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Numero do processo: 10480.720835/2010-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
O RIR/99, no art. 344, com fundamento de validade a Lei nº 8.981/95, art. 41, §1o, autoriza a dedução na determinação do lucro real dos tributos e contribuições, impondo, como condição, porém, que os tributos e contribuições não estejam com exigibilidade suspensa.
CUMULAÇÃO DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO.
É ilegal a cumulação de multa isolada (art. 44, II, b, Lei nº 9.430/96), com a multa de ofício (art. 44, I, Lei nº 9.430/96), sobre a mesma base tributável.
Numero da decisão: 1103-001.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial para excluir as multas isoladas, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, que negaram provimento.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. O RIR/99, no art. 344, com fundamento de validade a Lei nº 8.981/95, art. 41, §1o, autoriza a dedução na determinação do lucro real dos tributos e contribuições, impondo, como condição, porém, que os tributos e contribuições não estejam com exigibilidade suspensa. CUMULAÇÃO DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. É ilegal a cumulação de multa isolada (art. 44, II, b, Lei nº 9.430/96), com a multa de ofício (art. 44, I, Lei nº 9.430/96), sobre a mesma base tributável.
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DEDUÇÃO DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. O RIR/99, no art. 344, com fundamento de validade a Lei nº 8.981/95, art. 41, §1o, autoriza a dedução na determinação do lucro real dos tributos e contribuições, impondo, como condição, porém, que os tributos e contribuições não estejam com exigibilidade suspensa. CUMULAÇÃO DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. É ilegal a cumulação de multa isolada (art. 44, II, “b”, Lei nº 9.430/96), com a multa de ofício (art. 44, I, Lei nº 9.430/96), sobre a mesma base tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial para excluir as multas isoladas, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, que negaram provimento. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 08 35 /2 01 0- 68 Fl. 951DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1103001.125 S1C1T3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 877/884), o lançamento de ofício teve por motivação: “(...) Das Infrações A IRPJ Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica A1 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA 18) A Fiscalização constatou que o sujeito passivo deixou de adicionar ao lucro líquido dos períodos de apuração encerrados em 31/12/2006 e 31/12/2007, na determinação do lucro real dos respectivos períodos, os tributos cujas exigibilidades encontravamse suspensas em função da existência de depósitos judiciais, efetuados sob amparo das decisões exaradas nos processos de n° 2004.83.00.0050513 (COFINS); 2007.83.00.0017950 (COFINS); 2004.83.00.0051062 (PIS) e 2007.83.00.0012999 (PIS), conforme acima citados. 19) Quanto aos valores dos tributos que não foram adicionados ao lucro líquido, na determinação do lucro real, constatase que a empresa, uma vez que optou pelo pagamento do imposto de renda e da contribuição social com base no lucro real, estava submetida à apuração da COFINS e do PIS pelo regime nãocumulativo, vale dizer, PIS com base na lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e COFINS com base na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com suas posteriores alterações. Como assinalado, as referidas formas de apuração encontramse em discussão judicial, sendo depositado em juízo os valores apurados pelo sujeito passivo. 20) No que se refere aos registros contábeis das operações, tendo em conta a sistemática do regime nãocumulativo da COFINS e PIS, o sujeito contabilizou as contribuições incidentes sobre as vendas de mercadorias a débito do resultado do exercício, nas seguintes contas: COFINS S/FATURAMENTO MATRIZ (3112010005), COFINS S/FATURAMENTO FILIAL (3112010006), PIS S/FATURAMENTO MATRIZ (3112010003) e PIS S/FATURAMENTO FILIAL (3112010004). Nas aquisições de mercadorias as contribuições foram contabilizadas a crédito no ativo, nas seguintes contas: MAT PRIMA C/ESTOQUE MATRIZ (1122030001) e MAT PRIMA C/ESTOQUE FILIAL (1122030002). As contrapartidas, tanto das vendas quanto das compras, foram contabilizadas nas contas ativas COFINS A RECUPERAR (1124010006) e PIS A RECUPERAR (1124010007). 21) O saldo a pagar apurado na conta COFINS A RECUPERAR (112401006) e PIS A RECUPERAR (1124010007) foi transferido para o passivo, nas seguintes contas: COFINS JUÍZO MATRIZ (2211010004) e PIS REC OPER JUÍZO MATRIZ Fl. 952DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1103001.125 S1C1T3 Fl. 4 3 (2211010007) dos registros do ano de 2006 e COFINS JUÍZO MATRIZ (2211010004), COFINS JUÍZO FILIAL (2211020001) e PIS REC OPER JUÍZO MATRIZ (2211010007) PIS REC OPER JUÍZO FILIAL (2211020005) dos registros do ano de 2007. No vencimento de cada período de apuração foi efetuado o correspondente depósito judicial. 22) Assim, fica demonstrado que os valores depositados em juízo, correspondentes aos saldos a pagar da COFINS e do PIS apurados pelo regime nãocumulativo, vale dizer, o saldo do confronto entre os débitos apurados nas vendas e os créditos apurados nas compras, foram computados na apuração do resultado dos exercícios encerrados em 31/12/2006 e 31/12/2007, reduzindo o lucro de cada período em igual valor ao saldo das contribuições depositas em juízo. 23) Registrase ainda que nas DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, encontramse declarados pelo sujeito passivo os débitos da COFINS e do PIS suspensos com base nas ações judiciais acima citadas (DOC ANEXO), enquanto no SINAL estão registrados os pagamentos referentes aos depósitos judiciais das referidas contribuições (DOC ANEXO). 24) Intimado a justificar as razões pelas quais não adicionou ao lucro líquido dos exercícios encerrados em 31/12/2006 e 31/12/2007, na apuração do lucro real dos respectivos períodos, os valores do PIS e da COFINS depositados em juízo, o contribuinte assim se manifestou: ‘A empresa não adiciona ao Lucro Real as contribuições recolhidas a t í tulo de PIS e COFINS depositadas em juízo, pois entende que adicionará tais contribuições à medida que por ventura ganha as ações pretendidas e receba os valores discutidos.’ 25) A lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (artigo 41, § Io), determina que não podem ser apropriados como custo ou despesa os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 15/10/66, havendo ou não depósito judicial. (...) 26) Por sua vez, a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, determina que o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos seguintes termos termos: (...) 27) Por fim, face ao não acolhimento judicial do percentual de 50% (cinqüenta por cento) de redução do imposto de renda, pretendido pelo sujeito passivo no processo n° 2008.83.00.0136905, a Fiscalização acatou o percentual de 25% (vinte e cinco por cento) já aplicado na DIPJ dos anoscalendário 2006 e 2007, pois este é o percentual que a legislação em vigor (Lei n°. 9.532/97) determina que seja aplicado pelas pessoas jurídicas beneficiárias de incentivo fiscal de redução do imposto de renda, no período de Io de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008. A2 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ S/BASE DE CÁLCULO ESTIMADA 28) Tendo o sujeito passivo optado pelo pagamento do imposto de renda e da contribuição social com base no lucro real, com apuração definitiva do imposto de renda e contribuição social ao final de cada exercício, estava, portanto, obrigado ao recolhimento das estimativas mensais, o que de fato se comprova através dos valores apurados na DIPJ e dos recolhimentos efetuados. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1103001.125 S1C1T3 Fl. 5 4 29) Contudo, verificou a Fiscalização que na apuração das estimativas mensais, vale dizer, nas estimativas apuradas com base nos BSR Balanço/Balancete de Suspensão ou Redução, o sujeito passivo não adicionou ao resultado contábil de cada período, os valores das contribuições suspensas em razão dos depósitos judiciais. Verificou ainda a Fiscalização que nos meses em que o sujeito passivo apurou as estimativas mensais do imposto de renda com base na RBA Receita Bruta e Acréscimos, não foram computadas as receitas financeiras em geral e as receitas não operacionais. 30) Ao deixar de computar os depósitos judiciais, bem como, as receitas informadas acima, o sujeito passivo apurou e pagou a menor as estimativas do imposto de renda dos anos de 2006 e 2007. A Fiscalização demonstra, em planilhas anexas, as composições das bases de cálculo estimadas do imposto de renda, bem como, os respectivos valores que deixaram de ser recolhidos aos corres públicos, sobre os quais foi aplicada multa de 50% (DOC ANEXO). O enquadramento legal encontra se capitulado no auto de infração. B • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido B1 – TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA B.2 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL S/BASE DE CÁLCULO ESTIMADA 31) Tendo em vista que as irregularidades constatadas em relação a CSLL, identificadas pelas infrações BI e B2 são as mesmas já descritas nas Infrações Al e A2, respectivamente, do lançamento do imposto de renda, tratado no tópico A acima, e considerando que as infrações tem igual repercussão na apuração, pagamento, lançamento e penalidades da contribuição social sobre o lucro líquido, a Fiscalização deixa de descrevêlas novamente, por se tratar de mera repetição dos fatos. 32) A matéria encontrase tratada no artigo 28 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, abaixo transcrito: (...) 33) Já o Artigo 3o da Instrução Normativa SRF n° 390, de 30 de janeiro de 2004, prescreve: (...) 34) Diante de tudo o que foi exposto acima, considerando que a atividade administrativa do lançamento é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, considerando a necessidade de se proteger os interesses da Fazenda Nacional, e, especialmente, no estrito cumprimento das decisões judiciais prolatadas nos processos n° 2004.83.00.0050513; 2007.83.00.0017950; 2004.83.00.0051062 e 2007.83.00.0012999 e 2008.83.00.0136905, procedemos ao lançamento do imposto sobre a renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, cujo crédito tributário constituído está a seguir discriminado: Tributo Moeda —...........................— Crédito Tributário Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica R$ 1.425.541,53 Fl. 954DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1103001.125 S1C1T3 Fl. 6 5 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido R$ 512.293,01 Total R$ 1.937.834,54 Das Considerações F ina i s 35) No mais, dos exames fiscais promovidos na escrita fiscal do contribuinte acima identificado, dentro das diretrizes que defluem do Programa de Fiscalização que direciona a presente ação fiscal, nada mais foi possível constatar que ensejasse na conseqüente exigência adicional de tributos. 36) Por último, fica o contribuinte ciente de que a Receita Federal do Brasil se reserva no direito, observados os prazos de decadência da legislação, de apurar outras irregularidades não detectadas nesta Fiscalização, relativas aos tributos e períodos fiscalizados, ou a quaisquer outros tributos não abrangidos nesta ação fiscal. (...)” Inconformado, a recorrente apresentou impugnação (fls. 887/896), a qual foi julgada totalmente improcedente (fls. 920/926). Em consequência, interpôs recurso voluntário (fls. 932/943), aduzindo, no resumo: a) autorização, pela Lei nº 9.703/98, da dedução da tributação do IRPJ e da CSLL, pois os depósitos efetuados passaram a possuir natureza de pagamento provisório, já que são destinados, pela Caixa Econômica Federal ao Tesouro Nacional; b) ilegalidade da cobrança da multa isolada, em razão da revogação do §1o, IV, da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 11.488/07, art. 14; c) inobservância dos benefício da SUDENE; d) inconstitucionalidade da multa de 75%, em razão do nãoconfisco. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira A) ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO DOS TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Defende a recorrente que: “Primeiramente a Recorrente esclarece que os fundamentos do acórdão que julgou improcedente os argumentos contidos na sua impugnação não merecem prosperar, porquanto com uma simples análise da defesa impugnatória e do que restou decidido, se percebe claramente que os membros da 3a Turma da Delegacia de Julgamento não adentraram corretamente nos fundamentos da defesa, o que não pode ser concebido. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1103001.125 S1C1T3 Fl. 7 6 Isto porque, na sua defesa a ora Recorrente deixou claro que a autuação fiscal é ilíquida, incerta e inexigível, em vista de que esta tem respaldo legal de excluir da tributação do IRPJ e da CSLL os valores depositados judiciais a título de PIS e COFINS, por conta de que os depósitos judiciais efetuados após a entrada em vigor da Lei na. 9.703/98 equivalem ao pagamento via DARF, visto que referidos valores vão diretamente para o Tesouro Nacional. Não obstante a isto, a ora Recorrente deixou claro que mesmo que este argumento não seja levado em conta, o que seria um absurdo visto que os depósitos judiciais saem de sua disponibilidade e entram na disponibilidade da União Federal, à autuação fiscal também não é líquida e certa em relação aos depósitos efetuados em 2007, porquanto neste período a Recorrente tinha decisões liminares proferidas em seu favor, decisões estas proferidas em ações ordinárias, e por isto o art. 41, § 18 da Lei na. 8.981/95 não se aplica ao período de 2007, já que no caso há que ser levado em conta de que a base legal para a suspensão da exigibilidade nas referidas ações é o art. 151, V do Código Tributário Nacional CTN. Ainda em sua defesa, a ora Recorrente deixou claro que a multa isolada aplicada na autuação fiscal com base no art. 44, §1º, IV da Lei nº. 9.430/96 é totalmente indevida, visto que referida norma foi revogada pela Lei na. 11.488/2007, devendo assim prevalecer o que prevê o art. 106, II, "a" do CTN, por força da denominada RETROATIVIDADE BENIGNA. (...) Finalmente, a Recorrente deixou claro em sua defesa que a multa aplicada no percentual de 75% finda por malferir a Magna Carta, por ser considerada confiscatória. Resumindo, em sua defesa a Recorrente deixou clara a ilegalidade da cobrança do IRPJ e da CSLL consubstanciada pelo Al nº. 10480.720835/201068 quer por conta de que os depósitos efetuados a partir da Lei na. 9.730/98 equivalem ao pagamento, e por isto podem ser deduzidos da tributação, quer por conta de que em 2007 a mesma tinha decisão proferida em tutela antecipada em seu favor, com vistas a suspender a exigibilidade do crédito do PIS e da CGFINS, quer por conta da revogação da norma que previa a multa isolada, quer por conta da redução do IRPJ, que não foi levado em conta pela DRFB e, finalmente, quer por conta da inconstitucionalidade da multa de 75%, o que faz com que o mesmo seja anulado em definitivo. (...)” Conforme a recorrente, os valores depositados judicialmente a partir de 01.12.1998 poderiam ser deduzidos da tributação relativa ao IRPJ e à CSLL, visto que, a partir da entrada em vigor da Lei nº 9.703/981, os depósitos, em juízo, de tributos federais, equivalem 1 Lei nº 9.703/98: Art. 1º Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais OARF, especifico para essa finalidade. (...] §3º Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: I devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo §4º do art. 39 da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou Fl. 956DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1103001.125 S1C1T3 Fl. 8 7 à satisfação provisória da obrigação principal, na medida em que são transferidos, diretamente, pela Caixa Econômica Federal à Conta Única do Tesouro Nacional. Busca reforçar a sua tese, argumentado que, a partir de 01.12.1998, os valores depositados ficam indisponíveis para o contribuinte depositante, até o encerramento definitivo do litígio, restando, portanto, o patrimônio deste indisponível, já que os valores ingressam na esfera disponibilidade patrimonial da União Federal, tal como ocorre com os recolhimentos efetuados via DARF'S. Todavia, O RIR/99, no art. 344, com fundamento de validade a Lei nº 8.981/95, art. 41, §1o, autoriza a dedução na determinação do lucro real dos tributos e contribuições, impondo, como condição, porém, que os tributos e contribuições não estejam com exigibilidade suspensa: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). §1ºO disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 1º). (...)” Cabe ressaltar, antes de seguir, que, diversamente do que defende a recorrente, o Superior Tribunal de Justiça2 decidiu que a norma supracitada é norma específica tributária, não conflitando, dessa forma, com a Lei nº 9.703/98, que é norma de natureza administrativa. II transformada em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. 2 “EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ. LUCRO REAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA AÇÃO. ART. 8º, DA LEI N. 8.541/92. TEMA JÁ JULGADO EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o Tribunal de origem se pronuncia de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, tendo o decisum se revelado devidamente fundamentado. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 2. Segundo o art. 8º, da Lei n. 8.541/92: ‘Serão consideradas como redução indevida do lucro real [...] as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas, juros e outros encargos, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantia’. 3. Não há qualquer conflito entre o disposto nos arts. 7º e 8º, da Lei n. 8.541/92 com o art. 1º, §2º, da Lei n. 9.703/98, que determina a apropriação dos valores à Conta Única do Tesouro Nacional. Tema já julgado no recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.168.038/SP, Primeira Seção Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 09.06.2010. 4. Recurso especial não provido.” (REsp nº 1.357.587DF, rel. Min. Mauro Campbell Marques) Fl. 957DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1103001.125 S1C1T3 Fl. 9 8 Por outro lado, como bem explica Edmar Oliveira Andrade Filho3 o “efeito pagamento” é irrelevante à dedução dos tributos e contribuições a título de despesa, bastando a ocorrência do fato gerador: “A menção ao regime de competência, no caso, significa que os tributos e contribuições são dedutíveis no momento em que se estabelece uma relação jurídica da qual surge uma obrigação tributária que decorre da prática do fato gerador mencionado na hipótese da norma tributária. Assim, no momento em que ocorre o fato gerador da obrigação tributária, o montante desta torna se despesa incorrida, de modo que deve o sujeito passivo, para atendimento ao regime de competência, fazer o registro contábil.” Nessa linha de seguir, sob qualquer ângulo que se examine a questão, carece razão ao recorrente quanto ao direito de dedutibilidade dos tributos e contribuições, com exigibilidade suspensa, por força de depósito judicial apontados nas fls. 696/701, na forma do art. 151, II, CTN. B) PENALIDADES. Aduz a recorrente que: “Com relação a este argumento, que foi exposto de forma contudente no bojo da impugnação, e que infelizmente não foi devidamente analisado pela DRJ de Recife, que se ateve a dizer que apenas houve um equívoco do Auditor Fiscal no enquadramento legal da multa, a ora Recorrente gostaria de afirmar mais uma vez que a MULTA ISOLADA aplicada na autuação fiscal, com base no art. 44, §1º, IV da Lei nº. 9.430/96 é totalmente indevida, visto que referida norma foi revogada pelo art. 14 da Lei nº. 11.488/07, como se constata pela transcrição abaixo.” Não há razão ao recorrente. Diz o Código Tributário Nacional que a lei se aplica ao caso pretérito nas seguintes hipóteses: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 3 Imposto de renda das pessoas jurídicas.São Paulo, Atlas, 10a ed., 2013, p. 369. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1103001.125 S1C1T3 Fl. 10 9 Partindo dessa premissa, verificase que o texto da norma revogada (inciso IV, §1o, I e II, da Lei nº 9.430/96) dispunha: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (...)” Destacamos. Na redação atual, o mesmo fato continua sujeito à penalização por multa isolada: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” Destacamos. Portanto, o recorrente não tem direito à retroatividade benigna da norma. Todavia, quanto à incidência cumulativa de multa isolada e de multa de ofício, acompanhando a jurisprudência deste Conselho, entendo ser ilegal a exigência de ambas penalidades incidentes sobre a mesma base de cálculo: “Ementa: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da Fl. 959DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1103001.125 S1C1T3 Fl. 11 10 multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9A30, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art, 44, da Lei n 9,430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. Número do Recurso: 106131314 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 10510,000679/200219 Tipo do Recurso: RECURSO DO PROCURADOR Matéria: IRPF Recorrente:FAZENDA NACIONAL Interessado(a): CARLOS ROBERTO DA SILVA Data da Sessão: 15/06/2004 09:30:00 Relator(a): Leila Maria Scherrer Leitão Acórdão: CSRF/0104.987 Decisão: NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.” Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.” Por fim, no que tange às questões constitucionais, deixo de apreciálas, por força do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho. Desta forma, recebo o recurso voluntário, por preencher os requisitos legais, para, no mérito, darlhe parcial provimento, com o fim de excluir a multa isolada. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira – Relator Fl. 960DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10480.720835/201068 Acórdão n.º 1103001.125 S1C1T3 Fl. 12 11 Fl. 961DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 12466.000391/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3102-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 18/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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Decidem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente de Auto de Infração lavrado para exigência das multas por erro de classificação fiscal no valor de R$ 87.084,05 e por importação sem guia de importação no valor de R$2.032.186,14. Por ocasião do registro da DI n.º 03/02568276 através da qual a autuada importava insumo amparado pelo regime de Drawback Suspensão descrito como “aglomerante orgânico Peridur produto utilizado na usina de pelotização – uma de suas funções é de dar a pelota um baixo teor de sílica”, classificado na NCM 3912.3119, a fiscalização retirou amostras submetendoas à análise laboratorial. O laudo técnico de fls. 49 concluiu que o produto em questão tratavase de “sal sódico de carboximetilcelulose com teor de pureza não superior a 75% em peso”. Com base RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 00 39 1/ 20 07 -5 9 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000391/200759 Resolução nº 3102000.334 S3C1T2 Fl. 3 2 neste resultado a fiscalização reclassificou a mercadoria para o código 3912.3129 da DI em tela, utilizando o mesmo laudo bem como a descrição da mercadoria e o que constava nas faturas para proceder a revisão aduaneira das demais DI’s. Foi lançada a multa por erro de classificação fiscal prevista no art. 84 da MP n.º 2.15835/2001 bem como a multa por importação sem guia ou documento equivalente prevista no art. 526, II do Decreto n.º 4.543/2002. Intimada da autuação a interessada apresentou a impugnação de fls. 107/116, alegando o que segue: 1 Que houve apenas erro material na lavratura das descrições e das identificações dos produtos, não havendo qualquer prejuízo à fiscalização nem supressão de tributos. 2 A multa do art. 526, II do RA deve incidir somente nos casos em que as mercadorias tenham sido importadas sem guia de importação. Havendo qualquer documento que permita sua identificação a multa não deve incidir. Junta decisões administrativas e judiciais. Alega que a análise laboratorial concluiu que o produto era um sal sódico de carboximetilcelulose mas que especificou que os produtos em questão eram derivados carboximetilcelulose nas LI’s, sendo precisa o bastante para permitir sua perfeita identificação, apesar do erro de classificação tarifária. 3 As alíquotas de impostos eram as mesmas, não trazendo prejuízo à fiscalização, nem embaraço, demonstrando ausência de dolo ou fraude na importação. 4 Pelas mesmas razões é indevida a multa por erro de classificação na nomenclatura do Mercosul. Requer a anulação do Auto de Infração e a produção de todos os meios de prova admitidos em direito. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 27/06/2002 a 26/09/2003 PROVA EMPRESTADA. Laudo técnico exarado em outro processo administrativo pode ser utilizado como prova para importações diversas, desde que trate de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 27/06/2002 a 26/09/2003 MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ADN COSIT n.º 12/1997 NA PROVA EMPRESTADA. Estando as mercadorias descritas com todos os elementos necessários à sua identificação de tal forma que permitisse a utilização da prova emprestada, há que se aplicar o ADN COSIT n.º 12/1997, não se aplicando a multa por falta de licenciamento de importação. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000391/200759 Resolução nº 3102000.334 S3C1T2 Fl. 4 3 Tendo exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento interpõe Recurso de Ofício da decisão tomada. É o relatório Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Tomo conhecimento do Recurso de Ofício. Peço, desde logo, licença para apresentar minha divergência em relação aos fundamentos da decisão de piso para exclusão da multa neste controvertida. O fato de a mercadoria estar corretamente especificada no laudo técnico, a meu sentir, não constitui o excludente previsto no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97. É necessário que a mercadorias tenham sido corretamente declaradas pelo importador. Por esse motivo, necessário tomar o assunto por uma outra abordagem. É o que passo a fazer. O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/971 excluiu, dentre outros, o erro de classificação fiscal de mercadoria importada das hipóteses de ocorrência da infração por importação de mercadoria sem guia de importação ou documento equivalente, sob a condição de que a mercadoria estivesse corretamente descrita na declaração de importação e com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Assim fazendo, o ADN Cosit nº 12/97 definiu que o erro de classificação fiscal não constitui a infração tipificada hoje como importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, desde que atendidas as condições descritas no parágrafo anterior2. O problema é que, segundo a leitura que se tem feito do ADN editado pela então Secretaria da Receita Federal, não se encontrando presentes as circunstâncias especificados no seu texto, estaria implícita a determinação de que o erro de classificação tarifária constituiria, por si só e necessariamente, uma importação sem licenciamento. 1 O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. 2 " (...) desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado". Fl. 334DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000391/200759 Resolução nº 3102000.334 S3C1T2 Fl. 5 4 Ou seja, em obediência ao ADN Cosit 12/97, a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto em atividade de execução quanto de julgamento, ao constatar o erro de classificação fiscal, considera que não ocorre a infração quando a mercadoria está correta e suficientemente descrita na declaração de importação e que, contratio sensu, a infração ocorre se a mercadoria estiver descrita de forma deficiente, seja pela falta de elementos essenciais à sua identificação ou pela ausência de informações necessárias ao correto enquadramento tarifário. Contudo, peço vênia, para dizer que não me parece que essa seja a forma correta de interpretar o Ato Declaratório Normativo nº 12/97. Com efeito, já da interpretação literal de suas disposições, é possível perceber que o ADN apenas define uma ocorrência que não constitui infração, sem em nenhum momento referir uma situação que constitua infração. E as disposições subsequentes extraídas do texto da Norma corroboram esse entendimento. Ao especificar a necessidade de que a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não, o comando normativo deixa claro, ainda que apenas implicitamente, que o erro de classificação pode não exigir novo licenciamento. Depreendese disso que, uma vez que ocorra erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. E, de fato, não é somente da intelecção literal do comando normativo, mas, principalmente, das características próprias do assunto sub examine, que se revela obrigatória a incursão em uma análise mais profunda do processo de licenciamento das importações para que se chegue a uma conclusão precisa a respeito das ocorrências nas quais uma importação deve ser considera como tendo sido realizada sem licenciamento. É o que passo a fazer. O controle administrativo das importações a que se refere o caput do artigo 706 do atual Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 6.759/09, diz respeito ao controle que a Administração exerce por ocasião da concessão da licença de importação, e que se completa no despacho aduaneiro e/ou na revisão aduaneira, quando os dados contidos na licença são cotejados com os demais documentos de instrução do despacho e com a própria mercadoria. Ele é exercido em dois momentos distintos: primeiro, quando o Poder Público concede autorização para o particular importar mercadoria do exterior, nos prazos, condições e especificações contidas na licença de importação e, segundo, quando o Poder Público examina se as mercadorias importadas e documentação que lhes descrevem estão de acordo com os dados contidos na licença de importação. A atividade de controle exercida em cada uma dessas duas etapas é de competência de órgãos distintos dentro da administração pública federal. Respectivamente, a Secretaria do Comércio Exterior SECEX e a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. As divergências entre as informações contidas na licença de importação e as constatadas no despacho aduaneiro ou na revisão aduaneira, a partir do exame da mercadoria e demais documentos, é que ensejarão consideraremse as importações como tendo sido realizada sem licença de importação. Isso acontecerá quando umas e outras sejam de tal forma discrepantes, que a licença apresentada pelo importador deva ser considerada inapta a amparar a operação a que se destinava. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000391/200759 Resolução nº 3102000.334 S3C1T2 Fl. 6 5 A Portaria Secex nº 21/96 trouxe a seu tempo algumas considerações relevantes a respeito do tipo de informações contidas em uma licença de importação, esclarecendo que tais informações caracterizavam a operação de importação e definiam o seu enquadramento. Os parágrafos 1º e 2º do artigo 7º da Portaria assim especificavam. § 1º As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12 de dezembro de 1996. § 2º As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento.” Desde a Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 2003; que revogou a Portaria Secex nº 21/96, as normas de regulamentação do procedimento licenciatório deixaram de fazer menção expressa aos quatro elementos que, nos termos da Portaria Secex nº 21/96, caracterizam a operação de importação e definiam o seu enquadramento: as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal. Embora isso, de se notar que, mesmo não mencionando esses elementos, o artigo 10 da Portaria Secex nº 17/03 confirmou que, nas importações sujeitas a licenciamento, o importador deveria prestar as informações contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, remissão idêntica a que fazia a Portaria Secex nº 21/96 quando referiase às informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal, que, como se disse, caracterizavam e enquadravam a operação. Essa referência foi mantida nas Portarias subsequentes da Secex. Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n.o 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. De fato, na prática, a edição da Portaria Secex nº 17/03 não provocou qualquer mudança no que diz respeito às informações que deverão ser prestadas pelo importador para a obtenção da licença de importação. Elas permanecem sendo aquelas das quais o Órgão licenciador lança mão no processo de análise do pedido de licenciamento. O Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291/96 contém, portanto, todas as informações que devem ser prestadas pelo importador nas importações sujeitas a licenciamento, e são esses os dados que serão analisados pela Administração no processo de concessão do licenciamento pleiteado. São eles: Importador, País de procedência, URF de despacho, URF de entrada no País, Exportador, Fabricante ou produtor, Classificação fiscal da mercadoria na NCM, Classificação da mercadoria na NALADI/SH ou NALADI/NCCA, Quantidade na medida estatística, Peso líquido em Kg, INCOTERM, Número "commoditie", Moeda na condição de venda, Valor total da operação na moeda negociada, Destaque NCM, Processo anuente, Indicativos da condição da mercadoria, Descrição detalhada da mercadoria, Especificação, Unidade comercializada, Quantidade na unidade comercializada, Valor unitário da mercadoria na condição de venda, Acordo tarifário, Regime de tributação para o Imposto de Importação, Fundamentação legal, Ato Concessório Drawback, Natureza cambial, Cobertura cambial, Modalidade de pagamento, Instituição financiadora, Código, Denominação, Motivo da importação sem cobertura cambial, Quantidade de dias para limite de pagamento, Substituição de LI, Informações complementares. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000391/200759 Resolução nº 3102000.334 S3C1T2 Fl. 7 6 A relação acima não deixa margem de dúvidas quanto ao alcance das informações exigidas pela Administração com vistas à analise e o deferimento da licença de importação. Elas abrangem a especificação das mercadorias, seu enquadramento tarifário, esclarecimentos relacionados à transação comercial, o pagamento etc. No processo de análise e deferimento da licença de importação, toda a gama de informações especificada no Anexo II da Portaria 291/96 deve ser considerada como de interesse da Administração e deverá ser prestada de forma correta, retratando precisamente a operação que se deseja licenciar, de tal sorte que todos os elementos relevantes para cada operação específica possam ser avaliados e a licença concedida ou indeferida, tendo em vista a adequação do pedido à política de controle das operações de importação vigente à época em que o licenciamento está sendo examinado. Os artigos 14 e 15 da Portaria Secex nº 17/03 especificam qual procedimento será observado pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior Decex no caso de serem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença. Art. 14. Quando forem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença ou mesmo a inobservância dos procedimentos administrativos previstos para a operação ou para o produto, o Decex registrará, no próprio pedido, advertência ao importador, solicitando a correção de dados. § 1o... § 2.°... Art. 15. Não será autorizado licenciamento quando verificados erros significativos em relação à documentação que ampara a importação ou indícios de fraude ou patente negligência. (grifos meus) Parágrafo Único. Em qualquer caso, serão fornecidas informações relativas aos motivos do indeferimento do pedido, assegurado o recurso por parte do importador, na forma da lei. Independentemente do tipo de operação para a qual se pretende obter a licença ou do tipo de mercadoria importada, em três hipóteses não será autorizado o licenciamento pleiteado pelo importador: erros significativos, indícios de fraude e patente negligência. Por outro lado, uma vez concedida a licença, ela poderá ser retificada antes ou depois do desembaraço das mercadorias, sendo preservada a validade do licenciamento original desde que a alteração não descaracterize a operação original. Art. 20. A empresa poderá solicitar a alteração do licenciamento, até o desembaraço da mercadoria, em qualquer modalidade, mediante a substituição, no Siscomex, da licença anteriormente deferida. § 1o A substituição estará sujeita a novo exame pelo(s) órgão(s) anuente(s), mantida a validade do licenciamento original. § 2o Não serão autorizadas substituições que descaracterizem a operação originalmente licenciada. Art. 21. O licenciamento poderá ser retificado após o desembaraço da mercadoria, mediante solicitação ao órgão anuente, o que será objeto de manifestação fornecida em documento específico. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000391/200759 Resolução nº 3102000.334 S3C1T2 Fl. 8 7 A conclusão insofismável a que se chega de todo o exposto é que será sempre necessário decidir, caso a caso, se o erro cometido pelo importador descaracterizou ou não a operação originalmente licenciada, exigindo, por conseguinte, novo licenciamento. Por certo, nos casos de erro de classificação fiscal, haverá de ser investigado, necessariamente, dentre outros aspectos que se revelem importantes para o caso concreto, se para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar, em obediência à exclusão decorrente da interpretação determinada no ADN Cosit nº 12/97, se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita, e decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Na vertente lide, a leitura que se faz dos fatos relatados pela Fiscalização Federal leva à conclusão de que esse aspecto não foi investigado, até mesmo porque foram levados em consideração atos expedidos pela própria Secretaria da Receita Federal (Parecer n° 55/2003 da DISIT/7º RF), que dispensam esse tipo de análise. Exposta a matéria objeto dos autos, chamo a atenção para outro fato. Há uma informação à folha 328 (numeração digital) de que o contribuinte interpôs Recurso Voluntário. Ou tratase de um engano ou o Recurso não foi trazido aos autos. VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a Fiscalização Federal informe se para a NCM definida no Auto de Infração havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM utilizada pelo importador, inclusive, se tratavamse de licenciamentos automáticos ou não automáticos. Por outro lado, solicite a quem de direito esclarecer a informação contida à folha 328. Abrase prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte e depois retorne para decisão final. Sala de Sessões, 11 de dezembro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 338DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16327.721158/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
CSLL. COISA JULGADA. PARECER PGFN/CRJ/Nº 492/201. VINCULANTE.
Tem força vinculante, para este Colegiado, as conclusões do PGFN/CRJ/Nº 492/2011, ratificadas pelo Ministro de Estado da Fazenda, por força do disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar nº 73/93.
Dada a força vinculante do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, não é cabível, para o período sob exame (ano-calendário 2008), a cobrança da CSLL antes tida por inconstitucional pela coisa julgada, uma vez que o lançamento foi efetuado após a publicação do citado Parecer.
Numero da decisão: 1302-001.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo acompanharam o Relator pelas conclusões. O Conselheiro Márcio Frizzo apresentou declaração de voto.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 CSLL. COISA JULGADA. PARECER PGFN/CRJ/Nº 492/201. VINCULANTE. Tem força vinculante, para este Colegiado, as conclusões do PGFN/CRJ/Nº 492/2011, ratificadas pelo Ministro de Estado da Fazenda, por força do disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar nº 73/93. Dada a força vinculante do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, não é cabível, para o período sob exame (ano-calendário 2008), a cobrança da CSLL antes tida por inconstitucional pela coisa julgada, uma vez que o lançamento foi efetuado após a publicação do citado Parecer.
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COISA JULGADA. Recorrente CIFRA S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 CSLL. COISA JULGADA. PARECER PGFN/CRJ/Nº 492/201. VINCULANTE. Tem força vinculante, para este Colegiado, as conclusões do PGFN/CRJ/Nº 492/2011, ratificadas pelo Ministro de Estado da Fazenda, por força do disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar nº 73/93. Dada a força vinculante do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, não é cabível, para o período sob exame (anocalendário 2008), a cobrança da CSLL antes tida por inconstitucional pela coisa julgada, uma vez que o lançamento foi efetuado após a publicação do citado Parecer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo acompanharam o Relator pelas conclusões. O Conselheiro Márcio Frizzo apresentou declaração de voto. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 58 /2 01 2- 16 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso de ofício em face do Acórdão nº 14 47.963 da 15ª Turma da DRJ/RPO, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 COISA JULGADA. TERMO INICIAL DA CESSAÇÃO DA EFICÁCIA. Em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinteautor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança. Nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão, é a publicação do referido Parecer. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O voto condutor do acórdão está assim exarado: A impugnação é tempestiva e dotada dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dela tomo conhecimento. O contribuinte protocolou Apelação Cível nº 92.01.186886, objetivando eximirse do recolhimento da CSLL, sob o argumento de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88. Tendo a referida ação transitado em julgado em 29/10/1992, defende a impugnante que o lançamento ora combatido ofende a coisa julgada. Antes da análise do presente, necessário esclarecer que desde a decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal, em 1992, sobre o Recurso Extraordinário nº 1382848 CE, a jurisprudência reconhece mansa e pacificamente a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88, exceto no que tange ao ano base de 1988, em virtude da declaração da inconstitucionalidade do art. 8º. Inclusive, tãosomente tal dispositivo teve sua execução suspensa pelo Senado Federal, por meio da Resolução nº 11/95. Posteriormente, tal entendimento fora reafirmado por decisão do STF em controle concentrado de constitucionalidade, constante da ADI no 15/DF, julgada em 14/06/2007. Dessa forma, resta verificar nos presentes autos em que medida a eficácia da decisão transitada em julgado onde declarada a inconstitucionalidade incidental de uma lei, considerando inexistente uma relação jurídica tributária sucessiva, pode ter seus desdobramentos futuros atingidos pela superveniência da jurisprudência do STF em sentido contrário ao sufragado pela referida decisão. Sobre o assunto, fora exarado o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492, de 30/03/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 24/05/2011 (DOU de 26/05/2011) e de observação Fl. 249DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 1302001.622 S1C3T2 Fl. 235 3 obrigatória no âmbito deste Ministério, por força dos arts. 13 e 42 da Lei Complementar nº 73/93. Veja a síntese do entendimento fazendário: Síntese do exposto 99. Eis a síntese das principais considerações/conclusões expostas ao longo do presente Parecer: (i) a alteração nos suportes fático ou jurídico existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado; (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; (iv) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinteautor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; (v) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinteautor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer. [Destaquei]. No DOU de 26/05/2011 foi publicado o Despacho do Ministro da Fazenda nos seguintes termos: Aprovo o PARECER PGFN/CRJ/Nº 492/2011, 30 de março de 2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu que: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 4 i) quando sobrevier precedente objetivo e definitivo do STF em sentido favorável ao Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional em anterior decisão tributária transitada em julgado, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido; ii) quando sobrevier precedente objetivo e definitivo do STF em sentido favorável ao contribuinteautor, este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional em anterior decisão tributária transitada em julgado, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido.[...] Para melhor entendimento das conclusões acima, reproduzse aqui os itens 74 a 80 do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011: 74. É legítimo se afirmar, portanto, que a data do trânsito em julgado do acórdão do STF configura, ao menos como regra, o termo a quo para o exercício dos direitos acima referidos. Entretanto, essa regra comporta exceção no que tange, especificamente, ao direito de que dispõe o Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo antes tido por inexigível pela coisa julgada que lhe favorecia. Assim, em algumas situações específicas adiante expostas, por razões ligadas ao relevante princípio da segurança jurídica, com os seus corolários em matéria tributária, a saber, os princípios da não surpresa e da proteção da confiança, não há como considerar que a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF configura o marco a partir do qual o Fisco possui o direito de efetuar a cobrança do correspondente tributo, relativo a todos os fatos geradores praticados pelo contribuinteautor desde então. 75. Para que bem se compreenda quais são essas situações específicas, e o porquê da necessidade de se excepcionálas, basta pensar na hipótese, que bem as exemplifica, em que um dado contribuinte tenha deixado de efetuar o pagamento de determinado tributo por reputar que assim estava autorizado em razão de coisa julgada formada, a seu favor, considerando inexistente a correspondente relação jurídica tributária, apesar de esse não pagamento ter se dado quando já existia precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário ao sufragado na coisa julgada, proferido e transitado em julgado em momento anterior à aprovação e publicação do presente Parecer. E mais: mesmo com o advento desse precedente da Suprema Corte, favorável à Fazenda Nacional – que, segundo aqui se entende, fez cessar a eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado e, portanto, legitimaria a cobrança do tributo relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de então , o Fisco quedouse inerte durante anos, não efetuando as correspondentes exigências tributárias. 76. Notese que, na hipótese acima aventada, o contribuinteautor deixou de pagar o tributo por considerar que assim estava respaldado por coisa julgada, e o Fisco, mesmo diante do precedente do STF, não efetuou as correspondentes exigências tributárias, numa postura omissiva que, de certo modo, demonstrou a sua adesão ao comportamento do contribuinte. Em hipóteses desse jaez – em que (i) a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, face ao advento de precedente objetivo e definitivo do STF, ocorreu em momento anterior à publicação deste parecer e (ii) não houve lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento do precedente do STF , não há como legitimamente pretender que, agora, com o entendimento esposado neste Parecer, possa o Fisco exigir, do contribuinteautor, o tributo relativo a todos esse fatos geradores passados (por óbvio, desde que ocorridos há menos de 5 anos). 77. Essa nova exigência, relativa aos fatos geradores anteriores ao presente Parecer, tendo como marco inicial a data, no passado, do advento da decisão do STF, além de causar ao contribuinteautor surpresa que não parece compatível com a segurança jurídica e a confiança que devem iluminar as relações travadas entre o Fisco e os contribuintes, também representaria ofensa direta ao disposto no art. 146 do CTN, segundo o qual “a modificação introduzida, de ofício ou em consequ ência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios Fl. 251DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 1302001.622 S1C3T2 Fl. 236 5 jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução”. Esse dispositivo legal, cuja essência claramente se inspira nos já invocados princípios da não surpresa e da proteção da confiança, veda que novos critérios jurídicos introduzidos pela Administração Pública Tributária em sua atividade de lançar atinja fatos geradores ocorridos em momento anterior à sua introdução, o que parece impedir que o entendimento contido no presente Parecer – que, inequivocadamente, configura um novo critério jurídico relativo a lançamento tributário – apliquese às situações que lhe são pretéritas. 78. Assim, tendo em conta o princípio da segurança jurídica e os seus consectários princípios da não surpresa e da proteção à confiança, bem como por força do que prevê o art. 146 do CTN, entendese, aqui, que naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em face do advento de precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário ao nela sufragado, tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste parecer, e tendo havido inércia dos agentes fazendários, o termo a quo para o exercício, pelo Fisco, do direito de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão é a data da publicação deste parecer, o que significa dizer que apenas os fatos geradores praticados a partir deste instante poderão ser objeto de lançamento. 79. Em outras palavras: este parecer não retroage para alcançar aqueles fatos geradores pretéritos, que mesmo sendo capazes, à luz do entendimento ora defendido, de fazer nascer obrigações tributárias, não foram, até o presente momento, objeto de lançamento. Por óbvio, se nas situações pretéritas o Fisco já tiver adotado o entendimento ora defendido, efetuando a cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos desde a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em relação a essas situações pretéritas o critério jurídico contido no presente Parecer não poderá ser considerado “novo”, o que afasta a aplicação do princípio da não surpresa e do art. 146 do CTN; esses lançamentos, portanto, deverão ser mantidos. 80. Afora essas situações específicas, que se caracterizam, primordialmente, por serem pretéritas a este Parecer, em todas as demais deve incidir a regra referida mais acima, segundo o qual o termo a quo para o exercício do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo antes tido como inexigível pela coisa julgada que lhe favorecia é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Na espécie, há decisão plenária do STF anterior a 03/05/2007 (RE 1382848 CE), confirmada em julgados posteriores da Suprema Corte, o que faz cessar a eficácia da coisa julgada tributária, segundo o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011. Entretanto, especificamente em relação ao caso em apreço há que se considerar a exceção prevista pelo parecer em comento, no concernente à inércia da fiscalização. Isto porque o auto de infração ora combatido, apesar de referirse a anocalendário 2008, somente fora cientificado à contribuinte em dezembro de 2012. Posteriormente, portanto, à publicação do indigitado Parecer. Por conseguinte, dada a força vinculante do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, não é cabível, para o período sob exame (anocalendário 2008), a cobrança da CSLL antes tida por inconstitucional pela coisa julgada, uma vez que a exigência foi feita somente em 14/12/2012, ou seja, após a publicação do citado Parecer. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 6 Devido à relação de causa e efeito a que se vinculam ao lançamento principal, o mesmo entendimento deverá ser adotado com relação à multa exigida isoladamente, no percentual de 50%, sobre a falta de pagamento da CSLL devida por estimativa, em virtude de esta ser decorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de considerar procedente a impugnação para cancelar integralmente o crédito tributário lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O crédito tributário exonerado pela decisão recorrida superou o limite de alçada, razão pela qual conheço do recurso de ofício. Tratase de auto de infração (a fls. 165 e segs.), cuja ciência da recorrente se deu em 14/12/2012, e, pelo qual, foi lançada CSLL do fato gerador de 31/12/2008, por falta de recolhimento. Logo, perfeita a conclusão do acórdão recorrido quando sustenta que: “Por conseguinte, dada a força vinculante do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, não é cabível, para o período sob exame (anocalendário 2008), a cobrança da CSLL antes tida por inconstitucional pela coisa julgada, uma vez que a exigência foi feita somente em 14/12/2012, ou seja, após a publicação do citado Parecer.” Assim, ressalvando o meu entendimento em sentido contrário, saliento que adoto as conclusões do PGFN/CRJ/Nº 492/2011, por força do disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar nº 73/93, in verbis: Art. 13 A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional desempenha as atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda e seus órgãos autônomos e entes tutelados. ................................................................................................................... Art. 42. Os pareceres das Consultorias Jurídicas, aprovados pelo Ministro de Estado, pelo SecretárioGeral e pelos titulares das demais Secretarias da Presidência da República ou pelo Chefe do EstadoMaior das Forças Armadas, obrigam, também, os respectivos órgãos autônomos e entidades vinculadas. Em face do exposto, voto negar provimento ao recurso de ofício. Alberto Pinto Souza Junior Relator Declaração de Voto Fl. 253DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 1302001.622 S1C3T2 Fl. 237 7 Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. Em que pese a respeitável argumentação e fundamentação do relator, peço venia para dissentir do entendimento esposado quanto à possibilidade de cessação da eficácia da coisa soberanamente julgada, mesmo fundamentado no Parecer PGFN n.º 492/2011, e esclarecer que acompanhei o seu voto apenas pelas conclusões, conforme passo a expor. De início, recordo que a coisa julgada tem status constitucional (art. 5º, XXXVI, CRF/88) e é definida pela legislação como “decisão judicial de que já não caiba recurso”, nos termos do art. 6º, §3º, do Dec.Lei n. 4.657/42 (LINDB). Ao seu turno, o Código de Processo Civil esclarece que “denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário” (art. 467, caput, CPC). O mesmo Código esclarece que nenhum juiz julgará questões já decididas, salvo em se tratando de relação jurídica continuativa nas quais sobrevenha modificação no estado de fato ou de direito (art. 471, caput e inciso I, CPC). Outra hipótese de modificação da coisa julgada é a ajuizamento de ação rescisória, que deve ser interposta no prazo de 2 anos da decisão que se pretende rescindir, e desde que presentes as situações autorizadoras1. Sem pretender esgotar o assunto, mas apenas para demonstrar as circunstâncias afetas à coisa julgada, é importante observar que este é um instituto jurídico decorrente da autoridade das decisões do Poder Judiciário, o qual tem por função típica o poderdever de solver definitivamente conflitos de interesses em razão das pretensões resistidas. Tal mister decorre da tripartição dos poderes consignada no art. 2º da Constituição Federal. Portanto, as raízes da presente controvérsia alcançam o pacto político entabulado em 1988, cuja fundamentação teórica sustenta o próprio Estado Democrático e de Direito almejado pela República Federativa do Brasil. Assim, desrespeitar a coisa julgada por meio de ato administrativo emanado de agente público a cargo do Poder Executivo (por exemplo, auto de infração, acórdão da DRJ ou CARF, resolução ou pareceres da Fazenda Nacional etc.) é um inquestionável atentado à tripartição dos poderes, especificamente dirigido contra o Poder Judiciário. Além disso, a coisa julgada busca evitar que contendas judiciais já decididas sejam novamente levadas a juízo, de modo a perpetuar o conflito de interesses. Tal conduta afronta a busca pela paz social. A exceção à imutabilidade da coisa julgada fica por conta das situações aventadas acima. Extinta tais hipóteses, dizse que a coisa julgada transformouse em “coisa soberanamente julgada”. 1 CPC. Art. 485. A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: I se verificar que foi dada por prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente; III resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida, ou de colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; IV ofender a coisa julgada; V violar literal disposição de lei; Vl se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou seja provada na própria ação rescisória; Vll depois da sentença, o autor obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de Ihe assegurar pronunciamento favorável; VIII houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação, em que se baseou a sentença; IX fundada em erro de fato, resultante de atos ou de documentos da causa; § 1o Há erro, quando a sentença admitir um fato inexistente, ou quando considerar inexistente um fato efetivamente ocorrido. § 2o É indispensável, num como noutro caso, que não tenha havido controvérsia, nem pronunciamento judicial sobre o fato. Art. 495. O direito de propor ação rescisória se extingue em 2 (dois) anos, contados do trânsito em julgado da decisão. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 8 Cumpre investigar, portanto, se a relação em testilha representa uma relação jurídica continuativa, de modo que a coisa julgada pudesse perder seus efeitos a partir do ano calendário subsequente, invocando a aplicação da súmula 239 do STF, segundo a qual: “Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores.”. O tema foi enfrentado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1118893/MG por meio do rito do art. 543C do CPC. Sobre este ponto, verificase que o STJ entendeu que não tem lugar a súmula n. 239 do STF, uma vez que foi reconhecida a própria inconstitucionalidade da contribuição (direito material), razão pela qual o vício transborda os limites de um período de apuração. Com essa finalidade, o STJ analisou as modificações introduzidas na Lei n. 7.689/88, quando então concluiu da forma que segue: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO TRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestar se em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRgnosEREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a Fl. 255DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 1302001.622 S1C3T2 Fl. 238 9 tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídico tributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. (REsp 1118893/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/03/2011, DJe 06/04/2011) (grifo não original) A decisão acima adotou como paradigma o entendimento apresentado pela Min. Eliana Calmon no REsp 731250/PE, no sentido de que a súmula 239 do STF “aplicase tãosomente no plano do direito tributário formal porque são independentes os lançamentos em cada exercício financeiro. Não se aplica, entretanto, se a decisão tratou da relação de direito material, declarando a inexistência de relação jurídicotributária”. Portanto, por força do art. 62A do RICARF, doume por vinculado quanto a ausência de modificação pelas lei supervenientes e afastando a aplicação da súmula 239 do STF. Pela mesma razão, doume por vinculado à conclusão do STJ acerca da coisa julgada, razão pela qual afasto a aplicação da súmula 239 do STF. Todavia, este tema merece maiores considerações, tendo em vista o advento do Parecer PGFN 492/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em despacho publicado no D.O.U em 26/05/2011. A decisão recorrida defende que o referido Parecer justificaria a cobrança do crédito tributário, não fosse a exceção prevista com relação à inércia da fiscalização. Ocorre que o acórdão recorrido não captou a extensão do termo “precedente objetivo e definitivo do STF”. Portanto, para reposicionar o debate, é relevante observar a seguinte passagem do Parecer: 24. (..) Ou seja, nos dias atuais, são objetivos e definitivos e, portanto, alteram/impactam o sistema jurídico vigente, agregandolhe um elemento novo, tanto os precedentes oriundos do Plenário do STF formados em controle concentrado de constitucionalidade, quanto alguns dos seus precedentes formados em CONTROLE DIFUSO, independentemente, nesse último caso, de posterior edição, pelo Senado Federal, da Resolução prevista no art. 52, inc. X da CF/88. (grifo não original) Concluise da passagem acima que o Parecer PGFN n. 492/2011 supracitado afirma que as decisões em controle difuso proferidas pelo Pleno do STF fazem cessar os efeitos da coisa julgada, independentemente da edição de Resolução Senatorial (art. 52, inc. X, CF/88), pois podem “alterar/impactar” o sistema jurídico nacional. Este entendimento fica explícito no item 292 do Parecer, observese: 2 Parecer PGFN 429/11. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 10 29. Todos esses exemplos apontam, inequivocamente, para uma mesma direção, ou para uma mesma verdade que já se mostra irrecusável: as decisões proferidas pelo STF em sede de controle difuso de constitucionalidade, quando oriundas do seu órgão Plenário, independentemente de posterior edição de Resolução Senatorial, têm assumido um caráter objetivo, já que desprendido do caso concreto e de suas vicissitudes. O controle difuso de constitucionalidade, nesse passo, quando exercido pelo Pleno da Suprema Corte, abandona a marca que tradicionalmente o vinculava ao chamado “controle concreto” (posto que feito à luz das peculiaridades do caso concreto), passando a ligarse, tanto quanto o exercido na modalidade concentrada, ao “controle abstrato”, em que a questão jurídica levada à apreciação é analisada em tese, ainda que de forma incidental (incidenter tantum). (...). (grifo não original). Esta constatação é relevante, uma vez que a própria ADI 15 faz menção a precedentes anteriores proferidos pelo Pleno do STF em controle difuso, como o RE 146.733 (Publ. 06/11/1992) e RE 150.764 (Publ. 30/03/1998). Ou seja, estes também seriam “precedentes objetivos e definitivos” que afastariam os efeitos da coisa julgada formada em favor da Recorrida em 1992. Aqui está o ponto de equívoco da DRJ (o qual, todavia, não altera o resultado do julgamento). Adotando esse entendimento, o indigitado Parecer autoriza a conclusão (ao meu ver, equivocada), de que devem ser mantidos os autos de infração lavrados após a formação de coisa julgada favorável ao contribuinte, desde que exista uma decisão em controle difuso em sentido contrário (“precedente objetivo e definitivo do STF”), ainda que antes da publicação do texto do Parecer, observese: 79. Em outras palavras: este parecer não retroage para alcançar aqueles fatos geradores pretéritos, que, mesmo sendo capazes, à luz do entendimento ora defendido, de fazer nascer obrigações tributárias, não foram, até o presente momento, objeto de lançamento. Por óbvio, se nas situações PRETÉRITAS o Fisco já tiver adotado o entendimento ora defendido, efetuando a cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos desde cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em relação a essas a situações pretéritas o critério jurídico contido no presente Parecer não poderá ser considerado “novo”, o que afasta a aplicação do princípio da não surpresa e do art. 146 do CTN; esses lançamentos, portanto, deverão ser mantidos. (grifo não original) Portanto, seguindo o entendimento do Parecer PGFN n. 492/2011, as decisões em controle difuso, que vieram a ser confirmadas pela ADI 15, teriam o condão de fazer cessar a eficácia da coisa julgada favorável à Recorrida. Todavia, o entendimento do Parecer PGFN n. 492/2011 NÃO deve ser seguindo por este Conselho, principalmente pelo fato de o Resp 1118893/MG, julgado pelo rito dos recursos repetitivos, serlhe evidentemente contrário. Não ignoro a força vinculante de pareceres dessa natureza3, todavia, é preciso ter em mente que as decisões judiciais construídas pelo rito do art. 543C do CPC emanam do órgão autorizado a reconhecer a definitividade da coisa julgada, e também a rescindila. Não bastante a autoridade das decisões do STJ, ressalto que até mesmo o Supremo Tribunal Federal tem defendido a impossibilidade de relativização da coisa julgada, salvo nos casos em que a ação rescisória é manejada dentro do prazo decadencial bienal. É o que se conclui da decisão proferida no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n. 592.912, proferido pela Segunda Turma, sob a relatoria do Ministro Celso de Mello, datada de 03/04/2012: 3V. art. 13 e 42 da Lei Complementar 72/93. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 1302001.622 S1C3T2 Fl. 239 11 E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – COISA JULGADA EM SENTIDO MATERIAL INDISCUTIBILIDADE, IMUTABILIDADE E COERCIBILIDADE: ATRIBUTOS ESPECIAIS QUE QUALIFICAM OS EFEITOS RESULTANTES DO COMANDO SENTENCIAL PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL QUE AMPARA E PRESERVA A AUTORIDADE DA COISA JULGADA EXIGÊNCIA DE CERTEZA E DE SEGURANÇA JURÍDICAS – VALORES FUNDAMENTAIS INERENTES AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO – EFICÁCIA PRECLUSIVA DA “RES JUDICATA” “TANTUM JUDICATUM QUANTUM DISPUTATUM VEL DISPUTARI DEBEBAT” CONSEQUENTE IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE CONTROVÉRSIA JÁ APRECIADA EM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO, AINDA QUE PROFERIDA EM CONFRONTO COM A JURISPRUDÊNCIA PREDOMINANTE NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL A QUESTÃO DO ALCANCE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 741 DO CPC MAGISTÉRIO DA DOUTRINA – RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. (grifo não original). Do referido acórdão, extraemse conclusões no sentido de que o efeito retroativo (extunc) das decisões em controle concentrado não prejudica os efeitos da coisa julgada, observese: A sentença de mérito transitada em julgado só pode ser desconstituída mediante ajuizamento de específica ação autônima de impugnação (ação rescisória) que haja sido proposta na fluência do prazo decadencial previsto em lei, pois, como exaurimento do referido lapso temporal, estarseá diante da coisa soberanamente julgada, insuscetível de ulterior modificação, ainda que o ato sentencial encontre fundamento em legislação que, em momento posterior, tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, quer em sede de controle abstrato, quer no âmbito de fiscalização incidental de constitucionalidade. A superveniência de decisão do Supremo Tribunal Federal, declaratória de inconstitucionalidade de diploma normativo utilizado como fundamento do título judicial questionado, ainda que impregnada de eficácia “extunc” como sucede, ordinariamente, com os julgamentos proferidos em sede de fiscalização concentrada (RTJ 87/758 – RTJ 164/506509 – RTJ 201/765) , não se revela apta, só por si, a desconstituir a autoridade da coisa julgada, que traduz, em nosso sistema jurídico, limite insuperável à força retroativa resultante dos pronunciamentos que emanam, “in abstracto”, da Suprema Corte. Doutrina. Precedentes. O significado do instituto da coisa julgada material como expressão da própria supremacia do ordenamento constitucional e como elemento inerente à existência do Estado Democrático de Direito. (grifo não original). O que se vê do referido julgado, é a valoração que aqueles Ministros dão à coisa julgada, alçandoa ao patamar de garantia constitucional inviolável, que só pode ser derrogada pelo meio legal apto, devidamente previsto em lei, como é a ação rescisória. Passo a me utilizar, na sequência, das razões do voto do Ministro Celso de Mello, que destaca a instabilidade jurídica que advém do desrespeito à soberania da coisa julgada, observese: Esses atributos que caracterizam a coisa julgada em sentido material, notadamente a imutabilidade dos efeitos inerentes ao comando sentencial, recebem, diretamente, da própria Constituição, especial proteção destinada a preservar a inalterabilidade dos pronunciamentos Fl. 258DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 12 emanados dos Juízes e Tribunais, criando, desse modo, situação de certeza, de estabilidade e de segurança para as relações jurídicas. [...] A pretendida “relativização” da coisa julgada – tese que tenho repudiado em diversos julgamentos (monocráticos) proferidos no Supremo Tribunal Federal (RE 554.111/RS – RE 594.350/RS RE 594.892/RS RE 594.929/RS RE 595.565/RS, dos quais sou Relator) provocaria consequências altamente lesivas à estabilidade das relações intersubjetivas, à exigência de certeza e de segurança jurídicas e à preservação do equilíbrio social, valendo destacar, em face da absoluta pertinência de suas observações, a advertência de ARAKEN DE ASSIS (“Eficácia da Coisa Julgada Inconstitucional”, “in” Revista Jurídica nº 301/729, 1213) (grifo não original) Evidentemente, havendo o manejo da ação rescisória, nenhum óbice haveria à restituição da relação jurídicotributária, consoante já esclareceu o jurista Luiz Rodrigues Wambier em parecer sobre a matéria4. Este, contudo, não é o que ocorreu no presente caso, pois não houve manejo tempestivo da ação rescisória. Dessa forma, oferecer temperamentos à soberania da coisa julgada, por meio de interpretação de outros institutos jurídicos, na trilha do Parecer PGFN 492/2011, representa uma medida que afronta o senso de Justiça e do devido processo legal. Ainda que se considere a existência de corrente teórica que aceita a eficácia vinculante das decisões proferidas no controle difuso, devese considerar que tal entendimento está longe de ser unânime. Aliás, considerando que o referido tema não encontra apoio pacífico no Poder Judiciário, que é o ambiente autorizado a decidir sobre a legalidade e constitucionalidade de atos jurídicos das mais diversas naturezas, com muito menos razão se pode cogitar tal debate na esfera administrativa (CARF Poder Executivo), uma vez que este tem o dever de observar a legalidade. A questão, portanto, se resolveria com simples análise do conflito aparente de normas. Nesse sentido, ainda que se desconsidere o REsp 1118893/MG, não tenho dúvidas de que a natureza constitucional e infraconstitucional da coisa julgada se sobreporia à interpretação exposta no Parecer PGFN n. 492/2011. Todavia, admitindo a força vinculante do recurso especial e do Parecer, entendo que este último (parecer) não pode ser seguido pela Administração Pública, pois representa uma interpretação ilegal e inconstitucional dos efeitos da coisa julgada. Aliás, o Parecer contraria, a um só tempo, o texto de lei e a interpretação do Poder Judiciário. O Tribunal Regional Federal da 4a Região proferiu recente decisão afastando a aplicação do Parecer PGFN 492/2011, no exato sentido que neste momento defendo, consoante se percebe da seguinte passagem da ementa da decisão, transcrita em sua parte pertinente: (...) 4. A tentativa da Administração, por meio do Parecer PGFN nº 492/11, de sujeitar a coisa julgada a exame administrativo viola o princípio da separação dos poderes, já que, uma vez regrada a relação jurídica pela normativa individual emitida pelo Poder Judiciário, salvo a superveniência de lei, somente este poderá examinar a conservação e a permanência daquele regramento individual em relação aos fatos futuros. (...) (TRF4. Apelação e Reexame Necessário n. 5006618 44.2012.404.7100/RS. (...) (TRF4 500661844.2012.404.7100, Segunda Turma, Relator p/ Acórdão Otávio Roberto Pamplona, D.E. 12/12/2013) 4 Segundo o jurista, “Há que se ressaltar, por fim, que a propositura de demanda rescisória encontrase condicionada à observância do prazo decadencial de dois anos a contar do trânsito em julgado da decisão rescindenda. Na situação subjacente a esta consulta, a ação rescisória, que objetivava desconstituir decisão que declarou a inconstitucionalidade da CSLL, foi manejada dentro do biênio legal, tendo, com a decisão de parcial procedência, restabelecido a relação jurídicotributária entre a União e a Consulente, no que diz respeito à CSLL.” (WAMBIER, Luiz Rodrigues. Pareceres: Processo Civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012, pag. 639) Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16327.721158/201216 Acórdão n.º 1302001.622 S1C3T2 Fl. 240 13 Outrossim, não bastasse o já exposto, diversas são as decisões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de afastar a cobrança de CSLL, as quais peço a vênia para citar: CSLL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO TRIBUTÁRIA POR SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LIMITES DA COISA JULGADA. EFEITOS DA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. Declarada, por decisão judicial transitada em julgado, a inexistência de relação jurídico tributária entre o contribuinte e o Fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar o tributo, em respeito à coisa julgada material. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.118.893, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. (Acórdão nº 1301000.760, sessão 23 de novembro de 2011) COISA JULGADA. EFICÁCIA. DECISÃO CONTRÁRIA DO STF. A eficácia da coisa julgada não subsiste ante decisão contrária, definitiva e vinculante emanada do Egrégio Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Nas relações jurídicas tributárias, de trato sucessivo e continuado, a nova ordem jurídica somente atinge os fatos geradores ocorridos após o trânsito em julgado da decisão do Excelso Pretório. (Acórdão nº 180301.254, sessão 10 de abril de 2012). Diante da posição do STJ em recurso repetitivo, diante das reiteradas decisões do STF e diante do entendimento da melhor doutrina tributária e processualista que garantem poder a coisa julgada, diante do princípio da segurança jurídica, entendo que no presente caso o Parecer PGFN n.º 492/2011 não deve ser observado para retroagir a prejudicar a coisa julgada. Ante ao exposto, a meu ver a exoneração do crédito tributário deve ser mantida em razão da soberania da coisa julgada, que no caso em tela não foi atacada tempestivamente pela Fazenda por meio de ação rescisória. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 3/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.907795/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/03/2008
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3803-002.540
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 10/05/2012 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani Relatório Tratase de Declaração de compensação, transmitida em 21/01/2009 (fls. 100/105), por meio da qual buscou o contribuinte compensar crédito de Cofins no valor de R$ 49.152,47, arrecadado em 18/04/2008, no valor original total de 1.619.309,25. A DRF em Juiz de Fora, emitiu Despacho Decisório denegatório fundado na insuficiência de créditos para quitar os débitos declarados pelo contribuinte. Após ciência, o contribuinte apresentou a inconformidade, na qual aduziu: a) o crédito originouse de correções efetuadas na apuração da Cofins e do envio do Dacon retificado em 12/02/2009; b) embora não procedida a retificação da DCTF correspondente, a fim de sanar tal inconsistência, transmitiua em 12/11/2009, fazendo constar na página 9 "débito apurado" o valor correto daquela contribuição. Em análise, a 2ª Turma da DRJ/JFA acordou, a unanimidade, em manter o despacho por entender que na data do encontro de contas, ou seja, na transmissão da Dcomp, deveria o sujeito passivo contar com crédito disponível para saldar seus débitos, o que no caso não haveria ocorrido. Eis a ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/03/2008 COMPENSAÇÃO. Após a instituição da Declaração de Compensação (Dcomp). a compensação dáse na data de sua transmissão, com o encontro de contas dos débitos e dos créditos. Inexistente o pagamento indevido/a maior de crédito, assim vinculado a débito em Dcomp, não há que se homologar a respectiva compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 24/08/2011, apresentou Recurso Voluntário em 23/09/2011, no qual apresenta os argumentos de fato e de direito buscando a suspensão da exigibilidade do crédito e a reforma do julgado hostilizado com a consequente homologação (integral) do pedido apresentado. É o relatório. Voto Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10640.907795/200943 Acórdão n.º 380302.540 S3TE03 Fl. 2 3 Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Considerando (i) que a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF; (ii) que esse valor está fixado atualmente em R$ 1.000.000,00, e (iii) que o valor original do ressarcimento da Cofins nãocumulativa deste processo é de R$ 1.619.309,25, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, declinando se a competência para seu julgamento às turmas ordinárias desta 3ª Seção. Sala das sessões, em 16 de fevereiro de 2012. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904911/2008-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Alvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca – Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Alvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório e Voto Este processo administrativo já foi relatado por este Conselho, pois foi inicialmente distribuído à douta 2º Turma Ordinária da 1º Câmara da 2ª Seção de Julgamentos, de cujo relatório valhome neste momento: Tratase da Declaração e Compensação (Dcomp) de nº 20099.23294.160604.1.3.040059, transmitida eletronicamente em 16 de junho de 2004, relativos a créditos do Imposto de Renda Retido na Fonte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 04 91 1/ 20 08 -3 4 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.904911/200834 Resolução nº 1801000.361 S1TE01 Fl. 135 2 Na Per/Dcomp a requerente declarou a existência de crédito decorrente do seguinte pagamento indevido ao a maior: Período de Apuração Código Valor do DARF (R$) Data da arrecadação 25/04/2001 5204 787.500,00 25/04/2001 A Declaração de Compensação não foi homologada pela DRF Brasília, tendo em vista não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, no prazo regulamentar, alegando que: a) O crédito foi gerado em decorrência do acordo consubstanciado na Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada em 16 de abril de 2001, por meio da qual a BASF S/A se comprometeu a pagar o montante de R$ 15.750.000,00 ao Grupo OK Construção e Incorporação, que teria sido contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, teria sido recolhido pela BASF S/A a quantia de R$ 787.500,00 de imposto de renda retido na fonte, conforme DARF à folha 61; b) cometeu o equívoco de não incluir o valor no ajuste anual do imposto de renda como dedução do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário, como saldo negativo de IRPJ; c) a negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, no sentido de que a receita correspondente teria sido tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não teria sido utilizado até o envio das Declarações de Compensação. d) a doutrina corrobora com o seu entendimento e que a administração tributária deveria pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade, prevalecendo o Princípio da Verdade Material; e e) o crédito existe, é certo e exigível e poderá ser compensado para quitação de outros débitos da contribuinte. A DRJ Brasília considerou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo em vista que a origem do crédito informado não seria "saldo negativo de IRPJ” e que não poderia ser alterado o objeto da manifestação de inconformidade para retificar o PER/Dcomp. Cientificado da decisão em 29 de junho de 2010, a recorrente interpôs recurso voluntário, por meio de procuradores legalmente habilitados, no dia 29 do mês subsequente, com os seguintes argumentos: a) o crédito concernente ao pagamento indevido ou a maior de IRRF foi gerado em virtude do acordo expresso em Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada 16 de abril de 2001, por meio do qual foi recebido R$ 15.750.000,00, com retenção de R$ 787.00,00 a título de imposto retido na fonte; b) a requerente não cometeu erro, contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade, de não haver incluído como antecipação do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário de 2001, pois era optante pela tributação do IRPJ e da CSLL na modalidade de lucro presumido, não tendo nada adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos; c) não está pleiteando a retificação de informações contidas no PER/Dcomp e que a RFB tem o dever de ofício de verificar a existência do referido crédito; d) o DARF foi originalmente recolhido no código 5204 (IRRF juros indenizações e lucros cessantes) que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, por meio de Redarf, para o código 1708 (IRRF remuneração de serviços Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.904911/200834 Resolução nº 1801000.361 S1TE01 Fl. 136 3 prestados por pessoa jurídica), penalizando a recorrente em face da não localização do referido documento de arrecadação; e) a administração tributária deve pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade e não fazendo a compensação estaria se locupletando indevidamente do valor retido pela fonte pagadora; f) a compensação está de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo agido a contribuinte dentro da mais estrita legalidade; e g) a análise do pedido de compensação deve levar em conta a verdade material e não a verdade real, de forma prefacial e superficial. Anexa aos autos uma contranotificação extrajudicial da BASF S/A e os comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB, e, por fim, requer que seja determinado o deferimento de diligência para verificação da existência, nos sistemas da RFB, do crédito demonstrado, com a consequente quitação, homologandose a referida compensação. É o relatório. Conheço do recurso, pois tempestivo. A princípio, a compensação pretendida pela Recorrente nestes autos foi negada pelo Despacho Decisório (fl. 62) em virtude de suposta inexistência do crédito, pois a Recorrente informou um pagamento a maior via DARF de R$787.500,00, mas esse DARF não foi encontrado nos registros da Receita Federal. Essa foi a fundamentação do despacho decisório. Em sede de manifestação de inconformidade, a Recorrente esclareceu os fatos e afirmou que, na verdade, o seu crédito é decorrente do saldo negativo do anocalendário de 2001, e não de simples pagamento a maior. É que a Recorrente teria feito um acordo judicial que lhe rendeu a quantia de R$15.750.000,00, sendo que, desse valor, R$ 787.500,00 foram pagos a título de imposto retido na fonte. No entanto, a Recorrente, ao declarar em sua DIPJ essa receita de R$15.750.000,00, não informou a retenção e, consequentemente, não a deduziu do valor do total de IRPJ devido ao final do período de apuração. Assim sendo, em razão dessa não dedução, a Recorrente acabou efetuando um recolhimento a maior no valor de R$787.500,00, exatamente o valor do crédito aqui pleiteado. Essas alegações da Recorrente estão acompanhadas de documentos que revestem de verossimilhança as alegações, principalmente a DIPJ/2002 (fls. 3659) e o DARF no valor de R$787.500,00, este devidamente recolhido (fl. 61). Diante dessas alegações da Recorrente, a DRJ constatou que o motivo que fundamentou o Despacho Decisório (inexistência do DARF) realmente não subsistia, pois o DARF foi apresentado nestes autos (fl. 61). No entanto, ainda assim a DRJ negou a compensação pleiteada, adotando argumento novo, não trabalhado anteriormente pelo Despacho Decisório, qual seja: a impossibilidade de retificação do PER/DCOMP através de manifestação de inconformidade. Percebese, portanto, que a DRJ alterou por completo a fundamentação do Despacho Decisório, adotando outra diversa. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.904911/200834 Resolução nº 1801000.361 S1TE01 Fl. 137 4 Sabese que este Conselho tem adotado com frequência o acertado entendimento de que o ato administrativo tem sua validade vinculada aos motivos que lhe deram origem. Se os motivos forem inválidos ou inexistentes, a anulação do ato administrativo é medida impositiva. É a chamada Teoria dos Motivos Determinantes. A ementa abaixo demonstra bem esse entendimento: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. PER/DCOMP. DIPJ. HOMOLOGAÇÃO. Se o saldo negativo informado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) é inferior ao mesmo saldo negativo informado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deve a homologação da compensação se fazer até o limite daquele primeiro saldo. DESPACHO DECISÓRIO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. ATO ADMINISTRATIVO. Uma vez declarado o motivo ou o fundamento de um ato administrativo, aquele (motivo ou fundamento) deve ser respeitado, condicionando a validade deste (ato administrativo). (CARF, Primeira Seção, 3ª Turma Especial, acórdão de nº 1803002.236, de 31/07/2014) No entanto, não há lugar no presente caso para aplicação da referida teoria, a despeito de a DRJ ter adotado fundamentação distinta daquela adotada pelo Despacho Decisório. É que, por uma questão de lógica, a Teoria dos Motivos Determinantes só tem espaço nas situações em que a Administração, no momento de edição do ato administrativo, tenha conhecimento de toda a matéria que circunda a situação, de modo a possuir condições totais de analisar a matéria por completo. No presente caso, no entanto, considerando a informação prestada pelo contribuinte de que o crédito pleiteado possuía a natureza de pagamento indevido ou maior, e tendo o recolhimento sido realizado pela fonte pagadora do rendimento em questão (IRRF), a RFB não dispunha de elementos suficientes para proceder a uma análise mais acurada da existência do crédito em questão. Foi só com as informações prestadas pela Recorrente, na manifestação de inconformidade, é que a autoridade administrativa teve ciência do efetivo crédito pleiteado, e só então ela pode adotar o fundamento de impossibilidade de retificação da PER/DCOMP, o que foi feito pela DRJ. Portanto, a alteração da fundamentação do ato administrativo levada a cabo pela DRJ foi legítima. Contudo, no aspecto material, entendo que a decisão merece reforma, por ter sido extremamente formalista e relegado a segundo plano a verdade material, que deve nortear o processo administrativo. Como visto acima, a falta de reconhecimento, pela RFB, do direito creditório invocado pela Recorrente decorre de mero equívoco do contribuinte na hora de transmitir a declaração de compensação, uma vez que, no PER/DCOMP, deveria ter justificado o saldo credor como sendo “saldo negativo” e não como “pagamento a maior”. Todavia, erros formais no preenchimento de declarações não são capazes de elidir a pretensão da Recorrente, mormente quando esta se baseia em direito creditório efetivamente demonstrado. O CTN é categórico em reconhecer o direito de restituição ao contribuinte que tenha pagado tributo a maior ou indevidamente. É o que dispõe o art. 165: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.904911/200834 Resolução nº 1801000.361 S1TE01 Fl. 138 5 modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.” (destacamos) Assim sendo, por questões de eficiência, moralidade e legalidade, é dever da Administração anular seus atos eivados de ilegalidade tão logo esta seja detectada, sem criar óbices burocráticos ao cumprimento da lei. No presente caso, a Recorrente, tendo verificado a existência de saldo negativo de IRPJ, pretendeu efetuar, nos termos da legislação federal, a compensação de tal valor no PER/DCOMP objeto deste processo. Entretanto, ao emitir sua declaração de compensação, a Recorrente cometeu uma impropriedade formal que, de fato, impossibilitou à Administração, num primeiro momento, a verificação da existência do crédito. No entanto, essa impossibilidade inicial foi afastada com a apresentação da manifestação de inconformidade, por meio da qual a Recorrente demonstrou bem qual era, de fato, a sua pretensão. Nesse caso, a Administração não deve ficar presa à literalidade da declaração. E isso por vários motivos: (i) porque a Constituição exige da Administração uma atuação eficiente (art. 37), e não se pode reconhecer eficiência numa decisão que simplesmente desconsidera a verdade dos fatos; (ii) porque é cediço que na esfera administrativa impera a verdade material, devendo ser mitigados institutos processuais como o da preclusão ou coisa julgada; (iii) porque fere a razoabilidade negar, depois de já se ter movimentado toda a máquina administrativa, um crédito tributário que pode ser reconhecido no Judiciário, o que gerará mais gastos para o erário, tanto para custear o processo administrativo que não acabará ali, mas também para o acompanhamento do processo judicial, que certamente se seguirá. Ora, os órgãos administrativos devem prezar pelo gasto consciente do dinheiro público. De nada adianta negar aos contribuintes compensações com base em argumentos extremamente burocráticos e gerar novos gastos (acompanhamento do processo administrativo e do processo judicial) para que, ao final, a compensação seja analisada e determinada pelo Judiciário. Sendo possível, é dever da Administração resolver a questão quando ela se encontra na sua esfera. E no presente caso era (e ainda é) possível. Em resumo, deve prevalecer a boafé da empresa e o princípio da verdade material. Nesse contexto, aliás, a jurisprudência administrativa tem reconhecido a possibilidade de se desconsiderarem pequenos erros materiais no preenchimento da DCOMP, conforme demonstram as ementas abaixo: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.904911/200834 Resolução nº 1801000.361 S1TE01 Fl. 139 6 “IRPJ PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Acórdão nº 10808.805, PTA 1014000094620020, sessão de 27/04/2006) “COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO. Descabe considerarse, como suposta alteração da origem do crédito pleiteado, o comprovado erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp).” (3ª Turma Especial, 3ª Seção do CARF. Acórdão nº 1803001.551 do PTA nº 10283.900422/200958, sessão de 06.11.2012) “COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Acórdão nº 10196.829, PTA 10768100409200368, sessão de 27/06/2008) Portanto, erro no preenchimento do PER/DCOMP não pode prevalecer sobre o direito ao crédito decorrente de pagamento indevidamente efetuado, desde que este seja devidamente demonstrado. Nestes autos há documentos que ao menos indicam a efetiva existência do crédito alegado pela Recorrente. Como dito acima, às fls. 3659 está acostada a DIPJ do ano calendário de 2001. Analisando essa declaração, é possível ver que nos três primeiros trimestres do ano a receita bruta da Requerente girou em torno de R$1.800.000,00. No entanto, no quarto trimestre daquele ano houve reconhecimento de valor extremamente superior aos três primeiros trimestres, que monta em R$42.544.213,28. Ou seja, é razoável de se admitir que a receita decorrente do acordo judicial (no valor de R$15.750.000,00) está contida nos R$42.544.213,28 informados no 4º trimestre de 2001, pois esta receita foi extremamente superior a dos demais e, ao que tudo indica, não faz parte dos ganhos habituais da Recorrente. Nesse contexto, visando a apurar a verdade material dos fatos de modo a dar subsídios para este Conselho decidir da maneira mais consentânea com a legalidade, voto por determinar a conversão do julgamento na realização de diligência com a finalidade de que a unidade de jurisdição da Recorrente: (i) intime a Recorrente para comprovar o recolhimento regular do IRPJ com base nos valores declarados na DIPJ/2002, por meio de demonstrativo analítico que ateste a inclusão do rendimento em questão nas bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, que deve guardar correspondência com a escrituração contábil, especialmente com os valores lançados na conta contábil nº 4103010001 e suas contrapartidas; (ii) verifique se o crédito de R$787.500,00 não foi utilizado em outros processos e, caso tenha sido, se há saldo suficiente para compensar o débito declarado neste processo. Ao final, devem ser juntados aos presentes autos o resultado da diligência já realizada nos autos do PAF nº xxxxxxxx, bem como cópia do acórdão lá formalizado. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
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Numero do processo: 10980.724261/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (substituto), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida DRJ CURITIBA/PR Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (substituto), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração lavrados em 22/08/2011. Pelo primeiro (fls.1120/1124), é exigida a COFINS de fatos geradores supostamente ocorridos entre março de 2008 e dezembro de 2010, acrescida de juros e multa, o que totalizou R$ 16.047.956,33. Pelo segundo (fls. 1137/1141), é exigido o PIS, do mesmo período, também acrescido de juros e multa, que culminou na exigência de R$ 2.607.792,40. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 24 26 1/ 20 11 -4 7 Fl. 3010DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10980.724261/201147 Resolução nº 3401000.738 S3C4T1 Fl. 3.011 2 Conforme consta no termo de verificação fiscal (fls.2669/2680), a autuada é uma empresa que atua no ramo de seguro de vida. Ela impetrou Mandado de Segurança para afastar a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1o, do art. 3o, da Lei nº 9.718/98. A sentença declarou a inconstitucionalidade da referida norma, mas não discriminou sobre quais receitais o PIS e a COFINS incidiriam. Com base nessa decisão, segundo a autoridade fiscal, a Autuada deixou de recolher o PIS e a COFINS sobre os prêmios dos seguros. Contudo, a Fazenda entende que o prêmio é receita oriunda de prestação de serviço financeiro (o seguro) e, como tal, compõe a base de cálculo das contribuições em comento. A Contribuinte apresentou impugnação (fls.2682/2708), mas a DRJ em Curitiba/PR manteve o lançamento integralmente, ao proferir acórdão com a seguinte ementa (fls.2895/2915): “BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE SERVIÇOS FINANCEIROS. ARRENDAMENTO MERCANTIL/LEASING. AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitado em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas de prêmios de seguros de vida e previdência complementar, atinentes a sua atividade operacional, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. (...) MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e multa de ofício, por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 10/04/2012 (fl.2922) e interpôs Recurso Voluntário em 08/05/2012 (fls.2923/2965), com as alegações resumidas abaixo: 1 Nulidade do acórdão da DRJ, por não ter analisado o item II.3 e seus subitens da Impugnação, que tratam da impossibilidade de enquadramento das receitas de prêmios de seguro, como se receita de prestação de serviço fossem; 2 A autoridade lançadora classificou a receita dos prêmios como decorrentes de serviços financeiros. Contudo, a DRJ considerou a mesma receita como decorrente da atividade operacional da Recorrente. Isso configura alteração indevida do critério jurídico de lançamento, portanto, inovação de fundamentação, e torna a decisão da DRJ nula; Fl. 3011DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10980.724261/201147 Resolução nº 3401000.738 S3C4T1 Fl. 3.012 3 3 Somente compõem a base de cálculo das contribuições as receitas brutas oriundas da venda de bens, da prestação de serviço ou de ambas; 4 No Mandado de Segurança, ficou reconhecido o direito da Recorrente de não recolher o PIS e a COFINS com a base de cálculo da Lei nº 9.718/98, mas somente sobre as vendas de mercadorias, de mercadorias ou serviços ou da venda de serviços, de modo que as receitas de outras naturezas não podem integrar a base de cálculo das contribuições; 5 O contrato de seguro não é contrato de prestação de serviço, mas sim de obrigação futura incerta. Desse modo, o prêmio tem o objetivo de criação de um fundo comum para custear as despesas incorridas pelos segurados, o que não se confunde com a remuneração de prestação de serviço; 6 Somente há uma prestação de serviço quando se verifica uma obrigação de fazer relacionada a um esforço humano que gere uma utilidade material ou imaterial a terceiro. A receita oriunda do prêmio de seguro não pode ser confundida com contraprestação de prestação de serviço, pois não remunera o esforço humano; 7 O Acordo Geral Sobre Comércio e Serviço (GATS) não serve de fundamento para tributação do prêmio de seguro, como pretende o Fisco, pois ele é utilizado somente em negociações internacionais; 8 A multa de ofício não poderia ter sido aplicada, pois a Contribuinte estava apoiada em decisão judicial; 9 A incidência de juros sobre a multa é ilegal. Os juros devem incidir somente sobre o tributo; Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que seja cancelado o auto de infração. É o Relatório. VOTO Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente é uma empresa de seguros que se equipara a instituição financeira, nos termos do art. 1o, Parágrafo Único, inciso I, da Lei nº 7.492, de 16 de junho de 1986. Ela foi autuada em razão de não ter recolhido o PIS e a COFINS sobre as receitas oriundas do prêmio de seguro. Em seu Recurso Voluntário, ela devolveu as seguintes matérias para apreciação deste Conselho: Nulidade do acórdão da DRJ por não ter apreciado todas as matérias arguidas; nulidade do acórdão da DRJ por ter inovado na fundamentação do lançamento; impossibilidade de equiparar contrato de seguro a contrato de prestação de serviço; ilegalidade da aplicação da multa de ofício; e ilegalidade de juros sobre a multa. Fl. 3012DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10980.724261/201147 Resolução nº 3401000.738 S3C4T1 Fl. 3.013 4 O cerne da questão posta no mérito é se incidem o PIS e a COFINS sobre as receitas de prêmio de seguro, vez que a atividade principal da Recorrente é a administração de seguros. É imperativo destacar que o tema acerca da incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras está sendo apreciado pelo Supremo Tribunal Federal, nos Recursos Extraordinários nºs 400.479 e 609.096, cuja Repercussão Geral foi reconhecida, nos termos do art. 543B, do Código de Processo Civil. Sendo assim, é o caso de aplicação §1o, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF que assim dispõe: “§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B”. Depois do julgamento do Recurso Extraordinário nº 609.096, os presentes autos voltarão a ser pautados, a fim de que sejam analisadas todas as matérias arguidas pela Recorrente. Ex positis, em atendimento ao §1o, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, sobrestou o julgamento do presente Recurso Voluntário, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 609.096 pelo STF. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 3013DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 13971.001503/2005-80
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.
O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.
Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.
Na realidade em exame, a interessada, repetindo a mesma conduta adotada na primeira instância, não pontuou nos autos os documentos que porventura poderiam comprovar a utilização do produto ou do serviço no processo industrial, muito menos apresentou qualquer levantamento de cálculo ou documentação de caráter técnico, fato que impossibilitou a aceitação como insumo dos itens reclamados.
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE.
O parcelamento de energia elétrica se enquadra na hipótese de creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637 de 2002, inerente a custos com energia elétrica.
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE DESPESAS FINANCEIRAS. PAGAMENTOS A EMPRESAS DE FACTORING E DESPESAS COM MORA. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O inciso V do artigo 3o das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 autoriza o desconto de créditos calculados sobre despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optantes pelo SIMPLES.
Por falta de previsão legal, não é possível o desconto de créditos calculados sobre pagamentos a empresas de factoring, além de outras moras decorrentes de pagamentos em atraso a fornecedores.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-004.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Indústria e Comércio Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 15 03 /2 00 5- 80 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Na realidade em exame, a interessada, repetindo a mesma conduta adotada na primeira instância, não pontuou nos autos os documentos que porventura poderiam comprovar a utilização do produto ou do serviço no processo industrial, muito menos apresentou qualquer levantamento de cálculo ou documentação de caráter técnico, fato que impossibilitou a aceitação como insumo dos itens reclamados. PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE. O parcelamento de energia elétrica se enquadra na hipótese de creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637 de 2002, inerente a custos com energia elétrica. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE DESPESAS FINANCEIRAS. PAGAMENTOS A EMPRESAS DE FACTORING E DESPESAS COM MORA. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O inciso V do artigo 3o das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 autoriza o desconto de créditos calculados sobre despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optantes pelo SIMPLES. Por falta de previsão legal, não é possível o desconto de créditos calculados sobre pagamentos a empresas de factoring, além de outras moras decorrentes de pagamentos em atraso a fornecedores. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001503/200580 Acórdão n.º 3802004.261 S3TE02 Fl. 378 3 (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Florianópolis (fls. 293/305 da cópia digitalizada do eprocesso, doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a parte que não foi reconhecida do pedido de ressarcimento de aduzidos créditos do PIS/Pasep relativo ao segundo trimestre de 2004. Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida. Trata o presente processo de Pedido Ressarcimento de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, relativo ao segundo trimestre de 2004, no valor de R$ 140.879,56. Relatório de Auditoria Fiscal Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Brusque/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento, na apuração de créditos, dos seguintes valores: a) aquisições de serviços não considerados como insumos por entender que estes não guardam relação direta com o processo produtivo da empresa; b) os consignados nas faturas de energia elétrica a título de taxa de religação, parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora, por consistirem de valores não relacionados ao consumo, nos termos prescritos na legislação; c) de pagamentos 1) efetuados a título de juros de mora decorrentes de atraso no pagamento de duplicatas; de 2) efetuados a empresas de fomento mercantil (factoring); e 3) efetuados a empresas não consideradas instituições financeiras, em razão de tais valores não consistirem de despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoa jurídica com sede no País, nos termos prescritos no art. 3º, inciso V, da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade onde se ocupa, inicialmente, em discorre sobre a não cumulatividade da Contribuição para o PIS e da Cofins, para no fim concluir que qualquer restrição na apuração de créditos no âmbitos de tais Fl. 379DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 contribuições vai de encontro ao princípio da não cumulatividade constitucionalmente estabelecido. Nesse sentido, argumenta que: No caso da COFINS e do PIS, tratandose de tributos incidentes sobre o faturamento e a receita, para que a nãocumulatividade seja efetivamente implementada, devese outorgar créditos sobre todas as mercadorias, insumos, custos e demais despesas incorridas ou pagas que se mostrem necessárias à obtenção dos recursos tributáveis por essas exações, sob pena de tornar sua incidência, ainda que parcialmente, cumulativa, e, portanto, inconstitucional. (...) Vale dizer, na sistemática da incidência tributária nãocumulativa, a regra é que o tributo incidente na etapa anterior seja sempre aproveitado pelo contribuinte empresário na etapa subseqüente, onerando apenas o valor por ele incrementado na operação. Portanto, a vedação ao crédito, por qualquer motivo que seja, é exceção à regra, não podendo prevalecer acaso não esteja constitucionalmente autorizada. (...) Com efeito, isto se pode afirmar porque o objetivo da concessão de créditos para o abatimento (compensação) do COFINS e do PIS devidos, é o mesmo da concessão de créditos para a diminuição do ICMS e do IPI devidos, qual seja, ao menos sob o ponto de vista econômico, tributar apenas a riqueza adicionada ou agregada em cada etapa do ciclo econômico, evitandose a incidência cumulativa ou em cascata também da COFINS e do PIS, de sorte a racionalizar e melhor distribuir a tributação ao longo da cadeia produtiva, dinamizando a economia. (...) Ademais, tendo a EC n. 42/2003, ao incluir o § 12 ao art. 195 da CF/88, atribuído ao legislador ordinário tãosomente a aptidão de estabelecer os ramos de atividade que estariam sujeitos ao princípio da nãocumulatividade, não se lhe mostra dado, dentro do campo das mercadorias, insumos, custos e demais despesas ligadas à obtenção de receitas tributáveis pela COFINS e pelo PIS, permitir a fruição de créditos em relação a uns e tolhela em relação a outros. (...) Com isto em mente, resta inquestionável o direito da empresa de ver reconhecidos os créditos pretendidos, pois a legislação ordinária assim lhe assegura, e eventuais hipóteses que não se enquadrem nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 devem ser aceitas, ante o que dispõe § 12 ao art. 195 da CF/88, nos termos acima alinhados. Em relação às glosas de valores referentes a aquisição de serviços, afirma que houve equívoco por parte da fiscalização já que muitos dos serviços glosados se enquadram no campo de creditamento admitido pelas próprias Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, quais sejam: locação/conserto de empilhadeira e conserto de elevadores; tratamento de efluentes; serviço de coleta e destinação de lixos e entulhos, baldeio e empilhamento de lenha; colocação de forro; medição de grandeza elétricas; serviços de refrigeração e equipamentos de combate a incêndio. Defende que “na eventualidade de alguma operação ser afastada face à legislação ordinária, ainda assim persiste o crédito pretendido, frente à matriz constitucional do crédito perseguido, nos moldes alinhados no tópico II supra” Com relação à energia elétrica, defende: que a própria legislação ordinária permite o crédito de todas as despesas relacionadas e necessárias ao seu fornecimento e que não poderia receber energia elétrica sem pagamento das despesas em referência. Conclui que, por ser obrigada a estas despesas para ter acesso à energia elétrica, é certo o direito à inclusão Fl. 380DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001503/200580 Acórdão n.º 3802004.261 S3TE02 Fl. 379 5 do respectivo valor no cálculo do crédito presumido, da forma admitida pela Constituição Federal e pela legislação ordinária. No tocante às despesas financeiras, alega que “não pode prosperar o entendimento da fiscalização, no sentido de que os pagamentos implementados a factorings e juros a fornecedores não caracterizariam despesas financeiras” e que “também aqui se fazem integralmente aplicáveis os argumentos lançados no tópico II supra, que indicam o amplo e irrestrito direito ao crédito de PIS/COFINS”. Ao final de suas alegações pugna, com base no art 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, pela realização de diligência fiscal para que, diante do acompanhamento da atividade produtiva da empresa, reste respondida a questão “se os bens e serviços glosados do cálculo geram direito a crédito, frente ao que dispõem as Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003?” Em face do exposto, requer seja recebida e julgada procedente a presente manifestação de conformidade, e concedido integralmente o crédito cujo ressarcimento foi requerido. Não obstante, os argumentos aduzidos pela reclamante não foram acolhidos pela primeira instância, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito à crédito os custos com bens e serviços tidos como insumos diretamente aplicados na produção de bem destinado à venda e as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos na fabricação ou produção de bens destinados à venda: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. PREVISÃO LEGAL. Por expressa previsão legal, dão direito a crédito os valores gastos com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não gerando crédito os valores incluídos na fatura de energia em relação aos quais não há qualquer permissivo legal para tanto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 381DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 06/10/2011 (fls. 312), a interessada, em 07/11/2011 (uma segunda feira), apresentou o recurso voluntário de fls. 313/320, onde reitera os argumentos apresentados na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao recurso, com o consequente reconhecimento integralmente do crédito cujo ressarcimento fora requerido. É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Amplitude do conceito de insumo diante das atividades exercidas pela suplicante. Conforme relatado, a lide decorre de pedido de ressarcimento do PIS/Pasep do segundo trimestre de 2004, no montante de R$ 140.879,56, reconhecido apenas em parte pela unidade de origem, e cuja manifestação de inconformidade foi considerada improcedente pela DRJ Florianópolis. O direito em discussão diz respeito ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, instituído, respectivamente, pelas Lei nos 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Assim, aludido regime de incidência nãocumulativa foi inaugurado em relação ao PIS/Pasep, fruto da Medida Provisória no 66, de 2002, posteriormente convertido na Lei nº 10.637/2002. Os efeitos do regime em tela, alusivos à nãocumulatividade do PIS/Pasep, passaram a atingir os fatos geradores a partir de 1o de dezembro de 2002. Quanto à não cumulatividade da COFINS, objeto da Lei nº 10.833/2003 (conversão da Medida Provisória nº 135/2003), a vigência do regime se deu a partir de 1º de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem algumas ressalvas ao direito de creditamento em tela1. 1 Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001503/200580 Acórdão n.º 3802004.261 S3TE02 Fl. 380 7 O inciso II do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Eis, aqui, uma das questões mais controvertidas em relação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. Ressaltese que as normais legais stricto sensu que prevêem a não cumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) – nãocumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004 – nãocumulatividade da COFINS –, segundo os quais, para fins de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, deverão ser assim concebidos, aqueles: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Especificamente sobre o critério adotado pela IN SRF no 404/2004 para a definição de insumo, o i. conselheiro desta Tuma de julgamento, Solon Sehn2, ressalta que [...] não é válida a equiparação [à legislação do IPI] realizada pela instrução normativa. A contribuição não incide apenas sobre operações que tenham por objeto produtos industrializados. Tais negócios jurídicos abrangem parte da materialidade da exação, que é muito mais ampla e alcança todos os atos de acréscimo ao patrimônio líquido do contribuinte (receita bruta). Desse modo, a aplicação do conceito de insumo da legislação do IPI gera como efeito prático a limitação da não cumulatividade da contribuição a uma parcela dos fatos tributados, mantendo o efeito cascata em relação às demais receitas auferidas pelo contribuinte. Ao mesmo tempo, compromete de forma irremediável a maior virtude da legislação: a previsão de um conceito amplo de insumo, capaz de garantir uma salutar e indispensável maleabilidade da lei em face do dinamismo da atividade empresarial. Uma restrição dessa natureza somente 2 SEHN, Solon. PISCOFINS: Não Cumulatividade e Regimes de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 315 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 poderia ser prevista em lei formal, diretamente na Lei no 10.833/2003, inclusive porque, ao reduzir o montante do crédito dedutível, a instrução normativa implica o aumento do valor do tributo devido por meio de analogia, o que é vedado pelo art. 108, § 1o, do Código Tributário Nacional. Defende ainda que a Lei no 10.833/2003 adotaria “[...] um conceito de insumo claramente ligado à noção de custo de produção prevista de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 13, § 1o; Decreto no 3.000/1999, arts. 290 e 291)”3. Há ainda os que apregoam a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins4, em sintonia com a tese sustentada pela recorrente. Segundo ele, pelo fato de as contribuições em comento alcançarem a receita total das entidades, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Para Marco Aurélio Greco5 os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da nãocumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há ainda outras teses doutrinárias que revelam esse que é um dos mais intrincados assuntos relacionados ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da 3 ob. cit., p. 315316. 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001503/200580 Acórdão n.º 3802004.261 S3TE02 Fl. 381 9 COFINS. Particularmente, no âmbito do presente foro de discussão destinado a buscar um posicionamento justo para a lide, entendemos que se a lei admite o direito de crédito decorrente de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, dentre várias outras hipóteses, também permite que referido direito creditório decorra da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, ressalvadas as exceções legais. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, posição a qual defendemos, muito embora reconheçamos que parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, contudo, não encontra alicerce na legislação pertinente. Quanto ao alcance do conceito de insumo segundo o regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, entendemos que a acepção correta é aquela ligada à essencialidade do bem ou do serviço para o exercício da atividade empresarial: fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou prestação de serviços. Desde já, afastase a tese da recorrente que procura dar ao conceito de insumo uma amplitude seguindo o parâmetro de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda. Feito o registro concernente ao alcance das normas alusivas ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, passase à análise das demais questões pontualmente aduzidas no recurso. Das glosas de aquisições de serviços não considerados como insumos A suplicante tem como objeto social a “fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico”, CNAE 1351100, conforme consignado em seus dados junto ao CNPJ. Consta ainda do artigo 3º do Estatuto Social registrado em 17/05/2006 na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina: A sociedade tem por objeto a indústria têxtil, compreendendo todos os ramos complementares, comercialização e exportação de seus produtos, importação, atividades relacionadas ao florestamento ou reflorestamento, podendo ainda participar de outras sociedades de igual ou diversa finalidade, como acionista ou quotista, a critério do Conselho de Administração. Sem dúvida, a natureza das atividades exercidas pela interessada é relevante para a caracterização como insumo dos custos e despesas apresentados. Em seu recurso, a recorrente assevera que inúmeros serviços glosados se encontrariam no campo de creditamento objeto das leis nos 10.637/02 e 10.833/02. Cita, por exemplo, locação/conserto de empilhadeira e conserto de elevadores; tratamento de efluentes; serviço de coleta e destinação de lixos e entulhos, baldeio e empilhamento de lenha; colocação de forro; medições de grandeza elétricas; serviços de refrigeração; e equipamentos de combate a incêndio. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 10 Diante dos sintéticos esclarecimentos trazidos no recurso pela interessada, e tendo como norte a essencialidade como pressuposto para a consideração de determinado bem ou serviço como insumo, entendo que a maioria dos itens acima elencados não poderá como tal ser considerado, até porque não há nos autos, ou não foi indicado pontualmente pela empresa, documento capaz de demonstrar eventual necessidade direta dos serviços em tela para o desempenho das atividades produtivas. Concernente ao tratamento de efluentes é bem verdade que tal serviço me parece essencial ao exercício do processo produtivo do sujeito passivo. Não obstante, e diferentemente de dois outros processos da interessada trazidos para julgamento nesta sessão em que foram apresentados os documentos correspondentes aos serviços em tela (notas fiscais) , agora nenhum documento foi acostado. Com efeito, os autos carecem de indicativo quanto à correspondente nota fiscal de aquisição do serviço ou eventual elemento de conteúdo técnico suficiente para subsidiar a análise no que concerne à sua quantificação ou mesmo à subsunção ao conceito de insumo, ou seja, o bem ou serviço necessário ao processo produtivo da recorrente. Com efeito, diferentemente da fiscalização, que elencou os serviços glosados, o sujeito passivo não cuidou de indicar as correspondentes notas fiscais alusivas a cada um dos itens que entende deveriam ter sido considerados na apuração do crédito, cuja descrição da transação poderia trazer elementos mais esclarecedores para a sua eventual consideração como insumo. Muito menos laborou em trazer um demonstrativo que quantificasse o correspondente montante, necessário para um exame pontual dos itens nos quais se baseara. Tais elementos, com efeito, deveriam ter sido colacionadas aos autos pela interessada, o que afirmo com esteio no inciso II do artigo 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, segundo o qual o ônus da prova incumbe “ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. É, pois, do sujeito passivo, a obrigação de apresentar as provas que alicerçam os elementos defensórios por ele alegados, não podendo a administração substituílo em tal papel. Assim, não obstante a natureza das atividades exercidas pela reclamante, necessitarseia de mais informações para admitir os itens acima referenciados como insumos do processo produtivo. Na sua ausência, não há como reconhecer o correspondente crédito reclamado, mesmo tendose em conta as sintéticas explicações apresentadas no recurso, as quais, penso, são insuficientes para o deferimento do pleito. Quanto às despesas acessórias com energia elétrica Extraise do relatório de auditoria fiscal (fls. 198/199) que a própria fiscalização já reconheceu o direito creditório calculado em relação ao custo com energia elétrica ("consumo, demanda e encargo de aquisição de energia elétrica, inclusive emergencial"), tendo glosado, contudo, os montantes correspondentes a "parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora". O sujeito passivo, por seu turno, defende que estas também deveriam ter sido consideradas. Com efeito, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637/02, assim como o inciso III do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, permitem o desconto de créditos do PIS e da COFINS calculados sobre a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Das glosas acima citadas entendo que deverá ser admitida aquela inerente a parcelamento, em vista de este caracterizar mero diferimento dos custos com a energia elétrica consumida. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001503/200580 Acórdão n.º 3802004.261 S3TE02 Fl. 382 11 Nessa parte, portanto, dáse parcial provimento ao recurso formulado pelo sujeito passivo. Das despesas financeiras A reclamante se contrapõe em seu recurso às glosas de despesas financeiras com empresas de factoring e outras moras decorrentes de pagamentos em atraso a fornecedores. O inciso V do artigo 3o das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 autoriza o desconto de créditos calculados sobre despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optantes pelo SIMPLES. O direito em tela foi reconhecido em relação às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos obtidos pela interessada junto a pessoas jurídicas sediadas no País. No entanto, foi negado o direito inerente aos pagamentos de despesas financeiras efetuados a empresas de fomento mercantil (factoring) e a outras empresas (clientes), já que os mesmos, com efeito, não se enquadram na hipótese de creditamento prevista no art. 3º, inciso V, das Leis nos 10.637/02 e 10.637/03. Assim, por falta de fundamentação legal, não há como reconhecer o direito inerente a pagamentos a empresas de factoring, além de outras moras decorrentes de pagamentos em atraso a fornecedores. Da conclusão Com estas considerações, voto para dar provimento em parte ao recurso voluntário interposto pela interessada, no sentido de reconhecer o direito ao desconto de créditos do PIS/Pasep calculados sobre o parcelamento de energia elétrica. Sala de Sessões, em 19 de março de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 387DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 19791.000249/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 29/11/2004 a 15/02/2005
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.
Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre a mesma matéria, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.
Não estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário na ocasião do lançamento, cabe a exigência da multa de ofício.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário; na parte conhecida, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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IMPORTAÇÃO Recorrente AGRORAMA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 29/11/2004 a 15/02/2005 CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. MANDATÁRIO. DESPACHANTE ADUANEIRO. TEORIA DA APARÊNCIA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À AMPLA DEFESA. A ciência do lançamento ao sujeito passivo é requisito formal previsto no inciso V do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Tratase de um direito subjetivo inerente às pessoas indicadas no polo passivo, de modo a lhes propiciar acesso ao inteiro teor da peça de acusação e, se for o caso, o direito de impugnarem o ato de lançamento. A falta de intimação de qualquer um dos sujeitos passivos pode levar à invalidade relativa do ato de lançamento, quando restar configurado o cerceamento de seu direito de defesa em decorrência de tal vício. Contudo, o comparecimento do sujeito passivo ao processo, apresentando sua defesa, pode suprir a eventual irregularidade, como dispõe o §5º, art. 26 da Lei nº 9.784/99, notadamente se a pessoa que tomou ciência figurar como mandatário do sujeito passivo, como é o caso do despachante aduaneiro autorizado para processar o despacho aduaneiro de importação, e se não houver prejuízo ao acusado. Em consonância com o princípio da instrumentalidade processual, que recomenda o desprezo a formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais, é de se aplicar a Teoria da Aparência para reconhecer a validade da ciência do auto de infração, assinado por quem se apresentou na repartição fiscal como mandatário/despachante aduaneiro, com poderes para agir como se fosse o seu representante legal, mormente se o sujeito passivo apresentou tempestivamente impugnação ao ato de lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 29/11/2004 a 15/02/2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 79 1. 00 02 49 /2 00 7- 69 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre a mesma matéria, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Não estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário na ocasião do lançamento, cabe a exigência da multa de ofício. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 29/11/2004 a 15/02/2005 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre a mesma matéria, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Não estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário na ocasião do lançamento, cabe a exigência da multa de ofício. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/95, a aplicação de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Súmula CARF n° 4, de 2009. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário; na parte conhecida, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19791.000249/200769 Acórdão n.º 3202001.484 S3C2T2 Fl. 124 3 O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de autos de infração lavrados em 12/04/2007 (efls. 2/ss), para a cobrança da Cofinsimportação e do PISimportação referente às declarações de importação nºs 04/12169902, 04/12891314, 05/00977156, 05/00977288, 05/01210010, 05/01266970, 05/01549387. As citadas declarações de importação haviam sido liberadas sem o recolhimento das contribuições em face de liminar concedida no bojo de ação judicial (processo nº 2004.70.04.0029446), em 17/08/2004. Contudo, em 17/01/2006 a citada ação judicial foi julgada improcedente. Por bem descrever os fatos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Versa o presente processo sobre os autos de infração lavrados, as fls. 01/03 e 06/08, relativos a falta/insuficiência de recolhimento da Cofins Importação e ao Pis/Pasep Importação devidos, acrescidos de juros e da multa de oficio, em face de o contribuinte ter registrado as Declarações de Importação (DI) n.° 04/12169902, 04/12891314, 05/00977156, 05/00977288, 05/01210010, 05/01266970 e 05/01549387, referente a 3.880 Ton. de Trigo Comercial a Granel (NCM 1001.90.90) e 4.000 Ton. de Soja Paraguaia em Grãos a Granel (NCM 1201.00.90). Relata a auditoriafiscal que o importador ajuizou a ação n° 2004.70.04.0029446, obtendo liminar em 17/08/2004 que suspendia o pagamento das contribuições do PIS/PASEP e COFINS e que, em 17/01/2006, a ação foi julgada improcedente. Regularmente cientificada (fls. 01 e 06), a autuada apresentou impugnação (fls. 45/62), na qual, em síntese: Alega que a ciência do auto de infração foi dada na pessoa do Sr. Jorge Luiz de Brito, que é despachante aduaneiro e não possui procuração valida em seu nome outorgada pela empresa que o autorize a receber citações ou intimações da Secretaria da Receita Federal. Assim, o ato praticado por pessoa incompetente é causa de nulidade do auto de infração. Aduz que houve cerceamento ao seu direito de defesa porque não lhe foi entregue cópia dos documentos que compõem o auto de infração. Conta que teve que esperar o processo chegar na Inspetoria de Guaíra para então obter vistas e cópias em 09/05/2007, tendo reduzido o seu prazo de defesa para 11 dias. Que, em vista que os demais contribuintes tem o prazo de 30 dias para apresentar sua impugnação, feriu se o principio da isonomia. Alega que a exigência de PIS e COFINS sobre importações feitas de países integrantes do Mercosul é inconstitucional por violar o art. 98 do CTN. E que a tributação pela COFINS de bens estrangeiros ultrapassa o alcance da competência legislativa tributária, o que configura inconstitucionalidade na criação de tal incidência. Por isto, impossível a aplicação da norma tributária como descrita (Lei n° 10.865/2004) por sua ilegalidade. Aduz que fica evidente que a intenção do legislador de tributar pela COFINS é a entrada de bens, no sentido de máquinas e equipamentos, ou seja, bens que possam ser contabilizados no ativo imobilizado das empresas. Este não é o caso da importação de soja e trigo, que se constitui num produto para revenda/mercancia, contabilizado na conta de estoques de mercadorias para revenda. Alega que a soja em grãos DI 05/01210010 e 05/01549387 — tinha como destino a exportação, conforme a nota fiscal 53788 — BL n° 03 e comprovante de exportação 2050247513/7 anexados. A empresa que adquirir produtos estrangeiros Fl. 125DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 para revenda tem o direito à manutenção dos créditos decorrentes do pagamento do PIS/PASEP e COFINS Importação, compensando tais créditos com as operações subseqüentes. No caso da autuada, contudo, há um desembolso imediato, no ato de importação e, como a operação futura de exportação será imune do tributo (art. 149, § 2°, I da CF 88), ao invés da cobrança de um tributo com possibilidade de crédito em operações subseqüentes, está o fisco a efetuar um verdadeiro empréstimo compulsório, ao possibilitar ao contribuinte uma devolução somente após seguir todos os trâmites previstos em lei. Assim, cabe a determinação da compensação entre o débito e crédito envolvidos na operação. Argui que é inaplicável o lançamento da multa de oficio de 75%, conforme art. 662 do Regulamento Aduaneiro, frente à existência da ação judicial que ainda está pendente de julgamento de recurso. Assim, não se pode falar em decisão judicial que considera devido o tributo para a contagem do prazo de 30 dias para o lançamento fiscal com multa de 75%. O lançamento exige o pagamento das Contribuições na forma estabelecida pelo art. 7° da Lei n° 10.865/2004, o qual é inconstitucional, porque a sua base de cálculo é o valor aduaneiro. Aduz que, contrariamente ao relatado pela auditoriafiscal, houve a interposição de apelação e que não há decisão transitada em julgado. Alega que é inaplicável a taxa SELIC como fator de correção de tributos, por ferir aos princípios da legalidade, da anterioridade, da segurança jurídica e da indelegabilidade de competência tributária. Requer seja julgado improcedente o presente auto de infração. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0728.405 em 19 de abril de 2012 (efolhas 80/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 26/12/2005 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 29/11/2004 a 15/02/2005 ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA A. ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia as instâncias administrativas no tocante a mesma matéria. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. Na hipótese do crédito tributário não ter sido pago no vencimento, são devidos juros de mora pela taxa SELIC, independentemente do motivo determinante da falta de recolhimento. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Não estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário na ocasião do lançamento, cabe a exigência da multa de oficio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 126DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19791.000249/200769 Acórdão n.º 3202001.484 S3C2T2 Fl. 125 5 A interessada foi cientificada do Acórdão em 12/07/2012 (efolhas 92/103). A empresa apresentou Recurso Voluntário (efls. 104/ss) em 24/04/2012, onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Preliminares Em preliminares a Recorrente alega que: (i) o auto de infração seria nulo porque a ciência “foi dada na pessoa do Sr. Jorge Luiz de Brito, que é despachante aduaneiro e não possui procuração válida em seu nome outorgada pela empresa que o autorize a receber citações ou intimações da Secretaria da Receita Federal”; (ii) houve cerceamento ao seu direito de defesa pelo fato de que “não lhe foi entregue cópia dos documentos que compõem o auto de infração” e, também, “que teve que esperar o processo chegar na Inspetoria de Guaíra para então obter vistas e cópias em 09/05/2007, tendo reduzido o seu prazo de defesa para 11 dias”. Como bem destacou a decisão recorrida, o despachante aduaneiro Jorge Luiz de Brito não é pessoa estranha à Recorrente, uma vez que além de apresentarse como “procurador” da mesma junto à repartição fiscal, ao tomar ciência da autuação fiscal (vide e fls. 2 a 13), encaminhou os documentos recebidos à empresa autuada. Prova disso é que a Recorrente apresentou tempestivamente sua impugnação, exercendo o direito constitucional à ampla defesa. Ademais, o nome do citado despachante – Jorge Luiz de Brito – consta como responsável habilitado para conduzir o despacho aduaneiro das mercadorias (vide quadro “Dados complementares” efls. 14/41), portanto, responsável legal perante a unidade de despacho das mercadorias – DRF Foz do Iguaçu – PR. Na área aduaneira, é cediço que o despachante aduaneiro executa funções diversas em nome do importador (solicitação de licenciamento, pagamento de taxas, preenchimento e submissão de declaração de importação, despacho e desembaraço aduaneiro), portanto, age na qualidade de mandatário do importador. Esse entendimento tem como corolário a pacificada Teoria da Aparência, consagrada por cortes diferentes, dentre as quais o próprio antigo Conselho de Contribuintes e o Superior Tribunal de Justiça, a exemplo dos acórdãos parcialmente transcritos a seguir: (...) É válida a ciência do despacho denegatório, tomada por empregado da interessada. Presumese, pela teoria da aparência, que o empregado que comparece à repartição fiscal para tratar de interesses da empresa tenha poderes para Fl. 127DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 representála. Cumpre à empresa provar que o empregado não era preposto, e que agiu sem sua autorização... 1 ............................................................................................................................. Segundo o Julgador monocrático, a fiscalização na empresa foi recebida por um empregado encarregado da contabilidade, o qual deu ciência da autuação. Este fato levou a sentença a considerar de plena legalidade a notificação. Com efeito, pela teoria da aparência, se na sede da empresa uma pessoa apresenta se como responsável, não há nulidade alguma em ser esta a pessoa considerada como representante legal (...)2 No caso em tela, entendo não haver vício de procedimento (uma das hipóteses de vício formal) capaz de resultar na invalidação do ato de lançamento tributário lavrado, conforme já tive oportunidade de expor em estudo realizado (Dissertação de mestrado, defendida no dia 14/03/2014 na PUC – São Paulo), abaixo transcrito: 6.3.2. Vícios de procedimento Na abalizada lição de Hely Lopes Meirelles, o procedimento administrativo compõese de um conjunto de atos intermediários, preparatórios e interligados, que se conjugam para dar conteúdo e forma ao ato final, no caso aqui em estudo, ao ato de lançamento tributário. E adverte o mestre com precisão: “A preterição de atos preparatórios ou a sua realização em desconformidade com a norma legal que disciplina o procedimento administrativo pode acarretar a nulidade do ato final, desde que se trate de operações essenciais ou de requisitos de legalidade do ato principal. (n.g.)” Na esfera federal, os procedimentos fiscais a serem obedecidos na composição do ato de lançamento estão prescritos, basicamente, nos Decretos nº 70.235/72 e nº 7.574/2011, e subsidiariamente na Lei nº 9.784/99. A preterição desses protocolos pode acarretar a nulidade do ato de lançamento, por vício formal. (...) vícios de procedimento englobam tanto vícios decorrentes de desconformidades no atendimento de ritos previstos na fase de formação/elaboração do ato de lançamento (“fase de procedimento fiscal”) como de requisitos posteriores à formação do ato, relativos à sua publicidade (ciência). (...) (...) 6.3.2.2. Vício na notificação/ciência do sujeito passivo A ciência do lançamento ao sujeito passivo é requisito formal previsto no inciso V do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Tratase de um direito subjetivo inerente às pessoas indicadas no polo passivo, de modo a lhes propiciar acesso ao inteiro teor da peça de acusação e, se for o caso, o direito de impugnarem o ato de lançamento. Desse modo, é inquestionável que deve ser garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório, inclusive na esfera administrativa (CF/88 – art. 5º, inciso LV), a todas as pessoas indicadas no polo passivo da relação jurídicotributária, sem exceção. A falta de intimação de qualquer um dos sujeitos passivos pode levar à invalidade relativa do ato de lançamento, quando restar configurado o cerceamento de seu direito de defesa em decorrência de tal vício. Entretanto, o comparecimento da 1 Recurso Voluntário 109417, Segundo Conselho de Contribuintes, Relator: Renato Scalco Isquierdo 2 RESP Nº 65.484 do Superior Tribunal de Justiça – Relatora Min. Eliana Calmon Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19791.000249/200769 Acórdão n.º 3202001.484 S3C2T2 Fl. 126 7 pessoa não intimada ao processo, apresentando sua defesa, pode suprir a irregularidade, como dispõe o §5º, art. 26 da Lei nº 9.784/993. A alegação de que supostamente “não lhe foi entregue cópia dos documentos que compõem o auto de infração” também não merece ser acolhida. A uma, porque o mandatário da empresa atestou ter recebido cópia do auto de infração (vide efls. 2, 8 e 13); a duas, porque acaso isso efetivamente houvesse ocorrido, bastaria solicitar vistas e/ou cópia dos documentos que compõem o processo na repartição fiscal; a três, pelo fato de a Recorrente ter elaborado sua defesa (digase de passagem, de forma ampla e muito bem articulada), demonstrando conhecer perfeitamente do que estava sendo acusada. Destarte, é de concluirse que a Recorrente tomou ciência da autuação fiscal, por meio de seu mandatário, e, fundamentalmente, que a apresentação tempestiva da impugnação supriu eventuais irregularidades no procedimento de publicidade do lançamento, não causando qualquer prejuízo ao autuado. A jurisprudência deste Tribunal administrativo trilha nesse sentido, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo transcritos: Acórdão CC nº 180500.081, sessão de 28/05/2009, Conselheiro Relator João Francisco Bianco: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO ENTREGUE NO DOMICÍLIO FISCAL DO CONTRIBUINTE. Considerase efetivada a notificação na data do recebimento no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte. É irrelevante o fato de que, quem recebeu o documento, não seja o representante legal da pessoa jurídica, mas sim seu contador sem vínculo de emprego, assinando a cópia sem ressalvas. Aplicação da Teoria da Aparência. Acórdão CC nº 10322.224, sessão de 09/12/2005, Conselheiro Relator Flávio Franco Corrêa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. TEORIA DA APARÊNCIA. Em consonância com o princípio da instrumentalidade processual, que recomenda o desprezo a formalidades desprovidas de efeitos prejudiciais, é de se aplicar a teoria da aparência para reconhecer a validade das intimações e do auto de infração lavrados em nome da pessoa jurídica, assinados por quem se apresentou, no local em que a fiscalizada manteve como sede provisória, com poderes para agir como se fosse o seu representante legal, sem ressalvas oportunas, mormente se a autuada diligentemente atendeu às requisições fiscais expedidas, mediante a intermediação do preposto putativo. Acórdão CC nº 20214.723, sessão de 16/04/2003, Conselheiro Relator Gustavo Kelly Alencar: COFINS. INTIMAÇÃO. TEORIA DA APARÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA 3 Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. (...) § 5º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Em nosso ordenamento vige a chamada teoria da aparência, combinada com o princípio da instrumentalidade das formas processuais. Se o ato é praticado acorde com a legislação, produzindo os efeitos que deveria, é válido de pleno direito. (...) Recurso ao qual se nega provimento. Em suma, rejeito as preliminares de nulidade do lançamento arguidas pela Recorrente. Mérito Concomitância entre processos na discussão da incidência dos tributos Como relatado, a empresa impetrou ação judicial para discutir a cobrança do PIS e da Cofins na importação de mercadorias, por entender que a incidência dessas contribuições seria ilegal e inconstitucional. Destarte, em relação aos tributos o Recurso Voluntário não deve ser conhecido na esfera administrativa por haver identidade de matéria – a cobrança do PIS e da Cofins incidentes nas operações de importação e de partes, entre este processo administrativo e o processo judicial objeto Mandado de Segurança n° 2004.70.04.0029446 (vide documentos anexados às efolhas 68/71 e 75/76), devendo prevalecer a opção efetuada pela via judicial e cumprindose o que lá foi decidido. Não se conhece, portanto, do Recurso nesta esfera administrativa. Este é o teor da Súmula CARF nº 01, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Multa de ofício aplicada Em relação à multa de oficio lançada, não há reparos a fazer na decisão recorrida. Isto porque os autos de infração foram lavrados em 19/04/2007, data em que já não mais havia ordem judicial a impedir a cobrança dos tributos, uma vez que a sentença de mérito foi publicada em 17/01/2006, denegando a segurança pleiteada e revogando a liminar anteriormente concedida. Em relação ao alegado recurso interposto junto ao TRF da 4ª Região não há efeito suspensivo. Deste modo, caracterizada a falta de pagamento de tributos no momento do despacho aduaneiro de importação, cabível a imposição da multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Da alegação de ilegalidade da taxa SELIC Em relação à utilização da taxa Selic como juros moratórios, os argumentos apresentados pela Recorrente também não merecem ser acolhidos. Vejamos. A Lei nº 9.065, de 20/06/1995, que deu nova redação a dispositivos da Lei nº 8.981, de 20/01/1995, dispôs em seu art. 13, que a partir de 1º de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, de que trata o art. 84, inciso I, e §§ 1º, 2º e 3º, da Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19791.000249/200769 Acórdão n.º 3202001.484 S3C2T2 Fl. 127 9 Lei nº 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e a 1% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. De igual modo dispõe o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, em relação aos débitos decorrentes de tributos e contribuições administrativos pela SRF cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica. Os juros de mora representam a indenização da mora. Constituem o rendimento que o credor teria se pudesse contar com o principal desde a data do vencimento da obrigação. Seu objetivo é reparar, com pecúnia, o Erário, pelo atraso no recolhimento do débito tributário. Tais juros são calculados sobre o tributo não pago, repitase, a título de ressarcir o Estado pela não disponibilidade do dinheiro, representado pelo crédito tributário. A adoção da taxa de referência SELIC como medida de percentual de juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos legais se fez via lei ordinária já reportada, conforme faculta o § 1º do art. 161 da Lei nº 5.172/1966. Convém lembrar que as Leis nº 9.065/1995 e nº 9.430/1996 foram editadas pelo Poder Legislativo e sancionadas pelo Poder Executivo, a quem compete a fiel execução das normas legais. Assim, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Ademais, cumpre reiterar que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar alegações de inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. Conforme já mencionado, cabe tãosomente verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está ou não conforme a legislação tributária, sem emitir juízo de legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasaram o ato. Em última análise, não existe qualquer vedação legal à instituição da taxa referencial SELIC para fins de utilização no cálculo dos juros de mora devidos pelo contribuinte em mora. Este, inclusive, é o teor da Súmula CARF nº 4, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 14041.000193/2008-92
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004
NORMAS PROCESSUAIS.MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal do Brasil e não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício.
PAGAMENTOS EFETUADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO
No que concerne a determinados fatos geradores do imposto, cujos pagamentos comprovados nos autos foram efetuados antes do início do procedimento fiscal, mantém -se o principal da exação fiscal e afasta-se a multa de oficio proporcionalmente ao valor do principal a ser quitado pela alocação/imputação do DARF, com o crédito disponível.
MULTA DE OFÍCIO.
A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-004.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para alocar os pagamentos não utilizados indicados no demonstrativo constante do voto condutor para quitação de débitos em litígio, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal do Brasil e não tem o condão de modificar a competência privativa do AuditorFiscal de efetuar o lançamento de ofício. PAGAMENTOS EFETUADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO No que concerne a determinados fatos geradores do imposto, cujos pagamentos comprovados nos autos foram efetuados antes do início do procedimento fiscal, mantém se o principal da exação fiscal e afastase a multa de oficio proporcionalmente ao valor do principal a ser quitado pela alocação/imputação do DARF, com o crédito disponível. MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para alocar os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 93 /2 00 8- 92 Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.615 2 pagamentos não utilizados indicados no demonstrativo constante do voto condutor para quitação de débitos em litígio, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2a Turma da DRJ/BSA (Fls. 1077), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em: 12/02/2008, encerrado o procedimento de fiscalização (verificações obrigatórias); foi lavrado o Auto de Infração, do IRRF, quanto a fatos geradores dó ano calendário 2003, cujo credito tributário perfaz o montante de RS 1,093.509,85, assim discriminado (fl. 224): EXAÇÃO FISCAL ANO CAL PRINCIPAL (R$) JUROS DE MORA (calculados até 31/01/2008) MULTA DE OFÍCIO 75% TOTAL IRRF (fls.224/257) 2003 455.112,58 297.063,11 341.334,16 1.093.509,85 Infração imputada: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE ~ APURAÇÃO SEMANAL DIFERENÇA APURADA. ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. DCTF RETIFICADORAS APRESENTADAS SEM DÉBITO DO IMPOSTO, COM VALORES ZERADOS. Quanto à descrição dos fatos, consta do Auto de Infração na fl. 225, verbis: Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.616 3 (...) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declaradas e os valores escriturados conforme Verificação fiscal... A propósito, consta do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, a seguinte descrição dos fatos (fls. 258/259), verbis:. (...) No dia 20/08/2007 o fiscalizado compareceu à Receita Federal, apresentou os recibos de entrega de Dctf original (fls. 077 a 82) e afirmou que durante os anos de 2003 2005 a empresa enfrentou embates societários e que não tinha conhecimento das retificadoras transmitidas. Menciona ter solicitado à Receita cópia das mesmas em 30 dias receberia as declarações (...). Em relação à DCTF o contribuinte afirma (fls. 089 a 166) não ter efetuado as retificações datadas de 29/11/2005 (...) Observasse que o documento apresentado em 22/08/2007 (fls. 082 a 084) o contribuinte menciona: "Reitera que não sabe dizer a razão da divergência indicada no termo de intimação acredita deva decorrer do embate societário que viveu a empresa a partir falecimento do Sr. António Venâncio da Silva. Este embate se delineou nos autos do processo de inventário e também nós corredores da empresa, com contadores funcionários trabalhando para grupos de pessoas que divergiam, entre si, .o que ocasionou . grandes perdas financeiras para a empresa, além de inequívocas conturbações no plano contábil e fiscal " Em 01/11/2007 como resposta a uma intimação o contribuinte declara (fls. 173 a "Como não houvesse consenso entre os herdeiros, as contendas diárias t, funcionários e estes è até mesmo com os clientes eram constantes, com ausência completo de direcionamento da empresa, e vários tumultos relacionados a pagamentos, registros: documentos, dados, que levaram a empresa a sua quase derrocada, o acordo ultimado em idos de 2005, também já entregue a esta fiscalização " (...) Como não há débitos declaradas em DCTF e as justificativas não foram convincentes lavramos o auto considerando os valores apurados na escrituração contábil (fls. 209 e 217 a 221). As contas contábeis (passivo) utilizadas como base para o auto foram as seguintes: IRRF Salários, • 1RRF Pessoa Física, IRRF Juros Remuneratórios, IRRF Pessoa Jurídica e IRRFs/Rendimentos. Abaixo a relação dos lançamentos (...). Fundamentos legais: CTN Lei n° 5.172, art. 149; RIR/99, arts. 841, 717, 726 e 865. Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.617 4 O sujeito passivo tomou ciência do Auto de Infração (fls. 224/257) e do Termo de Verificação Fiscal (fls. 258/267), por via postal, em 18/02/2008, conforme cópia do Aviso de Recebimento AR na fl. 268, e apresentou impugnação fiscal em 19/03/2008 nas fls. 270/284, juntando, ainda, os documentos nas fls. 285/500. Regularização da representação processual nas fls. 502/532. Consta, em síntese, da impugnação fiscal: 1) Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF autorizou, apenas, a fiscalização do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, não abarcando o IRRF que os autos do processo em comento referemse a auto de infração do IRRF, o que denuncia exacerbação da fiscalização, ou seja, violação dos princípios da legalidade e da vinculação ao MPF; que o AuditorFiscal que lavrou o auto de infração do IRRF não tinha competência para isso, pois extrapolou o disposto no MPF, o qual não autorizou a extensão da fiscalização para o IRRF; que o AuditorFiscal para exercitar sua competência depende de ordem específica de seu superior (Delegado) e da emissão do MPF (Portaria MF 95/2007 e Portaria RFB nº 11.371/2007); que, em suma, estaria caracterizado flagrante vício insanável de nulidade do lançamento fiscal, por falta de competência da autoridade lançadora, nos termos do inciso I do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 2) Decadência parcial: que ex vi do art. 150, § 4º, do CTN, o crédito tributário relativo aos fatos geradores do IRRF de 01/01/2003 a 17/02/2003 já estaria decaído, quando tomou ciência do lançamento fiscal em 18/02/2008; invoca e transcreve, ainda em relação à caducidade suscitada, ementas de decisões do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 3) Pagamentos não considerados; que a fiscalização formalizou o auto de infração sem as competentes investigações preliminares; que a fiscalização deixou de considerar pagamentos do IRRF efetuados antes do início do procedimento fiscal relativo ao anocalendário 2003 conforme cópias dos DARF nas fls. 294/482; que esses pagamentos/recolhimentos demonstram que o lançamento fiscal do IRRF formalizado está inadequado, na medida que apresenta base de cálculo distorcida desse imposto. O sujeito passivo pede que — se não for reconhecida a nulidade que se proceda a adequação dá base de cálculo aos limites legais. 4) Juros sobre o capital próprio: que relativo à conta contábil 2.1.1.02.021 IRRF Juros Remuneratórios , urge os seguintes esclarecimentos: a) que a conta contábil indica retenção do IRRF sobre juros sobre o capital próprio; Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.618 5 b) que no caso não teria havido o pagamento de juros sobre o capital próprio aos quotistas da empresa, pois a empresa na época estaria vivendo um embate societário em decorrência do inventário do Sr. Antônio Venâncio da Silva (fls. 484/488) e que, em decorrência disso, todas as decisões do Grupo Venâncio que se subordinam a Assembléia Geral foram relegadas para o término do processo, ante a incerteza da destinação do capital. Juntou, ainda, cópia do Instrumento Particular de Alteração de Contrato Social da Antonio Venâncio da Silva & Cia Ltda, de 16/12/2003 (fls. 490/500); que embora o parágrafo único da Cláusula Vigésima Primeira dessa alteração contratual possibilite o pagamento de juros sobre o capital próprio, é certo, também, que condiciona a aprovação desse pagamento pela maioria dos votos dos quotistas; que deliberação nesse sentido inexistiu; que sendo assim — o registro em conta contábil de "Juros sobre o capital próprio" ou "IRRF Juros Remuneratórios" é indevido, pois inexistiu pagamento dessa remuneração, nem autorização societária para tanto; que, por conseguinte, houve erro contábil, devendose cancelar os valores constantes da conta contábil IRRF Juros sobre Capital Próprio; que se não houve pagamento de juros, não há IRRF a ser pago ou exigido. 5) Multa de Ofício Inaplicabilidade: que consta do Termo de Verificação Fiscal que o lançamento tomou por base os valores apurados na escrituração contábil da contribuinte, ante a inexistência de declaração de débitos nas DCTF retificadoras, que foram apresentadas com os campos zerados (fls. 180 a 209 c 217 a 221); que tal afirmativa da fiscalização não corresponde a realidade dos fatos; que a empresa formalizou a entrega das DCTF do anocalendário 2003 com valores, débitos declarados; que entretanto – em 29/11/2005 surgiram, foram transmitidas eletronicamente, DCTF retificadoras com valores zerados; que tais DCTF retificadoras não possuem valor jurídico, uma vez que o responsável por tal preenchimento é pessoa desconhecida, alheia ao quadro de funcionários da empresa, fato que ensejou, inclusive, a formalização de abertura de inquérito policial, conforme informação prestada à RFB, correspondência protocolada em 20/09/2007 (fls. 290/293); que os valores exigidos do IRRF não correspondem apenas aos valores escriturados mas também aos valores informados nas DCTF primitivas; que* por isso, caberia à fiscalização nessa parte verificar a existência de pagamentos dos débitos do ano calendário 2003, antes do lançamento de ofício; que, de fato* se os débitos exigidos foram objeto das DCTF primitivas do ano calendário 2003, inaplicável a multa de ofício; que, no caso, no máximo é possível falar em falta de recolhimento de tributo devidamente apurado e declarado* o que enseja apenas e tão somente a aplicação dê multa moratória no percentual de 20%. Há ainda invocação e transcrição de ementas1 de decisões do antigo Conselho de Contribuintes do MF; que, por conseguntge, pediu a redução da multa para o patamar de 20%. Por fim, o sujeito passivo pedido: Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.619 6 a) que :seja apreciada a presente impugnação, afastando o lançamento fiscal em sua integralidade, seja em razão da nulidade suscitada ou pelos pagamentos demonstrados; b) que caso assim não se entenda requer seja declarada a decadência do direito de lançamento quanto aos fatos geradores até 17/02/2003, e para os demais fatos geradores que seja ajustada a base de cálculo, e cancelamento do 1RRF atinentes à conta contábil [RRF Juros Remuneratórios, e redução da multa para o patamar de 20%. Ainda, protesta pela juntada de outras provas documentais, caso eventualmente sejam obtidas ou encontradas (Lei 9.784/99, arts. 37 e 38). Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/BSA entendeu por bem julgar o lançamento procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: Ementa: PRELIMINAR PROCESSUAL DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO NA EXECUÇÃO DO MPF. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. PRELIMINAR REJEITADA. Para exações fiscais lançadas em procedimento de verificações obrigatórias, não há necessidade de especificar1 ou mencionar tio MPFF os tributos e contribuições objeto de fiscalização, pois a emissão do MPFF abarca, por si só, automaticamente, todos os tributos e contribuições administrados pela RFB, no lapso temporal dos último.s cinco anos e mais o período de execução do MPF. PRELIMINAR DE MÉRITO. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA PARCIAL DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CADUCIDADE NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO ART. 173,1, CTN Não realizadas pela contribuinte as atividades de que trata o art. 150 do CTN, mormente inexistindo pagamento qualquer para o respectivo fato gerador, o termo de início do prazo decadencial de cinco anos para lançamento do débito em aberto do respectivo fato gerador é o primeiro dia.do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PAGAMENTOS EFETUADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO Em relação a determinados fatos geradores do imposto ocorridos até 17/02/2003 objeto do lançamento de ofício, cujos pagamentos comprovados nos autos foram efetuados antes do início do procedimento fiscal, afastase nessa parte o lançamento fiscal, para evitar duplicidade de exigência, pois o crédito tributário respectivo já fora extinto pelo pagamento, antes do início do procedimento de fiscalização. No que concerne a determinados fatos geradores do imposto ocorridos após 17/02/2003 objeto dos autos, cujos pagamentos comprovados nos autos foram efetuados antes do início do procedimento fiscal, mantém se o principal da exação fiscal e Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.620 7 afastase a multa de oficio proporcionalmente ao valor do principal a ser quitado pela alocação/imputação do DARF, caso haja crédito disponível. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. IRRF NÃO RECOLHIDO. DEBITO MANTIDO NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL EM CONTA DO PASSIVO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO EM ABERTO. Não restando comprovado nos autos que os juros sobre o capital próprio não foram pagos aos quotistas, ou que a despesa a esse título inexistiu, procede a exigência do tributo, pois os fatos econômicos de relevância jurídicotributária registrados na escrituração contábil fazem prova tanto a favor, quanto contra, o contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. A falta de pagamento do tributo ou contribuição constatada cm procedimento de fiscalização impõe a exigência do principal da exação fiscal com aplicação da multa de ofício. A multa moratória aplicase apenas para pagamentos espontâneos após o prazo de vencimento, e antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. PROTESTO PELA JUNTADA DE OUTRAS PROVAS DOCUMENTAIS. PRECLUSÃO ' DA FACULDADE PROCESSUAL. As provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação fiscal, sob pena de preclusão dessa faculdade processual. Não restando comprovado nos autos motivo de força maior de que trata o art. 16, § 4o, do Decreto n° 70.235/72 com redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97 , rejeitase o pedido de juntada de novos documentos nessa fase processual. Em 24 de setembro de 2009, o SECOJ/DRJ/BSB exarou o despacho n° 487/2009 (Fls. 1113), onde se verifica: Não foi possível atualizar o resultado do julgamento do Acórdão DRJ/BSB n° 0332.233 de 17/07/2009 no SIEF, do Relator NELSON K1CHEL, CPF 423.66283920, tendo em vista verificar a necessidade de alocação de pagamento feito pelo contribuinte, conforme cita o acórdão às fls. 552. Diante disto, proponho encaminhar o processo à DRF/Brasília para que sejam tomadas as providências necessárias e informar o resultado do julgamento no sistema. Cientificado em 03/11/2009 (Fls. 1441), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/11/2009 ( Fls. 1451 a 1475), reforçando os argumentos apresentados quando da Impugnação. Em 30/11/2009 (Fls. 1477), ocorreu o encaminhamento do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciação. Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.621 8 Em 01/03/2010, o Recorrente anexou petição (Fls. 1479 a 1481), informando e requerendo: .... sejam apartados do referido processo os débitos abaixo declinados, com as multas de ofício correspondentes , em relação aos quais o contribuinte promoveu adesão ao parcelamento instituído pela Lei n° 11.941/2009 . São eles: (...) Esclarece, a contribuinte , que tais débitos não foram objeto de recurso administrativo, pelo que já estão definitivamente constituídos , razão de sua inclusão no parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009 . Relativamente aos demais débitos constituídos no referido processo, ou já foram excluídos por decisão da 2ª Turma da DRJ / BSA (acórdão 0332.233, de 17/07/2009) ou são Objeto de recurso voluntário ainda não apreciado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Por fim, promovida a referida separação, requer, nos termos do disposto no art. 1º da Lei n° 11.941/2009, seja de pronto homologado o pedido de parcelamento formalizado. Às Fls. 1535, verificase ainda que o Recorrente anexou novo documento ao processo, informando: ... vem elucidar à V. Sa., para os fins do disposto na Lei n° 11.941/2009, que os débitos imputados nestes autos, especificamse em 3 (três), distintas circunstâncias, as quais serão explanadas a seguir: 1. Débitos que já foram excluídos por decisão d a 2 a Turma da DRJ/BSA (acórdão 0332.233, de 17/07/2009) , e que, portanto, devem ser baixados nos sistemas da Receita e da Fazenda; 2. Demais débitos que são objeto de recurso voluntário, que ainda não foram apreciados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, tendo sua exigibilidade suspensa nos termos do artigo 151, inciso III do CTN; 3. E, os débitos que não foram objeto de recurso administrativo, restando assim definitivamente constituídos, razão pela qual há o pedido de adesão e inclusão no parcelamento previsto na forma da Lei supracitada. No rosto do mesmo documento o Sr. Caio Marcos Candido, Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF despachou indicando: De acordo. Remetase os autos à DRF em Brasília para providências, tendo em vista desistência parcial. Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.622 9 Em 28/06/2011 (Fls. 1585) a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília, encaminhou o processo ao Conselho Administrativo Recursos Fiscais para apreciação. Informa ainda o despacho: Informo que o contribuinte fez opção pelo parcelamento da Lei 11.941/09 e os débitos transferidos para o processo n° 11853.000554/201153. Em 16/04/2013 o processo foi encaminhado para novo sorteio na 1ª TE, tendo em vista o encerramento do mandato do Conselheiro Sandro Machado dos Reis, ex Relator do processo (Fls.1587). Desta forma o processo foi distribuído a este Conselheiro. Em sessão realizada no dia 21 de janeiro de 2014, esta Turma Julgadora determinou o retorno dos autos para a DRFB para a elucidação de alguns quesitos. Cumprida a diligência, o processo retornou para este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Compulsando os autos, verifico que o lançamento trata de falta de recolhimento do IRRF. A contribuinte, em seu recurso, alega a nulidade do lançamento em razão de limitações do MPF – Mandado de Procedimento Fiscal, decadência do lançamento relativo a fatos geradores anteriores a fevereiro de 2003, e, no mérito, após o reconhecimento de parte do débito via parcelamento, que alguns pagamentos não foram alocados pela DRJ e a redução da multa de ofício para a multa de mora. Quanto a nulidade do lançamento em razão da delimitação de fiscalização do MPF, curvome ao entendimento unânime do CARF, no sentido de que o MPF tem apenas a função de controle administrativo interno da instituição Receita Federal e não tem o condão de modificar a competência privativa do Auditor Fiscal de efetuar o lançamento de ofício. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo, da delimitação de tributos a serem fiscalizados, e das prorrogações, ainda que comprovadas devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o poder de tomar nulo o lançamento tributário que atendeu aos requisitos do CTN, art. 142, e do Decreto nº 70.235/72, art. 10. Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.623 10 Neste sentido tem sido a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão unânime: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA. A não inclusão, de forma expressa no MPF, de exigência de tributos que se encontram inclusos nas verificações obrigatórias constante no mandamus, não da azo à nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rêgo, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro; João Carlos de Lima Junior, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto acompanham o relator pelas conclusões, sob o entendimento que o MPF é apenas instrumento de controle da Administração Tributária, conforme entendimento reiterado da CSRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.(Grifei) (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Processo nº 13819.001388/200182, Sessão de 03/10/2009, Acórdão 9101 00.428. Relatoria do Conselheiro Valmir Sandri). Razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. Ainda em sede preliminar, a contribuinte alega a decadência do lançamento relativo a fatos geradores anteriores a fevereiro de 2003. Deixo de apreciar tal preliminar, posto que a mesma se encontra prejudicada em razão de ausência de litígio sobre fatos geradores de tal período. É que, com a decisão da DRJ e com a adesão ao parcelamento, não resta em litígio lançamento com fato gerador anterior a março de 2003. Rejeito, portanto, tal preliminar de decadência. Passo a análise do mérito. Para comprovar que o IRRF foi recolhido pela fonte pagadora, a recorrente junta aos autos cópia de DARF’S ou REDARF’S relativo a recolhimento de IRRF. Em seu recurso a contribuinte afirma que alguns pagamentos de IRRF não foram levados em conta pela decisão recorrida. Contudo, como não se podia afirmar com certeza que houve o recolhimento alegado pela contribuinte, foi requerida diligência para que a DRFB verificasse se os pagamentos constantes dos autos e não levados em conta pela decisão recorrida, por não coincidirem com os dados dos débitos em litígio, estão disponíveis nos sistema, bem como se há a possibilidade de serem utilizados neste processo. Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.624 11 Em resposta a diligência, a DRF informou que os DARF’S foram pagos e que alguns não foram utilizados, encontrandose à disposição; são os seguintes os DARF’S não utilizados: Dt. Arrecadação Dt. Vencimento Cod. De Receita Valor total Alocado/Utilizado? Disponível página DIGITAL página PAPEL 17/01/06 11/06/03 0561 6578,00 NÃO UTILIZADO SIM 621 308 02/09/03 10/09/03 0561 10576,92 NÃO UTILIZADO SIM 615 305 10/09/03 17/09/03 0561 1720,37 NÃO UTILIZADO SIM 613 304 31/01/06 10/12/03 0561 4970,09 NÃO UTILIZADO SIM 625 310 22/08/03 13/08/03 0561 3152,18 NÃO UTILIZADO SIM 627 311 31/01/06 18/06/03 0561 621,19 NÃO UTILIZADO SIM 629 312 10/07/03 09/07/03 0561 1090,97 NÃO UTILIZADO SIM 631 313 31/01/06 18/06/03 0561 621,19 NÃO UTILIZADO SIM 633 314 06/01/06 25/06/06 0561 2914,83 NÃO UTILIZADO SIM 635 315 17/01/06 11/06/03 0561 2357,47 NÃO UTILIZADO SIM 637 316 22/08/03 20/08/03 0561 1731,72 NÃO UTILIZADO SIM 641 318 10/07/03 09/07/03 0561 753,63 NÃO UTILIZADO SIM 649 322 12/08/03 13/08/03 0561 142,77 NÃO UTILIZADO SIM 653 324 13/02/03 05/02/03 0561 39,34 NÃO UTILIZADO SIM 659 327 14/05/03 15/01/03 0561 22,23 NÃO UTILIZADO SIM 671 333 12/02/03 29/01/03 0561 33,75 NÃO UTILIZADO SIM 673 334 12/02/03 2 /01/03 0561 26,42 NÃO UTILIZADO SIM 675 335 13/0"03 J5/02/03 0561 3694,87 NÃO UTILIZADO SIM 677 336 1 5/04/03 23/04/03 0561 132,85 NÃO UTILIZADO SIM 687 341 07/05/03 07/05/03 0561 129,42 NÃO UTILIZADO SIM 695 345 17/09/03 17/09/03 0954 416,54 NÃO UTILIZADO SIM 737 366 17/09/03 17/09/03 0954 416,54 NÃO UTILIZADO SIM 739 367 17/09/03 17/09/03 0954 608,01 NÃO UTILIZADO SIM 741 368 17/09/03 17/09/03 0954 684,50 NÃO UTILIZADO SIM 743 369 10/07/03 09/07/03 1708 42,75 NÃO UTILIZADO SIM 883 438 10/07/03 09/07/03 1708 109,74 NÃO UTILIZADO SIM 889 441 12/08/03 23/07/03 1708 92,48 NÃO UTILIZADO SIM 893 443 17/09/03 27082003 1708 583,38 NÃO UTILIZADO SIM 923 458 Por lógico, se as DCTF’S retificadoras foram entregues sem o lançamento de qualquer débito, os DARF’S, todos com códigos de IRRF e pagos antes do início do procedimento fiscal, devem ser alocados para os pagamentos do lançamento; sob pena de enriquecimento ilícito do fisco. Portanto, para os pagamentos identificados na Tabela ou Demonstrativo acima, deve ser feita a alocação ou imputação dos respectivos DARF’S, ficando exonerada multa de ofício proporcional ao principal do IRRF a ser extinto pela alocação/imputação. Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.625 12 Quanto ao valores que restam no lançamento, pede a contribuinte que lhe seja aplicada apenas a multa de mora de 20%; posto que entende que a retificadora não deve possuir validade. Nos autos, verificase que o lançamento tomou por base os valores apurados na escrituração contábil da contribuinte, ante a inexistência de declaração de débitos nas DCTF’S retificadoras, que foram apresentadas com os campos zerados. Ocorre que, como já esclarecido pela DRJ, as DCTF’S retificadoras substituem as originais para todos os efeitos. Neste contexto, apesar das alegações da recorrente, não há provas concretas apresentadas, ou decisão judicial, que permitam a este Conselheiro desconsiderar as DCTF’S retificadoras. Assim, não há como ser acatado o pedido da recorrente, em razão do disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/ 96, que prega: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de declaração e nos de declaração inexata. No presente caso o lançamento promoveu a falta de pagamento de IRRF, que carreou na apuração de Imposto de Renda que não foi recolhido. Deste modo, confirmado parte do lançamento, é cabível a aplicação da multa de ofício no lançamento que restou procedente Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar as preliminares argüidas, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para alocar os pagamentos não utilizados indicados no demonstrativo constante neste voto para quitação de débitos em litígio. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 14041.000193/200892 Acórdão n.º 2801004.029 S2TE01 Fl. 1.626 13 Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 13839.902593/2008-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 10/12/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO.
A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543-C do CPC-Código de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-004.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543C do CPCCódigo de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 25 93 /2 00 8- 03 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através do qual requer a restituição e compensação de R$ 39.582,45 pagos em 23/11/2004, a título de multa de mora, em relação a pagamento em atraso de IPI realizado em 09/01/2004, relativo à diferença de IPI devido do 3º decêndio de abril/2000. A DRF de origem prolatou despacho decisório eletrônico de fl. 44, indeferindo o pedido e não homologando a compensação por entender que o valor pleiteado foi inteiramente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 02/15, na qual defende que o recolhimento efetuado por ela em 09/01/2004, com principal e juros (DARF às fls. 39), foi espontâneo porque foi anterior à retificação da DCTF em 29/01/2004, e o pagamento da multa de mora em 23/11/2004 (DARF à fl. 40) seria indevido. Fundamenta suas alegações no art. 138 do CTN e em jurisprudência do STJ. Conclui requerendo a homologação da compensação. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO no 1437.104, de 28/03/2012, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. A multa de mora é aplicável naqueles casos em que, embora espontaneamente, o recolhimento do crédito tributário pelo contribuinte se dê apenas após a data de vencimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação que integra a declaração de compensação, ratificando o Despacho decisório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902593/200803 Acórdão n.º 3802004.057 S3TE02 Fl. 113 3 Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que a motivação da declaração recorrida, para manutenção da não homologação das compensações, foi exclusivamente a de que a multa de mora não teria natureza punitiva e não estaria abrangida pela denúncia espontânea. A multa de mora tem natureza punitiva como reconhecido pelo STJ (recurso especial de n° 1.149.022, julgado pela sistemática de recurso repetitivo) e até mesmo pela PGFN (Pareceres PGFN/CRJ de n°s 2.113/2011 e 2124/2011). Sendo assim, deve ser reproduzido pelo CARF, nos termos do art. 62A do RICARF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Foram encaminhados memoriais pela recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata –se de PER/DCOMP onde se pleiteia restituição/compensação pagos em 23/11/2004, a título de multa de mora, no valor de R$ 39.582,45. A recorrente argumenta que o recolhimento complementar foi efetuado com o principal e juros, portanto espontâneo, pois anterior à retificação da DCTF, e o pagamento da multa de mora posteriormente, sendo indevido; logo, solicitando a homologação da compensação. Existem diversos julgados por esta Turma de julgamento, dentre eles, o proferido pelo Conselheiro Solon Sehn nos autos do processo no 10680.000035/200775 (Acórdão no 3802000.738, de 06/10/2011), cujas razões de decidir adoto para o presente caso: No mérito, cumpre destacar que a denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do CTN, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Dctf. Essa interpretação, embora questionada por parte da doutrina e da jurisprudência, foi consolidada pelo STJ no Recurso Especial no 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008. Transitado em julgado em 01/12/2008). O afastamento da multa de mora na denúncia espontânea, por outro lado, restou pacificado no julgamento do REsp 1.149.022/SP: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902593/200803 Acórdão n.º 3802004.057 S3TE02 Fl. 114 5 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. 1ª S. RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010, transitado em julgado em 30/08/2010). Referido recurso foi julgado nos moldes do regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), razão pela qual deve ser aplicado o art. 62A do Regimento Interno desse Conselho: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em exame, o Recorrente apresentou (i) prova do pagamento do principal, acrescido de juros de mora (fls. 44 e ss); (ii) realizado no dia 1512/2003, antes de qualquer providência fiscalizatória (fls. 43); (iii) cópia das Dctfs originárias (fls. 57 e ss.) e retificadoras, de 06/06/2004 (fls. 72 e ss.). A comparação destes dois últimos documentos mostra que o pagamento foi anterior a ambos. Encontramse presentes, portanto, os pressupostos do art.138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Estando caracterizada a denúncia espontânea, não cabe a incidência de multa, punitiva ou moratória, inclusive porque, consoante destaca Robson Maia Lins, ambas têm a mesma configuração normativa: [...] embora com nomes distintos o pressuposto de ambas as multas é um descumprimento de um dever jurídico e o consequente é o pagamento de uma quantia em dinheiro. Não importa o nome: multa punitiva e multa moratória têm a mesma configuração normativa de sanção e por isso devem ser excluídas quando da denúncia espontânea (LINS, Robson Maia. A mora no direito Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 tributário. Tese de Doutorado. Faculdade de Direito. PUC/SP. São Paulo, 2008, p. 245) 1. No mesmo sentido, destacamse os seguintes acórdãos do Carf: DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratórias. MULTA DE OFÍCIO. Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial provido. (3ª T. Acórdão CSRF/0305.102. Rel. Anelise Daudt Prieto. Sessão de 06/11/2006). MULTAS DE OFÍCIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O contribuinte faz jus a tal beneficio de exclusão da multa, seja de oficio ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do inicio qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso especial negado. (3ª T. Acórdão CSRF/0304.690. Rel. Carlos Henrique Klaser Filho. Sessão de 20/02/2006). DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO MULTA DE MORA INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (3ª C. 3º CC. Acórdão 303 30.332. Rel. Zenaldo Loibman. Sessão de 10/07/2002). Votase, portanto, pelo conhecimento e provimento integral do recurso, afastandose a exigência da multa de mora. Outros julgados, a título de exemplo, confiramse as seguintes ementas: Acórdão de n° 3802003.381, de relatoria de Waldir Navarro Bezerra: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2007 IOF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTERIOR À ENTREGA DA DCTF. CARACTERIZAÇÃO. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da 1 Disponível em: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=8261. Acesso: 12/05/2011. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902593/200803 Acórdão n.º 3802004.057 S3TE02 Fl. 115 7 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543Cdo Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acórdão de n° 3802003.434, de minha relatoria: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543C do CPCCódigo de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento. A recorrente defende que o recolhimento efetuado por ela em 09/01/2004, com principal e juros (DARF às fls. 39), foi espontâneo porque foi anterior à retificação da DCTF em 29/01/2004, e o pagamento da multa de mora em 23/11/2004 (DARF à fl. 40) seria indevido. Em 23/11/2004 a recorrente recolheu a multa moratória no valor de R$ 39.582,45, que seria devida caso não se tratasse da hipótese de denúncia espontânea. Observase, portanto, que o pagamento ocorreu antes da apresentação da DCTF, e ainda, antes da prática de qualquer ato de fiscalização. Assim, diante da documentação, a Recorrente promoveu o pagamento em atraso, mas antes da entrega da DCTF, solicitando a aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional, restando caracterizada a denúncia espontânea. E, diante da jurisprudência reiterada do STJ, inclusive em sede de recurso repetitivo, e Atos Normativos PGFN nº 04/2011 e 08/2011, bem como na Nota Técnica Cosit nº 1/2012, entendo estar correto o sujeito passivo, merecendo acolhida seu Recurso Voluntário. Aplicação do art. 62A do RI/CARF. (Portaria MF n° 256/2009). Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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