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Numero do processo: 13819.721562/2014-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO
No ano calendário de 2012 já estava disponível no programa da Receita Federal de Declaração de Ajuste Anual (DAA) a aba "Rendimentos Recebidos Acumuladamente" com as opções "exclusiva na fonte", respeitando o teor do artigo 12-A da Lei nº 7.713/88, ou "ajuste anual", possibilitando abatimento das deduções legais do montante de imposto devido.
MULTA DE OFÍCIO
A multa de ofício, esta incide pelo descumprimento da obrigação principal de não pagamento do tributo a tempo e a modo, sendo que sua aplicação independe de conduta dolosa do sujeito passivo, conforme previsão do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996:
Numero da decisão: 2002-000.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO No ano calendário de 2012 já estava disponível no programa da Receita Federal de Declaração de Ajuste Anual (DAA) a aba "Rendimentos Recebidos Acumuladamente" com as opções "exclusiva na fonte", respeitando o teor do artigo 12-A da Lei nº 7.713/88, ou "ajuste anual", possibilitando abatimento das deduções legais do montante de imposto devido. MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, esta incide pelo descumprimento da obrigação principal de não pagamento do tributo a tempo e a modo, sendo que sua aplicação independe de conduta dolosa do sujeito passivo, conforme previsão do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996:
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MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, esta incide pelo descumprimento da obrigação principal de não pagamento do tributo a tempo e a modo, sendo que sua aplicação independe de conduta dolosa do sujeito passivo, conforme previsão do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 15 62 /2 01 4- 21 Fl. 122DF CARF MF 2 Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 39 a 46), relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação da Justiça Federal e dedução indevida de despesas médicas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$12.225,65., acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 02 a 23 dos autos, no qual a contribuinte alega: · houve desencontro entre os valores fornecidos pela Prefeitura de São Paulo ao Contribuinte Plínio Valente e o valor fornecido à Receita Federal. No valor fornecido à Receita consta R$ 41.005,02, que não foi recebido por Plínio Valente. Consultando os arquivos o que consta, na verdade é o recebimento de R$ 33.592,35 , relativo ao Pagamento de Precatório número 00106/02, processo 0000000528/96 da Décima Primeira Vara da Fazenda Pública. Conforme Prestação de Contas/Recibo do escritório de Advocacia MAIA SOCIEDADE DE ADVOGADOS, CNPJ: 07.982.131/000160, foi pago o Imposto Renda na Fonte, calculado e arquivado na Fazenda Pública. · O Contribuinte Plínio Valente não pode ser penalizado pela Receita Federal a pagar o valor relativo aos 20% (vinte por cento) dos Honorários Advocatícios, pois ocorrerá a BiTributação: a MAIA SOCIEDADE DE ADVOGADOS, deve ter recolhido o valor do Imposto de Renda, relativo à R$ 8.718,47, · O Plano se Saúde é pago somente pelo contribuinte Plínio Valente, motivo que foi apresentado no total de R$ 20.063,94, conforme consta da Declaração de 2012. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13819.721562/201421 Acórdão n.º 2002000.178 S2C0T2 Fl. 123 3 A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/FOR que, por unanimidade, em 19/09/2016, no acórdão 0837.010, às efls. 95 a 105, julgou parcialmente procedente as razões apresentadas pela contribuinte. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 20/10/2016, apresentou recurso voluntário, às efls. 111 a 116, no qual questiona a autuação fundamentada na omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vez que são juros moratórios, de natureza indenizatória, além de questionar a incidência da multa de ofício. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 18/10/2018, efls. 118, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 20/10/2016, às efls. 111, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Primeiramente, cumpre destacar que, em sede de impugnação, o contribuinte concordou com a autuação quanto a Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte / CNPJ: 46.392.130/000380, de forma que tal matéria não faz parte da lide. Ainda, quedase silente quanto a autuação pelas glosas das deduções por despesas médicas. Em relação a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação na justiça federal, a Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, nos autos do processo 10469.728782/201324, fez um ótimo histórico da tributação, como se vê: Inicialmente, os rendimentos recebidos acumuladamente submetiamse ao regime de caixa por força do art. 12 da Lei 7.713/88: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Este artigo vigorou até o dia 27.07.2010, pois no dia 28 passou a vigorar o art. 12A inserido pela Medida Provisória 497/2010, o qual prestigiou o regime de competência para a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente. Art.12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da Fl. 124DF CARF MF 4 União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. §1o O imposto será retido, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito, e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. [...] Apesar de entrar em vigor no dia 28.07.2010, o § 7º do art. 12 A supra, facultou o regime de competência aos RRA recebidos entre 1º de janeiro de 2010 e 27.07.2010, desde que informados na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do ano calendário de 2010. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação desta Medida Provisória, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Como os rendimentos do caso em tela foram recebidos em abril e maio/2010, antes portanto da vigência da MP 497, e não se enquadram na hipótese do § 7º, pois não foram declarados na DAA/2010, o objeto da lide estava, à época, sob a égide do art. 12 da Lei 7.713/88 que ordenava o regime de caixa para a tributação dos rendimentos acumulados. O lançamento foi lavrado em 23/09/2013 (fl. 25) e cientificado à contribuinte no dia 04/10/2013. Dessa forma, à época da lavratura, o cálculo foi corretamente feito pelo regime de caixa, haja vista que os fatos geradores pertenciam ao período de vigência do art. 12. Contudo, em 23.10.2014, no julgamento do Recurso Extraordinário 614.406/RS, sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543B, CPC), o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/881, com a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. No referido julgamento, o STF entendeu que a aplicação do art. 12 afronta aos princípios da isonomia, capacidade contributiva e proporcionalidade2. Essa decisão transitou em julgado em 09/12/2014. 1 Nota PGFN/CRJ/Nº 981/2015 2 Trecho do voto da Min. Cármen Lúcia Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13819.721562/201421 Acórdão n.º 2002000.178 S2C0T2 Fl. 124 5 De acordo com o art. 19, IV, § 4º e 7º da Lei 10.522/2002: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) [...] IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) [...] § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. Assim, após a manifestação da PGFN, a Receita Federal não deverá mais constituir créditos tributários de RRA sob o regime de caixa e aqueles créditos já constituídos deverão ser revistos de ofício. Segundo o art. 3º, caput e §§ 1º e 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014: De um lado, os que receberam em dia as verbas devidas que, a depender da renda, seriam isentos ou pagariam menos imposto. De outro, os que receberam em atraso a renda e, pelo montante, deverão pagar mais imposto, calculado sobre o total recebido. É dizer, os contribuintes que receberem valores acumulados serão duplamente atingidos: pela mora suportada até a efetiva concessão do benefício devido e, ainda, pela majoração da alíquota incidente sobre a renda recebida em atraso (acumulada). Relevese o argumento do Ministro Dias Toffoli ao asseverar, em seu voto, relembrando sua atuação como AdvogadoGeral da União, que a motivação do Governo Federal para editar a medida provisória relativa ao art. 12A da Lei n. 7.713/1988 decorreu, exatamente, do reconhecimento da ilegalidade da cobrança do imposto de renda, ainda que de pessoa física, pelo regime de caixa, pelo que se institui o regime de competência para sua incidência. [...] À luz dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva tanto significa dizer que a incidência do imposto de renda deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na data em que essa verba deveria ter sido paga (disponibilidade jurídica, como advertido pelo Ministro Marco Aurélio), observada a renda auferida mês a mês pelo segurado. Disso resulta não ser razoável, tampouco proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo legal, como se dá na espécie examinada. Fl. 126DF CARF MF 6 Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543B e 543C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. [...] § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. A manifestação da PGFN se deu por meio da Nota PGFN/CRJ/Nº 981/2015 onde foi delimitada as situações abrangidas pela decisão, estando a Receita Federal vinculada ao entendimento do STF a partir de 04.11.2015, data de sua ciência. Assim, após 04.11.2015, a Receita Federal não deverá mais constituir créditos tributários de RRA sob o regime de caixa e aqueles créditos já constituídos, como o do caso em tela, deverão ser revistos. As decisões definitivas de mérito proferidas na sistemática de julgamento dos recursos repetitivos prevista no CPC são de observância obrigatória também para o CARF. É o que preceitua o art. 62, § 2º do RICARF3: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Diante disso, deverá ser afastada nos julgamentos do CARF a aplicação do art. 12 da Lei 7.713/88, prestigiandose o regime 3 Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015) Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13819.721562/201421 Acórdão n.º 2002000.178 S2C0T2 Fl. 125 7 de competência para apuração do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente. Assim, no ano calendário de 2012 a que se refere o auto de infração, já estava disponível no programa da Receita Federal de Declaração de Ajuste Anual (DAA) a aba "Rendimentos Recebidos Acumuladamente" com as opções "exclusiva na fonte", respeitando o teor do artigo 12A da Lei nº 7.713/88, ou "ajuste anual", possibilitando abatimento das deduções legais do montante de imposto devido. Como mencionado anteriormente, a opção escolhida pelo contribuinte na DAA é irretratável, não sendo possível sua retificação no curso do processo administrativo fiscal, prevalecendo, deste modo, a decisão da DRJ: Constatase, portanto, que os rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente após 28 de julho de 2010, relativos a anoscalendário anteriores ao do recebimento, devem ser tributados exclusivamente na fonte, na forma determinada pelo art. 12 A da Lei nº 7.713/1988 e disciplinada pela Receita Federal do Brasil, a menos que o contribuinte faça a opção por integrar esses rendimentos à base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual do anocalendário do recebimento. A determinação legal deixa claro que, uma vez feita a opção pela forma de tributação, ela se torna definitiva, não podendo o contribuinte alterar essa opção, a não ser nas situações e nos prazos ali previstos. No presente caso, o impugnante, embora tenha declarado somente parte do valor como remuneração no campo "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas", decorrentes da ação judicial, exerceu sua opção de tributar os rendimentos acumulados no ajuste anual. No entanto, examinandose o procedimento fiscal, verificase que a fiscalização incorreu em erro ao quantificar o valor tributável. Conforme pesquisa aos arquivos da RFB, o contribuinte omitiu a quantia de R$ 41.005,02, a título de Rendimento decorrente de decisão da Justiça Estadual. No documento acostado às fls. 20 (prestação e contas), emitido por MAIA SOCIEDADE DE ADVOGADOS, consta que foram deduzidos, a título de honorários advocatícios a quantia de R$ 8.718,47. À vista do exposto, mister deduzir o aludido dispêndio do rendimento auferido, para fins de apuração do quantum tributável. Remanesce, pois, a quantia de R$ 32.286,55 a ser adicionada aos rendimentos da DAA do anocalendário de 2012. Fl. 128DF CARF MF 8 Importa ressaltar que o valor do INSS, no importe de R$ 1.142,31, já foi considerada como dedução na Notificação de Lançamento em exame A DRJ ainda teve o cuidado de corrigir, como visto no excerto acima colacionado, o quantum a ser oferecido a tributação, abatendo da base de cálculo os valores a título de honorários advocatícios. Alega que há jurisprudência do STJ que afasta a incidência do Imposto de Renda sobre juros moratórios, posto que de possuem natureza indenizatória, porém, tais votos não vinculam este CARF. Em relação a multa de ofício, esta incide pelo descumprimento da obrigação principal de não pagamento do tributo a tempo e a modo, sendo que sua aplicação independe de conduta dolosa do sujeito passivo, conforme previsão do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Neste termos, adoto a planilha elaborada pela DRJ para consolidação do crédito tributário devido pelo contribuinte. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13819.721562/201421 Acórdão n.º 2002000.178 S2C0T2 Fl. 126 9 Diante do exposto, conheço do presente Recurso, para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 130DF CARF MF 10 Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 16692.720027/2016-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2014 a 01/10/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO EM RAZÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS NO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação de estimativas não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo.
A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito.
IRRF. OPERAÇÕES DE DAY TRADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Ao delimitar a possibilidade de pedido de restituição do pagamento de IRRF nas operações de Day Trade a IN RFB nº 1022/2010 o fez para pessoas físicas ou pessoas jurídicas indicadas no inc. II do § 12 (isenta ou optante do SIMPLES), que não é o caso da Recorrente.
Para as demais pessoas jurídicas optantes do lucro real, presumido ou arbitrado, o IRRF incidente nas operações de Day Trade podem ser deduzidos do devido em cada período de apuração. Em outras palavras, o referido imposto integra a apuração e, portanto, também pode integrar o saldo negativo do IRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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INDEFERIMENTO EM RAZÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS NO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação de estimativas não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito. IRRF. OPERAÇÕES DE DAY TRADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Ao delimitar a possibilidade de pedido de restituição do pagamento de IRRF nas operações de Day Trade a IN RFB nº 1022/2010 o fez para pessoas físicas ou pessoas jurídicas indicadas no inc. II do § 12 (isenta ou optante do SIMPLES), que não é o caso da Recorrente. Para as demais pessoas jurídicas optantes do lucro real, presumido ou arbitrado, o IRRF incidente nas operações de Day Trade podem ser deduzidos do devido em cada período de apuração. Em outras palavras, o referido imposto integra a apuração e, portanto, também pode integrar o saldo negativo do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 2. 72 00 27 /2 01 6- 87 Fl. 749DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (SP), que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte contra o Despacho Decisório de fl. 41 que não reconheceu a totalidade do crédito indicado no PER/DCOMP nº 05660.61674.161214.1.2.027870, transmitido com o objetivo de solicitar a restituição do montante de R$ 90.215.981,84, correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado no período de 01/01/2014 a 01/10/2014. Segundo informações constantes nos autos, o PER/DCOMP acima descrito, “foi analisado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo que emitiu o Despacho Decisório em comento, pelo qual foi confirmado o saldo negativo de IRPJ disponível para restituição no montante de R$ 1.953.184,37”. Segundo o demonstrativo elaborado pelo AFRFB responsável pela análise do crédito (fls. 42 e 43), a redução do crédito, decorre: 1. R$ 403.100,36 não confirmação em DIRF de parcelas do IRRF incidente sobre a receita auferida a titulo de: prestação de serviços (1708 e 8045) e financeira (3426 renda fixa; 5557 renda variável e 8468 day trade). Fl. 750DF CARF MF Processo nº 16692.720027/201687 Acórdão n.º 1401002.655 S1C4T1 Fl. 750 3 2. R$ 21.465.000,20 não confirmação de parcelas do IRPJ devido por estimativa no mês de outubro de 2014, objeto de Declaração de Compensação não analisada. As informações do demonstrativo do crédito não confirmado foram detalhadas às fls.43 dos autos. Ciente da autuação em 04/02/2016, o interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE em 04/03/2016 (fls. 49/62), na qual alegou: 1. DA IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DO SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR ESTIMATIVAS PENDENTES DE DECISÃO FINAL: Diz que parte dos créditos que compuseram a formação do saldo negativo ainda aguarda análise e julgamento de Manifestação de Inconformidade pela Delegacia da Receita Federal ou ainda está pendente de análise do respectivo PER e a impossibilidade de seu indeferimento decorre de litispendência com o processo administrativo do crédito tributário utilizado para compensação das estimativas, ou mesmo, com o Pedido de Ressarcimento ainda sem despacho decisório “. 2. Informa nos autos, a existência de diversos processos administrativos, afirmando que “aguardam o julgamento de Manifestação de Inconformidade pela Delegacia Regional de Julgamento da Receita Federal, apresentada após recebimento de despacho decisório que indeferiu o respectivo crédito ou o deferiu apenas parcialmente. Além disto, existem PER/DCOMP's que nem mesmo foram analisados com emissão do respectivo despacho decisório. A Recorrente comprova o ora alegado pela juntada das respectivas Manifestações de Inconformidade, acompanhadas dos extratos dos Processos, emitidos pelo endereço eletrônico da Receita Federal e pela consulta dos Per/DCOMP's dos casos nos quais ainda não foram proferidos despachos, efetuada pelo mesmo endereço”. (...) “Ora, é necessário ressaltar que as compensações que compuseram as estimativas foram devidamente registradas por meio de DCOMP's. A transmissão de DCOMP é instrumento de confissão de dívida que, por si só, já é suficiente para efetuar o lançamento do crédito tributário”. 3. Diz que “até que exista decisão que analise definitivamente a validade dos créditos tributários que compuseram as estimativas do ano de 2014, mais especificamente, as antecipações referentes às competências de Janeiro/2014, Abril/2014 e Agosto/2014, não há o que se falar em indeferimento do saldo negativo, pois tal decisão está vinculada à validação daquela parcela do crédito, que ainda está em discussão em sede administrativa (aguarda julgamento de Manifestação de Inconformidade ou mesmo aguarda análise do pedido, conforme extrato do protocolo da referida manifestação e extratos de processamento do PER)”. Fl. 751DF CARF MF 4 4. Afirma que “mesmo que se mantenha a glosa do crédito utilizado na compensação das estimativas de Janeiro/2014, Abril/2014 e Agosto/2014, após julgamento e diligência fiscal, tal valor compensado por DCOMP será cobrado no respectivo Processo Administrativo”. 5. Nesse sentido, “não cabe glosa de saldo negativo cujas estimativas foram compensadas, pois a confissão de dívida constituída através de DCOMP é suficiente para garantir o pagamento seja pelo reconhecimento do crédito glosado ou pelo pagamento direto no caso de não reconhecimento”. 6. Aduz que “não cabe glosa do saldo negativo de IRPJ apurado pela Recorrente durante o ano de 2014, pois o mesmo será reconhecido após o julgamento da manifestação de inconformidade ou será objeto de execução fiscal ou futuro pagamento”. E que esse entendimento já foi pacificado pelo CARF Conselho Administrativo de Recurso Fiscais: "Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em DCOMP, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ." Número do Processo: 13656.900223/201096. Data de Publicação: 29/05/2014. "Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em DCOMP e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ." Número do Processo: 10882.902387/201096. Data de Publicação: 15/05/2014. 7. E que no mesmo sentido, já houve a manifestação da Receita Federal, por meio da Solução de Consulta Interna n° 18, de 13 de Outubro de 2006: "Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em DCOMP, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” 8. DA IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DO SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E DEVIDAMENTE COMPROVADO: Com relação ao ponto ora em análise, “a Recorrente informa que todos os valores de Imposto de Renda Retido na Fonte encontramse devidamente comprovados pelos respectivos Informes de Rendimento do valor total retido e informado, conforme documentação que anexa”. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 16692.720027/201687 Acórdão n.º 1401002.655 S1C4T1 Fl. 751 5 9. Requereu “o recebimento e provimento da presente Manifestação de Inconformidade, com vistas à reforma do despacho decisório, levando ao reconhecimento integral o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2015 (ano calendário de 2014), no montante total de R$ 90.215.981,84 (noventa milhões, duzentos e quinze mil, novecentos e oitenta e um reais e oitenta e quatro centavos), devidamente atualizado até a data do efetivo aproveitamento”; 10. Subsidiariamente, “a suspensão deste processo até que haja a decisão final dos processos administrativos dos créditos ou Pedidos de Ressarcimento pendentes de análise”. O Acórdão ora Recorrido (1679.350 5ª Turma da DRJ/SPO) recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Período de apuração: 01/01/2014 a 01/10/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVA COMPENSADA. O saldo negativo de IRPJ/CSLL decorrente de estimativa objeto de Declaração de Compensação não homologada, não goza dos atributos de liquidez e certeza, e por conseguinte não pode ser admitido na formação do saldo negativo passível de restituição. IRRF Reconhecese o direito de utilização do credito relativo ao IRRF incidente sobre rendimentos oferecidos à tributação em apuração anual e comprovado por informes de rendimentos ou constante dos sistemas de informação da Administração Tributária. O IRRF incidente em operações de daytrade não compõe as parcelas de formação do saldo negativo de IRPJ. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Isto porque, segundo entendimento da Turma, “o fato de a compensação declarada constituir confissão de divida, não confere liquidez ao crédito em comento. Isso porque, o regime de estimativa, na verdade, constituise em mera antecipação de tributo eventualmente devido quando da apuração de sua efetiva base imponível, sob forma de lucro real. Assim, se a falta ou insuficiência de pagamento for constatada no curso do anocalendário e os valores não tiverem sido incluídos na DCTF do período correspondente como saldo a pagar, é cabível em procedimento de ofício o lançamento do tributo acrescido de multa de ofício (art. 97, parágrafo único da Lei 8.981/1995)”. (...) “Devido ao conflito existente entre as normas que regulam a exigência e cobrança do IRPJ / CSLL devido por estimativa e o entendimento exposto pela COSIT na SCI nº 18 de 13/10/2006 de que, "na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em D.comp, e, por Fl. 753DF CARF MF 6 conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ", a própria COSIT por meio da Nota nº 31 de 20/11/2013, consultou a PGFN acerca do procedimento de cobrança da estimativa compensada”. Segundo a turma, o entendimento da PGFN “deixa claro que a exigência do imposto ou contribuição devido por estimativa, objeto de compensação não homologada, esta restrita à parcela utilizada na extinção do IRPJ / CSLL devido no final do ano calendário. Em outras palavras a parcela que compõe o saldo negativo consolidado no encerramento do período de apuração não goza dos atributos de liquidez e certeza. O entendimento de que crédito oriundo de saldo negativo formado por estimativas compensadas pode ser validado para fins de Declaração de Compensação, decorre do fato de que a sua não homologação implica na possibilidade de que o valor do débito que permaneceu em aberto seja exigido em dobro, a saber: (i) no PER/DCOMP em que o débito do IRPJ/CSLL devido por estimativa foi compensado; e, (ii) na exigência da compensação não homologada no PER/DCOMP vinculado ao saldo negativo pertinente à estimativa não confirmada”. Quanto ao IRRF não confirmado, observouse “que o valor comprovado por meio dos informes de rendimentos em comento totaliza o montante de R$ 2.878.125,77, ao passo que o valor indicado no PER/DCOMP totaliza R$ 3.562.785,84. Não foi apresentado o comprovante de retenção correspondente à fonte pagadora 00.000.000/000191 (Banco do Brasil) cód 5567 no valor de R$ 684.547,95”. Assim, a turma julgadora entendeu que em “relação ao IRRF cód. 5557, o saldo não utilizado na forma dos incisos I e II do § 8º deve seguir a regra dos artigos 272 e 837 do RIR/1999. No caso, observase no detalhamento do IRRF confirmado que a receita financeira oferecida à tributação na ficha 06A, item 20 (R$ 170.226.356,56), não comporta o IRRF compensado. Destarte o IRRF cód 5557 admitido na formação do saldo negativo de IRPJ fica limitado à R$ 8.511,32 (0,005% da receita tributada)”. No tocante ao cód. 8468 (IRRF em operações de Day Trade), o IRRF não utilizado na forma do § 8º, incisos I e II, deve ser objeto de pedido de restituição apartado do saldo negativo. Assim, para o período de apuração 01/01/2014 a 01/10/2014, o saldo negativo do IRPJ ficou confirmado da seguinte forma: Concluiuse pela procedência em parte da Manifestação de Inconformidade apresentada para “revisar o saldo negativo de IRPJ do período de apuração 01/01/2014 a 01/10/2014 de R$ 1.953.184,37 para R$ 2.754.634,37, reconhecendo a disponibilidade da diferença de crédito de R$ 801.450,00 para fins de restituição”. Fl. 754DF CARF MF Processo nº 16692.720027/201687 Acórdão n.º 1401002.655 S1C4T1 Fl. 752 7 Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 18/09/2017 (fls. 652/666), alegando seguintes as razões: 1. DO PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS MEDIANTE COMPENSAÇÃO: Diz que “a Recorrente efetuou pagamentos do IRPJ/CSLL por estimativa, mediante declarações de compensação. No entanto, o despacho decisório indeferiu parte da restituição requerida com o argumento de que certas DCOMPs ainda se encontram pendentes de análise pela Receita Federal”. 2. “Esse é um dos motivos pelo qual se atribui à compensação realizada a condição resolutória (§ 2º do art. 74, Lei nº 9.430/96), que nada mais é, do que a extinção imediata do crédito tributário confessado e compensado, até que haja a sua homologação expressa ou tácita, isto é, a compensação realizada, a quitação do valor confessado, é imediata, não podendo ser objeto de alegação por parte do Fisco de falta de pagamento ou ausência de liquidez e certeza, enquanto não homologada a D.Comp”. 3. Afirma que “o artigo 17 da Lei nº 10.833/2003 assevera que “a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.””. E que, a DCTF é meio hábil para a constituição do crédito tributário, conforme reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça”. 4. Diz que “O texto é claro no sentido de prever que a compensação é forma de extinção do crédito tributário, como aliás, não poderia deixar de ser, em face do texto do artigo 156, II do CTN. 5. Dessa forma, assim como ocorre no caso de pagamento antecipado dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a compensação validamente realizada extingue o crédito tributário para todos os fins, a despeito de o fisco poder desconsiderala no futuro”. (...) Isso ocorre porque, “nos termos do § 2º, do art. 74 da Lei n° 9.430/96, a compensação se equipara ao pagamento, sob condição resolutória de ulterior homologação, ou seja, a quitação é imediata e o Fisco dispõe do prazo de cinco anos, contados da entrega da declaração, para manifestarse sobre a compensação”. 6. E que, “uma vez quitadas às estimativas em decorrência de procedimentos compensatórios, não há outra solução senão o cômputo para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ/CSLL, sem prejuízo de cobrança com acréscimos legais do crédito pleiteado no PER/DCOMP, na hipótese de ausência de homologação”. 7. Quanto ao IRRF das operações de Day Trade aduz que "De acordo com o Acórdão (pág. 15), o código de receita 8468 não integra o rol de retenções passíveis de compensação na DIPJ e deveria ser objeto Fl. 755DF CARF MF 8 de pedido de restituição apartado do saldo negativo, nos termos no §9º do artigo 54 da IN 1022/2010. Entretanto, essa regra é válida apenas para pessoa física ou jurídica isenta e optante pelo Simples, conforme descrito no § 12 do artigo 54 da IN 1022/2010." 8. Por fim, aduz que “em caso de não homologação da compensação declarada caberá ao contribuinte a apresentação de manifestação de inconformidade perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal, permanecendo o crédito tributário suspenso até o trânsito em julgado do processo administrativo, pelo que no seu final a confirmação ou não da decisão, pelo CARF, implicará em: (i) Procedência do recurso do contribuinte, com a confirmação do seu direito creditório; ou (ii) Improcedência do recurso do contribuinte, que assim terá que quitar o crédito tributário, com todos os acréscimos dos encargos pertinentes”. 9. Requereu o julgamento procedente do presente recurso, para reconhecer na sua totalidade o direito creditório da Recorrente. Às fls. 688/689 dos autos PETIÇÃO DO CONTRIBUINTE – “Oposição à compensação de ofício”. Tendo em vista a suspensão de exigibilidade, requereu o ressarcimento integral do valor reconhecido no processo administrativo em comento. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Inicialmente cumpre asseverar que, quanto à glosa parcial relativa ao IRRF mantida pela DRJ, o Recorrente apenas se insurge quanto à relativa ao IRRF de código 8468 (operações de Day Trade). Restando definitiva a decisão quanto às demais glosas. Quanto a este ponto, cumpre reiterar o alegado pelo Recorrente: "De acordo com o Acórdão (pág. 15), o código de receita 8468 não integra o rol de retenções passíveis de compensação na DIPJ e deveria ser objeto de pedido de restituição apartado do saldo negativo, nos termos no §9º do artigo 54 da IN 1022/2010. Entretanto, essa regra é válida apenas para pessoa física ou jurídica isenta e optante pelo Simples, conforme descrito no § 12 do artigo 54 da IN 1022/2010." Entendo assistir razão ao Recorrente, senão vejamos o tratamento tributário dispensado ao IRRF incidente sobre os ganhos em operações em bolsa e Day Trade nos termos do art. 54 da IN RFB nº 1022/2010 (vigente à época), que assim dispõe: Fl. 756DF CARF MF Processo nº 16692.720027/201687 Acórdão n.º 1401002.655 S1C4T1 Fl. 753 9 Art. 54. Os rendimentos auferidos em operações de daytrade realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 1% (um por cento). (...) § 7º O imposto sobre a renda retido na forma deste artigo deverá ser recolhido ao Tesouro Nacional até o 3º(terceiro) dia útil subsequente ao decêndio da data da retenção, utilizandose o código de receita 8468. § 8º O valor do imposto retido na fonte sobre operações de day trade poderá ser: I deduzido do imposto incidente sobre ganhos líquidos apurados no mês; II compensado com o imposto incidente sobre ganhos líquidos apurados nos meses subsequentes, se, após a dedução de que trata o inciso I, houver saldo de imposto retido. § 9º Se, ao término de cada anocalendário, houver saldo de imposto retido na fonte a compensar, fica facultado à pessoa física ou às pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 12, solicitar restituição nos termos previstos na legislação de regência. Ocorre que a DRJ ao analisar a questão se limitou a interpretar o referido art. 54 sem levar em consideração o que dispõe o § 12º que assim dispõe: § 12. Sem prejuízo do disposto no § 8º, o imposto sobre a renda retido na fonte em operações de daytrade será: I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data de extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; II definitivo, no caso de pessoa física e de pessoa jurídica isenta ou optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). Assim é que, ao delimitar a possibilidade de pedido de restituição do pagamento de IRRF nas operações de Day Trade a IN o fez para pessoas físicas ou pessoas Fl. 757DF CARF MF 10 jurídicas indicadas no inc. II do § 12 (isenta ou optante do SIMPLES), que não é o caso da Recorrente. Por sua vez, para as demais pessoas jurídicas optantes do lucro real, presumido ou arbitrado, o IRRF incidente nas operações de Day Trade podem ser deduzidos do devido em cada período de apuração. Em outras palavras, o referido imposto integra a apuração e, portanto, também pode integrar o saldo negativo do IRPJ. Desta feita, dou provimento ao recurso do contribuinte para considerar na apuração do saldo negativo de IRPJ os valores relativos ao IRRF no Código 8468. No mais, o cerne da discussão está no indeferimento do pedido de restituição de saldo negativo pleiteado pelo Recorrente, o qual, na sua apuração, levou em consideração a quitação do pagamento das estimativas por meio de compensações com outros créditos. Tendo em vista que parte das compensações não foram homologadas ou ainda não apreciadas, a DRJ manteve o entendimento de que não deveria ter sido reconhecida a integralidade do crédito pleiteado. Da análise dos autos entendo assistir razão ao Recorrente. Em relação às estimativas compensadas em outros processos, estas deverão ser consideradas no limite dos valores que tiveram a compensação requerida vez que, estando os débitos controlados no processo, conforme pudemos comprovar, mesmo que a compensação ao final não seja integralmente homologada, a empresa será cobrada e executada do saldo de débitos não compensados. Indeferir a restituição do saldo negativo apurado com levando em consideração as referidas compensações e, ao mesmo tempo, exigir do contribuinte nos referidos processos de cobrança as estimativas não pagas (em razão do indeferimento da compensação), tem como conseqüência exigir do contribuinte o mesmo crédito duas vezes. E caso sobrevenha decisão definitiva desfavorável ao contribuinte, ainda assim o débito de estimativa será objeto de cobrança em procedimento específico e poderá ser normalmente executado, não impedindo sua inclusão para efeitos de saldo negativo. A negativa do cômputo das estimativas no saldo negativo apurado no ano causaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois ao mesmo tempo em que o fisco exige o seu pagamento nos autos dos processos de compensação, também ora impede a sua utilização. Este entendimento decorre do fato de a Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte constituir em confissão de débitos, na forma das normas do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Assim, mesmo não homologada a compensação do débito da estimativa que compôs o crédito do processo, aquele débito será objeto de cobrança administrativa e/ou judicial. Por esta razão, impedir a utilização da estimativa em processo subsequente enquanto é mantida a cobrança do débito não compensado no processo anterior implicaria em prejuízo duplo ao contribuinte. Primeiro porque seria obrigado a pagar a estimativa não compensada integralmente. Segundo porque veria este valor não compensado ser excluído da composição do crédito. Assim, para evitar prejuízos ao contribuinte, haja vista que a ação de cobrança da Fazenda Nacional quanto à estimativa não compensada é perfeitamente legal, há de se admitir a utilização dos débitos de estimativa compensados em Declaração de Compensação, mesmo que a compensação não tenha sido homologada, posto que o pressuposto é que os débitos Fl. 758DF CARF MF Processo nº 16692.720027/201687 Acórdão n.º 1401002.655 S1C4T1 Fl. 754 11 deverão ser cobrados posteriormente, de modo a evitar prejuízos ao particular e encerrar a análise dos processos de compensação posteriores que, de outra forma, permaneceriam pendentes até a conclusão de todos os procedimentos de cobrança. Desta forma, sendo obrigatoriamente pagos os débitos naquele processo, as estimativas nele controladas devem ser consideradas para fins de composição dos créditos neste processo. Os demais valores de retenção na fonte e de pagamentos foram obtidos diretamente do já aceito pela decisão da Delegacia de Origem. Outrossim, também entendo que é isso o que determina a interpretação do (§ 2º do art. 74, Lei nº 9.430/96, em que, seguindo o que dispõe do CTN, atribui à compensação os efeitos de extinção do crédito sob condição resolutória, o que nada mais é, do que a extinção imediata do crédito tributário confessado e compensado, até que haja a sua homologação expressa ou tácita, isto é, a compensação realizada, a quitação do valor confessado. Caso a compensação não seja homologada, total ou parcialmente, caberá ao Fisco o direito de execução imediata do valor devidamente confessado. Se assim não fosse, em casos como o da Recorrente, em que estimativas foram compensadas, a apuração de eventual saldo negativo sempre restaria prejudicada, até que o pedido de compensação fosse efetivamente analisado. Certamente não foi essa a intenção do legislador ao estabelecer o procedimento para realização de compensação de débitos tributários federais, visando dar agilidade mas, ao mesmo tempo, garantindo ao Fisco a segurança de que caso a compensação não fosse homologada restaria assegurado o seu direito à cobrança. Outrossim, como demonstrado no relatório, através de tabela extraída do Acórdão Recorrido, todos os pedidos de compensação ainda não confirmados encontramse devidamente controlados pelos seus respectivos processos administrativos. Além da decisão já citada do nobre colega desta TO, o CARF, aliás, vem se posicionando sobre a necessidade de inclusão de estimativa compensada, ainda que esta não tenha sido homologada, no cálculo do saldo negativo, justamente para evitar a dupla cobrança do mesmo crédito tributário. Vejase, a título exemplificativo, as ementas dos julgados abaixo: “COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro Fl. 759DF CARF MF 12 débito com a mesma origem”. (Acórdão 1201001.054 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Relator Luis Fabiano Alves Penteado, Sessão de 30/07/2014). “DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITOS COM CRÉDITOS DE PERÍODOS ANTERIORES. DUPLA COBRANÇA. A compensação regularmente declarada extingue o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive a composição do saldo negativo. Glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário. Mesmo que haja decisão administrativa não homologando a compensação de um débito de estimativa essa parcela deverá ser considerada para fins de composição do saldo negativo”. (Acórdão nº 1803002.353 – 3ª Turma Especial, Relator Arthur Jose Andre Neto, Sessão de 23/09/2014). Em julgado mais recente, a CSRF adotou semelhante posição, conforme atesta o julgado abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:2004 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). (Acórdão n. 9101002.489. Dj 06/12/2016). Assim, face ao exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário para que as estimativas compensadas e os valores relativos ao IRRF no Código 8468 sejam considerados na apuração do saldo negativo de IRPJ a restituir. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 760DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660316/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.720
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 16 /2 01 2- 92 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660316/201292 Acórdão n.º 3401004.720 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660316/201292 Acórdão n.º 3401004.720 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660316/201292 Acórdão n.º 3401004.720 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660316/201292 Acórdão n.º 3401004.720 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660316/201292 Acórdão n.º 3401004.720 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660316/201292 Acórdão n.º 3401004.720 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940283/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 28 3/ 20 11 -5 2 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.940283/201152 Resolução nº 3301000.665 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.940283/201152 Resolução nº 3301000.665 S3C3T1 Fl. 4 3 No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.940283/201152 Resolução nº 3301000.665 S3C3T1 Fl. 5 4 Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.902302/2015-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%.
O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior.
Numero da decisão: 1201-002.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 23 02 /2 01 5- 19 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13005.902302/201519 Acórdão n.º 1201002.186 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo gerado para tratamento manual, a partir de Representação do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil na qual relata que fora apresentada pelo Contribuinte pedido indevido de restituição de CSLL. Como conseqüência, foi emitido Despacho Decisório com o seguinte teor: 20. Logo, o pedido de restituição há que ser indeferido por inexistência de pagamento indevido de CSLL para o 4º trimestre/2012, eis que o contribuinte não se sujeita ao percentual favorecido incidente sobre a receita bruta de 12% para apuração da base de cálculo da CSLL por não atender as normas da Anvisa em vista de não apresentar alvará sanitário vigente no período de apuração em seu nome e endereço cadastral. [...] 22. No uso da competência delegada pelo artigo 2°, inciso IV, da Portaria DRF/SCS nº 17, de 10 de abril de 2014, e da competência atribuída pelos artigos 241, inciso I, 302, inciso VI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, na forma da fundamentação, DECIDO: (I) NÃO RECONHECER o direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública da União a título de pagamento indevido de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL relativo ao 4º trimestre de 2012, para INDEFERIR o pedido eletrônico de restituição 01670.67002.030915.1.2.044098. O contribuinte foi cientificado do referido despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, contrapondose contra o Despacho Decisório DRF/SCS/Saort com base nos fundamentos a seguir sintetizados. A Manifestante é uma sociedade de responsabilidade limitada, segundo se vê no seu Contrato Social (doc. 01), estabelecida junto ao Hospital Santa Cruz, com o objetivo social de prestação de “serviços de análises clínicas”. Isto é, a Manifestante nasceu para prestar serviços de análises clínicas junto ao órgão hospitalar. Desde a sua constituição está em exercício regular de sua atividade e está adequada às regras da vigilância sanitária. Desta forma, entende ter havido grave equívoco por parte da Autoridade Fiscalizadora, e pede a desconstituição do Despacho Decisório da DRF/SCS/Saort. Do Enquadramento da Manifestante como atividade de prestação de serviço hospitalar. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13005.902302/201519 Acórdão n.º 1201002.186 S1C2T1 Fl. 4 3 Alega a manifestante que a própria Receita Federal em seu Despacho Decisório reconheceu o seu enquadramento exerce atividade de prestação de serviço hospitalar. Quanto ao requisito de enquadramento da atividade exercida não carece de maiores digressões em vista da literal disposição legislativa. Quanto ao requisito de estar constituída sob a forma de sociedade empresária, analisandose o contrato social e alterações, vêse que o contribuinte consta como sociedade empresária desde a sua constituição. Assim, resta claro que atende os preceitos normativos para exercer atividade de prestação de serviço hospitalar, reconhecida pela própria Receita Federal em sua análise. Da Regularidade da Manifestante. Preocupada com a situação, mesmo que tenha cumprido com a solicitação da Receita Federal de apresentar seu Contrato Social e a sua Regularidade de funcionamento, a Manifestante procurou a Prefeitura local e requereu a expedição do Alvará de Saúde, que atestasse não só sua regularidade no atendimento às normas de saúde, mas também a aptidão para exercer sua atividade. Em virtude de o alvará ter sido expedido após o término do prazo do requerimento da Receita Federal, não foi possível anexálo naquele momento. Entende que foi equivocado o posicionamento da fiscalização. A Lei Federal nº 9.249/95, em seu art. 20 estabelece que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral, sob o regime do Lucro Presumido, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). Contudo, o artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a" (redação alterada pela Lei 11.727/08), previu uma exceção ao percentual de 32% exatamente para os serviços hospitalares, caso da Manifestante, em que a base da CSLL será de 12%, desde que seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. Vejase, a parte final da redação da alínea ‘a’, estabelece como requisito para que os contribuintes sejam tributados pela CSLL sobre a base de 12% da receita bruta desde que atendam às normas da Vigilância Sanitária. O dispositivo é claro, não estabelece como critério, que para os contribuintes terem o direito ao beneficio de serem tributados pela CSLL sobre a base de 12% da receita bruta, somente com a apresentação do “alvará de saúde”, mas sim que atendam às suas normas. E nesse sentido, assim que requerido pela Receita Federal, a Manifestante imediatamente apresentou sua regularidade de funcionamento. Aliás, nesse aspecto não foi apontada nenhuma irregularidade por parte da Receita Federal. Se a Manifestante não estivesse cumprindo com as normas de saúde, não lhe seria expedido o alvará de regularidade de funcionamento. Ainda, para dirimir qualquer dúvida de que efetivamente estava regular perante a vigilância sanitária, foilhe expedido o Alvará de Saúde atestando o cumprimento das normas por parte da Manifestante desde sua constituição. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13005.902302/201519 Acórdão n.º 1201002.186 S1C2T1 Fl. 5 4 Ademais, seria impossível à Manifestante não atender as normas de saúde previstas na Legislação, isso porque, realiza suas atividades junto ao Hospital Santa Cruz, local periodicamente analisado, seja por meio de órgão federal, estadual ou municipal. Portanto, não é legítimo, por parte da Fiscalização, não reconhecer que a Manifestante atende às normas de saúde, uma vez que está em exercício regular de sua atividade, fato esse atestado por meio da Secretaria da Saúde, através da expedição do Alvará de saúde. Nesse sentido, os nossos Tribunais em diversos julgados, rechaçam as exigências da Fiscalização que vão além do preceituado pelo Legislador Ordinário. O que importa é que o serviço prestado seja de natureza hospitalar, pois foi apenas essa a circunstância imposta pela Lei. Foi esse o entendimento do STJ no REsp nº 1.116.399, julgado pelo rito do Recurso Repetitivo, ao julgar a aplicação da alíquota de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido aos contribuintes prestadores de Serviços Hospitalares, oportunidade na qual consignou que os regulamentos emanados da Receita Federal não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei para a obtenção do benefício. Decisão da DRJ A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 CSLL. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DE 12%. LUCRO PRESUMIDO. NECESSIDADE DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. 1. Para utilizaação da alíquota no percentual de 12%, para apuração da base de cálculo sobre o lucro presumido da CSLL, é necessário que a empresa que presta serviços hospitalares seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. 2. Como atendimento às normas da Anvisa deve ser entendido, dentre outros requisitos, que os serviços sejam prestados em ambientes desenvolvidos de acordo com a Resolução de Diretoria Colegiada Anvisa nº 50, de 2002, cuja comprovação deve ser feita mediante alvará expedido pelo órgão de vigilância sanitária competente." Recurso Voluntário Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratifica seu termos de defesa apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13005.902302/201519 Acórdão n.º 1201002.186 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.174, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.720774/2016 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou o direito creditório do contribuinte decorrente de pagamento indevido de IRPJ Lucro Presumido Código de Receita 2089, relativo a trimestres de apuração dos anoscalendário de 2011, 2012, 2013 e 2014. O presente processo referese à análise de direito creditório com origem em pagamento indevido de CSLL, relativo ao 4º trimestre/2012. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.174): "Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos previstos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito Em apertada síntese, o tema aqui tratado referese à possibilidade do Alvará da Vigilância Sanitária ou sua ausência definir a alíquota do IRPJ do Lucro Presumido a ser utilizada pelo contribuinte que presta serviços hospitalares, se de 8% ou 32%. A DRJ decidiu no sentido de que a ausência do citado alvará pressupõe que o contribuinte não atende as normas da ANVISA o que é um requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O entendimento da DRJ me parece razoável. Contudo, seus efeitos devem ser avaliados. Conforme mencionado no relatório, no julgamento do Resp. nº 1.081.441, a 2ª Turma do STJ definiu o que são “serviços hospitalares” para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, § 1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. RADIOLOGIA, ULTRASSONOGRAFIA E DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13005.902302/201519 Acórdão n.º 1201002.186 S1C2T1 Fl. 7 6 CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Precedente da Primeira Seção. 6. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se está diante de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de "serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte. 7. A redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13005.902302/201519 Acórdão n.º 1201002.186 S1C2T1 Fl. 8 7 8. Recurso especial provido em parte. Em apertada síntese, decidiram os ministros do STJ que os serviços hospitalares são aqueles relacionados ás atividades desenvolvidas pelos hospitais e que tenham por finalidade a promoção da saúde da população. Posteriormente, a RFB publicou a IN n.1.234/12 que assim define os serviços hospitalares: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos.” Mais adiante, já no ano de 2015, foi publicada a Instrução Normativa n. 1.540/15 que assim dispõe: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa” (NR) A Resolução RDC n. 50 da Anvisa, dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Na mencionada resolução é possível perceber que o item 3 trata do Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes da Parte II Programação FísicoFuncional dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde da Resolução RDC nº 50/12. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal. No caso em tela, além de evidenciar a ora Recorrente que, de fato, presta serviços hospitalares, trouxe também documento que julgo de extrema importância e que já fora analisado pela DRJ que é o Alvará de Saúde emitido pela Secretaria Municipal Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13005.902302/201519 Acórdão n.º 1201002.186 S1C2T1 Fl. 9 8 de Santa Cruz do Sul que comprova a regularidade de sua situação e por consequência o atendimento às normas da Anvisa: Contudo, a DRJ entendeu que não poderia acolher tal documento como elemento de prova, dado que foi emitido em 04/02/2016, posteriormente ao fato gerador em análise, ao passo que a Lei Estadual RS n° 6.503/1972 estabelece no §1º do art. 43 que o alvará a que se refere este artigo só terá validade durante o ano civil de sua concessão. É neste ponto que entendo que a Contribuinte perde seu argumento. Isso porque, ainda que defenda que do ponto de vista de essência já vinha prestando serviços hospitalares e que não o podia fazer se não estivesse regularizada, temos que do ponto de vista formal, a interpretação conjunta das normas acima mencionadas nos leva à conclusão de que a evidência de cumprimento das normas da Anvisa somente poderia ser feita por meio do respectivo alvará de vigilância sanitária e que o alvará apresentado é datado de 2016, produzindo efeitos, portanto, somente para este ano segundo a mencionada lei estadual. Aliás, o próprio alvará acima apresentado traz a previsão expressa de validade de 01 ano (válido até 03/02/17). Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13005.902302/201519 Acórdão n.º 1201002.186 S1C2T1 Fl. 10 9 Assim, entendo que para os anosbase não cobertos pelo alvará apresentado pelo Contribuinte, ora Recorrente, não há que se falar em alíquota presumida de 8% uma vez que não foram preenchidos os requisitos legais e formais para gozo de tal benefício, especificamente, o atendimento às normas da Anvisa cuja evidência restou falha em razão da ausência de alvará de vigilância sanitária para os anos ora em discussão. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 216DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.720237/2015-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUB-ROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR - INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF
Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97 não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV.
As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário no. 363.852/MG, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança.
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO.
Tratando-se de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a sub-rogação da contribuição ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no art. 30, IV, e 94, parágrafo único, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 6º da Lei 9.528, de 1997 e no Decreto 790, de 1993, art. 11, § 5º, a.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-005.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
(Assinado digitalmente)
Antônio Sávio Nastureles - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário no. 363.852/MG, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUBROGAÇÃO. Tratandose de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a subrogação da contribuição ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 02 37 /2 01 5- 92 Fl. 4369DF CARF MF 2 físicas tem amparo no art. 30, IV, e 94, parágrafo único, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 6º da Lei 9.528, de 1997 e no Decreto 790, de 1993, art. 11, § 5º, “a”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. (Assinado digitalmente) Antônio Sávio Nastureles Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Fl. 4370DF CARF MF Processo nº 13227.720237/201592 Acórdão n.º 2301005.266 S2C3T1 Fl. 4.370 3 Relatório Tratase Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra a empresa acima identificada, referentes à contribuição social correspondente à a comercialização da produção rural com subrogação. De acordo com o Relatório Fiscal o levantamento do lançamento é BO – BOVINO conforme DD – Discriminativo do Débito constante da folha 6/10 do processo e referese ao período de 01/2011 a 12/2012. Segundo o relatório fiscal a análise da comercialização da produção rural foi feita através das notas fiscais de entrada baixadas do sistema RECEITABX e de acordo com informações do contribuinte a nota da comercialização é gerada após o abate do bovino com o CFOP 1101. Informa ainda que a empresa possui ação judicial com antecipação tutela e que esta deixa claro que a inexistência da obrigação de o autor reter a contribuição social denominada Funrural de seus fornecedores, com base na receita bruta, proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, fornecedores de bovinos para abate. Após a impugnação, decisão de primeira instância julgou parcialmente procedente a autuação com a seguinte ementa: PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. São devidas as contribuições do empregador rural pessoa física, incidentes sobre a receita bruta da comercialização de sua produção. A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo cumprimento das obrigações do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001 e pelo recolhimento da contribuição para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.MULTA DE OFÍCIO Nos termos do art.63 da lei 9.430, não é cabível o lançamento da multa de ofício por se tratar de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União. FRETE. BASE CALCULO PRODUÇÃO RURAL. Fl. 4371DF CARF MF 4 Os valores pagos a título de frete não integram o valor comercial dos produtos rurais adquiridos PROFERIMENTO DE ACÓRDÃO REVISOR. Em caso de constatação de inexatidão material por lapso manifesto ou erros de escrita ou cálculo, deve ser proferido novo acórdão, anulandose o anterior. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a Decisão a empresa recorre a este conselho alegando em síntese: Sustenta que o fisco estaria atuando por prevenção de decadência do direito da fazenda Pública de cobrar possíveis valores na hipótese de não êxito do autuado quanto à ação judicial pendente de transito em julgado. Que a relatora do acórdão ora recorrido firmou o entendimento de que as jurisprudências pelas quais a recorrente se ateve para alegar a Inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da cobrança do FUNRURAL se baseavam na aplicação das Leis 8.540/92 e 9.528/97 mas que o presente Auto de Infração está fundamentado na Lei 10.256/2001 que não foi declarada Inconstitucional pelo STF. Aduz que antes da declaração de inconstitucionalidade da lei, sempre cumpria com o que determina o art. 1° da lei 8.540/92, que deu nova redação aos art. 1 2, inscrito no IV da Lei n° 8.212/91 com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, ou seja, retinha a contribuição social de 2,3% dos produtores rurais pessoa físicaempregadores rurais, e as repassava ao fisco regularmente. Afirma que tal entendimento encontrase equivocado tendo em vista o pronunciamento da Suprema Corte que confirmou através do RE 363.8531/MG que entendeu inconstitucional o recolhimento do FUNRURAL.; Entende que sua situação se encontra nos mesmos moldes da inconstitucionalidade declarada em relação a venda de produção rural de bovinos, pois, figura tão somente como substituto legal tributário, que adquire a produção do produtor rural, pessoa física; Defende que o sistema tributário nacional possui em sua natureza o Princípio da Rigidez, que impede que uma lei se convalide com posterior reorganização ou correção de alguns vícios, ou seja, que uma norma inconstitucional adquira constitucionalidade superveniente; Colaciona a seguinte decisão do TRF1, ao decidir pela não aplicação da Lei 10.256/2001 cumulativamente pela sua não convalidação pela EC 20/98: Fl. 4372DF CARF MF Processo nº 13227.720237/201592 Acórdão n.º 2301005.266 S2C3T1 Fl. 4.371 5 Que é certo que a decisão judicial que ampara o recorrente, advinda da ação ordinária tombada sob o n. 000522943.2010.4.01.4100, lhe foi favorável no tocante à não obrigação de reter a contribuição social denominada FUNRURAL de seus fornecedores. Notase que tratase de tutela vinculada diretamente ao substituto tributário. E neste prisma, considerando que o sujeito passivo da obrigação são os fornecedores, e estando o recorrente amparado na exoneração de atuação como substituto tributário, se mostra razoável o entendimento de que a autuação objeto do recurso não se ampara. Destaca que embora a sentença no processo 000522943.2010.4.01.4100 não tenha transitada em julgado, a declaração nela contida encontrase em perfeita eficácia, visto que não houve nenhuma ato judicial que tenha suspendido seus efeitos. E neste prisma é que se mostra a ausência de ilicitude do recorrente, e o equívoco do autuador, visto que há decisão judicial válida que confere a desobrigação de reter a contribuição objeto do art. 25 da Lei 8.212/90. Que direcionar o auto de infração ao substituto tributário que detém amparo judicial para não reter a contribuição se mostra irrazoável, visto que a autuação haveria de se direcionar ao sujeito passivo da obrigação, sendo que essa omissão corresponde a efetiva perda de eficácia do ato na medida que o devedor efetivamente não está sendo notificado. Colaciona Julgados do CARF para defender a ilegalidade da cobrança: Conclui que afirmando a simples alegação de que. o lançamento corresponde a prevenção de decadência, sem adentrar no mérito da defesa, não se mostra sequer razoável, havendo de se prestar a devida apreciação e conhecimento de mérito que o caso .requer, o qual, ante a aplicação da melhor interpretação do direito ao caso, há de se recepcionar a tese defensiva e acolher in totun o recurso. Pugna pelo acolhimento e provimento do recurso. É o relatório. Fl. 4373DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. O contribuinte insurgese contra a autuação aduzindo a inconstitucionalidade da cobrança de contribuições previdenciárias exigidas de adquirentes de produção rural da pessoa física declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Já a autoridade fiscalizadora entende que a decisão do STF abarca somente a aquisição de bovinos e no presente caso tratase de aquisição de bovinos está fundamentado na Lei 10.256/2001 que não foi declarada Inconstitucional pelo STF. Entendo que há razão ao contribuinte, pois, a decisão do STF quando do julgamento do RE n. 363.852/MG, foi no sentido de declarar da empresa adquirente, na condição de subrogado, inconstitucional a exigência das contribuições sociais sobre a aquisição da produção rural de pessoa física. Muito embora em março de 2017, o STF em julgamento do RE 718.874/RS ter julgado Constitucional a Lei 10.256/2001 com Repercussão Geral, devendo, portanto ser obedecida por este conselho, a lide passa pela delimitação do alcance do que ficou decidido pela Corte Máxima no bojo do RE n.º 363.852/MG, no qual discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador pessoa física, prevista no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 8.540/1992, e da subrogação do adquirente na obrigação de recolher o tributo devido, conforme art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4. e 8., 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal: Vejamos a referida decisão do STF: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitadta por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste Fl. 4374DF CARF MF Processo nº 13227.720237/201592 Acórdão n.º 2301005.266 S2C3T1 Fl. 4.372 7 julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Após essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Do Acórdão exarado pelo STF no citado RE, percebese que ele é explícito em declarar a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização dos produtores rurais pessoas física e, vai além, também afastando a possibilidade de se responsabilizar o adquirente na condição de subrogado. Eis as exatas palavras contidas na parte dispositiva do decisum: “... para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais...” Logo, a decisão atingiu não somente as contribuições sociais previstas no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, mas também a forma de arrecadação, afastando a responsabilidade da empresa adquirente na condição de subrogada, esta estampado no inciso IV do art. 30 da mesma Lei, reconhecendo, todavia que haveria a possibilidade de que nova legislação, Compatível com a Emenda Constitucional nº 20/98 pudesse vir a ser editada instituindo a contribuição incidente sobre a receita do empregador sem a necessidade de Lei Complementar. Referida lei já existia, era a Lei 10.256/2001 que havia dado nova redação ao art. 25 da Lei 8.212/91 e passou a exigir as contribuições incidentes sobre a comercialização efetuada pelo produtor rural pessoa física. Como dito anteriormente, referida lei foi declarada constitucional quando do julgamento do RE 718.874/RS, conforme se verifica abaixo: RE 718.874 / RS Ementa: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, Fl. 4375DF CARF MF 8 entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Contudo, com relação à subrogação do adquirente dos produtos rurais de pessoa física na obrigação de pagar o tributo, este continuou a ser considerado inconstitucional. Observese que o único dispositivo que autorizava essa técnica de arrecadação era o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF, como se pode ver da parte dispositiva do acórdão exarado no bojo do RE n.º 363.852, conforme se extrai do texto: “...declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97...” Vejamos os textos do inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social desde a redação original até a que vige atualmente: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (redação original) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Fl. 4376DF CARF MF Processo nº 13227.720237/201592 Acórdão n.º 2301005.266 S2C3T1 Fl. 4.373 9 Quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.598/1997, posto que essas são anteriores a edição da EC n.º 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.548/1997, foram declarados inconstitucionais, não pode subsistir o crédito tributário arrimado nesses dispositivos. É certo supremo não atingiu esse dispositivo, posto que na inicial foi requerida a declaração de inconstitucionalidade de todo o art. 1.º da Lei n.º 8.540/1992, o qual alterou dispositivos da Lei n.º 8.212/1991, inclusive trazendo a regra que previa a subrogação do adquirente de produtos rurais de pessoa física. Tendo sido declarada inconstitucional pelo STF, em decisão plenária, a norma que previa a subrogação do adquirente de produtos oriundos de produtor rural pessoa física na obrigação de recolher as contribuições sociais, deve este Tribunal Administrativo, em obediência ao seu Regimento Interno, declarar a improcedência do lançamento. O entendimento aqui adotado coaduna com a decisão recente proferida pelo Desembargador Wilson Zauhy do TRF da 3ª Região no Agravo de Instrumento nº 5017947.64.2017.4.03.0000, cujo trecho que se amolda ao presente caso transcrevemos:: (...) Como se percebe, a redação original do texto constitucional previa apenas a contribuição do empregador incidente sobre a folha de salários, faturamento e o lucro, não havendo qualquer previsão quanto à sua incidência sobre o valor da receita bruta. Assim é que a instituição de outras fontes de custeio da seguridade, além daquelas previstas pelo legislador constitucional, exigia a edição de Lei Complementar, nos termos do artigo 154, I da Constituição Federal. Ocorre, contudo, que as Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97 haviam promovido alterações na redação original do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, passando a prever a exigência da contribuição sobre a receita bruta, em evidente descompasso com a previsão constitucional que não autorizava tal forma de tributação. Nesse contexto normativo é que o E. STF apreciou os Recursos Extraordinários nº 363.852 e nº 596.177 declarando a inconstitucionalidade das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, que deram nova redação aos artigos 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei nº 8.212/91, até que legislação nova, arrimada na EC nº 20/98, institua a contribuição, desobrigando a retenção e recolhimento da contribuição social ou o recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, orientação mantida por ocasião do julgamento do RE nº 596.177/RS, julgado sob o regime da repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Entretanto, a redação original do artigo 195 da Constitucional Federal foi modificada pela Emenda Constitucional nº 20/98, passando a viger nos seguintes termos: Fl. 4377DF CARF MF 10 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; II – do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; III – sobre a receita de concursos de prognósticos. (...) Assim, com a alteração do texto constitucional, tornouse possível a incidência das contribuições destinadas à seguridade social relativamente ao empregador, empresa ou entidade a ela equiparada também sobre a receita, além da folha de salários. Em seguida, foi editada a Lei nº 10.256/01 que novamente modificou a redação do artigo 25, da Lei nº 8.212/91, prevendo como hipótese de incidência da contribuição do produtor rural pessoa física, a receita bruta da comercialização de sua produção. Por tal razão, não há que se falar em inconstitucionalidade da Lei nº 10.256/01, pois editada com fundamento de validade na Constituição Federal, o que faltava à legislação anterior (Lei nº 8.540/92), julgadainconstitucionalpelo STF. No que toca à irresignação da agravante relativa ao fundamento legal que legitime o recolhimento por subrogação, tenho que lhe assiste razão. Com efeito, em 13.09.2017 foi publicado no DOU a Resolução Senado Federal nº 15 de 12/09/2017 dispondo o seguinte: Art. 1º É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso VII do art. 12 daLei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1º daLei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao art. 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Fl. 4378DF CARF MF Processo nº 13227.720237/201592 Acórdão n.º 2301005.266 S2C3T1 Fl. 4.374 11 Observo que o ato editado pelo Senado Federal encontra fundamento constitucional de validade no artigo 52, X da Constituição Federal que prevê se tratar de competência privativa do Senado Federal a suspensão da “execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal”. Este é o caso dos autos, vez que, como vimos, o E. STF proferiu decisão publicada em 23.04.2010 “declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98”. Observo, ademais, que tanto na decisão proferida pelo E. STF como no ato editado pelo Senado Federal que, respectivamente, declarou a inconstitucionalidade do dispositivo legal e determinou a suspensão de sua execução não houve qualquer ressalva à manutenção do recolhimento por subrogação, daí depreendendose que a ordem legal para tal forma de recolhimento se encontra sem fundamento de validade, dado que deixou de produzir efeitos a partir da publicação da Resolução mencionada. Ante o exposto, defiro, parcialmente, o pedido de antecipação da tutela recursal para o fim de desobrigar a agravante ao recolhimento do tributo, na condição de responsável tributária (subrogada), nos termos da fundamentação. (...) O mesmo se pode dizer da contribuição destinada ao SENAR, posto que a sua exigência por subrogação tem esteio no mesmo dispositivo, qual seja o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Ante ao Exposto, Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e no Mérito Darlhe provimento julgando improcedente o lançamento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 4379DF CARF MF 12 Voto Vencedor EESSCCLLAARREECCIIMMEENNTTOOSS IINNIICCIIAAIISS 1. Esclareçase que as considerações delineadas ao longo deste voto vencedor se circunscrevem à matéria apreciada e debatida pelo Colegiado na sessão de julgamento realizada em 10 de maio de 2018, que está muito bem especificada no bojo do voto vencido e que, em síntese, versa sobre a incidência da exação. 2. Em que pese o douto entendimento esposado pelo eminente Relator e demais Conselheiros que o acompanharam nesta questão, peço vênia para suscitar divergência no que respeita à incidência, no caso concreto, das contribuições previdenciárias destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). 3. Referida contribuição tem respaldo na legislação tributária, de que se destacam as Leis nº 8.315, de 23/12/91; 8.540, de 22/12/92 e 10.256, de 09/07/2001, e Decreto n° 566, de 10/06/92, aplicáveis ao caso, pelo lançamento compreender as competências de 01/2011 a 12/2012, conforme consignado no Relatório Fiscal (efls 4094/4101). CCOONNTTRRIIBBUUIIÇÇÕÕEESS PPRREEVVIIDDEENNCCIIÁÁRRIIAASS DDEESSTTIINNAADDAASS AAOO SSEENNAARR IINNCCIIDDEENNTTEE SSOOBBRREE AA CCOOMMEERRCCIIAALLIIZZAAÇÇÃÃOO DDAA PPRROODDUUÇÇÃÃOO RRUURRAALL CCOOMM SSUUBBRROOGGAAÇÇÃÃOO 4. A subrogação pela contribuição ao Senar está prevista nos artigos 30, IV, e 94, parágrafo único, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 6º da Lei 9.528, de 1997 e no Decreto nº 790, de 1993, art. 11, § 5: Lei 9.528, de 1997 Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de 0,1%, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Vigência até 01.11.01) Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) Lei 8.212, de 1991 Fl. 4380DF CARF MF Processo nº 13227.720237/201592 Acórdão n.º 2301005.266 S2C3T1 Fl. 4.375 13 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (...) Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial. (Grifouse.) 5. No mesmo sentido, o Decreto n° 566, de 10 de junho de 1992, art. 11, § 5º, “a”, com a redação dada pelo Decreto nº 790, de 1993, art. 1º: Art. 11. Constituem rendas do SENAR: (...) II contribuição compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de um décimo por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção da pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; (...) § 5°A contribuição de que trata este artigo será recolhida: a) pelo adquirente, consignatário ou cooperativa que ficam sub rogados, para esse fim, nas obrigações do produtor; (Grifouse.) 6. Nesse sentido a jurisprudência unânime deste CARF: Fl. 4381DF CARF MF 14 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO – AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA – SUB ROGAÇÃO – CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubstanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. Acórdão nº 2401003.896, Sessão de 12 de janeiro de 2015. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUBROGAÇÃO. Tratandose de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a subrogação da contribuição ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no inciso IV do art. 30 da Lei n. 8.212/1991 e demais normas de regência. (Acórdão 2402005.808, de 30/05/2017) CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. A contribuição do produtor rural pessoa física e do segurado especial devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) está prevista no art. 6º da Lei nº 9.528/1997, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, e é devida por sub Fl. 4382DF CARF MF Processo nº 13227.720237/201592 Acórdão n.º 2301005.266 S2C3T1 Fl. 4.376 15 rogação pela pessoa jurídica que adquire a produção dessas pessoas naturais. (Acórdão 2202003.644, de 09/02/2017) CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUBROGAÇÃO. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial.(Acórdão 2401004.225, de 09/03/2016) DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR Tratase de obrigação por subrogação expressa na lei, ou seja, contribuição devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97, com redação data pela Lei 10.256/2001. (Acórdão 2301004.040, de 14/05/2014) CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUBROGAÇÃO. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial. (Acórdão 2302003.457, de 04/11/2014) 7. Ademais, a subrogação também é expressa no Decreto 566, de 1992, o que, por si só, vincula a decisão deste Colegiado, uma vez que o CARF não detém competência para negar vigência à interpretação dada ao sistema normativo tributário pelo Decreto 566, de 1992, uma vez que decretos, sendo emitidos pelo Presidente da República, possuem hierarquia superior, devendo ser observados por toda a Administração Pública Federal, inclusive pelo Ministério da Fazenda, do qual este CARF é parte integrante. Fl. 4383DF CARF MF 16 8. Por outro lado, a constitucionalidade da subrogação da contribuição para o Senar não foi objeto RE 363.852 ou do RE 596.177; transcrevo suas ementas: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596.177) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. (ED no RE 596.177) RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, Fl. 4384DF CARF MF Processo nº 13227.720237/201592 Acórdão n.º 2301005.266 S2C3T1 Fl. 4.377 17 incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363.852) 9. Para complementar o entendimento da jurisprudência administrativa tributária federal, oportuno acrescentar transcrição da ementa contida no Acórdão CSRF nº 9202005.128 (sessão de julgamento: 24/01/2017) da lavra do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBRROGAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei nº. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário nº. 363.852, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança 10. Para concluir, detendonos nos preceitos da legislação tributária, e mais precisamente no disposto no parágrafo único do artigo 94 da Lei 8.212/1991, na delimitação da abrangência do decisum prolatado nos RE 363.852/MG, assim como na jurisprudência administrativa tributária federal predominante, verificase que a contribuição ao SENAR não foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no âmbito do Recurso Extraordinário nº 363.852/MG. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 11. Por tais razões, com respeitosa "venia" do Conselheiro Relator, não é pertinente afastar a exigência da contribuição ao SENAR com fundamento na inconstitucionalidade Fl. 4385DF CARF MF 18 declarada no julgamento do RE n. 363.852/MG, devendo prevalecer o entendimento da jurisprudência administrativa tributária federal, tal como decidido pelo Colegiado na sessão de julgamento realizada em 10 de maio de 2018. Voto, portanto, por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antônio Sávio Nastureles Redator Designado Fl. 4386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.916871/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
INTEMPESTIVIDADE.
Caracterizada, preliminarmente, a intempestividade da manifestação de inconformidade, resta prejudicada a análise do mérito nela suscitado, tornando-se definitiva a decisão proferida no despacho decisório da DRF de origem.
INTIMAÇÃO VIA POSTAL. INEFICÁCIA. CIÊNCIA POR EDITAL. POSSIBILIDADE.
Hipótese em que a Administração agiu de acordo com o art. 23, §§ 1º e 4º, do Decreto nº 70.235/1972, na medida em que intimou o contribuinte por edital tão somente após caracterizada a ineficácia da comunicação via postal.
Numero da decisão: 3402-005.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, cabendo à unidade de origem rever de ofício seu despacho decisório, pela redução dos débitos apurados no processo administrativo 10830.004388/2010-89. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula não concordou com a determinação à autoridade administrativa da revisão de ofício, como indicada no voto. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) acompanharam o relator pelas conclusões.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. INTEMPESTIVIDADE. Caracterizada, preliminarmente, a intempestividade da manifestação de inconformidade, resta prejudicada a análise do mérito nela suscitado, tornandose definitiva a decisão proferida no despacho decisório da DRF de origem. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. INEFICÁCIA. CIÊNCIA POR EDITAL. POSSIBILIDADE. Hipótese em que a Administração agiu de acordo com o art. 23, §§ 1º e 4º, do Decreto nº 70.235∕1972, na medida em que intimou o contribuinte por edital tão somente após caracterizada a ineficácia da comunicação via postal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, cabendo à unidade de origem rever de ofício seu despacho decisório, pela redução dos débitos apurados no processo administrativo 10830.004388/2010 89. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula não concordou com a determinação à autoridade administrativa da revisão de ofício, como indicada no voto. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) acompanharam o relator pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 68 71 /2 00 9- 74 Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10830.916871/200974 Acórdão n.º 3402005.474 S3C4T2 Fl. 732 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através da qual requer créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, apurados no 2º trimestre de 2005, para compensação de débitos por intermédio de Declarações de Compensação. A autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório eletrônico (fl.530) por meio do qual deferiu parcialmente o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. Conforme descrito na Informação Fiscal (fl.534), o deferimento parcial do pleito derivouse da inclusão nos débitos da PER/DCOMP dos valores lançados de ofício, decorrentes de procedimento fiscal, verificados nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº10830.004388/201089. A ciência do Despacho Decisório foi feita por Edital (fls. 538 a 539), uma vez que as tentativas de comunicação postal resultaram improfícuas, conforme extrato (Histórico das comunicações) à fl. 537, e registro do sistema SUCOP á fl.576. O edital foi afixado entre os dias 06/09/2010 a 21/09/2010. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/11/2010 (fls. 3 a 15), na qual alega, em síntese: (i) nulidade da intimação do despacho decisório, em razão da irregularidade ocorrida na sua intimação ao sujeito passivo; (ii) nulidade do despacho decisório, decorrente da sua afronta ao disposto no artigo 151, III, do CTN, que determina a suspensão da exigibilidade do credito tributário; (iii) regularidade da compensação efetuada; e (iv) impossibilidade de não homologação da compensação antes da conclusão do processo n° 10830.004388/201089. Por meio do acórdão nº 0955.019, de 10 de outubro de 2014 (fls. 578 a 587), a 3ª Turma da DRJ em Juiz de Fora, por unanimidade de votos, não conheceu da manifestação de inconformidade interposta pelo sujeito passivo, ante a caracterização de intempestividade do Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10830.916871/200974 Acórdão n.º 3402005.474 S3C4T2 Fl. 733 3 pleito, e manteve a decisão proferida no Despacho Decisório. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: INTEMPESTIVIDADE. Caracterizada, preliminarmente, a intempestividade da manifestação de inconformidade, resta prejudicada a análise do mérito nela suscitado, tornandose definitiva a decisão proferida no despacho decisório da DRF de origem. Manifestação de Inconformidade não conhecida Crédito Tributário mantido Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls.593 a 610), alegando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida pela nulidade da intimação por edital do Despacho Decisório, e tempestividade da Manifestação de Inconformidade; (ii) aplicação do princípio da verdade material; (iii) razões para a homologação da compensação pleiteada; e (iv) alternativamente, suspensão do julgamento até a decisão definitiva do processo administrativo 10830.004388/201089. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre a nulidade da decisão recorrida que não conheceu a manifestação de inconformidade do sujeito passivo devido à sua intempestividade. Já a questão de fundo referese à homologação apenas parcial de PER/DCOMP, pela compensação de ofício derivada de lançamento fiscal objeto do processo administrativo 10830.004388/201089. A recorrente alega a impossibilidade de decisão do presente processo enquanto pendente aquele. Quanto à nulidade da decisão recorrida devido à tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada, tal alegação não pode prosperar, pela total observância do julgador a quo às regras do PAF previstas no Decreto 70.235/72, e à perfeita fundamentação da decisão. Pela abrangência da decisão e por concordar com seus fundamentos, transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, que adoto como minhas razões de decidir no presente julgamento: “Conforme explanado no relatório acima, por terem resultado improfícuos os meios pessoal e/ou postal, conforme extrato à fl. 537, a contribuinte foi Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10830.916871/200974 Acórdão n.º 3402005.474 S3C4T2 Fl. 734 4 cientificada do despacho decisório por Edital, fls. 538/539, afixado de 06/09/2010 a 21/09/2010. Em que pese a irresignação da contribuinte, cumpre observar que a tentativa de ciência por via postal do aludido despacho decisório, fls. 530/536, ocorreu mediante expedição de correspondência, fl. 576, destinada ao domicílio tributário eleito da contribuinte, conforme se certifica das informações extraídas do CNPJ à fl. 577 dos autos, em três oportunidades distintas. Diante do resultado improfícuo da iniciativa da autoridade administrativa em notificar o sujeito passivo por intermédio do meio de intimação referido no art. 23, inciso II do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações supervenientes, a ciência do despacho decisório acabou sendo firmada legalmente mediante afixação de Edital no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP, mantido no período de 06/09/2010 a 21/09/2010 (fls. 538/539), em consonância o inciso III do supracitado dispositivo legal, verbis: [...] “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: (...) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10830.916871/200974 Acórdão n.º 3402005.474 S3C4T2 Fl. 735 5 § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...)” Assim sendo, compete acentuar que de acordo com o art. 23, § 4º do mencionado dispositivo legal, para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária. Descaracterizada a alegação aventada pela requerente no intuito de tentar reverter a preclusão do direito de acesso ao exame de suas contrarazões perante as instâncias administrativas de julgamento, compete resgatar que em razão da ciência do aludido despacho decisório ter ocorrido em 21/09/2010 (fl. 538/539), em conformidade com os termos do art. 23, §2º, inciso IV do Decreto nº 70.235, de 1972, a apresentação da manifestação de inconformidade em 26/11/2010 (fl. 03/15), torna patente o descumprimento do prazo de 30 dias fixado pelo art.15 do Decreto n° 70.235/72 (PAF), in verbis: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Destarte, as contestações acostadas aos autos configuramse na condição de intempestivas, consequentemente, não instaurando a fase litigiosa do procedimento, não suspendendo a exigibilidade do crédito tributário e não comportando julgamento de primeira instância, passando a serem irrelevantes as circunstâncias e motivações preliminares e de mérito correlatas aos termos da supracitada manifestação de inconformidade.” Não procede as alegações da recorrente quanto a inobservância da ordem dos métodos de ciência e a ausência de esgotamento dos métodos anteriores ao edital, exigência inexistente no PAF; e quanto à inexistência de cópia do aviso de recebimento, pela anexação de extrato de controle de correspondência à fl. 537, e registro do sistema SUCOP á fl.576. Também não procede suas alegações quanto à inexistência de provas que permitam ser verificadas as datas de publicação, afixação ou desafixação do edital, pela expressa constatação de tais informações no próprio edital (fls.538 a 539), da DRF Campinas. Por fim, também é improcedente a alegação de inexistência de certeza da ciência do interessado, pela certeza da ciência por edital afixado na unidade de origem, em atendimento às regras do PAF que Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10830.916871/200974 Acórdão n.º 3402005.474 S3C4T2 Fl. 736 6 determinam a ciência por edital, em caso de impossibilidade da ciência por alguma das outras formas. Entretanto, a administração tributária não pode desconsiderar que uma das razões apontadas no Despacho Decisório para o deferimento parcial do saldo credor pleiteado foi o lançamento de débitos apurados em procedimento fiscal, nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 10830.004388/201089, processo este que já teve sua decisão final (Acórdão 330201.389), parcialmente favorável ao sujeito passivo. Dessa forma, caberá a unidade de origem rever de ofício seu despacho decisório, pela redução dos débitos apurados de ofício no processo administrativo 10830.004388/201089, cujo reflexo foi verificado no deferimento parcial do PER/DCOMP objeto de discussão no presente processo. Destacase que a competência para tal revisão é da autoridade administrativa local, conforme disposto no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, cabendo à unidade de origem rever de ofício seu despacho decisório, pela redução dos débitos apurados no processo administrativo 10830.004388/201089. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 736DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.728276/2016-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS. REPASSES RECEBIDOS POR MUNICÍPIOS. PASEP. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO.
O Município, na qualidade de pessoa jurídica de direito público interno, está sujeito a incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor das receitas arrecadadas e das transferências recebidas, incluindo-se nesta última rubrica os valores recebidos da União, para cobertura dos serviços e ações de saúde relativos ao SUS.
REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. MUNICÍPIO. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL.
A existência de regime próprio de previdência social para os servidores municipais e a obrigação de o Município contribuir na condição de empregador (contribuição patronal), não permite que receitas do Município, assim despendidas, sejam excluídas da base de cálculo da contribuição ao PASEP devida pelo ente municipal por não encontrar, tal exclusão, respaldo no art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998 que prevê apenas deduções de transferências efetuadas a outras entidades públicas. Ausente prova de que as receitas utilizadas para pagamento de contribuição patronal a Regime Próprio de Previdência Social teriam sido transferidas para entidade pública diversa do Município, não há como afastar o lançamento em face do Município.
MULTA DE OFÍCIO.
A aplicação da penalidade nos lançamentos de ofício é determinada no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 3301-004.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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REPASSES RECEBIDOS POR MUNICÍPIOS. PASEP. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. O Município, na qualidade de pessoa jurídica de direito público interno, está sujeito a incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor das receitas arrecadadas e das transferências recebidas, incluindose nesta última rubrica os valores recebidos da União, para cobertura dos serviços e ações de saúde relativos ao SUS. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. MUNICÍPIO. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. A existência de regime próprio de previdência social para os servidores municipais e a obrigação de o Município contribuir na condição de empregador (contribuição patronal), não permite que receitas do Município, assim despendidas, sejam excluídas da base de cálculo da contribuição ao PASEP devida pelo ente municipal por não encontrar, tal exclusão, respaldo no art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998 que prevê apenas deduções de transferências efetuadas a outras entidades públicas. Ausente prova de que as receitas utilizadas para pagamento de contribuição patronal a Regime Próprio de Previdência Social teriam sido transferidas para entidade pública diversa do Município, não há como afastar o lançamento em face do Município. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da penalidade nos lançamentos de ofício é determinada no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 82 76 /2 01 6- 28 Fl. 540DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 541 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Adotase o relatório constante da decisão recorrida, Acórdão no 1465.999 11ª Turma da DRJ/RPO (fls. 483 e seguintes): Trata o presente processo de Auto de Infração à legislação da Contribuição para o PASEP (fls. 02), lavrado em 05/12/2016, constituindo crédito tributário no valor total de R$ 64.541.270,61, aí incluídos principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até junho de 2016. A autuação abrange fatos geradores de janeiro de 2012 a dezembro de 2013, com enquadramento legal, citado à fl. 04, no art. 1º da Lei Complementar nº 8/70 e arts. 2º, inciso III, 7º e 8º, inciso III, da Lei nº 9.715/98, e decorre de omissão de receitas sujeitas à Contribuição para o Pasep, como descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/20. Acerca das irregularidades que ensejaram a exigência, tece a fiscalização as seguintes considerações: "..... 10. Em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal o contribuinte apresentou em meio papel os Balancetes Mensais das Receitas e Despesas dos anos de 2012 e 2013 bem como os arquivos digitais em formato MANAD contendo as informações correspondentes ao Bloco L Registros de natureza financeira e orçamentária, correspondentes ao período 01/2012 a 12/2013. 11. Também no Termo de Início de Procedimento Fiscal a fiscalização solicitou que a PBH apresentasse um planilha demonstrativa contendo as bases de cálculo consideradas e os valores correspondentes para o PASEP apurado. A PBH apresentou os demonstrativos que foram detalhados posteriormente e encaminhados para a fiscalização. Na Fl. 541DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 542 3 análise desses demonstrativos restou comprovado que a PBH deduziu dos seus valores de Receitas de Transferências Correntes, e, consequentemente, das bases de cálculo do PASEP valores de repasses de receitas do SUS (Sistema Único de Saúde). Nas próprias planilhas da PBH constavam o detalhamento das receitas omitidas bem como a indicação das contas contábeis pelas quais transitaram, conforme os excertos (2012 e 2013) abaixo: 12. Ocorre que não existe previsão legal para a dedução de tais receitas, o que resultou em um impacto na base de cálculo do tributo da ordem de bilhões, conforme observado nos números acima. 13. A Lei 9.715/98 no seu art. 2º, II estabelece a base de cálculo do PASEP com a seguinte redação: Art. 2º A contribuição para o PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) [Destaques acrescidos] Fl. 542DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 543 4 14. Nos excertos acima das planilhas demonstrativas apresentadas pela PBH podemos verificar que as transferências em questão estão contabilizadas naturezas de despesas vinculadas aos grupos 1700 e 2400, classificadas pelo Manual de Contabilidade Pública como "Transferências Correntes" e "Transferências de Capital", respectivamente. 15. Observamos assim que tais transferências se subsumem inequivocamente ao campo de incidência delimitado pelo art. 2º, II da Lei 9.715/98, sendo que sua dedução só seria possível no caso de previsão legal expressa, que inexiste, conforme demonstraremos a seguir. 16. A Lei 12.810 de 15/05/2013 fez incluir o § 7º no art. 2º da Lei 9.715/98, que ampara a exclusão de "valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido", conforme a redação a seguir. Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) § 7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. (incluído pela Lei nº 12.810, de 2013). (...) 17. Antes de analisar a questão da existência ou não de amparo legal da exclusão em si, cabe observar que, ainda que o dispositivo supracitado amparasse a exclusão dos valores de transferências dos recursos oriundos do SUS, o que não é o caso, tal exclusão somente seria possível a partir de maio de 2013, e, conforme observamos na apuração do presente crédito, a PBH fez deduzir tais valores já desde o início do período fiscalizado (janeiro/2012). 18. O Decreto nº 6.170, de 25 de julho de 2007 que dispõe sobre as normas relativas às transferências de recursos da União mediante convênios e contratos de repasse define claramente o que é "convênio" e "contrato de repasse" no âmbito da administração pública brasileira: (...) § 1º Para os efeitos deste Decreto, considerase: I convênio acordo, ajuste ou qualquer outro instrumento que discipline a transferência de recursos financeiros de dotações consignadas nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União e tenha como participe, de um lado, órgão ou entidade da administração pública federal, direta ou indireta, e, do Fl. 543DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 544 5 outro lado, entidades privadas sem fins lucrativos, visando a execução de programa de governo, envolvendo a realização de projeto, atividade, serviço, aquisição de bens ou evento de interesse recíproco, em regime de mútua cooperação; (...) II contrato de repasse instrumento administrativo, de interesse recíproco, por meio do qual a transferência dos recursos financeiros se processa por intermédio de instituição ou agente financeiro público federal, que atua como mandatário da União. (Redação dada pelo Decreto nº 8.180, de 2013) 19. Temos aqui então a conceituação desses dois institutos (e, por consequência, a dos seus congêneres) que remete obrigatoriamente ao interesse recíproco, ao ajuste de vontades e à voluntariedade das partes, ou seja, não há como aqui enquadrar aquilo que decorre exclusivamente de imposição legal. 20. Portanto, o amparo legal para a dedução dos valores estabelecida pela Lei 12.810/2013 está vinculado obrigatoriamente à voluntariedade entre as partes. 21. E não mais é necessário para demonstrar que a exclusão dos valores das transferência do SUS não tem amparo legal, uma vez que a Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal) exclui explicitamente os recursos do SUS do campo das transferências voluntárias em seu art. 25º, conforme excerto a seguir: (...) CAPÍTULO V DAS TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS Art. 25. Para efeito desta Lei Complementar, entendese por transferência voluntária a entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de determinação constitucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde. (...) [Destaques acrescidos]. 22. E não poderia ser outro o entendimento da RFB acerca do tema, conforme reafirmado na Solução de Consulta Disit/Srrf 10 nº 57, de 25 de julho de 2013, a saber: SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF 10 Nº 61, DE 05 DE AGOSTO DE 2013 (Publicado(a) no DOU de 18/09/2013, seção, pág. 60) ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 544DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 545 6 EMENTA: PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. TRANSFERÊNCIA DESTINADAS AOS SUS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores recebidos pelo Município a título de transferências destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) não configuram transferências voluntárias decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido, não poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep apurada pelo Município, nos termos do § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, incluído pelo art. 13 da Lei nº 12.810, de 2013. [Destaques acrescidos]. DISPOSITIVOS LEGAIS: LC nº 101, de 2000, art. 25; Lei nº 8.666, de 1993, arts. 1º, 2º e 116; Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, III, e seu § 7º; Lei nº 12.810, de 2013, art. 13; Decreto nº 6.170, de 2007, art. 1º, e seu § 1º. JORGE AUGUSTO GIRARDON DA ROSA Auditor Fiscal 23. Outrossim, como as deduções efetuadas pela PBH não se limitaram aos recursos do SUS, a fiscalização pediu o detalhamento das deduções em questão através do TIF Nº 002/2016, nos seguintes termos: (...) Com relação as deduções de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere, cujos valores transitaram pelas contas 1721.33.00, 1722.33.00, 1760.00.00, 1761.01.00, 1762.01.00, 2421.01.00, 2470.00.00, 2472.01.00 e 7000.00.00 solicita se apresentar relatório contendo o extrato, valores e fundamentação legal desses convênios. (...) 24. Em resposta a requisição acima, a PBH apresentou um novo conjunto de planilhas e demonstrativos cujo conteúdo foi analisado pela fiscalização. 25. Nessa análise ficou evidenciado que a PBH também deduziu da base de cálculo do PASEP receitas intraorçamentárias transitadas pela conta '7000.00.00' que os demonstrativos apresentados indicaram como "Repasses de Patronal de Folha ao RPPS". Ressaltese também que os relatórios mostraram que tais valores estavam classificados no código 9740 Contribuição Patronal de Servidor Ativo Civil, sendo que tal expurgo ocorreu até agosto de 2013. 26. Tal dedução também ocorreu sem o devido amparo legal, sendo que o dispositivo legal que disciplina nesse contexto as exclusões de receitas previdenciárias, a saber a Lei nº Fl. 545DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 546 7 9.701/98, trata apenas do PIS e, ainda, restringe em seu Art. 1º, Inc. V a dedução da "parcela das contribuições destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas" apenas para as entidades de previdência privada abertas e fechadas, não sendo amparada legalmente, portanto, a aplicação de tal dedução para os regimes próprios de previdência social. 27. Ocorre ainda que a PBH apresentou em seus demonstrativos uma dedução adicional na base de cálculo da competência janeiro/2012 que corresponderia a uma compensação de valores pagos a maior. A fiscalização emitiu então o TIF nº 003 onde solicitou um demonstrativo das bases de cálculo e valores compensados, sendo que ficou constatado na resposta da PBH que os valores compensados eram transferências do SUS transitadas pelas contas 1721.33.00 e 2422.01.00, que não podem ser deduzidas da base do tributo, como vimos acima, assim, os valores compensados não foram considerados pela fiscalização na apuração do tributo. 28. Assim, uma vez identificadas na ação fiscal as deduções indevidas que ensejaram a redução da base de cálculo do tributo, foram elaboradas planilhas demonstrativas das Bases de Cálculo do PASEP identificadas como 2012_Anexo_LEV.pdf 2013_Anexo_LEV.pdf que constam como anexos deste Termo de Verificação, nas quais estão discriminadas mensalmente as receitas que compõem as bases de cálculo do PASEP, identificadas pelos respectivos códigos de classificação, de acordo com a Portaria Conjunta nº 2, de 08 de Agosto de 2007, da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda e Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, respeitadas as retenções previstas no art. 2º, inciso III, § 6º da Lei nº 9.715 de 25/11/98 D.O.U. de 26/11/98), feitas pelo Banco do Brasil quando dos repasses feitos pela União ao Município e pela Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais, quando dos repasses feitos pelo Governo do Estado de Minas Gerais, dos valores de IPI/Exportação ao Município, bem como, os pagamentos da contribuição efetuados e declarados pela fiscalizada em DCTF Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais. 29. Acrescentese que os dados dos recolhimentos mensais do PASEP, efetuados mediante DARF (código 3703), foram obtidos através do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil RFB, denominado “SINAL 06”, conforme detalhado em anexo7 deste relatório, assim como, as informações das contribuições declaradas em DCTF foram obtidas em consulta ao aplicativo “Dossiê Integrado” da RFB. 30. Para se chegar à base de cálculo do PASEP foram somadas, em cada mês, as receitas correntes arrecadadas com as transferências correntes e de capital recebidas. Da Fl. 546DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 547 8 base de cálculo apurada calculouse o PASEP devido mediante aplicação da alíquota de 1% (um por cento) sobre a mesma. Do resultado encontrado, inicialmente, subtraiuse o PASEP retido na fonte nos repasses constitucionais efetuados para a citada prefeitura, pela União e pelo Estado de Minas Gerais, através das instituições bancárias “Banco do Brasil” e Secretaria de Estado de Fazenda de MG e, em seguida, subtraiuse o PASEP recolhido através de DARF, desde que declarado em DCTF, respeitadas ainda as deduções legais cabíveis, a saber as transferências efetivamente amparadas pelo art. 2º, § 7º da Lei nº 9.715/98, e as transferências para outras entidades de direito público Interno (art. 7º da Lei nº 9.715/98), observados ainda o disposto na Lei Complementar nº 8 de 3 de dezembro de 1970, art. 2º parágrafo único e art. 68, parágrafo único do Decreto nº 4.524/02. 31. Por fim, o valor do Pasep a Recolher (saldo remanescente) foi convertido em Base de Cálculo, mediante a aplicação de sua alíquota legal, de forma a operacionalizar o lançamento dos fatos geradores no aplicativo de Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil – “eSafira”. No item IV de seu Termo de Verificação, a Fiscalização reportase à legislação que rege a contribuição ao PASEP, como segue: 32. Contribuintes: A contribuição aplicase aos seguintes contribuintes, a saber: (Lei nº 9.715/98, art. 2º, inciso III; Decreto nº 4.524/02, art. 67 e 69): a) União; b) Estados; c) Distrito Federal e d) Municípios, bem como suas respectivas autarquias, com exceção das fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público. 33. Base de Cálculo: as bases de cálculos são os valores mensais das: Receitas Correntes Arrecadadas; Receitas de Transferências Correntes Recebidas e Receitas de Transferências de Capital Recebidas (Lei nº 9.715/98, art. 2º, inciso III, e § 3º e art. 7º; e Decreto nº 4.524/02, art. 68; parágrafo único, e art. 70). 34. Alíquota: a alíquota é de 1% (um por cento), aplicável sobre a Base de Cálculo da Contribuição, incidente sobre as receitas governamentais citadas no item anterior (Lei nº 9.715/98, art. 8º, inciso III; Decreto nº 4.524/02, art. 73). 35. Deduções: o Decreto nº 4.524/02 em seu artigo 70, § 2º e a Lei nº 9.715/98 em seu artigo 7º assim estabelecem: “... nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno”. No item V, a Fiscalização justifica a aplicação da multa no percentual de 75% com fundamento no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei 11.488, de 2007. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 548 9 Ainda, consigna a entrega do Relatório e seus anexos ao sujeito passivo (fls. 24/446), os quais assim relaciona: Registra também que os levantamentos fiscais, que consistem nas planilhas demonstrativas da apuração quantitativa dos créditos e do detalhamento, quando for o caso, individualizado por segurado, estão contidos nos anexos (fls. 22/23) que assim identifica: Relaciona documentos e termos emitidos pela fiscalização que fazem parte do presente procedimento fiscal, como segue: •Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF; • Termo de Intimação Fiscal TIF n° 001 a 003; • Termos de Continuidade do Procedimento Fiscal; • Recibos de Entrega de Arquivos Digitais fornecidos pela empresa. E noticia que a situação descrita neste relatório, em tese, configura a prática de crime contra a Seguridade Social, motivo pelo qual se procedeu à formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, acompanhada com os respectivos elementos de prova. Dada ciência do Auto de Infração em 13/12/2016 (fls. 448/449), foi apresentada, em 03/01/2017, impugnação de fls. 454/473, acompanhada dos documentos de fls. 474/475, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 549 10 Inicia o Impugnante reportandose à autuação e tecendo considerações acerca da contribuição ao Pasep tópico em que menciona Lei Complementar 08/70, Decreto 4.751/2003, art. 239 da Constituição Federal de 1988 e arts. 2º e 7º da Lei 9.715, de 1998 e destaca: Verificase que a contribuição incide sobre o valor mensal das receitas correntes arrecadadas, que incluem qualquer receita tributária, ainda que sejam aquelas recebidas por outra entidade, e das transferências correntes e de capital recebidas. Discorre acerca de receitas correntes arrecadadas, receitas de transferências correntes recebidas e receitas de transferência de capital recebidas e reportase a previsão de retenção na fonte, como segue: Em atendimento ao disposto no parágrafo único, do art. 2º, da LC n. 8/70, o art. 68 e seu parágrafo único da Lei n. 4.524/64, depreendese que a Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição em tela, incidente sobre o valor das transferências correntes e de capital efetuadas para as pessoas jurídicas de direito público interno, excetuada a hipótese de transferências para as fundações públicas e que não incidirá, em nenhuma hipótese, sobre as transferências de que trata este artigo, mais de uma contribuição. Expõe ficar evidenciada a intenção do legislador de se evitar a incidência em duplicidade da contribuição em tela, motivo pelo qual, no momento do recolhimento do tributo tornase necessário observar se já ocorreu a incidência de contribuição sob a verba. Foi o que fez o ente Impugnante, mas algumas deduções efetuadas pelo Município, relativas a algumas verbas, para apuração da base de cálculo da contribuição em tela foram consideradas indevidas. São elas: • a receita dos RPPS – Regimes próprios de Previdência (o pagamento do PASEP é arcado com recursos do Tesouro); • a receita transferida pelo SUS para pagamento aos Hospitais. Classifica de inadequada a conclusão fiscal de inexistência de previsão legal para as deduções citadas e argumenta que as deduções efetuadas pelo ente Impugnante possuem respaldo legal, visto que caso não fossem realizadas as deduções em questão haveria recolhimento em duplicidade. Acerca de Deduções sobre a Receita Transferida do SUS, alega que a autuação teve por fundamento o § 7º do art. 2º da Lei 9.715/98, e art. 1º, § 1º do Decreto n. 6.170/2007 e o fato de que tais transferências não são voluntárias. Reitera que, contudo, a razão da dedução da receita pela municipalidade possui respaldo na impossibilidade de recolhimento em duplicidade da verba, proibição esta que encontra embasamento no texto legal. E argumenta: 29 as ações e serviços de Saúde são implementadas pelos Estados Municípios e Distrito Federal mediante financiamento com recursos próprios da União, Estados e Municípios e de outras fontes suplementares de financiamento, todos devidamente contemplados no orçamento da seguridade social. Cada esfera governamental deve assegurar o aporte regular de recursos ao respectivo fundo de saúde de acordo com a Emenda Constitucional n. 29 de 2000. 30. as transferências, regulares ou eventuais, da União para os demais Entes Federativos estão condicionadas à contrapartida destes níveis de governo, em conformidade com Fl. 549DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 550 11 as normas legais vigentes (Lei de Diretrizes Orçamentárias e outras). 31. Esses repasses ocorrem por meio de transferências “fundo a fundo”, realizadas pelo Fundo Nacional de saúde (FNS) diretamente para os Estados, Distrito Federal e Municípios ou pelo Fundo Estadual de Saúde aos Municípios, de forma regular e automática, propiciando que gestores estaduais e municipais possam contar com recursos previamente pactuados, no devido tempo, para o cumprimento de sua programação de ações e serviços de Saúde – constituindose na principal modalidade de transferência de recursos federais para os Estados, Municípios e Distrito Federal, para financiamento das ações e serviços de saúde... 33. As transferências voluntárias são, por sua vez, entregas de recursos correntes ou de capital a outra esfera da federação para cooperação, auxílio ou assistência financeira, não decorrente de determinação constitucional, legal, ou que se destine ao Sistema Único de Saúde – SUS, conforme o art. 25 da Lei de Responsabilidade Fiscal. 34 ... fica evidenciado que a verba de que se trata este tópico não diz respeito à transferência voluntária, não sendo esta a forma como considerou o Município, como quer fazer crer o auditor fiscal. Ademais, ainda que assim tivesse feito, não haveria prejuízo da possibilidade de dedução do montante. 35. O entendimento do fisco Federal é no sentido de que a verba diz respeito a transferência corrente, conforme se pode verificar na Nota Técnica n. 1.432/GENOC/CCONTSTN, de 30/09/2004 (Assunto: Incidência do PASEP sobre as transferências de recursos do FNDE, CIDE e FUNFEF e SUS), conforme se depreende a seguir: 8. Conforme consta do anexo I da Portaria nº 219, que trata da Discriminação da Receita, as receitas recebidas pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, referentes aos recursos do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação – FNDE, do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF, do Sistema Único de Saúde – SUS e da CotaParte da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE são classificados contabilmente como Receitas de Transferências Correntes ou de Capital, conforme o caso. 9. O Art. 68 do Decreto 4.524, estabelece que a Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção do PIS/PASEP incidente sobre o valor das transferências correntes e de capital efetuadas para as pessoas jurídicas de direito público interno, excetuada a hipótese de transferências para as fundações públicas. ... Fl. 550DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 551 12 10. Diante o exposto, entendemos que as Receitas de Transferências referentes aos recursos ao FNDE, FUNDEF, SUS e da CIDE compõem a base de cálculo para a apuração do PIS/PASEP. 11. O Art. 70 do Decreto 4.524 estabelece que as pessoas jurídicas de direito público interno, devem apurar a contribuição para o PIS/PASEP. Portanto, entendemos, que se na liberação do recurso não ocorrer a retenção e a receita estiver sujeita à incidência do PIS/PASEP o ente público recebedor do recurso deve apurar e recolher a contribuição para o PIS/PASEP. 36. Da mesma forma é como está consignado no Manual de Procedimentos aplicado à União, aos Estados e aos Municípios, página 58, publicado pela Secretaria do Tesouro Nacional, em que ao se questionar “Incide PASEP nas transferências efetuadas pelo SUS? Em caso afirmativo, a Secretaria do Tesouro Nacional é que deverá fazer a retenção ou é o município que deverá fazer o recolhimento?” a resposta é exatamente o que se destacou acima. 37. Logo, o valor transferido pela União a título de transferência para financiamento das ações e serviços de saúde já é tributado quando de sua realização, conforme determina expressamente a legislação, sendo que sua nova inclusão, como pretende a i. Autoridade fiscal, acarretaria a incidência da contribuição ao PASEP em duplicidade, já que a mesma fora retida e recolhida pela própria União quando do repasse dos valores oriundo destas transferências. 38. Considerando que o dever jurídico de retenção e de recolhimento é da própria União em relação a estas verbas, não existindo qualquer obrigação por parte do Município de Belo Horizonte, ora Impugnante (nem mesmo solidária), não se pode impor nenhuma espécie de obrigação tributária ao mesmo, ainda que não existisse referida duplicidade, o que se argumenta apenas para destacar a absoluta improcedência do presente lançamento tributário. Salienta a previsão contida o art. 2º, parágrafo único da Lei Complementar n. 8/70, de que não recairá, em nenhuma hipótese, sobre as transferências de que trata este artigo, mais de uma contribuição – o mesmo é reiterado na Lei 4.524/02. Reproduz excerto do Termo de Verificação Fiscal em que descrita, para apuração do valor lançado, a subtração do PASEP retido na fonte e do PASEP recolhido por meio de DARF, e infere pretenderse o recolhimento em duplicidade da contribuição, visto que já efetuado o recolhimento quando dos repasses. Conclui esse tópico expondo que: sendo assim, no que diz respeito ao valor do SUS, este é descontado daquele recebido pelo Município a título de transferência. Desta forma, a municipalidade apenas recebe o montante líquido. Se o valor da transferência compusesse a contribuição ao PASEP novamente, Fl. 551DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 552 13 este seria considerado como o valor bruto recebido, sem observância do desconto já realizado. Nestes termos, possível dizer que, neste momento, haveria a duplicidade da cobrança, ocorrendo violação ao texto legal. Defende também a regularidade de deduções sobre a Receita Transferida ao RPPS (Regime Próprio de Previdência Social), expondo que a Lei nº 9.717/98, que dispõe sobre as regras gerais para a organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal, estabelece que tais regimes deverão ser organizados com base em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados alguns critérios previstos em seus incisos. Dentre eles está o disposto no inciso II, que determina que este Regime será financiado mediante recursos provenientes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e das contribuições do pessoal civil e militar, ativo, inativo e dos pensionistas, para os seus respectivos regimes. Reproduz disposições do Decreto nº 4.524/02, como segue: Art. 68 – A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção do PIS/PASEP incidente sobre o valor das transferências correntes e de capital efetuadas para as pessoas jurídicas de direito público interno, excetuada a hipótese de transferências para as fundações públicas. ... Art. 70 – as pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS /PASEP com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. ... Art. 73 – A alíquota do PIS/Pasep é de 1% (um por cento), quando aplicável sobre a folha de salários e sobre as receitas arrecadadas e as transferências recebidas Consigna que, a teor do art. 41 do Código Civil, a autarquia é pessoa jurídica de direito público, o que significa ter, a priori, as mesmas prerrogativas e sujeições da administração direta, portanto, com poder de autoadministração, nos limites estabelecidos em lei. Reitera que as pessoas jurídicas de direito público interno são contribuinte do PASEP, com valor correspondente a 1% das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas (artigo 8º, inciso III, da Lei n. 9.715/98). E, para identificar quais as receitas recebidas pelo Instituto de Previdência para ser possível saber aquelas que servirão de base de cálculo para efeito desse pagamento, reportase ao art. 23 da Orientação Normativa MPS/SPS nº 02, de 31 de março de 2009, que assim transcreve: Fl. 552DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 553 14 Art. 23 – Constituem fontes de financiamento do RPPS: I – as contribuições do ente federativo, dos segurados ativos, dos segurados inativos e dos pensionistas; II – as receitas decorrentes de investimentos e patrimoniais; III – os valores recebidos a título de compensação financeira, em razão do § 9º do art. 201 da Constituição Federal; IV – os valores aportados pelo ente federativo; V – as demais dotações previstas no orçamento federal, estadual, distrital e municipal; e VI – outros bens, direitos e ativos com finalidade previdenciária. Alega que diante das receitas dos RPPS, estabelecidas acima, há entendimento de que estas devem excluir a contribuição patronal das receitas que compõem a base de cálculo do PASEP, visto que já houve incidência sobre tais receitas. A contribuição patronal é elemento de despesa incluído no orçamento do ente federado ou do empregador. Expõe que: 51 analisando o art. 7º da Lei nº 9.715/98, que estabelece que para os efeitos do inciso III, do art. 2º desta Lei, nas receitas correntes estão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas, comprovase que o Regime Próprio de Previdência Social, quando criado como uma autarquia, possui como obrigação tributária o pagamento da contribuição social, PASEP, e o fará na incidência de 1% sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e de transferências correntes e de capital recebidas dentre aquelas discriminadas no art. 23 supracitado. 52 a legislação aplicável aos regimes próprios de previdência entende como entidade responsável pelo RPPS a autarquia, fundação, secretaria ou qualquer outra unidade administrativa instituída para caracterizar e evidenciar o patrimônio da previdência local e suas respectivas variações. Ressalta o disposto no art. 2º, § 3º da Lei n° 9.715/98, que prevê: para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 554 15 E conclui que não há legislação expressa que obriga os regimes próprios de previdência ao recolhimento do PASEP sobre seus rendimentos, ou mesmo que obrigue que os RPPS recolham PASEP. Tratar desta forma seria uma afronta ao princípio constitucional da legalidade. Defende, também, a não incidência do Pasep sobre Receitas Intraorçamentárias, expondo que: 55. Como se considerou na fiscalização que a dedução a título de receitas intraorçamentárias (referente à conta 7000.00.00), cujos demonstrativos apresentados indicaram como “Repasses de Patronal de Folha ao RPPS”, estaria incorreta, imprescindível demonstrar sua regularidade; 56. Conforme dispõe o Manual de Contabilidade aplicada ao Setor Público – MCASP, Parte I – Procedimentos Contábeis Orçamentários, 5ª edição – pag. 13, as operações intraorçamentárias são aquelas realizadas entre órgãos e demais entidades da Administração Pública, integrantes do orçamento fiscal e do orçamento da seguridade social do mesmo ente federativo; por isso, não representam novas entradas de recursos nos cofres públicos do ente, mas apenas movimentação de receitas entre seus órgãos. 57. As receitas intraorçamentárias são a contrapartida das despesas classificadas na Modalidade de Aplicação “91 – Aplicação Direta Decorrente de Operação entre Órgãos, Fundos e Entidades Integrantes do Orçamento Fiscal e do Orçamento da Seguridade Social” que, devidamente identificadas, possibilitam anulação do efeito da dupla contagem na consolidação das contas governamentais. 58. Assim, a fim de evitar a dupla contagem dos valores financeiros objeto de operações intraorçamentárias na consolidação das contas públicas, a Portaria Interministerial STN/SOF n. 338, de 26 de abril de 2006, incluiu as “Receitas Correntes Intraorçamentárias” e “Receitas de Capital Intraorçamentárias”, representadas, respectivamente, pelos códigos 7 e 8 em suas categorias econômicas. Essas classificações, segundo disposto pela Portaria que as criou, não constituem novas categorias econômicas de receita, mas tão somente especificações das Categorias Econômicas “Receita Corrente” e “Receita de Capital” 59 . As dúvidas que surgem a respeito das receitas intraorçamentárias referemse principalmente à definição sobre a inclusão dessas receitas na base de cálculo do PASEP, visto que já houve a inclusão dessas receitas na base de cálculo quando o ente recebeu a receita inicialmente. Verificase, portanto, mais uma vez, a duplicidade na incidência da contribuição, razão pela qual a municipalidade não incluiu o valor para recolhimento da contribuição. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 555 16 Conclui pela regularidade das deduções realizadas pela Impugnante para apuração da base de cálculo da contribuição ao PASEP e entende que a manutenção deste lançamento acarretará cobrança indevida e em duplicidade do tributo, pelo que requer seu cancelamento com a procedência da impugnação. Também questiona a penalidade aplicada de 75%, alegando, que apesar de esse percentual estar legalmente previsto, verificase que, em razão de ser exorbitante, é atentatório ao princípio da razoabilidade e do não confisco (art. 150, IV, da Constituição Federal). Discorre acerca de sua tese citando excertos de doutrina e ementas de decisões judiciais. Requer a improcedência do lançamento nesse ponto, por inexistir previsão legal de multa constitucionalmente válida ou, a redução da multa de 75% para 20%. Finaliza formulando pedido de procedência da impugnação. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou o lançamento procedente em parte, com a seguinte ementa (fl. 483): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE SUS. REPASSES RECEBIDOS POR MUNICÍPIOS. PASEP. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. O Município, na qualidade de pessoa jurídica de direito público interno, está sujeito a incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor das receitas arrecadadas e das transferências recebidas, incluindose nesta última rubrica os valores recebidos da União, para cobertura dos serviços e ações de saúde relativos ao SUS. RETENÇÕES NA FONTE. Se, na apuração dos valores lançados, a Fiscalização demonstra ter partido das receitas informadas pelo próprio Município e ter contemplado os valores declarados/pagos e os valores retidos na fonte, coincidentes com aqueles confirmados em demonstrativos do contribuinte, a alegação de determinação legal de retenção na fonte não é hábil a alterar o lançamento, sobretudo se não apresentadas provas de que outras seriam as retenções ocorridas e respectivas bases de cálculo. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. MUNICÍPIO. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. A existência de regime próprio de previdência social para os servidores municipais e a obrigação de o Município contribuir na condição de empregador (contribuição Fl. 555DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 556 17 patronal), não permite que receitas do Município, assim despendidas, sejam excluídas da base de cálculo da contribuição ao PASEP devida pelo ente municipal por não encontrar, tal exclusão, respaldo no art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998 que prevê apenas deduções de transferências efetuadas a outras entidades públicas. Ausente prova de que as receitas utilizadas para pagamento de contribuição patronal a Regime Próprio de Previdência Social teriam sido transferidas para entidade pública diversa do Município, não há como afastar o lançamento em face do Município. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da penalidade nos lançamentos de ofício é determinada no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso voluntário, (fls. 522 e seguintes), sobre as seguintes questões: III.2. DAS DEDUÇÕES SOBRE A RECEITA TRANSFERIDA PARA O SUS III.3 DAS DEDUÇÕES SOBRE A RECEITA TRANSFERIDA PARA O RPPS III.4 DA NÃO INCIDÊNCIA DO PASEP SOBRE AS RECEITAS INTRAORÇAMENTÁRIAS IV) DA INCORRETA COMINAÇÃO DA MULTA IV.1 DA VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira, Relatora Sendo tempestivo e preenchidos os demais requisitos para admissibilidade do Recurso Voluntário, dele tomo conhecimento. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 557 18 Conforme indicado na decisão recorrida, a exigência decorre do fato de a Municipalidade (i) ter deduzido dos seus valores de Receitas de Transferências Correntes, e, consequentemente, das bases de cálculo do PASEP, valores de repasses de receitas do SUS (Sistema Único de Saúde), e também (ii) ter deduzido da base de cálculo do PASEP receitas intraorçamentárias identificadas como "Repasses de Patronal de Folha ao RPPS. As exigências são relativas aos anos calendários de 2012 e 2013. Para melhor análise dessa questão, colacionamos excerto explicativo constante da decisão recorrida (fl. 497/498): (...) o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PASEP foi instituída pela Lei Complementar nº 8, de 03 de dezembro de 1970. Nos termos desse diploma, são contribuintes do PASEP a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios, bem como suas autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações. O artigo 2º da LC nº 08/70 assim dispõe: Art. 2º. A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I – União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes. II Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971, 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo, da União, dos Estados, através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. O fundamento legal da autuação, além do art. 1º da LC 08/70 que instituiu o PASEP, é o disposto nos arts. 2º, inciso III, 7º e 8º, inciso III, da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, da qual, para análise da questão, citamse os seguintes dispositivos que regem a apuração do PIS/Pasep pelas pessoas jurídicas de direito público: Lei nº 9.715, de 1998 Fl. 557DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 558 19 Art. 2º. A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (…) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (…) §3º. Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. (…) § 6º A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. (Incluído pela Lei nº 12.810, de 2013) (…) Art. 7º. Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art. 8º. A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. O disposto acima foi regulamentado no Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002: Decreto nº 4.524, de 2002 “Art. 70 As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com Fl. 558DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 559 20 base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). (...) § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno.” (Destaques acrescidos) Por seu turno, a Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com a redação dada pelo DecretoLei nº 1.939, de 20 de maio de 1982, ao estatuir Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, faz a seguinte definição: “Art. 11 – A receita classificarseá nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. §1º São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas jurídicas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes.” Nestes termos, todas as receitas correntes arrecadadas integram a base de cálculo da contribuição, assim como as transferências correntes e de capital recebidas. Observese que o art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, ressalta que nas receitas correntes são incluídas quaisquer receitas tributárias, permitindo como única dedução possível as transferências efetuadas a outras entidades públicas. (grifo nosso) Em relação ao primeiro ponto constante do Recurso Voluntário, DAS DEDUÇÕES SOBRE A RECEITA TRANSFERIDA PARA O SUS, a Recorrente alega que não existe embasamento legal expresso que vincule os regimes próprios de previdência ao recolhimento do PASEP. Defende que legislação aplicável aos regimes próprios de previdência concebe como entidade responsável pelo RPPS a autarquia, fundação, secretaria ou qualquer outra unidade administrativa instituída para caracterizar e evidenciar o patrimônio da previdência local e suas respectivas variações. No entanto, conforme consta da decisão recorrida, "a organização dos recursos do SUS e sua descentralização são realizadas por meio de Fundos Públicos e são previstos, além dos diversos dispositivos da Constituição Federal de 1988, na Lei Complementar nº 141, e 13 de janeiro de 2012, na Lei nº 8.080, de 19 de Fl. 559DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 560 21 setembro de 1990, e na Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990." Portanto, não se trata de uma transferência intergovernamental, portanto, não dedutível. Ademais, conforme consta da decisão recorrida, "distintamente do alegado, a autuação não implica duplicidade de exigência sobre as transferências de recursos, nem significa que sobre tais transferências esteja incidindo mais de uma contribuição. De fato, como relatado, a Fiscalização descontou as retenções na fonte ocorridas.", o que se explicita às fls. 506/507. Dessa forma, propõese manter a decisão recorrida, por seus próprios fundamentos, neste item. Em relação ao segundo ponto de alegação, DAS DEDUÇÕES SORE A RECEITA TRANSFERIDA PARA O RPPS, cumpre mencionar que, conforme consta da decisão recorrida, a Recorrente não logrou comprovar que o RPPS é dotado de personalidade jurídica. Transcrevese trecho da decisão recorrida: Em suma, por não restar comprovado que o RPPS seria uma entidade pública diferente do município, mas que se constituiria meramente um fundo contábil, os recursos a ele transferidos não estão abrangidos pela hipótese de dedução prevista no art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. Ademais, os repasses de contribuições patronais do Município ao RPPS são motivados por contraprestação em bens e serviços ou decorrem do pagamento de obrigação da entidade, devendo ser classificados como operações intraorçamentárias que podem implicar transferências intragovernamentais. Também nesse item, propõese manter integralmente, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Cabe consignar por fim, que não se trata da tributação de operações interorçamentárias, mas da tributação na pessoa jurídica do Município e da ausência de base legal para permitir a dedução de transferências intraorçamentários para o SUS e para o RPPS. Com o exposto, temse que a base de cálculo considerada na autuação encontrase legalmente apurada, bem assim que do valor apurada da contribuição foram deduzidos os valores retidos na fonte, nos termos da Lei nº 9.715, de 1998, descaracterizandose a bitributação alegada pela Recorrente. O item IV do Recurso Voluntário, IV) DA INCORRETA COMINAÇÃO DA MULTA e IV.1 DA VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO, trata da impugnação da multa de ofício, que, nos termos do art. 44, I, da Lei no. 9430, de 1996, é de 75%. Pleiteia a Recorrente a redução da multa por ser confiscatória, não razoável e nem proporcional. Cumpre mencionar o entendimento de que a multa pode ser aplicada aos demais entes da Federação, conforme Parecer nº AGU/GV – 01/2004 aprovado Fl. 560DF CARF MF Processo nº 15504.728276/201628 Acórdão n.º 3301004.723 S3C3T1 Fl. 561 22 pelo Presidente da República, mediante despacho publicado no DOU em 15/07/2004, e do Parecer PGFN/CAT nº 1.612/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 12/08/2009, do qual colacionamos excerto da ementa: A Secretaria da Receita Federal (SRF) pode impor multa a entes públicos dotados de personalidade jurídica, quais sejam, os Estadosmembros, o Distrito Federal, os Municípios e as autarquias e fundações públicas, inclusive federais. Aplicação de multa a órgão público atinge, na verdade, a pessoa jurídica de direito público a que pertence o órgão autuado (grifouse). Cumpre consignar ainda, que, conforme a Súmula do CARF nº 2, "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Dessa forma, a decisão de primeira instância não merece retoques, pelo que faço dela minha razão de decidir, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/98 e § 3° da Portaria MF n° 343/15 (RICARF) e, desta forma, proponho manter a decisão por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 561DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.003744/2007-68
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO.
Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, deve-se considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04.
Numero da decisão: 9101-003.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13811.003741/2007-24, ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Luis Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Re^go.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, devese considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13811.003741/200724, ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Correâ, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 37 44 /2 00 7- 68 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13811.003744/200768 Acórdão n.º 9101003.548 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN"), no qual se discute o momento do reconhecimento das receitas previstas no art. 30 da MP nº 2.158, de 2001, para fins de observância da apresentação da DCTF (regime de caixa ou regime de competência. Entende a recorrente pela aplicação do regime de competência para a contabilização das receitas, em consonância com as leis comerciais e legislação fiscal, na ocasião de entrega de obrigação acessória. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para solução do litígio, idênticas àquelas verificadas no processo 13811.003741/200724, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.545, exarado em 05 de abril de 2018, no âmbito do referido processo 13811.003741/200724. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, o voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.545: Em relação à admissibilidade, adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade para conhecer do recurso. Passo ao exame do mérito. A matéria devolvida consiste em apreciar a seguinte questão: a administração tributária confere a opção pelo regime de caixa para a pessoa jurídica, no caso, receitas previstas no art. 30 da MP nº 2.158, de 2001; optando pelo regime de caixa, a apuração dos tributos efetuada pela pessoa jurídica pode conduzir a valores diferentes daqueles calculados pelo regime de competência; Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13811.003744/200768 Acórdão n.º 9101003.548 CSRFT1 Fl. 4 3 diante de tal divergência, poderia a administração tributária exigir a diferença decorrente da diferença no reconhecimento de receitas (caixa X competência) refletida na DCTF? Entendo que a administração não pode exigir a diferença decorrente da divergência de regime de reconhecimento das receitas, para o caso em debate. Vale transcrever o artigo 30 da Medida Provisória n° 2.158, de 2001: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. (Grifei) A norma foi reproduzida também no art. 13 da IN SRF nº 247 de 2002, em vigência à época dos fatos: Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência destas contribuições, como receitas financeiras. § 1º As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo das contribuições, segundo o regime de competência. (Grifei) Ora, se há permissivo legal expresso, no sentido de que as receitas podem ser reconhecidas no momento de sua percepção, quando da liquidação da correspondente operação, e tendo feito tal opção a pessoa jurídica, incorreria em equívoco a administração tributária exigir que a apuração das receitas na entrega da DCTF não seguisse o momento em que foram reconhecidas. De fato a regra geral é o regime da competência, mas se o legislador apresentou a opção do regime de caixa para a situação prevista na norma em análise, não há dúvidas de que as receitas deverão integrar a base de cálculo correspondente ao período em que foram efetivamente percebidas. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13811.003744/200768 Acórdão n.º 9101003.548 CSRFT1 Fl. 5 4 Se o dispositivo normativo que autoriza o regime de caixa tem como consequência a inclusão na base de cálculo das receitas no período de apuração "X", não há como se exigir que tais receitas, por conta do regime de competência, devessem estar incluídas no período de apuração "X+1". Vale transcrever excerto do voto proferido no Acórdão nº 1802 001.507 que tratou com precisão a questão: O ponto nodal da discórdia entre a autoridade fiscal e a Recorrente diz respeito ao momento em que as variações monetárias devem ser consideradas como integrantes da receita bruta para fins eleição do critério de apresentação da DCTF. De acordo com a autoridade fiscal devese respeitar o regime de competência, enquanto que na ótica da Recorrente, as pessoas jurídicas que se utilizaram da faculdade da apuração pelo regime de caixa previsto no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001 devem seguir o regime de caixa. (...) O legislador ao permitir que o contribuinte optasse pelo regime de caixa ou competência para a apuração desses tributos criou um descasamento entre a escrituração contábil e fiscal, o que se estendeu, inclusive, para os contribuintes que se encontrassem na sistemática de apuração do lucro presumido. Para corroborar com esse entendimento, vejamos a citada IN SRF nº 104/98: Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2° Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13811.003744/200768 Acórdão n.º 9101003.548 CSRFT1 Fl. 6 5 § 3° Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4° O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente. Art. 2º O disposto neste artigo aplicase, também, à determinação das bases de cálculo da contribuição PIS/PASEP, da contribuição para a seguridade social COFINS, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e para os optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.” (Grifos meus). Em consulta a legislação vigente, inclusive interpretativa, não há em lugar algum esclarecimento quanto a esta matéria, o que pode gerar dupla interpretação por parte do contribuinte. Frisese mais uma vez que há clara separação entre as obrigações fiscais e acessórias, especialmente quando da emissão das notas fiscais que se dão em momento diferente daquele em que se registra a receita bruta contábil, por força da IN 104/98, art. 1º, § 1º, acima transcrito. Com efeito, nos casos em que o contribuinte elege o reconhecimento do regime de caixa, e não de competência, para a apuração da base de cálculo dos seus tributos, causando assim o descasamento com a legislação comercial, nada mais razoável que o efeito (reconhecimento) da receita bruta para fins de cumprimento das obrigações acessórias também seja considerado no momento do recebimento. (Grifos originais) Assim, há que haver uma convergência entre o regime de apuração previsto no artigo 30 da Medida Provisória n° 2.158, de 2001, e a informação prestada para fins de cumprimento de obrigação acessória, no caso, a entrega de DCTF. Tendo sido concretizada a opção pelo regime de caixa para o reconhecimento das receitas previstas na legislação, tal sistemática deve ser refletida na apuração informada na declaração. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13811.003744/200768 Acórdão n.º 9101003.548 CSRFT1 Fl. 7 6 Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720409/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando ficar constatada a ocorrência de omissão no acórdão originário. Há omissão quando o acórdão se pronunciar sobre o mérito quanto ao direito, mas só registra expressamente parte das questões de fato suscitadas pelo Contribuinte.
Numero da decisão: 2202-004.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer a comprovação da origem dos valores elencados na tabela de e-fl. 825, e para que o dispositivo do acórdão embargado passe a ter a redação proposta na conclusão do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando ficar constatada a ocorrência de omissão no acórdão originário. Há omissão quando o acórdão se pronunciar sobre o mérito quanto ao direito, mas só registra expressamente parte das questões de fato suscitadas pelo Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer a comprovação da origem dos valores elencados na tabela de efl. 825, e para que o dispositivo do acórdão embargado passe a ter a redação proposta na conclusão do voto do relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 04 09 /2 00 7- 87 Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 10469.720409/200787 Acórdão n.º 2202004.623 S2C2T2 Fl. 2.902 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir crédito de IRPF, imputando como infração a omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Impugnado o lançamento, a DRJ manteve o crédito tributário. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, que foi julgado parcialmente procedente. Ainda inconformado, o Contribuinte opôs Embargos de Declaração, já parcialmente admitidos pela presidência dessa turma. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório dos autos. Em 09/05/2017 o CARF proferiu o acórdão nº 2202003.829 (fls. 2.826/2.846), que restou assim ementado e acordado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. DILIGÊNCIA. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. OMISSÃO DE RENDIMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38) SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 10469.720409/200787 Acórdão n.º 2202004.623 S2C2T2 Fl. 2.903 3 DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos. DEPÓSITO BANCÁRIO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é requisito essencial para a presunção de omissão de rendimento a prévia intimação do titular da conta bancária. A falta de intimação é vício material que gera nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29. CHEQUES DEVOLVIDOS. EXCLUSÃO. O contribuinte logrou êxito em demonstrar que foram contabilizados no lançamento, indevidamente, valores representados por "devolução de cheques", dos quais anexou microfilmagens. Cheques devolvidos não representam ingressos na conta corrente da pessoa física, tratandose os créditos apenas de registros transitórios. Devem, portanto, ser excluídos da base do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido juntamente com o Conselheiro Martin da Silva Gesto. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo: a) os valores relativos à conta corrente do Bradesco; b) o montante de R$ 114.777,00 das contas correntes do Banco do Brasil; vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Cientificado em 27/09/2017 (fl. 2.865), o Contribuinte protocolou Embargos de Declaração (fls. 2.868/2.887) na mesma data (fls. 2.866/2.867), argumentando, em síntese: "... o Acórdão vinculado ao presente processo contém omissões na apreciação da razão defensiva, que estão sintetizados na falta de manifestação sobre a Planilha e Documentos da Conciliação dos Extratos do Recorrente x CIDA, bem como da falta de manifestação sobre a Planilha de Cheques Devolvidos. O Acórdão padece, ainda, no entender do ora Embargante, de grave contradição, na medida em que afasta a possibilidade de os recursos depositados nas contas do Contribuinte pertencerem à pessoa jurídica na qual o mesmo é sócio." fl. 2.871/2.872; (...) Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 10469.720409/200787 Acórdão n.º 2202004.623 S2C2T2 Fl. 2.904 4 "O primeiro ponto que não foi abordado pelo voto vencedor do acórdão recorrido, ou seja, a decisão recorrida foi omissa, é sobre a FALTA DA ANÁLISE DOS DADOS DA PLANILHA E DOCUMENTOS DA CONCILIAÇÃO DOS EXTRATOS DO RECORRENTE COM OS EXTRATOS DA EMPRESA CIDA DA QUAL O CONTRIBUINTE É SÓCIO;" fl. 2.873 (grifo no original); (...) "O segundo ponto de omissão no acórdão recorrido consiste na não apreciação da Planilha de Cheques Devolvidos no valor de R$ 90.988,56, constante na Manifestação sobre o Relatório de Diligência Fiscal do Contribuinte, ora Embargante (fls. 825)." fl. 2.878; (...) "Conforme acima transcrito, fica evidente que o voto vencedor redigido pelo redator designado é totalmente contraditório quando se refere 'Vejamos que em seu voto, mesmo após a anexação do grande volume de documentos, o Relator disse estar convencido de que 'boa parte dos recursos provém da empresa'. Mas que parte é essa? Quais depósitos são provenientes de PJ e quais não são? E ainda dentre os que talvez fossem provenientes de PJ, quais os tributáveis e quais não são?". Bastaria o redator dar uma lida sobre o assunto no voto vencido que saberia pelo menos os valores que o relator citou, já que o relator é claro em seu voto exemplificando valores de depósitos que tem origem na pessoa jurídica CIDA da qual o Contribuinte, ora Embargante, é sócio. O redator do voto vencedor poderia facilmente tirar as suas dúvidas se ao menos tivesse dado uma analisada na PLANILHA E DOCUMENTOS DA CONCILIAÇÃO DOS EXTRATOS DO RECORRENTE COM OS EXTRATOS DA EMPRESA CIDA DA QUAL O CONTRIBUINTE É SÓCIO (DOC. 06 FLS. 443/447 ADOBE). Pelo visto, o redator do voto vencedor sequer deu uma verificada de passagem na planilha, simplesmente se apegou a letra fria da legislação de regência (art. 42 da Lei nº 9.430, 1996), sem se preocupar com a verdade material dos fatos." fls. 2884/2.884 (grifo no original); (...) "Nesse contexto, concluise que o voto vencedor da decisão embargada incidiu em contradição quando se manifestou sobre o entendimento do voto vencido redigido pelo relator do processo." fl. 2.885; (...) "Por conseguinte, e para que sejam devidamente sanados os vícios apontado, necessária se faz a atribuição de efeitos modificativos aos presentes Embargos de Declaração, trazendo decisão substitutiva à ora recorrida, onde se reconhece que os depósitos bancários tem origem comprovada através de recursos Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 10469.720409/200787 Acórdão n.º 2202004.623 S2C2T2 Fl. 2.905 5 fornecidos pela empresa CIDA da qual o ora embargante é sócio." fl. 2887. Analisando o recurso, a presidência da turma, em seu Despacho de Admissibilidade em Embargos (fls. 2.892/2.900), concluiu que: "Diante do exposto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, apenas no que tange ao item "b" omissão 2: falta de manifestação sobre a Planilha de Cheques Devolvidos." (grifo no original) É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Os Embargos de Declaração são tempestivos, e foram opostos pelo Contribuinte, parte legitimada a manejar o recurso. Entretanto, o Despacho de Admissibilidade foi claro em acolhêlo apenas parcialmente, sendo essa decisão definitiva. Nesse caminho, conheço apenas parcialmente dos Embargos de Declaração, especificamente para analisar a omissão imputada pelo sujeito passivo no tocante à manifestação sobre as Planilhas de Cheques Devolvidos. Conforme o já exposto no relatório, argumenta o Contribuinte ter havido omissão no acórdão CARF nº 2202003.829, de 09/05/2017, porquanto "... o voto vencedor do aresto questionado acolheu a justificativa do Contribuinte, ora Embargante, no sentido de que deveria ser excluído da base de cálculo da tributação os cheques devolvidos constantes da planilha de fls. 827, no valor de R$ 114.777,00. Entretanto não fez nenhum comentário sobre a outra planilha de fls. 825, no valor de R$ 90.988,56. Porém, as duas planilhas tratavam do mesmo assunto, qual seja: EXCLUSÃO DOS CHEQUES SEM FUNDOS DEVOLVIDOS NA SUA PRÓPRIA CONTA." fl. 2.880 (grifo no original); Efetivamente, na sua Manifestação em relação à diligência determinada em 2016, o Contribuinte apresentou duas tabelas individualizando lançamentos de cheques sem fundos devolvidos: uma à fl. 825 (9 lançamentos, totalizando R$ 90.988,56) e outra à fl. 827 (22 lançamentos, totalizando R$ 114.777,00). O voto vencedor se pronunciou expressamente sobre esta, mas não sobre aquela: "Por fim, tendo divergido da proposta de diligência e de que sua falta representaria incerteza quanto à base de cálculo, a macular o lançamento, entendo que o contribuinte, em resposta à intimação fiscal (fl. 821), que elaborou o relatório de diligência, logrou êxito em demonstrar que foram contabilizados no lançamento, indevidamente, R$ 114.777,00, representados por "devolução de cheques" do Banco do Brasil (fl. 827), dos quais Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 10469.720409/200787 Acórdão n.º 2202004.623 S2C2T2 Fl. 2.906 6 anexou microfilmagens. Cheques devolvidos não representam ingressos na conta corrente da pessoa física, tratandose os créditos apenas de registros transitórios." Há, portanto, omissão no acórdão Embargado, vício esse que pode e deve ser ora saneado. Compulsando a planilha de fl. 825, ali apenas se faz um cruzamento de informações disponíveis nos próprios extratos bancários que fundamentaram o lançamento. Outrossim, retornando aos referidos extratos, é possível observar que efetivamente há devolução dos cheques (vide fls. 471, 472, 502 etc.) e que os valores foram incluídos na base de cálculo (vide fls. 184 e 189). Outrossim, observase igualmente que a questão de direito já foi analisada e admitida por essa turma, entendendo que os valores referentes a cheques devolvidos devem ser excluídos da base de cálculo. Enfim, entendo ser necessário admitir tais valores como comprovados, excluindoos da base de cálculo. Dispositivo Diante do exposto, voto por acolher os Embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer a comprovação da origem dos valores elencados na tabela de efl. 825, e para que o dispositivo do acórdão embargado passe a ter a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido juntamente com o Conselheiro Martin da Silva Gesto. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo: a) os valores relativos à conta corrente do Bradesco; b) o montante de R$ 205.765,56 por se tratar de cheques estornados; vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Relator Fl. 2906DF CARF MF
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