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Numero do processo: 10314.011771/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/04/2002
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
DECADÊNCIA. PENALIDADES ADUANEIRAS.
O prazo decadencial para aplicação das penalidades aduaneiras é de 5 (cinco) anos contados a partir da data do registro da Declaração de Importação - DI, nos termos previstos no art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66.
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V.
Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66.
Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
SUBFATURAMENTO. IMPOSTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO.
Incide os impostos devidos na importação sobre as diferenças apuradas entre os preços declarados e os efetivamente praticados, nos termos da legislação tributária vigente com os acréscimos legais devidos.
INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. PENALIDADE. APLICAÇÃO.
As multas relativas às infrações administrativas ao controle das importações somente podem ser lançadas antes da aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar as multas por falta de Licença de Importação, a multa isolada do IPI, prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64 e a decadência para os períodos anteriores 18/12/2002, mantendo o restante do lançamento referente a exigência de tributos, a multa de 100% atinente ao subfaturamento e a multa qualificada de 150% sobre os tributos devidos. Vencido o conselheiro Antônio Cavalcanti da Costa Filho quanto ao cancelamento da multa do IPI.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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IIMP. EXP. TECIDOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/04/2002 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. DECADÊNCIA. PENALIDADES ADUANEIRAS. O prazo decadencial para aplicação das penalidades aduaneiras é de 5 (cinco) anos contados a partir da data do registro da Declaração de Importação DI, nos termos previstos no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 17 71 /2 00 7- 27 Fl. 4378DF CARF MF 2 Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. 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As multas relativas às infrações administrativas ao controle das importações somente podem ser lançadas antes da aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar as multas por falta de Licença de Importação, a multa isolada do IPI, prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64 e a decadência para os períodos anteriores 18/12/2002, mantendo o restante do lançamento referente a exigência de tributos, a multa de 100% atinente ao subfaturamento e a multa qualificada de 150% sobre os tributos devidos. Vencido o conselheiro Antônio Cavalcanti da Costa Filho quanto ao cancelamento da multa do IPI. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Fl. 4379DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 3 3 Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente de autos de infração, lavrados contra o contribuinte acima qualificado, com a exigência do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados, Multas de Oficio do II e IP!, Multa Regulamentar, Multa do Controle Administrativo das Importações e Juros de Mora, no valor de R$9.761.185,94, e a empresa NSCAIndústria, Comércio, Exportação e Importação Ltda (Boutique Daslu, nome fantasia), corno responsável solidaria pelos créditos tributários constituídos, bem como das penalidades aplicadas, pelas razões a seguir expostas. Os AuditoresFiscais, amparados pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.155.002007009860, iniciaram a atividade investigativa de analise das operações de importação realizadas pelo contribuinte, no período de janeiro de 2002 a novembro de 2005. Neste trabalho utilizaramse de informações da base de dados da RFB e as contidas no processo de Declaração de Inaptidão do CNPJ da empresa, substanciada com os documentos apreendidos em operação realizada pela Receita Federal do Brasil e Policia Federal, juntamente com o Ministério Público Federal de Guarulhos, chamada Operação Narciso. Em 24/11/2005, a empresa foi declarada Inapta, com efeitos jurídicos a partir de 10/01/2002, ficando comprovado que nas operações de comercio exterior realizadas, utilizou documentos não verdadeiros da venda e compra das mercadorias (Invoices), apreendidas na operação de fiscalização que ocorreu na empresa e em outras como a Boutique Daslu, nome fantasia da empresa NSCAIndústria, Comercio, Exportação e Importação Ltda., CNPJ 61.035.267/000109, onde foram localizadas, as Faturas Comerciais (Invoices) originais, evidenciado que a empresa Kinsberg integrava um conluio com outras empresas Importadoras, e realizava operações de importação para a Boutique Daslu (operação por conta e ordem de terceiro), com simulação, pois, ocultava nas informações á Receita Federal do Brasil, como determina a legislação, o nome da real adquirente, e configurando a Interposição Fraudulenta. Em decorrência desse modus operandi desatendiam o disposto no art. 2º, inciso IX, do art. 9º do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Decreto n°4.544, de 26112/2002), que equipara o importador, mesmo tratandose de operação por conta e ordem, a estabelecimento industrial para fins de Fl. 4380DF CARF MF 4 tributação do IP1, quando da saída dos produtos adquiridos do exterior, exonerando, fraudulentamente, a empresa NSCA (Daslu), do pagamento desse imposto, quando da venda dos produtos, declarados como adquiridos da Kinsberg, assumindo esta o papel de equiparada a estabelecimento industrial. Nessa investigação ficou constatado que, alem de objetivarem o não recolhimento do !PI pela real adquirente das mercadorias importadas (NSCA Daslu), os valores declarados das mercadorias importadas estavam subvalorados, resultando na vantagem indevida de recolhimento a menor dos tributos incidentes naquelas mercadorias importadas, que seriam devidos e caracterizando a fraude. Estes autos de infração referemse aquelas mercadorias importadas pelo autuado e destinadas à Daslu, referente as diversas operações de importação, onde a fiscalização pode constatar e comprovar a ocorrência do subfaturamento. Diante dos fatos, a empresa NSCAIndústria, Comercio, Exportação e Importação Ltda (Boutique Daslu, nome fantasia) foi trazida ao processo como responsável solidária pelos créditos tributários constituídos, bem como das penalidades aplicadas, tendo sido lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidaria, fls. 345/346. Os Fatos dos Procedimentos Iniciais A fiscalização Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, em 2004, iniciou os procedimentos investigativos da importadora Kinsberg, por suspeita de ocultação da real adquirente das mercadorias importadas, objeto das Declarações Importação n° 04/00653235, 04/00835686, 04/01127731 e 04/01325177. As mercadorias foram retidas para procedimento especial de fiscalização, ao amparo da IN SRF n° 206/2002. Nessas Dl's foi declarado como exportadora a empresa belga S.A Intershipair N.V., mas, a fiscalização apurou que a referida empresa era uma concessionária de serviços de transporte no mercado interno do seu país, não operando como empresa de comercio exterior, embora tenha figurado em 86% das importações promovidas pela Kinsberg. Quando da verificação física daquelas mercadorias, outro fato pode ser constatado pela fiscalização, em particular com aquelas que possuíam representantes exclusivos no Pais [p.ex. Zeco Trading, do grupo Ermenegildo Zegna e Emporia Armani), e destacaram, a titulo exemplificativo, os seguintes casos: terno Ermenegildo Zegna código 2140A3, adquiridos pela Kinsberg por US35,00, (segundo o representante da mama, variam entre US$354,00 e US$371,70); jaquetas Ermenegildo Zegna código 114150, adquiridas pela Kinsberg por US$25,00, (segundo o representante da marca, o prego era de US$479,00); calças Ermenegildo Zegna código 75T2P2, adquiridas pela Kinsberg por US$10,00,(segundo o representante da marca, o preço era de US$128,00); camisas Ermenegildo Zegna código 9P82N0, adquiridas pela Kinsberg por US$9,00, (segundo o representante da marca, o preço era de US$71,00). Quando do exame do valor das mercadorias, comparandoos com os preços das importações promovidas diretamente dos fabricantes, por seus representantes no Brasil, a fiscalização Fl. 4381DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 4 5 constatou que os valores nas faturas comerciais estavam subvalorados, reduzidos, gerando recolhimento a menor dos tributos devidos naquelas operações de importação. Ao final, a fiscalização da Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo/SP, diante das provas coletadas, concluiu que: "...evidenciam que os pregos praticados nas importações efetuadas pela KINSBERG são extremamente baixos quando comparados com os praticados nas importações por revendedor autorizado, ou com os preços praticados no varejo na Internet ou pelo distribuidor autorizado no Brasil (chegando a ser menos que 5% do mesmo). ...que estas drásticas reduções de preços têm continuidade na saída da KINSBERG para o real importador, distribuidor autorizado das mercadorias. Portanto, concluise que o refaturamento das mercadorias pela S.A Intershipair vem sistematicamente afetando para menor os pregos dos produtos, inclusive nestas importações, provocando uma drástica redução dos tributos incidentes na importação, a qual beneficia importador e seus clientes." A investigação da fiscalização foi se aprofundando abrangendo outras empresas que operavam cam a mesma sistemática nas operações de importação, e, num espectro mais amplo, contando com a participação da Policia Federal e Ministério Público Federal de Guarubas. Como a empresa Kinsberg estava localizada na jurisdição da Inspetoria da Receita Federal em são Paulo/SP, coube a fiscalização desta unidade, com amparo na IN SRF n° 228/2002, iniciar o procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados nas operações de comercio exterior realizadas por essa empresa, e da provável ocorrência de interposição fraudulenta. Ao final, os resultados levaram a ser proposto o procedimento de Representação para Inaptidão do CNN da Kinsberg, o que, efetivamente, aconteceu. Após encerramento do processo, a empresa teve seu CNPJ declarado inapto (Ato Declaratório Executivo n° 72, de 21/11/2005 DOU de 24/11/2005), bem como declarados inidôneos os documentos fiscais emitidos desde 10/01/2002 (data da primeira operação de importação e primeiro registro de DI). Por conseqüência, os trabalhos investigativos tiveram prosseguimento em outra direção, ou seja, a existência de conluio entre as empresas Kinsberg e NSCA (Daslu), em operações de importação corn simulação, e que levariam a constatar a figura da interposição fraudulenta. No caminhar desse trabalho, a fiscalização se defrontou com um esquema operacional de fraude, no qual a NSCA (Daslu) negociava diretamente com os fabricantes estrangeiros quanta as mercadorias a serem importadas e seus pregos (forma e condições de pagamento), orientando quanto a emissão dos documentos de venda (conforme faxes apreendidos), inclusive, com instruções de que as faturas (inclusive as pro forma) fossem emitidas em nome da Kinsberg, e a original, deveria ser remetida diretamente ao endereço da Daslu (NSCA). Consta do processo, transcrições da denúncia do MPF (proc.2005.61.19.0003880 fls.179/244), declarando que Fl. 4382DF CARF MF 6 incumbia a ELIANA TRANCHESI, de forma direta ou através de pre postos, decidir quais as mercadorias de grife internacional que seriam compradas, negociando os preços, formes e condição de pagamento diretamente com o fornecedor estrangeiro ( o fabricante da grife). A própria denunciada confirmou tal fato, ou seja, a negociação direta com fornecedores estrangeiros ao afirmar em sede de acareação que re responsável pela escolha das mercadorias a serem compradas... era a responsável pelas negociações travadas diretamente com representantes de grifes famosas no exterior. No próprio depoimento testemunhal da assistente de importação da Daslu (NSCA) foi confirmado esse fato. Em documentos apreendidos pode ser verificado que, a pedido da própria dona da Daslu, naqueles documentos deveriam constar o nome da trading que iria figurar como importadora das mercadorias; corn a orientação de ser entregue ao departamento comercial das empresas fornecedoras um roteiro 'import and shipping instruction', indicando em nome de quem as faturas deveriam ser emitidas, dos agentes de carga, orientando, ainda que, nas caixas não viessem copias das faturas ou outro documento indicando valores. Dessas operações eivadas de fraude, corno relatado pela fiscalização, a Kinsgerb participava, recebendo as mercadorias importadas em seu nome, faturandoas com preps substancialmente reduzidos, quando da venda para a Daslu (NSCA). Na denúncia do MPF ficou evidenciado, ainda, que o sócio da Kinsberg, Andre de Moura Beukers, foi um dos mentores da implantação da rotina fraudulenta das importações, auxiliando na criação e estruturação do departamento de importação da Daslu. Da prova testemunhal da chefe de importação da Kinsberg (depoimento que faz parte da Denúncia do MPF), foi possível conhecer os procedimentos adotados, onde a autuado recebia a fatura original do exportador estrangeiro (Intershippair) e se encarregava de confeccionar outra fatura com valores subfaturados, variando a percentagem de subfaturamento de acordo com o valor real da mercadoria, a serem utilizadas no despacho aduaneiro. Que, nas faturas comerciais constavam no canto superior direito, no item customer, de forma abreviada, o nome do verdadeiro fornecedor, enquanto na DI o nome declarado era de outro fabricante, não o verdadeiro. A fiscalização observou, ,que, alguns fornecedores faturavam a mercadoria em nome da Kinsberg, mencionando na Invoice que a mercadoria era destinada aos cuidados da Boutique Dasiu (p.ex. a fornecedora Willian Yeoward Crystal, fls. 1835, fls.163 e 164 do Anexo V, integrante destes autos de infração), com os valores verdadeiros, ou seja, aqueles efetivamente objeto da transação comercial. Em outras operações, foi apurado que o pagamento para os fornecedores era realizado por meio de 'Swift Transfers', sem passar pelo Banco Central, fls.1815, onde, a Daslu informa à fornecedora Atlantis/Vima, em 18/11/2003, que concorda corn os termos de uma certa fatura, comunicando que encaminharia o numerário no valor de US$4.827,60, para pagamento das mercadorias. Os documentos de fls.1829/1830, de 25/11/2003, Fl. 4383DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 5 7 tratam da remessa desse valor fornecedora, sem o fechamento de câmbio no Banco Central do Brasil. A auditoria também examinou os documentos apreendidos na "Operação Narciso" decorreu de determinação judicial, fls. 37 do processo da Justiça Federal de Guarulhos/SP (n° 2005.61.19.0044092), e serviram, também, para amparar as autuações efetuadas pela fiscalização aduaneira. Alicerçando os fundamentos destes autos de infração, cabe destacar alguns fatos apontados pelos auditores, a evidenciar de forma gritante e incontestável as operações fraudulentas, como segue: DI n° 03/03783721: em nome da Kinsberg, como importadora e adquirente das mercadorias. na adição 002, consta como exportadora a Intershippair, e fabricante/produtor a empresa italiana Eme Posaterie, porem, nos documentos apreendidos foi localizada uma fatura proforma original n° 3985 (fls.33 a 35 do Anexo V), daquele fornecedor, com as mesmas quantidades da declarada nessa adição, mas com valores inferiores aos declarados na DI. fax da Daslu para a Eme, solicitando que, embora o pagamento fosse realizado por ela, a fatura deveria ser emitida em nome da Kinsberg, fls.42 do Anexo IV; e, fax de confirmação do pedido (order confirmation) enviado pela Eme para a sra.Cathy Barros, funcionaria da Daslu, fls.40 do Anexo IV); as Notas Fiscais de Saida n° 46814 e 46815, fls.43/44 Anexo XVI, emitidas pela Kinsberg em 17/10/2003, para a Daslu (NSCA) onde estão discriminadas as mesmas mercadorias e quantidades da adição 002. DI n° 03/08771766 em nome da Kinsberg, como importadora e adquirente das mercadorias. foi localizada uma Fatura Comercial n° 38688882, de 03/10/2003, da empresa Getzner Têxtil AG, fls. 19121, Anexo IV, discriminando as mesmas mercadorias e quantidades da DI, mas com pregos diferentes (os da DI são inferiores ao da fatura); e, uma outra proforma de fatura, supostamente emitida pela S.A . Intershippair N.V., em favor da Kinsberg, com as mesmas informações das mercadorias declaradas na DI, e com valores subfaturados, em comparação com a fatura original (número da fatura, informações do fabricante das mercadorias e data da emissão são os mesmos constantes da fatura original, da empresa Getzner). DI n° 03/06651011 em nome da Kinsberg, como importadora e adquirente das mercadorias. nas 12 adições consta como exportadora a S. A Intershippair N.V., com fabricantes distintos e mercadorias originarias de Portugal, Italia e França, sendo localizadas as faturas comerciais das empresas Sic Ceramiche S.R.L., Rigatti SNC e Ceramiche Dal Pra, da Italia e Le Faubourg e Carlos de Ceia Simões Ltda., de Portugal; Fl. 4384DF CARF MF 8 localizado fax da empresa Carlos de Ceia Simões Ltda para a funcionaria da Daslu (NSCA), confirmando a encomenda, conforme copia da proforma, fls.90 do Anexo II; e fatura comercial da empresa acima, emitida para a Kinsberg, fls.81/89 Anexo II, constando as mercadorias da adição 001 da DI, com as mesmas quantidades e códigos de identificação da proforma, porém com os pregos inferiores; localizado, fax de 02/04/03, da Le Faubourg para a funcionaria da Daslu, confirmando a encomenda (proforma), fls. 115, Anexo II; email de 17/04/03, da referida empresa para a mesma funcionaria, para confirmação da encomenda, fls. 121, Anexo II; email de 22/04/03, solicitando transferência do valor da encomenda, informando que mandaria número da conta da empresa e código Swift, fls. 122, Anexo; fax de 26/05/03, contendo a fatura coincidindo com o documento original n° 301065, fls.123/124 1 130, Anexo II, com as mesmas mercadorias da Adição 002 da DI, quantidades e códigos de identificação da proforma, porem com os preços inferiores; na adição 006, foram declaradas mercadorias da empresa Rigatti SNC, mas foi localizado um fax, de 27/02/03, da Rigatti à Daslu, com a proforma da fatura das mercadorias, fls. 159, Anexo II, com as mesmas quantidades e códigos de identificação da proforma, porem com os preços inferiores; fax da empresa para a Daslu, solicitando posicionamento sobre o pedido e pagamento, relativamente a aquisição feita na feira 'Mace de Milão, fls. 168, Anexo II; fax de 16/04/03, da funcionária da Daslu, acusando o recebimento da proforma e confirmando o pedido e o pagamento no valor de 2.692,80 auras para inicio de maio, pedindo também a troca de algumas mercadorias; na adição 006, onde constam mercadorias da empresa Sic Ceramiche, foi localizado fax, de 26/03/03, da funcionaria da Daslu, fazendo encomenda empresa, solicitando que a proforma fosse encaminhada em nome da Kinsberg, informando que faria o depósito da quantia correspondente ao pedido e do saldo de pedido anterior; fax de 05/05/03, da empresa exportadora para a mesma funcionaria, informando os dados bancários para pagamento, e encaminhando cópia da fatura fls. 140/141, Anexo II, das mercadorias dessa adição, com as mesmas quantidades e códigos de identificação da proforma, porem com os preços inferiores; na adição 009, foram declaradas outras mercadorias adquiridas da Sic Ceramiche, com as seguintes constatações na localização dos seguintes documentos: encomenda de mercadoria, de 01 102/03, contendo o nome da funcionaria da Daslu, como cliente, fls. 174, Anexo II; fax de 26/05/03, dessa funcionaria para a empresa, confirmando o pedido da feira da 'Mace' e solicitando o envio da proforma em nome da Kinsberg, com os dados bancários para pagamento, fls. 175, Anexo II; fax da Ceramiche, de 12/06/03, para a funcionaria da Daslu, confirmando o pedido, fls. 177, Anexo II; fax de 13/06/03, daquela funcionaria para a exportadora, acusando o recebimento da proforma e informando o pagamento no valor de 4.140,00 euros, ratificando o nome da transportadora a ser usada, f1s179, Anexo II; fatura comercial original com a descrição das mercadorias, fls.172/173, Anexo II. Na DI, as mercadorias foram agrupadas em um único item, de 120 Fl. 4385DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 6 9 unidades, coincidindo com a fatura, com preços abaixo da media dos valores declarados; DI n° 04/02278857 em nome da Kinsberg, como importadora e adquirente das mercadorias. localizada a fatura VTF/12321874, fls. 134/136, Anexo V, com n° de guia de remessa 73160, emitida pela fornecedora Atlantis, e a fatura falsa, fls.140, Anexo V, utilizada no despacho aduaneiro, com a mesma data de emissão de 301 12/2003, contendo a mesma quantidade de mercadoria (464 utensilios para o lar) reagrupados na DI, indicando o mesmo fabricante Atlantis), informando que foi faturada sob guia de remessa 73160, na DI estão alterados a figura do exportador (Intershippair) e os preços (fatura comercia1=US$6.953,28 e a falsa, apenas US$317,85); foi localizado também o documento de fls.137, Anexo V, que nada mais com a fatura original; Di no 03/08060975 em nome da Kinsberg, corno importadora e adquirente das mercadorias. localizada a fatura verdadeira de n°473, fis.161/163, Anexo 1111, emitida pelo real fornecedor Cheramiche D'Arte San Marco, em nome da Kinsberg, contendo os 758 itens, da fatura da Intershippair, utilizada na DI, com os mesmos códigos, na original, as mercadorias estão com valores mais elevados, e se destinavam à Daslu, utilizando a mesma sistemática operacional: em 01/02/03, a Daslu, na feira da "Macef" em Milão, encomendou mercadorias da Cheramiche, fls.169/171, Anexo 111; no dia 21/02/03, a empresa enviou fax à Daslu, solicitando a confirmação do pedido, forma de pagamento e data de entrega das mercadorias, anexando fatura proforma: no dia 30/07/03, foi emitida a Fatura 473, em nome da Kinsberg; em 04108/03, a empresa enviou carta endereçada à Kinsberg, via Daslu, anexando fatura e acrescentando itens e informando o saldo a pagar, fls.176, Anexo Ill; as mercadorias totalizando um valor de US$11.411,50, foram subfaturadas por US$1.065,20, conforme consta da DI. Desse modo, a fiscalização deixou evidenciado e comprovado que as operações comerciais eram realizadas pela Daslu (NSCA), mas, em conluio, eram operacionalizadas pela Kinsberg, que aparecia como importadora e adquirente das mercadorias, ocultando a condição da Daslu, de real adquirente, informação não constante das Drs, conforme determinação da legislação de regência, sendo ainda responsável pela confecção de documentos fraudulentos que geravam o subfaturamento do valor das mercadorias importadas. Ao final, coube á fiscalização, por dever de oficio, diante de tantos indícios, fatos e documentos que materializaram a fraude e outras infrações fiscaistributárias, lavrar os presentes autos de infração com fundamento na legislação vigente, como segue: Imposto de Importação subfaturamento na base de cálculo do I.I., exigência da diferença entre os 'valores declarados e os 'valores praticados (verdadeiros), tendo ocorrido o fato gerador Fl. 4386DF CARF MF 10 do imposto conforme disposto no art. 20 do DecretoLei n° 37/66, com redação do DecretoLei n° 2.472/88, art. 1°, regulamentado pelo art. 72 do Regulamento Aduaneiro Decreto ri° 4.542/2002, e Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comercio GATT/94, Acordo de Valoração Aduaneira, art. 1°, aprovado pelo Decreto Legislativo n° 30/94, promulgado pelo Decreto n° 1.355/94, com a redação do art. 75 do Decreto n° 4.765/03; Imposto sobre Produtos lndustrializados Vinculado subfaturamento na base de cálculo do I.P.1 , exigência da diferença entre os l valores declarados' e os Valores praticados (verdadeiros)', tendo ocorrido o fato gerador do imposto conforme disposto no art. 2°, da Lei n° 4.502/64, e regulamentado pelo art, 34 do Regulamento do PI, aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002, sendo a base de cálculo definida na alínea 'a', do inciso I e parágrafo primeiro do art 131 do RIPI, sendo reconstituída a base de cálculo do 1PI, calculandose o imposto e deduzindose o valor recolhido anteriormente. Juros de Mora art. 61, § 3 0 , Lei n° 9.430/96. Multas do Imposto de Importação Declaração inexata do valor da mercadoria, por ter sido declarado incorretamente o valor de transação arts. 1°, 77, inciso I, alínea ia', 83, 86, 87, inciso I, 89, inciso II, 99 100, 111, 112, 411a 413, 416, 418, 444, 499, 500, inciso I e IV, 501, inciso III, 542, do RA Decreto n°91030/85, e art. 44, inciso II, da Lei n°9.430/96; e, arts. 2°, 69, 72caput, 73, inciso I, 75, inciso 1, 90, 94, 97, 106, 107, 482, 483, 485, 489, 491, 504, 602, 603, inciso I, 604, inciso IV, 645, inciso II, 684, do RA Decreto n° 4.543/02, e art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96. Importação ao desamparo de Licença de Importação arts. 490, 633, inciso II, alínea 'a', do Regulamento Aduaneira Decreto n° 4.543/02, e Atos Declaratórios Cosit n° 5, de 09101/1997 e 12, de 21/01/1997. Diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado arts. 2°, 69, 72caput, 75, inciso I, 76, 77, 79, 82 a 86, 97, 103 a 105, 482, 483, 485, 489, 491 a 493, 497, 504, 602, 603, inciso I, IV e V, 604, inciso IV, 633, inciso I, 634, 684, do Regulamento Aduaneiro Decreto n° 4.543/02, e a rt 2° do DL n° 37/66, com a redação do art. 2° do DL n° 2.472/88; arts. 86, 88, da Media Provisória n° 2 15835/2001, e art. 169 do DL n° 37/66, com a redação do art. 2° da Lei n° 6.562/78. Multas do Imposto sobre Produtos Industrializados Vinculado Declaração inexata do valor da mercadoria, par ter sido declarado incorretamente o valor de transação arts. 2°, 15, 16, 17, 20, inciso 1, 23, inciso I, 28, 32, inciso I, 109, 110, inciso I, alínea 'a' e inciso II, alínea 'a', 111 1 parágrafo único, inciso II, 112, inciso III, 114, 117, 118, inciso I, alínea 'a', 183, inciso I, 185, inciso I, 438, 439, do RIP1198, Decreto n°2.637198; arts. Fl. 4387DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 7 11 20 , 15, 16, 17, 21, inciso 1,24, inciso I, 30, 34, inciso I, 122, 123, inciso I, alínea 'a', 200, inciso I, 202, inciso 1, 465, 466, 477, 478, inciso II, do RIPI/2002, Decreto n° 4.5454/2002, com matriz legal na Lei n° 4.502/64, art. 69, inciso II, com a redação dada pelo Decretolei n° 34/66. Por consumo ou entrega a consumo de produto estrangeiro em situação irregular no Pais art. 83, inciso 1, da Lei n° 4.502/64, corn a redação dada pelo art. 1º do DecretaLei n° 400/68 combinado com art. 81, inciso V, da Lei n° 10.833/2003; art. 631, do RA Decreto n° 4 543/2002. Responsabilidade Solidária da Boutique Daslu (NSCA) Caracterizado pela fiscalização o crime de conluio entre a Daslu (NSCA) e a Kínsberg, nas operações fraudulentas de comércio exterior, conforme as provas carreadas ao processo, foi aplicada a Responsabilidade Solidária da Daslu, com fundamento no art. 124, inciso II, da Lei n° 5.172/66 CTN, conforme art. 32, parágrafo único, inciso III, do DL n° 37/66, com a redação da MP n° 2.15835/2001, estabelecendose o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal do inciso I, e, ainda, o art. 95 do DL n° 37/66. A responsabilidade solidária na área do IPI, foi fundamentada no art. 128 do CTN, combinado com a art. 27, inciso III, do RIPI. CÁLCULO DOS TRIBUTOS E PENALIDADES Impostos O valor do credito tributário, relativamente aos impostos (II e IP!) foi apurado, utilizandose de informações disponíveis nas bases de dados da Receita Federal do Brasil, sistemas DW Aduaneiro e Siscomex, desde 10/0112002 (primeira Dl) até 12/03/2004 (última DI), registradas pela Kinsberg, no Siscomex, bem como, nos documentos apreendidos na `Operação Narciso', as faturas comerciais originais e as falsificadas, para confronto entre os valores respectivos. Utilizandose das faturas comerciais originais foram elaboradas planilhas demonstrativas da base de calculo dos impostos, que integram estes autos de infração, denominadas Demonstrativo do Crédito Tributário DCT', fls. 428 a 537) e a 'Tabela de item 9.2', fls.538. A 'Tabela de item 9.2', fis.538, compilada com informações dos sistemas OW Aduaneiro e Siscomex, se refere a DI no 03/08774766, Adição 001. Foi elaborada com dados das Faturas comerciais originais apreendidas e se referem a fatura n° 3868882. Os demonstrativos DCT1 A, DCT1B e DCT2, abrangem todas as declarações de importação sob exame nestes autos de Fl. 4388DF CARF MF 12 infração, e encontramse, os demonstrativos DCT1 A, DCT1B, de fls. 428 a 456, o restante até a 537. A fiscalização, no calculo dos impostos, aplicou as alíquotas ad valorem da TEC/NCM, sobre o valor das mercadorias constantes nas faturas comerciais originais, acrescido do valor do frete internacional e seguro. Ao final, do valor resultante foi deduzido o valor dos tributos recolhidos. Os tributos devidos (II e IP1) após os cálculos resultaram em valor maior do que o declarado, pois, em virtude do subfaturamento, foram lançados pela diferença não recolhida quando dos despachos aduaneiros das respectivas declarações de importação registradas no Siscomex. No Demonstrativo do Credito Tributário (DCT1B) estão discriminados os valores dos impostos lançados, fls 442 a 456. Juros de Mora Os juros de mora exigidos foram calculados sobre a diferença não recolhida do II e do IPI, corrigida pela taxa Selic acumulada entre as datas do fato gerador (registro das Dl's) e da emissão dos autos de infração. Multas Declaração inexata do valor da mercadoria No Demonstrativo do Credito Tributário (DCT1B) colunas 11 a 16, estão discriminados os valores dessa penalidade, com o percentual qualificação (150%), fls. 442 a 456. Importação sem Licença de Importação Calculada com base no valor real das mercadorias, encontrase no Demonstrativo do Credito Tributário (DCT1B) coluna 23, fls. 442 a 456. Subfaturamento diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado A base de cálculo resultou da diferença entre o VMLD total DI praticado e o VMLD total Dl declarado, encontrase no Demonstrativo do Credito Tributário (DCT1B) coluna 21, fls. 442 a 456. Mercadoria estrangeira em situação irregular no pais, consumida ou dada a consumo O cálculo foi sabre o valor comercial da mercadoria, considerado esse valor o constante das faturas comerciais originais, sendo as Notas Fiscais de Saída emitidas pela Kinsberg para a Daslu (NSCA) utilizadas como fonte indicativa dos valores comerciais das mercadorias. Valoração A base de cálculo da multa, com fundamento no Acordo de Valoração Aduaneira AVA, IN SRF n° 318/03, Opiniões Consultivas 10.1 e 18.1 e art. 613 do RA Decreto n° 4.543/2002, foi utilizado o valor comercial das mercadorias que inclui o valor aduaneiro real, apropriandose daqueles valores contidos nas faturas comerciais originais, conforme Demonstrativo do Credito Tributário (DCT1B), fls. 442456. Ao final, foi apurado o Valor do Credito Tributário referente ao Imposto de importação=R$2 997.044,59, fls. 245/307; e do Fl. 4389DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 8 13 imposto sobre Produtos IndustrializadosVinculado = R$6.674.141,35. Documentos juntados ao processo: Fls.31/38 Mandado de Busca e Apreensão. Autorização judicial. Fls.40/41 Termos de Apreensão. Fls.43158 Termos de Abertura de Lacre. Hs. 60164 Termos de Copia de Arquivos em meio magnético. Fls.69/102152 Termos de Apreensão, retirados do processo 10314.012101/200647, em nome de Vitoriana Empreendimentos Imobiliários Ltda. Fls.154/178 Termos de cópia de arquivos em meio magnético, retirados do processo 10314.012101/200647, em nome de Vitoriana Empreendimentos Imobiliários Ltda. Fls.1791244 Denuncia do Ministério Público Federal de Guarulhos (proc_2005.61.19_0003880),. O contribuinte Kinsberg e o Responsavel Solidário NSCA (Daslu) foram cientificados do Encerramento, fls. 396, em 17/12/2007, bem como cientificados dos autos de infração, fls.246/309, em 17/18 e 21/12/2007. A Kinsberg apresentou sua Impugnação, em 16/01/2008, fls. 664/728 (Imposto de Importação), fls. 743/821 (Imposto sobre Produtos Industrializados) e a NSCA (Daslu), fls.588/629. A impugnação da Kinsberg, apresenta as seguintes alegações, como segue: Imposto de Importação Preliminar Nulidade Absoluta do Auto de Infração ilegalidade do procedimento fiscal Continuidade do MPF inicial O impugnante, Kinsberg Comercial Importadora Exportadora de Tecidos Ltda alega que, inicialmente, foi lavrado o MPF n° 08.1.55.002007005989, em 05/0412007, amparado na Portaria RFB n° 6.078/2005, para auditar os tributos no período de 01/2003 a 0112007, tendo como prazo de validade o dia 03108/2007; posteriormente, foi editada a Portaria n° 4.06612007(o art 22, disciplinou procedimentos fiscais iniciados antes de 02/05/2007, determinando o seu encerramento ate 31/1012007, ou, o parágrafo 1°, segundo o qual a prorrogação caberia á autoridade outorgante dos respectivos MPF, observado o disposto no art. 13, com a redação da Portaria RF13 N° 11.161/2007). Que o auditor fiscal requereu o encerramento do MPF em 04106/2007, sendo emitido novo MPF n° 08.1.55 002007009860, em 05/06/2007, amparado na Portaria RFE3 n° 4.066/07, para o período de 01/2003 a 01/2007. Que esses procedimentos não tiveram respaldo nas normas pertinentes, pois o contribuinte havia sido cientificado, contrariando o disposto no § 2º do art. 22 da portaria citada; e, considera que os atos de encerramento e de inicio de procedimento fiscal estão desprovidos de legalidade, e o MPF n° Fl. 4390DF CARF MF 14 06.1.55.002007009860, é inválido, e, por conseqüência, a fiscalização como o auto de infração são absolutamente nulos. Violação do art. 40 da Portaria RFB no 4.066/07 CIência do MPF após o inicio do procedimento fiscal Os atos da administração devem atender ao principio da publicidade (art.37 da CF), os princípios do interesse público, da impessoalidade, da imparcialidade, da finalidade, da razoabilidade e da justiça fiscal (art. 1' da Portaria RFD n° 4.066/2007), sendo violado o art. 40 dessa portaria, pois só foi cientificado na data da ciência da lavratura deste auto de infração, caracterizando a ilegalidade do ato. Extinção do MPF pelo decurso do prazo Alega o contribuinte que o auto de infração foi lavrado após a extinção do procedimento de fiscalização pelo encerramento do prazo do MPF n° 2007009860, pois, a portaria sob exame, estabeleceu o prazo de canto e vinte dias, prorrogáveis, observado para cada ato o prazo máximo de 60 dias, nos termos do art. 12 e 13; que o MPF que deu origem ao auto de infração, permaneceu válido até 03/1012007, enquanto que os MPF seguintes foram emitidos nos dias 05/06, 23107 e 19/06/2007, visando a ampliação do período de fiscalização para alcançar os tributos, contribuições e obrigações acessórias do 1.1. e do l.PJ. de 01/2002 a 12/2007. Porém, não ocorreu a referida prorrogação do MPF emitido; que o MPF inicial de 05/06/2007 tinha prazo até 03/10/2007, mas seu encerramento só ocorreu em 11/1212007, sem que ficasse comprovado qualquer prorrogação, invalidando assim os atos praticados após 0311012007. Cerceamento de Defesa Inacessibilidade do conjunto probatório Alega o contribuinte que o Relatório Fiscal que integra o auto de infração teve respaldo nas informações do processo que decretou a inaptidão da autuada; e documentos apreendidos na Operação Narciso' em 13107/2005; e em informações disponíveis nas bases de dados da RFB; que a fiscalização não tem provas inequívocas da natureza das importações, e que os elementos mencionados no relatório não foram exibidos nos autos, nem provas de subfaturamento das mercadorias, bem como os respectivos demonstrativos. Que deixou de ser juntada, também, cópia integral do processo administrativo de inaptidão, embora nesse mesmo processo não ficou evidente que a autuada atuava como interposta pessoa; e, conclui pela carência da autuação, quanto as provas materiais, evidenciando cerceamento de defesa, impedindo a autuada de impugnar a validade e o conteúdo das provas mencionadas no Relatório. Não Identificação dos valores para cálculos Alega que o auto de infração não expôs qualquer elemento que permita a identificação dos valores para calculo, pois e Planilha Demonstrativa do AI apresenta montantes de 'valor total de item na condição de venda', Seguro', 'frete' e 'valor aduaneiro' Fl. 4391DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 9 15 utilizados para apuração do valor comercial da mercadoria que não tem lastro nos documentos que instruem a autuação; que todas as informações utilizadas para elaboração da Planilha foram extraídas das D I's e, no processo, não há nenhuma cópia de Di, prejudicando o exercício da sua defesa; que, embora e planilha demonstre o cálculo do valor comercial das mercadorias, os elementos do AI não viabilizam a conferência dos valores reproduzidos nas colunas 1 a 16 do Demonstrativo de Crédito Tributário; que tais fatos caracterizam cerceamento de direito de defesa, devendo ser anulado por contrariar a norma pública cogente (art. LV, da CF) e traz em sua defesa manifestações doutrinarias e julgados administrativos. Mérito Decadência do Imposto, dos juros de mora e da multa proporcional O impugnante alega a ocorrência da decadência do imposto, dos juras de mora e da multa proporcional, conforme disposto no art. 150, § 40 do CTN, norma especial que prevalece sobre a regra geral; considera expirado o prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador, impossibilitando sua exigibilidade e extinto o credito tributário, relativamente ao período de 1510112002 a 31/1212002. Que não se aplica ao caso concreto a regra do art. 173, inciso I do CTN, pois os tributos sujeitos ao lançamento por homologação possui regra especifica e, também não pode ser aplicado sob a alegação de dolo, fraude ou simulação, por inexistência de prova que comprovem tais ocorrências. Amparase, ainda, no principio da segurança jurídica e o direito constitucional de propriedade e traz à colação doutrina e jurisprudência. Prescrição da multa regulamentar Violação ao Decretolei n°20.910/32 (somente fase punitiva) Alega que a multa não se subsume ao conceito de tributo do art.3° do CTN, sendo inaplicáveis as regras do. lançamento tributário às multas, inclusive, quanto a prescrição e decadência, possuindo regra especifica com prazo prescricional de 5 anos nos termos do art. 1º do Decretolei n° 20.910, de 06/01/1932, única legislação a regular as sanções administrativas, norma mais adequada, à luz do principio da isonomia; que o art. 1 0 da Lei n° 9.783/1999, que corrobora para o prazo prescricional de cinco anos, em atenção aos princípios da legalidade e da segurança jurídica. Alega que a autuação ocorreu em 11/12/2007, com ciência do contribuinte em 18/12/2007, após os cinco anos da ocorrência de parte da suposta infração. Indevida desconstituição ou desconsideração do negocio jurídico Negocio jurídico perfeito desconstituivel, apenas, com prova inequívoca Alega que não realizou de fato operações de importação de produtos com o intuito de planejamento tributário visando efeito Fl. 4392DF CARF MF 16 danoso ao Erário, porque o beneficiário da eventual economia tributária era o adquirente final da mercadoria (a empresa Daslu), acrescido do fato de que a empresa realizava outras operações sem correlação com a Daslu e que, apenas respeitava as determinações oriundas do contrato que regulamentava o negócio jurídico antra esta empresa e a Daslu, a quem apenas representava; que procurou atender seus clientes, fornecendolhes os produtos importados totalmente negociados e transacionados peia empresa Daslu, conforme transcrição (fls. 715) da peça acusatória. Questiona se, tratandose de produtos lícitos, é cabível ao importador questioner sua origem, seu valor, sua função? Que, não cabe desqualificar os contratos firmados com a empresa Daslu que teria praticado fraude ou simulação, jamais comprovada. Falta de previsão legal para desconstituição do negocio jurídico Quanto a desconsideração do negocio jurídico ressalta que o parágrafo único do art. 116 do CTN tem eficácia limitada, pois sua regulamentação depende de legislação ordinária; que o principio da legalidade foi contrariado pela fiscalização que lavrou o AI amparado em fatos refutáveis e questionáveis e de 'presunções', deixando de capitular e rotular a infração cometida e a indicação da legislação, violando os princípios da tipicidade e da ampla defesa. Ilegalidade na apuração dos valores supostamente subfaturados Alega a impugnante que a apuração da divida com base nas DI's, fornecidas pela autuada (colunas 1 a 15 do DCT) e nas Invoices (colunas 16 a 21 do DCT) contrariam o disposto na MP n°2.15835/01, no seu art 88. Violação à Irretroatividade da lei Questiona a exigência da multa com amparo no art. 633, II, do Decreto n° 4.543/02, por ter sido editado em 2611212002, portanto não poderia retroagir e ser aplicado em infrações relacionadas com fatos anteriores, contrariando, ainda, os arts. 5°, XXXIX e 150, da CF. Ao final, requer a declaração de nulidade do auto de infração, por ilegalidade do procedimento fiscal, violação à norma constitucional e cogente por desatendimento ao direito de defesa; requer, ainda, a improcedência do AI, por decadência e prescrição da autuação, por falta de prova na desconsideração do negócio jurídico, por irregularidade no método de arbitramento das importações e porque o art. 633,II do Decreto n° 6.543/02 é inaplicável por violar ai principio da irretroatividade das leis. Imposto sabre Produtos Industrializados A impugnante, Kinsberg Comercial Importadora Exportadora de Tecidos Ltda. apresenta as mesmas alegações, quando tratou do imposto de importação, assim deixamos de apresentálas, por motivos óbvios, ou seja, de sua repetição, relativamente aos itens que se seguem EM PRELIMINAR e no MERIT() (Nulidade Fl. 4393DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 10 17 absoluta do auto de infração; Continuidade do MPF inicial; Violação ao art. 40 da Portaria n° 4.066107; Extinção do MPF pelo decurso do prazo; Cerceamento de defesa, Violação á ampla defesa; inacessibilidade do conjunto probatório; Não identificação dos valores para cálculos; Decadência do Imposto, dos juros de mora e da multa proporcional; Prescrição da multa regulamentar; Violação ao Decretolei n° 20.910132 (somente fase punitiva); Indevida desconstituição ou desconsideração do negócio jurídico; Negocio jurídico perfeito desconstituivel, apenas, com prova inequívoca. Falta de previsão legal pare desconstituição do negócio jurídico; Ilegalidade na apuração dos valores supostamente sub faturados e Violação à Irretroatividade da lei). Seguem as alegações dos itens específicos para o IPI. Multa regulamentar indevida. Ausência dos requisitos para aplicação da Multa do art. 631 do RA Alega que, a deficiência de provas materiais impõe o afastamento da multa regulamentar, conforme inúmeros precedentes do Conselho de Contribuintes. Necessidade de prova inequívoca da fraude Mega que o fundamento da penalidade do art. 631, do Decreto n° 4.543/2002 e art 83, I, da Lei n° 4.502/64, 6. inaplicável, pois decorreu dos seguintes fatos: enquadramento na modalidade de interposição fraudulenta, conforme processo de inaptidão do CNRI, que, quando foram declarados inidôneos os documentos de todas as operações de importação; consideradas irregulares ou fraudulentas as importações e as mercadorias já tinham sido dadas a consumo.Que, não há no processo administrativo provas materiais das irregularidades apontadas pelo fisco, ignorando o principio da presunção de inocência (art. 5º, LVII, CF), e o do 'in dubio pro reo', nos casos de insuficiência de provas. Que, os documentos apreendidos na operação da Policia Federal deixaram de ser exibidos no processo, como ocorreu também com as Di's; que não constam do processo. Que, quanto ao subfaturamento, os pregos dito como 'real' em contraposição ao declarado; há ausência de provas de que as operações foram realizadas na modalidade de interposição fraudulenta e os documentos de que as mercadorias foram entregues a consumo; e, não existem no processo documentos relacionados com aquele da Inaptidão que levam a concluir a ocorrência de interposição fraudulenta. Quanta a denúncia criminal, descabe ser desconsiderada pois foi dirigida contra a Das/o, além de não representar prova documental. Traz também julgados administrativos. Importações com registro no Siscomex Irrelevância da declaração de inaptidão Fl. 4394DF CARF MF 18 Alega a impugnante que todas as operações de importação possuem registro no Siscomex; que embora consideradas inidôneas as declarações de importação apresentadas, a fiscalização se utilizou dos dados nelas contidos para cálculo da mu/ta aplicada, sem ter utilizado o arbitramento. Finalmente, requer a nulidade do auto de infração por ilegalidade do procedimento fiscal; violação à norma constitucional do direito ao contraditório e ampla defesa: a improcedência do AI, por decadência e prescrição da autuação, por falta de prova na desconsideração do negócio jurídico, por irregularidade no método de arbitramento das importações e porque o art. 631, II do Decreto n° 6.543/2002 é inaplicável por violar o principio da irretroatividade das leis; pela inexistência de prova inequívoca da fraude e pelo fato de que as operações de importação foram todas objeto de registro de declaração de importação no Siscomex. A empresa NSCA Comercio de Artigos do Vestuário Ltda. (atual denominação social de NSCA Indústria, Comercio, Importação e Exportação Ltda. (nome fantasia —Boutique Daslu) na condição de Responsável Solidária, foi intimada e cientificada, fls.396, em 17/12/2007, apresentando sua Impugnação, em 16/01/2008, fls. 588/629. como segue. Preliminar Nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária Alega o contribuinte que a fiscalização não especifica o fundamento da solidariedade imputada 6 impugnante, ensejando sua nulidade, cerceando o direito de defesa; que o relatório fiscal ora aponta para o conluio entre a autuada e a impugnante, ora pare a ocultação da real adquirente Daslu, situações diferentes com efeitos jurídicos distintos, pois enquanto o conluio enseja a aplicação do inciso I, do art. 124 do CTN, na segunda situação, caberia apenas a aplicação do art. 124, 11, do CTN; e, que o Termo de Sujeição Passive Solidária não indica quais dos incisos do art.124 do CTN, estada enquadrada a impugnante. Inexistência de Conluio, Há um só Importador Alega o Responsável Solidário que, de acordo coma o art 73 da Lei n° 4.502/64, o conluio supõe a existência de duas ou mais pessoas agindo para evitar o conhecimento pela autoridade administrativa sobre a existência do tributo a pagar ou a evitar o seu recolhimento a tempo e modo devidos, enquadrandose na hipótese do art. 124, I, do CTN; que, na importação só se pode arguir conluio quando existirem mais de um importador, e, no caso sob exame, só está presente um importador, a Kinsberg, a impugnante apenas atuou, somente, após a operação de importação, como adquirente das mercadorias rio mercado inferno. Que não ficou comprovado que a impugnante participou da infração de apresentação rio despacho e das faturas com pregos manipulados; e, a própria funcionária da Kinsberg declarou ao MPF que as faturas eram confeccionadas com valores subfaturados e entregues ao sócio (Andre de Moura Beukers) que se encarregava de destruílas, sem qualquer Fl. 4395DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 11 19 vinculação de participação da impugnante. Que, segundo o art. 137 do CTN, a responsabilidade tributária é pessoal ao agente que, no caso, é a importadora, o que inclusive motivou a lavratura dos autos de infração em seu nome; e que, a impugnante não participou do conluio para redução dos tributos, nem do processo de importação, nem tem Interesse comum' nessa operação. Inaplicabilidade das reqras de importação por conta e ordem Questiona a impugnantesolidaria a aplicabilidade das regras de importação por conta e ordem; que o ADI SRF n° 07/2002 e a Instrução Normativa SRF n° 247/2002, ao disciplinar a importação por conta e ordem, impõe requisitos cumulativos para a sua caracterização e que na sua falta, a operação fica descaracterizada dessa modalidade de operação; que, conforme documentos conhecidos pela fiscalização, foi a Kinsberg quem fechou os contratos de câmbio, tem o nome nas faturas comerciais, emitiu as notas de entrada e saída a titulo de compra e venda, descaracterizando a operação por conta e ordem, conforme disposto no ADI SRF n°07/02. Os indícios alegados pela fiscalização, não são suficientes para caracterizar a importação por conta e ordem Importação por Conta e Ordem: a Presunção admitida pela Lei Alega que a Lei n° 10637/02 estabelece o tipo de presunção admitida para fins de detectar fraude ou simulação, mediante interposição fraudulenta de terceiros, em importações declaradas por conta própria e que são, por conta e ordem de terceiro. Segundo o impugnante tratase de hipótese de utilização de recursos de terceiros, quando não comprovada a origem ou a transferência de recursos utilizados na operação de comercio exterior, presumindose a interposição fraudulenta de terceiros, cujo critério de apuração está previsto na IN SRF n° 228/02, no seu art.11, e, segundo a impugnante, a fiscalização deixou de atender a referida norma. Fragilidade e Insuficiência dos indicias coletados pela fiscalização Alega que a fiscalização apenas tem corno suporte o fato de que a Daslu negociou e pagou a compra das mercadorias, e que é insuficiente para caracterizar importação por conta e ordem. Traz ao seu amparo o suporte do § 3º do art 11. da Lei n° 11.281/06, ao explicitar que procedimentos adotados pelo encomendante, corno os contatos prévios com os fornecedores estrangeiros, não implica em responsabilidade pela operação, e que os documentos trazidos aos autos não transformam a importação por encomenda em importação por conta e ordem. A negociação com a exportador não implica responsabilidade pela operação Fl. 4396DF CARF MF 20 Alega que eventual relacionamento com exportadores estrangeiros não tornaria alguém responsável pela importação, pois implicaria assumir que um mero agente comercial que fizesse intermediação entre as partes seria responsável pela operação de importação realizada, o que seria absurdo; que os documentos juntados aos autos demonstram a existência de contatos prévios entre a impugnante e os exportadores, mas, não tem o condão de transformar a importação por encomenda em importação por conta e ordem. As comunicações com os exportadores não demonstram a existência de pagamentos feitos diretamente pela impugnante Alega que somente sena possível afirmar que e Daslu efetuou pagamentos aos exportadores mediante comprovação cabal de que os recursos teriam sido fornecidos por ela e não pela Kinsberg ou até mesmo pelas tradings estrangeiras citadas no relatório fiscal; e a própria fiscalização reconhece que os contratos de cámbio de pagamento das importações foram todos de responsabilidade da Kinsberg, que, presumivelmente, teria custeado a operação. Exclusão da Responsabilidade Atuação em conformidade coma entendimento da SRF Alega que a impugnante não pode responder por qualquer exigência, de caráter tributário ou aduaneiro, pois foi observada a orientação do ADI SRF n° 07/2002, relativamente a integralidade das operações. Limitação da Responsabilidade. Alcance do art. 32 do DL n° 37/66. A Responsabilidade restringese ao Imposto de Importação O relatório fiscal fundamenta a responsabilidade solidária da impugnante ao art. 32, § único, III, do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Medida Provisória nº 2.158 35/01, que alcança apenas o imposto de importação, por conseguinte, nenhuma responsabilidade pode ser imputada a impugnante em relação ao IPI e as multas de caráter tributário e aduaneiro.Que, também, não pode ser argumentado que o art, 27, III do RIPI, trata da responsabilidade solidária, por não ter sido explicitado no relatório fiscal. Alega, ainda, que a responsabilidade tributária e matéria privativa de lei complementar não podendo ser tratada por lei ordinária. Insubsistência da Exigência Fiscal. Inobservância dos procedimentos especiais de valoração aduaneira e verificação da origem, disponibilidade e transferência de recursos. A impugnante alega que, de acordo com o art. 1° do Acordo de Valoração Aduaneira (aprovado pelo Decreto n° 1.355/94, retificador do Acordo para Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT) o valor aduaneiro das mercadorias será o valor de transação, que, na dúvida, a fiscalização deveria seguir os procedimentos previstos no art_ 29, 30 e 32, § 1° e § 2º da IN SRF n° 327103, ou, ainda, Fl. 4397DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 12 21 o disposto no art, 86 da Medida Provisória n° 2,15835/2001, e no seu não atendimento caracteriza a ilegalidade da autuação. Inobservância do procedimento de verificação da origem das recursos utilizados na importação. Alega a impugnante que foi desatendido o comando do art. 1° da Portada MF n° 350/02 e IN SRF n 228/02, imprescindiveis para fundamentar a acusação de interposição fraudulenta de terceiros, em relação e cada importação considerada. Decadência do direito do fisco de proceder ao lançamento em relação as declarações de importação registradas antes de 17/12/2002. Argui a decadência peg() fato de ter sido intimada da autuação em 17/12/2007, em relação a fatos ocorridos antes de 17/12/2002, visto que o I.I. e o são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e a contagem do Prazo deverá atender o disposto no art. 150, § 4° do CTN. Que o DL n° 37/66, em seu art. 138 e art, 54, estabelecem esses prazos; e. considera descabida a contagem nos termos do art. 173, 1, do CTN, pois, tratandose de imposição de penalidades, a contagem é a partir da data da infração, .como estabelece o art. 139 do DL n° 37/66 e art. 669 do RA; e, no mesmo sentido, quanto ao IPI, o art. 78 de Lei n° 4.502/64, afastando, desse modo, a aplicação daquela norma do CTN. Desproporcionalidade na aplicação das multas.A pena e sua proporcionalidade Alega que, no campo tributário, a não aplicação do principio da razoabilidade da pena, para equacionar a punibilidade a ser aplicada em função da falta cometida,contraria o art. 112 do CTN. Que o Supremo Tribunal Federal já decidiu que o principio da vedação do confisco aplicase também as multas, autorizando o seu cancelamento ou redução, seguido de igual entendimento pelo Superior Tribunal de Justiça e o próprio Conselho de Contribuintes. inaplicabilidade da multa por falta de Licença de importação Alega a impugnantesolidaria que o fato alegado não ocorreu (importação desamparada de guia de importação ou documento equivalentelicença de importação LI), pois foram obtidas guias e licenças para todas as operações, que o motivo para justificar a aplicação da penalidade consiste na divergência em relação ao valor aduaneiro das mercadorias, dando uma interpretação extensiva indevida, desatendendo o princípio da legalidade (art, 5°, II e 37 da CF c/c art. 2º da lei n°9.784/99); e que o fato alegado so teria amparo no caso de exigência de licença de importação não automática em função do valor da mercadoria importada, que não se trata do caso presente, conforme Portaria Secex 17/2003 e 14/2004, e a maioria das Fl. 4398DF CARF MF 22 importações estavam sujeitas a simples licenciamento automático. Inaplicabilidade da multa por entrega a consumo de mercadoria importada irregularmente. Questiona a gravidade da multa de 100%, equiparada à pena de perdimento de mercadorias; pois, na aplicaÇãO do perdimento, as infrações são as danosas ao erário, verificadas durante o procedimento de despacho aduaneiro, ou que, por qualquer razão, deixaram de ser submetidas a um regular procedimento de verificaçâo pelas autoridades aduaneiras e acabaram sendo extraviadas ou consumidas, situações que não se enquadram no caso presente, pois é preciso que as mercadorias tenham sido desviadas do procedimento do despacho aduaneiro; que, o entendimento da fiscalização da ocorrência de subfaturamento também não é aplicável, pois a referida infração está sujeita a multa especifica. Incorreta apuração da base de cálculo das multas aplicadas sob a alegação de entrega a consumo de mercadoria importada irregularmente e subfaturamento. Segundo a impugnante, as multas foram superdimensionadas, pois o art. 631 e o art.633, I, do RA, devem incidir sobre o valor ou preço da mercadoria, ou seja, a quantia paga para a sua aquisição ; que, esse prego é o da transação entre o importador e o exportador, e não ao eventual valor de revenda no mercado interno e, quando a legislação resolveu ampliar a base de cálculo da multa, utilizouse do conceito de 'valor aduaneiro', portanto o parâmetro a ser adotado para a fixação da multa pela fiscalização foi o cobrado pelo exportador estrangeiro para a venda das mercadorias acrescido dos valores de frete e seguro; e, ainda, nos casos de entrega a consumo, sobre os montantes indicados nas Notas Fiscais de Saída emitidas pela Kinsberg, incluindo parcelas que não fazem parte do negocio comercial entre o importador e o vendedor estrangeiro, parcelas remuneratórias estranhas ao negocio. Que, com base nos arts. 4º, 8º e 9° da IN SRF n° 327/03, que dispõe sobre o Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio —GATT/1994 (Acordo de Valoração Aduaneira), em conformidade com os arts. 75 e76 do RA, de acordo com os quais o valor aduaneiro das mercadorias tem significado mais amplo do que o preço ou valor da mercadoria; que esta superdimensionada a muita se comparada a base de calculo prevista no art. 633, II (valor aduaneiro) e a do art. 631 (valor da mercadoria) e 633, I (preço da mercadoria) do RA. As penalidades aplicadas violam o Principio da Proporcionalidade. Alega a impugnante que foram aplicadas quatro multas distintas como punição a um único alegado ato ilícito, o subfaturamento, que correspondem a mais de dez vezes o montante das tributos supostamente devidos, o que caracteriza desvio de finalidade, convertendoas em instrumento de arrecadação. Fl. 4399DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 13 23 Aplicação do Principio da Retroatividade Benéfica. Outra alegação é a de que, se devida a muita, deveria ser aplicada a multa especifica do art.33 da Lei n° 11.488/07, por ser mais benéfica ao contribuinte, devendo ser exigida só da Kinsberg por se tratar de responsabilidade exclusiva da autuada pela referida infração (cessão de nomes ou documentos próprios para ocultar a participação de terceiros nas operações de importação) que pressupõe dolo especifico do agente, nos termos do ad. 137,IIl, do CTN; e, entende ser cabível a referida multa pela aplicação do princípio da retroatividade benéfica, ao amparo do art. 106, II, 'c", do CTN. Ao final, requer a ilegitimidade passiva da impugnante, ou que seja cancelado o auto de infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento não acolheu as alegações das impugnações, mantendo integralmente o lançamento fiscal. A decisão foi assim ementada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTA00 H Data do fato gerador: 01/04/2002 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS Com a comprovação materializada da ocultação do real adquirente das mercadorias, caracterizando as operações de comercio exterior realizadas pela autuada, por conta e ordem de terceiros, sem atender as condições da legislação de regência, fica tipificada a figura da Interposição Fraudulenta. SOLIDARIEDADE São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse corrum' na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do Código Tributário Nacional), conforme ficou patenteado o conluio entre o importador e o real adquirente da mercadoria que, passa a assumir o papel de Responsável Solidário, conforme preceitua a legislação aduaneira. SUBFATURAMENTO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CALCULO. Art. 88 da MP n ° 2.15835/2001. Constatada a existência de subfaturamento (fraude) nas operações de importação, com a localização das Invoices verdadeiras , com valores superiores aos declarados nas Dl's. cabível o enquadramento no subfaturamento da base de cálculo dos tributos, e a aplicação da multa de cem por canto sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado nas importações. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. O valor das mercadorias é elemento relevante na licença de importação. O valor incorreto do prego das mercadorias informado à SECEX, caracterizada essa infração sujeita a penalidade prevista na legislação. MULTA QUALIFICADA. Fl. 4400DF CARF MF 24 comprovada a ocorrência de fraude por declaração do valor da mercadoria em face de subfaturamento, Correto o enquadramento por declaração inexata e a aplicação da multa qualificada . DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário se qualquer documento necessário ao desembaraço de mercadoria estrangeira, na importação, tiver sido falsificado ou adulterado, corno no caso da fraude no valor aduaneiro declarado, be rn corno a ocultação do real adquirente da mercadoria. Em ambas as situações a infração é punível com a pena de perdimento, que, no caso de no localização das mercadorias ou do seu consumo, é cabível a conversão na multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Lançamento Procedente No advento da tomada de ciência da decisão de primeira instância administrativa, apenas a empresa KINSBERG apresentou recurso voluntário. A solidária NSCA, por sua vez, peticionou nos autos, informando que não teria tomado ciência da decisão, apenas teria tomado ciência da decisão quando o processo já estava sendo encaminhado ao CARF. Assim, pleiteou que lhe fosse oportunizada a interposição do recurso voluntário. Quando da apreciação dos autos, por meio da Resolução nº 3101.00137, a 1ª Turma Ordinária , da 1ª Câmara, em sessão realizada em 07 de abril de 2011, acatou o pedido da responsável solidária, em decisão vazada nos seguintes termos: A Turma resolveu converter o julgamento em diligências para que a empresa NSCA, INDÚSTRIA, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO seja formalmente intimada quanto ao teor do acórdão proferido pela DRJ de São Paulo/SP para que, querendo e dentro do prazo legal de 30 (trinta) dias, apresente Recuso Voluntário ao CARF. Na sequência, consta os autos, que em face da renúncia ao mandato do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, o processo foi redistribuído ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, para relato, em 12/12/2014, tendo sido devolvidos, novamente, em vista de sua renúncia ao mandato, sendo o processo novamente sorteado, cabendo a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo a relatoria. A nova relatora do Processo, por entendeu que a diligência determinada pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara não teria sido corretamente realizada, propôs e foi acatada pela Turma, nova resolução para que fossem adotadas as providências necessárias a ciência do responsável solidário. Em resposta a nova resolução, a Unidade de Origem informou que a ciência da empresa NSCA, INDÚSTRIA, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO já havia sido cientificada da decisão da DRJ, conforme esclarecido no trecho abaixo extraído da informação fiscal da Unidade da RFB. Em atendimento à Resolução nº 3201000.889, de 27/04/2017, informamos que a diligência determinada na Resolução anterior, de nº 310100137, foi regularmente cumprida pela unidade de Fl. 4401DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 14 25 origem. A responsável solidária NSCA foi cientificada do acórdão proferido pela DRJ por meio do Termo de Intimação nº 292/2011 (efls. 1.078) na data de 15/07/2011 (AR às efls. 1.082), e, em 10/08/2011, apresentou recurso voluntário tempestivo e com representação válida (recurso às efls. 1.094/1.143 e despacho de encaminhamento às efls. 1.148). Assim sendo, retornemse os autos ao CARF para prosseguimento dos julgamentos dos recursos voluntários apresentados. A conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo renunciou ao mandato neste Conselho, cabendo a mim, em razão de novo sorteio, a relatoria para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Os recursos são voluntários e tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, serem conhecidos. Em razão dos argumentos apresentados pelas duas recorrentes se referirem aos mesmos fatos, farei a análise dos recursos em conjunto. Ofensa a princípios constitucionais, vícios no ato administrativo do lançamento, Irregularidades no MPF Inicialmente afasto as alegações de ofensa aos princípios constitucionais que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em sede preliminar é alegada a existência de vícios no ato administrativo que não teria atendido aos requisitos de motivação e finalidade. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante à lavratura do auto de infração. Fl. 4402DF CARF MF 26 As Recorrentes foram cientificadas da exigência fiscal e apresentaram impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignadas com o resultado do julgamento da autoridade a quo, foram interpostos recursos voluntários, rebatendo as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. O questionamento sobre as limitações ao poder do AuditorFiscal da Receita Federal impostas pelo Mandado de Procedimento Fiscal, não trazem melhor sorte a Recorrente. O Mandato de Procedimento Fiscal foi instituído pelo Receita Federal como um instrumento administrativo não tendo o condão de servir de limitador do trabalho fiscal. O conhecimento das atividades envolvidas na fiscalização é feito por meio de Intimações e outros documentos com ciência do fiscalizado, sendo o Auditor Fiscal a autoridade competente para o lançamento e quaisquer documentos lavrados pelo Auditor Fiscal de forma conjunta ou isolada possui todos os requisitos de legalidade necessários para produzir seus efeitos no ordenamento jurídico. No mesmo entendimento ora exposto, caminha o voto do e. conselheiro Walber José da Silva, emitido no Acórdão nº 3302.00.60 da Terceira Seção do CARF, que peço vênia para incluir e fazer parte das minhas razões de decidir. “O MPF foi disciplinado pela Portaria SRF 1.265/1999, com as alterações incluídas pelas Portarias SRF nº 1.614/2000, nº 407/2001, nº 1.020/2001, compilada na Portaria nº 3.007/2001 e, atualmente, na Portaria SRF nº 6.087/2005. O referido mandado consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal do Brasil para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, o MPF um instrumento interno de planejamento e gerência das atividades de fiscalização, praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão ou prorrogação, não têm o condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado, conforme determinação expressa do art. 16 da Portaria SRF 6.087/2005, abaixo reproduzido: Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso lido artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade Fl. 4403DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 15 27 responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto. Cabe ressaltar, no que toca à ciência do MPF, que a necessidade de cientificar o contribuinte da existência do instrumento prendese tão somente a questões relacionadas à segurança do sujeito passivo contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Contudo, tratandose os eventuais vícios relativos ao uso do MPF de meras irregularidades formais, sabese que estas, quando supríveis, não podem elidir a atividade regrada e obrigatória do lançamento de oficio. Nesse sentido, é importante reproduzir a Lei n2 9.784/1999, art. 55, que assim preconiza: "Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração". Por sua vez, o Decreto d 70.235/1972, art. 60, é redigido nos seguintes termos: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". É imprescindível destacar que o regramento acerca do Mandado de Procedimento .Fiscal não se sobrepõe à atividade vinculada e obrigatória a que.. estão submetidos os agentes tributários. A obrigatoriedade do lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional, constatada irregularidade cometida pelo sujeito passivo da obrigação tributária, deflui do Código Tributário Nacional, arts. 3º e 142, §único, conforme transcrição a seguir. "Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". "Art.142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, (..)Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Fl. 4404DF CARF MF 28 Ainda no que diz respeito ao MPF, ressaltese que tem se sedimentado nos extintos Conselhos de Contribuintes, entendimento no mesmo sentido, isto é, sendo o MPF instrumento de mero controle administrativo, eventuais irregularidades em sua emissão ou utilização não têm o condão de macular o auto de infração. Citamse as seguintes ementas extraídas do repertório daquele tribunal: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. (Ac. 1° CC n°10706820, sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Martins Valero) NULIDADE 1NOCORRÊNCL4 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Ac. 1° CC n° 10807079, Sessão de 22/08/2002, Relator Luiz Alberto Cava Maceira) MPF O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Ac. n° 10514070, Sessão de 19/03/2003, Relator Nilton Pess) PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário (Ac. n°10612941, Sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Antonio de Paula). NORMAS PROCESSUAIS VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. Recurso de oficio provido, determinando que, ultrapassada a preliminar de nulidade do lançamento, deve a autoridade julgadora a quo continuar o julgamento do mesmo quanto ao seu mérito (Ac. n° 20176449, Sessão 19/09/2002, Relator Gilberto Cassui)” Fl. 4405DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 16 29 Da decadência Alegam as Recorrentes que os lançamentos referentes aos períodos anteriores a 18/12/2002 estariam alcançados pela decadência. A decadência para as infrações aduaneiras é regulada no DecretoLei nº 37/66, que trata da matéria nos seus artigos 138 a 141. "Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Art.140 Prescreve em 5 (cinco) anos, a contar de sua constituição definitiva, a cobrança do crédito tributário. Art.141 O prazo a que se refere o artigo anterior não corre: I enquanto o processo de cobrança depender de exigência a ser satisfeita pelo contribuinte; II até que a autoridade aduaneira seja diretamente informada pelo Juízo de Direito, Tribunal ou órgão do Ministério Público, da revogação de ordem ou decisão judicial que haja suspenso, anulado ou modificado exigência, inclusive no caso de sobrestamento do processo." No caso em tela, o lançamento teve origem em procedimentos que indicaram a interposição fraudulenta e portanto tratase de penalidade afeita a área aduaneira, sendo regulada nos moldes do DecretoLei nº 37/66 e portanto, configurada no momento do registro da Declaração de Importação DI. Assim, aplicando as determinações do art. 139 do RA, a data para fruição do prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados a partir do registro da Declaração de Importação DI. Considerando a data da ciência do Auto de Infração em 18/12/2007 (fl. 746), prazo superior a 5 (cinco) anos dos registros das Declarações de Importação DI que deram origem ao lançamento. A exigência fiscal está parcialmente alcançada pela decadência para os lançamentos referentes a Declarações de Importação registradas ate 18/12/2002. Considerando a data da ciência do Auto de Infração em 18/12/2007 (fl. 746), prazo superior a 5 (cinco) anos dos registros das Declarações de Importação DI que deram origem ao lançamento. Da nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária Fl. 4406DF CARF MF 30 Alega a Recorrente NSCA, a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária, afirmando a ausência de motivação. Entendo não assistir razão a Recorrente, O Termo foi lavrado por autoridade competente e descreve a motivação e fundamentação para a imputação da solidariedade às operações fraudulentas realizadas pela Kinsberg. Abaixo, extraio trecho do Termo de Sujeição Passiva que descreve a motivação e fundamentação. No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.55.002007009860, constatamos que a pessoa jurídica KINSBERG COM. IMP. EXP. TECIDOS LTDA, agindo em conluio com a pessoa jurídica NSCA INDÚSTRIA, COMÉRCIO, EXP. E IMP. LTDA, cometeu irregularidades fiscais que acarretaram na redução da base de cálculo do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, restando caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos do art. 124 da Lei n°5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). A descrição detalhada dos créditos apurados, das infrações e das verificações fiscais encontrase no Auto de Infração e no Relatório Fiscal constantes no Processo Administrativo Fiscal n° 10314.011771/200727. Fica o sujeito passivo solidário supra mencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata o Relatório Fiscal e o Auto de Infração lavrado em 29/11/2007, contra o sujeito passivo supra qualificado, cuias cópias, juntamente com o presente Termo são neste ate entregues. As informações demonstram de forma inequívoca a fundamentação, indicando os fatos apurados que implicam na responsabilidade solidária da empresa NSCA. Das operações realizadas pela Kinsberg por conta e ordem da NSCA A lide gira em torno da exigência da conversão em multa da pena de perdimento aplicada a mercadorias importadas por intermédio de interposição fraudulenta, ao arrimo que a empresa importadora Kinsberg teria realizado as operações em nome da empresa NSCA, sendo as informações ocultadas dos controles legais pertinentes. As autuadas, em sua defesa, alegam a licitude das operações e que a Kinsberg teria atuado por sua conta e risco, realizando importações diretas sem o envolvimento da NSCA. O controle aduaneiro, a ocultação dos intervenientes e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do Fl. 4407DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 17 31 País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do Siscomex Importação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou a falta de comprovação da origem dos recursos configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 4408DF CARF MF 32 § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 trata de duas situações distintas a primeira de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e outra a interposição fraudulenta de terceiros que pode ser comprovada ou presumida nos termos previstos no art. 22, § 2º, do Decretolei nº 1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a aplicação da penalidade de perdimento. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do DecretoLei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias nos termos do art. 22 do DecretoLei nº 1.455/76. É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. Fl. 4409DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 18 33 A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. Resolvida a questão da legalidade da imputação, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. A operação de importação realizada pela Kinsberg e o envolvimento da empresa NSCA. A Fiscalização identificou, amparada em diversos informações e documentos fiscais, a relação das empresas Kinsberg e NSCA. O trabalho da auditoria da Receita Federal foi detalhado e consegue comprovar de forma inequívoca, o modo de operação para ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias importadas. A seguir apresento informações extraídas do Termo de Verificação Fiscal que motivaram o lançamento, que ao meu sentir comprovam os fatos apurados pela Autoridade Autuante. Este trabalho apoiouse nas informações contidas no processo que levou à inaptidão da KINSBERG, em documentos apreendidos durante a denominada "OPERAÇÃO NARCISO", realizada em 13/07/2005 pela Receita Federal do Brasil e pela Polícia Federal, em trabalho conjunto com o Ministério Público Federal do Município de Guarulhos, e em informações disponíveis nas bases de dados da Receita Federal do Brasil. A empresa KINSBERG foi declarada INAPTA, em 24/11/2005 (com efeitos a partir de 10/01/2002), por ter sido concluído, ao final do citado processo, que a mesma atuava como pessoa interposta de maneira fraudulenta em operações de comércio exterior. Por meio dos documentos apreendidos, durante a operação citada acima, na KINSBERG e na BOUTIQUE DASLU, nome de fantasia da empresa NSCA INDÚSTRIA, COMÉRCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., CNP) 61.035.267/000109, pôdese concluir que a KINSBERG fez parte, juntamente com outras empresas supostamente Fl. 4410DF CARF MF 34 importadoras, de um esquema que atuava com o objetivo de realizar importações para a BOUTIQUE DASLU com ocultação da informação de que esta se tratava da real adquirente nas operações, por meio da utilização de interposição fraudulenta. No período compreendido entre 22/01/2004 e 11/02/2004, a KINSBERG promoveu o registro das Declarações de Importação (DD de n 04/00653235, 04/00835686, 04/01127731 e 04/01325177 cujas mercadorias foram retidas com vistas à aplicação, pela ALFIGRU, de procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF nº 206/2002, o qual gerou o Auto de Infração 0817600/00007/04. Algumas constatações e conclusões constantes do citado Auto de Infração merecem menção com vistas a uma melhor compreensão de como a K1NSBERG operava. Em todas as Dl citadas acima constava como exportadora a empresa belga INTERSHIPAR N.V. No entanto, as informações obtidas pela ALF/GRU provam tratarse de uma empresa concessionária de serviços de transporte no mercado interno, e não de uma empresa dedicada ao comércio exterior. Em levantamento efetuado pela ALF/GRU verificouse que em 86% (oitenta e seis por cento) das importações efetuadas pela KINSBERG no período de janeiro/1999 a dezembro/2003 constava a empresa INTERSHIPAR como exportadora. Quando da abertura das caixas relativas às Dl sobre procedimento especial, verificouse a existência de mercadorias cujos fabricantes possuem representantes exclusivos no Brasil, como, por exemplo, a Zeco Trading (empresa do Grupo Ermenegildo Zegna) e a Empório Armani, e que, portanto, não poderiam ter sido importadas pela KINSBERG, a não ser no caso de uma importação por conta c ordem, informação esta que não constava das DI. Diante destas constatações, a fiscalização procurou comparar os preços destas mercadorias quando importadas diretamente dos fabricantes, por seus representantes no país, com aqueles declarados pela KINSBERG em suas importações por meio da INTERSHIPAR Esta comparação possibilitou concluir que as faturas apresentadas tendo a INTERSHIPAR como exportadora tinham como objetivo promover o refaturamento das mercadorias, reduzindo o valor aduaneiro e, conseqüentemente, o montante dos tributos a serem recolhidos. Constam do Auto de Infração os seguintes exemplos de subfaturamento: a) terno Ermenegildo Zegna código 2140A3 foram adquiridos pela KINSBERG por US$ 35,0Q enquanto para o representante da marca os preços variaram entre US$ 354,00 e US$ 371,70; Fl. 4411DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 19 35 b) jaquetas Ermenegildo Zegna código 1141S0 foram adquiridas pela KINSBERG por US$ 25,00, enquanto para o representante da marca o preço foi de US$ 479,00 c) calças Ermenegildo Zegna código 75T2P2 foram adquiridas pela KINSBERG por US$ 10,00, enquanto para o representante da marca o preço foi de US$ 128,00; d) camisas Ermenegildo Zegna código 9PS2NO foram adquiridas pela KINSBERG por US$ 9,00, enquanto para o representante da marca o prece foi de US$ 71,00. ... Os documentos apreendidos durante as investigações mostram de forma inequívoca a existência de um CONLUIO entre a KINSBERG e a BOUTIQUE DASLU com o objetivo de ocultar a condição de real adquirente da segunda nas operações de importação realizadas por intermédio da primeira, o que permitia que a DASLU, de forma fraudulenta, não estivesse equiparada a empresa industrial para fins de tributação de IPI quando da venda, pela BOUTIQUE, das mercadorias importadas. Nu entanto, o principal objetivo do esquema, e que acarretou maiores prejuízos para os cofres públicos, era fraudar o recolhimento de tributos por meio do subfaturamento das mercadorias adquiridas no exterior. ... A DASLU negociava diretamente com os fabricantes estrangeiros as mercadorias que seriam adquiridas, os preços, formas e condições de , pagamento (realizados diretamente pela BONI FIQUE). Ela também Orientava os fabricantes acerca dos procedimentos que deveriam ser adotados em relação à documentação emitida, conforme verificado em fases apreendidos na BOUTIQUE, conforme exemplificado nos fatos do item 6. Dentre estas orientações constavam instruções de que toda a documentação (incluindo a Proforma Invoice) fosse emitida em nome da KINSBERG e de que a Proforma Invoice original deveria ser remetida diretamente para o endereço da DASLU. Foram realizadas diversas apurações durante o trabalho fiscal identificando operações e os procedimentos de elaboração de faturas falsas pela Kinsberg e negociações entre a NCSA e empresas sediadas no exterior para burlar os controles aduaneiros e fiscais. Para ilustrar o trabalho realizado na Auditoria Fiscal, transcrevo abaixo o trabalho realizado para a operação de importação lastreada na DI 03/08783721. Fl. 4412DF CARF MF 36 A Declaração de Importação n' 03/08783721 foi registrada pela KINSBERG no Siscomex em 13/10/2003, folhas 26 a 32 do Anexo IV, sem qualquer informação de que se tratava de urna importação por conta e ordem, ou seja, a DI foi registrada tendo a KINSBERG corno importadora e como adquirente das mercadorias. A adição 002 desta DI possui como exportador a empresa INTERSHIPAIR e como fabricante/produtor a empresa italiana EME POSATERIE. Durante a OPERACAO NARCISO foi apreendida a Proforma Invoice original de 3985 (folhas 33 a 35 do Anexo IV), emitida pela EME POSATERIE em 29/08/2003 e que consta registrada do campo de dados complementares da referida DI. As mercadorias contidas nesta Invoice coincidem exatamente, inclusive com mesmas quantidades com as listadas na adição 002 da Declaração de Importação. A única diferença em relação aos dados contidos na DI e em relação aos valores das mercadorias, os quais se apresentam em valores substancialmente inferiores aos apresentados à Receita Federal. Também foram apreendidos dois documentos que comprovam que a DASLU era a responsável direta pela encomenda das mercadorias, quais sejam: a. Fax (folha 42 do Anexe IV) proveniente da BOUTIOUE DASLU para a empresa EME, de 24/07/2003, na qual a Sra. Cathy Barros solicita novas mercadorias, tendo em vista que, segundo esta, "o último pedido de fevereiro foi um grande sucesso", e pede que a Invoice seja emitida em nome da KINSBERG e que a EME lhe envie os dados bancários a fim de que a DASLU providencie o pagamento da fatura comercial; h. Cópia do fax de confirmação do pedido (Order Confirmation) enviado pela EME (folha 40 do Anexo IV), em 25/07/2003, tendo como destinatária a Sra. Cathy, mas constando o nome da KINSBERG na cópia do Invoice. Cabe informar que a Sra. Cathy Barros é funcionária da BOUTIOUE DASLU. Estes documentos demonstram que a DASLU era a empresa que efetivamente negociava, que possuía os recursos financeiros e que realizava os pagamentos, e que a KINSBERG apenas atuava como interposta pessoa. Entre os documentos apreendidos também constam as Notas Fiscais de Saída de nº 46814 e 46815 (folhas 43 e 44 do Anexo XVI) emitidas pela KINSBERG em 17110/2003 em favor da DASLU, nas quais constam exatamente as mesmas mercadorias (com mesmas quantidades) listadas na adição 002 e na Proforma Invoice, demonstrando inequivocamente que as mercadorias importadas tinham a DASLU como destino. Fl. 4413DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 20 37 O trabalho da Auditoria prossegue em termos semelhantes para diversas operações, demonstrando de forma cabal o modelo de atuação da Kinsberg e da NSCA para fraudar as operações de importação e ilidir os controles fiscais e aduaneiros. Os exemplos, aqui apresentados, não citam todas as apurações realizadas pela Fiscalização, mas, comprovam a existência de um esquema onde a NSCA era a real adquirente dos produtos importados, negociando preço, qualidade e características das mercadorias, definindo exportador e demais situações comerciais atinentes a operação. Por força das provas, resta claramente identificado que a NSCA era a real adquirente das mercadorias e nunca existiu uma operação de importação direta por parte da Kinsberg. As fartas provas trazidas aos autos deixam evidente que a Kinsberg operava por conta e ordem da NSCA, que era a real adquirente das mercadorias importadas. A fraude no valor aduaneiro declarado e a exigência dos tributos devidos sobre a diferença apurada Quanto às apurações de subfaturamento, entendo que a matéria já foi bem esclarecida nos autos. No extenso relatório fiscal é detalhado de forma minudente, os critérios adotados pela Fiscalização na apuração do real valor das mercadorias importadas. As Recorrentes, ao questionarem a valoração realizada pela Fiscalização, questionam os critérios utilizados, entretanto, não traz aos autos documentos que possam comprovar o efetivo valor alegado das mercadorias. A Fiscalização Aduaneira, durante os procedimentos de auditoria, identificou a prática contumaz de ocultação do real adquirente com a redução do valor real da mercadoria, ilidindo a cobrança dos tributos devidos. Neste caminho, identificou os reais valores praticados nas operações de importação, o que ensejou a lavratura de auto de infração para exigência dos tributos que não foram recolhidos diante deste artifícios. A teor do relatado, a auditoria promovida nas operações da Recorrente procedeu o arbitramento do valor aduaneiro das mercadoria, conforme às regras estabelecidas pelo Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), cuja Ata Final foi aprovada pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de Dezembro de 1994 e promulgada pelo Decreto nº 1.355, de 30 de Dezembro de 1994. O Acordo de Valoração Aduaneira AVA promulgado pelo Decreto nº 1.355/94, expressa na Introdução Geral que “A base primeira para a valoração aduaneira, em conformidade com este Acordo, é o “valor de transação”, tal como definido no Artigo 1. Sendo obrigatório na impossibilidade deste método, a aplicação subsequente dos outros métodos previstos no Acordo e dentre estes, consta o método definido no Artigo 7º do AVA, que prevê a utilização de critérios razoáveis. Entretanto, em que pese as possibilidades de valoração aduaneira presentes no AVAGATT, na existência de fraude, sonegação ou conluio, o art. 88 da MP nº 2.15835 determina que a base de cálculos dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria de acordo com os critérios previstos no artigo. Fl. 4414DF CARF MF 38 Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis." Quanto a discussão sobre o arbitramento de valores por parte da Fiscalização, nos termos já expostos alhures, as faturas comerciais apresentadas pela Kinsberg para subsidiar as operações de importação, pelos fatos já detalhados, não é idônea para refletir a operação. Alega ainda a Recorrente em sua defesa, que as provas obtidas pela fiscalização foram obtidas em outros processo e por serem prova emprestada não poderiam ser utilizadas. Mais uma vez buscase desqualificar os valores apurados pela Fiscalização, alegando situações processuais. Entendo que não assiste razão às Recorrentes. A utilização da prova emprestada é matéria por diversas vezes enfrentada por este Conselho e por várias decisões é admitida. Ademais, mesmo que assim não fosse decidido, melhor sorte não traria a Recorrente, o relatório fiscal de diligência demonstrou por diversos meios de prova e procedimentos amparados na legislação aduaneira a apuração do valor das mercadorias importadas, não existindo um trabalho superficial como quer fazer crer as Recorrentes. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. O auto de infração foi motivado pelas provas obtidas pelo Fisco que comprovam a diferença entre os valores declarados e aqueles realmente praticados nas operações de importação. As Recorrentes para contrapor as argumentações e provas trazidas pela Fiscalização necessita identificar de forma cristalina os reais valores praticados, trazendo os documentos necessários para embasar a sua afirmação, que podem ser contratos comerciais, trocas de mensagens, cartas emitidas entre fornecedor e adquirentes e tantos outros documentos que poderiam ser apresentados para justificar o valor declarado ao Fisco. Entretanto, as Recorrentes não apresentam nenhum documento que possa comprovar as suas Fl. 4415DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 21 39 afirmações. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar a exigência fiscal. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Inaplicabilidade da multa prevista no art. 83 da Lei 4.502/64. No recurso consta o pedido de cancelamento da multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64, sob o arrimo, que identificado pela Fiscalização Aduaneira a interposição fraudulenta, caberia a aplicação da pena de perdimento e na sua impossibilidade a conversão em multa nos termos do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Ao analisar os autos e o trabalho fiscal, entendo estar caracterizado a ocorrência da interposição fraudulenta nas operação da Recorrente. Apesar do caráter irregular das operações e a comprovada fraude nas operações de importação, identificada a ocorrência da interposição é obrigatória a aplicação da penalidade prevista no art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. A penalidade aplicada pela Fiscalização Aduaneira esta prevista no art. 704 do regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.579/2009. In verbis. "Art. 704. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei no 4.502, de 1964, art. 83, inciso I; e DecretoLei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª). Parágrafo único. A pena a que se refere o caput não se aplica quando houver tipificação mais específica neste Decreto. " Conforme se depreende da leitura do Parágrafo único do artigo, a pena prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64 não se aplica quando houver tipificação mais específica. A penalidade prevista no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 esta prevista no art. 689 do mesmo Regulamento Aduaneiro. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 4416DF CARF MF 40 "Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): I em operação de carga ou já carregada em qualquer veículo, ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo; II incluída em listas de sobressalentes e de provisões de bordo quando em desacordo, quantitativo ou qualitativo, com as necessidades do serviço, do custeio do veículo e da manutenção de sua tripulação e de seus passageiros; III oculta, a bordo do veículo ou na zona primária, qualquer que seja o processo utilizado; IV existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações; V nacional ou nacionalizada, em grande quantidade ou de vultoso valor, encontrada na zona de vigilância aduaneira, em circunstâncias que tornem evidente destinarse a exportação clandestina; VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso VI, possuída a qualquer título ou para qualquer fim; VIII estrangeira, que apresente característica essencial falsificada ou adulterada, que impeça ou dificulte sua identificação, ainda que a falsificação ou a adulteração não influa no seu tratamento tributário ou cambial; IX estrangeira, encontrada ao abandono, desacompanhada de prova do pagamento dos tributos aduaneiros; X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País, se não for feita prova de sua importação regular; XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; XII estrangeira, chegada ao País com falsa declaração de conteúdo; XIII transferida a terceiro, sem o pagamento dos tributos aduaneiros e de outros gravames, quando desembaraçada com a isenção referida nos arts. 142, 143, 162, 163 e 187; XIV encontrada em poder de pessoa física ou jurídica não habilitada, tratandose de papel com linha ou marca d'água, inclusive aparas; Fl. 4417DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 22 41 XV constante de remessa postal internacional com falsa declaração de conteúdo; XVI fracionada em duas ou mais remessas postais ou encomendas aéreas internacionais visando a iludir, no todo ou em parte, o pagamento dos tributos aduaneiros ou quaisquer normas estabelecidas para o controle das importações ou, ainda, a beneficiarse de regime de tributação simplificada (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105, inciso XVI, com a redação dada pelo DecretoLei no 1.804, de 1980, art. 3o); XVII estrangeira, em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre que a conduzir for desviado de sua rota legal, sem motivo justificado; XVIII estrangeira, acondicionada sob fundo falso, ou de qualquer modo oculta; XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; XX importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa, na forma da legislação específica; XXI importada e que for considerada abandonada pelo decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado, nas hipóteses referidas no art. 642; e XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). § 2o A aplicação da multa a que se refere o § 1o não impede a apreensão da mercadoria no caso referido no inciso XX, ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território aduaneiro (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 4o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). § 3o Na hipótese prevista no § 1o, após a instauração do processo administrativo para aplicação da multa, será extinto o processo administrativo para apuração da infração capitulada como dano ao Erário (Lei no 10.833, de 2003, art. 73, caput e § 1o). § 3oA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade ideológica na fatura comercial. § 4o Considerase falsa declaração de conteúdo, nos termos do inciso XII, aquela constante de documento emitido pelo Fl. 4418DF CARF MF 42 exportador estrangeiro, ou pelo transportador, anteriormente ao despacho aduaneiro. § 5o Consideramse transferidos a terceiro, para os efeitos do inciso XIII, os bens, inclusive automóveis, objeto de: I transferência de propriedade ou cessão de uso, a qualquer título; II depósito para fins comerciais; ou III exposição para venda ou para qualquer outra modalidade de oferta pública. § 6o Para os efeitos do inciso XXII, presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 2o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). No recurso pede o cancelamento da multa prevista no no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64, por entender que identificado pela Fiscalização Aduaneira a interposição fraudulenta, caberia a aplicação da pena de perdimento e na sua impossibilidade a conversão em multa nos termos do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Ao analisar os autos e o trabalho fiscal, entendo estar caracterizado a ocorrência da interposição fraudulenta nas operação da Recorrente. Apesar do caráter irregular das operações e a comprovada fraude nas operações de importação, identificada a ocorrência da interposição é obrigatória a aplicação da penalidade prevista no art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Ao ser comprovada a existência da interposição fraudulenta, o que se caracteriza como dano ao erário previsto no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 e trazida no art. 689 do Regulamento Aduaneiro, não é aplicável nestes casos a penalidade prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Inaplicabilidade da multa por falta de licença de importação Pede a Recorrente para que seja afastado a pena de 30% por falta de licença de importação. A Autoridade Fiscal considerou que o fato dos valores das mercadorias estarem subfaturadas desqualificaria a Licença de Importação. Na análise da matéria é mister ressaltar que a jusrisprudência deste Conselho é no sentido da multa por falta de licenciamento somente ser aplicada nas situações em que existia à época da importação exigência de Licenciamento Não Automático, entretanto, mesmo considerando a jurisprudência, entendo ser desnecessário a identificação da existência de Licença Não Automática, visto que, entendo que a divergência no valor aduaneiro que foi identificado pela Auditoria Fiscal, mesmo que em situações de fraude, conforme se verifica nos autos, não é suficiente para desqualificar a Licença de Importação. Fl. 4419DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 23 43 A Licença de Importação é instrumento de controle administrativo e como tal, serve para o controle dos produtos que adentram ao País e devem sofrer uma autorização especifica dos órgãos públicos, tais como cotas de importação, medidas de salvaguarda e compensatória, ou em outras situações controles especificos das mercadorias, como no caso de produtos explosivos, agrícolas ou quaisquer outros bens que necessitam de controle dos órgãos anuentes. O controle do valor da mercadoria não é uma prática adotada nos controles aduaneiros e portanto não pode por si só a existência de valores divergentes entre aqueles declarados na Declaração de Importação e os apurados pela Auditoria Fiscal ensejam a aplicação de penalidades referentes a subfaturamento e subvaloração que são as medidas punitivas aplicadas nestes casos. Portanto, entendo no presente caso não ser exigível a aplicação da penalidade por falta de Licença de Importação. Aplicação da penalidade de 100% em razão do subfaturamento Por todas essas razões, descritas alhures, resta comprovado o artifício doloso adotado pela importadora, com vista ao pagamento parcial dos tributos devidos nas operações de importação, ensejando a multa administrativa de 100% (cem por cento), calculada sobre a diferença entre o preço declarado na DI e aquele efetivamente praticado ou arbitrado, sem prejuízo da exigência de impostos devidos na operação de importação, conforme estabelecido no parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória 2.15835/2001. Da cobrança dos tributos devidos e da multa qualificada Considerando a diferença entre os valores declarados e os apurados no trabalho fiscal, correta a exigência dos tributos referentes aos valores declarados e os valores apurados no trabalho Fiscal. Da mesa forma, comprovada a prática fraudulenta entre das empresas Kinsberg e Nsca, justifica a majoração da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) para 150% (cento e cinquenta por cento), por se tratar de infração qualificada estabelecida no art. 44, § 1º, da Lei 9.430/1996, em relação ao II, Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, e no art. 80, § 6º, II, da Lei 4.502/1964, em relação ao IPI. Alegação de desproporcionalidade na aplicação das multas Alega a Recorrente a existência de desproporcionalidade nas multas aplicadas. Entendo, não assistir razão ao recurso. As penalidades aplicadas estão em consonância com a legislação que rege a matéria, estando todas as penalidades previstas na legislação não há que se falar em desproporcionalidade da legislação. Quaisquer questionamentos sobre a matéria envolveria a análise da constitucionalidade da legislação o Fl. 4420DF CARF MF 44 que conforme já enfrentado neste voto é matéria que não é de competência deste Conselho, nos termos da Súmula 2 do CARF A solidariedade das empresas NSCA em relação às operações de importação da Kinsberg Verificando todo o arcabouço de provas, constante dos autos, fica evidente o conhecimento das empresas NSCA e Kinsberg nas operações realizadas e da simulação ocorrida para ocultação dos reais adquirentes das mercadorias. Conforme já demonstrado, a ocultação dos operadores reais nas Declarações de Importação estão plenamente confirmadas nas informações e documentos apurados pela Auditoria Fiscal, onde são detalhadas as operações e responsabilidade de cada um das partes nas operações. Existindo o conhecimento das empresas autuadas nas importações, não há como afastar a responsabilidade nas operações realizadas. Firme neste entendimento devese aplicar as determinações expressas do artigo 95, inciso I e V, do Decretolei nº 37/66, que responsabiliza o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem. " Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)(grifo nosso) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) As conclusões da Fiscalização Aduaneira sobre a vinculação das importações das empresas Kinsberg e NSCA e baseadas em procedimento de investigação detalhado e com fundamentos robustos, não há como afastar após os relatos e informações obtidos, que existia a compra dos produtos importados com intervenção direta da empresa NSCA, sendo a empresa Kinsberg, uma prestadora de serviços que viabilizava as operações de importação das mercadorias. Fl. 4421DF CARF MF Processo nº 10314.011771/200727 Acórdão n.º 3301004.855 S3C3T1 Fl. 24 45 Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar as multas por falta de Licença de Importação e a multa isolada do IPI, prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64, mantendo o restante do lançamento referente aos tributos devidos, a multa de 100% atinente ao subfaturamento e a multa qualificada de 150% sobre os tributos devidos. Winderley Morais Pereira Fl. 4422DF CARF MF
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Numero do processo: 13874.720169/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Constatada a omissão de rendimentos tributáveis, o lançamento é medida que se impõe.
Numero da decisão: 2402-006.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO - Presidente.
JAMED ABDUL NASSER FEITOZA - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario Pereira de Pinho Filho (presidente).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO - Presidente. JAMED ABDUL NASSER FEITOZA - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario Pereira de Pinho Filho (presidente).
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score : 1.0
Numero do processo: 19515.000567/2007-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2003, 2004
AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO.
Não há nulidade quando o acórdão recorrido analisa de forma clara e suficiente os argumentos do contribuinte, possibilitando a plena defesa do direito do contribuinte.
BASE DE CALCULO DO PIS. INCLUSÃO DO ICMS
A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS, compõe a base de cálculo do PIS, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos que permanece vigente e eficaz.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Desginado para o voto vencedor o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: Tatiana Josefovicz Belisário
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2003, 2004 AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO. Não há nulidade quando o acórdão recorrido analisa de forma clara e suficiente os argumentos do contribuinte, possibilitando a plena defesa do direito do contribuinte. BASE DE CALCULO DO PIS. INCLUSÃO DO ICMS A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS, compõe a base de cálculo do PIS, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos que permanece vigente e eficaz. Recurso Voluntário Negado
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COM. E TRANSPORTADORA DE PROD. ALIMENTÍCIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2003, 2004 AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO. Não há nulidade quando o acórdão recorrido analisa de forma clara e suficiente os argumentos do contribuinte, possibilitando a plena defesa do direito do contribuinte. BASE DE CALCULO DO PIS. INCLUSÃO DO ICMS A parcela do faturamento relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS, compõe a base de cálculo do PIS, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos que permanece vigente e eficaz. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Desginado para o voto vencedor o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 67 /2 00 7- 99 Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.130 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1635.956, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I (SP), que assim relatou o feito: Cuida o presente processo da lavratura – contra o sujeito passivo em epígrafe – do Auto de Infração às fls. 228 e 229, cuja ciência ocorreu em 22/3/2007 (fl. 228), sendo constituído o crédito tributário no valor total de R$128.210,46, que inclui contribuição, juros de mora (calculados até 28/02/2007) e multa, relativamente à contribuição para o programa de integração social (PIS), cujo período de apuração se refere a 31/01 a 31/5, 31/7, 31/8, 31/12/2003, 29/02, 31/3 e 30/9/2004; além disso, a descrição dos fatos e enquadramento legal constam às fls. 226, 227 e 229. 2. Constam às fls. 220 a 223, o Termo de Verificação Fiscal – PIS; às fls. 224 e 227, os demonstrativos de apuração e de multa e juros de mora, todos anexos ao Auto de Infração. 2.1. No Termo de Verificação Fiscal – PIS, relata a Autoridade Fiscal que foi verificada divergência [...] entre os valores apurados com base nos Livros Contábeis, DIRPJ/2004 e DIRPJ/2005 e informados nas DCTF’s dos anoscalendários de 2003 e 2004, relativamente às contribuições ao PIS, e os valores apurados na planilha são de R$37.215,55 em anocalendário de 2003 e de R$18.428,24 em anocalendário de 2004. Segundo consta nesse termo, o demonstrativo à fl. 223 consolida as diferenças apuradas por conta de falta de recolhimento. 2.2. Consta, nesse Termo, o que segue: 2. Consoante estabelecido no art. 2°, da Lei n°9.718, de 27/11/1998, a base de cálculo do PIS é o faturamento. 0 art. 3° e o seu § 1° dessa Lei n° 9.718/1998, dispõe que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas; 2.1 Estabelece o art. 8° da Lei n°9.718, de 27/11/1998, a aliquota de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) sobre o faturamento; Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.131 3 2.2 Determina, ainda, o art. 17, inciso I, dessa Lei n° 9.718/98 que entra em vigor na data de sua publicação produzindo efeitos em relação aos arts. 2° a 8°, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999; [...] 2.3. Expõe, ainda, a Autoridade Fiscal, nesse Termo, que [...] a empresa, acima identificada, deixou de recolher a contribuição de PIS montante de R$37.215,55 em 2003 e de R$18.428,24, em 2004, consoante demonstrado, mês a mês, no subitem 1 [do Termo] [...], sujeitandose, portanto, ao lançamento de oficio nos termos dos artigos 841, inciso III, 926 c/c 845, inciso III e 944, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n. 3000, de 26/03/1999, c/c os arts. 9º e 10 da Lei n.º 9.715, de 25/11/98, por infração à legislação do Programa de Integração Social – PIS, mencionada acima no item 2 [negrejouse no texto original]. Irresignada com os lançamentos, em 17/4/2007 (fl. 237) apresentou a Contribuinte peça impugnativa às fls. 237 a 319 que, em síntese, valendose de doutrina e jurisprudência pátrias, assim se manifesta no que toca ao combate à ação fiscal, a ela se referindo a MPF nº 0819000/01181/06 (fl. 284): i) que [...] o auto de infração em epígrafe, sobre de inúmeras nulidades que acarretam, indubitavelmente seu cancelamento [fl. 274]; ii) que, [...] como se depreende da análise do auto de infração lavrado, não há qualquer menção de fundamentação na legislação para aplicação da alíquota do PIS, a não ser tão somente a fundamentação legal da multa e dos juros selic [fl. 275]; iii) que não [...] havendo qualquer menção de tipificação, há, por conseguinte, a impossibilidade de saber de que fato o contribuinte está sendo acuado bem como qual tributo está sendo cobrado, sendo que desta forma, há restrição à ampla defesa e ao contraditório [fl. 275]; iv) que [...] houve erro na aplicação da alíquota do pis em virtude de utilização errônea da legislação vigente à época do evento [fl. 278]; v) que [...] a atividade fiscalizadora, deve restringirse, nos moldes do art. 142 do CTN , Calcular o montante devido através da aplicação da aliquota sobre uma base de cálculo. Da mesma forma, o art. 144, § 1° do CTN, determina que o fisco deverá aplicar a legislação vigente à época da ocorrência da hipótese de incidência tributária, ainda que hoje, a legislação não esteja mais vigente. [fl. 278]; vi) que [...] houve erro de direito da autoridade administrativa quanto ausência de fundamentação legal,pois aplicou legislação que não regulou relação jurídica tributária, ou seja, a lei 10.637/02, se subsumiu a eventos praticados antes de sua vigente, tudo em nome do principio da irretroatividade da lei Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.132 4 tributária. Incidiu desta forma, o fisco em ERRO DE DIREITO [fl. 279]; vii) que [...] o erro de direito, ocorreu no MPF nº 0819000/01181/06, onde é exigido o crédito tributário à título de PIS no valor de R$ 128.210,46 em decorrência de, segundo o fisco, o contribuinte ter declarado determinados valores na DIPJ e outros valores na DCTF no período de 01/2003 a 30/09/2004. Assim, a tipificação trazida nos autos, foram as leis 9.718/98 cc 9.715/98, leis estas não vigentes à época da ocorrência destes eventos. Assim, a lei vigente e válida à época da ocorrência da obrigação tributária, era a lei ordinária 10.637 de 2002, que institui a sistemática da cobrança não cumulativa do PIS [fl. 284]; viii) que se verifica [...] que a Lei 9.718/98 alargou o campo de incidência da Cofins, com base, em , rápida e singela análise, na competência outorgada na Emenda Constitucional 20/98, pois, enquanto, anteriormente, era prevista a incidência sobre o faturamento assim entendida a receita bruta de venda de mercadorias e/ou de serviços de qualquer natureza, a lei em comento, passou a fazer incidir a contribuição sobre todas as pessoas jurídicas de direito privado, estendendo o conceito de faturamento [fl. 286]; ix) que o [...] conceito de faturamento deve ser entendido como o ato de faturar ou de emitir fatura de venda mercantil e ou prestação de serviços. É o que se depreende das disposições contidas nas legislações especificas, de regência, ou seja, na lei de Duplicata n° 5.474/68 e no Código Comercial Brasileiro [...] [fl. 286]; x) que [...] faturamento é o ato de faturar ou de emitir fatura de venda mercantil e ou prestação de serviços e como prescrito no artigo 185, I da CF/88, concluise que todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica que não se enquadram no conceito de venda mercantil ou prestação de serviços [fl. 287]; xi) que a [...] Lei Complementar 70/91 considerava como faturamento a receita bruta da venda de mercadorias ou serviços, em consonância com o artigo 219 e artigos 1° e 2° do Código Comercial Brasileiro e da Lei 5474/68 e a Lei 9718/98 estendeu o conceito de faturamento em relação à todas as pessoas jurídicas, fato este que dispõe de modo contrário ao teor insculpido no artigo 110 do CTN [...] [fl. 287]; xii) que a [...] Lei no 9.718/98, contudo, fez tabula rasa dessa exigência constitucional (art.195, I) de fazer incidir as contribuições sociais apenas sobre o "faturamento" já que, no art.3° e seus §, deu nova definição à expressão "faturamento" para dizer que correspondia à "receita bruta" e que esta, por seu turno, abrangeria "...a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica." [fl. 288]; xiii) que [...] a total desvinculação da base de cálculo ao "faturamento" então autorizado pelo inc. I do art. 195 da CF/88 Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.133 5 como campo de incidência dessa contribuição social. A totalidade das receitas da pessoa jurídica, independente de sua classificação contábil, representa todo e qualquer ingresso, no que se compreende — mas não se esgota — o "faturamento" descrito no decretolei n° 2.397/87, no art.6 da Lei Complementar nº 07/70 e no art.2° da Lei Complementar n°70/91 [fl. 288]; xiv) que a [...] Lei Ordinária n 9.718/98 igualmente desrespeitou o art. 110 do Código Tributário Nacional, já que desprezou o conceito de "faturamento" existente no ordenamento jurídico. Com efeito, a citada Lei Complementar n 70/91, em seu art.2 ,e a Lei Complementar n 07/70,em seu art.22, definiram a expressão vinculandoa à soma das vendas de mercadorias ou serviços num determinado período [fl. 288]; xv) que, se [...] havia definição de "faturamento" e "receita bruta" no ordenamento jurídico brasileiro, a Lei Ordinária n° 9.817/98, ao modificála, descumpriu o art. 110 do Código Tributário Nacional, que preserva a definição e o conteúdo dos institutos de direito privado [fl. 288]; xvi) que [...] a EC n° 20/98 é inútil para convalidar os dispositivos referidas da Lei Ordinária n° 9.718/98, anterior aquela. É que, quando da edição desta última, era ela totalmente incompatível com os ditames do inc. I do art. 195 da Constituição, pelo que eivada do vicio de nulidade [fl. 290]; xvii) que a [...] superveniência dessa Emenda Constitucional n° 20/98 não é suficiente para convalidar ou sanar o vicio da Lei Ordinária n° 9.718/98, já que a constitucionalidade de uma lei é medida no exato momento de sua edição, e, não, depois. Nesse sentido, a firme jurisprudência da Excelsa Corte [fl. 290]; xviii) que a [...] Lei 9.718, tratase de conversão da MP 1724/98 e a Fazenda Nacional defende a sua recepção pela Emenda Constitucional n° 20. Tal entendimento não levou em conta, por certo, o comando inserto no art. 246, do texto definitivo da Constituição Federal [...] [fl. 291]; xix) que, ainda que [...] o fenômeno da repristinação praticada pelo advento da 'EC n°20/98; ainda que se aceita que a Lei 9.718, nascida com reconhecido vicio de inconstitucionalidade, possa ser convalidada por posterior alteração do texto constitucional com o qual era incompatível, certamente ha de se reconhecer que o instrumento legislativo utilizado para disciplinar a Emenda Constitucional n° 20a Medida Provisória n° 1.724 — não era idôneo para tanto [fl. 291]; xx) que, neste [...] período de cobrança do tributo, houveram vendas que ocorreram, mas não se converteram em recebimento, ou sejam, clientes que não adimpliram suas aquisições [fl. 294]; xxi) que, para [...] efeito de recolhimento mensal dessas contribuições, como regra geral, as empresas são compelidas a apurar o total das receitas pelo regime de competência, sendo obrigadas a escriturar como receitas o total das vendas Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.134 6 "faturadas", independentemente do seu efetivo recebimento [fl. 294]; xxii) que, [...] pelo referido regime contábil, essas empresas, mensalmente, são obrigadas a recolher o PIS e a COFINS também sobre valores que não tenham ingressado em seus cofres. É dizer, além destas empresas terem que suportar a perda econômica de não terem recebido pelas mercadorias e/ou serviços vendidos (no caso de inadimplência), elas ainda têm que recolher os tributos PIS e COFINS, cuja soma das aliquotas atualmente 6 de 9,25% sobre tais saídas [fls. 294 e 295]; xxiii) que [...] o fisco federal entende que a incidência destas contribuições abrange inclusive os valores faturados mas não recebidos. Entretanto, conforme demonstrarseá, os valores relativos às vendas não recebidas não estão incluídos no conceito de "receita", base de cálculo destas contribuições. Logo, não existe competência constitucional para esta cobrança [fl. 295]; xxiv) que [...] os resultados deverão ser reconhecidos pelo contribuinte no mês da realização das operações (venda de bens e/ou serviços), independentemente do seu efetivo pagamento por parte dos seus clientes [fl. 296]; xxv) que, [...] considerandose que a base de cálculo do PIS e da COFINS consubstanciase na "receita", nada mais correto do que se reconhecer que os valores não recebidos não se configuram como "receitas", e portanto, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS [fl.296]; xxvi) que os [...] valores direito dos contribuintes, a nosso PIS/COFINIS sobre tais valores, e indevida no passado. não recebidos, na verdade, nunca foram receitas. Dai o ver liquido e certo, em não os sofrerem a tributação do mais, em recuperar os recolhimentos realizados de forma indevida no passado [fl. 296]; xxvii) que [...] há expressa previsão legal quanto à impossibilidade da legislação tributária alterar a definição, o conteúdo, conceitos e formas de direito privado, para que se possa definir ou limitar as competências tributárias, nos termos do artigo 110 do Código Tributário Nacional [fl. 297]; xxviii) que [...] aplicado corretamente o dispositivo constitucional e a legislação de PIS e COFINS, o conceito de receita e faturamento irá abranger somente valores que ingressaram nos cofres das pessoas jurídicas, acrescendolhes ao seu patrimônio [fl. 302]; xxxv) que [...] que o principio da capacidade contributiva está diretamente ligado ao fato gerador, ou seja,. fato que expresse um preciso e inequívoco valor econômico. Não se pode conceber a exigência do tributo quando inexiste o conteúdo econômico, em decorrência da regra estampada no artigo 145, §1°, da Constituição Federal [fl. 302]; Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.135 7 xxix) que, no [...] caso da inadimplência, passa a ser evidente que não há qualquer autorização constitucional ou legal para tributação de valores não recebidos, sem qualquer expressão econômica, principalmente, porque os tributos que incidem sobre o faturamento e/ou receita, como é o caso do PIS e da COFINS, exigem claramente a concretização dessa realidade econômica [fls. 302 e 303]; xxxviii)que [...] a cobrança do PIS e da COFINS, nos casos de inadimplência, tem natureza puramente confiscatória, já que além do decréscimo patrimonial decorrente dos custos e despesas incorridas com a atividade empresarial (fabricação das mercadorias, prestação de serviços, por exemplo) vendidas e não recebidas, os contribuintes são compelidos a dispor ainda mais de seu patrimônio para guitar as contribuições em comento [fls. 307 e 308]; xxxix) que a [...] permanência da exigência de PIS e da COFINS sobre valores faturados e não recebidos, sem possibilidade de exclusão da base de cálculo após a verificação da ocorrência da inadimplência, torna a conduta da administração pública imoral e ofensiva aos princípios constitucionais. E dizer, tributar o contribuinte por valores que este deixou de receber, tendo prejuízo, é o mesmo que aceitar um claro enriquecimento sem causa, por parte do Estado [fls. 308 e 309]; xl) finalmente, que, [...] comprovado que o eventual credito constituído neste auto de infração está decaído ( período anterior à 06/06/2001 ) e a parte do valor do auto cujo o crédito não teria decaído, sofre de ilegalidades e inconstitucionalidades devendo portanto, ser o auto de infração, julgado improcedente [fl. 319]. 4. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia por meio do despacho à fl. 1.083. 5. É o relatório. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não havendo ocorrência do previsto no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se falar em cancelamento ou anulação de Auto de Infração. DIFERENÇAS INJUSTIFICADAS ENTRE VALORES INFORMADOS E VALORES CONFESSADOS OU PAGOS. Havendo diferenças não justificadas entre valores informados em DIPJ e aqueles informados/confessados em DCTF ou pagos, cabe lançálas, fundandose o Lançamento em bases econômicas Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.136 8 concretas, representadas por receitas ou valores inseridos em informações do próprio contribuinte perante o Erário. MERAS ALEGAÇÕES. Meras alegações, desacompanhadas de documentos válidos para tal, não propiciam a modificação ou extinção da pretensão da Fazenda Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo, apenas, a declaração de nulidade do acórdão recorrido por ausência de fundamentação. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Como relatado, o Recurso Voluntário apresentado é singelo e apresenta um único pedido: Com efeito, a questão já foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal, com acórdão recentemente publicado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.137 9 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) Inicialmente vinha me manifestado pela aplicação do entendimento Firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Repetitivo, deixando de aplicar a decisão do Supremo Tribunal Federal exclusivamente em razão da determinação regimental. Isso porque, na hipótese, conforme disposição regimental, o julgamento deste órgão está vinculado à decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Resp 1.144.469 (Recurso Repetitivo), contrária ao recente julgado do STF. Assim, sempre com do entendimento pessoal desta Relatora, no sentido de que a decisão proferida pelo STF nos autos do RE 574.706 tem eficácia imediata e vinculante à dministração pública, deixava de aplicála por entender existir vedação regimental, aplicando, outrossim, o entendimento já ultrapassado proferido pelo STJ nos autos do REsp 1144469/PR, em sede de Recurso Repetitivo, em julgado definitivo. Contudo, altero meu posicionamento para deixar de aplicar o referido entendimento do STJ em sede de Recurso Repetitivo. E o faço pela constatação de que o próprio Tribunal já vem deixando de aplicar aquela decisão justamente em face do posicionamento firmado pelo STF. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. IRPJ. CSLL. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS. ART. 85, § 11, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. NÃO CABIMENTO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.138 10 I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II O crédito presumido de ICMS, concedidos pelos Estados Membros, configura incentivo voltado à redução de custos, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo pelo qual não compõe a base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS. III Revelase incabível a inclusão do crédito presumido de ICMS na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IV Tratandose de recurso especial sujeito ao Código de Processo Civil de 1973, impossibilitada a majoração de honorários nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015. V A Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VI Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp 1606998/SC, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/12/2017, DJe 19/12/2017 TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou seu posicionamento anterior, ao julgar o Recurso Especial Repetitivo 1.144.469/PR, em que este Relator ficou vencido quanto à matéria, ocasião em que a 1a. Seção entendeu pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS (Rel. p/acórdão o Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.12.2016, julgado nos moldes do art. 543C do CPC). 2. Contudo, na sessão do dia 15.3.2017, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, julgando o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.139 11 (AgInt no AgRg no AgRg no AREsp 430.921/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/10/2017, DJe 07/11/2017)) Ora, se o próprio Superior Tribunal de Justiça reconhece a impossibilidade de se continuar aplicando a decisão por ele proferida em sede de Recurso Repetitivo, realinhando seu entendimento ao que restou decidido pelo STF, seria, no meu entendimento, ilógico, irrazoável e anti econômico que esta Corte Administrativa permaneça assim atuando. Assim, voto por aplicar ao presente feito o entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, julgando o RE 574.706/PR na sistemática de Repercussão Geral. Desse modo, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para, em consonância com a decisão proferida pelo STF, determinar que, na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, sejam excluídas as parcelas relativas ao ICMS, uma vez que esta não compõe o conceito de faturamento. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Redator Designado. Coubeme a designação para redigir o voto vencedor que prevaleceu em relação ao bem fundamentado voto da relatora, com o qual acompanhei a divergência. A recorrente postula o sobrestamento do Recurso até julgamento final do RE 574.706/PR pelo Supremo Tribunal Federal, uma vez que a decisão, que aguarda o trânsito em julgado, é no sentido da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, Ocorre que, aos julgadores do CARF impõese a aplicação do que restar decidido pelo STJ e STF na sistemática do arts. 543B e 543C, do antigo CPC, a teor do que prescreve o disposto no caput do art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 RICARF1. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.140 12 No tema 313 do STJ "legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins" temse decisão definitiva na sistemática de recursos repetitivos, no REsp nº 1.144.469 /PR, com trânsito em julgado em 13/03/2017, no sentido de que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins, firmada a seguinte tese:" ii) O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Deveras, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Ademais, a decisão definitiva na sistemática de recursos repetitivos proferida no REsp nº 1.144.469 /PR continua vigente e eficaz conquanto não reformada pelo Órgão. Conclusão Firmado nos fundamentos expostos, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira. Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta declaração de voto. O próprio conceito de faturamento (de aplicação obrigatória neste Conselho conforme disposto no Art. 62 do RICARF) proferido no âmbito do STF (Recursos Extraordinários STF 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840) deixa claro que o PIS deve incidir sobre às receitas das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços, ou seja, o PIS não incide sobre o ICMS de uma forma geral, porque este não é "faturamento", não é receita e não tem nenhuma conexão com as atividades econômicas do contribuinte, é um mero ingresso transitório que não agrega ao patrimônio do contribuinte. Se trata de uma questão hermenêutica e não de uma questão de "ausência de previsão expressa para exclusão do ICMS na base de cálculo do Pis cumulativo". Ainda que taxativo o rol de exclusões permitidas, a hermenêutica permite a correta avaliação dos fatos em relação à norma. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.141 13 O ingresso do valor que será utilizado para pagamento do ICMS não caracteriza fato gerador e, portanto, não configura a hipótese de incidência prevista no Art. 2.º da Lei 9.718/98. 2 Sendo assim, não é possível cobrar tributo sem o surgimento da obrigação tributária principal, conforme garantia prevista no Art. 113 do Código Tributário Nacional. 3 Tal entendimento também tem expressão neste conselho, a exemplo o voto do Conselho Augusto Fiel no Acórdão 3401003.165, que de forma concisa, abordou a obrigatoriedade da aplicação de decisão definitiva do STF neste Conselho, sendo a decisão do Recurso Extraordinário n.º 240.785, a utilizada para a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS em sinergia com a decisão do STF que estabeleceu o conceito de faturamento. Pela Ementa facilmente se conclui tal entendimento, transcrita integralmente a seguir: "Ementa. TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento." Somado ao fato de que o Recurso Extraordinário n.º 240.785 é decisão definitiva (transitada em julgado em 23/02/15), proferida pelo plenário do STF e, portanto, tem aplicação obrigatória neste Conselho conforme disposto no Art. 62 do RICARF4, é importante registrar que em 15/03/17 o Supremo Tribunal Federal decidiu no julgamento do RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, portanto, não pode integrar a base de cálculo das contribuições, conforme notícia oficial transcrita a seguir: 2 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) 3 TÍTULO II Obrigação Tributária CAPÍTULO I Disposições Gerais Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 4 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.142 14 "Quartafeira, 15 de março de 2017 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins é inconstitucional. Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão nesta quartafeira (15), decidiu que o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não integra a base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Ao finalizar o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 574706, com repercussão geral reconhecida, os ministros entenderam que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da seguridade social. Prevaleceu o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, no sentido de que a arrecadação do ICMS não se enquadra entre as fontes de financiamento da seguridade social previstas nas Constituição, pois não representa faturamento ou receita, representando apenas ingresso de caixa ou trânsito contábil a ser totalmente repassado ao fisco estadual. A tese de repercussão geral fixada foi a de que “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins”. O posicionamento do STF deverá ser seguido em mais de 10 mil processos sobrestados em outras instâncias. Além da presidente do STF, votaram pelo provimento do recurso a ministra Rosa Weber e os ministros Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello. Ficaram vencidos os ministros Edson Fachin, que inaugurou a divergência, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. O recurso analisado pelo STF foi impetrado pela empresa Imcopa Importação, Exportação e Indústria de Óleos Ltda. com o objetivo de reformar acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que julgou válida a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Votos O julgamento foi retomado na sessão de hoje com o voto do ministro Gilmar Mendes, favorável à manutenção do ICMS na base de cálculo da Cofins. O ministro acompanhou a divergência e negou provimento ao RE. Segundo ele, a redução da base de cálculo implicará aumento da alíquota do PIS e da Cofins ou, até mesmo, a majoração de outras fontes de financiamento sem que isso represente mais eficiência. Para o ministro, o esvaziamento da base de cálculo dessas contribuições sociais, além de resultar em perdas para o financiamento da seguridade social, representará a ruptura do próprio sistema tributário. Último a votar, o ministro Celso de Mello, decano do STF, acompanhou o entendimento da relatora de que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins é inconstitucional. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 19515.000567/200799 Acórdão n.º 3201003.303 S3C2T1 Fl. 1.143 15 Segundo ele, o texto constitucional define claramente que o financiamento da seguridade social se dará, entre outras fontes, por meio de contribuições sociais sobre a receita ou o faturamento das empresas. O ministro ressaltou que só pode ser considerado como receita o ingresso de dinheiro que passe a integrar definitivamente o patrimônio da empresa, o que não ocorre com o ICMS, que é integralmente repassado aos estados ou ao Distrito Federal. Modulação Quanto à eventual modulação dos efeitos da decisão, a ministra Cármen Lúcia explicou que não consta no processo nenhum pleito nesse sentido, e a solicitação somente teria sido feita da tribuna do STF pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Não havendo requerimento nos autos, não se vota modulação, esclareceu a relatora. Contudo, ela destacou que o Tribunal pode vir a enfrentar o tema em embargos de declaração interpostos com essa finalidade e trazendo elementos para a análise." Ainda que não transitada em julgado, esta decisão do Supremo Tribunal federal colocará fim à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, reforçando diversos precedentes judiciais deste próprio tribunal, assim como de Tribunais Regionais Federais, a exemplo os Acórdãos do TRF da 3.ª Região, de n.º 4760892, n.º 4936897 e n.º 4947108. Também não há como completar o lançamento (em dizer que o ICMS está embutido no preço do produto por exemplo) sob a possibilidade de agressão ao critério jurídico adotado no lançamento, seja qual for, não tratou da possibilidade do Pis ou do Cofins incidir sobre o ICMS, o que configuraria o descumprimento do Art. 146 do CTN. Portanto, merece provimento o Recurso Voluntário em toda a matéria de fundo desta lide administrativa, de forma que deve ser cancelada toda a cobrança do ICMS na base de cálculo do PIS. CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para dar PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, com principal fundamento no Art. 113, 142 e 146 do CTN, assim como nas mencionadas decisões definitivas do STF, no Art. 62 do Regimento Interno deste Conselho e na jurisprudência nacional. Declaração de voto proferida. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 1143DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.945017/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB adote as seguintes providências: (i) apresente Relatório Fiscal referente à análise do crédito de R$ 20.764.171,47, pleiteado através do PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório, informando qual o valor a que o Recorrente efetivamente faz jus, excluindo, por obvio, qualquer parcela deste crédito que possa estar sendo objeto de discussão judicial; (ii) informe, neste mesmo Relatório Fiscal, se há crédito suficiente para as compensações efetuadas, detalhando-o; e (iii) intime o contribuinte para, caso queira, se manifestar sobre o "Relatório Fiscal" e demais documentos produzidos em diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Esgotado esse prazo, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lazaro Antonio Souza Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Cássio Schappo, e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB adote as seguintes providências: (i) apresente Relatório Fiscal referente à análise do crédito de R$ 20.764.171,47, pleiteado através do PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório, informando qual o valor a que o Recorrente efetivamente faz jus, excluindo, por obvio, qualquer parcela deste crédito que possa estar sendo objeto de discussão judicial; (ii) informe, neste mesmo Relatório Fiscal, se há crédito suficiente para as compensações efetuadas, detalhando-o; e (iii) intime o contribuinte para, caso queira, se manifestar sobre o "Relatório Fiscal" e demais documentos produzidos em diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Esgotado esse prazo, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lazaro Antonio Souza Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Cássio Schappo, e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB adote as seguintes providências: (i) apresente Relatório Fiscal referente à análise do crédito de R$ 20.764.171,47, pleiteado através do PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório, informando qual o valor a que o Recorrente efetivamente faz jus, excluindo, por obvio, qualquer parcela deste crédito que possa estar sendo objeto de discussão judicial; (ii) informe, neste mesmo Relatório Fiscal, se há crédito suficiente para as compensações efetuadas, detalhandoo; e (iii) intime o contribuinte para, caso queira, se manifestar sobre o "Relatório Fiscal" e demais documentos produzidos em diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Esgotado esse prazo, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lazaro Antonio Souza Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Cássio Schappo, e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 45 01 7/ 20 13 -1 4 Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10880.945017/201314 Resolução nº 3401001.506 S3C4T1 Fl. 484 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Ressarcimento no valor de R$20.764.171,47, referente à COFINS NÃO CUMULATIVA EXPORTAÇÃO, solicitado através do PER/DCOMP nº 09122.20793.211212.1.5.090087, referente ao 1º trimestre de 2012. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório emitido em 06/04/2015, de que, a partir de procedimento de fiscalização realizado em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 08180.002014000167, foi constatado que não havia qualquer valor de crédito disponível para ressarcimento. Em conclusão ao referido procedimento fiscalizatório foi emitida uma Informação Fiscal, nos seguintes termos: 1. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, encerramos a ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal no 08180.002014000167, tendo sido verificado a liquidez e certeza da composição dos créditos do PIS/PASEP e da COFINS incidência não cumulativa vinculados às receitas de exportações, dos períodos de apuração do 1° TRIMESTRE DE 2012 ao 2° TRIMESTRE DE 2013. (...) DAS ANÁLISES EFETUADAS 3. Em pesquisa aos sistemas de consulta pública da Justiça Federal da 2ª e 3ª Regiões, identificamos 03 (três) ações judiciais impetradas pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional, litigando sobre a incidência das contribuições do PIS/PASEP e da COFINS. 4. A Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, em seu art. 32, § 3°, assim dispõe: Art. 32 . O pedido de ressarcimento a que se referem os arts. 27, 28, 29 e 30 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante formulário acompanhado de documentação comprobatória do direito creditório. (...) § 3º É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do PIS/Pasep e da Cofins. 5. AÇÃO JUDICIAL N° 1. No Mandado de Segurança 0012556 96.2010.403.6100 (fl. 10 do eprocesso 10880.945017/201314), a impetrante objetiva assegurar o direito de utilizar os créditos de PIS e COFINS sobre os encargos de depreciação e amortização, nos termos do artigo 3º, incisos VI e VII, 1º inciso III e artigo 15, inciso II, da Lei Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10880.945017/201314 Resolução nº 3401001.506 S3C4T1 Fl. 485 3 nº 10.833/2003, sobre os bens e direitos integrantes do ativo imobilizado adquiridos até 30 de abril de 2004, sem a limitação temporal do artigo 31 da Lei nº 10.865/2004 quanto à utilização de créditos. Foi concedida a segurança e determinada a suspensão da exigibilidade dos débitos do PIS/PASEP e da COFINS que deixarem de ser recolhidos em virtude da utilização de tais créditos até o trânsito em julgado desta sentença, inclusive ficando a autoridade coatora impedida de promover qualquer ato tendente a proibir a utilização dos créditos em questão. 6. Os efeitos da sentença favorável ao contribuinte podem interferir em quaisquer créditos apurados em períodos de apuração posteriores, na medida em que se podem adicionar esses créditos sem a limitação temporal às bases de cálculo desses períodos posteriores, podendo fazer parte então dos créditos objetos dos Pedidos de Ressarcimento aqui analisados. (...) 9. Diante do exposto, fica clara a possibilidade de alteração de uma possível decisão judicial favorável ao contribuinte. 10. AÇÃO JUDICIAL N° 2. No Mandado de Segurança 0012766 45.2013.403.6100 (fls. 06 e 07), a impetrante objetiva que seja assegurado o direito ao aproveitamento/desconto dos créditos das contribuições ao PIS e à COFINS apurados no regime de incidência não cumulativa informados nos DACON dos períodos de competência de julho, agosto e setembro de 2007, em períodos de apuração posteriores a esses meses, extemporaneamente, sem qualquer limitação temporal, ou seja, desprezandose o prazo prescricional previsto no artigo 1º do Decreto nº 20.910/32, in verbis: (...) 14. Uma possível decisão favorável ao contribuinte permitirá a ele se aproveitar dos créditos apurados em 2007 sem se sujeitar ao prazo prescricional de 05 anos, podendo interferir em quaisquer créditos apurados em períodos de apuração posteriores, inclusive os aqui analisados, na medida em que esses créditos extemporâneos poderão ser aproveitados em deduções das contribuições a recolher. (...) 15. AÇÃO JUDICIAL N° 3. No Mandado de Segurança 0007720 53.2003.4.02.5001 (fls. 15 a 24), a impetrante objetiva a exclusão da base de cálculo do PIS, das despesas financeiras decorrentes de empréstimos e da aquisição de máquinas e equipamentos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil ou no exterior, bem como fosse declarada a inconstitucionalidade dos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.637/02. A sentença recorrida julgou improcedente o pleito autoral, denegando a segurança. Atualmente o processo se encontra aguardando julgamento do recurso extraordinário RE/698531 no Supremo Tribunal Federal, inclusive já houve a decisão reconhecendo a repercussão geral do caso (fls. 25 a 29 do eprocesso 10880.945017/201314). (...) Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10880.945017/201314 Resolução nº 3401001.506 S3C4T1 Fl. 486 4 CONCLUSÃO 18. Considerando todo o exposto e tudo mais que no processo consta, com fundamento no art. 32, § 3°, da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, proponho o INDEFERIMENTO dos Pedidos de Ressarcimento constantes dos PER/DCOMPs listados no quadro 1 do item 2 deste relatório, de FIBRIA CELULOSE S/A, CNPJ 60.643.228/000121, referentes aos créditos do PIS/PASEP e da COFINS INCIDÊNCIAS NÃOCUMULATIVAS do 1° TRIMESTRE DE 2012 ao 2° TRIMESTRE DE 2013, vinculados às receitas de exportação, bem com a NÃO HOMOLOGAÇÃO das Declarações de Compensação vinculadas aos créditos em questão. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, como se segue: III. PRELIMINARMENTE III.1 DA NULIDADE DO R. DESPACHO DECISÓRIO POR AUSÊNCIA DA ANÁLISE DO CRÉDITO Como cediço, todo e qualquer despacho decisório é um ato tipicamente administrativo e, como tal, deve, obrigatoriamente, observar as determinações legais, inclusive no que tange aos princípios e critérios previstos no art. 2º da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. (...) No caso concreto, o despacho decisório viola frontalmente todos os princípios acima, notadamente porque a autoridade administrativa sequer analisou se a Manifestante fazia jus ao crédito pleiteado, se o mesmo foi apurado de acordo com as normas de regência (Leis n° 10.8333/2003 e 10.637/02) ou não, se o mesmo podia ser utilizado na compensação de débitos próprios nos termos do artigo 6º da Lei n° 10.833/03 ou objeto de ressarcimento em dinheiro. Ao invés de seguir os ditames legais e analisar a composição do crédito, a autoridade administrativa trilhou o caminho que entendeu mais fácil e que afrontou todos os princípios citados, simplesmente negou a integralidade do crédito. Registrese, por oportuno, que ao transmitir o Pedido de Ressarcimento em questão, a ora Manifestante preencheu todos os campos devidos do Programa Perdcomp, declarando, inclusive, para todos os fins de direito e sob as penas da lei, que não estava litigando em processo judicial ou administrativo matéria que pudesse alterar o valor a ser ressarcido. (...) Com efeito, diante de referida declaração do contribuinte, era mister da autoridade administrativa comprovar a inveracidade da mesma, o que jamais ocorreu. E não ocorreu por uma simples razão: o eventual êxito nas ações judiciais mencionadas na "Informação Fiscal" não tem o condão de alterar o montante objeto do pedido de ressarcimento. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10880.945017/201314 Resolução nº 3401001.506 S3C4T1 Fl. 487 5 De toda sorte e para que não paire nenhuma dúvida, a Manifestante apresenta, nesta oportunidade, declaração de seu representante legal atestando, sob as penas da lei, que o montante objeto do pedido de ressarcimento não está sub judice (doc. 08). Isto significa, por óbvio, que os valores litigados nos feitos mandamentais elencados na "Informação Fiscal" não estão abarcados pelo pedido em questão. Em verdade, o montante objeto do pedido de ressarcimento é tido como incontroverso pela Manifestante, isto é, obtendo ou não êxito nas ações judiciais, este valor não se altera, já é devido à Manifestante, sob pena, inclusive, de enriquecimento ilícito da União Federal. Se no futuro a Manifestante vier a obter decisões favoráveis no âmbito judicial, notadamente nos feitos mandamentais antes mencionados, fará então jus a ressarcir um valor adicional, assertiva esta que inclusive é corroborada por diversos trechos da "Informação Fiscal", como será abordado adiante. Portanto, é de fácil percepção que a autoridade administrativa não analisou detidamente o pedido da Manifestante, a efetiva composição do crédito objeto do pedido de ressarcimento, o que seria plenamente viável mediante o cruzamento das informações prestadas sobre a composição do crédito no Processo Administrativo n° 10880.945017/201314 (que ora se anexa a presente doc. 09) x DACON X SPED, esquivandose do seu dever funcional. A consequência dessa atitude é não só negar indevidamente e sem critério um direito ao contribuinte, mas também movimentar todo o contencioso administrativo desnecessariamente, eivando de nulidade insanável o despacho decisório. (...) IV. DO MÉRITO IV.1. DA CORRETA INTERPRETAÇÃO DA REGRA DO §3° DO ARTIGO 32 DA IN RFB N° 1.300/2012 (...) Os procedimentos para que o contribuinte possa formalizar os pedidos de ressarcimento e compensação foram disciplinados pela Instrução Normativa n° 1.300/2012, a qual estabelece normas sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Dentre as regras da Instrução Normativa n° 1.300/2012 encontramos o §3° do artigo 32, que preconiza "§ 3º É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendario cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do PIS/Pasep e da Cofins". Utilizandose do método gramatical de intepretação, ponto de partida da atividade hermenêutica, de plano verificase o equívoco da autoridade administrativa. Ocorre que "cujo valor possa ser alterado', constante da regra acima, expressa uma situação fática de que o valor Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10880.945017/201314 Resolução nº 3401001.506 S3C4T1 Fl. 488 6 litigado compõe o montante objeto do pedido de ressarcimento/compensação. Assim, "cujo valor", é algo que integra, que está dentro do pedido e não determinado montante que futura e incertamente possa vir agregálo. Desta feita, a simples afirmação fiscal no sentido de que a procedência das ações judiciais teria o condão de ampliar o crédito de contribuição, é, por si só, suficiente para ratificar que a situação fática analisada não se enquadra na norma. (...) Ao contrário do que tentou fazer crer a autoridade administrativa, o § 3º, do art. 32 da IN 1300/12 não restringe o direito ao ressarcimento e a compensação sempre que o contribuinte constar do pólo ativo de qualquer ação judicial. O dispositivo discutido somente restringe o montante que estiver efetivamente sendo litigado na ação judicial, quando ainda há uma indecisão quanto à legitimidade do crédito. Nesses casos, como a própria legitimidade do crédito encontrase em discussão, determina se que o contribuinte aguarde o desfecho judicial, prosseguimento com o ressarcimento e compensação apenas após o trânsito em julgado. A vedação imposta é claramente um meio de proteger o Erário Público contra eventuais ressarcimentos de créditos que venham a ser declarados indevidos. Nesse caso a limitação é um mecanismo de salvaguardar a Administração Pública e harmonizar o sistema com a disposição do artigo 170A do Código Tributário Nacional. Com efeito, o § 3º, do art. 32 da IN 1300/12 deve ser interpretado em consonância com o artigo 170A do Código Tributário Nacional, e tem o único objetivo de impedir os contribuintes de efetivar a compensação de créditos controvertidos, de forma pronta e imediata, necessitando, assim, aguardar o provimento final dos respectivos processos em que tenham formulado o pedido de reconhecimento do direito creditório. (...) A discussão que impede a restituição é aquela que pode implicar concretamente na não existência do crédito pleiteado. Se existe discussão judicial e administrativa que pode acarretar a não existência do crédito que se pretende restituir, então não pode haver a restituição ou aproveitamento enquanto não houver o desfecho da discussão. Mas se existe uma parte do crédito que não pode ser afetada pela discussão em andamento, então, caso seja possível delimitar este valor, devese reconhecer de plano o direito ao ressarcimento deste saldo. Para alcançar essa conclusão, bastava a autoridade administrativa ter prosseguido na leitura do artigo 32 da IN 1.300/2012, pois o § 4° espancaria qualquer dúvida. O § 4° prescreve: "Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que o CRÉDITO PLEITEADO não se encontra na situação mencionada no § 3º". (...) Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10880.945017/201314 Resolução nº 3401001.506 S3C4T1 Fl. 489 7 V. DA REALIZAÇÃO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA Caso V.Sas, entendam que os argumentos acima expendidos não são suficientes para a reforma do despacho decisório, a Manifestante requer, seja realizada diligência e perícia, nos termos do inciso IV, do artigo 16, do Decreto n.° 70.235/72. A diligência e a perícia são indispensáveis a fim de demonstrar a composição do crédito objeto do pedido de ressarcimento, comprovando que as ações judiciais mencionadas na Informação Fiscal em nada impactam no valor pleiteado, que deve ser considerado incontroverso. (...) Indica, para tanto, os seguintes peritos: KASSILA SPINASSE SONEGHETI, contabilista, CRC ES 013178/06, Áureo Machado Neto, engenheiro, CREA n.° 2.099 D e RITA ADRIANA VIVEIROS DE MEDEIROS, contabilista, RG n.° 20.401.129, todas com endereço profissional na Alameda Santos, 1357, 2o andar, Cerqueira César, São PauloSP, e formula os seguintes quesitos: A DRJ/POA, por unanimidade de votos, decidiu rejeitar a preliminar proposta, indeferir o pedido de diligência/perícia e julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo da não homologação da pretendida compensação, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. AFRONTA A PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS. A apreciação de eventuais afrontas a princípios administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade de ato normativo editado pela RFB. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de diligência/perícia quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10880.945017/201314 Resolução nº 3401001.506 S3C4T1 Fl. 490 8 As referências a entendimentos de primeira ou segunda instância administrativa não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. OBSERVAÇÃO DE MEDIDAS JUDICIAIS. Tendo a auditoria verificado a existência ou não de créditos passíveis de ressarcimento, observando no procedimento óbices constantes de medidas judiciais, não pode a autoridade julgadora reformular a decisão sem que aqueles sejam superados. DIREITO AO RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Nos termos do CTN, apenas créditos líquidos e certos são passíveis de ressarcimento/restituição/compensação tributária. No voto, a Turma da DRJ/POA concorda com a tese da fiscalização, no sentido de que as ações judiciais poderão interferir em quaisquer créditos apurados no presente processo, visto que créditos extemporâneos poderão gerar mais créditos passíveis de ressarcimento (o crédito objeto do Pedido de Ressarcimento seria aumentado), restando claro que o pleito da contribuinte não goza da necessária certeza e liquidez. Sem tais características não haveria, no entendimento da Turma, como reconhecerse a existência do pretendido direito de ressarcimento/compensação. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual rebate a decisão da DRJ/POA, basicamente repisando toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Tendo sido admitido o presente Recurso, passo à análise dos seus fundamentos. I DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO O Recorrente alega a nulidade do Despacho Decisório porque a autoridade administrativa não analisou detidamente a efetiva composição do crédito objeto do pedido de ressarcimento, tendo simplesmente negado indevidamente e sem critério um direito seu. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10880.945017/201314 Resolução nº 3401001.506 S3C4T1 Fl. 491 9 No entanto, entendo que houve sim a análise dos créditos, tanto que a Autoridade Tributária identificou a existência de três ações judiciais com influência direta sobre a quantificação do direito creditório deste período de apuração, pouco importando, neste momento, se para aumentálo ou diminuílo. O que ocorre é que, desta análise, entendeu o AuditorFiscal que não seria possível conceder qualquer crédito, pois este não gozaria de liquidez e certeza. Assim, a partir dos fatos narrados na Manifestação de Inconformidade, entendo que a discordância do Recorrente se refere a uma questão de mérito, e não a uma preliminar de nulidade do ato administrativo. Com efeito, tendo sido o interessado regularmente cientificado do Despacho Decisório, lavrado com observância das formalidades legais de tal modo a lhe ser assegurado o direito de questionar as exigências e os atos de não homologação de compensação, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, não se configura a alegada ofensa aos princípios do processo administrativo nem o cerceamento de defesa. Além disso, não se vislumbrando no processo ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 nem quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, improcedente se mostra a argüição de nulidade. II DA ANÁLISE DE MÉRITO Em relação ao mérito, entendo procedentes os argumentos do Recorrente. Por tudo quanto exposto no Despacho Decisório e no Acórdão da DRJ/POA, as matérias discutidas nos três mandados de segurança só teriam o efeito de aumentar o direito creditório do período de apuração, não tendo sido aludida nenhuma possibilidade de diminuir o valor indicado no PER/DCOMP objeto do presente processo. Logo, entendo que não se afigura razoável a interpretação dada pelas Autoridades Tributárias ao art. 32, § 3º, da IN RFB nº 1300, de 2012. Vejamos o que diz a referida norma: Art. 32 . O pedido de ressarcimento a que se referem os arts. 27 a 30 será efetuado mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante formulário acompanhado de documentação comprobatória do direito creditório. (...) § 3º É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do PIS/Pasep e da Cofins. § 4º Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que o crédito pleiteado não se encontra na situação mencionada no § 3º. Parece óbvio que a expressão "cujo valor possa ser alterado" se refere a uma alteração para um valor menor. Se o valor do ressarcimento pleiteado no PER/DCOMP só pode Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10880.945017/201314 Resolução nº 3401001.506 S3C4T1 Fl. 492 10 ser aumentado, mas não diminuído, tal parcela se mostra incontroversa, sendo descabida a interpretação de que mesmo uma alteração a maior impossibilitaria o ressarcimento. Vejase que existem outras implicações decorrentes desta interpretação. Como ficaria este crédito, já que ele foi indeferido integralmente por Despacho Decisório e ao mesmo tempo não faz parte da ação judicial? Poderia ser pleiteado após o trânsito em julgado das ações judiciais, sem ser alcançado pela prescrição do seu direito de proceder à compensação? Me parece que não. O próprio Código de Processo Civil já prevê tratamento diferenciado às parcelas incontroversas: Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada em liquidação, e no caso de decisão sobre parcela incontroversa, o cumprimento definitivo da sentença farseá a requerimento do exequente, sendo o executado intimado para pagar o débito, no prazo de 15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver. (...) Art. 526. É lícito ao réu, antes de ser intimado para o cumprimento da sentença, comparecer em juízo e oferecer em pagamento o valor que entender devido, apresentando memória discriminada do cálculo. § 1º O autor será ouvido no prazo de 5 (cinco) dias, podendo impugnar o valor depositado, sem prejuízo do levantamento do depósito a título de parcela incontroversa. Nesse sentido, a seguinte decisão da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no Acórdão nº 3403000.994 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, Sessão de 02/06/2011: SALDO CREDOR DE IPI. COMPENSAÇÃO. ART. 19 DA IN SRF 210/2002. ART. 20 DA IN SRF 600/2005. ART. 25 DA IN SRF 900/2008. HIPÓTESE DE APLICAÇÃO NÃO CONFIGURADA. PRESSUPOSTO E FORMA DE APLICAÇÃO. A existência de discussão judicial ou administrativa em andamento, a respeito de hipótese de creditamento do IPI, é impedimento ao ressarcimento na medida em que coloca em risco a própria existência do saldo credor. Mas se a própria decisão da DRF reconhece a existência de um crédito que não seria afetado pela discussão em andamento, então, desde que seja possível delimitar este valor, segregando a parcela que corre o risco de deixar de existir, devese reconhecer o direito de ressarcimento quanto ao saldo resultante dos créditos que se poderiam dizer “incontroversos”. (...) O art. 25 da IN SRF 900, de 30 de dezembro de 2008, em vigência, tem a mesma redação do art. 20 da IN SRF 600, de 28 de dezembro de 2005, e, antes ainda, do art. 19 da IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002: Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10880.945017/201314 Resolução nº 3401001.506 S3C4T1 Fl. 493 11 Art. 25. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. A ementa do acórdão recorrido, proferido pela DRJ, apenas repete esse mesmo texto. Nesta mesma toada, o trecho final do voto condutor do acórdão concluiu categoricamente por “indeferir a solicitação, observando que nenhum crédito deveria ter sido deferido ao contribuinte, em respeito ao artigo 20, da IN n° 600, de 2005” (fl. 256). Não deve prevalecer a interpretação dada pela DRJ ao dispositivo em questão. O impedimento ao ressarcimento, decorrente da aplicação desta norma, não depende apenas da existência, por si mesma, de uma discussão administrativa ou judicial a respeito do IPI. Mas de aferir se tal discussão pode alterar o valor do qual se pretende o ressarcimento. Ou seja, a discussão que impede a restituição é aquela que pode implicar concretamente na não existência do crédito pleiteado. Se existe discussão judicial e administrativa que pode acarretar a não existência do crédito que se pretende restituir, então não pode haver a restituição ou aproveitamento enquanto não houver o desfecho da discussão. Mas se existe uma parte crédito que não pode ser afetada pela discussão em andamento, então, desde que seja possível delimitar este valor, segregando a parcela que corre o risco de deixar de existir em razão das discussões, devese reconhecer o direito de ressarcimento deste saldo resultante dos créditos que se poderiam dizer “incontroversos”. Entretanto, deve ser levado em conta que o crédito pleiteado é incontroverso apenas em relação aos três mandados de segurança impetrados. Como o AuditorFiscal responsável pelo procedimento, ao identificar a existência destas, indeferiu integralmente o crédito sem examinálo, voto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Apresente Relatório Fiscal referente à análise do crédito de R$20.764.171,47, pleiteado através do PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório, informando qual o valor a que o Recorrente efetivamente faz jus, excluindo, por óbvio, qualquer parcela deste crédito que possa estar sendo objeto de discussão judicial; (ii) Informe, neste mesmo Relatório Fiscal, se há crédito suficiente para as compensações efetuadas, detalhandoo; (iii) Intime o contribuinte para, caso queira, se manifestar sobre o “Relatório Fiscal” e demais documentos produzidos em diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Esgotado esse prazo, com ou sem manifestação, sejam os autos Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10880.945017/201314 Resolução nº 3401001.506 S3C4T1 Fl. 494 12 remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Lazaro Antonio Souza Soares Relator Fl. 494DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.005617/2007-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
MULTA QUALIFICADA. AFASTAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO.
Apenas a infração de receitas escrituradas e não declaradas restou caracterizada, adequando-se ao tipo objetivo da norma. Não tendo sido demonstrado o intuito doloso na conduta, cabe ser afastada a qualificação da multa no percentual de 150%.
Numero da decisão: 9101-003.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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AFASTAMENTO. AUSÊNCIA DE DOLO. Apenas a infração de receitas escrituradas e não declaradas restou caracterizada, adequandose ao tipo objetivo da norma. Não tendo sido demonstrado o intuito doloso na conduta, cabe ser afastada a qualificação da multa no percentual de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 56 17 /2 00 7- 90 Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10945.005617/200790 Acórdão n.º 9101003.847 CSRFT1 Fl. 796 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Relatório Tratase de recurso especial (efls. 763/774) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 140100.580 (efls. 745/758), da sessão de 27 de maio de 2011, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário da T R S TRANSPORTE RODOVIÁRIO LTDA ("Contribuinte") para afastar a qualificação da multa de ofício para a infração "receitas escrituradas e não declaradas". A autuação fiscal, de IRPJSimples e reflexos (efls. 228/289) tipificou as infrações de (1) presunção de omissão de receitas com base em depósitos de origem não comprovada, que teve a multa qualificada para 150%; (2) receitas escrituradas e não declaradas, com multa qualificada de 150%; e (3) insuficiência no recolhimento, com multa proporcional de 75%. A decisão de primeira instância (efls. 693/715), ao apreciar a impugnação apresentada (efls. 294/311), julgou os lançamentos fiscais procedentes. Foi interposto recurso voluntário (efl. 723/741) pela Contribuinte, cujo provimento foi parcial nos termos da ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizamse como omissão de receitas. CONTRATOS DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. Para que os contratos de mútuo possam ser considerados hábeis e idôneos a comprovarem a origem dos depósitos bancários, é necessário que estejam acompanhados de documentos que confirmem a sua efetividade, em especial o trânsito de numerário entre os contratantes. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE Fl. 796DF CARF MF Processo nº 10945.005617/200790 Acórdão n.º 9101003.847 CSRFT1 Fl. 797 3 No caso de lançamento de ofício, há previsão legal (art.44, I, da Lei nº 9.430/96) para a aplicação da multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). MULTA DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PERCENTUAL APLICÁVEL. Considerando a legislação vigente à época dos fatos geradores, a qualificação da multa de ofício justificase quando caracterizado o evidente intuito de fraude (art. 44, II, da Lei nº 9.430/96). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios (Súmula CARF nº 4). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2004 NORMAS VEICULADAS EM LEI. IMPOSSIBILIDADE DE SEREM AFASTADAS SOB FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado ao órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art.26A do Decreto nº 70.235/72; Súmula CARF nº 2). AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa quando todas as razões de fato e de direito que interessam às autuações foram devidamente explicitadas nos autos de infração e Termo de Verificação Fiscal cientificados ao contribuinte, mormente quando foi este quem forneceu à fiscalização os documentos que embasaram os lançamentos. A PGFN interpôs recurso especial para tratar da matéria sobre a qualificação da multa de ofício (150%), em relação à infração "receitas escrituradas e não declaradas". Protesta pelo restabelecimento da multa qualificada, tendo em vista que o sujeito passivo praticou atividade ilícita comprovada, por períodos sucessivos, informando ao Fisco valores diferentes dos registrados em sua contabilidade, tendo a conduta sido resultado de sua vontade livre e consciente e realizada de forma sistemática, revelando a intensidade do dolo e incorrendo em conduta fraudulenta. Requer pela reforma do acórdão recorrido e pelo provimento do recurso especial. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 784/787) deu seguimento ao recurso especial, considerando apto para demonstrar a divergência o paradigma nº 10195.292. Devidamente cientificada (efl. 792), a Contribuinte não foram apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10945.005617/200790 Acórdão n.º 9101003.847 CSRFT1 Fl. 798 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Sobre a admissibilidade, adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade de efls. 784/787, para conhecer do recurso especial da PGFN. Passo ao exame do mérito. A matéria devolvida diz respeito à qualificação da multa de ofício sobre a infração denominada "receitas escrituradas e não declaradas", identificada no auto de infração como "002 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO", assim descrita pela autoridade fiscal: A Contribuinte contabilizou suas receitas de vendas e de prestação de serviços em seu Razão (fls. 161 a 171), contudo, ao encaminhar sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica PJSI 2005 SIMPLES (relativa ao anocalendário de 2004) não considerou o total de suas receitas, conforme apurado na planilha "COMPARATIVO: VALORES CONTABILIZADOS E VALORES DECLARADOS" 9fls. 120) que lhe foi encaminhada em anexo à Intimação SEFIS nº 121/07 (fls. 116 a 119). (...) A contribuinte entregou sua declaração PJSI 2005 SIMPLES anocalendário de 2004 (fls. 198 a 215), sem declarar a totalidade de suas receitas, uma vez que, além de omitir suas receitas consubstanciadas por depósitos e créditos bancários de origem não comprovada, não considerou na base de cálculo do SIMPLES a totalidade de suas receitas de vendas e prestação de serviços que contabilizara, não oferecendo, portanto, à tributação a totalidade de suas receitas. Em tese, a contribuinte, omitiu informação às autoridades fazendárias. Em tudo, e em tese, a contribuinte cometeu crime tributário ao omitir declaração sobre fatos para eximirse, parcial ou totalmente, do pagamento de tributos. Com a devida vênia à interpretação dada aos fatos pela autoridade autuante, entendo que o que restou plenamente demonstrado foi a subsunção à infração "receitas escrituradas e não declaradas". A situação posta trata de receitas que se encontram escrituradas, mas não foram informadas nas declarações encaminhadas ao Fisco. Para se caracterizar o dolo, há que restar demonstrado um plus na conduta da Contribuinte. Devese ultrapassar o tipo objetivo da norma tributária. É quando se consuma a Fl. 798DF CARF MF Processo nº 10945.005617/200790 Acórdão n.º 9101003.847 CSRFT1 Fl. 799 5 presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o intuito doloso, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT1: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constatase que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizála. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, a vontade, que não pode existir sem aquele. Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 2 discorre com didática: Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 3: A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. Por exemplo, é o que ocorre quando se descobre que, não obstante declaração de contribuinte ao Fisco Estadual de valores de receita corretos, informase ao Fisco Federal valores inferiores de maneira sistemática e reiterada, demonstrando a consciência e vontade de omitir informações. Ou quando se verifica a interposição de pessoas, a utilização de empresas fictícias e artificiosas para se omitir as receitas, fraude em documentos fiscais ou sociais, movimentos visando ocultar o endereço da empresa, ou a localização dos sócios para prestar esclarecimentos, dentre outros. No caso concreto, o que se observa foi uma falta de escrituração de quatro meses, relativos a receitas contabilizadas no Razão na rubrica 4.1.1.01.0004 VENDAS DE MERCADORIAS À VISTA FILIAL, em setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004. A decisão recorrida identificou com precisão a situação: É importante notar que tais receitas foram devidamente escrituradas, como atesta a própria autoridade fiscal e se depreende dos autos. Além do mais, decisivo para se afastar a conclusão de que o contribuinte tenha se portado com evidente intuito de fraude é a constatação de que tais receitas correspondem exatamente àquelas decorrentes de vendas de mercadorias realizadas pela filial (“Vendas de Mercadorias a Vista – Filial – 4.1.1.01.0004”), como se nota da planilha de fl.120 (à exceção do mês de novembro diferença de R$5.412,90), 1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 267. 2 BITENCOURT, 2007, p. 269. 3 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10945.005617/200790 Acórdão n.º 9101003.847 CSRFT1 Fl. 800 6 o que denota a possibilidade de ter ocorrido um eventual erro no preenchimento da declaração simplificada, ou como afirma o recorrente, “declaração inexata”. Assim, tratase estritamente o tipo objetivo da norma sendo preenchido: receitas que se encontram escrituradas mas não foram declaradas. Não há nada além na conduta tipificada, razão pela qual não há que se falar em dolo. Cabe, portanto, ser mantida a decisão recorrida, para afastar a qualificação da multa de ofício para a infração "receitas escrituradas e não declaradas". Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinatura digital) André Mendes de Moura Fl. 800DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900454/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente)
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 54 /2 00 8- 13 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10882.900454/200813 Acórdão n.º 3402005.404 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10882.900454/200813 Acórdão n.º 3402005.404 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.733, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10882.900454/200813 Acórdão n.º 3402005.404 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10882.900454/200813 Acórdão n.º 3402005.404 S3C4T2 Fl. 6 5 cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10882.900454/200813 Acórdão n.º 3402005.404 S3C4T2 Fl. 7 6 indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10882.900454/200813 Acórdão n.º 3402005.404 S3C4T2 Fl. 8 7 estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10882.900454/200813 Acórdão n.º 3402005.404 S3C4T2 Fl. 9 8 criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10882.900454/200813 Acórdão n.º 3402005.404 S3C4T2 Fl. 10 9 nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10882.900454/200813 Acórdão n.º 3402005.404 S3C4T2 Fl. 11 10 (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17609.720298/2016-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA - COMPROVANTES DE PAGAMENTO
São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovados, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível..
Numero da decisão: 2002-000.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa da despesa no importe de R$ 24.601,77.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Recorrente MARIO DE SOUZA ARCEGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA COMPROVANTES DE PAGAMENTO São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovados, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa da despesa no importe de R$ 24.601,77. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 60 9. 72 02 98 /2 01 6- 05 Fl. 71DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 09 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas com dependentes, bem como a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 6.519,78, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efl. 02 a 08 dos autos, que alega, em síntese, conforme relatório da decisão da DRJ: Pensão Alimentícia Judicial O valor contestado referese a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme norma do Direito de Família, em decorrência de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, no caso de divórcio consensual. Dependentes – A glosa é indevida, pois o dependente é companheiro com que o contribuinte tem filho ou vive há 05 anos, ou cônjuge. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 28/03/2017, no acórdão 0373.925, às efls. 30 a 72, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 41 a 68, no qual alega, em resumo, que a dedução das despesas com a pensão alimentícia são lícitas, vez que descontada em folha. Junta documentos comprobatórios. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Fl. 72DF CARF MF Processo nº 17609.720298/201605 Acórdão n.º 2002000.358 S2C0T2 Fl. 72 3 Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 25/05/2017, efls. 38, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 19/06/2017, efls. 41, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Apresentada impugnação, a DRJ afastou a glosa da dedução de despesas com o dependente, como se vê: No que tange à Dedução de Dependente, da consulta às bases de dados da Receita Federal do Brasil, há confirmação de que não apenas já estavam juntos os cônjuges havia 05 anos, em relação ao anocalendário 2013, mas também que já contraíram núpcias (Certidão de fl. 07). Assim, deve ser restabelecida a importância pleiteada de R$1.974,72, uma vez comprovada a relação de dependência de forma hábil e idônea. A dedução da pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda está prevista no artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto 3.000/99) e no artigo 4º da Lei nº 9.250/1995: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). (...) Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Como colacionado acima, nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. Em sede de Recurso Voluntário o contribuinte requer a dedução de R$ 25.623,26 pagos a título de pensão alimentícia. Fl. 73DF CARF MF 4 Às efls. 42 e seguintes colaciona aos autos cópia do acordo judicial que estipula os valores devidos de pensão alimentícia. Contudo, às efls. 06 há a comprovação do desconto em folha dos pagamentos, posto que os requisitos legais restam cumpridos para valer se da dedução de R$ 24.601, 77 da base de cálculo do Imposto de Renda, já que o restante já foi abatido no pagamento do 13º salário, cuja tributação é exclusiva na fonte, inviabilizando o contribuinte abater novamente o valor em sua DAA. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento para afastar a glosa da despesa no importe de R$ 24.601,77. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926614/2016-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 14 /2 01 6- 31 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10680.926614/201631 Acórdão n.º 3301004.947 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.529. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10680.926614/201631 Acórdão n.º 3301004.947 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10680.926614/201631 Acórdão n.º 3301004.947 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10680.926614/201631 Acórdão n.º 3301004.947 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10680.926614/201631 Acórdão n.º 3301004.947 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905851/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 15/12/2000
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/12/2000
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO.
Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 15/12/2000
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.884
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.905839/2011-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 15/12/2000 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 15/12/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 15/12/2000 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.905839/2011-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior.
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Recorrente MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 15/12/2000 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 15/12/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 15/12/2000 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 51 /2 01 1- 91 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10660.905851/201191 Acórdão n.º 3301004.884 S3C3T1 Fl. 3 2 (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10660.905839/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior. Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição realizado através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. A unidade de origem proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para instaurar o contencioso administrativo, juntando demonstrativos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: o Despacho Decisório adotou equivocada premissa de que inexiste crédito a ser restituído, porque não converteu o julgamento em diligência para solicitar esclarecimentos ou a apresentação de documentos que comprovassem o valor exato do crédito pretendido; Não considerou que o valor informado em DCTF como devido foi apurado em conformidade com a ilegal e inconstitucional base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718; o Supremo Tribunal Federal, em julgamento de Recursos Extraordinários, consolidou o entendimento no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas contribuições, promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10660.905851/201191 Acórdão n.º 3301004.884 S3C3T1 Fl. 4 3 deixando de considerar como faturamento receita de natureza diversa da venda de mercadorias e de serviços. A retificação da DCTF para a apresentação do PER/DCOMP representa requisito meramente formal que não pode se sobrepor à verdade material, uma vez comprovada, por outros meios, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ressalta que as informações contidas nos documentos que instruem a manifestação atestam, de forma inquestionável, que a restituição abordada no Per/Dcomp deve ser deferida, quer por força do dever de busca da verdade material, quer sob pena de cerceamento do direito de defesa, mediante a análise das razões e dos documentos que acompanham este recurso, eventuais diligências administrativas e a realização de prova pericial, que se requer. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06046.541. O fundamento adotado, em síntese, foi pela inexistência nos autos de documentação comprobatória do direito alegado. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade e insistindo na realização de perícia. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.872, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10660.905839/201187, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.872): "O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543 B do STF; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10660.905851/201191 Acórdão n.º 3301004.884 S3C3T1 Fl. 5 4 I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 06/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10660.905851/201191 Acórdão n.º 3301004.884 S3C3T1 Fl. 6 5 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302 002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10660.905851/201191 Acórdão n.º 3301004.884 S3C3T1 Fl. 7 6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10660.905851/201191 Acórdão n.º 3301004.884 S3C3T1 Fl. 8 7 Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) neste caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 06/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.818/1998. Isto posto, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.905851/201191 Acórdão n.º 3301004.884 S3C3T1 Fl. 9 8 rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (06/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que os documentos juntados aos autos atestam, de forma inquestionável, a restituição pleiteada em seu pedido, o que se tem, na verdade, é um simples demonstrativo de cálculo da contribuição, onde traz o total do faturamento, as exclusões permitidas, o valor devido da contribuição, o valor do recolhimento e o crédito objeto do pedido de restituição. Estes demonstrativos não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e fiscais. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente e não merece guarida o alegado cerceamento de defesa daí decorrente. Nos pedidos de restituição o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo a DIPJ do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação do PIS, sendo desnecessária, portanto, a realização da perícia requerida. A perícia será necessária quando a matéria exigir conhecimento técnico específico diferente Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.905851/201191 Acórdão n.º 3301004.884 S3C3T1 Fl. 10 9 da análise que deve ser realizada pela autoridade administrativa competente para o reconhecimento do crédito. Ademais, a demonstração do crédito, neste caso, seria possível com a simples apresentação de prova documental, não realizada pelo contribuinte. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.723631/2013-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. DIFERENÇAS ACIDENTAIS. IRRELEVÂNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA.
As diferenças acidentais que não interferem no deslinde da controvérsia não são aptas a afastar a identificação da similitude fática e, por consequência, da divergência jurisprudencial.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-007.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. DIFERENÇAS ACIDENTAIS. IRRELEVÂNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. As diferenças acidentais que não interferem no deslinde da controvérsia não são aptas a afastar a identificação da similitude fática e, por consequência, da divergência jurisprudencial. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1689; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.723631/201305 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.073 – 2ª Turma Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RAQUEL BLACHER WINIARZ DE GROSSMAN ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. DIFERENÇAS ACIDENTAIS. IRRELEVÂNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. As diferenças acidentais que não interferem no deslinde da controvérsia não são aptas a afastar a identificação da similitude fática e, por consequência, da divergência jurisprudencial. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 31 /2 01 3- 05 Fl. 133DF CARF MF 2 Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2202004.024 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 4 de julho de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 96: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 102 a 109, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 112 a 117, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à tributação de Rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Aduz a Procuradoria da Fazenda, em síntese, que: a) considerando a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em 23 de outubro de 2014 nos autos do RE 614.406/RS, restou sedimentado o entendimento quanto à aplicação do regime de competência à matéria objeto dos autos; b) a autuação seja mantida, determinando o colegiado o retorno dos autos à DRF apenas para a retificação contábil relativa à alíquota incidente sobre os rendimentos recebidos a destempo; c) tal alteração não acarreta qualquer prejuízo ao contribuinte ou mácula ao lançamento, na medida em que impõe tão somente o recálculo do montante devido, sem majoração da exigência tributária. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11080.723631/201305 Acórdão n.º 9202007.073 CSRFT2 Fl. 3 3 d) diante de simples incorreção no lançamento, não há necessidade de nova autuação, bastando o ajuste que se fizer necessário, em privilégio do aproveitamento dos atos, cuja repetição deve ser evitada, quando claramente se mostra prescindível, como é o caso dos autos; e) inexiste irregularidade que fundamente o cancelamento da exigência, mostrandose adequada sua manutenção com a realização das retificações cabíveis. Intimada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 125 a 128, alegando, em síntese: a) ausência de similitude fática dos paradigmas com o caso em exame, onde as retenções do IRPF já foram devidamente observadas no feito trabalhista e, ainda, caso houvessem incidido, tal circunstância seria atribuível exclusivamente ao SENAC, responsável pelos recolhimentos; b) a retenção sofrida foi demonstrada inequivocamente. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do Conhecimento. No que se refere ao argumento de ausência de similitude fática entre os paradigmas e o recorrido, tendo em vista que o caso dos autos trata de retenções realizadas, cabe destacar que razão não assiste à Recorrida, pois diferenças acidentais que não interferem no deslinde da controvérsia não são aptas a afastar a identificação da similitude fática e, por consequência, da divergência jurisprudencial. No caso dos autos, a questão controvertida julgada pelo Recorrido foi a aplicação do regime de competência aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante da decisão do STF no RE 614.406/RS. Portanto, conheço do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. 2. Do mérito. No que se refere ao argumento da contribuinte sobre a retenção do imposto de renda, o Acórdão recorrido já apreciou a matéria e entendeu pela ausência de demonstração do direito alegado. Assim, como não houve recurso da contribuinte a fim de tratar do tema, não está mais litígio a matéria, restando preclusa. Fl. 135DF CARF MF 4 Consoante narrado, a controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual não se poderia considerar a nulidade do dispositivo, mas sim a aplicação de uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11080.723631/201305 Acórdão n.º 9202007.073 CSRFT2 Fl. 4 5 Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico que o originário, motivo pelo qual deve ser reformada a decisão recorrida. Assim, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada. (assinado digitalmente). Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 137DF CARF MF
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