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Numero do processo: 10920.911384/2012-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
Numero da decisão: 3803-005.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 84 /2 01 2- 10 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Pedido de Restituição (PeR) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 273,96, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 14/07/2006. Despacho Decisório do DRF/Joinville indeferiu o Pedido de Restituição, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado no PeR acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que o Pedido de Restituição referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins e do PIS/Pasep, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições. Argumentou que o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto, que determina a inclusão na base de cálculo do imposto o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Aduziu que o PIS ou a Cofins só podem incidir sobre o faturamento, representado, unicamente, pelo somatório dos valores das operações negociadas, descabendo assentar que os contribuintes “faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa, e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Em julgamento da lide a DRJ/Fortaleza fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2003 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Cientificada da decisão em 9 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 5 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 240.7852/MG que teve seu julgamento suspenso, com votos da maioria consignados defendendo o entendimento ora controvertido , bem como no RE 574.706 no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911384/201210 Acórdão n.º 3803005.326 S3TE03 Fl. 49 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do Cofins e do PIS/Pasep. De início, destaco que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade das decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implicitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 Se o cálculo do ICMS fosse por fora Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911384/201210 Acórdão n.º 3803005.326 S3TE03 Fl. 50 5 O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de fevereiro de 2014 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911384/201210 Acórdão n.º 3803005.326 S3TE03 Fl. 51 7 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.003580/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS; AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em não havendo a comprovação do pagamento dos honorários advocatícios, o valor integral recebido em razão de decisão judicial deve ser imputado ao beneficiário de decisão judicial.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 2.
Tendo em vista que a previsão de incidência da multa de ofício no processo administrativo federal encontra expressa previsão na Lei nº 9.430/96, somente seria possível afastar a sua aplicação mediante declaração de inconstitucionalidade do dispositivo. Todavia, a Súmula Vinculante nº 2 impede a esse Conselho tratar questões atinentes à inconstitucionalidade das leis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (27/03/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em não havendo a comprovação do pagamento dos honorários advocatícios, o valor integral recebido em razão de decisão judicial deve ser imputado ao beneficiário de decisão judicial. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 2. Tendo em vista que a previsão de incidência da multa de ofício no processo administrativo federal encontra expressa previsão na Lei nº 9.430/96, somente seria possível afastar a sua aplicação mediante declaração de inconstitucionalidade do dispositivo. Todavia, a Súmula Vinculante nº 2 impede a esse Conselho tratar questões atinentes à inconstitucionalidade das leis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 35 80 /2 00 8- 13 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.003580/200813 Acórdão n.º 2801002.892 S2TE01 Fl. 45 2 Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (27/03/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o processo de Notificação de Lançamento, fls. 15 a 18, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005, que exige R$ 5.822,43 de imposto suplementar, R$ 4.366,82 de multa de ofício, e acréscimos legais, em virtude de omissão de rendimentos recebidos em ação judicial. 2. Cientificado do lançamento em 02/07/2008 (fls. 13/14), o interessado ingressou com a impugnação de fl. 01, tempestivamente, em 23/07/2008, alegando, em síntese, que: 2.1. Na notificação recebida consta que obteve junto a Paraná Coordenação da Receita do Estado a quantia bruta de R$ 81.590,01, "fruto de resultado de Ação Declaratória n° 10576, distribuída sob n° 11440 de 24/09/1992 no Juízo da 3a Vara da Fazenda Pública do Estado do Paraná"; 2.2. Há divergência entre os valores recebidos e lançados na declaração de ajuste anual e aqueles apurados na notificação de lançamento. Os valores informados na DAA estão em conformidade com o comunicado e a planilha em anexo, encaminhados pelo escritório de advocacia responsável pelo processo, sendo lançado o valor recebido, deduzindose os valores cobrados a título de honorários de advogado e custas; 2.3. Ao final, requer o Impugnante o cancelamento dos valores apurados equivocadamente como diferenças de imposto a pagar, multas e juros, bem como o encerramento e o arquivamento da presente notificação, por entender corretos os valores informados na DAA. Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFRAÇÃO. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.003580/200813 Acórdão n.º 2801002.892 S2TE01 Fl. 46 3 A omissão de rendimentos na Declaração Anual de Ajuste caracteriza infração à legislação tributária, sujeitando o infrator à pena administrativa de multa, além do recolhimento do imposto suplementar e acréscimos legais. PROVAS. MOMENTO PARA A PRODUÇÃO. O momento para produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação, ressalvadas as hipóteses previstas na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte interpôs recurso voluntário do contribuinte, reiterando os argumentos já suscitados em impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. Eis que tempestivo e regularmente formal, conheço do recurso. Tratase, na origem, de revisão de ofício procedida com relação à DIPF apresentada pelo Recorrente no Exercício 2006, tendo em vista suposta omissão de receitas auferida em razão de decisão transitada em julgado em processo judicial. Alega o Recorrente que a diferença apurada pela Fiscalização decorreria de montante destinado ao pagamento dos honorários advocatícios dos patronos responsáveis pelo sucesso da demanda. Nada obstante, como se apura da análise do processo, não há nenhuma prova cabal desse efetivo repasse. A única prova carreada ao processo pelo Recorrente foi uma declaração de seus supostos patronos, mas que carecem de robustez probatória. Nesse sentido, deve ser mantida a autuação fiscal, eis que não comprovado o repasse parcial a título de honorários do montante auferido pelo Recorrente. Também não deve ser acolhida a irresignação do Recorrente no que tange ao percentual estipulado para a multa de ofício. Isso porque a previsão de incidência da referida multa no processo administrativo federal encontra expressa previsão na Lei nº 9.430/96, de modo que somente seria possível afastar a sua aplicação mediante declaração de inconstitucionalidade do dispositivo. Todavia, a Súmula Vinculante nº 2 desse E. Conselho impede que referida instância administrativa trate de questões atinentes à inconstitucionalidade das leis. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.003580/200813 Acórdão n.º 2801002.892 S2TE01 Fl. 47 4 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10166.003649/2009-90
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 90/92 deste processo digital), reproduzido a seguir: Contra o contribuinte qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 09/14, em 09/03/2009, referente ao exercício 2005, anocalendário de 2004, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 03 64 9/ 20 09 -9 0 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10166.003649/200990 Resolução nº 2801000.198 S2TE01 Fl. 116 2 Imposto de Renda Suplementar (Sujeito à Multa de Ofício) 55.024,89 Multa de Ofício – 75% (Passível de Redução) 41.268,66 Juros de Mora – calculados até 31/03/2009 28.684,47 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à multa de Mora) 0,00 Multa de Mora (Não Passível de Redução) 0,00 Juros de Mora – calculados até 31/03/2009 0,00 Total do crédito tributário apurado 124.978,02 Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2005, anocalendário de 2004, quando foram verificadas as seguintes infrações: Dedução Indevida de Contribuição à Previdência Oficial – glosa de dedução de Contribuição à Previdência Oficial, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004. Valor: R$ 51.626,06. Motivo da glosa: falta de comprovação do pagamento ou por falta de previsão legal para sua dedução. Conforme documentos apresentados pelo contribuinte, foi constatada a dedução indevida de valor declarado a título de previdência oficial referente aos rendimentos recebidos por intermédio de ação judicial processo 04.1288/93, haja vista o contribuinte ter declarado valor referente a cotaparte do empregador (R$ 51.526,06), motivo pelo qual procedeu se à alteração de ofício. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação Trabalhista – omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, relativo ao exercício 2005, anocalendário 2004, Fonte Pagadora: União Federal processo 041288/93. Valor: R$ 270.126,12. Conforme documentos apresentados pelo contribuinte, foi constatada a omissão de rendimentos recebidos por intermédio de ação judicial processo 041288/93 movida contra a União Federal, conforme cálculos: Valor bruto recebido:R$ 536.174,19 () honorários advocatícios: R$ 86.860,15 = valor bruto a declarar: R$ 449.314,04 () valor bruto tributável declarado: R$ 179.187,92 = diferença lançada de ofício: R$ 270.126,12. Os enquadramentos legais encontramse às fls. 09/10 dos autos. Conforme AR (Aviso de Recebimento) de fl. 80, o impugnante foi cientificado da autuação em 16/03/2009. Em 08/04/2009, apresentou impugnação (fls. 02 a 06) ao lançamento alegando, em síntese: que o contribuinte recebeu através de processo judicial trabalhista, n° 1288/1993, da 4ª Vara do Trabalho de Brasília, a importância de R$ 536.174,19 (R$ 241.953,71, a titulo de valor principal e R$ 294.220,48, a titulo de juros de mora) e R$ 42.893,91, a titulo de diferenças de FGTS, tendo sido retido na fonte a importância de R$ 62.762,49 a Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10166.003649/200990 Resolução nº 2801000.198 S2TE01 Fl. 117 3 titulo de Imposto de Renda e R$ 12.482,26, relativo ao INSS, cotaparte do empregado, em valores atualizados até 31/03/2004. que os cálculos judiciais não incluíram na base de cálculo os valores recebidos a título de diferença de FGTS e juros de mora, conforme documento em anexo; que teve dificuldade ao realizar sua DIRPF em relação ao valor recebido a título de juros de mora e FGTS, alocando esses valores no campo destinado a rendimento sujeito à tributação exclusiva/definitiva, quando o correto seria lançar no campo destinado a rendimentos isentos e não tributáveis; que o “resumo de cálculo” efetuado pela contadoria do juízo, atualizando os valores para 31/03/2004, apresentou os seguintes valores: total bruto do reclamante = R$ 536.174,19, líquido exequente = R$ 460.929,44, FGTS depósito R$ 42.893,91, INSS Reclamante = R$ 12.482,26, INSS emp = SAT = R$ 51.626,06, IRRF = R$ 62.762,49, total geral = R$ 630,694,16. que enfrentou dificuldade para informar em sua DIRPF o valor retido a título de contribuição à previdência oficial – INSS, pois o documento de cálculo informa a cotaparte do empregado, R$ 12.482,26, mas foi lançado por equívoco o valor de R$ 64.108,32, que corresponde à soma das parcelas de INSS de empregado e empregador; que concorda com a glosa dos valores declarados a maior, pois não tinha conhecimento de que o empregador também tivesse que contribuir para a Previdência Social e, erroneamente, interpretou que o valor total havia sido descontado; que discorda da infração de omissão de rendimentos porque os valores recebidos a título de juros de mora correspondem a parcela indenizatória e não está sujeita a tributação de imposto de renda, conforme julgados citados; que ainda que haja erros na declaração do contribuinte, não houve prejuízo à Fazenda Pública, pois a justiça trabalhista fez a retenção na fonte de 100% do imposto devido; que, ao contrário, não foram considerados, no cálculo judicial, os valores de honorários advocatícios, que, se considerados, geram uma diferença de R$ 10.103,78 de imposto a restituir; que, mesmo se os juros estivessem sujeitos à tributação, o contribuinte agiu de boafé, pois a autoridade judiciária não reteve na fonte por entender não devido o imposto sobre os juros, assim não teria que pagar a multa de 75%. Ao final, requer que a notificação seja cancelada e seja restituída a diferença de R$ 10.103,78. A impugnação apresentada foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10166.003649/200990 Resolução nº 2801000.198 S2TE01 Fl. 118 4 Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/02/2012 (AR à fl. 102), o Interessado interpôs, em 17/02/2012, o recurso de fl. 103/109. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Os valores auferidos a título de juros de mora não correspondem ao conceito de acréscimo patrimonial oriundo de renda, segundo exegese do Código Tributário Nacional – CTN, uma vez que não constituem efetivamente em acréscimo, em patrimônio novo, mas apenas recompõem o patrimônio lesado. Ao não constituir acréscimo patrimonial, os juros de mora referemse à hipótese de não incidência tributária, de modo que sobre eles não incidem o Imposto de Renda. O Superior Tribunal de Justiça – STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.227.133/RS, julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, pacificou o entendimento de que os juros moratórios têm natureza indenizatória. Ao fim, requer a extinção do lançamento tributário, em virtude da isenção dos rendimentos. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A controvérsia se restringe à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, mais precisamente à parcela dos juros de mora pagos pelo empregador. A dedução indevida da contribuição previdenciária patronal foi reconhecida pelo Interessado. A “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 10 deste processo digital) revela que os rendimentos omitidos foram tributados pelo regime de caixa, de forma acumulada. O Supremo Tribunal Federal – STF reconheceu a repercussão geral em relação à (in) constitucionalidade da regra constante do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, que estabelece que o IR incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos que versem sobre a mesma matéria, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10166.003649/200990 Resolução nº 2801000.198 S2TE01 Fl. 119 5 INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.”(STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema aqui versado, entendo que o presente recurso não deve ser apreciado por este Conselho, até que ocorra o julgamento final do recurso extraordinário que decidirá sobre a forma de cálculo do IR sobre pagamentos acumulados (se por regime de caixa ou de competência), em face do disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF e ainda que o recorrente não tenha se insurgido contra a forma de cálculo, haja vista o teor do parágrafo 2º do mencionado art. 62A, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ante ao exposto, voto por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento Interno do CARF. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10166.003649/200990 Resolução nº 2801000.198 S2TE01 Fl. 120 6 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 10280.720716/2008-47
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS
De acordo com o art. 16 da Lei 9.317/1996, a pessoa jurídica excluída do Simples fica submetida, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
ARBITRAMENTO DO LUCRO
Estando submetido à regra geral de apuração do IRPJ (lucro real), sujeita-se ao arbitramento do lucro o Contribuinte que deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
DECADÊNCIA. TERCEIRO TRIMESTRE DE 2003.
De acordo com o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a decadência no lançamento por homologação se dá no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O terceiro trimestre de 2003 também está prejudicado pela decadência, eis que seu fato gerador é 30/09/2003, com a data limite para lançamento em 30/09/2008, e não 31/10/2008, como registrado na decisão recorrida.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-002.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência em relação ao IRPJ e à CSLL do terceiro trimestre de 2003, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS De acordo com o art. 16 da Lei 9.317/1996, a pessoa jurídica excluída do Simples fica submetida, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO Estando submetido à regra geral de apuração do IRPJ (lucro real), sujeita-se ao arbitramento do lucro o Contribuinte que deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. DECADÊNCIA. TERCEIRO TRIMESTRE DE 2003. De acordo com o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a decadência no lançamento por homologação se dá no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O terceiro trimestre de 2003 também está prejudicado pela decadência, eis que seu fato gerador é 30/09/2003, com a data limite para lançamento em 30/09/2008, e não 31/10/2008, como registrado na decisão recorrida. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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EFEITOS De acordo com o art. 16 da Lei 9.317/1996, a pessoa jurídica excluída do Simples fica submetida, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO Estando submetido à regra geral de apuração do IRPJ (lucro real), sujeitase ao arbitramento do lucro o Contribuinte que deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. DECADÊNCIA. TERCEIRO TRIMESTRE DE 2003. De acordo com o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a decadência no lançamento por homologação se dá no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O terceiro trimestre de 2003 também está prejudicado pela decadência, eis que seu fato gerador é 30/09/2003, com a data limite para lançamento em 30/09/2008, e não 31/10/2008, como registrado na decisão recorrida. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 07 16 /2 00 8- 47 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 3 2 decadência em relação ao IRPJ e à CSLL do terceiro trimestre de 2003, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que manteve parcialmente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, conforme autos de infração de fls. 36 a 82, nos valores de R$ 33.499,73, R$ 16.176,82, R$ 9.830,84 e R$ 4.986,84, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de 75% e os juros moratórios. O relatório contido na decisão de primeira instância administrativa, Acórdão nº 0125.178 (fls. 124 a 145), descreve os fundamentos do lançamento, os argumentos da primeira peça de defesa que foi apresentada logo após a autuação (impugnação), e o resultado da diligência que antecedeu aquela decisão: I – DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, PIS, CSLL e da COFINS, referente aos anos calendário de 2003 e 2004, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 30.09.2008) [...] A impugnante tomou ciência do auto de Infração em 24/10/2008 (fls. 37, 49, 61, e 24). II– DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 01 – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS LEGALMENTE REGULAMENTADOS (NÃO SUBMETIDOS AO REGIME DO DECRETOLEI N°2.397/87) Receita da atividade de prestação de serviços, que ora tributamos tendo em vista que o contribuinte teve sua exclusão do sistema simples de tributação através de Ofício, pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) N° 55 datado de 26/12/2005, emitido pela Sra. Delegada da Receita Federal do Brasil em Belém, exclusão essa motivada pela infração do inciso XIII do art. 9° da Lei 9.317/96, Como seja, desenvolver atividade econômica típica da profissão de engenheiro, ou a essa assemelhada, e de técnicos legalmente habilitados, a presente exclusão surtiu efeito a partir de 01/01/2002, com isto se sujeitando a tributação com base no Lucro Presumido e/ou Real. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 5 4 Por fim não foram apresentados os Livros Obrigatórios: Diário e Razão, bem como os livros auxiliares, solicitados através do Termo de Início de Fiscalização N° 001 datado de 11/10/2007,e Termo de Intimação e Prosseguimento da Ação Fiscal N° 002 datado de 22/07/2008, conforme AR em anexo. Tendo sido justificado pela interessada que a empresa esta na situação de Inativa a partir de 01 de Fevereiro de 2005 e não possui em seus arquivos os itens solicitados através do Termo de Intimação, ocasionando o arbitramento do Lucro com base na receita conhecida, apurada através da declaração do IRPJ referente aos anos calendário 2003 e 2004. Os valores recolhidos apurados segundo o Sistema Sinal da Receita Federal do Brasil, pelo regime Simples de Tributação referentes ao período Fiscalizado foram devidamente compensados pela fiscalização. Informamos ainda que para os períodos fiscalizados anos calendário de 2003 e 2004 a empresa efetuou suas declarações através do sistema Simples de Tributação, as quais foram canceladas de Oficio pela Delegacia da Receita Federal do Brasil e não efetuou seus recolhimentos em códigos de tributos conexos e sim através do Código 6106, referente ao Sistema Simples de tributação o que caracteriza a não opção pelo Lucro Presumido e/ou Real. 02 – DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso III, do RIR/99. [...] III DA IMPUGNAÇÃO 3 Em 26/11/2008, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 85/92), e alega em síntese: 3.1 DA NULIDADE Auto de Infração “lavrado” fora do estabelecimento fiscalizado, tal procedimento vicia e nulifica o procedimento fiscal, que não cumpriu ,assim, as normas cogente,superiores e obrigatórias do art. 10 caput, Inciso II, do Decreto 70.235/1972; E o Decreto federal n° 70.235/72, baixado por delegação de competência pelo DecLei n° 822/69, tem força de lei federal e só pode ser alterado por uma lei federal como o foi pela Lei n. 8.748/93 e n. 9.532/97). Fl. 226DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 6 5 Não foi encontrado o Termo de Inicio de Fiscalização, assim como os termos seguintes que deveriam ser emitidos dando condição essencial para a continuação do procedimento fiscal; O Fiscal não concluiu o trabalho dentro do prazo legal, e não houve prorrogação do trabalho de fiscalização. A Fiscalizada não recebeu nenhum MPFC, indicando a prorrogação dos seus trabalhos; Auto de Infração lavrado sem fundamentação legal: A fundamentação legal que embasa e dá vida jurídica ao auto de infração, deve vir de forma clara e expressa no próprio corpo do mesmo, que é a peça básica do processo AdministrativoFiscal. 3.2 – NULIDADE DA ILEGAL EXCLUSÃO DO SIMPLES – INSEGURANÇA JURÍDICA 1) Para o caso em tela, o contestante, não entende, como foi concluído pela sua exclusão do simples, quando em fl. n° 13 do processo n° 10280.003908/200461, em despacho decisório a Sra. Cláudia Gorresen Mello, Fiscal deste Órgão afirma que: “resolvo não tomar conhecimento da SRS oferecida pela contribuinte, tendo em vista que o ADE contestado foi anulado por apuração especial do sistema Sivex”. 3) Indo em outra direção, verificase em folhas 17, que a mesma servidora, decide por tomar outro rumo contrário ao seu parecer, o qual de certa forma foi "derrubado", através do parecer n° 582/2005, deixando sempre para o contribuinte a absorção de toda a insegurança jurídica vivida pela RFB. 4) Ilustre Julgador, não posso me calar diante de tanta maldade feito comigo por parte da RFB. Primeiro, este órgão me recepciona como optante pelo simples, deixa que pague os impostos através do sistema e depois diz que eu não podia ter seguido este caminho, obrigandome a pagar por um "erro", ao qual fui induzido por ele. 5) Indo mais longe ainda, diz que eu tenho que pagar pelo erro que fui induzido de forma retroativa. O poder constituinte, alega que a retroatividade da lei, serve para beneficiar o réu, e neste caso, veio para prejudicar o réu. Como pode progredir tal obrigação?. NUNCA. 6) Importa aqui destacar que para o segundo momento aonde o contribuinte foi definitivamente excluído, não lhe foi dado o direito de manifestação ou defesa, estando o mesmo naquele momento ciente que sua exclusão, não aconteceria. Desta forma, a ampla defesa deixou de ser exercitada, por conseguinte o contraditório, não se instalou, tornando o processo invalido viciado e insanável, portanto nulo. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 7 6 3.3 – ARBITRAMENTO – DO NÃO CABIMENTO 1 A maneira irregular pelo qual o processo de exclusão decorreu, faz com que o auto ora guerreado, seja nulo, visto que os valores que dele fazem parte, não poderiam perpassar pela utilização da base de cálculo de lucro presumido, ou seja, deveriam ser mantidos no próprios simples, os quais foram devidamente recolhidos. 2 A falta da entrega dos documentos solicitados pelo fiscal da RFB, por si, não dá o direito para o fisco de arbitrar o lucro, tendo em vista que existiam e existem informações fidedignas contidas nas declarações de IRPJ de 2003/2004, que são o retrato fiel das receitas obtidas pela autuada. 3 Por conta disso, e por saber que a base de cálculo tanto simples, como do lucro presumido, ser a receita bruta, é que não haveria motivo para o arbitramento do lucro, conforme se vislumbra no AINF. 3.4 – DO FATO GERADOR [........] A norma é formada de três elementos: hipóteses, mandamento e sanção. Em matéria tributária, a hipótese (fato ou situação) prevista em lei é denominada hipótese de incidência. Por exemplo: auferir renda. [......] ............para existir a obrigação tributária, necessário se faz a existência de FATO GERADOR, que para o caso em tela não existe, o que por conseguinte, não há que se falar em crédito tributário, logo o fato gerador e necessário e suficiente, deve ocorrer e basta por si só. A reflexão sobre tais comentários, busca demonstrar que simples presunção, sempre será objeto de injustiça nos tribunais diversos. [....] 3.5 – DO PEDIDO DE PERÍCIA Com fundamento na mensagem das Súmulas 346 e 473 STF, a autuada ou por iniciativa de oficio da autoridade administrativa. Inteligência do art. 145, 1 e III, c/c o art. 149, do CTN (Ac. n. 10228.972, DOU de 14/03/95, p. 3.406, Rel. Cons. Francisco de Paulo Corrêa Giffoni), requer, através de perícia contábil e fiscal de profissional, devidamente habilitado junto ao órgão competente, para que junto com o perito da União a ser designado por V. Senhoria, em conformidade com o art. 18 do Decreto No. 70.235/72, possam proceder o exame requerido. Para a presente questão, deixamos de reconhecer o débito da entidade autuada para com a fazenda federal, e Fl. 228DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 8 7 impugnamos o valor cobrado que merece revisão por parte deste órgão arrecadador, conforme solicitação de perícia em busca de justiça. (Ac. 1053.254, 1 CC, 5 Cam., rel. Jose Rocha, Dou de 27/11/89, p. 21645) (grifamos) 3.6 – DOS PEDIDOS Isto posto, a autuada requer a V.Sa.: a) que, com fundamento no princípio do contraditório pleno e no direito de petição (que tem como corolário o dever de resposta, que sejam apreciadas todas as preliminares e as questões de fundo da presente impugnação e decididas motivada e fundamentadamente, uma a uma), seja cancelado e tornado insubsistente o auto de infração, pelos vícios insanáveis e nulidades que o cercam, amplamente demonstradas, sem que isso represente lesão à Fazenda Nacional, posto que a declaração de inconstitucionalidade dos 2 Dec.leis 2.445 e 2.449/88, retroagindo ex tunc, isto é, até a data em que foram editados e publicados no DOU; e impede o lançamento, a cobrança, a inscrição e a execução dos tributos elencados no já citado auto, fundado nesses 2 Dec.Leis, sob pena de incidência no art. 20 da Lei n° 8.137/90. b) Finalmente requerse a V. Senhoria, de fato e de direito, seja esta IMPUGNAÇÃO julgada válida e eficaz, esperandose pela improcedência do auto de infração mencionado. a) Que o inteiro teor da decisão de V.Sa. seja enviada (por cópia) à defendente, no seu endereço (domicílio fiscal). IV – DO PEDIDO DE INFORMAÇÃO À AUTORIDADE LANÇADORA DA ANÁLISE DO PROCESSO E CONSIDERAÇÕES Receita da atividade de prestação de serviços, que ora tributamos tendo em vista que o contribuinte teve sua exclusão do sistema simples de tributação através de Ofício, pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) N°55 datado de 26/12/2005, emitido pela Sra. Delegada da Receita Federal do Brasil em Belém, exclusão essa motivada pela infração do inciso XIII do art. 9° da Lei 9.317/96, Como seja, desenvolver atividade econômica típica da profissão de engenheiro, ou a essa assemelhada, e de técnicos legalmente habilitados, a presente exclusão surtiu efeito a partir de 01/01/2002, com isto se sujeitando a tributação com base no Lucro Presumido e/ou Real. Ocorre que, compulsando os autos, não constatamos o Ato Declaratório Executivo nº 55, de 26/12/2005, anexo ao Processo. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 9 8 Pelo exposto, proponho: Que este Processo seja encaminhado ao SEFIS/DRF/BEL para as seguintes providências: 1 – Anexar o Ato Declaratório nº 55, de 26/12/2005, fundamento da autuação, a este Processo; 2 – Informar se houve ciência válida, do referido Ato Declaratório, ao Contribuinte; 3 – Informar se houve manifestação de inconformidade contra a sua exclusão do SIMPLES; 4 – Caso se afirmativa a indagação do ítem 02, dar ciência do resultado da diligência ao Contribuinte. V – DA RESPOSTA AO PEDIDO DE INFORMAÇÃO À AUTORIDADE LANÇADORA 01 Foram anexadas, às fls. 111 a 114, o PARECER/SECAT/DRF/BEL Nº 582/2005, e o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/BEL Nº 55, de 26 de dezembro de 2005. 02 – Através da NOTIFICAÇÃO Nº 224/2005, e do AR – RC 79949880 4 BR, o contribuinte foi devidamente notificado da exclusão do SIMPLES (fls. 117/118); 03 – Consta na fl. 120, que o contribuinte não apresentou manifestação de inconformidade, em relação à exclusão do SIMPLES. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA manteve parcialmente as exigências fiscais, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora Fl. 230DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 10 9 administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. DECADÊNCIA. DECLARAÇÃO DE OFÍCIO. Tratandose de matéria de ordem pública, a decadência deve ser declarada de ofício, em qualquer fase processual, ainda que não alegada pelas partes envolvidas no litígio. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE INOCORRÊNCIA. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Incabível se falar em cerceamento do direito de defesa, antes de iniciado o prazo para a impugnação do Despacho Decisório que indeferiu o pedido, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. ESCRITURAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitase à observância da escrituração dos livros comerciais obrigatórios à apuração do Lucro Real Trimestral, a partir do efeitos da exclusão. IRPJ. CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro não é uma penalidade ou sanção tributária, mas sim uma modalidade de apuração do lucro tributável obrigatória quando a apuração do lucro real tornase impossível ou deficiente. Sujeitase ao arbitramento o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, quando optante pela apuração do lucro real. INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 11 10 A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. PAF. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Descabe a realização de diligência ou perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo, notadamente quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado, em se tratando de perícia. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas (CSLL, PIS e COFINS), no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 06/12/2012, a Contribuinte postou nos correios, em 03/01/2013, o recurso voluntário de fls. 161 a 186, com os argumentos descritos abaixo: PRELIMINARES DE NULIDADES DO AUTO DE INFRAÇÃO a Recorrente reitera todas as preliminares argüidas na fase anterior, assim como todo o conteúdo da impugnação julgada pela DRJ/BelémPA; DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NOS MESES JANEIRO/2003 A JULHO/2003 o fato gerador é o mês de competência, sendo que o próprio CTN, no art. 150, § 4º, determina que o prazo é de 05 anos a contar da ocorrência do fato gerador, ou seja, incluído o mês de referência do fato gerador. Então, o direito de constituir o crédito tributário dos meses de janeiro/2003 a julho/2003 extinguese em 30/julho/2008, 05 anos a contar da data da ocorrência do fato gerador; a ação fiscal teve seu término em 31/07/2008, após o decurso deste prazo decadencial de cinco anos a que se refere o CTN, ocasião em que já estava definitivamente extinto o crédito tributário relativo aos meses de janeiro/2003 a julho/2003; DO DIREITO DA INJUSTA E INDEVIDA EXCLUSÃO DO SIMPLES Fl. 232DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 12 11 quando após diligência declarouse não existir manifestação de inconformidade por parte da Recorrente em relação à sua exclusão do SIMPLES, claro que houve e consta nos autos de infração; o art. 16° da Lei 9.317/96 prescreve que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas; neste caso, perguntase: quais normas de tributação? lucro presumido? lucro real? De qualquer forma, para tomar tal atitude, necessário se faz solicitar os Livros fiscais e/ou Sociais para tal. No entanto para se construir tais ferramentas de trabalho, precisase de tempo, haja vista que a Recorrente enquanto enquadrada no SIMPLES, não era obrigada a possuir essas informações, a não ser o Livro Caixa; sob qualquer resposta obtida pela Fiscalização quanto a apresentação dos livros pela Recorrente, havia necessidade de ser dado tempo suficiente para sua confecção; DA ATIVIDADE DA PESSOA JURÍDICA a atividade desenvolvida operacionalmente pela Recorrente não se enquadra no inciso XIII do art. 9º da Lei 9.317/1996; o julgador primário assenta sobre algumas informações solicitadas à autoridade lançadora a respeito do ADE n° 55/2005, que não constava nos autos do processo. Ora, este ADE não estava nos autos do processo porque havia sido “anulado por apuração especial do sistema Sivex”; apesar da anulação do ADE no sistema Sivex, a Fiscalização resolveu tomar outra decisão à revelia da Recorrente, baseandose no parecer 582/2005, também totalmente desprovido de amparo quanto à legalidade em excluir do SIMPLES a ora Recorrente; depois de toda tramitação acima exposta, em outro momento, a Recorrente foi surpreendida com sua arbitrária exclusão do Simples, ou seja, praticamente uma nova exclusão, agora valendo e sem direito de defesa; para corroborar com a tese deste recurso quanto a injustificada exclusão do simples, fazemos juntada de dados referente a outra pessoa jurídica com as mesmas atividades, que está enquadrada no Simples e goza dos benefícios; DOS EFEITOS TRIBUTÁRIOS QUANDO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES deveras teratológico a forma pelo qual o dispositivo administrativo diz sobre os efeitos tributários quando da exclusão da PJ do SIMPLES pela RFB. É sabido que o efeito retroativo da aplicação de uma lei sempre deve ser para beneficiar o sujeito passivo, no entanto, neste caso, a eficácia, é para prejudicar; AINDA SOBRE O ARBITRAMENTO IRREGULAR importa aqui destacar que com relação ao segundo semestre de 2003, bem como ao ano de 2004, não cabem o arbitramento de tributos, haja vista a desobrigação dos livros sociais e fiscais para as empresas optantes pelo SIMPLES; Fl. 233DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 13 12 o arbitramento, mediante processo regular, não é procedimento de lançamento especial. As modalidades de lançamento, previstas no Código Tributário Nacional, são apenas três: (i) de ofício, (ii) com base em declaração do sujeito passivo ou de terceiros e (iii) por homologação; o arbitramento, disciplinado no art. 148 do CTN, é apenas técnica — inerente ao lançamento de ofício — para avaliação contraditória de preços, bens, serviços ou atos jurídicos, utilizável sempre que os documentos ou declarações do contribuinte sejam omissos ou não mereçam fé; sendo feito o lançamento de ofício ou a sua revisão nas hipóteses elencadas no art. 149 do CTN, poderá o Fisco servirse da técnica do arbitramento, obedecidos os pressupostos e requisitos do art. 148, quais sejam: 1 Prévia desonestidade do sujeito passivo nas informações prestadas, abalandose a crença nos dados por ele oferecidos, erro ou omissão na escrita que impossibilite sua consideração, tornandoa imprestável; 2 avaliação contraditória administrativa ou judicial de preços, bens, serviços ou atos jurídicos, em processo regular (devido processo legal); 3 utilização, pela Administração, de quaisquer meios probatórios, desde que razoáveis e assentados em presunções tecnicamente aceitáveis (preços estimados segundo o valor médio alcançado no mercado local daquele ramo industrial ou comercial — pautas de valores; ou índice de produção pautado em valores utilizados em período anterior, no desempenho habitual da empresacontribuinte que sofre o arbitramento, etc). no entanto, não basta que algum dos fatos acima tenha ocorrido a fim de que surja para ao Fisco a competência de arbitrar. Fazse imperioso que, além disso, o resultado da omissão ou do vício da documentação implique completa impossibilidade de descoberta direta da grandeza manifesta pelo fato jurídico. Assim, o agente não poderá se deter a uma provável impossibilidade de descoberta da verdade material, deverá constatar a completa inviabilidade de se obterem dados confiáveis a partir de uma investigação; a Fazenda Pública costuma invocar o art. 148 do CTN para justificar não apenas a adoção de ficção — de ocorrência de fatos geradores — como também de suas bases de cálculo ou valores, o que é um grave erro, como aliás se depreende da Súmula n° 76 do antigo Tribunal Federal de Recursos. Se a documentação do contribuinte é firme, se os livros fiscais e contábeis estão escriturados (QUANDO OBRIGADOS), se as obrigações acessórias foram cumpridas, o arbitramento não fica autorizado, nem tampouco a utilização de outro recurso presuntivo de ocorrência de fato jurídico e base de cálculo; PRAZO DE 10 DIAS PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS DE 2003 E 2004 PRAZO IMPOSSÍVEL DE SER CUMPRIDO até a data de 26/12/2005, a empresa estava obrigada ao registro do Livro Caixa. A partir desta data, com a exclusão do SIMPLES, pelo Ato Declaratório Executivo, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, ou seja, a partir de janeiro de 2006, (a empresa já estava inativa) às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, conforme art. 16 da Lei 9.317/96; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 14 13 acontece que o Fiscal solicitou os livros para serem apresentados no prazo de 10 dias; é humanamente impossível, em 10 dias, 30 dias, 90 dias ou 180 dias registrar os atos e fatos contábeis de uma empresa relativos a três anos; como o Contribuinte estava no regime SIMPLES até 2005, não era obrigado à escrituração contábil. No entanto, o Fiscal exigiu que a empresa, no prazo de 10 dias, apresentasse os Livros Razão, Diário, Lalur e Demonstrativos de PIS e COFINS relativos aos anos de 2003 e 2004, exigência impossível de ser cumprida; o Senhor Fiscal, ao determinar a execução de algo que é humanamente impossível no prazo de 10 dias, e utilizar a negativa da entrega dos Livros Razão, Diário, Lalur dos anos de 2003 a 2005, como fator do arbitramento do IRPJ e da CSLL, do PIS e da COFINS, está agindo contra os princípios constitucionais de garantia e direitos do Contribuinte, constantes no art. 5º da CF de 1988 e na Lei 9.784/99; o Sr. Fiscal, assim, agiu de máfé, contrariando o princípio da moralidade administrativa, ou seja, ao solicitar algo que é impossível de se cumprir no tempo determinado e utilizar o fato da não apresentação dos livros contábeis, como fundamentação para o arbitramento, sem dúvida agiu intencionalmente esperando determinado resultado, na verdade armando uma arapuca contra o Contribuinte, ato pensado desde o início; a Fiscalização não deve ver só o que interessa ao Fisco, mas deve agir como representante do Estado, visando equilíbrio na relação tributária com o cidadão, especialmente quando o resultado de seu trabalho poderá resultar em uma expropriação de bens e direitos do Contribuinte; DO REQUERIMENTO requerse deste Egrégio Conselho Administrativo: 1 que seja reconhecida e declarada a ocorrência de decadência da Fazenda Pública quanto ao direito de constituir o crédito tributário ora guerreado; 2 que seja considerada a preliminar de nulidade da decisão em face da incongruência de sua fundamentação, e acatando este pedido, seja baixado o processo para o exercício de perícia ou diligência, preservando não só direito de defesa, mas também o princípio da verdade material; 3 que seja declarado nulo o Ato Declaratório, fruto da presente demanda administrativo, bem como julgado improcedente o auto de infração, entendendo que não cabe mudança de tributação, assim como arbitramento de lucro no presente caso; 4 no mérito, que seja totalmente desconstituída a exigência impugnada, reconhecendose a inexigibilidade do crédito e da multa hostilizada, em atendimento às razões anteriormente expostas, iniciandose pela análise da prejudicial de mérito levantada. Este é o Relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 15 14 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento para exigência de crédito tributário a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativamente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003 e 2004. A autuação fiscal foi conseqüência de exclusão do Simples, por exercício de atividade vedada (“Manutenção Industrial, Máquinas Rodantes, Soldagem em geral, Caldeira a Vapor, Exaustão, Eletricidade de Baixa e Alta Tensão”). A Contribuinte havia sido excluída do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, conforme Parecer/SECAT/DRF/BEL nº 582/2005 e Ato Declaratório Executivo DRF/BEL nº 55, de 26 de dezembro de 2005 (fls. 111 a 114). A ciência do referido ato de exclusão se deu pela Notificação nº 224/2005, AR – RC 79949880 4 BR, recebida pela Contribuinte em 06/01/2006 (fls. 117/118), e consta a informação de que ela não apresentou manifestação de inconformidade contra esse ato, conforme despacho exarado no processo 10280.003908/200461 (fls. 120). Por sua vez, a fiscalização que resultou nos autos de infração objeto destes autos foi iniciada em 11/10/2007. Nessa ocasião, a Contribuinte foi intimada a apresentar relativamente aos anos de 2003 e 2004: Livros Diário e Razão; Livro de Registro de ICMS e/ou ISS; extratos bancários; Contrato Social e alterações; e notas fiscais de vendas de mercadorias e/ou serviços. Em 28/07/2008, a Contribuinte foi novamente intimada a apresentar os elementos acima mencionados, sendo alertada de que o não atendimento da intimação ensejaria o arbitramento do lucro com base na receita conhecida, mediante a utilização dos percentuais obtidos de acordo com o art. 16 da Lei 9.249/95 (c/c art. 27 da Lei n° 9.430/96). A resposta a essa segunda intimação está datada de 02/08/2008, ocasião em que a Contribuinte prestou a seguinte informação: A empresa VIEIRA NETO & CIA Ltda., estabelecida nesta cidade de Belém, situada à Rua Deodoro de Mendonça, 159, Bairro de São Brás, em resposta ao Termo de Intimação de número 02.1.01.00.002007006421, vem através dessa, informar que a empresa está INATIVA desde a data de 01 de Fevereiro de 2005 e não possui em seus arquivos os documentos discriminados no Termo de Intimação: Livros Contábeis: Diário e Razão; Livro de Registro de ISS; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 16 15 Contrato/ estatuto Social e suas alterações; Notas Fiscais de Serviços. Nestes termos pedimos deferimento. Em razão da exclusão anterior do Simples, e de a empresa não possuir os livros solicitados, foi realizado o arbitramento do lucro para apuração de IRPJ e CSLL. O lançamento de PIS e COFINS se deu pelo regime cumulativo. O lançamento tomou como base as receitas constantes das Declarações Simplificadas que foram apresentadas pela própria Contribuinte à Receita Federal. Os pagamentos unificados realizados com o código 6106 (Simples) foram deduzidos dos autos de infração. Como o lançamento ocorreu em 24/10/2008, e havia pagamentos (ainda que parciais) no código 6106, a Delegacia de Julgamento, levando em conta o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, afastou por decadência os créditos de IRPJ e CSLL do 1º e 2º trimestres de 2003, bem como os créditos de PIS e COFINS referentes aos períodos de janeiro a setembro de 2003. Nessa fase recursal, a Contribuinte repisa vários argumentos já apresentados na primeira peça de defesa. Ela inicia o recurso voluntário reiterando todas as preliminares argüidas na fase processual anterior, assim como todo o conteúdo da impugnação julgada pela DRJ/BelémPA. Os aspectos por ela abordados estão detalhadamente analisados na decisão de primeira instância administrativa, cujos fundamentos transcrevo abaixo, adotandoos também como motivação deste voto: I – DAS PRELIMINARES 01 – DA TEMPESTIVIDADE E DA ADMISSIBILIDADE [...] 02 – DAS DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS Ainda a título de preliminar, em especial às decisões judiciais citadas na peça recursal, é imperioso observar o disposto nos art. 102, § 2°, e 103A da Constituição Federal (DOU de 31/12/2004), com redação dada pela Emenda Constitucional n° 45, de 08/12/2004, além do artigo 8° desta Emenda. O artigo 102, § 2°, da CF/1988 determina que: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Já o artigo 103A estipula que: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 17 16 O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Por fim, o artigo 8º da Emenda Constitucional n.° 45/2004 preconiza que “As atuais súmulas do Supremo Tribunal Federal somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa oficial”. Por essas normas constitucionais, apenas as súmulas vinculantes supramencionadas deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure como parte. Mesmo em relação ao entendimento e às súmulas (não vinculantes) dos Tribunais Superiores, data venia sua respeitabilidade, não submete o administrador em seus julgados, já que não faz parte da legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do CTN. Diferentemente seria se tratasse de súmulas vinculantes, mas tais comandos jurisprudenciais não foram trazidos pelo(a) contribuinte. Outrossim, são improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Neste sentido, o inciso II do artigo 100 do CTN determina que: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: [...]. II – as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; [grifei] Vejase também o Parecer Normativo CST n.º 390/1971: Entendase aí que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação Fl. 238DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 18 17 a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. Logo, mesmo que o Conselho de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, pode a autoridade administrativa da Delegacia de Julgamento ter outro entendimento, salvo na hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972, incluído pela Lei nº 11.196/2005. 03 – DA DECADÊNCIA Preliminarmente, por questão de ordem pública, apreciaremos a decadência. Para isto, temos de fazer uma análise da opção da contribuinte pela forma de tributação, dos pagamentos efetuados e da aplicação da legislação, em especial os artigos 150, §4º e 173 do Código Tributário Nacional. [...] Assim, tendo em vista a regra expressa no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, acima transcrito, e que a interessada foi autuada pela sistemática do Arbitramento do Lucro, cuja apuração é trimestral. O lançamento do IRPJ e da CSLL relativos aos fatos geradores ocorridos nos 1º e 2º trimestres poderia ter sido efetuado até 07/2003, como o lançamento foi cientificado em 24/10/2008, resta, portanto, caracterizada a ocorrência de extinção do crédito tributário por decadência para o IRPJ, e para a CSLL destes trimestres. No entanto, o mesmo não ocorreu para os 3º e 4º trimestre de 2003, pois, o mesmo poderia ser lançado até 31/10/2008 (período mais longínquo). DO PIS, e DA COFINS Já para o PIS e Cofins, o período de apuração é mensal como determinado pelo art. 74 do Decreto nº 4.524, de 17.12.2002, abaixo transcrito: [...] Na descrição dos fatos, a fiscalização considerou, conforme legislação, o período de apuração do PIS e da Cofins como mensal, portanto, como o contribuinte efetuou recolhimento de PIS e Cofins, estão decaídos os fatos geradores lançados, com ciência em 24/10/2008, para os períodos de apuração referente aos meses 01/2003 a 09/2003. No entanto, não ficou contemplado pela extinção do crédito, em função da decadência, os créditos tributários lançados no período de 10/2003 a 12/2004. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 19 18 04 – NULIDADE – DO ATO DECLARATÓRIO E PELA EXCLUSÃO ILEGAL DO SIMPLES (ÍTENS III 3.1 e III 3.2 DO RELATÓRIO). 4.1 – DA NULIDADE Auto de Infração “lavrado” fora do estabelecimento fiscalizado, tal procedimento vicia e nulifica o procedimento fiscal, que não cumpriu assim, as normas cogente, superiores e obrigatórias do art. 10 caput, Inciso II, do Decreto 70.235/1972; Não foi encontrado o Termo de Início de Fiscalização, assim como os termos seguintes que deveriam ser emitidos dando condição essencial para a continuação do procedimento fiscal; O Fiscal não concluiu o trabalho dentro do prazo legal, e não houve prorrogação do trabalho de fiscalização – A Fiscalizada não recebeu nenhum MPFC, indicando a prorrogação dos seus trabalhos; Auto de Infração lavrado sem fundamentação legal. Em relação ao pedido de nulidade, não prosperam as alegações da impugnante, pois: Concernente ao local da lavratura, que o contribuinte alegar ter sido fora do domicílio fiscal eleito por ele, não tem sentido, pois, o auto de infração será lavrado no local da verificação da falta, e o “local da verificação da falta” não pressupõe, literalmente, o espaço físico onde se encontra o estabelecimento da empresa. Os Auditores podem verificar algum ato antijurídico a partir dos elementos de convicção que dispõem no local de trabalho, e efetuar o lançamento no local onde foi verificada a falta, conforme dispõe o caput do art. 10 do Decreto 70.235/72. Vejamos o que menciona o referido art.: 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Compulsando os autos, verificamos que todos os requisitos apontados neste artigo foram respeitados pela fiscalização tais como: Os autos foram lavrados por servidores competentes, o autuado foi qualificado, consta a data da lavratura dos autos, os fatos foram devidamente descritos, com a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta Fl. 240DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 20 19 dias, consta também a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, e Termo de Verificação e Constatação Fiscal, tudo conforme fls. 36/83. Ademais, os Autos de Infrações demonstram, detalhadamente, as descrições dos fatos, apontado as bases de cálculos, através de Demonstrativos, assim como os dispositivos legais infringidos e os aplicáveis às Multas de Ofício e aos Juros de Mora. Observase, também, que os Autos de Infrações estão acompanhados de todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito e que o lançamento atende todos os requisitos legais, não existindo, portanto, qualquer violação ao princípio da legalidade. A critério da autoridade outorgante o MPF poderia ser prorrogado. Ademais, as suas prorrogações sempre esteve à disposição da fiscalizada para a verificação da autenticidade e validade do Mandado de Procedimento Fiscal, através da página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet (http://www.receita.fazenda.gov.br), ao informar o CNPJ e o código de acesso nº 46884264, de acordo com as orientações contidas no Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 02.1.01.002007006421 (fl. 01), ou melhor, o mesmo teria acesso a este documento e suas alterações, a qualquer no momento em que lhe conviesse. Entendo que esta é uma questão menor no que tange à anulabilidade do lançamento, pois o MPF é, na verdade, um instrumento de gerenciamento e planejamento da atividade fiscal, conclusão a que se chega pela leitura dos arts. 1º e 2º da Portaria SRF nº 3.007, de 26.11.2001. Apesar de o referido diploma normatizar os tipos e prazos de validade dos MPFs, bem como o seu conteúdo, em nenhum momento pretendeu inovar a ordem jurídica para acrescentar uma nova hipótese de declaração de nulidade do lançamento. E quanto ao Termo de Início de Fiscalização alega: Não encontramos o aludido termo de inicio de fiscalização, assim como os termos seguintes que deveriam ser emitidos dando condição essencial para a continuação do processo fiscalizador, tendo em vista que o digno fiscal, não conseguiu concluir seu trabalho dentro do período que lhe era permitido em lei, motivo também pelo qual desde já esta defendente requer a nulidade do auto nos termos da legislação vigente, por lhe ser de direito. O prazo de 60 dias não é peremptório no sentido de, se excedido, por conta disso, tal dilação, vem causar nulidade a ação fiscal, uma vez que é prorrogável tantas vezes quantas necessárias ao termino dos trabalhos de fiscalização, o que não foi o caso, pois o agente do fisco não assim procedeu. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 21 20 O primeiro ato da Auditoria, foi a ciência do Termo de Início de Fiscalização, dada ao sócio Flaviano Roberto Vieira Neto em 11/10/2007, às 15:00 Hs.(fls. 03/04). Ao contrário do que afirma a Impugnante, o Termo de Início de Fiscalização encontrase anexo às fls. 03, assim como o Termo de Intimação e Prosseguimento da Ação Fiscal (fls. 07), os quais fazem alusão ao MPF nº 02.1.01.002007006421, de fls. 01 que menciona em seu “corpo” os seguintes dizeres: Este Mandado deverá ser executado até 01 de Fevereiro de 2008. Este instrumento poderá ser prorrogado, a critério da autoridade outorgante, em especial na eventualidade de qualquer ato praticado pelo contribuinte/responsável que impeça ou dificulte o andamento deste procedimento fiscal, ou a sua conclusão.(grifamos) A lei determina quais são os casos de declaração de nulidade do lançamento, e são aqueles expressos no art. 59 do Decreto 70.235, de 6.3.1972 (decreto este com força de lei), in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Verificase que, ínsito nesse artigo, encontramse as exigências formais e materiais do lançamento tributário, extraídas da definição contida no art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Não há como interpretar que uma suposta conclusão da fiscalização fora do prazo mencionado no MPF e falta de emissão de MPFC, possa acarretar a nulidade do lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (art. 37 da Carta Magna), devidamente refletido no parágrafo único do art. 142 do CTN: “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.”. Esse mesmo entendimento adota o Conselho de Contribuintes, como se extrai das ementas a seguir reproduzidas: “NORMAS PROCESSUAIS VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O Fl. 242DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 22 21 vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. (...)” (Acórdão 20176449, de 19.9.2002) “PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. (...)” (Acórdão 10612941, de 16.10.2002) “NULIDADE INOCORRÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (...)” (Acórdão 10807079, 22.8.2002) Nesse passo, deixo de acolher a tese de nulidade do lançamento argüida pelo sujeito passivo. 5 – DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Nulidade – da ilegal exclusão do simples – insegurança jurídica 1) Para o caso em tela, o contestante, não entende, como foi concluído pela sua exclusão do simples, quando em fl. n° 13 do processo n° 10280.003908/200461, em despacho decisório a Sra. Cláudia Gorresen Mello, Fiscal deste Órgão afirma que: “resolvo não tomar conhecimento da SRS oferecida pela contribuinte, tendo em vista que o ADE contestado foi anulado por apuração especial do sistema Sivex”. 3) Indo em outra direção, verificase em folhas 17, que a mesma servidora, decide por tomar outro rumo contrário ao seu parecer, o qual de certa forma, foi “derrubado”, através do parecer n° 582/2005, deixando sempre para o contribuinte a absorção de toda a insegurança jurídica vivida pela RFB. 4) Ilustre Julgador, não posso me calar diante de tanta maldade feito comigo por parte da RFB. Primeiro, este órgão me recepciona como optante pelo simples, deixa que pague os impostos através do sistema e depois diz que eu não podia ter seguido este caminho, obrigandome a pagar por um “erro”, ao qual fui induzido por ele. 5 Indo mais longe ainda, diz que eu tenho que pagar pelo erro que fui induzido de forma retroativa. O poder constituinte, alega que a retroatividade da lei, serve para beneficiar o réu, e neste caso, veio para prejudicar o réu. Como pode progredir tal obrigação?. NUNCA. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 23 22 6 Importa aqui destacar que para o segundo momento aonde o contribuinte foi definitivamente excluído, não lhe foi dado o direito de manifestação ou defesa, estando o mesmo naquele momento ciente que sua exclusão, não aconteceria. Desta forma, a ampla defesa deixou de ser exercitada, por conseguinte o contraditório, não se instalou, tornando o processo inválido viciado e insanável, portanto nulo. (grifamos) Realmente, o Ato Declaratório anterior, como mencionado pela Impugnante, foi anulado por apuração especial do sistema SIVEX. No entanto, a Administração Tributária, com fundamento no PARECER/SECAT/DRF/BEL Nº 582/2005, emitiu o ATO EXECUTIVO DRF/BEL nº 55, de 26 de dezembro de 2005, que exclui o Contribuinte do SIMPLES, com efeito, retroativamente a 01/01/2002 (fl. 114). Há de esclarecer que o Contribuinte foi devidamente notificado da exclusão do SIMPLES, e não apresentou a Manifestação de Inconformidade a que tinha direito. (ITEM V – DO RELATÓRIO). Ora, pelos fatos relatados acima, chegamos à conclusão que o momento oportuno do contribuinte apresentar as suas alegação, tempestivamente, seria através da Manifestação de Inconformidade, e não o fez. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. [...] Além do mais, não se pode olvidar somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, sendo esse o momento privilegiado para o exercício do direito à ampla defesa, qualquer documentação ou prova pode ser apresentada na fase impugnatória § 4º, art 16, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Afasto, dessa forma, a preliminar de cerceamento do direito de defesa. II – DA ANALISE DOS FATOS: 01 – DO ARBITRAMENTO DO LUCRO ( ITEM – III – 3.3, 3.4 – DO RELATÓRIO) Vejamos o Resumo da Ação Fiscal, conforme relatado pela Fiscalização: Receita da atividade de prestação de serviços, que ora tributamos tendo em vista que o contribuinte teve sua exclusão do sistema simples de tributação através de Fl. 244DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 24 23 Ofício, pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) N° 55 datado de 26/12/2005, emitido pela Sra. Delegada da Receita Federal do Brasil em Belém, exclusão essa motivada pela infração do inciso XIII do art. 9° da Lei 9.317/96, Como seja, desenvolver atividade econômica típica da profissão de engenheiro, ou a essa assemelhada, e de técnicos legalmente habilitados, a presente exclusão surtiu efeito a partir de 01/01/2002, com isto se sujeitando a tributação com base no Lucro Presumido e/ou Real. Por fim não foram apresentados os Livros Obrigatórios: Diário e Razão, bem como os livros auxiliares, solicitados através do Termo de Início de Fiscalização N° 001 datado de 11/10/2007,e Termo de Intimação e Prosseguimento da Ação Fiscal N° 002 datado de 22/07/2008, conforme AR em anexo. Tendo sido justificado pela interessada que a empresa está na situação de Inativa a partir de 01 de Fevereiro de 2005 e não possui em seus arquivos os itens solicitados através do Termo de Intimação, ocasionando o arbitramento do Lucro com base na receita conhecida, apurada através da declaração do IRPJ referente aos anos calendário 2003 e 2004.(grifamos) Os valores recolhidos apurados segundo o Sistema Sinal da Receita Federal do Brasil, pelo regime Simples de Tributação referentes ao período Fiscalizado foram devidamente compensados pela fiscalização. Informamos ainda que para os períodos fiscalizados ano calendários de 2003 e 2004 a empresa efetuou suas declarações através do sistema Simples de Tributação, as quais foram canceladas de Oficio pela Delegacia da Receita Federal do Brasil e não efetuou seus recolhimentos em códigos de tributos conexos e sim através do Código 6106, referente ao Sistema Simples de tributação o que caracteriza a não opção pelo Lucro Presumido e/ou Real. Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso III, do RIR/99. Ocorre que, tendo sido excluída do SIMPLES, a recorrente passou a se sujeitar, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 16, Lei nº 9317/96). Fl. 245DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 25 24 E como a regra geral de apuração do IRPJ é o Lucro Real trimestral (art. 1º, Lei nº 9.430/96), a partir dos efeitos da exclusão do SIMPLES (01/2002) o sujeito passivo passou a ter que observar a escrituração dos livros obrigatórios a este tipo de apuração, dentre os quais, o Livro Diário e o Livro Razão (art. 7º, DecretoLei nº 1.598/77). Do enquadramento legal do arbitramento, vêse que a utilização dessa sistemática de apuração do lucro foi baseada no inciso III do artigo 530 do RIR/99, abaixo transcrito. Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou Livro Caixa, na hipótese do Parágrafo único do art. 527; O art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prescreve que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No caso específico, o lucro foi arbitrado pelo fato do sujeito passivo ter deixado de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, na forma do art. 530, III, do RIR/99. Sobre o assunto, vejamos a obrigatoriedade dos livros fiscais e comerciais, conforme artigos 257, 258 e 260 do RIR/99, que assim dispõem: [...] Dessa forma, agiu corretamente o fisco ao arbitrar o lucro do contribuinte, pois, diante da falta da escrituração fiscal e comercial, há impossibilidade de apurar o lucro real. Neste momento, cumpre lembrar que o arbitramento do lucro não é uma penalidade imposta ao contribuinte, mas somente uma metodologia de apuração do lucro tributável, diante de ausência de elementos confiáveis que permitam apurar o lucro real. E ainda, equivocadamente a Impugnante alega: Verificase, portanto, que se trata de lançamento de IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), cuja base de cálculo foi a receita bruta, já que o Auditor Fiscal não excluiu da receita bruta os tributos incidentes sobre a operação, nem as despesas operacionais previstas no art. 299 do RIR/99. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 26 25 .............................................................................................. No Auto de Infração também não foi observado que o artigo 153, inciso III, da CF/1988, autoriza a União a instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, mas não a tributar o somatório de toda a receita bruta auferida pela empresa, como se para auferila não tivesse havido nenhum dispêndio de despesa ou custo. Está claro nos autos, que a empresa, ora excluída do SIMPLES, teve seu lucro arbitrado, baseada nas receitas declaradas na modalidade SIMPLES, apresentadas pelo Contribuinte. 02 – INCONSTITUCIONALIDADE ( ÍTEM III PEDIDOS DO RELATÓRIO) Vejamos o que alega sutilmente a Impugnante ao mencionar os seus pedidos: [........] nulidades que o cercam, amplamente demonstradas, sem que isso represente lesão à Fazenda Nacional, posto que a declaração de inconstitucionalidade dos 2 Dec.leis2.445 e 2.449/88, retroagindo ex tunc, isto é, até a data em que foram editados e publicados no DOU; e impede o lançamento, a cobrança, a inscrição e a execução dos tributos elencados no já citado auto, fundado nesses 2 Dec.Leis, sob pena de incidência no art. 20 da Lei n° 8.137/90. As autoridades administrativas não são competentes para se manifestar a respeito da constitucionalidade das leis, seja porque tal competência é conferida ao Poder Judiciário, seja porque as leis em vigor gozam da presunção de constitucionalidade, restando ao agente da administração pública aplicálas, a menos que estejam incluídas nas hipóteses de que trata o Decreto nº. 2.346, de 1997, ou que haja determinação judicial em sentido contrário beneficiando o contribuinte, o que não é o caso. Ressalto que a autoridade administrativa se encontra totalmente vinculada aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). A esta autoridade, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia dos preceitos legais considerados, pelo sujeito passivo, como inconstitucionais e/ou ilegais. 03 – DO PEDIDO DE PERÍCIA ( ÍTEM III 3.5 DO RELATÓRIO) A recorrente pediu a produção de prova pericial. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 27 26 Denegase o pedido, pois esta não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer aos autos junto com a peça impugnatória. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, em conformidade com o artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput , do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993). A realização de diligência e perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e/ou esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo. Todavia, elas não integram o rol dos direitos subjetivos do autuado, podendo o julgador, se justificadamente entendêlas prescindíveis, não acolher o pedido. No presente caso, tais motivos são inexistentes. Desta forma, e em conformidade com o artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro os pedidos de diligência, por considerála prescindível para o julgamento da presente lide. III – DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas (CSLL, PIS e COFINS), no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. IV – CONCLUSÃO Isto posto, voto no sentido de considerar procedente em parte a Impugnação, e por conseguinte, pela manutenção de parte do crédito tributário lançado (ITEM I – 3 – VOTO), conforme abaixo descrito: a) Extinção do crédito tributário do IRPJ e da CSLL, relativo ao 1º e 2º trimestre de 2003; b) Extinção do crédito tributário do PIS e da COFINS, relativo aos meses de janeiro a setembro de 2003; c) Os créditos tributários dos demais períodos ficam inalterados. Vêse que na fase anterior, a Contribuinte apresentou muitos argumentos genéricos, que em alguns casos não correspondiam precisamente aos fatos ocorridos, e às vezes nem mesmo guardavam qualquer relação com as exigências fiscais em questão (p/ ex., a argumentação sobre a inconstitucionalidade dos Decretosleis 2.445 e 2.449/1988). Nessa fase recursal, ela agregou algumas novas alegações, mas que também não têm o efeito de combalir os fundamentos da autuação. Realmente, não há nenhum vício no procedimento fiscal. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 28 27 A Contribuinte havia sido excluída do Simples com efeitos a partir de 01/01/2002. Ela foi devidamente cientificada do ato de exclusão e de seus fundamentos em 06/01/2006, e não apresentou manifestação de inconformidade contra esse ato. Em 11/10/2007 foi iniciada a fiscalização que resultou nos autos de infração objeto do presente processo. A Contribuinte foi intimada naquela referida data, e novamente intimada em 28/07/2008 a apresentar os livros Diário e Razão, dentre outros documentos (livros de ICMS/ISS, extratos bancários, contrato social e alterações, e notas fiscais). Em resposta, ela informou simplesmente que não possuía nenhum dos documentos solicitados. De acordo com o art. 16 da Lei 9.317/1996, a pessoa jurídica excluída do Simples fica submetida, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão (no caso, a partir de 2002), às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim, desde a exclusão do sistema simplificado de tributação, devidamente comunicada em 06/01/2006 (e não contestada), deveria a Contribuinte ter providenciado os devidos ajustes visando sua adequação às normas de tributação aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. Contudo, nem mesmo depois de iniciada a fiscalização, já em 11/10/2007, ela procurou adotar qualquer providência nesse sentido, via retificação de declarações, escrituração de livros, etc. Os trabalhos de fiscalização só foram encerrados em 24/10/2008 (data de lavratura dos autos de infração), e até essa data, quase três anos após a ciência de sua exclusão do Simples, a Contribuinte não havia adotado qualquer providência para se adequar às normas gerais de tributação. Com efeito, não há vícios em relação à exclusão do Simples, e nem vícios em relação ao arbitramento do lucro. A Recorrente se insurge ainda contra a retroatividade dos efeitos da exclusão, pelo fato de a autuação atingir fatos ocorridos nos anos de 2003 e 2004. Quanto a esse aspecto, o art. 15, II, da Lei 9.317/1996 é bastante claro ao definir que a exclusão do Simples surtirá efeito: Art. 15 (...) II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º;.(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) De acordo com os artigos 13 e 14 da mesma Lei 9.317/1996, a situação abrange hipótese de exclusão obrigatória (exercício de atividade vedada), caso em que a Fl. 249DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 29 28 própria Contribuinte tem o dever de comunicar a situação impeditiva ao Fisco. Se isso não ocorre, é elaborado o ato de ofício, mas apenas com conteúdo declaratório da situação impeditiva, porque a exclusão decorre diretamente da lei. Assim, não há qualquer problema em relação às conseqüências temporais da exclusão, por implicarem em autuação nos anos de 2003 e 2004. Outro aspecto que também precisa ser esclarecido é que o arbitramento em questão nada tem a ver com o previsto no art. 148 do Código Tributário Nacional, que foi objeto de extensos comentários pela Recorrente (arbitramento do valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, mediante avaliação contraditória, administrativa ou judicial). Estamos tratando aqui de hipótese de arbitramento de lucro, prevista no art. 47, III, da Lei 8.981/1995, e reproduzida no art. 530, III, do atual Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, que consiste em técnica para apuração de IRPJ e CSLL quando o Contribuinte não apresenta livros e documentos que possibilitem as outras formas de apuração (lucro real ou presumido). No recurso voluntário a Recorrente também alega decadência para o período de janeiro a julho de 2003. Registro novamente que a Delegacia de Julgamento já afastou por decadência as exigências de IRPJ e CSLL relativas ao primeiro e segundo trimestres de 2003, e de PIS e COFINS relativas ao período de janeiro a setembro de 2003 (um período maior que o alegado no recurso). Como o lançamento ocorreu em 24/10/2008, percebese que houve uma falha na contagem da decadência para o IRPJ e CSLL. No caso, o terceiro trimestre de 2003 também está prejudicado pela decadência, eis que seu fato gerador é 30/09/2003, com a data limite para lançamento em 30/09/2008, e não 31/10/2008, como registrado na decisão recorrida. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares, e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para também reconhecer a decadência do IRPJ e da CSLL relativamente ao terceiro trimestre de 2003. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 250DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720716/200847 Acórdão n.º 1802002.055 S1TE02 Fl. 30 29 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11080.922003/2009-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 20 03 /2 00 9- 16 Fl. 818DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922003/200916 Acórdão n.º 3803005.938 S3TE03 Fl. 819 3 efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 5 de fevereiro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 5 de março de 2013, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço determinado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922003/200916 Acórdão n.º 3803005.938 S3TE03 Fl. 820 5 Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: IN SRF 468/04: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como Fl. 823DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922003/200916 Acórdão n.º 3803005.938 S3TE03 Fl. 821 7 preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922003/200916 Acórdão n.º 3803005.938 S3TE03 Fl. 822 9 dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 827DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922003/200916 Acórdão n.º 3803005.938 S3TE03 Fl. 823 11 Fl. 828DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13982.720025/2013-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PIS. COFINS. ATO COOPERATIVO. PARTICIPAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA COMO COOPERADO. NÃO-INCIDÊNCIA.
As pessoas jurídicas podem participar do quadro societário das cooperativas, desde que respeitados os ditames do Código Civil e da Lei n° 5.764/1971.
Ato cooperado é aquele praticado entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79 da Lei n° 5.764/1971).
A não-incidência de COFINS restringe-se a atos cooperados praticados entre a cooperativa e seus associados.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ATO COOPERATIVO Recorrente COOPERATIVA DE TRANSPORTE DE CARGAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA COOPERCARGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PIS. COFINS. ATO COOPERATIVO. PARTICIPAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA COMO COOPERADO. NÃOINCIDÊNCIA. As pessoas jurídicas podem participar do quadro societário das cooperativas, desde que respeitados os ditames do Código Civil e da Lei n° 5.764/1971. Ato cooperado é aquele praticado entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79 da Lei n° 5.764/1971). A nãoincidência de COFINS restringese a atos cooperados praticados entre a cooperativa e seus associados. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 00 25 /2 01 3- 91 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.720025/201391 Acórdão n.º 3202001.119 S3C2T2 Fl. 594 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, que julgou improcedente a impugnação da Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão da DRJ, verbis: Trata o presente processo de Auto de Infração (AI) por falta/insuficiência das Contribuições para o PIS/Pasep, no valor de R$ 1.278.289,92 e das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$ 5.899.799,58, do período de 01/2008 a 12/2008, acrescido de multa proporcional e juros de mora. A empresa interessada – Coopercarga – se trata de uma cooperativa de transporte rodoviário, sujeita ao regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins. Esclarece a autoridade fiscalizadora que a autuação foi motivada pelo fato de a contribuinte ter excluído da base de cálculo os repasses efetuados a pessoas jurídicas, consideradas por esta como associadas, sem amparo na legislação de regência. Segundo o fisco, o ingresso de pessoas jurídicas nos quadros da cooperativa é situação excepcional, nas hipóteses previstas nos §§ 2º. e 3º. do art. 29 da Lei nº. 5.764/71: primeiro, somente é possível nas cooperativas de pesca, de produtores rurais ou extrativistas, de eletrificação, irrigação ou telecomunicações; e segundo, a pessoa jurídica exerça as mesmas atividades econômicas ou correlatas das pessoas físicas associadas. Conclui que as pessoas jurídicas associadas à Coopercarga não atendem aos preceitos legais para serem considerados cooperados, de modo que as receitas relativas aos seus serviços não foram consideradas como “ingressos decorrentes de ato cooperativo”, na forma do inciso I do artigo 16 da Instrução Normativa nº. 635/2006 c/c o §2º. do mesmo artigo. Desta forma, os valores informados pelo sujeito passivo relativos às exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins a título de repasses efetuados aos associados pessoas jurídicas foram informados como a infração: “Insuficiência de recolhimento da Cofins – exclusão indevida da base de cálculo e insuficiência de recolhimento do PIS – exclusão indevida da base de cálculo. A multa de ofício imposta foi a de 75%, conforme inciso I do artigo 44 da Lei nº. 9.430/96. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.720025/201391 Acórdão n.º 3202001.119 S3C2T2 Fl. 595 3 No item 8 do termo fiscal – Da ação judicial consta que, conforme cópia (em anexo) da ação movida pelo sujeito passivo (exigência da Cofins) e relatório de acompanhamento processual, não haveria provimento judicial (até o momento da autuação) favorável ao contribuinte. Na impugnação, a contribuinte informa que, no mencionado processo judicial, o que se discute é a exigência da Cofins antes da edição dos incisos I a IV do art. 30 da Lei nº. 11.051 (alterado pela Lei nº. 11.1968/2005), e não se discute a possibilidade de vedação do ingresso de pessoa jurídica nos quadros da Cooperativa, portanto, matéria diversa do AI. Na sequência, alega, em síntese, que a Coopercarga possui pessoas jurídicas em seu quadro associativo, em conformidade como os preceitos legais aplicáveis às cooperativas, constantes da Lei nº. 5.764/71, art. 6º., inciso I. Aduz que a lei cooperativista é de 1971 e que a legislação vem evoluindo para a admissão de pessoas jurídicas quando estas se equiparem às pessoas físicas, para fins de produção do ato cooperativo. Questiona a interpretação fiscal dada ao artigo 29 da Lei nº. 5.764/71, pela qual as pessoas jurídicas, excepcionalmente, podem ser associadas de cooperativas no caso de que, cumulativamente: sejam cooperativas de pesca, de produtores rurais ou extrativistas, de eletrificação, irrigação ou telecomunicações; e segundo, a pessoa jurídica exerça as atividades econômicas ou correlatas das pessoas físicas. Sustenta que é equivocada a afirmação fiscal de que outro óbice ao ingresso de pessoas jurídicas nas sociedades cooperativas, é o fato de que, ainda quando permitido, tais pessoas jurídicas não poderão ter finalidade lucrativa. Alega, em síntese, que o ingresso na sociedade cooperativa é livre, condicionado apenas ao preenchimento das condições estatutárias e à adesão aos propósitos sociais. Ainda, que a lei permite a cooperação de pessoas jurídicas desde que atuem no mesmo campo econômico onde operam as pessoas físicas associadas. Aduz que a própria SRF esclarece no “perguntas e respostas” esta questão e que o auditor fiscal interpretou erroneamente o disposto no parágrafo 4º. do art. 29, bem como o art. 6º, inciso I, ambos da Lei nº. 5.764/71. Por fim, reitera que é nulo o lançamento, requer o afastamento da multa aplicada, e a concessão de todos os meios de prova em direito admitidas que se façam necessários. É o relatório. Em sua decisão, a DRJ de Florianópolis houve por bem julgar improcedente a impugnação. A ementa do acórdão foi assim formulada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 596DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.720025/201391 Acórdão n.º 3202001.119 S3C2T2 Fl. 596 4 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CUMULATIVIDADE. COOPERATIVA DE TRANSPORTE DE CARGAS. PESSOA JURÍDICA COM FINS LUCRATIVOS ASSOCIADA. IMPOSSIBILIDADE. O ingresso de pessoa jurídica com fins lucrativos nas sociedades cooperativas singulares é restrito às cooperativas de pesca e nas cooperativas constituídas por produtores rurais ou extrativistas, estas desde que pratiquem as mesmas atividades econômicas das pessoas físicas associadas e não operem no mesmo campo econômico das cooperativas, bem como nas cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações, desde que se localizem na respectiva área de operações. CUMULATIVIDADE. COOPERATIVA DE TRANSPORTE DE CARGAS. ATOS NÃO COOPERADOS. RECEITAS INCLUÍDAS NA BASE DE CÁLCULO. Os serviços prestados por pessoas jurídicas com fins lucrativos através das cooperativas de transporte de carga são considerados como atos não cooperados cujas receitas são incluídas na base de cálculo das contribuições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CUMULATIVIDADE. COOPERATIVA DE TRANSPORTE DE CARGAS. PESSOA JURÍDICA COM FINS LUCRATIVOS ASSOCIADA. IMPOSSIBILIDADE. O ingresso de pessoa jurídica com fins lucrativos nas sociedades cooperativas singulares é restrito às cooperativas de pesca e nas cooperativas constituídas por produtores rurais ou extrativistas, estas desde que pratiquem as mesmas atividades econômicas das pessoas físicas associadas e não operem no mesmo campo econômico das cooperativas, bem como nas cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações, desde que se localizem na respectiva área de operações. CUMULATIVIDADE. COOPERATIVA DE TRANSPORTE DE CARGAS. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. RECEITAS INCLUÍDAS NA BASE DE CÁLCULO. Os serviços prestados por pessoas jurídicas com fins lucrativos através das cooperativas de transporte de carga são considerados como atos não cooperativos cujas receitas são incluídas na base de cálculo das contribuições. Inconformada com a decisão da DRJ/RPO, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário, onde repisa os argumentos apresentados anteriormente. É o relatório. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.720025/201391 Acórdão n.º 3202001.119 S3C2T2 Fl. 597 5 Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Como bem apontado na decisão recorrida, a questão a ser dirimida nos autos consiste em verificar se é possível a admissão de pessoas jurídicas às cooperativas de transporte de cargas, nos termos da Lei nº. 5.764/71, a qual instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas. Estabelecem os artigos 6° e 29 da Lei n° 5.764/71 que: Art. 6º As sociedades cooperativas são consideradas: I singulares, as constituídas pelo número mínimo de 20 (vinte) pessoas físicas, sendo excepcionalmente permitida a admissão de pessoas jurídicas que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos... Art. 29. O ingresso nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade, desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto, ressalvado o disposto no artigo 4º, item I, desta Lei. § 1° A admissão dos associados poderá ser restrita, a critério do órgão normativo respectivo, às pessoas que exerçam determinada atividade ou profissão, ou estejam vinculadas a determinada entidade. § 2° Poderão ingressar nas cooperativas de pesca e nas constituídas por produtores rurais ou extrativistas, as pessoas jurídicas que pratiquem as mesmas atividades econômicas das pessoas físicas associadas. § 3° Nas cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações, poderão ingressar as pessoas jurídicas que se localizem na respectiva área de operações. § 4° Não poderão ingressar no quadro das cooperativas os agentes de comércio e empresários que operem no mesmo campo econômico da sociedade. Temos, portanto, que a lei de regência das cooperativas prevê a possibilidade de participação de pessoas jurídicas como cooperadas. Entendo, no entanto, existirem lacunas acerca do tema, já que o artigo 6° fala em situação excepcional e, por sua vez, o artigo 29 prevê a possibilidade de participação de pessoas jurídicas em alguns tipos de cooperativa, mas veda Fl. 598DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.720025/201391 Acórdão n.º 3202001.119 S3C2T2 Fl. 598 6 que os agentes de comércio e empresários que operem no mesmo ramo econômico da cooperativa ingressem em seus quadros societários. Empresário é definido no artigo 966 do Código Civil como quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. Entretanto, o § 3°, do artigo 968, do mesmo diploma legal estabelece que “Caso venha a admitir sócios, o empresário individual poderá solicitar ao Registro Público de Empresas Mercantis a transformação de seu registro de empresário para registro de sociedade empresária...”. Vêse, portanto, que empresário é pessoa física que pode se transformar em jurídica se admitir sócios. Sendo assim, se fossemos levar ao extremo a questão da vedação do ingresso nos quadros societários das cooperativas de agentes de comércio e empresários que operem no mesmo ramo econômico, ninguém poderia ser ingressar como cooperado nos quadros das cooperativas. Apesar da legislação não esgotar o tema, é possível tirarmos algumas conclusões do que foi dito anteriormente: a) As cooperativas podem ter pessoas jurídicas em seus quadros societários que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas ou, mesmo aquelas sem fins lucrativos, ainda que de maneira excepcional; b) A legislação prevê expressamente que as pessoas jurídicas podem participar de cooperativas de pesca e constituídas por produtores rurais ou extrativistas, bem como de cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações, mas sem limitar a estes tipos de cooperativa tal possibilidade; e c) Não poderão ingressar no quadro das cooperativas os agentes de comércio e empresários (pessoas físicas) que operem no mesmo campo econômico da sociedade. O Código Civil, por sua vez, tratou das cooperativas nos seguintes dispositivos: Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considerase empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. Art. 1.093. A sociedade cooperativa regerseá pelo disposto no presente Capítulo, ressalvada a legislação especial. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.720025/201391 Acórdão n.º 3202001.119 S3C2T2 Fl. 599 7 Art. 1.094. São características da sociedade cooperativa: I variabilidade, ou dispensa do capital social; II concurso de sócios em número mínimo necessário a compor a administração da sociedade, sem limitação de número máximo; III limitação do valor da soma de quotas do capital social que cada sócio poderá tomar; IV intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade, ainda que por herança; V quorum, para a assembléia geral funcionar e deliberar, fundado no número de sócios presentes à reunião, e não no capital social representado; VI direito de cada sócio a um só voto nas deliberações, tenha ou não capital a sociedade, e qualquer que seja o valor de sua participação; VII distribuição dos resultados, proporcionalmente ao valor das operações efetuadas pelo sócio com a sociedade, podendo ser atribuído juro fixo ao capital realizado; VIII indivisibilidade do fundo de reserva entre os sócios, ainda que em caso de dissolução da sociedade. Art. 1.095. Na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada. § 1o É limitada a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde somente pelo valor de suas quotas e pelo prejuízo verificado nas operações sociais, guardada a proporção de sua participação nas mesmas operações. § 2o É ilimitada a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. Art. 1.096. No que a lei for omissa, aplicamse as disposições referentes à sociedade simples, resguardadas as características estabelecidas no art. 1.094. As cooperativas passaram, portanto, a ser regidas pelo Código Civil naquilo que não conflitar com a legislação especial (Lei n° 5.764/71), aplicandose a elas as disposições referentes às sociedades simples. As sociedades simples, por sua vez, podem ter em seu quadro societário pessoas físicas e jurídicas. Aliás, o inciso I, do artigo 997, do Código Civil assim prevê: Fl. 600DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.720025/201391 Acórdão n.º 3202001.119 S3C2T2 Fl. 600 8 Art. 997. A sociedade constituise mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: I nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; Pareceme, portanto, que, cotejando todos os dispositivos legais acima transcritos, é possível concluir sobre a possibilidade das cooperativas poderem ter pessoas jurídicas em seus quadros societários, desde que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas, havendo exigências específicas para as cooperativas de pesca e constituídas por produtores rurais ou extrativistas, bem como para as cooperativas de eletrificação, irrigação e telecomunicações. Resta analisar se os cooperados pessoas jurídicas da Recorrente cumprem a exigência contida no artigo 6° da Lei n° 5.764/71 (ter por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas). A resposta para essa questão pode ser encontrada no Termo de Verificação e de Encerramento Parcial de Ação Fiscal (fls. 20) na seguinte passagem: No que diz respeito às pessoas jurídicas, tratamse de pessoas jurídicas com fins lucrativos e que operam no ramo de transporte rodoviário de carga. Inclusive, e conforme a seguir demonstrará, parcela expressiva das exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS, e que foi levada a termo pelo sujeito passivo, se referem a repasses a associados por conta de serviços de por eles prestados à cooperativa... Para melhor compreensão das providências adotadas por esta autoridade fiscal, convém esclarecer que a questão que deu gênese a presente autuação é o fato da COOPERCARGA excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS os repasses efetuados aos associados pessoas jurídicas. É de se concluir, outrossim, que cumprido está o requisito exigido no artigo 6° da Lei n° 5.764/71, motivo pelo qual estamos diante da figura do ato cooperado. Quanto a nãoincidência das exações sobre o ato cooperado, adoto o entendimento já proferido no processo 13982.000691/200923 de minha relatoria: A Lei n° 5.764/1971 assim dispõe sobre o ato cooperativo: “Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.720025/201391 Acórdão n.º 3202001.119 S3C2T2 Fl. 601 9 Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (...) Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar (redação dada pela MP no 2.15835/ 2001). (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. O artigo 6° da Lei Complementar 70/1991, por sua vez, dispunha que: Art. 6° São isentas da contribuição: I – as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades. Posteriormente, a Medida Provisória n° 1.8586, de 29 de junho de 1999, e suas reedições (culminando na MP n° 2.15835, de 2001), revogou expressamente, a partir de 30 de junho de 1999, a isenção da Cofins quanto aos atos cooperativos próprios das finalidades das cooperativas, prevista no artigo 6°, inciso I, da Lei Complementar n° 70/1991. Tal revogação, a meu ver, é possível, já que não há obrigatoriedade de edição de lei complementar para disciplinar a matéria em voga. Com o advento da Lei n°. 11.196/2005, alterando o artigo 30 da Lei n° 11.051/2004, é que se passou a reconhecer o direito das sociedades cooperativas de crédito e de transporte rodoviário de cargas excluírem, na apuração dos valores devidos a titulo de PIS e Cofins, os ingressos decorrentes do ato cooperativo, verbis: Art. 30. As sociedades cooperativas de crédito e de transporte rodoviário de cargas, na apuração dos valores devidos a título de Cofins e PIS faturamento, poderão excluir da base de cálculo os ingressos decorrentes do ato cooperativo, aplicandose, no que couber, o disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e demais normas relativas às cooperativas de produção agropecuária e de infraestrutura. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13982.720025/201391 Acórdão n.º 3202001.119 S3C2T2 Fl. 602 10 Vêse, portanto, que, até o mês de novembro de 2005, as cooperativas estavam sujeitas à tributação pelo PIS e COFINS sobre a totalidade de suas receitas, sendo que, após esse período, passou a ser possível a exclusão dos ingressos decorrentes do ato cooperado. Apesar de desnecessária a analise em relação aos princípios constitucionais supostamente violados e apontados pela Recorrente, em vista do provimento do recurso voluntário, reitero que não é possível ao CARF apreciar tal matéria, pois, ao teor da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da tributação pelo PIS e COFINS os repasses efetuados aos cooperados pessoas jurídicas pela Recorrente. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 603DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 15504.001825/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 01 82 5/ 20 09 -9 4 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001825/200994 Resolução nº 2402000.417 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, concernente à contribuição previdenciária desses segurados não retidas e não recolhidas, para as competências 10/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 19/21) informa que os fatos geradores decorrem das remunerações dos segurados contribuintes individuais, em forma de salários, referentes aos valores pagos aos sócios da autuada a título de mútuo, porém, considerados pela autoridade lançadora como pro labore tendo em vista a inconsistência entre os lançamentos contábeis dos valores “emprestados” e os respectivos documentos de caixa, bem como por não terem sido apresentados os documentos que fundamentaram os lançamentos contábeis da devolução, pelos sócios, dos valores “emprestados”, para o período janeiro a dezembro de 2004. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 09/03/2009 (fls.01 e 37), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 56/58), alegando, em síntese, que: 1. decadência das contribuições de janeiro e fevereiro de 2004, com fundamento na Súmula Vinculante STF n° 08, no art. 150, § 4° do CTN e na tese de que as contribuições previdenciárias são tributos por homologação; 2. a fiscalização se excedeu ao lavrar a presente autúação, eis que a desclassificação da escrita contábil é medida extrema, que não basta existência de vícios isolados na escrituração para que ela seja descartada e que os exemplos citados no relatório fiscal não desvirtuam os mútuos, mas ratificam a existência deles. O relatório fiscal deveria informar porque os valores a título de mútuo foram classificados como pro labore e não como distribuição de lucro. Afirma que se os mútuos tivessem valores idênticos, mês a mês, aí sim se poderia afirmar a existência de característica de pro labore. Todavia, no presente caso, os valores envolvidos a cada mês são diferentes uns dos outros, adequandose muito mais à situação de distribuição de lucros; 3. afirma que a impugnante localizou os documentos que comprovam que os mútuos realmente ocorreram, são eles: contratos de mutuo entre a impugnante e Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto, Evando José Neira e Júlio Cabizuca, bem como os recibos firmados pelos sócios; 4. a impugnante já conseguiu localizar a maior parte dos documentos que comprovam a devolução dos mútuos(retorno dos valores emprestados). São eles recibos emitidos pela impugnaste e extratos bancário, que Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001825/200994 Resolução nº 2402000.417 S2C4T2 Fl. 4 3 comprovam que grande parte dos empréstimos foi pago através de depósito/crédito na conta corrente da empresa. Quanto a devolução do restante do empréstimo, afirma ter sido feita através de compensação de créditos efetuados entre pessoas jurídicas. Cita dois exemplos, um deles é o seguinte: o sócio Valfrido Silvino dos Mares Guia Neto, que é também sócio da empresa Samos Participações Ltda, solicitava a esta que parte dos lucros a lhe serem distribuídos fossem transferidos diretamente a impugnante para amortizar o mútuo. Por sua vez, a Samos não fazia o crédito, eis que era sócia da empresa Pitágoras Administração e Participações Ltda., e, por isso mesmo, tinha lucros a receber, passando a incumbência adiante; 5. como a Pitágoras Administração e Participações Ltda. era credora do Sistema Pitágoras de Ensino Sociedade Ltda., elas acabavam compensando o crédito que iria ser feito em nome do Sr. Walfrido. Na contabilidade da empresa Pitágoras Administração era computado o valor que seria transferido como pagamento de empréstimo feito pela impugnante, que em contrapartida, também amortizava o mesmo valor na divida consolidada do Sr. Walfrido. Nesse caso as quantias não eram creditadas efetivamente para o impugnante, todavia, isso não quer dizer que o retorno do empréstimo não ocorreu. Como prova dessas operações entre pessoas jurídicas, junta cartas endereçadas pelo Sr. Walfrido ao Impugnante e à Samos, os oficios remetidos pela Samos à Pitágoras Administração, os comunicados que ratificam diversas compensações formalizadas entre a Pitágoras Administração e o Impugnante e, por fim, os recibos encaminhados ao sócio comprovam a devolução de R$ 607.904,00; 6. acrescenta que está diligenciando no sentido de localizar outros documentos que ratificam a devolução da totalidade dos valores empresados aos sócios, os quais serão apresentados assim que possível; 7. indevida a desclassificação dos registros contábeis porque, ao contrário do afirmado pela autoridade lançadora, os lançamentos contábeis não divergem dos documentos. Para comprovar o alegado, apresenta as seguintes justificativas para os exemplos citados no relatório fiscal: Exemplo constante do relatório fiscal Justificativa/argumento da defesa Lançamento contábil, datado de 21/07/2004, de pagamento a título de mútuo ao Sr. Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto no valor de R$ 20.100,00 embasado em documento de R$ 19.600,00 A divergência de valores não autoriza a conclusão o restante do empréstimo (R$ no 500,00) não foi disponibilizado ao Sr. Walfrido. Se R$19.600,00 estão comprovados, não há porque desclassificar a totalidade do mútuo de R$ 20.100,00 Lançamento contábil, datado de A terceira pessoa a quem foi pago Fl. 126DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001825/200994 Resolução nº 2402000.417 S2C4T2 Fl. 5 4 02/08/2004, de pagamento a título de mútuo ao Sr. Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto embasado em documento que demonstra que parte do valor não foi pago para o referido sócio, mas para terceiro parte do valor é a Sra. Sheila Emrich dos Mares Guia, esposa do Sr. Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto, que, para “facilitar as coisas (e, porque não, para economizar a CPMF) pediu que parte do dinheiro fosse diretamente destina para a esposa.” Lançamento contábil, datado de 10/12/2004, de pagamento a título de mútuo ao Sr. Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto Guia Neto embasado em documento que demonstra que parte do valor não foi pago para o referido sócio, mas à ABCC Manga larga Machador, pessoa diversa daquela indicada no lançamento. A quantia foi utilizada para pagar boleto que traz o nome do Sr. Walfrido Silvino dos Mares como cedente, ou seja, o dinheiro foi usado para pagar conta do sócio. Ao final requer o acolhimento da defesa para que se cancele ou se julgue improcedente o lançamento e, com fulcro no § 4% "a" do art. 16 do Decreto 70.235/72 e art. 38 da Lei 9.784/99, solicita a anexação posterior de documentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão no 0224.198 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 76/83) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso (fls. 92/103), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais alega improcedência dos valores apurados em decorrência da cessão de mãodeobra. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Belo Horizonte/MG encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001825/200994 Resolução nº 2402000.417 S2C4T2 Fl. 6 5 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à matéria fática relacionada com a devolução direta de valores e com a devolução feita por meio de compensação de créditos entre as pessoas físicas e jurídicas (grupo educacional), acompanhada de cópias de documentos juntados aos autos. No que tange à matéria submetida à controvérsia instaurada, o Fisco informa que a base de cálculo decorre de valores lançados nos Livros Diário e Razão, a título de contrato de mútuo, caracterizandose como retirada pró labore. Em sentido contrário, a Recorrente afirma na peça recursal (fls. 92/103) que os valores já foram devolvidos à empresa, nos seguintes termos: “[...] Em julho de 2004, o Sr. Walfrido ficou de pagar ao recorrente R$138.160,00. Como o Sr. Walfrido é sócio da Samos Participações Ltda. e tinha lucros a receber dela, ele pediu que a Samos separasse R$ 138.160,00 e efetuasse o crédito diretamente em favor do recorrente (fl. 132 do anexo I). Na mesma data, o Sr. Walfrido avisou ao recorrente que o depósito do valor mencionado seria feito, em nome dele Walfrido, pela Samos (fl. 133 do anexo I). Como a Samos também possuía lucros a receber da Pitágoras Administração e Participações Ltda., ela pediu a separação de R$ 138.160,00 e que este valor fosse creditado em conta do recorrente (fl. 134 do anexo I). Por fim, como a Pitágoras era credora do recorrente, as partes acabaram compensando o valor a ser pago pela primeira com a dívida do segundo (fl. 135 do anexo I). Para "fechar" o ciclo, o recorrente emitiu um recibo de quitação em favor do Sr. Walfrido (fl. 136 do anexo I). Como se pode perceber, há casos em que as quantias devolvidas não foram creditadas em conta bancária do recorrente. Todavia, isso não significa que o empréstimo não foi pago. As cartas endereçadas pelo Sr. Walfrido ao recorrente e à Samos, os ofícios remetidos pela Samos à Pitágoras Administração, os comunicados que ratificam as diversas compensações formalizadas entre a empresa Pitágoras Administração e o recorrente e, por fim, os recibos encaminhados ao sócio (fls. 132/166 do anexo I) comprovam a devolução total de R$ 607.904,00 11 Quanto ao sócio Evando José Neiva, ocorria praticamente a mesma coisa. Como o ele recebia da Pitágoras Administração e Participações os lucros distribuídos por ela, ele pedia que a empresa fizesse créditos em favor do recorrente e deduzisse as respectivas quantias dos lucros que lhe cabiam. Posteriormente, o s recorrente e a Pitágoras Administração compensavam o crédito com dívida que o primeiro tinha com a segunda e, por fim, o recorrente baixava o débito do Sr. Evando na mesma proporção. As cartas endereçadas pelo Sr. Evando à Pitágoras Administração e Participações Ltda., os comunicados que ratificam as diversas Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001825/200994 Resolução nº 2402000.417 S2C4T2 Fl. 7 6 compensações formalizadas entre a Pitágoras Administração e o recorrente e, por fim, os recibos encaminhados ao sócio (fis. 29/56 do anexo II) comprovam a devolução de R$442.970,98 [...]” A Recorrente argumenta ainda, dentre outros, que todos os valores foram devolvidos pelos sócios e a sua contabilidade está consubstanciada em fatos contábeis evidenciados no movimento de caixa da empresa. Assim, necessitamos que a AuditoriaFiscal (Fisco) examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos na peça recursal. Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999 – processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001825/200994 Resolução nº 2402000.417 S2C4T2 Fl. 8 7 Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, acompanhada de um conjunto probatório (documentos de fls. 01/199, Volume 2, e fls. 01/69, Volume 3) – inclusive deverá verificar se efetivamente os valores referentes aos contratos de mútuo foram devolvidos ou não a empresa (ou ao grupo de empresas educacionais), e se tal fato foi registrado na escrituração contábil da Recorrente (Livros Diário e Razão) –, submetidos à controvérsia instaurada no presente processo. Segundo a Recorrente, esses documentos foram devidamente acostados ao processo no prazo estabelecido pela legislação de regência. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10945.902246/2012-53
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/01/2010
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 22 46 /2 01 2- 53 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902246/201253 Acórdão n.º 3801003.130 S3TE01 Fl. 10 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902246/201253 Acórdão n.º 3801003.130 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902246/201253 Acórdão n.º 3801003.130 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902246/201253 Acórdão n.º 3801003.130 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902246/201253 Acórdão n.º 3801003.130 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902246/201253 Acórdão n.º 3801003.130 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902246/201253 Acórdão n.º 3801003.130 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.909416/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3801-003.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 94 16 /2 00 9- 68 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10380.909416/200968 Acórdão n.º 3801003.305 S3TE01 Fl. 97 2 Relatório Tratase de Pedido de Compensação objetivando compensar débitos fiscais com pagamento indevido de PIS. Devidamente processado o pedido de compensação foi proferido despacho decisório que homologou apenas parcialmente o pedido formulado por não restar crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a homologação da compensação pleiteada uma vez que a parcela utilizada do crédito em outras DCOMPs é inferior à registrada pelo despacho decisório, de modo que havia crédito disponível para ser compensado na DCOMP em análise. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade a DRJ de Fortaleza/CE houve por bem julgála improcedente com base na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DÉBITO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Sobre o débito compensado após seu vencimento, incidem multa e juros moratórios até a data de apresentação da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 32/36), alegando, em síntese que o caso em tela comporta hipótese de exclusão da multa moratória em face da denúncia espontânea de sua parte, uma vez que, foram efetuados recolhimentos de tributos em atraso, antes de qualquer ação fiscal e com recolhimento anterior as suas respectivas declarações. Ademais, informa a Contribunte em seu Recurso a existência de concomitância no presente caso, uma vez que a DCOMP objeto do presente feito fora incluída na ação judicial n° 001187353.2009.4.05.8100, ajuizada pela contribuinte com o objetivo de se obter a declaração pelo Poder Judiciário da inexistência de relação jurídica que a obrigue a recolher multa moratória nos pagamentos de tributos em atraso, sob denúncia espontânea. É o que importa relatar. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10380.909416/200968 Acórdão n.º 3801003.305 S3TE01 Fl. 98 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo, mas, em razão dos fatos a seguir apontados, dele não tomo conhecimento. Conforme informação trazida pela própria Recorrente em sede de Recurso Voluntário, há a existência de concomitância no presente caso, diante do ajuizamento da Ação Judicial n.° 001187353.2009.4.05.8100 perante a 2ª Vara da Justiça Federal no Ceará, cuja cópia foi acostada aos presentes autos. Nos termos do art. 5°, XXXV, da Constituição Federal, é assegurado a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de seus direitos, sendo que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão se reveste do caráter definitivo e imutável prevalecendo na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, diante do fato de que prevalecerá a decisão judicial. O tema não merece maiores digressões e já se encontra sumulado (Súmula CARF n° 1), que tem o seguinte teor: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, uma vez que a matéria já foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, não cabendo a este órgão administrativo colegiado a sua apreciação, pois configurada a renúncia à via administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 197DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL
score : 1.0
Numero do processo: 11065.901065/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). . Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 10 65 /2 00 9- 82 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11065.901065/200982 Acórdão n.º 3202000.951 S3C2T2 Fl. 60 2 Tratase de recurso voluntário interposto por INSTALADORA ELÉTRICA N.S. LTDA contra Acórdão nº 1026.227, de 8 de julho de 2010 (de fls. 28 a 31), proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB Porto Alegre relativo à supostos direitos creditórios de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, em virtude de exame de declaração de compensação transmitida em 13/07/2005 no qual não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da interessada. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando genericamente que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de PIS (alíquota de 0,65%) e Cofins (alíquota de 3%) conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 3°, §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. Alega também a existência de indébitos resultantes da exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins, bem como a inocorrência de prescrição/decadência de seu direito de pleitear os indébitos, em virtude da inaplicabilidade do art. 3° da LC 118/2005. Pleiteia que seja reconhecido o efeito suspensivo ao crédito tributário declarado na DCOMP apresentada, tendo em vista a apresentação da presente manifestação de inconformidade.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação – Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 60DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11065.901065/200982 Acórdão n.º 3202000.951 S3C2T2 Fl. 61 3 Cientificado do referido acórdão em 21 de fevereiro de 2011 (fl. 37), a interessada apresentou recurso voluntário em 16 de março de 2011 (fls. 39 a 54), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 21 de fevereiro de 2011, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 16 de março de 2011. Da Manifestação da recorrente Pelo presente processo, vêse que a questão está vinculada a manifestação de inconformidade contra despacho decisório emitido pela DRFB Porto Alegre, que indeferiu pedido de compensação de débitos da interessada transmitida em 13.7.2005, com créditos de pagamento indevido ou a maior de PIS. Insurge a recorrente que, ao realizar suas atividades mercantis, aufere receitas que são tributadas pelo PIS à alíquota de 0,65%, conforme disposição da Lei nº 9.718/98, salientandose que à época do levantamento das importâncias constatouse uma diferença de PIS. Aduz que a referida lei introduziu profundas alterações nas bases de cálculos das contribuições ao PIS – o que, antes do advento da referida norma, as contribuições eram exigidas com base na Lei Complementar nº 7/70, que incidia sobre o faturamento das empresas, termo este entendido como o somatório das vendas de serviços, mercadorias ou da combinação de ambos (art. 2° da Lei Complementar 70/91). E que esta sistemática perdurou até a entrada em vigor da Lei 9.718/98. Dentre as principais alterações introduzidas pela nova lei está a previsão de tributação de todas as receitas auferidas pela empresa, permitidas as exclusões contidas nos incisos do parágrafo 2º do art. 3ºda referida norma. O que, dentre estas exclusões, destacamse a prevista no inciso III, parágrafo 2º do art. 3º que faculta o abatimento das receitas tidas como próprias e transferidas para outras pessoas jurídicas. A recorrente efetuou o pagamento do PIS com utilização de base de cálculo errônea, pois que utilizada forma de cálculo diversa da disposta na Lei 9.718/98, tendo recolhido ao erário público valores superiores aos efetivamente devidos. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11065.901065/200982 Acórdão n.º 3202000.951 S3C2T2 Fl. 62 4 Entende, assim, a recorrente que, diante do entendimento da Administração Pública sobre a matéria litigiosa, especialmente face aos termos do Ato Declaratório n° 56, de 20 de julho de 2000, a impugnante carece de uma ordem judicial para que possa efetuar a compensação, visto que na hipótese de agir sem estar acobertada por uma ordem judicial específica, a impugnada não reconhecerá os créditos não homologando a compensação. Enfatiza que se o encontro de contas for efetuado sem amparo judicial, a recorrente será considerada devedora do fisco e sofrerá restrições em direitos elementares como a expedição de certidões de regularidade fiscal, podendo inclusive ser inscrita no CADIN. Nessas condições, apresenta manifestação para que seja reconhecido o direito de utilizar as deduções legais para a formação da base de cálculo e efetuar a compensação dos créditos decorrentes do recolhimento a maior do PIS no período de fevereiro de 1999 até agosto de 2000, com recolhimentos futuros das mesmas contribuições. Assim, passo a discorrer a seguir: Da Base de Cálculo do PIS após o Advento da Lei 9.718/98 Do período de Vigência do Dispositivo Legal em comento Da desnecessidade de norma regulamentadora Quanto aos argumentos trazidos pela recorrente sobre essa matéria, enfatiza que, pela leitura do art. 3º da Lei 9.718/98 – por ela transcrito (destaques meus): "Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1° Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. §2° Para Uns de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º excluemse da receita bruta: I— as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI e o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação — ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II — as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingressos de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III os valores que, computados como receitas tenham sido transferidas para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; IV— a receita decorrente da venda de bens do Ativo Permanente. §3° Nas operações realizadas em mercados futuros, considerase receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. §4° Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de compra na moeda estrangeira. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11065.901065/200982 Acórdão n.º 3202000.951 S3C2T2 Fl. 63 5 §5" Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no §1° do art. 22 da Lei 8.212 de 24 de julho de 1991, serão admitidas para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP". Para se obter a base de cálculo das referidas contribuições, é necessário seguir os passos do art. 3º e parágrafos da norma – ou seja, apurar a totalidade da receita auferida pela empresa e efetuar as deduções previstas nos incisos I, II, III e IV do parágrafo 2º da Lei 9.718/98, onde destacase as exclusões de todas as receitas tidas como próprias e transferidas para outras pessoas jurídicas. No processo vertente, vêse que a controvérsia que paira decorre do fato de a recorrente considerar para fins de apuração do crédito de PIS, a dedução dos valores relativos ao art. 3º, inciso III, da Lei 9.718/98, diferentemente do entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, considera que tal exclusão seria inaplicável, visto que, para tanto, estaria condicionada à edição de normas regulamentadoras, conforme previsão legal. Antes de se evoluir com a discussão, importante lembrar o histórico das edições das normas que tratam do caso em questão: · A Lei 9.718/98, trouxe a possibilidade, conforme art. 3º, § 2º, inciso III , de se excluir, entre outras, da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; · A MP 1.99118/2000 – publicada em 10.6.2000, revogou o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98 através de seu art. 47, inciso IV, da MP; · A Secretaria da Receita Federal do Brasil (atualmente, Receita Federal do Brasil), publicou o Ato Declaratório SRF 56/00 em 26.7.00, in verbis: “Ato Declaratório SRF nº 056, de 20 de julho de 2000 Dispõe sobre os efeitos do disposto no inciso III do § 2 o do art. 3 o da Lei n o 9.718, de 27 de novembro de 1998. Dou do dia 26/07/2000, pag. 10 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2 o do art. 3 o da Lei n o 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha Fl. 63DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11065.901065/200982 Acórdão n.º 3202000.951 S3C2T2 Fl. 64 6 sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. EVERARDO MACIEL” Sendo assim, em relação à controvérsia suscitada, entendo que o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, por não ter norma regulamentadora, não produziu efeitos, pois tal dispositivo, nesse caso, não possuía o atributo de “autoexecutoriedade” – o que afasta a argumentação de que o conteúdo da lei não pode ser alterado por regulamento, tal como se posiciona a recorrente ao trazer o art. 97, inciso VI, do CTN. O que traz o dispositivo da lei é a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins observada as normas editadas pelo Poder Executivo para tanto – Ora, para se fruir de tal benefício deverseia observar a regulamentação que disciplinaria as condições para tanto. Ou seja, tal dispositivo somente poderia ser considerado no mundo fático à medida que a norma respectiva passa a ter a eficácia plena – o que nunca ocorreu – enquanto vigente tal enunciado. Importante, nesse caso, trazer a decisão – que tratou do agravo contra a decisão que não admitiu recurso interposto contra acórdão do TRF da 1ª Região – o que destaco o conteúdo: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 693.830 DISTRITO FEDERAL RELATOR :MIN. DIAS TOFFOLI RECTE.(S) :ITALCABOS LTDA ADV.(A/S) :JÉSSICA KELLY DE ARAÚJO OLIVA E OUTRO(A/S) RECDO.(A/S) :UNIÃO PROC.(A/S)(ES) :PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL DECISÃO: Vistos. Tratase de agravo contra a decisão que não admitiu recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado: “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO – PIS E COFINS – FATURAMENTO – LEI N. 9.718/98 – ART. 3º, § 2º, IIIEXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DE VALORES TRANFERIDOS A OUTRA PESSOA JURÍDICA AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO PELO PODER EXECUTIVO. 1. “É assente na jurisprudência o entendimento de que ‘o disposto no art. 3º, § 2º, III, da Lei 9.718/98, que assegurava a exclusão das receitas transferidas a terceiros da base de cálculo da COFINS e do PIS, jamais produziu efeitos, ante a inexistência de regulamentação, requerida pela própria norma. Com sua revogação pela Medida Provisória 1.99118/2000, o que já era ineficaz, deixou de existir" (AC 2002.38.00.029970 9/MG, Rel. Desembargador Federal Catão Alves, Sétima Turma, eDJF1 de 27/03/2009, p. 568)” (AC n. 2000.01.00.0540771, Rel. Juiz Federal Osmane Antônio dos Santos (Conv.), 8ª Turma, e DJF1 de 11/06/2010, pág. 231). 2. “A vigência da norma, ou seja, a aptidão para produzir efeitos jurídicos, não confere ao contribuinte o direito de proceder ao abatimento dos valores repassados a terceiros, na forma preconizada pelo art. 3º, §2º, III, da Lei 9.718/98, porque este apenas incide no mundo fático à medida que a norma respectiva passa a ter eficácia plena, o que nunca ocorreu, na hipótese, enquanto vigente” (AMS n. 2001.32.00.0037420, Rel. Juiz Federal Cleberson José Rocha (Conv.), 8ª Turma, eDJF1 de Documento assinado Fl. 64DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11065.901065/200982 Acórdão n.º 3202000.951 S3C2T2 Fl. 65 7 digitalmente conforme MP n° 2.2002/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira ICPBrasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 3553550. ARE 693830 / DF 09/10/2009, pág. 753). 3. Apelação não provida. 4. Peças liberadas pelo Relator, em 16/05/2011, para publicação do acórdão”. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. No recurso extraordinário sustentase violação dos artigos 145, § 1º, 195, inciso I, e 246 da Constituição Federal. Decido. A irresignação não merece prosperar, tendo em vista que para acolher a pretensão do recorrente e superar as premissas fixadas no acórdão recorrido acerca da análise da possibilidade de exclusão base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores transferidos a terceiros, seria necessária a prévia análise da legislação infraconstitucional aplicável ao caso, o que configuraria, quando muito, ofensa reflexa à Constituição Federal. Sobre o tema, anotese: “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VALORES TRANSFERIDOS PARA TERCEIROS. PEDIDO DE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. MATÉRIA REGULADA POR NORMA INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA REFLEXA. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. A controvérsia em que se discute a fixação da base de cálculo para cobrança da PIS e da COFINS é regulada pela norma infraconstitucional pertinente Lei nº 9.718/98. Precedentes: RE 598.680AgR, Segunda Turma, Rel. Min. AYRES BRITTO, DJe de 13.10.2011, e RE 555.327AgRED, Segunda Turma, Rel. Min. ELLEN GRACIE, DJe de 28.08.2010. 2. In casu, o acórdão originariamente recorrido assentou: TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS EXCLUSÃO DAS RECEITAS TRANSFERIDAS A TERCEIROS DA BASE DE CÁLCULO INADMISSIBILIDADE ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98 DISPOSITIVO INAPLICÁVEL INEXISTÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1. Pacificouse a jurisprudência no sentido de que o disposto no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, que assegurava a exclusão das receitas transferidas a terceiros da base de cálculo da COFINS e da Contribuição para o PIS, jamais produziu efeitos, ante a inexistência de regulamentação, requerida pela própria norma. Com sua revogação pela Medida Provisória 1.99118/2000, o que já era ineficaz, deixou de existir (Resp nº 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, 1ª Turma, DJ de 10.03.2003 e AMS nº 2002.38.00.0180079/MG, Rel. Des. Fed. Luciano Tolentino Amaral, DJ de 18.5.2004.) 2 Apelação da Autora desprovida. 3 Sentença mantida. 3. Agravo regimental desprovido (AI nº 847.424/DFAgR, Primeira Turma, Relator o Ministro Luiz Fux, DJe de 17/9/12). “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PIS E COFINS. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITA QUE SE HAJAM TRANSFERIDO PARA OUTRA PESSOA JURÍDICA. INCISO III DO § 2º DO ART. 3º DA LEI 9.718/1998. MATÉRIA DECIDIDA À LUZ DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL . 1. A Fl. 65DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11065.901065/200982 Acórdão n.º 3202000.951 S3C2T2 Fl. 66 8 controvérsia sob exame foi decidida exclusivamente à luz da legislação infraconstitucional. Pelo que eventual ofensa à Constituição Federal apenas ocorreria de modo reflexo ou indireto. Precedentes. 2. Agravo regimental desprovido” (RE nº 598.680/SCAgR, Segunda Turma, Relator o Ministro Ayres Britto, DJe de 13/10/11). “TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIRA PESSOA JURÍDICA. OFENSA INDIRETA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRETENSÃO DE REFORMA DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A discussão relativa à impossibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo do PIS e COFINS os valores computados como receita, transferidos a terceira pessoa jurídica, configura ofensa indireta ou reflexa à Constituição Federal, sendo inadmissível o conhecimento por esta Corte. Precedentes. 2. Os embargos de declaração não constituem meio processual cabível para reforma do julgado, não sendo possível atribuirlhes efeitos infringentes, salvo em situações excepcionais. 3. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade a sanar. 4. Embargos de declaração rejeitados” (REnº 555.327/RSAgRED, Segunda Turma, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJe de 28/8/10). Ante o exposto, conheço do agravo para negar seguimento ao recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 18 de março de 2013. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente” Da exclusão do ICMS e dos demais impostos indiretos da base de cálculo das contribuições Quanto a essa matéria, traz a recorrente que a conclusão direta da aplicação sem reservas do inciso III do parágrafo 2o , do art. 3o da Lei 9.718/98 é o direito das empresas de excluírem o ICMS e todos os demais impostos indiretos da base de cálculo do PIS. Insuirge que tal conclusão decorre dos termos do art. 41 do Código Civil Brasileiro, que elenca as pessoas jurídicas de direito público interno. Dispõe a norma: "Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I — a União. II Cada um de seus Estados e o Distrito Federal. III Cada um dos Municípios legalmente constituídos". Sendo assim, conclui a recorrente que conjugando esta norma com o disposto no art. 3º, § 2º, inciso III, do art. 3 o da Lei 9.718/98, não compõem a base de cálculo do PIS os valores relativos ao IPI, ICMS e ISS, visto que o apenas arrecada estes recursos para a União, Estado e Município respectivamente. A recorrente alega ser certo que o STJ já havia fechado questão sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS no período anterior à vigência da Lei 9718/98. E Fl. 66DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11065.901065/200982 Acórdão n.º 3202000.951 S3C2T2 Fl. 67 9 que igualmente indene de dúvidas que os fundamentos dos julgados que formaram este entendimento não levaram em consideração os termos do art. 3o , §2°, III da Lei 9718/98, que na época não fazia parte do ordenamento jurídico pátrio. Concluindo que no caso dos chamados impostos indiretos, a Impugnante atua como mera arrecadadora das diversas pessoas de direito público interno, uma vez que o tributo é suportado pelo consumidor final e destinado aos cofres públicos. Então, evidentemente este valor, não representa uma receita da empresa e, como tal não pode sofrer tributação. Entendo que, especificamente a esse tema, assiste razão à DRJ ao contemplar em seu acórdão: “Com efeito, a Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, determinou que a base de cálculo do PIS e da Cofins seria o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, entendida esta como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada. No § 2 o do art. 2 o desse diploma legal, ficou estabelecido que se excluiriam da base de cálculo das citadas contribuições o IPI e o ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Observese que, além de a contribuinte não ser parte no RE n° 357.950RS, a decisão do STF ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, nada tratou sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins e PIS.” Da Prescrição Decenal Aduz o recorrente que possui o prazo de 10 (dez) anos, tese dos 5+5, a contar da data da quitação da exação, para pleitear a compensação dos valores indevidamente recolhidos, conforme jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça. No entanto, este entendimento está ultrapassado, em razão do advento da Lei Complementar 118/2005 e do julgamento do RE 566.621, Min, Ellen Gracie, pelo STF, que deu razões para modificação da jurisprudência do STJ. Para melhor elucidar, trago o voto do Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto referente ao acórdão 2403002.026 da 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária que clarificou essa questão: “Constatase que já havia julgado, em sede de recurso repetitivo, que o prazo para repetição de indébito em caso deveria ser de dez anos, para tributos sujeitos a lançamento por homologação, conforme se percebe do julgado abaixo, de relatoria do então ministro do STJ Luiz Fux, em 25/11/2009: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11065.901065/200982 Acórdão n.º 3202000.951 S3C2T2 Fl. 68 10 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente e interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo" Os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. (...) 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. (...) Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11065.901065/200982 Acórdão n.º 3202000.951 S3C2T2 Fl. 69 11 (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Posteriormente, a matéria foi submetida ao Supremo Tribunal Federal, que julgou pela inconstitucionalidade da aplicação retroativa da LC 118/2005, uma vez que não se tratava de norma interpretativa, mas, diferentemente do STJ, não aplicou a transição do art. 2.028 do Código Civil, afirmando que a aplicação da tese dos 5+5 poderia ser aplicada apenas aos pleitos ajuizados no prazo da vacatio legis da Lei de 2005, 120 dias. Abaixo segue o paradigma do Supremo Tribunal Federal, que foi julgado sob o rito do art. 543B do CPC: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Em razão do julgado acima, o Superior Tribunal de Justiça passou a julgar em conformidade com o entendimento do STF, revogando o entendimento anterior, in verbis: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11065.901065/200982 Acórdão n.º 3202000.951 S3C2T2 Fl. 70 12 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543ª e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1269570/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/05/2012, DJe 04/06/2012)”. Em conformidade com o regimento interno, o conselheiro fica vinculado à aplicação do acórdão prolatado nos termos do art. 543B quanto 543C. Quanto ao pedido da recorrente de se considerar o prazo prescricional de 10 para se buscar qualquer tipo de crédito frente a União Federal, contados a partir do lançamento do mesmo, importante discorrer sobre a verdade material para fins de comprovar a certeza e liquidez do crédito. Do crédito líquido e certo Independentemente das questões desenvolvidas anteriormente , analisando os documentos e argumentações constantes do processo, no caso vertente, quanto à questão da verdade material, vêse que a recorrente não apresentou nenhuma prova documental que dê Fl. 70DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11065.901065/200982 Acórdão n.º 3202000.951 S3C2T2 Fl. 71 13 suporte à alegação em que se funda, quando deveria instruir a manifestação de inconformidade com demonstrativo de apuração e documentário contábil e fiscal necessário e suficiente para comprovar a certeza e liquidez do crédito. Importante mencionar que a recorrente não citou o nº do processo judicial ou administrativo que suporta o direito creditório oponível a autoridade fazendária. O que não importa a autoridade fazendária o ônus da suposta provas a favor do contribuinte, pois este é do contribuinte, nos termos do art.333, do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: "Art.333 O ônus da prova incumbe: Iao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que fere a observância da condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Ora, fica evidente que ocorreu, nesse caso, inépcia, falecendo sentido e direito ao postulante, não havendo suporte contábil e fiscal necessário e suficiente para suportar a liquidez do crédito a que se refere. Da conclusão Ante todo o exposto, por conseguinte, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 71DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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