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Numero do processo: 10880.977136/2016-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 36 /2 01 6- 71 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.977136/201671 Acórdão n.º 1401002.618 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/03/2013, no valor de R$ 64.019,43, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/03/2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de CSLL a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.977136/201671 Acórdão n.º 1401002.618 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.977136/201671 Acórdão n.º 1401002.618 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.902970/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 02 97 0/ 20 12 -1 7 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.615 S1C3T1 Fl. 247 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário de efls. 32/36 em face do acórdão proferido pela 1ª Turma da DRJ/Juiz de Fora de efls. 25/29 que, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta do autos: que, em 20/01/2012, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 32348.32480.200112.1.3.040160 (efls. 02/06), informando compensação tributária: a) débito informado (confessado): (i) IRPJ, código de receita 2089, período de apuração 4º trimestre/2011, data de vencimento 31/01/2012, R$ 104.957,00; b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 90.223,50; que o direito creditório R$ 90.223,50 decorreu de pagamento, em parte, indevido ou a maior do IRPJ Lucro Presumido, do PA 30/06/2010, código de receita 2089, data de arrecadação 30/07/2010, valor do recolhimento R$ 323.233,54. Extrato do pagamento (efl. 195). Em 05/12/2012, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) pela DRF/Taubaté (efl. 07), denegando o direito creditório pleiteado. O valor do citado recolhimento, muito tempo antes da transmissão da DCOMP, já havia sido consumido ou utilizado, integralmente, para quitação de débito da contribuinte, confessado sem DCTF do próprio PA. Não restando crédito disponível. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do citado despacho decisório de 05/12/2012 (efl. 07), in verbis: (...) 3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 90.223,50. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.LEGAL. (...) Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.615 S1C3T1 Fl. 248 3 Diante da inexistência do credito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.. (...) Ciente desse despacho decisório em 04/01/2013 (efl. 08), a contribuinte, em 10/01/2013 apresentou Manifestação de Inconformidade (efl. 09), pedindo sua reforma, in verbis: (...) HYDROSTEC TECNOLOGIA E EQUIPAMENTOS LTDA., estabelecida no Município de Taubaté, Estado de São Paulo, na Avenida do Pinhão nº 2.220, Bairro do Barranco, inscrita no CNPJ sob ne 08.874.534/000159, vem respeitosamente apresentar a presente Manifestação de Inconformidade pelos fatos e razões a seguir expostos: O contribuinte apurou e recolheu valor a maior do IRPJ relativo ao período de apuração jun/2010. Constatado isso, procedeu ao PER/DCOMP, que, de acordo com o Despacho Decisório em questão, considerou inexistente o crédito para essa finalidade. De fato, a constatação da inexistência de crédito apurada deveuse a que a DCTF do período correspondente ao recolhimento efetuado a maior continha erro no seu preenchimento, de sorte que foi agora devidamente retificada (cópia anexa), pelo que se pode verificar a existência do crédito postulado na PER/DCOMP, decorrente da diferença apurada entre a DCTF original e a retificada. Diante do exposto, requer seja homologado o PER/DCOMP, como medida de Direito e de Justiça. (...) A contribuinte juntou o Recibo da DCTF Retificadora, transmitida em 29/11/2012, débito do IRPJdo PA junho 2010 R$ 223.010,04 (efl. 10). A DRJ/Juiz de Fora, em 21/11/2013, conforme Acórdão de efls. 25/28, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela falta de comprovação de certeza e liquidez, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/07/2010 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.615 S1C3T1 Fl. 249 4 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. (...) Voto (...) Consoante o § 1º do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, a compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir já na data da transmissão dessa Declaração. No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF apresentada pelo contribuinte até a data entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabe ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido é aquele declarado na DCTF retificadora (entregue após a transmissão do PER/DCOMP). Entretanto, o contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais e controles internos. Em situações tais como a analisada, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderia comprovar que inexistia tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado com outros débitos. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. (...) Com efeito, elucido ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC (atual art. 373, I, do novo CPC). E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.615 S1C3T1 Fl. 250 5 contábeis/fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora (ainda mais quando enviada após a expedição do Despacho Decisório que não homologa a compensação). É assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. (...) Deste modo, considerando que a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, concluise que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise. (...) Ciente dessa decisão em 13/12/2013 sextafeira (efls. 30), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/01/2014 (efls.32/36), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, por erro de fato no preenchimento da DCTF original, foi declarado um valor de Imposto de Renda e Contribuição sobre o Lucro Líquido a pagar incorretamente; que a retificadora da DCTF foi entregue após a transmissão do PER/DCOMP: que foi recolhido valor a maior do que o devido: PERD/COMP Processo Adm. Valor real devido Valor recolhido 24091.97549.200112.1.3.048030 10860.902336/201284 i.456.959,i2' 1.640.119,72 27317.92374.200112.1.3.049660 10860.902967/201201 501.138,67 600.045,40 32348.32480.200112.1.3.040160 10860.902970/201217 233.010,04 323.233,54 34131.43522.200112.1.3.044161 10860.902971/201261 66.129,38 114.850,06 que juntou aos autos demonstrativo do valor do tributo efetivamente devido e também os documentos hábeis para suportar esse demonstrativo, ou seja: cópia do Livro de Saídas com seu resumo por CFOP ao final de cada mês, o Razão das contas do período envolvido, a DIPJ do anocalendário de 2010, o DARF do recolhimento do valor a maior que o devido e DIPJ retiticadora (efls. 45/160); que quanto à DCTF a Súmula 436 STJ tem como verbete: "A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco"; que requer o reconhecimento do crédito pleiteado e a homologação da compensação informada na DCOMP objeto dos autos. Na sessão de 07/04/2016, o CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.330– 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária (efls. 167/170), cujo voto condutor transcrevo, no que pertinente, in verbis: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.615 S1C3T1 Fl. 251 6 (...) Após a apresentação do Recurso Voluntário novos documentos foram apresentados, com os quais busca a Recorrente confirmar as alegações recursais, demonstrando os equívocos perpetrados – memória de cálculo da CSLL devida, Livros de Saídas, Razão de contas, DIPJ e DARF gerador do suposto recolhimento indevido. (...) O contribuinte recorrente, em seu recurso – efls. 45, faz quadro resumo de débitos e de recolhimentos a maior e aponta, para o presente caso, excesso no recolhimento da PER/DCOMP n. 32348.32480.200112.1.3.040160, processo administrativo n. 10860.902970/201217 (devido R$ 233.010,04 e recolhido R$ 323.233,54). E, em função dos documentos apresentados, mesmo após o oferecimento do Recurso Voluntário, pode haver elementos suplementares, que devem ser considerados em análise do crédito pleiteado a qual deve ser final e definitiva. Bem por isso, e em busca da verdade material, é que voto por converter o julgamento em diligência para, à luz da documentação juntada, ser feita análise última do crédito da contribuinte. Pedese à autoridade fiscal que examine, à luz da citada nova documentação, se o indicado recolhimento efetuado foi, efetivamente, a maior e reavalie a existência do crédito. Caso necessário, deve ser intimado o contribuinte para apresentar outros documentos que possam comprovar a existência do crédito por força do suposto recolhimento a maior. (...) Na sequência, os autos retornaram com Relatório de diligência incompleta (e fls. 197/198). Então, o CARF novamente converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.460– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 21/09/2017 (efls. 206/2010), cujo voto condutor transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Importante observar que a Resolução havia determinado à autoridade fiscal que examinasse, "à luz da citada nova documentação, se o indicado recolhimento efetuado foi, efetivamente, a maior e reavalie a existência do crédito". Todavia, no relatório da diligência realizada, a autoridade fiscal não faz qualquer referência à análise dos documentos anexados ao recurso voluntário, quais sejam: (i) demonstrativo do valor do tributo efetivamente devido, (ii) Livros de Saída com resumo por CFOP ao final de cada mês, (iii) Razão das contas do período envolvido, (iv) DIPJ do exercício base de 2010. Ao contrário, conclui a fiscalização que, de acordo com as declarações retificadoras apresentadas pelo sujeito passivo, houve recolhimento a maior, o que consubstancia crédito passível de restituição ou compensação ao valor Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.615 S1C3T1 Fl. 252 7 original de R$ 48.720,68 (quarenta e oito mil, setecentos e vinte reais, sessenta e oito centavos). Dessa forma, proponho, a conversão do julgamento, novamente, em nova diligência, para que, após a análise dos documentos acostados aos autos às fls. 45 a 160, bem assim, a outros que entenda necessário, a autoridade fiscal elabore relatório fiscal conclusivo sobre da existência ou não de valor recolhido a maior e informe o valor disponível para compensação. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência . (...) Realizada a diligência, cujo resultado consta do Relatório de Diligência, quanto ao IRPJ (efls. 214/216). Intimada a contribuinte para se manifestar do resultado da diligência, apresentou contrarrazões e juntou documentos (efls. 232/243). É o relatório. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.615 S1C3T1 Fl. 253 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. A tempestividade do Recurso Voluntário já foi analisada, na sessão de 07/04/2016, quando do conversão do julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.330– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (efls. 167/170) que, nessa parte, transcrevo, in verbis: (...) Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 13/12/2013 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 13/01/2014. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento (...) Objeto da lide: crédito de IRPJ pago a maior ou indevidamente de R$ 90.223,50 (valor original) do PA 2º trimestre/2010. A contribuinte protocolizou, em 20/01/2012, PER/DCOMP informando compensação tributária de débito : a) IRPJ, relativo ao PA dezembro/2011, vencimento 31/01/2013, no valor de R$ 104.957,00; b) crédito de IRPJ pago a maior ou indevidamente de R$ 90.223,50 (valor original) do PA 2º trimestre/2010 (apuração junho/2010), relativo ao DARF pago em 30/07/2010, no valor de R$ 323.233,54, no regime do Lucro Presumido. Que o crédito, sua origem, seria a diferença R$ 90.223,50 = pagamento R$ 323.233,54 () débito da CSLL do PA 2º trimestre/2010 R$ 233.010,04. O despacho decisório indeferiu o crédito pleiteado sob o fundamento de que não havia crédito disponível, pois o valor fora utilizado, integralmente, para pagamento do débito do IRPJ do próprio PA 2º trimestre/2010 de R$ 323.233,54 confessado na DCTF. A DRJ/Juiz de Fora, também, não reconheceu o crédito pleiteado; julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por entender que o crédito informado deveria existir já na data da transmissão da DCOMP, porém a DCTF retificadora teria sido entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram juntados aos autos quaisquer elementos comprobatórios do direito creditório. Não houve a comprovação do erro de fato que justificaria a apresentação da DCTF retificadora (redução do débito confessado na DCTF inicial). Não houve a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Quanto ao mérito: Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.615 S1C3T1 Fl. 254 9 Nesta instância recursal ordinária, a contribuinte pediu a revisão da decisão a quo, juntou elementos probatórios (efls. 45/160); porém, essas provas não seriam suficientes para comprovação do alegado erro de fato e para comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Por isso, na sessão de 07/04/2016, o CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.330 – 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária (efls. 167/170). A diligência fiscal foi realizada de forma incompleta (efl. 197), sem análise dos documentos juntados aos autos. Logo, na sessão de 21/07/2017, novamente o CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.460– 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária (efls. 206/2010). Efetuada a diligência fiscal, os autos retornaram para julgamento da lide. Porém, a diligência fiscal, outra vez, é insuficiente para formar convicção do julgador. Inclusive, a contribuinte contesta o resultado da diligência. Vejamos. O resultado da diligência fiscal, conforme Relatório (efls. 214/216), apurou direito creditório valor menor do que o pleiteado no PER/DCOMP. Na declaração de compensação tributária a contribuinte utilizou crédito do IRPJ (2º trimestre/2010) no valor de R$ 90.223,50. Nas razões do Recurso Voluntário a contribuinte informou a origem do crédito pleiteado no PER/DCOMP nº 32348.32480.200112.1.3.040160: PERD/COMP Processo Adm. Valor real devido Valor recolhido 24091.97549.200112.1.3.048030 10860.902336/201284 1.456.959,12 1.640.119,72 27317.92374.200112.1.3.049660 10860.902967/201201 501.138,67 600.045,40 32348.32480.200112.1.3.040160 10860.902970/201217 233.010,04 323.233,54 34131.43522.200112.1.3.044161 10860.902971/201261 66.129,38 114.850,06 Entretanto, no relatório de diligência fiscal consta que, relativo ao 2º trimestre/2010, o valor do direito creditório do IRPJ perfaz o montante de R$ 50.474,21 (valor original), conforme demonstrativo que transcrevo a seguir: (...) Os documentos acostados aos autos a que faz referência a Resolução são: demonstrativo do cálculo do IR devido do 2º trimestre de 2010 (fl. 45); Livro Registro de Saídas (fls. 46/114); Registro de Apuração do ICMS (fl. 115); Livro Razão (fls. 116/129); DIPJ retificadora de 2011, anocalendário 2010 (fls. 130/159); e DARF, período de apuração 30/06/2010, código de receita 2089, valor total de R$ 323.233,54 (fl. 160). Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.615 S1C3T1 Fl. 255 10 O demonstrativo do cálculo indica os saldos mensais das contas contábeis que compõem o total das receitas de vendas do período, conforme dados do Livro Razão. A base de cálculo do imposto, o lucro presumido calculado e a apuração do Imposto de Renda devido correspondem aos valores declarados na DIPJ retificadora. Por fim, o DARF apresentado possui os mesmos dados do extrato de pagamento registrado no sistema de arrecadação (fl. 195). Foram coletados do Sistema SPED NFe os arquivos relativos às notas fiscais eletrônicas emitidas no período. Após análise, constatouse que sua contabilização está consistente com o Livro Registro de Saídas e o Demonstrativo. Também foi examinado o valor do IRRF informado na Ficha 14A, Linha 29, da DIPJ (fl. 117), correspondente ao “Saldo Credor Trimestre Anterior” do demonstrativo apresentado. Tal valor, na verdade, é o saldo negativo apurado no 1º trimestre de 2010. No cotejo, relativo ao 1º trimestre de 2010, entre o IRRF informado na DIPJ e o valor declarado pelas fontes pagadoras em DIRF (fls. 212 e 213), verificouse divergência, a qual foi considerada para efeito de cálculo do Imposto de Renda. Os valores considerados estão dispostos na Tabela I a seguir: Tabela I DIRF das Fontes Pagadoras 1ª Trimestre/2010 Destarte, efetuouse nova apuração do imposto devido no 1º trimestre e 2º trimestre do ano de 2010, com novos valores de IRRF. Os comparativos entre as apurações (DIPJ e diligência) para os dois períodos estão demonstrados às Tabela II e III, respectivamente. Tabela II Comparativo da Apuração do IRPJ 1º Tri/2010: Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.615 S1C3T1 Fl. 256 11 Tabela III Comparativo da Apuração do IRPJ 2º Tri/2010: Portanto, de acordo com: os documentos apresentados pelo sujeito passivo às fls. 45 a 160; os arquivos SPED de notas fiscais do período; e as DIRF transmitidas pelas fontes pagadoras do contribuinte; houve recolhimento a maior com crédito passível de compensação ao valor original de R$ 50.474,21 (cinquenta mil, quatrocentos e setenta e quatro reais, e vinte e um centavos). (...) Porém, intimada do resultado da diligência fiscal, a recorrente apresentou contrarrazões: que o Auditor Fiscal constatou uma diferença de R$ 40.680,00 (quarenta mil, seiscentos e oitenta reais) nos valores do IRRF, na Tabela II IRPJ 1º Trimestre/2010, impactando o direito creditório do IRPJ do 2º trimestre/2010, utilizado na DCOMP objeto dos autos; que na composição do valor do IRRF do 1º trimestre/2010, a fiscalização não computou a NF 132, de 11/01/2009 (efls. 243/244); Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.615 S1C3T1 Fl. 257 12 que, considerando o IRRF de R$ 44.680,00 de que trata a referida NF, temse o total de retenção de R$ 329.950,45 e não apenas R$ 290.201,17, conforme demonstrativo abaixo: (...) Nas operações da empresa com o Ministério da Integração Nacional foram emitidas as seguintes Notas Fiscais 130, 131 e 132, anexo 1, 2 e 3, TODAS emitidas em 11/12/2009, entretanto na composição dos valores do Exmo. Auditor fiscal não foi considerada a NF 132 com teor EXATAMENTE igual às NF 130 e 131 emitidas na mesma data. Isto posto, não há quaisquer argumentos plausíveis para que a autoridade fiscalizadora exclua uma NF de operação idênticas às demais apropriadas. Considerando, desta forma a NF 132 cujo valor da retenção é de R$ 44.680,00 (Quarenta e quatro, seiscentos e oitenta reais) não há quaisquer divergências na DIPJ apresentada pela empresa. (...) Identificado o citado ponto controvertido, cabe observar que a insuficiência da Diligência não se resume apenas a essa questão. Primeiro, essa irresignação da contribuinte, em relação aos resultado da diligência, remete a várias questões outras que o procedimento de diligência fiscal não resolveu: 1) desde o início a contribuinte alega nos autos que cometeu erro de fato na apuração do IRPJ do 2º trimestre/2010: Entretanto, a fiscalização não intimou a contribuinte a demonstrar onde estaria o alegado erro de fato na apuração dos resultados que implicou: a) entrega da DIPJ com IRPJ apurado a maior; b) pagamento a maior do IRPJ; e c) confissão a maior do IRPJ (DCTF). Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.615 S1C3T1 Fl. 258 13 Ora, tornase necessário a contribuinte comprovar com sua escrituração contábil (livros Razão e Diário), e fiscal (livro LALUR), e documentos de suporte dos registros contábeis o alegado erro de fato na escrituração contábil para justificar a retificação da da DCTF (efls. 172), da DIPJ (efls. 130/159 e 173/195) e comprovar a origem do crédito pleiteado. Não basta apenas verificar, pontualmente, o somatório de notas fiscais. E necessário analisar a escrituração contábil anterior (contendo o alegado erro de fato) e a escrituração contábil posterior (sem o erro), para conhecer, buscar a origem do alegado erro, sua plausibilidade, sua comprovação, de forma cabal, para que possa justificar a redução de débito confessado na DCTF original. Ou seja: o que gerou o erro de fato na apuração dos resultados tributáveis do 2º trimestre/2010? Estabelece o art. 147, § 1º, CT, in verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (...) Art. 170 do CTN estatui que a contribuinte comprove a liquidez e certeza do crédito pleiteado em processo de compensação tributária: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) O art. 373, I, do novo Código de Processo Civil (Lei 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário, estabelece que a contribuinte como autora do pedido de crédito contra a Fazenda Nacional tem o ônus probatório do fato constitutivo do seu alegado direito creditório, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...) 2) Qual o regime de escrituração das receitas do contribuinte: competência ou caixa?. Escrituração de notas fiscais: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10860.902970/201217 Resolução nº 1301000.615 S1C3T1 Fl. 259 14 A contribuinte argumentou nas contrarrazões da diligencia fiscal que em relação à apuração do IRPJ do 2º trimestre/2010: a contribuinte argumentou nas contrarrazões da diligencia fiscal que em relação à apuração do IRPJ do 1º trimestre/2010, apropriou nesse PA a retenção na fonte do IRRF atinente a Notas Fiscais nºs 130 e 131 (ambas de venda a vista), data de emissão 11/12/2009 (efls. 232/237), e que a fiscalização não computou a retenção do IRRF R$ 44.680,00 atinente à Nota Fiscal 132, também de 11/12/2009. Que todas as notas fiscais são do mesmo dia. Isso impactou o seu crédito do IRPJ pleiteado do 2º trimestre/2010. indagação: as citadas notas fiscais do anocalendário 2009 foram escrituradas no anocalendário 2010? (receitas faturamento e IRRF?). Em face dessas questões, tornase necessário, mais uma vez, converter o julgamento em diligência fiscal, para retorno dos autos à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Taubaté para: a) intimar a contribuinte a comprovar o alegado erro de fato na escrituração contábil do 2º trimestre/2010 (cotejar os dados da escrituração anterior e posterior. Existe o erro de fato? e o que gerou o erro de fato?); b) quanto às notas fiscais 130, 131 e 132, todas com data de emissão 11/12/2009, cujas cópias constam dos autos (efls. 232/237): a receita de faturamento dessas notas fiscais foi oferecida à tributação em que período de apuração? O IRRF de que tratam essas notas fiscais foi apropriado em que período de apuração? Foi observado o regime de escrituração das receitas? Qual o regime de escrituração da contribuinte nos anoscalendário 2009 e 2010: competência ou caixa? Intimar a contribuinte a comprovar, elucidar, esclarecer, à luz da escrituração contábil/fiscal (apresentar livros Diário, Razão e Lalur) e documentos de suporte dos registros contábeis; c) o crédito pleiteado do IRPJ do 2º trimestre/2010 na DCOMP objeto dos autos existe? Se existe, qual o valor? Está disponível? d) realizada a diligência fiscal, a fiscalização da DRF deverá fazer relatório circunstanciado, conclusivo, demonstrando os resultados e do qual dará ciência à contribuinte, abrindo prazo de trinta dias para, se quiser, apresentar manifestação nos autos. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, devolver os autos do processo ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme determinado acima. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 259DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000197/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 97 /2 00 9- 66 Fl. 740DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10932.000197/200966 Acórdão n.º 2202004.398 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 742DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10932.000197/200966 Acórdão n.º 2202004.398 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 744DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10932.000197/200966 Acórdão n.º 2202004.398 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 746DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.726517/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RRA. ANO DO RECEBIMENTO.
Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês.
Numero da decisão: 2402-006.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, não conhecer dos documentos apresentados somente em sede recursal e negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, não conhecer dos documentos apresentados somente em sede recursal e negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
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RRA. ANO DO RECEBIMENTO. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, não conhecer dos documentos apresentados somente em sede recursal e negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 65 17 /2 01 1- 40 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10469.726517/201140 Acórdão n.º 2402006.535 S2C4T2 Fl. 96 2 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração para cobrança do IRPF, relativo ao exercício de 2008, no importe de R$ 19.894,19, acrescido de multa de oficio (75%) e juros legais Selic. Como infração, foi apontada a omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício na ordem de R$ 88.805,89, aproveitandose o IRRF de R$ 2.664,17. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que, como dito, foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com a seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Constatada a omissão de rendimentos auferidos, deve ser mantido o lançamento de ofício correspondente. Em seu Recurso Voluntário de fls. 65/69, aduz em resumo: Que não houve omissão de rendimentos como entendido pela instância de piso, mas mero equívoco contábil que se esclarece mediante a comprovação da maior parte dos rendimentos em apreço, recebidos pela Sociedade de Advogados da qual é participante majoritário, conforme notas fiscais e contratos de honorários advocatícios relativos aos valores de R$ 22.281,05 e R$ 46.564,44, consubstanciados nas notas emitidas pela Silveira Advocacia. Que admite o pagamento do IR relativo aos demais rendimentos, desde que não aplicada a multa de oficio, eis que escancaradamente confiscatória. Que a documentação ora apresentada deve ser acolhida em prestígio ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 14.04.2015 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 12.05.2015. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Antes de mais nada, no que toca ao argumento de que a multa de oficio seria escancaradamente confiscatória, impõese destacar que, uma vez expressamente prevista em lei1, este colegiado não tem competência para se pronunciar sobre sua constitucionalidade, devendo observar o que dispõem os artigos 62 e 72, ambos do RICARF2 . 1 Artigo 44 da Lei 9.430/96 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10469.726517/201140 Acórdão n.º 2402006.535 S2C4T2 Fl. 97 3 Prosseguindo, a discussão em tela, quanto ao mérito do lançamento do imposto, reside na comprovação da titularidade dos rendimentos imputados pelo Fisco ao recorrente, como provenientes de honorários advocatício informados pela Caixa Econômica Federal em DIRF e relacionados a processos que tramitaram na JUSTIÇA FEDERAL. Não há nos autos a comprovação do alegado. Em seu recurso, e somente naquela oportunidade, o autuado, que é sócio majoritário da pessoa jurídica Silveira Advogados, anexou cópia de 2 notas fiscais supostamente por emitidas nos dias 10.04.2007 e 12.04.2007, nos valores de R$ 22.281,05 e R$ 46.564,44, respectivamente. Todavia, não trouxe em seu recurso justificativa plausível para, somente naquele momento processual, proceder à apresentação desses documentos. O artigo 16 do Decreto 70.235/72, em especial seu inciso III e seu § 4º, e suas alíneas, são expressos ao ressalvar a apresentação extemporânea de provas apenas nos casos que lá especificam. Dentre eles, chamo especial atenção para o contido na alínea "a", no sentido de que quando "fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior". Nessa sentido, eis que o sujeito passivo não trouxe evidências que demonstrem a ocorrência de situação que se enquadre na hipótese encimada, tenho que deva ser indeferido o pleito de juntada dos documentos a destempo. Forte no exposto, voto por CONHECER do recurso, deixar de conhecer dos documentos apresentados somente em sede recursal e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.900049/2006-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Não se homologa a compensação arrimada em crédito inexistente.
DIPJ. CONFISSÃO.
A DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo instrumento de confissão de divida.
Numero da decisão: 1001-000.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Não se homologa a compensação arrimada em crédito inexistente. DIPJ. CONFISSÃO. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo instrumento de confissão de divida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Não se homologa a compensação arrimada em crédito inexistente. DIPJ. CONFISSÃO. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo instrumento de confissão de divida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 00 49 /2 00 6- 90 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10410.900049/200690 Acórdão n.º 1001000.648 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 34 a 38) interposto contra o Acórdão nº 1125.519, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (fls. 30 a 32), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Não se homologa a compensação arrimada em crédito inexistente. DIPJ. CONFISSÃO. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo instrumento de confissão de divida. Solicitação Indeferida" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação de fls. 09/14, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débitos de sua responsabilidade. 0 crédito informado, no valor de R$ 633,45, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior relativo ao período de apuração trimestral encerrado em 30/09/2002. 2. Por meio do Despacho Decisório de fl. 03, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Maceió, considerando a indisponibilidade do crédito apontado pela interessada, resolveu não homologar a compensação. 3. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/02), alegando que, conforme declarou em DIN, o imposto devido no 3 0 trimestre de 2002 seria de R$ 20,92, ao passo que o valor recolhido importou em R$ 654,37. Requer, assim, o reconhecimento do crédito relativo a diferença supostamente paga a maior, com consequente homologação da compensação declarada." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10410.900049/200690 Acórdão n.º 1001000.648 S1C0T1 Fl. 4 3 a vedação ao suposto enriquecimento ilícito do Fisco como fundamento para a reversão da decisão, sem juntar qualquer elemento documental novo ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Inicialmente insta dizer que, de acordo com o AR de fl. 33, a ciência da decisão de primeira instância se deu na data de 14/04/2009, e não em 09/04/2009 conforme citado pela própria Recorrente. Assim, tendo o Recurso sido protocolado na data de 12/05/2009, conforme timbre protocolar (fl 34), o mesmo se reputa tempestivo. E, por atender aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a Recorrente torna a asseverar o suposto pagamento a maior realizado que fundamentaria o credito pleiteado e argumenta que o não reconhecimento de seu direito creditório ensejaria enriquecimento sem causa do Fisco, o que seria vedado pelo ordenamento jurídico. Ora, não há qualquer dúvida quanto à antijuricidade do enriquecimento sem causa por parte do Fisco. No mesmo esteio, o próprio princípio da legalidade tributária impede a exação de tributo além do tanto estritamente amparado em lei. Contudo, tal cobrança em demasia, ou enriquecimento sem causa do Fisco, só se verifica na medida que se comprova que o valor recolhido aos cofres públicos é efetivamente maior do que o legalmente devido. Neste ponto, falha a Recorrente em demonstrar seu direito. Em que pese tenha apresentado a DIPJ informando como devido a título de IRPJ do período o valor que reputa ser correto, é inegável que tal informação está em desacordo com a DCTF constante dos autos (fl. 29). Ainda, resta considerar que a Contribuinte não trouxe qualquer retificação à DCTF supracitada, ou, pelo menos, qualquer outro documento contábil que pudesse caracterizar patente equívoco na mesma. Desta forma, não há como se atestar o pagamento a maior realizado pelo contribuinte e, conseqüentemente, o direito creditório que alega ter. Isto posto, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de primeira instância: "(...) Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10410.900049/200690 Acórdão n.º 1001000.648 S1C0T1 Fl. 5 4 5. A contribuinte informou, em sua Declaração de Informações D1PJ do anocalendário 2002, haver apurado, no 4° trimestre, imposto a pagar no valor de R$ 2.484,42 (fl. 19). Como efetuou pagamento no valor de R$ 4.422,86 (fl. 20), postula o direito creditório da diferença de R$ 1.938,44, cuja utilização é pretendida para compensar débitos do PIS e da Cofins. 6. Ocorre que a interessada apresentou Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF (fl. 28), por meio da qual informou, relativamente ao 4° trimestre de 2002, a apuração de imposto a pagar no valor de R$ 4.422,86, que é precisamente o montante que foi recolhido pela empresa. 7. Como se sabe, os débitos informados em DCTF traduzem confissão de divida, diversamente da DIPJ, que tern natureza meramente informativa. Nesse sentido, assim dispõem os atos tributários e normativos abaixo: "instrução Normativa SRF n° 14, de 14 de fevereiro de 2000 Art. 1°. O art. 1°. da Instrução Normativa SRF te 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 1° . Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas fisicas e da declaração do 1TR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição coma Dívida Ativa da União. ' (gm.) Solução de Consulta Interna Cosit n°48, de 30 de setembro de 2008 53. Verificando a legislação, em especial o art. 1e' da IN SRF n 9 77, de 1998, e o § 4 9 do art. 1 9, da IN RFB nº 9.767, de 2007, dispositivos acima colacionados, os documentos tidos como de declaração de crédito tributário, para efeito de inscrição do saldo a pagar corno dívida ativa, são: a Declaração de Rendimentos das Pessoas Físicas, Declaração do 1TR, a DCTF, a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) e a Gfip. Alin, desses documentos típicos, existem outros para confissão de divida tributário, estabelecidos expressamente no s7 4 9do art. 26 da IN SRF n 9 600, de 2005, e art. 636 da IN MPS n 9 3, de 2005. Porém, a Dip] e o Dacon não estão incluidos nestes dispositivos, pelo que possuem natureza informativa, de forma que apenas podem ensejar eventual lançamento de oficio. (g.n) 8. Assim é que, conforme destacado pela autoridade a quo em seu despacho decisório, o pagamento em questão já foi integralmente utilizado para a quitação do débito confessado pela contribuinte, inexistindo, em consequência, saldo de crédito para a aspirada. compensação. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10410.900049/200690 Acórdão n.º 1001000.648 S1C0T1 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13981.000163/2005-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
Numero da decisão: 9303-007.135
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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DIREITO DE CRÉDITO. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 01 63 /2 00 5- 51 Fl. 2634DF CARF MF Processo nº 13981.000163/200551 Acórdão n.º 9303007.135 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380303.231, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Na parte de interesse ao presente julgamento, a decisão do colegiado a quo pode ser resumida pela transcrição dos seguintes fragmentos de sua ementa: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a Fl. 2635DF CARF MF Processo nº 13981.000163/200551 Acórdão n.º 9303007.135 CSRFT3 Fl. 4 3 base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduzindo divergência às seguintes matérias: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo; d) direito a crédito na depreciação de bens do ativo imobilizado; e) direito a crédito no transporte de insumos entre filiais, cobrados separadamente dos insumos quando de sua aquisição. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 203.12.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso em relação à: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso interposto e, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 2636DF CARF MF Processo nº 13981.000163/200551 Acórdão n.º 9303007.135 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.108, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10925.000459/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.108): "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não‑ cumulativas para o PIS, no valor de R$ 21.832,17, cumulado com Declarações de Compensações (PER/DCOMP). A Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiu, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que “a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos do IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere‑ se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria”. E, assim, terminou por adotar conceito de insumo diverso daquele aplicado para o IPI. Com efeito, alega a Fazenda Nacional que a decisão recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Analisando a quaestio, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. Fl. 2637DF CARF MF Processo nº 13981.000163/200551 Acórdão n.º 9303007.135 CSRFT3 Fl. 6 5 De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 2638DF CARF MF Processo nº 13981.000163/200551 Acórdão n.º 9303007.135 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Fl. 2639DF CARF MF Processo nº 13981.000163/200551 Acórdão n.º 9303007.135 CSRFT3 Fl. 8 7 Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Compulsando aos autos, verifico que a atividade empresária da Contribuinte destina se a produção de portas de madeira. Quanto aos produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica.) entendo essencial a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte, passível de creditamento do Pis e da Cofins. No que tange o direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas, verifico que também são essenciais ao processo de produção da Contribuinte, as citadas peças de reposição e serviços de manutenção industrial são adquiridas para conservação das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos industrializados pela Contribuinte. Fl. 2640DF CARF MF Processo nº 13981.000163/200551 Acórdão n.º 9303007.135 CSRFT3 Fl. 9 8 Ademais, a utilização de peças e serviços não geram aumento de vida útil do bem, apenas mantém as máquinas e equipamentos em condições aptas de funcionamento. São bens consumidos no processo de industrialização, que se desgastam e perdem propriedades físicas e químicas sem integrar o produto final. Destarte, o conceito de "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI, tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Fl. 2641DF CARF MF Processo nº 13981.000163/200551 Acórdão n.º 9303007.135 CSRFT3 Fl. 10 9 Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, referente aos produtos utilizados como embalagem de transporte e na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo da Contribuinte." (...) Entendimento que prevaleceu quanto ao direito de crédito sobre as embalagens de transporte. "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as embalagens utilizadas somente para o transporte do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre as embalagens destinadas precipuamente ao transporte de seu produto final. No presente caso a discussão é sobre os gastos utilizados pelo contribuinte para embalar o seu produto acabado (portas de madeira) para fins de seu transporte. Não se trata da embalagem normal relativa a encerramento do processo produtivo e dele integrante, mas referentes ao gasto com o transporte do produto após o encerramento do processo produtivo do bem destinado a venda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que não faz diferença o fato de ser embalagem para o transporte do produto com as demais embalagens, como as de apresentação. Portanto ele entendeu que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relator do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 2642DF CARF MF Processo nº 13981.000163/200551 Acórdão n.º 9303007.135 CSRFT3 Fl. 11 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 2643DF CARF MF Processo nº 13981.000163/200551 Acórdão n.º 9303007.135 CSRFT3 Fl. 12 11 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2644DF CARF MF
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Numero do processo: 11618.003085/2002-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000.
ISENÇÃO SUSPENSÃO Não faz jus à isenção do imposto de renda e da
contribuição social sobre o lucro líquido, a associação civil que não mantém escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
SUSPENSÃO DE ISENÇÃO Suspensa a isenção segundo os procedimentos estabelecidos em lei, é cabível o lançamento dos tributos para
os respectivos períodos em que houve a suspensão.
ASSUNTO: ÔNUS DA PROVA – PERÍCIA É ônus da pessoa jurídica a
comprovação da origem dos ingressos financeiros que constam nas suas contas bancárias, descabendo querer imputar à administração tributária a produção de provas em seu favor, mediante determinação de perícia contábil.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
SUSPENSÃO DE ISENÇÃO Suspensa a isenção, o imposto de renda
relativo aos respectivos períodos em que houve a suspensão deve ser apurado de acordo com as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral.
RECEITAS TRIBUTÁVEIS Compõem a base de cálculo as receitas
contabilizadas, bem como as receitas de prestação e as receitas de aplicações financeiras omitidas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
CSLL Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao
lançamento do IRPJ estende-se ao da CSLL.
PIS e COFINS A receita de prestação de serviços omitida integra a base de cálculo do PIS e da COFINS.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO A questão do reajustamento da base de cálculo do IRRF dispensa explicitação, constituindo
aplicação matemática de regra expressa na lei (§ 3º do art. 61 da Lei nº 8.981/91).
Numero da decisão: 1301-000.825
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Nome do relator: Valmir Sandri
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ISENÇÃO SUSPENSÃO Não faz jus à isenção do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, a associação civil que não mantém escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SUSPENSÃO DE ISENÇÃO Suspensa a isenção segundo os procedimentos estabelecidos em lei, é cabível o lançamento dos tributos para os respectivos períodos em que houve a suspensão. ASSUNTO: ÔNUS DA PROVA – PERÍCIA É ônus da pessoa jurídica a comprovação da origem dos ingressos financeiros que constam nas suas contas bancárias, descabendo querer imputar à administração tributária a produção de provas em seu favor, mediante determinação de perícia contábil. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SUSPENSÃO DE ISENÇÃO Suspensa a isenção, o imposto de renda relativo aos respectivos períodos em que houve a suspensão deve ser apurado de acordo com as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. RECEITAS TRIBUTÁVEIS Compõem a base de cálculo as receitas contabilizadas, bem como as receitas de prestação e as receitas de aplicações financeiras omitidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento do IRPJ estendese ao da CSLL. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 2 2 PIS e COFINS A receita de prestação de serviços omitida integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998, 1999, 2000 REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO A questão do reajustamento da base de cálculo do IRRF dispensa explicitação, constituindo aplicação matemática de regra expressa na lei (§ 3º do art. 61 da Lei nº 8.981/91). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Conselheiro Relator (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa recorre da decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte que, em preliminar, rejeitou seu pedido de manutenção da isenção, indeferiu pedido de perícia, rejeitou as preliminares de cerceamento de defesa e de decadência e, no mérito, julgou procedentes em parte os lançamentos relativos à Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) referentes a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, em razão da suspensão da isenção declarada pelo ADE DRF/JPA n° 66, de 30 de setembro de 2002 (documentos de fls. 401, retificado pelo de fls. 416). Nos autos, a Fiscalização noticia que: A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa (AETC/JP) tem a finalidade precípua de adquirir informações técnicas e organizar o associativismo, inclusive com base no código de ética, aprovado em assembléia geral. A entidade realiza a venda de valestransporte e passes estudantis às pessoas jurídicas e físicas que utilizam o sistema de transporte coletivo urbano no âmbito do Município de João Pessoa. Posteriormente, os recursos são repassados às associadas, por meio de um rateio. Conforme seu Estatuto, a receita da entidade será constituída por contribuições dos associados, por promoções entre os associados, por remuneração de serviços prestados aos associados e por doações. A despesa atenderá às necessidades administrativas, a juízo da diretoria, desde que aprovada em reunião de avaliação mensal, com aprovação de metade mais um dos associados. A empresa não associada que se utilizar dos serviços da associação se enquadrará na sistemática de rateio das despesas necessárias à manutenção e custeio das atividades associativas, bem assim quaisquer despesas, podendo substituir esta participação por um percentual a ser definido pelo Conselho Diretor, devendo, para tanto, ser firmado documento neste sentido. Nos períodos relativos aos anoscalendário de 1998 a 2000, a Associação apresentou DIPJ, na condição de isenta. Contudo, assevera a fiscalização que da análise da contabilidade e respectiva documentação apresentada, bem como de consultas aos Sistemas Eletrônicos da Secretaria da Receita Federal, constatouse que a AETC/JP não observou os requisitos essenciais para o gozo da isenção prevista nos arts. 170, § 3°, inciso III, e 174, do RIR/1999, quais sejam, manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades que assegurem a respectiva exatidão; e prestar os serviços para os quais houverem sido instituídas e os colocarem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. A autoridade fiscal assim descreveu as irregularidades encontradas: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 4 4 “Da análise da contabilidade da Contribuinte, constatouse que, nos anos calendário de 1998, 1999 e 2000, ela escriturou, a menor, as receitas financeiras em Fundos de Investimentos de Renda Fixa e, no anocalendário de 1998, omitiu a receita proveniente dos descontos sobre resgates de valestransporte e passes estudantis realizados com a empresa Viação Boa Vista Ltda, não associada. Constatouse, ainda, nos anoscalendário de 1998 a 2000, receitas provenientes de associados, de convênio com a União Pessoense dos Estudantes Secundaristas UPES, de desconto sobre resgate de valestransporte e passesestudantis de empresas não associadas e de serviços gráficos com associados. As receitas provenientes do convênio com a UPES e de desconto sobre resgate de valestransporte e passes estudantis com empresas não associadas demonstram a prestação de atividade econômica diversa da do fim para qual foi constituída. Dessa forma, a Contribuinte está praticando atos de natureza econômicofinanceira Diante do exposto, não há como admitir que a entidade, desenvolvendo atividades de natureza econômicofinanceira, que não manteve a escrituração completa de suas receitas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão, se enquadre entre as abrangidas pelo art. 15, da Lei n° 9.532, de 1997, não sendo, portanto, beneficiada pela isenção de que trata esse dispositivo. Como conseqüência, também não faz jus ao tratamento tributário relativo à CSLL, ao PIS e à COFINS.” Salienta a Fiscalização que a isenção a que se refere o art. 15, da Lei n° 9.532, de 1997, é relativa às atividades próprias da associação, assim entendidas suas receitas típicas, como as contribuições de seus mantenedores e associados, doações e os recursos gerados por seu patrimônio constitutivo, destinado ao custeio e manutenção da instituição e execução de seus objetivos estatutários, mas que não tenham cunho contraprestacional.. Cita o Parecer Normativo CST n° 162, publicado no DOU de 17/10/1974; e o Parecer CST/SIPR n° 1.901, de 30/12/1987. Afinal, concluiu que, por não se encontrar contemplada pelo art. 15, da Lei n° 9.532, de 1997, a Associação é contribuinte do IRPJ e da CSLL., devendo, ainda, ser apurada a Contribuição para o PIS/Pasep e a COFINS, com base no faturamento. Foram lavrados os autos de infração relativos ao IRPJ e decorrentes (CSLL, PIS, COFINS), bem como ao imposto de renda retido na fonte sobre os pagamentos efetuados. Os fatos que motivaram os lançamentos de IRPJ e decorrentes (CSLL, PIS e COFINS) são assim descritos: 1 Omissão de receitas 1.1 Omissão de receitas de aplicações financeiras referentes rendimentos de aplicação em Fundos de Investimentos — Renda Fixa do Banco Real, não contabilizados. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 5 5 1.2 Omissão de receitas correspondente a descontos sobre resgates de vales transporte e passes estudantis realizados com a empresa Viação Boa Vista, não escriturados. A AETC/JP não reconheceu a receita proveniente da taxa cobrada da empresa Viação Boa Vista pelos resgates de valestransporte e passes estudantis, o que caracteriza omissão de receita operacional. 2 Glosa de Despesas: 2.1 BRINDES. Foi constatada a contabilização, como despesas gerais, de desembolsos efetuados a título de brindes. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, são vedadas as deduções de despesas com brindes e cortesias. 2.2 CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES. Foi constatada a contabilização, como despesas de administração geral, desembolsos efetuados a título de contribuições e doações. Analisando a documentação das contribuições e doações efetuadas pela AETC/JP e de seus beneficiários (documentos de fls. 2372/2755), constatouse que a maioria dos beneficiários não preenchia os requisitos legais e as operações não estavam embasadas em documentação hábil. 2.3 IMPOSTOS E TAXAS. Foram contabilizadas despesas tributárias, a título de impostos e taxas, cujos pagamentos foram efetuados à Prefeitura Municipal de João Pessoa, cuja beneficiária é a empresa Viação São Jorge Ltda, tendo a interessada informado que "houve um erro da AETC/JP, pois efetuou e escriturou estes pagamentos de forma indevida, situação esta detectada após auditoria procedida por esta ilustre fiscalização". 2.4 SEGUROS DIVERSOS – Foram contabilizados na conta "SEGUROS DIVERSOS", pagamentos efetuados a BANORTE Seguradora, cuja documentação comprobatória não foi encontrada pela Fiscalização. Intimada, a Associação apresentou 10 (dez) cópias de pagamentos de seguros e cópias de apólices de seguro, referente ao seguro de responsabilidade civil efetuado em favor das suas associadas. Foi constatada, também, a contabilização, como despesas de seguros, de pagamentos efetuados a Trevo Banorte Seguradora pelos seguros efetuados da frota de ônibus pertencentes às suas associadas. 2.5 DESPESAS SEM COMPROVAÇÃO Intimada a apresentar a documentação hábil e idônea para comprovação das despesas relacionadas no demonstrativo de fls. 2778, a interessada respondeu que: "apesar de todas as pesquisas e investigações encetadas pelo nosso pessoal de apoio administrativo, ainda não nos foi possível localizar os documentos pertinentes. Não sabemos, a bem da verdade, onde mais procurálos. Acreditamos até na possibilidade de haverem sido extraviados, em conseqüência de mudanças na sistemática de arquivamento dos papéis contábeis atinentes aos exercícios financeiros concluídos, bem como em razão das transferências físicas dos arquivos". 2.6 DESPESAS DESNECESSÁRIAS A Fiscalização glosou as despesas indicadas no demonstrativo de fls. 2997, por não atenderem ao requisito da necessidade, condição exigida pela lei para que o gasto seja dedutível. 3 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS . A fiscalização exigiu, ainda, o imposto de renda retido na fonte com base no art. 61 da Lei nº 8.981/95, incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 6 6 A autoridade fiscal constatou a existência de várias cópias de cheques (documentos de fls. 2828/2855), que contêm como histórico: UTILIZADO PARA CAIXA. Analisando os extratos bancários relativos às contascorrentes dos referidos cheques, o Fisco verificou que vários foram compensados. Intimada a apresentar as cópias dos cheques que emitiu de suas contas correntes mantidas no Banco Real e na Caixa Econômica Federal (conforme demonstrativo de fls. 2958), a Contribuinte enviou as cópias dos cheques relacionados nas fls. 2961. Analisando o Livro Razão, da Conta Caixa Geral, para os períodos referentes aos anoscalendário de 1998 a 2000, a Fiscalização constatou que os lançamentos efetuados a débitos (recebimentos) foram anulados pelos lançamentos a crédito (pagamentos depósitos nas contascorrente). Destaca o Fisco que os lançamentos relacionados no demonstrativo anexo ao RTF comprovam que os recursos que saíram efetivamente dos bancos, Banco Real e Caixa Econômica Federal, não foram para o caixa da AETC/JP, haja vista que os cheques foram compensados. Observa que no campo denominado por "utilizado para", o qual indica a finalidade da emissão do cheque, consta que foram efetuados pagamentos de despesas autorizadas pela Diretoria da AETC, como, por exemplo, nos documentos relacionados aos cheques nºs "1320", "1332", "1376", "1403" e outros, anexos ao Termo. Anotou ainda alguns cheques, emitidos na conta administrativa n° 38319, que foram depositados em contas não registradas na contabilidade (cheque n° 001402, emitido em 17/04/2000, depositado na conta de poupança da CEF, Ag. Cidade Antiga, n° 271353; cheque n° 001659, emitido em 25/09/2000, depositado na contacorrente da CEF, Ag. Lagoa Nova, n° 11722; . cheque n° 001660, emitido em 25/09/2000, depositado na contacorrente da CEF, Ag. Cabo Branco, n° 38394; cheque n° 001825, emitido em 17/04/2000, depositado na contacorrente do Bradesco, Ag. PiedadeJaboatão/PE, n° 288225). Intimada a informar os reais beneficiários dos cheques relacionados no demonstrativo de fls. 2996/2997, apresentando a documentação hábil e idônea que serviu de base nas operações. Em resposta (documento de fls. 2966/2967), disse a AETC/JP não os encontrou. A interessada insurgiuse contra a suspensão da isenção e, também, impugnou os lançamentos. Para refutar a motivação que levou a fiscalização a suspender sua isenção, argumenta o que se segue. Sobre a acusação de escrituração a menor das receitas de aplicações financeiras em Fundos de Investimentos de Renda Fixa, diz que os rendimentos das aplicações financeiras efetuadas no Banco Real não foram omitidos na contabilidade, mas apenas deixaram de ser segregados em conta de resultado, figurando, por ocasião do resgate, em conta movimento. Pondera que caberia ao Fisco exigir o tributo sobre o valor dos rendimentos financeiros, sem quaisquer outras providências, à luz do art. 174, § 2°, do RIR/1999. Sobre a escrituração de receitas provenientes dos descontos de vale transporte e passes estudantis realizados com não associados, as empresas Roger e Viação Santa Rita, explica que essas empresas foram autorizadas pela Superintendência de Transportes Públicos a utilizarem os logradouros de João Pessoa e os pontos de paradas dos passageiros, o que as obrigou a receber vales transporte e tickets estudantis emitidos pela Impugnante, que lhe Fl. 6DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 7 7 serão ressarcidos periodicamente. Aduz que seu Estatuto prevê a hipótese de prestação emergencial e temporária de serviços a empresas não sócias (art. 13). Dessa forma, não constitui transgressão a escrituração dessas receitas, mas ao contrário, transgressão seria auferi las e não escriturálas. Quanto à escrituração de receita de convênio com a UPES — União Pessoense dos Estudantes Secundaristas relacionada à Carteira estudantil, assevera que se trata de serviço prestado às associadas, na busca de evitar a falsificação das carteiras estudantis, que dão direito à redução da tarifa. Explica que a responsabilidade pela confecção e entrega das carteiras estudantis foilhe atribuída em função do convênio celebrado com entidades estudantis, com a interveniência do Centro de Apoio Operacional às Curadorias de Defesa do Consumidor. No que se refere à falta de escrituração da receita proveniente dos descontos sobre resgates de valestransporte e passes estudantis realizados com a não associada Empresa Boa Vista Ltda., faz uma longa explicação sobre a batalha judicial travada com essa empresa em razão de sua exclusão do rol das associadas em 02/10/1995. Informa que, enquanto durou a lide, em Assembléia Geral foi decidido que a empresa Boa Vista poderia utilizar os serviços da Associação em igualdade de condições com as empresas não associadas Viação Roger e Viação Santa Rita, e foi aprovada a criação de um fundo de reserva para fazer face aos pagamentos referentes à Viação Boa Vista, depositado em cota especial da Associação. Informa ainda que em fevereiro de 1997 foi julgada procedente a ação cautelar e a ação ordinária de nulidade, e restabelecido o vínculo associativo. Embora apelando da sentença, a Associação resolveu que a taxa de custeio remuneratória dos serviços prestados à Viação Boa Vista, fosse aplicada em Fundo de Investimento (conta n° 2710965, do Banco Real), para posterior retirada. Esse valor não foi segregado em conta de resultado, mas constou nos registros contábeis no ativo circulante do balanço de 31/12/1998, sob o título aplicações financeiras, no valor de R$ 138.629,64. Aduz que o entendimento expressado no Parecer Normativo CST 162/74 aplicase, por analogia, às atividades de vales transportes e passes estudantis, e refuta a utilização do entendimento em sentido contrário, exposto no Parecer CST/SIPR n° 1901, de 30/12/1987, por se tratar de ato sem efeito normativo, não objeto de publicação oficial, não permitindo o exercício do amplo direito de defesa, eis que sequer foi anexada cópia aos autos. Repudia a afirmativa de que a atividade de emissão e comercialização de valestransportes, regulada pela Lei n° 7.418, de 16 de dezembro de 1985, possui natureza eminentemente comercial de intermediação, dizendo que nenhum dispositivo da lei o menciona. Lembra que a comercialização dos vales se faz pelo preço da tarifa vigente e os custos são assumidos pela operadora, não podendo ser repassados para o preço da tarifa. Diz que a tarefa foilhe transferida por decreto Municipal, de acordo com a Lei. Impugnação aos autos de infração: Preliminarmente, diz que a improcedência da suspensão da isenção implicará, necessariamente, na improcedência dos Autos de Infração. Contesta a utilização de dados da CPMF, dizendo tratarse de aplicação retroativa da lei, o que é vedado. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 8 8 No mérito, alega, em síntese, sobre cada uma das acusações: 1 Omissão de Receitas de Aplicações Financeiras. Diz não ter havido ocultação ou desvio da receita auferida de aplicações financeiras, mas apenas falta de segregação delas em conta de resultado. Acrescenta que se depreende, dos termos do § 2º do art. 174 do RIR/99, que sobre os rendimentos financeiros auferidos há incidência do imposto de renda, mas isso não implica perda da isenção, e informa que está efetuando o recolhimento do imposto de renda sobre os rendimentos financeiros discriminados no mapa de fls. 2506 e no Auto de Infração (fls. 26), na forma indicada na defesa, conforme DARF (doc. 17). 2 Pagamentos a Beneficiários Não Identificados. Esclarece que as empresas que controlam a sua movimentação financeira através da conta Caixa, como é o seu caso, fazem os seguintes lançamentos contábeis, ao efetuarem pagamentos com utilização de cheques de sua emissão: a) débito de Caixa e crédito de Bancos, pela emissão; e b) débito de conta de despesa, de fornecedores, etc, e crédito da conta Caixa, pelo pagamento. Diz que, no caso em exame, foi registrado apenas débito de Caixa e crédito de Bancos, e pondera que, se não houve lançamento a débito de conta de despesas, não se pode falar em glosa de despesas. Sobre a indicação, no enquadramento legal, do art. 304 do RIR/99 (entre outros) , diz que o dispositivo destinase apenas aos casos em que houver contabilização de pagamentos ou créditos das despesas de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, sem preenchimento dos requisitos nele indicados, e que, no presente caso, está provado que não houve registro de despesas, que ensejasse glosa. 3 Descontos sobre Resgates da empresa Viação Boa Vista. Citando o art. 218 do RIR/99, alega que, como se tratava de operação sub judice, entendeu contabilizar os valores em conta do ativo circulante, não havendo, pois, omissão de receita. A seguir, com base no art. 150, § 4°, do CTN, alega a decadência, em relação à taxa de custeio de R$ 537,32, do dia 31/12/1997, incluída no valor de R$ 9.777,48, referente ao terceiro trimestre de 1998. 4 Resultado do Exercício. Diz que na apuração do resultado trimestral o Fisco incluiu a conta "Contribuição de Associados", sem dela excluir os valores concernentes às despesas de interesse das empresas associadas e pagas pela Associação. Esclarece que sua finalidade principal é o associativismo, que pressupõe a busca da otimização de vantagens e de minimização dos custos na prestação de serviços de transportes coletivos no Município de João Pessoa. As despesas realizadas visando ao associativismo são ressarcidas pelas empresas associadas, através de rateio. Diz ser óbvio que a Fl. 8DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 9 9 Associação conseguirá melhores preços contratando seguros e publicidade para todas as empresas associadas, do que cada uma isoladamente. Demonstra o procedimento contábil dessas operações exemplificando com as vendas diárias de valestransporte e de passes estudantis do mês de fevereiro de 1999, registradas na conta "Rateio de empresas", objetivando demonstrar que nos valores mensais estão incluídos os valores das despesas ressarcidas pela empresas associadas. Diz que as despesas rateadas pelas associadas e delas recebidas não constituem recuperação de custos, porque não se trata de compensação de tributos obtida, judicial ou administrativamente, pela Impugnante, mas de simples ressarcimento de despesas de interesse das associadas por conta e responsabilidade delas. Destaca que o § 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, diz que constitui receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e que esses valores recebidos das empresas associadas não são, evidentemente, receitas auferidas pela Impugnante, mas mero ressarcimento de despesas de interesse daquelas. Pede sejam excluídas da conta "Contribuições de associados", para fins de incidência do IRPJ e da CSLL, os valores discriminados nos seguintes demonstrativos: Despesas com brindes (doc. 24); Despesas desnecessárias (doc. 25); Contribuições e doações (doc. 26/28); Impostos, taxas e contribuições (doc. 29/34); Seguros diversos (doc. 35); Despesa sem comprovação (doc. 36); Pagamentos a beneficiários não identificados; e Despesas com propaganda e publicidade (doc. 37/48). Diz que a sistemática utilizada pelo Fisco (tributou os valores das "contribuições dos associados", como resultado operacional; e glosou os valores das despesas indicadas.) implicou em tributar duas vezes os valores aludidos (como componente dos resultados operacionais e como despesas glosadas) Na seqüência , e invocando o princípio da eventualidade, analisa as despesas glosadas. Alega que, sendo seu objetivo o associativismo, as despesas necessárias ao associativismo são realizadas por ela e, em seguida, ressarcidas pelas empresas associadas, e por isso a glosa das despesas deve ser reexaminada. Diz que realiza despesas com eventos culturais com vistas ao associativismo, as quais são usuais ou normais ao tipo de negócio, transporte coletivo de pessoas. Afirma que solicitações feitas pela Prefeitura Municipal de João Pessoa não podem deixar de ser atendidas, não se tratando de liberalidade. Defende serem dedutíveis as despesas de pequena monta, como confraternizações natalinas dos próprios funcionários (diz que os gastos comprovados pelos documentos de fls. 1872, 1883, 1888, 2306 e 2339, têm essa conotação), assim como as cestas. natalinas distribuídas a autoridades da Prefeitura Municipal de João Pessoa e de outros órgãos ligados à atividade de transporte (documentos de fls. 1877, 1881, 1890, 1874, 1885 e 1893). Da mesma forma, defende a dedutibilidade da contribuição, no valor de R$ 21.500,00, dada à Secretaria de Esporte e Turismo da Prefeitura de João Pessoa, em junho de 1999, a título de apoio para realização do São João da Lagoa (fls. 1950/1951). Assevera ser óbvio que interessa às empresas associadas a realização dessa festa popular de São João, quando o número de passageiros transportados aumenta consideravelmente. No mesmo sentido, a contribuição de Fl. 9DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 10 10 R$ 600,00 paga em julho de 1998 (fls. 2052), como apoio à realização da noite da Secretaria de Transportes Públicos na Festa das Neves, realizada pela Prefeitura Municipal de João Pessoa. 5 Pagamentos a Beneficiários não identificados. Diz que o cálculo feito pelo Fisco, com reajustamento da base de cálculo resultou em exigência superior , carecendo o lançamento do necessário aperfeiçoamento, a fim de que a Impugnante possa exercer o amplo direito de defesa. 6 Do Princípio da Anterioridade Tributária. Insurgese contra a exigência retroativa do tributo, já que se trata de isenção por tempo indeterminado, revogada pelo Ato Declaratório Executivo n° 66/2002, com força de lei. Reclama pelo respeito ao princípio da anterioridade tributária estabelecido no art. 150, III, "a", da Constituição Federal, não podendo, em conseqüência, ser aplicados os efeitos de revogação da isenção a atos anteriores ano inicio dessa revogação. Solicita: 1) que a impugnação seja analisada simultaneamente com a formalizada contra o Ato Declaratório Executivo n° 66, de 2002. 2) que sejam julgados improcedentes os autos de infração, exceto quanto ao recolhimento efetuado por DARF (doc. 17), caso seja tomado sem efeito o Ato Declaratório Executivo n° 66, de 2002. 3) Que, na eventualidade de ser mantido o referido Ato Declaratório, reitera o pedido de observância ao princípio da anterioridade tributária. 4) que, ainda, na eventualidade do Ato Declaratório ser retroativo, sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, os valores concernentes às despesas com brindes, às contribuições e doações, às despesas desnecessárias, às despesas sem comprovação, às despesas de seguro, aos impostos e aos pagamentos a beneficiários não identificados. 5) que seja afastada a exigência do IRPJ e da CSLL sobre os valores glosados e considerados como pagos a beneficiários não identificados. 6) e, finalmente, protesta pela realização de diligência, na forma do disposto no inciso IV, do art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972. Da Impugnação contra o Auto de Infração Complementar do IRRF. Alega que o Fisco admitiu ter se enganado no cálculo do reajustamento, retificandoo através do demonstrativo de fls. 50 (do processo em apenso), porém não explicitou como foi efetuado o cálculo do reajustamento dos rendimentos, carecendo o auto de infração do necessário aperfeiçoamento, a fim de que a Impugnante possa exercer o amplo direito de defesa. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte, por unanimidade de votos, rejeitou o pedido de manutenção da isenção, indeferiu pedido de perícia, rejeitou as Fl. 10DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 11 11 preliminares de cerceamento de defesa e de decadência e, no mérito, julgou procedentes em parte os lançamentos, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Preliminar de nulidade. Rejeitase a preliminar de nulidade invocada pela defesa, quando não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, tendo sido obedecidos na consecução do lançamento todos os requisitos legais inerentes a tal atividade. Isenção. Condições. Para o gozo da isenção de imposto e contribuição social, as associações civis devem prestar os serviços para os quais foram instituídas, colocandoos à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. Para fazer jus a essa isenção, a associação civil sem fins lucrativos deve também atender aos requisitos da lei. Não faz jus a essa isenção, a associação civil que não mantém escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; ou que não aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Decadência. Segundo estabelece a lei, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido constituído. Suspensão de Isenção. Suspensa a isenção do imposto de renda e da contribuição social, segundo os procedimentos estabelecidos em lei, é cabível o lançamento desses tributos para os respectivos períodos em que houve a suspensão. A suspensão da isenção terá como termo inicial a data da prática da infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Glosas de Despesas. Pagamentos a Beneficiários não Identificados. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 12 12 Deve ser excluída a exigência fiscal decorrente de glosa de despesa efetuada por não atendimento das condições gerais de dedutibilidade, mas especificando pagamentos a beneficiários não identificados, quando a descrição dos fatos não aponta de forma clara e precisa qual a infração fiscal cometida pelo sujeito passivo ou quando os dispositivos legais citados não se casam perfeitamente aos fatos narrados. Fato gerador. O fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Sendo assim, pelo regime de competência, o imposto será devido à medida que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos. Omissão de receitas. É cabível lançar o imposto incidente sobre as receitas de prestação de serviços auferidas pelo sujeito passivo e omitidas da sua escrituração. Resultados operacionais não declarados. O imposto incide sobre os resultados operacionais não declarados pelo sujeito passivo. A regra geral, estabelecida em lei, é a apuração e tributação do imposto de renda por períodos trimestrais. Glosas de despesas. Despesas desnecessárias. Despesas sem comprovação Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. Tributação Reflexa. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento do IRPJ estendese ao da CSLL. Constatada a omissão de receitas e feita a tributação do imposto de renda e da contribuição social, o valor da receita omitida será considerado também na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Pagamento efetuado a beneficiário não identificado ou sem a causa da operação. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 13 13 É cabível a tributação exclusiva de fonte, à alíquota de 35%, para alcançar todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado. Essa tributação alcança também os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa. Lançamento Procedente em Parte A parcela excluída da tributação (IRPJ e CSLL) pela decisão de primeira instância corresponde ao item 4 do auto de infração, e a motivação foi a seguinte: Carece, assim, o lançamento do IRPJ e da CSLL, no item "004", do Auto de Infração, titulado, "pagamentos a beneficiários não identificados", de uma definição clara e precisa quanto ao seu tipo legal tributário. Enfim, pelas razões expostas, não prospera a exigência, nessa parte, devendo ser excluídos do IRPJ e da CSLL, os valores relativos a esse item da autuação. Ciente da decisão em 23 de setembro de 2008 (fls. 3.169) a interessada ingressou com recurso a este Conselho em 21 de outubro de 2008 (fls. 3.173). Inicialmente, observa que a motivação do ato declaratório da suspensão da isenção foi inobservância dos requisitos essenciais para seu gozo, quais sejam, manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades que assegurem a respectiva exatidão, tal como determinam os arts. 15, caput e § 3° e 12, § 2° alínea "c", da Lei n° 9.532/97. Alega que a suspensão da isenção tributária deuse exclusivamente em razão de possível ocorrência de omissão de receitas, diretamente relacionadas com a questão da escrituração das mesmas. Afirma, contudo, que as imprecisões na contabilidade não configuram, por si sós, violação aos citados dispositivos, tendo em vista que, por ser pessoa jurídica sem fins lucrativos e ter papel fundamental como auxiliar do Estado na realização de suas atividades, não há exigência de que os registros contábeis sejam feitos de forma rigorosa. Diz que suas atividades objetivam a promoção de suas metas relacionadas com os objetivos de seus associados, e sobre as imprecisões contábeis apontadas pela fiscalização argumenta, em síntese, o que se segue:] No caso da escrituração a menor das receitas provenientes em Fundos de Investimentos de Renda, que não contestou e efetuou o pagamento, refuta a assertiva da decisão recorrida, de que esse fato configura concordância por parte da Recorrente na omissão de receitas, insistindo em que sempre deixou claro que apenas deixou de discriminálas no resultado. Sobre as receitas provenientes dos descontos sobre resgates de vales transporte e passes estudantis realizados com empresa a empresa Viação Boa Vista Ltda., tida como não associada, argumenta que havia decisão judicial que lhe dava o status de associada, de modo que não se trata de omissão de receitas, valores que estavam subjudice. Pondera que se houvesse intenção de omitir receita não haveria registros contábeis sobre os referidos valores, e que o requisito para a isenção relacionado com a .escrituração de suas receitas e despesas deve ser visto com razoabilidade, para que eventual irregularidade de forma, não Fl. 13DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 14 14 acabe por atingir a finalidade essencial de uma associação que é a realização de atividade Estatal que acaba refletindo em prol de toda a sociedade. Sobre o convênio com a UPES – União Pessoense dos Estudantes Secundaristas, relacionado à carteira estudantil, diz tratarse de atividade típica da associação, desenvolvida em prol dos associados, e não de atividade econômica. E que, ainda que fosse atividade econômica, isso não seria motivo para a suspensão de isenção, porque os recursos obtidos são todos reinvestidos nos objetivos sociais da entidade. Por esse mesmo motivo, diz serem incorretas as glosas de despesas que, desde que relacionadas com sua finalidade, jamais poderiam configurar desvio de finalidade. Afirma que os documentos contábeis comprovam que todos os recursos adquiridos destas atividades e participações em sociedades, nunca foram distribuídos entre os seus associados, mas sempre aplicados para atendimento dos objetivos da associação. Ressalta que embora lucro e superávit contabilmente representem excesso de receitas sobre despesas, eles diferenciamse essencialmente em virtude de suas finalidades. Assim, embora não tenha a finalidade de lucro, não há impedimento em ter superávit, que é reinvestido em suas finalidades, e não distribuído. Invoca as disposições dos artigos 12 e 15 da Lei nº 9.532/97 para embasar a afirmativa de que não é vedado realizar outras atividades para a associação buscar o superávit, sendo a única condição destinálo integralmente à manutenção e ao desenvolvimento de suas atividades socais, o quê diz ter comprovado mediante os documentos apresentados à fiscalização. Diante disso, diz que os lançamentos de IRPJ e da CSLL, bem como do PIS e COFINS reflexos, todos decorrentes da suspensão da isenção devem desconsiderados, haja vista que, a isenção da recorrente deve ser mantida. E quanto ao IRRF relativo a pagamento a beneficiários não identificados ou sem causa, também há que se cancelado, pois novamente não ficou explicitado como foi efetuado o cálculo e o reajustamento dos rendimentos, tarefa que compete exclusivamente à autoridade administrativa. Reedita as razões de impugnação relacionadas com a quebra de sigilo bancário e irretroatividade da lei tributária. Insurgese contra o lançamento baseado em presunção legal, discorre sobre o ônus do Poder Público de provar os fatos que embasam o lançamento tributário. Alega ilegalidade por parte do Fisco, que não teria analisado a documentação apresentada pela Recorrente, tendo, inclusive, sido indeferido o pedido de perícia. Alega que os ingressos financeiros que constam nas suas contas bancárias decorrem da atividade por ela realizada, que implica despesas em favor de seus associados, que são posteriormente restituídas, não sendo receitas, mas tão somente entradas financeiras referentes aos gastos que realiza em nome daqueles que representa. Discorre sobre a regra matriz de incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, e sobre a definição de receita e faturamento, para concluir que a receita é expressão muito mais ampla, abrangendo o faturamento (valores percebidos em decorrência da realização de negócios inerentes à atividade da empresa), bem como todas as outras receitas não operacionais da pessoa jurídica, tais como aluguéis, juros, correções monetárias, royalties, Fl. 14DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 15 15 dividendos etc. Assevera que receita é termo utilizado pela dogmática do direito comercial para referirse ao resultado bruto das atividades empresariais, operacionais ou não operacionais, direta ou indiretamente relacionadas com o objeto previsto no contrato ou no estatuto das sociedades, conceito que difere de receita bruta operacional, compreendida esta como o resultado decorrente da venda de mercadorias e serviços, seja em conta própria ou alheia, como dispõe o art. 279 do Regulamento do Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Conclui que o Fisco não poderia incluir as entradas financeiras no conceito de faturamento, posto que, não sendo receitas próprias, não podem, sob nenhum fundamento, ser enquadradas como acréscimo patrimonial novo. Alega que o fisco violou a ampla defesa e o contraditório administrativo ao desconsiderar todos os comprovantes da origem dos ingressos financeiros que constam nas suas contas bancárias, não tendo qualquer interesse em alcançar a verdade dos fatos, o que seria facilmente atingível mediante a realização de perícia, que arbitrariamente foi denegada pela fiscalização. Diz que os recebimentos decorrentes de restituição das despesas efetuados em favor dos associados não se subsumem a hipótese de incidência das contribuições para p PIS e a COFINS, uma vez que não correspondem a ingressos monetários novos, representando mera recomposição de valores. Lembra que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de receita bruta. Insiste em que os pagamentos sob análise não decorrem da venda de mercadoria ou da prestação de serviços ou qualquer outra atividade que implique receita nova, mas sim de mera restituição de valores gastos pela Recorrente em favor de seus associados, razão pela qual, independentemente da hipótese de incidência considerada das contribuições para o PIS e a COFINS, não haverá tributação. Afirma que não se está diante de omissão de receitas, como pretende a fiscalização, mas de meros ingressos financeiros decorrentes de restituição das despesas efetuados em favor dos associados, os quais não foram discriminados nas contas de resultados da Recorrente. Admite que a segregação das entradas financeiras teria evitado a presente autuação, mas pondera que o Fisco não pode, em total desrespeito aos princípios da legalidade, da tipicidade e do contraditório, constituir crédito tributário com base em frágeis indícios, e o que é pior se omitir de analisar os documentos apresentados pela Recorrente que demonstram a veracidade de suas alegações e recusar a realização de perícia contábil. Entende que, quando muito, a prática poderia implicar multa por descumprimento de dever instrumental, isto na hipótese de estar obrigada a manter escrituração contábil detalhada, o que não é o caso. Com base nessas considerações entende que não se pode considerar, sob nenhum argumento, que houve omissão de receitas para fins de constituição do crédito tributário, pois tais valores não foram incluídos na base de calculo do tributo simplesmente porque não se enquadram no seu conceito. Requer, afinal, a análise de todos os processos indicados no recurso (Processo n° 1618.000289/200386 IRPJ e CSLL, Processo n° 1618.000200/200381 COFINS e Processo n° 1618.000292/200308 PIS), e que são decorrentes da suspensão da isenção, e o cancelamento da exigência. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 16 16 Alternativamente, na hipótese de não ser acolhido o pedido de reconhecimento da nulidade da autuação, requer que sejam baixados os autos em diligência, determinandose a realização de perícia contábil, a fim de que se comprove a origem dos ingressos financeiros que constam nas suas contas bancárias. É o relatório. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 17 17 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Manifestome, inicialmente, sobre questão levantada, na tribuna, pela patrona da Recorrente, alegando existência de outro processo, ainda não julgado, que seria prejudicial ao presente julgamento. As exigências em face da interessada tiveram início com representação fiscal para suspensão da isenção, objeto do processo nº 11618003085/200216, protocolizado em 18/09/2002. Baixado o ato declaratório da perda da isenção, foram lavrados autos de infração contra a entidade, que correm sob os seguintes processos: O processo n. 11618.000289/200386 contém os autos de infração de IRPJ e os decorrentes, CSLL, PIS e COFINS sobre omissão de receitas e IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados. O presente processo (11618003085/200216) tratava apenas da isenção. A manifestação de inconformidade foi enviada à DRJ em Recife, para julgamento (fls. 460). Porém, a competência foi transferida para Belo Horizonte (fl. 462). Como havia processo de IRPJ e decorrentes (o de nº 11618.000289/200386), a DRJ em Belo Horizonte o mandou de volta a Recife para ele ser anexado ao de nº 11618.000289/200386 e retorno do conjunto à DRJ Belo Horizonte (fls. 462). Foi feita a anexação e o processo n.11618.000289/200386 não mais corre em separado, passando a integrar o presente processo. Confirase: A fl. 01 do processo n. 11618.000289/200386 passou a ser a fl. 464 do presente (vol. III). No verso da fl. 475, constam os selos de protocolização do processo n. 11618.000289/200386. A folha 713 do presente processo (11618.003085/200216), última do No. processo Data do protocolo Matéria 11618.000200/200381 30/01/2003 COFINS 11618.000289/200386 07/02/2003 IRPJ e reflexos 11618.000292/200308 10/02/2003 PIS 11618.001408/200381 10/06/2003 IRRF Fl. 17DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 18 18 volume III, corresponde à fls. 250 do processo n. 11618.000289/200336, e que é o termo de encerramento do seu volume I. Das fls. 464 (volume III) às fls 3099 (Volume XIII) está inserido o processo n. 11618.000289/200386, com as fls. renumeradas. A partir da fl. 3000 continuou a correr apenas o presente processo. Nele a DRJ em Belo Horizonte julgou a perda da isenção e os autos de infração que eram do processo n. 11618.000289/200386 (e que passaram a compor este processo 11618.003085/200216). O processo nº 11618.000200/200381, relativo à COFINS se refere ao mesmo período, mas não é decorrente do presente, eis que trata apenas de falta de recolhimento. Este processo foi julgado na Sessão de 24/02/2011, e foi provido, porque a apreciação independia do resultado da perda da isenção, eis que o auto de infração foi cancelado por ter sido lavrado com base em dispositivo declarado inconstitucional pelo STF (alargamento da base de cálculo). Os demais processos apontados pela patrona ainda em tramitação não são decorrentes, e não têm nenhuma influência no julgamento do presente. Portanto, não há nenhum impedimento para o julgamento deste processo, e sendo assim, passo a analisálo. A petição recursal está articulada em 3 itens, o primeiro resumindo os fatos, o segundo discorrendo quanto ao direito e o terceiro dedicado ao pedido. O item II (Do Direito), no qual a Recorrente defende seu direito, compreende os seguintes tópicos: II.1 Da suspensão da isenção. II.2 Da quebra de sigilo bancário. II.3 Da irretroatividade da legislação tributária. II.4 Da presunção legal. II.4.1 Do ônus da prova II.4.2 As regras matrizes de incidência tributária das contribuições para a seguridade social previstas no art. 195, I, “b” e “c” da Carta Magna. II.4.3 Da definição de faturamento e receita. II.4.4 Os recebimentos de restituição de despesas em favor dos associados não se subsumem ao conceito de receita A questão da suspensão da isenção é prejudicial, cabendo sua análise em preliminar. Essa questão está tratada no item II.1 do recurso. O dispositivo que ampara a isenção da Recorrente é o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997, que dispõe: Fl. 18DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 19 19 Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas “a” a “e” e § 3ª, e dos arts. 13 e 14”. Os requisitos previstos nas alíneas “a” a “e” do § 2º e no § 3º, do art. 12 são os seguintes: § 2º (...), as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal. (...) §3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Os artigos 13 e 14 tratam, respectivamente, dos motivos e procedimento para suspensão do benefício. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 20 20 A Recorrente é entidade constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, cuja finalidade precípua, prevista no seu Estatuto, é "adquirir informações técnicas e organizar o associativismo, inclusive com base no código de ética, aprovado em Assembléia Geral”. A suspensão da isenção deuse por inobservância dos requisitos para seu gozo apontados pela fiscalização, e que teriam sido os seguintes: i) escrituração, a menor, das receitas financeiras auferidas em Fundos de Investimentos de Renda Fixa; ii) escrituração de receitas provenientes dos descontos sobre resgates de valestransporte e passesestudantis realizados com não associadas, quais sejam, a empresa Viação Roger Ltda e a empresa Viação Santa Rita Ltda; iii) escrituração de receitas provenientes do convênio com a União Pessoense dos Estudantes Secundarista — UPES relacionada à carteira estudantil. iv) falta de escrituração da receita proveniente dos descontos sobre resgates de valestransporte e passes estudantis realizados com a empresa Viação Boa Vista Ltda, não associada. As irregularidades apontadas nos itens i e iv” supra representariam descumprimento da alínea “c” do § 2º do art. 12. E as apontadas nos itens ii e iii representariam desvirtuamento de finalidade. O fato de escriturar receitas provenientes dos descontos sobre resgates de valestransporte e passesestudantis realizados com duas empresas de transporte não associadas, e receitas relacionadas ao fornecimento da carteira estudantil, a meu juízo, não são suficientes para revelar desvirtuamento de finalidade. A Lei nº 7.418/85 atribuiu às empresas operadoras do sistema de transporte coletivo público a obrigação de emitir e comercializar o valetransporte, ao preço da tarifa vigente, colocandoo à disposição dos empregadores em geral e assumindo os custos dessa obrigação, sem repassálos para a tarifa dos serviços (art. 5º, caput), facultadoas a delegarem essa obrigação, bem como consorciaremse em central de vendas (§ 2º). Dessa forma, as operadoras de transporte associadas poderiam delegar a Recorrente a emissão e comercialização do valetransporte, o que se conteria no seu objetivo de organizar o associativismo. Contudo, na cidade de João Pessoa, o Poder Público Municipal transferiu para a AETC/JP a atribuição de emitir e comercializar o valetransporte. Assim, as duas empresas não associadas apontadas na representação fiscal, uma vez autorizadas pela Superintendência de Transportes Públicos a trafegar em João Pessoa, são obrigadas a receber os valestransporte emitidos pela Recorrente que, por seu turno, tem o dever de resgatálos. Não me parece que tal fato, bem como que a cobrança de taxa de custeio para se ressarcir do custo operacional, possam caracterizar desvio de finalidade por prestação de serviço a não associado. Da mesma forma, considerando que a condição de estudante secundarista assegura o desconto de 50% na tarifa de transporte urbano, não vejo como caracterizar Fl. 20DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 21 21 desvirtuamento de finalidade da Associação a assunção, mediante convênio com todas as entidades representativas de estudantes secundaristas e o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Paraíba, com a intervenção do Centro de Apoio Operacional às Curadorias de Defesa do Consumidor, a fiscalização e confecção das carteiras estudantis. Sobre a escrituração a menor das receitas financeiras e a falta de escrituração dos descontos sobre vales transporte da empresa não associada, alega a Recorrente que as imprecisões na contabilidade não configuram, por si sós, violação ao dispositivo legal, tendo em vista que, por ser pessoa jurídica sem fins lucrativos e ter papel fundamental como auxiliar do Estado na realização de suas atividades, não há exigência de que os registros contábeis sejam feitos de forma rigorosa. Equivocada, porém, a interpretação da Recorrente. A exigência de manutenção de escrituração completa das receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão é que possibilita a averiguação do resultado, de maneira a verificar se o eventual superávit obtido foi aplicado integralmente na manutenção dos seus objetivos sociais. Assim, a contrário do que entende a Recorrente, os registros de despesas e receitas devem ser completos, e a omissão desses registros representa descumprimento de requisito para a manutenção da isenção, sendo razão suficiente para suspendêla. No caso concreto, nem mesmo é possível ponderar da razoabilidade da suspensão da isenção em razão da falta de registro total das receitas, eis que a escrituração contábil não se reveste de total transparência, de forma a permitir e averiguar a eventual distribuição de resultados. Vejase que, entre outros fatos, a fiscalização apurou pagamentos a beneficiários não identificados. De acordo com a lei, o descumprimento de um só requisito é suficiente para a suspensão do benefício. Isto posto, não acolho a preliminar de manutenção da isenção. Quanto aos autos de infração, em grau de recurso a interessada, objetivamente, limitase a defender que os ingressos financeiros que obteve não constituem receitas, devendo ser excluídos das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL e da COFINS, e, quanto ao IRRF relativo a pagamento a beneficiários não identificados ou sem causa, que o auto deve ser cancelado, pois não ficou explicitado como foi efetuado o cálculo e o reajustamento dos rendimentos, tarefa que compete exclusivamente à autoridade administrativa. A questão do reajustamento da base de cálculo do IRRF sequer necessitaria de explicitação, pois constitui aplicação matemática de regra expressa na lei (§ 3º do art. 61 da Lei nº 8.981/91: o valor pago é considerado rendimento líquido, já descontado o imposto). É raciocínio elementar de álgebra compor a equação em que a incógnita (rendimento reajustado) corresponde ao rendimento pago acrescido de 35% do seu valor, que corresponde ao imposto. Não obstante, a decisão recorrida de forma didática, explicitou a equação matemática e elaborou quadro demonstrativo dos valores lançados. Os itens II.2 e II.3 do recurso tratam da quebra do sigilo bancário e da irretroatividade da lei tributária, referindose à utilização dos dados da CPMF. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 22 22 Sobre o sigilo bancário, a Recorrente alega inconstitucionalidade flagrante na autuação relacionada com a utilização, pelo Fisco, de dados bancários obtidos sem autorização judicial. Contudo, essa alegação de “quebra de sigilo” é impertinente, pois não houve acesso, por parte do Fisco, à movimentação bancária da Recorrente diretamente junto às instituições financeiras. Conforme consta do item 5 do Relatório de Fiscalização (fls. 4 do relatório), os extratos da movimentação financeira da Recorrente junto ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica e ao Banco Real foram por ela própria fornecidos à fiscalização, em atendimento a intimação constante do Termo de Início. E a omissão de receitas de aplicações financeiras foi apurada pela fiscalização a partir das informações prestadas pelos bancos nas DIRFs. A invocação de irretroatividade da legislação tributária está relacionada com a possibilidade de utilização de dados da CPMF. Ocorre que essa matéria é estranha aos autos, porquanto, como visto acima, a fiscalização não se utilizou de dados da CPMF para constituir os créditos tributários do presente processo, e mesmo que assim não fosse, essa matéria não comporta discussão neste Conselho, por ser objeto da Súmula CARF nº 35, com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Os itens II.4 e II.4.1 tratam de presunção legal e ônus da prova. A Recorrente discorre sobre presunção legal e ônus da prova, dizendo descaber a inversão do ônus da prova em razão da presunção de legitimidade do ato administrativo. Assevera que os ingressos financeiros em suas contas correspondem a atividades por ela realizadas que implicam despesas em favor dos associados, que são posteriormente restituídas. Diz ser insustentável a posição de que a presunção de legitimidade do lançamento exime a Administração, que estaria obrigada apenas a contestar eventuais provas apresentadas pelo contribuinte ou, como é o caso, simplesmente presumir algo em razão da falta delas. Diz ser latente a ilegalidade do Fisco, porque não foi analisada a documentação da Recorrente, tendo sido, inclusive, indeferido o pedido de perícia. Essa parte do discurso da Recorrente carece de objetividade, eis que em momento algum o lançamento está baseado em presunções, bem como o fisco não se omitiu de provar suas alegações. Do que consta dos autos temse que: (i) não houve apuração de omissão de receitas baseada em ingressos financeiros nas contas da recorrente; (ii) as omissões de receitas de aplicações financeiras foram apuradas mediante confronto entre os valores informados pelo banco nas DIRFs e os valores contabilizados, e a recorrente não nega têlas auferido, apenas alega que não as contabilizou em conta de resultado, fazendo apenas figurar no ativo o valor resgatado; (iii) a omissão de receitas provenientes dos descontos sobre resgates de valestransporte e passes estudantis realizados com a empresa Viação Boa Vista foi apurada do confronto da documentação com os livros contábeis. (iv) as demais receitas operacionais que integraram a base de cálculo dos tributos exigidos são as contabilizadas pela Recorrente. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 23 23 Logo, demonstrado pelo Fisco em que se funda sua acusação de omissão de receitas, cabia à ora recorrente trazer as provas que, eventualmente, pudessem elidir a acusação. Quanto ao pedido de perícia, não houve indeferimento, eis que sequer foi formulado nos termos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, o que implica seu não conhecimento, conforme mandamento do § 1º do mesmo artigo. Os itens II.4.2 e II.4.3 falam das regras matrizes de incidência das contribuições para financiamento da seguridade social e da definição de faturamento e receita. E o item II.4.4 faz referência aos recebimentos decorrentes de restituição das despesas efetuadas em favor dos associados. Alega a Recorrente que tais valores, ainda que envolvam um crédito em conta de resultado, ou até mesmo um registro específico na conta de receitas, não representam receitas tributáveis, uma vez que não correspondem a ingressos monetários novos, mas mera recomposição de valores. Inicialmente, e para que não paire dúvida relacionada ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS trazido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/88, observo que, para essas contribuições, a autoridade fiscal considerou apenas as receitas não escrituradas provenientes dos descontos sobre os resgates de valestransporte e passes estudantis realizados com a Empresa Viação Boa Vista Ltda., que constituem receitas de prestação de serviços. A recorrente faz menção a recebimentos decorrentes de restituição das despesas efetuadas em favor dos associados, que estariam compreendidos dentro dos valores contabilizados como receitas de contribuição das associadas (que influenciaram as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL). Inicialmente, observo que não se pode ter como inerente ao associativismo o pagamento e contabilização, como próprias, de despesas das associadas para posterior ressarcimento. Esse expediente possibilitaria a dedução, pelas associadas, de despesas indedutíveis (por exemplo, despesas de brindes, ou liberalidades), como parte integrante da contribuição para a Associação. O pleito da Recorrente para excluir da base de cálculo o valor correspondente a ressarcimento de despesas, quando muito, poderia ser analisado pelo julgador em relação às despesas glosadas correspondentes ao item 5.4.4 (despesas de seguros das frotas de ônibus das associadas). Para isso, contudo, seria necessário que a Recorrente demonstrasse, de forma analítica e objetivamente, os valores correspondentes ao ressarcimento e sua integração às receitas de contribuição dos associados. Por fim, é ônus da Recorrente a comprovação da origem dos ingressos financeiros que constam nas suas contas bancárias, descabendo querer imputar à administração tributária a produção de provas em seu favor, mediante determinação de perícia contábil. Pelas razões acima expostas, entendo que não merece qualquer reforma a r. decisão recorrida, razão porque, NEGO provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de março de 2012. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 11618.003085/200216 Acórdão n.º 1301000.825 S1C3T1 Fl. 24 24 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 24DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10865.902025/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. FASE AGRÍCOLA. INSUMO DE INSUMO. POSSIBILIDADE.
Os chamados insumos de insumos geram direito a crédito de Pis e Cofins, quando pertencentes ao ciclo de produção e sejam de natureza não administrativa. Não há vedação a tais créditos, na legislação de Pis e Cofins e na jurisprudência vinculante (Resp 1.221.170/PR)
PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3201-004.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para manter a glosa apenas dos gastos com o pagamento de pedágios. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator), que lhe negava provimento, e os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe davam integral provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMO Recorrente ABENGOA BIOENERGIA AGROINDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA PÚBLICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. FASE AGRÍCOLA. INSUMO DE INSUMO. POSSIBILIDADE. Os chamados “insumos de insumos” geram direito a crédito de Pis e Cofins, quando pertencentes ao ciclo de produção e sejam de natureza não administrativa. Não há vedação a tais créditos, na legislação de Pis e Cofins e na jurisprudência vinculante (Resp 1.221.170/PR) PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para manter a glosa apenas dos gastos com o pagamento de pedágios. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator), que lhe negava provimento, e os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe davam integral provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 20 25 /2 01 3- 56 Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 3 2 Marcelo Giovani Vieira – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de crédito oriundo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins não cumulativa, apurado no terceiro trimestre de 2010. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo do pedido de ressarcimento n.º12852.99759.190412.1.1.0902396, no valor de R$ 5.652.452,96 relativo à Cofins Não Cumulativa – Exportação apurada no 3º trimestre de 2010. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira / SP, por meio do Despacho Decisório de fls.491/493, deferiu parcialmente o pedido, em razão de glosas na análise da documentação que lastreia o pedido inicial, por meio da fiscalização levada a efeito e concluída conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls.457/484. Ao examinar a contabilidade e os demonstrativos (Dacon) da empresa, a fiscalização apurou divergências em relação aos procedimentos por ela adotados e as disposições legais que regem as contribuições, procedendo a ajustes e glosas, conforme segue: 5.1 DESPESAS COM PEDÁGIO Da análise realizada nas parcelas que compõem a base de cálculo dos créditos constante na Planilha de Apuração apresentada pelo contribuinte, foi constatado a inclusão de despesas com PEDÁGIO na rubrica de créditos destinada as "Despesas de frete na operação da venda" (DACON Ficha 06 A e 16 A Linha 07), que não geram crédito para PISCOFINS na sistemática do regime nãocumulativo. (...) Pela leitura inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003 é restritivo e abrange apenas o frete, não incluindo seus acessórios. É situação diversa do frete na aquisição de insumos, cujas despesas acessórias de frete integram o custo de aquisição. No caso do frete de venda, é apenas ele que dá direito a crédito, não seus acessórios. Assim, não cabe o desconto de crédito em relação a despesas com pedágio. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 4 3 5.2 SERVIÇOS CONTRATADOS NO EXTERIOR Da análise realizada nas parcelas que compõem a base de cálculo dos créditos constante na Planilha de Apuração apresentada pelo contribuinte, foi constatado a inclusão de despesas com Serviços Contratados no Exterior na rubrica de créditos destinada as "Serviços Utilizados como insumo" (DACON Ficha 06A e 16A Linha 03), que não geram credito para PISCOFINS na sistemática do regime nãocumulativo. (...) Através das Faturas e Contratos de Cambio de Transferência Financeiras para o Exterior apresentados pela empresa, verificouse que os serviços foram prestados pelas empresas ABENGOA S/A e ABENGOA BIOENERGIA S/A sediadas na cidade de Sevilla Espanha. Notese também que os serviços contratados referemse a assessoria, apoio técnico e FEE (Taxas e comissões) que não enquadram no conceito de "insumo" para fins de creditamento do PISCOFINS, conforme Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004. 5.3 BENS E SERVIÇOS QUE NÃO SE ENQUADRAM COMO DE INSUMO Em continuidade a análise nas parcelas que compõem a base de cálculo dos créditos constante na Planilha de Apuração apresentada pelo contribuinte, foi constatado a inclusão de despesas com bens e serviços nas rubrica de créditos informadas na DACON Ficha 06A e 16A "Linha 02 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO" "Linha 03 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO" "Linha 06 ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS" "Linha 10 SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO" consumidos no setor AGRÍCOLA para produção de canadeaçúcar, que não geram credito para PIS COFINS na sistemática do regime nãocumulativo. (...) Da análise dos locais de aplicação dos insumos que geraram crédito para ABENGOA, percebese que muitos deles não se enquadram no conceito de insumo, pois não foram aplicados diretamente no produto em fabricação destinado à venda. Com isso, considerando que a legislação autoriza o desconto de créditos calculados em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, verificase a impossibilidade de desconto de créditos relacionados aos insumos aplicados na produção da canadeaçúcar consumida pela própria usina. O desconto seria permitido somente em relação à parcela destinada à venda. 5.4 FRETE INTERNO Na verificação realizada nas parcelas que compõem a base de cálculo dos créditos constante na Planilha de Apuração apresentada pelo contribuinte, foi constatado a inclusão de despesas com Frete na rubrica de créditos destinada Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 5 4 as "Despesas de frete na operação de venda" (DACON Ficha 06A e 16A Linha 07), que não geram credito para PISCOFINS na sistemática do regime nãocumulativo. Primeiramente a fiscalização esclarece que, conforme justificativa apresentada pela ABENGOA, os fretes informados na Planilha de Apuração DACON L07 1352/2352 Transportes foram incorretamente lançados na DACON na rubrica destinada a "DESPESAS COM FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA", e de fato referemse a fretes no transporte de canadeaçúcar utilizada no processo de produção de álcool/açúcar. Porém, na analise dos CTRC Conhecimento de Transporte Rodoviário de Carga aplicados no setor AGRÍCOLA, constatou se que referemse ao transporte de canadeaçúcar de produção da própria da empresa, ou seja, tratase de despesas com Frete Intercompany (entre estabelecimentos da mesma PJ). Os gastos com transporte na aquisição dos insumos podem compor a base de cálculo dos créditos não cumulativos uma vez que integra o custo das mercadorias adquiridas. No presente caso, a canadeaçúcar já é propriedade da empresa, portanto, não tratase de aquisição de mercadorias. Ao final, o Auditorfiscal informou que fez a recomposição da base de cálculo dos créditos do pis/cofins, sendo efetuado a glosa dos créditos de despesas com pedágio, serviços contratados no exterior, bens/serviços e encargos de depreciação de maquinas/equipamentos consumidos e utilizados no setor agrícola e frete interno e fez breve menção acerca de eventual lançamento de ofício: Por final, será lavrado o Auto de Infração pelas GLOSAS de valores em Pedidos de Ressarcimento PER que partir da data de 16.12.2009 estão sujeitos a multa de 50% (cinquenta) sobre o valor dos créditos indevidos não homologados, nos termos § 15 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 com a redação do artigo 62 da Lei n° 12.249/2010. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 512/547, tecendo seus argumentos. 2. PRELIMINAR SUSPENSÃO DA MULTA ISOLADA DE 50% APLICADA COM FUNDAMENTO NO ART. 74 DA LEI 9.430/96 Conforme se constata do termo de verificação fiscal, em decorrência da glosa parcial dos créditos da Manifestante foi lavrado Auto de Infração impondo multa de 50% sobre o valor das glosas. Contudo tendo em vista que a análise administrativa do direito ao crédito ainda não se esgotou na via administrativa, visto que a questão ainda é passível de discussão perante a DRJ e o CARF, fica claro que em caso de reconhecimento dos créditos a multa tornarseá automaticamente indevida. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 6 5 No item 3 a interessada explica que é agroindústria, seu objeto social e discorda das conclusões do Auditorfiscal. No item 4, informa que sendo agroindústria, tratase de um complexo agroindustrial que tem como ponto de partida a cultura da cana de açúcar, principal matériaprima utilizada na produção do álcool e açúcar, cuja fase do processo produtivo representa a atividade agrícola da Agroindústria e: Dessa forma, a fase agrícola da Manifestante também está inclusa para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS, referente aos gastos com bens, insumos e serviços utilizados na produção da cana de açúcar (matéria prima do açúcar e álcool). Explica o processo produtivo e argumenta que desde a adequação e preparo do solo para o cultivo da cana de açúcar até a comercialização do álcool e do açúcar, diversas etapas são vislumbradas no processo de produção, tornando necessária a verificação de todos os dispêndios efetivamente incorridos, valendose da sistemática não cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, bem como da essencialidade dos insumos aplicados no processo de fabricação de produtos destinados a venda, para o reconhecimento do direito creditório da Manifestante e também: Dessa forma, conforme será demonstrado nos tópicos a seguir, não há como restringir o conceito de insumos a determinadas fases/operações do processo produtivo para fins de tomada de créditos, como o fez a Ilma. Fiscalização, uma vez que é necessário considerar todos os gastos inerentes à atividade econômica empresarial e imprescindíveis para a formação do produto destinado à venda. Explica a importância do Setor Sucroalcooleiro e das dificuldades suportadas no país e afirma que a não cumulatividade das contribuições vieram para desonerar a cadeia produtiva (item 4.2) 4.3. Do Entendimento com Relação ao Conceito de INSUMO Aplicável Na Sistemática NãoCumulativa do PIS e da COFINS. A interessada argumenta que as leis de regência das contribuições para o PIS e para a Cofins contêm a previsão do aproveitamento de bens e serviços utilizados como insumo na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes. Apesar da previsão quanto a nãocumulatividade do PIS e da COFINS, de fato, nenhuma das leis citadas conceitua o termo INSUMO e, tampouco, remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para a busca do seu significado. Dessa forma, ainda que o legislador ordinário não tenha definido o que são insumos, OS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA PAUTAR O CREDITAMENTO, NO QUE SE REFERE AO IPI, NÃO SÃO APLICÁVEIS AO PIS E À COFINS. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 7 6 Sendo assim, sob o ponto de vista exclusivamente legal, uma análise detida das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo "insumo" fosse buscado na legislação do IPI. Entende que a melhor forma de apuração seria adotar aquela do IRPJ: Com efeito, a concepção estrita de insumo adstrita à legislação do IPI não se coaduna com a base econômica de PIS e COFINS, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção de receita com o produto ou o serviço. Por isso, o critério que se mostra consentâneo com a noção de receita é o adotado pela legislação do Imposto de Renda, em que os custos e as despesas necessárias para a realização das atividades operacionais da empresa podem ser deduzidos. Transcreve julgados administrativos e judicial. 4.4. Da Indevida Glosa dos BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS A interessada aborda as glosas pontualmente e entende serem todas indevidas e que mesmo as atividades agrícolas estariam diretamente relacionadas com a produção de açúcar e álcool. 4.4.1. Do Direito ao Crédito de PIS/Pasep e da COFINS Oriundo das Aquisições de Bens Aplicados na Atividade Agrícola De acordo com o raciocínio desenvolvido, sustentou que os créditos de sua atividade agrícola são passiveis de aproveitamento, pois ela é parte integrante de seu processo produtivo, o qual descreve sucintamente. 4.4.2. Do Direito ao Crédito de PIS/Pasep e COFINS sobre o ativo imobilizado utilizado no processo agrícola A Fiscalização glosou os créditos descontados à proporção de 1/48 em relação ao ativo imobilizado por estarem vinculados à fase agrícola do processo produtivo da Manifestante, sendo ponto de discordância conforme discorre: Ora como não poderia deixar de ser, as máquinas agrícolas, equipamento, ferramentas, caminhões, automóveis, tratores, e outros utilitários, como demonstrado na tabela I, são essenciais ao preparo do solo, cultivo corte e carregamento da canade açúcar. 4.4.3. Do Direito ao Crédito com Relação às Despesas Aluguéis de Máquinas e Equipamentos, Pagos à Pessoa Jurídica, Utilizados nas Atividades da Empresa A interessada informa que o Auditorfiscal procedeu à glosa das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, ao alegar que as atividades prestadas por estas empresas "estão exclusivamente relacionadas às atividades de reflorestamento". Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 8 7 4.4.4. Do Direito ao Crédito de PIS/Pasep e da COFINS Oriundo de combustíveis e lubrificantes de máquinas agrícolas, caminhões, automóveis, veículos utilitários e outros Defende que, para o desempenho da atividade (agroindustrial) da Manifestante, é imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange a adequação e preparo do solo, o plantio de cana de açúcar, o cultivo e tratos culturais na cana de açúcar, o corte, carregamento e transporte, moenda, tratamento do caldo, cozimento, fermentação e destilaria. Nesta esteira, entende serem devidos todos os créditos de combustíveis, lubrificantes, das peças de manutenção de máquinas e implementos agrícolas e veiculares: Assim, como não considerar um insumo essencial o combustível empregado nos caminhões, carretas, tratores e carregadeiras que transportam a própria cana de açúcar (que á a matéria prima para a produção de álcool) da lavoura para a unidade industrial? 4.5. Da Indevida Glosa dos SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS A contribuinte entende que todos os serviços por ela contratados são passíveis de creditamento, inclusive aqueles na fase agrícola, uma vez que são essenciais na produção do álcool destinado à venda. 4.5.1. Alocação Do Direito ao Crédito de PIS/Pasep e da COFINS Oriundo de serviços com manutenção da frota Argúi que os serviços de manutenção da frota na fase agrícola, são realizados em máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagos a pessoa jurídica domiciliada no país, gerando, portanto, direito a créditos a serem descontados das Contribuições ao PIS e a COFINS. Dessa forma, evidenciado que o direito de crédito não fica restrito aos insumos utilizados na industrialização, que é a fase final da produção, mas ao longo de todo o processo produtivo, o que inclui os custos empregados na fase agrícolas, requer a reforma do r. despacho decisório para o fim de reconhecer o direito creditório da Manifestante com relação aos serviços utilizados como insumo, em especial, os serviços de manutenção da frota mecanizada. 4.6. Da Indevida Glosa das DESPESAS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DA CANA DE AÇÚCAR DA ZONA RURAL PARA A INDÚSTRIA Sob sua ótica, as glosas de fretes decorrentes de operações de transporte da canadeaçúcar do seu "estabelecimento" zona rural até estabelecimento industrial para processamento e produção do açúcar e álcool para venda, seriam indevidas, uma vez que a prestação de serviço de frete em elaboração é tributada pelas contribuições ao PIS e COFINS, e a mesma se revela como um custo necessário à sua atividade produtiva. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 9 8 Por fim, solicita juntada posterior de provas, perícia e reforma da decisão contida no Despacho Decisório. A 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1464.158, de 16/02/2017 (fls. 638 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da não cumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PEDIDO DE PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências ou perícia, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 675 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 10 9 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de crédito de Cofins não cumulativo, com origem no 3º trimestre de 2010. Deferido em parte o pedido e interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua improcedente. Em síntese, a Recorrente contesta, no recurso voluntário, a glosa de créditos sobre despesas com pedágio, bens e serviços e encargos de depreciação de bens utilizados no setor agrícola e frete interno. Vemos que, em parte, o litígio versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão proferida na sistemática dos recursos repetitivos (portanto, de observância obrigatória neste Colegiado Administrativo, conforme art. 62 do RICARF/2015), deve atender aos critérios da essencialidade e da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 11 10 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. No caso específico, a Recorrente é empresa agroindustrial e apresenta o seguinte objeto social: (i) produção, beneficiamento, industrialização, comercialização de canade açúcar em terras próprias e/ou terceiros, inclusive mudas; e (ii) produção e comercialização – nacional e exportação – de energia elétrica, de açúcar, de álcool, e de outro derivados e subprodutos da indústria sucralcooleira. As despesas com o pagamento de pedágios obviamente não podem ser consideradas insumos. Sequer como serviços se caracterizam, mas como a mera retribuição, pelo direito de passagem, mediante taxa ou tarifa (preço público), a uma autarquia ou uma concessionária de bem público. Os bens e serviços utilizados na fase agrícola, assim como a depreciação de tais bens, também não ensejam o creditamento. É que, segundo o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente geram o direito ao crédito, no regime não cumulativo, os bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vejam: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 12 11 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Notese que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Se se pretendesse abarcar todos as despesas realizadas para a Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 13 12 obtenção da receita, não veríamos o elenco de hipóteses que vemos na norma. Ademais, consoante deixou cristalino o legislador na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, um dos principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. 1 Admitir que, no cálculo dos créditos, se incluam os dispêndios na aquisição daqueles bens ou serviços só remotamente empregados na produção do produto final ou no serviço prestado – os chamados "insumos dos insumos" – é não apenas permitir o que o legislador pretendeu desestimular, mas é também legislar. Afinal, os diplomas legais aqui referidos delimitaram os insumos àqueles bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço prestado ao tomador, não aqueles bens ou serviços consumidos, pela próprio contribuinte, em etapas anteriores, aqueles, enfim, só remotamente empregados. No caso em tela, como já antecipamos, os créditos pretendidos pela Recorrente têm origem nos gastos realizados na produção da cana de açúcar, ou seja, na fase agrícola, não na industrial (é só nesta fase que se pode permitir o creditamento com fundamento no inciso II do art. 3º). Considerando que tais despesas não foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos vendidos (v.g., nem por hipótese o defensivo agrícola por entrar na fabricação do açúcar, do álcool ou de subprodutos da indústria sucralcooleira), não se faz possível o creditamento. É como vem entendendo a 3ª Turma da CSRF. Exemplificativamente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes para o maquinário agrícola e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de cana de açúcar. 1 Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 2003: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 14 13 (Redator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.541, de 16/08/2017) Os gastos com o frete interno foram realizados no transporte de cana de açúcar de produção própria (fl. 472). Noutras palavras, ainda que tenha havido despesas incorridas para a produção da matériaprima, não houve a sua aquisição (ao menos para o caso aqui tratado). É fato, a própria RFB entende que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 15 14 equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 16 15 Contudo, como se vê, há de haver a aquisição do insumo, o que não é o caso, porém. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 17 16 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado Fui designado para redigir o voto vencedor quanto à tese do direito de crédito sobre os chamados “insumos de insumos”. A Receita Federal sustenta a tese de que insumos de insumos não gerariam direito a crédito, pois seriam anteriores à fase de produção. A ideia parece ter origem, mais uma vez, na legislação do IPI, onde o extrativismo não se configura como industrialização. Assim, tanto a agricultura quanto a mineração, por exemplo, não são tributadas pelo IPI e não geram direito a crédito de IPI. Todavia, essa configuração é totalmente estranha à legislação do Pis e da Cofins, não podendo ser estendida, porque o termo “produção” não se confunde com “industrialização”. A fase agrícola da produção é produção, e não há sentido jurídico em separála das outras fases de produção, salvo no IPI. Assim, todos os insumos do processo produtivo, mesmo que o processo produtivo possua inúmeras fases, geram direito a crédito para o Pis e Cofins, no regime não cumulativo. Não se incluem, todavia, no processo produtivo, os dispêndios cuja natureza não seja relacionada à produção, isto é, dispêndios relacionados a administração do negócio, tais como contabilidade, controle, pesquisa de mercado, assessorias, etc, como já visto. Anoto o julgamento do Resp 1.221.170/PR, sob o regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC/73), que vincula o Carf (art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno), e que amoldase perfeitamente às teses aqui expostas. Com efeito, no referido Resp se estabeleceu: que se trata de esclarecer o conceito de insumos e que tais insumos se inserem no contexto da produção; de fato, firmouse a representatividade da controvérsia “com a finalidade de definir o conceito de insumo, tal como empregado nas Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, para o efeito de reconhecer (ou não) o direito ao crédito de Pis e Cofins dos valores incorridos na aquisição coisas empregadas na elaboração de produtos, visando à sua aplicação, direta e indireta, no processo de produção respectivo”; além disso, o voto vista da Ministra Regina Helena Costa, cujas razões foram encampadas pelo voto condutor do acórdão, não admitiu, nem em tese, despesas como “seguros, viagens e conduções, despesas gerais comerciais”; que o determinante para caracterização do insumo como gerador do direito de crédito é sua essencialidade e relevância para o ciclo produtivo. Assim, não importa a fase de utilização do insumos, mas sua relevância ao processo produtivo. Com efeito, o critério de fase, herdeiro ainda de conceitos próprios do IPI, conforme visto, é estranho ao PIS e Cofins, aos quais se aplicam os conceitos de essencialidade/pertinência e relevância. A relevância é mais abrangente, no sentido de compreender, por exemplo, equipamentos de proteção individual e tratamento de efluentes. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10865.902025/201356 Acórdão n.º 3201004.012 S3C2T1 Fl. 18 17 Desse modo, entendo que os insumos do processo produtivo, independentemente de sua fase, geram direito a crédito, no regime não cumulativo do Pis e Cofins. (assinatura digital) Conselheiro Marcelo Giovani Vieira Fl. 735DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908962/2012-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 89 62 /2 01 2- 87 Fl. 160DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos, adoto o relatório produzido pelo tribunal de origem, a 4ªTurma da DRJ/BSB: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 23110.83997.220611.1.3.042407, transmitida eletronicamente em 22/06/2011, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 05/11/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 7), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 30.248,63. Cientificado dessa decisão em 19/11/2012, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 17/12/2012, manifestação de inconformidade à fl. 11 a 15, acrescida de documentação anexa. Em suma, a contribuinte esclarece que teria cometido um equívoco no preenchimento da DCTF original referente ao período em análise e que o valor pago teria sido maior do que o efetivamente devido. Acrescenta a DCTF foi retificada após a data da entrega do PER/DCOMP objeto dos autos, de modo que não evidenciou a situação de prejuízo da empresa no período. Conclui que a DCTF, a DIPJ e o PER/DCOMP continham Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10380.908962/201287 Acórdão n.º 3001000.374 S3C0T1 Fl. 3 3 informações divergentes, o que acabou por ocasionar o indeferimento do crédito tributário pleiteado. Enfatiza que possui o crédito e, no intuito de comprovar seus argumento, anexa aos autos cópia do Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur, bem como documentos contábeis (Balancete de Verificação), que servem de prova do prejuízo fiscal apurado no período. Informa, também, que os dados declarados na a DIPJ do período, transmitida antes do recebimento do Despacho Decisório, estão corretos. Ao final, diante das razões de fato e de mérito apresentadas, requer que o Despacho Decisório seja integralmente reformado para que o presente processo seja devolvido a fim de que seja realiza diligência visando a efetiva averiguação, por parte da autoridade administrativa, da existência do crédito decorrente de CSLL. No voto, a DRJ/Brasília informou que: (...) a simples entrega de declarações retificadoras, bem como cópias da DIPJ ou do Lalur, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. E, finalmente, votou pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. No Recurso Voluntário, a Recorrente, além de repetir as alegações da Manifestação de Inconformidade, atentou para duas questões: 1. A decisão da DRJ/BSB teria se equivocado porque (itens 10 e 11 do RV): A origem do crédito em discussão é COFINS e não CSSL, como consta na decisão recorrida: Ao final, diante das razões de fato e de mérito apresentadas, requer que o Despacho Decisório seja integralmente reformado para que o presente Fl. 162DF CARF MF 4 processo seja devolvido a fim de que seja realizada diligência visando a efetiva averiguação, por parte da autoridade administrativa, da existência de crédito decorrente de CSLL. 2. A decisão da DRJ não teria feito a melhor aplicação do direito ao caso porque (itens 12 e 13 do RV): Conforme se infere da leitura do Acórdão ora guerreado, temos que o indeferimento sob análise fundamentouse na inexistência de provas suficientes que atestem a legitimidade da compensação realizada pela Recorrente por meio do n° 23110.83997.220611.1.3.42407. Todavia, entendemos que a decisão proferida não fez a melhor aplicação do direito à matéria sob análise, tendo em vista que o crédito utilizado pela Recorrente dispensa a apresentação de qualquer documento contábilfiscal, já que se trata de crédito decorrente de pagamento de DARF realizado em duplicidade, conforme será demonstrado a seguir. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, inclusive o limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, razão pela qual deve ser conhecido. Inicialmente cabe a análise da alegação da Recorrrente de que houve equívoco na decisão da DRJ, ao confundir COFINS com CSLL. Verificase que na ementa do acórdão do tribunal a quo está claro o assunto: "CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS". No mesmo caminho, o relatório da 4ª Turma da DRJ/Brasília também se refere a "créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins". Pode, apenas ter ocorrido, um equívoco no final do relatório, quando da colocação da sigla CSLL em vez de COFINS. Entretanto, casos de contradição entre a decisão Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10380.908962/201287 Acórdão n.º 3001000.374 S3C0T1 Fl. 4 5 e seus fundamentos deveriam ser atacados no próprio tribunal a quo, por intermédio de Embargos de Declaração. O Recurso Voluntário não é o instrumento adequado para trazer à discussão eventual contradição na decisão da DRJ. De qualquer forma, pela leitura integral do acórdão percebese que, no caso, houve mero erro de digitação, incapaz de obscurecer o entendiemnto do leitor de que a decisão foi sobre assunto referente à COFINS. Assim, nessa questão, não cabe razão ao Recorrente. Quanto à "dispensa a apresentação de qualquer documento contábilfiscal" por parte do contribuinte, também entendo que não lhe cabe razão. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua defesa com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF): Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Vejase o Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º, § 1º) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao Fl. 164DF CARF MF 6 sujeito passivo o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9 º, § 3º). No caso em análise, a contribuinte esclarece que teria havido um equívoco no preenchimento da DCTF entregue originalmente referente ao período em análise e que o valor pago teria sido maior do que o efetivamente devido. Notase, então, que o crédito que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. A declaração do contribuinte em DCTF é confissão de dívida, que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, bem como cópias da DIPJ ou do Lalur, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10380.908962/201287 Acórdão n.º 3001000.374 S3C0T1 Fl. 5 7 Finalmente, quanto ao pedido de diligência, cabe esclarecer que a realização de diligência ou perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de esclarecimentos considerados obscuros no processo. No caso em análise, tais motivos são inexistentes, haja vista que nos autos constam todas as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão. Assim, nos termos do art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro o pedido de diligência, por considerálo prescindível para o julgamento da lide. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.000786/2010-45
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à Súmula CARF nº 98. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos da Súmula, sem outros condicionantes.
Numero da decisão: 2001-000.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à Súmula CARF nº 98. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos da Súmula, sem outros condicionantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 07 86 /2 01 0- 45 Fl. 80DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 9.360,95, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2007. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente não poderia ter utilizado como dedução do imposto de renda a pagar o valor de pensão alimentícia judicial em razão da idade dos filhos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à idade dos filhos, mesmo que definido em decisão judicial que o término da obrigação se daria com a conclusão de curso superior, nos termos que segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrada a presente Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2007, exercício 2008, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 18.467,27, sendo R$ 9.360,95 referentes ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 7.020,71 à multa de ofício e R$ 2.085,61 aos juros de mora (calculados até 30/06/2010). 2. No anexo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” é informado que, regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à intimação. Por esse motivo: 2.1 Foi glosado o valor de R$ 1.584,60, deduzido indevidamente a titulo de “Dependentes”, por falta de comprovação. 2.2 Foi glosado o valor de R$ 8.903,94, deduzido indevidamente a titulo de “Despesas Médicas”, por falta de comprovação. 2.3 Foi glosado o valor de R$ 25.065,07, deduzido indevidamente a titulo de “Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública”, por falta de comprovação. 2.4 Foi glosado o valor de R$ 1.044,40, deduzido indevidamente a titulo de “Contribuição à Previdência Privada e Fapi”, por falta de comprovação. 2.5 Foi glosado o valor de R$ 2.480,66, deduzido indevidamente a titulo de “Despesas com Instrução”, por falta de comprovação. Revisão de Ofício 4. A Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba, através do Termo Circunstanciado datado de 30/12/2010 (fls. 34/35), acatou parcialmente as alegações do contribuinte e sugeriu a retificação do valor do imposto suplementar a pagar, conforme Minuta de Cálculo de Revisão de Lançamento acostada às fls. 41. 4.1 Foram aceitos os documentos comprobatórios das deduções com dependentes, despesas médicas, e com previdência privada. 4.2 As despesas com instrução não foram comprovadas. Consta como beneficiário o Colégio São Judas Tadeu. 4.3 Com relação ao valor deduzido a título de “pensão alimentícia judicial”, o mesmo foi acatado parcialmente. 5. Em 07/01/2011 foi emitido o Despacho Decisório nº 049 (fls. 42), através do qual foi deferida a proposta de alteração do valor do imposto de renda pessoa física suplementar – dos R$ 9.360,95 para Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10820.000786/201045 Acórdão n.º 2001000.504 S2C0T1 Fl. 81 3 R$ 4.563,67. Foi concedido prazo de trinta dias para que o contribuinte se manifestasse contrariamente ao conteúdo do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, o que de fato ocorreu (fls. 45/54). Em seu arrazoado o interessado alegou, em síntese, que: Voto 8. O documento juntado às fls. 54 é apto a comprovar a ocorrência das despesas de instrução do filho (dependente) Thiago Ivo Pesuto. Restabelecido o valor de R$ 2.480,66 que havia sido glosado. 9. Agiu com acerto a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba ao concluir que os valores descontados a título de pensão alimentícia dos rendimentos percebidos pelo contribuinte não podem ser deduzidos, por tratarse de mera liberalidade. 9.1 Transcrevo a seguir trecho do acordo homologado judicialmente em 23/05/1994: “A título de pensão alimentícia aos filhos até completarem a maioridade civil ou concluírem curso universitário, acordam que o primeiro requerente contribuirá com 30% (trinta por cento) de seus vencimentos líquidos auferidos (...). Completada a maioridade civil dos filhos e conclusão de curso universitário, cessando a pensão alimentícia, convencionam, também, que a partir destas condições o primeiro requerente passará a contribuir em favor da segunda requerente, se esta necessitar, com 10% (dez por cento) de seus vencimentos líquidos. (...)” 9.2 Conforme destacado pelo Auditor Fiscal que procedeu à revisão do lançamento (fls. 34/35), os filhos Carlos e Gláucia tinham, no ano em questão, as idades de 29 e 24 anos respectivamente. Com relação ao filho mais novo Gabriel nascido em 01/12/87, se houvesse a comprovação de que o mesmo estava cursando universidade, o valor poderia ser deduzido. Caberia ao contribuinte comprovar a condição de universitário do filho Gabriel, o que não foi feito. 9.3 Assim, não tendo os pagamentos sido efetuados em cumprimento a acordo ou decisão judicial, agiu com acerto o agente revisor do lançamento ao concluir tratarse de mera liberalidade por parte do contribuinte. 11. Em face da comprovação da ocorrência da despesa com instrução (fls. 54) o valor do imposto suplementar revisto pela Seção de Fiscalização R$ 4.563,67 será alterado para R$ 3.881,49, conforme acima demonstrado. 12. Desta forma, em face de todo o exposto, voto pela PROCEDÊNCIA PARCIAL da impugnação apresentada, devendo o crédito tributário em questão ser retificado, na forma do voto. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 3.881,49, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 82DF CARF MF 4 Entretanto, apresenta sua total irresignação quanto a manutenção da glosa de dedução de pensão alimentícia judicial aos filhos Carlos Gustavo, Gláucia e Gabriel, ordenada por acordo e decisão judicial transitada em julgado, ficando totalmente impugnado, aguardando seja o presente Recurso Voluntário acolhido, julgado procedente e seu arquivamento. Senão vejamos: Está correta a dedução da pensão alimentícia judicial pactuada em acordo judicial devidamente homologado e transitado em julgado e devida aos filhos Carlos Gustavo, Gláucia e Gabriel, já que, descontados em folha de pagamento através de ofício e ordem judicial e depósito em conta bancária, sem qualquer participação do contribuinte que apenas cumpriu ordem judicial. (as fontes pagadoras da aposentadoria do contribuinte – deduziu os valores da pensão determinada aos filhos e os depositou em suas contas correntes bancárias – sem qualquer participação do contribuinte). Consoante o já exposto na impugnação anterior, o contribuinte declarou como pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia a seus filhos Carlos Gustavo, Gláucia e Gabriel, de R$ 5.508,36, cada, totalizando R$ 16.525,07, cujos valores foram deduzidos de seus rendimentos pelas fontes pagadoras Fundação Cesp, pensão alimentícia, R$ 10.844,63 e, pelo INSS, R$ 5.217,27, conforme comprovado pelas declarações de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras e constantes dos autos, totalizando o valor declarado de R$ 16.525,07. Também está comprovado, de forma cabal, que o pagamento de pensão alimentícia aos filhos, com dedução em folha de pagamento, foi feito pelas fontes pagadoras, em comprimento a ofício e ordem judicial de desconto e crédito em conta corrente dos mesmos, sem qualquer ingerência e ou participação do contribuinte, de forma que não há que se falar em glosa, estando correto o lançamento e a declaração efetuada, já que, repitase, cumpriuse ordem judicial. Urge salientar que essa decisão já está transitada em julgado, fazendose, assim, o pactuado, acolhido pelo judiciário, lei entre partes, devendo, portanto, ser respeitado e cumprido indistintamente, inclusive pelo Fisco, já que se trata de decisão judicial homologada e transitada em julgado. Ademais, de se ressaltar que inciso II, do artigo 10, da Lei 8.383/91, estabelece que “importâncias pagas a título de pensão ou alimentos, por força de acordo ou decisão judicial, podem ser deduzidas da base de cálculo sujeita ao imposto de renda”. Tratase de imperativo legal. Também restou cristalino que há prova inequívoca do efetivo pagamento, conforme se constata através das declarações fornecidas pela fonte pagadora, Fundação Cesp, fls. 009 e, INSS, fls. 010, cujos valores descontados foram depositados diretamente em conta bancária dos beneficiários da pensão, independentemente de qualquer participação do contribuinte. Ressalta, por derradeiro, que para deixar de efetuar o pagamento da pensão aos filhos, com desconto por ordem judicial em sua folha de pagamento, foi obrigado a ingressar com ação de exoneração de pensão de alimentos, Processo nº 0576/2010, e que através de decisão judicial exarada em 02.06.2010, foi exonerado e desobrigado da prestação de alimentos aos filhos e consequente desconto pelos Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10820.000786/201045 Acórdão n.º 2001000.504 S2C0T1 Fl. 82 5 empregadores, sendo expedido ofício às fontes pagadoras para que cessem os descontos, conforme comprovam os documentos em anexo. Aí sim, somente a partir desse momento é que deixou de existir ordem judicial e, via de consequência, ficou desobrigado ao pagamento. Nobres Conselheiros e D. Relator, estando devidamente comprovados pelos documentos já acostados e que fazem parte do processo e os demais ora anexados, a licitude da declaração, com o integral cumprimento do acordo e decisão homologado judicialmente, os descontos efetuados pelas fontes pagadoras e os depósitos em conta corrente bancária dos filhos beneficiários, aguarda o recorrente que seja acolhido o presente recurso voluntário, julgandoo procedente, validando, assim, a declaração de ajuste anual apresentada no exercício de 2008 e referente ao anocalendário 2007, por ser medida da mais cristalina justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Esclareçase que em razão de parte das imputações feitas ao Contribuinte foram excluídas já na fase primeira do processo em que foram aceitas comprovações de despesas médicas, com previdência, dedução com dependente e parte do valor deduzido a título de pensão alimentícia judicial, antes glosada, e por revisão de ofício resultaram em redução do valor do imposto suplementar lançados de R$ 9.360,95 para R$ 4.563,67. Também de registrar que por ocasião do julgamento de primeiro grau administrativo na DRJ, os termos do Acórdão vêm por aceitar a comprovação das despesas com instrução do filho dependente, cuja decisão resultou na redução do valor do imposto suplementar de R$ 4.563,67 para R$ 3.881,49. Assim que a divergência se limita nesta fase de decisão colegiada de segundo grau administrativo tão somente em relação à pensão alimentícia judicial paga aos seus dois filhos, Carlos e Gláucia, no anocalendário de 2007. A contenda é que de um lado há o rigor na interpretação restritiva da legislação pela Autoridade Fiscalizadora, e de outro, a busca do direito, pelo Contribuinte, de ver reconhecido o que foi prolatado na decisão judicial. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Fl. 84DF CARF MF 6 Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). III a quantia, por dependente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) c) à quantia, por dependente, de: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. A autoridade fiscal fundamentou a recusa da dedução do valor da pensão dos filhos do Recorrente em razão, tão somente, de suas idades, conforme se constata do texto do Acórdão vergastado, e que a seguir se apresenta: Conforme destacado pelo Auditor Fiscal que procedeu à revisão do lançamento (fls. 34/35), os filhos Carlos e Gláucia tinham, no ano em questão, as idades de 29 e 24 anos respectivamente. (...) Ocorre aqui uma interpretação equivocada da legislação que disciplina a matéria, visto que o limite de idade para dedução referese à dedução com dependente e seus Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10820.000786/201045 Acórdão n.º 2001000.504 S2C0T1 Fl. 83 7 gastos com despesas médicas e de instrução, cujos limites estão reportados em outros dispositivos porque dizem respeito à outra situação. A condição de dependente é tratada em item diverso da legislação e, as possibilidades de dedução estão restritas a menores de 21 anos ou até 24 anos de idade se os dependentes estiverem cursando estabelecimentos de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, o que não é o caso aqui em julgamento. Improcedente o paralelo traçado nos termos do Acórdão vergastado porque as hipóteses de dedução são distintas e incomparáveis nas suas características definidoras. A lei não equipara a condição de filho dependente com a de beneficiário de pensão alimentícia. No primeiro caso as condições para obtenção do benefício da dedução estão expostas especificamente na legislação e no caso de pensão alimentícia as condições são aquelas apontadas na decisão judicial ou no acordo homologado judicialmente. Não há correlação de igualdade de tratamento justamente porque no segundo caso há uma decisão judicial que define os critérios nos termos decisórios e, ressaltese, que decisão judicial deve ser cumprida. Tratase neste caso do benefício da dedução com pagamentos de pensão alimentícia, que não obedece a critério de idade, como pode ser observado no texto legal. No caso, a exigência fica restrita à condição de ter sido objeto de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, conforme inciso II, art. 4º, da Lei nº 9.250/95 e art. 78 do Decreto nº 3.000/99. Os termos do acordo judicial, fls. 17 a 19, homologado pelo Juiz, fl. 20, fixa as condições e o tempo para a fruição do pagamento da pensão dos filhos, estabelecendo que a obrigação do Recorrente deva acontecer até o implemento da maioridade civil dos filhos e conclusão do curso universitário, conforme texto que segue: Completada a maioridade civil dos filhos e conclusão de curso universitário, cessando a pensão alimentícia, convencionam, também, que a partir destas condições, o primeiro requerente passará a contribuir em favor da segunda requerente, se esta necessitar, com 10% (dez por cento) de seus vencimentos líquidos. Ressaltese, por importante, o conteúdo como um todo do item condicional do acordo judicial que em seu miolo contém a expressão “... que a partir destas condições ...”, fazendose claro na proposição do condicionamento da ocorrência das duas situações. Ou seja, maior idade e conclusão do curso superior. Digno de nota também a condição conjuntiva de maioridade e conclusão do curso universitário, constante no acordo homologado judicialmente como pressuposto condicional para a cessação do pagamento. É sabido que, normalmente, a conclusão do curso superior somente acontece em idade superior à maioridade civil e como garantia de manutenção dos recursos para esse fim às partes do acordo judicial fizeram constar como limite máximo de tempo a colação de grau universitário dos filhos, e assim foi homologado judicialmente. Pelos termos do acordo o cessar da pensão judicial aos filhos não se dá tão somente com o atingimento da maioridade civil. A obediência à decisão judicial deve ser por inteiro, ou seja, até que atingidas todas as condições para sua cessação, o que de fato aconteceu por pedido do Recorrente junto ao Poder Judiciário para que fizesse cessar a obrigação do desconto mensal do valor referente à pensão judicial antes concedida, visto ter ocorrido o término do dever alimentar em relação aos seus dois filhos, conforme fl. 75. Fl. 86DF CARF MF 8 Com efeito, a autoridade judiciária expediu ato de exoneração de alimentos nº 576/10, que tinha como beneficiários os filhos Carlos Gustavo Moraes Pesuto e Glaucia Moraes Pesuto, fazendo cessar o valor descontado mensalmente a partir de 12/05/2010, conforme documento anexado ao processo fl. 76. Por fim, a Súmula CARF nº 98 determina que seja permitida a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, na condição de que tenha decorrido de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e quando comprovado seu efetivo pagamento. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória do acordo judicial e a comprovação do desconto da pensão a que se comprometeu judicialmente e, em razão da legislação tributária não estabelecer para esse caso idade limite para a utilização do benefício da dedução do imposto a esse título, fazse imperioso que se proceda ao direito pleiteado pelo Recorrente, dando provimento ao recurso, que era tudo quanto restava do crédito tributário lançado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose as deduções e excluindose o crédito tributário lançado na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 87DF CARF MF
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