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Numero do processo: 11080.100927/2005-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
INOVAÇÃO RECURSAL.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na manifestação de inconformidade.
IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. DIFERENÇA POSITIVA ENTRE O VALOR DE ALIENAÇÃO E O CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCIDÊNCIA.
Nos termos do § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988, a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição está sujeita ao imposto de renda sobre ganho de capital.
Numero da decisão: 2401-005.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, por unanimidade, negar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess, que conheceu do recurso e negou provimento. Processo julgado na sessão do dia 19/01/2018, período da tarde.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na manifestação de inconformidade. IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. DIFERENÇA POSITIVA ENTRE O VALOR DE ALIENAÇÃO E O CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCIDÊNCIA. Nos termos do § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988, a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição está sujeita ao imposto de renda sobre ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 09 27 /2 00 5- 35 Fl. 87DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, por unanimidade, negarlhe provimento. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess, que conheceu do recurso e negou provimento. Processo julgado na sessão do dia 19/01/2018, período da tarde. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.100927/200535 Acórdão n.º 2401005.238 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 4/12, acompanhado do demonstrativo de fl. 3 e do Relatório Fiscal de fls. 15/17, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física dos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 30.362,86, composto da seguinte forma: R$ 13.518,70 relativo ao Imposto; R$ 6.705,19 de Juros de mora (calculados até 31/05/2005); e R$ 10.138,97 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 50), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos por parte do autuado, cujos fatos geradores estão descritos às fls. 05/06. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 15/17), a omissão de rendimentos decorrente de ganho de capital na alienação de bens e direitos se deu da seguinte forma: “Conforme contrato particular de folhas 19 e 20, o senhor Sidnei Meder adquiriu o ap. 601 do Ed. Walter Kessler, em Capão da Canoa, em 21/10/2002, por R$ 200.500,00. Como parte do pagamento, deu o ap. 18 do Ed. Ibirapuera, em Porto Alegre, por R$ 70.000,00. De acordo com a escritura pública de folhas 21 a 24, o ap. 18 do Ed. Ibirapuera foi adquirido em 01/07/1999, por R$ 54.000,00. Consta no documento que foi pago o ITBI de R$ 1.620,00. Logo, o custo de aquisição foi de R$ 55.620,00. Assim sendo, na dação em pagamento, apurase um ganho de capital de R$ 14.380,00 em outubro de 2002. Conforme a escritura pública de folha 27, o senhor Sidnei Meder vendeu para Ademir Moschem a casa construída sobre os lotes 07 e 09 da quadra F1, na praia de Noiva do mar, em Xangrilá, em 26/10/2002, por R$ 100.000,00, pagos à vista. Pela declaração de bens constante na DIRPF/2003 (folhas 45 e 46), os imóveis vendidos possuíam um custo de aquisição, atualizado até a data da venda, de R$ 70.000,00. Logo, apurase um ganho de capital de R$ 30.000,00, em outubro de 2002. De acordo com a cópia da matrícula 53.002, do Cartório de Registro de Imóveis de Passo Fundo (folhas 33 a 34), o senhor Sidnei Meder vendeu o ap. 103 do Ed. Marabella para Maria Virgínia Berticeli, em 16/10/2002, por R$ 28.000,00. Fl. 89DF CARF MF 4 Ainda segundo esse documento, o imóvel foi adquirido em 21/07/2000, por R$ 20.000,00. Logo, apurase um ganho de capital de R$ 8.000,00, em outubro de 2002. Conforme contrato particular de folhas 37 a 39, o senhor Sidnei Meder vendeu para Maurício Benito Yagüe a casa construída sobre o lote 06 da quadra E3, na praia de Noiva do Mar, em Xangrilá, em 13/09/2001 (a data do documento, de 13/09/2002, está incorreta), por R$ 48.000,00, pagos de modo parcelado. Pela declaração de bens constante na DIRPF/2003 (folhas 45 e 46), o imóvel vendido possuía um custo de aquisição, atualizado até a data da venda, de R$ 10.254,80, e teria sido adquirido em 27/10/1989. Logo, apurase um ganho de capital de R$ 37.745,20, que pode ter sua tributação deferida, conforme o recebimento do preço (tabela de folhas 18). Conforme declaração de bens de folhas 42, 45 e 46, nas datas das alienações, o senhor Sidnei possuía outros imóveis, não se aplicando a isenção prevista no artigo 122 do Decreto 3000/99 – Regulamento do Imposto de Renda 1999. Tendo em vista a apuração do ganho de capital e a falta de recolhimento do imposto incidente (folha 50), foi efetuado o lançamento do mesmo por auto de infração, juntamente com os acréscimos moratórios e a multa de 75% prevista no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96.” Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 60/61), alegando, resumidamente, o que segue: (i) O apartamento 18, do Ed. Ibirapuera em Porto Alegre foi entregue como permuta quando da aquisição do apartamento 601, do Ed. Walter Kessler, em Capão da Canoa, sem apuração de ganho de capital; (ii) O imóvel vendido ao senhor Ademir Moschen, em 26/10/2002, foi adquirido em 1995 e não houve a devida atualização por parte da fiscalização; (iii) O imóvel repassado ao senhor Maurício Benito Yague foi adquirido em 27/10/1989 apenas o terreno. Foi edificada uma casa de alvenaria no decorrer dos anos, até 2001, quando a mesma foi vendida, não tendo ocorrido diferença positiva entre o custo e o valor da alienação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1031.451 da 8ª Turma da DRJ/POA, às fls. 64/67, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.100927/200535 Acórdão n.º 2401005.238 S2C4T1 Fl. 4 5 Anocalendário: 2001, 2002, 2003 GANHO DE CAPITAL. Na apuração de ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens e direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 21/06/2011, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 71. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 72/78), por intermédio do seu procurador regularmente constituído (Procuração de fl. 79), argumentando, resumidamente, o que segue: (i) Do conceito de permuta e da natureza dos contratos apresentados pelo Recorrente. Narra que de acordo com o serviço de perguntas e respostas do site da Receita Federal do Brasil, resta comprovado que deambularam mal os julgadores a quo ao julgarem improcedente a impugnação apresentada, pois todos os contratos, matrículas e escrituras públicas apresentados pelo recorrente à fiscalização dão conta de transações de permuta imobiliária. Alega que o fato de estar exposto em alguns contratos o termo “dação em pagamento” não significa que não houve permuta, pois a natureza do contrato não resta desfigurada pela denominação equivocada àquele atribuída. Destaca que dação em pagamento, como operação imobiliária, “é a entrega de imóvel pelo devedor ao credor, como pagamento de dívida preexistente e diversa do originalmente contratado”. Argumenta que, como no caso dos autos não há nenhuma prova de qualquer avença anterior em nenhuma das transações havidas, é evidente que houve um equívoco na denominação contratual, pois o que sempre houve foi a permuta pura e simples de imóveis entre os contratantes, valendo para o Recorrente os direitos tributários invocados na impugnação (Instrução Normativa SRF nº 107/1988), para pagamento do imposto de renda de forma diferida para etapa posterior, quando ocorrer a disponibilidade econômica com venda do imóvel recebido em permuta. E, sendo de permuta a natureza das operações realizadas pelo recorrente, cai por terra a argumentação da fiscalização para a improcedência da impugnação, sendolhe aplicável o benefício previsto no inciso II, do artigo 121, do RIR/1999. Fl. 91DF CARF MF 6 (ii) No mérito, argumenta que todos os procedimentos adotados pelo Recorrente estão amparados na IN SRF 107/88 combinado com o artigo 35 da IN SRF 39 de 30/03/1993, e, portanto, não houve nenhuma pratica infracional, não podendo subsistir a penalidade imposta no Auto de Infração. (iii) Do custo da obra – Sustenta que com relação à edificação sobre o terreno na praia de Noiva do Mar, não restou observado o custo da obra para averiguação do ganho de capital, pois caso o fosse, verificarseia que não houve ganho de capital algum, tendo em vista que o preço do terreno, cumulado com o custo da construção, resultou no mesmo valor pelo qual o imóvel foi vendido, conforme escritura pública juntada aos autos. (iv) Dos juros e correção – na hipótese de não serem aceitos os argumentos acima expostos, o que se admite apenas por argumentar, requer a exclusão da Selic como forma de correção monetária e a aplicação da taxa máxima de 1% ao mês ou fração. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11080.100927/200535 Acórdão n.º 2401005.238 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 21/06/2011 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 71, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 20/07/2011, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 1.2. DA TEMPESTIVIDADE Compulsando detidamente os presentes autos, verifico que o Recorrente inova na fase recursal ao apresentar tese não levada ao julgado de primeiro grau. Analisando o conteúdo das razões de impugnação (fls. 60/61) com as do recurso voluntário (72/78), verificase que o Recorrente inova nesse último relativamente às alegações “Dos Juros e Correção” – fl. 78, pois não foram ventiladas anteriormente. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 72.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 93DF CARF MF 8 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Da leitura dos dispositivos relacionados acima, resta evidente que a fase litigiosa somente se inicia com a apresentação da manifestação de inconformidade (impugnação) contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio. Nesse sentido, este Colegiado tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância. Confirase: “Acórdão nº 3301002.475 – CARF 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. DECADÊNCIA Tendo a contribuinte sido cientificado no transcurso do quinquênio legal não há que se falar em decadência. NULIDADE DO MPF Tendo sido realizadas as prorrogações e inclusões no procedimento de fiscalização, não há que se acolher a nulidade do procedimento. Recurso Voluntário conhecido em parte e na parte conhecida Improvido” Dessa forma, não conheço das inovações recursais relativas às alegações acerca dos Juros e Correção. 2. DO MÉRITO 2.1. Da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. De acordo com o Recorrente, todos os procedimentos adotados estão amparados na IN SRF 107/88 combinado com o artigo 35 da IN SRF 39 de 30/03/1993, e, portanto, não houve nenhuma pratica infracional, não podendo subsistir a penalidade imposta no Auto de Infração. Sustenta que o fato de estar exposto em alguns contratos o termo “dação em pagamento” não significa que não houve permuta, pois a natureza do contrato não resta desfigurada pela denominação equivocada àquele atribuída. Compulsando os autos, verifico que bem andou a decisão de primeira instância, posto que analisou a questão com percuciência, de modo que não merece qualquer reparo. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11080.100927/200535 Acórdão n.º 2401005.238 S2C4T1 Fl. 6 9 Com efeito, sobre o tema imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital, assim dispõe a Lei nº 7.713/1998: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Portanto, inconteste que a alienação de bens por pessoa física, por valores superiores ao custo de aquisição devidamente registrado nas respectivas declarações de bens e direitos, configura fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física. No caso dos autos, conforme contrato particular de folhas 19 e 20, o Recorrente adquiriu o apartamento 601 do Ed. Walter Kessler, em Capão da Canoa, em 21/10/2002, por R$ 200.500,00. Como parte do pagamento, deu o apartamento (dação em pagamento) 18 do Ed. Ibirapuera, em Porto Alegre, por R$ 70.000,00. Ocorre que, consta da escritura pública de folhas 21 a 24, que o apartamento 18 do Ed. Ibirapuera foi adquirido em 01/07/1999, por R$ 54.000,00, acrescido do pagamento de ITBI no valor de R$ 1.620,00. Logo, conforme bem pontuado pela fiscalização, o custo de aquisição foi de R$ 55.620,00. Dessa forma, na dação em pagamento, apurase um ganho de capital de R$ 14.380,00, de acordo com as disposições contidas no artigo 3º da Lei nº 7.713/1998. De outra banda, quanto à alegação de que a edificação sobre o terreno na praia de Noiva do Mar, não restou observado o custo da obra para averiguação do ganho de capital, pois caso o fosse, verificarseia que não houve ganho de capital algum, tendo em vista que o preço do terreno, cumulado com o custo da construção, resultou no mesmo valor pelo qual o imóvel foi vendido, novamente sem razão o Recorrente. Fl. 95DF CARF MF 10 Conforme consta da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (fl. 50 – Declaração de Bens e Direitos – item 03), o custo de aquisição foi de R$ 70.000,00, informação prestada pelo próprio Recorrente – e o valor de venda foi de R$ 100.000,00 (conforme Escritura Pública de fls. 27/28). Assim, evidente que houve diferença de R$ 30.000,00, resultante do valor de aquisição. Logo, mostrase correto o procedimento de apuração de ganho de capital. Desta forma, não há quaisquer fundamentos para se reformar a decisão de primeiro grau. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário do Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001377/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/06/2005 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. Se após a reconstituição da escrita fiscal no RAIPI, houver créditos validados pelo Fisco para compensar parte do saldo devedor, então houve pagamento parcial, apto a atrair a aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Logo, conta-se o prazo decadencial de cinco anos a partir do fato gerador do tributo.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. AR CONDICIONADO. Máquinas e aparelhos de ar condicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente, classificam-se na posição 8415 da TIPI, com alíquota de 20% para o IPI, classificando-se na mesma posição outras máquinas que, por combinação com as primeiras, complementam-nas no condicionamento de ar, o que justifica o lançamento de ofício das diferenças apuradas pela fiscalização, com o acréscimo de multa e juros.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-004.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques dOliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que entenderam pela nulidade do lançamento na parte em que a fiscalização deixou de efetuar a classificação com os oito dígitos; e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência em relação a fatos geradores ocorridos entre 1º e 15 de junho de 2005 e para retirar o agravamento da multa de ofício.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/06/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. Se após a reconstituição da escrita fiscal no RAIPI, houver créditos validados pelo Fisco para compensar parte do saldo devedor, então houve pagamento parcial, apto a atrair a aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Logo, contase o prazo decadencial de cinco anos a partir do fato gerador do tributo. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. AR CONDICIONADO. Máquinas e aparelhos de ar condicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente, classificamse na posição 8415 da TIPI, com alíquota de 20% para o IPI, classificandose na mesma posição outras máquinas que, por combinação com as primeiras, complementamnas no condicionamento de ar, o que justifica o lançamento de ofício das diferenças apuradas pela fiscalização, com o acréscimo de multa e juros. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d’Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que entenderam pela nulidade do lançamento na parte em que a fiscalização deixou de efetuar a classificação com os oito dígitos; e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência em relação a fatos geradores ocorridos entre 1º e 15 de junho de 2005 e para retirar o agravamento da multa de ofício. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 13 77 /2 01 0- 28 Fl. 3450DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.451 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de auto de infração lavrado por insuficiência de IPI, em razão de erro de classificação fiscal de produtos fabricados pela Recorrente, bem como a utilização de créditos indevidos do mencionado imposto. A exação fiscal foi formalizada no Auto de Infração de efls. 2666 2697, e se refere ao IPI, no valor de R$ 14.702.870,84, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75%, por falta de lançamento, em alguns casos majorada para 112,5%, multa essa exigida inclusive nos períodos de apuração em que houve cobertura de créditos, somando as citadas parcelas, na data da autuação R$ 50.684.523,18. O sujeito passivo também foi intimado, pelo referido Auto de Infração, a estornar na escrita fiscal créditos no valor de R$ 28.133.890,51. A empresa tem por objeto social a industrialização, comércio, aluguel, importação e exportação de equipamentos para refrigeração e afins, além de atividades correlatas. A motivação do lançamento está explicitada no Termo de Verificação Fiscal, efls. 26982735, do qual extraise o seguinte: todos os produtos a Recorrente deveria classificar no código 8415 da TIPI (Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente). Isso porque, segundo a NESH, esta posição abrange: "os conjuntos de máquinas ou de aparelhos destinados a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade. Estes conjuntos contêm, às vezes, elementos para purificar o ar. Estas máquinas e aparelhos são utilizados para a climatização de escritórios, apartamentos, lugares públicos, navios, veículos motorizados, etc, bem como em certas instalações industriais a fim de obter um condicionamento particular de ar, exigido para algumas indústrias: têxteis, papéis, fumo tabaco, produtos alimentícios, etc. Só se incluem nesta posição as máquinas e aparelhos: 1) contendo um ventilador a motor, e 2) concebidos para modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, desumidificador ou os dois juntos) do ar, e 3) nos quais os elementos citados nas alíneas 1) e 2) se apresentem em conjunto. Fl. 3451DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.452 3 (..) Entende a fiscalização que: Em resumo, se um aparelho destinado a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade for integrado por um ventilador com motor para circulação do ar e um evaporador de grupo frigorífico ou outro elemento de arrefecimento (ou seja, um trocador de calor que modifique ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar), ele será, obrigatoriamente, classificado na posição 8415. E, como referido acima, quando máquinas de espécies diferentes desempenham conjuntamente as funções de ar condicionado, também serão classificadas na posição 8415, ainda que, individualmente, não apresentem os atributos exigidos para esse enquadramento. Outro ponto importante a ser destacado é que esses equipamentos podem ser alimentados por fluido resfriado produzido em outro equipamento (uma unidade condensadora de split ou um chiller, por exemplo) e não perderão a condição necessária à classificação na posição 8415, haja vista que continuarão tendo um ventilador a motor e um trocador de calor (serpentina ou outro elemento de arrefecimento) que, ao permitir a circulação do fluido frio, modificará a temperatura ambiental e, por condensação, a umidade do ar. Nesses casos, como já referido no parágrafo anterior, a unidade condensadora ou o chiller, ao desempenharem conjuntamente com outro dispositivo as funções de ar condicionado, também deverão ser classificados na posição 8415 (ainda que isoladamente, eventualmente possam não preencher todos os requisitos necessários a essa classificação). Por sua vez, o contribuinte defende a classificação fiscal por ele adotada, com o argumento de que seus equipamentos não possuem um dispositivo específico para alterar a umidade, circunstância que, para a fiscalização, é irrelevante, em face do teor das NESH, segundo as quais a posição 8415 abrange também os aparelhos desprovidos de dispositivo que permita regular separadamente temperatura e umidade do ar e que a modifique por condensação. A fiscalização apontou, no relatório fiscal, as irregularidades relativas à Classificação de Mercadorias, bem sintetizadas pela decisão de piso: Unidades condensadoras As unidades condensadoras de aparelhos de arcondicionado do tipo splitsystem (sistema com elementos separados) atuam conjuntamente com unidades evaporadoras, interligadas entre si por fios e dutos. A fiscalização ressalta que o interessado formulou consulta sobre a classificação fiscal de unidade condensadora, Fl. 3452DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.453 4 apresentada separadamente, tendo sido emitida a Solução de Divergência Coana n° 20, de 27 de maio de 2002, que reformou a Solução de Consulta SRRF/10ª RF n° 1, de 2001, classificando a unidade condensadora objeto da consulta no código 8418.69.90. Ocorre que a fiscalização constatou a existência de inúmeros casos de "vendas casadas", efetuadas pelo interessado, ou seja, vendas conjuntas de unidades evaporadoras e de unidades condensadoras, em igual quantidade, no mesmo documento fiscal e para o mesmo cliente, porém tributadas a menor, como se tais unidades não formassem um conjunto entre si, que é o aparelho de ar condicionado do tipo splitsystem, classificado no código 8415.10.11 ou no código 8415.10.90, dependendo da capacidade do aparelho em frigorias/hora [1 frigoria = 3,95 British Thermal Unit (ou Unidade Térmica Britânica) Btu], sobretudo com base nas Notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI , com alíquota de 20%. No período fiscalizado, as unidades condensadoras foram classificadas pelo contribuinte fundamentalmente no código 8418.60.10, com alíquota do IPI de 2%, até 15 de junho de 2005, e com alíquota zero, a partir dessa data. A fiscalização também citou a Solução de Consulta SRRF/2ª RF n° 59, de 8 de agosto de 2005, que classificou unidade condensadora para sistema de ar condicionado do tipo split system no código 8418.61.10, quando apresentada isoladamente, sem a presença de uma unidade evaporadora. A fiscalização informa que efetuou diligências, para apurar a ocorrência de "vendas casadas", destacandose a que foi realizada no cliente VG Brasil Atividades Hoteleiras Ltda., inscrito no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) sob n a 05.467.077/000190, conforme documentos das fls. 244 a 287 (vol. 2), que apresentou proposta ao autuado, para aquisição de quinhentos " splits", em que está consignada a venda de aparelhos de ar condicionado, para instalação em hotel localizado em Camaçari/BA, sendo que o próprio autuado inspecionou o local de instalação dos equipamentos. A fiscalização ressalta ainda que efetuou o lançamento de ofício das diferenças do IPI, com base no erro de classificação fiscal, exclusivamente nos casos de vendas de unidades condensadoras efetuadas juntamente com unidades evaporadoras, algumas vezes acompanhadas de kit de controle remoto, sendo que cerca de 48% das vendas das unidades condensadoras ocorreram nas referidas condições. Embora as demais vendas das unidades condensadoras possam também ter sido "casadas", a fiscalização considerou impossível o rastreamento das operações, visto que tais vendas foram efetuadas em datas diversas e com base em documentos distintos. Unidades evaporadoras Em seguida, foi objeto de exame a classificação fiscal das unidades evaporadoras, tendo sido constatado pela fiscalização que o estabelecimento produz vários modelos, a exemplo da linha Builtin (embutido), que foi objeto de consulta sobre a classificação fiscal, tendo sido emitida a Decisão/SRRF 10ª RF/Diana n° 12, de 12 de fevereiro de 1998, publicada no Diário Oficial da União em 8 de maio de 1998, a qual classificou as diferentes unidades evaporadoras ali mencionadas, mesmo apresentadas isoladamente, nos códigos 8415.10.10, 8415.82.10 ou 8415.82.90 da TIPI . As unidades evaporadoras objeto de verificação e lançamento por erro de classificação fiscal neste processo são as mesmas objeto da consulta antes mencionada, apresentando basicamente as mesmas características técnicas, diferindo apenas em formato, apresentação e capacidade, sendo que todos os modelos prestamse a uma função específica e possuem os mesmos componentes básicos que determinam a sua classificação na posição 8415 da TIPI. No caso, Fl. 3453DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.454 5 tratase de aparelhos destinados a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera, sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade, contendo um ventilador a motor, sendo concebidos para modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade do ar, por condensação. A fiscalização também verificou que, no período sob exame neste processo, o contribuinte passou a acatar de forma ampla a orientação emanada da Solução de Consulta antes referida, mas em algumas poucas operações as unidades evaporadoras permaneceram classificadas indevidamente nas posições 8418 e 8419 da TIPI. O estabelecimento foi, então, autuado por ter utilizado a classificação e a alíquota incorretas, ou por ter utilizado a classificação correta, mas com a alíquota incorreta, sendo que, na maior parte desses casos, não houve lançamento do IPI nas notas fiscais. Em tais situações, houve a majoração da multa de ofício, no Auto de Infração, de 75% para 112,5%, pela inobservância do teor da Decisão/SRRF 10ª RF/Diana n° 12, de 1998. Equipamentos Self Contained Adiante, foi verificada a classificação fiscal dos equipamentos Self Contained, que são constituídos pela conjugação de um módulo de ventilação (código 40BV) a um trocador de calor, que pode ser com condensação à água (código 40BR) ou com condensação a ar remota (código 40BZ), caso em que é efetuada por um terceiro módulo condensador (códigos 9 A B ou 9CK). Para que execute as funções típicas de ar condicionado requeridas pela TIPI e pelas Nesh, fazse necessária a conjugação dos módulos "ventilação" (um ventilador a motor) e "trocador de Calor" (com a função de interferir na temperatura c, por condensação, na umidade), que desempenham conjuntamente as funções próprias das unidades evaporadoras descritas anteriormente. Foram realizadas diligências em clientes do autuado, conforme documentos das fls. 388 a 399 (vol. 2) e 402 a 449 (vol. 3), tendo sido apurado que a função do equipamento adquirido era a de condicionador de ar para lojas, escritórios ou centros de processamento de dados, para controle da temperatura ambiental, com interferência na umidade do ambiente, por condensação, sendo removida por dreno a água condensada. A fiscalização analisou as notas fiscais de saída e constatou que 62% das vendas desses equipamentos era "casada", ou seja, os clientes, em grande parte consumidores finais, adquiriam um "módulo de ventilação" e um "módulo trocador de calor", caracterizando um aparelho de ar condicionado, que deveria ter sido classificado nas subposições 8415.81 ou 8415.82, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade em frigorias/hora, todos com alíquota de 20% para o IPI. No período fiscalizado, os produtos em questão foram classificados pelo contribuinte fundamentalmente nos códigos 8418.99.00, 8418.61.90 e 8418.61.10 para o trocador de calor (40BR e 40BZ) e no código 8414.59.90 para o módulo ventilador, na maior parte dos casos sem lançamento do IPI nas notas fiscais. Aparelhos Fan Coil Na sequência, a fiscalização verificou a classificação fiscal de aparelhos de ar condicionado do tipo Fan Coil, que podem funcionar em corpo único ou em módulos. Alguns são montados em um gabinete com acabamento para ficar expostos no ambiente a ser refrigerado e outros com gabinete sem acabamento esmerado, próprios para ficarem em ambientes reservados, mas todos apresentando Fl. 3454DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.455 6 ventilador motorizado, tendo a função de modificar a temperatura (arrefecimento/aquecimento) e, por condensação, a umidade do ar. A fiscalização ressalta que o próprio contribuinte denomina os referidos aparelhos de "condicionadores de ar" e que o fato de um Fan Coil de fluido frio produzido em outro equipamento (um Chiller, por exemplo) não descaracteriza a classificação do Fan Coil na posição 8415, porquanto as características intrínsecas desse último equipamento preenchem todos os requisitos já referidos no tocante aos aparelhos de ar condicionado do tipo Splitsystem. Foi realizada diligência, conforme documentos das fls. 637 a 682 (vol. 4), tendo sido apurado que o interessado teve acesso ao projeto para instalação do equipamento Fan Coil na sede da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo, equipamento esse adquirido pelo cliente Citycon Engenharia e Construções Ltda. para condicionamento de ar. No período objeto da fiscalização, tais aparelhos foram classificados indevidamente pelo interessado no código 8419.50.21 da TIPI, com alíquota de 2% até 15 de junho de 2005 e com alíquota zero após essa data. A classificação correta para os Fan Coil é nos códigos 8415.81.10, 8415.81.90, 8415.82.10 ou 8415.82.90, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade em frigorias/hora, todos com alíquota de 20% para o IPI. As operações que foram alvo do lançamento de ofício achamse relacionadas nos Anexos V e VI [fls. 1243 a 1252 (vol. 7)] do Relatório da Ação Fiscal das fls. 1045 a 1082 (vol. 6). Sistemas Air Handler Os sistemas de climatização do tipo Air Handler 39CM destinamse a grandes ambientes (shopping centers, hospitais, aeroportos e estabelecimentos comerciais em geral), sendo equipamentos de concepção modular, com unidade ventilador e unidade trocador de calor, as quais conjuntamente apresentam todos os requisitos para classificação na posição 8415, independentemente da alimentação com fluido frio produzido em outro equipamento (um chiller, por exemplo). O interessado oferece a seus clientes alguns acessórios para o referido sistema, tais como "Módulo Atenuador de Ruídos", "Equalizador/Damper", "Resistência de Aquecimento". "Módulo de Filtragem" e "Módulo de Mistura", acessórios incorporados ao condicionador de ar, classificáveis, por disposição das Notas 3 a 5 da Seção XVI da TIPI, no código do aparelho de ar condicionado. A fiscalização analisou as notas fiscais de saída e constatou que 71% das vendas desses equipamentos era "casada", ou seja, os clientes, em grande parte consumidores finais, adquiriam um "módulo de ventilação" e um "módulo trocador de calor", caracterizando um aparelho de ar condicionado, que deveria ter sido classificado nas subposições 8415.81 ou 8415.82 da TIPI, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade do equipamento em frigorias/hora, todos com alíquota de 20%, e não nas posições adotadas pelo contribuinte, fundamentalmente nos códigos 8419.59.90 e 8419.50.21 para o trocador de calor e 8414.59.90 para o módulo ventilador e demais acessórios, na maior parte dos casos sem lançamento do IPI nas notas fiscais. A fiscalização cita diligência efetuada na Telesp Telecomunicações de São Paulo S/A, situação em que o interessado participou de licitação para fornecimento de sistemas de ar condicionado, para obras da referida empresa. Embora as demais vendas dos referidos produtos possam também ter sido "casadas", a fiscalização considerou impossível o rastreamento das operações, visto que tais vendas foram efetuadas em datas diversas e com base em documentos distintos. Fl. 3455DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.456 7 Equipamentos Multisplit O estabelecimento fiscalizado também fabrica equipamentos denominados Multisplit, que são produzidos em duas linhas: uma de alta e outra de baixa capacidade. Os princípios de funcionamento desses aparelhos são idênticos aos das unidades condensadoras dos aparelhos de ar condicionado do tipo splitsystem. Nas duas linhas, as funções "unidades evaporadoras" são exercidas pela conjugação de dois módulos independentes, denominados "módulo trocador de calor" e "módulo ventilação" (códigos 40MZ, na linha de alta capacidade, e 40MS, na linha de baixa capacidade). As "unidades condensadoras" são identificadas pelo estabelecimento com os códigos 38MZ (ventilador centrífugo) ou 38AB (ventilador axial), na linha de alta capacidade, e 38MS na linha de baixa capacidade. A fiscalização constatou que aproximadamente 42% das vendas de unidades condensadoras e dos módulos "trocador de calor" e "ventilação" era casada, vale dizer, os clientes não estavam adquirindo as referidas unidades, em si, mas aparelhos de ar condicionado, o que se comprova por serem os referidos clientes, em sua maioria, consumidores finais, a exemplo de grandes empreendimentos na área de serviços e comércio para instalação em seus estabelecimentos. As demais aquisições foram feitas por empresas especializadas em sistemas de ar condicionado, motivo pelo qual a fiscalização considerou que a classificação fiscal correta, nos referidos casos de "vendas casadas", é a própria dos aparelhos de ar condicionado, nas subposições 8415.81 ou 8415.82 da TIPI, e itens correspondentes, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade em frigorias/hora, todas com alíquota de 20% para o IPI, e não as classificações adotadas pelo estabelecimento, a saber, 8418.61.10 para as unidades condensadoras, 8414.59.90 para o módulo ventilador e 8419.50.90 para o módulo trocador de calor. Embora as demais vendas das unidades isoladas possam também ter sido casadas, a fiscalização considerou impossível o rastreamento das operações, visto que efetuadas em datas diversas e com base em documentos diversos. Equipamentos Chiller O contribuinte ainda produz equipamentos denominados Chiller, também conhecidos como resfriadores de líquidos ou centrais de água gelada, para diversas aplicações industriais ou comerciais, tendo a fiscalização analisado as situações em que os Chillers são utilizados para fins de condicionamento de ar. Nesses casos, é utilizada a água resfriada como fluido refrigerante intermediário, levada para unidades condicionadoras de ar, como é o caso dos Fan Coil e Air Handler citados no Relatório da Ação Fiscal das fls. 1045 a 1082 (vol. 6), situação em que o Chiller desempenha função análoga à da unidade condensadora dos aparelhos de ar condicionado do tipo splitsystem: fornecer o fluido frio à unidade evaporadora, para que essa última efetue a troca de calor com o ambiente, refrigerandoo, sendo que o Fan Coil e o Air Handler desempenham função análoga à função evaporadora do split. Conforme ressaltado anteriormente, o Fan Coil, o Air Handler e a unidade evaporadora do split possuem as características intrínsecas dos condicionadores de ar, independentemente de necessitarem de outro equipamento que os alimente com o fluido frio, devendo, portanto, ser classificados na posição 8415 da TIPI, inclusive nos casos de vendas isoladas. Os Chiller, em situação análoga a das unidades condensadoras, ao serem objeto de venda conjunta, que caracterize de forma evidente estar sendo procedida a saída de um sistema de Fl. 3456DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.457 8 condicionamento de ar, e não de um Chiller isoladamente, por força das já referidas Notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI, obrigatoriamente deveriam ter sido classificados na posição 8415. Assim, no curso das circularizações efetuadas, a fiscalização constatou três situações em que ficou caracterizada a saída de um sistema de ar condicionado integrado por Chiller e Fan Coil ou Air Handler (de fato, o Air Handler caracterizase também como um Fan Coil). A fiscalização cita, além dos casos das empresas Citycon e Telesp, antes mencionados, o caso do cliente Educadora ASC Ltda., CNPJ (34.207.923/000170, que adquiriu um sistema de ar condicionado, constituído por três unidades resfriadoras de água (Chiller), e os correspondentes condicionadores de ar Fan Coil, operação em que o cliente pagou R$ 2.000,00 para custear gastos de transporte, estadia e alimentação de técnicos do interessado, conforme documentos das fls. 661 a 672 (vol. 4). Assim, entendeu a fiscalização que a classificação correta para o conjunto de equipamentos é a própria dos aparelhos de ar condicionado, nas subposições 8415.81 ou 8415.82 da TIPI, e itens correspondentes, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade em frigorias/hora, todas com alíquota de 20% para o IPI, e não as classificações adotadas pelo estabelecimento: 8418.61.10 e 8418.61.90. Ademais, quanto aos créditos indevidos, saldo inicial de créditos de IPI e correção monetária de créditos de IPI: Créditos indevidos Sob outra perspectiva, a fiscalização apurou que o interessado escriturou em abril e dezembro de 2006, a título de "Outros créditos de IPI", respectivamente, R$ 1.619.253,42 e R$ 382.510,81, sendo que o interessado informou que o valor escriturado em abril de 2006 se refere a créditos do IPI na importação, cujos valores não haviam sido considerados na apuração dos respectivos meses, por falhas em procedimento interno, tendo apresentado duas relações de notas fiscais de entrada, que totalizam o valor do crédito considerado. Em uma das relações, nas fls. 974 a 985 (vol. 5), estão informadas as notas fiscais de entrada de importação, em relação às quais o IPI foi informado apenas parcialmente na data do ingresso dos insumos. Nesse caso, o contribuinte informou em "Outros créditos" apenas a diferença. Já na outra relação, nas fls. 986 a 993 (vol. 5), estão as notas em que a totalidade do IPI foi equivocadamente desconsiderada na apuração do mês de ingresso dos bens. Nesses casos, a totalidade do IPI de cada nota está incluída em "Outros créditos". Confrontando as duas relações, o autor do procedimento fiscal verificou que a Nota Fiscal na 42412, emitida em 19 de dezembro de 2005, com IPI no valor de R$ 20.384,86, foi considerada nas duas somas, segundo se verifica nas fls. 983 e 993 (vol. 5). Considerando que parcela do IPI dessa nota já havia sido apropriada na época da emissão do documento, é indevida a apropriação indicada na listagem anexada nas fls. 986 a 993 (vol. 5). Assim, foi objeto de glosa o montante de R$ 20.384,86, que integrou o total de R$ 1.619.253,42, registrado a título de "Outros créditos" em abril de 2006. De outra parte, para justificar o valor de R$ 382.510,81, creditado em dezembro de 2006, o contribuinte relacionou algumas notas fiscais de aquisição de mercadorias do próprio período, na fl. 994 (vol. 5), que, em vez de serem registradas nas linhas discriminadas por Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP), foram indicadas no campo "Outros créditos". Todavia, analisando a Nota Fl. 3457DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.458 9 Fiscal n a 1067, emitida por Vitality Comércio Exterior Ltda., a fiscalização verificou, segundo consta nas fls. 995 e 996 (vol. 5) que o destinatário é a filial 39 de Springer Carrier Ltda., localizada em São Paulo, e não o estabelecimento matriz, interessado neste processo e que se apropriou do crédito em tela. Assim, foi objeto de glosa o valor de R$ 18.969,36, referente ao IPI lançado na referida nota fiscal, que integrou o total de R$ 382.510,81, registrado a título de "Outros créditos" em dezembro de 2006. Saldo inicial de créditos do IPI Em razão do lançamento de ofício objeto do Processo na 11065.000667/2010 54, foi apurado novo saldo credor do IPI, em 31 de maio de 2005, no valor de R$ 12.006.655,68, segundo consta na fl. 293 (vol. 2). À vista disso, como primeira medida no sentido de apurar os corretos saldos da escrita fiscal no livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) do estabelecimento, neste processo a fiscalização efetuou a reconstituição da escrita fiscal, a partir do novo saldo credor inicial, antes mencionado. Após esse ajuste, prosseguiuse com o lançamento dos valores apurados em decorrência das divergências na classificação fiscal adotada pelo estabelecimento, e das glosas de créditos indevidos, apontados anteriormente. Correção monetária de créditos do IPI A fiscalização constatou na escrita do estabelecimento a existência de diversos créditos registrados no quadro "Demonstrativo de créditos", "Linha 005 – Outros créditos", do livro RAIPI, no período objeto da auditoria. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 07, das fls. 156 a 166 (vol. 1), o contribuinte apresentou documentos c/ou planilhas de cálculos, que, em seu entendimento, amparavam os créditos do IPI relacionados naquele termo. Quanto aos créditos registrados a título de "Correção monetária do saldo credor do IPI", o estabelecimento já havia apresentado, em procedimentos de fiscalização anteriores, cópia da Sentença n° 095/96, exarada na Ação Ordinária n° 93.00092138, bem assim certidão que atesta o trânsito em julgado do referido feito, comprovando que a decisão judicial proferida naquele juízo o autorizava a se creditar daqueles valores. Efetivamente, a decisão referida autoriza o interessado a corrigir monetariamente os seus saldos credores do IPI. Todavia, após a devida reconstituição da escrita fiscal em função da auditoria em comento e do estorno do saldo inicial referido anteriormente, verificouse que, devido ao lançamento de ofício, tanto a título de erro de classificação fiscal, quanto a título de glosa de créditos, os saldos credores do IPI nos períodos de apuração examinados sofreram alterações. Em função dos novos saldos apurados em cada período de apuração, tornouse obrigatório o recálculo da correção monetária a ser creditada. No Anexo XIII [fls. 1305 a 1308 (vol. 7)] do Relatório da Ação Fiscal das fls. 1045 a 1082 (vol. 6), a fiscalização demonstra, com base na planilha apresentada pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 07, antes mencionado, ajustada pelo estorno de parcela do saldo credor inicial, pelo valor dos outros créditos indevidos e pelos valores lançados de ofício em decorrência dos erros de classificação fiscal, os valores corretos da correção monetária do saldo credor inicial e, por dedução, o Fl. 3458DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.459 10 valor da glosa de correção monetária, na linha H do referido Anexo XIII , conforme consta nas Tabelas 7, 8 e 9, nas fls. 1080 e 1081 ( vol. 6). À vista de tudo isso, o Relatório da Ação Fiscal das fls. 1045 a 1082 (vol. 6) encerra, acrescentando que os créditos do IPI existentes na escrita fiscal do estabelecimento, no montante de R$ 28.133.890,51 foram integralmente utilizados na reconstituição da escrita, para a dedução prioritária dos débitos do IPI apurados de ofício na autuação em comento, conforme consta no Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal das fls. 1043 e 1044 (vol. 6). As infrações foram enquadradas nos seguintes dispositivos: a) arts. 15, 16, 17, 24, II, 34, II 122, 123, I, "b", e II, "c", 127, 130, 131, II, 199, 200, IV, e 202 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, no caso do erro de classificação fiscal e/ou de alíquota; b) arts. 34, II, 122, 123, I, "b", e II, "c", 127, 130, 131, II, 199, 200, IV, e 202, III, 427, 428, 431, 432, 436, 443, 444, 469, 470 e 471 do RIPI de 2002, no caso dos créditos básicos indevidos; c) arts. 164, 427, 428, 431, 432, 436, 443, 444, 469, 470 e 471 do RIPI de 2002, no caso da correção monetária indevida de saldos credores do IPI. Esse enquadramento sujeitou o interessado à multa de ofício de 75%, por falta de lançamento do IPI, ou de 112,5%, nos casos em que não foi observada a Decisão/SRRF 10ª RF/Diana n° 12, de 1998, conforme art. 80, I, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o art. 69, I, "a", da referida Lei n° 4.502, de 1964, sujeitando ainda o interessado a juros de mora, previstos no art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996. A Solução de Consulta da Recorrente, Decisão/SRRF 10ª RF/Diana n° 12, de 1998, tem o seguinte teor: Fl. 3459DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.460 11 Os argumentos da empresa, em impugnação, foram bem sintetizados pela DRJ: (...) preliminarmente, que se operou a decadência sobre todos os lançamentos e glosas de créditos realizados pelo Auto de Infração impugnando, relativos a fatos geradores e escrituração ocorridos antes de 15 de junho de 2005. Na sequência, a defesa alega que são nulos os lançamentos realizados a título de erro de classificação fiscal dos equipamentos Self Contained, sistemas Air Handler 39CM, sistemas Multisplit e equipamentos Chiller, uma vez que a fiscalização não observou a necessidade de indicação do código da TIPI supostamente aplicável, pecando pela falta de motivação. Refere que o autor do procedimento fiscal consignou que a classificação deveria ter ocorrido nas subposições 8415.81 ou 8415.82 da TIPI, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade do equipamento em frigorias/horas. Embora a todos os itens das referidas subposições corresponda alíquota de 20%, a referência ao código incompleto carece da esperada precisão, gerando nulidade por preterição do direito de defesa. Adiante, o interessado argumenta que são nulos todos os lançamentos efetuados pelo Auto de Infração controvertido, relativos ao suposto erro de classificação fiscal dos produtos denominados “unidades condensadoras” e “unidades evaporadoras”, eis que já foram objeto de lançamento no Processo nº 11080.014982/200856. A título de mérito, o impugnante alega que a TIPI possui previsão específica para a industrialização de elementos das máquinas de ar condicionado, quer sejam eles concebidos ou não para serem reunidos em um único corpo, e que esses elementos são excluídos expressamente da classificação na posição 8415 pelas Nesh, quando apresentados separadamente, conforme transcrição efetuada pela defesa, que também se reporta à Regra Geral 1 (RGI 1), para interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH). Além disto, o interessado argumenta que também não é aplicável a RGI 2, que teria sido utilizada pela fiscalização. Segue o impugnante dizendo que inexiste disposição legal que lhe obrigue a comercializar produtos com uma carga tributária mais onerosa e que, se houvesse, a mesma seria inconstitucional, por violar o princípio da liberdade (arts. 1º, 5º e 170 da Constituição da República Federativa do Brasil). Alega também que, se a vontade da União fosse tributar as unidades condensadoras com a mesma alíquota prevista para o aparelho de ar condicionado do tipo Split system, por exemplo, bastaria aumentar a alíquota correspondente ao referido aparelho, como ocorreu com a edição do Decreto nº 6.225, de 4 de outubro de 2007, que majorou a alíquota do código 8418.69.40 da TIPI, de zero para 20%, e não excluir de tal classificação os elementos apresentados separadamente. Acrescenta ainda que não concorda com a classificação das unidades evaporadoras na posição 8415.82.10 da TIPI, citando o Parecer Técnico nº 7.283/98, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, tendo adotado o referido código exclusivamente por força da Decisão SRFF/10ª RF/Diana nº 12, de 12 de fevereiro de 1998, no Processo nº 13002.000205/9787. Também acatou a classificação das unidades condensadoras, no código 8418.69.90, por força da Solução de Divergência Coana nº 20, de 27 de maio de 2002, que considera inobservada pela fiscalização. Discorda, outrossim, da conclusão do autor do procedimento fiscal, no sentido de que a Solução de Consulta SRRF/2ª RF nº 59, de 8 de agosto de 2005, legitimaria a classificação própria para o conjunto evaporador/condensador, diferente das classificações nos Fl. 3460DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.461 12 casos de venda em separado de cada uma dessas unidades. A fiscalização, segundo a defesa, entende que a classificação nos códigos próprios das unidades só seria possível quando as mesmas fossem “comercializadas isoladamente”. Alega que “comercializado” não se confunde com “apresentação”. O impugnante afirma que nos Processos nºs 11080.013226/200133, 11065.004409/200407, 11065.003605/200618 e 11065.002749/200738, a fiscalização exige a classificação fiscal de unidades evaporadoras e de Fan Coil em códigos próprios para máquinas que fazem parte de sistemas de ar condicionado. À vista disso, considera que, se a fiscalização classifica os equipamentos de Springer Carrier Ltda. como partes de sistemas de ar condicionado, com alíquota de 20% para o IPI, e agora classifica os mesmos equipamentos como aparelhos de ar condicionado completos, considera que a fiscalização, na verdade, está perseguindo a maior alíquota, com o que não concorda. Invoca o art. 100, III, do Código Tributário Nacional, no sentido de que as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas são normas complementares da legislação tributária. Adiante, a defesa alega que não se pode sustentar a ocorrência de “vendas casadas”, uma vez que não cabe ao impugnante decidir sobre a destinação dos aparelhos que comercializa, os quais não são por ele instalados. Aduz que não é o fato de ter acesso aos projetos de determinados clientes que caracteriza a fabricação de condicionadores de ar completos. Pelo contrário, os clientes elaboram os seus projetos e buscam uma solução de refrigeração de ar, que é resolvida pela conjugação de diversos elementos dos aparelhos de ar condicionado produzidos pelo impugnante. Chama a atenção para o fato de que os componentes necessários para formação de um equipamento do gênero vão além de uma unidade evaporadora e uma unidade condensadora (ou um Fan Coil e um Chiller, ou um módulo ventilador, um módulo trocador de calor e um módulo compressor), sendo necessários ainda outros dispositivos, a saber: dutos, bomba de água, tubulações, amortecedores de vibração, controles e toda a parte de instalação desses componentes. Prossegue o interessado, argumentando que é inadequada a classificação dos aparelhos objeto do auto de infração como aparelhos de ar condicionado completos na posição 8415 da TIPI, porque os mesmos não possuem, por si sós, as características mínimas exigidas para os aparelhos de ar condicionado (capacidade de alterar a temperatura e a umidade do ar), podendo, inclusive, ter outras destinações, como, por exemplo, servir de peças de reposição, atuar em conjunto com equipamentos de outros fabricantes, para formar máquinas industriais de refrigeração ou em frigoríficos. O impugnante se reporta a parecer técnico que apresentou à fiscalização, elaborado pelo Centro Profissional de Comércio Exterior (Cenpec), juntado nas fls. 146 a 155 (vol. 1), sobre a classificação fiscal das unidades evaporadoras, parecer no qual ficou claro que os referidos aparelhos, por se tratarem de elementos do grupo de ar condicionado, não podem ser classificados, isoladamente, na posição destinada para os aparelhos do tipo Split system. Adiante, refere que a fiscalização se equivoca, ao dizer que determinados aparelhos possuem isoladamente a capacidade de modificar a temperatura e a umidade do ar, citando as unidades evaporadoras, os sistemas Self Contained e os aparelhos Fan Coil, em relação aos quais é incorreto afirmar que sejam aparelhos condicionadores de ar. Diz que o Auto de Infração contestado é confuso, ao sustentar que os elementos possuem, por si sós, as características necessárias para serem classificados como aparelhos condicionadores de ar, sendo que, logo adiante Fl. 3461DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.462 13 no mesmo auto, é afirmado que a função de condicionador de ar só é garantida pela conjugação das funções dos diversos elementos, como, por exemplo, foi feito na descrição do sistema Air Handler e do Multisplit. Segue a defesa, dizendo que apesar de algumas notas fiscais analisadas pela fiscalização descreverem a venda de unidades evaporadoras, na verdade todas as notas fiscais em questão dizem respeito a vendas de aparelhos Fan Coil, de tal forma que toda a comercialização de unidades evaporadoras questionada no Auto de Infração impugnado representa, na verdade, a comercialização de equipamentos Fan Coil, porque, em primeiro lugar, não são mais vendidas as unidades evaporadoras com base na posição 8418 da TIPI, em face das autuações anteriores e da Decisão SRRF/10ª RF/Diana nº 12, de 12 de fevereiro de 1998, no Processo 13002.000205/9787. Em segundo lugar, o equívoco pode ser constatado pela análise do código do produto constante das notas fiscais, código esse que se refere a Fan Coil, e não a unidade evaporadora. Em terceiro lugar, os dois aparelhos são constituídos por um trocador de calor do tipo tubo aleta (serpentina) e por um ventilador, sendo que no evaporador circula um líquido refrigerante, que evapora no interior da serpentina, ao passo que, no Fan Coil, circula água, sem evaporar. Diz o interessado que as notas fiscais relacionadas nos Anexos III e IV [fls. 1238 a 1242 (vol. 7)], em que constam unidades evaporadoras, contêm invariavelmente códigos de aparelhos Fan Coil, do que se conclui que não se pode falar em erro de classificação fiscal para unidades evaporadoras, ficando prejudicada a majoração da multa de ofício, nesses casos, para 112,5%. A propósito dos aparelhos Fan Coil, o impugnante discorda da classificação adotada pelo autor do procedimento fiscal, sobretudo pelo motivo anteriormente exposto nas defesas do que os referidos aparelhos, por si sós, não têm a capacidade de modificar a temperatura e a umidade do ar, servindo exclusivamente para trocas de calor, podendo gerar vento. No tocante aos equipamentos Self Contained e aos sistemas Air Handler, a defesa discorda que executem funções típicas de ar condicionado, porquanto os referidos equipamentos são constituídos de módulos “ventilação” e “trocador de calor”, os quais não têm a capacidade, por si sós, de alterar a temperatura e a umidade do ar, o que é conseguido com o acréscimo de um equipamento do tipo Chiller ou semelhante. Quanto aos sistemas Multisplit, a defesa consigna que, ao tratar desses equipamentos, a fiscalização reconhece que um “trocador de calor” conjugado com um “ventilador” não é capaz de funcionar como um equipamento condicionador de ar, de modo a alterar a temperatura e a umidade do ar, sem a presença de outro equipamento, como por exemplo, uma unidade condensadora, um Chiller ou similares. Com respeito aos equipamentos Chiller, a defesa repete que um “trocador de calor” conjugado com um “ventilador” não é capaz de funcionar como um equipamento condicionador de ar, sem a presença de outro elemento, no caso, um Chiller. Se assim fosse, um radiador de automóvel ou uma geladeira poderiam ser classificados na posição 8415 da TIPI. Também discorda da imputação de “vendas casadas”, quanto aos aparelhos em comento. “Mudando de tópico, o interessado reconhece que são procedentes as glosas de créditos nos meses de abril e dezembro de 2006, a título de Outros créditos de IPI”, nos valores de R$ 20.384,86 e R$ 18.969,36, créditos cujo estorno dispõese a fazer. Fl. 3462DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.463 14 Segue a defesa, dizendo que, por força dos argumentos anteriormente expostos, são improcedentes as demais glosas de créditos efetuadas pela fiscalização, restando indevida a consequente reconstituição da escrita fiscal do IPI, inclusive, com base nas conclusões do processo nº 11065.000667/201054, em tramitação, seja por força da decadência anteriormente referida, sejam por força das razões de mérito apresentadas. Sobre glosa dos valores creditados a título de correção monetária dos saldos credores do IPI, reconhecida em juízo, o impugnante alega que essa glosa se deu em face de apuração de débitos do IPI, débitos que não se sustentam, pelas razões antes expostas na defesa, motivo pelo qual a glosa da correção também não procede. Na sequência, o interessado alega que as multas, juros de mora e atualização monetária da base de cálculo do IPI não podem ser exigidos no presente caso, por força do disposto no parágrafo único do art. 100 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), no sentido de que a observância das normas referidas no citado artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. A defesa também solicita a realização de perícia técnica, para determinar as características e funções dos produtos que deram causa aos erros de classificação na TIPI, segundo a fiscalização, para o que incida e qualifica assistente técnico e elabora quesitos. Por último, o interessado pede a procedência da impugnação ou, alternativamente, a exclusão das multas, dos juros de mora e da atualização monetária. Analisada a impugnação, a 3ª Turma da DRJ/POA julgoua improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme acórdão nº 1029.730, assim ementado: ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. Sem que tenha ocorrido pagamento antecipado do IPI, nos termos da legislação desse imposto, a contagem do prazo decadencial de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário ocorre do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA AUTUAÇÃO. É descabida a alegação de nulidade da autuação, fundada em suposta preterição do direito de defesa, não verificada no caso concreto, por terem sido as infrações descritas e enquadradas com clareza, infrações que foram perfeitamente compreendidas e amplamente contestadas pelo sujeito passivo. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Máquinas e aparelhos de ar condicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente, classificamse Fl. 3463DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.464 15 na posição 8415 da TIPI, com alíquota de 20% para o IPI, classificandose na mesma posição outras máquinas que, por combinação com as primeiras, complementamnas no condicionamento de ar, o que justifica o lançamento de ofício das diferenças apuradas pela fiscalização, com o acréscimo de multa e juros. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. É cabível a majoração da multa de ofício de 75% para 112,5%, nos casos de inobservância de classificação fiscal que já foi objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo próprio infrator que, mesmo ciente dessa decisão, utilizou classificação imprópria. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. É legítima a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, por terem sido apurados débitos do IPI, que devem ser deduzidos dos créditos desse mesmo imposto. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS SALDOS CREDORES DO IPI RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. A correção monetária dos saldos credores do IPI incide sobre os novos saldos, decorrentes de reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, legitimando a glosa dos valores excedentes. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. É indeferida a solicitação de perícia considerada prescindível para a solução do litígio. O crédito tributário decorrente da glosa de aproveitamento de créditos indevidos, nos meses de competência de abril e dezembro de 2006, lançada no auto de infração sob o título de “Outros créditos de IPI”, foi acatado pela Recorrente, sendo incontroverso. Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário, cujos fundamentos foram compilados na decisão de efls. 32683288: Em preliminar: A) a nulidade da decisão recorrida, sob a alegação de cerceamento do seu direito de defesa, pelo fato de a autoridade julgadora de primeira instância ter indeferido a realização da perícia solicitada; B) o reconhecimento da decadência do direito de a Fazenda Pública glosar e lançar a parte do crédito referente aos fatos geradores ocorridos depois de cinco anos, contados nos termos do CTN, art. 150, §4º, atingindo o período de 1º a 15 de junho de 2005; e, C) o reconhecimento da nulidade da autuação referente aos equipamentos Self Contained, sistemas Air Handler 39 CM, sistemas Multisplit por violação ao princípio da motivação, pelo fato de a fiscalização não ter indicado a classificação NCM completa que entendeu como correta para cada um destes equipamentos. No mérito: I) a classificação fiscal adotada por ela está de conformidade com as especificações da TIPI; II) ao contrário do que constou do lançamento, a venda dos Fl. 3464DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.465 16 equipamentos (elementos) produzidos e comercializados para um mesmo cliente, em um mesmo período, não caracteriza um aparelho de ar condicionado completo (NCM 8415 e sub posições) e sim produção e venda de equipamentos separados com classificação e alíquota diferentes do conjunto dos equipamentos; III) a TIPI prevê para aparelhos completos a classificação 8415.10.11 ou 8415.10.90, alíquota de 20,0%, e para equipamentos individuais que formam conjunto de sistemas de ar condicionado a classificação 8418.61.10 e 8419.50.90, alíquota de 5,0%; IV) a fiscalização classificou as vendas de equipamentos vendidos separadamente como vendas casadas e, consequentemente, vendas de sistemas de ar condicionado; V) esse entendimento é equivocado porque existe previsão legal na TIPI para classificação de equipamentos que compõem os sistemas de ar condicionado; VI) vendeu apenas equipamentos, componentes de sistemas de ar condicionado; VII) a simples conjugação dos equipamentos não é capaz de formar um sistema e/ ou aparelho completo; VIII) não realizou qualquer atividade de montagem de sistemas e/ ou aparelhos; IX) a TIPI estabelece alíquotas diferenciadas para aparelhos sistema e/ ou aparelho de ar condicionado e para os aparelhos que os compõem; X) nas posições NCM 8415 se enquadram os sistemas e aparelhos completos capazes de modificar simultaneamente a temperatura e a umidade do ar; XI) as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) excluem destas posições os equipamentos que compõem os sistemas e aparelhos de ar condicionado, quando comercializados individualmente; XII) as unidades condensadoras e evaporadoras, bem como os demais equipamentos, objetos do lançamento impugnado, são apenas elementos de sistema e de aparelho de ar condicionado e não podem ser classificados nestas posições; XIII) a Regra 1, das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado dispõe que “os títulos das seções, Capítulos e Subcapítulos têm valor apenas indicativo”, e que “para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção de Capítulo”, o que implica na exclusão desta classificação dos “elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente ou não concebidos para serem reunidos num único corpo”, uma vez que, por si, não se caracterizam como condicionadores de ar porque não têm capacidade de modificar a temperatura e umidade do ar exigida pela posição 8415; a Regra 2, adotada pela Fiscalização, não se aplica ao presente caso, pois esta exige que os equipamentos, objetos da classificação, apresentem, no estado em que se encontram “as características essenciais do artigo completo ou acabado, o que não ocorre com os equipamentos da recorrente”; XIV) tem direito de optar pela tributação menos onerosa, conforme lhe garante a CF/1988, planejando sua produção e venda de equipamentos de sistema e aparelho de ar condicionado; por outro lado, não só tinha o direito de optar pela classificação fiscal adotada por ela, como tinha obrigação, no caso das unidades evaporadoras e condensadoras por força da resposta que obteve no processo de consulta nº 13003.000205/9787 e, ainda, no disposto na solução de divergência Coana nº 20/2002 que determinaram as posições 84515.82.10 e 8418.69.90, respectivamente; XV) o parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia nos autos dos processos nº 11065.003605/200618 e 11065.004409/200407, embora tratem exclusivamente de unidades evaporadoras e dos aparelhos Self, concluiu que “não basta a conjugação de uma unidade evaporadora e uma unidade condensadora para a formação de um aparelho de ar; fazse necessário, no caso do aparelho tipo Split System, a conjugação de um terceiro elemento, no caso os chamados elementos de expansão”; elementos de expansão são os tubos capilares e as válvulas que fazem a união entre as duas Fl. 3465DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.466 17 unidades; assim, unidade evaporadora e unidade condensadora carecem de elementos de expansão para formação de um condicionador de ar; a união de um módulo de ventilação e um módulo de trocador de calor (aparelhos Self Contained, Air Handler e Multisplit) precisa dos elementos de expansão e de um módulo compressor (como o Chiller, por exemplo; já o Fan Coil também necessita ser conjugados com elementos de expansão e módulo compressor, e o Chiller carece de elementos de expansão, módulo de ventilação e módulo trocador de calor; XVI) a fiscalização violou o artigo 4º do RIPI/2002, porque a recorrente não exerce a atividade montagem e instalação dos equipamentos produzidos e vendidos por ela nem produz e vende elementos de expansão; assim, concluiu, mais uma vez, que não realizou a produção e venda de condicionadores de ar; XVII) em relação à classificação fiscal dos aparelhos Fan Coil, tudo que foi dito até agora serve a respeito da classificação fiscal destes aparelhos, todos os seus componentes são apresentados separadamente e suas classificações devem ser feitas de acordo com a função que exercem no estado em que se encontram e não pelo conjunto, ou seja, o aparelho completo que é composto por um ventilador e um trocador de calor cuja função é alterar o calor do ambiente; XVIII) as alterações realizadas por meio da IN/SRF nº 1.072/2010 confirmam as posições fiscais até então adotadas pela recorrente; esta instrução alterou a classificação fiscal dos produtos objeto do lançamento em discussão, estendendo aos elementos das máquinas de ar condicionado o mesmo tratamento tributário dado aos aparelhos de ar condicionado completos ao alterar a parte final das notas explicativas do capítulo referente aos condicionadores de ar (6415), afastando justamente a exclusão dos “elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente que sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo” e fazendo constar que as unidades internas externas (elementos tratados no auto de infração), quando apresentadas separadamente, devem ser classificadas na sub posição 8415.90 referentes a partes; a referida instrução corrobora o entendimento adotado por ela recorrente de dar o mesmo tratamento previsto para os aparelhos de ar condicionado completo e para os seus elementos; XIX) a multa majorada é imprópria, tendo em vista que não mais comercializa unidades evaporadoras com base na posição 84.18 da TIPI que deixou de ser adotada após as autuações anteriormente sofridas e pela vinculação gerada no processo de consulta nº 13002.000205/9787 que classificou tais unidades na posição 8415 e, apesar de algumas notas fiscais analisadas pela fiscalização conterem alíquotas inferiores a 20,0% e descreverem a venda de unidades evaporadoras, na verdade, foram vendas de aparelhos “Fan Coil”, o que ocorreu foi erro na descrição da mercadoria que pode ser constatado pelos códigos dos produtos, conforme se verifica às fls. 34/39; XX) é improcedente a reconstituição da escrita fiscal, com base no lançamento, objeto do processo 11065.000667/201054, uma vez que foi ignorada a impugnação apresentada contra o referido lançamento, assim os valores lançados em virtude do estorno de créditos da escrita fiscal devem ser cancelados; XXI) também não procede a glosa dos valores escriturados a título de correção monetária dos saldos credores do IPI, eis que não houve equívoco na classificação fiscal e, consequentemente, os saldos credores existem e deve ser mantida a correção monetária; e, XXII) as multas, juros de mora e atualização monetária da base de cálculo do tributo são improcedentes por ferir o art. 100 do CTN, tendo em vista que o procedimento fiscal, adotado por ela recorrente e objeto do lançamento em discussão, esteve pautado na Solução de Consulta dada no proc. 13002.000205/9787 e na Solução de Divergência Coana nº 20/2002, e, ainda, de Fl. 3466DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.467 18 acordo com as práticas da d. fiscalização nos processos 11080.013226/200133, 11065.004409/200404, 11065.003605/200618, 11065.002749/200738, 11065.005554/200821. Ao final requereu a baixa dos autos à unidade de origem para realização da perícia requerida na fase recursal anterior. A 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.163, para: A recorrente, dentre as alegações de mérito, argumenta no recurso voluntário que as vendas dos elementos objeto da autuação não podem ser classificados como máquinas e aparelhos de ar condicionado, posição 84.15 da TIPI, por não possuírem os elementos necessários que atendam às condições exigidas das notas da posição 84.15, especificamente os elementos de expansão e o módulo compressor, conforme quadro abaixo transcrito da página 1.610 do processo (recurso voluntário): Entretanto, o elemento módulo compressor não foi expressamente analisado nos pareceres e relatório acima, gerando dúvidas no colegiado a respeito de suas características técnicas, função exercida, local de instalação e demais aspectos. Assim, fazse necessária a conversão em diligência à repartição de origem para realização de perícia técnica a ser realizada pelo Instituto Nacional de Tecnologia – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – com ônus financeiro suportado pela recorrente, tendo como objeto o módulo compressor mencionado Fl. 3467DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.468 19 no recurso voluntário, especificamente no quadro da página 1.610, acima transcrito, integrante dos sistemas Self Contained, Fan Coil, Air Handler e Multisplit. Os quesitos abaixo formulados, juntamente com os adicionais formulados pelas partes, deverão ser encaminhados ao Instituto Nacional de Tecnologia para realização da perícia, a qual terá prazo de duração de 30 (trinta) dias, podendo ser prorrogado a pedido do referido instituto. Quesitos formulados: 1. Qual a função do módulo compressor nas máquinas Self Contained, no Fan Coil, no Air Handler e no Multisplit? Elaborar diagrama para cada sistema acima, indicando sua localização em relação às unidades e ao ambiente a ser refrigerado. 2. O módulo compressor contém um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade do ar? 3. O módulo compressor é concebido para modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, desumidificador ou os dois juntos) do ar? 4. O módulo compressor contém alguns dos seguintes elementos: a) um corpo de aquecimento (de tubos de água quente, de vapor ou de ar quente, ou de resistências elétricas, etc.) e um umidificador de ar (que consiste, geralmente, em um pulverizador de água) ou um desumidificador de ar? b) uma bateria de água fria ou um evaporador de grupo frigorífico (cada um modificando ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar)? c) um outro elemento de arrefecimento e um dispositivo distinto para modificar a umidade do ar? 5. módulo compressor a que se refere a recorrente é o compressor incorporado às unidades condensadoras 38AB e 38MZ, como informado nas fichas técnicas das páginas 229 e 230 deste processo? 6. módulo compressor a que se refere a recorrente é o compressor incorporado às unidades condensadoras 38MS, 38 C e 38 HC, como informado nas fichas técnicas da página 243, 244 deste processo? 7. As máquinas Self de condensação à água contêm o módulo compressor a que se refere a recorrente dentro do condensador (compressor Scroll referido na página 637 do processo e na página 1.629 Relatório Técnico INT nº 68/2010)? Fl. 3468DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.469 20 Intimada, a Recorrente apresentou seus quesitos para a perícia técnica, nas e fls. 32953301. A RFB também apresentou quesitos, nas efls. 33053312. Elaborado o laudo, o Relatório Técnico n° 000.595/2015 foi juntado aos autos nas efls. 33273361. A Fiscalização manifestouse sobre o laudo nas efls. 33623413. E a empresa, com petição de efls. 34243449. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa Alega que o indeferimento do pedido de realização de perícia torna a decisão recorrida nula, diante do manifesto cerceamento de defesa, ferindo os princípios da ampla defesa, contraditório e, ainda, do devido processo legal (art. 5, LIV e LV, da CF/88), eis que sua função jurisdicional não foi plenamente exercida. Assim sendo, ante a inegável controvérsia existente sobre os aspectos técnicos dos aparelhos objeto da fiscalização resta claro que a perícia requerida pela ora Recorrente não se enquadra no conceito de prescindível. O Decreto nº 70.235/1972, dispõe que: Art. 16. A impugnação mencionará: (...); IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...). Fl. 3469DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.470 21 Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Entendeu a decisão recorrida que as características e funções dos produtos, objetos da autuação por erro de classificação fiscal, estavam claras com os elementos que já constavam nos autos. Logo, há que ser rejeitada essa preliminar. Decadência Aduz que, considerando que a intimação do auto se deu em 16 de junho de 2010, verificase que foram atingidos pela decadência todos os lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos entre 1 e 15 de junho de 2005. A constituição do crédito tributário referese à exigibilidade do pagamento do saldo devedor do IPI, o qual foi apurado na reconstituição da escrita fiscal do RAIPI. A constituição do crédito tributário pelo lançamento deve se dar no prazo de 5 anos. Se da glosa dos créditos escriturados resultar a apuração de saldos devedores, estes serão passíveis de exigência mediante lançamento de ofício se relativos aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN. O prazo decadencial para a constituição de crédito tributário foi tratada pelo STJ, no REsp nº 973.733/SC, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, no qual se pacificou que a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento lançamento por homologação regese pelo art.150, §4º, do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo é o do art.173, I, do CTN, ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. Entendo que assiste razão à Recorrente, uma vez que na reconstituição da sua escrita fiscal, há outros créditos validados pelo Fisco para compensar parte do saldo devedor, então houve pagamento parcial, apto a atrair a aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Logo, entendo merecer reparos a decisão de piso, motivo pelo qual dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a ocorrência da decadência lançamentos relativos a fatos geradores ocorridos entre 1 e 15 de junho de 2005. Da nulidade da autuação para os equipamentos Self Contained, sistemas Air Handler 39CM, sistemas Multisplit e Chiller Violação ao Princípio da Motivação Defende a Recorrente que a autoridade fiscal não foi capaz de apontar com a precisão necessária qual a correta classificação fiscal NCM para os referidos equipamentos, limitandose a afirmar que os mesmos deveriam ser classificados na "posição 8415, mais Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.471 22 especificamente 8415.81 ou 8415.82 e subposições, dependendo da existência de ciclo reverso e da capacidade defrigorias/hora". Assim, para a empresa “em que pese as subposições da posição indicada pela d. fiscalização possuam a mesma alíquota (20%), a indicação precisa da classificação fiscal NCM na situação sob exame é condição indispensável não só para o exercício de defesa da Recorrente, como para garantir como a mesma deve agir caso venha a acatar a posição do Fisco. Como ficará a Recorrente caso alguma das alíquotas das subposições em questão vierem a ser alteradas no futuro? Ela continuará sem saber qual o entendimento da d. fiscalização quanto à classificação fiscal dos aparelhos em questão, uma vez que o auto de infração impugnado não atendeu à necessidade de motivação!” Por isso, entende ser nulo o auto de infração decorrente de suposto equívoco de classificação fiscal, por deixar de indicar com precisão a posição, a subposição e o subitem que entende corretos. Entendo que não há nulidade, pois a alíquota de cálculo do imposto é estabelecida de acordo com a posição e não com a classe. A autuação reclassificou todos os produtos fabricados e comercializados pela Recorrente foram classificados na posição 8415, com alíquota de 20,0%. MÉRITO A Recorrente alega que inexiste qualquer irregularidade no procedimento por ela adotado, ao comercializar os elementos separadamente, situação que encontra fundamento expresso no ordenamento jurídico que regula a matéria em questão. São seus argumentos: Com efeito, ao tratar das máquinas e aparelhos de ar condicionado, a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) estipula alíquotas (i) para a industrialização de aparelhos de ar condicionado completos (formado por um corpo único ou um sistema com elementos separados) ou (ii) para a industrialização dos elementos (partes) que integram os aparelhos de arcondicionado, quer sejam eles concebidos ou não para serem reunidos num único corpo. Ainda, é importante observar que a TIPI prevê, para cada uma das situações acima descritas, alíquotas diferentes, conforme se verifica pelas alíquotas estabelecidas para os aparelhos de ar condicionado completos (por exemplo, posições 8415.10.11 ou 8415.10.90, com alíquota de 20% no período fiscalizado), bem como pelas alíquotas estabelecidas para os elementos que integram os aparelhos de arcondicionado (por exemplo, posições 8418.61.10 e 8419.50.90, com alíquota de 5% no período fiscalizado). Portanto, verificamse precipitadas e incorretas as conclusões do auto de infração e da r. decisão recorrida no sentido de que a Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.472 23 Recorrente estaria realizando a "vendacasada" de aparelhos de ar condicionado completos, isso porque: (i) existe previsão específica da TIPI para a industrialização de elementos das maquinas de ar condicionado; (ii) a Recorrente vendeu apenas elementos que poderão compor a formação de um condicionador de ar e não vendeu nenhum condicionador de ar; (iii) não há que se falar em "vendas casadas", uma vez que não cabe à Recorrente decidir a destinação dos aparelhos comercializados; (iv) a simples conjugação dos elementos objeto do auto de infração não é capaz de formar um condicionador de ar (faltaria um terceiro ou quarto elemento); (v) é indevido classificar os elementos que integram os aparelhos de ar condicionado como aparelhos de ar condicionado completos; e (vi) a Recorrente não realiza qualquer atividade de industrialização para montagem do condicionador de ar, mediante conjugação dos elementos objeto do presente auto de infração. Diante disso, reitera que, sendo as unidades condensadoras e evaporadoras e demais aparelhos objeto do auto de infração impugnado apenas elementos do sistema de ar condicionado não podem ser classificados na posição 84.15 da TIPI, conforme se verifica pela parte final das notas explicativas desta classificação: Os elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente que sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2 a) da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79, etc.) A partir disso, conclui que os equipamentos objeto do auto de infração não se caracterizam, por si só, como condicionadores de ar, eis que não possuem a capacidade de modificar a temperatura e umidade do ar exigida pela posição 8415. Ademais, sustenta que lhe é assegurado optar e adequar o seu processo industrial de acordo com a forma que lhe for mais favorável sob vários aspectos, tanto de mercado, como, inclusive, do ponto de vista fiscal, sendo o planejamento tributário um direito do contribuinte. São suas palavras: “Ou seja, se a Recorrente tem a opção (leiase: direito) de industrializar apenas os elementos dos aparelhos de ar condicionado e assim os comercializar, sob alíquotas mais favoráveis ou não, inexiste disposição legal que a obrigue a optar pela tributação mais onerosa.” A Fiscalização classificou todos os produtos na posição 8415 da TIPI, correspondente a sistemas e aparelhos de ar condicionado, cuja alíquota do IPI é de 20,0%. Para a Recorrente, a posição seria a 8418 e 8419 sob o argumento de que os equipamentos são vendidos em separado, classificando nesta posição e não naquela que se aplica a aparelhos e sistemas completos. A posição 84.15 da TIPI prescreve: Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.473 24 O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), na posição 8415, prescreve: Esta posição abrange os conjuntos de máquinas ou de aparelhos destinados a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade. Estes conjuntos contém as vezes elementos para purificar o ar. Estas máquinas e aparelhos são utilizados para a climatização de escritórios, apartamentos, lugares públicos, navios, veículos motorizados, etc., bem como em certas instalações industriais a fim de obter um condicionamento particular de ar, exigido para algumas indústrias: têxteis, papéis, fumo (tabaco), produtos alimentícios, etc. Só se incluem nesta posição as máquinas e aparelhos: 1)contendo um ventilador a motor, e 2) concebidos para modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, desumidificador ou os dois juntos) do ar, e 3) nos quais os elementos citados nas alíneas 1) e 2) se apresentem em conjunto. Os elementos destinados a umidificar ou desumidificar o ar podem ser diferentes dos que asseguram o aquecimento e o arrefecimento. Algumas máquinas contêm, todavia, apenas um dispositivo que modifica ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.474 25 umidade do ar. Estas máquinas e aparelhos de ar condicionado arrefecem e desumidificam, por condensação do vapor de água sobre uma bateria fria, o ar ambiente do local onde funcionam ou, se são providos de uma entrada de ar externo, uma mistura de ar fresco e ar ambiente. São geralmente providos de cubas de recuperação da água de condensação. As máquinas e aparelhos da espécie podem ser constituídos por um único dispositivo contendo todos os elementos necessários, como os aparelhos dos tipos utilizados em paredes ou dos tipos utilizados em janelas, formando um corpo único. Podem igualmente apresentarse sob a forma de Split systems (sistemas com elementos separados), nos quais o condensador e o evaporador destinamse a ser instalados respectivamente no exterior e no interior, e cujos diferentes blocos operam enquanto conectados um ao outro. Esses aparelhos do tipo Split system não comportam dutos, mas utilizam um evaporador individual para cada ambiente a climatizar (cada cômodo de uma casa, por exemplo). Do ponto de vista estrutural, as máquinas e aparelhos de ar condicionado da presente posição devem conter, por conseguinte, no mínimo, além do ventilador a motor que assegura a circulação de ar, os seguintes elementos: a) quer um corpo de aquecimento (de tubos de água quente, de vapor ou de ar quente, ou de resistências elétricas, etc.) e um umidificador de ar (que consiste, geralmente, em um pulverizador de água) ou um desumidificador de ar; b) quer uma bateria de água fria ou um evaporador de grupo frigorífico (cada um modificando ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar); c) quer um outro elemento de arrefecimento e um dispositivo distinto para modificar a umidade do ar. (...). As máquinas e aparelhos de ar condicionado podem ser alimentados por uma fonte externa de calor ou de frio. São geralmente providos de filtros nos quais o ar se liberta das poeiras ao atravessar uma ou mais camadas de matérias filtrantes frequentemente umedecidas de óleo (têxteis, lã de vidro, palha de ferro, palha de cobre, chapas de metal distendido, etc.). Podem também ser equipados de dispositivos para regular a temperatura ou a umidade do ar. Esta posição abrange também os aparelhos desprovidos de dispositivo que permita regular separadamente a umidade do ar e que a modifique por condensação. Entre eles, podemse citar os aparelhos acima mencionados formando corpo único e os do tipo split system compreendendo um condensador instalado no exterior do edifício e um evaporador individual para cada área a ser climatizada (por exemplo, cada cômodo de uma casa). Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.475 26 (...). As Notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI dispõem: 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 96, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. Já a Regra 2 do Sistema Harmonizado determina: a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. A nota explicativa dessa regra esclarece: V) A segunda parte da Regra 2 a) classifica na mesma posição do artigo montado o artigo completo ou acabado que se apresente desmontado ou por montar; apresentamse desta forma principalmente por necessidade ou por conveniência de embalagem, manipulação ou de transporte. Como bem colocado pela DRJ, a posição 8415: Podese resumir que a posição 8415 da TIPI abrange os conjuntos de máquinas ou de aparelhos destinados a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade, sendo que, na referida posição, só se incluem as máquinas e aparelhos (1) contendo um ventilador a motor e (2) concebidos para modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, Fl. 3475DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.476 27 desumidificador ou os dois juntos) do ar (a referida posição também abrange os aparelhos desprovidos de dispositivo que permita regular separadamente a umidade do ar e que a modifique por condensação) e (3) nos quais os elementos anteriormente citados se apresentem em conjunto, como é o caso dos produtos objeto da presente autuação, formalizada exclusivamente nos casos denominados pela fiscalização de "vendas casadas", muito bem descritas no Auto de Infração impugnado, expressão que, em outras palavras, quer dizer "produtos apresentados em conjunto". (...) Além disso, a posição 8415 da TIPI é adequada para todos os demais produtos em questão, porque se trata de máquinas concebidas para executar funções complementares, classificandose de acordo com a função principal que caracterize o conjunto, função sobre a qual inexiste controvérsia no caso concreto: é a de condicionamento de ar. Essa combinação de máquinas, constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84, leva a classificação do conjunto para a posição correspondente à função que desempenha, que, no caso, é a função própria de máquinas e aparelhos de arcondicionado, da posição 8415 das TIPI. (...) Ressaltese também que não foi dito nos julgamentos de primeira instância, neste ou nos outros processos anteriormente citados, que os elementos de aparelhos/sistemas de arcondicionado em causa, individualmente considerados, desempenhem, por si sós, todas as funções das máquinas e aparelhos do gênero, funções que, vale repetir, são exercidas pelos dispositivos apresentados em conjunto e, segundo a demonstração anterior, levam a classificação fiscal para a posição 8415, no caso, com alíquota de 20% do IPI, para os produtos objeto do lançamento de ofício. Por sua vez, as posições 8418 e 8419 defendidas pela Recorrente não se aplicam a elementos (partes) de ar condicionado, mas a refrigeradores, congeladores (freezer) e máquinas e aparelhos para produção de frios, bem como a aparelhos e máquinas de produção de calor, respectivamente, conforme consta da TIPI: Fl. 3476DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.477 28 Assim, não se aplica a notas explicativas, da Seção XVI, verbis: Os elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente que sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2ª da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19. 84.21, 84.79, etc.). Isso porque, as notas não tratam de parte de aparelhos e máquinas (sistemas) de ar condicionado, mas sim de outros: 84.14 (partes de bombas de ar ou vácuo, compressores de ar de ar ou de outros gases e ventiladores); 84.18 (refrigeradores, congeladores (freezers) e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro), bombas de calor; 84.19 (aparelhos e dispositivos, mesmo aquecidos eletricamente, exceto os fornos e outros aparelhos da posição 85.14), para tratamento de matérias por meio de operações que impliquem mudança de temperatura, tais como aquecimento, cozimento, torrefação, destilação, retificação, esterilização, pasteurização, estufagem, secagem, evaporação, vaporização, condensação ou arrefecimento, exceto os de uso doméstico; aquecedores de água não elétricos, de aquecimento instantâneo ou de acumulação; 84.21(centrifugadores, incluindo os secadores centrífugos; aparelhos para filtrar ou depurar líquidos ou gases) e 84.79 (máquinas e aparelhos mecânicos com função própria, não especificados nem compreendidos noutras posições do capítulo). Diante disso, entendo que a classificação está correta, pois os produtos vendidos em conjuntos completos e/ ou peças separadas para montagem posterior do aparelho e/ ou da máquina (sistema) de ar condicionado, são classificados na posição fiscal 8415 da TIPI. Logo, sistemas de ar condicionados completos devem ser classificados na posição 8415, subposição 10 e código 11; 19 e 90, estes dependendo da capacidade de aparelho e as partes vendidas em separados na mesma posição 8415, subposição 90 e código 10 (evaporadoras) e 20 (condensadoras). Quanto ao argumento de inocorrência de "vendascasadas: Com efeito, os elementos dos aparelhos de ar condicionado produzidos pela Recorrente são aparelhos independentes e com finalidades específicas, os quais isoladamente executam também Fl. 3477DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.478 29 funções diferentes da exercida pelo aparelho de ar condicionado (completo), mas que se conjugados a outro(s) elemento(s) poderão exercer uma outra função, a de refrigeração do ar (função que nenhum dos mencionados aparelhos/elementos é capaz de executar sozinho). Assim, os referidos aparelhos (por possuírem uma função específica e também, dependendo da destinação, função diferente da exercida pelo aparelho de arcondicionado) podem ter destinação outra que não a formação de um aparelho do tipo "splitsystem" ou, ainda, serem utilizados como peças de reposição para aparelhos de ar condicionado já em funcionamento. Nesse sentido, merece ainda ser esclarecido que os aparelhos produzidos pela Recorrente podem ser utilizados em conjunto com outros aparelhos produzidos por outros fabricantes para a formação de um aparelho de arcondicionado ou, ainda, utilizados para a formação de outros equipamentos que não aparelhos de arcondicionado, como, por exemplo, máquinas industriais (nas quais atuariam na refrigeração) ou de refrigeração frigorífica. Não procedem os argumentos, pois a posição 8415 referese a aparelhos e sistemas de ar condicionado e de seus elementos (partes) independentemente de vendas de sistemas completos e/ou não. Ressaltese que a fiscalização apenas autuou as vendas, que, embora faturadas em separado, formaram conjuntos de elementos de aparelhos/sistemas de ar condicionado. Em suma, deve ser mantida a reclassificação fiscal dos produtos autuados. Ademais, o auto referiuse à apuração do IPI no período de junho de 2005 a dezembro de 2006, sendo que o período de janeiro a maio de 2005 foi objeto de outro Auto de Infração, formalizado no Processo n° 11065.000667/201054, que já fora julgado pelo CARF, com a manutenção da classificação fiscal no item 8415, com provimento parcial do recurso voluntário (no acórdão n° 3302002.116, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária). Síntese das conclusões do laudo do INT Os Fan Coil e Air Handler não possuem módulo compressor. Os Self possuem compressor no módulo trocador de calor. Os Multisplit possuem compressor na unidade condensadora. Os compressores são dispositivos que participam do processo de produção do fluido com temperatura alterada para fornecer ao equipamento de ar condicionado. O módulo compressor não é concebido para modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, desumidificador ou os dois juntos) do ar. Os compressores não são aparelhos de ar condicionado. Fl. 3478DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.479 30 As unidades evaporadoras do sistema split possuem um ventilador a motor. As unidades evaporadoras, por si só, não são capazes de alterar temperatura e a umidade. Para constituir um sistema precisa estar atrelada a unidade condensadora e elementos de conexão (em que são criados vácuo, no momento da instalação). É apenas um elemento do sistema de refrigeração, uma vez que separadamente não possuem os dispositivos necessários à alteração da temperatura e umidade. Unidades Evaporadoras podem ser consideradas máquina para a produção do frio. unidades condensadoras do sistema split, conjuntamente com as unidades evaporadoras, exercem a função de ar condicionado, somente se montadas e interligadas com tubos, gás e vácuo. Relativamente ao Equipamento Self, a conjugação do módulo ventilação (40 BR) com um código Trocador de Calor (40 BR ou 40 BZ) só formam um conjunto se presentes os elementos de expansão e ainda um módulo condensador (no caso do Trocador de Calor BZ) ou torre de resfriamento (no caso do Trocador de Calor 40BR). os equipamentos Self Contained não são, por si só, capazes de alterar temperatura e a umidade, pois demandam conexão a outros equipamentos, como torres de resfriamento, no caso do Self com condensação à água. Para o funcionamento completo do sistema, é preciso a interligação dos módulos com dutos, etc. e, no caso de condensação à água, também à torre de refrigeração. O Fan Coil, (a exemplo dos modelos 42 DCA e 42 LS) possui um ventilador a motor. Relativamente ao Equipamento Air Handler, a conjugação do módulo “Ventilador” com o módulo “Trocador de Calor” (independentemente de estar acompanhado ou não por módulos acessórios como “Módulo de Filtragem” ou outros) não forma um conjunto, mas possuem ventilador a motor. O Air Handler é formado pela conjunção dos módulos Trocador de Calor e Ventilador. O trocador de calor recebe água gelada do chiller e promove a troca de calor com o ambiente onde está situado, promovendo sua refrigeração. O ventilador otimiza o processo. Os Air Handler 39CM não são, por si só, capazes de alterar temperatura e a umidade do ar. Para a constituição de um sistema de refrigeração a partir de um Air Handler 39CM, é preciso outros elementos como termostato, dutos e elementos de conexão bem como o chiller e seus acessórios (torre de resfriamento, bomba d’água, tubulação). Se interligados ao chiller/torre de resfriamento/bomba/tubulações, o Air Handler fará parte de uma máquina para produção de frio. Os fan coil são compostos por trocador de calor, ventilador, motor do ventilador, chassi e painel eletrônico. O seu trocador de calor recebe como fluido frigorígeno a água gelada proveniente do chiller, o que o diferencia das evaporadoras dos splits que recebem o fluido (gás) proveniente do ciclo de refrigeração por compressão (sequência compressão/expansão). Fl. 3479DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.480 31 Os Fan Coil não são, por si só, capazes de alterar temperatura e a umidade. A constituição de um sistema de refrigeração a partir de um Fan Coil, se dá com a presença de outros elementos outros elementos como termostato, dutos e elementos de conexão bem como o chiller e seus acessórios (torre de resfriamento, bomba d’água, tubulação). Se interligados ao chiller/torre de resfriamento/bomba/tubulações o fan coil fará parte de uma máquina para produção de frio. Relativamente ao Equipamento Multisplit, a conjugação do módulo “Ventilador” com o módulo “Trocador de Calor” não forma um conjunto, mas possui um ventilador a motor e é necessária conjugação de uma unidade condensadora e de elementos de conexão. As unidades Condensadoras do Equipamento Multisplit, conjuntamente com o conjunto “Módulo Ventilador + Módulo Trocador de Calor”, exercem a função de ar condicionado, apenas se montadas e interligadas com tubos, gás e vácuo e, adicionalmente, unidas a uma unidade condensadora. Multisplit, na forma módulo trocador de calor; módulo ventilação; e condensadora não são capazes de alterar temperatura e a umidade, pois demanda a interligação entre suas unidades com elementos de conexão (dutos e sifões) e criação de vácuo para a carga do fluido frigorígeno (gás). Se interligadas, produzirão frio. Um conjunto formado por um “chiller + unidades de Fan Coil”, ou por um “chiller + unidade de Air Handler (de fato uma espécie de fan coil)”, exerce as funções de ar condicionado se interligados com tubulações, bombas de água, torre de resfriamento, tanques de água gelada. Os Chiller são equipamentos que produzem água gelada para ser remetida para terminais de sistemas de refrigeração, inclusive industriais (resfriamento de máquinas). Os Chiller são, por si só, não capazes de alterar temperatura e a umidade. A partir de um Chiller, para a constituição de um sistema, deve haver fan coil ou Air Handler, tubulação de água e bomba d’água e, nos sistemas mais complexos, haverá torres de resfriamento, caldeiras, etc. Os laudos comprovaram as alegações da Recorrente de que os elementos objeto do auto de infração isolados não são capazes de formar um condicionador de ar, uma vez que a montagem de um aparelho condicionador de ar completo pressupõe, em todos os casos objeto de análise do auto de infração combatido, a presença de um terceiro ou quarto elemento. Alega que os aparelhos, em alguns casos, não possuem, isoladamente, os requisitos mínimos para serem enquadrados na posição 8415 e subposições da TIPI, isso porque nenhum é capaz, por si só, de alterar a temperatura e a umidade do ar. Também sustenta que nenhuma das conjugações de elementos consideradas pelo auto de infração como vendas casadas é capaz de formar um aparelho de ar condicionado completo: Fl. 3480DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.481 32 De fato, conforme demonstrado a união de uma Unidade Evaporadora e uma Unidade Condensadora carece dos Elementos de Expansão para a formação de um condicionador de ar. Já a união de um Módulo de Ventilação e um Módulo Trocador de Calor (característica dos aparelhos Self Contained, Air Handler e Multisplit) carece dos Elementos de Expansão e de um Módulo Compressor (como o Chiller, por exemplo). O Fan Coil igualmente necessita ser conjugado com os Elementos de Expansão e um Módulo Compressor. Já o Chiller, por sua vez, carece dos Elementos de Expansão, de um Módulo de Ventilação e um Módulo Trocador de Calor. Entretanto, as máquinas de espécies diferentes que desempenham conjuntamente as funções de ar condicionado, também serão classificadas na posição 8415 da NCM, ainda que, individualmente, não apresentem os atributos exigidos para esse enquadramento. Isso porque, para fins de classificação fiscal, o equipamento ou conjunto de equipamentos deve preencher apenas os requisitos essenciais exigidos pela norma, o que difere do conceito ordinário de ar condicionado. Segundo a Nesh, é irrelevante que esses equipamentos dependam de fonte externa de frio/calor bem como de elementos de conexão entre eles. Não afasta a posição 8415. Para classificação na posição 8415, o equipamento deve ser concebido para modificar a temperatura do ambiente, mas isso não significa que ele sozinho tenha condições de modificar a temperatura, mas sim que esse é o motivo para o qual foi projetado. Concordo com os termos da fiscalização de que: Em resumo, se um aparelho destinado a manter, em recinto fechado, uma determinada atmosfera sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade for integrado por um ventilador com motor para circulação do ar e um evaporador de grupo frigorífico ou outro elemento de arrefecimento (ou seja, um trocador de calor que modifique ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar), ele será, obrigatoriamente, classificado na posição 8415. E, como referido acima, quando máquinas de espécies diferentes desempenham conjuntamente as funções de ar condicionado, também serão classificadas na posição 8415, ainda que, individualmente, não apresentem os atributos exigidos para esse enquadramento. Outro ponto importante a ser destacado é que esses equipamentos podem ser alimentados por fluido resfriado produzido em outro equipamento (uma unidade condensadora de split ou um chiller, por exemplo) e não perderão a condição necessária à classificação na posição 8415, haja vista que continuarão tendo um ventilador a motor e um trocador de calor Fl. 3481DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.482 33 (serpentina ou outro elemento de arrefecimento) que, ao permitir a circulação do fluido frio, modificará a temperatura ambiental e, por condensação, a umidade do ar. Nesses casos, como já referido no parágrafo anterior, a unidade condensadora ou o chiller, ao desempenharem conjuntamente com outro dispositivo as funções de ar condicionado, também deverão ser classificados na posição 8415 (ainda que isoladamente, eventualmente possam não preencher todos os requisitos necessários a essa classificação). A NESH prescreve que, para essa posição, a alteração da umidade não precisa ser decorrente de dispositivo específico, mas pode ser em consequência do próprio processo de alteração de temperatura, que produz condensação. As máquinas e aparelhos de ar condicionado podem ser alimentados por uma fonte externa de calor ou de frio e há a necessidade de um trocador de calor com o ambiente. Assim, se um aparelho concebido para manter, em espaço fechado, uma determinada atmosfera sob o duplo aspecto da temperatura e da umidade for integrado por um ventilador com motor para circulação do ar e um evaporador de grupo frigorífico ou outro elemento de arrefecimento (ou seja, um trocador de calor que modifique ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar), ele será, obrigatoriamente, classificado na posição 8415. A NESH não exige que o aparelho disponha de fonte interna de calor ou frio, pode depender de uma fonte externa. A NESH também não exige a independência de elementos de conexão entre si (tais como condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos). Os compressores possuem a função de comprimir o fluido refrigerante (em estado gasoso) elevando sua pressão e temperatura, para em seguida, o mesmo fluido dissipar o calor na unidade condensadora, estando apto a seguir até a unidade trocadora de calor, onde irá absorver o calor do ambiente, reduzindo a temperatura. Por condensação, a umidade do ar será alterada, motivo pelo qual os equipamentos de ar condicionado exigem drenos. Logo, as unidades que incorporam compressores que comprimem o fluido não apresentam todos os requisitos para a classificação na posição 8415, mas classificamse como ar condicionado exclusivamente na hipótese de venda em conjunto com outros dispositivos que, conjuntamente, exerçam as funções de ar condicionado (Notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI). Multa de ofício agravada Alega a Recorrente, quanto à majoração da multa de ofício, de 75% para 112,5%, pela inobservância do teor da Decisão/SRRF 10ª RF/Diana n° 12, de 1998, que algumas notas fiscais analisadas pela fiscalização descrevem a venda de unidades evaporadoras, mas que, na verdade, diriam respeito a vendas de aparelhos Fan Coil, que não foram objeto da decisão antes mencionada. Fl. 3482DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.483 34 O laudo do INT aponta que os equipamentos descritos nas notas fiscais como “Evaporadoras” e classificados fora da posição 8415 (Anexos III e IV do Relatório da Ação Fiscal), seriam, de fato, fan coil. Assim, tendo havido um equívoco do contribuinte ao descrever a mercadoria na nota Fiscal, deve ser cancelada a multa agravada quanto a esses itens, já que não houve então o descumprimento à Solução de Consulta da RFB. Deve ser mantida a multa de 75%, por erro de classificação, mas sem o agravamento. Demais pontos Nos demais pontos, concordo integralmente com a decisão recorrida, por isso adoto seus fundamentos: Glosas de créditos saldo credor inicial reconstituição da escrita No tocante à inconformidade da defesa, sobre a reconstituição da escrita fiscal no Processo n° 11065.000667/201054, em que os créditos do IPI foram utilizados para dedução prioritária dos débitos desse mesmo imposto, apurados de ofício naquele processo, cumpre dizer que se trata de procedimento legítimo, em prejuízo do argumento do impugnante. Além disso, o impugnante não demonstrou, neste processo, qualquer erro que lhe prejudicasse, ocasionado pela reconstituição contestada. Glosas de créditos correção monetária A glosa de valores escriturados a título de correção monetária dos saldos credores do IPI, reconhecida em juízo, se deu em face da apuração, neste processo, de débitos do mencionado tributo, o que levou à reconstituição da escrita fiscal, sendo que os créditos legítimos do IPI servem para a já referida dedução prioritária dos débitos desse mesmo imposto. Esse fato levou à redução dos saldos credores passíveis de correção, o que está correto, pelas razões anteriormente expendidas neste voto, e implica a manutenção da glosa em comento, ao contrário do que pensa a defesa. Pedido de exclusão de multa e juros Com respeito à alegação da defesa, de que a multa de ofício, os juros de mora e a atualização monetária da base de cálculo do IPI seriam indevidos, cumpre dizer, em primeiro lugar, que não houve atualização monetária da base de cálculo do IPI. Em segundo lugar, não existe qualquer motivo para exclusão de multa e juros, parcelas que foram exigidas conforme enquadramento mencionado no relatório que antecede este voto, a saber: art. 80,1, da Lei n° 4.502, de 1964, com a redação que lhe foi dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430, de 1996, combinado com o art. 69, I, "a", da referida Lei n° 4.502, de 1964, no caso da multa de ofício de 75%, por falta de lançamento do IPI, ou de 112.5%, nos casos em que não foi observada a Fl. 3483DF CARF MF Processo nº 11065.001377/201028 Acórdão n.º 3301004.145 S3C3T1 Fl. 3.484 35 Decisão/SRRF 10a RF/Diana n° 12, de 1998; e art. 61, § 32, da Lei n° 9.430, de 1996, no caso dos juros de mora. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência em relação a fatos geradores ocorridos entre 1º e 15 de junho de 2005 e para retirar o agravamento da multa de ofício. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 3484DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.674246/2011-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/01/2002
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS
A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114.469/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos que permanece vigente e eficaz.
Numero da decisão: 3201-003.379
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente em exercício), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente em exercício), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1546; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.674246/201179 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.379 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2018 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/01/2002 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114.469/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos que permanece vigente e eficaz. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente em exercício), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES LTDA. requereu restituição de pagamento indevido da Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 42 46 /2 01 1- 79 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.674246/201179 Acórdão n.º 3201003.379 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório indeferindo a restituição devido à inexistência do crédito pleiteado, uma vez que o pagamento tido como origem do crédito encontravase integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente informou ser contribuinte do ICMS que incide sobre o valor da operação de saída das mercadorias do seu estabelecimento, figurando na relação jurídicotributária apenas e tão somente como agente arrecadador de uma receita do Estado, em razão do quê tem direito à restituição do valor pago a maior a título de Cofins, em decorrência da indevida inclusão em sua base de cálculo dos valores recolhidos a título de ICMS no período. Na sequência, teceu comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins e sobre o conceito de receita, faturamento e renda, apoiandose em decisões judiciais e ensinamentos de doutrinadores, alegando que o ICMS não consubstancia receita própria, razão pela qual se trata de valor alheio aos limites constitucionais da incidência da contribuição ao PIS e à Cofins, que apenas transita por seus cofres em direção aos cofres públicos, ressaltando que o Supremo Tribunal Federal (STF) tem sinalizado exatamente nesse sentido, conforme se verifica no julgamento do RE 240.7852/MG. Por fim, solicitou a realização de perícia capaz de atestar que os valores por ele devidos a título de ICMS compuseram indevidamente a base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, bem como a exatidão do montante a ser restituído. Nos termos do Acórdão nº 06051.816, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento decidido ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, excetuandose a hipótese em que referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.375, de 01/02/2018, proferido no julgamento do processo 10880.674245/201124, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.375) 1: 1 O voto da relatora originária restou vencido, sendo ora reproduzido tão somente o voto vencedor. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.674246/201179 Acórdão n.º 3201003.379 S3C2T1 Fl. 4 3 A recorrente postula o provimento de seu recurso diante da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. No voto vencido, a nobre relatora entende pela aplicação da decisão proferida pelo STF no RE 574.706/PR, julgado na sistemática de Repercussão Geral sob o fundamento de que o próprio STJ, em recente decisão, acompanhou a Corte Superior. Ocorre que, aos julgadores do CARF impõese a aplicação do que restar decidido pelo STJ e STF na sistemática do arts. 543B e 543C, do antigo CPC, a teor do que prescreve o disposto no caput do art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 RICARF2. No tema 313 do STJ "legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins" temse decisão definitiva na sistemática de recursos repetitivos, no REsp nº 1.144.469 /PR, com trânsito em julgado em 13/03/2017, no sentido de que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins, firmada a seguinte tese:" ii) O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Deveras, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Ademais, a decisão definitiva na sistemática de recursos repetitivos proferida no REsp nº 1.144.469 /PR continua vigente e eficaz conquanto não reformada pelo Órgão. Conclusão Firmado nos fundamentos expostos, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.674246/201179 Acórdão n.º 3201003.379 S3C2T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 135DF CARF MF
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Numero do processo: 10245.720136/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DE DISPOSITIVO LEGAL. MÉRITO.
Não há que se falar em nulidade do lançamento, quando a alegação recai sobre aspecto que deva ser apreciado na análise meritória do lançamento.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. ATIVIDADE RURAL.
Deve ser adicionado ao valor da terra nua alienada, o produto da alienação das benfeitorias, quando os respectivos investimentos não houverem sido considerados na apuração do resultado da atividade rural.
Numero da decisão: 2402-006.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DE DISPOSITIVO LEGAL. MÉRITO. Não há que se falar em nulidade do lançamento, quando a alegação recai sobre aspecto que deva ser apreciado na análise meritória do lançamento. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. ATIVIDADE RURAL. Deve ser adicionado ao valor da terra nua alienada, o produto da alienação das benfeitorias, quando os respectivos investimentos não houverem sido considerados na apuração do resultado da atividade rural.
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INOBSERVÂNCIA DE DISPOSITIVO LEGAL. MÉRITO. Não há que se falar em nulidade do lançamento, quando a alegação recai sobre aspecto que deva ser apreciado na análise meritória do lançamento. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. ATIVIDADE RURAL. Deve ser adicionado ao valor da terra nua alienada, o produto da alienação das benfeitorias, quando os respectivos investimentos não houverem sido considerados na apuração do resultado da atividade rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 01 36 /2 01 1- 81 Fl. 217DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Ronnie Soares Anderson. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10245.720136/201181 Acórdão n.º 2402006.066 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração em 11.07.2011 para constituição de IRPF no valor principal de R$ 103.766,05, acrescido da multa de ofício (75%) e dos juros legais Selic. A autuação decorre da constatação das infrações a seguir: 1 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais exercícios 2007, 2008 e 2009. Para o relato dos fatos apurados, sirvome do relatório do acórdão de piso, fls. 189/190, por entender bem retratar o caso. Noticia o Termo de Verificação Fiscal que o contribuinte realizou alienação imobiliária no ano de 2005, auferindo ganho de capital sujeito à tributação, com reflexos nos anos de 2006 a 2008. Constatouse por meio da Escritura de Doação que em 06/01/2004 o interessado recebeu em doação de seus pais 1/3 da área de terras rural denominada Fazenda São Sebastião, em Boa Vista Roraima. Referida parcela do imóvel foi alienada em 24/06/2005 a ser paga de forma parcela, segundo a Escritura Pública de Compra e Venda, com Pacto Adjeto de Hipoteca, ou seja, “as parcelas são representadas por Notas Promissórias, mas estas são vinculadas ao contrato por cláusula pro solvendo”, “podese concluir que a operação em análise se amolda à definição de alienação a prazo”, art. 21 da Lei 7.713/88 e art. 140 do RIR/99. “Todavia, em relação ao valor efetivamente recebido o fiscalizado não efetuou a apuração e recolhimento do imposto de renda devido sobre o ganho de capital auferido. Em sua DIRPF 2006 (AC 2005), preencheu o Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital, informando valores diferentes dos constantes na escritura pública de compra e venda, e declarando os rendimentos como isentos. Importante ressaltar que a operação em análise não se enquadra em nenhuma das hipóteses de isenção previstas na legislação”. Salienta o Relatório Fiscal “que o documento de aquisição, a Escritura Pública de Doação, não faz referência a benfeitorias existentes no imóvel, o mesmo ocorrendo no documento de alienação”. Fl. 219DF CARF MF 4 Foi considerado como valor de aquisição do imóvel o Valor da Terra Nua (VTN) constante no dia DIAT (Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural) referente ao ano da aquisição, 2005. “Fazendo uma divisão simples, a parcela correspondente ao fiscalizado seria de R$ 55.000,00/3 = R$ 18.833,33”. “Ainda que levemos em conta a repartição do valor da alienação apresentada pelo contribuinte, o valor das benfeitorias deverá ser computado como valor da alienação, por não estar atendido o requisito estabelecido no Inciso I do § 2º do art. 19 da INSRF nº 84/01, para que seja considerada receita da atividade rural”. “Tendo em vista que a operação foi realizada a prazo, conforme já demonstrado (art. 21 da Lei 7.713) a tributação deve ser realizada a medida que forem recebidos os valores das parcelas”. Em suma: em 06.01.2004, o recorrente recebeu de seus pais, em doação, 1/3 da Fazenda São Sebastião, que foi alienada em 24.06.2005 pelo valor de R$ 2.266.000,00, relativo a 2/3 do imóvel, a ser pago de forma parcelada ao longo de 2005 a 2007, conforme escritura pública de compra e venda. Ao final, foi considerado o valor de R$ 1.997.507,68 como sendo o de alienação, cabendo R$ 998.753,84 ao sujeito passivo. Referido imóvel integrou seu patrimônio, em sua DIRPF/05, por R$ 13.581,40, valor correspondente à transferência declarada na DIRPF do alienante. Segundo aponta a Fiscalização, o documento de aquisição não faz referência a benfeitorias existentes. Contudo, foi identificado DIAT para 2004, com VTN no valor de R$ 55.000,00. Sendo assim, atribuiu ao imóvel, o custo de aquisição de R$ 18.333,33 (R$ 55.000,00 / 3 ). Na alienação, da mesma forma e segundo a Fiscalização, o documento do negócio não especificou os valores da terra nua e das benfeitorias, sequer atestou sua existência. No mesmo sentido, foi identificado DIAT para 2005 (ano da alienação), com VTN no valor de R$ 55.000,00. Contudo, em função do respondido pelo contribuinte, no sentido de que o valor da terra nua corresponderia a R$ 880.000,00, foi considerado, como VTN, o valor de R$ 440.000,00 (1/2 do valor informado), que coincidiu com aquele declarado pelo contribuinte no Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital relativos ao ano calendário 2005, anexo à sua DIRPF/06. Quanto às benfeitorias, após o recorrente ter informado a inexistência de aquisições no período de 01/2004 a 06/2005, o valor a elas relacionados (R$ 1.386.000,00/2) foi adicionado ao de alienação do imóvel. Em 2004, não apurou resultado da atividade rural. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10245.720136/201181 Acórdão n.º 2402006.066 S2C4T2 Fl. 4 5 Em 2005, 2006, 2007 e 2008 declarou receitas, apenas receitas, da atividade rural, que, segundo o contribuinte, decorreriam da venda das benfeitorias existentes. Regularmente intimado, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 187/194. Em seu Recurso Voluntário às fls. 201/207, aduz, em síntese: Em preliminar, a nulidade do lançamento em função de a autoridade autuante não ter atendido ao dispositivo legal que determinava, no caso de subavaliação do VTN, a utilização das informações sobre preços de terras. No mérito, insurgese quanto ao valor tomado como de alienação, que teria sido arbitrado pela Fiscalização, na medida em que o próprio contribuinte o havia arbitrado em R$ 440.000,00 É o relatório. Fl. 221DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 16.10.2014 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 12.11.2014. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Em sua preliminar, suscita a nulidade do lançamento por suposta violação de dispositivo legal. Contudo, a alegação empregada demanda análise meritória da lide, razão pela qual, nesse primeiro momento, rejeitoa como preliminar de mérito. A controvérsia reside na utilização dos incisos I e II do § 2º do artigo 19 da Instrução Normativa 84/2001, frente ao que dispõe o artigo 19 da Lei 9.393/96. Art. 19. Considerase valor de alienação: § 2o Na alienação dos imóveis rurais, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada: I como receita da atividade rural, quando o seu valor de aquisição houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; II como valor da alienação, nos demais casos. Mais especificamente, o fato de a autoridade autuante ter adicionado o valor da alienação das benfeitoras ao VTN declarado e reconhecido pelo contribuinte. No entender do contribuinte, tal valor deveria ser reconhecido como receita da atividade rural. Passemos, assim, a análise sistêmica dos dispositivos, inseridos no arcabouço normativo que trata da matéria. O artigo 153 da nossa Constituição Federal estabelece competir à União instituir impostos sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Por sua vez, o artigo 43 do CTN define que renda é o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, ao passo que proventos, os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Nessa linha, o artigo 3º da Lei 7.713/88, em especial seu parágrafo 2º, como regra matriz para incidência do IR sobre o ganho de capital (GCAP), prescreve que integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de BENS OU DIREITOS DE QUALQUER NATUREZA. E mais, o § 3º, ao dispor sobre a alienação, é claro ao mencionar que serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. Ou seja, o diploma legal acima, que não trata especificamente do imóvel rural, tampouco o excetua da sistemática, traz a regra geral para a exação. É dizer: todo a Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10245.720136/201181 Acórdão n.º 2402006.066 S2C4T2 Fl. 5 7 acréscimo patrimonial, seja sobre qual for o patrimônio, apurado quando de sua alienação, deve ser oferecido à tributação. E não se deve perder isto de vista. Por obvio, devem ser observadas as circunstâncias legais que autorizam a dedução ou soma dos valores, respectivamente, de alienação e do custo de aquisição, bem com aquelas que, à luz do artigo 97 do CTN, estabeleçam a isenção do imposto na operação. Tratemos, adiante, do GCAP na alienação de imóvel. Na concepção da Lei Civil, BEM IMÓVEL é o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural (Imóvel por Natureza) ou artificialmente (Imóvel por Acessão Física) (art 79) Ainda assim, não perdem o caráter de imóveis: as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local e os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. Ou seja, pela Lei civil, tanto o solo quanto às construções e benfeitorias nele incorporadas, fazem parte do IMÓVEL. A lei 8.023/90, que trata da Atividade Rural e da apuração do seu ganho, tributável pelo IR no ajuste anual na DIRPF, não define o que vem a ser IMÓVEL RURAL, mas tão somente a atividade rural. Aquele diploma define a sistemática para a apuração do resultado da atividade rural, vale dizer, quando se pratica a atividade tal como prevista em seu artigo 2º. Em síntese: os investimentos pagos, dentre eles os que agregarão valor ao imóvel por acessão física, serão considerados despesas na apuração do resultado; e, quando de sua alienação, receita da mesma atividade. Note que o legislador possibilitou àquele que exercesse a atividade rural valerse dos investimentos em benfeitorias como despesa da atividade rural, sendo que, quando da venda do IMÓVEL, o valor a elas relacionado seria reconhecido como receita. Assim, caso houvesse algum ganho imobiliário nessas benfeitorias (imóvel por acessão), seria tratado no âmbito do ajuste anual, com as prerrogativas daquela sistemática de tributação favorecida, se fosse o caso (opção pelos 20% da receita como resultado). Em ouras palavras: quem exerce a atividade rural pode se valer dos gastos com benfeitorias como custo para essa atividade e quando vender o imóvel, reconhece a venda dessa parcela como receita. É uma oportunidade para quem exerce a atividade rural ter seu resultado afetado, imediatamente, pelos seus investimentos na produção, e não adicionado ao custo do seu imóvel para um futuro e eventual aproveitamento na redução de seu ganho de capital. E por força do artigo 14: O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nos anosbase posteriores. Perceba que a tributação dos investimentos em benfeitorias (despesas/custo), bem assim o produto de sua alienação (receita) no âmbito da atividade rural é substancialmente menor do que caso optasse por apurar o ganho de capital em sua alienação. A depender dos valores envolvidos, da forma de pagamento, da opção pela tributação de apenas 20% da receita e das deduções na apuração do ajuste, pode ser que não Fl. 223DF CARF MF 8 resulte IR devido ao final do período, ainda que a alienação tenha se dado com expressivo ganho patrimonial. É um favor fiscal, em função da política tributária, àqueles que exercem a atividade rural e reconhecem, ambos, os investimos e alienações relacionados às benfeitorias na apuração do resultado daquela atividade. Nessa linha, não é dada ao contribuinte, extrapolando a benesse fiscal, a opção por adicionar as despesas com os investimentos em benfeitorias ao custo de aquisição do imóvel, reduzindo, ao final, o ganho de capital na alienação do imóvel; e reconhecer o produto da venda como receita da atividade rural, levando ao ajuste apenas 20% desse valor, sobre o qual ainda serão deduzidas as despesas lá permitidas (ou deduzir em 20%, a título de desconto simplificado, observado o limite legal). Definitivamente, tenho que esta não foi a intenção do legislador. Por sua vez, fez questão de esclarecer que o valor da terra nua, quando da alienação do imóvel, não integraria a apuração do resultado da atividade rural, mas sim, por meio da apuração de GCAP prevista no artigo 3º daquela regra matriz (L. 7.713/88). Assim, a pelo menos desde 04/1990, o valor das benfeitorias, seja como investimento pago (despesa), seja na venda como bem da produção (imóvel rural), é considerado na apuração do resultado da atividade rural e, a rigor, não integram os valores de aquisição e de alienação para fins de apuração do GCAP. Posta acima a sistemática legal para apuração do resultado da atividade rural, passemos, em consonância com a análise empreendida, aplicar a metodologia legal para a apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural (por natureza e por acessão). Sob a égide da Instrução Normativa SRF nº 39/1993, revogada pela de nº 84/2001, tínhamos: Art. 18. No caso de imóvel rural será considerado custo de aquisição o valor, em UFIR, relativo à terra nua. Parágrafo único. Considerase terra nua o imóvel rural despojado das construções, instalações e melhoramentos, das culturas permanentes, das árvores de florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas, que se classificam como investimentos (benfeitorias) da atividade rural. Art. 22. Considerase valor de alienação: § 4º Na alienação de imóvel rural com benfeitorias, será considerado apenas o valor da terra nua. Veja que os dispositivos acima tratavam, apenas, no valor da terra nua. Assim, considerado o normativo revogado, tínhamos a seguinte questão a responder: Na alienação do imóvel rural com benfeitorias, como tratar aqueles casos em que não se exerce a atividade rural ou, se a exerce, não levou tais valores para a apuração do resultado da atividade rural, uma vez que, em função da matriz legal, integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de BENS OU DIREITOS DE QUALQUER NATUREZA ? Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10245.720136/201181 Acórdão n.º 2402006.066 S2C4T2 Fl. 6 9 Note que a norma matriz instituiu a incidência tributária nos ganhos de capital de maneira suficientemente abrangente, de formar que, eventual tratamento que tendesse a excluir determinada operação, como por exemplo, a alienação das benfeitorias, deveria constar expressamente de norma isentiva, na forma do artigo 111, II, do CTN. Assim, a par dessa problemática, a IN 84/2001, ao reconhecer a inexistência de norma isentiva em face da regra geral (art 3º da Lei 7.713/88) e, por outro lado, ao reconhecer o permissivo legal para o aproveitamento dos gastos com benfeitorias na apuração do resultado da atividade rural, regulamentou, com fulcro no artigo 100 da CTN: Custo de aquisição = VTN Se as benfeitorias não tiverem sido computadas como investimentos na apuração do resultado da atividade rural, poderão integrar o valor do custo de aquisição e, quando da alienação do imóvel, também integrarão o valor de alienação. Se, por outro lado, tiverem sido computadas como custo/investimento na apuração do resultado da atividade rural, deverão ser reconhecidas como receita dessa atividade rural, quando da alienação do imóvel; caso não tenham sido reconhecidas como receita, o valor comporá o de alienação. Caso não exerça ou não tenha se valido da sistemática acima e por força da regra matriz (lei 7.713/88), essa tributação se dará no âmbito da apuração do GCAP, adicionandose, tanto ao custo, quanto no valor de alienação, a parcela identificada como sendo investimento em benfeitorias. Assim, a IN SRF 84/2001 procurou dar efetividade ao benefício instituído pela lei 8.023/90, em confronto com a previsão na lei 7.713/88. Com o advento da Lei 9.393/96, que em nada modificou a sistemática então delineada, surgiu a controvérsia com relação ao aproveitamento daquele valor de terra nua, por força do que constou em seu artigo 19. A Lei 9.393/96, de 19.12.1996 dispõe sobre o ITR e, para fins de sua apuração, estabeleceu o IMÓVEL RURAL como o IMÓVEL POR NATUREZA. Apenas solo, matas e florestas nativas. É o que se costuma chamar de Terra Nua. Em um único artigo que trata do GCAP, definiu que o ganho de capital, para os IMÓVEIS RURAIS, deveria considerar o Valor daquela Terra Nua como custo de aquisição e valor da venda. Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Note que o dispositivo acima não inovou quanto a considerar o VTN como custo de aquisição e como valor da venda do imóvel rural, eis que assim já tratava a legislação tributária antes de sua edição (IN SRF 39/1993). Fl. 225DF CARF MF 10 Consoante se extrai da exposição de motivos da Medida Provisória 1.528/96, convertida na Lei 9.393/96, pretendeu o legislador que, quando da alienação da terra nua, fosse adotado o valor declarado pelo contribuinte como base de cálculo do ITR. Não quis a lei, No entender deste Relator ao tratar da apuração do ganho de capital resumir todo o imóvel rural ao valor da terra nua, mas, sim, estabelecer que para a determinação o valor do imóvel por natureza, seria observado, tanto na aquisição, quanto na alienação, o valor da terra nua VTN, declarado pelo próprio contribuinte à RFB. A novidade foi que, com relação aos imóveis adquiridos após 01.01.1997, esse VTN seria extraído do DIAT apresentado pelo próprio contribuinte, quando da apuração do seu ITR, sendo certo que referido VTN decorreria de autoavaliação a preço de mercado no primeiro dia do ano. Tal disposição teve como razão de ser, a necessidade de legalmente instrumentalizar a administração tributária à obtenção daquele VTN, sobretudo nas situações em que o contribuinte tenha levado os valores relacionados às benfeitorias para a apuração do resultado da atividade rural (como custo e receita) e não disponha desses valores (VTN/benfeitorias) discriminados no instrumento da transação. Assim, se por um lado, o contribuinte precise demonstrar que "trabalhou" com as benfeitorias no âmbito da apuração do resultado da atividade rural, por outro, caso provado, o Fisco não pode mais se valer do instrumento da transação, quando não se especificou o que era VTN e o que eram benfeitorias. Usualmente o ônus dessa especificação era atribuído ao sujeito passivo. Nesse rumo, mais do que uma obrigação a que o fisco utilizasse daquele documento (DIAT), foi uma autorização para que a fiscalização se sentisse legalmente segura ao se valer de uma informação prestada pelo próprio sujeito passivo, sem que houvesse, a rigor, a necessidade de contraditála. Tanto o é, que na hipótese de o valor tiver sido subavaliado ou não houver a apresentação desse DIAT, a Fiscalização estará autorizada a valerse das informações que constam nos sistemas de preços de terras. Ou seja, aproveitarse de outra informação que, com alguma freqüência, pode não retratar o preço real praticado na operação em questão. Vejamos, novamente, o que diz a exposição de motivos, nesse ponto: Perceba que a intenção do legislador, ao mencionar a utilização do sistema de informação sobre preços de terras, foi a de que ele servisse de norte para a Fiscalização, não a de impor, a qualquer custo, sua utilização. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10245.720136/201181 Acórdão n.º 2402006.066 S2C4T2 Fl. 7 11 Voltemos ao texto da lei, desta feita o do artigo 14: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Não é difícil notar que o dispositivo tem sua redação voltada, primordialmente, para a apuração do ITR, quando estabelece que o lançamento de ofício considerará a informações sobre preços de terras constantes dos sistemas da RFB. Em outras palavras, o lançamento de ofício lá previsto é aquele por meio do qual se constituirá o ITR. Diferentemente da apuração do GCAP, quando a determinação dos valores de alienação e custo de aquisição são, ou ao menos deveriam ser, fielmente retratados em um documento que consubstancia o negócio jurídico entabulado; na apuração do ITR não se tem um documento que, com periodicidade anual, estabeleça o valor da terra nua que servirá de base para sua determinação. Razoável, nesse contexto, que se autorize, legalmente, a utilização do valor constante naquele sistema de preços de terras, sob pena de se engessar a fiscalização daquele tributo. No que toca ao precitado sistemas de preços de terras SIPT instituído pela Portaria SRF 447/2002, de 04/2002 cumpre ressaltar que o mesmo é alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR. Tais informações sobre preços de terra deverão observar os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. O dispositivo acima, da Lei 8.629/93, que regulamente a reforma agrária, foi alterado em 2001. A redação original impunha os seguintes critérios para o SIPT: o VTN segundo a: 1 localização do imóvel; 2 capacidade potencial da terra; e 3 dimensão do imóvel. Todavia, a atual redação impõe os seguintes critérios: 1 localização do imóvel; Fl. 227DF CARF MF 12 2 aptidão agrícola; 3 dimensão do imóvel; 4 área ocupada e ancianidade das posses; 5 funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. Percebese aqui nova autorização ao Fisco, que, em não havendo a apresentação do DIAT ou verificando a subavaliação do VTN, pode se nortear pelo valor de VTN no SIPT, como se aquele valor estimado correspondesse ao preço efetivamente praticado na operação, como numa espécie de "arbitramento". Note que tal documento, que traz valor do VTN proveniente de uma auto avaliação, não tem sua aplicação de forma absoluta, inconteste, conforme vimos acima (hipótese de subavaliação). Veja que esse dispositivo como dito acima visou, primordialmente, a que o Fisco contasse com certa instrumentalidade para a célere aferição da base de cálculo do ganho de capital, ainda que, num primeiro momento, ao valerse de uma informação prestada pelo próprio contribuinte, pudesse não corresponder a verdade dos fatos. Prestigiouse, nesse sentido, a celeridade e o incremento da presença fiscal. Indubitavelmente, por outro lado, trata de um dispositivo que ao agilizar o procedimento fiscal, pode, a depender do caso, não refletir a justa tributação. Podese chegar a um valor estimado, que pode ser que se aproxime ao do caso concreto, ou pode ser que não. Diferentemente da utilização dos instrumentos do negócio (escrituras e contratos, por exemplo), que, além de no mínimo obrigarem as partes envolvidas, devem observar, conforme o caso, as formalidades legais. Pois bem, esse é o cenário: Se há o DIAT, a Fiscalização PODE dele se utilizar; por outro lado, caso não haja ou se identifique patente subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a fiscalização PODE se valer das informações do SIPT; Contudo, caso tenha disponível os documentos negociais, que retratem, concretamente, a operação, deles DEVEM se valer. Mas e quando esse documento não traz especificado o VTN e as benfeitorias? Como já abordado, a sistematização das duas apurações relacionadas a imóveis rurais, quais sejam, a apuração do resultado da atividade rural a do GCAP, em consonância com a regra matriz do artigo 3º da Lei 7.713/88, conduz ao seguinte entendimento, para os imóveis adquiridos após 01.01.1997: Contribuinte utilizou os investimentos em benfeitorias na apuração do resultado da atividade rural como custo e como receita na alienação do imóvel: Custo de aquisição VTN e valor de alienação VTN PODEM ser extraídos do DIAT/SIPT ou PODEM ser extraídos dos documentos negociais, caso especifiquem o VTN. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10245.720136/201181 Acórdão n.º 2402006.066 S2C4T2 Fl. 8 13 Contribuinte utilizou os investimentos em benfeitorias como custo na apuração do resultado da atividade rural, mas não reconheceu o produto de sua venda como receita da mesma atividade. Custo de Aquisição VTN PODE ser extraído do DIAT/SIPT ou PODE ser extraído dos documentos negociais, caso especifiquem o VTN; Valor de alienação PODE ser extraído dos documentos negociais valor total da alienação. Temse, nesse caso, a apuração do ganho de capital na alienação das benfeitorias, imóvel por acessão física, à luz do disposto no artigo 3º da Lei 7.713/88, eis que o produto da alienação não teria sido oferecido à tributação na apuração do resultado da atividade rural. Contribuinte não utilizou os investimentos em benfeitorias como custo na apuração do resultado da atividade rural, mas reconheceu o produto de sua venda como receita da mesma atividade. Custo de Aquisição VTN PODE ser extraído do DIAT/SIPT, adicionandose o valor das benfeitoras, caso conste dos documentos negociais ou seja comprovado pelo contribuinte. Valor de Alienação PODE ser extraído do DIAT/SIPT, adicionandose o valor das benfeitorias ou PODE ser extraído dos documentos negociais. Contribuinte não utilizou os investimentos em benfeitorias na apuração do resultado da atividade rural ou não realiza/apura atividade rural e não reconheceu o produto de sua venda como receita da mesma atividade: Custo de aquisição VTN e valor de alienação VTN PODEM ser extraídos do DIAT/SIPT, desde que adicionadas as benfeitorias (imóvel por acessão física) ou PODEM ser extraídos dos documentos negociais valor total da alienação. Destarte, observados os critérios acima e após a análise sistêmica dos artigos 14 e 19 da Lei 9.393/96, 3º da Lei 7.713/88 e do que dispõe a Lei 8.023/90, não vislumbro qualquer impropriedade na utilização dos valores que constaram dos instrumentos negociais. Não há que se falar, desta feita, em se criar tributo, base de cálculo ou mesmo alíquota por meio de Instrução Normativa, na medida em que norma infra legal nada mais fez do que conciliar a tributação privilegiada prevista na Lei 8.023/90, para aqueles que exercem atividade rural, com a norma matriz para a apuração e cobrança do ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, além de propiciar ao contribuinte fosse utilizado o valor efetivo (documentos), em detrimento de um estimado (SIPT). Supor o contrário, seria admitir apurar o ganho de capital tributável levando se em conta valores estimados que poderiam, ao final, conduzir a um valor de ganho inferior ao que efetivamente se teve como acréscimo patrimonial, implicando o reconhecimento de isenção, à margem da lei, da parcela não contemplada no DIAT/SIPT. Posta a análise da legislação, voltemos ao caso concreto, quando então serão abordados os valores que couberam ao contribuinte (1/2 da operação). Fl. 229DF CARF MF 14 O contribuinte alienou um imóvel rural que adquiriu em 2004 por doação de seus pais, cuja transferência entre os patrimônios derase pelo valor, praticamente simbólico, de R$ 13.581,40. Em 2005, alienouo por R$ 1.133.000,00. Não fez constar, em qualquer dos documentos das operações, qual o valor que seria atribuído à terra nua e às benfeitorias. Em função do VTN que constou do DIAT do ano da alienação, vale dizer, R$ 18.333,00, quando comparado com o valor da efetiva alienação do imóvel R$ 1.133.00000, o recorrente se viu impelido, na apuração do ganho de capital, a reajustar aquele valor da terra nua. Assim, daquele valor, atribuiu R$ 440.000,00 à terra nua, para enquadrase na isenção prevista no artigo 23 da Lei 9.250/95 e o restante, às benfeitorias, no valor de R$ 693.000,00, o qual teria sido levado ao resultado da atividade rural nos anos de 2005 a 2008, da seguinte forma: 2005 2006 2007 2008 JANEIRO FEVEREIRO MARÇO ABRIL 76.450,00 44.000,00 80.000,00 MAIO 30.580,00 10.200,00 JUNHO 36.696,00 JULHO 9.174,00 67.661,41 102.986,00 AGOSTO 40.451,11 100.000,00 SETEMBRO 50.141,75 65.586,00 OUTUBRO 30.580,00 NOVEMBRO 68.659,00 DEZEMBRO 27.474,00 TOTAL 152.900,00 188.834,27 308.705,00 190.200,00 OPÇÃO 20% 30.580,00 37.766,85 61.741,00 38.040,00 DESCONTO SIMPL 6.116,00 7.553,37 11.669,72 7.608,00 BC 24.464,00 30.213,48 50.071,28 30.432,00 IR 1.574,40 2.314,98 7.467,42 2.093,74 ALÍQUOTA EFETIVA 1,03% 1,23% 2,42% 1,10% Notese que nesse período, o contribuinte não evidenciou, em suas DIRPF, que exercia atividade rural, na medida em que não se valeu de qualquer despesa com custeio ou investimento, tampouco reconheceu, como receita, valor outro que não fossem as alegadas alienações de benfeitorias. Em suma, pretendeu o recorrente alienar por R$ 1.133.000,00 em 2005, um imóvel que recebeu de seus pais por doação pelo valor de R$ 13.581,40 em 2004 e, em função da operação, apurar o IR no valor de R$ 13.450,54. Pelo todo o fundamentado acima, entendo que a legislação não autorizou ao contribuinte a tributação do produto da alienação das benfeitorias, se é que, de fato, seriam benfeitorias, como resultado da atividade rural, na medida em que não se evidenciou o exercício de tal atividade, eis que não se valeu, naquela apuração, dos investimentos nessas alegadas benfeitoras e/ou de qualquer outro investimento legalmente admitido. Aplicase, pois, a regra matriz do artigo 3º da Lei 7.713/88. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10245.720136/201181 Acórdão n.º 2402006.066 S2C4T2 Fl. 9 15 Ante o exposto, CONHEÇO do recurso apresentado, para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGARLHE provimento. Mauricio Nogueira Righetti Relator Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000345/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 52 .0 00 34 5/ 20 07 -5 5 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10552.000345/200755 Resolução nº 2401000.619 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Embargos Inominados (fl.201) opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre/RS, com fulcro no artigo 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativos de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, considerando o lapso manifesto no acórdão 2401004.110 (fls. 188/194), proferido no processo em epígrafe. O processo trata crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.040.1018, referente a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, parte da empresa, parte relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a parte relativa as entidades denominadas de terceiros quais sejam FNDE (salário educação) e INCRA. Em decorrência da infração cometida, o valor total lançado na presente NFLD foi de R$ 301.456,61 (trezentos e um mil quatrocentos e cinquenta e seis reais e sessenta e um centavos). O lançamento abrange o período compreendido entre maio de 2000 a fevereiro de 2006, inclusive 13° salário. As bases de cálculo das contribuições lançadas foram apuradas com base nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência SocialGFIP e nos Recibos de Pagamento a Autônomo (RPA), tendo em vista que não foram apresentados os documentos a seguir relacionados: Livros Diário e Razão, Plano de contas, Comprovantes de recolhimento, Folhas de Pagamentos, GFIP, GRFP,GRFC, RAIS, Tabela de incidência gerada pelo sistema de folha de pagamento e Comprovante de adesão ao PAT. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a interessada apresentou Impugnação a fls. 70 e seguintes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 13.607 8ª Turma da DRJ/POA, às fls. 153/159, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O ora Embargado foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 18/12/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 166. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Embargado interpôs Recurso Voluntário às fls. 167/168, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: ∙ Nulidade do lançamento ∙ Decadência Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10552.000345/200755 Resolução nº 2401000.619 S2C4T1 Fl. 4 3 ∙ Inimputabilidade da diretoria atual do sindicato para efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias ou para responder penalmente pelas infrações. Requer, ao final, que “seja decretada a nulidade do lançamento ou, alternativamente, seja reconhecida a decadência do direito da fazenda pública constituir crédito tributário após decorridos 5 anos da ocorrência dos fatos geradores e que sejam responsabilizados exclusivamente os Srs. Cesar José Pedroso Pureza e Milton Rodrigues Vaz, expresidentes do Sindicato”. Ao analisar o recurso (fls.188/194), em 16/02/2016 a egrégia 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária deu parcial provimento ao recurso e reformou a decisão de primeira instância nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 28/02/2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Inocorrência. Não ocorre nulidade do lançamento se o débito está suficientemente discriminado nos demonstrativos que instruem a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD. DECADÊNCIA. No presente caso, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional quanto à fluência do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública constituir o crédito previdenciário, razão pela qual deve ser reconhecida a decadência das obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro de 2001, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS apresentou embargos inominados (fl. 201) com fulcro no artigo 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativos de Recursos Fiscais, onde alega que no presente caso, a identificação do lapso manifesto fica evidenciada, na medida em que, trazido aos autos informação sobre pedido de parcelamento, com a inclusão do processo em questão, sem que tal fato tenha sido anteriormente indicado pelo contribuinte por meio de expresso pedido de desistência ou mesmo pelo Fisco. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10552.000345/200755 Resolução nº 2401000.619 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Primeiramente, deixo de apreciar a questão da tempestividade, posto que, sendo adotado o despacho como embargos inominados do art. 66 do RICARF, não existe prazo para correção de erro manifesto, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Conforme constam dos autos, cuidase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.040.1018, referente a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, parte da empresa, parte relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a parte relativa as entidades denominadas de terceiros quais sejam FNDE (salário educação) e INCRA. Em decorrência da infração cometida, o valor total lançado na presente NFLD foi de R$ 301.456,61 (trezentos e um mil quatrocentos e cinquenta e seis reais e sessenta e um centavos). O lançamento abrange o período compreendido entre maio de 2000 a fevereiro de 2006, inclusive 13° salário. As bases de cálculo das contribuições lançadas foram apuradas com base nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência SocialGFIP e nos Recibos de Pagamento a Autônomo (RPA), tendo em vista que não foram apresentados os documentos a seguir relacionados: Livros Diário e Razão, Plano de contas, Comprovantes de recolhimento, Folhas de Pagamentos, GFIP, GRFP,GRFC, RAIS, Tabela de incidência gerada pelo sistema de folha de pagamento e Comprovante de adesão ao PAT. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a interessada apresentou Impugnação às fls. 70/74. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 13.607 8ª Turma da DRJ/POA, às fls. 153/159, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Inconformado, em 09/01/2008 o sindicato autuado interpôs recurso voluntário (fls. 167/168), e, ao analisar o referido recurso, em 16/02/2016 a egrégia 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária deu parcial provimento ao apelo e reformou a decisão de primeira instância (fls. 188/194). Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10552.000345/200755 Resolução nº 2401000.619 S2C4T1 Fl. 6 5 Ocorre que, posteriormente ao julgamento, às fls. 199/200 foram juntadas tela do sistema SICOB informando sobre o parcelamento do débito em 25/07/2011, data anterior ao julgamento proferido por este Conselho. Entretanto, a empresa não informou o referido fato, razão pela qual a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre opôs os presentes Embargos. Entretanto, para que não paire dúvida acerca do tema, converto o julgamento em diligência, determinando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre junte aos autos o pedido de parcelamento do contribuinte, específico para o crédito tributário que compõe a presente lide, e, após, seja intimada o Embargado SINDICATO DOS MUNICIPARIOS DE PORTO ALEGRE, para que, caso queira, se manifeste. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.020567/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar o contribuinte de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço.
Numero da decisão: 2201-004.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar o contribuinte de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 67 /2 00 9- 45 Fl. 6489DF CARF MF Processo nº 15504.020567/200945 Acórdão n.º 2201004.294 S2C2T1 Fl. 6.490 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente MUNICÍPIO DE NOVA LIMA PREFEITURA MUNICIPAL contra Acórdão nº 0229.424 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG que julgou procedente a autuação por descumprimento de: Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 37.229.8729 (CFL 30) com valor consolidado de R$ 1.329,18; nas competências 01/2004 a 12/2004. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.229.8729, Código de Fundamentação Legal – CFL 30 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente, pois a empresa deixou de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a contribuintes individuais, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pela Administração Tributária, no período de 01/2004 a 12/2004. Conforme o Relatório Fiscal, a Recorrente: Durante a ação fiscal, durante a análise dos empenhos e das liquidações contábeis, constatouse que o MUNICÍPIO DE NOVA LIMA PREFEITURA MUNICIPAL remunerou contribuintes individuais no exercício de 2004 sem, no entanto incluir tais segurados em suas folhas de pagamentos, o que constitui infração ao disposto na Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. I, combinado com art. 225, inc. I e § 9°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99 com as respectivas alterações.A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283,inc. I, alínea "a" e art. 373. O demonstrativo nominal das remunerações dos contribuintes individuais citadas no presente relatório encontramse no ANEXO I e cópias de amostragem das folhas de pagamento apresentadas encontramse no ANEXO Ill do Auto de Infração DEBCAD n°37.229.8680,que tramita apenso ao presente processo. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. Houve, portanto, o descumprimento da obrigação acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. O valor da Multa aplicada foi de R$ 1.329,18, conforme Portaria Interministerial MPS/MF N° 48, de 12 de Fevereiro de 2009 DOU de 13/02/2009. Fl. 6490DF CARF MF Processo nº 15504.020567/200945 Acórdão n.º 2201004.294 S2C2T1 Fl. 6.491 3 A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Na impugnação de fls. 19/21 o contribuinte alegou que todos os valores que geraram algum crédito foram apurados pela fiscalização, notificados e não impugnados e, assim, deixa de existir a penalidade aplicada. Alega que corrigiu as faltas, conforme recibos das GFIP em anexo e solicita o cancelamento da autuação. A DRJ analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0229.424 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar o contribuinte de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação: (i) Alega que todos os valores que geraram algum crédito foram apurados pela fiscalização, notificados e não impugnados e, assim, deixa de existir a penalidade aplicada. (ii) As retificações foram feitas de acordo com a Lei 9.528/1997, onde cita que as informações prestadas incorretamente devem ser corrigidas por meio do próprio SEFIP a partir de 01/12/2005, conforme estabelecido no capítulo V do Manual da GFIP aprovado pela IN MPS/SRP 09/2005 e pela Circular Caixa 370/2005. (iii) Alega que corrigiu as faltas, conforme recibos das GFIP em anexo e solicita o cancelamento da autuação. A Resolução nº 2403000.274 decidiu pela conversão do julgamento em diligência, de forma a serem sanadas as seguintes dúvidas: (i) Se o conjunto de provas documentais apresentadas pelo contribuinte em sede de Impugnação e em sede de Recurso Voluntário corrigem totalmente a falta que ensejou a autuação fiscal; (ii) Em quais competências o contribuinte corrigiu a falta que ensejou a presente autuação; (iii) Em quais competências o contribuinte não corrigiu as faltas que ensejaram a presente autuação; (iv) Considerandose o art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999, se o contribuinte corrigiu a falta que ensejou a presente autuação fiscal. Informações prestadas pela DRF Belo Horizonte (fls. 6468/6470) concluem que a documentação que instrui o Recurso Voluntário não são capazes de sanar as faltas que motivaram a autuação em questão. Fl. 6491DF CARF MF Processo nº 15504.020567/200945 Acórdão n.º 2201004.294 S2C2T1 Fl. 6.492 4 O contribuinte alegou que não há o que se falar em "preparação de folha de pagamento", pois a administração pública realiza esse tipo de pagamento através da nota de empenho. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Não prospera o argumento de inaplicabilidade da multa por ausência de impugnação por parte do fisco, em diligência, aos valores lançados. Conforme narrado no tópico do relatório, as informações prestadas pela Delegacia da Receita Federal de origem concluem que os documentos apresentados pelo recorrente não são capazes de afastar a responsabilidade do sujeito passivo pelos fatos que levaram a lavratura do auto de infração, mantendose a penalidade aplicada pelo descumprimento do disposto no artigo 32, I, da Lei 8.212/91, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Depreendese que o recorrente busca, através da apresentação de novos documentos, corrigir a falha.Todavia, impende observar que o sujeito passivo reconhece o erro apontado pela fiscalização, tanto que juntou novos documentos, após o início da fiscalização, na tentativa de sanar a falha objeto da autuação. Há reconhecimento expresso nas razões recursais, de que os contribuintes individuais, no exercício de 2004, só foram incluídos em folha de pagamento em período posterior à Fiscalização. Todavia, os documentos apresentados pelo contribuinte não são capazes de corrigir os vícios apontados pela Fiscalização e mesmo que fossem, não se prestam para afastar a penalidade aplicada, uma vez que o artigo 291 do Regulamento da Previdência Social, Decreto 3.048/99, que autorizava a atenuante, caso a retificação fosse eficaz, foi revogado pelo Decreto 6.727/09. Acrescente ao exposto, que o reconhecimento da falha que ensejou a autuação, por si só, torna a matéria incontroversa. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 6492DF CARF MF Processo nº 15504.020567/200945 Acórdão n.º 2201004.294 S2C2T1 Fl. 6.493 5 Fl. 6493DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35464.004483/2005-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35464.004483/200561 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.550 – 2ª Turma Sessão de 28 de fevereiro de 2018 Matéria CS RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado C&C CASA E CONSTRUÇÃO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 44 83 /2 00 5- 61 Fl. 1551DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 35.787.3980, emitido em 15/12/2005, contra o contribuinte identificado acima, no valor de R$ 910.084,20 (novecentos e dez mil, oitenta e quatro reais e vinte centavos), em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212/91, uma vez que a empresa apresentou GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social, nas competências de 01/2002 a 08/2005, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Conforme consta no Relatório Fiscal, foram os seguintes fatos geradores não informados em GFIP: serviços prestados por cooperativas e pr contribuintes individuais (contribuição recolhida, porém não informada); diferenças de contribuições relativas aos administradores não cotistas da sociedade por cotas de responsabilidade Ltda, diferença de 1% na alíquota RAT filial 0030 e Prêmios pagos a segurados empregados não integrantes do salário de contribuição (créditos apurados na NFLD 35.787.3998). A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP julgado o lançamento procedente, mantendose o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 06/11/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2302003.492 (fls. ), com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, para excluir da autuação os fatos geradores relativos aos administradores não cotistas e para que a multa seja recalculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Ausência momentânea: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2005 NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 35464.004483/200561 Acórdão n.º 9202006.550 CSRFT2 Fl. 3 3 A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei nº 8.212/91, ensejando a aplicação de multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pelo art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, devem ser comparas as penalidades anteriormente prevista com a novel legislação, de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (at. 106, II, “c” do CTN). Inaplicável ao caso o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 quando o art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, específica para contribuições previdenciárias, tipifica a conduta e prescreve penalidade ao descumprimento da obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 25/02/2015, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs em 10/03/2015, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. ). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação à retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 11/03/2016 (fls. ). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2302003.492, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 16/08/2016, o contribuinte não apresentou Recurso Especial sobre a parte do Acórdão que lhe foi desfavorável, mas já havia apresentado contrarrazões em 15/04/2016 quando fez consulta ao processo administrativo, por meio do e_CAC, em 01/04/2016. Em suas contrarrazões, o contribuinte, preliminarmente, defende o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional por não ter sido feito o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e aquele reputado como paradigma; afirmando que o recurso da Fazenda limitase à mera transcrição das ementas e alegações do que trataria o acórdão nº 9202002.193, o qual não se presta a evidenciar a similitude fática, tampouco a divergência entre os acórdãos. · Argumenta, ainda, que a tese do acórdão apresentado como paradigma foi superada pelo Acórdão nº 9202002.747, de 17/10/2013, consolidando o entendimento que, mesmo nos casos de descumprimento de obrigação principal e acessória, o dispositivo que rege o cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória é o art. 32A da Lei nº 8.212/91, inserido pela Lei nº 11.941/09, Fl. 1553DF CARF MF 4 devendo este ser aplicado quando cominar multa mais benéfica ao sujeito passivo. · Menciona então o art. 67, §10 do RICARF, que dispõe o seguinte: “o acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma apresentado”; e acrescenta que, por mais essa razão, não merece ser conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional. · Quanto ao mérito da questão, o contribuinte argumenta que o exame da retroatividade benigna deve adstringirse ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação principal e acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na legislação atual, pelo descumprimento da mesma obrigação, não havendo que se confundir multas de diferentes naturezas e aplicações. · Nesse sentido, menciona o entendimento do CARF manifestado em julgamento realizado em 14 de agosto de 2012, pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, a respeito da análise do cabimento da retroatividade benigna em casos onde se verifica a multiplicidade de penalidades: · “(...) Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data da ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré.” · Ressalta que antes das inovações da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a omissão de fatos geradores na GFIP estava sujeita à penalidade prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, in verbis: · Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior”. · Acrescenta que o art. 79, I da Lei nº 11.941/2009 revogou expressamente o dispositivo acima transcrito, passando a regular a matéria o art. 32A da Lei nº 8.212/1991, o qual limita a multa a R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas. É o relatório. Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 35464.004483/200561 Acórdão n.º 9202006.550 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 1482. Havendo questionamento acerca do conhecimento do Resp da Fazenda, passo a apreciar a questão. Em relação ao conhecimento do processo foram colacionados os seguintes argumentos: Preliminarmente, defende o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional por não ter sido feito o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e aquele reputado como paradigma; afirmando que o recurso da Fazenda limitase à mera transcrição das ementas e alegações do que trataria o acórdão nº 9202002.193, o qual não se presta a evidenciar a similitude fática, tampouco a divergência entre os acórdãos. Argumenta, ainda, que a tese do acórdão apresentado como paradigma foi superada pelo Acórdão nº 9202002.747, de 17/10/2013, consolidando o entendimento que, mesmo nos casos de descumprimento de obrigação principal e acessória, o dispositivo que rege o cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória é o art. 32A da Lei nº 8.212/91, inserido pela Lei nº 11.941/09, devendo este ser aplicado quando cominar multa mais benéfica ao sujeito passivo. Menciona então o art. 67, §10 do RICARF, que dispõe o seguinte: “o acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma apresentado”; e acrescenta que, por mais essa razão, não merece ser conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Em relação aos pontos trazidos pelo recorrente convém apreciarmos os dispositivos que regiam o recurso à época da sua interposição: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Fl. 1555DF CARF MF 6 § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9° As ementas referidas no § 7° poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. . § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Ou seja, quanto a suposta inexistência de cotejamento, citese que o Regimento o CARF, nunca fez essa exigência, bastando que seja demonstrado a norma interpretada de forma diversa entre o acórdão recorrido e o paradigma. Nesse sentido, vejamos os termos do Recurso: No presente caso, há nítida divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão ora adotado como paradigma, proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Confirase a respectiva ementa em sua integralidade: [...] No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 35464.004483/200561 Acórdão n.º 9202006.550 CSRFT2 Fl. 5 7 igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Insta aqui consignar que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que hora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em que também se exigia as contribuições apuradas em decorrência da mesma ação fiscal. Naquela ocorrência, consignouse que havendo lançamento de contribuições, juntamente com a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei nº 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, e não o art. 32A da Lei nº 8.212/91, conforme entendeu o e. colegiado a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento das contribuições previdenciárias, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A, da Lei nº 8.212/91, sob pena de bis in idem. Vêse, portanto, que o colegiado a quo entendeu que, por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o art. 32A da Lei nº 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Em entendimento diametralmente oposto, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais considerou ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, em situação análoga à presente, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Correta a aplicação da regra pertinente à de aplicação da multa mais benéfica, entre a vigente no momento da prática da conduta apenada e a atualmente disciplinada no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLDs correlatas. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.” Ou seja, não se trata de simples reprodução de ementa, conforme alegado, mas apontamento da tese aplicada transcrita na própria ementa, porém com a indicação de como deuse o tratamento diverso da legislação entre os colegiados. Fl. 1557DF CARF MF 8 Ainda com relação ao conhecimento, o entendimento que a tese esboçada no paradigma, encontravase superada no âmbito do CSRF, também não merece guarida. Primeiro, a subjetividade aplicável a interpretação do dispositivo, já afasta a aplicação pretendida pelo recorrente. No meu entender a pretensão do RICARF não é identificar que uma decisão não unânime seria capaz de impedir a interposição de recursos. Não se trata de decisões unânimes reiteradas, que poderiam embasar a aprovação de súmula, mas de decisões passíveis de serem alteradas, tanto que estamos aqui hoje apreciando o tema. Dessa forma, encaminho pelo conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Do mérito Para se contrapor ao Recurso especial, traz o sujeito passivo em sede de contrarrazões: Quanto ao mérito da questão, o contribuinte argumenta que o exame da retroatividade benigna deve adstringirse ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação principal e acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na legislação atual, pelo descumprimento da mesma obrigação, não havendo que se confundir multas de diferentes naturezas e aplicações. Nesse sentido, menciona o entendimento do CARF manifestado em julgamento realizado em 14 de agosto de 2012, pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, a respeito da análise do cabimento da retroatividade benigna em casos onde se verifica a multiplicidade de penalidades: “(...) Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data da ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré.” Ressalta que antes das inovações da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a omissão de fatos geradores na GFIP estava sujeita à penalidade prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, in verbis: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 35464.004483/200561 Acórdão n.º 9202006.550 CSRFT2 Fl. 6 9 valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior”. Acrescenta que o art. 79, I da Lei nº 11.941/2009 revogou expressamente o dispositivo acima transcrito, passando a regular a matéria o art. 32A da Lei nº 8.212/1991, o qual limita a multa a R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas. Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora o recorrente entenda ter a turma a quo acertado na decisão proferida, colacionando outros argumentos para reforçar a tese, entendo que não seja a interpretação mais acertada. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. Fl. 1559DF CARF MF 10 A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 35464.004483/200561 Acórdão n.º 9202006.550 CSRFT2 Fl. 7 11 descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 1561DF CARF MF 12 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 35464.004483/200561 Acórdão n.º 9202006.550 CSRFT2 Fl. 8 13 ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e Fl. 1563DF CARF MF 14 aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 35464.004483/200561 Acórdão n.º 9202006.550 CSRFT2 Fl. 9 15 publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1565DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000164/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALTERAÇÃO DO VALOR DE MERCADO EM UFIR ATRIBUÍDO EM 31/12/1991. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE INDEFERIU A RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REANÁLISE.
Sabe-se que é facultado à pessoa física retificar o valor do bem, a preço de mercado em 31/12/1991, desde que o pedido de retificação seja acompanhado de elementos de prova que comprovem o erro cometido.
No entanto, após o pedido de retificação do valor de mercado do bem já ter sido apreciado e indeferido pela autoridade administrativa em processo anterior, não cabe mais discussão sobre este fato na esfera administrativa. Deve, assim, ser utilizado como custo de aquisição o valor de mercado do imóvel em 31/12/1991 informado da declaração originária, tendo em vista o indeferimento de sua retificação pela autoridade administrativa quando da apreciação do processo competente instaurado pelo contribuinte.
A despeito de o contribuinte ter continuado a inserir em suas declarações de ajuste seguintes valores superiores ao valor de mercado do bem reconhecido em 31/12/1991, tal valoração não tem utilidade para a apuração do ganho de capital, pois a lei determina que o custo de aquisição seja aquele valor de mercado do bem em 31/12/1991, atualizado para 01/01/1996.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE MERCADO. ATUALIZAÇÃO ATÉ 01/01/1996.
A alteração do custo de aquisição do valor do imóvel para valor de mercado do mesmo bem em 31 de janeiro de 1991 foi permitida pela legislação tributária e deveria ser efetuada quando da entrega da Declaração de Ajuste relativa ao exercício 1992.
Neste caso, o custo de aquisição do bem é o seu valor de mercado em 31 de janeiro de 1991, atualizado até 1o de janeiro de 1996.
Numero da decisão: 2201-004.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para no mérito, dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para no mérito, dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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CUSTO DE AQUISIÇÃO Recorrente LUIZ GONZAGA PARAHYBA CAMPOS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALTERAÇÃO DO VALOR DE MERCADO EM UFIR ATRIBUÍDO EM 31/12/1991. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE INDEFERIU A RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REANÁLISE. Sabese que é facultado à pessoa física retificar o valor do bem, a preço de mercado em 31/12/1991, desde que o pedido de retificação seja acompanhado de elementos de prova que comprovem o erro cometido. No entanto, após o pedido de retificação do valor de mercado do bem já ter sido apreciado e indeferido pela autoridade administrativa em processo anterior, não cabe mais discussão sobre este fato na esfera administrativa. Deve, assim, ser utilizado como custo de aquisição o valor de mercado do imóvel em 31/12/1991 informado da declaração originária, tendo em vista o indeferimento de sua retificação pela autoridade administrativa quando da apreciação do processo competente instaurado pelo contribuinte. A despeito de o contribuinte ter continuado a inserir em suas declarações de ajuste seguintes valores superiores ao valor de mercado do bem reconhecido em 31/12/1991, tal valoração não tem utilidade para a apuração do ganho de capital, pois a lei determina que o custo de aquisição seja aquele valor de mercado do bem em 31/12/1991, atualizado para 01/01/1996. IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE MERCADO. ATUALIZAÇÃO ATÉ 01/01/1996. A alteração do custo de aquisição do valor do imóvel para valor de mercado do mesmo bem em 31 de janeiro de 1991 foi permitida pela legislação tributária e deveria ser efetuada quando da entrega da Declaração de Ajuste relativa ao exercício 1992. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 01 64 /2 00 5- 01 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13884.000164/200501 Acórdão n.º 2201004.132 S2C2T1 Fl. 149 2 Neste caso, o custo de aquisição do bem é o seu valor de mercado em 31 de janeiro de 1991, atualizado até 1o de janeiro de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para no mérito, darlhe provimento parcial, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 132/145, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 123/127, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 75/79, lavrado em 18/01/2005, decorrente da omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, relativo a fato gerador ocorrido em abril/2000, com ciência do RECORRENTE em 25/01/2005 (fl. 83). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 8.983,88, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a Descrição dos Fatos de fls. 76/79, em 25/04/2000 (fl. 68) o RECORRENTE alienou, por R$ 120.000,00, o imóvel situado na Rua Antonio Barleta, 112, São Paulo/SP, cujo valor restava, em 31/12/1999, consignado como sendo R$ 204.449,00 na sua declaração de ajuste do anocalendário 2000. A fiscalização intimou o RECORRENTE para apresentar documentos acerca da aquisição e alienação do referido imóvel. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13884.000164/200501 Acórdão n.º 2201004.132 S2C2T1 Fl. 150 3 Analisando os documentos apresentados, entendeu pela manutenção do valor da venda, realizada por R$ 120.000,00, conforme contrato de fls. 20/23. Entretanto, afirmou que não caberia discutir ou rever a decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 13884.001627/9600 (movido pelo RECORRENTE), e ratificou o valor de R$ 49.869,02 atribuído ao imóvel em discussão (fl. 71). Afirmou que estaria demonstrado nos autos do referido processo que tal valor era o custo de aquisição atualizado monetariamente até 31/12/1995. Sobre o mencionado valor de R$ 49.869,02 adicionou o montante de R$ 11.200,00 relativos a gastos com reformas no anocalendário 1997, acatadas pela fiscalização (fl. 72). Assim, apurou custo de aquisição de R$ 61.069,02. Por fim, quando do cálculo do ganho de capital, considerando que o imóvel foi adquirido em 1977, aplicou a redução de 60% estabelecida por lei, e apurou ganho de capital no valor de R$ 23.572,39 e o consequente imposto de renda no valor de R$ 3.535,85. O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 85/103 em 23/02/2005. Suas razões de defesa foram assim resumidas pela autoridade julgadora de primeira instância: Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13884.000164/200501 Acórdão n.º 2201004.132 S2C2T1 Fl. 151 4 Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo/SP julgou procedente o lançamento (fls. 123/127). O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 30/04/2000 Ementa: GANHOS DE CAPITAL CUSTO DE AQUISIAÇÃO AVALIAÇÃO A PREÇO DE MERCADO EXISTÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DENEGANDO A RETIFICAÇÃO DO VALOR INFORMADO. Decisão de segunda instância em que foi indeferida a retificação de valor de imóvel avaliado na Declaração de Bens, do ano calendário 1991, exauridos os meios recursais, tornase definitiva e não mais; passível de modificação por vias administrativas. Correto o lançamento que utilizou o valor do bem informado na declaração original como custo de aquisição na apuração do ganho de capital. Lançamento Procedente” Nas razões do voto proferido na ocasião, a autoridade julgadora de primeira instância rebateu as afirmações da RECORRENTE e findou por manter integralmente o lançamento de IRPF. O Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 08/12/2009, conforme AR de fl. 131, apresentou o recurso voluntário de fls. 132/145 em 05/01/2009. Em suas razões de apelo, praticamente reitera o alegado em sua impugnação, eis que o seu inconformismo gira em torno do valor do imóvel informado em sua declaração, o qual afirma ter o direito de corrigir sempre que detectar erro. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13884.000164/200501 Acórdão n.º 2201004.132 S2C2T1 Fl. 152 5 Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. O que está em jogo é o valor do custo de aquisição atribuído pelo RECORRENTE ao imóvel situado na Rua Antonio Barleta, 112, São Paulo/SP, cujo valor restava, em 31/12/1999, consignado como sendo R$ 204.449,00. Entendo que o presente caso não comporta maiores digressões. Conforme amplamente exposto nos autos, já existe decisão definitiva na esfera administrativa reconhecendo que o valor de mercado do mencionado imóvel em 31/12/1991 era de 73.694,44 UFIR. Tal decisão foi proferida nos autos do processo nº 13884.001627/9600, instaurado pelo RECORRENTE após o pedido retificação de valor de imóvel objeto deste processo. Transcrevo abaixo trecho do relatório proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes quando do julgamento do mencionado processo nº 13884.001627/9600: “Teve início o presente processo por meio de pedido de retificação de valor de imóvel no qual o contribuinte pretende que seja retificado o valor de um prédio situado na Rua Antonio Barleta, 112, São Paulo, o qual até o ano de 1.990 vinha sendo atribuído um valor de Cr 1,50 ( um cruzeiro e cinqüenta centavos ). Alega em seu requerimento que por ocasião da obrigatoriedade da conversão dos valores dos bens em UFIR, referido imóvel acabou sendo convertido ao valor de 73.694,44 UFIR, muito aquém do valor que seria correto. Dessa forma, pretendendo estabelecer o real valor do imóvel, o contribuinte apresentou citado pedido de retificação de valor do imóvel acompanhado de Laudo Pericial elaborado por Engenheiro Civil, além de afirmar, finalmente, que "não houve nenhuma causa extraordinária de valorização".” Naquela ocasião, o Conselho de Contribuintes indeferiu o pleito do RECORRENTE, conforme ementa do acórdão abaixo transcrita (acórdão nº 0612.211): “IRPF AVALIAÇÃO A PREÇO DE MERCADO – IMÓVEIS RELACIONADOS NO EXERCÍCIO DE 1992 Uma avaliação, para que represente efetivamente o valor do bem em 31/12/1991, deve se reportar a dados, índices e fatos da data na qual se pretende determinar o preço de mercado. Recurso negado.” Na oportunidade, o voto vencedor concluiu o seguinte: Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13884.000164/200501 Acórdão n.º 2201004.132 S2C2T1 Fl. 153 6 “É sabido que são inúmeros os fatores que influenciam no valor de mercado dos imóveis, logo uma avaliação, para que represente efetivamente o valor do bem, deve se reportar a dados, índices e fatos da data na qual se pretende determinar o preço de mercado. Não considero que o laudo pericial apresentado tenha as características necessárias e suficientes para garantir a uma avaliação que determine o valor de mercado em 31/12/1991.” Ou seja, naquele processo, não restou comprovado pelo contribuinte que o imóvel de sua propriedade deveria ter o seu valor de mercado modificado. Como consequência lógica, foi indeferido o seu pedido de retificação da declaração de ajuste relativa ao ano calendário 1991 (exercício 1992), sendo, logicamente, mantido o valor de mercado inicialmente atribuído ao imóvel, qual seja, 73.694,44 UFIR. No entanto, o RECORRENTE se defende nesses autos alegando que a sua retificação promovida na Declaração de Ajuste relativa ao anocalendário 1991 (exercício 1992) teria sido válida, conforme trecho extraído de seu recurso (fl. 140): A afirmação do RECORRENTE não está condizente com a realidade fática e carece de qualquer respaldo legal. Primeiramente porque, conforme exposto, houve sim decisão da autoridade fiscal indeferindo o pedido do contribuinte de alterar o valor de mercado do imóvel. Ademais, não há que se falar em decadência do direito da Administração de alterar o mencionado valor. Ora, a valor de 73.694,44 UFIR já havia sido atribuído pelo RECORRENTE na Declaração de Ajuste original relativa ao anocalendário 1991 (exercício 1992); posteriormente, o contribuinte apresentou retificadora em que pretendeu ajustar tal valor, pedido que foi indeferido pela autoridade julgadora, o que culminou com a permanência do valor inicialmente declarado! Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13884.000164/200501 Acórdão n.º 2201004.132 S2C2T1 Fl. 154 7 Em outras palavras: jamais houve qualquer alteração do valor de 73.694,44 UFIR, eis que quando o contribuinte pretendeu alterálo, o Fisco indeferiu tal pleito. Não há, pois, que se falar em qualquer decadência de direito, haja vista que o Fisco simplesmente indeferiu o pedido de alteração do valor do imóvel informado na Declaração de Ajuste original relativa ao anocalendário 1991 (exercício 1992). O custo de aquisição já teve o seu valor definido pela autoridade julgadora no processo nº 13884.001627/9600. E a legislação tributária não admite a avaliação pelo valor de mercado após 31/12/1991, nem a atualização monetária do bem após 31/12/1995, conforme arts. 125 e 128, §9º, do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda): “Seção IV Custo de Aquisição Subseção I Bens ou Direitos Adquiridos até 31 de dezembro de 1991 Art. 125. Considerase custo de aquisição dos bens ou direitos, adquiridos até 31 de dezembro de 1991, o valor de mercado, nessa data, de cada bem ou direito individualmente avaliado, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96 e §§ 5º e 9º). (...) Art. 128. (...) § 9º Para os bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido até essa data, observada a legislação aplicável no período, não se lhe aplicando qualquer correção após essa data (Lei nº 9.249, de 1995, arts. 17 e 30).” Apenas podem ser acrescentados ao custo de aquisição os dispêndios com a construção, reforma, demolição, despesas com corretagem, e outros valores previstos em lei, nos termos do art. 128, §7º, do mesmo Decreto nº 3.000/99: Art. 128. (...) § 7º Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens: I os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; II os dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; III as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte; Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13884.000164/200501 Acórdão n.º 2201004.132 S2C2T1 Fl. 155 8 IV os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; V o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante; VI o valor da contribuição de melhoria. É certo que é dado ao contribuinte o direito de retificar as informações inseridas em sua declaração. No entanto, em se tratando de retificação de valor de mercado atribuído a imóvel em 31/12/1991, o contribuinte deve apresentar os documentos que provem o suposto erro por ele cometido, conforme precedente abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1992 DIRPF. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE BENS. ALTERAÇÃO DO VALOR DE MERCADO EM UFIR ATRIBUÍDO EM 31/12/1991. É facultado à pessoa física retificar o valor do bem, a preço de mercado em 31/12/1991, desde que o pedido de retificação seja acompanhado de elementos de prova que comprovem o erro cometido. Solicitação Indeferida” Ou seja, quando não restar comprovado o erro de informação ou de preenchimento na declaração de rendimentos questionada, que venha a justificar sua alteração, conforme previsão contida no art. 832 do RIR/1999, ao contribuinte é defeso efetuar a pretendida retificação. No presente caso, repitase, o pedido de retificação do valor de mercado do bem objeto do presente processo já foi apreciado e indeferido pela autoridade administrativa, conforme acórdão nº 0612.211, já transcrito. Ora, ao restar definido nos autos do processo nº 13884.001627/9600 (o qual trata da retificação da Declaração de Ajuste do exercício 2002) que o valor de mercado do imóvel objeto do presente processo, em 31/12/1991, era de 73.694,44 UFIR, não cabe mais discussão sobre este fato na esfera administrativa, seja neste processo ou em qualquer outro. Sendo assim, a despeito de o contribuinte ter continuado a inserir em suas declarações de ajuste seguintes valores superiores ao definido no processo nº 13884.001627/9600 para o imóvel em questão, tal valoração não tem utilidade para a apuração do ganho de capital, pois, repitase, a lei determina que o custo de aquisição seja aquele valor de mercado do bem em 31/12/1991, atualizado para 31/12/1995, pouco importando qual o valor que o contribuinte acreditaria ser de mercado. Portanto, não merece prosperar o inconformismo do RECORRENTE, devendo ser acatado como custo de aquisição o valor de mercado do imóvel em 31/12/1991, que foi de 73.694,44 UFIR. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13884.000164/200501 Acórdão n.º 2201004.132 S2C2T1 Fl. 156 9 Todavia, verifico, de ofício, que a autoridade lançadora cometeu um pequeno equívoco quando da conversão do custo de aquisição em Reais. É que foi atribuído como custo de aquisição o valor de R$ 49.869,02 informado pelo contribuinte na Declaração de Ajuste relativa ao anocalendário 1995 (exercício 1996), conforme item 01 da lista de bens (fl. 71). No entanto, uma análise mais cautelosa da situação revela que o valor do bem em 31/12/1995 era o mesmo valor atribuído em 31/12/1994. Sendo que, conforme já exposto, para os bens adquiridos até 31/12/1995, a legislação tributária autoriza a correção do custo de aquisição até essa data. Sabese que o valor de mercado do bem em 31/12/1991 era de 73.694,44 UFIR. Portanto, o valor R$ 49.869,02 estava correto para 31/12/1994 (o mesmo documento de fl. 71 informa que, naquela data, 1 UFIR = 0,6767; portanto 73.694,44 UFIR = R$ 49.869,02). Assim, a fim de obter o correto custo de aquisição, é de rigor atualizar esse valor para 01/01/1996, conforme determina o art. 6º da IN SRF 84/2001: Art. 6º O custo de aquisição dos bens e direitos adquiridos ou as parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, avaliados pelo valor de mercado para essa data e informados na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1992, anocalendário de 1991, de acordo com o art. 96 da Lei No 8.383, de 1991, é esse valor, atualizado até 1º de janeiro de 1996. De acordo com a tabela abaixo, extraída do site da Receita Federal (http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/pagamentoseparcelamentos/valorda ufir), a UFIR em jan/1996 era de 0,8287: Aplicando tal índice ao montante de 73.694,44 UFIR, encontrase que o mencionado valor atualizado para 01/01/1996 é da ordem de R$ 61.070,58, sendo este o custo de aquisição que deve ser acatado para fins de apuração do ganho de capital. Reitero que o valor atualizado em 01/01/1996 somente pode ser incrementado dos custos previstos em lei (art. 128, §7º, do Decreto nº 3.000/99), sendo certo que a autoridade lançadora acatou como comprovado o custo com reforma, no valor de R$ 11.200,00, informado na Declaração de Ajuste referente ao anocalendário 1997 (fl. 72). Sendo assim, devese manter esse acréscimo ao custo de aquisição, o qual perfaz o montante de R$ 72.270,58. Ainda conforme procedimento realizado pela autoridade fiscal, considerando que o imóvel foi adquirido em 1977, deve ser aplicada a redução de 60% estabelecida pelo art. 18 da Lei nº 7.713/88. Assim, o ganho de capital do imóvel alienado deve corresponder a R$ 19.091,76 (= [R$ 120.000,00 – R$ 72.270,58] x 40%). Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13884.000164/200501 Acórdão n.º 2201004.132 S2C2T1 Fl. 157 10 Consequentemente, o imposto de renda cobrado por meio do lançamento objeto deste processo deve ser ajustado para R$ 2.863,76, sobre o qual incidem os correspondentes juros de mora e a multa de 75%. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, retificando o valor do imposto de renda para R$ 2.863,76, , sobre o qual incidem os correspondentes juros de mora e a multa de 75%, nos termos das razões acima expostas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907078/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.974
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 78 /2 01 1- 71 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10930.907078/201171 Acórdão n.º 3302004.974 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF em Londrina, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), a contribuinte alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins, levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexando jurisprudência do STF e do CARF e planilha demonstrando as diferenças pleiteadas. Encaminhado para julgamento, a DRJ em Curitiba não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do pedido de restituição. Cientificada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário dirigido ao CARF, onde repete as razões já aduzidas, questiona a necessidade de ser parte em ação judicial questionando a constitucionalidade da incidência do PIS ou da Cofins sobre as receitas financeiras, informa que está apresentando cópia dos livros razão e diário, esclarece que é beneficiária da repercussão geral do RE nº 566.621, e, ao final, pede a reforma do acórdão anteriormente proferido. Ao analisar o recurso, a 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, reconheceu, em face da repercussão geral, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo e deu provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito (análise dos livros diário e razão apresentados). A DRJ em Curitiba julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão nº 06053.782. Intimada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, em síntese: preliminarmente (i) mudança de critério jurídico e cerceamento de defesa; (ii) decadência do direito de lançar ou revisar; e meritoriamente (iii) que há documentos nos autos que demonstram a origem do crédito apurado. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10930.907078/201171 Acórdão n.º 3302004.974 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.965, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907064/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.965): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.12.2015 (fls.112) e protocolou Recurso Voluntário em 26.01.2015 (fls. 114129), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todo o DARF havia sido integralmente utilizado para extinguir débito do contribuinte, ao passo que a segunda decisão recorrida motivou o indeferindo do crédito pela não comprovação da origem do crédito através de documentação hábil e idônea. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10930.907078/201171 Acórdão n.º 3302004.974 S3C3T2 Fl. 5 4 Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Aliás a unidade julgadora ao proferir a segunda decisão nada mais fez do que cumprir a ordem proferida pelo Carf que determinou fosse feita a análise quanto a origem do crédito pleiteado, considerando que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições já havia sido solucionado pelo STF. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e documentos carreados aos autos, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de restituição, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. II.2 Decadência Em síntese apartada, a Recorrente pleiteia a incidência do prazo decadencial do direito do fisco realizar o lançamento de fato gerador ocorrido em 30.06.2001, nos termos do §4º, do artigo 150, do CTN e, subsidiariamente, pede seja admitida a homologação tácita do pedido realizado em 30.06.2005. Em relação ao prazo decadencial, adoto como razão de decidir o voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), posto : Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10930.907078/201171 Acórdão n.º 3302004.974 S3C3T2 Fl. 6 5 quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10930.907078/201171 Acórdão n.º 3302004.974 S3C3T2 Fl. 7 6 apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. No presente caso, a lide diz respeito apenas em relação ao pedido de restituição formulado pela Recorrente, inexistindo, para este caso aplicação do prazo decadencial pleiteado pelo contribuinte, razão, pela qual, deve ser afastado. III Mérito Inicialmente é imperioso destacar que a matéria em discussão diz respeito a comprovação da origem do crédito, posto que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, já foi analisada na decisão de fls. 9299, proferida por este Conselho. Pois bem A decisão recorrida, manteve o indeferimento do pedido de restituição apresentada pela Recorrente com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, a contribuinte apresentou excertos dos livros diário e razão, e neles consta o lançamento nas contas contábeis nºs 8.01.10.25.74 e 8.01.10.25.86, de valores de PIS e de Cofins que teriam incidido sobre as receitas financeiras do período e que, portanto, no entender da interessada, seriam passíveis de restituição. Compulsandose os autos, no entanto, constatase que neles não há qualquer comprovação acerca das contas contábeis e dos valores que compuseram as bases de cálculo das receitas financeiras consideradas pela contribuinte. Na falta dessa demonstração, apoiada, obviamente, em provas, não há como se verificar se os valores pleiteados realmente têm relação com receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins e, nesse caso, não há como deferir o direito pleiteado. Com todo respeito ao entendimento proferido pela unidade julgadora que, analisou o direito creditório sob análise através dos documentos juntados no primeiro recurso voluntário, entendo que os documentos carreados pela Recorrente, juntados em ambos recursos voluntários demonstram, ainda que parcialmente, a origem do crédito apurado sobre as receitas financeiras, devendo, assim, ser deferido em parte o pedido de restituição sob análise. Isto porque, no entendimento deste relator, tanto as planilhas carreadas às fls. 2829, 155161 e 189, quanto os livros diário e razão carreados as fls. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10930.907078/201171 Acórdão n.º 3302004.974 S3C3T2 Fl. 8 7 5962 e 131154 e, o Documento de Arrecadação de Receitas Federais de fls. 130 documentos juntados nos recursos voluntários interpostos pela Recorrente , demonstram e lastrearam parte do crédito apurado pela Recorrente. Com efeito, o crédito apurado pela Recorrente foi devidamente informado em seu livro razão carreado às fls.147152 e, está amparado pelas planilhas fornecidas pelo contribuinte que demonstram o cálculo do tributo e forma de apuração do crédito (fls.189), inexistindo, assim, ausência de comprovação da origem do crédito. É de se ver que nos documentos carreados às fls.147 e seguintes, especialmente o plano de contas de fls. 165166, há o registro das seguintes receitas financeiras contabilizadas no razão do período sob análise: Descontos Obtidos; Juros Ativos; Rendimentos de Aplicação Financeira e Variação Monetária Ativa. Contudo, os valores registrados pela Recorrente em sua contabilidade são inferiores aos valores objeto do pedido de restituição, justificando, assim, o deferimento parcial do crédito pleiteado. Importante registrar, que o contribuinte não foi intimado à demonstrar a composição das receitas financeiras, sendo que as questões concernentes a prova da origem do crédito foram suscitadas somente na decisão de primeiro grau. Neste caso, havendo dúvida quanto à origem do crédito, deveria a unidade julgadora converter o julgamento em diligência e dar oportunidade ao contribuinte de apresentar outros documentos e, não simplesmente descartar os documentos carreados aos autos para afastar o direito por ausência de provas. Neste cenário, diversamente do que entendeu a unidade julgadora, vejo que os documentos juntados pela Recorrente, se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dou parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão de fls. 147 e seguintes. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo os documentos juntados pela Recorrente se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10930.907078/201171 Acórdão n.º 3302004.974 S3C3T2 Fl. 9 8 financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907081/2011-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.977
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 81 /2 01 1- 94 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10930.907081/201194 Acórdão n.º 3302004.977 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF em Londrina, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), a contribuinte alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins, levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexando jurisprudência do STF e do CARF e planilha demonstrando as diferenças pleiteadas. Encaminhado para julgamento, a DRJ em Curitiba não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do pedido de restituição. Cientificada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário dirigido ao CARF, onde repete as razões já aduzidas, questiona a necessidade de ser parte em ação judicial questionando a constitucionalidade da incidência do PIS ou da Cofins sobre as receitas financeiras, informa que está apresentando cópia dos livros razão e diário, esclarece que é beneficiária da repercussão geral do RE nº 566.621, e, ao final, pede a reforma do acórdão anteriormente proferido. Ao analisar o recurso, a 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, reconheceu, em face da repercussão geral, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo e deu provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito (análise dos livros diário e razão apresentados). A DRJ em Curitiba julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão nº 06053.784. Intimada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, em síntese: preliminarmente (i) mudança de critério jurídico e cerceamento de defesa; (ii) decadência do direito de lançar ou revisar; e meritoriamente (iii) que há documentos nos autos que demonstram a origem do crédito apurado. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10930.907081/201194 Acórdão n.º 3302004.977 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.965, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907064/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.965): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.12.2015 (fls.112) e protocolou Recurso Voluntário em 26.01.2015 (fls. 114129), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todo o DARF havia sido integralmente utilizado para extinguir débito do contribuinte, ao passo que a segunda decisão recorrida motivou o indeferindo do crédito pela não comprovação da origem do crédito através de documentação hábil e idônea. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10930.907081/201194 Acórdão n.º 3302004.977 S3C3T2 Fl. 5 4 Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Aliás a unidade julgadora ao proferir a segunda decisão nada mais fez do que cumprir a ordem proferida pelo Carf que determinou fosse feita a análise quanto a origem do crédito pleiteado, considerando que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições já havia sido solucionado pelo STF. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e documentos carreados aos autos, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de restituição, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. II.2 Decadência Em síntese apartada, a Recorrente pleiteia a incidência do prazo decadencial do direito do fisco realizar o lançamento de fato gerador ocorrido em 30.06.2001, nos termos do §4º, do artigo 150, do CTN e, subsidiariamente, pede seja admitida a homologação tácita do pedido realizado em 30.06.2005. Em relação ao prazo decadencial, adoto como razão de decidir o voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), posto : Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10930.907081/201194 Acórdão n.º 3302004.977 S3C3T2 Fl. 6 5 quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10930.907081/201194 Acórdão n.º 3302004.977 S3C3T2 Fl. 7 6 apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. No presente caso, a lide diz respeito apenas em relação ao pedido de restituição formulado pela Recorrente, inexistindo, para este caso aplicação do prazo decadencial pleiteado pelo contribuinte, razão, pela qual, deve ser afastado. III Mérito Inicialmente é imperioso destacar que a matéria em discussão diz respeito a comprovação da origem do crédito, posto que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, já foi analisada na decisão de fls. 9299, proferida por este Conselho. Pois bem A decisão recorrida, manteve o indeferimento do pedido de restituição apresentada pela Recorrente com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, a contribuinte apresentou excertos dos livros diário e razão, e neles consta o lançamento nas contas contábeis nºs 8.01.10.25.74 e 8.01.10.25.86, de valores de PIS e de Cofins que teriam incidido sobre as receitas financeiras do período e que, portanto, no entender da interessada, seriam passíveis de restituição. Compulsandose os autos, no entanto, constatase que neles não há qualquer comprovação acerca das contas contábeis e dos valores que compuseram as bases de cálculo das receitas financeiras consideradas pela contribuinte. Na falta dessa demonstração, apoiada, obviamente, em provas, não há como se verificar se os valores pleiteados realmente têm relação com receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins e, nesse caso, não há como deferir o direito pleiteado. Com todo respeito ao entendimento proferido pela unidade julgadora que, analisou o direito creditório sob análise através dos documentos juntados no primeiro recurso voluntário, entendo que os documentos carreados pela Recorrente, juntados em ambos recursos voluntários demonstram, ainda que parcialmente, a origem do crédito apurado sobre as receitas financeiras, devendo, assim, ser deferido em parte o pedido de restituição sob análise. Isto porque, no entendimento deste relator, tanto as planilhas carreadas às fls. 2829, 155161 e 189, quanto os livros diário e razão carreados as fls. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10930.907081/201194 Acórdão n.º 3302004.977 S3C3T2 Fl. 8 7 5962 e 131154 e, o Documento de Arrecadação de Receitas Federais de fls. 130 documentos juntados nos recursos voluntários interpostos pela Recorrente , demonstram e lastrearam parte do crédito apurado pela Recorrente. Com efeito, o crédito apurado pela Recorrente foi devidamente informado em seu livro razão carreado às fls.147152 e, está amparado pelas planilhas fornecidas pelo contribuinte que demonstram o cálculo do tributo e forma de apuração do crédito (fls.189), inexistindo, assim, ausência de comprovação da origem do crédito. É de se ver que nos documentos carreados às fls.147 e seguintes, especialmente o plano de contas de fls. 165166, há o registro das seguintes receitas financeiras contabilizadas no razão do período sob análise: Descontos Obtidos; Juros Ativos; Rendimentos de Aplicação Financeira e Variação Monetária Ativa. Contudo, os valores registrados pela Recorrente em sua contabilidade são inferiores aos valores objeto do pedido de restituição, justificando, assim, o deferimento parcial do crédito pleiteado. Importante registrar, que o contribuinte não foi intimado à demonstrar a composição das receitas financeiras, sendo que as questões concernentes a prova da origem do crédito foram suscitadas somente na decisão de primeiro grau. Neste caso, havendo dúvida quanto à origem do crédito, deveria a unidade julgadora converter o julgamento em diligência e dar oportunidade ao contribuinte de apresentar outros documentos e, não simplesmente descartar os documentos carreados aos autos para afastar o direito por ausência de provas. Neste cenário, diversamente do que entendeu a unidade julgadora, vejo que os documentos juntados pela Recorrente, se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dou parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão de fls. 147 e seguintes. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo os documentos juntados pela Recorrente se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10930.907081/201194 Acórdão n.º 3302004.977 S3C3T2 Fl. 9 8 financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 196DF CARF MF
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