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Numero do processo: 10680.933010/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO
Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza.
DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL.
Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeitos se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador.
Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3101-001.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redator designado.
EDITADO EM: 08/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente),Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeitos se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Negado Provimento ao Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redator designado. EDITADO EM: 08/01/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 10 /2 00 9- 11 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10680.933010/200911 Acórdão n.º 3101001.518 S3C1T1 Fl. 72 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente),Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: "O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com credito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 30/11/2002. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou, em 19/11/2009, manifestação de inconformidade de fls. 1 a 4, a seguir resumida. Alega que não lid impedimento legal para a compensação de valores pagos a maior ou indevidamente e que os impedimentos estão arrolados no art.74 parágrafo 3° da Lei n° 9.430, de 1996, e que tem o direito de retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade." A DRJ de Belo Horizonte indeferiu o pleito de restituição/compensação, nos termos do Acórdão 0234.842, de 26 de setembro e 2011. O fundamento adotado pela DRJ para o indeferimento do pedido foi o fato de a contribuinte só haver retificado a DCTF (reduzindo o valor do débito da contribuição anteriormente declarado) após o prazo de cinco anos. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho, alegando, em síntese: a) que a DCTF retificadora foi transmitida e aceita pelos sistemas da Receita Federal, não podendo ser descartada sob a alegação de haver sido transmitida mais de cinco anos após a realização do pagamento; b) que o procedimento da compensação não exige a retificação da DCTF, tendo a contribuinte efetuado a retificação para evitar o desencontro de informações; c) que o pagamento a maior decorreu da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de medicamentos sujeitos à alíquota zero (demonstra os cálculos em planilha anexa); Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10680.933010/200911 Acórdão n.º 3101001.518 S3C1T1 Fl. 73 3 d) requer que o presente processo seja apreciado conjuntamente aos demais processos informados em planilha anexa, pois todos tratam da mesma questão de direito, diferindo apenas quanto ao período de apuração do crédito e aos valores. É o relatório. Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de efolha 70, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101001.518, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. A questão discutida nestes autos é idêntica à tratada em diversos outros processos da contribuinte, conforme alegou a própria Recorrente. Um dos processos foi recentemente julgado na Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara desta Terceira Seção. Transcrevese excertos do voto proferido no Acórdão 3202000.864, de 20 de agosto de 2013, da ilustre Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, que adotase como fundamento na solução do presente litígio: "Nos termos do art. 170 do CTN, para fins de compensação, é certo que o ônus da prova da existência do crédito alegado cabe exclusivamente à contribuinte, que deve demonstrar ser possuidora de crédito tributário líquido e certo contra a Fazenda Nacional, a fim de que tal crédito possa ser utilizado em compensação. No caso em questão, pretende a recorrente seja aceita como prova do crédito que alega possuir, referente a fato gerador da Cofins ocorrido em 31/01/2003, as informações constantes de DCTF retificadora enviada em 11/11/2009, há 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10680.933010/200911 Acórdão n.º 3101001.518 S3C1T1 Fl. 74 4 mais de cinco anos, portanto, da ocorrência do fato gerador. Salientese que a data de envio da retificadora informada pela DRJ não foi contestada pela recorrente, presumindose, pois, verdadeira. As informações constantes da DCTF, que é instrumento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, têm efeito de confissão de dívida, constituindose tal Declaração em instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nele declarado, conforme dispõe o art. 5º do Decreto lei nº. 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. (...) § 3°. Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2°, 3° e 4° do artigo 11 do Decretolei n°1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei n°2.065 de 26 de outubro de 1983. (grifo não constante do original) Enganase a recorrente ao afirmar que, no caso, o único efeito da entrega extemporânea da DCTF seria a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória. Tal multa, de fato, existe, mas não se adequa ao caso, vez que a contribuinte não deixou de apresentar a DCTF no prazo legal, antes pelo contrário, apresentoua, e, a partir daquele momento, as informações ali constantes passaram a constituirse em confissão de dívida. É claro que as informações prestadas na DCTF podem ser alteradas e, com isso, alterarse a dívida confessada naquele instrumento. Acontece, porém, que, da mesma forma como existe prazo limite de cinco anos para a Fazenda Pública constituir crédito tributário contra o contribuinte, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação (§4º art. 150 do CTN), também há de se obedecer o mesmo prazo qüinqüenal para que o contribuinte possa exigir da Fazenda qualquer crédito tributário que porventura detenha. A segurança jurídica é via de mão dupla, tanto para o contribuinte quanto para a Fazenda Pública. Quanto a esta matéria, adoto, ainda, como razões de decidir, o voto condutor do Acórdão nº. 140200.170, proferido nos autos do processo nº 10825.900563/200815, de lavra do i. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10680.933010/200911 Acórdão n.º 3101001.518 S3C1T1 Fl. 75 5 Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, cujo teor transcrevo abaixo excertos: '........................................................................................... Nos termos do artigo 147 e seguintes, do Código Tributário Nacional, o lançamento pode darse por a) declaração; b) homologação e c) de ofício. No caso, interessanos o lançamento por homologação que à luz do artigo 150, do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de identificar a matéria tributável, apurar o quanto devido e realizar o pagamento, cabendo à autoridade administrativa homologar a atividade praticada pelo sujeito passivo ou, em discordando, efetuar o lançamento de ofício. Quando o sujeito passivo, no lançamento por homologação, identifica a matéria tributável, apura a base de cálculo e calcula o valor do tributo devido, informandoo à Administração Tributária por meio de DCTF, temse a constituição de um crédito em favor do Fisco. Neste caso é o sujeito passivo que apura o valor que reconhece devido ao sujeito ativo. Por outro lado, quando o Fisco, em lançamento por declaração ou de ofício, apura o valor do imposto devido e notifica ao sujeito passivo, tem o credor o prazo de cinco anos para exigir o respectivo tributo, sob pena de prescrição. Pelo que se depreende do artigo 149, parágrafo único, do CTN, este lapso temporal de 5 (cinco) anos também se verifica nos casos em que o sujeito passivo, nos lançamentos por homologação, comete erros na constituição do crédito. Por hipótese, se constituiu crédito tributário considerando base de cálculo além da devida, lhe é assegurado o prazo de cinco anos para retificar o ato de constituição do débito, no caso a DCTF. O prazo quinquenal de que trata o artigo 150, [§4º] do CTN, é prazo aplicável tanto em favor do Fisco quanto do contribuinte para retificarem o lançamento, nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido tal prazo não é lícito o fisco fazer exigência em face do contribuinte e, tampouco, este pode retificar DCTF para diminuir o valor anteriormente constituído. O que o contribuinte precisa entender é que ao entregar a DCTF constitui crédito em favor do Fisco, podendo retificála no prazo de 5 (cinco) anos. Decorrido tal prazo extinguese o direito da parte em retificar a DCTF.' (negrito não constante do original) Desta forma, a despeito do extremo inconformismo demonstrado pela contribuinte em relação à não aceitação da DCTF retificadora para fins de comprovação do crédito que Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 10680.933010/200911 Acórdão n.º 3101001.518 S3C1T1 Fl. 76 6 alega possuir, nada há nos autos que possa socorrer a pretensão da autora. Por se tratar de crédito tributário definitivamente constituído contra a contribuinte, também se mostra inócua a diligência requerida pela querelante, vez que, qualquer que seja a conclusão a que se chegue por conta da diligência, os valores informados na DCTF originária não mais podem ser alterados. De outro giro, entendo também inexistente qualquer nulidade na decisão recorrida, vez que não se trata de nenhum dos casos previstos no art. 59 do Decreto nº. 70.235/72. Demais disso, como afirmado pela própria recorrente em seu recurso voluntário, temse que a autoridade julgadora é livre na formação de sua convicção e na análise das provas constantes dos autos, não lhe sendo obrigado requerer diligência em razão de a recorrente entendêla necessária. Por fim, não há no Regimento Interno do CARF qualquer dispositivo que impeça julgamentos diversos, proferidos por diferentes Câmaras e/ou Turmas, em processos administrativos distintos que versem sobre idêntica matéria e refiramse ao mesmo contribuinte, de forma que não há suporte à pretensão da recorrente quanto ao pedido de julgamento único dos 25 processos que alega tramitarem no CARF ." No caso presente o pagamento supostamente efetuado a maior foi efetuado em relação ao fato gerador ocorrido em 30/11/2002, enquanto a DCTF retificadora foi transmitida em 11/11/2009. Assim, adequase perfeitamente à situação decidida segundo o voto acima transcrito. Nestes termos, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário apresentado. E são essas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
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Numero do processo: 11516.721779/2013-30
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida, por não preencher os requisitos de admissibilidade.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, por se tratar de peça intempestiva.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, por se tratar de peça intempestiva. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
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NÃO CONHECIMENTO. O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida, por não preencher os requisitos de admissibilidade. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, por se tratar de peça intempestiva. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 17 79 /2 01 3- 30 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DE SANTA CATARINA em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito Tributário. De acordo com o relatório fiscal (fls. 44/50) foram lavrados os seguintes autos de infração: a) Debcad nº 37.352.6504: relativo às contribuições devidas à Seguridade Social pelos segurados contribuintes individuais, não arrecadadas pelo órgão quando do pagamento das remunerações; b) Debcad nº 37.352.6512: referente às contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da empresa destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais; c) Debcad nº 37.352.6490: relativo ao lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória por ter a empresa apresentado GFIP das competências 01/2008 a 11/2008 com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Inconformada com o lançamento fiscal, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 77/87), tendo o colegiado de primeira instância julgado improcedente a impugnação. O acórdão recorrido (fls. 94/99) restou lavrado com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 JETON. MEMBRO DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO. REGIME PRÓPRIO. O Jeton pago a título de retribuição pelo trabalho ao integrante do órgão ou conselho de deliberação colegiada, pela participação em reuniões deliberativas, integra o salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais. Não incide contribuição sobre o Jeton pago a membro de Conselho de Administração que já seja vinculado a Regime Próprio de Previdência Social, por força de cargo efetivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL O julgamento, no processo administrativo fiscal, consiste na verificação da consentaneidade do lançamento à legislação em vigor. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.721779/201330 Acórdão n.º 2803003.927 S2TE03 Fl. 129 3 Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma, por ser matéria reservada privativamente ao Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. DEBCAD n° 37.352.6504, 37.352.6512, 37.352.6490 CFL 68 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ter sido cientificada do referido acórdão (fl. 102), a contribuinte interpôs recurso voluntário intempestivamente (fls. 109/123), no qual traz razoes pelas quais entende indevido o lançamento fiscal. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Preliminarmente, enfrento a questão da tempestividade do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Para tanto, importante ressaltar que o sistema da oficialidade, que preside o processo administrativo, caracterizase como uma sequência lógica e ordenada de atos rumo à solução final da demanda, iniciandose com a intimação do sujeito passivo e caminhando até alcançar uma decisão final. Nesse sentido, permitome tecer algumas considerações. Todo o prazo processual é delimitado por dois termos: o inicial (dies a quo), pelo qual surge a faculdade da parte em realizar algum ato, e o final (dies ad quem), em que se extingue efetivamente a faculdade assegurada inicialmente, tenha o interessado praticado ou não o ato processual a ele assegurado. E a norma adjetiva, disciplinando a matéria, estabeleceu um limite de prazo para que as partes possam produzir, de maneira válida, suas manifestações no processo. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Com efeito, o artigo 33, do Decreto nº 70.235/72, dispõe que “da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. No mesmo sentido, o artigo 5º do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, assevera que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, sendo que somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. E sobre a questão, o Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, repete a redação citada acima em seu artigo 9º, verbis: Art. 9º. Os prazos serão contínuos, com início e vencimento em dia de expediente normal da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 5º). 8. De igual sorte, esta também é a determinação dos artigos 184 e 240, parágrafo único, do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: I for determinado o fechamento do fórum; II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). [...] Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense. Importante também frisar que o próprio Código Tributário Nacional – CTN tratou da matéria, como segue: Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11516.721779/201330 Acórdão n.º 2803003.927 S2TE03 Fl. 130 5 In casu, verificase que a contribuinte foi cientificado do acórdão nº 04 34.697, prolatado pela 4ª Turma da DRJ/CGE, no dia 13/02/2014 (quintafeira), conforme cópia do AR juntado às fls. 102, começando a contar o prazo de 30 dias no dia 14/02/2014 (sextafeira), por ser o primeiro dia útil seguinte ao da intimação. Contudo, o recurso voluntário foi protocolado apenas no dia 20/03/2014, conforme fls. 109 e despacho da autoridade fiscal de fls. 126. Portanto, o recurso foi interposto fora do prazo recursal – o último dia para recorrer seria dia 17/03/2014. Dessa forma, não conheço do recurso, por não preencher o requisito formal (tempestividade) para admissibilidade recursal. Conclusão Por todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, por tratarse de peça intempestiva. É como voto. (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti – Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.915076/2009-66
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento.
Numero da decisão: 3803-006.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 50 76 /2 00 9- 66 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/01/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Sirvome do relatório da DRJ/Porto Alegre para descrever o andamento do processo até o julgamento de primeira instância, conforme seus termos abaixo: Por meio de Despacho Decisório a contribuinte antes identificada teve nãohomologada a compensação declarada por meio de DCOMP, em virtude de que o crédito apontado foi utilizado integralmente para quitação de outros débitos da empresa, não restando crédito disponível para compensação do débito informado naquela declaração. Cientificada da decisão administrativa, a contribuinte apresentou, através de procurador, longa manifestação de inconformidade. Nela faz breve descrição dos fatos, registrando, a seguir e em síntese: o Despacho Decisório deve ser anulado, porque não respeitou princípios administrativos e constitucionais. Deixou ele de atender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, ferindo princípios ligados à ampla defesa, contraditório e devido processo legal; a Fiscalização deveria ter intimado a empresa para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito, bem como seu fundamento de validade. Não houve tal intimação, donde o ato administrativo ficou desprovido da necessária fundamentação, obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. O Despacho Decisório é nulo de pleno direito; o Despacho Decisório extrapolou sua função precípua. Tornou se meio oblíquo pelo qual a Fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Ocorreu, portanto, incontestável desvio de finalidade, porquanto a interrupção do prazo de decadência do direito fazendário é apenas conseqüência do ato decisório, jamais podendo ser seu objeto; a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o processo, ofendendo o dever de instrução prescrito no art. 7º do Decreto n° 70.235, de 1972, o que implica na nulidade do Despacho Decisório; não houve qualquer diligencia por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tãosomente na injustificada negativa do crédito pretendido. Restou, pois, prejudicado o contraditório administrativo e, conseqüentemente, o devido processo legal e, ainda, a ampla e irrestrita defesa da empresa; o Despacho Decisório deveria exprimir o entendimento fiscal quanto ao crédito postulado, deixando claro qual o juízo de valor utilizado pelo Fisco para sua não aceitação. Somente assim poderia a empresa lançar seus argumentos em resposta à posição fiscal, configurando o contraditório administrativo. A defesa restou prejudicada, pois não dispõe a empresa das razões da não homologação da compensação declarada; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/01/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.915076/200966 Acórdão n.º 3803006.787 S3TE03 Fl. 102 3 o processo administrativo prima pela verdade material dos fatos, ou seja, buscase sempre o que realmente ocorreu, independentemente de suposições ou indícios. Assim, deve ser possibilitado á empresa a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, eis que o direito creditório pode ser comprovado a qualquer tempo; o valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira, o princípio constitucional do não confisco e os princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; é ilegal a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios a partir de abril de 1995, também por estar excedendo o limite máximo fixado pelo art. 161, § I", do CTN (1 % ao mês); requer seja acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, com todos os seus consectários, inclusive com o cancelamento de qualquer cobrança que possa advir daquele ato administrativo. Em julgamento da lide a DRJ/Porto Alegre refutou todos os argumentos da Manifestante, desprovendoa em decisão ementada como segue: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADH. INOCORRÊNCIA. Restando evidenciada a inocorrência de preterição do direi to de defesa, visto que o Despacho Decisório consigna, de forma clara e concisa, o motivo da não homologação da compensação, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 10 de novembro de 2011, irresignada, a Interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 67/86, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, incluindo apelo pela nulidade também do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/01/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. 1. Da ausência de fundamentação do despacho decisório Um equívoco o entendimento da Defesa ao afirmar que o Fisco deveria ter intimado a Contribuinte para saber qual a natureza e origem do crédito utilizado na DComp, e que a Fazenda não pode presumir a inexistência do crédito. Importa que se frise que a compensação declarada consubstancia o exercício de um direito potestativo, por meio do qual o contribuinte extingue o seu débito (sob condição resolutória) independentemente de prévia manifestação da Fazenda. É elementar, pois, que o crédito apresentado e utilizado na compensação seja líquido e certo, nada obstante esta circunstância não deva ser provada de pronto, para que surta o efeito legal da extinção (precária), dada a natureza desse direito do contribuinte. Será a ulterior verificação da Administração que cotejará a liquidez e certeza do crédito com que o contribuinte extinguiu o seu débito, homologando a compensação caso confirme esta qualidade. Dado o desenho dessa mecânica, em que a extinção do débito é ato unilateral do contribuinte, dessumese que é ônus seu demonstrar a presumida liquidez e certeza do crédito apresentado na compensação, com que extinguira seu débito. A verificação procedida pela Delegacia de jurisdição do contribuinte de DComp transmitida eletronicamente é – com permissão da aparente redundância , eletrônica, e procedida sobre dados constantes do sistema, informados pelo próprio contribuinte. No presente caso, a verificação promovida pela Delegacia de origem identificou que o pagamento indicado na DComp estava alocado a outro débito confessado por esta Contribuinte, não restando saldo a ser aplicado na compensação. A narrativa do evento na linguagem do despacho decisório, portanto, configura a constatação de uma verdade formal, contudo sobre dados informados pela própria Contribuinte, não havendo lugar para inquinála de estar o órgão de origem presumindo a inexistência de crédito como alude a Recorrente. Se uma outra verdade, a material, que não transparece das informações prestadas pela Contribuinte que alimentaram os sistemas da Receita Federal do Brasil, cabe a ela trazêla à tona para que fique estampada a legitimidade da extinção a que procedera do seu débito pela compensação. Em ambas as suas peças de defesa a Contribuinte em momento algum afirma qual a origem do seu crédito decorrente de um DARF que já estava alocado a débito outrora informado em DCTF. Deveria ter demonstrado sua real base de cálculo e comprovado com a apresentação de registros contábilfiscais. A Recorrente apenas tergiversou em torno da nulidade de ambas as decisões antecedentes, e deixou de apresentar a comprovação do indébito, de modo que pudesse lograr êxito; ou mesmo com isso oferecer indícios que dessem margem à elucidação e mensuração do indébito por meio de eventual diligência. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/01/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.915076/200966 Acórdão n.º 3803006.787 S3TE03 Fl. 103 5 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/01/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000115/2007-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
NORMAS GERAIS. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 NORMAS GERAIS. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
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MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 01 15 /2 00 7- 80 Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12963.000115/200780 Acórdão n.º 9202003.359 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, que decidiu dar provimento parcial a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguinte termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/2003 a 31/12/2003 DEIXAR DE RETER 11% DOS SERVIÇOS PRESTADOS ATRAVÉS DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. MULTA DE MORA. A empresa que contrata um serviço contínuo, que fica a sua disposição e se encontra previsto na lista constante no art. 219 § 2o do Decreto n. 3.048/99, deve reter 11% do valor da nota fiscal ou fatura, a título de Contribuição Previdenciária. TAXA SELIC. Previsão quando não realizado o pagamento no prazo previsto. MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Votou pelas conclusões o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há decisões divergentes quanto à forma de aplicação da retroatividade benigna, determinada pelo CTN; 2. O acórdão deve ser retificado, conforme a decisão paradigma; 3. Espera acolhimento e provimento de seu recurso. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12963.000115/200780 Acórdão n.º 9202003.359 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Sobre a questão de qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, na análise da questão verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12963.000115/200780 Acórdão n.º 9202003.359 CSRFT2 Fl. 5 7 competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado penalidades determinadas – que os sujeitos passivos poderiam sofrer na antiga legislação, com as determinadas atualmente. Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas e dou provimento ao recurso, nos termos solicitado. Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12963.000115/200780 Acórdão n.º 9202003.359 CSRFT2 Fl. 6 9 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, dou provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 16349.000084/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 08 4/ 20 09 -2 7 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 16349.000084/200927 Resolução nº 3401000.860 S3C4T1 Fl. 907 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 25/03/08, pela a Contribuinte pretende o ressarcimento do PIS nãocumulativo do quarto trimestre de 2007, referente a operações no mercado interno (fls.303/305). A delegacia de origem indeferiu o crédito, sob fundamento de que no Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0071850 foi determinado que a autoridade administrativa analisasse o pedido da Contribuinte no prazo de 30 dias. Contudo, para cumprir esse prazo seria necessário que a Contribuinte apresentasse as provas da existência do crédito, dentre elas, os livros contábeis. Como assim não fez, não ficou comprovado a existência do crédito (fls.405/409). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 412/421), mas a DRJ São Paulo I/SP manteve o indeferimento ao prolatar acórdão (fls.821/830) com a seguinte ementa: “PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O crédito pleiteado em Pedido de Ressarcimento deve ter sua liquidez e certeza comprovadas para que o pleito seja deferido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 19/11/2009 (fl. 832) e interpôs recurso voluntário em 18/12/2009 (fls.833/846) com as alegações resumidas abaixo: · O crédito em questão foi pleiteado por empresa sediada no Rio Grande do Sul, que, desde agosto de 2009, depois das sucessões empresariais, passou ser sediada na cidade de Itajaí/SC, portanto, a DRJ São Paulo I era incompetente para julgar a manifestação de inconformidade, de modo que a decisão é nula. · O despacho de decisório é nulo, vez que o prazo concedido para apresentação dos documentos para comprovação do crédito, cinco dias, foi insuficiente e a legislação determina o mínimo de vinte dias; · Também configura o cerceamento de defesa no acórdão da DRJ, ao exigir que a Recorrente tivesse apresentado os arquivos digitais, quando as informações presentes neles podem ser verificadas nos arquivos juntados à manifestação de inconformidade; Fl. 456DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 16349.000084/200927 Resolução nº 3401000.860 S3C4T1 Fl. 908 3 · A Recorrente não poderia anexar os documentos comprovadores de seu crédito à PER/DCOMP e, como o prazo dado pela delegacia de origem foi insuficiente, juntou posteriormente aos autos documentos como cópias das DACONs, planilhas com a composição das DACONs e as informações como data de geração de crédito, data de pedido de ressarcimento, data de estorno de crédito, dentre outras informações. Além disso, em razão do grande volume de documentos, não foram anexados aos autos, mas foram expressamente colocados à disposição do Fisco em caso da realização de diligência livros fiscais, livros contábeis e notas fiscais; · Com base no Princípio da Verdade Material, os documentos apresentados pela Recorrente e deixados à disposição do Fisco devem ser analisados. Ao fim, a Recorrente pediu a declaração de nulidade do acórdão da DRJ em razão da incompetência; a declaração de nulidade do acórdão da DRJ em razão do cerceamento de defesa ou o reconhecimento do direito ao ressarcimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende o ressarcimento de crédito do PIS nãocumulativo e se insurge contra o acórdão da DRJ sob alegação, preliminar, de nulidade da decisão da instância inferior e, no mérito, sustenta que os documentos apresentados nos autos de colocados à disposição de diligências comprovam a existência do crédito. Sendo assim, devese analisar as nulidades arguidas pela Recorrente e, se ultrapassadas, julgar a existência de crédito. 1. Da nulidade do despacho decisório A Recorrente alega que o despacho decisório é nulo, pois teria sido proferido com cerceamento de defesa, vez que a não lhe foi dado prazo suficiente para apresentar os documentos necessário a provar a existência do crédito. Neste ponto, não cabe razão a Recorrente. Na situação de fato, quando moveu a ação judicial requerendo mais rapidez na análise de pedido de ressarcimento, a Recorrente já deveria ter separados os documentos que supostamente provam a existência do crédito. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 16349.000084/200927 Resolução nº 3401000.860 S3C4T1 Fl. 909 4 Além disso, o prazo dado pela autoridade fiscal para a apresentação dos documentos fezse necessário em razão do exíguo tempo para o cumprimento da liminar. Na decisão judicial liminar de fl. 268/271, o Excelentíssimo Magistrado da 15ª Vara Cível da Seção Judiciária do Estado de São Paulo concedeu o prazo de apenas trinta dias para que delegacia de origem se manifestasse, conclusivamente, sobre o pedido de ressarcimento. Caso fossem concedidos vinte dias para que a Contribuinte apresentasse os documentos, seria inviável cumprir a decisão liminar. Como a autoridade fiscal agiu em cumprimento à decisão judicial, cuja origem foi um pedido da própria Contribuinte, não se vislumbra a ocorrência de qualquer tipo de nulidade do despacho decisório proferido nessas circunstâncias. Portanto, não há razão para declarar o despacho decisório nulo. 2. Da existência do crédito As ocorrências no presente processo demonstramse atípicas. Notase que, em razão da decisão judicial, o prazo dado à Contribuinte para apresentação dos documentos foi inferior ao prazo que se pratica. Com isso, o crédito negado por falta de prova e que o resultado poderia ter sido diferente em outras circunstâncias. Nas fls. 728/818 dos presentes autos, a Recorrente juntou DACONs e planilhas para demonstrar a existência do crédito, bem como se pôs à disposição para apresentar demais documentos necessários para provar o direito creditório. Diante dos fatos ocorridos e do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal, é caso de realização de diligência, a fim de que o direito ao crédito seja analisado com mais detalhes. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, a qual deve analisar os documentos já apresentados nos autos e intimar a Recorrente para apresentar os documentos necessários e, ao fim, elaborar relatório conclusivo respondendo às seguintes questões: 1 A Contribuinte tem direito ao crédito do PIS nãocumulativo de operações no mercado interno referente ao quarto trimestre de 2007? Em caso de resposta positiva, qual o valor do crédito? 2 O crédito é suficiente para extinguir o débito compensado? 3 – Fazer juntada das Portarias que definiram a competência da DRJ São Paulo I, especificamente deste processo. Após a conclusão da diligência, a Contribuinte deve ser intimada para, querendo, apresentar manifestação no prazo de trinta dias. Vencido o prazo, os autos devem retornar para julgamento do CARF, ainda que a Recorrente não tenha se manifestado. Ex positis, converto o julgamento em diligência, nos termos propostos acima. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.721857/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62-A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade Presidente (assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo de Andrade (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo de Andrade (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .7 21 85 7/ 20 11 -3 1 Fl. 4719DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10935.721857/201131 Resolução nº 1302000.234 S1C3T2 Fl. 12 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto por ATACADO LIDERANCA DE TECIDOS E CONFECCOES LTDA., já qualificada nos presentes autos, em face do acórdão nº 0637.817, proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba, em 16 de agosto de 2012 que, ao apreciar sua Impugnação, negou provimento. Trata o processo de autos de infração de IRPJ e reflexos, do anocalendário 2007. O auto de infração de IRPJ (fls. 2023/2033) resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 2066/2082: a) Depósitos bancários de origem não comprovada: nos períodos de 03/2007, 06/2007, 09/2007 e 12/2007. Enquadramento legal no art. 47, incisos I, II, III e VII da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; arts. 3°, §1°, 16 e 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 1°, 27, inciso I, e 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996; artigos 530, 532 e 537 do RIR/1999. Multa de 150%; b) Receitas operacionais – Revenda de mercadoria: nos períodos de 03/2007, 06/2007, 09/2007 e 12/2007. Enquadramento legal no art. 47, incisos I, II, III e VII da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; arts. 3°, §1°, 16 e 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 1°, 27, inciso I da Lei nº 9.430, de 27/12/1996; artigos 530, 532 e 537 do RIR/1999. Multa de 75%; Foram lavrados os autos de infração reflexos de CSLL, PIS e COFINS, também com a multa qualificada de 150% incidente sobre o valor dos depósitos bancários não comprovados e de 75% sobre a omissão de receitas operacionais. Cientificada dos autos de IRPJ e reflexos em 16/12/2011, a contribuinte apresentou tempestiva impugnação em 13/01/2012, que se resume a seguir: DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO – AUTO DE INFRAÇÃO COM LASTRO NA CONTABILIDADE DA IMPUGNANTE a) que a medida fiscal não merece prosperar, haja vista que todas as operações estão devidamente registradas na escrita contábil e fiscal, que foram disponibilizados para a verificação fiscal; b) que, ainda que os registros contábeis e fiscais possam conter incorreções ou falta de registros, a apuração do lucro pelo regime ARBITRADO é medida extrema, admitida somente depois de esgotados todos os demais meios de se apurar o lucro efetivamente auferido. E, mesmo assim, quando cabível o arbitramento, devese tomar todas as cautelas para evitar possível insegurança quanto ao lançamento, uma vez que o crédito tributário deve ser revestido de certeza e liquidez, sob pena de sucumbir ao menor indício da ausência desses atributos. Cita decisão do Conselho de Contribuintes; c) que, segundo a fiscalização, a exigência do imposto Fl. 4720DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10935.721857/201131 Resolução nº 1302000.234 S1C3T2 Fl. 13 3 com base no arbitramento decorre da desclassificação da escrita contábil, relativamente ao ano calendário 2007, em face da impossibilidade de reconstituir toda a escrita com a inclusão dos registros não localizados; d) que, se a escrita contábil apresentada mostrouse consistente ao ponto de o próprio Auditor Fiscal reconhecer que nenhum reparo necessitou ser feito, a intimação para reconstituição da escrita afigurase medida arbitrária, que pretendia induzir o contribuinte a produzir prova contra si mesmo, artifício vedado pelo ordenamento jurídico vigente; e) que, considerando que apresentou as informações contábeis solicitadas, ainda que sejam identificados erros ou omissão de determinados registros, a fiscalização utilizouse dessa escrita fiscal para apurar as diferenças ora exigidas por meio de auto de infração, conforme ficou evidenciado na transcrição acima reproduzida. Não bastasse isso, a simples verificação do extrato bancário da conta corrente supostamente não contabilizada é suficiente para se verificar que a omissão de receita no montante estimado pelo douto Auditor Fiscal não ocorreu; f) reproduz quadro resumo com os saldos apurados ao final de cada mês, durante o ano calendário de 2007. Afirma que o quadro indica que o saldo de abertura (em 02/01/2007) era devedor e o maior saldo credor totaliza apenas R$ 90.676,52, (em 31/12/2007), portanto, os números são incompatíveis com a suposta omissão de receitas apontada no levantamento fiscal; g) que as vendas estão integralmente contabilizadas, não obstante o ingresso do numerário seja registrado em datas diversas, de acordo com a negociação avençada com cada cliente; h) que o arbitramento do lucro pela desclassificação da escrita contábil não prospera, uma vez que os livros e arquivos magnéticos entregues atendem à legislação vigente e os registros são compatíveis com as operações realizadas pela Impugnante, conforme reconhecido pelo próprio signatário da autuação; i) que incumbe ao Agente Fiscal promover o lançamento de eventuais diferenças que forem identificadas e não exigir do contribuinte que refaça toda escrita que já foi apresentada e considerado adequado; j) cita decisões do CARF; k) quando da intimação para se manifestar sobre os créditos relacionados que não representavam receitas, foi informada que dos valores apresentados deveriam ser abatida a importância de R$ 9.160.100,45 referente a cheques de clientes, descontados no Banco do Brasil cujos créditos efetivados naquela conta; e que o Auditor Fiscal considerou insuficientes as alegações desacompanhadas das listagens das respectivas notas fiscais devidamente registradas e contabilizadas; l) que promove a totalidade de suas vendas a prazo mediante a contrapartida de cheques predatados em substituição a boletos bancários e/ou duplicatas; e que, necessitando de capital de giro, efetuava descontos de tais cheques junto a instituição financeira sendo onerada com o pagamento de juros cobrados até o vencimento dos referidos cheques; m) que a vinculação dos créditos líquidos efetuados na conta corrente referente aos diversos descontos de cheques, com as respectivas notas fiscais de vendas estão demonstradas pelas planilhas 1 e 2 anexadas (Doc. 03); n) que, caso seja mantido o arbitramento de lucros, deverá ser reduzida a sua base de cálculo (Receita Omitida) de R$ 35.833.706,41 para R$ 26.673.605,96, em face da exclusão devidamente comprovada; o) Contesta a multa de 150%, conforme razões lançadas no Termo de Verificação Fiscal (pg. 0810), lastreada nas disposições dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1964 e artigo 44, § 1o da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Argumenta que, de acordo com os dispositivos acima transcritos, para que se configure a fraude é necessário, inicialmente, que tenha ocorrido uma ação ou omissão dolosa do sujeito passivo tributário. E mais, essa ação ou omissão dolosa tem de ser devidamente demonstrada e comprovada pelo fisco federal, não se admitindo qualquer tipo de presunção. Há de se perquirir e demonstrar cabalmente a conduta material praticada pelo sujeito passivo, ou seja: que ele agiu com consciência e vontade de praticar o fato descrito na norma; p) que, mesmo que os lançamentos tributários objeto dos Autos de Infração em questão prosperem, temse que as Fl. 4721DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10935.721857/201131 Resolução nº 1302000.234 S1C3T2 Fl. 14 4 respectivas multas de ofício não poderão sofrer atualização com base na Taxa SELIC, por ocasião da sua cobrança, tal como deverá sofrer o imposto. Foi lavrado processo de representação fiscal para fins penais, sob o número 10935.721858/201185, que foi apensado ao presente, conforme despacho de fl. 2083. Ao apreciar a defesa apresentada, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR negou provimento, nos termos do acórdão mencionado, cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Nos termos da legislação do PAF, toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 MULTA QUALIFICADA. TRIBUTOS DECLARADOS COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DOLO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A reiterada declaração de tributos apurados com base de cálculo reduzida infere a intenção de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, dos respectivos fatos geradores, caracterizando o dolo de sonegação, e portanto o evidente intuito de fraude que tipifica a multa qualificada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal, e não procede a reclamação de aplicação da taxa Selic sobre a multa qualificada, quando o demonstrativo de multa e juros de mora é claro ao demonstrar a incidência dos juros de mora somente sobre o principal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. PROVA. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DESCONTO BANCÁRIO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É insuficiente para provar a origem dos depósitos bancários a alegação de operação de desconto bancário de cheques pósdatados acompanhada somente de planilha vinculando cada ingresso à relação de notas fiscais, sem apresentação do contrato bancário, sobretudo Fl. 4722DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10935.721857/201131 Resolução nº 1302000.234 S1C3T2 Fl. 15 5 quando as taxas de juros calculadas são incompatíveis com valores do mercado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS. A falta de escrituração de contas bancárias torna a contabilidade imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, autorizando o arbitramento do lucro. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão de primeira instância e com ela não se conformando, a interessada interpôs tempestivo recurso voluntário (fls. 4577/4607), onde apresenta em síntese, os seguintes argumentos de defesa: a) que a apuração do lucro pelo regime arbitrado é medida extrema, admitida somente depois de esgotados todos os demais meios de se apurar o lucro efetivamente auferido. E, mesmo assim, quando cabível o arbitramento, devemse tomar todas as cautelas para evitar possível insegurança quanto ao lançamento, uma vez que o crédito tributário deve ser revestido de certeza e liquidez, sob pena de sucumbir ao menor indício da ausência desses atributos; b) que o arbitramento do lucro pela desclassificação da escrita contábil não prospera, uma vez que os livros e arquivos magnéticos entregues pela Recorrente atendem à legislação vigente e os registros são compatíveis com as operações realizadas pela Recorrente, conforme reconhecido pelo próprio signatário da autuação; c) que, com base no ordenamento legal e na jurisprudência administrativa colacionada, deve ser julgada improcedente a exigência fiscal lastreada na apuração "arbitrada" pela autoridade fiscal e todos os seus reflexos; d) que, necessitando de capital de giro, a Recorrente efetuava descontos de tais cheques junto a instituição financeira sendo onerada com o pagamento de juros cobrados até o vencimento dos referidos cheques. Assim, constatase nos extratos bancários da conta corrente n° 77755 do Banco do Brasil S/A inúmeras operações de descontos de cheques que somados no ano importam na quantia de R$ 9.160.100,45; e) que os valores referemse a vendas de mercadorias a prazo mediante o recebimento de cheques prédatados. Estas vendas são acobertadas pelas respectivas notas fiscais devidamente registradas no livro de registro de saídas (vide cópias dos livros em anexo Anexo 1 da impugnação); f) que, para a comprovação da contabilização das referidas notas fiscais a Recorrente junta aos autos cópia de inteiro teor dos livros diários (Anexo 2 Fl. 4723DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10935.721857/201131 Resolução nº 1302000.234 S1C3T2 Fl. 16 6 da impugnação). A vinculação dos créditos líquidos efetuados na conta corrente referente aos diversos descontos de cheques, com as respectivas notas fiscais de vendas estão demonstrados pelas planilhas 1 e 2 anexadas (Doc. 03 da impugnação); g) que, de acordo com os dispositivos legais, para que se configure a fraude é necessário, inicialmente, que tenha ocorrido uma ação ou omissão dolosa do sujeito passivo tributário. E mais, essa ação ou omissão dolosa tem de ser devidamente demonstrada e comprovada pelo fisco federal, não se admitindo qualquer tipo de presunção. Há de se perquirir e demonstrar cabalmente a conduta material praticada pelo sujeito passivo, ou seja: que ele agiu com consciência e vontade de praticar o fato descrito na norma; h) que, para a configuração de fraude é necessária a demonstração cristalina do ato cometido pelo sujeito passivo que a ensejou, haja vista a gravidade da pena que se pretende imputar; i) que não basta a mera alegação de insuficiência de recolhimento de tributos, especialmente quando o próprio Auditor Fiscal afirma que a Recorrente apresenta regularmente as diversas declarações exigidas pelo fisco e que estas estão compatíveis, além de manter escrita fiscal e contábil regular; j) que as alegações aduzidas pelo douto Auditor Fiscal não se sustentam. Afinal, se a escrita fiscal está em ordem a suposta falta de registros relativos à movimentação de uma única conta bancária não é suficiente para macular os registros regularmente lançados em todas as demais contas tanto patrimoniais quanto de resultado. Descartada a hipótese de desclassificação da escrita contábil, não há falarse em fraude ou sonegação, ainda mais com base em argumentos pífios como o fato de os balanços serem assinados pelos próprios sócios; k) que, nos termos do entendimento do STF, os extratos bancários fornecidos sem ordem judicial constituem prova ilícita, desprovidas de validade jurídica, a teor do que dispõe o art. 5o , LVI da CF/88, pelo qual "são inadmissíveis no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; l) que a pretensão fiscal afronta os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, na medida em que se pretende aplicar a pena mais severa prevista no ordenamento por conta de suposta falta omissão de receitas que teria resultado em insuficiência de recolhimento. Afinal, não se pode olvidar que insuficiência e falta de recolhimento são situações distintas, o que pressupõe imposição de penalidade também distinta; m) que não é aplicável a taxa SELIC para a cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício; Conclui com o pedido de que os autos de infração em tela julgados improcedentes, em toda sua extensão, em face da impossibilidade de arbitramento com base nas razões de fato e fundamentos de direito ora apresentados. Fl. 4724DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10935.721857/201131 Resolução nº 1302000.234 S1C3T2 Fl. 17 7 Solicita que seja determinada a revisão do lançamento, com a apuração do resultado pelo regime do lucro real, seja reduzida a base de cálculo do lançamento para a importância de R$ 26.673.605,96, que seja afastada a exigência da multa qualificada, em razão da ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade e, por último que seja afastada a aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício, por ocasião do seu eventual pagamento. É o relatório. Fl. 4725DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10935.721857/201131 Resolução nº 1302000.234 S1C3T2 Fl. 18 8 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A infração apurada pelo Fisco foi a omissão de receitas, quantificadas mediante depósitos bancários para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não logrou comprovar a origem. Entre outras razões recursais, o sujeito passivo argúi a inconstitucionalidade dos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, fundamento legal mediante o qual a fiscalização teve acesso, administrativamente, à movimentação bancária da pessoa jurídica fiscalizada. No âmbito administrativo, releva observar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes, que transcrevo abaixo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Posteriormente, diante da necessidade de uniformizar os procedimentos previstos no parágrafo 1º, acima, foi publicada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, da qual destaco: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. § 1º. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: Fl. 4726DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10935.721857/201131 Resolução nº 1302000.234 S1C3T2 Fl. 19 9 I – o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II – o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VI , do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2º. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessao de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I – decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II – recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3º. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1º e 2º, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. Pois bem. A matéria da qual trata este processo administrativo se encontra sob apreciação do Supremo Tribunal Federal em diversos processos, entre os quais cumpre destacar o Recurso Extraordinário 601314, com a decisão que segue1: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Embora reconhecida pela Suprema Corte a repercussão geral (CPC, art. 543A), não encontro menção, no referido Recurso Extraordinário, ao sobrestamento de recursos previsto no art. 543B do Código. Não obstante, em diversas outras decisões se encontram referências inequívocas ao sobrestamento de recursos versando sobre essa matéria. Confirase, a título exemplificativo, o Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 7147572: DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações 1 RERG 601314, em 22/10/2009, DJe nº 218 Divulgação 19/11/2009 Publicação 20/11/2009, Relator Min. Ricardo Lewandowski. 2 DJe nº 217, divulgado em 14/11/2011. Decisão Monocrática. Fl. 4727DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10935.721857/201131 Resolução nº 1302000.234 S1C3T2 Fl. 20 10 bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator No mesmo sentido, decisão monocrática no RE 3543933: REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF). DECISÃO: O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto dos presentes autos – a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Os temas serão submetidos à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. O Plenário da Corte, ao apreciar a questão de ordem nos autos do RE 540.410, Relator o Ministro Cezar Peluso, DJe de 04.09.2008, decidiu estender a aplicabilidade do instituto da repercussão aos recursos interpostos contra acórdãos publicados anteriormente a 3 de maio de 2007. Destarte, tendo recebido em conclusão o referido processo em 03.03.11, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CEZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Tenho por certo, assim: que o presente processo administrativo trata de matéria idêntica àquela submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543B do CPC; 3 DJe nº 195, divulgado em 10/10/2011. Relator Min. Luiz Fux. Fl. 4728DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10935.721857/201131 Resolução nº 1302000.234 S1C3T2 Fl. 21 11 que ainda não há decisão definitiva de mérito por parte da Suprema Corte; e que recursos com a mesma matéria têm sido devolvidos aos Tribunais de origem, para os efeitos do art. 543B do CPC. Considero, pois, plenamente atendidas as condições para a aplicação do § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, anteriormente transcrito. Por todo o exposto, voto pelo sobrestamento do julgamento do recurso do presente processo, nos termos do art. 62A, § 1º, do Anexo II do RICARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 4729DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 31/05/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10469.905831/2009-72
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. DUPLICIDADE. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA.
O vácuo na legislação tributária frente ao potencial enriquecimento sem causa do Erário autoriza o julgador administrativo a ultrapassar a legalidade estrita e buscar a solução na juridicidade constitucional, suficiente apenas para criar uma norma concreta e específica para o caso em análise, conforme os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.
Numero da decisão: 1801-002.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DUPLICIDADE. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. O vácuo na legislação tributária frente ao potencial enriquecimento sem causa do Erário autoriza o julgador administrativo a ultrapassar a legalidade estrita e buscar a solução na juridicidade constitucional, suficiente apenas para criar uma norma concreta e específica para o caso em análise, conforme os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 58 31 /2 00 9- 72 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10469.905831/200972 Acórdão n.º 1801002.215 S1TE01 Fl. 78 2 IMPORTADORA COMERCIAL DE MADEIRAS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1144.432 (fl. 53), pela DRJ Recife, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata da declaração de compensação nº 05870.19443.160309.1.7.046023 (fl. 12) que foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório de fl. 10: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima Identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA 0 DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR) PERDCOMP(PD) DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO VALOR ORIGINAL DISPONÍVEL 1403627521 93.688,98 PD: 30372.41310.291104.1.3.042308 37.717,76 PD: 04558.30990.301106.1.7.040155 3.728,45 Db: cód 2362 PA 31/03/2003 50.506,81 1.935,96 VALOR TOTAL 91.953,02 1.935,96 Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, em que reconhece a utilização de parte do pagamento apontado no débito cód 2362 PA 31/03/2003 (R$ 50.506,81) e de outra parte na DCOMP nº 04558.30990.301106.1.7.040155 (R$ 3.728,45). Todavia, discorda da afirmação de que parte desse pagamento foi utilizado na DCOMP nº 30372.41310.291104.1.3.042308 (R$ 37.717,76). Em sua defesa, afirma que esta última DCOMP foi alterada e o débito correspondente foi quitado por meio da DCOMP nº 01561.60507.281206.1.7.02.2159. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Essa decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. Não se reconhece o crédito que já tenha sido utilizado para quitar débitos da contribuinte. O controle da cobrança de débitos, para se evitar eventuais cobranças em duplicidade, não é feito pela DRJ, pela ausência de competência, mas pelas unidades de origem do processo. Para tanto, aquela autoridade julgadora apóiase em consultas realizadas nos sistemas de controle da Administração Tributária que confirmam os dados apontados no despacho decisório atacado. As consultas realizadas também confirmam que a DCOMP nº Fl. 78DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10469.905831/200972 Acórdão n.º 1801002.215 S1TE01 Fl. 79 3 01561.60507.281206.1.7.02.2159, homologada tacitamente, também extinguiu totalmente o mesmo débito apontado na DCOMP nº 30372.41310.291104.1.3.042308. Diante da sobreposição de quitações, a DRJ deu preferência à primeira DCOMP apresentada, que obteve explícita homologação por parte do Fisco. Também informa que o pedido de cancelamento desta última DCOMP foi indeferido. Cientificado dessa decisão em 03/01/2014 (fl. 69), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 72, por meio do qual tece as considerações resumidas nos seguintes excertos: 4. Com efeito, afirmou a DRJRecife, no item 9, que a PER/DCOMP r»2 2159 foi transmitida e houve a homologação total da compensação, concluída em 31/8/2012, cinco anos após a transmissão do pedido de compensação acima mencionado. 5. Pelo exposto, com a confirmação da dita compensação, não existem argumentos outros que possam contrapor esses fatos incontestes. ... 8. Quanto à alegação de que já foi editado Despacho Decisório, indeferindo compensação, devese alertar que, além de ter»m sido objeto de impugnação, não devem interferir no julgamento deste processo, haja vista a comprovação da liquidação do débito do IRPJ, de agosto/2002, pela homologação de sua compensação, fato inconteste, corroborado pela assertiva da DRJRecife. ... 9. Já, no item 15, de fl. 67, salienta a DRJRecife que, quanto a possíveis cobranças em duplicidade, afirma que "não cabe à D RJ o controle sobre os processos de cobrança" , em total desrespeito ao inalienável direito do contribuinte de ter os seus pleitos analisados, independentemente da Repartição que os julgue. 10. Se existe possibilidade de cobranças em duplicidade, caberia à DRJ o saneamento do processo, pela sua remessa à DRF Natal, a quem competiria, segundo aquela Repartição, a responsabilidade pelos processos de revisão. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10469.905831/200972 Acórdão n.º 1801002.215 S1TE01 Fl. 80 4 Entendo ser necessário um resumo dos fatos que formam a circunstância da presente lide. Em 29/11/2004, o contribuinte apresentou a DCOMP nº 30372.41310.291104.1.3.042308, que extinguiu parte do crédito tributário (R$ 37.717,76) de código 2362 relativo a agosto de 2003 que monta R$ 83.559,30. Em 28/12/2006, o contribuinte apresenta uma nova DCOMP (01561.60507.281206.1.7.02.2159), extinguindo a totalidade do crédito tributário supracitado. Todavia, não retificou a DCOMP anterior. Em 07/11/2008, a primeira DCOMP foi explicitamente homologada, embora parcialmente, o que tornou definitiva a compensação nela declarada. Em sede de manifestação de inconformidade, formalizada no processo nº 10464.902934/200808, o contribuinte questionou essa homologação, solicitando o cancelamento da DCOMP, o que foi negado em 13/10/2011. Em 28/12/2011, a segunda DCOMP foi homologada tacitamente, tornando definitiva a compensação nela declarada. Na DCOMP sob análise no presente processo, apresentada em 16/03/2009, o contribuinte utiliza o mesmo crédito utilizado na supracitada DCOMP nº 30372.41310.291104.1.3.042308. A DRJ entendeu que isso não seria possível, uma vez que esta já havia sido homologada. Assim, não há dúvida de que o direito de crédito apontado é líquido e certo, a questão reside no fato de o referido indébito ter sido utilizado em DCOMP anteriormente apresentada e já homologada. É certo que o referido indébito foi utilizado para extinguir, por compensação, um determinado crédito tributário, todavia também é certo que o mesmo crédito tributário foi igualmente extinto por outra DCOMP, também homologada. Portanto, o contribuinte errou ao apontar dois indébitos distintos para extinguir o mesmo crédito tributário. A Administração Tributária aceitou as duas extinções, sem apontar a sobreposição. O contribuinte agora tenta reparar o seu erro, utilizando o primeiro indébito em outra compensação e este é o objeto da presente lide. Entendo que a duplicidade na extinção do mesmo crédito tributário configura enriquecimento sem causa do Tesouro, o que fere o princípio constitucional da moralidade administrativa, mormente diante do esforço do contribuinte em evitar o dano ao seu patrimônio. Por outro lado, não existe um procedimento administrativo específico que possa evitar essa irregularidade. Portanto, há aqui um vácuo na legislação tributária frente ao potencial dano a uma norma constitucional. Entendo que a situação que se apresenta autoriza o julgador administrativo a ultrapassar a legalidade estrita e buscar a solução na juridicidade constitucional, suficiente apenas para criar uma norma concreta e específica para o presente caso, conforme os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10469.905831/200972 Acórdão n.º 1801002.215 S1TE01 Fl. 81 5 Nessa senda, a solução que encaminho é a homologação da presente compensação, desconsiderando o erro no procedimento do contribuinte e acatando a sua vontade de utilizar o seu direito de repetição conforme exposto no Recurso Voluntário. Agindo assim, preservase o princípio da moralidade administrativa sem que haja qualquer prejuízo material para a Fazenda Nacional. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação em tela. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 81DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10980.004053/2003-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS.
Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de
compensação realizados em relação a débitos vencidos.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros
moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria
da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos
federais. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso voluntário. Acompanhamento, pela recorrente, Dr. Tiago Santiago, OAB/DF n° 33.560.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso voluntário. Acompanhamento, pela recorrente, Dr. Tiago Santiago, OAB/DF n° 33.560. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 40 53 /2 00 3- 18 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Versa o presente acerca do pedido de ressarcimento a título de saldo credor de IPI de fl. 58, relativo ao 1o trimestre de 2003, no montante de R$ 930.000,00, o qual veio substituir pedido anteriormente apresentado, no valor de R$ 1.898.523,32 (fl. 04). Canceladas, a requerimento da interessada, as declarações de compensação vinculadas ao último (fls. 54/56), restaram atreladas ao primeiro as declarações de compensação de fls. 57 e 99/106. Por meio do Despacho Decisório de fls. 115/117, foi parcialmente reconhecido o direito creditório pleiteado, reduzindose o montante original, de R$ 930.000,00, ao valor de R$ 877.878,43, face à indevida escrituração, no 1o trimestre de 2003, da importância de R$ 52.121,57. Em conseqüência, ante o acréscimo de multa e juros de mora no âmbito da valoração operada, restaram não homologadas compensações no montante de R$ 149.831,87, dando ensejo à carta cobrança e respectivos documentos de arrecadação de fls. 111/114. Inconformada, em 17 de junho de 2005, apresenta a interessada manifestação de inconformidade (fls. 127/136), onde, em síntese, assevera que, ao protocolizar o primeiro pedido de compensação, uma vez observado que o prazo para compensação já havia ultrapassado a data limite, teria apurado a multa relativa ao período em questão, qual seja, 15 de abril 2003, até a data do protocolo do pedido de compensação, em 24 de abril 2003. Não caberia, assim, novo lançamento de multa e juros de mora. Segundo a impugnante, de acordo com o próprio despacho decisório, a data a ser considerada para a compensação seria a do pedido de ressarcimento. E as declarações de compensação originais teriam sido protocolizados dentro dos respectivos prazos. Quanto à indevida escrituração, no primeiro trimestre de 2003, de direito creditório no valor de R$ 52.121,57, não obstante reconhecimento neste sentido, alega que, após mais de dois anos do protocolo do pedido de ressarcimento, não se poderia imputar à impugnante o pagamento de multa e juros de mora, pois ausente intenção de que referido aproveitamento ocorresse em trimestre anterior ao devido. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10980.004053/200318 Acórdão n.º 3802003.900 S3TE02 Fl. 258 3 Argumenta que, caso venha a aproveitar tal crédito, fará sem a incidência de juros ou atualização monetária, em afronta ao princípio constitucional da isonomia. Ao final, face à inexistência de excesso de compensação, requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade e integralmente homologada a compensação pleiteada. Para tanto, carreia aos autos os documentos de fls. 137/170. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BEL no 0127.584, de 29/10/2013, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. VALORAÇÃO. MULTA. JUROS. Uma vez apurada insuficiência de crédito a fazer frente aos débitos pela interessada confessados, inexorável a incidência de acréscimos moratórios sobre os débitos indevidamente compensados, na forma da legislação de regência, até a data da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes na sua manifestação de inconformidade. Argumenta que ocorreram equívocos, segundo a fiscalização de R$ 52.121,57, segundo não passível de ressarcimento. A Recorrente, em 29/07/2003, pediu a alteração do valor do crédito de IPl (processo n° 10980.004053/200318) de R$ 1.898.523,32 para R$ 930.000,00, pois, foi realizada a regularização dos créditos apropriados indevidamente, através de alteração do Livro Registro de Apuração de IPl do anobase de 2003, de retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF do referido ano base, além de alteração dos Pedidos de Declaração de Compensação, apresentando nova Declaração de Compensação. Prossegue, alegando que é ilegal o lançamento de multa e juros de mora e que não se pode cobrar multa e juros à taxa Selic, após 2 anos de protocolo do pedido de ressarcimento, por conta da demora de análise do despacho decisório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Solicita juntada de documentos para comprovar o crédito apurado e declarado na Perd/Comp. Ressaltese que em nível de recurso voluntário apresenta alteração contratual e procuração. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Inicialmente, a recorrente solicitou pedido de ressarcimento do IPI, relativo ao 1 ° trimestre de 2003, no valor de R$ 930.000,00 em 29/07/2003 referente a IPI incidente na aquisição de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) empregados na industrialização de embalagens plásticas para produtos alimentícios, que deram saída do estabelecimento industrial com suspensão do imposto a empresas de alimentos no Pais, e de crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS/COFINS incidentes sobre insumos aplicados em produtos exportados, referentes ao 1 ° trimestre de 2003; em substituição ao pedido anteriormente apresentado, no valor de R$ 1.898.523,32. Através do Despacho Decisório foi parcialmente reconhecido o direito creditório pleiteado, reduzindose o montante original, de R$ 930.000,00, para o valor de R$ 877.878,43, por conta indevida da escrituração, no 1o trimestre de referência, restando a importância de R$ 52.121,57. Em assim sendo, diante do acréscimo de multa e juros de mora, remanesceram não homologadas as compensações no valor de R$ 149.831,87. O valor remanescente foi motivado por conta da escrituração indevida de crédito de insumos no livro RAIPI, CFOP 2922com lançamento efetuado a título de simples faturamento, decorrente de compra para recebimento futuro no valor de R$ 309.627,27 e deixou de escriturar crédito de insumos adquiridos e utilizados na industrialização de produtos com CFOP 2116 compra para industrialização originária de encomenda para recebimento futuro no valor de R$ 257.505,70 referente a insumos com alíquota do IPI de 5 %, daí o equívoco no valor de R$ 52.121,57 sendo uma parcela não passível de ressarcimento. A recorrente reconhece a impossibilidade do direito creditório no valor acima (R$ 52.121,57), no entanto, não acata a cobrança dos juros e da multa ante a ausência de intenção de que o aproveitamento acontecesse em trimestre anterior ao devido. Por conta da insuficiência de crédito, cabível a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da declaração de compensação, sobre os débitos indevidamente compensados, nos termos das IN SRF n° 210, de 2002, n° 460, de 2004, n° 900, de 2008 e atualizações. A incidência de juros e multa de mora decorrente do não pagamento do tributo no seu vencimento tem previsão expressa no artigo 61, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10980.004053/200318 Acórdão n.º 3802003.900 S3TE02 Fl. 259 5 contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1' de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Por sua vez, a IN/SRF 900, de 30/12/2008, que disciplina o procedimento de compensação, definiu as datas de valoração tanto do crédito como do débito do contribuinte, nos seguintes termos: Art. 36 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção; (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais.(grifos acrescidos) Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Como é sabido, a compensação, assim como o pagamento, é um instituto de extinção de obrigações conforme disposto no Código Tributário Nacional, em seus arts. 156, inciso II, e 170, no qual os créditos e débitos do contribuinte serão confrontados, como num acerto de contas, dessa forma: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II – A compensação; (...) Art. 170. A lei pode nas condições e garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública. Se considerada a extinção do crédito tributário pelo pagamento do tributo, a sua ausência no prazo legal acarreta a incidência de juros e multa de mora. Da mesma forma, no vencimento da parcela a ser compensada, se não houver crédito suficiente, estará sujeita a incidência de juros e multa de mora. No caso, foram valorados os débitos vencidos compensados até a data do ingresso do pedido de ressarcimento, conforme a legislação vigente, acrescendolhes os respectivos encargos moratórios. Enfim, foi reconhecido o crédito tributário parcial, daí mediante apresentação do pedido de compensação, contudo, não foi possível a homologação integral do pedido em decorrência da insuficiência de crédito, devido pois, incidência de juros e multa de mora. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho, por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto aos argumentos de ilegalidade, inconstitucionalidade de lei, por conta da incidência de juros e multa, no caso, aplicase, também a Súmula n° 2 do CARF, que dispõe: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10980.004053/200318 Acórdão n.º 3802003.900 S3TE02 Fl. 260 7 Por derradeiro, ratificando, não há qualquer elemento de prova apresentada a lastrear a inexistência do débito em litígio. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10935.003787/2008-30
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/05/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO ENTREGA DE GFIP
A empresa é obrigada a informar mensalmente, por intermédio da GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações pertinentes, consoante art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE
O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II c, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,II, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.940
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,II da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fábio Pallaretti Calcini, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/05/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO ENTREGA DE GFIP A empresa é obrigada a informar mensalmente, por intermédio da GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações pertinentes, consoante art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II c, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,II, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Obrigação Acessória Recorrente BIGMOTOS COMÉRCIO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA MOTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/05/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO ENTREGA DE GFIP A empresa é obrigada a informar mensalmente, por intermédio da GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações pertinentes, consoante art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,II, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,II da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 37 87 /2 00 8- 30 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10935.003787/200830 Acórdão n.º 2803003.940 S2TE03 Fl. 3 2 constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Fábio Pallaretti Calcini, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10935.003787/200830 Acórdão n.º 2803003.940 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por deixar de apresentar GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social. O r. acórdão – fls 175 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · A empresa estava enquadrada no SIMPLES, sendo excluída em 11.07.2007. Discute judicialmente a exclusão efetivada. · Na aplicação da multa, deveria ter sido observado o §1º do art. 61 da lei 9430/91 · A recorrente apresentou as GFIP´s corrigidas, fazendo jus a redução de 50% da multa aplicada. · Inaplicabilidade da SELIC · Não deveria ter sido lavrado um auto de infração e sim uma notificação fiscal, ou ambos. · Não obediência aos princípios da moralidade e legalidade · Falta de demonstração do enquadramento legal · Nulidade pela lavratura do auto fora da sede do contribuinte. · Ilegalidade da multa de ofício · Requer o cancelamento do auto lavrado, seja afastada a multa de ofício e a taxa SELIC. · Foram os autos baixados em diligência para o esclarecimento devido em relação a entrega de GFIP´s É o relatório. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10935.003787/200830 Acórdão n.º 2803003.940 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A recorrente foi autuada por não ter apresentada a GFIP nas competências 01/2004 a 11/2005. Como havia protocolos de entrega acostado ao processo, foi determinada diligência para que esclarecesse acerca da situação do contribuinte em relação a entrega das GFIP´s no período autuado. A diligência informa que, no período em tela, a recorrente apresentou GFIP´s de recolhimento (código 115), e não recolheu o que informado, o que comprovaria a entrega (Manual GFIP 6.4 – IN nº 107). Os normativos vigentes determinavam que, nesta situação, deveriam ser entregues GFIP´s declaratórias, o que não ocorreu, caracterizando assim a infração. Informa ainda que, em razão da irregularidade citada, não existe nos sistemas de consulta do CNISA (Cadastro Nacional de Informações Sociais) e GFIPWEB nenhuma GFIP entregue pela empresa no período de 01/2004 a 11/2005. Temos ainda como inaplicável o §1° do art. 61, da Lei 9.430, de 1996, que diz respeito ao atraso no recolhimento das obrigações principais que não foram objeto de lançamento de ofício, o que não é o caso dos autos, pois aqui estamos a tratar de obrigação principal constituída em lançamento de ofício. Impende esclarecer que as notificações fiscais eram lavradas até a publicação da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 e, de acordo no a nova norma legal, a exigência de créditos previdenciários passou a seguir o disposto no Decreto 70.235, de 1972, sendo apuradas através de auto de infração. Sobre o local da lavratura do auto, temos que o mesmo foi lavrado e entregue ao contribuinte em ALTONIAPR, local da sede da empresa conforme consta dos dados cadastrais da RFB, como reproduzido na capa do auto, não havendo que se falar em irregularidade, nesse ponto. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para a autuação. A penalidade aplicada foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. DA TAXA SELIC A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10935.003787/200830 Acórdão n.º 2803003.940 S2TE03 Fl. 6 5 Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Quanto à inconstitucionalidade, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade julgadora a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional – ex vi art. 62 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no 256, de 22 de junho de 2009. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Este Conselho Administrativo já tem a matéria sumulada, de seguimento obrigatório por seus membros: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10935.003787/200830 Acórdão n.º 2803003.940 S2TE03 Fl. 7 6 pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pondo fim a essa discussão, o STF, em sede de repercussão geral, no julgamento do RE 582461/SP, rel. Min. Gilmar Mendes, em 18.5.2011, decidiu ser legítima a incidência da Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Dessa feita, foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10935.003787/200830 Acórdão n.º 2803003.940 S2TE03 Fl. 8 7 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,II da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. No cálculo da multa devem se observados os valores mínimos, por competência, elencados no parágrafo 3º do mesmo artigo 32A. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,II da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 13830.000832/2001-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
IRPF ERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL. LANÇAMENTO NULO.
A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-002.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 09/06/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, eCarlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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LANÇAMENTO NULO. A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 09/06/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, eCarlos André Rodrigues Pereira Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 08 32 /2 00 1- 94 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13830.000832/200194 Acórdão n.º 2102002.219 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 239 a 242: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração de fls. 13/14, acompanhado dos demonstrativos de fls.12, 15/16, do Termo de Constatação de fls. 17/21, relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas do anocalendário de 1.999, por meio do qual foi constituído o crédito tributário no valor de R$ 130.031,17 (doc. à fl. 13), sendo: Imposto R$66.895,35 Juros de Mora (calculado até 31/07/2001 ) R$12.964,31 Multa de Ofício Proporcional R$50.171,51 2 Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 14, o procedimento teve origem na omissão de rendimentos tendo em vista o Acréscimo Patrimonial, não tributado na declaração de ajuste anual, cujo valor foi apurado conforme Termo de Constatação de fls. 17/21, sendo: Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$), com multa de 75% 31/01/1999 246.280,00 3 O demonstrativo e a fundamentação da multa de ofício e dos juros de mora se encontram descritos à fl. 16. 4 A interessada, cientificada pessoalmente em 16/08/2001 (fl. 13), apresentou, em 14/09/2001, impugnação de fls. 221/231, em que, detalhando os fatos narrados no termo de Constatação, relata que a autuação não considerou que a mesma faça jus às cotas de capital a ela atribuídas pela Ata de transformação da Associação de Ensino de Marília em entidade de fins econômicos, uma vez que as mesmas se originaram de imóvel doado à instituição educacional por seus pais, os também sócios Márcio Mesquita Serva e sua esposa Regina Lúcia Ottaiano Losasso Serva; essa conclusão foi fundamentada no artigo 18 da IN SRF nº. 113/98, que estabelece ser a participação dos sócios na pessoa jurídica resultante da transformação avaliada de acordo com o valor em dinheiro ou em bens e direitos que haviam sido entregues à instituição anteriormente imune ou isenta para a formação de seu capital. 5 Contestando o lançamento afirma: 5.1 ter ingressado na sociedade da Associação de Ensino de Marília em 07/01/1988, conforme ata de Assembléia Geral extraordinária de mesma data (fl. 67), cerca de 11 anos antes da transformação que deu origem ao procedimento fiscal combatido; 5.2 Que o sócio Márcio de Mesquita Serva, seu progenitor, integralizou a seu favor 246.280 cotas, no valor nominal de R$ 1,00, perfazendo o total de R$ 246.280,00, subtraindo a referida importância da participação a que faria jus em Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13830.000832/200194 Acórdão n.º 2102002.219 S2C1T2 Fl. 4 3 decorrência da conferência dos imóveis rurais ao patrimônio da Associação, efetuada conforme Ata de 02/12/1998; 5.3 Que o sócio Márcio, sendo proprietário do direito à participação societária na Associação, por força da conferência de bens que anteriormente efetuara com vistas à formação de seu capital, poderia livremente dispor desse direito, vindo a outorgar as cotas à impugnante; 5.4 Questiona, ainda que, mesmo diante da atribuição de um capital “pro forma para cada associado, mediante a conversão do patrimônio social da instituição até então imune, a IN SRF nº. 113/98 não autoriza ou ampara qualquer tributação em momento diferente da data de alienação das cotas ou sob outro título a não ser ganho de capital; ressalvando que no caso de ganho de capital o parágrafo único estabelece que “na ausência de documentos comprobatórios a que se refere o caput, o valor da participação societária será, para todos os efeitos tributários, igual a zero”, reconhece não haver incidência de tributação no momento da transformação; argumenta, assim, como um ingresso de participação considerada, para todos os efeitos tributários a custo zero gerar acréscimo patrimonial. Sendo, ainda, o valor da participação igual a zero para efeitos tributários, irrelevante o valor atribuído pelo cotista em sua declaração de bens; 5.5 Continua por afirmar que o procedimento resultaria em dupla incidência por ocasião da alienação do investimento, ou seja, a primeira como objeto do auto combatido e, a segunda, “porque no seu entender o custo da participação está restrito a R$ 540.520,00” (fl. 22), conforme disposto no parágrafo único do art. 18 da IN SRF nº. 113/98. Acrescenta que, entendendo não ter ocorrido o fato gerador do imposto de renda no caso do acréscimo patrimonial decorrente da transformação de sociedade sem fins lucrativos para sociedade com fins econômicos, o ato administrativo previu a tributação apenas quando alienado o investimento; 5.6 Considera que o relato evidencia a utilização de dispositivo pertinente à apuração e tributação de ganho de capital, para embasar a exigência formalizada a título de acréscimo patrimonial não tributado na declaração, sendo que a IN SRF nº. 113/98 não fundamenta essa última tributação; assim, tais fatos retiram do lançamento a segurança e certeza jurídicas, o que seria o suficiente para determinar senão a nulidade, o cancelamento da exigência; 5.7 Mesmo que essa IN erigisse o fato gerador do acréscimo patrimonial, estaria exorbitando, uma vez que como ato infralegal não poderia criar hipóteses de incidência, além do que, a sua edição visava disciplinar a aplicação do disposto nos artigos 12 a 14 da Lei nº. 9.532/97 que em nada se relaciona com a tributação de acréscimo patrimonial; salientando que o artigo 17 desse diploma cuida da apuração do ganho de capital, no caso de devolução do patrimônio, sendo impossível redirecionar o momento e o título da exigência; 5.8 Comenta sobre exações tributárias, relatando que: 5.8.1 a autuação recusou os aportes efetuados pelos antecessores dos atuais sócios e sua atualização, ignorando, também a comprovação da ocorrência do patrimônio líquido negativo no balanço que serviu de base para a transformação; 5.8.2 os valores entregues pelos associados sucedidos, em benefício da instituição, estão comprovados pelas atas apresentadas, não tendo ocorrido qualquer restituição dos valores doados quando da retirada daqueles associados, permanecem incorporados ao patrimônio na data da transformação, nada impedindo sua conversão em cotas de capital; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13830.000832/200194 Acórdão n.º 2102002.219 S2C1T2 Fl. 5 4 5.9 Ressalta, ainda que, como o artigo 18 da IN SRF nº. 113/98 não faz qualquer distinção entre valores entregues por atuais e antigos sócios, não pode, a autuação, anular aquelas doações; salienta que, como sucessores, assumem todos os direitos e obrigações daqueles, inclusive o de conversão de suas entregas em cotas de capital, salvo se vedado por lei, fato que não ocorreu; 5.10 Observa que as atas foram acolhidas pela fiscalização como documentos hábeis, sendo recusados os aproveitamentos das entregas anteriores e considerados que os valores entregues em 1.956 e 1.970 estão inclusos no patrimônio doado em 1.972, o que questiona, afirmando que nenhum documento permite tal leitura ou conclusão, devendo prevalecer os valores apontados nas atas de fls. 36/48, de Cr$ 200.000,00 em 31/12/1.956, Cr$ 236.858,68 em 02/01/1.970 e Cr$ 48.851,33 em 31/10/1.972; 5.11 Contesta, ainda a atualização monetária até 31/12/1.995 apenas do valor de Cr$ 48.851,33, que resultaria em valor ínfimo, segundo a fiscalização, afirmando ter promovido as atualizações a partir da evolução do valor nominal da extinta ORTN, inicialmente fixada pela Portaria MF nº. 30/78, cuja operacionalização foi disciplinada pela IN SRF nº. 71/78; 5.12 Afirmando não restar qualquer patrimônio positivo no balanço de 31/12/1998, conclui que os sócios assumiram apenas obrigações, sem qualquer acréscimo real em seu patrimônio; 5.13 Conclui, ao final, pela exoneração das exigências consubstanciadas no auto de infração hostilizado. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1999 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. É tributável a variação patrimonial decorrente de participação societária não oferecida à tributação na declaração de ajuste anual. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA DECORRENTE DE TRANSFORMAÇÃO DE ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS PARA COM FINS LUCRATIVOS. A legislação estabeleceu a forma de aferição da participação societária por ocasião da transformação de entidade sem fins lucrativos para com fins lucrativos, sem definir a forma de tributação. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13830.000832/200194 Acórdão n.º 2102002.219 S2C1T2 Fl. 6 5 Inconformado, o sucessor da contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 252 a 265, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, alegando em resumo que: a) Foi válida a transferência patrimonial de R$ 246.280,00 atribuída a autuada pela doação dos imóveis do sócio Márcio de Mesquita Serva, dessa forma houve erro na identificação do fato gerador, pois, os atos formais de transformação e redação do Contrato Social, aprovados pela Assembleia Geral Extraordinária de 10/12/1998, e o conteúdo do Termo de Constatação Fiscal, propiciam a constatação de não ter ocorrido qualquer desembolso de recursos pela autuada na formação do capital inicial da nova sociedade. Não tendo havido qualquer desembolso, como denuncia a ação fiscal, tornase materialmente impossível imputálo na equação patrimonial, para verificação de eventual acréscimo, justificado ou não. b) Relativamente a integralização das quotas da autuada, efetuada por seu progenitor Márcio Mesquita Serva, com parcela do valor resultante da conferência de bens por ele efetuada, mediante doação A. entidade então imune, não cabe à fiscalização ou ao órgão julgador obstar o procedimento declinado, pois faltalhe competência para tanto. Em se tratando de manifestação de vontade, e sendo o progenitor da autuada titular de direitos reconhecidos pela própria IN SRF n° 113/1998, decorrentes da doação, pode, sim, destacar parte do valor correspondente para integralizar as quotas sociais de sua filha. c) Deve ser decretada a nulidade do lançamento, porque revela erro na determinação do aspecto temporal do fato gerador. O evento ocorreu no momento da atribuição de quotas e aprovação da Ata de Transformação, da qual o Contrato Social constitui parte integrante, e não em 31/01/1999, como eleito no Auto de Infração. Se fosse possível a tributação :de acréscimo patrimonial, o mês de sua ocorrência seria dezembro/1998, e não janeiro/1999. De plena validade a eficácia desses documentos, porque datados de 10/12/1998, foram entregues para registro em 22/12/1998 ao 2° Oficial de Registros das Pessoas Jurídicas de Marília, ou seja, menos de 30 (trinta) dias após os atos praticados. A nulidade ocasionada por erro substancial na data de ocorrência do pretenso fato gerador, haverá de ser reconhecida, por tratarse de ofensa ao art. 142, do Código Tributário Nacional. d) DO PEDIDO : Ante todo o demonstrado, postula o reconhecimento de nulidade do lançamento perpetrado, por erro na identificação do fato gerador e também de seu aspecto temporal, reformandose a decisão recorrida, cujas razões de mérito também não haverão de prevalecer quando se homenageiam o Direito e a Justiça. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13830.000832/200194 Acórdão n.º 2102002.219 S2C1T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO DO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. O resumo do pedido do contribuinte é o seguinte: Ante todo o demonstrado, postula o reconhecimento de nulidade do lançamento perpetrado, por erro na identificação do fato gerador e também de seu aspecto temporal, reformandose a decisão recorrida, cujas razões de mérito também não haverão de prevalecer quando se homenageiam o Direito e a Justiça. Da análise detalhada do Auto de Infração, fls. 13 a 16, em conjunto Termo de Constatação Fiscal (TCF), fls. 17 a 21, notamos que durante toda descrição dos fatos nesse Termo, é colocada em discussão a questão da avaliação se artigo 18 da Instrução Normativa SRF 113/1998 comporta a transferência patrimonial de R$ 246.280,00 de Márcio Mesquita Serva, com parcela do valor resultante da conferência de bens por ele efetuada, mediante doação a sua filha autuada, finalizando esse TCF da seguinte forma: Diante dos fatos expostos neste Termo e da análise dos documentos juntados a esse processo, contatase que a contribuinte não entregou qualquer valor, seja em dinheiro, bens ou direitos, para a formação do patrimônio da Associação de Ensino de Manha (instituição sem fins lucrativos), portanto, para fins tributários a sua participação societária na Associação de Ensino de Manha S/C LTDA (sociedade com fins lucrativos) é considerada igual a zero. Desta forma, o acréscimo patrimonial originário dessa participação societária, não coincidente com os valores entregues anteriormente A instituição, fica sujeito a tributação do imposto de renda: O que se vê claramente é que toda a fiscalização caminha no sentido de apuração de custo de aquisição da participação societária, cuja conseqüência lógica no âmbito do IR seria a apuração de Ganho de Capital, contudo finaliza referindose a acréscimo patrimonial (vide texto destacado acima). Ora, não encontramos nos trabalhos da fiscalização qualquer apuração/planilha de fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos que é a base do cálculo de Acréscimo Patrimonial Financeiro. De acordo com toda a descrição da auditoria fiscal, poderiase imaginar um lançamento com base em Ganho de Capital mas não de Acréscimo Patrimonial, conforme se vê na autuação fl. 14: Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13830.000832/200194 Acórdão n.º 2102002.219 S2C1T2 Fl. 8 7 A constatação de infrações impõe a composição da base de cálculo de forma coerente com a legislação tributária vigente e a fiscalização, no presente caso reduziu da matéria tributável descrita no Próprio termo de Constatação Fiscal, lançamento com enquadramento divergente, no caso de possível Ganho de Capital para Acréscimo Patrimonial. A caracterização tributária do "acréscimo patrimonial a descoberto", no Imposto de Renda está definida no artigo 58, XIII, do RIR/94, contudo sequer essa legislação foi citada no enquadramento legal na autuação. Ou seja, patente que a matéria tributável não é adequada ao fundamento do lançamento, afrontando o disposto no caput do Art. 142. do Código Tributário Nacional: Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para anular o lançamento, efetivado em desacordo com o Art. 142. do Código Tributário Nacional. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 09/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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