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Numero do processo: 10283.008830/2002-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998
Ementa:
PROVAS - A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE.. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3402-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Pedro Souza Bispo, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998 Ementa: PROVAS - A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE.. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998 Ementa: PROVAS A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE.. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Pedro Souza Bispo, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 88 30 /2 00 2- 80 Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração de multa de IPI. A Fiscalização fundamentou a autuação conforme descrição dos fatos a seguir transcrita: “No exercício das funções do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal e com fundamento no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, lavramos o presente Auto de Infração em decorrência de ação fiscal procedida no estabelecimento do contribuinte acima identificado, para análise das operações de importação, industrialização e internação processadas ao amparo do Decretolei nº 288/67, com as alterações da Lei n° 8.387/91, constatouse através de levantamentos nos livros de registro, Livro Registro de Inventário, notas fiscais, declarações de importação e outros documentos, diferença positiva no estoque de mercadorias importadas, diferença esta apurada pelo cotejo entre o Estoque Final Apurado e o Estoque Final Escriturado (Inventário), caracterizando o ingresso de mercadoria estrangeira sem comprovação de sua regular importação (...) O contribuinte, inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 11.10.2002 (fl. 03), apresentou impugnação em 12.11.2002 (fls. 380/388) alegando: a) Que o lançamento deveria reportarse exatamente à previsão legal que coincide com o fato descrito; b) Que a hipótese de incidência deveria estar prevista em lei; c) Que teria havido cerceamento do direito de defesa por não ter sido entregue ao contribuinte demonstrativo dos cálculos e valores considerados para se determinar a matéria tributada; d) Que o AuditorFiscal teria deixado de considerar as compras no mercado interno de 5738 unidades de gabinete frontal e de 5783 unidades de gabinete traseiro para compor o produto Televisão de 29 polegadas; e) Que a apuração do estoque deveria ser feita de acordo com a planilha de fl. 385; f) Que o AuditorFiscal teria declarado que o livro de inventário não possuía as quantidades de produtos acabados em 31.12.1998, e que, em razão disso, teria optado por reconstituir as quantidades dos referidos produtos tomando por base os dados do inventário de 1999, incorrendo em erro; g) Que os lançamentos tributários não poderiam ser baseados em suposições, não podendo ser aplicada penalidade pelo simples fato de ter sido detectada inexatidão nos livros de inventário. Por fim, requereu o contribuinte: Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.008830/200280 Acórdão n.º 3402002.503 S3C4T2 Fl. 126 3 a) Que o lançamento, preliminarmente, fosse declarado nulo; b) Que o lançamento, em relação ao mérito, fosse considerado improcedente; c) Que fosse realizada perícia a fim de comprovar a divergência entre os valores da planilha de fl. 385 e os valores apurados pela Fiscalização A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Belém (PA) julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 019352, de 26 de setembro de 2007, cuja ementa abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 31/12/1997, 31/12/1998 Ementa: DESCRIÇÃO DOS FATOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A perfeita adequação da descrição dos fatos à fundamentação legal demonstra a inexistência de vício capaz de provocar a nulidade do lançamento. DIREITO DE DEFESA. DEMONSTRATIVOS. A existência, nos autos do processo, de planilhas e demonstrativos dos cálculos e valores utilizados para se determinar a matéria tributada possibilita o exercício constitucional do direito de defesa. AUDITORIA DE ESTOQUE. METODOLOGIA. A auditoria de estoque realizada baseouse em fórmulas matemáticas consagradas e em dados respaldados por documentação hábil e idônea, o que demonstra que não foi utilizada nenhuma suposição. PERÍCIA. REQUISITOS. AUSÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixar de expor o motivo que a justifique, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, nos termos do art. 16, IV e § 1º do Decreto n° 70.235/1972. Lançamento Procedente Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: a) A própria Decisão recorrida admite que, apesar do auto de infração ter sido lavrado em 11/10/2002, o protocolo do processo e a juntada de referidos demonstrativos somente ocorreu em 16/10/2002, sem qualquer intimação ao interessado. Desse modo, comprovase cabalmente Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 que os demonstrativos e planilhas que embasaram a constituição do crédito não estavam disponíveis desde o inicio ao interessado, sendo que, no mínimo, deveria ter lhe sido reaberto o prazo para apresentação da Impugnação, medida que jamais foi adotada. Nesse cenário, é incontestável o cerceamento de defesa, haja vista que o auto de infração foi lavrado com ausência de elemento indispensável à demonstração do suposto ilícito, motivo pelo qual deve ser anulado; b) Resta clara a nulidade do auto de infração que diante de indícios simples e absolutamente preliminares, adotou conclusões precipitadas e não acolhidas pelo ordenamento legal como presunções legais. Assim sendo, foi indevida a inversão do ônus da prova, imputando ao recorrente a necessidade de provar que o fato gerador não aconteceu; c) Houve erro na capitulação Legal e equívoco quanto ao período base; d) Eventual diferença de estoque daria ensejo a lançamento de omissão de receitas (presunção relativa), mas nunca a multa regulamentar, como ocorreu no presente processo; e) O dispositivo que fundamenta o auto de infração refere se à mera manutenção dos produtos em estoque sem o devido registro, caracterizando como ilícito o consumo ou entrega a consumo de bem estrangeiro em situação irregular. Desse modo, deveria ter a autoridade fiscal provado que os produtos supostamente importados de forma irregular foram destinados a consumo, o que, contudo, sequer tentou demonstrar. Todos seus argumentos conduziriam, no máximo, à conclusão de que os produtos supostamente importados de forma irregular teriam sido mantidos em estoque, mas nunca à conclusão de que teriam sido entregues a consumo; f) Ainda que os bens tivessem sido importados irregularmente e mantidos em estoque sem o devido registro e posteriormente consumidos ou entregues a consumo, a verdade é que o auto de infração comete equívoco quanto ao período base de imposição da multa, haja vista que a considera devida em relação ao período no qual o produto ainda estava em estoque e não naquele em que supostamente teria sido entregue a consumo ou consumido. Mais uma vez, devese frisar inexistir no ordenamento nacional qualquer presunção que autorize supor o consumo ou entrega a consumo, sendo, também nesta hipótese absolutamente indevida qualquer eventual inversão do ônus da prova; g) A multa imposta tem caráter confiscatório; Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.008830/200280 Acórdão n.º 3402002.503 S3C4T2 Fl. 127 5 h) Houve equívocos na apuração dos estoques e reitera todos os fundamentos expostos na impugnação. Termina sua petição recursal pedindo a reforma do acórdão vergastado, para fins de declarar nulo o auto de infração, ou, alternativamente, que os autos baixem em diligência para apuração da verdade dos fatos. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. NULIDADE. Cerceamento do direito de defesa: Afirma a recorrente que não teve oportunidade de se pronunciar acerca das apurações realizadas pela fiscalização no curso da ação fiscal. Analisando o auto de infração, constato que a Autoridade Fiscal lavrou os termos nº 03, de 27/08/2002, nº 04, de 09/09/2002, nº 06, de 19/09/2002 e nº 07, de 25/09/2002, onde foram apresentados os levantamentos e apurações resultantes do trabalho de campo realizado no curso da ação fiscal. Nestas intimações foram solicitados esclarecimentos acerca da correção dos dados extraídos dos livros fiscais do recorrente. Portanto, resta evidente que foi oportunizado ao sujeito passivo manifestação prévia sobre os dados coletados e que serviram de base para o auto de infração. Quanto ao erro na capitulação, trato da subsunção dos fundamentos jurídicos aos ditames legais na análise de mérito. Mas adianto que não vejo o erro apontado pelo recorrente. Finalmente, quanto a elucidação dos fatos, basta observar com um mínimo de atenção e vontade o auto de infração para detectar que a autoridade fiscal esmiuçou seu trabalho, apresentou todos os fundamentos jurídicos que embasaram o auto de infração. Tanto é verdade que o excelente acórdão de primeira instância, ora recorrido, utiliza as apurações efetuadas na ação fiscal como base para sua decisão. Na linha dos fatos acima arrolados, afasto todas as nulidades suscitadas na peça recursal. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 MÉRITO A questão focal desta lide é definir se os fatos contidos nos autos subsumem ao tipo infracional contido no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64. O fundamento jurídico que subsidiou o auto de infração foi a apuração de diferenças entre o estoque final apurado no bojo da ação fiscal e o estoque final escriturado pelo recorrente. O fisco apurou que o estoque final “físico” era menor que o estoque final escriturado. Diante dessa constatação, concluiu que o sujeito passivo utilizou componentes irregularmente importados na fabricação de seus produtos finais. Ressalto que a apuração realizada pelo fisco e contestada pelo recorrente foi amplamente analisada pela primeira instância. Naquela peça decisória, foi demonstrado minuciosamente o trabalho do fisco e as incongruências das afirmações do recorrente. Não há o que retocar na brilhante dissecação feita pela DRJ. No recurso voluntário, o sujeito passivo não aduziu fatos novos, tampouco elementos probatórios inovadores, restringiuse a repisar os fundamentos jurídicos da impugnação. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 333 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal, quando realiza o lançamento tributário. Contudo, o onus probandi inverte quando o sujeito passivo alega um fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco. Retornando aos autos, o recorrente alega fatos modificativos, sem, contudo, provar a existência de tais fatos. Diante dessa perspectiva, entendo ser incontroverso a diferença entre o estoque real e o escriturado pelo recorrente. Partindo dessa premissa, passo a subsunção do fato jurídico ao tipo infracional contido no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64 Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10283.008830/200280 Acórdão n.º 3402002.503 S3C4T2 Fl. 128 7 desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal, conforme o caso; Pelas informações do fisco, o recorrente precisa de insumos importados para produzir seu produto final, uma vez que o mercado interno não os oferece. Foi provado que sua produção utilizou mais insumos dos que possuía em estoque. Logo, houve importação de insumos que não foram declarados para o fisco. Essas importações, ao me sentir, são irregulares e se amoldam ao inciso I, do art. 83 da Lei nº 4.502/64. Saliento que essa conclusão está baseada nos elementos que compuseram os autos. Não são meras presunções abstratas. Por derradeiro, o recorrente alega que a multa tem caráter confiscatório o que a torna ilegal. É de conhecimento de todos que os Órgãos judicantes do Poder Executivo não têm competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 14/10/2014. Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000414/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA DO Nº 11.
Não cabe prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29.
É válido o lançamento que intima os cotitulares de conta conjunta para prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos bancários.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a apresentação da Impugnação do Auto de Infração, haja vista que, no decurso da ação fiscal, não existe litígio ou contraditório.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção.
Numero da decisão: 2201-002.543
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Toshinobu Tasoko, OAB/SP 314.181.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA DO Nº 11. Não cabe prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29. É válido o lançamento que intima os cotitulares de conta conjunta para prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos bancários. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a apresentação da Impugnação do Auto de Infração, haja vista que, no decurso da ação fiscal, não existe litígio ou contraditório. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 04 14 /2 00 8- 86 Fl. 5926DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Toshinobu Tasoko, OAB/SP 314.181. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 5159 e seguintes, lavrado em 14/11/2008, exigese do Contribuinte SHOJI KIYOKAWA o montante de R$ 632.692,68 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 189.681,26 de juros de mora e R$ 474.519,51 de multa de ofício, totalizando um crédito tributário de R$ 1.296.893,45 (atualizado até a data da autuação), referente ao ano calendário de 2005 e decorrente de Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. O Relatório Fiscal (fls. 5159 e seguintes) relata que: · O contribuinte foi intimado a apresentar, no prazo de 20 dias, informações sobre rendimentos oriundos de IGREJA BETESDA DE SÃO PAULO, bem como todos os extratos bancário inerentes a todas as contas existentes no Brasil e no exterior, mantidas em seu nome e de seus dependentes, referentes ao período compreendido entre 01 de janeiro de 2005 e 31 de dezembro de 2005. · O Contribuinte apresentou declaração, através da qual informa que exerce a profissão de advogado e corretor de imóveis e que recolhe mensalmente o CarnêLeão. Na mesma data, apresentou cópias de documentos relativos a pagamentos efetuados por IGREJA BETESDA DE SÃO PAULO a MARIA DE LOURDES NEVES SILVEIRA, Fl. 5927DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13864.000414/200886 Acórdão n.º 2201002.543 S2C2T1 Fl. 3 3 diversos documentos relativos aos rendimentos declarados pelo próprio fiscalizado e extratos bancários de sua movimentação financeira. · A fiscalização solicitou a identificação e comprovação da cotitularidade da conta bancária nº 953334, bem como foi submetida ao fiscalizado a planilha contendo a relação dos recursos lançados a, crédito em sua movimentação bancária para identificação e comprovação mediante apresentação de documentação hábil e idônea. Foram deferidos 02 (dois) pedidos de prorrogação. · O Contribuinte não apresentou qualquer documentação que justificasse os depósitos, apenas comprovou a cotitularidade de CUNIKA IONECUBO KIYOKAWA da conta nº 95.3334 do BANCO BRADESCO S.A.. Foi deferido nova prorrogação de prazo para apresentar documentação. · O Contribuinte apresenta alguns contratos de locação e algumas justificativas e solicita mais prazo, a qual foi deferida pela autoridade fiscal. Após essa prorrogação, o Contribuinte apresenta diversos contratos de locação e planilha denominada “RELATÓRIO JANEIRO 2005”. · A fiscalização reintima o Contribuinte para comprovar os depósitos e, por fim, há apresentação de: (i) planilha contendo nomes, endereços e valores e (ii) diversos contratos de locação. O Contribuinte apresenta a complementação de outros contratos de locação, bem como planilha denominada “RELATÓRIO JUNHO 2005”. · A fiscalização, em posse, da documentação apresentada, verifica que a movimentação financeira do Contribuinte é incompatível com os rendimentos que o mesmo reportou em sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF). · Para fins de comprovação da origem dos depósitos, a fiscalização constata que, ainda que seja farta a quantidade de documentos, da análise dos mesmos não foi possível efetuar quaisquer vínculos entre as locações que se referem e os créditos identificados nas contas bancárias, tendo em vista que todos os contratos de locação são padronizados e deles não há qualquer menção ao nome do Contribuinte, forma de pagamento que transite pelas suas contas bancárias ou mesmo sua administração. Pelo contrário, da leitura os documentos, o que pode ser constatado é que são contratos firmados entre locador e locatário, sem administrador, constando ainda, no parágrafo primeiro da cláusula 3ª de cada contrato, que os aluguéis e encargos da locação serão pagos na residência do locador ou no endereço do preposto ou procurador deste. · Em face da incompatibilidade entre renda declarada e depósitos bancários, bem como considerando a não comprovação do Contribuinte da origem dos depósitos bancários, a fiscalização efetuou o lançamento tributário. O Contribuinte, cientificado do Auto de Infração, em 25/11/2008, apresentou Impugnação (de fls. 5212 e seguintes), em 24/12/2008, na qual trouxe as seguintes alegações: · prazo exíguo para apresentar a documentação solicitada pela fiscalização, especialmente pela grande quantidade de documentação necessária para comprovar os questionamentos da fiscalização. · exerce a atividade de Corretor de Imóveis e, por isso, ingressam em suas contas bancárias valores relativos aos pagamentos efetuados por locatários, que são repassados aos locadores. Juntou diversos contratos de locação, desconsiderados pelo Fisco, que comprovam as relações jurídicas havidas entre locadores e locatários, sob sua administração, sendo que, ausentes rigorosas formalidades, referidos documentos Fl. 5928DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 devem ser considerados, por representar a verdade dos fatos, devendo, na persistência de dúvidas quantos aos ingressos e repasses, haver auditoria dos contratos, na busca da verdade material. Embora os depósitos bancários possam refletir sinais exteriores de riqueza, não caracterizam, por si sós, rendimentos tributáveis. · nos termos do art. 986 do Novo Código Civil de 2.002, sendo a Kiyokawa Imóveis sociedade irregular, cujo sócio, de fato, pessoa física, responde solidariamente por todos os seus atos, nos termos do art. 990 do Estatuto Civil, todos os contratos, assim como todos os recibos apresentados, não poderiam jamais ter sido desconsiderados. · resta fartamente provado nos autos que o Contribuinte, embora com muita dificuldade, apresentou os comprovantes que conseguiu, tais como contratos de locação que comprovam a origem dos depósitos, planilhas de fluxo de caixa e recibos que anexa nesta oportunidade à presente Impugnação. Reproduz Jurisprudência. · o Fisco tem poderes para solicitar autorização do Banco Central para identificar tais valores, cruzando as informações prestadas, e, no entanto, não o fez, preferindo, mesmo ao arrepio da jurisprudência pátria, autuar o Impugnante unicamente com base nos extratos bancários (reproduz a Súmula 182 do extinto TFR, bem como ementa de decisão do TRF1, referente a Apelação Cível). · apesar de ter apresentado justificativas válidas, estas não foram sequer consideradas, caracterizando a avaliação subjetiva do servidor e a discricionariedade legalmente proibida, uma vez que cabe à Administração Pública fazer somente o que lhe é permitido por lei. · no presente caso, não poderia o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996 elevar receita ou rendimento à condição de renda que já tem definição em lei complementar material, o Código tributário Nacional, segundo o qual dispõe, em seu artigo 43, que renda é sempre um plus, quer por representar a disponibilidade de um produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, quer por representar um acréscimo de patrimônio em determinado período de tempo e, portanto, como receita ou rendimento, por si sós, não representam renda, a presunção de que os depósitos bancários constituem omissão de receita foge da matriz constitucional do Imposto de Renda. Reproduz Jurisprudência e Doutrina. · o depósito bancário é um mero indício de aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza e, como tal, jamais poderia ser considerado renda ou acréscimo de patrimônio no conceito constitucional, consoante delineado pelo CTN. Assim, se a lei anterior utilizavase da presunção iuris tantum na tributação dos depósitos bancários, considerando estes, a priori, como omissão de rendimentos ou de receita, a lei posterior, até prova em contrário, determina que o Fisco promova a adequada apuração dos fatos (tributáveis), sendo que a lei posterior (§ 4° do artigo 5° da Lei Complementar nº 105/01), ao encontrar sustentação de validade nos princípios da tipicidade e da legalidade cerrada da tributação, ao contrário do art. 42 da Lei no 9.430/1.996, findou por revogar o dispositivo legal anterior. A 6ª Turma da DRJ/SP2 na sessão de 02/06/2010 pelo Acórdão 1741.254 de fls. 5454 e seguintes julgou a Impugnação improcedente, nos seguintes termos: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Mantémse a autuação, uma vez que Fl. 5929DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13864.000414/200886 Acórdão n.º 2201002.543 S2C2T1 Fl. 4 5 a documentação acostada aos autos é insuficiente para sustentar a tese do Impugnante, no sentido de não ser ele o real beneficiário dos valores depositados em suas contas bancárias. O Contribuinte foi notificado do Acórdão pelo AR de fls. 5484 em 01/07/2010, vindo apresentar Recurso Voluntário tempestivo, às fls. 5486 e seguintes, em 29/07/2014, com os argumentos a seguir sumarizados: · Preclusão do Direito da Fazenda Pública de Proferir Decisão ou Constituir o Crédito Tributário. Defende que o prazo de 360 dias, previsto no Decreto nº 70.235/72, Lei nº 9.784/99 e Lei nº 11.457/07 é prazo processual e não de direito material. Assim, havendo violação, encontra conseqüência no art. 177 do Código de Processo Civil. Destaca que o referido prazo é improrrogável e sustenta e extinção do processo administrativo fiscal. · Improcedência da multa de ofício de 75%, pois o Contribuinte não incorreu em nenhuma das hipóteses de qualificação da multa previstas na Súmula do CARF nº 25. · O Contribuinte mantinha conta corrente bancária em cotitularidade com a Sra. Cunika Ionecubo Kiyokawa e Sr. Shoji Kiyokawa. Alega que nenhum dos dois cotitulares foi intimado para comprovar a origem dos depósitos relativos a este auto de infração, na forma da Súmula CARF n° 29. · Pondera que é desnecessário alegar tudo o quanto já foi alegado na Impugnação somente para encher espaço, porquanto, tal qual no processo civil art. 515, § 1°, todas as questões anteriormente suscitadas e discutidas no processo são devolvidas ao CARF para reexame. As matérias alegadas na Impugnação foram: (i) improcedência da utilização de depósitos bancários para presunção de renda; (ii) cerceamento de defesa em face de prazo exíguo para apresentação da documentação solicitada pela fiscalização e (iii) há comprovação documental de que os depósitos referemse a valores pertencentes a terceiros, pois o Contribuinte atua como corretor de imóveis e o numerário que passa nas contas não são de sua titularidade. · Insurgese o Contribuinte contra a inversão do ônus da prova, pela qual o Contribuinte deve comprovar a origem dos depósitos. Reforça que cabe à autoridade fiscal provar a conduta ilícita do Contribuinte. Complementa que a presunção não serve para respaldar o lançamento tributário. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. I. DAS PRELIMINARES I.1. Preclusão do Direito da Fazenda Pública de Proferir Decisão ou Constituir o Crédito Tributário Fl. 5930DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 O Contribuinte defende que o prazo de 360 dias, previsto no Decreto nº 70.235/72, Lei nº 9.784/99 e Lei nº 11.457/07 é prazo processual e não de direito material. Assim, havendo violação, encontra consequência no art. 177 do Código de Processo Civil. Destaca que o referido prazo é improrrogável e sustenta e extinção do processo administrativo fiscal. Antes de analisar a questão sob a ótica do processo administrativo fiscal, cabe destacar que para fins processuais há prazos próprios e impróprios. Prazo próprio é aquele desencadeador de alguma consequência jurídica processual, quando inobservado. Por outro lado, prazo impróprio é aquele que, restando desatendido, não acarreta efeito processual negativo para a parte negligente. O processo administrativo fiscal é regido pelo Decreto nº 70.235/72 e o mesmo é silente em relação ao tema. Entretanto, como não há previsão legal de prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal, acabase por se concluir que não há consequência jurídica em face da não observância desse prazo, tratandose de prazo impróprio. Neste sentido, a Súmula do CARF nº 11, orienta: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Desta feita, por se tratar de prazo impróprio, não cabe amparo ao pleito do Contribuinte acerca da extinção do processo administrativo fiscal em questão. Preliminar rejeitada. I.2. Da Ilegitimidade Passiva Intimação dos Cotitulares O Contribuinte afirma que mantinha conta corrente bancária em cotitularidade com a Sra. Cunika Ionecubo Kiyokawa e Sr. Renan Ionecubo Kiyokawa. Alega que nenhum dos dois cotitulares foi intimado para comprovar a origem dos depósitos relativos a este auto de infração, na forma da Súmula CARF n° 29. Cabe destacar que apesar de o Contribuinte alegar em sede recursal que mantinha conta bancária em conjunto com o Sr. Renan Ionecubo Kiyokawa, o mesmo não apresenta ou junta aos autos qualquer documentação que comprove a qual conta bancária a referida cotitularidade se refere. Assim, como cabe a prova a quem a alega, entendo que não deve ser acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva em face da ausência de intimação do cotitular – Sr. Renan Ionecubo Kiyokawa, pois o Contribuinte não trouxe prova capaz de assegurar a existência da cotitularidade que ensejaria a intimação da mesma. No tocante à cotitularidade da Sra. Cunika Ionecubo Kiyokawa, o próprio Contribuinte, durante o processo de fiscalização, em resposta à intimação fiscal, respondeu no sentido de que a Sra. Cunika Ionecubo Kiyokawa era cotitular de conta bancária. Desta feita, tendo em vista a declaração de cotitularidade efetuada pelo Contribuinte, a fiscalização considerou no presente lançamento apenas 50% dos depósitos. Fl. 5931DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13864.000414/200886 Acórdão n.º 2201002.543 S2C2T1 Fl. 5 7 Também, resta curioso o pleito do Contribuinte acerca da alegação de não intimação dos cotitulares da conta bancária para comprovar as origens dos depósitos. Isso porque tanto ocorreu a intimação que foi instaurado processo administrativo fiscal em nome do alegado cotitular (Sr. Renan Ionecubo Kiyokawa), o qual o Contribuinte tem ciência, pois o Sr. Renan Ionecubo Kiyokawa é seu filho e requereu conexão dos processos por se tratar de mesma matéria. I.3. Do Cerceamento do Direito de Defesa O Contribuinte alega flagrante cerceamento do direito de defesa devido ao prazo exíguo para apresentar a documentação solicitada pela fiscalização, especialmente pela grande quantidade de documentação necessária para comprovar os questionamentos da fiscalização. Como já é cediço nessa Corte, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a Impugnação do Auto de Infração, haja vista que, no decurso da ação fiscal, não existe litígio ou contraditório. Ademais, o Decreto nº 70.235/1972 PAF não prevê a possibilidade de exercício do direito de defesa previamente à lavratura de Auto de Infração. Os trabalhos de fiscalização (auditoria) têm a natureza de um procedimento investigativo (inquisitório) e o exercício do contraditório e da ampla defesa apenas é diferido para depois de encerrada essa fase, sem qualquer prejuízo para os contribuintes ou responsáveis. Diante do exposto, não se verifica a violação apontada pelo Contribuinte. II. DO MÉRITO II.1. Depósito Bancário – Inversão do Ônus da Prova e Desnecessidade de Comprovação do Consumo da Renda O Contribuinte argumenta a ausência de motivação do ato fiscal, em face da inexistência de outros indícios probatórios de sonegação fiscal. Insurgese o Contribuinte contra a inversão do ônus da prova, pela qual o mesmo deve comprovar a origem dos depósitos. Reforça que cabe à autoridade fiscal provar a conduta ilícita do Contribuinte. Complementa que a presunção não serve para respaldar o lançamento tributário. As argumentações levantadas pelo Contribuinte não procedem diante da presunção criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, que autoriza a exigência de imposto de renda, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabelece uma presunção relativa de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, Fl. 5932DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título). Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Acrescentese ainda, ao argumento de ausência de acréscimo patrimonial, que a Autoridade Lançadora não está mais obrigada a comprovar o consumo da renda. Os depósitos injustificados por si só são considerados, por presunção, renda auferida. Este entendimento já resta pacificado nesta Corte pela Súmula do CARF nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A presunção legal trazida pelo art. 42 da Lei nº. 9.430/96 é aplicável aos fatos geradores a partir do anocalendário de 1997, posicionamento também já pacificado na presente Corte administrativa conforme Súmula do CARF nº 54: Súmula CARF nº 54: A constatação de existência de “passivo não comprovado” autoriza o lançamento com base em presunção legal de omissão de receitas somente a partir do ano calendário de 1997. Isso posto, uma vez que está em discussão omissão de rendimento decorrente da não comprovação da origem de depósitos bancários realizados no ano calendário de 2005, a alegação nulidade do Auto de Infração com base na inversão do ônus da prova não deve proceder. Assim, como o Contribuinte regularmente intimado não produziu documentação hábil e idônea quanto à origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente, que possibilitem ilidir a presunção legal criada é poderdever da Autoridade Tributária, em razão do princípio da legalidade ao qual está jungida, de considerar os valores depositados em contas bancárias como receita efetuando o lançamento do imposto correspondente, razão pela qual se mantêm o Auto de Infração. II.2. Comprovação da Origem dos Depósitos No tocante à comprovação da origem dos depósitos, o Contribuinte junta uma série de contratos de locação de imóveis aos quais o Contribuinte atribui a origem dos depósitos. Apresenta também planilhas elaboradas com apontamento de valores, datas e nomes. Porém, ao se compulsar a documentação anexada aos autos, verificase que não há como conciliar os contratos apresentados pelo Contribuinte e os valores depositados em suas contas bancárias. Não há correlação de valores e datas. Ademais, o Contribuinte não consta como parte dos contratos apresentados, não sendo possível aferir se o mesmo participa ou não da operação. Também não há apresentação de contratos ou documentos que indiquem que o Contribuinte atua como corretor de imóveis ou intermediário das referidas operações de locação. Fl. 5933DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13864.000414/200886 Acórdão n.º 2201002.543 S2C2T1 Fl. 6 9 Desta feita, em face da ausência de comprovação fática de que o Contribuinte participe da operação, bem como da falta de correlação entre a origem dos depósitos com os referidos documentos apresentados pelo Contribuinte, entendo que não restou comprovada a origem dos depósitos, devendo ser mantido o lançamento. II.3. Da Multa de Ofício O Contribuinte se insurge contra a multa de ofício de 75%, pois entende que não incorreu nas hipóteses de qualificação da multa previstas na Súmula do CARF nº 25. Não cabe fundamento a argumentação do Contribuinte, tendo em vista que no caso em questão não houve qualificação da multa de ofício. A multa de ofício de 75% é multa ordinária, conforme disposto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. A qualificação da multa encontrase disposta no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e corresponde ao dobro da multa de ofício de 75%, ou seja, 150%. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 5934DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10120.722151/2013-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
DECADÊNCIA. ITR. PAGAMENTO.APLICAÇÃO DO ART.150, §4º DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Em havendo pagamento de imposto, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável para lançamento por homologação é do art. 150, § 4º do CTN.
Numero da decisão: 2201-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Acompanhou o julgamento pela Contribuinte a Dra. Juliana Fonseca e Miranda, OAB/DF 28.661.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 17/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ITR. PAGAMENTO.APLICAÇÃO DO ART.150, §4º DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Em havendo pagamento de imposto, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável para lançamento por homologação é do art. 150, § 4º do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Acompanhou o julgamento pela Contribuinte a Dra. Juliana Fonseca e Miranda, OAB/DF 28.661. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 17/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 21 51 /2 01 3- 32 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA Relatório Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 03 lavrada em 11/03/2013, exigese do Contribuinte FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS SA o montante de R$ 29.482.489,45 de imposto territorial rural (ITR), R$12.821.934,66 de juros de mora e R$ 22.111.867,08 de multa de ofício, totalizando um crédito tributário de R$ 64.416.291,19 (atualizado até a data da autuação), referente exercício 2008, do imóvel Furnas 860 – Usina Hidrelétrica de Itumbiara situada no Município de Itumbiara/GO. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal aponta que o lançamento decorreu: · O Contribuinte declarou como sendo o valor da terra nua (VTN) do imóvel R$ 0,00 em 01 de janeiro de 2008, para uma área total de 77.903,7 hectares, onde se obtém um valor de terra nua declarado de R$ 0,00 por hectare. · Uma vez intimado o Contribuinte, em 01/04/2012, encaminhou à Receita Federal, correspondência relacionando os objetivos sociais da empresa, argumentando que, trata se o imóvel de um bem público da União, sem valor de mercado, e portanto, desobrigado de apresentar Laudo de Avaliação. · A Autoridade Lançadora apontou que a empresa Furnas Centrais Elétricas SA é pessoa jurídica de direito privado, possui patrimônio próprio, em suas relações jurídicas, age em nome próprio, atuando por sua conta e risco. Logo, é inquestionável que os bens adquiridos por desapropriação, nesses casos, não são da União (administração direta), mas sim da empresa estatal expropriante. · Assim, considerando que o Contribuinte não comprovou o VTN por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT e considerando que o Contribuinte informou que a área do imóvel corresponde ao total de 77.903,7 hectares, com grau de utilização GU igual a 0,0%, foi lavrada Notificação de Lançamento alterando, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela SRF o Valor da Terra Nua (VTN), de R$ 0,00 (R$ 0,00 por hectare) para R$.1.892,24 (R$.1.892,24, por hectare), que, multiplicado pela área total do imóvel, de 77.903,7, temse o VTN no total de R$147.412.497,29. Assim, houve o aumento do valor do VTN, apurando imposto suplementar conforme demonstrativo constante dos autos. O Contribuinte foi notificado do lançamento em 18/03/2013, às fls. 197, vindo a apresentar Impugnação, em 17/04/2013, acostada às fls. 104 e seguintes, aduzindo os seguintes argumentos, conforme Relatório da decisão da DRJ: · Discorre sobre o objeto social da sociedade empresária e o procedimento da autoridade fiscal no lançamento, do qual discorda e que deveria ser revisto de ofício. Pondera que as sociedades empresárias prestadoras de serviço tão qualificado não podem receber o mesmo tratamento jurídico dispensado às sociedades anônimas em geral, pois sobre aquelas incide particular controle estatal, justificado pelo interesse do Estado em sua atividade, que provoca a imposição de deveres legais específicos. Assim, apesar de sujeitas ao pagamento de tributos, nos termos do § 3º do art. 150 da Constituição, essas sociedades empresárias podem gozar de benefícios fiscais outorgados pelo Poder Público. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.722151/201332 Acórdão n.º 2201002.587 S2C2T1 Fl. 3 3 · Alega que os imóveis da sociedade empresária estão, em grande parte, cobertos de água, prestandose apenas para reservar água, potencializando a força hidráulica para a geração de energia. As margens dos reservatórios também não se prestam a qualquer outro objetivo, funcionando apenas como faixas de segurança para as variações sazonais do nível d’água. · Para fins de aplicação do disposto no art. 20 da Constituição da República os reservatórios de água encaixamse em qualquer um dos conceitos nele previstos. Seriam “lagos”, na sua definição mais simples, se entendidos como uma grande extensão de água cercada de terra, inserindose nessa classe os lagos de barragem, formados em áreas represadas por aluviões pluviais, restingas, detritos de origem vulcânica e morainas. Esses reservatórios poderão, também, integrar o conceito de “rio”, se considerados como resultantes do represamento de curso de água pluvial. · Enfatiza que esse mesmo art. 20, em seu inciso VIII, inclui também no patrimônio da União “os potenciais de energia hidráulica”, de tal modo que, escapando os reservatórios dos subdomínios dos “rios” ou dos “lagos”, ficaria muito difícil deixar de reconhecêlos no âmbito dos “potenciais de energia”. Complementa que esse entendimento está em consonância com a Lei nº 9.433/1997, ao instituir a Política Nacional de Recursos Hídricos, com fundamento de validade no inciso XIX do art. 21 da Constituição da República, estabelecendo no art. 1º, inciso I, que: “a água é um bem de domínio público.”. Esse texto legal também convive em perfeita harmonia com o Código Florestal, com destaque para o disposto no § 6º do art. 1º e para o art. 2º. · Conclui que as áreas destinadas aos reservatórios de água não podem sofrer a incidência do ITR, por serem unidades integrantes do patrimônio público da União, assim como as áreas destinadas às suas margens também estarão livres do impacto do tributo, na condição de áreas de preservação permanente, que devem ser excluídas da base de cálculo do imposto, nos termos do art. 10, § 1º, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.393/1996, além do Código Florestal. · Reafirma que a prestação do serviço público de fornecimento de energia é incumbência privativa da União, ao mesmo tempo em que os rios, lagos (naturais e artificiais) os terrenos marginais e as praias fluviais e os potenciais de energia integram, também, o patrimônio dessa pessoa política de direito interno; as águas são de domínio público, possuindo as prerrogativas de inalienabilidade, impenhorabilidade e imprescritibilidade. · A porção de terra coberta pelo lago artificial das usinas hidroelétricas e a área situada a seu redor, mesmo que de propriedade da sociedade empresária, mantendose a distinção com referência à propriedade do bem público, ainda assim encontrase com absoluta restrição de uso por seus “proprietários”. A área está afetada ao uso especial da União, o que impede a seus titulares o exercício de qualquer dos direitos inerentes ao seu domínio. · A União detém o verdadeiro domínio útil das áreas necessárias à geração, distribuição e transmissão de energia elétrica, nos termos legais e constitucionais, portanto, fica afastada, também por esse prisma, a possibilidade jurídica de onerar essas áreas pelo ITR, pois é sujeito passivo da obrigação quem tiver o domínio útil sobre o imóvel. · No caso presente nenhuma dessas operações se torna possível ao aplicador da lei, porque não há valor de mercado para a apuração do VTN, por onde começam os cálculos, pois se trata de um bem do domínio público, afetado ao patrimônio da pessoa política União, fora do comércio, impedindo qualquer pretensão impositiva sobre as Fl. 218DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 áreas desapropriadas para a construção das obras necessárias ao represamento dos rios e lagos, para a manutenção dos reservatórios destinados à produção de energia elétrica. · Destaca que a autoridade fiscal, abandonando esses comandos legais, não poderia adotar área “produtiva de energia elétrica” como não produtiva e apontar GU “0” quando a utilização é integral, presumiu que o valor fundiário está subavaliado, arbitrando um VTN de R$147.412.497,29 e aplicando a alíquota máxima de 20%, equiparando o imóvel aos latifúndios improdutivos; não é crível que a “terra” submersa por represa para a geração de energia elétrica possa ter o mesmo valor da terra destinada ao cultivo de primeira, visto que aquela está, no mínimo, fora do âmbito de incidência do ITR. · Considerar como improdutiva a produção, geração e transmissão de energia elétrica, na imensa área abrangida por Furnas, é falácia incompatível com o sistema jurídico e a lógica que deve preceder os julgamentos válidos e produtores de resultados. · É flagrante a ofensa aos princípios da legalidade e da igualdade que norteiam rigidamente a atividade impositiva do Estado, no que concerne à cobrança do imposto; para a Usina Hidrelétrica em questão, tomouse o valor da terra apontado no SIPT, considerandoo para as terras submersas e aplicandose nele o grau de utilização (GU), sem qualquer exclusão. · A legislação que cuida do ITR sempre leva em conta o GU na exploração rural, seja agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, nos termos da Lei nº 9.393/1996, em consonância com o Estatuto da Terra, o que permite concluir ser relevante para fins do ITR não a produtividade em geral, mas na exploração daquele setor, enquanto as atividades desenvolvidas pelas usinas hidrelétricas estão fora de tal campo de abrangência. · Em momento algum a lei do ITR se refere à exploração energética, talvez impulsionada pelo DecretoLei nº 2.281/1940, que concedia isenção a tal atividade e perdeu sua eficácia em outubro de 1990 com o advento do novo texto constitucional, deixando ao aplicador da lei e aos operadores do direito a interpretação sistemática, que não permite incluir na hipótese de incidência do ITR aquela que não estiver ali explícita, por força do princípio da tipicidade da tributação, além dos outros já mencionados. · Destaca a proibição constitucional de se cobrar tributos com efeito de confisco (inciso IV do art.150 da Constituição da República). · Não há como manter a pretensão fazendária sem qualquer diligência. · Portanto, não pode prevalecer a exigência de pagamento do ITR, com amparo no Parecer COSIT nº 15/2000, visto que esse dispositivo não alarga a hipótese de incidência estatuída em lei; transcreve ementa da CSRF e cita entendimento adotado pelo antigo Conselho de Contribuintes, para referendar suas teses. Na sessão do dia 31/07/2013, a 1ª Turma da DRJ/BSB através do Acórdão 03 53.501, de fls. 201 e seguintes, julgou a Impugnação procedente, em razão de restar reconhecida de ofício a decadência do crédito tributário, nos seguintes termos: DA DECADÊNCIA ITR LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Na modalidade do lançamento por homologação, o prazo quinquenal legalmente previsto para revisão do valor do ITR apurado e recolhido, integralmente ou de forma parcelada, pelo contribuinte, dentro do próprio exercício de referência do imposto, iniciase na data da ocorrência do respectivo fato gerador. Cabe ser declarada a Fl. 219DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.722151/201332 Acórdão n.º 2201002.587 S2C2T1 Fl. 4 5 Decadência quando constatado que o crédito tributário foi constituído após o prazo quinquenal legalmente previsto. O Contribuinte foi notificado da decisão em 12/08/2013, conforme comprovante de entrega dos Correios de fl. 212. Com base no art. 1º da Portaria MF nº 03/08 e no art. 34 do Decreto nº 70.235/72 o crédito tributário foi encaminhado para apreciação da presente instância administrativa, em razão de recurso necessário. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, inclusive o requisito específico de admissibilidade previsto na Portaria MF nº. 3º/08, uma vez que extinguiu o crédito tributário no montante de R$ 64.416.291,19 de imposto suplementar, portanto dele conheço. O Acórdão recorrido reconhece de ofício a decadência do crédito tributário, uma vez que a constituição do mesmo ocorreu em prazo superior ao previsto no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (CTN). A possibilidade dos órgãos decisórios da esfera administrativa reconhecer a decadência de ofício tem por fundamento mediato o princípio da legalidade e a atividade administrativa plenamente vinculada a qual está jungida a administração tributária, na forma do art. 149 e seu parágrafo único do Código Tributário Nacional. O fundamento imediato encontrase no art. 7º incisos IV e V da Portaria MF nº. 341/11, nos seguintes termos: Art. 7º São deveres do julgador: (...) IV cumprir e fazer cumprir as disposições legais a que está submetido; e V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Neste contexto, não se verifica erro in procedendo no ato decisório proferido pelo órgão aquo, passandose a análise quanto a possível erro in judicando. Uma vez que o art. 10 da Lei nº. 9.393/96 determina que compete ao sujeito passivo da obrigação tributária o dever de apurar e antecipar o pagamento do ITR, a modalidade de lançamento no presente caso é o lançamento por homologação previsto no art. 150 do CTN. Confirase: Fl. 220DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. No que concerne ao prazo decadencial para o lançamento por homologação o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, pacificou o entendimento de que a aplicação do art. 150, §4º do CTN ocorre na hipótese de homologação de lançamento com pagamento antecipado. Não havendo o pagamento antecipado a hipótese é de lançamento de ofício (art. 173, I do CTN). Conforme apontado pela 1ª Turma da DRJ/BSB, o Contribuinte procedeu ao pagamento do imposto apurado na DITR/2008 de R$ 10,00 dentro do respectivo prazo conforme tela digitalizada do sistema “Sinal 07” de fls. 200. Diante do exposto o prazo decadência no presente caso tem por prazo inicial 01/01/2008 encerrandose em 31/12/2012, cinco anos a partir do fato gerador. Conforme documento de fls. 197, o Contribuinte foi notificado do lançamento em 18/03/2013, isto é, após o prazo legal para constituição do crédito tributário, restando assim decaída a autoridade fiscal quanto a sua pretensão de constituição do crédito tributário apurado. Registrese que a própria lavratura da Notificação de Lançamento foi efetuada fora do prazo decadencial, 11/03/2013. Isto posto, compreendese que ao tempo da ciência do Contribuinte da Notificação de Lançamento de fls. 03 encontravase decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 221DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 15374.903033/2008-06
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1803-000.115
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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(assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 00226.50978.180906.1.7.022634 em 18.09.2006, e 26629.67361.180906.1.7.024572 em 18.09.2006, fls. 0210, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$97.437,86 referente ao anocalendário de 2003, apurado pelo lucro real anual, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 1213, , as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 03 03 3/ 20 08 -0 6 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.903033/200806 Resolução nº 1803000.115 S1TE03 Fl. 371 2 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP, consta imposto a pagar. Valor original do saldo negativo Informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 97.437,86 Valor do Imposto a pagar na DIPJ: R$ 5.388.098,36 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 00226.50978.180906.1.7.022634 e 26629.67361.180906.1.7.024572 Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 168 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 6º, art. 28 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 1720, apresentando os argumentos abaixo sintetizados. Suscita que: A Secretaria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro não homologou a compensação declarada pela Contribuinte nos seguintes PER/DCOMP: 00226.50978.180906.1.7.022634 e 26629.67361.180906.1.7.024572 (anexo 2), relativos à compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003jc^m débito de IRPJ de fevereiro e maio de 2004, uma vez que, os efeitos do Mandado de Segurança n° 1999.34.00.0030846 não foram refletidos na DIPJ de modo a possibilitar a constatação de saldo negativo. [...]Os PER/DCOMP, nos valores de R$87.873,42 e R$9.564,44, decorrem da existência de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2003, amparados pelos efeitos do Mandado de Segurança n° 1999.34.00.0030846, da 21ª Vara Federal de Brasília (anexo 3), do qual transcrevemos abaixo a sentença: "Diante o exposto, ACOLHO o pedido para declarar a inconstitucionalidade do art. 1° parágrafo único, da Lei n° 9.316/97 e, em conseqüência, a inexistência da respectiva relação jurídica, possibilitando as impetrantes deduzirem os valores da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da determinação do lucro real, base de cálculo do imposto sobre a renda (IRPJ)” Ressaltese que a apuração dos saldos negativos é conseqüência direta da aplicação do MS, vez que a redução dos valores da CSLL da base de cálculo do IR resultou na apuração de valores devidos inferiores aos efetiva e previamente recolhidos, o que não pode ser demonstrado na DIPJ do exercício, pelas razões abordadas na seqüência. A RFB, até a DIPJ 99 AC 98, disponibilizava a linha 19 () Exigibilidade Suspensa, na ficha 13 Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real (anexo 4), que se prestaria a essa informação, de modo a refletir na DIPJ o efeito do MS. Os efeitos do MS somente estariam plenamente registrados na DIPJ, caso existisse campo para a informação destacada na planilha que se segue, cujos efeitos na apuração do Saldo Negativo do IRPJ seriam por si só evidentes: DIPJ Imposto Sobre o Lucro Real 01.Alíquota de 15% R$36.645.989,39 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.903033/200806 Resolução nº 1803000.115 S1TE03 Fl. 372 3 02.Adicional R$24.406.659,60 Deduções 03.Operações de Caráter Cultural e Artístico (R$728.880,00) 04.Programa de Alimentação do Trabalhador (R$15.819,91) 05.Atividade Audiovisual (R$400.000,00) 08. Imposto de Renda Retido na Fonte (R$97.437,86) 12.IR Mensal Pago por Estimativa (R$54.422.412,86) Suspensão 25% CSLL* (R$5.485.536,22) 14. IRPJ a pagarsaldo negativo (R$97.437,86) * Base de Cálculo CSLL R$ 21.942.144,87 x 25% = R$5.485.536,22 Notase que o saldo negativo é decorrente do IRRF recolhido por terceiros e não deduzido pela Contribuinte no período. Devido à falta de definições sobre o preenchimento da DIPJ, de maneira a evidenciar os efeitos do Mandado de Segurança, a Contribuinte optou por informar a dedução da despesa de CSLL na DCTF (anexo 5), campo "suspensão" em conformidade com as orientações da Receita Federal contidas na opção ajuda instruções de preenchimento da ficha de suspensão disponibilizada no programa de preenchimento da DCTF. Enquanto, na DIPJ, o valor do IRPJ apurado com base no lucro real é registrado em sua integralidade, gerando, com isso, uma distorção na declaração de saldo de imposto de renda a pagar. O motivo da não homologação decorre do entendimento da Receita Federal no tocante ao Saldo Negativo de IRPJ no anocalendário de 2003, vez que se atém exclusivamente ao valor informado na DIPJ/2004, ignorando os efeitos do MS (anexo 6). Embora a União (Fazenda Nacional) tenha apresentado apelação (fls. 457/468), em 15.02.2000, em que requer "Anulação da r. sentença; Reforma da r. sentença cassandose a segurança concedida pelo decisum recorrido," o Juiz da 21ª Vara/DF, em 18.02.2000, recebeu a apelação apenas em seu efeito devolutivo (anexo 7) (fl. 469), permanecendo os efeitos originais do MS, o que significa dizer que a sentença de 1 o grau proferida encontrase plenamente vigente. Deste modo, não havendo reforma da decisão no Mandado de Segurança, o direito às deduções das despesas de CSLL nas bases de cálculo do IRPJ devem produzir os efeitos nos moldes da sentença, sendo inconcebível que a Contribuinte não usufrua do direito concedido em juízo por mera ausência de forma ou previsão adequada quanto às declarações. Conclui que: Pelo exposto, demonstrada a existência de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003, requer a autuada seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para declarar a homologação das PER/DCOMP. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12 35.740, de 17.02.2011, fls. 129136: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS ou CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.903033/200806 Resolução nº 1803000.115 S1TE03 Fl. 373 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 21.06.2011, fl. 177, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.06.2012 (segundafeira), fls. 177187, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta: Deve ser reformada in totum a r. decisão de 1ª instância prolatada pela 1ª Turma de Julgamentos da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ), em 17.02.2011 Acórdão n° 1235.740, consubstanciada na Comunicação n°465/2011, pois totalmente contrária à prova dos autos e ao Direito, em razão dos fatos e dos jurídicos e ilegais fundamentos a seguir aduzidos. [...] Os PER/DCOMP, nos valores de R$87.873,42 e R$9.564,44, decorrem da existência de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2003, amparados pelos efeitos do Mandado de Segurança n° 1999.34.00.0030846, da 21ª Vara Federal de Brasília (anexo 3), do qual transcrevemos abaixo a sentença: "Diante o exposto, ACOLHO o pedido para declarar a inconstitucionalidade do art. 1° parágrafo único, da Lei n° 9.316/97 e, em conseqüência, a inexistência da respectiva relação jurídica, possibilitando as impetrantes deduzirem os valores da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da determinação do lucro real, base de cálculo do imposto sobre a renda (IRPJ)” Ressaltese que a apuração dos saldos negativos é conseqüência direta da aplicação do MS, vez que a redução dos valores da CSLL da base de cálculo do IR resultou na apuração de valores devidos inferiores aos efetiva e previamente recolhidos, o que não pode ser demonstrado na DIPJ do exercício, pelas razões abordadas na seqüência. A RFB, até a DIPJ 99 AC 98, disponibilizava a linha 19 () Exigibilidade Suspensa, na ficha 13 Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real (anexo 4), que se prestaria a essa informação, de modo a refletir na DIPJ o efeito do MS. Os efeitos do MS somente estariam plenamente registrados na DIPJ, caso existisse campo para a informação destacada na planilha que se segue, cujos efeitos na apuração do Saldo Negativo do IRPJ seriam por si só evidentes: DIPJ Imposto Sobre o Lucro Real 01.Alíquota de 15% R$36.645.989,39 02.Adicional R$24.406.659,60 Deduções 03.Operações de Caráter Cultural e Artístico (R$728.880,00) 04.Programa de Alimentação do Trabalhador (R$15.819,91) 05.Atividade Audiovisual (R$400.000,00) 08. Imposto de Renda Retido na Fonte (R$97.437,86) 12.IR Mensal Pago por Estimativa (R$54.422.412,86) Suspensão 25% CSLL* (R$5.485.536,22) 14. IRPJ a pagarsaldo negativo (R$97.437,86) * Base de Cálculo CSLL R$ 21.942.144,87 x 25% = R$5.485.536,22 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.903033/200806 Resolução nº 1803000.115 S1TE03 Fl. 374 5 Notase que o saldo negativo é decorrente do IRRF recolhido por terceiros e não deduzido pela Contribuinte no período. Devido à falta de definições sobre o preenchimento da DIPJ, de maneira a evidenciar os efeitos do Mandado de Segurança, a Contribuinte optou por informar a dedução da despesa de CSLL na DCTF (anexo 5), campo "suspensão" em conformidade com as orientações da Receita Federal contidas na opção ajuda instruções de preenchimento da ficha de suspensão disponibilizada no programa de preenchimento da DCTF. Enquanto, na DIPJ, o valor do IRPJ apurado com base no lucro real é registrado em sua integralidade, gerando, com isso, uma distorção na declaração de saldo de imposto de renda a pagar. O motivo da não homologação decorre do entendimento da Receita Federal no tocante ao Saldo Negativo de IRPJ no anocalendário de 2003, vez que se atém exclusivamente ao valor informado na DIPJ/2004, ignorando os efeitos do MS (anexo 6). Embora a União (Fazenda Nacional) tenha apresentado apelação (fls. 457/468), em 15.02.2000, em que requer "Anulação da r. sentença; Reforma da r. sentença cassandose a segurança concedida pelo decisum recorrido," o Juiz da 21ª Vara/DF, em 18.02.2000, recebeu a apelação apenas em seu efeito devolutivo (anexo 7) (fl. 469), permanecendo os efeitos originais do MS, o que significa dizer que a sentença de 1º grau proferida encontrase plenamente vigente. Deste modo, não havendo reforma da decisão no Mandado de Segurança, o direito às deduções das despesas de CSLL nas bases de cálculo do IRPJ devem produzir os efeitos nos moldes da sentença, sendo inconcebível que a Contribuinte não usufrua do direito concedido em juízo por mera ausência de forma ou previsão adequada quanto às declarações. Ademais, repitase, mais uma vez, que, a partir da informação constante no Despacho Decisório n.° 759956268, onde a Receita Federai do Brasil não identificou a existência de crédito de saldo negativo, sob o fundamento de que na ficha 12 da DIPJ 2004 consta saldo a pagar no valor de R$5.388.098,36, o problema reside, justamente na impossibilidade de se demonstrar nesta declaração os efeitos imediatos do Mandado de Segurança sub oculis, ou seja, da dedução da despesa da CSLL na base de cálculo de IRPJ. Buscando demonstrar, novamente, os efeitos da aplicação imediata da sentença favorável à Recorrente no Mandado de Segurança, ou seja, da dedução da despesa da CSLL na base de cálculo de IRPJ [...]. Para melhor elucidar a questão, reiterese, à exaustão, quanto à inexistência, na DIPJ 2004, anocalendário 2003, de campo específico que permita refletir o efeito do Mandado de Segurança na apuração do tributo IRPJ, o que já foi possível até a DIPJ 1999, anocalendário 1998 [...]. Assim, caso referido campo existisse na DIPJ 2004 restaria plenamente evidenciado o crédito da Recorrente ora questionado [...]. Assim, uma vez aceitas as argumentações ora levantadas, com a devida venia, a regularização da ocorrência seria mediante retificação de ofício da DIPJ 2004, de acordo com o item 4, quadros 1 e 2, ou item 5, quadro 4, embasando, em consequência, o entendimento ora exposto, sobre a improcedência da homologação ora pleiteada pelo Fisco, ressaltando, em especial, que a discussão decorre dos efeitos do Mandado de Segurança em reduzir de imediato a base de cálculo do IRPJ, mediante a dedução da despesa de CSLL na apuração do Lucro Real. Conclui que: Fl. 374DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.903033/200806 Resolução nº 1803000.115 S1TE03 Fl. 375 6 Ex Positis, requer a Recorrente o provimento do presente Recurso para, reformando a decisão recorrida, sejam homologados os PER/DCOMP 00226.50978.180906.1.7.022634 e 26629.67361.180906.1.7.024572. A Recorrente apresenta Petição às fls. 311368 afirmando que: No que tange aos débitos de responsabilidade da Recorrente [...] vinculados ao mandamus acima noticiado, houve por bem a DEMAC, constituir os Processos Administrativos n° 19740.000325/200812, 16682.720263/201027, 16682.720594/201229 e 16682.720997/201359 [...], onde se discute a exigibilidade dos aludidos débitos oriundos da referida ação mandamental impetrada. Pois bem. Com o trânsito em julgado do acórdão proferido em sede de apelação restou cassada a sentença concessiva da segurança no MS n° 1999.34.00.0030846, para confirmar e reconhecer a constitucionalidade da indedutibilidade das despesas de CSLL da apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ. Sói acontecer que, com a edição da Lei nº 12.865/2013 que, no seu art. 17, reabriu o prazo para adesão ao REFIS instituído pela Lei n° 11.941/2009 a Recorrente optou em aderir ao benefício fiscal reaberto, realizando, por conseguinte, o "pagamento integral e à vista" dos débitos objeto dos Processos Administrativos n° 19740.000325/20812, 16682.720263/201027, 16682.720594/201229 e 16682.720997/201359 [...]. Vale salientar ainda que, para obter o benefício fiscal reaberto, como condição essencial, deveria então, a Contribuinte que, de fato, o fez desistir de eventual impugnação e/ou recurso, quitar ou parcelar os débitos em aberto, além de renunciar a quaisquer alegações de direito que fundam os processos [...], cujos pedidos foram tempestiva e regularmente formulados nos aludidos feitos. Assim, Sra. Conselheira Relatora, não remanesce dúvida de que o recolhimento de IRPJ balizador do direito creditório glosado, cujo valor aqui discutido está incluso nos comprovantes de arrecadação em anexo [...]. Noutras palavras, isso importa afirmar que o débito devido pela Recorrente neste feito já foi integralmente quitado, e a manutenção da glosa configurará bis in idem, traduzindo, em última análise, no enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, conduta esta repudiada por esse Conselho, data maxima venia. Pelo exposto, requer seja provido o presente recurso para, confirmando o direito da Recorrente à compensação de seu direito creditório, determine ao Fisco que homologue integralmente as DCOMP’s objeto do presente feito, com especial destaque para o "pagamento integral e à vista" já comprovadamente realizado [...], cuja destinação objetivou a fruição do benefício fiscal reaberto pela Lei n° 12.865/2013, privilegiando, dentre outros, os princípios da eficiência, da razoabilidade, da legalidade, do não confisco e, sobretudo, da verdade material. Caso assim não entenda, ad cautelam, requer seja o presente julgamento convertido em diligência, para determinar a manifestação da DEMACRJ acerca da regularidade do "pagamento integral e à vista" realizado na adesão ao benefício fiscal noticiado, cuja manifestação irá importar no reconhecimento do crédito glosado e, por conseguinte, na homologação das DCOMP’s objeto do presente feito. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.903033/200806 Resolução nº 1803000.115 S1TE03 Fl. 376 7 É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora A Recorrente apresentou petição de desistência total do recurso voluntário. Acerca da desistência total do recurso voluntário, estabelece o art. 78 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho administrativo de Recursos Fiscais (RICARF): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...] §3° No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010). Na Petição às fls. 311368 está registrado: Sói acontecer que, com a edição da Lei nº 12.865/2013 que, no seu art. 17, reabriu o prazo para adesão ao REFIS instituído pela Lei n° 11.941/2009 a Recorrente optou em aderir ao benefício fiscal reaberto, realizando, por conseguinte, o "pagamento integral e à vista" dos débitos objeto dos Processos Administrativos n° 19740.000325/20812, 16682.720263/201027, 16682.720594/201229 e 16682.720997/201359 [...]. Vale salientar ainda que, para obter o benefício fiscal reaberto, como condição essencial, deveria então, a Contribuinte que, de fato, o fez desistir de eventual impugnação e/ou recurso, quitar ou parcelar os débitos em aberto, além de renunciar a quaisquer alegações de direito que fundam os processos [...], cujos pedidos foram tempestiva e regularmente formulados nos aludidos feitos. A Recorrente, por meio da Petição às fls. 311368 apresentou desistência total do recurso voluntário e renunciou a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta em relação às exigências constantes nos processos n°s 19740.000325/20812, 16682.720263/201027, 16682.720594/201229 e 16682.720997/201359. Aduz que por essa razão remanesce o saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$97.437,86 referente ao anocalendário de 2003, apurado pelo lucro real anual, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp de fls. 0210. Tendo em vista as peculiaridades dos presentes autos, bem como do início de prova produzido pela Recorrente, em sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente Fl. 376DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.903033/200806 Resolução nº 1803000.115 S1TE03 Fl. 377 8 cotejar as informações fornecidas pela Recorrente com os registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, a clareza, a precisão e a congruência das exigências constantes nos presentes autos e aquelas relativas aos pagamentos efetuados. A autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial verificar se remanesce o saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$97.437,86 referente ao anocalendário de 2003, apurado pelo lucro real anual, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp de fls. 0210. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13827.001117/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONEXÃO POR PREJUDICIALIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ENQUANTO PENDENTE A DECISÃO DA QUESTÃO PREJUDICIAL.
O direito ao regime de tributação pelo SIMPLES FEDERAL é questão prejudicial ao julgamento da exigência das contribuições previdenciárias em lançamento de ofício lavrado em decorrência da exclusão do regime.
Essa Turma de Julgamento não tem competência para processar e julgar os recursos em Processo Administrativo de Exclusão do SIMPLES.
O recurso interposto no Processo Administrativo de Exclusão do SIMPLES tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da exclusão.
VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO EM RAZÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Para fins de determinação do crédito tributário lançado de ofício devem ser deduzidos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte de acordo com o SIMPLES FEDERAL. Aplicação da Súmula CARF nº 76.
EFEITO TEMPORAL DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES.
O efeito do ato de exclusão do SIMPLES FEDERAL com fundamento em atividade vedada retroage ao mês subseqüente ao surgimento da causa impeditiva, nos termos do art. 15, II, da Lei 9.317/96. Entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial submetido ao regime do artigo 543-C do CPC.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para que sejam deduzidas as contribuições previdenciárias recolhidas na sistemática do SIMPLES.
Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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SIMPLES FEDERAL. Recorrente REVAL ATACADO DE PAPELARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONEXÃO POR PREJUDICIALIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ENQUANTO PENDENTE A DECISÃO DA QUESTÃO PREJUDICIAL. O direito ao regime de tributação pelo SIMPLES FEDERAL é questão prejudicial ao julgamento da exigência das contribuições previdenciárias em lançamento de ofício lavrado em decorrência da exclusão do regime. Essa Turma de Julgamento não tem competência para processar e julgar os recursos em Processo Administrativo de Exclusão do SIMPLES. O recurso interposto no Processo Administrativo de Exclusão do SIMPLES tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da exclusão. VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO EM RAZÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Para fins de determinação do crédito tributário lançado de ofício devem ser deduzidos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte de acordo com o SIMPLES FEDERAL. Aplicação da Súmula CARF nº 76. EFEITO TEMPORAL DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. O efeito do ato de exclusão do SIMPLES FEDERAL com fundamento em atividade vedada retroage ao mês subseqüente ao surgimento da causa impeditiva, nos termos do art. 15, II, da Lei 9.317/96. Entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial submetido ao regime do artigo 543C do CPC. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 11 17 /2 00 9- 85 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para que sejam deduzidas as contribuições previdenciárias recolhidas na sistemática do SIMPLES. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13827.001117/200985 Acórdão n.º 2402004.217 S2C4T2 Fl. 204 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 1436.309 da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Ribeirão Preto SP, fl. 173176, com ciência ao sujeito passivo em 14/05/2012, fl. 179 que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.251.5118, com ciência ao sujeito passivo em 30/12/2009, fl. 96. De acordo com o relatório fiscal de fl. 4448, e anexos, o AIOP trata de exigência de contribuições patronais incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e sobre os valores pagos ou devidos aos contribuintes individuais administradores da empresa DFG –Transporte e Logística Ltda EPP, incorporada em 01/01/2008 por REVAL Atacado de Papelaria Ltda, no período de 02/2005 a 06/2007, destinadas ao custeio da Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. A autoridade lançadora relata que a empresa DFG –Transporte e Logística Ltda — EPP era optante pelo SIMPLES FEDERAL até 30/06/2007, tendo dele sido excluída por meio do Ato Declaratório Executivo n° 83, em 18/12/2009, da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em BauruSP, com efeitos da exclusão a partir de 01/01/2005. Ainda de acordo com o relatório fiscal, a exclusão do SIMPLES ocorreu porque a empresa exercia atividade de locação de mãodeobra, a qual é vedada. Ficou consignado no relatório fiscal que os dados relativos aos fatos geradores das contribuições apuradas foram declarados, pela empresa incorporada, em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação a Previdência Social (GFIP). A autuada apresentou impugnação tempestiva abrangendo as matérias do lançamento. O julgamento foi convertido em diligência para que a fiscalização prestasse informações sobre a aplicação de juros nos valores compensados oriundos de retenções sofridas pela empresa na prestação de serviços (Despacho n°51/2011, fl. 138). Em informação fiscal, fl. 145, a autoridade lançadora manifestouse pela alteração dos valores devidos nas competências 07/2005, 04/2006 e 06/2007, mediante aplicação dos juros nos valores compensados. O contribuinte foi devidamente intimado do resultado da diligência, fl. 152, e apresentou manifestação, fl. 154. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário lançado, deduzindo do crédito tributário lançado as diferenças de juros incidentes sobre as contribuições retidas nas competências 07/2005, 04/2006 e 06/2007. O julgado restou assim ementado: SIMPLES. EXCLUSÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Eventual manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples deve ser apresentada no processo relativo do Ato Declaratório Executivo de exclusão do regime simplificado. É vedada a compensação em documento de arrecadação previdenciária de valor recolhido indevidamente para outro órgão da Administração Pública, ainda que se refira a contribuições devidas à Previdência Social, mesmo aquelas decorrentes da opção pelo SIMPLES. Em 06/06/2012, fl. 181, o sujeito passivo, por meio de representante legal qualificado nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, fl. 181193, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese: Em preliminar, suscita a conexão com o processo administrativo no qual discute o Ato Declaratório de Exclusão do Simples. Ratifica as razões da impugnação, principalmente com relação à exclusão do SIMPLES, discordando da tese de que essa matéria deve ser apreciada somente no processo relativo ao ADE, por considerála contraditória e contrária aos princípios que norteiam o contencioso administrativo. Alega que na data do lançamento estava legalmente no SIMPLES, pois foi intimada do ADE depois de ter sido cientificada do lançamento tributário. No mérito, alega que devem ser aproveitadas as contribuições recolhidas na sistemática do SIMPLES para abatimento do valor lançado, insurgindose contra a vedação expressa no art. 193, § 4o da Instrução Normativa SRP nº 03/2005 e art. 44, § 6o da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Sustenta que a restrição contida na IN SRP 03/2005 atinge somente os recolhimentos efetuados em GPS e não em DARF, que ela se refere ao direito do contribuinte compensar e não de aproveitar valores recolhidos em lançamento de ofício, argumentando também que, na data do lançamento, já era a Receita Federal o órgão arrecadador do tributo com base em ambos os regimes. Argumenta que as instruções normativas não são o meio adequado para regulamentar compensação, o que é privativo de lei, nos termos do artigo 170 do CTN, e que nem a Lei 9.317/96, nem o art. 89, da Lei 8.212/91 c/c o art. 21, § 5o da Lei Complementar nº 123/2006 restringem o aproveitamento dos recolhimentos. Alega que não é aplicável a IN RFB n° 900/2008, pois a competência para regular a matéria é do Comitê Gestor do Simples Nacional, nos termos do artigo 21, com as alterações da Lei Complementar 139/2011, inciso IV, §§ 10 e 11, transcrito em sua peça, e que este entendimento deve retroagir para o período do lançamento, com base no art. 106, II, “c” do CTN, uma vez que o indeferimento ao seu pleito é uma penalidade que lhe está sendo imposta. Ao final requer que o lançamento seja julgado improcedente, e, subsidiariamente, que seja decretada a suspensão do crédito tributário e que os recolhimentos efetuados através de DARF sejam abatidos dos valores lançados. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13827.001117/200985 Acórdão n.º 2402004.217 S2C4T2 Fl. 205 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar Processo Administrativo de Exclusão do SIMPLES FEDERAL. Conexão por Prejudicialidade. Julgamento das Matérias Diferenciadas. Suspensão da decisão até o julgamento da questão prejudicial Consta dos autos que o processo administrativo nº 13827001071/200902 trata do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 083, de 18/12/2009, da DRF BauruSP, relativo à exclusão do SIMPLES FEDERAL da empresa DFG – Transportes e Logística Ltda EPP, sucedida pela recorrente. Em consulta ao sistema eprocesso e ao sistema de protocolo do Ministério da Fazenda (COMPROT) o referido processo administrativo está atualmente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). A relação jurídica discutida neste processo é a obrigação tributária das empresas em geral, e, naquele processo, o direito ao recolhimento de tributos federais pela sistemática do SIMPLES. As relações jurídicas discutidas nos dois processos são distintas, mas, sem dúvida, vinculadas por prejudicialidade, pois a solução quanto ao direito da empresa ao regime diferenciado refletirá no crédito tributário lançado de acordo com o regime de tributação das empresas em geral. Nessa situação é salutar que se evite decisões contraditórias, motivo pelo qual a melhor solução seria a reunião dos processos (art. 105 do CPC). Ocorre que essa solução é inaplicável ao caso porque não há identidade de competência entre os órgãos julgadores dessas matérias. No Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o processamento e julgamento dos recursos que envolvam as matérias tratadas nos dois processos competem a Seções de Julgamento diferentes, conforme arts. 2o e 3o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que estabelecem as atribuições (competências) específicas de cada órgão dessa Corte Administrativa: Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ... V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); Art. 3°. À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ... IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Portanto, com relação ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise dessa Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). Passo então à análise das demais alegações do recurso que são de competência dessa Turma Julgadora. Ressalto que este procedimento não traz qualquer prejuízo ao sujeito passivo considerando que essa decisão ficará sobrestada até a decisão definitiva sobre o direito da recorrente ao regime do SIMPLES FEDERAL, uma vez que o recurso interposto naquele processo tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15 § 3o da Lei 9.317/96. Mérito Efeito temporal do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do SIMPLES A intimação do ADE posterior ao lançamento tributário também não tem o condão de modificar a eficácia temporal do ato de exclusão por atividade vedada, que é o mês subseqüente ao surgimento da causa impeditiva, nos termos do art. 15, II, da Lei 9.317/96, entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Especial submetido ao regime do artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), como se vê nos seguintes trechos da ementa do acórdão do REsp 1124507/MG: (...) SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96 (...) Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13827.001117/200985 Acórdão n.º 2402004.217 S2C4T2 Fl. 206 7 produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. (STJ, Primeira Seção, REsp 1124507/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, abr/2010) Ademais, a intimação do ADE feita após a ciência do lançamento tributário decorrente da exclusão do SIMPLES não trouxe prejuízo à defesa desse processo, considerando que no relatório fiscal estão consignados os fundamentos de fato e de direito que levaram à exclusão do SIMPLES e considerando que a apreciação do direito ao regime do SIMPLES se dá no processo próprio. Em suma, o ADE gera efeitos a partir do mês subseqüente ao surgimento da causa impeditiva independentemente da data da intimação do sujeito passivo. Exclusão do SIMPLES FEDERAL. Dedução, no lançamento de ofício, dos recolhimentos realizados no regime do SIMPLES FEDERAL. Nos casos de exclusão do contribuinte do SIMPLES FEDERAL, instituído pela Lei nº 9317/1996, há possibilidade de se deduzir os valores pagos indevidamente do valor do crédito tributário lançado de ofício, desde que referentes ao mesmo período e na proporção do recolhimento do tributo englobado pelo SIMPLES. Tratase de entendimento pacificado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), refletido no enunciado da Súmula CARF nº 76: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada1. Conforme o disposto no art. 3° da Lei 9.317/96, a adesão ao SIMPLES implicava no pagamento unificado de diversos tributos ali especificados, entre eles, as Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da empresa, previstas no art. 22 da Lei 8.212/91. Constam dos autos, fl. 123132, Documentos de Arrecadação Federal (DARF) com código de pagamento 6106 (SIMPLES), relativos a recolhimentos efetuados pela empresa sucedida no período abrangido pelo auto de infração. Assim, os valores que a recorrente recolheu a título de contribuições previdenciárias na sistemática do SIMPLES devem ser considerados para dedução do crédito tributário exigido no presente auto de infração. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para que sejam deduzidas as contribuições previdenciárias recolhidas na sistemática do SIMPLES, na proporção do que foi recolhido e nas competências a que se referem os pagamentos, observadas as cautelas de praxe. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora 1 Súmula consolidada/aprovada pelo Pleno em Sessão de 10/12/2012. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11020.001664/2005-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Na forma do art. 12 da Lei no 7.713, de 1988, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente oriundos de reclamatória trabalhista, o imposto incidirá no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.
IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL.
Verificada a falta de retenção do imposto sobre a renda, pela fonte pagadora dos rendimentos, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, exige-se desta o imposto, acompanhado de juros de mora e multa, se for o caso.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas trabalhistas recebidas no contexto de perda do emprego.
Numero da decisão: 2101-002.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso, para manter o lançamento, excluindo da base de cálculo do Imposto de Renda apenas o valor dos juros moratórios recebidos em ação trabalhista, no âmbito da rescisão da relação de trabalho. Vencidos os conselheiros Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso e Maria Cleci Coti Martins, que dava provimento em parte, em maior extensão.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator designado.
EDITADO EM: 10/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEÃO (Relator).
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Na forma do art. 12 da Lei no 7.713, de 1988, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente oriundos de reclamatória trabalhista, o imposto incidirá no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. IRPF. VALORES NÃO RETIDOS A TÍTULO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Verificada a falta de retenção do imposto sobre a renda, pela fonte pagadora dos rendimentos, após a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, exigese desta o imposto, acompanhado de juros de mora e multa, se for o caso. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas trabalhistas recebidas no contexto de perda do emprego. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento em parte ao recurso, para manter o lançamento, excluindo da base de cálculo do Imposto de Renda apenas o valor dos juros moratórios recebidos em ação trabalhista, no âmbito da rescisão da relação de trabalho. Vencidos os conselheiros Eduardo de Souza Leão e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso e Maria Cleci Coti Martins, que dava provimento em parte, em maior extensão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 16 64 /2 00 5- 97 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado. EDITADO EM: 10/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEÃO (Relator). Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário objetivando a reforma do Acórdão de nº 10 28.918 da 4ª Turma da DRJ/POA (fls. 147/165), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação da Contribuinte/Recorrente, mantendo o Lançamento Fiscal lavrado para incluir na tributação valores omitidos, correspondentes a rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte em razão de ação trabalhista, tomados como isentos. Os argumentos de Impugnação arguidos foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “A contribuinte apresentou impugnação, de fls. 01 a 27, não concordando com o Auto de Infração, solicitando que seja julgado improcedente o lançamento, argumentando que a Juíza se refere aos descontos fiscais que deverão ser com base nos valores históricos, apresentou planilha às fls. 77 e 78 com os valores calculados para o IRRF e o respectivo recolhimento. Argumenta, ainda, que a exigência fiscal contraria o comando sentencial, indo de encontro às recentes decisões judiciais (fls. 149). Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.001664/200597 Acórdão n.º 2101002.497 S2C1T1 Fl. 202 3 A decisão proferida pela da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre (RS), restou assim ementada: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. É de se manter a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, de natureza tributável, auferidos pelo contribuinte e não oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual no respectivo exercício do recebimento. TAXA SELIC. SÚMULA N.° 4. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS – CARF “A partir de 1.° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” No Recurso de fls. 169/180, o Recorrente alega que a legislação tributária não autoriza a exigência do imposto sobre a renda de forma acumulada, e que o imposto deve ser calculado mês a mês, aplicandose aos rendimentos as alíquotas vigentes nos meses aos quais se referem. Transcreve precedentes jurisprudenciais no mesmo sentido levantado. Pede, ao final, que se declare a improcedência do Auto de Infração e a consequente extinção do lançamento, ou, alternativamente, a exclusão da multa de ofício. No entendimento de que o Lançamento Tributário, objeto deste processo, versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, atentando a norma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, cuja matéria estaria sob apreciação do STF no julgamento do RE 614406RS, este Colegiado emitiu Resolução (fls. 197/200) sobrestando a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que houvesse decisão definitiva da Corte Suprema, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1º e 2º, do RICARF, vigente à época. Ocorre que os §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF foram revogados pelo Sr. Ministro da Fazenda, por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Deste modo, coloco o feito em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, está em litígio lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão da ação da ação trabalhista movida contra o Banco Meridional do Brasil. Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês): “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 14/05/2010). Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.001664/200597 Acórdão n.º 2101002.497 S2C1T1 Fl. 203 5 Este posicionamento vem sendo mantido de forma pacífica na Colenda Corte Superior de Justiça, conforme ementas transcritas apenas a título de exemplo: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. 1. No julgamento do REsp 1.118.429/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 14.5.2010, submetido à sistemática do art. 543c do CPC, a Primeira Seção decidiu que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos a destempo e acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Disso resulta que não seria legítima a cobrança do tributo sobre o valor global pago fora do prazo legal. 2. O reconhecimento da repercussão geral pela Suprema Corte não enseja o sobrestamento do julgamento dos recursos especiais que tramitam no Superior Tribunal de Justiça. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl no REsp 1427079/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 07/04/2014) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO ART. 535, II, DO CPC. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. PRETENDIDA REDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS COM BASE NO CRITÉRIO DE APRECIAÇÃO EQUITATIVA. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Não procede a alegação de ofensa ao art. 535, II, do CPC, pois, ao julgar os embargos de declaração, embora os tenha rejeitado, o Tribunal de origem pronunciouse sobre a questão neles suscitada como omissa. 2. O art. 295, caput, inciso I e parágrafo único, do CPC, dispõe que a petição inicial será indeferida quando for inepta, dispondo, ainda, quando se considera inepta a petição inicial. Tendo em vista que a alegação de falta de documentos suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional não se insere nas hipóteses de petição inicial inepta, o dispositivo processual tido como contrariado não possui comando normativo suficiente para reformar o acórdão recorrido no ponto em que o Tribunal de origem rejeitou a alegação fazendária de ausência de documentos que comprovem a remuneração recebida pelo autor. Quanto a este aspecto, incide na espécie a Súmula 284/STF, aplicável por analogia ao recurso especial. 3. De acordo com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente". 4. Ressalvadas as hipóteses de valor irrisório ou excessivo, a reavaliação do critério de apreciação equitativa adotado para o arbitramento da verba honorária, quando vencida a Fazenda Pública, não se coaduna com a natureza dos recursos especial e extraordinário, consoante enunciam as Súmulas 7/STJ e 389/STF. Nos presentes autos, o Tribunal de origem elevou os honorários advocatícios para R$ 3.000,00, quantia esta que, conforme consta do acórdão recorrido, equivale a 5% do valor dado à causa. Dadas as peculiaridades fáticas do presente caso, não se apresenta exorbitante a verba honorária fixada pelo Tribunal de origem. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1410118/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 11/03/2014 grifamos). Nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno, este Conselho está obrigado a respeitar as decisões do STJ, nos exatos moldes em que proferidas, sem modificações ou ressalvas do seu alcance e/ou conteúdo. Tanto que em diversos julgados foi manifestada posição neste sentido: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. O recebimento de rendimentos decorrentes de revisão do valor da aposentadoria/benefício, em ação judicial, não é sujeito à tributação exclusiva na fonte, mas pelo regime de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ em Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2801003.442, Processo nº 10580.723157/201148, Relator MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.001664/200597 Acórdão n.º 2101002.497 S2C1T1 Fl. 204 7 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2801003.436, Processo nº 10166.003649/200990, Redator Designado CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF); IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2801003.427, Processo nº 10166.007073/200514, Relator CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF). O Direito Tributário admite, na aplicação da lei, o recurso à equidade, que é a justiça no caso concreto. Ora, não se pode tributar proventos recebidos acumuladamente, em razão de decisão trabalhista, sem observar se seriam tributáveis caso recebidos normalmente em época própria. Ocorrendo o equívoco do empregador, o resultado judicial da ação que corrige a ilegalidade não pode servir de base à incidência tributária, sob pena de sancionarse o trabalhador/contribuinte por antijuridicidade de outros. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente, respeitando ao julgado representativo da controvérsia no STJ. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de por dar provimento ao recurso, afastando da tributação os valores recebidos acumuladamente. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior , Redator designado Com a devida vênia, discordo do ilustre Conselheiro Relator no que diz respeito a seu entendimento pela necessidade de aplicação mandatória, aos presentes autos, do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP, com fulcro no art. 62A do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. Faço notar, a propósito, que tanto no âmbito do REsp supra, como no âmbito das demais decisões judiciais colacionadas pelo Relator, foram analisados casos de rendimentos oriundos de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, e não de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de verbas oriundas de reclamatória trabalhista, como na situação fática em questão. Assim, não há que se falar em violação ao caput do referido art. 62A, quando da não aplicação do REsp 1.118.429/SP à situação sob análise, uma vez que se trata de situação fática distinta para a qual se busca realizar a atividade de interpretação legislativa. A propósito, uma vez afastada a necessidade de utilização do mencionado REsp, entendo como inteiramente aplicável à questão sob análise nos autos o teor do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, verbis: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Assim, alinhome aqui aos argumentos já tecidos pela autoridade julgadora de 1a. instância, no sentido de não se poder furtar a autoridade fiscal de aplicar o dispositivo supra, vigente à época de ocorrência do fato gerador examinado e, destarte, entendo que deva ser mantida a tributação da totalidade dos rendimentos no mês de seu efetivo recebimento, consoante realizada no lançamento em questão. Especificamente em relação à argumentação de ilegitimidade passiva trazida pelo recorrente, em especial quanto à constituição da multa de ofício, é de se notar que, na forma da Súmula CARF n° 12 (a seguir reproduzida), entende este Conselho como plenamente legítima a constituição do crédito na pessoa do contribuinte (beneficiário) após a declaração de ajuste anual, não havendo, assim, a meu ver, qualquer reparo a ser feito nesta seara ao lançamento efetuado. Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.001664/200597 Acórdão n.º 2101002.497 S2C1T1 Fl. 205 9 pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Finalmente, quanto aos juros os que incidem sobre verbas de natureza salarial recebidas acumuladamente, a partir do disposto a Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964, em seu artigo 16, caput e parágrafo único, bem como no artigo 3°, § 4° da Lei n° 7.713, de 1988, entendo, que também se possa cogitar inicialmente, sim, da incidência do imposto de renda sobre tais valores, verbis: Lei 4.506/64 Art. 16. Serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5° do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: [...] Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.(g.n.) Lei 7.713/88 Art. 3o....... (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (g.n.) Todavia, quanto aos mencionados juros, entendo aqui que deva ser necessariamente adotada a interpretação aos dispositivos supra emanada também do STJ no âmbito do REsp 1.227.133/RS, julgado sob o rito previsto no art 543C do CPC, este, sim, de aplicação mandatória neste CARF, uma vez se tratando nos autos de situação fática idêntica à do julgado, tudo em plena obediência ao disposto no caput do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho. O teor deste último REsp estabelece: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. (g.n.) Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. (REsp nº 1.227.133/RS, 1ª Seção do STJ, Relator Ministro Cesar Asfor Rocha, DJe 2/2/2011) Notese que o teor do REsp 1.227.133/RS supra, em verdade, teve seu entendimento aclarado pelo decidido pelo mesmo STJ, agora no âmbito do REsp 1.089.720/RS, onde, mais especificamente, se estabeleceu: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda (g.n.). A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6º, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.001664/200597 Acórdão n.º 2101002.497 S2C1T1 Fl. 206 11 decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 3.1. Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88. 3.2. . O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". 5. Em que pese haver nos autos verbas reconhecidas em reclamatória trabalhista, não restou demonstrado que o foram no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância de perda do emprego). Sendo assim, é inaplicável a isenção apontada no item "3", subsistindo a isenção decorrente do item "4" exclusivamente quanto às verbas do FGTS e respectiva correção monetária FADT que, consoante o art. 28 e parágrafo único, da Lei n. 8.036/90, são isentas. 6. Quadro para o caso concreto onde não houve rescisão do contrato de trabalho: Principal: Horasextras (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; Acessório: Juros de mora sobre horasextras (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; Principal: Décimoterceiro salário (verba remuneratória não isenta) = Incide imposto de renda; Acessório: Juros de mora sobre décimoterceiro salário (lucros cessantes não isentos) = Incide imposto de renda; Principal: FGTS (verba remuneratória isenta) = Isento do imposto de renda (art. 28, parágrafo único, da Lei n. 8.036/90); Acessório: Juros de mora sobre o FGTS (lucros cessantes) = Isento do imposto de renda (acessório segue o principal). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (REsp nº 1.089.720/RS, 1ª Seção do STJ, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 28/11/2012) Desta forma, em se tratando, no caso, de reclamatória decorrente de rescisão do contrato de trabalho (demissão imotivada, na forma de ata de audiência de efl. 31), devese obediência ao disposto nos dois últimos julgados mencionados, na forma do disposto no caput do art. 62A do Regimento Interno deste CARF, de forma que se deva ser exonerada a parcela Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 do crédito tributário decorrente dos juros recebidos no âmbito da reclamatória trabalhista em questão. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao recurso, para manter o lançamento, excluindo da base de cálculo do Imposto de Renda apenas o valor dos juros moratórios recebidos em ação trabalhista, no âmbito da rescisão da relação de trabalho. Sala das Sessões, em 16 de julho de 2014. HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 13/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10830.917801/2011-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS
O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
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BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, devese conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 01 /2 01 1- 58 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917801/201158 Acórdão n.º 3801004.441 S3TE01 Fl. 9 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.917801/201158, contra o acórdão nº 0948.373, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 04 de dezembro de 2013, em que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: “O interessado transmitiu o PER/DCOMP nº 23443.88822.050406.1.2.041649, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 2172, efetuado em 15/9/2003, e/ou compensação dos débitos nela declarados com o mesmo crédito; A DRF Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e/ou não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que; a) DA FORÇA CONSTITUTIVA DO PERDCOMP. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO. VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS SOBRE DEMAIS RECEITAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1°, ART. 3º, DA LEI 9.718/98; c) DOS EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DA INVALIDADE (INEFICÁCIA) DAS DECLARAÇÕES PREENCHIDAS COM BASE NO DISPOSITIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL; d) DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO REQUERIDO; e) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que expõe: 1 Pela inconstitucionalidade do 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, julgada em regime de repercussão geral, RE 585.235MG, deve ser reconhecido o crédito de COFINS, conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF; 2 Desnecessidade de retificação da DCTF para o reconhecimento do crédito, entendendo ser a DCOMP instrumento hábil para constituição de crédito; 3 Comprovação do direito a crédito pela apuração de crédito baseada na cópia da ficha razão com o registro e outras receitas e cópia da ficha razão da conta de tributos a recolher. É o sucinto relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917801/201158 Acórdão n.º 3801004.441 S3TE01 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Base de cálculo da Cofins O direito a creditamento pleiteado está consubstanciado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, ao ampliar o conceito de receitas para envolver todas as receitas auferidas pela empresa, sem a observação do tipo de atividades ou a classificação destas. “.(...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1ºdo artigo 3º da Lei nº9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio)” Não há dúvida sobre o direito a crédito decorrente da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3ª da Lei nº 9.718/98, devendo ser aplicado o entendimento da Suprema Corte por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Nestes termos, entendo que assiste razão ao contribuinte, devendo ser reconhecido o crédito de COFINS pelo recolhimento a maior da contribuição durante a vigência do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 cuja inconstitucionalidade restou reconhecida pelo Pleno do STF. Da comprovação do crédito e da prescindibilidade da retificadora A controvérsia do caso reside no fato de o contribuinte ter realizado pedido de compensação/restituição sem ter feito retificadora da DCTF. No Conselho, dentro do procedimento de compensação, a declaração retificadora seria o instrumento de apuração de direito líquido e certo do contribuinte, devendo ser realizada anteriormente ao pedido de compensação. Não obstante ao apontado, existe a predominância do entendimento de que a DCTF retificadora poderá ser apresentada após o despacho decisório de negou o crédito, desde que sejam apresentados documentos contábeis suficientes, como os apresentados à fl. 23/27, para comprovar que o crédito alegado na PERDCOMP e a correção da DCTF de fato transparecem o direito. A exigência apontada é reflexo dos julgamentos das turmas do Conselho. Esse entendimento nada mais é que a primazia da verdade material em detrimento da forma e procedimento. Isto é, uma vez exigida a juntada de documentação contábil que comprove o valor lançado de DCTF retificadora como crédito, abrese à discussão da matéria de fato, entendose que a contabilidade da empresa possui força probatória para a constituição de direito creditório, superior a mera declaração deste. Uma vez comprovado, pela contabilidade da empresa, o recolhimento da COFINS com inclusão de todas as receitas auferidas pela empresa na base de cálculo por exigência legal e que, pela posterior extinção desta exigência, a empresa teria direito a crédito, resta comprovada a prescindibilidade da apresentação da DCTF retificadora por ter o contribuinte apresentado documentação contábil condizente ao direito pretendido. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917801/201158 Acórdão n.º 3801004.441 S3TE01 Fl. 11 7 Possuo o entendimento que o julgamento exige o claro convencimento sobre a liquidez e certeza da existência do crédito, sendo que a ausência de documentos suficientes para a declaração de sua certeza exige a realização de diligências. Nas situações onde o direito de crédito é certo, sendo necessária tão somente a apuração de sua liquidez entendo que é possível o provimento do pedido, com a subseqüente liquidação posterior pela autoridade fiscal. Entendo que deve ser dado provimento ao presente recurso voluntário, devendo ser homologada a PerDcomp de fl. 31/33, com a sua apuração pela Delegacia de Origem. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo a liquidez do crédito ser apurada pela Delegacia de Origem. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11042.720244/2012-84
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010, 2011
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL.
Reconhece-se a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação, mediante a apresentação de laudo médico oficial, mormente quando corroborado por documentos adicionais que evidenciem tal condição.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009, 2010, 2011 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. Reconhece-se a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação, mediante a apresentação de laudo médico oficial, mormente quando corroborado por documentos adicionais que evidenciem tal condição. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. Reconhecese a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação, mediante a apresentação de laudo médico oficial, mormente quando corroborado por documentos adicionais que evidenciem tal condição. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 2. 72 02 44 /2 01 2- 84 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA, que julgou procedentes Notificações de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) decorrentes da constatação de omissão de rendimentos tributáveis nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010. Passo, com a devida vênia, a reproduzir o relatório da precitada decisão, que bem descreve os fatos sob exame: Constam nos autos Notificações de Lançamentos (03), identificadas a seguir: NL nº 2009/482290014941725, ND 10/21.319.860 lavrada em 11/06/2012 de fls. 05/08 dos autos, por meio da qual exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 2.477,79, incluída multa de ofício e os juros de mora calculados até 29/06/2012, em virtude da constatação de irregularidades na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2009, anocalendário 2008. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 06, a fiscalização informa ter constatado omissão de rendimentos do trabalho a partir da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes nos sistemas da RFB, no valor de R$ 12.775,52. Complementando, registra a não apresentou de Laudo Técnico Pericial, emitido por órgão oficial da União, Estados ou Municípios para a comprovação de que o notificado era portador de moléstia grave . NL nº 2010/482290059575515, ND 10/21.670.843 lavrada em 11/06/2012 de fls. 12/15 dos autos, por meio da qual exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 4.346,35, incluída multa de ofício e os juros de mora calculados até 29/06/2012, em virtude da constatação de irregularidades na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2010, anocalendário 2009. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 13, a fiscalização informa ter constatado omissão de rendimentos do trabalho a partir da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes nos sistemas da RFB, no valor de R$ 14.020,84. Complementando registra a não apresentou de Laudo Técnico Pericial, emitido por órgão oficial da União, Estados ou Municípios, para a comprovação de que o notificado era portador de moléstia grave . NL nº 2011/482290078591792, ND 10/21.688.533 lavrada em 11/06/2012 de fls. 19/22 dos autos, por meio da qual exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 1.405,87, incluída multa de ofício e os juros de mora calculados até 29/06/2012, em virtude da constatação de irregularidades na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2011, anocalendário 2010. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 20 a fiscalização informa ter constatado omissão de rendimentos do trabalho a partir da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes nos sistemas da RFB, no valor de R$ 14.050,38. Complementando registra a não apresentou de Laudo Técnico Pericial, emitido por órgão oficial da União, Estados ou Municípios para a comprovação de que o notificado era portador de moléstia grave. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11042.720244/201284 Acórdão n.º 2802003.178 S2TE02 Fl. 84 3 Consta nos autos às fls. 24, cópia de certidão expedida pelo Poder Judiciário, datada em 17/05/2011, onde Eduardo Alves de Souza Soares foi nomeado inventariante do espólio de Silvia Beatriz Ferreira de Souza Soares, ora notificada. O inventariante apresentou impugnações aos lançamentos nº 2009/482290014941725 ND 10/21.319.860, NL nº 2010/482290059575515, ND 10/21.670.843 e NL nº 2011/482290078591792, ND 10/21.688.533, anexadas às fls. 02, 09 e 16. Segundo referiu, os rendimentos considerados omitidos são isentos de tributação por se referirem a proventos de aposentadoria/reforma/pensão de portador de moléstia grave, contraída após aposentadoria. Observou que de acordo com o manual do IR, os rendimentos recebidos por portadores de doenças terminais estão isentos de IR. Informou estar apresentando cópias de atestado médico assinado por médico credenciado do IPE e histórico da doença assinado por membros do IPE. A instância de primeiro grau manteve a autuação, considerando que as provas trazidas pela contribuinte de que era portadora de moléstia grave, a saber, cópias de atestado médico assinado por médico credenciado do IPE e histórico da doença assinado por membros do IPE de fls. 26/37, não atendem ao requisito legal de que o laudo pericial deve ser emitido por serviço médico oficial. Irresignado, o contribuinte (espólio), representado pelo respectivo inventariante, interpôs o recurso voluntário em 31/10/2012, juntando laudo pericial firmado por médico de saúde pública da Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul e da Prefeitura Municipal de Jaguarão, o qual julga preencher os requisitos legais para o fito de comprovação da condição de portadora de moléstia grave. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Portanto, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão1. Como relatado, o motivo pelo qual restou mantida a autuação foi a insuficiência dos documentos apresentados pelo contribuinte para fins de comprovação da condição de portador de moléstia grave no período examinado. Em sede de recurso voluntário, traz o autuado documento intitulado de "LaudoMédico" (fls. 79/80), com o qual pretende suprir as deficiências apontadas pelo julgamento acórdão a quo. 1 O CARF vem admitindo, ainda, a referida isenção para os rendimentos oriundos de reserva remunerada, a teor do entendimento abaixo sumulado: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11042.720244/201284 Acórdão n.º 2802003.178 S2TE02 Fl. 85 5 Vale observar, por oportuno, que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (na redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) impõe restrições à apresentação de documentos em momento posterior à impugnação. A prescrição legal traduz norma de preclusão temporal, atinente às relações processuais desenvolvidas no bojo do contencioso administrativotributário, e que objetiva, principalmente, impulsionálo de forma segura e ordenada para a solução do conflito instaurado, dentro de um contexto de proteção à boafé. “Como técnica que é, a preclusão deve ser pensada e aplicada em função dos valores a que busca proteger”, conforme já alertou o processualista Fredie Didier Jr. 2. Nessa linha, a aceitação como prova de documento apresentado em momento posterior à impugnação deve ser cogitada, excepcionalmente, desde que respeitadas três condições. Primeiro, possuir o documento a característica de permitir o pronto deslinde do caso controverso, viabilizandose assim o atendimento aos princípios da verdade material, da formalidade moderada e da instrumentalidade. Segundo, que sua análise não implique retorno à etapa processual já superada, salvo para diligência complementar de natureza essencial e âmbito restrito, sob pena de violação frontal aos princípios da preclusão, da duração razoável do processo e da eficiência, os quais servem de esteio ao mencionado art. 16 do Decreto nº 70.235/72. E terceiro, que não reste evidenciado o fato de ter sido a entrega do documento nessa etapa do rito conduta com fins procrastinatórios, em atenção aos deveres de lealdade e ética no curso do processo. Com efeito, o atendimento a essas condições permite maximizar a eficácia do princípio preclusivo, assim entendido como técnica a serviço da composição administrativa dos conflitos tributários. Nessa senda, entendo que o Laudo Médico trazido quando da interposição do recurso voluntário comprova de modo adequado e suficiente a condição de portador de moléstia grave. Tratase de documento com o timbre da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Jaguarão/RS, mediante o qual o médico de saúde pública Clóvis Boito, CRM nº 8.114, da Secretaria Municipal de Saúde de Jaguarão/RS assevera que: (...) acompanhei o [ilegível] de enfermidade da Sra. Sílvia Beatriz de Souza Soares, de maio de 2005 a dezembro de 2010. A paciente referida era portadora de moléstia grave que há [sic] levou ao óbito em 02/dez/2010. Estava acometida de câncer coloretal com metástases disseminandose por todos os órgãos. Temse assim especificado o órgão emissor, a qualificação do portador da moléstia, o diagnóstico e o período da enfermidade, a identificação completa do profissional de saúde bem como o respectivo número de registro junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM). 2 JR., Fredie Didier. Curso de Direito Processual Civil, vol. 1, p. 317. Salvador: Jus Podium, 2014. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 E, em que pese a ausência do CID10 e de maior detalhamento no laudo no que diz respeito à descrição da moléstia, a referida está suficientemente identificada como neoplasia maligna coloretal, constatação essa corroborada pelo teor dos documentos anteriormente apresentados junto com a impugnação (fls. 26/37). Essa doença, vale dizer, está entre as discriminadas pela legislação como sendo aptas a conferir aos seus portadores o direito à isenção sobre os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. Registrese que a exigência do CID10, ainda que recomendável, não decorre da legislação tributária, tampouco constando na Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.851/2008 (D.O.U de 18/8/2008), norma que no presente regulamenta a emissão de atestados e laudos médicos. Restando esclarecido ser a contribuinte portadora de moléstia grave no decorrer dos períodos sujeitos à percepção dos rendimentos tidos por omitidos, não mais subsiste razão para a manutenção do gravame tributário, face ao disposto no art. 6º, XIV da Lei nº 7.713/88. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10280.722288/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO
É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL.
O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referem-se a esta mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
Rejeitar as preliminares
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 88 /2 01 0- 10 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a esta mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Rejeitar as preliminares Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.722288/201010 Acórdão n.º 2202002.777 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, LUCIVALDO NOVAES DE LIMA, foi lavrado auto de infração, em procedimento de verificação do cumprimento de obrigações tributárias referente ao IRPF, ano calendário 2007, no qual foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas nas instituições financeiras, Banco da Amazônia e Banco do Brasil, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Noticia o Relatório Fiscal, fl. 169/176, que: Foram solicitados do contribuinte os extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeira. O interessado pediu prorrogação de prazo, deferida por mais 20 dias. Novamente intimado, não houve manifestação do interessado. Requisitouse às instituições bancárias que fornecessem a movimentação financeira do fiscalizado no período de 2007. Com base nesses dados o contribuinte foi instado a comprovar a origem dos créditos bancários contido em planilha que acompanhou o Termo de Intimação Fiscal. O interessado não se manifestou. Também optou pelo silêncio por ocasião da reintimação, ensejando a lavratura do presente Auto de Infração, “depois de realizadas as exclusões de créditos que não se amoldam legalmente com o conceito de rendimento tributável, assim como as transferências entre contas correntes de titularidade do fiscalizado, além dos estornos de créditos sem CPMF e devolução de cheques BASA”. Resultou a ação fiscal na apuração de um crédito tributário no valor de R$ 7.670.120,67 – compreendendo o imposto, a multa proporcional (passível de redução) e os juros de mora calculados até 29/10/2010. Em sua impugnação, fls. 204/219, o Interessado, por meio de seu advogado, fl. 220, alega em síntese, que: O Auto de Infração é nulo “uma vez que a Receita Federal quebrou o sigilo bancário do presente impugnante, sem ordem judicial, o que não se pode admitir em nosso Estado Democrático de Direito”. Defende a nulidade do Auto de Infração por erro na identificação do fato gerador, tendo em vista que o impugnante exerce atividade rural. O Auditor “jamais deveria ter considerado 100% da base de cálculo, pois o contribuinte faz jus em razão de sua atividade de uma redução de 80% da base de cálculo, oferecendo assim à tributação apenas 20% de sua receita”. Cita a jurisprudência administrativa e judicial para reforçar seus argumentos. Entende o interessado que o Auditor Fiscal não levou em conta que “o impugnante ofereceu a tributação e recolheu aos cofres Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 públicos o montante de R$ 2.636.586,80”, conforme Declaração de Imposto de Renda, exercício 2008, ano calendário 2007. Sustenta que “os valores constantes da declaração de imposto de renda pessoa física do impugnante devem ser abatidos do montante de R$ 13.912.284,47 (treze milhões e doze mil duzentos e oitenta e quatro reais e quarenta e sete centavos), passando assim a restar o valor de R$ 11.275.697,67” Alega que a origem das movimentações bancárias é proveniente de transações rurais e apresenta cópias de várias Guias de Trânsito Animal. “Requer o impugnante sejam acolhidas as preliminares de nulidade do auto de infração, e se estas por, porventura, forem superadas, no mérito, que as GUIAS DE TRÂNSITO ANIMAL e a DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA ano calendário de 2007, bem como argumentação de que o impugnante exerce ATIVIDADE RURAL, possam comprovar as movimentações bancárias, de modo que no fim se decida pela nulidade do alto de infração ou por sua adequação sendo o mesmo reduzido” (sic) Em 31/01/2011, fls. 293/298, requer o impugnante a juntada de tabela que “demonstra que as Guias de Trânsito Animal – GTA, já anexas aos auto foram expedidas e os valores depositados nas contas são provenientes dessas transações”. Sustenta, na nova manifestação, que há vício no auto ao se “atribuir dia e mês ao fato gerador, visto tratase de imposto de renda pessoa física, que se sabe ter fato gerador complexivo” e alternativa solicita diligência “com o intuito de se apurar o alegado”. A DRJ julgou o impugnação improcedente, nos termo da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano calendário: 2007 ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. OBEDIÊNCIA A LEGALIDADE. Se durante a ação fiscal existia todo um arcabouço jurídico de Lei complementar a decreto permitindo que a Administração Tributária Federal tivesse acesso às informações bancárias não fornecidas pelo contribuinte devidamente intimado, não há que se falar em nulidade do lançamento em decorrência da ausência de autorização judicial, se o procedimento fiscal já havia sido instalado e permaneceu nos trilhos da legalidade. IRPF. DIREITO TRIBUTÁRIO. JULGADOR ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA AFASTAR NORMAS. LEGALIDADE. O julgador administrativo não possui competência para afastar normas válidas. Seus atos são fundamentados na legislação tributária. Provocado pela impugnação examina, sob a ótica da legalidade, as provas existentes nos autos e decide se o lançamento do imposto, da multa e dos juros está em consonância com o sistema tributário nacional. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.722288/201010 Acórdão n.º 2202002.777 S2C2T2 Fl. 4 5 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Se o sujeito passivo for regularmente intimado a comprovar a origem de depósitos bancários e não utiliza para isso documentação hábil e idônea, o Fisco tem autorização legal para lançar esses depósitos não comprovados como omissão de rendimentos. A presunção de omissão, contida na lei, enseja a inversão do ônus da prova. A fiscalização fica, então, dispensada de outras comprovações, sendo suficiente demonstrar que foi oportunizada ao contribuinte uma justificação na fase de pré lançamento e que a comprovação da origem dos depósitos não ocorreu, no mais é própria lei, presumidamente constitucional, que infere a omissão de rendimentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. REGRA GERAL E ESPECIAL. VINCULAÇÃO. Só em casos especiais, devidamente expressos na Constituição Federal ou na legislação infraconstitucional, os julgados administrativos e judiciais têm efeitos erga omnes e em razão disso vinculam o julgador administrativo no seu ofício de julgar. A regra geral é que as decisões administrativas e judiciais tenham eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissão legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. PAF. DILIGÊNCIA. FINALIDADE. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO JUSTIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O julgador administrativo pode indeferir pedido de diligência por considerálo prescindível para o deslinde da lide. Tampouco deve permitir o uso inapropriado de diligência, seja com intuito meramente protelatória ou utilizada como mecanismo de inversão do ônus da prova, do contribuinte para a autoridade fiscal, ainda mais quando se trata de lançamento tributário com base em presunção legal, onde o ônus de produzir provas precisas e individualizadas é claramente do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Da impossibilidade da quebra do sigilo bancário; Do erro na identificação do fato gerador – crédito tributário irregular – nulidade do lançamento; Da natureza das operações, que não refletem variação patrimonial da atividade rural; Das guias de transito animal. É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 348DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.722288/201010 Acórdão n.º 2202002.777 S2C2T2 Fl. 5 7 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 349DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.722288/201010 Acórdão n.º 2202002.777 S2C2T2 Fl. 6 9 O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Apreciando as razões de votar da autoridade recorrida às fls. 308 e 309 (do e processo), não encontro qualquer reparo a ser realizado, de modo que o acompanho na integra: Feito esse giro sobre as particularidades da presente autuação, passamos a analisar as provas carreadas aos autos pelo interessado por ocasião da impugnação, reduzidas a Guias de Trânsito Animal GTA e a uma tabela apresentada posteriormente. As Guias de Trânsito Animal, como o próprio nome do documento expressa, comprova apenas o trânsito de animais. Já a planilha de fls. 297/298 tenta estabelecer uma relação entre as Guias de Trânsito Animal e os valores dos lotes de animais. No entanto, tal planilha somadas as GTAs não são suficientes para demonstrar a origem dos depósitos bancários, pois não estão acompanhadas, por exemplo, da escrituração do Livro Caixa e das notas fiscais para lastreálo. No mês de janeiro, por exemplo, a planilha tenta justificar a venda de bovinos no montante R$ 49.000,00 enquanto os Fl. 351DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 depósitos bancários para justificação somam R$ 915.990,46. Esta desproporção fica evidenciada em outros meses, como em junho de 2007 para citar mais um exemplo: a planilha menciona o valor de R$ 15.000,00 enquanto precisa comprova a origem de depósitos bancários que totalizam R$ 2.429.595,00. Para ter êxito na comprovação da origem dos depósitos bancários o impugnante teria que produzir outras provas além da simples tabela confeccionada por ele mesmo, sem nenhuma prova para confirmar os valores descritos na mencionada tabela. Ademais, não se pode esquecer que a prova tem que ser individualizada, como está consignado no Termo de Intimação Fiscal nº 0001, fl. 138: “Comprovar de forma individualizada a origem dos recursos lançados a crédito nas contas correntes de sua titularidade”. Ainda mais quando se trata de presunção legal, onde há inversão do ônus da prova e exigência de uma precisa comprovação, pois os “os créditos serão analisados individualizadamente4” e “os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes”, conforme súmula do CARF, verbis: Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Desta forma, resta não comprovada a origem dos depósitos bancários. E continua : Aduz o impugnante que o Auditor “jamais deveria ter considerado 100% da base de cálculo, pois o contribuinte faz jus em razão de sua atividade de uma redução de 80% da base de cálculo, oferecendo assim à tributação apenas 20% de sua receita”. No entanto, também aqui, a comprovação é insuficiente. Pois não se tem elementos nos autos 4 Lei 9.430/96, art. 42, § 3º documentação hábil e idônea para demonstrar que a origem dos depósitos bancários, objeto do lançamento, é a atividade rural. A comprovação individualizada possibilitaria constatar o ramo de atividade que ensejou os referidos depósitos bancários. Como vimos, esta prova não foi produzida pelo impugnante. Logo, não procede, por ausência de provas, a tentativa de ver reduzida a base de cálculo do presente lançamento. O interessado alega que o Auditor Fiscal não levou em conta que “o impugnante ofereceu a tributação e recolheu aos cofres públicos o montante de R$ 2.636.586,80”, conforme Declaração de Imposto de Renda, exercício 2008, ano calendário 2007. Mais uma vez se observa alegações desacompanhadas de comprovação, insuficientes para ilidir o lançamento tributário. Não há nos autos nenhuma comprovação de que o contribuinte tenha recolhido a importância de R$ 2.636.586,80. Possivelmente incorreu em uma confusão com a receita declarada em livro caixa, fl. 226, que abatida das despesas, gera um resíduo de R$ 63.862,33 como resultado tributável. Mas, não será possível deferir o pedido de dedução da base de cálculo do valor pleiteado, pois não há, nos autos, prova das receitas Fl. 352DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.722288/201010 Acórdão n.º 2202002.777 S2C2T2 Fl. 7 11 auferidas nem das despesas realizadas, tampouco da vinculação das receitas com os depósitos bancários de origem não comprovada. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Dos rendimentos originados da atividade rural O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a esta mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. Acrescentese, por pertinente, que conforme declaração do próprio recorrente o mesmo possui quotas de capital da firma L.N de Lima e Cia Ltda. Ressaltese que o lançamento do imposto de renda com base em depósitos bancários só é possível quando não comprovada a origem. Seria um equívoco lançar por falta de comprovação de origem e ao mesmo tempo considerar a origem comprovada para r ibutar com base na atividade rural. Ou se comprova a origem e aí se tributa da forma como especificamente determina a legislação ou, caso contrário, apurase a omissão com base na presunção. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Fl. 353DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 354DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15374.916961/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação quando o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa.
Numero da decisão: 3803-006.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação quando o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 61 /2 00 9- 11 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase do Despacho Decisório n° 831256158, de 09.04.2009, da então Delegacia Especial de Instituições Financeiras Deinf/RJO (fls.6), que, sob o fundamento de que o darf já havia sido integralmente utilizado, não homologou a seguinte Declaração de CompensaçãoDcomp: Quadro 1 Pagamento Indevido ou a Maior (DARF) Débito Compensado D Dcomp Nº Pagamento Apuração e Arrecadação Receita Valor Rec/Cód. Apuração Principal 10446.35451.310505. 1.3.043202 (fls.1/5) 0193941727 25.11.2000 29.11.2000 IOF 7893 1.896,13 7893IOF 4a.sem.mai05 368,06 Enquadramento legal: arts.165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Quadro 2 (página 2 da Dcomp, às fls.2) Valor original do crédito inicial 207,03 Crédito original na data da transmissão 207,03 Selic acumulada 77,78% Crédito atualizado 368,06 Total dos débitos desta Dcomp 368,06 Total do crédito original utilizado nesta Dcomp 207,03 Saldo do crédito original 0,00 Em Manifestação de InconformidadeMI (fls.11/16), instruída com os documentos de fls.17/64 e 67/73, o interessado afirma que é entidade fechada de previdência complementar, tendo por objeto instituir plano de previdência complementar e pagar aposentadorias complementares, e, ainda, que: a) o crédito utilizado teve “origem na apuração de equívoco no procedimento adotado para cálculo do IOF nas operações de empréstimos, conforme laudo técnico em anexo (doc.01)”; b) equivocouse no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF e não demonstrou a existência de crédito de IOF, e “declarou como devido exatamente o valor recolhido”; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.916961/200911 Acórdão n.º 3803006.516 S3TE03 Fl. 3 3 c) os equívocos nas declarações não criam tributos, e não podem, comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária; d) “se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário”; e) se o valor confessado não corresponde às hipóteses de incidência, “a confissão de dívida e o consequente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária”. O interessado alega que “o valor realmente devido para esta competência é de R$ 1.163,92, e não R$ 1.896,13, como erroneamente declarado em DCTF”. Sustenta que “a existência deste crédito pode ser facilmente observada, bastandose comparar os valores apresentados como devidos (...), conforme planilha em anexo (doc.2), com a guia de recolhimento da mesma competência (doc.3)”. Afirma que, “desta forma, fica clara a existência de simples equívoco no preenchimento da DCTF (...) e a existência do crédito, bem como a consequente extinção do débito ora indevidamente imputado”. Pede que a MI seja julgada procedente, bem como, que se homologue a compensação procedida, extinguindose o crédito tributário cobrado. Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.75/80. A DRJ no RIO DE JANEIRO I/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2000. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IOF. ANOCALENDÁRIO 2000. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde repisa os mesmos argumentos esgrimidos em primeira instância; ao final, requer a homologação da compensação sub analisis, ou alternativamente, seja o feito convertido em diligência. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Relatado, passase ao voto. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. À míngua de preliminares, passase desde logo ao mérito. Ao meu sentir, o caso dos autos não merece maior discussão a respeito da rubrica que teria originado o suposto crédito, ou mesmo sobre a legitimidade da recorrente para Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.916961/200911 Acórdão n.º 3803006.516 S3TE03 Fl. 4 5 requerêlo, porquanto o lastro probatório vindo aos autos (planilhas, razonetes e balancetes) são insuficientes para comprovar o alegado direito creditório. O acórdão vergastado admoestou a então manifestante: Mas, ainda que, em nome da verdade material, a falta de DCTF Retificadora fosse superada, como requer o interessado, não há previsão normativa para que a escrituração contábil da pessoa jurídica e os documentos que a embasam sejam substituídos por planilha, como a que o interessado traz, às fls.61/64. Aos autos, não foram juntados nem os contratos de empréstimos (relacionados nas ditas planilhas) que deram origem ao IOF, nem a prova da escrituração dos lançamentos contábeis correspondentes. Ora, o ônus de provar in casu é do contribuinte que alega o crédito. Vale rememorar que a prova aqui seria de que houve erro na metodologia utilizada no cálculo do IOF pago a maior ou indevidamente. Se o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa deve prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. Ultimando, insta observar que a recorrente apresenta pedido alternativo de conversão do julgamento em diligência, porém o faz de modo genérico e em momento processual impróprio, o que denota saber que o feito está mal instruído sob o prisma probatório do direito alegado. Ante o exposto, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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