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Numero do processo: 18050.005088/2008-91
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS . DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO
A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados. Constatada a diferença entre o que declarado em GFIP e os valores constantes em folhas de pagamento, correta a autuação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.305
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS . DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados. Constatada a diferença entre o que declarado em GFIP e os valores constantes em folhas de pagamento, correta a autuação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1511; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.005088/200891 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.305 – 3ª Turma Especial Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente NORDESTE LINHAS AÉREAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS . DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados. Constatada a diferença entre o que declarado em GFIP e os valores constantes em folhas de pagamento, correta a autuação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 50 88 /2 00 8- 91 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.005088/200891 Acórdão n.º 2803003.305 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.005088/200891 Acórdão n.º 2803003.305 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a segurados obrigatórios, apurados em folhas de pagamento – parte terceiros. O r. acórdão conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando o auto de infração lavrado, resultando na cobrança das competências 09/2003, filial14.259.220/001544,e 10/2003, filial 14.259.220/001706, no valor total de R$740,33 (setecentos e quarenta reais e trinta e três centavos). Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Cerceamento de direito de defesa, pois a fiscalização não demonstrou a origem nem das diferenças apontadas entre GFIP e folha de pagamento, nem dos valores pagos aos segurados. · Inconstitucionalidade das rubricas Fundo Aeroviário e INCRA. · Requer o provimento do recurso, com a reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.005088/200891 Acórdão n.º 2803003.305 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O relatório fiscal e o relatório de lançamentos informam de forma clara a origem do crédito lançado – batimento GFIP x Folhas de Pagamento. Ambos são documentos de exclusiva responsabilidade da recorrente, não havendo assim que se falar em vício, pois o próprio contribuinte elaborou a documentação que serviu de base à autuação fiscal, não havendo assim reparo a ser efetuado na r. decisão. Ad argumentandum tantum, a competência 13 já foi excluída do lançamento em razão da inexistência de GFIP específica para tal competência em 2003, entendendo a r. decisão pela carência de discriminação clara e precisa de como o autuante concluiu pela existência de diferença entre a base de cálculo constante na folha de pagamento e a base de cálculo constante da GFIP, fato que não acontece nas demais competências. DA INCONSTITUCIONALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES AO FUNDO AEROVIÁIO E INCRA Sobre a matéria, o regimento do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009 veda aos membros a possibilidade de apreciação de constitucionalidade de decreto ou lei, senão vejamos. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 327DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.005088/200891 Acórdão n.º 2803003.305 S2TE03 Fl. 6 5 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Do que exposto, a matéria sob exame não se encontra nas exceções elencadas, afastando assim sua análise sob o prisma da constitucionalidade. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.907650/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/02/1999
DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO.
Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração.
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 10/02/1999 DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO. Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado.
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CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO. Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 76 50 /2 00 8- 39 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907650/200839 Acórdão n.º 3302002.613 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 12/12/2003 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 043733), pleiteando a restituição/compensação no valor original de R$ 941.787,68, relativo a COFINS tida como paga indevidamente no dia 10/02/1999, através de DARF de mesmo valor, relativo ao PA 01/99. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. Em conseqüência, no dia 31/08/2006 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO foi intimada a sanar a irregularidade, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO nº 621798746. No dia 16/09/2006, após receber o Termo de Intimação nº 621798746, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Retificador (final nº 047359), para alterar o valor do DARF objeto do pedido, de R$ 941.787,68 para R$ 8.984.745,16, mantendo o valor do crédito objeto do pedido de restituição/compensação (R$ 941.787,68). Na DCTF Original entregue à RFB, a Empresa Recorrente vinculou ao débito da Cofins do PA 01/99 (R$ 9.687.754,33) três DARF: um de R$ 8.984.745,16, outro de R$ 653.525,79, e outro de R$ 49.483,38, todos pagos no dia 10/02/1999. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou os pagamentos e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 05/12/2003 a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 1º Trimestre de 1999, para alterar a forma de extinção do referido débito da COFINS do PA de 01/99, no valor de R$ 9.687.754,33. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 1.644.796,85 por compensação com parte do pagamento da COFINS do PA 01/94, que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 8.042.957,48 com a utilização parcial do pagamento de R$ 8.984.745,16, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907650/200839 Acórdão n.º 3302002.613 S3C3T2 Fl. 4 3 efetuado no dia 10/02/1999. Na referida DCTF Retificadora a Recorrente não utilizou os DARF de pagamento de R$ 653.525,79 e de R$ 49.483,38, ambos de 10/02/1999. Com a utilização parcial somente do pagamento de R$ 8.984.745,16, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 941.787,68 passível de restituição ou compensação, relativo ao DARF utilizado parcialmente, e é exatamente esse o valor que está sendo pleiteado neste processo. Por meio do Despacho Decisório nº 781218680, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte declarado na DCTF original, não restando saldo credor disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 190.319,25, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de COFINS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 31/01/1999, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em janeiro de 1999, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de COFINS, no montante de R$ 8.042.957,48, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 8.984.745,16, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Menciona que procedeu à entrega de PER/DCOMP, que foi intimada sob o argumento de que o DARF aí indicado não teria sido localizado no sistema da RFB, e que, em atenção a esta intimação, apresentou a PER/DCOMP retificadora 17917.78721.160906.1.7.047359 Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907650/200839 Acórdão n.º 3302002.613 S3C3T2 Fl. 5 4 discriminado, teriam sido localizados um ou mais pagamentos, mas que estes teriam sido integralmente utilizados para quitação de seus débitos, não restando créditos disponíveis para a compensação do débito informado na PER/DCOMP. Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria o DARF discriminado na PER/DCOMP, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1636.055, de 07/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/02/1999 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) original, demonstrando a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP (Declaração de Compensação), se mantém a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que não homologou a compensação aí declarada pelo contribuinte. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907650/200839 Acórdão n.º 3302002.613 S3C3T2 Fl. 6 5 INSERÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM DCTF RETIFICADORA. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada a compensação, simplesmente informada em DCTF retificadora, que não atenda aos requisitos estabelecidos na legislação então vigente à época – formalização mediante o uso do programa PER/DCOMP ou, nos casos de impossibilidade de sua utilização, mediante a entrega de formulário específico – Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 03/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 29/05/2013, com recurso voluntário, no qual renova os argumentos da manifestação de inconformidade, acrescentando que restou demonstrado, pela DCTF Retificadora do PA 01/99, o recolhimento a maior que o devido e o conseqüente direito ao crédito no valor de R$ 941.787,68, Alega, ainda, a Recorrente “que o mero erro na forma, qual seja: retificação da DCTF para efetivar a compensação da Cofins de janeiro/1999, com créditos pretéritos e legítimos, não tem o condão de desconstituir a compensação realizada”, citando decisões do Conselho de contribuintes que tratam de erro de fato no preenchimento de declaração e sustentando que a compensação realizada e declarada da DCTF retificadora foi efetuada tal como estabelece a legislação vigente, ou seja, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Cita doutrina. Concluindo que a decisão recorrida “entende como um empecilho ao reconhecimento do crédito, o fato de a DCTF retificadora, com a finalidade de desvincular parte o DARF recolhido, ter sido transmitida tão somente em 05/12/2003”, passa a discorrer sobre o prazo para pleitear a restituição do crédito da Cofins de 01/1994, informado na DCTF Retificadora de 05/12/2003, que entende ser de 10 anos, a contar do fato gerador, e que as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 atinge apenas os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de janeiro de 1999. O pagamento informado no PER/DCOMP ocorreu no dia 10/02/1999, no valor original de R$ 941.787,68. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907650/200839 Acórdão n.º 3302002.613 S3C3T2 Fl. 7 6 O crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 05/12/2003 (data da apresentação da DCTF Retificadora), de pagamento feito no dia 10/02/1999. Até a data da apresentação da DCTF Retificadora, referido pagamento estava integralmente declarado e alocado ao débito da COFINS do PA 01/99. Em síntese, a Recorrente defende que a DCTF Original continha erro posto que o débito da COFINS do PA 01/99 foi liquidado parte por compensação e parte por pagamento e que a retificação da DCTF se fez necessário para retificar o erro cometido. Além disso, que mesmo tendo cometido erro na forma de retificar a DCTF, não pode tal erro prejudicar seu direito à repetição do indébito. Por seu turno, a decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Não obstante as razões apresentadas pela empresa, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar, devendo a decisão da DERAT São Paulo, que não homologou a compensação declarada, ser mantida em sua integralidade pelas razões a seguir expostas. Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. É de se ressaltar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, se constitui em um instrumento de confissão de dívida, e que eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrituração contábil da empresa. Cabe observar, aqui, também, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, quando da entrega da DCTF original, relativa ao período de apuração em tela, o crédito informado pela empresa na presente DCOMP não existia, estando o pagamento realizado por meio do DARF aí discriminado integralmente alocado ao débito declarado pela empresa, na referida DCTF, referente a COFINS – Db: cód 2172 PA 31/01/1999. Merece destaque, ainda, o fato, constatado mediante consulta ao sistema informatizado da RFB, de que a inserção de dados, pela empresa, como “Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior”, em DCTF, visando desvincular o DARF em tela parcialmente do débito de COFINS do período de apuração 31/01/1999, por ela apurado e aí declarado, no valor de R$ 9.687.754,33, de modo a originar o crédito informado na DCOMP, se deu somente em 05/12/2003, em DCTF retificadora. Cumpre registrar, aqui, que a empresa não comprova, nos autos, mediante documentação idônea, como o registro na contabilidade, que os créditos informados na DCTF retificadora eram, de fato, decorrentes de pagamento indevido ou a maior, e Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907650/200839 Acórdão n.º 3302002.613 S3C3T2 Fl. 8 7 que tal compensação tinha sido feita, efetivamente, à época da transmissão da DCTF original, e que, por um lapso, não teria sido informada nesta DCTF. E, assim, considerando que a compensação informada na DCTF retificadora ocorreu efetivamente somente na data de sua entrega à RFB, ou seja, em 05/12/2003, temse que não observou a legislação então vigente à época referente ao assunto – Instruções Normativas (IN) da Secretaria da Receita Federal (SRF) n.º 210, de 30/09/2002, e n.º 323, de 24/04/2003, transcritas parcialmente a seguir – que estabeleciam a necessidade de apresentação de uma declaração de compensação, seja em formulário ou mediante utilização do programa PER/DCOMP – sendo que consta, na referida DCTF, a informação de compensação “sem processo”, no campo “formalização do pedido”. [...] Portanto, as normas que disciplinavam o exercício da compensação, à época, obrigavam que fosse formalizada primordialmente mediante o uso do programa PER/DCOMP, disponibilizado para tal finalidade, admitindose, excepcionalmente, nos casos de impossibilidade de utilização desse programa, que fosse formalizada mediante a entrega de formulário específico aprovado pela legislação. Não se admite, pois, em nenhuma hipótese, a formalização de declarações de compensação – bem assim de reconhecimento de compensação praticada, de direito a compensação ou outra pretensão equivalente – em qualquer outro meio diverso dos estabelecidos nas Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003 (como a sua mera inclusão em DCTF retificadora), sendo o parágrafo único do artigo 3º desta última taxativo ao prescrever que, ocorrendo tais situações (não utilização do programa PER/DCOMP ou do formulário aprovado pela IN SRF nº 210/2002), deveria ser considerada não declarada a compensação. Vêse claramente que, ao contrário do argüido pela Recorrente, aqui não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”, como bem disse a decisão Recorrida. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Federal a compensação que diz ter realizado 05/12/2003 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em fevereiro de 1999. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 10/02/1999 (data do vencimento da COFINS do PA 01/99), e que naquela data era possível efetuar a compensação Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907650/200839 Acórdão n.º 3302002.613 S3C3T2 Fl. 9 8 de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu aqui também foi mero erro de forma. É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática o Contribuinte estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS de 01/94 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 01/99. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de fevereiro de 1999, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu pagamento indevido da COFINS de 01/94, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de COFINS do PA 01/99. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 01/99 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E naquela data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Portanto, o DARF informado no PER/DCOMP estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907650/200839 Acórdão n.º 3302002.613 S3C3T2 Fl. 10 9 passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907650/200839 Acórdão n.º 3302002.613 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10972.000206/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO.
Para haver equiparação da pessoa física à pessoa jurídica para fins fiscais é necessária comprovação de que a pessoa física exerça, habitualmente, atividade de natureza civil ou econômica, almejando lucro.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. APROVEITAMENTO DE DEPÓSITOS DE MESES ANTERIORES PARA JUSTIFICAR DEPÓSITOS DE MESES SUBSQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 30.
Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes.
Numero da decisão: 2201-002.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relator.
EDITADO EM: 14/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA. COMPROVAÇÃO. Para haver equiparação da pessoa física à pessoa jurídica para fins fiscais é necessária comprovação de que a pessoa física exerça, habitualmente, atividade de natureza civil ou econômica, almejando lucro. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 02 06 /2 00 9- 42 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. APROVEITAMENTO DE DEPÓSITOS DE MESES ANTERIORES PARA JUSTIFICAR DEPÓSITOS DE MESES SUBSQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 30. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relator. EDITADO EM: 14/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio Auto de Infração de fls. 02 a 10, lavrado em 03/12/2009, exigese do contribuinte PAULO ROBERTO BRITO MARTINS, o montante de R$ 406.836,31 a título de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), R$ 113.507,33 de juros de mora e R$ 305.127,23 de multa de ofício, totalizando R$ 825.470,87 (atualizados até a data da autuação) referente ao anocalendário de 2006. O lançamento decorreu em razão de: (i) omissão de rendimentos da atividade rural e (ii) omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 11 a 20), o Contribuinte foi selecionado por ter movimentado junto a instituições financeiras bancárias Fl. 328DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10972.000206/200942 Acórdão n.º 2201002.382 S2C2T1 Fl. 3 3 nacionais a quantia de R$ 4.841.254,86 no anocalendário de 2006 e ter declarado à Secretaria da Receita Federal do Brasil o rendimento de R$ 77.000,00. O Contribuinte foi intimado para que apresentasse seus extratos bancários, esclarecer se suas contas são individuais ou em conjunto, informando; caso fosse em conjunto, sua participação na movimentação, informar, e comprovar sua atividade profissional, comprovar a origem dos recursos movimentados e apresentar documentação pertinente à atividade rural. O Contribuinte entregou cópias dos extratos bancários de contas mantidas no Banco do Brasil S/A e HSBC e informa que a conta no HSBC é conjunta e que sua movimentação, tanto nesta conta como nas demais, é de sua responsabilidade. Também entregou os extratos bancários dos bancos Itaú e Real. Ainda esclarece que em 2006 exercia a atividade compra e venda de gado, efetuando as vendas quase sempre por meio de leilões, não havendo a emissão de notas fiscais em seu nome, pois eram emitidas diretamente ao produtor/vendedor para o comprador em leilão, sendo que os valores das vendas que efetuava transitavam por sua conta bancária, ocasião em que fazia o repasse do valor do custo do gado ao produtor/vendedor e ficava com o que lhe sobrava na operação. Parte da movimentação financeira também se deve à venda de imóvel e de veículos, além de empréstimos financeiros junto a pessoas físicas e bancos. Informa que o valor de R$ 77.000,00 declarado em sua DIRPF (ano calendário 2006) como sendo de atividade rural, na verdade, foi equivocadamente declarado por seu contador por tratarse de receita pertencente a seu sogro. A fiscalização circularizou as pessoas com as quais o Contribuinte indicou ter efetuado empréstimos e as mesmas confirmaram o fato. Em face das informações obtidas, a fiscalização solicita que o Contribuinte esclareça a origem dos recursos utilizados nas operações de crédito, bem como comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, o efetivo repasse do custo do gado aos vendedores/produtores, bem como apresente documentação comprobatória das operações em leilão que demonstrem de forma clara a transação. Também solicita a identificação do recebimento pela venda dos automóveis. O Contribuinte informa que: i. quanto aos créditos efetuados no Banco Real sob a rubrica "RSG POUP COR" e "TRF CCP/CC" tiveram origem em créditos anteriores efetuados na conta de poupança e depois na contacorrente. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 ii. quanto à comprovação da origem dos depósitos bancários, esta se dá na forma do que relacionou como Anexo I. iii. quanto às operações de compra e venda de gado em leilões, afirma que em razão das circunstâncias em que tais operações foram realizadas, até o momento ainda não conseguiu juntar a documentação necessária à tal comprovação. iv. quanto às vendas de veículos e imóvel, restam demonstradas no Anexo I. v. quanto à rubrica "CHEQUE DESCONTADO", tratase de empréstimos. Em face da documentação apresentada pelo Contribuinte, a fiscalização efetuou lançamento de acordo com o art. 849 do RIR/99 bem como art. 42 da Lei 9.430/96 em relação aos créditos bancários cujas origens não puderam ser identificadas. O crédito bancário de R$ R$23.403,30 datado de 13/04/2006 teve sua origem comprovada como sendo de atividade rural e sua base de cálculo arbitrada em 20%, conforme art. 60 do RIR /99. O Contribuinte foi cientificado do lançamento em 04/12/2009 (fls. 257) e apresentou Impugnação (fls. 262 a 278) tempestiva em 04/01/2010, alegando que: · o auto de infração deve ser declarado nulo, uma vez que ficou demonstrado nos esclarecimentos prestados durante a ação fiscal que o contribuinte, pessoa física, exercia a atividade de compra e venda de gado, quase sempre por meio de leilões. · apenas auferia o lucro decorrente da atividade exercida, no percentual médio de 5% da comercialização. Desta forma, argumenta que, devido à habitualidade da atividade comercial exercida, o Fisco deveria ter promovido sua equiparação à pessoa jurídica, arbitrando o lucro com base nos créditos efetuados em suas contas bancárias, pela ausência de escrituração contábil, não obrigatória para a pessoa física, citando jurisprudência administrativa que ratifica seu posicionamento. · inexiste omissão de receitas da atividade rural no valor de R$ 23.403,30, da qual resultou base de cálculo de R$ 4.680,66, uma vez que já havia oferecido à tributação em sua Declaração de Ajusta Anual — DAA, ainda que indevidamente, a importância de R$ 77.000,00. · o lançamento foi baseado em mera presunção, especialmente quanto à pretensa omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, tributando por indícios não suficientemente investigados, com flagrante arbitrariedade e excesso de exação. · em persistindo a cobrança do crédito tributário mesmo após as alegações anteriores, sejam excluídos os valores relativos a transferências via TED, por referiremse a empréstimos tomados de terceiros, os valores de empréstimos de bancos, conforme histórico dos respectivos lançamentos e os valores tributados em mês anterior, que seriam rendas comprovadas para justificar movimentação de período subsequente. A 6ª Turma da DRJ/JFA, em 27/10/2011, em decisão de fls. 292 a 300, julgou a Impugnação procedente em parte, para excluir do lançamento os valores de R$ 48.000,00 e R$ 3.196,00 referentes a empréstimos bancários, devidamente comprovados pelos próprios históricos do extrato bancário. A decisão resta resumida em sua ementa. Confirase. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10972.000206/200942 Acórdão n.º 2201002.382 S2C2T1 Fl. 4 5 EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. CONDIÇÃO A tributação na pessoa jurídica, de valores recebidos por pessoa física, demanda a comprovação de que a pessoa física explore, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens e serviço. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Excluemse da tributação os créditos bancários originários de empréstimos bancários por ele contraídos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. ÔNUS DA PROVA. Correto o lançamento de omissão de rendimentos da atividade rural, a partir de documentação obtida na fase preparatória do lançamento, quando o contribuinte não apresenta documentação que invalide o trabalho fiscal. O Contribuinte foi notificado da decisão em 01/02/2012 (fls. 305), tendo apresentado Recurso Voluntário em 29/02/2012 (fls. 306 a 321) alegando, em síntese: · a nulidade do auto de infração em razão de entender inconstitucional a quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. · a nulidade do auto de infração em razão de entender inconstitucional o art. 42 da Lei nº 9.430/96. · a nulidade do auto de infração em face de restar incorreto o lançamento com base em omissão de rendimentos de depósito bancário, quando o certo deveria ter sido o lançamento com base na falta de escrituração contábil, tendo em vista que o contribuinte (pessoa física) exerce atividades de leilão (atos de comércio) e, portanto, deveria ser equiparado a pessoa jurídica para fins fiscais. · a improcedência do auto de infração por efetuar lançamento com base em presunção. Entende que o depósito bancário não é fato gerador do imposto de renda e deve a fiscalização comprovar que o consumo da renda é discrepante em relação aos valores reportados à autoridade tributária. · que os valores referentes aos empréstimos tomados de terceiros devem ser excluídos do lançamento, por não representarem acréscimo patrimonial, tendo em vista que tais empréstimos deverão ser pagos no futuro. · que os valores tributados no mês anterior devem ser considerados como renda comprovada para os meses subsequentes. Ou melhor, que os valores tributados nos meses anteriores devem ser excluídos do lançamento dos meses subsequentes. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. I. Das Preliminares I.1. Inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário sem ordem judicial Como o processo de fiscalização se iniciou com base na análise das informações bancárias do Contribuinte pela Receita Federal, o mesmo pleiteia a nulidade do auto de infração por entender inconstitucional a quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei, conforme disposto na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. I.2. Inconstitucionalidade da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 O Contribuinte também requer a nulidade do auto de infração em razão de entender inconstitucional o art. 42 da Lei nº 9.430/96. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei, conforme disposto na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. I.3. Necessidade de equiparação da pessoa física à pessoa jurídica pelos atos de comércio O Contribuinte requer a nulidade do auto de infração em face de restar incorreto o lançamento com base em omissão de rendimentos de depósito bancário, quando o certo deveria ter sido o lançamento com base na falta de escrituração contábil, tendo em vista que o Contribuinte (pessoa física) exerce atividades de leilão (atos de comércio) e, portanto, deveria ser equiparado a pessoa jurídica para fins fiscais. O pleito do Contribuinte é no sentido de que ao invés do lançamento ter sido efetuado com base em omissão de rendimentos de depósitos bancários, esse deveria ter considerado a equiparação da pessoa física (Contribuinte) à pessoa jurídica, pois pratica atos de comércio. Porém, o Contribuinte não apresenta qualquer prova que assim indique. Não há nos autos comprovação de que os créditos em suas contas bancárias foram oriundos de leilões (atos de comércio exercidos de forma habitual). Desta feita, como o Contribuinte apenas alega, mas nada prova, entendo que o pleito quanto à nulidade do auto de infração não possui respaldo fático, devendo ser mantido o lançamento com fundamento na omissão de rendimento de depósitos bancários (pessoa física) com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10972.000206/200942 Acórdão n.º 2201002.382 S2C2T1 Fl. 5 7 II. Do Mérito II.1. Da improcedência do lançamento por mera presunção O Contribuinte alega a improcedência do auto de infração por não haver provas no processo que os créditos em suas contas bancárias representam acréscimo patrimonial do Contribuinte, bem como defende que o mesmo foi fundamentado apenas em extratos bancários, sendo o lançamento efetuado por presunção. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 regula a matéria dispondo que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000, 00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Pela inteligência desse dispositivo legal, verificase que a autoridade fiscal pode efetuar lançamento tributário por omissão de rendimentos com base em extratos bancários, desde que devidamente intimado, o contribuinte não apresente justificativa da natureza dos respectivos valores. Notese que nesse caso há uma inversão do ônus da prova. Esse não mais cabe à fiscalização, mas sim ao contribuinte (presunção relativa). Assim, como o Contribuinte não produziu documentação hábil a justificar a natureza dos depósitos em sua conta bancária, presumese que os mesmos são rendimentos (omitidos) e, portanto, sujeitos à tributação com base na tabela progressiva. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Ademais, a Súmula CARF nº 26 já dispensa a autoridade fiscal de comprovar o consumo da renda. Confirase: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Logo, não merece amparo a alegação do Contribuinte de que extratos bancários não constituem provas para fins de lançamento tributário, bem como que cabe o ônus da prova à autoridade tributária, pois em caso de omissão de rendimento por depósito bancário, o extrato bancário é meio válido de prova e o ônus de desconstituílo cabe ao contribuinte. II.2. Origem comprovada dos depósitos bancários II.2.a. Empréstimos tomados de terceiros O Contribuinte alega que os valores referentes aos empréstimos tomados de terceiros devem ser excluídos do lançamento, por não representarem acréscimo patrimonial. Pondera que os credores dos referidos empréstimos foram circularizados e confirmaram a operação. O Contribuinte alega que tais valores são referentes a empréstimos tomados de terceiros, mas não junta provas aos autos. Pondera apenas que ainda não apresentou os credores, pois as instituições financeiras ainda não identificaram os remetentes. Sendo assim, em face da ausência de provas de que os créditos (TED) efetuados em sua conta bancárias sejam oriundos de empréstimos contraídos, entendo que o lançamento é procedente nesse aspecto. II.2.b. Exclusão do valor tributado do mês anterior O Contribuinte requer que os valores tributados no mês anterior sejam considerados como renda comprovada para os meses subsequentes. Ou melhor, que os valores tributados nos meses anteriores devem ser excluídos do lançamento dos meses subsequentes. Entretanto, a legislação que fundamenta o lançamento com base omissão de rendimentos – depósito bancário (art. 42 da Lei nº 9.430/96) não prevê a possibilidade de os depósitos tributados em determinado mês sejam excluídos de tributação em meses subsequentes, mesmo porque são créditos autônomos, cuja eventual vinculação (origem dos recursos) deve ser justificada pelo Contribuinte. Logo, como não houve justificativa do porquê que os depósitos tributados em determinado mês sejam subtraídos da tributação de meses subsequentes, o lançamento deve prevalecer. Ademais, essa sistemática é condizente com o lançamento em base de acréscimo patrimonial a descoberto, que não é o caso em tela. Desta feita, improcedente o pleito do Contribuinte, especialmente por existir a Súmula CARF nº 30 que trata do tema: Súmula CARF n° 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Conclusão Fl. 334DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10972.000206/200942 Acórdão n.º 2201002.382 S2C2T1 Fl. 6 9 Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 335DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13603.001855/00-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
Ementa:
AÇÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO EM JULGADO - O pedido de ressarcimento cujo objeto seja uma sentença judicial sem o trânsito em julgado, deverá ser indeferido, tendo em vista a carência do direito líquido e certo previsto na legislação.
Numero da decisão: 3402-002.399
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Negado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso. Vencidos conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que votaram pelo sobrestamento do julgamento até o final da decisão judicial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Fenelon Moscoso de Almeida. Apresentará declaração de voto conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça; Pedro Sousa Bispo (Suplente); Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente); João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Redator Designado
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negouse provimento ao recurso. Vencidos conselheiros João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que votaram pelo sobrestamento do julgamento até o final da decisão judicial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça e Fenelon Moscoso de Almeida. Apresentará declaração de voto conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça; Pedro Sousa Bispo (Suplente); Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente); João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 18 55 /0 0- 93 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001855/0093 Acórdão n.º 3402002.399 S3C4T2 Fl. 205 2 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Redator Designado Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Versa o presente processo sobre Pedido de Ressarcimento do Saldo Credor do IPI acumulado ao final do trimestre 3º/2000, no valor de R$ 102.288,40, formalizado em 27/10/2000, com fulcro no art 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 33/1999, cf. fls. 3/4, posteriormente substituídas pelas fl. 56. A solicitação foi inicialmente indeferida [Despacho Decisório de fls. 78/80, de 23/01/2002] tomando por base o Termo de Verificação Fiscal lavrado pela Seção de Fiscalização [fls. 75/76] que propôs o indeferimento em decorrência da ação fiscal da qual resultou a lavratura de Auto de Infração do IPI consubstanciado no processo administrativo 13603.001578/200125, para exigência do IPI não destacado e não recolhido em virtude da incorreta classificação fiscal na saída do produto "Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem", em razão da apuração de saldos devedores do IPI após a reconstituição da escrita fiscal [fls. 68/73]. Inconformada a pleiteante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 81/90, tendo sido ratificado o indeferimento do pleito em 08/07/2004, por intermédio do Acórdão DRJ/JFA nº 07.692 [fls. 96/108], em face da existência do auto de infração e da apuração de saldo devedor no período. Contra o referido acórdão foi interposto Recurso Voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes [fls. 114/128], com posterior juntada, em 29/09/2004, de cópia da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT N° 288, de 17/08/2004 [ fls. 134/142]. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001855/0093 Acórdão n.º 3402002.399 S3C4T2 Fl. 206 3 O Segundo Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento em diligência [fls. 152/158/], em 09/11/2005, para juntada aos autos da decisão final que viesse a ser proferida no Processo Administrativo 13603.001578/200125 (Auto de Infração do IPI) dada a estreita vinculação entre os processos Às fls. 162/174 foi anexada cópia do Acórdão n° 20216.818, por intermédio do qual a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes reconheceu, em atendimento a recurso apresentado pelo contribuinte, que a atividade exercida pela autuada consiste em prestação de serviços, nos termos da decisão judicial transitada em julgado, afastando, por conseguinte, a exigência de IPI. O mencionado Acórdão foi objeto de Recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) [fls. 175/185], que em Acórdão de n° 0202.652 [fls. 209/216], negou provimento ao recurso especial. Assim, cumprida a exigência contida na Resolução de fls. 152/158 foram os autos remetidos em 21/11/2007 [fl. 217] ao Segundo Conselho de Contribuintes para apreciação do Recurso Voluntário de fls. 114/128. Resultou daí o Acórdão Nº 20403.588 [fls. 282/285], de 06/11/2008, por intermédio do qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em uma nova análise do caso, considera o desfecho favorável do processo 13603.001578/200125 ao contribuinte, mas, entendendo que o procedimento fiscal instaurado para averiguar a legitimidade do crédito pleiteado não foi conclusivo quanto ao mérito do ressarcimento retorna os autos à unidade de origem para reexame e prolatação de uma nova decisão com enfrentamento do mérito, uma vez afastada a prejudicial de análise de mérito. O processo foi remetido à DRF/CON em 03/02/2010. Em cumprimento ao determinado pelo CARF foi elaborado em 25/10/2010 o Termo de Diligência/Verificação Fiscal de fls. 300/309 que, depois de circunstanciar todos os fatos atinentes à ação judicial [que declarou a inexistência de relação jurídico tributária entre a Editora Alterosa e a União] e à decisão do Segundo Conselho de Contribuintes relativamente ao auto de infração consubstanciado no processo nº 13603.001578/200125 [no sentido de que a atividade exercida pela autuada consiste em prestação de serviços, nos termos da decisão judicial transitada em julgado, afastando, por conseguinte, a exigência de IPI], em síntese, concluiu que “De tudo o que foi aqui relatado, fica claro para o servidor que esta subscreve, que como conseqüência do afastamento do campo de incidência decorre a impossibilidade de que a pessoa jurídica possa aproveitar os créditos de IPI decorrentes de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, um vez que tais aquisições não foram e nem serão, por força do comando judicial, utilizadas em processo que possa ser considerado Fl. 826DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001855/0093 Acórdão n.º 3402002.399 S3C4T2 Fl. 207 4 industrialização, em descompasso, portanto com o fixado pelos artigos 164, inciso I e 165 do Decreto n° 4.544/2002 e artigos 226, inciso I e 227 do Decreto n° 7.212/2010”. Assim, foram os autos encaminhados à Saort para prosseguimento. Em seguida foi proferido o Despacho Decisório SAORT/DRF/CON, de 24/02/2012, fls. 384/392, que tomando por base as informações e constatações consignadas no Termo de Diligência/Verificação Fiscal de fls. 300/309 concluiu pelo indeferimento do pedido de ressarcimento formulado, sob o argumento, em síntese, de que “uma vez declarada judicialmente a inexistência de relação jurídicotributária relativa ao IPI entre a União Federal e o contribuinte, não há que se falar em direito de ressarcir crédito de tal natureza”. Cientificado do Despacho Decisório em 07/03/2012 [fls. 394 e 396] manifestou a contribuinte a sua inconformidade em 09/04/2012 por intermédio do arrazoado de fls. 404/412, no qual, em síntese: inicialmente historia os fatos atinentes à ação judicial [processo nº 32.1710] desde a petição inicial até decisão final favorável transitada em julgado, mencionando, ainda, os autos de infração lavrados, formalizados sob os números 13603.000708/9837 e 13603.001578/200125, cujo desfecho, no julgamento pelo Segundo Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais foi pela improcedência dos lançamentos em face da existência de coisa julgada afastando a incidência do IPI sobre os serviços de impressão prestados por ela e da caracterização da atividade da empresa como mera composição gráfica sujeita apenas ao ISS; menciona a formulação de consulta acerca da possibilidade de manutenção e utilização de créditos relativos a MP, PI e ME consumidos no processo produtivo, da qual resultou a Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT nº 288, de 17/08/2004, que lhe reconheceu o direito de creditamento, resultando tal fato, a partir daí, no deferimento dos pedidos de ressarcimento; relata a representação feita pela DRF/CON à DISIT/SRRF/6ª RF com o objetivo de análise quanto à anulação da solução de consulta em comento, da qual resultou o Despacho Decisório SRRF/6ª RF nº 199, de 29/10/2010, através do qual foi declarada “nula a Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT nº 288, de 17 de agosto de 2004, com efeitos retroativos”; informa que, “como não havia meios de manifestar o seu inconformismo na via administrativa, a defendente impetrou mandado de segurança em face da SRRF da 6ª Região Fiscal objetivando ‘(i) cancelar o despacho decisório nº 199 e restabelecer a Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT nº 288, de 17/8/2004; (ii) reconhecer que a resposta à consulta vincula todos os órgãos da RFB; e, (iii) determinar que, por ser posterior (direito superveniente) o benefício contido no art. 11 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001855/0093 Acórdão n.º 3402002.399 S3C4T2 Fl. 208 5 da Lei nº 9.779/99 não sofre os efeitos da decisão judicial transitada em julgado obtida pela impetrante nos autos da ação declaratória nº 32.171 ajuizada em 24/3/1982”, fls. 600/615; acrescenta que após os trâmites normais foi proferida sentença [fls. 616/621] que cancelou o despacho decisório nº 199 e restabeleceu a Solução de Consulta nº 288/2004, contra a qual foi interposta apelação pela União Federal, em 11/05/2011 [fls. 624/627], recebida apenas no efeito devolutivo [fl. 628], tendo sido o processo remetido ao TRF1 onde aguarda julgamento; questiona se poderia a DRF/CON, em 24/02/2012, desconsiderar a decisão judicial e indeferir o pedido de ressarcimento, uma vez que a decisão judicial vincula a administração tributária; pondera que, diante (i) da sentença proferida no MS que restabeleceu a Solução de Consulta 288/2004 e reconheceu que ela tem força vinculativa aos órgãos regionais da RFB; (ii) do recebimento do recurso de apelação apenas no efeito devolutivo; (iii) da eficácia e validade da sentença que não pode ser ignorada; (iv) da Solução de Consulta nº 288/2004, que assegura o direito ao ressarcimento dos créditos do IPI destacados nas notas fiscais de compra de insumos utilizados na prestação de serviços gráficos; não há nenhuma dúvida de que deve ser deferido o direito creditório pretendido; pede, ao final, o acolhimento da manifestação de inconformidade para cancelar o despacho decisório SAORT/DRF/CON, de 24/02/2012 e deferir o pedido de ressarcimento. Nestes termos vieram os autos, em 04/05/2012, a esta Terceira Turma da DRJ/JUIZ DE FORA/MG para julgamento [fl. 638]. Este, em apertada síntese, o relato dos fatos que antecederam o presente julgamento. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 0940712, de 22 de junho de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 RESSARCIMENTO. PROCESSO JUDICIAL EM ANDAMENTO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido, ou, de crédito objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001855/0093 Acórdão n.º 3402002.399 S3C4T2 Fl. 209 6 Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, repisa todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Termina sua petição recursal pedindo a reforma da decisão combatida para fins de desconsiderar o disposto no Despacho Decisório nº 199, da DISIT/DRRF06, por força de decisão judicial de efeitos imediatos e reconhecer o direito de crédito da recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade, de sorte que fico autorizado a enfrentar o mérito da lide. Conforme já relatado, a questão posta nos autos diz respeito exclusivamente a nulidade do despacho decisório que cancelou a Solução de Consulta SRRF/6º RF/DISIT nº 288, de 17 de agosto de 2004. O recorrente alega que possui o direito ao ressarcimento pleiteado por força da liminar em sede de Mandado de Segurança que restabeleceu a Solução de Consulta SRRF/6º RF/DISIT nº 288/2004 e, por consequência, assegurou o direito ao ressarcimento dos créditos do IPI destacados nas notas fiscais de compra de insumos utilizados na prestação de serviços gráficos. A Turma da DRJ Juiz de Fora entendeu que sem o trânsito em julgado da sentença não há direito líquido e certo, inviabilizando o deferimento do ressarcimento requerido. Delimitado o litígio, passo à análise. O ponto fulcral a ser enfrentado é a possibilidade de uma decisão sem trânsito em julgado ser objeto de um pedido administrativo de ressarcimento. O recorrente possui uma sentença apelada com efeito apenas devolutivo e busca executar administrativamente a decisão. Assim sendo, estamos diante de uma pretensa execução provisória contra a Fazenda Pública. Entendo não ser possível execução provisória contra Fazenda Pública, em vista de que a fórmula da execução contra a Fazenda Pública não se coaduna com os princípios norteadores da execução provisória. Outro fato importante é que diante do caráter definitivo da Fl. 829DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001855/0093 Acórdão n.º 3402002.399 S3C4T2 Fl. 210 7 expedição do precatóriorequisitório, verdadeiro pagamento da obrigação executada, não há de se falar em provisoriedade da execução. E, por derradeiro, não se pode sobrepujar o interesse público em face de um pretenso direito do particular, ainda sujeito a alterações. Noutro giro, importante ressaltar que a Lei nº 9.430/96 coíbe o ressarcimento de valores reconhecidos judicialmente antes do trânsito em julgado da ação. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Essa regra se baseia na necessidade de liquidez e certeza do crédito para que possa ser ressarcido valores do cofre do Estado. A liquidez caracterizada pela quantificação em moeda corrente do País e a certeza identificada pela incontestável existência e natureza tributária deste mesmo crédito. A sentença sem o trânsito em julgado, ou seja, enquanto sujeita a recurso, não passa de uma situação jurídica. Os efeitos próprios da sentença só ocorrerão no momento em que não mais será mais suscetível de reforma por meio de recursos. Neste instante, fará coisa julgada material, tornandoa imutável e indiscutível. Diante desses fundamentos jurídicos e legais, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, 22 de julho de 2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Declaração de Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA A par das judiciosas razões expendidas pelo ínclito relator, impetro vênia para expor as razões que sustentam minhas conclusões pelo improvimento do recurso, face à pela inocorrência dos pressupostos legais ao direito de crédito pleiteado. Tratandose de questão afeta a direito de crédito, inicialmente impõese delimitar o campo de incidência do IPI e do conseqüente campo de aplicação do princípio da não cumulatividade (art.153, Inc.IV e § 3º, alínea "b"; art. 49 do CTN), que obviamente não se Fl. 830DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001855/0093 Acórdão n.º 3402002.399 S3C4T2 Fl. 211 8 aplica quando as operações são praticadas no âmbito do campo de incidência de outros impostos não sujeitos ao referido princípio. Como é elementarmente sabido, coerente com os princípios que informam a estrutura do Estado Federal, a Constituição brasileira estabeleceu um sistema de discriminação de competências tributárias, presidido pelos princípios da “privatividade”, “rigidez”, “segregação” e “incomunicabilidade das diferentes áreas” em que estão distribuídas tais competências, através do qual se enumeram taxativamente quais os tributos cuja instituição é autorizada a cada ente federado, definindoos em função de campos de imposição delimitados pela referência aos fatos econômicos que os caracterizam, de tal forma que a competência tributária dos entes federados só pode ser exercida em relação aos tributos autorizados, nos estritos limites (materiais e territoriais) dos respectivos campos de imposição, na forma e nas condições autorizadas pela Constituição, vigorando a parêmia de que é proibido o que não é expressamente autorizado (“prohibita intelliguntur quo non permissum”). Como também é curial e esclarece Amílcar de Araújo Falcão, da atribuição da competência tributária privativa, necessariamente provém uma “dúplice decorrência”. “Em primeiro lugar, a atribuição de competência privativa tem um sentido positivo ou afirmativo: importa em reconhecer a uma determinada unidade federada a competência para decretar certo e determinado imposto. Em segundo lugar, da atribuição de competência privativa decorre um efeito negativo ou inibitório, pois importa em recusar competência idêntica às unidades outras não indicadas no dispositivo constitucional de habilitação: tanto equivale a dizer, se pudermos usar tais expressões, que a competência privativa é oponível erga omnes, no sentido de que o é por seu titular ou por terceiros contra quaisquer outras unidades federadas não contempladas na outorga.” (cf. Amílcar de Araújo FALCÃO, in “Sistema Tributário Brasileiro Discriminação de Rendas”, Edições Financeiras S/A, 1ª Ed., 1965, pág. 38). Fixadas estas elementares premissas decorrentes do sistema tributário adotado, já de início verificase que ao interpretar a discriminação constitucional de competências tributárias, tanto a Suprema Corte como o Superior Tribunal de Justiça, há muito já assentaram unissonamente que a atividade de composição gráfica, fotocomposição, clicheria, zincografia, litografia e fotolitografia se insere na competência tributária privativa dos Municípios (CF/88, art. 156, inc. III) para tributar os serviços composição gráfica, expressamente previstos na lista de serviços definidos em Lei Complementar (cf. item 77 da lista anexa ao DL nº 406/68; item 77 da lista anexa à LC nº 56/87; item 13.05 da lista anexa à LC nº 116/03), que “é taxativa, ou limitativa, e não simplesmente exemplificativa, (...), embora comportem interpretação ampla os seus tópicos”. (cf. Ac. da 2ª Turma do STF no RE nº 361.829RJ, em sessão de 13/12/05, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, publ. in DJU de 24/02/06, pág. 51, EMENT VOL0222203 PP00593 e in LEXSTF v. 28, n. 327, 2006, p. 240257). Na mesma ordem de idéias, já na vigência da Constituição de 1988, a Súmula 156 do STJ sedimentou o entendimento no sentido de que “a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS” (cf. Súmula 156 da 1ª SEÇÃO do STJ, em sessão de 22/03/96, DJU de 15/04/96 p. 11631, in RSTJ vol. 86/135 e in RT vol. 726/168). Corroborando esse entendimento, verificase que ao definir o campo de incidência do IPI, o próprio RIPI/02, no § único do art. 2º (art. 2º, § único do RIPI/98) explicita que: “Art. 2º(..) Fl. 831DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001855/0093 Acórdão n.º 3402002.399 S3C4T2 Fl. 212 9 Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação “NT” (nãotributado) (Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002, art. 6º).” Por seu turno, verificase que na aplicação destes preceitos de inegável juridicidade e sob invocação do mesmo fundamento (competência privativa Municipal para tributar os serviços composição gráfica), é torrencial e indiscrepante a Jurisprudência Judicial da Suprema Corte e do STJ, proclamando a não incidência ou exclusão da tributação do ICMS e do IPI sobre a referida atividade, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “ISS. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. Utilização em produtos vendidos a terceiros. a feitura de rótulos, fitas, etiquetas adesivas e de identificação de produtos mercadorias, sob encomenda e personalizadamente, e atividade de empresa gráfica sujeita ao ISS, o que não se desfigura por utilizálos o cliente e encomendante na embalagem de produtos por ele fabricados e vendidos a terceiro. Recurso extraordinário conhecido e provido.” (cf. AC da 1ª Turma do STF no RE 111566SP, em sessão de 25/11/86, Rel. Min. RAFAEL MAYER Publicação, publ. in DJU de 12/12/86, pág. 24667 EMENT VOL0144503, pág. 383) “TRABALHOS GRÁFICOS PERSONALIZADOS E REALIZADOS MEDIANTE ENCOMENDA. A circunstancia de serem utilizados, pelo cliente, na embalagem de produtos de sua fabricação, vendidos a terceiros, não desfigura a sujeição da atividade da empresa gráfica ao imposto sobre serviços. precedente do Supremo Tribunal: RE106.069, (RTJ115/1.419). Recurso Extraordinário provido para restaurar a sentença que acolheu os embargos a execução fiscal.” (cf. AC. da 1ª Turma do STF no RE nº 110.944SP, em sessão de 30/09/86, REl. Min. Octavio Gallotti, publ. in DJU de 24/10/86, pág 20326, EMENT VOL0143805, pág. 1001) RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA PRELIMINAR DE PERDA DE OBJETO DA IMPETRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DE OFÍCIO DA QUESTÃO CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA SUJEITO UNICAMENTE AO ISS VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO § 1º DO ARTIGO 8º DO DECRETOLEI N. 406/68 SÚMULA N. 156 DO STJ. (...) A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a prestação de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao Decretolei n. 406/68. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001855/0093 Acórdão n.º 3402002.399 S3C4T2 Fl. 213 10 Há, portanto, nítida violação ao disposto no § 1º do artigo 8º do DecretoLei n. 406/68, uma vez que a hipótese dos autos configura prestação de serviços de composição gráfica personalizados, sujeitos apenas à incidência do ISS (Súmulas ns. 156/STJ e 143 do extinto TFR). Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, concluise que a atividade não é fato gerador do IPI. Tanto isso é exato que, se forem embaralhadas as entregas, com a troca de destinatários, um estabelecimento não poderá servir se da encomenda de outro, que veio ter a suas mãos por mero acaso ou acidente de percurso. Dissídio jurisprudencial configurado quanto ao mérito. Recurso especial provido. (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no REsp nº 437.324RS, REg. nº 2002/00548208, em sessão de 19/08/03, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, publ. in DJU de 22/09/03 p. 295RT vol. 821 p. 191) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ARTIGO 544 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. SERVIÇO GRÁFICO PERSONALIZADO E POR ENCOMENDA. INCIDÊNCIA DO ISS. SÚMULA 156/STJ. 1. O ICMS não incide sobre serviços de composição gráfica, a teor da Súmula 156 do Superior Tribunal de Justiça, que preceitua: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Outrossim, é cediço no STJ que a incidência do ISS ocorre ainda que os serviços de composição gráfica não sejam personalizados ou não sejam exclusivamente para uso de encomendas (REsp 788.235/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 15.12.2005, DJ 20.02.2006; AgRg no REsp 621.191/MG, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 04.11.2004, DJ 06.12.2004; e REsp 327.504/SP, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 06.11.2001, DJ 25.02.2002). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 1.092.206/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que não incide ICMS sobre os serviços de composição gráfica. Isto porque: "As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluídos na Lista Anexa ao DecretoLei 406/68 (item 77) e à LC 116/03 (item 13.05). Conseqüentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS), Confirmase o entendimento da Súmula 156/STJ: "A Fl. 833DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001855/0093 Acórdão n.º 3402002.399 S3C4T2 Fl. 214 11 prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção." 4. Agravo regimental desprovido. (cf.Ac. da 1ª Turma do STJ no AgRg no Ag nº 1071523SP Reg. nº 2008/01441541, em sessão de 18/08/09, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 14/09/09) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido.” (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no AgRg nº REsp 966184RJ, Reg. nº 2007/01571231, em sessão de 03/04/08, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, publ. in DJU de 19/12/08 “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO E IMPRESSÃO GRÁFICAS. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO INCIDÊNCIA EXCLUSIVA DO ISS. NÃOINCIDÊNCIA DO IPI. CONCEITO DE PRODUTO INDUSTRIALIZADO. MATÉRIA DE ÍNDOLE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL VIOLAÇÃO DOS ARTS. 96 E 100 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. O conceito de produto industrializado é pressuposto pela Constituição Federal que, como de sabença, utiliza os conceitos de direito no seu sentido próprio, pelo que implícita a norma do art. 110 do CTN, que interdita a alteração da categorização dos institutos. 2. Consectariamente, qualificar como produto industrializado aquele que não ostenta essa categoria jurídica implica em violação bifronte ao preceito constitucional, porquanto o texto maior a utiliza não só no sentido próprio, como também o faz para o fim de repartição tributáriaconstitucional. 3. Sob esse enfoque, é impositiva a regra do artigo 153, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, verbis: "Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I Importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; (...)." Fl. 834DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001855/0093 Acórdão n.º 3402002.399 S3C4T2 Fl. 215 12 4. Deveras, a conceituação de produto industrializado encarta se na mesma competência que restou exercida pela Corte Suprema na análise prejudicial dos conceitos de faturamento e administradores e autônomos para os fins de aferir hipóteses de incidência, mercê de a discussão travarse em torno da legislação infraconstitucional que contemplava essas categorizações, reproduzindo as que constavam do texto maior. 5. Sobressai, desta sorte, imprescindível a manifestação da Corte Suprema sobre o thema iudicandum, suscitado de forma explícita ou implícita em todas as causas que versam sobre a competência tributária da União, essência manifesta das decisões que tem acudido ao E. STJ. 6. Ademais, a circunstância de o fato gerador vir estabelecido em legislação tributária que não Lei Formal e concluirse pela inaplicabilidade da mesma, não significa violar os arts. 96 e 110 do CTN, tanto mais que aos mesmos não se referiu o aresto recorrido e por isso ausente o prequestionamento. 7. Recurso especial não conhecido. (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 817182RJ, Reg. nº 2006/00252577, em sessão de 28/11/06, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 08/03/07 p. 170) Dos preceitos expostos resulta claro que por força de expressas disposições da discriminação de competências constitucionais (art. 156, inc. III, § 3º; art. 155, inc. II, § 2º, incs.VII, X, alínea “d” e XI; e art. 153, inc. IV, § 2º) e dos princípios dela decorrentes (princípios da “privatividade”, “rigidez”, “segregação” e “incomunicabilidade das diferentes áreas” em que estão distribuídas tais competências), estes últimos regularmente estabelecidos pela Lei Complementar (LC 116/03, item 13.05) nos expressos termos do art. 146 da CF/88, o produto industrializado pela da Recorrente ("Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem") está fora do campo de incidência do IPI e do ICMS, posto que expressa e privativamente inserido no campo de incidência do ISS, tal como já proclamado pela Jurisprudência cristalizada nas Súmulas nº143 do extinto TFR e nº 156 do E. STJ, esta última editada já na vigência da atual Constituição e portanto aplicável também ao IPI, conforme proclamado nos arestos retro citados. Encontrandose a saída do produto confeccionado pela Recorrente fora do campo de incidência do IPI, já de início não há como se cogitar da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI, cujo pressuposto é exatamente a efetiva incidência do tributo na saída do estabelecimento industrializador, vez que o RIPI/02 expressamente veda a escrituração de créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, dispondo em seu art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” (arts. 171 e 174 do RIPI/98) que: “Art. 190. Os créditos serão escriturados, pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na Fl. 835DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001855/0093 Acórdão n.º 3402002.399 S3C4T2 Fl. 216 13 industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal. (...) “Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I – relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos não tributados”. No mesmo sentido, a Instrução Normativa SRF nº 33/99, de 4/03/99, expressamente dispôs que : “Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...). § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (...).” Assim, achandose expressamente excluída do campo de incidência do IPI, data vênia, verificase que ao realizar as operações com produto NT a Recorrente não só não detém qualquer direito a créditos de IPI relativos às aquisições de insumos (MP, PI e ME ainda que isentas ou tributadas à alíquota zero), nem só se acha legalmente impedida de escrituralos, como está legalmente obrigada a estornalos (art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” do atual RIPI/02 arts. 171 e 174 do RIPI/98). Pelas mesmas razões e, diante da impossibilidade legal e fática sequer de efetuar o suposto “crédito”, quanto mais de acumular “saldos credores” de IPI sobre o produto excogitado, verificase que os hipotéticos “saldos credores” vislumbrados pela ora Recorrente, não poderiam ser passíveis de restituição ou ressarcimento por absoluta ausência dos pressupostos legais à sua concessão (Lei n. 9.779/99, art. 11; Lei 9.430/96, art. 74, § 3º na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02, art. 190, § 1º e art. 193, inc. I alínea “a” do RIPI/02 e art. 2º § 3º da IN/SRF nº 33/99) e, muito menos poderseia cogitar de sua “utilização” para a compensação ou quitação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela SRF, tal como açodadamente supôs a ora Recorrente. Nesse sentido a Jurisprudência do antigo 2ª CC, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. O princípio da nãocumulatividade garante apenas o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13603.001855/0093 Acórdão n.º 3402002.399 S3C4T2 Fl. 217 14 SAÍDA DO PRODUTO FINAL NÃO TRIBUTADO. ESTORNO DO IMPOSTO.Mesmo com o advento da Lei nº 9.779/99, o crédito do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na industrialização de produtos que não sejam tributados, deve ser anulado mediante estorno (IN SRF nº 33/99, art. 2º, § 3º). (...) .Recurso negado. (cf. ACÓRDÃO 20178890 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 129471, Proc. nº 13682.000026/0088, em sessão de 07/12/2005, Rel.Cons. Maurício Taveira e Silva, publ. in D.O.U. de 15/02/2007, Seção 1, pág. 54.) Releva, finalmente, notar que a atividade tratada nestes autos (serviços de confecção de “Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem” sob encomenda e para uso exclusivo do encomendante), não se confunde com a atividade gráfica em escala industrial de artefatos não personalizados (tais como blocos, cadernos, formulários, livros fiscais, baralhos etc.), cujas saídas do estabelecimento industrializador estão inseridas no campo de incidência do IPI. Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, os débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao do presente Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida, que se conforma com a lei e com a jurisprudência judicial e desde E. Conselho. É o meu voto. Sala das Sessões, em 22 de julho de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 837DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 11/08/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 19515.003483/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. O fato de ter entrevisto ex-empregados.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
No caso dos benefícios de previdência complementar, descumpriu o recorrente o preceito legal básico descrito na lei para excluir os valores da base de cálculo, qual seja, a extensão do benefício a todos os empregados, assim, correto o lançamento em relação a essas verbas.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO - AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO.
Não demonstrou o recorrente que as metas foram acordadas pela comissão de empregados, o que fere o disposto na lei 10.101.
Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, em periodicidade superior ao permitido em lei, e em valores superiores ao acordado, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário.
BÔNUS DE PERMANÊNCIA - GRATIFICAÇÕES E PRÊMIOS - PAGAMENTO POR LIBERALIDADE - NATUREZA SALARIAL
O pagamento de bônus ou gratificações possuem nítida natureza salarial, uma vez que pagos em decorrência do atingimento de metas, ou mesmos de pactos realizados em decorrência de contratos de trabalho.
MULTA - QUALIFICADA - COMPROVAÇÃO DA INTENÇÃO DE OMITIR BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES
O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)
Demonstrou a autoridade fiscal os elementos fáticos que demonstraram a intenção de omitir base de cálculo de contribuições previdenciárias em relação ao valores pagos por meio de aportes em previdência privada.
Para os valores de PLR pagos por meio de Folha de Pagamento, embora correto o lançamento realizado, posto a feição salarial do benefício, deve ser afastada a qualificação da multa, posto não ter logrado êxito o auditor em enquadrar o pagamento, como verdadeira omissão, ou desvirtuamento do pagamento.
Numero da decisão: 2401-003.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II)Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício referente ao levantamento LEV 04. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landin e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior extensão, que cancelavam a multa de ofício referente aos fatos geradores anteriores a vigência da MP nº 449, de 2008, sendo que o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira excluía, ainda, os juros sobre a multa.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. O fato de ter entrevisto ex-empregados. Recurso Voluntário Provido em Parte. No caso dos benefícios de previdência complementar, descumpriu o recorrente o preceito legal básico descrito na lei para excluir os valores da base de cálculo, qual seja, a extensão do benefício a todos os empregados, assim, correto o lançamento em relação a essas verbas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO - AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO. Não demonstrou o recorrente que as metas foram acordadas pela comissão de empregados, o que fere o disposto na lei 10.101. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, em periodicidade superior ao permitido em lei, e em valores superiores ao acordado, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. BÔNUS DE PERMANÊNCIA - GRATIFICAÇÕES E PRÊMIOS - PAGAMENTO POR LIBERALIDADE - NATUREZA SALARIAL O pagamento de bônus ou gratificações possuem nítida natureza salarial, uma vez que pagos em decorrência do atingimento de metas, ou mesmos de pactos realizados em decorrência de contratos de trabalho. MULTA - QUALIFICADA - COMPROVAÇÃO DA INTENÇÃO DE OMITIR BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Demonstrou a autoridade fiscal os elementos fáticos que demonstraram a intenção de omitir base de cálculo de contribuições previdenciárias em relação ao valores pagos por meio de aportes em previdência privada. Para os valores de PLR pagos por meio de Folha de Pagamento, embora correto o lançamento realizado, posto a feição salarial do benefício, deve ser afastada a qualificação da multa, posto não ter logrado êxito o auditor em enquadrar o pagamento, como verdadeira omissão, ou desvirtuamento do pagamento.
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CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR NATUREZA SALARIAL NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES No caso dos benefícios de “previdência complementar, descumpriu o recorrente o preceito legal básico descrito na lei para excluir os valores da base de cálculo, qual seja, a extensão do benefício a todos os empregados, assim, correto o lançamento em relação a essas verbas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO. Não demonstrou o recorrente que as metas foram acordadas pela comissão de empregados, o que fere o disposto na lei 10.101. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, em periodicidade superior ao permitido em lei, e em valores superiores ao acordado, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. BÔNUS DE PERMANÊNCIA GRATIFICAÇÕES E PRÊMIOS PAGAMENTO POR LIBERALIDADE NATUREZA SALARIAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 83 /2 01 0- 11 Fl. 822DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 O pagamento de bônus ou gratificações possuem nítida natureza salarial, uma vez que pagos em decorrência do atingimento de metas, ou mesmos de pactos realizados em decorrência de contratos de trabalho. MULTA QUALIFICADA COMPROVAÇÃO DA INTENÇÃO DE OMITIR BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Demonstrou a autoridade fiscal os elementos fáticos que demonstraram a intenção de omitir base de cálculo de contribuições previdenciárias em relação ao valores pagos por meio de aportes em previdência privada. Para os valores de PLR pagos por meio de Folha de Pagamento, embora correto o lançamento realizado, posto a feição salarial do benefício, deve ser afastada a qualificação da multa, posto não ter logrado êxito o auditor em enquadrar o pagamento, como verdadeira omissão, ou desvirtuamento do pagamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. O fato de ter entrevisto exempregados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II)Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício referente ao levantamento LEV 04. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landin e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior extensão, que cancelavam a multa de ofício referente aos fatos geradores anteriores a vigência da MP nº 449, de 2008, sendo que o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira excluía, ainda, os juros sobre a multa. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relator Fl. 823DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 3 3 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório O presente NFLD, lavrado sob o n. 37.308.8515, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, levantadas sobre os pagamentos feitos aos segurados empregados no período de 02/2006 a 12/2009. Conforme descrito no Relatório Fiscal do AIOP (fls. 10/54), a Fiscalização constatou, mediante exame das informações da empresa contidas na sua contabilidade e nos documentos relativos aos seus planos próprios de previdência privada complementar, que a mesma, além de plano disponível a todos os seus empregados, contratado junto à seguradora BrasilPrev, também mantinha um outro restrito aos funcionários ocupantes de cargos de confiança (níveis hierárquicos a partir de coordenador), contratado junto à seguradora Itaú Unibanco Vida e Previdência. Destacase que a autoridade fiscal não lançou contribuições sobre o referido plano. Segundo a autoridade fiscal a "previdência complementar" do Itaú Unibanco Vida e Previdência era utilizada para pagamento de parcelas variáveis de salário, identificadas com "bônus', "prêmio por desempenho" e "PLR", em afronta à legislação previdenciária e à própria Lei Complementar LC n° 109, de 29/05/2001, reguladora do Regime de Previdência Complementar, que impõem o oferecimento do plano de previdência privada complementar à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa que o institua, sob pena da integração dessas verbas ao saláriodecontribuição previdenciário. Destacou, ainda que os valores não constavam de contracheque, sem qualquer participação do empregado. Informa a Fiscalização, que no início da ação fiscal, não foi possível identificar os registros contábeis referentes ao plano de previdência contratado com a seguradora Itaú Unibanco, pois não havia na contabilidade nenhuma conta ou histórico contábil específico para o referido plano ou seguradora; entretanto, posteriormente, com o depoimento de exfuncionários e, por meio da utilização de um "software" de auditoria em arquivos digitais, foi executado um rastreamento de "palavras", possibilitando a identificação de duas contas contábeis (contas nrs. 213.350 e 407.150), onde foram contabilizados os valores correspondentes. Consta no Relatório Fiscal que a empresa pagou verbas a título de participação nos Lucros ou Resultados (PLR) em desacordo com os requisitos previstos na Lei n°l0.101/2000, razão pela qual foram desconsiderados ( para os efeitos referentes à incidência de contribuições previdenciárias) os acordos celebrados entre a empresa e o sindicato dos empregados. Conforme foi informado pela autoridade fiscal "o contribuinte segregou seus funcionários em duas categorias: graduados e não graduados, remunerando a primeira, conforme estipulado nos acordos de participação nos resultados, vias folhas de pagamento, retendo e declarando (DIRF) o imposto de renda na fonte, e, por intermédio de contas previdenciárias abertas em um plano corporativo de previdência complementar contratado com a seguradora Itaú Unibanco Vida e Previdência creditou aos integrantes da segunda categoria (diretores, gerentes) vultosos valores não previstos nos referidos acordos, sem trânsito pela folhas de pagamento, não declarados em DIRF e sem a devida retenção do imposto de renda na fonte. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 4 5 Procedeu o Agente Fiscal ao seu lançamento de ofício no presente AIOP, onde constam os seguintes Levantamentos: a) LEV 01 PREV ATÉ 11/2008 Levantamento referente às contribuições ao plano corporativo de previdência complementar contratado com a Itaú Unibanco Vida e Previdência (período de 02/2006 a 11/2008). b) LEV 03 PLR FP ATÉ 11/2008 Levantamento referente às parcelas pagas a título de PLR constantes na folha de pagamento (período de 02/2007 a 11/2008). c) LEV 02 PREV APÓS 11/2008 Levantamento referente às contribuições ao plano corporativo de previdência complementar contratado com a Itaú Unibanco Vida e Previdência (período de 12/2008 a 12/2009). b) LEV 04 PLR FP APOS 11/2008 Levantamento referentes pagas a título de PLR constantes na folha de pagamento (período de 12/2008 a 12/2ÕÜ9) Informa ainda a autoridade fiscal ter aplicado na ação fiscal princípio da norma mais benéfica, expresso no art. 106, II, alínea "c", do Código Tributário Nacional — CTN, na apuração da multa exigível sobre a contribuição não recolhida tempestivamente, mediante cotejo, competência a competência, entre a soma da multa moratória incidente sobre a contribuição devida com a multa por descumprimento da obrigação acessória (não declaração, em GFIP, da contribuição devida), calculadas de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, e a multa de ofício de 75% sobre a contribuição devida, prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 11.941/2009; dessa comparação, detalhada na planilha CD digital anexa, resultou na aplicação da multa prevista na legislação atual, qual seja a multa de ofício de 75% em todas as competências anteriores a 12/2008. Nas competências de 12/2008 a 12/2009, período onde já estava vigente a MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, houve a aplicação da multa de ofício qualificada (150%), em virtude da intenção de sonegar que caracteriza fraude, nos termos do previsto no art. 72 da Lei n° 4502/64, uma vez que foi constatado pela fiscalização que: a) os valores pagos não constam nas declarações tributárias (DIRF e GFIP), nas folhas de pagamento e nos acordos de participações nos resultados; b) houve lançamentos contábeis em títulos não próprios; c) houve omissão do plano e dos valores nos relatórios societários divulgados (CVM e SEC); todos os fatos também encontram respaldo nos depoimentos de exfuncionários. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 28/10/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 05/11/2010. (fl. 469) Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 474 a 517. Foi exarada a Decisão de Primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 688 a 715. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 Fl. 826DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÕES LEGAIS. Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades, integrandoo igualmente, as verbas pagas em desacordo com as hipóteses taxativas de sua exclusão. Art. 28, I, c/c § 9o da Lei 8.212/91 e art. 214, § 9°do Decreto 3.048/99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integram o saláriodecontribuição as verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pagas em desacordo com a legislação correlata, recebendo a incidência das contribuições sociais previdenciárias. Art. 28, § 9o, "j", da Lei 8.212/91 e Art. 214, § 9o, X, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.040/99. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Integram o salário decontribuição os aportes efetuados pela empresa por conta de plano de previdência privada complementar, quando tal benefício não for acessível a todos os empregados e dirigentes da empresa. Art. 28, § 9o, "p", da Lei 8.212/91 e art. 214, § 9o, XV, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. Tendo a empresa remunerado seus segurados com verbas integrantes do saláriodecontribuição previdenciário, tornase obrigada ao recolhimento das contribuições patronais incidentes sobre tais valores, conforme determina o art. 22,1 e II, da Lei 8.212/91. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea "c", do Código Tributário Nacional CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicandose a que lhe for menos severa. INAPLICABILIDADE DE JUROS SOBRE MULTA. No lançamento de ofício, não há previsão legal de aplicação, sobre a multa, de jurosde mora, os quais incidem somente sobre o valor originário atualizado da contribuição. Lei 8.212/91, art. 34; Decreto 3.048/99, art. 239, II, e art. 242, § 2o. CORESPONSABILIDADE. O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, Fl. 827DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 5 7 eventualmente, possam ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do § 3 e do art. 4 a da Lei na 6.830/80. Acórdão Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 753 a , onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Preliminarmente, nulidade da autuação considerando que pelo simples exame do Termo de Verificação Fiscal entre outras citações constantes do Termo os AFRFB afirmam categoricamente que, selecionaram e entrevistaram 5 (cinco) EXEMPREGADOS da empresa, com o objetivo de "obter informações" a respeito do plano de previdência da Seguradora Itaú Unibanco Vida e Previdência. Com base nessa entrevista unilateral e preparada, os agentes do fisco entenderam que estava comprovada toda a "engenharia" que montaram para impor à Recorrente as contribuições previdenciárias lançadas na "fiscalização previdenciária" anterior, bem como a penalidade aplicada por meio do presente Al, conexa e relacionada com a anterior, que diz respeito à suposta infração cometida pela empresa. 2. Acrescentese, por oportuno, que os depoimentos dos exempregados "escolhidos" pela fiscalização como essenciais para a fundamentação do Al, se apresentam, no mínimo, frágeis e tendenciosos, até mesmo pela própria situação de exfuncionários da empresa, além do inconstitucional procedimento adotado pelo fisco, de não intimar a Recorrente para exercer o legítimo princípio do contraditório no curso da inquirição e nem mesmo permitindo aos depoentes que se fizessem acompanhar de advogados. 3. Conforme já exposto nos itens acima, os AFRFB utilizaramse de argumentos frágeis e provas testemunhais unilaterais e preparadas, sem assegurar a ampla defesa e o contraditório à empresa, para chegar à falsa conclusão de que os pagamentos feitos aos seus empregados a título de participação nos lucros e resultados por meio de contribuições extraordinárias para participação destes no plano de benefícios de previdência da "Seguradora Itaú Vida e Previdência", caracterizamse como parcelas de natureza salarial. 4. Observese que esse plano está em conformidade com a Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001 e funcionando de acordo com todas as normas regulamentares legalmente previstas pelo Conselho de Gestão da Previdência Complementar (CGPC), Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), por delegação de competência oriunda da Lei Complementar n° 109, de 2001, conforme citações constantes do Anexo 37 deste auto de infração. 5. Da análise do texto constitucional se conclui que a PLR é um direito do trabalhador, que não depende, somente, da existência de lucro, mas, também, da obtenção de um resultado; a PLR não se constitui em remuneração, desde que paga ou creditada conforme definido em lei. 6. Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, por meio de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito Fl. 828DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. 7. Com efeito, ao contrário do que afirma a fiscalização, todos os requisitos previstos na legislação acima apontada foram cumpridos. De início, cumpre esclarecer que a Recorrente e os empregados optaram por fazer negociação coletiva por meio de "Acordo Nacional de Participação nos Resultados", celebrado com o Sindicato dos Empregados do Comércio de São Paulo, exatamente nos termos do artigo 2o , inciso II, da Lei n° 10.101, de 2000. 8. Ora, conforme já sobejamente demonstrado na impugnação relativa ao processo n° 19515.003483/201011, pelas mesmas razões (exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de PLR, tidos como verbas de natureza salarial pela fiscalização), observase que os agentes fiscais extrapolaram as suas atribuições e efetuaram lançamento com suporte em "requisitos" que eles mesmos criaram, fazendo exigências além daquelas previstas na Lei n° 10.101, de 2000, que a própria lei que lhes dá amparo para a tipificação da natureza jurídica dos pagamentos do PLR (Lei n° 8.212. de 1991, art. 28, § 9°, alínea "i"), remete a definição dos requisitos para a lei específica. 9. Todas as informações, detalhes e especificações (não exigidas pela Lei n° 10.101, de 2000), denominadas "Programas de PLR", foram amplamente divulgadas aos empregados, assim como as metas a serem alcançadas e a quem eram aplicáveis, tudo de acordo com as diretrizes estabelecidas nos Acordos de PLR, de forma transparente, que os AFRFB tiveram acesso e, inclusive, se referiram a eles (Programas de PLR) no Termo de Verificação Fiscal. 10. Não se pode, contudo, admitir a interferência da fiscalização no conteúdo dos Acordos, que as partes (empresa e sindicato de empregados) livremente pactuaram em conformidade com a lei específica que disciplina a matéria, pois tornaria as disposições legais criadas por determinação da Constituição Federal, art. 7o , inciso XI, letra morta. 11. A participação nos resultados também consta do acordo, consistindo em um pagamento anual e será feito conforme o grau alcançado na análise de desempenho individual ou por equipes, de acordo com procedimentos e critérios da empresa. 12. Acrescentese que, as metas e os objetivos mais específicos não constaram por escrito dos acordos porque são dados sigilosos que não podiam ser expostos para o público externo, mas que seus empregados foram cientificados das metas e objetivos a serem alcançados, fato notório e divulgado internamente pela empresa. 13. Por outro lado, em todos os Acordos Coletivos constou previsão expressa para pagamentos superiores ao teto estabelecido, estando assim redigidos os dispositivos pactuados. 14. Destaquese, ainda, que a Lei n° 10.101 de 2000 não proíbe o pagamento da PLR com assentimento dos empregados, por meio de depósitos em plano de previdência. 15. Quanto à afirmação de que os pagamentos efetuados à Seguradora Itaú Vida e Previdência não transitaram pelas folhas de pagamento, é óbvio que, por se tratarem de aportes que poderiam ou não se converter em planos de benefícios de previdência, dependendo da opção que cada beneficiário desse ao seu quinhão, não poderiam integrar a folha de pagamento, dada a sua natureza. Ademais, o fato da PLR ter sido paga por Fl. 829DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 6 9 meio de conta de previdência privada, não tem o condão de alterar a natureza jurídica de verba nãosalarial. 16. Por outro lado, quando os agentes fiscais afirmam que para alguns empregados que receberam o PLR por meio de depósitos na Seguradora, não foi respeitado o § 2o do art. 3o da Lei n° 10.101, de 2000, nenhuma razão lhes assiste visto que, conforme mencionado na defesa do Al relativo ao processo n° 19515.003483/201011, parte dos depósitos não se tratam de PLR e sim de esporádicas gratificações liberais ou bônus de contratação, que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, razão pela qual não podem ser consideradas no cômputo da semestralidade previsto no dispositivo citado. Acrescentese, ainda, que os Auditores não apontaram especificamente estes casos, o que torna imponderável a contestação. 17. Assim, a Recorrente, visando assegurar a sua função social, realizou, com a concordância de seus empregados, os pagamentos por meio de depósitos junto ao Plano de Previdência Privada. Não obstante os argumentos expendidos, ainda que não se entendesse que os pagamentos fossem relativos ao PLR, que a Lei n° 8.212, de 1991, artigo 28, § 9o , alínea "j", exclui da base de cálculo das contribuições previdenciárias, as verbas, forçosamente, deveriam ser enquadradas na hipótese de exclusão prevista na alínea "p" do mesmo parágrafo 9o , que dispõe que não integra o salário de contribuição "o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da CLT." 18. Em todos os pagamentos efetuados a título de PLR, observouse, rigorosamente, a semestralidade exigida pela Lei n° 10.101, de 2000. Observese que, parte dos pagamentos efetuados nas contas de previdência privada não se referem a PLR e sim à gratificações liberais e bônus de contratação relativos a profissionais extremamente qualificados circunstância comum no mercado de trabalho de Executivos. Esses pagamentos não têm natureza salarial e, portanto, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 19. Não obstante, e tendo em vista o princípio da eventualidade, a Recorrente requer desde já que, na remota hipótese de Vossas Senhorias entenderem que esses pagamentos foram feitos a título de PLR, que sejam apenas eles mantidos no presente Al, excluindo todos os outros. 20. Quanto à suposta natureza remuneratória dos pagamentos efetuados a título de gratificações e bônus de contratação que, a juízo da Turma Julgadora (item 4.48 do acórdão proferido no processo n° 19515.003483/201011), não merecem qualquer reparo, nenhuma razão lhes assiste visto que, além de não compor a base de cálculo das contribuições, no Anexo de Fundamentos Legais não consta especificamente, a legislação infringida nesse particular. 21. A fiscalização alegou em suas razões, que a Recorrente revelou a evidente intenção de sonegar contribuições previdenciárias e IRRF ao não incluir nas declarações tributárias (DIRF e GFIP), nas folhas de pagamentos e acordos os valores pagos; ao deixar de efetuar lançamentos contábeis em títulos não próprios e, principalmente, os depoimentos dos exempregados. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 22. Ora, a fraude, o dolo e a simulação não podem ser definidos por mera presunção. Para a sua caracterização, a autoridade deve apresentar provas concretas e obtidas de forma legal e com respeito à ampla defesa e o pleno exercício do contraditório. Na vertente hipótese, como já mencionado anteriormente na preliminar de cerceamento de defesa, os AFRFB se basearam, principalmente (vide Termo de Verificação Fiscal), nos ilegais depoimentos dos exempregados, colhidos de forma ilegal e sem assegurar o contraditório à empresa. 23. Como então caracterizar o evidente intuito de fraude, se a própria fiscalização alega que a empresa também forneceu os documentos e as informações que serviram de base para o lançamento? 24. A jurisprudência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) entende, de forma reiterada, que não basta a existência de indícios da ocorrência de dolo, devendo ser comprovada de forma inequívoca a conduta atípica do sujeito passivo. 25. Por essas razões, a Recorrente requer o acolhimento da preliminar suscitada e, na inconcebível hipótese de não ser acatada, que essa d. Turma Julgadora, pelos fundamentos de mérito, decida pela total. improcedência do presente auto de infração, pelos fundamentos acima descritos. 26. Em qualquer hipótese, contudo, sendo mantido em parte ou totalmente o lançamento contido no presente Auto de Infração, deverá ser dele excluída a multa qualificada, em face das razões de direito expendidas A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o relatório. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 799. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO Destacase, ainda em sede de preliminar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura da NFLD ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. O fato de a autoridade fiscal, ter entrevistado exempregados da autuada, de modo a identificar pagamentos, ou mesmo identificar salários indiretos não nulidifica o lançamento. Pelo contrário, a autoridade fiscal tem a prerrogativa de diligenciar, sempre que entender necessário na busca de fatos que possam melhor esclarecer como se dava a prestação de serviços. No caso, a entrevista não consubstanciou o lançamento, muito menos houve arbitramento de base de cálculo, como base nas entrevista. O que se identificou, foi o aporte de recursos a entidades de previdência privada complementar, tendo por meio de auditoria nas contas da autuada e de processo de diligência junto ao Banco Itau, identificado a autoridade fiscal, diversos desembolsos por parte da autuada em benefício de determinados empregados de nível gerencial. Assim, as entrevistas serviram tão somente para identificar a existência dos pagamentos, mas, a apuração dos mesmos, deuse na forma devida, qual seja, auditoria nas contas contábeis da autuada e apuração junto a instituição financeira Itaú, que recebia e repassava os aportes de recursos aos empregados nos cargos de direção. Ademais,, a própria empresa em sua impugnação argumenta que os valores descritos nas contas contábeis consistem em pagamentos de PLR. As informações fornecidas nas entrevistas foram descritas pelo autoridade lançadora, que indicou todas as contas onde encontrou os valores ora lançados. Assim, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem tampouco nulidade da autuação. Da mesma forma, entendo desnecessário que a entrevista tenha sido acompanhada pelo representante das empresas, desde que a empresa tenha acesso as informações prestadas. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Assim, afasto a nulidade quanto as entrevistas realizadas pela autoridade fiscal. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Para iniciarmos a análise da procedência ou não do lançamento, importante identificar quais as contribuições apuradas pelo lançamento. Assim, foram apuradas contribuições sobre os valores pagos s pessoas físicas, enquanto empregados pelo pagamento por meio de plano de previdência e participação no lucros em desacordo com o previsto em lei. Inicialmente convém descrever o conceito de salário de contribuição para que só então possamos identificar pontualmente o descumprimento de preceitos legais capazes de determinar a procedência de lançamentos em relação a pagamentos indiretos feitos aos segurados empregados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de previdência complementar e participação nos lucros, não representam alguma espécie de ganho. Pelo contrário, estão inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado, todavia, se pagos dentro dos exatos limites legais, estarão excluídos do conceito de salário de contribuição. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais: Fl. 833DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 8 13 "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Vale lembrar, ainda, que a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. DA APRECIAÇÃO DO PAGAMENTO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Afastado o primeiro argumento quanto a possibilidade de pagamento na forma de utilidades, como os depósitos de previdência privada, convém apreciar se o benefício concedido pela empresa recorrente, para os segurados empregados, satisfazem os requisitos legais para que sua concessão deixe de constituir fato gerador de contribuições previdenciárias. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de “previdência complementar (aportes em previdência privada), possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados e dirigentes em decorrência do contrato de prestação de serviços à recorrente, sendo, portanto, uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Ao contrário do argumento trazido pelo recorrente, os depósitos foram feitos em contas de previdência privada destacando o auditor os seguintes fatos: > O contribuinte utiliza um plano de previdência privada contratado com a seguradora Itaú Unibanco Vida e Previdência S.A. CNPJ 92.661.388/000190 para pagamento da parcela variável dos salários; > Somente funcionários ocupantes de cargos de confiança (nível hierárquico a partir de coordenador) recebiam através do Itaú Unibanco Vida e Previdência; > Os valores destes pagamentos não constavam dos contracheques; > Os participantes não contribuíram para o plano; > Em datas previamente agendadas, comparecia nas dependências da empresa um funcionário da seguradora para prestar informações e viabilizar os resgates dos valores depositados; Fl. 834DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 > Apesar de estes pagamentos ocorrerem a título de remuneração por desempenho, não havia transparência quanto aos critérios adotados nas avaliações; > O plano de previdência privada com a seguradora Itaú Unibanco era utilizado para pagamentos de verbas salariais; 4.4. Portanto, segundo os relatos destes exfuncionários, a previdência complementar do Itaú Unibanco era utilizada para pagamento da parcela variável do salário, identificada como "bônus", "prêmio por desempenho" e "PLR". Ou seja, através de uma manobra engendrada pelo contribuinte, e ao que tudo indica com a participação da seguradora, simulavase o crédito em conta de previdência privada dos referidos empregados quando na verdade o que se estava a fazer era o pagamentOMÍe verbas salariais. 4.5. Em decorrência de inexistir na documentação apresentada pelo contribuinte tal plano de previdência complementar, foi instaurado procedimento fiscal (MPF n° 0810400.2009.007106) na Itaú Unibanco Vida e Previdência para esclarecimento dos fatos. Ou seja, restou demonstrado a existência dos referidos depósitos, tendo sido inclusive realizado procedimento específico junto o Itáu Unibanco, para identificar como eram realizados os pagamentos, o que colaborou com a conclusão do auditor de que as verbas na verdade possuíam natureza salarial. Assim, duas frentes foram abordadas pela autoridade fiscal em seu relatório para determinar a natureza da verba: · Primeira, que em se tratando de depósitos em conta de previdência complementar, sem que o programa fosse estendido a todos os empregados, mas direcionado apenas aos ocupantes aos cargos de gerência, afastado estaria a possibilidade de aplicação do art. 28, § 9º, p da lei 8212/91. · Segundo, que em tratando de pagamento de PLR, com depósito em contas de previdência privada, conforme algumas explicações dadas pela empresa durante o procedimento fiscal, mesmo assim, não haveria como afastar ditos pagamentos do conceito de salário de contribuição posto não ter sido cumprido os requisitos previsto em lei para referida exclusão. Para melhor abordar os argumento do recorrente vamos enfrentar a questão pelos 2 suportes fáticos trazidos pela autoridade fiscal. Ao contrário do que alega o recorrente, houve a contratação de uma plano de previdência, com o banco Itaú, contendo duas modalidade. No caso a autoridade fiscal restringiu o lançamento apenas ao plano, cujo direcionamento beneficiou apenas parte dos empregados, conforme observamos no relatório fiscal, fl. 21 a 23. 4.10. Conforme descrito no capítulo três do contrato (CONTRIBUIÇÕES PARA O PROGRAMA), onde se encontram definidas as regras de custeio do programa e que o mesmo foi segmentado em dois planos (A e B), somente o plano A (modalidade FGB) Fl. 835DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 9 15 é custeado pela empresa, através de contribuições "extraordinárias", de valor e frequência livres. Sendo assim, iremos analisar somente o plano A, conforme abaixo: > No período de 01/01/2006 a 31/12/2009 a emprega— dispendeu com o custeio do PLANO A o valor total de R$ 162.634.855,72 (CENTO E SESSENTA E DOIS MILHÕES, SEISCENTOS E TRINTA E QUATRO MIL, OITOCENTOS E A E CINCO REAIS). Este montante foi disponibilizado a 834 funcionários ocupantes de cargos de chefia. > Trinta e cinco por cento do custeio do Plano A (R$ 50.405.348,74) referemse a apenas 18 funcionários, todos ocupantes de cargos de diretoria, conforme demonstra a tabela 4: > No mesmo período foram resgatados R$150.740.787,90 (CENTO E CINQUENTA MILHÕES, SETECENTOS E QUARENTA MIL, SETECENTOS E OITENTA E SETE REAIS). > Dois dias foi o prazo médio decorrido entre as contribuições creditadas e respectivos resgates ou transferências. No caso, para que a verba PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR esteja excluída do conceito de salário de contribuição deveria ser paga nos limites do art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Grifo nosso Ao contrário do que tentou demonstrar o recorrente, não entendo que o plano de previdência privada “Itáu Unibanco” é destinando a todos os empregados. Demonstrou a autoridade existirem plano distintos, sendo que o que ora se discuti, destinouse a remunerar indiretamente os dirigentes, razão pela qual por essa ótica, correto o lançamento realizado. Conforme descrito, ainda no relatório fiscal, ao ser questionada sobre a natureza dos pagamentos (depósitos individualizados nas contas dos empregados junto ao banco Itaú), após ser confrontado com os as informações obtidas pelos exempregados e junto a instituição Itau, a empresa argumentou tratarse de pagamento de PLR, ou em outros casos pagamentos de gratificações e bônus de contratação, no qual define como características dos pagamentos : estarem atreladas ao atingimento de resultados financeiros obtidos por excelência de performance gerencial. Assim, foram analisados documentos internos da empresa, bem como o programa realizado denominado "PROGRAMA PREVIDENCIÁRIO CBD CONTRATO DE ADESÃO", em vigor a partir de 01.10.05, e o segundo, com 04 páginas, assinado em 01.02.06, intitulado "TERMO ADITIVO N° 01 AO PROGRAMA DE PREVIDÊNCIA CBD AO CONTRATO DE ADESÃO", obtido junto a diligência na instituição de previdência. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Tais descrições feitos pela autoridade fiscal, em análise conjunta com o próprio recurso do recorrente demonstram, que se trata de pagamento indireto feito aos dirigentes e gerentes, constituindo verdadeiro prêmio, bônus pelo alcance de metas. Entendo que dita natureza acaba por ratificada não apenas pelo relatório, como pela tentativa da empresa de desqualificar a natureza salarial pelo pagamento eventual, condicionado por exemplo a resultados. Assim, independente da nomenclatura adotada, se pagamento de previdência complementar, ou bônus e gratificações, fato que é que nenhuma dessa duas possibilidade afastaria a natureza salarial da verba, pelo contrario, demonstram claramente o direcionamento a determinados empregados de uma verba com intuito de remunerar o serviço prestado, por meio de estímulo pelo alcance de metas. Mesmo considerando o argumento de serem prêmio ou gratificações observa se que a definição de “prêmios, bônus” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, ou antecipação salarial de futura prestação de serviços, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral. Entendo não ser relevante a quantidade de vezes que realizado o pagamento, mas a sua natureza em si, ou seja, se representa um ganho pelo desempenho da atividade, ou perspectiva pela prestação de serviços. O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: (...) Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(...) O prêmio, na qualidade de constraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...) Analisando a natureza do benefício, importante destacar que prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do alcance de metas e resultados. Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao trabalhador seja ele empregado ou contribuinte individual. Segundo o professor Amauri Marcaro Narcimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras “Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos .” Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária, seja ele um prêmio de Previdência privada, um bônus ou uma gratificação. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 10 17 Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. DA CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS EVENTUAIS E POR LIBERALIDADE Vários foram os argumentos trazidos pelo recorrente, dentre eles que parte dos pagamentos efetuados não se referiam a PLR ou mesmo previdência complementar, mais simplesmente pagamentos de bônus, feitos de forma eventual e por liberalidade, o que por si só, já é suficiente para afastar a natureza salarial da verba fornecida. Quanto a este ponto, divirjo dos argumentos trazidos pelo recorrente. Ao contrário do pensamento exposto no recurso, entendo que os argumentos acima descritos é que deixam clara a natureza salarial dos pagamentos e por conseguinte, são suficientes para manutenção do lançamento. Qualquer espécie de pagamento ou utilidade fornecida pelo empregador ao empregado, seja para remunerar seu desempenho, ou simplesmente premiálo, constitui verba salarial uma vez fornecida em caráter de contraprestação pelo serviço prestado. Neste caso, o fato de ter sido fornecida por liberalidade, nada mais demonstra, que a vontade do empregador de estimular seu empregado, premiálo. Dessa forma, possui vinculação direta com o contrato de trabalho ajustado. Assim, o fato de ser pago por liberalidade, ou mesmo eventualmente não se prestam a afastar a sua natureza salarial, razão porque esse argumento é irrelevante para refutar o lançamento. Da mesma forma, o argumento de pagamento eventual não afasta a vinculação a contraprestação. Não se trata de um pagamento fortuito, sem qualquer vinculação contraprestativa, pelo contrário, vinculase a prestação de serviço, sendo que o número de vezes em que deuse o pagamento mostrase irrelevante, posto que quando pago possui nítida feição salarial.. O pagamento eventual descrito na norma previdência, diz respeito aquele desvinculado do contrato de trabalho, , por exemplo decorrente de uma caso fortuito, o que não se coaduna com um pagamento feito por atingimento de metas, pactuação prévia de contratação ou mesmo gratificação espontaneamente concedida. Não merece guarida o argumento de que: mesmo que os valores fossem considerados remuneração, não indicou a autoridade fiscal o dispositivo legal infringido, sendo dessa forma nulo o lançamento. Indicou precisamente a autoridade fiscal, os fundamentos legais do lançamento. No caso, o dispositivo legal é o próprio dispositivo que descreve a remuneração do empregado como salário de contribuição, já que o termo remuneração e amplo e engloba todos as espécies de valores e benefícios concedidos aos empregados. Assim, também não acato o argumento trazido pelo recorrente. DO PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Por outro lado argumenta o recorrente que os valores depositados nas contas de previdência privada, ora representavam participação nos lucros, ora bônus. Assim, importante analisar o pagamento sob essa ótica considerando os argumentos apresentados. Quanto aos pagamentos a título de PLR argumenta o recorrente, que todos os preceitos da lei 10.101, restaram cumpridos, sendo improcedente o lançamento realizado. Realizou a empresa com seus empregados acordo para o pagamento de PLR, sendo que os Fl. 838DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 valores que ultrapassaram a semestralidade prevista em lei, não consistem em PLR, mas sim bônus de permanência, segundo seus argumentos. Vejamos o que diz o recurso: Com efeito, ao contrário do que afirma a fiscalização, todos os requisitos previstos na legislação acima apontada foram cumpridos. De início, cumpre esclarecer que a Recorrente e os empregados optaram por fazer negociação coletiva por meio de "Acordo Nacional de Participação nos Resultados", celebrado com o Sindicato dos Empregados do Comércio de São Paulo, exatamente nos termos do artigo 2o , inciso II, da Lei n° 10.101, de 2000. Ora, conforme já sobejamente demonstrado na impugnação relativa ao processo n° 19515.003483/201011, pelas mesmas razões (exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de PLR, tidos como verbas de natureza salarial pela fiscalização), observase que os agentes fiscais extrapolaram as suas atribuições e efetuaram lançamento com suporte em "requisitos" que eles mesmos criaram, fazendo exigências além daquelas previstas na Lei n° 10.101, de 2000, que a própria lei que lhes dá amparo para a tipificação da natureza jurídica dos pagamentos do PLR (Lei n° 8.212. de 1991, art. 28, § 9°, alínea "i"), remete a definição dos requisitos para a lei específica. Todas as informações, detalhes e especificações (não exigidas pela Lei n° 10.101, de 2000), denominadas "Programas de PLR", foram amplamente divulgadas aos empregados, assim como as metas a serem alcançadas e a quem eram aplicáveis, tudo de acordo com as diretrizes estabelecidas nos Acordos de PLR, de forma transparente, que os AFRFB tiveram acesso e, inclusive, se referiram a eles (Programas de PLR) no Termo de Verificação Fiscal. Não se pode, contudo, admitir a interferência da fiscalização no conteúdo dos Acordos, que as partes (empresa e sindicato de empregados) livremente pactuaram em conformidade com a lei específica que disciplina a matéria, pois tornaria as disposições legais criadas por determinação da Constituição Federal, art. 7o , inciso XI, letra morta. A participação nos resultados também consta do acordo, consistindo em um pagamento anual e será feito conforme o grau alcançado na análise de desempenho individual ou por equipes, de acordo com procedimentos e critérios da empresa. Acrescentese que, as metas e os objetivos mais específicos não constaram por escrito dos acordos porque são dados sigilosos que não podiam ser expostos para o público externo, mas que seus empregados foram cientificados das metas e objetivos a serem alcançados, fato notório e divulgado internamente pela empresa. Por outro lado, em todos os Acordos Coletivos constou previsão expressa para pagamentos superiores ao teto estabelecido, estando assim redigidos os dispositivos pactuados. Destaquese, ainda, que a Lei n° 10.101 de 2000 não proíbe o pagamento da PLR com assentimento dos empregados, por meio de depósitos em plano de previdência. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 11 19 Quanto à afirmação de que os pagamentos efetuados à Seguradora Itaú Vida e Previdência não transitaram pelas folhas de pagamento, é óbvio que, por se tratarem de aportes que poderiam ou não se converter em planos de benefícios de previdência, dependendo da opção que cada beneficiário desse ao seu quinhão, não poderiam integrar a folha de pagamento, dada a sua natureza. Ademais, o fato da PLR ter sido paga por meio de conta de previdência privada, não tem o condão de alterar a natureza jurídica de verba nãosalarial. Por outro lado, quando os agentes fiscais afirmam que para alguns empregados que receberam o PLR por meio de depósitos na Seguradora, não foi respeitado o § 2o do art. 3o da Lei n° 10.101, de 2000, nenhuma razão lhes assiste visto que, conforme mencionado na defesa do Al relativo ao processo n° 19515.003483/201011, parte dos depósitos não se tratam de PLR e sim de esporádicas gratificações liberais ou bônus de contratação, que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, razão pela qual não podem ser consideradas no cômputo da semestralidade previsto no dispositivo citado. Acrescentese, ainda, que os Auditores não apontaram especificamente estes casos, o que torna imponderável a contestação. Assim, a Recorrente, visando assegurar a sua função social, realizou, com a concordância de seus empregados, os pagamentos por meio de depósitos junto ao Plano de Previdência Privada. Não obstante os argumentos expendidos, ainda que não se entendesse que os pagamentos fossem relativos ao PLR, que a Lei n° 8.212, de 1991, artigo 28, § 9o , alínea "j", exclui da base de cálculo das contribuições previdenciárias, as verbas, forçosamente, deveriam ser enquadradas na hipótese de exclusão prevista na alínea "p" do mesmo parágrafo 9o , que dispõe que não integra o saláriodecontribuição "o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da CLT." 2.3.1. Em todos os pagamentos efetuados a título de PLR, observouse, rigorosamente, a semestralidade exigida pela Lei n° 10.101, de 2000. Observese que, parte dos pagamentos efetuados nas contas de previdência privada não se referem a PLR e sim à gratificações liberais e bônus de contratação relativos a profissionais extremamente qualificados circunstância comum no mercado de trabalho de Executivos. Esses pagamentos não têm natureza salarial e, portanto, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS Conforme consta do relatório fiscal, foram apresentados 3 documentos intitulados de ACORDO NACIONAL DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS, para os anos de 2006, 2007 e 2008. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Antes de apreciarmos pontualmente, cada um dos requisitos abordados pela autoridade fiscal, convém destacar a legislação que disciplina o pagamento de PLR. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL NO TEMPO SOBRE PLR Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar, deve se ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, descrevendo a extensão da aplicação do PLR as contribuições previdenciárias: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos Fl. 841DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 12 21 lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91 (já citada), notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriodecontribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Fl. 842DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. DO DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS Os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a legislação específica. Senão vejamos Assim prescreve a legislação Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações Fl. 843DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 13 23 atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3oTodos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4oA periodicidade semestral mínima referida no § 2opoderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. Para excluir a referida verba da base de cálculo, deve a empresa cumprir os estritos ditames da lei. Também não merece guarida o argumento de que o mero descumprimento de algumas formalidades não desnaturariam o plano. Se as formalidades não tivessem que ser cumpridas, para que o legislador criaria tantas especificidades em relação ao pagamento desvinculado do salário. Se adotássemos a tese do recorrente, para que seria necessário editar a lei 10.101, o texto constitucional seria o suficiente. O primeiro requisito descumprido segundo a autoridade fiscal, diz respeito a não inclusão no acordo de PLR de regras clara e objetivas, ou seja, foram apresentados planos, mas os mesmos não foram acordados. Nesse sentido, assim, destacou a autoridade lançadora: > Os Funcionários não graduados receberam valores proporcionais ao tempo de serviço na companhia e os funcionários graduados valores que, diferentemente do que ocorreu com os não graduados, não obedeceram a uma lógica temporal. Para estes foram criadas 03 faixas de pagamentos. A primeira contemplando diretores e gerentes seniores, a segunda gerentes juniores e a última demais categorias (coordenadores, chefes, etc). Cada faixa previa pagamentos em múltiplos de salários. Ou seja, diretores receberiam de 01 a 06 salários, gerentes de 01 a 03 e os demais de Vz a 1 Vz. > Para estes funcionários, ao que tudo indica, houve metas de vendas e lucratividade que, conforme o grau de atingimento das mesmas embasaria os valores das participações. "PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS 2006 Diretores, Gerentes e Profissionais" > Convém mencionar que este documento não consta, nem se encontra mencionado, do acordo nacional de participação nos resultados de 2006. > Conjunto de folhas (capa mais 26 páginas numeradas pela fiscalização) com dados que, tudo leva a crer, referemse às metas, e grau de atingimento destas, da participação nos resultados para os funcionários graduados (diretores, gerentes e profissionais). Fl. 844DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 > À página 01 constam os cargos "elegíveis" para esta sistemática de participação nos resultados (somente os graduados). > Da página 02 (DOIS) à 21 (VINTE E UM) constam diversos indicadores (vendas, lucro líquido, lucro bruto, competitividade, custo logístico, etc), diferenciados por níveis hierárquicos (diretores, gerentes, coordenadores e chefes de seção) e respectivas áreas (comercial, administrativa, marketing, etc), das empresas que compõem o Grupo CBD (Extra, Comprebem, Sendas e Pão de Açúcar). Ao que parece, estes dados representam as metas, e respectivos índices de grau de atingimento, que resultaram nos valores da participação nos resultados por nível hierárquico em 2006. > Da página 22 (VINTE E DOIS) à 26 (VINTE E SEIS) constam, em uma planilha intitulada "Gradiente de Salários", diferenciados por cargo (diretores, gerentes regionais e de operações, gerentes administrativos, gerentes de loja supermercados, chefes de seção e de operações, coordenadores, compradores e profissionais) o potencial de ganho por cargo em uma escala de 0 a 5 conforme o lucro líquido. > Ou seja, suponhamos que o lucro líquido da companhia em 2006 tenha sido acima de 450 milhões. Neste caso, a participação que um diretor teria direito seria, dependendo das demais avaliações acima citadas, de 0 a 9 salários. Um gerente de loja, na mesma faixa de lucro, teria direito a um pagamento de 0 a 4 salários. > Ora, está explícito na cláusula 2 a (vide tabela 2) do acordo nacional de 2006 que o teto da participação de diretores e gerentes seniores é 06 (SEIS) salários, e o de gerentes 03 (TRÊS) salários! Para os anos seguintes, conforme descrito no relatório fiscal, a situação repetiuse, sendo que os acordos foram realizado nos mesmos moldes (um para 2007 e outro para 2008/2009) com a definição de número máximo de salários para os funcionários graduados, dependendo do tipo de cargo ocupado: Diretores e gerentes, coordenadores, lideranças, chefias e profissionais liberais, apenas destacando o auditor as seguintes observações. Novamente, não foram acordados as metas a serem alcançadas, tendo sido apresentado documento apartado. 2007 – Ao contrário de 2006, no plano apresentado não constam valores pagos em 2007. (gradiente de salários). Para o ano de 2009 não foram colacionadas informações acerca das metas estipuladas, nem mesmo no documento apartado apresentado pela empresa. Após a análise dos planos assim, concluiu a autoridade fiscal: > Não foram apresentadas atas das assembléias realizadas para a aprovação dos programas de participação nos resultados. > Em nenhum dos acordos constam regras claras e objetivas quanto às metas e critérios de aferição das mesmas. O contribuinte simplesmente segregou seus funcionários em duas categorias graduados e não graduados. Para os primeiros foi adotado um único parâmetro para fazer jus ao pagamento: Fl. 845DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 14 25 tempo de serviço na empresa. Para os demais, constam apenas tabelas com faixas de pagamentos por cargo. > O contribuinte apresentou documentos referentes aos anos 2006, 2007 e 2008 onde constam diversas informações sobre lucratividade e produtividade. Entretanto, devido a esta documentação não constar dos acordos, não contemplar todas as categorias de funcionários e apresentar valores de pagamentos não previstos nos acordos, a mesma não foi validada por esta fiscalização. > Parte dos pagamentos ocorreu, sem trânsito pelas folhas de, pagamento, através de um plano de previdência privada contratado com a seguradora Itaú Unibanco Vida e Previdência. > Para aqueles que receberam através da seguradora não foi respeitada o parágrafo 2odo art. 3 o "periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil" (vide anexo XI). > Ainda em relação aos que receberam através da seguradora, não foi respeitada a previsão do parágrafo 5 o do art. 3 o "As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto." > Ou seja, os pagamentos ocorridos através de créditos em contas previdenciárias da seguradora Itaú Unibanco não foram tributados na fonte e sim no momento do resgate a uma alíquota de 15 (QUINZE) por cento. 6.7. Semelhante ao ocorrido com os planos de previdência complementar, em que se constatou que apenas o da BrasilPrev foi devidamente divulgado, as informações referentes às participações nos resultados também não foram divulgadas corretamente, conforme a seguir: 6.8. Portanto, na documentação analisada (Demonstrações Financeiras divulgadas e livros contábeis, dos anos 2006, 2007, 2008 e 2009), não constam os valores referentes às participações nos resultados pagos por intermédio da previdência complementar da seguradora Itaú Unibanco. Ou seja, foram omitidos (vide tabela 14): 6.9. Ou seja, no período de 01/2006 a 12/2009, o contribuinte dispendeu a título de participação nos resultados aproximadamente duzentos e vinte e seis milhões de reais. Desse total, sessenta e cinco milhões foram divulgados em documentos societários, contabilizados em títulos próprios e informados nas Declarações de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). O restante, cento e sessenta milhões de reais, transitou por meio de créditos em contas de um plano de previdência complementar para apenas 863 funcionários, sem registros em folhas de pagamento e sem a devida incidência do imposto de renda na fonte. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 Assim, após a apreciação dos argumentos trazidos entendo que não restou cumprido o requisito previsto no art. 2 da lei 10.101. O programa de metas não foi acordado na mesma oportunidade da realização do acordo com os empregados, sendo implementado em documento apartado, mas sem que contasse com a participação do sindicato. Pela análise dos documentos observase que os mesmos foram estipulados pela empresa, contudo alguns objetivos e metas específicos não foram estipulados, fae o sigilo da empresa. A participação nos resultados também consta do acordo, consistindo em um pagamento anual e será feito conforme o grau alcançado na análise de desempenho individual ou por equipes, de acordo com procedimentos e critérios da empresa. Acrescentese que, as metas e os objetivos mais específicos não constaram por escrito dos acordos porque são dados sigilosos que não podiam ser expostos para o público externo, mas que seus empregados foram cientificados das metas e objetivos a serem alcançados, fato notório e divulgado internamente pela empresa. Por outro lado, em todos os Acordos Coletivos constou previsão expressa para pagamentos superiores ao teto estabelecido, estando assim redigidos os dispositivos pactuados. Ora, o legislador, foi bem claro que para a verba PLR estar desvinculada do salário, deveria ser objeto de negociação entre os empregados e empregadores, com a participação do sindicato. Descreveu a autoridade fiscal, que existiam metas, mas as mesmas não foram descritas no Acordo para pagamento de PLR, além do que os valores distribuídos encontramse superiores aos estabelecidos nos referidos acordos, o que pode ser confirmado com os exemplos trazidos pela autoridade fiscal, fl. 42. Assim, não há de se falar em pagamento dentro dos limites acordados, o que demonstra a liberalidade e a intenção da empresa em remunerar indiretamente seus empregados. Importante frisar quanto aos valores depositados nas contas de previdência, que as explicações e valores trazidos pelo contribuinte, nas intimações realizadas pela autoridade fiscal durante o procedimento de auditoria, não conferem com os aportes realizados e informados pela instituição de previdência. Procedeu a autoridade fiscal, neste casos a conferência com os valores declarados pelas Pessoas Físicas nas declarações de imposto de renda, confirmando os valores obtidos junto a instituição financeira. (fl. 41 a 43). Ressaltase que o sindicato tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador, dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente, já que, na maneira como pago, segundo o recorrente, o PLR, não reflete nas demais verbas trabalhistas devidas aos empregados (FGTS, Férias, 13 salário etc.). Não podemos simplesmente afastar requisitos legais, acatando o argumento do recorrente de que existiam metas. A lei é clara! Dos acordos deverão constar regras claras e objetivas. Assim, ao definir regras em documento apartado, sem que as mesmas fossem negociadas com a participação do sindicato, ou mesmo argumentar que algumas não são divulgadas, por serem sigilosas não tem o condão de refutar o lançamento, que encontrase devidamente fundamentado. Da mesma forma, não acato o argumento de que os pagamentos de PLR obedeceram a semestralidade, sendo que os demais, correspondem a bônus, gratificações etc. Ora, analisando o lançamento e os argumentos trazidos pelo recorrente e pelo próprio responsável pela fiscalização (descritos no relatório fiscal), parecenos, realmente que o recorrente buscou mascarar os pagamentos, posto que realizou programa de Previdência complementar apartado para os dirigentes, conjugouos argumentando que os pagamentos Fl. 847DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 15 27 referiamse a PLR e para os que ultrapassam a periodicidade permitida em lei (um semestre), descreve serem bônus ou gratificações desvinculadas do salário. Dessa forma, o recorrente passanos a impressão de que a empresa buscou várias possibilidades legais para que os valores estivessem excluídos do conceito do salário de contribuição, mas sem se ater ao fiel cumprimento dos requisitos legais em relação a cada uma delas. Assim, encontrase correto o lançamento realizado, sendo que o detalhamento realizado pela autoridade fiscal em seu relatório (por meio das planilhas, da análise contábil, dos fatos obtidos junto a instituição Itaú) demonstram realmente que os pagamento constituem modalidade de remuneração paga aos seus dirigentes. Ressalto, novamente, que os argumentos trazidos pelo recorrente não são suficientes para refutar o dados fáticos colacionados aos autos. Por exemplo, com relação a alegação de que parte dos valores lançados à título de Bónus eram na verdade provisões, não apresentou o recorrente documentos contábeis que representariam, quanto as provisões foram efetivadas, nem tampouco o estorno dos valores provisionados e não utilizados. QUANTO AO MONTANTE DISTRIBUÍDO Segundo ponto, não encontrei nenhum documento que afastasse o argumento da autoridade, quanto a ata das reuniões para identificação da realidade dos valores distribuídos:. 8.6. Na verdade, o que se constatou foi uma manobra em que o contribuinte segregou seus funcionários em duas categorias: graduados e não graduados. Remunerou a primeira, conforme estipulado nos acordos de participação nos resultados, via folhas de pagamento, retendo e declarando (DIRF) o imposto na fonte, e, por intermédio de contas previdenciárias abertas em um plano corporativo de previdência complementar contratado com a seguradora Itaú Unibanco creditou aos integrantes da segunda vultosos valores não previstos nos referidos acordos, sem trânsito pelas folhas de pagamento, não declarados em DIRF e sem a devida retenção do imposto de renda na fonte. Outro ponto demonstrado pelo auditor e para o qual os argumentos apresentados pelo recorrente não refutam o lançamento efetuado, é o fato de que o Acordo de PLR define o máximo a ser pago considerando os salários do gerente, sendo que os valores distribuídos são bem superiores aos acordados, o que demonstra, que os pagamentos realizados visaram, como disse a autoridade fiscal, remunerar indiretamente o ocupantes de cargos de direção. Mesmo que se considere o argumento trazido de que no acordo, consta que a empresa, pode a seu livre critério estabelecer valores superiores a título de PLR e que os mesmos não serão base de cálculo de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário, isso apenas demonstra a liberalidade da empresa em pagar PLR a seu livre critério, sem o conhecimento do empregado, e que se assim o fizer estaria livre de pagamento de encargos sobre esses valores. Quais os critérios vinculados a esse “plus”; mais uma vez isso demonstra, como bem trazido pelo auditor a discricionariedade e ausência de elementos objetivos acordados, o impossibilita acatar o argumento de verbas desvinculadas do salário. Aliás, um dos indicadores de desempenho descritos nos documentos de avaliação é “discricionário” (fls. 312). Vejamos o que diz o art. 2º, § 1º da lei 10.101/2000: Fl. 848DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Assim, ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de regras clara e objetivas negociadas com o empregados o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Da mesma forma, o pagamento de bônus de permanência ou qualquer outra espécie de gratificação, por liberalidade, deixa clara a intenção da empresa em remunerar indiretamente os empregados, razão porque procedente o lançamento realizado. DA MULTA APLICADA Conforme descrito no relatório fiscal a autoridade aplicou na ação fiscal princípio da norma mais benéfica, expresso no art. 106, II, alínea "c", do Código Tributário Nacional — CTN, na apuração da multa exigível sobre a contribuição não recolhida tempestivamente, mediante cotejo, competência a competência, entre a soma da multa moratória incidente sobre a contribuição devida com a multa por descumprimento da obrigação acessória (nãodeclaração, em GFIP, da contribuição devida), calculadas de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, e a multa de ofício de 75% sobre a contribuição devida, prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 11.941/2009; dessa comparação, detalhada na planilha anexa ao relatório, resultou na aplicação da multa prevista na legislação atual, qual seja a multa de ofício de 75% em todas as competências anteriores a 12/2008. Já para as competências de 12/2008 a 12/2009, período onde já estava vigente a MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, houve a aplicação da multa de ofício qualificada (150%), em virtude da intenção de sonegar que caracteriza fraude, nos termos do previsto no art. 72 da Lei n° 4502/64, uma vez que foi constatado pela fiscalização que: a) os valores pagos não constam nas declarações tributárias (DIRF e GFIP), nas folhas de pagamento e nos acordos de participações nos resultados; b) houve lançamentos contábeis em títulos não próprios; c) houve omissão do plano e dos valores nos relatórios societários divulgados (CVM e SEC); todos os fatos também encontram respaldo nos depoimentos de ex funcionários. A legislação que respalda o lançamento, assim prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 849DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 16 29 a) na forma doart. 8oda Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;(Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2odesta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.(Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado);(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado);(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado);(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado);(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998).(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos;(Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam osarts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;(Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.(Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas noart. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e noart. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre:(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser Fl. 850DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 30 restituída por infração à legislação tributária; e(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II –(VETADO).(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Conforme descrito pelo auditor, pelo relatos de exfuncionários, a previdência complementar do Itaú Unibanco era utilizada para pagamento da parcela variável do salário, identificada como "bônus", "prêmio por desempenho" e "PLR". Ou seja, através de uma manobra engendrada pelo contribuinte, e ao que tudo indica com a participação da seguradora, simulavase o crédito em conta de previdência privada dos referidos empregados quando na verdade o que se estava a fazer era o pagamento de verbas salariais. A citada lei 4502/64, em seu art. 72, assim, define a caracterização de fraude? Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Assim, descreveu a autoridade fiscal em seu relatório, os fatos que entendeu demonstram a nítida intenção da empresa em omitir pagamentos feitos a empregados por meio de aporte a contas de previdência privada. Restou clara a existência de dois planos de previdência complementar (BrasilPrev e Itaú Unibanco). Entretanto, no período de 01/2006 a 12/2009, somente foram identificados na contabilidade os recursos aportados no plano da BrasilPrev (vide tabela 5), fl. 24. Informa a Fiscalização, que no início da ação fiscal, não foi possível identificar os registros contábeis referentes ao plano de previdência contratado com a seguradora Itaú Unibanco, pois não havia na contabilidade nenhuma conta ou histórico contábil específico para o referido plano ou seguradora; entretanto, posteriormente, com o depoimento de exfuncionários e, por meio da utilização de um "software" de auditoria em arquivos digitais, foi executado um rastreamento de "palavras", possibilitando a identificação de duas contas contábeis (contas nrs. 213.350 e 407.150), onde foram contabilizados os valores correspondentes. Em decorrência de inexistir na documentação apresentada pelo contribuinte tal plano de previdência complementar, foi instaurado procedimento fiscal (MPF n° 0810400.2009.007106) na Itaú Unibanco Vida e Previdência para esclarecimento dos fatos. (...) Portanto, a documentação analisada e os esclarecimentos prestados demonstram: > Que houve pagamentos de verbas salariais (participação nos lucros e resultados), a determinados funcionários, por intermédio do plano de previdência da seguradora Itaú Unibanco (itens 05 e 06), sem transitarem pelas folhas de pagamento; > Que também ocorreram pagamentos de participações nos resultados com trânsito pelas folhas de pagamento fitem 03); Fl. 851DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.003483/201011 Acórdão n.º 2401003.021 S2C4T1 Fl. 17 31 > Que pagamentos a fornecedores foram lançados nestas mesmas contas contábeis (item 12); > Que a contabilização de despesas de pessoal ocorre no centro de custos 401 (salários, horas extras, 13° salário, bonificações, honorários da diretoria, PLR, etc). Porém, os pagamentos à seguradora Itaú Unibanco foram contabilizados no centro de custos 407 (Despesas de Funcionamento) utilizado para aglutinar gastos com lavanderia, materiais de limpeza, despesas legais e judiciais, etc. > Que a terminologia utilizada para descrever as contas não guarda relação com a finalidade das mesmas, conforme tabela 7: Conta contábil Descrição 407.150 Bônus performance 213.350 Bônus performance 211.285 Outros fornecedores mecanizados 5.6. Tais explicações demonstram claramente que o contribuinte, para acobertar a ocorrência de pagamentos de verbas salariais sem trânsito pela folha de pagamentos, aglutinou em uma mesma conta contábil lançamentos (aportes em planos da previdência, pagamentos de participações nos resultados e fornecedores). 5.9. Ou seja, a boa conduta exige que os registros de todas as operações relativas ao exercício da empresa sejam lançados no Livro Diário com individuação, clareza e caracterização do documento. 5.10. Portanto, segundo os fatos apurados, foi constatado que o plano de previdência contratado com a seguradora Itaú Unibanco tinha como única finalidade o pagamento (sem trânsito pelas folhas de pagamento) da parcela variável dos salários dos funcionários ocupantes de cargos de chefia. Com base nas citações transcritas no relatório fiscal, entendo ter a autoridade fiscal se desincumbido do ônus de demonstrar a intenção do recorrente de fraudar a legislação previdenciária, quanto a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores destinados aos empregados por intermédio de planos de previdência complementar. Contudo, não posso ratificar o mesmo procedimento em relação ao LEV 04, tendo em vista, que descreve o próprio auditor em seu relatório que parte dos pagamentos de PLR transitaram pelas folhas de pagamento, senão vejamos, especificamente um trecho: Portanto, a documentação analisada e os esclarecimentos prestados demonstram: > Que houve pagamentos de verbas salariais (participação nos lucros e resultados), a determinados funcionários, por intermédio do plano de previdência da seguradora Itaú Unibanco (itens 05 e 06), sem transitarem pelas folhas de pagamento; Fl. 852DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 32 > Que também ocorreram pagamentos de participações nos resultados com trânsito pelas folhas de pagamento fitem 03). É fato, que referidos pagamentos constituem salário de contribuição, conforme já apreciado, porém, entendo que não há sustentáculo para manutenção da qualificação da multa, tendo em vista, nos casos de pagamentos que transitam pela folha de pagamento, não restar caracterizado a intenção do agente em omitir, ou mesmo esconder o pagamento, razão pela qual deve ser afastada a qaulificação da multa.qualificada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para desqualificar a multa aplicada em relação ao LEV 04. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 853DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16327.903665/2009-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Paulo Sérgio Celani que negavam provimento integral ao recurso. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Luís Eduardo Pereira Almada Neder, OAB/SP nº 234.718. Antecipado o julgamento para o dia 27 de maio a pedido do recorrente.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1647; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.903665/200971 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.743 – 1ª Turma Especial Data 27 de maio de 2014 Assunto Compensação Recorrente UNIBANCO SEGUROS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Paulo Sérgio Celani que negavam provimento integral ao recurso. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Luís Eduardo Pereira Almada Neder, OAB/SP nº 234.718. Antecipado o julgamento para o dia 27 de maio a pedido do recorrente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 03 66 5/ 20 09 -7 1 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/07/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.903665/200971 Resolução nº 3801000.743 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Tratam os autos do PER/DCOMP relativo a pagamento indevido ou a maior de contribuição de PIS (Código de Receita 4574). De acordo com o Despacho Decisório (eletrônico), a compensação não foi homologada, uma vez que embora localizado o pagamento do DARF indicado no PER/DCOMP, os créditos foram integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do Despacho Decisório a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando que a decisão não mereceria prosperar, requerendo a necessidade de reforma da decisão proferida para reconhecer o direito creditório e, via de conseqüência, homologarse a compensação declarada, alegando em síntese que o seu direito creditório decorre de deduções relativas às indenizações com sinistros ocorridos, que, por lapso, deixaram de constar na apuração de contribuição, o que lhe implicou num pagamento a maior no correspondente período de apuração; que a divergência existente entre o PER/DCOMP em que se informou o indébito e a DCTF é de mero erro formal, já devidamente retificado, devendo valer, para tal a verdade matéria. A DRJ de São Paulo negou o pedido da Recorrente com base na decisão ementada da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/01/2004 Ementa: DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO. VALORES CORRETOS. COMPROVAÇÃO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. ÔNUS DA PROVA. Compete ao interessado o ônus da prova a respeito de suposto crédito perante a Fazenda Pública. LANÇAMENTOS. LIVROS. PROVA. DOCUMENTOS. Os lançamentos contidos nos livros contábeis e fiscais fazem prova a favor do interessado desde que amparados em documentos idôneos. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/07/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.903665/200971 Resolução nº 3801000.743 S3TE01 Fl. 12 3 reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. É válido o lançamento que atende aos princípios da legalidade, da verdade material e da moralidade do ato administrativo, de acordo com as regras e normas estabelecidas para o caso concreto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, invocando o princípio da Verdade Material, que retificou as suas declarações e que, com base nelas, é possível aferir o seu direito creditório, requerendo o provimento e homologação das compensações. A Recorrente juntou no último mês os demonstrativos que visam esclarecer o equivoco inicialmente existente e a base de cálculo ajustada. É o que importa relatar. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/07/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.903665/200971 Resolução nº 3801000.743 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Primeiramente, é preciso apontar que não há impedimento para retificação da DCTF após o despacho decisório e antes de remessa dos créditos para inscrição em dívida ativa da União. Vejamos que a Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008 no seu artigo 11 prescreve : Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou, III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. A norma é clara a estabelecer que a DCTF somente não poderia ser retificada nas situações em que já houvesse remessa dos montantes para inscrição do montante declarado em dívida ativa ou houvesse início de procedimento fiscal, o que não ocorreu no presente caso. Por outro lado, a Requerente juntou documentação anteriormente a esse julgamento que deve ser analisada para fins de apuração do seu crédito. Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto ao fato, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López que trata da aplicação da verdade material nos processos administrativos: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/07/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.903665/200971 Resolução nº 3801000.743 S3TE01 Fl. 14 5 devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 1 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes à inclusão de prêmios pagos na base de cálculo originalmente lançada e a base decorrente de sua exclusão; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 1 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/07/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.903665/200971 Resolução nº 3801000.743 S3TE01 Fl. 15 6 Declaração de voto Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase da conversão em diligência para a apuração do direito creditório. Preliminarmente ao exame do mérito, devese analisar a regularidade da apresentação das provas. Embora não tenha sido relatado, as provas foram apresentadas somente após o processo ter sido incluído na pauta de julgamento do mês de abril de 2014. De fato, consta na ata da sessão do dia vinte e cinco dias do mês de abril do ano de dois mil e quatorze que este processo foi retirado de pauta a pedido do recorrente. Em seu pedido de retirada de pauta protocolado em 16/04/2014, a recorrente argumentou a necessidade de acompanhar a sessão e apresentação de memoriais. Diferentemente dessas alegações, a recorrente apresentou uma petição datada de 12/05/2014 acompanhada de diversos documentos justificando a origem de seu direito creditório. Com base nessa documentação, o ilustre relator propôs a conversão em diligência. Não se pode concordar com essa tese. A interessada não comprovou o seu direito creditório no momento oportuno, isto é, na apresentação da manifestação de inconformidade, ou mesmo, quando da apresentação do recurso voluntário neste caso específico de despacho eletrônico. Insistase que os documentos fiscais necessários ao reconhecimento dos créditos foram colacionados tãosomente após o processo ter sido incluído na pauta do dia 25/04/2014, indícios de afronta ao princípio da lealdade processual. Cabe, mais, acrescentar que essa conduta viola o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, que estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. Outrossim, a requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório por ocasião da interposição do recurso voluntário, todavia limitouse a invocar o seu direito. O acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo foi Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/07/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.903665/200971 Resolução nº 3801000.743 S3TE01 Fl. 16 7 explícito no sentido de que a manifestação de inconformidade foi apresentada sem as provas dos fatos alegados. Vale ressaltar, que uma pretensa verdade material não pode resultar no descumprimento da legislação fiscal. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, as provas produzidas após a inclusão do processo na pauta de julgamento do mês de abril de 2014 não são consideradas para efeitos do julgamento deste processo, visto que ocorreu a preclusão, pois a recorrente teve tempo mais do que suficiente para comprovar o seu direito creditório. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis apresentadas oportunamente. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/07/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726977/2009-77
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITO MODIFICATIVO.
São cabíveis embargos de declaração para sanar a omissão em relação à argumentação recursal sobre violação ao princípio da isonomia. Todavia, o acolhimento dos embargos no sentido de que inexistiu a violação alegação não produz efeito modificativo sobre a parte dispositiva do acórdão embargado.
Embargos acolhidos em parte.
Numero da decisão: 2802-002.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os embargos para sanar a omissão no acórdão nº 2802-001.125, de 26/10/2011, quanto à alegada violação ao princípio da isonomia, sem efeito modificativo sobre a parte dispositiva do julgado, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITO MODIFICATIVO. São cabíveis embargos de declaração para sanar a omissão em relação à argumentação recursal sobre violação ao princípio da isonomia. Todavia, o acolhimento dos embargos no sentido de que inexistiu a violação alegação não produz efeito modificativo sobre a parte dispositiva do acórdão embargado. Embargos acolhidos em parte.
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OMISSÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITO MODIFICATIVO. São cabíveis embargos de declaração para sanar a omissão em relação à argumentação recursal sobre violação ao princípio da isonomia. Todavia, o acolhimento dos embargos no sentido de que inexistiu a violação alegação não produz efeito modificativo sobre a parte dispositiva do acórdão embargado. Embargos acolhidos em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os embargos para sanar a omissão no acórdão nº 2802001.125, de 26/10/2011, quanto à alegada violação ao princípio da isonomia, sem efeito modificativo sobre a parte dispositiva do julgado, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 69 77 /2 00 9- 77 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Em 1402/2014, o contribuinte tomou ciência do acórdão nº 2802001.125, julgado em 26/10/2011, e opôs embargos tempestivos, em 20/02/2014, alegando que o Acórdão não enfrentou as alegações de quebra do princípio da isonomia e de ilegitimidade ativa da União. Com fundamento do §3º do art. 65 do Regimento Interno do CARF, a Presidência dessa Turma Julgadora admitiu os embargos na parte em que foi apontada omissão quanto à suposta violação ao princípio da isonomia para que o Colegiado aprecie o recurso integrativo exclusivamente nesse ponto. Em relação à alegada ilegitimidade ativa da União, o despacho da Presidência da Turma – do qual não cabe recurso julgou inexistir a omissão, adotando a fundamentação abaixo. De forma diversa, não há omissão em relação à legitimidade ativa da União que foi objeto de expressa manifestação no acórdão embargado, cujo trechos são transcritos a seguir (fls. 309/310): “A decisão colegiada de 1º grau enfrentou a infundada alegação sobre a ilegitimidade ativa da União Federal, ainda que de forma sucinta; portanto, é de se constatar que houve a sucinta, porém, suficiente abordagem, sendo desnecessário exigir do órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido. A constatação do quanto afirmado se dá pela simples leitura de trecho da decisão atacada a seguir transcrito: Além disso, cabe observar que a exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. (fl. 129, destaques meus). Quanto ao não enfrentamento expresso do alegado desrespeito à capacidade contributiva, é de se constatar que a adoção da premissa pelo órgão julgador a quo, de que as verbas impugnadas possuem natureza salarial, prejudicou a análise do argumento, além de ser pacífico o entendimento do C. STJ, no sentido de que “o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes” (AgRg no Ag 1401739/RJ. DJe 29/06/2011) desde que adote fundamentação suficiente para o efetivo julgamento da lide, da forma como feito. Aliás, as nulidades argüidas sobre a decisão a quo se repetem nas razões do Voluntário, de sorte a rejeitálas sob os mesmos argumentos. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 2802002.980 S2TE02 Fl. 377 3 Dessa forma, com amparo no §3º do art. 65 do Regimento Interno do CARF, admito os embargos unicamente na parte em que foi apontada omissão quanto à suposta violação ao princípio da isonomia para que o Colegiado aprecia o recurso integrativo, nesses termos. Os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, em face do acórdão ora embargado pelo contribuinte, foram rejeitados por meio do Acórdão 2802 001.864, de 18/09/2012, (folhas digitais 327/331). É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Os embargos foram opostos tempestivamente e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, devem ser conhecidos e apreciados pelo Colegiado. No recurso voluntário, o recorrente alegou que houve violação ao princípio da isonomia por não se adotar o mesmo tratamento dados ao membros do Ministério Público Federal e aos magistrados federais. O acórdão embargado não enfrentou a questão, que não é nova nesse Colegiado. Em diversos precedentes essa Turma Julgadora decidiu que não há identidade entre a verba paga aos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia e aquela paga aos magistrados federais e membros do Parquet Federal, a exemplo do Acórdão nº 2802002.802, de 20/03/2014. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõem: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.726977/200977 Acórdão n.º 2802002.980 S2TE02 Fl. 378 5 Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Diante do exposto, devese ACOLHER EM PARTE os embargos para sanar a omissão no acórdão nº 2802001.125, de 26/10/2011, quanto à alegada violação ao princípio da isonomia, sem efeito modificativo sobre a parte dispositiva do julgado, nos termos da fundamentação acima. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 380DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15374.724332/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. ÉPOCA.
Os legítimos créditos de PIS de um determinado mês pode ser utilizado em meses subseqüentes, inclusive quando apurado extemporaneamente, sem necessidade, neste caso, de alterar o valor a recolher apurado à época do lançamento feito pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó que negava provimento ao recurso. Em relação ao crédito da nafta o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède acompanhou a relatora pelas conclusões. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora
EDITADO EM: 19/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, (presidente) Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. ÉPOCA. Os legítimos créditos de PIS de um determinado mês pode ser utilizado em meses subseqüentes, inclusive quando apurado extemporaneamente, sem necessidade, neste caso, de alterar o valor a recolher apurado à época do lançamento feito pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó que negava provimento ao recurso. Em relação ao crédito da nafta o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède acompanhou a relatora pelas conclusões. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Relatora EDITADO EM: 19/05/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 43 32 /2 00 9- 59 Fl. 957DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, (presidente) Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Adoto o relatório a seguir exposto, lido na sessão de 22/03/2012, quando o julgamento foi revertido em diligência (Resolução 330200.201). Tratase de pedido de restituição de PIS, transmitido em 20/5/2008, pela Recorrente, por meio de PER/DCOMP, na intenção de reaver a restituição de valores pagos indevidamente no período de apuração de outubro de 2004. Na sequência foram apresentadas declarações de compensação. A Demac RJ indeferiu o pedido da Recorrente alegando que a empresa aproveitou créditos, no período de apuração de outubro/04, relativos a importações de insumos/mercadorias cujas Declarações de Importação foram registradas em períodos anteriores, conforme Despacho Decisório de fls. 190/198. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade (fls. 204/222), cujas razões foram sintetizadas pela decisão recorrida nos seguintes termos: “a) Para o cálculo do crédito a compensar, a interessada trouxe não só os créditos de PIS apurados em outubro de 2004, como também créditos de PIS NÃO CUMULATIVO/ COMBUSTÍVEIS referentes a aquisições realizadas nos meses de maio, julho, agosto, setembro de 2004, tudo conforme devidamente apontado no DACON; b) A instituição e regulamentação do DACON veio com a IN SRF n° 387, de 20/01/2004. De acordo com o art. 1º da IN SRF 437/2004, as informações referentes ao segundo trimestre calendário do ano de 2004 foram autorizadas a serem prestadas até o dia 29 de outubro de 2004, vale dizer, juntamente com aquelas referentes ao DACON do terceiro trimestre calendário. Cumprindo isto, a Requerente alocou os créditos referentes aos segundo e terceiros trimestre de 2004 em um único DACON, conforme autorizado pela própria Receita; c) Por outro lado, se irregularidade há, ela é meramente formal, não impedindo o aproveitamento dos créditos indicados, desde que devidamente demonstrada sua legitimidade, tal como assim procedeu a Contribuinte, justamente porque se trata de direito inerente à própria não cumulatividade instituída pelas Leis 10.833/2003 e 10.865/2004; Fl. 958DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 12 3 d) O legislador garantiu ao contribuinte o direito de buscar a apropriação direta, nos meses subseqüentes, do crédito não apurado em momento pretérito, independentemente do motivo que o tenha impossibilitado de perseguilo no mês em que se deu sua gênese conforme se depreende da regra posta no inciso I do §8° do artigo 3º da Lei 10.637/2002; e) Desde que o contribuinte demonstre a legitimidade do crédito, na forma como lhe é garantido pela legislação vigente, e busque seu aproveitamento no quinquídio legal, independentemente do mês em que tenha ele sido gerado, mostrase juridicamente legítima a sua utilização para compensálos com débitos provenientes de períodos diverso; f) Ao anunciar que a única via para o contribuinte garantir os seus créditos é a aquela caracterizada pela retificação do DACON relativo ao mês em que se deu a aquisição geradora do crédito, o que se vê, na verdade, é a intenção de se restringir, de forma antijurídica, os meios concedidos pela legislação para aproveitamento do crédito; g) A apresentação do DACON não tem uma finalidade em si mesma, tratandose, quando muito, de uma obrigação acessória que, como qualquer outra, busca viabilizar o controle das contribuições sociais. Uma vez constada a ausência de qualquer prejuízo à União, fato este facilmente possível de ser apurado no presente Auto, o que se pede, em verdade, é que o direito se sobreponha à exigências meramente formais, destituídas de amparo legal e até mesmo prático; h) Ao contrário do anunciado pela Receita (e revelado pelas DI's ora trazidas pela Contribuinte), não foi internalizado nafta petroquímica (NCM 2710.11.41), mas sim (e apenas), nafta (NCM 2710.11.49), produto último com NCM diversa daquela que, segundo a Receita, determinaria a aplicação da Lei n° 11.196/2005; i) Mesmo na hipótese de se considerar o produto internalizado como sendo nafta petroquímica, os créditos perseguidos pela Contribuinte dizem respeito aos custos suportados por ela quando da importação da nafta. A Lei 10.865/04 já garantia, à época das importações, a geração de créditos provenientes da aquisição e importação de insumos, dentre os quais se encontra a nafta; j) Na prática, o que mudou com o advento da Lei n° 11.196/2005 foi a necessidade de se estabelecer tratamento diferenciado daquele que, até então, era atribuído às operações de nafta envolvendo o produtor, o importador e as centrais petroquímicas; k) A regra constante no artigo 57 da Lei 11.196/2005, de uma forma ou de outra, jamais se aplicaria à Contribuinte justamente porque ela, ou ostenta a condição de importadora, ou de produtora da nafta, mas nunca a de central petroquímica (esta última a se utilizar do produto como matéria prima), condição Fl. 959DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 13 4 que lhe foi erroneamente atribuída para fins de incidência da norma acima; l) Constitui erro grosseiro atribuirlhe a condição de central petroquímica para fins de incidência da regra disposta no artigo 57 da Lei 11.196/2005; m) Protesta pela juntada posterior de documentos complementares, bem como pela produção de outras provas que necessariamente contribuam para o melhor deslinde da questão. Por fim, requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, para fins de se atribuir efeito modificativo ao Despacho Decisório e, assim, declarar legítimo o direito à integralidade dos créditos apontados para fins de compensação efetuada, procedendose a devida homologação dela, tendo em vista que o crédito de PIS alegado existe, é certo, líquido e exigível.” A 17a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro RJ indeferiu a solicitação da Recorrente, nos termos do Acórdão no 1244.914, assim ementado: “PIS NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. Na apuração nãocumulativa do PIS/PASEP, os créditos a descontar devem ser calculados em relação às aquisições de insumos ou bens para revenda ocorridas no próprio mês de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.” Irresignada, a Recorrente ingressou, em 25/5/2012, com Recurso Voluntário (fls. 290/301), por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua manifestação de inconformidade. Após analisar os autos, esta Turma de Julgamento entendeu por bem converter o julgamento em diligência (Resolução 3302000.268), porque os documentos acostados aos autos geravam dúvida acerca de qual insumo foi importado pela Recorrente se “Nafta” (código NCM 2710.11.49) ou “Nafta para petroquímica” (código NCM 2710.11.41) e em qual período1. Os requisitos da diligência ficaram assim definidos: “1 providenciar, se for possível, a identificação técnica da mercadoria desembaraçada por meio das DIs nº 04/08898750 e 04/08909344 (nafta). Ou seja, se a mercadoria é nafta para 1 Trecho da Resolução: "Por isto, pareceme imprescindível, seguindo o pensamento desenvolvida pelo Relator do processo de COFINS, que o processo deve retornar à Demac/RJ para providenciar a identificação, por técnico especializado, da mercadoria importada e, também, para juntar aos autos de cópia das DI nº 04/08898750 e 04/08909344." Fl. 960DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 14 5 petroquímica ou não. Se for necessário, a recorrente pode ser intimada a informar em que utilizou a nafta importada. 2 juntar aos autos cópia das DI nº 04/08898750 e 04/0890934 4; 3 informar, para cada DI relacionada nos demonstrativos de fls. 218/271, o seguinte: 3.1 mês da conclusão do desembarque da mercadoria; 3.2 mês da conclusão do desembaraço aduaneiro da mercadoria; 3.3 mês em que a recorrente efetuou o registro da entrada da mercadoria no seu livro Registro de Entrada de Mercadorias. 4 prestar os esclarecimentos e juntar documentos que entender importante para o deslinde da questão; 5 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. A diligência foi realizada, tendo sido apresentadas as respostas aos quesitos formulados nos seguintes termos: “Quanto aos solicitado nos itens 1 e 2 da Resolução: Segundo declarado pela própria empresa nas DI nºs 04/08898750 e 04/08909344, cópia juntada às fls. 837/844, as mercadorias então desembaraçadas se referiam à Nafta Petroquímica. Vejase nos campos “Dados Complementares” e “Descrição Detalhada da Mercadoria” de referidas DI a declaração da empresa nos seguintes termos: (...).” Ainda foi requerido pela fiscalização a apresentação do laudo técnico de identificação apresentado quando do desembaraço das mercadorias, tendo sido comprovado que se tratava de Nafta Petroquímica. Continua o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal: “Quanto ao solicitado nos itens 3 e 4 da Resolução: A partir dos documentos e informações fornecidas pela empresa (flls. 646/814 e 817/836) em conjunto com as informações obtidas junto ao sistema SISCOMEX, elaboramos as planilhas anexadas às fls. 845/854 do processo, nas quais se pode verificar, em relação às DI listadas às fls. 218/271, suas respectivas datas de registro no SISCOMEX, o mês de conclusão do desembarque da mercadoria importada, mês de conclusão do despacho aduaneiro, o mês em que as mercadorias foram registradas nos Livros de Entrada da empresa, o número da respectiva nota fiscal de entrada, o número do Livro e das folhas do Livro em que a entrada da mercadoria foi registrada e o respectivo Código Fiscal da Operação – CFOP utilizado pela empresa quando do registro da entrada das mercadorias. Nas referidas planilhas há a indicação ainda das DI em relação às Fl. 961DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 15 6 quais a empresa não apresentou o respectivo Livro de Registro de Entrada de Mercadorias, embora tais documentos tenham sido solicitados desde 18/02/2013 no Termo de Início da Diligência Fiscal. (...) A Recorrente foi intimada do resultado da diligência sem apresentar qualquer manifestação. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora. O Recurso Voluntário foi admitido na sessão do dia 28/11/2012. A empresa recorrente está pleiteando a restituição de PIS supostamente paga a maior no período de apuração de outubro de 2004. Em síntese, alega a recorrente que no período de apuração de outubro de 2004 deixou de creditarse do PIS incidente na importação de insumos e mercadorias para revenda e, consequentemente, o valor recolhido da exação foi superior ao efetivamente devido. A Demac/RJ indeferiu o pedido da Recorrente, em síntese, em virtude de entender pela impossibilidade de aproveitamento do crédito na forma realizada pela contribuinte, (i) a destempo (extemporâneo) e sem realizar a retificação da DACON expedida à época da geração do crédito2 e (ii) especificamente, no que se refere à nafta petroquímica, uma 2 Fls. 192 (efls.195): "Neste ponto, é preciso ainda que se diga que quando o §2° do art. 15 da Lei 10.865/2004 dispõe que "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes" não está o mesmo a possibilitar a apuração, num mês, de créditos sobre aquisições de meses passados, mas sim está a dizer que se o montante do crédito apurado sobre as aquisições efetuadas num determinado mês for superior ao valor devido da contribuição neste mesmo mês, então o saldo remanescente deste crédito poderá ser aproveitado em meses subsequentes. De fato, em caso de apuração extemporânea de créditos, isto é, caso constatada a existência de créditos não considerados no mês de aquisição dos respectivos bens, a providência a ser tomada, para garantir a utilização dos créditos a que fizer jus o sujeito passivo, consiste, na verdade, na retificação do DACON relativo ao mês em que se deu a aquisição geradora do crédito (Manual do PIS e da COFINS, pág. 147, Vl.7.19, apuração extemporânea de crédito). Assim sendo, à luz do que dispõe a legislação de regência e mais especificamente do que dispõe o §3° do art. 15 e o §5° do art. 17 da Lei 10.865/2004 c/c o inciso I do §1° do art. 3o da Lei 10.637/2002, a primeira conclusão à que se chega é que naquela Linha 21 da Ficha 04 do DACON relativo ao mês de outubro/2004 somente poderiam ser deduzidos os créditos apurados sobre o valor das aquisições, por importação, efetuadas no mesmo mês, e não foi esse o procedimento adotado pela interessada. Conforme se constata nas planilhas apresentadas relativamente à composição da aludida Linha 21 (fls. 53/92), a interessada deduziu do PIS devido no mês de outubro/2004 créditos apurados sobre importações efetuadas naquele mês e sobre importações efetuadas em outros meses do mesmo ano." Fl. 962DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 16 7 vez que esta possibilidade de creditamento somente teria ocorrido com o advento do artigo 57 da Lei 11.196/053. Passo a análise individualizada dos itens. (i) Do Aproveitamento de Crédito Extemporâneo A primeira questão a ser perscrutada referese à utilização do crédito extemporâneo e a forma com que este aproveitamento foi realizado. De acordo com os autos, a Recorrente não realizou a retificação das DACONs do período do crédito, o que por si só inviabilizaria o benefício. Nos autos do processo administrativo nº 15374.724315/200911 em que se discute o aproveitamento da COFINS para este mesmo período e contribuinte, o Conselheiro Walber José da SIlva debruçouse com maestria sobre este tema, concluindo pela impossibilidade de se impedir que os contribuintes utilizem o crédito extemporâneo, em razão de inexistir procedimento formal adotado pela Receita Federal. Isto é, uma vez que a administração pública não expediu normas para exigir determinado procedimento de aproveitamento de crédito extemporâneo, não pode glosar crédito com base no não cumprimento de um ou outro procedimento. É quase um crime impossível. Adoto, como razões de decidir, os termos da decisão proferida naqueles autos que reproduzo a seguir: “A primeira questão posta em julgamento (o tempo e a forma de apurar e aproveitar crédito extemporâneo de Cofins) é por demais polêmica, à mingua de uma regulamentação das disposições contidas nas Leis nº 10.833/03 e 10.865/04 sobre o tema. O aproveitamento do crédito da Cofins nas importações de insumos e mercadorias para revenda foi autorizado pelo art. 15 da Lei nº 10.865/2004, abaixo reproduzido. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; [...] 3 Fls. 193 (efls. 196) Por outro lado, verificase ainda que a interessada deduziu na mesma Linha 21 créditos relativos às importações de nafta petroquímica (vide Planilha "C" apresentada pela interessada, fls. 58/60), quando a possibilidade de apuração e dedução dessa espécie de crédito somente "passou a existir com o advento da Lei 11.196/2005 e a partir da data de produção de efeitos de seu art. 57 qual seja, março/2006 (...)" Fl. 963DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 17 8 § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. [...]. Sobre este mesmo tema, assim dispõe a Lei nº 10.833/03: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Como se pode constatar facilmente, as Leis nº 10.833/03 e 10.865/04 determinam que “O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes.” Não diz estas leis como será realizado o aproveitamento do crédito nos meses subseqüentes. Só autoriza o seu aproveitamento. A primeira indagação relevante sobre o tema é: qual a condição necessária e suficiente para o aproveitamento de um crédito em meses subseqüentes? A condição é o crédito existir e estar informado no DACON do mês de aquisição? É o crédito existir e estar informado no DACON do mês da efetiva utilização? É o crédito existir e a despesa estar regularmente escriturada nos livros contábeis e fiscais do contribuinte? Não há resposta consensual para estas indagações. Um outro dispositivo legal que também carece de regulamentação é o § 1º, e seu inciso I, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, abaixo reproduzido. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 964DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 18 9 §1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; Como se vê, o § 1º, e seu inciso I, acima transcrito, a meu sentir, trata da forma de apuração do crédito e não do seu aproveitamento (tempo e forma). Sendo a atividade administrativa tributária plenamente vinculada, exigese uma aplicação exata na norma tributária. Quando a norma tributária é imprecisa ou ambígua dá azo a interpretações diversas, dificultando a sua aplicação, tanto por parte do Fisco como por parte dos contribuintes. A primeira dificuldade diz respeito à expressão “adquirido no mês”, a que se refere o inciso I, do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03. Nas operações mercantis (interna ou externa), a operação de compra e venda de mercadorias se prova com a nota fiscal (mercado interno) e com a fatura/invoice (mercado externo). A data da emissão desses documentos é a data da realização do negócio. Esta, no entanto, não é a única data aceita pelo Fisco Federal para o adquirente da mercadoria apurar e utilizar o crédito do PIS e da Cofins. Aliás, esta não é a data usualmente utilizada para este fim. No caso de aquisição de mercadoria no mercado interno, o Fisco Federal aceita que o crédito seja apurado e aproveitado na data em que a mercadoria entra no estabelecimento do contribuinte adquirente (esta, obviamente, não é a data da aquisição). Ou seja, o crédito é determinado no mês em que a mercadoria entra no estabelecimento do contribuinte e não no mês de sua aquisição. A segunda dificuldade diz respeito ao aproveitamento de créditos em meses subseqüentes, especificamente quando o crédito não foi apurado no mês de aquisição do insumo ou da mercadoria para revenda (crédito extemporâneo). Pela decisão recorrida, que segue o Despacho Decisório da Demac/RJ, o crédito da Cofins só pode ser registrado e aproveitado no mês de aquisição do insumo/mercadoria. Mais precisamente, o crédito deve, obrigatoriamente, ser registrado no DACON do mês de aquisição da mercadoria/insumo, não podendo sêlo em meses subseqüentes, sob pena do DACON se tornar imprestável ao controle do referido crédito. Supondo que esta seja a interpretação correta dos dispositivos legais que tratam do tema, duas questões, conseqüentes dessa interpretação, precisam ser esclarecidas no caso de o contribuinte reconhecer o crédito em mês posterior ao da aquisição: (i) está obrigado a retificar o DACON do mês de aquisição? e (ii) está obrigado a utilizar o crédito apurado no próprio mês de aquisição ou poderá fazêlos em meses Fl. 965DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 19 10 posterior, a exemplo do mês em que reconheceu e apurou o crédito? A resposta à primeira questão me parece ser SIM! Pelo entendimento da RFB (Demac/RJ e DRJ/RJ), constatado apuração a menor de crédito em um determinado “mês de aquisição”, deve o contribuinte retificar o DACON daquele mês para incluir o crédito que deixou de ser apurado e declarado. A resposta à segunda questão me parece ser NÃO! Isto porque as Leis nº 10.833/03 e 10.865/04 (arts. 3º e 15, respectivamente), estabelecem que os contribuintes “poderão” descontar créditos. Não está o contribuinte obrigado nem a descontar o creditar e, muito menos, a fazêlo no próprio mês de aquisição da mercadoria/insumo. Conseqüentemente, o “crédito não aproveitado em determinado mês”, que pode ser aproveitado nos meses subseqüentes, não é, necessariamente, o saldo apurado pelo confronto entre débitos e créditos. Basta que não tenha sido aproveitado no mês de aquisição. Só isto e nada mais. Conseqüentemente, havendo créditos não aproveitados em um determinado mês, e apurado em meses subseqüentes, não está o contribuinte obrigado, após retificar o DACON, a pedir a restituição do que pagou a maior como a única forma de aproveitar o seu legítimo crédito, como em substância entende a RFB. Pode, como se viu, aproveitar esse crédito em períodos subseqüentes. No caso dos autos, o cerne da lide versa sobre a inclusão e o aproveitamento, no DACON de outubro/2004, de créditos relativos à aquisições de mercadorias/insumos realizadas nos meses de maio a setembro de 2004, declarados todos no DACON de outubro 2004, quando o correto, no entendimento da RFB, seria os créditos serem declarados em seu respectivo mês de aquisição do insumo/mercadoria, ou seja, nos DACON de maio a outubro de 2004. Estes DACON deveriam ter sido retificados antes de a Recorrente apresentar o seu PER/DCOMP. Por questão de segurança (para o Fisco e para o Contribuinte) e de controle administrativo dos débitos e créditos da Cofins não cumulativa, entendo perfeitamente racional e eficiente o procedimento adotado pela RFB de considerar que os créditos extemporâneos devem ser declarados no DACON do próprio mês de aquisição. Até aí, sem problemas. Como acima já disse, o que não acho possível é impor ao contribuinte que ele altere o saldo a pagar (que normalmente já foi pago, como é o caso dos autos), em razão da escrituração de crédito extemporâneo, e peça a restituição do que pagou a maior por ter deixado de escriturar crédito (embora, financeiramente, seja mais vantajoso para o contribuinte, que vai receber o crédito corrigido pela Selic). Se o contribuinte não está obrigado a utilizar o crédito no mês da aquisição, e tem permissão legal para usar em meses subseqüentes, não vejo como impedir que o faça. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 20 11 No presente caso, a Recorrente não retificou os DACON de maio a outubro de 2004. Só retificou o DACON de outubro de 2004 para incluir os créditos não aproveitados dos meses de maio a outubro de 2004. E o Fisco, aparentemente, não permite a retificação do DACON após a apresentação do PER/DCOMP ou, pelo menos, após o Despacho Decisório. Em casos semelhantes, relacionados à necessidade de retificação da DCTF antes da apresentação de PER/DCOMP, entendo que não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Também entendo que a DCTF (original ou retificadora) não serve para conferir, ou não, liquidez e certeza ao crédito pleiteado em PER/DCOMP. O mesmo raciocínio aplicase ao DACON, que também não constitui o direito de repetição de indébito. Por esta linha de raciocínio, entendo que o fato de a RFB vir a conhecer do erro material em fase posterior à apresentação regular da PER/DCOMP, inclusive por meio de DACON retificadora, não exclui o direito da Recorrente à repetição do indébito. O indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 600/2005. Não resta nenhuma dúvida que nos processos envolvendo restituição o ônus da prova do direito é do contribuinte, já que lhe cabe a iniciativa e o interesse em ver reconhecido seu direito ao crédito e à compensação, se for o caso. Pela sistemática atual, ao fazer o pedido de restituição não está o contribuinte obrigado a apresentar nenhuma prova da existência do crédito pleiteado, inclusive mediante a apresentação ou retificação de DACON. Como acima se disse, não pode a falta de apresentação de DACON retificadora (ou a sua indevida apresentação com valores de créditos de períodos anteriores, embora legítimos), por si só, ser motivo de indeferimento de pedido de restituição de Cofins pago a maior ou indevidamente. A bem do princípio da verdade material, não há nenhum impedimento legal para o contribuinte retificar o DACON, ou produzir provas, no curso da apuração do seu suposto direito creditório. Tanto o é que ao transmitir o PER/DCOMP o contribuinte não está obrigado a apresentar as provas do direito alegado. Ele o fará quando a Autoridade da RFB o intimar para tal. Ademais, se o DACON for prova da existência do crédito pleiteado, ele é prova indiciária, necessitando de verificações complementares para constatarse a existência concreta do crédito pleiteado. Se essas verificações complementares não foram realizadas pela autoridade fazendária, ou se outras provas não forem oferecidas pelo sujeito passivo, não há como falarse em existência ou inexistência de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 21 12 Afastado, portanto, um dos motivos alegado pela Demac/RJ para deferir parcialmente o pedido da recorrente (inclusão, no DACON de outubro de 2004, de créditos de meses anteriores), deve a referida delegacia, diante das provas deste processo e outras que julgar conveniente, apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, aproveitando os créditos não utilizados pela Recorrente nos meses de maio a setembro/04, podendo condicionar sua decisão à prévia retificação dos DACON desses meses ou retificálos de ofício.” – destaquei. Em conclusão, reconheço o direito ao aproveitamento do crédito da forma como realizado, ainda que formalmente, para a regularização dos registros de controle da Receita Federal, seja providenciada a retificação das DACONs da época em que o crédito foi gerado. (ii) Do Crédito da Compra de Nafta Petroquímica O próximo crédito a ser analisado decorre da importação do produto “nafta petroquímica”. Inicialmente havia dúvida quanto ao produto tratarse simplesmente de “nafta” ou “nafta petroquímica”, o que poderia gerar diferença de conclusão, sendo que foi realizada diligência justamente para solucionar este impasse. A resposta da diligência não deixa dúvida de o produto ser “nafta petroquímica” e de ter sido importado no ano de 2004. A v. decisão recorrida entende pela impossibilidade de creditamento em vista do artigo 57 da Lei no 11.196/05, uma vez que o disposto no artigo 132 somente ter tido vigência após o ano de 2006. Lei 11.196/05 “Art. 57. Na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no regime de nãocumulatividade, a central petroquímica poderá descontar créditos calculados às alíquotas de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, decorrentes de aquisição ou importação de nafta petroquímica.” (...) “Art. 132. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) V a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, em relação ao disposto: a) no art. 42 desta Lei, relativamente ao inciso I do § 3o e ao inciso II do § 7o, ambos do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002; b) no art. 46 desta Lei, relativamente ao art. 10 da Lei no 11.051, de 29 de dezembro de 2004; Fl. 968DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 22 13 c) nos arts. 47 e 48, 51, 56 a 59, 60 a 62, 64 e 65;” destaquei Realmente, não é possível o crédito pela aplicação da Lei no 11.196/05 por absoluta impossibilidade temporal. Todavia, em seu recurso, a Recorrente esclarece que a possibilidade de tomada do crédito não está pautada no mencionado artigo 57, mas no parágrafo 1o, artigo 15, da Lei no 10.865 de 30/04/04. Vejamos. Lei 10.865/04 Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º4 desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei.” In casu, não houve contribuição paga porque a alíquota do PIS e COFINS importação para a “nafta petroquímica” era zero à época, neste sentido, entendo que a despeito de as importação serem sujeitas à tributação, como a concessão do crédito está relacionado às contribuições serem efetivamente pagas, não há crédito a ser reconhecido. Isso porque a alíquota zero resulta na inexistência de pagamento efetivo da contribuição. 4 Lei 10.865/04 Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 23 14 Ante o exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para o fim de DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO e reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito extemporâneo, ressalvado, neste particular, à administração tributária, o direito de apurar os valores efetivos dos créditos tributários. Negado o direito ao ressarcimento dos créditos decorrentes da importação de nafta petroquímica. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Declaração de Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO Primeiramente, concordo integralmente com o voto condutor quanto à possibilidade de tomada de créditos no momento que adotado pela recorrente, pois que são créditos posteriores a agosto de 2004, quando entrou em vigor a Lei nº 10.865/04, e são créditos passados, não aqueles porventura apurados em períodos de apuração futuros, em relação ao mês dessa DACON, qual seja, outubro de 2004. Aplicase à esses créditos a regra geral da própria Lei. Corroborado posteriormente pela IN RFB no. 1.015/2010. Quanto à importação da Nafta, entretanto, concordo com o veredito do voto condutor, em que pese por outras razões: Verifico que a companhia importou a Nafta pelo código 27.10.1149, cuja descrição na NCM é Combustíveis minerais, óleos minerais e produtos de sua destilação; matérias betuminosas; ceras minerais Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos; preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições. De acordo com o ADI 34/2004: Art. 1º A nafta petroquímica denominada "nafta normalparafina" classificase no código 2710.11.41 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Fl. 970DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 24 15 § 1º A "nafta normalparafina" não deve ser tomada como equivalente a quaisquer querosenes e pode servir à formulação de gasolina ou diesel. § 2º Na hipótese de servir à formulação de gasolina ou diesel, a "nafta normalparafina" está sujeita à incidência da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide Combustíveis), instituída pela Lei n.º 10.336, de 19 de dezembro de 2001, e regulada pela Instrução Normativa SRF n.º 107, de 28 de dezembro de 2001. Art. 2º A "parafina" é um sólido, devidamente descrito no Glossário da página eletrônica da Agência Nacional do Petróleo, classificandose no código NCM 2710.19.99, se contiver quantidade igual ou superior a 0,75% de óleo, ou, caso contrário, no código NCM 2712.20.00. Parágrafo único. A "parafina" referida no caput deste artigo não se destina à formulação de gasolina ou diesel, não se incluindo, portanto, no campo de incidência da Cide Combustíveis. Art. 3º A "normalparafina" é um líquido, devidamente descrito no Glossário da ANP, que serve à produção de alquilbenzeno linear, empregado como matériaprima para fabricação de detergentes biodegradáveis, classificandose no código NCM 2710.19.19. Art. 4º Fica Revogado o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3, de 9 de abril de 2002. Sobre a Nafta, pois, incide a CIDE. Não há exceção ao PIS e à COFINS importação. A questão a que se põe é se a possibilidade de crédito existe apenas após a Lei nº 11.196/05, como pretende o Fisco, ou se anteriormente ao novo regime, fora pago o tributo e se seria possível o creditamento pelo regime geral da Lei nº 10.833/04, após a Lei nº 10.865/04. Não entendo que o marco inicial é a Lei nº 11.196/05, mas sim a Lei nº 11.033 de dezembro de 2004, inaplicável também ao caso, de outubro daquele ano, como discorreremos sobre, adiante. A Lei nº 10.865/04, regra geral do PIS e do COFINS importação, excluia do campo de incidência do tributo apenas as seguintes circunstâncias, que não contemplavam qualquer exceção à Nafta, ou seja, sobre ela deveriam ter recaído tais tributos: “Art. 2º As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: I bens estrangeiros que, corretamente descritos nos documentos de transporte, chegarem ao País por erro inequívoco ou comprovado de expedição e que forem redestinados ou devolvidos para o exterior; Fl. 971DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 25 16 II bens estrangeiros idênticos, em igual quantidade e valor, e que se destinem à reposição de outros anteriormente importados que se tenham revelado, após o desembaraço aduaneiro, defeituosos ou imprestáveis para o fim a que se destinavam, observada a regulamentação do Ministério da Fazenda; III bens estrangeiros que tenham sido objeto de pena de perdimento, exceto nas hipóteses em que não sejam localizados, tenham sido consumidos ou revendidos; IV bens estrangeiros devolvidos para o exterior antes do registro da declaração de importação, observada a regulamentação do Ministério da Fazenda; V pescado capturado fora das águas territoriais do País por empresa localizada no seu território, desde que satisfeitas as exigências que regulam a atividade pesqueira; VI bens aos quais tenha sido aplicado o regime de exportação temporária; VII bens ou serviços importados pelas entidades beneficentes de assistência social, nos termos do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, observado o disposto no art. 10 desta Lei; VIII bens em trânsito aduaneiro de passagem, acidentalmente destruídos; IX bens avariados ou que se revelem imprestáveis para os fins a que se destinavam, desde que destruídos, sob controle aduaneiro, antes de despachados para consumo, sem ônus para a Fazenda Nacional; e X o custo do transporte internacional e de outros serviços, que tiverem sido computados no valor aduaneiro que serviu de base de cálculo da contribuição. XI valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido à pessoa física ou jurídica a título de remuneração de serviços vinculados aos processos de avaliação da conformidade, metrologia, normalização, inspeção sanitária e fitossanitária, homologação, registros e outros procedimentos exigidos pelo país importador sob o resguardo dos acordos sobre medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS) e sobre barreiras técnicas ao comércio (TBT), ambos do âmbito da Organização Mundial do Comércio OMC. (Inciso com redação dada pela Lei nº 12.249, de 11/6/2010) Parágrafo único. O disposto no inciso XI não se aplica à remuneração de serviços prestados por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país ou dependência com tributação favorecida ou beneficiada por regime fiscal privilegiado, de que tratam os arts. 24 e 24 A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Parágrafo único com redação dada pela Lei n º 12.249, de 11/6/2010)” Fl. 972DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724332/200959 Acórdão n.º 3302002.563 S3C3T2 Fl. 26 17 A própria Lei, no entanto, trouxe a tributação à alíquota zero, com a seguinte redação: “e) nafta petroquímica, código 2710.11.41 da NCM;” E apenas em dezembro surgiu o art. 17 da Lei nº 11.033/04 que previu: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, estando no caso o produto sujeito à alíquota zero na ocasião, ainda não vigente o art. 17 que passou a garantir a manutenção dos créditos vinculados (ainda que no caso se pudesse discutir ainda assim sobre a sua existência no caso dos monofásicos), é certo que não havia previsão a essa manutenção, exceto, se o contribuinte comprovasse ter pago, ainda que incorretamente tais valores, sem beneficiarse da alíquota zero, o que não consta dos autos. Assim sendo, aplicável a regra anterior, a da lei nº 10.833/03, justamente na redação trazida pela própria Lei nº 10.865/04, ao emendar seu art. 3º, § 2º. “§ 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Parágrafo com redação dada pela Lei nº 10.865, de 30/4/2004) Isso posto, entendo que nesse aspecto não cabe razão à recorrente.” É como voto. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 973DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10768.901829/2006-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 29 /2 00 6- 15 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 94/99 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. DARF DE FILIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO Não podem ser aproveitados em compensação com débitos da matriz os DARF recolhidos no CNPJ da filial, quando se referem a débitos desta última e a eles se acham alocados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901829/200615 Acórdão n.º 3802003.345 S3TE02 Fl. 134 3 b) que embora tenha recolhido com o CNPJ da filial o DARF que gerou o crédito utilizado no PER/DCOMP, informouo nessa declaração com o CNPJ da matriz porque o sistema de compensação não permitia preencher manualmente o campo reservado ao número do CNPJ, indicando de forma automática o CNPJ da matriz; c) que não lhe foi permitido nem retificar o DARF (pelo fato de a operação ter mais de 5 anos) nem o PER/DCOMP (por já ter sido objeto de decisão administrativa); d) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; e) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; f) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; g) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, com base na inexistência, nos autos, de qualquer documentação capaz de atestar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 05/07/2011 (fls. 131). Inconformada, a mesma apresentou, em 04/08/2011, o recurso voluntário de fls. 101/121, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901829/200615 Acórdão n.º 3802003.345 S3TE02 Fl. 135 5 Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Também comungo com as razões de decidir da instância a quo em relação aos pedidos de retificação de DARF e de PER/DCOMP, que devem ser dirigidos à unidade jurisdicionante do sujeito passivo, sendo digno de nota o fato de o recolhimento indicado no PER/DCOMP (DARF de filial) já ter sido alocado, não estando, pois, disponível para compensação. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 11516.005867/2007-42
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTOS REFLEXOS - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - PIS e Cofins.
As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica e será considerado na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins e da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP.
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS. INDEDUTIBILIDADE.
Não há falar acerca de supostos créditos a serem descontados da base de cálculo do PIS apurada pelo Fisco, no regime não-cumulativo, a teor dos artigos 1º, 2º e 3º da Lei nº 10.637/2002 quando não há comprovação de tais créditos.
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO.
Somente a partir de 1° de fevereiro de 2004 pode-se falar em regime não-cumulativo da Cofins.
GLOSA DE CUSTO.
Para fins de apuração do IRPJ e CSLL devem ser glosadas as despesas ou custos quando assentados em operação artificiosa, representada por contrato de arrendamento de imóvel, máquinas e equipamentos que de fato pertenciam à contribuinte e contabilizados como prestação de serviços pagos a terceiros.
Numero da decisão: 1802-002.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTOS REFLEXOS - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - PIS e Cofins. As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica e será considerado na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins e da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP. PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS. INDEDUTIBILIDADE. Não há falar acerca de supostos créditos a serem descontados da base de cálculo do PIS apurada pelo Fisco, no regime não-cumulativo, a teor dos artigos 1º, 2º e 3º da Lei nº 10.637/2002 quando não há comprovação de tais créditos. COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. Somente a partir de 1° de fevereiro de 2004 pode-se falar em regime não-cumulativo da Cofins. GLOSA DE CUSTO. Para fins de apuração do IRPJ e CSLL devem ser glosadas as despesas ou custos quando assentados em operação artificiosa, representada por contrato de arrendamento de imóvel, máquinas e equipamentos que de fato pertenciam à contribuinte e contabilizados como prestação de serviços pagos a terceiros.
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Omissão de Receitas. Recorrente CRISTAL COLOR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTOS REFLEXOS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PIS e Cofins. As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica e será considerado na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. INDEDUTIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 58 67 /2 00 7- 42 Fl. 782DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Não há falar acerca de supostos “créditos” a serem descontados da base de cálculo do PIS apurada pelo Fisco, no regime nãocumulativo, a teor dos artigos 1º, 2º e 3º da Lei nº 10.637/2002 quando não há comprovação de tais créditos. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. Somente a partir de 1° de fevereiro de 2004 podese falar em regime não cumulativo da Cofins. GLOSA DE CUSTO. Para fins de apuração do IRPJ e CSLL devem ser glosadas as despesas ou custos quando assentados em operação artificiosa, representada por contrato de arrendamento de imóvel, máquinas e equipamentos que de fato pertenciam à contribuinte e contabilizados como prestação de serviços pagos a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida, efls.757/762, que a seguir transcrevo: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada a seguinte infração: a) Omissão de receita operacional, no anocalendário de 2003, mensurada a partir de créditos/depósitos consignados em contascorrentes bancárias, cuja origem não foi comprovada; b) Glosa de custos assentados em operação artificiosa, representada por contrato de arrendamento de imóvel, máquinas e equipamentos que de fato pertenciam à contribuinte. Não se exigiu IRPJ e CSLL sobre os valores apurados a título de omissão de receita operacional, pois se considerou que esta se aniquilou com os custos registrados a menor na apuração do resultado. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.005867/200742 Acórdão n.º 1802002.222 S1TE02 Fl. 783 3 O crédito tributário lançado totalizou R$ 88.588,54 (oitenta e oito mil, quinhentos e oitenta e oito reais e cinqüenta e quatro centavos), conforme demonstrativo de fl.7, tendo sido lavrados os relativos ao IRPJ e CSLL apenas para fazer o ajuste da base de cálculo, tendo em vista que o valor da infração apurada a título de glosa de custos foi totalmente absorvido pelo prejuízo apurado no anocalendário de 2003. O enquadramento legal desses autos de infração encontrase às fls. 602, 621 e 622. Foram lavrados, também, os autos de infração relativos ao PIS e Cofins, conforme abaixo demonstrado: Contribuição para o PIS fls. 603 a 610: Contribuição: R$ 13.053,68 Juros de mora: R$ 8.590,69 Multa Proporcional: R$ 9.790,23 Total: R$ 31.434,60 Enquadramento legal da contribuição: Lei n° 10.637, de 2002, arts. 1°, 3° e 4°. Contribuição para a Seguridade Social (Cofins) fls. 611 a 619. Contribuição: R$ 23.733,96 Juros de mora: R$ 15.619,51 Multa Proporcional: R$ 17.800,47 Total: R$ 57.153,94 Enquadramento legal da contribuição: Decreto n° 4.524, de 2002, arts. 2°, II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 Consta no Termo de Verificação Fiscal de fls. 623 a 638 que a fiscalização teve início em 21/03/2007 com o Termo de Início de Fiscalização (fls. 8 a 10), no qual foram solicitados, dentre outros documentos, os livros Razão e Diário, ou Caixa e os extratos bancários de todas as contascorrentes bancárias e de aplicações financeiras relativos ao ano calendário de 2003. Foram solicitadas, também, em 19/09/2007, informações e documentos relativos ao arrendamento de bens da empresa Untergen Indústria de Produtos Químicos Ltda., CNPJ 75.564.260/000199, tendo sido apresentado o contrato de fls. 127 a 133 e os documentos de fls. 134 a 163. Foram coletados, ainda, informações e documentos junto à empresa Untergen, os quais foram anexados às fl.s 471 a 486. A respeito dos aspectos de natureza cadastral e patrimonial, consta, no referido TVF, que, informações originárias de comunicações da Polícia Federal e também da Ação Penal Fl. 784DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Pública (Procedimento Criminal Comum) n° 2004.72.04.0063963 (SC) que tramita na 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Criciúma/SC (conforme fls. 487 a 535), indicam a existência de diversas anomalias suscitadas em investigações realizadas por autoridades policiais e auditores fiscais da Receita Previdenciária, fundamentalmente na seara da sucessão patrimonial. Prossegue o autuante no referido termo: Na esteira das verificações realizadas, sobejam fatos que configuram anomalias, fundamentalmente na seara da sucessão patrimonial. É sabido e consabido, declarado inclusive, por diversas vezes, no processo judicial suso referido, que a empresa Cristal Color Indústria e Comércio Ltda. foi concebida para suceder a empresa Untergen Indústria de Produtos Químicos Ltda, à época já concordatária. Na forma das declarações prestadas pelo Sr. Lourival Evaldo Mayer à Polícia Federal, reduzidas a termo no Auto de Qualificação e Interrogatórío com cópias às fls. 529 a 530, “através de negociação, a empresa CRISTAL COLOR assumiu todo o ativo e passivo da empresa UNTERGEN...e ainda, “...a CRISTAL COLOR assumiu a responsabilidade, através de contrato particular, pelas dívidas pretéritas da UNTERGEN, valendose do maquinário e instalações desta”. Diversos fatos corroboram tais declarações, indicando serem fidedignas e confirmando os atos e alegações contrárias, desprovidas de igual autenticidade. Corroborando a autenticidade das declarações do Sr. Lourival releva destacar o Termo de Declarações de Solange Mayer, de fls. 533 a 534, onde consta que “seu pai LOURI VAL já deixou ambas as empresas citadas, há uns quatro anos, aproximadamente...”. Afora esse fato, os próprios assentos da empresa Cristal Color confirmam as declarações, em especial os registros consignados sob a rubrica contábil “1.2.2. 01.01 Outros Créditos” com cópia às fls. 448 a 457. Os lançamentos processados nesta conta evidenciam que a empresa Cristal Color efetivamente está procedendo à liquidação do passivo da empresa concordatária (Untergen), em compasso com as declarações prestadas pelo Sr.Lourival. Sob a ótica dos ativos também sobejam circunstâncias que confirmam a sucessão e autenticidade das declarações do Sr. Lourival. Nesse sentido, releva destacar que a contribuinte efetivamente desenvolve a sua atividade econômica no parque industrial outrora pertencente à Untergen, sucedendoa de fato. Esta por sua vez, deixou de explorar a atividade, apesar de manter o domicílio no mesmo local, circunstância que, aliás, também configura anomalia. Ainda, sob a ótica dos ativos, ressaltemse os novos investimentos em curso no empreendimento. Na forma do projeto de ampliação da indústria, constante às fls. 138 a 142, e também de notas fiscais acostadas às fls. 144 a 158, acerca da aquisição de itens da construção, a empresa Cristal Color está promovendo a Fl. 785DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.005867/200742 Acórdão n.º 1802002.222 S1TE02 Fl. 784 5 ampliação do parque fabril, fato que denota, cabalmente, a sua ascendência sobre os ativos existentes no local. No que tange aos bens imóveis fazse necessário anotar, destacadamente, alguns outros aspectos, ante as peculiaridades e anomalias evidenciadas. No local onde se situa o estabelecimento industrial, a empresa Untergen Indústria de Produtos Químicos Ltda. possuía terrenos com área total de 44. 780,29 m2, registrados no 1° Ofício de Registro de Imóveis da cidade de Criciúma sob as matrículas 29.268 Úls. 485 a 486), 39.679 Úls. 159 a 160) e 23.494 (fls. 161 a 163). Estes imóveis, consoante registros assentados nas respectivas matrículas, estão gravados com diversas penhoras, para a garantia de dívidas da Untergen, fundamentalmente com órgãos públicos. Todavia, em 03.01.2007, o imóvel de matrícula n° 39. 679, foi transmitido para o adquirente ANTÔNIO JAIR VIEIRA DA SILVA, em face à Carta de Arrematação datada de 07.07.2006, expedida pelo Juiz do Trabalho da 2" Vara da cidade de Criciúma, pela bagatela de R$11.000, 00. O adquirente do imóvel é funcionário da empresa Cristal Color e sobrinho do seu sócioresponsável, Sr. Cícero Beserra da Silva, da qual detém, inclusive, poderes para representála, consoante instrumento de procuração de fls. 11. Afora esse aspecto, que vincula a operação de transferência à empresa Cristal Color, a situação econômicofiscal declarada pelo adquirente seguramente não lhe possibilitaria a compra do imóvel em pauta, mesmo pela bagatela registrada. Já o imóvel matriculado sob o n° 23.494, consoante registro assentado em 25/01/2007, foi transmitido para a adquirente BRUNA ALVES DA SILVA, em face à Carta de arrematação datada de 17/01/2007, expedida pelo Juiz da 2ª Vara do trabalho da cidade de Criciuma, pelo valor pífio de R$27. 000, 00. A adquirente em questão também é funcionária da empresa Cristal Color e sobrinha do seu sócioresponsável. Além desse fato, pela sua situação econômicofiscal, também não se vislumbra que tenha possibilidade de adquirir o imóvel em pauta. Assim, os imóveis matriculados sob os nº 36.679 e 23.494, pela via da arrematação judicial e com a utilização de interpostas pessoas, vinculadas a empresa Cristal Color e ao seu sócio responsável, a despeito de todas as penhoras com que se encontram gravados, pertencem, de fato, livres e desembaraçados, a empresa Cristal Color. Essa prática engenhosa pode representar, se não forem liquidados os passivos existentes em nome das empresas Untergen e Cristal Color, fraude a credores, razão pela qual anotamos os fatos evidenciados, no sentido de que fiquem registrados e para o adequado tratamento no âmbito da cobrança e/ou execução dos créditos da Fazenda Nacional. Sob a ótica da empresa Untergen Indústria de Produtos Químicos Ltda. também sobejam circunstâncias que corroboram a sucessão, e que infirmam atos e declarações através dos quais pretendem transparecer situação diversa. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Amparados no Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo, com via às fls. 468, e mediante a Intimação Fiscal n° 01 (fls. 469 a 470), coligimos elementos e informações dessa empresa, com o fito de subsidiar o procedimento de fiscalização instaurado em desfavor de Cristal Color Indústria e Comércio Ltda. À luz dos assentos coligidos exsurgem diversas anomalias, das quais releva destacar: a) o domicílio declarado “R Miguel Patrício de Souza, 1600, Ceará, CriciúmaSC na verdade se confunde com o endereço da empresa Cristal Color. O estabelecimento industrial em questão está situado na esquina da rua citada com a Av.Imigrantes Poloneses, sendo que a empresa Untergen declara como domicílio a R Miguel Patrício de Souza e a empresa Cristal Color a Av. Imigrantes Poloneses; b) no local declarado como domicílio os responsáveis pela empresa Untergen efetivamente não se encontram, nem existe qualquer atividade sendo explorada pela mesma; c) em nível de escrituração a mesma também se encontra em situação irregular, não logrando manter, para exibição ao fisco, os livros obrigatórios; d) no que tange a situação fiscal também afloram irregularidades. Pelos assentos exibidos sua receita advém do arrendamento de imóvel, máquinas e equipamentos, atividade sabidamente vedada ao Simples. A despeito da expressa vedação apresenta declaração pelo regime do Simples, com a informação inverossímil de que a receita é decorrente da prestação de serviços, em descompasso com os seus próprios assentos. À luz de todas as circunstâncias fáticas anotadas depreendese, facilmente, que a empresa Cristal Color efetivamente sucedeu a Untergen, assumindo o seu ativo e passivo. Assim, a despeito dos atos e fatos registrados pelo contribuinte no sentido de transparecer situação diversa, certamente por questões relacionadas à concordata em curso na Untergen, essa será a situação fática a ser considerada no desenlace da presente ação de fiscalização. Consta no TVF que a contribuinte sucedeu a empresa Untergen, com a assunção do ativo e passivo e, a despeito de todas as circunstâncias que asseveram tal operação, foi firmado contrato de arrendamento de imóvel, máquinas e equipamentos (fls. 127 a 133), e ulteriormente termo aditivo (fls. 134 a 136), dando em arrendamento os ativos do estabelecimento em questão, em contraprestação de valor mensal. Prossegue relatando o autuante que os fatos indicam que os ativos objetos do arrendamento efetivamente já são de propriedade da arrendatária, configurandose indevidos os custos/despesas apropriados na determinação do resultado econômico e fiscal da contribuinte. Tais custos/despesas foram registrados sob a conta contábil “4.1.2.02.l7 Serviços de Terceiro PJ”, com cópia às fls. 458 a 462, culminando na apropriação de custo mensal de R$15.000,00, e no montante anual de R$180.000,00. Esses Fl. 787DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.005867/200742 Acórdão n.º 1802002.222 S1TE02 Fl. 785 7 lançamentos não se conformam com os documentos de lastro produzidos e exibidos (fls. 127 a 136), os quais indicam uma operação de arrendamento de imóvel, máquinas e equipamentos, enquanto a escrita contábil registra prestação de serviço de PJ. Assim, cumprindo as determinações expressas no MPFF emitido em desfavor da contribuinte, foi apurada omissão de receita proveniente de depósitos bancários cuja origem dos recursos utilizados não foi comprovada e foi efetuada a glosa de custos/despesas. Notificada do lançamento em 28/11/2007, a contribuinte, representada pelo procurador Paulo Henrique de Assis Góes (fl. 660), ingressou, em 27/12/2007, com a impugnação de fls. 645 a 659, alegando, em suma: O autuante ao consignar no Terno de Encerramento de Fiscalização que esta foi executada e formalizada em conformidade com as normas que regem os atos administrativos, olvidouse do que determina a legislação vigente, em especial ao que dispõe a Lei n° 9.784, de 1999, arts. 1° e 2°. Inicialmente, indaga acerca dos aspectos da natureza cadastral e patrimonial e coloca em questionamento a sua propriedade com base em depoimentos havidos em processo junto à polícia federal, por pessoas que têm interesse em criar caminhos para evitar os problemas criados pela empresa Untergen. Tais depoimentos não podem ser aceitos; A alegada sucessão decorre da única constatação fática de que utiliza parcela do patrimônio da empresa Untergen. Porém, esquecem os auditores, que paga mensalmente a soma de R$15.000,00, a título de locação à referida empresa; Ora, se fosse sucessora, qual a razão da locação? No que tange aos bens imóveis arrematados em leilões judiciais, cumpre registrar que, ao pretender adjetivar a compra utilizando indevidamente o termo “bagate1a”, o auditor desconsiderou todo o trabalho desenvolvido pela 2° Vara do Trabalho, bem como o leiloeiro responsável, os interesses dos credores, a publicidade de todos os atos administrativos que envolvem as vendas de bens em hastas públicas, numa vã tentativa de desqualificar e/ou pretender induzir o leitor a um caminho de que tudo é uma invenção dos titulares da defendente. A oferta pública de um bem em hasta pública é dirigida a todo e qualquer cidadão e se o adquirente é, ou não é, sobrinho, ou qualquer cidadão com proximidade, ou não, ao sócio da defendente, tal fato não afasta o direito do arrematante, uma vez que o art. 5° da Constituição Federal (CF), de 1988, assegura a todos o exercício de seu direito. A compra em hasta pública é direito de todos, não excluindo ninguém; Quanto às “anomalias” não há como permanecer silente, uma vez que os registros de penhora junto às serventias públicas de registro só serão levantados em duas hipóteses: a) pagamento da empresa Untergen aos seus credores e devida baixa com a Fl. 788DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 anuência do credor, tudo dentro do Processo de Concordata n° 023.93.0010388; b) venda de bens por meio de processo judicial, nos termos da lei; No que tange aos elementos relativos à empresa Untergen estes devem ser respondidos pelo seu proprietário e/ou comissário judicial do Processo de Concordata; O que pretende o auditor é, sem competência legal, desconsiderar a existência autônoma da empresa Cristal Color. Ao afirmar ser sucessora, pretende dar a idéia de responsabilidade da Cristal Color por dívidas da Untergen o que não pode ser aceito; A tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não encontra fundamento fático e, muito menos, jurídico. Não há, em nenhum dos dispositivos legais citados no auto de infração, autorização legal para a presunção de que tenha havido saída de mercadorias e a aplicação de qualquer tributação; Sendo o lançamento ato administrativo vinculado, está sujeito aos princípios da legalidade e da publicidade, bem como do direito ao contraditório e a ampla defesa, mas que somente se verifica quando a matéria tributária estiver adequadamente descrita, com o conseqüente enquadramento legal das infrações apuradas. A falta de qualquer desses requisitos essenciais toma nulo o ato administrativo de lançamento e insubsistente a exigência do crédito tributário constituído. Pretender tributar por presunção é violar o direito do contribuinte. A matéria não é nova e tem sido rejeitada pelo Poder Judiciário há muito tempo, tendo inclusive sido sumulado pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, na Súmula 182; No presente caso, os valores identificados pelo autuante não dão ensejo à tributação de PIS/Cofins, como pretende fazer crer, daí que fica totalmente impugnada a pretensão do Fisco, ante a falta de embasamento legal para tributar, por presunção, a ocorrência do fato gerador do tributo; Apenas para efeito de argumentação, houvesse possibilidade de tributação por presunção, seria necessário o arbitramento do crédito dos insumos utilizados a fim de restar assegurado o princípio da nãocumulatividade. Registrese que a atividade da defendente utilizase de diversos insumos da cadeia de petroquímicos e derivados de petróleo cujo tratamento tributário é diferenciado e especial; É, no mínimo, curioso que o autuante limite a sua investigação sobre a ótica de supostos débitos, tendo em vista a “pretensa” sucessão havida entre as empresas Untergen e Cristal Color, sem levar em consideração os recolhimentos feitos pela Untergen decorrentes da locação do imóvel, conforme Darf em anexo; Ora, se ocorreu sucessão de empresas, o que daria ensejo às glosas havidas em razão das despesas de locação, por outro lado toda a tributação recolhida aos cofres públicos pela empresa Fl. 789DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.005867/200742 Acórdão n.º 1802002.222 S1TE02 Fl. 786 9 Untergen seriam indevidos, impondose a sua restituição e/ou compensação; Neste sentido, impõese, por dever de justiça, alternativamente, em caso de manutenção do entendimento do autuante de que teria havido sucessão das empresas, dar tratamento tributário adequado e considerarse indevido o recolhimento dos tributos realizados pela Untergen a título de locação de imóveis, efetuandose a sua restituição/compensação; Solicitou a produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente o depoimento da requerida, ouvida de testemunhas, prova documental, pericial, vistorias e juntada de documentos. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 14 20.244, de 28 de agosto de 2008, efls.755/767, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO; 2003 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, sendo intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. CUSTOS OU DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. Temse por válida a glosa de custos e despesas que não forem devidamente comprovados pelo sujeito passivo, por meio de documentação hábil e idônea. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO 2003 LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. LANÇAMENTO. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Mantémse o lançamento que obedeceu aos princípios constitucionais e aos requisitos do Processo Administrativo Fiscal. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ANOCALENDÁRIO: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. CREDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INDEDUTIBILIDADE. É incabível a utilização de créditos cuja apuração não foi comprovada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2003 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. Somente a partir de 1° de fevereiro de 2004 podese falar em nãocumulatividade da Cofins. Lançamento Procedente A pessoa jurídica, foi cientificada da mencionada decisão em 08 de outubro de 2008, conforme Aviso de Recebimento (AR), e, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 03/11/2008, alegando, essencialmente, os mesmos fundamentos expendidos na impugnação perante a DRJ, portanto, desnecessário repetilos. Finalmente requer seja dado integral provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Emerge dos Autos de Infração e das suas peças integrativas, especialmente pelo que consta do Termo de Verificação Fiscal, efls.633/647, a Recorrente foi autuada em razão das seguintes infrações: Fl. 791DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.005867/200742 Acórdão n.º 1802002.222 S1TE02 Fl. 787 11 a) Omissão de receita operacional, no anocalendário de 2003, mensurada a partir de créditos/depósitos consignados em contascorrentes bancárias, cuja origem não foi comprovada; b) Glosa de custos assentados em operação artificiosa, representada por contrato de arrendamento de imóvel, máquinas e equipamentos que de fato pertenciam à contribuinte. Quanto à infração Omissão de Receitas — de que trata o item “a”, consta do Termo de Verificação Fiscal, efls.640/642, o seguinte esclarecimento: ... Neste cenário restou analisar os lançamentos apenas à luz da escrituração exibida, adstrito basicamente aos extratos das respectivas contas bancárias e aos registros contábeis efetuados. Nesta seara, atinente aos lançamentos processados sob as rubricas "1.1.1.02.01 Banco do Brasil S/A" e "1.1.1.02.02 Banco do Estado de São Paulo S/A", com cópia do razão às fls. 289 a 421 e extratos às fls. 166 a 257, inferese que os mesmos repercutem depósitos/créditos efetivamente realizados nas contas correntes bancárias correspondentes. Tal fato exsurge, de forma cristalina, pela conciliação dos saldos contábeis com os dos extratos bancários. Já no que concerne aos lançamentos sob investigação consignados na rubrica "1.1.1.02.05 Banco Mercantil do Brasil", com cópia do razão às fls. 430 a 447, depreendemos que os mesmos não se conformam com a movimentação registrada nos respectivos extratos bancários (fls. 258 a 275), denunciando erro de lançamento. Assim, os lançamentos sob investigação consignados sob as rubricas "1.1.1.02.01 Banco do Brasil S/A" e "1.1.1.02.02 Banco do Estado de São Paulo S/A", estão acobertando créditos/depósitos de origem não comprovada, considerando fundamentalmente que os recursos efetivamente aportaram nas contas correntes bancárias, todavia a sua origem não foi demonstrada, nem pelos lançamentos contábeis e nem por documentos hábeis e idôneos. Destarte, restaram não comprovados créditos registrados nessas contas bancárias, repercutidos nos lançamentos contábeis a seguir especificados, registrados a débito `de rubricas correspondentes as contas correntes e a crédito de conta de resultado (custo): ... As receitas auferidas e ora caracterizadas como omissão obviamente não foram submetidas ao gravame dos impostos e contribuições administrados pela Receita Federal Esta circunstância enseja à constituição de ofício do crédito tributário correspondente não adimplido, considerando que efetivamente constituem base imponível que se subsume as normas de incidência das exações. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Com o fito de determinar as implicações pecuniárias decorrentes da infração em comento, e observando o regime de apuração em que se encontra enquadrado – Lucro Real Anual, alimentamos o sistema eletrônico de emissão dos Autos de Infrações. Todavia, nas circunstâncias em que foi perpetrada a infração, onde em contrapartida dos créditos/depósitos de origem não comprovada creditou conta de resultado (custo), nenhuma repercussão há no âmbito do imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL). A omissão apurada aniquilase com os custos registrados a menor na apuração do resultado. GRIFEI Como explicitado acima não houve o lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL sobre os valores apurados a título de omissão de receita operacional, no anocalendário de 2003, mensurada a partir de créditos/depósitos consignados em contascorrentes bancárias, cuja origem não foi comprovada. Porém, com relação ao PIS e a Cofins, tendo em vista que a Recorrente não adotou “procedimentos contábeis” para ilidir a autuação em relação a tais tributos, foram efetuados os lançamento de ofício, mediante os autos de infração correspondentes, efls.613/628. A Recorrente alega que não há nenhum dispositivo legal que autorize a presunção de que tenha havido saída de mercadorias e a aplicação de qualquer tributação. A Recorrente não tem razão, como bem explicado no Termo de Verificação Fiscal, efl.641: ... Pela legislação tributária de regência da matéria em pauta (art. 42 da Lei n° 9.430/96), caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais não seja comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Destarte, os fatos levantados e acima anotados subsumemse a norma insculpida no citado dispositivo legal, configurando omissão de receita da atividade. ... A Recorrente alega que os valores identificados pelo Sr. Auditor Fiscal, não dão ensejo à tributação de PIS/COFINS, como pretende fazer crer, daí que fica totalmente impugnada a pretensão do Fisco, ante a falta de embasamento legal à pretensão de tributar, por presunção, a ocorrência de fato gerador de tributo. A empresa autuada é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.005867/200742 Acórdão n.º 1802002.222 S1TE02 Fl. 788 13 Como se vê, a partir da Lei nº 9.430/96, comporta a tributação por presunção de omissão de receitas caracterizada por depósitos mantidos junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É o caso dos autos. Nessa realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a caracterização da ocorrência do fato gerador do tributo não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, isoladamente considerada, mas sim pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados. Ou seja, há uma correlação lógica estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com um depósito bancário sem demonstração de sua origem) e o fato desconhecido (auferir receita), e é esta correlação que dá fundamento à presunção legal em comento, de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos. Tratase, na hipótese, de indícios que conduzem à presunção juris tantum de omissão de receita, com fulcro no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista que não fora oportunizado à fiscalização detectar a real proveniência dos recursos depositados em conta corrente da empresa. Portanto, caberia ao contribuinte apresentar justificativas válidas com documentação hábil e idônea para os ingressos ocorridos em suas contas correntes. Durante o procedimento fiscal o contribuinte foi intimado, no sentido de possibilitar ao mesmo a oportunidade de esclarecer suas operações e de comprovar a origem dos valores depositados/creditados em suas contas bancárias. No entanto, nenhum documento que pudesse comprovar a origem dos valores foi apresentado, razão pela qual devem ser mantidos os valores apurados e descritos pela fiscalização como depósitos bancário sem origem dos recursos. É preciso salientar que a Lei nº 9.430/96 permite à autoridade fiscal perquirir junto ao contribuinte qual a origem daqueles depósitos ou investimentos existentes em suas contas bancárias sendo que a ausência da comprovação de sua origem faz presumir tratarse de omissão de receitas próprias da atividade da pessoa jurídica. As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. A tributação dessa receita, por sua vez, encontra abrigo e visibilidade na mencionada lei tributária que estabeleceu uma presunção de omissão de receita que autoriza o lançamento do tributo correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Concluise, por conseguinte, que a presunção legal de receita, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo júris tantum (relativa). A empresa autuada, para descaracterizar a presunção de omissão de receitas, por depósitos bancários, deveria produzir a prova que se lhe impunha, fato de que não se desincumbiu. Desse modo, não se pode afastar a omissão de receita, eis que não restou comprovada a origem dos valores que foram depositados ou creditados nas contas bancária da Recorrente. Os valores mensais dos créditos não comprovados foram objeto de lançamento de ofício do PIS e da Cofins, pois ficou caracterizada a omissão de receita à qual não há contestação cabal. Nesse passo, a exigência do PIS e da Cofins se dá em consonância com a Lei n° 9.249, de 1995, artigo 24, § 2°, que assim dispõe: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ... § 2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. GRIFEI O cálculo dos débitos está evidenciado no “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO Contribuição para o PIS/Pasep" (efl. 619) e no “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO Contribuição para Financiamento da Seguridade Social" (efls. 621/622) dos Autos de Infração correspondentes. A Recorrente diz que, na sua atividade utilizase de diversos insumos da cadeia de petroquímicos e derivados de petróleo cujo tratamento tributário é diferenciado e especial, realizando a compra desses insumos, a industrialização dos produtos e a sua revenda. Aduz que, em respeito ao princípio da nãocumulatividade tem o direito de apropriar o “quantum” do tributo que foi ou poderia ter sido cobrado, nas etapas anteriores, conforme expressamente prevê o texto constitucional. Podendo escriturar os créditos oriundos das entradas de mercadorias, para utilizálos em futuras apurações, pela compensação. Gizse que o contribuinte, no anocalendário 2003, adotou a tributação com base no Lucro Real, e que, o regime nãocumulativo da Cofins somente passou a vigorar a partir de 1° de fevereiro de 2004, conforme a Lei nº 10.833, de 29/12/2003 ( conversão da MP nº 135, de 30/10/2003). Portanto, em relação à Cofins não há falar em nãocumulatividade no ano calendário de 2003. No tocante ao PIS, apesar de submetido o contribuinte ao regime não cumulativo instituído pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da MP nº 66 de 29/08/2002, a Recorrente nada comprova acerca de supostos “créditos” a serem descontados da base de cálculo apurada pelo Fisco, a teor dos artigos 1º, 2º e 3º da mencionada Lei nº 10.637/2002. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.005867/200742 Acórdão n.º 1802002.222 S1TE02 Fl. 789 15 Assim, à míngua de tal comprovação mantémse o crédito tributário em comento. Concluise, pois, que as receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica e será considerado na determinação da base de cálculo da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. A outra infração para a qual decorre apenas a redução do prejuízo fiscal em relação ao IRPJ e a redução da base de cálculo negativa em relação à CSLL, diz respeito à “Glosa de custos assentados em operação artificiosa, representada por contrato de arrendamento de imóvel, máquinas e equipamentos que de fato pertenciam à contribuinte”. A defesa resumiu os fatos que deram fundamento à decisão de primeira instância, extraído do Voto condutor do Acórdão recorrido (efls.763/764), do seguinte modo: [...] Com relação à glosa de custo/despesa no valor de R$ 180.000,00, a contribuinte alega que o referido valor é relativo a arrendamento de imóvel, máquinas e equipamentos à empresa Untergen e apresenta o contrato de fls. 127 a 136, assinado em 1998 por Lourival Evaldo Mayer (Untergen) e Solange Mayer (Cristal Color), com vencimento em 31/05/2003, tendo sido renovado por mais cinco anos, vencendo em 31/05/2008. Entretanto, verificase na contabilidade da contribuinte que tais “custos/despesas” foram registrados na conta '“4.1.2.02.17 Serviços de Terceiro PJ”, não estando em conformidade com o contrato apresentado à fiscalização com a pretensão de comprovar tais deduções do lucro líquido. [...] verificase que um conjunto de fatos e não somente os depoimentos feitos a Policia Federal [...] levam a conclusão de que efetivamente a Cristal Color sucedeu a Untergen, não podendo, conseqüentemente, ser aceito o contrato de arrendamento apresentado pela contribuinte. [...] ficou comprovado que não se trata de arrendamento de imóvel e de máquinas, devendo ser mantida a glosa do valor de R$ 180.000,00, deduzido do lucro como custo. Como visto, a glosa foi efetuada porque ainda que diante dos documentos relativos ao arrendamento de bens da empresa Untergen Indústria de Produtos Químicos Ltda., CNPJ 75.564.260/000199, verificouse que a contribuinte, ora Recorrente, sucedeu a empresa Untergen, com a assunção do ativo e passivo e, a despeito de todas as circunstâncias que asseveram tal operação, foi firmado contrato de arrendamento de imóvel, máquinas e equipamentos (fls. 127 a 133), e ulteriormente termo aditivo (fls. 134 a 136), dando em arrendamento os ativos do estabelecimento em questão, em contraprestação do valor mensal de R$ 15.000,00 e total anual de R$ 180.000,00 no ano calendário de 2003. O autuante entende que os fatos relatados indicam que os ativos objeto do arrendamento efetivamente já são de propriedade da arrendatária/recorrente, configurandose Fl. 796DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 indevidos os custos/despesas apropriados na determinação do resultado econômico e fiscal da contribuinte. A afirmação do autuante está consentânea com o que consta do AUTO DE QUALIFICAÇÃO E INTERROGATÓRIO, de LOURIVAL EVALDO MAYER, sócio da empresa UNTERGEN/arrendante, prestado na Delegacia de Polícia de Itajaí/SC, e fls.540/541, e, do TERMO DE DECLARAÇÃO, de SOLANGE MAYER, sócia da empresa CRISTAL COLOR/arrendatária, e filha de LOURIVAL EVALDO MAYER, prestada ao Delegado de Polícia Federal (efls.544/54), ambos assinantes do malsinado “contrato de arrendamento”, a seguir: LOURIVAL EVALDO MAYER ... o ora interrogado foi responsável nos períodos de 1982/1993 e de outubro/1997 ao final de 1999; QUE, ao quinto quesito respondeu que em 1999, através de negociação, a empresa CRISTAL COLOR assumiu todo o ativo e passivo da empresa UNTERGEN, sendo administrada de 1998 a 1999 pelo ora interrogado, sendo que, a partir de 1999, a administração coube a ARLENE e a ARCILEI, mantendose assim até os dias atuais, sendo os sóciosgerentes CÍCERO BEZERRA DA SILVA e outra; QUE, RUDEMAR CHRIST apenas emprestou seu nome ao contrato social da empresa, sem poderes de gerência de fato; QUE, ao sexto quesito respondeu que, ao que conhece, a empresa CRISTAL COLOR vem liquidando suas obrigações tempestivamente, bem assim saneando dívidas pretéritas da empresa UNTERGEN (trabalhistas, fornecedores, etc), a partir do trabalho de ARLENE e ARCILEI; QUE, ao sétimo quesito respondeu que sim, falecido à aproximadamente seis anos, no município de Blumenau/SC; QUE, ao oitavo quesito respondeu que, como acima aludido, a CRISTAL COLOR assumiu a responsabilidade, através de contrato particular, pelas dívidas pretéritas da UNTERGEN, valendose do maquinário e instalações desta; QUE, ao nono quesito respondeu que sim, posto que se pretendeu resguardar o nome da CRISTAL COLOR, já que a imagem da empresa UNTERGEN estava comprometida junto à comunidade; ... Grifei SOLANGE MAYER ... Inquirida a respeito dos fatos, RESPONDEU: QUE, a declarante não foi sócia proprietária, nem administradora, nem gerente da empresa UNTERGEN INDÚSTRIA DE PRODUTOS QUIMICOS LTDA.; QUE foi sócia da empresa CRISTAL COLOR INDÚSTRIA COMÉRCIO LTDA., no período entre 1998/1999, nunca tendo exercido administração ou a gerência da referida empresa;QUE não conhece ELT FLAVIANO DACOREGIO, porém ouviu falar, em certa época, que ele era contador empresa CRISTAL, porém não tem certeza; QUE os administradores da Fl. 797DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.005867/200742 Acórdão n.º 1802002.222 S1TE02 Fl. 790 17 empresa UNTERGEN eram seu pai LOURIVAL EVALDO MAYER, MANOEL PINTO MOREIRA, JoÃo EVALDO MAYER e ACHIRIO EVALDO MAYER, este último jà falecido; Que quem administrava a empresa CRISTAL COLOR eram seu pai LOURIVAL EVALDO MAYER e CICERO BEZERRA DA SILVA, na época em que a declarante foi sócia, mas na verdade, nunca exerceu a administração da empresa, ficando a cargo de CÍCERO, pois seu pai LOURIVAL entrou mais com o trabalho; QUE a empresa UNTERGEN estava concordatária e a empresa CRISTAL COLOR, na verdade, foi criada com o intuito de ajudar na recuperação da empresa UNTERGEN; QUE ACHÍRIO EVALDO MAYER é falecido há uns três anos; QUE a declarante esclarece que não entende que tenha ocorrido a sucessão da empresa UNTERGEN pela empresa CRISTAL COLOR; QUE a empresa UNTERGEN e a empresa CRISTAL COLOR ocupavam o mesmo endereço; QUE o objetivo da criação da nova empresa era o de ajudar na recuperação da UNTERGEN que não possuia mais crédito na praça; QUE não conhece JOSÉ JOAQUIM CAVALCANTI, nem FERNANDA VIEIRA DA SILVA, sabendo que é irmã de CICERO, que LOURIVAL EVALDO MAYER é seu pai, ACHÍRIO EVALDO MAYER e seu tio e falecido, CÍCERO BEZERRA DA SILVA é conhecido da declarante, e RUDMAR CHRIST é seu tio; QUE seu pai LOURIVAL já deixou ambas as empresas citadas, há uns quatro anos, aproximadamente, estando residindo na cidade de Balneário Camboriú/SC,sendo que ajudava na adminstração da CRISTAL COLOR juntamente com CÍCERO, e é este que administra a empresa atualmente; QUE RUDMAR CHRIST foi SÓCIO da empresa CRISTAL COLOR e foi empregado de uma das duas empresas citadas, não sabendo qual; ... Grifei A Recorrente diz que, ingressou com Processo Administrativo no intuito de obter a restituição e a compensação dos valores indevidamente pagos ao Fisco pela empresa UNTERGEN pela receita operacional havida em face da locação dos imóveis, acaso fosse mantido o entendimento acerca da sucessão das empresas. Aduz que por diversas vezes, ao longo do trâmite processual, a propriedade da RECORRENTE fora questionada, tentando fazer crer a existência de sucessão da empresa UNTERGEN, alegando que a RECORRENTE utiliza parcela do patrimônio daquela empresa, com o que não pode concordar eis que a realidade fática é diversa, sendo que a REQUERENTE paga mensalmente, a soma de R$ 15.000,00 à título de locação à referida empresa. E que, não pode ser responsabilizada por dividas assumidas pela empresa UNTERGEN, uma vez que não houve sucessão. A defesa não refuta as declarações feitas pelos sócios das empresas UNTERGEN e CRISTAL COLOR nas quais resta consignado que esta última assumiu o ativo e passivo da outra. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 Consta da decisão recorrida, efl.764, que, os registros contábeis da CRISTAL COLOR comprovam que ela, efetivamente, está procedendo à liquidação do passivo da empresa concordatária (Untergen), como se vê às fls. 448 a 457, o que demonstra a sucessão de fato da UNTERGEN pela CRISTAL COLOR. Ora, a quitação das obrigações da UNTERGEN (passivo) pela Recorrente é uma demonstração lógica de haver assumido o ativo (imóvel, máquinas e equipamentos) da mesma UNTERGEN conforme explicitado acima. Desse modo, é patente a indedutibilidade do custo relativo ao arrendamento dos bens “móveis e imóveis” que já serviam de suporte e fundamento ao pagamento do passivo da UNTERGEN. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, o domicílio declarado pela UNTERGEN como “R Miguel Patrício de Souza, 1600/Ceará, CriciúmaSC na verdade se confunde com o endereço da empresa Cristal Color. O estabelecimento industrial em questão está situado na esquina da rua citada com a Av.Imigrantes Poloneses, sendo que a empresa Untergen declara como domicílio a R Miguel Patrício de Souza e a empresa Cristal Color a Av. Imigrantes Poloneses, e no local declarado como domicílio os responsáveis pela empresa Untergen efetivamente não se encontram, nem existe qualquer atividade sendo explorada pela mesma. A Recorrente esclarece que a empresa UNTERGEN vem recolhendo sistematicamente aos cofres públicos, tributos decorrentes de sua locação do imóvel, conforme as guias DARFs já anexadas aos autos do processo administrativo. E continua: E ainda, acatandose a tese da ocorrência de sucessão entre as empresas, o que daria ensejo as glosas havidas em razão das despesas de locação (junto à empresa CRISTAL COLOR), por outro lado toda a tributação recolhida aos cofres públicos pela empresa UNTERGEN seriam indevidos, impondose, deste modo a sua restituição e/ou compensação. De tal forma, caso mantido o entendimento do Fisco acerca da sucessão das empresas, impõese que seja dado o tratamento tributário adequado, considerandose indevido o recolhimento dos tributos realizados pela empresa UNTERGEN em face da receita operacional havida em face à locação dos imóveis. Como se vê, a Recorrente é detentora inclusive de informações fiscais e exibe documentos da empresa UNTERGEN com a qual se confunde ao se colocar na condição de sujeito passivo a pleitear suposto direito creditório decorrente de indébito tributário. Sobre a restituição ou compensação de valores pagos pela UNTERGEN representados pelos DARFs a que alude a Recorrente, como bem frisado na decisão recorrida, tal matéria se submete a procedimento específico com estribo no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, razão pela qual dela não se conhece nos presentes autos. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário para manter integralmente o lançamento referente ao PIS e a Cofins bem como a redução do prejuízo fiscal em relação ao IRPJ e a redução da base de cálculo negativa em relação à CSLL. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.005867/200742 Acórdão n.º 1802002.222 S1TE02 Fl. 791 19 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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