Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 16327.001147/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2005, 2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.
Constitui infração à legislação previdenciária Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com omissões em relação aos fatos geradores e/ou incorreções em seus campos.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE.
O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.
Numero da decisão: 2201-004.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2005, 2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com omissões em relação aos fatos geradores e/ou incorreções em seus campos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.001147/2009-11
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893498
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.567
nome_arquivo_s : Decisao_16327001147200911.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DANIEL MELO MENDES BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 16327001147200911_5893498.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7397147
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589736206336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 207 1 206 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001147/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.567 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente BANCO BNP PARIBAS BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2005, 2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com omissões em relação aos fatos geradores e/ou incorreções em seus campos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INFRINGÊNCIA LEGAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. O pagamento de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei de regência viabiliza a incidência das contribuições devidas à Seguridade Social, das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 47 /2 00 9- 11 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 208 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão da 13ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a sua impugnação. Adoto, em parte, o relatório do acórdão recorrido por sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Trata o presente processo de Auto de Infração (AI DEBCAD n°37.133.4705), consolidado em 04/11/2009, lavrado contra a empresa em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV e parágrafo 3o da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, e regulamentada pelo RPS (Regulamento da Previdência Social) aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, uma vez que, segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 22), não foram informados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social, nas competências 02/2005 e 02/2006, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, os fatos geradores não declarados em GFIP se referem a pagamentos efetuados a segurados empregados, com base em acordos coletivos, a título de participação nos lucros ou resultados (PLR) efetuados em desacordo com lei específica (Lei n° 10.101/00). Os dados necessários para a constatação das omissões foram obtidos de informações constantes dos documentos apresentados pela empresa (folhas de pagamento e contabilidade) e seu confronto com as GFIP mensais. Não foi relatada a ocorrência de circunstâncias agravantes. A ciência do Sujeito Passivo se deu pessoalmente, em 06/11/2009, conforme fl. 1. Foi aplicada a multa prevista no art. 32, § 5o da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, combinado com o art. 284, II do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99, correspondente a 100% do valor da contribuição não declarada em GFIP, observado o limite definido em função do número de segurados da empresa no § 4o do art. 32 da Lei 8.212/91 e no inciso I do art. 284 do RPS, atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12 de fevereiro de 2009, nos termos do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 24/25). O número de segurados da empresa nas competências autuadas enquadravase na faixa de 101 a 500 e sua relação individualizada encontrase no Anexo I (fls. 26/50). Fl. 209DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 209 3 Em obediência à legislação citada, a multa foi calculada no valor de RS 26.583,60 (vinte e seis mil, quinhentos e oitenta e três reais e sessenta centavos). A planilha de cálculo da multa, por competência, constitui o Anexo II (fls. 51) do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa. O citado Relatório ressalta, ainda, que a multa incluída na presente autuação considerou as alterações legislativas provenientes da edição da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida, em 27 de maio de 2009, na Lei n° 11.941, a qual alterou as alíquotas da multa aplicada aos lançamentos de ofício referentes à totalidade ou diferença das contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos (terceiros), em especial nos casos em que ocorreram, simultaneamente, a falta de recolhimento, falta de declaração e/ou declaração inexata, motivo pelo qual foi realizada a averiguação da multa mais benéfica ao contribuinte em obediência ao art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Na mesma ação fiscal foram, ainda, lavrados os seguintes documentos: Auto de Infração de Obrigações Principais (AIOP) DEBCAD n° 37.133.4683, referente à (a) quota patronal (22,5%) e (b) contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GIILRAT (1%), incidentes sobre remuneração (PLR) paga a segurados empregados e Auto de Infração de Obrigações Principais (AIOP) DEBCAD n° 37.133.4691, referente às contribuições destinadas aos Terceiros incidente sobre o PLR pago aos segurados empregados. Além dos relatórios supracitados integram o Auto de Infração DEBCAD n° 37.133.4705 os seguintes documentos: IPC Instruções para o Contribuinte (fls. 2/3); Relatório de Vínculos (fls. 4/5); TIPF Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 6/9); Termo de Constatação e de Intimação Fiscal (fls. 10/12); Termo de Intimação Fiscal (fls. 13/21) e TEPF Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 21). IMPUGNAÇÃO de 04/12/2009 (fls. 63/64) Dentro do prazo regulamentar (fls. 73) a empresa impugnou o lançamento por meio do instrumento de fls. 63/64, com ajuntada de documentos de fls. 65/68 e 70/71 (instrumento particular de mandato; cópia de Ata de Reunião do Conselho de Administração e da Assembléia Geral Extraordinária; cópia de documentos de identificação do patrono) apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: Objetivando a celeridade processual e para se evitar decisões contraditórias, foi requerida a conexão entre a presente autuação e o Auto de Infração de Obrigações Principais (AIOP) DEBCAD n° 37.133.4683, no qual foram apresentadas as razões de fato e de direito da improcedência das autuações. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 210 4 Alega que o excesso e o desvio de poder são evidentes. A criação de teses para imputação de responsabilidade tributária não encontra guarida no ordenamento jurídico. Espera, pois, o Contribuinte, que sejam acolhidas as preliminares arguidas para decretação da nulidade do Auto de Infração ou, no mérito, que seja a referida pretensão julgada improcedente. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, nos termos da seguinte ementa: OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art, 106, inciso II, alínea “c”, do CTN). De acordo com a legislação vigente à época da autuação, a alíquota da multa moratória incidente sobre a contribuição previdenciária não recolhida e incluída em lançamento tributário referente à obrigação principal será definida no momento do pagamento, ocasião em que deverá ser realizada o confronto entre as multas aplicáveis de acordo com a legislação vigente à época do lançamento e a atual, para a fixação daquela menos severa ao contribuinte. Cientificado do acórdão da DRJ em 11/06/2010, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (fls.496/512), tempestivamente, em 06/07/2010, alegando, que: Considerando que a autuação no caso em testilha deriva de suposto não cumprimento de obrigação acessória, consubstanciada na ausência de informação na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP acerca dos pagamentos feitos aos empregados, com base em acordos coletivos, a título de participação nos lucros ou resultados (PLR), efetuado em desacordo com a lei específica (Lei 10.101/2000), nas competências 02/2005 e 02/2006, o que, no entendimento fazendário se constitui infração ao art. 32 inciso IV e parágrafo 5°, 8.212, de 24 de julho de 1991, requer, diante da inegável conexão, que estes autos sejam reunidos por apensamento aos autos do processo administrativo 16327.001145/200921, que tem por objeto o AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS AIOP DEBCAD N° 37.133.4683, efetivandose o o processamento das razões ali acostadas também em relação ao presente processo administrativo, evitandose, com isso, possíveis julgamentos contraditórios. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 211 5 É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da apresentação de GFIP com omissão de fatos geradores De acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no “caput” do artigo 33 da Lei n.° 8.212/91, e os artigos 2° e 3o da Lei n° 11.457 de 16/03/2007, c/c o disposto no art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Ressaltese, ainda, que foi integralmente obedecido o art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972. Portanto, não há que se falar em improcedência do mesmo. Informou a Auditora Fiscal, em seu Relatório Fiscal da Infração (fls. 22), que a autuada deixou de declarar nas GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social referentes às competências 02/2005 e 02/2006 os fatos geradores de contribuições previdenciárias correspondentes à remuneração paga a segurados empregados a título de PLR (Participação nos Lucros ou Resultados), conforme definido em acordo coletivo, sem que tivessem sido observados todos os requisitos definidos na legislação específica (Lei n° 10.101/00). Desse modo, incorreu a recorrente na infração ao disposto no art. 32, inciso IV e § 3o da Lei 8.212/91, com as alterações trazidas pela Lei 9.528/97, penalizada através da multa prevista no art. 32, § 5o da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, que dispõem: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. § 3° O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). (...) § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena Fl. 212DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 212 6 administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97). A referida obrigação acessória encontrase também disciplinada no art. 225, inciso IV e art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, conforme segue: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto n° 4.729/03). Constatada a correção da imposição da penalidade por descumprimento de obrigação acessória e considerando que se negou provimento ao recurso voluntário da recorrente, em relação ao descumprimento da obrigação principal, a manutenção da presente autuação é medida que se impõe. Por oportuno, transcrevo abaixo os fundamentos da decisão exarada no processo da obrigação principal e que não deixam dúvidas acerca da obrigatoriedade de informar em GFIP as remunerações omitidas travestidas de PLR. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 213 7 Da afronta a princípios constitucionais Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei n° 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Entretanto, a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como infrigência aos princípios da estrita legalidade, proporcionalidade e razoabilidade. Da Participação nos Lucros e Resultados Considerando a matéria sob julgamento, temos a observar, preliminarmente, que a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa é um direito social de matriz constitucional, e regulada no plano infraconstitucional pela Lei n° 10.101/2000, como segue: Constituição Federal 1988 Art. 7° São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) (grifos nossos) Fl. 214DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 214 8 Lei n° 10.101/2000 (Texto vigente à época do Período de Apuração) Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1 oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dostrabalhadores. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) (grifos nossos) Embora a CF/88 assegure o direito dos empregados à participação nos lucros ou resultados das empresas, tal comando é de eficácia limitada, ou seja, depende de lei ordinária federal para sua aplicação plena. O legislador constituinte, ao estabelecer aquele direito social, desvinculado da remuneração, remeteu à lei ordinária o poder de disciplinar o acesso dos empregados àquele direito, definindo o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício para fins tributários, seja quanto à incidência do imposto de renda, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Assim, somente Fl. 215DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 215 9 com a superveniência da Medida Provisória n° 794/1994, sucessivamente reeditada e com numeração variada até a MP 1.98277, de 23 de novembro de 2000, convertida na Lei n° 10.101/2000, é que foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito dos trabalhadores àquela participação, desvinculada da remuneração. A Lei n° 10.101/2000, deixa explícito que a PLR tem como um dos seus objetivos incentivar a produtividade, e o § 1° do artigo 2° determina que as regras para o pagamento da PLR devem constar do documento que fixa os termos da negociação. Ora, a concessão da PLR sem a exigência de meta a ser atingida não cumpre o objetivo de incentivar a produtividade. Do instrumento de negociação firmado entre as partes devem constar regras claras e objetivas das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para que ocorra o pagamento ou crédito da parcela correspondente à participação nos lucros ou resultados (direito substantivo), conforme disposto no § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/2000. Nesse contexto, logicamente, os trabalhadores precisam saber previamente dos critérios e condições acordados com a empresa, constantes daquele instrumento de negociação, tais como metas, resultados, índices de produtividade ou lucratividade, dentre outros, de forma que possam, de forma periódica, acompanhar e avaliar a evolução dos indicadores vinculados ao pagamento da PLR. Desta forma, na hipótese de haver outro documento detalhando as regras, ele fará parte integrante do primeiro instrumento e, da mesma forma que este, aquele também deve ser celebrado antes do início do cumprimento das condições para a PLR. Do exame dos dispositivos contidos na Lei n° 10.101/2000, temos que, afora os parâmetros nela estabelecidos, não constam regras detalhadas sobre as características dos acordos a serem celebrados, de forma que os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do art. 2°, tem liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As disposições contidas na Lei n° 10.101/2000, nos permitem inferir, portanto, que o objeto do acordo não pode se limitar à simples concessão da parcela atinente à PLR, independentemente de fixação dos objetivos a serem alcançados. Os exemplos reportados na Lei em comento indicam que algum lucro ou resultado deve ser perseguido, de forma que a natureza jurídica específica de tal verba seja preservada. Assim, o pagamento da PLR não se constitui em mera gratificação legalmente prevista, mas em verdadeiro mecanismo de integração entre o capital e o trabalho, pois, atingidas as metas estabelecidas no acordo ou convenção coletiva, tanto os trabalhadores como os empregadores sairão beneficiados. Com as considerações acima, passase à análise da matéria sob o enfoque da legislação previdenciária, notadamente quanto à integração ou não da referida verba no conceito de salário de contribuição para fins de determinação da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse contexto, a Lei n° 8.212/1991, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, assim trata do conceito de salário de contribuição bem como das hipóteses de nãoincidência tributária, conforme segue: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que Fl. 216DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 216 10 seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) (grifos nossos). Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9°Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (...) (grifos nossos) Os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho CCT são instrumentos de negociação e previsão de direitos reconhecidos pela Constituição Federal, mas nunca podem alterar a disciplina que a lei, previamente, traz em relação a um determinado instituto. O conhecimento da lei, inescusável que é, contorna a atividade tanto do empregador quanto dos trabalhadores, de modo que se os mesmos quiserem estipular a participação, não tributável, nos lucros e/ou resultados da empresa (PLR), devem estabelecer condições que se afinem aos postulados da norma regulamentadora, no caso, a Lei n° 10.101/2000. O AuditorFiscal autuante em momento algum desconsiderou o Acordo Coletivo apresentado pela impugnante, apenas constatou que os mesmos não se coadunam com os preceitos estabelecidos pela Lei 10.101/2000 para excluir da tributação previdenciária as verbas distribuídas a título de PLR aos empregados. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 217 11 A Lei n° 10.101/2000 permite a livre negociação entre as partes, desde que com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos (necessidade de o programa estar vinculado ao alcance do lucro ou dos resultados), e quanto às regras adjetivas (possibilidade de se aferir o cumprimento das metas da empresa, como um todo). É, portanto, um acordo prévio quanto aos direitos e quanto às obrigações. O Acórdão CARF n° 240100.545, de 19/08/2009, é nesse sentido: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados é a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Com essas considerações, podese perceber que o objetivo do legislador é a integração do trabalhador na empresa, não de forma aleatória, mas efetiva, de modo que uma melhor produtividade, melhor eficiência, ou melhores índices alcançados pelo empreendimento resultem na participação dos empregados no capital social. Para tanto, a Lei 10.101/2000, pressupõe a existência de regras, as quais, efetivamente, devem ser cumpridas pelas partes. As partes acordantes são os empregados e o empregador, mas sempre com a participação do Sindicato dos trabalhadores, seja através de um representante indicado pela entidade (inciso I do artigo 2° da Lei n° 10.101, de 2000), seja por instrumento de Convenção ou Acordo Coletivo de trabalho (inciso II do referido artigo 2°). Resta, pois, verificar, para a situação apresentada nos autos, se foram perseguidos nos acordos celebrados os ditames estabelecidos pela lei de regência. A justificativa para a caracterização da verba denominada Participação nos Lucros e Resultados (PLR) como parcela integrante do salário de contribuição dos empregados vinculados à empresa foi extensamente fundamentada pela Auditora Fiscal autuante em seu Relatório Fiscal, no qual ressaltou, resumidamente: O programa de participação nos lucros ou resultados deve ser implantado como forma de integrar o capital e o trabalho, sendo imperioso o estabelecimento prévio dos indicadores que serão utilizados para este fim. O contribuinte efetuou o pagamento de PLR aos seus empregados com base em dois instrumentos distintos de negociação: (a) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos, as quais atenderam aos requisitos legais e os pagamentos a título de PLR efetuados até os limites nelas previstos foram considerados de acordo com a legislação c, portanto, não estão incluídos no presente Fl. 218DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 218 12 levantamento, posto que foram descontados dos totais pagos; (b) Acordos Planos de Participação em Lucros ou Resultados (acordos coletivos planos próprios) que, por estarem cm desacordo com a legislação, foram consideradas verbas integrantes do Salário de Contribuição e integram o presente lançamento tributário. Em 2005 e 2006, a empresa efetuou pagamentos a título de PLR aos seus empregados com base nos planos próprios (rubrica 0158 PLR Partic. nos Lucros da folha de pagamento). Contudo, da análise de tais planos, verificouse que os mesmos somente foram firmados após o encerramento do ano a que se referiam, com a fixação de vigência retroativa. Constatouse que os valores de PLR são discricionariamente definidos c pagos pela empresa, sendo considerados, inclusive, resultados globais da instituição (empresas fora do país). Há ingerência de decisão externa dos comandos centrais (exterior) sobre o pagamento da PLR feito no Brasil, sem qualquer previsão de ta! fato nos acordos coletivos. Tais fatores demonstram a falta de clareza e objetividade das regras quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, o que fere o disciplinado na lei específica. O contribuinte foi solicitado a prestar esclarecimentos adicionais acerca da aplicação do plano, por meio dos Termos de Intimação Fiscal de 26/05/2009 e 16/09/2009, a partir dos quais concluiu a Auditora Fiscal que: As metas de desempenho, o orçado, para as áreas de negócios (áreas de atuação) são estabelecidas pela Casa Matriz (sediada em Paris) ou pelos comandos centrais localizados no exterior; Com relação ao resultado (sucesso) das áreas de atuação e considerando que a comparação efetiva entre o orçado e o realizado deve ser feita entre a coluna “Forecast” e a coluna “Final”, constantes do Anexo da Carta BNPP/DIJUR7087/09, concluise que em 2004 não houve sucesso da área (orçado = 138.103 / realizado = 118.224) e, portanto, não poderia nem deveria ter havido pagamento a título de PLR no ano seguinte, uma vez que todos os critérios devem ser atingidos, como expressamente determinado nas premissas do Anexo do próprio acordo coletivo; O sindicato dos empregados não interveio direta ou indiretamente na determinação do orçado, quer da empresa quer das áreas; Os empregados são avaliados por fatores/aspectos altamente subjetivos. No critério “comportamento profissional” são considerados comprometimento, criatividade, ambição e reatividade e, no caso de ocupantes de cargo de nível gerencial, há também a avaliação do “comportamento gerencial” que leva em conta responsabilidade, confiança, cooperação transversal e autonomia; A empresa não conseguiu explicar como obteve e calculou o valor efetivamente pago a título de PLR a cada empregado, demonstrando a discricionariedade utilizada na definição dos montantes a serem pagos, que estão inclusive sujeitos à ingerência de decisão externa dos comandos centrais localizados fora do Brasil. Cita como exemplo os casos de Francisco Freitas de Oliveira que, referente ao ano de 2004, tendo um salário mensal à época de R$ 16.450,00 e conforme enquadramento teria direito a um mínimo de 2,02 salários, recebeu de fato R$ 1.206.054,00, valor este que a empresa não soube explicar como foi obtido; Fl. 219DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 219 13 Alguns formulários de avaliação estavam sem a média global, tais como o de Renato Celso Theodoto e Mareio Alexandre Georgetti; Em 2005, não havia previsão de limite máximo para pagamento de PLR. Entretanto, em 2006, quando houve fixação de limite máximo, ocorreu pagamento de PLR acima do limite estabelecido, contrariando o próprio plano, como no caso de Débora Lynn I Iirst, Luís Ricardo Berlfein e Mareio Alexandre Georgetti. Do exame das folhas de pagamento de 2005 e 2006, observouse que vários casos em que a verba paga a título de PLR aos empregados, paga com base nos acordos coletivos, excedia em dezenas de vezes o valor do salário base do próprio empregado, como no caso dos segurados Alexandre Carlos Lintz, Francisco Freitas de Oliveira, Paulo Eduardo Waack, Renato Celso Theodoro, Thaies Gabay, Débora Lynn Hirst, Eduardo Francisco Loverro, Hitosi Hassegawa, Luís Ricardo Berlfein e Mareio Alexandre Georgetti. Nesses termos, verificase que a Auditora Fiscal apresentou todos os fatos e justificativas para a caracterização da verba Participação nos Lucros e Resultados, paga em desacordo com os dispositivos da Lei 10.101/00, como integrante do Salário de Contribuição mensal da Impugnante. Toda a análise realizada e as conclusões emitidas tiveram como base documentos apresentados pela empresa no decorrer da ação fiscal, inexistindo as alegadas “ficções, teses, criadas a partir de critérios pessoais sobre como deveriam ser as condições do PLR firmado entre o Contribuinte e seus empregados”. Todavia, alisaremos de forma isolada cada um dos motivos que levaram a Fiscalização a considerar o PLR do recorrente como parcela integrante do salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária, quais sejam: inexistência do acordo prévio, ausência de regras claras e objetivas e ausência de participação do sindicato. Aspecto temporal da assinatura do acordo de PPR São abalizadas as teses que se formaram neste Conselho acerca do momento da assinatura do PLR. Alguns firmaram entendimento no sentido de que a formalização do plano deve ser anterior ao exercício a que corresponde; outros entendem que essa formalização pode ocorrer mesmo após o início do período de apuração dos critérios pertinentes ao programa de PLR. É sabido que a assinatura do plano representa o encerramento formal de todo um ciclo de negociações, muitas vezes pautadas por inúmeras reuniões para se chegar a um acordo de PLR, que atenda aos objetivos traçados pela legislação de regência. Assiste razão ao recorrente quando assevera que a Lei nº 10.101/2001 não delimita um marco temporal para assinatura do acordo. Todavia, mesmo não me filiando ao entendimento dos que pensam que a assinatura do programa deve ser obrigatoriamente anterior ao exercício a que se refere, entendo que a formalização do PLR/PPR deverá se dar anteriormente ao pagamento de qualquer uma de suas parcelas, bem como a formalização deverá ocorrer, se não antes, ao menos no decorrer do exercício a que se refere. No caso dos autos, o Auditor notificante assinala que o PPR foi assinado nas seguintes datas: Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 220 14 Verificase, pois, que para ambos os programas, a formalização só ocorreu no exercício seguinte ao que se referiam. A ausência de assinatura do acordo dentro do mesmo ano, a meu ver, descaracteriza o programa, eis que, a rigor, houve o pagamento sem a fixação de regras para o seu recebimento. Ainda que se possa dizer que as regras estariam estabelecidas no decorrer das negociações, a ausência de formalização do acordo, não gera qualquer garantia que as regras que estavam sendo negociadas seriam as definitivas. Destarte, entendo que o pagamento no exercício seguinte culminou no descumprimento da obrigação imposta na Lei nº 10.101/2010, de que as metas deverão ser previamente pactuadas. Assim, nego provimento ao recurso nesse tocante. Participação do Sindicato Em relação à participação do representante sindical nas negociações do PLR, exigência legal, inserta no art. 2º, I, da Lei nº 10.101/2001, para o caso que se cuida esse requisito não comporta maiores digressões, eis que a recorrente reconheceu que não houve a participação do sindicato nas negociações, se limitando a asseverar que agiu pautada no princípio da liberdade de iniciativa, previsto no art. 170 da Constituição Federal. Portanto, a ausência de participação do sindicato na negociação é mácula que invalida o PPR, nos termos em que concebido pela Lei nº 10.101/2001. Desse modo, também quanto a este aspecto não assiste razão ao recorrente. Da fixação de regras claras e objetivas Quanto a este aspecto, é necessário repisar o que exposto pela Fiscalização, no sentido de que os empregados são avaliados por fatores/aspectos altamente subjetivos. No critério “comportamento profissional” são considerados comprometimento, criatividade, ambição e reatividade e, no caso de ocupantes de cargo de nível gerencial, há também a avaliação do “comportamento gerencial” que leva em conta responsabilidade, confiança, cooperação transversal e autonomia; A empresa não conseguiu explicar como obteve e calculou o valor efetivamente pago a título de PLR a cada empregado, demonstrando a discricionariedade utilizada na definição dos montantes a serem pagos, que estão inclusive sujeitos à ingerência de decisão externa dos comandos centrais localizados fora do Brasil. Cita como exemplo os casos de Fl. 221DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 221 15 Francisco Freitas de Oliveira que, referente ao ano de 2004, tendo um salário mensal à época de R$ 16.450,00 e conforme enquadramento teria direito a um mínimo de 2,02 salários, recebeu de fato R$ 1.206.054,00, valor este que a empresa não soube explicar como foi obtido. As metas de desempenho, o orçado, para as áreas de negócios (áreas de atuação) são estabelecidas pela Casa Matriz (sediada em Paris) ou pelos comandos centrais localizados no exterior; Com relação ao resultado (sucesso) das áreas de atuação e considerando que a comparação efetiva entre o orçado e o realizado deve ser feita entre a coluna “Forecast” e a coluna “Final”, constantes do Anexo da Carta BNPP/DIJUR7087/09, concluise que em 2004 não houve sucesso da área (orçado = 138.103 / realizado = 118.224) e, portanto, não poderia nem deveria ter havido pagamento a título de PLR no ano seguinte, uma vez que todos os critérios devem ser atingidos, como expressamente determinado nas premissas do Anexo do próprio acordo coletivo. Diferentemente do que afirmado pela recorrente, o atingimento de metas que se relacionam à capacidade técnica, assiduidade, comprometimento, respeito, pontualidade, relacionamento com a equipe e qualidade de atendimento são extremamente subjetivas e dependem da percepção de cada avaliador, não atingido a finalidade buscada pela lei, ao estabelecer que as regras devem ser claras e objetivas. De outro lado, o não atingimento das metas previamente pactuadas não podem gerar o pagamento de PLR, ainda que de forma parcial, uma vez que essa condição não foi acordada. Acrescente a isso, o fato de que o funcionário Francisco Freitas de Oliveira recebeu mais de 36 (trinta e seis) vezes o que teria direito de receber de PLR. Todos esses elementos fáticos analisados em conjunto levam esse julgador a formar sua convicção no mesmo sentido da autoridade lançadora, de que houve uma liberalidade no pagamento de PLR aos funcionários da recorrente sem embasamento legal. Destarte, é imperioso reconhecer que os pagamentos efetuados sob o manto da imunidade devem ser considerados como integrantes do salário de contribuição, eis que pagos em desacordo com os ditames estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. ( Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 222DF CARF MF Processo nº 16327.001147/200911 Acórdão n.º 2201004.567 S2C2T1 Fl. 222 16 Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722325/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/04/2005, 28/02/2006, 31/03/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço remunerado, descontando-as da respectiva remuneração.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos. Não tendo transcorrido tal prazo, considera-se a inocorrência da decadência.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/04/2005, 28/02/2006, 31/03/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço remunerado, descontando-as da respectiva remuneração. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos. Não tendo transcorrido tal prazo, considera-se a inocorrência da decadência. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.722325/2010-05
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888857
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.442
nome_arquivo_s : Decisao_10580722325201005.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 10580722325201005_5888857.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7384182
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589760323584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1995; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 166 1 165 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722325/201005 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.442 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente UNIBAHIA UNIDADE BAIANA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/04/2005, 28/02/2006, 31/03/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço remunerado, descontandoas da respectiva remuneração. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos. Não tendo transcorrido tal prazo, considerase a inocorrência da decadência. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 23 25 /2 01 0- 05 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10580.722325/201005 Acórdão n.º 2202004.442 S2C2T2 Fl. 167 2 de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.722325/201005, em face do acórdão nº 0643.933, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), em sessão realizada em 30 de setembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Trata o presente processo de impugnação apresentada em face do Auto de Infração de fl. 2, DEBCAD nº 37.235.1379, cadastrado no COMPROT sob nº 10580.722325/201005 e lavrado em 10/03/10 contra a empresa UNIBAHIA UNIDADE BAIANA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO LTDA., no valor de R$ 1.719,09 (mil setecentos e dezenove reais e nove centavos), referente “às contribuições sociais dos segurados contribuintes individuais, as quais não foram arrecadadas pelo empregador mediante desconto, incidente sobre as respectivas remunerações (conforme recibos e notas fiscais de pagamentos a pessoas físicas prestadoras de serviços do período fiscalizado) atinentes às competências 04/2005, 02/2006 a 03/2006” 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 70 a 79, as contribuições foram lançadas no seguinte código de levantamento: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10580.722325/201005 Acórdão n.º 2202004.442 S2C2T2 Fl. 168 3 PF1 (Serviço Prestado Pessoa Física) remunerações pagas aos prestadores de serviços pessoas físicas em contraprestação a serviços prestados sem vínculo empregatício à UNIBAHIA. A empresa não arrecadou, mediante desconto das remunerações, as contribuições desses segurados contribuintes individuais. Esses valores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social). Essas remunerações não foram informadas nas folhas de pagamento fornecidas à fiscalização. A fiscalização solicitou, mediante Termo de Intimação Fiscal – TIF os recibos ou notas fiscais comprobatórios do pagamento a esses contribuintes individuais lançados nos Livros Diários em algumas contas dentre as quais 55136 (Serv TerceirosPF), 55103Conservação de bens e 55110Manutenção e Reparações, além de solicitar todas as Notas Fiscais, faturas e recibos de mão deobra. Não foram fornecidos todos os documentos solicitados à fiscalização (conforme análise das Notas Fiscais, faturas e recibos de mãodeobra fornecidos em confronto com os livros contábeis do período fiscalizado) apenas alguns dos itens foram disponibilizados, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração 37.235.1409 correspondente ao Código de Fundamentação Legal (CFL) 38 por não apresentar à fiscalização documentos (quais sejam notas fiscais ou recibos de serviços prestados por pessoas físicas sem vínculo empregatício com a UNIBAHIA) relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991. 3. O procedimento fiscal e os lançamentos efetuados estão explicitados no Relatório Fiscal já cidado e nos demais anexos (em especial: DD – DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, fls. 5 e 6, RDA – RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS, fls. 7 a 9 e RADA – RELATÓRIO DE APROPRIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS, fls. 10 a 15. A fundamentação legal foi exposta no anexo FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, fls. 16 e 17. 4. Informa o Relatório Fiscal, ainda, que, por ter sido “verificada a omissão em GFIP das contribuições sociais da empresa, o que configura, em tese, o ilícito tipificado no artigo 337A, I, do Decreto Lei 2.848/40 o fato será objeto de comunicação à autoridade pública competente para a proposição de eventual ação penal Ministério Público Federal, em relatório à parte.” 5. Cientificado do lançamento em 10/03/10, conforme recibo de entrega de arquivos de fls. 109 a 111, o contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 117 a 134, em 09/04/10, alegando, em síntese, que: a) decaiu o direito da Fazenda pública de lançar os créditos referentes à competência 03/2005, haja vista o disposto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10580.722325/201005 Acórdão n.º 2202004.442 S2C2T2 Fl. 169 4 b) “todas as remunerações pagas às pessoas que se relacionaram com a Impugnante, seja como segurado empregado, seja com qualquer outra natureza, foram declaradas cm GFIP”; c) “os pagamentos feitos constantes em folha de pagamento e Livros Diários que não foram declarados em GFIP foram devido ao fato, justamente, de não se tratarem de remuneração por serviços prestados, mas sim de outros pagamentos de natureza diversa (ressarcitória e afins, dentre outras), pagamentos estes que não integram o salário de contribuição e, consequentemente, não são base de cálculo para as contribuições previdenciárias”; d) “a Impugnante, quando contratou prestação de serviços (contribuintes individuais) procedeu com a devida retenção, cumprindo a sua obrigação acessória, sendo certo que só não foram declarados em GFIP aqueles pagamentos ressarcitórios”; e) no caso em tela, “verificase a necessidade de realização de diligências e perícias (contábil e in locu) para averiguar não só os equívocos constantes nos dados utilizados no Auto de Infração, mas, também, a razão das alegações promovidas nas impugnações específicas.” Para tal, nomeia como “assistente pericial [...] Vanize Reis da Hora Santana, CRC 024271/BA, com endereço profissional no loteamento Varandas Tropicais, Lote 18, Quadra 01, Lauro de FreitasBa”, para responder às questões que seguem na impugnação. 6. Diante dessas considerações, requer o Impugnante o reconhecimentos da decadência e a declaração de improcedência do Auto de Infração ora questionado, bem como a juntada de todas as provas que se fizerem necessárias e a realização de perícia contábil. 7. O presente processo foi juntado, por apensação, ao processo nº 10580.722322/201063. 8. É o Relatório." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada com o resultado do julgamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 155/159, onde reitera as alegações expostas em impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10580.722325/201005 Acórdão n.º 2202004.442 S2C2T2 Fl. 170 5 Da alegação de decadência. O prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos, a contar do fato gerador; salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que atrairia a regra do art. 173 do CTN, por força da própria parte final do § 4° do art. 150 do CTN. Acontece, porém, como acertadamente referiu o voto da DRJ de origem, que em relação à competência 03/2005, o fato gerador (o pagamento das remunerações) ocorreu somente no final do mês de março ou no início de abril. Portanto, quando o lançamento foi efetuado, ou seja, em 09/03/10, o direito aos créditos referentes à competência 03/2005 ainda não havia decaído. Rejeito a preliminar de decadência, portanto. Pedido de produção de provas, diligências e perícia. A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedentes tais pedidos. Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas pela contribuinte. Mérito. Conforme se observa na defesa apresentada, o Impugnante alega, em relação a todos os códigos de levantamento, que efetuou corretamente as informações em GFIP e que se algum valor não foi informado em GFIP, não o foi por não integrar o salário de contribuição e, consequentemente, não compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Em que pese a defesa pretendida, observase que a contribuinte faz apenas uma argumentação genérica, tanto em recurso voluntário quanto em impugnação, sem demonstrar que os valores apontados pela fiscalização não estão corretos. A esse respeito, cabe destacar que a fiscalização foi bastante minuciosa ao detalhar, em seu Relatório Fiscal, as irregularidades apuradas durante o procedimento. Vide o seguinte trecho extraído das fls. 71 e 72 dos autos: 15 Nessa fiscalização foram apurados valores que o contribuinte deixou de declarar em GFIP, em época própria, referentes às seguintes situações diferentes: Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10580.722325/201005 Acórdão n.º 2202004.442 S2C2T2 Fl. 171 6 15.1 Em uma primeira situação, o contribuinte deixou de declarar valores pagos a contribuintes individuais conforme subitem 5.3 e deixou de declarar valores pagos a segurados empregados e a sócios administradores conforme subitens 5.1 e 5.2. 15.2 Numa segunda situação a empresa declarou valores menores em GFIP (nas competências 03/2005, 05/2005 a 11/2005 e 01/2006) do que os valores já recolhidos/pagos antes do início da ação fiscal, através de Guias da Previdência Social (GPS). 15.3 Para as competências 03/2005 a 12/2005 e 01/2006 a 03/2006 as respectivas GFIP foram declaradas antes do inicio dessa ação fiscal e são, também, anteriores a 04/12/2008, ou seja, foram entregues antes da vigência da Medida Provisória n2 449/2008. 15.4 A GFIP referente à competência 13/2005 foi declarada em 05/06/2009, portanto já na vigência da Medida Provisória ns 449/2008. 15.5 As GFIP referentes às competências 03/2005 a 08'2005, 11/2005, 12/2005 e 02/2006 a 03/2006 tiveram alguns segurados declarados erroneamente no código FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 515, sendo que para o ramo de atividade da UNIBAHIA o código FPAS correto é o 574. Portanto, tendo em vista que a recorrente não demonstrou a alegada improcedência dos valores apurados pela fiscalização e nem carreou aos autos elementos de prova capazes de firmar a convicção para a procedência do recurso, concluise pela manutenção do lançamento conforme operado pela fiscalização. Cumpre ressaltar, outrossim, que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cabe à contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção, o que não ocorreu no caso presente. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Portanto, carece de razão à recorrente, devendo ser mantido o lançamento. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10580.722325/201005 Acórdão n.º 2202004.442 S2C2T2 Fl. 172 7 Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13873.720086/2013-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Não se vislumbra a existência de divergência quando há aplicabilidade de decisão de cunho obrigatório emanada da Suprema Corte, na decisão recorrida, mas o acórdão paradigma, por ser de momento anterior, não se manifesta acerca da aplicação da decisão judicial.
Numero da decisão: 9202-007.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se vislumbra a existência de divergência quando há aplicabilidade de decisão de cunho obrigatório emanada da Suprema Corte, na decisão recorrida, mas o acórdão paradigma, por ser de momento anterior, não se manifesta acerca da aplicação da decisão judicial.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13873.720086/2013-96
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891029
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-007.010
nome_arquivo_s : Decisao_13873720086201396.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 13873720086201396_5891029.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7389481
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589771857920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13873.720086/201396 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.010 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SEBASTIÃO DA SILVA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se vislumbra a existência de divergência quando há aplicabilidade de decisão de cunho obrigatório emanada da Suprema Corte, na decisão recorrida, mas o acórdão paradigma, por ser de momento anterior, não se manifesta acerca da aplicação da decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 72 00 86 /2 01 3- 96 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2402005.013 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 17 fevereiro de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 106: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Recurso Voluntário Provido. O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 115 a 120, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 130 a 134, para rediscutir a decisão recorrida, no tocante ao regime de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente. Destacase que, para a decisão a quo, deve ser cancelada a exigência tributária, enquanto, para o acórdão paradigma, devem ser aplicadas as tabelas vigentes à época em que os rendimentos foram auferidos pelo contribuinte. Aduz a Fazenda, em síntese, que: a) mais especificamente, temos que não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; b) deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, fls, 145 a 149, argüindo, em síntese: a) não há que se falar em reforma do acórdão, visto que tal possibilidade aventada no presente recurso, já foi anteriormente debelada pelo Recorrido; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13873.720086/201396 Acórdão n.º 9202007.010 CSRFT2 Fl. 3 3 b) em se tratando de verba alimentar recebida acumuladamente em época atemporal, por força de ação judicial, sua incidência, se apurado mensalmente, mesmo não se aplicando os descontos legais, não supera e nenhum mês ou exercício, o limite imposto pela Receita Federal. É. o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento. Embora não argüida pela Recorrida a questão atinente ao conhecimento do recurso interposto pela Procuradoria, importante se faz apreciar, de ofício, a matéria, tendo em vista os fundamentos que passo a expor. Não deve ser conhecido o presente recurso, pois a decisão vergastada utilizou como fundamento de decidir o REsp n.º 1.118.429/SP e, principalmente, o RE n.º 614.406, para a interpretação do art. 12 da Lei n.º 7.713/88, sendo que a decisão paradigma não tratou da aplicação do referido RE (Acórdão n.º 2201002.588), razão pela qual não se mostra possível vislumbrar que, caso aplicada a decisão do STF, a Turma se posicionaria da maneira ocorrida. Portanto, o acórdão paradigma não serve como parâmetro para a presente análise (aplicação da norma oriunda da decisão proferida nos autos do RE n.º 614.406). Cabe ressaltar que tal interpretação decorre inclusive da ausência de competência deste Conselho para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, de modo que, excepcionalmente, se admite o controle de constitucionalidade decorrente do cumprimento de precedente obrigatório, razão pela qual não seria possível ao colegiado paradigma, em controle de legalidade, fazer análise sobre os efeitos da inconstitucionalidade de um dispositivo legal, em face da ausência de aplicação da decisão proferida em sede de repetitivo. Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por ausência de demonstração da divergência jurisprudencial. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 160DF CARF MF 4 Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003133/2005-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2004
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM).
Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS.
A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas.
PROVA DO ALEGADO. AUSÊNCIA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS ALCACHOFRA COMPOSTA, GINKGO BILOBA, GERIPLUS E VITFORTE
A fiscalização encontra-se embasada em conjunto probatório em relação ao qual o Recorrente não trouxe qualquer elemento concreto contrário. Na forma do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, os argumentos invocados em sede de defesa, suscetíveis de desconstituir as alegações fiscais, devem ser provados por meio de documentos hábeis e idôneos.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL PRODUTO HAIR/HARR INTERN.
A ausência da precisa indicação da classificação fiscal da mercadoria no entendimento da fiscalização na atividade de reclassificação fiscal é uma falha na identificação de elemento essencial da regra matriz de incidência tributária, para a efetiva subsunção do fato à norma (antecedente normativo - hipótese de incidência), vez que não é possível identificar, no entender da fiscalização, em qual NCM se enquadra, exatamente, esta mercadoria. Com isso, mostra-se evidente o erro de direito cometido pela fiscalização quando da revisão da classificação fiscal, vez que, após analisar os fatos (dados técnicos da mercadoria) procedeu com um enquadramento jurídico precário, com a identificação da NCM aplicável com grande margem de dúvida.
BOA-FÉ. IRRELEVÂNCIA JURÍDICA.
Dentro do prazo decadencial que lhe é garantido pelo Código Tributário Nacional, a fiscalização analisou as operações realizadas pela empresa e identificou inconformidades na apuração da COFINS devida no período em razão da indevida classificação fiscal das mercadorias, não se encontrando a Recorrente amparada por lançamento fiscal anterior ou consulta por ela formulada junto à Receita. Desta forma, inexiste qualquer impedimento legal para a realização da autuação como feita pela fiscalização, com o acréscimo de multa e juros na forma da lei, não sendo juridicamente relevante se a Recorrente teria agido, ou não, de boa fé.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento recurso para excluir as exigência fiscais correspondentes ao produto "Hair/Harr Intern".
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2004 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. PROVA DO ALEGADO. AUSÊNCIA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS ALCACHOFRA COMPOSTA, GINKGO BILOBA, GERIPLUS E VITFORTE A fiscalização encontra-se embasada em conjunto probatório em relação ao qual o Recorrente não trouxe qualquer elemento concreto contrário. Na forma do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, os argumentos invocados em sede de defesa, suscetíveis de desconstituir as alegações fiscais, devem ser provados por meio de documentos hábeis e idôneos. CLASSIFICAÇÃO FISCAL PRODUTO HAIR/HARR INTERN. A ausência da precisa indicação da classificação fiscal da mercadoria no entendimento da fiscalização na atividade de reclassificação fiscal é uma falha na identificação de elemento essencial da regra matriz de incidência tributária, para a efetiva subsunção do fato à norma (antecedente normativo - hipótese de incidência), vez que não é possível identificar, no entender da fiscalização, em qual NCM se enquadra, exatamente, esta mercadoria. Com isso, mostra-se evidente o erro de direito cometido pela fiscalização quando da revisão da classificação fiscal, vez que, após analisar os fatos (dados técnicos da mercadoria) procedeu com um enquadramento jurídico precário, com a identificação da NCM aplicável com grande margem de dúvida. BOA-FÉ. IRRELEVÂNCIA JURÍDICA. Dentro do prazo decadencial que lhe é garantido pelo Código Tributário Nacional, a fiscalização analisou as operações realizadas pela empresa e identificou inconformidades na apuração da COFINS devida no período em razão da indevida classificação fiscal das mercadorias, não se encontrando a Recorrente amparada por lançamento fiscal anterior ou consulta por ela formulada junto à Receita. Desta forma, inexiste qualquer impedimento legal para a realização da autuação como feita pela fiscalização, com o acréscimo de multa e juros na forma da lei, não sendo juridicamente relevante se a Recorrente teria agido, ou não, de boa fé. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11020.003133/2005-39
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878137
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.338
nome_arquivo_s : Decisao_11020003133200539.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
nome_arquivo_pdf_s : 11020003133200539_5878137.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento recurso para excluir as exigência fiscais correspondentes ao produto "Hair/Harr Intern". (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7359709
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589782343680
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-06-27T15:17:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-06-27T15:17:37Z; Last-Modified: 2018-06-27T15:17:37Z; dcterms:modified: 2018-06-27T15:17:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-06-27T15:17:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-06-27T15:17:37Z; meta:save-date: 2018-06-27T15:17:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-06-27T15:17:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-06-27T15:17:37Z; created: 2018-06-27T15:17:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2018-06-27T15:17:37Z; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-06-27T15:17:37Z | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 496 1 495 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.003133/200539 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.338 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente LABORATORIO FARMACEUTICO VITAMED LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2004 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. PROVA DO ALEGADO. AUSÊNCIA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS ALCACHOFRA COMPOSTA, GINKGO BILOBA, GERIPLUS E VITFORTE A fiscalização encontrase embasada em conjunto probatório em relação ao qual o Recorrente não trouxe qualquer elemento concreto contrário. Na forma do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, os argumentos invocados em sede de defesa, suscetíveis de desconstituir as alegações fiscais, devem ser provados por meio de documentos hábeis e idôneos. CLASSIFICAÇÃO FISCAL PRODUTO HAIR/HARR INTERN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 31 33 /2 00 5- 39 Fl. 496DF CARF MF 2 A ausência da precisa indicação da classificação fiscal da mercadoria no entendimento da fiscalização na atividade de reclassificação fiscal é uma falha na identificação de elemento essencial da regra matriz de incidência tributária, para a efetiva subsunção do fato à norma (antecedente normativo hipótese de incidência), vez que não é possível identificar, no entender da fiscalização, em qual NCM se enquadra, exatamente, esta mercadoria. Com isso, mostrase evidente o erro de direito cometido pela fiscalização quando da revisão da classificação fiscal, vez que, após analisar os fatos (dados técnicos da mercadoria) procedeu com um enquadramento jurídico precário, com a identificação da NCM aplicável com grande margem de dúvida. BOAFÉ. IRRELEVÂNCIA JURÍDICA. Dentro do prazo decadencial que lhe é garantido pelo Código Tributário Nacional, a fiscalização analisou as operações realizadas pela empresa e identificou inconformidades na apuração da COFINS devida no período em razão da indevida classificação fiscal das mercadorias, não se encontrando a Recorrente amparada por lançamento fiscal anterior ou consulta por ela formulada junto à Receita. Desta forma, inexiste qualquer impedimento legal para a realização da autuação como feita pela fiscalização, com o acréscimo de multa e juros na forma da lei, não sendo juridicamente relevante se a Recorrente teria agido, ou não, de boa fé. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento recurso para excluir as exigência fiscais correspondentes ao produto "Hair/Harr Intern". (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Fl. 497DF CARF MF Processo nº 11020.003133/200539 Acórdão n.º 3402005.338 S3C4T2 Fl. 497 3 Tratase de Auto de Infração para a exigência de COFINS decorrente da reclassificação fiscal de mercadorias realizada pela fiscalização. Segundo o entendimento fiscal, os seguintes produtos foram classificados nas NCMs equivocadas pela empresa, como se detalha a seguir em conformidade com o Relatório de atividade fiscal das efls. 30/35: Produto Indicação conforme empresa (efls. 39/41) Classificação adotada pela empresa Classificação da fiscalização Alcachofra Composta Medicamento Fitoterápico (efls. 126/129) para controle do nível de colesterol, anemia, diurético, laxante suave 1302.19.90 Gomas, resinas e outros sucos e extratos vegetais Sucos e extratos vegetais; matérias pécticas, pectinatos e pectatos; ágarágar e outros produtos mucilaginosos e espessantes, derivados dos vegetais, mesmo modificados Sucos e extratos vegetais: Outros Outros Sucos E Extratos, De Outros Vegetais 3004.90.99 Produtos farmacêuticos Medicamentos (exceto os produtos das posições 3002, 3005 ou 3006) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses (incluídos os destinados a serem administrados por via percutânea) ou acondicionados para venda a retalho Outros Outros Outros Ginkgo Biloba Medicamento Fitoterápico Tradicional (efls. 130/132) Redução de memória e de concentração, labirintites e vertigens, auxiliando na regeneração cerebral e vascular 1302.19.30 Gomas, resinas e outros sucos e extratos vegetais Sucos e extratos vegetais; matérias pécticas, pectinatos e pectatos; ágarágar e outros produtos mucilaginosos e espessantes, derivados dos vegetais, mesmo modificados Sucos e extratos vegetais: Outros De ginkgo biloba, seco 3004.90.99 Produtos farmacêuticos Medicamentos (exceto os produtos das posições 3002, 3005 ou 3006) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses (incluídos os destinados a serem administrados por via percutânea) ou acondicionados para venda a retalho Outros Outros Outros Hair/Haar Intern em meio líquido Restaurador biológico da saúde, do crescimento e do equilíbrio dos cabelos. Tratamento medicinal para queda, falta de brilho e oleosidade dos cabelos (efls. 133/135) 3004.50.90 Produtos farmacêuticos Medicamentos (exceto os produtos das posições 3002, 3005 ou 3006) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses (incluídos os destinados a serem administrados por via percutânea) ou acondicionados para venda a retalho Outros medicamentos contendo vitaminas ou outros produtos da posição 2936 Outro 3305.90.00 Óleos essenciais e resinóides; produtos de perfumaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas Preparações capilares Outras Hair/Haar Intern em comprimido e solução Restaurador biológico da saúde, do crescimento e do equilíbrio dos cabelos. Tratamento medicinal para queda, falta de brilho e oleosidade dos cabelos (efls. 133/135) 2936.90.00 Produtos químicos orgânicos Provitaminas e vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese (incluídos os concentrados naturais), bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas, misturados ou não entre si, mesmo em quaisquer soluções Outras, incluídos os concentrados naturais 3305.90.00 Óleos essenciais e resinóides; produtos de perfumaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas Preparações capilares Outras Geriplus Suplemento vitamínico 2936.90.00 Produtos químicos orgânicos 3004.50.90 Produtos farmacêuticos Fl. 498DF CARF MF 4 mineral (efls. 136/137) para combater o stress, esgotamento físico e mental Provitaminas e vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese (incluídos os concentrados naturais), bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas, misturados ou não entre si, mesmo em quaisquer soluções Outras, incluídos os concentrados naturais Medicamentos (exceto os produtos das posições 3002, 3005 ou 3006) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses (incluídos os destinados a serem administrados por via percutânea) ou acondicionados para venda a retalho Outros medicamentos contendo vitaminas ou outros produtos da posição 2936 Outros Vitforte Produto tradicional VITAMED, com avançada fórmula de ação ortomolecular. Poliminerais e Polivitamínico de alta performance (efls. 139/141) Combater o stress, esgotamento físico e mental 2936.90.00 Produtos químicos orgânicos Provitaminas e vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese (incluídos os concentrados naturais), bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas, misturados ou não entre si, mesmo em quaisquer soluções Outras, incluídos os concentrados naturais 3004.50.90 Produtos farmacêuticos Medicamentos (exceto os produtos das posições 3002, 3005 ou 3006) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses (incluídos os destinados a serem administrados por via percutânea) ou acondicionados para venda a retalho Outros medicamentos contendo vitaminas ou outros produtos da posição 2936 Outros Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa. Em análise desta defesa, o processo foi convertido em diligência pelo Despacho das efls. 196/200, sintetizada nos seguintes termos à efl. 200: Em resposta a esta diligência, foi elaborado o relatório das efls. 357/360, trazendo os esclarecimento solicitados: Fl. 499DF CARF MF Processo nº 11020.003133/200539 Acórdão n.º 3402005.338 S3C4T2 Fl. 498 5 Fl. 500DF CARF MF 6 Após a intimação da empresa do relatório da diligência, o processo foi julgado pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre por meio do Acórdão n.º 10.46.551, entendendo por negar provimento à Impugnação. Referido julgado foi ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2004 PRODUTOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RECLASSIFICAÇÃO PELO FISCO. Restando correta a reclassificação fiscal procedida pelo Fisco, com alteração para maior da alíquota da contribuição, tornamse exigíveis as diferenças apuradas, acompanhadas dos acréscimos legais previstos na legislação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2004 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A falta de recolhimento ou de pagamento da contribuição apurada em procedimento de ofício sujeita o contribuinte à aplicação da multa de 75% e dos juros de mora com base na taxa Selic, por força de expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 368) Intimada desta decisão em 03/10/2013 (efl. 384), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 04/11/2013 (efls. 386/390) reiterando os argumentos aduzidos em sede de impugnação, alegando, em síntese: (i) que não houve erro quanto a classificação fiscal dos produtos, que estavam em conformidade com consultoria prestada por empresa terceira em 2001. Entende a Recorrente que teria agido de boafé e em conformidade com o registro dos medicamentos junto a ANVISA. (ii) a impossibilidade dos efeitos da reclassificação fiscal retroagir para os 5 (cinco) anos anteriores a autuação com o acréscimo de juros e multa. Indica ainda que seria boa fé da Recorrente e seu direito classificar o produto da forma que julgou mais adequada e favorável aos seus produtos. Em seguida, os autos foram direcionados para este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 501DF CARF MF Processo nº 11020.003133/200539 Acórdão n.º 3402005.338 S3C4T2 Fl. 499 7 Conheço do Recurso Voluntário interposto, por tempestivo, adentrando em suas razões. I DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS MERCADORIAS A classificação fiscal das mercadorias é uma atividade jurídica de avaliar a subsunção do fato à norma pautada em dados técnicos concernentes à mercadoria. Assim, para avaliar o enquadramento do produto no código correto da NCM, necessário se atentar para suas particularidades técnicas e seu correspondente enquadramento dentro da Convenção do Sistema Harmonizado (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição). Esse caminho interpretativo, que deve ser observado pelos auditores fiscais quando da revisão da NCM adotada pelos contribuintes, foi muito bem elucidado em julgamento neste E. CARF de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, que consignou em sua ementa: "Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 30/10/2000 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LAUDO TÉCNICO. RECONHECIDA INSTITUIÇÃO. ACOLHIDA. Solicitado pela recorrente laudo técnico complementar, por reconhecida instituição, buscando possibilitar a precisa identificação da função de um dos elementos que compõem a mercadoria que é objeto de contencioso sobre classificação, e aprovada a solicitação pelo colegiado julgador, legítima a acolhida dos resultados do laudo correspondente para a correta classificação da mercadoria. (...)" (Processo n.º 11128.006876/200309. Data da Sessão 26/09/2016. Relator Rosaldo Trevisan Acórdão n.º 3401003.229. Unânime grifei). No presente processo, com fulcro nas informações apresentadas pela Recorrente no curso da fiscalização, a fiscalização procedeu com a reclassificação de mercadorias comercializadas pela Recorrente. Esse procedimento foi respaldado nas notas explicativas do sistema harmonizado e em soluções de consultas da Receita Federal quanto a produtos com composições semelhantes, com exceção apenas do produto "Hair/Haar Intern" que será objeto de análise mais específica adiante. Para os demais produtos (Alcachofra Fl. 502DF CARF MF 8 composta, Ginkgo Biloba, Geriplus e Vitforte) o fundamento para a reclassificação foi desenvolvido em detalhes pela r. decisão recorrida, que não merece reparo: "No que tange aos demais produtos verificados, temse que: a) Alcachofra Composta: refere a Regra Geral nº 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH)1), que para os efeitos legais a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas outras regras gerais. A posição (3004) tem em seu texto: medicamentos (...) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses ou acondicionados para venda a retalho. Neste sentido, ainda, a Nota 2 da Seção 6 prescreve: (...) qualquer produto que, em razão da sua apresentação em doses ou do seu acondicionamento para venda a retalho, se inclua numa das posições 3004, 3005, 3006, (...), deverá classificarse por uma destas posições e não por qualquer outra posição da Nomenclatura. A este respeito as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH – posição 3004) esclarecem que consideramse como tais os produtos (por exemplo, o bicarbonato de sódio e o pó de tamarindo) que, em virtude do seu acondicionamento e principalmente da presença, sob qualquer forma, de indicações apropriadas (natureza da enfermidade contra a qual devem ser ministrados, modo de usar, posologia, etc.), deixem clara a destinação para venda direta aos utilizadores (particulares, hospitais, etc.), sem novo acondicionamento, para os fins acima referidos. Conforme fls. 126 a 129, o produto analisado é acondicionado para venda a retalho, possuindo sua bula informações ao paciente, o que lhe confere as características de medicamento na acepção da posição 3004. A Regra Geral 6 (RGI(SH)6) refere que a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Suposição respectivas, assim como, mutatis mutantis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições de mesmo nível. A posição 3004 tem oito subposições completas. A subposição 3004.90 outros é a adequada por não haver subposição específica para o medicamento em questão. Assim, no item 3004.90.9, o código 3004.90.99 é o correto para classificar tal medicamento, por não haver item ou subitem específico para o mesmo (neste sentido, ver Decisões SRRF 6ª/RF nºs 10/001, publicada no DOU de 01/08/2000, e 19/002, com publicação no DOU de 23/11/2000); b) Ginkgo Biloba: tendo em vista que o produto em questão é um extrato vegetal, poderseia cogitar o seu enquadramento na posição 1302, cujo texto contém Sucos e extratos vegetais; matérias pécticas, pectinatos e pectados; ágarágar e outros produtos mucilaginosos e espessantes, derivados dos vegetais, mesmo modificados, como entendeu a contribuinte. A posição 3004, de texto Medicamentos (exceto os produtos das posições 3002, 3005 ou 3006) constituídos por produtos misturados ou não misurados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses ou acondicionados para venda a retalho, também poderia ser aplicada para o produto, já que tem ele característica de medicamento (registro no MS), sendo sua finalidade comprovada 1 "ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TIPI Mercadoria 3004.90.99 Medicamento à base de extrato de alcachofra, extrato de alecrim, extrato de boldo chileno e extrato de capeba, em solução oral, acondicionado para venda a varejo, com indicação terapêutica nos casos de afecções hepáticas, comercialmente denominado "Figabom"." (DECISÃO Nº 10 de 19 de Julho de 2000 grifei) 2 "ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TIPI Mercadoria 3004.90.99 Medicamento à base de extrato seco de Alcachofra, extrato seco de Chábugre , extrato seco de Carqueja e extrato seco de Boldo Chileno, em comprimido, acondicionado para venda a varejo, com indicação terapêutica em vários casos de obesidade, comercialmente denominado CABIFLEX." (DECISÃO Nº 19 de 25 de Agosto de 2000 grifei) Fl. 503DF CARF MF Processo nº 11020.003133/200539 Acórdão n.º 3402005.338 S3C4T2 Fl. 500 9 pelas indicações constantes da bula (fls. 131 a 132). Sua apresentação em doses (comprimidos) atende a outra condição explicitada pelo texto da posição. A Nota 1, alínea f, do Capítulo 13, exclui da posição 1302 os medicamentos das posições 3003 e 3004. A Nota 2 da Seção VI Produtos das indústrias químicas ou das indústrias conexas estabelece que, em razão da sua apresentação em doses ou do seu acondicionamento para venda a retalho, as posições 3004, 3005, 3006, 3212, 3303, 3304, 3305, 3306, 3307 ou 3308 terão prioridade na classificação do produto sobre qualquer outra posição da Nomenclatura. Por essas razões, o produto em estudo deve ser incluído na posição 3004. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/NESH referentes à posição 1302, ratificam o enquadramento do produto na posição 3004. Assim, como se trata de um medicamento obtido exclusivamente de extratos ou sucos vegetais, que não contém os princípios medicamentosos citados nos textos das subposições 3004.10 a 3004.50, deve ele ser enquadrado na subposição residual 3004.90. Também por não corresponder aos textos dos desdobramentos regionais seguintes, o produto deve ser classificado no item e no subitem residual 3004.90.99 (neste sentido, ver Decisão SRRF 9ª/RF nº 24/003, publicada no DOU de 06/04/2000); (...) d) Geriplus: a classificação de mercadorias na NCM é realizada com o emprego, conforme o caso, das seis Regras Gerais Interpretativas do Sistema Harmonizado (RGI/SH) e das duas Regras Gerais Complementares da NCM (RGC/NCM). A primeira Regra Geral de Interpretação do SH dispõe que Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas Regras seguintes. Isso observado, devese buscar as posições e Notas que são aplicáveis ao produto em questão. Em primeiro lugar, devese considerar que as substâncias ativas da formulação são vitaminas incluídas na posição 29.36, cujo texto é Provitaminas e vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese (incluídos os concentrados naturais), bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas, misturados ou não entre si, mesmo em quaisquer soluções. Todavia, apesar de estarem misturadas entre si, o que poderia sugerir a posição indicada no parágrafo anterior, no presente caso as vitaminas estão associadas a excipientes (que não é o caso de uma solução) o que lhes confere um uso particular como medicamento. Deste feito, a classificação é excluída do Capítulo 29 por aplicação das disposições da Nota 1 desse Capítulo, que exclui misturas, soluções e outras preparações não ressalvadas pelos textos de suas posições e Notas. Ademais, a Nota 2 da Seção V (Produtos das Indústrias Químicas ou das Indústrias Cosméticas), dispõe: 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 acima, qualquer produto que, em razão da sua apresentação em doses ou do seu acondicionamento para venda a retalho, se inclua numa das posições 30.04, 30.05, 30.06, 32.12, 33.03, 33.04, 33.05, 33.06, 33.07, 35.06, 37.07 ou 38.08, deverá classificarse por uma destas posições e não por qualquer outra posição da Nomenclatura. 3 "ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TIPI Mercadoria 3004.90.99 Extrato vegetal de ginkgo biloba seco, recomendado em material publicitário para problemas circulatórios, combate aos radicais livres, etc., apresentado em cápsulas gelatinosas de 250mg, para venda a varejo em frascos plásticos contendo 60 cápsulas, denominado comercialmente “Ginkgo Biloba”. (...)" (DECISÃO Nº 24 de 24 de Fevereiro de 2000 grifei) Fl. 504DF CARF MF 10 Conforme se depreende das fls. 136 a 137, o medicamento ora analisado é apresentado sob a forma de comprimidos, ou seja, em doses, e em embalagens para venda direta a consumidor final. Assim, mesmo que cogitada outra possibilidade de classificação, as posições mencionada na Nota acima reproduzida têm preferência sobre quaisquer outras da Nomenclatura. Dessa forma, fazse mister reproduzirse o texto da posição 3004: 30.04 Medicamentos (exceto os produtos das posições 30.02, 30.05 ou 30.06) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados na forma de doses (incluídos os destinados a serem administrados por via percutânea) ou acondicionados para venda a retalho. Como visto, o produto atende exatamente ao texto dessa posição, pois se trata de um medicamento constituído por produtos misturados, apresentado em doses e, ainda, acondicionado para venda a retalho. Em nível de subposição, são excluídas as 3004.10 a 3004.40, pois o produto não contém qualquer tipo de antibiótico, hormônio ou alcalóide, sendo cabível a subposição 3004.50 – Outros medicamentos contendo vitaminas ou outros produtos da posição 29.36. Em que pese a medicação conter nicotinamida e pantotenato de cálcio, por aplicação das RGC1 combinadas com as Regras Gerais 2b e 3b, verificase que o principal componente do medicamento, ou seja, o que lhe confere a característica essencial, são as vitaminas (especialmente a C), donde a classificação deverá ser realizada no item 3004.50.90 (neste sentido ver IN SRF nº 281, de 2003, publicada no DOU de 14/01/2003; Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA nº 28, de 01/02/20064); e) Vitforte: no caso deste produto valem as mesmas argumentações contidas neste Voto em relação ao medicamento Geriplus, sendo cabível destacar a Nota 2 da Seção V (Produtos das Indústrias Químicas ou das Indústrias Cosméticas) que dispõe: 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 acima, qualquer produto que, em razão da sua apresentação em doses ou do seu acondicionamento para venda a retalho, se inclua numa das posições 30.04, 30.05, 30.06, 32.12, 33.03, 33.04, 33.05, 33.06, 33.07, 35.06, 37.07 ou 38.08, deverá classificarse por uma destas posições e não por qualquer outra posição da Nomenclatura. Como o medicamento é apresentado sob a forma de cápsulas, ou seja, em doses, e em embalagens para venda direta a consumidor final (fls. 138 a 141), a posição apropriada ao produto é a 3004, sendo que a classificação deverá ser realizada no item 3004.50.90. Conclusão quanto aos produtos analisados Observadas as peças processuais, em especial os demonstrativos de fls. 22 a 29, o Relatório de Atividade Fiscal (fls. 30 a 35), os extratos de consulta de fls. 257 a 258, as planilhas de fls. 259 a 354 e o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 357 a 360), devese entender corretas as classificações fiscais das mercadorias conforme determinadas pelo autuante, que atendeu às Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. Disso decorre que nada deve ser alterado no lançamento fiscal (AI de COFINS)." (efls. 373/377 grifei) Especificamente quanto aos produtos Alcachofra composta, Ginkgo Biloba, Geriplus e Vitforte, observase que a Recorrente em sua defesa não traz qualquer argumento ou documento concreto capaz de afastar a conclusão alcançada pela fiscalização, se referindo de forma geral à uma consulta por ela formulada em 2001 para consultores independentes que 4 "ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TIPI Mercadoria 3004.50.90 Medicamento apresentado em frasco de plástico contendo 30 comprimidos, constituído basicamente da mistura de diversas vitaminas, com preponderância da Vitamina “C”, indicado para profilaxia e tratamento das carências vitamínicas decorrentes de doença renal crônica, denominado comercialmente “RenalVit” e cientificamente “Polivitamínico”." (SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 28 de 01 de Fevereiro de 2006 grifei) Fl. 505DF CARF MF Processo nº 11020.003133/200539 Acórdão n.º 3402005.338 S3C4T2 Fl. 501 11 teria ensejado a alteração da classificação fiscal de alguns produtos, bem como ao próprio registro na ANVISA dos produtos. Contudo, nenhum desses documentos foram anexados aos presentes autos, não constando sequer uma evidência da efetiva existência da consulta formulada aos terceiros ou mesmo da relevância dos registros da ANVISA no presente caso, se efetivamente possuiriam dados técnicos diferentes daqueles já constantes dos documentos acostados aos autos. Assim, observase que as alegações trazidas pelo Recorrente quanto aos produtos Alcachofra composta, Ginkgo Biloba, Geriplus e Vitforte não possuem qualquer substrato documental. De fato, não foram trazidos aos autos quaisquer documentos suscetíveis a afastar o detalhado relatório acostado ao Auto de Infração, endossado pela r. decisão recorrida, que concluiu pela necessidade de reclassificação das mercadorias. Observase, portanto, que a fiscalização se encontra embasada em conjunto probatório em relação ao qual o Recorrente não trouxe qualquer elemento concreto contrário. Ora, como é assente, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, os argumentos invocados que são suscetíveis de desconstituir as alegações fiscais, em conformidade com o art. 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Seja em sede de Impugnação ou de Recurso Voluntário, o Recorrente se respaldou em argumentos genéricos sem substrato documental ao tratar dos produtos Alcachofra composta, Ginkgo Biloba, Geriplus e Vitforte, que não foram suficientes à afastar as contundentes afirmações fiscais. Por outro lado, especificamente quanto ao produto "Hair/Haar Intern", entendo que a fiscalização não demonstrou as razões pelas quais esse produto deveria ser efetivamente enquadrado na posição 3305.90.00 (Óleos essenciais e resinóides; produtos de perfumaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas Preparações capilares Outras). No relatório fiscal, foi genericamente apontado quanto a este produto às efls. 32/33: Contudo, a informação técnica deste produto evidencia que ele seria um complexo vitamínico, como indicado no documento acostado à efl. 135 do processo: Fl. 506DF CARF MF 12 Exatamente em razão da divergência entre a classificação fiscal adotada pela fiscalização e as informações técnicas constantes da documentação acostada aos autos que o processo foi convertido em diligência especificamente quanto a esse produto. Como indicado no despacho de diligência (efl. 200): E a resposta da diligência não sanou essa dúvida, qual seja, do porque não se considerar esse produto como um composto vitamínico. A resposta da diligência, integralmente transcrita pela r. decisão recorrida neste ponto, apenas consignou: "Quanto ao motivo de ter sido considerado que o produto em questão se classificaria na posição 33.05.90.00 utilizandose, as soluções de consulta da Receita Federal do Brasil apenas como complementação do entendimento, justifica se pelo motivo de ter sido considerado que o produto em questão tratavase de produto de toucador. Conforme pesquisa realizada no sitio do Ministério da Saúde, o produto Hair Intern estava catalogado na categoria "outros produtos com ação Fl. 507DF CARF MF Processo nº 11020.003133/200539 Acórdão n.º 3402005.338 S3C4T2 Fl. 502 13 na pele e mucosas" (doc. fls 254) a qual mudou, em julho de 2005, para "polivitamínicos sem minerais" (doc. fls 255). No entanto, mesmo que esta não fosse a classificação fiscal correta para o produto em análise, não podemos considerar que se possa utilizar a classificação 29.36.90.00, classificação esta utilizada para produtos químicos não apresentados em doses. Para os produtos apresentados sob forma de doses a posição 30.04 "Medicamentos (exceto os produtos das posições 30.02, 30.05 ou 30.06) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados na forma de doses (incluídos os destinados a serem administrados por via percutânea) ou acondicionados para venda a retalho" é mais específico e, desta forma, deve prevalecer sobre a mais genérica. Mais especificamente a subposição 3004.50 "Outros medicamentos contendo vitaminas ou outros produtos da posição 29.36" e o item 3004.50.90 "Outros". Assim, existindo uma posição mais específica para a mesma mercadoria esta deverá ser a adotada. No caso em tela, a Vitamed, quando classificou o produto "Hair/Haar Intern" no capítulo 29, deixou de tributar o PIS/COFINS nas alíquotas diferenciadas conforme forma estabelecida na Lei nº 10.147/2000 e alterações, sendo esta diferença o objeto do lançamento fiscal constante do auto de infração impugnado. Também cabe destacar que tanto no período que a contribuinte adotou a classificação fiscal 2936 ou 3004 as receitas provenientes deste produto não foram tributadas nas alíquotas corretas, ou seja, mesmo quando a classificação fiscal constante dos documentos fiscais ensejava a aplicação majorada das alíquotas do PIS/COFINS esta não foi realizada conforme determinava a legislação à época dos fatos. Para apuração dos valores decorrentes da correta classificação fiscal, foi emitida uma planilha contendo todas as notas fiscais de saída do produto "Hair/Haar Intern" no período de 2000 a 2004 onde constam as informações relativas a data, descrição da mercadoria, tipo de operação, número do documento fiscal, classificação fiscal aplicada e valor total do item (doc. fls 256 a 303). Com base nesta planilha foi elaborada a tabela "Apuração dos Tributos Hair/Haar Intern" onde são demonstrados os valores das contribuições para a COFINS com a alíquota aplicada pela contribuinte (3%) e a alíquota que deveria ter sido aplicada (9,90%) conforme alterações da Lei nº 10.865, de 2004" (efls 304/305 grifei). Ora, em se tratando de um complexo vitamínico em cápsulas, qual a razão para enquadrar esse produto no código 3305.90.00 da NCM, referente à produtos de perfumaria (ou seja, que não corresponde a medicamentos)? Porque não enquadrar esse produto na posição 3004.50 "Outros medicamentos contendo vitaminas ou outros produtos da posição 29.36" e o item 3004.50.90 "Outros"? Não seria esta a posição específica à qual a NESH se refere? Qual a posição da NCM correta desse produto? São perguntas que a meu ver não foram solucionadas pela fiscalização mesmo após a diligência fiscal realizada nos autos. Sob esta perspectiva, especificamente quanto ao produto "Hair/Haar Intern", entendo que a fiscalização não trouxe aos autos elementos e provas suficientes para proceder com a reclassificação das mercadorias e para identificar qual a classificação fiscal correta a ser adotada pela empresa. Ora, a ausência da precisa indicação da classificação fiscal da mercadoria no entendimento da fiscalização é um grave erro de direito cometido pela fiscalização, suficiente para cancelar a exigência do Auto de Infração especificamente quanto ao produto "Hair/Harr Intern". Tratase de uma falha na identificação de elemento essencial da regra matriz de incidência tributária, para a efetiva subsunção do fato à norma (antecedente normativo Fl. 508DF CARF MF 14 hipótese de incidência), vez que não é possível identificar, no entender da fiscalização, em qual NCM se enquadra, exatamente, esta mercadoria. Com isso, mostrase evidente o erro de direito cometido pela fiscalização quando da revisão da classificação fiscal, vez que, após analisar os fatos (dados técnicos das mercadorias) procedeu com um enquadramento jurídico precário, sem a precisa identificação da NCM supostamente aplicável, ferindo a exigência do art. 10, IV e V, do Decreto n.º 70.235/72, que expressam: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias;" (grifei) Em conformidade com a Solução de Consulta COSIT n.º 8/2013, este erro cometido em elemento essencial da regra matriz de incidência tributária macula integralmente a exigência deste ponto por ser "impossível de ser convalidado": "10.1. No erro de direito há incorreção no cotejo entre a norma tributária (hipótese de incidência) com o fato jurídico tributário em um dos elementos do consequente da regramatriz de incidência, qual seja, o pessoal. Há erro no atonorma. É vício material e, portanto, impossível de ser convalidado." (grifei) Tratase, portanto, de um equívoco na valoração jurídica dos fatos pela fiscalização que não é passível de ser revisado à luz do art. 146, do Código Tributário Nacional, na forma sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n.º 1.130.545, julgado em sede de recurso repetitivo: "(...) 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo o qual "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". 7. Nesse segmento, é que a Súmula 227/TFR consolidou o entendimento de que "a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento". 8. A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina, verbis: "Enquanto o 'erro de fato' é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o 'erro de direito' é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta. Assim constitui 'erro de fato', por exemplo, a contingência de o evento ter ocorrido no território do Município 'X', mas estar consignado como tendo acontecido no Município 'Y' (erro de fato localizado no critério espacial), ou, ainda, quando a base de cálculo registrada para efeito do IPTU foi o valor do imóvel vizinho (erro de fato verificado no elemento quantitativo). 'Erro de direito', por sua vez, está configurado, exemplificativamente, quando a autoridade administrativa, em vez de exigir o ITR do proprietário do imóvel rural, Fl. 509DF CARF MF Processo nº 11020.003133/200539 Acórdão n.º 3402005.338 S3C4T2 Fl. 503 15 entende que o sujeito passivo pode ser o arrendatário, ou quando, ao lavrar o lançamento relativo à contribuição social incidente sobre o lucro, mal interpreta a lei, elaborando seus cálculos com base no faturamento da empresa, ou, ainda, quando a base de cálculo de certo imposto é o valor da operação, acrescido do frete, mas o agente, ao lavrar o ato de lançamento, registra apenas o valor da operação, por assim entender a previsão legal. A distinção entre ambos é sutil, mas incisiva." (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª Ed., Ed. Noeses, São Paulo, 2008, págs. 445/446) "O erro de fato ou erro sobre o fato darseia no plano dos acontecimentos: dar por ocorrido o que não ocorreu. Valorar fato diverso daquele implicado na controvérsia ou no tema sob inspeção. O erro de direito seria, à sua vez, decorrente da escolha equivocada de um módulo normativo inservível ou não mais aplicável à regência da questão que estivesse sendo juridicamente considerada. Entre nós, os critérios jurídicos (art. 146, do CTN) reiteradamente aplicados pela Administração na feitura de lançamentos têm conteúdo de precedente obrigatório. Significa que tais critérios podem ser alterados em razão de decisão judicial ou administrativa, mas a aplicação dos novos critérios somente pode darse em relação aos fatos geradores posteriores à alteração." (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in "Curso de Direito Tributário Brasileiro", 10ª Ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2009, pág. 708) (...) 10. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1130545/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/08/2010, DJe 22/02/2011 grifei) Diante do exposto, uma vez não identificada a NCM aplicável ao produto "Hair/Harr Intern" na revisão da classificação fiscal realizada, deve ser cancelada a exigência fiscal correspondente a este produto, em conformidade com o art. 53 da Lei n.º 9.784/19995 e com o art. 61 do Decreto n.º 70.235/726. II DA POSSIBILIDADE DE RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS MERCADORIAS E A APLICAÇÃO DOS JUROS E MULTA DEVIDOS Sustenta a Recorrente que não caberia a revisão da classificação fiscal adotada pela empresa com efeito retroativo para a exigência dos valores de COFINS devidos. Para isso, traz jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça quanto a impossibilidade de revisão aduaneira após o desembaraço aduaneiro de mercadorias na importação. Contudo, no presente caso, não estamos diante de operações de importação, mas dos efeitos da reclassificação fiscal para fins de cálculo das contribuições sociais devidas. Não há que se falar, portanto, de revisão aduaneira como sustentado pela Recorrente (tese essa que, inclusive, não tem encontrado amparo nesse Conselho7). No presente caso, dentro do prazo decadencial que lhe é garantido pelo Código Tributário Nacional, a fiscalização analisou as operações realizadas pela Recorrente e identificou inconformidades na apuração da COFINS devida no período em razão da indevida 5 "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos." 6 "Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade." 7 Vide, a título de exemplo, o Acórdão 3401004.020 de relatoria do Conselheiro Leonardo Branco, Sessão 24/10/2017. Fl. 510DF CARF MF 16 classificação fiscal das mercadorias, não se encontrando a Recorrente amparada por lançamento fiscal anterior ou consulta por ela formulada junto à Receita. Desta forma, inexiste qualquer impedimento legal para a realização da autuação como feita pela fiscalização, não sendo juridicamente relevante se a Recorrente teria agido, ou não de boa fé. Em razão dos reflexos tributários da indevida classificação fiscal das mercadorias Alcachofra composta, Ginkgo Biloba, Geriplus e Vitforte, correta a aplicação dos juros de mora e da multa de ofício com fulcro, respectivamente, nos artigos 61, §3º e 44, I, ambos da Lei n.º 9.430/968. Afastar a expressa previsão legal quanto ao cálculo dos juros e da multa seria uma verdadeira análise da inconstitucionalidade dos dispositivos normativos, vedada nesta seara na forma da Súmula CARF 29. III DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir as exigência fiscais correspondentes ao produto "Hair/Harr Intern". É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. 8 "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." 9 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Fl. 511DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000464/2009-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
Numero da decisão: 9303-007.112
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10925.000464/2009-94
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892598
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.112
nome_arquivo_s : Decisao_10925000464200994.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10925000464200994_5892598.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7393830
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589788635136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10925.000464/200994 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.112 – 3ª Turma Sessão de 11 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 64 /2 00 9- 94 Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10925.000464/200994 Acórdão n.º 9303007.112 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380303.208, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Na parte de interesse ao presente julgamento, a decisão do colegiado a quo pode ser resumida pela transcrição dos seguintes fragmentos de sua ementa: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10925.000464/200994 Acórdão n.º 9303007.112 CSRFT3 Fl. 4 3 base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduzindo divergência às seguintes matérias: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo; d) direito a crédito na depreciação de bens do ativo imobilizado; e) direito a crédito no transporte de insumos entre filiais, cobrados separadamente dos insumos quando de sua aquisição. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 203.12.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso em relação à: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso interposto e, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10925.000464/200994 Acórdão n.º 9303007.112 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.108, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10925.000459/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.108): "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não‑ cumulativas para o PIS, no valor de R$ 21.832,17, cumulado com Declarações de Compensações (PER/DCOMP). A Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiu, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que “a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos do IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere‑ se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria”. E, assim, terminou por adotar conceito de insumo diverso daquele aplicado para o IPI. Com efeito, alega a Fazenda Nacional que a decisão recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Analisando a quaestio, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10925.000464/200994 Acórdão n.º 9303007.112 CSRFT3 Fl. 6 5 De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10925.000464/200994 Acórdão n.º 9303007.112 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10925.000464/200994 Acórdão n.º 9303007.112 CSRFT3 Fl. 8 7 Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Compulsando aos autos, verifico que a atividade empresária da Contribuinte destina se a produção de portas de madeira. Quanto aos produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica.) entendo essencial a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte, passível de creditamento do Pis e da Cofins. No que tange o direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas, verifico que também são essenciais ao processo de produção da Contribuinte, as citadas peças de reposição e serviços de manutenção industrial são adquiridas para conservação das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos industrializados pela Contribuinte. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10925.000464/200994 Acórdão n.º 9303007.112 CSRFT3 Fl. 9 8 Ademais, a utilização de peças e serviços não geram aumento de vida útil do bem, apenas mantém as máquinas e equipamentos em condições aptas de funcionamento. São bens consumidos no processo de industrialização, que se desgastam e perdem propriedades físicas e químicas sem integrar o produto final. Destarte, o conceito de "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI, tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10925.000464/200994 Acórdão n.º 9303007.112 CSRFT3 Fl. 10 9 Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, referente aos produtos utilizados como embalagem de transporte e na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo da Contribuinte." (...) Entendimento que prevaleceu quanto ao direito de crédito sobre as embalagens de transporte. "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as embalagens utilizadas somente para o transporte do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre as embalagens destinadas precipuamente ao transporte de seu produto final. No presente caso a discussão é sobre os gastos utilizados pelo contribuinte para embalar o seu produto acabado (portas de madeira) para fins de seu transporte. Não se trata da embalagem normal relativa a encerramento do processo produtivo e dele integrante, mas referentes ao gasto com o transporte do produto após o encerramento do processo produtivo do bem destinado a venda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que não faz diferença o fato de ser embalagem para o transporte do produto com as demais embalagens, como as de apresentação. Portanto ele entendeu que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relator do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10925.000464/200994 Acórdão n.º 9303007.112 CSRFT3 Fl. 11 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10925.000464/200994 Acórdão n.º 9303007.112 CSRFT3 Fl. 12 11 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 729DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.910369/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.221
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.910369/2009-36
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5889293
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.221
nome_arquivo_s : Decisao_10980910369200936.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EVANDRO CORREA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 10980910369200936_5889293.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7384653
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589804363776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1906; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 657 1 656 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.910369/200936 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.221 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente GRECA DISTRIBUIDORA DE ASFALTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 03 69 /2 00 9- 36 Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10980.910369/200936 Acórdão n.º 1402003.221 S1C4T2 Fl. 658 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10980.910369/200936 Acórdão n.º 1402003.221 S1C4T2 Fl. 659 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 460, DE 2004. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF nº 460, de 2004, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de IRPJ paga indevidamente ou a maior na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de IRPJ como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: "Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP nº 29910.74176.221205.1.3.045637 (fls. 031035), relativa à compensação do débito de R$ 13.372,53 de CSLL devido por estimativa (código de receita 2484) no mês de novembro/2004, com utilização da parcela de R$ 13.240,13 do direito creditório de R$ 18.172,44 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 30/11/2004, da estimativa de IRPJ (código de receita 2362) de outubro/2004 (R$ 531.500,17). 2. A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 20/04/2009 (fl. 002), não homologou a compensação declarada em 22/12/2005 em face da improcedência do crédito indicado, haja vista o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poder ser utilizado na dedução do imposto anual ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 3. Regularmente cientificada em 04/05/2009 (fl. 004), a reclamante apresentou, em 02/06/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 010016, instruída com os documentos de fls. 017029, cujo teor é sintetizado a seguir: Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10980.910369/200936 Acórdão n.º 1402003.221 S1C4T2 Fl. 660 4 a) argúi que os contribuintes devem pagar tributos sobre suas operações ou atividades nos termos exatos da lei, e que os valores pagos acima do exigido devem ser a eles repetidos; b) que, tendo optado pela tributação com base no lucro real anual, recolheu antecipações do imposto calculadas por estimativa, com base na receita bruta, conforme determina o art. 2° da Lei nº 9.430, de 1996; que aplicou corretamente a legislação vigente e o valor compensado referese sim a recolhimento a maior que o devido e exigido; c) que a Lei nº 8.981, de 1995, permite a suspensão ou redução do pagamento do imposto devido, em cada mês, desde que se demonstre, por meio de balanços ou balancetes, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido no período em curso; d) que, da mesma forma que o imposto apurado por estimativa, os recolhimentos a maior ou indevidos são passíveis de compensação, pois a obrigação principal, calculada nos termos da lei, também já foi satisfeita; que a não homologação da compensação do valor pago a maior contraria a lei e acarreta exigência de tributo indevido; e) que o pagamento a maior, mesmo no caso de estimativas mensais, onde os valores recolhidos serão deduzidos do devido ao final do exercício, não deve ser considerado como antecipação; f) que o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, permite a compensação, nos meses subseqüentes, de valores de tributos pagos a maior, como no presente caso; que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; g) que o pagamento a maior de estimativa não consta do rol dos créditos elencados no § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que não poderão ser objeto de declaração de compensação; cita julgados do Conselho de Contribuintes; h) ao final requer a revisão da decisão exarada por meio do despacho decisório da DRFCuritiba, e que seja suspenso o débito exigido, nos termos do art. 151 do CTN. 4. É o relatório." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual repisa os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10980.910369/200936 Acórdão n.º 1402003.221 S1C4T2 Fl. 661 5 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DOS FATOS A recorrente protocolou manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu o pedido de compensação no processo administrativo em questão a qual entendeu que a contribuinte somente poderia utilizar o crédito na dedução do Imposto de Renda ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ao final do período de apuração. A instância a quo manteve a decisão impugnada sob o argumento de que prevalece o disposto no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº. 460 de outubro de 2004, sendo que a mesma determinação permaneceu na IN SRF 600 de dezembro de 2005. Tal entendimento somente veio a ser modificado através da IN SRF 900 de dezembro de 2008, contudo esse diploma legal somente produziu efeitos a partir de 01/01/2009, sob o que não cabe a aplicação do preceito do artigo 106 do CTN para fazer retroagir a norma mais favorável ao contribuinte, pois não se trata de norma estritamente interpretativa, pois, por se tratar de dispositivo que regula a compensação seria norma de natureza material, motivo pelo qual devem ser aplicadas as que estavam vigentes à época do encontro de contas. Declara ainda que o descumprimento do artigo 10 da IN 460 de 2004 caracterizaria violação ao preceito do artigo 170 do CTN o qual estabelece que o direito à compensação fica sujeito à condição e garantia que a lei estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribua à autoridade administrativa, tendo o §14 do artigo 74 da Lei 9430/96 estabelecido que a Secretaria da Receita Federal disciplinará a compensação de que trata esse artigo. Diz também que a autoridade julgadora não pode descumprir o entendimento da própria Receita Federal. A recorrente inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, requerendo a reforma decisão recorrida, haja vista que não é este o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (CARF), conforme reiteradas decisões colacionadas ao recurso. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre a qual o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10980.910369/200936 Acórdão n.º 1402003.221 S1C4T2 Fl. 662 6 Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10980.910369/200936 Acórdão n.º 1402003.221 S1C4T2 Fl. 663 7 qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do ano calendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10980.910369/200936 Acórdão n.º 1402003.221 S1C4T2 Fl. 664 8 pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10980.910369/200936 Acórdão n.º 1402003.221 S1C4T2 Fl. 665 9 balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10980.910369/200936 Acórdão n.º 1402003.221 S1C4T2 Fl. 666 10 pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10980.910369/200936 Acórdão n.º 1402003.221 S1C4T2 Fl. 667 11 Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Porém, apenas em tese assiste razão à recorrente em suas alegações, haja vista que a análise efetivada pelo Despacho Decisório, que não homologou a compensação realizada, se restringiu apenas à preliminar da possibilidade do pedido, não abordando o mérito da veracidade do crédito apresentado para compensação, a sua existência, suficiência e disponibilidade, dando certeza e liquidez ao direito pretendido, devendo esse montante ser confirmado pela autoridade administrativa de origem. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para admitir a possibilidade de formação de indébito em recolhimento por estimativa, não homologando de plano a compensação pretendida, em virtude da ausência de análise do mérito do pedido pelo Despacho Decisório, devendo ser verificada pela autoridade local da Receita Federal do Brasil a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito objeto da compensação. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 667DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18365.721213/2011-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DO DACON. INCIDÊNCIA.
É devida a multa por atraso na entrega de declarações fora do prazo normativamente estabelecido.
Numero da decisão: 1002-000.257
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DO DACON. INCIDÊNCIA. É devida a multa por atraso na entrega de declarações fora do prazo normativamente estabelecido.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18365.721213/2011-66
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891107
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.257
nome_arquivo_s : Decisao_18365721213201166.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 18365721213201166_5891107.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7389839
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589822189568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1343; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18365.721213/201166 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.257 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria MULTA POR TRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Recorrente COMPANHIA TROPICAL DE HOTÉIS DA AMAZÔNIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DO DACON. INCIDÊNCIA. É devida a multa por atraso na entrega de declarações fora do prazo normativamente estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao julgamento da peça impugnatória, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RJ 1: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 36 5. 72 12 13 /2 01 1- 66 Fl. 93DF CARF MF 2 Em decorrência de atraso verificado na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON referente ao mês de abril de 2007, foi lavrado contra a Interessada o Auto de Infração de fl. 39 — data de vencimento 26/08/2011 — com vistas à cobrança de uma multa no valor de R$ 4.756,65. A multa em questão foi calculada pelo percentual de 2% por mês de atraso, ou fração, incidente sobre o montante da COFINS informado no DACON — respeitados o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00 —, aplicandose, no caso concreto, redução de 50% no valor da penalidade, por se tratar de entrega espontânea do demonstrativo (art. 7º, inciso III e §§, da Lei nº 10.426, de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004). Inconformada com a exigência, a Interessada apresentou, em 15/08/2011, a impugnação de fls. 02/34, alegando, em síntese: • Erro na apuração do PIS/COFINS – Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, que alargou indevidamente a base de cálculo das referidas contribuições, ao determinar sua incidência sobre a totalidade das receitas auferidas; • Erro na apuração da COFINS – Ilegalidade e inconstucionalidade do art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998, que majorou a alíquota da contribuição para 3%; • Erro na apuração do PIS/COFINS – Ilegalidade da inclusão da taxa de administração de cartões de débito e crédito nas bases de cálculo das referidas contribuições; • Erro na apuração do PIS/COFINS – Inconstitucionalidade da inclusão do ISS na base de cálculo das referidas contribuições; • Erro na apuração do PIS/COFINS – Ilegalidade da incidência das referidas contribuições sobre receitas decorrentes de serviços prestados a pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior; • Efeito confiscatório da multa – Violação dos princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade – Ofensa à garantia do direito de propriedade; • Inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic. Subsidiariamente, a Interessada pleiteia “a realização de diligência, para que seja efetuada nova apuração dos valores lançados no auto de infração em questão, considerando, para tanto, as deduções concernentes às despesas com a prestação dos serviços realizados, bem como a constituição de novos cálculos, excluindose da base do PIS e a majoração da alíquota do COFINS, a Receita Bruta esculpida pelo artigo 3º da Lei 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, da não incidência do PIS/COFINS sobre a Taxa de Administração de Cartão de Crédito e Débito, bem como a não incidência do pagamento do PIS e COFINS sobre os serviços prestados à pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior”. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 18365.721213/201166 Acórdão n.º 1002000.257 S1C0T2 Fl. 3 3 Por fim, na eventualidade de se aplicar alguma multa, a Interessada postula, ao menos, “seja excluída a Taxa Selic, aplicandose os juros de mora de 1%, nos termos do parágrafo 1º, do artigo 161 do CTN, bem como sejam reduzidas as multas aplicadas em patamar condizente com a condição econômica da impugnante”. A exigência tributária foi impugnada pelo contribuinte e julgada improcedente pela DRJ/RJ 1, conforme acórdão n. 1286.234, de 23 de março de 2017 (efl. 78), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os débitos fiscais recolhidos em atraso estão sujeitos à incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário (efl. 90), do qual extraiuse o trecho abaixo, que contém suas alegações: Fl. 95DF CARF MF 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, registrese que o Recorrente não apresenta novas razões de defesa, mas apenas ratifica os argumentos apresentados em sede de impugnação. Analisando os fundamentos de fato e de direito constantes do acórdão de impugnação, verifico que decisão a quo foi acertada, não merecendo qualquer reparo por parte deste colegiado. Para justificar meu entendimento, peço vênia para, ancorado no § 3° do artigo 57 da Portaria MF n° 343/2015 RICARF, extrair trechos daquela decisão onde estão consignadas as matérias impugnadas e os fundamentos do indeferimento do pleito do contribuinte, adotandoos, desde já, como razões de decidir (grifos do original) : " (...) I – Do Pedido de Realização de Diligência Os elementos carreados aos autos mostramse suficientes para que possa formar minha convicção sobre a matéria controvertida. Indefiro, portanto, o pedido de realização de diligência. II – Dos questionamentos referentes à base de cálculo da multa Conforme já relatado, a Interessada entregou fora do prazo o DACON referente ao mês de abril de 2007. Por conta disso, foi lhe aplicada a multa prevista no art. 7º, inciso III, e §§, da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004): LEI 10.426, de 24 de abril de 2002 'Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Fl. 96DF CARF MF Processo nº 18365.721213/201166 Acórdão n.º 1002000.257 S1C0T2 Fl. 4 5 III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (...)' No caso em questão, o cálculo da multa tomou por base os valores da COFINS informados na Ficha 25B do DACON do mês de outubro de 2007 (fl. 74): (...) Ora, o cálculo da multa baseouse nas informações que a própria Interessada prestou ao Fisco. Os valores de COFINS informados no DACON guardam, aliás, perfeita coerência com os valores a pagar informados na DCTF (fl. 77): Fl. 97DF CARF MF 6 III – Da alegação de ofensa aos princípios constitucionais da vedação do confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade No que diz respeito às argüições de inconstitucionalidade da multa, devolução apenas lembrar que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Ao julgador administrativo, por seu turno, é vedado afastar a aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei nº 11.941/2009). IV – Dos questionamentos relativos à taxa Selic Questiona a Interessada, por fim, a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Ora, o uso da taxa Selic, para fins de atualização de débitos fiscais, resulta de um comando expresso do art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, confirmado pelo art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. À autoridade administrativa ― fique isto bem claro ― não é dado afastar a aplicação de dispositivo legal validamente inserido no ordenamento jurídico." Portanto, com base nos elementos constantes dos autos e nos dispositivos legais acima evocados, verifico que a exigência fiscal está em perfeita consonância o ordenamento jurídico vigente. Com respeito às argüições de inconstitucionalidade e à contestação da taxa Selic apresentadas pelo Recorrente, aduzo que o entendimento expresso no Acórdão de Impugnação encontra perfeita sintonia com a jurisprudência deste CARF, consubstanciada nas súmulas CARF nºs 02 e 04, de observância obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, tendo em conta que o atraso na entrega do DACON do ano de 2007 é fato incontroverso e que inexistem fundamentos de fato e de direito para alteração do lançamento, considero legítima a cobrança da multa pelo atraso na entrega do referido demonstrativo. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 18365.721213/201166 Acórdão n.º 1002000.257 S1C0T2 Fl. 5 7 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso, mantendo a decisão de piso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900768/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
INDÉBITO ILÍQUIDO
Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior.
Numero da decisão: 1401-002.424
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 INDÉBITO ILÍQUIDO Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10855.900768/2008-43
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5884743
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.424
nome_arquivo_s : Decisao_10855900768200843.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10855900768200843_5884743.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7372239
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589825335296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.900768/200843 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.424 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2018 Matéria IRPJ Recorrente CAMF ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 INDÉBITO ILÍQUIDO Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 07 68 /2 00 8- 43 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10855.900768/200843 Acórdão n.º 1401002.424 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1426.510 da 5ª Turma da DRJ/RPO que negou provimento à manifestação de inconformidade apresenta pelo interessado. Com relação às peças iniciais do feito, tomo de empréstimo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de Contribuição para a Cofins (código de receita: 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório [...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: a) a sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços; b) em 23/01/2003, a contribuinte formulou consulta fiscal, processo administrativo n° 10855.000267/20031, requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido; c) obteve como resposta o percentual de 8%; d) constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; e) a contribuinte procedeu a compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); f) a contribuinte deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior de imposto; g) embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10855.900768/200843 Acórdão n.º 1401002.424 S1C4T1 Fl. 4 3 decorrente crédito os documentos anexos comprovam claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; h) o contrato anexo comprova a natureza do serviço de construção civil e o emprego de materiais para execução da obra; i) as notas fiscais anexas comprovam os materiais utilizados na obra contratada; j) a nota fiscal emitida pela contribuinte discrimina o contrato a que corresponde e comprova a origem da receita; k) a nota fiscal emitida pela contribuinte e o DARF, se confrontados, comprovam que o lucro presumido foi apurado pelo percentual de 32% e que o IRPJ foi recolhido a maior que o quádruplo do valor; l) a não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da contribuinte e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade. Ao final, requer que seja dado provimento a presente manifestação para homologar a compensação efetuada e anular o débito. DA DECISÃO RECORRIDA Em breve síntese, a decisão recorrida negou provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o contribuinte a solução de consulta a que faz referência asseverou, de um lado, a alíquota de 8% para a construção civil com o emprego de materiais, mas também que as empresas que exercem atividades diversificadas devem aplicar a alíquota específica de cada atividade. No contrato social apresentado, a empresa exerce diversas atividades de serviços (nesse passo, o julgador elenca cada uma delas). Assim, os contratos por ela assinados podem abrigar mais de um tipo de atividade, o que exige a documentação fiscal cabível para a apuração da base de cálculo do IRPJ. O contribuinte apresentou Notas Fiscais Faturas de Serviços e demais documentos pertinentes. No entanto, o imposto não é apurado, nota a nota. Como o contribuinte não fez a nova apuração do imposto devido no trimestre, deixou de demonstrar o montante do indébito. Quanto a essa parte, vale transcrever o trecho original da decisão: Contudo, o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal como pretendido pela contribuinte. Repetir o IRPJ atinente a cada nota fiscal emitida para a Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo caracteriza flagrante impropriedade, vez que o que a contribuinte pleiteia como indébito, na PER/Dcomp [...], é o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 2º trimestre de 1999, e este não incide em cada nota fiscal em particular, mas sim sobre uma base de cálculo, determinada pela aplicação de um percentual sobre o montante da receita bruta, decorrente da venda de mercadorias e serviços, acrescido de outras receitas e ganho de capital, apurado trimestralmente na forma da lei. Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 2 trimestre de 1999 (abril, maio e junho de 1999) com aplicação, no caso de atividades Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10855.900768/200843 Acórdão n.º 1401002.424 S1C4T1 Fl. 5 4 diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. Foi essa a razão que orientou o voto para negar provimento à manifestação de inconformidade. RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte apresentou recurso voluntário além de documentos nas páginas seguintes. Desta vez, além das notas fiscais e contratos de prestação de serviços, carreou o diário do período (2º trimestre de 1999), com o balanço, a demonstração do resultado do exercício e o plano de contas. Na peça recursal, aduziu inicialmente as mesmas razões oferecidas na manifestação de inconformidade. Ademais, afirma que os documentos apresentados seriam suficientes para comprovar o indébito, pois, apesar de não ter juntado os livros fiscais, carreou toda a documentação que deu suporte à sua escrituração. De toda sorte, dada a exigência da autoridade julgadora de primeiro grau, juntou ao recurso todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos, as notas fiscais dos materiais empregados e a cópia do seu livro diário. É o relatório do essencial. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10855.900768/200843 Acórdão n.º 1401002.424 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.416, de 13/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.906076/2009 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma teve como origem o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001. No presente processo, o direito creditório pleiteado tem como origem o IRPJ pago com base no lucro presumido apurado no 2º trimestre de 1999. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.416): "Inicialmente, apesar de não discordar da conclusão do voto como explicarei posteriormente, devo dizer que a premissa adotada pela autoridade julgadora de primeiro grau foi muito rigorosa. Não é necessário, no meu ponto de vista, demonstrar novamente toda a apuração do trimestre para se verificar um valor de indébito a partir de algumas notas fiscais. Afinal, se o contribuinte adotou o percentual de 32% para toda a sua receita e, posteriormente, comprova que alguns dos valores registrados estão submetidos a percentual diverso, o montante do indébito corresponderá à diferença de percentual sobre a receita apontada. Esse raciocínio é o mesmo que permite à autoridade fiscal lançar o imposto de renda a partir da verificação de apenas alguns itens do resultado, sem que necessite recalcular toda a base de cálculo. Com os elementos apresentados pelo contribuinte, é possível aferir que houve serviços prestados com o emprego de materiais, mas não é possível aferir exatamente quais e nem identificar o seu montante. Podemos verificar que, no período, o contribuinte prestou serviços apenas para a SABESP, em razão da seqüência contínua de notas fiscais que vão da nº de 180, emitida em 01/10/2001 a 199, emitida em 17/12/2001. Ou seja, todas as suas receitas provieram da execução de contratos com essa empresa. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10855.900768/200843 Acórdão n.º 1401002.424 S1C4T1 Fl. 7 6 Nos referidos contratos, consta cláusula que impõe ao prestador o dever de empregar os materiais. Houve materiais adquiridos no período. Aliás, além do período (foram adquiridos no interregno entre a celebração dos contratos e das prestações de serviço), é possível identificar que tais materiais foram empregados nos serviços prestados à Sabesp em função de referências como "Material a ser utilizado na obra de Hortolândia/SP" (vide fl. 370), justamente o local de execução das prestações de serviço. No entanto, não é possível aferir (e nem sequer o contribuinte indica) quais notas se referem a serviços prestados com o fornecimento de materiais. Sabemos que uma parte dessas notas são relativas à prestação de serviço com fornecimento de material, mas elas não correspondem ao todo, uma vez que o contribuinte pleiteia indébito significativamente menor que a aplicação da diferença de percentual sobre o total da receita. Ademais, não sabemos quais são as notas dentre aquelas apresentadas e nem o seu montante, uma vez que, entre as notas de aquisição de materiais e as de prestação de serviço, inexiste vinculação, a qual nem sequer pode ser inferida pela proximidade de datas. Sem essa quantificação, não é possível aferir o valor do indébito, que para ser deferido exige a sua liquidez. Por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 375DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721687/2016-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2012
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. AÇÃO JUDICIAL
De acordo com a Súmula CARF nº 1 importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo Contribuinte de ação judicial.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-004.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2012 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. AÇÃO JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo Contribuinte de ação judicial. Recurso Voluntário não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13971.721687/2016-51
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894079
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.733
nome_arquivo_s : Decisao_13971721687201651.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VALCIR GASSEN
nome_arquivo_pdf_s : 13971721687201651_5894079.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7400479
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589827432448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 927 1 926 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.721687/201651 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.733 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria PIS/PASEP Recorrente MUNICÍPIO DE LONTRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2012 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. AÇÃO JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo Contribuinte de ação judicial. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 16 87 /2 01 6- 51 Fl. 930DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 928 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 895 a 927) interposto pelo Contribuinte, em 12 de abril de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1464.658 (fls. 859 a 883), de 9 de março de 2017, proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação (fls. 819 a 854) mantendo o crédito tributário exigido. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de Auto de Infração à legislação da Contribuição para o PASEP (fls. 03, numeração digital), lavrado em 08/06/2016, constituindo crédito tributário no valor total de R$ 864.709,02, aí incluídos principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até junho de 2016. A autuação abrange fatos geradores de junho a novembro de 2011 e de janeiro a dezembro/2012 e decorre de insuficiência de recolhimento da contribuição, como descrito às fls. 04. No Relatório de fls. 13/21 foram contextualizadas as irregularidades que ensejaram a exigência, em que, após identificar o objeto da auditoria (PASEP de 2011 e 2012), a Fiscalização tece as seguintes considerações: Atendendo as solicitações contidas no TERMO DE INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL o MUNICÍPIO apresentou: • Municipais de Saúde e de Assistência Social dos anos de 2011 e 2012. Ver DOCs 09 a 11; e • Ação Judicial de no 2000.04.01.1097905/SC, transitada em Julgado em 04/07/2006. Ver DOC. 07 Em análise da referida Ação Judicial, verificase, em síntese, que o município obteve decisão favorável eximindoo do recolhimento da contribuição ao PASEP com base no Art. 8o da Lei Complementar no 8 de 03 de dezembro de 1970. Ocorre que o STF já manifestou entendimento pela obrigatoriedade da contribuição ao PASEP para Estados e Municípios. Neste sentido, reproduz se a seguir publicação constante do site do STF: Fl. 931DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 929 3 E considerandose as disposições abaixo, do Parecer PGFN/CRJ/No 492/2011, 30 de março de 2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda, publicado no DOU de 26/05/2011. Vide DOC 08 2. Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. A Ação Cível Originária no 471, julgada pelo pleno do STF em 11/04/2002, teve a seguinte ementa: "(...) O artigo 239 da Constituição Federal de 1988 constitucionalizou o PASEP, criado pela Lei Complementar no 8, de 3 de dezembro de 1970, dandolhe caráter eminentemente nacional, com as alterações nele enunciadas (§§ 1o, 2o, 3o e 4o). O mais foi objeto da Lei, que encomendou, ou seja, a de no 7.998, de 11/01/1990. 2. Sendo assim, o Estado do Paraná, que, durante a vigência da Lei Complementar no 8, de 3 de dezembro de 1970, se obrigara, por força da Lei no 6.278, de 23/05/1972, a contribuir para o PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR PÚBLICO, já não poderia se eximir da contribuição, mediante sua Lei no 10.533, de 30/11/1993, pois, com o advento da Constituição Federal de 1988, Fl. 932DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 930 4 a contribuição deixou de ser facultativa, para ser obrigatória, nos termos do art. 239. (...)" Posteriormente, houve diversos julgados no mesmo sentido e, no caso, aplicável a Seguinte conclusão do Parecer: 5. Face aos princípios da segurança jurídica, da não surpresa e da proteção à confiança, bem como por força do art. 146 do CTN, nas hipóteses em que o advento do precedente objetivo e definitivo do STF e a consequente cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado sejam pretéritos ao presente Parecer, a publicação deste [26/05/2011] configura o marco inicial a partir do qual o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores praticados pelo contribuinteautor. Diante do acima exposto, procedeuse o lançamento de ofício das infrações, apuradas conforme descrições abaixo, como segue: • Falta de Recolhimento Valores não recolhidos e não Declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais): · PIS/PASEP – Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público · Período: 06/2011 a 12/2012. Na sequência, a Fiscalização aborda a Base de Cálculo da contribuição: A Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público Pasep, instituída pela Lei Complementar n° 8, de 3 de dezembro de 1970, e posteriormente unificada com a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, passandose a denominar PIS/Pasep, encontra a sua base de cálculo definida, para as pessoas jurídicas de direito público interno, pelos art. 2o, inciso III e 7o da Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998, nos seguintes termos: "Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art. 7° Para efeitos do inciso III do art. 2°, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas." Assim, a base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep, é, para as pessoas jurídicas de direito público interno, o somatório das seguintes receitas: Fl. 933DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 931 5 a) Receitas correntes: assim entendidas todas aquelas destinadas à manutenção e ao funcionamento dos serviços dos órgãos da Administração Direita e Indireta; b) Transferências correntes: recursos financeiros recebidos de outras pessoas de Direito público ou privado, quando destinadas a atender as despesas de manutenção e funcionamento; c) Transferências de capital: recursos financeiros recebidos de outras pessoas de Direito público ou privado, quando destinados à formação de um bem de capital. Ficam excetuadas, portanto, da incidência da contribuição ao PIS/Pasep tão somente as demais receitas de capital, que não constituírem transferências de capital. Ressaltese que as parcelas das receitas, deduzidas no ato das transferências do Estado e da União, para formação do FUNDEB. (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), conforme demonstrativos do Banco do Brasil (DOC 13), contabilizadas na conta: 910000000000000 – DEDUÇÕES DA RECEITA CORRENTE, devem ser incluídas na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do município, conforme, entre outros, os Acórdãos de no 3403002.806 e de no 3403003.104, proferidos pela 4a Câmara / 3a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) em 27 de fevereiro de 2014 e 23 de julho de 2014, respectivamente. Ver DOC 12. Observese que as receitas dos Fundos Municipais de Saúde e de Assistência Social também devem ser incluídas na Base de cálculo do PASEP, uma vez que tais fundos não possuem personalidade jurídica e suas receitas compõem a receita do Município a que está vinculado. Identifica, então, a apuração dos valores devidos como segue: Diante do exposto, procedeuse à apuração das bases de cálculo da contribuição ao PASEP, a partir das informações constantes nos balancetes analíticos apresentados pela Prefeitura e pelos seus Fundos Municipais de Saúde e de Assistência Social (DOCs. 09 a 11), relativas aos períodos de junho de 2011 a dezembro de 2012, conforme planilha Demonstrativa dos valores da contribuição ao PASEP a lançar (DOC. 14), contendo: • Receitas Correntes da Prefeitura, contabilizadas na conta: 410000000000000; • Transferências de Capital, contabilizadas na conta: 424000000000000; • Recursos destinados à formação do FUNDEB, deduzidos quando das transferências da União e do Estado, contabilizados na conta: 910000000000000; • Indenizações e restituições, contabilizadas na conta: 419200000000000; • Receitas correntes dos fundos municipais de Saúde e de Assistência Social, contas contábeis: 410000000000000; Fl. 934DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 932 6 • Base de cálculo apurada do PASEP, composta pelo SOMATÓRIO das Receitas correntes, das Transferências de Capital, dos recursos destinados à formação do FUNDEB da Prefeitura e das Receitas Correntes dos fundos municipais de Saúde e de Assistência Social, DEDUZIDAS as indenizações e restituições; • Contribuição PASEP, calculada em 1% da base de cálculo apurada; Acerca da Multa de Ofício, expõe a Fiscalização: A aplicação da multa de ofício às pessoas jurídicas de direito público interno foi normatizada pela CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal (SRF), por meio da Nota Cosit n° 236, de 20 de outubro de 2004. Segundo este ato normativo, corroborado pela Nota PGFN/CAT n° 998/2004, de 10 de novembro de 2004, emitida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN, o entendimento exposto no Parecer do Advogado Geral da União (AGU) no AC 16/2004, publicado no Diário Oficial da União (DOU) de 15 de julho de 2004, segundo o qual "as multas previstas em lei são aplicáveis às pessoas jurídicas de direito público", aplicase apenas aos fatos geradores ocorridos a partir da data da publicação do referido Parecer. Dessa forma, com base nas normas acima citadas, e com base no art. 9° da Lei n° 9.715, de 1998; e art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, que prevê a incidência da multa de ofício no caso da apuração da falta de recolhimento da contribuição ao PIS/Pasep, foi aplicada a respectiva multa de ofício de 75%. Por fim, a Fiscalização identifica a prefeita do Município autuado e relaciona os documentos integrantes da autuação: Fl. 935DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 933 7 Dada ciência do auto de Infração em 16/06/2016 (fls. 817, numeração e processo), foi apresentada, em 18/07/2016, impugnação de fls. 819/851, com as razões a seguir sintetizadas. Inicia a Impugnante reportandose à autuação e seus fundamentos e defendendo a inexigibilidade do crédito tributário em razão da Ação Judicial proposta em 2000 e transitada em julgado em 2006 a seu favor, como mencionado no próprio Auto de Infração, e alega: a autoridade lançadora baseia o lançamento no fato do c. Supremo Tribunal Federal já ter externado entendimento em sentido contrário àquele na decisão transitada em julgado proferida a favor do Impugnante, e também no parecer emanado da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, o qual entende que, neste caso, cessariam de forma prospectiva e automática a eficácia vinculante de anteriores decisões transitadas em julgado relativas a relações jurídicas de trato sucessivo, que lhes forem contrárias. Opõese a tal fundamento que argumenta não encontrar respaldo no mundo jurídico, expondo que: o precedente oriundo do c. STF mencionado no relatório fiscal foi proferido em sede de controle difuso de constitucionalidade, de modo que possui eficácia vinculante apenas em relação às partes que litigaram naquele processo específico, conforme prescreve o art. 503 do Código de Processo Civil, apresentando, no máximo, caráter persuasivo. além disso, mesmo as decisões proferidas pelo STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade, o que entende não ocorrer no caso presente, não tem qualquer influência sobre a coisa julgada, nem o condão de afastar os seus efeitos, de forma automática e prospectiva, dada a proteção que lhe é conferida pelo art. 5o, XXXVI da Constituição federal c/c art. 502 do CPC; Reportase ao Recurso Especial no 1.118.893/MG referente à CSLL e ao Recurso repetitivo no 340, transcrevendo excertos do julgado e assevera que: como o c. STJ já decidiu em julgamento de recurso representativo de controvérsia que o trânsito em julgado de decisão proferida em controle concentrado de constitucionalidade não tem o condão de afastar imediata e automaticamente os efeitos da coisa julgada decidida no âmbito do controle difuso sobre o mesmo tema, não há como se admitir que o lançamento seja mantido. Expõe que embora a questão decidida no mencionado recurso especial verse sobre a exigência de CSLL, como dito, o fundamento jurídico se relaciona com a Fl. 936DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 934 8 possibilidade ou não de imediata e automática cessação dos efeitos da coisa julgada decidia em controle difuso, em face da superveniência de decisão proferida em sede de controle concentrado sobre o mesmo tema, o que é aplicável a qualquer tributo. Defende que o entendimento do c. STJ está plenamente alinhado com as normas vigentes à época em que foi externado, mostrando total respeito à coisa julgada. Invoca disposições do art. 5o inciso XXXVI da Constituição Federal, dos arts. 467 e 471 do antigo CPC e dos arts 502 e 505 do atual CPC. E continua: como entre o Impugnante e a União existe uma decisão judicial transitada em julgado, que o exime do recolhimento da contribuição para o PASEP, nem mesmo se o Supremo Tribunal Federal tivesse decidido em sentido contrário, em sede de controle concentrado de constitucionalidade teria o poder de afastar automaticamente os efeitos da coisa julgada. Isto somente viria a ocorrer caso ainda não houvesse transcorrido o lapso decadencial para propositura de ação rescisória, que é o único instrumento processual cível apto a desconstituir a coisa julgada. Para corroborar sua tese, transcreve excerto de doutrina e reportase a julgados do STJ (fls. 839/845). Registra que a sentença proferida no mandado de segurança produz efeitos contra o ente público, e não contra a autoridade impetrada, já que esta, no exercício de suas funções, apenas representa a vontade da Administração, conforme entendimento doutrinário que menciona. Conclui esse tópico expondo que, tendo sido afastada a exigência do recolhimento da contribuição ao PASEP pelo Impugnante, não subsiste motivo para autuação. A título argumentativo discorre acerca de seu entendimento de inexigibilidade da Contribuição por não vinculação dos Municípios ao PASEP. Reportase ao art. 8o da Lei Complementar no 08, de 1970, e defende, em síntese, que a contribuição ao PASEP pelos municípios somente será exigível quando houver lei revogando a faculdade prevista no art. 8o da Lei Complementar no 08/70 a qual não se pode ter como não recepcionada, por contrariar a autonomia federativa, e criando a obrigação tributária, de acordo com os ditames do princípio da legalidade. Cita julgado do TRF da 4a Região e conclui que mesmo que o Impugnante não tivesse decisão judicial transitada em julgado que o exime do recolhimento da contribuição ao PASEP, ainda assim tal seria inexigível, impondose o cancelamento do Auto de Infração. Na sequência, sob o título inexigibilidade da atualização monetária, dos juros e da multa, opõese à cobrança de encargos moratórios alegando que o Impugnante jamais esteve em mora, pois o não recolhimento da contribuição em questão se deu por força de decisão judicial. Cita julgado do STJ e conclui que mesmo que fosse exigível do impugnante o recolhimento da contribuição ao PASEP .... ainda assim sobre eles não podem incidir os juros de mora (R$ 167.272,40) e a multa (R$ 298.901,36) decorrentes da alegada falta de recolhimento, devendo ser excluídos tais valores. Finaliza requerendo o recebimento e a procedência da Impugnação com o cancelamento do auto de infração ou, então, com a exclusão dos valores relativos aos juros de mora e à multa. Requer, também, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a documental. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 935 9 Tendo em vista a negativa do Acórdão da 11ª Turma da DRJ/RPO, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário, visando reformar a referida decisão, cancelando o presente Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1464.658 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2012 PASEP. COISA JULGADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ALCANCE. Nos termos do disposto nos Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 2011, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os precedentes do STF formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, que tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. Como já decidiu o Plenário do STF, o art. 239 da Constituição Federal constitucionalizou a contribuição ao PASEP, criada pela Lei Complementar nº 8/70, confirmando sua natureza tributária e dandolhe caráter eminentemente nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2012 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada em procedimento fiscal a falta/insuficiência de recolhimento de tributo e/ou contribuição, é cabível a aplicação da multa de 75%. JUROS DE MORA. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte repisa os argumentos expostos quando da Impugnação em seu Recurso Voluntário e pleiteia a (i) inexigibilidade do crédito tributário por haver sentença judicial transitada em julgado a seu favor; (ii) inexigibilidade da contribuição por entender que não existe a exigência de recolhimento de PASEP pelos Municípios; e, (iii) inexigibilidade da atualização monetária, dos juros e da multa. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 936 10 Sendo assim passo a analisar em conjunto os pedidos e argumentos trazidos pelo Contribuinte no Recurso Voluntário. Argumenta o Contribuinte que no ano de 2000 ele ajuizou Ação nº 2000.04.01.1097905 perante a Justiça Federal, que transitou em julgada em 4 de julho de 2006, no sentido de que a contribuição PASEP não poderia ser exigida dos Municípios em razão dos princípios da autonomia federativa e da legalidade. Fato este que foi reconhecido expressamente pela Fiscalização no Relatório Fiscal que originou o Auto de Infração. Nesse sentido, o Contribuinte aduz que esta decisão transitada em julgado só pode ser revertida por meio de ação rescisória, sob pena de ferir o princípio da segurança jurídica das decisões judiciais. Ocorre que a Fiscalização justificou o lançamento no fato do Supremo Tribunal Federal já ter exarado entendimento no sentido contrário aquele consubstanciado na decisão transitada em julgado proferida a favor do Contribuinte e, também, em um parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional que entende que “cessariam de forma prospectiva anteriores decisões transitadas em julgado relativas as relações jurídicas de trato sucessivo, que lhes forem contrárias” (fl. 900). Acerca deste argumento o Contribuinte aduz que a decisão do STF se deu em sede de controle difuso de constitucionalidade, o que implica em uma eficácia vinculante apenas no que tange as partes do litígio naquele processo, não possuindo a referida decisão efeito vinculante e obrigatório para os demais órgãos públicos. Conforme se verifica no seguinte trecho do Recurso (fl. 914 e 915): Como existe entre o recorrente e a União sentença judicial transitada em julgado que o exime do recolhimento da contribuição para o PASEP, nem mesmo se o STF tivesse decidido de forma diversa, em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Teria o condão de afastar automaticamente os efeitos da coisa julgada. Isto somente vir a ocorrer, caso ainda não transcorrido o lapso decadencial para a propositura de ação rescisória, que é o único instrumento processual apto a desconstituir a coisa julgada. E, por fim, o Contribuinte cita o art. 62 do Regimento Interno do CARF, que define que as decisões definitivas do STF devem ser reproduzidas nas decisões deste Conselho. Nesse sentido, cito trechos do ora analisado Acórdão como forma de elucidar o entendimento (fls. 867 e seguintes): Como relatado, descreve a Fiscalização que o Município autuado obteve na Ação Judicial de no 2000.04.01.1097905/SC, transitada em julgado em 04/07/2006, decisão que lhe fora favorável, eximindoo do recolhimento da Contribuição ao PASEP com base no art. 8o da Lei Complementar no 8, de 03 de dezembro de 1970. De fls. 39 consta a seguinte ementa de decisão do TRF da 4a Região Fl. 939DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 937 11 Os demais elementos constantes de fls. 40/95 indicam: a interposição de Embargos de Declaração pela União (Fazenda Nacional, fls. 42), acolhidos em parte apenas para efeitos de prequestionamento (fl. 52); a interposição de Recurso Especial pela União (Fazenda Nacional, fl. 57, com contrarazões à fl. 64), Recurso esse que inicialmente não fora admitido (fl. 74), ensejando Agravo de Instrumento (fl. 76), ao qual foi dado provimento por meio de decisão determinando a subida do referido Recurso Especial (fl. 81); a apreciação pelo STJ do Recurso Especial da União, ao qual foi negado seguimento por decisão assim ementada (fl. 85) e transitada em julgado em 04/07/2006 (fl. 93): Como se vê, o mérito da ação judicial que teve sentença favorável ao contribuinte não chegou a ser apreciado no âmbito do STF. Apesar da existência de decisão do TRF da 4a Região favorável ao contribuinte, esclarece a Fiscalização que o Plenário do STF já manifestou entendimento pela obrigatoriedade da contribuição ao PASEP para Estados e Municípios, em decisões proferidas nas Ações Civis Originárias (ACO) de nos 539 e 546 (em 2011) que acompanhou o que já havia sido decidido na ACO no 471 (em 2002), sendo que posteriormente, houve diversos julgados no mesmo sentido. Em consequência e considerando o entendimento da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, foi formalizada a exigência ora em litígio. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 938 12 Em sua Impugnação, o Interessado não nega a ocorrência de decisões do STF mencionadas pela Fiscalização (ACO de nos 539, 546, 471, e diversos julgados no mesmo sentido) contrárias à decisão que lhe dava amparo e, exceto pela incidência dos juros de mora e da multa de mora lançada, nada opõe ao cálculo dos valores devidos, apurados e lançados pela Fiscalização. Argumenta, contudo, que o precedente oriundo do c. STF mencionado no relatório fiscal foi proferido em sede de controle difuso de constitucionalidade, de modo que possui eficácia vinculante apenas em relação às partes que litigaram naquele processo específico, e, ainda, que mesmo as decisões proferidas pelo STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade, o que entende não ocorrer no caso presente, não tem qualquer influência sobre a coisa julgada, nem o condão de afastar os seus efeitos, de forma automática e prospectiva, dada a proteção que lhe é conferida pelo art. 5ª, XXXVI da Constituição Federal c/c art. 502 do CPC. Portanto, para análise do litígio impõese verificar em que medida a eficácia da decisão do TRF da 4ª Região (transitada em julgado e não submetida à apreciação da Suprema Corte) no sentido de que “inexistindo lei estadual ou municipal criando a obrigação tributária, não há tributo a ser exigido” pode ter seus desdobramentos futuros atingidos/alterados pela superveniência da jurisprudência do STF que, confirmando jurisprudência anterior desde 2002, aponta no sentido de que o artigo 239 da Constituição Federal de 1988 constitucionalizou o PASEP, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, dandolhe caráter eminentemente nacional, com as alterações nele enunciadas (§§ 1º, 2º, 3º e 4º) ..... com o advento da Constituição Federal de 1988, a contribuição deixou de ser facultativa, para ser obrigatória, nos termos do art. 239. Sobre o assunto, fora exarado o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492, de 30/03/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 24/05/2011 (DOU de 26/05/2011) e de observância obrigatória no âmbito deste Ministério, por força dos arts. 13 e 42 da Lei Complementar nº 73/93. Veja a síntese do entendimento fazendário: Síntese do exposto 99. Eis a síntese das principais considerações/conclusões expostas ao longo do presente Parecer: (i) a alteração nos suportes fático ou jurídico existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado; (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 939 13 (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; (iv) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinteautor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; (v) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinte autor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer. [Destaquei]. No DOU de 26/05/2011 foi publicado o Despacho do Ministro da Fazenda nos seguintes termos: Aprovo o PARECER PGFN/CRJ/No 492/2011, 30 de março de 2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu que: i) quando sobrevier precedente objetivo e definitivo do STF em sentido favorável ao Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional em anterior decisão tributária transitada em julgado, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido; ii) quando sobrevier precedente objetivo e definitivo do STF em sentido favorável ao contribuinteautor, este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional em anterior decisão tributária transitada em julgado, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido.[...] Para melhor entendimento das conclusões acima, são reproduzidos a seguir os itens 74 a 80 do Parecer PGFN/CRJ/No 492/2011: 74. É legítimo se afirmar, portanto, que a data do trânsito em julgado do acórdão do STF configura, ao menos como regra, o termo a quo para o exercício dos direitos acima referidos. Entretanto, essa regra comporta exceção no que tange, especificamente, ao direito de que dispõe o Fisco de voltar a exigir, do contribuinte autor, o tributo antes tido por inexigível pela coisa julgada que lhe favorecia. Assim, em algumas situações específicas adiante expostas, por razões ligadas ao relevante princípio da segurança jurídica, com os seus corolários em matéria tributária, a saber, os princípios da não surpresa e da proteção da confiança, não há como considerar que a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF configura o marco a partir do qual o Fisco possui o direito de efetuar a cobrança do correspondente tributo, relativo a todos os fatos geradores praticados pelo contribuinteautor desde então. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 940 14 75. Para que bem se compreenda quais são essas situações específicas, e o porquê da necessidade de se excepcionálas, basta pensar na hipótese, que bem as exemplifica, em que um dado contribuinte tenha deixado de efetuar o pagamento de determinado tributo por reputar que assim estava autorizado em razão de coisa julgada formada, a seu favor, considerando inexistente a correspondente relação jurídica tributária, apesar de esse não pagamento ter se dado quando já existia precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário ao sufragado na coisa julgada, proferido e transitado em julgado em momento anterior à aprovação e publicação do presente Parecer. E mais: mesmo com o advento desse precedente da Suprema Corte, favorável à Fazenda Nacional – que, segundo aqui se entende, fez cessar a eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado e, portanto, legitimaria a cobrança do tributo relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de então , o Fisco quedouse inerte durante anos, não efetuando as correspondentes exigências tributárias. 76. Notese que, na hipótese acima aventada, o contribuinteautor deixou de pagar o tributo por considerar que assim estava respaldado por coisa julgada, e o Fisco, mesmo diante do precedente do STF, não efetuou as correspondentes exigências tributárias, numa postura omissiva que, de certo modo, demonstrou a sua adesão ao comportamento do contribuinte. Em hipóteses desse jaez – em que (i) a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, face ao advento de precedente objetivo e definitivo do STF, ocorreu em momento anterior à publicação deste parecer e (ii) não houve lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento do precedente do STF , não há como legitimamente pretender que, agora, com o entendimento esposado neste Parecer, possa o Fisco exigir, do contribuinteautor, o tributo relativo a todos esse fatos geradores passados (por óbvio, desde que ocorridos há menos de 5 anos). 77. Essa nova exigência, relativa aos fatos geradores anteriores ao presente Parecer, tendo como marco inicial a data, no passado, do advento da decisão do STF, além de causar ao contribuinteautor surpresa que não parece compatível com a segurança jurídica e a confiança que devem iluminar as relações travadas entre o Fisco e os contribuintes, também representaria ofensa direta ao disposto no art. 146 do CTN, segundo o qual “a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução”. Esse dispositivo legal, cuja essência claramente se inspira nos já invocados princípios da não surpresa e da proteção da confiança, veda que novos critérios jurídicos introduzidos pela Administração Pública Tributária em sua atividade de lançar atinja fatos geradores ocorridos em momento anterior à sua introdução, o que parece impedir que o entendimento contido no presente Parecer – que, inequivocadamente, configura um novo critério jurídico relativo a lançamento tributário – apliquese às situações que lhe são pretéritas. 78. Assim, tendo em conta o princípio da segurança jurídica e os seus consectários princípios da não surpresa e da proteção à confiança, bem como por força do que prevê o art. 146 do CTN, entendese, aqui, que naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em face do advento de precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário ao nela sufragado, tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste parecer, e tendo havido inércia dos agentes fazendários, o termo a quo para o exercício, pelo Fisco, do direito de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão é a data da publicação deste parecer, o que significa dizer que apenas os fatos geradores praticados a partir deste instante poderão ser objeto de lançamento. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 941 15 79. Em outras palavras: este parecer não retroage para alcançar aqueles fatos geradores pretéritos, que mesmo sendo capazes, à luz do entendimento ora defendido, de fazer nascer obrigações tributárias, não foram, até o presente momento, objeto de lançamento. Por óbvio, se nas situações pretéritas o Fisco já tiver adotado o entendimento ora defendido, efetuando a cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos desde a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em relação a essas situações pretéritas o critério jurídico contido no presente Parecer não poderá ser considerado “novo”, o que afasta a aplicação do princípio da não surpresa e do art. 146 do CTN; esses lançamentos, portanto, deverão ser mantidos. 80. Afora essas situações específicas, que se caracterizam, primordialmente, por serem pretéritas a este Parecer, em todas as demais deve incidir a regra referida mais acima, segundo o qual o termo a quo para o exercício do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo antes tido como inexigível pela coisa julgada que lhe favorecia é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Na espécie, há decisão plenária do STF anterior a 03/05/2007 (ACO 471) confirmada em julgados posteriores da Suprema Corte, o que faz cessar a eficácia da coisa julgada tributária, segundo o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011. E, no presente processo, a autuação abrange fatos geradores a partir de junho/2011, portanto posteriores à publicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº492/2011, 30 de março de 2011, publicado no DOU de 26/05/2011. A Impugnante invoca decisão do STJ acerca da eficácia da coisa julgada, exarada no âmbito do Recurso Especial nº 1.118.893/MG e do Recurso Repetitivo nº 340, relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e defende sua aplicação ao presente caso. (...) Como se vê dos dispositivos legais acima transcritos, nas matérias decididas seja no STF, seja no STJ, respectivamente, nos termos dos arts. 543B e 543C do CPC, “as unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002”. Conseguintemente, a esta instância administrativa de julgamento é vedado dar ao decidido pelo STJ no julgamento do Resp 1.118.893/MG os efeitos postulados pelo Impugnante, isto é, que a coisa julgada que beneficiou o Autuado (decisão no sentido de que a contribuição ao PASEP é facultativa e dependente de lei municipal ou estadual) continue prevalecendo apesar do posicionamento do STF (no sentido de que com o advento da Constituição Federal de 1988, a contribuição deixou de ser facultativa, para ser obrigatória, nos termos do art. 239), mesmo porque, como adiante se verá, há manifestação da ProcuradoriaGeral esclarecendo a distinção entre o julgado do STJ . Ademais, cabível também registrar que a Portaria PGFN/RFB No 1, de 12 de fevereiro de 2014, publicada no DOU em 17/02/2014, assim dispôs: “(...) Art. 3o. Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543B e 543C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4o, 5o e 7o do Fl. 944DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 942 16 art. 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA no 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ no 396, de 11 de março de 2013. (...) §3o. A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. §4o. A Nota Explicativa a que se refere o caput será publicada no sítio da RFB na Internet.” (Grifos acrescentados). E em atendimento à referida Portaria, foi divulgada na internet a Nota PGFN/CRJ no 1.114/2012, que, dentre outras, tratou, no item 68 de seu Anexo, da controvérsia sobre os limites objetivos da coisa julgada, objeto do Resp 1.118.893/MG (invocado na Impugnação ora em litígio), a saber: (...) Por sua vez, do referido Paracer PGFN/CRJ n. 975/2011 (também disponível na internet), são extraídos os seguintes excertos: (...) Assim, firmada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional a distinção entre o definido pelo STJ no REsp no 1.118.893MG e o conteúdo do Parecer PGFN/CRJ/No 492/2011, as alegações do Impugnante não são hábeis a afastar o Auto de Infração em litígio. Ainda, por pertinente, observese que, também no âmbito do CARF, mesmo se tratando da CSLL, prevalece a observância ao entendimento da PGFN, como refletido, a título de exemplo, nos Acórdãos cujas ementas enunciam: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2003, 2004, 2005, 2006 COISA JULGADA. AFASTADA. Por força do disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar no 73/93, este Colegiado é obrigado a observar as conclusões do PGFN/CRJ/No 492/2011,por ter sido ratificado pelo Ministro de Estado da Fazenda. (Acórdão no 1302001.130 Sessão de 11 de junho de 2013). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 CSLL. COISA JULGADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ALCANCE. O alcance dos efeitos da coisa julgada material, especialmente quando se trata de relações jurídicas tributárias de natureza continuativa, é questão que a jurisprudência já reafirmou que não se projeta para fatos geradores futuros, salvo se expressamente determinado pelo Poder Judiciário. Nos termos do disposto no Parecer PGFN no 492, de 2011, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os precedentes do STF formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, que tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. (Acórdão no 1301001.355 Sessão de 04 de dezembro de 2013) Ademais, registrese o limite do trânsito em julgado também está em discussão no Supremo Tribunal Federal, no RE 949.247, ainda em andamento e sem decisão definitiva. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 943 17 De acordo com o exposto pelo Contribuinte, bem como, no voto proferido na decisão ora recorrida, constatase, de forma inconteste, a discussão na esfera judicial da matéria objeto do presente processo administrativo fiscal. Constatase o mesmo no segundo ponto do recurso. Neste o Contribuinte alega que não há amparo legal para a exigência de contribuição ao PASEP com base no art. 8º da Lei Complementar nº 08 de 1970, pois esta exigência depende, no seu entender, da edição de lei estadual ou municipal. Cito trecho do ora analisado Recurso Voluntário como forma de elucidar (fls. 923): (...) Portanto, mesmo que o recorrente não tivesse decisão judicial transitado em julgado que o exime do recolhimento da contribuição ao PASEP, ainda assim tal seria inexigível, motivo pelo qual o cancelamento do auto de Infração objurgado é medida imperativa. Na terceira parte e última do recurso do Contribuinte, alegase que não podem ser cobrados os encargos moratórios, uma vez que considera que nunca esteve em mora, pois a ausência de recolhimento do PASEP se deu por força de decisão judicial. Conforme se verifica no seguinte trecho do Recurso (fl. 925): A decisão judicial transitada em julgado e eximiu o impugnante do recolhimento da contribuição para o PASEP. Logo, não existindo obrigação do recolhimento da mencionada contribuição, não há que se falar em falta ou atraso, de modo que sobre os valores apurados pelo Fisco (que são inexistentes) não são aplicáveis encargos moratórios, como os juros de mora, atualização monetária e multa. Observase assim, que a matéria objeto do presente processo administrativo é objeto de discussão no âmbito do poder judiciário, o que implica em concomitância. A Súmula Carf nº 1 assim estabelece: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Constatado a concomitância e em respeito a aplicação da Súmula Carf nº 1, voto por não conhecer do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 946DF CARF MF Processo nº 13971.721687/201651 Acórdão n.º 3301004.733 S3C3T1 Fl. 944 18 Fl. 947DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.721188/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 31/03/2010
PRAZO PRESCRICIONAL PARA COMPENSAÇÃO.
O direito de compensar o que recolheu indevidamente é decenal, antes do início da vigência da Lei Complementar nº 118/05, e desde que o faça até 09/06/2010.
DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Uma vez que não foram informados nas GFIP, as contribuições incidentes sobre estas remunerações não poderiam ter sido compensadas, conforme art. 6º, inc. II da IN MPS/SRP 015, de 12 de setembro de 2006, DOU de 18/09/2006
ANÁLISE DE LIQUIDEZ DO CRÉDITO. FOLHAS DE PAGAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A falta de apresentação das folhas de pagamento impossibilita a verificação da liquidez dos valores compensados em GFIP pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2401-005.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 31/03/2010 PRAZO PRESCRICIONAL PARA COMPENSAÇÃO. O direito de compensar o que recolheu indevidamente é decenal, antes do início da vigência da Lei Complementar nº 118/05, e desde que o faça até 09/06/2010. DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO Uma vez que não foram informados nas GFIP, as contribuições incidentes sobre estas remunerações não poderiam ter sido compensadas, conforme art. 6º, inc. II da IN MPS/SRP 015, de 12 de setembro de 2006, DOU de 18/09/2006 ANÁLISE DE LIQUIDEZ DO CRÉDITO. FOLHAS DE PAGAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de apresentação das folhas de pagamento impossibilita a verificação da liquidez dos valores compensados em GFIP pelo sujeito passivo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10435.721188/2010-57
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893511
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.521
nome_arquivo_s : Decisao_10435721188201057.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10435721188201057_5893511.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7397290
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589834772480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1497; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10435.721188/201057 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.521 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MUNICÍPIO DE TACARATU PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 31/03/2010 PRAZO PRESCRICIONAL PARA COMPENSAÇÃO. O direito de compensar o que recolheu indevidamente é decenal, antes do início da vigência da Lei Complementar nº 118/05, e desde que o faça até 09/06/2010. DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO Uma vez que não foram informados nas GFIP, as contribuições incidentes sobre estas remunerações não poderiam ter sido compensadas, conforme art. 6º, inc. II da IN MPS/SRP 015, de 12 de setembro de 2006, DOU de 18/09/2006 ANÁLISE DE LIQUIDEZ DO CRÉDITO. FOLHAS DE PAGAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de apresentação das folhas de pagamento impossibilita a verificação da liquidez dos valores compensados em GFIP pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 11 88 /2 01 0- 57 Fl. 174DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fl. 2, lavrado em decorrência das compensações indevidas lançadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, decorrentes da contribuição incidente sobre os subsídios recebidos pelos agentes políticos, titulares de mandatos eletivos, que apurou o crédito tributário no montante de R$ 1.225.121,55 (um milhão, duzentos e vinte e cinco mil e cento e vinte um reais e cinquenta e cinco centavos), já acrescido de juros e multa moratória, referente ao período de 11/2009 a 03/2010. Consta do Relatório Fiscal (fls. 20/22) o que segue: “[...] 3. Através de consultas aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (CNISA e PLENUS CCORGFIP), foi verificado que as remunerações do prefeito e do viceprefeito não foram declaradas em GFIP, no período de 11/1999 a 03/2000. Dessa forma, uma vez que não foram informados nas GFIP, as contribuições incidentes sobre estas remunerações não poderiam ter sido compensadas, conforme art. 6º, inc. II da IN MPS/SRP 015, de 12 de setembro de 2006, DOU de 18/09/2006. 4. Na planilha de cálculo das contribuições a serem compensadas apresentada pelo Município, constam os valores das remunerações pagas aos vereadores. As contribuições incidentes sobre estas remunerações, se fosse o caso, deveriam ter sido compensadas no próprio CNPJ da câmara municipal de Tacaratu. 5. As rubricas “Horasextras” e “Férias 1/3” enquadramse como base de cálculo da contribuição previdenciária, de acordo com o art. 28, inc. I da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. Desta forma, estes valores não estariam sujeitos à compensação, pelos motivos alegados pelo contribuinte. Além disso, o município não apresentou as folhas de pagamentos solicitadas pelo Auditor Fiscal no TIPF e no TIF. 6. Foi verificado que está extinto o direito a compensação dos valores lançados nas GFIP’S de 11/09 a 03/10, vinculados a eventuais pagamentos indevidos do período de 11/1999 a 03/2000, de acordo com o art. 168, I, da Lei 5.172 de 25.10.66 (CTN) c/ art. 3º da Lei Complementar 118 de 09.02.05. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10435.721188/201057 Acórdão n.º 2401005.521 S2C4T1 Fl. 3 3 7. Considerando as irregularidades, acima listadas, esta fiscalização considera indevida a totalidade dos valores compensados, procedendo, desta forma, à glosa das referidas compensações. 8. Para constituição deste crédito foi considerado o código de levantamento ‘GC – GLOSA DE COMPENSAÇÃO’. [...] 12. Na auditoria fiscal, além deste, foram lavrados os seguintes Auto de Infração: · 37.299.4067 – Referente ao descumprimento da obrigação acessória de informar as GFIP sem incorreções (CFL78); · 37.299.4075 – Referente ao descumprimento da obrigação acessória de apresentar as folhas de pagamento (CFL38). [...]” Consta, ainda, que na auditoria fiscal realizada na Prefeitura, além deste, foram lavrados os seguintes Autos de Infração: 37.299.4067 – referente ao descumprimento da obrigação acessória de informar as GFIP sem incorreções (CFL78) e 37.299.4075 – referente ao descumprimento da obrigação acessória de apresentar as folhas de pagamento (CFL38). Devidamente cientificado do lançamento em 11/10/2010 (fl. 2), a Interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 40/59), alegando, em síntese: (i) de acordo com a jurisprudência dos tribunais superiores, o prazo para compensação dos tributos lançados por homologação indevidamente pagos antes da vigência da LC nº 118/05 é de 5 anos contados a partir da homologação tácita (total de 10 anos); (ii) as compensações realizadas sobre os subsídios dos agentes políticos estão fundamentadas em sentença judicial transitada em julgado, em conformidade com o RE nº 351.717 do STF, cujo efeito da inconstitucionalidade foi estendido pela Resolução do Senado Federal nº 26/2005; (iii) de acordo com o entendimento do STF e do STJ não incide contribuição social sobre o terço constitucional de férias e horas extras, porquanto estas verbas não se incorporam ao salário do trabalhador para fins de aposentadoria; (iv) embora a fiscalização mencione períodos em que não teria havido o recolhimento das contribuições previdenciárias, omitese em falar dos parcelamentos titularizados pelo Município, devidamente adimplidos, que contemplam os referidos períodos; (v) não existem vedações legais à compensação de débitos pagos através de parcelamento; (vi) é faculdade do contribuinte compensar os valores indevidamente incluídos em parcelamento especial com outros débitos, razão pela qual deverá ser homologada a compensação objeto deste AI; Fl. 176DF CARF MF 4 (vii) o Município tem legitimidade para realizar a compensação dos valores indevidamente pagos a título de contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos vereadores, uma vez que a Câmara Municipal, malgrado possua capacidade processual, não possui personalidade jurídica; Ao final requer: (a) sejam aplicadas as normas do código Tributário Nacional aos valores compensados, atentandose que os fatos geradores ocorreram anteriormente à vigência da LC 118/2005, estando sujeitos à sistemática dos 5+5, em observância ao entendimento do STJ; (b) seja verificdo o efetivo recolhimento das contribuições indevidas pelo Município; e (c) sejam refeitos os cálculos dos valores passíveis de compensação apresentados por esta DRF, com a consequente homologação do valor de R$ 968.026,83, compensados nas competências 11/2009 a 03/2009, excluindose a multa e juros de mora aplicados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1262.878 da 12ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 84/89, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido na sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 31/03/2010 DIREITO CREDITÓRIO. 1/3 DE FÉRIAS E HORASEXTRAS. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA OU JUDICIAL. FALTA DE CERTEZA QUANTO À SUA EXISTÊNCIA. Carece de certeza quanto à existência do direito creditório a compensação de contribuições incidentes sobre 1/3 de férias e horasextras, quando inexistente decisão administrativa ou judicial transitada em julgado que o assegure. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/05. Nos tributos lançados por homologação, o sujeito passivo tem o direito de compensar o que recolheu indevidamente antes da LC 118/05 em até 10 anos, desde que o faça até a data limite de 09/06/2010 cinco anos após a vigência da norma. ANÁLISE DE LIQUIDEZ DO CRÉDITO. FOLHAS DE PAGAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de apresentação das folhas de pagamento impossibilita a verificação da liquidez dos valores compensados em GFIP pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 114/131, reprisando os mesmos argumentos lançados na sua peça de Impugnação, da seguinte forma: (i) Prescrição decenal. Interpretação da Lei Complementar nº 118/2005. Súmula Vinculante nº 8, do STF. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10435.721188/201057 Acórdão n.º 2401005.521 S2C4T1 Fl. 4 5 Argumenta que a DRJ de origem entendeu que o Município só poderia compensar os valores recolhidos nos cinco anos anteriores à compensação. Contudo, o entendimento da primeira instância não está em consonância com a jurisprudência pátria. Assevera que a prescrição para a compensação ou restituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação indevidamente pagos antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, é de 5 anos, após o decurso de 5 anos do prazo para homologação tácita, e tal entendimento restou consolidado pelo C. Supremo Tribunal federal após o julgamento que considerou inconstitucional o artigo 4º da referida lei. Aduz que o STJ, interpretando as normas do CTN as alterações provocadas pela LC 118/2005, considerou que os fatos geradores de tributos sujeitos à lançamento por homologação ocorridos antes da vigência da referida Lei Complementar ainda estariam sujeitos à antiga sistemática do “5+5”. Ou seja, o prazo para compensação ou restituição de tais tributos seria o da lei anterior, no caso, 10 (dez) anos. Diante disso, afirma restar comprovado o direito do Município em compensar os valores indevidamente recolhidos de contribuições previdenciárias retroativos à dez anos; (ii) as compensações realizadas sobre os subsídios dos agentes políticos estão fundamentadas em sentença judicial transitada em julgado, em conformidade com o RE nº 351.717 do STF, cujo efeito da inconstitucionalidade foi estendido pela Resolução do Senado Federal nº 26/2005; (iii) de acordo com o entendimento do STF e do STJ não incide contribuição social sobre o terço constitucional de férias e horas extras, porquanto estas verbas não se incorporam ao salário do trabalhador para fins de aposentadoria; (iv) é faculdade do contribuinte compensar os valores indevidamente incluídos em parcelamento especial com outros débitos, razão pela qual deverá ser homologada a compensação objeto deste AI; (v) o Município tem legitimidade para realizar a compensação dos valores indevidamente pagos a título de contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos vereadores, uma vez que a Câmara Municipal, malgrado possua capacidade processual, não possui personalidade jurídica; É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Como se pode verificar dos autos, a intimação nº 01/2014/ARF/AVE/PE, foi devidamente recebida pelo Recorrente em 19.02.2014, porém, como noticiado pela parte, eis que o conteúdo do acórdão de nº 1262.878 não foi disponibilizado para fins de elaboração de Fl. 178DF CARF MF 6 recurso (fls.94/97), sendo requerido, assim, o reestabelecimento do prazo recursal de 30 (trinta) dias. Dessa forma, a Secretaria da DRFB, por meio da certidão de fls. 14, entendeu por acolher o pedido formulado pelo Recorrente, tomando como data da ciência pessoal dos termos do acórdão e, por consequência, o dies a quo para a contagem do prazo, o dia 04.04.2014. Tendo em vista que o protocolo se no dia 06.05.2014, tempestivo o presente recurso, uma vez que cumprido o prazo de 30 (trinta) dias. 2. DO MÉRITO 2.1 Do Prazo Prescricional para Compensação. O Recorrente alegou em Recurso Voluntário que “a DRJ de origem entendeu que o Município só poderia compensar os valores recolhidos nos cinco anos anteriores à compensação”. Todavia, ao contrário do que sustenta o Recorrente, a instância julgadora a quo reconheceu o direito de compensar em até 10 anos o que recolheu indevidamente antes do início da vigência da Lei Complementar nº 118/05, desde que o faça até 09/06/2010. Recorde se: “9. Por outro lado, através da Resolução nº 26, de 22/06/2005, do Senado Federal, foi reconhecida com eficácia vinculante a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios dos agentes políticos. 10. No tocante à redução do prazo prescricional implementada pela LC 118/05, o Superior Tribunal de Justiça – STJ já se posicionou a respeito da matéria no REsp 1002932/SP, em recurso repetitivo, nos seguintes termos: (...) em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição quinquenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10435.721188/201057 Acórdão n.º 2401005.521 S2C4T1 Fl. 5 7 efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 11. Do que se depreende do excerto acima, em suma, o sujeito passivo tem o direito de compensar em até 10 anos o que recolheu indevidamente antes do início da vigência da LC 118/05, desde que o faça até 09/06/2010 cinco anos após a entrada em vigor daquela norma. Desse modo, na prática, ninguém terá menos de cinco nem mais de dez anos para se compensar do indébito. 12. No caso sob exame, o contribuinte compensou no período de 11/2009 a 03/2010 valores indevidamente recolhidos no período de 11/1999 a 03/2000. Assim, à luz da regra ora enunciada, não há que se falar em prescrição, porquanto respeitados, cumulativamente, o prazo de 10 anos e a data limite de 09/06/2010 para compensação.” Pela leitura do exposto acima, verificase que o Recurso Voluntário não merece conhecimento nesse ponto. 2.2 Da falta de comprovação de direito creditório. Conforme verificouse da análise dos autos, por intermédio de consultas aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (CNISA e PLENUS CCORGFIP), restou constatado que as remunerações do prefeito e do viceprefeito não foram declaradas em GFIP, no período de 11/1999 a 03/2000. Dessa forma, uma vez que não foram informados nas GFIP, as contribuições incidentes sobre estas remunerações não poderiam ter sido compensadas, conforme art. 6º, inc. II da IN MPS/SRP 015, de 12 de setembro de 2006, DOU de 18/09/2006. Noutro giro, o exame dos autos revela que o Recorrente também não apresentou as folhas de pagamento solicitadas através do TIPF e do TIF, no curso da fiscalização. Dessa forma, conforme bem pontuado pela origem, tal fato impossibilitou aferirse a liquidez do quantum compensado. “Isso porque, em se tratando de lançamento por homologação, como é o caso, o procedimento compensatório está sujeito à verificação de sua acurácia por parte da autoridade administrativa, a quem compete homologar ou não a apuração do tributo devido feita pelo contribuinte”. Ademais, ante a impossibilidade de identificarse no montante compensado a parcela correspondente à contribuição incidente sobre cada rubrica (remuneração do prefeito, viceprefeito, vereadores, 1/3 de férias e horasextras), tornase despicienda a análise acerca da possibilidade ou não de compensar no CNPJ da Prefeitura valores relativos às remunerações dos vereadores. Pelo expoto, a decisão recorrida não merece censura. Fl. 180DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
