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Numero do processo: 11330.001196/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1995 a 01/12/1996
CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CESSÃO DE MÃO DE OBRA. Responde solidariamente com o executor o contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, em relação aos serviços a ele prestados, pelas obrigações previdenciárias.
CUMPRIMENTO DECISÃO JUDICIAL. Em face de decisão judicial determinando a verificação dos recolhimentos realizados pela prestadora de serviços, foi constatado que houve recolhimento compatível com a RAIS na competência 07/1995, devendo ser excluída referida competência do crédito tributário, mantendo-se as demais.
TERCEIROS.O Parecer CJ/MPAS nº 1.710/99 estabelece que não existe responsabilidade solidária na cobrança de contribuições para Terceiros, perante nenhuma empresa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta
Luciana Matos Pereira Barbosa- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ATUAL DENOMINAÇÃO DE ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1995 a 01/12/1996 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. Responde solidariamente com o executor o contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, em relação aos serviços a ele prestados, pelas obrigações previdenciárias. CUMPRIMENTO DECISÃO JUDICIAL. Em face de decisão judicial determinando a verificação dos recolhimentos realizados pela prestadora de serviços, foi constatado que houve recolhimento compatível com a RAIS na competência 07/1995, devendo ser excluída referida competência do crédito tributário, mantendose as demais. TERCEIROS.O Parecer CJ/MPAS nº 1.710/99 estabelece que não existe responsabilidade solidária na cobrança de contribuições para Terceiros, perante nenhuma empresa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 11 96 /2 00 7- 19 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins – Presidente Substituta Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 11330.001196/200719 Acórdão n.º 2401004.069 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1996 Data de lavratura da NFLD: 25/02/1997. Data de ciência: 05/06/1997. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 11ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 que julgou parcialmente procedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário. Impende salientar que a execução do procedimento fiscal em comento, tem como escopo a responsabilidade solidária decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa GARANTIA SERVIÇOS EMP. LTDA, CNPJ Nº 00.100.762/2001 60, nas competências 04/1995 a 12/1996. O crédito engloba as contribuições previdenciárias relativas à parte patronal, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – SAT, Terceiros, além das contribuições dos segurados empregados. O presente processo administrativo fiscal inicialmente recebeu a numeração DEBCAD nº 32.593.6099, entretanto, em razão da extinção da Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social e consequente atribuição de competência e transferência dos autos administrativosfiscais para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, o feito em comento foi renumerado passando a consubstanciar o processo de nº 11330.001196/200719, nos termos do artigo 4º da Lei nº 11.457 de 16 de março de 2007. Inicialmente, para o crédito em referência, foi emitida DecisãoNotificação de Procedência do Lançamento de Débito (fls.117). Posteriormente, foi proferido Acórdão negando provimento ao recurso (fls. 150/156), ato contínuo o processo foi encaminhado à Procuradoria da Previdência Social para inscrição do débito; ocorre que, por força de liminar no Mandado de Segurança nº 98.00317171, concedida em 15/12/1998, o crédito teve sua exigibilidade suspensa, entretanto, no referido feito foi proferida sentença julgando extinto o processo sem julgamento do mérito. Não satisfeita, a empresa impetra novo Mandado de Segurança sob o nº 99.02.297366, o qual atribuiu efeito suspensivo ao recurso de apelação interposto no mandado de segurança originário, restabelecendo a liminar outrora concedida; nessa ocasião, ambos procedimentos encontravamse conclusos para sentença. Posteriormente, o e. CRPS informa que foi proferida sentença no Mandado de Segurança originário (nº 98.00317171) anulando os processos administrativos a partir das autuações, para que o INSS verificasse se efetivamente foram realizados os pagamentos pela prestadora de serviços (fls. 208). Fl. 505DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 4 Objetivando atender à r. decisão judicial, os autos foram baixados em diligência para verificar se houve o recolhimento das contribuições previdenciárias relativas as notas fiscais de serviço incluídas no presente lançamento fiscal, emitidas pela prestadora de serviços GARANTIA SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. Em retorno da diligência solicitada, verificouse que a prestadora de serviços GARANTIA SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. encontrase com a situação “baixada” em face de inaptidão (fls. 218); há ausência de recolhimentos no contacorrente da empresa para o período objeto da apuração (fls. 283); não consta do sistema CNAF informação de procedimento de fiscalização previdenciária (fls. 282); inexiste cadastro de parcelamento no sistema SICOB e há ausência de crédito constituído no sistema PGFN/DÍVIDA ATIVA (fls.284). Diante desse cenário, e em face da necessidade de análise conclusiva sobre a existência de recolhimentos na empresa prestadora de serviços os autos foram encaminhados à DEMAC/RJO/DIFIS (fls. 289/292) a qual informa que em consulta ao sistema PLENUS ÁGUIA, observou que houve recolhimentos de contribuições previdenciárias em GPS/GRPS nos meses de 04/1995 a 12/1996 (fls. 293); em consulta ao CNIS obtevese a massa salarial informada na RAIS e com essas informações foi elaborada planilha com quadro comparativo entre a RAIS e conta corrente, concluindo que: a) a empresa efetuou integralmente o recolhimento da contribuição previdenciária relativa aos empregados por ela informados em RAIS na competência 07/1995; b) a prestadora deixou de efetuar os recolhimentos integrais das contribuições previdenciárias devidas no período de 04/1995 a 06/1995 e 08/1995 a 12/1996. A empresa ESSO Brasileira de Petróleo Ltda, atualmente denominada COSAN LUBRIFICANTES E ESPECIALIDADES S/A, foi cientificada da Resolução e da Informação Fiscal, em 13/07/2012 (fls. 319/322), e apresenta manifestação às fls. 335/342. A prestadora de serviços foi cientificada através de edital (fls. 391), entretanto, não apresentou defesa. Assim, a 11ª Turma da DRJ/RJ1 julgou parcialmente procedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário, por intermédio do Acórdão nº 1256.418 de 27/05/2013, determinando a exclusão do crédito tributário a competência 07/1995, em face do recolhimento efetuado pela prestadora, mantendose as demais competências e ainda a exclusão do crédito referente a cobrança de contribuições para Terceiros, de acordo o com o Parecer CJ/MPAS nº 1.710/99, que opinou pela inexistência de responsabilidade solidária nesses casos. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 01/08/2013, conforme Aviso de Recebimento às fls. 416/417. A prestadora de serviços GARANTIA SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA., foi cientificada por edital (fls. 418) e não apresentou recurso. Nesse descortino, inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fls. 421/440, ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: Fl. 506DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 11330.001196/200719 Acórdão n.º 2401004.069 S2C4T1 Fl. 4 5 1 Reitera que todas as fases seguintes à autuação do presente processo foram anuladas pela decisão da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª região, ao julgar o Mandado de Segurança nº 1999.02.01.0527889; 2 Que deve ser integralmente observada a decisão da 5ª Turma do TRF que anulou todas as fases subseqüentes a autuações, cancelando as inscrições em dívida ativa e ainda determinou que autoridade fiscal verificasse junto as empresa contratadas se efetivamente não houve pagamento da contribuição previdenciária que gerou a autuação; 3 Que não há de se falar em responsabilidade solidária sem prova cabal do inadimplemento; 4 De qualquer forma, ao cumprir parte da decisão judicial a autoridade fiscal reconhece que durante todo o período de autuação houve recolhimento da cota previdenciária pela prestadora de serviços; 5 Se a requerente foi considerada responsável solidária e autuada pela ausência de recolhimento da cota previdenciária, verificase grave erro de vício na autuação da peticionante; 6 Confirmado as contribuições previdenciárias foram recolhidas pela prestadora de serviços, deve ser afastada a responsabilidade da requerente do débito indicado, bem como cancelada a NFLD em epígrafe; 7 Ainda que eventualmente o recolhimento realizado pela prestadora não tenha sido compatível com a massa salarial de todos os empregados da referida empresa no período de autuação, na atual fase processual, não há como afastar que o pagamento efetuado se referia especificamente à prestação de serviço à requerente, ainda mais considerando as guias GRPS apresentadas pela requerente no processo em meados de 1997; 8 A diferença apontada entre os valores recolhidos e o montante tido como devido com base no total da massa salarial, deve ser referente a outro contrato de prestação de serviços da empresa prestadora que não tem qualquer relação com a requerente; 9 Havendo eventual dúvida de que o recolhimento realizado referese à prestação de serviço feito à requerente, deve ser verificada in loco na prestadora; 10 Entende ser fundamental a fiscalização prévia da contabilidade da empresa prestadora; 11 Registra ainda que solidariedade prevista na lei somente poderia ocorrer quando houver cessão de mão de obra e desta resultar na subordinação jurídica com a tomadora dos serviços, nunca na hipótese de mera prestação de serviços; 12 – Destaca que a Certidão Negativa de Débito (CND) de fls. 83/85 comprova que em 23/12/96 a prestadora de serviços não tinha qualquer débito com a Previdência; 13 – Que a mera busca no sistema fazendário eletrônico não esgota e nem substituiu a necessidade de verificação direta na prestadora de serviços, real contribuinte; Fl. 507DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 6 14 – Reitera que devese verificar se eventual dívida existente não é objeto de cobrança do Fisco junto à própria prestadora de serviços, a fim de evitar cobrança em duplicidade; 15 – Ressalta que no presente caso é imperativo que se verifique se eventual dívida existente já não é objeto de cobrança do Fisco junto a própria prestadora de serviços, para que se evite a cobrança em duplicidade, o que seria flagrantemente ilegal; 16 – Reportase às manifestações protocoladas anteriormente, especialmente à defesa apresentada em 20/06/1997, e principalmente às guias GRPS juntadas (fls. 85/95), além da CND da prestadora (fls. 83/89); 17 – Por fim requer a reforma integral da decisão proferida pela 11ª Turma de Julgamento da DRJ, sendo cancelado totalmente o débito indicado; 18 – Alternativamente, caso não seja possível o cancelamento de plano da NFLD, requer que seja anulada a decisão proferida, sendo determinado que a Autoridade Fiscal proceda à aferição junto à prestadora de serviços, real contribuinte, sobre a efetivação do pagamento das cotas previdenciárias relacionadas às notas fiscais de prestação de serviço objeto ainda em cobrança no presente processo; 19 – Não sendo cancelado totalmente o débito e nem anulada a decisão da 11ª Turma de Julgamento da DRJ, requer que o presente recurso seja provido, a fim de que seja realizada a compensação dos valores já satisfeitos pela prestadora e indicados nas planilhas de fls., como também os valores comprovados pelas diversas guias GRPS juntadas ao processo pela Requerente em junho de 1997; 20 – Por último requer especial atenção de dirigir toda e qualquer comunicação de ato processual a COSAN Lubrificantes e Especialidades S/A (atual denominação da ESSO Brasileira de Petróleo Ltda), com sede à Rua Vitor Civita, n° 77, bloco 1, sala 301, Barra da Tijuca, Rio de janeiro/RJ, CEP:22.775040. Enfim, repete os argumentos expendidos na Instância Regional com algumas modificações, para ao final requer a reforma integral da decisão proferida pela 11ª Turma de Julgamento da DRJ, sendo cancelado totalmente o débito indicado o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida, objeto do Acórdão 1256.418, para fins de declaração da insubsistência da autuação com sua total improcedência; alternativamente, caso não seja possível o cancelamento de plano da NFLD, requer que seja anulada a decisão proferida, sendo determinado que a Autoridade Fiscal proceda à aferição junto à prestadora de serviços, real contribuinte, sobre a efetivação do pagamento das cotas previdenciárias relacionadas às notas fiscais de prestação de serviço objeto ainda em cobrança no presente processo; não sendo cancelado totalmente o débito e nem anulada a decisão da 11ª Turma de Julgamento da DRJ, requer que o presente recurso seja provido, a fim de que seja realizada a compensação dos valores já satisfeitos pela prestadora e indicados nas planilhas de fls., como também os valores comprovados pelas diversas guias GRPS juntadas ao processo pela Requerente em junho de 1997. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 508DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 11330.001196/200719 Acórdão n.º 2401004.069 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 01/08/2013, conforme AR juntado às fls. 416/417, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 30/08/2013, às fls. 421/440, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1 – DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Para melhor contextualizar o caso sub examine fazse necessário observar a natureza jurídica da Recorrente, tanto à época da atuação fiscal, como hoje – tratase de pessoa jurídica de direito privado. O crédito em debate foi apurado com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31, da Lei no 8.212/91, com redação vigente à época dos fatos geradores. É importante ressaltar que a responsabilidade solidária nasce com o fato gerador da obrigação tributária e independe de prévia constituição do crédito em face do devedor originário. Com a ocorrência do fato gerador, configurase a obrigação tributária e o credor fica autorizado a proceder ao lançamento das contribuições pertinentes, com a constituição do devido crédito. Este crédito pode ser constituído no nome de qualquer uma das pessoas expressamente designadas na Lei nº 8212/91, cabendo ao credor escolher de quem irá cobrar a satisfação da obrigação tributária, uma vez que o artigo 124, do Código Tributário Nacional, assim trata da solidariedade: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. A Responsabilidade solidária na cessão de mão de obra está prevista no artigo 31 da Lei nº 8212/91, bem como no Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social, aprovado pelos Decretos 612/92, e Decreto nº 2.173/97. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 8 Referidas normas legais estabelecem, dentre vários dispositivos, a responsabilidade solidária das contribuições previdenciárias e sua forma de elisão. Lei 8.212/91 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. (...) § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 28.4.95) § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mão de obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 28.4.95) A Ordem de Serviço INSS/DAF nº 83, de 13 de agosto de 1993 instituiu os procedimentos para apuração dos valores decorrentes de responsabilidade solidária, no caso de não ter sido comprovada a elisão da mesma perante a Fiscalização; o crédito ora em análise foi constituído em 01/01/1998. Referido ato é de cumprimento obrigatório pelo Auditor Fiscal, e não facultativo, face à norma insculpida no parágrafo único do artigo 142 do CTN; a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. In verbis: ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF Nº 83, DE 13 DE AGOSTO DE 1993 11. Não havendo comprovação do recolhimento, será imediatamente responsabilizada a empresa tomadora, com a consequente lavratura da NFLD, aplicando se, para a apuração da remuneração, os percentuais estabelecidos de acordo com a atividade desenvolvida pela empresa prestadora de serviço, constantes do subitem 7.2. (...) 7.2 A aferição indireta do salário de contribuição será procedida com base no valor bruto da nota fiscal de serviço/fatura, sobre o qual será aplicado o percentual mínimo correspondente à atividade da empresa, conforme o quadro seguinte: Pelas disposições acima, constatase que o crédito foi apurado nos termos dos atos vigentes à época do lançamento. Ocorre que, a decisão judicial já transitada em julgado, proferida nos autos da Apelação em Mandado de Segurança nº 1999.02.01.0527889 determinou a anulação dos processos administrativos a partir a partir das autuações, para que fosse apurado se efetivamente foram realizados os pagamentos pela prestadora de serviço. Nesse diapasão objetivando atender à determinação judicial, os autos foram encaminhados em diligência à origem, ocasião em que foi proferida Informação Fiscal Fl. 510DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 11330.001196/200719 Acórdão n.º 2401004.069 S2C4T1 Fl. 6 9 conclusiva a respeito do caso concreto, às fls. 289/292. Inicialmente, o Auditor Fiscal informou que a empresa prestadora de serviço não sofreu fiscalização previdenciária no período objeto do débito e que existiu recolhimento de contribuições previdenciárias nos meses 04/95 a 12/96. Todavia, o Auditor elabora planilha comparativa entre os valores devidos de contribuição social obtidos através da RAIS e os valores recolhidos de contribuição social constante do conta corrente da empresa prestadora de serviços, nos meses de 04/1995 a 12/1996, demonstrando que: “A empresa prestadora de serviço efetuou integralmente o recolhimento da contribuição previdenciária relativa aos empregados por ela informado em RAIS para o mês de 07/1995. A empresa prestadora de serviço deixou de efetuar integralmente o recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos empregados por ela informado em RAIS para os meses de 04/95 a 06/95 e 08/95 a 12/96. conforme se observa na tabela do item 11 da mesma Informação Fiscal, fls 291 do vol II/2. Concluise que, em relação ao período lançado na presente NFLD (04/1995 a 12/1996) a autoridade fiscal demonstrou com a planilha comparativa entre RAIS e Conta corrente, fls. 291, que na competência 07/1995 o recolhimento previdenciário da empresa GARANTIA SERVIÇOS EMP. LTDA está compatível com a massa salarial declarada na RAIS. Assim, determinouse a exclusão do crédito tributário da referida competência. Noutro giro, em face da discrepância entre os recolhimentos e a massa salarial declarada na RAIS, mantevese o valor lançado nas competências 04/95 a 06/95 e 08/95 a 12/96. Impendese salientar que não cabe pretender a prévia fiscalização de prestadores de serviço, em face a previsão constante na Resolução MPS/CRPS nº 1, de 31 de janeiro de 2007, DOU de 05/02/2007, que edita o Enunciado nº 30 do Conselho de Recursos da Previdência Social, a saber: “A CÂMARA SUPERIOR do Conselho de Recursos da Previdência Social, especializada em matéria de custeio, no uso da competência que lhe é atribuída pelo artigo 303, Parágrafo 1º, Inciso IV do Decreto nº 3048/99, na redação do Decreto nº 4729, de 09 de Junho de 2003, publicado no Dário Oficial da União de 10 de Junho de 2003, tendo em vista o disposto nos artigos 14 e 63 do Regimento Interno do CRPS – aprovado pela Portaria MPS nº 88, de 22 de janeiro de 2004 –, em reunião realizada no dia 31 de janeiro de 2007, resolve editar o seguinte enunciado: Enunciado nº 30 “Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” Desta feita, resta amplamente justificado o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal, bem como o acerto da decisão constante no Acórdão em debate, proferido pela instância a quo. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 10 Em relação à extinção da cobrança de contribuição para Terceiros, em créditos lançados com base na responsabilidade solidária, foi exarado em 07/04/1999 o Parecer MPAS/CJ nº 1.1710, cuja ementa assim dispõe: PARECER MPAS/CJ Nº 1.710 EMENTA DIREITO PREVIDENCIÁRIO E TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. 1. A Administração Pública não responde solidariamente pelas multas impostas às empresas prestadoras de serviços. 2. A solidariedade prevista no art. 31, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, referese às contribuições previdenciárias, não existindo responsabilidade solidária na cobrança de contribuições para terceiros para nenhuma empresa, inclusive no caso dos órgãos públicos. 3. Precedente Parecer INSS PG/CCAR nº 24/97.(sem grifo no original) Nessa esteira de entendimento, agiu com acerto a 11ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 ao excluir o crédito tributário na competência 07/95, devido ao recolhimento integral das contribuições previdenciárias e a totalidade da exclusão das contribuição levantadas para Terceiros, nas competências 04/95 a 06/95 e 08/95 a 12/96, devido ao Parecer MPAS/CJ nº 1.1710, tudo na forma da Tabela constante do Relatório Fiscal em retorno de diligência e no Acórdão Recorrido, a qual passa a fazer parte integrante do presente Voto. Portanto, após exclusão da competência 07/95 e das contribuições de Terceiros nas competências 04/95 a 06/95 e 08/95 a 12/96, retificase o valor originário do crédito tributário: De: R$ 7.043,10 Para: R$ 5.727,46 Por fim, é importante esclarecer que a emissão da CND de fls., 83/84 para a prestadora de serviços, foi possível tendo em vista que naquela ocasião não havia sido realizado procedimento fiscalizatório na empresa prestadora de serviços GARANTIA SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. já que não constava do sistema CNAF informação de procedimento de fiscalização previdenciária (fls. 282), logo, via de consequência, existia ausência de crédito constituído no sistema PGFN/DÍVIDA ATIVA (fls.284). Quando se observou as irregularidades nos recolhimentos realizados, como a prestadora encontravase com a situação “baixada” em face de inaptidão (fls. 218), não foi possível realizar o procedimento fiscal in loco( o que certamente inviabilizaria a emissão de CND), razão pela qual se adotou o procedimento de encaminhar os autos à DEMAC/RJO/DIFIS (fls. 289/292) e realizar consulta no sistema PLENUSÁGUIA, local onde foi possível observar que houve recolhimentos de contribuições previdenciárias em GPS/GRPS nos meses de 04/1995 a 12/1996 (fls. 293); bem como consultar o CNIS, onde se obteve a informação da massa salarial informada na RAIS e com essas informações foi elaborada planilha com quadro comparativo entre a RAIS e conta corrente, concluindo que: a) a empresa efetuou integralmente o recolhimento da contribuição previdenciária relativa aos empregados por ela informados em RAIS na competência 07/1995; b) a prestadora deixou de efetuar os recolhimentos integrais das contribuições previdenciárias devidas no período de 04/1995 a 06/1995 e 08/1995 a 12/1996. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 11330.001196/200719 Acórdão n.º 2401004.069 S2C4T1 Fl. 7 11 Urge ainda salientar que todas as guias GRPS juntadas às fls. 85/95 foram observadas para a constituição do crédito tributário ora em debate. Assim, absolutamente improcedentes os requerimentos quanto à reforma integral da decisão proferida pela 11ª Turma de Julgamento da DRJ, objetivando o cancelamento do débito indicado, bem como improcedente o pedido de acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida, objeto do Acórdão 1256.418, para fins de declaração da insubsistência da autuação com sua total improcedência. Nesse mesmo diapasão improcedem os pedidos alternativos para que seja anulada a decisão proferida, determinado que a Autoridade Fiscal proceda à aferição junto à prestadora de serviços, sobre a efetivação do pagamento das cotas previdenciárias relacionadas às notas fiscais de prestação de serviço objeto ainda em cobrança no presente processo, posto que já realizadas no momento da diligência; assim como improcedente o pedido de compensação dos valores já satisfeitos pela prestadora e indicados nas planilhas de fls., como também os valores comprovados pelas diversas guias GRPS juntadas ao processo pela Requerente em junho de 1997, posto que já realizados pela Autoridade Fiscal. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10168.001809/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1992 a 30/01/1998
AUTO DE INFRAÇÃO. RESCONSTITUIÇÃO DOS AUTOS. INCÊNDIO NAS DEPENDÊNCIAS DO INSS EM BRASÍLIA. AUSÊNCIA DE PEÇA ESSENCIAL AO LANÇAMENTO. NULIDADE. Tendo em vista que no procedimento de reconstituição dos autos, a Secretaria da Receita Federal não conseguiu localizar em seus sistemas ou arquivos, o relatório fiscal da infração, peça essencial ao lançamento, é de se determinar a anulação do crédito tributário, tendo em vista a impossibilidade do julgador manifestar-se conclusivamente sobre o mérito da autuação levada a efeito, bem como quanto aos argumentos de defesa da recorrente constantes em seu recurso voluntário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade do lançamento fiscal; II) por maior de votos, em declarar a natureza do vício como material. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, neste item, que encaminhava pelo vício de natureza formal
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado- Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RESCONSTITUIÇÃO DOS AUTOS. INCÊNDIO NAS DEPENDÊNCIAS DO INSS EM BRASÍLIA. AUSÊNCIA DE PEÇA ESSENCIAL AO LANÇAMENTO. NULIDADE. Tendo em vista que no procedimento de reconstituição dos autos, a Secretaria da Receita Federal não conseguiu localizar em seus sistemas ou arquivos, o relatório fiscal da infração, peça essencial ao lançamento, é de se determinar a anulação do crédito tributário, tendo em vista a impossibilidade do julgador manifestarse conclusivamente sobre o mérito da autuação levada a efeito, bem como quanto aos argumentos de defesa da recorrente constantes em seu recurso voluntário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 8. 00 18 09 /2 00 7- 84 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade do lançamento fiscal; II) por maior de votos, em declarar a natureza do vício como material. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, neste item, que encaminhava pelo vício de natureza formal Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10168.001809/200784 Acórdão n.º 2402005.340 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por AUTO VIAÇÃO TABOÃO, em face de Decisão Notificação 21.004/0185/2005 que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 35.539.5789. Cumpre anotar que os presentes autos são uma reconstituição do processo original formalizado para lavratura da NFLD supra, tendo em vista a ocorrência de sinistro (incêndio) nas dependências do INSS sede em Brasília, ocorrido em 27/12/2005. Foram inicialmente juntados aos autos, os documentos que o órgão possuía com relação a NFLD e seus anexos. Após a juntada dos documentos que a fiscalização possuía pelo sistema SICOL, sobreveio comunicação às fls. 87, via email e certidões posteriores no sentido de que o órgão não mais possuía cópia do relatório fiscal da infração, de modo que este não fora anexado aos autos do presente processo. Tal informação veio a ser ratificada quando do despacho de fls. 125, através do qual fora homologada a reconstituição dos autos. Vejamos: 1. Homologo nesta data a reconstituição destes autos, na situação em que se encontram. 2. Determino a retomada da tramitação. 3. A Divisão de Contencioso Administrativo para providências cabíveis. Após, sobreveio nova certidão nos autos (fls. 145), dando prosseguimento aos autos: 1 Considerando a impossibilidade de recuperação do Relatório Fiscal da NFLD 35.539.5789, conforme fls. 71 e 72; 2 Considerando que a solicitação contida no item 10 do despacho de fls. 66, reiterada pela então Delegada da extinta DRP Sao Paulo Sul, as fls. 69, quanto a juntada do DAD, já está atendida, conforme documentos acostados aos autos sob fls. 10 a 16, visto que referido Discriminativo Analítico de Débito integra a NFLD, extraída do sistema e anexada sob fls. 07 a 40; 3 Encaminhemse os autos à EQREC/DicAT/DERAT/SPO (05d. COMpROT 01355635) Finalizado o procedimento de reconstituição os autos foram enviados ao ilustríssimo coordenador do contencioso administrativo, à época, Dr. Ronaldo de Lima Macedo, sendo proferido novo despacho, a seguir 4 "Analisadas as peças dos autos, verificase que os documentos acostados, após procedimento de reconstituição, são insuficientes para realizar a" Fl. 245DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 analise e, conseqüentemente, a emissão do . Parecer suscitado no artigo. 107, inciso II, da Orientação Interna MPS/SRP n° 11/2005, haja vista que faltam várias peças importantes para se proceder à emissão desse parecer, principalmente a diligência fiscal com Seus anexos aduzida no item 34 da DN. (fls. 56). Esta diligência fiscal, conforme registro na DN fl0 21.004/0185/2005, esclareceu e ensejou a retificação dos valores originários do lançamento fiscal ora analisado. 5 Dessa forma, considerando o atendimento aos princípios da verdade material e da legalidade objetiva, orientadores do processo administrativo fiscal, sugerimos o encaminhamento dos autos a D. Delegacia da Receita Previdenciaria em Sao Paulo — Sul, para que sejam inseridas 'nos autos a diligênCia fiscal supracitada, o Discriminativo Analitico do Débito 7 DAD, Guias de Recolhimento Registradas — GRit e Demonstrativo de Créditos de Contribuições". Às fls. 141 fora informado que o departamento não possuía as cópias solicitadas e, então, foi dado seguimento ao processo a partir do seguinte despacho: "1 Considerando a impossibilidade de recuperação do Relatório Fiscal da NFLD 35.539.5789, conforme fls. 71 e 72; 2 Considerando que a solicitação contida no item 10 do despacho de fls. 66, reiterada pela então Delegada da extinta DRP Sao Paulo Sul, as fls. 69, quanto a juntada do DAD, já está atendida, conforme documentos acostados aos autos sob fls. 10 a 16, visto que referido Discriminativo Analítico de Débito integra a NFLD, extraída do sistema e anexada sob fls. 07 3 Encaminhemse os autos à EQREC/DicAT/DERAT/SPO (05d. COMpROT 01355635)" Após isso tudo, o contribuinte veio a ser intimado da DN, conforme comprovantes de fls. 155 e seguintes, tendo apresentado recurso voluntário, através do qual aduz o seguinte: 1. a decadência dos lançamentos de 01/1992 a 13/1996; 2. decadência qüinqüenal para fatos geradores, destinada a terceiros, ocorridos entre 1993, 1994 e 1995, 3. a necessidade de concessão de novo prazo de defesa, tendo em vista o volumoso número de documentos que se fazem necessários ser apreciados; 4. que foram verificados erros entre os valores do RDA Relatório de Documentos Apresentados e os Créditos Considerados, estes constantes do DAD — Discriminativo Analítico de Débito. 5. que o sistema da Previdência considerou o salário do mês, os adiantamentos e alguns abonos emergenciais, dobrando a contribuição social, quando o realmente devido já foi informado; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10168.001809/200784 Acórdão n.º 2402005.340 S2C4T2 Fl. 4 5 6. que podese observar nos documentos juntados que nas planilhas da auditorafiscal há um acréscimo de quase o dobro da massa salarial, posto que cobrado o adiantamento do 13° salário do mês e alguns abonos emergenciais, sobre o qual não incidia a contribuição social; 7. que o procedimento de aferição indireta adotado quando do lançamento, com base nas informações da RAIS, deveria ter observado os dados constantes em referido documento, o que não ocorreu no presente caso; 8. que é inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições de folha de salários para remuneração, levada a efeito pela Lei 8.212/91; Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARMENTE Penso haver um óbice instransponível ao julgamento do presente recurso voluntário e do próprio processo. Conforme já relatado foram várias as tentativas de reconstituição dos presentes autos, com a juntada de documentos essenciais para que, no mínimo, possa o leitor, no caso ora julgador, depreender dos autos a motivação do lançamento, as teses e documentos de defesa e mesmo as razões de decidir do julgamento em primeira instância. Todavia, mesmo diante dos esforços empreendidos, peça essencialíssima não pode ser recuperada, qual seja, o relatório fiscal da infração. Sem referido documento, este julgador fica impedido de mesmo analisar a tese constante no recurso voluntário quanto a decadência, motivação do arbitramento, dentre outras, exatamente pelo fato de não deter conhecimento de quais obrigações foram descumpridas, que contribuições foram lançadas, sob que fundamentos de fato e de direito fora fundado o lançamento ou mesmo quais foram os cálculos levados a efeito pelo fiscal para composição da base das contribuições lançadas por arbitramento. Creio que tal óbice é intransponível. Assim, mesmo considerando que o presente processo é uma reconstituição em virtude do infeliz sinistro ocorrido nas dependências do INSS, tenho que a falta do Relatório Fiscal leva a necessidade de anulação do presente processo e do débito em si. E a falta de juntada do documento, a meu ver, tratase de vício de natureza material na reconstituição dos autos, diante da impossibilidade de cobrálo ante a clara falta de fundamentação da própria ocorrência dos fatos geradores, base de cálculo, etc, em ofensa ao art. 142 do CTN. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10168.001809/200784 Acórdão n.º 2402005.340 S2C4T2 Fl. 5 7 Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, em razão da nulidade do presente lançamento fiscal. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 10945.721263/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008
Ementa:
EMBARGOS. SANEAMENTO. NECESSIDADE.
Presentes circunstâncias autorizadoras da admissibilidade do recurso manejado, cumpre à autoridade administrativa julgadora atuar no sentido de apreciar o mérito das razões aportadas ao processo. No caso vertente, em que foram identificados motivos capazes de emprestar efeitos infringentes ao julgado, a decisão contestada, acrescida dos pronunciamentos saneadores, deve ser retificada.
Numero da decisão: 1301-002.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para, no mérito, DAR-LHES provimento, com efeitos infringentes.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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SANEAMENTO. NECESSIDADE. Presentes circunstâncias autorizadoras da admissibilidade do recurso manejado, cumpre à autoridade administrativa julgadora atuar no sentido de apreciar o mérito das razões aportadas ao processo. No caso vertente, em que foram identificados motivos capazes de emprestar efeitos infringentes ao julgado, a decisão contestada, acrescida dos pronunciamentos saneadores, deve ser retificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, CONHECER os embargos para, no mérito, DARLHES provimento, com efeitos infringentes. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 12 63 /2 01 1- 19 Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301002.057 S1C3T1 Fl. 2.042 2 Relatório Trata o presente de EMBARGOS INOMINADOS, acolhida como tal a petição de fls. 2.014/2.015. Na referida petição a contribuinte alega ter se insurgido tanto no recurso voluntário como nos embargos de declaração anteriormente opostos contra o decidido em primeira instância. Afirma que ocorreu erro de cálculo por parte da autoridade julgadora de primeira instância, especificamente nas tabelas 7 e 8, fls. 1.717/1.718. Instada a se manifestar acerca do alegado erro de cálculo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, por meio do Relator do acórdão nº 0638.231, de 18 de outubro de 2012, representativo da decisão de primeira instância combatida, pronunciou se pela procedência dos argumentos expendidos pela contribuinte. Nos termos do despacho de fls. 2.040, a petição apresentada pela contribuinte foi recepcionada como EMBARGOS INOMINADOS, com lastro nas disposições do art. 66 do ANEXO II do Regimento Interno em vigor. É o Relatório. Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301002.057 S1C3T1 Fl. 2.043 3 Voto Wilson Fernandes Guimarães, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Por julgálo essencial à elucidação dos fatos, reproduzo fragmentos do pronunciamento do Relator do acórdão nº 0638.231, prolatado pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba em 18/10/2012. [...] Trata o processo de autos de infração de tributos do IRPJ e reflexos, anos calendários 2006 e 2007, em que foram identificadas infrações de omissão de receitas, glosa de custos e redução indevida do lucro real. O litígio já foi julgado por esta 2ª Turma da DRJ/CTA, que proferiu o Acórdão nº 0638.231, em 18/10/2012, reduzindo as exigências de IRPJ e CSLL e mantendo as exigências de PIS e Cofins. O recurso voluntário foi julgado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que também já apreciou embargos, conforme Acórdão nº 1301001.914, de 21/01/2016, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária de sua Primeira Seção de Julgamento, negandolhes provimento. Em 22/01/2016, o contribuinte protocolou petição na qual alega erro de cálculo no Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. A DRF/Curitiba, por meio do despacho de fl. 2021 encaminhou os autos para a DRJ/Curitiba requerendo a apreciação e manifestação antes de adotar as providências cabíveis à execução da decisão administrativa de 2ª Instância. Após analisar a petição, verifiquei que, de fato, houve erro nos cálculos do valor devido de IRPJ e de CSLL do ano calendário 2007, cometido no Acórdão nº 0638.231, de 18/10/2012, às fls. 1717/1718. Na apuração do valor devido de IRPJ e CSLL (tabelas 7 e 8), eu equivocadamente parti diretamente do valor das infrações, quando o correto seria iniciar os cálculos desde o lucro líquido. Tem razão o contribuinte quando diz que a base de cálculo pode ser extraída da tabela 6, utilizada para demonstrar a compensação de períodos anteriores (R$ 3.423.688,31 – R$ 1.027.106,49 = R$ 2.396.581,82). Demonstrase a seguir os novos cálculos em que se chega a essa base de cálculo, a qual precisa ser desdobrada em duas partes, uma para apurar o IRPJ com multa de 150% e outra para a multa de 75%. Similarmente para a CSLL. IRPJ LANÇAMENTO ACÓRDÃO Lucro Líquido antes do IRPJ 3.975.552,29 () Receitas Diferidas 3.475.921,05 (=) Lucro Líquido Ajustado 499.631,24 Base de Cálculo (+) Adições efetuadas pelo contribuinte 8.870,90 Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301002.057 S1C3T1 Fl. 2.044 4 () Exclusões efetuadas pelo contribuinte 3.898.665,90 (+) Glosa de custo (multa de 150%) 2.098.387,28 2.098.387,28 (+) Omissão de receitas 4.500.000,00 4.500.000,00 (=) Lucro real antes da compensação 6.598.387,28 3.208.223,52 () Compensação no período 0,00 0,00 () Compensação períodos anteriores 2.195.322,44 1.027.106,49 (=) Valor tributável (multa de 150%) 4.403.064,84 2.181.117,03 IRPJ (15%) 660.459,73 327.167,55 (+) Adicional (10%) 422.309,49 200.114,77 () Valor a compensar 9.004,52 9.004,52 Multa 150% (=) IRPJ a 150% 1.073.764,70 518.277,75 Valor tributável (Glosa de custo com multa de 75%) 719.354,19 215.464,79 IRPJ (15%) 107.903,13 32.319,72 (+) Adicional (10%) 71.935,42 21.546,48 Multa 75% (=) IRPJ a 75% 179.838,55 53.866,20 TOTAL IRPJ 1.253.603,25 572.143,94 CSLL LANÇAMENTO ACÓRDÃO Lucro Líquido antes do IRPJ 3.975.552,29 () Receitas Diferidas 3.475.921,05 (=) Lucro Líquido Ajustado 499.631,24 (+) Adições efetuadas pelo contribuinte 8.870,90 () Exclusões efetuadas pelo contribuinte 3.898.665,90 (+) Glosa de custo (multa de 150%) 2.098.387,28 2.098.387,28 (+) Omissão de receitas 4.500.000,00 4.500.000,00 (=) Lucro real antes da compensação 6.598.387,28 3.208.223,52 () Compensação no período 0,00 0,00 Base de Cálculo () Compensação períodos anteriores 2.195.322,44 1.027.106,49 Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301002.057 S1C3T1 Fl. 2.045 5 (=) Valor tributável (multa de 150%) 4.403.064,84 2.181.117,03 CSLL (9%) 396.275,84 196.300,53 () Valor a compensar 5.402,71 5.402,71 Multa 150% (=) CSLL a 150% 390.873,13 190.897,92 Valor tributável (Glosa de custo com multa de 75%) 719.354,19 215.464,79 CSLL (9%) 64.741,88 19.391,83 () Valor a compensar 0,00 0,00 Multa 75% (=) CSLL a 75% 64.741,88 19.391,83 TOTAL CSLL 455.615,00 210.289,65 Em suma, para o ano calendário 2007, o IRPJ a ser mantido é de R$ 572.143,94, sendo R$ 518.277,75 com multa de 150% e R$ 53.866,20 com multa de 75%. E a CSLL a ser mantida é de R$ 210.289,65, sendo R$ 190.897,82 com multa de 150% e R$ 19.391,83 com multa de 75%. Na petição de fls. 2.014/2.016, a contribuinte, depois de historiar as infrações apuradas pela Fiscalização e o que ficou decidido em primeira instância, assinalou que, relativamente ao ano calendário de 2007, o ato decisório em referência aumentou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL de R$ 5.122.419,03 para R$ 5.786.745,58. O valor de R$ 5.122.419,03, conforme fls. 38 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.036 do processo), foi assim determinado: GLOSA DE CUSTO............................................R$ 2.817.741,47 OMISSÃO DE RECEITAS APURADA.............R$ 4.500.000,00 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS....................R$ 2.195.322,44 Alega a contribuinte que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento incorreu em erro de cálculo, especificamente nas tabelas 7 e 8, fls. 1.717 e 1.718 dos autos, visto que apurou o IRPJ e a CSLL mantidos para o ano calendário de 2007 levando em conta apenas o valor das infrações, deixando de lado a apuração do lucro real retratada na tabela 6 (fls. 1.717). Procede o erro apontado pela contribuinte, vez que, de fato, a tabela 7, fls. 1.717, parte dos valores de R$ 6.598.387,28 (R$ 4.500.000,00 + R$ 2.098.387,28) e R$ 215.464,79 (parte da glosa de custos com multa de 75%), desconsiderando, assim, os demais itens integrantes da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de acolher os embargos inominados para, corrigindo a apuração das exações devidas, promovida em primeira instância e referendada nesta instância julgadora, determinar que, relativamente ao ano calendário de 2007, os valores devidos a título de IRPJ e CSLL passam a ser de R$ 572.143,94 e R$ 210.289,65, respectivamente. Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301002.057 S1C3T1 Fl. 2.046 6 "assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10580.017870/99-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
A conversão, em Declaração de Compensação, do pedido de compensação pendente de análise, nos termos do § 4º do art. 74, da Lei nº 9.430/96; com a redação que lhe foi dada pelo art. 17, da Lei 10.833/2003; não atinge os pedidos envolvendo débitos de terceiros.
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO PELA INSTÂNCIA DE PISO. PRECLUSÃO.
É preclusa a análise de matéria considerada não conhecida pela Delegacia de Julgamento.
Numero da decisão: 1402-002.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em parte e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A conversão, em Declaração de Compensação, do pedido de compensação pendente de análise, nos termos do § 4º do art. 74, da Lei nº 9.430/96; com a redação que lhe foi dada pelo art. 17, da Lei 10.833/2003; não atinge os pedidos envolvendo débitos de terceiros. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO PELA INSTÂNCIA DE PISO. PRECLUSÃO. É preclusa a análise de matéria considerada não conhecida pela Delegacia de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em parte e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 78 70 /9 9- 56 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 1402002.142 S1C4T2 Fl. 288 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 1402002.142 S1C4T2 Fl. 289 3 Relatório COMPANHIA QUÍMICA METACRIL recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Salvador/BA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de contestação ao despacho decisório, às fls. 08/09, que indeferiu o pedido de compensação de crédito com debito de terceiros, à fl. 01, no valor de R$ 38.414,09. O crédito tributário que se pretendia ver compensado pertencia à Acrinor Acrilonitrila do Nordeste S/A, CNPJ 13.546.353/000133, e foi julgado insuficiente para a compensação pretendida, conforme Despacho Decisório DRF/CCI n° 0253, de 2007, formalizado no processo n° 13502.000232/9971. Foi ressaltado, ainda, que o referido pedido de compensação não foi convertido em declaração de compensação, e por este motivo não haveria suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente aos débitos que se pretendia compensar, mesmo que fosse apresentada manifestação de inconformidade pela empresa titular do crédito tributário. Não seriam aplicáveis, também, as disposições do §5º do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003. O contribuinte foi cientificado do despacho decisório e apresentou contestação, às fls. 12/34, alegando, em síntese, que: 1. apresentou manifestação de inconformidade a ser apreciada pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento, nos termos do art. 74, §§ 9º e 11, da Lei n° 9.430, de 1996, e artigos 15, 16 e seguintes do Decreto n° 70.235, de 1972, c/c art. 48 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Requer, também, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão, conforme disposto no art. 151, inciso III, do CTN; 2. apenas com a decisão final no processo n° 13502.000232/9971 é que se poderia formalizar qualquer cobrança, nos termos do art. 201 do CTN, e que, além disso, esta não seria devida em razão da homologação tácita da compensação em foco; 3. o pedido de compensação com crédito de terceiros foi realizado no termos das normas vigentes à época, em especial com o disposto no art. 15 da Instrução Normativa n° 21, de 1997, que autorizava a compensação de tal natureza. Somente, com a edição da Instrução Normativa SRF n° 41, de 2000, é que foi vedada compensação de créditos próprios com débitos de terceiros; 4. nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações promovidas pelas Leis n° 10.637, de 2002, n° 10.837, de 2002, e n° 11.051, de 2004, o referido pedido de compensação foi convertido em declaração de compensação. Não foi imposta qualquer restrição à referida conversão, especialmente quanto a pedidos de compensação Fl. 289DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 1402002.142 S1C4T2 Fl. 290 4 com débitos de terceiros, especialmente se protocolados antes da Instrução Normativa SRF n° 41, de 2000; 5. independentemente da conversão do pedido de compensação em declaração, a manifestação de inconformidade tem efeito suspensivo, pois tem natureza jurídica de impugnação, nos termos dos artigos 14 e 21 do Decreto n° 70.235, de 1972, bem como, previsto no o art. 74, § 11 da Lei n° 9.430, de 1996, c/c art. 151 do CTN, art. 35 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 2005, e art. 174 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 30 de abril de 2007. A Lei n° 10.833, de 2003, somente veio a ratificar o efeito suspensivo já previsto na legislação anterior; 6. o pedido de compensação com crédito de terceiros foi protocolado 18/08/1999, e até a data desta contestação não houve intimação do contribuinte de qualquer decisão no processo relativo ao crédito. Com transcurso de mais de cinco anos da data em que foi protocolado, o crédito tributário encontrase extintos pela homologação tácita do lançamento, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 156, inciso VII, do CTN; 7. ainda que não fosse aplicado o prazo previsto no art 150, § 4º, do CTN, deveria ser reconhecida a homologação tácita das compensações com débitos de terceiros, com fundamento no § 5º do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996; 8. requer que a manifestação de inconformidade seja conhecida e julgada procedente para reconhecer a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pedido de compensação, ou, sucessivamente, que seja determinada a suspensão da cobrança até que sobrevenha decisão final no processo administrativo n° 13502.000232/9971; 9. caso não seja conhecida a manifestação de inconformidade e não seja efetuada a suspensão da exigibilidade do crédito, requer que a contestação seja encaminhada para apreciação da autoridade superior, nos termos do art. 56 e seguintes da Lei n° 9.784, de 1999, determinando seu regular processamento e atribuindose incontinenti efeito suspensivo.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 15 18.494 (fls. 178181) de 19/02/2009, por unanimidade de votos, não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. Os pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros não foram convertidos em declaração de compensação, por ausência de previsão legal.” Fl. 290DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 1402002.142 S1C4T2 Fl. 291 5 Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 31/03/2009 (A.R. de fl. 184) a interessada interpôs recurso voluntário em 29/04/2009 (fls. 185213) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 1402002.142 S1C4T2 Fl. 292 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. A decisão recorrida deixou de conhecer da manifestação de inconformidade apresentada adotando o seguinte raciocínio: · entende que os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 1º de outubro de 2002, que têm por objeto créditos de terceiros, não foram convertidos em Declaração de Compensação, a teor do parágrafo único do art. 86 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. · por consequência, os §§ 5º , 9º e 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (alterados pela Lei n° 10.833, de 2003), que tratam do prazo para homologação da compensação declarada e da faculdade de apresentação de manifestação de inconformidade e recurso contra não homologação da compensação, não são aplicáveis ao pedido de compensação com créditos de terceiros em questão. Alega a recorrente que o §4º do citado art. 74 da Lei n° 9.430/96, acrescentado pelo art. 49 da Medida Provisória n° 66, de 29 de Agosto de 2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/2002, determinava a conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação, caindo por terra os argumentos da decisão recorrida. Com efeito, entendo descabido o argumento da recorrente. Vejase a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com as alterações citadas. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) ... § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) ... (grifei). Fl. 292DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 1402002.142 S1C4T2 Fl. 293 7 Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, a teor do citado §4º, serão considerados declaração de compensação apenas para os efeitos previstos naquele art. 74 (da Lei n° 9.430/96). Entretanto, o caput do referido art. 74 é dirigido tãosomente a situações em que o direito creditório pleiteado e os correspondentes débitos a serem compensados têm origem no mesmo sujeito passivo (apuração de crédito e compensação com débitos próprios), situação distinta do caso em análise em que o lastro creditório pertence a terceiro. Nesse sentido, vejase o Parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1499/2005: IV – IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO 31. Tópico também importante, já objeto de diversas consultas dirigidas a esta CDA, é o referente à possibilidade, ou não, de ocorrer a compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro. 32. Em primeiro lugar, devese assentar que a legislação tributária não permite a cessão de créditos a terceiros com a finalidade de compensação. Assim, no mesmo diapasão do Direito Privado, a compensação do regime de Direito Público exige a existência de duas pessoas, simultaneamente credoras e devedoras uma da outra, havendo duas obrigações recíprocas entre as partes, sendo que o que diferencia aqueles regimes de compensação é o fato de que no Direito Tributário (Direito Público) as partes têm de ser credor e devedor recíprocos ex lege e ab initio. 33. A redação do art. 170, do CTN, não deixa margem a dúvidas, na medida em que apenas admite que se proceda ao encontro de contas entre créditos fiscais com créditos do próprio sujeito passivo contra o Fisco, ou seja, apenas no caso de o sujeito passivo ter direito a recebimento de algum crédito seu contra a Fazenda ele pode optar por compensar esse valor com débitos seus para com o Fisco. 34. O próprio Código Civil de 1916, no seu art. 1.017, já exigia o “encontro entre a administração e o devedor” para que fosse efetivada a compensação. Do mesmo modo, a lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Novo Código Civil, entende ser essencial à compensação a existência de créditos e débitos recíprocos, conforme regra do seu art. 368, reflexo positivado daquilo que se entende por compensação no âmbito da teoria geral do direito. Neste ponto, a despeito de a compensação tributária exigir que os partícipes da relação jurídica tributária sejam os originais, o regime de direito público e o de direito privado aplicados à compensação têm um denominador comum, senão vejase: “Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem”. 35. Assim, tendo em vista o disposto no citado art. 170 do CTN e no art. 74 da Lei n.º 9.430/96, e a despeito do que dispunha o art.15 da IN/SRF n.º 21/97, temse que a compensação com crédito de terceiro não encontra amparo legal. A este respeito já houve manifestação desta Procuradoria, por meio do Parecer PGFN/CAT n.º 1010/2000, que assim dispôs: “11. A IN SRF nº 21, de 10 de março de 1997, com as alterações da IN SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997, Fl. 293DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 1402002.142 S1C4T2 Fl. 294 8 que dispõe sobre a restituição, o ressarcimento e a compensação de tributos e contribuições federais, a par de instruir os agentes do fisco a respeito dos procedimentos a serem adotados nesses casos em função de créditos decorrentes de sentenças judiciais (art. 17), autorizou a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação (art.15). 12. Não obstante, as disposições legais que regem a matéria não contemplaram tal procedimento. O já transcrito art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é explícito quando diz que a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos, para fins de compensação, mas não faz referência à utilização de créditos de terceiros.” 36. Após, conclui o mencionado Parecer: “14. Com efeito, a compensação é restrita aos casos expressamente previstos em lei e as normas legais que dispõem sobre essa forma de extinção do crédito tributário não previram a utilização de crédito não pertencente ao próprio contribuinte. Por tal razão, nos parece acertada a IN SRF nº 41, de 7 de abril de 2000, que vedou a compensação de débito do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pelo órgão, com créditos de terceiros. 15. Somente o fato de a IN SRF nº 21 não ter fundamento de validade, no que se refere à utilização de crédito de terceiro para fins de compensação, seria suficiente para dar cabo ao caso concreto do presente pleito.” 37. Deste modo, conforme manifestações anteriores da PGFN, a compensação com crédito de terceiro não tem fundamento legal de validade. Por fim, devese ressaltar, mais uma vez, que a sistemática prevista na IN SRF n.º 21/97, aludida no parágrafo anterior ainda era a do “pedido de compensação”. V – COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIRO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO NÃO SÃO CONVERTIDOS EM DCOMPS 38. Partindo do disposto no tópico anterior, é de se perquirir: e os pedidos de compensação com créditos de terceiro que, quando da entrada em vigor da Lei nº 10.637/02 (que incluiu o § 4º ao art. 74 da Lei nº 9.430/96), encontravam se pendentes de análise pela SRF, estão sujeitos à nova disciplina da “declaração de compensação”? 39. Ora, partindo do pressuposto de que a compensação com créditos de terceiro afigurase como exceção, vedada expressamente pela legislação em vigor, e do fato de o sujeito passivo apenas poder contrapor seu crédito líquido e certo ao crédito fiscal, como direito subjetivo público seu, no caso de existir norma legal autorizadora do encontro de contas e, ainda, submetendose ele aos requisitos de condições e garantias estipulados pela lei específica, é de se entender que os Fl. 294DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 1402002.142 S1C4T2 Fl. 295 9 pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na lei nº 9.430/96 e legislação correlata. 40. Assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela SRF (RFB), protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. 41. Com efeito, o precitado art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02, ao instituir a “declaração de compensação”, expressamente previu que a mesma só poderia ser prestada pelo próprio detentor do crédito contra o Fisco, ou seja, para que a “declaração de compensação” feita à Secretaria da Receita Federal extinga o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), mister se faz que o contribuinte utilizese de créditos próprios. 42. Se não existe “declaração de compensação” com créditos de terceiro, por óbvio, os pedidos de compensação com créditos que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da RFB, não podem transmudarse naquela. 43. E mais, permanecendo como pedidos de compensação, não estão sujeitos à nova sistemática instituída para a compensação. 44. Tal entendimento decorre, inclusive, de uma interpretação sistemática das regras jurídicas encartadas na Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, do confronto entre as regras contidas nesse diploma legal, bem como entre essas regras e as demais que tratam do instituto da compensação. 45. Dito isso, concluise, desde já, que o novel regime da compensação, que é realizada por meio de declaração (DCOMP) prestada à SRF (hoje RFB), não alcança, sob hipótese alguma, os casos de compensação com créditos de terceira pessoa. 46. Não podendo o novo regime instituído para a compensação ser desmembrado, de maneira que apenas alguns de seus postulados sejam cumpridos, em detrimento de outros, é evidente a inaplicabilidade das novas disposições sobre a compensação aos encontros de contas daquela natureza. 47. Resumindo, o encontro de contas pleiteado deve ser analisado de acordo com as normas anteriores, que previam a utilização de créditos de terceiro, não se aplicando, inclusive, a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos). 48. Não se afigura correto, pois, a conversão dos pedidos de compensação desse jaez (com créditos de terceiros) em declarações de compensação, por total ausência de previsão legal para tanto. 49. E mais, por também não observarem as condições estabelecidas no art. 74 da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada pela MP nº 66/02), resta claro que não podem ser convertidos em declaração de compensação os pedidos de Fl. 295DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 1402002.142 S1C4T2 Fl. 296 10 compensação pendentes de apreciação, quando fundados em créditos que se refiram a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969; ou que se refiram a títulos públicos; ou sejam decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; ou não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela SRF. Aplicase, pois, o entendimento retro exposto. 50. Por fim, cumpre chamar a atenção para o fato de que, com a entrada em vigor do art. 4º da Lei nº 11.051/04, as compensações, pretendidas a partir desta data, em que os créditos sejam de terceiros (assim como aqueles que se encontrem nas situações elencadas no parágrafo anterior), serão consideradas não declaradas (vide, a respeito, os recém incluídos §§ 12 e 13 da Lei nº 9.430/96, que disciplinam esta situação e que ainda serão objeto de análise no presente Parecer). Nessa mesma linha, manifestouse o STJ (Resp 1100483/AL, Segunda Turma, sessão de 01/09/2009, Ministro Castro Meira): [...] Sabese que a legislação disciplinadora do instituto da compensação evoluiu substancialmente a partir da edição da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em especial com a introdução no ordenamento jurídico da Lei Complementar 104, de 10 de janeiro de 2001, e das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (conversão da MP 66, de 29.08.02), 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (conversão da MP 135, de 30.10.03) e 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que alteraram e incluíram dispositivos naquela lei ordinária. Diante desse quadro evolutivo, as Turmas de Direito Público deste Superior Tribunal entenderam que o processamento da compensação se rege pela legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo vedada a apreciação de eventual pedido de compensação ou declaração de compensação com fundamento em legislação superveniente. Tal entendimento encontra ressalva apenas no § 4º do art. 74 de Lei 9.430/96, já que os "pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa", ao tempo do início da vigência Lei 10.637/02, "serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo". Todavia, deverão ser observadas todas as demais condições estabelecidas no citado artigo, incluindo se as restrições previstas nos §§ 3º, 12 e 13. Na hipótese vertente, o marco a ser considerado na definição das normas aplicáveis na regência da "manifestação de inconformidade" da recorrente é a data em que protocolizado o pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, que se deu em 30 de dezembro 1998. Portanto, ficam afastadas, de logo, às inovações legislativas trazidas pelas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04. Também não seria possível a sua conversão em declaração de compensação DCOMP, nos termos do mencionado § 4º, em razão de os créditos, com os quais a empresa busca compensar os seus débitos, ser de terceira pessoa e decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Isso porque o caput do art. 74 da lei em exame (nos termos da redação dada pela Lei 10.637/02) fala, expressamente, em créditos "judiciais com trânsito em julgado", que poderão ser utilizados pelo sujeito passivo "na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão [SRF, hoje RFB]". Fl. 296DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 1402002.142 S1C4T2 Fl. 297 11 Acrescentese que, nos termos do § 12, II, alíneas "a" e "d" (introduzidos pela Lei 11.051/04), considerase não declarada a compensação nos casos em que o crédito "seja de terceiro" e "seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado". [...] Também não socorre à recorrente a Instrução Normativa SRF 233/2002, já que fundada no comando legal do próprio art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação determinada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002. Vejase: Instrução Normativa SRF nº 233, de 28 de outubro de 2002 (Publicado(a) no DOU de 30/10/2002, seção , pág. 11) Dispõe sobre a desistência de pedido de compensação pendente de apreciação pela autoridade administrativa de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 4º da Medida Provisória nº 75, de 24 de outubro de 2002. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SUBSTITUTO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, e nos §§ 1º e 2º do art. 4o da Medida Provisória no 75, de 24 de outubro de 2002, resolve: ... Correto, pois, o entendimento exarado na decisão recorrida quanto ao não conhecimento da manifestação de inconformidade. Ante o exposto, Voto por negar provimento ao recurso voluntário quanto ao argumento acerca do não conhecimento da manifestação de inconformidade e deixo de conhecer dos demais argumentos por preclusos. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 297DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13017.720163/2013-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MOLÉSTIA GRAVE. NÃO COMPROVAÇÃO.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial. Inteligência do art. 30 da Lei 9.250/1995 e da Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios".
Não restando comprovado que o contribuinte era portador de moléstia grave, os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria ou pensão não são isentos do imposto de renda. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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MOLÉSTIA GRAVE. NÃO COMPROVAÇÃO. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial. Inteligência do art. 30 da Lei 9.250/1995 e da Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Não restando comprovado que o contribuinte era portador de moléstia grave, os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria ou pensão não são isentos do imposto de renda. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 7. 72 01 63 /2 01 3- 06 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13017.720163/201306 Acórdão n.º 2402005.195 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 29/33, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2009, anocalendário de 2008, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Por descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 63/67), reproduzido a seguir: “Mediante Notificação de Lançamento de fls. 29/33 exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento da importância de R$ 3.485,05, incluída multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/05/2013, em virtude da constatação de irregularidades na Declaração de Ajuste Anual –DAA do exercício de 2009, ano calendário de 2008. A fiscalização informa às fls. 30, ter constatado omissão de rendimentos pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, no valor de R$ 13.427,16. Às fls. 31 a autoridade lançadora informa que constatou Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua condição de Aposentado, Pensionista ou reformado. Informa, ainda, às fls. 31, que foram omitidos, também, rendimentos no valor de R$ 70.779,72, indevidamente declarados como isentos e/ou não tributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção de Imposto de Renda. Aduz que o Laudo Médico Pericial apresentado, não informa a data de início da doença no quadro específico, tampouco o código CID da moléstia que ensejou o direito à isenção, fls. 31. Manifesta, ainda, que para deferimento da isenção por moléstia grave estas informações devem constar no Laudo de forma clara e objetiva. Na ausência de informação, a data do início da doença é a data de emissão do Laudo. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 48 alegando, em resumo, que os rendimentos são isentos por tratarse de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave. Defende, ainda, que o Laudo Médico Pericial emitido pelo INSS, reconhece a moléstia em data anterior a sua emissão, abrangendo exercícios anteriores, IN SRF nº 15.” Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A decisão de primeira instância (fls. 63/67) julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apurados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 05/09/2013 (fls. 75/76), o interessado interpôs, em 01/10/2013, o recurso de fls. 77/78. Nas razões recursais aduz, em síntese, que os rendimentos percebidos da aposentadoria são isentos do imposto de renda em razão de ser portador de cardiopatia grave. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13017.720163/201306 Acórdão n.º 2402005.195 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DA MOLÉSTIA GRAVE A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, com a redação dada pelas Leis 8.541/1992, e 11.052/2004, nos seguintes termos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Nesse passo, o art. 30 da Lei 9.250/1995 passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Extraíse desses textos legais dois requisitos cumulativos para que o beneficiário faça jus à isenção do imposto de renda, a saber: 1. os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão ou complementação de aposentadoria; e 2. a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (art. 30, caput, da Lei 9.250/1995). Nos termos da peça recursal, a controvérsia cingese apenas à comprovação de ser o Recorrente portador de moléstia grave, no caso em tela cardiopatia grave, assim definida nos termos da lei. O Recorrente carreou ao recurso ora examinado documentos que apontam ser portador de cardiopatia grave somente a partir de 07 de março de 2013, conforme laudo oficial do INSS de fls. 84/86, e o lançamento fiscal referese ao anocalendário 2008 (ano de ocorrência do fato gerador), período anterior ao reconhecimento da moléstia grave. No mesmo caminhar, os documentos de fls. 87/92, juntados com a peça recursal, foram lavrados por profissionais médicos vinculados aos Hospitais de instituição de natureza privada, ainda que recebam recursos vinculados ao SUS. Tais documentos não podem ser equiparados a laudo médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, e, além disso, esses documentos não demonstram se o quadro clínico da cardiopatia grave (moléstia grave) ocorreu antes do ano de 2013. Para reforça o entendimento de que, no ano da ocorrência do fato gerador do imposto de renda, o Recorrente não era portador de cardiopatia grave, a declaração fornecida pela Fundação Eletrosul de Previdência e Assistência Social (ELOS) de fls. 08, datada de 22/03/2013, assentou que, conforme consta da declaração de isenção emitida pelo INSS, “(...) o interessado comprova ser portador de doença classificada pela CID X com o C61 desde de 21/12/12 (...)”. Nesse sentido, temse a Súmula CARF nº 63, aprovada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13017.720163/201306 Acórdão n.º 2402005.195 S2C4T2 Fl. 5 7 Esse enunciado sumular é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado por força do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Assim, é forçoso afirmar que o Recorrente não preenche os requisitos para o gozo da isenção do imposto de renda prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, mantendose os valores apurados pelo Fisco. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 13884.721332/2014-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF.
Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofício da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Numero da decisão: 2201-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ- Relatora.
Assinado digitalmente.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 25/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico ofício da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente em exercício. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. Assinado digitalmente. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 13 32 /2 01 4- 89 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 26/05/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2012, anocalendário 2011, na qual foi constatado que os rendimentos da contribuinte foram indevidamente considerados isentos, em decorrência da não comprovação do acometimento de moléstia grave ou da sua condição de aposentada, pensionista ou reformada. A fim de comprovar o acometimento de moléstia grave pela contribuinte, foi juntado aos autos laudo pericial oficial emitido pela Junta Superior de Saúde do Comando da Aeronáutica (serviço médico oficial) dispondo que a contribuinte era portadora de alienação mental. O mencionado laudo, datado de 04/09/2013, expressamente dispôs que a sua validade retroagiria à data do Parecer da Psiquiatria do GIASJ, em 11/12/2012, estando, assim, abrangidos pela isenção apenas os rendimentos recebidos a partir dessa data. Inconformado com a notificação apresentada, que se refere a período anterior a 11/12/2012, o espólio da contribuinte protocolizou impugnação alegando que os rendimentos em análise são isentos e que não foram considerados os documentos apresentados em 16 de maio de 2014. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o crédito tributário em parte, determinando o cancelamento da multa de 75% e mantendo o imposto suplementar acrescido de multa de mora de 10% e juros legais, com a seguintes considerações: a) embora o sujeito passivo do presente lançamento seja o espólio e não o "de cujus" identificado na autuação, pois a contribuinte era falecida, quando da notificação de lançamento, o vício foi sanado pela inexistência de prejuízo para a defesa, que, tempestivamente, apresentou impugnação, afastando a nulidade do ato; b) a multa aplicável é a prevista no art. 49 do DecretoLei n.º 5.844/1943, que fixa o percentual de 10%, e não a multa do art. 44 da Lei 9.430/1996; c) em razão da alienação mental da contribuinte diagnosticada no Laudo Médico Pericial emitido por serviço médico oficial, datado de 20/02/2013, com data retroativa a dezembro de 2012, e, paralelamente a isso, por não ter havido à época a interdição da interessada, em face da doença (alienação mental), resta concluir que não ficou evidenciada a Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13884.721332/201489 Acórdão n.º 2201002.823 S2C2T1 Fl. 95 3 condição de alienada mental antes de dezembro de 2012, sendo, portanto, tributáveis os rendimentos recebidos a título de pensão. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o espólio da contribuinte alegou que a contribuinte havia sido diagnosticada como portadora de alienação mental, em 11/12/2012, conforme exames, mas a doença tinha se manifestado há mais de cinco anos, como demonstram os atestados e exames acostados aos autos (atestados médicos datados de 25/10/2010, de 04/12/2010 e de 24/01/2013; certidão de óbito de 21/03/2014 e demais laudos médicos, fls. 74/77). Além disso, sustentou o espólio que, diante do fato de a doença ser degenerativa, evidentemente a contribuinte já estava acometida há vários anos, razão pela qual foi retificada a declaração de imposto de renda referente ao exercício 2010 para a solicitação de restituição do imposto. É o relatório. Voto Conselheiro ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos tributáveis, no valor de R$ 91.194,96 (noventa e um mil cento e noventa e quatro reais e noventa e seis centavos), recebidos de Pessoa Jurídica indevidamente declarados como isentos ou nãotributáveis, em razão de a contribuinte não ter comprovado ser portadora de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentada, pensionista ou reformada, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Inexistindo dúvida acerca da natureza dos rendimentos percebidos pela contribuinte (pensão), fazse necessário analisar o aspecto relativo à caracterização da patologia. Verificase que o cerne da controvérsia em questão é a possibilidade de comprovação da alienação mental da contribuinte falecida, por meio de atestados médicos e demais laudos não oficiais, anteriores a 12/2012, que foi o marco inicial do reconhecimento da Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13884.721332/201489 Acórdão n.º 2201002.823 S2C2T1 Fl. 96 5 moléstia grave, mediante a apresentação do laudo médico oficial, conforme a legislação regente da matéria. Cumpre esclarecer que, embora os atestados médicos particulares datados de períodos anteriores a 12/2012 (25/10/2010, 04/12/2010 e 24/01/2013) indiquem indícios da existência da patologia grave, não há laudo pericial oficial referente ao período pleiteado pelo espólio, pois o laudo oficial declara expressamente a sua retroatividade para 12/2012. Assim, considerando a ausência de apresentação do laudo oficial referente ao período pleiteado, resta descumprido o requisito formal necessário ao reconhecimento jurídico da doença, conforme o disposto no art. art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como em consonância com o Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito: “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Observando a legislação de regência, bem como a mencionada súmula, tem se a seguinte jurisprudência desse Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2003 IRPF. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. Conforme se denota do teor da Súmula Vinculante nº 63, havendo laudo médico pericial, elaborado por peritos oficiais, reconhecendo a moléstia grave a decorrendo o provento de pensão ou aposentadoria, faz jus o contribuinte à isenção do Imposto sobre a Renda. Preliminar rejeitada e Recurso Provido. (CARF, 1ª Turma Especial, Acórdão n.º 2801002.428, de 15 de maio de 2012, Rel. Sandro Machado dos Reis.) Desse modo, em obediência ao disposto no art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e ao conteúdo do Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, por ausência do cumprimento do requisito legal de apresentação do laudo pericial oficial referente ano calendário objeto da autuação, impõese a manutenção do lançamento. Tais as razões expendidas, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 25/ 02/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 18050.009797/2008-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA
Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela Lei nº 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN.
A multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei 8.212/91 restringe-se aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 9202-004.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martínez López.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
PATRÍCIA DA SILVA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI E GERSON MACEDO GUERRA.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela Lei nº 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. A multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei 8.212/91 restringe-se aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária.
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Como resultado, aplicase para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. A multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 restringese aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martínez López. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. PATRÍCIA DA SILVA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 97 97 /2 00 8- 46 Fl. 3234DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI E GERSON MACEDO GUERRA. Relatório Cuidase de Recurso Especial do Procurador interposto contra o Acórdão nº 2402003.483, que restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE – STF SÚMULA VINCULANTE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ART 173, I, CTN. 1. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. 2. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 3235DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18050.009797/200846 Acórdão n.º 9202004.269 CSRFT2 Fl. 3.235 3 Recurso Voluntário Provido em Parte. Na origem, tratase de impugnação contra o Auto de Infração nº 37.205.153 7, lavrado em 02/12/2008, que tem por objeto descumprimento de obrigação acessória pela ausência de declaração de todos os fatos geradores de contribuição previdenciária nas guias de FGTS e GFIP, no período de 01/2003 a 12/2003, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia Regional de Julgamento. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário arguindo a decadência do direito de o Fisco lançar os tributos em questão e a consequente extinção da obrigação acessória. O recurso foi, a unanimidade, parcialmente provido para adequar a multa ao art. 32A, da Lei nº 8.212/91, caso mais benéfica. Contra a referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando que o acórdão contrariou precedentes deste Conselho, apontando como paradigma o Acórdão nº 2403.00.035. Ao final, requer a reforma do julgado no ponto concernente à multa aplicada, para que seja mantida a forma de cálculo realizada pela autoridade fiscal, qual seja: comparação entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II e 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35A, da MP 449/2008, aplicandose a multa mais benéfica ao contribuinte. Sem contrarrazões, subiram os autos para análise e voto. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A lide tem como objeto a multa a ser aplicada no descumprimento de obrigações principais e obrigações acessórias previdenciárias, cujos fatos geradores ocorreram antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008. Antes de analisar o debate em questão, importante tecer algumas considerações sobre a sistemática da Lei nº 8.212/91 no tocante à penalidade pelo descumprimento das obrigações (principais e acessórias) sob a ótica do princípio da retroatividade benigna. Como se sabe, a MP nº 449/2008 trouxe relevantes alterações na sistemática das multas aplicáveis. Antes de sua entrada em vigor, o descumprimento das obrigações principais era penalizado da seguinte forma: As obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, eram sancionadas com multa variável entre 8% a 20%, de acordo com o art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008); As obrigações que não tinham sequer Fl. 3236DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal, eram punidas com a multa variável entre 24% a 50%, nos termos do art. 35, II, da mesma Lei. Caso os créditos fossem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Em que pese ambas as multas serem denominadas de “multa de mora”, os percentuais diferenciavamse pela existência de uma prévia declaração do tributo ou pelo lançamento de ofício. A nova sistemática trazida pela MP nº 449/2008 estabeleceu uma distinção mais visível entre as multas, denominando de multa de mora a multa incidente sobre as obrigações já declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, e de multa de ofício as obrigações lançadas de ofício pela autoridade fiscal, objetivando abrandar a multa de mora e aplicar uma penalidade mais severa às obrigações lançadas de ofício. Desta forma, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas (anteriormente prevista no art. 35, I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Quanto às obrigações acessórias, o descumprimento das obrigações era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A MP nº 449/2009 revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da mesma Lei, que é de “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Como se observa, em determinados pontos a nova sistemática foi mais benéfica ao contribuinte, mas em outros estabeleceu multa mais severa. Assim, para o cálculo das multas incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008, mas realizado após 12/2008, devese levar em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, do CTN. Assim, sob a ótica do referido princípio, as multas de fatos geradores ocorridos antes de 03/12/2008, mas aplicadas posteriormente a essa data, devem ser calculadas comparando a legislação anterior com a atual, isto porque a Lei nº 8.212/91 é clara ao estabelecer penalidades distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas em atraso (multa de mora do art. 35, caput), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias ( multa do art. 32A). Todavia, a Receita Federal vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver descumprimento de obrigações principais e acessórias, por entender que a ser a sistemática mais favorável ao contribuinte, em virtude da proibição do bis in idem. Desta forma, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações previdenciárias, o Fisco vem adotando a seguinte sistemática, de acordo com o art. 476A, da Instrução Normativa RFB 971/2009, vejamos: Fl. 3237DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 18050.009797/200846 Acórdão n.º 9202004.269 CSRFT2 Fl. 3.236 5 Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores:(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Observase, portanto, que ao instituir uma multa única, deixase de estipular qualquer comparação entre os dispositivos anteriores e atuais da Lei nº 8.212/91, considerando se viável a aplicação da multa de ofício de forma generalizada. Em julgados anteriores, vinha adotando o posicionamento de que, em respeito ao art. 106, do CTN, na execução do julgado a autoridade fiscal deverá verificar a situação mais benéfica ao contribuinte a partir da comparação entre as multas anteriormente previstas nos arts. 35, I e II, e 32, com as multas atuais dos arts. 35, caput, 35A e 32A, de acordo com a natureza da infração cometida. Isto porque, entendo que não é possível admitir que a penalidade por descumprimento de obrigação acessória seja estabelecida de uma forma quando aplicada de forma isolada e de forma distinta quando cumulada com multa referente à obrigação principal, Fl. 3238DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 pois não há previsão legal nesse sentido. À Receita Federal cabe implementar meios para recalcular os débitos de forma a aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparando os dispositivos da lei anterior ao atual, e não criar condições prejudiciais aos contribuintes. Ressalvada minha tese sobre a questão, constatase que o meu posicionamento diverge da posição deste colegiado, que em outros julgados tem se manifestado quase à unanimidade, não fosse o voto divergente da ora relatora, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda, razão pela qual modifico o meu posicionamento para me adequar à jurisprudência deste Conselho. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja restabelecida a forma de cálculo utilizada no lançamento, que já promoveu a aferição acerca da opção mais benéfica, nos moldes requeridos pela Recorrente, a saber: a soma das duas multas, aplicadas nos Autos de Infração de descumprimento de obrigações principais e acessórias; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Patrícia da Silva Relatora Fl. 3239DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11684.001249/2009-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/11/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.683
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/11/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 217 1 216 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11684.001249/200953 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.683 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/11/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 12 49 /2 00 9- 53 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 218 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.822. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 219 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 220 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 221 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 222 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 223 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 224 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 225 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 226 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 227 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 227DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 228 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 228DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.008774/98-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1993
REVISÃO RENDIMENTOS. DE DECLARAÇÃO
Mantém-se o lançamento na medida em que a defesa não apresenta argumentos condizentes com a autuação.
Numero da decisão: 1402-002.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO.
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DE DECLARAÇÃO Mantémse o lançamento na medida em que a defesa não apresenta argumentos condizentes com a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 87 74 /9 8- 61 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.008774/9861 Acórdão n.º 1402002.163 S1C4T2 Fl. 186 2 Relatório AUTO POSTO CADIAL LTDA recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “A empresa acima identificada foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário, no valor de R$ 25.702,93, referente à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, multa proporcional e juros de mora. 2. Foi lavrado, em 04.03.1998, Auto de Infração de CSLL (fls. 01 e 02) que teve origem na revisão sumária da declaração de rendimentos do contribuinte relativa ao anocalendário de 1993 (DIRPJ/1994). As irregularidades .constatadas e seus respectivos enquadramentos legais são os seguintes: 2.1. Erro no cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro — artigo 23 da Lei nº 8.212/1991, artigo 11 da Lei Complementar n° 70/1991 e artigo 38 da Lei nº 8.541/1992. 2.2. Transporte a menor do lucro liquido para a demonstração do cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro — artigo 2° da Lei n° 7.689/1988 e Instrução Normativa SRF n° 198/1988. 3. Irresignada com a autuação, a empresa apresentou a impugnação de fls. 06 a 23, cujo teor pode ser determinado da leitura dos seus itens I e II, a seguir transcritos: "I. Está sendo a Defendente autuada com fulcro em avocada irregularidade por força de Contribuição Social sobre o Lucro (CSL). II. O auto de infração que originou a Execução foi lavrado porque, segundo o entendimento da Autoridade, a Defendente, sujeita ao recolhimento Mensal pelo lucro real, optou pelo regime de estimativa, efetuando, entretanto, nos meses que menciona, recolhimentos inferiores aos reais. Em conseqüência, o auto de infração exigelhe o recolhimento da exação e de multa de 100%, além de juros e correção monetária." (grifos do original) 4. o relatório do essencial. A seguir o voto.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 2.855 (fls. 6770) de 27/02/2003, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1993 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.008774/9861 Acórdão n.º 1402002.163 S1C4T2 Fl. 187 3 Ementa: REVISÃO RENDIMENTOS. DE DECLARAÇÃO. Mantémse o lançamento na medida em que a defesa não apresenta argumentos condizentes com a autuação.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 14/10/2004 (A.R. de fl. 72) a interessada interpôs recurso voluntário em 11/11/2004 (fls. 7495) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.008774/9861 Acórdão n.º 1402002.163 S1C4T2 Fl. 188 4 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. A decisão recorrida bem andou em sua análise. Adoto seus fundamentos na forma a seguir apresentada, tendo em vista que o recurso apresentado nada acrescentou aos argumentos da impugnação. 6. Em que pese a extensa argumentação apresentada na impugnação, esta não se coaduna com a autuação, na medida em que trata de assuntos não relacionados com as infrações constatadas pela fiscalização. 7. Segundo descrição dos fatos (fls. 02), a contribuinte foi autuada por erro no cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro e transporte a menor do lucro líquido para a demonstração do calculo da Contribuição Social sobre o Lucro. 8. Apesar de toda a argumentação da impugnante versar sobre sua opção de recolhimento do imposto de renda pelo regime de estimativa, verificase, por meio de sua Declaração de IRPJ (fls. 36 a 40), que a autuada optou pela apuração mensal do imposto. 9. A impugnante também se defende contra a aplicação de multa de 100%, ao passo que a multa aplicada foi de 75%, cujo enquadramento legal é o art. 44, I da Lei 9.430, de 27.12.1996, c/c o art. 106,11, "c" da Lei 5.172, de 25.10.1966. 10. Do exposto, VOTO no sentido de JULGAR PROCEDENTE o lançamento realizado titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721304/2011-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. COMPLEMENTAÇÃO COM LAUDO MÉDICO PARTICULAR. POSSIBILIDADE.
De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física.
In casu, constatando-se que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, complementado por laudo médico particular e perícia médica, ser portadora de cegueira desde 1992, impõe-se admitir a isenção pretendida.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos o relator e a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rayd Santana Ferreira. Fez sustentação oral o Sr. Jorge Anderson Corte Real- CRA/RS 17904.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Rayd Santana Ferreira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. COMPLEMENTAÇÃO COM LAUDO MÉDICO PARTICULAR. POSSIBILIDADE. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatando-se que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, complementado por laudo médico particular e perícia médica, ser portadora de cegueira desde 1992, impõe-se admitir a isenção pretendida. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos o relator e a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rayd Santana Ferreira. Fez sustentação oral o Sr. Jorge Anderson Corte Real- CRA/RS 17904. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta Cleberson Alex Friess - Relator Rayd Santana Ferreira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE Recorrente CENY SOARES DA SILVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. COMPLEMENTAÇÃO COM LAUDO MÉDICO PARTICULAR. POSSIBILIDADE. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatandose que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, complementado por laudo médico particular e perícia médica, ser portadora de cegueira desde 1992, impõese admitir a isenção pretendida. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos o relator e a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rayd Santana Ferreira. Fez sustentação oral o Sr. Jorge Anderson Corte Real CRA/RS 17904. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 13 04 /2 01 1- 49 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 181 2 Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Rayd Santana Ferreira Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 182 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1040.289 (fls. 134/138): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NÃO RECONHECIDA. Não tem direito à isenção do imposto de renda o contribuinte que deixar de comprovar que os rendimentos recebidos possuem natureza de proventos/ aposentadoria/pensão e que seja portador de moléstia grave discriminada em lei, reconhecida por meio de Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2009/046591905839130, relativa ao anocalendário 2008, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada omissão de rendimentos recebidos do Comando do Exército (fls. 20/23). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), reduzindo o valor do imposto a restituir. 3. Cientificado da notificação autuação por via postal em 7/2/2011, às fls. 70, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/9). 4. Intimada por via postal em 29/10/2012 da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 139/140, a recorrente apresentou recurso voluntário em 28/11/2012 (fls. 142/149). 4.1 Em síntese, expõe os seguintes argumentos de fato e direito: i) o laudo pericial emitido por serviço médico oficial, em 10/3/2009, reconhece que o contribuinte é portador de glaucoma, moléstia que lhe dá direito a isenção do imposto sobre a renda, conforme previsto no art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; ii) a despeito do laudo pericial não fixar a data de início da doença, é portadora dessa enfermidade desde o ano de 1988, conforme transcrito no campo "histórico da doença atual" do laudo pericial; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 183 4 iii) no ano de 1992 submeteuse a uma cirurgia de evisceração de um olho, fato confirmado pelo atestado médico assinado pelo Dr. J Melamed, da Clínica e Cirurgia de Olhos (fls. 174); iv) a documentação acostadas aos autos é suficiente e demonstra claramente que a moléstia aflige a recorrente, no mínimo, desde o ano de 1992 (fls. 151/174); e v) com a finalidade de robustecer sua tese, referese à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo a qual as normas que condicionam o reconhecimento da isenção à existência de laudo pericial emitido por serviço médico oficial não limitam a liberdade do julgador na apreciação das provas. É o relatório. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 184 5 Voto Vencido Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. Cingese a questão litigiosa ao reconhecimento da moléstia grave em período anterior ao da emissão do laudo pericial, especificamente para o anocalendário 2008, ora recorrido. 7. É que o laudo pericial emitido pelo Exército Brasileiro, conforme Parecer Técnico nº 612/2009, emitido em 23/3/2009, contém diagnóstico de "cegueira do olho esquerdo (OE)" e "visão subnormal no olho direito (OD)", CID: H 54.1, a partir de inspeção médica realizada no dia 10/3/2009, porém não identifica a data em que a patologia foi contraída (fls. 154/156). 7.1 No campo "histórico da doença atual", a partir de informações prestadas pelo paciente, o laudo registra que: "Paciente refere ter glaucoma desde 1988 em olho esquerdo, tendo feito cirurgia para evisceração em olho esquerdo por glaucoma absoluto. Tem glaucoma em olho direito, tendo feito facectomia deste olho em 2002, com baixa acuidade visual neste olho". 8. Pois bem. Em termos de legislação, a isenção do imposto sobre a renda para os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão1 auferidos pelos portadores de moléstia grave, está prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, da seguinte forma: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose 1 Acrescento, nessa lista, os rendimentos provenientes de reserva remunerada, tendo em vista o enunciado da Súmula Carf nº 63. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 185 6 múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (grifouse) (...) 9. Observase que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, impõe como condição para a isenção do imposto sobre a renda de que tratam os referidos incisos do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, a emissão de laudo pericial por meio de serviço médico oficial. Eis a redação: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifouse) § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). 10. Por fim, regulamentando a matéria, dispõe o art. 39 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, "in verbis": Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 186 7 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (grifouse) (...) 11. Inicialmente, destaco que a cegueira, ainda que monocular, dá ensejo ao benefício de isenção do imposto sobre a renda, desde que devidamente caracterizada por definição médica. 11.1 Com efeito, ao fazer alusão ao termo "cegueira", o inciso XIX do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, não distinguiu entre cegueira binocular e monocular, descabendo ao intérprete proceder à distinção se a lei não o fez. 11.2 No âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), constatase o entendimento reiterado e pacífico dessa Corte no mesmo sentido. A título de exemplo, transcrevo o aresto abaixo: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 187 8 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IRPF. ISENÇÃO. ART. 6º, XIV, DA LEI 7.713/1988. INTERPRETAÇÃO LITERAL. CEGUEIRA. DEFINIÇÃO MÉDICA. PATOLOGIA QUE ABRANGE TANTO O COMPROMETIMENTO DA VISÃO BINOCULAR QUANTO MONOCULAR. 1. No caso é incontroverso que a parte não possui a visão do olho direito, acometido por deslocamento de retina. Inaplicabilidade da Súmula 7 do STJ. 2. É assente na jurisprudência do STJ o entendimento no sentido da desnecessidade de laudo oficial para a comprovação de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda, desde que o magistrado entenda suficientemente provada a doença. Precedentes do STJ. (...) 4. Numa interpretação literal, devese entender que a isenção prevista no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88 favorece o portador de qualquer tipo de cegueira, desde que assim caracterizada, de acordo com as definições médicas. Precedentes: REsp 1.196.500/MT, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 2/12/2010, DJe 4/2/2011; AgRg no AREsp 492.341/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 20/5/2014, DJe 26/5/2014; AgRg nos EDcl no REsp 1.349.454/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 17/10/2013, DJe 30/10/2013. (grifouse) 5. Recurso Especial provido. (Recurso Especial nº 1.483.971/AL, Relator Ministro Herman Benjamin, 2ª Turma, Julgado em 5/2/2015). 12. Segundo o laudo pericial oficial, emitido pelo Exército Brasileiro, é incontroverso que a recorrente, quando do exame realizado em 2009, não possuía a visão do olho esquerdo, com falta de percepção visual, reconhecendose, portanto, a patologia da cegueira enumerada no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988. 13. Acontece que a recorrente providenciou a juntada aos autos de outros documentos no esforço de comprovar a sua condição, antes do ano de 2009, de portadora da cegueira monocular. Dentre eles, merecem destaque: i) o atestado médico emitido em 15/9/2008, pelo médico particular Dr. J. Melamed, mediante o qual se infere que a interessada foi submetida, no ano de 1992, a evisceração do olho esquerdo por glaucoma absoluto, sendo portadora de amaurose nesse olho em razão da retirada do conteúdo ocular (fls. 174). O termo "amaurose", segundo pesquisa que realizei, pressupõe a completa perda da visão, equivalendo a cegueira total. 2 2 http://www.portaldaretina.com.br/home/doencas.asp?cod=8 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 188 9 ii) o laudo de avaliação para concessão de benefício fiscal para aquisição de automóveis de passageiros por pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, aponta que o diagnóstico médico, datado de 22/12/2008, revelou amaurose no olho esquerdo e acuidade visual reduzida no olho direito, enquadrandose na CID: H 40.1/H 44.5. O diagnóstico foi realizado por médicos do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, instituição integrante da rede de hospitais universitários do Ministério da Educação e participante do Sistema Único de Saúde por convênio, porém constituída sobre a forma de empresa pública de direito privado. 3 14. Pareceme apropriado afirmar que tais relatórios médicos, a despeito de os diagnósticos não terem sido emitidos por serviço médico oficial, constituemse em indícios fortes no sentido da comprovação da patologia no anocalendário de 2008, objeto deste processo administrativo. Todavia, acredito que, no âmbito administrativo, não sejam suficientes. 15. É que o grau de liberdade de valoração da prova conferido ao julgador administrativo, nessa hipótese de isenção de rendimentos ao portador de moléstia grave, é bem menor àquele da autoridade judiciária, sofrendo limitações das leis e dos decretos editados pelo Poder Executivo. 16. A norma jurídica contida no art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, tem como destinatária à Administração Pública. O dispositivo legal dispõe sobre a forma de comprovação da moléstia e exige laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Exceções à regra de tributação que são, as isenções tributárias estão inseridas no campo dos atos vinculados, impondo para a sua concessão a presença das circunstâncias prevista na legislação. 17. Assim, sob a ótica do controle da legalidade pelos órgãos administrativos, não está incorreta a decisão que deixa de reconhecer o benefício fiscal por inexistir laudo pericial emitido por serviço médico oficial que confirme a moléstia no anocalendário a que se referem os rendimentos percebidos. 18. Para estender a isenção a período anterior à data da emissão do laudo, como ora se cuida, é indispensável que laudo médico oficial indique inequivocadamente a existência da patologia no período a que se refere a controvérsia sobre os rendimentos do contribuinte. 19. Na seara do Poder Judiciário, o magistrado não está vinculado à lei, possibilitando a comprovação por outros meios de prova. Desde que o racionalmente motivado o seu convencimento, o magistrado tem liberdade para apreciação das provas acostadas aos autos pelas partes, podendo concluir que diagnósticos médicos particulares são válidos e suficientes para fins da comprovação da data de início da patologia. 4 3 https://www.hcpa.edu.br/content/view/5230/1604/ 4 A jurisprudência dominante do STJ é no sentido de, em sede de ação judicial, a exigência de laudo pericial emitido por serviço médico oficial é dispensável, podendo ser suprida a comprovação da moléstia grave por outras provas acostadas aos autos. (Por exemplo, Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.160.742/PE, de relatoria do Ministro Hamilton Carvalhido, 1ª Turma, julgamento em 13/4/2010). Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 189 10 20. No âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), há o entendimento vinculante no sentido da comprovação da moléstia grave mediante laudos oficiais, conforme se percebe do enunciado da Súmula Carf nº 63, assim vazada: "Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios” (grifei) 21. Exposto assim, e tendo em vista os documentos acostados aos autos, não há conclusão médica, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, atestando a preexistência da cegueira parcial para o anocalendário de 2008. 22. Logo, os proventos de aposentadoria/pensão percebidos do Comando do Exército não são rendimentos isentos, nos termos dos disposto no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, c/c art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, relativamente ao anocalendário de 2008, exercício 2009. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 190 11 Voto Vencedor Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Redator Designado Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, quanto o posicionamento ao Recurso Voluntário, devendo ser modificada a decisão a quo, com o cancelamento da Notificação de Lançamento, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: A isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052/2004, nos termos abaixo: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;" A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: "Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios." Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 191 12 Acerca do tema, o Decreto n° 3000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o § 4° do mesmo artigo, assim dispõe: "Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIIIos proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." (grifo nosso) Ao interpretar a legislação acima transcrita, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. O primeiro reportase à natureza dos valores recebidos, devendo ser proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos autos, principalmente dos documentos comprobatórios, não restam dúvidas de que a recorrente é portadora de cegueira, motivo pelo qual lhe garante a isenção sobre proventos de aposentadoria. Aliás, tal fato é incontroverso e o próprio Conselheiro Relator corrobora. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 192 13 In casu, o ponto nodal da demanda se fixa em definir a data de início da moléstia grave, ou seja, se no anocalendário em questão, a contribuinte já era portadora de cegueira. Nesse ponto, vale lembrar que, segundo entendimento já exarado por este Conselheiro, o laudo oficial tem o intuito de suprir o requisito indispensável por Lei, não obstante poder ser complementado com outros documentos comprobatórios, como exemplos: exames e laudos médicos particulares. Destaco que para a comprovação da sua condição de portadora de cegueira, a Sra. Ceny Soares da Silveira trouxe aos autos, com a finalidade de complementar as informações do laudo oficial, os seguintes documentos: i) o atestado médico emitido em 15/9/2008, pelo médico particular Dr. J. Melamed, mediante o qual se infere que a interessada foi submetida, no ano de 1992, a evisceração do olho esquerdo por glaucoma absoluto, sendo portadora de amaurose nesse olho em razão da retirada do conteúdo ocular (fls. 174); e ii) o laudo de avaliação para concessão de benefício fiscal para aquisição de automóveis de passageiros por pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, aponta que o diagnóstico médico, datado de 22/12/2008, revelou amaurose no olho esquerdo e acuidade visual reduzida no olho direito, enquadrandose na CID: H 40.1/H 44.5. O diagnóstico foi realizado por médicos do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, instituição integrante da rede de hospitais universitários do Ministério da Educação e participante do Sistema Único de Saúde por convênio, porém constituída sobre a forma de empresa pública de direito privado. Vale salientar que, segundo o site: www.infopedia.pt/dicionarios/termos medicos a palavra "amaurose" significa perda completa da função visual, assim como já constatado pelo Relator. Dos documentos acima listados, resta claro que a contribuinte é portadora de cegueira monocular, desde a data em que se submeteu a evisceração total do conteúdo ocular do olho esquerdo (19/09/1992). Logo, os proventos de aposentadoria recebidos do Comando do Exército e a pensão recebida do Instituto Nacional do Seguro Social são rendimentos isentos, nos termos do disposto no art. no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988. No mais, ao analisarmos a fundo o Laudo Pericial Oficial, este traz no ponto "História da doença atual", todo o prospectivo da doença, inclusive salientando explicitamente a data de inicio da moléstia, ou seja, estando presente no laudo oficial, mesmo que narrado pelo paciente, é de fazer crer que os médicos responsáveis corroboraram dessas informações, pois as transcreveram e assinaram. Observese, assim, que o entendimento acima estampado encontra guarida na Súmula Vinculante CARF nº 63, supratranscrita, uma vez que restou devidamente demonstrado que os rendimentos são provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, estando a moléstia devidamente comprovada mediante laudo oficial, corroborado por exames e laudos médicos particulares se reportando a todo o histórico da doença da contribuinte, sobretudo quanto à procedimentos cirúrgicos e exames realizados, desde 1992, o que afasta qualquer dúvida em relação à sua condição no anocalendário 2008, objeto da presente demanda. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 193 14 Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência do lançamento no tocante aos proventos de aposentadoria, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS
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