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Numero do processo: 11075.001922/2001-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002
CONCOMITÂNCIA AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO
ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A submissão de matéria tributária à apreciação do Poder Judiciário implica em
renúncia à esfera administrativa, Não conhecimento do recurso no que se relaciona às matérias objeto de ação judicial interposta pela recorrente.
NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, DESCONSIDERAÇÃO
DE VALORES JÁ RECOLHIDOS, Não padece de vício insanável o
lançamento tributário que ao constituir o crédito tributário não exclui as parcelas pagas pela contribuinte, ainda mais, quando houve alteração na sistemática de apuração dos quantuns devidos pelo contribuinte. A constituição dos tributos devidos pelo contribuinte não se confunde com o pagamento parcial destes, cujas parcelas deverão ser computadas na cobrança dos créditos pela unidade de jurisdição.
JUROS SELIC. ILEGALIDADE, INCONSTITUCIONALIDADE. As
Súmulas nºs 04 e 05 editadas pelo CARF, recepcionadas do antigo Conselho de Contribuintes, dispõem, respectivamente, sobre o cabimento da cominação dos juros calculadas à taxa Selic incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, e a sua aplicabilidade ainda
que suspensa a exigibilidade deste débito, salvo se existir depósito do montante integral.
NORMAS TRIBUTÁRIAS. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE.
Súmula CARF if 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ
deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1801-000.277
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, afastar as nulidades suscitadas, para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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Recorrida FAZENDA RACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002 CONCOMITÂNCIA AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A submissão de matéria tributária à apreciação do Poder Judiciário implica em renúncia à esfera administrativa, Não conhecimento do recurso no que se relaciona às matérias objeto de ação judicial interposta pela recorrente. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO, DESCONSIDERAÇÃO DE VALORES JÁ RECOLHIDOS, Não padece de vício insanável o lançamento tributário que ao constituir o crédito tributário não exclui as parcelas pagas pela contribuinte, ainda mais, quando houve alteração na sistemática de apuração dos quantuns devidos pelo contribuinte. A constituição dos tributos devidos pelo contribuinte não se confunde com o pagamento parcial destes, cujas parcelas deverão ser computadas na cobrança dos créditos pela unidade de jurisdição. JUROS SELIC. ILEGALIDADE, INCONSTITUCIONALIDADE. As Súmulas n's 04 e 05 editadas pelo CARF, recepcionadas do antigo Conselho de Contribuintes, dispõem, respectivamente, sobre o cabimento da cominação dos juros calculadas à taxa Selic incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, e a sua aplicabilidade ainda que suspensa a exigibilidade deste débito, salvo se existir depósito do montante integral. NORMAS TRIBUTÁRIAS. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. Súmula CARF if 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, afastar as nulidades suscitadas, para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente e Relatora EDITADO EM: 12 NOV ?Olà Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes, Relatório A empresa foi autuada a recolher RS 16,871,18 a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofias, valor este já com acréscimos moratórias, relativos aos anos-calendários de 1999, 2000 e 2001, consoante Autos de Infração de fls. 04 a 28. O Relatório Fiscal de fls. 30 a 35, parte integrante dos Autos de Infração, informa que a contribuinte tem como objeto social o ensino de idiomas e revenda de material didático, sob licença do Yázigi (escola de idiomas), e que entregou as declarações de IRPJ dos exercícios de 2000 e 2001 pelo regime de apuração simplificada — Simples, Relata que a empresa embora tivesse optado pelo Simples, foi excluída deste regime em 01/04/99, conforme Ato Declaratório n° 182,666/99 (fls. 59) — processo administrativo fiscal n° 11075.00182/99-10. Em virtude da exclusão, a empresa impetrou Mandado de Segurança, cuja liminar foi negada, sendo que a sentença de primeira instância concedeu o writ, mas foi reformada no Tribunal, tendo o acórdão transitado em julgado em 06/02/2001. A exclusão teve efeitos retroativos a 01/04/99. Esclarece que a atividade da empresa está vedada para opção pelo Simples, pelo fato de o exercício da profissão de professor, atividade vedada pela norma de regência do Simples (Lei if 9.317/96, art. 9°, inciso XIII). Destarte, a fiscalização procedeu a intimação da fiscalizada a apresentar as DEM e DCTF dos períodos pertinentes, posterior àquela data. A empresa não apresentou esta documentação, mas apresentou o Livro Caixa, o que foi considerado pela fiscalização que tributou as receitas pelo regime de apuração do lucro na forma presumida, trimestralmente para efeitos de IRPJ e CSLL, bem como mensalmente para os cálculos de PIS e Cofias. 2 Processo n° 11075.001922/2001-76 S1-TE01 Acórdão ri." 1801-00.277 Fl. 2 As receitas consideradas foram obtidas nas DIPJS, sendo separadas aquelas oriundas da prestação de serviços das oriundas da revenda de mercadoria, para a correta aplicação dos coeficientes correspondentes às operações (32% e 8%); para o mês de agosto de 2000, não havendo receitas declaradas no Livro de Registro Fiscal Simplificado, foram consideradas as notas fiscais emitidas pela empresa — planilha às fls. 42.. A empresa impugnou os lançamentos tributários, fls. 120 a 163, contestando, em apertada síntese, ainda, a exclusão do Simples, o fato de a autoridade fiscal não haver computado no valor da autuação os valores recolhidos a título de Simples, a cominação da multa de oficio e os juros calculados à taxa Selic. Informa, ainda, que a empresa é associada à Afybras Associação das Escolas Franqueadas Yázigi, que ingressou ação ordinária visando a inclusão de todos os franqueados no Simples, a qual encontra-se pendente de julgamento. O processo retomou em diligência para averiguação dos recolhimentos efetuados pela empresa pelo Simples, relativamente ao período fiscalizado — fis. 172 a 176. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria/RS exarou o Acórdão n° 1.733/03, mantendo o lançamento tributário, restando assim ementado — fis. 181 a 188: PRELIMINAR. NULIDADE Os motivos capazes de levar à nulidade um auto de infração são os relacionados ao não cumprimento dos requisitos previstos no art, 142 do Código Tributário Nacional e, ainda, a inobservância dos inc I e lido art, 59 do Decreto n° 70,235, de 06 de março de 1972, relativamente à competência do agente e a preterição do direito de defesa, DESENQUADRAMENTO DO SIMPLES,EFE1TOS Transitada em julgado ação judicial, com a reforma da sentença que amparava a inscrição no SIMPLES, a empresa volta a estar obrigada ao recolhimento dos tributos e contribuições federais devidos com base nas regras aplicáveis às pessoas jurídicas em geral, QUESTÕES DE MÉRITO - VIA JUDICIAL A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA, LANÇAMENTO A multa de oficio e os juros de mora calculados pela taxa SELIC decorrem de expressa disposição de lei, sendo, pois, de aplicação obrigatória pela autoridade administrativa, INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não tem competência para apreciar matéria atinente à constitucionalidade ou legalidade de normas legais, ficando adstrita ao seu cumprimento. 0 ./oro próprio para discussões dessa natureza é o Poder Judiciário, 3 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL - PIS, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se aos lançamentos decorrentes, pois não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls, 191 a 227. Argumenta em síntese: 1) o acórdão vergastado manifestou-se sobre não competir à esfera administrativa manifestar-se sobre a constitucionalidade das leis e sobre a preponderância da decisão proferida no Poder Judiciário, imutável, após o trânsito em julgado; 11) todavia, a matéria que está sendo discutida no âmbito administrativo é a nulidade que padece a autuação sofrida pela recorrente no que respeita ao quantum exigido, uma vez que a autoridade fiscal não computou os valores recolhidos segundo a sistemática do Simples e exigiu em duplicidade valores já recolhidos, agindo desta forma discricionária e arbitrariamente, sem observar as normas tributárias e o artigo 142 do Código Tributário Nacional — CTN, quanto à estrita vinculação de sua atividade; III) esclarece, novamente, que a recorrente faz parte do pólo ativo em ação judicial proposta pela Afybrás visando a inclusão dos associados na sistemática do Simples; IV) entende que a autoridade julgadora administrativa não pode se eximir de apreciar a constitucionalidade ou não das normas tributárias, trazendo doutrina que corrobora este entendimento; V) entende que, diversamente do exposto no acórdão de primeira instância, a consideração dos valores pagos a título de Simples pela recorrente não são pertinentes à compensação, mas sim fazem parte do valor a ser apurado pela auditoria fiscal; entende que a turma julgadora confunde os institutos da compensação e do lançamento tributário; esmiúça o artigo 142 do CTN; invoca a nulidade do ato administrativo por não ter exigido o valor correto devido; a autoridade responsável pelo lançamento se eximiu do trabalho de apurar o quantum devido, o que importa em nulidade insanável do ato fiscal, por ter sido arbitrário e ilegal; VI) transcreve as ementas de vários acórdãos administrativos sobre a nulidade de lançamento tributário que não observa os elementos do art. 142 do CTN e/ou do art. 11 do Decreto n° 70235/72; VII) passa a discorrer exaustivamente sobre a possibilidade de utilizar-se do Simples, reiterando pedido de reenquadramento nesta opção; VIII) inaplicabilidade dos juros moratórias cobradas à taxa Selic e multa de oficio — inconstitucionalidade. Após a interposição do recurso, o processo foi submetido a julgamento na Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que declinou competência ao Terceiro Conselho, entendendo ser matéria de competência daquele órgão. O Terceiro Conselho, por sua vez, retomou os autos ao Primeiro, gerando aparente conflito de declinação de competências — fls, 241 a 253 4 Processo n' 11075.001922/2001-76 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00,277 FI, 3 É o relatório. Passo a apreciar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES Conheço do recurso, por tempestivo. Questão prejudicial — Conflito de competência para o julgamento da matéria: Trata o presente de litígio cujo objeto são os lançamentos tributários para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins da recorrente. Dispõe o artigo 2° do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — RICARF, Portaria MF n° 256/09: Artigo 2 0 À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: 1-. Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRIV); II - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (C511); [ IV - demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRP.I; Considero, pois, esta Primeira Turma Especial competente para a apreciação e julgamento dos presentes autos. I) Da opção do contribuinte pela sistemática do Simples Preliminarmente, cumpre esclarecer à recorrente que no que concerne à discussão trazida nos presentes autos sobre a manutenção, ou melhor, o seu reenquadrarnento como contribuinte optante pelo Simples, esta matéria não será conhecida neste julgado, assim como, acertadamente, não foi objeto de apreciação pela turma julgadora de primeira instância. Primeiro porque o processo administrativo que veiculou o Ato de Exclusão do Simples, ADE n° 182.666/99 (fls. 59) é o de ri° 11075.00182/99-10 e o ato não foi tempestivamente e no âmbito administrativo impugnado, preferindo a recorrente levar à instância judicial a questão e carecendo de razão para se manter no Simples, com sentença já transitada em julgado na corte superior. Desta forma a questão já foi submetida ao Poder Judiciário, o que importa nas conseqüências inevitáveis do Ato Declaratório Normativo invocado no acórdão a quo, assunto este, inclusive, já sumulado em vista das reiteradas decisões que espelham o entendimento pacificado neste órgão de julgamento: Súmula CARF ri° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação .judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial E concordo com a turma julgadora de primeira instância quando diz que se o assunto já foi apreciado pelo Poder Judiciário, com sentença transitada em julgado, já está irremediavelmente decidido. Quanto à notícia de que faz parte de pólo ativo em ação perpetrada pela associação dos franqueados com o mesmo objeto, mais uma razão para não se rediscutir a matéria no âmbito administrativo. Particularmente, entendo que, uma vez apreciado o pleito pelo Poder Judiciário, a nova ação com o mesmo objeto não poderia ter sido impetrada, devendo ser julgada extinta, sem julgamento do mérito, em relação á recorrente, nos termos do artigo 267, inciso V, do Código de Processo Civil. Mas isto é algo para o Poder Judiciário decidir e imputar à recorrente as responsabilidades cabíveis. Pelo exposto, não há que se adentrar neste julgamento nas considerações da recorrente sobre a possibilidade de ser mantida no Simples, pleito este já formulado e rejeitado pelo Poder Judiciário em sentença irrecorrivel, além de ser assunto veiculado em outro processo administrativo cuja apreciação no âmbito administrativo foi renunciada pela contribuinte. II) Do Mérito II.a) Da nulidade do lançamento porque a autoridade fiscal não computou as parcelas pagas a título de Simples nos lançamentos tributários Dispõe o artigo 59 do Decreto ri° 70235/72 — que regula o processo administrativo fiscal — PAF: Art. 59 São nulos 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo, § 3' Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta Pelo exposto na norma retro transcrita, não há qualquer nulidade formal nos lançamentos tributários, Nem material, que fulmine os lançamentos tributários, ainda que o auditor fiscal não tenha considerado os valores recolhidos sob a sistemática do Simples. Isto porque Processo n° 11075 001922/2001-76 SI-TE01 Acórdão n ° 1801-00,277 Fl. 4 entendo que houve mera incorreção no valor a ser exigido da contribuinte, mas, saliento, não houve incorreção no valor lançado a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins , constituídos pelos Autos de Infração, na forma de apuração destes tributos por nova sistemática, imposta pelo fisco, em vista da exclusão de oficio da contribuinte da sistemática anterior. Pretender que os lançamentos tributários sejam passíveis de nulidade devido ao não cômputo de valores já efetivamente pagos, é forçar o entendimento que mero acerto de contas, que pode até ser feito na fase de execução deste acórdão, possa contaminar o lançamento realizado em estrita consonância com as normas tributárias e processuais fiscais para a apuração do valor do crédito tributário devido. O gliant11111 devido a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins espelhados nas autuações e referidos no artigo 142 do CTN, portanto, destaco, é aquele consubstanciado nos referidos Autos. O quantum a ser pago pelo contribuinte é que diverge, porque alguns valores já foram recolhidos anteriormente, Se estes valores anteriormente recolhidos são passíveis de pedido de compensação ou restituição ou mero abatimento no valor a ser pago, já é questão diversa dos valores devidos pelo contribuinte e que foram acertadamente constituídos nos Autos de Infração. Tanto assim é que a matéria tributável não poderia ser diversa daquela consignada nos lançamentos tributários dos tributos em tela, bem como as alíquotas incidentes, nos termos exatos da legislação tributária vigente. O valor a ser recolhido ao final pela recorrente não pode ser confundido, mesclado, com o valor devido dos referidos tributos. Destarte, não entendo haver nada de ofensivo ao artigo 142 do CTN, e seus elementos materiais, nem qualquer inobservância ao parágrafo 'único deste preceito legal. Afasto qualquer alegação superficial de que o ato administrativo dos lançamentos tributários ora analisados foram arbitrários, ilegais, discricionários, mas, ao contrário, totalmente pautados pelas normas vigentes e estritamente vinculados. Cabe retificar neste julgado apenas a cominação da multa de oficio, que acompanha a redução dos tributos pelos ajustes devidos em face aos recolhimentos anteriores. No que tange a este assunto, entendo, ainda, que o artigo 60 do PAF permite que o julgador ressalve, nestes casos, os acertos cabíveis na execução dos referidos créditos tributários em vista dos pagamentos já efetuados, sendo cabível a compensação realizada de ofício, sem as formalidades de um pedido de compensação — Declaração de compensação — formal. Assim dispõe o referido artigo: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Eis que, sem importar em qualquer nulidade, ressalve-se ao serviço de controle do crédito tributário da unidade de jurisdição da contribuinte que deve realizar o ajuste entre o que foi recolhido a título de Simples e os valores exigidos neste Auto de Infração, prosseguindo para a cobrança somente os saldos remanescentes. Observo que às fis. 175 os recolhimentos efetuados pela recorrente, pelo Simples, foram verificados, 7 Isto, é claro, se a recorrente não interpôs pedido de restituição/declaração de compensação para os referidos valores recolhidos pelo Simples, correspondentes aos períodos dos lançamentos tributários objetos deste processo. Quanto às citações de acórdãos jurisprudenciais administrativos percebo que todos versam sobre Notificações de Lançamentos (art. 11 do PAF) e não a Autos de Infrações (art. 10 do PAF) e a mera transcrição das ementas não traduz qualquer identidade com o que a recorrente alega no presente caso. Até ouso dizer que versam sobre Notificações de Lançamentos que foram emitidas sem a identificação do servidor responsável pelas emissões. E, ainda que guardassem identidade com o caso ora analisado, por hipótese, não constituem normas complementares a que se vincule as turmas julgadoras administrativas. Diferentemente das súmulas editadas e recepcionadas dos antigos Conselhos de Contribuintes, pelo Carf, III) Da inconstitucionalidade e/ou ilegalidade das normas tributárias. Dos juros Selic. Da multa de oficio preceituada em norma tributária vigente É cediço que ao órgão julgador administrativo não compete declarar ilegalidade de norma vigente, não subtraída do ordenamento jurídico pela Suprema Corte, e nem a sua inconstitucionalidade, Este assunto já está sumulado por este órgão de julgamento: Súmula CARFIL° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmulas 2 do 1°c 2° CC) A respeito dos juros exigidos à taxa Selic foi editada súmula própria: Súmula CARFre 4: A partir de 1' de abril de 1995, os juros mora tórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmulas 4 do 1°c 3" CC e 3 do 2° CC Destarte, não são suscetíveis de apreciação por este órgão julgador estas matérias contestadas pela recorrente. CONCLUSÃO Voto para afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, no sentido estrito do serviço de controle do crédito tributário da unidade de jurisdição da contribuinte proceder aos ajustes para efeitos de cobrança dos créditos tributários em vista dos recolhimentos efetuados a título de Simples, relativos ao período fiscalizado, e não objetos de pedidos de restituição/compensação, eventualmente formulados pela empresa. ANA DE BARROS FERNANDES - Relatora
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000238/2004-40
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2003
OPÇÃO. ATIVIDADE PERMITIDA.
É permitida a opção pelo Simples pela pessoa jurídica que exerça a atividade de comercialização dos produtos classificados no Capítulo 22 da Tabela de Incidência do IPI - TIPI.
Numero da decisão: 1801-000.460
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ATIVIDADE PERMITIDA. É permitida a opção pelo Simples pela pessoa jurídica que exerça a atividade de comercialização dos produtos classificados no Capítulo 22 da Tabela de Incidência do IPI - TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/CXL/RS nº 453.075, de 07 de agosto de 2003, fl. 10, com efeitos a partir de 01/01/2002, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Data da opção pelo Simples: 14/12/2001 Situação excludente: (evento 325): Descrição: a pessoa jurídica industrializa bebida classificada no capítulo 22 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi) Data da ocorrência: 14/12/2001 Fundamentação legal: Medida Provisória nº 1990-29, de 10/03/2001 :art. 14. Medida Provisória nº 2.189-49, de 23/08/2001: art. 14. Medida Provisória nº 2.158- 34, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF nº 250, de 26/11/2002: art. 20, XII; art. 21; art. 23, I; art. 24, II. A Recorrente manifestou-se contrariamente ao procedimento, apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS, fl. 08, com pedido de revisão do ato em rito sumário argumentado em síntese que ficou inativa nos anos-calendário de 2001 e 2002 e que iniciou sua atividade de comercialização de bebidas no ano-calendário de 2003. Esclarece que há possibilidade de fabricação de vinho no ano-calendário de 2004. Em conformidade com o Despacho Decisório, fl. 09, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que a Recorrente industrializa bebidas. Cientificada em 11/06/2004, fl. 09, ela apresentou a manifestação de inconformidade em 09/07/2004, fls. 01/02, com as alegações abaixo resumidas. Novamente esclarece que ficou inativa nos anos-calendário de 2001 e 2002 e que iniciou sua atividade de comercialização de bebidas no ano-calendário de 2003. Esclarece que no ano-calendário de 2004 teve início a fabricação de vinho. Conclui Portanto, com base no exposto, solicitamos a manutenção da empresa no SIMPLES, ao sendo justo uma empresa comercial que é especializada na revenda um determinado produto, ser confundida com uma empresa industrial. Certos da interpretação efetiva atividade da empresa e atendimento de nosso pedido, atenciosamente. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10-14.805, de 09/01/2008, fls. 50/51: “Solicitação Indeferida”. Consta que Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13016.000238/2004-40 Acórdão n.º 1801-00.460 S1-TE01 Fl. 68 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS,EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES - ATIVIDADE - VEDADA -, Exercendo atividade vedada, não pode a pessoa jurídica ser optante pelo SIMPLES. Notificada em 07/02/2008, fl. 55, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29/02/2008, fls. 57/58, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui A empresa demonstrou todo interesse em operar de maneira regular conforme o desempenho de sua atividade contanto que solicitou o desenquadramento a partir de 01 de janeiro de 2004, conforme processo n.º 13016.000206/20006-14, procedeu o enquadramento da empresa no lucro presumido sendo que a partir de 01 de janeiro de 2004 começou a vender os vinhos da sua produção própria. Houveram inúmeros casos em que o parecer da Receita Federal foi favorável a inclusão retroativa do contribuinte, que protesta pelo justo tratamento igualitário. Isto Posto Requer: Deferimento do seu pedido e a extinção do processo. Para tanto segue em anexo cópia dos seguintes documentos: a) Cópia do Anexo B-12; b) Cópia da Notas Fiscais nºs 01 e 02; c) Procuração. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. É incontroverso o fato de que a Recorrente industrializa bebidas classificadas no Capítulo 22 da Tabela de Incidência do IPI – TIPI a partir do ano-calendário de 2004. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 A Recorrente discorda do procedimento de ofício em relação aos anos- calendário de 2002 e 2003 ao argumento que não industrializou bebida. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 1996, fixa à época: Art. 6° O pagamento unificado de impostos e contribuições, devidos pela microempresa e pela empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será feito de forma centralizada, até o décimo dia do mês subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita bruta. [...] Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIX - que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI - TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei n o 7.798, de 10 de julho de 1989, mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas. O Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, que aprova a Tabela de Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, determina: NCM DESCRIÇÃO 22.01 Águas, incluídas as águas minerais, naturais ou artificiais, e as águas gaseificadas, não adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes nem aromatizadas; gelo e neve. [...] 22.02 Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas e outras bebidas não alcoólicas, exceto sucos de frutas ou de produtos hortícolas, da posição 20.09. [...] 2203.00.00 Cervejas de malte. [...] 22.04 Vinhos de uvas frescas, incluídos os vinhos enriquecidos com álcool; mostos de uvas, excluídos os da posição 20.09. [...] 22.05 Vermutes e outros vinhos de uvas frescas aromatizados por plantas ou substâncias aromáticas. [...] 2206.00 Outras bebidas fermentadas (sidra, perada, hidromel, por exemplo); misturas de bebidas fermentadas e misturas de bebidas fermentadas com bebidas não alcoólicas, não especificadas nem compreendidas em outras posições. [...] Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13016.000238/2004-40 Acórdão n.º 1801-00.460 S1-TE01 Fl. 69 5 22.07 Álcool etílico não desnaturado, com um teor alcoólico em volume igual ou superior a 80% vol.; álcool etílico e aguardentes, desnaturados, com qualquer teor alcoólico. 22.08 Álcool etílico não desnaturado, com um teor alcoólico em volume inferior a 80% vol.; aguardentes, licores e outras bebidas espirituosas (alcoólicas). [...] 2209.00.00 Vinagres e seus sucedâneos obtidos a partir do ácido acético, para usos alimentares. A hipótese de indeferimento da opção da Requerente pelo Simples com efeito desde 01/01/2002 fundamentada na atividade de industrialização dos produtos classificados no Capítulo 22 da Tabela de Incidência do IPI - TIPI, pressupõe a obtenção de receita proveniente da atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. Verifica-se que no ano-calendário de 2002 a Recorrente apresentou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ - Simples) fls. 11/15 e 22, sem qualquer valor a título de receita bruta. Em relação ao ano-calendário de 2003, informa obtenção de receita bruta respectivamente nos valores de R$909,00 e R$2.574,36 nos meses de maio e agosto, de acordo com a pesquisa nos registros internos da RFB realizada em 17/10/2003, fl. 23. Em conformidade com as cópias das Notas Fiscais acostadas aos autos: 1) no que se refere à insumos para fabricação tem-se: - aquisição de garrafas de 750 ml em 19/11/2002, fl. 45; - aquisição de rolhas em 21/11/2002, fl. 43; - aquisição de fotolito em 20/03/2003, fl. 40; - aquisição de caixas de papelão em 07/04/2003, fl. 42; - devolução de caixa de papelão por não apresentar condições de uso pela Nota Fiscal nº 003 em 07/04/2003, fl. 27; - aquisição de papel de seda em 17/04/2003, fl. 41. 2) no que se refere à comercialização tem-se: - aquisição de vinho Cabernet Sauvignon em 30/12/2002, fl. 44; - entrada de vinho Bordô e Isabel pela Nota Fiscal nº 001 em 16/02/2003, fl. 25; - entrada de vinho vinho Cabernet Sauvignon pela Nota Fiscal nº 002 em 15/03/2003, fl. 26; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 - venda de vinho Cabernet Sauvignon pela Nota Fiscal nº 004 em 14/05/2003, fl. 28; - remessa para bonificação de vinho Cabernet Sauvignon pela Nota Fiscal nº 005 em 14/05/2003, fl. 29; - venda de vinho Cabernet Sauvignon pela Nota Fiscal nº 006 em 30/05/2003, fl. 30; - venda de vinho Cabernet Sauvignon pela Nota Fiscal nº 007 em 01/07/2003, fl. 31; - venda de vinho Cabernet Sauvignon pela Nota Fiscal nº 008 em 31/07/2003, fl. 32; - venda de vinho Cabernet Sauvignon pela Nota Fiscal nº 009 em 01/08/2003, fl. 33; - venda de vinho Cabernet Sauvignon pela Nota Fiscal nº 010 em 04/08/2003, fl. 34; - venda de vinho Cabernet Sauvignon pela Nota Fiscal nº 011 em 11/08/2003, fl. 35; - venda de vinho Cabernet Sauvignon pela Nota Fiscal nº 012 em 15/09/2003, fl. 36; - venda de vinho Cabernet Sauvignon pela Nota Fiscal nº 013 em 06/10/2003, fl. 37; - venda de vinho Cabernet Sauvignon pela Nota Fiscal nº 014 em 14/10/2003, fl. 38. Analisando todas estas informações se infere que no ano-calendário de 2002 não obteve receita bruta e no ano-calendário de 2003 a Recorrente desenvolveu atividade de comercialização de mercadorias de terceiros. Nesse sentido, ela pode optar pelo Simples nos anos-calendário de 2002 e 2003. Em face do exposto voto, por dar provimento ao recurso voluntário. Conselheira Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13016.000238/2004-40 Acórdão n.º 1801-00.460 S1-TE01 Fl. 70 7 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 26 de janeiro de 2011. _____________________________ Moema Nogueira de Souza – Secretário da Câmara Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 15521.000048/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA. INEXISTÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL. DECISÃO DO STJ NO RESP Nº 1.116.460/SP PROFERIDA SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Em conformidade com a decisão do STJ no REsp nº 1.116.460/SP, proferida em sede de recurso repetitivo, não incide imposto de renda sobre as verbas advindas de desapropriação por utilidade pública, as quais, dado o seu caráter indenizatório, não representam acréscimo patrimonial.
Numero da decisão: 2402-005.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA. INEXISTÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL. DECISÃO DO STJ NO RESP Nº 1.116.460/SP PROFERIDA SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC. Em conformidade com a decisão do STJ no REsp nº 1.116.460/SP, proferida em sede de recurso repetitivo, não incide imposto de renda sobre as verbas advindas de desapropriação por utilidade pública, as quais, dado o seu caráter indenizatório, não representam acréscimo patrimonial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
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INEXISTÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL. DECISÃO DO STJ NO RESP Nº 1.116.460/SP PROFERIDA SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC. Em conformidade com a decisão do STJ no REsp nº 1.116.460/SP, proferida em sede de recurso repetitivo, não incide imposto de renda sobre as verbas advindas de desapropriação por utilidade pública, as quais, dado o seu caráter indenizatório, não representam acréscimo patrimonial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 00 48 /2 01 0- 96 Fl. 275DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 15521.000048/201096 Acórdão n.º 2402005.957 S2C4T2 Fl. 171 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) – DRJ/RJ2, que julgou parcialmente procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao ano calendário 2007 (fls. 184 e ss). O lançamento decorreu da constatação da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais, no valor tributável de R$ 2.012.971,62, em face da desapropriação por utilidade pública para construção de casas populares do imóvel denominado “Sitio Jaqueira”, integrante da relação de Bens da DIRPF 2007 da contribuinte, às fls. 58, pelo valor histórico de R$ 45.000,00. O valor pago pelo expropriante montou em R$ 3.585.680,00, havendo sido lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em face dos pais da contribuinte. Em sua impugnação (fls. 39/51), a autuada alegou, em síntese: não haver fato gerador do IR sobre ganho de capital na desapropriação, pois nesta o preço pago não representa acréscimo patrimonial mas sim justa indenização; inexistir base para a qualificação da multa de ofício; ilegalidade da taxa Selic. A instância de primeiro grau manteve parcialmente o lançamento (fls. 240/246), exonerando a qualificação da multa. Dessa decisão foi interposto recurso voluntário em 17/3/2011 (fls. 251/257), no qual foram repisadas as alegações da impugnação. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante supra narrado, o caso vertente trata de ganho de capital apurado em desapropriação de imóvel para fins de utilidade pública, por parte do Município de Campos dos Goytacazes, RJ. A polêmica dantes existente entre o disposto no § 2º do art. 27, c/c os arts. 1º e 2º, do DecretoLei nº 3.365/41 que apontava para a não sujeição da desapropriação por utilidade pública ao imposto sobre ganho de capital, e os ditames dos arts. 3º e 22 da Lei nº 7.713/88, que traziam prescrições em sentido contrário, restou superada com a apreciação da matéria por parte da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 1.116.460/SP. Julgado em 9/12/2009, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil), o respectivo acórdão traz a seguinte ementa:: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Arguição de Inconstitucionalidade parcial do inciso ii, do parágrafo 2., do art. 1., do Decretolei Federal Fl. 278DF CARF MF Processo nº 15521.000048/201096 Acórdão n.º 2402005.957 S2C4T2 Fl. 172 5 n.1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda.Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., parágrafo 2., inciso ii, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art.543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (grifei) A tese jurídica firmada no precedente em questão é de observância obrigatória para este Colegiado, por força do art. 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343/15). De sua parte, a própria Receita Federal do Brasil já vem acatando esse entendimento, consoante espelha a Solução de Consulta Cosit nº 105/14, da qual se reproduz a respectiva ementa: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF DESAPROPRIAÇÃO. INTERESSE PÚBLICO. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO ESPECIAL Nº Fl. 279DF CARF MF 6 1.116.460/SP. REFORMA A SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 54 – COSIT, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2013. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Recurso Especial nº 1.116.460/SP, no âmbito da sistemática do art. 543 C do Código de Processo Civil (CPC), entendeu que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, tendose em vista que a propriedade é transferida ao Poder Público por valor justo e determinado pela Justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. Afastouse, portanto, a incidência do imposto sobre a renda sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por utilidade pública ou por interesse social. Em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, e na Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 2012, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontrase vinculada ao referido entendimento. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, 19 de julho de 2002 de 2002, art. 19; Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 12 de fevereiro de 2014; Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 2012. Não bastasse, há que se atentar para os termos da Súmula CARF nº 42, também de observância obrigatória por parte deste Colegiado: Súmula CARF nº 42: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Resta por conseguinte insubsistente a autuação, por haver constituído crédito tributário amparado na constatação de ganho de capital quando da percepção de valores decorrentes de desapropriação por utilidade pública, de acordo com o circunstanciado no respectivo Termo de Verificação Fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.001191/2008-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA
Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela Lei nº 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN.
A multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei 8.212/91 restringe-se aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 9202-005.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2008 AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela Lei nº 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. A multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei 8.212/91 restringe-se aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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Como resultado, aplicase para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. A multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 restringese aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 11 91 /2 00 8- 89 Fl. 200DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Cuidase de Recurso Especial do Procurador interposto contra o Acórdão nº 2402004.293, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 30/09/2008 PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Salvo fraude, dolo ou simulação, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial iniciase a partir da ocorrência do fato gerador, caso contrário, a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, de reprodução obrigatória pelo CARF. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na origem, tratase de impugnação contra o Auto de Infração nº 37.147.389 6, lavrado em 21/02/2008, que tem por objeto contribuições previdenciárias previsão do art. 20 da Lei 8.212/91 e as destinadas a outras entidades ou fundos (Salário Educação e INCRA), consoante determina o art. 3° da Lei 11.457/2007; as incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais e não informadas em GFIP, parte da empresa, consoante art. 22, inciso III da Lei 8.212/91, e a parte a seu cargo, consoante art. 4° da Lei 10.666/2003. Finalmente, apurou a fiscalização as contribuições incidentes sobre a receita bruta de comercialização de produção rural própria, de acordo com o art. 25, incisos I (parte da empresa), II (destinada ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho) da Lei 8.870/94 e alterações posteriores e as contribuições destinadas às outras entidades ou fundos (SENAR), consoante art. 6° da Lei 9.528/97. O acórdão n° 0815.082 da DRJ julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa contribuinte, remanescendo o crédito no valor de R$ 1.670,36 (um mil, seiscentos e setenta reais e trinta e seis centavos) (efls. 121/126). Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10384.001191/200889 Acórdão n.º 9202005.498 CSRFT2 Fl. 201 3 Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário arguindo que com relação ao início do prazo decadencial deve ser aplicado o art. 150, §4° do CTN e não o art. 173 do CTN, como posto no acórdão recorrido. Argumenta ainda no sentido de que a multa deve ser recalculada em atenção ao princípio da retroatividade benigna, na medida em que foi revogada a sistemática de agravamento temporal pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009 (efls. 136/141). O recurso foi parcialmente provido, por maioria de votos, para que seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 (efls. 150/168). Contra a referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando que o acórdão contrariou precedentes deste Conselho (efls. 170/178), apontando como paradigma os Acórdãos nº 20601.782 e nº 240300.035. Ao final, requer a reforma do julgado “na parte em que este determinou a aplicação da multa prevista no art. 35, caput, da redação original da Lei nº 8.212/91”. Em sede de exame de admissibilidade foi dado seguimento ao recurso para rediscussão da multa a ser aplicada no período lançado (efls. 181/188). Nas contrarrazões recursais, o contribuinte requer o não provimento do Recurso Especial do Procurador por entender que “não fará sentido aplicar penalidade acessórias uma vez que os interesses (arrecadação e fiscalização) foram protegidos na imposição de ofício”. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A lide tem como objeto a multa a ser aplicada no descumprimento de obrigações principais e obrigações acessórias previdenciárias, cujos fatos geradores ocorreram antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008. Antes de analisar o debate em questão, importante tecer algumas considerações sobre a sistemática da Lei nº 8.212/91 no tocante à penalidade pelo descumprimento das obrigações (principais e acessórias) sob a ótica do princípio da retroatividade benigna. Como se sabe, a MP nº 449/2008 trouxe relevantes alterações na sistemática das multas aplicáveis. Antes de sua entrada em vigor, o descumprimento das obrigações principais era penalizado da seguinte forma: As obrigações declaradas em GFIP, mas pagas Fl. 202DF CARF MF 4 em atraso, eram sancionadas com multa variável entre 8% a 20%, de acordo com o art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008); As obrigações que não tinham sequer sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal, eram punidas com a multa variável entre 24% a 50%, nos termos do art. 35, II, da mesma Lei. Caso os créditos fossem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Em que pese ambas as multas serem denominadas de “multa de mora”, os percentuais diferenciavamse pela existência de uma prévia declaração do tributo ou pelo lançamento de ofício. A nova sistemática trazida pela MP nº 449/2008 estabeleceu uma distinção mais visível entre as multas, denominando de multa de mora a multa incidente sobre as obrigações já declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, e de multa de ofício as obrigações lançadas de ofício pela autoridade fiscal, objetivando abrandar a multa de mora e aplicar uma penalidade mais severa às obrigações lançadas de ofício. Desta forma, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas (anteriormente prevista no art. 35, I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Quanto às obrigações acessórias, o descumprimento das obrigações era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A MP nº 449/2009 revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da mesma Lei, que é de “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Como se observa, em determinados pontos a nova sistemática foi mais benéfica ao contribuinte, mas em outros estabeleceu multa mais severa. Assim, para o cálculo das multas incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008, mas realizado após 12/2008, devese levar em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, do CTN. Assim, sob a ótica do referido princípio, as multas de fatos geradores ocorridos antes de 03/12/2008, mas aplicadas posteriormente a essa data, devem ser calculadas comparando a legislação anterior com a atual, isto porque a Lei nº 8.212/91 é clara ao estabelecer penalidades distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas em atraso (multa de mora do art. 35, caput), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias ( multa do art. 32A). Todavia, a Receita Federal vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver descumprimento de obrigações principais e acessórias, por entender ser a sistemática mais favorável ao contribuinte, em virtude da proibição do bis in idem. Desta forma, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações previdenciárias, o Fisco vem adotando a seguinte sistemática, de acordo com o art. 476A, da Instrução Normativa RFB 971/2009, vejamos: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10384.001191/200889 Acórdão n.º 9202005.498 CSRFT2 Fl. 202 5 Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores:(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Observase, portanto, que ao instituir uma multa única, deixase de estipular qualquer comparação entre os dispositivos anteriores e atuais da Lei nº 8.212/91, considerando se viável a aplicação da multa de ofício de forma generalizada. Em julgados anteriores, vinha adotando o posicionamento de que, em respeito ao art. 106, do CTN, na execução do julgado a autoridade fiscal deverá verificar a situação mais benéfica ao contribuinte a partir da comparação entre as multas anteriormente previstas nos arts. 35, I e II, e 32, com as multas atuais dos arts. 35, caput, 35A e 32A, de acordo com a natureza da infração cometida. Isto porque, entendo que não é possível admitir que a penalidade por descumprimento de obrigação acessória seja estabelecida de uma forma quando aplicada de forma isolada e de forma distinta quando cumulada com multa referente à obrigação principal, Fl. 204DF CARF MF 6 pois não há previsão legal nesse sentido. À Receita Federal cabe implementar meios para recalcular os débitos de forma a aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparando os dispositivos da lei anterior ao atual, e não criar condições prejudiciais aos contribuintes. Ressalvada minha tese sobre a questão, constatase que o meu posicionamento diverge da posição deste colegiado, que em outros julgados tem se manifestado quase à unanimidade, não fosse o voto divergente da ora relatora, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda, razão pela qual modifico o meu posicionamento para me adequar à jurisprudência deste Conselho. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reformado o acórdão recorrido na parte em que determinou a aplicação da multa prevista no art. 35 com redação original da Lei n° 8.212/91, permitindo que a Fazenda Nacional realize a aferição acerca da opção mais benéfica, nos moldes requeridos pela Recorrente, a saber: a soma das duas multas, aplicadas nos Autos de Infração de descumprimento de obrigações principais e acessórias; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002188/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO DA DIRPF. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida o lançamento por omissão de rendimentos.
Mantém-se o lançamento quando não restar comprovado nos autos que os
rendimentos considerados como omitidos foram oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
DILIGÊNCIA QUE COMPROVA A OMISSÃO DE RENDIMENTO.
Em fase de recurso o retorno da diligência que constata a omissão na declaração não afasta o lançamento fiscal, impondo assim que seja mantido o credito fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-005.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Jorge Henrique Backes, Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Thiago Duca Amoni, Denny Medeiros Silveira e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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DECLARAÇÃO DA DIRPF. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida o lançamento por omissão de rendimentos. Mantémse o lançamento quando não restar comprovado nos autos que os rendimentos considerados como omitidos foram oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. DILIGÊNCIA QUE COMPROVA A OMISSÃO DE RENDIMENTO. Em fase de recurso o retorno da diligência que constata a omissão na declaração não afasta o lançamento fiscal, impondo assim que seja mantido o credito fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 21 88 /2 00 7- 46 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10320.002188/200746 Acórdão n.º 2301005.100 S2C3T1 Fl. 83 2 Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Jorge Henrique Backes, Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Thiago Duca Amoni, Denny Medeiros Silveira e Wesley Rocha. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por VINICIUS CESAR DE BERREDO MARTINS, contra o acórdão de julgamento n.º 0819.788, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) (1ª Turma da DRJ/FOR), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, referente à Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, fls. 07/09, relativa ao ano calendário 2004, exercício 2005, no que diz respeito à glosa de R$ 8.700,00 (oito mil e setecentos reais). Em sede de recurso de primeira instância foi afastada a glosa de R$2.700,00, uma vez ofereceu à tributação os rendimentos recebidos da Fonte Pagadora Centro Educacional Montessoriano Ltda, beneficiandose assim da dedução de imposto de renda retido na fonte. Contudo, no julgamento da impugnação a DRJ foi mantida a Glosa referente aos R$ 6.000,00, conforme foi apurado pela fiscalização referente à Fonte pagadora, Moraes Pitombo Advogados CNPJ n° 04.359.325/000116 Rendimento informado em Dirf. Em sede de recurso, o julgamento foi convertido em diligência, sendo que por bem descrever os fatos, adoto o relatório lançado na Resolução n.° 2201000.136, feito pela 2ª Turma, da 1ª Câmara Ordinária, no presente processo administrativo, que converteu a decisão em julgamento, assim transcrito: "As infrações apontadas na mencionada Notificação de Lançamento e relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foram: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Em decorrência do contribuinte regularmente intimado não ter atendido a intimação até a presente data procedeuse ao lançamento de ofício, conforme a seguir descrito. Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte — Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 6.000,00, conforme relacionado abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 1.151,03. Fonte pagadora — Moraes Pitombo Advogados CNPJ n° 04.359.325/000116 Rendimento informado em Dirf — R$ 6.000,00 Rendimento declarado — R$ 0,00 Rendimento omitido — R$ 6.000,00 IRRF informado em Dirf— R$ 1.151,03 Compensação Indevida de imposto de Renda Retido na Fonte. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10320.002188/200746 Acórdão n.º 2301005.100 S2C3T1 Fl. 84 3 Regularmente intimado a comprovar os valores compensados a título de Imposto de renda Retido na Fonte, o contribuinte não atendeu a intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da intimação, foi glosado o valor de R$ 2.700,00, indevidamente compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, conforme discriminado abaixo: Fonte pagadora — Centro Educacional Montessoriano Infantil CNPJ n'06.350.896/000115 IRRF Declarado — R$ 2.700,00 IRRF Glosado R$ 2.700,00 Em decorrência das alterações efetuadas o valor do imposto a pagar de R$3. 125,06, declarado pelo contribuinte foi modificado para imposto a pagar no valor de R$ 6.324,23. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável estão discriminados às fls. 08, 08 verso e 09 verso. Inconformado com a exigência da qual tomou conhecimento em 25/06/2007, fls.24, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento argumentando em síntese: 1. Relativamente à infração de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, apresenta o Darf do recolhimento efetuado pela fonte pagadora Centro Educacional Montessoriano Ltda, que recolheu a quantia conforme informada em sua Declaração. 2. Quanto à omissão de rendimentos apontada, confessa surpresa e considera absolutamente falsa a informação prestada pela empresa em sua Dirf. Aduz que solicitou explicações à empre'sa, explicação esta que até a data da impugnação não lhe foi dada. Mantémse o lançamento quando não restar comprovado nos autos que os rendimentos considerados como omitidos foram oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. É de se restabelecer o montante de imposto de renda retido na fonte quando comprovada nos autos a retenção e recolhimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado o contribuinte recorre sustentando que não recebeu o valor informado pela fonte e que caberia ao fisco solicitar da fonte o comprovante de pagamento. (...) Pareceme que o Ilustre Relator a quo equivocouse ao interpretar o artigo 333 do CPC. Inicialmente porque o fato discutido é constitutivo do direito creditório da Fazenda Nacional, segundo porque a defesa apresentada se baseia na inexistência do fato e não em fato extintivo, modificativo ou suspensivo do direito. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10320.002188/200746 Acórdão n.º 2301005.100 S2C3T1 Fl. 85 4 O lançamento é ato privativo da autoridade administrativa que tem por função verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária vertendoo em linguagem competente e determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e propor a aplicação da penalidade cabível. A Abstraindo a velha discussão da natureza constitutiva ou declaratória do lançamento, fato é que sem ele não há exigibilidade, seja lançamento de ofício, por declaração ou por homologação, é por este ato que se dá concretude ao direito tributário Sendo certo que o lançamento tributário é ato constitutivo do direito da Fazenda de exigir a prestação pecuniária cabe a ela o ônus de provar a ocorrência do Fato Gerador. O que ao meu ver não o vez a contento. Ante o exposto, usando dos poderes instrutórios conferidos a todos os julgadores, proponho que o presente feito seja baixado em diligência para que a fonte pagadora seja intimada a apresentar o comprovante do pagamento feito ao contribuinte. Na fl. 60 a pessoa jurídica, Moraes Pitombo Advogados CNPJ n° 04.359.325/000116, consoante declaração na DIRF (fl. 21) informa ter realizado os pagamentos ao recorrente, Sr. Vinicius Cesar De Berredo Matrtins, apresentando, após intimação, os comprovantes da transação econômica realizada, juntando os seguintes documentos (fls. 66/74): É o relatório. Voto Conselheiro Relator Wesley Rocha O recurso preencheu seu requisito de tempestividade, observado já na conversão de julgamento em diligência. Portanto, passo a analisar o mérito. Conforme se constata dos documentos de fls. 66/74 foram apresentados provas suficientes para verificação da omissão de rendimento realizada pelo contribuinte, da qual o recorrente alega jamais ter recebido a quantia de R$ 6.000,00 do escritório de advocacia, Moraes Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10320.002188/200746 Acórdão n.º 2301005.100 S2C3T1 Fl. 86 5 Pitombo Advogados CNPJ n.º 04.359.325/000116, que prontamente atendeu ao fisco e junto ao processo administrativo provas contundentes da prestação de serviço. Ainda, a recorrente nas manifestações realizadas durante o processo administrativo, alega de ter havido contato com o escritório acima citado, mas que não teria se concretizado a prestação de serviços advocatícios ao cliente, "fábrica de pneus pirelle". Entendo ser esse também um indício de que o sujeito passivo tinha ciência da até então suposta prestação de serviço (fl. 03 do processo administrativo), e que segundo o recorrente, nunca foi efetivado. Contudo, essa alegação não condiz com a realidade dos documentos trazidos pela fiscalização e pela contratante dos serviços do contribuinte. A vasta documentação apresentada com o retorno da diligência solicitada pela autoridade administrativa comprovam os pagamentos realizados. Portanto, verificase efetivamente que foram repassados ao recorrente a quantia de R$6.000,00, tendo o escritório contratante dos serviços do contribuinte descontados os impostos devidos ao fisco, inclusive com o recolhimento da contribuição previdenciária. comprovando o escritório até o ISS recolhido à municipalidade de São pauloSP. Do conjunto probatório trazido ao PAF não há como afastar a incidência do tributo em questão. Ocorreu, portanto, o fato gerador disposto no artigo 43, do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Nesse sentido, o art. 9ºda Lei 8.134, de 27 de dezembro de, 1990, impõe ao contribuinte a obrigatoriedade de apresentação a DAA, a qual para a correta definição da base de cálculo do IRPF e para a determinação do saldo do imposto a pagar ou a restituir, deve conter todos os rendimentos auferidos ao longo do ano calendário. Ficou, portanto, configurada a aquisição da disponibilidade econômica (renda) pelo recorrente dos valores percebidos da operação havida no ano calendário de 2004, pelo escritório de advocacia já citado, para a prestação dos serviços do recorrente, constatandose assim a omissão pelo contribuinte do imposto devido. Portanto, não procede suas alegações em sede de recurso de que não auferiu a renda apontada pela autoridade administrativa fiscal, devendo ser mantido a glosa lançada dos R$6.000,00, consoante a confrontação das provas trazidas ao processo administrativo. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10320.002188/200746 Acórdão n.º 2301005.100 S2C3T1 Fl. 87 6 Conclusão Em face do exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10320.002188/200746 Acórdão n.º 2301005.100 S2C3T1 Fl. 88 7 Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.722348/2015-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 25/10/2012, 13/11/2012, 28/11/2012, 29/11/2012, 12/12/2012, 31/01/2013
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. TERMO DE INTIMAÇÃO DE CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO COM PRAZO SUPERIOR A SESSENTA DIAS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A inexistência de termo de intimação para a continuidade de mandado de procedimento fiscal em prazo inferior a sessenta dias não implica a nulidade do auto de infração, mas apenas enseja o resgate da espontaneidade do contribuinte, exatamente como prevê o art. 7o, § 2° do Decreto 70.235/72, c.c. os artigos 14 e 15 da Instrução Normativa n. 3.104/11, vigente à época dos fatos.
OCULTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE.
Em consonância com a doutrina e a jurisprudência administrativa, que consideram plenamente aceitável o uso da prova indireta em direito tributário, inclusive em atos fraudulentos, a fiscalização apurou um quadro indiciário que, por presunção simples, conduz ao cometimento da infração. Os elementos indiciários apurados devem ser analisados conjuntamente. Embora a eventual existência de somente um deles pudesse não ser suficiente para a configuração da infração, o que importa é que o conjunto probatório, considerado como um todo, convirja ao cometimento da infração.
Caracteriza dano ao Erário a importação de mercadoria com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.
Aplica-se a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria na importação, quando essa não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, por ocasião da apuração da infração por dano ao Erário.
ARBITRAMENTO DE PREÇOS. FRAUDE. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA AFASTADO.
No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, nos termos do art. 88 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, sendo afastados os métodos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira em conformidade com as Opiniões Consultivas 10.1 e 19.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira.
Recurso voluntário negado
Crédito Tributário mantido
Numero da decisão: 3402-004.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos o Relator e a Conselheira Maysa Pittondo. Designada redatora para o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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TERMO DE INTIMAÇÃO DE CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO COM PRAZO SUPERIOR A SESSENTA DIAS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A inexistência de termo de intimação para a continuidade de mandado de procedimento fiscal em prazo inferior a sessenta dias não implica a nulidade do auto de infração, mas apenas enseja o resgate da espontaneidade do contribuinte, exatamente como prevê o art. 7o, § 2° do Decreto 70.235/72, c.c. os artigos 14 e 15 da Instrução Normativa n. 3.104/11, vigente à época dos fatos. OCULTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE. Em consonância com a doutrina e a jurisprudência administrativa, que consideram plenamente aceitável o uso da prova indireta em direito tributário, inclusive em atos fraudulentos, a fiscalização apurou um quadro indiciário que, por presunção simples, conduz ao cometimento da infração. Os elementos indiciários apurados devem ser analisados conjuntamente. Embora a eventual existência de somente um deles pudesse não ser suficiente para a configuração da infração, o que importa é que o conjunto probatório, considerado como um todo, convirja ao cometimento da infração. Caracteriza dano ao Erário a importação de mercadoria com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 23 48 /2 01 5- 76 Fl. 3959DF CARF MF 2 Aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria na importação, quando essa não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, por ocasião da apuração da infração por dano ao Erário. ARBITRAMENTO DE PREÇOS. FRAUDE. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA AFASTADO. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, nos termos do art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, sendo afastados os métodos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira em conformidade com as Opiniões Consultivas 10.1 e 19.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira. Recurso voluntário negado Crédito Tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos o Relator e a Conselheira Maysa Pittondo. Designada redatora para o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tendo em vista a acusação de interposição fraudulenta comprovada, foi imposto em desfavor da Recorrente Spread Assessoria Empresarial EIRELI EPP ("Spread") pena de perdimento de mercadorias importadas, convertida em multa, nos termos do art. 23, inciso V, § 1o do Decretolei n. 1.455/76. Também foi exigida a diferença de valores para os tributos incidentes na importação (II, IPI, PIS e COFINS), uma vez que, segundo a acusação fiscal, os bens importados apresentariam valores subfaturados, o que suscitou o arbitramento do importe atribuído para tais bens. Fl. 3960DF CARF MF Processo nº 10909.722348/201576 Acórdão n.º 3402004.621 S3C4T2 Fl. 3.960 3 2. Não obstante, tais exigências foram estendidas de forma solidária aos sócios da empresa Spread, i.e., às pessoas de Juliano Vanhoni Sil e Elaine Cristina Lins Correia Sil, à empresa Hen Sheng Comércio, Importação e Exportação Ltda. ME ("Hen Sheng Comércio"), bem como para seus sócios, i.e., às pessoas de Zhuang Zhi Yong e Hiu Ying Lam. Não obstante, também houve a responsabilização de Zhiyoung Fu, na qualidade de agente do exportador no país. 3. Segundo a acusação fiscal a Recorrente teria promovido, em nome próprio, importações de mercadorias retratadas pelas declarações de importação (DI's) nºs 12/1170501 5, 12/15993139, 12/20039030, 12/21324073, 12/22297363, 12/22388946, 12/23293353 e 13/02032846. Acontece que, segundo a fiscalização, a Recorrente não seria a real importadora de tais mercadorias, papel este atribuído à empresa Hen Sheng Comércio. 4. Os fatos e provas invocados pela fiscalização que atestariam a infração alhures detalhada seriam os seguintes: (i) entre a internação das mercadorias no Brasil pela Spread e a sua remessa para a real destinatária teria ocorrido um curto prazo de tempo o que, somado a incapacidade física da empresa Spread em armazenar bens e, ainda, informações obtidas no seu "site", o qual atestaria que a empresa não seria uma comercial importadora, mas sim uma prestadora de serviço no comércio exterior, o que, inclusive, seria referendado pelo seu alvará de funcionamento, que tem como atividade principal a de "comissão de despachos", atestariam que a atividade da Spread seria de prestação de serviços no comércio exterior e não de comercial importadora; (ii) que o balanço patrimonial da Spread, por apresentar um patrimônio líquido negativo, atestaria a sua incapacidade financeira de operar no comércio exterior com recursos próprios; (iii) que teria ficado provado a formação de uma espécie de "contacorrente" de clientes da Spread em favor desta última, o qual também teria sido patrocinado pela empresa Hen Sheng Comércio, o que se deu com o fito de antecipar valores para viabilizar a importação de mercadorias por parte da Spread, incapaz economicamente de arcar, por si só, com tais operações; e, por fim (iv) a existência de um descompasso entre a exportadora das mercadorias aqui tratadas e a empresa estrangeira que de fato recebeu os valores para tais operações no comércio exterior, o que configuraria a falsidade ideológica dos documentos instrutivos do despacho aduaneiro e a ilegalidade das operações em análise. 5. Uma vez lavrada a autuação em face dos Recorrentes e demais solidários, foram apresentadas Impugnações por Hiu Ying Lam (fls. 3.094/3.161), Zhuang Zhi Yong (fls. 3.167/3.234), Spread (fls. 3.242/3.284), Juliano Vanhoni Sil (fls. 3.348/3.359). 6. Tais impugnações foram julgadas improcedentes pela DRJ de Florianópolis (acórdão n. 0738.384 fls. 3.486/3.505), conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 25/10/2012, 13/11/2012, 28/11/2012, 29/11/2012, 12/12/2012, 31/01/2013 Fl. 3961DF CARF MF 4 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, através de interposição fraudulenta, infração punível com a pena de perdimento ou com a multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas ou revendidas. IMPORTAÇÃO. FALSIDADE DOCUMENTAL. DANO AO ERÁRIO. MULTA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. SUBFATURAMENTO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falsidade (material ou ideológica) da fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro, fica caracterizado o dano ao Erário impondo a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na hipótese desta não ter sido localizada ou ter sido consumida ou revendida. Constatado o subfaturamento, é cabível ainda a exigência do pagamento dos tributos e contribuições sociais que, incidentes na importação, deixaram de ser recolhidos, acrescidos da multa de ofício e juros de mora. BASE DE CÁLCULO. FRAUDE. ARBITRAMENTO. As importações, para as quais não tenha sido possível determinar os preços efetivamente praticados, deverão ter suas bases de cálculo determinadas mediante arbitramento. REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. O lançamento de crédito tributário decorrente de revisão aduaneira de declaração de importação não caracteriza mudança de critério jurídico nos termos estabelecidos no artigo 146 do CTN, mormente quando decorrente da constatação de fraude. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Constatada a fraude na importação é aplicável a multa de ofício agravada de 150% sobre os tributos apurados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/10/2012, 13/11/2012, 28/11/2012, 29/11/2012, 12/12/2012, 31/01/2013 PROVAS INDICIÁRIAS. Na busca pela verdade material, que é um princípio do processo administrativo fiscal, a comprovação de uma dada situação fática pode ser feita por provas diretas e/ou por um conjunto de indícios que, se isoladamente pouco poderiam atestar, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Não há, em sede de processo administrativo, Fl. 3962DF CARF MF Processo nº 10909.722348/201576 Acórdão n.º 3402004.621 S3C4T2 Fl. 3.961 5 uma hierarquização dos meios de prova, sendo perfeitamente regular a formação da convicção a partir do cotejo de subsídios de variada ordem, inclusive as provas indiciárias. QUALIFICAÇÃO DOS SUJEITOS PASSIVOS NA IMPORTAÇÃO REALIZADA COM INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. Na importação realizada com interposição fraudulenta de terceiro, em que for identificado o real adquirente da mercadoria, tanto o importador oculto como o ostensivo podem ser qualificados como contribuintes dos tributos e penalidades incidentes na operação, exceto em relação à multa por cessão do nome, que é específica da interposta pessoa. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 7. Diante deste quadro, as partes interessadas apresentaram seus recursos voluntários [(Zhuang Zhi Yong fls. 3.547/3.611), (Zhiyoung Fu fls. 3.660/3.681,) (Hiu Ying Lam fls. 3.740/3.804), (Spread fls. 3.857/3.905) e (Juliano Vanhoni Sil fls. 3.923/3.934)]. 8. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 9. Os Recursos Voluntários interpostos preenchem os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. I. Das preliminares de mérito (i) Das nulidades da decisão recorrida 10. Conforme se observa do recurso voluntário interposto pelo contribuinte Spread, este alega que a fiscalização padeceria de nulidades, já que teria ficado provado a existência de excesso de prazo por parte do fiscal ao longo do procedimento fiscal, uma vez que os termos de intimação fiscal para fins de renovação do procedimento fiscal teriam sido renovados com prazos superiores a 60 (sessenta) dias. 11. Entendo, todavia, que não assiste razão ao contribuinte. Fl. 3963DF CARF MF 6 12. Para se chegar a tal conclusão, insta destacar que, uma vez instaurado um mandado de procedimento fiscal, a expedição de termos para a sua renovação é uma questão interna corporis, sendo que sua ausência ou superação do prazo de 60 (sessenta) dias para renovação não contamina a fiscalização de nulidade. A competência fiscalizatória do auditor fiscal é característica ínsita decorrente da investidura do seu cargo. 13. Tais assertivas, entretanto, não conflitam com o disposto no art. 7o, § 2° do Decreto 70.235/721. Em verdade, o que aludido dispositivo faz é explicitar um dos efeitos para o não cumprimento da renovação do mandado de procedimento fiscal em 60 (sessenta) dias, qual seja, o de resgatar a espontaneidade do contribuinte2, isso tudo sem prejuízo do transcurso do prazo decadencial do fisco para lançar eventual crédito ou impor uma determinada sanção. 14. Ademais, a Instrução Normativa n. 3.104/11 assim previa: Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; ou II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela expedição do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. (grifos nosso). 15. Conforme se observa do sobredito art. 15, o decurso de prazo de um mandado de procedimento fiscal não implica a nulidade dos atos até então praticados, o que seria flagrantemente atentatório ao princípio da eficiência da Administração Pública. Logo, tal mandado de procedimento fiscal pode ser objeto de ressurreição pelo ato formal de expedição de termo de intimação para a sua continuidade. 16. Nem se alegue que seria necessário a expedição de um "novo" mandado de procedimento fiscal, com a mesmíssima substância do anterior, sob pena de uma indevida sobreposição da forma em detrimento do conteúdo, o que também implicaria em notória ofensa ao já citado princípio da eficiência da Administração Pública. 1 "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 2 Efeito este que, digase de passagem, foi reconhecedo pela súmula CARF n. 75, "in verbis": "A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo." Fl. 3964DF CARF MF Processo nº 10909.722348/201576 Acórdão n.º 3402004.621 S3C4T2 Fl. 3.962 7 17. Em tese, haveria a necessidade de um formalmente novo mandado de procedimento fiscal se, eventualmente, a fiscalização objetivasse ampliar o espectro da sua atuação inaugural, o que não é o caso dos autos. 18. Em suma, o dispositivos legais acima transcritos não podem ser interpretados como se fossem uma ilha, isolados, pois, do ordenamento jurídico como um todo, mas devem ser significados de forma sistêmica e, ainda, levando em consideração os valores jurídicos que pretendem tutelar. 19. Neste esteio, aliás, é o entendimento deste Tribunal, conforme se observa da ementa do acórdão n. 1302000.976 abaixo transcrita: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 (...) NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em Mandado de procedimento Fiscal MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. (...). Preliminares rejeitadas. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário parcialmente provido. 20. Diante deste quadro, não há, pois, que se falar em nulidade do procedimento fiscalizatório. 21. Não obstante, a outra nulidade aventada, i.e., de que a presente autuação teria se embasado em meras presunções se confunde com a questão de mérito, motivo pelo qual será enfrentada em tópicos subsequentes do presente voto. II. Do mérito (i) Das acusações e das sanções impostas às recorrentes 22. Conforme se observa dos autos duas acusações são feitas para as operações de importação em tela: (i) a empresa Spread teria importado produtos de modo a interpor fraudulentamente a pessoa de Hen Sheng Comércio; e (ii) tal importação teria sido embasada em documentos fiscais maculados por falsidade ideológica, na medida em que as Fl. 3965DF CARF MF 8 mercadorias foram subfaturadas e retratam uma operação que não condiz com a realidade, já que há um descompasso entre quem exportou as mercadorias para o Brasil e quem de fato recebeu no exterior os valores por tal operação de exportação. 23. Diante deste quadro acusatório, i.e, de interposição fraudulenta e de subfaturamento, a fiscalização imputou, respectivamente, duas sanções aos Recorrentes, quais sejam: (i) pena de perdimento, convertida em multa e, ainda, (ii) exigência das diferenças de tributos nas operações subfaturadas (II, IPI, PIS e COFINS), acrescidas de multas qualificadas. 24. A primeira das sanções alhures mencionadas está capitulada no art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/763, c.c. o art. 689, inciso XXII, §1º do Decreto n. 6.759/094. Já a segunda sanção em comento está prescrita 88, inciso I da MP n. 2.15835, de 24/08/20015. 25. Este é, em suma, o cenário fáticojurídico que gravita em torno do presente caso. (ii) Da interposição fraudulenta 26. Conforme se observa dos autos, a fiscalização para as DI's tratadas no presente processo administrativo provém de uma operação maior, que referese à revisão de 99 DI's patrocinadas pela empresa Spread e que decorreu da suspensão do seu RADAR. Importante ainda registrar que a interposição apurada no presente processo administrativo é a provada e não a presumida. 3 "Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...). V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...). § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (...). § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (...)." 4 " Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário: (....) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...). § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (...)." 5 "Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; (...)." Fl. 3966DF CARF MF Processo nº 10909.722348/201576 Acórdão n.º 3402004.621 S3C4T2 Fl. 3.963 9 27. Não obstante, também como já exposto no relatório do presente voto, tal exigência aduaneira pautase nos seguintes elementos de prova: (i) entre a internação das mercadorias no Brasil pela Spread e a sua remessa para a real destinatária teria ocorrido um curto prazo de tempo o que, somado a incapacidade física da empresa Spread em armazenar bens e, ainda, informações obtidas no seu "site", o qual atestaria que a empresa não seria uma comercial importadora, mas sim uma prestadora de serviço no comércio exterior, o que, inclusive, seria referendado pelo seu alvará de funcionamento, que tem como atividade principal a de "comissão de despachos", atestariam que a atividade da Spread seria de prestação de serviços no comércio exterior e não de comercial importadora; (ii) que o balanço patrimonial da Spread, por apresentar um patrimônio líquido negativo, atestaria a sua incapacidade financeira de operar no comércio exterior com recursos próprios; (iii) que teria ficado provado a formação de uma espécie de "contacorrente" de clientes da Spread em favor desta última, o qual também teria sido patrocinado pela empresa Hen Sheng Comércio, o que se deu com o fito de antecipar valores para viabilizar a importação de mercadorias por parte da Spread, incapaz economicamente de arcar, por si só, com tais operações; e, por fim (iv) a existência de um descompasso entre a exportadora das mercadorias aqui tratadas e a empresa estrangeira que de fato recebeu os valores para tais operações no comércio exterior, o que configuraria a falsidade ideológica dos documentos instrutivos do despacho aduaneiro e a ilegalidade das operações em análise. 28. Em princípio, a análise de tais documentos caminha para o sentido que, de fato, a empresa Spread atuaria no comércio exterior não como uma comercial importadora, mas sim uma prestadora de serviço. Logo, poderia presumirse que as operações de importação perpetradas por tal empresa não seriam em nome próprio, mas em favor de terceiros ocultados fraudulentamente. 29. Acontece que, repitase, no presente caso a acusação é de interposição fraudulenta comprovada. Assim, não bastaria à fiscalização fazer prova da insubsistência da Spread como comercial importadora. Aliado a tal fato, também competia ao fisco apontar a pessoa interposta, bem como as provas que demonstrassem o liame entre tal pessoa e a Spread. 30. Para demonstrar tal fato e partindo do pressuposto que a Spread não possuía recurso financeiro suficiente para realizar as operações de importação aqui tratadas, a fiscalização passou a analisar a contabilidade da Spread concluindo, ao seu ver, existir uma espécie de contacorrente patrocinado pelos seus clientes, pessoas pretensamente interpostas, com o fito de financiar as operações de importação formalmente perpetradas pela Spread. Nesse sentido, convém observar o seguinte trecho do Relatório Fiscal (fls. 3.027/3.028), quando trata da DI n. 12/15993139: Fl. 3967DF CARF MF 10 31. Do trecho alhures transcrito é possível observar que, segundo a fiscalização, para arcar com os tributos na importação da DI em apreço (R$ 16.114,17), a recorrente teria contabilizado o recebimento, dois dias antes, do importe de R$ 34.846,82. Acontece que, analisando a movimentação financeira da empresa Spread, não haveria registro de tais valores, mas sim de três depósitos em cheques totalizando o valor de R$ 189.890,00, montante este cuja origem não foi identificada. A partir de tais fatos e por uma questão cronológica, a fiscalização presume que parte de tais valores teriam sido depositados pelos Fl. 3968DF CARF MF Processo nº 10909.722348/201576 Acórdão n.º 3402004.621 S3C4T2 Fl. 3.964 11 compradores imediatos das mercadorias importadas, i.e, as empresas Mariano & Silva, Maria Edila Artigos para Viagens Ltda EPP e ISM Comércio de Variedades Ltda. Acontece que tais empresas não apresentam qualquer relação com o presente auto de infração, cuja acusação é de que a empresa Spread teria interposto fraudulentamente a pessoa jurídica de Hen Sheng Comércio que, para a DI em comento, também teria arcado antecipadamente com parte do custo da operação. 32. Aduz a fiscalização que, em verdade, a empresa Spread patrocinava múltiplas cadeias de interposição e, com isso, acobertava a empresa Hen Sheng Comércio. Por outro giro verbal, a empresa Spread valiase de valores recebidos por outros clientes para patrocinar as operações da empresa Hen Sheng Comércio, assim como também empregava valores percebidos por Hen Sheng Comércio para patrocinar outras operações de importação de outros clientes. Haveria, pois, um "financiamento cruzado" de operações de importação de caráter fraudulento. 33. Acontece que, analisando o presente relato sob uma outra perspectiva, perguntase: será que de fato o que existe são múltiplas cadeias de interposição ou, em verdade, uma operação empresarial que gera fluxo de caixa a permitir que a empresa Spread adquira produtos a serem revendidos para seus diferentes clientes? Se de fato existem múltiplas cadeias de interposição, quais seriam os aportes financeiros efetuados pela Hen Sheng Comércio e quais "importações cruzadas" tais valores teriam subsidiado? Da análise do auto de infração é impossível responder tais questionamentos. Por sua vez, as simples dúvidas aqui suscitadas são suficientes para, neste processo administrativo, demonstrar a insuficiência da prova trazida pela fiscalização para provar o nexo entre as empresas Spread e Hen Sheng Comércio. 34. Como já repisado no presente voto, a acusação é de interposição provada. Logo, competia à fiscalização não só comprovar a incapacidade financeira da Spread, mas o liame entre operações de importações individualizadas e seus respectivos suportes financeiros por específica pessoa supostamente interposta, no caso a empresa Hen Sheng Comércio. Quando muito, na suposta hipótese da acusação, ou seja, de "múltiplas cadeias de interposição", deveria o fisco ao menos ter feito prova das "operações cruzadas" pretensamente arcadas financeiramente pela empresa Hen Sheng Comércio e que, reflexamente, repercutiria paras as DI's destacadas na presente autuação. Nenhum desses liames, todavia, estão provados em relação às DI's aqui fiscalizadas, o que é suficiente para afastar a pretensão fiscal nesse particular em favor de todos os autuados. (iii) Do subfaturamento das mercadorias importadas 35. Superada a questão da interposição fraudulenta, persiste ainda a discussão quanto à existência ou não de subfaturamento nas operações de importação retratadas pelas 12/11705015, 12/15993139, 12/20039030, 12/21324073, 12/22297363, 12/22388946, 12/23293353 e 13/02032846 que, por conseguinte, implicou o arbitramento de preços para fins da exigência complementar dos tributos e a multa de ofício qualificada. As DI's sobreditas referemse às seguintes mercadorias: necessaire feminina (100% PVC ou maior parte em plástico PVC), bolsa em PU; carteira feminina com poliuretano, bolsas femininas de material têxtil, sacolas de viagem em nylon, cintos femininos de PU, pastas para notebook de poliester, portas moedas (com superfícies plásticas tipo napa e de material sintético), mochila escolar de poliester, capa para celular de plástico e bolsa de papel. Fl. 3969DF CARF MF 12 36. Importante repisar que a acusação é de subfaturamento e não de subvaloração, diferença essa bem pontuada por Rodrigo Mineiro em seguinte excerto doutrinário: É importante, mais uma vez, separar as operações lícitas das operações ilícitas para conceituarmos o subfaturamento, diferenciandoo de outra prática aparentemente similar: a subvaloração. Esta, uma irregularidade dentro do campo da licitude. Aquela, através da prática de um ato ilícito. O subfaturamento é realizado mediante o registro da Declaração de Importação com declaração de preço inferior ao efetivamente praticado, com base numa fatura comercial falsa (ideológica ou material) 6. 37. Nesse sentido, na hipótese de subfaturamento há uma ilicitude a macular a operação de comércio exterior, a qual pode ser decorrente (i) de falsidade material ou de (ii) falsidade ideológica dos documentos que instruem a operação de importação. Nos casos de subfaturamento devem ser adotadas as providências do art. 88 da Medida Provisória nº 2.158/2001, in verbis: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. 6 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. "Valoração aduaneira e subfaturamento". "In": DOMINGO, Luiz Roberto; SARTORI, Angela; PEIXOTO, Marcelo Magalhães. (coord.). "Tributação Aduaneira à luz da Jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais". São Paulo: MP, 2013, pp. 250251. Fl. 3970DF CARF MF Processo nº 10909.722348/201576 Acórdão n.º 3402004.621 S3C4T2 Fl. 3.965 13 38. Segundo dispõe o sobredito dispositivo legal, em se tratando de uma operação de importação fraudulenta deve ser aplicado o preço efetivamente praticado nesta operação ou, caso isso não seja possível, um valor a ser arbitrado pela fiscalização levando em consideração os seguintes critérios: (i) preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; ou (ii) preço no mercado internacional, apurado mediante: (ii.a) cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; (ii.b) método previsto no Artigo 7 do GATT (método do último recurso), observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou (iii.c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. 39. No caso em tela a fiscalização entendeu haver a existência de falsidade ideológica dos documentos que instruíram as respectivas operações de importação, o que estaria pautado nos seguintes fundamentos: (i) para mesmo período em comento, a fiscalização teria apurado que chapas de poliuretano, material predominantemente empregado nos produtos importados pela empresa Spread, apresentaria um valor FOB médio bem superior ao importe atribuído aos bens importados e aqui tratados. Nesse sentido é o seguinte trecho do Relatório Fiscal (fls. 3.022/3.023): (...). Tomandose por base os preços médios por quilograma líquido, imediatamente se constata que tais preços NÃO SÃO COMERCIALMENTE PRATICÁVEIS, pois estão MUITO ABAIXO do preços das matériasprimas das quais as mercadorias são produzidas. Em todas as operações há predominância de artigos fabricados com poliuretano (PU), que é plástico empregado, entre outros usos diversos, na fabricação de imitação de couro, também denominado couro sintético, por possuir toque macio e permitir acabamento na superfície dando lhe aspecto de couro. Por tal motivo, é empregado para fabricação de artigos que no passado eram fabricados exclusivamente em couro: bolsas, carteiras, roupas, etc. Por meio do sistema ALICEWEB efetuouse pesquisa quanto às importações de chapas de poliuretano, classificadas no código da NCM 3921.13.90, provenientes da CHINA, no período de julho/2012 e dezembro/2012, que abarca o lapso de tempo em que os embarques ocorreram (fl. 2693). No período, o Brasil importou 2.440.287 kg por um valor total FOB de US$ 13.696.298,0017. Temos, portanto, um preço de médio de US$ 5,61 por kg, que bem demonstra quão insignificantes são os preços declarados pela importadora para produtos fabricados a partir de matériaprima da espécie. Ainda que a China tenha baixos custos de produção, não é possível que consiga produzir mercadorias onde o preço do produto manufaturado seja várias Fl. 3971DF CARF MF 14 vezes menor que o custo da matériaprima ofertada para exportação por ela própria. (...). (ii) as faturas em análise seriam simuladas, já que o exportador não teria recebido o pagamento referente às mercadorias importadas, o qual teria sido destinado para outra empresa estrangeira. 40. Em relação a este segundo fundamento, a recorrente Spread demonstrou que a conta bancária destinatária do câmbio foi expressamente indicada na fatura comercial e que tratavase de outra pessoa jurídica do mesmo grupo econômico da exportadora, o que tornaria o pagamento realizado válido, nos termos do que previa o Regulamento de Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (Título 1, Capítulo 12, Seção 1, Itens 3 e 10, alínea "d"7) e a Circular BACEN n. 3.691/2013. 41. Não obstante, em relação ao primeiro fundamento invocado para caracterizar o suposta subfaturamento, insta desde já registrar que, para fins de aplicação do 1o método do art. 88 da Medida Provisória nº 2.158/2001 é necessário que haja comparação da mercadoria importada com outra idêntica ou similar. 42. O texto atual do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) de 1994, chamado de Acordo de Valoração Aduaneira do GATT (AVAGATT), quando conceitua mercadorias idênticas e similares, assim prescreve, respectivamente, em seu art. 15, item 2, alíneas "a" e "b": (a) Neste Acordo entendese por “mercadorias idênticas” as mercadorias que são iguais em tudo, inclusive nas 7 "REGULAMENTO DO MERCADO DE CÂMBIO E CAPITAIS INTERNACIONAIS TÍTULO: 1 Mercado de Câmbio CAPÍTULO: 12 Importação SEÇÃO: 1 Disposições Gerais Circular nº 3.575, de 02.02.2012 Atualização RMCCI n° 48 1 1. Este capítulo dispõe sobre: a) o pagamento de importações brasileiras a prazo de até 360 dias; b) a multa de que trata a Lei n° 10.755, de 03.11.2003, tratada na seção 5. 2. As importações pagáveis em prazos superiores a 360 dias estão sujei tas a registro no Banco Central do Brasil, na forma de regulamentação específica. 3. O pagamento das importações brasileiras deve ser processado em consonância com os dados constantes: a) na Declaração de Importação ou de documento equivalente registra do no Siscomex; ou b) na documentação da operação comercial, no caso de ainda não estar disponível a DI ou documento equivalente registrado no Siscomex. 4.Para fins deste regulamento: a) Declaração de Importação DI com previsão de pagamento ampara transferência para o exterior em pagamento da importação em moeda nacional ou estrangeira; b) DI sem previsão de pagamento não ampara transferência para o exterior em pagamento da importação. 5. (Revogado) Circular nº 3.401, de 15.8.2008. 6. (Revogado) Circular nº 3.401, de 15.8.2008. 7. (Revogado) Circular nº 3.401, de 15.8.2008. 8. (Revogado) Circular nº 3.401, de 15.8.2008. 9. (Revogado) Circular nº 3.401, de 15.8.2008. 10. Para fins deste capítulo, entendese como legítimo credor externo, de sde que devidamente comprovado: a) o exportador estrangeiro; b) o financiador estrangeiro; c) o garantidor estrangeiro; d) o cessionário do crédito no exterior." Fl. 3972DF CARF MF Processo nº 10909.722348/201576 Acórdão n.º 3402004.621 S3C4T2 Fl. 3.966 15 características físicas, qualidade e reputação comercial. Pequenas diferenças na aparência não impedirão que sejam consideradas idênticas mercadorias que em tudo o mais se enquadram na definição; (b) neste Acordo, entendese por mercadorias similares as que, embora não se assemelhem em todos os aspectos, têm características e composição material semelhantes, o que lhes permite cumprir as mesmas funções e serem permutáveis comercialmente. Entre os fatores a serem considerados para determinar se as mercadorias são similares, incluemse a boa qualidade, reputação comercial e a existência de uma marca comercial; 43. No presente caso, para fins de caracterização do subfaturamento, a fiscalização compara as mercadorias importadas pela recorrente Spread (carteiras femininas, necessaires, mochilas, bolsas femininas, capas de notebook, capas de celulares, etc.) com "chapas de poliuretano, classificadas no código da NCM 3921.13.90" (fl. 3.022 do Relatório Fiscal), ou seja, com mercadoria que não se enquadra no conceito de identidade e/ou similitude acima transcrito. Tal fato, por si só, já seria suficiente para afastar a acusação de subfaturamento em tela. 44. Não obstante, parte ainda do pressuposto que todas as mercadorias importadas pela recorrente são predominantemente compostas de poliuretano, o que faz sem qualquer amparo técnico neste sentido, bem como ignorando a descrição de parte das mercadorias importadas (v.g., bolsas femininas de material têxtil, bolsas de papel, etc.). 45. Não obstante, ainda em relação ao subfaturamento, insta também destacar que este Tribunal Administrativo tem farta jurisprudência no sentido de que a simples comprovação de uma operação de importação com um valor aquém daquele praticado pelo mercado não é motivo suficiente para configurar o subfaturamento. Nesse sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 23/10/2013, 31/12/2013 TRIBUTOS ADUANEIROS. BASE DE CÁLCULO. FRAUDE E VALOR. SUBFATURAMENTO. SUBVALORAÇÃO. DIFERENCIAÇÃO. Nos casos de fraude de valor, não há subvaloração, mas subfaturamento, que se diferencia da primeira em razão da ilicitude da conduta do importador. O subfaturamento ocorre quando o importador registra a declaração de importação (DI) tendo por base um fatura comercial que não reflete o preço realmente pago pelo produto importado. Essa discrepância pode resultar da falsificação da fatura, mediante apresentação de versão não verdadeira substitutiva da fatura genuína ou por alteração do documento verdadeiro (falsidade material). Também pode ocorrer quando, mediante conluio entre importador e exportação, emitese uma fatura verdadeira, porém, com valores menores que os efetivamente praticados (falsidade ideológica). Não se confunde com a subvaloração, que constitui a aplicação indevida de um dos métodos de valoração Fl. 3973DF CARF MF 16 aduaneira do AVA/Gatt, sem a ocorrência de fraude (Opinião Consultiva nº 10.1, do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira). FALSIDADE IDEOLÓGICA. PROVA DE VENDA ABAIXO DO PREÇO DE CUSTO. AUSÊNCIA DE PROVAS DO PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A simples comprovação da venda com prejuízo é insuficiente para se concluir pela falsidade ideológica da fatura. Exigese a demonstração de que o preço declarado pelo importador na DI foi diferente do efetivamente praticado na operação, o que pode ocorrer por qualquer meio de prova, desde a realização de pagamentos em paralelo (por fora), ordens de compra, faturas proforma, documentos financeiros, comprovantes de operações bancárias, até mesmo registros internos de controle paralelo de pagamentos. Do contrário, não há como se diferenciar uma fraude de valor de uma simples venda com custo reduzido, sobretudo nos casos entre partes relacionadas. Desapareceria a diferença entre o subfaturamento e o subvaloração, implicando a atribuição do mesmo tratamento jurídico à operações lícitas e ilícitas. (...). (CARF; Sessão de 25/02/2015; Acórdão n. 3802004.098). 46. No voto proferido no acórdão acima mencionado, o relator do caso, o então Conselheiro Solon Sehn, assim se manifesta: (....) no tocante à alegada falsidade ideológica, embora se tenha demonstrado que a mercadoria foi vendida abaixo de seu custo de produção, não há qualquer prova de que o preço constante da fatura foi diferente do efetivamente praticado entre as partes. Não há como afirmar, destarte, que a fatura comercial é ideologicamente falsa se a autoridade aduaneira não demonstra o valor efetivamente praticado, o que, segundo destaca Rodrigo Mineiro Fernandes, pressupõe a identificação de duas faturas (a falsa e a verdadeira) ou outros elementos de prova indicativos do preço real da operação: “[...] o subfaturamento mediante fraude documental deverá ser provado, direta ou indiretamente, e demonstrado nos autos de forma clara e inequívoca. O elemento de prova principal para caracterizar a falsidade documental é a identificação pela Autoridade Aduaneira das duas faturas (a fatura verdadeira, oculta, e a fatura falsa, apresentada à fiscalização aduaneira). Mas nem sempre é possível localizar a fatura original. Nesses casos, para a comprovação da falsidade documental, a Fiscalização Aduaneira poderá lançar mão de outros elementos de prova que apontem o preço efetivamente praticado na operação comercial internacional, como, por exemplo, as ordens de compra, as faturas próforma e as cotações de preços, conjugados ou não com documentos financeiros”5. Como se vê, não se exige necessariamente a apresentação das duas faturas nem a prova de pagamento em paralelo (“por Fl. 3974DF CARF MF Processo nº 10909.722348/201576 Acórdão n.º 3402004.621 S3C4T2 Fl. 3.967 17 fora”). Admitemse outros meios de prova, inclusive ordens de compra, faturas proforma, documentos financeiros, comprovantes de operações bancárias ou registros internos de controle paralelo de pagamentos. É necessário, porém, que estes elementos probatórios evidenciem que o preço declarado da operação foi diferente do efetivamente praticado. Do contrário, não há como se diferenciar uma fraude de valor de uma simples venda com custo reduzido, sobretudo nos casos entre partes relacionadas. 47. No mesmo sentido é o entendimento desta turma julgadora, em sua atual composição, conforme se observa do acórdão n. 3402003.220, com voto vencedor da lavra da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Importação II Exercício: 2010, 2011, 2012 MULTA ADMINISTRATIVA. DIFERENÇA DE PREÇOS. ARBITRAMENTO. Não restando configuradas, no caso concreto, as hipóteses previstas no art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 ou no art. 70, II, "a" da Lei nº 10.833/2003, que ensejariam o arbitramento de preços das mercadorias importadas, incabível a aplicação da multa administrativa pela diferença entre preço declarado e o preço arbitrado. O simples fato de o preço declarado pelo importador ser inferior a um valor mínimo considerado pela Aduana não é motivo suficiente para a desclassificação do primeiro método de valoração aduaneira, tampouco para o arbitramento do preço da mercadoria. Nos termos do art. 70 da Lei nº 10.833/2003, a falta de cumprimento da obrigação de apresentar documentos à fiscalização aduaneira somente acarreta o arbitramento de preços se tais documentos são obrigatórios para a instrução da declaração aduaneira. (g.n.). 48. Diante de tais fundamentos, é nulo, destarte, por vício material, o arbitramento da base de cálculo realizada na forma do art. 88 da Medida Provisória nº 2.158/2001 para o caso em tela. Por conseguinte, deve ser cancelada a exigência do crédito tributário correspondente à diferença dos tributos incidentes na operação (IPI, II, PIS/Pasep e Cofins), bem como dos juros e da multa de ofício qualificada. Dispositivo 49. Ex positis, dou provimento integral aos Recursos Voluntários interpostos pelos Recorrentes no sentido de cancelar a presente autuação. 50. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 3975DF CARF MF 18 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento, divergi da análise de mérito do Ilustre Conselheiro Relator, no que fui acompanhada pela maioria dos Conselheiros, razão pela qual apresento abaixo as minhas considerações. Trata o presente processo da exigência de tributos incidentes na importação em face do arbitramento do valor aduaneiro, multas de ofícios respectivas e juros de mora, bem de multa equivalente a pena de perdimento em face com base na matéria legal consolidada nos incisos VI e XXII do art. 689 do Regulamento Aduaneiro: Art.689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e §1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) §1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, §3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (...) Em meu entendimento, os elementos que constam nos autos, especialmente, os relacionados abaixo, não afastados pelas recorrentes, considerados em conjunto, convergem no sentido de que houve o cometimento da infração por interposição fraudulenta, eis que: No mesmo endereço estavam domiciliadas a empresa SPREAD e outras duas do denominado grupo ALLCO, cujo perfil é de prestador de serviços, que se autodefine como uma "plataforma integrada" que oferece Importação por Conta e Ordem de Terceiros, Importação por Encomenda e Comércio Exterior Terceirizado. Publicamente a importadora SPREAD se anunciava ao mercado em que atua como "ESPECIALISTA EM IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA", mas, para fins fiscais, nas declarações de importação, declarava IMPORTAR POR CONTA PRÓPRIA. A SPREAD não tem depósito para armazenagem das mercadorias importadas, nem tampouco estrutura de gerenciamento de estoques, expedição de pedidos, etc, o que não era de se Fl. 3976DF CARF MF Processo nº 10909.722348/201576 Acórdão n.º 3402004.621 S3C4T2 Fl. 3.968 19 esperar de uma empresa que opera regularmente de forma direta nas importações. Também alegou que sequer mantém contratos de armazenagem com terceiros. A ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL da SPREAD é a de COMISSÁRIA DE DESPACHOS, evidenciando que se trata de mera prestadora de serviços e não de empresa comercial. O ativo imobilizado da SPREAD se resumia a um servidor marca DELL, um microcomputador e softwares, não havendo mesas, cadeiras, impressoras, condicionadores de ar e outros equipamentos de informática compatíveis com o seu volume de operações que opera. Verificandose a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) apresentada em 2013, relativa ao ano de 2012, identificase o Balanço Patrimonial da empresa levantado em 31/12/2012, no qual o valor do imobilizado da empresa nessa data era de ZERO reais, ou seja, a empresa NÃO DETINHA QUALQUER PATRIMÔNIO FÍSICO. Ainda assim, promoveu o registro de cinquenta e nove DIs de nacionalização/consumo de mercadorias, sendo vinte e nove operações supostamente por conta própria. A sociedade não detinha capacidade financeira para atuar por conta própria como empresa comercial, conforme atuava perante a Receita Federal, necessitando financiarse de capitais de terceiros, já que a todo bem e direito existente correspondia a uma obrigação para com terceiros em montante superior. Até o final de 2012, a empresa sequer possuía funcionários registrados, conforme é possível verificar por meio das GFIPs apresentadas. Para dar à SPREAD uma capacidade operacional ilusória, os funcionários registrados em nome de outra pessoa jurídica passaram a ser informados como se fossem funcionários da SPREAD desde sua contratação, com datas de admissão RETROATIVAS. No caso das operações de importação de que trata este relatório, foi identificado que as mercadorias, logo após o desembaraço, foram repassadas para a pessoa jurídica denominada HEN SHENG COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA ME, CNPJ 10.467.823/0001 85. As mercadorias saíram diretamente dos recintos alfandegados para entrega ao destinatário. Em três das DIs, objeto deste processo administrativo, a SPREAD declarou “ENTRADA DE IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA” (NF nºs 283, fls. 2753/2754; 286, fls. 2757/2758; e 293, fls. 2762/2764), sem ter informado essa modalidade de operação na importação. Mediante análise do fluxo de recursos financeiros, conforme escrituração contábil e extratos bancários, verificouse que a SPREAD utilizava recursos de origem externa mediante ingressos de origem não identificada em suas contascorrentes bancárias, para arcar com as despesas de importação. Em várias importações observouse a prática reiterada da SPREAD de contabilizar os recursos recebidos através de uma fonte única, conforme extratos bancários, em “adiantamentos” de múltiplos interessados, o que reforça a existência de múltiplas camadas de interposição. Como, por exemplo, as DI's n°s 12/22388946, n° 12/23293353 e n° 13/02032846, nas quais se observou o padrão habitual de atuação, que denota o uso da escrituração contábil como meio para justificar ingressos na conta da SPREAD, ou seja, depósitos únicos foram justificados contabilmente como pagamentos de empresas diversas. Na análise da contabilidade da SPREAD, concluiu a fiscalização que, face à miscelânea produzida na contabilização dos recursos recebidos, a escrituração apresentada “(...) não se presta a registrar os fatos contábeis conforme ocorridos, como deveria ser, mas a dissimular tais fatos”. Fl. 3977DF CARF MF 20 Houve vários adiantamentos de valores por parte da HEN SHENG para a realização das importações, revelando o seu interesse prévio nas importações, mas sem que fosse efetuada a sua identificação nas Declarações de Importação como adquirente ou encomendante. Em que pese o eventual envolvimento de terceiros não identificados pela fiscalização, tal conclusão não afasta a responsabilidade e o interesse direto da HEN SHENG nas operações, conquanto foi a destinatária de todas as mercadorias ora importadas, objeto desta autuação. Assim, a fiscalização utilizou da prova indireta, de modo que, pelo raciocínio, chegou ao fato que se queria provar, in casu, a "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" na importação. A presunção simples é o resultado do processo lógico, mediante o qual, da existência de um fato reconhecido como certo (provas indiciárias), inferese outro fato cuja existência é provável. Com efeito, em consonância com a doutrina e a jurisprudência administrativa, que considera plenamente aceitável o uso da prova indireta em direito tributário, inclusive em atos fraudulentos ou simulatórios, a fiscalização, no presente caso, apurou todo um quadro indiciário que, por presunção simples, conduz ao cometimento da infração. Os elementos indiciários apurados devem ser analisados conjuntamente. Embora a eventual existência de somente um deles pudesse não ser suficiente para a configuração da infração, o que importa é que o conjunto probatório, considerado como um todo, convirja ao cometimento da infração prevista veiculada pelo art. 23, inciso V e §1º e 3º do Decretolei n° 1.455/76, o que se verifica nos presentes autos. Ao invés de seguir o procedimento adequado para realizar as importações terceirizadas (por conta e ordem ou por encomenda) de forma transparente à Receita Federal, em conformidade com as disposições das Instruções Normativas SRF nºs 225/2002 e 634/2006, a SPREAD efetuou as importações como se fossem próprias, ocultando a real adquirente ou encomendante. Como a subtração de tributos não integra o tipo infracional sob análise, a fraude a que se refere o dispositivo deve ser entendida no sentido amplo, e não na acepção restrita do art. 72 da Lei nº 4.502/64, associada ao não pagamento ou diferimento do tributo. Nessa esteira, a fraude restou aqui configurada pela omissão de informação juridicamente relevante na declaração de importação, qual seja, a identificação dos reais destinatários das importações, bem como a utilização da escrituração para dissimular os adiantamentos das importações. Cabe esclarecer, no entanto, que o fato de as informações relevantes quanto à identificação dos adquirentes/encomendantes, omitidas na importação, eventualmente constarem nos registros contábeis da contribuinte ou das adquirentes/encomendantes, posteriormente verificadas pela fiscalização, não afastam a infração cometida no momento da importação, eis que a ocultação em uma operação de importação mediante fraude ou simulação é uma conduta punível com a pena de perdimento das mercadorias. É verdade que as notas fiscais são o documento hábil, previsto em lei, para a transferência da titularidade da mercadoria, o que não se contesta. No entanto, existência das notas fiscais de entrada no estabelecimento da adquirente/encomendante não afastam a conclusão da fiscalização de interposição fraudulenta na importação (operação anterior), vez que elas são necessárias de todo modo, após o cometimento da infração na importação, para operacionalizar a entrada no estabelecimento da recorrente. Não obstante isso, as informações Fl. 3978DF CARF MF Processo nº 10909.722348/201576 Acórdão n.º 3402004.621 S3C4T2 Fl. 3.969 21 contidas nas Notas Fiscais também auxiliam no quadro indiciário formado pela fiscalização, como, por exemplo, o fato de a HEN SHENG efetuar pagamentos à SPREAD antes mesmo da emissão da Nota Fiscal de venda ou de divergências de informações de datas de pagamento entre as Notas Fiscais e a escrituração da SPREAD. Não assiste razão à recorrente na tese de que a sanção cabível seria a multa por cessão de nome, estabelecida pelo art. 33 da lei n. 11.488/07, ao invés da multa equivalente ao perdimento. Não se configura a retroatividade benigna em favor da importadora ostensiva, vez que a multa por cessão de nome foi criada pelo legislador ordinário para conviver com a pena de perdimento das mercadorias e, em consequência, também com a multa que lhe substitui. Quando não havia previsão da multa de cessão de nome no ordenamento, ocorria que, na hipótese da aplicação da pena de perdimento às mercadorias, não obstante o agente direto da infração prevista no art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76 fosse mesmo o importador ostensivo, sendo a ele aplicada a penalidade respectiva, quem poderia acabar suportando o efeito dessa penalidade era o importador oculto real adquirente da mercadoria no exterior, que seria efetivamente privado do seu uso e gozo. Nessa esteira, é que o legislador ordinário optou por inserir no ordenamento jurídico a multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007 no intuito de penalizar concretamente a conduta irregular do importador ostensivo, que cedeu seu nome a outrem, eis que ele poderia restar sem punição na hipótese de aplicação da pena de perdimento às mercadorias. Esse entendimento se confirma com a interpretação veiculada posteriormente pelo art. 727, §3o do Regulamento Aduaneiro/2009, já vigente à época dos fatos sob análise. Assim, entendo que restou configurada a infração por interposição fraudulenta, punível com a pena de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias em face de as mercadorias terem sido revendidas, a teor do §3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. No que concerne a infração consolidada no art. 689, VI do Regulamento Aduaneiro, alega a fiscalização que a contribuinte teria apresentado Fatura Comercial falsa para instruir os despachos de importação, sob os seguintes fundamentos: (a) os preços declarados são absurdamente baixos, irreais, seja em valores absolutos, seja em comparação com os preços praticados em importações semelhantes da China; (b) a operação retratada na fatura é simulada, pois o exportador não recebeu o respectivo pagamento, portanto, não é o efetivo vendedor; a SPREAD não é a efetiva compradora; os prazos de pagamento informados não foram cumpridos; os preços declarados não refletem preços comercialmente praticáveis; (c) a fatura dita comercial é identificada por sequência alfanumérica de mesmo formato da utilizada em outras faturas de diferentes exportadores, indicando que foram produzidas por um ente comum; (d) a importadora sequer demonstrou ter mantido contato com o exportador declarado; (e) a importadora foi intimada a apresentar as correspondências comerciais trocadas e outros documentos comprobatórios da Fl. 3979DF CARF MF 22 transação comercial, mas alegou que todas as negociações foram informais, o que é inverossímil; (f) na fatura não consta a identificação do signatário e a importadora não o identificou. Adoto os fundamentos de decidir da decisão recorrida, abaixo transcritos, por entender caracterizada a apresentação de documento falsificado ou adulterado no presente caso: (...) Outro ponto a considerar é que, embora em todas as operações tenha sido declarado o mesmo exportador, JINGLIN IMPORT & EXPORT CO.,LIMITED, estabelecido em Hong Kong, observa se que os contratos de câmbio foram fechados com terceiros. Por exemplo, no caso da DI n° 12/20039030, a fatura comercial (FUCV_013/12) indica que o pagamento se dê a WIN GAIN TRADING LTD. De igual modo, nas demais DI, objeto deste processo administrativo, as faturas comerciais indicam que o pagamento seja efetuado a terceiro, que não o exportador. Cumpre destacar fato relevante observado na análise dos documentos da DI n° 12/15993139 (objeto do processo administrativo n° 10909.722322/201528). É que a carta (fls. 1135), assinada pela exportadora, que autoriza o pagamento a RUIAN MODENG SUITCASE & LUGGAGE CO. LTD. data de 20 de maio de 2012, ao passo que a fatura comercial a que se refere (FUCV_011/12) foi emitida tão somente em 14 de julho de 2012 (fls. 1130/1131). Causa espécie a emissão de documento que faça referência a documento então inexistente. Veja que a carta se refere à “commercial invoice” e não à eventual “proforma invoice”, que poderia ter sido emitida em data anterior. É característica nas operações simuladas que os intervenientes deixem rastros de irregularidades, não sendo rara a necessidade de prover documentos material ou ideologicamente falsos que visem sustentar a versão dos fatos que busca apresentar. Assim, para justificar o pagamento a terceiro que não o exportador, a SPREAD apresentou documento que não merece fé. Desta forma, a alegação da SPREAD de que a principal justificativa para a falsidade dos documentos seja que os pagamentos, via contratos de câmbio, foram efetuados a outras empresas, que não a exportadora, seria irrelevante, não se sustenta. O próprio documento que comprova que a exportadora solicitou o pagamento na conta de outra empresa contém dados falsos, pois seria impossível a emissão da carta de autorização antes da emissão da fatura comercial. Já no que se refere ao prazo de pagamento dos contratos de câmbio, está previsto nas faturas comerciais a condição de 90 dias após a data do Conhecimento de Embarque (B/L). No entanto, verificase que os pagamentos em geral são antecipados em muitos dias. O não cumprimento de prazos de pagamento pactuados causa estranhamento, na medida em que, empreendimentos comerciais devem planejar o manejo do dinheiro. Assim, por exemplo, buscam evitar a falta de recursos financeiros, obter melhor aproveitamento de investimentos, ofertar prazos para os clientes na medida de suas possibilidades e requerer prazos a seus fornecedores de acordo com suas Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 10909.722348/201576 Acórdão n.º 3402004.621 S3C4T2 Fl. 3.970 23 necessidades. Por isso, via de regra, os prazos pactuados costumam ser respeitados. Ainda quanto às faturas comerciais, cuja emissão é atribuída a JINGLIN IMPORT & EXPORT CO. LTD, vêse que seguem um determinado formato específico, iniciandose com as letras FUCV, seguidas de um número sequencial e de uma dezena identificadora do ano, por exemplo FUCV_009/12 e FUCV_011.12. Sucede que a SPREAD declarou importar de diversas empresas, mas o padrão de identificação das faturas é o mesmo, independentemente do exportador declarado. Na tabela exemplificativa abaixo, a fiscalização relacionou onze DI da SPREAD, cada uma de um exportador diferente, onde a identificação das faturas segue o mesmo padrão: (...) A instrução dos despachos com faturas comerciais identificadas por sequências alfanuméricas de mesmo formato para diferentes exportadores, indica que foram produzidas por um ente comum. No entanto, não foi possível identificar os signatários nas faturas comerciais, vez que, intimada a prestar esta informação, a SPREAD limitouse a informar ser ilegível este campo nos documentos. Tampouco apresentou as vias consularizadas destes documentos. Ainda que tenha informado serem necessários no mínimo 90 dias para atender à intimação, verificase que passaram mais de 300 dias do procedimento fiscalizatório, sem que tenham sido apresentados quaisquer documentos probatórios do vínculo entre os hipotéticos agentes/representantes e os supostos exportadores. Sobre este aspecto, esclarecedores os fatos apurados pela fiscalização a partir da informação prestada pela SPREAD de que as transações comerciais se deram em sua maioria através de agentes do fabricante/exportador no Brasil, indicados em relatório que apresentou à fiscalização. No referido relatório (fls. 123, 127129), constam apenas os nomes de supostos agentes, fones e emails. No caso das DI objeto desta autuação foi indicado o nome de FU ZHIHONG como suposto agente do fabricante/exportador no Brasil, para o qual foi indicado um telefone em São Paulo (DDD 011). Cabe destacar que, nas importações onde foi indicado como agente do exportador ZHIYONG FU, a identificação das faturas tem início com as letras FUCV, sendo possível presumir que as letras FU são identificação dessa pessoa. Quando o agente indicado é outro, a identificação das faturas muda e tem início com outras letras. No caso dos autos, constatouse que o nome efetivo do envolvido, conforme oficialmente adotado no Brasil, é ZHIYONG FU, CPF nº 232.773.84829, que é chinês e domiciliado em São Paulo/SP. Como já referido anteriormente, ele é sócioadministrador de uma pessoa jurídica denominada FUTURA BRASIL ADMINISTRAÇÃO E INVESTIMENTOS LTDA, CNPJ 12.083.797/000117, domiciliada na Av. Senador Queirós nº 279, Centro, em São Paulo/SP. Ocorre que este é o MESMO ENDEREÇO UTILIZADO por uma das PRINCIPAIS ADQUIRENTES DE MERCADORIAS DA SPREAD, denominada Fl. 3981DF CARF MF 24 MARIANO & SILVA COMERCIAL LTDA, CNPJ 14.050.113/000106, até 17/12/2012. Resta evidenciado que ZHIYONG FU não é mero agente do exportador, afinal, é sócioadministrador de pessoa jurídica domiciliada no mesmo endereço de um dos principais “clientes” da SPREAD. Além disso, como se viu, identificouse depósito (referente a DI n° 12/21324073), que contabilmente foi justificado como pagamento efetuado pela HEN SHENG, promovido por XINDI WU, CPF nº 231.762.43871, que é sócio, juntamente com ZHIYONG FU, CPF nº 232.773.84829, da mencionada FUTURA BRASIL. Portanto, comprovouse que as faturas instrutivas dos despachos aduaneiros são documentos forjados, cujo conteúdo é IDEOLOGICAMENTE FALSO. Não se trata de mero subfaturamento, mas da apresentação de documentos preparados para aparentar operações de forma dissimulada e fraudulenta.(...) Acrescentese que, embora alegue a SPREAD que o pagamento atenderia aos requisitos estabelecidos no Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais que vigorava à época dos fatos (Título I, Capítulo 12, Seção 1, Itens 3 e 10, alínea “d”), ela não comprovou que a outra pessoa jurídica do mesmo grupo econômico do exportador seria cessionário do crédito no exterior ou mesmo financiador ou garantidor do exportador, como demanda o dispositivo. Por fim, relativamente ao arbitramento, ele foi realizado legitimamente pela fiscalização sob a seguinte motivação: "No presente caso não é possível apurar o PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO, justamente por ter ocorrido, concomitantemente, FRAUDE e SONEGAÇÃO40. Além disso, importador não apresentou nenhum documento comprobatório das negociações comerciais e do negócio jurídico de compra e venda conforme declarado, além de ter instruído o despacho aduaneiro com faturas forjadas. Em face disso, tornase necessário, nos termos do art. 88, caput e inciso I, da Medida Provisória nº 215835, de 24/08/2001, promover o arbitramento do preço das mercadorias, a fim de apurar a base de cálculo dos tributos incidentes". Assim, a fiscalização afastou a aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira, em conformidade com as Opiniões Consultivas 10.1 e 19.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (CTVA) 8, e adotou para o arbitramento o critério do art. 88, I da Medida Provisória 8 Opinião Consultiva 10.1 do CTVA 1. O Acordo obriga que as administrações aduaneiras levem em conta documentos fraudulentos? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: Segundo o Acordo, as mercadorias importadas devem ser valoradas com base nos elementos de fato reais. Portanto, qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo. Cabe observar, a este respeito, que o Artigo 17 do Acordo e o parágrafo 6 do Anexo III enfatizam o direito das administrações aduaneiras de comprovar a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. Consequentemente, não se pode exigir que uma administração leve em conta uma documentação fraudulenta. Ademais, quando uma documentação for comprovada fraudulenta, após a determinação do valor aduaneiro, a invalidação desse valor dependerá da legislação nacional. Opinião Consultiva 19.1 do CTVA APLICAÇÃO DO ARTIGO 17 DO ACORDO E DO PARÁGRAFO 6 DO ANEXO III 1. A questão foi formulada objetivando esclarecer se o Artigo 17, lido conjuntamente com o parágrafo 6 do Anexo III, outorga poderes suficientes às Administrações Aduaneiras para detectar e comprovar as infrações relativas à valoração, incluída a fraude, e se incumbe ao importador o ônus da prova no curso da determinação do valor aduaneiro. Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 10909.722348/201576 Acórdão n.º 3402004.621 S3C4T2 Fl. 3.971 25 nº 2158/2001: "I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar". Nesse ponto devem ser afastadas as alegações das recorrentes relativas a não observância do AVA GATT, que é inaplicável em casos de fraude. No Relatório de Arbitramento de Preços a fiscalização forneceu todos os elementos necessários para o direito de defesa das recorrentes no que concerne ao valor arbitrado para as mercadorias, eis que nele constam a identificação das DI's, a data de embarque das mercadorias, a data de registro da DI, a descrição das mercadorias importadas e os preços unitários; bem como a condição de venda (FOB), a moeda da transação comercial (US$) e o país de origem (China). A fiscalização levou em consideração o fato de as mercadorias de origem chinesa serem de baixo custo e adotou como parâmetro, entre os produtos similares, aqueles de menor preço. Assim, foi legítimo o arbitramento de preços efetuado pela fiscalização do qual decorreu a exigência complementar dos tributos e a multa de ofício qualificada, no percentual previsto em lei, em face da fraude. A responsabilidade das pessoa físicas ELAINE CRISTINA LINS CORREIA SIL e JULIANO VANHONI SIL deve ser mantida, eis que eles exerciam poder de gerência na contribuinte por ocasião dos fatos, tendo sido responsáveis pelas negociações comerciais efetivadas com infração à lei, sendo considerados responsáveis pelos tributos e multas, nos termos do art. 135, III do CTN e art. 95, I do Decretolei nº 37/66. A pessoa jurídica HEN SHENG COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA ME também deve integrar o polo passivo da autuação vez que possuía interesse comum com a importadora nas operações de importação em comento, caracterizando o vínculo de responsabilidade solidária de que trata o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), bem como concorreu para a prática das infrações, no termos do art. 95, inciso I, do Decretolei nº 37/66. Os sócios com poder de gerência da HEN SHENG COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA ME, quais sejam, ZHUANG ZHI YONG e HIU YING LAM devem ser mantidos como responsáveis pelos tributos e multas, eis que foram também responsáveis pelas negociações efetivadas com infração à lei, nos termos do art. 135, III do CTN e art. 95, I do Decretolei nº 37/66. A responsabilidade de ZHIYONG FU, na condição de agente do exportador, que participou das negociações com infração à lei, também foi devidamente justificada na autuação e deve ser mantida, nos termos do art. 124, I do CTN e do art. 95, I do Decretolei nº 37/66. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira chegou à conclusão de que, ao examinar esta questão, cabe observar que o Artigo 17 estabelece que o Acordo não restringe, nem põe em dúvida os direitos da administração aduaneira. O parágrafo 6 do Anexo III enumera esses direitos, destacando concretamente o direito das administrações nacionais de contar com a plena cooperação dos importadores nas investigações sobre a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração. Esta conclusão é reafirmada na Opinião Consultiva 10.1. Seria incorreto deduzir que ficam implicitamente excluídos quaisquer outros direitos das administrações aduaneiras que não estejam mencionados no Artigo 17 ou no parágrafo 6 do Anexo III. Os direitos que não estejam mencionados expressamente no Acordo, assim como os direitos e as obrigações dos importadores e das Aduanas na determinação do valor aduaneiro, dependerão das leis e regulamentos nacionais. Fl. 3983DF CARF MF 26 Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntários. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Fl. 3984DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720361/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefociz Belisário. Substituiu a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário o Conselheiro Cássio Schappo.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cassio Schappo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefociz Belisário. Substituiu a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário o Conselheiro Cássio Schappo. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cassio Schappo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefociz Belisário. Substituiu a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário o Conselheiro Cássio Schappo. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cassio Schappo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário de fls 281 em face de decisão de primeira instância administrativa da DRJ/SP de fls. 263 que decidiu pela improcedência da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .7 20 36 1/ 20 11 -1 1 Fl. 788DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Resolução nº 3201001.022 S3C2T1 Fl. 789 2 Manifestação de Inconformidade do contribuinte de fls 227, restando o direito creditório de Finsocial não reconhecido. Como de costume nesta Turma de Julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância, DRJ/SP de fls. 263, para a apreciação dos fatos e trâmite dos autos: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição e Declarações de Compensação (fls. 5/58) de crédito da contribuição para o Finsocial de outubro de 1989 a fevereiro de 1991, no valor de R$ 20.284.980,85, com débitos de diversos tributos. A DRF de Limeira(SP), por meio do despacho decisório de fl. 212/214, homologou parcialmente as compensações declaradas, em razão da insuficiência dos créditos pleiteados. Conforme a decisão, intimada a apresentar os Darfs de recolhimento do Finsocial, a contribuinte apresentou apenas três relativos a esse tributo, sendo os demais com código de receita 0561 – Imposto sobre a Renda Retido na Fonte. Assim, o reconhecimento do direito creditório foi apurado apenas em relação aos três recolhimentos comprovados da contribuição. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 227/237, alegando que a exigência da Receita Federal, quanto à apresentação dos Darfs de recolhimento do Finsocial, pode configurar desobediência à decisão judicial, pois o procedimento já havia sido analisado em dois momentos: a ação de conhecimento e a ação de execução, sendo que nesta última a Fazenda Nacional questionou valores, tendo ocorrido o trânsito em julgado da decisão que reconheceu os valores analisados. Argumentou que os Darfs são os mesmos que constaram na ação judicial e orientaram os cálculos apresentados e discutidos em sede de embargos de execução, não havendo razão plausível capaz de invalidar os efeitos da coisa julgada. Acrescentou que, embora os citados Darfs consignem o código 0561, trazem todos, indistintamente, a menção de que se trata de recolhimento de Finsocial, destacando inclusive o cálculo elaborado em relação à conversão em BTNF. Assim, bastaria que a RFB procedesse à consulta do histórico de recolhimentos a título de Finsocial, que encontraria os referidos recolhimentos com código 0561 alocados no código de receita 6120. A respeito da intimação recebida durante o trâmite do presente processo, para apresentar livros contábeis dos anos de 1989 a 1991, refutoua sob o argumento de que o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em seu Capítulo VI, não se aplica ao caso, uma vez que se presta para avaliação da possibilidade de reconhecimento do direito creditório, enquanto aqui o direito creditório já fora reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, objeto de capítulo específico da referida Instrução, o de nº VIII. Reiterou que os documentos que embasaram os cálculos judiciais jamais foram contestados pela União Federal, ao contrário, foram por Fl. 789DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Resolução nº 3201001.022 S3C2T1 Fl. 790 3 ela utilizados para apuração do montante do indébito a que fazia jus a contribuinte. Transcreveu trecho da decisão judicial, que especificaria o valor do “quantum repetendo”, conferindolhe liquidez e certeza que não pode ser objeto de contestação pela Receita Federal. Requereu a reforma da decisão, para que sejam homologadas integralmente suas compensações e cancelada a cobrança decorrente da não homologação." A Ementa deste Acórdão de primeira instância administrativa fiscal foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno deste Conselho. Esta Turma de julgamento proferiu Resolução em fls 308 e determinou a seguinte diligência: "Desta feita, com fundamento no Art. 2.º da lei n. 9.784/99, Art. 165 e 170 do CTN, determinase que seja realizada a diligência pela autoridade de origem nos seguintes termos: 1. Intimese o contribuinte para juntar em 30 dias todas as cópias de todas as ações, peças e decisões judiciais relativas ao direito creditório, de primeira e segunda instância, fase de conhecimento e execução, assim como os mencionados cálculos das fls. 11 a 15 dos autos do Processo 2001.61.00.0174135 do TRF 3.ª Região, fls. em que consta o valor apontado em âmbito judicial como o valor a ser restituído, calculados pela Embargante (Fazenda Nacional). 2 Ao juntar as cópias, o contribuinte deverá apontar as principais decisões judiciais, tabelas e cálculos que delimitam o crédito reconhecido. Após, intimese o Contribuinte e a Procuradoria para manifestação e retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento.” A diligência foi cumprida e os autos retornaram para julgamento. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Resolução nº 3201001.022 S3C2T1 Fl. 791 4 Relatório proferido. Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Nesta Turma de julgamento já foi analisado que no presente processo, a interessada está executando, administrativamente, crédito advindo de provimento judicial, nos períodos de janeiro a 1989 e fevereiro de 1990, instruída pelos Darfs de fls. 71 a 83. Vejamos trecho da certidão da Quinta Vara Cível, primeira Subseção Judiciária do Estado de São Paulo da Justiça Federal de fls 111, que certifica tanto o período como o trâmite judicial, conforme segue: Ao solicitar por via administrativa o direito obtido, em regra o interessado é submetido às regras aplicadas pela RFB aos procedimentos de restituição e compensação, desde que elas não colidam com as disposições judiciais fixadas na decisão que reconheceu o direito creditório. Para melhor compreensão do direito obtido, transcrevese o teor do provimento judicial (em fase de conhecimento) da Justiça Federal de São Paulo, conforme fls 95 dos autos, decisão transitada em julgado, conforme segue: Fl. 791DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Resolução nº 3201001.022 S3C2T1 Fl. 792 5 A apelação da Fazenda Nacional foi negada conforme fls. 99 dos autos. Logo, a decisão acima permaneceu válida e não alterada. Como referência, também é importante citar que, em decisão de Embargos da própria Fazenda Nacional, na fase executória judicial (já extinta após desistência do contribuinte, exigida pela administração fiscal, conforme fls. 105 dos autos), ficou delimitado que o quantum respeite o valor apresentado pela Embargante (Fazenda Nacional) em fls. 11 a 15 dos autos judiciais. Foi corrigida divergência de cálculo com relação ao valor de restituição em março de 2000 (apresentado pela contadoria judicial), para o valor de R$ 6.008.655,15 (apresentado pela União) conforme Acórdão 862379 do Processo 2001.61.00.0174135, T.R.F, 3.ª região, reproduzido a seguir conforme fls. 234 dos autos (transcrito em peça de Recurso Voluntário): Ao pesquisar os autos, inicialmente verificouse a ausência de peças e decisões judiciais que delimitassem com clareza o valor e alcance do reconhecimento do direito creditório no âmbito judicial. A exemplo, como mencionado acima, não foi possível identificar Fl. 792DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Resolução nº 3201001.022 S3C2T1 Fl. 793 6 com clareza nos autos a cópia do valor apresentado pela Embargante (Fazenda Nacional) em fls. 11 a 15 dos autos judiciais, Processo n.º 2001.61.00.0174135, TRF 3.ª Região. Por esta razão foi determinada a Resolução de fls. 308, para instruir os autos com relação à matéria em lide, o crédito de Finsocial e o pedido de restituição/compensação. A diligência foi cumprida e o contribuinte juntou aos autos, em ordem, as principais peças, decisões e andamentos judiciais. Dessa forma, está comprovado que a decisão judicial de fase executória, proferida pelo TRF da 3.ª Região (fls. 771 do eprocesso), devidamente transitada em julgado (fls. 780 do eprocesso), determinou o valor a ser restituído/compensado, como sendo aquele apresentado pela Embargante, constante nas planilhas apresentadas (fls. 684 a 688 do e processo) em conjunto com os Embargos a Execução de fls. 673 do eprocesso. Logo, foi definido em âmbito judicial a certeza e liquidez do crédito de Finsocial, com amparo nos documentos que comprovaram o crédito, em especial, os DARFs juntados tanto em âmbito judicial quanto neste procedimento administrativo em fls 71 a 83. Desse modo, de acordo com o Art. 502 do Código de Processo Civil, com aplicação inconteste no âmbito dos procedimentos administrativos fiscais, é indiscutível a decisão judicial de mérito não sujeita a recurso. 1 Portanto, com relação ao Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações, porque considerou somente os Darfs com código 6120 e não os de código 0561, é importante lembrar que, apesar desta lide administrativa tratar de possível erro de preenchimento do código de Finsocial no DARF, porque verificase que em todos os Darfs juntados está escrito "Finsocial" no corpo do documento, apesar do código ser de outro tributo, a solução desta lide está no cumprimento da coisa julgada, consubstanciada em decisão judicial transitada em julgado que já havia considerado os Darfs juntados com ambos os códigos. Por fim, é importante registrar que, sem qualquer mal à decisão inicial que reconheceu o direito ao crédito em fase de conhecimento, este colegiado discutiu a respeito da validade da decisão que determinou o valor a ser restituído, uma vez que esta foi proferida em execução judicial, com posterior desistência. Sendo assim, o trânsito em julgado poderia corresponder à desistência (como o desfecho final da fase executiva) e não ao valor apresentado pela união em sede de execução judicial e, com isso, o valor determinado na decisão judicial proferida pelo TRF da 3.ª Região (fls. 771 do eprocesso), transitada em julgado (fls. 780 do eprocesso), em fase de execução judicial, como sendo aquele apresentado pela Embargante, constante nas planilhas apresentadas (fls. 684 a 688 do eprocesso) em conjunto com os Embargos a Execução de fls. 673 do e processo, não teria efeito de coisa julgada, mas somente serviria de referência. Diante do exposto, considerando que valores foram apresentados pela própria União durante execução judicial e que existem indícios de que os pagamentos são realmente de Finsocial, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: 1 Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Resolução nº 3201001.022 S3C2T1 Fl. 794 7 que a unidade de origem verifique, por meio das diligências que entender necessárias, se os recolhimentos de Finsocial estão disponíveis e se foram ou não utilizados previamente em alguma compensação, se os valores estão alocados, utilizados e/ou liberados para algum tipo de pagamento ou não. A procuradoria deve ser cientificada do resultado da diligência e por último, o contribuinte deve ser cientificado, com possibilidade de manifestação. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Voto proferido. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 794DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722584/2013-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DESPESAS FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO.
O simples fato do contribuinte possuir créditos junto a empresas ligadas não é suficiente para caracterizar como desnecessária a contratação de empréstimos e, em consequência, os encargos financeiros deles decorrentes como despesas, salvo se restar comprovado que estes recursos não se destinaram à atividade desenvolvida pela empresa ou, situação mais comum, foram imediatamente transferidos para outra empresa ligada, sem cobrança de juros ou com juros inferiores àqueles contratados no empréstimo obtido anteriormente, o que inocorre no presente caso.
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. ALIENAÇÃO DE BEM A PESSOA LIGADA POR VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE MERCADO. ERRO NA INDICAÇÃO DA DATA DO FATO GERADOR. CANCELAMENTO.
Constatada que a alienação das quotas foi realizada em período anterior ao exercício apontado no lançamento, deve ser cancelada a exigência.
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. NEGÓCIOS REALIZADOS COM FAVORECIMENTO A PESSOA LIGADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO
Se os fatos descritos pela autoridade fiscal não caracterizam o imputado favorecimento e, ainda, sequer foram reconhecidos ou produziram qualquer efeito nos resultados da pessoa jurídica, improcede a adição do valor do suposto favorecimento ao lucro real da autuada.
Numero da decisão: 1302-002.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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DESNECESSIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. O simples fato do contribuinte possuir créditos junto a empresas ligadas não é suficiente para caracterizar como desnecessária a contratação de empréstimos e, em consequência, os encargos financeiros deles decorrentes como despesas, salvo se restar comprovado que estes recursos não se destinaram à atividade desenvolvida pela empresa ou, situação mais comum, foram imediatamente transferidos para outra empresa ligada, sem cobrança de juros ou com juros inferiores àqueles contratados no empréstimo obtido anteriormente, o que inocorre no presente caso. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. ALIENAÇÃO DE BEM A PESSOA LIGADA POR VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE MERCADO. ERRO NA INDICAÇÃO DA DATA DO FATO GERADOR. CANCELAMENTO. Constatada que a alienação das quotas foi realizada em período anterior ao exercício apontado no lançamento, deve ser cancelada a exigência. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. NEGÓCIOS REALIZADOS COM FAVORECIMENTO A PESSOA LIGADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO Se os fatos descritos pela autoridade fiscal não caracterizam o imputado favorecimento e, ainda, sequer foram reconhecidos ou produziram qualquer efeito nos resultados da pessoa jurídica, improcede a adição do valor do suposto favorecimento ao lucro real da autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 25 84 /2 01 3- 29 Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.015 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.016 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário interpostos em face do Acórdão nº 1282.519, de 20/06/2016, proferido pela 15ª Turma da DRJRio de JaneiroI, que considerou parcialmente procedente a impugnação apresentada em face de autos de infração de IRPJ e CSLL, conforme espelhado na seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2011 ERROS PONTUAIS NA APURAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Os erros pontuais cometidos pela autoridade lançadora na apuração da base tributável podem conduzir à improcedência, total ou parcial, do lançamento, mas não constituem causa de nulidade do feito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSÁRIAS. Consideramse desnecessárias as despesas de juros relativos a empréstimos e financiamentos bancários, quando resta comprovado que o contribuinte possui créditos a receber de pessoas ligadas, em relação aos quais não exige qualquer remuneração. Verificandose que a glosa alcançou despesas financeiras não relacionadas com empréstimos e financiamentos bancários, cumpre expurgála das parcelas indevidamente tributadas. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. ALIENAÇÃO DE BEM A PESSOA LIGADA POR VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE MERCADO. ERRO NA DATA DA OPERAÇÃO. Verificado que a alienação do bem ocorreu em exercício anterior ao fiscalizado, reputase improcedente o lançamento. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. NEGÓCIOS REALIZADOS COM FAVORECIMENTO A PESSOA LIGADA. INOCORRÊNCIA. A condição de favorecimento que autoriza presumir a distribuição disfarçada de lucro há que ser aferida na data em que o contrato é celebrado. Se, no momento da realização do negócio, não era possível às partes prever o evento futuro que iria supostamente beneficiar a pessoa ligada, então não cabe Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.017 4 falar em favorecimento no período em que ocorreu o referido evento. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2009 GLOSA DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. Reputamse indedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, as despesas desnecessárias. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2013 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Os débitos relativos às multas de ofício, quando não recolhidos no prazo legal, sujeitamse à incidência de juros de mora. MAJORAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. As sucessivas e injustificadas negativas do contribuinte na prestação de esclarecimentos a respeito de contratos celebrados com sua própria sócia autorizam a majoração da multa de ofício em metade do seu valor. As infrações apuradas pela fiscalização foram assim identificadas no auto de infração de IRPJ e assim transcritos no acórdão recorrido, verbis: 001 – DESPESAS DESNECESSÁRIAS Valor das Despesas Financeiras desnecessárias apuradas, conforme Termo de Constatação nº 01 e respectivo Relatório Fiscal nº 01. Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/12/2009 146.361.416,59 112,50% Enquadramento legal (IRPJ): arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300 do RIR/99. Enquadramento legal (CSLL): art. 2º e §§, da Lei nº 7.689, de 1988; art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996; art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996; e art. 3º da Lei nº 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008. 002 – DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS – ALIENAÇÃO DE BEM POR VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE MERCADO – PESSOA JURÍDICA LIGADA Falta de adição, ao lucro líquido do exercício, da diferença entre o valor de mercado e o de alienação, correspondente à distribuição disfarçada de lucros, decorrente de alienação à pessoa física ligada BELGRÁVIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, por valor notoriamente inferior ao de mercado, de 20.985.349 quotas da empresa LUMINA ENGENHARIA Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.018 5 AMBIENTAL LTDA, quotas estas integrantes do Ativo Permanente da fiscalizada, conforme descrito no Termo de Constatação nº 01 e respectivo Relatório Fiscal nº 01. Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/12/2009 6.277.719,69 112,50% Enquadramento legal (IRPJ): arts. 247, 249, inciso II, 464, inciso I, 465, 466, 467, inciso I, do RIR/99. Enquadramento legal (CSLL): art. 60 da Lei nº 9.532, de 1997; art. 3º da Lei nº 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008. 003 – DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS – NEGÓCIOS EM CONDIÇÕES DE FAVORECIMENTO – PESSOA JURÍDICA LIGADA Custo ou despesa não dedutível na apuração do Lucro Real, correspondente a importâncias pagas ou creditadas à pessoa jurídica BELGRÁVIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, por ficarem caracterizadas condições de favorecimento, conforme demonstrado no Termo de Constatação nº 01 e respectivo Relatório Fiscal nº 01. Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 31/12/2009 91.507.599,12 112,50% Enquadramento legal: arts. 247, 249, inciso I, 464, inciso VI, 465, 466, 467, inciso V, do RIR/99. Enquadramento legal (CSLL): art. 60 da Lei nº 9.532, de 1997; art. 3º da Lei nº 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008 A recorrente impugnou tempestivamente a autuação, apresentando as alegações sintetizadas no acórdão recorrido, verbis: I NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 obriga a Fiscalização a descrever a infração, citar o dispositivo legal infringido e determinar o valor do tributo lançado, de forma coerente com as acusações e com o enquadramento usado como fundamento para a autuação. A exigência de fundamentação adequada decorre dos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, previstos no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988. Para exercer, portanto, o seu direito de defesa, o administrado precisa ter acesso aos motivos de fato e de direito que fundamentam a acusação. No caso em questão, a autoridade lançadora cometeu diversos equívocos que tornam inválido o trabalho fiscal, independentemente de qualquer alegação de mérito. • 1º EQUÍVOCO Item 001 Despesas Desnecessárias Erro na quantificação da matéria tributável Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.019 6 A Fiscalização entende que, pelo fato de a Autuada possuir créditos a receber junto à empresa BELGRÁVIA, as despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos contraídos com terceiros não seriam necessárias ao desempenho de sua atividade econômica. A composição do montante de R$ 146.361.416,59, objeto da glosa fiscal, encontrase detalhada em planilha anexa [doc. fl. 551], podendo ser resumida conforme segue: Grupo Descrição Saldo em 30/12/2009 Adição LALUR Saldo em 30/12/2009 – Após Adição 4.4.1.01 / 4.4.1.03 JUROS S/ EMPRÉSTIMOS 9.613.235,22 9.613.235,22 4.4.1.05 COMISSÕES E DESP. BANCÁRIAS 2.329.407,70 2.329.407,70 4.4.1.06 I. RENDA S/ REMESSAS 215.814.,58 215.814.,58 4.4.1.06 IOF S/ APLICAÇÃO FINANCEIRA 1.021.658,99 1.021.658,99 4.4.1.51 OUTRAS DESPESAS FINANCEIRAS 124.973.944,47 100.108.610,45 24.865.334,02 4.4.2.01 VARIAÇÃO MONETÁRIA PAEX 8.207.355,63 8.207.355,63 TOTAL 146.361.416,59 100.108.610,45 46.252.806,14 Sem entrar por ora no mérito da discussão, é certo que a Fiscalização incluiu na base tributável valores registrados em contas contábeis que não guardam qualquer relação com empréstimos e financiamentos contraídos com terceiros. Por uma questão de coerência, só poderiam ter sido glosadas as seguintes despesas financeiras: Grupo Descrição Saldo em 30/12/2009 4.4.1.01 / 4.4.1.03 JUROS S/ EMPRÉSTIMOS 9.613.235,22 4.4.1.05 COMISSÕES E DESP. BANCÁRIAS 2.329.407,70 4.4.1.06 I. RENDA S/ REMESSAS 215.814.,58 4.4.1.06 IOF S/ APLICAÇÃO FINANCEIRA 1.021.658,99 TOTAL 13.180.116,49 Os demais valores glosados constituem despesas financeiras relacionadas com outras atividades, sem qualquer vínculo com operações de captação realizadas pela Autuada. A conta contábil 4.4.1.51 (“Outras Despesas Financeiras”), por exemplo, abrange valores referentes a contingências fiscais, REFIS, seguros, provisões para perdas etc. • 2º EQUÍVOCO Item 001 – Despesas desnecessárias Não adoção do critério de proporcionalidade Analisandose o Termo de Constatação Fiscal nº 01, verificase que a Fiscalização, ao calcular a parcela indedutível das despesas financeiras, utilizou um critério de proporcionalidade, com base nas médias dos empréstimos e financiamentos em aberto. Segundo este critério, o montante tributável apurado seria de R$ 120.533.548,92. Ocorre que, no momento da lavratura dos Autos de Infração, as exigências fiscais de IRPJ e CSLL foram calculadas com base no valor total de R$ 146.361.416,59, deixando de levar em consideração o cálculo proporcional acima referido. A não adoção da proporcionalidade fez com que o valor total das despesas financeiras fosse considerado indedutível, o que não tem nenhum cabimento. Aplicandose o critério da proporcionalidade ao montante de despesas financeiras efetivamente decorrentes de empréstimos e financiamentos ― R$ 13.180.116,49 (conforme demonstrado no tópico anterior) ―, o valor tributável seria, no máximo, de R$ 12.964.301,91. Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.020 7 • 3º EQUÍVOCO Item 001 – Despesas desnecessárias Tributação de valores em duplicidade Não bastassem os erros acima apontados, a Fiscalização deixou de considerar, ainda, o fato de a Autuada já haver adicionado uma parte das despesas financeiras glosadas, no valor de R$ 100.108.610,45, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Este montante corresponde a uma parcela das despesas financeiras registradas na conta 4.4.1.51 (“Outras Despesas Financeiras”): Grupo Descrição Saldo em 30/12/2009 Adição LALUR Saldo em 30/12/2009 – Após Adição 4.4.1.51 OUTRAS DESPESAS FINANCEIRAS 124.973.944,47 100.108.610,45 24.865.334,02 Natureza Saldo em 31/12/2009 Adição LALUR XINGÓ 53.621.410,86 53.621.410,86 CONTINGÊNCIA FISCAL 16.662.246,77 16.662.246,77 NOVO REFIS (LEI 11.941) 14.287.509,84 SEGURO WINS 2.530.494,50 PROVISÃO PERDA CR 1.531.400,04 1.531.400,04 ATUALIZ. PAEX 520.162,29 OUTROS 4.268.977,30 VALOR DESÁGIO VENDA CEPAC – ITAÚ FLPP (UO 0102001) 3.160.040,31 CRÔNICOS – INDÁPOLIS (UO 0102004) 28.293.552,78 28.293.552,78 OUTROS 1.927,03 TOTAL 100.108.610,45 Oportuno esclarecer que a adição de R$ 100.108.610,45 está incluída no somatório de R$ 194.872.963,68 informado na Linha 38, Ficha 09A, da DIPJ/2010: DIPJ/2010 Ficha 09A / Linha 38 – OUTRAS ADIÇÕES Valor adicionado Grupo LALUR (ADIÇÃO) Lucro Diferido Realizado c/ Clientes Governamentais 39.700.085,09 Outras Adições Comuns IRPJ e CSLL Outras Provisões 3.561.316,70 Provisões não dedutíveis Complemento IN 21/79 11.109.657,98 Outras Adições Comuns IRPJ e CSLL Provisão p/ Aviso Prévio 1.979.154,26 Provisões não dedutíveis Provisão p/ Auxílio Enfermidade 145.706,51 Provisões não dedutíveis Provisão p/ Auxílio Acidente 41.658,23 Provisões não dedutíveis Provisão p/ Contingências 16.662.246,77 Provisões não dedutíveis Perda Contas a Receber 1.531.400,04 Provisões não dedutíveis Provisão p/ Perda Xingó 53.621.410,86 Provisões não dedutíveis Equivalência Patrimonial – Suc. Venezuela 3.165.183,94 Ajuste por Diminuição de PL Crônicos – Indápolis 28.293.553,00 Outras Adições Comuns IRPJ e CSLL Provisão p/ Perdas em Investimentos 35.061.590,30 Provisões não dedutíveis TOTAL 194.872.963,68 Os lançamentos referentes às adições podem ser confirmados nas páginas correspondentes do LALUR [fls. 552/576]. • 4º EQUÍVOCO Item 002 – Distribuição disfarçada de lucros Alienação de bem por valor notoriamente inferior ao de mercado Inobservância dos critérios previstos na legislação tributária O art. 464, inciso I, do RIR/99, sem sombra de dúvida, autoriza a presunção de ocorrência de distribuição disfarçada de lucro no negócio jurídico em que a pessoa jurídica “aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada”. Ocorre que, no caso em questão, a autoridade fiscal considerou como distribuição disfarçada de lucro a mera diferença entre o valor patrimonial e o valor nominal das cotas, sem apresentar qualquer informação quanto ao valor de mercado. Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.021 8 O equívoco é evidente. O art. 465 do RIR/99, afirma expressamente, em seu § 1º, que “o valor de mercado é a importância em dinheiro que o vendedor pode obter mediante negociação do bem no mercado”. O mesmo artigo, em seu § 4º, acrescenta que “caberá à autoridade tributária a prova de que o negócio serviu de instrumento à distribuição disfarçada de lucro”. A adoção do valor nominal das cotas como se valor de mercado fosse não possui qualquer justificativa ou fundamento legal. • 5º EQUÍVOCO Item 002 – Distribuição disfarçada de lucros Alienação de bem por valor notoriamente inferior ao de mercado Erro na identificação da data do negócio jurídico Ao efetuar o lançamento de ofício, a Fiscalização considerou que a transferência das 20.985.349 quotas da LUMINA para a BELGRÁVIA ocorreu em 30/06/2009. Ocorre que o negócio jurídico em questão ocorreu em 30/06/2006, conforme prova o respectivo contrato [doc. fls. 577/581]. Diante de tal equívoco, cumpre reconhecer a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário. • 6º EQUÍVOCO Item 002 – Distribuição disfarçada de lucros Alienação de bem por valor notoriamente inferior ao de mercado Erro na quantificação da base tributável Em virtude da falta de cuidado do AuditorFiscal no exame dos documentos apresentados pela Autuada, houve um erro na quantificação da base tributável. De fato: ao lavrar o Auto de Infração, a DEFIS/SPO considerou que a transferência das quotas da empresa LUMINA para a BELGRÁVIA foi realizada pelo valor patrimonial de R$ 14.707.638,31, quando o valor correto foi de R$ 18.708.072,63, conforme indica o item 1 da alteração contratual da alienante [doc. fls. 577/581]. Portanto, ainda que tivesse havido a suposta distribuição disfarçada de lucros, a importância a tributar seria de R$ 2.277.276,67, correspondente à diferença entre o valor nominal (R$ 20.985.349,00) e o valor de transferência (R$ 18.708.072,63). O valor de transferência utilizado pela Fiscalização, de R$ 14.707.638,31, referese, em verdade, a uma cessão de crédito realizada em 29/12/2009, que não tem nenhuma relação com a alienação de quotas aqui investigada. • 7º EQUÍVOCO Item 003 – Distribuição disfarçada de lucros Realização de negócio jurídico em condições de favorecimento Falta de adequada motivação A Fiscalização considerou que diversas cessões de crédito realizadas entre a Autuada e a BELGRÁVIA caracterizaram negócios jurídicos em condições de Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.022 9 favorecimento. A partir daí, concluiu que o suposto prejuízo decorrente da variação cambial negativa, no valor de R$ 91.507.599,12, ainda que não apropriado na escrituração contábil, deveria ser considerado indedutível para fins fiscais. A lógica que norteou o raciocínio da fiscalização é complexa, o que torna difícil explicar a infração supostamente cometida. Em que pese a autoridade lançadora afirme que os negócios jurídicos foram realizaos em condições de favorecimento, a Autuada não conseguiu compreender, com precisão, em que momento ficou caracterizado o dito favorecimento. Há uma nítida contradição no trabalho fiscal. De um lado, a Fiscalização alega que os negócios jurídicos foram realizados em condições mais vantajosas para a BELGRÁVIA. De outro lado, glosa um suposto prejuízo cambial da Autuada, no valor de R$ 91.507.599,12, que sequer foi registrado em sua contabilidade. Cabe esclarecer que a Autuada cedeu para a BELGRÁVIA direitos creditórios que possuía contra a OSEL – ODEBRECHT SERVIÇOS NO EXTERIOR LTDA (LUANDA SUL) em moeda estrangeira [docs. fls. 582/588]. Em virtude desta cessão, deuse a mudança de titularidade do crédito, que passou da Autuada para a BELGRÁVIA. Em contrapartida, a BELGRÁVIA registrou uma dívida perante a Autuada, no mesmo valor do crédito recebido, efetuando o lançamento na conta contábil representativa do contrato de contacorrente existente entre as empresas. Neste momento inicial, o negócio jurídico da cessão de crédito foi realizado em condições comutativas, com equivalência de prestações entre as partes. O problema surge em razão da suposta desvalorização do Real frente ao Euro e ao Dólar, entre os anos de 2006 e 2009, conforme apontado pela Fiscalização. É justamente neste ponto que reside a contradição. Se houve desvalorização da moeda estrangeira utilizada como indexador do direito de crédito (Euro ou Dólar), não se pode cogitar da realização de negócio jurídico em condições favoráveis para a BELGRÁVIA. Esta, ao adquirir o crédito da Autuada, passou a ficar sujeita à variação cambial, sofrendo, portanto, com a queda de cotação da moeda! Como falar em condições de favorecimento? Além disso, a existência ou não da condição de favorecimento deve ser verificada na data de realização do negócio jurídico, e não três anos depois, como pretende fazer agora a Fiscalização. E nem poderia ser de outro modo, afinal as partes não têm como prever os eventos futuros que poderão afetar os efeitos do negócio jurídico realizado. • 8º EQUÍVOCO Item 003 – Distribuição disfarçada de lucros Realização de negócio jurídico em condições de favorecimento Erro na determinação da base tributável Ao relacionar os negócios jurídicos supostamente realizados em condição de favorecimento, a Fiscalização incluiu, para efeito de cálculo do ajuste fiscal, a cessão de crédito realizada em 17/03/2006, referente à emissão de “Floating Rates Notes – Bonds Caravelas”. Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.023 10 Ocorre que este crédito foi baixado pela Autuada em 31/05/2006, por ocasião da cisão de parte de seu patrimônio líquido, para posterior incorporação pela ODEBRECHT PARTICIPAÇÕES S/A. Esta afirmativa pode ser comprovada a partir da análise do “Anexo B do Protocolo e Justificação da Cisão Parcial” e do “Laudo de Avaliação da Parcela Cindida”, nos quais consta que os “Bonds Caravelas” integram o acervo líquido vertido [docs. fls. 603 e 605/609]. Na eventualidade, portanto, de restar caracterizada a realização de negócio em condição de favorecimento, o montante de R$ 137.240.320,55, indicado na tabela do item II.1.(e) do TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL Nº 01, deverá ser excluído do cálculo do ajuste fiscal. • 9º EQUÍVOCO Item 003 – Distribuição disfarçada de lucros Realização de negócio jurídico em condições de favorecimento Glosa de perda não registrada na escrituração contábil Abstraída a questão da inexistência de favorecimento, devese ainda ressaltar que a conseqüência imposta pela Fiscalização à Autuada, em decorrência da aplicação da regra da distribuição disfarçada de lucro, é improcedente. De fato: ― se a cessão sem cláusula de coobrigação acarreta a transferência definitiva do crédito, é evidente que a Fiscalização não pode imputar à Autuada o efeito da variação cambial. Até porque não houve qualquer registro contábil de despesa ou receita de variação cambial, justamente em razão da definitividade da transferência. Ou seja: ― a Fiscalização idealizou e glosou uma perda de variação cambial que sequer foi registrada na escrituração contábil da Autuada. II ANÁLISE DO MÉRITO • Item 001 – Despesas desnecessárias ► Improcedência da glosa de despesas financeiras O raciocínio adotado pela Fiscalização para glosar as despesas financeiras é totalmente equivocado. O conceito de despesa necessária deve ser aplicado segundo critérios objetivos, tendo como ponto de partida a regra geral do art. 299 do RIR/99. A Fiscalização não pode exercer juízo de valor a respeito das escolhas empresariais da pessoa jurídica. O fato de existir um crédito ativo passível de cobrança não proíbe o contribuinte de captar recursos financeiros no mercado, desde que o capital obtido seja efetivamente aplicado na atividade da empresa. No caso em exame, a Fiscalização pretendeu equiparar a existência de um direito de crédito no ativo da Autuada com uma situação de repasse de empréstimo. No chamado “repasse de empréstimo”, uma sociedade contrata um empréstimo junto a determinada instituição financeira, pagandolhe juros de mercado, e, no mesmo período, celebra um contrato de mútuo com pessoa jurídica ligada, repassandolhe os recursos financeiros sem cobrança de juros ou com juros menores que os da operação passiva. Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.024 11 Ora, a situação fática dos autos é completamente distinta do cenário descrito acima. No repasse de empréstimo, os recursos captados pelo contribuinte não são utilizados na atividade da empresa, sendo transferidos para terceiros com custos menores. Já no caso da Autuada, os valores são usados diretamente no exercício de sua atividade econômica. A pretensão do Fisco tornase ainda mais absurda quando se considera que o suposto direito de crédito da Autuada está inserido em um contrato de “conta corrente escritural”. Esse contrato não se confunde com os fluxos financeiros realizados ao abrigo do chamado “Contrato de ContaCorrente e Gestão de Caixa Único”, que possui natureza plurilateral, abrangendo várias empresas do mesmo grupo. Muito embora esse “contrato de conta corrente escritural” mantenha as características essenciais de um contrato de conta corrente ― mecanismo contábil de escrituração de fluxos recíprocos ―, não há exigibilidade imediata das quantias registradas pelas partes. Sendo assim, a Autuada não podia optar entre a cobrança do valor da BELGRÁVIA e a captação de recursos financeiros no mercado. De fato: ― no contrato de contacorrente, as partes escrituram os haveres recíprocos das movimentações financeiras, sem que haja o nascimento de uma relação creditícia. A pretensão de exigir o eventual saldo remanescente surge apenas com o término do contrato, mediante liquidação por diferença. Logo, durante a vigência do contrato de contacorrente, nenhuma das partes contratantes pode ser considerada credora ou devedora. Mas ainda que assim não fosse, a dedutibilidade das despesas financeiras somente poderia ser questionada pela Fiscalização, se tivesse havido captação de recursos para a concessão de empréstimos a pessoas ligadas, com exata coincidência de datas e valores. Ora, essa não é, definitivamente, a situação fática dos autos. Afinal: ― a) não houve repasse de recursos financeiros para terceiros; b) os recursos financeiros captados foram utilizados na atividade da Autuada; c) o suposto direito de crédito contra a BELGRÁVIA não era exigível, eis que inserido no âmbito de um contrato de “contacorrente escritural”; d) não há identidade de valores, pois os montantes captados pela Autuada não correspondem ao valor do crédito contra a BELGRÁVIA; e) não há identidade de datas entre a captação dos recursos e o direito de crédito contra a BELGRÁVIA. Resta claro, do exposto, que a Fazenda não pode glosar as despesas financeiras incorridas pela Autuada em decorrência de empréstimos contraídos junto a terceiros. ► Inaplicabilidade do art. 299 do RIR/99 à CSLL Na eventualidade de se vir a manter a glosa das despesas financeiras, em razão de sua desnecessidade, os efeitos da tributação só poderão repercutir na base de cálculo do IRPJ, jamais na da CSLL. Segundo entendimento estratificado na jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, o fundamento legal do art. 299 do RIR/99 ― no caso, o art. 47 da Lei nº 4.506/1964 ― aplicase apenas ao imposto de renda, não alcançando a contribuição social sobre o lucro. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.025 12 Com efeito: ― no momento em que a Lei nº 4.506/1964 foi promulgada, a CSLL ainda não existia no ordenamento jurídico, o que só veio a ocorrer com o advento da Constituição Federal de 1988 e da Lei nº 7.689/1988. Assim, as normas que regulam a apuração do lucro real não são aplicáveis à determinação na base de cálculo da CSLL. Se o legislador quisesse conferir o mesmo tratamento aos dois tributos, ele o teria feito expressamente. • Item 002 – Distribuição disfarçada de lucros – Alienação de bem por valor notoriamente inferior ao de mercado ► Decadência do direito de lançar A Fiscalização considerou que a transferência das quotas da LUMINA para a BELGRÁVIA ocorreu em 30/06/2009. Tratase, todavia, de um equívoco, pois o negócio jurídico em questão foi celebrado em 30/06/2006. Diante de tal circunstância, impõese reconhecer, de plano, a decadência do direito da Fazenda de constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ e à CSLL. ► Falta de comprovação do valor de mercado A Fiscalização afirma que a Autuada teria alienado 20.985.349 quotas da LUMINA para a BELGRÁVIA pelo valor patrimonial de R$ 14.707.638,31, quando o valor nominal era de R$ 20.985.349,00. Tal fato, na ótica fazendária, teria caracterizado distribuição disfarçada de lucro. Ora, art. 464, inciso I, do RIR/99 autoriza a presunção de distribuição disfarçada de lucro nos casos em que a pessoa jurídica aliena um bem do seu ativo a uma pessoa ligada, por “valor notoriamente inferior ao de mercado”. No caso em apreço, a Fiscalização considerou como distribuição disfarçada de lucro a simples diferença entre o valor patrimonial e o valor nominal das cotas, sem apresentar qualquer elemento que evidenciasse o possível valor de mercado. De acordo com o art. 465, § 1º, do RIR/99, valor de mercado é “a importância em dinheiro que o vendedor pode obter mediante negociação do bem no mercado”. Se se tratar de um bem negociado freqüentemente no mercado ou em ambiente bursátil, o valor de mercado, nos termos do art. 465, § 2º, do RIR/99, sera o “preço das vendas efetuadas em condições normais de mercado, que tenham por objeto bens em quantidade e em qualidade semelhantes”. Já se o bem não tiver mercado ativo, o seu “valor de mercado”, de acordo com o art. 465, § 3º, do RIR/99, poderá ser determinado com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem, ou em negociações contemporâneas de bens semelhantes, entre pessoas não compelidas a comprar e vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influam de modo relevante na determinação do preço”. É fácil perceber que o valor nominal das quotas da LUMINA não representa o seu valor de mercado. O valor nominal, como se sabe, é o simples resultado da divisão do capital social pelo número de quotas estabelecido no contrato social. Além do mais, é perfeitamente possível que o valor patrimonial das quotas (grandeza que exprime a participação do quotista no patrimônio líquido da Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.026 13 sociedade) seja superior ou inferior ao valor nominal, o que não significa que tenha havido qualquer irregularidade ou distribuição disfarçada de lucro. • Item 003 – Distribuição disfarçada de lucros – Realização de negócio jurídico em condições de favorecimento ► Decadência do direito de lançar Conforme anotado anteriormente, a Fiscalização entendeu que diversas cessões de crédito realizadas pela Autuada em favor da BELGRÁVIA, no ano calendário de 2006, caracterizaram negócios jurídicos em condição de favorecimento. Por esta razão, foi considerado indedutível o suposto prejuízo decorrente da variação cambial apurada no anocalendário de 2009. As operações questionadas pela autoridade fiscal foram, mais especificamente, as cessões de crédito realizadas em 17/02/2006, no montante de € 22.007.238,38 (equivalente, na época, a R$ 55.371.091,17), e em 17/03/2006, no montante de US$ 64.143.982,86 (equivalente, na época, a R$ 135.132.128,70). Além disso, foi mencionado o “Distrato do Acordo de Compromisso de Futura Quitação de Dívida”, firmado em 17/02/2006, no montante de € 50.851.030,44 (equivalente, na época, a R$ 137.240.320,55). Ora, a exigência de IRPJ e CSLL, formalizada no ano de 2013, sobre uma suposta distribuição disfarçada de lucros ocorrida em 2006, revelase insustentável, tendo em vista a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário. Tal conclusão se dá independentemente do termo inicial de contagem do prazo decadencial, quer seja tomado da data de ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), quer do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, inciso I, do CTN). De mais a mais, a existência de eventual condição de favorecimento para pessoa ligada deve ser verificada na data de realização do negócio jurídico, e não três anos depois, como pretende fazer o Fisco. Afinal, as partes não têm como prever como os eventos futuros poderão afetar os efeitos do negócio jurídico realizado no passado. ► Aplicação incorreta do art. 464, inciso VI, do RIR/99 O art. 464, inciso VI, do RIR/99 autoriza a presunção de distribuição disfarçada de lucro nos casos em que a pessoa jurídica “realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevalecem no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros”. A leitura desatenta do dispositivo em questão poderia levar à conclusão de que o legislador previu uma situação genérica de distribuição disfarçada de lucro, que alcançaria qualquer negócio em condições de favorecimento. Esta, todavia, não é a melhor exegese da norma. A hipótese em comento tem seu âmbito de aplicação delimitado pelo art. 467, inciso V, do RIR/99, que diz: — “no caso do inciso VI do art. 464, as importâncias pagas ou creditadas à pessoa ligada, que caracterizarem condições de favorecimento, não serão dedutíveis”. Ou seja: ― para que se possa caracterizar a distribuição disfarçada de lucro, com fundamento no art. 464, inciso VI, do RIR/99, é preciso que uma pessoa jurídica pague ou credite a uma pessoa ligada, em condições de favorecimento, valores que representem custos ou despesas dedutíveis na apuração do lucro real. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.027 14 No caso concreto, as cessões de crédito pactuadas entre a Autuada e a BELGRÁVIA não acarretaram o reconhecimento de nenhum custo ou despesa dedutível para fins de determinação do lucro real. Sendo assim, não há que se cogitar da ocorrência de distribuição disfarçada de lucro. • Agravamento da multa de ofício Apesar de a Autuada ter cooperado com a fiscalização, foilhe imposta multa de ofício agravada, simplesmente porque não logrou êxito em localizar, em seus arquivos, a totalidade dos itens que lhe foram solicitados. É incontestável que a Autuada agiu com boafé durante todo o procedimento fiscal, fazendo tudo o que estava ao seu alcance para atender adequadamente às solicitações feitas pela autoridade fazendária. Tanto isso é verdade que inúmeros documentos foram apresentados à Fiscalização. Tal fato, inclusive, permitiu a lavratura dos Autos de Infração. Os documentos faltantes foram apenas aqueles não localizados nos arquivos físicos da empresa. Além disso, vale ressaltar que, diante do grande volume de documentos envolvidos, a Autuada colocou a sua sede à disposição das autoridades fiscais, o que comprova a sua boafé e sentido de colaboração. • Inaplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício Na eventualidade de virem a ser mantidas, no todo ou em parte, as autuações de IRPJ e de CSLL, cumpre, ao menos, afastar a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, em virtude de falta de previsão legal. De fato, o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, ao tratar da cobrança dos juros de mora, prevê que a sua incidência deverá se dar sobre “débitos para com a União, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. O texto da lei deixa claro que os encargos só podem ser aplicados apenas sobre o valor do principal (SIC) relativo à obrigação tributária. Sendo assim, não cabe aplicação de juros sobre a multa de ofício, pois esta não decorre do tributo, mas sim do descumprimento do dever legal de pagálo. Importante lembrar que as multas não possuem natureza jurídica de tributos (art. 3º do CTN). O próprio legislador, quando quis autorizar a cobrança de juros de mora sobre multa isolada, fêlo de forma expressa, como se pode verificar do art. 43, parágrafo único, da Lei nº 9.430/1996. Também não é o caso de aplicar, subsidiariamente, o art. 161, § 1º, do CTN, que estabelece a incidência de juros de mora à razão de um por cento ao mês, “se a lei não dispuser de modo diverso”. Isto porque a Lei nº 9.430/1996 dispôs, sim, de modo diverso, ao prever a não incidência de juros sobre a multa de ofício, ressalvada apenas a hipótese da multa isolada. A contribuinte apresentou, ainda, um aditamento à sua impugnação e juntou documentação comprobatória complementar, conforme transcrito no acórdão de primeiro grau, verbis: Em 03/12/2013, a Autuada impugnou a exigência, alegando, entre outras razões, que a Fiscalização, ao quantificar o montante das despesas supostamente desnecessárias (Item 001 da autuação), deixou de excluir despesas financeiras que já Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.028 15 haviam sido adicionadas ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, incluindo, por outro lado, despesas financeiras que não guardam qualquer relação com empréstimos e financiamentos contraídos junto a terceiros. Por ocasião do oferecimento da impugnação, a Autuada demonstrou que, do valor total glosado, de R$ 146.361.416,59, uma parcela de R$ 100.108.610,45 já havia sido adicionada ao lucro líquido, via ajuste no LALUR, devendo ser excluída portanto da base tributável. Quanto ao saldo de R$ 46.252.806,14, correspondente à diferença entre o valor glosado (R$ 146.361.416,59) e o valor adicionado ao LALUR (R$ 100.108.610,45), a Autuada alegou que apenas o montante de R$ 13.180.116,49 poderia eventualmente ser objeto de tributação, na medida em que trataria de despesas decorrentes de empréstimos e financiamentos contraídos junto a terceiros: Grupo Descrição Saldo em 30/12/2009 4.4.1.01 / 4.4.1.03 JUROS S/ EMPRÉSTIMOS 9.613.235,22 4.4.1.05 COMISSÕES E DESP. BANCÁRIAS 2.329.407,70 4.4.1.06 I. RENDA S/ REMESSAS 215.814.,58 4.4.1.06 IOF S/ APLICAÇÃO FINANCEIRA 1.021.658,99 TOTAL 13.180.116,49 O objetivo do presente aditamento é, justamente, provar, por via da documentação anexa, que a importância de R$ 33.072.689,65 (correspondente à diferença entre o montante de R$ 46.252.806,14 e o somatório de R$ 13.180.116,49, acima discriminado) não guarda qualquer relação com operações de captação de recursos: Descrição Saldo em 30/12/2009 Multa e Juros do REFIS 14.287.509,94 Variação Monetária e Inclusão de Débitos PAEX 8.207.311,31 Ajustes de Recebíveis Rodovia Carvalho Pinto 3.961.410,62 Deságio na Venda de CEPACs 3.160.040,00 Apólice de Seguro – Parcelas 1 e 2/12 2.530.494,50 Atualização Parcelamento 520.162,29 Outras (tarifas bancárias, taxa de administração financeira etc.) 405.760,99 TOTAL 33.072.689,65 Neste sentido, a Autuada requer que os documentos anexos sejam recebidos, juntados aos autos e devidamente apreciados pela autoridade julgadora. A autoridade julgadora de primeiro grau determinou a realização de diligências para que a autoridade fiscal verificasse a procedências das alegações da recorrente quanto aos equívocos da autuação. A autoridade fiscal apresentou Relatório de Diligências (fls. 795/805), no qual, em síntese reconhece a improcedência da maior parte da glosa de despesas financeiras, conforme descrito em suas conclusões, transcritas no acórdão recorrido, verbis: V – DAS CONCLUSÕES DA DILIGÊNCIA Face ao exposto, considerando que a fiscalização autuou por valor a maior, ao lançar o total das Despesas Financeiras de R$ 146.361.416,59 como passível de Glosa, sem observar os cálculos no ANEXO 1 DO Termo de Constatação n° 01, de 0/11/2013, às fls. 470 a 478, opino pela redução das glosas ao valor de R$ 120.533.548,92. Entretanto, essa "Glosa" poderá ser reduzida a R$ 13.180.116,49, a critério da DRJ/RJ1, caso entenda que os documentos apresentados pelo contribuinte possam suprir as deficiências da escrituração no LALUR.” Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.029 16 A interessada manifestouse sobre as conclusões da diligência e propugnou pelo cancelamento integral da glosa de despesas financeiras ou, subsidiariamente, caso mantida parcialmente no valor indicado na diligência a glosa (R$ 13.180.116,49), que fosse retificada a base tributável a fim de que sejam considerados os percentuais de proporcionalização que teriam sido admitidos pela própria Fiscalização, quais sejam: de 89,92% em outubro, 79,70% em novembro e 78,62% em dezembro. Diante do resultado da diligência, o colegiado recorrido houve por bem cancelar integralmente as infrações descritas nos itens 002 e 003 (Distribuição Disfarçada) do auto de infração e reduzir a glosa de despesas financeiras desnecessárias para o montante tributável de R$ 12.468.373,98, acatando a proporcionalização suscitada pela interessada. Em face da decisão proferida foi interposto recurso de ofício, nos termos da legislação de regência. Cientificada do acórdão recorrido em 19/08/2016, tendo interposto recurso voluntário em 19/09/2016, no qual apresenta as seguintes razões: a) que em sua impugnação, demonstrou que o valor de R$ 146.361.416,59 era composto por uma série de despesas diversas, sendo que menos de 10% era referente às despesas financeiras supostamente glosadas pela fiscalização (R$ 13.180.116,49) e que, além disso, grande parte das despesas glosadas pela fiscalização foi adicionada ao LALUR na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL do anocalendário de 2009, o que atestava a inconsistência do trabalho fiscal, fato este que foi confirmado em diligência fiscal realizada; b) que a DRJ/RJ1 julgou a impugnação parcialmente procedente para cancelar parcialmente a exigência fiscal, mantendo apenas a glosa do valor de R$ 12.468.373,98, referente à despesa financeira proporcionalmente aceita para fins de dedutibilidade do lucro real e da base de cálculo da CSL, cancelando o restante da glosa. c) que "a glosa em questão foi fundamentada no art. 47 da Lei n. 4506, de 30.11.1964, consolidado no artigo 299 do RIR/99, sendo que a motivação exposta pela fiscalização fora a de que as despesas financeiras seriam desnecessárias porque a fiscalizada teria contraído empréstimos, incorrendo em despesas financeiras, ao mesmo tempo em que supostamente possuía créditos em aberto do qual era credora junto à BELGRÁVIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. ("BELGRÁVIA"), pessoa jurídica vinculada, sem que houvesse a cobrança de juros sobre esses créditos detidos junto àquela sociedade"; d) que a DRJ/RJ1, em razão do resultado da diligência, a despeito de ter cancelado mais que 90% da glosa em discussão, chancelou o raciocínio da fiscalização, e manteve parcela da glosa por entender que houve liberalidade da recorrente; e) que as despesas necessárias, de acordo com o art. 399, são aquelas que observam os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, ou seja, exige uma relação de pertinência com a atividade econômica da pessoa jurídica; f) que o conceito de despesa necessária deve ser aplicado segundo critérios objetivos, sem qualquer julgamento pessoal da fiscalização, não podendo esta exercer juízo de valor a respeito das escolhas empresariais da pessoa jurídica; Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.030 17 g) que o fato de supostamente existir um crédito ativo passível de cobrança não proíbe o contribuinte de captar recursos financeiros no mercado, desde que o capital obtido seja efetivamente aplicado na atividade da pessoa jurídica; h) que, ao contestar a necessidade das despesas, de forma diversa do que concluiu a decisão recorrida, "a fiscalização interfere sim na administração da recorrente, eis que desconsidera decisão exclusivamente gerencial no sentido de escolher a forma pela qual busca administrar seu fluxo de caixa", o que é rechaçado pela jurisprudência administrativa que cita; i) que a glosa de despesas financeiras só pode prosperar se restar comprovado que os recursos tomados não foram direcionados para as atividades da empresa, o que não foi nem contestado pela fiscalização neste caso. J) que, de acordo com a jurisprudência citada, a glosa de despesas financeiras pelo fato de haver sobra de caixa, ou de a empresa possuir créditos com outras empresas, é totalmente improcedente, pois caracteriza indevida intromissão da fiscalização na atividade empresarial; k) que na situação examinada nos autos sequer se discute a existência dessas sobras, pois o fisco alega que a recorrente detinha créditos junto a empresas do grupo; l) que no presente caso, a fiscalização pretendeu equiparar a mera existência de um direito de crédito no ativo da sociedade com a situação de repasse de empréstimo , alegando que a recorrente possuía créditos a receber contra a BELGRÁVIA, motivo pelo qual as despesas financeiras relativas aos empréstimos e financiamentos contraídos com terceiros não seriam necessárias ao desempenho de sua atividade econômica; porém não há qualquer fundamento na pretensão fiscal; m) que a situação da recorrente é completamente diferente daquela comumente chamada de "repasse de empréstimo" que "ocorre da seguinte forma: uma sociedade celebra contrato de mútuo com determinada instituição financeira, para a obtenção de recursos financeiros no mercado. Em princípio, os juros incorridos são considerados despesas financeiras, sendo, portanto, dedutíveis para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL. No mesmo período, a pessoa jurídica celebra contrato de mútuo com pessoa jurídica ligada, na condição de credora, repassando os recursos financeiros sem a cobrança de juros (ou mediante a cobrança de juros menores do que aqueles devidos na operação passiva) ". Nestes casos, "se houve o repasse dos recursos financeiros para terceiros, é possível concluir que a pessoa jurídica não precisava dos recursos captados no mercado para o desempenho de sua atividade econômica, hipótese em que os encargos correspondentes são considerados não dedutíveis para fins fiscais, a teor do disposto no art. 299 do RIR/99"; n) que a recorrente "supostamente possuía valores a receber da BELGRÁVIA, em razão de contrato de conta corrente firmado entre as empresas" e, "por conta disso, a fiscalização e a decisão recorrida consideraram que a recorrente não deveria ter captado recursos no mercado, mas, sim, cobrado o valor do crédito registrado em seu ativo contra a BELGRÁVIA"; o) que o argumento defendido pela fiscalização não merece prosperar, pois há uma diferença fundamental entre as situações: no repasse do empréstimo, os recursos captados pelo contribuinte não são utilizados na atividade da pessoa jurídica, pois tais valores são repassados para Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.031 18 terceiros com custos menores, enquanto que, no caso da recorrente, os valores captados são utilizados diretamente no exercício de sua atividade econômica, o que impede a comparação entre as situações; p) que, em nenhum momento, houve qualquer questionamento, seja pela fiscalização, seja pela decisão recorrida, sobre o emprego dos recursos em atividades estranhas ao seu objeto social. A única irregularidade apontada pela fiscalização reside na existência de direito de crédito em seu ativo; q) que a mera existência de um direito de crédito em aberto não impede o contribuinte de efetuar captações no mercado, assim como não tem o condão de tornar as despesas financeiras correspondentes indedutíveis para fins fiscais; r) que o "suposto direito de crédito está inserido em um contrato de "conta corrente escritural", como reconhecido pela própria fiscalização no Termo de Constatação e que esse contrato de "conta corrente escritural" não se confunde com os fluxos financeiros realizados ao abrigo do chamado "Contrato de ContaCorrente e Gestão de Caixa Único", contrato este de caráter plurilateral, abrangendo várias empresas do grupo; s) que "esse contrato de "conta corrente escritural" mantém as características essenciais de um contrato de conta corrente, por meio do qual a recorrente e a BELGRÁVIA organizam uma relação econômica de natureza continuativa, como mecanismo contábil de escrituração de fluxos recíprocos"; t) que, "no contrato de conta corrente escritural, não há exigibilidade imediata das quantias registradas pelas partes, de modo que a recorrente não podia optar entre cobrar o valor da BELGRÁVIA ou captar recursos financeiros no mercado"; u) que "durante a vigência do contrato de contacorrente, não pode qualquer dos correntistas ser considerado credor ou devedor, pois essa averiguação somente será obtida no momento do encerramento da avença. As remessas de cada correntista perdem a sua individualidade, passando a integrar uma massa homogênea de débitos e créditos"; v) que, de acordo com a jurisprudência administrativa, "a dedutibilidade das despesas relativas aos "empréstimos repassados" somente pode ser questionada pela fiscalização quando há a captação de recursos para a concessão de empréstimo, com exata coincidência de datas e valores, o que não ocorreu no presente caso"; x) que "a desconsideração, pela Administração Fazendária, das despesas deduzidas do lucro líquido contábil, para fins de apuração do lucro real, não pode estar lastreada em critérios subjetivos, devendo restar devidamente comprovada, pela autoridade administrativa, a desnecessidade da despesa incorrida"; z) que, "para os contratos de mútuo, há normas especiais inseridas nos art. 374 e 375 do RIR/99 (art. 17 e 18 do Decretolei n. 1598, de 26.12.1977), de modo que, a rigor, não se deve cogitar do art. 299, dandose prevalência às explícitas e específicas determinações daqueles dispositivos", aplicandose a norma geral do art. 299 somente em caráter subsidiário; aa) que em relação ao lançamento da CSLL, se impõe o seu cancelamento, uma vez que, segundo a jurisprudência administrativa, o fundamento legal do art. 299, no qual Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.032 19 está baseada a presente autuação (o art. 47 da Lei n. 4506), restringese apenas ao imposto de renda; bb) que as regras legais, que regulam a incidência do IRPJ, não são autoaplicáveis na determinação da base de cálculo da CSLL, existindo as regras direcionadas ao lucro real distintas das dirigidas ao lucro líquido, sendo que, quando o legislador pretendeu conferir o mesmo tratamento para os dois tributos, ele o fez expressamente; cc) que a COSIT já se pronunciou nesse sentido, na Solução de Consulta n. 198, de 9.7.2014, a qual analisou perdas em operações com derivativos, cuja limitação de dedutibilidade está prevista no art. 76 da Lei n. 8981, de 20.1.1995, reconhecendo que a referida regra é aplicável apenas ao IRPJ, não podendo ser estendida à CSLL, por ausência de disposição legal expressa nesse sentido e "que o art. 57 da mesma Lei n. 8981 não se presta a estender as regras de IRPJ à CSLL, pois tal dispositivo, ao determinar a aplicação das regras do citado imposto à referida contribuição, tratou apenas dos regimes de tributação (lucro presumido, arbitrado, real) e não da base de cálculo propriamente dita"; dd) que a independência da base de cálculo da CSLL da prevista para o IRPJ foi reafirmada pela COSIT por meio da Solução de Consulta n. 212, de 5.8.2015, na qual consignou "que 'embora à CSLL apliquemse as mesmas normas de apuração e de pagamento do IRPJ, no que se refere à composição da base de cálculo dessa contribuição hão de ser observadas as regras específicas de sua legislação própria, inclusive no tocante aos ajustes do lucro líquido (adições e exclusões), pois é de seu cômputo que se origina o resultado ajustado, base de cálculo da CSLL."; ee) que a conclusão da decisão recorrida não encontra respaldo legal, "visto que não há na legislação societária, tampouco na ciência contábil, nenhuma vedação à dedução de despesas consideradas desnecessárias pelas autoridades fiscais". ff) que uma vez que as despesas impactam a apuração do lucro líquido e não há nenhuma norma fiscal determinando a realização de uma adição para apuração da base de cálculo da CSLL, não há que se falar em indedutibilidade por alegada desnecessidade; gg) que é inaplicável o agravamento da multa de ofício, na medida em que apresentar alguns documentos e esclarecimentos, ou seja, aqueles que após longa procura e investigação não foram localizados em seus arquivos físicos, o que teria sido reconhecido tanto a fiscalização como pela DRJ/RJ1; hh) que, ao contrário do que pretende fazer crer a fiscalização e é reafirmado pela decisão recorrida, "a recorrente agiu com boafé durante todo o procedimento de fiscalização, fazendo tudo o que estava ao seu alcance para atender adequadamente as solicitações feitas pelas autoridades fiscais, o que, inclusive, permitiu a lavratura dos autos de infração de IRPJ e CSLL ora questionados; ii) que apenas os "documentos faltantes", assim considerados aqueles não localizados pela recorrente, deixaram de ser fornecidos à fiscalização, o que desautoriza o agravamento da multa de ofício, conforme posição consolidada na jurisprudência administrativa; jj) que deve ser mantido o acórdão recorrido na parte em que cancelou as exigências fiscais; Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.033 20 ll) que não existe base legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada. Ao final a recorrente, requer: Diante disto, a recorrente postula pelo conhecimento e integral provimento do presente recurso, de modo que, afinal, seja determinado o cancelamento integral da exigência fiscal, nos termos expostos nas presentes razões. Subsidiariamente, na remota hipótese de se entender pela manutenção do lançamento, a recorrente requer seja afastada a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício, pois a lei somente prescreve a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas. É o relatório. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.034 21 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Tratase de apreciar recursos de ofício e voluntário, conforme relatado. Para melhor encadeamento do julgamento, inicio pela análise do recurso voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. A única matéria cuja discussão remanesce no recurso voluntário é a manutenção parcial, pela decisão recorrida, da glosa de despesas financeiras efetuada pela fiscalização. A acusação fiscal foi descrita pela autoridade fiscal no Termo de Constatação nº 01 (efls. 470/478), verbis: 3ª) Conforme demonstro no ANEXO 01, o contribuinte apropriou o total de Despesas Financeiras em 2009 foi de ordem de R$ 146.361.416,59. Tendo em vista que possuía valores a receber da BELGRÁVIA por empréstimo em conta corrente, entende esta fiscalização que a falta de recebimento desses créditos obrigou o contribuinte a contrair os empréstimos e financiamentos geradores das Despesas Financeiras daquele ano. Assim, parte dessas Despesas Financeiras foram Desnecessárias às Atividades da Mutuante, sujeitas portanto à "Glosa" por serem Indedutíveis para fins de IRPJ e CSLL. Calculando proporcionalmente à parcela indedutível dessas Despesas Financeiras, com base nas médias dos empréstimos e financiamentos em aberto, chegase ao total de R$ 120.533.548,92, em 2009, conforme ANEXO 01. O acórdão recorrido houve por bem exonerar a maior parte da glosa de despesas financeiras, nos termos que serão analisados no recurso de ofício, mas houve por bem manter parcialmente a exigência pelos seguintes fundamentos, verbis: II.1) Da glosa de despesas financeiras desnecessárias – Valor tributado: R$ 146.361.416,59 Conforme apurado na ação fiscal, a CBPO, ao longo de todo o anocalendário de 2009, foi credora de sua sócia BELGRÁVIA, não tendo recebido desta empresa nenhuma remuneração a título de juros. Neste mesmo ano, contraiu empréstimos e financiamentos bancários, incorrendo em despesas financeiras posteriormente deduzidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Tais despesas Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.035 22 foram glosadas pela Fiscalização, que as entendeu desnecessárias à atividade da Interessada. A glosa, ao menos em tese, me parece correta. Não se trata, aqui, de interferir nas escolhas empresariais da pessoa jurídica. A CBPO tem toda a liberdade para decidir a melhor forma de se financiar. O que se discute nos autos — fique isto bem claro — não é o direito de a Interessada captar recursos no mercado, mas sim o direito de deduzir do lucro tributável os encargos financeiros decorrentes desta captação, na medida em que se sabe que tinha créditos a receber de sua sócia e não era remunerada por isso. A legislação tributária, quando trata da dedutibilidade de despesas operacionais, deixa claro que tais despesas devem ser necessárias à atividade da empresa, além de usuais ou normais no tipo de operação ou transação realizada. Confirase o art. 299 do RIR/99: [...] No caso em questão, sabese que a Interessada, mesmo sendo credora de sua sócia BELGRÁVIA, captou recursos no mercado financeiro, sujeitandose aos encargos próprios dessa espécie de operação. Até aí, nada de errado: — o simples fato de uma empresa ser credora de sua sócia não significa que possa materializar, de um dia para o outro, o numerário representativo de seu crédito. O que não se compreende é porque a CBPO, tendo um volume tão expressivo de créditos a receber da BELGRÁVIA, deixou de cobrar juros remuneratórios pelo tempo em que se viu privada da utilização de seus recursos. Com efeito: — se o objetivo de uma sociedade empresária é perseguir o lucro, não faz sentido que se submeta ao pagamento de juros de mercado para se financiar e, ao mesmo tempo, abra mão do recebimento dos juros remuneratórios dos seus créditos. A Interessada procura justificar a não cobrança de juros sobre os créditos a receber da BELGRÁVIA alegando que se tratava de “transações não financeiras, ou seja, operações que não envolveram movimentação de recursos financeiros” (fl. 313). Tal explicação, todavia, não convence. O fato de uma cessão de crédito não envolver movimentação de recursos financeiros não impede, absolutamente, que o cedente pactue uma remuneração com o cessionário. Fica evidente que a perda líquida financeira gerada com a estratégia adotada pela Interessada só ocorreu em razão de sua liberalidade em favor da sócia, liberalidade esta que não é usual nem normal em operações de crédito realizadas entre partes independentes. Quanto à alegação da CBPO de que os recursos captados no mercado não foram repassados à BELGRÁVIA, tendo sido aplicados integralmente em sua atividade, cabe esclarecer que, neste tipo de situação — em que há coexistência de mútuos passivos onerosos e mútuos ativos gratuitos em favor de pessoas ligadas —, o simples fato de não se cobrarem juros sobre os valores emprestados já configura liberalidade, sendo irrelevante perquirir se os recursos captados de forma onerosa foram repassados ou não às pessoas ligadas. Neste sentido, a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes: [...] Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.036 23 Convencido, portanto, da desnecessidade das despesas financeiras incorridas no contexto acima apresentado, passo a examinar agora os questionamentos relativos à base de cálculo da exigência fiscal. [...] Quanto à questão da aplicação do critério de proporcionalidade nos meses em que o saldo médio dos empréstimos passivos excedeu o saldo médio dos créditos a receber da BELGRÁVIA, o AuditorFiscal autuante, em sede de diligência, opinou desfavoravelmente ao pedido da Interessada, propondo a manutenção da glosa pelo valor total do ano, de R$ 13.180.116,49. Sua justificativa para a não adoção do referido critério foi a de que “os saldos dos Mútuos concedidos à BELGRÁVIA nos períodos – R$ 184.320.160,85, suplantaram os saldos dos Empréstimos e Financiamentos obtidos pelo contribuinte nos mesmos períodos – R$ 166.415.868,95” (fl. 803). Com a devida vênia, penso que não há motivo para deixar de aplicar a proporcionalização no caso em exame. Se a autoridade lançadora não dispusesse dos saldos médios mensais, seria até justificável trabalhar com o saldo médio anual. Na medida todavia em que dispunha, deveria ter analisado a questão da dedutibilidade das despesas segundo a perspectiva mensal, que espelha de forma mais fiel a efetiva necessidade de financiamento da empresa. Aplicando, assim, o critério de proporcionalidade nos meses em que o saldo médio dos empréstimos passivos excedeu o saldo médio dos créditos a receber da BELGRÁVIA, chego à conclusão de que a parcela a ser glosada é de apenas R$ 12.468.373,98: [...] A recorrente, por sua vez sustenta que a glosa de despesas financeiras, que foi mantida pela DRJ, é indevida, pois tratase de despesa necessária a sua atividade. Defende que os créditos que possui junto a empresa BELGRÁVIA, decorrem de cessões de créditos feitas anteriormente àquela coligada e que os valores por ela contratados por empréstimos junto à terceiros foram integralmente utilizados na sua atividade, não tendo existido qualquer repasse destes valores à BELGRÁVIA. Alega que a mera existência de um direito de crédito em aberto não impede o contribuinte de efetuar captações no mercado, assim como não tem o condão de tornar as despesas financeiras correspondentes indedutíveis para fins fiscais. Aduz que, "para os contratos de mútuo, há normas especiais inseridas nos art. 374 e 375 do RIR/99 (art. 17 e 18 do Decretolei n. 1598, de 26.12.1977), de modo que, a rigor, não se deve cogitar do art. 299, dandose prevalência às explícitas e específicas determinações daqueles dispositivos", aplicandose a norma geral do art. 299 somente em caráter subsidiário. Examinando a descrição da infração feita pela autoridade fiscal e os demais elementos dos autos, entendo que assiste razão à recorrente. O simples fato do contribuinte possuir créditos junto a empresas ligadas não é suficiente para caracterizar como desnecessária a contratação de empréstimos e, em consequência, os encargos financeiros deles decorrentes como despesas, salvo se restar comprovado que estes recursos não se destinaram à atividade desenvolvida pela empresa ou, Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.037 24 situação mais comum, foram imediatamente transferidos para outra empresa ligada, sem cobrança de juros ou com juros inferiores àqueles contratados no empréstimo obtido anteriormente. Como defende corretamente a recorrente, o fato de possuir créditos junto a empresas ligadas, mesmo que vencidos, não invalida, nem desautoriza a contratação de empréstimos junto a terceiros, pois tal decisão, além de estar sujeita às vicissitudes inerentes à própria atividade empresarial (p.ex, dificuldade financeiras da coligada), encontrase na esfera de governança da empresa, não podendo o Fisco se imiscuir no negócio para determinar a real necessidade da operação. Salvo, como já mencionado, se os recursos não foram efetivamente direcionados à atividade empresarial da empresa tomadora do empréstimo, mediante o repasse sem ônus a outras empresas ligadas ou, ainda, nas hipóteses previstas na legislação. De fato, a possibilidade de deduzir os juros e variações monetárias está expressamente previsto nos artigos 374 e 375 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, verbis: Art. 374. Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis, como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, parágrafo único): I os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados, pro rata temporis, nos períodos de apuração a que competirem; II os juros de empréstimos contraídos para financiar a aquisição ou construção de bens do ativo permanente, incorridos durante as fases de construção e préoperacional, podem ser registrados no ativo diferido, para serem amortizados. Parágrafo único. Não serão dedutíveis na determinação do lucro real, os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil (Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º, § 3º). Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.038 25 como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º). Evidentemente que tais dispositivos não estão dissociados das normas gerais de dedutibilidade das despesas previstas no art. 299 do RIR/99, verbis: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Daí a possibilidade de serem afastadas quando se comprove que não "necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora" ou não sejam " usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa". E, no presente caso, o Fisco não demonstrou que os empréstimos feitos não foram direcionados para a atividade da empresa, o que impediria a dedutibilidade de seus encargos financeiros. Limitouse a desqualificar a necessidade dos empréstimos a partir da presunção simples de que seriam desnecessários, uma vez que esta possuía créditos junto a pessoas ligadas. A ilação de desnecessidade levantada pela fiscalização não está amparada em nenhum outro elemento de fato. Tratase de mera suposição, dissociada do negócio jurídico (mútuo) que ensejou a despesa financeira. Entendo que somente mediante a demonstração concreta de que os valores mutuados não foram direcionados à atividade da empresa é que tais despesas poderiam ser consideradas indedutíveis. Assim, à míngua de tal demonstração há que se cancelar a glosa efetuada. Desta feita, sendo insubsistente a glosa da despesa para fins de apuração do IRPJ, o mesmo raciocínio se aplica à exigência da CSLL. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, cumpre observar que os valores correspondentes a tributo e multa exonerados em primeira instância superam o limite estabelecido pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017. Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.039 26 Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Passo ao reexame da decisão recorrida. Da glosa de despesas Financeiras desnecessárias O acórdão recorrido acolheu parcialmente a impugnação quanto a esta matéria, por entender que grande parte das despesas financeiras incluídas na base de cálculo da glosa pela autoridade fiscal não tinham qualquer relação com a tomada de empréstimos e, ainda, que significativa parcela já fora adicionada ao lucro líquido na apuração do lucro real, verbis: A Interessada alega que a autoridade lançadora teria cometido três equívocos na quantificação da matéria tributável: — (i) inclusão de despesas financeiras não relacionadas com empréstimos ou financiamentos; (ii) tributação de valores em duplicidade, posto que já anteriormente adicionados ao lucro líquido; e (iii) desconsideração do critério de proporcionalidade nos meses em que o saldo médio dos empréstimos passivos excedeu o dos créditos a receber da BELGRÁVIA. Com relação aos dois primeiros questionamentos, as diligências efetuadas pela unidade de origem reconheceram a procedência das alegações da impugnante. De fato, uma parte expressiva das despesas glosadas já havia sido adicionada ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real. Por outro lado, restou também comprovado que parcela significativa de tais despesas não tinha qualquer vínculo com operações de captação de recursos, estando relacionadas com multas e juros do Refis, ajustes de recebíveis, seguros etc. Ao fim das referidas verificações, concluiuse que as únicas despesas financeiras passíveis de glosa, posto que comprovadamente relacionadas com operações de captação de recursos, eram as seguintes: [...] Entendo que foi corretamente cancelada a glosa das despesas financeiras em referência, não havendo qualquer reparo aos seus fundamentos. Adito, apenas, os fundamentos já externados no recurso voluntário, que por si só, é motivo suficiente para o cancelamento integral da referida glosa. Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício quanto à esta matéria. Da alienação de participação societária a pessoa ligada por valor notoriamente inferior ao de mercado Para a análise desse ponto do recurso de ofício, transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Segundo o que consta do relatório fiscal, a CBPO teria alienado à sua sócia BELGRÁVIA, em 30/06/2009, 20.985.349 quotas da empresa LUMINA ENGENHARIA AMBIENTAL LTDA pelo preço de R$ 14.707.638,31, correspondente ao valor patrimonial da referida participação societária. No caso em questão, a autoridade lançadora entendeu ter havido favorecimento à BELGRÁVIA, já que o valor nominal das quotas era de R$ 20.985.349,00. Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.040 27 A diferença de R$ 6.277.719,69 foi tributada como distribuição disfarçada de lucro, na forma do art. 464, inciso I, c/c art. 467, inciso I, do RIR/99: REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA – RIR/99 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) “Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; (...) Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 62, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, incisos VII e VIII): I nos casos dos incisos I e IV do art. 464, a diferença entre o valor de mercado e o de alienação será adicionada ao lucro líquido do período de apuração; (...)” Independentemente de qualquer consideração acerca da existência ou não do favorecimento, salta aos olhos um equívoco palmar na descrição dos fatos: — a alienação que a autoridade lançadora afirma ter ocorrido em 30/06/2009, aconteceu na verdade em 30/06/2006, conforme prova o instrumento de alteração contratual de fls. 577/581. Admitida, por hipótese, a ocorrência da distribuição disfarçada do lucro, a sua repercussão tributária teria se dado no anocalendário de 2006, e não no de 2009. Diante de tal equívoco, reputo improcedente este item da autuação. Com efeito, não há como subsistir o lançamento se o suposto fato gerador ocorreu em 30/06/2006 e a autoridade fiscal adiciona o valor apurado na base de cálculo do imposto de renda do anocalendário: 2009. Assim, sem entrar no mérito da própria exigência, esta foi corretamente cancelada pelo acórdão recorrido, pelo que voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto a esta matéria. Da realização de negócios com pessoa ligada em condições de favorecimento O acórdão recorrido descreve no seu voto a infração e cancelou a exigência nos seguintes termos: De acordo com o relatório fiscal, a CBPO teria realizado com a sua sócia BELGRÁVIA as seguintes operações em condição de favorecimento: (i) cessão de crédito feita em 17/02/2006, no valor de € 22.007.238,38, equivalente a R$ 55.371.091,17 na referida data — a dívida, que venceria em 30 (trinta) dias, não foi liquidada nem tampouco remunerada até o momento Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.041 28 da autuação (cfr. “Instrumento Particular de Cessão de Crédito”, às fls. 326/327); (ii) distrato feito em 17/02/2006 referente a um acordo de compromisso celebrado anteriormente, tendo por objeto futura quitação de dívida no valor de € 50.851.030,44, equivalente a R$ 137.240.320,55 na referida data — a CBPO deixou de receber qualquer remuneração ou compensação financeira (cfr. “Aditivo ao Acordo para Futura Quitação de Dívida”, às fls. 328/330); (iii) cessão de crédito realizada em 17/03/2006, no montante de US$ 64.143.082,86, equivalente a R$ 135.132.128,70 na referida data — a dívida, que venceria em 30 (trinta) dias, não foi liquidada nem tampouco remunerada até o momento da autuação (cfr. “Instrumento Particular de Cessão de Crédito”, às fls. 331/332). No entender do AuditorFiscal autuante, a BELGRÁVIA teria sido favorecida no ano de 2009 pela redução de sua dívida junto à CBPO, em conseqüência da desvalorização do euro e do dólar frente ao real no período, o que teria gerado, por sua vez, uma perda cambial para a Interessada, no montante de R$ 91.507.599,12: DADOS DA OPERAÇÃO POSIÇÃO 31/12/2008 POSIÇÃO 31/12/2009 GANHO OU (PERDA) Data Moeda Cotação Vlr. Euros Vlr. Reais Cotação Vlr. Reais Cotação Vlr. Reais 17/02/2006 Euro 2,51604 22.007.238,38 55.371.091,17 3,23815 71.262.738,96 2,50733 55.179.409,01 16.083.329,95 28/02/2006 Euro 2,69887 50.851.030,44 137.240.320,55 3,23815 164.663.264,22 2,50733 127.500.314,15 37.162.950,07 17/03/2006 US$ 2,10673 64.143.032,86 135.132.128,70 2,3377 149.947.167,92 1,7412 111.685.848,82 38.261.319,10 TOTAIS EM REAIS 327.743.540,42 385.873.171,10 294.365.571,98 91.507.599,12 Em razão do favorecimento acima apontado, a autoridade lançadora tributou o valor correspondente a esta perda cambial — ainda que não reconhecida pela CBPO em sua contabilidade —, como distribuição disfarçada de lucros, com fundamento no art. 464, inciso VI, c/c art. 467, inciso V, do RIR/99: REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA – RIR/99 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) “Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): (...) VI realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros; (...) Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 62, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, incisos VII e VIII): (...) Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.042 29 V no caso do inciso VI do art. 464, as importâncias pagas ou creditadas à pessoa ligada, que caracterizarem as condições de favorecimento, não serão dedutíveis.” Em que pese o louvável esforço investigativo do AuditorFiscal autuante, tenho dificuldade de entender como uma perda cambial verificada em 2009 pode ser invocada para caracterizar condição de favorecimento de um negócio realizado em 2006. Em minha modesta compreensão, o favorecimento há que ser aferido na ocasião em que o contrato é celebrado. Se, no momento da realização do negócio, não era possível às partes prever o evento futuro que viria a afetar o equilíbrio do acordo, então não cabe falar em favorecimento a posteriori, no período em que ocorreu o referido evento. Neste contexto, quer me parecer que as perdas cambiais experimentadas pela Interessada em 2009 decorreram da própria álea do negócio, do próprio risco normal da atividade, e não de uma estratégia premeditada de favorecimento à BELGRÁVIA. Por outro lado, ainda que se admita a existência do favorecimento, não há justificativa, no caso em apreço, para a glosa da perda cambial. Com efeito: — se a consequência prevista no art. 467, inciso V, do RIR/99 é tornar indedutível a importância paga ou creditada à pessoa ligada favorecida, entãosó será possível glosar este pagamento ou crédito quando ele houver reduzido o lucro real. Ora, se a própria autoridade lançadora reconhece que a perda cambial de R$ 91.507.599,12 não foi contabilizada, como pode o Fisco pretender glosar a referida importância? A presunção de distribuição disfarçada de lucro, a meu ver, não se sustenta. À vista de todo o exposto, reputo improcedente este item da autuação. O raciocínio empreendido pela autoridade fiscal, neste imputação, não se sustenta. Ela aponta uma suposta distribuição disfarçada de lucros que teria se consubstanciado em face de variação cambial, em 2009, que teria beneficiado sua sócia Belgravia em contratos de cessão de créditos realizado entre ambas em 2006, sendo a recorrente a cedente. Embora aponte que a recorrente jamais recebeu qualquer parcela nem foi remunerada pela referida cessão de crédito, o cerne da exigência decorre do fato de que o referido crédito (agora tendo a Belgravia como credora) sofreu uma redução devido à variação cambial em 2009. Tal variação geraria uma perda para a recorrente (se o título ainda lhe pertencesse), mas obviamente não foi reconhecida por esta. Ainda assim a autoridade fiscal efetuou o lançamento de uma adição ao resultado da recorrente como se esta tivesse creditado tal valor a Belgravia e deduzido de seu resultado, o que não ocorreu. Assim, entendo correto o cancelamento da infração e voto por negar provimento ao recurso de ofício quanto a esta matéria. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 19515.722584/201329 Acórdão n.º 1302002.316 S1C3T2 Fl. 1.043 30 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1043DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722947/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA EXPRESSA. RENÚNCIA DISCUSSÃO ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS.
Nos termos do artigo 78, caput e § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, o contribuinte/recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em andamento naquele Órgão Julgador, conquanto que de maneira expressa mediante petição interposta nos autos do processo, importando na renúncia à discussão da demanda na via administrativa e, por conseguinte, no não conhecimento de sua peça recursal.
Numero da decisão: 2401-005.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1258; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722947/201378 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.083 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA EXPRESSA. RENÚNCIA DISCUSSÃO ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Nos termos do artigo 78, caput e § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, o contribuinte/recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em andamento naquele Órgão Julgador, conquanto que de maneira expressa mediante petição interposta nos autos do processo, importando na renúncia à discussão da demanda na via administrativa e, por conseguinte, no não conhecimento de sua peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 29 47 /2 01 3- 78 Fl. 393DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10580.722947/201378 Acórdão n.º 2401005.083 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão nº 1144.209/2013, às efls. 282/285, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente às contribuições sociais não recolhidas, correspondentes à parte da empresa, incidentes sobre os valores pagos em decorrência de serviços prestados à autuada por cooperados através de cooperativas de trabalho, em relação ao período de 01/2010 a 12/2010, conforme Relatório Fiscal, às efls. 10/16, consubstanciado no seguinte Auto de Infração. Consoante Relatório Fiscal, a empresa apresentou a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, exercício de 2010, com pagamentos feitos às cooperativas de trabalho sem a referida informação nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIPs. Assim, o sujeito passivo foi intimado através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fl. 19/20, e do Termo de Intimação Fiscal n° 1, a apresentar as notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados por cooperativas de trabalho e a contabilidade em meio magnético, respectivamente. Após atendimento do solicitado, a autoridade fiscal, com fulcro no art. 22, inciso IV da lei 8.212/91 c/c o art. 201, inciso III do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e no art. 57, inciso III da IN 971/2009, lavrou o AI em epígrafe para cobrança das contribuições sociais de responsabilidade da empresa em tela, na qualidade de tomadora dos serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho, dada a não comprovação de seu recolhimento, nem a declaração das mesmas nas citadas GFIPs. Segundo o relato fiscal, a empresa Bahia Serviços de Saúde S/A foi, também, intimada a informar da existência de ações judiciais em andamento que impedissem o lançamento/cobrança do referido credito previdenciário. Em resposta, fl. 163, a empresa informou o andamento e o momento processual em que o Mandado de Segurança n° 2000.33.00.0337518 se encontrava. Diante do declarado pela empresa e em pesquisa realizada no endereço eletrônico do TRF 1° Região, a autuante constatou que nada obstava a constituição do crédito tributário. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 290/296, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, pugnando inicialmente pelo envio das notificações e/ou intimações ao endereço dos patronos, sob pena de nulidade. Fl. 395DF CARF MF 4 Insurgese quanto a exigência de depósito prévio de 30% do valor discutido em débito para conhecimento do recurso, visto que tal exigência já foi devidamente considerada inconstitucional pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal. Quanto ao mérito, dispõe sobre o art. 442 da CLT que autoriza a relação contratual com cooperativas. Faz um histórico da legislação que trata de cooperativas desde a Lei Complementar nº 84/96 até sua revogação pela Lei nº 9.876/99 que modificou a Lei nº 8.212/91, aduzindo que é inconstitucional a contribuição em discussão, já que há a impossibilidade de lei ordinária revogar lei complementar, a lei ordinária em comento usurpou competência prevista no art. 146, inciso III, alínea “c”, da CF, eis que, em se tratando de matéria envolvendo atividade cooperativa, o instrumento normativo é lei complementar, e, a tal lei ordinária violou regra contida no art. 195, § 4º, da CF, na medida que nova contribuição previdenciária só pode criada mediante Lei Complementar. Afirma ter o STF no julgamento do RE 595838 declarada inconstitucional a contribuição sobre serviços de cooperativas de trabalho, anexando tal decisão. Explicita não haver qualquer renúncia ou desistência ao litígio na esfera administrativa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Em 30 de maio de 2017 houve a juntada de petição da recorrente informando a adesão ao Programa de Regularização Tributária, com o conseguinte pedido de desistência das razões recursais. É o relatório. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10580.722947/201378 Acórdão n.º 2401005.083 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Não obstante a sua tempestividade, o recurso não merece ser conhecido, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, constatase que, após a interposição do Recurso Voluntário, a contribuinte, em 29/05/2017, apresentou petição, às efls. 383/384, informando que o presente débito, fora incluído no PRT Programa de Regularização Tributária, razão pela qual requereu a desistência da discussão administrativa. Assim, a contribuinte renunciou expressamente o interesse de agir na esfera administrativa e judicial, inclusive de recursos que porventura já tenham sido interpostos, tendo em vista a adesão ao parcelamento supramencionado, o qual exige a desistência de quaisquer manifestações e alegações de direito em relação ao processo em referência. Na esteira desse entendimento, manifestada em petição nos autos do processo a renúncia ao recurso interposto, não se pode cogitar no conhecimento dos recursos da contribuinte, conforme se extrai do artigo 78, § 1°, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, senão vejamos: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo.” (grifamos) Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 397DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912119/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.833
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 19 /2 01 2- 50 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912119/201250 Acórdão n.º 3301003.833 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.860, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912119/201250 Acórdão n.º 3301003.833 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912119/201250 Acórdão n.º 3301003.833 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912119/201250 Acórdão n.º 3301003.833 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912119/201250 Acórdão n.º 3301003.833 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912119/201250 Acórdão n.º 3301003.833 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912119/201250 Acórdão n.º 3301003.833 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912119/201250 Acórdão n.º 3301003.833 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 198DF CARF MF
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