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Numero do processo: 10580.733840/2011-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 2202-003.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
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RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 38 40 /2 01 1- 93 Fl. 73DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS): Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento de f. 0407, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2009, apurando IRPF Suplementar de R$ 16.063,67, com multa de ofício e juros de mora, perfazendo o montante de R$ 30.835,81, por ter sido constatada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 85.478,54, com IRRF no valor de R$ 2.564,35. Cientificado do lançamento em 06/12/2011 (f. 27), o contribuinte apresentou impugnação em 14/12/2011 (f. 02), alegando que não se encontra em condições legais para cumprir com o débito apurado pela RFB. Juntou documentos (f. 0812 e 2931). A DRF de origem lavrou o Termo Circunstanciado (f. 3233), aprovado pelo Despacho Decisório nº PMM 0034, de 16/04/2015 (f. 34), mantendo inalterado o lançamento. O contribuinte foi cientificado do Termo Circunstanciado e do respectivo Despacho Decisório em 18/05/2015 (f. 41), e apresentou os mesmos argumentos e documentos anteriores, acrescido de um recibo assinado pelo advogado Moisés Figueiredo de Carvalho (f. 46). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) negou provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. Deve ser mantido o lançamento baseado em informações da Dirf que aponta omissão de rendimentos, quando o contribuinte não logra êxito em comprovar que parte dos rendimentos informados neste documento não faz parte da base de cálculo do imposto de renda. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente, ou responsável, em face de sua natureza objetiva. Cientificado (AR, fls. 62) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 65/66, por meio do qual reitera as alegações anteriormente suscitadas e junta os mesmos documentos já juntados aos autos. É o Relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10580.733840/201193 Acórdão n.º 2202003.994 S2C2T2 Fl. 74 3 Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora De acordo com o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Conforme se verifica pela Notificação de Lançamento (fls. 4) o endereço do Recorrente junto a Receita Federal do Brasil é Rua Heitor Dias, nº179, Apto 01, Boca do Rio, CEP 41705010, Salvador, BA. O contribuinte foi intimado da decisão recorrida do dia 26 de outubro de 2015, conforme atesta Aviso de Recebimento (fls. 62) recebido por Elisângela Guimarães Lopes. O Recurso Voluntário de fls. 65/66 foi protocolado dia 30 de novembro de 2015, o que demonstra que transcorreram mais de 30 dias contados do Aviso de recebimento. É importante ressaltar que o contribuinte não apresentou qualquer preliminar no sentido de contestar a intempestividade do Recurso. Em face do exposto, não conheço do Recurso Voluntário em razão de sua intempestividade. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.905773/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 73 /2 01 2- 89 Fl. 305DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 29.318,75. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.485, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13603.905773/201289 Acórdão n.º 3401003.933 S3C4T1 Fl. 294 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 307DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13603.905773/201289 Acórdão n.º 3401003.933 S3C4T1 Fl. 295 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 309DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13603.905773/201289 Acórdão n.º 3401003.933 S3C4T1 Fl. 296 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 311DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.720034/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010
INCOMPETÊNCIA. EXAME DA CONTABILIDADE. AUDITOR FISCAL
Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO
A empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2202-004.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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EXAME DA CONTABILIDADE. AUDITOR FISCAL Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO A empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 34 /2 01 0- 65 Fl. 145DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0236.610, de 07/12/2011, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou procedente o lançamento fiscal, mantendo a cobrança total do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, que resume os fatos que precedem a decisão recorrida: Tratase de infração à Lei 8.212/91, artigo 33, §§ 2o e 3o c/c os artigos 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, tendo em vista que, conforme Relatório Fiscal da Infração de fl. 6, a empresa, embora solicitada por meio dos Termo de Intimação Fiscal TIF de números 02, 03 e 04, deixou de apresentar à fiscalização os Livros contábeis Diário e Razão, relativos aos exercícios de 2005 a 2007, o Livro de registro de empregado, Folhas de pagamento dos profissionais médicos, relativas a 01/05 a 12/07, todos os documentos relativos à concessão dos benefícios de salário família e maternidade, informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais. De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 6/7, a multa cabível está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 283, inciso II, alínea "j" e o valor da multa aplicável corresponde a R$ 14.317,78. Contudo, considerando que o contribuinte é reincidente na mesma infração, a multa foi agravada em três vezes, perfazendo, desta forma, um total de R$ 42.953,34, em consonância com RPS, artigo 290, inciso V e artigo 292, inciso IV. A ação Fiscal foi precedida de Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, fls. 24/25. A interessada foi cientificada do presente auto de infração AI em 30/8/2010, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 36, e apresentou impugnação, às fls. 40/45, que contém, em síntese: Repete os mesmos argumentos que apresenta na defesa dos autos do processo principal 10670.001650/201013 e do processo 10670.001654/201000, todos lavrados na mesma ação fiscal e julgados por esta turma da DRJ/BHE. Requer seja reconhecida a nulidade do lançamento, reconhecida a prescrição quinquenal do ano de 2005, deferida a prova pericial contábil. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10670.720034/201065 Acórdão n.º 2202004.129 S2C2T2 Fl. 146 3 A DRJ/BHE entendeu ser devida a infração cometida, e a multa aplicada estar de acordo com os dispositivos legais vigentes, com as seguintes razões: O valor da multa encontrase atualizado, nos termos da Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29/06/2010. Portanto, nos termos da Lei 8.212/91, artigo 33, §2°, e conforme suficientemente descrito no Relatório Fiscal da Infração, está demonstrado, de maneira inconteste, o cometimento da infração. O sujeito passivo não se insurge especificamente contra a presente autuação, apenas apresenta os mesmos argumentos que já foram apreciados e votados, conforme Acórdãos 0236.431 e 0236.598, proferidos nos processos 10670.001650/201013 e 10670.001654/201000, respectivamente, julgados por esta turma da DRJ/BHE. Pelo exposto, voto pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário ora lançado. O recorrente tomou ciência do acórdão da DRJ/BHE em 04/10/2012. Inconformado com a decisão, apresentou recurso voluntário em 26/10/2012 (fls. 130), com as alegações abaixo sintetizadas: · no lançamento houve suposição de que a recorrente não registrou sua contabilidade em livros Diário e Razão; · por se tratar de Auditor Fiscal da área previdenciária foram entregues livro de registro de empregados e documentos relativos à concessão do salário família e salário maternidade; · para a apuração dos tributos seria necessária a realização de perícia técnica, já que os passivos fictícios às fls. 24/25 para os anos de 2005 a 2007 se referem a mesma origem; · o Auditor Fiscal supôs que nos livros Diário e Razão houve remuneração aos médicos, lançada por aferição nas declarações apresentadas por eles, que têm como fonte de pagamento o Sistema Único de Saúde, já que a empresa vende serviço hospitalar; além disso, entendeu o Auditor Fiscal que a empresa não se enquadra no terceiro setor, o que resultou na divergência da base de cálculo; · a cobrança efetuada pelos fiscais não tem fato gerador, e, portanto, sem fundamento; · teve deferida tutela antecipada no processo n° 0005752 27.2011.4.01.3807, que tramita na 1ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Montes ClarosMG, reconhecendo seu direito à imunidade tributária. · apresenta consulta ao Sistema Integrado de Protocolo e Arquivo (SIPAR), atestando que o processo para obtenção do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) está em andamento; Fl. 147DF CARF MF 4 · quanto ao salário maternidade e salário família apresentou os documentos suficientes, e os valores eram repassados integralmente aos seus funcionários; · que o ato administrativo é inválido, pois o Auditor Fiscal é incompetente para a averiguação de prova documental que requer conhecimento técnicocontábil, cuja habilitação falta a ele; · que é imprópria a alegação de que falta comprovação da imunidade, visto que a jurisprudência e doutrina consideram que o reconhecimento de entidade beneficente é declaratório, com efeitos ex tunc. Cita jurisprudência. · não há remuneração a diretores e nem vínculo dos profissionais médicos com o hospital; · o lançamento referente ao período de 2005 está prescrito; · não é devida contribuição patronal realizada a terceiros via SUS, e com imunidade declarada por sentença, com tutela antecipada; · que não existe base de cálculo para o lançamento e seus acessórios, e o auto de infração foi baseado em estimativa; Nos pedidos, reitera todos os termos da impugnação e pede o cancelamento do Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de sua admissibilidade, portanto, dele conheço. Tratase de auto de infração de obrigação acessória, por ter deixado, o recorrente, de apresentar os livros contábeis Diário e Razão, relativos aos exercícios de 2005 a 2007; o Livro de registro de empregados; Folhas de pagamento dos profissionais médicos, relativas a 01/2005 a 12/2007; todos os documentos relativos à concessão dos benefícios de salário família e maternidade; informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais. 1 Preliminares O recorrente alega, em preliminar, necessidade de realização de perícia técnica, para provar que passivos fictícios constantes à fls 24/25 tratamse da mesma origem; a incompetência do agente fiscal para o lançamento, por carecer de conhecimento técnico contábil; e a decadência do lançamento referente ao ano de 2005. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10670.720034/201065 Acórdão n.º 2202004.129 S2C2T2 Fl. 147 5 Com relação à perícia técnica, aparentemente o trecho que faz referência às fls. 24/25 foi aproveitado de outra impugnação, pois os documentos nelas constantes não se relacionam a passivos fictícios como diz a recorrente. Ademais, a perícia requerida só seria necessária se as provas trazidas aos autos fossem dúbias, e não alcançassem o entendimento do julgador, o que não é o caso, uma vez que os elementos acostadas aos autos são suficientes para aferir se a recorrente apresentou ou não os documentos solicitados pela fiscalização, que é objeto do presente processo. Assim, desnecessário deferir tal requerimento. Com relação à incompetência, sem razão a recorrente, considerando que o Auditor Fiscal tem competência para analisar a contabilidade das empresas, nos termos da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, com redação dada pela Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, e Súmula nº 8 do CARF, como corretamente citou o acórdão recorrido: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Quanto à alegação de decadência, não merece acolhida, pois a infração pela entrega de documentos é una, e ocorreu em agosto de 2010. Mesmo que assim não fosse, a contabilidade e demais documentos solicitados se relacionavam aos anos de 2005 a 2007, e, ainda que tivesse ocorrido a decadência em relação a 2005, também deixaram de ser apresentados os documentos relativos a 2006 e 2007. Assim, nenhum impacto sobre o valor da multa teria o reconhecimento da decadência pleiteada. Portanto, correto o entendimento do acórdão recorrido, não merecendo qualquer reparo. 2 Do Mérito Da mesma forma que na impugnação, o recurso voluntário não se insurgiu especificamente sobre a infração objeto do presente processo; preferiu argumentar de forma geral contra os motivos de lançamento da obrigação principal, que já foram analisados nos acórdãos 2803003.751, de 09/10/2014; 2803002.877, de 20/11/2013; 2803004.202, de 11/03/2015; todos exarados pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Analisando os autos, está evidente que a auditoria fiscal intimou e reintimou o recorrente (fls. 28/33, e 14/23), a apresentar os documentos referidos acima. Ocorre que, o contribuinte deixou de apresentálos, mesmo após todas as oportunidades que lhe foram conferidas, por meio de 03 (três) termos de intimação fiscal. Alega o recorrente que por se tratar de Auditor Fiscal da área previdenciária, teria entregue o registro de empregados e as folhas de pagamento. Tal alegação é inconsistente, pois a Lei nº 11.457/2007 não estabelece restrições a que documentos determinado auditor pode ou não requisitar, podendo serem solicitados os documentos necessários para o desenvolvimento do procedimento de fiscalização, independente do tributo objeto da apuração. Além disso, no que tange ao exame da contabilidade das empresas, o § 1º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, e o art. 231 do Decreto 3.048/99 estabelecem: Art. 33. [...] Fl. 149DF CARF MF 6 § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 231. É prerrogativa do Ministério da Previdência e Assistência Social, do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Federal o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestarem todos os esclarecimentos e informações solicitados. Ademais, a documentação solicitada era importante para o procedimento fiscal, inclusive podendo ser utilizado pelo recorrente como prova a seu favor, de que o salário família foi pago nos termos do art. 67 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e do art. 84 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, e corroboraria sua afirmação de não ter remunerado os médicos, pois estes eram remunerados pelo SUS. Restou comprovado que a infração realmente existiu, pois no próprio recurso, o recorrente afirma ter apresentado apenas o registro de empregados e as folhas de pagamento, e, apesar de alegar ter apresentado a documentação pertinente ao saláriofamília e salário maternidade, compulsando os autos, não foram localizados quaisquer documentos a que se referem o art. 67 da Lei 8.213/91, e art. 84 do Decreto nº 3.048/99, quais sejam: certidão de nascimento do filho ou da documentação relativa ao equiparado ou ao inválido, atestado de vacinação obrigatória, comprovação de frequência à escola do filho ou equiparado. A recorrente estava obrigada a apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Também o Decreto nº 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, estabelece a mesma obrigatoriedade no art. 233 e seu parágrafo único: Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10670.720034/201065 Acórdão n.º 2202004.129 S2C2T2 Fl. 148 7 Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Dessa forma, cabível ainda o agravamento da multa, nos termos do inciso IV do art. 292 do Decreto nº 3.048/99, como relatado no Relatório Fiscal (fls. 6/7), o recorrente, já havia incorrido na mesma infração. Portanto, o auto de infração foi emitido de acordo com os dispositivos legais e contém todos os elementos essenciais à sua validade, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não havendo qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido. 3 Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, rejeitar as preliminares, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.900054/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
APURAÇÃO DO IMPOSTO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR.
Diante da ausência de saldo credor de IPI passível de ressarcimento no trimestre-calendário, deve ser mantida a decisão que não reconheceu o direito creditório, não homologando as compensações declaradas pela contribuinte.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-004.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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E IMP. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 APURAÇÃO DO IMPOSTO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. Diante da ausência de saldo credor de IPI passível de ressarcimento no trimestrecalendário, deve ser mantida a decisão que não reconheceu o direito creditório, não homologando as compensações declaradas pela contribuinte. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 90 00 54 /2 00 6- 13 Fl. 834DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Salvador que julgou o improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, em conformidade com a ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE BENS DE INFORMÁTICA E AUTOMAÇÃO. O ressarcimento de créditos do IPI relativos às aquisições de insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação está condicionado ao cumprimento das exigências existentes na Lei n° 8.248, de 1991 e no Decreto n° 3.800, de 2001. CRÉDITOS DE IPI. COMPENSAÇÃO. RECONSTITUIÇÃO. Tendo os créditos do IPI sido aproveitados na reconstituição da escrita fiscal com vistas a apuração do imposto devido, da qual resultou inclusive a lavratura de auto de infração, resta impossibilitada a utilização daqueles na extinção, mediante compensação, de débitos tributários. CRÉDITO DECORRENTE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO AINDANÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. VEDAÇÃO. E vedada a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito do IPI, objeto de processo administrativo, antes da decisão definitiva que possa alterar o valor a ser ressarcido. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Versa o processo sobre Declarações de Compensação transmitidas pela contribuinte, para aproveitamento de créditos do IPI, oriundos de aquisição de insumos utilizados na fabricação de bens de informática, relativo ao 1° trimestre de 2002, no valor R$215.515,64, conforme declarações eletrônicas n°s 41528.51418.220903.1.3.010003 e 21988.80862.230903.1.3.010805. Apurou a fiscalização as seguintes irregularidades: (I) saída de "Unidades de Processamento Digital" (UDP) com uso indevido da isenção (UDP montadas com placasmãe importadas); (II) saída de UDP com uso indevido da isenção (UDP montadas com placas de memória não nacionais); (III) revenda de placasmãe importadas sem emissão de nota fiscal apurada em decorrência de auditoria de estoque; e (IV) saída de teclados, mouses e caixa de som importados e comercializados sem destaque de IPI. Assim, foi reconstituída a escrita fiscal do IPI, lavrado auto de infração com exigência de crédito tributário no valor de R$ 4.448.904,05, e não reconhecido o crédito pleiteado em ressarcimento relativamente aos 4 (quatro) trimestres de apuração de 2002. No presente processo, mediante o Despacho Decisório n° 86/2007, foi indeferido o pedido de ressarcimento e não homologada as compensações declaradas, relativamente ao 1º trimestre de 2002. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, sustentando, em síntese: a) necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento do auto de infração; b) no momento do pedido não havia ainda decisão de não reconhecimento do crédito no outro processo; c) a utilização dos insumos importados é permitida nos termos das Portarias MCT/MCIT nºs 101/93, 131/93 e 48/2000; e d) das 11.187 Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10508.900054/200613 Acórdão n.º 3402004.354 S3C4T2 Fl. 835 3 UDP's que a autuação considerou como montadas em desacordo com o PPB, devem ser retiradas 2.578 (aquelas montadas com placas de memória e placasmãe nacionais). A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos: O benefício fiscal trata da isenção do IPI a ser usufruída desde que cumpridas diversas condições, dentre elas, destacase a exigência de que os bens de informática sejam produzidos no País e que estejam em conformidade com o Processo Produtivo Básico. O Decreto n° 3.800, de 2001, que tratou da competência para o acompanhamento e avaliação do cumprimento das obrigações decorrentes do benefício, prevê em seu art. 24, que a competência do MCT não prejudica as atribuições de outros órgãos da administração pública. A contribuinte, mesmo intimada pela fiscalização nos autos do processo n° 10508.000703/200765, não apresentou os relatórios demonstrativos do cumprimento do PPB, afirmando, simplesmente, que os "relatórios eram feitos por pessoas terceirizadas do CEPED", e que foram enviados ao órgão competente, todavia não fornece cópia dos mesmos à fiscalização, nem anexa os documentos comprobatórios que caracterizam a necessidade de alteração do processo produtivo previsto na legislação que rege a matéria ou autorização do órgão competente. A fiscalização apurou a montagem de 11.187 UDP, sendo utilizadas 5.854 placas mãe e 2.578 placas de memórias montadas no País, com base nos dados de estoque de placasmãe, notas fiscais de entrada, notas fiscais de saída, informações da contribuinte e demonstrativo de movimentação de placasmãe e placas de memória, nacionais e importadas, apresentado pela contribuinte, planilha "Movimento de Estoques em 2002", conforme relatório de fiscalização, fls. 56 a 71. Portanto, considerandose a quantidade de placasmãe utilizadas na montagem das UDP, a fiscalização efetuou o lançamento fiscal referente à saída, sem tributação do IPI, de 5.333 unidades de UDP montadas com a utilização de placasmãe importadas (11.187 5.854 = 5.333), logo, em desacordo com o Processo Produtivo Básico previsto na legislação vigente. Quanto às placas de memória, a contribuinte considerou que 2.578 placas de memória montadas no País foram utilizadas nas UDP montadas, simultaneamente, com placasmãe importadas, fato este que implica a perda do benefício fiscal da isenção do IPI, pois basta a instalação, na UDP, de 1 (um) tipo de placa fora das condições previstas na legislação para que a montagem esteja em desacordo com o PPB. A contribuinte, nos autos do processo n° 10508.000703/200765, informou que não dispõe de Livro Registro de Controle de Produção e do Estoque de Mercadorias ou controle equivalente e que as placas de memória em desacordo com o PPB foram instaladas nas UDP montadas com placas mãe importadas ou enviadas para conserto interno, sem acompanhamento de qualquer documentação comprobatória. Assim, inexistindo saldo credor de IPI, passível de ressarcimento, relativo ao período de apuração do 1º trimestre de 2002, não há que se falar em Compensação de Crédito. Quanto à solicitação da contribuinte, que vincula a solução deste processo à decisão final no processo administrativo n° 10508.000703/200765, notese que inexiste previsão legal para tal procedimento. Ademais, a própria Receita Federal do Brasil já estabeleceu a impossibilidade de aproveitamento de créditos vinculados a processo judicial ou administrativo com exigência de crédito tributário do IPI, em discussão na esfera administrativa, e não definitivamente julgado, tendo explicitado tal vedação no art. 19 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, mantido integralmente pela Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. Além disso, o próprio Código Tributário Nacional remete para a lei e/ou ato administrativo a definição das Fl. 836DF CARF MF 4 condições para autorizar a compensação de créditos tributários, conforme disposto nos arts. 170 e 170 A do Código Tributário Nacional. O crédito tributário, exigido mediante auto de infração, processo n° 10508.000703/200765, foi mantido integralmente no julgamento realizado nesta 4ª Turma, conforme Acórdão 1514.081, de 30/10/2007, e, provido parcialmente no julgamento, do recurso interposto pela contribuinte, realizado na Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte, Acórdão 20219111, de 02/07/2008. Vale frisar que, após julgamento do referido processo, remanesce débito de IPI a ser exigido no citado auto de infração, inexistindo, portanto, saldo credor passível de ressarcimento. Cientificada da decisão da DRJ em 09/09/2008, contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/10/2008, alegando, em síntese: (...) O caput do art. 1o e seus incisos, da Portaria MDIC/MCT n° 48/2000 estabelece justamente a exigência de utilização dos componentes nacionais. O § 1o, inciso II, concede uma espécie de préautorização de uso de componentes importados, nos limites acima mencionado. Mas tal norma não elide a outra situação, qual seja, de adaptação do PPB a fatores técnicos e econômicos enquanto perdurar a respectiva necessidade. Vale dizer, a norma contida no art. 4o da Portaria MCT/MICT 101/1993 é ainda mais ampla, contemplando medidas de ajustes do PPB quando os limites já préautorizados forem insuficientes. Assim, tendo em vista que a impugnante não descumpriu qualquer norma aplicável ao PPB, muito pelo contrário, não há a incidência do tributo que embasou a autuação, sendo defeso à autoridade tributária, "julgando" da existência ou não dos fatores econômicos e técnicos levantados pela impugnante, emitir cognição sobre matéria privativa do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo. DO EVIDENTE EQUÍVOCO NO CÁLCULO Mesmo que se conclua pela existência de saída de UDPs do estabelecimento da impugnante, hipótese que se admite apenas para efeito de construção lógica, o número de UDPs incluídas nessa hipótese pela autuação está clara e flagrantemente equivocado. (...) A autuação considerou que a impugnante, deliberadamente, teria empreendido esforço que poderia ser rotulado como "masoquismo fiscal", ou seja, toda vez que utilizou de placamãe nacional, fêlo com a utilização de memória importada, e, toda vez que utilizou de memória nacional, fêlo com a utilização de placamãe importada. Facilmente se verifica que não se levantou qualquer elemento fático que justifique essa conclusão, muito pelo contrário, o próprio relatório de fiscalização assevera ser " possível que uma parcela das placas de memória importadas tenham sido aplicadas em conjunto com placas mãe importadas na montagem das UDPs", e que, portanto, é possível que placas de memória nacionais tenham sido utilizadas conjuntamente com placas mãe nacionais. Na verdade, por razões óbvias, das quais não há, como já dito, o menor indício em sentido contrário, toda vez que se utilizou de Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10508.900054/200613 Acórdão n.º 3402004.354 S3C4T2 Fl. 836 5 placas de memória nacional a mesma foi acompanhada de utilização de placa mãe nacional. Não faz o menor sentido se imaginar que a impugnante, embora preenchendo as condições ao gozo do benefício ( ao possuir em estoque placas mãe e placas de memória nacionais) tenha, de forma cuidadosamente planejada, renunciado ao benefício, sabese lá por qual motivo. (...) Assim, de logo se verifica que das 11.187 UDPs que a autuação considerou como montadas em desacordo com o PPB, devem ser retiradas 2.578 (aquelas montadas com placas de memória e placas mãe nacionais). Ademais, como já acima exposto, o art. 1o, § 1°, inciso II, da Portaria MDIC/MCT n° 48/2000, permitia, para o ano de 2003, a utilização até o limite de 10% de placas importadas na montagem das UDPs. No caso concreto, era facultado à impugnante utilizar desses insumos importados em até 1.119 UDPs, quantidade pois que também deve ser retirada do total de UDPs consideradas em desacordo com o PPB. Tudo bem esclarecido, caso tenha ocorrido o descumprimento do PPB considerado na atuação, é evidente que não poderia ter ultrapassado a quantidade de 7.490 UDPs". DO REQUERIMENTO Assim, requerse o provimento do presente recurso, para se homologar a compensação requerida, ou para se determinar o sobrestamento do presente processo até final julgamento administrativo da impugnação apresentada ao auto de infração n° AI0510500/00408/0 (...) Mediante a Resolução nº 380300.064 3ª TURMA ESPECIAL, de 30 de setembro de 2010, o então Colegido converteu o julgamento em diligência nos termos do voto do Redator Designado Conselheiro Belchior Melo de Sousa, que, por algum lapso, não foi juntado aos autos. O processo foi encaminhado à Unidade de origem, que, mesmo tendo notado o equívoco, adiantouse no fornecimento dos dados para subsidiar o julgamento, nesses termos: (...) Não conseguimos encontrar no processo a resolução vencedora, somente a do relator, que foi vencida. A situação descrita, inicialmente, inviabilizaria a realização da diligência, pois, apesar do relator ter votado pela conversão em diligência, seu voto foi vencido e não sabemos o objeto da nova diligência solicitada. Porém, além da situação mencionada anteriormente, é importante ressaltar que a origem de todo trabalho, conforme o relatório de fiscalização constante do processo, às fls. 56 a 71, foi por intermédio de ação fiscal realizada ao contribuinte para todo o ano calendário de 2002, autorizada pelo mandado de procedimento fiscal n° 05105.00200700408. Durante a ação fiscal é que se fez todo o trabalho de investigação e análise da apuração do IPI do contribuinte no período, apurando possíveis Fl. 838DF CARF MF 6 saldos credores em favor do contribuinte, passíveis de ressarcimento, ao final de cada trimestre. O resultado desta ação fiscal foi consubstanciado no processo administrativo de n° 10508.000703/200765. Encerrada a ação fiscal, o resultado apurado é apenas reproduzido nos processos administrativos de ressarcimento de IPI gerados para cada trimestre do ano calendário fiscalizado. O processo administrativo de n° 10508.000703/200765, decorrente da ação fiscal inicial, já teve seu trâmite administrativo concluído, tendo sido mantido integralmente pela 4ª turma da DRJ/SDR, conforme acórdão de n° 1514.081 (fls. 150 a 165), com provimento parcial do recurso voluntário concedido pelo CARF, por meio do acórdão de n° 20219.111 (fls. 166 a 186). O acórdão mencionado acolhe parte da alegação do contribuinte, referente à utilização nas mesmas máquinas das placas mães e de memórias importadas, excluindo 2.578 UDPs da autuação do IPI realizada. O referido acórdão também analisa as alegações de falta de produtos no mercado nacional e à permissão de utilização de até 10% de placas importadas sem descaracterização do PPB (fls. 181 a 184), rechaçando todas elas, por tratarse de autorização concedida para produtos com NCM diferentes dos fabricados pela empresa. Por último, menciona que mesmo após a exclusão das 2.578 UDPs, não há de falar em ressarcimento, de vez que o lançamento de ofício mantido afasta a possibilidade de existência de saldos credores trimestrais passíveis de ressarcimento. Em função dos quesitos abordados no acórdão mencionado acima, acreditamos que os recursos voluntários apresentados para o auto de infração de IPI e para os processos de ressarcimentos trimestrais sejam iguais, tendo sido apenas reproduzidos em razão da burocrática existência de cinco processos versando sobre o assunto. Diante de tudo o exposto acima entendemos que o objeto da possível diligência mencionada no voto vencido do relator já foi atendido. Proponho o retorno deste processo à 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para que seja incluída a resolução vencedora e reavaliada a necessidade da diligência, dando prosseguimento ao processo. (...) Em despacho de saneamento de 31 de outubro de 2016, o então Presidente da 3ª Câmara determinou que: "Considerando a extinção da Terceira Turma Especial desta 3ª Seção e o fato de que os presentes autos já se encontram devidamente instruídos, não obstante a incompleta formalização da Resolução nº 3803000.064, de 30 de setembro de 2010, encaminho estes autos à Secretaria desta 3ª Câmara para que sejam tomadas as providências necessárias a sua inclusão em lista para sorteio para julgamento em outra turma desta Câmara, nos termos do art. 26, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015". O processo foi distribuído a esta Relatora em 26 de janeiro de 2017. É o relatório. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10508.900054/200613 Acórdão n.º 3402004.354 S3C4T2 Fl. 837 7 Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. O processo nº 10508.000703/200765 trata do auto de infração, nos períodos de apuração do ano de 2002, no qual se discutiu as seguintes matérias: 1. produção e saída de UDP em desconformidade com o PPB, retirando o direito ao beneficio fiscal de isenção de IPI; 2. venda sem emissão de nota fiscal, apurada em decorrência de auditoria de estoque — revenda de placas mãe importadas, sem emissão de nota fiscal; 3. IPI não lançado — equiparado a industrial. Saída de teclados, mouses e caixas de som importados e comercializados sem destaque do IPI. Multa aplicada sobre o não lançado, porém não exigível em razão da existência de crédito — art. 45 da Lei nº 9.430/96; 4. inocorrência da decadência, em face da inexistência de qualquer recolhimento, contandose o prazo decadencial pela regra do art. 173 do CTN; 5. indeferimento dos pedidos de ressarcimento de IPI para os quatro trimestres de 2002, por inexistência de saldo credor passível de ressarcimento. No Acórdão nº 20219.111, de 2 de julho de 2008, que trouxe a solução definitiva para o processo de auto de infração no âmbito administrativo, decidiuse, sob a relatoria da Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, por: a) considerar preclusas as matérias dos itens 2 e 3 acima1; b) rejeitar a preliminar de decadência da recorrente com os mesmos fundamentos da decisão recorrida2; 1 (...) Em sua defesa, a recorrente rebate os itens 1, 4 e 5, não se manifestando quanto aos demais, inclusive na impugnação. Em face da não manifestação acerca das matérias citadas nos itens 2 e 3 acima, considerase precluido o direito de defesa e definitiva a exigência na esfera administrativa. (...) 2 (...) O fato gerador mais antigo que foi objeto de autuação ocorreu em 20/01/2002 e a ciência do lançamento deuse em 31/08/2007. Com a aplicação das regras do inciso I do art. 173 do CTN, o prazo decadencial dos fatos geradores do ano de 2002 iniciouse em 1º/1/2003 e terminou em 31/12/2007, após a lavratura do presente auto de infração." Como a decisão recorrida, rejeitase a preliminar de decadência suscitada. (...) Fl. 840DF CARF MF 8 c) rejeitar os argumentos da defesa relativos à ausência de previsão legal para a multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito3; d) por fim, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento do IPI 2.578 UDP's, admitindo o cumprimento do PPB pelo universo de produtos coincidentes em número com o de placas de memórias de origem nacional utilizadas comprovadamente no processo produtivo, nestes termos: (...) 3. produção e saída de UDP em desconformidade com o PPB, retirando o direito ao benefício fiscal de isenção de IPI Em razão da extensa citação de legislação que envolve a matéria e, estando toda ela reproduzida na decisão recorrida, faço a transcrição dos fundamentos nela albergados, com inclusão de alguns adendos onde for considerado necessário para melhor esclarecer a recorrente e reforçar os fundamentos da decisão, nos pontos em que houver concordância desta julgadora com o julgador a quo: (...) A impugnante alega que o autuante usurpou atribuição dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Indústria, do Comércio e do Turismo, prevista no art. 7º do Decreto n° 3.800, de 2001 e mantida pelo art. 21 de Decreto n°5.906, de 2006. Ora, a fiscalização da execução dos PPB, a suspensão e o cancelamento do benefícios são atribuições dos referidos Ministérios, previstas no Decreto n° 3.800, de 2001, mas não são necessariamente atos prévios e imprescindíveis à exigência do imposto, haja vista que em nenhum momento a legislação impõe restrições à ação do Fisco. Aliás, é de se ressaltar que o Decreto n° 3.800/2001, que tratou da competência para o acompanhamento e a avaliação do cumprimento das obrigações decorrentes do beneficio, prevê em seu art. 24, que a competência do MCT não prejudica as atribuições de outros órgãos da administração pública, verbis: (...) Não obstante a isenção ter sido concedida através de portaria conjunta do MCT e do MF, compete a RFB, através de seus agentes, fiscalizar e constituir o crédito tributário no caso de descumprimento dos requisitos a que se obrigou o beneficiário, competência que tem fundamento em lei, de forma que não pode 3 (...) 2. multa aplicada sobre o IPI não lançado e não exigido em razão da existência de crédito — art. 45 da Lei nº 9.430/96 Também nesse quesito, o acórdão recorrido fundamentou com clareza e precisão os motivos legais que motivaram a manutenção da exigência do crédito tributário lançado. Tratase de multa regulamentar. Às fls. 304/307 o autuante demonstrou os valores do LPI que não foram lançados nas notas fiscais de saída emitidas e que, entretanto, não são devidos em razão da existência de saldo credor na escrita fiscal, em montante suficiente para extinguilos. Entretanto, a legislação do LPI determina a imputação de penalidade pecuniária pela irregularidade relativa ao não lançamento do imposto na nota fiscal. Tal regra está inserta no art. 45 da Lei n2 9.430/96 que modificou o art. 80 da Lei nº 4.502/64, a qual é aqui reproduzida, tal qual o foi no acórdão recorrido: (...) Portanto, improcedentes os argumentos de defesa, no sentido de inexistir fundamento legal para sua exigência. A referência à norma acima citada pode ser constatada à fl. 307. (...) Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10508.900054/200613 Acórdão n.º 3402004.354 S3C4T2 Fl. 838 9 ser afastada por norma de hierarquia inferior, por isso mesmo expressamente ressalvada nos art. 24 do Decreto n°1800/2001. Com efeito, mesmo que o MCT permanecesse inerte frente ao dever de acompanhar o cumprimento das condições impostas ao beneficiário do favor fiscal, situação que não parece ter ocorrido no presente caso, ainda assim remanesceria incólume a competência da RFB quanto aos reflexos tributários que decorressem do inadimplemento. Dessa forma, é de se concluir que não há qualquer vício que inquine de nulidade a autuação, nem por incompetência da autoridade autuante, tampouco por restrição à ação fiscal da RFB frente às atribuições do MCT, consoante restou demonstrado. Da falta de bens de informática no mercado nacional A contribuinte alega que a oferta nacional de placas mãe e placas de memória durante o ano de 2002 era restrita e não pôde atender a demanda, fato este que obrigou as empresas fabricantes de computadores a importar os referidos produtos. Afirma que nessa situação existe permissão legal, para utilização desses insumos importados, prevista no art 40 da Portaria Interministerial MCT/MDIC n° 101, de 1993, além de autorização para utilização de circuito impresso montado com componente elétricos e eletrônicos de até 10% anual, em quantidade, das UDP produzidas anualmente, de acordo com o disposto no inciso II do § 1° do art. 1° da Portaria Interministerial MICE/MCT n° 48, de 2000 e Portaria Intenninisterial n° 101 e 131, de 1993. Vejamos o que determinam as referidas Portarias: Portaria Interministerial MCT/MDIC n°101. de 07.04 93 Art. 4° Caracterizada a necessidade de alteração do processo produtivo fixado no art. I° desta Portaria, decorrente de fatores técnicos ou econômicos, devidamente comprovados, poderá ser suspensa temporariamente ou modificada a realização de suas etapas.' 'Portaria Interministerial MDIC/MCT n°48 DE 09/08/2000 OS MINISTROS DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR e DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA, no uso das atribuições que lhes confere o art. 87, parágrafo único, inciso H, da Constituição Federal, tendo em vista o disposto no art. 40 da Lei No 8.248, de 23 de outubro de 1991, e no art. 6°, § 1°, do Decreto No 792, de 2 de abril de 1993, resolvem: Art. 12 Fica estabelecido que a operação mencionada na alínea 'a' do art. I° da Portaria Intenninisterial MCT/MICT No 101, de 7 de abril de 1993, para as UNIDADES DIGITAIS DE PROCESSAMENTO MONTADAS EM UM MESMO CORPO OU GABINETE (NCM/TIPI: 8471.41 e 8471.50), ficará atendida se for realizada no País a montagem e soldagem de todos os componentes nas placas de circuito impresso, que implementem as seguintes funções: (...) Notase que os dispositivos retro mencionados criam condições alternativas com o intuito de viabilizar o início da continuidade Fl. 842DF CARF MF 10 operacional das indústrias do setor de informática, que, por fatores técnicos ou econômicos, devidamente comprovados, tivessem dificuldade de desenvolver suas atividades dentro das condições estabelecidas pela legislação vigente. A impugnante cita ainda a Portaria Interministerial MICE/MCE n° 48, de 09/08/2000, que determina que a montagem da UDP seja realizada no País, de acordo com o PPB, mas dispensa temporariamente a montagem local. Cabe ressaltar que a referida Portaria é de aplicação temporária com vigência apenas no período em que se definiu a forma e as condições de fruição dos benefícios fiscais, com o intuito de viabilizar a implementação do processo produtivo dos bens de informática, quando trata da dispensa da montagem no local, relativo a itens específicos. Convém ressaltar que a contribuinte mesmo intimada pela fiscalização, não apresenta os relatórios demonstrativos do cumprimento do PPB, afirma, simplesmente, que os 'relatórios eram feitos por pessoas terceirizadas do CEPED'; e foram enviados ao órgão competente, todavia não fornece cópia dos mesmos à fiscalização, nem anexa aos autos os documentos comprobatórios que caracterizam a necessidade de alteração do processo produtivo previsto na legislação que rege a matéria ou autorização do órgão competente. Assim, as alegações apresentadas pela contribuinte carecem de maior embasamento para serem consideradas no julgamento do mérito. Dissociadas de provas materiais que as sustentem, tornamse desprovidas de fundamentos ou razões de direito." Nesse ponto cumpre acrescentar que a norma citada pela recorrente em sua defesa a ela não se aplica, haja vista que a Portaria Interministerial MDIC/MCT nº 48, de 09/08/2000, em seu art. 1 2 reportase às "UNIDADES DIGITAIS DE PROCESSAMENTO MONTADAS EM UM MESMO CORPO OU GABINETE (NCIWTIPI: 8471.41 e 8471.50)", as quais são diversas dos produtos que foram objeto da autuação. Consoante consta do auto de infração às fls. 290/294, os produtos identificados pelo autuante estão capitulados na TIPI no código 8471.50 e 8471.60. Melhor sorte não se aplica à alegação da existência de permissivo legal no caso de ocorrência de "fatores técnicos e econômicos", que ocasionassem insuficiência no fornecimento nacional. A norma citada pela recorrente em momento algum autorizou que o beneficiário dos incentivos estabelecidos pela Lei de Informática, sponte sua, pudesse descumprir a habilitação outorgada e controlada por pelo menos três Ministérios. A interpretação cabível à norma do art. 42 da portaria MCT/MCIT n2 101/1993 é no sentido de que a caracterização da necessidade de alteração deve ser feita pelo beneficiário e levada ao órgão competente para que, se devidamente comprovada a referida necessidade, possa ser autorizada a suspensão temporária ou modificada a realização das etapas do PPB. Ademais, toda norma que verse sobre isenção de tributos deve ser interpretada literalmente, sendo defeso a exegese tendente a ampliar o alcance da norma interpretada. Portanto, também nesse julgamento devem ser afastadas as alegações da defesa. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10508.900054/200613 Acórdão n.º 3402004.354 S3C4T2 Fl. 839 11 (...) Do levantamento das placasmãe e placas de memória. Nessa matéria entendo que outras considerações devem ser acrescidas. O julgador a quo limitase a reproduzir o raciocínio engendrado pelo autuante para chegar às mesmas conclusões que ele. Entretanto, entendo que devem ser melhor analisados os questionamentos apresentados pela recorrente no que diz respeito ao crédito tributário constituído. A partir da realização de uma auditoria de estoques, a fiscalização afirma a constatação da produção e saída de 11.187 UDP. Afirma que restou provada a utilização de 5.333 placasmãe importadas (PMI) (fl. 252). Afirma a comprovação da utilização de 2.578 memórias nacionais (PMN) (fl. 253). A produção e saídas promovidas pela recorrente consistiram, então, na utilização de: placamãe importada (PMI) — 5.333 placamãe nacional (PMN) 5.864 placas de memória nacional (PMN) 2.578 placas de memória importada (PMI) 8.609 A composição da produção, considerando que a recorrente possui habilitação para produzir as UDP com fruição do benefício fiscal da Lei de Informática, na qual se inclui a isenção do IPI, pode ser assim constituída: A fiscalização alega em seu relatório que "todas as saldas devem ser tributadas, pois constituem hipóteses de ocorrência do fato gerador do IPI". Realmente, podese deduzir, como fez a fiscalização que houve total desencontro entre os insumos nacionais e os importados, gerando uma produção totalmente em desacordo com o PPB aprovado para a recorrente e que, por isso, todas as saídas constituem hipóteses de ocorrência do fato gerador do IPI. Mas essa premissa constituise em uma presunção hominis, e como tal deve ser provada. Com esse procedimento, a fiscalização procurou inverter o ônus da prova, exigindo da recorrente que provasse o contrário do que presumiu. O título do anexo II do auto de infração referese a "placas mãe importadas ou memórias não comprovadamente montadas no Pais", elencando todas as notas fiscais que totalizaram as 11.187 UDP produzidas e saídas do estabelecimento produtor. Fl. 844DF CARF MF 12 No entanto, somente a presunção derivada de expressa previsão legal permite a inversão do ônus da prova. Nesse caso, caberia à fiscalização provar que todas as saídas realizadas pela recorrente continham componentes em desacordo com o PPB. A ausência de tal prova por parte da fiscalização impõe que se considere que a recorrente produziu e deu saída a UDP em conformidade com o PPB em pelo menos 2.578 unidades, pela presença, concomitante, desse número de peças dos dois tipos de componentes considerados pela fiscalização, o que se coaduna com a primeira hipótese levantada no Relatório de Fiscalização, à fl. 254. A ausência da escrituração do Livro de Controle da Produção e do Estoque por parte da recorrente não impõe presumir irregularidade mais gravosa no processo produtivo. A auditoria de estoques prestouse para demonstrar a irregularidade apontada pela fiscalização, porém não comprovou, por si só, a conclusão a que chegou a fiscalização e a motivou tributar toda a saída promovida pelo estabelecimento produtor. Quanto à possibilidade de utilização de circuito impresso montado com componentes elétrico ou eletrônicos, até o limite anual de 10%, em quantidade, das unidades digitais de processamento produzidas anualmente nos termos das Portarias interministeriais MCT/MICT nºs 101/93 e 131/93, como anteriormente explanado, o permissivo legal se aplica a produto diverso do fabricado pela recorrente. Do acima exposto, concluise que assiste razão em parte à recorrente quando alega que pelo menos parte das UDP deve ser considerada como produzida de acordo com o —estabelecido no PPB. As vendas sem emissão de nota fiscal apurada em decorrência de auditoria de estoque – revenda de placas mãe importadas, sem emissão de nota fiscal e o 1PI não lançado – equiparado a industrial, pelas saídas de teclados, mouses e caixa de som importados e comercializados sem destaque do IPI não foram objeto de impugnação ou recurso, cabendo apreciar, como foi feito, exclusivamente a multa regulamentar aplicada em razão do IPI não lançado com cobertura de crédito. Com essas colocações, fica prejudicada a análise do item 5, de vez que o lançamento de oficio ora mantido afasta a possibilidade de existência de saldo credor passível de ressarcimento. Quanto ao pedido de homologação da compensação requerida, tal matéria não constituiu objeto dos autos, descabendo apreciála. Também não se conhece da matéria não impugnada nem recorrida. [grifei] Com essas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a decadência e excluir do lançamento do IPI 2.578 UDP, admitindo o cumprimento do PPB pelo universo de produtos coincidentes em número com o de placas de memórias de origem nacional utilizadas comprovadamente no processo produtivo, negandose provimento quanto às demais matérias conhecidas. Sala das Sessões, em 02 de julho de 2008. (...) Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10508.900054/200613 Acórdão n.º 3402004.354 S3C4T2 Fl. 840 13 Não obstante o provimento parcial do recurso voluntário no processo relativo ao auto de infração objeto do processo nº 10508.000703/200765, conforme ressaltado no próprio Acórdão nº 20219.111 (trechos acima em negrito) e confirmado na diligência do presente processo, "mesmo após a exclusão das 2.578 UDPs, não há de falar em ressarcimento, de vez que o lançamento de ofício mantido afasta a possibilidade de existência de saldos credores trimestrais passíveis de ressarcimento". Também a decisão recorrida já havia esclarecido que: após julgamento pelo 2º Conselho de Contribuintes do processo nº 10508.000703/200765, remanescia débito de IPI a ser exigido no citado auto de infração, inexistindo, portanto, saldo credor passível de ressarcimento. A recorrente não contestou esse ponto específico da decisão recorrida no recurso voluntário. Nesse mesmo sentido foi decidido em outro processo de ressarcimento, de número 10508.000219/200574, relativo ao 4º trimestrecalendário de 2002, mediante o Acórdão nº 3803002.973 3ª Turma Especial, de 23 de maio de 2012, Relator Belchior Melo de Sousa, no qual se consignou que "Ora, mantido o auto de infração, ainda que parcialmente, é porque os créditos do trimestre estiveram aquém dos débitos apurados, não havendo que se falar em saldo credor, sendo resultados mutuamente excludentes". Dessa forma, diante da ausência de saldo credor de IPI passível de ressarcimento relativo ao 1º trimestre de 2002, deve ser mantida a não homologação das compensações, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 846DF CARF MF
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Numero do processo: 10325.721551/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2012
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É válida a intimação feita por via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária.
CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OFENSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não devem prosperar as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa quando destituídas de qualquer comprovação, em especial quando a documentação dos autos é incompatível com elas.
DECISÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido.
A omissão no julgado deve ser apontada objetivamente, não servindo para infirmá-lo alegações de cunho genérico.
AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal.
MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado.
O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE,
DOLO OU SIMULAÇÃO.
Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização pelo crédito tributário lançado.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO.
É cabível a qualificação da multa no caso de fraude e sonegação, caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de pagamento de remunerações "por fora", de modo a se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA.
O auxílio-alimentação quando pago em espécie e com habitualidade integra o base de cálculo das contribuições previdenciárias.
VALE-TRANPORTE. ENUNCIADO Nº 89 DA SÚMULA CARF.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-003.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores correspondentes ao vale-transporte.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2012 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OFENSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não devem prosperar as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa quando destituídas de qualquer comprovação, em especial quando a documentação dos autos é incompatível com elas. DECISÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A omissão no julgado deve ser apontada objetivamente, não servindo para infirmá-lo alegações de cunho genérico. AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização pelo crédito tributário lançado. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude e sonegação, caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de pagamento de remunerações "por fora", de modo a se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA. O auxílio-alimentação quando pago em espécie e com habitualidade integra o base de cálculo das contribuições previdenciárias. VALE-TRANPORTE. ENUNCIADO Nº 89 DA SÚMULA CARF. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindo-se a questão controversa à apresentação de prova documental, torna-se prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores correspondentes ao vale-transporte. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por via postal no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OFENSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não devem prosperar as alegações de ofensa ao contraditório e à ampla defesa quando destituídas de qualquer comprovação, em especial quando a documentação dos autos é incompatível com elas. DECISÃO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Considerase fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A omissão no julgado deve ser apontada objetivamente, não servindo para infirmálo alegações de cunho genérico. AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 72 15 51 /2 01 4- 13 Fl. 12331DF CARF MF 2 MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização pelo crédito tributário lançado. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude e sonegação, caracterizados pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de pagamento de remunerações "por fora", de modo a se furtar ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA. O auxílioalimentação quando pago em espécie e com habitualidade integra o base de cálculo das contribuições previdenciárias. VALETRANPORTE. ENUNCIADO Nº 89 DA SÚMULA CARF. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindose a questão controversa à apresentação de prova documental, tornase prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração e de sua conduta. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 12332DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.332 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores correspondentes ao valetransporte. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recursos voluntários (fls. 12.036/12.327) apresentados exclusivamente por sujeitos passivos solidários em face do Acórdão nº 0834.201, da 6ª Turma da DRJ/FOR (fls. 11.648), que negou provimento às impugnações (fls. 11.712/11.845) realizadas por eles aos seguintes autos de infração: AI Debcad 51.073.2135, relativo à contribuição patronal, que somava à época de sua lavratura R$ 1.134.650,18 (fls. 10.985/10.986); AI Debcad 51.073.2143, relativo às contribuições devidas a terceiros, que somava à época de sua lavratura R$ 303.640,34 (fls. 11.012/11.013). O lançamento foi realizado contra a empresa fiscalizada, Ime Peças para Veículos Ltda ME, CNPJ 07.527.469/000122, e foram lavrados termos de sujeição passiva solidária em face das seguintes pessoas: Iris da Silva Tolardo (CPF 958.804.96953), Robson Marcelo Tolardo (CPF 623.843.84953), Rogério Márcio Tolardo (CPF 723.045.53915), Samuel Tolardo Junior (CPF 121.023.83814) e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (CPF 828.784.55991). Nesta ocasião, por sua inteireza e precisão, valhome do relatório produzido pela decisão recorrida, de onde transcrevo o seguinte: 1 Relatório Fiscal Consta no Relatório Fiscal que: Fl. 12333DF CARF MF 4 1. A empresa em epígrafe é parte de um empreendimento denominado REDE PRESIDENTE e é constituída em nome de laranjas. 2. O relatório utilizase de elementos coligidos nos processos administrativos fiscais nº 11020.723699/201218 e nº 15586.720329/201195, bem como no Inquérito Policial nº 256/2008DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008, por força de requisição do Ministério Público Federal e que tramita da Delegacia da Polícia Federal de Maringá/PR. Tal inquérito encontrase distribuído para o Juízo Federal da 3ª Vara Criminal de Curitiba/PR, sob o nº 2008.70.0094275/PR. 3. No âmbito do inquérito policial, foram providenciados dois pedidos de quebra de sigilo de dados e/ou telefônico, em cujas decisões o Juízo fez constar que todos os dados e informações obtidos no inquérito fossem compartilhados com a Receita Federal do Brasil – RFB. Foi também determinada a quebra do sigilo fiscal, tributário e patrimonial de 110 pessoas físicas e jurídicas relacionadas à REDE PRESIDENTE, dentre os quais os integrantes da família Tolardo. Em cumprimento às decisões judiciais, a Polícia Federal franqueou o acesso da RFB aos dados coletados nas investigações do inquérito. 4. As investigações da Polícia Federal em conjunto com a RFB culminaram na deflagração da Operação Laranja Mecânica, realizada em 17/10/2012, com o cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão. Todo o material foi disponibilizado à RFB. 5. As provas apontam para a existência de um grande empreendimento comercial, no ramo de autopeças (atacado e varejo), denominado REDE PRESIDENTE, com lojas em várias unidades da federação e que, embora formalmente constituída por diversas empresas, a quase totalidade em nome de laranjas, tratase, na verdade, de um único empreendimento, iniciado por Samuel Tolardo, já falecido, e transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, sua esposa, Íris da Silva Tolardo, e os filhos, Robson Marcelo Tolardo, Rogério Márcio Tolardo, Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. 6. Os mandados de busca e apreensão tiveram por alvo vários endereços, dentre eles endereços da família Tolardo, bunkers onde se encontravam armazenados documentos, endereços de laranjas e endereços das empresas que funcionavam como filiais do empreendimento. 7. Além dos arquivos com os documentos apreendidos, a Polícia Federal disponibilizou à RFB os laudos de perícia criminal relativos à mídia apreendida. DA ORIGEM (IMPORTADORA TOLARDO E REAL IGUAÇU) 8. Na base de dados da RFB foi identificada a empresa Importadora Tolardo Ltda. (CNPJ 79.112.637/000120), que tinha como sócios Samuel Tolardo e seu irmão Hélio Tolardo. Essa empresa tinha como atividade a exploração do comércio de compra, venda e importação de peças e acessórios para autos em geral, bem como representações por conta própria e foi aberta em 1962. 9. Em setembro/1983, a Importadora Tolardo Ltda. foi incorporada pela empresa Real Iguaçu Auto Peças Ltda. (CNPJ 77.597.318/000126), doravante mencionada simplesmente como Real Iguaçu. Essa empresa era da família Tolardo. No Bunker localizado na Rua Rui Barbosa, em Maringá/PR, foi encontrada a quarta alteração contratual da Real Iguaçu, de 10/11/1994, onde consta que até essa data os sócios eram José Dario Tolardo e Maria Silene Tolardo, marido e esposa. 10. Foi encontrado, ainda, no bunker, dentre vários arquivos relacionados à REDE PRESIDENTE, um pendrive com um arquivo intitulado “TCC – Final Corrigido”, que se trata de um trabalho de conclusão de curso, elaborado por uma Fl. 12334DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.333 5 das funcionárias do esquema, Mirian Coutinho de Lima Lepetit, que se constitui em uma avaliação de desempenho como perspectiva de melhoria pessoal e organizacional em uma empresa de autopeças na cidade de Maringá. Resta claro no trabalho que essa empresa era a REDE PRESIDENTE, tendo sido mencionada que a empresa surgiu em 1962, composta por três sócios, filhos de imigrantes italianos, chamados no trabalho de S, D e H, iniciais dos irmãos Tolardo. 11. De acordo com a alteração contratual da Real Iguaçu, constatase que até 1994, a empresa tinha a razão social de Tolardo Auto Peças. 12. Em 11/09/1991, faleceu um dos irmãos, Hélio Tolardo. Também na década de 90, a empresa Real Iguaçu, na época denominada de Tolardo Auto Peças, sofreu diversas autuações fiscais, o que parece ter motivado os novos rumos da empresa. A partir de então, iniciouse a empreitada ilícita do esquema fraudulento denominado REDE PRESIDENTE. 13. Em 1994, a Real Iguaçu altera seu endereço de Maringá/PR para Santo André/SP e, em novembro/1994, interpõe sócios laranjas em seu quadro societário. Em 1995, passa à condição de inativa. 14. A estratégia da empresa de mudança para Santo André/SP e inserção de sócios laranjas parece funcionar, já que, após a inscrição na Dívida Ativa dos débitos tributários, a execução fiscal teve que ser ajuizada em Santo André/SP, onde a empresa não existia de fato. A Real Iguaçu resta inativa desde 1995, abandonada pela família Tolardo em face de suas dívidas fiscais. DO SURGIMENTO DA RPT E REDE PRESIDENTE 15. Na segunda metade da década de 90, com a autuação fiscal e o conseqüente abandono da Real Iguaçu, ocorre a cisão dos irmãos Tolardo. 16. O mencionado trabalho de conclusão do curso de Mirian Coutinho de Lima Lepetit confirma a separação dos irmãos Tolardo. 17. Samuel Tolardo (“S”) e José Dario Tolardo (“D”) continuaram trabalhando no mesmo ramo, porém de forma separada. O primeiro ficou com a REDE PRESIDENTE, alvo da presente ação fiscal, e José Dario Tolardo com a rede de distribuição de autopeças denominada Vespor Automotive. 18. Nessa época, Samuel Tolardo adquire uma outra empresa do ramo de autopeças, a FORAMEC, criando a partir dessa “cria” a empresa RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. O nome de fantasia PRESIDENTE passa a ser utilizado pelas lojas de Samuel Tolardo. A sigla RPT remete às iniciais de REDE PRESIDENTE. 19. O trabalho de Mirian Coutinho de Lima Lepetit confirma que os filhos de Samuel Tolardo o sucederam na empreitada e que Rogério Márcio Tolardo (chamado de “M”) tem a maior participação no negócio. Consta também o número de lojas da rede e os estados onde estão localizadas. 20. A RPT tinha endereço inicial em Tatuapé, São Paulo/SP. Mudouse, em 06/04/2000, para Guarulhos/SP. Em 21/06/2002, mudouse para o Rio de Janeiro/RJ. Sempre teve filiais espalhadas pelo país, várias delas com nome de fantasia “Distribuidora Presidente”. 21. As provas indicam que foram utilizados laranjas como sócios dessa empresa, além de constar laranja também no quadro societário da Mansfield Finance, por sua vez, sócia da RPT. Fl. 12335DF CARF MF 6 DA REDE PRESIDENTE 22. Apesar de a empresa RPT ser mencionada pela denominação de REDE PRESIDENTE, ela é apenas uma das tantas empresas formalmente constituídas em nome de laranjas, mas que, em verdade, compõem um único empreendimento empresarial/comercial, que se passa a citar por REDE PRESIDENTE. 23. Diversas empresas foram constituídas, inclusive diversas factorings que serviam de elo financeiro para o esquema, centralizando recebimentos e pagamentos. A maioria dessas factorings foram abandonadas nos anos de 2007 e 2008, provavelmente por ter sofrido fiscalização da RFB. Outras empresas passaram a desempenhar essa função financeira, muitas sem ter sequer existência física. Algumas empresas serviam exclusivamente para centralizar as compras e distribui las para as lojas. Várias outras foram constituídas para abrigar as diversas lojas de vendas de autopeças espalhadas pelo país. Entre elas, uma coisa em comum: todas com laranjas em seus quadros societários. 24. Há outras empresas, estas em nome dos verdadeiros mentores do esquema, porém utilizadas com a função de amealhar o patrimônio, principalmente imóveis, obtido de forma fraudulenta. 25. O logotipo da REDE PRESIDENTE identificado no sítio da internet é o mesmo utilizado em vários endereços físicos de lojas da rede espalhadas pelo território nacional. 26. Os colaboradores/funcionários do esquema se referem a ele ora como REDE PRESIDENTE, ora como DISTRIBUIDORA PRESIDENTE, ora simplesmente como PRESIDENTE. As lojas onde estão distribuídos os diversos CNPJ são chamadas de filiais. 27. O esquema REDE PRESIDENTE comprava peças junto aos fornecedores e as reembalava em caixas com a marca Napa Parts. Foi encontrado em computador apreendido, um arquivo contendo o planejamento estratégico de marketing dessa marca. O texto final do documento vincula a marca Napa Parts à REDE PRESIDENTE. O logotipo da Napa Parts aparece em muitas lojas da REDE PRESIDENTE ao lado do logotipo da REDE PRESIDENTE. 28. Dentre os documentos encontrados, destacamse os de controle das filiais, que as identificavam com um número seguido do nome da cidade, relacionando também o CNPJ utilizado pela filial, o endereço, a inscrição estadual, telefone, e mail e o gerente. Foram encontrados nos bunkers do esquema carimbos e relatórios contendo, inclusive, as empresas já inativas, sendo identificadas mais de 80 (oitenta) empresas. 29. Dentre os diversos documentos de controle, no bunker situado na Rua das Camélias, foi encontrada a relação de funcionários, emitida em 08/10/2012, que os lista por filial. No endereço residencial de Vânia Maria Lenarduzzi, foi encontrado documento que discrimina o salário 1 (registrado) dos funcionários e o salário 2 (popular “por fora”). Este último documento tem 727 nomes, distribuídos em 42 filiais, apenas as que têm ou tinham uma existência física. 30. Em outro documento encontrado, há um relatório bem mais enxuto das filiais, com razão social, CNPJ e sócios, constando 84 (oitenta e quatro) empresas do esquema REDE PRESIDENTE. 31. No endereço residencial de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, foi encontrado um parecer emitido em fevereiro/2011 pela empresa Pactum Advocacia Empresarial, onde consta um “mapeamento fiscal” dirigido à REDE PRESIDENTE. Foi registrado que a REDE PRESIDENTE atua principalmente no mercado Fl. 12336DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.334 7 atacadista de autopeças e conta com uma rede de distribuição de amplitude nacional, estruturada a partir de diversas empresas distintas, com regimes tributários distintos. Há outros documentos colhidos que revelam a existência da REDE PRESIDENTE, todos anexados ao processo. LARANJAS UTILIZADOS PELO ESQUEMA 32. Os laranjas utilizados pelo esquema são funcionários, terceiros sem vínculo efetivo com a REDE, que recebiam pela utilização de seu nome, e pessoas que sequer sabiam da utilização dos seus nomes. 33. A par dos elementos apresentados no decorrer do relatório, devem ser salientadas as diligências efetuadas em procedimento fiscal realizado na DRF Caxias do Sul/RS junto à empresa NTE da REDE PRESIDENTE. Foram feitas diligências junto às sócias laranjas, Sra. Silvia Vilhalba e Sra. Petrona Ledesma Aliende, pessoas extremamente humildes, que confirmaram não serem sócias de nenhuma empresa. DOS SERVIÇOS EXECUTADOS POR FÁBIO NOVAES 34. Na residência de Fábio Novaes Moreira, que presta serviços contábeis por meio do escritório de contabilidade Transcontec, foram encontrados documentos que comprovam a utilização dos nomes e dados de pessoas físicas, inclusive paraguaios, para o preenchimento de documentos de identidade falsos, com o fim de utilizálos como laranjas nas empresas do esquema. Fábio Novaes Moreira enviava as Declarações Anuais de Ajuste de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – DIRFP relativas a essas pessoas. 35. No endereço de Fábio Novaes Moreira, foram encontrados documentos pessoais paraguaios e brasileiros. Várias carteiras de identidade tinham provas e características evidentes de falsificação. Havia documentos distintos com a mesma foto, além de incompatibilidade de algumas fotos com as idades registradas nos documentos. A necessidade da falsificação das CI deveuse ao fato de que passou a ser necessária a certificação digital para várias operações junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, para cuja emissão há necessidade de comparecimento da pessoa. Tal necessidade gerou, inclusive, o pedido de aumento por parte das pessoas que emprestavam seu nome, pois agora deveriam comparecer no órgão certificador, segundo comprova troca de mensagens entre Robson Marcelo Tolardo e Daniel de Oliveira Junior. 36. Como exemplo das falsificações, destacase a identidade de Juarez Mielke, que já havia falecido da data da expedição do RG. Foram encontradas duas versões para a identidade de Maria Aparecida Ribeiro e duas para Cláudio Afonso Miranda. Além da versão original da CI de Cleonice da Silva Mielke encontrada na residência de Fábio Novaes, foi encontrada outra versão no seu escritório. A foto dessa carteira falsificada é a mesma de outra em nome de Elidia Mendes Santos. DA VINCULAÇÃO DE IPS UTILIZADOS PARA A TRANSMISSÃO DE DIRPF I 37. Foram identificados quatro endereços IP (quatro computadores) de onde foram enviadas as DIRPF do exercício 2010 da família Tolardo, de Milton Assis de Oliveira, procurador da Mansfield Ltda. (sócia da RPT, empresa da REDE PRESIDENTE), de Luiz Tavares da Silva e de Francisco Tomaz Neto, estes dois últimos sócios laranjas da empresa Gama Factoring Ltda. Nas mesmas datas e em horários muito próximos, esses mesmos computadores foram utilizados para Fl. 12337DF CARF MF 8 transmissão das DIRPF do exercício 2010 de vários outros contribuintes, dos quais 103 são laranjas da REDE PRESIDENTE. 38. No bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, foi localizado relatório intitulado “Relação das Declarações do IRPF 2010”, com controle das DIRPF 2010 de mais de 200 pessoas físicas, dentre elas as 103 antes referidas. DOS LARANJAS PARA REGISTRO DE VEÍCULOS 39. Inúmeros veículos da REDE PRESIDENTE eram registrados em nome de laranjas. Havia controles dos veículos, que eram distribuídos entre as filiais (empresas do esquema) e as pessoas usadas como proprietárias eram pagas, sendo algumas funcionários das empresas. CARTÓRIO COSTA 40. Havia necessidade de autenticações cartorárias, reconhecendo a autenticidade das assinaturas dos laranjas. Praticamente 100% (cem por cento) das autenticações de reconhecimento de firma nos diversos contratos sociais das empresas e em outros documentos, como procurações, eram feitas no Cartório Costa ou Cartório IguatemiPR, que são o mesmo cartório. 41. Os nomes para feitura de documentos e reconhecimento de firma eram passados ao cartório, alguns verdadeiros e outros não. Há conversas nas quais se constata que o cartão de autógrafos era enviado para preenchimento fora do cartório, o que não é um procedimento normal, já que deveria ser confeccionado no tabelionato. Vários dos laranjas com assinaturas autenticadas viviam em cidades muito longe dali, como Ponta Porã/MS, e sequer tinham conhecimento de que constavam em quadro societário de alguma empresa. 42. Em outra conversa interceptada, constatase que havia autenticações por semelhança e “verdadeiras” e não era necessário o comparecimento dos laranjas para que as autenticações fossem feitas. Mesmo as assinaturas verdadeiras não eram feitas de forma presencial no cartório, em desobediência à lei. Os cartões eram enviados para preenchimento fora do cartório. EMPRESAS DIVERSAS DA REDE PRESIDENTE 43. No Relatório de Filiais tratado no tópico “REDE PRESIDENTE” foram verificadas 56 filiais, carimbos de 80 estabelecimentos e na pasta de empresas (ativas e inativas) foram identificadas 112 empresas. Na busca, junto às empresas, de pessoas físicas que tiveram suas DIRPF transmitidas pela REDE PRESIDENTE, constataramse 60 empresas, a maioria do ramo de autopeças, todas vinculadas à rede. Seguem alguns procedimentos que levaram à identificação dessas empresas. DEINF/SP / 44. Em 2008, a Delegacia Especial das Instituições Financeiras – DEINF/SP promoveu verificações fiscais na Gama Factoring, quando foram identificados pagamentos efetuados por ela a fabricantes de autopeças. Essas empresas foram intimadas e, de forma uníssona, responderam que os pagamentos tinham origem em vendas efetuadas a empresas da REDE PRESIDENTE. 45. Todos os contratos sociais das empresas citadas pelas compradoras foram encontrados no bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, o que comprova a sua vinculação com a REDE PRESIDENTE. DRF EM VITÓRIA/ES / Fl. 12338DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.335 9 46. A empresa Comercial Presidente de Auto Peças Ltda. foi objeto de fiscalização pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF em Vitória/ES, tendo sido lavrado o Auto de Infração que compõe o processo administrativo 15586.720329/201195. Os seus fornecedores foram intimados a apresentar notas fiscais e comprovantes de pagamentos, tendo sido constatado que os pagamentos foram feitos por outras empresas, quase todas de factoring. 47. As empresas que efetuaram os pagamentos no ano se 2007 foram intimadas, via Correios, a justificar e comprovar os motivos que as levaram a efetuar tais pagamentos. As únicas três empresas que receberam a intimação (Dumas Factoring, PSE Com. de Peças e Uberpeças Dist Auto Peças) não a atenderam. Em regra, as factoring não foram localizadas pelos Correios, pois não precisavam existir fisicamente. 48. Todas as empresas que efetuaram os pagamentos estavam constituídas em nome de laranjas. Com exceção da Duma Factoring e da PSE Com de Peças, todas estão na relação daquelas cujos sócios tiveram suas DIRPF/2010 transmitidas pelos mesmos computadores que transmitiram as declarações da família Tolardo e de outras duas pessoas vinculadas à REDE PRESIDENTE. Os sócios laranjas dessas empresas estão relacionados na Relação de Declarações do IRPF 2010 encontrada no bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR . 49. Deve ser destacado que, no ano de 2007, a regra era a utilização de factorings para efetuar os pagamentos, porém a partir dos anos de 2008 e 2009, em razão das investigações da DEINF/SP, a REDE PRESIDENTE abandonou suas factorings, passando a utilizar outras empresas. INVESTIGAÇÕES POLICIAIS – NAPA PARTS, AMAZON AUTO PEÇAS E SENSUS PEÇAS P VEÍCULOS , 50. Em 02/04/2008, por solicitação da Procuradoria da República em Curitiba/PR, a Delegacia da Polícia Federal DPF de Maringá/PR instaurou o inquérito de número 256/2008DPF/MGA/PR, tendo sido solicitadas diligências para localizar as seguintes empresas e seus sócios: Amazon Auto Peças Ltda., Fabiro Factoring Ltda. e Napa Parts Dist de Auto Peças Ltda. 51. No endereço cadastral da Napa Parts Dist de Auto Peças Ltda., havia uma empresa denominada “Presidente Distribuidora”, a qual, segundo informações de um comerciante vizinho, possuía uma marca de peças chamada “Napa”. Suas sócias não foram encontradas nos seus endereços cadastrais. 52. A Amazon Auto Peças, supostamente sediada no Amapá, não foi localizada, tampouco seus sócios. 53. A DPF investigou e obteve o verdadeiro endereço de alguns dos sócios, sendo possível a oitiva de três deles, todos pessoas humildes, desenvolvendo as atividades de diarista (faxineira), auxiliar de serviços gerais e trabalhador de serraria. Todos disseram sequer conhecer as empresas investigadas. Uma outra sócia não foi localizada, mas foi obtida a informação de que teria sido presa em 2006. 54. Todos os documentos juntados ao feito têm firma reconhecida no Cartório Costa, localizado no distrito de Iguatemi, Maringá/PR, mesmo algumas empresas tendo domicílio em estados distantes da Federação, como Rio de Janeiro e Amapá. 55. Em diligência efetuada em Maringá/PR, que resultou na Informação nº 098/2010, foi constatado por entrevistas com funcionários que saíam do local e com Fl. 12339DF CARF MF 10 um funcionário de estabelecimento próximo que a Napa Parts seria do “pessoal da Distribuidora Presidente” e que o seu dono seria uma pessoa de nome Marcelo Tolardo. 56. Em consulta aos bancos de dados disponíveis, a autoridade policial descobriu que Marcelo Tolardo seria o então empresário Robson Marcelo Tolardo, filho de Samuel Tolardo e irmão mais velho de Rogério Márcio Tolardo, que faziam parte do quadro societário da RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. – Distribuidora Presidente. 57. Havia, ainda, uma empresa denominada Napa Distribuidora de Auto Peças Ltda., sediada em Guarulhos/SP, que utilizou essa razão social até julho/2000. Após esse mês, essa empresa passou a utilizar o nome de Presidente Peças Ltda. Em julho/2003, a razão social passa a ser Presidente Peças para Veículos Automotores Ltda. e, finalmente, em junho/2005, passa a ser Sensus Peças para Veículos Automotores Ltda. PROCEDIMENTO CAXIAS DO SUL/RS / 58. A DRF Caxias do Sul/RS realizou procedimento de fiscalização na empresa NTE Auto Peças Ltda., cuja razão social até dezembro/2008 era Alba Auto Peças Ltda. Foram efetuadas diligências junto a dois fornecedores, Cinpal Companhia Industrial de Peças para Automóveis e Tenneco Automotive Brasil Ltda, para que esclarecessem o motivo das transferências efetuadas para elas pela NTE. Ambas apresentaram farta documentação, a qual, em linhas gerais, evidencia que as transferências feitas pela NTE consistiam em pagamento parcial de vendas a outras empresas, inclusive da PRV. DILIGÊNCIAS DA AUTAL FISCALIZAÇÃO 59. A fiscalização verificou que o maior volume de compras da REDE PRESIDENTE era efetuado por meio das empresas PRS e PSE e intimou mais de 40 fornecedores para prestar esclarecimentos. 60. Modine do Brasil Sistemas Térmicos Ltda. informou que o contato da empresa PRS seria o Sr. Bene, que representa também as empresas RPT Distr Auto Peças e PRV Comercio Atac de Peças Aut Ltda. 61. Indústria e Comércio de Auto Peças Rei Ltda. respondeu que o comprador da empresa PRS seria o Sr. Adailton Hilário da Silva, que representava também a Comercial Presidente de Auto Peças Ltda., Distribuidora Pinheirão Peças Automotivas Ltda. e a Retífica Presidente Prudente Peças p/ Veíc Ltda. 62. Jofund S/A informou que o contato em 2008 na PRS era o Sr. Adailton Hilário da Silva, também responsável pela empresa Comercial Presidente de Autopeças Ltda. Com relação ao período de 2009 a 2012, informou que ele era, ainda, o responsável pelas compras das empresas RPT Distribuidora de Auto Peças, Alba Autopeças Ltda., APE Auto Peças Ltda., PSE Comercial de Peças para Veículos Ltda., PRE Comércio e Distribuição de Auto Peças Ltda., PRV Comércio Atacado de Peças Automotivas Ltda. e KRE Comércio de Peças Ltda. 63. Cerâmica e Velas de Ignição NGK do Brasil Ltda. informou que o contato na PRS seria Edenilson Ferreira de Oliveira, encontrado no mesmo endereço do responsável por compras da RPT e da PRTS de Maringá/PR. 64. A empresa Meritor do Brasil informou que o atual contato comercial/financeiro da PRV trata e assunto comercial/financeiro relacionado à PRS, porém desconhece a exata relação jurídica entre essas empresas. Fl. 12340DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.336 11 65. RHO Interruptores Automotivos Ltda. informou que de 2008 até 13/12/2012, o contato era o Sr. Estevão. A partir de 2013, o contato passou a ser Nélio Jonei Gonçalves de Oliveira, Alex Brito e Karen Rocha. Foi apresentada lista de 16 empresas, todas pertencentes à REDE PRESIDENTE. 66. Da mesma forma, as 13 empresas citadas por Susin Francescutti Metalúrgica Ltda. compõem a REDE PRESIDENTE. O contato da empresa RPS seria Francisca Dias ou o Sr. Edenilson. 67. A Max Gear informou que os contatos eram Karen Rocha, Johny Vieira e Edenilson. As empresas listadas, com 40 estabelecimentos de 28 CNPJ raiz, são todas da REDE PRESIDENTE. A Max Gear apresentou planilha referente ao período 2008 a 2010, com os pagamentos recebidos pelas vendas, identificando a empresa de acordo com o extrato bancário, onde se constata que as vendas feitas para a PRS foram pagas mediante transferências bancárias de outras 13 empresas, todas da REDE PRESIDENTE. 68. Affinia Automotiva Ltda. também apresentou planilha com a identificação das vendas efetuadas para a PRS no ano de 2008. A identificação das empresas “pagadoras” foi feita apenas pelo nome, provavelmente o nome que aparece no extrato bancário, todas da REDE PRESIDENTE. 69. Mann Hummel Brasil Ltda. disse que o contato da PRS era Edenilso Ferreira de Oliveira e apresentou rol de empresas relacionadas ao representante, todas da REDE PRESIDENTE. 70. A relação das empresas apresentada pela fornecedora TMD Triction do Brasil S/A intitulada “6. empresas do Grupo Presidente” também contém várias empresas representadas pela mesma pessoa da PRS, todas elas da REDE PRESIDENTE. São 42 estabelecimentos, com 23 CNPJ raiz. 71. Vários outros fornecedores apresentaram respostas praticamente nos mesmos termos, citando os mesmos contados e apresentando as mesmas empresas pertencentes à REDE PRESIDENTE. 72. Destacase que a fiscalização identificou 70 “empresas” do esquema que tiveram algum tipo de atividade no período de 2008 a 2012. RESPONSÁVEIS PELA REDE PRESIDENTE – FAMÍLIA TOLARDO 73. Conforme já dito, a REDE PRESIDENTE teve origem na empresa Real Iguaçu (ou Tolardo Auto Peças), dos irmãos Tolardo (Samuel Tolardo e José Dario Tolardo), sediada em Maringá/PR. Na década de 90 essa empresa sofreu diversas autuações fiscais e sua sede foi mudada para o estado de São Paulo, após o que foram interpostos laranjas no seu quadro societário. Em 1995, a Real Iguaçu, com pesadas dívidas fiscais, passou à condição de inativa e foi abandonada pela família Tolardo. Samuel Tolardo adquiriu a Foramec e a partir dela criou a RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda., com o nome de fantasia “PRESIDENTE”. Fizeram parte do quadro societário dessa empresa Samuel Tolardo e Rogério Márcio Tolardo, seu filho. Robson Marcelo Tolardo, outro filho de Samuel Tolardo, teve vínculo empregatício de maio/2002 a maio/2010. 74. No final de 1999, a família Tolardo passou a incluir laranjas no quadro societário da RPT. 75. Destacase como prova desse fato, conversa telefônica de 05/05/2012 gravada pela Polícia Federal entre Íris da Silva Tolardo, esposa do falecido Samuel Fl. 12341DF CARF MF 12 Tolardo, e sua amiga Leda (ou Ieda). Íris da Silva Tolardo comenta sobre a atitude de uma funcionária do esquema, Odete Cardoso Berti, que supostamente teria preterido um de seus filhos, Rogério Márcio Tolardo, na administração do esquema, ao dizer que o “patrão” seria apenas Robson Marcelo Tolardo. Ela diz ainda que, ao menosprezar o filho Márcio (Rogério Márcio Tolardo) em favor de Robson Marcelo Tolardo, Odete estaria menosprezando não apenas ele, mas também os demais, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore e Samuel Tolardo Júnior. Isso porque todos seriam “sócios” da REDE PRESIDENTE. 76. Forte elemento de comprovação da participação da família Tolardo no esquema é o arquivo “ACERTOS CELO MAR JR ALTERADOS.xls”, encontrado no pendrive de Odete e no pendrive de Samuel Tolardo Júnior. Esse arquivo controla os débitos e créditos entre os irmãos Tolardo e os rendimentos obtidos no esquema da REDE PRESIDENTE desde 30/11/2007 até 31/05/2011. Foram encontrados no HD apreendido na residência de Samuel Tolardo Júnior os extratos de conta de cartão de crédito AMEX dos meses de abril/2008 e fevereiro/2009 a maio/2009, cujos valores constavam na planilha. Essa conta AMEX está em nome de Robson Marcelo Tolardo, mas contém detalhamento de valores de despesas dos demais irmãos, bem como da mãe Íris da Silva Tolardo. 77. Segundo a mencionada planilha, em todo o período de 30/11/2007 até 31/05/2011 cada irmão tinha direito a um “crédito mensal” de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Durante o período, o irmão Rogério Márcio Tolardo recebeu valores, normalmente em cheques de terceiros, bem superiores, o que gerava uma dívida, ou saldo devedor, como o excerto de 30/11/2010, no valor de R$ 647.887,53 (seiscentos e quarenta e sete mil, oitocentos e oitenta e sete reais e cinquenta e três centavos). Essa dívida não era paga e os outros irmãos passavam a ter um crédito adicional no período seguinte, a fim de se equipararem a Rogério. Na prática, no período mencionado, cada um dos 4 irmãos recebeu crédito superior a R$.200.000,00 (duzentos mil reais) mensais. Esses valores foram confirmados no programa CAIXA encontrado em computador apreendido na residência de Lais de Oliveira Wochner e Ronaldo Paixão Wochner e comprovam o vínculo da família com a REDE PRESIDENTE. PROGRAMA CAIXA 78. O Programa Caixa e todo o banco de dados alimentado por ele foram encontrados na residência de Lais de Oliveira Wochner, importante operadora do esquema, e Ronaldo Paixão Wochner, colaborador como programador no Departamento de Informática da filial 23. O programa provavelmente foi desenvolvido por este último. Conforme informado no Relatório Circunstanciado nº 176/2014 da Polícia Federal e Ofício 2348, de 24/09/2014, o programa e o banco de dados foram disponibilizados à fiscalização. 79. O programa consiste em uma espécie de contabilidade e controlava os recursos físicos (não bancários) de todo o esquema da REDE PRESIDENTE, controlando o seu fluxo financeiro, com as remessas de valores das empresas (ou “filiais”) e a destinação dos recursos em espécie. A fiscalização extraiu vários relatórios desse programa, estando todas as extrações validadas pelo Laudo 300/2014 e seu anexo de arquivos juntados ao presente processo. 80. Constavam no banco de dados várias “contas” representativas de custos, despesas, pagamentos, recebimentos, etc., bem como vários “centros de custos”, tais como os relativos a cada uma das “filiais”. Dentre os centros de custo destacase o “020 – DIRETORES”. Entre as subcontas, sobressaem aquelas inerentes a cada um dos integrantes da família Tolardo. Filtrandose o centro de custos “20 DIRETORES” e aplicandose outro filtro relativos às subcontas, foi possível filtrar os pagamentos efetuados a cada um deles. Fl. 12342DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.337 13 81. Como exemplo, os lançamentos do mês de janeiro/2009 relativos a Robson Marcelo Tolardo (Subconta Celo) totalizaram R$ 51.249,75 (cinquenta e um mil, duzentos e quarenta e nove reais e setenta e cinco centavos), correspondente a despesas pessoais como escola do filho, salário do caseiro, contas de telefone de casa, viagens aéreas, etc. Esse valor coincide com o valor da planilha “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” encontrada nos pendrives de Odete e Samuel Tolardo Júnior. Essa coincidência de valores entre a mencionada base de dados e a planilha ocorre para os outros valores também. Algumas despesas eram rateadas entre os irmãos, como o aluguel de um salão de festas e uma conta de luz. SAMUEL TOLARDO 82. Já foi relatado o surgimento da REDE PRESIDENTE, acrescentandose neste tópico mais informações sobre o mentor e responsável pelo esquema, Samuel Tolardo, falecido em 2007. Samuel Tolardo era bastante conhecido no ramo de autopeças no Paraná, mais especificamente na cidade de Maringá. 83. Nas DIRPF do período 2001 a 2007 o endereço de Samuel Tolardo foi informado como sendo no estado de São Paulo, entretanto dado o seu costume de informar/declarar dados não verdadeiros para dificultar a fiscalização, nada mais profícuo do que a alteração do seu endereço. Rápida pesquisa na internet já demonstra que a cidade onde verdadeiramente residia era Maringá/PR, chegando ele a ser vítima de um sequestro no norte do Paraná. 84. Em notícia do jornal eletrônico “Odiario.com”, de Maringá, vêse o relato de sua morte, tendo ocorrido um acidente quando dirigia a sua Pajero pela Avenida Parigot de Souza. Citase que era empresário do ramo de autopeças, conhecido por ser vítima de sequestro no Vale do Ivaí em 1999. 85. Na fiscalização da NTE Auto Peças Ltda. – EPP, foram obtidas cópias de cheques emitidos em 2006 por essa empresa, que tinha na época a razão social Alba Auto Peças Ltda., com assinaturas falsas de sua sócia laranja, Silvia Vilhalba. Esses cheques tinham que ser confirmados pelo titular da conta, em face das quantias elevadas. No Relatório Fiscal emitido naquele procedimento (Processo 11020.723699/201218) consta que foi encontrado o nome de Samuel Tolardo na parte superior dos cheques e o banco HSBC esquivouse de esclarecer esse fato. A exfuncionária do banco responsável pelas operações disse que era procedimento comum entrar em contato com as pessoas autorizadas pelas empresas, no caso de dúvidas quanto à liberação dos pagamentos. 86. Outro elemento que vincula Samuel Tolardo à REDE PRESIDENTE é o trecho da denúncia feita em 2006 à Polícia Civil (Delegacia de Defraudações) por um ex funcionário da RPT, Ivanilto Mascena dos Anjos. 87. No cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão foram encontradas várias procurações em benefício de Samuel Tolardo e relacionadas a empresas do esquema REDE PRESIDENTE. ÍRIS DA SILVA TOLARDO 88. Íris da Silva Tolardo é a matriarca da família Tolardo, viúva de Samuel Tolardo. Embora não aparente ter poder decisório no esquema, tem pleno conhecimento das atividades e de seu caráter ilícito, além de ser beneficiada por todo o patrimônio e rendimentos obtidos da atividade. Aparece também como administradora/responsável por uma empresa registrada em nome dos seus filhos, bem como procuradora ou caucionante de aluguel de empresas do esquema. Fl. 12343DF CARF MF 14 89. No Programa Caixa utilizado pela REDE PRESIDENTE, na Subconta Íris foram identificados diversos pagamentos de despesas pessoais como TV a cabo, plano de saúde, água, telefone, consertos, etc., além de vultosos pagamentos com o histórico “RETIRADAS”. As vultosas retiradas denotam a posição de Íris da Silva Tolardo como coproprietária do esquema. ROBSON MARCELO TOLARDO 90. Após o falecimento do pai, Robson Marcelo Tolardo tornouse o principal comandante da REDE PRESIDENTE. 91. Há várias provas do envolvimento e da posição de Robson Marcelo Tolardo no esquema, como a resposta a uma intimação de uma das fornecedoras da RPS, que o menciona como proprietário da empresa, conversas por email, escutas telefônicas, procuração das empresas e laranjas, procuração de seu pai para efetuar a compra de uma das empresas, depoimento de seu tio à Polícia Federal, entrevistas com funcionários e exfuncionários. 92. Um elemento que comprova a participação de Robson Marcelo Tolardo, bem como de seus irmãos, no esquema é o arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” encontrado nos pendrives de Odete e de Samuel Tolardo Júnior. O programa CAIXA confirma os pagamentos verificados nesse arquivo. A REDE PRESIDENTE pagava todo tipo de despesas pessoais de Robson Marcelo Tolardo. As vultosas quantias mensais denotam a posição de coproprietário do esquema, tratandose de verdadeiro prólabore. JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE 93. O arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” e o programa CAIXA também comprovam a participação de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, filha mais nova de Samuel Tolardo. As despesas pessoais dela eram custeadas pela REDE PRESIDENTE e ela realizava retiradas vultosas, o que denota sua condição de coproprietário do esquema. 94. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore tinha participação ativa no esquema, sobretudo como administradora do grupo adquirido (Emprepar), conforme demonstram as ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal. Há, inclusive, ligações entre ela e sua mãe e entre esta e Robson Marcelo Tolardo, as quais demonstram que a filha do exdono da Embrepar ensinou Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore sobre os procedimentos do negócio adquirido. 95. Além de administrar a Embrepar, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore tinha diversas procurações de sócios laranjas para gerir os negócios, era proprietária de diversos imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE, além de ser fiadora de contratos de locação de outros também utilizados pelo esquema. ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO 96. O arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” e o programa CAIXA também comprovam a participação de Rogério Márcio Tolardo, da mesma forma que seus irmãos. Ele teve envolvimento ativo na REDE PRESIDENTE desde cedo, constando como sócio da RPT juntamente com seu pai. 97. Foram encontradas várias procurações outorgadas pelos laranjas, para que Rogério Marcelo Tolardo administrasse empresas do esquema. Além disso, ele é proprietário de seis imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE e aparece nas conversas telefônicas como administrador do esquema. SAMUEL TOLARDO JÚNIOR Fl. 12344DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.338 15 98. Da mesma forma que seus irmãos, o arquivo “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls e o programa CAIXA comprovam a participação de Samuel Tolardo Júnior no esquema, no papel de sócios. 99. No seu apartamento foram encontrados vários documentos do esquema, que comprovam a sua participação desde 1996. É dele a propriedade de vários imóveis utilizados pela REDE PRESIDENTE, além de lhe terem sido outorgadas procurações para administração das empresas. É de se destacar, ainda, as escutas telefônicas nas quais foi mencionado diversas vezes como integrante do esquema. DA SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS 100. Conforme visto e demonstrado exaustivamente no Relatório Fiscal, o acesso ao Sistema CAIXA pela Polícia Federal possibilitou que se verificasse os pagamentos efetuados pelo esquema, bem como a identificação das filiais. Essa identificação das filiais ou empresas envolvidas também pôde ser apurada nas planilhas de vendas encontradas no computador de Daniel de Oliveira Júnior e pelos diversos controles encontrados no cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão. 101. Depois do confronto das verbas verificadas com as folhas de pagamento e GFIP das várias empresas da REDE PRESIDENTE, a Auditoria constatou que tais documentos não traziam a maioria das verbas, ou seja, houve sonegação de contribuições previdenciárias. O grupo estava pagando, por exemplo, salários, vale transporte, valealimentação, aluguéis, comissões, gratificações, etc. sem considerá los para fins de incidência de contribuição previdenciária. 102. Para apurar o total de contribuição previdenciária sonegada, foram excluídas do Extrato da Conta Caixa todas as verbas que não possuíam natureza salarial, tendo sido constatado valores pagos a empregados das seguintes empresas do GRUPO PRESIDENTE: a. PRE Comércio e Distribuidora de Auto Peças Ltda.; b. A P E Auto Peças Ltda.; c. IME Peças para Veículos Ltda. – ME; d. PRV Comércio de Peças Ltda. – ME; e. Daniel de Oliveira Júnior; f. PRV Comércio Atacadista de Peças Automotivas Ltda.; g. PRS Peças para Veículos Ltda.; h. Fort Lub Produtos Automotivos Eireli – ME; i. RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. 103. Os valores pagos a empregados foram comparados com aqueles declarados em GFIP e a diferença foi considerada para apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias sonegadas. 104. Foram apurados valores pagos a pessoas físicas por serviços prestados como motoboys das seguintes empresas do GRUPO PRESIDENTE: a. PRE Comércio e Distribuidora de Auto Peças Ltda.; Fl. 12345DF CARF MF 16 b. A P E Auto Peças Ltda.; c. IME Peças para Veículos Ltda. – ME; d. PRV Comércio Atacadista de Peças Automotivas Ltda.; e. PRS Peças para Veículos Ltda.; f. RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda.; 105. Foram apurados valores pagos a diretores membros da família Tolardo por meio da empresa RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. 106. Com relação aos valores pagos aos motoboys e aos membros da família Tolardo, não houve deduções, pois não havia declaração de tais valores em GFIP. Apesar de ter sido declarado em GFIP prólabore pagos aos sócios laranjas, não houve nenhuma declaração em GFIP dos valores pagos à família Tolardo e discriminados no “Extrato de Conta Bancária”. DA EMPRESA IME 107. A empresa IME é uma das empresas da REDE PRESIDENTE de autopeças e assim como as outras, encontrase constituída em nome de laranjas. O seu domicílio fiscal seria na cidade de Imperatriz/MA, contudo, encontrase na condição “INAPTA”, por localização desconhecida. 108. A razão social da APE era originalmente Gigante Peças para Veículos Ltda.. Nos controles de transmissão de DIRPF do esquema constam os sócios da empresa. A empresa foi citada pelo fornecedor CINPAL, como uma das que efetuaram pagamentos das compras feitas pela REDE PRESIDENTE. 109. Nos diversos locais objeto dos mandados de busca e apreensão foram encontrados documentos ligados à IME, inclusive carimbo, contrato social e alterações e Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica DANFE. A empresa aparece nas relações de filiais da REDE PRESIDENTE. DO MODUS OPERANDI 110. A sistemática do GRUPO PRESIDENTE para sonegar as contribuições previdenciárias consistia em pagar em dinheiro ou depositar nas contas correntes de seus empregados verbas de cunho salarial sem considerálas na apuração desses tributos. Determinadas verbas (aluguel, valetransporte, auxílioalimentação, pagamento a motoboys, retiradas de diretores) eram sonegadas completamente. Outras (salário, gratificação, comissão, rescisão, férias, 13º), eram sonegadas em parte. 111. Em uma auditoria ordinária seria quase impossível a identificação desses valores, tendo a apuração sido possibilitada pela execução dos Mandados de Busca e Apreensão decorrentes da Operação Laranja Mecânica, quando a fiscalização pôde acessar o “Caixa 2”. 112. Os Mandados de Busca e Apreensão tiveram como alvo vários endereços, destacandose o bunker da Rua das Camélias, 690, Maringá/PR, uma residência de alvenaria, sem identificação alguma. Esse lugar foi identificado nas investigações policiais, principalmente por escutas telefônicas, quando se apurou que lá funcionaria o controle de Recursos Humanos do esquema. Foi em um HD apreendido nesse endereço que se encontrou o programa CAIXA. 113. Além do pagamento de verbas a empregados registrados, foram detectados pagamentos de salário a empregados sem registro. Os salários desses Fl. 12346DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.339 17 empregados e verbas como férias eram objeto de recibos comuns. Foram encontrados também comprovantes de depósitos nas contas dos empregados em valores bem superiores àqueles declarados. DOS PAGAMENTOS A MOTOBOYS 114. No exame do Extrato de Caixa, foram constatados centenas de pagamentos efetuados a pessoas físicas prestadores de serviços de motoboys. A contribuição a cargo das empresas que contratam pessoa física para lhe prestar serviços sem vínculo empregatício é de 20% sobre o valor da remuneração paga, conforme art. 22, III, da Lei nº 8.212/1991. DO VALETRANSPORTE PAGO EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO 115. A jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais é unânime em considerar o caráter salarial dos valores de valetransporte pagos em pecúnia, pois consiste em violação ao disposto no art. 5º do Decreto nº 95.247/1987, pelo qual é vedado ao empregados substituílo por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento. Assim, deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 116. Também se defendeu a tese de que o vale transporte pago em dinheiro e de forma contínua passa a integrar a remuneração do empregado, incidindo a contribuição previdenciária com base no art. 201, § 11, da Constituição Federal. DO AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM DESCONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO 117. O auxílioalimentação tem natureza salarial quando a empresa não está incluída no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, nos termos da Lei nº 6.321/1976, conforme art. 28, §9º, da Lei nº 8.212/1991 e art. 3º da lei nº 6.321/1976. Assim, os valores pagos em dinheiro apurados foram considerados pela fiscalização como base de cálculo das contribuições previdenciárias. DA MULTA DE OFÍCIO 118. São utilizadas pessoas físicas “laranjas” na constituição de empresas participantes do esquema REDE PRESIDENTE, dentre as quais a fiscalizada. São usados expedientes escusos, como a falsificação de diversos documentos e assinaturas. Essa conduta visa a modificar uma característica essencial do fato gerador da obrigação, o real sujeito passivo, enquadrandose a situação no conceito de fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Igualmente, enquadrase no conceito de sonegação dado pelo art. 71, II, da mesma lei, vez que se constitui em ação dolosa tendente a impedir o conhecimento das condições pessoais do contribuinte suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário. 119. Os pagamentos “por fora” efetuados aos empregados, descobertos graças aos Mandados de Busca e Apreensão, consistem em omissão de parcela relevante da remuneração, incorrendo o contribuinte nos conceitos de fraude (ação tendente a impedir a ocorrência do fato gerador ou modificar suas características) e sonegação (ação tendente a impedir o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência, natureza e circunstâncias do fato gerador, reduzindo o montante do tributo devido). 120. Ambas as condutas evidenciam claramente o dolo do contribuinte, impondo a aplicação da multa de ofício qualificada em percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) prevista no art. 44 e seu §1º da Lei nº 9.430/1996. Fl. 12347DF CARF MF 18 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 121. Em face da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada são os integrantes da família Tolardo, eles são nomeados sujeitos passivos solidários mediante lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária, com base no art. 124, I, e art. 135, III, do Código Tributário Nacional – CTN. 122. Como foi fartamente comprovado que os integrantes da família Tolardo são os verdadeiros proprietários e beneficiários do esquema REDE PRESIDENTE, resta inequívoco que têm interesse comum nos negócios desse esquema, do qual faz parte a empresa alvo do lançamento. Além disso, o art. 135 do CTN impõe a solidariedade dos verdadeiros diretores gerentes ou representantes do empreendimento. A responsabilidade pessoal decorre de atos praticados com excesso de poderes ou infração à Lei, exatamente o caso da família Tolardo, que se utiliza de meios fraudulentos, tais como interposição de laranjas em sua empresas, ou a larga prática de vendas sem nota fiscal, à margem da escrituração ou de declaração. 123. Dessa forma, lavramse os competentes Termos de Sujeição Passiva Solidária em desfavor dos reais sócios proprietários do esquema: Sra. Íris da Silva Tolardo, Sr. Robson Marcelo Tolardo, Sr. Rogério Márcio Tolardo, Sr. Samuel Tolardo Júnior e Sra. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. 2 Ciência da IME A correspondência enviada para o endereço cadastral da IME foi devolvida com a seguinte informação dos Correios: “Não Existe o Número”. Foi emitido, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR edital eletrônico, com data de publicação 15/12/2014 e data da ciência 30/12/2014. Foi emitido também, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Imperatriz/MA, edital eletrônico com data de publicação e de ciência idênticas. 3 Da Ciência de Robson Marcelo Tolardo Robson Marcelo Tolardo foi intimado no seu endereço em São Paulo/SP em 11/12/2014, conforme Aviso de Recebimento – AR juntado aos autos. A correspondência enviada para o endereço em Maringá/PR foi devolvida, tendo sido registrado pelos Correios como motivo “Mudouse – casa vazia”. Foram emitidos os seguintes editais eletrônicos: Edital Eletrônico emitido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas em São Paulo/SP, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014; Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014. 4 Impugnação de Rogério Márcio Tolardo Rogério Márcio Tolardo foi intimado em seu endereço de Curitiba/PR em 10/12/2014 e em seu endereço no Rio de Janeiro/RJ em 12/12/2014, conforme Avisos de Recebimento juntados aos autos. Em 07/01/2015, apresentou impugnação, alegando, em resumo que: TEMPESTIVIDADE 1. A impugnação é tempestiva, pois o impugnante tomou conhecimento do Auto de Infração por terceiros, não tendo acontecido a intimação pessoal. Fl. 12348DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.340 19 AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL 2. De acordo com o Decreto nº 7.574/2011, art. 33, qualquer procedimento de apuração de créditos tributário impõe a necessidade de cientificação prévia do sujeito passivo, entretanto o impugnante não foi cientificado da existência de processo de fiscalização em andamento contra si, tampouco da desconsideração da personalidade jurídica da empresa autuada e da sua responsabilização solidária. 3. A Portaria RFB nº 3.014/2011, art. 4º e art. 7º, II, exige que seja emitido Mandado de Procedimento Fiscal que contenha os dados identificadores do sujeito passivo e que haja a ciência deste. 4. Uma vez que não houve a ciência do impugnante da ação fiscal, houve cerceamento do seu direito à ampla defesa e ao contraditório, não lhe sendo garantido o devido processo legal. 5. Em ofensa ao art. 296 do Código Tributário Nacional, não houve a lavratura do termo de início do procedimento em nome do impugnante, o que impossibilitou a sua defesa. 6. O impugnante sequer faz parte da pessoa jurídica autuada, que tem personalidade jurídica própria e distinta, e só tomou conhecimento do procedimento de fiscalização por meio do recebimento do Termo de Sujeição Passiva Solidária encaminhado por via postal quando da lavratura do Auto de Infração. Não havendo a cientificação, a sujeição passiva solidária baseouse em presunções. 7. Assim, deve ser reconhecida a nulidade do processo administrativo fiscal. NULIDADE DA INTIMAÇÃO REALIZADA PELOS CORREIOS 8. Segundo o Decreto nº 70.235/1972, art. 23, a intimação pessoal é a regra e somente sendo ela infrutífera, podem ser procedidas as demais formas. Essa regra é repetida pelo Decreto nº 7.574/2011, art. 10, I. 9. Além disso, segundo os mesmos decretos, a intimação por via postal deve ser endereçada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. No caso, contudo, a correspondência foi enviada a outros endereços diferentes daquele constante na DIRPF do impugnante, o que gera a sua nulidade. 10. Não comprovada a ciência inequívoca do impugnante, deve ser reconhecida a nulidade da intimação por falta de observância da lei, devendo ser determinada a sua realização ou deve ser ela considerada efetivada quando da disponibilização do processo administrativo fiscal ao sujeito passivo. CERCEAMENTO DE DEFESA 11. Houve a desconsideração de personalidade jurídica e a responsabilização do impugnante por meio de um termo de sujeição passiva tributária, sem qualquer fundamentação ou elementos de convicção para tal, além de não ter ele participado do processo administrativo fiscal. Imputações dessa natureza não podem se basear em meras ilações e presunções, portanto deveriam ter sido enviados ao sujeito passivo cópias de todos os documentos utilizados pela Auditoria Fiscal, o que não ocorreu. 12. O impugnante compareceu à Unidade da Receita Federal do Brasil onde possui domicílio fiscal e entregou mídias para gravação, porém não lhe foi fornecido o conteúdo integral do processo administrativo. Fl. 12349DF CARF MF 20 13. Dessa forma, diante do cerceamento de defesa do impugnante e conforme art. 12, II, do Decreto nº 70.235/1972, é nulo o processo. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO IMPUGNANTE 14. O processo administrativo foi instaurado com a utilização dos elementos coligidos nos processos administrativos fiscais 11020.723699/201218 e 15586.720329/201195 e no Inquérito Policial 256/2008 da Delegacia da Polícia Federal de Maringá, entretanto mostrase nulo o direcionamento administrativo contra a impugnante, como se sujeito passivo solidário fosse, por ausência de prova que o justifique, notadamente perante a ausência de qualquer demonstração de vínculo entre a impugnante e a empresa autuada naqueles autos. 15. A afirmação de que o sócio da impugnante seria laranja e faz parte de um grande esquema não é verdadeira e baseiase em meras presunções. A conclusão a que chegaram os Auditores Fiscais decorreu do inquérito policial, que é um procedimento policial administrativo, de cunho meramente investigativo e inquisitivo, sem contraditório e ampla defesa, pois a impugnante, na pessoa de seu sócio, sequer foi ouvida pela autoridade policial. Não é admissível a prova emprestada, pois a sua produção ocorreu no âmbito do inquérito policial, sem ser observado o contraditório e a ampla defesa. ILEGITIMIDADE DO AUDITOR FISCAL 16. O Auditor Fiscal extrapolou os limites de sua competência funcional prevista na Lei nº 10.593/2002, ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária ao impugnante sem indicar concretamente os motivos, notadamente porque o impugnante não é sócio da autuada e não exerce qualquer função dentro dela, não estando relacionado ao fato gerador do tributo lançado. 17. A responsabilidade invocada para o impugnante balizouse no art. 124, I, do CTN, sem ser indicado seu interesse ou relação com a situação que constituiu o fato gerador. E com respeito ao art. 135, III, do mesmo código, não foi provado pelo Auditor Fiscal que o impugnante esteja relacionado à empresa autuada como diretor, gerente ou representante e, nessa condição, tenha praticado qualquer ato com excesso de poder ou infração de lei. 18. A responsabilização efetuada é de competência exclusiva do Procurador da Fazenda Nacional, na esfera judicial, desde que presentes os requisitos. O Auditor Fiscal é parte manifestamente ilegítima para imputar tal responsabilidade, sendo o ato nulo por falta de competência, conforme estatui o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. ILICITUDE DAS PROVAS UTILIZADAS 19. As provas utilizadas no processo administrativo, decorrentes de mandados de busca e apreensão são ilícitas, já que determinados por autoridade judicial incompetente para análise da matéria. 20. O inquérito policial teve origem em compartilhamento de dados entre o COAF, Receita Federal e Ministério Público, sem qualquer autorização judicial. “Além disso, o juízo que decretou a busca e apreensão, no momento em que houve a instauração dos procedimentos, nenhum dos crimes investigados eram crimes antecedentes do delito de lavagem de dinheiro. Portanto, a vara de lavagem de dinheiro não tinha competência para processar o feito”. 21. Ainda que fossem emanadas de juiz competente, houve extrapolação dos limites da ordem judicial pela autoridade fiscal, que se baseou em elementos de Fl. 12350DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.341 21 provas colhidas em computadores particulares de terceiros, para os quais não foram expedidos mandados de busca e apreensão específicos. Não houve, em relação a esses terceiros, autorização específica de quebra de sigilo de mensagens eletrônicas e arquivos digitais, o que causa a nulidade das provas. 22. Além de ter havido violação ao seu direito de privacidade e ao sigilo das comunicações telefônicas, as conversas desses terceiros não guardam qualquer relação com a autuação e fiscalização. 23. O sigilo bancário só pode ser quebrado mediante autorização judicial nas hipóteses de conduta delituosa configurada, nunca por arbítrio do agente fiscal. 24. Não foram observados os requisitos para a quebra do sigilo dos terceiros, não sendo as provas fundadas em elementos concretos, sérios e idôneos, sendo nula a decisão que não se ampara em fatos e fundamentos de pleno direito, especialmente quando o juiz era incompetente. 25. Não há prova do envolvimento do impugnante. A utilização de um pendrive com um trabalho de conclusão de curso de terceiro como base para a transplantação da responsabilidade para o impugnante é presunção. A utilização de dados sigilosos, inclusive de terceiros, com a quebra de sigilos fiscais, de dados de informática e utilização de planilhas unilaterais, que sequer foram fornecidas à parte, constitui uso de provas ilícitas. 26. O acusado deve ter ciência da prova na primeira oportunidade após a sua realização, não se podendo cogitar de prova não sujeita ao contraditório. PREJUDICIAL AO MÉRITO – NECESSIDADE DE SUSPENSÃO 27. O Código de Processo Civil, em seu art. 13, determina que, verificada irregularidade na representação do contribuinte no processo, a autoridade julgadora deve suspender o processo, determinando prazo razoável para ser sanado o defeito. Em face do disposto no art. 265, IV, o julgamento do processo deve ser sobrestado até que o processo principal seja apreciado. O mesmo art. 265, no seu inciso III, determina que se suspende o processo quando a sentença de mérito dependa do julgamento de outra causa ou da declaração de existência da relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente. 28. Há necessidade de o processo administrativo fiscal aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal sobre a quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa, realizada pelo Auditor Fiscal sem qualquer justificação ou fundamentação, já que a Lei Complementar nº105 é objeto de 5 (cinco) Ações Diretas de Inconstitucionalidade – ADIN, toda apensadas à ADI 2390, ainda pendente de julgamento. 29. Se o processo prosseguir haverá a nulidade das exigências fiscais, pois realizado com base em leis objeto de ações questionando a sua inconstitucionalidade. 30. A Portaria MF nº 103/2002 já previu que, no caso de julgamento pelo STF, os órgãos administrativos julgadores devem automaticamente adotar o seu entendimento jurisprudencial. Devem ser aguardados os julgamentos, a fim de que as decisões administrativas não sejam proferidas em confronto com o entendimento dessa corte. Fl. 12351DF CARF MF 22 31. Assim, a impugnante requer a suspensão do prosseguimento do processo administrativo fiscal, até a supressão da causa impeditiva à continuidade da exigência fiscal. AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO IMPUGNANTE – IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE A TERCEIRO 32. Não foi provado que o impugnante recebia recursos da pessoa jurídica autuada. A Auditoria sequer conseguiu provas de que o impugnante participou da administração da sociedade, como email ou mensagem, ordens, autorizações ou qualquer outro ato. 33. O impugnante tem outras atividades, sendo sócio de uma empresa que comercializa equipamentos eletrônicos, além de prestar serviços na mesma área, tudo devidamente declarado em seu Imposto sobre a Renda. “O simples fato de ser filho de Samuel Tolardo não implica em dizer que todas as auto peças que sofreram autuação fiscal são de responsabilidade de seu falecido pai”. Mesmo que ficasse configurada a responsabilidade de seu genitor, esse fato não é suficiente para a transferência da responsabilidade efetuada. 34. O impugnante nunca teve procuração da empresa ou de seus sócios para administrála. As procurações mencionadas dizem respeito a outros fatos e outras pessoas. Não há comprovação de atos praticados por ele que pudessem gerar débitos. 35. Não há vinculação do impugnante com os fatos geradores, tampouco o interesse comum previsto no art. 124 do CTN. Seria necessária a sua participação efetiva no fato gerador do tributo, conjuntamente com os outros sujeitos passivos. 36. O art. 134 do CTN dispõe que a responsabilidade de terceiros somente ocorre nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação pelo contribuinte. 37. Tampouco o impugnante se enquadra no art. 135 do CTN. Não é sócio da empresa, não a administra e ela continua ativa e sujeita à exigibilidade da autuação fiscal. Ademais, se não há responsabilidade do sócio gerente pelo simples inadimplemento do tributo, não pode haver a responsabilização objetiva do impugnante. 38. Os atos praticados foram descaracterizados pela Auditoria sem cumprimento do art. 116, parágrafo único, do CTN. Inexiste lei ordinária e, consequentemente, a previsão dos procedimentos para a desconsideração de atos e fatos jurídicos, como fez a fiscalização. Além disso, para a desconsideração da personalidade jurídica, é necessária autorização judicial, não tendo o Auditor Fiscal poderes para tal. INEXISTÊNCIA DE PROVA DE BENEFÍCIO PELO IMPUGNANTE 39. A responsabilização do impugnante foi pautada em documentos unilaterais elaborados por terceiros, sem qualquer identificação do Impugnante, tendo havido mera presunção. 40. Os fiscais reconhecem que as planilhas se referem a anos anteriores ao período lavrado, não podendo servir de prova, tratandose de mera presunção. 41. O fato de os sócios de algumas das empresas indicadas no Relatório Fiscal terem sido funcionários da empresa pertencente ao falecido Sr. Samuel Tolardo não é suficiente para a responsabilização de 70 empresas e seus respectivos sócios e de toda a família Tolardo, indicados equivocadamente como sócios de fato. Fl. 12352DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.342 23 42. Não existe previsão legal expressa que albergue a responsabilização efetuada. A lei não estabelece que familiares ou qualquer sócio eventualmente de fato devam ser responsáveis por solidariedade. 43. O legislador não pode estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas físicas e jurídicas, desconsiderando a personalidade jurídica e descaracterizando as sociedades limitadas, implicando em irrazoabilidade e afrontando os arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição Federal. 44. O enquadramento no art. 124, I, do CTN não pode prosperar, uma vez que as empresas são absolutamente autônomas, com sócios distintos, localizadas em bairros, cidades e estados distintos, sem qualquer identidade em seu quadro social e objeto social, com quadro de funcionários próprio. Não se trata sequer de grupo econômico, pois possuem administração própria e descentralizada e não realizavam conjuntamente a situação configuradora do fato jurídico tributário. 45. Ademais, o simples fato de as empresas se apresentarem como um grupo empresarial para o mercado não é suficiente para caracterizar a solidariedade por grupo econômico, devendo haver a comprovação de existência de unidade jurídica de controle ou planificação de atividade de forma que seja interligada a utilização da mão de obra, o que não se verifica no caso. 46. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN se realiza quando todos os devedores tenham realizado conjuntamente o fato gerador, o que não se vislumbra no processo. No caso, os “sócios de fato” não praticaram o fato gerador em conjunto com a empresa. 47. Não foi concebido um único ato, por exemplo, em que o impugnante ou qualquer membro da sua família tenha realizado o fato tributário, sendo temerário, excessivo e ilegal a sua responsabilização. Afirmar que ele sabia de tudo não é suficiente para que lhe seja imputada a responsabilidade solidária, mormente quando ela é absolutamente estranha à empresa. 48. O simples fato de algumas sociedades pertencerem a um grupo econômico não acarreta a responsabilidade tributária prevista no art. 124, I, do CTN, ficando a Fazenda Pública impedida de imputar ao grupo a corresponsabilidade, já que o interesse em comum era apenas econômico e não jurídico. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA 49. O prazo decadencial está previsto no art. 173, I, do CTN. A extinção do crédito tributário pela decadência está previsto no art. 156, V, do CTN, que estipula ser de cinco anos o prazo para o lançamento do crédito tributário. 50. O lançamento dos tributos deveria ser feito por homologação, o que não ocorreu. Assim, a Fazenda não constituiu devidamente o crédito tributário em relação à impugnante, já que não foi realizado o lançamento e a respectiva cientificação. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, portanto, decaiu. 51. Não acatada a decadência, requer seja acatada a prescrição dos créditos tributários. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGADOS, AVULSOS, AUTÔNOMOS ETC. 52. O Auditor Fiscal não nominou no seu relatório os empregados a quem a empresa teria efetuado os pagamentos, tampouco a forma e as condições do Fl. 12353DF CARF MF 24 pagamento. Baseouse em documentos apócrifos, unilaterais e inservíveis como prova. Em consequência, a Notificação é improcedente e nula. Foi infringido o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e o direito da impugnante à ampla defesa. INCONSTITUCIONALIDADE – IMPOSSIBILIDADE DA AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO 53. A redação original do art. 195, I, da Constituição Federal somente se referia à folha de salários, sendo inconstitucional a redação original da Lei nº 8.212/1991 que fazia incidir a contribuição sobre quaisquer rendimentos pagos ao trabalhador. Somente a partir da Emenda Constitucional nº 20/1998, o art. 195, I, da Constituição foi alterado para albergar quaisquer rendimentos do trabalho pagos à pessoa física. Assim, é flagrante a inconstitucionalidade da exigência da contribuição sobre a remuneração até 1999. 54. Mesmo após a Emenda Constitucional nº 20/1998, sobre as verbas com caráter indenizatório não incidem as contribuições previdenciárias, uma vez que não constituem retribuição pelo trabalho, mas sim objetivam reparar uma perda, repondo o patrimônio do ofendido. São elas: adicionais de periculosidade, insalubridade, noturno, abono de férias, horas extraordinárias, gorjetas, prêmios, abonos, ajudas de custo, diárias de viagens e outras. Da mesma forma, verbas não habituais não podem ser tributadas. 55. Assim, devem ser excluídas da base de cálculo lançada os valores que não são salário strictu sensu, com novos cálculos dos valores devidos. INEXIGÊNCIA DO SALÁRIOEDUCAÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE 56. A contribuição denominada SalárioEducação não é contribuição para a Seguridade Social e não se enquadra no art. 240 da Constituição Federal. Dessa forma, o art. 1º da Medida Provisória nº 1.5651/97 e o art. 15 da Lei nº 9.424/1996 são inconstitucionais por elegerem a folha de salários como base de cálculo dessa contribuição, pois tal verba somente pode ser base de cálculo das contribuições para a Seguridade Social. INEXIGÊNCIA DO INCRA – EMPRESA DE PREVIDÊNCIA URBANA 57. O INCRA não é exigível, pois a empresa autuada é urbana e não exerce atividade rural. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. 58. Mesmo que a empresa fosse contribuinte do INCRA, o STF equiparou tal contribuição àquelas das entidades de promoção profissional, “juridicizada pelo art. 21, §2º, da Carta de 1969”. Essa espécie de contribuição foi prevista na Constituição de 1988, no seu art. 149. Não tem, pois, natureza de contribuição para a Seguridade Social. De acordo com a Constituição de 1988, a folha de salários somente pode ser base de cálculo das contribuições para a Seguridade Social e de formação profissional vinculada ao sistema sindical (art. 240). 59. O art. 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que determinou a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, não fez alusão às contribuições, como fez o art. 240 da Constituição Federal. Assim, houve a revogação da lei anterior relativa ao INCRA, por incompatível com a existência do SENAR, não havendo a recepção pela Constituição de 1988. INEXIGÊNCIA DO SAT – NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR 60. Quanto ao SAT, apesar de seu nomen juris indicar que se trata de uma contribuição complementar ou adicional à contribuição prevista no art. 22, I, da Lei nº 8.212/1991, é na verdade mais um tributo incidente sobre a mesma base de cálculo. Assim, é totalmente inconstitucional, pois os arts. 195, §4º, e 154, I, da Fl. 12354DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.343 25 Constituição Federal dispõem que a criação desse tributo somente poderia ocorrer por lei complementar. 61. Sob outro aspecto, o SAT é inconstitucional porque sua alíquota é definida por ato exclusivo do Poder Executivo, o qual definiu, por meio dos Decretos números 612/1992 e 2.173/1997 sua base de cálculo e alíquotas. Esse é o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e do STJ. ILEGALIDADE DA COBRANÇA SOBRE VERBAS 62. Devem ser excluídas, por falta de previsão legal, todas as verbas de caráter indenizatório, tais como: valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado; aviso prévio indenizado e a projeção dele decorrente de um avo de décimo terceiro salário; o adicional de 1/3 (um terço) de férias, o abono de férias, férias indenizadas, saláriomaternidade, vale transporte, valores recebidos a título de ganhos eventuais, os abonos expressamente desvinculados do salário e o auxílioalimentação. 63. Já está pacificado no STJ o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre o auxílio doença pago pelo empregador nos primeiros 15 (quinze) dias da licença, por constituir verba decorrente de inatividade, que não possui natureza salarial. 64. O art. 28, §9º, “e”, “7”, da Lei nº 8.212/1991 exclui da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores recebidos a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. 65. O Pleno do egrégio STF, ao julgar o Recurso Extraordinário 478.410/SP em 10/03/2010, pacificou entendimento de que, mesmo quando pago em pecúnia, não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte. 66. No próprio Relatório Fiscal consta que a empresa forneceu auxílio alimentação in natura a seus empregados. O STJ já se manifestou no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja ou não o empregador inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. 67. A União desistiu das ações que discutem o fornecimento in natura do auxílioalimentação, bem como do valor pago a título de valetransporte e seguro de vida. A AdvocaciaGeral da União – AGU e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN publicaram orientações para que os procuradores não recorram mais nessas situações. Há especificamente o Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011 sobre o auxílioalimentação. INEXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO SISTEMA “S” AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO DA ARRECADAÇÃO 68. As contribuições destinadas ao SESC, SENAC, SESI e SENAI são tributos vinculados, devendo haver uma contraprestação ao contribuinte por parte da entidade arrecadadora, o que não ocorre no caso das empresas de prestação de serviços. As entidades beneficiadas com a contribuição são aquelas destinadas aos comerciários, sendo o objetivo a melhoria das suas condições de trabalho e a promoção de cursos de qualificação. MULTA Fl. 12355DF CARF MF 26 69. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos não autoriza a qualificação da multa de ofício ou de rendimentos. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos também não autoriza a qualificação da multa. Ademais, a impugnante não pode responder pela empresa e sequer tinha conhecimento do mandado de procedimento fiscal, não podendo serlhe infringido ato praticado por outrem, o que ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 70. Assim, a multa deve ser excluída, mesmo porque não se pode aplicar dupla penalidade: uma pelo arbitramento dos lucros e outra pela não entrega dos documentos, pois ambas decorrem do mesmo fato. 71. Não foi comprovado o intuito de fraude. 72. A multa tem caráter confiscatório e fere os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva, pois hodiernamente se admite pena em valor não superior a 2%, conforme Lei nº 9.298/1996. A proibição constitucional de confisco se estende às multas, não se restringindo somente aos tributos. A Administração não pode locupletarse em face dessa cobrança excessiva. O Tribunal Pleno do STF já entendeu que são abusivas as multas moratórias que superam os 100%. No caso, aplicouse duplamente a multa de 150%. O Min. Celso de Mello, em decisão monocrática no RE 754.554/GO reconhecer ser confiscatória multa de 25%. 73. Não há prova de que foi concedido prazo razoável à contribuinte para apresentar os documentos, “até porque a Impugnante não foi intimada de nada disso”. 74. Dessa forma, a multa deve ser excluída ou, eventualmente, reduzida para, no máximo, 10% (dez por cento). Caso não sejam acatados esses pedidos, pede que a multa seja reduzida de 150% para 75%. 75. A impugnante não praticou nenhuma fraude ou omissão dolosa durante o processo fiscalizatório. Não houve fraude, nem sonegação, pois a empresa entregou todos os documentos solicitados, informando, inclusive, que os demais estavam em poder da Polícia Federal. Ademais, o CARF decidiu que, havendo o arbitramento, que já é uma penalidade, não cabe o agravamento da multa. 76. Houve bis in idem, já que “utilizouse da infração à legislação previdenciária e da legislação do imposto de renda”. O Auditor Fiscal aplicou a multa prevista na legislação previdenciária e também a multa de 150% prevista na legislação tributária em geral, cumulando várias penalidades para o mesmo fato. TAXA SELIC 77. É ilegal a aplicação da Taxa SELIC não deve ser aplicada para correção de créditos tributários. Essa taxa tem caráter estritamente remuneratório e embute os juros e a correção monetária, sendo elevada e onerosa para o contribuinte. Ademais, não foi estipulada em lei, havendo a sua estipulação pelo Banco Central contraria o art. 161, §1º, do Código Tributário Nacional, que exige a instituição da taxa de juros por lei ordinária. 78. O Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento de que a aplicação da Taxa SELIC é ilegal e inconstitucional. 79. Não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Nesse sentido já se manifestaram o CARF e o Superior Tribunal de Justiça. Assim, a impugnante pleiteia seu afastamento do Auto de Infração. 80. Além disso, os juros somente poderão incidir depois de decorrido o trâmite procedimental administrativo, a partir da intimação para pagamento depois do julgamento, caso seja mantida a condenação. Fl. 12356DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.344 27 PROVAS E IMPUGNAÇÃO 81. Deve haver igualdade entre o contribuinte e a Receita Federal do Brasil no processo. Enquanto esta última teve mais de dois anos para analisar os documentos, o impugnante teve que se contentar com 30 dias, ainda sem acesso ao conteúdo dos autos, por problemas técnicos da própria Receita Federal. 82. As provas são nulas porque os Auditores Fiscais consideraram provas ilícitas para justificar a caracterização de grupo econômico e arbitrar o faturamento, obtidas em locais que sequer possuem relação com a impugnante. 83. Caso não seja considerada a nulidade de tais provas, o impugnante requer a realização de perícia e colheita de depoimentos, cujos quesitos e rol serão apresentados quando ela tiver acesso ao conteúdo integral do processo. O impugnante está impossibilitado de elaborar quesitos sem conhecimento prévio e amplo da acusação e da documentação em poder do Fisco, sob pena de violação ao devido processo legal. 84. Pede que sejam reconhecidas as nulidades apontadas e, no mérito, seja julgada improcedente a exigência fiscal, sendo reconhecida a ausência de responsabilidade. 85. Requer a produção de provas pericial e oral e a juntada de documentos em ulterior fase, em razão do exíguo prazo que lhe foi concedido, bem como que seja intimada das decisões, reservandose o direito de complementar a defesa após ter acesso ao conteúdo integral do processo administrativo fiscal. 5 Impugnação de Íris da Silva Tolardo Íris da Silva Tolardo foi intimada em seu endereço de Maringá/PR em 10/12/2014 e em seu endereço em São Paulo/SP na mesma data, conforme Avisos de Recebimento juntados aos autos. Em 07/01/2015, apresentou impugnação na qual, em essência, repete as alegações relatadas quando da descrição da impugnação de Rogério Márcio Tolardo. Os requerimentos finais também são idênticos. 6 Impugnação de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore foi intimada em seu endereço de Curitiba/PR em 10/12/2014. A correspondência enviada para o seu endereço em São Caetano do Sul/SP foi devolvida com o motivo “Desconhecido”. Foram emitidos os seguintes editais eletrônicos: Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014; Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André/SP, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014. Em 07/01/2015, ela apresentou impugnação com as mesmas alegações dos demais membros da família Tolardo. Os requerimentos finais também são idênticos. 7 Impugnação de Samuel Tolardo Júnior Samuel Tolardo Júnior foi intimado pelos Correios, com AR, em 12/12/2014, no mesmo endereço declarado por ele nas suas DIRPF do anocalendário 2013, Fl. 12357DF CARF MF 28 exercício 2014, e anocalendário 2014, exercício 2015, situado no Rio de Janeiro/RJ. Foi intimado também em Curitiba/PR, pelos Correios com AR, em 10/12/2014. Em 07/01/2015, ela apresentou impugnação com as mesmas alegações dos demais membros da família Tolardo. Os requerimentos finais também são idênticos. É o relatório. As impugnações apresentadas renderam ensejo à prolação do Acórdão nº 08 34.201, da 6ª Turma da DRJ/FOR, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2012 CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. DOLO E FRAUDE. Para fins do cômputo do prazo de decadência, tendo ocorrido dolo e frade, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contando se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. A impugnação deve vir acompanhada de prova documental que ratifique as alegações apresentadas. Não deve ser deferida a oitiva de testemunhas, quando não foi especificado na impugnação o fato que seria provado, bem como sequer foi apresentado o rol. PRELIMINAR DE NULIDADE. PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Não há violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa se os fatos e a fundamentação legal foram minuciosamente descritos nos relatórios que compõem o Auto de Infração e o contribuinte e os responsáveis solidários foram devidamente intimados, tendolhes sido concedido o prazo legal para defesa e oportunizada a consulta aos autos do processo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. CIÊNCIA. TERMOS EMITIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais efetuados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Mesmo se houver equívocos na formalização do MPF, tendo sido emitidos os termos previstos no art. 196 do Código Tributário Nacional e no art. 8º do Decreto nº 70.235/1972 nos moldes legais, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. SOLIDARIEDADE. FRAUDE E DOLO. USO DE LARANJAS. EMPREENDIMENTO ÚNICO FORMALMENTE MASCARADO Fl. 12358DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.345 29 COMO VÁRIAS EMPRESAS PRETENSAMENTE INDEPENDENTES. Comprovado que houve fraude e dolo na ocultação dos verdadeiros sócios administradores de empreendimento único, apenas formalmente constituído por várias empresas, com o uso de laranjas, há infração à lei e ao contrato social, respondendo os verdadeiros sócios como responsáveis solidários pelo crédito tributário previdenciário, por previsão do CTN, art. 135, III. Se essas pessoas participarem dos atos que originaram os fatos geradores, também há enquadramento no art. 124, I, do mesmo código. UTILIZAÇÃO DE PROVAS COLHIDAS EM INQUÉRITO POLICIAL E EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS FISCAIS. A utilização, como base para o lançamento de crédito tributário, de provas colhidas em inquérito policial e processo administrativo fiscal diverso não é proibida, desde que sejam submetidas ao rito processual previsto em lei, com a abertura de prazo para defesa e possibilitação do exercício do direito ao contraditório. Não há ilegalidade na quebra de sigilo fiscal, bancário e de comunicações autorizada pelo Poder Judiciário. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. EDITAL. A intimação pessoal não tem precedência sobre a intimação por via postal, com aviso de recebimento, efetuada no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Sendo improfícua essa intimação, é válida a intimação por edital. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STF E STJ NOS ACÓRDÃOS DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A tese exarada em decisão definitiva do STJ ou do STF, na forma dos arts. 543B (rito de repercussão geral) ou 543C (rito dos recursos repetitivos), deve ser reproduzida pelo órgão julgador da primeira instânciaadministrativa apenas na hipótese da comunicação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN de que, com base na Lei nº 10.522/2002, não mais contestará ou recorrerá sobre a matéria. Fl. 12359DF CARF MF 30 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. CONTRIBUINTE. A Lei nº 9.424/1996 não excepciona nenhuma empresa da obrigatoriedade do recolhimento do SalárioEducação, motivo pelo qual o art. 2º do Decreto nº 6.003/2006, estabelece que são contribuintes de tal contribuição as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. INCRA. EMPRESAS URBANAS. A contribuição destinada ao INCRA tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico e é devida pelos empregadores em geral, inclusive por empresas urbanas. GILRAT. ALÍQUOTA CONFORME ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA. Para apuração da contribuição prevista no art. 22, II, da Lei nº 8.212/1991 (GILRAT), o enquadramento da empresa no correspondente grau de risco para fins de apuração a alíquota é objetivo, dependendo do tipo de atividade preponderantemente exercida pela empresa, de acordo com as atividades especificadas no anexo ao Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Tendo a Auditoria identificado os montantes que compuseram as bases de cálculo das contribuições previdenciárias, inclusive identificando cada segurado empregado, não basta alegar de forma genérica que há verbas que não sofrem incidência dessas contribuições, devendo ser apresentadas provas. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SESC E SENAC. São devidas as contribuições destinadas ao SESC e ao SENAC pelas empresas que exercem atividades comerciais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Restando configurada a sonegação definida no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 deve ser aplicada em dobro, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu da seguinte forma: Ime Peças para Veículos Ltda. ME, ciência por edital afixado em 13/07/2015 (fl. 12.021); Iris da Silva Tolardo, ciência por AR recebido em 27 de julho de 2015 (fl. 12.026); Robson Marcelo Tolardo, ciência por Edital Eletrônico publicado em 07/08/2015 com data de ciência em 24/08/2015 (fl. 12.108); Fl. 12360DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.346 31 Rogério Márcio Tolardo, ciência por AR recebido em 28/07/2015 (fl. 12.028); Samuel Tolardo Júnior, ciência por AR recebido em 28/07/2015 (fl. 12.030); Jeane Cristine Tolardo, ciência por Edital Eletrônico publicado em 17/08/2015 com ciência em 01/09/2015 (fl. 12.329). Em 24/08/2015, foram apresentados tempestivamente os Recursos Voluntários de: Rogério Márcio Tolardo (fls. 12.037/12.106); Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (fls. 12.110/12.180); Iris da Silva Tolardo (fls. 12.183/12.249); Samuel Tolardo Júnior (fls. 12.255/12.324). Em suas razões de recorrer, Rogério Márcio Tolardo alega, em síntese: Nulidade da intimação, por ter sido realizada em endereço diverso daquele indicado em sua impugnação; Nulidade da autuação por ofensa ao contraditório e à ampla defesa, já que não teria obtido cópia dos documentos que justificariam a autuação (com essa alegação identificada como número 2 se confunde a de número 7 cerceamento de defesa); Nulidade da decisão recorrida por não ter analisado todas as questões invocadas pela defesa; Nulidade da decisão recorrida por ter sido proferida por autoridade incompetente: a decisão foi proferida por auditorfiscal e não por Delegado da Receita Federal, o que ofenderia o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 25, "a"; Nulidade por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal, em razão de não ter sido o recorrente cientificado da existência de processo de fiscalização contra si; Nulidade por ausência de intimação pessoal; Nulidade por ilegitimidade passiva do recorrente, pois não haveria prova que demonstrasse a existência de vínculo dele com a empresa autuada; Nulidade por falta de motivação e fundamentação, já que a autoridade fiscal teria tipificado as exigências em dispositivos genéricos, sem especificar quais artigos motivaram a lavratura do auto de infração; Nulidade por ilegitimidade do auditorfiscal, que teria extrapolado os limites de sua competência funcional ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária ao recorrente sem indicar os motivos para tanto; Como prejudicial de mérito, a necessidade de aguardar decisão do Supremo Tribunal Federal STF acerca da possibilidade de quebra do sigilo bancário diretamente por autoridade administrativa; No mérito, ausência de responsabilidade do recorrente, por ser pessoa estranha ao quadro societário da empresa autuada e por não haver prova de seu vínculo com ela e com o fato gerador do tributo; Ausência de responsabilidade do recorrente por inexistência de prova do seu benefício; Fl. 12361DF CARF MF 32 O crédito tributário já estava extinto pela decadência e pela prescrição; A exigência é improcedente por ausência da relação de empregados, avulsos e autônomos, o que prejudica o direito de defesa do recorrente; Inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo prevista constitucionalmente, que se limita aos salários e não quaisquer rendimentos pagos à pessoa física como prevê a Lei nº 8.212, de 1991; Inconstitucionalidade do salárioeducação; Inexigência da contribuição ao INCRA por empresa urbana; Inexigência do SAT por necessitar de lei complementar; Ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre verbas de caráter indenizatório; Inexigência da contribuição previdenciária sobre auxílioalimentação fornecido in natura por empresa não cadastrada no PAT; Inexigência de contribuição ao sistema "S" por ausência de vinculação da arrecadação; Exclusão ou redução da multa por aplicação dos enunciados nº 14 e 25 da Súmula de jurisprudência do CARF, por ausência de comprovação do intuito de fraude e pela aplicação do princípio de nãoconfisco; Redução da multa de ofício para 10% pela aplicação da proibição constitucional de confisco por tributos ou multas punitivas; Redução da multa de ofício para 75% por ausência de fraude ou omissão dolosa; Redução da penalidade por "bis in idem"; Inaplicabilidade da taxa Selic; Pede a realização de perícia e a colheita de depoimentos. Os demais recursos voluntários apresentam as mesmas razões de recorrer. É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Registro novamente que houve apresentação de recurso apenas pelos seguintes responsáveis solidários: Rogério Márcio Tolardo (fls. 12.037/12.106); Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (fls. 12.110/12.180); Iris da Silva Tolardo (fls. 12.183/12.249) e Samuel Tolardo Júnior (fls. 12.255/12.324). Fl. 12362DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.347 33 Os recursos apresentados preenchem os requisitos de admissibilidade e deles conheço. Preliminares Nulidade da intimação Os recorrentes alegam nulidade da intimação da decisão recorrida porque esta não respeitou as indicações de endereço feitas nas impugnação. O Decreto nº 70.235, de 1972, regulamenta a intimação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal no seguinte dispositivo: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; Fl. 12363DF CARF MF 34 b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. § 7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão. § 8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. § 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (grifou se) Conforme se extrai da literalidade do artigo transcrito a intimação por via postal será feita no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e este domicílio é o endereço fornecido por ele para fins cadastrais. Portanto, não há qualquer indicação de que o endereço informado na identificação da impugnação possa servir como domicílio para fins de intimação. Fl. 12364DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.348 35 Aliás, verificandose as impugnações apresentadas, vêse que sequer existe pedido para que esse endereço seja considerado e os sujeitos passivos alegam expressamente nulidade da intimação do auto de infração por não ter sido observado o endereço constante da DIRPF (item 3.5 da impugnação). Rejeito a preliminar argüida. Nulidade da autuação por ofensa ao contraditório e à ampla defesa Os recorrentes alegam que não tiveram conhecimento da ação fiscal até a lavratura do auto de infração e dos termos de sujeição passiva solidária e que, após terem sido surpreendidos pela exigência que recaía sobre eles, solicitaram cópia dos documentos que justificariam a autuação, contudo ela não foi fornecida a tempo e no prazo da impugnação. Esta alegação é bastante séria e conduziria à reabertura do prazo para apresentação de defesa. Ocorre, porém, que não se faz acompanhar de qualquer comprovação. Neste caso, contrapondose à atuação de autoridade pública, que goza de presunção de legitimidade, faltalhe força para infirmar essa presunção legal. Além disso, entre as folhas 10.853 e 10.945 do processo eletrônico, estão juntadas uma série de intimações da ação fiscal que contrariam as afirmações dos recorrentes de que não tiveram conhecimento desta e de que foram surpreendidos pelo termo de sujeição passiva solidária. No mais, adoto como razões de decidir o seguinte excerto da decisão de piso: Ocorre que todos os documentos nos quais se basearam os Auditores Fiscais foram juntados ao processo administrativo fiscal, o qual foi formalizado em processo eletrônico. A Lei nº 11.196, de 2005, introduziu no Decreto nº 70.235, de 1972, a possibilidade da prática de atos processuais por meio eletrônico. Esse tipo de processo pode ser acessado diretamente pelo contribuinte, seus procuradores ou pessoas devidamente autorizadas, conforme instruções facilmente encontradas no sítio da RFB na internet. Mesmo se considerando que os demandantes não pudessem consultar os documentos dos processos por não quererem optar pelo Domicílio Tributário Eletrônico –DTE, é direito do contribuinte ou interessado a extração de cópias do processo, bem como a vista (Decreto nº 7.574/2011, art. 146, §§ 2º e 3º), procedimentos efetuados corriqueiramente na RFB, bastando o preenchimento do formulário adequado, também disponibilizado no sítio da RFB na internet, bem como a apresentação dos documentos necessários. Os impugnantes alegaram que lhes foi negada a vista ou cópia do processo, entretanto não apresentaram prova alguma desse fato. Há pedidos deferidos que comprovam o contrário. Consta nos autos solicitação de cópia do processo em meio digital efetuada em 22/12/2014 por Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Não há nenhum indício de que cabe à RFB e não a ela a responsabilidade por ter pego a mídia apenas em 09/02/2015, Fl. 12365DF CARF MF 36 conforme atesta a sua assinatura, principalmente porque, ao invés do alegado, o seu pedido não foi negado, tendo a RFB se disposto a providenciar a cópia. Preliminar de nulidade rejeitada. Nulidade da decisão recorrida É alegada também a nulidade da decisão de piso por não ter analisado todas as questões invocadas pela defesa. Quanto a esse aspecto, entendo que, embora a decisão deve ser fundamentada e levar em consideração os argumentos apresentados pelos impugnantes, pois isso consiste em uma das faces do contraditório (poder de influência), não há obrigatoriedade de análise de todos os argumentos de defesa. Com efeito, de acordo com o art. 489 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (...) Isso significa que a omissão que vicia a decisão é aquela relativa a ponto que poderia alterar a decisão tomada. Nesse sentido, destaco o seguinte precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA): “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. Fl. 12366DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.349 37 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n.799.509AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). No mesmo sentido, é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.532.206 RJ (2015/01052895) relator o Ministro Marco Aurélio Bellizze: Ademais, não se exige do julgador examinar uma a uma as teses suscitadas pelo recorrente, tampouco a transcrição de fundamentos adotados per relationem à sentença, na esteira de precedentes desta Corte Superior (AgRg no AgRg no AREsp n. 630.003/SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 19/5/2015; HC n. 103.158/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 8/6/2015; HC n. 315.106/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 11/3/2015; entre outros). Na hipótese em questão, devese considerar ainda o fato de que a alegação de nulidade da decisão foi efetuada de forma genérica, sem demonstrar a efetiva omissão e o prejuízo sofrido. Em contraponto, analisandose a decisão recorrida, vertida em um Acórdão de 67 páginas com o enfrentamento consciencioso de questões que foram repetidas na fase recursal, não é possível identificar o vício que lhe é impingido. Rejeito também essa preliminar. Nulidade da decisão proferida por autoridade incompetente Os recorrentes alegam também nulidade da decisão recorrida por ter sido proferida por autoridade incompetente, auditorfiscal e não Delegado da Receita Federal, o que ofenderia o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 25, "a". Ocorre que o art. 64 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, deu nova redação a esse artigo 25, alterando o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, pela instituição do julgamento colegiado: Fl. 12367DF CARF MF 38 Art. 64. O art. 25 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; ................................................................ § 5o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá os atos necessários à adequação do julgamento à forma referida no inciso I do caput." (NR) A regulamentação desse julgamento colegiado em 1ª instância dáse atualmente pela Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, de onde se extrai: Art. 2º As DRJ são constituídas por Turmas Ordinárias e Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por 5 (cinco) julgadores, podendo funcionar com até 7 (sete) julgadores, titulares ou pro tempore. § 1º As Turmas Ordinárias podem ter até 2 (duas) Turmas Especiais a elas vinculadas, que serão instaladas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil no ato de designação dos respectivos julgadores e terão a mesma competência para julgamento atribuída às Turmas Ordinárias a que se vinculam. § 2º As Turmas Ordinárias são dirigidas por um presidente nomeado entre os julgadores, sendo uma delas presidida pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que também exerce a função de julgador. § 3º As Turmas Especiais possuem caráter temporário, são integradas por julgadores pro tempore e dirigidas pelo Presidente da Turma Ordinária a que se vincula. § 4º A nomeação de Presidentes de Turmas e a designação de julgadores, titulares ou pro tempore, são de competência do Secretário da Receita Federal do Brasil. Art. 3º O julgador deve ser ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), preferencialmente com experiência na área de tributação e julgamento ou habilitado em concurso público nessa área de especialização. (grifouse) Logo, improcedente a alegação de incompetência da autoridade que prolatou a decisão recorrida. Preliminar rejeitada. Nulidade por ausência de MPF Argumentam os recorrentes que o lançamento seria nulo por não terem sido cientificados da existência de processo de fiscalização contra eles. Fl. 12368DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.350 39 Inicialmente, deve ser registrada a reiterada jurisprudência deste colegiado no sentido expresso pelo Acórdão 2301004.168, relatado pelo Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, de acordo com o qual eventuais deficiências do MPF não maculam o lançamento: 3. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. 4. Consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes as unidades da Receita Federal para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, ato praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão, não tem condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado. 5. A necessidade de cientificar o contribuinte da existência do MPF prendese tão somente a questões relacionadas a sua segurança contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Por outro lado, no Termo de Intimação Fiscal nº 01 (fl. 1073) há a identificação do mandado de procedimento fiscal instaurado em face da empresa fiscalizada e do código de acesso para verificação de sua autenticidade. Pelos documentos de fls. 1077, 1080, 1085, 1090 e 1093 os sujeitos passivos solidários foram cientificados do termo de início da ação fiscal em face de algumas empresas e dos Termos de Intimação Fiscal em relação a outras, estando a empresa fiscalizada entre elas. Portanto, é improcedente a alegação de desconhecimento da ação fiscal. Cumpre ressaltar que não há, nas normas que regulamentam esse procedimento, previsão de que seja emitido MPF específico para os sujeitos passivos solidários. Nesse sentido, extraise do Acórdão nº 2202003.852, de relatoria da Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio: NULIDADE DA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA SEM A EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ESPECÍFICO. Improcedente a alegação de que a imputação de responsabilidade solidária demandaria a emissão de um Mandado de Procedimento Fiscal específico para esse fim, uma vez que a apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do Fl. 12369DF CARF MF 40 trabalho fiscal. Dessa forma, em relação ao MPF, não vejo qualquer mácula no procedimento adotado pela fiscalização que pudesse levar à nulidade do lançamento. Rejeito a nulidade argüida. Nulidade por ausência de intimação pessoal Esta questão já se encontra superada em função do enunciado nº 9 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Nulidade rejeitada. Nulidade por ilegitimidade passiva dos recorrentes Os recorrentes também alegam a existência de nulidade por ilegitimidade dos sujeitos passivos, pois não haveria prova que demonstre a existência de vínculo entre eles e a empresa autuada. Entendo que essa matéria poderia ser tratada como preliminar se houvesse um erro evidente de identificação do sujeito passivo, o que não é o caso. Em razão disso, a análise da legitimidade das pessoas apontadas como responsáveis solidários para integrar o pólo passivo da obrigação tributária deve ser tratada como matéria de mérito, o que será feito adiante. Rejeito a preliminar de nulidade por ilegitimidade passiva dos recorrentes. Nulidade por falta de motivação e fundamentação Segundo os recorrentes, a autoridade fiscal teria tipificado as exigências em dispositivos genéricos, sem especificar quais artigos motivaram a lavratura do auto de infração, o que caracterizaria falta de fundamentação para o ato. Ao contrário do que se alega, entretanto, o auto de infração, através de seus vários elementos integrantes, identifica não apenas os dispositivos legais aplicáveis à espécie (Relatório Fundamentos Legais do Débito fls. 11.010/11.011 e 11.038/11.039), como faz uma exaustiva descrição dos fatos que ensejaram a responsabilidade de todos os sujeitos passivos (documentos intitulados Relatório Previdência IME Parte A, Relatório Previdência IME Parte B e Anexo Relatório Previdência IME fls. 11.102/11.640). Portanto, não identifico a alegada ausência de motivação/fundamentação no lançamento. Rejeito. Nulidade por ilegitimidade da atuação do AuditorFiscal Fl. 12370DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.351 41 Sob esse tópico, alegam os recorrentes que o AuditorFiscal teria extrapolado os limites de sua competência funcional ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária aos recorrentes sem indicar os motivos para tanto. Asseveram que: A responsabilização capitulada pelo Auditor Fiscal, entretanto, escapa de sua competência, pois além de não estar prevista expressamente na lei de regência de sua atividade, compete exclusivamente ao Procurador da Fazenda Nacional, na esfera judicial, fazêlo e desde que presentes os requisitos. Mais uma vez, não lhes assiste razão. Com efeito, de acordo com o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, o lançamento fiscal é o momento adequado para a identificação do sujeito passivo da obrigação tributária e, segundo o mesmo código: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifouse) Por outro lado, a Lei nº 10.593, de 2002, não deixa margem à dúvida sobre quem é a autoridade administrativa de que trata o CTN: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Fl. 12371DF CARF MF 42 b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; (...) Cumpre registrar, ainda, que o STJ, no âmbito do REsp 1110925/SP, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, em Acórdão de lavra do Ministro Teori Albino Zavaski, assentou que: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL SÓCIOGERENTE CUJO NOME CONSTA DA CDA. PRESUNÇÃO DE RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA ARGUIDA EM EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. INVIABILIDADE. PRECEDENTES. 1. A exceção de préexecutividade é cabível quando atendidos simultaneamente dois requisitos, um de ordem material e outro de ordem formal, ou seja: (a) é indispensável que a matéria invocada seja suscetível de conhecimento de ofício pelo juiz; e (b) é indispensável que a decisão possa ser tomada sem necessidade de dilação probatória. 2. Conforme assentado em precedentes da Seção, inclusive sob o regime do art. 543C do CPC (REsp 1104900, Min. Denise Arruda, sessão de 25.03.09), não cabe exceção de pré executividade em execução fiscal promovida contra sócio que figura como responsável na Certidão de Dívida Ativa CDA. É que a presunção de legitimidade assegurada à CDA impõe ao executado que figura no título executivo o ônus de demonstrar a inexistência de sua responsabilidade tributária, demonstração essa que, por demandar prova, deve ser promovida no âmbito dos embargos à execução. 3. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC. Essa decisão evidencia que a atribuição de responsabilidade tributária é questão afeta ao procedimento administrativo que dá origem à CDA. Ou seja, precede a instauração da execução fiscal. Fl. 12372DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.352 43 Embora seja possível o redirecionamento da execução a pessoas que não constem nesse título ou, ainda, que seja realizada a desconsideração da personalidade jurídica de que trata o novo Código de Processo Civil, esses procedimentos se tornam necessários quando não foi efetuada a atribuição da responsabilidade no processo de sua formação (da CDA). Ou seja, esses procedimentos tem caráter residual e não têm o condão de excluir a competência da autoridade fiscal, lastreada no Código Tributário Nacional, norma com força de Lei Complementar. Em tempo, as provas foram obtidas através de decisões judiciais (fls. 633/645) em relação às quais não se demonstrou qualquer irregularidade. Embora os recorrentes aleguem a incompetência do juízo que determinou a busca e apreensão, a quebra dos sigilos e o compartilhamentos das informações, não demonstram que esse fato tenha sido assentado em decisão judicial, único meio capaz de infirmar a presunção de legitimidade que carrega uma decisão judicial. Portanto, assim como são improcedentes as alegações de incompetência da autoridade fiscal, não há que se falar em provas ilícitas. Rejeito também esta preliminar de nulidade. Prejudicial de mérito necessidade de aguardar decisão do STF Em relação a essa matéria, deve ser registrado que não há mais previsão regimental para suspensão dos processos no âmbito do CARF para fins de se aguardar decisão dos tribunais superiores. A despeito disso, a constitucionalidade do comando que autoriza a fiscalização a obter informações bancárias dos contribuintes sem interferência do poder judiciário já foi decidida de forma favorável à Fazenda Nacional. Prejudicial de mérito rejeitada. Mérito Ausência de responsabilidade dos recorrentes No mérito, alegase ausência de responsabilidade dos recorrentes, por serem pessoas estranhas ao quadro societário da empresa autuada e por não haver prova de seu vínculo com ela e com o fato gerador do tributo. Quanto a essa alegação, em homenagem ao excelente trabalho realizado pela decisão de piso, transcrevo e adoto como razões de decidir o seguinte trecho do Acórdão em que consubstanciada: 8. Da Responsabilidade dos Envolvidos A solidariedade dos integrantes da família Tolardo não se baseou em presunções, mas em provas irrefutáveis de que eles administravam a sociedade, conforme se verá adiante. A solidariedade foi aplicada não porque eles são sócios de fato do empreendimento, mas porque agiram com infração à lei e ao contrato social das empresas (CTN, art. 135, III), a começar pela utilização de sócios laranjas, com o intuito evidente de escaparem de uma possível cobrança dos tributos devidos e sonegados. Fl. 12373DF CARF MF 44 Quanto ao art. 124, I, do CTN, está presente, no caso, o interesse jurídico, não por as pessoas físicas serem da mesma família, mas por terem participado ativamente, ainda que de forma oculta, da administração das empresas e, por consequência, dos fatos geradores que originaram os Autos de Infração. A própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no já mencionado Parecer PGFN/CRJ/CAT 55/2009, entendeu que a responsabilidade do administrador pode ser declarada quando da lavratura do auto de infração que formalizar o lançamento do crédito tributário em face da pessoa jurídica contribuinte, como também pode ser declarado em auto de infração e em momento distintos, independentemente de ter o ato ilícito sido praticado no momento da ocorrência do fato jurídico tributário que deu origem à obrigação tributária principal. A responsabilidade de cada administrador pode ser declarada ao mesmo tempo e ato ou em tempos e atos distintos. Não há ilegalidade alguma na imputação da responsabilidade pelos Auditores Fiscais, os quais eram competentes para efetuar tal ato no momento em que apuraram os fatos que o fundamentava. Diante da constatação da existência da REDE PRESIDENTE e de sua administração pela família Tolardo, a ausência da vinculação formal de seus membros à empresa não os exime da responsabilização, diante do seu envolvimento de fato na administração de todo o empreendimento. Constavam no banco de dados utilizado pelo Programa Caixa várias “contas” representativas de custos, despesas, pagamentos, recebimentos, etc., bem como vários “centros de custos”, tais como os relativos a cada uma das “filiais”. Dentre os centros de custo destacase o “020 – DIRETORES”. Entre as subcontas, sobressaem aquelas inerentes a cada um dos integrantes da família Tolardo. Filtrandose o centro de custos “20DIRETORES” e aplicandose outro filtro relativos às subcontas, foi possível filtrar os pagamentos efetuados a cada um deles. Ademais, a planilha “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls”, encontrada nos pendrives de Odete, operadora do esquema, e Samuel Tolardo Júnior, corroboram os valores encontrados na base de dados do Programa Caixa, comprovando a distribuição de valores entre os componentes da família Tolardo. 8.1. Íris da Silva Tolardo Constam no relato da Auditoria Fiscal várias provas da participação de Íris da Silva Tolardo no esquema fraudulento. Íris da Silva Tolardo é a administradora/responsável formal pela empresa Agropecuária Valparaíso Ltda., empresa registrada em nome dos irmãos Tolardo. Essa empresa é proprietária do imóvel utilizado pela REDE PRESIDENTE em Maringá/PR. No local temse o endereço de três empresas do esquema: a Napa Parts, conforme logomarca na fachada do prédio, a PRTS e a Administradora Confiança. No endereço residencial de Daniel de Oliveira Junior foi encontrado instrumento particular, com caráter de escritura pública de cessão onerosa de direitos e obrigações, datado de 09/05/2008, referente a esse imóvel. A cessionária é a Agropecuária Valparaíso, naquele ato representada por Íris da Silva Tolardo. O imóvel localizado no bunker da Rua das Camélias, 690, Maringá/PR, uma residência sem qualquer tipo de identificação, foi registrado no nome de Daniel de Oliveira Junior, importante operador do esquema. Ele passou uma procuração para a família Tolardo, inclusive para Íris da Silva Tolardo, em Fl. 12374DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.353 45 22/06/2009, concedendo poderes par vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar a quem quiser, pelo preço e condições que convenciarem. Sendo esse imóvel utilizado pelo esquema, a procuração é um inequívoco elemento que vincula Íris da Silva Tolardo à REDE PRESIDENTE. Íris da Silva Tolardo serve como caucionante (garantidora) do contrato de locação de um imóvel (galpão industrial) locado pela REDE PRESIDENTE em Barueri/SP, endereço de uma das empresas do esquema, SMA Auto Parts Indústria e Comércio de Peças Automotivas Ltda, responsabilizandose por todas as obrigações assumidas, entretanto o contrato foi feito em nome de Rosangela Maria Mantovani, sócia laranja da SMA. A locação do imóvel residencial situado na Av. Perseu, em São José dos Campos, para o período fevereiro/2008 a fevereiro/2011, foi garantida por Íris da Silva Tolardo, que ficou solidariamente responsável por todas as obrigações decorrentes do contrato. A locatária é a empresa PRS, então denominada Retificadora Presidente Prudente Peças para aVeículos Ltda. Íris da Silva Tolardo injetou recursos na REDE PRESIDENTE no final de 2011, depositando R$ 900.000,00 (novecentos mil reais) em conta da PRTS Distribuidora de Peças Ltda. Tratase pretensamente de um empréstimo, porém as condições são extremamente benéficas, com um prazo de cinco anos para pagamento com os juros da poupança, certamente motivadas por ser investimento em negócio próprio, já que, de fato, era uma das proprietárias da REDE PRESIDENTE. O cheque emitido para a efetivação do empréstimo é de uma conta conjunta de Íris da Silva Tolardo com Samuel Tolardo Júnior, outro membro da família e proprietário do esquema. Na residência de Robson Marcelo Tolardo foi encontrado outro depósito feito por Íris da Silva Tolardo em favor da PRTS Distribuidora de Peças Ltda., no valor de R$.990.000,00 (novecentos e noventa mil reais), efetuado em 14/07/2010. Ademais, Íris da Silva Tolardo é usuária de um cartão de crédito AMEX conjuntamente com os demais integrantes/proprietários do esquema e cujas faturas são pagas pela REDE PRESIDENTE. O caseiro de Íris da Silva Tolardo, Antônio Prudente Ferreira, depôs à Polícia Federal em 17/10/2012 e disse que nunca trabalhou para nenhuma empresa, entretanto os acertos relativos ao seu vínculo trabalhista eram feitos pela REDE PRESIDENTE, conforme quatro interceptações telefôncias entre Antônio e Fabiana, do Departamento Pessoal da rede, e “Nego”, outro funcionário do esquema. Ademais, ele consta na “Relação detalhada de valores” da REDE PRESIDENTE (MGA233.9) emitida em 16/02/2011, onde está escrito que ele teria sido admitido em 1º/08/1989 e seria Auxiliar de Serviços Gerais do Departamento Geral da Filial 98 – MTZ MGA. Outra evidência da ligação de Íris da Silva Tolardo com o esquema é a ligação telefônica de 05/05/2012 entre ela e uma amiga (Leda ou Hieda), quando fala com naturalidade sobre o comportamento de Odete Cardoso Berti, uma funcionária do esquema. Nesse telefonema ela disse: “pelo telefone não posso falar muita coisa, também. Entendeu?”. Esse fato demonstra não só a sua participação, mas também que ela tinha conhecimento da ilicitude do esquema. Fl. 12375DF CARF MF 46 Em conversa telefônica de Íris da Silva Tolardo com sua filha, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, de 22/05/2012, novamente ela demonstra pleno conhecimento das atividades do esquema. A conversa gira em torno das novas atribuições da família com a aquisição do Grupo Emprepar. Nessa conversa ela diz que da forma como está, o filho Robson Marcelo Tolardo tem muito poder em detrimento dos outros filhos e reclama da esposa e filha dele, Paula e Amanda, respectivamente. Acrescenta, ainda, que Paula bajula demais Liderci e que acha que isso se deve ao fato de Liderci saber de “tudo”. Edson Barbosa da Silva, irmão de Íris da Silva Tolardo, em depoimento à Polícia Federal, disse claramente que a REDE PRESIDENTE pertence à sua irmã. 8.2. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore Há robustas provas de que Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore participava ativamente do esquema, especialmente como administradora do grupo de empresas adquirido, Embrepar. Foram, inclusive, interceptadas pela Polícia Federal ligações telefônicas entre ela e sua mãe e entre esta e Robson Marcelo Tolardo, as quais demonstram que a filha do exdono da Embrepar ensinou a Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore os procedimentos do negócio adquirido. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore foi sócia da Administradora Confiança. Foram localizadas várias procurações dos sócios laranjas para ela: outorgada por Geraldo Richter com poderes para vender ou incorporar as quotas da REDE PRESIDENTE (07/11/2002); outorgada pela RPT (representada por Geraldo Richter) para representação perante bancos (07/11/2002); outorgada pela RPT com poderes amplos e gerais (07/11/2002), outorgada pela RPT para representá la em bancos com poderes amplos, gerais e ilimitados (12/11/2003); outorgada pela RPT com poderes amplos, gerais e ilimitados (12/11/2003); outorgada pela Nobre Participações Ltda. (representada pela sócia laranja Mirian Coutinho de Lima para ela e seu irmão, Samuel Tolardo Júnior, conferindo poderes amplos e gerais (25/08/2004). Para que Daniel de Oliveira Junior, funcionário do esquema, locasse um imóvel em Maringá/PR, foi necessário um fiador, papel exercido por Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore e seu marido. Outro imóvel cuja locação teve Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore como fiadora foi o do bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR (aluguel do período 10/03/2011 a 09/03/2014) cuja locatária era Ana Maria Gimenez de Souza é importante operadora do esquema. Há, ainda, o contrato de locação de um barracão comercial em Bauru/SP, usado pela REDE PRESIDENTE, Filial 18. O contrato tem como locatária Fernanda Cristina de Lima dos Santos, usada como laranja na RPFL Auto Peças Ltda., e como fiadora Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Além disso, existem imóveis de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore que são usados pela REDE PRESIDENTE: galpão situado em Londrina/PR locado à REDE PRESIDENTE – Filial 14 e imóvel utilizado pelo esquema no Rio de Janeiro/RJ; imóvel comercial em Petrolina/PE, com galpões de estocagem, avaliado por laudos em R$.750.000,00 (setecentos e cinquenta mil reais) e R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil reais). O primeiro laudo aponta como solicitante e ocupante do imóvel a empresa Napa Parts Dist de Fl. 12376DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.354 47 Auto Peças Ltda. Distribuidora de Auto Peças e como proprietária Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Outro imóvel de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore utilizado pela REDE PRESIDENTE localizase em Imperatriz/MA, no endereço cadastral da IME Peças para Veículos Ltda. – ME. Foi encontrado laudo de avaliação datado de 23/03/2011, no qual ela consta como proprietária e Liderci Luriko Nagabe de Oliveira como solicitante. O imóvel foi avaliado em R$ 1.350.000,00 (um milhão, trezentos e cinquenta mil reais). O imóvel utilizado pela REDE PRESIDENTE em Feira de Santana/BA (Filial 74) também era de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, conforme laudos de avaliações realizadas em novembro/2011. As fotos que constam no laudo mostram que na fachada havia a logomarca da REDE PRESIDENTE. Esse imóvel foi avaliado em R$.1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) por um laudo e em R$ 1.516.000,00 (um milhão, quinhentos e dezesseis reais) por outro. Também era de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore o imóvel utilizado pelo esquema em Piracicaba/SP (Filial 75), conforme laudos de avaliação feitos em 2011. O imóvel foi avaliado em R$ 1.524.705,05 (um milhão, quinhentos e vinte e quatro mil, setecentos e cinco reais e cinco centavos) e R$ 1.450.000,00 (um milhão, quatrocentos e cinquenta mil reais). Foi encontrado o registro desse imóvel. Constam também como de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore 3 (três) lotes de terrenos contíguos em Fos do Iguaçu/PR, cujo barracão ali instalado serve de extensão para a PRE Comércio e Distribuição de Peças Ltda. (Filial 44), conforme certidão de escritura pública de compra e venda. A compra desse imóvel foi feita por procuração, justamente por Robson Marcelo Tolardo. O imóvel usado pela REDE PRESIDENTE em Londrina/PR (Filial 14) também era de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, conforme contrato de locação de 02/01/2007. Há, ainda, o imóvel registrado no me da filha de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, a menor Julia Tolardo Dalle Ore, usado em Porto Alegre/RS pela REDE PRESIDENTE (Filial 60). Todos esses imóveis, com exceção dos de Foz do Iguaçu/PR e Imperatriz/MA, foram transferidos à empresa Zenith Administradora de Bens e Participações Ltda., a título de integralização do capital. Essa é uma das empresas criadas para administrar os bens da família Tolardo, tendo como sócia a própria Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore e suas filhas, Isabela Tolardo Dalle Ore e Julia Tolardo Dalle Ore. Os imóveis eram controlados pela REDE PRESIDENTE, segundo constatado em planilha encontrada por ocasião do cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão. Nessa planilha foi, ainda, identificado um imóvel denominado “C.MOURÃO”, para o qual encontrouse um laudo de avaliação de 28/08/2012 para imóvel situado em Campo Mourão/PR, com valor estimado de R$.440.000,00, de propriedade de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Quanto ao imóvel identificado na planilha como “SPINHAIS”, foram localizados os registros dos imóveis de matrículas 19.136, 19.139, 19.140, 19.141, 19.142 e Fl. 12377DF CARF MF 48 19.143 no Registro de Imóveis de São José dos Pinhais/PR, adquiridos por Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore em 25/08/1997. 8.3. Rogério Márcio Tolardo Foram relatadas várias provas da atuação de Rogério Márcio Tolardo, como: a. Procuração de 10/10/1996 da então Foramec Auto Peças Ltda. (atual RPT), representada por ele e por seu irmão Samuel Tolardo Júnior, constituindo um procurador para representar a empresa perante repartições públicas; b. Procuração outorgada a ele por Adanice Gonçalves de Jesus, conferindolhe poderes amplos, gerais e ilimitados, datada de 03/04/20000; c. Procuração outorgada a ele pela empresa Rede Presidente Ltda., conferindolhe amplos, gerais e ilimitados poderes, datada de 03/04/2000; d. Procuração outorgada a ele em 07/101/2002 por Geral Richter (então laranja da RPT), conferindolhe amplos e gerais poderes para vender ou incorporar as quotas da RPT ou assinar quaisquer contratos de compra e venda, inclusive alterações contratuais; e. Procuração datada de 07/11/2002, por meio da qual a Rede Presidente, representada por Geraldo Richter, concedelhe amplos e gerais poderes para representar a empresa perante quaisquer estabelecimentos bancários, públicos ou privados do país; f. Procuração de 07/11/2002, outorgada a ele pela Rede Presidente, representada por Geral Richter, conferindolhe amplos e gerais poderes para constituir advogados, com todos os poderes inerentes. Na época do cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão, Rogério Márcio Tolardo residia em Curitiba/PR, onde é sócio de uma loja de aparelhos eletrônicos para uso doméstico, W2X – Comércio e Serviços de Equipamentos. Apesar de essa empresa aparentemente não ter relação com o esquema REDE PRESIDENTE, no período de abril/2005 a janeiro/2010, era seu sócio Francisnei Paulo Ferrarini, mero funcionário do esquema. Fracisnei também foi usado como laranja da FEMAMAR Repres. Comerciais Ltda., empresa da REDE PRESIDENTE, que fica no mesmo endereço de uma das filiais da RPT. Em depoimento prestado à Polícia Federal em 17/10/2012, Francisnei afirma que figurou como sócio da W2X a pedido de Rogério Márcio Tolardo, porém jamais exerceu qualquer atividade nessa empresa, gerida exclusivamente por Rogério. Notese que Fransicnei diz que aceitou a proposta porque tinha uma relação de amizade ou seria alguém de confiança de Rogério Márcio Tolardo, o que, por óbvio, decorreu da atuação e posição deste último na REDE PRESIDENTE. A participação de Rogério Márcio Tolardo fica mais clara diante dos imóveis de sua propriedade controlados pela planilha já mencionada, onde se constata ser ele proprietário de 6 (seis) imóveis: a. Um galpão em Guarulhos/SP, pertencente também a Samuel Tolardo Júnior. Foi localizado um contrato de locação de 1º/01/2010, constando ambos os irmãos como locadores e a RPT como locatária. No bunker da Rua Rui Barbosa, 1027, Maringá/PR, foi encontrada uma avaliação do imóvel de maio/2011, no valor de R$ 25.758.128,00 (vinte e cinco milhões, setecentos e Fl. 12378DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.355 49 cinquenta e oito mil, cento e vinte e oito reais). Apesar de o valor para locação do imóvel ser R$.257.581,28 (duzentos e cinquenta e sete mil, quinhentos e oitenta e um reais e vinte e oito centavos), os irmãos o locam por R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Em dezembro/2009, esse imóvel foi dado em caução como garantia de um contrato de locação não residencial celebrado pela Fort Lub Produtos Automotivos Ltda.; b. Dois terrenos contíguos onde está construído um barracão usado pela REDE PRESIDENTE em Foz do Iguaçu (empresa PRE, Filial 44); c. Um terreno localizado em Maringá/PR, área muito bem localizada pertencente ao esquema; d. Imóvel localizado em Cabuy, Presidente Prudente/SP, onde funciona a Filial 38. No contrato de locação encontrado, datado de 1º/01/2010, a locatária é a empresa Rolcar Auto Peças, do esquema REDE PRESIDENTE; e. Imóvel localizado em Uberlândia/MG (Filial 64). Foi encontrada cópia da matrícula do imóvel. Posteriormente, esses imóveis foram dados como integralização de capital de uma das empresas do esquema, Magno Administradora de Bens e Participações Ltda. O capital, que era de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) passou para R$ 1.039.765,00 (um milhão, trinta e nove mil, setecentos e sessenta e cinco reais). Outro indicativo da posição de Rogério Márcio Tolardo é dado em conversa telefônica entre sua mãe e Leda ou Hieda, que o compara a Robson Marcelo Tolardo e comenta que Rogério também é sócio. Em outras duas gravações efetuadas pela Polícia Federal, constatase a existência de repasses ou pagamentos mensais que a família Tolardo fazia ao sócio Rogério Márcio Tolardo. 8.4. Samuel Tolardo Júnior No apartamento de Samuel Tolardo Júnior em Curitiba/PR, foram encontrados vários documentos relativos ao esquema. Ele participa há bastante tempo, como comprova a procuração da RPT, então Foramec Auto Peças Ltda., datada de 10/10/1996. Nessa procuração, ao lado de seu irmão Rogério Márcio Tolardo, ele consta como sócio da empresa que, praticamente, inaugurou a REDE PRESIDENTE. Ademais, Samuel Tolardo Júnior (ou Júnior) foi diversas vezes mencionado na escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, como, por exemplo, em conversa de 22/05/2012 entre sua mãe e sua irmã, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, na qual fica clara a sua participação na empresa recém adquirida do Grupo Embrepar. Em outra interceptação telefônica, do dia 1º/08/2012, entre ele e Ana Maria Gimenez, resta evidente o seu envolvimento na análise de questões operacionais, como transferências dentre filiais e estoque negativo. Um imóvel onde se localizava um dos bunkers da REDE PRESIDENTE estava registrado no me de Daniel de Oliveira Júnior, constando uma procuração desse operador do esquema para a família Tolardo, inclusive para Samuel Fl. 12379DF CARF MF 50 Tolardo Júnior, datada de 22/06/2009, concedendo poderes para vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar esse imóvel. O endereço de Samuel Tolardo Júnior que consta nessa procuração é, na verdade, o endereço de uma filial da REDE PRESIDENTE, Filial 27, no Rio de Janeiro, apesar de constar nas suas DIRPF desde 2003 como sendo seu endereço residencial. Há outra procuração, outorgada por Genésio Bueno, laranja da A.P.E. Auto Peças Ltda. (dezembro/2004 a setembro/2013), conferindolhe amplos, gerais e ilimitados poderes. Idêntica procuração foi também concedida pela própria empresa, na época denominada A Presidente Auto Peças Ltda. Foi encontrado contrato de execução de construção por empreitada global entre Samuel Tolardo Júnior e Antonio Picoli Sobrinho, de 05/05/1992, para construção de barracão comercial em Curitiba/PR, provavelmente o mesmo imóvel da matrícula 51.835. Junto à cópia do registro da matrícula foi achado um recibo, no qual consta que o imóvel foi adquirido por Samuel Tolardo Júnior em 24/05/2005. Tratase de um barracão comercial utilizado pela Filial 23 da REDE PRESIDENTE. Foram encontradas duas avaliações do imóvel, uma delas solicitada por Samuel Tolardo Júnior. Outro imóvel adquirido por Samuel Tolardo Júnior é um barracão comercial em Cascavel/PR. Foram encontrados vários documentos referentes à obra, datados de final de 2011 e ano de 2012. A maioria dos emails tratando de assuntos da obra são assinados por Nilson Roberto da Silva, funcionário da REDE PRESIDENTE desde 09/06/2003. Há, ainda o imóvel de Guarulhos/SP, adquirido por Samuel Tolardo Júnior e Rogério Márcio Tolardo, conforme escritura pública de venda e compra de 28/06/2001. Também foi constatado serem de propriedade de Samuel Tolardo Júnior um apartamento em Curitiba/PR; um salão comercial em Londrina locado a Rogério José de Alencar e um terreno em Londrina. Desses imóveis, ao menos três deles (um em Curitiba/PR, o terreno de Londrina/PR e o de Cascavel/PR) foram transferidos em abril/2012 para a empresa Urbanos Administradora de Bens e Participações Ltda. como integralização de capital por parte de Samuel Tolardo Júnior. O capital da empresa passou de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para R$.563.280,00 (quinhentos e sessenta e três mil, duzentos e oitenta reais). O outro sócio fica apenas com R$ 1,00 (um real). Os elementos coligidos pelo Acórdão recorrido são suficientes para demonstrar a posição ocupada pelos membros da família Tolardo como reais proprietários e administradores da Rede Presidente. Além disso, são suficientes para afastar a alegação de ausência de responsabilidade dos recorrentes por inexistência de prova do seu benefício. Com efeito, basta lembrar que há comprovação de pagamentos de despesas pessoais feitos pela Rede Presidente, bem como de que os integrantes da família faziam retiradas de valores próximos a R$ 100.000,00 (cem mil reais) mensais cada, chegando, em alguns períodos, a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) cada documentos de fls. 9751 e 9684 e itens 418 a 433 do Relatório de Atividade Fiscal. Por outro lado, a relação da empresa fiscalizada IME Peças para Veículos Ltda. ME com a Rede Presidente encontrase adequadamente configurada pelos fatos que são descritos nos itens 305 a 312 do "Anexo Relatório Rede Presidente Previdência", onde se demonstra que esta empresa era tratada como filial 43 Belo Horizonte, bem como que foram Fl. 12380DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.356 51 utilizados "laranjas" para a composição de seu quadro societário e que as DIRPF desses laranjas foram transmitidas através de um dos bunkers da rede. Deve ser considerado também, que as provas trazidas aos autos revelam um "modus operandi", ou seja, um padrão de comportamento que se perpetua no tempo, de forma que a alegada ausência de sincronia temporal entre as constatações feitas e os períodos lançados não implicam qualquer nulidade ou mácula ao lançamento efetuado. Neste caso, caberia aos recorrentes a demonstração de que houve mudança na forma de proceder, o que não foi feito. Com base no exposto, afasto as alegações de ausência de prova do vínculo dos responsáveis solidários com os fatos geradores das obrigações tributárias, bem como de ausência de prova do seu benefício. Decadência e prescrição Alegam os recorrentes, de forma genérica, que o crédito tributário já estava extinto pela decadência e pela prescrição. As competências lançadas abrangem o período de 01/2009 a 09/2012 e o auto de infração e os termos de sujeição passiva solidária foram lavrados e cientificados em datas diversas do mês de dezembro de 2014. Neste caso, há nos autos robustas provas da ocorrência de conduta dolosa, fraudulenta e simulada, o que implica a contagem do prazo decadencial pela regra do art. 173, I, do CTN, de forma que o início do prazo se dará no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, 1º de janeiro de 2010. Sendo de cinco anos o prazo, o termo final seria em 31 de dezembro de 2014. Logo, improcedente a alegação de decadência. O prazo prescricional, por outro lado, terá sua contagem iniciada apenas com o encerramento deste PAF, não sendo possível se falar em prescrição durante o seu curso, conforme estabelece o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Nego provimento ao recurso quanto às alegações de decadência e prescrição. Ausência da relação de empregados, avulsos e autônomos Os recorrentes alegam que a ausência da relação de empregados, avulsos e autônomos prejudicaria sua defesa e implicaria nulidade do auto de infração. Ocorre que a comprovação da existência dos pagamentos a esse título foi feita a partir de extrato da conta Caixa que registrava a atividade de todas as "filiais" do grupo, bem como de comprovantes de depósitos encontrados nos Bunkers mantidos por ele.. Cabia às empresas e, por decorrência, aos responsáveis por ela, ter realizado o adequado controle dos beneficiários dos pagamentos e informado esses dados ao poder público. Com efeito, é o que determina o Decreto nº 3.048, de 1999: Fl. 12381DF CARF MF 52 Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (...) Afastada qualquer alegação pertinente à ausência de vínculo e de responsabilidade dos recorrentes com os atos realizados pelas empresas integrantes da Rede Presidente, se não houve cumprimento de suas obrigações legais, não podem agora invocar esse fato em seu benefício. Com efeito, essa conclusão é decorrência de aplicação da máxima moralizante do venire contra factum proprio, cuja inteligência perpassa a aplicação de todas as regras do direito. Tanto isso é verdade, que a legislação previdenciária autoriza a fiscalização a utilizar o expediente da aferição indireta quando ficar comprovada a irregularidade no cumprimento de suas obrigações: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Nesse sentido é a jurisprudência deste Colegiado conforme revela o Acórdão 2404005.672, cuja ementa é abaixo transcrita: CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA ACERCA DOS SEGURADOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESAS. CONTRATADA PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PERMISSÃO CONCEDIDA À COOPERATIVA. 1. Devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os Fl. 12382DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.357 53 documentos que permitissem identificar (a) os segurados empregados; (b) os segurados contribuintes individuais eleitos para os cargos de direção e administração; (c) os segurados contribuintes individuais não associados; etc. 2. A contribuinte foi intimada sete vezes, mas não prestou os devidos esclarecimentos, tampouco apresentou a documentação comprobatória dos fatos relacionados à tributação. 3. A Lei 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999 prevêem o lançamento por aferição indireta. A despeito do que foi dito acima, na planilha de fls. 10.405/10.419, denominada "Planilha do extrato caixa", estão identificados os empregados beneficiários dos pagamentos que deram origem ao lançamento. Nego provimento também quanto a esse tópico do recurso. Inconstitucionalidade da base de cálculo estabelecida na Lei nº 8.212, de 1991, do salárioeducação e do SAT A alegação de inconstitucionalidade da norma tributária não pode ser conhecida no âmbito deste Colegiado, conforme preceitua o seguinte enunciado da Súmula de jurisprudência do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, as alegações de inconstitucionalidade da base de cálculo estabelecida na Lei nº 8.212, de 1991, do salárioeducação e do SAT pela necessidade de lei complementar não podem ser conhecidas. Inexigência da contribuição ao INCRA A alegação de inexigência da contribuição ao INCRA também está calcada na inconstitucionalidade das normas de regência, o que implicaria a aplicação do enunciado da Súmula acima transcrito. Em que pese a incidência desse enunciado, que seria suficiente para afastar as pretensões dos recorrentes, adoto também como razões de decidir o trecho abaixo transcrito, retirado do Acórdão 2401004.218, do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi: Portanto, no foro administrativo, não merece prosperar a argumentação da recorrente quanto à inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA. Quanto aos aspectos da legalidade, temos que a investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA já foi por demais tormentosa ao longo dos últimos anos, sendo que hoje os tribunais superiores pacificaram entendimento no sentido de que consubstancia contribuição de intervenção no domínio econômico: VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº Fl. 12383DF CARF MF 54 7.787/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) (destaques nossos) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Fl. 12384DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.358 55 Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicando se, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Fl. 12385DF CARF MF 56 Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. (destaques nossos) Se bem observados os julgados acima, resta claro que, além da definição de sua natureza jurídica, o STJ afastou todas as argumentações relativas à inconstitucionalidade ou à ilegalidade da contribuição ao INCRA, com base na “referibilidade” ou no “benefício direto”, de sorte a se considerar que as empresas urbanas não seriam contribuintes da contribuição ao INCRA. Com efeito, além dos julgados acima do STJ, cumpre mencionar ainda a orientação do STF destacada no AI 761.127AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 14.05.2010). É verdade que ainda encontrase pendente de análise pela Suprema Corte a recepção da contribuição ao INCRA no período posterior ao advento da Emenda Constitucional n° 33/2001, que alterou o artigo 149 da Constituição Federal (Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 630.898, Rel Min. Dias Toffoli, Dje de 28/06/2012). Todavia, mesmo neste aspecto particular, a chance de reconhecimento da inconstitucionalidade parece remota, pois a interpretação restritiva que se pretende atribuir ao § 2º, inciso II, alínea a, destoa da inteligência do próprio caput do art. 149, não alterado pela EC nº 33/2001, sendo certo que o próprio STF já fixou a constitucionalidade da contribuição devida ao SEBRAE, qualificada como contribuição de intervenção no domínio econômico (RE 396.266, Relator Min. Carlos Velloso), e da contribuição criada pela LC nº 110/2001, qualificada com contribuição social geral (ADIN 2.556, Relator Min. Moreira Alves), ambas incidentes sobre a folha de salário das empresas, já sob a égide da EC nº 33/2001. Sendo assim, deve ser mantida a exigência relativamente às contribuições ao INCRA. Logo, improcedente as alegações quanto à inexigência das contribuições ao INCRA. Ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre verbas de caráter indenizatório Em relação a essa alegação, adoto, sem embargo, o seguinte excerto da decisão de piso: A impugnante faz referência a diversas verbas, dizendo não haver previsão legal para a sua cobrança. Não carreia aos autos, contudo, nenhum elemento probatório ou cálculo quantificando esses valores, o que contraria o art. 15 e o art. 16. III, do Decreto nº 70.235/1972. O abono de férias, as férias indenizadas, os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, §9º, “d”, “e.6”, “e.7”, da Lei nº 8.212/1991. Tratase de verbas que a norma legal excetua, excluindo da base de Fl. 12386DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.359 57 cálculo dessas contribuições. A impugnante apenas alega, de forma genérica, que essas importâncias não deveriam ter sido lançadas, sem comprovar que a Auditoria as lançou. Deve ser relembrado, ainda, que, sendo a atividade administrativa plenamente vinculada e sendo a tributação regida pelo princípio da legalidade, não pode a autoridade administrativa deixar de lançar contribuição prevista em lei em face de jurisprudência do Poder Judiciário, ainda que proveniente das cortes superiores, a não ser quando ocorrerem as exceções dantes explicitadas. A defendente alega que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ pacificou o entendimento de que a verba recebida pelo empregado a título de auxíliodoença nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento tem caráter previdenciário, não tendo, pois, natureza salarial. Dessa forma, não incidiria contribuição previdenciária sobre esse montante. Não colaciona aos autos, todavia, nenhuma prova de que dentre os valores lançados se encontra tal verba. Na verdade, no caso, seria estranho que houvesse esse tipo de verba, uma vez que os valores lançados não constaram nas folhas de pagamento da empresa. Além disso, mesmo que houvesse prova de que tais valores compõem a base de cálculo lançada, consta expressamente na Lei nº 8.213/1991, art. 43, §2º, que, durante os primeiros quinze dias de afastamento da atividade por motivo de invalidez, cabe à empresa pagar ao segurado empregado o salário. Da mesma forma, no art. 60, §3º, da mesma lei, consta que nesse período, incumbe à empresa pagar ao segurado empregado o seu salário integral. Segundo o art. 59 do mesmo diploma legal, o auxíliodoença somente é pago a partir do décimo sexto dia após o afastamento. Depreendese do texto legal que a verba paga ao segurado empregado nos 15 (quinze) primeiros dias consecutivos ao do afastamento da atividade por doença não é auxíliodoença, já que esse benefício somente é devido a contar do décimo sexto dia. Além disso, a lei foi clara ao considerar salário o valor pago nos 15 (quinze) primeiros dias. No que diz respeito ao terço constitucional de férias, a interpretação acatada pelo Regulamento da Previdência Social – RPS, no seu art. 214, §4º, é a de que essa verba integra o salário de contribuição. Esse entendimento se coaduna com a tese de que a remuneração que compõe o salário de contribuição é, na verdade, um complexo de verbas recebidas não somente em virtude da prestação do serviço em si, mas também daquelas recebidas em virtude do contrato de trabalho. Além de haver disposição regulamentar expressa, a vigente Instrução Normativa RFB nº 971/2009 dispõe: Art. 57. As bases de cálculo das contribuições sociais previdenciárias da empresa e do equiparado são as seguintes: ... § 8º A remuneração adicional de férias, de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal, integra a base de cálculo, no mês a que ela se referir, mesmo quando paga antecipadamente na forma da legislação trabalhista. Quanto à jurisprudência dos nossos tribunais judiciais, apesar de a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ se inclinar pela não incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias e a matéria ter sido submetida ao rito previsto no Código de Processo Civil, art. 543C (recursos repetitivos) juntamente com aviso prévio indenizado e valor pago nos primeiros Fl. 12387DF CARF MF 58 quinze dias antes do auxíliodoença, no julgamento do Recurso Especial 1230957/RS, não houve ainda decisão sobre o assunto, estando os autos conclusos em razão de pedido de vista desde 17/06/2013. Mais importante, a não vinculação da RFB a esse entendimento resta evidente em face da existência da Nota PGFN/CRJ nº 640/2014, que expressamente determina que os procuradores devem continuar contestando e recorrendo das decisões emanadas do Poder Judiciário. Vale salientar, ainda, que a incidência de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias está submetida ao julgamento pelo Supremo Tribunal Federal – STF por meio do RE 593068/SC pelo rito estabelecido no Código de Processo Civil, art. 543B (Repercussão Geral), porém não há ainda decisão definitiva sobre esses temas, tendo sido o processo concluso ao relator em 01/08/2013. Além disso, o acórdão recorrido trata da contribuição para o Plano de Previdência do Servidor Público, e não da contribuição relativa ao Regime Geral de Previdência Social. Quanto ao saláriomaternidade, em momento algum a Auditoria citou verba recebida a esse título em seu relatório, mesmo porque, como já se viu, o lançamento trata de verbas não declaradas que não constam nas folhas de pagamento, as quais foram pagas mediante ardil para escondêlas. Sendo o saláriomaternidade um benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, não cabe a alegação da impugnante, não estando entre os pagamentos verificados. Ademais, mesmo que estivesse, o saláriomaternidade é base de cálculo da contribuição previdenciária conforme expressamente determinado pelo art. 28, §2º, da Lei nº 8.212/1991. Com efeito, compulsandose a planilha de fls. 10.405/10.819, vêse que os pagamentos são identificados por rubricas genéricas como "Comissões nao Lanc. no Re", "Salários/Ordenados", "Ferias e 1/3 Ferias", não sendo possível identificar de modo individualizado o valor de cada verba. Neste caso, caberia aos recorrentes fazer prova do pagamento de parcelas que não compõem o salário de contribuição, para que esses valores pudessem ser excluídos da base de cálculo tributável. Em razão do exposto, nego provimento ao recurso com relação às supostas parcelas de caráter indenizatório. Inexigência da contribuição previdenciária sobre auxílioalimentação fornecido in natura por empresa não cadastrada no PAT Na planilha de fls. 10.820/10.831 estão listados os valores considerados pela fiscalização para fins de lançamento, de onde foram excluídas as importâncias já declaradas em GFIP. Não há nesta planilha qualquer pagamento feito a título de auxílio alimentação para o CNPJ 07.527.469/000203 (filial 43 BH fls. 91 a 110 da planilha). Assim, por impertinência das alegações com a base de cálculo considerada para fins de lançamento, deixo de analisar as razões dos recursos em relação a essa matéria. Por outro lado, registro que o recurso voluntário não se insurge contra a incidência das contribuições previdenciárias sobre o vale transporte em pecúnia, motivo pelo qual não analiso essa matéria. Fl. 12388DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.360 59 Por outro lado, foram realizados também pagamentos a título de vale transporte e o relatório fiscal faz várias menções a eles. Para esta rubrica a solução é diferente, pois constitui matéria que já foi sumulada por este Colegiado, conforme evidencia o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. De acordo com o art. 72 do Regimento Interno deste órgão colegiado, as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstancias em súmula de observância obrigatória pelos seus membros. O art. 45 do mesmo regimento determina que perderá o mandato o conselheiro que deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF. Na planilha de fls. 10.405/10.819 estão identificados para o CNPJ de raiz 07.527.469 pagamentos a título de vale transporte. Também há referência expressa a pagamentos realizados a esse título no relatório da atividade fiscal (tópico 7.3. Do Modus Operandi). Em razão de aplicação do enunciado acima transcrito da Súmula de Jurisprudência deste CARF, fazse necessário dar provimento ao recurso apresentado pelos responsáveis solidários para excluir da base de cálculo tributável os valores relativos a vale transporte. Inexigência de contribuição ao sistema "S" por ausência de vinculação da arrecadação Aqui também os recorrentes buscam negar validade às normas em vigor com argumentos de inconstitucionalidade, análise que esbarra no enunciado nº 2 da Súmula de jurisprudência do CARF. Em que pese isso, adoto também como razões de decidir o seguinte excerto do Acórdão recorrido: As contribuições lançadas foram aquelas destinadas ao SESC e ao SENAC e a empresa é uma loja de revenda de autopeças e se ajusta ao Código Nacional de Atividades Econômicas – CNAE 4530701, correspondente a “Comércio por atacado de peças e acessórios novos para veículos automotores”. Esse CNAE foi informado pela própria empresa em suas GFIP e se coaduna com as atividades por ela desenvolvidas. Assim, a alegação da impugnante é totalmente descabida e dissociada dos fatos aqui sob julgamento. Vale ressaltar, ainda, que mesmo que ela fosse uma prestadora de serviços, caberia a cobrança de tais contribuições. Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Resp 1255433, efetivado no rito previsto no Código de Processo Civil – CPC, art. 543C (Recursos Repetitivos), são devidas as contribuições para o SESC e SENAC pelas empresas prestadoras de serviços. Segue a ementa dessa decisão: Fl. 12389DF CARF MF 60 TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, do CPC). CONTRIBUIÇÃO AO SESC E SENAC. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS EDUCACIONAIS. INCIDÊNCIA. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. As empresas prestadoras de serviço são aquelas enquadradas no rol relativo ao art. 577 da CLT, atinente ao plano sindical da Confederação Nacional do Comércio CNC e, portanto, estão sujeitas às contribuições destinadas ao SESC e SENAC. Precedentes: REsp. n. 431.347/SC, Primeira Seção, Rel. Min Luiz Fux, julgado em 23.10.2002; e AgRgRD no REsp 846.686/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.9.2010. (GRIFEI) 3. O entendimento se aplica às empresas prestadoras de serviços educacionais, muito embora integrem a Confederação Nacional de Educação e Cultura, consoante os seguintes precedentes: Pela Primeira Turma: EDcl no REsp. 1.044.459/PR; AgRg no Ag 882.956/MG; REsp. 887.238/PR; REsp. 699.057/SE; Pela Segunda Turma: AgRg no Ag 1.347.220/SP; AgRgRD no REsp. 846.686/RS; REsp. 886.018/PR; AgRg no REsp. 1.041.574 PR; REsp. 1.049.228/PE; AgRg no REsp. 713.653/PR; REsp. 928.818/PE. Argumentos rejeitados. Multa Em relação à multa aplicada, os recorrentes iniciam por afirmar que não houve comprovação do intuito de fraude. Em seguida, requerem sua redução a 10% pela aplicação do princípio constitucional do não confisco e, invocando o princípio da eventualidade, requerem sua redução para 75% por ausência de fraude ou omissão dolosa e acabam por alegar a existência de "bis in idem". A multa aplicada tem previsão legal no art. 44, I c/c § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, e a validade dessa norma não foi afastada por qualquer decisão da corte que poderia fazer um juízo de sua inadequação com eficácia erga omnes (STF). Portanto, a lei permanece em vigor, vincula a autoridade fiscal e deve ser respeitada pelos julgadores administrativos, conforme foi reiteradamente assentado neste voto. Por outro lado, o processo em análise contém provas indiscutíveis do comportamento artificioso dos recorrentes, com a criação de pessoas jurídicas constituídas por "laranjas", para o que foram falsificados documentos e assinaturas, incluindo Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física. Em razão disso, devese concordar com a autoridade fiscal quando atribui aos sujeitos passivos a prática de condutas condizentes com a sonegação e a fraude, até porque as exigências fiscais evidenciam que as obrigações tributárias não foram cumpridas e seus fatos geradores foram ocultados pelas práticas adotadas. No mais, embora façam menção ao "bis in idem", não demonstram a sua ocorrência, de forma que essa alegação é por demais genérica para ser enfrentada. Fl. 12390DF CARF MF Processo nº 10325.721551/201413 Acórdão n.º 2201003.809 S2C2T1 Fl. 12.361 61 Nego provimento ao recurso quanto à exclusão ou redução da multa de ofício. Inaplicabilidade da taxa Selic Essa matéria também se encontra pacificada no âmbito deste colegiado, conforme demonstra o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Alegações rejeitadas. Realização de perícia e a colheita de depoimentos Em relação ao pedido de perícia, a recorrente protesta pela sua realização mas não apresenta nenhum argumento que evidencie a necessidade dela. A perícia é meio de prova a ser manejada quando houver insuficiência de informações no processo de modo a impossibilitar sua perfeita compreensão pelo julgador, mas não se presta a suprir omissões do sujeito passivo em comprovar o direito alegado. Não vejo neste processo nenhuma lacuna ou inconsistência que gere dúvida passível de ser esclarecida através de perícia. Nego provimento ao pedido de realização de perícia. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer os recursos voluntários apresentados para, rejeitando as preliminares, no mérito, darlhes parcial provimento para determinar a exclusão da base de cálculo tributável dos valores pagos a título de valetransporte. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 12391DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.724276/2014-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2010, 30/07/2010, 04/11/2010, 17/01/2011, 21/02/2011, 12/04/2011, 01/06/2011, 02/09/2011
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.220
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/07/2010, 30/07/2010, 04/11/2010, 17/01/2011, 21/02/2011, 12/04/2011, 01/06/2011, 02/09/2011 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 12898.001790/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/08/2004, 16/08/2004, 28/02/2005
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.242
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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score : 1.0
Numero do processo: 10730.720231/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.
Embora o §7º, do artigo 10, da Lei n. 9.363/96, dispense o contribuinte da comprovação das referidas áreas quando da entrega da declaração do ITR, não o dispensa de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria.
Numero da decisão: 2202-004.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil.
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ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Embora o §7º, do artigo 10, da Lei n. 9.363/96, dispense o contribuinte da comprovação das referidas áreas quando da entrega da declaração do ITR, não o dispensa de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 02 31 /2 01 0- 22 Fl. 156DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório da Resolução nº 2101.000.167: O contribuinte apresentou recurso voluntário contra o acórdão 0348.749.004 da 1a. Turma da DRJ/BSB que manteve o auto de infração de ITR para o exercício 2007, relativamente ao imóvel FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE (NIRF 3.415.5283), com área total declarada de 1839,0 ha., localizada no município de Cachoeiras de MacacuRJ O referido acórdão manteve o crédito tributário tendo em vista que o contribuinte não apresentou documentação comprobatória das alegações relativas à reserva legal e área de preservação permanente. Desta forma, a autoridade fiscal glosou integralmente as áreas informadas de preservação permanente(1.820,0 ha) e de reserva legal (6,5ha), além de arbitrar o valor do VTN conforme o SIPT. No recurso voluntário o contribuinte utiliza os mesmos argumentos apresentados na impugnação sem, contudo, trazer documentação hábil bastante para comprovar o alegado no recurso. Considera que a área declarada para o NIRF 3.415.6283, denominada FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE, tem 1.820,0 ha. Declaradas como de preservação permanente e 6,5 ha de reserva legal que, segundo o contribuinte, encontravase no exercício 2007 inteiramente dentro do Parque Estadual dos Três Picos, conforme Decreto 31.343/2006. Informa que declarou o ADA para o exercício 2007 em nome da pessoa física cuja área, está localizada totalmente dentro do Parque Estadual dos Três Picos e, por isso, isenta do ITR/2006. O referido ADA para o exercício 2007 não consta dos autos do processo.A seguir estão relacionados os documentos anexados ao processo. ADA exercício 2008 (fls. 41) para o imóvel Fazenda Brasil, protocolo do IBAMA n. 10833330009222, transmitido em 01/08/2008; Este imóvel foi declarado com 19.392 ha, definidos como área de reserva legal e área de preservação permanente. ADA exercício 2009 (fls. 44), número do recibo 10933330244480, transmitido em 28/12/2009, imóvel registrado na RFB sob n. 33318727. Não foi declarada área nem a localização do imóvel. ADA exercício 2010 (fls. 42) –número do recibo 11033330504170, imóvel registrado na RFB sob n. 33318727. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10730.720231/201022 Acórdão n.º 2202004.152 S2C2T2 Fl. 157 3 O imóvel foi declarado com 1839,20ha de área total, sendo 1.820ha de preservação permanente, 6,5ha de reserva legal e 1ha com mineração. Também neste documento foi informada a localização geográfica da sede, sendo Latitude 22o26’ 57 8’ ‘S, e Longitude 42o 36’ 45,6 ‘ W. Cópias de diário oficial do Estado Rio de Janeiro do dia 08/06/2002 que cria o Parque Estadual dos Três picos e do decreto estadual 31343/2002. Laudo agronômico para fins de recadastramento de propriedade rural junto ao INCRA (fls. 33). Cadastro técnico federal– certificado de regularidade – IBAMA – permitindo o uso de Recursos Naturais para atividade agrícola e pecuária. (fls. 43) Declaração da Prefeitura Municipal de Cachoeiras de Macacu de que as fazendas Reunidas Joaquim e Piedade e Fazenda Brasil encontrase em área de preservação permanente, datado de 2003.(fls. 32) Apesar de ter sido tratado no acórdão recorrido, o contribuinte insurgese novamente contra a aplicação da multa de 75%, por ser improcedente o lançamento. Menciona os dispositivos legais que garantiriam a isenção do ITR na propriedade sob análise, a saber, art. 104 da lei 8171/91, par. 1o. art. 10 da lei 9393/96, decreto 4382/02. Faz registro de decisões do Conselho de Contribuintes sobre a desnecessidade do ADA para o reconhecimento da exoneração. Cita também decisões das Cortes superiores que corroborariam o entendimento da desnecessidade de ADA para isenção de ITR nas áreas de preservação permanente. Embasa o pedido no Decreto Estadual do Estado do Rio de Janeiro n 31343/2002 que criou o Parque Estadual dos Três Picos. No item III – Conclusão, solicita que seja declarado insubsistente o crédito tributário do processo administrativo 10730720.230/ 201088 e que seja cancelada a Notificação de Lançamento n. 07102/00003/2010 (estas referências estão incorretas nesta parte do recurso voluntário). É o relatório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DF) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: (fls. 64 eprocesso) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 Fl. 158DF CARF MF 4 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E DE INTERESSE ECOLÓGICO. Essas áreas ambientais, para serem excluídas do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou ter requerido em tempo hábil o respectivo ADA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal e do ato específico emitido por órgão competente, para a área localizada dentro de Parque Estadual. DO VTN ARBITRADO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada o arbitramento do Valor da Terra Nua VTN para o ITR/2005, efetuado com base no SIPT, por não ter sido expressamente contestado nos autos, nos termos da legislação processual vigente. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou de subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa aplicada aos demais tributos. Intimado da referida decisão (AR fls. 74), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 76/83 no qual reiterou as alegações suscitadas quando da Impugnação. Em 16 de julho de 2004, a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da 2ª Seção, emitiu a Resolução 2101000.167, por meio da qual converteu o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Eduardo Souza Leão, que assim dispôs: Nesse sentido, para evitar qualquer injustiça, em respeito ao princípio da verdade material, que predomina no processo administrativo, onde se busca descobrir a ocorrência ou não do fato gerador, assim como a real base de cálculo do imposto, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação, voto no sentido de converter o julgado em diligência a ser realizada pela Repartição de origem, para que: sejam intimados os Cartórios de Registro de Imóvel porventura existentes no Município de Cachoeiras de Macacu, no Estado do Rio de Janeiro, para que informem, por meio de certidão, todos os registros ocorridos relativamente ao imóvel denominado "FAZENDA BRASIL", com NIRF nº 3.331.8727, em especial quanto à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos; seja oficiado o INCRA, por meio da sua Superintendência Regional no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA BRASIL”, com NIRF nº 3.331.8727, em especial quanto à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos; seja oficiado o IBAMA, por meio da sua Superintendência no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA BRASIL”, com NIRF nº 3.331.8727, relativo à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos, quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental no ano de 2005, e em especial sobre as Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10730.720231/201022 Acórdão n.º 2202004.152 S2C2T2 Fl. 158 5 áreas identificadas como de preservação permanente e de reserva legal, existentes no referido imóvel. Em resposta, o Cartório do 1º Ofício de Cachoeiras de Macau RJ enviou a Certidão de fls. 133/134 na qual não consta averbação de qualquer área de preservação permanente. O INCRA informou, às fls. 148, que "não consta cadastrado no Sistema Nacional de Cadastro de Imóveis Rurais (SNCR) o nome do imóvel FAZENDA REUNIDA SÃO JOÃO JOAQUIM E PIDADE, localizada no município de Cachoeiras de Macacú. Por fim, o IBAMA, embora intimado, mais de uma vez, não apresentou resposta. O contribuinte foi intimado (AR fls. 152) para se manifestar sobre o resultado das diligência (Intimação nº 382/2015) e não apresentou resposta. É relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. Conforme mencionado no relatório, a matéria objeto do presente recurso é de natureza eminentemente fática. Tratase da comprovação da área da preservação permanente declara pelo contribuinte em sua Declaração de ITR. De acordo com a Declaração de fls. 34, emitida pela Secretaria Municipal de Turismo, Meio Ambiente e Urbanismo do Município de Cachoeiras de Macacu, é possível constatar que a Fazenda Reunidas São Joaquim e Piedade e Fazenda Brasil, encontrase em área de preservação permanente. Tal documento, todavia, não especifica qual a área da Fazenda está sujeita à preservação permanente. Sendo assim, pelo teor do mencionado documento, não é possível verificar se a área sujeita à preservação seria a área total do imóvel ou mesmo a área declarada pelo Recorrente em sua DITR. Da mesma forma, nenhum dos outros documentos trazidos pelo Recorrente demonstra que a área de preservação permanente coincide com aquela constante da sua declaração. Exatamente por isso a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da 2ª Seção entendeu por bem baixar o processo em diligência para que a mencionada prova fosse corroborada pelos Cartórios de Registro de Imóveis, INCRA e IBAMA. Todavia, da certidão emitida pelo cartório não consta qualquer averbação no imóvel à título de preservação permanente ou reserva legal. O INCRA, por sua vez, declarou que o imóvel em questão não consta de seus cadastrados. E, por fim, o IBAMA, embora intimado, mais de uma vez, não atendeu a diligência. Fl. 160DF CARF MF 6 É importante ressaltar que o Recorrente foi intimado da decisão do CARF que converteu o processo em diligência, bem como do resultado da diligência. Todavia, não apresentou qualquer manifestação ou prova no sentido de esclarecer os pontos suscitados na diligência. Embora o §7º, do artigo 10, da Lei n. 9.363/96, dispense o contribuinte da comprovação da referida área quando da entrega da declaração do ITR, não o dispensa de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Enfim, a dispensa de prévia comprovação não pode ser entendida para afastar a necessidade de o contribuinte, quando assim exigido pela autoridade fiscal, comprovar o cumprimento de exigências legais previstas para justificar as áreas ambientais que se pretende para fins de exclusão do cálculo do ITR, previstas na lei ambiental (Código Florestal) e legislação tributária (Lei 9.393/96 e Decreto nº 4.382/2002 – RITR). Em face do exposto, entendo que não restou suficientemente comprovada a existência das áreas de preservação permanente e reserva legal objeto da glosa, motivo pelo qual, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910631/2012-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Somente se reconhece o direito creditório pleiteado relativo a saldo negativo de IRPJ composto por valores retidos na fonte, quando suportado por provas consistentes, a receita pertinente tenha sido oferecida à tributação e haja os necessários informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, não bastando meras alegações ou documentos produzidos pelo próprio contribuinte.
À vista do que consta dos autos, reconhece-se parcialmente o direito creditório requerido, homologando-se as compensações até o limite do montante confirmado.
Numero da decisão: 1402-002.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de RS 6.159,95; homologando-se a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Somente se reconhece o direito creditório pleiteado relativo a saldo negativo de IRPJ composto por valores retidos na fonte, quando suportado por provas consistentes, a receita pertinente tenha sido oferecida à tributação e haja os necessários informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, não bastando meras alegações ou documentos produzidos pelo próprio contribuinte. À vista do que consta dos autos, reconhece-se parcialmente o direito creditório requerido, homologando-se as compensações até o limite do montante confirmado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de RS 6.159,95; homologando-se a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Somente se reconhece o direito creditório pleiteado relativo a saldo negativo de IRPJ composto por valores retidos na fonte, quando suportado por provas consistentes, a receita pertinente tenha sido oferecida à tributação e haja os necessários informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, não bastando meras alegações ou documentos produzidos pelo próprio contribuinte. À vista do que consta dos autos, reconhecese parcialmente o direito creditório requerido, homologandose as compensações até o limite do montante confirmado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de RS 6.159,95; homologandose a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 31 /2 01 2- 38 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201238 Acórdão n.º 1402002.700 S1C4T2 Fl. 206 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 206DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201238 Acórdão n.º 1402002.700 S1C4T2 Fl. 207 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em face de decisão exarada pela 8ª Turma da DRJ/SPO, em sessão de 19 de novembro de 2014 (fls. 103/111)1, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada perante aquela Turma Julgadora, reconhecendo parte do direito creditório pleiteado relativo ao anocalendário de 2008, originalmente improvido em sua totalidade R$ 549.901,04 pela DEINF/SP através o Despacho Decisório (DD) nº de Rastreamento 042045745, de 03/01/2013, conforme reprodução abaixo (fls. 12): Confirase no detalhe: Em números absolutos: R$ 192.456.931,93 () R$ 191.907.030,89 (=) R$ 549.901,04 Irresignado, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade perante a Turma Julgadora de 1º Piso (fls. 2/5) requerendo o deferimento integral do direito creditório não reconhecido (R$ 549.901,04). Em 19 de novembro de 2014, a 8ª Turma da DRJ/SPO prolatou decisão na qual proveu a maior parte do requerido (R$ 532.573,48), indeferindo, por incomprovado, o montante de R$ 17.327,56 (IRRF). 1 A numeração referida, quando não houver indicação em contrário, será sempre a digital. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201238 Acórdão n.º 1402002.700 S1C4T2 Fl. 208 4 Vejase tabela explicativa (fls. 77): Fragmentos da decisão contestada mostram as razões de decidir da Turma a quo (fls. 105/108): “A contribuinte trouxe juntamente com sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 13 a 21, os quais entende comprovariam parcela do IRRF glosado. Cumpre aqui observar que apenas e tão somente as retenções que se encontram em litígio, quais sejam, aquelas indicadas no Quadro “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas” das Informações Complementares na Análise do Crédito de Saldo Negativo (às fls. 77 – quadro acima reproduzido) é que seriam passíveis de consideração para fins de cômputo no saldo negativo ora em questão. Assim passemos a analisar a documentação apresentada, considerandose o que se encontra em litígio: quanto à fonte pagadora CNPJ nº 01.838.723/000127, retenção sob o código de receita 5706, a contribuinte apresenta o documentos de fl. 20 o qual, apesar de pouco legível informa tratarse de retenção relativa ao anocalendário de 2007; no que se refere à fonte pagadora CNPJ nº 04.423.567/0001 21, retenção sob o código 1708, a contribuinte apresenta o comprovante anual de Rendimentos do anocalendário 2008 de fls. 18, o qual comprova retenção sob o código 1708, no valor de R$ 7.600,10, valor já reconhecido, conforme Quadro “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas” de fls. 77 acima reproduzido. Apresenta também o documento de fls. 19 que se refere a recibo da lavra da própria impugnante que não produz a necessária prova; no que se refere à fonte pagadora CNPJ nº 08.583.456/0001 33, retenção sob o código 1708, a contribuinte apresenta recibos de fls. 15 a 17 da lavra da própria contribuinte que não produzem a necessária prova; no que se refere à fonte pagadora CNPJ nº 20.730.099/0001 94, retenção sob o código 5706, não foi encontrado documento algum com indicação desse CNPJ. Deste modo, não merece reparo o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte reconhecido pelo Despacho Decisório (Valor Reconhecido: R$ 11.542.240,57)”. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201238 Acórdão n.º 1402002.700 S1C4T2 Fl. 209 5 O Acórdão guerreado encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos a existência de parcela do imposto antecipado (IRPJ estimativa mensal) que não havia sido considerada no Despacho Decisório quando da apuração do saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2008, deve a compensação pretendida ser homologada até o montante do crédito tributário reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Novamente inconformado, o interessada, na qualidade de recorrente, acostou recurso voluntário (fls. 121/138) no qual reafirma basicamente todos os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, juntando outros documentos de prova que entendeu pertinentes. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201238 Acórdão n.º 1402002.700 S1C4T2 Fl. 210 6 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do acórdão recorrido em 03/12/2014 – fls. 118 – protocolização do RV em 02/01/2015 – fls. 121), a representação do recorrente está corretamente formalizada (fls. 139/143) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. A matéria é de cunho essencialmente probatório, impondo verificar se o recorrente conseguiu afastar as ressalvas que a decisão recorrida fez em relação aos itens tidos como incomprovados (fls. 77). Antes da análise individual de cada item não reconhecido é preciso pontuar que a retenção na fonte do Imposto de Renda para fins de composição do chamado “saldo negativo” exige sua sustentação em documentação probante regular e que os valores pleiteados encontremse informados em comprovante específico emitido pela fonte pagadora, conforme expressa determinação do RIR/1999: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei n º 4.154, de 1962, art. 13, § 2 º , e Lei n º 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1 º ). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei n º 8.981, de 1995, art. 86). Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei n º 2.124, de 1984, art. 3 º , parágrafo único). § 1 º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei n º 4.154, de 1962, art. 13, § 1 º ). § 2 º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1 º e 2 º do art. 7 º , e no § 1 º do art. 8 º(Lei n º 7.450, de 1985, art. 55). Fl. 210DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201238 Acórdão n.º 1402002.700 S1C4T2 Fl. 211 7 Neste contexto, ainda que outras provas, inclusive a escrituração regular do requerente possam ter cunho probante subsidiário, é inegável a existência de norma cogente (artigos 942/943, do RIR/1999, com seus respectivos fundamentos legais expressos no final de cada um deles) que vincula os julgadores e que dela não podem se afastar sob pena de prevaricar e invadir seara que não lhes compete, negando vigência a dispositivo plenamente válido. Deste modo, carece de fundamento a alegação do recorrente em seu recurso voluntário quando assenta (fls. 127/128): Ora, não se trata de “enriquecimento ilícito” nem fugir da “verdade material”. Tratase, simplesmente, de impor o cumprimento de regras legais que definem o meio pelo qual o contribuinte poderá buscar o direito que pretende ver reconhecido, posição que, digase, ainda que por vias oblíquas, acaba por ser reconhecida pelo recorrente, na sequência de seu arrazoado (fls. 128): “Decerto que cabe ao interessado o ônus de provar o direito creditório por si alegado...”, para, logo em seguida, retomar o discurso anterior, “..., mas isso, sem prejuízo do dever jurídico da Administração Fazendária de analisar/pesquisar e diligenciar a busca dos fatos e dados registrados em documentos existentes na própria Administração Tributária, ou ainda, circularizar perante terceiros, visando confirmação externa...” Primeiramente, a Autoridade Tributária buscou, sim, no banco de dados da RFB todas as informações disponíveis e que pudesse aproveitar ao caso concreto, tanto que a esmagadora maioria do pleito teve seu pedido deferido (mais de 190 milhões de reais), restando apenas valores residuais em litígio. Segundo, por óbvio, não sendo a Administração Tributária autora nestes autos (posição assumida pelo recorrente) a ela não se pode imputar, como pretende o interessado, o dever de produzir provas que, nos termos do artigo 373, I do atual CPC (art. 333, I) do CPC de 1973, cabe a quem alega, in casu, o contribuinte. Afasto, assim, estes apontamentos, e volto ao caso concreto, reproduzindo, para melhor fixação, os valores em litígio (fls. 77): Fl. 211DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201238 Acórdão n.º 1402002.700 S1C4T2 Fl. 212 8 Compulsando os autos vejo que, relativamente aos três tópicos finais2, ou seja, fontes pagadoras representadas pelos CNPJ nº 04.423.567/000121, retenção sob o código 1708; CNPJ nº 08.583.456/000133, retenção sob o código 1708 e CNPJ nº 20.730.099/0001 94, retenção sob o código 5706, atesto que o cenário não se modificou em relação ao que se estampava quando da prolação da decisão recorrida, ou seja, o recorrente limitouse a aduzir o que já havia argumentado quando da manifestação de inconformidade, sem acrescer as provas imperativas definidas pela legislação já antes reproduzida, trazendo documentos de sua própria autoria, insuficientes para a comprovação exigida. Neste aspecto, portanto, irretocável a decisão recorrida que deve ser mantida. Todavia, no que tange ao primeiro item, vejo que razão cabe ao recorrente. Segundo o DD, o montante de R$ 6.159,95 restaria não comprovado em razão da apresentação de documentos emitidos pelo próprio contribuinte. Quando da apreciação em 1ª Instância, a Turma Julgadora a quo aduziu (fls. 108): quanto à fonte pagadora CNPJ nº 01.838.723/000127, retenção sob o código de receita 5706, a contribuinte apresenta o documentos de fl. 20 o qual, apesar de pouco legível informa tratarse de retenção relativa ao anocalendário de 2007; De fato, o documento emitido pela Perdigão (CNPJ acima), além de pouco legível, faz referência ao anocalendário de 2007, o que dá substrato à decisão contestada. Vejase (fls. 156): 2 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201238 Acórdão n.º 1402002.700 S1C4T2 Fl. 213 9 Entretanto, em seu RV (fls. 132) e nos documentos comprobatórios que acostou à peça recursal (fls. 163/164 – informação de terceiros – CBLC Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia, administradora dos investimentos do interessado), corroborado pelas cópias da sua escrituração (fls. 158/161) e pela Ficha 54 das DIPJ/2009 – anocalendário/2008 (fls. 166), o recorrente não só comprova com documentação hábil a retenção havida como o oferecimento à tributação dos valores das receitas. Além disso, demonstra que, embora o informe de rendimentos da fonte pagadora tenha feito referência ao anocalendário de 2007, toda a operação foi por ela registrada em 2008. Confirase: Ø fls. 132/163/164: Ø fls. 158/161: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201238 Acórdão n.º 1402002.700 S1C4T2 Fl. 214 10 Ø fls. 166: Assim, ainda que a parcela tida como não comprovada seja de R$ 6.159,95, o fato é que o montante total requerido foi de R$ 9.018,203 e este – que no fundo é o que importa – restou comprovado, como acima exaustivamente retratado. Pelo exposto, encaminho meu voto para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 6.159,95 – valor original , homologando as compensações até o limite do referido direito creditório ora reconhecido. É como voto. Brasília (DF), em 27 de julho de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone 3 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201238 Acórdão n.º 1402002.700 S1C4T2 Fl. 215 11 Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.000080/2007-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2003
PERTENÇA.
A divisória removível pode ser considerada como pertença (art. 93 do Código Civil), que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo.
COMPROVAÇÃO.
Não restou inequivocamente comprovado que a pessoa jurídica se dedique à atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1801-000.459
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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A divisória removível pode ser considerada como pertença (art. 93 do Código Civil), que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo. COMPROVAÇÃO. Não restou inequivocamente comprovado que a pessoa jurídica se dedique à atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. Relatório A partir da Representação Administrativa formalizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, fls. 01/02, a optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/CNT/MG nº 07, de 07 de fevereiro de 2007, fls. 119/121, com efeitos a partir de 01/01/2002, haja vista que a pessoa jurídica se dedica à construção de imóveis, nos termos do § 4º e do inciso V do art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Cientificada em 17/02/2007, fl. 124, ela apresentou a manifestação de inconformidade em 15/03/2007, fls. 125/131, com as alegações abaixo resumidas. Esclarece que se dedica à atividade de comércio varejista de móveis para escritório e materiais para divisórias, forros e pisos, bem como presta serviço de montagem e desmontagem de divisórias. Acrescenta que desde sua opção cumpre com suas obrigações tributárias regularmente. Suscita que não se dedica a obras de construção civil, tais como ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Indica a legislação que rege a matéria, bem como entendimentos jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante de todo o exposto, requer a Manifestante seja dado provimento à presente manifestação de inconformidade, reformando-se integralmente a decisão que determinou a sua exclusão do SIMPLES. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 02-23.099, de 23/07/2009, fls. 179/182: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta que ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO MOTIVADA PELA ATIVIDADE ECONÔMICA EXERCIDA Evidenciada a subsunção do fato à hipótese legal descrita no ato administrativo de exclusão do SIMPLES, é inadmissível a manutenção no mencionado sistema. Notificada em 25/08/2009, fl. 184, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03/09/2009, fls. 185/191, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13603.000080/2007-31 Acórdão n.º 1801-00.459 S1-TE01 Fl. 195 3 Conclui 14 - Diante de todo o exposto, requer-se seja dado provimento a este Recurso para o fim de determinar o cancelamento da decisão que determinou a exclusão do SIMPLES. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 1996, fixa: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] V - que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; [...] § 4º Compreende-se na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997) A jurisprudência administrativa versa sobre a questão no seguinte sentido (fonte:http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenc iaCarf.jsf, acesso em 03/12/2010): Nº Recurso 334175 Número do Processo 13830.001065/2004-83 Turma 3ª Câmara Contribuinte CLAUDEMIR CJIOZINI EPP Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 05/07/2007 Relator(a) Anelise Daudt Prieto Nº Acórdão 303-34527 Tributo / Matéria Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributário Decisão Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 Ementa Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 Ementa: SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. A atividade de comércio de forros, divisórias e pisos, que inclua sua eventual instalação e/ou manutenção, não configura, por si só, atividade abrangida no conceito de atividade auxiliar de engenharia civil vedada ao SIMPLES. Recurso voluntário provido. [...] Nº Recurso 331030 Número do Processo 10510.003159/2003-31 Turma 1ª Câmara Contribuinte SAD DIVISORIAS, PISOS, FORROS E REVESTIMENTOS LTDA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 29/03/2007 Relator(a) José Luiz Novo Rossari Nº Acórdão 301- 33744 Tributo / Matéria Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributário Decisão - Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso. Ementa SIMPLES. EXCLUSÃO. Não são impeditivas à opção pelo Simples as atividades de comércio varejista e instalação de carpetes, armários divisórios, forros, revestimentos acústicos e divisórias, por não se assemelharem àquelas expressamente vedadas pelo art. 9º da Lei nº 9.317/96. RECURSO PROVIDO [...] Recurso 330121 Número do Processo 10840.004021/2003-17 Turma 1ª Câmara Contribuinte REVESTE REVESTIMENTO E DECORAÇÕES S/C LTDA ME Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 22/02/2006 Relator(a) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Nº Acórdão 301-32517 Tributo / Matéria Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario Decisão - Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso. Ementa SIMPLES. EXCLUSÃO. Não são impeditivas à opção pelo SIMPLES as atividades de execução obras e serviços técnicos, produção técnica especializada, industrial ou agropecuária, as quais desde que observados os preceitos legais, poderão ser exercidas, indistintamente, por profissionais ou por pessoas jurídicas. (Inteligência do art. 7º c/c o 9º da Lei nº 5.194/66). As atividades de comércio e instalação de revestimentos de paviflex, carpetes, decorflex, forros, divisórias, laminados decorativos, revestimentos plásticos e de papel de parede, não se assemelham àquelas expressamente vedadas pelo art. 9º da Lei nº 9.317/96. RECURSO PROVIDO. A hipótese de indeferimento da opção da Recorrente pelo Simples com efeito desde 01/01/2002 fundamentada na prestação de serviços de montagem e desmontagem de divisórias, pressupõe a obtenção de receita proveniente da atividade de construção civil, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. Em conformidade com o Termo de Opção, fl. 142, a descrição da atividade econômica é a “montagem de divisórias de artigos de madeira”. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13603.000080/2007-31 Acórdão n.º 1801-00.459 S1-TE01 Fl. 196 5 Constam nos autos as Notas Fiscais com as seguintes descrições dos serviços fls. 143/177, [...] montagem de divisórias [...] desmontagem de divisórias [...] remanejamento de divisórias [...]. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente juntou as provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstram sua afirmativa de que presta serviço de montagem e desmontagem de divisórias. No presente caso a divisória removível pode ser considerada como pertença (art. 93 do Código Civil), que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo. Ademais, toda obra para ser considerada como de engenharia, de arquitetura ou de agronomia depende, para sua legalidade, da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) correspondente ao registro do contrato de prestação de serviços, de acordo com a Lei nº 6.496, de 07 de dezembro de 1977, fato que não restou comprovado nos autos. Por conseguinte, não restou inequivocamente comprovado que a Recorrente se dedique à atividade de construção civil. Em face do exposto voto, por dar provimento ao recurso voluntário. Conselheira Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 26 de janeiro de 2011. _____________________________ Moema Nogueira de Souza – Secretário da Câmara Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13603.000080/2007-31 Acórdão n.º 1801-00.459 S1-TE01 Fl. 197 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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