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Numero do processo: 10480.008133/2002-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROGRAMA DE INCENTIVO À DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA Nº 215 DO STJ.
Nos termos da Súmula 215 do STJ, a indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda.
PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO FORMULADO ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. INOCORRÊNCIA.
Consoante jurisprudência vinculante emanada do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, é inconstitucional a parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005. Em se tratando de pedido de restituição de IRPF, decorrente de pagamento indevido e sendo este formulado antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 PROGRAMA DE INCENTIVO À DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA Nº 215 DO STJ. Nos termos da Súmula 215 do STJ, a indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda. PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO FORMULADO ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. INOCORRÊNCIA. Consoante jurisprudência vinculante emanada do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, é inconstitucional a parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005. Em se tratando de pedido de restituição de IRPF, decorrente de pagamento indevido e sendo este formulado antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido
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NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA Nº 215 DO STJ. Nos termos da Súmula 215 do STJ, a indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda. PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO FORMULADO ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. INOCORRÊNCIA. Consoante jurisprudência vinculante emanada do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, é inconstitucional a parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005. Em se tratando de pedido de restituição de IRPF, decorrente de pagamento indevido e sendo este formulado antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, o prazo a ser observado é de 10 (dez) anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 81 33 /2 00 2- 01 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10480.008133/200201 Acórdão n.º 2202004.000 S2C2T2 Fl. 132 2 Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10480.008133/200201, em face do acórdão nº 1136.645 julgado pela 1ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: A contribuinte acima identificada apresentou em 13/06/2002 pedido de restituição relativo ao imposto de renda pessoa física pago em 08/05/1992 no valor de Cr$ 31.706.735,00 conforme fls. 02 a 05. 2.O pedido foi indeferido pela autoridade a quo conforme Despacho Decisório de fls.63 em razão da extinção do respectivo direito, conforme informação fiscal de fls. 59 a 62 abaixo parcialmente transcrita: 3. Em sua manifestação de inconformidade de fls. 66 a 77 a interessada reitera o pedido relativamente ao imposto de renda pessoa física (IRPF), argumentando que: 3.1 – o dies a quo do prazo para pleitear a restituição, no caso, foi o dia 06/01/1999, data da vigência da Instrução Normativa SRF nº 165/1998; 3.2 – não cabe falar em extinção do direito de pedir restituição pois “o prazo do art. 168 do Código Tributário Nacional somente se iniciou a partir do momento em que a requerente poderia ter exercido seu direito de requerer a restituição, o que, no caso em concreto, ocorreu a partir do reconhecimento, pela Secretaria da Receita Federal através da Instrução Normativa nº 165/1998, quanto à isenção” (fls. 69); Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10480.008133/200201 Acórdão n.º 2202004.000 S2C2T2 Fl. 133 3 3.3 a defesa transcreve jurisprudência administrativa em apoio à sua alegação bem como menciona decisões judiciais relativa à não incidência de tributação sobre verbas indenizatórias; 3.4 – requer portanto, o acolhimento da manifestação de inconformidade, a reforma do despacho decisório e a restituição do imposto de renda indevidamente retido. A DRJ de origem julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 112/124, reiterando as alegações expostas em manifestação de inconformidade, além de documentos referentes à rescisão contratual. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Cabe referir, antes de adentrar no mérito do recurso, que em relação aos documentos juntados em fase recursal, entendo que estes devem ser recebidos como prova do alegado pelo contribuinte, por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado. O pedido de restituição foi protocolizado em 27/06/2002 (fl. 02). Pelo comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte, de fl. 57, demonstrase que a contribuinte sofreu a retenção, a título de IRRF, de Cr$ 38.190.362,00 no anocalendário 1992, referente a rendimentos tributáveis. O Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, de fl. 80, demonstra que a contribuinte recebeu aviso prévio em 08/05/1992. A declaração apresentada pela contribuinte, de fl. 55, aponta a mesma data como data fim de contrato de trabalho da contribuinte. Ainda, à fl. 88, há documento da IBM (fonte pagadora), onde confirmado que a contribuinte desligouse da empresa em 08/05/1992, tendo ela recebido um título de indenização espontânea pessoal no valor de Cr$ 128.124.496,00. Em razão deste recolhimento, foi retido da contribuinte e recolhido, a título de imposto de renda, o valor de Cr$ 31.706.735,00, referente a indenização paga à contribuinte. Pois bem. Consoante acórdão da 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 14 de abril de 2016, de relatoria de Heitor de Souza Lima Junior, julgado de forma unânime, temse a seguinte compreensão quando a contagem do prazo para pedido de restituição: "A partir da declaração de inconstitucionalidade da parte final do referido art. 4º. da LC no. 118, de 2005, inconstitucionalidade esta que emana dos julgados vinculantes supra, a solução atualmente a ser adotada neste Conselho, a partir da edição da Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10480.008133/200201 Acórdão n.º 2202004.000 S2C2T2 Fl. 134 4 referida Lei Complementar no. 118, de 2005, é, no caso de repetição de indébito vinculada a pagamento indevido: a) relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC nº 118, de 2005 (que ocorreu em 09.06.05): o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento indevido; b) relativamente aos pagamentos anteriores à 09.06.05: o prazo para repetição obedece ao regime previsto no sistema anterior prevalecente no STJ (tese dos 5 mais cinco), a saber, contando se um prazo de 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário, acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação (perfazendo um prazo total para repetição de 10 anos, a partir do fato gerador), limitada, inicialmente, pelo STJ, ao prazo máximo de cinco anos na data de vigência da lei nova, no caso de indébito ainda não repetido nesta data, cujo fato gerador ocorrera há mais de 5 anos da vigência da referida lei, limitação, porém, posteriormente removida pelo julgado vinculante emanado do STF. Neste sentido já se manifestou inclusive o Pleno deste Conselho, de forma unânime, na forma do Acórdão Pleno 9900000.382, de 28/08/12, cuja ementa e decisão são transcritas a seguir: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1986 IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contandose da data da ocorrência do fato gerador. Recurso extraordinário provido. Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso," Portanto, considerando a data do fato gerador em 31/12/1992, o prazo para apresentar pedido de restituição seria, in casu, 31/12/2002, não há decadência pela apresentação do presente pedido em 27/06/2002. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10480.008133/200201 Acórdão n.º 2202004.000 S2C2T2 Fl. 135 5 Quanto ao mérito do pedido, a indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda. Neste sentido, a súmula 215 do STJ: Súmula 215 do STJ: " A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda." Assim, considerando que o valor recebido pela contribuinte da fonte pagadora IBM foi decorrente de programa de demissão voluntária, consoante demonstrados nos autos, deve ser provido o recurso voluntário da contribuinte, para reconhecer o crédito tributário. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.729104/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE.
O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995.
Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n. 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ.
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA
LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS DEDUTIBILIDADE
Constituem despesas habituais e normais compreendidas na atividade operacional das instituições financeiras a concessão de descontos e abatimentos ao devedor na liquidação de operações de crédito.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.Opera-se a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou de decisão de primeira instância administrativa. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multas de oficio. Incidem juros de mora devidos à taxa SELIC sobre o crédito tributário constituído, incluindo as multas de ofício.
Numero da decisão: 1301-002.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) Por unanimidade de votos, em não conhecer dos argumentos atinentes a juros sobre capital próprio e multa sobre matéria discutida judicialmente (item 5 do TVF); (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Roberto Silva Junior e Milene de Araújo Macedo que davam provimento parcial em diferentes extensões. No que se refere à incidência de juros sobre multa de ofício, a decisão foi por maioria de votos no sentido de negar provimento, vencidos os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Designada para redigir o voto vencedor, quanto a esta matéria, a Conselheira Milene de Araújo Macedo.
assinado digitalmente
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
assinado digitalmente
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relator.
assinado digitalmente
Milene de Araújo Macedo - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n. 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS DEDUTIBILIDADE Constituem despesas habituais e normais compreendidas na atividade operacional das instituições financeiras a concessão de descontos e abatimentos ao devedor na liquidação de operações de crédito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.Opera-se a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou de decisão de primeira instância administrativa. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multas de oficio. Incidem juros de mora devidos à taxa SELIC sobre o crédito tributário constituído, incluindo as multas de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) Por unanimidade de votos, em não conhecer dos argumentos atinentes a juros sobre capital próprio e multa sobre matéria discutida judicialmente (item 5 do TVF); (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Roberto Silva Junior e Milene de Araújo Macedo que davam provimento parcial em diferentes extensões. No que se refere à incidência de juros sobre multa de ofício, a decisão foi por maioria de votos no sentido de negar provimento, vencidos os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Designada para redigir o voto vencedor, quanto a esta matéria, a Conselheira Milene de Araújo Macedo. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha - Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relator. assinado digitalmente Milene de Araújo Macedo - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n. 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS DEDUTIBILIDADE Constituem despesas habituais e normais compreendidas na atividade operacional das instituições financeiras a concessão de descontos e abatimentos ao devedor na liquidação de operações de crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.Operase a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou de decisão de primeira instância administrativa. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 91 04 /2 01 3- 21 Fl. 2634DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.635 2 A obrigação tributária principal compreende tributo e multas de oficio. Incidem juros de mora devidos à taxa SELIC sobre o crédito tributário constituído, incluindo as multas de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) Por unanimidade de votos, em não conhecer dos argumentos atinentes a juros sobre capital próprio e multa sobre matéria discutida judicialmente (item 5 do TVF); (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Roberto Silva Junior e Milene de Araújo Macedo que davam provimento parcial em diferentes extensões. No que se refere à incidência de juros sobre multa de ofício, a decisão foi por maioria de votos no sentido de negar provimento, vencidos os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Designada para redigir o voto vencedor, quanto a esta matéria, a Conselheira Milene de Araújo Macedo. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relator. assinado digitalmente Milene de Araújo Macedo Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Fl. 2635DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.636 3 Relatório HIPERCARD BANCO MULTIPLO S/A, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Recife (PE) DRJ/REC, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário de IRPJ e CSLL no valor total de R$519.638.279,49, relativo aos anoscalendários 2008, 2009 e 2010. Do Lançamento Tratase de auto de infração para lançamento de IRPJ e CSLL (fls. 17/74), cumulados de juros e multa de ofício, com ciência em 12/09/2013, lavrado contra HIPERCARD BANCO MULTIPLO S/A, em razão da FALTA DE ADIÇÃO DE DESPESAS INDEDUTÍVEIS DE DESCONTOS CONCEDIDOS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO da falta de adição ao lucro real despesa de amortização de ágio na apuração do lucro real, FALTA DE ADIÇÃO DE DESPESAS INDEDUTÍVEIS DE EXCESSO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO e da falta de recolhimento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. Segundo o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 75/134), e Relatório do acórdão recorrido, as razões de autuação foram: O lançamento decorreu da falta de adição de despesas na apuração do lucro real i) descontos concedidos em operações de crédito, ii) amortização de ágio e iii) excesso de juros sobre capital próprio, iv) da falta de recolhimento de estimativas mensais do imposto de renda e da contribuição social, bem como v) da aplicação de multas isoladas e vi) da apuração incorreta da CSLL no anocalendário de 2008. Verificouse, nos anoscalendário de 2008 a 2010, a empresa não adicionara ao lucro líquido, para efeito de cálculo do lucro real, as seguintes despesas registradas em sua contabilidade: Fl. 2636DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.637 4 Também declarara CSLL em montante inferior ao devido (vide quadro da fl. 130) na DIPJ do anocalendário de 2008, porquanto não observara a alteração de alíquota promovida pela MP nº 413, de 03.01.2008, convertida na Lei nº 11.727, de 23.06.2008. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 2.240/2.281: 5.1 – A amortização de ágio seria “induzida” por lei e não fruto de planejamento tributário. 5.2 – Teriam sido atendidos, no caso em questão, os três requisitos básicos para a dedução de despesa de amortização de ágio, que seriam: 1) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive do ágio; 2) a realização das operações originais entre partes não ligadas, e 3) a demonstração da lisura na avaliação da empresa adquirida bem como a expectativa de rentabilidade financeira. 5.3 – A dedução das despesas relativas aos descontos concedidos em operações de crédito encontraria amparo no art. 299 do RIR. 5.4 – Não teria sido ultrapassado o limite de pagamento de juros sobre o capital próprio; a diferença encontrada (pela fiscalização) tratarseia de pagamentos de exercícios anteriores. 5.5 – O contribuinte estaria discutindo judicialmente a alteração da alíquota da CSLL promovida pela MP nº 413, de 03.01.2008 (MS nº 2008.83.00.0121513), de modo que a “pretensão” da Receita não poderia prosperar. 5.6 – Não seria possível exigirse multa isolada (falta de pagamento de estimativas) após o encerramento do período de apuração, tampouco de forma concomitante com multa de ofício (proporcional). 5.7 – Seria incabível a exigência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Fl. 2637DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.638 5 Em julgamento realizado em 27 de novembro de 2014, a 3ª Turma da DRJ/REC, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 11 48.512, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSO JUDICIAL. MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DE EVENTUAL RECURSO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de interposto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 INVESTIMENTO. ÁGIO. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. Em regra, as contrapartidas da amortização do ágio de que trata o art. 385 do RIR, de 1999, não são dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. A fruição do benefício previsto no inciso III do art. 386 do RIR, de 1999, só é possível quando há extinção do investimento adquirido com ágio, com fundamento econômico nos termos do inciso II do § 2º desse mesmo artigo, por meio de incorporação, fusão ou cisão. ÁGIO INTERNO. CUSTO. FUNDAMENTOS CONTÁBEIS. INCONSISTÊNCIA. O ágio somente é admitido pela teoria contábil quando surgido em transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. ABUSO DE DIREITO. ATO ILÍCITO. ESFERA TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DO NEGÓCIO JURÍDICO. Caracterizado o abuso de direito, os efeitos do respectivo negócio jurídico não são oponíveis na esfera tributária. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. A observância do regime de competência é condição sine qua non à dedutibilidade dos juros pagos ou creditados a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido. DESCONTOS. EMPRESTIMOS. DEDUÇÃO. LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2638DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.639 6 As despesas relativas a descontos concedidos em renegociação de empréstimos, por tratarse de ato de mera liberalidade, não são dedutíveis na apuração do lucro real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa exigida em face do não recolhimento das estimativas mensais concomitantemente com a multa proporcional referente ao IRPJ devido e não pago ao final do período, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Uma vez que os juros incidentes sobre a multa de ofício não compõem a lide, dado que cabíveis apenas quando da cobrança do crédito tributário, não compete a esta instância julgadora manifestarse sobre o assunto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após a decisão da DRJ, em 29/12/2014, o contribuinte protocolou petição desistindo parcialmente da impugnação, por adesão à anistia, fls. 2.339/2.371. Do Recurso Voluntário A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 2.402/2.548), onde repete os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, principalmente nos seguintes tópicos: (I) Da Improcedência das Glosas das Despesas relativas à amortização dos Ágios; (I.1) Delimitação da Lide que remanesce em discussão; (I.2) Amortização do Ágio é instrumento de Política Fiscal e Econômica Induzido pela Lei; (I.3) Quanto à suposta "transferência indevida do Ágio; (II) Impossibilidade de se aplicar para fins de apuração da base de cálculo de CSL normas legais específicas aplicáveis somente ao IRPJ; (III) Da improcedência das Glosas das despesas de descontos concedidos em Operações de Crédito; Fl. 2639DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.640 7 (IV) Da improcedência das Glosas das despesas com o pagamento de JCP; (V) Quanto à multa Isolada; (VI) Quanto à insuficiência de pagamento da CSLL devida pelas Instituições Financeiras; (VII) Quanto à não incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício; A PGFN apresentou suas contrarrazões às fls. 2.565/2.622, alegando em síntese acerca da: I) Imposibilidade de dedução de ágio transferido. Da ausência de propósito negocial. Da existência da empresa veículo. Da ausência dos requisitos previstos e exigidos pelo art. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Da higidez da autuação fiscal; II) Impossibilidade de dedução da despesa com a amortização do ágio na base de cálculo da CSLL; III) Procedência das glosas das despesas de descontos concedidos em operações de crédito; IV) Procedência das glosas das despesas com o pagamento do JCP; V) Legalidade da multa isolada e da possibilidade de aplicação da multa isolada com a multa de ofício; VI) Sobre a CSLL devidas pelas Instituições Financeiras; VII) Legalidade da incidência dos Juros sobre a Multa de Ofício. Em 26/01/2017, recebi os presentes autos, por sorteio. É o relatório. Fl. 2640DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.641 8 Voto Vencido Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/REC e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e de CSLL em 12/02/2015 (ciência abertura do documento à fl. 2.399), e apresentou em 13/03/2013, recurso voluntário, juntados às fls. 2.402/2.548, tempestivamente, portanto dele conheço. Do pedido de desistência de parte da impugnação Importante aqui ressaltar, que em 29/12/2014, após a decisão decorrida, a ora recorrente protocolou aos autos pedido de desistência parcial da impugnação, nos seguintes termos: Reiterandoos em sede recursal, o que delimita a discussão àquilo que remanesceu para a nossa análise. Fl. 2641DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.642 9 Da amortização do ágio Tratase da glosa de despesas de amortizações de ágio de empresa incorporada, na apuração da base de cálculo do lucro real e da CSLL. Nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, a recorrente registrou em sua contabilidade, em conta de despesa operacional, valores que reduziram os seus resultados tributáveis de IRPJ e de CSLL, nos seguintes valores: Fl. 2642DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.643 10 Intimada para explicar os montantes esclareceu através da planilha abaixo a composição dos valores dos ágios e das amortizações mensais, bem como a quantidade de meses: Assim, passo ao relato de como ocorreram as diversas operações societárias, que geraram os ágios objeto de análise da Fiscalização: 1) Estrutura Inicial em 2004: Hipercard Administradora de Cartão de Crédito Ltda (Hipercard ACC) tinha como sócias a empresa brasileira BR Participações e Empreendimentos S.A. (BRPAR) e a empresa holandesa Holla Beheer B.V. (Holla), com 68,22% e 31,78% das ações cada, conforme gráfico abaixo: Em 27/02/2004, a BRPAR adquiriu 100% das cotas da empresa Conabinu Participações Ltda (Conabinu): No mesmo ato, a BRPAR aumentou o capital da Conabinu, mediante integralização de recebíveis a serem pagos pela Hipercard ACC, no valor de R$1.003.593,00. Fl. 2643DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.644 11 Logo em seguida, a BRPAR vendeu para a Conabinu cotas de emissão da Hipercard ACC, por R$508.014.449,64, pago através de assunção de dívida daquele frente à Bompreço S.A. Supermercados do Nordeste (BPSN), no valor de R$228.639.743,92 e registro de passivo na BRPAR da diferença de R$279.374.705,72. Dessa forma, a Conabinu reconheceu ágio de R$312.490.904,54, baseado em rentabilidade futura. Passando a estrutura a ficar da seguinte forma: Este ágio, portanto, teve origem fora do grupo Unibanco. Em 29/02/2004, o Grupo Unibanco, por meio das empresas Unipart Participações Internacionais Ltd (Unipart) e Unicard Banco Múltiplo S.A. (Unicard), adquiriu a totalidade das cotas da empresa Hipercard ACC. Apurando, a Unicard, um ágio de R$31.352.543,50. E a Unipart, apurou um ágio de R$200.287.697,19, passando a estrutura a ficar conforme abaixo: Em razão do contrato de compra e venda entre o Grupo Unibanco e a BRPAR/Holla , em 01/03/2004, a Unicard aumentou o capital social da Conabinu em R$228.639.743,00, valor utilizado para quitar a dívida contraída pela adquirida com o BPSN. Ressaltou a recorrente que entre junho e dezembro de 2004, após o fechamento da compra da Hipercard ACC pelo grupo Unibanco, foram realizados ajustes no Patrimônio Líquido da empresa adquirida, na database 29/02/2004, sem alterar o preço Fl. 2644DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.645 12 ajustado, nos termos do contrato de Compra e Venda da Hipercd, que previa uma auditoria. Nesses termos, o ajuste foi uma redução do PL da HGipercard ACC de R$187.153.707,26. Dessa forma, em razão dessa diminuição no valor do PL da empresa adquirida, consequentemente, o valor dos respectivos ágios foram reduzidos, passando para R$159.024.366,26 (ágio registrado na Unicard "Ágio Conabinu/Hipercard") e para R$259.759.581,69 (ágio registrado na Unipart "Ágio Hipercard"). Segue, ainda a fiscalizada, que em razão do objetivo empresarial de concentrar a participação detida na empresa adquirida, em 01/03/2004, Unipart e Unicard decidiram aportar as cotas da Hipercard ACC, bem como as cotas da Conabinu, no capital da ora Recorrente Hipercard BM. E em 30/06/2005, a Unicard e a Unipart conferiram ao Hipercard BM a totalidade das cotas ao capital da Conabinu e na Hipercard ACC, respectivamente, ocorrendo aqui a transferência do ágio registrado nas empresas Unipart e Unicard para a Hipercard BM. Posteriormente, entre 28 e 29 de julho de 2005, a Hipercard BM incorporou as empresas Conabinu e Hipercard ACC, baseandose em laudo de empresa independente, fls. (500/515), nos termos do art. 386 do RIR/99. Passando a estrutura societária ter a seguinte foto: Assim, com a incorporação, ocorreu a transferência do ágio da Unicard e Unipart para a Recorrente Hipercard BM, e consequente confusão de patrimônios da Hipercard BM (detentora do "Ágio Conabinu/Hipercard" e do Ágio Hipercard"), da Conabinu (detentora do "Ágio Conabinu"), e da Hipercard ACC em uma única empresa. Fl. 2645DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.646 13 Segundo a fiscalização, a dedução das despesas de amortização de ágio pelo Hipercard BM teria sido indevida ante, essencialmente, os seguintes motivos: 1 – O pagamento pela totalidade das cotas do capital social da Hipercard ACC fora efetuado integralmente pela Unicard e Unipart. A Conabinu de fato não teria realizado nenhuma operação de compra e venda de ações (vide itens 46 a 54 do TE), de modo que não haveria falar em “Ágio Conabinu” ou “Ágio Conabinu/Hipercard”. O grupo Unibanco engendrara planejamento tributário abusivo para aproveitamento dos referidos “ágios” (vide itens 61 a 90 do TE). 2 – O ágio informado pelo Hipercard BM, apurado na venda da Hipercard ACC, seria superior em “R$ 307.384 milhares” ao que se apurou com suporte nos documentos apresentados e Demonstrações Financeiras do Unibanco do exercício de 2004 (vide itens 55 a 60 do TE). 3 – Os “ágios” apurados na operação de compra e venda da Hipercard ACC só poderiam ter sido aproveitados (para efeito fiscal) pela Unicard e pela Unipart (itens 91 a 114 do TE). Assim, também entendeu a DRJ em sua decisão: 24. É inquestionável o referido “ágio” configura ágio interno14, pois que decorrente de operação, sem propósito negocial, entre partes relacionadas __ a BRPAR (controladora) e Conabinu (controlada –subsidiária integral) __ e foi criado de forma artificial. 30. Como se sabe, mesmo que se atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil, o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de determinado investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento, e o preço ou custo de aquisição somente surge quando há dispêndio para se obter algo de terceiros. 31. No caso em questão, efetivamente, não houve comprovação de nenhum desembolso financeiro ou “dispêndio” por parte da Conabinu, não se caracterizando desse modo “aquisição de participação”, nos termos previstos no caput do art. 385 do RIR, de 1999. 32. Não é irrelevante o fato de a Conabinu tratarse de empresa veículo, como se afirmou. A sua criação além de proporcionar o surgimento do “ágio” Conabinu abriu a possibilidade de incorporação da participação que a BRPAR detinha no Hipercard ACC, requisito essencial à dedução da amortização do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, consoante art. 386 do RIR, de 1999. 33. A Conabinu, com efeito, serviu exclusivamente de ponte na venda à Unicard da participação que a BRPAR detinha na Hipercard ACC. Com a sua criação “gerouse”, como dito, de forma artifical20, o “ágio Conabinu” 21, cuja amortização viraria despesa na Hipercard Banco Múltiplo, e a BRPAR, decerto, escaparia da tributação decorrente do ganho de capital originado com a venda da participação. 34. Em verdade, esse intricado “jogo” de reorganização societária teve como única intenção a criação de condições, aparentemente legais, para pagarse menos impostos, tanto por parte da BRPAR, quanto por parte do Unibanco, na figura do Hipercard Banco Múltiplo. Fl. 2646DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.647 14 A desistência parcial da recorrente se deu na parcela que desconsiderou a empresa Conabinu, mantendose a discussão portanto na parte que o Fiscal recalculou o ágio conforme TE, item 56: Assim, a discussão acerca do ágio remanesce com relação à discussão em torno da possibilidade de transferência daquelas empresas, Unicard e Unipart, para a Hipercard BM, ora recorrente. Em 30/06/2005, mais de um ano após as negociação da Hipercard ACC, a Unicard e a Unipart conferiram a Hipercard BM, ora Recorrente, a totalidade das cotas de sua titularidade o capital da Conabinu e Hipercard ACC, respectivamente. Isso pode ser facilmente verificado da análise dos documentos societários (fls. 1352/1.409) e da própria fiscalização: Ora, se os investimentos foram transferidos para a Recorrente, assim como os ágios respectivos, verificase a confusão patrimonial dos patrimônios das investidas pela investidora, passando o ágio a ser dedutível para fins fiscais. Importante ressaltar novamente que todas essas operações "Ágio Hipercard" e "Ágio Conabinu/Hipercard" foram realizadas seguindo os parâmetros de mercado, em que se objetivou a aquisição da Hipercard ACC, operação realizada entre partes independentes, valor pago com ágio, que se basearam em laudos de avaliação realizada por empresa terceira, que calculou a rentabilidade futura pelo método de fluxo de caixa descontado (fls. 704/728). Esses ágios, posteriormente transferidos para a Recorrente, quando da incorporação das empresas Conabinu e Hipercard ACC, passaram a ser deduzido na base de cálculo do IRPJ. Da Ausência de Propósito Negocial – Uso de EmpresaVeículo Cumprese definir, de início, que o propósito negocial ou substância econômica definem a essência de qualquer operação que vise o lucro. A impossibilidade de identificação deste propósito sempre gerará a dúvida quanto à legalidade e artificialidade da operação como um todo. O questionamento, então, do uso indevido de empresasveículo ou a impossibilidade fática de incorporação às avessas são apenas conseqüências de uma intenção Fl. 2647DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.648 15 do investidor em apenas visar o benefício fiscal de amortização do ágio, fato que, para a fiscalização, não norteia o conceito de propósito negocial ou substância econômica. No presente caso, tornase nítido, através da transcrição do TVF, que o entendimento formado pela fiscalização e confirmado pelo v. acórdão recorrido, foi o de que o uso de empresasveículos e a incorporação às avessas visavam somente a dedutibilidade das despesas de amortização do ágio: 37. Repisese, é inelutável o “ágio” Conabinu tratase de ágio interno, pois que dimanou de operações envolvendo empresas ligadas (controladora e controlada), sem nenhum propósito negocial e sem ter havido pagamento, o que vai de encontro às normas contábeis (Vide itens 78 e 79 do TE), e, de consequente, às tributárias26. 38. Não há acatar o questionamento do item 17, pois que a Hipercard BM com efeito não comprou quotas da Hipercard ACC da Unicard ou da Unipart, como resta sobejamente demonstrado nos itens 98 a 105 do Termo de Encerramento. 39. Mesmo que a Hipercard BM tivesse comprovado a transação das referidas quotas, acompanhada de pagamento do preço estipulado para o negócio, o que se cogita para argumentar, ainda assim seria vedado o reconhecimento de uma eventual avaliação de maisvalia, ante os motivos apontados no item 106 do Termo de Encerramento: 39.1 Falta de um ambiente de livre mercado, de independência entre as três empresas. 39.2 Ausência de geração de riqueza nova para o grupo econômico, uma vez que se trataria de mera circulação de recursos. 39.3 Registro do custo da aquisição de quotas de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico da integralizadora deveria ser feito pelo valor do patrimônio líquido, sendo vedado o reconhecimento de ágio com base em rentabilidade futura nessa operação, por faltar, à luz da Teoria da Contabilidade, a necessária independência entre as partes envolvidas. 40. Em suma, não se perfizeram as condições estabelecidas pelos arts. 385 e 386 do RIR, de 1999, para dedução de ágio. Quanto a utilização de empresasveículo, entendo, não há qualquer vedação, vez que irrefutável a aplicação do art. 2º, § 3º da Lei n. 6.404/76, base legal para a constituição de holdings com o objetivo único de beneficiarse de incentivos fiscais. No que tange à incorporação reversa, esta é totalmente possível no âmbito do direito societário e, ademais, é autorizado por lei que regula especificamente a amortização fiscal do ágio, qual seja, o art. 8º, “b” da Lei nº 9.532/97: “Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” O pressuposto para a permissão de amortização fiscal do ágio é a confusão patrimonial entre investidora e investida, que se consumou, como anteriormente demonstrado (pela redação do art. 7º da Lei nº 9532/97), e nesse contexto, se encaixa a expressa admissão da incorporação reversa ou às avessas pelo art. 8º da Lei nº 9.532/1997. Fl. 2648DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.649 16 A mera transferência do ágio da investidora para a investida, por meio de veículo, ao final, quando incorporada aquela veículo, demonstra apenas uma conseqüência fática que tem como pressuposto uma autorização legal. Se o legislador permite literalmente a amortização do ágio nos casos de incorporação às avessas, interpretação extensiva e lógica confere legitimidade para o instrumento imprescindível ao atingimento do objeto. Em outras palavras, o gozo do benefício fiscal pela investida só seria possível com a transferência do ágio, vez que este último fora registrado pela investidora. Ademais, na mesma linha de raciocínio, a extinção da participação societária não se torna requisito essencial para a amortização do ágio nos casos em que ocorre a incorporação reversa. Da mesma forma que não faria sentido a mantença da participação societária e do investimento propriamente dito no caso de incorporação, também não teria qualquer fundamentação lógica a extinção destes no caso de incorporação reversa. Mais uma vez se está diante de caso em que a lei promove interpretação extensiva e lógica conduzindo a possibilidade/necessidade de adequação da norma ao caso concreto. A jurisprudência do CARF aponta para a possibilidade de tal operação societária: ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si sós, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. (Acórdão nº 1301002.009 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04/05/2016) ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. DEDUTIBILIDADE. Após a incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa), é dedutível a amortização de ágio decorrente da anterior aquisição de participação societária em negócio firmado entre partes independentes, em condições de mercado, baseado em expectativa de rentabilidade futura da investida e efetivamente pago à alienante do investimento. A incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa) é operação prevista em lei, bem assim seus efeitos tributários. Se, no momento do lançamento, o Fisco teve acesso ao demonstrativo que fundamentava o ágio e deixou de questionálo, descabe fazêlo em momento processual posterior. (Acórdão nº 1302001.532 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 21/10/2014) Veja, se não fossem as reorganizações que se deram anteriormente, o gozo do benefício fiscal não se concretizaria. Fl. 2649DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.650 17 A fiscalização deve analisar a operação como um todo, do conjunto de etapas e operações da qual surgiu a composição societária final, e não se baseando em “fotografias estanques”. Portanto, em que pese a subjetividade do propósito negocial, na medida em que se mostra robusta a motivação e construção lógica contida nas reorganizações societárias e na amortização do ágio propriamente dita. A forma utilizada, conforme já mencionado, tem base na legislação, tornandose a amortização fiscal do ágio definitivamente passível de ser utilizada e assim ser benefício fiscal nos termos legais, os requisitos formais foram atendidos, assim como os materiais. Do Laudo de Avaliação Conforme colocado já acima, os mencionados ágios decorreram de expectativa de rentabilidade futura, de acordo com o laudo de avaliação de (doc. 07 do eproc), realizado pela empresa Credit Suisse First Boston, empresa terceira independente. Importante refutar aqui o ponto colocado nas Contrarrazões da Fazenda Nacional, relacionado ao momento da realização do laudo, considerandoo extemporâneo e imprestável porque elaborado em setembro de 2004, quando as operações foram realizadas em 01/03/2004, em que pese tal colocação não ter sido aventado no TVF nem na decisão recorrida. Verificase que o laudo de avaliação trata do período de 2004 a 2010, utiliza se do método de fluxo de caixa descontado da Hipercard ACC, chegando à conclusão de que o valor da empresa varia de R$658 milhões a R$741 milhões no caso "standalone" e de R$883 milhões a R$976 milhões no caso "com sinergia". O valor pago foi de R$630 milhões. Assim, cabe ressaltar então, que quando da data das operações realizadas, bem como da incorporação, que frisese ocorreu em junho de 2005, após a data do laudo, não havia nenhuma disposição legal que determinasse alguma formalidade para a confecção dessa avaliação, da forma como hoje é exigida. Ou seja, não havendo previsão legal expressa, não há que falar em não existência do ágio em razão do laudo de avaliação ter sido formalizado em data posterior à aquisição da empresa. Nesse sentido, trago à colação alguns precedentes jurisprudenciais nesse sentido: ÁGIO. AQUISIÇÃO DE AÇÕES DA PARTIMAG E DA MAGNESITA . A legislação fiscal não impõe forma ao demonstrativo de que trata o § 3º do art. 20 do DL 1598/77, logo, se os autuantes não questionaram a substância econômica do demonstrativo apresentado pelo fiscalizado, há que aceitálo para a fundamentação e fixação do ágio pago nas aquisições das ações. (Acórdão nº 1302001.465 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 30 de Julho de 2014) ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. Fl. 2650DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.651 18 A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Contudo, não é possível se admitir que laudo elaborado mais de um ano após os fatos, sem qualquer suporte em documentos contemporâneos à aquisição de terceiros, sirva para fundamentar o ágio em uma das modalidades que permitam o benefício fiscal. (Acórdão nº 1102001182 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2014). Assim, de se aceitar o laudo técnico de avaliação acostado aos autos, que a seu turno serviu de base para fundamentar economicamente o ágio. Da Transferência do Investimento Em 30/06/2005, mais de um ano após a negociação da Hipercard ACC, a Unicard e a Unipart conferiram a Hipercard BM, ora Recorrente, a totalidade das cotas de sua titularidade o capital da Conabinu e Hipercard ACC, respectivamente. Isso pode ser facilmente verificado da análise dos documentos societários de fls. 1.532/1.409. Importante tópico levantado no Auto de Infração é a questão atinente à "transferência do ágio", já que a fiscalização entendeu que UNIPART e UNICARD foram as empresas que efetivamente tiveram o dispêndio do ágio, e o benefício existente, amortização fiscal do mesmo somente seria possível nessas empresas, não havendo possibilidade de suas transferências para a Recorrente Hipercard BM, já que ela nada adquiriu. O que a ora Recorrente adquiriu, de fato, foi um investimento com ágio e não a simples transferência de ágio. E tal fato, nos termos da lei, art. 7o e 8o da Lei 9.532/97, passa a ter a dedutibilidade das amortizações. O valor pago pela adquirente, pela Hipercard ACC, para a BRPAR, empresa independente, possui intrínseco tal benefício fiscal, o que corrobora o objetivo precípuo do legislador, viabilizando a aquisição de empresa brasileira, controlada por empresa no exterior. Ora, se os investimentos foram transferidos para a Recorrente, assim como os ágios respectivos, verificase a confusão patrimonial dos patrimônios das investidas pela investidora, passando o ágio a ser dedutível para fins fiscais. Importante ressaltar novamente que todas essas operações "Ágio Conabinu", "Ágio Hipercard" e "Ágio Conabinu/Hipercard" foram realizadas seguindo os parâmetros de mercado, em que se objetivou a aquisição da Hipercard ACC, operação realizada entre partes independentes, valor pago com ágio, que se basearam em laudos de avaliação realizada por empresa terceira, que calculou a rentabilidade futura pelo método de fluxo de caixa descontado (fls. 409/454). Esses ágios, posteriormente transferidos para a Recorrente, quando da incorporação das empresas Conabinu e Hipercard ACC, passaram a ser deduzido na base de cálculo do IRPJ. Fl. 2651DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.652 19 Assim, resta clara e legal a transferência do investimento com ágio para a Hipercard BM, ora Recorrente, que passa a ter o direito de amortizálo fiscalmente. Infração da CSLL e Glosa das despesas de amortização do "Ágio E Capture" Com relação ao "ágio ecaptive", que foi adicionado ao cálculo do lucro real, porém não o foi feito para a base de cálculo da CSLL, a fiscalização não questionou a existência em si dele, apenas e exclusivamente que o tratamento a ser dado à Contribuição deveria ter sido o mesmo, nos termos do art. 57 da Lei 8.981/95, com a redação dada pela Lei 9.065/95 e do art. 28 da Lei 9.430/96. Entretanto, não é esse o meu entendimento e para tanto, valhome voto vencedor do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, no Acórdão n. 1301001.893, desta mesma Turma Ordinária, datada de 20/01/2016, em situação semelhante, onde foi tratada a questão da dedutibilidade do ágio para fins de cálculo da CSLL, baseado na falta de previsão legal para sua adição. No que se refere à análise dos contornos próprios da definição da base de cálculo da CSLL, essencial se verifica a análise das expressas disposições do art. 2 da Lei 7.689/88, que, ao instituíla, assim especificamente destacou: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c) O resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) Fl. 2652DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.653 20 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) As disposições contidas no caput do Art. 57 da Lei 8.981/95, por sua vez, visando estabelecer os específicos e particulares contornos aplicáveis a esta Contribuição, especificamente destacou: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38,mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei n 9.065, de 1995) Ora, conforme se verifica da leitura dessas disposições – ao contrário do que afirma a decisão de primeira instância, o mencionado art. 57 da Lei 8.981/95 não autoriza, de forma alguma, a aplicação indiscriminada das disposições regentes do Imposto de Renda na verificação dos contornos de incidência da CSLL, mas preserva, expressamente, os ditames próprios da definição de sua base de cálculo, da forma como realizado pelas disposições até então vigentes, mantendo, assim, as normas contidas na mencionada Lei 7.689/88, nos termos ali então especificamente apontados. A partir dessas considerações, verificase que, conforme destacado das disposições do art. 2º, parágrafo 1º, alínea ‘c’ da Lei 7.689/88, ali expressamente se faz referência aos específicos ajustes (exclusões e adições) a serem aplicados ao resultado do períodobase, apurado a partir da aplicação das expressas disposições da legislação comercial, distinguindo a composição da base de cálculo da Contribuição em questão, assim, às regras próprias da legislação do Imposto sobre a Renda. Assim, para admitirse como valida qualquer exclusão e/ou adição na apuração da base de cálculo da CSLL, fazse essencial, no caso, a existência de legislação especificamente a ela relacionada, sem a qual, estarseia admitindo a possibilidade de interpretação ampliativa de normas restritivas de direito, o que, definitivamente, não tem qualquer cabimento em nosso ordenamento jurídico pátrio. (gn) Nessa linha, fixando o ponto de partida do nosso pensamento sobre a matéria, as regras de dedutibilidade de despesas que sejam aplicáveis na apuração do lucro real, não podem ser estendidas, sem a necessária préexistência de previsão legal, à apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Fixada essa premissa necessária, relevante destacar, ainda, que a amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício. Havendo determinação legal expressa para que ela não seja computada na determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR, aumentando, portanto, a base tributável. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que, a nosso sentir, torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora.(gn) Nessa linha, portanto, penso que o que se deve exigir e verificar não é a previsão legal expressa para que seja admitida a dedução do ágio iniludivelmente pago, mas sim a inexistência de vedação para essa operacionalização, o que, no caso, efetivamente é o que se verifica em relação à CSLL. Fl. 2653DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.654 21 A matéria aqui apresentada já foi objeto de específico enfrentamento nesta 1ª Turma Ordinária, especificamente nos autos do PAF 16682.720281/201017, tendo como relator o Conselheiro Valmir Sandri, o qual ora acompanho, especificamente quando afirma: “Inicialmente, registro, com a devida vênia, ser equivocado o entendimento manifestado na decisão recorrida, quanto ao alcance do art. 57 da Lei n 8.981, de 1995. Tal dispositivo preceitua que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por aquela Lei. Logo, regras de dedutibilidade de despesas que, por expressa disposição legal, sejam aplicáveis na apuração do lucro real não podem ser estendidas, sem previsão legal, à apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A norma legal disciplinadora da apuração da base de cálculo da CSLL, vigente à época do fato gerador, dispõe: Lei n 7.689/88 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. §1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita, (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) (...) Pelo que se depreende dos autos, e especialmente pelo que está expressamente descrito no auto de infração, a autoridade fiscal entendeu que a adição que o contribuinte efetuou para fins de apuração do lucro real, mas não efetuou para fins de CSLL, correspondia a ajuste por diminuição do valor do investimento avaliado pelo MEP, e promoveu a adição indicando como fundamento legal o art. 2º, § 1º, alínea “c”, da Lei n 7.689/99. Pois bem. Fl. 2654DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.655 22 Se essa fosse a verdade dos fatos, inquestionável seria a adição feita de ofício. Contudo, as cópias do LALUR apresentadas à fiscalização indicam que o valor adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real (e não adicionado para fins de apuração da base de cálculo da CSLL), se refere à amortização do ágio decorrente de participação societária na empresa (...). A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício. Havendo determinação legal expressa para que ela não seja computada na determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora. Na linha desse entendimento, inclusive, destacamse precedentes desta Corte Administrativa, que, sob esse específico foco, assim inclusive já se manifestaram, destacandose, apenas a título de exemplificação, o seguinte e específico aresto: Número do Processo: 18471.000003/200585 Contribuinte: VALEPAR S/A Tipo do Recurso: Recurso Voluntário / Recurso de Ofício Data da Sessão: 06/12/2006 Relator(a): Márcio Machado Caldeira N Acórdão:10322.749 Decisão: Por maioria, DAR provimento ao recurso voluntário para acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1999 e, em conseqüência, não tomar conhecimento do recurso ex officio em relação ao ano calendário de 1999, vencido o conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que não a acolheu e, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso ex officio para restabelecer a exigência fiscal relativa ao anocalendário de 2001 referente à CSLL constante na DIPJ porém não inclusa na DCTF. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL – DECADÊNCIA Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial é a data do respectivo fato gerador, decaindo o direito da Fazenda Nacional de efetuar o lançamento após o prazo de cinco anos, na forma do disposto no parágrafo 4 do artigo 150 do CTN. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995 Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. LANÇAMENTO – ERRO FORMAL – ANOCALENDÁRIO DE 2001 Atendendo o lançamento os requisitos legais, descrevendo a infração com perfeita identificação dos valores efetivamente levados à tributação e com o devido enquadramento legal, não há irregularidade formal que possa ensejar o seu cancelamento. JUROS DE MORA – CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA A partir de 1 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. (Súmula 1 C.C. nº 4) JUROS DE MORA TAXA SELIC São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Sumula 1 C.C. nº 5) Preliminar acolhida, recurso de ofício parcialmente provido. (Publicado no D.O.U. n 230 de 30/11/2007). Ainda, cabe destacar que o autuante invoca o art. 38 da IN 390/04, que tem como base o art. 13 da Lei 9.249/95, que da mesma forma não se aplica a este caso, visto que a vedação tratada nessa norma apesar de mencionar "amortização", esta deve ser contextualizada, no âmbito do inc. III daquele mesmo artigo, qual seja, "despesas de depreciação, amortização, Fl. 2655DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.656 23 manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização do bens e serviços". Dessa forma, entendo que inaplicável para o caso em tela deste dispositivo, já que estamos aqui tratando da despesa de ágio decorrente da amortização de intangíveis, baseado em expectativa de rentabilidade futura. No mesmo sentido, afastada a aplicabilidade do art. 44 da IN 390/04, que dispõe: Art. 44. Aplicamse à CSLL as normas relativas à depreciação, amortização e exaustão previstas na legislação do IRPJ, exceto as referentes a depreciação acelerada incentivada, observado o disposto nos art. 104 a 106. Aqui também descabe a aplicação, visto tratarse a determinação legal de depreciação, amortização e exaustão de bens móveis e não do caso em menção aqui, de ágio decorrente da amortização de intangíveis, baseado em expectativa de rentabilidade futura. Desta feita, entendo que não há base legal para se proceder com a adição das despesas de amortização de ágio, haja vista a ausência de fundamento legal para tanto. Das glosas das despesas de descontos concedidos em operações de crédito Com relação a este tópico, a fiscalizada foi intimada a esclarecer as despesas lançadas na rubrica denominada "Operações de Crédito", respondendo que se tratavam de abatimentos apurados nos recebimentos de créditos. Explicou ainda, a fiscalizada, que as deduções de tais despesas estavam baseadas no art. 299 do RIR/99, já que se referem a descontos concedidos em renegociação de operações de empréstimos, elas não estão relacionadas com o art. 9 da Lei 9.430/96. A fiscalização entretanto, considerouas não dedutíveis na base de cálculo do lucro real e da CSLL, já que baseadas nos arts. 9 a 20 da Lei 9.430/96, capítulo relacionado às perdas no recebimento de créditos. Entendeu que o ato de perdoar a dívida, parcial ou total, da dívida pelo credor não está previsto em lei como ensejadora de dedução nos termos do art. 9 da referida lei, tratandose na verdade de mera liberalidade da empresa. A decisão recorrida, da mesma forma, entendeu não serem essas despesas dedutíveis: 46. Não assiste razão à defesa. A expressão “perda no recebimento de crédito”, nos termos do caput do art. 9º da Lei nº 9.430, de 1996, como bem frisou a autuação, deve ser entendida como sendo “o resultado negativo apurado ao Fl. 2656DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.657 24 final de um conjunto de atos empreendidos para o recebimento do crédito frente ao devedor, tais como, renúncias de qualquer espécie — descontos, perdões, abatimentos e outros — insuficiência de bens arrendados em garantia, insolvência do devedor e outros negativos do mesmo gênero”. 47. De maneira que a dedução dos referidos descontos como despesa, ainda que tenham sido reconhecidos como receita, sujeitase, ao revés do que se tentou incutir, ao regramento especial dos arts. 9º ao 12 da Lei nº 9.430, de 199629, e não ao do art. 299 do RIR, de 1999. 48. Mesmo que houvesse sujeição a este último artigo, o que se cogita para argumentar, por tratarse o perdão da dívida, parcial ou total, de ato de liberalidade do credor, como ressaltado no Termo de Encerramento, não haveria falar em sua dedução31. A recorrente, por sua vez, sustenta que a norma prevista na Lei 9.430/96 só se aplicam às perdas provisórias, relativas a créditos que contribuintes ainda pretendem receber, não sendo o caso destas despesas, as quais já foram receitas um dia, e assim devidamente tributadas, porém, não se logrou êxito em recebêlas, tornandose assim, perda definitiva. Ora, lembremse que a Recorrente é instituição financeira, e como tal, é de sua operação a realização de empréstimos, sendo claro que é muito comum neste tipo de atividade a realização de acordos com clientes inadimplentes. Nessas situações, melhor que se receba uma parte do crédito do que nada, e nessa esteira, a concessão de descontos e abatimentos é muito comum, tornandoa despesa operacional, da atividade. Descrevo aqui parte do Acórdão 1301001.209, desta Turma, que tratou de igual situação e foi voto vencedor: Essa questão da dedutibilidade dos descontos concedidos para recebimento de créditos foi analisada no Acórdão 10195.469, de 26 de abril de 2006. No voto condutor a Relatora demonstra que a dedutibilidade dos descontos concedidos não se subordina às regras do art. 9º da Lei nº 9.430/96, uma vez que os descontos são perdas definitivas, e o art. 9º da Lei nº 9.430/96 trata de perdas provisórias, isto é, da possibilidade de deduzir perdas ainda não ocorridas. A conferir: Acórdão nº10195.469, de 26 de abril de 2006: “ O julgador de primeira instância (....) manteve a glosa ao fundamento de que, para serem dedutíveis, as perdas não poderiam caracterizar liberalidade, e deveriam atender as condições previstas na Lei 8.981/95 e na Lei 9.430/96. Quanto à questão da liberalidade, peço vênia para discordar do ilustre Relator. É notório que, para as instituições financeiras, em negociações com os clientes para possibilitar o recebimento dos créditos, a concessão de descontos, mesmo expressivos, não representa liberalidade, caracterizandose como despesa necessária, usual e normal. Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.658 25 O segundo fundamento da decisão para manter a glosa também não prospera. Antes da vigência da Lei 9.430/96 a sistemática consistia em constituir uma provisão baseada em estimativas levando em consideração o estoque de créditos, e deduzir o respectivo valor. Ou seja, a dedução era feita antes que ocorresse qualquer perda. Sobrevindo a perda, o lançamento não era em conta de resultado, uma vez que para tanto fora constituída provisão, e apenas quando esgotada a provisão a diferença era levada a resultado. Essa sistemática mudou com a Lei 9.430/96, que vedou a constituição da provisão, e as perdas (definitivas ou provisórias) passaram a ser contabilizadas diretamente como conta de resultado. As disposições dos §§ 8º e 9º do artigo 43 da Lei 8.981/95 e do art. 9º da Lei 9.430/96 dizem respeito a perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, ou para os quais tenham sido esgotados os meios legais de cobrança. Não se compreendem, aí, os créditos já liquidados (perdas definitivas). De fato, o § 7º do artigo 43 da Lei 8.981/95 determina que os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados à provisão e o eventual excesso verificado será debitado a despesas operacionais. Portanto, não há qualquer condição para a dedução das perdas definitivas. Apenas, eram elas debitadas à provisão antecipadamente constituída para suportálas, sendo debitadas a despesas em caso de a provisão ser insuficiente para suportálas. O parágrafo 8º do art. 43 permitia o débito de perdas provisórias, isto é, de créditos vencidos há um ou dois anos (conforme o valor), mas para os quais o credor não deu quitação ao devedor. Da mesma forma, o § 1º do art. 9º da Lei 9.430/96 trata das condições para dedução de perdas não definitivas, mas que, em certas circunstâncias relacionadas com a existência de garantia e o tempo decorrido desde o vencimento, já podem ser consideradas perdas.”. De se registrar que ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão acima mencionado foi negado provimento. Dessa forma, entendo que para este item da autuação, não prospera a glosa lançada pela fiscalização. Da glosa da despesa com o pagamento de juros sobre capital próprio Neste item cabe tecer comentários acerca da alegação trazida no recurso voluntário pelo ora recorrente de que a discussão travada não é da validade e permissibilidade legal de se pagar JCP de anos anteriores, o próprio fiscal entendeu serem possíveis, desde que provados, os valores ano a ano, serem dedutíveis dentro dos limites legais. Fl. 2658DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.659 26 Convém reproduzir a abordagem da decisão a quo, que manteve a glosa, invocando a impossibilidade de se pagar JCP de períodos anteriores, contrapondo argumentação trazida na impugnação: 54. Não há acordar com a defesa. Com efeito, inexiste vedação legal ao registro de pagamento de juros sobre capital próprio de períodos anteriores. Não existe todavia porque é prescindível, uma vez que, consoante art. 347 do RIR, de 1999, devese observar o regime de competência na dedução de despesas e custos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 59. De mais a mais, não há qualquer ressalva no §1º do art. 347 do RIR, de 199937 quanto à aplicação exclusiva dos limites nele previstos aos juros pagos ou creditados no período relativo à dedução. De maneira que, considerandose a possibilidade de deduzirse juros sobre capital de períodos anteriores, o que se cogita para argumentar, ainda assim persistiria o excesso apontado no Termo de Encerramento. 60. Noutro viés, a dedução do referido excesso de JSCP diminuiu o Lucro Real do ano calendário de 2008, particularidade que se enquadra na alínea “b” do § 5º do art. 6º do Decreto nº 1.598, de 1977, e, de conseqüente, autoriza a formalização de lançamento. Equivocou se a defesa quanto à interpretação do dispositivo. Assim, diante das novas alegações trazidas em sede recursal, e que não foi objeto de impugnação, e, consequentemente sem manifestação da DRJ/REC, nos termos do inciso III do art. 16 do Decreto 70.235/72, verificase a ocorrência da preclusão, não devendo tais alegações quanto a este item serem conhecidos. Da insuficiência de pagamento da CSLL devida pelas Instituições Financeiras O contribuinte foi autuado ao pagamento de CSLL, em razão de sua insuficiência no ano de 2008, decorrentes da alteração da alíquota devida, que foi alterada pela MP nº 413/08, de 9% para 15%, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2008. A norma determinou um critério de proporcionalidade em função da receita bruta acumulada de maio a dezembro sobre a receita bruta anual, nos termos da IN 810/08. Assim, apurou a Fiscalização uma diferença a ser recolhida no valor de R$895.836,76. Em impugnação alegouse que a majoração da alíquota da CSLL está sendo discutida na esfera judicial, de tal forma que a decisão a quo foi a seguinte: Fl. 2659DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.660 27 Entretanto, o contribuinte, em sede recursal vem a entender que os valores a título de multa e juros deveriam ter sido excluídos do lançamento, já que realizados depósitos judiciais dos montantes integrais. Importante ressaltar que tal alegação é nova, que não foi objeto da impugnação, operandose a preclusão, de tal forma que deixo de conhecêla, nos termos do inciso III do art. 16 do Decreto 70.235/72. Da aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício A Fiscalização procedeu à recomposição dos balancetes mensais de suspensão/redução com base nas despesas glosadas, o que resultou na constatação de falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre estimativas mensais. Por essa razão, foram exigidas multas isoladas de 50% sobre as diferenças recolhidas a menor nos meses de janeiro a dezembro de 2008, 2009 e 2010: Fl. 2660DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.661 28 O entendimento é de que a multa de ofício decorrente de falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual deve prevalecer em detrimento da multa isolada. É esse o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Notese que este entendimento foi elaborado em relação ao art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, vigente antes da edição da Lei n° 11.637/07. Recentemente, este Colegiado vem se manifestado, de forma nãounânime, em diversas oportunidades sobre a inaplicabilidade da súmula acima transcrita para as Fl. 2661DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.662 29 hipóteses em que foi cominada a aplicação conjunta da multa de ofício e da multa isolada a partir de 2007, quando houve a alteração do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Entretanto, este não é o meu entendimento. Vejamos, nesse sentido, a ementa do Acórdão n° 9101001.307 proferido na 1° Turma e utilizado como base para a edição da Súmula n° 105: (...) MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação Ora, ainda que a lei tenha sido alterada, pareceme claro que a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal permanece sendo mera etapa preparatória que culmina com a redução do imposto no final do ano. Entendo que o contribuinte não deve ser penalizado duas vezes em função da mesma infração, caracterizando um verdadeiro bis in idem. No caso em que as estimativas não foram recolhidas pelo aproveitamento indevido, ao final do anocalendário, deve prevalecer somente a cobrança do IRPJ e da CSLL devidos no ajuste anual e, conseqüentemente, da multa de ofício aplicada sobre esta infração. O fato de a Medida Provisória n° 351/07 ter alterado a base de cálculo da multa isolada para “o valor do pagamento mensal” não altera o fato de que o não recolhimento das estimativas é mero meio para a falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos no exercício. Assim sendo, julgo improcedente a cominação da multa isolada aplicada sobre as estimativas de IRPJ e de CSLL não pagas, devendo permanecer, somente, a aplicação da multa de ofício sobre o imposto apurado ao final do anocalendário e não pago. Isso no caso manutenção de alguma glosa. Da exigência de Juros sobre multa de ofício A recorrente pugna pelo reconhecimento da não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício calculada na forma do art. 44 da Lei n° 9.430/96, já que as multas possuem caráter punitivo e sancionatório diante do inadimplemento da obrigação e sua aplicação serviria apenas para punir a inexecução da obrigação e não o de repor ou indenizar o capital alheio. Entendo que assiste razão à recorrente. Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.663 30 Nos termo do art. 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ou seja, na forma do §3º do art. 61, incidem os juros moratórios sobre os débitos de que trata o caput, tributos e contribuições, mas não sobre as multas de ofício. Não há essa previsão legal, pois se assim fosse, o legislador teria assim previsto. O que se prevê aqui é a multa de mora prevista no §2º, sobre os débitos indicados. Da mesma forma, temos no Código Tributário Nacional, em seu art. 161: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A norma determina a incidência de juros de mora sobre o crédito tributário não pago, sem prejuízo das penalidades cabíveis. O crédito tributário é o tributo ou obrigação tributária, e assim, não se constitui em sanção de ato ilícito, nos termos do art. 3º do CTN, e sobre ele incide os juros e as penalidades e não se incluindo neles. Dessa forma, neste item dou provimento ao Recurso Voluntário CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por NÃO CONHECER dos pontos relativos aos Juros sobre Capital Próprio e da exclusão da Multa e dos juros sobre a CSLL de 2008 por preclusão, quanto aos demais itens, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.664 31 Voto Vencedor Conselheira Milene de Araújo Macedo, Redatora Designada Em que pese os argumentos da ilustre relatora, divirjo do seu voto quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O art. 113 § 1º do Código Tributário Nacional, ao definir o que seria a obrigação tributária principal, assim estabeleceu: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação tributária principal consiste na obrigação de "dar" uma importância em moeda, diferentemente das obrigações acessórias que tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer) determinado ato. Do comando legal acima transcrito inferese que a obrigação tributária principal engloba tanto o pagamento do tributo quanto a penalidade pecuniária, no caso, a multa de ofício. Ao afirmar que a obrigação tributária principal extinguese juntamente com o crédito dela decorrente verificase que ambas são faces de uma mesma relação jurídica. O crédito tributário é a obrigação tributária quantificada pelo Fisco e constituída pelo lançamento, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido, o art. 139 do Código Tributário Nacional, assim dispõe: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Em seguida, o art. 161 do Código Tributário Nacional determina: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.665 32 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O crédito tributário constituído nos lançamentos de ofício inclui o tributo, bem assim, as multas de ofício e, quando não pagos no vencimento sujeitamse aos juros de mora. O parágrafo primeiro estabeleceu ainda que referidos juros são calculados à taxa de 1% ao mês nos casos em que a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu que os débitos com a União, quando decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01/01/1997, estão sujeitos aos juros Selic quando não pagos nos prazos previstos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Os débitos a que se referem a Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário objeto do art. 161 do Código Tributário Nacional, visto sob a ótica do sujeito passivo. Conforme acima demonstrado, o crédito tributário compreende os tributos, bem assim, as multas de ofício previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/96. A jurisprudência deste Conselho é majoritária a favor da incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 1301001.976, Sessão de 05/04/2016) Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 1301002.281 S1C3T1 Fl. 2.666 33 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão n° 1302000.959, Sessão de 07/08/2012) Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício. assinado digitalmente Milene de Araújo Macedo Fl. 2666DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.736606/2012-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL.
Não deve ser conhecido recurso em que o fato enfrentado no acórdão indicado como paradigma seja diferente do fato enfrentado no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-005.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente UNIÃO (PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL) Interessado LUIZ FERNANDO PINTO PALHARES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. Não deve ser conhecido recurso em que o fato enfrentado no acórdão indicado como paradigma seja diferente do fato enfrentado no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 66 06 /2 01 2- 59 Fl. 157DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 06 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, emitida em 03/12/2012, pela qual se procedeu à glosa de deduções de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2007. Essa alteração implicou lançamento de imposto suplementar de R$ 4.499,55 que acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, montou a R$ 9.059,84, cientificado à contribuinte em 11/12/2012 (efl. 32). Tal notificação decorreu falta de comprovação, após regular intimação, do efetivo pagamento de despesas médicas no montante de R$ 16.632,00. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, em 13/12/2012, às efls. 02 e 03, na qual o contribuinte afirmou que e realizou despesas médicas próprias e de dependente mas que, apesar de juntar documentos comprobatórios, admitia a impossibilidade de provar pequena parte da despesa. Em sede de impugnação, afirmou que não havia localizado o recibo da última parcela, de R$ 500,00, mas indicou o número do cheque sacado contra o Banco do Brasil, além da data de sua emissão, o que entendia suficiente à comprovação da despesa. A impugnação foi apreciada na 19ª Turma da DRJ/RJI que, por unanimidade, em 27/01/2014, no acórdão 1262.799, às efls. 56 a 60, julgou a impugnação procedente em parte por falta de documentação hábil e idônea para comprovar todas as despesas impugnadas. Recurso voluntário Ciente do resultado do acórdão em 07/02/2014 (efl. 66), o contribuinte, em 28/02/2014, apresentou recurso voluntário, às efls. 69 a 71, em resumo, discute a comprovação de um pagamento de R$ 500,00 para o qual não havia localizado o recibo, mas em sede de recurso voluntário localizou tal documento e o apresenta (efl. 73). Acórdão CARF A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento julgou o recurso voluntário em 18/02/2016, resultando no acórdão n° 2402005.051, às efls. 87 a 92, assim ementado: IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou com seus dependentes, desde que comprovadas com documentos hábeis e idôneos.Mera declaração do médico, desacompanhada dos recibos a que se refere, não atende ao que dispõe a norma que rege o procedimento de comprovação de despesas médicas. O acórdão teve a seguinte redação: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. RE da Fazenda Fl. 158DF CARF MF Processo nº 12448.736606/201259 Acórdão n.º 9202005.445 CSRFT2 Fl. 158 3 Em 08/03/2016 (efl. 93), a Procuradoria da Fazenda foi intimada do resultado do julgamento e, em 10/03/2016, interpôs recurso especial de divergência, às efls. 94 a 100. O Procurador aponta divergência de entendimentos relativamente à possibilidade de juntada ou não de documentos na fase recursal, fora as hipóteses previstas no artigo 16, § 4º, do PAF. Os entendimentos adotados pelo acórdão recorrido e pelo paradigma são diametralmente diversos, uma vez que aquele admite tal juntada, em face do princípio da busca da verdade real, e o paradigma, não. Como paradigma da divergência, indica o acórdão nº 10809.510, da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Ao final, requer seja conhecido o recurso a fim de reformar o acórdão recorrido, restaurandose a decisão de primeira instância. Admissibilidade do RE da Fazenda A Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção da CARF, em 17/06/2016, através do despacho de efls. 131 a 135, deu seguimento ao RE da Fazenda, para que fosse analisada a divergência a respeito preclusão da apresentação de provas. Contrarrazões do Contribuinte O contribuinte foi intimado (efl. 137) do acórdão nº 2402005.051, em 31/08/2016 (efl. 139); e apresentou contrarrazões em 09/09/2016, às efls. 148 a 153. No contraarrazoado o contribuinte argumenta: a) não haveria divergência no acórdão paradigma, pois trata do indeferimento de prova testemunhal e de perícia; b) a autoridade de primeira instância teria descumprido o inc. III, do § 1º do art. 80 do Decreto nº 3.000/1999, ao não aceitar apenas a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, fazendo com que ele tivesse posteriormente de localizar o recibo extraviado; c) deve prevalecer o princípio da verdade material, como reconhecido no acórdão a quo; d) em face do reduzido valor em discussão, R$ 140,25, deveria ser reconhecida a falta de interesse recursal. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo. Porém, quanto ao conhecimento, penso que há uma questão fática que impede esse conhecimento: Fl. 159DF CARF MF 4 no recorrido, a prova foi apresentada em sede de Recurso Voluntário, para contrapor razões da decisão de primeira instância; no paradigma, foi apenas solicitada a produção de provas adicionais, sem apresentação específica, conforme se extrai da leitura do voto condutor do acórdão. Prosseguindo, cabe examinar a preliminar de nulidade da decisão a quo. No particular, argumenta a Recorrente que a mesma foi proferida com ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa consagrado no art. 5 0 , LV, da Constituição Federal de 1988, em razão de ter indeferido a prova pericial e testemunhal que postulou. (grifos na transcrição). Portanto, por diferenças fáticas, entendo não comprovada a divergência jurisprudencial e, consequentemente, voto por não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.720012/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Cecília Dutra Pillar, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: Relator
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Cecília Dutra Pillar, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 00 12 /2 00 9- 11 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11060.720012/200911 Acórdão n.º 2202003.975 S2C2T2 Fl. 97 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11060.720012/200911, em face do acórdão nº 1032.524 julgado pela 8ª Turma da Delegacia Federal do Brasil em Porto Alegre (DRJ/POA), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "O contribuinte recebeu Notificação de Lançamento (fls. 20/22), exigindo Ihe imposto de renda pessoa física suplementar no valor de R$ 3.543,91, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao anocalendário 2006, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em ação judicial via Caixa Econômica Federal, que resultou no crédito tributário de R$ 6.952,44, calculado até 27/02/2009 Na apuração do imposto devido foi compensado o imposto retido na fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de RS 551,36. Também foi glosado o valor de R$ 55,00 declarado como imposto de renda retido na fonte, por se tratar de contribuição previdenciária oficial, conforme comprovante apresentado, a qual foi devidamente incluída (vejase Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, fl. 21 verso). A data de postagem constante no envelope anexado (fl. 19) comprova a tempestividade da impugnação apresentada na qual o contribuinte reconhece que cometeu um lamentável equivoco ao declarar o valor de R$ 55,00 como imposto de renda retido na fonte no pagamento efetuado pela fonte pagadora MAPFRE VERA CRUZ SEGURADORA S/A e que assiste razão à fiscalização. Propõese a ressarcir imediatamente o valor irregularmente compensado. Por outro lado, alega que é absolutamente equivocada a descrição do fato de que houve omissão de rendimento do trabalho sem vínculo empregatício, tendo a Caixa Econômica Federal CEF como fonte pagadora da quantia de R$ 18.378,65 com retenção na fonte de R$ 551,36 e ilegal o seu enquadramento. Afirma que jamais percebeu qualquer tipo de honorários ou valor sobre outro título da CEF e o procedimento desta instituição foi absolutamente equivocado, beirando os limites da máfé. Se a CEF informou que pagou a quantia de R$ 18.378,65 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11060.720012/200911 Acórdão n.º 2202003.975 S2C2T2 Fl. 98 3 e reteve renda na fonte de R$ 551,36, ou seja, 3% incidente sobre o pagamento, apenas cumpriu a disposição do artigo 27 da Lei n° 10.833/2003, sendo mera responsável pelo pagamento autorizado pelo INSS que é a verdadeira fonte pagadora. Relata que o valor dito omitido na declaração de ajuste anual, se encontra registrado em Rendimentos Isentos e NãoTributáveis como CPMF INSS atrasados, ou seja, foi consignado no campo correto, pois se trata de valores de proventos atrasados devidos pela Previdência Oficial, conforme Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (ementas citadas, fls. 06/08). Requer seja julgado inconsistente o lançamento, determinando a anulação da Notificação de Lançamento, salvo quanto ao valor de R$ 55,00, retenção indevida, que deve ser desmembrada para pagamento imediato." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 83/84, reiterando as alegações da impugnação. O julgamento do processo foi sobrestado a teor da Resolução n° 2102 000.099 em razão de tratar de matéria referente à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, em discussão no Supremo Tribunal Federal, no rito da repercussão geral, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado em 13 de setembro de 2011, todavia não é possível verificar a data da ciência do contribuinte do acórdão recorrido, em razão do AR, de fl. 82, estar ilegível. Portanto, considero tempestivo o presente recurso. Deste modo, reunindo ele os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. No presente caso, verificase que o contribuinte recebeu valores decorrentes de ação judicial movida pela contribuinte em face do INSS, através de processo autuado sob o n° 2002.71.11.0045039/RS com trâmite perante a Justiça Federal. Assim, somente o contribuinte recebeu os valores da referida ação judicial no anocalendário 2006, de forma acumulada. Vejamos, inclusive, trecho do voto da DRJ de origem: "Os documentos da CEF apresentados (fl. 34) confirmam que os valores da retirada de R$ 18.378,65 pelo beneficiário e o recolhimento de R$ 551,36 de imposto retido na fonte, ambos em 18/07/2006, referemse ao Recurso JEF N° 2002.71.11.004503 9/RS sobre revisão da RMI (renda mensal inicial) do benefício de sua aposentadoria por tempo de serviço, concedida pelo INSS." Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11060.720012/200911 Acórdão n.º 2202003.975 S2C2T2 Fl. 99 4 Portanto, verificase que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Art.62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11060.720012/200911 Acórdão n.º 2202003.975 S2C2T2 Fl. 100 5 Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721878/2015-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 2202-003.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
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RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 18 78 /2 01 5- 27 Fl. 89DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (fls. 25 a 30) para exigir da contribuinte, ora Recorrente, o crédito tributário de R$ 31.118,25, relativo ao IRPF Suplementar (anocalendário 2012), multa de ofício (75%) e juros de mora. A infração descrita na Notificação de Lançamento (fls. 25) referese à Omissão de Rendimentos do Trabalho sem vínculo empregatício no valor de R$ 194.806,27, uma vez que o"Laudo Pericial emitido pela Sec. Est. Saúde CSS CAIS Prof. Cantídio, no qual (sic) não contém todos os quesitos exigidos pela legislação, pois não consta a matrícula do médico que assinou o laudo junto ao Serv. Méd. Oficial. Ademais o laudo não está devidamente fundamentado conforme item 1 do próprio laudo. Também não apresentou a comprovação da condição de aposentado, pensionista do INSS. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/8, na qual alega que o laudo não possui as deficiência formais apontadas pela autoridade lançadora e que encontrase devidamente fundamentado podendo concluir ser possuidora da paralisia irreversível e incapacitante. Em relação à afirmação de que não comprovou a condição de pensionista juntou ao processo a certidão do INSS, na qual é possível constatar que começou a receber o benefício em 16/11/2011. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Recife (PE) negou provimento à impugnação, em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, assim como suas complementações, percebidos por portador de moléstia grave definida em lei, desde que comprovada mediante laudo pericial revestido de todos os requisitos exigidos pela legislação e emitido por serviço médico oficial Cientificada da decisão acima transcrita (fls 62) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 65/71, no reitera ser a moléstia irreversível e incapacitante fazendo jus a isenção do Imposto de Renda. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10825.721878/201527 Acórdão n.º 2202003.985 S2C2T2 Fl. 90 3 De acordo com o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Conforme se verifica pela Notificação de Lançamento (fls. 26) o endereço do Recorrente junto a Receita Federal do Brasil é Av. Afonso José Ayello Rua Americo Orland 8200, casa C 6, CEP 17.018902, Bauru, SP. A contribuinte foi intimada da decisão recorrida do dia 03 de dezembro de 2015, conforme atesta Aviso de Recebimento (fls. 62). O Recurso Voluntário de fls. 65/71 foi protocolado dia 12 de janeiro de 2016, transcorridos, assim, mais de 30 dias contados do Aviso de recebimento. É importante ressaltar que a contribuinte não apresentou qualquer preliminar no sentido de contestar ou justificar a intempestividade do Recurso. Em face do exposto, não conheço do Recurso Voluntário em razão de sua intempestividade. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.905139/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 51 39 /2 01 0- 89 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.905139/201089 Acórdão n.º 1301002.378 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.905139/201089 Acórdão n.º 1301002.378 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16327.905139/201089 Acórdão n.º 1301002.378 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.905139/201089 Acórdão n.º 1301002.378 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16327.905139/201089 Acórdão n.º 1301002.378 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 168DF CARF MF Processo nº 16327.905139/201089 Acórdão n.º 1301002.378 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 169DF CARF MF Processo nº 16327.905139/201089 Acórdão n.º 1301002.378 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000027/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.964
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GRAND MOTORS COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 27 /2 01 1- 19 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 12585.000027/201119 Acórdão n.º 3302003.964 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.464. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 123DF CARF MF Processo nº 12585.000027/201119 Acórdão n.º 3302003.964 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 12585.000027/201119 Acórdão n.º 3302003.964 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 125DF CARF MF Processo nº 12585.000027/201119 Acórdão n.º 3302003.964 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 126DF CARF MF Processo nº 12585.000027/201119 Acórdão n.º 3302003.964 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000080/2008-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.121
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Recorrente SLC ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 80 /2 00 8- 13 Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 11686.000080/200813 Acórdão n.º 9303005.121 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302002.790, que, no tocante à matéria de interesse, não reconheceu o direito de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes de produtos acabados transportados entre estabelecimentos da mesma empresa. Cientificada, a Fazenda Nacional não apresentou recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Irresignado, o contribuinte interpôs apelo suscitando divergência quanto ao direito à tomada dos créditos em foco, argumentando, em resumo, que: · O objeto do presente recurso especial diz respeito ao direito de apuração de créditos de PIS e de Cofins, atinentes aos fretes de transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos; · É pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz, estando sujeita ao recolhimento de tributos, dentre as quais se destacam o PIS e a Cofins na sistemática não cumulativa; · As despesas ora em discussão são desdobramentos do frete de venda; · Para o regular desempenho de sua atividade, transfere os seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade, com o intuito de se obter melhores resultados, visto que devido às exigências do mercado, em não havendo estes centros, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, visto que seus grandes clientes, adquirentes de seus produtos, situamse, em sua grande maioria, na Região Sudeste e necessitam do produto à pronta entrega quase que diariamente; Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 11686.000080/200813 Acórdão n.º 9303005.121 CSRFT3 Fl. 4 3 · Tendo em vista que a maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos, os fretes são realizados por transporte ferroviário, como desdobramentos do frete de venda – o que demora 15 dias; · Para conseguir atender a sua demanda de pedidos, remete grandes quantidades por trem que, devido à demora no trânsito das mercadorias, quando chegam ao destino já estão vendidos; · A mercadoria, em muitos casos, já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. Em Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, contemplando, entre outros argumentos, que não é todo frete que pode ser considerado para fins de crédito da contribuição para fins de diminuição do débito ou ressarcimento. E que o entendimento administrativo somente permite o frete quando é feito diretamente para a venda do bem ou produto. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 11686.000080/200813 Acórdão n.º 9303005.121 CSRFT3 Fl. 5 4 Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 11686.000080/200813 Acórdão n.º 9303005.121 CSRFT3 Fl. 6 5 Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 11686.000080/200813 Acórdão n.º 9303005.121 CSRFT3 Fl. 7 6 entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 11686.000080/200813 Acórdão n.º 9303005.121 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 11686.000080/200813 Acórdão n.º 9303005.121 CSRFT3 Fl. 9 8 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 11686.000080/200813 Acórdão n.º 9303005.121 CSRFT3 Fl. 10 9 b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 11686.000080/200813 Acórdão n.º 9303005.121 CSRFT3 Fl. 11 10 · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 11686.000080/200813 Acórdão n.º 9303005.121 CSRFT3 Fl. 12 11 atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 11686.000080/200813 Acórdão n.º 9303005.121 CSRFT3 Fl. 13 12 Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: · Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: · A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; · A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 11686.000080/200813 Acórdão n.º 9303005.121 CSRFT3 Fl. 14 13 dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12689.000811/2004-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/05/2004
LEGISLAÇÕES DISCUTIDAS NOS ACÓRDÃOS EM COTEJO DIVERSAS. IMPOSSIBILIDADE DE VERIFICAR DIVERGÊNCIA.
Não se conhece do recurso especial quando as legislações que estribam a fundamentação dos acórdãos em cotejo são diversas e não dão chance à divergência de interpretação na aplicação da lei tributária.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.894
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/05/2004 LEGISLAÇÕES DISCUTIDAS NOS ACÓRDÃOS EM COTEJO DIVERSAS. IMPOSSIBILIDADE DE VERIFICAR DIVERGÊNCIA. Não se conhece do recurso especial quando as legislações que estribam a fundamentação dos acórdãos em cotejo são diversas e não dão chance à divergência de interpretação na aplicação da lei tributária. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 08 11 /2 00 4- 30 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 12689.000811/200430 Acórdão n.º 9303004.894 CSRFT3 Fl. 229 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentado tempestivamente pelo contribuinte acima, em face do Acórdão n° 320100.259, de 10/07/2009, do qual resultou a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/05/2004 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. Ê vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. INFORMAÇÃO INEXATA DO PAÍS DE PROCEDÊNCIA DA MERCADORIA. MULTA. APLICABILIDADE. Aplicase a multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria, quando informado equivocadamente o país de procedência na declaração de importação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. A recorrente suscitou divergência quanto à: 1) aplicação da multa de um por cento do valor aduaneiro, em razão de erro na indicação do país de procedência da mercadoria importada; e 2) relevação da penalidade de multa em razão da ausência de dolo ou máfé da recorrente. Foi admitido parcialmente o recurso especial, apenas em relação ao item 1). A recorrente trouxe o seguinte paradigma: Acórdão nº 30127.739 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA Art. 526, IX R.A. Divergência do país de procedência do bem importado não acarreta qualquer prejuízo ao fisco ou ao controle aduaneiro. Provido o recurso para julgar improcedente o A.I. A defesa da recorrente adverte que a sanção só poderá ser imposta ao contribuinte quanto restar configurado dano direto ao erário. E como tal não ocorreu nos autos, inaplicável a multa de 1% sobre o valor aduaneiro. Traz jurisprudência que entende sufragar entendimento favorável à sua argumentação. Nas contrarrazões, a Fazenda Nacional sustenta que revestese de grande importância a correta declaração do importador acerca do país de procedência da mercadoria, para fins de controle administrativo das importações; rechaça os argumentos de defesa e requer improvimento do recurso especial. É o Relatório. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 12689.000811/200430 Acórdão n.º 9303004.894 CSRFT3 Fl. 230 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais à admissibilidade ditados pelo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante demonstro a seguir. Consoante relatado supra, a divergência relativa ao item 1) foi suscitada em virtude da aplicação da multa de um por cento do valor aduaneiro, em razão de erro na indicação do país de procedência da mercadoria importada. A imputação lastreouse no art. 69, §§ 1º e 2º, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. 1 O indigitado dispositivo referese à multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. 2 Assim é que, para haver divergência de aplicação da lei tributária ora sub analisis, tornase indispensável a discussão abarcar fundamentalmente a legislação apontada supra bem como fatos similares aos ocorridos no acórdão recorrido: erro na indicação do país de procedência da mercadoria quando do registro da declaração de importação. E isso não ocorre no paradigma apontado Acórdão nº 30127.739 porquanto o paradigma faz menção ao artigo 526, IX, do Regulamento Aduaneiro/85 (Decreto nº 91.030/85), que tem por base legal o DecretoLei nº 37/66. 3 Apesar de os fatos do paradigma serem similares aos do acórdão recorrente, a sanção aplicada naquele multa de 20% (vinte por cento) do valor da mercadoria é bem diferente da aplicada no caso vertente (um por cento do valor aduaneiro da 1 Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: (...) IV países de origem, de procedência e de aquisição; (...) 2 Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. 3 Art. 526 Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas as seguintes penas (Decretolei nº 37/66, art. 169, alterado pela Lei nº 6562/78, art. 2º): (...) IX descumprir outros requisitos de controle da importação, constantes ou não de Guia de Importação ou de documento equivalente, não compreendidos nos incisos IV a VIII deste artigo: multa de 20% (vinte por cento) do valor da mercadoria. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 12689.000811/200430 Acórdão n.º 9303004.894 CSRFT3 Fl. 231 4 mercadoria). Corolário disso, as legislações que estribam a fundamentação dos acórdãos em cotejo são diversas e não dão chance à divergência de interpretação na aplicação da lei tributária. Do exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do presente recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 231DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.727383/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. INAPTIDÃO.
A emissão do MPF não exclui nem a sua falta (r)estabelece a espontaneidade do sujeito passivo para o recolhimento dos tributos, mas sim o primeiro ato de ofício cientificado ao contribuinte ou seu preposto.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
DECLARAÇÕES. PRIMAZIA INFORMATIVA. AUSÊNCIA.
Não há primazia do conteúdo declaratório do Dacon em relação ao da DIPJ. pois ambas declarações têm igualmente caráter informativo, enfeixando a mesma idoneidade instrumental e força de veracidade. Eventual divergência informativa do mesmo dado contábil-fiscal será dirimida pela escrituração do contribuinte, uma vez elaborada com observância dos requisitos formais e materiais e respaldada em documentos.
CRÉDITOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL. CONTESTAÇÃO.
A impugnação deve especificar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA.
O crédito presumido de ICMS, que corresponde a uma sistemática em substituição à normal apuração de créditos de ICMS na entrada de mercadorias no estabelecimento, não se amolda à definição de receita contida na hipótese de incidência da contribuição para o PIS/Pasep.
RESSARCIMENTO DE DESPESAS DE MARKETING.
Valores recebidos relativos a despesas de marketing despendidos pela contribuinte integram a base de cálculo.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA.
O crédito presumido de ICMS, que corresponde a uma sistemática em substituição à normal apuração de créditos de ICMS na entrada de mercadorias no estabelecimento, não se amolda à definição de receita contida na hipótese de incidência da Cofins.
RESSARCIMENTO DE DESPESAS DE MARKETING.
Valores recebidos relativos a despesas de marketing despendidos pela contribuinte integram a base de cálculo.
Numero da decisão: 1201-001.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ESPONTANEIDADE. INAPTIDÃO. A emissão do MPF não exclui nem a sua falta (r)estabelece a espontaneidade do sujeito passivo para o recolhimento dos tributos, mas sim o primeiro ato de ofício cientificado ao contribuinte ou seu preposto. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009, 2010 DECLARAÇÕES. PRIMAZIA INFORMATIVA. AUSÊNCIA. Não há primazia do conteúdo declaratório do Dacon em relação ao da DIPJ. pois ambas declarações têm igualmente caráter informativo, enfeixando a mesma idoneidade instrumental e força de veracidade. Eventual divergência informativa do mesmo dado contábilfiscal será dirimida pela escrituração do contribuinte, uma vez elaborada com observância dos requisitos formais e materiais e respaldada em documentos. CRÉDITOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL. CONTESTAÇÃO. A impugnação deve especificar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 73 83 /2 01 2- 15 Fl. 8442DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 3 2 O crédito presumido de ICMS, que corresponde a uma sistemática em substituição à normal apuração de créditos de ICMS na entrada de mercadorias no estabelecimento, não se amolda à definição de receita contida na hipótese de incidência da contribuição para o PIS/Pasep. RESSARCIMENTO DE DESPESAS DE MARKETING. Valores recebidos relativos a despesas de marketing despendidos pela contribuinte integram a base de cálculo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. O crédito presumido de ICMS, que corresponde a uma sistemática em substituição à normal apuração de créditos de ICMS na entrada de mercadorias no estabelecimento, não se amolda à definição de receita contida na hipótese de incidência da Cofins. RESSARCIMENTO DE DESPESAS DE MARKETING. Valores recebidos relativos a despesas de marketing despendidos pela contribuinte integram a base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, José Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o processo dos autos de infração que exigem contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$2.718.650,98, devido às infrações 001 Incidência Não Cumulativa Padrão Insuficiência de Declaração/Recolhimentos, com fatos geradores mensais de 02 a 04, 07, 08 e 12/2008, 01 a 08/2009 e 01, 02, 08, 09/2010, e 002 Créditos Descontados Indevidamente em Decorrência de Aproveitamento de Oficio em Períodos Anteriores, fatos geradores em 02, 03 e 04/2011, 01 e 03/2012; Contribuição para o Financiamento da Fl. 8443DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 4 3 Seguridade Social Cofins no montante de R$12.364.664,19, devido às mesmas infrações e fatos geradores; ambas exigências apenadas com multa de 75%, págs. 2/24; págs. 27/60, Termo de Verificação Fiscal, que descreve os fatos. 2. O contribuinte apresentou impugnação de págs. 3.855/3.876 objeto do Acórdão nº 0825.766 de 20 de junho de 2013, da DRJ em Fortaleza/CE, retificado pelo Acórdão nº 08 25.950 de 10 de julho de 2013 págs. 8.318/8.337, que considerou a impugnação procedente em parte e o crédito tributário mantido em parte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008. 2009. 2010 ÔNUS. IMPUGNAÇÃO ESPECIFICADA. SUJEITO PASSIVO. E do sujeito passivo o ônus de contestar especificadamente o lançamento tributário respaldado em provas trazidas aos autos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2008. 2009. 2010, 2011. 2012 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. INAPTIDÃO. A emissão do MPF não exclui nem a sua falta (r)estabelece a espontaneidade do sujeito passivo para o recolhimento dos tributos. DECLARAÇÕES. PRIMAZIA INFORMATIVA. AUSÊNCIA. Não há primazia do conteúdo declaratório do Dacon em relação ao da DIPJ. pois ambas declarações tem igualmente caráter informativo, enfeixando a mesma idoneidade instrumental e forca de veracidade. Eventual divergência informativa do mesmo dado contábilfiscal será dirimida pela escrituração do contribuinte, uma vez elaborada com observância dos requisitos formais e materiais e respaldada em documentos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008. 2009. 2010 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O crédito presumido de ICMS não se amolda à definição de receita contida na hipótese de incidência das contribuições da Cofins e para o PIS Pasep. DESPESAS COM MARKETING. FORNECEDOR BENEFICIADO. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA. Os valores recebidos de fornecedor de bens. a título de ressarcimento de despesas de marketing relacionadas aos produtos revendidos pelo adquirente, compõem a receita bruta deste, integrando assim a base de cálculo das contribuições da Cofíns e para o PIS Pasep. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008. 2009. 2010 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O crédito presumido de ICMS não se amolda à definição de receita contida na hipótese de incidência das contribuições da Cofins e para o PIS Pasep. DESPESAS COM MARKETING. FORNECEDOR BENEFICIADO. RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA. Fl. 8444DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 5 4 Os valores recebidos de fornecedor de bens. a título de ressarcimento de despesas de marketing relacionadas aos produtos revendidos pelo adquirente, compõem a receita bruta deste, integrando assim a base de cálculo das contribuições da Cofíns e para o PIS Pasep. adquirente, compõem a receita bruta deste, integrando assim a base de cálculo das contribuições da Cofíns e para o PIS Pasep. 3. Haja vista o cancelamento de R$1.951.849,24 de PIS e R$9.129.111,15 de Cofins. acrescidos da multa de ofício de 75% e juros, no Acórdão, a DRJ/CTA recorreu de ofício de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. 4. Cientificado em 30/07/2013, pág. 8.349 o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 8.351/8.368, em 29/08/2013, tempestivo, que foi objeto do Acórdão 3201 001.657 da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 LANÇAMENTOS REFLEXOS DA APURAÇÃO DO IRPJ. COMPETÊNCIA. Compete à Primeira Seção de Julgamento apreciar e julgar lançamento reflexo de IRPJ. 5. O processo foi encaminhado a esta 1ª TO da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, para julgamento. Recurso Voluntário 6. Resume que alegou as seguintes matérias, na impugnação: a. (i) a existência de matérias prejudiciais de mérito discutidas nos PAFs n°'s 10480.727379/201249 e 10480.727380/201273; b. (ii) a espontaneidade em relação aos anos calendários de 2011 e 2012 e a cominação indevida da multa de ofício de 75%; c. (iii) a incidência de PIS e COFINS sobre receitas nãotributáveis: receitas não operacionais lançadas nas contas contábeis do grupo 4.4.1; e d. (iv) a incidência de PIS e COFINS sobre receitas nãotributáveis: os incentivos fiscais concedidos pelos Estados da Paraíba e Alagoas, na forma de créditos presumidos de ICMS. 7. Reitera a relação de prejudicialidade (i) de mérito discutido no PAFs n°'s 10480.727379/201249, relativamente às receitas consideradas tributáveis do grupo 4.3.1.01 Outras receitas e do grupo 4.4 Receitas Operacionais, que foram estornadas: Isso porque, as receitas tributáveis que foram apuradas nos Demonstrativos de Apuração da COFINS e do PIS do ano calendário 2009 (fls. 66, 69 e 70), notadamente aquelas receitas lançadas nas contas do grupo 4.3.1.01 ("Outras Receitas") e do grupo 4.4 ("Receitas Operacionais"), sofrerão considerável redução caso os valores estornados pela Recorrente sejam considerados legais e legítimos, refletindo, assim, diretamente na mensuração quântica das bases de cálculo mensais das Fl. 8445DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 6 5 mencionadas contribuições e, consequentemente, nos valores lançados de ofício para cada tributo. 8. Advoga a espontaneidade (ii) em relação aos anos calendários de 2011 e 2012 e a cominação indevida da multa de ofício de 75%, ao arrepio do art. 138 do CTN, porque o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº .0410100 2010 009427, substituído pelo MPFF nº 0310100 2011 004327 (Regional), determinava apenas a fiscalização relativa ao IRPJ. CSLL. PIS c COFINS. anos calendários de 2008. 2009 e 2010 (fl. 27); não bastando que tenha sido cientificada do Termo de Início de Fiscalização; por isso, constatase que sobre os débitos apurados de ofício nos meses de 02/2011, 03/2011, 04/2011, 01/2012 e 03/2012, a título de PIS e COFINS, a Fiscalização fez incidir, indevidamente, multa de ofício de 75%; tratase de exigência fiscal (multa de mora) que não é de prevalecer, por dizer respeito a competências não alcançadas pelo MPF (e também pelo TIF); e a aplicação da multa de ofício é indevida e ilegal, pois a Recorrente não havia perdido a espontaneidade; a multa deve ser excluída da autuação. 9. Sobre a incidência de PIS e COFINS sobre receitas nãotributáveis: receitas não operacionais lançadas nas contas contábeis do grupo 4.4.1 (iii), que tanto o autuante como a DRJ consideraram: Para a DRJ julgadora, tal como a autoridade lançadora, os valores lançados nas contas contábeis 4.4.1.01.001, 4.4.1.01.003, 4.4.1.01.004, 4.4.1.01.010, 4.4.1.01.013, 4.4.1.01.018, 4.4.1.01.020 e 4.4.1.01.022 são receitas não operacionais que devem integrar a base imponível da contribuição ao PIS e da COFINS. 10. Discorda, argumentando que as supramencionadas receitas são apenas recuperação de despesas, Ex: Despesas com Marketing que é financiado pelos nossos fornecedores" (fl. 251), isto é, a Recorrente, ao longo do período fiscalizado, promoveu campanhas e eventos de venda e de marketing de produtos de seus fornecedores, cujos pagamentos das despesas incorridas para promoção de tais ações tiveram que ser antecipados pela própria Contribuinte, os quais, posteriormente, foram reembolsados (recuperados), integral ou parcialmente, por (de) seus fornecedores, decorrendo daí os lançamentos de tais receitas nas contas contábeis acima referidas; embora a Recorrente tenha contabilizado no grupo 4.4.1, não caracterizam receitas nãooperacionais que devam compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, mas, mero ingresso de quantias que lhe foram reembolsadas pelos fornecedores, em virtude do pagamento antecipado, feito pela Recorrente, de despesas havidas com campanhas e eventos de venda e de marketing de interesse daqueles (fornecedores). O ônus de provar o contrário incumbia à Fiscalização, a quem o legislador conferiu o poderdever de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos (CTN, art. 195). Se não o fez, não se deve ter por verificado em concreto, com prova idônea e hábil a lhe dar lastro, a ocorrência dos fatos geradores da contribuição ao PIS e da COFINS; advoga que "a autoridade fiscal deveria ter descontado créditos oriundos da aquisição de bens revendidos e outras despesas, especificadas nas tabelas de fls. 62/63 (2008), 67/68 (2009), 72/73 (2010)" (fl. 8.324) em que fundamento adotado para não concordar reside, na visão da 4a Turma da DRJ/FOR, "... na baixa eficácia probatória dos documentos apresentados quanto ã existência e titularidade dos custos e despesas" (fl. 8.325). Fl. 8446DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 7 6 11. E que os custos das receitas nãooperacionais deveriam ter sido levados em consideração pela Auditoria Fiscal, gerando, assim, os correspondentes créditos de PIS e COFINS. No entanto, isso não ocorreu no caso em tela, conforme se depreende a partir do exame dos créditos de PIS e COFINS apurados nas tabelas de fls. 62/63 (2008), 67/68 (2009) e 72/73 (2010), resultantes apenas de bens para revenda, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis, despesas com frete nas operações de venda, despesas de arrendamento mercantil, devoluções de vendas sujeitas à alíquota de 7,6% e frete sobre compra; assim, se os valores lançados nas contas contábeis 4.4.1.01.001, 4.4.1.01.003, 4.4.1.01.004, 4.4.1.01.010, 4.4.1.01.013, 4.4.1.01.018, 4.4.1.01.020 e 4.4.1.01.022 continuem a compor as bases de cálculo do PIS e da COFINS, é direito da Recorrente que os correspondentes custos das receitas não operacionais sejam considerados para fins de apuração de crédito de PIS e COFINS, em conformidade com os montantes discriminados nas supracitadas planilhas, alusivas aos anos calendários de 2008 a 2010. 12. Quanto às apontadas discrepâncias entre Dacon em confronto com a DIPJ e contabilidade, em 2008 e 2009, a DRJ afirma que não há primazia entre eles, por isso, cabia lhe buscar a veracidade dos dados em vez de adotar os maiores valores entre os três ( em 2008 os valores da DIPJ e Contabilidade; em 2009, da Contabilidade), por comodidade, desprezando o art. 923 do RIR de 1999. Voto Conselheira Eva Maria Los 13. O último tópico da impugnação, reproduzido a seguir, não foi objeto do recurso voluntário, porque cancelado no Acórdão recorrido: a. (iv) a incidência de PIS e COFINS sobre receitas nãotributáveis: os incentivos fiscais concedidos pelos Estados da Paraíba e Alagoas, na forma de créditos presumidos de ICMS. 14. Contudo, à vista dos recursos de ofício e voluntário, cabe analisar a totalidade do lançamento fiscal, o que abrangerá também os seguintes itens da impugnação, conforme relatados no Acórdão DRJ/FOR: (vi) Os valores alcançados pelas contribuições, alusivos aos anos calendários de 2008 e 2009, resultaram do confronto entre os valores, de um lado, informados na DIPJ e registrados na contabilidade, e, de outro, os montantes declarados no Dacon, colhendose sempre o de maior expressão numérica, de modo que os fatos padecem de vício de investigação pela autoridade fiscal (art. 142 do CTN e arit. 904 do RIR/99), sobretudo ante a primazia do conteúdo informativo do Dacon, em contraposição ao da DIPJ (arts. 923 e 924 do RIR/99); (vii) Vários créditos deixaram de ser considerados pela fiscalização na apuração das contribuições com fatos geradores nos anos de 2008, 2009 e 2010, a saber: bens para revenda, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis, despesas com frete nas operações de venda, despesas de arrendamento mercantil, devoluções de vendas e frete sobre compras, como comprovam a documentação juntada, em face das planilhas de Fl. 8447DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 8 7 fls 62/63, 67/68 e 72/73, que. por sinal, contêm alguns erros cometidos elaboração; 1 (i) Matérias prejudiciais de mérito. 15. Ambos processos citados se referem a autuações sobre os mesmos períodos, relativas a IRPJ e CSLL; a Recorrente requereu que a solução dada àqueles processos deve ser considerada neste; porém, cabe destacar que não se tratam de prejudicialidades ao julgamento do presente processo, mas de processos que guardam conexão, na medida em que as mesmas despesas glosadas influenciam estas e aquelas autuações e a Recorrente espera coerência nas decis~çoes relativas à mesma questão, em ambos processos. 1.1 PROCESSO Nº 10480.727379/201249 16. Foi proferido o Acórdão 1402002.243 de 18 de janeiro de 2016, pela 2ª TO, da 4ª Câmara, da 1ª Seção do CARF, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008. 2009. 2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. ASSINTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008. 2009. 2010 DESPESAS. NECESSIDADE. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis do lucro real as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. DESPESAS. INTIMAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. O não atendimento de intimação para comprovar documentalmente fato escriturado ou declarado importa inversão do ônus da prova. DESPESAS. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE MARCAS. A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de royalties decorrentes de exploração de marcas, somente será admitida a partir da averbação do respectivo contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal de redução de ICMS, decorrentes da obtenção de créditos presumidos, que possuam vinculação, ainda que indireta, com a aplicação dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico, caracterizam como subvenção para investimento, podendo ser excluída na determinação do lucro real. DESPESA. DÉBITO PARCELADO. A despesa com tributos é dedutível na apuração do lucro real segundo o regime de competência. Compete ao contribuinte Fl. 8448DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 9 8 provar que não deduziu no tempo oportuno tal gasto, se intenta excluílo do lucro real de período ulterior. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008. 2009. 2010 DCTF. DIPJ. DIVERGÊNCIAS. Constatado que os débitos confessados em DCTF são inferiores aos valores informados em DIPJ, dada a discriminação de bases de cálculos constantes nesta última, prevalecerão as informações contidas na DIPJ. salvo se o contribuinte demonstrar o contrário. Recursos de Oficio e Voluntário Negados. 17. Este Acórdão foi objeto de Embargos de Declaração pela PFN, relativamente ao Crédito Presumido de ICMS, Subvenção para Investimento. 18. Trata dos autos de infração de IRPJ e CSLL, lavrados na mesma ação fiscal, em que se discute glosa de despesas tidas como não necessárias, despesas não comprovadas e os estornos de receitas escrituradas como não operacionais (4.4.1) e operacionais (4.3.1), em relação aos quais decidiu: "Sobre a matéria, colaciono o trecho correspondente da decisão recorrida: '40. Por sua vez, os estornos de receitas escrituradas como não operacionais (4.4.1) e operacionais outras (4.3.1) se deram por ausência de justificativa e comprovação [infração (iv)]. Os estornos também implicaram os lançamentos do PIS/Pasep e da Cofins, já que apenas as receitas não operacionais relativas às vendas de ativo imobilizado podem ser excluídas da base de cálculo dessas contribuições (fl 125). 41. De outra parte, o impugnante sustenta que os valores estornados dizem respeito a receitas que seriam utilizadas pelo impugnante para a promoção de campanhas de venda e de marketing de produtos dos seus fornecedores, os quais, por fim, acabaram por cancelar os eventos promocionais programados. Para comprovar a alegação, foram juntados o razão analítico da conta 4.4.1 e alguns relatórios internos (fis 5330/5363). 42. Por certo a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, uma vez questionados os fatos pela fiscalização. O contribuinte foi regularmente intimado a justificar e comprovar as operações que geraram os estornos de receita. Nesse contexto, se a receita foi anteriormente faturada e registrada, o estorno haveria de ser comprovado primariamente mediante documento fiscal próprio e cancelamento do pagamento, que não foram trazidos ao conhecimento da autoridade fiscal ou julgadora. Esses documentos comprovariam certamente o alegado não auferirnento da receita. 43. Sabese que o cancelamento do evento promocional se dá por distr'ato ou suspensão da execução do contr'ato, que também não vieram aos autos. Por isso, a prova de ambos os Fl. 8449DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 10 9 fatos (positivos, por sinal) não se revela diabólica ou impossivel para o impugnante, como ele ajuíza. 44. Ademais, apenas o fato negativo não delimitado no tempo e no espaço não se mostra passível de comprovação, o que não se tem na espécie. 45. Não se cogita que o estomo de receita não seja, mas, uma vez levado à conta de resultado, ele reduziu indevidamente o IRPJ e a CSLL. Da mesma forma, tendo diminuído a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, há de ser ela recomposta com a glosa do estorno, mediante lançamento de oficio (fls 119 e 125). 46. Portanto, correta a glosa do estorno.' Em relação ao tema, a recorrente realizou estorno em algumas contas de receita. Alega que os valores diziam respeito a receitas que seriam utilizadas pela recorrente para a promoção de campanhas de venda e de marketing de produtos de seus fornecedores. Em razão de discordâncias quanto aos valores a serem por eles pagos, teria havido cancelamento dos eventos promocionais programados, mas não realizados. Entendo que andou muito bem a decisão recorrida. A recorrente não trouxe sequer um distrato a fim de comprovar suas alegações. Também não procedem suas alegações sobre exigência de prova impossível, conforme muito bem abordado pela decisão recorrida. Assim, mantenho tal decisão pelos seus próprios fundamentos." 1.2 PROCESSO Nº 10480.727380/201273 19. Tratase de Auto de Infração que exige Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativa ao 1º trimestre de 2010, apurada em DIPJ e não declarada em DCTF. 20. Verificase que não envolve questão prejudicial aos presentes autos. 2 (ii) Espontaneidade em relação aos anos calendários de 2011 e 2012 e a cominação indevida da multa de ofício de 75%. 21. Descabe razão à Recorrente, de que o Autuante não teria competência para exigir multa de ofício no lançamento de ofício relativo a PIS e Cofins sobre fatos geradores em 2011 e 2012, porque tais períodos não estavam discriminados no MPFF. 22. O MPFF tratase de instrumento de controle administrativo da atividade de fiscalização, e uma garantia para o contribuinte de que o agente se trata realmente de pessoa investida da autoridade para desempenhar a fiscalização . 23. Conforme define a legislação, Decreto nº 70.235, de 1972, art. 1º, I e §§ 1º e 2º, o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo ou seu preposto, e prorroga a competência da autoridade que primeiro conhecer do ilícito; o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo; os efeitos do termo de intimação valerão pelo prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogáveis, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Fl. 8450DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 11 10 24. Desta feita, após intimado inicialmente em 27/09/2010, e objeto de seguidas intimações ao longo do procedimento fiscal, o contribuinte poderia ter efetuado o recolhimento do PIS e Cofins vencidos daqueles períodos, com a multa de mora e juros de mora, caso tivesse readquirido a espontaneidade; a autuação foi cientificada em 05/06/2012; não consta que a Recorrente tenha efetuado o recolhimento dos valores de PIS e Cofins relativos aos fatos geradores em 02, 03 e 04/2011, 01 e 03/2012, exigidos de ofício consequentemente, uma vez não declarados ou recolhidos espontaneamente, é obrigação funcional da autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício, caso em que a legislação determina a aplicação de multa de ofício, conforme estatuem o art. 142 do CTN e art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996; . o Acórdão DRJ esclareceu com propriedade que: 14. Assim, a instauração de um procedimento fiscal, feito mediante TIF. pressupõe a designação, por meio de MPF. de uma autoridade fiscal que o realizará. O que freía a espontaneidade é o TIF. e não o MPF: semelhantemente o que a restaura não é o esgotamento, sem prorrogação, do prazo de vigência do MPF. mas o expirar do prazo de vigência do TIF. sem qualquer formal prolongamento do prazo de fiscalização. 15. Ademais, a espontaneidade precisa ser exercitada para que o objetivo do impugnante se concretize. Como ele não comprova o recolhimento dos tributos que. supostamente, não estariam acobertados por MPF. esvaziase a pretensão deduzida (art. 138 do Código Tributário Nacional). 25. Rejeitase. por essas razões, a preliminar aduzida. 3 (iii) a incidência de PIS e COFINS sobre receitas nãotributáveis: receitas não operacionais lançadas nas contas contábeis do grupo 4.4.1; 26. O assunto já foi comentado no item (i), concluindose que as alegações não estão apoiadas por documentação hábil. 27. Ainda especificamente, em relação a receitas, a DRJ/FOR concluiu: 19. A primeira questão consiste em saber se a receitas não operacionais contabilizadas configuram mera recuperação de custo, a ponto de compor a base de cálculo das contribuições, e. em caso afirmativo, se devem ser descontados os custos atinentes a esta receita, na determinação das contribuições devidas. 20. Na contabilidade do próprio contribuinte tais itens foram registrados como receita (grupo conta n° 4.4.1.), assim como no Dacon, e o então fiscalizado não apresentou qualquer elemento comprobatório da sua natureza, limitandose à época a afirmar que as receitas são apenas recuperação de despesas com marketing, realizadas pelo impugnante em prol dos seus fornecedores pagadores (Termo de Intimação Fiscal n° 10 fls 188/189). (...) 23. Com efeito, os superávits e déficits nas contas são lançados em contas de resultado, porquanto o contribuinte não alega nem demonstra que as sobras são devolvidas aos fornecedores, muito menos que eventual saldo negativo é por eles coberto. Os supostos contratos de marketing, celebrados entre o impugnante Fl. 8451DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 12 11 e fornecedores, não foram trazidos aos autos, de modo que não é possível verificar a alegação. Enfim, como o impugnante não logrou descaracterizar a sua escrituração, mediante maiores esclarecimentos e documentos contábeis e fiscais, os valores apurados pela fiscalização devem sofrer a incidência das contribuições. 24. Ademais, tais ingressos qualificamse como receita, como se depreende SOLUÇÃO DE CONSULTA n° 15, da 3a RF, de 21.05.2004, DOU de 24.05.2004. verbis: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: Base de Cálculo. Receitas de Vendas. Ressarcimento de Custos ou Despesas. As receitas auferidas pelas pessoas jurídicas diretamente da empresa fornecedora de bens, a título de ressarcimento de despesas financeiras ou custos dos produtos vendidos ou entregues, em circunstâncias especiais de promoção, decorrentes de acordo comercial, compõem a receita bruta de vendas e integra a base de cálculo do IRPJ. da CSLL. do PIS e da Cofins, na fornia da legislação em vigor. DISPOSITIVOS LEGAIS: Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000, de 1999). art. 224, 518 e 519; Lei n° 9.718. de 1998. arts. 2o e 3o; Ato Declaratório Normativo CST n° 7, de 1993; Lei n° 7.689. de 1988. art. 6o. parágrafo único: Lei n° 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o. 4 (iv) a incidência de PIS e COFINS sobre receitas nãotributáveis: os incentivos fiscais concedidos pelos Estados da Paraíba e Alagoas (itens (iv) e (v) na impugnação), na forma de créditos presumidos de ICMS. 28. Verificase que o Acórdão DRJ/FOR decidiu que não incidem PIS e Cofins sobre crédito presumido de ICMS, após extensa análise, págs. 8.326/8.332. 29. Às págs. 3.888/3.898, Termo de Acordo Regime Especial, do Estado da Paraíba e a Autuada, com vigência de 01/03/2010 a 31/12/2015; Cláusula Primeira: concede crédito presumido em vários percentuais (dependendo da alíquota a que a saída está submetida), calculados sobre o valor das mercadorias que derem saída do estabelecimento; o crédito presumido corresponderá à diferença entre o valor do débito sobre as saídas apurado às alíquotas da legislação (17%, 25%, 12%), e o débito (sic?) gerado sobre as respectivas saídas com a aplicação dos percentuais de presunção (3%, 5%, 1%); e em relação a estas saídas, a empresa não poderá se utilizar, para apuração do ICMS normal a recolher de quaisquer outros créditos (isto é, só poderá aproveitar créditos de ICMS em relação a saídas que não se utilizarem do crédito presumido objeto do acordo); também institui a empresa como contribuinte substituta do ICMS em determinados casos. 30. Às págs. 4.253, Ato Concessivo nº 2, de 2006, com vigência até 4.253. À pág. 4.252 do mesmo Diário Oficial do Estado de Alagoas, consta o Decreto nº 2.709, de 25 de julho de 2005: DECRETA: Art. 1º O art. 2° do Decreto nº 38.631, de 22 de novembro de 2000, passa a vigorar com n seguinte redação: "Art. 2° Ao estabelecimento a que se refere o art. 1º em substituição no aproveitamento dos créditos normais do imposto relativo às entradas Fl. 8452DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 13 12 de mercadorias, bens ou recebimento dec serviços, fica concedido crédito fiscal presumido do ICMS, nos seguintes percentuais, incidentes sobre o valor da base de cálculo do ICMS destacado nos documentos fiscais de saída c debitado no livro Registro de Saídas: (...) § 1º A utilização do tratamento tributário previsto no "caput" implica; I renúncia à utilização dos créditos normais do imposto relativo às entradas de mercadorias, bens ou recebimento de serviços; 31. A Recorrente contabilizou tais valores como 4.5.1.01.001 Incentivos Fiscais, fl. 1.329. 32. Também o Acórdão 1402002.243 do CARF, relativo ao processo nº 10480.727379/201249 das autuações de IRPJ e CSLL, decidiuse que: CREDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal de redução de ICMS, decorrentes da obtenção de créditos presumidos, que possuam vinculação, ainda que indireta, com a aplicação dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico, caracterizam como subvenção para investimento, podendo ser excluída na determinação do lucro real. 33. Cabe considerar a seguinte questão basilar: tanto a Lei nº 10.637, de 2002 (PIS), como a Lei nº 10.833, de 2003 (Cofins) determinam a incidência não cumulativa sobre o total das receitas auferidas, o que compreende a receita bruta e demais receitas; determinam a exclusão de subvenções para investimentos e valores de substituição tributária. 34. A receita bruta se refere à receita constante das notas fiscais de saída, sem a adição de eventual IPI; a receita bruta inclui o valor do ICMS à alíquota de saída das mercadorias ( o valor a débito de ICMS, que é imposto nãocumulativo, integra o valor da mercadoria vendida); na apuração do lucro bruto, o contribuinte considera o custo das mercadorias vendidas, líquidos dos valores de créditos de ICMS, apurados sobre as entradas dessas mercadorias no seu estoque, isto é, o crédito de ICMS não se caracteriza receita, nem integra a receita bruta, base de cálculo do PIS e Cofins. 35. Conforme se analisou, o crédito presumido de ICMS de que a empresa foi beneficiária, simplesmente substitui o crédito de ICMS sobre entradas de mercadorias normalmente escriturado é uma mudança na sistemática de apuração dos créditos. 36. Concluise ser descabido, considerar o crédito presumido do ICMS, nessas condições, como receita tributável. 5 (vi) Critério de identificação do valor da receita a ser considerado na autuação: Dacon, Dipj, Contabilidade. 2008 e 2009. 37. Reclama a Autuada que os valores nos anos 2008 e 2009, resultaram do confronto os da DIPJ e contabilidade, e dos montantes declarados no Dacon, colhendose sempre o de maior expressão numérica, de modo que os fatos padecem de vício de investigação pela autoridade fiscal sobretudo ante a primazia do conteúdo informativo do Dacon, em contraposição ao da DIPJ. Fl. 8453DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 14 13 38. Decidiu a DRJ/FOR: 21. Ademais, não há primazia do conteúdo declaratório do Dacon em relação ao da DIPJ, pois ambas têm igualmente caráter informativo, enfeixando a mesma idoneidade instrumental e força de veracidade. Eventual divergência informativa do mesmo dado contábilfiscal retiralhes a presunção inicial de veracidade, instaurandose o dever de investigação da autoridade fiscal e o dever de colaboração do fiscalizado, ambos voltados para a elucidação da inconsistência. 22. Nessa circunstância, a escrituração do contribuinte, elaborada segundo os requisitos normativos formais e materiais, se apresenta como critério apto a dirimir a divergência, porquanto a contabilidade igualmente registra dados com presunção de veracidade, unia vez respaldados por documentos (art. 923 do RIR/99). De acordo com a escrituração do contribuinte, os valores tributados estão classificados como receita não operacional, a qual se insere na base de cálculo das Leis n° 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. como assentado no auto de infração (fl 33). (Grifouse.) 39. Relata o Autuante, págs. 29/30, que constatou divergências entre os valores a pagar de PIS e Cofins registrados na contabilidade e os valores dos débitos confessados em DCTF; que, analisando o Dacon 2008, verificou divergências entre os valores das receitas do Dacon e valores informados em resposta ao Termo de Intimação nº 1, às págs. 150/151, tendo sido intimada a empresa a esclarecer, recebendo respostas da mesma, em relação ás quais concluiu: Assim, relativamente ao ano calendário de 2008, constatamos que mesmo considerando as alegações apresentadas pela empresa, os valores informados no DACON divergem dos contabilizados e que a mesma, apesar de intimada, não apresentou justificativa para as divergências apontadas. 40. Em relação ao ano 2009, págs. 31/35, também constatou divergências entre os valores a pagar de PIS e Cofins na contabilidade e os confessados em DCTF; intimada a empresa e analisadas as justificativas; e cientificada a empresa das divergências entre os valores de receitas registrados no Dacon, DIPJ e contabilidade; destaca que: Em atendimento ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 010 em 09.05.2011 a fiscalizada encaminhou o documento anexo, informando que quanto às divergências entre a DIPJ e o DACON, os valores que devem ser considerados são os indicados na contabilidade e na DIPJ. Quanto às receitas não operacionais, as mesmas são apenas recuperação de despesas. As contas contábeis são 4.4.1.01.001; 4.4.1.01.003 ; 4.4.1.01.004; 4.4.1.01.010; 4.4.1.01.013; 4.4.1.01.018; 4.4.1.01.020 e 4.4.1.01.022. Embora o contribuinte tenha alegado que as referidas receitas são recuperação de despesas a empresa não apresentou qualquer elemento comprobatório da natureza da receita auferida. Segundo dispõe o artigo 1o da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003 a base de cálculo das contribuições para o Pis e a Cofins incidentes sobre a receita bruta, no regime de apuração não cumulativa é a totalidade das receitas auferidas que estejam sob o regime de apuração não cumulativa, sendo irrelevantes o Fl. 8454DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 15 14 tipo de atividade exercida pela pessoa jurídica e a classificação contábil adotada para as receitas, consideradas as exclusões permitidas pela legislação (artigo 1o parágrafo 3o da lei 10.833/03). (Grifouse.) (...) Analisando os valores contabilizados nas contas do grupo 4.3.1 — Outras Receitas Operacionais, constatamos que no Io trimestre de 2009 (31.03.2009) foram efetuados diversos lançamentos de estorno de receita, especialmente nas contas 4.3.1.01.005 e 4.3.1.01.006, totalizando um montante de R$ 669.896,60. No mesmo trimestre foram também efetuados diversos lançamentos de estorno de receita no grupo de contas 4.4.1 Receitas Não Operacionais, notadamente nas contas 4.4.1.01.004; 4.4.1.01.001 e 4.4.1.01.003, totalizando o valor de R$ 263.941,81. Relativamente ao grupo de contas 4.3.2 Receita Financeira, constatamos que em 31.03.2009 foram efetuados diversos estornos de receita na conta 4.3.2.01.002 Descontos Obtidos, totalizando o valor de R$ 1.105.212,52. Neste sentido foi a fiscalizada intimada a justificar e comprovar documentalmente os referidos lançamentos de estorno de receita. Foi ainda a fiscalizada intimada para justificar as diferenças apuradas entre os valores de receita transferidos para o resultado do exercício em sua contabilidade e não informados em sua DIPJ. 41. O Autuante detalha a análise das respostas da Autuada, concluindo trataremse de alegações, e como prova apenas apresentou cópias do livro Razão, e entendeu que os valores estornados reduziram indevidamente a receita. 42. Desta forma, os valores considerados foram os da contabilidade, que alimenta os demais demonstrativos Dacon, DIPJ e DCTF. 6 (vii) Vários créditos deixaram de ser considerados pela fiscalização na apuração das contribuições com fatos geradores nos anos de 2008, 2009 e 2010 43. Reclamou na impugnação que vários créditos deixaram de ser considerados pela fiscalização na apuração das contribuições com fatos geradores nos anos de 2008, 2009 e 2010, a saber: bens para revenda, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis, despesas com frete nas operações de venda, despesas de arrendamento mercantil, devoluções de vendas e frete sobre compras, como comprovam a documentação juntada, em face das planilhas de fls 62/63, 67/68 e 72/73, que, por sinal, contêm alguns erros cometidos elaboração. 44. A DRJ/FOR efetuou a análise das bases de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, na apuração das exigências, comparando as bases utilizadas pela fiscalização com as pleiteadas na impugnação, págs. 8.325/8.326, concluindo: 30. Confrontando os gastos anuais, que se distanciam em pequena margem numérica, não há como identificar o erro alegado pelo impugnante que teria reduzido o crédito considerado pela fiscalização. Nesse ponto, a impugnação do contribuinte deveria ter sido mais bem especificada, sobre ele Fl. 8455DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 16 15 recaindo o ônus de não ter explicitado os pontos de discordância (art. 16, III do Decreto n° 70.235, de 1972; art. 302 do CPC). tendo a fiscalização demonstrado, em contrapartida, a base de cálculo dos créditos apurados. Dessa forma, rejeitase o pedido do contribuinte de correção dos créditos descontados, decorrentes de pequenas diferenças notadas entre os gastos que lhes serviram de base de apuração. 45. Eis que a contestação deve ser específica quanto aos motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. 6.1 MULTA DE OFÍCIO. 75% 46. O dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de infração, foi o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 47. Portanto, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. 48. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. 49. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos não recolhidos. 50. E quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade de legislação devese esclarecer que, sendo aos Conselheiros do CAREF, não compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 7 Crédito mantido. 51. À vista do exposto, cabe manter os valores da autuação apurados pelo Acórdão DRJ/FOR. Fl. 8456DF CARF MF Processo nº 10480.727383/201215 Acórdão n.º 1201001.677 S1C2T1 Fl. 17 16 Conclusão. Voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora Fl. 8457DF CARF MF
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