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Numero do processo: 15868.720137/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-000.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever a matéria em litígio, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido: Tratase da lavratura de autos de infração, contra a empresa qualificada em epígrafe, que constituíram créditos tributários referentes à contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), no valor total de R$ 2.538.813,25 e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor total de R$ 11.816.079,91, apurados no regime de incidência nãocumulativa, referentes ao quarto trimestre de 2007, perfazendo o total de R$ 14.354.893,16. A fiscalização se iniciou para averiguar pedidos de ressarcimento do referido trimestre e protocolizados junto à Delegacia de Administração Tributária em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .7 20 13 7/ 20 11 -1 2 Fl. 5315DF CARF MF Processo nº 15868.720137/201112 Resolução nº 3201000.277 S3C2T1 Fl. 11 2 São PauloSP (Derat), mas a análise dos pleitos foi transferida à DRF/AraçatubaSP por ordem do SuperintendenteSubstituto da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal, conforme Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 e MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO Nº 08.1.90.002011022590. Os AFRFB responsáveis pela análise se dirigiram à sede da empresa, em 09/11/2011, para cobrar o atendimento das intimações, sendo recebidos pelo procurador da empresa, que alegou ainda não dispor da documentação requerida: a) Em relação ao item 1 daquele termo, apresentou dois documentos para cada mês do 4º trimestre de 2007 que, na realidade, contêm informações idênticas às existentes nos DACONs. Em outras palavras, não houve apresentação de nenhuma memória de cálculo da apuração dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins do 4º trimestre de 2007, pois as informações apresentadas são as mesmas que já constam nos DACONs; e, b) Em relação aos itens 2 e 3 daquele termo, informou que os referidos elementos não se encontravam na sede do estabelecimento matriz (Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.012 – 5º andar São Paulo SP). Perguntamos ao senhor Vagner onde se encontrariam e ele nos informou que estariam localizados nos diversos estabelecimentos filiais, atualmente em nome da empresa JBS S/A. Perguntamos ainda sobre quem seria responsável pela prestação de esclarecimentos e ele não soube informar. Tais constatações foram registradas no Termo de Constatação Fiscal, de 09/11/2011. Diante da negativa da empresa em colaborar entregando os documentos necessários, os Auditoresfiscais em 06/12/2011, dirigiramse até São Paulo, no endereço do estabelecimento matriz, sendo atendidos às 09:00h pelo procurador do sujeito passivo senhor Vagner Aparecido da Cruz. Foilhe apresentado cópia do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 11/11/2011; e dele foi exigido a apresentação imediata dos esclarecimentos, informações e documentos mencionados no item 10, alíneas "a" a "j" daquele termo. Em resposta, o senhor Vagner Aparecido da Cruz: a) Em relação ao item 10 (alíneas "a", "b", "c", "d", "e", "f e "g"), informou que não poderia prestar nenhum esclarecimento. Solicitou prorrogação de prazo por mais dez dias para a prestação de esclarecimentos; e, b) Em relação ao item 10 (alínea "h"), apresentou algumas notas fiscais, sendo todas por cópia das terceiras e quintas vias. Não foram apresentadas vias originais ou cópias de primeiras vias de nota fiscal. Comprometeuse a apresentar as notas fiscais pendentes diretamente na seção de fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em AraçatubaSP até o dia 16/12/2011. Tais notas fiscais foram discriminadas na "Planilha 2". A fiscalização obteve a informação sobre a responsabilidade em fornecer os documentos, que era do departamento fiscal, que não se localizava no estabelecimento matriz do sujeito passivo: Fl. 5316DF CARF MF Processo nº 15868.720137/201112 Resolução nº 3201000.277 S3C2T1 Fl. 12 3 Perguntamos ainda ao senhor Vagner sobre quem seria o responsável pela prestação de esclarecimentos, e ele não soube informar. Perguntamos também sobre quem seria o responsável pela elaboração dos arquivos digitais complementares de PIS e Cofins, e ele respondeu que seria o pessoal do departamento fiscal, que não se localiza no estabelecimento matriz do sujeito passivo. Diante do exposto nos dois últimos parágrafos, lavramos o Termo de Embaraço à Fiscalização, de 06/12/2011, onde, registramos as constatações da fiscalização e a caracterização do embaraço à fiscalização. Apesar da lavratura do Termo de Embaraço, concedemos o prazo adicional solicitado pelo sujeito passivo, que ficou estendido até o dia 16/12/2011. Portanto, a fiscalização glosou os créditos do período com base nos arquivos digitais dos registros fiscais que foram apresentados pelo próprio sujeito passivo, conforme termo de constatação fiscal, fl. 5026, e foram lavrados os autos de infração de fls. 73 a 93, exigindo as contribuições, relativas ao trimestre, que deixaram de ser recolhidas em função do desconto dos pretendidos créditos. Inconformada, a interessada apresentou as impugnações de fls. 5128 a 5149 (Cofins) e de 5059 a 5081 (PIS) onde, preliminarmente, requer a anulação do lançamento, a teor art. 59 do Decreto no 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), porquanto os auditoresfiscais da DRF/Araçatuba não teriam competência para não reconhecer a existência dos direitos creditórios do PIS e da Cofins, tampouco para lavrar auto de infração contra a impugnante, pois o seu domicílio fiscal é São Paulo, capital. Assim, o lançamento somente poderia ser efetuado pelos servidores da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat), em São Paulo, haja vista que o seu recolhimento é centralizado na capital. Afirma ainda que desconhece os indeferimentos de seus pedidos de ressarcimento das contribuições, o que impossibilitaria a desconsideração dos créditos utilizados para descontar as contribuições do período. Ainda segundo a autuada, o lançamento também seria nulo porque não foi observado pela fiscalização o local indicado no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para realização dos trabalhos, que seria no endereço da empresa, em São Paulo, e não em Araçatuba. Ressalta também a impugnante que o fato de várias intimações terem sido assinadas apenas por um dos AFRFB também desobedeceria ao MPF, que não permite atuação individual de um dos auditoresfiscais nele contidos. Quanto à transferência de competência “interdelegacias”, alega que esta também deveria estar contemplada no MPF e que o próprio superintendente da Receita Federal deveria ter emitido o mandado, a teor do art. 6º da Portaria RFB nº 11.371, de 2007. Fl. 5317DF CARF MF Processo nº 15868.720137/201112 Resolução nº 3201000.277 S3C2T1 Fl. 13 4 Também reclama que não foi cumprida a formalidade prevista no art. 44 da citada Lei nº 9.784, de 1999, que garante à recorrente o direito de se manifestar no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução do processo. Afirma que os próprios auditores reconheceram a entrega dos documentos e arquivos digitais, mas em vez de analisarem o material e solicitarem eventuais esclarecimentos em prazo razoável, simplesmente lavraram os autos de infração. Sendo assim, confirma sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais, que estão à disposição da fiscalização em seu estabelecimento. Afirma ainda que houve erro e falta de motivação para o indeferimento do pleito da recorrente, pois isso só seria possível caso a contribuinte não possuísse efetivamente o direito ao ressarcimento. Mas, segundo ela, a negativa ocorreu porque houve falta de razoabilidade por parte dos AFRFB, que consideraram que ela não tinha nenhum direito, o que não pode ser admitido, pois que não poderia exercer sua atividade sem adquirir insumos, já que é uma das maiores empresas do seu ramo de atividade. Assim, a fiscalização deveria ter continuado as diligências no estabelecimento da contribuinte e não ter realizado um levantamento fiscal precário, que não levou em consideração todos os seus documentos. Aduz também que houve cerceamento do direito de defesa, pois não foram apresentados os motivos do indeferimento do pedido, haja vista que os auditores contestaram apenas pequenos elementos componentes do seu direito creditório, não contestando os demais, prejudicando a ampla defesa. Argumenta que a fiscalização deveria ter concedido prazos razoáveis para apreciação dos documentos e realizado todos os atos necessários para apurar o direito creditório da postulante, haja vista que ela não teria justificativas para não os apresentar. Desta forma, em cumprimento ao princípio da verdade material o lançamento deve ser cancelado. Quanto ao arbitramento dos valores das contribuições, alega que não foram cumpridos os requisitos contidos no art. 148 do CTN. Em relação ao que ela denomina mérito, argumenta que o lançamento deve ser cancelado porquanto a postulante possui o direito ao ressarcimento dos créditos das contribuições reclamados, como comprovam os documentos existentes em seu estabelecimento, mas que não os está anexando ao presente “por serem em grande quantidade”, e anexa uma planilha e alguns documentos que demonstrariam as aquisições ocorridas e o direito ao crédito postulado. Argumenta também que o Dacon foi elaborado conforme suas operações geradoras dos créditos e a indicação pelos autuantes de valor zero de crédito seria o mesmo que admitir que a autuada realizasse suas operações sem adquirir insumos. Fl. 5318DF CARF MF Processo nº 15868.720137/201112 Resolução nº 3201000.277 S3C2T1 Fl. 14 5 Requer a realização de perícia e diligência para se constatar a existência do direito creditório, nomeando perito e listando os quesitos que deseja ser respondidos, às fls. 5078 e 5146. Haja vista a existência de grande quantidade de documentos, esclarece que a perícia deverá ser feita no estabelecimento da contribuinte. Conclui, solicitando o cancelamento dos autos de infração. Por fim, requer que o seu patrono também seja intimado de todas as decisões proferidas nestes autos. A 4ª Turma da DRJ/POR, no acórdão nº 1441.143, por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. NÃOCOMPROVAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A nãocomprovação dos créditos, referentes ao PIS não cumulativo, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização e no lançamento de ofício da contribuição indevidamente descontada no período em questão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A não comprovação dos créditos, referentes à Cofins nãocumulativa, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização e no lançamento de ofício da contribuição indevidamente descontada no período em questão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 MPF. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular auto de infração. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Em razão da Súmula Vinculante nº 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de ofício se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção Fl. 5319DF CARF MF Processo nº 15868.720137/201112 Resolução nº 3201000.277 S3C2T1 Fl. 15 6 necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Importa mencionar que embora na ementa supracitada conste a aplicação da multa agravada, esta não foi objeto da autuação, conforme se verifica tanto no auto quanto no termo de verificação fiscal. Houve, de fato, termo lavrado de embaraço à fiscalização, contudo não foi aplicada multa em decorrência disto. Consta apenas a aplicação da multa de 75% (art. 44, I, da Lei 9.430/96). No seu recurso voluntário, a empresa repisou seus argumentos da anterior impugnação, requerendo: i) ser reconhecido o seu direito creditório dos créditos da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP e adequação da DACON apresentada; bem como a homologação das compensações a ele relacionadas ou ii) sucessivamente, ao menos, seja cancelado o Auto de Infração e determinada a realização de novas diligências para a apuração da existência do supracitado direito creditório e regularidade da DACON da Recorrente a serem realizadas pelas autoridades com jurisdição em sua sede localizada no Município de São Paulo, Capital; ou iii) sucessivamente, ao menos, simplesmente seja cancelado o Auto de Infração. Salientese que em seu recurso voluntário, a recorrente salientou seu principal argumento: “Reitera, ainda, estarem os documentos comprobatórios do direito creditório à disposição da fiscalização na sua sede e somente não está anexando os mesmos por serem em grande quantidade gerando o pedido de diligência e perícia.” (Os grifos são do original). É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de lavratura de autos de infração, contra a empresa qualificada em epígrafe, que constituíram créditos tributários referentes à contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), no valor total de R$ 2.538.813,25 e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor total de R$ 11.816.079,91, apurados no regime de incidência nãocumulativa, referentes ao quarto trimestre de 2007, perfazendo o total de R$ 14.354.893,16. A fiscalização se iniciou para averiguar pedidos de ressarcimento do referido trimestre. Então, é inequívoca a relação de prejudicialidade entre este processo e os Pedidos de Ressarcimento nº 12585.000468/201030 (ressarcimento da COFINS do 4º Trimestre de 2007) e nº 12585.000470/201017 (ressarcimento do PIS do 4º Trimestre de 2007). Quanto ao de nº 12585.000468/201030, este está arquivado. Já o de nº 12585.000470/201017 está em tramitação no CARF. Fl. 5320DF CARF MF Processo nº 15868.720137/201112 Resolução nº 3201000.277 S3C2T1 Fl. 16 7 Portanto, há total vinculação entre o resultado do julgamento deste processo e o do processo nº 12585.000470/201017. O vigente Regimento Interno do CARF , Portaria MF 343/2015, determina que : Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; [...]§ 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo ao processo principal. Conforme exposto, devese entender que o processo principal que deu origem ao auto de infração é o pedido de ressarcimento, pois do despacho decisório denegatório, foram lavrados os autos de infração. Assim, indubitavelmente, tratamse de processos conexos, fundados no mesmo contexto fático. Diante do exposto, proponho a conversão do presente processo em diligência, para que a este processo seja vinculado por conexão o processo nº 12585.000470/201017, devendo este, portanto, vir para julgamento em conjunto nesta Primeira Turma Ordinária, Terceira Câmara, distribuído para esta relatora. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 5321DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.721080/2009-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo.
Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização.
Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
Numero da decisão: 9303-007.090
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
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CRÉDITO. FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMIELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 80 /2 00 9- 68 Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10830.721080/200968 Acórdão n.º 9303007.090 CSRFT3 Fl. 3 2 Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10830.721080/200968 Acórdão n.º 9303007.090 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.977 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo reconheceu o direito de crédito da contribuição sobre o frete pago no transporte de insumos entre estabelecimentos da empresa. A Fazenda Nacional alega divergência com relação ao entendimento adotado no acórdão recorrido de que existe previsão legal para crédito de PIS e COFINS nãocumulativos sobre valores de fretes pagos, pelo transporte entre estabelecimentos do mesmo proprietário, de insumos minérios extraídos de minas e enviados a complexos industriais. Sustenta existir direito ao crédito somente com relação ao frete na operação de venda, e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Foi dado seguimento ao recurso especial mediante despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial postulando a negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10830.721080/200968 Acórdão n.º 9303007.090 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.071, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10830.721056/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.071): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e COFINS não cumulativos os gastos incorridos com o pagamento de frete de insumos (minério e matéria prima) entre seus estabelecimentos industriais. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10830.721080/200968 Acórdão n.º 9303007.090 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10830.721080/200968 Acórdão n.º 9303007.090 CSRFT3 Fl. 7 6 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10830.721080/200968 Acórdão n.º 9303007.090 CSRFT3 Fl. 8 7 produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10830.721080/200968 Acórdão n.º 9303007.090 CSRFT3 Fl. 9 8 essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. A controvérsia em exame gravita em torno da possibilidade de ser considerados como insumos os gastos decorrentes da contratação de fretes de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa, de fretes de insumos e de produtos em elaboração para transferência entre estabelecimentos da Contribuinte. Os minerais, principal insumo da produção dos fertilizantes, são extraídos pela Recorrida de minas distantes do complexo industrial, havendo a necessidade de seu transporte, por meio de frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da produção do fertilizante. A Contribuinte sustenta desenvolver atividade econômica em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não só pela fabricação do mesmo, como também pela extração dos minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Por isso, defende que as despesas com frete contratado na aquisição dos insumos, bem como para a realização das transferências de matériasprimas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais para o processo produtivo e confecção do produto fertilizantes. No caso dos autos, temse que a extração dos minerais ocorre em minas da própria Contribuinte que é a produtora dos fertilizantes, sendo que o principal insumo para a fabricação do seu produto são os minerais, portanto, necessários e essenciais à atividade da empresa. Para a movimentação da matériaprima até o estabelecimento onde é produzido o fertilizante, é preciso contratar frete pago a terceira pessoa jurídica. Tal frete, por estar diretamente ligado ao processo produtivo/fabril, deve ser considerado como insumo. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10830.721080/200968 Acórdão n.º 9303007.090 CSRFT3 Fl. 10 9 Conforme se verifica da descrição do processo produtivo efetuada pela Recorrida, a mesma atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável pela fabricação do mesmo e também pela extração e beneficiamento de parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Traz como exemplo, o concentrado de fosfático pó, que [...] é gerado e encaminhado de sua unidade de Lagamar, em Minas Gerais, para o Complexo Industrial da Paulínia, em São Paulo, onde, agregado a outros insumos, alguns dos quais adquiridos de terceiros, dá origem ao fertilizante, produto final daquela. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. No mesmo sentido, já se pronunciou essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento que resultou no Acórdão n.º 9303005.156, de relatoria da nobre conselheira Tatiana Midori Migiyama: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10830.721080/200968 Acórdão n.º 9303007.090 CSRFT3 Fl. 11 10 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Por fim, nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 392DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.721085/2009-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, é incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. Incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios decorrentes de valores recebidos a título de diferenças de URV por servidores públicos, dada a nítida natureza salarial das verbas.
Numero da decisão: 9202-007.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, é incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. Incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios decorrentes de valores recebidos a título de diferenças de URV por servidores públicos, dada a nítida natureza salarial das verbas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 85 /2 00 9- 80 Fl. 509DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte contra decisão proferida pela turma a quo, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003) As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10580.721085/200980 Acórdão n.º 9202007.112 CSRFT2 Fl. 510 3 MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e , no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Quanto à multa, vencida, em parte, a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que afastava a multa de ofício com a aplicação da multa de mora. Fez sustentação oral o Dr. Márcio Pinho OAB/BA nº 23.911. Houve embargos do Contribuinte, que restou no Acórdão 2802001.838, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2004, 2005, 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO. Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS PAGAS EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO ESPECIAL EDCL NO RESP 1227133 / RS, JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça nos Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das Fl. 511DF CARF MF 4 parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial Embargos acolhidos parcialmente com efeitos infringentes. A Fazenda Nacional quer ver rediscutida a questão da incidência de Imposto de Renda sobre Juros de Mora. O Contribuinte apresenta contrarrazões pugnando pelo não provimento do Recurso Especial. O Contribuinte recorre de diversas matérias, tendo sido dado seguimento à rediscussão da natureza indenizatória da URV. A Fazenda Nacional pugna pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Os recursos preenchem os pressupostos de admissibilidade e portanto devem ser conhecidos. Por ordem lógica, analiso em primeiro momento o Recurso Especial do Contribuinte: Permitome trazer a colação o constante do acórdão 9202006.361 , de 06 de abril de 2018, da lavra da ilustre Conselheira Rita Elisa REis da Costa Bacchieri, por irrepreensíveis: Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos pelo Recorrente em razão de lei estadual que previa pagamento de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Insatisfeito com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs Recurso Especial objetivando o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que citada verba tem caráter indenizatório. Subsidiariamente, caso seja negado provimento ao recurso neste aspecto, requer a exclusão dos juros moratórios da base de cálculo utilizada. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da Magistratura Federal e ao Ministério Público Federal. Segundo a Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação estadual deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Pertinentes as considerações do Recorrente. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10580.721085/200980 Acórdão n.º 9202007.112 CSRFT2 Fl. 511 5 Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação estadual teve como pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1°é explícito ao prever: "Artigo 1o É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). Fl. 513DF CARF MF 6 A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computando se a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n, 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10580.721085/200980 Acórdão n.º 9202007.112 CSRFT2 Fl. 512 7 Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebêIa naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSITn. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza Fl. 515DF CARF MF 8 indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE30ABRIL2012 MARCOAURELIOGRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pelas leis estaduais deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor "a atualização monetária dos salários do período considerado", reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10580.721085/200980 Acórdão n.º 9202007.112 CSRFT2 Fl. 513 9 ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada pela quando da conversação das moedas. Diante do exposto, dou provimento do Recurso Especial do Contribuinte. Do Recurso Especial da Fazenda Nacional Segundo o entendimento do Contribuinte, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Fl. 517DF CARF MF 10 Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos propostos pela Constituição Federal exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Assim, NEGO provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado. Divergi da i. Conselheira Relatora, relativamente ao Recurso Especial do Contribuinte, quanto ao reconhecimento da natureza indenizatória das verbas recebidas em decorrência de lei estadual, que previa pagamento de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Entendeu a Relatora, acolhendo alegação da Contribuinte, que a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da Magistratura Federal e do Ministério Público Federal, as quais, segundo a Resolução nº 245/2002 do STF, teriam natureza indenizatória e que, aplicandose o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação estadual deve ser igual àquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Entendo que esta não é a melhor exegese a ser aplicada ao caso. Registrese, inicialmente, que o imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza é tributo de competência da União, conforme art. 153, III, da Constituição Federal e, portanto, o Poder Legislativo do Estado da Bahia não tem competência para legislar sobre esta matéria. Assim, a Lei do Estado da Bahia nº 8.730, de 2003, que consignou o caráter indenizatório das verbas aqui analisadas não vincula a Administração Tributária Federal quando à incidência ou não do imposto sobre elas. A questão sobre a incidência ou não do imposto sobre as referidas verbas deve ser examinada à luz da análise da natureza jurídica efetiva dessas verbas, de forma a determinar seu caráter indenizatório ou remuneratório. Os valores recebidos pelo Contribuinte a título de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV, diferentemente do que pretende o Contribuinte e do que afirmado na Lei Estadual, que determinou o seu pagamento, não visava de modo algum reparar algum dano sofrido pelo beneficiário, mas a corrigir erro na definição da remuneração devida no passado e que não foi paga. Tratase, portanto, nitidamente de diferença salarial. A situação não é diferente de eventuais diferenças de parcelas salariais não pagas devidamente pelos empregadores e que, em decorrência de Reclamatórias Trabalhistas são reconhecidas pela Justiçado Trabalho. Para melhor compreensão da matéria aqui discutida, convém trazer à colação o art. 43 do CTN, verbis: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10580.721085/200980 Acórdão n.º 9202007.112 CSRFT2 Fl. 514 11 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Como se vê, a regra é a incidência do imposto sobre os acréscimos patrimoniais, e é isso, e somente isso, que justifica a não incidência do imposto sobre verbas ditas indenizatórias. É que estas não configurariam acréscimo, mas mera recomposição patrimonial. Ora, no caso das verbas em apreço, elas jamais haviam integrado o patrimônio do contribuinte, a não ser como uma expectativa de direito. Portanto, o seu recebimento a destempo jamais poderia representar uma recomposição patrimonial. Quanto ao tratamento isonômico em relação aos membros do Ministério Público Federal e Juízes Federais, reivindicado pelo contribuinte, sob a alegação de tais verbas teriam a mesma natureza daquelas recebidas pelos Magistrados Federal e membros do Ministério Público Federal, a pretensão não merece acolhida, ante a ausência de lei federal que institua isenção de tais verbas, seja aquelas recebidas pelos Magistrados Estaduais, seja aquelas recebidas pelos Magistrados e membros do Ministério Público Federal. Com efeito, foi o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Resolução nº 245/2002, que conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável recebidos pelos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União, com fundamento, respectivamente, nas Leis nºs 9.655/1998 e 10.474/2002. Assim, primeiramente não é possível se afirmar que a verba recebida pelos magistrados da Bahia tenha a mesma natureza daquelas previstas nas Leis nºs 9.655/98 e 10.474/2002, pois estas estão expressamente previstas em lei federal e aquelas se referem a diferença de URV. Por outro lado, como dito acima, foi o STF que reconheceu a natureza indenizatórias das ditas verbas e delimitou sua decisão apenas às verbas devidas aos Magistrados e Procuradores Federais. E notese que a própria Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Essa questão, inclusive, já foi enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme voto da Ministra Eliana Calmon: Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em17/08/2010). Também sobre este ponto se manifestou o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário nº 471.115, do qual se extrai o seguinte excerto: Fl. 519DF CARF MF 12 Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução nº. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010). Portanto, definitivamente, não há que se falar em isonomia de tratamento entre os valores recebidos pelos magistrados federais e os recebidos pelos magistrados do Estado da Bahia. E se é de se aplicar tratamento isonômico este deve ser feito em relação a qualquer trabalhador que, quando recebe diferenças salariais pagas tempos depois em que a verba é devida, sujeitamse à tributação pelo Imposto de Renda. Sobre este ponto também já se pronunciou este Colegiado por diversas vezes. Cito como exemplos os seguintes julgados: Acórdão nº 9202003.659: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. Acórdão nº 9202.003.585: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especialprovido. Notese, por fim, que não se trata aqui de questionar a constitucionalidade da lei estadual que reconheceu a natureza indenizatória das verbas pagas aos magistrados da Bahia, mas apenas de se reconhecer que, em razão dos limites da competência do Poder Legislativo estadual, essa qualificação atribuída às referidas verbas não vincula a Administração Tributária Federal, tendo seu alcance limitado a outros aspectos. Aliás, admitir que lei estadual, por via indireta, pudesse conferir isenção ou caracterizar determinadas verbas como sujeitas ou não à incidência de tributo federal, implicaria em completa desfiguração dos limites das competências tributárias. Não se cogita, portanto, em absoluto, de incompetência do CARF para apreciar esta matéria. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10580.721085/200980 Acórdão n.º 9202007.112 CSRFT2 Fl. 515 13 Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Também divergi da i. Relatora quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A matéria discutida nesse recurso é a incidência do imposto sobre parcela correspondente a juros de mora sobre os rendimentos recebidos pelos magistrados do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Sobre este ponto, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, embora tenha decidido inicialmente pela não incidência do imposto sobre juros moratórios, delimitou posteriormente o alcance dessa decisão aos juros de mora incidentes sobre verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no art. 6º, V, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA, MESMO EM SE TRATANDO DE VERBA INDENIZATÓRIA. ART. 16, XI E PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI N. 4.506/64. CASO DE JUROS DE MORA DECORRENTES DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS PAGOS EM ATRASO. 1. Regrageral, incide imposto de renda sobre juros de mora a teor do art. 16, parágrafo único, da Lei n. 4.506/64: "Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo". Jurisprudência uniformizada no REsp. n. 1.089.720RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.10.2012. 2. Primeira exceção: não incide imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas trabalhistas pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho consoante o art. 6º, inciso V, da Lei n. 7.713/88. Jurisprudência uniformizada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011. 3. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Jurisprudência uniformizada no REsp. n. 1.089.720RS, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.10.2012. 4. Caso concreto em que se discute a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas Fl. 521DF CARF MF 14 previdenciárias pagas em atraso. Incidência da regrageral constante do art. 16, XI e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64. 5. Considerandose que a concessão de isenção fiscal é ato discricionário, fundado em juízo de conveniência e oportunidade do Poder Público, não pode o Poder Judiciário, sob o pretexto de tornar efetivo o princípio da isonomia, reconhecer situação discriminatória de categorias não abrangidas pela regra isentiva, estendendo, por via transversa, benefício fiscal sem que haja previsão legal específica (precedente citado: RE 405.579/PR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, DJe de 3.8.2011). 6. Agravo regimental a que se nega provimento. A decisão não poderia ser mais clara: somente são isentos os juros incidentes sobre verbas isentas. Ora, a própria referência à isenção é indicativa da posição da Corte Superior de que, como regra, incide o imposto sobre juros moratórios, sendo a regra isentiva exceção. No caso sob análise, não se trata de nenhuma das hipóteses referidas no acórdão cuja ementa foi acima reproduzida, também não é caso de isenção com amparo em qualquer outra norma. Tratase, como vimos, de diferenças salariais recebidas a destempo. Esta posição do STJ é inteiramente coincidente com a minha. Mas, ainda que não fosse, deve ser aqui reproduzida, pois se trata, como visto, de decisão proferida sob o rito do art. 543C do CPC o que, por força do art. 62, § 2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com redação dada pela Portaria nº 152, de 2016, verbis: Art. 62 [...] [...] § 2º. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Jutiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Com esses fundamentos, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Contribuinte e dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (ASSINADO DIGITALMENTE) Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10580.721085/200980 Acórdão n.º 9202007.112 CSRFT2 Fl. 516 15 Fl. 523DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.000309/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1997
Ementa:
Multa Isolada. Compensação.
Deve ser reduzida a multa isolada aplica em função de alteração legislativa posterior ao lançamento, mesmo que a Medida Provisória que veiculou a alteração benéfica ao contribuinte tenha perdido vigência posteriormente.
Numero da decisão: 1302-000.709
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1386; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 149 1 148 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000309/200654 Recurso nº 507.408 Voluntário Acórdão nº 130200.709 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2011 Matéria MULTA ISOLADA Recorrente TERMAQ TERRAPLANAGEM E CONSTRUÇÃO CIVIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 Ementa: Multa Isolada. Compensação. Deve ser reduzida a multa isolada aplica em função de alteração legislativa posterior ao lançamento, mesmo que a Medida Provisória que veiculou a alteração benéfica ao contribuinte tenha perdido vigência posteriormente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello , Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu Bianchi Relatório Fl. 166DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000309/200654 Acórdão n.º 130200.709 S1C3T2 Fl. 150 2 Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 04/05, para constituição de crédito tributário relativo à multa isolada, em razão de compensação indevidamente efetuada pelo sujeito passivo. No Termo de Termo de Constatação Fiscal (fls. 07/09), parte integrante do auto de infração, são relatadas detalhadamente as razões pelas quais a unidade de competência originária considerou não declaradas as compensações. As disposições legais encontramse descritas no auto de infração. Em 13/09/2006, a interessada tomou ciência do auto de infração (fl. 51) e, em 29/09/2006, apresentou defesa (fls. 56/64), resumidamente, nos seguintes termos: Respaldada pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, a Lei 9.430/1996 possibilitou ao sujeito passivo a utilização do crédito, mediante compensação com débitos próprios e de quaisquer espécies de tributos, desde que administrados pela Receita Federal. A partir daí, vieram outras legislações permissivas do direito de realizar a compensação (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e IN SRF 21/1997 e 210/2002), todas garantidoras do direito do contribuinte de compensar seus créditos. A escritura pública ou instrumento particular de cessão de direitos creditórios, emitidos em razão de ação expropriatória, são legalmente e comumente apresentadas para demonstrar a “propriedade” de direitos e consequentemente noticiam uma cessão de direitos. A impugnante e terceira pessoa participaram de negócio jurídico bilateral, consistente na cessão de direitos creditórios decorrentes de ação expropriatória, a qual já tem o condão de Execução do julgado, vez que o direito à indenização aos expropriados é líquido e certo. A Receita Federal tem punido os contribuintes que tenham pago seus débitos tributários de outra forma que não seja em dinheiro, com a aplicação de multa de 75% sobre o valor do tributo, mesmo nos casos em que os débitos foram objeto de compensação e que estejam “sub judice” na esfera administrativa. Tais multas são abusivas porque violam os princípios da capacidade contributiva e do não confisco, além disso, o procedimento adotado ofende os princípios fundamentais do processo administrativo fiscal, elencados no artigo 2º da Lei 9.784/1999. É cediço que, a partir do indeferimento pela unidade administrativa já se inicia o processo de cobrança, sem ao menos respeitar o direito do contribuinte de ampla defesa, acarretando danos irreparáveis como a negativa da CND e impedimento de participação em licitações. O artigo 151 do Código Tributário Nacional determina que não se pode molestar o contribuinte na tentativa de receber o montante compensado enquanto não houver o trânsito em julgado do processo administrativo em que se discute ser devido a restituição ou o ressarcimento pleiteado. A DRJ decidiu: Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. Fl. 167DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000309/200654 Acórdão n.º 130200.709 S1C3T2 Fl. 151 3 Aplicase multa isolada sobre débitos objeto de compensação considerada não declarada, ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário, não cabendo, em sede de julgamento administrativo, proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento, salvo nas hipóteses legalmente previstas. Cientificada do acórdão DRJ em 09/06/2009, apresentou recurso voluntário em 08/07/2009. Em seu recurso alega: que há nulidade do lançamento por violação ao art. 10 do Decreto 70235, pois quando do lançamento o art. 44 da Lei 9430 havia sido alterada pelo art. 18 do MPV 303 de 29/06/2006, prevendo multa de 50% para a situação descrita nos autos, sendo que o lançamento aplicou multa de 100%; que a Lei 11.488/2007 prevê a aplicação de multa em dobro, mas tal lei não pode retroagir para alcançar fatos pretéritos; que não houve a práticas das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei 4502/64 e que isso também não foi alegado pela fiscalização; que, em 03/08/2006 (antes da autação) ingressou nos autos do processo administrativo 10845000746/200558 com pedido de desistência das compensações efetuadas, uma vez que pretendia ingressar com pedido de parcelamento dos débitos oriundos de tais compensações; que ingressou com o pedido de parcelamento de todos os tributos objeto das compensações não homologadas Fl. 168DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000309/200654 Acórdão n.º 130200.709 S1C3T2 Fl. 152 4 Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Início pela análise da argüição de nulidade feita pela recorrente. Afirma a recorrente: “ A presente autuação fora efetuada em 04/09/2006, constando como enquadramento legal da mesma o artigo 18 da Lei 10.833/03 com redação dada pelo artigo.11.051/2004, in verbis. Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1 o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (grifamos) Ao tratar das alíquotas a serem aplicadas para a apuração da multa isolada, o § 4º do artigo 18 da Lei 10833/2003 remete ao instituído pelo inciso I (75% para os casos de falta de pagamento etc) e II (150% para os casos de evidente intuito de fraude) do caput do artigo 44 da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n°303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do • inciso seguinte; (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n° 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) Fl. 169DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000309/200654 Acórdão n.º 130200.709 S1C3T2 Fl. 153 5 II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n° 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv n° 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n° 351, de 2007) I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Ii isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; Ocorre que na época da autuação (setembro/2006) o o artigo 44 da Lei 9.430/96, havia sido alterado pelo artigo 18 da MPV 303 de 29/06/2006, passando por esta razão a vigorar com a seguinte redação: Art. 18. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Tendo em vista que nem a autuação, nem o acórdão recorrido fazem qualquer menção a hipótese prevista no § 2 0 do artigo 44 da Lei 9.430/96, podese concluir que a aliquota a ser utilizada para a pretensa aplicação de multa isolada deveria ser aquela prevista no inciso II do caput do artigo 44 da Lei 9430/96, qual seja de 50%. 13. Ocorre que pela simples analise dos demonstrativos anexos ao Auto de infração podese verificar que a multa isolada cobrada no presente processo é exatamente o mesmo valor das compensações tidas por não declaradas nos autos do Processo Administrativo 10845.000746/200558. Concluise então que o que se cobra através do presente Auto de Infração é multa isolada no percentual de 100% sobre os valores indevidamente compensados, o que não está previsto na legislação utilizada como fundamentação do presente processo, posto que a mesma prevê a aplicação de multa no percentual de 50%. 15. Desta maneira, tendo em vista o flagrante erro cometido pela Administração Pública ao autuar o recorrente com fulcro em Fl. 170DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000309/200654 Acórdão n.º 130200.709 S1C3T2 Fl. 154 6 legislação que na época da autuação havia sido extirpada do mundo jurídico pela MPV 303/2006 e que a aliquota de 100% sobre as compensações não declaradas, aplicada para o calculo da multa isolada que se pretende cobrar não está prevista na legislação que rege a matéria, resta clara a nulidade do presente processo, devendo a mesma ser decretada por estes nobres julgadores o que desde já se requer. Verifico que a base legal do lançamento da multa isolada foi o art. 18 da Lei 10833, abaixo transcrita: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) A MPV 303 de 2006 prescreveu: O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a)na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b)na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1oO percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000309/200654 Acórdão n.º 130200.709 S1C3T2 Fl. 155 7 §2oOs percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Somente a Lei 11.488 de 2007 deu a redação abaixo ao § 2º do art. 18 da Lei 10833: § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Embora possa parecer involuntária a mudança, a verdade é que a multa que deveria ser aplicada no momento do lançamento era de 50 %, conforme o disposto no art. 18 da Lei 10833, que previa o percentual prescrito no inciso II do art. 44 da Lei 9430, que à época era de 50%. Foi a Lei 11488 de 2007 que alterou o percentual de multa a ser aplicado para o previsto no inciso I do art. 44. Poderia se argumentar que a MPV 303 perdeu sua eficácia, conforme o ato abaixo transcrito: ATO DO PRESIDENTE DA MESA DO CONGRESSO NACIONAL Nº 57, DE 2006 O PRESIDENTE DA MESA DO CONGRESSO NACIONAL, nos termos do § único do art. 14 da Resolução nº 1, de 2002CN, faz saber que a Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, que "Dispõe sobre parcelamento de débitos junto à Secretaria da Receita Federal, à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e ao Instituto Nacional do Seguro Social nas condições que especifica e altera a legislação tributária federal.", teve seu prazo de vigência encerrado no dia 27 de outubro do corrente ano. Congresso Nacional, 31 de outubro de 2006Senador RENAN CALHEIROS Presidente da Mesa do Congresso Nacional No entanto, no momento da lavratura do auto de infração, setembro de 2006, a MPV estava vigente e tinha plena eficácia, produzindo efeitos até a data descrita no ato acima. Tendo sido prescrita a multa de 50% na MPV 303 e estando esta medida vigente no momento do lançamento este era o percentual a ser aplicado. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000309/200654 Acórdão n.º 130200.709 S1C3T2 Fl. 156 8 O lançamento descreve corretamente a base legal, mas se equivoca ao aplicar o percentual, que deve ser reduzido a 50% sobre os valores indevidamente compensados. Afasto portanto, a nulidade alegada. Quanto ao fato de ter apresentado pedidos de desistência e parcelamento dos débitos confessados nas Dcomp´s, não produz qualquer efeito em relação às multas isoladas aplicadas no presente processo. O pedido de desistência foi protocolado após a negativa de reconhecimento do direito creditório e das compensações (26/09/2006 X 09/08/2005 ) e também do lançamento da multa isolada (26/09/2006 X 13/09/2006), não produzindo efeitos sobre o lançamento da multa isolada, tendo em vista que haveria redução de 40% se o parcelamento fosse da própria multa isolada e não dos débitos confessados em Dcomp e que estavam em fase de cobrança executiva e foram efetivamente parcelados Diante do exposto, voto por afastar a nulidade alegada e reduzir a multa isolada aplicada para o percentual de 50%. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 173DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902221/2009-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO.
Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento.
Numero da decisão: 1402-003.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO. Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 22 21 /2 00 9- 92 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10925.902221/200992 Acórdão n.º 1402003.449 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de antecipações por estimativa, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o PER/Dcomp recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de "não homologação da compensação", cujas razões de negação se fundam no fato de que o pagamento a título de estimativa mensal somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega que tem direito à restituição/compensação do valor pago a maior, seja qual for a modalidade de pagamento. Aduz ainda que a matéria não pode ser regulada por meio de instrução normativa, e sim por lei. E por fim, afirma a liquidez e certeza de seu crédito. Da decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: A DRJ, em seu julgamento, por unanimidade considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do PER/Dcomp objeto do presente processo. Do Recurso Voluntário: A recorrente, na sua peça recursal, pede anulação dos valores cobrados no presente processo, pois quitou os débitos em discussão na per/dcomp, através de DARFs especificados como anexo. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10925.902221/200992 Acórdão n.º 1402003.449 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.441, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10925.902212/2009 00, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.441): "Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Verificase nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal. Destarte, não se conhece do recurso voluntário por perda do objeto. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001279/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
Ementa:
DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Aplicação do Acórdão do STJ. Resp 973.733/SC (Rel. Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do artigo 543C, do CPC).
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. INDÍCIO
NÃO COMPROVADO. O fato índice da presunção a ser provado pelo Fisco é a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou a existência de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Comprovado tal fato caracteriza-se a presunção legal de omissão de registro de receita. Não subsiste a autuação, no entanto, se a autoridade fiscal não logra demonstrar que as obrigações registradas no passivo da fiscalizada já haviam sido pagas
ou eram inexigíveis, limitando-se a reputar como insuficientes os elementos apresentados pela recorrente no curso da ação fiscal. O ônus da prova do indício é intransferível ao contribuinte.
DESPESAS DE VIAGENS. NECESSIDADE. VINCULAÇÃO COM A ATIVIDADE. COMPROVAÇÃO. As despesas de viagens de diretores ou sócios são dedutíveis desde que intrinsecamente ligadas às atividades da
empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Não tendo sido comprovada a vinculação dessas despesas com a atividade da empresa é de se manter a infração que determinou a sua glosa.
DESPESAS OPERACIONAIS. RELAÇÕES PÚBLICAS. PARTICIPAÇÃO
EM EVENTOS EMPRESARIAIS DO SETOR. DEDUTIBILIDADE. Se o
evento está correlacionado às atividades da empresa e a despesa está devidamente comprovada é razoável a admitir a sua dedução, nos termos do Parecer Normativo CST nº 322/71.
DESPESAS COM PROSPECÇÃO DE CLIENTES. FALTA DE
COMPROVAÇÃO. Ausentes os elementos que correlacionem a despesas
paga com a realização de transações ou negócios inerentes à atividade da empresa, configura-se o gasto como mera liberalidade.
DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADAS. A mera comprovação do pagamento, sem a apresentação de documentação hábil e
idônea que identifique a natureza e conteúdo da operação impede a dedução da despesa.
GLOSA DE DESPESAS. MULTA POR INFRAÇÕES FISCAIS. A regra é a
indedutibilidade das multas fiscais, excetuando-se as de natureza
compensatória ou de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Não tendo sido apresentado, pela recorrente, elementos que pudessem identificar a natureza das multas pagas está correta a sua glosa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao
lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-000.776
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Matéria IRPJ E REFLEXOS Recorrente CANDURA DO BRASIL COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Aplicação do Acórdão do STJ. Resp 973.733/SC (Rel. Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do artigo 543C, do CPC). OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. INDÍCIO NÃO COMPROVADO. O fato índice da presunção a ser provado pelo Fisco é a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou a existência de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Comprovado tal fato caracterizase a presunção legal de omissão de registro de receita. Não subsiste a autuação, no entanto, se a autoridade fiscal não logra demonstrar que as obrigações registradas no passivo da fiscalizada já haviam sido pagas ou eram inexigíveis, limitandose a reputar como insuficientes os elementos apresentados pela recorrente no curso da ação fiscal. O ônus da prova do indício é intransferível ao contribuinte. DESPESAS DE VIAGENS. NECESSIDADE. VINCULAÇÃO COM A ATIVIDADE. COMPROVAÇÃO. As despesas de viagens de diretores ou sócios são dedutíveis desde que intrinsecamente ligadas às atividades da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Não tendo sido comprovada a vinculação dessas despesas com a atividade da empresa é de se manter a infração que determinou a sua glosa. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 DESPESAS OPERACIONAIS. RELAÇÕES PÚBLICAS. PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS EMPRESARIAIS DO SETOR. DEDUTIBILIDADE. Se o evento está correlacionado às atividades da empresa e a despesa está devidamente comprovada é razoável a admitir a sua dedução, nos termos do Parecer Normativo CST nº 322/71. DESPESAS COM PROSPECÇÃO DE CLIENTES. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Ausentes os elementos que correlacionem a despesas paga com a realização de transações ou negócios inerentes à atividade da empresa, configurase o gasto como mera liberalidade. DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADAS. A mera comprovação do pagamento, sem a apresentação de documentação hábil e idônea que identifique a natureza e conteúdo da operação impede a dedução da despesa. GLOSA DE DESPESAS. MULTA POR INFRAÇÕES FISCAIS. A regra é a indedutibilidade das multas fiscais, excetuandose as de natureza compensatória ou de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Não tendo sido apresentado, pela recorrente, elementos que pudessem identificar a natureza das multas pagas está correta a sua glosa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator (Documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (Documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. EDITADO EM: 18/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (Presidente), Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001279/200823 Acórdão n.º 1302000.776 S1C3T2 Fl. 1.156 3 Relatório Tratase de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, dos anoscalendário 2003 e 2004, no valor total de R$ 8.725.972,95, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 30/05/2008 efetuados por meio dos Autos de Infração de fls. 777 a 805. O lançamento foi efetuado mediante acréscimos à base de cálculo do lucro real, em face de apuração de omissão de receita com base em passivo fictício, de glosas de despesas não comprovadas e de glosas de despesas operacionais não necessárias. As infrações apuradas foram bem resumidas na decisão de primeira instância, in verbis: Conforme Termo de verificação e constatação fiscal de fls. 767/776, as infrações apuradas foram, em síntese: Anocalendário de 2003: despesas de viagens não justificadas, planilha fl. 768, considerandose que nos documentos relativos aos registros contábeis não continham relatórios de viagens, canhotos das passagens, nem justificativa do relacionamento da viagem com as necessidades operacionais da empresa, constituindose em despesas não dedutíveis, não sendo portanto necessárias à atividade da empresa e à respectiva manutenção da fonte produtora dos rendimentos – enq. legal: art. 249,I, 251,§único,299 e 300 do RIR/99. Despesas não necessáriasLiberalidade: Representação comercial, Viagens nos valores de R$ 23.700,00 em 08/04/2003 – contribuição ao Sugar Club e R$ 2.081,18, aluguel de 3 sprinter para fim de semana de 25 e 26/10/03, em 31/10/2003 – enq. legal: art. 249, I , 251 § único, 299 e 300 do RIR/99; Despesas sem comprovação regular: despesas operacionais, planilha fls. 770, no valor de R$ 414.711,73, sem documentação que comprovasse os gastos, apenas comprovantes de pagamentos, sem Notas Fiscais que discriminassem origem das despesas enq. legal: art. 249, I , 251 § único, 299 e 300 do RIR/99; Impostos e multas não dedutíveis: pagamentos à Secretaria de Estado da Fazenda do Rio de Janeiro, por multas por infrações fiscais, R$ 1.272,05, fl. 772, não foram oferecidas à tributação no Lalur enq. legal: art. 249, I , 251 § único, 299 e 300 do RIR/99;; Anocalendário de 2004: Exigível fictício parcelas informadas não comprovadas:a primeira como devida à Usina Central do Paraná S/A no valor Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 de R$ 7.856.038,34 e a 2a. à Usina Sapucaia S/A no valor de R$ 4.538.427,47, sem que a interessada conseguisse apresentar os comprovantes de pagamento. Inicialmente declarou que as parcelas haviam sido pagas aos fornecedores diretamente pela sua controladora no exterior, CANDURA SUGAR TRADING, não apresentou comprovante enq. legal: art. 249, II , 251 § único, 279,291, 288 do RIR/99, art. 24 da Lei 9249/95 e art. 40 da Lei 9.430/96. Despesas de viagens não justificadas:, fl. 774, no total de R$ 90.599,56 considerandose que nos documentos relativos aos registros contábeis não continham relatórios de viagens, canhotos das passagens, nem justificativa do relacionamento da viagem com as necessidades operacionais da empresa, constituindose em despesas não dedutíveis, não sendo portanto necessárias à atividade da empresa e à respectiva manutenção da fonte produtora dos rendimentos – enq. legal: art. 249,I, 251,§único,299 e 300 do RIR/99. Despesas sem comprovação regular: R$ 661.769,99, apenas com comprovantes de pagamentos, sem respectivas notas fiscais que discriminassem origem das despesas– enq. legal: art. 249,I, 251,§único,299 e 300 do RIR/99. Tendo tomado ciência dos lançamentos em 27/06/2008 (fls. 778, 789, 794 e 799), a ora recorrente apresentou impugnação em 28/07/2008 (fls. 851/867), tendo suas alegações sintetizadas pela DRJRio de Janeiro I, nestes termos: decadência: . no anocalendário de 2003 a interessada submeteuse ao regime de tributação pelo Lucro Real, apurado trimestralmente, conforme suas DIPJ; . IRPJ sujeitase ao lançamento por homologação, com regra de decadência do art. 150, §4º, ou seja, 05 anos da ocorrência do fato gerador; .portanto, a ciência do lançamento ocorreu em 27/06/2008, já decaído o 1º trimestre/2003, mesmo com a regra do art. 173, pois o lançamento poderia ter sido constituído no 2º trimestre/2003, conforme jurisprudência administrativa citada, o que alcança também as contribuições; Passivo Fictício: . cita art. 281 e 288 do RIR/99 e a diferença entre passivo fictício e não comprovado, sendo o primeiro a manutenção no passivo de obrigações já pagas e o segundo, a existência de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, sendo tanto uma quanto outra situação, bem como a data de sua ocorrência, comprovadas pelo Fiscal no ato da constituição do lançamento, em atendimento ao art. 142 do CTN e à Lei 9249/95; . assim, no caso, a autoridade fiscal deveria apontar a data em que se deu o pagamento através das receitas omitidas, provar a existência real de um pagamento e seu momento, fato gerador do IR, conforme acórdãos citados, fl. 858; Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001279/200823 Acórdão n.º 1302000.776 S1C3T2 Fl. 1.157 5 . assim, ao contrário da situação caracterizadora do Passivo Fictício, o AFRFB afirma que não houve comprovação de pagamento aos Fornecedores, devendo ser declarada a improcedência do lançamento, não sendo aproveitável argumentar que o lançamento foi a título de passivo não comprovado; . também não é caso de passivo não comprovado pois a existência de obrigações foi comprovada pelos contratos, notas fiscais de aquisição de açucar e registros de operações de exportação adquirida junto aos fornecedores e exportada pela impugnante, junta aos autos cópia do Livro razão conta FornecedoresUsina Central do Paraná e Usina Sapucaia, bem como as notas fiscais das aquisições, fls. 869/899; . afirmar que não existe comprovação de pagamento não é hipótese de infração, e tomar o total da conta Fornecedores, incluindo o saldo inicial, sem apontar quais e quando houve pagamentos, tornam o lançamento inaproveitável; . despesas de viagens não justificadas, por desnecessárias à atividade da empresa: incorridas pelo sócio Luis Carlos Paes de Carvalho, demais sócios e outras pessoas no interesse da empresa, ocorreram visando fechamento de transações negociais, fora do Brasil ou em pólos de produção de açúcar, como São José do Rio Preto, conforme amostragem de comprovantes em anexo, fls. 901/1028; . cabe ao Fisco descaracterizar as despesas conforme acórdão citado à fl. 862, comprovando que o gasto foi não operacional; . despesas não necessárias: a contribuição à instituição Sugar Club no valor de R$ 23.700,00, fls. 1028/1036, foi a participação no evento Sugar Dinner 2003 – encontro de empresários do setor sucroalcooleiro, de interesse da empresa, cita acórdão a respeito; . aluguel do carro sprinter em proveito de clientes da Candura com propósito de captação de negócios, portanto, operacional, conforme Solução de consulta nº 162/04SRRF7a.RFDOU 23/06/2004; . despesas sem comprovação regular: no valor de R$ 414.711,73 no 1º trim/2003 e de R$ 661.769,99 no anocalendário de 2004, por não apresentação de notas fiscais que discriminassem a origem das despesas, mas que comprovou os pagamentos, portanto, inadequado afirmar que tais despesas não tenham sido comprovadas; . as do 1º trim/2003, a par da decadência aludida, foram em favor da ED&F Man Brasil S/A, uma das maiores trading company do mundo, fls. 1040/1043, e Emilio Romani S/A, que atuava à época dos fatos na fabricação de açúcar de cana refinado, processando o açúcar da impugnante, antes de ser exportado, portanto, ambas dedutíveis por seu caráter operacional; Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 . quanto ao anocalendário de 2004, é composto de 3 itens. Quanto ao 1º, de R$ 629.904,46, se refere à comissão de 3,5% sobre o valor de venda pago à Viena Siderúrgica do Maranhão S/A, em função de Contrato de Compra e Venda de Mercadorias ferro gusa para exportação, fls. 1044/1046, conforme itens 2,2.2 e 3, discriminados à fl. 865; . em 07/07/2004 está consignado o pagamento lastreado no Contrato e na escrituração, o valor pago R$ 629.904,46 corresponde aos US$ 200.080,00 acrescidos da comissão de 3,5% à taxa SISBACENPTAX de 07 de julho 3,0418; . os demais pagamentos se referem a despesas incorridas com procedimentos aduaneiros rotineiros, devendo ser deduzidos; . Impostos e multas não dedutíveis: em 19/09/2003 e em 17/10/2003, R$ 2.028,21 e R$ 1.272,05, respectivamente, pagas à Secretaria de Fazenda Estadual – tais pagamentos não estão dentre os excetuados no §5º do artigo 344 do RIR. O Parecer Normativo CST nº 61/79 estabelece que a indedutibilidade é a regra, e dentre as exceções, as multas por infrações de que não resulte falta ou insuficiência de pagamento de tributos. Conforme constatado, as multas foram por infrações de natureza formal, fls. 1048/1049, mesmo porque a atividade de exportação, principalmente de açúcar, é imune ao ICMS, nos termos do inciso X,a, do art. 155 da CF, sendo dedutível; . requer, finalmente, que seja cientificada da eventual necessidade de apresentação de documentos complementares e de que na data do julgamento o advogado possa apresentar sustentação oral perante a Turma Julgadora. A Sétima Turma de Julgamento da DRJ Rio de Janeiro I manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 0619.696, de 23/10/2008 (fls. 712/735), com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 IMPUGNAÇÃO No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, regulamentado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, não é prevista a sustentação oral da defesa na 1ª Instância Administrativa de Julgamento. PROVAS Devem ser apresentadas no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. DECADÊNCIA. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inciso I do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. Cabe ao sujeito passivo a prova de que os registros constantes Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001279/200823 Acórdão n.º 1302000.776 S1C3T2 Fl. 1.158 7 de seu passivo exigível correspondem a obrigações efetivamente assumidas. A falta da comprovação caracteriza a existência de passivo não comprovado e autoriza a presunção de omissão de receitas, proveniente de vendas não registradas, sobre as quais é exigido o imposto. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. NECESSIDADE. EFETIVIDADE. ÔNUS DA PROVA. O sujeito passivo, ao deixar de demonstrar que as deduções efetuadas a título de despesas operacionais correspondem efetivamente à contrapartida de algo recebido, além de serem inerentes às operações da empresa, ou delas decorrerem ou com elas se relacionarem, faz com que seja ratificada a glosa realizada pelo Fisco. DESPESAS REALIZADAS COM EVENTOS E PROSPECÇÃO DE CLIENTES. INDEDUTIBILIDADE . As despesas com realização de eventos e gastos com transporte de clientes, onde não se comprova o benefício auferido pelo sujeito passivo, são indedutíveis na apuração do lucro real, já que são mera liberalidade, não sendo necessárias à atividade da empresa e à manutenção da sua fonte produtora, nos termos do art. 299 do RIR/1999. GLOSA DE DESPESAS. MULTA POR INFRAÇÕES FISCAIS. Correta a glosa de despesas lançadas a título de multa, quando não comprovada a sua natureza compensatória ou que decorreram de infrações de que não resultaram falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2003, 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Lançamento Procedente. Na decisão proferida a autoridade julgadora de primeira instância afastou a preliminar de decadência do lançamento relativamente ao primeiro trimestre do ano de 2003, fundamentandose no fato de que a interessada “não efetuou nenhum pagamento a título de IRPJ a pagar, conforme Ficha 12 A da DIPJ 2004, fls. 26”, não havendo assim pagamento a ser homologado, deslocandose então o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, para o previsto no inc. I do art. 173 do mesmo diploma, conforme jurisprudência do STJ. Com relação à infração de omissão de receitas apurada com base em passivo fictício a decisão de primeira instância asseverou que “a interessada não foi capaz de demonstrar como se compõe a sua dívida com os Fornecedores em 31/12/2004, somente apresentando cópias, por exemplo, de Notas Fiscais datadas do início do ano de 2004, argumentando que cabe ao Fisco comprovar os pagamentos e que foi incluído o saldo inicial Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 da conta. Tal argumento não procede pois como observado, foi tomado o Saldo de Fornecedores constante de sua escrituração em 31/12/2004”. Cita jurisprudência do 1º Conselho de contribuintes para sustentar que “caracterizase, também, como omissão de receitas, como decorrência, a manutenção no passivo de obrigações não comprovadas, como se observa pelo teor dos acórdãos” . Ao final conclui que “a interessada teve 02 (dois) anos, de 28/06/2006 a 26/05/2008, durante a fiscalização, para comprovar o seu Passivo com Fornecedores e não o fez, e tampouco logrou comproválo na impugnação, devendo ser mantida essa parte da exigência”. No que tange à glosa de despesas de viagem a decisão de primeira instância manteve o lançamento por considerar que a impugnante não comprovou adequadamente a vinculação das despesas contabilizadas a este título com as atividades operacionais da autuada. Sobre as despesas consideradas não necessária à atividade pela fiscalização, a decisão de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento por não restar comprovado pela autuada a utilidade/necessidade para suas atividades das despesas com aquisição de mesas para o evento (jantar) Sugar Dinner Brasil 2003 e com o aluguel de veículos Sprinter, caracterizandoas como mera liberalidade da empresa. A decisão manteve ainda a imputação de despesas sem comprovação, no ano de 2003, relativas a pagamentos contabilizados em favor de ED&F Man Brasil e Emilio Romani S/A, considerando que os documentos apresentados pela impugnante não atendem aos requisitos legais e nada esclarecem a respeito dos pagamentos efetuados. Já com relação ao pagamento efetuado no ano de 2004 em favor de Viena Siderúrgica do Maranhão S/A , a título de comissão, considerou os documentos apresentados inconsistentes e insuficiente para esclarecer a natureza da despesa contabilizada. Por fim, a decisão recorrida manteve a glosa de multas por infrações fiscais para à Secretaria de Estado da Fazenda do Rio de Janeiro, por não atender os requisitos legais de dedutibilidade. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 24/02/2010, na pessoa de sua procuradora, (fls. 1088), tendo interposto recurso voluntário em 25/03/2010 (fls.1091/1112). A recorrente alega, em sua petição recursal: a) Que “deve ser rechaçado o posicionamento da DRJ que afastou a preliminar argumentando não ter havido pagamento e alegando que a contagem do prazo somente se iniciaria em 31 de dezembro”, pois em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação aplicase o § 4º do art. 150 do CTN. Cita a jurisprudência administrativa, para sustentar que “o fato de não ocorrido pagamento é irrelevante, eis que a apuração do imposto, não necessariamente, leva a tributo a pagar. O resultado, portanto, pode ser nulo, superavitário ou deficitário, em nada interferindo na regra de decadência”. b) Que “a infração definida como Passivo fictício, que é imputada à Recorrente, configurase pela existência real de um pagamento, provada por documentação, dentro do ano calendário e a baixa da obrigação no ano seguinte” e que “o fato presuntivo da omissão de receitas, isto é, a manutenção no passivo de uma obrigação já paga, deve ser, estritamente, comprovado pelo Fisco, no ato de constituição do lançamento”, sintetizando que: “1o) a manutenção no passivo de obrigação já paga gera presunção de omissão de receitas; Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001279/200823 Acórdão n.º 1302000.776 S1C3T2 Fl. 1.159 9 2o) O Fisco tem de comprovar ter havido esse pagamento, inclusive apontando quando; 3o) Comprovada, então, pelo Fisco a hipótese caracterizadora da presunção, cabe ao Contribuinte afastála, por meios idôneos”. b.1) Que “há um antecedente lógico e inafastável ao direito de lançar: O fato caracterizador da presunção tem de estar configurado. Portanto, no trato dessa questão, existe uma clara divisão de encargos probatórios entre as partes: Fisco prova a presunção. Contribuinte a afasta” e que “em hipótese alguma cabe ao Contribuinte fazer prova negativa de que "não pagou" a obrigação constante de seu passivo” b.2) Que “para que fosse válido o presente lançamento a título de passivo fictício, a Autoridade Fiscal teria de apontar a data em que se deu o pagamento através de receitas omitidas. Ou seja, deveria provar a existência real de um pagamento, advindo de receita omitida, apontando, então, o momento de tal pagamento, momento esse coincidente com a ocorrência da omissão, fato gerador do IR. A produção dos efeitos tributários ocorre no período em que a inexigibilidade da dívida se configurou”. b.3) Que, “no caso presente, além de a Autoridade Lançadora não haver configurado a existência de qualquer pagamento, efetuou o lançamento genericamente, no fim do anocalendário, desconsiderando, portanto, o requisito essencial de apontar, consistentemente, a data do fato gerador (cf. fl. 749: Fato Gerador 31.12.2004)” b.4) Que a autuação aponta “exatamente, o contrário da situação caracterizadora de passivo fictício, ou seja, o AFRFB afirma, taxativamente, que não houve comprovação de pagamento aos Fornecedores. Logo, como visto, não apontou a data do adimplemento da obrigação. Aliás, afastou a hipótese de ter havido tal pagamento; estando, pois, rejeitada a hipótese de passivo fictício”. b.5) Que “não se admite que a Delegacia de Julgamento pretenda aprimorar o lançamento, conferindolhe um suporte motivacional não invocado pela Autoridade lançadora” e que “a DRJ se afastou completamente do fundamento da autuação — NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO — e condenou a Contribuinte por outra motivação, qual seja, suposta não comprovação cabal da contração da dívida” e que esta decisão “está, evidentemente, conferindo ao Fisco o privilégio de aperfeiçoar seu lançamento errado e com isto, possibilitando sua manutenção a todo o custo. Tratase de evidente alteração de critério jurídico motivador do lançamento”. b.6) Que “também não é o caso de passivo não comprovado, pois a existência das obrigações foi comprovada pelos contratos, notasfiscais de aquisição do açúcar e Registros de Operações de Exportação de tal mercadoria adquirida junto aos fornecedores e exportada pela Recorrente” e que “todos os documentos foram apresentados ao Auditor e não foram motivo de contestação por parte da fiscalização. Registrese que a própria Autoridade juntou aos autos contratos e notas fiscais dos fornecedores, assentindo, plenamente, com sua idoneidade (cf. fls. 515 a 766)”. b.7) Que “além de todos os documentos acostados pelo AFRFB, demonstrando a real existência dos débitos, a Recorrente vem juntar aos autos, cópia de seu Livro Razão, Conta Fornecedores Usina Central do Paraná e Usina Sapucaia, bem como as notas fiscais respectivas de tais aquisições (Doc. 01 a e b, Doc.02 e Doc. 03). c) No que concerne às despesas de viagens glosadas pelo fisco, que foram “incorridas pelo sócio Luis Carlos Paes de Carvalho, demais sócios e outras pessoas no interesse Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 da Empresa, ocorreram sempre visando ao fechamento de transações negociais, fora do Brasil ou em pólos tradicionalmente conhecidos pela produção de açúcar, como São José do Rio Preto (conforme se nota por comprovantes em anexo, apresentados por amostragem Doe. 04)”. c.1) que o “entendimento da Administração Pública, no tocante às despesas operacionais é pela sua dedutibilidade, quando se configurem necessárias à fonte produtora da empresa, cabendo ao Fisco promover sua descaracterização, se pretende glosálas”. c.2) que neste caso “o AFRFB não comprovou que os gastos tenham sido em proveito não operacional (mesmo porque as despesas são plenamente compatíveis com a atividade desenvolvida pela Empresa, qual seja, compra de mercadoria em diversos pontos do mercado interno e sua exportação, o que demanda viagens dentro e fora do país)”. d) Com relação às despesas consideradas pela fiscalização como sendo gastos efetuados por mera liberalidade da empresa e, portanto, não necessárias à atividade, a recorrente alega que “a contribuição à instituição SUGAR CLUB, no valor de R$23.700,00 (devidamente comprovada Doe. 05), inserese no campo de claro interesse da Empresa” e que “tal pagamento foi realizado pela participação no evento Sugar Dinner 2003, ocasião esta em que se dá o encontro de empresários do setor sucroalcooleiro”. d.1) Que, conforme o sítio que divulga o evento na rede mundial de computadores (http://www.sugardinner.com.br), "o Sugar Dinner existe há 57 anos em New York e Londres e agora RJ e São Paulo. É um jantar único no ramo, que reúne cerca de 1000 pessoas entre produtores, compradores, trading, usineiros, bancos e corretoras. O evento destinase a favorecer o contato entre pessoas e empresas de toda parte do mundo que atuam no segmento sucroalcooleiro. Pessoas que conversam entre si diariamente, e não se conhecem pessoalmente, vão compartilhar novidades e fazer novos negócios." d.2) Que “pela natureza do evento e de seus freqüentadores, concluise como completamente despropositada a glosa da respectiva despesa, motivo pelo qual deve a mesma ser excluída da base de cálculo” e) Com relação ao aluguel do carro Sprinter, também glosado pela fiscalização, que “ foi o mesmo utilizado em proveito de clientes da Candura do Brasil (Doe. 06) e com propósito de captação de negócios, motivo pelo qual também deve a respectiva despesa ser considerada operacional”. f) No que tange às despesas consideradas sem comprovação regular, no valor de R$ 414.711,73, no primeiro trimestre de 2003 e de R$ 661.769,99, no anocalendário 2004, que a fiscalização considerou insuficiente a mera apresentação de comprovantes de pagamentos desacompanhados de notas fiscais, que “é completamente inadequado afirmar que tais despesas não tenham sido comprovadas”. f.1) Que as despesas pagas em 2003 à empresa ED&F MAN S.A. (CNPJ 38.829.068/000162) que “é uma das maiores trading company do mundo” , referemse serviços que teriam “sido utilizados com o fito de operacionalizar as exportações de açúcar adquirido pela Recorrente”, referindose ainda ao porte e à atividade do parceiro comercial como justificativa para a despesa. f.2) que a “empresa Emílio Romani S.A. (CNPJ 76.491.828/000151), por sua vez, atuava, à época dos fatos, na fabricação de açúcar de cana refinado, cabendolhe processar o açúcar pertencente à Recorrente, antes de ser exportado” e que “a natureza das atividades exercidas pelos destinatários das despesas comprova Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001279/200823 Acórdão n.º 1302000.776 S1C3T2 Fl. 1.160 11 plenamente seu caráter operacional, o que redunda em sua dedutibilidade para fins de apuração do imposto”. f.3) Que a despesa no valor de R$ 629.904,46, parte de um total de R$ 661.769,99 glosada em 2004, “se refere à comissão de 3,5% sobre o valor de venda, pago à Viena Siderúrgica do Maranhão S.A., em função do Contrato Compra e Venda de Mercadorias (ferro gusa) Para Exportação”; que a cláusula 3 do contrato prevê do pagamento a comissão e ainda que, “em 07 de julho de 2004, está consignado o respectivo pagamento, que tem lastro no Contrato ora referido e na Escrituração do Contribuinte, demonstrando a regularidade da dedução da despesa respectiva valor pago, R$629.904,46, corresponde aos US$ 200.080,00, acrescidos da comissão de 3,5%, à taxa SISBACENPTAX de 07 de julho 3,0418 (Doc.08”). f.4) Que quanto aos demais itens glosados em 2004, os “pagamentos se referem a despesas incorridas com procedimentos aduaneiros rotineiros na atividade da Empresa, devendo, também, ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ”. g) Com relação à glosa de multas por infrações fiscais pagas à Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro no ano de 2003, que “tais pagamentos não estão entre aqueles excetuados no§ 5o, do artigo 344, do Regulamento do Imposto de Renda”; que as multas “foram pagas à Secretaria Estadual de Fazenda por infrações de natureza formal (Doc. 09)”, e ainda que “a despesa está perfeitamente enquadrada dentre aquelas previstas no Parecer Normativo CST n° 61/79, isto é, multas das quais não resulta falta de recolhimento de tributo; sendo, portanto, dedutível, tal como escriturada ela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário apresentado é tempestivo e, portanto, dele conheço. Analiso em primeiro plano a alegação preliminar de decadência parcial do lançamento. 1. DAS ALEGAÇÕES PRELIMINARES 1.1 Da ocorrência de decadência parcial A recorrente alega ter ocorrido a decadência do direito de lançar em relação aos fatos geradores do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins ocorridos no primeiro trimestre de 2003, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, em face do lançamento ter se consumado apenas em 27/06/2008. A recorrente alega que, em se tratando de tributos cujo lançamento se dá por homologação, a decadência se opera depois de transcorrido o prazo de cinco anos a contar do fato gerador, independente de ter havido pagamento, pois a apuração do imposto, não leva necessariamente a tributo a pagar, podendo o resultado ser nulo, superavitário ou deficitário. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 12 Nesta seara este Conselho Administrativo está jungido ao que vem decidindo o Poder Judiciário quanto à matéria, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, introduzido pela Portaria MF. 586, de 21/12/2010, in verbis: “Art. 62A as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de |Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Em obediência ao dispositivo regimental, observo que o Superior Tribunal de Justiça, tratando da matéria, proferiu recentemente o acórdão no Recurso Especial nº 973.733 SC, submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Foz, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001279/200823 Acórdão n.º 1302000.776 S1C3T2 Fl. 1.161 13 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Conforme o acórdão supra transcrito, a regra decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é deslocada do § 4º do art. 150 do CTN para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que não exista dolo, fraude ou simulação, nos casos em que inexiste declaração prévia do débito e não ocorre o pagamento antecipado. No presente caso o contribuinte apurou seus lucros no anocalendário 2003 pelo regime de lucro real trimestral, tendo apresentado a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ do exercício 2004 em 30/06/2004 (fls. 07/99). De acordo com a ficha 09A Demonstração do Lucro Real – 1º trimestre (fls. 22), o contribuinte apurou prejuízo fiscal no período, tendo informado valores zerados na ficha 12 – Cálculo do IRPJ – 1ºtrimestre. Do mesmo modo, a Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – 1º trimestre (fls. 28), apresenta resultado negativo e os valores devidos da CSLL zerados para o período. Não há no processo informações sobre a apresentação da Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, pela recorrente, no período em questão. Assim, entendo que não havendo débito informado (constituído), nem pagamento efetuado, o prazo decadencial para o lançamento do IRPJ e da CSLL relativamente ao primeiro trimestre de 2003 só pode ser iniciado no primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, em 01/01/2004. Desta forma, são hígidos, do ponto de vista decadencial, os lançamentos efetuados a título de IRPJ e CSLL relativamente ao primeiro trimestre de 2003, na medida em que o lançamento de ofício foi concluído em 27/06/2008. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 14 De se observar que a DIPJ apresentada, conquanto apresente informações sobre a base de cálculo apurada pela fiscalizada no período em questão, não tem o condão de constituir o crédito tributário, além de que tal declaração somente é entregue pelo sujeito passivo no exercício seguinte ao período de apuração. Desta forma, somente a partir da entrega a DIPJ o Fisco tomou conhecimento dos dados apurados pelo sujeito passivo. Assim, a apresentação da DIPJ não supre a ausência de DCTF, pois o que se homologa é o crédito tributário constituído e o pagamento efetuado, ainda que parcial. Observo que o lançamento realizado com relação às contribuições para o PIS/PASEP e Cofins não abrange fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2003, como alega a recorrente, restando assim prejudicada a análise dos argumentos com relação a estes tributos. Ante ao exposto, rejeito a alegação preliminar de decadência. 2. DAS ALEGAÇÕES DE MÉRITO 2.1 Sobre a Omissão de Receitas apurada com base em Passivo Fictício A recorrente alega que não restou provado pela autoridade fiscal o fato indiciário indispensável para caracterizar a omissão de receitas por presunção legal. Segundo a recorrente, em nenhum momento a fiscalização se desincumbiu de seu mister de provar que as obrigações constantes do seu passivo em 31/12/2004 já haviam sido quitadas, nem o momento desta quitação. A autoridade fiscal teria feito autuação genérica, inclusive lançando os valores em 31/12/2004, sem precisar a data em que tais pagamentos teriam ocorrido. Por sua vez a autoridade fiscal descreveu a infração no seu Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 772/773), nestes termos: 2 EXERCÍCIO DE 2005 ANO CALENDÁRIO DE 2004. 2.1. EXIGÍVEL FICTÍCIO PARCELAS INFORMADAS, MAS NÃO COMPROVADAS. Valor de 2 parcelas do EXIGÍVEL constantes do Balanço de 31122004, sendo a Ia declarada como devida à empresa USINA CENTRAL DO PARANÁ S.A., CNPJ N° 80.539.943/000126, no valor de R$. 7.856.038,34, e a 2a, à USINA SAPUCAIA S/A, CNPJ N° 33.229.147/000107, no valor de R$. 4.538.427,47, parcelas essas que foram objeto do "TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL", datado de 2862006, para apresentação da relação de "FORNECEDORES" e dos respectivos comprovantes de pagamento, sem que a fiscalizada conseguisse apresentar os comprovantes de pagamento, apesar de regularmente intimada pelos "TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL", datados de 09082006, 27092006, 08012007, 2303 2007, 03072007, 04102007, 03122007, 30012008, 28032008, 06052008 e 27052008, constituindo, assim, EXIGÍVEL FICTÍCIO as duas parcelas não comprovadas, no total de R$.12.394.465,81. Inicialmente a empresa declarou que as referidas parcelas haviam sido pagas aos fornecedores diretamente pela sua controladora no exterior, CANDURA SUGAR TRADING, mas não apresentou qualquer comprovante que justificasse tal afirmativa. Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001279/200823 Acórdão n.º 1302000.776 S1C3T2 Fl. 1.162 15 ENQUADRAMENTO LEGAL: Artigos 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281 e 288, do RIR/99. Art. 24 da Lei n° 9.249/95. Art. 40 da Lei n° 9.430/96. Analisando os documentos colhidos durante a ação fiscal e trazidos aos autos pela autoridade fiscal, juntamente com os apresentados pela recorrente na fase impugnatória, verifico que, de fato, a fiscalização não aprofundou a investigação de modo suficiente à demonstrar a existência do passivo fictício nos montantes apontados na autuação, deixando sérias dúvidas quanto a sua existência. Examinando os documentos relativos ao fornecedor Usina Central do Paraná, verifico que a escrituração da fiscalizada apontava em 31/12/2003 um passivo de R$ 4.943.564,36. Durante o ano de 2004, foram escriturados débitos no montante de R$ 7.173.865,09 e créditos no montante de R$ 10.086.339,07, resultando no saldo credor de R$ 7.856.038,34, considerado integralmente como passivo fictício pela autoridade fiscal. Os documentos referentes aos pagamentos efetuados ao fornecedor ao longo do ano de 2004 (fls. 627/761), apresentados pela fiscalizada no curso da ação fiscal encontram se devidamente escriturados no Livro Razão (fls. 868/870). Do mesmo modo, as notas fiscais apresentadas pela fiscalizada junto com a impugnação (fls. 876/885), encontramse igualmente escrituradas no livro Razão. Não há aparência de qualquer vício na documentação apresentada pela recorrente que possa afastar a sua idoneidade. Por outro lado, a fiscalização desconsiderou completamente a documentação apresentada pela fiscalizada sem trazer aos autos nenhum outro elemento que pudesse infirmar os dados por ela contabilizado. Não há nos autos sequer uma planilha elaborada pela autoridade fiscal que pudesse demonstrar a inconsistência dos valores constantes da escrituração em confronto com os elementos apresentados pela fiscalizada. Se dúvida havia quanto à confiabilidade dos dados apresentados pela interessada, deveria a autoridade fiscal ter diligenciado junto ao fornecedor para apurar o saldo de seus créditos junto à fiscalizada nos períodos fiscalizados, bem como os recebimentos efetivos havidos no período deste cliente. Do confronto de tais elementos com os apresentados pela fiscalizada, ora recorrente, poderia ficar evidenciado de fato a existência de um passivo fictício. No entanto, a autoridade fiscal optou por simplesmente insistir ao longo de todo o procedimento fiscal, mediante inúmeras reintimações, que a fiscalizada efetuasse a comprovação dos pagamentos efetuados ao fornecedor, e ao final, insatisfeita com os elementos apresentados desconsiderouos por completo, sem, no entanto demonstrar que os valores por ela considerados passivo fictício já haviam sido pagos ou que eram indevidos. O exame dos elementos relativos ao outro fornecedor, Usina Sapucaia, não revela melhor sorte no resultado da análise. A conta do passivo circulante relativo ao dito fornecedor apresentava em 31/12/2003 o saldo credor de R$ 3.615.786,33. Ao longo do ano de 2004 foram registrados Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 16 movimentos a débito da conta no valor de R$ 11.915.547,57 e a crédito de R$ 12.838.188,71, resultando no saldo credor em 31/12/2004 no montante de R$ 4.538.427,47. Os documentos referentes aos pagamentos efetuados ao fornecedor ao longo do ano de 2004 (fls. 552/626), apresentados pela fiscalizada no curso da ação fiscal encontram se devidamente escriturados no Livro Razão (fls. 871/873). As notas fiscais apresentadas pela fiscalizada junto com a impugnação (fls. 887/889), também se encontram escrituradas no livro Razão. Mais uma vez não se vislumbra nenhum vício na documentação apresentada pela recorrente que possa afastar a sua idoneidade. Também desta feita, a fiscalização desconsiderou completamente a documentação apresentada pela fiscalizada sem trazer aos autos nenhum outro elemento que pudesse infirmar os dados por ela contabilizados. Não trouxe aos autos nenhuma planilha na qual ficasse ao menos demonstrado a que os valores constantes da escrituração eram inconsistentes com os elementos apresentados pela fiscalizada. Também não foram realizadas diligência junto ao fornecedor visando confrontar os dados apresentados pela fiscalizada com os daquele. A autoridade fiscal optou por desconsiderar os elementos apresentados pela fiscalizada, sem, no entanto demonstrar que os valores por ela considerados passivo fictício já haviam sido pagos ou que eram indevidos. Tal procedimento não pode prosperar. A autuação com base em presunções legais está sujeitas a alguns balizamentos, sem os quais não se sustenta a autuação por omissão de receitas. A presunção, estabelecida pela lei, fundada no critério de razoabilidade, dispõe que comprovada pelo Fisco a ocorrência de determinada situação fática presumese, até prova em contrário, cujo ônus é do contribuinte, a ocorrência da omissão de receitas. É o que dispõe o art. 281, inc. III do RIR/99, que lastreia a autuação, in verbis: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: (...) III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Neste caso o fato índice a ser provado pelo Fisco é a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou a existência de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Comprovado tal fato a lei autoriza a caracterização da presunção: omissão no registro de receita. O raciocínio lógico, deduzido pelo legislador, é o de que tais passivos inexistentes servem para acobertar a omissão de recursos oriundos de receitas omitidas que foram utilizados para quitar as mesmas obrigações constantes do passivo (passivo fictício) ou simular o ingresso de recursos novos para outros pagamentos suportados pelo caixa da empresa (passivo sem exigibilidade comprovada). No entanto, a autoridade fiscal não logrou demonstrar que as obrigações registradas no passivo da fiscalizada já haviam sido pagas ou mesmo eram inexigíveis, Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001279/200823 Acórdão n.º 1302000.776 S1C3T2 Fl. 1.163 17 limitandose a reputar como insuficientes os elementos apresentados pela recorrente no curso da ação fiscal. E este ônus é intransferível ao contribuinte. O expediente de intimar o contribuinte para comprovar o pagamento das dívidas registradas no seu passivo é insuficiente para infirmar os dados contábeis registrados, pois os elementos apresentados pelo sujeito passivo são compatíveis com os dados de sua escrituração. Se dúvidas havia quanto a real existência do passivo registrado, a fiscalização deveria aprofundar a investigação, inclusive junto a terceiros, como já mencionado, e ao menos demonstrar de forma cabal que os elementos apresentados pela fiscalizada não comprovam a dívida estampada no seu passivo. Vejase que o montante do passivo sofreu diversas modificações no curso do ano de 2004, com registros de pagamentos e novas compras, sem qualquer análise desses dados pela fiscalização, que simplesmente considerou inexistente os saldos constantes das contas do livro Razão em 31/12/2004. Entendo que também não pode prosperar a autuação mesmo na hipótese levantada pela Delegacia de Julgamento de considerar a dívida como não comprovada, em primeiro plano porque não sendo este o fundamento da autuação, não compete à autoridade julgadora aperfeiçoar o lançamento e, em segundo lugar porque a autoridade fiscal não apresentou nenhum elemento concreto que pudesse refutar a validade dos documentos e dados contábeis apresentados pela recorrente. Ante ao exposto, entendo por dar provimento ao recurso nesta parte, para excluir da autuação a infração por omissão de receitas apurada com base em passivo fictício. 2.2 Sobre as despesas de viagem não justificadas (desnecessárias). A recorrente alega que as despesas de viagens glosadas pelo fisco foram “incorridas pelo sócio Luis Carlos Paes de Carvalho, demais sócios e outras pessoas no interesse da Empresa, ocorreram sempre visando ao fechamento de transações negociais, fora do Brasil ou em pólos tradicionalmente conhecidos pela produção de açúcar, como São José do Rio Preto (conforme se nota por comprovantes em anexo, apresentados por amostragem Doc. 04)”. Sustenta que o “entendimento da Administração Pública, no tocante às despesas operacionais é pela sua dedutibilidade, quando se configurem necessárias à fonte produtora da empresa, cabendo ao Fisco promover sua descaracterização, se pretende glosá las”. Alega ainda que “o AFRFB não comprovou que os gastos tenham sido em proveito não operacional (mesmo porque as despesas são plenamente compatíveis com a atividade desenvolvida pela Empresa, qual seja, compra de mercadoria em "diversos pontos do mercado interno e sua exportação, o que demanda viagens dentro e fora do país)”. Em que pese a recorrente ter razão quanto à possibilidade de dedução das despesas de viagens quando se configurem como necessárias às atividade da empresa, tal fato não prescinde de comprovação. Examinando os documentos apresentados pela fiscalizada durante o procedimento fiscal e junto com a impugnação constatase a existência de diversas faturas Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 18 emitidas por agência de turismo, relativas a passagens aéreas em nome de diversas pessoas, comprovantes de hotéis, faturas de telefones celulares e de cartão de crédito em nome do sócio (Luiz Carlos Paes de Carvalho), referentes a viagens para o exterior e para algumas cidades brasileiras, como São Paulo. No entanto, a recorrente não comprova o vínculo de tais viagens com as atividades da empresa. Não há qualquer relatório, ou mesmo referência nos documentos de reembolso, da finalidade de tais viagens de modo a vinculálas às atividades da recorrente. Assim, resultam em meras alegações, sem comprovação, o argumento trazido de que tais viagens “ocorreram sempre visando ao fechamento de transações negociais, fora do Brasil ou em pólos tradicionalmente conhecidos pela produção de açúcar, como São José do Rio Preto”. Desta feita o ônus da prova quanto a dedutibilidade das despesas é da pessoa jurídica. Não cabe à fiscalização demonstrar que tais despesas não são operacionais. Os requisitos de dedutibilidade das despesas operacionais estão fixados no art. 299 e 300 do RIR/99, in verbis: O RIR/99 Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 dispõe: “Art. 299 – São operacionais, as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). Art. 300 – Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 2º). (grifei) Portanto, as despesas de viagens de diretores ou sócios são dedutíveis desde que intrinsecamente ligadas às atividades da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Não tendo sido comprovada a vinculação dessas despesas com a atividade da empresa é de se manter a infração que determinou a sua glosa. 2.3 Sobre as despesas não necessárias – liberalidade 2.3.1 Contribuição à instituição Sugar Club Com relação às despesas consideradas pela fiscalização como sendo gastos efetuados por mera liberalidade da empresa e, portanto, não necessárias à atividade, a recorrente alega que “a contribuição à instituição SUGAR CLUB, no valor de R$23.700,00 (devidamente comprovada Doc. 05), inserese no campo de claro interesse da Empresa” e que “tal pagamento foi realizado pela participação no evento Sugar Dinner 2003, ocasião esta em que se dá o encontro de empresários do setor sucroalcooleiro”. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001279/200823 Acórdão n.º 1302000.776 S1C3T2 Fl. 1.164 19 A recorrente argumenta que o evento reúne produtores, compradores, trading, usineiros, bancos e corretora e se destina a favorecer o contato entre estes agentes visando a travar novos conhecimentos e à realização de negócios e que dada a natureza do evento é despropositada a glosa de tal despesa. A fiscalização considerou tais despesas como liberalidade da interessada. A despesa foi comprovada pelo Recibo no valor de R$ 23.700,00 referente compra de 3 (três) mesas do evento Sugar Dinner Brasil 2003, em 08/04/2003 (fl. 1028). No folheto de divulgação do evento (fls. 1029/1036) verificase que a despesa se refere à compra de mesas referente ao Coquetel 18:00h e ao Jantar 20:30h no dia 24/10/2003, sendo que o evento do setor se estende pelo período de 20 e 24 de outubro de 2003 (fl. 1032). De acordo com o Parecer Normativo CST nº 322/711, as “despesas com relações públicas em geral, tais como almoço, recepções, festas de congraçamento, etc, efetuadas por empresas, como necessárias à realização de negócios próprios de seu objeto social, para serem dedutíveis da receita brutas operacionais, deverão guardar estrita correlação com a realização de transações exigidas pela atividade da empresa, além de rigorosamente escudadas em elementos comprobatórios que permitem sua aceitabilidade pela fiscalização, limitandose tais despesas em níveis razoáveis”. Entendo, no presente caso, que dada a natureza do evento tal despesa se amolda às atividades da empresa recorrente e estando devidamente comprovada é razoável a admitir a sua dedução. A decisão de primeira instância adicionou o argumento, favorável à glosa, de que o inc. IV do art. 13 da lei nº 9.249/95, passou a vedar a dedução “das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores”. Com efeito, tal dispositivo passou a vedar a dedução de determinadas despesas, mesmo que fossem caracterizadas como necessárias e usuais às atividades da empresa. No entanto, a glosa realizada pela fiscalização não está fundamentada nesse dispositivo legal, mas sim como despesa não necessária, realizada por mera liberalidade, não podendo o julgador inovar em tais fundamentos, sob pena de macular o lançamento. Ante ao exposto, dou provimento ao recurso voluntário para excluir a referida glosa do lançamento efetuado. 2.3.2 Aluguel de carro Sprinter Com relação à glosa do aluguel do carro Sprinter, a recorrente alegou que “foi o mesmo utilizado em proveito de clientes da Candura do Brasil (Doc. 06) e com propósito de captação de negócios, motivo pelo qual também deve a respectiva despesa ser considerada operacional”. Entendo que também neste caso dever ser observado o entendimento exarado no Parecer Normativo CST 322/71. Tratase, segundo a recorrente de despesas de relações públicas feita com vistas a angariar negócios com clientes. No entanto, a recorrente não trouxe nenhum elemento 1 Regulamento do Imposto de Renda Comentado e Anotado 2009 , 4ª ed, MP Editora, pag 690. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 20 que pudesse correlacionar a despesas realizada com a realização de transações ou negócios inerentes à sua atividade. Assim, entendo que ante a ausência de comprovação da necessidade da despesa para as atividades da fiscalizada, a sua glosa deve ser mantida. 2.4 Sobre a glosa despesas não comprovadas 2.4.1 Pagamento à empresa ED&F MAN S/A A recorrente alega que as despesas pagas em 2003 à empresa ED&F MAN S.A. (CNPJ 38.829.068/000162) que “é uma das maiores trading company do mundo”, referemse serviços que teriam “sido utilizados com o fito de operacionalizar as exportações de açúcar adquirido pela Recorrente”. A recorrente ressalta o porte e a atividade do parceiro comercial como justificativa para a despesa, anexando uma notícia em um veículo de comunicação denominado Procana sobre a empresa. Nos documentos apresentados pela recorrente, constantes dos autos, é possível identificar um documento de controle interno da empresa Candura, denominado Pedido de Remessas ou Pagamentos (fls. 256), um recibo de depósitos do Banco BCN (fls. 257), e um documento escrito na língua inglesa denominado Debit Note (fls. 258). Embora os documentos comprovem o pagamento efetuado, não podem ser considerados como hábeis e idôneos para permitir a dedução da despesa. A recorrente não apresentou em nenhum momento o documento fiscal emitido pela beneficiária do depósito, onde deveria estar descrita a natureza/conteúdos dos serviços ou produtos adquiridos. Ante a ausência de comprovação hábil e idônea entendo que está correta a glosa da despesa em referência. 2.4.2 Pagamento à empresa Emilio Romani Com relação a esta glosa a recorrente alega que a “empresa Emílio Romani S.A. (CNPJ 76.491.828/000151), por sua vez, atuava, à época dos fatos, na fabricação de açúcar de cana refinado, cabendolhe processar o açúcar pertencente à Recorrente, antes de ser exportado” e que “a natureza das atividades exercidas pelos destinatários das despesas comprova plenamente seu caráter operacional, o que redunda em sua dedutibilidade para fins de apuração do imposto”. Nos documentos anexados aos autos (fls. 247 a 254), encontramse documentos de controle interno da empresa Candura, denominados Pedido de Remessas ou Pagamentos, recibos de depósitos do Banco Bradesco e cópias de mensagens, sem assinatura, supostamente encaminhadas pela empresa Emilio Romani, nas quais são solicitados pagamentos pelo processamento de matériasprima, transformados em açúcar. Tratase, ao que parece, de industrialização realizada por encomenda da recorrente. Ocorre que não foram apresentados os respectivos documentos fiscais que deveriam ter sido emitidos pela empresa industrial para acobertar as operações. Além disso, em se tratando de custos de industrialização, tais pagamentos deveriam compor os custos dos produtos vendidos pela recorrente, sujeitos à apuração própria, e jamais deveriam compor o rol das despesas operacionais da fiscalizada. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001279/200823 Acórdão n.º 1302000.776 S1C3T2 Fl. 1.165 21 É o que dispõe os arts. 289 e 290 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (Decreto nº 3.000/1999), in verbis: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). – (grifei) § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; (grifei) II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). Portanto, não havendo sido apresentada a documentação hábil e idônea para comprovar as operações em questão, entendo que a glosa deve ser mantida. 2.4.3 Pagamento efetuado à empresa Siderúrgica do Maranhão A recorrente argumenta que a despesa no valor de R$ 629.904,46, parte de um total de R$ 661.769,99 glosada em 2004, “se refere à comissão de 3,5% sobre o valor de venda, pago à Viena Siderúrgica do Maranhão S.A., em função do Contrato Compra e Venda de Mercadorias (ferro gusa) Para Exportação”. Sustenta que a cláusula 3 do contrato prevê do Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 22 pagamento a comissão e ainda que, “em 07 de julho de 2004, está consignado o respectivo pagamento, que tem lastro no Contrato ora referido e na Escrituração do Contribuinte, demonstrando a regularidade da dedução da despesa respectiva valor pago, R$ 629.904,46, corresponde aos US$ 200.080,00, acrescidos da comissão de 3,5%, à taxa SISBACENPTAX de 07 de julho 3,0418 (Doc.08”). A decisão de primeira instância fez uma análise completa da documentação apresentada pela, a qual transcrevo abaixo: A interessada juntou cópia do Contrato de Compra e Venda de Mercadorias para Exportação nr.003/2004, fls. 1044/1046 e cópia de email, fl. 1047, RE:Dados: Para credito performance/Viena – “segue dados para crédito dos reais:R$ 629.904,46.” No Contrato de compra e venda, a interessada CANDURA DO BRASIL é a COMPRADORA e a VIENA SIDERÚRGICA DO MARANHÃO S/A é a VENDEDORA, no caso, de Ferro Gusa. Observase no item 2 do Contrato: “ As partes estipulam que o valor estimado deste contrato será o equivalente em Reais a US$200.080,00(Duzentos mil e oitenta dólares dos Estados Unidos), com +1% de acordo com a quantidade embarcada, tendo em vista tratarse de mercadorias destinadas à exportação, na modalidade FOB Ponta da Madeira, São Luís,MA. ”. E no item 3 do Contrato: “A COMPRADORA obrigase a pagar à VENDEDORA, quando do pagamento da mercadoria, a título de complemento de preço, prêmio sobre o montante em moeda corrente nacional, equivalente a 3,50%(Três virgula cinco por cento) do valor FOBPonta de Madeira, convertidos em reais ...., pagos juntamente com o principal.”(assinalado pela própria interessada no documento). Assim, a interessada informa na impugnação que “em 07 de julho de 2004, está consignado o respectivo pagamento, que tem lastro no Contrato ora referido e na Escrituração do Contribuinte, demonstrando a regularidade da dedução da despesa respectiva. O valor pago, R$629.904,46, corresponde aos US$ 200.080,00, acrescidos da comissão de 3,5%, à taxa SISBACENPTAX de 07 de julho 3,0418 (Doc.08).”.(negritei). Logo, salvo melhor juízo, a “comissão” mencionada no Histórico do lançamento no Livro Diário como despesa, poderia ser de 3,5% sobre os US$ 200.080,00, ou seja, algo em torno de R$ 21.301,11, considerando a taxa SISBACENPTAX de 07 de julho indicada pela própria interessada em sua impugnação, fl. 865 = 3,0418, e não o valor total pago, de R$ 629.904,46, que abrange a operação de compra e venda objeto do Contrato, valor 30 vezes superior. Mais uma vez se verifica nos documentos constantes dos autos que a comprovação das operações carecem de documentação hábil e idônea. A recorrente alega que o valor lançado como Comissões referese, na verdade, ao pagamento integral pela aquisição de ferro gusa para exportação, conforme Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001279/200823 Acórdão n.º 1302000.776 S1C3T2 Fl. 1.166 23 contrato de compra e venda. No entanto, novamente deixa de apresentar os documentos fiscais que lastrearam a operação. Ora, em se tratando de aquisição de produtos ou mercadorias é imprescindível a emissão pelo fornecedor da nota fiscal correspondente. Demais disso, mais uma vez a recorrente teria tratado incorretamente o custo de mercadoria, que deveria inicialmente compor os seus estoques, como despesa operacional (comissões). Como é cediço o custo da mercadoria vendida deve ser apurado e reconhecido quando da revenda da mercadoria, não podendo ser confundida como despesas operacional, conforme dispõe o art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), já citado no subitem anterior. Ante ao exposto, à míngua de comprovação hábil e idônea, mantenho a glosa do valor lançado indevidamente como despesa operacional. 2.4.4 Pagamentos referentes a despesas aduaneiras. A recorrente alega, em relação aos demais itens glosados em 2004, que os “pagamentos se referem a despesas incorridas com procedimentos aduaneiros rotineiros na atividade da Empresa, devendo, também, ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ”. Os documentos relativos ao pagamento no valor de R$ 14.955,24 encontram se anexados às fls. 319/325 dos autos. Neles constam o recibo de Oceanus Agência Marítima S/A, no valor de R$ 4.083,82 (fls. 320), o recibo do Conselho de Nacional de Carregadores de Angola no valor de R$ 5.738,70 (fls. 322) e o recibo de Oceanus Agência Marítima S/A, no valor de R$ 5.586,76 (fls. 324) . Além disso, há uma correspondência da recorrente para o Banco Unibanco, solicitando a emissão de uma TED no valor de R$ 14.955,27 em favor de Porto Assessoria de Despachos Aduaneiros Ltda (fls. 319) e cópia da TED enviada (fls. 323). Além dos recibos apresentados não guardarem correlação com a beneficiária da transferência bancária, seu valor, no conjunto, também não coincide com ao valor da transferência bancária. Além disso, os recibos não identificam adequadamente a natureza dos serviços prestados, nem há qualquer menção à qual exportação de mercadorias se referem. A recorrente tampouco trouxe novos elementos em sua impugnação e recurso, limitandose a alegar que se tratam de despesas incorridas com procedimentos aduaneiro rotineiros. Deste modo, não estando comprovado por documentação hábil e idônea, a glosa deve ser mantida. 2.5 Sobre a glosa de dedução de multas fiscais pagas Com relação à glosa de multas por infrações fiscais pagas à Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro no ano de 2003, alega a recorrente que “tais pagamentos não estão entre aqueles excetuados no§ 5o, do artigo 344, do Regulamento do Imposto de Renda”; que as multas “foram pagas à Secretaria Estadual de Fazenda por infrações de natureza formal (Doc. 09)”, e ainda que “a despesa está perfeitamente enquadrada dentre Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 24 aquelas previstas no Parecer Normativo CST n° 61/79, isto é, multas das quais não resulta falta de recolhimento de tributo; sendo, portanto, dedutível, tal como escriturada ela Recorrente”. Alega ainda que sua atividade principal é a exportação de açúcar, que é imune do ICMS, conforme o inc. X do art. 155 da Constituição Federal e, portanto, não poderia resultar de falta de recolhimento do tributo. De acordo com os documentos de arrecadação (DARJ) apresentados (fls. 268/270), no campo Receita consta “Multa Formal ICMS” e código da receita 5517. Verificase que os três documentos DARJ apresentam valores completamente distintos um do outro, denotando que se tratam de infrações com bases de cálculo distintas. A recorrente não identificou a origem das multa, nem apresentou qualquer documento ou a comprovação de que espécie de multa se trataria. O argumento de que sua atividade principal é a de exportação de açúcar, deve ser relativizado, pois isto não exclui a possibilidade realização de operações internas sujeitas ao recolhimento de ICMS. O § 5º do art. 344 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). (...) § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 5º). A regra, portanto, é a da indedutibilidade das multas fiscais, excetuandose as de natureza compensatória ou de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. A recorrente não trouxe aos autos outros elementos que pudessem identificar a natureza das multas pagas, impondose a manutenção da glosa, na medida em que os documentos de arrecadação (DARJ) não trazem dados suficientes para identificar a sua natureza. Destarte, nego provimento ao recurso também nesta parte. 3. LANÇAMENTOS REFLEXOS 3.1 Da CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, integralmente, as conclusões atinentes ao IRPJ. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18471.001279/200823 Acórdão n.º 1302000.776 S1C3T2 Fl. 1.167 25 Assim, dou provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a título de CSLL, as mesmas infrações excluídas do lançamento do IRPJ, nos termos anteriormente examinados. 3.2 Das contribuições ao PIS e Cofins Com relação às contribuições ao PIS e Cofins também se aplicam as conclusões relativas ao lançamento do IRPJ. Assim, dou provimento ao recurso para excluir integralmente a exigência do Pis e da Cofins, lançadas em face da omissão de receitas apuradas com base em Passivo Fictício, infração em relação a qual foi dado provimento, nos termos examinados acima. 4. CONCLUSÕES Ante ao exposto, voto no sentido dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, para reduzir as exigências de IRPJ e CSLL e excluir integralmente as exigências relativas às contribuições ao Pis e Cofins, nos termos do relatório e voto. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13402.000023/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA CONSTANTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a omissão no acórdão embargado, mediante a análise de matéria que deixou de ser apreciada quando do julgamento do recurso voluntário.
AJUSTE ANUAL. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. INEXATIDÃO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente. É cabível o lançamento de ofício do imposto de renda devido e não declarado na retificadora, incidindo multa no percentual de 75%, em decorrência da declaração inexata.
Numero da decisão: 2401-005.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o vício de omissão apontado no acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA CONSTANTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a omissão no acórdão embargado, mediante a análise de matéria que deixou de ser apreciada quando do julgamento do recurso voluntário. AJUSTE ANUAL. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. INEXATIDÃO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente. É cabível o lançamento de ofício do imposto de renda devido e não declarado na retificadora, incidindo multa no percentual de 75%, em decorrência da declaração inexata.
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OMISSÃO. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA CONSTANTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Acolhemse os embargos de declaração para sanar a omissão no acórdão embargado, mediante a análise de matéria que deixou de ser apreciada quando do julgamento do recurso voluntário. AJUSTE ANUAL. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. INEXATIDÃO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. É cabível o lançamento de ofício do imposto de renda devido e não declarado na retificadora, incidindo multa no percentual de 75%, em decorrência da declaração inexata. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 2. 00 00 23 /2 00 7- 18 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13402.000023/200718 Acórdão n.º 2401005.742 S2C4T1 Fl. 103 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o vício de omissão apontado no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, conforme fls. 82/83, contra o Acórdão nº 210101.684, de 19/06/2012, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 70/73. Alega o embargante a existência de omissão no acórdão, tendo em vista a ausência de apreciação do pedido de exclusão da multa de ofício aplicada no lançamento fiscal, cuja matéria foi expressamente contestada no recurso voluntário. A ciência do acórdão embargado pelo contribuinte deuse no dia 17/11/2012, que interpôs os embargos de declaração em 23/11/2012 (fls. 82 e 94). Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção. Os aclaratórios foram admitidos por despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento, determinando a inclusão do processo em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, com vistas ao saneamento do vício apontado pelo contribuinte (fls. 99/101). É o relatório Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13402.000023/200718 Acórdão n.º 2401005.742 S2C4T1 Fl. 104 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Pois bem. Com efeito, assiste razão ao embargante, pois contestou expressamente no recurso voluntário a exigência da multa de ofício, considerando o recolhimento do imposto antes do início do procedimento fiscal, não havendo apreciação dessa matéria pelo acórdão embargado (fls. 66/68 e 70/73). Assim sendo, cabe a integração da decisão recorrida, mediante a apreciação da matéria contestada. De pronto, reproduzo a análise da incidência da multa de ofício no lançamento feita pela decisão de primeira instância, a qual, desde já, acrescento às minhas razões de decidir (fls. 61/62): (...) 16. Quanto à solicitação do contribuinte para que seja considerada a primeira declaração com a conseqüente revogação do Auto de Infração, haja vista que o imposto suplementar já foi quitado espontânea e tempestivamente, conforme DARF anexo, cabe esclarecer que a fiscalização agiu corretamente ao lançar a multa de ofício em consonância com o inciso do art.44 da Lei 9.430/96, que trata da multa de oficio: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 17. Ressaltese que o Auto de Infração foi lavrado com base na declaração retificadora entregue pelo contribuinte, de fls. 41 a 44 que substituiu integralmente a declaração entregue originalmente, constando rendimentos tributáveis igual a R$ 0,00, portanto, tratase de declaração inexata, sujeita ao lançamento da multa de ofício, de acordo com a legislação supracitada. (...) Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13402.000023/200718 Acórdão n.º 2401005.742 S2C4T1 Fl. 105 4 Num primeiro momento, no prazo para entrega da declaração de ajuste anual do anocalendário de 2002, o contribuinte apresentou declaração original com a inclusão dos rendimentos tributáveis recebidos da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, na importância de R$ 44.562,00 (fls. 35/38). Posteriormente, entregou declaração retificadora, que serviu como base do lançamento fiscal, em que deixou de informar o valor recebido de R$ 44.562,00 como rendimentos tributáveis, indicando a importância como isenta e não tributável (fls. 15/16 e 43/46). A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Com a apresentação da retificadora, a original não mais produz efeitos jurídicos. Em que pese o recolhimento de imposto em quotas, decorrente do saldo a pagar apurado na declaração original, o próprio contribuinte optou em pedir restituição de tais valores, como se observa dos documentos acostados aos autos, o que significa dizer que não considerava o recolhimento como pagamento antecipado para fins de extinção do crédito tributário (fls. 32/34). Não restou outra alternativa para o agente fazendário senão o lançamento de ofício, na medida em que o crédito tributário não havia sido objeto de confissão de dívida, diante da substituição da declaração original por iniciativa do contribuinte. De acordo com a redação do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, copiado pela decisão de primeira instância, o lançamento de ofício comporta a imposição de penalidade, no percentual mínimo de 75%. Essa multa não se restringe à situação de falta de recolhimento do tributo devido, mas também abarca as hipóteses de falta de declaração ou, como ora se cuida, de declaração inexata. Devido à omissão de rendimentos na declaração retificadora, que configura declaração inexata, foi constituído pelo lançamento o crédito tributário relativo ao imposto de renda devido e não declarado, incidindo, de maneira escorreita, multa de ofício no patamar básico de 75%. Conforme esclareceu a decisão de primeira instância, os recolhimentos realizados poderão ser aproveitados para fins de redução do débito, composto de principal, juros e multa. Na ótica do recorrente, a multa aplicada no lançamento é injusta, porém a penalidade no caso de declaração inexata está prevista na lei, que vincula a atuação do julgador administrativo. O patamar mínimo no percentual de 75% é fixo, definido objetivamente pelo art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não dando margem a considerações sobre a graduação da penalidade. Inclusive, nas situações em que a fiscalização verifica a conduta dolosa do contribuinte, mediante a intenção de sonegação de impostos, a multa de ofício é aplicada pela fiscalização no percentual duplicado, no importe de 150% (art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, na redação atual). Todavia, não é a hipótese dos autos, porquanto o agente lançador fez incidir o percentual básico de 75%. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13402.000023/200718 Acórdão n.º 2401005.742 S2C4T1 Fl. 106 5 Em suma, cumpre acolher os declaratórios com função integrativa, para preencher a lacuna existente na decisão recorrida, na forma acima mencionada, contudo sem alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário, que negou provimento ao recurso voluntário. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos e, no mérito, ACOLHO os aclaratórios, sem efeitos infringentes, para sanar o vício de omissão apontado no Acórdão nº 210101.684, de 19/06/2012. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.722958/2016-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário frente ao Acórdão nº 0273.612, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 1.092 a 1.107), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 22 95 8/ 20 16 -3 9 Fl. 3792DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.793 2 CISÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. AÇÃO FISCAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. O prejuízo fiscal que tiver sido usado para compensar diferença tributária apurada em virtude de ação fiscal será, paralelamente, objeto de glosa fiscal caso tenha sido compensado em períodos de apuração subseqüente. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito entre ambos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). DECADÊNCIA. A contagem do prazo decadencial referente à utilização de prejuízo fiscal tem início com a ocorrência do fato gerador que contempla sua utilização." Por bem sintetizar o constante no presente processo, passo a transcrever o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Auto de Infração, fls.799 a 811, lavrado contra o contribuinte, Sinochem Petróleo Brasil Ltda. Fl. 3793DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.794 3 O citado auto combinado com o Relatório Fiscal, fls. 791 a 798, exige o recolhimento do crédito tributário no montante de R$ 44.307.198,87. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, FLS. 791 a 798 No Relatório Fiscal, a autoridade fiscal apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante: Informa que a autuação tratase, em síntese, de irregularidade no recolhimento do IRPJ e da CSLL proveniente da glosa fiscal sobre o valor da compensação de prejuízo que excedeu ao saldo registrado no Lalur. Com base no Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL, Sapli, verificou se que o contribuinte apresentou DIPJ’s zeradas para o anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Apesar disso, utilizou o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL relativa a esses anos para abater o lucro do ano calendário 2012. Ainda, houve cisão (80% do patrimônio no ano de 2010), o que fez com que o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa acumulada até o 1º semestre desse ano tivessem uma redução de 20%. E, por último, houve, em 2011, uma compensação de ofício no valor de R$ 58.338.392,88 conforme processo administrativo nº. 12448.731599/201461. Ante ao exposto, o Prejuízo Fiscal e a Base de Cálculo Negativa para o ano calendário de 2012 perfazem um total de R$ 64.040.598,88, conforme planilha abaixo: Não obstante a isso, a DIPJ, ano calendário 2012, possui, na ficha 09A e 17, prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, respectivamente, no valor de R$ 123.725.169,26. Assim, foi compensado um excesso de R$ 59.687.570,38 (R$ 123.725.169,26 – R$ 64.040.598,88). Como resultado da existência de Fl. 3794DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.795 4 infração de IRPJ e CSLL, foi apurado um crédito tributário no valor de R$ 44.307.198,87 assim discriminado: IMPUGNAÇÃO, FLS. 820 a 850 Irresignado com o lançamento do Auto de Infração, o contribuinte apresentou impugnação, com os argumentos sucintamente resumidos a seguir: Como preliminar, o contribuinte alega tempestividade. No mérito, introduz com uma breve contextualização sobre a indústria do petróleo – Lei do petróleo – 'Upstream' x 'Downstream'. A empresa ora impugnante desenvolve atividades de 'upstream' e, por isso, pela legislação tributária brasileira, pode optar entre dois regimes contábeis: 'full cost' e 'succesful efforts'. Nas palavras da impugnante: “22 O regime de ‘full cost’ ou método do custo total reputa que todos os esforços econômicos empreendidos pela pessoa jurídica na fase préoperacional são gastos necessários e indispensáveis para que a empresa atinja a fase operacional, razão pela qual todos os custos e despesas incorridos na aquisição, exploração e desenvolvimento são capitalizados e passam a ser amortizados quando a empresa passa a extrair e produzir, ou seja, quando entra na fase operacional. 23 Segundo esse regime, por exemplo, se a pessoa jurídica desenvolve cinco poços e somente três poços entram efetivamente na fase de extração e produção comercial, os custos e despesas dispendidos nos outros dois poços não são baixados no momento da identificação da sua inviabilidade técnica e/ou comercial, mas amortizados juntamente com os custos e despesas dos poços que entram na fase operacional. 24 De outra parte, o regime de ‘successful efforts’ ou método dos esforços bem sucedidos determina que custos e despesas sejam baixados quando da identificação da inviabilidade técnica e/ou comercial de cada um dos projetos de investimentos individualmente considerados. As capitalizações de custos e despesas são feitas por projeto e a manutenção para posterior amortização ou baixa é decidida à luz da (in)viabilidade técnica e/ou comercial de cada empreendimento/projeto. 25 Utilizando o exemplo anterior, quando da identificação da inviabilidade dos dois poços, seus respectivos custos e despesas seriam baixados. Somente os custos e despesas dos outros três poços seriam Fl. 3795DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.796 5 mantidos capitalizados a fim de serem amortizados a partir do momento em que entrassem na fase operacional.” Informa que até o final do anocalendário de 2007 a empresa utilizava o 'full cost'. No entanto, no fim do mesmo ano, alterou o referido método para 'succesful efforts'. Em virtude disso, a impugnante baixou os custos e despesas pendentes dos anoscalendário de 2004 a 2006, realizando um ajuste de exercícios anteriores, acrescentando, ainda, os custos e despesas referentes ao ano de 2007 na DIPJ, exercício 2008, ficha 38, linha 08, totalizando um prejuízo de R$ 121.997.733,07. Diferentemente do apurado pela autoridade fiscal, o prejuízo fiscal acumulado, anos de 2004 a 2006, totaliza R$ 69.987.514,55, fato confirmado pelo Livro Diário anexo à fl. 07 e não R$ 47.555.664,15 como relacionado no item 17 do Termo de Verificação Fiscal. Em relação a cisão, discorda que o estoque do saldo de prejuízo fiscal necessita de uma redução no valor de 20% equivalente a parte cindida, uma vez que: “(...)não há que se falar em proporcionalizar o prejuízo fiscal, posto que a cisão teve por escopo cindir 10% dos interesses participativos nos blocos BMC7 e BMC47, correspondente a 20% do valor das ações da Statoil Petróleo Brasil Ltda., detentora de 50% de participação nos blocos BMC7 e BMC47 no Contrato de Concessão n° 48610.003887/2000, como devidamente aprovado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (doc. 09)”. Assim, no universo de R$ 1.064.712.257,00 que representava o patrimônio líquido da empresa, o valor cindido foi de R$ 185.498.748.37 que consiste em: (a) 10% na concessão para a exploração do BMC7 E BMC47; (b) ativos, direitos e obrigações decorrentes dessas concessões; (c) ativos, direitos e obrigações na filial Statoil Petróleo Brasil em Niterói; (d) ativos importados por meio do Repetro, assim como ativos listados no anexo I da 26ª Alteração Contratual. Assim, segundo a impugnante, o prejuízo fiscal cindido equivale ao prejuízo dos ativos e passivos transferidos, que não corresponde necessariamente a 20% do valor das ações. Afirma ainda que “tendo em vista a cisão específica dos ativos e passivos indicados, o prejuízo fiscal considerado foi aquele correspondente aos interesses participativos cindidos, não estando a Impugnante obrigada a transferir o seu prejuízo fiscal na proporção de 20% para a empresa sucessora, como afirmado pela Fiscalização.” Quanto a compensação de ofício no valor de R$ 58.338.392,88 realizada no processo administrativo nº. 12448.731599/201461, alega a impugnante que apenas R$10.782.728,72 foram compensados no citado processo. Sendo que a diferença, R$ 47.555.664,15, (R$ 58.338.392,88 – R$ 10.782.728,72) foi compensada em momento anterior ao auto de infração, no ano de 2011, e se referem a soma dos prejuízos fiscais registrados nos anos de 2004 e 2005 e parte dos valores registrados no ano de 2006. Não obstante os R$ 10.782.728,72 já terem sido compensados no processo administrativo, esse processo ainda encontrase em discussão administrativa, pendente de decisão final. Assim, caso o auto de infração, no qual houve a compensação de ofício, seja julgado improcedente, correta a compensação realizada pela impugnante. Fl. 3796DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.797 6 Assim, o processo administrativo nº. 12448.731599/201461 não pode produzir os efeitos imediatos que a Fiscalização pretende, sob pena de 'bis in idem' e de violação à causa suspensa da exigibilidade do crédito tributário. Solicita, subsidiariamente, a suspensão desse processo até julgamento do processo administrativo nº. 12448.731599/201461. Requer, no caso de eventual impossibilidade de decisão favorável em relação aos tópicos precedentes, que seja aplicado o art. 59, do Decreto nº. 70.235/72 ao presente processo. A impugnante salienta que houve a homologação tácita desses saldos negativos e de prejuízo fiscal declarados pela impugnante nas DIPJ’s de 2008 a 2010 e Lalur de 2007 a 2010, nos moldes do art. 150, §4º do CTN, em razão de ter transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos entre a data de entrega da DIPJ e do Lalur e a contestação, ocorrida em 12/2016. Por último, a impugnante roga pela improcedência da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Para finalizar, a impugnante solicita: “(a) requer seja a presente impugnação julgada integralmente procedente, com a conseqüente desconstituição dos créditos tributários exigidos, determinandose o cancelamento do Auto de Infração e o conseqüente arquivamento do respectivo processo administrativo; (b) sucessivamente, seja ao menos determinado o sobrestamento do presente feito até o julgamento do Processo Administrativo n° 12448.731599/201461; (c) na remota hipótese de se entender pela validade do auto de infração, seja reconhecida a total insubsistência da autuação, diante da precariedade da ação fiscal; (d) caso seja superado o argumento anterior, que ao menos seja reconhecida a decadência do direito do Fisco questionar os valores declarados por ela a título de base de cálculo negativa de CSLL e prejuízo fiscal de IRPJ; (e) do contrário, caso se entenda pela validade do presente lançamento, seja ao menos reconhecida a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada; (f) protesta pela produção de todas as provas admitidas, especialmente a realização de diligências e a juntada de outros documentos.” A decisão de primeira instância (fls. 1.092 a 1.107) rejeitou a preliminar de nulidade, por entender preenchidos todos os requisitos fixados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como ausentes as hipóteses previstas no art. 59 da mesma norma. Rejeitou, ainda, o pedido de suspensão deste processo até julgamento do processo administrativo nº 12448.731599/201461, por ausência de previsão legal. Em relação à alegação de decadência do direito de o Fisco revisar prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, entendeu que a contagem do prazo decadencial somente "tem início com a ocorrência do fato gerador que contempla sua utilização". Quanto ao mérito, no que diz respeito aos saldos de prejuízos relativos aos anos calendários de 2004 a 2006, considerouos não comprovados, pois: (i) as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativas aos citados períodos deveriam ter sido retificadas para espelhar a situação contábil do sujeito passivo; (ii) o Livro de Fl. 3797DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.798 7 Apuração do Lucro Real (Lalur) lavrado em dezembro de 2008 não é suficiente para comprovar os referidos prejuízos; (iii) o saldo constante do referido Lalur não é coincidente com o saldo constante na DIPJ relativa ao anocalendário de 2007. Em relação à compensação de prejuízo fiscal referente ao primeiro semestre do anocalendário de 2010 (précisão), decidiu que o saldo do prejuízo fiscal acumulado até o evento de cisão deve ser reduzido proporcionalmente à parcela cindida, conforme art. 514 do RIR/99 e valores registrados na DIPJ do sujeito passivo. No que concerne à compensação de prejuízo no anocalendário de 2011, considerou que todo o montante utilizado no processo administrativo nº 12448.731599/2014 61 não está disponível para uso, tendo em vista que o Recurso Voluntário apresentado naqueles autos foi improvido pelo CARF. Assentou, ainda, que, diante do referido julgamento, não há óbice para que a autoridade fiscal considere a repercussão da matéria decidida. Afastou a alegação de incorreção de valores lançados, com base no já decidido em relação às questões anteriores. Considerou que os juros de mora devem incidir sobre a multa de ofício, por força do art. 61, §3º da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que a referida multa também se reveste do caráter de débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administradas pela RFB, devendo seguir o mesmo regime jurídico da exação principal. Finalmente, indeferiu o pedido de diligência, posto que não atendidos os requisitos legais, e por ser desnecessária, bem como a solicitação de juntada posterior de documentos, por não atender ao art. 16, §5º do Decreto nº 70.325, de 1972. Após a ciência da citada decisão (fl. 1.113), o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 1.117/1.167, no qual, basicamente, repete as alegações trazidas na Impugnação, acrescentando argumentos de defesa para a alteração do método full cost para o successfull efforts na sua contabilidade. Em relação à referida alteração, a justificativa diverge um pouco da trazida na Impugnação, posto que aduz que utilizou o método full cost, até o final do anocalendário de 2006, passando ao succesful efforts no início de 2007, de modo que "a alteração do critério contábil gerou alteração na demonstração financeira de 2007, razão pela qual não há que se falar no reprocessamento dos balanços e balancetes dos períodos anteriores a 2007, tampouco à retificação das DIPJs dos referidos anoscalendários 2004, 2005 e 2006". Sustenta que a comprovação do saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL não está condicionada à retificação das DIPJ dos referidos anoscalendários, uma vez que estariam atestados por meio da escrituração contábil e documentos fiscais idôneos. Invoca, ainda, a busca pela verdade material, refutando o apego formal da decisão recorrida, pelo que eventual erro formal não seria capaz de invalidade a existência do prejuízo fiscal acumulado. Cita precedentes do STJ e CARF que respaldariam tal fundamentação. Quanto à comprovação dos alegados prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL relativos aos anoscalendários de 2004 a 2006, informa a apresentação de planilha em Fl. 3798DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.799 8 que discrimina, por ano, o montante de R$ 69.959.069,54 deduzido como "outras exclusões" na apuração do Lucro Real na DIPJ referente ao anocalendário de 2007. Quanto ao montante de R$ 10.782.728,72 compensados pela Recorrente, no anocalendário de 2011, alega que o Acórdão recorrido "ignora o fato de que o IRPJ e a CSLL supostamente devidos no ano calendário 2011, em razão do Processo Administrativo nº 12448 731599201461, já estão sendo exigidos nos autos daquele processo, acrescidos de juros e multa. Nesse sentido, exigir valores decorrentes de suposta redução no saldo de prejuízo fiscal, sem a devida confirmação da autuação anterior, pode acarretar cobrança em duplicidade (bis in idem) e certamente vai ao encontro da causa suspensiva da exigibilidade". Sustenta, ainda, que o valor em cobrança no citado processo administrativo estaria com a exigibilidade suspensa, em decorrência de Recurso Especial, de modo que, caso ao final do processo haja a procedência do recurso, não será devida a compensação de ofício realizada. E que, independentemente do resultado do processo administrativo nº 12448.731599/201461, o saldo de prejuízo fiscal acumulado é inequívoco, uma vez que, na data da constituição do crédito tributário ora analisado, não existia qualquer manifestação do Fisco em sentido contrário. A Recorrente manifesta a intenção de realizar sustentação oral perante o CARF, requerendo, para tanto, a intimação pessoal dos seus advogados. Às fls. 1.452/1.455, 2.550 e 3.476, o sujeito passivo apresentou Petições, por meio das quais, junta ao processo documentos que comprovariam as despesas incorridas nos anoscalendários de 2004 a 2006, e que fariam prova do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL compensados; bem como, parecer elaborado pela Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 28 de junho de 2017 (fl. 1.113), tendo apresentado Recurso Voluntário em 21 de julho de 2017 (fl. 1.115), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por procuradores, devidamente constituídos às fls. 846/847. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e II, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II. Da preliminar de nulidade Fl. 3799DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.800 9 A Recorrente sustenta a insubsistência de todo o lançamento por supostos vícios e carência de motivação decorrente da ausência de análise de todos os documentos fornecidos no curso da ação fiscal, de erro no Termo de Verificação Fiscal quanto à menção ao prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2006, de equívoco no cálculo da redução dos prejuízos em virtude da cisão por ela sofrida e de erro quanto ao valor da compensação de ofício realizada nos autos do processo administrativo nº 12448.731599/201461. As hipóteses de nulidade dos atos praticados no âmbito do processo administrativo fiscal (PAF) são reguladas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, nos seguintes termos: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." A par disso, a existência de erros na determinação da base de cálculo, como alegado pela Recorrente, poderia levar ao reconhecimento da nulidade, por violação ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c o art. 142 do CTN. Nada disso, contudo, observase nos presentes autos. Acertadamente, o Acórdão recorrido, ao enfrentar semelhante argumentação, entendeu não estar presente nenhuma hipótese de nulidade prevista no dispositivo acima transcrito, nem ainda ter havido descumprimento de quaisquer dos requisitos do citado art. 10 do Decreto nº 70.1235, de 1972. A autuação foi adequadamente descrita e motivada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 791 a 798, que se manifesta acerca das provas apresentadas pelo sujeito passivo. O acerto acerca da análise das provas e a apreciação da existência de supostos equívocos na autuação se relacionam ao mérito da discussão, pelo que serão analisados no momento apropriado, e não conduzem à nulidade do lançamento. Rejeito, portanto, a preliminar suscitada. III. Da preliminar de sobrestamento A Recorrente renova, ainda, o pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo, até que decisão definitiva seja proferida nos autos do processo administrativo nº 12448.731599/201461. Corretamente, a decisão recorrida entendeu pela impossibilidade do sobrestamento, por absoluta falta de previsão legal. De todo modo, o pedido perde o objeto, quando o sujeito passivo apresentou, nos autos daquele processo, pedido de desistência integral, para adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Medida Provisória nº 783, de 31 de maio de 2017, convertida na Lei nº 13.496, de 24 de outubro de 2017. Desta forma, não deve ser acolhida a pretensão da Recorrente. Fl. 3800DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.801 10 IV. Da decadência A Recorrente invoca a "decadência do direito do Fisco questionar os valores declarados por ela a título de base de cálculo negativa de CSLL e prejuízo fiscal de IRPJ", uma vez que, na data do lançamento, já teria transcorrido o prazo de cinco anos, desde a entrega das DIPJ em que os referidos saldos teriam sido declarados. A alegação foi rejeitada pelos julgadores a quo, para quem: "De acordo com o art. 509 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), a compensação de prejuízo poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodos de apuração, à opção do contribuinte, observandose o limite de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões. Verificase que o legislador não impôs limitação de prazo para compensação de prejuízo, limitou apenas a base de cálculo a ser compensada, 30%. Ademais, permitiu que esse direito fosse realizado de forma parcial ou integral, conforme opção do contribuinte. Assim, se não há prazo para a compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas, não pode haver prazo de decadência para revisão do prejuízo fiscal e da base negativa utilizados. Nesses casos, o Fisco só poderá verificar a regularidade da compensação quando o contribuinte a realizar. É nesse momento que ocorre o fato gerador do tributo, que nada tem a ver com o momento em que os prejuízos formamse ou acumulamse. Prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, apurados na escrituração comercial e fiscal e declarados na DIPJ, não produzem efeitos apenas no período de sua determinação. Há um efeito imediato, qual seja, a comprovação da não ocorrência do fato jurídico tributário (lucro) no período de sua apuração. E, relativamente a esse, transcorrido o prazo decadencial, não mais se cogita da exigência de tributo naquele período, mediante reversão do prejuízo fiscal, ou da base negativa, para lucro. Já o mesmo não ocorre em relação ao seu efeito mediato, qual seja, a compensação com bases tributáveis apuradas em períodosbase futuros, nos quais deverá o sujeito passivo fazer prova da regularidade do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa anteriormente apurados. Repisese que a contagem do prazo decadencial referente à utilização de prejuízo fiscal tem início com a ocorrência do fato gerador que contempla sua utilização. Assim, o prazo decadencial para verificação do prejuízo fiscal acumulado utilizado na apuração do IRPJ, ano calendário 2012, iniciase em 31/12/2012 e se encerra em 31/12/2017." Neste ponto, há que divergir da decisão recorrida. É verídica a afirmação de que o Fisco somente poderá apurar a regularidade da compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, a partir do instante em que o sujeito passivo realiza dita compensação. Tal fato, contudo, não se confunde com o prazo de que dispõe a Administração Tributária para revisar os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL Fl. 3801DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.802 11 regularmente escriturados pelo sujeito passivo no seu Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e informados em Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Uma vez encerrado o períodobase, apurado pelo sujeito passivo os citados saldos e informados estes ao Fisco, a partir daí, começa a fluir o prazo decadencial para a revisão da apuração com a lavratura de auto de infração caso apurada a improcedência dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, mesmo que daí não resulte tributo a pagar, conforme previsto no art. 9º (caput e §4º) do Decreto nº 70.235, de 1972: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" Este entendimento tem sido acolhido pelo CARF, conforme ilustra julgado a seguir: "DECADÊNCIA. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA. Se o sujeito passivo informa ao Fisco, por meio de DIPJ, a apuração de prejuízo fiscal e base negativa, na medida em que a lei autoriza a formalização de auto de infração, mesmo que sem exigência de crédito tributário, para constituição da infração à legislação tributária cometida pela contribuinte, este ato administrativo deve ser promovido antes do decurso do prazo decadencial. (Acórdão nº 1201002.362 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, de 16 de agosto de 2018, Relator Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães) Tal posição também encontra guarida na Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa a seguir transcrita: "DECADÊNCIA Aplicase o prazo decadencial de cinco anos à revisão do prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, cuja determinação, documentação e escrituração foram legalmente atribuídas ao sujeito passivo, a partir de sua formação, cientificada pelos meios próprios ao fisco, a quem compete a lavratura de auto de infração na forma do artigo 9º., parágrafo quarto, do Decreto n. 70.235/72, realidade esta que não se entende alterada pelo dever de guarda de escrita fiscal de eventos passados com efeitos futuros.O início de contagem do prazo decadencial é deslocado para o artigo 173, I, do CTN, em razão de a glosa de despesas na apuração do prejuízo decorrer de operações consideradas fraudulentas e não contestadas devidamente pela recorrida, tornandoas incontroversas." (Acórdão nº 9101002.872, de Fl. 3802DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.803 12 06 de junho de 2017, Relatora Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) Ressalvese que tal conclusão não está a impor ao Fisco a obrigação de acatamento de todas compensações realizadas pelo contribuinte com supostos saldos provenientes de períodos já atingidos pela decadência. Na verdade, o entendimento de que o prazo decadencial deve ser contado a partir dos períodos de formação dos prejuízos e bases de cálculo negativa deve estar em consonância com os deveres impostos ao sujeito passivo de escriturar e declarar regularmente tais valores, bem como de guardar a documentação que os ampare, conforme art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996. In verbis: "Art.37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios." É o que explicita, com o brilhantismo usual, a Conselheira Edeli Pereira Bessa, em passagem transcrita no voto condutor do último julgado acima mencionado: "Por sua vez, vejase o exato teor do art. 37 da Lei nº 9.430/96: (…) A lei, neste caso, fala da repercussão futura de fatos contabilizados no passado. Nada menciona acerca da compensação futura de prejuízos fiscais e assim, não contradiz a autorização especial contida no art. 9º do Decreto nº 70.235/72, acerca da retificação de prejuízos fiscais por meio de lançamento. É certo que em circunstâncias específicas, a autoridade fiscal poderia discordar da compensação futura de prejuízos fiscais ou bases negativas, ainda que não promovido lançamento anterior para retificar sua apuração. Isto porque, para além do efeito imediato da apuração de prejuízos fiscais e bases negativas, que é a demonstração da inocorrência do fato jurídico tributário (lucro) no período de sua apuração, aquela apuração tem um efeito mediato, qual seja, a redução de bases tributáveis futuras, momento em que o sujeito passivo deveria fazer a prova da existência do prejuízo fiscal e da base negativa anteriormente apurados, mesmo que já atingido pelo prazo decadencial. Assim, se tais prejuízos não foram informados em DIPJ oportunamente, e não estão demonstrados no LALUR, consoante exige o art. 262, inciso III do RIR/99, a autoridade fiscal poderia glosar sua utilização futura, ainda que ultrapassado o prazo decadencial contado a partir da apuração original. Todavia, se estas informações foram prestadas, ultrapassado o prazo decadencial o Fisco não mais pode promover o lançamento que, desde o encerramento da apuração correspondente, estava autorizado por lei a fazer." Fl. 3803DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.804 13 Feitas tais considerações, há que se concordar com a tese da Recorrente de que, no ato do lançamento, já teria decaído o direito do Fisco de questionar a apuração dos prejuízos e bases de cálculo negativas da CSLL relativas aos anoscalendários de 2004 a 2011. Tal fato, porém, não leva imediatamente à conclusão da improcedência do lançamento, uma vez que o fundamento deste é exatamente a constatação de que o sujeito passivo realizou compensação de prejuízos e bases negativas em montantes superior ao registrado em sua escrituração e DIPJ. Assim, fixada a premissa da possibilidade de acatamento da decadência, é necessário o exame de mérito acerca da apuração dos valores compensados, para se extrair a conclusão final. V. Da compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 791 a 798, o lançamento foi motivado pela constatação de que o sujeito passivo compensou no anocalendário de 2012 o valor de R$ 123.725.169,26 a título de prejuízo fiscal e o mesmo montante a título de base de cálculo negativa da CSLL, sendo que o saldo passível de compensação era de R$ 64.040.598,88. A compensação realizada pelo sujeito passivo está registrada no Lalur relativo ao anocalendário de 2012 (fls. 743 a 748), sendo que o saldo compensado possui a seguinte composição: V.1 Dos saldos relativos ao anocalendário de 2006 A autoridade fiscal refutou a existência de saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL relativos ao anocalendário de 2006, uma vez que tais valores não constaram da DIPJ referente ao citado período de apuração, conforme fls. 147 a 178, tampouco o sujeito passivo comprovou a sua existência. Na peça impugnatória (fls. 820 a 850), o sujeito passivo alega que a "razão pela qual as declarações dos anoscalendários de 2004, 2005 e 2006 foram apresentadas zeradas está relacionada a uma mudança de critério contábil realizada pela Impugnante no ano de 2007". Segundo ele: "32. Até o final do anocalendário de 2007 a Impugnante se valia do método full cost (contabilização integral dos custos advindos das suas atividades de exploração e desenvolvimento de petróleo e gás no Brasil) e, no final daquele ano, alterou o referido método contábil para o método succesful efforts (esforços bem sucedidos). Fl. 3804DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.805 14 33. Em virtude disso, tendo em vista que o novo método contábil dos esforços bem sucedidos só foi aplicado a partir de 2007, a Impugnante identificou os custos e despesas que deveriam ter sido baixados nos anoscalendários de 2004 a 2006 e, a seguir, realizou um ajuste de exercícios anteriores (vide abaixo “Ajustes Devedores de Períodos de Apuração Anteriores” da sua DIPJ do anocalendário de 2007). Ainda, no tocante ao ano de 2007, os custos e despesas incorridos nesse ano foram contabilizados como “prejuízo líquido do ano”: (...) 34. Assim, nos anos de 2004 a 2006, a Impugnante registrou um prejuízo fiscal de R$ 69.987.514,55 e no ano de 2007 de R$ 52.010.218,52, totalizando o saldo de R$ 121.997.733,07 de prejuízo fiscal no anocalendário de 2007, conforme informação fiscal adequada fornecida pela Impugnante em sua DIPJ do anocalendário de 2007 (doc. 04) e conforme consta na informação contida no Balanço patrimonial de 2007 (doc. 05): 35. Da mesma forma, a DIPJ do anocalendário de 2008 registrou um saldo de base negativa de CSLL no valor de R$ 134.260.651,71, que compreende o valor de R$ 121.997.733,07 dos períodos anteriores e o valor de base negativa daquele ano (doc. 06): (...) 36. A respeito do saldo de prejuízo fiscal existente nos anos de 2004 a 2006, o Diário da Impugnante igualmente confirma o valor total de R$ 69.987.514,55 para o referido período (doc. 07): 37. Além disso, no LALUR de 2008 (doc. 08) constam os valores dos prejuízos fiscais que a Impugnante detinha no período de 2004 a 2006, discriminados separadamente por ano: " Fl. 3805DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.806 15 A decisão de primeira instância registrou que os citados prejuízos somente surgem na DIPJ relativa ao ano calendário de 2007, sem que tenha havido a retificação das DIPJ relativas aos anoscalendários de 2004 a 2006, e que o Lalur apresentado não comprova a existência dos prejuízos em questão, diante da ausência de registros contábeis e documentação pertinente aos citados períodos, cuja preservação e apresentação era de responsabilidade do sujeito passivo. Além disso, pontua que, conforme Termo de Abertura de fl. 1.003, a lavratura do referido Lalur somente se deu em 31 de dezembro de 2008, sendo que os prejuízos estão escriturados pela sua totalidade, sem o detalhamento de sua origem. Deste modo, não foi reconhecido o prejuízo em questão. O Recurso apresentado repete a mesma justificativa para a origem dos prejuízos relativos aos anoscalendários de 2004 a 2006 e, com apoio em Parecer emitido por consultoria, fundamenta a ausência de alteração das declarações anteriores nos seguintes termos: "52. Conforme bem pontuado no parecer emitido pela Deloitte (Doc. 05), a capitalização feita no custo total, na visão dos defensores do método dos esforços bem sucedidos, não apenas distorce o Balanço Patrimonial, pela inclusão de ativos que não irão resultar em benefícios futuros, mas também distorce a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, diferindo, para exercícios futuros, as despesas incorridas no período corrente. 53. Assim, a alteração do critério contábil e a demonstração dos prejuízos acumulados no período de 2004 a 2006 foi refletida/materializada pela Recorrente em seus registros contábeis e fiscais do exercício futuro (anocalendário de 2007). 54. Em razão de não existir na legislação brasileira tratamento tributário específico a ser adotado em caso de mudança de prática contábil, a referida alteração foi comprovada/materializada pela Recorrente em seus registros contábeis e fiscais a partir do ano de 2007. 55. Isso porque, até o ano de 2006, a Recorrente não possuía lucro tributável e, somente após a alteração contábil ocorrida em 2007 foi que ela começou a movimentar o prejuízo fiscal acumulado no período de 2004 a 2006, passando a refletir a partir de 2007 os referidos prejuízos fiscais e base negativa de CSLL. 56. Além disso, a alteração do critério contábil gerou alteração na demonstração financeira de 2007, razão pela qual não há que se falar no reprocessamento dos balanços e balancetes dos períodos anteriores a 2007, tampouco à retificação das DIPJs dos referidos anos calendários 2004, 2005 e 2006." Assim, passa a defender a busca da verdade material, sob a tese de que mero erro formal não invalidaria o prejuízo fiscal apurado em relação aos citados períodos de apuração. Fl. 3806DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.807 16 Há que se concordar com a Recorrente, no sentido de que a análise acerca da existência ou não dos referidos prejuízos fiscais não pode estar restrita à ausência de informação de tais valores nas DIPJ dos períodos correspondentes. É necessário averiguar, a partir das provas trazidas aos autos, se, de fato, os referidos prejuízos foram apurados. À mesma conclusão, chega o Parecer apresentado pela Recorrente às fls. 1.221 a 1.257: "Ainda que não tenha havido a retificação das DIPJs de 2004 a 2006, conforme requerido pelo Fisco, nada impede que a SPBL demonstre, mediante prova documental, o eventual equívoco ocorrido na declaração de rendimentos original, de forma a obter a anulação do lançamento fiscal, uma vez que possua elementos materiais para sustentar os lançamentos contábeis que resultaram no saldo de prejuízo fiscal glosado. (...) Neste sentido, entendemos que a validação do prejuízo fiscal deve ser realizada por meio dos elementos materiais (registros contábeis), os quais comprovarão se o alegado prejuízo decorre efetivamente da mudança do método de reconhecimento contábil dos gastos exploratórios da metodologia custo total para o método dos esforços bemsucedidos." Observese que, no caso, de fato, não incide a decadência invocada pela Recorrente, posto que os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas das CSLL não foram apurados nos livros fiscais referentes aos citados períodos e não foram corretamente informados ao Fisco, de modo a alimentar os seus sistemas de controle. Pois bem, como apontado no Acórdão Recorrido, até a Impugnação, as únicas provas apresentadas pelo sujeito passivo foram folhas dos Livros Lalur e Diário relativos aos anoscalendários de 2007 e 2008, onde os supostos prejuízos surgem por valores globais, sem qualquer detalhamento. Com o Recurso Voluntário, a Recorrente apresenta a planilha de fl. 1.279, na qual realiza, então, a discriminação dos valores que compuseram os ajustes que redundaram no surgimento dos prejuízos e bases negativas. A par disso, às fls. 1.321 a 1.354, apresenta cópias de balancetes referentes aos meses de janeiro e dezembro de 2007 constantes dos seus Livros Diário nº 8 e 13, autenticados pela Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 31/10/2008, nos quais é possível verificar que, no período de janeiro de 2007, a conta contábil 2.4.02.01.002 (Resultados Acumulados) recebe débitos no montante de R$ 75.507.198,43 e créditos de R$ 5.519.683,88, passando a exibir saldo devedor de R$ 69.987.514,55. O referido saldo permanece até 31/12/2007. No meu entender, os referidos documentos são insuficientes, por si só, para a comprovação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, uma vez que desacompanhados dos documentos que o suportam (e cuja responsabilidade de guarda, por parte do sujeito passivo está prevista no art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996). Fl. 3807DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.808 17 Deste modo, é impossível a partir de tais provas, a conclusão acerca da procedência ou não dos referidos lançamentos, que a Recorrente atribui à já explicitada mudança de método contábil, e do saldo constituído, que ela passa a compensar como prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. Abrirseia, então, a dupla opção de rejeitar o Recurso do sujeito passivo por ausência de comprovação, ou converter o presente julgamento em diligência, para a averiguação das provas de que dispõe a Recorrente acerca dos saldos invocados. Ocorre que, como relatado, após a apresentação do Recurso Voluntário, o sujeito passivo junta aos autos novas provas documentais (fls. 1.452 a 3.791), que consistem segundo a sua alegação, exatamente, nos documentos que dariam suporte aos lançamentos de ajuste realizados no anocalendário de 2007; além de parecer de consultoria que conclui pela procedência dos prejuízos fiscais alegados. Neste sentido, os documentos juntados pelo sujeito passivo, apesar de, cronologicamente, encontraremse em desacordo com o art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, vem ao encontro da necessidade de maiores esclarecimentos deste Relator, para a formação da sua convicção. Contudo, os referidos documentos se constituem parte em extratos de balancetes de contas contábeis, cuja autenticidade não é possível se verificar, de plano; e parte em comprovantes de despesas datadas de 2005 e 2006, cuja vinculação com os ajustes alegados pelo sujeito passivo também não são, de pronto, constatados. Entendo, portanto, que deve haver a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal se debruce sobre as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo, de modo a concluir acerca da (im)procedência dos registros dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas compensados pelo sujeito passivo. V.2 Dos saldos anteriores à cisão Em relação aos períodos anteriores à cisão sofrida pela Recorrente em novembro de 2010, o sujeito passivo realizou em 2012 a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL no montante de R$ 123.725.093,34. A autoridade fiscal, porém, constatou além da improcedência dos saldos relativos aos anoscalendários de 2004 a 2006, como já tratados, a manutenção pelo sujeito passivo, no Livro de Apuração do Lucro Real relativo ao anocalendário de 2012 (fls. 743 a 748), do saldo integral de prejuízos e base negativa no valor de R$ 182.325.841,33, sem realizar a redução proporcional à parcela cindida (20%). Isto posto, além do não reconhecimento dos saldos relativos aos anos calendários de 2004 a 2006, a autoridade fiscal reconheceu apenas 80% do montante acumulado e, após a dedução dos valores já compensados de ofício no âmbito do processo nº 12448.731599/201461, realizou a compensação de ofício dos valores remanescentes. Desde a Impugnação, a Recorrente contesta tal conclusão, ao alegar que: "45. Com relação a esse ponto, também não merece subsistir o auto de infração, na medida em que, ao contrário do que afirma a D. Fiscalização, não há que se falar em proporcionalizar o prejuízo fiscal, Fl. 3808DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.809 18 posto que a cisão teve por escopo cindir 10% dos interesses participativos nos blocos BMC7 e BMC47, correspondente a 20% do valor das ações da Statoil Petróleo Brasil Ltda., detentora de 50% de participação nos blocos BMC7 e BMC47 no Contrato de Concessão nº 48610.003887/2000, como devidamente aprovado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (doc. 09) 46. Conforme atesta o laudo de avaliação do acervo líquido emitido pela Ernst & Young (doc. 10), em 31 de outubro de 2010 foi cindido o acervo líquido da empresa no valor contábil de R$ 185.498.748,37: (...) 47. Assim, no universo de R$ 1.064.712.257,00 que representava o patrimônio líquido da empresa cindida na época em que o ocorreu a cisão, o valor cindido de R$ 185.498.748,37 consiste em: (i) 10% do interesse indiviso na concessão para a exploração do BMC7 e BMC 47; (ii) ativos, direitos e obrigações decorrentes da qualidade de operador de tais concessões; (iii) ativos, direitos e obrigações relacionados à filial da empresa anteriormente denominada Statoil Petróleo Brasil em Niteroi; (iv) ativos importados sob o regime aduaneiro especial de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra de jazidas de petróleo e gás natural (“Repetro”), assim como ativos e contratos correlatos, como devidamente listados no anexo I da 26ª alteração contratual da empresa (doc.10). 48. Portanto, o prejuízo fiscal cindido equivale ao prejuízo dos ativos e passivos transferidos que não corresponde necessariamente a 20% do valor das ações, conforme se observa das demonstrações contábeis da empresa de 31.10.2010: A decisão de primeira instância rejeitou a argumentação, posto que o próprio sujeito passivo, nas DIPJs apresentadas em relação aos períodos anterior e posterior à cisão, afirmou que a parcela cindida correspondeu a 20% do patrimônio líquido. Assim, de acordo com o art. 514, parágrafo único, do RIR/99, a pessoa jurídica cindida somente poderá compensar os seus próprios prejuízos fiscais proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. In verbis: Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único). Além disso, pontuou o julgador que o sujeito passivo não justificou a divergência entre o Protocolo e Justificação de Cisão Parcial, que aponta uma parcela cindida de R$ 185.498.748,37 e as DIPJs por ele apresentadas. A Recorrente repetiu, no Recurso Voluntário, todos os termos da Impugnação. Fl. 3809DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.810 19 Pois bem. Conforme a 25ª alteração ao contrato social da Recorrente (fls. 463 a 485), ficou aprovado o Protocolo e Justificação de Cisão Parcial seguida de Incorporação celebrado em 03 de novembro de 2010 com a sóciaquotista Statoil Óleo e Gás. Assim, de acordo com a referida alteração contratual, o capital social da Recorrente foi reduzido de R$ 1.345.498.873,00 para R$ 1.142.481.181,84. Ou seja, redução de 15% (quinze por cento) do capital social. Já no referido Protocolo (fls. 487 a 498), há a expressa disposição de que o valor do patrimônio vertido à Statoil Óleo e Gás foi de R$ 185.498.748,37: "1.1 PATRIMÔNIO. O valor do patrimônio da Statoil Petróleo Brasil a ser vertido para a Statoil Óleo e Gás é de R$ 185,498.748,37 (cento e oitenta e cinco milhões, quatrocentos e noventa e oito mil, setecentos e quarenta e oito reais e trinta e sete centavos). O patrimônio liquido a ser vertido consiste em: (i) 10% (dez por cento) do interesse indiviso na concessão para a exploração do campo de petróleo denominado o Peregrino (Bloco BMC7) e do Bloco BMC47; (ii) os ativos, direitos e obrigações o detorrentes da qualidade de operador de tais concessões, condição esta também transferida à Statoil Óleo e Gás; (iii) os ativos, direitos e obrigações relacionados ao estabelecimento da Statoil Petróleo Brasil localizado na Cidade de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, na Rua Engenheiro Fábio (loulart, n° 605parte, Ilha da Conceição, 0000 CEP: 24.050090; (iv) diversos ativos importados sob o regime de admissão temporária ou "sob o regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural — REPETRO (inclusive os ativos que estejam correntemente sob processo de importação em andamento), bem corno outros ativos e contratos correlatos, conforme constante do Anexo 1, que é parte integrante deste Protocolo; e (v) todos os processos administrativos e/ou judiciais correntemente em andamento." O mesmo valor de R$ 185.498.748,37 se observa no Laudo de fls. 502 a 504 que embasou a referida cisão. "5. Com base nos trabalhos efetuados, concluímos que o Acervo Líquido a ser Cindido formado pelos ativos e passivos da SPBL em 31 de outubro de 2010, conforme demonstrado no Anexo I, possui o valor contábil de R$ 185.498.748,37 e está registrado nos livros da contabilidade, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil." Dispondo o art. 514 do RIR/99 que o aproveitamento dos créditos pela sociedade cindida deve ser proporcional à parcela do patrimônio líquido cindido, entendo haver razão parcial à Recorrente, no sentido de que a redução do prejuízo fiscal e base negativa da CSLL a que faz jus após a cisão não deve ser da ordem de 20%, como por ela informado nas DIPJs apresentadas, mas também não pode ser igual a zero, como registrado no seu Lalur. Atendendo a regra preceituada pelo citado dispositivo legal, temse que a citada redução deveria ser de 17,42% (dezessete vírgula quarenta e dois por cento) correspondente à divisão entre R$ 185.498.748,37 e R$ 1.064.712.257,00. Fl. 3810DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.811 20 Deste modo, caso improcedentes os saldos relativos aos anoscalendários de 2004 a 2006, dos R$ 134.591.922,64 registrados a título de prejuízo fiscal e base de cálculo negativo correspondente aos períodos anteriores à cisão, a Recorrente faria jus ao montante de R$ 111.146.008, conforme demonstrativo a seguir: PERÍODO PREJUÍZO /BC NEGATIVA 2007 51.888.848,89 2008 12.234.478,74 2009 19.294.088,35 2010/1 51.174.506,66 TOTAL ANTES DA CISÃO 134.591.922,64 PERCENTUAL APÓS CISÃO (82,58%) 111.146.008,89 Por outro lado, caso procedentes os saldos relativos aos anoscalendários de 2004 a 2006, dos R$ 182.147.586,79 registrados a título de prejuízo fiscal e base de cálculo negativo correspondente aos períodos anteriores à cisão, a Recorrente faria jus ao montante de R$ 150.417.477,17, conforme demonstrativo a seguir: PERÍODO PREJUÍZO /BC NEGATIVA 2004 4.820.264,22 2005 8.212.167,15 2006 34.523.232,78 2007 51.888.848,89 2008 12.234.478,74 2009 19.294.088,35 2010/1 51.174.506,66 TOTAL ANTES DA CISÃO 182.147.586,79 PERCENTUAL APÓS CISÃO (82,58%) 150.417.477,17 Mais uma vez, contudo, os elementos de prova reunidos nos autos não permitem a completa análise sobre que valores o sujeito passivo fez constar nas suas DIPJ. Ou seja, se manteve, assim como no Lalur, a íntegra dos prejuízos e bases negativas de CSLL acumulados (hipótese em que teria havido a decadência do direito de o Fisco alterálos) ou se teria procedido à redução proporcional à parcela cindida. Revelase, pois, mais uma vez, necessária a conversão do julgamento em diligência, para que sejam reunidas ao processo as DIPJ relativas ao anocalendário de 2010. VI. Das intimações Cabe, desde já, refutar os pedidos da Recorrente relacionados com a intimação ao procurador para os atos processuais e, em especial, para a realização de sustentação oral perante o CARF. Não há previsão legal para tais práticas, sendo as intimações dirigidas ao sujeito passivo, nas formas reguladas pelo art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, e a pauta de reunião publicada no Diário Oficial da União, conforme art. 55 do RI/CARF, quando caberá ao eventual procurador, por ocasião do julgamento, solicitar a realização de sustentação oral, conforme art. 68, inciso II, do RI/CARF. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 110: "No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo." VII. Conclusão Fl. 3811DF CARF MF Processo nº 16682.722958/201639 Resolução nº 1302000.642 S1C3T2 Fl. 3.812 21 Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DEMAC/RJ), para que: a) a partir das provas juntadas pelo sujeito passivo aos autos, bem como dos documentos e esclarecimentos que entender necessário intimar o sujeito passivo a apresentar, manifestese acerca da correlação entre os registros contábeis e fiscais do sujeito passivo e os prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL apontados para os anoscalendários de 2004, 2005 e 2006; b) reúna aos autos as DIPJ apresentadas pela Recorrente em relação aos anos calendários de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 3812DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.002253/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999
IPI. RESSARCIMENTO. INSUMOS. PRESCRIÇÃO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO.
O prazo para pleitear o ressarcimento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos é de cinco anos contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-005.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 IPI. RESSARCIMENTO. INSUMOS. PRESCRIÇÃO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. O prazo para pleitear o ressarcimento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos é de cinco anos contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 22 53 /2 00 8- 67 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10865.002253/200867 Acórdão n.º 3301005.073 S3C3T1 Fl. 184 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 117 a 126) interposto pelo Contribuinte, em 30 de junho de 2015, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1458.209 (fls. 107 a 109), de 29 de abril de 2015, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 85 a 92). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento do IPI, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, referente ao 2° trimestre de 1999, no valor de R$ 101.724,58, cujo Despacho Decisório de fls. 78/79 não reconheceu o direito creditório pleiteado, deixando de homologar compensações requeridas. Referido Despacho Decisório prendeuse na motivação de que o Livro Registro de Apuração do IPI em 30/06/1999, não apresenta saldo credor de IPI. A interessada foi cientificada em 29/07/2008, fl. 84, e, irresignada, apresentou sua manifestação de inconformidade deduzindo como argumento de defesa que o crédito pleiteado está escriturado no ano de 2002 e que o princípio da verdade real orienta o acatamento de seu pedido. Tendo em vista a decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário com o intuiro de reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1458.209 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 RESSARCIMENTO DE IPI – IMPOSSIBILIDADE. Somente é possível o ressarcimento se ficar comprovado que o direito creditório decorre da aquisição de insumos tributados e devidamente escriturados no trimestre calendário de competência. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10865.002253/200867 Acórdão n.º 3301005.073 S3C3T1 Fl. 185 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte aduz, por meio do Recurso Voluntário apresentado, que a autoridade fiscal reconheceu a existência do crédito discutido, mas que condiciona a sua utilização à escrituração dentro do respectivo trimestrecalendário. Ficou assim consignado na decisão ora recorrida (fls. 108 e 109): Assim preceitua o artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifo nosso) Verificase, portanto, que cabe ressarcimento ao saldo credor de IPI acumulado em cada trimestrecalendário, e no último dia útil do trimestre em referência, o Livro Registro de Apuração do IPI, exteriorizava que a interessada não possuía crédito algum. Contudo, o presente pedido foi formulado em razão de uma escrituração extemporânea de crédito, fora do trimestrecalendário a que lhe competia, de sorte que não merece reparo a decisão proferida. Óbvio que o direito de crédito do contribuinte está assegurado quanto ao abatimento de débitos futuros, em observância ao princípio da não cumulatividade. Não encontra sustentação a alegação da Manifestante de que cumpriu os prazos para escrituração. Segundo a norma vigente de então, artigo 347 do Regulamento do IPI/98, a "escrituração dos livros fiscais será feita a tinta, no prazo de cinco dias, contados da data do documento a ser escriturado ou da ocorrência do fato gerador, ressalvados aqueles a cuja escrituração forem atribuídos prazos especiais". No mesmo sentido, o artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 33/99, nos seguintes termos: Do registro e do aproveitamento dos créditos Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. Por último, a verdade material não autoriza desconsiderar as normas jurídicas em geral, bem como, de atribuir a metodologia escritural que o sujeito passivo entenda pertinente, e, em desconformidade com regras expressas como demonstrado acima. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10865.002253/200867 Acórdão n.º 3301005.073 S3C3T1 Fl. 186 4 Assim, voto pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Portanto, a discussão não está na existência ou não do crédito presumido de IPI, mas sim na verificação da possibilidade de escriturar e aproveitar estes créditos de forma extemporânea. Conforme se verifica no seguinte trecho do referido Recurso (fls. 120 e 121): Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10865.002253/200867 Acórdão n.º 3301005.073 S3C3T1 Fl. 187 5 O Contribuinte traz julgados que demonstram o entendimento do CARF no sentido de que o prazo para pleitear o ressarcimento relativos a estes créditos de IPI, nas aquisições de insumos, é de cinco anos, desde a data da entrada dos insumos no estabelecimento. E, para concluir, traz o seguinte (fl. 124): De fato, em que pese o entendimento consubstanciado no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte possui o direito de pleitear o ressarcimento dos créditos de forma extemporânea, observado o prazo de cinco anos para escrituração e aproveitamento dos créditos de IPI a contar da data da entrada dos insumos que dão direito ao crédito. Observando a Solução de Consulta Interna nº 22 da COSIT, de 30 de setembro de 2014, entendese que: 13. Com isso, evidenciase a existência de toda uma legislação própria para o IPI, a qual cuida do tratamento a ser dispensado aos créditos desse tributo escriturados pelo contribuinte em seus livros fiscais no que concerne à sua apuração, aproveitamento e utilização. 14. Cabe ressaltar que é perfeitamente possível, com pleno atendimento ao princípio da não cumulatividade, a utilização extemporânea de créditos de IPI, desde que por valores nominais, podendo tais créditos não escriturados na época própria ser aproveitados em até cinco anos, contados da entrada dos insumos no estabelecimento industrial, acompanhados da respectiva nota fiscal. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10865.002253/200867 Acórdão n.º 3301005.073 S3C3T1 Fl. 188 6 Assim, de acordo com a legislação aplicável, da constatação pela autoridade administrativa fiscal de que os créditos foram apurados de forma regular, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, reconhecendo a utilização extemporânea de créditos do IPI contados da entrada dos insumos no estabelecimento industrial. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.008013/2002-03
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DCTF. AUDITORIA INTERNA. POSSIBILIDADE.
A exigência de diferenças decorrentes de pagamento a menor de tributo em relação aos valores constantes em DCTF poderiam ser exigidas por meio de lançamento de ofício, no período em que vigorou os procedimentos previstos no art. 90 da MP nº 2.158-35/2001.
RESTITUIÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO.
Valores pagos indevidamente ou a maior objeto de pedido de restituição devem ser restituídos nos exatos montantes determinados no respectivo despacho decisório.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 1003-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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DCTF. AUDITORIA INTERNA. POSSIBILIDADE. A exigência de diferenças decorrentes de pagamento a menor de tributo em relação aos valores constantes em DCTF poderiam ser exigidas por meio de lançamento de ofício, no período em que vigorou os procedimentos previstos no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. RESTITUIÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. Valores pagos indevidamente ou a maior objeto de pedido de restituição devem ser restituídos nos exatos montantes determinados no respectivo despacho decisório. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 80 13 /2 00 2- 03 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10480.008013/200203 Acórdão n.º 1003000.185 S1C0T3 Fl. 246 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 160/165, numeração em papel) que julgou procedente em parte o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração às folhas 71/72, com anexos às folhas 73/82 (ciência em 11/06/2002, AR à folha 84), relativo a falta de recolhimento de valores informados nas DCTF correspondentes ao primeiro e segundo trimestres de 1998 e terceiro e quarto trimestres de 1999, após revisão de ofício pelo Termo de Informação Fiscal/Despacho Decisório às folhas 102/104. O acórdão da DRJ/Recife manteve a exigência do montante de R$ 322,42 a título de juros a menor ou não pagos, bem como o crédito tributário relativo ao IRPJ do segundo trimestre de 1998, no valor de R$ 2.554,13, sobre o qual incidiriam multa e juros de mora. A referida revisão de ofício do auto de infração se deu tendo e vista que a contribuinte teve reconhecido seu direito a aplicar o percentual de 8% sobre sua receita bruta, e não 32%, para determinar a base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido, conforme Decisão SRRF/4ª RF Nº 06/99 (folhas 02/04), tendo apresentado pedido de restituição dos valores pagos a maior, conforme despacho decisório às folhas 125/129 e retificado seus débitos declarados em DCTF (folhas 06/64). A recorrente não contesta o valor de R$ 322,42 a título de juros a menor ou não pagos, tendo efetuado recolhimento neste montante, acrescido de multa e juros, em 30/05/2008 (pagamento 4704939391), conforme último item do extrato do processo à folha 235, após, portanto, da ciência ao referido acórdão (05/08/2008, AR à folha 164). Alega, em síntese, que o valor exigido de R$ 2.554,13, correspondente ao somatório do valor de R$ 920,13, referente a maio e do valor de R$ 1.634,01 relativo a junho, ambos de 1998 encontrase extinto, pois não compõe o montante reconhecido a título de direito creditório, conforme determinado no Despacho Decisório SESIT/IRPJ/Nº 1050/99, às folhas 125/129 (anexado novamente às folhas 218/222), especificamente na tabela de "Valores pagos em 1998, atualizados até novembro de 1999", à folha 127, a seguir em parte reproduzida: Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10480.008013/200203 Acórdão n.º 1003000.185 S1C0T3 Fl. 247 3 A DRJ/Recife manteve a exigência do referido montante de R$ 2.554,13 tendo em vista as informações constantes dos extratos às folhas 92/93, reproduzidos a seguir: Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10480.008013/200203 Acórdão n.º 1003000.185 S1C0T3 Fl. 248 4 É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10480.008013/200203 Acórdão n.º 1003000.185 S1C0T3 Fl. 249 5 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. O lançamento tributário foi efetuado na vigência do art. 90 da MP nº 2.15835/ 2001, o qual previa a exigência de ofício das diferenças apuradas em declaração do sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos administrados pela SRF. A teor do que dispõe o art. 144 do CTN, “o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. A lide remanescente cingese em determinar se a contribuinte teve restituídos integral ou parcialmente os valores pagos relativos à 2ª e 3ª quotas do segundo trimestre de 1998. O despacho decisório às folhas 125/129 e 218/222 determinou a restituição parcial dos valores, nos exatos montantes descritos pela contribuinte no recurso voluntário, conforme quadro reproduzido a seguir: A DRJ/Recife manteve a exigência do referido montante de R$ 2.554,13 tendo em vista as informações constantes dos extratos às folhas 92/93, já reproduzidos no relatório supra. A questão poderia ser objeto de diligência para verificação do exato valor restituído à contribuinte. No entanto, dados os valores em questão, pela longevidade do processo, por economia processual e pelas considerações abaixo, entendo tal procedimento desnecessário, porque: 1 Os valores a serem restituídos à contribuinte são determinados pelo despacho decisório, sendo conferidos e autorizados sob responsabilização funcional, o que tornaria a restituição de valores superiores um equívoco improvável e não suscitado nos autos; 2 Os extratos às folhas 92/93 requerem assinatura sob carimbo do servidor da RFB responsável pela pesquisa, estando tais assinaturas ausentes, o que demonstra que tais extratos apresentam informações que devem ser checadas antes de serem consideradas válidas; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10480.008013/200203 Acórdão n.º 1003000.185 S1C0T3 Fl. 250 6 3 os referidos extratos apresentam informação "DARF ORIGINAL RESTITUÍDO PARCIAL" e informam restituição dos valores totais, o que indica a existência de erro. Desta forma, apresentase bem mais plausível a hipótese de erro nos referidos extratos do que a ocorrência de restituição em valores superiores aos determinados no despacho decisório. Portanto, de acordo com o despacho decisório às folhas 125/129 e 218/222, os valores restituídos à contribuinte relativos a IRPJ de maio e junho de 1998 foram, respectivamente, de R$ 4.004,77 e R$ 3.336,06, tendo sido utilizados os montantes de R$ 920, 13 e R$ 1.634,01, totalizando R$ 2.554,13, para amortização dos respectivos débitos, o que torna indevida a exigência deste montante, relativo aos respectivos períodos, pelo auto de infração recorrido. Assim, o valor exigido de R$ 2.554,13, correspondente ao somatório do valor de R$ 920,13, referente a maio e do valor de R$ 1.634,01 relativo a junho, ambos de 1998 encontrase extinto, pois não compõe o montante reconhecido a título de direito creditório, conforme determinado no Despacho Decisório SESIT/IRPJ/Nº 1050/99, proferido com base no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, às folhas 125/129 (anexado novamente às folhas 218/222), especificamente na tabela de "Valores pagos em 1998, atualizados até novembro de 1999", à folha 127. Em relação ao montante de R$ 322,42 a título de juros a menor ou não pagos, a contribuinte não contestou e efetuou recolhimento neste montante, acrescido de multa e juros, em 30/05/2008 (pagamento 4704939391), conforme último item do extrato do processo à folha 235, após, portanto, da ciência ao referido acórdão (05/08/2008, AR à folha 164). É, portanto, matéria não impugnada, conforme art. 17 do PAF. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 250DF CARF MF
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