Ocorre que entre os processos administrativos citados nenhum é de auto de infração. Todos os processos citados são de Compensações de Créditos Tributários. Ficou patente a falta de confiabilidade da informação da contribuinte. Assim, em razão da resposta insatisfatória, a empresa, em 30/04/2013, foi reintimada a esclarecer o lançamento contábil. A contribuinte, na data de 07/05/2013, atendeu a intimação e compôs o valor de R$ 59.966.857,80 – Outras Despesas Operacionais, a seguir reproduzido: (...) NOTA: A Multa de Oficio aplicada no Auto de Infração totaliza o Valor total de RS 34.792.286,55 que foi reduzido para 60% em virtude de pagamento na modalidade de Parcelamento Ordinário resultando no valor total de RS 20.875.371,93. JUROS R$ 11.257.656,63 Composição Total: Principal 23.194.857,70 Multa de ofício 20.875.371,93 Multa de Mora 4.638.971,54 Juros 11.257.656,63 Totais 59.966.857,80 Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.128 4 A contabilização como outras despesas operacionais do valor de R$ 59.996.857,80 levou a uma redução direta do lucro contábil, que, segundo a fiscalização, não foi ajustado com a adição deste montante para apuração do Lucro Real, na DIPJ/2008, impactando na mesma ordem a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A fiscalização considera que a maneira correta da contabilização desta provisão referente ao gravame do auto de infração cientificado em 11/01/2008 deveria ter sido contabilizado em 2008 e sempre em contas patrimoniais. Ainda segundo a fiscalização, foi observado que a empresa, devidamente intimada, conseguiu comprovar que adicionou R$ 41.946.869,63, como adição na apuração do Lucro Real, como despesas indedutiveis. Assim tal adição deverá ser considerada na glosa a ser feita. Assim, de ofício foi providenciada glosa da despesa representada pelo valor do lançamento de R$ 59.966.857,80, reduzido da adição ao lucro real já citada no parágrafo anterior de R$ 41.946.869,63, totalizando R$ 18.019.988,17. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A empresa buscou reduzir seu resultado contábil de 2007, no valor de R$ 59.966.857,80, e assim diminuir os recolhimentos de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido que, em tese, constitui crime contra a ordem tributária definido na Lei 8137/91. Fato no notório da intenção dolosa do contribuinte é que a ciência do auto de infração constante no processo 10830.000233/200859, referente a multa isolada à alíquota de 150%, no valor de R$ 34.792.286,55, devido a compensações indevidas com créditos de terceiros referentes aos processos de compensação: 10830.003714/200492, 10830720.107/200571 e 10830720.115/200818, deuse em 11/01/2008, portanto de forma alguma poderia impactar o resultado de 2007. Outro fato que nos levou a concluir pela conduta dolosa da empresa vem das informações prestadas em sua resposta datada de 15/02/2013 indicou como adição no ajuste para chegar ao lucro real o valor de R$ 59.966.857,80. Porém ocorre que esta informação não consta da DIPJ 2008, e o total das adições na planilha da resposta é de R$ 114.099.392,40, enquanto que este mesmo total na DIPJ/2008 é de R$ 57.312.407,44. Buscou tentar ludibriar e embaraçar a fiscalização. Inconformado, o interessado apresentou impugnação em 14/08/2013 (fls. 97/159) requerendo o cancelamento dos autos de infração, alegando, em síntese, o seguinte: Preliminarmente . que os débitos de IRPJ e CSLL exigidos pelo presente Auto de Infração estão extintos pela decadência, tendo em vista que estão sujeitos à regra decadencial prevista pelo art. 150, §4° do CTN. . que, para o caso concreto, temse que o fato gerador do IRPJ e CSLL exigidos pelo presente Auto de Infração ocorreu em 31/12/2007. . que, dessa forma, a decadência atingiu todos os valores de IRPJ e CSLL objeto da autuação, tendo em vista que possuem como fato gerador a data de 31/12/2007 e, assim, a Fiscalização tinha até 31/12/2012 para exigir referidos valores, nos termos do artigo 150, §4° do CTN. Ocorre que a Impugnante apenas foi Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.129 5 intimada da lavratura da presente autuação em 15/07/13, quando expirado o prazo decadencial. . que, apesar de a Fiscalização não ter mencionado no Termo de Verificação Fiscal TVF qual teria sido a regra de decadência utilizada para lavratura da presente autuação, é de fácil percepção que a Fiscalização intentou adotar a regra prevista pelo art. 173, inc. I do CTN. . que para que a aplicação do art. 173, inc. I, se sustente, a Fiscalização tenta fazer crer que a Impugnante teria adotado atitudes dolosas, que também teriam permitido a aplicação da multa de oficio majorada, isto é, multa de 150%, previsto pelo art. 44, inc. I e §1° da Lei n° 9.430/96. . que em nenhum momento a Impugnante adotou atitudes dolosas. . que a Fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal, afirma que a Impugnante teria reduzido o seu lucro de 2007, no valor de R$ 59.966.857,80, com o objetivo de diminuir o pagamento do IRPJ e a CSLL nesse período. No entanto, essa afirmação não é verdadeira. A própria Fiscalização reconhece que houve a adição de R$ 41.946.869,63 na apuração do resultado tributável, relativo ao ano de 2007. A glosa efetuada pela Fiscalização no presente caso foi no valor de R$ 18.019.988,17, o que demonstra que essa afirmação de que a Impugnante tentou reduzir seu lucro em quase R$ 60 milhões não é verdadeira. . que, outro fundamento utilizado pela Fiscalização para sustentar que a Impugnante teria adotado atitude dolosa seria o fato de ter tomado ciência do Auto de Infração, que originou a despesa ora glosada, em 11/01/08, fato esse que demonstraria que esses valores jamais poderiam impactar o resultado do exercício de 2007. . que o valor do auto de infração, do qual a Impugnante tomou ciência em 11/01/08 mencionado no TVF se refere apenas, e tão somente, à multa isolada aplicada pela não homologação dos pedidos de compensação apresentados pela Impugnante. Ocorre que esse montante foi devidamente adicionado pela Impugnante na apuração do resultado tributável, em razão da vedação da dedução das multas por infrações fiscais, prevista no artigo 344 do RIR. . que o fato da ciência do auto de infração ter ocorrido em 11/01/08, por si só, não demonstra nenhuma atitude dolosa. O que se observa aqui é a existência de divergência quanto ao momento em que se considera correto para o reconhecimento da despesa. . que a Fiscalização entende que essa despesa apenas poderia ter sido contabilizada após a ciência do auto de infração. Por outro lado, baseado inclusive em parecer de auditoria independente, a Impugnante entende que essa despesa deveria ser contabilizada no ano de 2007, uma vez que o regime da competência e o principio contábil do conservadorismo (ou da prudência) obrigam a Impugnante a apropriar as suas despesas no momento de sua ocorrência, especialmente nas situações em que se tem certeza da obrigação de pagar e também dos valores envolvidos, como ocorreu no caso presente. . que, no caso concreto, no ano de 2007, a Impugnante já tinha certeza da obrigação de pagar os tributos, juros e multas ao Fisco, decorrentes da não homologação dos pedidos de compensação apresentados no passado, tendo em vista os seguintes acontecimentos: (i) as alterações realizadas pela Lei n° 9.430/96, em relação especificamente à impossibilidade de compensar créditos de terceiros, além Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.130 6 da posição jurisprudencial sobre o tema, desfavorável aos contribuintes; (ii) despachos decisórios proferidos que não homologaram as compensações realizadas e (iii) inicio da fiscalização em seu estabelecimento que tinha como objetivo exigir a multa isolada em razão da não homologação das compensações. . que a própria Fiscalização aceita que os valores relativos ao auto de infração do qual a Impugnante tomou ciência em 11/01/08 afetem o resultado relativo ao exercício do ano de 2007, na medida em que reconhece como correta a adição de R$ 41.946.869,63, que corresponde ao valor da multa de oficio e principal de IRPJ e CSLL (despesas indedutiveis nos termos da legislação do IRPJ) decorrentes da não homologação das compensações. . que esses elementos levaram a administração da Impugnante e seus auditores independentes a terem certeza quanto à exigência que acabou sendo materializada em 11/01/08, motivo pelo qual a despesa foi reconhecida já em 31/12/2007. . que a Impugnante ressalta que realizou pagamento de IRPJ e CSLL no ano de 2007, conforme comprovam a DIPJ e DCTF anexados à presente impugnação, o que também comprova que não há que se falar na aplicação do art. 173, inc. I do CTN no presente caso. No mérito . que, ao longo do ano de 2004, a Impugnante apresentou pedidos de ressarcimento e formalizou declarações de compensação, para compensar créditos de IPI de terceiros, reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, com débitos de IRPJ, de CSLL, de PIS e de COFINS, relativos aos meses de junho até novembro de 2004. . que, em agosto de 2006, a Receita Federal indeferiu os pedidos de ressarcimento e não homologou as declarações de compensação apresentados pela Impugnante, ao fundamento de que o crédito de terceiros seria ilegítimo. Nessa oportunidade, o Fisco passou a exigir os débitos objeto de compensação, além de exigir acréscimos legais de multa de mora de 20% (vinte por cento), nos termos do artigo 61, § 2° da Lei n° 9.430/96, e de juros de mora, em razão do atraso no pagamento dos tributos. . que, paralelamente, exatamente em razão da não homologação das compensações, a Impugnante foi alvo de fiscalização, por meio do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.04.0020050022072, para análise do cumprimento das obrigações relacionadas às compensações realizadas, especialmente para analisar a necessidade de aplicação da multa isolada de que trata o artigo 18 da Lei n° 10.833/03. . que, ao longo dessa fiscalização, que teve inicio no ano de 2005, o auditor fiscal deixou claro à Impugnante que exigiria a multa de oficio qualificada de 150%, em razão da não homologação das compensações de créditos de terceiros. . que nesse momento, no final do exercício de 2007, em respeito aos princípios contábeis e em conformidade com a legislação fiscal, a Impugnante registrou em sua contabilidade as despesas relativas ao principal dos débitos compensados, à multa de mora, à multa isolada e aos juros compensatórios. . que, quando do registro da multa isolada, a Impugnante considerou a redução de 40% concedida aos contribuintes que optam pelo parcelamento de débitos, em 60 (sessenta) parcelas mensais. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.131 7 . que a despesa apropriada pela Impugnante, em 31/12/2007, totaliza R$ 59.966.857, 80, dos quais; i) o valor de R$ 23.194.857, 70 é relativo ao principal dos tributos devidos; (ii) o valor de R$ 4.638.971,54 é relativo à multa de mora; (iii) o valor de R$ 20.875.371,93 é relativo à multa isolada, já com o desconto de 40% em razão do parcelamento; e (iv) o valor de R$ 11.257.656, 63 é relativo a juros compensatórios. . que, realizado o registro contábil da despesa incorrida, a Impugnante, em atenção à legislação fiscal, realizou a adição no Livro de Apuração do Lucro Real ("LALUR") dos valores indedutiveis para fins fiscais (doc 07). . que, a Impugnante realizou a adição do total de R$ 41.946.869,93, correspondente à soma do principal do IRPJ e da CSLL (R$ 21.071.497,70) e da multa de oficio, já reduzida em razão do parcelamento (R$ 20.875.371,93), que são despesas indedutiveis para fins fiscais. . que, em outras palavras, embora tenha registrado na contabilidade, no dia 31/12/2007, a despesa de R$ 59.966.857,80, reduzindo o resultado contábil do exercido, a Impugnante, ciente de suas obrigações fiscais, bem como da indedutibilidade (i) das multas decorrentes de infrações fiscais e (ii) dos seus débitos de IRPJ e de CSLL, ofereceu à tributação o montante de R$ 41.946.869,93. . que, desse modo, para fins fiscais, apenas o valor de R$ 18.019.988, 17 foi deduzido na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL. . que, apesar da correção nos procedimentos adotados pela Impugnante, a Fiscalização, de forma absolutamente equivocada, glosou a despesa de R$ 18.019.988,17, relativa majoritariamente à multa de mora de 20% (vinte por cento) e aos juros compensatórios. . que nenhum dos fundamentos utilizados pela Fiscalização para glosar a despesa e lavrar o auto de infração deve prevalecer, uma vez que: (i) as despesas de multa de mora e de juros compensatórios são dedutíveis para fins de apuração do lucro tributável; e (ii) a apropriação da despesa no exercício de 2007, no caso concreto, é legitima e, mais do que isso, mandatória, em obediência às normas contábeis. . que, ciente da indedutibilidade do principal de IRPJ e de CSLL e da multa isolada, a Impugnante adicionou o valor de R$ 41.946.869,93 na apuração do resultado tributável. O restante do valor (R$ 18.019.988,17) não foi adicionado porque se trata, majoritariamente, de multa de mora e de juros de mora, dedutíveis na apuração do resultado tributável. . que a dedutibilidade da multa de mora, de natureza compensatória, é clara na legislação fiscal, conforme se extrai do art. 41, § 5º, da Lei 8.981/1995 (art. 344, § 5º, do RIR/1999), do Parecer Normativo CST nº 61/1979 e do “Pergunta e Respostas”, da Secretaria da Receita Federal. . que os acréscimos moratórios relativos aos juros de mora calculados pela SELIC também são dedutíveis para fins de apuração do resultado tributável, conforme reconhece o Parecer Normativo CST n° 174, de 25/9/1974, o artigo 374 do RIR/1999 e o “Pergunta e Respostas”, da Secretaria da Receita Federal. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.132 8 . que também o PIS e a COFINS são dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos termos do artigo, 344, caput do RIR, cuja base legal é o artigo 41 da Lei n° 8.981/95. . que, independentemente de seu efetivo pagamento, as despesas (inclusive aquelas relativas a multas de mora e juros moratórios) devem ser contabilizadas quando incorridas, tendo em vista que, nos termos das regras fixadas em lei, já são certas, exigíveis e mensuráveis. . que, a considerar que a apuração da base tributável do IRPJ e da CSLL deve seguir as regras contábeis, tais despesas devem ser reconhecidas quando incorridas, de acordo com os princípios da competência e da oportunidade, independentemente do pagamento. . que, embora não tivesse sido formalmente intimada dos despachos decisórios de não homologação das compensações, a Impugnante, em 31/12/2007, já possuía informações suficientes para considerar os débitos objeto de compensação como efetivas despesas, de acordo com as regras contábeis, pois já era possível verificar a existência e a certeza da obrigação, além de quantificar os valores de multa de mora e de juros de mora, nos termos fixados em lei. . que, caso ainda se considere que referida despesa apenas poderia ter sido contabilizada no ano de 2008, após a ciência do Auto de Infração e dos despachos decisórios que não homologaram as compensações realizadas, estarseia diante da hipótese de postergação no pagamento do tributo. . que nos anos de 2007 e 2008 apurou lucro tributável e recolheu pontualmente os tributos devidos. . que deve ser cancelada a majoração da multa de oficio para 150%, já que não há como afirmar que a Impugnante tenha se utilizado de atitudes dolosas com a intenção deliberada de fraudar o Fisco, mormente quando submeteu toda a operação ao registro competente, tendo sido, inclusive, apresentadas à Fiscalização. . que não deve prosperar a incidência de juros moratórios sobre a multa de oficio. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 8ª Turma da já mencionada DRJ/Rio de Janeiro I proferiu o Acórdão nº 1266.414, de 16 de junho de 2014, por meio do qual decidiu pela improcedência total dos lançamentos efetuados. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 IRPJ e CSLL. DECADÊNCIA. Nos lançamentos por homologação, em havendo pagamento, e não restando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo para constituição do crédito tributário deve ser contado pela regra especial prevista no § 4º, do art. 150, do CTN, e não pela regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.133 9 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto deve ser conhecido. A instância a quo exonerou o crédito tributário lançado porque verificou que não haviam sido preenchidos os prérequisitos que autorizam o deslocamento da regra da decadência do artigo 150, § 4º, para o artigo 173, I, ambos do Código Tributário Nacional (CTN). Ou seja, não foi comprovado o dolo, fraude ou simulação, nem ficou caracterizada a existência de pagamento. Para melhor compreensão, vale a pena uma pequena incursão no contexto interpretativo que domina essas regras. O § 4º do artigo 150 do CTN é assim enunciado: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (grifei) (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei) Com efeito, entendo que a “atividade” exercida pelo sujeito passivo obrigado a antecipar o pagamento é a característica marcante dessa modalidade de lançamento chamado “por homologação”. Assim, o que se homologa é a atividade concernente à apuração de eventual crédito tributário sujeito à extinção. Independe, portanto, da existência de efetivo Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.134 10 pagamento, até porque muita das vezes ele poderá não ser necessário, seja porque não é apurado crédito tributário ou porque existe crédito a favor do sujeito passivo que poderá ser aproveitado numa compensação. Nesse sentido, qualquer que seja o tributo, se ele for sujeito a essa sistemática denominada “lançamento por homologação”, o prazo decadencial de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para a homologação da atividade de apuração do crédito tributário efetivada pelo sujeito passivo, corresponderia ao mesmo prazo que dispõe o Fisco para o lançamento de ofício de eventuais diferenças não pagas e/ou declaradas. Porém, constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a ressalva é expressa. Nessa hipótese, a regra do prazo decadencial para o Fisco efetuar o lançamento de ofício deslocase para aquela prevista no artigo 173, I, do CTN, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Para os fatos geradores ocorridos durante um determinado anocalendário, esse prazo inicial é contado a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. Contudo, quanto aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro, o primeiro dia em que o lançamento pode ser efetuado é justamente o dia 1º de janeiro do ano seguinte. Portanto, nesses casos, o prazo inicial passa a ser contado a partir de 1º de janeiro do ano subsequente. No entanto, esse meu entendimento não pode prevalecer neste julgamento. Isso porque o § 2º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF) dispõe que as decisões proferidas pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidos nos julgamentos desta Casa. Vejase seu teor: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A questão da decadência foi objeto de decisão do STJ, na referida sistemática, no REsp nº 973.733SC, com a relatoria do Ministro Luiz Fux. Foi o seguinte a ementa dessa decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.135 11 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.136 12 (REsp 973733 SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Portanto, o início do prazo decadencial para o Fisco promover o lançamento de ofício, nos casos de tributos sujeitos à sistemática dos denominados “lançamentos por homologação”, restou assim configurado: 1. Se ocorrer dolo, fraude ou simulação: primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) 2. Se não ocorrer dolo, fraude ou simulação: a. Se houver pagamento (ou declaração): data da ocorrência do fato gerador (artigo 150, § 4º, do CTN) b. Se não houver pagamento (ou declaração): primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) Voltando ao presente caso, importa notar que houve qualificação da multa decorrente de conduta dolosa qualificada no espectro dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Portanto, se essa qualificação ficar confirmada, devese aplicar a hipótese do artigo 173, I, do CTN, ou seja, a contagem do prazo iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Como bem resumido no voto condutor da decisão recorrida, os seguintes fatos se sucederam: O interessado, por meio dos processos de compensação nºs 10830.003714/200492, 10830720.107/200571 e 10830720.115/200518 apresentou pedidos de ressarcimento e formalizou declarações de compensação para compensar créditos de IPI de terceiros com débitos de IRPJ, de CSLL, de PIS e de COFINS. Os pedidos de ressarcimento foram indeferidos e não foram homologadas as declarações de compensação apresentadas. Em razão da não homologação dos débitos compensados, o Fisco passou a exigir os débitos objeto de compensação (IRPJ, CSLL, Pis e Cofins), além de exigir acréscimos legais de multa de mora de 20% (vinte por cento), nos termos do artigo 61, § 2° da Lei n° 9.430/96, e de juros de mora, em razão do atraso no pagamento dos tributos. Além disso, por se tratar de utilização de créditos de terceiros, foi formalizado auto de infração nº 10830.000233/200859, com ciência do interessado em 11/01/2008, para lançamento da multa isolada prevista no art. 18 da Lei 10.833/2003 (vide fls. 256/258). A fiscalização considerou que o interessado teria agido dolosamente, pois teria feito impactar o resultado de 2007 por fatos dos quais somente teria tomado Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.137 13 conhecimento em 11/01/2008. Em outras palavras, se o interessado somente foi cientificado do lançamento de multa isolada em 11/01/2008, não poderia, segundo a fiscalização, ter reduzido o resultado de 2007. Tal conduta, na concepção da fiscalização, teria sido praticada dolosamente com o objetivo de diminuir tributo. Conforme relatado, os motivos que fizeram com que a fiscalização concluísse ter havido conduta dolosa foram os seguintes: A empresa buscou reduzir seu resultado contábil de 2007, no valor de R$ 59.966.857,80, e assim diminuir os recolhimentos de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido que, em tese, constitui crime contra a ordem tributária definido na Lei 8137/91. Fato no notório da intenção dolosa do contribuinte é que a ciência do auto de infração constante no processo 10830.000233/200859, referente a multa isolada à alíquota de 150%, no valor de R$ 34.792.286,55, devido a compensações indevidas com créditos de terceiros referentes aos processos de compensação: 10830.003714/200492, 10830720.107/200571 e 10830720.115/200818, deuse em 11/01/2008, portanto de forma alguma poderia impactar o resultado de 2007. Outro fato que nos levou a concluir pela conduta dolosa da empresa vem das informações prestadas em sua resposta datada de 15/02/2013 indicou como adição no ajuste para chegar ao lucro real o valor de R$ 59.966.857,80. Porém ocorre que esta informação não consta da DIPJ 2008, e o total das adições na planilha da resposta é de R$ 114.099.392,40, enquanto que este mesmo total na DIPJ/2008 é de R$ 57.312.407,44. Buscou tentar ludibriar e embaraçar a fiscalização. Como se vê, a fiscalização entendeu que a redução do valor de R$ 59.966.857,80 na apuração do resultado contábil redundou em crime contra a ordem tributária. Além disso, o fato de o contribuinte, em sua apuração do anocalendário de 2007, ter deduzido o valor de R$ 34.792.286,55, atinente à multa isolada consubstanciada no processo nº 10830.000233/200859, caracterizaria uma intenção dolosa. Isso porque, se a ciência da autuação ocorreu em 11/01/2008, não se poderia admitir impacto no anocalendário anterior. A empresa, em sua impugnação, alegou que não é verdadeira a afirmação de que houve redução do lucro com o objetivo de diminuir o pagamento do IRPJ e da CSLL porque a própria glosa efetuada pela fiscalização (no valor de R$ 18.019.988,17) não incluiu a totalidade do valor reduzido na apuração do resultado contábil. No que diz respeito à dedução da multa isolada (no valor de R$ 34.792.286,55), alegou que esta foi devidamente adicionada na apuração do resultado tributável. Quanto ao fato de ter tomado ciência da autuação (da multa isolada) em momento posterior ao encerramento do anocalendário de 2007, argumenta que não se pode considerar ter havido atitude dolosa, mas, tão somente, divergência quanto ao momento que se considera correto para o reconhecimento da despesa. Ora, não faz nenhum sentido querer qualificar como conduta dolosa, para fins tributários, o fato de a empresa ter deduzido na sua apuração uma parcela que nem chegou a ser glosada pela fiscalização. Igual conclusão devese extrair sobre o fato de a empresa ter Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.138 14 deduzido uma parcela consubstanciada num auto de infração, cuja ciência foi tomada em momento posterior ao encerramento do anocalendário, quando a mesma parcela foi imediatamente adicionada na apuração do resultado tributável. Por outro lado, o fato de haver divergência quanto ao correto momento para o reconhecimento da despesa, bem como a eventual discordância sobre o caráter dedutível dessa mesma despesa, não podem, isoladamente, configurar uma conduta dolosa do contribuinte. Ainda que a glosa efetuada pela fiscalização (no valor de R$ 18.019.988,17) pudesse ser admitida ao amparo desses argumentos, sob os quais não se faz aqui qualquer juízo de valor, haveria que se demonstrar outros fatos para caracterizar alguma conduta dolosa. Nem se diga que o outro fato relatado, o qual teria o condão de "tentar ludibriar e embaraçar a fiscalização", seria suficiente para tal desiderato. Nesse sentido, reproduzo os argumentos utilizados no voto condutor da decisão recorrida: A fiscalização faz referência a uma resposta do interessado, de 15/02/2013 (fls. 38/39). Nesta, de fato, verificase que consta uma planilha informando que o total das adições teriam sido de R$ 114.099.392,40, e não R$ 57.312.407,44 constante da DIPJ. Todavia, a meu juízo, tal fato, isoladamente, não é suficiente para comprovar o dolo por parte do interessado. Mais parece um erro na informação prestada, já que contraria frontalmente as informações na DIPJ e no LALUR. É evidente que a informação contida na DIPJ e no Lalur prevalecerá quando sopesada com uma informação constante em mera planilha. Ademais, ressaltase que esta foi a única contradição apontada pela fiscalização nas respostas apresentadas pelo interessado. Verificase, pelos autos, que o interessado respondeu a diversas intimações e não foi apontada nenhuma outra contradição, além desta acima referida. Aliás, é bom lembrar que a autuação baseou se em resposta do interessado de 07/05/2013 (fls. 218/219), por meio da qual houve a composição do valor de R$ 59.966.857,80 – Outras Despesas Operacionais. Observase, ainda, que a conduta dolosa apontada pela fiscalização teria ocorrido em informação prestada em mera planilha, em resposta a uma intimação, e não em documentos contábeis e fiscais, os quais, evidentemente, têm mais peso probatório. Ademais, impende salientar que não houve uma conduta reiterada que pudesse comprovar a ação dolosa do interessado. O fato apontado pela fiscalização foi único. Quanto à questão da existência de pagamentos, a instância a quo também foi precisa ao identificar que pagamentos de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2007, foram comprovados pelos próprios despachos decisórios eletrônicos proferidos nos processos em que a empresa pleiteou as compensações (fls. 58 do processo nº 10830.900934/201357 e fls. 83 do processo nº 10830.900935/201300). Portanto, não se pode atestar a existência das hipóteses capazes de deslocar o prazo decadencial do lançamento para o artigo 173, I, do CTN. Assim, há que se contar o Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10830.723985/201359 Acórdão n.º 1401001.443 S1C4T1 Fl. 1.139 15 termo inicial na data da ocorrência do fato gerador dos tributos lançados, isto é, em 31/12/2007. Como a ciência da autuação foi dada em 15/07/2013, impõese constatar a superação dos cinco anos previstos no artigo 150, § 4º, do CTN. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso necessário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.720909/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
LANÇAMENTO.
Verificada omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão (art. 24 da Lei nº 9.249/95).
Numero da decisão: 1201-001.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Verificada omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão (art. 24 da Lei nº 9.249/95). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1142.873, exarado pela 3ª Turma da DRJ em Recife PE. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 2450 e ss.): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 09 09 /2 01 3- 14 Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.720909/201314 Acórdão n.º 1201001.197 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 2.294 a 2299), do Programa de integração Social – PIS (fls. 2.381 a 2.387), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 2.365 e 2.369) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls.2.333 a 2.339), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 1.793.568,95 (vide demonstrativo da fl. 2.293). 2. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 2.262 a 2.292), o lançamento decorreu das seguintes infrações: 2.1 – Omissão de receita da atividade, levantada do cotejo do Livro de Registro de Saída e DASN (vide quadros da fl. 2.278). 2.2 – Omissão de receita, caracterizada por falta de comprovação da origem de recursos utilizados em depósitos bancários (vide quadros da fl. 2.283). 2.3 – Opção indevida pelo Simples, o que motivou a tributação das receitas brutas informadas na DASN pelo lucro arbitrado, para efeito de cálculo do adicional do imposto (vide quadro das fls. 2.286 e 2.287). 3. Agravouse a multa quanto às infrações dos itens 2.1 e 2.2. Lavraramse Termos de Sujeição Passiva Solidária contra os sócios administradores João Henriques Rodrigues e Francisco das Chagas Bezerra Cabral. Formalizouse Representação Fiscal para Fins Penais. 4. Apresentouse impugnação, às fls. 2.411 a 2.414, contrapondose, em síntese, o auto não poderia subsistir, pois não teria havido sonegação fiscal, mas tão somente má orientação do procurador responsável pelo recolhimento dos tributos, Sr. Antônio Pinto de Camargo. 5. Tendo em vista que em anos anteriores teria havido “erro na apuração do tributo bem como erro no recolhimento por conta do preenchimento equivocado das guias de pagamento” (particularidade que teria sido informada no curso da ação fiscal), o referido senhor teria aconselhado a empresa a não recolher tributos ante a possibilidade de sua compensação. A retificação do equívoco farseia necessária para permitir “a efetiva verificação do pedido de compensação da recorrente”. 6. Esses créditos todavia não teriam sido compensados no momento do lançamento de ofício e “não poderiam ter sido acrescidos ao auto de infração”. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13888.720909/201314 Acórdão n.º 1201001.197 S1C2T1 Fl. 4 3 Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário onde reproduz, em síntese, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento (fl. 2481 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. O recurso voluntário, na linha dos argumentos expostos na impugnação ao lançamento é, no mínimo, simplório. A alegação segundo a qual os ilícitos tributários sob exame são fruto da má orientação do procurador da empresa (culpa in eligendo), além de não provada, também não tem o condão de afastar o lançamento, haja vista que, como bem pontuado pela DRJ de origem, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da vontade do agente (art. 136 do CTN). Ademais, provado está o evidente intuito de fraude uma vez que a empresa informou ao Fisco, por meio das DASN, receitas em montante muito inferior às escrituradas no livro Registro de Saídas. Por fim, não socorre à recorrente o argumento de que teria créditos a compensar, o que deveria ter sido observado pela autoridade lançadora. Primeiro porque a interessada não informa quais são esses supostos créditos. Segundo porque, via de regra, cabe ao sujeito passivo promover a compensação de tributos, o que se faz por meio da transmissão da declaração competente, nos termos do disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907115/2011-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 14/09/2001
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 14/09/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2334; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 92 1 91 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.907115/201141 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.176 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria COFINS PER/RESTITUIÇÃO Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 14/09/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 71 15 /2 01 1- 41 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 91), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.499, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 26049.36979.300605.1.2.049052, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472423). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 452,27, referente ao pagamento efetuado em 14/09/2001, de Cofins, código de receita 2172, no valor total de R$ 65.594,79. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de Cofins, 2172, do Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907115/201141 Acórdão n.º 3802004.176 S3TE02 Fl. 93 3 período de apuração de 31/08/2001, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/09/2001 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 91), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907115/201141 Acórdão n.º 3802004.176 S3TE02 Fl. 94 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907115/201141 Acórdão n.º 3802004.176 S3TE02 Fl. 95 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Conclusão Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 19515.003229/2003-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ARTIGO 17 DO PAF.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL.
A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º).
O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp 1134665 SP).
APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35
O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ARTIGO 17 DO PAF. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp 1134665 SP). APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35 O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Recurso Voluntário Negado.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ARTIGO 17 DO PAF. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp 1134665 SP). APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 29 /2 00 3- 85 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003229/200385 Acórdão n.º 2202003.059 S2C2T2 Fl. 174 2 O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor da Contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 1999, ano calendário de 1998, onde lhe foram exigidos R$ 7.351,04 a título de imposto, acrescido de multa de ofício proporcional, no percentual de 75%, e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003229/200385 Acórdão n.º 2202003.059 S2C2T2 Fl. 175 3 No Termo de Verificação Fiscal, anexo ao Auto de Infração, descreve a Autoridade Fiscal responsável pelo feito que após regular procedimento fiscal instaurado, apurou três infrações: 1 a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem dos recursos a contribuinte, regularmente intimada, não comprovara com documentação hábil e idônea, citando a base legal empregada. O lançamento referese a um único depósito, no valor de R$ 24.800,00, ocorrido no dia 20/08/1998; 2 glosa de dedução com despesas médicas declaradas, no valor de R$ 131,02, uma vez que a Contribuinte apresentara recibos que divergiam, nesta quantia, do valor aposto em sua DIRPF; 3 Omissão de rendimentos de aluguéis, no valor de R$ 1.800,00, uma vez que as informações constantes nos sistemas da RFB divergiam, nesta quantia, dos valores declarados pela Contribuinte. Inconformada com o lançamento tributário, apresentou Impugnação, conforme fl. 98 e seguintes. Sua manifestação foi tratada pela DRJ em Brasília/DF. Expôs o Julgador a quo, em síntese, que a Impugnação fora parcial, referindose apenas à questão do depósito bancário sem origem comprovada e que: a) Preliminarmente, não se verificava a decadência do direito de constituir o crédito tributário pelo Fisco, no caso, tratando da matéria em pormenores; b) O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e alterações, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Esclareceu que face à ausência de documentos hábeis e idôneos a suportarem as alegações sobre a origem dos recursos, o procedimento fiscal deveria ser mantido; c) Tratou ainda da aplicação da multa de ofício e da correção do crédito tributário pela Taxa Selic, reputandoos corretos. Assim, deuse a decisão de 1ª instância, para rejeitar a preliminar de decadência e considerar procedente o lançamento. Cientificada em 15/09/2008, conforme Aviso de Recebimento na folha 162, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/10/2008, postado no Correio, conforme envelope na folha 165. Em sede de recurso, assim, em suma, repisa os argumentos da Impugnação, para manifestar sua inconformidade: a) preliminarmente, alega decadência do direito de lançar, pelo Fisco, uma vez que "ficou constatado o decurso do prazo de 05 (cinco anos) entre a data do fato gerador e a data do lançamento, no caso em tela..."; Fl. 175DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003229/200385 Acórdão n.º 2202003.059 S2C2T2 Fl. 176 4 b) no mérito, referindose apenas à omissão de rendimentos caracterizada pelo depósito bancário já descrito, diz que é pessoa de idade bastante avançada, que recebia freqüentemente dinheiro em espécie dos filhos, para pagamento de despesas, que foi sendo juntado em casa e guardado em cofre. Após "anos dessa prática", resolveu efetuar o depósito da quantia reunida, que enfim redundou na apuração e autuação fiscal. Descreve situações e hipóteses para considerar injusta a autuação, "não caracterizando nenhuma omissão de rendimentos". c) Ademais, "a alegação de que houve poupança doméstica, encontra respaldo no próprio padrão de vida da recorrente, o que foi facilmente comprovado pela própria recorrida, na análise de suas declarações de rendas, cujo patrimônio ali estão comprovado, dando respaldo para juntar suas economias no interior de sua residência". d) diz ainda que "os tributos ali exigíveis, quando os mesmos deu origem, não enquadrando o lançamento da multa de 75% sobre o tributo no valor de R$ 24.800,00, cujo espécie estavam originariamente guardada na residência da Recorrente como escape no pagamento dos vários compromissos dos quais eram obrigados a efetuar em dinheiro vivo,..." PEDE o provimento de seu recurso para julgar improcedente a autuação fiscal, com o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, uma vez que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético. (formato .pdf) De fato, como já assentara a DRJ, tanto a impugnação quanto o recurso referemse expressamente apenas à infração relativa ao depósito bancário considerado como omissão de rendimentos, nada falando em relação às outras duas infrações relatadas, estando portanto tais matérias fora do litígio e das considerações a seguir, conforme artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). De início, como o lançamento objeto do presente processo versa sobre depósitos bancários de origem não comprovada, esclareço que a contribuinte, regularmente intimada, apresentou à fiscalização os extratos que serviram de base à apuração fiscal. Ademais, observando que algumas contas eram conjuntas, tratou de informar a Autoridade Fiscal, no Termo de Verificação (fl 89), que: Em atendimento, apresentaramnos os extratos bancários da contacorrente 0660126863 e das 4 contaspoupança no Banco ITAÚ. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003229/200385 Acórdão n.º 2202003.059 S2C2T2 Fl. 177 5 A contacorrente 0660.126863 é conjunta com o marido, falecido em 02/05/96 sendo que a partilha transitou em julgado em 06/10/97. Quanto à conta corrente 06600113929, conjunta com a filha e o falecido marido da referida contribuinte, foi objeto de Ação Fiscal na pessoa jurídica. Considerando que o depósito em questão foi efetuado em 08/1998 e a ação fiscal teve início em 10/2002, concluindose em 09/2003 (fl. 93), importante tratar que a matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105 de 2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. ... 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. ... 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). ... 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o Fl. 177DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003229/200385 Acórdão n.º 2202003.059 S2C2T2 Fl. 178 6 patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. ... 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(REsp 1134665 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Outrossim, esclareço que conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, as "decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. Sobre a matéria relativa à tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada há várias delas em vigor, que indicam entendimentos convergentes, em inúmeros julgamentos. A utilização de súmulas, que também são aplicadas pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. Diz a Súmula CARF nº 35: O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. DECADÊNCIA Conforme tratado, o depósito bancário em questão ocorreu em 08/1998. Diz a Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, o "fato gerador" da apuração tributária em debate ocorreu em 31 de dezembro de 1998, e não em agosto de 1998, como pretende a Recorrente. Ocorrido o lançamento e cientificada a Contribuinte em 25/09/2003, não estava extinto o direito da Fazenda Pública, que estenderseia até 31/12/2003 (cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador), e superase essa questão. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003229/200385 Acórdão n.º 2202003.059 S2C2T2 Fl. 179 7 MÉRITO OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Quanto à possibilidade da autuação com base apenas nos depósitos bancários, sem que o Fisco demonstre a existência de renda, no conceito dado pelo artigo 43 do CTN, diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(grifei/sublinhei) § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será Fl. 179DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003229/200385 Acórdão n.º 2202003.059 S2C2T2 Fl. 180 8 imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Ainda tocante a essa matéria, relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, a partir exclusivamente dos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Assim, os extratos bancários constantes dos autos (fls. 25) são suficientes para a comprovação dos depósitos bancários e sobre estes é correta a aplicação da presunção de omissão de rendimentos, quando o contribuinte, regularmente intimado, não demonstra, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. A contribuinte diz que recebia pequenas quantias de seus filhos que guardava em casa, em moeda, e em determinada ocasião resolveu depositar o montante no banco, fazendo uma aplicação do dinheiro. E também questiona a existência de obrigação para guardar recibos de dinheiro/depósitos ou cópias dos avisos referentes a suas contas correntes. Vejamos em destaque a parte do caput do artigo 42: "... regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Ora, se não fosse obrigada a manter qualquer documentação que desse suporte à sua movimentação bancária, que sentido teria essa parte sublinhada do dispositivo legal? Ante a ausência de documentação e a constatação do depósito, em face do que estabelece a lei, não é possível ilidir o lançamento fiscal, conforme já apontado pelo Julgador de 1ª instância. MULTA DE OFÍCIO. Neste aspecto, importante frisar que a falta de recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44. Não é necessária, no caso, a demonstração de dolo, mas apenas a constatação objetiva da infração à legislação. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003229/200385 Acórdão n.º 2202003.059 S2C2T2 Fl. 181 9 Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada na lei. Novamente, importante lembrar uma Súmula do CARF, a de nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, VOTO rejeitar as preliminares tratadas e por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.017677/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
Não se verificando fato impeditivo para a fluência do prazo legal, correta a decisão que declarou a intempestividade da impugnação apresentada de forma extemporânea.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1401-001.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Intempestividade. Recorrente ADESI INDUSTRIA E COMERCIO DE ADESIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Não se verificando fato impeditivo para a fluência do prazo legal, correta a decisão que declarou a intempestividade da impugnação apresentada de forma extemporânea. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 76 77 /2 00 8- 18 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.017677/200818 Acórdão n.º 1401001.472 S1C4T1 Fl. 187 2 Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração do processo em papel que foi digitalizado para o sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por ADESI INDUSTRIA E COMERCIO DE ADESIVOS LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Curitiba que concluiu por não conhecer da impugnação em razão da sua intempestividade. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/Curitiba, referentes ao IRPJ e à CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2004 a 2006, totalizaram o valor de R$ 3.714.672,61. Tal autuação foi fundamentada pela não adição do lucro inflacionário realizado na apuração do lucro real, pela insuficiência dos tributos pagos ou declarados em DCTF quando confrontado com os valores declarados na DIPJ e pela imposição de multas isoladas sobre o não recolhimento de estimativas. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: A “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) LegaI(is)”, fls. 68/70, descreve a apuração das irregularidades sobre o IRPJ e fornece a fundamentação da autuação, também complementada nos campos e planilhas auxiliares constantes do auto. Desses elementos, extraise a seguinte síntese dos fundamentos da autuação. 2.1. Adições não computadas na apuração do lucro real lucro inflacionário realizado realização mínima: o contribuinte com saldo de lucro inflacionário acumulado, em 31/12/95, no montante de R$ 241.848,40, não adicionou ao lucro líquido dos anoscalendário 2004 e 2005, para a determinação do lucro real, o lucro inflacionário realizado, no montante de R$ 24.184,84, conforme Demonstrativo de Lucro lnflacionário, fls. 57/60, infringindo o art. 449 do RIR (Decreto n° 3000/99). 2.2. Falta de recolhimento/declaração do IRPJ: apurada pelo confronto entre a DIPJ e a DCTF e/ou valores pagos, resultando nas seguintes diferenças 12/2004, R$ 698,86; 12/2006, R$ 1.434.717,99. 2.3. Multas isoladas: falta de pagamento de IRPJ sobre a base de cálculo estimada nos meses de março a dezembro de 2006, conforme fls. 69/70. 3. A “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, fls. 78/80, descreve a apuração das irregularidades sobre a CSLL e fornece a fundamentação da autuação, também complementada nos campos e planilhas auxiliares constantes do auto. Desses elementos, extraise a seguinte síntese dos fundamentos da autuação. 3.1. Falta de recolhimento/declaração da CSLL: apurada pelo confronto entre a DIPJ e a DCTF e/ou valores pagos, resultando nas seguintes diferenças 12/2006, R$ 402.197,73. 3.2. Multas isoladas: falta de pagamento de CSLL sobre a base de cálculo estimada nos meses dejaneiro a dezembro de 2006, conforme fl. 79. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.017677/200818 Acórdão n.º 1401001.472 S1C4T1 Fl. 188 3 4. O contribuinte foi cientificado da exação em 22/12/2008 e apresentou impugnação em 29/04/2009, em que expende os seguintes argumentos, em síntese. 5. Preliminar de cerceamento de defesa e nulidade processual da impossibilidade de acesso aos autos tempestividade da impugnação: ao ser intimada, o contribuinte recebeu apenas cópia do auto de infração, sem qualquer documentação que comprovasse as situações e fatos invocados pelo autuante, e sem que mencionasse o número do processo administrativo fiscal. Esse fato impossibilitou a autuada de obter, dentro do prazo recursal, vista dos autos. Em razão das enormes filas na DRF em Curitiba, a simples tentativa de obter o número do processo foi obstada em mais de trinta dias, o que levou o contribuinte a impugnar apenas em 29/04/2009. Diante dessas informações, é irregular a intimação, devendo ser decretada a nulidade do PAF. 6. Nulidade do processo administrativo inobservância do devido processo legal: houve falta de citação, intimação ou notificação válida, afrontando o art. 5°, LV, da Constituição Federal; e também o inciso LIV do mesmo artigo. 7. Da prescrição: Os períodos de apuração anteriores a janeiro de 2004 se encontram prescritos, em razão do lustro estabelecido pelo art. 174 do Código Tributário Nacional (CTN Lei n° 5172/66). 8. Da multa de 75% Confisco: nos casos dos autos, o tributo foi auto declarado pelo contribuinte, antes do início de qualquer procedimento administrativo, sujeitandose exclusivamente à multa de mora, que não é de 0,33% ao dia (sic), não excedendo a 20% sobre o valor do tributo. Tal entendimento ainda é benéfico ao erário, pois o contribuinte ainda se beneficia do art. 138 do CTN. 9. Requer diligências e perícias para a comprovação dos equívocos da DRF, pugnando para, caso deferido, seja intimada para a apresentação de quesitos e de assistente técnico. 10. Ausência de fato gerador do tributo: As divergências aconteceram por simples erro no preenchimento das declarações, não tendo havido, pela RFB,análise dos livros e/ou da contabilidade da empresa. Nulo o auto, pois não se baseia em fato concreto, mas apenas em ilação possivelmente decorrente de erro no preenchimento da declaração. 11. Ao final, requer. que seja julgado improcedente o auto de infração, a anulação do procedimento fiscal. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 1ª Turma da já mencionada DRJ/Curitiba proferiu o Acórdão nº 0626.667, de 19 de maio de 2010, por meio do qual decidiu por não conhecer da impugnação. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE FATOS OBSTATIVOS. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.017677/200818 Acórdão n.º 1401001.472 S1C4T1 Fl. 189 4 Tendo sido devidamente cientificado da autuação, é intempestiva a impugnação apresentada após o prazo legal de trinta dias, contados da ciência, sem que tenha o contribuinte demonstrado a ocorrência de qualquer fato obstativo de seu direito de defesa. Inconformada, a empresa autuada apresentou recurso voluntário no qual, em resumo, alega que deve ser declarada nula a decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, considerando que: (i) devese afastar o formalismo em homenagem à verdade material; e (ii) mesmo a intempestividade deve ser afastada porque a Administração deve rever os seus atos a pedido ou de ofício quando suscitados fatos ou circunstâncias relevantes (art. 65 da Lei nº 9.784/99). E, no mérito, inova ao argumentar que: (iii) não há condição jurídica para se afirmar que os valores apurados pela divergência de informações são efetivamente devidos; e (iv) não se pode cobrar concomitantemente a multa isolada por estimativas com a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Os artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72, o qual disciplina o Processo Administrativo Fiscal (PAF), dispõem que: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Como relatado, a empresa autuada tomou ciência dos autos de infração em 22/12/2008 (fls. 85). Contudo, interpôs sua impugnação somente em 29/04/2009 (fls. 91). Portanto, ultrapassou, em muito, o prazo de trinta dias estabelecido no comando legal. Já em sua peça impugnatória, a empresa tentou justificar sua demora, alegando cerceamento do direito de defesa e nulidade processual porque recebeu apenas cópia Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.017677/200818 Acórdão n.º 1401001.472 S1C4T1 Fl. 190 5 dos autos de infração, sem qualquer documentação que comprovasse as situações e fatos invocados pela fiscalização e sem que mencionasse o número do processo. Alegou também a existência de filas na DRF/Curitiba. A instância a quo, no entanto, esclareceu que essas alegações não socorrem ao contribuinte porque, se fosse o caso, a ausência de documentos podia constituir causa de pedir da própria impugnação. Além disso, a repartição sempre concede direito de vista a todos os elementos constantes dos autos, independentemente do fato de não constar o número do processo nos autos de infração. Ademais, a existência de filas, diferentemente de eventual ausência de funcionamento regular da repartição, não elide o prazo para a apresentação da impugnação. No recurso, a empresa trilha um rumo diferente e invoca argumentos distintos: verdade material e necessidade de a Administração rever seus atos quando houver fatos ou circunstâncias relevantes. Nada obstante, não se pode acatar esses argumentos. A superação do comando legal inscrito no artigo 15 do PAF exigiria afastar uma regra de caráter especial para a observância de princípio ou regra de caráter mais geral. No entanto, o legislador já sopesou os princípios envolvidos na formação das normas que regem o PAF e determinou seu prazo fatal para a instauração do processo. Assim, não se verificando fato impeditivo para a fluência do prazo legal, correta a decisão que declarou a intempestividade da impugnação apresentada de forma extemporânea. Portanto, na conformidade do artigo 14 do PAF, entendo que não se instaurou o processo. Destarte, apesar de o recurso dever ser conhecido porque contesta a intempestividade declarada na primeira instância, inexiste razão para o seu provimento. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10183.720278/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. INCENTIVO FISCAL. APROVAÇÃO PELO MINISTÉRIO DO TRABALHO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA.
A utilização do incentivo fiscal relativo ao PAT tem como condição a prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho, o que se comprova mediante a apresentação de documento hábil definido em Portaria conjunta dos Ministros de Estado do Trabalho, da Saúde e da Fazenda.
Numero da decisão: 1301-001.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007 PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. INCENTIVO FISCAL. APROVAÇÃO PELO MINISTÉRIO DO TRABALHO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. A utilização do incentivo fiscal relativo ao PAT tem como condição a prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho, o que se comprova mediante a apresentação de documento hábil definido em Portaria conjunta dos Ministros de Estado do Trabalho, da Saúde e da Fazenda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 284 1 283 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.720278/200734 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.942 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2016 Matéria Compensação Recorrente TODIMO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. INCENTIVO FISCAL. APROVAÇÃO PELO MINISTÉRIO DO TRABALHO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. A utilização do incentivo fiscal relativo ao PAT tem como condição a prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho, o que se comprova mediante a apresentação de documento hábil definido em Portaria conjunta dos Ministros de Estado do Trabalho, da Saúde e da Fazenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 02 78 /2 00 7- 34 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.720278/200734 Acórdão n.º 1301001.942 S1C3T1 Fl. 285 2 Relatório TODIMO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância descreve o ocorrido de modo sucinto e objetivo, pelo que peço vênia para transcrevêlo, a seguir. Esclareço, por relevante, que toda a análise do direito creditório pretendido diz respeito ao anocalendário 2006. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra decisão da DRF Cuiabá que homologou parcialmente a compensação formalizada na declaração nº 14052.94688.0900707.1.3.023071 e não homologou a compensação formalizada na declaração nº 27191.69620.090807.1.3.029651, em face da glosa da dedução relativa ao Programa de Alimentação do Trabalhador e à doação ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente. Entendeu a autoridade a quo que a requerente, no ano de 2006, não fazia jus ao benefício previsto na Lei nº 6.321/1976, porquanto deixara de fazer o recadastramento no Programa de Alimentação do Trabalho, previsto na Portaria nº 66, de 19 de dezembro de 2003, da Secretaria de Inspeção do Trabalho – SIT. Quanto à glosa da doação, o problema consistiu no fato de que a entrega dos valores foi feita diretamente à entidade filantrópica, quando o requisito legal para a dedutibilidade é que a quantia fosse entregue a um dos fundos, mantidos pelos entes da Federação, em favor dos Direitos da Criança e do Adolescente. Inconformada, a requerente contestou a legalidade da Portaria SIT nº 66, que previa, na ausência de recadastramento, a exclusão automática do programa, sem qualquer intimação. Alegou que não foi notificada da exclusão e que continuou a realizar os pagamentos respectivos das verbas tributárias relativas ao PAT (sic), permaneceu escriturando os valores em seus livros fiscais e comportandose como se jamais houvesse sido excluída do programa. Disse que fora incluída no PAT em 2000, não se recadastrou em 2003, mas fez o recadastramento em 2008, nos moldes da Portaria SIT nº 34, de 7 de dezembro de 2007. Entretanto, ao longo de todo o período, conduziuse como se estivesse no programa, não tendo sido comunicada de qualquer exclusão. Além disso, o recadastramento feito em 2008 evidencia que não houve exclusão, pois nesse caso não caberia recadastramento, mas sim nova inscrição. Invocou o princípio da verdade material que deve ser perseguida pelo órgão julgador; e o da primazia da realidade, pelo qual os fatos devem prevalecer sobre aspectos formais. Sustentou a ilegalidade da exigência do cumprimento de obrigação acessória respaldada em portaria. Afirmou, por último, que não se pode aplicar penalidade sem a regular intimação ao administrado, sob pena de violaremse os princípios do contraditório e da ampla defesa. Com esses fundamentos, pugnou pela insubsistência da glosa de R$ 16.017,77, relativa ao PAT. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.720278/200734 Acórdão n.º 1301001.942 S1C3T1 Fl. 286 3 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0418.487, de 28/08/2009 (fls. 201/206), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. INCENTIVO FISCAL. APROVAÇÃO PELO MINISTÉRIO DO TRABALHO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. A utilização do incentivo fiscal relativo ao PAT tem como condição a prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho, o que se comprova mediante a apresentação de documento hábil definido em Portaria conjunta dos Ministros de Estado do Trabalho, da Saúde e da Fazenda. Ciente da decisão de primeira instância em 02/12/2009, conforme documento de fl. 211, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 18/12/2009 (registro de recepção à fl. 213, razões de recurso às fls. 214/235). A interessada repisa, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, enfatizando os aspectos atinentes ao princípio da verdade material (nunca teria sido de fato excluída do PAT) e o princípio da legalidade tributária (as deduções do PAT seriam garantidas por lei, não podendo obrigações acessórias instituídas por mera Portaria afastar o direito a esse benefício). É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. De se observar que a recorrente não traz, em substância, qualquer argumento contrário à decisão recorrida, em si. As razões de recurso são as mesmas anteriormente veiculadas, pelo que considero conveniente transcrever o modo como foram abordadas em primeira instância. [...] A impugnação, na verdade, cingiuse à glosa da dedução referente ao PAT, motivada pela falta de recadastramento, fato que a requerente não contestou. Ao contrário, admitiu expressamente não ter realizado o recadastramento previsto na Portaria SIT nº 66, insistindo, todavia, em dizer que permaneceu no programa e que fazia jus ao respectivo benefício fiscal. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.720278/200734 Acórdão n.º 1301001.942 S1C3T1 Fl. 287 4 Convém, desde já, deixar assentado que se a este órgão de julgamento não se permite examinar a legalidade de atos normativos expedidos pela própria Receita Federal do Brasil, tampouco se há de permitir que se examine a legalidade de atos emanados de outros órgãos do Poder Executivo. Portanto, as investidas da impugnante contra as normas da Portaria SIT nº 66 não serão objeto de análise. O benefício fiscal de dedução do Imposto de Renda está previsto na Lei nº 6.321/1976, cujo art. 1º assim dispõe: Art 1º As pessoas jurídicas poderão deduzir, do lucro tributável para fins do imposto sobre a renda o dobro das despesas comprovadamente realizadas no período base, em programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho na forma em que dispuser o Regulamento desta Lei. Consoante o dispositivo legal, o gozo do benefício depende de aprovação pelo Ministério do Trabalho do programa de alimentação do trabalhador, daí porque se tornam indispensáveis a inscrição e o recadastramento periódico junto àquele Ministério, a quem compete verificar se a empresa atende aos requisitos mínimos e indispensáveis para a efetividade do programa de alimentação do trabalhador. Essa é a razão pela qual se mostra indispensável que um dos órgão do Ministério do Trabalho ateste se a empresa estava ou não inscrita no programa. Se a requerente exibisse uma certidão expedida pela Secretaria de Inspeção do Trabalho – SIT, atestando que, apesar da falta de recadastramento, a requerente se encontrava inserida no programa, mercê da manifestação inequívoca de vontade exteriorizada por seu comportamento ao longo de todo o período, a Receita Federal certamente acataria a certidão, reconhecendo o benefício fiscal. Mas o que não se admite é que este órgão de julgamento, ignorando a competência do Ministério do Trabalho e à revelia da SIT, considere a requerente incluída no PAT. É importante chamar a atenção para o fato de que o recadastramento longe está de ser uma exigência puramente formal, destituída de importância. Ele vale como manifestação de vontade no sentido de permanecer no programa, arcando com todas as obrigações dele decorrentes. A falta de recadastramento, portanto, deve ser interpretada em sentido inverso, ou seja, como manifestação de vontade de não mais continuar no programa, daí porque não se exige nem intimação, nem notificação. É fácil perceber que a exclusão, ao contrário do que supõe a impugnante, não se caracteriza como penalidade, mas sim como resultado do mero exercício de um direito potestativo. Por outro lado, não socorre a recorrente o princípio da verdade material. A contribuinte respalda sua pretensão no fato de que, apesar da omissão quanto ao recadastramento, ela teria continuado a se comportar como se no programa estivesse. Pois bem, a pergunta que se impõe diante dessas alegações é seguinte: a que comportamento a requerente se refere? Seria a contabilização em separado de gastos e despesas? Se esse é o comportamento, há um equívoco de avaliação. A escrituração contábil é claramente um elemento formal. Pretender vincular a escrita contábil ao princípio da primazia da realidade é demonstrar desconhecer o conteúdo desse princípio e o próprio objetivo que motivou a criação do PAT. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.720278/200734 Acórdão n.º 1301001.942 S1C3T1 Fl. 288 5 A finalidade visada pela Lei nº 6.321 não é reduzir o Imposto de Renda das empresas, mas assegurar alimentação de qualidade ao trabalhador de baixa renda (art. 2º). O incentivo fiscal, como o próprio nome indica, é apenas um estímulo ao empresário para que ele proporcione o benefício a seus empregados. Este, portanto, é o verdadeiro aspecto concernente à verdade material. Eis a razão pela qual a falta de recadastramento não pode ser tomada como um simples e irrelevante detalhe. Ao deixar de se recadastrar, a requerente teve automaticamente o seu nome excluído de qualquer programa de fiscalização do Ministério do Trabalho relativo ao PAT. Durante todo esse período a impugnante se viu livre de qualquer possibilidade de sofrer fiscalização específica referente ao programa de alimentação do trabalhador, o que lhe proporcionava a possibilidade, sem qualquer risco de sanção, de suspender ou interromper o fornecimento da alimentação, restringila a alguns empregados, descuidar do teor nutritivo dos alimentos. Enfim, para todos os efeitos legais, não pesava sobre os ombros da requerente ônus ou obrigação relativamente à alimentação do empregado. Essa circunstância, por si só, é suficiente para recusar o benefício fiscal de redução do imposto. Por último, cabe lembrar que o Regulamento do Imposto é claro ao exigir a prévia aprovação do programa pelo Ministério do Trabalho: Art. 584. A dedução de que trata esta Seção somente se aplica às despesas com programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho (Lei nº 6.321, de 1976, art. 1º). Parágrafo único. Entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho a apresentação de documento hábil definido em Portaria dos Ministros de Estado do Trabalho, da Saúde e da Fazenda. Este dispositivo, como de resto todos aqueles que concedem incentivos fiscais, deve ser interpretado de forma restritiva. Conclusão. Pelo exposto e por tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de conhecer a manifestação de inconformidade e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo a decisão impugnada. Não faço reparos ao quanto decidido em primeira instância e, desde já, adoto seus fundamentos acima transcritos como razões de decidir, nos termos do § único do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. No que toca à verdade material, e à alegação da recorrente de que nunca teria sido de fato excluída do PAT, acrescento que não é o que sobressai dos autos e da análise da legislação. A exclusão é automática, a teor do art. 3º da Portaria SIT nº 66/2003, no caso de nãorecadastramento. Assim, a verdade material, ao contrário do que afirma a interessada, é de que, no anocalendário 2006, a interessada não estava cadastrada no programa. Ainda, à vista do teor do art. 1º da Lei nº 6.231/1976, tenho também por certa a competência dos Órgãos do Ministério do Trabalho para regulamentar o Programa de Fl. 288DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.720278/200734 Acórdão n.º 1301001.942 S1C3T1 Fl. 289 6 Alimentação do Trabalhador, de modo a permitir o controle e a fiscalização das empresas que a ele vierem a aderir. O benefício fiscal outorgado não é incondicional, subordinandose à comprovação não apenas de haver incorrido nas despesas, mas também de que tais despesas se incluíram no escopo de “programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho”. Também aqui, ao contrário do que pretende a interessada, é o princípio da legalidade que impõe a glosa. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 19647.010816/2005-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO POR DECURSO DE PRAZO. DIREITO DE CRÉDITO. REVISÃO. POSSIBILIDADE.
A homologação tácita prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação consolidada, alcança exclusivamente o débito compensado, extinguindo o crédito tributário respectivo, não alcançando, porém, o direito de crédito a ela vinculado, que pode ser revisto pela Administração Tributária, mesmo após o lapso qüinqüenal, quando o montante remanescente foi ou pode ser utilizado em procedimentos compensatórios ulteriores. Outrossim, o crédito vinculado à compensação homologada por decurso de prazo não se disponibiliza, por assim dizer, para futuro emprego em novas compensações e/ou ressarcimento/restituição em espécie.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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HOMOLOGAÇÃO POR DECURSO DE PRAZO. DIREITO DE CRÉDITO. REVISÃO. POSSIBILIDADE. A homologação tácita prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação consolidada, alcança exclusivamente o débito compensado, extinguindo o crédito tributário respectivo, não alcançando, porém, o direito de crédito a ela vinculado, que pode ser revisto pela Administração Tributária, mesmo após o lapso qüinqüenal, quando o montante remanescente foi ou pode ser utilizado em procedimentos compensatórios ulteriores. Outrossim, o crédito vinculado à compensação homologada por decurso de prazo não se disponibiliza, por assim dizer, para futuro emprego em novas compensações e/ou ressarcimento/restituição em espécie. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 08 16 /2 00 5- 97Fl. 599DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de pedido de ressarcimento de PIS/Pasep nãocumulativo, combinado com a apresentação de declarações de compensação, cujo direito creditório foi parcialmente reconhecido e as compensações homologadas até este limite, havendo a certificação de homologação tácita das declarações mencionadas no despacho decisório. O contribuinte, sem questionar diretamente as glosas realizadas, sustentou a incompatibilidade dos fundamentos lançados, a saber, o reconhecimento da homologação tácita e a glosa parcial do crédito, defendendo que o decurso de prazo impediria a Administração Tributária de se manifestar sobre os créditos utilizados nesta compensação, daí porque sua redução seria indevida. A DRJ Fortaleza/CE julgou a manifestação de inconformidade improcedente, ao argumento que as declarações de compensação, mesmo homologadas por decurso de prazo, reduzem o respectivo crédito a ela vinculado. Em recurso voluntário o contribuinte insistiu na preclusão do direito à revisão dos créditos alocados nas compensações homologadas tacitamente. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. A homologação tácita prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, com as modificações introduzidas pela legislação superveniente, como fator extintivo do crédito tributário, recai exclusivamente sobre o débito compensado, não se estendendo ao direito de crédito imbricado no encontro de contas, verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações Fl. 600DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.010816/200597 Acórdão n.º 3401003.013 S3C4T1 Fl. 11 3 relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” (destacado) Como se extrai do preceptivo, o crédito requerido e/ou indicado na declaração, de per se, não se homologa pelo decurso de prazo, por ausência de previsão legal, ainda que se reconheça que o instituto da compensação, por implicação lógica, pressuponha a existência de crédito em montante, pelo menos, igual ao débito. A meu sentir, a mens legis indica que a homologação em epígrafe impede a exigência do crédito tributário extinto nesta condição, sem, contudo, restringir o poder/dever da Administração Tributária de examinar a procedência do direito de crédito envolvido, principalmente quando o valor remanescente puder ser utilizado em compensações posteriores, como no caso vertente. É certo que se o crédito foi integralmente absorvido pelo débito compensado, faltaria à Fazenda Nacional interesse de agir no desiderato de aferir a higidez do direito creditório do contribuinte, haja vista que, mesmo improcedente, faltaria possibilidade jurídica de exigir o crédito tributário correspondente. Entretanto, o interesse de agir está plenamente justificado se o direito de crédito supera o débito compensado. Neste diapasão, a homologação da compensação tem como efeito principal a extinção do crédito tributário respectivo, não, porém, o condão de validar o crédito utilizado, mormente quando este montante é empregado em diversas compensações, sendo que apenas uma parcela foi alcançada pelo lapso extintivo estatuído no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, como no caso. Demais disso, como bem salientado pela decisão recorrida, o crédito atrelado à declaração de compensação homologada tacitamente, pela tãosó ocorrência desta circunstância, não se libera para posterior utilização, seja em nova compensação ou ressarcimento/restituição em espécie. Em face do acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 601DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10860.000048/2002-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997
COFINS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EM AÇÃO JUDICIAL.
A ação judicial em questão transitou em julgado, mantendo a decisão favorável ao contribuinte que autorizava a compensação de eventuais créditos de FINSOCIAL, recolhidos na alíquota superior a 0,5%, com valores devidos a título de COFINS.
CRÉDITO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA.
A diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte comprovou que há crédito suficiente para a quitação da Cofins no período de apuração de outubro de 1997.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997 COFINS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EM AÇÃO JUDICIAL. A ação judicial em questão transitou em julgado, mantendo a decisão favorável ao contribuinte que autorizava a compensação de eventuais créditos de FINSOCIAL, recolhidos na alíquota superior a 0,5%, com valores devidos a título de COFINS. CRÉDITO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA. A diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte comprovou que há crédito suficiente para a quitação da Cofins no período de apuração de outubro de 1997. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EM AÇÃO JUDICIAL. A ação judicial em questão transitou em julgado, mantendo a decisão favorável ao contribuinte que autorizava a compensação de eventuais créditos de FINSOCIAL, recolhidos na alíquota superior a 0,5%, com valores devidos a título de COFINS. CRÉDITO COMPROVADO EM DILIGÊNCIA. A diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte comprovou que há crédito suficiente para a quitação da Cofins no período de apuração de outubro de 1997. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 00 48 /2 00 2- 11 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10860.000048/200211 Acórdão n.º 3301002.680 S3C3T1 Fl. 127 2 Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico decorrente do processamento da DCTF ano calendário 1997, quarto trimestre, exigindo crédito tributário de R$ 114.112,57, correspondente à Cofins PA10/1997, não recolhida. Impugnanda tempestivamente a exigência, argumenta a contribuinte que o débito originário de R$ 44.657,21 foi compensado com saldo de crédito correspondente ao que excedeu à alíquota de 0,5% do Finsocial. Junta documentos de fls.09/26. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP indeferiu a manifestação de inconformidade em Acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 Ementa: Indeferido o pedido de compensação pela autoridade administrativa competente e não interposta manifestação de inconformidade, cabível a exigência de ofício dos valores indevidamente compensados. No seu Recurso Voluntário, a contribuinte repete os argumentos da manifestação de inconformidade apresentados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP. No julgamento do recurso voluntário, o Segundo Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência través da resolução nº 20100.519, alegando que as referidas compensações restaram autorizadas e convalidadas pelas IN SRF nºs 21 e 32, de 1997, razão pela qual entendeu que a decisão da insigne DRJ merece reparo. As compensações de créditos de Finsocial com a Cofins foram procedidas em razão de decisão judicial exarada pelo MM Juiz da 12ª Vara Federal de São José dos Campos SP nos autos do Processo nº 94.04035254, não obstante a regular comunicação desta ao Fisco através de DCTF. A diligência requereu o retorno dos autos à repartição de origem para que informe o resultado e andamento da referida ação judicial. Requereu também que se apure os créditos de Finsocial decorrentes do recolhimento em alíquota superior a 0,5%, informando ainda ao Segundo Conselho de Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10860.000048/200211 Acórdão n.º 3301002.680 S3C3T1 Fl. 128 3 Contribuintes se as compensações foram efetuadas dentro dos prazos de vencimento da Cofins, e se, mesmo após considerar a orientação insculpida nas IN SRF nºs 21 e 32, de 1997, remanescem créditos passíveis de lançamento de ofício. A Delegacia da Receita Federal em Taubaté SP realizou as diligências necessárias e prestou as informações discriminadas, dirimindo as dúvidas quanto ao montante do crédito de Finsocial objeto da compensação com a Cofins, bem como se remanesce crédito tributário passível de lançamento de ofício, mesmo depois de considerados os termos das IN SRF 21/97 e 32/97. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10860.000048/200211 Acórdão n.º 3301002.680 S3C3T1 Fl. 129 4 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. No retorno da diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal em Taubaté SP, constatouse que: 1) A ação judicial n° 94.04035254 transitou em julgado, após ter sido negado provimento à apelação e à remessa oficial, em 24/11/1997, mantendo a decisão favorável ao contribuinte que autorizava a compensação de eventuais créditos de FINSOCIAL, recolhidos na alíquota superior a 0,5%, com valores devidos a título de COFINS (fls. 97/104); 2) A apuração dos créditos de Finsocial decorrentes dos recolhimentos em alíquota superior a 0,5%, conforme despacho de fls. 109, foi realizada no Processo Administrativo Judicial (fls. 30/31) e ficou demonstrado que restou um saldo credor de 48.512,51 UFIR; 3) As compensações foram efetuadas em 07/11/1997, dentro do prazo de vencimento da Cofins, que se deu em 10/11/1997; 4) Considerando a orientação das IN SRF n° 21 e 32, de 1997, não remanescem créditos passíveis de lançamento de oficio, já que utilizandose da sobra no sistema SICALC, a qual foi convertida para reais pelo valor da UFIR de 01/01/1996 (48.512,51 X 0,8287 = R$ 40.202,31), podese verificar, dos relatórios de fls. 105/108, que ela foi suficiente para quitar integralmente o débito de COFINS do Período de apuração de 10/1997, no valor originário de R$ 44.657,21. Assim, considerando o trânsito em julgado da ação judicial do contribuinte, mantendo a decisão favorável que autorizava a compensação de eventuais créditos de FINSOCIAL, recolhidos na alíquota superior a 0,5%, com valores devidos a título de COFINS e considerando que a diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte comprovou que há crédito suficiente para a quitação da Cofins no período de apuração de outubro de 1997, não remanescendo créditos passíveis de lançamento de ofício, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10860.000048/200211 Acórdão n.º 3301002.680 S3C3T1 Fl. 130 5 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 13739.001041/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2003
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA.
Descabe a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual quando o contribuinte colige aos autos elementos que demonstram que o mesmo não participou do quadro societário de empresa e esta era a única hipótese que o obrigava a apresentar a declaração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2201-002.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. Descabe a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual quando o contribuinte colige aos autos elementos que demonstram que o mesmo não participou do quadro societário de empresa e esta era a única hipótese que o obrigava a apresentar a declaração. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
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Descabe a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual quando o contribuinte colige aos autos elementos que demonstram que o mesmo não participou do quadro societário de empresa e esta era a única hipótese que o obrigava a apresentar a declaração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 9. 00 10 41 /2 00 3- 91 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13739.001041/200391 Acórdão n.º 2201002.893 S2C2T1 Fl. 91 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda da pessoa física referente ao ano calendário de 2002, por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 165,74. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/4 deste processo digital, que foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 71/74, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE. Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2003 a pessoa física residente no Brasil que participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa no anocalendário de 2002. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Ajuste Anual após o término do prazo determinado na legislação tributária sujeita o contribuinte à multa. Cientificado da decisão de primeira instância em 07/03/2012 (fl. 76), o Interessado apresentou, em 28/03/2012, o recurso de fl. 78/79, acompanhado dos documentos de fls. 80/86. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Não possui nenhum tipo de ligação com a empresa Suhey Lanches Ltda. Referida empresa se utilizou de seus dados pessoais para inscrevêlo no quadro societário. Possivelmente este inconveniente foi desencadeado a partir de um assalto por ele sofrido há dezessete anos. Está processando a empresa Suhey Lanches Ltda e seus representantes legais pelo uso indevido de seu nome nos quadros societários da empresa. O processo encontrase em fase de diligência pericial para, através de exames grafotécnicos, esclarecer que o Interessado não tem e nunca teve nenhuma participação em tal sociedade. Ao final, pleiteia o sobrestamento deste processo administrativo até o deslinde da mencionada ação judicial. É o essencial relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13739.001041/200391 Acórdão n.º 2201002.893 S2C2T1 Fl. 92 3 Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. A presente Notificação de Lançamento foi lavrada em virtude de o CPF do Recorrente figurar como representante legal da empresa Suhey Lanches Ltda. nos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB desde o anocalendário de 1996. Por força de diligência levada a cabo pela Autoridade fiscal uma das ex sócias da empresa declarou que vendeu suas quotas ao Interessado no ano de 1996 (fl. 51). A Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJA, de sua vez, apresentou ao Fisco alteração contratual da empresa onde as exsócias cedem suas quotas ao Recorrente, para admissão como sócio da empresa (fl. 58). O Interessado alegou na impugnação e alega no recurso voluntário que jamais teve participação nos quadros societários da mencionada empresa. Bem por isso está processando a empresa e seus representantes legais (petição inicial da ação às fls. 80/84). O Recorrente informa que o processo encontrase em fase de diligência pericial para, através de exames grafotécnicos, esclarecer que ele não tem e nunca teve nenhuma participação em tal sociedade (petição para apresentação de quesitos à fl. 85). Em consulta ao Portal do TJRJ, Comarca de São Gonçalo (processo nº 001339657.2005.8.19.0004), verifiquei que realmente a ação foi ajuizada e que o processo foi distribuído em 30/03/2005, com remessa dos autos ao Ministério Público em 02/02/2015 e retorno ao juízo em 20/02/2015. O ajuizamento da ação judicial, cujo custo supera em muito o valor do crédito tributário discutido neste processo, confere, a meu ver, plausibilidade suficiente para acreditar que o Interessado nunca figurou como representante legal da empresa Suhey Lanches Ltda., de modo que não estava obrigado a apresentar a declaração de ajuste anual que originou a presente Notificação de Lançamento. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a multa por atraso na entrega da declaração no valor de R$ 165,74. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13739.001041/200391 Acórdão n.º 2201002.893 S2C2T1 Fl. 93 4 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10920.001583/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
O crédito presumido de IPI sobre a aquisição de insumos não tributados, do qual a empresa é beneficiária por força de tutela judicial, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitando-se à incidência não-cumulativa da contribuição.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62-A DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62-A do Anexo II do RICARF
Numero da decisão: 3302-002.962
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: Relator
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INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O crédito presumido de IPI sobre a aquisição de insumos não tributados, do qual a empresa é beneficiária por força de tutela judicial, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitandose à incidência não cumulativa da contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62A DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A do Anexo II do RICARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O crédito presumido de IPI sobre a aquisição de insumos não tributados, do qual a empresa é beneficiária por força de tutela judicial, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitandose à incidência não cumulativa da contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62A DO ANEXO II DO RICARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 15 83 /2 00 9- 12 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 3 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A do Anexo II do RICARF Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Autos de Infração lavrados para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep e Cofins, no período de 30/04/2004 a 31/12/2006. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese parte do relatório do voto proferido pelo colegiado a quo: “Segundo a descrição dos fatos dos autos de infração, que remete ao Termo de Verificação Fiscal integrante das peças acusatórias (fls. 238 e seguintes), os lançamentos decorrem de procedimento fiscal que constatou insuficiências de declaração/recolhimento de Cofins e contribuição para o PIS, apuradas com base no fato exposto em síntese. A contribuinte é beneficiária de decisão judicial definitiva que autorizou o aproveitamento de créditos presumidos de IPI sobre a aquisição de insumos sem incidência do tributo (isentos, NT e alíquota zero), cujos valores são contabilizados como exclusão Fl. 383DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 4 3 do custo de aquisição, para fins de apuração do IRPJ e CSLL, ou seja, o custo de aquisição se torna igual ao valor cheio da nota fiscal menos o crédito presumido. No entanto, na apuração das bases de cálculo de PIS/Cofins (incidência nãocumulativa), a empresa aproveita como crédito o valor cheio da nota fiscal, sem, todavia, incluir em contrapartida os valores dos ganhos provenientes dos créditos de IPI decorrentes da ação judicial em suas receitas sujeitas à incidência das contribuições em foco, procedimento que segundo a fiscalização configura infração ao disposto no art. 1º das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, o que motivou a feitura dos lançamentos de ofício. Cientificada pessoalmente das exigências em 28/04/2009, a contribuinte apresentou em 30/09/2013 a petição impugnativa acostada às fls. 251 e seguintes, atacando o entendimento do autor do procedimento com os argumentos a seguir sumariados. A impugnante inicia a petição discorrendo sobre o fato que deu origem à autuação, a ação judicial que lhe deferiu o direito de crédito de IPI presumido, a sistemática que adota para contabilizar a apropriação desse crédito, e, em seguida passa a defender a tese de que o crédito presumido de IPI não representa receita, como interpreta a fiscalização, mas um redutor de custo, haja vista que é lançado a débito da conta “IPI a Recolher”, seguindo o mesmo tratamento do crédito sobre as aquisições de produtos sobre os quais incide o tributo. Aduz que é lógico que se o contribuinte pagasse o IPI incidente sobre o produto vendido, sem beneficiarse do custo nas aquisições, o tributo perderia sua característica constitucional da nãocumulatividade, prevista no art. 153 da CF/88 e no art. 163 do RIPI. Cita, a esse respeito, trecho do decisum proferido na ação que lhe deu ganho de causa para o crédito presumido e de votos proferidos pelos Ministros Castro Meira e Francisco Falcão, do STJ, concluindo que o crédito em questão não representa uma receita nova, mas uma importância para corrigir o custo. Na mesma linha, reproduz a ementa dos Acórdãos prolatados pelo então 2º Conselho de Contribuintes no julgamento dos recursos 131.755 e 131.756. Acrescenta que, considerar o crédito presumido do IPI como receita, em vez de redutor de custo, seria a administração tributária estar modificando conceitos do direito privado, em flagrante desrespeito ao estatuído no art. 110 do CTN, cuja redação transcreve, citando, a respeito, fragmento de ementa de Acórdão proferido pelo STF, no julgamento de RE que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº. 9.718, de 1998. Finalizando, protesta contra o percentual da penalidade de 75%, que reputa confiscatório, apoiandose no art. 150, IV, da CF/88 e posicionamentos do Poder Judiciário, requerendo que, na Fl. 384DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 5 4 eventual hipótese de ser julgada procedente a exigência, esse percentual seja reduzido para 2%.” A Segunda Turma da DRJ em Brasília proferiu o acórdão nº 0358.933, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O crédito presumido de IPI sobre a aquisição de insumos não tributados, do qual a empresa é beneficiária por força de tutela judicial, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitandose à incidência nãocumulativa da contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Os órgão julgadores administrativos não detém competência para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. IMPUGNAÇÃO COMUM. Em se tratando de impugnação comum, aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS o decidido em relação ao lançamento da Cofins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas na impugnação, à exceção do caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, sendo tal matéria não contestada. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A lide se restringe à inclusão ou não dos créditos presumidos de IPI, apurados mediante provimento judicial definitivo obtido pela recorrente, no sentido de se creditar do IPI na entrada de matériasprimas, insumos e embalagens imunes, nãotributadas, isentas ou tributadas à alíquota zero, pela aplicação da alíquota do produto final aos insumos Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 6 5 isentos ou sujeitos à alíquota zero, apropriandose do resultado como crédito, ou pela exclusão desses insumos da base de cálculo do IPI, aplicandose a alíquota ao saldo. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 dispuseram no §3º do artigo 1º sobre as receitas que não integram a base de cálculo na incidência nãocumulativa, não havendo disposição legal específica que contemple a exclusão pleiteada. Assim, necessária a verificação da natureza dos créditos presumidos apurados, ou seja, se se enquadram no conceito de receita. Como mencionado pelo acórdão recorrido, a NBC T 19.30, norma brasileira de contabilidade aprovada pelo Conselho Federa de Contabilidade, dispõe que Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis assim define receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecêla. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Conceitualmente, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 ainda determinam que a incidência independe da denominação ou classificação contábil. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 7 6 Corroborando o entendimento, transcrevese trecho do voto do ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, proferido no Acórdão 3301002.395: Peço vênia para me socorrer também nos valiosos ensinamentos do eminente Conselheiro Sólon Sehn no artigo denominado “Crédito Presumido de IPI e a Base de Cálculo de PIS e Cofins” publicado no volume 2 do livro “PIS e cofins à luz da Jurisprudência do CARF, fls. 519/537, in verbis: (...) Não há qualquer impedimento à cobrança do tributo no regime não cumulativo, uma vez que a recuperação de custos integra a receita bruta da empresa. Afinal, se o conceito de receita compreende o acréscimo patrimonial líquido, não há motivos para afastar de seu âmbito de significação o incremento resultante do recebimento do crédito presumido do IPI. O patrimônio compreende não só os bens, mas os direitos de crédito e todas as demais relações jurídicas de conteúdo econômico titularizadas pelo sujeito de direitos. Por conseguinte, a receita pode ser auferida não apenas mediante recebimento de dinheiro, mas pela aquisição de qualquer direito susceptível de apreciação pecuniária. Por outro lado, embora a Lei nº 9.363/1996 faça referência a “ressarcimento”, devese ter presente que não se trata propriamente de uma indenização. A concessão do crédito constitui uma liberalidade, um ato unilateral do Poder Público, que não se confunde com as obrigações derivadas da responsabilidade extracontratual. Tampouco se trata de reembolso, porque este pressupõe a recomposição do patrimônio devida em razão de uma despesa realizada por conta e ordem de outrem. (...) Os créditos presumidos são benefícios fiscais concedidos unilateralmente pelo Poder Público, podendo apresentar natureza de subvenção de custeio (v.g. crédito presumido do IPI para ressarcimento de contribuições previsto na Lei nº 9.363/1996) ou de subvenção para investimentos (v.g. crédito presumido para incentivos da Lei nº 9.826/1999). No primeiro caso, as subvenções integram o resultado da pessoa jurídica e, nessa condição, têm natureza de receita bruta do sujeito passivo. Portanto, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, desde que se trate de contribuinte submetido ao regime não cumulativo... Constatase, pois, que o crédito presumido de que trata estes autos, assim como o crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, representa ganho econômico efetivo, pois reduz um passivo mediante um aumento no patrimônio líquido (crédito em resultado). Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 8 7 Neste sentido, citamse ementas de acórdãos deste conselho, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, mantendo a incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre o crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins,: Acórdão nº 9303002.825, proferido em 23/01/2014: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS NÃO CUMULATIVA. O crédito presumido do IPI constitui receita sujeita à incidência da COFINS nãocumulativa. Acórdão nº 3801002.205, proferido em 24/10/2013: [...] BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PIS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI E DE CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. As receitas decorrentes de ressarcimentos de créditos presumidos de IPI e do crédito prêmio do IPI compõem a base de cálculo da contribuição PIS no regime da não cumulatividade, tendo em vista que o faturamento mensal corresponde ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou de sua classificação contábil. Recurso Voluntário Negado Acórdão nº 3301002.395, proferido em 23/07/2014: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃO CUMULATIVO. Por força do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, o crédito presumido do IPI integra a base de cálculo do PIS. Tratase de um benefício fiscal com natureza de subvenção de custeio, integrando a receita bruta do contribuinte. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Não há como concluir que a receita decorrente do crédito presumido de IPI é decorrente de operação de exportação de mercadorias para o exterior. É um benefício fiscal instituído unilateralmente pelo Poder Público e decorre das operações internas com incidência de PIS e Cofins. Nos termos do art. 111 do CTN interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário. As próprias Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, ao disporem no §3º sobre as receitas que integram a base de cálculo, conferem natureza de receita às reversões de provisões e às recuperações de crédito baixados como perda, que foram expressamente excluídas da base, indicando a abrangência da definição de receita e a necessidade de a lei definir expressamente as exclusões. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 3302002.962 S3C3T2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 19/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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