Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 15889.000226/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006
PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006 PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20). Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15889.000226/2010-10
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5853904
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.326
nome_arquivo_s : Decisao_15889000226201010.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 15889000226201010_5853904.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7222505
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007631822848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1366; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 294 1 293 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000226/201010 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.326 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2018 Matéria IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SPAIPA S/A. INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006 PRODUTO NÃO TRIBUTADO (“NT”). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 26 /2 01 0- 10 Fl. 294DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue transcrito: Tratase de impugnação ao Auto de Infração das fls. 3/10, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP para formalizar a exigência da multa sobre o IPI não lançado com cobertura de créditos, no percentual de 75%, importando o crédito tributário em R$ 69.791,62, à época da autuação. Segundo o Termo de Verificação e Constatação Fiscal das fls. 32/37, o procedimento fiscal objetivou apurar a legitimidade dos créditos do IPI objeto de pedidos de ressarcimento, sendo apuradas em seu curso as seguintes infrações: a) falta de lançamento do imposto nas saídas de águas gaseificadas classificadas no código 2201.10.00 da TIPI, aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 2002, que a fiscalização entendeu como não se enquadrarem na notação “NT” e sim estarem sujeitas à incidência do IPI por unidade nos termos da Nota Complementar [NC(222)] do respectivo capítulo; b) créditos básicos indevidos referentes a: i) aquisição de insumos para a fabricação de produtos “NT”; ii) aquisição de produtos diversos que não se enquadram como MP, PI e ME; e iii) aquisição de insumos utilizados em comum em produtos “NT” e tributados, que foram rateados de acordo com tabela de utilização fornecida pelo contribuinte. A fiscalização elaborou demonstrativos dos valores que deixaram de ser lançados por produto e por decêndio, das glosas de créditos, dos saldos da escrita fiscal antes da reconstituição e da reconstituição da mesma, conforme anexos das fls. 60/172 que compõe o presente auto de infração. O enquadramento legal das infrações se deu com base nos art°s. 24, inciso II e III, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, 139, §§ 1° e 2°, 140, 142, 143, 149, 150, 199 e parágrafo único, 200, inciso IV, 202, inciso II, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002). A multa de ofício está sendo exigida com arrimo no art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96. Devidamente cientificada, a autuada vem, tempestivamente, por intermédio de seus procuradores credenciados pelos documentos das fls. 183/187, defenderse da imputação pelo arrazoado das fls. 167/182, cujas alegações, em síntese se transcreve: (...) a) em relação aos valores da MULTA ISOLADA e dos débitos de IPI apurados, o presente AUTO é improcedente , porque: a.i) a MULTA ISOLADA é descabida , na medida em que nenhuma obrigação acessória deixou de ser cumprida pela IMPUGNANTE, já que nas notas fiscais por ela emitidas o lançamento do IPI apenas não se materializou por entender a IMPUGNANTE que a Fl. 295DF CARF MF Processo nº 15889.000226/201010 Acórdão n.º 3302005.326 S3C3T2 Fl. 295 3 água mineral natural gaseificada era e é produto não tributável pelo imposto (ou seja , não houve descumprimento de obrigação acessória por suposta ausência de lançamento do imposto , mas tãosomente a indicação de que o referido imposto não seria devido, porquanto o produto seria e é não tributável). Ademais, a absorção (por créditos escriturais reconhecidos pela AUTORIDADE) do suposto débito de IPI incidente sobre a água mineral natural gaseificada , impossibilita a cobrança da referida MULTA ISOLADA, por não ser admissível imposição de penalidade quando não há imposto devido; a.ii) o produto comercializado pela IMPUGNANTE, qual seja , água mineral natural gaseificada, não é tributado pelo IPI , uma vez que o fato desse produto ser gaseificado artificialmente não descaracteriza a sua condição de água mineral natural, sendo também abrangido pela Ex 01 da subposição 2201.10.00 da TIPI , cuja notação é NT e b) em relação à glosa dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos empregados tanto na fabricação de água mineral natural quanto da água mineral natural gaseificada, o presente AUTO é improcedente, porque a IMPUGNANTE tem direito ao crédito de IPI incidente na aquisição de insumos empregados na fabricação da água mineral natural e da água mineral natural gaseificada, em razão do princípio constitucional da não cumulatividade e c) ainda que seja mantido o auto de infração , o que se admite apenas para argumentar, deve ser mantido o crédito de IPI relativo à aquisição de insumos empregados na água mineral natural gaseificada, porque admitida a sua tributação pelo IPI. (...) Por fim, pede que seja cancelado o auto de infração e a ordem de estorno dos respectivos créditos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, foi declarada definitiva na esfera administrativa a glosa não expressamente impugnada e julgada procedente em parte a impugnação, para cancelar integralmente a exigência da multa de ofício sobre o IPI não lançado com cobertura de créditos e manter parcialmente a determinação do estorno dos créditos glosados, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2006 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. As águas minerais naturais, com ou sem gás, classificamse no código 2201.10.00, “ex” 01, da TIPI (RGI/SH 1 e 6 e RGC), que corresponde à notação NT na TIPI. CRÉDITOS DO IPI. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 296DF CARF MF 4 Os estabelecimentos industriais ou equiparados somente podem creditarse de insumos (MP, PI e ME) a serem aplicados em produtos tributados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado Em 12/12/2013, a recorrente foi cientificada da decisão. Inconformada com o provimento parcial da impugnação, em 26/12/2013, a recorrente juntou aos autos o recurso voluntário de fls. 244/251, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória quanto ao direito de creditarse do IPI pago na aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos não tributados (“NT”). É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A matéria litigiosa remanescente cingese ao direito de creditarse do IPI pago na aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos não tributados (“NT”). Nos presentes autos, embora o Colegiado de julgamento de primeiro grau tenha reconhecido e decidido, em caráter definitivo, que “às águas minerais naturais, com e sem gás, aplicase o ‘Ex’ 01 Águas minerais naturais”, que tem a anotação Não Tributado (“NT”) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), a glosa em apreço referese apenas aos créditos relativos às águas minerais naturais sem gás. E em relação à este último produto não há qualquer dissenso de que ele seja produto com anotação “NT” na TIPI. Sabese que o direito de apropriação de créditos do IPI na aquisição de insumos aplicados nos produtos classificados na TIPI como “NT” é matéria que se encontra pacificada no âmbito da jurisprudência deste Conselho. Aliás, a matéria foi objeto da Súmula CARF nº 20, que transcrita: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. O texto da referida Súmula não faz qualquer diferença entre os produtos classificados na TIPI como “NT”, logo significa que, diferentemente do alegado pela recorrente, com base no art. 195, II, do RIPI/2002, ela alcança todos os produtos com a anotação “NT” na citada Tabela, incluindo, os produtos imunes ao citado imposto. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 15889.000226/201010 Acórdão n.º 3302005.326 S3C3T2 Fl. 296 5 E diferentemente do que alegou a recorrente, os julgados paradigmas, que respaldaram a edição da referida súmula, induvidosamente, confirmam o entendimento aqui esposado de que o enunciado da citada súmula contempla, sem exceção, todos os produtos com a anotação “NT” na TIPI. A título de exemplo, mencionase o Acórdão nº 20216.141, que trata do aproveitamento de créditos do IPI destacados nas notas fiscais de aquisição de insumos utilizados na produção de água mineral natural com ou sem gás, classificada no código 2201.10.00 da NCM, e incluída no “Ex” 01 da TIPI com a anotação “NT”, o mesmo produto fabricado pela recorrente. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, leiase o trecho extraído do voto condutor julgado que segue transcrito: Primeiramente registrase que não há controvérsia em relação a que o produto em relação ao qual postulase o ressarcimento de crédito dos insumos nele embutidos e classificado como não tributado (NT) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), sendo sua classificação fiscal, quer com relação à água natural ou gaseificada (água mineral natural adicionada de dioxido de carbono) 2201.10.00, EX 01. Esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 6º da Lei 10.451/2002, a seguir reproduzido: Art. 6º O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). (grifos não originais) A simples leitura do citado preceito legal revela que todos os produtos com a anotação “NT” na TIPI estão fora do campo de incidência do imposto. E como a norma não fez qualquer exceção, certamente, não cabe ao intérprete fazêlo, especialmente, para fins de obtenção de benefício fiscal, que exige lei específica, nos termos do art. 150, § 6º, da Constituição Federal de 1988. No mesmo sentido, o entendimento manifestado no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de abril de 2006, que segue transcrito: Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5ºdo Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; Fl. 298DF CARF MF 6 II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. De acordo com o citado ADI, em relação aos produtos amparados pela imunidade, o direito de apropriação de créditos do IPI, assegurado no art. 11 da Lei 9.779/1999 (matriz legal do art. 195, II, do RIPI/2002, citado pela recorrente) restringese aos produtos tributados na TIPI, que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Esse entendimento está em conformidade com o disposto no art. 6º da Lei 10.451/2002 e reflete a firme jurisprudência deste Conselho, explicitada por meio da Súmula CARF nº 20, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, nos termos art. 45, VI, do Anexo II do RICARF/2015. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.720614/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10783.720614/2012-47
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5832819
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-001.171
nome_arquivo_s : Decisao_10783720614201247.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 10783720614201247_5832819.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7130987
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007633920000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1674; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 333 1 332 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.720614/201247 Recurso nº Resolução nº 3402001.171 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de outubro de 2017 Assunto COFINS Recorrente STOCKL CAFÉINDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) do Rio de Janeiro/RJ, que declarou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de ressarcimento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Para iniciar o relato do caso, por bem consolidar os fatos que ensejaram a atuação fiscal, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento lastreado em pretensos créditos oriundos da incidência nãocumulativa da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 20 61 4/ 20 12 -4 7 Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10783.720614/201247 Resolução nº 3402001.171 S3C4T2 Fl. 334 2 contribuição para a COFINS, tal como estatuído na Lei 10.833/03, e posteriores alterações, relativo ao 4º trimestre de 2008. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fl. 115, com base no Parecer Fiscal GAB903/ DRF/VIT/ES nº 2/2013 em fls. 109/114, decidindo reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado e, em decorrência, homologar parcialmente as compensações declaradas. Do referido Parecer cabe transcrever o seguinte trecho: “[...]STOCKL CAFÉ foi objeto de procedimento de auditoria amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 2011.018224 que teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos da aquisição de café utilizado como insumos, deduzidos contabilmente pela empresa com os valores devidos das contribuições não cumulativas para a COFINS, bem como utilizados na compensação de tributos/contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de processo administrativo ou PER/DCOMP. A auditoria fiscal examinou a escrituração contábil com enfoque na conta representativa de fornecedores e restou comprovado à saciedade que a STOCKL CAFÉ apropriouse de créditos integrais fíctos decorrentes da compra de café. STOCKL CAFÉ lançou mão de um ardil disseminado por todo o estado do Espírito Santo, que consiste na interposição fraudulenta de pseudo atacadistas – empresas laranjas para dissimular vendas de café de pessoa física (produtor/maquinista) para empresas exportadoras e torrefadoras, gerando dessa forma, ilicitamente, créditos integrais da COFINS na sistemática da nãocumulatividade que de outra forma, segundo a legislação vigente, não seriam cabíveis. (...) Os créditos integrais, apropriados indevidamente nos livros contábeis da STOCKL CAFÉ, foram glosados e reconhecido o direito ao crédito presumido sobre tais operações, na forma da legislação aplicável. Após a recomposição dos saldos, as diferenças da COFINS devidas foram lançados de ofício, além da multa isolada a ser aplicada sobre as compensações indevidas, nãohomologadas, vinculadas a pedidos de ressarcimento de créditos da COFINS que não foram reconhecidos na sua integralidade. Importante frisar que a fiscalização ora encerrada decorre das investigações originadas na operação fiscal TEMPO DE COLHEITA deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, em outubro de 2007, que resultou na comunicação dos fatos apurados ao Ministério Público Federal em agosto de 2009. Em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão. As provas e documentos produzidos nos curso dos trabalhos fiscais que constam do processo administrativo nº 10783.720897/201316, bem como o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, serão cientificados Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10783.720614/201247 Resolução nº 3402001.171 S3C4T2 Fl. 335 3 simultaneamente à STOCKL CAFÉ, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar. (...) Inconformada com o despacho decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese o seguinte: 1. Preliminares 1.1. Requer seja o presente feito apensado aos processos relacionados, para julgamento conjunto; 1.2. A Contribuinte alega que não teve direito de participar da coleta dos depoimentos prestados pelos supostos profissionais do mercado de café, como legítimo exercício do direito ao contraditório e a ampla defesa. 1.3. Aduz, ainda, que o Parecer Fiscal se omite quanto à fundamentação das glosas de créditos integrais da COFINS referentes às aquisições de café de Cooperativas. 1.4. Assevera que, com exceção de uma breve referência da suspensão da incidência da COFINS nas aquisições de Cooperativas, feita na ementa do Parecer Fiscal, nada mais há no ato administrativo que subsidie a conclusão pela glosa dos créditos integrais e deferimento de créditos presumidos. 1.5. Conclui afirmando que diante da ausência de motivação, requisito obrigatório do ato administrativo, nos termos do art. 92, inciso X da Constituição, deve ser decretada a nulidade do Parecer Fiscal citado; 2. Mérito 2.1. Fornecedores Irregulares/pseudoatacadistas A manifestação de inconformidade, quanto ao mérito, pode ser sintetizada nas seguintes alegações: i) a boafé da Contribuinte é demonstrada pelo fato de que teve o zelo de fazer consultas ao banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas fornecedoras; ii) os atos que declaram as empresas como "inapta", "baixada" ou "nula" ocorreram posteriormente às compras realizadas. A Contribuinte ainda alega que: iii) deve ser considerado o que dispõe o parágrafo único do artigo 82 da Lei n° 9.430/96; iv) há efetiva comprovação de que promoveu o pagamento do valor acordado para aquisição das mercadorias e recebeu o produto em um dos seus estabelecimentos; v) as aquisições de bens se deram por intermédio de fornecedora (pessoa jurídica) ativa no CNPJ Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, bem como no SINTEGRA; vi) toda a documentação acerca das operações de aquisição de mercadorias das empresas fornecedoras foi lançada na contabilidade da empresa, e devidamente analisada pela fiscalização, o que comprova que a Contribuinte agiu de boafé, de forma que as operações ocorreram de modo efetivo, o que invalida as alegações lançadas pela fiscalização federal, e; vii) não se pode exigir da Contribuinte que adote providências de caráter extraordinário, pois estas fogem à natureza comercial de suas operações, principalmente, em virtude das especificidades do setor café em grãos. 2.2. Compras de Cooperativas Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 10783.720614/201247 Resolução nº 3402001.171 S3C4T2 Fl. 336 4 A Autoridade Fiscal também glosou os créditos integrais sobre aquisições das cooperativas, pois entendeu supridos os requisitos estabelecidos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas destas empresas, conforme disposto na Lei n° 10.925/2004. A Contribuinte contesta o ponto, pois entende que o adquirente das sociedades cooperativas de produção agropecuária tem direito ao aproveitamento integral dos créditos da contribuição em referência, porque estas (as cooperativas) não têm direito à manutenção dos créditos ordinários originados da aquisição de bens e serviços. Argumenta que a autoridade fiscal desconsiderou uma das etapas do processo produtivo do café, mais especificamente, a 2ª etapa; pois somente na saída do café in natura, destinado à utilização como insumo de produção do café cru em grão, é obrigatória a suspensão da exigibilidade da Cofins, assim, o aproveitamento do crédito presumido ocorre apenas nessa etapa (2ª), mas ela, Contribuinte, atua na 3ª etapa. Diante deste contexto, foi negado provimento à impugnação, por julgamento datado de 9 de abril de 2015, pela DRJ São Paulo/SP, nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. COOPERATIVA. REGIME DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. OBRIGATORIEDADE. A obrigatoriedade do regime de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, no âmbito da nãocumulatividade de PIS e Cofins, nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, não se desqualifica pelo descumprimento de obrigações acessórias impostas às partes envolvidas no negócio, havendo, por outro lado, o benefício fiscal do crédito presumido para o adquirente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10783.720614/201247 Resolução nº 3402001.171 S3C4T2 Fl. 337 5 Não padece de nulidade o despacho decisório ou o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Outrossim, traz argumentos sobre a nulidade do Acórdão da DRJ, que teria deixado de devidamente apreciar a suas preliminares de defesa, além de afirmar existir inovação nos argumentos utilizados pela DRJ para sustentar a desconsideração dos negócios jurídicos praticados. É o relatório. Resolução Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Contudo, antes de adentrar na argumentação formalizada pela Recorrente, é preciso trazer questão prejudicial para o deslinde da controvérsia, qual seja, o presente Processo de n. 10783.720614/201247 (pedido de ressarcimento de COFINS, relativo ao primeiro trimestre de 2009), possui relação de conexão com seis processos, sendo quatro decorrentes de outros pedidos de ressarcimento e dois autos de infração. Com efeito, no recurso da Contribuinte encontrase tópico preliminar ao mérito, no qual salienta que: Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 10783.720614/201247 Resolução nº 3402001.171 S3C4T2 Fl. 338 6 O Acórdão recorrido, sobre a questão da reunião de processos, fez constar que todos estavam sendo julgados na mesma sessão, datada 9 de abril de 2015, pela DRJ São Paulo/SP. Não há dúvida, dessarte, da relação de prejudicialidade entre este processo (pedido de ressarcimento) e os processos quatro demais referentes aos créditos (pedidos de ressarcimentos de outros trimestres de 2008 e 2009), bem como com os autos de infração em razão da não homologação das compensações e da cobrança de multa isolada (Processos n. 10783.720897/201316 e 10783.720898/201352) Consultando a situação dos seis processos citados no sítio eletrônico do CARF, temos o seguinte. Todos os processos de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP, nos quais o direito creditório está sob julgamento, foram distribuídos para a minha relatoria, quais sejam: 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/201281 e 10783.720613/201201. Com relação ao Processo n. 10783.720897/201316, tratase de auto de infração lavrados para a cobrança das contribuições PIS e Cofins não recolhidas, relativos ao 4ª trimestre de 2008 e todo o ano de 2009, decorrente da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, sob apreciação nos cinco processos citado no parágrafo acima. Lá encontrase todo o arcabouço probatório utilizado para fundamentar todos os processos relacionados. Ocorre que este Processo (auto de infração) foi objeto da Resolução n. 3101000.408, no sentido de reconhecer a vinculação dos casos, determinando que restasse sobrestado aguardando o resultado definitivo dos Processos 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/2012 81 e 10783.720613/201201 (ressarcimentos), para a aplicação no julgamento do auto de infração. Entretanto, o relator que propôs tal resolução não se encontra mais no quadro de conselheiros do CARF, de modo que inevitavelmente o processo deverá ser objeto de redistribuição. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 10783.720614/201247 Resolução nº 3402001.171 S3C4T2 Fl. 339 7 Quanto ao Processo n. 10783.720898/201352, lavrado para a exigência de multa isolada, ele encontrase ainda pendente de distribuição no CARF. Pois bem. Este Colegiado vem entendendo que o julgamento do auto de infração é prejudicial, vinculando os processos de ressarcimento dos mesmos períodos de apuração ao que nele for decidido. Nesse sentido cito os seguintes acórdãos 3402003.120, 3402003.121 e 3402003.122, em 23/06/2015, relatados pelo Conselheiro Jorge Freire e ementados nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO O destino da compensação vinculase ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restituise o crédito à escrita fiscal e homologase a compensação feita com arrimo naquele. Tal entendimento compatibilizase com o da Administração Tributária, pois vai ao encontro do que consigna a Portaria RFB n. 1668, de 29 de novembro de 2016 a qual "dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (RFB)". Vejase seu artigo 3º: Art. 3º Serão juntados por apensação os autos: I – do recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada, do lançamento de ofício de crédito tributário e da multa isolada decorrentes da mesma DCOMP. II – de exclusão Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de exigência de crédito tributário relativo às infrações apuradas no Simples Nacional que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo da forma de pagamento simplificada; e de possíveis lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão do sujeito passivo em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; III – de indeferimento de pedido de ressarcimento ou da não homologação de DCOMP e do lançamento de ofício e da multa isolada deles decorrentes, conforme o caso; e IV de pedidos de restituição ou de ressarcimento e de Declarações de Compensação (DCOMP) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. Resolvendo o problema da distribuição e julgamento de processos que, embora conexos/decorrentes, não foram apensados na sua origem, o Regimento Interno do CARF assim dispõe: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 10783.720614/201247 Resolução nº 3402001.171 S3C4T2 Fl. 340 8 I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. Portanto, com base nas citadas normas, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência para determinar que os processos que se encontram sem relator ou aguardando distribuição (10783.720897/201316 e 10783.720898/201352) sejam a mim enviados, para julgamento conjunto com os cinco processos decorrentes de pedido de ressarcimento que já se encontram sob minha relatoria. Ademais, o Processo n. 10783.720897/201316 deve passar a ser considerado como principal, e os Processos n. 10783.720898/201352, 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/201281 e 10783.720613/201201 devem ser a ele apensados. Feito isso, tendo em vista a prevenção desta Relatora, todos os processos retornem para que seja dado prosseguimento à apreciação do presente recurso voluntário e seu julgamento pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. É como voto. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 1287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000248/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
PRESCRIÇÃO - TERMO AD QUEM - INTELIGÊNCIA DO ART. 174 DO CTN
O prazo prescricional somente se abre com o fim do processo administrativo, mediante trânsito em julgado da última decisão por ventura proferida, quando então, ter-se-á, como definitivamente constituído o crédito tributário.
CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA
Tomadas todas as providências à correta instrução do ato de lançamento, tendo, inclusive, ocorrido sucessivas intimações ao contribuinte para apresentar esclarecimentos e provas, o qual quedou-se inerte, e mais, observados os requisitos formais do ato, não há que se cogitar de nulidade por cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 1302-002.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheirosLuiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, substituído pelo Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 PRESCRIÇÃO - TERMO AD QUEM - INTELIGÊNCIA DO ART. 174 DO CTN O prazo prescricional somente se abre com o fim do processo administrativo, mediante trânsito em julgado da última decisão por ventura proferida, quando então, ter-se-á, como definitivamente constituído o crédito tributário. CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA Tomadas todas as providências à correta instrução do ato de lançamento, tendo, inclusive, ocorrido sucessivas intimações ao contribuinte para apresentar esclarecimentos e provas, o qual quedou-se inerte, e mais, observados os requisitos formais do ato, não há que se cogitar de nulidade por cerceamento de defesa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.000248/2010-89
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5848090
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.581
nome_arquivo_s : Decisao_19515000248201089.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
nome_arquivo_pdf_s : 19515000248201089_5848090.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheirosLuiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, substituído pelo Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7186642
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007637065728
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-03-19T19:32:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-03-19T19:32:38Z; Last-Modified: 2018-03-19T19:32:38Z; dcterms:modified: 2018-03-19T19:32:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:60f92e65-3664-4e57-962e-41d07113272a; Last-Save-Date: 2018-03-19T19:32:38Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-03-19T19:32:38Z; meta:save-date: 2018-03-19T19:32:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-03-19T19:32:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-03-19T19:32:38Z; created: 2018-03-19T19:32:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2018-03-19T19:32:38Z; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-03-19T19:32:38Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 589 1 588 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000248/201089 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.581 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2018 Matéria SIMPLES omissão de receitas Recorrente EMPORIO DI DOLCE COMERCIO LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 PRESCRIÇÃO TERMO AD QUEM INTELIGÊNCIA DO ART. 174 DO CTN O prazo prescricional somente se abre com o fim do processo administrativo, mediante trânsito em julgado da última decisão por ventura proferida, quando então, terseá, como definitivamente constituído o crédito tributário. CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA Tomadas todas as providências à correta instrução do ato de lançamento, tendo, inclusive, ocorrido sucessivas intimações ao contribuinte para apresentar esclarecimentos e provas, o qual quedouse inerte, e mais, observados os requisitos formais do ato, não há que se cogitar de nulidade por cerceamento de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 48 /2 01 0- 89 Fl. 589DF CARF MF Processo nº 19515.000248/201089 Acórdão n.º 1302002.581 S1C3T2 Fl. 590 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheirosLuiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, substituído pelo Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuida o feito de auto de infração lavrado a fim de exigir o recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Federal, no ano calendário de 2005, em função de constada, e não contestada, omissão de receitas. Com efeito, a D. Auditoria Fiscal teria identificado uma movimentação financeira incompatível com as informações econômicofiscais prestadas pelo contribuinte, tendoo intimado sucessivas vezes, sem qualquer tipo de resposta. A míngua de atendimento às intimações fiscais, a fiscalização emitiu "'Solicitação de Emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMF)' e encaminhada à Delegada da Receita Federal do Brasil DEFIS SÃO PAULO, que autorizou a requisição de informações sobre movimentação financeira as instituições bancárias: Banco do Brasil S/A , Bradesco S/A e Banco Itaú S/A" (trecho do relatório da DRJ); como resultado, verificou a existência de cerca de R$ 9.000.000,00 em depósitos realizados em conta de titularidade do recorrente. Numa derradeira tentativa de obter esclarecimentos, promoveu nova intimação da empresa, desta vez, na pessoa de sua sócia (Vivian Pereira dos Santos), mais uma vez, contudo, sem respostas. Em face da inação do contribuinte, lavrou o competente auto de infração a fim de exigir os tributos cabíveis sobre as receitas de origem não comprovada; passo seguinte, "foi emitido o Ato Declaratório Executivo (ADE) DERAT 33/2010, de 20/07/2010, de exclusão do Simples, fls. 525, tendo excluído a empresa do Simples a partir de 01/01/2006" (trecho do relatório do acórdão da DRJ). Cientificado da apuração fiscal o contribuinte opôs impugnação administrativa sustentando, exclusivamente, a nulidade do procedimento administrativo por desrespeito à garantia da ampla defesa; resumidamente, aponta como premissa menor de sua tese, o fato de ter apresentado pedido de esclarecimentos (e de dilação de prazo) à Fiscalização os quais não teriam sido atendidos; neste mesmo pedido, que, digase, foi apresentado após a intimação do auto de infração, teria solicitado "vista dos autos" o que, pretensamente, também não teria sido atendido. Vale destacar que não há outro argumento na impugnação, nem tampouco foram juntados quaisquer documentos que pudesse, de qualquer forma, justificar a movimentação financeira da empresa. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 19515.000248/201089 Acórdão n.º 1302002.581 S1C3T2 Fl. 591 3 Diante disto, a DRJ/SP julgou improcedente a impugnação, mantendo intocada a autuação. O contribuinte teve ciência do resultado do julgamento por meio de intimação por carta em 17 de agosto de 2015, conforme AR de fl. 572, tendo interposto seu recurso administrativo em 15 de setembro daquele mesmo ano, através do qual, além de reiterar o único argumento de sua impugnação, sustentou, de forma inovadora (e criativa, digase), a ocorrência de prescrição do crédito tributário tendo em conta que, dos DARFs emitidos pela fiscalização após a lavratura do auto de infração, constaria como ano do período de apuração o ano de 1980. Os autos, então, foram encaminhados à este Colegiado para análise e decisão. Este o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Um adminículo: argumento concernente à prescrição não foi objeto de discussão na primeira instância, é verdade, e, por isso mesmo, poderia justificar o não conhecimento do recurso nesta parte; todavia, prescrição e decadência são hipóteses de extinção do crédito tributário e matéria de ordem pública que, a meu sentir, demandam conhecimento de ofício não só dos julgadores, mas, inclusive, da própria autoridade administrativa. Daí o conhecimento do apelo sem ressalvas. I Prescrição. Este argumento criativo, como já alertado no relatório, obviamente não procede... O ato de lançamento não está calcado nas guias de recolhimento emitidas, mas, isto sim, no ato formalizado e constituído pelo auto de infração e respectivo relatório; é por meio destes documentos, e não dos DARFs emitidos para que o contribuinte efetue o recolhimento do crédito tributário, que autoridade administrativa verifica "a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente", determina "a matéria tributável", calcula "o montante do tributo devido", identifica "o sujeito passivo" e, "sendo o caso", propõe "a aplicação da penalidade cabível" (art. 142 do CTN). Ainda que este relator, pessoalmente, nunca tenha entendido os motivos pelos quais as guias de recolhimento emitidas pela Auditoria Federal em procedimentos administrativos consignem como período de referência o ano de 1980 (o que, de fato é curioso), é inegável que o lançamento, no caso, se deu no ano de 2010 e não naquela remota Fl. 591DF CARF MF Processo nº 19515.000248/201089 Acórdão n.º 1302002.581 S1C3T2 Fl. 592 4 época (conforme se extrai dos documentos de fls. 360/361 Auto de infração e respectivo comprovante de cientificação). Mais que isso, vale apenas destacar que em não se tendo observado o fim do processo administrativo (inclusive em razão da oposição de impugnação administrativa e subsequente recurso), a constituição do crédito não se deu de forma definitiva (o que é reconhecido, curiosamente, pelo próprio recorrente, a fl. 578). Lembremonos, neste particular, dos exatos termos do art. 174 do Código Tributário Nacional: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. No caso em testilha, portanto, a prazo prescricional sequer se abriu... Por tais razões, afasto este argumento. II Alegado cerceamento de defesa. Em relação ao alegado pedido de esclarecimentos e de dilação de prazo, os quais constam da petição juntada à fls. 332, cumpre reprisar que tal petição foi protocolizada em 23 de março de 2010, isto é, aproximadamente um mês após a lavratura do auto de infração e três dias antes do oferecimento da impugnação administrativa. Por isso mesmo, o tópico da decisão de primeiro grau quanto ao contraditório e a natureza do procedimento administrativo (inquisitório), seria até desnecessário; a alegação do contribuinte é de que um pedido de esclarecimentos apresentado não teria sido atendido; todavia, tal pedido foi apresentado após a lavratura do auto de infração... se o contribuinte entende que o ato de lançamento não está suficientemente instruído ou fundamentado, que sustente tal constatação em sede de impugnação cuja possibilidade de oposição, sim, garante lhe a ampla defesa... Mas não só não há previsão legal que imponha à fiscalização a prestação de esclarecimentos sobre atos já praticados, fundamentados e cientificados ao sujeito passivo, como também não é, nem mesmo, razoável que se demande semelhante mister do Fisco. Quanto ao pedido de dilação de prazo (?!?), vale reiterar que semelhante requerimento ocorreu durante o curso do prazo para impugnar o auto de infração... ou seja, a concessão de uma dilação de prazo, aqui, importaria em violação aos preceitos do art. 16 do Decreto 70.235 já que, nesta hipótese, o contribuinte seria beneficiado, contra legem, com um prazo superior ao preconizado pela legislação de regência. Demais a mais, não só tal requerimento não encontra guarida normas processuais pertinentes como, também, não encontra fundamento, sequer, fático. O contribuinte teve diversas oportunidades para "tomar pé" das apurações fiscais e, não tendoo feito, ainda teve 30 (trinta) dias após a lavratura do auto de infração para analisar o procedimento cujos autos sempre estiveram a disposição para obtenção de cópias. Aliás, quanto a alegação de que não se lhe teria sido franqueada a vista do processo para se inteirar dos fatos da demanda, peço vênia para reproduzir trecho do voto constante do acórdão recorrido, que de forma hialina e incontendível, resolve a querela: O reclamado acesso aos autos é sempre facultado à impugnante, independentemente de petição, sendo vedada apenas sua retirada da repartição. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 19515.000248/201089 Acórdão n.º 1302002.581 S1C3T2 Fl. 593 5 O art. 38 da Lei nº 9.250/1995, proíbe a saída de processos fiscais relativos a tributos, contribuições e penalidades isoladas, dos órgãos da Secretaria da Receita Federal, excetuando quando se tratar de encaminhamentos de recursos à instância superior, de restituições de autos aos órgãos de origem ou de encaminhamentos de documentos para fins de processamento de dados. Assim, a lei 9.250/95, sendo posterior ao estatuto da OAB, criou regra especial aplicável aos processos administrativos fiscais, impedindo sua retirada da repartição mesmo por advogados. Para que a contribuinte pudesse se inteirar de todo o conteúdo do processo administrativo e providenciar uma adequada defesa sempre esteve facultada a vista dos autos na repartição e a retirada de cópias, o que em nada obsta o pleno exercício de seu direito de ampla defesa. Em resumo. O recorrente teve a seu dispor todas as ferramentas, informações e oportunidades para ter conhecimento dos fatos tratados no processo e se defender de forma eficaz. Não o fez, porque, provavelmente, não tinha como afastar a veracidade dos fatos atestados pela Fiscalização e o manejo da impugnação e deste recurso, por certo, perpassam por mero dever de ofício. Por tais razões, não tenho, também, como acolher este argumento, à míngua de qualquer mácula à garantia à ampla defesa do contribuinte. III Conclusão. Por todo o exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 593DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.688816/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.235
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.688816/2009-93
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5836141
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-001.235
nome_arquivo_s : Decisao_10880688816200993.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880688816200993_5836141.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7141646
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007673765888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 162 1 161 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.688816/200993 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.235 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 30 de janeiro de 2018 Assunto COFINS Recorrente ERITEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente de análise de PER/DCOMP não homologada pela unidade local da RFB face a inexistência do direito creditório pleiteado. O Despacho Decisório consignou que os pagamentos informados como suposta origem do PER/DCOMP encontravamse integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde defende a existência de seu direito creditório, alegando que o mesmo pode ser confirmado em vista de suas declarações retificadoras (DIPJ e DCTF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 88 81 6/ 20 09 -9 3 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.688816/200993 Resolução nº 3402001.235 S3C4T2 Fl. 163 2 A decisão da DRJ julgou improcedente a aludida manifestação, o que motivou a recorrente a interpor, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em manifestação de inconformidade, bem como apresentou novos documentos fiscais no sentido de comprovar a existência do crédito vindicado. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.213, de 30 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.688794/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.213: 4. Em suma, a presente discussão gravita em torno de um único ponto: existir ou não prova suficiente do crédito do contribuinte. 5. Segundo o despacho decisório que denegou a compensação almejada, os créditos apontados pelo contribuinte já teriam sido consumidos para a quitação de outros débitos apontados em DCTF. 6. Por sua vez, em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte aventou que o comprovante de pagamento de fl. 21, aliado com a DIPJ e a DCTF (ambas retificadoras) acostadas, respectivamente, as fls. 22/56 e 57/123, atestariam a validade material do aludido crédito. 7. Não obstante, o acórdão recorrido pautou o indeferimento da compensação vindicada nos seguintes termos: (...). 8.2. O sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do crédito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal, como documental. A apresentação de DCTF retificadora, por suposto erro de preenchimento na anterior, não é suficiente, neste momento do rito processual, para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.688816/200993 Resolução nº 3402001.235 S3C4T2 Fl. 164 3 lhe dão sustentação. Transcrevese, a seguir, o art. 170 do CTN, onde está estipulado que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos: (...). 8. Ao interpor seu recurso e em resposta ao fundamento da DRJ, o contribuinte trouxe aos autos cópias dos seus livros razão (fls. 152/157) e diário (fls. 158/161) que, prima facie, comprovariam a existência do crédito aqui debatido. 9. Diante deste cenário fáticojurídico e, ainda, levando em consideração o princípio da verdade material1 que conforma o processo administrativo tributário, é salutar que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. 10. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda 1 Neste momento convém aqui abrir um parêntese para afirmar que quando se apregoa o sobredito princípio da verdade material não se faz no sentido de equiparar este importante valor normativo a uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em processos administrativos fiscais. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.688816/200993 Resolução nº 3402001.235 S3C4T2 Fl. 165 4 (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluídas estas providências, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10074.001146/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 10/09/2004 a 03/08/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada Operação Dilúvio (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-004.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos o relator, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes e o Conselheiro Marcos Roberto da Silva. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator designado
Robson José Bayerl - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Cassio Schappo (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausentes os Conselheiros Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida (justificadamente).
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 10/09/2004 a 03/08/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada Operação Dilúvio (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal. Recurso voluntário provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10074.001146/2009-17
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840356
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.396
nome_arquivo_s : Decisao_10074001146200917.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 10074001146200917_5840356.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos o relator, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes e o Conselheiro Marcos Roberto da Silva. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Rosaldo Trevisan Presidente e Redator designado Robson José Bayerl - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Cassio Schappo (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausentes os Conselheiros Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida (justificadamente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7166499
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007685300224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10074.001146/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.396 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2018 Matéria ADUANA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO Recorrente PRINCIPAL DO BRASIL COMERCIAL ATACADISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 10/09/2004 a 03/08/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada “Operação Dilúvio” (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos o relator, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes e o Conselheiro Marcos Roberto da Silva. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator designado Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Cassio Schappo (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 11 46 /2 00 9- 17Fl. 15480DF CARF MF 2 Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausentes os Conselheiros Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida (justificadamente). Relatório Cuidase, na espécie, de auto de infração para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, nos termos do art. 23, V, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Dada sua completude, tomo por empréstimo o relatório da Resolução nº 3202 000.185, de 25/02/2014, na composição do presente acórdão: “(...) A fiscalização assim descreveu os fatos, em síntese: • Que a presente ação fiscal se originou dos elementos coligidos no curso da ‘Operação Dilúvio’, desencadeada pela Policia Federal e Receita Federal, na 9ª RF/RFB – Paranaguá, documentada no processo n° 10980.005074/200784 com 50 anexos e embasada pelo IPL 009/2006 – Paranaguá/DPF e pela ação ordinária 2006.70.00022436. • Que os elementos colhidos no local de busca, através de Termos de Apreensão, SPC 29, demonstram que as empresas do Grupo Principal, dentre elas a Principal Comercial Atacadista Ltda, agiu em conluio com as empresas do Grupo MAM para a prática sistemática de importações na qual ocultavam a condição de real adquirente das empresas do Grupo Principal, através do uso de documentos ideologicamente falsos. • Que a referida ocultação tinha como principal vantagem permitir ao real adquirente fugir da condição de empresa equiparada a estabelecimento industrial. Também, não se submeter aos controles referentes a importação por conta ordem de terceiros, evitando, desta forma, demonstrar a origem dos recursos empregados em suas operações, bem como a questão referente a suposta integralização em moeda corrente do capital da Principal do Brasil. • Que o presente auto de infração se refere unicamente às operações da ‘Principal’ em que atuaram como interpostas pessoas as empresas Mercotex do Brasil Ltda, Portes Importação e Exportação Ltda, Support Importação e Exportação Ltda e Rio Lagos Importação e Exportação Ltda. Cientificada em 11/09/2009, fls. 03, a autuada apresentou em 05/10/2009 a impugnação de fls. 5202 a 5251, alegando, em síntese: • Que o cerne da autuação é a suposta ocultação do real adquirente das mercadorias importadas pelas empresas Mercotex, Portes, Support e Rio Lagos. • Que a pena de perdimento, convertida em multa, foi aplicada com base no art. 23, V, do DL n° 1.455/76, sob o argumento de que as Fl. 15481DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 11 3 importações eram realizadas pelas mencionadas tradings, por conta e ordem da impugnante, que se mantinha oculta nas operações. • Que a pena de perdimento não pode ser aplicada pela eventual (e não comprovada) existência de erros nos registros contábeis da impugnante. Para esse fato (se algum erro tivesse sido cometido), a infração deveria ser tratada como omissão de receitas, e nunca punida com a pena de perdimento. • Que os registros contábeis (ainda que não tenham sido feitos da melhor forma – o que se admite apenas a titulo de argumentação) não autorizam a aplicação da pena de perdimento por suposta ocultação do real adquirente. Competia a fiscalização provar que a impugnante, mediante fraude, ocultouse em operação de comércio exterior. E essa prova não foi feita. • Que as operações relativas a Mercotex e Portes foram realizadas antes da vigência da IN SRF n° 634/06, derrubando por terra a exigência de indicar o nome da impugnante nas DI's. • Que para operações que dizem respeito as empresas Support e Rio Lagos, também não poderia ser exigida a indicação do nome da impugnante nas DI's, pois estamos diante de uma aquisição no mercado interno. • Que a impugnante não praticava operações por conta e ordem de terceiros. Com efeito, a impugnante utilizavase da estrutura de importação por encomenda. Além disso, também eram realizadas aquisições no mercado interno. • Que a impugnante não adiantava recursos financeiros para as tradings, mas sim efetuava pagamentos por processo de importações passadas. • Protesta pela inexistência de tradução de grande parte dos documentos constantes dos volumes acostados ao processo em tela. • Que a multa aplicada possui patente feição confiscatória. Requer, por fim, seja julgada procedente a presente impugnação. A DRJFlorianópolis/SC julgou improcedente a impugnação (efls. 5 344/5.362), nos termos da ementa adiante transcrita: ‘CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que foram importadas mediante interposição fraudulenta que não sejam localizadas ou que tenham sido consumidas. DOCUMENTO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. VALIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Fl. 15482DF CARF MF 4 Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira, cuja tradução não é indispensável para sua compreensão, a interpretação teleológica da legislação processual conduz para a conclusão de que não é razoável negarlhe eficácia de prova. MEIOS DE PROVA. PROVA INDICIÁRIA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, podendo ser direta ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. Impugnação Improcedente.’ Às efls. 5.368/5.429, a autuante, inconformada, apresentou recurso voluntário perante este Colegiado, alegando, em síntese: que não praticava operações de importação por conta e ordem de terceiro, mas que se utilizava da estrutura de importação por encomenda. Além disso, também eram realizadas aquisições no mercado nacional; que as operações de comércio exterior foram respaldadas no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7, de 13 de junho de 2.002, o qual determina que uma importação somente pode ser considerada como ‘por conta e ordem’ nas hipóteses em que a trading atua como prestadora de serviço, o que não ocorreu no caso em tela; que não adiantava recursos financeiros para as tradings, mas sim efetuava pagamentos por processos de importação passados; que há também contradições entre o valor autuado e as informações apresentadas pela fiscalização. Alega que, ao se analisar a tabela anexa ao Auto de Infração, verificase que as autuações relativas à empresa PORTES totalizam R$ 5.407.978,78 e as relativas à empresa RIO LAGOS/SUPPORT perfazem o montante de R$ 1.724.266,42, sendo que, às fls. 10 do relatório de fiscalização, os auditores fiscais informam que as compras feitas pela Recorrente seriam de R$ 4.371.165,99, em relação à Portes, e R$ 1.650.527,63, em relação à SUPPORT. Ou seja, a autuação é maior do que o valor indicado pelos próprios fornecedores; que as razões que motivaram o lançamento foram supostos erros nos registros contábeis da Recorrente e que a DRJ, ciente de que esse fato não justificaria a aplicação da pena máxima aduaneira, mudou o foco da autuação, alterando sua motivação; que teria havido cerceamento do direito de defesa em razão de não ter sido apresentada tradução juramentada dos documentos acostados aos autos; que restou demonstrado que a sua capacidade financeira advinha de empréstimos bancários e das próprias operações mercantis; Fl. 15483DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 12 5 que a existência de sociedades com o mesmo controle societário é amplamente aceita no ordenamento jurídico, não havendo qualquer ilegalidade nesse fato; que há manifesto erro na identificação do sujeito passivo do lançamento, visto que às fls. 4, 11 e 70 do Anexo XXXI, localizamse notas fiscais de venda para a PLENA (NF nºs. 793, 825 e 917), ou seja, as mercadorias descritas naquelas Notas Fiscais foram comercializadas para a PLENA, e não para a Recorrente, o que impõe a exclusão desses valores no auto de infração; que não há qualquer irregularidade na existência de relação comercial entre a Recorrente e o fornecedor estrangeiro. A existência de relação comercial não significa, contudo, que a Recorrente orientava os exportadores a adotar qualquer procedimento diverso do usualmente realizado em operações de comércio exterior; que, apesar de não ser essa a justificativa da fiscalização para aplicação da pena de perdimento, também não há comprovação de adiantamento de recursos para qualquer uma das tradings autuadas. Em verdade, não há prova das transferências bancárias, com indicação dos números das declarações de importação. Evidentemente, existem pagamentos para as tradings, já que a Recorrente adquiria produtos delas. Isso não significa, contudo, que [se está]admitindo que houve adiantamento de recursos para as tradings. Houve pagamento concluído), prática extremamente comum no mercado de comércio exterior; refuta vários pontos que, no seu entender, mostramse irrelevantes ao deslinde da questão e que foram assinalados pela Fiscalização no auto de infração;e que a fiscalização tenta imputar irregularidade na constituição do patrimônio liquido da Recorrente, especificamente na reestruturação societária e fiscal que originou a formação do ágio, o que também não possui nenhuma relevância para o deslinde deste processo; Por fim, às efls. 15.293/15.303, foi juntada petição da recorrente onde dá notícia de que o STJ, nos autos do HC 142.045/PR, em decisão transitada em julgado em 09/01/2012, analisando a questão da legalidade da quebra de sigilo relativa à escuta telefônica deferida na ‘Operação Dilúvio’, decidiu que as provas produzidas a partir de 60 dias da primeira escuta telefônica são ilegais. Diante desse fato superveniente, alegando que há vinculação entre as provas constantes deste processo administrativo e aquelas que foram decretadas ilícitas pelo Poder Judiciário, a contribuinte requereu o desentranhamento de todas as provas obtidas pela Fiscalização , vez que teriam sido obtidas a partir das referidas escutas telefônicas declaradas ilícitas, bem como o integral provimento do recurso voluntário, em razão da ausência de provas da suposta conduta irregular da recorrente.” (destaques no original) Fl. 15484DF CARF MF 6 Em 25/02/2014, a 2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/3ª SEJUL/CARF, através da aludida resolução, converteu o julgamento em diligência para que fossem apartadas as provas oriundas da “Operação Dilúvio” daquelas produzidas por fonte independente. Realizadas as diligências determinadas e expedido o relatório respectivo, cientificouse o contribuinte de seu resultado, que se manifestou pela invalidade integral da prova colacionada aos autos e conseqüente necessidade de cancelamento da autuação. Na sessão de 24/01/2017, através da Resolução 3401000.961, por maioria de votos, vencido o relator, decidiu o colegiado converter novamente o julgamento em diligência, por entender não cumprida a primeira requisição. Às efls. 15.447/15.462 consta relatório fiscal com os apontamentos da autoridade administrativa acerca da novel determinação. Às efls. 15.465/15.474 foi juntada a manifestação do recorrente onde anota o não cumprimento da diligência; formação de juízo axiológico sobre provas, por parte do diligenciante; e, inovação da acusação fiscal, quanto ao fluxo financeiro realizado naquela oportunidade, encerrando com o pedido de improcedência da autuação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, quanto ao cumprimento das diligências requisitadas, assevero que, desde o início, sob a ótica externada na sessão de 24/01/2017, encontravase o processo com todos os elementos necessários ao seu julgamento, razão pela qual reputo despiciente manifestarme sobre o resultado dos procedimentos fiscais correspondentes, mesmo porque, como sói ocorrer, destinavamse a esclarecimentos de fato, que, pela sua natureza, não exigem julgamento específico. Feita a consideração vestibular, passo ao voto. 1. Preâmbulo Antes de enfrentar as nulidades argüidas, antepõese o exame dos reflexos da decisão prolatada no HC 142.045/PR sobre a situação versada no presente processo administrativo, como albergado pela Resolução nº 3202000.185. À vista da argumentação carreada pela recorrente, dando conta de decisão do Superior Tribunal de Justiça no HC nº 142.045/PR, o relator da decisão administrativa antecedente inclinouse por converter o julgamento em diligência, com isso objetivando a segregação das provas originárias da denominada “Operação Dilúvio”, que por seu turno foi objeto do habeas corpus em referência. Fl. 15485DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 13 7 Por coincidência, foram a mim sorteados processos oriundos da mesma operação policial, onde constatei a existência das Ações Penais nºs 2007.70.00.0111062/PR e 2006.70.00.0257520/PR1, que abordaram a questão penal versada, inclusive com decisão já transitada em julgado, conforme certidões de “objeto é pé” a seguir reproduzidas: “AÇÃO PENAL nº 2007.70.00.0111062/PR CERTIDÃO NARRATÓRIA Certifico ... (...) Data dos fatos: Entre os anos de 2004 a 2006 Objeto: Supostas importações fraudulentas realizadas pela empresa CIL – Comércio de Informática Ltda. – Nagem Informática, relacionadas às Declarações de Importação (DI’s) nº (...). Incidência Penal: Artigos 288, 299 e 334 do Código Penal (...) Decisão: Diante do julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, do Habeas Corpus nº 109205/PR, que trancou a ação penal no que tange ao delito de descaminho; do Habeas Corpus nº 123342/PR, que trancou a ação penal no que tange ao delito de falsidade ideológica; e do Habeas Corpus nº 142045/PR, que reputou ilícita a prova resultante das interceptações das comunicações telefônicas colhidas no Inquérito Policial nº 2006.70.00.0224356 (IPF nº 009/2006DPF/PGA/PR) que embasou a denúncia, foram os réus (...) absolvidos sumariamente da prática dos crimes previstos nos artigos 299 e 334, caput e § 3º, ambos do Código Penal, com supedâneo nos arts. 386, III, e 397, III, ambos do Código de Processo Penal, por ausência de materialidade delitiva. Data do trânsito em julgado: em 24/04/2012 para o Ministério Público Federal e em 08/05/2012 para as defesas. Fase atual: Aguarda arquivamento. Expedida nesta cidade de Curitiba, em 26/01/2015. (...)” “AÇÃO PENAL nº 2007.70.00.0257520/PR 1 Certidões narratórias de ambos os processos emitidas em 26/01/2015, disponível em www.trf4.jus.br. Consulta realizada 13/06/2016, às 9:30 hs. Fl. 15486DF CARF MF 8 CERTIDÃO NARRATÓRIA Certifico ... (...) Data dos fatos: Entre os anos de 2004 a 2006 Objeto: Supostas importações fraudulentas realizadas por empresas integrantes de organização criminosa comandada pelos denunciados. Incidência Penal: Artigos 288, 299 e 334, caput, combinados com os arts. 29, 69 e 71, todos do Código Penal (...) Decisão: Diante do julgamento, pelo Superior Tribunal de Justiça, do Habeas Corpus nº 109205/PR, que trancou a ação penal no que tange ao delito de descaminho; do Habeas Corpus nº 123342/PR, que trancou a ação penal no que tange ao delito de falsidade ideológica; e do Habeas Corpus nº 142045/PR, que reputou ilícita a prova resultante das interceptações das comunicações telefônicas colhidas no Inquérito Policial nº 2006.70.00.0224356 (IPF nº 009/2006DPF/PGA/PR) que embasou a denúncia, foram os réus (...) absolvidos sumariamente da prática dos crimes previstos nos artigos 288, 299 e 334, caput, todos do Código Penal, com supedâneo nos arts. 386, III, e 397, III, ambos do Código de Processo Penal, por ausência de materialidade delitiva. Data do trânsito em julgado: em 24/04/2012 para o Ministério Público Federal e em 07/05/2012 para as defesas. Informações complementares: A Ação Penal nº 2006.70.00.0257520 foi desmembrada em relação ao réu (...), na forma do art. 80 do Código de Processo Penal, e o traslado distribuído sob o nº 2006.70.00.0291321, onde (...) foi absolvido sumariamente da prática dos crimes previstos nos artigos 288, 299 e 334, caput, todos do Código Penal, com supedâneo nos arts. 386, III, e 397, III, ambos do Código de Processo Penal, por idênticos fundamentos. A Ação Penal nº 2006.70.00.0291321 encontrase arquivada. Fase atual: Aguarda decisão nos autos de Petição nº 501031463.2013.404.7000, quanto à destinação das mídias apreendidas e vinculadas à Ação Penal nº 2006.70.00.0257520, para posterior arquivamento. Expedida nesta cidade de Curitiba, em 26/01/2015. (...)” Fl. 15487DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 14 9 As decisões exaradas em ambas as ações possuem praticamente o mesmo conteúdo, valendo a transcrição da fundamentação adotada pelo magistrado na sentença proferida na Ação Penal nº 2007.70.00.0111062/PR2 acerca do efeito da decisão emanada do STJ e seus reflexos sobre a denominada “Operação Dilúvio”, verbis: “Primeiramente é preciso que se assente a possibilidade de análise das hipóteses de absolvição sumária pelo juízo, mesmo que não se esteja diante da fase processual adequada para tanto. Nesse sentido, confirase julgado do e. TRF da 4a Região: EMENTA: PENAL. DESCAMINHO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ATIPICIDADE DA CONDUTA. ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA. POSSIBILIDADE. ESCLARECIMENTO. Constatada a atipicidade da infração descrita na denúncia, após iniciada a persecução criminal ou mesmo estando o processo suspenso por força do art. 89 da Lei 9.099/95, o julgador pode absolver o acusado de forma sumária, pois o artigo 397, inc. III, do CPP, com a nova redação conferida pela Lei nº 11.719/08, autoriza tal solução. (TRF4, ACR 2002.72.02.0017677, Oitava Turma, Relator Élcio Pinheiro de Castro, D.E. 17/06/2009) Com maior razão no caso em apreço, em que, conforme se verá adiante, as causas que deram ensejo à absolvição sumária são supervenientes ao início da presente ação penal. Feita essa observação, passo à análise da possibilidade de absolvição sumária dos acusados. No curso das investigações e das ações penais que a ela se sucederam, todas relacionadas à operação nominada ‘Dilúvio’, sobreveio a notícia do julgamento, por parte do e. Superior Tribunal de Justiça, de três habeas corpus cuja solução fulminou definitivamente a pretensão acusatória. Para melhor elucidação da questão, transcrevo suas ementas: PENAL HABEAS CORPUS DESCAMINHO TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL AUSÊNCIA DE PRÉVIA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NA ESFERA ADMINISTRATIVA NATUREZA TRIBUTÁRIA DO DELITO ORDEM CONCEDIDA. 1. Consoante recente orientação jurisprudencial do egrégio Supremo Tribunal Federal, seguida por esta Corte, eventual crime contra a ordem tributária depende, para sua caracterização, do lançamento definitivo do tributo devido pela autoridade administrativa. 2 Disponível em www.trf4.jus.br. Consulta realizada em 13/06/2016, às 9:30 hs. Fl. 15488DF CARF MF 10 2. O crime de descaminho, por também possuir natureza tributária, eis que tutela, dentre outros bens jurídicos, o erário público, deve seguir a mesma orientação, já que pressupõe a existência de um tributo que o agente logrou êxito em reduzir ou suprimir (iludir). Precedente. 3. Ordem concedida para trancar a ação penal ajuizada contra os pacientes no que tange ao delito de descaminho, suspendendose, também, o curso do prazo prescricional. (HC 109205/PR, Rel. Ministra JANE SILVA (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/MG), SEXTA TURMA, julgado em 02/10/2008, DJe 09/12/2008 RT vol. 882, p. 569) PENAL. HABEAS CORPUS. FALSIDADE IDEOLÓGICA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. CRIMEMEIO PARA O DESCAMINHO. AÇÃO PENAL JÁ TRANCADA QUANTO A ESTE DELITO POR AUSÊNCIA DE PRÉVIA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. ABSORÇÃO DO FALSO PELO DESCAMINHO. DENÚNCIA QUE NARRA O FALSO COMO INSTRUMENTO PARA A SUPRESSÃO DE VASTA CARGA TRIBUTÁRIA. NATUREZA DO FALSO QUE SOBRESSAI NÍTIDA COMO CRIME MEIO. FALTA DE JUSTA CAUSA PARA A PERSECUÇÃO PENAL DOS PACIENTES EM JUÍZO POR ESSE DELITO. NECESSIDADE DE TRANCAMENTO. DECISÃO CALCADA EM FATORES EMINENTEMENTE OBJETIVOS. EXTENSÃO DOS EFEITOS DO JULGADO AOS DEMAIS CORÉUS DA AÇÃO PENAL COGNITIVA. ORDEM CONCEDIDA, COM EXTENSÃO. 1. Partindose exclusivamente da versão contida na denúncia, isto é, que a falsidade ideológica. ocultação da real empresa importadora de produtos na cadeia de importação. foi instrumento para a supressão do pagamento de II, IPI, PIS e COFINS por parte da referida empresa, resta claro que o falso não foi nada mais do que o crime meio para a execução do descaminho ou outro crime contra a ordem tributária eventualmente incidente à espécie. 2. O pretérito trancamento da ação penal com relação ao crimefim (descaminho, nos autos do HC 109.205/PR) não autoriza a persecução penal dos acusados pelo crimemeio, sob pena de se praticar absurdos resultados, eis que o crime Fl. 15489DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 15 11 fiscal pode ser alvo de adimplemento, o que extinguiria a punibilidade dos investigados. 3. Nítida a falta de justa causa para a persecução penal dos acusados em juízo em relação exclusivamente ao crime meio, claramente absorvido pelo crimefim, sendo, pois, imperioso o trancamento da ação penal. 4. Calcandose a decisão em fatores eminentemente objetivos, mister a extensão dos efeitos benéficos do julgado em benefício dos coréus da ação penal de conhecimento. Inteligência do artigo 580 do Código de Processo Penal. 5. Ordem concedida para trancar a ação penal ajuizada contra os pacientes no que tange ao delito de falsidade ideológica, estendendose seus efeitos aos coréus da ação penal de conhecimento. (HC 123342/PR, Rel. Ministra JANE SILVA (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/MG), SEXTA TURMA, julgado em 06/02/2009, DJe 02/03/2009) Comunicações telefônicas (interceptação). Investigação criminal/instrução processual penal (prova). Limitação temporal (prazo). Lei ordinária (interpretação). Princípio da razoabilidade (violação). 1. É inviolável o sigilo das comunicações telefônicas, admitindose, porém, a interceptação "nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer". 2. A Lei nº 9.296, de 1996, regulamentou o texto constitucional especialmente em dois pontos: primeiro, quanto ao prazo de quinze dias; segundo, quanto à renovação, admitindoa por igual período, "uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova".3. Inexistindo, na Lei nº 9.296/96, previsão de renovações sucessivas, não há como admitilas. Se não de trinta dias, embora seja exatamente esse o prazo da Lei nº 9.296/96 (art. 5º), que sejam, então, os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, § 2º) e que haja decisão exaustivamente fundamentada. Há, neste caso, se não explícita ou implícita violação do art. 5º da Lei nº 9.296/96, evidente violação do princípio da razoabilidade. 4. Ordem concedida a fim de se reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito. Fl. 15490DF CARF MF 12 (HC 142045/PR, Rel. Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), Rel. p/ Acórdão Ministro NILSON NAVES, SEXTA TURMA, julgado em 15/04/2010, DJe 28/06/2010) Todas as decisões acima transcritas transitaram em julgado, sendo, portanto, definitivas. Conforme mencionado no relatório, as imputações descritas na denúncia referemse aos crimes de descaminho (art. 334, caput, CP), falsidade ideológica (art. 299, CP) e quadrilha (art. 288, CP). A respeito dos reflexos nessa ação penal, e em todas as demais derivadas do Inquérito n° 2006.70.00.0224356, espraiados a partir do julgamento de referidos remédios constitucionais, julgo oportuna a transcrição de trecho da derradeira manifestação ministerial: (...) apesar de se entender que após o resultado final do HC 142.045 o prosseguimento do feito seria a única solução aplicável ao caso em comento, tornase necessária uma análise dos efeitos deste julgado não isoladamente, mas em conjunto com o teor das decisões proferidas nos HC 109.205 e 123.342. Pelo primeiro, o STJ entendeu que o delito de descaminho, por também possuir natureza tributária, deveria ter, para permitir a persecução penal, o seu crédito tributário definitivamente constituído. Já através do segundo, entendeuse que o delito de falsidade ideológica, imputado para a conduta conhecida como interposição fraudulenta, era, em verdade, ‘crimemeio’ para a prática do delito de descaminho, e não delito autônomo. Ainda segundo a decisão do tribunal, uma vez trancada a persecução penal em face do descaminho, não seria possível a continuidade do processo em face do delito de falsidade, ‘...sob pena de se praticar absurdos resultados, eis que o crime fiscal pode ser alvo de adimplemento, o que extinguiria a punibilidade dos investigados’. Assim, em um breve resumo destes autos, perfeitamente aplicável aos demais, temse que a persecução penal referente ao delito de descaminho encontrase obstada até que a constituição do crédito tributário esteja definitivamente constituída, o que, salvo raras exceções, conforme tabela em anexo, não aconteceu; o delito de falsidade ideológica não pode mais ser imputado aos denunciados como crime autônomo, restando impossível a continuação da marcha processual em relação a esse; em conjunto com estes entraves legais, temse, agora, a definitiva decisão proferida no HC 142.045, declarando nula a interceptação ocorrida nos autos. Nessa linha, ainda que se pudesse cogitar da possibilidade de subsistência do crime de descaminho, ante algumas poucas constituições de Fl. 15491DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 16 13 crédito tributário, o fato é que os elementos que lhe deram suporte foram colhidos a partir das interceptações telefônicas declaradas nulas pelo STJ. A despeito de este juízo ter considerado inicialmente válidas as interceptações telefônicas realizadas nos primeiros sessenta dias da medida, o parquet apontou a impossibilidade de separação das provas colhidas, nos moldes pretendidos. Isso porque foram os elementos colhidos em todo o período em que perduraram as interceptações, analisados em conjunto, que deram suporte às medidas de busca e apreensão posteriormente deferidas que, por sua vez, deram ensejo à colheita de elementos representativos da materialidade do crime de descaminho e de falsidade ideológica, tais como notas fiscais e dados armazenados em computadores. A esse respeito, colhese da manifestação ministerial: Sem as provas conseguidas através da interceptação, não seria possível a obtenção dos mandados de busca e apreensão; sem as provas carreadas aos autos com o cumprimento destes, não seria possível a apreensão, para dizer o mínimo, de centenas de milhares de notas fiscais/computadores contendo os verdadeiros preços das mercadorias descaminhadas; sem a análise destes, pela Receita Federal, em conjunto com os inúmeros emails interceptados, os laudos que acompanham as denúncias não teriam sido produzidos. Insistindo; a pretendida separação é impossível. Dessa forma, temse que até mesmo naqueles casos em que houve constituição do crédito tributário, esta se deu com suporte em prova eivada pelo vício da ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação da 'teoria dos frutos da árvore envenenada' (art. 157, §1°, CPP). Em conclusão, não subsistem razões para continuidade da persecução penal em relação aos crimes de descaminho e de falsidade ideológica, ante a ausência de elementos representativos da materialidade delitiva. Por conseqüência, também não subsiste a imputação relativamente ao delito de quadrilha. Com efeito, a denúncia imputou aos réus a associação ‘para o cometimento de diversos delitos de falsidade ideológica e descaminho’. Não configurados os delitos para os quais pretensamente a quadrilha se formara, não há que se falar na prática do delito de quadrilha. Por todo o exposto, ante a ausência de elementos que indiquem a materialidade delitiva dos crimes descritos na denúncia, a absolvição sumária dos acusados, com supedâneo nos artigos 386, III, e 397, III, ambos do CPP, é medida que se impõe.” (destacado) Os fatos narrados dizem respeito às mesmas pessoas integrantes do alcunhado “Grupo MAM”, à mesma operação policial (“Operação Dilúvio”) e ao mesmo inquérito policial (009/2006DPF/PGA/PR 2006.70.00.0002084), cujos elementos coletados Fl. 15492DF CARF MF 14 foram compartilhados e tomados, em boa parte, para instrução deste processo administrativo, como acervo probatório da infração tributária, tal como descrito no relatório de autuação. Na ação penal em comento, o magistrado decidiu pela absolvição sumária dos réus ante a declaração de nulidade das interceptações telefônicas autorizadas que extrapolassem o período de 60 (sessenta) dias, como definido pelo Superior Tribunal de Justiça, no já mencionado HC 142.045/PR, e a partir da manifestação do Ministério Público Federal no sentido que seria impossível a segregação das provas colhidas, entre as decorrentes do procedimento nulo e as independentes, tendo em conta a sucessão das escutas no interregno que durou a operação policial. Nada obstante a similitude entre os fatos albergados nos processos criminal e administrativo e, porque não, a imbricação entre ambos, dada a origem comum das provas de que se valem , entendo que as conclusões estampadas no processo criminal, bem assim, os próprios efeitos da invalidade parcial das escutas telefônicas não se espraiam, em âmbito administrativo, automaticamente e nas mesmas proporções que na seara penal. A uma, porque os fatos lá examinados, ainda que semelhantes e componentes do mesmo contexto, não são exatamente os mesmo alcançados pelo presente lançamento; e, a duas, em razão da independência entre as instâncias administrativa e judicial, o que, a meu juízo, implica a ausência de sujeição ou vinculação deste colegiado em relação ao entendimento do MPF ou mesmo do magistrado, acerca da situação lá decidida. Isso não significa, logicamente, que determinadas questões não tenham qualquer influência neste feito administrativo, mas apenas acentuar que o intercâmbio puro e simples do que lá julgado também não se mostra razoável, valendo, nesta oportunidade a transcrição de excerto do voto condutor da Resolução nº 3102000.282, prolatada no PA 10830.720919/200860, que compartilha a mesma ideia ora exposta: “Em face de tal decisão, em que pese a independência entre as esferas judicial (criminal) e administrativa (tributária), a nulidade decretada pelo acórdão proferido nos autos do habeas corpus, poderá produzir efeitos no presente processo, pois há norma concreta (sentença transitada em julgado) que impossibilitaria a utilização de provas colhidas no juízo criminal e compartilhadas com as autoridades fiscais. Não vejo, entretanto, fundamento para, com base na decisão proferida na Ação Penal nº 2007.70.00.0111062/PR, decretar a insubsistência da exigência fiscal. Até porque a impossibilidade de segregar as provas contaminadas faz parte dos motivos de decidir (e não da decisão) e, como tal, não se encontra albergada pela coisa julgada, nos termos do art. 469, I do Código de Processo Civil. Ressalta essa convicção a decisão proferida nos autos do Habeas Corpus 2007.70.00.0160267/PR, onde o Poder Judiciário rejeitou a proposta de extensão dos efeitos da decisão proferida nos autos do Habeas Corpus que decidiu pela absolvição. Desnecessário, ademais, tecer maior comentários acerca da independência das esferas administrativa e judicial e Fl. 15493DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 17 15 dos poderes de instrução do Fisco. Ou seja, a autoridade fiscal não se sujeita às conclusões do Ministério Público Federal.” Arrimado na mesma compreensão e com todo o respeito, distintamente do que externou a manifestação ministerial, na ação penal em destaque, entendo que a impossibilidade de apartação das provas somente se verifica sob o ângulo da sucessão das interceptações para além do prazo assinalado (sessenta dias) e sua influência na emissão dos mandados de busca e apreensão, não sendo factível divisar o momento em que as informações coletadas foram suficientes àquele desiderato; não, porém, a partir da leitura extraída do art. 157 do Código de Processo Penal, conjugada com outras normas específicas da legislação tributária que outorgam poderes especiais aos agentes fazendários para a desincumbência de suas atribuições. Explico: dispõe aludido art. 157 sobre a inadmissibilidade da prova ilícita e a sua extensão às derivadas, por aplicação da “teoria dos frutos da árvore envenenada”, resguardando, no entanto, as provas independentes, assim consideradas aquelas que, por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios das investigações, mostramse suficientes para demonstração dos fatos sob persecução. Nessa linha de raciocínio, não se pode olvidar, como antecipado, que a legislação tributária defere às autoridades fazendárias prerrogativas que conferem bastante autonomia para o exercício de suas atribuições, mormente no que tange ao ingresso nas instalações dos contribuintes e o acesso aos seus livros, documentos e arquivos, inclusive com poderes de retenção e lacração, além, é claro, da requisição de força policial, não havendo necessidade de autorização judicial para adoção dessas medidas. A respeito, citese os arts. 91 a 97 da Lei nº 4.502/64, art. 36, § 2º da Lei nº 8.630/93 e arts. 34 a 38 da Lei nº 9.430/96, devidamente reproduzidos nos Decretos nºs 4.543/02 e 4.544/02, normas válidas e vigentes por ocasião dos fatos e do lançamento: “Lei nº 4.502/64 Art . 91. A direção dos serviços de fiscalização do impôsto de consumo compete, em geral, ao Departamento de Rendas Internas. Parágrafo único. A execução dos serviços incumbe, nos limites de suas jurisdições, aos órgão regionais do Departamento e aos seus agentes fiscalizadores. Art . 92. Para efeito de fiscalização, serão os Estados divididos em circunscrições fiscais e estas em seções. Art . 93. A fiscalização externa compete aos agentes fiscais do impôsto de consumo e nos casos previstos em lei, aos fiscais auxiliares de impostos internos. Parágrafo único. O disposto neste artigo não exclui a admissibilidade de denúncia apresentada por particulares nem a apreensão, por qualquer pessoa, de produtos de procedência estrangeira encontrados fora dos estabelecimentos comerciais e industriais, desacompanhados da Fl. 15494DF CARF MF 16 documentação fiscal comprobatória de sua entrada legal no país ou de seu trânsito regular no território nacional. Art . 94. A fiscalização será exercida sôbre tôdas as pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não que forem sujeitos passivos de obrigações tributárias previstas na legislação do impôsto de consumo, inclusive sôbre as que gozarem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. Parágrafo único. As pessoas a que se refere êste artigo exibirão aos agentes fiscalizadores, sempre que exigido, os produtos, os livros fiscais e comerciais e todos os documentos ou papéis, em uso ou já arquivados, que forem julgados necessários à fiscalização e lhes franquearão os seus estabelecimentos, depósitos, dependências e móveis, a qualquer hora do dia ou da noite, se à noite estiverem funcionando. Art . 95. Os agentes fiscalizadores que procederem a diligências de fiscalização lavrarão, além do auto de infração que couber, têrmos circunstanciados de início e de conclusão de cada uma delas, nos quais consignarão as datas inicial e final do período fiscalizado, a relação dos livros e documentos comerciais e fiscais exibidos e tudo mais que seja de interêsse para a fiscalização. § 1º Os têrmos a que se refere êste artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado, dêles se entregará, ao contribuinte ou pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pelo autor da diligência. § 2º Quando vítimas de embaraço ou desacato no exercício de suas funções, ou quando seja necessário à efetivação de medidas acauteladoras do interêsse do fisco, ainda que não se configure fato definido em lei como crime ou contravenção, os agentes fiscalizadores, diretamente ou através das repartições a que pertencerem, poderão requisitar o auxílio da fôrça pública federal, estadual ou municipal. Art . 96. Os agentes fiscais do impôsto de consumo e os fiscais auxiliares de impostos internos terão direito a portar armas para sua defesa pessoal, em todo o território nacional. Parágrafo único. O direito ao porte de arma constará da carteira funcional que fôr expedida pela repartição a que estiver subordinado o funcionário. Art . 97. Mediante intimação escrita são obrigados a prestar às autoridades fiscalizadoras tôdas as informações de que disponham com relação aos produtos, negócios ou atividades de terceiros: I os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e semelhantes; III as empresas transportadoras e os transportadores singulares; IV os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; V os inventariantes; Fl. 15495DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 18 17 VI os síndicos, comissários e liquidatários; VII as repartições públicas e autárquicas federais as entidades paraestatais e de economia mista; VIII tôdas as demais pessoas naturais ou jurídicas cujas atividades envolvam negócios ligados ao impôsto de consumo.” (destacado) “Lei nº 8.630/93 Art. 36. Compete ao Ministério da Fazenda, por intermédio das repartições aduaneiras: (...) § 2° No exercício de suas atribuições, a autoridade aduaneira terá livre acesso a quaisquer dependências do porto e às embarcações atracadas ou não, bem como aos locais onde se encontrem mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas, podendo, quando julgar necessário, requisitar papéis, livros e outros documentos, inclusive, quando necessário, o apoio de força pública federal, estadual ou municipal.” “Lei nº 9.430/96 Art. 34. São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida. Retenção de Livros e Documentos Art. 35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos. § 1º Constituindo os livros ou documentos prova da prática de ilícito penal ou tributário, os originais retidos não serão devolvidos, extraindose cópia para entrega ao interessado. § 2º Excetuado o disposto no parágrafo anterior, devem ser devolvidos os originais dos documentos retidos para exame, mediante recibo. Lacração de Arquivos Art. 36. A autoridade fiscal encarregada de diligência ou fiscalização poderá promover a lacração de móveis, caixas, cofres ou depósitos onde se encontram arquivos e documentos, toda vez que ficar caracterizada a resistência ou o embaraço à fiscalização, ou ainda quando as circunstâncias Fl. 15496DF CARF MF 18 ou a quantidade de documentos não permitirem sua identificação e conferência no local ou no momento em que foram encontrados. Parágrafo único. O sujeito passivo e demais responsáveis serão previamente notificados para acompanharem o procedimento de rompimento do lacre e identificação dos elementos de interesse da fiscalização. Guarda de Documentos Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Arquivos Magnéticos Art. 38. O sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados deverá manter documentação técnica completa e atualizada do sistema, suficiente para possibilitar a sua auditoria, facultada a manutenção em meio magnético, sem prejuízo da sua emissão gráfica, quando solicitada.” Assim, considerando que as investigações já se desenvolviam, em ação conjunta entre a Receita Federal e a Polícia Federal, antes mesmo da autorização judicial das interceptações telefônicas, até por exigência da própria Lei nº 9.296/96 que impõe a comprovação de indícios de autoria e materialidade dos delitos que se almeja averiguar para concessão da ordem judicial respectiva , não é descabido admitir a possibilidade das autoridades fiscais, dotadas dos instrumentos que a legislação lhe dispunha, arrecadar boa parte dos elementos de provas obtidos através dos mandados de busca e apreensão, independente de sua expedição. Ou seja, ainda que não dispusesse dos aludidos instrumentos – mandados de busca e apreensão derivados das escutas telefônicas invalidadas –, poderia a fiscalização, valendose de suas prerrogativas, proceder à retenção de todos os livros, documentos e arquivos do contribuinte encontrados em suas instalações, de maneira que essas peças viriam ao processo de qualquer modo, independentemente de autorização judicial, porque este procedimento decorre de lei válida e vigente. Então, a teor do art. 157, § 2º do Código de Processo Penal, essas provas seriam, sim, independentes e não sofreriam a contaminação das provas ilícitas, tal como verificado na Ação Penal nº 2007.70.00.0111062/PR, sendo plenamente válidas para embasar o lançamento sub examine. A este respeito, pertinente a exposição do pensamento de Eugênio Pacelli de Oliveira3 sobre o tema: “Em primeiro lugar, pode ocorrer que a prova posteriormente obtida já estivesse, desde o início, ao alcance das diligências mais freqüentemente realizadas pelos agentes da persecução penal. Pode ocorrer, de fato, que seja possível concluir que o conhecimento da existência de tais provas se daria sem o auxílio da 3 Curso de Processo Penal. 10ª edição, atualizada de acordo com a Reforma Processual Penal de 2008 (Leis 11.689, 11.690 e 11.719). Ed. Lumen Juris: Rio de Janeiro, 2008, pags. 310/311. Fl. 15497DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 19 19 informação ilicitamente obtida. Aí, ao que se vê, a hipótese seria da aplicação da ‘fonte independente’, isto é, de meio de prova sem qualquer relação fática com aquela ilicitamente obtida. Notese que a Lei nº 11.690/08 comete um equívoco técnico. No art 157, § 2º, ao pretender definir o significado de ‘fonte independente’, afirma tratarse daquela que ‘por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova’. A nosso aviso, essa é a definição de outra hipótese de aproveitamento da prova, qual seja, a teoria da descoberta inevitável, muita utilizada no direito estadunidense. Na descoberta inevitável admitese a prova ainda que presente eventual relação de causalidade ou de dependência entre as provas (a ilícita e a descoberta), exatamente em razão de se tratar de meios de prova rotineiramente adotados em determinadas investigações. Com isso, evitase a contaminação da totalidade das provas que sejam subseqüentes à ilícita. (...) Já a teoria da fonte independente baseiase precisamente na ausência fática de relação de causalidade ou de dependência lógica ou temporal (produção da prova posteriormente à ilícita). Fonte de prova independente é apenas isso: prova não relacionada com os fatos que geraram a produção da prova contaminada. Nada mais. (...)” Contudo, relativamente às interceptações telefônicas e telemáticas, a mesma solução não é admissível, porque resguardado constitucionalmente o seu sigilo, exigindo a autorização judicial para seu acesso, ex vi do art. 5º, XII da CF/88, regulamentado pela Lei nº 9.296/96. Pelo motivo expresso, as transcrições das degravações telefônicas e das mensagens telemáticas originárias do Inquérito Policial nº 009/2006DPF/PGA/PR, porventura existentes nesses autos, somente serão admitidas como prova se ocorridas dentro do período de 25/05/2005 a 23/07/2005, correspondente aos 60 (sessenta) dias que o juiz criminal admitiu como válido o procedimento, termo inicial este, tomado da informação contida no relatório de diligência. Cumpre registrar que as manifestações presentes na sentença exarada na predita ação criminal, atinente à pretensa invalidade dos lançamentos até então lavrados, porque calcados nos mesmos elementos de prova, serão considerados simples obter dicta, comentários laterais, juízos secundários que não surtem efeito endo ou extraprocessual, porque não consubstanciam o objeto da decisão, mas simples reforço de argumentação. Mesmo porque, como já deduzido neste voto, por força da independência entre as esferas administrativa e judicial, a vinculação e observância obrigatória das decisões judiciais se restringem aos casos específicos de que tratam. Fl. 15498DF CARF MF 20 Nesta senda, diversamente do que prega o recorrente, as interceptações telefônicas, nada obstante permitirem a confirmação das suspeitas, não constituíram a causa principal da deflagração da operação, uma vez que já se desenrolava investigação aduaneira acerca dessas operações, a partir de informações disponíveis nos controles de comércio exterior e em verificações fiscais realizadas, como revelam as apreensões de cargas destinadas ao recorrente e intermediadas por Mercotex e SAB Trading. Então, ratificando minha posição, as provas documentais constantes destes autos são válidas, ainda que obtidas da “Operação Dilúvio”, ex vi do art. 157, § 2º do Código de Processo Penal, que acolhe a teoria da descoberta inevitável, consoante a qual uma prova inicialmente ilegal pode livrarse do seu vício de origem se demonstrado que poderia, por outros meios legais, ser obtida mediante “trâmites típicos e de praxe”, como se apresentou no presente caso, onde todo o acervo documental poderia ser amealhado por simples procedimento fiscal, consoante prerrogativas deferidas ao erário e seus auditores para o cumprimento de suas atividades, mesmo porque apreendidos nas dependências do autuante. 2. Questões preliminares 2.1 Nulidade da decisão de primeiro grau Assevera o recorrente que a decisão de primeiro grau administrativo seria nula por alterar a motivação do lançamento, que, segundo sua ótica, residiria “em eventuais irregularidades nos lançamentos contábeis”. Contudo, da leitura do Relatório de Verificação Fiscal (fls. 20 e ss.), não é o que se dessume, registrando as autoridades administrativas, nas primeiras linhas, que a infração consistiu em ocultação do real adquirente de mercadorias importadas, como se extrai do seguinte excerto: “A Operação Dilúvio e os elementos colhidos no local de busca, através de Termos de Apreensão, SPC 29 (PRINCIPAL/PLENA) processo 10980.005074/200784, demonstram que as empresas do Grupo Principal, dentre elas a PRINCIPAL COMERCIAL ATACADISTA LTDA, e seus proprietários (...) agiram em conluio com (...), do Grupo MAM, para a prática sistemática de importações na qual ocultavam a condição de real adquirente das empresas do Grupo Principal através do uso de documentos ideologicamente falsos.” A motivação da autuação, como se vê, não se respalda nas irregularidades contábeis, relacionadas à formação do capital social da autuada, como faz crer o recorrente, ainda que esta circunstância possa ter servido de evidência à exposição da fraude, não, porém, que tenha sido a causa da exigência fiscal. Logo, não houve qualquer modificação dos fundamentos do lançamento pela decisão recorrida, que julgou exatamente o mérito do lançamento, qual seja, a ocultação do efetivo adquirente de mercadorias importadas mediante interposição de terceiros. Fl. 15499DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 20 21 2.2 Nulidade do auto de infração Neste capítulo o recorrente aponta nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, em razão da juntada de documentos em língua estrangeira sem a competente tradução, o que violaria o art. 224 do Código Civil e arts. 156 e 157 do Código de Processo Civil, citando jurisprudência administrativa em seu favor. Como bem destacado pela decisão recorrida, a ausência de tradução juramentada de documentos em língua estrangeira não implica a vindicada nulidade, porque a sua validade não é contestada e sua compreensão dispensa a providência, como decidido no REsp 616.103, de lavra do Min. Teori Zavascki, lá citado. Demais disso, o documento foi apreendido nas dependências do contribuinte, dizendo respeito à sua atividade profissional. Como não bastasse, o recorrente não aponta qual prejuízo a ausência de indigitada tradução teria trazido à sua defesa, de modo a cerceála, o que revela o caráter retórico deste argumento. Nesse sentido, o sistema processual pátrio acolheu do direito francês o princípio pás de nullité sans grief, consoante o qual não há nulidade sem prejuízo às partes ou ao processo, tal como disposto arts. 277; 282, § 1º e 283, parágrafo único, do Código de Processo Civil; arts. 563 e 566 do Código de Processo Penal; além do art. 60 do Decreto nº 70.235/72. 3. Mérito Acentuando as premissas fixadas no preâmbulo deste voto, relativamente às provas componentes destes autos, reitero que todos os livros, papéis, depoimentos e outros documentos serão considerados como validamente produzidos neste julgamento, por força da “teoria da descoberta inevitável”, acolhida no direito pátrio pela Lei nº 11.690/2008, que a introduziu no art. 157, § 2º do Código de Processo Penal, exceção feita às interceptações telefônicas e telemáticas captadas e transcritas a partir de 24/07/2005, como adrede especificado. As matérias a serem discutidas nesta assentada, resumemse às questões fáticas, haja vista que as questões de direito, atinentes às modalidades de importação existentes e suas características, bem como, as penalidades aplicáveis, foram abordadas com profundidade, tanto pelo lançamento, quanto pela decisão recorrida, principalmente, razão porque se mostra despiciente tecer comentários adicionais a seu respeito. Nesta senda, os principais fatos que conduziram a fiscalização à conclusão de ocorrência de interposição fraudulenta foram assim sintetizados pela decisão sob vergasta: “1. Termo de Constatação de fls. 2520/2521, onde os senhores Rafael Goldenberger, Luiz Augusto Paulino e Sérgio Eduardo Adler, responsáveis pela administração da empresa autuada, assim declararam: • A Principal do Brasil importa produtos eletrônicos através da trading Mercotex do Brasil, sendo que o uso da Mercotex para importação deveuse Fl. 15500DF CARF MF 22 a dificuldades em obter habilitação para importar no sistema RADAR e em função da abertura recente da empresa, o que dificulta a obtenção de crédito. • A decisão quanto à qualidade e quantidade dos produtos a serem adquiridos junto a Shenzhen Mizuda cabe a Principal do Brasil, que identifica no mercado as necessidades de seus clientes (WalMart, Sipolatti, etc..). • A marca PRINCIPAL consta do patrimônio de outra empresa ligada, a Principal do Brasil. • Que a oportunidade de negócios na área de eletrônicos foi identificada para o senhor Adler por Luis Antônio Palmares da empresa Cia. Brasil. 2. Que a empresa Principal não estava habilitada a operar no comércio exterior até fevereiro de 2006. Para isso utilizava interpostas pessoas. 3. Que tal ocultação tinha como principal vantagem permitir a ela fugir da condição de empresa equiparada a estabelecimento industrial para efeitos de recolhimento de IPI. Além disso, permanecer oculta permitiu que fugisse dos controles referentes à importação que se tornaram mais rigorosos com o advento da Lei n° 10.637/02 e IN SRF n° 225/02, evitando questionamento sobre a origem dos recursos empregados em suas operações, bem como os referentes a suposta integralização em moeda corrente do capital de R$ 60.000.000,00. 4. Que em linhas gerais, o esquema fraudulento consistia na negociação, pelo Grupo Principal, diretamente com o exportador estrangeiro para revenda dos produtos no Brasil. Na seqüência, orientava seus exportadores a emitirem a documentação que iria instruir o despacho de importação diretamente no nome das tradings que contratava para figurarem como adquirentes na declaração de importação (DI). 5. Que as cópias dos documentos encontrados em diligência nos estabelecimentos da empresa Principal do Brasil (fls. 3491/3539), corroboram a infração de ocultação do sujeito passivo. 6. Que o documento intitulado ‘Requisições de Numerário para Fechamento de Câmbio’ (fls. 3512/3513) comprova que os recursos da Principal do Brasil são repassados antecipadamente à Mercotex, ou seja, a Mercotex exige e espera que a Principal do Brasil realize um repasse de recursos para somente depois efetuar pagamentos ao exportador. Melhor explicando: • Invoice n° MZD050310M Data: 02/06/2005 Produto: DVD 1122/PRDVD2011 Quantidade: 3.636 unidades Exportador: Mizuda Company Limited Importador: Mercotex do Brasil Ltda Valor: USD 99.371,88. • Previsão de numerário para fechamento de câmbio De: Mercotex Para: Principal Data: 04/04/2005 (USD 19.874,38); 13/07/2005 (USD 79.497,50). Valor total: USD 99.371,88. Fl. 15501DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 21 23 • DI n° 05/08952535 Data do Registro: 22/08/2005 Produto: DVD 1122/PRDVD2011 Quantidade: 3.636 unidades Exportador: Mizuda Company Limited Importador: Mercotex do Brasil Ltda. • Nota Fiscal de Saida n° 014312 (fls. 3503): Vendedor: Mercotex Adquirente: Principal do Brasil Data: 27/09/2005 Produto: DVD 1122/PRDVD2011 — Quantidade: 3636 unidades. 7. Que o documento ‘Controle de Câmbios Fechados’, fls. 3514, deixa claro o controle da Principal do Brasil, através da Mercotex, sobre o efetivo pagamento à Mizuda Company, fornecedora das mercadorias. Também, que a autoridade administrativa conclui que a Mercotex efetivamente presta contas à Principal do Brasil quanto ao fechamento do câmbio, demonstrando de forma inequívoca que a empresa não está atuando por sua conta e risco e que suas obrigações perante o exportador não configuram responsabilidade exclusiva sua. 8. Que foi apreendido no local SPC 29 um documento onde constava uma orientação interna do Grupo Principal para operações através da empresa Rio Lagos no Rio de Janeiro, onde se recomendava o uso de entreposto aduaneiro e na seqüência o registro da DI através da Rio Lagos. Conforme consta da citada orientação: ‘A operação será feita por conta e ordem de uma adquirente da própria trading, pois a mesma trabalha com diversas distribuidoras, para que a operação possa rodar sem riscos. No ato da nacionalização será indicado nome da adquirente e assim poderá ser feita a Invoice’. 9. Que através de diligência na Support Importação e Exportação Ltda, empresa que cedeu o nome para figurar como adquirente das mercadorias importadas pela Rio Lagos, a fiscalização juntou elementos que confirmam a ocultação do real adquirente, a empresa Principal do Brasil. Como exemplo, citase: • DI n° 06/04501034 Data do Registro: 19/04/2006 Data do Desembaraço: 20/04/2006 Importação por conta Importador: Rio Lagos Adquirente: Support. • Nota Fiscal de Saida n° 0319, de 20/04/2006, fls. 623, da empresa Rio Lagos para Support. • Nota Fiscal de Saida n° 0230, de 20/04/2006, fls. 624, da empresa Support para Principal do Brasil. 10. Que a Rio Lagos usa empresa de seu controle, a Support, para constar como falso adquirente e que todas as cargas despachadas através dela e entregues ao Grupo Principal através de notas fiscais da Support, constituem objeto de falsidade ideológica quanto aos documentos usados em despacho. 11. Que as declarações de importação (DI) e as notas fiscais obtidas nas diligências efetuadas nas tradings, fls. 94/728, demonstram que a autuada promoveu importações por sua conta e ordem, nos anos de 2004 a Fl. 15502DF CARF MF 24 2006, utilizandose das interpostas pessoas Clac Importação e Exportação Lada, Mtrading Importação e Exportação Ltda, Mercotex do Brasil Ltda, Portes Importação e Exportação Ltda, Support Importação e Exportação Ltda e Rio Lagos Importação e Exportação Ltda. Como exemplo, registrase: • DI n° 05/04496446 (fls. 145/151) Data do Registro: 03/05/2005 Importador e Adquirente: Mercotex. • Nota Fiscal de Saida n° 013289, de 03/05/2005, fls. 98, da empresa Mercotex para Principal do Brasil. • Mercadoria: as mercadorias que constam da DI no 05/04496446 e da nota fiscal n° 013289 são as mesmas. 12. Que foi apreendido na ‘Operação Dilúvio’ um documento intitulado ‘Controle de Importação’, fls. 182 do anexo II, onde consta um planejamento realizado pelo Grupo Principal para as importações envolvendo a Clac e Rio Lagos. 13. Que foram encontrados documentos nas dependências da Principal que representam ‘Espelhos de Faturas’ em elaboração, usados para efetuar a internação, através da trading CLAC, de cargas que adquiriram junto a CBM Trading, conforme demonstra email impresso e acostado ao processo n° 10980.005074/200784 (anexo XXXV, fls. 102/104 e 131 e anexo XXXVI, fls. 184/190).” Do relatório de autuação destacase, ainda, a descrição das fases do processo de importação desenhado pelo recorrente, devidamente documentado em fluxograma por ele elaborado, juntado as fls. 740/745, consistindo nas seguintes etapas: “A logística da Empresa Principal do Brasil/Plena está agrupada em seis (06) etapas, denominados pela própria empresa como processos (fls.740 a 745). Processo 01 consiste no planejamento de compras e vendas, dos Follow Up's de suprimentos, de pesquisas de preços ao consumidor e de pesquisas de mercado. Processo 02 Consiste no processo de embarque, controle de Importação Follow Up, acompanhamento de carga, previsão de embarque e data de chegada. Processo 03 Consiste na solicitação de numerários das tradings à Principal, a titulo de adiantamentos de câmbio e os repasses dos saldos finais das despesas de importação quando, então, são emitidas as notas fiscais de saídas. Processo 04 Processo de desembaraço controle e acompanhamento da DI, sua parametrização e desembaraço. Processo 05 Processo de entrega de mercadorias e encaminhamento dos números da nota fiscal de entrada e data da entrega dos produtos. Processo 06 Processo de finalização (recebimento de documentos, saldos do processo, pagamento final, envio ao arquivo, informe de Fl. 15503DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 22 25 fechamento de câmbio, número de contrato de câmbio, encerramento processo).” Além das operações com a Mercotex do Brasil, principal parceiro comercial do contribuinte, ora recorrente, a fiscalização encontrou operações envolvendo a CLAC Importação e Exportação Ltda., tendo sido verificado, na contabilidade do autuado, o registro de adiantamentos às importações em favor dessa pessoa jurídica, a realização de empréstimos entre o autuado e esta empresa, além de vários “espelhos de fatura”, em elaboração, nas dependências do recorrente, onde figurava como importador a CLAC; MTRADING Importação e Exportação Ltda., onde localizadas várias solicitações de numerário para fechamento de câmbio e quitação de impostos e despesas logísticas, cujos comprovantes bancários atestam a antecipação do numerário para as operações de importação; PORTES Importação e Exportação Ltda., transferências bancárias e relatórios de despesas de nacionalização de mercadorias estrangeiras, com o valor dos adiantamentos para entrega futura; e, SUPPORT Importação e Exportação Ltda. e RIO LAGOS Importação e Exportação Ltda., com obtenção de elementos que confirmam a triangulação da operação objetivando ocultar o recorrente. No tópico 7 (fls. 52/65), o relatório arrola diversos termos fiscais lavrados e endereçados ao contribuinte, com a documentação e os esclarecimentos exigidos, bem assim, a forma como foram atendidos. Do exame dos documentos anexados ao lançamento (volumes), constatase que o recorrente tinha pleno controle dos produtos importados, como revelam os mapas de planejamento de compras e embarques (fls. 754/780), as listagens de posição de embarque (fls. 805/814), os controles de importação (fls. 816 e 874/890), as solicitações de numerários, autorizações de débitos para seu atendimento e os documentos de transferência (fls. 829/851, 914/980, 990/1013), o que contraria a alegação consoante a qual suas operações consistiriam em meras aquisições no mercado interno. Há também material probatório nos vários anexos do processo, a exemplo de algumas solicitações de numerários, da Mercotex do Brasil para o recorrente, com as respectivas transferências, destinandose os valores às mais variadas finalidades, como pagamento de tributos, fechamento de câmbio, despesas de movimentação de carga, despachantes, taxas diversas, valendo citar os documentos de fls. 109/129. Consta, ainda, no processo, cópia de Relatório de Procedimento Especial, lavrado pela DRF Paranaguá/PR, dando conta que, em verificação da DI 05/11566195, registrada por Mercotex do Brasil Ltda., suspeitouse da lisura da importação, pois os dados do suposto “exportador”, emitente da fatura comercial, apresentavam inconsistências quanto à sua real localização e o real fabricante do produto, sendo que tais mercadorias possuíam a marca comercial “PRINCIPAL ELETRONICS”, sendo esta a responsável pela distribuição dos produtos da marca no Brasil, o que teria se confirmado por informação do despachante aduaneiro que a mercadoria pertenceria, como destinatário final, a Principal do Brasil Comercial Atacadista S/A (fls. 2.435/2.436). Além desse, seguem mais dois relatórios, ambos com as mesmas constatações (2.437/2.443). Fl. 15504DF CARF MF 26 Às fls. 37/46, exemplificativamente4, há um demonstrativo de custos da importação, elaborada pela MERCOTEX, com descrição detalhada de cada despesa, havendo referência ao nome da PRINCIPAL, denominada “cliente”, o número da DI, o número da fatura comercial, da nota fiscal e o valor do documento, juntamente com as respectivas solicitações de numerário e depósitos pertinentes, o que profliga o argumento de se tratar de uma importação por conta própria (da Mercotex) seguida de operação no mercado interno (por parte da Principal), o que, por conseqüência, afasta a dúvida de que se tratavam de operações por conta e ordem de terceiros, onde o recorrente ocultava a sua condição de real adquirente da mercadoria. Os autos trazem, ainda, cópias de outras autuações envolvendo produtos que ostentavam a marca “PRINCIPAL ELETRONICS”, importados através da SAB Company Comércio Internacional S/A (fls. 2.759/2.788). Em cada Anexo deste processo, há um pequeno relatório da documentação nele apensada, com os exames e conclusões das autoridades, valendo a citação de alguns trechos: “6. Documentos contábeis PRINCIPAL,. solicitações de MERCOTEX de numerário para fechamento de câmbio e pagamentos de impostos e despesas logísticas, bem como os respectivos comprovantes bancários de pagamento por parte de PRINCIPAL demonstram de forma cabal que PRINCIPAL/PLENA pagava todas as custas de importação e que MERCOTEX meramente prestava serviços relativos a importação não se tratando obviamente de uma relação de compra e venda. Observação: fechamentos de câmbio no nome da MERCOTEX estão vinculados às respectivas solicitações de numerário para o real adquirente PRINCIPAL. Observar também que as solicitações de numerário iniciais falam abertamente em solicitação para pagamento de ‘85% para pagamento do fornecedor MIZUDA'. Conforme outros documentos de contato com exportador encontrados, a empresa chinesa apenas iniciava produção mediante adiantamento de 15% do valor da carga, daí a razão de MERCOTEX solicitar os outros 85% para fechamento do câmbio;” (Anexo VII, fl. 02). “4. Diversos contratos de câmbio vinculados a sua respectiva fatura comercial, em alguns casos há cópia da fatura em anexo, solicitações de numerário para pagamento de despesas logísticas e de despacho de importação. Tais documentos demonstram que PRINCIPAL/PLENA arcava em definitivo com tais despesas e que se não fosse a real compradora junto ao exportador não teria porque se preocupar com o fechamento de câmbio. Obviamente, controlava o fechamento de câmbio por ser a real responsável perante o exportador pelo pedido de compra das cargas remetidas ao Brasil. Observe que as cópias de faturas muitas vezes, em 4 O Anexo VIII traz vários casos similares. Fl. 15505DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 23 27 seu corpo, tem a informação manuscrita a qual PO se referem; 5. Cópia de documentos emitidos por MIZUDA COMPANY no curso de procedimento fiscal no Porto de Paranaguá para simular que MERCOTEX seria a real adquirente de cargas de DVD player por fim apreendidas pela fiscalização. O fato das cópias de tais documentos estarem de posse de PRINCIPAL/PLENA demonstram o vinculo direto e real que esta tinha com a carga objeto da fiscalização mencionada, pois se fosse MERCOTEX a única responsável perante o exportador não existiria razão para tais documentos estarem nas dependências do Grupo de Adler e Zyngier; 6. Cópia de auto de inflação contra MERCOTEX lavrado pela DRF de Maringá em função novamente da ocultação de PRINCIPAL como real adquirente, notese de novo, se PRINCIPAL/PLENA não tivesse relação direta com a importação não teria motivo para acompanhar e ter cópia da autuação contra a ‘trading’, pois não teria responsabilidade pelo fato;” (Anexo XVI, fls. 02/03 – destacado) “9. Documento interno do Grupo Principal intitulado ‘Lista de Processos PRINCIPAL ELETRÔNICOS DVD’ referentes a diversas Purchase Orders PO onde temos o número das respectivas faturas comerciais, valor em USD, modelo dos aparelhos de DVD, controle dos câmbios pagos, data da inspeção da SGS na China, e status do transporte com referência novamente ao câmbio, em alguns casos com a expressão 100% pago, mas antes da chegada da carga ao Brasil. Na segunda página de documento temos a observação manuscrita ‘posição fabrica’;” (Anexo XVII, fl. 03 – destacado) Portanto, há fortes evidências no processo que demonstram não serem as importações qualificáveis como simples operações por conta própria, como se esforça o recorrente a convencer, mas, na verdade, operações por conta e ordem de terceiros, com clara ocultação do real adquirente da mercadoria, no caso, o autuado. Outra ilação, a partir do acervo processual, é que já havia, desde o início de 2005, uma preocupação da RFB e seus agentes com a lisura das operações envolvendo a Mercotex e a SAB Company, no que dizia respeito às importações de produtos com a marca “PRINCIPAL ELETRONICS”, com a adoção de um acompanhamento diferenciado dessas operações, incluindo autuações, apreensões, fiscalizações específicas, entre outros procedimentos, o que vem ao encontro da tese defendida neste voto que, independente das escutas telefônicas e dos mandados de busca e apreensão, a fiscalização tributária federal já investigava o recorrente. Fl. 15506DF CARF MF 28 Em sua defesa o contribuinte não contesta propriamente os fatos ora relatados, apenas tenta atribuirlhe uma conotação distinta. Ainda na descrição dos fatos, no recurso voluntário, aduz que a existência de relação comercial entre a recorrente e o fornecedor estrangeiro não é irregular e/ou proibida. De fato, não o é, a irregularidade não está na relação comercial entre ambos, mas sim na interposição de uma empresa, na transação, para figurar como importadora, de fachada, diga se, sem que tal situação tenha sido comunicada ao Fisco Federal. A infração, neste caso, está na simulação da operação de importação e não na relação comercial, propriamente dita. Sustenta, também, que a indicação do real adquirente das mercadorias importadas somente passou a ser exigida com a edição da IN SRF 634/06. Entretanto, este ato normativo disciplinou a importação a encomendante predeterminado, modalidade criada pela Lei nº 11.281/2006, e que não guarda relação com os fatos a ele, recorrente, imputados neste processo, até porque lhe são anteriores e envolvem operações de importação por conta e ordem de terceiros, nos termos do art. 77 da MP 2.15835/2001, cuja normatização se realizou pela IN SRF 225/2001, que em seu art. 3º previa expressamente a necessidade desta informação (CNPJ do estabelecimento adquirente – terceiro). De outra banda, como amplamente demonstrado, a alegação de aquisição no mercado interno não encontra qualquer suporte nos documentos coligidos aos autos, assim como, chega a ser inusitado o argumento de ausência de prova do esquema fraudulento. Talvez por esse motivo se apegue com tanto ardor, em manifestação ao resultado da diligência requisitada, na ilicitude dos elementos colhidos na denominada “operação Dilúvio”, decorrentes das escutas telefônicas reputadas ilícitas, pois a ausência de prova definitivamente não é um fundamento que lhe socorre, salvo pela declaração de sua nulidade. Quanto à afirmação que haveria um excesso de lançamento em relação ao auto de infração e o relatório, que informa um valor inferior àquele lançado, não o verifico, pois compulsando as planilhas de fls. 17/19, que trazem as declarações de importação que foram incluídas no lançamento, confirmei que os valores lançados correspondem exatamente aos valores das importações, em reais (R$), lá indicados, de maneira que não há inconsistência alguma, lembrando que a indicação do relatório, referida pela defesa, apenas retrata as informações obtidas do Sistema Dossiê Integrado, que, por seu turno, trabalha com dados extraídos das DIPJs. Relativamente à suposta confusão entre as pessoas jurídicas PLENA e PRINCIPAL, tenho que o equívoco parte do recorrente, uma vez que não compõe a autuação, lavrada contra a PRINCIPAL, qualquer operação que envolva a pessoa jurídica PLENA, justificandose a juntada de documentos relacionados a esta última empresa apenas para evidenciar, como pretendia a fiscalização, que ambas as empresas pertenciam ao mesmo grupo comercial e adotavam o mesmo modus operandi, no caso, ocultação de sua real condição de adquirente de mercadorias estrangeiras, mediante a interposição de importadoras de fachada, não havendo aí qualquer vício no lançamento. A peça recursal, na sequência, define as modalidades de importação (própria, por conta e ordem de terceiros e encomendante predeterminado) e destaca que “as operações de importação por encomenda” eram praticadas com amparo no ADI nº 07/2002, sendo que nessas operações as tradings seriam meras prestadoras de serviços, o que não teria ocorrido no caso dos autos, pois as tradings figuraram como adquirentes nos contratos de câmbio e nas faturas comerciais (invoice) correspondentes. Fl. 15507DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 24 29 Ocorre que, como fartamente provado, a figuração das tradings nesses documentos era meramente formal, preconcebida para ludibriar a Administração Aduaneira, porquanto o real adquirente remetia os valores necessários ao fechamento de câmbio e a emissão das faturas, por sua vez, atendia às necessidades da operação simulada, não sendo possível sequer saber se são ideologicamente verdadeiras. Como já dito linhas atrás, as importações realizadas não foram consideradas “a encomendante predeterminado”, uma vez que essa figura não pode ser estendida a operações realizadas antes de sua vigência, como é o caso da maior parte das operações autuadas, ao passo que, diversamente do que afirma o contribuinte, a Lei nº 11.281/2006 não possui caráter interpretativo, seja porque este efeito não está expressamente previsto, seja porque estabelece condições à sua caracterização, o que não se compagina com a natureza interpretativa de uma norma. No tocante à ausência de campo próprio para informação da condição de encomendante do recorrente, sendo suas operações qualificáveis como “por conta e ordem de terceiros”, como repetido à exaustão pelo lançamento e pela decisão recorrida, a observância das regras pertinentes exigiam o cumprimento das disposições da IN SRF 225/2001, que, se indicadas corretamente, certamente permitiriam ao SISCOMEX a disponibilização de campo próprio para a indicação do CNPJ do real adquirente da mercadoria. Neste passo, o conjunto probatório que instrui o lançamento deixa claro que nunca houve interesse do autuado, ora recorrente, em externar a sua condição de real adquirente das mercadorias importadas. Pelo contrário, a todo tempo se vislumbra a sua intenção de permanecer oculto. Outrossim, mostrase divorciada da realidade dos autos a afirmação que o lançamento estaria embasado em presunção de “eventual conduta fraudulenta”. Ora, os variados documentos deixam estreme de dúvidas a efetiva operação dissimulada pelos envolvidos, onde as tradings se interpunham como importadoras por conta própria, quando na verdade agiam como meras prestadoras de serviço, onde o autuado conduzia as negociações internacionais e repassava os valores necessários à quitação das despesas para a realização de todo o procedimento aduaneiro. Mais uma vez, ante a insistência do recorrente em classificar suas operações como importação a encomendante predeterminado, cumpre esclarecer que a Lei nº 11.281/2006 não possui caráter interpretativo e não pode regular fatos jurídicos que lhe antecedem. Mesmo nas situações em que poderia enquadrarse a operação em tal modalidade, optou o recorrente por manter a simulação das importações na categoria “por conta própria” dos pretensos “importadores”. Os comprovantes de transferências, atendendo às requisições de numerário, os demonstrativos de despesas e a relação comercial entre o autuado e os fornecedores estrangeiros formam um conjunto de evidências que permitem concluir que havia, sim, ocultação do real adquirente da mercadoria. Por oportuno, o momento em que essa remessa é feita, a meu ver, não influencia o raciocínio, pouco importando que ela se realize antes ou após a quitação da despesa respectiva, pois essas transferências, nas condições em que se realizavam, não poderiam ser tomadas como componente de uma “aquisição no mercado interno”, como Fl. 15508DF CARF MF 30 defende o contribuinte, haja vista que nesse caso o adquirente paga o valor indicado na nota fiscal de venda e não os custos e a margem de lucro que o formam. Neste processo é cristalino que o recorrente não estava pagando pela mercadoria importada, mas sim pelas despesas que a trading arcava para realizar a operação, por conta e ordem do recorrente, e isto é evidente. Da mesma forma, a ausência de indicação, nas transferências bancárias do número da declaração de importação, não desmerece em aspecto algum a tese ora defendida, pois há demonstração clara da coincidência, até os centavos, dos valores remetidos com as requisições de numerário aviadas. Respeitante à irrelevância das alegações da fiscalização, não vejo como os aludidos comentários e análises possam influir na configuração dos fatos objeto de lançamento, razão porque não tomo tais colocações de defesa como argumentos, mas como manifestação de ponto de vista, de forma que se toma como enfrentadas no conjunto das razões de decidir deste voto. Também não procede a assertiva que a aplicação da pena de perdimento estaria embasada nos registros contábeis de ágio ou na formação do capital social da pessoa jurídica, pois, como dito alhures, esse não é o fundamento da autuação, mas apenas uma situação que, no entender dos autuantes, corroboraria a fragilidade do aumento de capital realizado pela recorrente e, por via oblíqua, reforçaria a ocultação. Aliás, como reconhece o próprio recorrente, não há nexo entre a formação do ágio e a aplicação da pena de perdimento, justamente porque essa não é a sua motivação. Atinente à não comprovação específica de adiantamentos de recursos financeiros às tradings, em que pese entender que existe, como já explicitado, é indiferente à caracterização da infração no caso vertente, onde há elementos de sobra que confirmam não se tratar de uma importação por conta própria seguida de aquisição no mercado interno. No que concerne à regularidade do recolhimento dos tributos incidentes sobre as operações de importação, tenhona como questão estranha aos autos, ao passo que não há qualquer exigência de tributos nestes autos, mas apenas da multa substitutiva pela impossibilidade de aplicação da pena de perdimento. Por derradeiro, quanto ao caráter confiscatório da multa aplicada, temse que sua inflição está prevista no art. 23, V, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/76, falecendo a este conselho administrativo competência para se manifestar sobre a constitucionalidade de normas válidas e vigentes, como disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e também na Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Fl. 15509DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 25 31 Externo no presente voto o posicionamento jurídico que prevaleceu no colegiado, durante a sessão de julgamento. Antes mesmo das conversões em diligência, já eram conhecidos os diferentes posicionamentos da turma sobre os impactos da decisão do STJ no caso da chamada “Operação Dilúvio”. Tanto que no voto pelas conversões se aclarou o porquê da importância das respostas a cada questão, e qual a relação das questões com os posicionamentos então presentes no seio do colegiado. A questão abstrata de direito já havia sido anteriormente posta ao colegiado, em 17/05/2016, no retorno de diligência de processo referente à mesma operação, que foi objeto do Acórdão no 3401003.171, de 17/05/2016. Precedente da turma – Análise dos processos judiciais referentes à chamada “Operação Dilúvio” Em tal julgado administrativo (Acórdão no 3401003.171), por mim relatado, deparouse a turma com a decisão do STJ pela nulidade de interceptações telefônicas, analisando as peças do processo judicial correspondente. No processo no 2006.70.00.0224356, percebeuse que eram seis os réus: Sun Nim Kun, Yuri Leite San Tian Sun, e Lenytonio Amorim Pereira, Marco Antonio Mansur, Marco Antonio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes e Alessandra Saleski, todos com denúncia oferecida e recebida por infração ao disposto no artigos 299 do Código Penal, combinado com o artigo 71 do mesmo código, recebida. No volume 5 do processo, consta a apreciação, pelo STJ, do HC no 142.045/PR (tendo como pacientes Marco Antonio Mansur e Marco Antonio Mansur Filho), no qual foi concedida a ordem, por maioria, para "reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito(sic)". Da decisão foram interpostos embargos de declaração em 09/01/2010, não apreciados até a data da anexação (11/04/2011). Percebese que diante da ausência de definitividade da decisão do STJ, o juízo decidiu pela suspensão dos autos, por seis meses, em 06/06/2011. Rejeitados os embargos apresentados, e negado seguimento a Recurso Extraordinário (RE), e a agravo no RE (ARE), autuado no STF sob o no 659.387, o juízo originário se manifestou, antes do julgamento do último agravo, em 08/11/20115, entendendo que restariam hígidas as provas colhidas durante o primeiro período de interceptação telefônica autorizada, bem como nas três prorrogações que lhe foram subsequentes, e que: 5 Verificamos, no sítio "web" do STF, que o último agravo também teve seguimento negado, pela Primeira Turma do STF, com publicação da decisão em 01/12/2011, e trânsito em julgado em 09/01/2012, sendo os autos remetidos para baixa definitiva em 13/01/2012. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=4149247>, acesso em 10.abr.2016. Fl. 15510DF CARF MF 32 O Ministério Público foi, então, intimado a respeito da decisão, e se manifestou no sentido de que a invalidação das escutas telefônicas não se alastra pelas demais provas constantes nos autos, obtidas em outras operações, e que o STJ não trancou ou extinguiu as ações penais, mas ordenou o retorno ao juízo originário "para determinações de direito". E é nessa peça, atinente ao HC no 142.045/PR, e redigida pelo Ministério Público Federal, em 15/12/2011, que se encontra polêmico excerto: Fl. 15511DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 26 33 Nas palavras do Ministério Público Federal, àquela data 15/12/2011, só restaria aos procedimentos administrativos calcados nos documentos obtidos na chamada "Operação Dilúvio" a alternativa do "salvo melhor juízo". E foi com base em tal manifestação do Ministério Público que o juízo de primeira instância, em 16/04/2012, decidiu pela absolvição sumária dos réus, conforme artigos 386, III e 397, III do Código de processo Penal, enviando os autos para arquivo em 20/09/2013. Em tese, este julgador tem todo o direito de discordar do entendimento externado pelo STJ (ainda mais por estar em desconformidade com a jurisprudência anterior e posterior do mesmo tribunal), mas, por outro lado, tem todo o dever de acatálo, sob pena de subversão do ordenamento jurídico, da função dos distintos poderes, e da unidade de jurisdição. Daí não compactuarmos com a tese externada no voto do relator, encampando a chamada “Teoria da Descoberta Inevitável”, que equivale, a nosso ver, a assimilar que os fins (quando considerados nobres) justificam os meios (ainda que ilícitos). Em outras palavras, a nosso ver, tal tese equivale a entender que é válida a prova, ainda que obtida Fl. 15512DF CARF MF 34 ilicitamente de fato, quando esta poderia ser obtida de forma lícita, dentro dos poderes regulares da fiscalização. Nosso posicionamento, conforme externado no citado precedente administrativo (Acórdão no 3401003.171), no entanto, acolhe toda e qualquer prova derivada de ação fiscal autônoma (alheia à chamada “Operação Dilúvio” ou derivada de documentos em posse da própria RFB v.g., registros em sistemas informatizados). Ambos os posicionamentos (o por nós defendido nosso e o albergado pelo relator) foram, entretanto, contemplados nas questões submetidas à diligência inicialmente efetuada neste processo, e reiterados na Resolução no 3401000.961, de 24/01/2017. Das conversões em diligência Como destacado na citada Resolução no 3401000.961, o relator (vencido em ambas as conversões em diligência) entendeu, de forma coerente com o posicionamento anteriormente por ele externado, que o processo estava apto a julgamento. Isso porque seria possível ao relator, nos autos, identificar provas que, ainda que entendidas como ilícitas no processo judicial, poderiam ser obtidas pela fiscalização sem intervenção do juízo, o que seria possível segundo a chamada “Teoria da Descoberta Inevitável”. As diligências fiscais apresentaram três questões voltadas ao entendimento por mim acolhido (“a”, “b” e “c”) e uma especialmente dedicada ao posicionamento do relato (“d”): (...) DILIGÊNCIA, para que a DRF competente providencie o seguinte: a) Identificação, dentre as provas utilizadas para o lançamento, daquelas que efetivamente foram consideradas ilícitas pelo STJ, segregandoas das outras que não foram contaminadas; b) Identificação das provas que derivaram do primeiro período de sessenta dias da interceptação telefônica; c) Identificação das provas produzidas por fonte independente (ex. apresentadas durante a ação fiscal); d) Identificação das provas que a Receita Federal poderia ter acesso independentemente de autorização judicial. O atendimento à primeira conversão em diligência foi objeto de críticas deste julgador, na citada Resolução no 3401000.961, pelo fato de a unidade preparadora não compreender objetivamente o que lhe era perguntado e o porquê das perguntas, limitandose a realizar defesa jurídica, e não verificação de fato, como demandado. Por isso, na segunda conversão em diligência aclarouse a importância dos quesitos “c” e “d”, e sua vinculação aos diferentes posicionamentos existentes no colegiado, uma pela admissão apenas de provas advindas de fiscalizações autônomas e documentos internos (por mim defendida), e outra, pela admissão de qualquer prova que pudesse, independente do que efetivamente ocorreu de fato, ser obtida pela fiscalização dentro de suas regulares competências, sem necessidade de autorização judicial (defendida pelo relator): Fl. 15513DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 27 35 A resposta ao quesito “c” é, em meu entendimento, a mais importante para que se possa julgar com segurança o processo. A meu ver, a ilicitude das escutas, e das provas que dela derivam, não se alastra a procedimentos fiscais autônomos/independentes, levados a cabo pela RFB, à margem da citada operação especial conjunta. Daí ter sido demandado à unidade local esclarecer quais dos elementos de prova utilizados na autuação derivaram de fonte independente. (...) A resposta ao quesito “d”, por outro lado, destinase a suprir dúvida daqueles julgadores que, filiados à escola da chamada “teoria da descoberta inevitável”, admitem inclusive as provas tidas judicialmente como ilícitas, desde que essas mesmas provas pudessem ser (mas não, necessariamente, houvessem sido) obtidas administrativamente pela RFB, dentro de suas competências, de forma lícita. Tal quesito parece ter sido razoavelmente compreendido pela autoridade diligenciante, embora também não haja listagem detalhada e exaustiva. (...) A importância da boa resposta aos quesitos, pela unidade da RFB, reside no fato de que os julgadores que entendem que somente seriam lícitos os elementos de prova efetivamente obtidos em fiscalização autônoma apreciarão o processo, e a procedência ou não da autuação, apenas à luz de tais documentos. Da mesma forma, os membros deste tribunal administrativo que interpretam que seriam aceitáveis todos os elementos de prova que possam ser regularmente obtidos em fiscalização autônoma apreciarão os autos, e a manutenção ou não do lançamento, apenas à luz de tais documentos. Além de esclarecer os diferentes posicionamentos, revelei que, ao menos no que se refere ao posicionamento por mim adotado, o resultado da diligência era inconclusivo: Entendo até que um julgador que comungue do entendimento que motivou o quesito “d” possa interpretar que o colegiado estaria apto a apreciar o processo, como propunha o relator, ainda que as respostas tenham sido dadas exemplificativamente. No entanto, para este julgador (conforme posicionamento externado no Acórdão no 3401003.171), e para a maioria do colegiado, como se percebe da votação empreendida nesta sessão de julgamento, revelase imprescindível, para apreciação do processo, que sejam buscados elementos que permitam verificar, conclusivamente, quais, entre as provas utilizadas na autuação, derivam da chamada “Operação Dilúvio”, e das escutas telefônicas consideradas ilícitas, e quais derivam de ação fiscal autônoma da RFB (ou mesmo de dados de sistemas internos da RFB). E, por óbvio, para responder tal questionamento, a autoridade diligenciante deve ir além do que já está nos autos, e é de conhecimento deste colegiado administrativo. Em outras Fl. 15514DF CARF MF 36 palavras, deve diligenciar, investigar, juntar informações que permitam separar as provas lícitas das ilícitas, segundo o critério jurídico já fixado. Simplesmente afirmar que as provas documentais jamais derivariam de escuta telefônica (sem sequer desejar conhecer seu teor, por considerálo irrelevante para o resultado do julgamento) não se apresenta como resposta aos questionamentos efetuados. E contradiz informações do próprio Ministério Público, em 15/12/2011, sobre réu da “Operação Dilúvio”, no HC no 142.045/PR, já comentada no citado Acórdão no 3401003.171, disponível no sítio web do CARF. Foram, então, reiterados os questionamentos à unidade preparadora (especialmente os designados pelas letras “c” e “d”), em uma segunda conversão em diligência. Do resultado da nova diligência É visível, no segundo trabalho fiscal de diligência, a compreensão do que foi demandado pelo CARF, e por quais razões, assim como qual a tarefa a ser executada, que, ainda que complexa, é imprescindível para o julgamento do contencioso à luz das premissas préestabelecidas. Já de início, o relatório fiscal (fls. 15448 e 15449) trata de documentos que derivam da “Operação Dilúvio” (fluxograma da logística; planilhas de planejamento; listagens de posição de embarque e followup; cópias de solicitações de recursos como adiantamento para fechamento de câmbio; cópias de email, invoices e comunicações/mensagens; transcrições de conversas telefônicas), informando que somente as cópias de solicitações de recursos como adiantamento para fechamento de câmbio foram efetivamente usadas como prova na autuação. O relatório faz ainda referência a auditoria desenvolvida na IRF/Rio de Janeiro, e que gerou autuações no período de 10/09/2004 a 03/08/2006. Sobre tal procedimento, verificou a autoridade diligenciante que “os auditores entregam à empresa diversos extratos bancários que não foram fornecidos pela fiscalizada durante a auditoria” e intimou a empresa (por meio de escritório de advocacia que a representa) a fornecer cópias de extratos bancários de três contas, sem sucesso. Explica o diligenciante (fl. 14451) que desejava saber se tais extratos resultam de ação autônoma ou foram obtidos no bojo da “Operação Dilúvio”, dentro do escopo da pergunta efetuada pelo CARF: O interesse deste diligenciante nestes extratos será explicado logo adiante, porém, até o momento, o fato, é : saber se estes elementos tão importantes para a auditoria, vieram de apreensões levadas a cabo na “operação dilúvio”, ou espontaneamente entregues pelo contribuinte, ou mesmo, outra fonte autônoma da busca judicial, e, porque não compõe o processo, fato este que tanto o representante da empresa como este diligenciante concluíram ? Remete o diligenciante, na sequência, a procedimento administrativo (auto de infração) de IRPJ, no qual haveria solicitação e emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF, reconhecendo que por ser o período da autuação da Fl. 15515DF CARF MF Processo nº 10074.001146/200917 Acórdão n.º 3401004.396 S3C4T1 Fl. 28 37 MERCOTEX de 03/05/2005 a 30/09/2005, tais extratos entregues não foram úteis para embasar o auto da PRINCIPAL em relação à MERCOTEX, apesar de explicarem sua origem. Ao apontar as fontes autônomas (fls. 15451 a 15452), o relatório cita procedimentos especiais realizados pela DRF/Paranaguá em relação a duas declarações de importação da empresa MERCOTEX, anteriores à “Operação Dilúvio”, admitindo que tais elementos não colaboraram diretamente como prova na autuação em discussão. Constrói ainda a autoridade diligenciante planilha de adiantamentos de recursos, com base em cotejamento de Declarações de Importação autuadas no presente processo e elementos apreendidos na “Operação Dilúvio” (fl. 15453), adicionando que as transferências foram feitas a partir de contacorrente à qual os auditores só tiveram acesso por causa das apreensões da “Operação Dilúvio”. Acrescenta o diligenciante que também são elementos de prova as Notas Fiscais e as Declarações de Importação, à disposição da fiscalização. Os elementos apresentados, a nosso ver, são satisfatórios a ambas as correntes de entendimento. Assim como foram suficientes ao relator, que, mantendo a coerência em seu posicionamento (ainda que divergente do nosso), negou provimento ao recurso voluntário por entender caracterizada a infração (à luz das respostas ao quesito específico – fls. 15459 a 15462 do relatório de diligência), foram suficientes para que se pudesse verificar que a caracterização da infração restou maculada se ausentes os documentos apreendidos no bojo da “Operação Dilúvio”, como reconhece a própria autoridade diligenciante (fl. 15454 e 15456), em relação às empresas MERCOTEX e PORTES: Este item é importante para atender ao quesito formulado, e digo, em conclusão, que em referência à trading MERCOTEX, para uma autuação de “ocultação do real adquirente”, as notas fiscais bem como as DIs, são elementos indispensáveis, e estes foram obtidos tanto independentemente da operação “dilúvio”, quanto a partir dela, como vimos. Porém, a convicção do ilícito, referente à caracterização da identificação do real adquirente das mercadorias, PRINCIPAL, como foi feito, veio das “ Requisições de Numerários para Fechamento de Câmbio” apreendidas no bojo da “operação dilúvio”, sem as quais, isto não seria possível. (...) O parágrafo anterior é determinante para atender ao quesito formulado, e digo, em conclusão, que em referência à trading PORTES, para uma autuação de “ocultação do real adquirente”, as notas fiscais bem como as DIs, são elementos indispensáveis, e estes foram obtidos independentemente da operação “dilúvio”, e também concomitantemente parcialmente a partir dela, como vimos. Porém, a convicção do ilícito referente à caracterização da identificação do real adquirente das mercadorias, PRINCIPAL, como foi feito, veio dos contratos e adiantamentos da autuada à PORTES, elementos estes apreendidas todos no bojo da “operação dilúvio”, sem os quais isto não seria possível. Fl. 15516DF CARF MF 38 No que se refere à empresa SUPPORT (adquirente declarado –fls. 15456 a 15459), afirma a autoridade diligenciante que representação, efetuada em processo administrativo, diverso narra todo o esquema das práticas de ocultação do rela comprador em importações declaradas como por conta e ordem da empresa, cujos reais responsáveis eram empresas do Grupo MAM, entre elas a PRINCIPAL. Em tal procedimento, teria a empresa fornecido espontaneamente os elementos necessários e suficientes para a autuação da empresa PRINCIPAL, e, a partir de tais elementos, seria possível comprovar o adiantamento de recursos, conforme planilha de fl. 15458, o que caracterizaria, no mínimo, o enquadramento das operações como importações por encomenda. A dificuldade que encontra o diligenciante é em vincular tais informações especificamente ao relatório fiscal do presente processo. Mas, ainda assim, conclui que em relação às 12 DI da empresa RIO LAGOS tendo a SUPPORT como adquirente haveria elementos autônomos suficientes à conclusão externada no relatório fiscal. Vemos aí contundente (e louvável) esforço da autoridade diligenciante em promover vínculo que o próprio autuante não promoveu (certamente porque tinha fartos elementos de prova, e não tinha ideia de que o Poder Judiciário os imputaria ilícitos posteriormente). Quando me refiro a ação fiscal autônoma, tenho em mente qualquer elemento constante dos autos em análise, e que seja por si (expurgados os documentos obtidos na “Operação Dilúvio”) suficiente para manutenção da autuação. E não vislumbro tais elementos, em relação às citadas declarações de importação. Considerações finais Pelo exposto, entendo que, expurgados os elementos derivados da chamada “Operação Dilúvio”, não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal, caracterizando carência probatória. Deve, assim, ser dado provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 15517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15582.000114/2007-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA.
O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante - Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO PARCIAL. SÚMULA CARF 99. DECADÊNCIA ART. 150, §4ª DO CTN.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91.
Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado.
A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição.
Numero da decisão: 9202-006.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a decadência até o período de 09/2001, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, inclusive quanto às bolsas de estudos. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora Designada
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante - Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO PARCIAL. SÚMULA CARF 99. DECADÊNCIA ART. 150, §4ª DO CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15582.000114/2007-16
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854143
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.502
nome_arquivo_s : Decisao_15582000114200716.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 15582000114200716_5854143.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a decadência até o período de 09/2001, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, inclusive quanto às bolsas de estudos. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora Designada Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7233844
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007707320320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2222; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 749 1 748 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15582.000114/200716 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202006.502 – 2ª Turma Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ASSOCIAÇÃO VITORIANA DE ENSINO SUPERIOR AVIES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO PARCIAL. SÚMULA CARF 99. DECADÊNCIA ART. 150, §4ª DO CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 2. 00 01 14 /2 00 7- 16 Fl. 749DF CARF MF 2 aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para reconhecer a decadência até o período de 09/2001, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, inclusive quanto às bolsas de estudos. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 15582.000114/200716 Acórdão n.º 9202006.502 CSRFT2 Fl. 750 3 Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de contribuição previdenciária que nos termos do Relatório Fiscal de fls. 75/84 é composto dos seguintes lançamentos: 4.1 ABN Neste levantamento encontramse lançadas as contribuições previdenciárias (empresa, acidente de trabalho (RAT), contribuição de empregados, e terceiros) relativas a pagamento de abonos a seus empregados nas competências que constam no Relatório Discriminativo Analítico do Débito DAD em anexo. Contribuições estas não recolhidas nas épocas próprias porque a empresa entendeu erroneamente que a referida rubrica não integrava o saláriodecontribuição. 4.2 BOL Neste levantamento, encontramse as contribuições sociais incidentes sobre valores do desconto de 50% (cinqüenta por cento), sobre as mensalidades de cursos superiores ministrados pela empresa e frequentados por empregados ou dependentes destes. 4.3 AUT Neste levantamento foram lançadas as contribuições previdenciárias não recolhidas, incidentes sobre o valor dos serviços prestados à notificada por contribuinte autônomos, a partir da competência 01/1999 e que não foram informados em gfip. A partir de 04/2003 foi também lançado neste levantamento a contribuição de 11 % sobre esses serviços .Estas, são contribuições do autônomo e não da empresa, mas a esta cabia a responsabilidade de retêlas e recolhêlas. A referida contribuição, foi instituída pela Medida Provisória n. 83 de 12/12/2002 convertida em Lei n. 10.666, de 08/05/2003. As omissões acima ensejaram também a lavratura do auto de infração para cobrança da multa por descumprimento de obrigação acessória AI 68 (DEBCAD nº 37.019.8352). Intimado o Contribuinte apresentou impugnação parcial, deixando de contestar a parte do lançamento AUT relativa aos fatos geradores ocorridos após 10/2001. Delegacia de Julgamento julgou a impugnação parcialmente procedente determinando apenas a exclusão da base de cálculo do lançamento AUT do valor referente ao pagamento de prótese ortopédica adquirida em favor de profissional acidentado. Em sede de recurso voluntário o Contribuinte requereu a reforma da decisão com base nos seguintes argumentos: a) decadência parcial pela aplicação do art. 150, §4º do CTN, devendo ser desconsiderados os fatos geradores ocorridos a mais de cinco anos da data da citação (05/10/2006 fls. 106); b) abono nãosalarial previsto em convenção coletiva e bolsas de estudos pagas a empregados e seus dependente não integram o conceito de salário decontribuição; c) inexigibilidade da multa moratória; d) ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição para o SEBRAE e e) erro na aplicação da correção monetária e juros de mora. Fl. 751DF CARF MF 4 A 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência parcial do lançamento com base no art. 173, I do CTN e para excluir do lançamento a cobrança relativa aos valores de bolsa de estudos oferecidos ao empregados. O acórdão 2402002.559 recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006 DECADÊNCIA – ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE – STF – SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal ABONOS – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os abonos pagos com habitualidade, ainda que previstos em Convenção Coletiva de Trabalho BOLSAS DE ESTUDO – CURSO SUPERIOR CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA– FUNCIONÁRIOS – NÃO INCIDÊNCIA – DEPENDENTES – INCIDÊNCIA Os cursos superiores podem ser considerados cursos de capacitação não incidindo contribuição previdenciária sobre bolsas de estudos fornecidas a funcionários para tal finalidade, desde que as os cursos tenham vinculação com a atividade da empresa. No entanto, tal isenção não se estende às bolsas de estudo fornecidas a dependentes de funcionários por ausência de previsão legal CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – FATO GERADOR – OCORRÊNCIA – ATRASO – ACRÉSCIMOS LEGAIS – PRAZO INICIAL PARA INCIDÊNCIA O fato gerador da contribuição previdenciária ocorre no momento da prestação do serviço por parte do trabalhador que faz nascer para a empresa a obrigação de remunerálo. A empresa já é obrigada a efetuar o recolhimento das contribuições sobre a remuneração do trabalhador ainda que o efetivo pagamento desta ainda não tenha ocorrido. Inteligência do art. 22, inciso I, art. 28 caput e art. 30, inciso I, alínea “b” da Lei nº 8.212/1991. Assim, a partir do vencimento da obrigação, desde que não paga, iniciase a incidência dos encargos moratórios. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 15582.000114/200716 Acórdão n.º 9202006.502 CSRFT2 Fl. 751 5 SEBRAE A contribuição destinada ao SEBRAE está amparada em legislação vigente e é devida INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Provido em Parte Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra parte da decisão que entendeu pela não incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílio educação concedido aos empregados por descumprimento dos requisitos do art. 28, alínea 't' da Lei nº 8.212/91. Referido recurso não foi admitido nos termos dos despachos de fls. 391/394 e 395. Contribuinte também apresentou recurso, o qual foi admitido para rediscussão de duas matérias: decadência com base na aplicação do art. 150, IV do CTN e não incidência de contribuições previdenciárias sobre bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos empregados. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pelo não provimento do recurso. Inicialmente pautado sessão de 25 de abril de 2017, o julgamento foi convertido em diligência à Unidade de Origem, para verificação da existência de recolhimentos sobre a folha de pagamentos em todo o período em discussão. Resposta a diligência juntada às efls. 649/652, tendo a autoridade fiscal afirmado pela existência de recolhimentos sobre a folha de pagamento para o período de 01/1999 a 06/2006. Contribuinte se manifesta às efls. 661/664. É o relatório. Fl. 753DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade razão pela qual, reiterando os despachos de fls. 568/575 e 576/577, dele conheço. Conforme consta do relatório o recurso do contribuinte foi recebido em relação a duas matérias: aplicação do art. 150, §4º do CTN entendendo pela decadência parcial do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até setembro de 2001, e não incidência da contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudo concedidas aos dependentes de seus empregados. Em relação a decadência lembramos que o lançamento envolve a cobrança de contribuições incidente sobre valores que não eram considerados pelo contribuinte como integrantes do saláriodecontribuição: bolsa de estudos e abono nãosalarial decorrente de convenção coletiva. Tais valores foram considerados pela fiscalização como salário indireto (utilidade). O período de lançamento compreende os meses de 01/1999 a 06/2006. Contribuinte intimado em 05/10/2006 (fls. 106). Em seu recurso o Contribuinte defende a aplicação do art. 150, §4º do CTN, pois a contribuição social está sujeita ao lançamento por homologação e caracteriza antecipação de pagamento o recolhimento do tributo na mesma competência, ainda que não se refira a mesma rubrica lançada. Após exaustivo debate, a jurisprudência se posicionou no sentido de que para aqueles tributos classificados na modalidade de lançamento por homologação o prazo decadencial aplicável é o do art. 150, §4º do CTN, salvo nas hipóteses em que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou simulação, ou se restar comprovado que não ocorreu a antecipação de pagamento. O Superior Tribunal de Justiça em decisão vinculante Resp nº 973.733/SC, firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN referese ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, nas palavras do Ministro Luiz Fux: "Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito". Referido julgado recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 754DF CARF MF Processo nº 15582.000114/200716 Acórdão n.º 9202006.502 CSRFT2 Fl. 752 7 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Fl. 755DF CARF MF 8 A doutrina se manifestava neste mesmo sentido, valendo citar o posicionamento da Doutora Christiane Mendonça, no artigo intitulado "Decadência e Prescrição em Matéria Tributária", publicado livro Curso de Especialização em Direito Tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho, editora Forense: Nos lançamentos por homologação o prazo de cinco anos é contado da data da ocorrência do fato gerador, art. 150, §4º. Ocorre que quando o contribuinte não cumpre o seu dever de produzir a norma individual e concreta e de pagar tributo, compete à autoridade administrativa, segundo art. 149, IV do CTN efetuar o lançamento de ofício. Dessa forma, consideramos apressada a afirmação genérica que sempre que for lançamento por homologação o prazo será contado a partir da ocorrência do fato gerador, pois não é sempre, dependerá se houve ou não pagamento antecipado. Caso não haja o pagamento antecipado, não há o que se homologar e, portanto, caberá ao Fisco promover o lançamento de ofício, submetendose ao prazo do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, explica Sacha Colmon Navarro Coelho: "A solução do dia primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado aplicase ainda aos impostos sujeitos a homologação do pagamento na hipótese de não ter ocorrido pagamento antecipado... Se tal não houve, não há o que se homologar." Também a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no mesmo sentido de que na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário segue a regra do art. 173, I do CTN, contandose os cinco a anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. Destacase que tendo o REsp nº 973.733/SC sido julgado sob a sistemática do Recurso Repetitivo deve este Conselho, por força do art. 62, §2º do seu Regimento Interno, reproduzir tal entendimento em seus julgados. Ocorre que, embora não haja mais dúvidas de que para se considerar a data do fato gerador como termo inicial da decadência é necessário verificar acerca da ocorrência de antecipação do pagamento do tributo, permanece sob debate qual seria a abrangência do termo 'pagamento' adotado por aquele Tribunal Superior. No que tange aos lançamentos para cobrança de contribuições previdenciárias decorrentes de pagamentos de verbas caracterizadas como salário indireto, a resposta já foi construída por este Conselho quando da edição da Súmula CARF nº 99, que dispõe: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, a verificação da ocorrência de pagamento para fins de atração da regra o art. 150, §4º do CTN deve se dar pela análise de ter o contribuinte recolhido ao longo Fl. 756DF CARF MF Processo nº 15582.000114/200716 Acórdão n.º 9202006.502 CSRFT2 Fl. 753 9 do período autuado contribuição previdenciária decorrente do mesmo fato gerador objeto do lançamento, ainda que os respectivos recolhimentos não se refiram propriamente aos fatos cujas hipóteses de incidência tenham sido questionadas pela fiscalização. Devese entender por 'mesmo fato gerador' as hipóteses de incidência que possuem identidade entre os critérios que compõem a respectiva regra matriz de incidência, ou seja, tributo previsto no mesmo dispositivo legal com coincidência de sujeito passivo e base de cálculo, ainda que esta última não tenha sido quantificada corretamente. Analisando o lançamento, entendo haver nos autos elementos indicativos de que houve o recolhimento parcial do tributo, fato comprovado a partir da resposta dada pela autoridade fiscal à diligência solicitada por este Colegiado. Conforme consta do relatório de e fls. 649/652, "de acordo com consulta efetuada no sistema “CCORGFIP – CONSULTA VALORES A RECOLHER x VALORES RECOLHIDOS” do sistema de arrecadação da DATAPREV, houve recolhimentos sobre a folha de pagamento, através de Guias da Previdência Social – GPS, para todo o período em discussão, de 01/1999 a 06/2006." Assim, havendo comprovação de pagamento de crédito decorrente de fato gerador de mesma natureza, qual seja, contribuição previdenciária incidente sobre remunerações pagas ou creditas à pessoa física que lhe tenha prestado serviços (art. 22 da Lei nº 8.212/91), tais recolhimentos, por força da Súmula CARF nº 99 atraem a aplicação do art. 150, §4º do CTN. Diante do exposto, dou provimento ao recurso interposto pelo Contribuinte para declarar a decadência dos fatos geradores ocorridos até setembro de 2001. Da bolsa de estudos: Quanto ao mérito do recurso do contribuinte que discute a incidência de contribuição previdenciária sobre bolsas de estudo ofertadas aos dependentes dos empregados, me posiciono do sentido de não estarmos diante de fato gerador do tributo. Isso porque tais vantagens não assumem caráter de remuneração sendo impossível classificálas como salário utilidade. Segundo afirma o jurista mineiro e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Mauricio Godinho Delgado, na obra "Curso de Direito do Trabalho", 2ª ed., para caracterizar salário utilidade devem ser analisados três requisitos. O primeiro deles é o da "habitualidade do fornecimento", deve o fornecimento do bem ou serviço ser reiterado ao longo do contrato de trabalho, deve estar presente a idéia de ser uma prestação de repetição uniforme em certo contexto temporal. O segundo requisito é a presença do "caráter contraprestativo do fornecimento", defende que é necessário que a causa e objetivos envolvidos no fornecimento da utilidade sejam essencialmente contraprestativo, é preciso que a utilidade seja fornecida preponderantemente com o intuito retributivo, como um acréscimo de vantagens contraprestativas ofertadas ao empregado. Pela pertinência vale citar (p. 712): Nesse quadro, não terá caráter retributivo o fornecimento de bens ou serviços feito como instrumento para viabilização ou aperfeiçoamento da prestação laboral. É claro que não se trata, Fl. 757DF CARF MF 10 restritivamente, de essencialidade do fornecimento para que o serviço possa ocorrer; o que é importante, para ordem jurídica, é o aspecto funcional, prático, instrumental, da utilidade ofertada para o melhor funcionamento do serviço. A esse respeito, já existe clássica fórmula exposta pela doutrina com suporte no texto do velho art. 458, §2º da CLT: somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho. E quanto ao fornecimento e provimento da educação referido Ministro ainda destaca que tratase de dever imposto à empresa pela própria Constituição Federal, e por tal razão o bem ou serviço ofertado não pode ser classificado como salário utilidade, vale citar (p. 715): O dever, como se sabe, é tutela de interesse de outrem imposta a alguém pela ordem jurídica. O dever não necessariamente favorece o sujeito passivo de uma relação jurídica direta (como a relação de emprego); neste sentido distinguese da simples obrigação contratual. Pode, assim, a conduta derivada da tutela de interesse de outrem reportarse a uma comunidade indiferenciadas de favorecidos. É o que se passa com as atividades educacionais, por exemplo. O empregador tem o dever de participar das atividades educacionais do país pelo menos o ensino fundamental (art. 205, 212, §5º, CF/88). Esse dever não se restringe a seus exclusivos empregados estendese aos filhos destes e até mesmo à comunidade, através da contribuição parafiscal chamada salárioeducação (art. 212, §5º, CF/88; DecretoLei n. 1.422/75). Há, pois, fixado em norma jurídica heterônoma do Estado (inclusive na Constituição) um dever jurídico das empresas com respeito ao ensino no país (pelo menos o ensino fundamental): ou esse dever concretizase em ações diretas perante sues próprios empregados e os filhos destes ou, na falta de tais ações diretas, ele se concretiza perante o conjunto societário, através do recolhimento do salário educação. Estáse, desse modo, perante um dever jurídico geral e não mera obrigação contratual. Quanto ao terceiro requisito "onerosidade unilateral", embora reconheça tratase de conduta técnicojuridico extremamente controvertida, o Ministro Delgado admite sua aplicação em casos específicos (p. 718): É claro que ocorrem, na prática juslaborativa, algumas poucas situações em que fica nítido o interesse real do obreiro em ingressar em certos programas ou atividades subsidiados pela empresa. Tratase de atividades ou programas cuja fruição é indubitavelmente vantajosa ao trabalhador e sua família, e cujo custo econômico para o empregado é claramente favorável, em decorrência do subsídio empresarial existente. Nestas situações, que afastam de modo patente a idéia de mera simulação trabalhista, não há por que negarlhe relevância ao terceiro requisito ora examinado. Aliás, a quase singularidade de tais situações é que certamente conduz a jurisprudência a valorizar o presente requisito apenas em alguns poucos casos concretos efetivamente convincentes. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 15582.000114/200716 Acórdão n.º 9202006.502 CSRFT2 Fl. 754 11 Observamos que no caso concreto sob qualquer prisma de análise não é possível classificar as bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos empregados como prestação de caráter remuneratório. Embora haja habitualidade na ofertada das bolsas à totalidade dos empregados, a utilização do benefício pelo obreiro é facultativa e onerosa, já que condicionada ao pagamento da parcela da mensalidade devida, e salvo na hipóteses de realização de cursos sucessivos, teremos uma prestação com duração delimitada no tempo (período letivo) não se estendendo por todo contrato de trabalho. Vale citar que a Recorrente é uma associação de caráter educativo que tem por finalidade exatamente o desenvolvimento de atividades relacionadas ao ensino em seus vários graus, especialmente o ensino superior. Assim, as bolsas em questão são ofertadas em cumprimento a exata finalidade da instituição educacional. Embora decorram do contrato de trabalho as mesmas não existem com a finalidade de remunerar o empregado pelo serviço efetivamente ou potencialmente prestado, tratase de prestação ofertada em cumprimento do dever constitucional de promover a educação e ainda, no caso, é obrigação decorrente de convenções coletivas de trabalho firmadas com as respectivas entidades de classe representantes das categorias o qual também possui força normativa por expressa disposição do art. 611 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT. Por força do art. 110 do CTN a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal e com base nessa premissa o art. 195, I, alínea a da Constituição Federal deve ser interpretado utilizandose os conceitos construídos pelo Direito do Trabalho o qual, no entender desta Relatora, seria o ramo do direito competente para se manifestar sobre as relações e reflexos dos contratos de trabalho. Dispões o art. 195 da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... Em contrapartida o art. 458, §2º, inciso II da Consolidação das Leis do Trabalho assim define o salário: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao Fl. 759DF CARF MF 12 empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. ... § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ... II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; ... Ora, se os benefícios ofertados aos empregados na forma de educação são considerados pela CLT como verbas não salariais, não pode a fiscalização interpretar a norma tributária no sentido de classificar tais vantagens como "salário utilidade" dandolhes caráter remuneratório. Embora o art. 28, §9º, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, somente após 2011 e em situações restritas, tenha admitido a exclusão de bolsas de estudos do conceito de salário de contribuição, o Superior Tribunal de Justiça bem antes havia pacificado seu entendimento pela exclusão de tais verbas do conceito de saláriodecontribuição. Vale citar recente decisão monocrática proferida pela Ministra Regina Helena Costa no Recurso Especial 1.634.880/RS (publicada em 11/11/2016), que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional entendo que a decisão recorrida seguia a jurisprudência da Corte: Acerca da contribuição previdenciária, esta Corte adota o posicionamento segundo o qual não incide essa contribuição sobre os valores pagos a título de auxílioeducação. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. (...) 5. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Portanto, existe interesse processual da empresa em obter a declaração do Poder Judiciário na hipótese de a Fazenda Nacional estar cobrando indevidamente tal tributo. 6. Recurso Especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte não provido e Recurso Especial da empresa provido. Fl. 760DF CARF MF Processo nº 15582.000114/200716 Acórdão n.º 9202006.502 CSRFT2 Fl. 755 13 (REsp 1586940/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 24/05/2016); PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) In casu, tendo o acórdão recorrido adotado entendimento pacificado nesta Corte, o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula 83/STJ. Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. Adotando a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, a qual melhor interpreta a amplitude da base de cálculo da contribuição previdenciária, concluo que as bolsas de estudos fornecidas pela instituição aos dependentes dos respectivos empregados não possuem natureza remuneratória, seja em nível básico, médio ou superior, não se sujeitando, portanto, à incidência do tributo lançado. Conclusão: Diante de todo o exposto, conheço e dou provimento parcialao recurso interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 761DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada. Peço licença a ilustre conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri para divergir do seu entendimento quanto a exonerar o contribuinte de obrigação principal prevista em lei, acerca da exclusão da bolsa de estudos fornecida aos dependentes do conceito de salário de contribuição, bem como do alcance da lei 8212/91 em relação a matéria. Recurso Especial do Sujeito Passivo Bolsa de Estudo aos Dependentes de Empregados Quanto a concessão de bolsa de estudos aos dependentes dos empregados não constituírem salário de contribuição, razão não confiro ao recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Fl. 762DF CARF MF Processo nº 15582.000114/200716 Acórdão n.º 9202006.502 CSRFT2 Fl. 756 15 No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição. Conforme acima esclarecido, o arcabouço normativo pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação própria, tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Ao contrário do que entendeu a ilustre relatora, a concessão da bolsa de estudo encontrase perfeitamente enquadrada dentro do conceito de salário de contribuição, previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, ou seja, tanto o fornecimento em dinheiro, como aquele fornecido na forma de utilidades, no caso bolsas, encontramse compreendidos como fato gerador de contribuições previdenciárias. Notese que, conforme descrito no conceito legal, não interessa a razão pela qual o benefício é concedido: " a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa". Assim, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, no caso a CLT, quando existem pontos específicos sobre o tema na legislação previdenciária. Em seus argumentos cita o recorrente o art. 458, §2º da Consolidação das Leis dos Trabalho CLT, contudo, conforme já esclarecido, a existência de dispositivos específicos em matéria previdenciária, para que o benefício educação fornecido aos empregados, bem como aos seus dependentes, esteja excluído do conceito de salário de contribuição, não nos permite fazer uso dessa norma. Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 763DF CARF MF 16 [...] Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º da lei 8212/91, quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente a lei 8212/91, o que autorizaria aplicação para definição do exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão também não lhes assiste, pelas razões abaixo expostas: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) outro ponto que mostrase relevante é que em momento algum o próprio dispositivo da CLT determina o alcance irrestrito as bolsas concedidas aos dependentes dos empregados; 3º) por fim, o ponto que entendo mais forte para determinar que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 pela Lei nº 12.513, de 2011. Apenas nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Esse fato corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador, nesse momento, que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT, porém assim, não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo introduzido em 2011: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Fl. 764DF CARF MF Processo nº 15582.000114/200716 Acórdão n.º 9202006.502 CSRFT2 Fl. 757 17 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Ou seja, o legislador especificou não apenas que a dos dependentes referese apenas a educação básica, como limitou até mesmo para os empregados, que tipos de cursos podem ser fornecidos e o montantes. É de se concluir que, para efeitos previdenciários, até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, razão porque correto o lançamento em relação aos dependentes, independente do tipo de curso ofertado. Senão vejamos novamente, o disposto no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991 antes da alteração: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considerar infração determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação e dentro dos estritos limites da lei. Apenas, ressaltese, que em relação aos dependentes, nem o art. 28, §9º da lei 8212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, nem tampouco pela redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011, permite a exclusão em relação a educação superior concedida aos dependentes. Quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, transcrevendo inclusive julgados que indicariam seu caráter indenizatório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS aos dependentes. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado, de um serviço prestado, pelo vínculo contratual ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Fl. 765DF CARF MF 18 Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA DE ESTUDOS AOS DEPENDENTES, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inserido no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo descabida qualquer argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas para o trabalho, cujo alcance está restrito a utilidades que estejam relacionadas diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, dentre outros. Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, já que permite ao empregado dar ao seu dependente (filho) instrução em escola particular, que muitas vezes não poderia com o simples salário pago pela instituição. Ainda entendo pertinente esclarecer que no meu entender o requisito habitualidade não está associado necessariamente ao número de vezes, mas, se o seu pagamento está relacionado a algo fornecido "pelo trabalho na empresa" ou por algum evento externo, sem qualquer relação com o aspecto laboral. Melhor explicando, entendo que o fornecimento de benefícios em geral, ao longo do contrato de trabalho, acabam que Fl. 766DF CARF MF Processo nº 15582.000114/200716 Acórdão n.º 9202006.502 CSRFT2 Fl. 758 19 indiretamente remunerando o trabalhador, pois sua concessão dáse em função da existência do vínculo de emprego. Estariam aí, por exemplo inseridos, a concessão de bolsas, alimentação, viagens de lazer, prêmios, dentro muito outros. Já se o benefício concedido, o foi à título excepcional, ou melhor dizendo eventual, aí sim poderíamos dizer que não possui relação com a prestação de serviços, como exemplo podemos citar um valor fornecido em caso fortuito ao empregado face uma calamidade pública, ou um caso fortuito ocorrido em sua via pessoal. Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair com o fornecimento de bolsas de estudo aos dependentes dos empregados, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, §9º. 't" da lei 8212/91. Portanto, estando no campo de incidência do conceito de remuneração (salário de contribuição) e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS DE DEPENDENTES, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição, razão pela qual NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Sujeito Passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 767DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.000465/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
NULIDADE. PRESUNÇÃO.
A previsão de nulidade de lançamento fiscal está restrita à incompetência da pessoa que procede a lavratura de atos e termos, despachos e decisões ou nos casos de preterição de direito de defesa (artigos 59 e 60, do Decreto nº 70.235, de 1972).
IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL ADQUIRIDO POR HERANÇA. DIFERENÇA POSITIVA ENTRE O VALOR DE ALIENAÇÃO E O CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCIDÊNCIA.
Nos termos do § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988, a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição está sujeita ao imposto de renda sobre ganho de capital.
Numero da decisão: 2401-005.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 NULIDADE. PRESUNÇÃO. A previsão de nulidade de lançamento fiscal está restrita à incompetência da pessoa que procede a lavratura de atos e termos, despachos e decisões ou nos casos de preterição de direito de defesa (artigos 59 e 60, do Decreto nº 70.235, de 1972). IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL ADQUIRIDO POR HERANÇA. DIFERENÇA POSITIVA ENTRE O VALOR DE ALIENAÇÃO E O CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCIDÊNCIA. Nos termos do § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988, a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição está sujeita ao imposto de renda sobre ganho de capital.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11060.000465/2009-19
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841441
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.226
nome_arquivo_s : Decisao_11060000465200919.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 11060000465200919_5841441.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7170663
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007729340416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1226; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.000465/200919 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.226 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente HARDI LINDOLFO MEYER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 NULIDADE. PRESUNÇÃO. A previsão de nulidade de lançamento fiscal está restrita à incompetência da pessoa que procede a lavratura de atos e termos, despachos e decisões ou nos casos de preterição de direito de defesa (artigos 59 e 60, do Decreto nº 70.235, de 1972). IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL ADQUIRIDO POR HERANÇA. DIFERENÇA POSITIVA ENTRE O VALOR DE ALIENAÇÃO E O CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCIDÊNCIA. Nos termos do § 2º do art. 3º da Lei nº 7.713/1988, a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição está sujeita ao imposto de renda sobre ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 04 65 /2 00 9- 19 Fl. 138DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11060.000465/200919 Acórdão n.º 2401005.226 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 02/04, acompanhado dos demonstrativos de fls. 05/08 e do Relatório Fiscal de fls. 09/13, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física dos exercícios de 2005 e 2006, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 74.851,99, composto da seguinte forma: R$ 31.557,60 relativo ao Imposto; R$ 19.626,19 de Juros de mora (calculados até 30/01/2009); e R$ 23.668,20 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 04), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos por parte do autuado, nos anos calendário 2004 e 2005. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 09/13), em 09/09/2008, foi iniciada ação fiscal amparada pelo mandado de Procedimento Fiscal (MPF ) nº 101.03002008.004316, com o objetivo de fiscalizar o IRPF dos anos calendário 2004 e 2005, do contribuinte. Referido contribuinte foi intimado por via postal em 09/09/2008 (fl. 16), por meio do Termo de Intimação Fiscal a apresentar documentação hábil e idônea comprovadora da data e do valor da aquisição e da alienação do imóvel baixado de sua declaração do imposto de renda (DIRPF) do anocalendário 2004, exercício 2005, a seguir descrito, bem como os recebimentos e a quitação da dívida. Características do imóvel: área de terra de 11,8 ha ou 118,423 m² , situada no lugar denominado Rincão da Preguiça, no município de Paraíso do Sul/RS – matrícula nº 35.101 do Cartório de Registro de Imóveis de Cachoeira do Sul/RS – imóvel alienado a Renan Luis Buske, em 11/05/2004. Em resposta à intimação, o autuado apresentou cópia do registro do imóvel nº R135.101, fls. 27/29, documento que comprova a aquisição do imóvel por doação, conforme escritura pública lavrada em 23/02/2001, pelo Tabelionato de Agudo/RS sob o nº 04/9631, fls. 6/6v do livro nº 147. Ficou comprovado também, a alienação por escritura pública identificada com o nº 12/10.429, lavrada em 11/05/2004, fls. 16/17v do Livro nº 153 do Tabelionato de Agudo anexadas às fls. 30/33. A fiscalização informou ter efetuado consulta ao sistema CPF, fls. 35 (fls. 32 citada no relatório) ficando constatado que o cônjuge do sujeito passivo, Diva Niva Muller Meyer, CPF 645.946.45020, não apresentou declarações do IRPF em separado nos anos calendário 2004/2005. O relatório refere que, da análise dos documentos apresentados, ficou constatado que a venda do imóvel foi realizada a prazo, sendo uma parcela de R$ 212.000,00 à vista e o valor restante de R$ 28.000,00, valor equivalente a (800) oitocentas sacas de arroz, com pagamento previsto para 28/02/2005, totalizando a operação em R$ 240.000,00. Fl. 140DF CARF MF 4 O contribuinte foi intimado em 23/01/2009, às fls. 20 (fls. 19 citada no relatório), para apresentar o comprovante de quitação da segunda parcela. A ciência ocorreu em 29/01/2009, conforme AR constante nos autos. Em resposta às fls. 22 (fls. 20 citada no relatório), declarou que no ano 2005, após a colheita, o adquirente do imóvel entregou as oitocentas sacas de arroz pactuadas, e, devido ao baixo preço, a mercadoria não foi comercializada até a presente data. A fiscalização considerou 28/02/2005, data ajustada na escritura, como sendo a data da quitação da segunda parcela. De acordo com os elementos disponíveis, a fiscalização verificou a ocorrência de infração à legislação do Imposto de Renda, identificada a seguir. Omissão de rendimentos – ganhos de capital Em razão da análise dos documentos apresentados, foram identificadas omissões de ganho de capital em relação ao imóvel alienado: fração de terras cultivadas, sem benfeitorias, situada no lugar denominado Rincão da Preguiça, no município de Paraíso do Sul/RS, contendo a área superficial de 11,8 ha ou 118,423m². Os demais dados do imóvel estão identificados anteriormente. Conforme informa a fiscalização, o imóvel anteriormente referido pertencia ao fiscalizado, adquirido em 23/02/2001, por doação de Friedhold Arnhold Mayer e Metha Maria Schneider Mayer (pais) e, posteriormente vendido a Renan Luis Buske, em 11/05/2004. Conforme informações contidas nos documentos, ficou constatado que as transações se restringiram à alienação de terra nua. E ainda, que os rendimentos não constituem receitas da atividade rural, sujeitandose à apuração do ganho de capital, conforme disposto no art. 4º, § 3º da Lei 8.023/90. De acordo com a fiscalização, o ganho de capital resultou da diferença positiva entre o valor da transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição, conforme definição legal contida no art. 3º, § 2º da Lei 7.713/1988. Os custos de aquisição e os valores de alienação do imóvel supracitado foram verificados na forma demonstrada nos itens seguintes. Custo de Aquisição O imóvel, por ocasião da aquisição, foi registrado com o valor de R$ 23.600,00 (vinte e três mil e seiscentos reais), elevado para efeitos fiscais para R$ 29.605,72 (vinte e nove mil e seiscentos e cinco reais e setenta e dois centavos), de acordo com o registro de imóvel. O VTN – Valor da terra nua informado pelo fiscalizado no Documento de Informação e apuração do ITR – DIAT, no exercício de aquisição 2001/2003, foi igual a 29.600,00, cópia às fls. 39/45 (fls. 36/42 indicada no relatório). Em se tratando de imóvel rural adquirido a partir de 1997, o art. 136 do RIR/99 dispõe: Art. 136. Em relação aos imóveis rurais adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, considera se custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra Nua VTN, constante do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393 , de 19 de dezembro de 1996, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação (Lei nº 9.393 , de 1996, art. 19) O relatório transcreveu os §§ 1º e 2º do art. 8 e 19 da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996. E, ainda, o art. 10, § 1º, I da IN/SRF nº 84/2001 a seguir: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11060.000465/200919 Acórdão n.º 2401005.226 S2C4T1 Fl. 4 5 Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8º e 14 da Lei nº 9.393, de 1996. (...) § 2º Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. Assim sendo, o custo de aquisição considerado é igual a R$ 29.600,00, atribuído pelo contribuinte nos Documentos de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DIAT) do ano de aquisição do referido imóvel, conforme estabelece a legislação em vigor. Valor de Alienação Conforme destacado no relatório, como regra geral, considerase valor de alienação o preço efetivo da operação de venda ou cessão de direitos expresso nos instrumentos públicos ou particulares e demais comprovantes da alienação, independentemente de a alienação ser a prazo (hipótese de diferimento da tributação), conforme art. 19 da Lei 7.713/88. Neste caso, o valor e as condições de alienação são aquelas registrados na escritura nº 12/10.429, de 11/05/2004, do tabelionato de Notas e Protesto de Títulos de Agudo/RS. O preço ajustado de R$ 240.000,00 (R$ 212.000,00 à vista em moeda nacional, e os restantes R$ 28.000,00) pagos mediante a entrega ao vendedor de 800 sacas de arroz in natura, na data de 28/02/2005. O relatório cita o disposto no art. 117 do RIR/99. Apuração do ganho de capital Tendo em vista a apuração da diferença entre o valor da alienação e o da aquisição do bem anteriormente referido, a fiscalização concluiu que as operações estavam sujeitas à incidência do imposto de renda sobre os ganhos de capital, conforme art. 22 da Lei 9.250/95 e o art. 117 do RIR/99, sendo que o imposto apurado deveria ter sido recolhido no prazo estabelecido no art. 852 do RIR 99. No relatório, a fiscalização reproduziu também o disposto nos arts. 138, 140 e 142 do RIR/99. Apresentou demonstrativos dos valores. Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 63/76), alegando, resumidamente, o que segue: Segundo referiu, os valores apresentados no presente auto de infração são originários da venda de imóvel recebido por doação de seus genitores, avaliado para fins fiscais em R$ 29.605,75. Ressaltou que a área de terra estava cultivada (conforme constou na escritura pública) com lavoura de arroz, com todas as suas necessárias exigências inerentes à atividade agrícola/rural, área devidamente inscrita no INCRA, sob o n° ccir 1998/1999, 858137 Fl. 142DF CARF MF 6 0074129, área total 11,8ha Mod. Rural 22,7, sendo que o seu número na Receita Federal é de 15648532. O autuado informou que a referida doação foi feita da parte disponível dos doadores caracterizadose como DOAÇÃO EM ADIANTAMENTO DE LEGÍTIMA. Esse imóvel, em que pese a condição e segundo também noticia a peça fiscal, foi alienado pela Escritura Pública lavrada nas Notas do Tabelionato de Agudo RS, sob o nº 10.429, averbação nº 12, em 11.05.2004, pelo preço de R$ 240.000,00, sendo RS 212.000,00 à vista e os restantes R$ 28.000,00, pagos mediante a entrega, aos vendedores, de 800 (oitocentas) sacas de arroz, in natura, em 28.12.2005, produzidos na mesma terra objeto da transação. Alegou ter a fiscalização se equivocado quanto às operações estarem sujeitas à incidência do imposto de renda sobre o chamado ganho de capital, que é resultante da diferença positiva entre o valor da alienação e o da aquisição do bem acima referido. Preliminarmente suscitou a nulidade do auto de infração. Alega que o lançamento decorreu de presunção, sendo mera hipótese de ganho de capital, sem a fiscalização atentar para a realidade. Segundo referiu, a peça fiscal buscou descaracterizar a atividade rural ao afirmar que o imóvel se refere a terra nua, deixando de reconhecer a atividade agrícola. A defesa reproduziu trecho de doutrina e ementa de decisão em processo judicial. Na sequência, quanto à utilização da Taxa SELIC como juros de mora, alegou ser totalmente ilegítima, ilegal, injusta e principalmente inconstitucional. Citou jurisprudência. Solicitou que seja retirada do lançamento a taxa SELIC sem substituição por outro indexador. No mérito o autuado alegou que por ocasião da apuração da diferença positiva entre o valor da alienação e o da doação recebida dos seus genitores, o adiantamento de legítima como ganho de capital tributável, e a lavratura do lançamento objeto da presente impugnação, foi esquecido pela fiscalização itens fundamentais e por demais fulminantes ao caso da peça fiscal. Destaca que o inciso I, do art. 121, do Decreto 3.000/99 estabelece que na determinação do ganho de capital serão excluídas as transferências causa mortis e doações em adiantamento de legítima. Segundo entende, este é exatamente o caso objeto da presente autuação. Sustenta que o inciso II do art. 122 do RIR/99 estabelece a isenção do imposto no ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja até quatrocentos e quarenta mil reais, desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos. Observou ser este também exatamente a sua situação. Ademais, narra que, por se referir à alienação de terras cultivadas, como é o caso objeto da peça fiscal, por ser considerado bem utilizado na produção, o valor da referida venda se constitui, ainda, receita da atividade rural, não podendo o respectivo saldo positivo apurado ser tributado como ganho de capital, sendo este o entendimento jurisprudencial dos tribunais. E, ainda, que não se admite a tributação do imposto de renda sobre o ganho decorrente da alienação de bem imóvel adquirido por herança. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11060.000465/200919 Acórdão n.º 2401005.226 S2C4T1 Fl. 5 7 Entende que a peça fiscal também se equivocou quanto ao seu mérito, merecendo, por isso, ser imediatamente determinado o seu arquivamento. Ao final requereu: a) que seja decretada a nulidade da autuação; e b) declarada indevida e ilegítima a utilização da taxa SELIC A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1044.465 da 8ª Turma da DRJ/POA, às fls. 101/110, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS As aquisições imobiliárias patrimoniais havidas por herança ou permuta, por ocasião da sua alienação, o produto entre o valor da aquisição e o valor da alienação será considerado ganho de capital. JUROS DE MORA. O crédito pago após o vencimento será acrescido de juros de mora, nos termos da legislação vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 118/129, reprisando os mesmos argumentos já lançados em sua peça de impugnação, no sentido de que: 1) Preliminarmente. Alega que há nulidade do auto de infração em razão de que o lançamento decorreu de presunção, sendo mera hipótese de ganho de capital, sem a fiscalização atentar para a realidade; e 2) No mérito, sustenta que o inciso II do art. 122 do RIR/99 estabelece a isenção do imposto no ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja até quatrocentos e quarenta mil reais, desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos. Observou ser este também exatamente a sua situação. Ademais, narra que, por se referir à alienação de terras cultivadas, como é o caso objeto da peça fiscal, por ser considerado bem utilizado na produção, o valor da referida venda se constitui, ainda, receita da atividade rural, não podendo o respectivo saldo positivo apurado ser tributado como ganho de capital, sendo este o entendimento jurisprudencial dos tribunais. E, ainda, que não se admite a tributação do imposto de renda sobre o ganho decorrente da alienação de bem imóvel adquirido por herança. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF 8 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11060.000465/200919 Acórdão n.º 2401005.226 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 21/06/2013 conforme Aviso de Recebimento às fls. 114, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 17/07/2013 (fl. 118), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. Da preliminar de nulidade Inicialmente, verificase que o Recorrente, novamente, suscita a nulidade do presente Auto de Infração ao argumento de que teria sido lavrado por presunção, sendo mera hipótese de ganho de capital, sem a fiscalização atentar para a realidade. Em primeira instância administrativa de julgamento, a DRJ em Porto Alegre concluiu que autuação não se baseou em mera presunção, mas em fatos devidamente comprovados nos autos, e, dessa forma, afastou a preliminar aventada pelo contribuinte. A propósito, confirase: “Preliminarmente, o autuado arguiu a nulidade do lançamento. Segundo afirmou a fiscalização se baseou em presunção para apurar o crédito tributário. Convém referir que a previsão de nulidade de lançamento fiscal está restrita, basicamente, à incompetência da pessoa que procede a lavratura de atos e termos, despachos e decisões ou nos casos de preterição de direito de defesa (artigos 59 e 60, do Decreto nº 70.235, de 1972). O presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente. Cabe referir que, de acordo com o Relatório Fiscal, o presente lançamento resultou da análise de documentos que comprovaram a existência de omissão de rendimentos decorrentes de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos nos anos calendário 2004 e 2005. A fiscalização identificou o imóvel objeto da transação (alienação) qual seja, uma fração de terra no total de 11,8 ha e ou 118.423 m², situada no lugar denominado Rincão da Preguiça no município de Paraíso do Sul/RS – matrícula nº 35.101, registrado no Cartório de Registro de Imóveis de Cachoeira do Sul/RS. De acordo com o relatório, o imóvel foi vendido a Renan Luis Buske CPF nº 939.772.71091, em 11/05/2004. Assim, conforme verifico, a autuação não se baseou em mera presunção, mas em fatos devidamente comprovados nos documentos apresentados pelo contribuinte indicados Fl. 146DF CARF MF 10 nos Termos de Intimações emitidos no curso da ação fiscal que culminou na presente autuação.” Em que pese o esforço do Recorrente, entendo que as suas argumentações não tem o condão de alterar a bem fundamentada decisão de piso. Compulsando o Relatório Fiscal (fl. 09), verificase que a Ação Fiscal foi iniciada pelo MPF nº 1010300.2008.004316, com o objetivo de fiscalizar o Imposto de Renda Pessoa Física do Recorrente nos anoscalendário 2004 e 2005. Na sequência, o interessado foi intimado por via postal, em 05/09/2008, pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal, a apresentar, entre outros, documentos hábeis comprovando a data e o valor de aquisição e da alienação do imóvel baixado de sua declaração de imposto de renda, objeto de análise. Em resposta, o contribuinte apresentou o registro do imóvel (R135101), que comprova a aquisição do imóvel por doação, através de escritura pública de 23/02/2001, lavrada pelo Tabelionato de Agudo/RS sob o nº 04/9631, fls. 6/6v do livro nº 147 e comprova a alienação por escritura pública (nº 12/10.429), lavrada em 11/05/2004, fls. 16/17v do Livro nº 153 do Tabelionato de (fls. 30/33). Em consulta ao sistema CPF, a fiscalização identificou que o cônjuge do sujeito passivo (Diva Niva Muller Meyer, CPF nº 645.946.45020) não apresentou declarações do IRPF em separado durante o período fiscalizado. Dessa forma, ao analisar os documentos apresentados, a autoridade fiscalizadora constatou que a venda do imóvel em questão foi realizada a prazo, sendo uma parcela de R$ 212.000,00 (duzentos e doze mil reais) à vista e o restante, R$ 28.000,00 (vinte e oito mil reais), equivalentes a 800 (oitocentas) sacas de arroz, cujo pagamento estava previsto para 28/02/2005, totalizando a operação em 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais). Em seguida, o ora Recorrente foi intimado para apresentar o comprovante de quitação da segunda parcela. Em resposta, declarou que, no ano de 2005, após a colheita, o adquirente do imóvel entregou as oitocentas sacas de arroz pactuadas, e, devido ao baixo preço, a mercadoria não havia sido comercializada até aquela data (fl. 22). Assim, de posse de todas essas informações, a Auditoria identificou omissão de rendimentos em decorrência de ganho de capital. Ora, de todo o exposto acima, não há nada que possa sugerir a alegada “presunção” como tenta fazer crer o Recorrente. Ao revés, verificase na presente espécie, que toda a autuação se desenvolveu com a análise dos documentos solicitados pela fiscalização e entregues pelo sujeito passivo. Assim, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. 3. Do mérito No mérito, sustenta o Recorrente que o inciso II do artigo 122 do RIR/99 estabelece a isenção do imposto no ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja até R$ 440.000,00 (quatrocentos e quarenta mil reais), desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos. Sustenta ser exatamente essa a sua situação. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11060.000465/200919 Acórdão n.º 2401005.226 S2C4T1 Fl. 7 11 Ademais, narra que, por se referir à alienação de terras cultivadas, como é o caso objeto da peça fiscal, por ser considerado bem utilizado na produção, o valor da referida venda se constitui, ainda, receita da atividade rural, não podendo o respectivo saldo positivo apurado ser tributado como ganho de capital, sendo este o entendimento jurisprudencial dos tribunais. Por fim, argumenta que não se admite a tributação do imposto de renda sobre o ganho decorrente da alienação de bem imóvel adquirido por herança. Pois bem. Compulsando os autos, verifico que a alegação de que se trata de único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja até R$ 440.000,00 (quatrocentos e quarenta mil reais), nos termos do artigo 122, II, do Decreto nº 3.000/99, deve ser rechaçada. Isso porque, consta das Declarações de Ajuste Anual (fls. 46/57), que o Recorrente já possuía ouros imóveis. Confirase: Exercício 2002, AnoCalendário 2001 (fls. 46/47): Exercício 2003, AnoCalendário 2002 (fls. 48/49): Fl. 148DF CARF MF 12 Exercício 2006, AnoCalendário 2005 (fls. 55/57): Dessa forma, não procede a alegação de que era possuidor de um único imóvel, não havendo que falar em aplicabilidade do artigo 122, II, do Decreto nº 3.000/99. De outro giro, a alegação de isenção em decorrência de doação em adiantamento de legítima (artigo 121, inciso I, do RIR/99), igualmente não merece prosperar. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11060.000465/200919 Acórdão n.º 2401005.226 S2C4T1 Fl. 8 13 Os autos revelam que, em 28/03/2001, o Recorrente recebeu em doação a área de terra de 11,8 ha ou 118,423 m², situada no lugar denominado Rincão da Preguiça, no município de Paraíso do Sul/RS – matrícula nº 35.101 do Cartório de Registro de Imóveis de Cachoeira do Sul/RS. Observase que na ocasião o imóvel foi declarado para efeitos fiscais em R$ 29.605,75 (vinte e nove mil seiscentos e cinco reais e setenta e cinco centavos) consoante Escritura Pública de fls. 27/29. Contudo, em 11/05/2004, o Recorrente e a sua esposa (proprietários legítimos do imóvel), alienaram o bem em questão a Renan Luis Buske, pelo preço de R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais). Ou seja, houveram duas transações, em momentos distintos, sobre o imóvel acima destacado. A primeira tratou da doação, momento em que ocorreu a antecipação de legítima prevista no inciso I, do art. 112 do RIR/99. A segunda tratou da alienação (compra e venda) firmada entre o Recorrente e um terceiro (Renan Luis Buske). Dessa segunda transação (alienação), a meu ver, há incidência de tributação sobre a diferença entre o custo de aquisição (doação) e o valor do imóvel no momento da alienação, estando enquadrada na hipótese contida no artigo 22 da Lei nº 9.250/95 e artigo 117, § 4º do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Confirase: “Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). [...] § 4º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 3º)” Ademais, cumpre destacar o quanto dispõe o § 2º, do artigo 3º, da Lei nº 7.713/1988: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) [...] § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. Fl. 150DF CARF MF 14 § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Destacase, que o imposto apurado deveria ter sido recolhido no prazo estabelecido no artigo 852 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Por fim, registrese ainda que o imóvel em comento constitui receita de atividade rural. Por tudo o quanto exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso, mantendose incólume a decisão recorrida. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário do Recorrente, para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.001842/2005-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 11/06/2000 a 31/10/2002
INCLUSÃO DO IPI NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FABRICANTES DE VEÍCULOS. ART. 44 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1991-16/00. O art. 44 da Medida Provisória nº 1991 prescrevia que fabricantes e importadores especificados no caput, relativamente às vendas que fizessem, estavam obrigados a cobrar e recolher, na condição de substitutos tributários, o PIS devido pelos comerciantes varejistas/concessionárias. Por sua vez, o parágrafo único dispunha que o PIS seria calculado sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante.
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. No regime de substituição tributária, os contribuintes substituídos não podem excluir da base de cálculo a parcela do IPI que foi retida e recolhida pelo substituto.
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE ATIVA. Ausência de legitimidade ativa do concessionário para pleitear a exclusão do IPI da base de cálculo na substituição tributária.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 11/06/2000 a 31/10/2002
INCLUSÃO DO IPI NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FABRICANTES DE VEÍCULOS. ART. 44 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1991-16/00. O art. 44 da Medida Provisória nº 1991 prescrevia que fabricantes e importadores especificados no caput, relativamente às vendas que fizessem, estavam obrigados a cobrar e recolher, na condição de substitutos tributários, a COFINS devida pelos comerciantes varejistas/concessionárias. Por sua vez, o parágrafo único dispunha que a COFINS seria calculada sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante.
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. No regime de substituição tributária, os contribuintes substituídos não podem excluir da base de cálculo a parcela do IPI que foi retida e recolhida pelo substituto.
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE ATIVA. Ausência de legitimidade ativa do concessionário para pleitear a exclusão do IPI da base de cálculo na substituição tributária.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 11/06/2000 a 31/10/2002 INCLUSÃO DO IPI NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FABRICANTES DE VEÍCULOS. ART. 44 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1991-16/00. O art. 44 da Medida Provisória nº 1991 prescrevia que fabricantes e importadores especificados no caput, relativamente às vendas que fizessem, estavam obrigados a cobrar e recolher, na condição de substitutos tributários, o PIS devido pelos comerciantes varejistas/concessionárias. Por sua vez, o parágrafo único dispunha que o PIS seria calculado sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. No regime de substituição tributária, os contribuintes substituídos não podem excluir da base de cálculo a parcela do IPI que foi retida e recolhida pelo substituto. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE ATIVA. Ausência de legitimidade ativa do concessionário para pleitear a exclusão do IPI da base de cálculo na substituição tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 11/06/2000 a 31/10/2002 INCLUSÃO DO IPI NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FABRICANTES DE VEÍCULOS. ART. 44 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1991-16/00. O art. 44 da Medida Provisória nº 1991 prescrevia que fabricantes e importadores especificados no caput, relativamente às vendas que fizessem, estavam obrigados a cobrar e recolher, na condição de substitutos tributários, a COFINS devida pelos comerciantes varejistas/concessionárias. Por sua vez, o parágrafo único dispunha que a COFINS seria calculada sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. No regime de substituição tributária, os contribuintes substituídos não podem excluir da base de cálculo a parcela do IPI que foi retida e recolhida pelo substituto. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE ATIVA. Ausência de legitimidade ativa do concessionário para pleitear a exclusão do IPI da base de cálculo na substituição tributária. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19647.001842/2005-24
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5850904
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.232
nome_arquivo_s : Decisao_19647001842200524.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 19647001842200524_5850904.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
id : 7196326
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007754506240
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-03-18T18:56:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-03-18T18:56:07Z; Last-Modified: 2018-03-18T18:56:07Z; dcterms:modified: 2018-03-18T18:56:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:97a37274-0dea-4264-995c-adabade28dd9; Last-Save-Date: 2018-03-18T18:56:07Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-03-18T18:56:07Z; meta:save-date: 2018-03-18T18:56:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-03-18T18:56:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-03-18T18:56:07Z; created: 2018-03-18T18:56:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2018-03-18T18:56:07Z; pdf:charsPerPage: 2175; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-03-18T18:56:07Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 209 1 208 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.001842/200524 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.232 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de fevereiro de 2018 Matéria Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Recorrente Fiori Veicolo Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 11/06/2000 a 31/10/2002 INCLUSÃO DO IPI NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FABRICANTES DE VEÍCULOS. ART. 44 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 199116/00. O art. 44 da Medida Provisória nº 1991 prescrevia que fabricantes e importadores especificados no caput, relativamente às vendas que fizessem, estavam obrigados a cobrar e recolher, na condição de substitutos tributários, o PIS devido pelos comerciantes varejistas/concessionárias. Por sua vez, o parágrafo único dispunha que o PIS seria calculado sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. No regime de substituição tributária, os contribuintes substituídos não podem excluir da base de cálculo a parcela do IPI que foi retida e recolhida pelo substituto. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE ATIVA. Ausência de legitimidade ativa do concessionário para pleitear a exclusão do IPI da base de cálculo na substituição tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 11/06/2000 a 31/10/2002 INCLUSÃO DO IPI NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FABRICANTES DE VEÍCULOS. ART. 44 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 199116/00. O art. 44 da Medida Provisória nº 1991 prescrevia que fabricantes e importadores especificados no caput, relativamente às vendas que fizessem, estavam obrigados a cobrar e recolher, na condição de substitutos tributários, a COFINS devida pelos comerciantes varejistas/concessionárias. Por sua vez, o parágrafo único dispunha que a COFINS seria calculada sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 18 42 /2 00 5- 24 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 19647.001842/200524 Acórdão n.º 3301004.232 S3C3T1 Fl. 210 2 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. No regime de substituição tributária, os contribuintes substituídos não podem excluir da base de cálculo a parcela do IPI que foi retida e recolhida pelo substituto. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE ATIVA. Ausência de legitimidade ativa do concessionário para pleitear a exclusão do IPI da base de cálculo na substituição tributária. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Pedido de Restituição de valores pagos a título de PIS e COFINS, em razão da inclusão do IPI na base de cálculo das respectivas contribuições, nos termos do disposto no parágrafo 1° do art. 3° da IN n° 54/2000, referente aos meses de junho de 2000 a outubro de 2002. O despacho decisório que negou a restituição do IPI inserido na base de cálculo do PIS e da COFINS, teve o seguinte teor: RESTITUIÇÃO DE PIS E COFINS. O contribuinte acima identificado entrou com o presente processo solicitando restituição de PIS e de COFINS cobrados a maior com a inclusão indevida do IPI na base de cálculo, conforme § 1° do artigo 3° da IN n° 54/2000. O artigo 2° e 3° da IN n° 54 trata de substituição tributária dos fabricantes e importadores dos produtos relacionados no art. 44 da MP n° 199116, referente ao PIS e a COFINS. Analisando o § 1° do artigo 3° da IN n° 54/2000, verificase que o mesmo determina que o fabricante ou importador inclua o IPI incidente na operação na determinação da base de cálculo do PIS e a COFINS. Observamos que os dispositivos citados pelo contribuinte (LC n° 70/91, Lei n° 9.715/98, Lei n° 9.718/98, MP n° 215835/01 e Lei Fl. 210DF CARF MF Processo nº 19647.001842/200524 Acórdão n.º 3301004.232 S3C3T1 Fl. 211 3 n° 10.485/02) não excluiu o IPI da base de cálculo do PIS e COFINS, conforme determinou a IN n° 54/2000. 0 IPI do automóvel não poderia ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS devido pelo comerciante varejista de veículos e pago pelo fabricante ou importador, na condição de contribuinte substituto, tendo em vista que o mesmo não era contribuinte de IPI. Diante do exposto SUGIRO INDEFERIR o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO formulado pelo contribuinte, pelo fato de não ter embasamento legal para o mesmo, conforme a Lei 8.383/91 e alterações posteriores e a IN n° 54/2000. Em manifestação de inconformidade, a empresa aduziu os seguintes argumentos, bem sintetizados pela decisão de piso: 1. verificase, desde logo, que a autoridade recorrida obrou por não apresentar qualquer justificativa clara e inequívoca das razões de seu indeferimento, limitandose a reproduzir os textos de lei referidos pelo contribuinte, nos quais embasou sua pretensão, obstaculizando desta feita, seu direito líquido e certo de ver restituído contribuição que recolheu a maior, também argumentando que o valor das contribuições é devido porque o IPI está incluído no corpo da nota fiscal; 2. a rigor, o cerne da questão está na interpretação de normas e dispositivos legais reguladores do PIS e da Cofins, que não admitem a inclusão do IPI em sua base de cálculo, que permitem a existência irretorquível em favor da Manifestante de créditos por conta de valores recolhidos a maior, em decorrência da inadequada inclusão do IPI, na base de cálculo de tais contribuições, no período de junho/2000 a outubro/2002, conforme Demonstrativo de Cálculo anexado; 3. que as contribuições PIS e Cofins tinham sua normatização nas Leis n° 9.715/98 e 9.718/98 que introduziram alterações na base de cálculo que passou a ser considerada como a totalidade das efetivas receitas brutas auferidas, excluindo por evidente, o que não representa receita, a exemplo do IPI, como se depreende do parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.715/98 e do parágrafo segundo do artigo 3° da Lei no 9.718/98; 4. com o advento da Medida Provisória no 199118/2000, reeditada sob o no 215835 de 2000, em seu art. 43, que incumbe ao Fabricante/Montadora na condição de fornecedor do produto, cobrar do contribuinte, que no caso é sua rede autorizada, para posterior recolhimento, como Substituto Tributário. Assim o PIS e a Cofins passaram a ser calculados sobre o preço de compra dos concessionários; 5. contudo, a IN 5RF no 54/2000, em seu art. 3°, parágrafo 1°, incluiu o valor do IPI na base de cálculo das contribuições ora em questão, distorcendo o conceito contábil e legal do prego de venda de um veículo componente do faturamento, posto que, tal imposto já se mostra agregado ao custo do veículo adquirido para futura comercialização; 6. é patente a ilegalidade da inclusão do IPI na base de cálculo para recolhimento do PIS e Cofins vindo a ferir o princípio da legalidade, insculpido no art. 5°, inciso I da Constituição Federal, bem como o da hierarquia das leis; 7. uma Instrução Normativa da Receita Federal tem seu campo de atuação dentro dos limites da administração direta, não podendo atingir os contribuintes, sendo bom frisar que o Governo Federal, por ocasião da edição da MP 215835, Fl. 211DF CARF MF Processo nº 19647.001842/200524 Acórdão n.º 3301004.232 S3C3T1 Fl. 212 4 não autorizou a inclusão do IPI na referida base de cálculo, não podendo mera IN criar essa obrigação junto ao contribuinte; 8. cumpre registrar que, a Lei n° 10.485/2002, em seu art. 1° voltou a excluir o IPI para efeito de recolhimento da base de cálculo do PIS e Cofins; 9. pois o contribuinte, como concessionário, quando adquire veículos da Montadora/Fabricante, o faz mediante seu faturamento, o que equivale a dizer, haver uma nítida operação de compra e venda entre as partes. Como o ciclo de tal tributo se encerra nesta operação, é evidente que o concessionário acaba sendo o efetivo contribuinte de fato do IPI; 10. espera ser acolhida a sua manifestação de inconformidade, no sentido de serem restituídos os valores constantes do Demonstrativo de Cálculo relativos ao PIS e Cofins recolhidos a maior por conta da indevida inclusão do IPI na base de cálculo daquelas contribuições, no período compreendido entre junho/2000 e outubro/2002. A 2ª Turma da DRJ/REC, acórdão nº 1120.405, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme sintetiza a ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 11/06/2000 a 31/10/2002 PEDIDO DE RESTITUICÃO. Não basta o entendimento de terse efetuado recolhimento em função da inclusão de valores indevidos de IPI na base de cálculo da contribuição, para operarse sua restituição, sendo imprescindível a verificação do direito aos valores que a contribuinte entende ter, devendo estes valores serem apurados em consonância com o entendimento da Secretaria da Receita Federal. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO. A legitimidade para pleitear restituição de indébito tributário decorrente de substituição tributária prevista em lei é do substituto tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 11/06/2000 a 31/10/2002 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. No regime de substituição tributária, os contribuintes substituídos não podem excluir da base de cálculo a parcela do IPI que foi retida e recolhida pelo substituto. INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. Inconformada, a empresa apresentou seu recurso voluntário, ratificando os argumentos já proferidos, em especial: Fl. 212DF CARF MF Processo nº 19647.001842/200524 Acórdão n.º 3301004.232 S3C3T1 Fl. 213 5 1) A devolução dos valores atinentes as contribuições do PIS e da COFINS, pagos a maior, em decorrência da ilegal e indevida inclusão do IPI na base de cálculo de tais contribuições, é medida que se impõe, uma vez que os efeitos da IN n° 54 extrapolaram a previsão legal. 2) A base de cálculo do PIS e da COFINS é a totalidade das efetivas receitas brutas auferidas, excluindo por evidente, o que não representa receita, a exemplo do IPI, conforme o disposto no parágrafo único do art. 3° da Lei n° 9.715, bem como do parágrafo segundo do art. 3° da Lei n° 9.718/98. 3) A inclusão do IPI distorce o conceito contábil e legal do preço de venda de um veículo componente do faturamento. 4) Há operação de compra e venda entre fabricante/importadora e a concessionária, o ciclo do IPI se encerra nessa operação, logo é evidente que a concessionário é o contribuinte de fato do IPI, pois arca com o valor de tal tributo, que já vem embutido no preço da mercadoria, muito embora não seja ele o consumidor final. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. A controvérsia nestes autos voltase à exclusão do IPI da base de cálculo de COFINS e PIS recolhidos em regime de substituição tributária. O art. 44 da Medida Provisória nº 1991 prescrevia que fabricantes e importadores especificados no caput, relativamente às vendas que fizessem, estavam obrigados a cobrar e recolher, na condição de substitutos tributários, o PIS e a COFINS devidos pelos comerciantes varejistas/concessionárias. Por sua vez, o parágrafo único dispunha que o PIS e a COFINS seriam calculadas sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante. Confirase: Art. 44. As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores dos veículos classificados nas posições 8432, 8433, 8701, 8702, 8703, e 8711, e nas subposições 8704.2 e 8704.3, da TIPI, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas. Parágrafo único. Na hipótese de que trata este artigo, as contribuições serão calculadas sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 19647.001842/200524 Acórdão n.º 3301004.232 S3C3T1 Fl. 214 6 Por sua vez, a IN n° 54/2000, em seus art. 2° e 3° estabelecia: Art. 2° Os fabricantes e os importadores dos produtos relacionados no art. 44 da Medida Provisória No 199116, de 2000, relativamente às vendas desses produtos realizadas a partir de 11 de junho de 2000, ficam obrigados a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas desses produtos. DA BASE DE CÁLCULO Art. 3° Para efeito do disposto no artigo anterior, as contribuições serão calculadas com base no preço de venda do fabricante ou importador. § 1° Considerase preço de venda do fabricante ou importador o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI incidente na operação. Alega a Recorrente que o art. 3º, § 1°, da IN nº 54/2000, ao prever que a base de cálculo da COFINS e do PIS devida pelos fabricantes e importadores dos produtos relacionados no art. 44 da Medida Provisória n° 1.99116/00 é o preço do produto acrescido do valor do IPI incidente na operação, violou o disposto no inciso I, do § 2º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 (na sua redação original) e parágrafo único do art. 3° da Lei n° 9.715/1998: LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; LEI Nº 9.715, DE 25 DE NOVEMBRO DE 1998 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações Fl. 214DF CARF MF Processo nº 19647.001842/200524 Acórdão n.º 3301004.232 S3C3T1 Fl. 215 7 de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Entendo que não assiste razão à Recorrente, restando correto o entendimento do despacho decisório: Observamos que os dispositivos citados pelo contribuinte (LC n° 70/91, Lei n° 9.715/98, Lei n° 9.718/98, MP n° 215835/01 e Lei n° 10.485/02) não excluiu o IPI da base de cálculo do PIS e COFINS, conforme determinou a IN n° 54/2000. O IPI do automóvel não poderia ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS devido pelo comerciante varejista de veículos e pago pelo fabricante ou importador, na condição de contribuinte substituto, tendo em vista que o mesmo não era contribuinte de IPI. Os contribuintes substituídos não podem excluir da base de cálculo a parcela do IPI que foi retida e recolhida pelo substituto. Isso porque, a legitimidade para pleitear a restituição de indébito tributário decorrente de substituição tributária prevista em lei é do substituto tributário. Na substituição tributária, por total ausência de legitimidade ativa, o concessionário não pode pleitear a repetição do indébito. Dessa forma, o pedido de restituição de valores a título de PIS e COFINS em face da inclusão do IPI na base do cálculo, no regime de substituição tributária, deve ser indeferido. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 215DF CARF MF Processo nº 19647.001842/200524 Acórdão n.º 3301004.232 S3C3T1 Fl. 216 8 Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.729277/2011-74
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. LEGALIDADE DA IN SRF 243/2002.
A IN SRF nº 243/2002 conforma-se à disposição do artigo 18, da Lei nº 9.430/1996, com redação conferida pela Lei nº 9.959/2000, ao proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-003.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Luis Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. LEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. A IN SRF nº 243/2002 conforma-se à disposição do artigo 18, da Lei nº 9.430/1996, com redação conferida pela Lei nº 9.959/2000, ao proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.729277/2011-74
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5856524
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.417
nome_arquivo_s : Decisao_10880729277201174.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIS FLAVIO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10880729277201174_5856524.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Luis Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7245643
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007768137728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1710; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 3.029 1 3.028 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.729277/201174 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.417 – 1ª Turma Sessão de 6 de fevereiro de 2018 Matéria Preços de Transferência Recorrente SCHERING DO BRASIL QUÍMICA E FARMACÊUTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. LEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. A IN SRF nº 243/2002 conformase à disposição do artigo 18, da Lei nº 9.430/1996, com redação conferida pela Lei nº 9.959/2000, ao proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 92 77 /2 01 1- 74 Fl. 3029DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Correâ, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto por SCHERING DO BRASIL QUÍMICA E FARMACÊUTICA LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrente”) em face do acórdão n. 1401001.527 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma Ordinária, 4a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, considerando legítima a fórmula estabelecida pela IN 243/2002 para o cálculo dos ajustes de preços de transferência pelo chamado “método PRL60. A referida decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condicõ̧es à interessada de contestar o lanca̧mento, descabe a alegaçaõ de nulidade PERÍCIA. DESNECESSIDADE. É desnecessária a realização de perícia quando as explicações e elementos documentais juntados aos autos compõem instrução probatória suficiente para a formação do convencimento do julgador. MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI No. 9.959/2000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF No. 243/2002. A normatização do denominado método “PRL60”, empreendida no art. 12 da IN SRF no. 243/2002, se analisada sob o prisma de uma interpretação gramatical, lógica, finalística e sistemática se mostra em perfeita consonância com as normas veiculadas no art. 18 da Lei no. 9.430/97, com a redaçaõ estatuída pelo art. 2o da Lei no. 9.959/2000. MÉTODO PRL60. IN 243/2002. PONDERAÇAÕ DE CUSTOS. ISOLAMENTO. EFEITO BENÉFICO. A roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 (PPn=%nPL 60%x(%nPL)) se modifica em relação à sua formulação genérica prevista na Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.030 3 literalidade da Lei (PP= PLV 60%PLV VA) ao incorporar a técnica da ponderação, contudo esse aspecto específico visto de forma isolada, ao contrário do apregoado diminui os ajustes se comparado com a sua formulação genérica, além do que essa nova “roupagem” também não macula sua essência que é provocar o surgimento do “preço parâmetro de comparação” a partir do expurgo do Valor Agregado e assim, manter a técnica do máximo isolamento para cada um dos insumos importados que fazem parte do produto final a ser revendido, o que não acontece na fórmula da IN 32/2001 (((PP= PLV 60%(PLV VA ) nem na formulaca̧õ genérica encontrada da literalidade Lei ((PP= PLV 60%PLV VA)). IMPORTAÇAÕ. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO. REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. PIS/PASEP. COFINS. INCIDÊNCIA. DEDUÇÃO DO PREÇO DE VENDA. É cabível a dedução dos valores correspondentes à contribuica̧õ para o PIS/Pasep e da Cofins da média aritmética ponderada dos preços de revenda praticados para fim de fixação do preço parâmetro apurado de acordo com o método do Preco̧ de Revenda menos Lucro (PRL), mesmo que a pessoa jurídica tenha aderido ao regime especial de crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.147/2000 ao importador ou fabricante de medicamentos nela previstos. O contribuinte opôs embargos de declaração em face do aludido acórdão (efls. 2819 e seg.), os quais foram rejeitados por despacho (efls. 2909 e seg.). O contribuinte interpôs, então, recurso especial, requerendo a reforma do acórdão a quo quanto à ilegalidade na fórmula prevista na IN 243 na apuração do preço parâmetro pelo método PRL 60, comparandose com o disposto no art. 18, II, item 1, da Lei no 9.430/96, com redaçaõ dada pela Lei n. 9.959/00 (efls. 2926 e seg.), o qual foi integralmente admitido por despacho (efls. 3001 e seg.). A PFN, então, apresentou contrarrazões, nas quais, embora não se oponha conhecimento do recurso especial do contribuinte, requer lhe seja negado provimento (efls. 3014 e seg.) Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos para a admissibilidade do recurso especial, razão pela qual não merece reparos. 1. A evolução legislativa do método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). A legislação brasileira dos preços de transferência deve ser observada por pessoas jurídicas nacionais que realizem operações com pessoas jurídicas vinculadas residentes no exterior. Suas normas encontram fundamento especialmente nos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, de forma a estabelecer, por meio de fórmulas prédeterminadas pelo legislador ordinário, um preço que seria praticado por partes independentes (“preço Fl. 3031DF CARF MF 4 parâmetro” ou “preço arm’s length”), de tal forma que operações realizadas entre partes vinculadas que destoem desse padrão, sejam tributadas como se houvessem praticado o preço parâmetro. Assim, por exemplo, se em uma operação de importação entre partes vinculadas o importador brasileiro realizar o pagamento de $25,00 por um bem cujo preço parâmetro seja de $10,00, a legislação dos preços transferência determinará um ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL, de forma a se adicionar a parcela excedente ($15,00) e, assim, acrescer a base tributável e consequentemente aumentar o montante dos tributos devidos. O preço parâmetro, nesse exemplo, corresponde ao limite da dedutibilidade do custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada. Por meio do controle dos preços de transferência, o sistema jurídico não procura majorar o percentual de tributos cobrados da sociedade, mas simplesmente garantir, nas operações internacionais, tratamento tributário isonômico, de forma que, independente de relações societárias mantidas entre as partes, todos que se encontrem em situação semelhante tenham a sua capacidade contributiva tributada de forma equivalente. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. Entre os referidos métodos, interessa ao recurso especial em julgamento o Preço de Revenda menos Lucro (PRL). Em sua redação original, o art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, previa apenas a margem de lucro de 20% para o cálculo do preço parâmetro conforme o método PRL (doravante “PRL20”): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; Em 1999, por meio da Medida Provisória nº 2.0134, convertida na Lei n. 9.959/2000, foi introduzida alteração na alínea “d” desse dispositivo, que passou a dispor quanto à possibilidade da adoção da margem de lucro de 60% para o cálculo do método PRL dos preços de transferência (PRL60), com especial destaque à parte em negrito: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.031 5 lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. Na sequência, foi editada pela Secretaria da Receita Federal (doravante “SRF”) a IN 113/2000, que dispunha “sobre as hipóteses de utilização do Método do Preço de Revenda menos Lucro”. Em 2001, foi editada a IN 32, que incorporou os enunciados da IN 113/2000 ao indicar a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do PRL 60, com especial destaque à parte em negrito: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens; b) sessenta por cento, na hipótese de bens importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do parágrafo anterior, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; Fl. 3033DF CARF MF 6 II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, Pis/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação de pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere o inciso IV, alínea "a" do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que não haja agregação de valor no País ao custo dos bens , serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Em 2002, embora não tenha sido realizada nenhuma reforma por meio de Lei, a IN 243 tornou público que a SRF conduziria uma ampla mudança na metodologia de cálculo do PRL60, com o abandono das fórmulas anteriormente adotadas na IN 113/2000 e na IN 32/2001. Esse é o cerne do recurso especial em análise. Os enunciados da IN 243/2002 relativos à matéria seguem transcritos, com destaque à parte em negrito: MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.032 7 § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, Fl. 3035DF CARF MF 8 serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Em 2012, por sua vez, por meio da Medida Provisória nº 563, convertida na Lei n. 12.715/2012, foram introduzidas amplas alterações na Lei n. 9.430/96, contemplando todo o inciso II desse dispositivo e tornandoo mais apto a fundar a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e (…) Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.033 9 É evidente a distinção dos textos adotados, de um lado, pela IN 243/2002, e de outro lado, pela IN 32/2001 e especialmente pela Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. O quadro a seguir compara os dispositivos mais dessas três fontes do Direito mais relevantes à solução do presente caso concreto: FONTE PRIMÁRIA: Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000 FONTE SECUNDÁRIA: IN 32/2001 FONTE SECUNDÁRIA: IN 243/2002 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (...) d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: (...) V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. As diferenças textuais em questão são relevantes para a solução do recurso especial em análise, conforme tópicos abaixo. 2. As fórmulas adotadas em cada etapa dessa evolução legislativa para o cálculo do PRL60. O inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96, conforme a sua redação mantida entre 2000 e 2012 por força da Lei n. 9.959/2000, prescrevia de forma imediata a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do preço parâmetro, para fins de possíveis ajustes no cálculo do IRPJ e da CSL: PP = PR – L L = 60% (PR − VA) Em que: PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Considerando o conhecido valor líquido da operação de revenda (PR) e a margem de lucro (L) apurada conforme a fórmula legal, determinase o preço parâmetro (PP), Fl. 3037DF CARF MF 10 que será o valor limite para que o correspondente bem, serviço ou direito importado de parte vinculada seja dedutível da base de cálculo do IRPJ ou da CSL. Notese que cada um desses fatores possui uma função determinante na fórmula prescrita no art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, o que evidencia a decisão consciente do legislador ordinário ao enunciar a Lei n. 9.959/2000, sendo relevante destacar que: quanto maior o valor agregado no Brasil (“VA”), menor será “L” (lucro). Como o lucro deverá ser subtraído do preço de revenda (“PR”) para a composição preço parâmetro (“PP”), quanto menor “L”, maior será “PP”. E , quanto maior “L” e, portanto, o lucro tributável, menor será o “PP”. para a composição de “L”, o percentual de 60%, adotado pelo legislador ordinário para o cálculo do PLR, deveria ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual tenha sido agregado o insumo importado e sujeito ao controle dos preços de transferência. Nesse seguir, quanto maior for o preço parâmetro (“PP”), mais liberdade terá o contribuinte para negociar com a empresa fornecedora (relacionada) sem o controle da administração tributária dos preços de transferência. Quanto maior for “PP”, menor serão as chances do contribuinte necessitar realizar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL para adicionar parcelas dos custos de bens, serviços e direitos que, por ultrapassar o preço parâmetro, passam a ser indedutíveis. Essa fórmula foi acatada pela administração fiscal na IN 113/2000 e na IN 32/2001, (vide tópico “1”, acima) e encontrou justificativas por diferentes perspectivas, a saber: Equilíbrio. A adoção de uma margem de lucro de elevada, de 60%, seria balanceada pela subtração do valor agregado no Brasil dessa base; Indução positiva. O legislador ordinário teria aliado o controle de preços de transferência com medidas indutoras de comportamento e de incentivo à produção nacional, de forma que: quanto maior for a agregação de valor no Brasil, maior será o preçoparâmetro e, consequentemente, menor será o ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. A referida fórmula estabelecida pela da Lei n. 9.959/2000 foi submetida a críticas, em especial por não considerar a proporção do insumo importado de parte vinculada aplicada ao bem produzido no Brasil. Como se evidenciou no tópico “1”, acima, o legislador ordinário apenas realizou uma reforma legal para incorporar essa “melhoria” em 2012, com a edição da Lei n. 12.715. Por sua vez, em 2002, a IN 243 indicou a necessidade da adoção de uma outra fórmula para o cálculo do PRL60, diferente daquela que até então se compreendia a correta decorrência da Lei n. 9.959/2000. Analiticamente, o “Estudo comparativo dos normativos da legislação brasileira para o cálculo do preço parâmetro de bem importado usado em produção”, elaborado por VLADIMIR BELITSKY, “Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel, Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, USP”, abstrai a seguinte fórmula da IN 243/2002: Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.034 11 PP =VDBI * 100% * PR – L60% * VDBI * 100% * PR) VDBI + VA VDBI + VA Em que: VDBI à valor declarado do bem importado PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Como se pode observar, a fórmula indicada pela IN 243/2002 alterou fatores na fórmula abstraída dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e pela IN 32/2001. Supõese que a intenção da SRF seria possibilitar a verificação da proporcionalidade do insumo importado agregado à produção nacional, pois isso não teria sido contemplado pelo legislador. A partir da publicação da IN 243/2002, sem que nenhuma alteração legal tenha sido realizada, a PFN também passou a sustentar que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitaria a construção de uma segunda fórmula, diversa daquela que até então seria de aceitação geral: PP = PR − L − VA L = 60% PR A fórmula da IN 243/2002, conforme alegado, expressaria com maior clareza e, ainda, imprimiria melhorias a essa segunda fórmula que supostamente seria possível abstrair do texto do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Conforme a fórmula que se abstrai imediatamente da Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000, na linha do que indicava a IN n. 32/2001, o percentual de 60% deve ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual o insumo importado tenha sido agregado. Já a “segunda fórmula”, que supostamente fundamentaria a IN 243/2002, estabeleceria que a margem de lucro de 60% deveria incidir apenas sobre a parte do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem, serviço ou direito importados: o percentual legal em questão seria aplicável tão somente sobre a parcela do preço líquido de venda proporcional ao custo do bem importado. Conforme citado estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 4. O cálculo de PP segundo a fórmula da IN 243 pode ser visto como um procedimento de duas etapas consecutivas, sendo que: (i) a primeira etapa baseiase, plena e exclusivamente, no princípio da proporcionalidade em participação ao lucro; e Fl. 3039DF CARF MF 12 (ii) a segunda baseiase, plena e exclusivamente, no postulado de que a margem de lucro em cima de bem importado é de 60%”. O quadro a seguir procura sistematizar algumas características das normas, a fim de evidenciar a diferença entre elas: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL60 ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Analítico da fórmula para o cálculo da “margem de lucro” 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda diminuído do valor agregado no Brasil. 60% apenas da parcela do preço líquido de venda do produto proporcional à participação dos bens, serviços ou direitos importados. Analítico da fórmula para o cálculo do “preço parâmetro” Totalidade do valor líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Um exemplo poderá tornar mais clara a distinção entre essas duas fórmulas. Para tanto, considerese que um determinado produto, produzido no Brasil a partir de insumos nacionais e outros importados de partes vinculadas, seja vendido por R$ 100,00 (ou seja, PR = 100,00) e que o valor agregado no Brasil seja de R$ 50,00 (ou seja, VA = 50,00). Aplicandose as duas fórmulas, chegaremos a resultados muito distintos: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL 60: ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Aplicação das fórmulas ao exemplo proposto: L = 60% (100,00 – 50,00) PP = 100,00 – 30,00 L = 60% * 100,00 PP = 100,00 – 60,00 – 50,00 RESULTADO 70,00 10,00 A função de tais fórmulas é determinar se deverá ser realizado ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Se o custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada for superior aos valores em questão, a parcela excedente deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSL, pois não seria considerada dedutível. O exemplo demonstra que as referidas fórmulas conduzem a preços parâmetro muito distintos, de forma as operações consideradas arm’s length, conforme a primeira fórmula, seriam aquelas praticadas até o limite de “R$ 70,00”, enquanto que, para a segunda fórmula, possivelmente todas as importações estariam sujeitas a ajustes, pois o valor resultante como “PP” seria negativo, qual seja, “ R$ 10,00”, como se o importador pudesse, em condições de mercado, deixar de pagar pelos bens, serviços ou direitos e, ainda, receber troco. Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.035 13 A doutrina há tempos denuncia essa divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, como se observa da análise de LUÍS EDUARDO SCHOUERI1, em obra de referência sobre o tema dos preços de transferência: “7.8.2.2. A diferença pode ser explicada pelos seguintes motivos: Cálculo da ‘margem de lucro’: a divergência dos resultados da Lei n. 9.959/00 e da IN n. 243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo da ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. Atua assim a IN n. 243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. Cálculo do ‘preçoparâmetro’: a expressão ‘preçoparâmetro’ é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos prescritos e com o qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada ‘controlada’. O ‘preçoparâmetro’ é obtido de forma diversa na Lei n. 9.959/00 e na IN n. 243/02. Enquanto na Lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a Instrução Normativa pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda, o que claramente acaba por restringir o resultado almejado pelo legislador.” Restando evidenciado que a IN 243/02 veicula fórmula diversa, supostamente vocacionada a “melhor” tratar do problema da proporcionalidade do insumo utilizado na produção do produto nacional, surge a questão crucial do presente recurso especial: a referida Instrução Normativa possui legitimidade para tanto e agiu nos lindes de sua competência regulamentar? É o que será analisado no tópico seguinte do deste voto. 3. As fontes formais do Direito tributário e o extravasamento das funções da IN 243/2002. O tema das fontes é fundamental ao Direito tributário pátrio. Nosso ordenamento apresenta peculiar complexidade, com elevado número de espécies normativas, cada qual com uma função própria, vocacionadas à impressão juridicidade, eficiência, segurança jurídica, inteligibilidade, coesão, coerência e completude ao sistema jurídico. Sob uma perspectiva formalística2, as referidas espécies normativas podem ser organizadas em fontes primárias3 e fontes secundárias4 do Direito tributário. A Lei n. 9.430/96 é fonte primária do Direito tributário. Em face do princípio da reserva legal, o legislador ordinário possui competência privativa para estabelecer o método de cálculo do preço parâmetro para possíveis ajustes à base de cálculo do IRPJ e da CSL, 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. 2 As fontes do Direito tributário podem também ser observada por uma perspectiva material, a qual não contribui imediatamente para o tema em análise. 3 Em especial: Constituição Federal, Lei Complementar, Lei Ordinária, Medida Provisória, Tratados Internacionais, Decreto legislativo, Decreto (casos especiais), Convênio, Resolução. 4 Em especial: Decreto regulamentar; Instruções Normativas; Portarias; Normas complementares. Fl. 3041DF CARF MF 14 adotando como diretriz fundamental a tributação da renda conforme o acréscimo patrimonial. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá influenciar na composição da base de cálculo desses tributos, com potencial de redução dos custos dedutíveis na apuração do acréscimo patrimonial tributável, tratase de matéria sob a competência privativa do legislador ordinário. É o que se depreende da Constituição Federal, art. 150, I, e do Código Tributário Nacional, art. 97. A IN 243/2002, por sua vez, é fonte secundária do Direito Tributário, cuja função subalterna é de aclarar ou atribuir maior operacionalidade à norma prescrita pela Lei n. 9.430/96, que é a fonte primária. Notese que nenhuma das partes discorda da função limitada e secundária das Instruções Normativas: essa é uma questão de direito incontroversa nesse processo administrativo. A questão que realmente desafia antagônicas posições neste processo administrativo é saber se a IN 243/02 extravasou os limites da Lei n. 9.430/96, descumprindo a sua função e restando despida de validade. De um lado, a administração fiscal atualmente argumenta que do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, seria possível abstrair ao mesmo tempo duas diferentes fórmulas, ainda que estas possam conduzir a resultados muito diferentes: a primeira fórmula seria aquela admitida pela IN 32/2001 e, a segunda, que supostamente daria fundamento à IN 243/2002. De outro lado, o contribuinte argumenta que apenas a fórmula indicada pela IN 32/2001 seria compatível com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. Assim, nenhuma das partes discorda que as normas prescritas pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, comportam a fórmula indicada pela IN 32/2001 para o cálculo do preço parâmetro apurado pelo método PRL60. A discordância se dá apenas em relação à fórmula prevista pela IN 243/2002, que é diferente. A discordância em questão exige o enfrentamento das seguintes questões: O legislador ordinário poderia outorgar à administração fiscal a escolha de uma entre diversas fórmulas para o cumprimento do método PRL60 de controle de preços de transferência? Se a resposta à questão precedente for positiva, o legislador ordinário efetivamente conferiu à administração fiscal tal outorga na vigência da Lei n. 9.430/96 com as alterações que lhe foram introduzidas com a Lei n. 9.959/2000? Se a resposta à questão precedente for positiva, a IN 243/2001 teria ou não adotado uma das possíveis fórmulas matemáticas comportadas pelos enunciados prescritivos do 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00? 3.1. A (im)possibilidade da outorga de discricionariedade à administração para o preenchimento de regras legais e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. O princípio da legalidade em matéria tributária não requer que todos e quaisquer elementos necessários à operacionalização de uma norma tributária estejam expressa e exaustivamente previstos em lei ordinária. A adoção de cláusulas gerais ou conceitos indeterminados não representa uma ofensa a priori a esse princípio, pois não se pode exigir do Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.036 15 legislador ordinário o fechamento da totalidade dos conceitos5. Também não se pode afastar, a priori, a possibilidade de o legislador ordinário outorgar à administração fiscal dispor sobre elementos que favoreçam a aplicação da norma tributária, com procedimentos que lhe tornem mais operacionais, palatáveis e socialmente mais eficazes. No entanto, não pode o Poder Legislativo delegar ao Poder Executivo a competência para a seleção dos elementos componentes da hipótese de incidência ou do consequente normativo (obrigação tributária). A indelegabilidade da competência tributária, norma constitucional tão bem delineada na obra de ROQUE ANTONIO CARRAZZA6, impede que o legislador ordinário transfira à administração fiscal a eleição dos critérios componentes da base de cálculo do tributo ou de outros elementos atinentes à ocorrência do fato gerador do tributo, à sua quantificação ou à identificação do sujeito passivo. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá tutelar o controle dos preços de transferência e influenciar na composição do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSL, apenas a lei ordinária é competente para prescrever os seus termos. Aceita essa premissa, qualquer divergência de uma instrução normativa em relação à lei deverá ser resolvida com a vitória da lei, pois o legislador ordinário possui a competência privativa e indelegável de decidir sobre o matéria. Logo, diante de uma divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, esta última deveria ser aplicada sem questionamentos. Uma observação é necessária por dever de ofício: ainda que a assertiva do parágrafo anterior possa ser inconteste, caso o legislador ordinário descumpra o seu dever e delegue a sua competência à administração fiscal para a eleição dos elementos da base de cálculo do IRPJ e da CSL, em tese, os julgadores do CARF, por força regimental, poderiam vir a ser constrangidos ao acatamento dessa lei ordinária e ao cumprimento da norma infralegal, editada diretamente pelo fisco. Ocorre que o RICARF7 reserva ao Poder Judiciário reconhecer inconstitucionalidades. Ao aceitarse tal situação em tese, tornase imediatamente relevante ao julgador administrativo a análise do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para verificar se, no caso concreto, há em seus enunciados a decisão clara do legislador ordinário de outorgar à administração fiscal a escolha da fórmula inerente ao método PRL60. No entanto, não há outorga expressa do legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, para que a administração fiscal compusesse uma fórmula que “melhor” se prestasse ao controle dos preços de transferência. Pelo contrário, a referida fórmula foi expressamente prescrita pelo legislador ordinário no aludido dispositivo. Conforme evidenciado no tópico “2”, acima, o legislador ordinário conscientemente elegeu a função de cada um dos fatores componente da fórmula para o cálculo do PRL60, não deixando espaço de discricionariedade para a administração fiscal. 5 Nesse sentido, vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 290 e seg. 6 CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional. São Paulo : Ed. Malheiros, 2003, p. 425. “As competências tributárias são indelegáveis. Cada pessoa política recebeu da Constituição a sua, mas não a pode renunciar, nem delegar a terceiros. É livre, até, para deixar de exercitala; não lhe é dado, porém, permitir, mesmo que por meio de lei, que terceira pessoa a encampe.” 7 RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” Fl. 3043DF CARF MF 16 As normas da Lei n. 9.430/96 que prescrevem a fórmula para o cálculo do PRL60 são autoaplicáveis, não tendo a sua eficácia condicionada a instruções normativas ou outros atos infralegais. Por consequência, a administração fiscal tem o dever observar a fórmula compreendida imediatamente da Lei n. 9.430/96 para o cálculo do PRL60. 3.1.1. A tese da pluralidade semântica da Lei 9.430/96 e do papel integrativo da IN 243/2002. Se não houve outorga expressa do legislador ordinário à SRF, o intérprete persistente poderia cogitar da adoção, pelo legislador ordinário, de termos dotados de indeterminação semântica que implicitamente conferiria à administração fiscal a prerrogativa de arquitetar uma nova forma de cálculo do PLR60. Naturalmente tal expediente poderia ser questionado mesmo no âmbito do CARF, pois coerentes argumentos poderiam colocar em dúvida uma delegação implícita de tal nível. Ainda assim, não me furto de expor essa investigação, pois o seu resultado corrobora com a conclusão do presente voto: os enunciados prescritivos da Lei n. 9.430/96 seriam eivados de dubiedade suficiente para comportar pluralidade de fórmulas matemáticas capazes de conduzir a resultados muito diferentes o método PRL60? Um único elemento de dúvida parece surgir dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. Ocorre que o legislador ordinário acresceu ao artigo “o” a preposição “de”, no seguinte trecho abaixo sublinhado: “d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;” Ao que tudo indica, tal fator não altera a conclusão de que a fórmula que decorre imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, é aquela indicada pela IN 32/01. Tratase de mero erro de grafia do legislador, que não enseja pluralidade de sentidos quanto aos enunciados em questão. No entanto, a administração fiscal passou a suscitar que a preposição “de” teria o mérito de assegurar que a parcela do valor agregado fosse deduzida do próprio preço de venda e não da base de cálculo da margem de lucro. O passo seguinte a essa assunção seria a restruturação do enunciado prescritivo, para “melhorálo” e tornálo compatível com a fórmula adotada pela IN 243/2002. Notese que o acatamento desse argumento, para a legitimação da IN 243/2001, demanda que o intérprete reordene a forma como as alíneas foram dispostas pelo legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9430/96, de modo a excluir a participação de parte do texto do item 1 da alínea “d” e, assim, “criar” uma nova alínea “e”, inexistente no texto aprovado pelo Congresso Nacional. Ou seja, para que a fórmula proposta pela IN 243/2001 pudesse ser suportada pela Lei n. 9.430/96 vigente à época dos fatos, o seu art. 18, II, deveria ser visualizado como se possuísse a seguinte redação: Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.037 17 (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (…) e) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; A referida tese não esconde a sua complexidade. Concluída essa restruturação do texto da art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, ainda não chegaria à fórmula da IN 243/2002, pois novas concessões ainda deveriam ser feitas para acomodar as inovações na fórmula indicada pela SRF. A IN 243/2002 não assumiria apenas a função que originalmente lhe seria rotineira, de imprimir maior operacionalidade, tornar palatável a sua compreensão aos agentes fiscais. Essa instrução normativa teria função mais sofisticada, de traduzir uma linguagem do legislador ordinário que a todos se apresenta como inteligível, de forma a expressar, de forma escorreita, a verdadeira mensagem que, embora de dificílima compreensão para a sociedade em geral, não teria passado desapercebida aos olhos da SRF. Tal como um oráculo, a IN 243/2002, então, conduz um rearranjo do art. 18, II, da Lei n. 9430/96, com a reconstrução estrutural do texto legal, uma série de novos fatores nas fórmulas “traduzidas” pela IN 243/2002. Em uma espiada muito brusca, o referido exercício pode aparentar tratarse de “interpretação” ou mesmo assumir o propósito de “integração”. Em teoria, no caso, o expediente da integração, tutelado pelo art. 108 do CTN, “pressupõe uma lacuna a ser preenchida, i.e., a falta de decisão do legislador acerca de determinada situação”8. Com isso, uma análise mais acurada evidencia que a IN 243/02 NÃO leva a cabo qualquer expediente de integração, mas realmente inova em matéria inserida no âmbito de competência privativa do legislador ordinário. Não há verdadeira lacuna no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. O legislador ordinário efetivamente manifestou decisão consciente quanto à formula a ser adotada para o cálculo do PRL60. A IN 243/02, em verdade, veicula uma segunda fórmula, capaz de alcançar resultados diversos da primeira e, com isso, desviase do plano normativo. Notese que um mero fator textual (acréscimo da preposição “de” ao objeto “o”), não é suficiente para se cogitar que esteja presente uma atribuição do legislador à SRF para que arquitetasse uma fórmula “melhor” ou de qualquer outra forma “diversa” daquela que 8 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 675 e seg. Fl. 3045DF CARF MF 18 se pode construir imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É relevante repetir que a referida construção argumentativa, que supostamente daria suporte à IN 243/2002, conduz a uma fórmula muito distinta, com resultados extremamente dispares. Merece destaque o seguinte trecho, do acima referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “3. Quesito. A Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que a fórmula da Lei 9.430 é plurívoca e sugere que a IN 243 apenas decorre de uma das interpretações possíveis da Lei 9.430. Do ponto de vista da matemática, é possível afirmar que a IN 243 apenas interpreta a Lei 9.430? É possível deduzir a fórmula da IN 243 dos comandos contidos na Lei 9.430? Conforme já afirmamos na Constatação 3, não é verdade que a IN 243 é uma interpretação possível da Lei 9.430. Em sua defesa, a Fazenda Nacional emprega a fórmula em situações hipotéticas e dessas situações extrai conclusões genéricas. Essas conclusões são incorretas do ponto de vista matemático.” Na doutrina nacional, uma série de autores se opõe a essa (re)construção. Nesse sentido, LUÍS EDUARDO SCHOUERI9 leciona, in verbis: “7.8.3.5.1. De imediato, devese notar que tal entendimento contrariaria a própria literalidade do método. Afinal, o legislador da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/00, não acrescentou um quarto método àqueles aceitos para a apuração dos preços de transferência. Ou seja: o artigo 18 da referida Lei continuou contemplando, em seus três incisos, apenas três métodos. Nesse sentido, o que se teve foi, apenas, um desdobramento de um mesmo método: o método denominado, pelo próprio legislador, ‘Preço de Revenda menos Lucro’. Assim, pressupõese, pela literalidade do método, que se apure o preço parâmetro pela fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro’. Tivesse o legislador a intenção de modificar a fórmula, para passar a ser fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro menos valor agregado’, então no mínimo deveria ele, por coerência, deixar de chamar o método de ‘Preço de Revenda menos Lucro’.” Assim, ainda que se considere possível abstrair mais do que uma fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, as seguintes constatações são suficientes para a desconsideração da fórmula indicada pela IN 243/2002: não há decisão expressa ou mesmo implícita do legislador ordinário para que a SRF procurasse arquitetar uma fórmula “melhor” do aquela que se compreende imediatamente do texto legal; a interpretação sustentada, que daria suporte à IN 243/2002, parte de uma construção argumentativa complexa, que por si só coloca em dúvida a sua correção; os limites da IN 243/2002 estão adstritos à regulamentação administrativa da aplicação do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para tornálo mais operacional, possibilitar uma mais palatável 9 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.038 19 intelecção pelos agentes fiscais, esclarecer à sociedade interpretações específicas e, assim, dotar a norma legal de maior eficácia social. Qualquer previsão presente na IN 243/2002 que conduza ao incremento de ônus tributário, que não decorra da precedente decisão do legislador ordinário, devem ser desconsideradas. No subtópico seguinte, será analisada sob uma série de perspectivas a (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. 3.2. A (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. A fórmula indicada pela IN 243/2002, para o cálculo do método PRL60, é considerada por alguns como uma “melhoria” ao texto veiculado pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96: supostamente, terseia uma fórmula “melhor” para regular a aplicação da legislação de preços de transferência. Tais “melhorias”, no caso, converteriam os “preços de revenda menos lucro” (“PRL”) em “PRLVA” (preço de revenda menos lucro menos valor agregado). Ainda que se considere, por hipótese, que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, comporta mais do que uma fórmula matemática, seria preciso verificar se a IN 243/2002 teria adotado alguma destas (como sustenta a PFN) ou se teria extravasado os limites a que estaria adstrita (como sustenta o contribuinte). Os subtópicos seguintes apresentam fundamentos que conduzem à conclusão de que a fórmula indicada pela IN 243/96 para o cálculo dos preços de transferência é incompatível com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. 3.2.1. Incompatibilidades formais e a ofensa ao princípio da legalidade aferida por critérios objetivos. Não vem ao caso, nesse subtópico, saber se o comparativo de superioridade que adjetiva a fórmula indicada pela IN 243/02 seria “melhor” ou “pior”. Interessa, aqui, constatar que ambos os adjetivos comparativos pressupõem que a fórmula indicada pela IN 243/02 seja de algum modo ou grau diferente daquela estabelecida no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É por si só relevante ou mesmo decisivo ao julgador aferir que a fórmula indicada pela IN 243/2002 é “diferente” daquela veiculada no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Ocorre que a Instrução Normativa deveria assumir tão somente a função de tornar mais operacional a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitar uma mais palatável intelecção pelos agentes fiscais e dotar a norma legal de maior eficácia social. Diante do monopólio reservado ao legislador ordinário para a decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60, os pontos de distinção da IN 243/02 em relação à Lei 9.430/96 têm a validade fulminada de plano, reclamando desconsideração pelos aplicadores do Direito. Como se pôde observar no tópio “1”, acima, a Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, NÃO autoriza uma série de elementos constantes na IN 243/2001, em especial: Fl. 3047DF CARF MF 20 a exclusão do valor agregado no Brasil no cálculo do preço parâmetro. Conforme decisão do legislador ordinário, o valor agregado no País deveria ser subtraído do preço líquido de venda apenas para o cálculo da margem de lucro; atribuirse relevância ao percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e participação dos bens importados no preço de venda do produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Não obstante, por meio da IN 243/2002, a SRF não só tomou a decisão de eleger como fator determinante o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido na composição da fórmula de cálculo do PRL60, como também estipulou qual seria esse percentual de participação. Merece destaque o seguinte trecho, do já referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 3. A IN não pode seguir como uma direta interpretação da Lei 9.430/96; é inevitável o acréscimo de alguns postulados, pressupostos ou comandos à lei para que desta possa ser derivada a IN 243. Do ponto de vista da lógica matemática, esta constatação é a consequência da combinação de dois fatos já provados acima: de um lado, sabemos (cf. Constatação 2) que a fórmula da IN 243 é diferente da da Lei 9.430/96; de outro lado, sabemos (cf. Constatação 1 e sua demonstração) que cada fórmula é expressão algébrica, única e fiel, do respectivo normativo. Logo, nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”. Como o tema em análise envolve fórmulas matemáticas, é contundente o parecer do referido Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel e Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Se os matemáticos derivam uma determinada fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, mas uma outra fórmula da IN 243/2002, bem como afirmam que, sob o ponto de vista matemático, “nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”, há evidência eloquente de que a Instrução Normativa divergiu da Lei, extravasando o seu âmbito de competência e infringindo a reserva legal. A IN 243/2001, como fonte secundária, teria a função de apenas atribuir maior operacionalidade, clareza e, assim, executar com fidelidade a fonte primária, que é a Lei 9.430/96. No entanto, a IN 243/2002 claramente nega eficácia à decisão do legislador ordinário, que supostamente não teria sido técnico o suficiente e dado ensejo a desequilíbrios. Correta ou não, cabe ao Poder Legislativo o monopólio da decisão sobre como será o controle dos preços de transferência no Direito tributário brasileiro. Antes de 1996, precisamente por decisão do legislador ordinário, sequer havia, no Brasil, qualquer controle sobre os preços de transferência. A ele, legislador ordinário, cabe tratar privativamente sobre a tema em discussão. Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.039 21 Dessa forma, por obstaculizar que os agentes fiscais executem adequadamente a decisão do legislador ordinário, veiculada pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, a IN 243/2001 merece imediata repulsa. Como julgador administrativo, não afastar a aplicação da IN 243/2001 redundaria igualmente em negar eficácia à decisão enunciada pelo único agente competente para prescrever a fórmula de cálculo do PRL60, que é o legislador ordinário. Recusome a isso. Não se trata de saber qual das fórmulas é “melhor”: tratase de respeitar o monopólio da decisão detido pelo legislador ordinário. Esse entendimento encontra fundamento na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, como se observa desse trecho do conhecido voto do Min. ALIOMAR BALEEIRO, no RE 69784, in verbis: “A justiça é uma idéiaforça, no sentido de FOUILLÉ, mas varia no tempo e no espaço, senão de indivíduo. Fixao o legislador e o juiz há de aceitála como um autômato. Inúmeros Acórdãos do Supremo Tribunal Federal, declaram que lhe não é lícito corrigir a justiça intrínseca na lei, substituindose as escolhas do legislador.” A IN 243/2002 realmente violou o princípio da legalidade. Ao adotar fórmula diversa daquela prevista pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e extravasar a sua função secundária e meramente regulamentar, a IN 243/2002 majorou tributos com o cerceamento da dedutibilidade do custo de bens, direitos e serviços importados de partes relacionadas e aplicados à produção em território brasileiro. Como a função precípua da CSRF é uniformizar entendimentos divergentes adotados pelas Turmas Ordinárias do CARF, insta observar que há uma série de decisões deste Tribunal que também concluíram ser ilegal a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do método PLR60, como se observa das seguintes ementas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica na desistência de discutir essa matéria na esfera administrativa. Aplicação da Súmula CARF nº 1. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. (CARF, Acórdão 1202000.835, sessão de 07.08.2012) Fl. 3049DF CARF MF 22 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados. (CARF, Acórdão 1101000.864, sessão de 07.03.2013) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (CARF, Acórdão 1201000.803, sessão de 07.05.2013) Nesse mesmo sentido, há substancial consenso doutrinário quanto ao extravasamento da IN 243/2001 na regulamentação do PLR60. Citese, por exemplo, LUCIANA ROSANOVA GALHARDO e ANA CAROLINA MONGUILOD10, que suscitam, in verbis: “As disposições trazidas pela IN 243/02 têm implicações significativas, provocando um aumento substancial no valor dos ajustes tributáveis (...). Uma alteração na sistemática de cálculo do PRL implica mudança na determinação da base de cálculo do tributo e, consequentemente, do próprio montante tributável. A nosso ver, uma alteração de tal natureza só poderia ser implementada por lei, e não por meio de instrução normativa, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. As instruções normativas são normas secundárias cuja única função é esclarecer as disposições contidas em lei, não podendo nunca inoválas ou contrariálas. A IN 243/02 não poderia validamente alterar o critério legal de apuração do PRL ou contrariar as disposições da Lei n. 9.959/00, mas assim o fez” No mesmo seguir, assim se posiciona GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JR.11, in verbis: 10 GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo : MP, 2007, p. 237. 11 MOREIRA JR., Gilberto de Castro. Método do preço de revenda menos lucro no caso de agregação de valor no país. Confronto entre a Lei n. 9.430/1996 e a Instrução Normativa n. 243/2002, in Tributos e Preços de Transferência – 3o Volume. São Paulo : Dialética, 2009, p. 105. Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.040 23 “Se compararmos as fórmulas acima, é possível verificar que a Instrução Normativa SRF 243/2002 reduziu consideravelmente o preço parâmetro que configura o limite de dedutibilidade para fins de IRPJ e CSLL, o que aumenta a base de cálculo das exações, sem qualquer fundamentação legal, ocasionando uma total incongruência com as disposições contidas na Lei n. 9.430/1996”. Por todos esses fundamentos já expostos, parece certo que a fórmula de cálculo do PRL60 indicada pela IN 243/2002 deve ser desconsiderada. 3.2.2. Incompatibilidades formais e o princípio da anterioridade em matéria tributária. Com o reforma de 2012, empreendida pela Lei n. 12.715 (dez anos após a edição da IN 243/2002), o legislador ordinário finalmente adotou enunciados que claramente prescrevem a adoção de uma fórmula diversa daquela adotada com a Lei n. 9.959/2000, mais apta a lidar com a proporção do insumo importado aplicado na produção nacional. Desse modo, somente após 10 anos da publicação da IN 243/2002 é possível identificar maior respaldo à fórmula então indicada pela SRF. Conforme dispõe a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, alterações legislativas: Como regra, devem respeitar o princípio da irretroatividade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “a”); Como regra, devem respeitar o princípio da anterioridade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “b”); Excepcionalmente, podem ter eficácia retroativa “quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados” ou, ainda, quando forem benéficas ao contribuinte (CTN, art. 106). A Lei n. 12.715/2012 inaugurou uma nova sistemática de cálculo do método PLR, com a decisão consciente do legislador de inovar o regime até então vigente e com o assumido potencial de aumento da carga tributária. Diante desse cenário, a fórmula para o cálculo do PRL que se obtém da norma enunciada pelo legislador ordinário na Lei n. 12.715/2012 deverá se submeter a dois corolários básicos do princípio da segurança jurídica: os princípios da anterioridade e da irretroatividade. O art. 78, da Lei n. 12.715/2012, expressamente resguardou a vigência da novel fórmula de cálculo do PLR para o dia 01.01.2013, fazendo referência específica à alteração que introduzira por meio seu art. 48 ao art. 18 da Lei n. 9.430/1996. É o que se observa textualmente na Lei n. 12.715/2012: Art. 48. Os arts. 12, 18, 19 e 22 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a vigorar com a seguinte redação: (…) Fl. 3051DF CARF MF 24 Art. 78. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (…) § 1. Os arts. 48 e 50 entram em vigor em 1 de janeiro de 2013. Caso a Lei n. 12.715/2012 apenas confirmasse a norma introduzida pela Lei n. 9.959/2000, ratificando os método PLR60 até então vigente sem qualquer incrementar a obrigação tributária, então não seria necessário observar o princípio da anterioridade. Além disso, referida norma poderia ser considerada interpretativa, com efeitos retroativos. Mas não é o caso: por tratarse de decisão consciente do legislador ordinário em alterar a metodologia do PLR com potencial de aumentar o ônus tributário imposto à sociedade, a referida deve respeitar a anterioridade e não pode ser aplicada retroatividade. A exposição de motivos da MP n. 563/2012, que foi convertida na aludida Lei n. 12.715/12, demonstra com nitidez a decisão do legislador em alterar a norma até então vigente para o cálculo do PLR e adotar vacatio legis em respeito ao princípio da anterioridade, de aplicação obrigatória na hipótese de majoração do ônus de IRPJ e CSL: “56. A medida proposta também visa a aperfeiçoar a legislação aplicável ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no tocante a negócios transnacionais entre pessoas ligadas, visando a reduzir litígios tributários e a contemplar hipóteses e mecanismos não previstos quando da edição da norma, atualizandoa para o ambiente jurídico e de negócios atual. Destarte, a legislação relativa aos controles de preços de transferência aplicáveis a operações de importação, exportação ou de mútuo, empreendidas entre entidades vinculadas, ou entre entidades brasileiras e residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou ainda, que gozem de regimes fiscais privilegiados, restará atualizada e aperfeiçoada com as alterações propostas. (...) 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. (...) 63. Como algumas das alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40 da Medida Provisória podem implicar em aumento do tributo, em atenção ao princípio da anterioridade, foi estabelecido que a produção de efeitos ocorreria em 2013. O art. 42 do Projeto Medida Provisória possibilita que a pessoa jurídica opte pela aplicação das disposições contidas nos arts. 38 e 40 na apuração das regras de preços de transferência relativas ao anocalendário de 2012. A opção implicará na obrigatoriedade de observância de todas as alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40.” Assim, se a Lei n. 12.715/2012 apresenta alguma eficácia interpretativa, seria a de esclarecer que a fórmula adotada pela IN 243/2002 não encontrava fundamento de validade na vigência do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, devendo ser mantida a incontroversa fórmula indicada pela IN 32/2001. Para o período relevante, é preciso reconhecer que a IN 243/2002 extravasou os limites a que estaria adstrita. É necessário aplicar diretamente a norma prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, tal como interpretada pela IN 32/2001, que restou incontroversa. Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.041 25 3.2.3. Incompatibilidades materiais e a ofensa ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva. Embora evidências matemáticas e demais constatações expostos nos subtópicos anteriores sejam suficientes para o afastamento da fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60, há ainda outras evidências jurídicas que justificam a desconsideração do ato infralegal. Tais evidências defluem de seu conteúdo, representando incompatibilidades materiais da IN 243/02 em face da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. A administração fiscal deve agir nos estritos limites normativos atinentes à matéria dos preços de transferência, respeitando os princípios e regras consagrados pelo legislador ordinário. E há, no caso da legislação dos preços de transferência, princípios e regras que não podem ser ignorados, especialmente pertinente à igualdade tributária e à capacidade contributiva. Nesse ponto, é importante fazer referência à seguinte passagem do estudo de LUÍS EDUARDO SCHOUERI12, que bem sintetiza alguns dos elementos essenciais para a solução do recurso especial em análise, in verbis “1.3.9. É, pois, sob pena de caracterizar o arbítrio, que o legislador se vê obrigado a eleger princípios e, uma vez escolhidos, aplicálos conscientemente. 1.3.10. Especialmente em matéria tributária, surge como princípio parâmetro, escolhido pelo próprio constituinte, a capacidade contributiva. Nesse sentido, deve a tributação partir de uma comparação das capacidades econômicas dos potenciais contribuintes, exigindose tributo igual de contribuinte em equivalente situação. Por óbvio, tal princípio somente se concretiza quando é possível compararemse os contribuintes. 1.3.11. No caso de transações entre pessoas vinculadas, entretanto, as realidades econômicas comparadas são diversas, frustrandose qualquer comparação. 1.3.12. A diversidade acima apontada resulta da circunstância de as transações entre partes vinculadas não terem passado pelo mercado, como o fizeram as empresas independentes. 1.3.13. Assim, podese dizer que enquanto a moeda constante nas contas das empresas com transações controladas está expressa em unidades ‘reais de grupo’, empresas independentes têm seus resultados expressos em ‘reais de mercado’. 1.3.14. Nesta perspectiva, o papel da legislação de preços de transferência é apenas ‘converter’ valores expressos em ‘reais de grupo’ para ‘reais de mercado’, possibilitando, daí, uma efetiva comparação entre contribuintes com igual capacidade econômica. 1.3.15. Nesse sentido, verificase que a legislação de preços de transferência não distorce resultados da empresa. Apenas ‘converte’ para uma mesma unidade de referência (‘reais de mercado’) a mesma realidade expressa noutra unidade. 1.3.16. Nesse contexto, as disposições de controle de preços de transferência da Lei n. 9.430/96 somente se justificam caso corroborem essa conversão acima referida, o que se dá mediante a aplicação do princípio arm’s length, que será verificado mais profundamente nos capítulos posteriores. Vale dizer, caso a aplicação da lei ou de sua regulamentação em um caso 12 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 1415. Fl. 3053DF CARF MF 26 concreto extrapole os limites dessa conversão, isso deverá ser considerado uma desobediência ao princípio constitucional da igualdade e da capacidade contributiva e, portanto, a aplicação nesse caso deverá ser corrigida ou até mesmo desconsiderada.” (negrito acrescido ao original) É fundamental para a matéria em análise, então, compreender que a legislação brasileira dos preços de transferência busca precisamente neutralizar a desigualdade nas operações entre partes vinculadas. Nos casos em que o método PLR60 seriam aplicáveis, a aludida norma se voltaria exclusivamente às operações de importação realizadas por empresas vinculadas e que, por meio de ajuste de preços de venda de bens, serviços ou direitos, apresentassem a potencialidade de transferir resultados ao exterior sem a correspondente tributação. Se era esse o objetivo do legislador ordinário, é de difícil aceitação que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 teria prescrito critérios de eliminação de desigualdades tão voláteis e indeterminados que possibilitassem à administração fiscal exigir ajustes a partir preços parâmetros compreendidos em um intervalo de “ R$10,00” a “R$ 70,00”. Ocorre que o princípio da igualdade vivificado pelo padrão arm’s length, pressupõe a eleição consciente, pelo legislador ordinário, de critérios de distinção aptos a tratar semelhantes de forma equivalente, com os ajustes que se façam necessários na base de cálculo do IRPJ e CSL para a corrigir diferenciações injustificadas. A tese de que, dos enunciados do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, seria possível abstrair duas fórmulas capazes de conduzir a preços parâmetros tão dispares (“10,00” ou “70,00”, por exemplo), conflita por si só com o princípio da igualdade, pois torna insustentável a sua concretização. Na verdade, o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, efetivamente elegeu expressamente os critérios de distinção que, conforme a sua decisão, seriam aptos para vivificar o princípio da igualdade e da capacidade contributiva. A “segunda fórmula” indicada pela IN 243/2002, então, enfraquece arbitrariamente o princípio da igualdade, pois nega eficácia jurídica ao critérios de distinção eleitos pelo legislador ordinário (art. 18, II, da Lei n. 9.430/96), a quem compete o monopólio da decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60. Nesse seguir, ao advogar que a Lei n. 9.430/96 teria concedido tamanha discricionariedade à administração, a PFN pode estar suscitando a ocorrência de delegação de competência tributária, o que é vedado pela Constituição Federal (art. 150) e pelo CTN (art. 97). Se a lei tivesse permitido a adoção de fórmulas que tão dispares, possivelmente a constitucionalidade de tal lei poderia inclusive vir a ser questionada perante o Poder Judiciário. 3.2.4. Incompatibilidades materiais e a falácia dos “fins” que justificariam os “meios”. O julgamento do presente recurso especial pode dar ensejo a um deslize no processo de concretização do Estado de Direito: relativizar o princípio da legalidade (meio), para que o Brasil conte com uma norma de preço de transferência supostamente “melhor” e vocacionada a aferir adequadamente os preços de mercado, inclusive com a consideração proporcional dos insumos importados de partes vinculadas (fins). Como já se constatou acima, esse argumento de que “os fins justificam os meios” esbarra no princípio da estrita legalidade em matéria tributária. No entanto, tendo em vista a importância do tema, não se pode deixar de investigar se os referidos “fins” apregoados para a legitimação da IN 243/2002 realmente teriam potencial de concretização. Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.042 27 Sob a perspectiva matemática, o estudo desenvolvido pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, acima citado, apresentou as seguintes conclusões: “2. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a fórmula da IN 243 corrige defeitos da Lei 9.430. Essa afirmação é correta do ponto de vista da matemática? Não. Essa manobra é parecida com os argumentos desvendados no quesito anterior, mas ela precisa ser tratada separadamente pois a derivação de sua conclusão é mais complexa. Na essência do método, mostrase que a fórmula da Lei 9.430 apresenta falhas as quais são corrigidas na fórmula da IN 243. A inadequação deste método como argumento em prol da eficácia da IN 243 está na omissão do fato de que a fórmula definida por esse normativo possui falhas semelhantes às da fórmula da Lei 9.430.” Também merece destaque o seguinte trecho, colhido da citada “Constatação 5” do mesmo estudo, in verbis: “(i) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP menor que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for de 60%; (ii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP igual ao valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for menor que 60%; (iii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP maior que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for maior que 60%;” Notese, ainda, a conclusão do mesmo matemático em relação a esse outro quesito que lhe foi apresentado, in verbis: “1. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a aplicação da IN 243 pode ser benéfica aos contribuintes. Essa afirmação tem sustentação matemática? A alegação da Fazenda Nacional de que ‘... a metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 pode ser considerada benéfica ao importador’ (...) está errada pois sabemos, conforme provado em minha Constatação 5, que a fórmula da IN 243 acarreta ajuste tributário e, consequentemente, tributação, toda vez que a lucratividade da produção for inferior a 60%. (...)” Conclui o matemático que “a fórmula da IN 243 falha em apurar o valor justo do Preço Parâmetro a partir de valores de produtos corretamente declarados pelo contribuinte quando a margem de lucro efetiva sobre o PLV for menor que 60%”. A evidência matemática, então, aclara que a fórmula indicada pela IN 243/2002 não soluciona problemas presentes na fórmula legal, imediatamente construída a partir do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Além disso, como evidenciou o matemático, a fórmula da IN 243/2002 tem o potencial de agravar o ônus fiscal sobre o contribuinte. Assim, se a IN 243/02 apresenta outros vícios, inclusive formais, que justificam a sua desconsideração para a apuração do PRL60, também é possível observar vícios materiais que a tornam imprópria para o controle dos preços de transferência. Fl. 3055DF CARF MF 28 4. Conclusões Por todo o exposto, há evidências mais do que suficientes para se afirmar que a fórmula indicada pela IN 243/2002 descumpre com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. Se há uma “segunda fórmula” alternativa àquela da IN 32/2001, que se adeque à moldura prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, não se trata da fórmula indicada pela IN 243/2002. Voto, assim, para DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada Com a devida vênia ao voto do Relator, entendo pela improcedência do recurso especial. A definição de preços de transferência tem por finalidade minimizar a manipulação dos preços praticados entre pessoas vinculadas, que pudesse implicar na transferência de lucros para o exterior. A questão que se discute no recurso especial ora analisado é se a IN SRF 243/2002 ultrapassa a imposição tributaria estabelecida pela Lei nº 9430/1996, que definiu a forma de cálculo do método PRL (Preço de Revenda Menos Lucro). Destacase o teor do artigo 18 e seguintes da Lei nº 9.430/1996: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.043 29 agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (destaques nossos) Os contribuintes questionam a proporcionalização, explicitada pela Instrução Normativa SRF 243/2002, da forma seguinte: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. (...) § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, Fl. 3057DF CARF MF 30 configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A Instrução Normativa anterior (IN SRF 32/2001) atribuía interpretação distinta na definição do Preço Parâmetro, ao dispor: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.044 31 a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Primeira consideração necessária é sobre a alteração interpretativa efetuada pelo IN SRF 243/2002, quando comparada com a interpretação consagrada pela IN SRF 32/2001. A alteração assegura aos contribuintes a aplicação da interpretação anterior aos fatos geradores ocorridos antes da edição da IN SRF 243/2002, nos termos do artigo 146, do Código Tributário Nacional. Não obstante isso, a interpretação da IN SRF 32/2001 não é a única e sequer a mais adequada, na interpretação da Lei nº 9.430/1996. Exatamente por isso é procedente a autuação fiscal, pautada nas disposições da IN SRF 243, que proporcionaliza o preço parâmetro ao bem importado aplicado à produção, em regramento conformado aos ditames da Lei nº 9.430/1996. Fl. 3059DF CARF MF 32 Nesse sentido, decidiu esta Turma da CSRF em diversos precedentes, como no acórdão nº 9101002.175, de relatoria do exConselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, cuja fundamentação adoto: Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência Colacionamos trecho do voto do exConselheiro pertinentes para explicitar o racional pela legalidade da IN 243: Com isto, vemos claro que margem de lucro não se confunde com valor agregado. A margem de lucro, em condições normais, está sujeita às condições de livre mercado. Agregar significa juntar com outro, reunir a algo existente. Agregar valor é acrescentar utilidade, qualidade ou mesmo aparência ou beleza a algo que já existe. O grau de utilidade, qualidade ou beleza é subjetivo e depende do interesse que a clientela tem no produto. E isto vai influenciar na margem de lucro, mas não no valor agregado. O valor agregado transforma um produto original e o custo desta transformação aumenta o seu custo original e, assim, deve ser mensurado economicamente para compor o preço, como acima definido. O direito tributário somente pode ser aplicado sobre hipóteses de incidência que prescrevam atividades econômicas objetivas. Assim, não se pode tributar a utilidade, a qualidade ou a beleza, mas sim os fatos econômicos decorrentes. E o IRPJ/CSLL é pautado pelo Lucro, ou seja, um instituto econômico objetivo. O lucro é composto de vendas menos custo, portanto, o valor agregado, no caso de tributação de IRPJ/CSLL pelo preço de transferência é um custo e não margem de lucro. (...) Vejase que a metodologia do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) universalmente utilizada, indica que se deve ter como base o preço de revenda do bem importado, para se calcular o preço parâmetro, pois é a margem de lucro (de operações entre partes não relacionadas) que é tida como parâmetro para servir de comparação, mas se houver outros custos ou riscos (que corresponde ao valor agregado) isto deve ser considerado devidamente e segregado. Portanto, quando o bem importado sofre agregação de valor transformando num outro produto, o valor agregado deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, sobre o qual se aplica uma margem de lucro para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado, conforme estipula a metodologia da IN 243/02 que, porém, usa margens fixas ao invés de usar margens de lucro comparadas, como é caso do Manual da OCDE. Esta metodologia é corroborada no Manual de Preços de Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.045 33 Transferência para Países em Desenvolvimento da ONU que, inclusive, traz especificamente a metodologia brasileira, com as margens fixas para o PRL.1 De lembrar que embora o Brasil não seja membro da OCDE, é membro da ONU. Vejase que se os outros custos não forem devidamente isolados no cálculo do preço parâmetro podese chegar a números absurdos (e esta segregação é feita por meio da proporcionalização do custo) (...) Se o bem importado teve valor agregado no país transformandoo num outro produto, tal valor deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, o que é feito pela proporcionalização de sua participação do custo do bem, sobre o qual se aplica uma margem de lucro (no caso definida em lei ordinária) para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado. São também precisas considerações do exConselheiro Wilson Fernandes Guimarães, em voto proferido a respeito do tema, em um dos processos em julgamento na presente reunião: O que a legislação de preços de transferência objetiva, portanto, é identificar, por meio de métodos matemáticos, o custo (no caso da importação) efetivo de determinado bem, serviço ou direito, caso a operação não seja realizada com pessoa vinculada ou com pessoa situada em país ou dependência com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo à divulgação de informações referentes à sua constituição societária ou titularidade. Observase que, no método em debate (PRL 60), o legislador partiu do preço de revenda para chegar ao custo. Assim, me parece razoável que se possa buscar a expressão matemática do preço parâmetro por meio do caminho inverso, isto é, através dos elementos formadores do preço. Em elevada sintetização, a formação de preços consiste em um processo de acumulação de custos, acrescida de uma margem de lucro. Admitida uma liberdade terminológica, isto é, abandonado o rigor dos conceitos próprios da teoria econômica, podese afirmar que o preço praticado por determinado unidade produtiva resulta da soma dos custos totais incorridos no processo produtivo, incluídos aí a remuneração dos fatores de produção (valor agregado), acrescidos de uma margem de lucro. A grosso modo, o preço de venda (PV) de um determinado produto poderia ser assim determinado: PV = custo de importação dos insumos + custo incorrido no processo produtivo (remuneração de fatores = valor agregado) + impostos, descontos incondicionais, comissões, etc. (despesas fixas e variáveis) + margem de lucro. No caso da aplicação do método do Preço de Revenda menos Lucro a insumo importado utilizado no processo produtivo, o preço parâmetro representa o custo de importação livre dos Fl. 3061DF CARF MF 34 elementos previstos na lei como integrantes do preço de revenda. Daí que se considera esse preço de revenda diminuído dos descontos incondicionais; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; da margem de lucro fixada pela lei (60% sobre o preço de revenda após deduzidos os descontos incondicionais, os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e as comissões e corretagens pagas); e do valor agregado do país. Exprimindo matematicamente esta primeira análise, teríamos: PP = PR – C/D – ML (PR – C/D) – VA Onde: PP = Preço Parâmetro; C/D = Custos e Despesas previstos na lei; ML = Margem de Lucro VA = Valor Agregado Considerando “PR – C/D” como Preço Líquido de Revenda (PLV), teríamos: PP = PLV – ML (PLV) – VA Vêse, pois, que, na metodologia do PRL, a determinação do preço parâmetro parte do preço de revenda para, excluindo os elementos formadores deste mesmo preço (custos e despesas incorridos; margem de lucro; e valor agregado) chegar ao valor de comparação estipulado pela lei. Noutra vertente, utilizandose a mesma nomenclatura acima, o preço parâmetro sugerido pelas Instruções Normativas anteriores à edição da IN 243, na interpretação que tem sido emprestada em variadas teses de defesa, seria expresso da seguinte forma: PP = PLV – ML (PLV – VA) ou PP = PLV – ML (PLV) + ML (VA) Notese que, neste caso, o preço de comparação (preço parâmetro), que deveria representar o preço de revenda diminuído dos seus elementos formadores, passa a ser o preço de revenda diminuído dos custos e despesas incorridos e da margem de lucro incidente sobre ele, porém, acrescido da margem de lucro incidente sobre o valor agregado, o que, à evidência, revela artificialismo na sua determinação e desvio em relação ao pretendido pela lei. (...) Creio não restar dúvida que a Instrução Normativa 243/2002 revela interpretação distinta da que foi feita pela a que lhe antecedeu (Instrução Normativa SRF nº 32, de 2001), mas isso não autoriza a conclusão de que a interpretação anterior estava em conformidade com a lei e a atual representou inovação. Ao contrário, como anteriormente demonstrado a interpretação trazida pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, é a que Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 10880.729277/201174 Acórdão n.º 9101003.417 CSRFT1 Fl. 3.046 35 melhor traduz os comandos estampados no art. 18 da Lei nº 9.430/96, vez que revela com maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal. No que diz respeito à proporcionalização trazida pela IN 243, penso que a questão é de ordem puramente matemática (e não jurídica), que empresta maior exatidão na determinação do preço parâmetro. Tratandose de comparação de custos (CUSTO LEGAL/PREÇO PARÂMETRO X CUSTO APROPRIADO), resta evidente que eu não posso confrontar o custo do insumo (PARTE DO PRODUTO) com o custo total do produto. A proporcionalização em comento produz a exclusão in totum do valor agregado, permitindo, assim, a explicitação mais adequada do preço parâmetro. Releva notar que os efeitos econômicos decorrentes da aplicação do método PRL 60, residem, essencialmente, na fixação, pela lei, da margem de lucro de 60%, matéria em relação a qual, ao menos em seara administrativa, a autoridade julgadora não pode se desviar do estabelecido em lei. Esclareço que, aqui, não se está negando eventuais efeitos negativos, do ponto de vista econômico, da fórmula estampada na IN 243, mas, apenas, destacando que ela retrata de forma fiel o estabelecido pela lei de regência. (Processo Administrativo nº 16561.72006/201142, acórdão nº 1301001.983). Diante deste quadro, e adotando as razões acima reproduzidas, voto por negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 3063DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001027/2009-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL E NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO.
A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação da empresa implica o arbitramento do lucro, assim como a não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. ASPECTOS ECONÔMICO E JURÍDICO.
São solidariamente obrigadas aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Pessoas atuando de maneira concorrente, valendo-se de construções artificiais e ardilosas para se esquivar de obrigações tributárias, são atraídas para o pólo passivo da obrigação tributária, vez que se caracteriza o interesse tanto econômico quanto jurídico, implicando na solidariedade prevista no art. 124, inciso I do CTN.
PIS E COFINS. FATO GERADOR. APURAÇÃO MENSAL.
O fato gerador do PIS e da COFINS é apurado mensalmente, sendo descabida a incidência dessas contribuições sobre o valor total da receita no fechamento do trimestre.
Numero da decisão: 9101-003.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas em relação à matéria arbitramento do lucro, nos termos do despacho de agravo e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial dos responsáveis solidários, Srs. Ernesto Lúcio Calegare, Walter Lúcio Calegare, Otávio Hernandez Juliato e Hélio Lúcio Roveri, apenas em relação à responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN, nos termos do despacho de agravo e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, acordam, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL E NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação da empresa implica o arbitramento do lucro, assim como a não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. ASPECTOS ECONÔMICO E JURÍDICO. São solidariamente obrigadas aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Pessoas atuando de maneira concorrente, valendo-se de construções artificiais e ardilosas para se esquivar de obrigações tributárias, são atraídas para o pólo passivo da obrigação tributária, vez que se caracteriza o interesse tanto econômico quanto jurídico, implicando na solidariedade prevista no art. 124, inciso I do CTN. PIS E COFINS. FATO GERADOR. APURAÇÃO MENSAL. O fato gerador do PIS e da COFINS é apurado mensalmente, sendo descabida a incidência dessas contribuições sobre o valor total da receita no fechamento do trimestre.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16004.001027/2009-66
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5835780
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.379
nome_arquivo_s : Decisao_16004001027200966.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDRE MENDES DE MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 16004001027200966_5835780.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas em relação à matéria arbitramento do lucro, nos termos do despacho de agravo e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial dos responsáveis solidários, Srs. Ernesto Lúcio Calegare, Walter Lúcio Calegare, Otávio Hernandez Juliato e Hélio Lúcio Roveri, apenas em relação à responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN, nos termos do despacho de agravo e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, acordam, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7139465
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007779672064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 5.366 1 5.365 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16004.001027/200966 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9101003.379 – 1ª Turma Sessão de 5 de fevereiro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OMISSÃO DE RECEITAS Recorrentes CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL E NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação da empresa implica o arbitramento do lucro, assim como a não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. ASPECTOS ECONÔMICO E JURÍDICO. São solidariamente obrigadas aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Pessoas atuando de maneira concorrente, valendose de construções artificiais e ardilosas para se esquivar de obrigações tributárias, são atraídas para o pólo passivo da obrigação tributária, vez que se caracteriza o interesse tanto econômico quanto jurídico, implicando na solidariedade prevista no art. 124, inciso I do CTN. PIS E COFINS. FATO GERADOR. APURAÇÃO MENSAL. O fato gerador do PIS e da COFINS é apurado mensalmente, sendo descabida a incidência dessas contribuições sobre o valor total da receita no fechamento do trimestre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 10 27 /2 00 9- 66 Fl. 5366DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.367 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas em relação à matéria arbitramento do lucro, nos termos do despacho de agravo e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial dos responsáveis solidários, Srs. Ernesto Lúcio Calegare, Walter Lúcio Calegare, Otávio Hernandez Juliato e Hélio Lúcio Roveri, apenas em relação à responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN, nos termos do despacho de agravo e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, acordam, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Relatório São Recursos Especiais interpostos por (i) Cinco Estrelas Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda. ("Contribuinte"), na qualidade de sujeito passivo direto (efls. 4873/4882), (ii) Ernesto Lúcio Calegare, Walter Lúcio Calegare, Otavio Hernandez Juliato e Hélio Lúcio Roveri, na qualidade de sujeitos passivos indiretos (efls. 5005/5016), e (iii) pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") (efls. 4836 e segs.), em face da decisão proferida no Acórdão nº 1401001.541 (efls. 4.810 e segs.), pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 10/12/15, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício e mantida a exclusão dos lançamentos de PIS e COFINS efetuados sob o período de apuração trimestral, e dado parcial provimento aos recursos voluntários para desqualificar a multa de ofício para a infração relativa a receitas já declaradas. Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 693/764) teve como origem a Operação "Grandes Lagos” e promoveu o arbitramento do lucro considerando a omissão de receita com base em depósitos bancários não comprovados e a receita da atividade originalmente declarada, com a correspondente aplicação de multas qualificadas (150%). Foram apurados IRPJ, CSLL, PIS e Fl. 5367DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.368 3 Cofins correspondentes aos anoscalendário de 2006 e 2007. Foram atribuídas responsabilidades solidárias às pessoas físicas ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTÁVIO HERNANDEZ JULIATO e HÉLIO LÚCIO ROVERI, bem como à pessoa jurídica FRIGOPOTI FRIGORÍFICO POTI LTDA. Foram apresentadas impugnações pela Contribuinte e os sujeitos passivos indiretos FRIGOPOTI, HÉLIO LUCIO ROVERI, OTÁVIO HERNANDEZ JULIATO, ERNESTO LÚCIO CALEGARE E WALTER LÚCIO CALEGARE. A decisão de primeira instância (efls. 4606/4626) julgou procedente em parte as impugnações para excluir o PIS e a COFINS lançados sob regime de apuração trimestral. Foi efetuada remessa necessária (recurso de ofício) em razão do crédito tributário exonerado. Foram interpostos recursos voluntários pela Contribuinte e sujeitos passivos indiretos. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção do CARF (efls. 4.810/4834) negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício em relação à infração de receitas declaradas. Foi interposto recurso especial pela PGFN (efls. 4836 e segs) para a matéria PIS e COFINS sob apuração trimestral, que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade (efls. 4845/4850). Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte (efls. 4866/4867). Foram interpostos recursos especiais pela (i) Contribuinte, efls. 4873/4882; (ii) pelos sujeitos passivos indiretos pessoas físicas ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTÁVIO HERNANDEZ JULIATO e HÉLIO LÚCIO ROVERI (efls. 5005/5016) e (iii) pelo sujeito passivo indireto pessoa jurídica FRIGOPOTI FRIGORÍFICO POTI LTDA (efls. 4954/4962). Os despachos de exame de admissibilidade de efls. 5061/5087 negaram seguimento aos recursos. Foram apresentados agravos pelas partes. O despacho de exame de agravo (efls. 5298/5312) rejeitou o agravo da FRIGOPOTI FRIGORÍFICO POTI LTDA, e acolheu parcialmente os agravos da Contribuinte para devolver a matéria "arbitramento do lucro em caso de movimentação financeira não escriturada" e de ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTÁVIO HERNANDEZ JULIATO e HÉLIO LÚCIO ROVERI para devolver a matéria "responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN". A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 5314/5321). Foram opostos embargos de declaração pela FRIGOPOTI FRIGORÍFICO POTI LTDA que não foram conhecidos pela Presidência do CARF (efls. 5357/5359). Na sequência, maiores detalhes sobre a autuação fiscal. Da Autuação Fiscal O Termo de Verificação Fiscal discorre sobre as infrações nos seguintes termos: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, constatou a autoridade que a escrituração por ele mantida é imprestável para determinação do lucro real, em Fl. 5368DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.369 4 virtude de erros e falhas, razão pela qual seu lucro foi arbitrado. Apurou, ainda, omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Em conseqüência, foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. (...) Conforme esclarece o “Termo de Constatação e Descrição dos Fatos” de fls. 703/715, a CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA (doravante apenas CINCO ESTRELAS) foi constituída em 01/05/2005, tendo como sócios a empresa LUNAR TRADING INC (90% das quotas do capital social), sediada no Panamá, e o Sr. Hélio Lúcio Roveri. A CINCO ESTRELAS foi constituída por sucessão da empresa individual HÉLIO LÚCIO ROVERI ME. Em 22/06/2006, o Sr. Miguel Pizza Junior, ingressou na CINCO ESTRELAS, adquirindo, por R$ 18.000,00, as quotas da LUNAR TRADING INC. Quando dessa alteração no quadro social, a CINCO ESTRELAS faturava mais de R$ 2.000.000,00 ao mês. O Sr. Miguel é gerente do FRIGOPOTI – FRIGORÍFICO POTI LTDA (doravante apenas FRIGOPOTI), empresa proprietária das instalações e equipamentos utilizados pela CINCO ESTRELAS, tendo recebido salário mensal de R$ 2.650,00 no ano de 2008. Ele não possui bens móveis e imóveis registrados em seu nome e não recebeu rendimento tributável ou distribuição de lucros da CINCO ESTRELAS. Além disso, o Sr. Miguel reside em imóvel alugado em Potirendaba/SP, cujo fiador é o Sr. Ernesto Lúcio Calegare, sócio do FRIGOPOTI. Diante de todas essas evidências, conclui a autoridade autuante que o Sr. Miguel Pizza Junior é sócio “laranja” da CINCO ESTRELAS. O Sr. Hélio Lúcio Roveri, titular de 10% das quotas do capital social da CINCO ESTRELAS, é cunhado do Sr. Ernesto Lúcio Calegare, sócio principal do FRIGOPOTI. Os rendimentos declarados pelo Sr. Hélio são inferiores a R$ 10.000,00 anuais. Ele é titular de um único imóvel e não possui veículos registrados em seu nome ou no do cônjuge. A CINCO ESTRELAS está instalada em uma sala, no centro de Catanduva/SP, locada para o Sr. Hélio Roveri, e o telefone da empresa pertence à HÉLIO LUCIO ROVERI – ME. Nos anos de 2006 e 2007, a CINCO ESTRELAS faturou, respectivamente, R$ 30.222.113,89 e R$ 39.892.298,38, mas não informou débitos nas DCTFs apresentadas e não consta recolhimento de tributos, com exceção de pequenos valores de IRRF. Fl. 5369DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.370 5 A CINCO ESTRELAS apresentou um contrato de arrendamento, firmado com o FRIGOPOTI, datado de 19/03/2006, por meio do qual aquela pagaria a esta o conjunto de barrigada branca e vermelha e os resíduos para fabricação de farinha de carne. A propósito da execução desses pagamentos, foram lavrados diversos autos de infrações pela Sefaz/SP, em virtude da falta de documentos de transferências dos produtos que supostamente serviriam para pagamento do arrendamento das instalações, além de outras irregularidades como falta de notas fiscais de venda de mercadorias. Constatou a autoridade autuante que a CINCO ESTRELAS efetuou diversas vendas de couro para a empresa COUROADA COMERCIAL E REPRESENTAÇÕES LTDA (doravante apenas COUROADA), mas os pagamentos foram destinados ao FRIGOPOTI. Há, também, pagamentos da CINCO ESTRELAS para o Sr. Ernesto Lucio Calegare, sócio do FRIGOPOTI, e para a DISCAR DISTRIBUIDORA DE CARNES CATANDUVA LTDA (doravante apenas DISCAR), na qual o Sr. Ernesto também é sócio. Da mesma forma, há pagamentos do FRIGOPOTI e da DISCAR para a CINCO ESTRELAS. Diante desses fatos, conclui a autoridade que havia intenso fluxo financeiro entre essas empresas e que os caixas eram comuns. O contribuinte foi intimado a apresentar a escrituração e os documentos que serviram de suporte para ela. Constatou a autoridade que os valores contabilizados eram ínfimos em comparação aos constantes dos sistemas internos, razão pela qual os extratos bancários foram solicitados diretamente junto ás instituições financeiras. A partir dos extratos bancários, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias nos anos de 2006 e 2007. Em sua resposta, o contribuinte afirmou que “... pelos nossos levantamentos, a comprovação solicitada encontrase nos documentos componentes da contabilidade da empresa, contabilidade essa que já se encontra em poder deste órgão federal, por força da fiscalização em processamento”. Em seguida, o contribuinte foi intimado a justificar a resposta apresentada à intimação anterior, tendo em vista que nos livros apresentados estava contabilizada apenas a conta corrente nº 31054, mantida junto ao Banco Bradesco. Também foi solicitada a apresentação de nova escrituração contábil, com toda a movimentação financeira. Após solicitar prorrogação de prazo, o contribuinte apresentou resposta nos seguintes termos: “Referimonos ao termo de intimação fiscal nº 05, com data de 20.10.2009, para reiterar Fl. 5370DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.371 6 que a comprovação solicitada encontrase nos documentos componentes da contabilidade da empresa, contabilidade essa que já se encontra em poder deste órgão federal, por força da fiscalização em processamento”. Diante das respostas apresentadas, concluiu a autoridade autuante não ser possível identificar as origens e os destinos dos recursos movimentados em suas contas bancárias, de modo que não restou outra alternativa senão o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, tendo em vista o disposto no art. 530, II, “a” e “b”, do RIR/1999. No cálculo da receita bruta conhecida, a autoridade computou as receitas omitidas, apuradas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, e as receitas declaradas em DIPJ, já que não é possível verificar se os depósitos bancários foram incluídos nas receitas declaradas. Sobre os créditos tributários lançados foi aplicada multa qualificada (150%), tendo em vista que o contribuinte tem patrimônio declarado inferior a R$ 6.000,00, é constituído por sócios sem condições econômicofinanceiras e foi utilizado, para fins fraudulentos, pelo grupo econômico que controla o FRIGOPOTI para abate de animais e venda de produtos e subprodutos sem pagamento dos tributos devidos, de modo que ficou caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal. Foi atribuída responsabilidade solidária, por interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do CTN), aos senhores Ernesto Lúcio Calegare, Walter Lúcio Calegare, Otavio Hernandez Juliato e Hélio Lúcio Roveri, bem como ao FRIGOPOTI, pois a CINCO ESTRELAS pertence de fato a este grupo. Afirma a autoridade autuante que o FRIGOPOTI e seus sócios de direito e de fato foram os principais beneficiários das fraudes perpetradas pela CINCO ESTRELAS, já que o frigorífico efetuou abate de gado e venda de produtos e subprodutos sem pagamento dos tributos devidos. Além disso, anteriormente à utilização da CINCO ESTRELAS, o grupo econômico que controla o FRIGOPOTI utilizava notas fiscais de entrada de bovinos e saída de produtos e subprodutos decorrentes do abate desses animais emitidas pela FRINORTE COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA, empresa esta declarada inapta pelo Ato Declaratório Executivo nº 68, de 29/07/2008, sendo os documentos por ela emitidos declarados inidôneos desde sua constituição. (Grifei) Da Fase Contenciosa O contribuinte e os sujeitos passivos indiretos apresentaram impugnações aos autos de infração, com os respectivos argumentos de defesa. Na sessão de 27 de agosto de 2012, a 1ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte as impugnações, para excluir os créditos tributários de PIS e de COFINS lançados sobre as receitas dos dois primeiros meses de cada um dos trimestres dos anos de 2006 e 2007, tendo em vista que o fato gerador dessas exações é mensal. O restante das autuações e as imputações Fl. 5371DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.372 7 de responsabilidade solidária foram mantidos. Da decisão houve recurso de ofício, por força do limite de alçada. A decisão de primeira instância foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. LUCRO ARBITRADO. MULTA QUALIFICADA. Presumese que correspondem a receitas omitidas os depósitos bancários de origem não comprovada. Arbitrase o lucro quando a escrituração mantida pelo contribuinte não permitir a identificação da efetiva movimentação financeira, inclusive bancária e contiver vícios que a tornem imprestável para a determinação do lucro real. No cômputo das receitas conhecidas que servirão de base para a apuração do lucro arbitrado incluemse as receitas omitidas. A manutenção, por dois anos seguidos, de contas bancárias não escrituradas, nas quais foram movimentados recursos vultosos e a constituição da empresa por interpostas pessoas, a fim de que não sejam pagos os tributos devidos em decorrência de suas operações dão fundamento à exasperação da multa de ofício. É descabida a imposição de multa qualificada sobre os créditos tributários apurados a partir de receitas espontaneamente declaradas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007 AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 AUTO REFLEXO FATO GERADOR MENSAL. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as Fl. 5372DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.373 8 mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. O fato gerador do PISCumulativo é mensal, sendo descabida a incidência dessa exação sobre o total da receita trimestral no mês de fechamento do trimestre. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 AUTO REFLEXO FATO GERADOR MENSAL. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. O fato gerador da CofinsCumulativa é mensal, sendo descabida a incidência dessa exação sobre o total da receita trimestral no mês de fechamento do trimestre. Foram apresentados recursos voluntários pela Contribuinte e os sujeitos passivos indiretos. A 1a Turma da 4a Câmara, por meio do Acórdão nº 1401001.541, na sessão de 10/12/2015, assim decidiu: Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; 2) em relação ao recurso voluntário, dar provimento parcial, nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, nos termos do voto do relator; b) por maioria de votos, negar provimento em relação à responsabilidade tributária das quatro pessoas físicas, vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Lívia De Carli Germano que cancelavam os termos de sujeição passiva solidária das quatro pessoas físicas, designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor; c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto às demais matérias. A decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Fl. 5373DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.374 9 ARBITRAMENTO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. ESCRITURAÇÃO INADEQUADA. O arbitramento é medida que se impõe, por determinação legal, diante da constatação de que uma relevante movimentação financeira não foi adequadamente escriturada. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO. A presunção contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza que o fato indiciário (depósitos bancários de origem não comprovada) seja equiparado ao fato presumido (omissão de receitas). Uma vez caracterizado o fato indiciário, a sua equiparação com o fato presumido é uma determinação legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. CONLUIO. Caracteriza sonegação e conluio a interposição de pessoas no quadro social da empresa autuada, a utilização da estrutura legal desta última com o fim de comercializar produtos de terceiros, bem como a prática reiterada de não escriturar a movimentação financeira. MULTA QUALIFICADA. RECEITAS DECLARADAS. É descabida a imposição de multa qualificada sobre os créditos tributários apurados a partir de receitas espontaneamente declaradas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Caracteriza a confusão patrimonial de esferas pessoais típica do interesse comum previsto no artigo 124, I, do CTN, com a consequente responsabilização solidária, beneficiarse pela utilização da estrutura legal da empresa contribuinte com o fim de comercializar seus produtos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Aqueles que intencionalmente contribuíram para a consecução de ilícito tributário de ocultar do Fisco a realização do fato gerador ou qualquer dos critérios essenciais da obrigação tributária, como os sujeitos passivos tributários, demonstram possuírem interesse comum na situação que constitui o fato gerador, como dispõe o art. 124, I, do Código Tributário Nacional. Desse modo, devem responder solidariamente pelo crédito tributário daí decorrente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 5374DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.375 10 Anocalendário: 2006, 2007 FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. O fato gerador do PIS é mensal, sendo descabida a incidência dessa exação sobre o total da receita trimestral no mês de fechamento do trimestre. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007 FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. O fato gerador da COFINS é mensal, sendo descabida a incidência dessa exação sobre o total da receita trimestral no mês de fechamento do trimestre. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial no qual questiona apenas o cancelamento parcial dos lançamentos relativos ao PIS e à COFINS, nos dois primeiros meses de cada trimestre. O recurso especial da PGFN foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. O Contribuinte ofereceu contrarrazões, aduzindo que os acórdãos paradigmas seriam convergentes com a decisão recorrida e por isso o recurso não poderia ser conhecido. O contribuinte interpôs recurso especial. Os sujeitos passivos indiretos ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTÁVIO HERNANDEZ JULIATO e HÉLIO LÚCIO ROVERI interpuseram recurso especial em conjunto. O sujeito passivo indireto pessoa jurídica FRIGOPOTI FRIGORÍFICO POTI LTDA também interpôs recurso especial. Despachos de exame de admissibilidade negaram seguimento aos recursos especiais. Todos os sujeitos passivos indiretos apresentaram agravo contra os despachos de exame de admissibilidade. Os agravos foram apreciados pela Presidência do CARF, nos termos do artigo 71 do Anexo do Regimento, que decidiu: a) REJEITAR o agravo de Frigorífico Poti Ltda. e confirmar a negativa de seguimento ao recurso especial nesta parte. b) ACOLHER PARCIALMENTE os agravos de: - Cinco Estrelas Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, para DAR seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "arbitramento do lucro em caso de movimentação financeira não escriturada", mas apenas em relação ao paradigma nº 10196.160; - Otávio Hernandes Juliato, Walter Lucio Calegari e Helio Lucio Roveri e Ernesto Lucio Calegare, para dar seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN", mas apenas em relação ao paradigma nº 1402 001.999; Fl. 5375DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.376 11 A Fazenda Nacional tomou ciência da decisão e apresentou contrarrazões aos recursos parcialmente admitidos. O responsável solidário Frigorífico Poti Ltda., intimado da decisão que negou seguimento ao seu recurso especial, opôs embargos de declaração de efls. 5.338 e seguintes. Despacho da Presidência da CSRF não conheceu dos embargos. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Em razão da pluralidade de recursos especiais e a necessidade de delimitação das matérias que foram admitidas como divergentes, o presente voto apreciará cada um dos recursos especiais em tópico específico. I. DO RECURSO DA CINCO ESTRELAS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA Adoto as razões do despacho de agravo para conhecer parcialmente do recurso especial da Contribuinte, em relação à matéria o arbitramento do lucro. Passo ao exame do mérito. Discorre a recorrente: Apenas a título de argumentação, ainda que omissão de receitas houvesse, não havia razão para arbitrar o lucro da recorrente vez que ausente de dúvidas o regime de tributação adotado pela empresa: lucro real trimestral, segundo suas DIPJ apresentadas. Deflui disso que a apuração dos tributos, no lançamento ora impugnado, foi efetuada de maneira irreparavelmente equivocada, porque baseada em indevido arbitramento de lucro. É de se notar, ainda, que o item 002 do Auto de Infração não tem por base nenhuma infração, mas, apenas o próprio arbitramento indevido, incidindo sobre receitas já levadas à tributação com base no lucro real. Assim, no entendimento da Contribuinte, caberia ao Fisco tributar a pessoa jurídica com base no artigo 288 do RIR/99, vale dizer, no regime de lucro real trimestral. Ocorre que o fundamento para o arbitramento foi a imprestabilidade da contabilidade da interessada, acrescida às sucessivas negativas de apresentação dos livros e registros contábeis, mediante regular intimação. Com efeito, a autoridade fiscal informou: Fl. 5376DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.377 12 O contribuinte foi intimado a apresentar a escrituração e os documentos que serviram de suporte para ela. Constatou a autoridade que os valores contabilizados eram ínfimos em comparação aos constantes dos sistemas internos, razão pela qual os extratos bancários foram solicitados diretamente junto ás instituições financeiras. A partir dos extratos bancários, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias nos anos de 2006 e 2007. Em sua resposta, o contribuinte afirmou que “... pelos nossos levantamentos, a comprovação solicitada encontrase nos documentos componentes da contabilidade da empresa, contabilidade essa que já se encontra em poder deste órgão federal, por força da fiscalização em processamento”. Em seguida, o contribuinte foi intimado a justificar a resposta apresentada à intimação anterior, tendo em vista que nos livros apresentados estava contabilizada apenas a conta corrente nº 31054, mantida junto ao Banco Bradesco. Também foi solicitada a apresentação de nova escrituração contábil, com toda a movimentação financeira. Após solicitar prorrogação de prazo, o contribuinte apresentou resposta nos seguintes termos: “Referimonos ao termo de intimação fiscal nº 05, com data de 20.10.2009, para reiterar que a comprovação solicitada encontrase nos documentos componentes da contabilidade da empresa, contabilidade essa que já se encontra em poder deste órgão federal, por força da fiscalização em processamento”. Diante das respostas apresentadas, concluiu a autoridade autuante não ser possível identificar as origens e os destinos dos recursos movimentados em suas contas bancárias, de modo que não restou outra alternativa senão o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, tendo em vista o disposto no art. 530, II, “a” e “b”, do RIR/1999. (Grifei) Ora, conforme atestado pela autoridade lançadora, a escrituração irregular e a não apresentação dos livros previstos pela legislação exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530, do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (grifamos) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: Fl. 5377DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.378 13 a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; (grifamos) III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (Grifei) De se notar que os lançamentos com base no lucro arbitrado, efetuados pela autoridade fiscal, decorrem de comando normativo expresso, que se amolda perfeitamente aos fatos narrados nos autos. Na hipótese, resta afastada a aplicação do artigo 288 do RIR/99, evocado pela interessada, pois este dispositivo se refere a forma de tributação baseada em registros contábeis hígidos e aptos a demonstrar a base legal dos tributos. Como não foi possível identificar as origens e os destinos dos recursos movimentados em suas contas bancárias e a empresa em nenhum momento colaborou com a prestação das informações intimadas, não restou alternativa à fiscalização senão arbitrar o lucro e calcular os tributos devidos com base na receita bruta conhecida, que levou em consideração os depósitos de origem não comprovada e as receitas declaradas em DIPJ. Ante a perfeita subsunção dos fatos à diretriz normativa, não há reparos a fazer no procedimento fiscal. Assim, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso da Contribuinte em relação à matéria arbitramento do lucro nos termos do despacho de agravo e na parte devolvida negarlhe provimento. II. DO RECURSO DOS SUJEITOS PASSIVOS INDIRETOS ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTAVIO HERNANDEZ JULIATO E HÉLIO LÚCIO ROVERI Adoto as razões do despacho de agravo para conhecer parcialmente do recurso especial da Contribuinte, em relação à matéria responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN. Passo ao exame do mérito. O recurso especial questiona a responsabilidade baseada no artigo 124, I, do CTN, nos seguintes termos: Além do que já dito, ainda que se recorresse, além do art 124, I, do CTN, também ao artigo 135 do CTN, certo é que o Termo de Verificação Fiscal, no caso dos autos, não faz qualquer menção à prática de atos infracionais ou excesso de poderes pelos Solidários. Em outras palavras, diante do que consta do TVF, é possível confirmar que não há uma única linha atribuindo qualquer ato ou infração, ficando claro que alguns foram considerados solidários pelo simples fato de constarem como sócios, outros Fl. 5378DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.379 14 por parentesco, outros por manterem relação locatícia ou de fiança, além da acusação genérica de formarem com a empresa Frigopoti um grupo econômico, de modo que a imputação se deu de forma subjetiva e sem qualquer relação com o fato gerador da obrigação. Concluindo, além das anteriores colocações, a permanência das pessoas físicas como "Solidárias" juntamente com a empresa Frigopoti, também consideradas "Solidária", das quais são sócias, se estaria diante de uma segunda Solidariedade, o que é inadmissível e torna imperativo o acolhimento do Recurso Especial. Ao contrário do que alega a defesa, os fatos que demonstram o efetivo interesse comum dos solidários na situação que ensejou a autuação fiscal são sobejamente demonstrados nos autos. É fato que a expressão "interesse comum" disposta no art. 124, inciso I do CTN deve ser analisada com bastante prudência: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Não se pode ignorar que o interesse econômico, por si só, não se mostra suficiente para a inclusão das pessoas físicas dos presentes autos no pólo passivo da relação obrigacional tributária. Também há que restar demonstrado o vínculo jurídico, consubstanciado na atuação em conjunto, concorrente, que se amolda à hipótese de incidência prevista na norma tributária. E a atuação em conjunto pode se materializar de diversas maneiras, dentre as quais no caso tratado nos presentes autos, no qual se demonstra claramente que os sócios de fato valeramse de artifícios para se esquivar das obrigações tributárias, com utilização de elementos fictícios e ardilosos. O interesse jurídico resta caracterizado na medida em que a situação de fato revela que os Srs. ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTAVIO HERNANDEZ JULIATO E HÉLIO LÚCIO ROVERI, em atuação coletiva, empreenderam atos que se subsumiram à norma. Restou comprovada nos autos, para além de qualquer dúvida, a participação ativa, individual e concatenada dos quatro responsáveis solidários na prática dos ilícitos tributários que foram descobertos no escopo da rumorosa operação "Grandes Lagos", que desbaratou um esquema de sonegação de bilhões de reais e que envolveu dezenas de empresas relacionadas à atividade frigorífica. De forma sintética, a fiscalização atestou que o Sr. Hélio constituiu a empresa autuada (Cinco Estrelas), por sucessão da sua empresa individual “Hélio Lúcio Roveri”, mediante sociedade com empresa sediada no Panamá. Esse mesmo senhor é cunhado do sócio da Frigopoti, Sr. Ernesto Lúcio Calegare e locatário da sala utilizada para a instalação da Cinco Estrelas. Fl. 5379DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.380 15 O Sr. Otávio, que figurou como testemunha do contrato de arrendamento entre a Frigopoti e a Cinco Estrelas, é um dos proprietários da Frigopoti e também genro de Walter. O Sr. Ernesto é o outro sócio da Frigopoti e também é titular de transferências com a Cinco Estrelas. Por fim, o Sr. Walter (que é genro do Sr. Otávio), é sócio proprietário da Frigopoti e de outra empresa (Discar), que participou de diversos fluxos financeiros com a Cinco Estrelas. Todos, mediante articulação dolosa, concorreram para promover o ilícito tributário, como bem concluiu a autoridade lançadora: Conforme exaustivamente comprovado neste termo, a empresa Cinco Estrelas Distribuidora de Carnes Ltda pertence, DE FATO, ao Grupo que comanda o Frigopoti Frigorifico Poti Ltda., tendo como proprietários Srs. Ernesto Lúcio Calegare, Walter Lúcio Calegare, Otavio Hernandez Juliato (genro do Sr. Walter Lúcio Calegare) e Hélio Lúcio Roveri, não obstante o fato de as referidas empresa terem sido abertas em nome de alguns deles ou de pessoas interpostas (laranjas). Também ficou cabalmente demonstrado que o Frigopoti e os seus sócios de direito e de fato foram os principais beneficiários das fraudes perpetradas pela fiscalizada, já que o frigorífico efetuou abate de gado e venda de produtos e subprodutos sem pagamentos dos tributos devidos. Verificase que anteriormente a utilização da empresa Cinco Estrela Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, o Grupo Econômico que controla o Frigopoti — Frigorífico Poti Ltda utilizava Notas Fiscais, de entradas de bovinos e saídas de produtos e subprodutos decorrentes do abate de animas, emitidas pela FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda (antiga Norte Riopretense Distribuidora Ltda), empresa esta já declarada inapta através do ADE n. 68, de 29.07.2008, sendo os documentos por ela emitidos declarados inidôneos desde sua constituição. Concluise, portanto, que o Frigopoti — Frigorífico Poti Ltda e seus sócios de direito e de fato Srs. Ernesto Lúcio Calegare, Walter Lúcio Calegare, Otavio Hernandez Juliato e Hélio Lúcio Raven, têm interesses comuns nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, sendo, portanto, solidariamente obrigados ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos 121 e 124, inciso I, do CTN. (Grifei) Vale reproduzir a clássica lição de Rubens Gomes de Souza, autor do anteprojeto do CTN1: 1 Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3.ª ed, p 67. Fl. 5380DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.381 16 “É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; por outras palavras, (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado”. A descrição dos fatos e a análise das provas colacionadas pela fiscalização parecemme mais do que suficientes para reconhecer o interesse jurídico dos responsáveis solidários nos atos que ensejaram a obrigação tributária, apto a atrair a solidariedade prevista no artigo 124, I, do CTN. Ademais, está comprovado que o estratagema ilícito utilizado trouxelhes vantagens econômicas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, sendo irrelevante, na espécie, o fato de que os valores sonegados não circularam por contas de sua titularidade, quando restou comprovado que os negócios eram por eles praticados e também os tinham como beneficiários. Enfim, não há que se falar que seria necessária a aplicação do art. 135, inciso III do CTN, caso em que a responsabilidade dirigese a diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, ou seja, pessoas com poder de gestão dentro da autuada. O art. 124, inciso I do CTN já se mostra suficiente, por si só, para a manutenção no pólo passivo das pessoas físicas alocadas nas empresas envolvidas na construção deliberadamente concebida para enganar o Fisco. Assim, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso dos sujeitos passivos indiretos em relação à matéria responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN nos termos do despacho de agravo e na parte devolvida negarlhe provimento. III. DO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL Adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade para conhecer do recurso especial da PGFN. Passo ao exame do mérito. Questionase o cancelamento dos lançamentos relativos ao PIS e à COFINS nos dois primeiros meses de cada trimestre, providência adotada pela DRJ e ratificada pela câmara baixa do CARF sob o argumento de que os lançamentos foram apurados em bases trimestrais, quando o correto seria considerar o faturamento mensal. Aduz a PGFN que (grifos no original): Porém, não agiram corretamente a DRJ e a Egrégia Turma, pois tal lançamento é válido e exigível. Nos termos do art. 142 do CTN, a autoridade administrativa deve, na constituição do crédito tributário, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e aplicar a penalidade cabível, sendo que a atividade é plenamente vinculada e obrigatória. (...) Fl. 5381DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.382 17 Por outro lado, o art. 145, I, do CTN afirma que o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de [a] impugnação do sujeito passivo; [b] recurso de ofício; ou [c] iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Observese bem: o lançamento deverá ser alterado em virtude impugnação do sujeito passivo. É claro que o CTN deu preferência à revisão do lançamento, quando esta puder ser validamente efetuada. Por outro lado, afirma o art. 60 do Decreto nº 70.235/72, que “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior [auto de infração lavrado por autoridade incompetente ou decisão administrativa proferida por autoridade incompetente ou com preterição ao direito de defesa] não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Mais uma vez a legislação preferiu a revisão do lançamento à anulação. E essa escolha está de acordo com o princípio da indisponibilidade do interesse público. Desse modo, o órgão julgador somente deve preferir a anulação do lançamento à sua revisão caso esta seja impossível no mundo dos fatos ou em virtude de óbice jurídico intransponível, o que não parece ser o caso dos autos. Portanto, desnecessária e ilegal o cancelamento de todo o lançamento tributário nos dois primeiros meses, bastando sua revisão pela autoridade julgadora. Essa exclusão, inclusive, pode ser feita até mesmo em sede de execução do julgado, para sanar eventuais equívocos na determinação da matéria tributável, não havendo necessidade lógica em se excluir todo o lançamento nesses meses. Admitido o recurso fazendário, passo à análise. A despeito dos argumentos da PGFN, pareceme inequívoco que os fatos geradores do PIS e da COFINS são mensais, pois a autoridade fiscal, ao aplicar o regime de tributação mediante arbitramento, corretamente utilizou em relação a essas contribuições a sistemática cumulativa, como determinam os artigos 8º, II, da Lei nº 10.637/02 e 10, II, da Lei nº 10.833/03. Contudo, houve equívoco no cálculo das contribuições, pois a fiscalização entendeu como fato gerador o final de cada trimestre relativo a 2006 e 2007 e considerou como valores tributáveis o total das receitas declaradas em cada um desses períodos, razão pela qual a decisão da DRJ cancelou os créditos tributários lançados incorretamente sobre as receitas declaradas nos dois primeiros meses de cada trimestre desses anoscalendário. Acompanho, neste ponto, a opinião das instâncias de julgamento anteriores, no sentido de que se trata, na hipótese, de cancelamento dos lançamentos, por erro de direito, e não de revisão, como alega a douta PGFN. Fl. 5382DF CARF MF Processo nº 16004.001027/200966 Acórdão n.º 9101003.379 CSRFT1 Fl. 5.383 18 Assim, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da PGFN. IV. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de (i) conhecer parcialmente do recurso especial da Contribuinte em relação à matéria arbitramento do lucro nos termos do despacho de agravo e na parte devolvida negarlhe provimento; (ii) conhecer parcialmente do recurso especial dos responsáveis solidários Srs. ERNESTO LÚCIO CALEGARE, WALTER LÚCIO CALEGARE, OTAVIO HERNANDEZ JULIATO E HÉLIO LÚCIO ROVERI em relação à matéria responsabilidade tributária com fundamento no art. 124, I do CTN nos termos do despacho de agravo e na parte devolvida negarlhe provimento; e (iii) conhecer e negar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 5383DF CARF MF
score : 1.0
