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Numero do processo: 10675.721726/2011-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do § 1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF n.º 1/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 21/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do § 1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF n.º 1/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF n.º 1/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Tratase de Auto de Infração de fls. 03/13, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, exercícios 2009 e 2010, anos calendário 2008 e 2009, que resultou em crédito total apurado de R$ 127.745,09. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04) e Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/16), o lançamento de ofício decorre da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .7 21 72 6/ 20 11 -6 1 Fl. 678DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 21/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.721726/201161 Resolução nº 2802000.191 S2TE02 Fl. 9 2 intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Perante o órgão colegiado a quo, a ação fiscal foi julgada procedente por não ter o Recorrente comprovado a origem dos depósitos bancários. Inconformada, o recorrente interpôs Voluntário (fls. 645/667) com vistas a obter a reforma do julgado, alegando em pequena síntese: a) inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário e; b) legitimidade da origem dos depósitos. Era o de essencial a ser relatado. A presente ação fiscal decorre da análise de informações bancárias fornecidas à RFB pelo sujeito passivo, realizada com a finalidade de verificar se os valores referente às movimentações financeiras efetuadas nos anos calendários de 2009/2010, pelo recorrente, correspondem efetivamente ao movimentado nas contas bancárias de sua titularidade. Parte dos extratos bancários foram apresentados “espontaneamente” pelo recorrente, informações estas complementadas com a expedição de RMF pela autoridade fiscalizadora (fls. 14 e 219). Constatada a omissão de rendimentos, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários, de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Apesar de se tratar de tema submetido a Repercussão Geral no STF (RE 601314, Relator Min. Ricardo Lewandowski), não há determinação expressa do STF pelo sobrestamento dos feitos nas instâncias inferiores, o que em tese, impõe o julgamento do feito, nos termos da determinação contida no parágrafo único do artigo 1º da Portaria CARF n. 1/2012. Entretanto, de se constatar, que o posicionamento do STF tem sido no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário n.º 601.314, a seguir: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) Fl. 679DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 21/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.721726/201161 Resolução nº 2802000.191 S2TE02 Fl. 10 3 DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 21/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.721726/201161 Resolução nº 2802000.191 S2TE02 Fl. 11 4 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe 100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Ainda que a apresentação de parte dos extratos tenha se dado sem a necessidade de expedição de RMF, entendo que a quebra de sigilo por autoridade administrativa restou constatada, dada a impossibilidade de recusa pelo sujeito passivo e cuja consequência seria apenas a de retardar o acesso a essas informações pelo Fisco mediante a requisição direta às respectivas instituições financeiras. Ademais, sobrestar os feitos daqueles que se recusaram à entrega dos extratos bancários e julgar os processos dos contribuintes que confiaram na presunção de constitucionalidade da LC n. 105/2001 e da legalidade da intimação fiscal, cria situação não isonômica, mormente se a solução a ser dada pela Corte Suprema for pela inconstitucionalidade da LC n. 105/2001 e conseqüente nulidade dos lançamentos realizados com base na quebra de sigilo bancário. Sendo assim, é inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 62A, §1º, da Portaria 256/09 (RICARF) c/c Portaria CARF n.º 1/2012, ratificado pelas decisões acima transcritas, a impedir a apreciação, ao menos por enquanto, do mérito do feito em sede administrativa. Nesses termos, proponho o sobrestamento do presente feito, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário n.º 601.314, pelo STF, sob repercussão geral. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 681DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 21/11/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10640.001361/2009-38
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF. DESPESAS MÉDICAS.
Glosadas deduções pleiteadas na Declaração Anual de Ajuste, cabe então ao contribuinte provar, por meio de documentação hábil e idônea, que faz jus a cada uma delas. Hipótese em que o recorrente apresenta documentos que devem ser reconhecidos e aproveitados em seu favor. Restabelecimento da dedução com despesas médicas.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. PROVAS A CARGO DO CONTRIBUINTE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, a instrução probatória que deve ser realizada pelo contribuinte. Sua não realização, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Precedentes CSRF.
Nada obstante, conforme § 3º do artigo 59, quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a autoridade julgadora não pronunciará nulidade nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Votou pelas conclusões a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. Glosadas deduções pleiteadas na Declaração Anual de Ajuste, cabe então ao contribuinte provar, por meio de documentação hábil e idônea, que faz jus a cada uma delas. Hipótese em que o recorrente apresenta documentos que devem ser reconhecidos e aproveitados em seu favor. Restabelecimento da dedução com despesas médicas. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. PROVAS A CARGO DO CONTRIBUINTE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, a instrução probatória que deve ser realizada pelo contribuinte. Sua não realização, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Precedentes CSRF. Nada obstante, conforme § 3º do artigo 59, quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a autoridade julgadora não pronunciará nulidade nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Votou pelas conclusões a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2037; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 89 1 88 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.001361/200938 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.461 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de março de 2014 Matéria IRPF Recorrente EVILÁZIO GUERRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 GLOSA DE DEDUÇÕES. DIRPF. DESPESAS MÉDICAS. Glosadas deduções pleiteadas na Declaração Anual de Ajuste, cabe então ao contribuinte provar, por meio de documentação hábil e idônea, que faz jus a cada uma delas. Hipótese em que o recorrente apresenta documentos que devem ser reconhecidos e aproveitados em seu favor. Restabelecimento da dedução com despesas médicas. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. PROVAS A CARGO DO CONTRIBUINTE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, a instrução probatória que deve ser realizada pelo contribuinte. Sua não realização, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Precedentes CSRF. Nada obstante, conforme § 3º do artigo 59, quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a autoridade julgadora não pronunciará nulidade nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Votou pelas conclusões a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 13 61 /2 00 9- 38 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.001361/200938 Acórdão n.º 2801003.461 S2TE01 Fl. 90 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Adoto como relatório o elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, cujas partes transcrevo da folha 59 e seguintes, e que complemento ao final: A Notificação de Lançamento de fls. 19 a 21, lavrada em 06/04/2009, com ciência do sujeito passivo em 13/04/2009 (folha 49) exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$ 27.044,87, assim discriminado: IRPF Suplementar (sujeito à multa de oficio) 13.658,34 Multa de Oficio — 75% (passível de redução) 10.243,75 Juros de Mora — calculados até 30/04/2009 3.142,78 Total do crédito tributário apurado 27.044,87 Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na declaração de ajuste anual em nome do interessado, referente ao exercício financeiro de 2007, anocalendário de 2006, quando foram constatadas as seguintes infrações fiscais: 1) Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 24.000,00. Consoante a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 20 e verso), a glosa foi motivada por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para as deduções pleiteadas. Na complementação da descrição dos fatos a autoridade lançadora relata: VALOR GLOSADO: R$ 24.000, 00, relativo aos pagamentos declarados para MARILL4 DE CARVALHO MIRANDA (R$ 12.000, 00), ABÍLIO JOSÉ DA COSTA (R$ 4.000, 00) VIVIAN N. CAMPOS (R$ 5.000, 00) e LÍLL4N DE ALMEIDA RESKALA (R$ 3.000, 00), por falta de comprovação do efetivo desembolso de tais quantias. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.001361/200938 Acórdão n.º 2801003.461 S2TE01 Fl. 91 3 Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 2007/606205942261052 o contribuinte apresentou os seguintes recibos, para comprovação dos valores questionados. 1 — M4RÍLL4 DE CARVALHO MIRANDA: 01(um) recibo no valor de R$ 12.000, 00 emitido em 22/12/2006, referente a tratamento psicoterápico durante o ano de 2006. 2 — ABÍLIO JOSÉ DA COSTA: 10 (dez) recibos no valor de R$ 400, 00 cada, emitidos mensalmente de fevereiro12006 a novembro12006, referentes a tratamento odontológico. 3 — VIVL4N M. CAMPOS 12 (doze) recibos no valor de R$ 500,00 cada, emitidos mensalmente de janeiro/2006 a dezembro12006, referentes a tratamento fisioterápico. Tais recibos foram emitidos em desacordo com o exigido na legislação vigente, tendo em vista não constar a inscrição da emitente no Conselho Regional de sua categoria profissional. 4 — LÍLIAN DE ALMEIDA RESKALA: 10 (dez) recibos no valor de R$ 300,00 cada, emitidos mensalmente de fevereiro12006 a novembro12006, referentes a tratamento odontológico. Tais recibos não foram considerados suficientes para comprovação dos pagamentos neles especificados uma vez que o total de despesas médicas foi considerado exagerado em relação aos rendimentos tributáveis declarados. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 20412009, onde foram solicitadas a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e a efetividade da entrega dos recursos, o contribuinte informa: 1 — quanto ao efetivo recebimento dos serviços: apresenta declarações firmadas pelos emitentes dos recibos confirmando a prestação dos serviços ao contribuinte e o recebimento dos valores em moeda corrente. 2 — quanto à efetividade dos pagamentos: não apresentou nenhum tipo de comprovação do efetivo desembolso das quantias questionadas, que, no caso de pagamentos efetuados em dinheiro, conforme alegado pelo contribuinte, poderia ter sido efetuada com a apresentação de extratos bancários que apresentassem saques em datas e valores compatíveis com os pagamentos em questão, conforme solicitado no Termo de Intimação. 2) Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 21), da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Receita Federal, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor total de R$ 25.666,67 recebidos Fl. 91DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.001361/200938 Acórdão n.º 2801003.461 S2TE01 Fl. 92 4 pelo titular e/ou dependentes das fontes pagadoras discriminadas na tabela de folha 018. Na apuração do imposto devido foi compensado o imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos, no total R$ 0,00. Em 08 de maio de 2009 o interessado apresentou a defesa parcial de fls. 01/17, contestando a glosa das despesas médicas efetuadas no lançamento, bem como a multa de ofício aplicada, sob os seguintes argumentos,... Conhecida pela DRJ, a impugnação do contribuinte foi assim tratada, em suma (Voto vencedor, fl. 66 e ss.): ressaltou ser unânime naquela Turma de Julgamento que o recibo contendo todos os requisitos exigidos pela legislação é documento suficiente para comprovar a realização de uma despesa médica. Destacou, entretanto, que despesas médicas exageradas podem ser glosadas mesmo sem prévia intimação do contribuinte (art. 73 do RIR/1999); asseverou que tendo em vista o poder/dever legal da autoridade lançadora, nas situações em que haja dúvida acerca da idoneidade dos recibos, pode a Fiscalização exigir outros documentos que permitam formar a convicção de que a despesa médica ou odontológica foi efetivamente realizada. Destaca que tal conduta faz parte do processo fiscalizatório, não havendo qualquer impeditivo legal para tal, e ressalva que a exigência dessas provas complementares não pode decorrer apenas de arbítrio ou convicção íntima da autoridade; trata do termo “exagerado” de acordo com filólogos como Aurélio e Houaiss, para concluir que as despesas declaradas na DAA/2007 foram consideradas exageradas por “alto valor”, divididas por 4 profissionais e por repetiremse em 3 anos calendário seguidos, o que “respaldaria a exigência, por parte do fisco, de elementos adicionais, como comprovação de pagamento e da efetividade dos serviços”.(sublinhei) cita dois Acórdãos do Conselho de Contribuintes, para destacar que a validade da dedução de despesas médicas questionadas pelo Fisco depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços. conclui então que “tendo o interessado perdido a oportunidade de comprovar o efetivo pagamento das despesas questionadas pela Fiscalização, não acostando aos autos quaisquer documentos ou provas adicionais que robustecessem os dados contidos no recibo apresentado, correto foi o lançamento de ofício....” por fim, considerando que o contribuinte questionara, alternativamente, o percentual de multa (75%) lançado, o Julgamento recorrido dispôs que “a aplicação da multa de ofício impõese ao ente fiscal em função da obediência ao princípio da legalidade, norte da conduta da Administração Pública, a quem só é permitido fazer o que em lei encontra respaldo.” Assim, deuse o julgamento de 1ª instância, por maioria de votos, para considerar procedente o lançamento e manter o crédito tributário exigido. Destaco que a Relatora votara em sentido contrário, pela exoneração do crédito tributário exigido no processo, constando “Voto vencido” (fl. 65/66), tendo entendido que: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.001361/200938 Acórdão n.º 2801003.461 S2TE01 Fl. 93 5 ... os documentos constantes do processo são insuficientes para afastar a presunção legal é relativa de veracidade dos recibos e declarações apresentados. Se afastada tal presunção de veracidade dos documentos, com efeito, restaria justificada a necessidade de elementos adicionais a confirmar a despesa pleiteada, como o efetivo desembolso dos gastos. Reitero que cabe à fiscalização, se quiser afastar essa presunção e exigir comprovação adicional, apontar explicitamente indícios que lancem dúvidas sobre a veracidade dos recibos apresentados, sendo vedado ao julgador suprir essa falta, sob pena de incorrer em agravamento da exigência' e cerceamento do direito de defesa do impugnante. Na esteira desse raciocínio é que entendo que a glosa de despesas médicas não pode prosperar, citando, ainda, a título ilustrativo, jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF que se assemelha à situação ora em exame: ...” Cientificado dessa decisão em 11/01/2012 (AR na folha 75) e inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/02/2012, onde assim manifesta sua insatisfação, em síntese: preliminarmente, alega que houve cerceamento de defesa por parte da Turma Julgadora, uma vez que poderiam ter efetuado diligências junto aos profissionais que firmaram os recibos, para verificar a procedência dos mesmos. Entende que nessa fase transferese ao relator o exame dos elementos que instruíram a impugnação; no mérito, questiona os fundamentos expendidos pelo Voto vencedor, em relação a despesas “exageradas”; informa que realizou os pagamentos “em espécie” e, portanto, nada do sugerido em relação à comprovantes bancários existe; aduz que os recibos preenchem os requisitos legais e que a lei presume que sejam verdadeiros, citando ainda jurisprudência do Conselho de Contribuintes; traça considerações sobre o fato das despesas dividiremse entre quatro profissionais por três anos consecutivos e conclui que “a autoridade, por seu poder discricionário, indeferiu um juízo de valor sem justificativa plausível ao desconsiderar um direito garantido...”; anexa uma declaração profissional (Dr. Wellington Furtado Saraiva) que lhe encaminhou para tratamento médico; Por fim, requer que seja acolhido o presente recurso, bem como o documento que o acompanha (declaração do médico), sendo ao final julgado na sua totalidade procedente, restabelecendose as deduções com despesas médicas pleiteadas pelo Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.001361/200938 Acórdão n.º 2801003.461 S2TE01 Fl. 94 6 O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo digital (formato .pdf) O recorrente não se manifesta expressamente contra o percentual de multa aplicada, como fizera na impugnação, e considerarseá matéria não recorrida, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972. Destaco ainda que em relação à segunda infração que constou da Notificação de Lançamento, referente à “omissão de rendimentos”, não houve impugnação, tendo sido efetuado pedido de parcelamento e transferência dessa parte da exigência para outro processo, conforme consta das folhas 49 a 55. PRELIMINARES. Preliminarmente, o julgador não é obrigado a determinar a realização de diligência ou perícias, quando já encontrou nos autos motivos suficientes para formar seu livre convencimento e decidir. Aqui em caso o conjunto probatório é estritamente documental e, uma vez questionados os recibos pela autoridade fiscal, compete ao contribuinte produzir os elementos necessários e suficientes a corroborálos. Assim, não há qualquer nulidade na decisão recorrida, sob o argumento de que deixou de proceder a diligência para produzir provas que aproveitem apenas ao impugnante, a teor dos artigos 18 e 59 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). A impugnação apresentada tempestivamente e acompanhada dos documentos em que se fundamentar (art. 15 do PAF) instaura a fase litigiosa do procedimento, onde deve ser observada a ampla defesa e o contraditório. Não há preterição ao direito de defesa quando o contribuinte demonstra estar esclarecido da matéria fática e legal e exerce, com lógica e nos prazos, o seu direito. MÉRITO O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, estatui que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A Autoridade Fiscal, apontando o valor de R$ 24.000,00 declarado como dedução a título de despesas médicas, em face do total de “rendimentos tributáveis declarados”, considerou que os recibos não foram suficientes para a comprovação dos Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.001361/200938 Acórdão n.º 2801003.461 S2TE01 Fl. 95 7 pagamentos neles especificados. Tendo em vista a resposta do contribuinte a seu Termo de Intimação Fiscal, entendeu que não foram apresentados extratos bancários que indicassem saques em datas e valores compatíveis com os pagamentos em questão. Nessa mesma linha, ao discutir o caso, a maioria da Turma Julgadora de 1ª instância se posicionou pela não comprovação da efetividade da despesa, por falta de comprovação do pagamento, e sugeriu a apresentação de diversos documentos que se referem à existência de operação bancária. O contribuinte repisa que os pagamentos foram efetuados em moeda corrente. Venho externando que não é plausível efetuar “juízo” sobre o “juízo” da Autoridade Lançadora, que entendeu por considerar “exageradas” as deduções pleiteadas. Existe o dispositivo legal, acima transcrito, que lhe confere essa prerrogativa. Mas, por outro lado, devese considerar no julgamento o conjunto fático probatório existente nos autos, para formar a livre convicção sobre a procedência das despesas efetuadas e se seria o caso, isso considerado, da Autoridade Lançadora dever aprofundar seu procedimento para então demonstrar a inidoneidade dos recibos e sedimentar a glosa efetuada. Temos diversos casos em que o contribuinte não atende às intimações para prestar esclarecimentos e mantémse em silêncio, não podendo a fiscalização aprofundarse em mais nada e devendo mesmo proceder a glosa das despesas, com respaldo legal. Mas nestes autos, conforme registrouse na Notificação de Lançamento, houve resposta, com a apresentação de “declarações firmadas pelos emitentes dos recibos confirmando a prestação do serviço ao contribuinte e o recebimento dos valores em moeda corrente”, conforme folha 24. Era o caso, então, de se “circularizar” junto aos declarantes, para confirmar ou não a prestação e o recebimento, tornando mais robusta de elementos eventual glosa. Mas isso não foi feito. Como assentado na decisão recorrida, os recibos, em regra, fazem prova da despesa. Além dos recibos, que foram questionados, existem, ademais, outros documentos e fatos a considerar. Na folha 39 verificase declaração firmada por Vivian Martins Campos, fisioterapeuta, dizendo que em 2006 realizou tratamento no contribuinte Evilázio, descrevendo o “quadro clínico” e confirmando o valor e a forma de pagamento. Na folha 40 consta “Laudo Odontológico” lavrado por Abílio José da Costa, que declara ter realizado tratamento odontológico no Recorrente, no ano de 2006, descrevendo o e informando o valor e a forma de pagamento. Na folha 41 existe “Laudo Odontológico” firmado por Lílian de Almeida Reskalla, profissional em relação à qual despesa no valor de R$ 3.000,00 foi glosada. Ela declara que realizou o tratamento no ano de 2006, descreve os procedimentos realizados e confirma o montante e a forma de pagamento. Na folha 42/43, Marília de Carvalho Miranda, psicóloga, declara que realizou tratamento contra “depressão/sintomas ansiosos” durante o ano de 2006, tendo Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10640.001361/200938 Acórdão n.º 2801003.461 S2TE01 Fl. 96 8 recebido R$ 12.000,00 pagos “parcelados em moeda corrente”. Descreve ainda “histórico” do paciente, referindose à perda de um parente próximo (filho) e à realização de cirurgia de “grande porte” (diverticulite). Observo que na folha 38 consta Certidão de óbito de Evilázio Guerra Filho, falecido em virtude de acidente aos 16 anos de idade, filho do contribuinte recorrente, e na folha 87 consta encaminhamento médico para “apoio psicoterápico e fisioterápico” considerando “doença de diverticulite” e cirurgia, de lavra de médico que não é um dos emitentes dos recibos questionados, com data de 2001. Por fim, verifico que as decisões do antigo Conselho de Contribuintes que foram colacionadas ao Voto vencedor da decisão recorrida (fl. 89), como elemento a corroborar suas conclusões, trazem o seguinte: a)... depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços. b)... elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e/ou do pagamento. Destaco, portanto, que elementos adicionais que comprovem a “prestação do serviço”, como os aqui mencionados, servem como elementos de prova a subsidiar os recibos, e não apenas e exclusivamente a comprovação do pagamento, sublinhando a alternatividade dos conectivos empregados acima. Nesses casos, caberia à autoridade lançadora demonstrar a inidoneidade dos recibos. Enfim, face ao exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para ser cancelada a exigência fiscal consubstanciada na Notificação de Lançamento aqui em discussão (fl. 21), na parte que ainda resta nestes autos (fl. 54). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /04/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10983.903157/2008-91
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/10/2003
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO ATÉ O LIMITE DE SUA DISPONIBILIDADE. ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O direito creditório é reconhecido pela identificação dos requisitos de liquidez e certeza e amparado pelo princípio da verdade material. O erro formal merece ser superado e o crédito, homologado até o limite de sua disponibilidade.
Numero da decisão: 1802-002.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO ATÉ O LIMITE DE SUA DISPONIBILIDADE. ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório é reconhecido pela identificação dos requisitos de liquidez e certeza e amparado pelo princípio da verdade material. O erro formal merece ser superado e o crédito, homologado até o limite de sua disponibilidade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1555; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 165 1 164 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.903157/200891 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.097 – 2ª Turma Especial Sessão de 8 de abril de 2014 Matéria NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente CANCELIER FOMENTO MERCANTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO ATÉ O LIMITE DE SUA DISPONIBILIDADE. ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório é reconhecido pela identificação dos requisitos de liquidez e certeza e amparado pelo princípio da verdade material. O erro formal merece ser superado e o crédito, homologado até o limite de sua disponibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 31 57 /2 00 8- 91 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10983.903157/200891 Acórdão n.º 1802002.097 S1TE02 Fl. 166 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, requerido pela Declaração de Compensação (DCOMP) 07707.78799.231104.1.3.040132, por inexistência do direito creditório pleiteado, amparado em suposto saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e confundido com pagamento indevido ou a maior da estimativa, recolhida em 31/10/2003 no documento compensatório. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do Recurso Voluntário interposto, adoto o relatório proferido pela 3a Turma da DRJ/FNS, através do Acórdão n° 07 24.691, às efls 27/28: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada nãohomologada a Declaração de Compensação – DCOMP n° 07707.78799.231104.1.3.040132 transmitida pela interessada em 23/11/2004, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real (código de receita 2362). Do Despacho Decisório extraise a seguinte motivação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 232,84 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP Características do Darf PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/09/2003 2362 232,84 31/10/2003 Utilização dos Pagamentos Encontrados para o Darf Discriminado no PERDcomp NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) PER/DCOMP (PD) DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 1502091571 232,84 DB: CÓD 2362 PA 30/09/2003 232,84 VALOR TOTAL 232,84 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Valor Devedor Consolidado, Correspondente aos Débitos Indevidamente Compensados para Pagamento até 29/08/2008. PRINCIPAL MULTA JUROS 95,10 19,02 50,45 Irresignada com o feito fiscal, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega: Ao preenchemos as Per/Dcomp, informamos que o tipo de origem do crédito era procedente de pagamentos efetuados durante o exercício 2003 a maior, sendo que em dezembro de 2003 os mesmos ficaram informados na DIPJ 2004 como “Saldo Negativo”. Partindo deste princípio formalizamos cada compensação em 2004 utilizando estes pagamentos a maior por Darf recolhido até a completa utilização destes créditos conforme o resumo abaixo detalhado com ou sem Processo Decisório. Processo de Crédito 10983.903157/200891 Crédito Original R$ 232,84 – data arrecadação em 31/10/2003 Cód. 2362 Referente parte saldo negativo, conforme DIPJ/2004. [...] pedimos que considerem as compensações efetuadas formalizadas através do “Tipo de Origem do Crédito” como Pagamento indevido ou a Maior por Darf recolhido já que os mesmos compunham individualmente o Crédito do Saldo Negativo informado em 31/12/2003 na DIPJ/2004. O “Saldo Negativo” então foi formalizado como compensação de “pagamento indevido ou a maior” por guia Darf recolhida. [...] Por desconhecimento e falta de assessoria referente à montagem dos Pedidos Eletrônicos e como utilizar o Programa gerador destas compensações assim como todos os procedimentos técnicos e termo (sic) que não conseguíamos interpretálos, optamos por utilizar o que está acima exposto. Entendendo estar (sic) corretos os procedimentos pelo que ao verificar pendências para encontrar quaisquer erros nada criticou e ainda por cima foi transmitida com sucesso deixandonos confiantes de que os procedimentos adotados foram corretos. [...] A (sic) vista de todo o exposto, demonstrado a insubsistência e improcedência da ação fiscal, esperam (sic) e requerem (sic) a impugnante seja acolhida a presente Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10983.903157/200891 Acórdão n.º 1802002.097 S1TE02 Fl. 167 5 impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando se o débito fiscal reclamado. Neste momento processual foram juntadas ao processo informações relativas a débito declarado em DCTF pela contribuinte (fl. 25). É o relatório. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade interposta, conforme consta nas conclusões do voto (efls 29/30): [...] No presente caso, se ao final de 2003 a contribuinte apurou que não havia tributo a pagar, as antecipações efetuadas ao longo do ano (tais como os recolhimentos a título de estimativa) deveriam compor o saldo negativo do IRPJ do ano de 2003, este sim passível de compensação. Ante o exposto, considerando que o pagamento indicado na declaração de compensação encontrase totalmente utilizado na liquidação de débito espontaneamente declarado pela contribuinte, a conclusão do Despacho Decisório mostrase correta, razão pela qual deve ser mantida, devendo ser considerada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. É como voto. Intimada do Acórdão em 03/08/2011, conforme Termo de Intimação às efls 32, em 25/08/2011 interpôs Recurso Voluntário de efls. 37/38, reiterando seu pedido no sentido de reconhecer o direito creditório pleiteado, aduzindo que o próprio Acórdão reconheceu a existência do crédito, como saldo negativo. É o relato do essencial. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. DO PLEITO – SALDO NEGATIVO APURADO Como se extrai dos autos, o contribuinte apresentou DCOMP com a intenção de compensar um crédito remanescente e decorrente de saldo negativo apurado no ano calendário de 2003. Contudo, na utilização do Programa Gerador de Documentos (PGD) da Receita Federal PER/DCOMP informou de maneira equivocada se tratar o crédito de pagamento indevido ou a maior. No documento de compensação, utilizou parte do valor recolhido em DARF para a estimativa de setembro de 2003 como crédito, embora todo o montante recolhido estivesse vinculado à estimativa devida para o período, conforme declarado em DCTF (efls 25) e em DIPJ (efls. 63) – diferença de R$ 0,23. O pagamento da estimativa de IRPJ do período de apuração 30/09/2003, cujo vencimento ocorreu em 31/10/2003 está comprovado nos autos às efls 75, no valor de R$ 232,84. O Razão Analítico juntado aos autos (efls. 60) também registra contabilmente tal valor de R$ 232,84. Portanto, não há dúvidas de que o recolhimento do valor de R$ 232,84 a título de estimativa mensal devida para o período se deu regularmente, não havendo nesta parte caracterização de pagamento indevido ou a maior. Neste ponto, o crédito pleiteado pelo contribuinte no documento compensatório (DCOMP 07707.78799.231104.1.3.040132) intentando extinguir o débito correspondente à estimativa de CSLL do período de apuração de 30/09/2004, no valor de 95,10, (principal) não estava disponível na condição de pagamento indevido ou a maior. Contudo, é de se observar nos autos do processo, que o contribuinte apurou saldo negativo para o período no montante de R$ 1.283,35, conforme a DIPJ às efls 65. Este saldo é compensável, pois configura um excesso de recolhimento das estimativas mensais. Da leitura da peça impugnatória e recursal fica evidente que a intenção do contribuinte era por meio de seu saldo negativo, efetuar as compensações com débitos correntes, mas, equivocadamente registrou que o crédito correspondia a pagamento indevido ou a maior. Portanto, ainda que haja um erro formal no pedido, a forma não pode prevalecer sobre a substância. À luz dessa maxima é que o direito creditório do contribuinte deve ser analisado, conforme será tratado a seguir. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10983.903157/200891 Acórdão n.º 1802002.097 S1TE02 Fl. 168 7 CRITÉRIOS DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO NA DCOMP A Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, (CTN) estabelece dois critérios para a compensação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Vejase, que há dois quesitos para que haja autorização de uma compensação em relação ao crédito: ele precisa ser (1) líquido e (2) certo. Assim, entendese que o crédito precisa ser demonstrado de plano, não haver dúvidas de sua existência, quanto ao valor exigido, à origem do crédito e à validade na obrigação. Ademais, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 estabelece com relação à compensação o seguinte: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] Da documentação juntada aos autos, está perfeitamente demonstrada a existência tanto do valor devido pela estimativa mensal, como do saldo negativo apurado ao final do anocalendário. Portanto, o crédito pleiteado sob o aspecto da verdade material está devidamente comprovado, podendo este ser considerado líquido e certo e, portanto, passível de compensação. Este colegiado tem entendido que o fato de um contribuinte indicar na Declaração de Compensação o recolhimento de estimativa como origem do crédito e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais, senão vejamos: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Portanto, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas mensais representam meras antecipações do tributo devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, evidenciase que a recorrente efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período e esse excedente deve configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Assim, normalmente se desconsidera o erro formal no caso do contribuinte indicar nos PER/DCOMP recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. No que tange à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pela recorrente, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes, podendo ser neste caso específico, superada a exigência constante do §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o contribuinte, solicitar os meios Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10983.903157/200891 Acórdão n.º 1802002.097 S1TE02 Fl. 169 9 de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Esta análise preliminar evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a recorrente, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. CONCLUSÃO Portanto, sagaz que a autoridade homologue a compensação, considerando a utilização do saldo negativo apurado pelo contribuinte, até o limite de sua disponibilidade, à luz dos documentos apresentados pelo contribuinte nestes autos e outros que entender necessários, do saldo remanescente pela ordem dos processos 10983.902317/200885, 10983. 902319/200874, 10983.903155/200801 e 10983.903156/200847. Os juros aproveitados na DCOMP como pagamento a maior, serão reduzidos à data da apuração do saldo negativo, acarretando num saldo resquício a ser exigido do contribuinte, para saldar o débito compensado. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso interposto, determinando a remessa dos autos à origem (DRF de Florianópolis/SC). É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10930.904529/2012-07
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904529/201207 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.879 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 29 /2 01 2- 07 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904529/201207 Acórdão n.º 3803004.879 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904529/201207 Acórdão n.º 3803004.879 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904529/201207 Acórdão n.º 3803004.879 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10660.720935/2009-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS ISENTOS.
Por ocasião do julgamento do recurso extraordinário no 566.819, em setembro de 2010, sob relatoria do Ministro Marco Aurélio, o Supremo Tribunal Federal reformou a orientação anteriormente adotada quanto à aquisição de insumos isentos de IPI, no sentido de que o direito de crédito nesta e em qualquer outra hipótese de desoneração não pode ser reivindicado com base no princípio constitucional da não cumulatividade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS ISENTOS. Por ocasião do julgamento do recurso extraordinário no 566.819, em setembro de 2010, sob relatoria do Ministro Marco Aurélio, o Supremo Tribunal Federal reformou a orientação anteriormente adotada quanto à aquisição de insumos isentos de IPI, no sentido de que o direito de crédito nesta e em qualquer outra hipótese de desoneração não pode ser reivindicado com base no princípio constitucional da não cumulatividade. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS ISENTOS. Por ocasião do julgamento do recurso extraordinário no 566.819, em setembro de 2010, sob relatoria do Ministro Marco Aurélio, o Supremo Tribunal Federal reformou a orientação anteriormente adotada quanto à aquisição de insumos isentos de IPI, no sentido de que o direito de crédito nesta e em qualquer outra hipótese de desoneração não pode ser reivindicado com base no princípio constitucional da não cumulatividade. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Domingos de Sá Filho votou pelas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 09 35 /2 00 9- 32 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório A ora recorrente transmitiu pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado do IPI com relação ao quarto trimestre de 2004, ao qual vinculou declaração de compensação, pretendendo extinguir débitos tributários a seu cargo. No Termo de Verificação Fiscal acostado às fls. 25/29 dos autos, a DRF em Varginha/MG relata ter identificado que a pessoa jurídica apropriara no período créditos do IPI sobre a aquisição de insumos originários de fornecedor estabelecido na Zona Franca de Manaus e, portanto, ingressados na sua planta industrial sob regime isencional do imposto. Invocando o disposto no artigo 153, §3o, inciso II, da CF/88 e argumentando que o preceito somente assegura o direito de crédito em operações efetivamente oneradas pelo IPI, a fiscalização reputou desautorizado o aproveitamento do crédito em questão e, como o valor das glosas excedesse o montante do ressarcimento pretendido, o despacho decisório de fls. 32 recusou a homologação da compensação declarada pela recorrente. Sobreveio, então, a manifestação de inconformidade de fls. 34/48, ao ensejo da qual a recorrente aduziu, em síntese que: (i) diferentemente do tratamento que conferiu ao ICMS, a CF/88 prescreveu para o IPI uma nãocumulatividade irrestrita; (ii) o não reconhecimento do direito de crédito relativamente à operação isenta teria o efeito de anular o efeito da própria desoneração, na medida em que, uma vez incorporados ao bem em fabricação, os insumos desagravados acabariam tributados pela alíquota aplicável ao produto final; (iii) por meio do recurso extraordinário no 212.484, o Plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu, por decisão transitada em julgado e impositiva para os órgãos da administração direta por força do Decreto no. 2.346/97, que a aquisição de insumos isentos garante ao estabelecimento industrial o crédito do IPI; (iv) os subseqüentes recursos extraordinários nos 353.657 e 372.005, além de versarem tema distinto (o direito de crédito nas hipóteses de não tributação do insumo e de incidência à alíquota 0%), não estavam julgados por decisão definitiva, transitada em julgado; (v) ainda que seu alegado direito de crédito não prevaleça, não lhe podem ser impostos juros e correção monetária sobre o débito tributário não compensado, em vista do disposto nos artigos 100, parágrafo único, do CTN e 76, da Lei no. 4.502/64, e da jurisprudência administrativa que, à época do creditamento, aplicava reiteradamente o decidido pelo STF no RE no 212.484; e, por fim, (vi) requereu a realização de perícia, cujo propósito seria o de determinar o montante dos créditos por ela, recorrente, apropriados no período como decorrência da aquisição de insumos não submetidos a regime isentivo do IPI. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10660.720935/200932 Acórdão n.º 3403002.738 S3C4T3 Fl. 10 3 Apreciando a manifestação de inconformidade, a DRJ em Juiz de Fora/MG manteve o despacho decisório, consignando no v. acórdão de fls. 63/77 (i) ser prescindível ao deslinde do feito a realização da perícia requisitada pela parte, e (ii) não lhe assistir, no mérito, o direito ao creditamento reivindicado, em vista, inclusive, do então recém decidido pelo Pleno do STF no RE no 566.819. Antes que fosse intimada do aresto de Primeira Instância, todavia, a ora recorrente compareceu aos autos para deduzir o arrazoado de fls. 79/90 e, com ele, anexar os documentos de fls. 91/167, iniciativa esta que a DRJ ora recorrida deu por intempestiva por meio do despacho de fls. 169/170. Foi, então, que a interessada interpôs o recurso voluntário de fls. 175/208, por intermédio do qual se insurge contra o julgado a quo reproduzindo as razões articuladas na manifestação de inconformidade e, ademais, aduzindo a nulidade do acórdão, por cerceamento do contraditório e da ampla defesa, em vista da recusa no enfrentamento dos documentos e argumentos produzidos às fls. 68/154. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso voluntário foi apresentado em boa forma e em obediência ao prazo para tanto estabelecido, razão pela qual dele se conhece. Antes de ferir a matéria de fundo, o recurso voluntário articula argumento de nulidade no v. acórdão de fls. 63/77. Neste particular, aduz a interessada que, ao recusarse a examinar as razões de fls. 79/90 e os documentos anexos a ela (precedentes jurisprudenciais, orientações extraídas da página da RFB na internet, exposições de motivos de atos legislativos, etc.), a DRJ recorrida teria se esquivado do enfrentamento de elementos relevantes à solução da controvérsia, o que caracterizaria cerceamento do seu direito ao contraditório e à ampla defesa em âmbito administrativo. Sucede que, como bem observado no despacho exarado às fls. 169/170 pelo Presidente da Terceira Turma de Julgamento da DRJJuiz de Fora/MG, a petição que a recorrente reivindica fosse considerada somente foi protocolizada em 08.11.2011, mais de dois meses após a sessão em que sua manifestação de inconformidade foi julgada. E se assim se deu, ainda que aqui se reconhecesse uma das exceções estabelecidas pelo artigo 16, §4o, do Decreto no 70.235/72, não haveria que se falar em cerceamento da defesa ou prejuízo ao contraditório, pelo simples fato de o julgamento ter precedido a juntada das razões e dos documentos em questão. No mérito, a principal controvérsia posta nos autos é de direito e respeita ao direito do estabelecimento contribuinte de IPI ao crédito escritural em decorrência da aquisição de insumos submetidos a regime isencional, mais especificamente, ao regime isencional de que desfrutam seus fornecedores instalados na Zona Franca de Manaus. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 O histórico jurisprudencial sobre o tema no Supremo Tribunal Federal pareceme ter vivido quatro momentos distintos. Por ocasião do julgamento do recurso extraordinário no 212.484, em 1998, o Plenário da Corte reconheceu a estabelecimento contribuinte do IPI direito de crédito pela aquisição de insumos albergados por regra isentiva, por entender que o princípio constitucional da nãocumulatividade o garantia. Em 2002, o Tribunal julgou o recurso extraordinário no 350.446, no qual se debatia sobre o direito de crédito nas hipóteses em que os insumos do processo fabril fossem adquiridos sob regime de alíquota 0% ou sob a notação “NT” na TIPI, vindo a prevalecer o entendimento de que, a exemplo do que se reconhecera para a isenção, também aqui o contribuinte faria jus ao creditamento. Cinco anos mais tarde, o Plenário do Supremo Tribunal Federal revisitou o tema quando chamado a decidir os recursos extraordinários nos 353.657 e 370.682, no âmbito dos quais novamente Fazenda Nacional e contribuintes controvertiam o direito de crédito ante a aquisição de insumos “NT” e alíquota 0%. Desta feita, entretanto, a Corte atribuiu sentido e extensão diversos ao princípio da nãocumulatividade, concluindo que o preceito constitucional não asseguraria o direito de crédito nestas situações. O capitulo mais recente desta seqüência foi escrito por ocasião do julgamento do recurso extraordinário no 566.819, em setembro de 2010. Sob relatoria do Ministro Marco Aurélio, o Supremo Tribunal Federal reformou a orientação anteriormente adotada também quanto à aquisição de insumos isentos de IPI, no sentido de que o direito de crédito nesta e em qualquer outra hipótese de desoneração não extrai fundamento de validade do princípio da não cumulatividade. Nesse sentido, vejase trecho do voto condutor do acórdão: “No mais, o Plenário, ao julgar os Recursos Extraordinários nos. 353.657/PR e 370.682/SC, relativamente à aquisição de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, sufragou o entendimento de que o direito ao crédito pressupõe recolhimento anterior do tributo, cobrança implementada pelo Fisco. (...) Pois bem, o raciocínio desenvolvido é próprio tanto no caso de insumo sujeito à alíquota zero ou não tributado, quanto no de insumo isento, tema não apreciado nos mencionados precedentes. Inexiste dado específico a conduzir ao tratamento diferenciado, permitindose o creditamento relativamente à isenção, em que também não se recolhe o tributo, e não se admitindo no tocante à alíquota zero e à nãotributação.” Ainda de acordo com o decidido no RE no 566.819 acima, embora não garanta o direito de crédito sob as diversas modalidades de desoneração do insumo – isenção, NT ou alíquota 0% o princípio da não cumulatividade também não o proíbe, de tal sorte que não o contrariaria a positivação de eventual regra que explicitamente deferisse o creditamento. Com a palavra, mais uma vez, o Ministro Relator: “Presidente, apenas gostaria de ressaltar que, neste caso concreto, não estamos apreciando a questão quando existe uma norma prevendo o creditamento, algo semelhante ao que se verifica no caso de isenção quanto ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços.” Fl. 217DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10660.720935/200932 Acórdão n.º 3403002.738 S3C4T3 Fl. 11 5 Foi por este motivo, aliás, que o E. STF reconheceu mais recentemente repercussão geral ao recurso extraordinário no 592.891 (ainda não julgado), no qual se discute precisamente se os incentivos regionais previstos pela própria CF/88 em favor da Zona Franca de Manaus têm o sentido e o alcance de normas atributivas do direito de crédito, em favor dos industriais que adquiram insumos dos estabelecimentos ali instalados. Confirase, nesse sentido, trecho do voto da então relatora, Min. Ellen Gracie, no julgamento da repercussão geral: “No presente recurso extraordinário, interposto com fundamento no art. 102, III, a da Constituição Federal, a União aponta violação ao art. 153, §3o, II, pelo acórdão recorrido, o qual reconheceu o direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. Entende que a invocação da previsão constitucional de incentivos regionais constante do art. 43, §1o II e §2o, III, não justifica exceção ao regime da nãocumulatividade que, no entendimento desta Corte, não daria direito ao creditamento de IPI que não tenha sido suportado na entrada. A questão é relevante na medida em que o acórdão recorrido estabeleceu uma cláusula de exceção à orientação geral firmada por esta Corte quanto à não cumulatividade do IPI, o que precisa ser objeto de análise para que não restem dúvidas quanto ao seu alcance.” É exatamente o que se lê do julgado do E. TRF da Terceira Região que ensejou a interposição do recurso extraordinário em cogitação. Confirase: “De fato, as isenções de produtos oriundos das chamadas zonas livres de comércio, qualificamse como um incentivo regional assegurado diretamente no corpo da lei maior, conforme se depreende da análise do art. 43 e §2o, não obstante a necessidade da lei instituidora, inclusive porque a opção poderá se dar em face dos outros benefícios assegurados no mesmo preceptivo, esmaecendose, portanto, as objeções que pudessem ser opostas em face do art. 150, §6o da mesma, na redação conferida pela EC no 03, de 17.03.93. Não se cuida portanto de desoneração emergida da vontade discricionária do legislador ordinário, com fundamento direto nas raias do art. 176 do CTN, onde a previsão do art. 150, §6o opera seus efeitos e sim de outorga derivada daquele assento constitucional, desde a promulgação do vigente ordenamento, revestindose assim de igual estatura e maior antiguidade em relação a exigência contida neste outro cânone magno. (...) Portanto, poderá ser afirmado que a migração destas isenções para o âmbito da lei maior, confere as mesmas, relevo superior ao já desfrutado no âmbito do parágrafo único do artigo 176 do CTN, onde dotada de características especiais, frente as demais normas isentivas, fundadas no seu caput. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Tal peculiaridade coloca estas desonerações de caráter regional, por força daquele preceito, no mesmo patamar constitucional da incumulatividade, em ordem a que a desconsideração dos créditos dela advindos, substanciaria a prática de dar com uma mão e tirar com a outra (voto do Ministro Marco Aurélio no RE 212.484), não admitida no Excelso Pretório.” Como se vê, o julgado de Segundo Grau que deu ensejo ao recurso extraordinário no 592.891 atribuiu especial relevância à estatura constitucional do incentivo regional de que desfruta a Zona Franca de Manaus para daí extrair que, independentemente do princípio da não cumulatividade, o industrial adquirente de insumos dali provenientes faria jus ao creditamento do IPI. Pois embora o substrato fático do caso ora em análise se assemelhe a este que ora aguarda por pronunciamento no STF – na medida em que também aqui se controverte acerca de insumos oriundos da ZFM – o direito de crédito não vem sendo aqui afirmado pela recorrente com fundamento no artigo 43, e sim, exclusivamente com fundamento no artigo 153, §3o, inciso II. É sob o princípio da não cumulatividade e apenas sob tal fundamento que a recorrente construiu sua manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que o tema não é sequer tangenciado pelo v. acórdão ora recorrido. Como se viu, entretanto, a orientação mais recentemente adotada pelo Supremo Tribunal Federal no que se refere ao princípio da não cumulatividade – este sim, debatido nos autos – é a de que ele não é fundamento bastante para a apropriação do crédito em razão da entrada de insumos isentos no estabelecimento industrial. Nesse sentido, aliás, esta Terceira Seção do CARF tem se pronunciado, conforme ilustra o seguinte acórdão unânime exarado em fevereiro de 2013 pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara: “CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS FAVORECIDOS PELA ALÍQUOTA ZERO, NÃOTRIBUTAÇÃO E ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Consoante jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, não há direito à utilização de créditos do IPI na aquisição de insumos nãotributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero, por ausência de previsão legal para tanto.” Mas além da tese central, a recorrente subsidiariamente argumenta com o disposto nos artigos 100, parágrafo único, do CTN e 76, da Lei no 4.502/64, pleiteando seja exonerada dos encargos moratórios – multa de mora e juros – acrescidos ao débito objeto da compensação, uma vez que ao apropriar o crédito ora em debate, teria procedido conforme a “orientação fazendária consignada em decisões proferidas no âmbito do processo administrativo fiscal”. Os dispositivos em que a recorrente se baseia têm o seguinte teor: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10660.720935/200932 Acórdão n.º 3403002.738 S3C4T3 Fl. 12 7 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” “Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: I aos que, antes de qualquer procedimento fiscal, procurarem espontâneamente, a repartição fazendária competente, para denunciar a falta e sanar a irregularidade, ressalvados os casos previstos no art. 81, nos incisos I e II do art. 83 e nos incisos I, Il e III do art. 87; II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; b) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão de primeira instância, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, em que o interessado fôr parte; c) de acôrdo com interpretação fiscal constante de circulares instruções, portarias, ordens de serviço e outros atos interpretativos baixados pelas autoridades fazendárias competentes.” Os dispositivos atuam no sentido de prestigiar a confiança legítima do contribuinte na postura adotada pela administração. De acordo com o primeiro deles, o sujeito passivo que se orienta de acordo com as decisões administrativas dotadas de eficácia normativa ou com as práticas reiteradas do Fisco, tem direito à exoneração das penalidades e dos juros de mora, em caso de superação do entendimento. Em sentido análogo, como se vê, dispõe o artigo 76, da Lei no 4.502/64. A questão é que, mesmo enquanto predominou, no âmbito da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o decidido no RE no 212.484, o entendimento deste órgão administrativo na matéria se manteve hesitante. Cito como exemplo desta afirmação o acórdão no 20403.352, exarado pela extinta Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em sessão em novembro de 2008, ao ensejo do qual prevaleceu (contra o voto vencido deste Relator) orientação diversa. Confirase trecho do votocondutor do aresto: Fl. 220DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 “IPI. CRÉDITOS SOBRE INSUMOS ISENTOS. INAPLICABILIDADE. Incabível o aproveitamento de créditos de IPI relativos a entradas em que não houve o pagamento do imposto, por qualquer que seja o motivo, inclusive a isenção. (...) É certo, porém, que essa minha posição pessoal não tem encontrado guarida nos julgados do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria. Com efeito, ali tem ainda prevalecido o entendimento de que, para os isentos, é valido o creditamento. Aquela instância final apenas reviu, por enquanto, tal posicionamento quando a desoneração decorra de não incidência ou redução a zero de alíquota. O contribuinte postula, por isso, que se adote administrativamente tal entendimento reiterado, com base nas disposições do Decreto no 2.346/97. Divirjo também disso. E repito aqui conclusões já expendidas em outros julgados no sentido de que mesmo após a aprovação do novo Regimento do Conselho de Contribuintes seus membros não estão obrigados a aplicar imediatamente decisão do STF que, no controle difuso da constitucionalidade dos atos legais editados, tenha afirmado inconstitucional norma regularmente editada. Tal obrigação só surge após a extensão dos efeitos de reiteradas decisões nesse sentido por meio de Resolução do Senado Federal na forma prevista no art. 52 da Constituição Federal.” Refiro ao julgado acima para demonstrar que, mesmo antes de o Supremo Tribunal Federal revistar a matéria por ocasião do julgamento do RE no 566.819, o posicionamento dos órgãos administrativos judicantes se mantinha dividido, o que não permite que se reconheçam os pressupostos a que aludem os artigos 100, do CTN, e 76, da Lei no 4.502/64, para fins de exoneração dos encargos punitivos e moratórios decorrentes do inadimplemento. Isso posto, voto no sentido do desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 221DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10660.720935/200932 Acórdão n.º 3403002.738 S3C4T3 Fl. 13 9 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 28/02/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10932.000149/2006-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2004
DISCUSSÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA.
A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, não obstrui a constituição do crédito tributário pela autoridade tributária e acarreta a renúncia à discussão administrativa sobre a mesma matéria, impedindo a apreciação das razões de mérito por parte da autoridade a quem caberia o julgamento.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-001.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 25/03/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Nascimento, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 652 1 651 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000149/200625 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.573 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria PIS Recorrente INSTITUTO METODISTA DE ENSINO SUPERIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2004 DISCUSSÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, não obstrui a constituição do crédito tributário pela autoridade tributária e acarreta a renúncia à discussão administrativa sobre a mesma matéria, impedindo a apreciação das razões de mérito por parte da autoridade a quem caberia o julgamento. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Nascimento, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 49 /2 00 6- 25 Fl. 652DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000149/200625 Acórdão n.º 3201001.573 S3C2T1 Fl. 653 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Em 10/08/2006 foi lavrado contra a instituição identificada em epígrafe o auto de infração de fls. 281/290, exigindoselhe crédito tributário relativo à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) incidente sobre folha de salários. O feito referese a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1995 e junho de 2006 e formalizou crédito no montante de R$ 62.713,25, incluídos principal e juros de mora. Por ocasião da lavratura, a autoridade autuante julgou que o crédito tributário estava suspenso, por obra de decisão proferida nos autos da Ação Ordinária nº 2000.61.14.0067300, datada de 27/07/2001 (fls. 254/260). Nessa ação, conforme certidão de fls. 57/28, a entidade objetiva ver afastada a submissão ao recolhimento do PIS calculado sobre a folha de salários, exigido nos termos da Lei nº 9.715, de 1998 e Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e sucessivas reedições, arguindo tratarse de entidade educacional e social filantrópica, de reconhecida utilidade pública, afigurandose imune ao recolhimento das contribuições sociais, nos termos do art. 195, §7º da Constituição Federal de 1988. Notificada da exigência em 17/12/2004, em 03/02/2005, a contribuinte protocolou expediente de fls. 294/295 pela qual comunicava a ciência do débito apurado na ação fiscal e informava que deixava de apresentar impugnação tendo em vista a suspensão da exigibilidade do crédito em decorrência de decisão judicial. Os autos do processo administrativo em foco, nº 13819.002966/200441, foram então encaminhados ao Serviço de Acompanhamento Tributário da delegacia de origem. Ali, a Equipe de Ações Judiciais elaborou a informação de fls. 333 onde alerta sobre a inexistência de hipótese suspensiva da exigibilidade do crédito tributário tendo em vista que, nos termos do art. 475 do Código de Processo Civil, as decisões proferidas em ação ordinária só produzem efeitos após confirmadas pelo Tribunal competente. Nesse contexto, aquela equipe encaminhou os autos ao setor encarregado da fiscalização para este se manifestasse a respeito da existência de outros elementos que justificassem o lançamento desacompanhado da multa de ofício. Por seu turno, a Equipe de Fiscalização da unidade local entendeu por bem consultar a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional a respeito da exigibilidade do crédito lançado em vista do status da ação judicial nº 2000.61.14.0067300. Às fls. 337, manifestase o Procurador Seccional da Fazenda Nacional, confirmando a informação da Equipe de Ações Judiciais da DRF acerca da inexistência de hipótese suspensiva Fl. 653DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000149/200625 Acórdão n.º 3201001.573 S3C2T1 Fl. 654 3 da exigibilidade do crédito tributário. Isto porque, diz o D. Procurador, contra a sentença que julgou procedente o pedido do contribuinte houve interposição de recurso de apelação pela União Federal, o qual, conforme fl. 331, foi recebido no duplo efeito, devolutivo e suspensivo, nos termos do art. 520 do CPC. Por esse motivo, conclui a Procuradoria, a r. sentença tem seus efeito suspensos até o julgamento da apelação pelo TRF da 3ª Região, não havendo causa para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional. Após autorização emitida pelo Delegado substituto da repartição de origem (fls. 338), abriuse novo procedimento fiscal para constituir a multa de ofício sobre os valores exigidos no auto de infração objeto do processo administrativo nº 13819.002966/200441. Os atos processuais relativos ao procedimento aberto a fim de constituir a multa de ofício formaram o processo administrativo de nº 10932.000149/2006 25. Do auto de infração complementar lavrado com o objetivo de formalizar a exigência da multa de ofício a instituição foi cientificada em 05/10/2006. Em 06/11/2006, ela apresentou a impugnação de fls. 71/86, na qual, alega em resumo: acórdão da lavra da 2ª turma desta Delegacia de Julgamento (fls. 123/129) apreciou matéria no tocante à imunidade tributária de que goza a instituição impugnante, tendo julgado improcedente a suspensão da imunidade tributária praticada contra o Instituto Metodista de Ensino Superior e cancelado as exigências fiscais que lhe foram postas ao exame; as considerações tecidas no citado acórdão valem para a contribuição ao PIS, ainda mais que o Judiciário já declarou a inexistência de relação jurídica que fixe a obrigação da instituição impugnante de recolher o PIS, o que ocorreu na Ação Ordinária proposta contra a União Federal, feito nº 2000.61.14.0067300; em assim sendo, não há como se deflua outra conclusão, a não ser a ocorrência da preclusão administrativa, pois no que pertine a imunidade, operouse a coisa julgada, que como sabemos, faz do branco preto e do redondo quadrado. é equivocado o entendimento do Fisco acerca dos efeitos suspensivos do recurso ofertado pela União contra a sentença de primeira instância prolatada nos autos da ação judicial em tela; o direito da instituição não se submeter ao PIS foi reconhecido judicialmente e o modo pelo qual foi recebido o recurso, seja em qual efeito for, não autoriza a constituição do crédito tributário, sob pena de desobediência à sentença judicial, ainda mais com multa de ofício; o fato do recurso ter sido recebido no duplo efeito não quer dizer que a r. sentença perdeu a eficácia, ainda mais que a União Federal foi condenada à restituição de todos os recolhimentos efetuados a esse título nos cinco anos antecedentes ao Fl. 654DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000149/200625 Acórdão n.º 3201001.573 S3C2T1 Fl. 655 4 julgamento da ação, com correção monetária a partir de cada pagamento; assim, ao contrário do entendimento do ilustre auditor fiscal, a r. sentença produziu efeitos em período anteriores à propositura da demanda; Por fim, a instituição discorre sobre sua condição de entidade de assistência social imune à contribuição ao PIS, consoante o disposto no art. 195, §7º da Constituição Federal, dizendo cumprir todas as exigências estabelecidas em normas infraconstitucionais que a habilitam à fruição da imunidade. Depois de apresentada a impugnação mencionada acima, a unidade local procedeu à análise dos elementos que compunham os autos do processo administrativo nº 13819.002966/200441. Nesse contexto foi elaborada a Informação Fiscal de fls. 165/166, pela qual o Serviço de Fiscalização, em homenagem ao princípio do devido processo legal e a fim de que se confira tratamento equânime a ambos os processos nº 13819.002966/200441 e nº 10932.000149/200625, justifica a reprodução da impugnação apresentada pela contribuinte neste último, como razões de impugnação ao lançamento originalmente não impugnado tratado no primeiro. Informa ainda a autoridade administrativa que, julgando o recurso de apelação, o TRF da 3ª Região, no interregno entre o recebimento do processo para saneamento (13819.002966/2004 41) e essa manifestação administrativa, proferiu acórdão (fls. 396/404) que confirmou a sentença de primeiro grau no tocante ao reconhecimento da imunidade constitucional da autora com relação ao PIS, nos termos do art. 195, §7º da Constituição Federal. Por essa razão, estaria àquela altura suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Os processos foram então encaminhados apartados a este órgão para julgamento. Despacho de fls. 432, retornou os autos à unidade de origem a fim que o processo nº 10932.000149/2006 25 e 13819.002966/200441 compusessem um único processo, o que foi feito, conforme despacho de fls. 439, tornando os autos a esta unidade para prosseguir no julgamento. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP assim julgou o feito, conforme Decisão DRJ/CPS n.º 28.315, de 08 de março de 2010: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2004 Crédito Tributário. Prazo Decadencial. Lançamento De Ofício. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase da ocorrência do Fl. 655DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000149/200625 Acórdão n.º 3201001.573 S3C2T1 Fl. 656 5 respectivo fato gerador. Cancelase o crédito tributário constituído após o período decadencial. Normas Processuais. Discussão Judicial E Processo Administrativo. Constituição do Crédito Tributário. Renúncia à Discussão Pela Via Administrativa. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, não obstrui a constituição do crédito tributário pela autoridade tributária e acarreta a renúncia à discussão administrativa sobre a mesma matéria, impedindo a apreciação das razões de mérito por parte da autoridade a quem caberia o julgamento. Lançamento. Multa de Ofício. Cabível a aplicação de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade não estiver suspensa nos termos do art. 151, IV e V do Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente em Parte. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. Iniciado o julgamento, este foi convertido em diligencia. Realizada a diligência, e intimado o contribuinte e a PGFN, retornam os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator Como podemos ver do recurso voluntário do contribuinte, este discute apenas o seu direito à imunidade, questão debatida no processo judicial nº 2000.61.14.0067300. Esta Corte possui súmula que impede o debate desta matéria: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, voto por não conhecer do recurso em face da concomitância, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 25 de fevereiro de 2014. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10932.000149/200625 Acórdão n.º 3201001.573 S3C2T1 Fl. 657 6 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 657DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 10314.006869/2008-43
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 21/09/2005 a 05/05/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada omissão, incabíveis os embargos.
Numero da decisão: 3403-002.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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OMISSÃO. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão em acórdão proferido pelo CARF. Não identificada omissão, incabíveis os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela empresa Import Medic Importação e Exportação LTDA ao Acórdão nº 3403002.555, de 23/10/2013, em face de “omissão”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 68 69 /2 00 8- 43 Fl. 942DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 A ciência do julgamento ocorreu em 10/12/2013 (cf. doc. de fl. 916), tendo os embargos sido interpostos em 11/12/2013 (fl. 918). Argumenta a embargante que o acórdão proferido por esta turma “restou omisso quanto ao comando taxativo do Código Tributário Nacional quanto às hipóteses de revisão de lançamento (art. 149)”. Sustenta ainda que “o imposto de importação é de lançamento misto ou por declaração, segundo a melhor doutrina” (Eduardo Sabbag), e que “houve mudança de critério jurídico, o que é vedado pelo ordenamento pátrio”. Anexa, por fim, decisão do STJ emitida em caso que entende como análogo. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os embargos de declaração foram interpostos com respeito ao prazo previsto no § 1o do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 256/2009, passando a ser analisados quanto aos demais requisitos de admissibilidade. A ementa do Acórdão embargado dispõe (em relação às matérias aqui discutidas): “CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. É possível a revisão aduaneira da classificação de mercadorias, não constituindo necessariamente tal ato “mudança de critério jurídico”. O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a revisão aduaneira (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita).” (grifo nosso) A omissão identificada é a ausência de tomada em consideração do art. 149 do CTN, que trata de revisão de ofício do lançamento. Ocorre que a matéria mereceu tratamento em tópico específico do voto condutor (unanimemente acolhido pela turma), intitulado “da revisão aduaneira de classificação fiscal de mercadorias”: “Da revisão aduaneira de classificação fiscal de mercadorias (...) O imposto de importação é tributo sujeito a “lançamento por homologação”. O sujeito passivo (em regra, o importador) detalha em uma DI (declaração de importação) as mercadorias que está importando, suas classificações e seus valores, entre outras informações, e paga os tributos devidos segundo seus cálculos, independentemente de qualquer ato administrativo. A declaração é então sujeita a conferência, podendo ser desembaraçada em canal verde (sem qualquer ato da autoridade Fl. 943DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.006869/200843 Acórdão n.º 3403002.956 S3C4T3 Fl. 943 3 fiscal), amarelo (com verificação apenas dos documentos), vermelho (com verificação dos documentos e da mercadoria, por amostragem), ou cinza (com procedimento especial de controle aduaneiro). (...) Necessário assim desconectar o desembaraço aduaneiro da homologação do “autolançamento”. O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas: a) com a revisão aduaneira (homologação expressa), ou b) com o decurso de prazo (homologação tácita). O fato de ter sido desembaraçada mercadoria, admitindose a classificação fiscal declarada pelo importador (seja por concordância, seja por sequer o fisco têla analisado), de forma alguma obsta a revisão de tal classificação, a menos que tenha havido efetiva modificação de critério jurídico. O erro na classificação ou no detalhamento da mercadoria pode e deve ser revisto pela autoridade aduaneira. O que esta não pode é alterar seu entendimento oficial e generalizado sobre a classificação de determinado produto e querer retroagir a nova interpretação a casos pretéritos. No presente processo, não havia qualquer entendimento oficial e generalizado sobre a classificação das mercadorias, não havendo que se falar em “mudança de critério jurídico”, ou mesmo em “erro de direito”, como sustentado pela recorrente.” Do excerto, extraise a impropriedade da argumentação que sustenta ser o imposto de importação sujeito a lançamento misto ou por declaração, e a inadequação em utilizarse o art. 149 do CTN, que trata de revisão de ofício de lançamento tributário (que não é o que ocorreu nos autos). Ademais, a jurisprudência do STJ juntada nos embargos já estava presente no recurso voluntário, cabendo sobre ela reiterar outro excerto do voto condutor: “Equivocado, de qualquer modo, o argumento de que “a autoridade conhecia os fatos, sendo o erro de direito”, que remeteria à jurisprudência utilizada na peça recursal.” É de se destacar que a jurisprudência do STJ não tem o condão de vincular o julgamento administrativo (à exceção das hipóteses normativamente previstas), e que são frequentes as interpretações equivocadas feitas a partir das próprias decisões e súmulas do STJ e do extinto TFR. A isso nos referimos no artigo já apontado no voto condutor do recurso voluntário, sustentando que a súmula TFR no 227 (“A mudança de critério jurídico adotado Fl. 944DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento”) tem teor irretocável. O problema é aplicála em casos em que não houve lançamento nem homologação1. Não há, assim, omissão no acórdão, mas inconformismo em relação à decisão adotada, o que não é passível de análise em sede de embargos de declaração. Pelo exposto, voto pela rejeição dos embargos apresentados. Rosaldo Trevisan 1 A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática”. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros. Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 341376). Fl. 945DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 13805.004811/96-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1995 a 31/10/1995, 01/06/1999 a 31/12/1999
DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS. ÍNDICE INDEXADOR.
Decisão judicial determina a incidência dos expurgos inflacionários no cálculo da correção monetária de valores a serem compensados, deve ser cumprida a risca pela Administração Fiscal, conforme Acórdão nº RE nº 852.352 - STJ.
CONCOMITÂNCIA. DECISÃO JUDICIAL.
No caso desses autos não há concomitância em razão de que não se discute a origem dos indébitos que se deseja utilizar em compensação. O debate restringiu aplicação de índice de correção monetária contemplando os expurgos inflacionários, o que restou decidido pelo Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que o indébito do contribuinte seja corrigido por meio da aplicação dos expurgos inflacionários, nos termos do que restou decidido pelo STJ no RESP 852.352, e para excluir a incidência da multa de mora.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1995 a 31/10/1995, 01/06/1999 a 31/12/1999 DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS. ÍNDICE INDEXADOR. Decisão judicial determina a incidência dos expurgos inflacionários no cálculo da correção monetária de valores a serem compensados, deve ser cumprida a risca pela Administração Fiscal, conforme Acórdão nº RE nº 852.352 STJ. CONCOMITÂNCIA. DECISÃO JUDICIAL. No caso desses autos não há concomitância em razão de que não se discute a origem dos indébitos que se deseja utilizar em compensação. O debate restringiu aplicação de índice de correção monetária contemplando os expurgos inflacionários, o que restou decidido pelo Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que o indébito do contribuinte seja corrigido por meio da aplicação dos expurgos inflacionários, nos termos do que restou decidido pelo STJ no RESP 852.352, e para excluir a incidência da multa de mora. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 48 11 /9 6- 72 Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório O Contribuinte interpôs recurso visando modificar a decisão que manteve o lançamento da contribuição para COFINS relativo ao período de apuração de 01 de junho de 1996 a 31 de dezembro de 1996, sustentando, para tanto, inocorrência de lançamento ou ausência de notificação durante o prazo qüinqüenal contado a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, objeto de compensação. Assegura a Recorrente que controvérsia se restringe a não convalidação da compensação de crédito oriundo de pagamento a maior para o FINSOCIAL com débitos de COFINS do período de apuração de junho a dezembros de 1996, débitos estes controlados pelo processo 10880.000016/200440. A discussão inicia com o Auto de Infração de fls. 02/05, período de apuração de 01.07.1995 a 31.10.1995, lavrado em decorrência da compensação realizada pelo contribuinte de crédito oriundo de pagamento do FINSOCIAL com débitos apurados para a COFINS. A descrição contida na peça encontrase assim: “0 contribuinte compensou indevidamente valores referentes ao excedente a 0,5% recolhido ao FINSOCIAL, referentes ao período de outubro/89 a marco/92, com os valore devidos a Cofins no período de julho/95 a outubro/ 95. Ocorre que o mesmo utilizou a TRD para atualização dos valores recolhidos, quando, na verdade, a sentença autorizava a compensação pelos mesmos índices utilizados para o calculo da divida ativa, que são em ultima analise aqueles utilizados pela própria Receita Federal quando procede à autuação Porem com o procedimento utilizado pelo contribuinte e conforme demonstrativo anexo, vemos que o contribuinte utilizou os valores recolhidos acima da alíquota de 0,5% do finsocial com o próprio recolhimento de parte do finsocial devido à alíquota acima, restando, ainda, um ultimo mês (marco/92) a ser recolhido, cujo valor e objeto de auto a parte. Tornase, portanto, exigível os valores devidos a Cofins nos meses acima referenciados uma vez que o contribuinte adotou procedimento incorreto quando da compensação”. Irresignada com o lançamento impugna e sustenta o direito de corrigir o indébito pela “TRD”, conclui pela declaração de nulidade por não se devedora da COFINS, Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13805.004811/9672 Acórdão n.º 3403002.592 S3C4T3 Fl. 13 3 haja vista que a compensação deuse em conformidade com a Lei nº 8.333/91 mediante autorização judicial. A decisão hostilizada rejeitou todos os argumentos sustentados na peça de resistência e acolhe o despacho da Diort/Derat/SPO de fls. 354/360. Da revisão procedida de ofício resultou no cancelamento parcial dos créditos tributários apurados, restando saldo referente ao fato gerador de outubro de 1995 no montante de R$ 101.388,13 (cento e um mil, trezentos e oitenta e oito mil e treze reais), liquidado por pagamento de iniciativa da empresa devedora. Com o objetivo de trazer ao conhecimento dessa Turma mais detalhes, entendo por bem transcrever parte do relatório da decisão recorrida: Em ação fiscal iniciada em 19/05/95 (f1s. 05) no contribuinte acima foi constatada compensação indevida de valores de Finsocial com a Cofins devida de 0710/95, motivada pela utilização da TRD nos cálculos razão pela qual foi lavrado o auto de infração de fls. 0103, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos nele mencionados. O crédito tributário lançado compõese de contribuição, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/04/96, perfazendo o total de R$ 4.725.058,37. Apensos estão os processos 10880.03279619860 (suspensão de débitos), 19679.014888/200455 (contendo peças judiciais referentes à compensação em questão), 13805.006042/9619 (auto de infração de Finsocial, já, julgado em 2.a instancia administrativa) e 10880.000016/200440 (cobrança de Finsocial e Cofins confessados em DCTF de períodos diversos). 2. A empresa propôs a medida cautelar 94.00230818 requerendo concessão de medida liminar para compensar o crédito de Finsocial recolhido à maior com a Cofins. A sentença julgou procedente a medida, autorizando a compensação do Finsocial acima de 0,5% com a Cofins, observandose os mesmos critérios de atualização monetária aplicados na cobrança da dívida ativa (fls. 0207 do processo apenso 10880.032796/9860). 2.1. Na ação principal, ação ordinária 95.00073560, a empresa objetivou assegurar seu direito à compensação de Finsocial recolhido a maior com a Cofins, na forma da lei 8.383/91 e sem as restrições impostas pela IN 67/92, monetariamente corrigido (f1s.214 216). A sentença julgou procedente o pedido, autorizando a compensação do Finsocial recolhido a maior com a Cofins, atualizados até 30/12/91 pelos mesmos índices de correção monetária utilizados pela ré na cobrança de sua dívida ativa, sendo que os valores recolhidos após tal data serão corrigidos na forma do § 3.° do art.66 da lei 8.383/91. A sentença declara ainda que sobre tais valores não incidirão juros de mora (fls.268272). A autora apelou da sentença e o Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 TRF, em acórdão de 18/03/98 (fls.5458), ressaltando que os índices de correção monetária a serem utilizados na compensação devem ser os utilizados pela Receita Federal nos respectivos períodos de vigência, negou provimento à remessa oficial e deu parcial provimento à apelação, condenando a ré ao pagamento de honorários advocatícios. Em consulta às fases do processo no sítio do TRF há notícia de 30/11/99 de que transitou em julgado referido acórdão. 2.2. Posteriormente, a empresa propôs a ação ordinária 96.00155186 objetivando a compensação de valores de Finsocial pagos indevidamente com a Cofins e o PIS vincendos, com correção monetária incluindo os IPC expurgados, sem os efeitos da IN 67/92 e observada à prescrição qüinqüenal segundo critérios do lançamento por homologação. A sentença julgou parcialmente procedente o pedido, declarando indevido o Finsocial excedente à alíquota de 0,5% e que o autor tem direito à compensação desse valor com a Cofins ir 1 trânsito em julgado dessa decisão. No TRF, o acórdão deu parcial provimento às apelações e remessa oficial, fixando novo valor para honorários advocatícios e determinando aplicação de correção monetária pelos mesmos índices utilizados pela Fazenda para correção de seus créditos. A empresa protocolizou recurso especial e os autos subiram ao STJ, que deu parcial provimento ao recurso para determinar a incidência dos expurgos inflacionários no cálculo da correção monetária dos valores a compensar (fls.456534). Os autos encontramse conclusos ao relator para julgamento de embargos de declaração (fls.551). 2.3. Pretendendo expedição de certidão de regularidade fiscal, bem como lhe fosse possibilitado o esgotamento da via administrativa para discussão dos processos que menciona, entre eles o ora analisado, a empresa impetrou o MS 2007.61.00.0303247. A liminar foi deferida para expedição da certidão, desde que não constassem outros débitos além dos mencionados na decisão que impeçam sua emissão, até ulterior decisão (fls. 172178). A sentença julgou procedente o pedido, concedendo a segurança. Interpostos embargos de declaração, os quais foram providos, a sentença de 29/04/2008 assegurou também o direito da impetrante de apresentar manifestação de inconformidade e recurso ao Conselho de Contribuintes em face das decisões proferidas nos processos que menciona, entre esses o ora em análise (fls. 340348), suspendendo a exigibilidade dos créditos tributários consubstanciados nos processo que menciona. Apelando a União, os autos subiram ao TRF, tendo sido negado provimento à apelação e remessa oficial (fls.550). 2.4. No MS 2005.61.00.0001337 a empresa requereu direito ao recebimento e processamento de recurso ao Conselho de Contribuintes, protocolizado nos autos do processo apenso 10880.00016/200440. A liminar foi deferida, contudo a sentença negou à segurança, cassando a liminar antes concedida (fls. 463469 do processo 10880.000016/200440). A apelação da impetrante foi recebida no efeito devolutivo, encontrandose os autos conclusos ao relator (fls. 552). Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13805.004811/9672 Acórdão n.º 3403002.592 S3C4T3 Fl. 14 5 3. Inconformada com a autuação, da qual foi cientificada em 20/05/96, a contribuinte apresentou em 29/05/96 a impugnação de fls. 1222, documentos anexos às fls. 2324, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 3.1. A impugnante afirma que as contribuições não são devidas, eis que suas compensações foram autorizadas pela justiça. 3.2. Argumenta que a correção monetária de débitos e créditos tributários é regida pela lei 6.899/81 e súmulas dos tribunais superiores, notadamente a súmula 46 do extinto TRF, jurisprudência esta que é superior à legislação inferior, como portarias, instruções normativas e leis. Conclui que a atualização monetária deve se dar através da transformação da moeda corrente pela unidade fiscal correspondente, como OTN, BTN, TRD e UFIR, nos períodos em que estas foram tomadas como índice de variação inflacionária. Expõe que entre 04/02/91 e 31112/91 a TRD foi o índice adotado pelo Governo para medir a variação monetária do período. 3.3. Expõe jurisprudência a embasar suas teses. Pede a nulidade da autuação, tendo em vista a realização de compensação nos termos da lei 8.383/91 mediante autorização judicial. 4. Em 31/07/98, esta DRJ proferiu a decisão DRJ/SP n.° 021852/9811.4622 (fls.2728), constatando que a autuada já havia ingressado na justiça contestando a mesma matéria tratada neste processo, considerou o crédito definitivamente constituído na esfera administrativa, não facultando, assim, a apresentação de recurso por parte da autuada. 4.1. Às fls. 63 a Egamj/Dicat relata o fato de que o contribuinte obteve provimento jurisdicional (fls.08) que lhe permitia a compensação, porém aplicando na correção monetária os mesmos índices utilizados na atualização de débitos fiscais. Conforme o termo de constatação da fiscalização de fls. 06, a TRD não é índice de correção monetária aplicado na atualização de débitos fiscais, mas sim utilizada em juros de mora. Como não restou saldo de Finsocial a ser utilizado na compensação alegada, foram os valores encaminhados à cobrança. 4.2. E na fls.89 a Eqamj relata que o auto foi lavrado em virtude de incorreções na compensação efetuada pela empresa, que utilizou a TRD como correção monetária, quando a decisão judicial restringiu a correção monetária aos índices oficiais da Receita Federal. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Menciona ainda que apensou aos autos o processo 19679.0148881200455, observando, porém, que a documentação juntada não influencia a decisão tomada pela autoridade fiscal. 4.3. A empresa protocolizou às fls. 91130, documentos anexos às fls. 131147, petição, que denominou de "recurso voluntário', contra o despacho da Eqamj de fls.89. Como não houvesse previsão legal para manifestação contra o despacho da Eqamj, a Dicat/Derat/SP encaminhou o recurso ao Delegado da Receita Federal em São Paulo, que negou seguimento ao recurso (fls.169170). 4.4. Intimada pela Eqitd a apresentar informações de fls. 200 201, a empresa expôs às fls. 208211, documentos anexos às fls. 212292, seus argumentos sobre a incidência da TRD na atualização de seus créditos, requerendo a confirmação do valor exato de seu crédito, com a convalidação das compensações efetuadas. 5. Às fls. 354360 consta despacho da Diort/Derat/SP de 06/10/2008 convalidando as compensações em questão até o limite do crédito apurado. No mesmo despacho, constatou ainda a existência do processo administrativo 10880.000016/200440; no qual o mesmo crédito — pagamentos a maior de Finsocial — foi utilizado para compensação de débitos de Cofins de outros períodos, tendo a empresa alegado amparo na ação 96.0015518 6. A Diort entendeu prejudicada a pretensão da empresa de ter seus créditos corrigidos com base nessa ação, tendo em vista a existência da ação 95.00073560, com o mesmo objeto. 6. Cientificada do despacho da Diort, a empresa apresentou recurso em 04/11/2008 às fls. 371384, documentos anexos às fls. 385541, apresentando, em resumo, as alegações a seguir: 6.1. Alega ter discutido seu direito à compensação do Finsocial com a Cofins na ação 95.00073560, que transitou em julgado reconhecendo indevido a majoração do Finsocial, bem como o direito à correção monetária dos pagamentos indevidos com base nos mesmos índices utilizados pela Fazenda na atualização de seus débitos, o que na época se dava com a utilização dos índices correspondentes, OTN, BTN, TRD e UFIR.. 6.2. Quanto aos débitos cobrados no processo 10880.000016/200440, a empresa alega decadência do direito de constituição do crédito tributário para os períodos de apuração de Cofins de 0612/96, expondo decisões do então Conselho de Contribuintes e da CSRF a embasar seu raciocínio. 6.3. Caso não reconhecida a decadência, alega que deve ser aproveitado o decidido na ação 96.00155186 quanto à adoção dos expurgos inflacionários, eis que referida ação não tem caráter concorrente com a ação 95.00073560, mas sim complementar. 6.4. Alega também impossibilidade de aplicação de multa de mora ao valor em cobrança, eis que a compensação efetuada e Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13805.004811/9672 Acórdão n.º 3403002.592 S3C4T3 Fl. 15 7 informada em DCTF deuse com base na ação 96.00155186, cujo trânsito em julgado deuse em 16/11/2006, e a notificação para ocorreu em 03/2004. Cita o art.63, § 2. ° da lei 9.430/96. 6.5. Requer atribuição de efeito suspensivo à sua manifestação, bem como seja julgada procedente pelos motivos já expostos”. A decisão da DRJ restou assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE • SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1995 a 31/10/1995 RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. INEXATIDÕES MATERIAIS. LAPSO MANIFESTO. É de se receber o requerimento da autoridade incumbida da execução do acórdão para correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto existente na decisão. A fim de efetuar a correção, deve ser proferido novo acórdão, anulandose o anterior. NÃO CONVALIDAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO EM OBEDIÊNCIA A MANDADO DE SEGURANÇA. No caso dos débitos já confessados (DCTF), eventual insurgência contra a cobrança se constitui em exercício do Direito de Petição, regulado pela lei n° 9.784/99, não havendo previsão para a interposição de manifestação de inconformidade (Dec. 70.235/72). Conhecese o recurso interposto em obediência à decisão proferida em Mandado de Segurança. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há motivo para constituição em auto de infração de débitos declarados em DCTF pelo contribuinte, razão pela qual não há que se falar em decadência do direito à constituição do crédito. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. NÃO CABIMENTO. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Ação judicial transitada em julgada não concedeu a aplicação da correção monetária com os expurgos inflacionários. MULTA DE MORA. Aplicase multa de mora sobre as parcelas de créditos tributários informados na DCTF mensais, nãopagas nos respectivos vencimentos”. Constatase, que a Interessada promoveu duas ações, a primeira ação declaratória que tomou o número 95.00073560, onde buscou o direito de compensar indébito de FINSOCIAL com débitos de COFINS, compensação efetivada na contabilidade e DCTF. O crédito apurado foi atualizado pela “TRD” em conformidade com o fixado em sentença, assim mesmo teria sido recusado pela Receita Federal, que posteriormente em procedimento de revisão de ofício (fls. 1.066) reconheceu e acolheu a correção monetária do indébito pela “TRD”. Ao longo da contenda a Interessada interpôs a segunda ação judicial, número 96.00155186, nessa além da discussão do direito de reaver o pagamento a maior para o FINSOCIAL buscou o reconhecimento de atualizar o indébito pelos índices inflacionários ocorridos na economia e medidos pelo IPC. Decisão favorável e transitou em julgado após o conhecimento e acolhimento da tese pelo STJ. O débito apurado pela lavratura do auto de infração restou saldo devedor ao período de apuração de outubro de 1995. Os débitos declarados em DCTF e compensados relativos ao período de julho de 1996 a dezembro de 1996 estão sendo controlados no processo 10880.00016/200440. Em decorrência do controle nos autos suso mencionado permitiu instaurar nova contenda. Autoridade abriu prazo para Manifestação de Inconformidade, apresentado a Manifestação em relação ao período de apuração de julho de 1996 a dezembro de 1996. No Recurso Voluntário busca o reconhecimento da aplicação dos expurgos inflacionários ocorridos na economia e medidos pelo IPC – Índice de Preços ao Consumidor, autorização obtida em procedimento judicial nos autos da ação ordinária de número 96.00155186 a ser aplicado sobre o crédito do FINSOCIAL, vinculado a compensação procedida em extinção aos débitos do período de apuração de julho de 1996 a dezembro de 1996 com o saldo, agora do cálculo contemplando os expurgos. Solicita também o reconhecimento da homologação tácita do período do segundo semestre/96, débitos confessados e compensados em DCTF. Por derradeiro pede o afastamento da aplicação de multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13805.004811/9672 Acórdão n.º 3403002.592 S3C4T3 Fl. 16 9 O recurso atende os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual se toma conhecimento. Cabe registrar que o crédito do período de apuração acima anotado está sendo controlado pelo processo nº 10880.000016/200440, em apenso. O Recurso Voluntário apresentado nesse feito foi devolvido à origem por meio da Resolução nº 302.1.433 de diligência para que a Autoridade Administrativa tomasse as medidas cabíveis em relação ao crédito. Com essas considerações passase ao exame das preliminares. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA EXIGIR O CRÉDITO DO PERÍODO DE JULHO DE 1996 a DEZEMBRO DE 1996. Os débitos foram declarados em DCTF dispensa constituição por meio de lançamento. Há aqueles que entendem ser necessário o lançamento para constituir o crédito tributário na linha defendida pela Recorrente. Afastada a decadência, a declaração de dívida pelo contribuinte em cumprimento a obrigação acessória afasta a possibilidade de o crédito tributário ser alcançado pelo Instituto da decadência. Deixo acolher a tese de decadência na mesma linha decida pelo Julgador de Piso. NO MÉRITO. O debate circunscreve aplicação dos expurgos inflacionários medidos pelos IPC como indexado de atualização monetária. Essa matéria foi tratada no bojo da ação ordinária de número 96.00155186, que além de rediscutir o direito ao indébito, inovou com o pedido de inclusão de índice contemplando os expurgos inflacionários. A motivação da lavratura do auto de infração circunscrevia ao período de apuração de 01.07.1995 a 31.10.1995 em decorrência da compensação de crédito oriundo de pagamento a maior do FINSOCIAL com débitos apurados para a COFINS, atualizados pela aplicação da “TRD”. Essa resistência restou afastada quando em revisão de ofício, a Autoridade Administrativa Fiscal adotou o mesmo índice indexador utilizado pelo contribuinte. De modo que, relativo ao período de apuração anterior a julho de 1996 não há mais qualquer litígio quanto aos débitos lançados em razão de ter sido todos extintos por meio de compensação e pagamento do saldo remanescente (fls. 565/566). A multa de ofício foi cancelada quando da Revisão de Ofício (fls.712/723). A discussão continuou em relação ao período de 01.07.1996 a 31.12.1996, cujos débitos confessados em DCTF e compensados passaram a ser controlado pelo processo número 10880.00016/200440. Em razão da decisão proferida pelo DESPACHO DECISÓRIO, que afastou a multa de ofício e aplicou o mesmo índice de atualização utilizado pelo contribuinte – TRD, Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 deixando de incluir os expurgos, o contribuinte apresentou às fls. 746/772 Manifestação de Inconformidade, aos débitos do período de apuração de 07/1996 a 12/1996 controlados pelo processo 10880.000016/200440 apensado a este caderno. A matéria de fundo é a mesma da Impugnação, o que visa é aplicação dos índices contemplando os expurgos, em conformidade com os cálculos da Recorrente são suficientes para extinguir os débitos confessados e compensados, fatos geradores de 07/1996 a 12/1996. O débito controlado no processo supra mencionado depende do novo cálculo contemplando os expurgos inflacionários, direito reconhecidos em sentença. Assim, resta saber se a segunda ação judicial proposta, nº 96.00155186, concedeu o provimento determinando inclusão dos expurgos. Destarte, dúvida não resta de que a demanda alcançou o Superior Tribunal de Justiça por meio de Recurso Especial manejado pela Recorrente, cujo Acórdão data de 06 de outubro de 2006. Em ordem cronológica, a ciência do auto de infração ocorreu em 20.05.1996, o Recurso voluntário foi apresentado em 22 de janeiro de 2007. O Acórdão da DRJ/SP1 é de 02 de abril de 2009 e o Acórdão do RE 852.352 (2006/01082914) fls. 1008/1064, é de 06 de outubro de 2006. Extraíse do Acórdão da DRJ/SP que a sentença não contemplou a indexação dos expurgos inflacionários. Certamente se refere à decisão judicial da primeira ação proposta, 95.00073560, garantiu o reconhecimento da “TRD”. Cronologicamente, quando do Acórdão da DRJ/SP1 já existia nos autos cópia do Acordo do RE 852.352 (2006/01082914) fls. 1008/1064, é de 06 de outubro de 2006. É bem verdade quando do início desse debate não existia decisão favorável ao contribuinte que aconteceu ao longo da discussão. Mas é fato que obteve perante o judiciário o direito de fazer incidir os expurgos inflacionários no cálculo da correção monetária dos valores a serem compensados. Não obstante que tenha obtido essa decisão favorável durante os debates, registre, antes da decisão da DRJ. Dado conhecimento nos autos de que o cálculo de atualização deveria privilegiar atualização com inclusão dos expurgos, tenho que não poderia ter sido ignorado pelo Julgador de Piso. Neste caderno não se discute o direito ao indébito. O assunto trazido se refere aplicação do índice de atualização monetária contemplando os expurgos inflacionários reconhecido pelo Poder Judiciário. Como é de conhecimento geral cabe a Administração acatar o que restou decidido pelo Poder judiciário. De modo, a meu sentir, os cálculos devem ser refeitos a incidir os expurgos, tudo em conformidade com o Acordo RE 852.352 do STJ. Também não acompanho o entendimento expressado pela Autoridade Julgadora de Piso que reconheceu a concomitância, pois nestes autos, diretamente não se tratou do direito do indébito. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13805.004811/9672 Acórdão n.º 3403002.592 S3C4T3 Fl. 17 11 No que tange ao debate inaugurado pela Impugnação ao auto de infração encerrou com a compensação homologada e o pagamento por meio de DARF do saldo remanescente. Em sendo assim, cabe reconhecer que os cálculos devem obedecer à decisão do STJ que mandou incluir os índices inflacionários, e, o resultado determinará se é suficiente a compensar os débitos do período de julho/1996 a dezembro de 1996. Multa de Mora. A multa se revela sanção para o contribuinte que deixa de cumprir a obrigação no prazo fixado pela Autoridade Fiscal. Como é sabido, só mediante lei em sentido estrito pode ser imposta. Constatado o inadimplemento da obrigação, impõe penalizar em conformidade com a legislação vigente ao tempo do fato. No caso dos autos não há excludente capaz de afastar aplicação da multa por atraso do cumprimento da obrigação. Essa matéria encontra disciplinada pelo art. 61 da lei n 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Com esses fundamentos conheço e dou provimento parcial ao recurso para que o indébito do contribuinte seja corrigido por meio da aplicação dos expurgos inflacionários, nos termos do que restou decidido pelo STJ no REsp. nº 852.352, e, excluir a incidência da multa de mora. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 12 Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10680.911178/2008-95
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Composição do Saldo Negativo. Prova. Necessidade.
Uma vez provada a liquidez e certeza do indébito tributário, faz jus o contribuinte à homologação das compensações vinculadas ao direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 1801-001.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. PROVA. NECESSIDADE. Uma vez provada a liquidez e certeza do indébito tributário, faz jus o contribuinte à homologação das compensações vinculadas ao direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 11 78 /2 00 8- 95 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2a. Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas nos autos. Por economia processual reproduzo o relatório adotado na Resolução n º 1801000.088, de 2012, desta 1a. TE /3a. CAM/ 1a. SEÇÃO do CARF: Trata o presente processo de pedido de compensação eletrônico – PERDCOMP –n° 36157.19420.221107.1.7.020308, transmitido em 22/11/2007 (fls. 04 a 09), retificador dos PERDCOMP n ºs 13061.43890.061006.1.7.028120 (fls. 22/25) e n° 39513.15973.131204.1.3.028814 (fls. 26/30)., pelo qual pretende a interessada a compensação de débitos próprios com direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003 (composto por retenções na fonte e antecipações a título de estimativas). Pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl. 03 a compensação foi não homologada, sob a seguinte justificativa: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 344.223,49. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 11.111,15. ...” Irresignada apresentou, a interessada, a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, alegando erro de preenchimento no valor do crédito do PERDCOMP, que deveria ter sido de R$ 11.111,15, conforme consignado na DIPJ do respectivo período, pelo que solicitou a retificação da informação. Apreciando o litígio a DRJ em Belo Horizonte/MG analisou a composição do saldo negativo do anocalendário 2003 e checou a veracidade e procedência dos valores utilizados na composição do referido crédito, como o IRRF deduzido na apuração anual e o valor total das estimativas recolhidas, tendo detectado uma pequena divergência no valor deduzido a título de IRRF. Aquela autoridade concluiu que houve erro de fato no preenchimento do PERDCOMP e reconheceu, à favor da interessada, o direito creditório no valor de R$ 10.042,74, a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido (fls. 82 a 87). O crédito reconhecido não foi suficiente para quitar integralmente os débitos indicados para compensação, razão pela qual a interessada foi cientificada, em 24/05/2011, do teor da decisão da DRJ/BH e intimada a recolher os débitos remanescentes (fls. 88/91). No recurso voluntário protocolizado em 20/11/2011 (fls. 92/97), a empresa alega que o valor do IRRF não confirmado teria sido retido pela empresa Magnesita S/A, CNPJ 19.791.268/000117, e que o livro razão do ano de 2003, página 723, provaria a contabilização do valor retido de R$ 1.153,66. Tece considerações Fl. 194DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.911178/200895 Acórdão n.º 1801001.847 S1TE01 Fl. 3 3 doutrinárias a respeito do princípio da verdade material e pede, ao final, pelo acolhimento do recurso. Em sessão realizada em 15/03/2012, esta 1a. TE /3a. CAM/ 1a. SEÇÃO do CARF converteu o julgamento na realização de diligência para que fossem intimadas (i) a recorrente a apresentar o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora Magnesita S/A, CNPJ 19.791.268/000117, com demonstrativo de composição do valor e, se necessário, notas fiscais envolvendo a operação e, (ii) a empresa Magnesita S/A, CNPJ 19.791.268/000117, a apresentar os esclarecimentos e documentos necessários a confirmar o valor retido de R$ 1.153,66. Cumprida a diligência com a anexação dos documentos e do relatório às fls. 191/192 do p.d., retornam os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como já consignado no voto da Resolução n º 1801000.088, de 2012, de acordo com o demonstrativo elaborado pela DRJ em Belo Horizonte/MG a única divergência encontrada em relação aos valores do IRRF informados no PERDCOMP e aqueles confirmados pelo sistema DIRF diz respeito, como alega a interessada, à empresa Magnesita S/A, CNPJ 19.791.268/000117. A fim de comprovar o valor do IRRF retido pela fonte pagadora Magnesita S/A, CNPJ 19.791.268/000117, a empresa recorrente foi intimada (fl. 163 do processo digital) a apresentar o informe de rendimentos, composição do valor, notas fiscais e outros elementos. Em atendimento apresentou o comprovante de rendimentos (fl. 168) emitido por Magnesita S/A, CNPJ 19.791.268/000117, comprovando o pagamento em dezembro/2003, de rendimentos a título de juros sobre o capital próprio, no valor de R$ 7.691,04 e Imposto de Renda Retido na Fonte sob o código 5706, no valor de R$ 1.153,66. Junto do comprovante de rendimentos apresentou uma carta (fl. 169) enviada pela fonte pagadora Magnesita S/A , informando à empresa recorrente que em 17/12/2003 foi credita a quantia líquida, “...constante do documento anexo COMPROVANTE DE Fl. 195DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ANO CALENDÁRIO 2003, referente a juros sobre o capital próprio no exercício de 2003...” Como não se trata de prestação de serviços, não há notas fiscais nem demonstrativos de composição do valor, já que se refere a um único pagamento. A empresa Magnesita Refratários S/A, CNPJ 08.684.547/000165, incorporadora da Magnesita S/A, CNPJ 19.791.268/000117, foi igualmente intimada a apresentar “...esclarecimentos e documentos necessários à confirmação do Imposto de Renda na Fonte (...) referente a receitas de Juros sobre o Capital Próprio do beneficiário SOMATTOS ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. (...), no anocalendário 2003, no valor de R$ 1.153,66...” (fl. 179 p. d.). Em resposta (fl. 185 p.d.) a empresa incorporadora informou que “...não foi possível levantar documentos comprobatórios à confirmação do pagamento de Juros sobre o Capital Próprio à Somattos Engenharia e Comércio...” Em que pese a ausência de comprovação do valor pago e do imposto retido pela incorporadora da fonte pagadora, a recorrente cumpriu a determinação legal e apresentou o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte, assim como também comprovou a contabilização dos respectivos valores, conforme demonstra a cópia do Livro Razão acostada às fls. 140/141 p.d. e o oferecimento à tributação do rendimento obtido, como atestou a autoridade fiscal no relatório às fls. 191/192. O saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 ficou assim determinado pela DRJ: IR 15% 216.154,12 Adicional 120.102,52 () PAT (3.144,52) () IRRF (223.341,30) () IR Renda Variável (1.555,39) () Estimativas (118.258,17) = Saldo Negativo IRPJ (10.042,74) Uma vez admitida a parcela do IRRF de R$ 1.153,66, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 fica determinado como apurado pela recorrente na DIPJ do período: IR 15% 216.154,12 Adicional 120.102,52 () PAT (3.144,52) () IRRF (224.409,94) Fl. 196DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.911178/200895 Acórdão n.º 1801001.847 S1TE01 Fl. 4 5 () IR Renda Variável (1.555,39) () Estimativas (118.258,17) = Saldo Negativo IRPJ (11.111,38) Do saldo negativo acima apurado, de R$ 11.111,38, já foi reconhecido como direito creditório, o valor de R$ 10.042,74, restando reconhecer a diferença de R$ 1.068,64 e determinar a homologação das compensações, até o valor ora reconhecido. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 197DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19515.003834/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ERRO. LANÇAMENTO. MANUTENÇÃO. NECESSIDADE. Em se tratando do lançamento efetuado em decorrência de informações prestadas pelo próprio contribuinte em documentação contábil apresentada à fiscalização, no caso os livros, DIPJ, DIRF e planilhas elaboradas, resta ao mesmo comprovar de forma inequívoca que sua declaração estava eivada de vícios ou erros, sob pena de manutenção do lançamento efetuado.
LANÇAMENTO. COMPARATIVO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL APRESENTADA. A divergência de informações acerca de valores pagos a contribuintes individuais apurada em sede de ação fiscal autoriza o lançamento das diferenças, devidamente acrescida dos encargos legais previstos na legislação previdenciária.
MULTA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DA EDIÇÃO DA MP 449/08, CONVERTIDA NA LEI 11.941/09. PRINCÍPIO DO TEMPUS REGIT ACTUM. CÁLCULO QUE CONSIDERA A SOMA DA MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. Nos termos do artigo 144 do CTN, o lançamento deve ser reportar à legislação tributária válida no momento da ocorrência do fato gerador, mesmo que venha a ser posteriormente revogada. Se além do descumprimento da obrigação principal relativa ao adimplemento de contribuições devidas, deixou o contribuinte de informar tais fatos geradores em GFIP, em se tratando de fatos geradores ocorridos anteriormente à edição da MP 449/08, não pode a fiscalização considerar para fins de aplicação da multa a soma da obrigação acessória e da principal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, vencido o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva que votou pela redução da multa a 20% do tributo, e vencido o conselheiro Julio César Vieira Gomes que acompanhou o relator somente quanto à multa, por entender que não integra a base de cálculo a parte do tributo assumida contratualmente pelo contratante do serviço e apresentará declaração de voto.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Lourenço Ferreira do Prado e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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Recorrente SARAIVA SA LIVREIROS E EDITORES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ERRO. LANÇAMENTO. MANUTENÇÃO. NECESSIDADE. Em se tratando do lançamento efetuado em decorrência de informações prestadas pelo próprio contribuinte em documentação contábil apresentada à fiscalização, no caso os livros, DIPJ, DIRF e planilhas elaboradas, resta ao mesmo comprovar de forma inequívoca que sua declaração estava eivada de vícios ou erros, sob pena de manutenção do lançamento efetuado. LANÇAMENTO. COMPARATIVO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL APRESENTADA. A divergência de informações acerca de valores pagos a contribuintes individuais apurada em sede de ação fiscal autoriza o lançamento das diferenças, devidamente acrescida dos encargos legais previstos na legislação previdenciária. MULTA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DA EDIÇÃO DA MP 449/08, CONVERTIDA NA LEI 11.941/09. PRINCÍPIO DO TEMPUS REGIT ACTUM. CÁLCULO QUE CONSIDERA A SOMA DA MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. Nos termos do artigo 144 do CTN, o lançamento deve ser reportar à legislação tributária válida no momento da ocorrência do fato gerador, mesmo que venha a ser posteriormente revogada. Se além do descumprimento da obrigação principal relativa ao adimplemento de contribuições devidas, deixou o contribuinte de informar tais fatos geradores em GFIP, em se tratando de fatos geradores ocorridos anteriormente à edição da MP 449/08, não pode a fiscalização considerar para fins de aplicação da multa a soma da obrigação acessória e da principal. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 34 /2 00 9- 41 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, vencido o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva que votou pela redução da multa a 20% do tributo, e vencido o conselheiro Julio César Vieira Gomes que acompanhou o relator somente quanto à multa, por entender que não integra a base de cálculo a parte do tributo assumida contratualmente pelo contratante do serviço e apresentará declaração de voto. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Lourenço Ferreira do Prado e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 19515.003834/200941 Acórdão n.º 2402002.585 S2C4T2 Fl. 373 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SARAIVA SA LIVREIROS E EDITORES, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração 37.198.959 0, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais autônomos. Consta do relatório fiscal que os pagamentos realizados aos Autônomos pela empresa foram devidamente contabilizados nas contas contábeis 332.03.13.99999 OUTROS SERVIÇOS PROFISSIONAIS, 332.03.05.99999 HONORÁRIOS ADVOCATICIOS e 3050300000 — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESSOAS FÍSICAS, além de constarem em DIPJ e DIRF. Fora informado pela fiscalização que os valores de pagamentos registrados em referida conta eram maiores do que aqueles declarados em GFIP, razão pela qual se deu o lançamento. Às fls. 15 consta termo de juntada por apensação aos presentes autos do processo n° 19515.003833/200905. O lançamento compreende o período de 01/2005 a 12/2005, tendo sido o recorrente cientificado do lançamento em 31/07/2008 (fls. 42). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls.369/388), o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta, em síntese: 1. que houve equivoco cometido pela fiscalização, que se furtou a compreender os critérios de contabilização dos valores pagos aos contribuintes individuais (autônomos) que prestaram serviços à Recorrente no período autuado, negando aceitação aos mesmos, optando por lavrar o presente auto sem se ater à comprovação dos fatos. 2. que, portanto, não houve qualquer ausência do recolhimento de contribuições previdenciárias; 3. que é sociedade anônima de capital aberto e sujeita as normas contábeis advindas da Lei 6.404/76 e normas complementares da Comissão de Valores Mobiliários — CVM. Os registros contábeis obedecem rigorosamente as práticas contábeis adotadas no Brasil, consubstanciadas através de pronunciamentos técnicos emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis — CPC, legitimados pelo Conselho Federal de Contabilidade — CFC e pela Comissão de Valores Mobiliários — CVM. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 4. que o registro contábil dos serviços prestados é realizado através de partidas dobradas, ou seja, o valor registrado como despesa e/ou custo do serviço prestado representam o dispêndio total suportado pela Recorrente, que inclui o valor do serviço mais os encargos tributários, no caso a contribuição previdenciária, representada pela parte da empresa e pela parcela retida do segurado e o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza — ISSQN; 5. Já as contrapartidas, representam de forma segregada os valores a pagar para o prestador do serviço, pelo valor do serviço; a pagar para a Previdência Social, pelos encargos previdenciários; e a pagar ao Município de Sao Paulo, pelo valor do Imposto Sobre Serviços; 6. que portanto, as rubricas que norteariam as conclusões do i. Auditor Fiscal seriam as contrapartidas dos registros relacionados despesa e/ou custo dos serviços prestados, representativas das obrigações a pagar, quais sejam: a rubrica representada pelo passivo com o prestador do serviço, base de calculo para o encargo previdenciário e a rubrica representada pelo passivo com a Previdência Social; 7. com o intuito de demonstrar o alegado, a Recorrente acostou aos autos, planilha exemplificativa, elaborada por amostragem, identificando os pagamentos realizados aos prestadores de serviços/autônomos entre 01/05 a 12/05, onde consta o registro contábil do valor do serviço (D despesa; C INSS a recolher e C Fornecedores); o pagamento ao autônomo como contraprestação (via cheque ou crédito em conta corrente) e os valores oferecidos à tributação e recolhidos para a Previdência Social, bem como juntou aos mesmos, amostra dos documentos relacionados aos pagamentos realizados no período acompanhados de prova dos registros contábeis, identificação do prestador de serviço constantes no arquivo SEFIP e comprovantes de pagamentos recebidos pelos autônomos, o que foi desconsiderado pela autoridade julgadora e deve ser reformado por este Eg. Conselho; 8. o que se verifica é que o Auditor Fiscal, de forma PRESUMIDA e arbitrária lavrou o presente auto de infração, sem se ater realidade dos fatos, em razão de ter se eximido de compreender os critérios de contabilização, adotados pela Recorrente, quanto aos pagamentos feitos (autônomos). 9. que não ocorreu a necessária apuração fiscal que comprovasse a ocorrência de qualquer tipo de irregularidade, ressaltando que o auto de infração foi Fl. 379DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 19515.003834/200941 Acórdão n.º 2402002.585 S2C4T2 Fl. 374 5 lavrado com base em suposições/conjecturas desprovidas das necessárias provas comprobatórias, sem que, contudo a fiscalização exerça efetivamente seu dever de apurar a verdade material. 10. que não é possível se identificar qual o critério foi adotado para o cálculo da multa mais benéfica aplicada no AI; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO O lançamento em tela decorre da apuração de diferenças de contribuições levantadas em razão da fiscalização ter comparado os valores declarados nas GFIP´s com as informações que constavam em contabilidade, DIPJ e DIRF apresentadas pela recorrente. E sobre o assunto assim restou consignado pelo relatório fiscal: “Os pagamentos realizados aos Autônomos pela empresa foram devidamente contabilizados nas contas contábeis 332.03.13.99999 OUTROS SERVIÇOS PROFISSIONAIS, 332.03.05.99999 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS e 3050300000 — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESSOAS FÍSICAS. Identificamos em nossa auditoria que o valor contabilizado em tais contas estava maior que o informado nas respectivas GFIPS, indicando que faltava informar em GFIP alguns dos segurados autônomos, ou o valor informado para eles estava menor. Como não havia maneira de identificar o nome de cada um dos segurados por meio dos históricos dos já citados lançamentos contábeis efetuados, solicitamos por meio de Termo de Intimação anexado a esse Auto de Infração para que a empresa apresentasse planilha magnética com a individualização dos pagamentos efetuados aos contribuintes individuais autônomos. Tais planilhas foram apresentadas em meio magnético, validadas e autenticadas pelo sistema SVA e anexadas a esse Auto de Infração. Efetuamos então uma comparação entre as planilhas nominais apresentadas pela empresa e as informações das respectivas GFIPS constantes de nosso sistema informatizado. Elaboramos então planilha magnética também anexada a esse Auto de Infração em que identificamos os contribuintes individuais trabalhadores autônomos não informados em GFIP ou informados com um valor menor de remuneração, mostrando essa diferença de valor.” Fl. 381DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 19515.003834/200941 Acórdão n.º 2402002.585 S2C4T2 Fl. 375 7 Pois bem, resta claro que a fiscalização analisou detidamente a documentação apresentada. Inicialmente foram verificadas diferenças entre valores pagos e constantes na escrituração contábil e GFIP, acusados também pelos valores declarados em DIPJ e DIRF. Verificando a impossibilidade de ligar referidos valores que constavam na contabilidade aos segurados empregados para a efetiva apuração da ocorrência ou não de divergências, fora requerido à recorrente por meio de novo TIAD, a apresentação de uma planilha nominal, identificando os beneficiários dos pagamentos constantes em sua contabilidade, juntamente com os valores pagos a cada um deles. E assim foi feito. A recorrente apresentou referida planilha. De posse de tal planilha, a fiscalização passou a comparála com os valores declarados em GFIP para cada um dos contribuintes autônomos por ela indicados. Em decorrência deste cotejamento, foram duas as conclusões: (i) existiam pagamentos efetuados a contribuintes que sequer constaram em GFIP e (ii) existiam diferenças quanto a valores de pagamentos informados em GFIP a outros contribuintes que também constavam de referida planilha. Ou seja, nada mais fez a fiscalização do que simplesmente lavrar o Auto de Infração com base em informações prestadas pela própria recorrente. E tal fato fica comprovado pela análise do relatório fiscal da infração. Ora, a recorrente é quem informou, em planilha por si própria elaborada, os valores das remunerações de seus segurados contribuintes individuais que estavam escrituradas em sua contabilidade, conforme requerido pela fiscalização, valores estes que foram comparados aos declarados em GFIP. E mesmo assim, foram apuradas divergências. Não se trata portanto de uma simples comparação dos valores indicados nas contas contábeis 332.03.13.99999 OUTROS SERVIÇOS PROFISSIONAIS, 332.03.05.99999 HONORÁRIOS ADVOCATICIOS e 3050300000 — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESSOAS FÍSICAS com os declarados em GFIP. Ao contribuinte foi dada a oportunidade de esclarecêlos quando intimado para a apresentação da planilha. E assim o fez, indicando um a um os valores da remuneração de seus segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Em tendo agido desta forma, deveria a recorrente trazer aos autos prova cabal de que efetivamente laborou em equívoco, demonstrando não por simples exemplo, mas por documentos e pormenorizadamente que os valores indicados em suas contas contábeis e na planilha apresentada, apesar de maiores do que os declarados em GFIP, continham a parcela de impostos e contribuições pagas incidentes sobre remuneração de menor valor. Sobre o assunto, bem decidiu o v. acórdão recorrido: “De acordo com os dispositivos legais transcritos, a simples apresentação, por parte da Defendente, de demonstração através da rubrica "Fornecedores Nacionais" do Razão Contábil, conta 2.1.3.01.01.99999, não mencionada pela fiscalização, nem Fl. 382DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 8 citada nas planilhas entregues pela empresa durante a ação fiscal, não é capaz de repercutir na presente autuação. Ao contrário do que afirma o Contribuinte, lançamentos que porventura englobassem os valores pagos aos prestadores de serviço autônomos, somados a encargos previdenciários, não estariam de acordo com as exigências legais, uma vez que o grau de detalhamento dos registros contábeis, bem como a forma de proceder ao lançamento e a eleição dos títulos próprios, devem atender as obrigações da empresa previstas na legislação previdenciária. A fiscalização é competente para apurar as divergências entre os valores de remunerações de contribuintes individuais prestadores de serviço pessoa física, informados em planilhas elaboradas e fornecidas pela própria empresa (CDROM de fl. 47) e nos lançamentos contábeis, e as GFIP's, bem como lançar o crédito corresponde às diferenças das contribuições devidas. Deste modo, não merece reparo a metodologia adotada pela fiscalização para o cálculo das contribuições da parte da empresa, incidentes sobre remunerações de contribuintes individuais (prestadores de serviço pessoa física), objeto deste AI. Também não se justifica a alegação da Impugnante, de que o Auto de Infração foi lavrado com base em presunção, e que foi violado o Principio da Verdade Material, tendo em vista que a fiscalização analisou todos os documentos colocados à disposição pela empresa, procedendo a uma análise cuidadosa, e conferindolhes a qualificação jurídica apropriada. Ademais, o que não se pode discutir é que as declarações prestadas pela empresa através da DIPJ, DIRF, e GFIP's, sua contabilidade, bem como as planilhas de própria autoria, por si só, consubstanciamse na prova material necessária da ocorrência os eventos ali registrados. Restam descabidas, portanto, as alegações referentes A. fragilidade ou insuficiência do procedimento investigatório da fiscalização. Deste modo, o presente lançamento de crédito foi promovido nos termos do artigo 142 do CTN, e do artigo 37 da Lei n° 8212/91: Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Lei n.° 8212/91 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 19515.003834/200941 Acórdão n.º 2402002.585 S2C4T2 Fl. 376 9 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de beneficio reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009).” Não obstante, o contribuinte sustenta que “os valores contabilizados como pagamentos feitos aos autônomos, compreenderam os pagamentos resultantes da prestação de serviço e encargos previdenciários incidentes, tanto referentes à parte da empresa, quanto à parte retida dos Segurados autônomos”, não havendo, consequentemente, “ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias”. Pontua ainda que “as rubricas que norteariam as conclusões do I. Auditor Fiscal seriam as contrapartidas dos registros relacionados à despesa e/ou custo dos serviços prestados, representativas das obrigações a pagar, quais sejam: a rubrica representada pelo passivo com o prestador do serviço, base de calculo para o encargo previdenciário e a rubrica representada pelo passivo com a Previdência Social.” Entretanto, não há como se alegar que as contribuições previdenciárias ora exigidas não são devidas, pelo fato de que a empresa contabilizouas na conta do passivo “INSS a Recolher”, em contrapartida com a conta de “Fornecedores”, haja vista que o valor do serviço prestado é exatamente aquele escriturado na conta de “Custo do serviço prestado” (exemplo dado pela Recorrente à fl. 403). Ora, se a empresa realizou cálculo tendente a apurar o valor líquido que deveria ser pago aos segurados, o fez já com a ciência de que tais valores sofreriam a tributação. O fato da Recorrente tentar neutralizar o ônus tributário da operação, mediante contrato firmado com seus fornecedores e respectiva contabilização própria, em nada altera a relação jurídica tributária entre ela e o Fisco. Assim, é certo que a Recorrente deveria levar à tributação todo o valor devido ao segurado, sem creditar a conta de “INSS a Recolher” e debitar a conta de “Fornecedores”, ou seja, levandose em conta o valor bruto do serviço (seu custo total), e não apenas o valor líquido pago ao segurado, sob pena de reduzir indevidamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Cumpre apontar que o contribuinte também não merece ter acatada sua tese de que o lançamento relativamente aos pagamentos que deixaram de ser informados em GFIP o foram com base em presunções, pois, do contrário também foram apurados através de informações por si prestadas, não tendo se desincumbido do ônus de comprovar o equívoco. Por fim, tenho que melhor sorte lhe aufere com relação ao lançamento dos valores a título de multa. Ao assim proceder, o fiscal autuante efetuou para efeitos de aplicação da legislação mais benéfica a soma da multa de mora de 24% pelo descumprimento da obrigação principal com a multa a ser aplicada pela entrega de GFIP com omissão de todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Do resultado da soma, a comparou com a multa de ofício de 75%, trazida à lume pela redação da nova Lei 11.941/09. Entendeu, pois, por aplicar esta última, com base no art. 106, III, “c”, do CTN, considerandoa como mais benéfica. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 10 Em que pese referido entendimento, o mesmo não há que prosperar. Ao aplicar a multa relativamente a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei 11.941/09, deveria o fiscal ter considerado o quem está determinado no art. 144 do CTN, a seguir: “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” E a época dos fatos geradores, a multa que vigia para o presente lançamento era a multa de mora, estabelecida para o art. 35 da Lei 8.212/91, a seguir: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).” Logo, na aplicação da multa, deveria o fiscal ter observado o comando do Código Tributário Nacional e ter aplicado no presente Auto de Infração a multa objeto do art. 35 supra, além de lavrar o competente Auto de Infração (FL 68), aplicando a multa pelo descumprimento de obrigação acessória conforme determinava o art. 32 da Lei 8.212/91. Referido Auto de Infração (FL 68), no entanto, somente foi lavrado para as competências de 04/2005 e 05/2005, não mais podendo neste momento ser lavrado para as demais. Desta feita, ao aplicarse a multa no presente caso, deveria haver o comparativo apenas com relação à multa de mora do antigo art. 35 da Lei 8.212/ 91 com o que determinado pelo novo artigo 35A da Lei 8.212/91. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para que a multa aplicada seja recalculada nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 385DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 19515.003834/200941 Acórdão n.º 2402002.585 S2C4T2 Fl. 377 11 Declaração de Voto Com a devida vênia ao relator, também ao entendimento no votovista do Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues e aos demais conselheiros que os acompanharam, meu entendimento é diametralmente oposto. Isto porque a conclusão a que chegou a turma, como a seguir será demonstrado, em última instância, reconheceu: a) a possibilidade de incidência da contribuição previdenciária sobre a própria contribuição; e b) a desconsideração de negócio jurídico legítimo e também previsto no próprio Código Tributário Nacional, sem que para tanto necessária fosse a caracterização de alguma prática abusiva. No caso, a recorrente, no exercício de sua liberdade negocial, firmou contrato com prestadores de serviços contribuintes individuais através do qual assumia todos os encargos sobre o objeto do contrato, inclusive impostos e contribuições. Entendeu a turma que a base de cálculo de incidência seria o somatório do valor efetivamente pago aos prestadores de serviços e os encargos, ou seja, parte da contribuição incidiria sobre a própria contribuição. Entendo que tal conclusão somente poderia ser levada a efeito nas seguintes hipóteses: primeira, na existência de disposição legal proibitiva da livre assunção de encargos tributários por uma das partes em proveito da outra, ou seja, uma presunção absoluta criada por lei; e segunda, nos casos de demonstração da dissimulação com fins de redução da obrigação tributário; no entanto, nenhum desses elementos está presente no caso sob exame e sequer foram examinados e discutidos no presente processo. Segue transcrição de trecho do voto condutor do acórdão: Ora, se a empresa realizou cálculo tendente a apurar o valor líquido que deveria ser pago aos segurados, assumindo os custos tributários do fornecedor dos serviços, o fez já com a ciência de que tais valores sofreriam a tributação. O fato da Recorrente tentar neutralizar o ônus tributário da operação, mediante contrato firmado com seus fornecedores e respectiva contabilização própria, em nada altera a relação jurídica tributária entre ela e o Fisco. Assim, é certo que a Recorrente deveria levar à tributação todo o valor devido ao segurado, sem creditar a conta de “INSS a Recolher” e debitar a conta de “Fornecedores”, ou seja, levandose em conta o valor bruto do serviço (seu custo total), e não apenas o valor líquido pago ao segurado, sob pena de Fl. 386DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 12 reduzir indevidamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Segundo o relatório as contas de despesas foram: 332.03.13.99999 OUTROS SERVIÇOS PROFISSIONAIS, 332.03.05.99999 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS e 3050300000 — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESSOAS FÍSICAS. Em síntese ao relatório, temos que o recorrente escriturou cada serviço prestado da seguinte forma: como despesa o custo total do serviço (remuneração + tributos + outras encargos) e em contrapartida no passivo as obrigações decorrentes do serviço separadamente de acordo com a natureza e destinação das obrigações (Fornecedores, INSS a Recolher etc). Segundo o voto condutor do acórdão e o votovista somente seriam aceitáveis lançamentos contábeis simples, ou seja, uma única contrapartida na conta de passivo “Fornecedores”, coincidente com o custo total do serviço que, segundo esse entendimento, portanto, deverá coincidir com a remuneração ao profissional pelo serviço prestado. Quaisquer custos ou encargos devem integrar o valor da remuneração não sendo suficiente para demonstrálos a existência de disposição contratual e discriminação na escrituração contábil desses valores. Assim, a base de cálculo foi apurada pelo lançamento na conta despesa ainda que demonstrado contábil e contratualmente que nela também constavam os encargos com tributos. Vêse que além de não existir disposição legal proibitiva da transferência do encargo tributário para terceiros, há duas regras no Código Tributário Nacional que reconhecem a sua possibilidade: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. ... a) as partes, ao convencionarem entre elas a quem caberá o encargo financeiro pelo tributo, não estarão modificando o pólo passivo da obrigação. Ainda que assim disponham as partes, o tributo será cobrado do sujeito passivo conforme definido pela lei tributária e não pelo ato negocial; Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. b) com exceção da expressa autorização nesse sentido, somente aquele que assume o encargo financeiro tem legitimidade para requerer a restituição do tributo pago indevidamente. Como se constata, a legislação tributária não veda a transferência de encargos financeiros, apenas disciplina os efeitos jurídicos dessas disposições negociais. Isto porque encargo financeiro não se confunde com a obrigação jurídica. Enquanto esta última é decorrente da lei, aquela pode ser objeto de ato negocial. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 19515.003834/200941 Acórdão n.º 2402002.585 S2C4T2 Fl. 378 13 Quanto à segunda hipótese que autorizaria a desconsideração do negócio jurídico por existência de prática abusiva, vejo que essa não fez parte dos fundamentos do voto condutor do acórdão e nem do votovista, como se não fosse relevante – apenas a possibilidade de o contribuinte assumir encargos tributários do contribuinte individual já seria fundamento suficiente para demonstração dos fins elisivos abusivos. É o meu voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 388DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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