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Numero do processo: 19515.002777/2004-79
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA.
Não se conhece do recurso especial em que não há demonstração de divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-003.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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PRESCRIÇÃO. OUTROS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Recorrente MANYL MALHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. Não se conhece do recurso especial em que não há demonstração de divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 77 /2 00 4- 79 Fl. 891DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 839 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por MANYL MALHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., em face do Acórdão nº 140100.180, proferido em sessão de julgamento realizada pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em 10/3/2010, em que se decidiu, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário impetrado, e acolher a preliminar de decadência para os fatos geradores compreendidos em períodos de apuração anteriores e inclusive a 30/11/1998. Contra a recorrente foram lavrados autos de infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 1998 com base no arbitramento de lucros, em razão de a empresa, mesmo após diversas intimações, não ter apresentado qualquer livro ou documento de escrituração mínima obrigatória. Além disso, foram detectados depósitos vultosos em suas contascorrentes bancárias em relação aos quais, regularmente intimada, silenciouse quanto a demonstrar suas origens. Da mesma forma, em relação ao anocalendário 1998, a empresa omitiuse na apresentação da DIPJ (Termo de Verificação Fiscal às fls. 101 e ss. do vol 1). A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP julgou improcedente a impugnação tempestivamente apresentada, afastando as preliminares de nulidades e decadência, esta última por se entender que diante da ausência de pagamento antecipado seria aplicável ao caso a regra de contagem de prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, considerando ainda que ordem judicial teria obstaculizado o lançamento, o que levou ao acréscimo ao prazo decadencial, do período em que o procedimento fiscal esteve suspenso por ordem judicial. Em relação ao mérito também foi indeferida a impugnação (fls. 271 e ss. do vol 2). Irresignado contra essa decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 300 e ss. do vol.2), julgado pela 1ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em 10/3/2010. Pelo Acórdão nº 140100.180, aquela turma decidiu por afastar a preliminar de nulidade e, em relação à de decadência, entendeu a maioria que se aplicaria ao caso a regra de contagem prevista no art. 173, I, mas que não haveria suspensão desse prazo, de forma que em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/1998, teria se operado a decadência. No mérito, foi negado provimento ao Recurso, nos termos da seguinte ementa (fls. 319 e ss. do vol.2): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 840 3 IRPJ/CSLL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. No caso de tributos sujeitos a situação típica de lançamento por homologação sua decadência regerseá, independentemente de haver ou não pagamento, sempre pela regra do art. 150, § 4° do CTN, excetuandose os casos de dolo, fraude ou simulação, em que se aplicaria o art. 173, I do CTN. IRPJ. DECADÊNCIA. SUSTAÇÃO DA AÇÃO FISCAL POR ORDEM JUDICIAL. Ao prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito Tributário, regido pelo artigo do art. 150, § 04, do CTN, deve ser acrescido o período em que a ação fiscal permaneceu suspensa, em razão de liminar em Mandado de Segurança. ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação de livros e documentos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real da ensejo ao arbitramento de seus lucros. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Notificada dessa decisão, a PFN apresentou Recurso Especial (fls. 329 e ss. do vol.2), ao qual foi negado seguimento, conforme despacho de fls. 376/377 do vol.2. O contribuinte, por sua vez, interpôs Recurso Especial (fls. 398 e ss. do vol.3) pedindo o acolhimento da preliminar de decadência em relação ao período de 1/12/1998 a 31/12/1998 e o cancelamento do crédito tributário. Pelo despacho de fls. 878/880, a presidência da Quarta Câmara deu seguimento ao Recurso Especial. Em seguida, a PFN apresentou Contrarrazões às fls. 884/889. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O Recurso Especial foi admitido pelo então Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do Carf de forma sumária e sem maiores análises, pelo que entendo deve ser revisto. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 841 4 À época em que foi impetrado o referido Recurso Especial vigoravam as disposições regimentais previstas na Portaria MF nº 256, de 2009. No Anexo II, o art. 67 do então regimento interno do CARF, assim já determinava: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Fl. 894DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 842 5 § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício.(destacamos) Como se nota do Recurso Especial aviado pelo contribuinte não há qualquer demonstração de divergência jurisprudencial, mas apenas o registro do seu inconformismo em relação à decisão da turma a quo. No item "I" da peça de defesa "Da Decisão Recorrida" a recorrente limita se a transcrever a ementa do acórdão recorrido e seu resultado e a afirmar que "a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária — DERAT — SPO / DICAT / EQCOB não acatou o r.decisium, pois conforme pode se ver pelos Darf's anexados ( Doc. 03), o VALOR PRINCIPAL referese ao 4º trimestre/1998 e não ao período de 01/12/1998 a 31/12/1998,..." Em seguida, no item "II" (erroneamente identificado como item III) defende que apesar de ter declarado a decadência do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/1998, inclusive, a decisão a quo não o fez em relação ao período de 1/12/1998 a 31/12/1998. Aduz que, supondose que teria ocorrido a omissão de receitas, "o prazo decadencial cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador , já teria se consumado, pois as datas em que foram efetuados os supostos depósitos bancários já foram atingidos pela decadência". Afirma que o art.150, §4º, do CTN, dispõe que no lançamento por homologação o prazo decadencial tem como termo inicial a data de ocorrência do fato gerador que, no caso, se refere as datas em que ocorreram os depósitos bancários e, assim, já estaria decaído o direito do Fisco. Salienta que a decadência deve ser reconhecida de ofício e, em seguida, afirma que "A jurisprudência do Egrégio Conselho de contribuintes é pacifica nesse sentido:" e colaciona 13 (treze) ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes. Transcreve doutrina, julgados do STJ e publicações de sites da internet. Observa não haver previsão legal para suspensão ou interrupção do prazo decadencial, ainda que seja determinado por ordem judicial. Pede, ao final, que seja acolhida a preliminar de decadência em relação ao período de 1/12/1998 a 31/12/1998. Como se verifica desta exposição, não se trata de Recurso Especial, mas de mero recurso contra a autuação, eis que não foi demonstrada de forma alguma, seja analítica ou sinteticamente, pelo recorrente, quais pontos do acórdão recorrido divergiriam do entendimento firmado nos acórdãos apresentados em sua peça de defesa. Isto foi feito apenas pelo despacho que analisou a admissibilidade do apelo especial, o que é inadmissível, já que é ônus do recorrente demonstrar a divergência. Nesse sentido vem decidindo esta 1ª Turma da CSRF, como depreendese dos seguintes acórdãos: Fl. 895DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 843 6 Acórdão nº 9101002.375 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. Apenas se conhece recurso especial em que a divergência de interpretação entre as Turmas julgadoras esteja demonstrada analiticamente, com a indicacã̧o dos pontos do acórdão paradigma que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (RICARF, art. 67, § 8°). SÚMULA 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. [...] O recurso especial é tempestivo, mas fazse necessário verificar se preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, quanto às duas matérias nele veiculadas: (i) legitimidade da adesão ao SIMPLES FEDERAL em face das atividades que exerce; (ii) impossibilidade de exclusão retroativa do aludido regime pelo Ato Declaratório Executivo n° 112, emitido em 20.08.2007 com efeitos a partir de 01.09.2001. No que se refere ao item (i) acima, compreendo que o recurso especial não cumpre com o requisito previsto no art. 67, § 6° do RICARF então vigente (Portaria n. 256/2009), que em nada difere do art. 67, § 8° do atual RICARF: “A divergen̂cia prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicacã̧o dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”. O contribuinte, às fls. 5501 do eprocesso, apenas colacionou, em meio aos seus argumentos, o acórdão n. 30132.601, sem realizar qualquer exame analítico de seu conteúdo. [...] Na verdade, todo o esforço dialético para a demonstração de divergência jurisprudencial foi levado a termo no despacho de admissibilidade, mas não pelo recorrente, a quem indiscutivelmente incumbiria tal ônus. [...] Sessão 12/7/2016 Rel. Cons. Luiz Flavio Neto. (destacamos) Acórdão nº 9101002.374 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 Fl. 896DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 844 7 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. Apenas se conhece recurso especial em que a similitude fática e a divergência de interpretação entre as Turmas julgadoras esteja demonstrada analiticamente, com a indicacã̧o dos pontos do acórdão paradigma que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (RICARF, art. 67). [...] O recurso especial é tempestivo, contudo, não cumpre com o requisito previsto no art. 67, § 6° do RICARF vigente quando de sua interposição (Portaria n. 256/2009), que em nada difere do 67, § 8° do atual RICARF: “A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”. Ocorre que, às fls. 1189, a recorrente simplesmente colaciona os acórdãos n. acórdãos n. 302038.388 e 20212.635, sem realizar qualquer exame analítico do conteúdo destes, ignorando ser obrigatória a demonstração da divergência em face do acórdão a quo. Na verdade, todo o exame dialético para a demonstração de divergência jurisprudencial foi levado a termo no despacho de admissibilidade, mas não pela recorrente, a quem inegavelmente incumbia tal ônus. [...] Sessão 12/7/2016 Rel. Cons. Luiz Flavio Neto. . (destacamos) No exame de admissibilidade do referido recurso sequer restou demonstrado, com segurança, qual teria sido exatamente o entendimento manifestado no voto proferido no acórdão recorrido, como se pode depreender do seguinte trecho (fls. 878/880): Apesar de a decisão recorrida ter resultado de entendimento majoritário, no sentido de se aplicar na espécie o art.173, I, do CTN, em que se reconheceu a decadência apenas com relação aos fatos geradores anteriores a 30/11/1998, inexistiu declaração de voto que pudesse esclarecer se foi alicerçado, por exemplo, em dolo, fraude ou simulação. A propósito, o voto do Relator, acompanhado pelas conclusões, aponta no sentido da inexistência de fraude: “No caso concreto, onde não se configurou evidente intuito de fraude (...)”. Assim, à vista dos paradigmas, pelos quais deve incidir na contagem do prazo decadencial a regra do art.150, §4º, do CTN, independentemente da existência de pagamento no período, e diante da omissão relatada no parágrafo anterior, é possível, neste juízo de cognição sumária, entender pela caracterização da divergência jurisprudencial suscitada. . (destacamos) Naquele despacho deduziuse que, a partir do entendimento manifestado nos acórdãos trazidos pela recorrente em confronto com uma parte omitida do voto, seria possível entender que haveria caracterização de divergência jurisprudencial. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 19515.002777/200479 Acórdão n.º 9101003.647 CSRFT1 Fl. 845 8 Ora, se havia omissão no acórdão recorrido caberia ao sujeito passivo interessado apresentar embargos de declaração para esclarecer a omissão ou o ponto obscuro, o que não foi feito. Por outro lado, não cabe a quem analisa a admissibilidade do recurso desferir um esforço intelectual a fim de demonstrar a divergência alegada pela parte. O Regimento Interno é claro: o ônus da divergência compete àquele que a invoca. À vista do exposto e, uma vez que o Recurso Especial do sujeito passivo não observou os requisitos regimentais para ser admitido, voto por não conhecêlo. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 898DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000648/98-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
IRRF. AUSÊNCIA INFORME DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA.
Caso o IRRF retido durante o ano-calendário componha o saldo negativo de IRPJ e o contribuinte não possua o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, admite-se, no âmbito do processo administrativo fiscal, a apresentação de outras provas que comprovem o direito creditório. Contudo, é ônus do contribuinte essa comprovação. Não havendo provas nos autos que comprovem o direito creditório de IRRF, este não pode ser reconhecido pelo simples fato de estar declarado na composição do saldo negativo.
Numero da decisão: 1302-003.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: arlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 IRRF. AUSÊNCIA INFORME DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Caso o IRRF retido durante o ano-calendário componha o saldo negativo de IRPJ e o contribuinte não possua o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, admite-se, no âmbito do processo administrativo fiscal, a apresentação de outras provas que comprovem o direito creditório. Contudo, é ônus do contribuinte essa comprovação. Não havendo provas nos autos que comprovem o direito creditório de IRRF, este não pode ser reconhecido pelo simples fato de estar declarado na composição do saldo negativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: arlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 IRRF. AUSÊNCIA INFORME DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Caso o IRRF retido durante o anocalendário componha o saldo negativo de IRPJ e o contribuinte não possua o informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora, admitese, no âmbito do processo administrativo fiscal, a apresentação de outras provas que comprovem o direito creditório. Contudo, é ônus do contribuinte essa comprovação. Não havendo provas nos autos que comprovem o direito creditório de IRRF, este não pode ser reconhecido pelo simples fato de estar declarado na composição do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: arlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 06 48 /9 8- 61 Fl. 371DF CARF MF 2 Relatório Tratase, o presente processo, de pedido de compensação formalizado pelo contribuinte Cotia Factoring Fomento Comercial Ltda., ora Recorrente. Como se depreende dos autos, a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, uma vez que a soma do recolhimento das estimativas mensais e do IRRF no ano de 1997 superavam, em tese, o valor devido a título de IRPJ naquele anocalendário. Tendo em vista o credito apurado, pretendeuse, com o pedido de compensação, quitar as estimativas de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com o crédito apurado. Contudo, como consta do acórdão recorrido, a Receita Federal do Brasil reconheceu apenas parte do crédito indicado no pedido de compensação. Vejase trecho da decisão neste sentido: 6. Ao analisar os elementos que constam dos autos e dos sistemas informatizados da RFB (SRF), a Autoridade Administrativa confirmou parte do IRRF (R$ 603.788,23), conforme planilha por ela elaborada (fl. 93), e recolhimentos de estimativas apenas para os meses de janeiro (R$ 144.511,55), fevereiro (R$ 494.724,25) e março (R$ 166.459,06), o que implicou o reconhecimento de parte do crédito (R$ 58.868,57), e deferimento parcial da compensação, até o limite do crédito reconhecido, (...): O Recorrente, não concordando com o reconhecimento em parte do seu direito creditório pelo despacho decisório, apresentou Manifestação de Inconformidade. O acórdão recorrido elencou os fundamentos apresentados pelo contribuinte em seu apelo de forma precisa. Confirase: 8.1. não foram considerados os pedidos de compensação das estimativas dos meses de abril a agosto de 1997; 8.2. o IRRF reconhecido é inferior ao montante realmente retido por instituições financeiras e clientes pela prestação de serviços na área de factoring; 8.3. o montante a ser restituído/compensado é de R$ 987.281,06, devendo a Ficha 08 ser demonstrada da seguinte forma: Assim, com base nos argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo reconheceu a maior parte do direito creditório. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 IRPJ. PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO. ANO CALENDÁRIO 1997. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação do lucro real anual, poderá deduzir do imposto Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13820.000648/9861 Acórdão n.º 1302003.069 S1C3T2 Fl. 372 3 devido, em 31 de dezembro, o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o valor do imposto pago mensalmente com base da Receita Bruta; COMPROVAÇÃO. A compensação tem como pressuposto de validade crédito líquido e certo em favor do sujeito passivo, cabendo a este o ônus da prova IRRF. COMPENSAÇÃO DO IRRF COM IRPJ DEVIDO. PRESSUPOSTOS DE VALIDADE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E CÔMPUTO DOS RENDIMENTOS NO LUCRO REAL. O saldo credor de IRPJ, quando resultante da compensação de IRRF, com o IRPJ devido, tem como pressupostos de validade a comprovação da retenção e o cômputo dos rendimentos correspondentes no lucro real, razão pela qual, em havendo controvérsia acerca do IRRF identificado nas declarações DIRF, cabe à Manifestante trazer aos autos o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CRÉDITOS DE TERCEIRO. Confirmada, por meio de instrução processual, que parcela do crédito pleitaedo referese a estimativas mensais compensadas com créditos de terceiros e que tais compensações encontramse homologadas, há que se computála na apuração do saldo credor em favor da Manifestante. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Como se observa da decisão proferida por aquela DRJ, o crédito não reconhecido pela autoridade julgadora referese à parte do IRRF, cuja a retenção e recolhimento não foram comprovados pelo contribuinte, uma vez que não foram apresentados os Informes de Rendimentos, tampouco outros documentos que pudessem demonstrar e comprovar as retenções sofridas. Não concordando com a decisão recorrida, na parte em que lhe foi desfavorável, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que tem direito ao crédito não reconhecido, uma vez que houve a retenção e recolhimento do tributo por parte das fontes pagadoras. Ainda, cumpre esclarecer que, em que pese ter havido o reconhecimento da maior parte do crédito pleiteado, pelo acórdão recorrido, como o direito creditório reconhecido não supera o limite estipulado na legislação para apresentação de Recurso de Ofício, este não foi apresentado pela autoridade julgadora de 1ª instância. Fl. 373DF CARF MF 4 Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 19/08/2017 (fl. 353), sextafeira, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 19/09/2017 (comprovante de fl. 354), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A matéria controversa nos autos e que foi devolvida a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, pelo Recurso Voluntário apresentado, se refere, basicamente, ao não reconhecimento de parte do direito creditório indicado pelo contribuinte, no que tange ao IRRF retido e recolhido. Em seu apelo, citando julgados do CARF para embasar os seus argumentos, o Recorrente alega que a "prova da retenção de IRRF pode ser realizada mediante outras provas documentais que não sejam comprovantes de rendimentos a serem fornecidos pelas fontes pagadoras, pois , contribuinte não pode ser penalizado pela omissão de terceiros, (...)". De fato, aos olhos desse julgador, o direito creditório do contribuinte não pode ser tolhido, quando há comprovação de que as fontes pagadoras efetuaram a retenção e o recolhimento do IRRF, mas deixaram de declarar esse recolhimento ou quando, a despeito da declaração, não apresentam de forma correta o informe de rendimentos ao contribuinte. Assim, seria temerário afirmar que só o informe de rendimentos teria o condão de comprovar os créditos retidos e recolhidos. Devese aceitar, em virtude do princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, outros elementos probantes do direito creditório. Em que pese alguns julgados em sentido contrário, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se denota das ementas abaixo, entende pela possibilidade de apresentação de outros meios de prova para comprovar o crédito relativo ao IRRF, em detrimento do Informe de Rendimentos. Vejase: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13820.000648/9861 Acórdão n.º 1302003.069 S1C3T2 Fl. 373 5 COMPENSAÇÃO. DEDUÇÃO DE RETENÇÃO DE IRRF. PROVA. LIVRE APRECIAÇÃO. DIRF. Não prevalece o entendimento de que a retenção de fonte somente se comprova pelo comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, em nome do beneficiário, eis que, no ordenamento processual pátrio, incide a diretiva da livre apreciação da prova, que autoriza o exame de outros documentos, como a DIRF. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. GLOSA DE IRRF. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. Em declaração de compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ, em que a DRF glosou parcelas de deduções de IRRF, havendo prova das retenções e compatibilidade entre os rendimentos correspondentes aos valores retidos e as receitas oferecidas à tributação, devem ser afastadas as glosas e reconhecido o crédito. (Número do Processo 11065.000211/200870 Acórdão nº 1801001.687 Sessão de 08/10/2013) (destacouse) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995, 1996, 1997 SALDO NEGATIVO. IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. A prova da retenção de imposto de renda na fonte pode ser realizada mediante outras provas documentais que não sejam os comprovantes de rendimentos a serem fornecidos pelas fontes pagadoras, pois o contribuinte não pode ser penalizado por omissão de terceiros. COMPENSAÇÃO REALIZADA NA PRÓPRIA ESCRITA FISCAL ANTES DA INSTITUIÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARA NOVAS COMPENSAÇÕES NA PRÓPRIA ESCRITA. Após o pedido de restituição, para que o contribuinte pudesse compensar diretamente em sua escrita seu crédito com débitos de tributos da mesma espécie, deveria, previamente, apresentar pedido de desistência em relação ao crédito que pretendia, anteriormente, ver restituído. Inteligência do art. 14, § 3º, da IN SRF nº 21/97.Não havendo pedido de desistência do pedido de restituição pendente de decisão, prevalecem os pedidos de compensação realizados via processo administrativo, cabendo a cobrança de eventuais autocompensações realizadas na própria escrita sem haver disponibilidade de indébito para tanto. (...) (Número do Processo 10840.003979/9971 Acórdão nº 1402 002.186 Sessão de 04/05/2016) (destacouse). Fl. 375DF CARF MF 6 Contudo, em que pese se admitir outros meios de prova, é ônus do contribuinte apresentar nos autos as provas de suas alegações, uma vez que, sem elas, o julgador administrativo não tem elementos para afirmar que o direito creditório existe ou não. E, no presente caso, o próprio Recorrente afirma que não juntou aos autos a comprovação do seu direito creditório. Vejase o que restou afirmado no Recurso Voluntário ora analisado: 27. A despeito disso, durante todo o curso do presente processo, a Requerente agiu sempre de boafé, respaldada pela busca da verdade material dos fatos, tendo apresentado à fiscalização todos os documentos que possuía relacionados ao direito creditório pleiteado. 28. Justamente em virtude de tal conduta é que foi possível a confirmação da maior parte do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1997. A ausência de apresentação de documentos relacionados ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997 só ocorreu porque a Recorrente efetivamente não possuía tal documentação. 29. Portanto, não resta dúvida de que a exigência de documentos relativos a fatos ocorridos há quase 20 anos se mostra carente de qualquer razoabilidade, não podendo pretender sustentar a redução do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997. Assim, são irreparáveis as conclusões a que chegou o acórdão recorrido. Confirase o que constou daquela decisão: 23. Pela legislação exposta, verificase que a comprovação da retenção é condição essencial, embora não seja suficiente, para que o beneficiário dos rendimentos possa compensar o IRRF com o IRPJ devido em 31 de dezembro do anocalendário. 24. Todavia, embora a Autoridade Administrativa tenha elaborado planilha (fl.93) onde são apresentados o CNPJ da fonte pagadora, o código de retenção, o rendimento pago e o IRRF retido, a Manifestante não traz aos autos os comprovantes de retenção emitidos por pessoas jurídicas que, eventualmente, não tenham constado da relação. 25. Fica, portanto, mantido o montante de IRRF, reconhecido pela Autoridade Administrativa, no valor de R$ 603.788,23. No Recurso Voluntário, ressaltese, após afirmar que não possui as provas para comprovar o seu direito creditório, o Recorrente afirma, tão somente, que o crédito foi informado em compensação e esta deve ser homologada. Mas não apresenta nenhum elemento para comprovar o seu direito. O que não se pode admitir. Por fim, cumpre ressaltar que o Recorrente alega ao final do Recurso que houve a homologação tácita do pedido de compensação, uma vez que já decorridos mais de 05 anos desde a apresentação daquele pedido. Contudo, não devese dar respaldo a este argumento. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13820.000648/9861 Acórdão n.º 1302003.069 S1C3T2 Fl. 374 7 Não se desconhece o disposto no § 5º, do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que fala em homologação tácita da compensação, no prazo de 05 anos, contados da apresentação do pedido pelo contribuinte. Vejase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Entretanto, no presente caso, o pedido de compensação foi apresentado em 01/07/1998 (fl. 03), tendo o contribuinte recebido o despacho decisório em 13/12/2002 (fl. 97), ou seja, antes de decorrido o prazo de 05 anos, contado da apresentação do pedido de compensação. Assim, in casu, não há que se falar em homologação tácita da compensação, como tenta induzir o Recorrente no Recurso Voluntário apresentado, mesmo que ainda esteja em discussão administrativa o direito creditório indicado no pedido de compensação. Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo, na totalidade, o que restou decidido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP). (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722625/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 26 25 /2 01 2- 04 Fl. 416DF CARF MF Processo nº 19515.722625/201204 Acórdão n.º 2402006.416 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 19515.722625/201204 Acórdão n.º 2402006.416 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 19515.722625/201204 Acórdão n.º 2402006.416 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 419DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.720926/2016-94
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa de despesas médicas, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa de despesas médicas, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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score : 1.0
Numero do processo: 10183.900158/2008-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que conheceu parcialmente, a fim de confirmar a decisão da DRJ no que concerne à falta de competência do contencioso para apreciar o pedido de cancelamento de débito confessado em PER/DCOMP. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso e cancelar o débito, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe deu provimento parcial para que o débito fosse apurado pela Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Não sendo cabível a exigência de débitos declarados na primeira.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que conheceu parcialmente, a fim de confirmar a decisão da DRJ no que concerne à falta de competência do contencioso para apreciar o pedido de cancelamento de débito confessado em PER/DCOMP. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso e cancelar o débito, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe deu provimento parcial para que o débito fosse apurado pela Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 01 58 /2 00 8- 08 Fl. 377DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0420.978, da 2ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o despacho decisório que não homologou a Declaração de Compensação, transmitida pelo Programa PER/DCOMP, n°20344.11557.141206.1.7.027967, de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ Relatório Por meio do Despacho Decisório de folha 01, foi declarada a não homologação da Declaração de Compensação PER/DCOMP de nº 20344.11557.141206.1.7.027967, com utilização de crédito a título de “saldo negativo de IRPJ”, resultando no valor devedor correspondente aos débito indevidamente compensado no montante de R$ 32.108,17, acrescido de multa de mora e juros de mora. Na fundamentação do referido despacho, consta que:o valor original do saldo negativo informado na PER/DCOMP , com demonstrativo de crédito, era de R$33.592,73, enquanto que o saldo negativo informado na DIPJ era de R$205.810,48. Assim, a autoridade não homologou a referida compensação e exigiu, então, o pagamento do débito, indevidamente, compensado, no valor de R$32.108,17. Em sua manifestação de inconformidade, a, ora recorrente, afirmou que cometera um erro no preenchimento da PER/DCOMP, pois, o valor do débito de R$32.108,17, indicado como devido no mês de março de 2004, era indevido, pois, de acordo com a DIPJ, a recorrente apurara base de cálculo negativa. O débito indevido consta na folha 3, da DCTF, do primeiro trimestre de 2004, processada em 18/12/2006 foi retificada e processada em 18/09/2007. Culmina pedindo o cancelamento da exigência fiscal. Cientificada em 11/08/2014, a recorrente apresentou o seu recurso em 09/09/2014 . Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A DRJ proferiu o seguinte voto: O contribuinte reconhece que cometeu erro ao preencher o PER/DECOMP indicando débito inexistente, requerendo que esse débito seja desconsiderado, pois, a d/comp apresentada não poderia ter sido feita, considerando que, conforme se verifica na DIPJ através da demonstração dos resultados mensais negativos durante todo o ano calendário de 2004 a partir de janeiro, incluindose o mês de março/2004 cujo vencimento seria o último dia do mês de abril desse ano. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10183.900158/200808 Acórdão n.º 1001000.811 S1C0T1 Fl. 3 3 Verificase também a impossibilidade de compensação de estimativa do mês de março com a DIPJ do mesmo exercício correspondente. O que se constata é que referido saldo negativo da DIPJ/2005 foi objeto de declaração de compensação através do PER/DECOMP 39142.43984.150906,1.7.024379 , fls. 265 a 276. A DCTF original relativa ao 1o trimestre de 2004 apresentava um débito no valor do débito objeto da declaração de compensação que posteriormente fora retificada corroborando a hipótese de inexistência de débitos do mês de março/2004, sem adentrar a outras verificações passíveis de serem realizadas pela unidade local para confirmação da efetividade dessa inexistência. No entanto, considerando que fica prejudicada a análise do crédito apresentado no PER/DECOMP, e, considerando que o contribuinte requer é apenas a extinção da cobrança de um débito declarado por ele mesmo, voto no sentido de não conhecer da manifestação de inconformidade, para que a unidade local avalie a existência ou não do débito confessado na d/comp Pelos motivos expostos, voto no sentido de anular o PER/DECOMP apresentado por ter sido elaborado erroneamente. Como se vê, a DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade, baseada no fato de ela própria ter cometido um erro no preenchimento da PER/DCOMP, deixando de analisar o pedido da recorrente que era o de cancelamento do débito (como consta do voto da DRJ). Em seu recurso, a recorrente, reafirma os fatos apresentados em sua manifestação de inconformidade, e alega, também, que: 19. Apesar de constar do dispositivo da decisão que "pelos motivos expostos, voto no sentido de anular o PER/DCOMP apresentado por ter sido elaborado erroneamente", não é esse entendimento que vem sendo aplicado pela I. DRJ/CGE. 20. A r. decisão, ora recorrida, entendeu, em resumo, que (i) o crédito pleiteado, declarado equivocadamente pela RECORRENTE quanto ao período para compensação, deveria ser anulado; (ii) o débito declarado pela RECORRENTE, ainda que equivocadamente, deveria ser objeto de análise pela Unidade Local antes de ser declarado inexistente pela DRJ/CGE. 21. Ocorre que, como se percebe da confusão expressada nos autos (fls. 283), a DRFB de Cuiabá/MT não vem aplicando ao caso o determinado pelo v. acórdão ora recorrido, qual seja, não houve a devida averiguação da inexistência do débito pela Unidade Local, conforme o expressamente consignado na decisão. 22. É necessário se frisar que a simples análise do saldo negativo da DIPJ para o período (fl. 34), demonstra que o resultado contábil da ora RECORRENTE para o exercício de 2005 (ano calendário de 2004) não seria capaz de gerar débito de IRPJ, dada a ausência de fato gerador de incidência do citado tributo para o período. 23. Além disso, muito embora a DCTF tenha o condão de constituir o crédito tributário, é certo que as informações lá constantes não são absolutas e, por seu turno, é passível de sofrer a necessária retificação, tal como já requereu a RECORRENTE (fls. 285/286). 24. Excelências, a possibilidade de retificação da DCTF e seus efeitos, mesmo no âmbito do presente processo é pacífica perante o entendimento sufragado Fl. 379DF CARF MF 4 pela Jurisprudência Administrativa Federal, de modo que deve ser acatada da forma como pleiteada. Vejase: ... 25. Pela singela leitura do entendimento acima transcrito, é possível afirmar que o entendimento jurisprudencial é no sentido de que, sendo retificada a declaração pelo contribuinte, ainda que no âmbito do procedimento administrativo já instaurado, a presunção relativa de veracidade da declaração permanece incólume, mantido em favor da Administração o direito de fiscalizar tais informações. 26. Não é possível a inversão de quaisquer ônus probatórios contra o contribuinte, além daquele atinente à necessária comprovação acerca da retificação efetuada. 27. Vale frisar ainda que, in casu, a própria RECORRENTE reconhece seu erro quando do preenchimento da PER/DCOMP, que constitui erro de fato, capaz de ser corrigido administrativamente em razão da busca pela verdade material que deve ser perseguida nos procedimentos administrativos. Alega ainda que o artigo 147, do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe sobre a verdade material que norteia o PAF, conforme reproduzo: 28. A verdade material que norteia o Processo Administrativo deve se sobrepor a qualquer equívoco presente nas obrigações acessórias, conforme dispõe o parágrafo 25, do artigo 147, do CTN: "ARTIGO 147 0 lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação (...). PARÁGRAFO 22 Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela" Requer, então o provimento do presente recurso voluntário. Observase, pelos documentos acostados no presente processo, que a recorrente efetuou a retificação da DCTF que, consagradamente, constitui a confissão de dívida. A sua retificação cancela e substitui a anteriormente entregue. A alteração das informações prestadas na DCTF, nas hipóteses em que admitida, é efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados (IN RFB 1.599/2015). O direito de o sujeito passivo pleitear a retificação da DCTF independe de autorização administrativa e extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração, o que foi devidamente observado pelo contribuinte. A DRJ proferiu o seu voto desconsiderando pedido de cancelamento do débito então cobrado pela RFB e determinou o cancelamento da PER/DCOMP, o que entendo Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10183.900158/200808 Acórdão n.º 1001000.811 S1C0T1 Fl. 4 5 desnecessário face à sua não homologação anterior, determinando à unidade de origem a verificação da existência do débito, o qual acabou sendo mantido. Ou seja, toda a documentação apresentada, acostada aos autos, aparentemente, não foi avaliada nem pela DRJ e nem pela unidade de origem. Por todo o exposto, é a clara a inexistência do débito, anteriormente, declarado, posto que retificado por nova DCTF. Portanto, voto pelo provimento do presente recurso, cancelandose o débito exigido. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 381DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.900852/2009-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2005
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 1002-000.396
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 08 52 /2 00 9- 23 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 84 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 37/40) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 27/32), proferida em sessão de 14 de setembro de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1240.411, da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ (DRJ/RJ1), que, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/05) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/03/2009 (efl. 06), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 21721.93041.071005.1.3.049530, transmitido em 07/10/2005, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 29/04/2005 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF 600/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devido ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 85 3 Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de DCOMP Eletrônica n.º 21721.93041.071005.1.3.049530, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito — Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL Data de Arrecadação: 29/04/2005 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 139,93 Crédito Original da Data da Transmissão: R$ 139,93 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 33,23 O crédito teria origem no DARF recolhido em 29/04/2005, de CSLL (código 2484), no valor de R$ 1.095,66. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 05 [efl. 06], n.º de rastreamento 825040577, o julgamento teve a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 139,93. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período." Enquadramento Legal: art. 165 e 170 do CTN, art. 10 da IN SRF n.º 600/2005, art. 74 da Lei n.º 9.430/96. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 02/04/2009, fls. 19 [efl. 21]. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 29/04/2009, fls. 04 [efl. 02], alegando: transcreve os artigos que motivaram a não homologação das compensações. transcreve o artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96, que disciplina o recolhimento por estimativa do IRPJ. conforme DIPJ/2006, no cálculo do IRPJ e CSLL por estimativa, a forma de determinação da Base de Cálculo foi com base em levantamento de Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, e não com base na Receita Bruta. a opção de tributação não foi o pagamento por estimativa com base na receita bruta que trata o artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005 e artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 139,93, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 86 4 informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, razão pela qual não se homologou a compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/03/2005 2484 R$ 1.095,66 29/04/2005 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2009 Principal: R$ 28,40 Multa: R$ 5,68 Juros: R$ 14,37 A tese de defesa não foi acolhida por maioria de votos pela DRJ, mantendo se o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Pela presente DCOMP, pretende a interessada utilizar crédito de pagamento a maior, relativo à estimativa de CSLL do mês de março/2005. No entanto, o não reconhecimento do direito creditório teve como fundamento o artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005, de 28 de dezembro de 2005, que assim determina: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Com base no artigo citado, qualquer recolhimento a título de estimativa, mesmo que em valor superior ao devido, deve ser utilizado para redução do IRPJ/CSLL devido no final do período, ou para composição do saldo negativo. Em sua defesa, a interessa alega que não fez pagamento por estimativa previsto no artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96, mas sim com base no balanço, não cabendo a restrição do artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005. Para melhor compreensão acerca dos recolhimentos por estimativa, trago a legislação que rege o lucro real, lembrando que as regras também se aplicam à contribuição social, por força do artigo 28 da Lei n.º 9.430/96. Assim determina o artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96: (...) Da leitura do dispositivo, concluise que, no caso de lucro real com apuração anual, o fato gerador ocorre em 31 de dezembro. Tanto é assim que o acerto de contas, previsto no § 3.º, ocorre nesta data, determinandose o imposto/contribuição Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 87 5 devido, e confrontado com todos os recolhimentos mensais. Em outras palavras, os pagamentos mensais são estimativas daquilo que será devido na data da ocorrência do fato gerador, possuindo natureza de antecipações do imposto/contribuição devido. No caso de os recolhimentos a título de estimativa superarem o imposto/contribuição devido, apurase o saldo negativo, passível de restituição ou compensação. Ainda acerca destes recolhimentos mensais, o artigo 35 da Lei n.º 8.981/95, assim dispõe: (...) Neste ponto, cabe destacar os seguintes artigos da Instrução Normativa SRF n.º 93/97: (...) Ou seja, o contribuinte que apurar o imposto/contribuição com base no lucro real, apuração anual, tem a opção de recolher a estimativa devida calculada por meio de balanços ou balancetes, e não tendo como base a receita bruta. Para tanto, deve o contribuinte determinar o imposto/contribuição devido até o mês em questão, levantando o balanço observando às leis comerciais e fiscais. Do confronto do imposto/contribuição apurado e o somatório das estimativas já recolhidas, será determinado se há necessidade ou não de pagamento no mês que fez o balanço. No entanto, em que pese a opção de levantar o balanço ou balancete em determinado mês, o pagamento por ventura efetuado não deixa de ter natureza de estimativa. O fato gerador continua sendo no dia 31 de dezembro, e qualquer recolhimento de imposto/contribuição de renda durante o anocalendário, seja calculado com base na receita bruta (artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96) ou com base no balanço ou balancete (artigo 35 da Lei n.º 8.981/95), tem natureza de antecipação, considerado como estimativa do imposto/contribuição devido no final do período. Portanto, o artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005, quando se refere aos recolhimentos por estimativa, se aplica a todos os pagamentos de IRPJ ou CSLL efetuados durante o ano calendário, não importando sua forma de apuração. Todos são antecipações do imposto/contribuição devido, devendo seus valores serem considerados no final do período, no confronto com o imposto/contribuição apurado. Mas não é só. Dos documentos apresentados nos autos, a interessada não comprovou que teria transcrito no Livro Diário, até a data fixada para pagamento da contribuição, o balancete ou balanço, de forma a permitir o recolhimento da estimativa de acordo com o que alega em sua defesa. Por todo acima exposto, com fundamento no artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005, voto pelo não reconhecimento do direito creditório e pela não homologação da compensação. No recurso voluntário, em síntese, o contribuinte, pessoa jurídica tributada pelo lucro real, reitera os termos da impugnação. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 88 6 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 19/10/2011, quartafeira, efls. 33/34, e protocolo em 17/11/2011, efl. 37), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito, observo nulidade no acórdão vergastado, inclusive seguindo os precedentes constantes dos Acórdãos ns.º 1302002.855 e 1302002.866, ambos de 13/06/2018, bem como o Precedente deste Colegiado da 2.ª Turma Extraordinária, da sessão de 09 de agosto de 2018, Acórdão n.º 1002000.359. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 89 7 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção das obrigações por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta forma, em verdade, com tal conclusão, o direito creditório não chegou a ser efetivamente analisado e, neste sentido, a decisão da DRJ, de igual modo, também não se aprofundou acerca do crédito, o que, no meu entender e seguindo os precedentes anteriormente citados, ocasiona a nulidade da decisão da primeira instância recursal. Vejase que nos precedentes citados as conclusões foram as mesmas: Acórdão n.º 1302002.866 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1302002.855 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 08/08/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1002000.359 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 90 8 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AnoCalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Efetivamente, nos termos da Súmula CARF n.º 84, a última instância recursal já pacificou entendimento no sentido de que "o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação." O enunciado sumular acima transcrito foi confeccionado a partir dos seguintes paradigmas: Acórdão n.º 120100.404, de 23/2/2011; Acórdão n.º 120200.458, de 24/1/2011; Acórdão n.º 110100.330, de 09/7/2010; Acórdão n.º 910100.406, de 02/10/2009; Acórdão n.º 10515.943, de 17/8/2006. Ressaltese, ademais, que o art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) n.º 600, de 2005 (originalmente constante no art. 10 da IN SRF n.º 460, de 2004), que proibia expressamente a compensação da estimativa fiscal nos termos defendidos pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, foi posteriormente revogado pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 2008, que não trouxe igual disciplina proibitiva, inexistindo, para o contexto destes autos, dúvidas quanto a possibilidade de utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa fiscal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. No mais, destacando que o fato discutido nos autos é a não homologação da compensação do débito de estimativa mensal, declarada em PER/DCOMP, sob o fundamento de que o crédito utilizado referese, de igual modo, a pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, entendo por bem destacar que o art. 6.º da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018, que deu nova redação ao inciso IX do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, para estabelecer que não poderão ser objeto de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 91 9 compensação os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, não é aplicável na regulamentação das Declarações de Compensação transmitidas antes da publicação da referida nova lei, na forma do art. 11, inciso II, da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018. Além disto, como consta daqueles precedentes citados no início deste voto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Divisão de Tributação da 9.ª Região Fiscal da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9.ª Região Fiscal, já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta n.º 285 SRRF/9.ª RF/Disit, de 17 de julho de 2009, eis a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. (...) A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeito à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 2.º e 6.º; Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n.º 3, de 2000; IN RFB n.º 900, de 2008, arts. 2.º a 4.º e 34. Acrescentese, outrossim, que a CoordenaçãoGeral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovou a Solução de Consulta COSIT n.º 19, de 05 de dezembro de 2011, apreciando indagação interna relacionada ao mesmo objeto ora em discussão, tendo concluído que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1.º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 92 10 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1.º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2.º e 74; IN SRF n.º 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, concluo que é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Destaquese que o entendimento deflagrado no Despacho Decisório, o qual estava equivocado, conforme enunciado sumular do CARF, foi, posteriormente, ratificado pela decisão recorrida, de modo que, efetivamente, não houve uma efetiva análise da legitimidade do direito creditório indicado no PER/DCOMP, pelo que se dá provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de se compensar pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais, reformandose o acórdão neste ponto, devendo a DRJ proceder a análise do direito creditório. Aliás, a DRJ pode, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso do sujeito passivo, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte. Considerando o até aqui esposado e reconhecendo a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, entendo pela nulidade do julgamento da DRJ, devendo ser proferida nova decisão. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento parcial para anular o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta análise o direito creditório do Recorrente, podendo, inclusive, determinar a realização de diligências, em busca da verdade material, para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004502/2003-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INTEGRAÇÃO
Conhece-se dos embargos interpostos em face de omissão no julgado para fins de integração em relação ao dispositivo do Acórdão.
Numero da decisão: 2201-004.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para sanar o vício apontado no Acórdão nº 2201-004.455, de 05 de abril de 2018, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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OMISSÃO. INTEGRAÇÃO Conhecese dos embargos interpostos em face de omissão no julgado para fins de integração em relação ao dispositivo do Acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para sanar o vício apontado no Acórdão nº 2201004.455, de 05 de abril de 2018, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 45 02 /2 00 3- 99 Fl. 630DF CARF MF 2 1 Adoto como relatório o da decisão de admissibilidade dos embargos de declaração da PGFN às fls. 626/628, por bem relatar os fatos ora questionados. " Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2201004.455, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (efls. 602 e ss), cuja ementa abaixo se transcreve: DECADÊNCIA. APLICAÇÃO SÚMULA 38 DO CARF E ART. 173 § 1º DO CTN No caso de omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada a contagem do prazo decadencial iniciase a partir do exercício seguinte com a aplicação do art. 173, I do CTN, mormente quando não há recolhimento de nenhum imposto. OMISSÃO COM BASE EM LANÇAMENTOS COM BASE EMDEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei9.430/96 autoriza o lançamento com base em depósitos bancários quando a origem dos recursos utilizados não forem devidamente comprovada pelo sujeito passivo, cabendo a exclusão dos valores correspondentes a os denominados “cheques devolvidos. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DEOFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o“crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo. (...) Omissis DA ANÁLISE Alega a embargante o seguinte: No acórdão 2201004.455 o dispositivo do acórdão restou assim redigido: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitara preliminar arguida e, no mérito, em dar Fl. 631DF CARF MF Processo nº 19515.004502/200399 Acórdão n.º 2201004.736 S2C2T1 Fl. 631 3 provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo. Observase que o dispositivo parece ter ficado incompleto, não sendo possível extrair de seu texto os limites da decisão. Compulsando os autos verificase que no corpo do voto condutor restaram claras as parcelas excluídas da base de cálculo do tributo: (...) É o breve relato. Passo ao exame. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, no seu artigo 65, prevê a possibilidade dos embargos declaratórios sempre que o acórdão contenha omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, a saber: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Do dispositivo transcrito observase que os embargos de declaração são cabíveis apenas nas hipóteses em que ocorra na decisão atacada as seguintes hipóteses: a) omissão no enfrentamento de ponto que a turma deveria se pronunciar; b) obscuridade, que se caracteriza pela impossibilidade de se compreender o raciocínio desenvolvido para fundamentar a decisão e/ou o que efetivamente restou decidido pelo órgão de julgamento; e c) contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Feitas essas considerações, passamos à necessária apreciação. Apesar de não constar no resultado exarado, a fundamentação do r. acórdão elenca as parcelas que devem ser excluídas. Vejamos. 13 – Utilizando o mesmo raciocínio da decisão de piso, verifico que houve a falta de exclusão dos seguintes cheques, indicados no Recurso Voluntário abaixo na tabela: Fls do processo digital data Valor 184 04/01/1998 R$ 1.200,00 181 21/12/1998 R$ 1.200,00 236 27/07/2000 R$ 1.800,00 Total R$ 4.200,00 Fl. 632DF CARF MF 4 ... 15 – Portanto, pelo exposto dou provimento parcial ao recurso para que seja excluído da autuação os valores constantes da tabela indicada acima em relação ao total de R$4.200,00. ... Conclusão 28 – Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação o valor de R$ 4.200,00 conforme fundamentação. Do que posto, resta comprovada a necessidade de ajustar o resultado do julgamento ao que efetivamente decidido. 2 – Portanto, os embargos de fls. 622/623 foram opostos para sanar omissão no V. Acórdão de minha relatoria, recebidos através da decisão da Presidência dessa C. Turma às fls. 626/628 indicado alhures. 3 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 Com razão o embargante quanto a omissão e dou provimento aos embargos para que passe a integrar no dispositivo do V. Acórdão de nº 2201004.455 o seguinte: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo o valor de R$ 4.200,00. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 19515.004502/200399 Acórdão n.º 2201004.736 S2C2T1 Fl. 632 5 Conclusão 6 Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO AOS EMBARGOS para reconhecendo a omissão existente, integrar na forma da fundamentação acima o V. Acórdão nº 2201004.455. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.721754/2011-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS FORMAIS PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-007.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS FORMAIS PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 17 54 /2 01 1- 82 Fl. 255DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de imposto de renda haja vista a constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos, acumuladamente, de pessoa jurídica em virtude de processo judicial trabalhista. Fato gerador relativo ao anocalendário 2007. Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do imposto com base no regime de competência e, com base no entendimento do STJ no REsp nº 1.227.133, sob rito do artigo 543C do CPC, afastar a tributação sobre os valores relativos ao juros de mora. O acórdão nº 2401004.146 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. JUROS DE MORA DECORRENTE DE RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide imposto sobre a renda sobre juros de mora percebidos em reclamatória trabalhista. Inteligência do REsp 1.227.133/RS. Artigo 62 do RICARF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O cálculo do imposto sobre a renda devido sobre valores recebidos acumuladamente deve ser cálculo com base na tabela progressiva multiplicado pelos meses referentes ao período constante da reclamatória. RE STF 614406/RS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Tempestivamente, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial. Citando como paradigma o acórdão 9202004.246, a recorrente devolve a este Colegiado a discussão acerca da incidência do IRPF sobre os juros moratório relacionados ao recebimento de verba trabalhista reconhecida judicialmente. A divergência foi assim resumida: Porém, DIVERGINDO FRONTALMENTE deste entendimento, temos o seguinte PARADIGMA da Colenda 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que analisando questão semelhante a dos presentes autos, assentou o mesmo escólio do voto vencido do v. acórdão ora recorrido, a saber, que o imposto de renda SOMENTE NÃO INCIDE sobre os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10950.721754/201182 Acórdão n.º 9202007.115 CSRFT2 Fl. 257 3 trabalhista, QUANDO AS VERBAS TIVEREM CARÁTER INDENIZATÓRIO. Intimado o contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do recurso por ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e aquele citado como paradigma e no mérito pugna pela manutenção da decisão por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Antes de analisarmos o mérito se faz necessário revisarmos os critérios de admissibilidade do recurso. Conforme exposto no relatório estamos diante de lançamento para cobrança de Imposto de Renda complementar haja vista omissão de rendimentos. Citados rendimentos são decorrentes do recebimento de verbas trabalhistas reconhecidas como devidas ao Recorrente a partir de reclamatória trabalhista proposta em juízo competente. Quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual os valores pertinentes ao FGTS e juros de mora foram classificados como rendimentos isentos/não tributáveis. Neste contexto, verbas decorrentes de ação de extinção de contrato de trabalho, o Colegiado a quo, aplicando o art. 62 do RICARF, entendeu: Nesse sentido a decisão do Superior Tribunal de Justiça, consubstanciada no EDcl no REsp 1.227.133RS, julgado nos termos dos procedimentos previstos para os recursos repetitivos, e portanto de observância obrigatória por este Conselho, explicita que o pagamento de juros moratórios decorrentes de atraso no cumprimento de obrigações trabalhistas não é passível de incidência de imposto sobre a renda, uma vez que de renda não se trata em razão da inocorrência da acréscimo patrimonial. Assim decidiu o STJ: "Não é possível a incidência de imposto de renda sobre os juros e mora decorrentes do atraso no pagamento de verbas de natureza trabalhista reconhecidas por decisão judicial, visto que os valores que deles decorrem não representam renda tributável, tratandose de hipótese de não incidência tributária, não importando a natureza da verba principal, pois, abrangendo os juros moratórios eventuais danos materiais e, ou apenas, imateriais, não podem ser entendidos como acréscimo Fl. 257DF CARF MF 4 patrimonial, já que se destinam à recomposição do patrimônio lesado, não se enquadrando na norma do artigo 43 do CTN." De outro lado, no colegiado paradigmático a discussão acerca da incidência do IRPF sobre os juros estava vinculada a verbas principais recebidas por contribuintes em contexto distinto, qual seja, parcela recebida como forma de compensação pela perda do plano econômico URV. Os magistrados da Bahia receberam do estado, de forma acumulada, parcela de verba principal acompanhada dos respectivos juros de mora. Vale destacar que no relatório do acórdão paradigma a ilustre Conselheira Relatora, após narrar o resultado da decisão objeto do então recurso, esclarece: O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 14/06/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, em 19/06/2012, Embargos de Declaração alegando que o acórdão embargado incidiu em omissão e obscuridade ao afastar a incidência do IR sobre os juros de mora com amparo em precedente do STJ que não se aplica à espécie, tendo em vista que, no presente caso, a verba recebida pelo autuado não decorre de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, sendo que, no julgamento do Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Tais embargos foram rejeitados por meio do despacho de fls. 154/155. No caso do acórdão paradigma foi mantida a aplicação da tributação dos juros por duas razões: primeiro concluise pela não aplicação do entendimento exarado no Resp 1.227.133/RS, pois não se tratava de verba trabalhista oriundas de condenação judicial e segundo porque a verba principal não era isenta do imposto. Vejamos os trechos mais relevantes do acórdão: DELIMITAÇÃO DA LIDE Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão sobre a tributação dos juros de mora recebidos pelo contribuinte quando do pagamento das diferenças de URV. IR SOBRE JUROS DE MORA Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, as recentes decisões do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, restringiram o entendimento de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo apenas em relação as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988: ... Considerando que a verba principal constitui acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, e seguindo a linha da referida decisão do STJ, por não se tratar de recebimento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10950.721754/201182 Acórdão n.º 9202007.115 CSRFT2 Fl. 258 5 oriundas de condenação judicial, correto o lançamento que fez incidir imposto de renda sobre os juros. Fazendo uma análise mais crítica da decisão podemos concluir que, embora a discussão envolva aspectos semelhantes, as especificidades das situações fáticas analisadas pelos Colegiados (juros recebidos no contexto da extinção do contrato de trabalho x juros decorrente de reajuste de verba principal) são de extrema relevância para conclusão acerca do conhecimento do recurso haja vista os contornos enfrentados pelo Superior Tribunal de Justiça quando da definição do entendimento adotado pelo acórdão recorrido por força do art. 62 do RICARF. Diante de todo o exposto, deixo de conhecer do recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.922752/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR DE CSRF. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO ÀS EMPRESAS RETIDAS INDEVIDAMENTE. DCOMP NÃO HOMOLOGADA
Nos casos de retenção indevida ou a maior, ainda que se acolha a retificação de DCTF, realizada após despacho decisório, há ainda a obrigatoriedade de se comprovar que as prestadoras retidas foram devidamente ressarcidas pela fonte pagadora (art. 166, CTN), sob pena de não homologação da DCOMP que utilizou o valor retido e recolhido indevidamente.
Numero da decisão: 1302-003.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, votando pelas conclusões do relator os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR DE CSRF. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO ÀS EMPRESAS RETIDAS INDEVIDAMENTE. DCOMP NÃO HOMOLOGADA Nos casos de retenção indevida ou a maior, ainda que se acolha a retificação de DCTF, realizada após despacho decisório, há ainda a obrigatoriedade de se comprovar que as prestadoras retidas foram devidamente ressarcidas pela fonte pagadora (art. 166, CTN), sob pena de não homologação da DCOMP que utilizou o valor retido e recolhido indevidamente.
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RETENÇÕES INDEVIDAS. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS DE CONTRIBUINTES ISENTOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Recorrente GERDAU AÇOS LONGOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR DE CSRF. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO ÀS EMPRESAS RETIDAS INDEVIDAMENTE. DCOMP NÃO HOMOLOGADA Nos casos de retenção indevida ou a maior, ainda que se acolha a retificação de DCTF, realizada após despacho decisório, há ainda a obrigatoriedade de se comprovar que as prestadoras retidas foram devidamente ressarcidas pela fonte pagadora (art. 166, CTN), sob pena de não homologação da DCOMP que utilizou o valor retido e recolhido indevidamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, votando pelas conclusões do relator os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 27 52 /2 00 9- 07 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 15374.922752/200907 Acórdão n.º 1302003.018 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1229.737, de 08/04/2010, da 7ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro (RJ) que, por unanimidade de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei N° 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a não homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Destacamse os seguintes pontos do relatório da DRJ: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 19339.79336.140306.1.3045824, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de CSRF Data de Arrecadação : 15/02/2006 Valor Original do Crédito Inicial : R$ 2.064,79 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 2.064,79 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 2.064,79 A interessada informa que o crédito decorre de DARF recolhido em 15/02/2006, no valor de R$ 875.777,72. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 09, n° de rastreamento 831670427, o julgamento teve a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 2.064,79. Valor do crédito original reconhecido: 531,96. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 15374.922752/200907 Acórdão n.º 1302003.018 S1C3T2 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Segundo o despacho, o crédito já teria sido utilizado anteriormente na quitação do débito de CSRF, código 5259, PA 31/01/2006, no valor de R$ 875.245,76. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 29/04/2009, fls. 08. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 27/05/2009, fls. 11/15, alegando: • Pagou e informou na DCTF um DARF relativo ao mês de janeiro de 2006, código 595202, no valor de R$ 875.777,72. • Declarou em DCTF o débito no valor de R$ 875.245,76, gerando um crédito de R$ 531,96. • Verificouse que o valor correto do débito seria R$ 869.563,45, sendo providenciada a retificação da DCTF em 06/05/2009, gerando um crédito de R$ 6.214,27. • Utilizou o crédito da seguinte forma: DCOMP CRÉDITO 19339.79336.140306.1.3.045824 2.064,79 21564.24595.290606.1.3.049870 2.427,77 22245.50681.260307.1.3.048478 1.721,71 TOTAL 6.214,27 A recorrente foi intimada do Acórdão da DRJ, em 14/05/2010 (fl. 87). Interpôs recurso voluntário, em 15/06/2010 (fl. 89). Sustenta que os créditos compensados em questão, decorrem de pagamentos indevidos ou a maior de CSRF, conforme detalhamento a seguir sintetizado: PER/DCOMP n° 19339.79336.140306.1.3.045824 de 14/03/2006, houve compensação do valor R$ 2.064,79 declarado na DCTF n° 14.39.24.57.9382, referente a fevereiro de 2006, conforme resta comprovado a seguir, em decorrência de: a) retenção e pagamento indevido da Contribuição Social retina na fonte do fornecedor Centro São Paulo Desing CSPD, CNPJ n° 05.105.112/000120, que possui o beneficio de isenção, por se tratar de uma Associação sem fins lucrativos, conforme disposto no artigo 150 em seu inciso VI alínea C da Constituição Federativa do Brasil 1988. Para comprovar, acosta os documentos numerados 1, 2 e 3 referente a cópia das notas fiscais e ao Comprovante de Isenção; b) retenção e pagamento em duplicidade da Contribuição Social retida na fonte, referente ao fornecedor Turbo Tech Engenharia Ltda, CNPJ n° 16.294.175/000199, para comprovar, acosta os documentos numerados 4, 5 e 6 referente a cópia da nota fiscal e aos documentos contábeis e financeiros; Fl. 206DF CARF MF Processo nº 15374.922752/200907 Acórdão n.º 1302003.018 S1C3T2 Fl. 5 4 PER/DCOMP n° 21564.24595.290606.1.3.049870 de 29/06/2006 houve compensação do valor de R$ 2.427,77 declarado na DCTF de recibo n° 37.45.22.87.8469 referente a junho de 2006, em decorrência de: a) retenção e pagamento indevido da Contribuição Social retida na fonte do fornecedor Leonardo de Moraes ME, CNPJ n° 62.869.896/000105, que à época estava enquadrado no regime de apuração do SIMPLES, para comprovar, acosta os documentos numerados 7 e 8 referente a cópia da nota fiscal e a Consulta da situação de Opção pelo Simples (arts. 30 e 32, inc. III, Lei nº 10.833, de 29/12/2003); PER/DCOMP n° 22245.50681.260307.1.3.048478 de 26/03/2007 houve compensação do valor de R$ 1.721,71 declarado na DCTF de recibo n° 17.22.31.51.6235 referente a março de 2007, em decorrência de: a) retenção e pagamento indevido de Contribuição Social retida na fonte para o fornecedor Essencis Soluções Ambientais, CNPJ n° 04.627.574/000307. A relação comercial deste fornecedor com a Gerdau é de cessão de espaço para aterro de resíduo industrial e de toda a infraestrutura e licenciamento necessários para a destinação final do resíduo, sendo portanto, uma atividade não prevista na legislação de retenção da Contribuição Social retida na fonte, para comprovar, acosta os documentos numerados 9 e 10 referente a cópia da nota fiscal e ao pedido de compra. Essas informações foram apresentadas pela recorrente, somente em sede de recurso voluntário, com o objetivo de demonstrar o motivo pelo qual promoveu a retificação da DCTF. Já que a decisão recorrida concluiu que não haveria justificativa para a retificação que indicou o crédito em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário e tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Conheço o recurso. O Acórdão recorrido ressalta os seguintes fatos e fundamentos: 2 A interessada argumenta que teria informado débito de CSRF, do mês de janeiro de 2006 com equívoco, tendo providenciado sua retificação em 26/05/2009, reduzindo o seu valor de R$ 875.245,76 para R$ 869.563,45, dando origem ao crédito pleiteado no valor total de R$ 6.214,27. 3 Verificase que a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório. Ora, a simples retificação da DCTF, desacompanhada das provas e documentos que demonstrem que houve um erro de fato, não tem o condão de comprovar as suas alegações, e nem de formar a convicção do julgador. 4 E o que ocorre no presente caso. Não há qualquer comprovação de que o débito correto de CSRF, do mês de janeiro de 2006, código 5259, seria de R$ 869.563,45. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 15374.922752/200907 Acórdão n.º 1302003.018 S1C3T2 Fl. 6 5 5 Logo, por não estar comprovado o erro no preenchimento da DCTF, não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório ora combatido. (...). 7 Por todo acima exposto, concluo que não estão presentes os requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, previsto no artigo 170 do CTN, quais sejam, a certeza e liquidez do crédito. 8 Logo, voto por não reconhecer o direito creditório e não homologar as compensações. Verificase, portanto, que a DRJ fundamentou sua decisão no fato de que a recorrente não teria comprovado por meio de documentos hábeis e idôneos que seria devida a retificação da DCTF. Dessa forma concluiu que não haveria crédito devido à recorrente. De todo modo, verificase que houve o processamento das declarações de compensação e, portanto, assegurouse à recorrente o direito à restituição de valores pagos a maior ou indevidamente, independentemente de comprovação. Com relação a apresentação, somente em sede de recurso voluntário, de notas fiscais e documentos com o intuito de demonstrar o motivo pelo qual houve a referida retificação da DCTF, entendo que, em homenagem ao princípio da verdade material, é devido o recebimento dos documentos e informações para exame nesta oportunidade. Todavia, em que pese os documentos e informações que acompanham o recurso voluntário, observaas ponto fundamental para o caso: a recorrente não comprovou nos autos que teria ressarcido às empresas, em relação as quais alega que teria havido retenção indevida ou a maior de CSRF, os respectivos valores retidos e recolhidos. Sem essa comprovação, não haveria razão para a recorrente utilizar os respectivos valores em compensações em seu favor. Pois, sendo as empresas prestadoras as retidas indevidamente, cabe somente a essas o direito a restituição ou compensação. Dessa forma, não há como acolher os pedidos de homologação de DCOMPs da recorrente. Pois, em conformidade com o art. 166 do CTN, Art. 166, "a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla". Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 208DF CARF MF Processo nº 15374.922752/200907 Acórdão n.º 1302003.018 S1C3T2 Fl. 7 6 Fl. 209DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.900166/2010-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS DESONERADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSOS REPETITIVOS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ).
Aplicabilidade do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF
INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de matéria-prima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não-cumulatividade. (REsp 1134903/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.143
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS DESONERADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSOS REPETITIVOS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). Aplicabilidade do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. “A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade.” (REsp 1134903/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010). Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 01 66 /2 01 0- 77 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10735.900166/201077 Acórdão n.º 3201004.143 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação parcial da compensação de créditos do IPI, decisão essa lastreada no fato de que o crédito reconhecido fora insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado a nulidade do despacho decisório por não atender aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972 e requerido, com base no princípio da não cumulatividade, o reconhecimento do direito à apropriação de crédito em aquisições de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/1999 e apoiado em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF RE nº 212.484/RS) e do 2º Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 20172.942), aplicandose a alíquota de 15% sobre o valor das aquisições. A Delegacia de Julgamento, por meio do acórdão nº 10048.768, afastou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito de crédito nas aquisições de produtos isentos. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a reforma da decisão de primeira instância, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.142, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10735.900167/201011, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.142): O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. O presente Contribuinte tem diversos casos idênticos nesse CARF. Em julgamento de Recurso paradigma no Acórdão 3302005.216, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, da 3ª Seção de Julgamento da 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, nos termos do art. 47, §2º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOSIPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10735.900166/201077 Acórdão n.º 3201004.143 S3C2T1 Fl. 4 3 MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Nesse sentido, conforme dicção do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, reproduzo o Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça, vejamos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da nãocumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da não cumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), darseá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revelase insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão". 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10735.900166/201077 Acórdão n.º 3201004.143 S3C2T1 Fl. 5 4 aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1134903/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Diante do fato do caso em debate se amoldar ao caso do Recurso Repetitivo, adoto os mesmo fundamentos do Recurso Especial. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 194DF CARF MF
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